Dois anos para meditar, antes da sucessão presidencial

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Charge do Tacho, reprodução do Jornal NH

Carlos Chagas 

A partir de hoje começa no país um jejum de dois anos sem eleição. Excelente oportunidade para 140 milhões de eleitores meditarem a respeito dos votos dados e por dar. Arrependimento? Sensação de dever cumprido? Ou de tempo perdido?

Da próxima vez que o eleitor se deparar com as diabólicas maquininhas de votar, estará escolhendo o futuro presidente da República, além de governadores, deputados e senadores. Tempo de sobra para decidir sobre os rumos a tomar.

Do que o Brasil mais necessita, além de eleições? Persistir no desvio adotado de maio para cá, sob nova direção e empenhado em cercear direitos e exigir sacrifícios das camadas menos favorecidas? Ou ampliar espaços para distribuir pela maioria carente a riqueza concentrada nas elites?

São duas alternativas a concentrar as atenções gerais sem possibilidade de integração entre elas. Ou uma ou outra. Dois anos bastarão para o país decidir se os 12 milhões de desempregados se multiplicarão ou serão sensivelmente reduzidos. Tempo há para a sociedade definir-se até que outra vez sejamos chamados a votar pela distribuição ou a concentração da riqueza.

Desde que o mundo é mundo essa dicotomia atormenta a humanidade. Raras vezes, porém, abre-se ocasião como essa, um interregno de dois anos para a revelação do futuro.

ESTRELA EM ASCENSÃO – O PT começa a reunir os cacos, visando ressurgir, e um nome começa a ser lembrado para presidir o partido. É o ministro Patrus Ananias, que até agora passou incólume pelo lamaçal dos últimos anos. Resta saber se tem disposição.

Como estimular o comparecimento às urnas

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

As abstenções, os votos nulos e em branco poderão superar as preferências dadas aos vencedores e aos derrotados nas eleições de prefeito nos municípios que amanhã estarão votando no segundo turno. Trata-se de um perigoso sinal. De um vexame, é claro, mas acima e além do desinteresse de parte dos cidadãos incumbidos de zelar pelo próprio futuro, de um libelo contra o voto obrigatório. Também, de um alerta para 2018. Caso o número de ausências supere o de eleitores, melhor seria encontrar novos mecanismos de aferição da vontade popular.

Pelas projeções ainda insuficientes para as eleições de presidente da República, parece que candidatos aos montes se apresentarão. E se mais da metade do eleitorado recusar-se a comparecer? A ridícula multa de 3 reais para quem faltar não pesará na equação. Pelo contrário, será um incentivo a que o eleitor fique em casa.

FALTA QUALIDADE – A rejeição ao processo dito democrático corre por conta da qualidade dos eleitos. Ou da falta dela. Agora, que mais uma vez se cogita da reforma política, seria oportuna a busca de alternativas. Que tal criar obrigações adicionais para os candidatos? Ou estabelecer filtros para a seleção de quantos pretendam submeter-se ao voto popular? Considerar inelegíveis para sempre quantos não tenham conquistado um certo número de votos nas eleições anteriores? Proibir reeleições em todos os níveis após o cumprimento de um único mandato?

Renovando os candidatos, quem sabe não se oxigenaria o eleitorado a ponto dele voltar a participar maciçamente do processo eleitoral?

Reforma política sem precipitações

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Charge do Cicero (ciceroart.blogspot.com)

Carlos Chagas

Não há pacote e não há prazo. Assim o Congresso interpreta a reforma política tantas vezes anunciada e jamais concretizada. Traduzindo: nada de discutir e votar de uma vez, num só corpo,  as emendas constitucionais julgadas necessárias para aprimorar o processo político. Muito menos a convocação de uma constituinte exclusiva. Cada mudança será proposta isoladamente, ainda que algumas, por analogia ou semelhança, possam ser discutidas e votadas em sequência.

O presidente Michel Temer pensa assim, da mesma forma os líderes dos partidos do governo. Simplificar é a solução, sem pompa nem circunstância. E como não há prazo, as primeiras reformas poderão ser apreciadas logo após o encerramento do segundo turno das eleições municipais, a partir de segunda-feira.

As emendas mais urgentes terão precedência, diz a natureza das coisas. Muitos deputados e senadores entendem que entre as primeiras reformas, deve vir o fim da reeleição para presidentes da República, governadores e prefeitos, hoje candidatos a um segundo mandato ainda no exercício do primeiro, sem desincompatibilização. A adoção do voto distrital para deputado também deverá dispor de precedência. E mil outras sugestões que frequentam as conversas parlamentares. Vale repetir, sem que tramitem todas de uma vez. Não se trata de elaborar uma nova Constituição, ou coisa parecida, mas de emendar princípios através do poder constituinte derivado devido ao Congresso. Tudo dentro da normalidade.

