Carta pública a Dom Orani Tempesta, Arcebispo do Rio, com cópia para o Pontífice Francisco

Rio de Janeiro, 19 de Abril (sábado) de 2014.

EXCELENTÍSSIMO DOM ORANI TEMPESTA, CARDEAL-ARCEBISPO
DO RIO DE JANEIRO
.

Permita receber os meus cumprimentos respeitosos, eis que me dirijo ao Senhor Arcebispo da nossa cidade e Cardeal da nossa Igreja.

O fato já é público e notório, porque do conhecimento de todos. No jornal carioca O DIa , edição de hoje, a notícia começa assim: “Rio – Em um dos dias mais importantes para o calendário da fé cristã, a Sexta-Feira Santa, quando católicos revivem o calvário da crucificação de Jesus, centenas de fiéis deram de cara com as portas fechadas na Catedral Metropolitana do Rio. Pela primeira vez na história, a Arquidiocese decidiu cancelar todas as celebrações religiosas no local, incluindo a procissão do Senhor Morto e a encenação do 36º Auto da Paixão de Cristo, que aconteceriam ontem, a Vigília Pascal, programada para hoje, e a missa de Páscoa, amanhã, seguida de uma ceia de confraternização com moradores de rua. Em nota oficial, a Arquidiocese informou que tomou a decisão “em solidariedade a todos os necessitados”, depois que 50 desabrigados, entre famílias e crianças, se alojaram em frente à catedral, na Avenida Chile, no Centro. O grupo — que semana passada havia invadido o terreno da empresa telefônica OI, no Engenho Novo — foi para a porta da Igreja por volta das 6 horas“.
Mais adiante, Senhor Cardeal, o texto da notícia registra: “O padre da Categral, Pedro Luiz Antonio Pereira Lopes, conversou com os desabrigados do lado de fora. Ele ressaltou que a intenção da Igreja agora é fazer uma mediação para ajudar os desabrigados. “Eles aqui não vão conseguir nada. Se querem reivindicar, devem acampar na porta das autoridades”, sugeriu”.

SENHOR ARCEBISPO,

na trajetória de sua vida, passada, presente e futura, Vossa Excelência não deu e nem dará passo mais pungente para com o próximo, com a Igreja, com Jesus Crucificado e com Deus, como esse dado agora. Crudelíssimo passo. Crudelíssima decisão. Justamente numa Sexta-Feira da Paixão, fechou as portas da Catedral do Rio e nela cancelou todas as solenidades litúrgicas, de ontem, de hoje e de amanhã, que são milenares, que não foram criadas pelo Senhor Cardeal, que pertencem aos cristãos e que para os cristãos (de todas as classes sociais, sem distinção alguma) e em memória à Paixão de Cristo são celebradas, e a respeito das quais Vossa Excelência é o oficiante-mor. Com esse lancinante gesto, Vossa Excelência tisnou seu cardinalato ao qual em data recente, pomposa e festiva, ascendeu.

SURPREENDENTES E CONTRADITÓRIOS

são os motivos, Senhor Cardeal. A Nota Oficial da Arquidiocese diz que foi “em solidariedade a todos os necessitados“. Já a voz da mesma Arquidiocese, na pessoa do Reverendo Padre Jorge Luiz Antonio Pereira Lopes, declarou que a intenção da Cúria “é fazer uma mediação para ajudar os desalojados” , para, logo a seguir, dizer o mesmo pastor “Se querem reivindicar, devem acampar na porta das autoridades”.

Permita-me indagar, Senhor Cardeal (e as esperadas respostas de Vossa Excelência, se vierem, serão publicadas neste blog): com o fechamento do Templo e o cancelamento das cerimônias litúrgicas que nele seriam realizadas, qual foi a solidariedade prestada àqueles cerca de 50 necessitados que, sem teto,  sem voz, sem alimento — desamparados, enfim — foram parar à porta da Catedral? E que mediação a nossa Arquidiocese poderá iniciar com os poderes públicos para ajudar os desalojados, se a estes foi sugerido ” se querem reivindicar,devem acampar na porta das autoridades”?
Ou a nossa Igreja recebe, abriga, ampara, acolhe, protege, e isto sim é que é gesto solidário, ou enxota, ainda que “Na Casa Do Pai Há Muitas Moradas“, como se lê no Evangelho do João, 14:2. Sim, enxota, porque o fechamento das portas da Catedral e o cancelamento das cerimônias litúrgicas que nela seriam realizadas, justo porque cerca de 50 nossos irmãos em Cristo (entre eles, mulheres, idosos e crianças) se encontravam à porta do Templo, não pode receber outra tradução, outra dedução, outra interpretação, a não ser Enxotamento.

SENHOR CARDEAL, DOM ORANI TEMPESTA,

todos somos iguais. Nascemos, crescemos e morremos. Mesmo em desigualdades de condições, todos nós buscamos a felicidade. Aquele pequeno grupo de pessoas que estava, ordeiramente, na porta da Catedral não estava lá por prazer, mas por absoluta necessidade. São pobres. E pobres, no sábio dizer do exemplar presidente “Pepe” Mujica, não são aqueles que têm pouco ou que não têm nada. “Pobres são aqueles que precisam de muito, muito e muito mais“. Precisam, fundamentalmente, de Cristo, de ouvir Cristo, de ver Cristo, de entrar na Casa de Cristo, do carinho e cuidados dos pastores  e sacerdotes de Cristo.

