Carta pública de um advogado à criminalista Beatriz Catta Preta

Catta Preta acompanhava os clientes na CPI da Câmara. 

Antes, dois artigos, no 10  e no 15 de julho passado. Ambos, em defesa de suas e de nossas prerrogativas. Estão no link. Agora, uma carta. Carta pública. Nada de senhora. Nem senhora doutora, vossa senhoria, menos ainda vossa excelência… São tratamentos formais. Nos colocam distantes. Em posições opostas. E assim não estamos. Logo, não cabem aqui. Me tenha como um seu igual. O tramento “você” é fraterno. É carinho. É paterno. A idade de um é mais que o dobro da do outro. De vida e de exercício da profissão. Somos colegas. Somos advogados. Somos irmãos, que não se conhecem.

Beatriz, não se deixe abater. Temos deveres e obrigações apenas com nossos constituintes. E estes conosco, constituídos. A relação é bilateral e de reciprocidade. Nela, terceiro não intervém. E sigilo, confiança e confidencialidade são as indeléveis garantias, primados e princípios, do múnus de cada um de nós. Em tudo, quanto a tudo e a respeito de tudo mais.  Garantias intocáveis, inatingíveis e impenetráveis e que a tudo alcança e abrange. Ontem, hoje e sempre.

Beatriz, os artigos referidos se insurgiram contra sua convocação para depor na CPI da Petrobras. A finalidade da convocação — sem supor disfarce — era arrancar de você a origem e os valores dos honorários advocatícios por sua atuação profissional na assistência dos clientes envolvidos na chamada Operação Lava-Jato. Motivo estapafúrdio, humilhante, despótico e ilegal. Visou também constrangê-la, acuá-la. E fazer brotar em você a sensação de ameaça.

MAL INJUSTO E GRAVE

A convocação em si já representou irresistível ameaça de lhe causar mal injusto e grave. No seu íntimo, na sua alma, no seu sentimento. Na sua honra e dignidade. E ameaça de tal ordem, que nem mesmo a decisão do STF, para o resguardo no tocante aos honorários, foi suficiente para desfazer o estrago que sua carreira e sua vida sofreram.

Ainda assim, a CPI manteve sua convocação. Agora, a pretexto de esclarecer a ameaça!. E se você não tivesse concedido a entrevista à televisão, quando se referiu a ameaça, mesmo assim, creia, não faltariam “motivos” outros para a sua convocação. Talvez, até mesmo para informar porque Beatriz se só veste roupa de tecido preto, usa óculos de armação também de cor preta, não usa maquiagem, não sorri, não dá entrevista, é recatada, é especialista em Delação Premiada… E nesse pergunta-pergunta, nessa inquisição insidiosa, a expectativa era mesmo o seu enfraquecimento, o seu entorpecimento e encurralamento. E disso, tirar proveito.

A CPI NÃO VENCEU

Mas a CPI não venceu, Beatriz. Além de você estar desobrigada pelo STF a dar resposta às perguntas sobre honorários, você não deve e nem pode responder a pergunta alguma que tangencie, levemente, às relações suas com seus clientes. Você não é investigada. Não é acusada. Não é suspeita. Você foi Advogada da(s) parte(s) e com galhardia exercendo sua profissão. E como especialista em Delação Premiada, instituto novo no Brasil, você apenas mostrou — a quem decidiu, sponte sua, aceitar contar o que sabe — os propósitos da lei, suas exigências, obrigações, consequências, benefícios… Ou seja, o formato, a tramitação processsual desse novo instituto. Quanto aos pecados, só quem os cometeu é quem sabe quais foram, como foram, quando, onde e porque foram praticados. E qual ou quais aqueles pecados que devem ser retidos. É uma opção pessoal, do investigado, do indiciado e do réu. É próprio de quem pecou.