Pode ser que a reforma política se faça junto com outras alterações necessárias ao aprimoramento do regime, sem precipitações, o que seria melhor para todos.

CACHIMBO DA PAZ – Caso aconteça hoje o encontro do presidente da República com os presidentes do Senado e da Câmara, mais a presidente do Supremo Tribunal Federal, senão o cachimbo da paz, ao menos um cigarrinho de palha terá sido fumado na Praça dos Três Poderes.

Outra vez, a mesma bobagem da nova Constituinte

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Chagas

Houve tempo em que Dilma Rousseff, em pleno exercício da presidência da República, sugeriu a convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva, convocada para promover a reforma política. Até o Lula, naqueles idos, concordou com a bobagem, que por sinal durou pouco. Nem Dilma nem Lula explicaram como, quando e onde se reuniria a “exclusiva”. Muito menos quem a integraria. Ou o que faria o Congresso com seu poder constituinte derivado, no caso, a prerrogativa de emendar a Constituição, exceção das cláusulas pétreas? Quando batessem de frente os deputados e senadores com os constituintes-meia sola, quais prevaleceriam? Aliás, estes seriam eleitos  podendo acumular as funções com aqueles? Quem ocuparia os plenários?

Assim, mil outras dúvidas começaram a queimar os neurônios parlamentares. Logo a sugestão de Madame e de seu criador foi abandonada. Os dois ex-presidentes também foram deixados no meio do caminho.

FANTASIA – Pois não é que com outra fantasia, a ideia ressurge? No PMDB e no PSDB formam-se grupos empenhados em fatiar a reforma política, mesmo sem o texto de uma nova Constituição. Primeiro revogando-se a reeleição. Depois criando-se a cláusula de barreira ou desempenho. Em seguida, a prorrogação de mandatos do presidente da Republica, governadores e prefeitos, sem esquecer deputados e senadores. A procissão seguiria ainda este ano, sem um andor principal, estendendo-se em 2017. A conta-gotas, pingaria a reforma política. Montes de emendas constitucionais apresentadas de per si formariam um conjunto, apesar de fatiado.

Seria alguma coisa parecida com os “Cavaleiros de Granada” que cantou Cervantes, aqueles que alta madrugada,  brandindo lança e espada, saíram em louca cavalgada. “Para quê?” Para nada…

 

 

De repente: “Teje todo mundo preso…”

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Em Brasília, buscava-se explicação para os destemperados conceitos lançados pelo senador    Renan Calheiros contra o ministro Alexandre Moraes, da Justiça, e os juízes Sérgio Moro, Vallisney Oliveira  e colegas.  Afinal, chamar um de “chefete de polícia” e outros de “juizecos de primeira instância” foi mais do que uma declaração de guerra. Significou desespero, isto é, a impressão de que o presidente do Senado encontra-se a um passo de ter sua prisão decretada. Respondendo a sete processos no Supremo Tribunal Federal, o representante de  Alagoas declarou “ter ódio e nojo dos métodos fascistas usados contra o Legislativo”. Para ele, nem na ditadura militar ocorreu episódio igual.

Referia-se o presidente do Senado à prisão do diretor e de integrantes da Polícia Legislativa por agentes da Polícia Federal. Sua reação foi queixar-se ao presidente da República, mesmo sem pedir claramente a demissão do ministro da Justiça. Mas suas acusações deixam poucas dúvidas sobre os próximos capítulos desse cabo-de-guerra entre Legislativo e Executivo, a ser decidido pelo Judiciário. Apesar de Michel Temer procurar eximir-se da tertúlia, não há como supor que Alexandre Moraes se encontre atuando por conta própria. Como não foi demitido após suas opiniões, o mínimo a imaginar é estar Renan Calheiros próximo de ser atingido. Depois dele, estão na fila os senadores Edison Lobão, Fernando Collor e Gleisi Hoffmann.