Todos eles deveriam ser chamados a entrar na Catedral Metropolitana e, prioritariamente, sentarem-se nas primeiras filas, para que assistissem e participassem das cerimônias que, por causa deles, foram canceladas. Chego a pensar ser contrassenso, hipocrisia mesmo, que o pastor na véspera lave, enxugue e beije os pés de 12 homens pobres e, no dia seguinte, feche o Templo e nele cancele as cerimônias da Paixão de Cristo, justamente porque um grupo de 50 pobres acampou, ou permaneceu, ou se reuniu, ou se agrupou à frente dele na busca de amparo para a vida de miséria em que todos eles vivem.
Aqui vai uma reflexão para Vossa Excelência meditar. Parte de um católico fervoroso, mas irreverente. Léon Bloy, em sua obra “Le Mendiant Ingrat“, bradou: “A Miséria é como o diabo. Quando faz um prisioneiro, rodeia-o de excrementos”.

PEÇO A VOSSA EXCELÊNCIA

que no dia de hoje, sábado, faça anunciar a todo o povo do Rio de Janeiro que a nossa Catedral Metropolitana volta a estar aberta. Que as cerimônias de hoje, de amanhã e as de sempre, serão celebradas. Que venham presidente, governador, prefeito, magistrados, parlamentares e todo o Povo de Deus, sem distinção, sem discriminação. Sim, porque o que Vossa Excelência Reverendíssima fez jamais poderia ser feito.

AO PAPA FRANCISCO,
com quem mantenho troca de mensagens e-mail e é leitor deste blog, estou enviando cópia desta carta. Francisco, se já não sabe, precisa saber o que aconteceu e acontece na Arquidiocese do Rio de Janeiro. Logo Francisco, da Ordem dos Jesuítas de São Francisco de Assis, que não afugentou o Lobo de Gúbio, que amedrontava a cidadezinha da Úmbria. Ao invés de fechar as portas de sua casa, ou enxotá-lo, o santo foi ao seu encontro. E ao encontrá-lo, disse-lhe: “Vem cá, irmão lobo, e da parte de Cristo de ordeno que não faças mal a ninguém, nem a mim, nem a qualquer pessoa“. Mansamente o lobo ouviu, se foi e nunca mais voltou à cidade.
Em Cristo, Com Cristo e Por Cristo,
de Vossa Excelência Reverendíssima,

Jorge Béja

38 thoughts on “Carta pública a Dom Orani Tempesta, Arcebispo do Rio, com cópia para o Pontífice Francisco

  1. “Os povos da fome dirigem-se hoje, de modo dramático, aos povos da opulência. A Igreja estremece perante este grito de angústia e convida a cada um a responder com amor ao apelo do seu irmão”
    (Papa Paulo VI, em 1967)
    Jorge Béja, você está respondendo!!!
    As pessoas que ocuparam o prédio da OI não têm moradia, não têm comida, não têm assistência médica, não têm nada!!! E o que lhes é proposto? Qual a política habitacional que temos? Qual a política educacional, qual a política de alcance social, efetivamente social, que lhes é disponibilizada? Estão todos condenados a morrer desta forma? Esta atitude desmancha e fere profundamente a postura de Papas como João XXIII, o Papa da Bondade!!! E agride imensamente a encíclica Populorum Progressio de Paulo VI, que considero como maior grito pelos excluídos, dado pela Igreja Católica.
    Obrigado, Jorge Béja!!! Que seu grito ecoe pelas montanhas e vales, e encontre abrigo – e certamente encontrará – nos corações e mentes dos Homens de Boa Vontade.

  2. Caro Dr. Béja … RJ foi descoberto em primeiro de janeiro, data da circuncisão de Jesus … É judia marrana cristãnova … No entanto o rei francês não aceitou Tordesilhas e Henriville surge com Villeganhon … Depois é que temos RJ. A investida francesa volta em 1953 com o Cardeal francês convencendo Dom Hélder a ir ao social … Dom Orani tem se sensibilizado muito com nossas fraquezas sociais, que só pioram desde Dom Hélder … Sinalizando que o Senhor não aprova a Dissidência Interna iniciada por Dom Hélder … RJ é o estado com menor percentual de católicos snifff

  3. Faça a coisa certa como dizem os americanos: o governo corrupto e demagógico do PT deve canalizar toda fortuna que vai para esse ralo e empregar no social, que eles dizem partidários.
    mas, na prática , a teoria é outra.
    Bilhões para cuba, refinaria de Passadena, refinarias para o índio da Bolívia, refinaria Abreu Lima, etc.
    O dinheiro existe D.Orani. Peça pelo amor de deus para a corja que nos governa se arrepender e passar a praticar aquilo que pregaram.

  4. Vai ver que D. Orani nem sabe a quantidade absurda de impostos os pobre paga neste país. Não deve saber que o pobre vai na padaria e leva um pão em vez de quase dois.
    D. Orani, peça para acabar com o imposto de consumo e produção . O pobre é que se ferra com eles.
    Imposto, só de renda. Pô!

  5. A Dissidência Interna promovida por Dom Hélder encontra apoio no Vaticano do futuro Papa Paulo VI … Neste tempo o Comunismo não foi condenado pelo Concílio Vaticano II … Seria depois fatalmente golpeado pelo Beato João Paulo II, como o Emérito Bento XVI condenou o neoliberalismo sem regras contra a especulação financeira que levou à hiperconcentração da riqueza produzida pela HUMANIDADE em mãos de menos de cem homemulher.

  6. Mais uma vez, o jurista Jorge Béja se agiganta perante os pigmeus, que consideram os pobres, cidadãos de segunda classe, comparados aos servos da Idade Média. Seu arrazoado não deixa margens de dúvidas, em relação a infeliz decisão acerca do cancelamento das festividades do que seria o 36º Auto da Paixão de Cristo.