 

Beatriz, criou-se no Brasil — na Europa e nos USA é diferente — a mentalidade de que um advogado é chamado para indicar a seu cliente-acusado o caminho para driblar a lei e fazer a mentira prevalecer e, com isso, absolver quem deveria ser condenado. Sabemos que não é assim. Primeiro, porque ninguém litiga consigo próprio e o advogado, ao se credenciar no seu órgão de classe, a OAB, jurou fidelidade à verdade, às leis e à justiça. Segundo, porque a outra parte também tem defensor que saberá demonstrar que o adversário mente. Nas ações penais públicas, condicionadas ou não, esta outra parte é o Promotor Público, sem descartar a figura do Assistente de Acusação. Terceiro, porque entre as parte há um juiz, ou juízos colegiados, que são superpartes, que conhecem o Direito e não se deixam enganar, porque experientes e sábios. Certa vez, Beatriz, perguntaram a Sobral Pinto se ele defenderia um acusado, preso em flagrante ao entrar numa casa e matar sua moradora, após estuprá-la e roubá-la. Sobral respondeu: “Sim, defenderia, até mesmo para assegurar a aplicação da pena, porque sem defensor o processo é nulo”.

PROSSIGA NA ADVOCACIA

Beatriz, assim finalizo esta breve Carta Pública: prossiga na advocacia, porque a nossa profissão é nobre. Não tema a CPI. Nem tribunal algum. Se preciso for, nela compareça a faça prevalecer o seu Direito. Vá. E quando lá estiver, tenha em mente uma das muitas exortações que Levy Carneiro deixou a todos nós, advogados. E vendo nos membros da CPI que votaram pela sua convocação, cada um deles um adversário, cuide de seguir o ensinamento do consagrado bâtonnier brasileiro que foi Levy: “Toda cortesia com a parte contrária e com o outro advogado. Toda lealdade. Toda lisura. Retorsão adequada a qualquer deslize , a qualquer manobra que deles partam” (in O Livro de Um Advogado).

 

Beatriz, o sentimento de ameaça decorre da sua própria convocação. Você foi a única apanhada, dentre tantos e tantos outros nobres e também talentosos causídicos. Mas apenas você interessa à CPI.  Você cumpriu a lei. Renunciou aos mandatos. A renúncia ao mandato, sem necessidade de revelar o motivo, é direito dos advogados. Da renúncia, comunicou à clientela e ao Juiz. E você permaneceu à frente dos processos pelo prazo de 10 dias seguintes à comunicação da renúncia. Cumpriu o que prevê Estatuto da OAB. Você agiu com absoluta correção. E só você, e ninguém mais, é quem sabe o que se passa no seu foro íntimo. E creia, Beatriz, você já entrou para a História da reedificação da moral e da ordem deste nosso querido Brasil.

Cordialmente,

Jorge Béja (com formação na UFRJ e na Universidade de Paris, Sorbonne), advogado no Rio de Janeiro. Membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros. Especialista em Responsabilidade Civil. 

24 thoughts on “Carta pública de um advogado à criminalista Beatriz Catta Preta

  1. Esta magnífica e irrefutável carta do Dr. Jorge Béja deveria ser encaminhada até pela direção da própria Tribuna da Internet, que é um blog de respeito, para ser publicada também na grande imprensa. Muitas especulações surgiram sobre a renúncia da Dra. Beatriz Catta Preta, e isto também deve ter levado a advogada a sentir mais constrangimento. Não sabemos que segredo ela sepulta e talvez nunca venhamos a saber. Mas esta é uma carta de apoio e conforto, de colega para colega. Mais uma bela página produzida pelo ilustre Dr. Jorge Béja e seu humanismo.

    • Cuidado, o senhor é identificado. A liberdade de expressão não enseja ofensa. Ofensa é crime. Dá cadeia e doi no bolso. Sua última oração constitui ofensa, com a agravante de ter sido perpetrada por meio de alcance público. Ou seja, meio notório. É causa de aumento das penas, pecuniária e corpórea. Defendi uma colega. Enquanto o senhor a ofende uma cidadã. Responderá por isso.
      Jorge Béja

      • O mais lamentável de tudo isso, para prejuízo de nós brasileiros, é que este “cidadão” que se esconde covardemente sob o pseudônimo “Foraesquerdacomunista” tem também o direito de votar. É por causa de gente assim que temos o parlamento que temos. É um energúmeno !

        • Para não ficarmos desanimados por haver alguns brasileiros energúmenos como este que se esconde sob o pseudônimo de “Foraesquerdacomunista”, parece que estes otários vão diminuindo pelas evidências que até os analfabetos funcionais já estão entendendo. – Governo fraco e o mais impopular já registrado pelo Datafolha, economia em frangalhos, instabilidade no Congresso Nacional e um infindável escândalo de corrupção. É difícil respirar num cenário desses. Mas, em meio a tudo isso, há, sim, uma boa notícia no ar. O Brasil está deixando de ser um país de otários.