MORO E O CONGRESSO – Para complicar a situação, registre-se o desabafo do juiz Sérgio Moro, para quem o Congresso deve mostrar de que lado se encontra…

Outro que parece prestes a ser arcabuzado é o  Lula, atingido de tabela pela Polícia Federal, quando o alvo era o ex-ministro Antônio Palocci, já preso. De acordo com o relatório da PF, o ex-presidente recebeu 8 milhões de reais da empreiteira Odebrecht,  pelas mãos do ex-ministro  da Fazenda. Breve o país será surpreendido com o grito de “teje todo mundo preso”…

A fadiga dos metais e a derrocada do PT

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Magalhães Pinto denunciou a fadiga da ditadura

Carlos Chagas 

Magalhães Pinto era senador, havia deflagrado o golpe de 1964 como governador de Minas e permanecia candidato à presidência  da República sem a menor chance na disputa com os generais. Perdeu a paciência quando viu que Ernesto Geisel  seria o próximo presidente, imposto pelo regime castrense. A sagaz raposa subiu à tribuna do Senado e surpreendeu com duas iniciativas. Naquele ano, 1973, comemorava-se mais um aniversário do Manifesto dos Mineiros, do qual havia sido um dos signatários, trinta anos antes, em protesto contra a ditadura do Estado Novo.  Solenemente, Magalhães puxou da caneta e anunciou estar reassinando aquele documento e ocupando a liderança da oposição.

Ao mesmo tempo, alertou os militares para o fenômeno que se alastrava pelo país: a fadiga dos metais. Referia-se ao que muitas vezes se verificava em aviação: uma aeronave estava perfeita, aprovada em todos os testes, sem um mínimo parafuso fora do lugar, mas, de repente, explodia.

Era a fadiga dos metais, que se negavam a continuar voando. Assim acontecia com o regime imposto pelos quartéis. Não dava mais para aguentar a ditadura.

REJEIÇÃO AO PT – Por que se lembram aqueles episódios trágicos que redundaram, anos depois, na volta do Brasil à democracia? Porque a fadiga dos metais chegou ao PT e aos companheiros do Lula. Não dava mais para aguentar a permanência dos atuais detentores do poder. O que falta das eleições municipais, domingo, completará a derradeira fase da rejeição nacional ao domínio do PT. O Partido dos Trabalhadores perdeu as condições de liderar os destinos da nação, da mesma forma como os generais haviam perdido o comando, apesar de insistirem ainda por algum tempo. Resta saber, agora, que tipo de aeronave servirá para transportar o Brasil. E com que tripulação…

 

 

 

Sobre a existência das ideologias

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Charge do João Montanaro, reprodução da Folha

Carlos Chagas

Dos trinta partidos hoje funcionando no Congresso, sobrarão quantos, caso se desenvolva mesmo a proposta da introdução de cláusulas de barreira ou de desempenho no bojo da reforma política? Há quem preveja oito, um pouco mais, um pouco menos. Uma aglutinação de legendas é tida como certa, desaparecendo os partidos de aluguel e até uns tantos históricos, mas sem votos.

O natural seria uma divisão ideológica, com três grandes correntes: os defensores da extinção de  direitos sociais; os empenhados em sustentar e até restabelecer prerrogativas sociais surripiadas; e os indefinidos, ora inclinados pela supressão ainda maior das vantagens concedidas ao trabalhador, ora influenciados pela concessão da melhoria das condições de vida  dos assalariados.

O diabo é que em praticamente todos os trinta partidos atuais existem grupos defendendo uma e outra dessas alternativas, em permanente confronto. Hoje, ganham os adeptos de mudanças capazes de retirar direitos dos necessitados, bem como de aumentar as benesses dos que vão muito bem, obrigado. Amanhã, o pêndulo poderá se inverter, como foi ontem.

O IMPREVISÍVEL – Dirão os céticos existir essa dicotomia desde que o mundo é mundo, mas à medida em que o tempo passa, mais se tornam imprescindíveis as definições. O risco é de uma das duas tendências tornar-se tão superior à outra que determinará a impossibilidade da convivência. Nesse caso, virá o imprevisível, como já tem acontecido.

A conclusão é de que erram os doutos hoje concluindo pela inexistência das ideologias. Elas existem, sim, às vezes camufladas e às vezes surpreendendo, ainda que impossíveis de ser negadas. Quem quiser que acione seus termômetros para aferir aonde vamos, sabendo do perigo das radicalizações.

Um escândalo e um roubo, que só beneficiam aos banqueiros

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

Desfaçatez igual, só nos tempos da ditadura militar, quando os detentores do poder mudavam  as regras do jogo  ao perceber que  estavam perdendo. Assim criaram os senadores biônicos, extinguiram os partidos políticos, impuseram o bipartidarismo forçado, estabeleceram a vinculação total de votos e outras barbaridades, tudo para dar a impressão de normalidade institucional.

A farsa continua. O governo Michel Temer mente quando diz acoplar-se ao sentimento nacional de protesto sobre a fixação dos juros em 14.25%. São os maiores do planeta, causa da recessão e do desemprego em massa, que só favorece os bancos.