    Seria a época atual diferente da Idade Média, no dizer do historiador recém falecido, o francês, Jaques le Golf? O pesquisador dedicou 40 anos da sua longeva vida, ceifada aos 90 anos, no mês de março deste ano, a desmistificar o pensamento ocidental, de que a Idade Média teria sido o período das Trevas.

    Creio, que o pensador medieval tem carradas de razão. Por quê motivo? Porque estamos vivendo num mundo mais conservador do que o mundo medieval, onde pontuavam apenas duas classes dominantes: O Clero e a Nobreza. Ponto. A classe dos dominados era denominada de Servos. Hoje vivemos sob o domínio da classe dos capitalistas globalizadores, os que trabalham para a manutenção do “status quo” dessa classe de mercadores e banqueiros e uma imensa maioria de pobres e miseráveis carentes de quase tudo.

    E, para que tudo continue na mesma, tudo como antes no quartel de Abrantes, tome-lhe de guerras localizadas visando a manutenção do complexo industrial militar das grandes potências, que financiam as armas para que irmãos lutem e matem irmãos, principalmente no Oriente Médio. Os guerreiros do ocidente invadem os países e saem de lá com tudo destruído e os diferentes grupos étnicos detonando bombas nas cabeças de mulheres, idosos e crianças. É o que ocorre até hoje no Iraque, no Afeganistão e na Líbia. Agora estão acabando com a Síria. Alguém pode me dizer, aqui no Blog, se o que ocorre nesse século, está sendo diferente dos horrores praticados pelo Império Romano, em plena Idade Média?

    É evidente, que uma época guarda certas particularidades, que não veremos na totalidade naquela que lhe sucede, entretanto, as “Trevas” tão comentadas como sendo o Inferno de Dante da humanidade, creio que, estejamos vivenciando hoje, em pleno século XXI. É só observar o que acontece ao redor do mundo, na Ásia, na África e na América Latina. Não muito longe, aqui no nosso quintal, a cidade maravilhosa, nas ruas de todos os bairros, seja na Barra, em Ipanema ou Campo Grande vemos crianças e idosos dormindo embaixo de marquises com cobertores de papelão, drogados e com fome. Isso é pior do que a Idade Média é a ESCURIDÃO, sem uma luz no fim do túnel, em um governo que se diz de esquerda, mas que não é de esquerda. Imaginem quando a direita verdadeira ganhar a eleição? O que será, que será, que irá acontecer. Vamos aguardar para ver e crer.

    A sorte está lançada.

    • Concordo prezado Roberto, a historiadora francesa Régine Pernoud publicou em 1977, em Portugal, o livro “O Mito da Idade Média”, onde afirma que muito do que o vulgo fala sobre a genérica Idade Média, é mero preconceito. O mais certo é falarmos/escrevermos Idades Médias. E que História é essa de Idade das Trevas?

      • Idade das Trevas é um eufemismo para Idade Média. Alguns historiadores costumam associar o período de 1000 anos como aquele de completa escuridão. Miséria, opressão, falta de liberdade, monarquias autoritárias, Inquisição, intolerância religiosa, a lápide fria, o beijo da morte, satã, o inferno, pouca coisa diferente do que vemos hoje, sob uma capa de falsidade e engodo, naquilo que chamam de globalização.

        Aliás, no meio acadêmico não se fala em outra coisa: O fim da globalização. Os donos do mundo vão mudar para que tudo continue na mesma. Perceberam que a globalização causou mais prejuízos do que benefícios aos capitalistas ocidentais. Europa e EUA em crise econômica preparam o terreno para a volta do mais execrável colonialismo.

        Temo pela volta das Ditaduras do Cone Sul, mais palatáveis ao american way of life.

  7. Dr. Béja, ponderações perfeitas, há 70 anos deixei de ser católico, estou com grande admiração pelo atual papa, por suas atitudes e ações, exemplificadas por Jesus, constantes no Evangelho, respeito a todas as religiões, que buscam ao menos minorar o sofrimento, dando alento e esperança, ao sofredor, e essa situação, desmerece o trabalho do Papa Francisco, em abrir às “portas da igreja” aos necessitados do “Pão e do Espírito”, pois, os que lá compareceram, buscaram a solidariedade Cristã, e ficaram decepcionados, ficando realmente com o sentimento de enxotados em suas almas, muito triste e lamentável, que o exemplo do Mestre, em atender o necessitado, tenha sido jogado no “lixo”. O Chefe da Igreja local, fica devendo essa, que tenha a coragem de corrigir, é o que esperamos.
    Dr. Béja, onde vamos parar, quando olho nosso País, e não vejo LUZ no fim do túnel.

  8. O símbolo do social na Igreja é a Paróquia Santos Anjos aqui no Leblon, RJ, onde me reúno com nossa Comunidade no louvor do Senhor … Está lá o retrato de Dom Hélder que muito lutou por moradia e vida digna para todos … foi nesta Igreja que ouvi o Senhor me mandar confessar o Pecado do Mundo numa Missa numa visita pastoral do Bispo Auxiliar Dom Edson de Castro Homem … Iniciando a Restauração de Todas as Coisas … E me escolhendo para ser Elias dos Tempos Finais … Logo eu, o maior pecador da Humanidade.

