Caso de Strauss-Khan está com os detetives de “Law & Order Special Victims Unit”. Mas esqueceram de chamar o Inspetor Clouseau, o único que poderia desvendar o crime.

Carlos Newton

Agora que passou o vendaval, já dá para raciocinar com mais calma sobre o estranho e misterioso caso criminal envolvendo o executivo e político francês Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), detido em Nova York sob a acusação de crimes sexuais contra uma camareira do hotel de luxo em que se hospedava.

Desde o início do rumoroso episódio, surgiram versões de que Strauss-Kahn poderia estar sendo vítima de um ardiloso golpe político, que teria sido perpetrado para alijá-lo da disputa presidencial na França. Onde aparecia como pré-candidato do Partido Socialista, liderando as pesquisas e bem à frente do atual presidente Nicolas Sarkozy.

As matérias enviadas de Nova York pelos correepondentes e pelas agências, infelizmente, não trazem o principal sobre esse tipo de episódio – os detalhes. O que se sabe efetivamente, é pouco. Vamos, então, ao que se presume, sem tomar partido pela camareira ou pelo político.

Strauss-Kahn estava hospedado, deixou o hotel e foi para o aeroporto. A camareira o denunciou à gerência, chamou a equipe de “Law & Ordem, Special Victims Unit”, a detetive Olivia Benson então a levou para exame de corpo de delito (colher fluidos, sêmen e DNA do criminoso), enquanto o detetive Elliot Stabler invadia o avião, prestes a decolar, prendia e algemava Strauss-Khan em plena primeira classe. Um enredo verdadeiramente hollywoodiano,

E aí vêm as dúvidas, que o confuso noticiário até agora não explicou: 1) A camareira o denunciou logo após o ato, ou esperou ele se vestir, arrumar as malas, pagar a conta e deixar o hotel? Houve mesmo o exame de corpo de delito, com a minúcia necessária, tipo prospecção nas partes supostamente penetradas, para colher sêmen, fluidos, DNA? A equipe do “CSI New York “compareceu ao quarto do Hotel Sofitel, para periciá-lo com aquele eficiência de sempre? O quarto estava todo revirado? Havia sinais de luta entre a estuprada e seu algoz?

Epa!!! Até agora os jornais não falaram nada nisso. Ficou tudo por conta das equipes do CSI New York”, do “Special Victims Unit” e daquela promotora linha-dura, que insiste em colocar  todo mundo logo na cadeia. Então, seria melhor o Consulado ter convocado imediatamente o Inspetor Clouseau e a Pantera Cor-de-Rosa, até porque Strauss-Khan é francês e merece uma investigação realmente imparcial.

Pouca gente sabe, mas quando jovem, Clouseau veio visitar o Rio de Janeiro e ficou hospedado no Copacabana Palace. Na feijoada dos sábados, conheceu o professor Helio Gomes, um dos maiores especialistas do mundo em Medicina Legal. Enquanto a Pantera Cor-de-Rosa pegava sol na pérgula, Clouseau aproveitou para aprender muita coisa com o catedrático brasileiro.

Por exemplo, ficou sabendo que estupro é crime de difícil comprovação. Só há estupro mediante violência ou grave ameaça, com o criminoso agredindo a vítima ou empunhando uma arma. Como os músculos da coxa são fortíssimos, a mulher tem de relaxá-los para que ocorra penetração. Se o faz sem violência ou grave ameaça, definitivamente não é estupro.

Se Clouseau fosse chamado para investigar o episódio do Hotel Sofitel,  imediatamente usaria os ensinamentos do prof. Helio Gomes. Como a camareira não foi espancada e Strauss-Khan estava desarmado, sem empunhar nem mesmo uma lixa de unha, não poderia ter forçado o estupro. É um velho, de 67 anos. Como dominaria uma jovem cheia de vida e atlética, que vive se exercitando ao limpar e arrumar dezenas de quartos por dia? Teria de lutar muito, espancá-la de verdade, o quarto estaria todo arrebentado com os sinais de luta, haveria muitas lesões e marcas no corpo dela e no corpo dele, especialmente nas mãos.

E o pior é que ela alegou ter sido forçada a fazer sexo oral e anal. Esse detalhe seria fundamental para o sagaz Inspetor Clouseau. Estupro anal e oral, sem violência? O que o prof. Helio Gomes diria?  “Ora. Clouseau, é claro que estamos tratando de um caso de sexo consentido. Qual é o estuprador que se arriscaria a colocar a arma do crime entre os dentes da vítima, sob ameaça de sofrer amputação de sua parte mais sensível”, diria ironicamente o genial mestre da Medicina Legal.

Mas o Consulado da França esqueceu de chamar Clouseau, e a investigação continua nas mãos dos incompetentes detetives da série “Law & Order”. Strauss-Kant já foi julgado e condenado, a nivel internacional, até o emprego está perdendo. Enquanto isso, a jovem camareira  vai ganhar uma fortuna vendendo os direitos de sua biografia, que depois será filmada em Hollywood. E a atriz e cantora Carla Bruni, que está por trás de toda essa trama (e até havia sido convidada para interpretar a Pantera Cor-de-Rosa em mais um remake), já pode comemorar a reeleição do marido à Presidência da França. Elementar, mon ami.

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