      • Discordo totalmente de sua conclusão. Aliás reputo essa litania – “um advogado experiente, aconselhando uma jovem causídica” – como um proselitismo quase ameaçador.

        Sua interpelação ao tolo que se referiu à grande advogada como “crime” é desnecessária e própria de estados totalitários. Sua ameaça, por si própria, é totalitária. Até os loucos têm direito à liberdade de expressão, não só você, colega Beja.

        Catta Preta tem lá suas razões para externar seu temor. E, você sabe disso, a OAB não passa de um trio de vogais, fora de ordem e com outras faltantes. Estamos, nós advogados, lutando nus, armados com um graveto seco. Os “outros” têm uma armada moderna, violenta e assassina contra nós.

        Contra o PT (você votou neles, não?) e essa escumalha, só bomba atômica – já que é pra ser totalitário…

      • Béja:

        Abomino a esquerdalha, bem como a direitalha. Mas suas considerações sobre o pobre-diabo-imbecil – ameaçando sua liberdade de expressão com a possibilidade de ele ter cometido algum ilícito penal – são pueris e, concomitantemente, preocupantes. Um advogado, ‘soi-disant’ defensor dos direitos humanos, de seu calibre jamais poderia ter ameaçado o burraldo que excretou palavras tão tolas, como se elas fossem uma ameaça bolchevique, tal qual cantar “Pra não dizer que falei de flores” nos anos 60/70. Lamentável, Beja. E deixe a Catta Preta em paz. Os petistas e outros istas nos quais você votou, decerto querem a jugular dessa moça.

        • Não leio na Carta a frase, a oração tida por ladainha “um advogado experiente, aconselhando uma jovem causídica”. Li, reli e não a encontrei. Porque posta entre aspas, ensejou crer tratar-se de transcrição literal. E não sendo, é falseamento de transcrição inexistente. A alusão às idades e ao tempo do exercício da advocacia — feita com delicadeza — foi a maneira sutil apenas para justificar a forma do tratamento empregado, o você, sem ferir, sem magoar, sem diminuir, e com a clara, verdadeira e expressa demostração de carinho e solidariedade, intenções muito bem compreendidas pela Advogada, de quem recebi resposta de agradecimento, a mim enviada por e-mail.

          Não é a primeira vez que sou chamado ou comparado a um “louco”, tal como o leitor me trata. Por isso, não me aborreço. E quando assim sou chamado, tenho meu pensamento voltado para Chesterton. O renomado escritor, sempre agradecia quando era chamado de louco. Certa vez, perguntado por que respondia “Thank You”, explicou: “Digo obrigado porque louco é aquele que perdeu tudo, tudo, tudo, menos a razão”.

          O leitor, me adjetiva de “prosélito”, “totalitário” e “pueril”. E mais: garante que descobriu em que partido votei e me pede que “deixe a Catta Preta em paz”. Ou seja, apresenta-se como um honorífico e vestal censor, da carta que enviei à outra Advogada, que sabemos todos estar passando por momento difícil em sua vida. Censor da resposta àquele leitor — que por mim não foi adjetivado de “tolo”, de “pobre-diabo-imbecil”, de “burraldo” — nem por mim foi interpelado, menos ainda ameaçado e ataca a Ordem dos Advogados do Brasil, instituição à qual pertenço porque nela inscrito.

          Fique com aqueles três conceitos, que lhe são do trato diário. Mas se escrever e publicar uma carta de conforto e solidariedade a um colega que sofre, que se sente acuada, amedrontada, e que por causa disso abandona a profissão, se tanto for “proselitismo”, então quero ser prosélito. Prosélito, sempre. Se advertir quem a acusou, publicamente e em comentário à Carta, de não ser ela mulher inocente, é gesto pueril, então quero ser mesmo ingênuo e infantil. Sou mesmo “pueril”. Quem não é inocente é culpada. E, gratuitamente, atribuir culpa a advogada Beatriz, dentro desse contexto, é injúria. É crime contra a honra, que nem admite a Exceção da Verdade na ação penal. A liberdade de expressão, de manifestação do pensamento, da crítica, e tudo mais, tem limite. É com essa ingenuidade que tudo vejo e sinto. É com esse sentimento infantil que trato o próximo. Beatriz não está em paz. Ela mesmo assim disse e assim demonstrou na televisão.