  9. Independente da contundente correspondência enviada pelo nosso Dr. Béja ao Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, em brilhante exposição de fatos e discriminação de tratamento aos pobres protagonizados pela Igreja Católica, lamentavelmente, este episódio me fez lembrar o filme sobre São Francisco, Irmã Lua, Irmão Sol.
    A entrada dos franciscanos no Vaticano, andarilhos, esfarrapados, descalços, sujos, com fome, em razão do caminho que percorreram entre Assis e Roma, e se estendem no chão ao ver o Papa, em demonstração de suprema humildade, o magnífico filme de Franco Zeffirelli, de 1972, apresenta uma das cenas maios eloquentes já filmadas quando o Papa desce do seu trono, manda-os que fiquem em pé, e beija os pés de Francisco!
    Pois o cardeal do Rio seria o próximo Papa por ACLAMAÇÃO, se em plena sexta-feira da Paixão, abrisse as portas do seu templo aos miseráveis e, de um em um, lhes beijasse os pés!!!
    O cardeal Dom Orani é apenas cardeal.
    Faltou-lhe o espírito cristão, o amor de Jesus pelos necessitados.
    O cardeal não fechou a Casa de Deus para os humanos pobres, mas bateu com a porta na cara de Cristo, pois este também não lhe seria permitido o ingresso nas dependências da igreja porque vestido simplesmente e, em sua companhia, pessoas humildes, pobres, sem qualquer dinheiro consigo.
    Que triste essa atitude tomada pela Igreja com relação aos pobres em sua cercania.
    Admito que o governo tem a sua culpabilidade diante dessas pessoas necessitadas mas, a caridade, essa não tem bandeira política é se torna sinônimo de religião e religiosidade, sob pena de seguirmos princípios e valores destituídos do seu maior significado: a falta de amor, a falta de Deus!

  10. E qual é a surpresa? As religiões, assim como certos partidos políticos, um bem conhecido no Brasil, vivem da pobreza e não para a pobreza. Quem paga os dízimos ou é do partido, tem todas as regalias, mas a pobreza é uma causa a ser usada para exercer o poder.

  11. Foi pelo meio de 2007 em que minha mente queimou numa noite em Peruíbe, litoral Sul SP … Foi uma sensação de morte, em que só me libertei dela ao renunciar a todas as pesquisas pecaminosas e optar definitivamente pelo Senhorio de Jesus … Renunciei a Lutero, Smith, Voltaire, Marx, Freud, Sartre, Gramsci, Althusser, Dirceu etc em tudo que não concorda com JESUS.

  12. E passei a meditar em escritos sobre Restauração … Pessoas da minha estima e outras mais me diziam que não eram de inspiração divina, diziam até que eram de origem do Inimigo Satanás … Nesta época trabalhava em São Francisco de Itabapoana, último município do litoral Norte RJ … E entreguei ao então Pároco Padre Fabiano um pedido escrito para ter uma resposta escrita que pudesse enviar para a lista … E não tive resposta até hoje, sendo que ele ficou com o papel onde consta que haveria crise petrolífera por causa do Brasil ferrar com o RJ, em especial com os municípios da Bacia de Campos … E a produção está parada até hoje.

  13. Não tendo resposta do amado Pároco, e pessoas continuando a me alertar, inclusive uns pedindo para retirar seus nomes da lista e outros solicitando que parasse de vez com as meditações escritas … Foi quando ouvi o Senhor me dizer que me socorreria enviando um Padre do Direito Canônico … Nesta mesma semana estou na Missa de sábado na Capela de Nossa Senhora de Fátima, na Praia de Santa Clara, em São Francisco do Itabapoana, quando o Padre anunciou que ficaria uns tempos sem vir, pois iria ao Mosteiro de São Bento, RJ, fazer curso de Direito Canônico … Terminada a Missa, procurei o Padre, expus rapidamente a situação e o estimado Padre Pinalli tem sido paciente recebendo, lendo e até discordando … Na ocasião era Pároco em Conselheiro Josino, no município de Campos dos Goytacazes … Hoje pastoreia em São João da Barra, também da Diocese de Campos dos Goytacazes.

  14. E minha Missão é centrada nas duas dioceses extremistas em relação ao Concílio Vaticano II … Pois 2 bispos optaram pela Tradição, enquanto 40 assinaram o antievangelico Pacto das Catacumbas num total de uns 4.500 padres domiciliares
    … Os dois bispos da Tradição foram e continuam excomungados pois consagraram quatro bispos sem autorização papal … e idéias e práticas de Dom Hélder e do Pacto das Catacumbas resultaram na Teologia da e e Libertação

  15. Bento XVI suspendeu a excomunhão dos quatro atuais bispos da Tradição e tudo fez pela completa inserção deles na Igreja … Os sucessores da Tradição em Campos dos Goytacazes e arredores já estão em plenitude católica com Estatuto Canónico próprio sob o pastoreio de Dom Fernando Areas Rifan … E só foi condenada a Teologia da Libertação quando bebe águas marxistas de luta de classes etc

  16. http://www.radiovaticana.va/portuguese/noticiario/2014_04_15.html tem:
    “Carta dos Arcebispos e Bispos do Regional Leste I
    ◊ Rio de Janeiro (RV) – Prezados irmãos em Cristo, Paz e Bem! O aumento assustador de diferentes expressões de violência, especialmente de homicídios, nos municípios das nossas arquidioceses e dioceses não pode passar despercebido por nossas Igrejas. Essa situação pede nosso grito profético a favor da vida, frequentemente tão banalizada e duramente atacada, e contra toda forma de violência que atinge nosso povo.

    Reconhecemos os investimentos em políticas públicas e sociais que o Governo vem realizando, especialmente no setor da segurança pública, mas consideramos que ainda falta avançar mais em políticas que enfrentem os problemas nas suas raízes, para que nossa população alcance uma vida com dignidade e cidadania plena, especialmente aqueles que moram nas áreas periféricas de nossas cidades.

