Caso Rosemary: no PT, o clima é de tensão e medo; no Planalto, nem tanto…

Carlos Newton

É tempo de citar dois conhecidos ditados populares, a propósito do caso de amor entre o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua assessora Rosemary Nóvoa Noronha. Pode-se dizer, sem medo de errar, que nem tudo que reluz é ouro ou as aparências enganam.

No PT e nas hostes governamentais ligadas diretamente a Lula, o clima é de tensão e medo. As perigosas ligações entre o ex-presidente e Rose eram por demais conhecidas, mas não se esperava que extrapolassem o âmbito afetivo e se transformassem em mais um escândalo de corrupção.

A primeira providência da cúpula do Instituto Lula (leia-se: Paulo Okamoto, Clara Ant e Luiz Dulci) foi tirar Rose de circulação, sumir com ela, que é considerada explosiva e ninguém sabe como procederá daqui pela frente, quando perceber o tamanho da encrenca em que se meteu, deixando a família ao relento, pois, ao mesmo tempo, todos perderam os empregos públicos – ela, a filha, o atual marido e o ex-marido. Quem os sustentará? – eis o dilema do PT, que terá de dar rápida e eficaz solução a isso.

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THOMAZ BASTOS

Outra preocupação é a parte jurídica da questão, e mais uma vez o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos foi escalado para conduzir o caso. Oficialmente, quem defende a assessora de Lula é o advogado Luiz José Bueno de Aguiar, que assinou a nota divulgada à imprensa, em que Rose diz que todas as 24 viagens que fez ao exterior foram por solicitação do cerimonial da Presidência “em decorrência de meu cargo e função e, para isso, fiz curso no Itamaraty, não havendo, portanto, nada de irregular ou estranho neste fato”.

Os telefonemas entre ela e Lula jamais serão divulgados, por óbvio, com a Polícia Federal se concentrando apenas no exame dos e-mails do computador da ex-chefe do Gabinete da Presidência em São Paulo. Aliás, é a primeira vez que isso acontece, com a Polícia Federal deixando de lado a investigação de ligações telefônicas em caso de corrupção, um fato verdadeiramente inexplicável, não é mesmo?

Se a cúpula do Instituto Lula está em pânico, mas o mesmo não ocorre no Planalto, onde o clima é até mesmo de alívio. Com esse escândalo de âmbito sexual e administrativo, a presidente Dilma Rousseff e seus assessores consideram sepultada a possibilidade de uma candidatura de Lula em 2014. Assim, diante dessa equação simples, já estão contando com mais quatro anos no poder, em função da fraqueza dos adversários. E não deixam de ter razão.

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