          Por favor, não jogue pedra na Ordem dos Advogados do Brasil. A OAB é dos Advogados, em qualquer época, sob qualquer administração. Sem ela, os advogados não podem advogar.

          • Não, Beja, mais uma vez, neste artigo, você anda na contramão do “signo da liberdade”, adotando falácias como argumentos. As aspas emboloradas litanias que descrevi entre elas. Ademais, em sua fieira de falácias, alegou que o adjetivei. Não o fiz, mas usei os vocábulos sob a forma de substantivos – o que não indica um ‘status quo’ permanente ou pessoal, mas declarações infelizes; e sigo apontando os momentos em que você usou de totalitarismo.

            Falseamento é aquele praticado por aqueles que se autodenominam defensores das liberdades e que ameaçam com falas no pior estilo “estou de olho em você” (as aspas, Beja, são só a indicação de um nefasto bordão, que ouvimos e lemos ao longo de anos de ditadura). É o Brasil do “sabe com quem está falando?”

            Catta Preta precisa de veículos blindados, segurança permanente – só ela sabe o risco que corre. De fato, não deveria deixar a advocacia. Mas quem a protegerá? A sopa de 3 letrinhas? Você com suas belas palavras? Ou você, dizendo que o comentarista, protegido sob o véu de um pseudônimo descerebrado, está sendo observado e que vai para a cadeia por injúria? Nem o mais esfrangalhado dos ofensores, pelo delito de injúria vai em cana, Béja; aliás, o Pacto de San José, dá claras mostras de que a injúria, bem como outros delitos contra a honra, devem ser descriminalizados; e seus efeitos, tratados somente em esfera civil. Tal tratado manda que seus signatários, inclusive, venham a abolir o ridículo crime de desacato.

            Minhas críticas, em fecho a este comento, dizem respeito, sobretudo, às falas dirigidas ao tal foraesquerdacomunista. Reafirmo: até essa turma tem o direito de se manifestar.

          • Senhor, confesso que não tenho cultura, sensibilidade, experiência, força, bom vontade, sentimento, sabedoria,nem honra e nem dignidade comparável à sua e para sustentar este debate com o senhor, que escreve com mágoas e ressentimentos contra mim. Aprendi com o Carlos Newton, que por sua vez aprendeu com outro Jornalista durante um debate que ele participou na Tv Educativa, anos atrás, que disse a CN: “Carlos Newton, nunca tente, e jamais queira vencer o debate. Deixe que o outro vença”. Taí, este senhor venceu. O senhor venceu. E vitorioso, vai nos mostrar agora todo a bagagem e feitos realizados em favor do próximo, ao longo de sua vida profissional. Comece, então.

          • O sr. Luiz Fernando Stamile Rocco entra nesta Tribuna de paraquedas – o que não é proibido, mas é estranho que debute como comentarista para praticar insultos -. Rocco tenta dar uma “lição de moral” e ainda uma “lição de Direito”, ao contestar a carta que o Dr. Jorge Béja escreveu à Dra. Beatriz Catta Preta, bem como à resposta que o Dr. Jorge Béja deu ao burraldo “Foraesquerdacomunista”, neste blog.

            Já começa por tentar escrever um texto rebuscado na vã esperança de mostrar erudição (sem ser juridiquês, diga-se de passagem – o juridiquês é usado até por bons advogados e juízes, jargão próprio da escrita de advogados. Mas este não é o caso do Sr. Stamile Rocco que, ao que parece, só quer é aparecer) usando a expressão “litania” para um público leigo, em vez de escrever “ladainha” que é sinônimo de “litania”. Já começa mal o Sr. Stamile Rocco.

            O Sr. Stamile Rocco conseguiu achar na carta gentil e de conforto do Dr. Jorge Béja à Dra. Catta Preta, um “proselitismo quase ameaçador”. Pergunto ao auto-referido ombudsman de cartas de advogados: onde você viu proselitismo quase ameaçador na carta, cara pálida ?