    A Igreja no Brasil tem contribuído para a afirmação de uma cultura de paz, seja pela realização de três Campanhas da Fraternidade sobre a violência, seja em outros esforços na defesa e promoção da vida e dos direitos humanos. Fiel à sua missão evangelizadora, ela continua ajudando na busca de soluções que estanquem a violência, assegurem a paz e estabeleçam a justiça em todos os âmbitos da sociedade.

    Diante desta violência que não conhece limites, e atentos ao clamor da população em seus anseios de paz, convidamos todos os membros da Igreja presente no Regional Leste I (Estado do Rio de Janeiro) a que, durante a Semana Santa, quando faremos memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor, a refletirmos, rezarmos e realizarmos ações locais, inclusive com gestos de penitência e jejum, em busca de mais respeito e paz.

    Que a Paixão de Cristo nos anime a não nos curvamos diante de toda forma de violência e, juntos, levantarmos o facho de luz da Ressurreição, esperança de um mundo novo, mais justo e fraterno.

    Que Deus nos ilumine e nos dê sabedoria para juntos trilharmos os caminhos da justiça e da paz! Que Nossa Senhora das Dores e da Ressurreição interceda pelo nosso Estado.
    Neste sentido desejamos a todos uma Páscoa Santa, animada pelas palavras e exemplos de Jesus: “Coragem, eu venci o mundo!”
    Abraço fraterno da parte dos vossos irmãos Arcebispos e Bispos do Regional Leste 1.

    Orani João Cardeal Tempesta
    Presidente do Regional Leste 1 da CNBB

    Dom Luciano Bergamin
    Vice-presidente

    Dom José Francisco Rezende Dias
    Secretário”

  17. Não sou vidente … não sou profeta … só me coloco à disposição do Papaizinho Querido … … … porém, aconteceu e foi publicado:
    1 – http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/posts/2009/10/01/a-coluna-de-hoje-228213.asp: “Sudário do Leblon Domingo, na missa das 9h30 na Igreja dos Santos Anjos, no Leblon, no Rio, o padre Marcos Belisário ergueu os olhos e exclamou: “Estou vendo a imagem de Jesus no pano do altar.” O vigário convidou ao altar os fiéis que quisessem ver: “É preciso ter os olhos da fé.”
    Segue…
    Fiéis fizeram fila e garantiram também ver a imagem. O assunto rendeu nas missas da semana. Terça, na celebração das 18h, o padre contou ter voltado ao altar às 11h de domingo, e a imagem havia sumido.”
    2 – http://www.meiahora.ig.com.br/noticias/santa-chora-em-igreja-no-leblon_4121.html
    3 – http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0510201126.htm com “‘Santa que chora’ atrai a atenção de católicos em igreja do Leblon
    Fiéis vão ver imagem que, segundo crianças e padre, chorou”
    4 – http://odia.ig.com.br/portal/rio/arquidiocese-vai-estudar-o-choro-da-santa-do-leblon-1.61645
    Estes fenômenos acima foram na Igreja Santos Anjos onde confessei o Pecado do Mundo.
    O abaixo aconteceu com Padre Pinalli em Conselheiro Josino, em Campos dos Goytacazes: http://www.espacojames.com.br/?cat=53&id=9841 com:
    “Artigo N.º 9841 – Fotos do Santíssimo (Corpus Christi) – Hóstia com detalhe avermelhado
    Visto: 3331 – Impresso: 32 – Enviado: 22 – Salvo em Word: 16
    Postado em: 07/06/12 às 21:56:16 por: James
    Categoria: Fotos Milagrosas
    Link: http://www.espacojames.com.br/?cat=53&id=9841
    Marcado como: Artigo Simples
    Enviado por email ao espacojames: Marisa Bueloni
    Caríssimos irmãos e irmãs,
    Aconteceu nesta manhã de Corpus Christi em Conselheiro Josino,
    enquanto dava a benção eucarístico no fim da missa de Corpus Christi.
    Na mesma sequencia de imagens fotográficas, na terceira foto (tirada sem flash) Nosso Senhor presente na Hóstia Santa apareceu mais nítido, mais claro, como que transfigurado. Porém, com uma cor vermelha em volta. Podemos notar que é um branco que não tenha nas outras fotos.
    Outro detalhe é que se ampliarmos a foto (3º foto) para observar os detalhes avermelhados em torno de Jesus na Eucaristia, a tonalidade de vermelhidão lembra a parte escura da eucaristis – carne do Coração do Senhor perfutada pela lança que aparece no milagre de Lanciano.
    Deixo bem claro que é apenas uma fotografia tirada por Márcio Ferreira e sem montagem, pois antes de sair a procissão, o márcio olhou a foto e mostrou a outras pessoas. Por isso estou divulgando. Claro que numa linguagem da parapsicologia poderia ser classificado como uma projeção mental de quem tirou a fotografia. No entanto, o Márcio nunca viu uma imagem do Milagre de Lanciano, consequentemente não iria projetar tal imagem.
    Enfim, julguem como quiserem. Repasso aos irmãos e irmãs internautas para que aumente ainda mais o desejo de receber Jesus na Eucaristia, como também em relação a Ele: crer, adorar, esperar e amar.
    Para Refletir: João 20, 26-29: 26 Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» 27 Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» 28 Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29 Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!»
    Com minha benção sacerdotal,
    Pe. Marcos Paulo Pinalli da Costa”

  18. Amigos … não deixem de ir à Missa nesta Páscoa … ou de ir ao culto, se evangélico … ou de pensar e fazer algo de bom que lembre RESTAURAÇÃO para todos os de boa vontade!!! AMO todos vocês porque Papaizinho do Céu também AMA todos vocês!!! !!! !!! Feliz Páscoa. Lionço Ramos Ferreira agradece a paciência de todos e em especial do nosso editor Carlos Newton.

  19. Esse pessoal não sabe mais o que escreve. Outro dia mesmo diziam que o Dom Orani era TL (Teologia da Libertação), CNBBista, adepto do “pobrismo” do Papa Francisco. Agora só faltam acusa-lo de ser “mais reacionário que Dom Eugenio Sales”, que aliás almoçava todo domingo de Páscoa com a população carente no subsolo da Catedral.

    Me lembram o pessoal que escreve sobre o Papa Francisco. Uns dizem que ele colaborou com a ditadura argentina. Na Fox News dizem que Papa Francisco é marxista. Falam demais por não terem nada a dizer.

    A única certeza é que Dom Orani não tem escapatória. Se mantém a Catedral fechada, continuarão dizendo que está fechando a Igreja para Cristo na figura dos pobres. Se aciona os órgãos eclesiais caritativos como a Cáritas e o Banco da Providência, dirão que a Igreja quer tomar o lugar do Estado, que não cumpre suas obrigações. E olha que foram eles que elegeram os governantes que estão aí nos cargos eletivos do Estado. Ou então dirão que acabou a separação Igreja-Estado consagrada pela República. Tem até gente que diz que nenhuma instituição religiosa deveria ter clínicas de recuperação de dependentes químicos…

    Realmente, é necessário paciência de Jó pra ser padre ou bispo neste país. Sempre terá que despertar o mimimi da politicalha da extrema direita ou da extrema esquerda, ambas com uma visão unicamente utilitarista para a Igreja, em seus objetivos políticos hegemônicos, golpistas ou revolucionários.