            Sobre o comentarista “Foraesqueracomunista” ter sido lembrado que ao acusar a Dra. Catta Preta de não ser inocente, e ser advertido pelo Dr. Jorge Beja de que ofensa é crime, o Dr. Béja se reportou às leis atuais. Aliás, o Dr. Jorge Béja se especializou justamente em causas cíveis e já ganhou inúmeros processos indenizatórios por ofensa e calúnia na Justiça. Se o que o Dr. Jorge Béja citou é lei, onde o Sr. Stamile Racco encontrou nisso algo próprio dos estados totalitários ? Ao concluir que a advertência do Dr. Jorge Béja é, por si própria, totalitária, o Sr. Racco insulta o Dr. Béja quando o acusa de totalitarismo, e totalitarismo nós tivemos foi na Ditadura Militar, de triste memória, que era terrorista. Foi a Ditadura Militar que explodiu uma bomba no Riocentro. E, pasmem, o senhor Racco prega que se jogue uma bomba atômica na escumalha do PT. É com terrorismo que o Sr. Racco propõe que resolvemos o problema institucional criado pelo governo do PT, e ainda arremata “Já que é para ser autoritário …”

            Como disse acima, o Dr. Jorge Béja dirigiu-se ao “Foraesquerdacomunista” citando as leis ora vigentes no país. Nada importa de o Pacto de San Jose dá clara mostras de que a injúria, bem como outros delitos contra a honra devem ser descriminalizados. Esta recomendação (se é que houve) não foi incluída pelo Congresso Nacional como lei brasileira. Aqui no Brasil, delito contra a honra é crime 1

            Não satisfeito, e como um rábula, porque um advogado não faria isso, o Sr. Racco investe pesado seus canhões contra a OAB, Ordem que o deveria orientar. Diz que a OAB não passa de um trio de vogais, fora de ordem e com outras faltantes. Sobre a OAB ainda, diz o Sr. Racco que ” Estamos nós, advogados, lutando nus, armados com um graveto seco. Os “outros” (isto é, a OAB) têm uma armada moderna, violenta e assassina contra nós”. O Sr. Racco estaria acusando a OAB de assassina ? Sugiro que você, senhor Racco, escreva uma carta à OAB dizendo isso.

            Mais abaixo, depois de sugerir jogar uma bomba no PT, o Sr. Racco diz que abomina a esquerdalha e a direitalha. Portanto, o Sr. Racco não tem preferência por qualquer partido político, nem de esquerda nem de direita. É de supor que votará nulo nas eleições. Sua proposta é a de jogar uma bomba atômica. Seria jogar uma bomba atômica no Congresso Nacional? Também na OAB ?

            Continuando o non sense que são seus comentários, o Sr. Racco, sem nenhum dado, fato ou informação, conclui também que o Dr. Jorge Béja votou no PT. está lá escrito: ‘você votou neles, não ? Mais acima ele confirma esta ilação louca: “. Os petistas e outros istas nos quais você votou, decerto querem a jugular dessa moça.’ De onde ele pode afirmar que o Cr. Jorge Béja é petista e votou no PT ? Completando este “samba do crioulo doido” que são os comentários do Sr. Racco, apesar de afirmar que o Dr. Jorge Béja votou no PT, o rábula diz mais à frente: “o burraldo que excretou palavras tão tolas, como se elas fossem uma ameaça blochevique”. Na opinião do Sr. Racco, o Dr. Jorge Béja tomou as palavras do “Foraesquerdacomunista” como se fossem uma ameaça blochevique. Agora eu pergunto, porque um eleitor do PT iria se preocupar com uma ameaça bolchevique ?

            Aonde o Sr. Racco foi buscar a idéia de que em sua resposta ao pobre-diab-imbecil, o Dr. Jorge Béja estivesse suspeitando que o infeliz era uma ameaça bolchevique ?

            Não estou certo, como afirma o Sr. Racco, que ató os loucos têm direito de se manifestar. Escrever frases loucas na Tribuna da Internet ? Enviar frases loucas para a secção de cartas dos grandes jornais de circulação diária? Sou a favor de que os loucos se manifeitem, mas que antes passem por um tratamento psiquiátrico.