  20. Estimado Dr. Béja … o texto abaixo ajudar a entender (http://www.radiovaticana.va/portuguese/noticiario/2014_04_18.html#gr6):
    “Ano da Caridade no tríduo pascal
    ◊ Rio de Janeiro (RV) – Neste tempo favorável da Quinta-feira Santa, quando renovamos as nossas promessas sacerdotais, quero, por ocasião de nosso Ano da Caridade Arquidiocesano, compartilhar algumas reflexões sobre o dia da instituição da Santíssima Eucaristia e do Sacerdócio Ministerial. Agradeço a Deus, em primeiro lugar, pelo trabalho que todos e cada um dos nossos presbíteros realizam em nossa Arquidiocese do Rio de Janeiro.
    Prezados irmãos no sacerdócio de Cristo, Nosso Senhor, o sacerdote por excelência segundo a ordem de Melquisedec (cf. Hb 5,10), estamos vivendo, desde o dia 20 de janeiro, festa de São Sebastião, padroeiro da nossa Arquidiocese, o Ano da Caridade, ou seja, um tempo oportuno da graça de Deus (kairós) para juntos refletirmos e agirmos dentro do amor inspirado pela Sagrada Escritura, mais especialmente pelo Novo Testamento, que é o ágape (grego) ou caritas, caritais (latim).
    Desejo, portanto, a partir desta Mensagem, pensar com os senhores, presbíteros desta porção do povo de Deus que está no Rio de Janeiro, a respeito do significado do termo ágape: amor fraterno, serviçal, desinteressado, que se dirige diretamente ao ser amado ou àquele que amamos sem esperar nada em troca, pois é exatamente neste tipo de amor que todos devem nos reconhecer como verdadeiros cristãos. Esta é, sem rodeios, a lição de Jesus Cristo: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13,34-35).
    Deste amor brota a comunhão (koinonia), essência do mistério da Igreja. Comunhão que, segundo o Papa João Paulo II, “é o fruto e a expressão daquele amor que, brotando do coração do Pai Eterno, se derrama em nós por meio do Espírito Santo que Jesus nos dá (cf. Rm 5,5), para fazer de nós ‘um só coração e uma só alma’ (At 4,32). Ao realizar essa comunhão de amor, a Igreja manifesta-se como ‘sacramento, ou sinal, e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano’ (Lumen Gentium, 1)” (Novo Millennio Ineunte, n. 42).
    Continua, ainda, o Beato João Paulo II a escrever, em 2001: a respeito do amor “as palavras do Senhor são tão precisas que não é possível reduzir o seu alcance. A Igreja terá necessidade de muitas coisas para a sua caminhada histórica, também no novo século; mas, se faltar a caridade (ágape), tudo será inútil. O apóstolo Paulo no-lo recorda no hino da caridade: ainda que falássemos a língua dos homens e dos anjos e tivéssemos uma fé capaz de ‘transportar montanhas’, mas faltasse a caridade, de ‘nada’ nos serviria (cf. 1Cor 13,2). A caridade é verdadeiramente o ‘coração da Igreja’ como bem intuiu Teresa de Lisieux, que eu quis proclamar Doutora da Igreja precisamente como perita da scientia amoris: ‘Compreendi que a Igreja tem um coração, um coração ardente de amor; compreendi que só o amor levava os membros da Igreja a agir […]; compreendi que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo’. Manuscritos B, 3-3vs: Opere Complete (Vaticano 1997), 223” (idem).
    O Bispo com o presbitério e todo o povo de Deus são chamados a derramar esse amor caritativo abundantemente. Bento XVI nos recorda que a “Igreja enquanto família de Deus deve ser hoje como ontem, um espaço de ajuda recíproca e, simultaneamente, um espaço de disponibilidade para servir mesmo aqueles que, fora dela, têm necessidade de ajuda” (n. 32).
    Devemos contar com sacerdotes, religiosos e leigos(as) engajados na prática da caridade, sempre em comunhão com o seu Pastor que segue, por sua vez, como carta magna orientadora, o hino da caridade entoado por São Paulo (1Cor 13). Afinal, amar com amor-ágape não é recorrer a ideologias que pregam o melhoramento meramente humano do mundo, nem apenas dar ao outro qualquer coisa minha, mas dar-me a mim mesmo. Devo estar presente no dom como pessoa (cf. DCE, n. 33-34).
    Nossa Arquidiocese tem, com a graça de Deus, inúmeras obras de caridade. Algumas vivem dificuldades nos seus projetos. Não vamos nos esmorecer diante das referidas dificuldades para não perdermos os espaços conquistados. Sabemos que muitas legislações procuram dificultar o exercício da caridade, que sempre foi uma marca da Igreja e que iniciou em nossa pátria uma série de atividades que até hoje permanecem, mesmo com as mudanças de leis e dos costumes.
    O verdadeiro cristão age sob esse diferencial, que supera uma mera filantropia (amizade com o homem), porque, em sintonia direta com Cristo, Nosso Senhor, quer servir como Ele serviu, a ponto de, cingido com uma toalha, lavar os pés dos discípulos (cf. Jo 13,1-13) e amar como Ele amou ao morrer na cruz por todos (cf. Jo 13,1; 15,13). Ora, se vivermos imbuídos desse amor, seremos, enquanto ministros ordenados, como os primeiros cristãos, dóceis e dedicados ao próximo na oração e na fração do pão (cf. At 2,42), de modo que, nas nossas comunidades paroquiais – realidade pastoral centralizada no Documento Comunidade de comunidades: uma nova paróquia, da coleção Estudos da CNBB n. 104, e na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, n. 27-33 – reine a verdadeira fraternidade na qual todos, indistintamente (cf. Lc 10,31 – parábola do Bom Samaritano), tenham o necessário para uma vida digna.
    Para concretizar o amor-agápe, desde a Igreja primitiva, ao lado do anúncio da Palavra de Deus (kerygma-martyria) e da celebração dos Sacramentos (leiturgia), existe o serviço da caridade para com os mais necessitados (diakonia) entendido não como mais uma forma de assistência social que qualquer um poderia executar, mas, sim, como um elemento essencial da missão da Igreja (DCE n. 25). É por essa razão que os primeiros diáconos não foram pessoas escolhidas aleatoriamente. Ao contrário, para desempenharem a caridade em favor do próximo, ofício, antes de tudo verdadeiramente espiritual, deviam ser homens cheios do Espírito Santo e de sabedoria (cf. At 6,1-6). E esse tipo de trabalho social alicerçado na fé é o nosso diferencial.
    A fim de manter vivo esse significativo diferencial, Bento XVI julga ser “muito importante que a atividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e não se dissolva na organização assistencial comum, tornando-se uma simples variante”. Para isso, é preciso que todos estejam disponíveis a socorrer os que mais precisarem no “aqui e agora da vida” com competência técnica, sem dúvida, mas também e, sobretudo, com o coração formado a partir do encontro pessoal com Deus, em seu Filho Jesus Cristo; estejam isentos de partidos ou ideologias, especialmente da marxista, que menospreza a caridade como se esta fosse responsável pela manutenção de uma sociedade injusta e opressora, quando, na realidade, o cristão é chamado, independentemente do que os ideólogos pensam ou deixam de pensar, a minorar a dor de seus irmãos e irmãs em todo tempo e lugar; a caridade cristã não deve ser proselitista, ou seja, deve-se fazer a caridade de modo totalmente gratuito em nome de Deus e dos princípios da Igreja, mas sem querer, a partir ou por meio dela, impor nossa fé aos socorridos (DCE n 31).
    Enquanto homens da Igreja, temos – especialmente os sacerdotes protagonistas desta mensagem do bispo – de entender que a Mãe Igreja tem o seu modo próprio de agir, à luz do Evangelho (há um conjunto de documentos que formam a Doutrina Social da Igreja, desde a Encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII, em 1891, até a Caritas in Veritate, de Bento XVI, em 2009), mas ela não despreza – e isso é importante em nossa prática pastoral – as iniciativas de outras instituições religiosas, conforme está claro na encíclica Solicitudo Rei Socialis, do Papa João Paulo II, publicada em 1987. Nesse memorável documento, aquele Pontífice afirma que “do mesmo modo em que nós, católicos, convidamos os nossos irmãos cristãos a participarem das nossas iniciativas, assim também nos declaramos prontos a colaborar com as suas, acolhendo os convites que nos forem feitos. Nesta busca do desenvolvimento integral do homem, podemos fazer muito também àqueles de outras religiões, que creem em Deus, como, de resto, já se está fazendo em várias partes” (n. 32).
    É este um pensamento importante que eu quis retomar na recente Carta Pastoral Amar, Unir, Servir, de 25 de janeiro último, ao fazer a seguinte constatação, que desejo, muito cordialmente, ver concretizada entre nós: “Sei que nem todas as pessoas são cristãs, que nem todos os cristãos são católicos. No ideal da unidade, ideal que aprendi de Jesus Cristo e coloquei como lema para minha vida (cf. Jo 17,21), desejo que estejamos cada vez mais unidos, na certeza de que temos mais razões para nos unir do que para nos separar. Convido a todos para valorizar todas as situações que a vida nos apresentar, vendo-as como convites a nos unirmos, a estarmos juntos, a fazermos juntos o que será para o benefício de todos, especialmente, como tanto tenho aqui repetido, pelos que sofrem” (n. 17).
    Recordemos da advertência do nosso querido Papa Francisco: nem toda carência é apenas material, por isso não se pode, em nome de um ativismo caritativo (cf. Evangelii Gaudium [EG] n. 199), negligenciar aos irmãos necessitados os valores espirituais próprios da Igreja. Eis, textualmente, suas palavras que parecem escritas com o coração de um Pastor realmente tomado de amor por suas ovelhas: “desejo afirmar, com mágoa, que a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé; tem necessidade de Deus e não podemos deixar de lhe oferecer a sua amizade, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé. A opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, numa solicitude religiosa privilegiada e prioritária” (idem, n. 200).
    Aliás, um pouco antes, Francisco – retomando alguns pontos já apresentados nesta reflexão – nos propõe o roteiro da caminhada com os pobres, preferidos de Cristo (cf. Lc 4,18; Mt 5,3 etc.), ao dizer que “O amor autêntico é sempre contemplativo, permitindo-nos servir o outro não por necessidade ou vaidade, mas porque ele é belo, independentemente da sua aparência: ‘Do amor, pelo qual uma pessoa é agradável a outra, depende que lhe dê algo de graça’ (São Tomás de Aquino, Summa theologiae, I-II, q. 110, a. 1.). Quando amado, o pobre ‘é estimado como de alto valor’ (idem, I-II, q. 26, a. 3.) e isto diferencia a autêntica opção pelos pobres de qualquer ideologia, de qualquer tentativa de utilizar os pobres ao serviço de interesses pessoais ou políticos. Unicamente a partir desta proximidade real e cordial é que podemos acompanhá-los adequadamente no seu caminho de libertação. Só isto tornará possível que ‘os pobres se sintam, em cada comunidade cristã, como ‘em casa’. Não seria, este estilo, a maior e mais eficaz apresentação da boa nova do Reino?’ (João Paulo II, Carta Ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 50: AAS 93 (2001), 303). Sem a opção preferencial pelos pobres, ‘o anúncio do Evangelho – e este anúncio é a primeira caridade – corre o risco de não ser compreendido ou de afogar-se naquele mar de palavras que a atual sociedade da comunicação diariamente nos apresenta” (idem, 50: o. c., 303) (EG., n. 199).
    Estamos vivendo o ano eleitoral e é importante que valorizemos e defendamos os valores do Evangelho que se expressam nas questões sociais. Espero que continuemos dando atenção especial aos que mais precisam de assistência, promoção e transformação social.
    Peço-lhes, queridos sacerdotes, que transmitam aos seus fiéis, em todos os recantos desta amada Igreja Metropolitana, os meus mais efusivos cumprimentos pascais. Abracem seus fiéis em meu nome e dos bispos auxiliares. Levem a todos a boa notícia do Evangelho da Vida: Jesus Cristo venceu a morte e está vivo verdadeiramente!
    Por fim, prezados sacerdotes, abraçando-os neste tempo pascal, peçamos, por intercessão da Virgem Maria, que o Divino Espírito Santo nos inspire na prática da caridade e nas atividades pastorais, de modo que possamos, no dia final, ouvir do Senhor: “Vinde benditos de meu Pai, recebei por herança o reino que estava preparado para vós desde a fundação do mundo” (Mt 25,34). Amém!
    Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
    Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ”
    … … …
    Ou seja … Dom Orani RESTAURA o Envio de Jesus retirando ás águas marxistas da Igreja RJ … apoiemos nosso Pastor!!! !!! !!!