            Como é que o Sr. Racco afirma peremptoriamente que a Dra, Catta Preta precisa de veículos blindados e segurança permanente ? Sabe ele lá os motivos por que ela tomou a medida que tomou ? Até agora ela não disse nada, não apontou quem a ameaçou (se é que alguém a ameaçou). E sequer deu queixa à polícia, ou aos procuradores da Lava-Jato. Esta é mais uma inferência do Sr. Racco sem respaldo ou dado de realidade.

            Rouco é a favor de que os loucos se manifestem. Eu também sou. Desde que passem, antes, por tratamento psiquiátrico, para não escreverem loucuras nos jornais que, por sinal, não serão aceitas pela redação da imprensa livre. As intervenções do Sr. Rocco quanto ao Dr. Jorge Béja são completamente loucas. A Tribuna da Internet, tolerante, generosa, as acolheu. Mas não passam no filtro da grande imprensa democrática.

          • Prezado Ednei Freitas,

            Como sempre ocorre com os artigos de Jorge Béja, a repercussão é imediata. Em rápida pesquisa no Google, constata-se que o Diário de Pernambuco transformou a carta do jurista em matéria da primeira página do seu site. O jornal compilou trechos da carta-aberta, disse quem é Jorge Béja, mas não citou a Tribuna da Internet. O mesmo aconteceu com o Paraná Online, que indicou São Paulo como a origem da notícia. O Estado de Minas também publicou. É isso que interessa, com a idéia sendo propagada.

            E para nós, da TI, é sempre um orgulho a transcrição em outros importantes veículos.

            Carlos Newton

  2. Simplesmente o Dr Béja nos agracia com outra aula, desta vez sobre Ética, no Direito.
    O seu cavalheirismo e solidariedade com a colega merece elogios pelas palavras empregadas mas, principalmente, respeito!
    Com o brilhantismo que estamos acostumados, definiu as ameaças que a advogada Beatriz Catta Preta vem sofrendo por parte de uma CPI, insossa, inócua, que quer desviar o alvo da Operação Lava-Jato, que mira as suas baterias para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, porque acusado por um criminoso de receber propina dos roubos da Petrobrás, às funções da advogada de defesa daqueles que optaram pela delação premiada.
    Incentivada a continuar na sua caminhada como profissional do Direito, Dr.Béja enaltece a profissão, acusa as admoestações que Beatriz sofre como abjetas, que devem ser desconsideradas pelo apoio que recebeu da OAB e pela decisão do STF que lhe garantiu o sigilo quanto aos honorários relativos à sua função na defesa de alguns acusados que decidiram pela delação premiada, a grande ameaça que paira sobre aqueles ainda não convocados a depor, o pavor estampado em suas caras, o terror de se verem presos pelos crimes praticados!
    Nada mais engenhoso que fragilizar a defesa dos cúmplices, deixá-los à mercê dos acontecimentos, e impedi-los de denunciar mais pessoas, de outros parlamentares.
    Parabéns ao Dr.Béja por este libelo, esta peça estupenda de como se colocar ao lado da verdade, da decência, do legítimo Estado Democrático de Direito.

  3. Ilustre Dr. Jorge Béja, mais uma vez o Sr. nos da uma aula magna, Parabens pelo seu brilhantismo, aproveito para parabenizar a tribuna da Internet pelas brilhantes reportagens apresentada, São pessoas como o Senhor que nos faz acreditar num Brasil melhor. Sentir orgulho de viver aqui, saber que temos homens probos, dignos do nosso Respeito.
    Creio que esta Aula de Hoje deveria ser Lida por todos do Conselho Federal da OAB.

  4. O Brasil e igual a Índia cheio de castas privilegiadas.
    Pode ser lícito mais não e ético receber dinheiro da corrupção da Petrobras. Desculpe por discodar. Dr. Beja.
    Grande estima ao Senhor.

  5. Perfeitíssimo,Dr. Béja!
    “A inviolabilidade é uma garantia constitucional dada ao advogado, vez que este é indispensável à administração da justiça. Já, o sigilo profissional é um dever ético ao qual o advogado está subordinado.”