  21. Prezado Dr. Béja … Boa Páscoa … As declarações do Reverendo da Catedral mostram que a Igreja RJ parte para verdadeira CARIDADE … É nobre as autoridades políticas assumirem a Política e as autoridades religiosas tratarem da EvangelizAção.

  22. Triste decisão tomada pela Arquidiocese, quando o certo seria abrir a porta da catedral e confraternizar com os desabrigados como forma de prestar solidariedade aos necessitados. Parabéns Dr. Jorge Béja, brilhante em suas colocações como sempre.

  23. http://arqrio.org/noticias/detalhes/1958/nota-oficial-sobre-celebracao-da-sexta-feira-santa-na-catedral: “Diante da ocupação da entrada da Catedral do Rio de Janeiro por um grupo de pessoas oriundo da OI/TELERJ, que solicitava apoio para moradia, a Arquidiocese do Rio de Janeiro, através de responsáveis diretamente ligados ao Arcebispo, ofereceu-se para mediar uma solução ainda que parcial, uma vez que o período de feriados não permite soluções mais definitivas.
    Apesar das negociações terem se encaminhado para o atendimento provisório dos efetivamente necessitados, em local do poder público, com o apoio da Igreja e serviços sociais e apesar de os necessitados a terem inicialmente aceito, ao final, não se chegou a uma solução satisfatória. Após ouvir assessorias, os necessitados retrocederam.
    A Arquidiocese do Rio de Janeiro lamenta que existam pessoas que ainda sofram em virtude da ausência de moradia e sejam manipuladas por outros interesses.
    A Catedral permanecerá fechada. O Sr. Cardeal, em solidariedade a todos os necessitados realizará as celebrações pascais em comunidades que experimentam a pobreza aguda e que serão informadas oportunamente.
    A Arquidiocese do Rio de Janeiro reafirma sua intenção inicial de servir como mediadora entre os necessitados e o poder público para encontrar uma saída.”

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