    • Perfeitíssimo, caríssimo Dr. Werneck, outro nobre e culto advogado em Brasília. Acabei de receber mensagem e-mail de nossa colega, Beatriz Lessa da Fonseca Catta Preta, que leu a Carta e muito agradeceu a nossa solidariedade.
      Abraços,
      Jorge

      • Parabéns Dr. Jorge Béja, porque a destinatária da carta foi alcançada. Que ela medite sobre o que o senhor escreveu e se norteie em suas sábias palavras. Além do que, sua carta levou conforto e solidariedade para a Dra. Beatriz Catta Preta.

        • Grato, Eminente Dr. Ednei Freitas. Desde o início senti a sua também solidariedade com esta advogada, meiga, doce, simples, sábia, altaneira, independente, sem pompa….Sua solidariedade é importante, Dr. Ednei, cientista brasileiro, autoridade da medicina psiquiatra e psicanalista, reverenciado em toda a Europa, corajoso e também independente.
          Jorge Béja

  6. Mais uma aula de cidadania, solidariedade e espirito cristão. Folgo em ler tudo o que escreves, pois para mim tuas bem traçadas, representam uma oportunidade de aprender e, muito. Tu mostras que ainda nao estamos num deserto de almas e de homens.

  7. CN
    Mantenho a minha opnião. Como pode receber dinheiro da corrupção e afirmar que é prerrogativa.
    Pode ser lícito mais não é ético. Ou eu estou errado.
    O Brasil é uma India cheio de castas privilegiadas.

  8. Na razão direta do entendimento do dr.Racco quanto à liberdade de expressão, que se confunde com insultos e agressões, uma linha muito tênue entre a irresponsabilidade e respeito, posso registrar que a contrariedade com o eminente dr.Béja é ode à falta de ética, ofensa aos mais comezinhos princípios de educação pela indevida e surpreendente intromissão em algo pessoal, no caso entre o advogado que se solidarizou com uma colega que se sentia vítima de perseguições.
    Considero os comentários desaforos à liberdade de expressão, esta absolutamente de acordo com parâmetros os mais exigentes, muito diferente do comportamento que interveio desnecessária e agressivamente denunciando expressões que delas discordava.
    Ora, estamos diante de uma contradição explícita:
    O dr.Racco defende palavras ofensivas de um comentarista anônimo e contesta as amáveis, solidárias, de apoio moral para uma colega de profissão ultrajada!
    Evidente que poderia admitir ou não o gesto do colega, dr.Béja, é seu direito, mas expondo as razões pelas quais se nega a dar apoio à drª Catta Preta, menos enveredar contestando a forma como se manifestou o dr.Béja, com elegância e incentivo para que continue na árdua tarefa em defesa de seus clientes.
    Os comentários deixaram muitas pessoas em dúvida nesta demonstração que jamais a Tribuna havia publicada entre dois advogados, ao tentar diminuir o texto brilhantemente elaborado e destinado especificamente, para dar mais importância à falsa liberdade de expressão, que é escrever frases ofensivas porque escudadas através do biombo da covardia ou, então, em nome deste discutível direito de se poder dizer o que se quer, menos o que se pode e deve!
    De acordo com a sua compreensão, eu poderia lhe dirigir uma série de insultos e palavras de baixo calão porque assim determina a “liberdade de expressão” ou, quem sabe, eu não estaria me aproveitando deste conceito para justificar má educação e desrespeito, ainda mais sem me identificar?
    Agora, o dr.Racco, deveria observar e analisar o paradoxo flagrante do seu texto:
    Culto, esmerado, usando o jargão jurídico que poucos entendem, mas defende quem ou o quê?!
    Sim, pois não vou acreditar que o advogado tenha se alvoroçado contrário à carta do dr.Béja à drª Beatriz, independente do estilo usado e palavras utilizadas, para se lançar em campanha em defesa de insultos e ofensas manifestadas por anônimos ou não, em nome da permissividade e liberalidade, menos à legítima liberdade.
    Enfim, seus comentários foram ultrajantes com um colega de profissão, e deploro este comportamento, que mais me parece fruto da vaidade que originário do Direito em si ou, até mesmo, em caráter pessoal, haja vista que se a sua personalidade fosse mais sólida, mais bem elaborada, não permitiria que a arrogância preponderasse, portanto, textos nulos, intempestivos, e deles não tomo conhecimento.

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