Pois não é que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, esta semana, levou o COPOM a anunciar a redução de 0.25% dos juros? Índices tão ridículos levarão trinta anos para chegarmos ao patamar dos países desenvolvidos. Os bancos, tanto públicos quanto privados, nacionais e estrangeiros, locupletam-se desses obscenos percentuais que chegam ao cidadão comum na ordem de quase 500% anuais no cheque especial ou no cartão de crédito. Um escândalo. Um roubo que favorece a elite financeira e penaliza quantos integram o sistema econômico nacional.

Fazem os banqueiros pior do que os generais, só que em vez de mudar, mantém as regras do jogo. E sem precisar de fuzis, tanques e metralhadoras.

SEM ESPERANÇA – Virgílio conduziu Dante às portas do inferno, mostrando a inscrição feita para os condenados que por lá passavam: “Deixai toda a esperança, vós que entrais”.

A própria Igreja anda flexibilizando um pouco as condenações eternas.  Deixar os outros na fogueira até o final dos tempos pode parecer um exagero, em especial se os crimes cometidos envolvem arrependimento.

Extinguir a reeleição com prorrogação é obscenidade

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Charge do Cláudio, reprodução do UOL

Carlos Chagas

Extinguir o princípio constitucional da reeleição parece tendência majoritária no Congresso, no meio da reforma política, mas um obstáculo de razoáveis proporções ameaça deixar tudo como está. Não podendo prefeitos, governadores e presidentes da República permanecer dois mandatos no poder, ou seja, quatro mais quatro anos, muita gente acha que seria natural a fixação de seus períodos de governo em cinco anos.

Por esperteza ou pela lei das compensações, mas em nome da coincidência das eleições, deputados  reivindicam a mesma extensão, sendo que por analogia aos senadores caberiam mandatos de dez anos.

Aqui as coisas passam a cheirar mal. Mesmo havendo equidade, não haverá quem deixe de estranhar a prorrogação de mandatos. Assim, logo surgirão propostas para os mandatos legislativos permanecerem como se encontram, aumentados apenas os executivos, indo para o espaço a coincidência de mandatos. Claro que as opiniões vão divergir, sobrevindo então a fórmula bem brasileira: deixar tudo como está, inclusive a reeleição…

REELEIÇÃO GARANTIDA – Não tem limite o mal feito às nossas instituições pela permissibilidade de um mandatário poder disputar um segundo período ainda no exercício do primeiro, sem precisar desincompatibilizar-se. É preciso ser muito incompetente para perder uma eleição assim, quando o cidadão dispõe da caneta e do diário oficial, além de diversas mordomias. Tem acontecido, registrado-se que nem Dilma Rousseff perdeu a reeleição.

Tamanha aberração foi instituída por Fernando Henrique, acusado de haver comprado votos no Legislativo em pleno primeiro mandato. Não perdeu o segundo, assim como o Lula e a já referida Dilma.

Numa projeção ainda indefinida, fica obvio que Michel Temer também não perderia, mesmo por enquanto valendo seu juramento de que não concorrerá. Esse talvez seja o maior argumento para o fim da reeleição, não obstante a obscena prorrogação já engendrada.

Eduardo Cunha ainda intimida

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Charge do Iotti, reprodução da Zero Hora

Carlos Chagas

Quem tem medo de Eduardo Cunha? Todo mundo. Por conta disso, cresce a impressão de que ele permanecerá indefinidamente preso e, pior ainda, quase incomunicável. Numa cela privativa, na Polícia Federal de Curitiba, recebendo bissextamente advogados e familiares, sem acesso à televisão e outros meios eletrônicos de comunicação, privado até da leitura de jornais, muito menos de dialogar com outros presos, o réu assistirá  lento desenrolar dos múltiplos processos abertos contra ele.  Até o banho de sol  com limitações.

Terá liberdade para escrever suas memórias, apesar das dificuldades que enfrentará para editá-las. A estratégia do juiz Sérgio Moro parece óbvia: isolar Eduardo Cunha para torná-lo impotente. Ou quase. Num cabo de guerra invisível, pretendem que seu isolamento, senão conduzi-lo ao esquecimento, chegará perto.

Caberá ao ex-presidente da Câmara o próximo passo: conseguir a delação premiada e denunciar as estruturas e os agentes da corrupção hoje amedrontados e à beira de um ataque de nervos, ou fechar-se em copas para vencer seus algozes pelo cansaço. Nas duas hipóteses disporá de argumentos para intimidar a  legião de inimigos e adversários temerosos de fazer-lhe companhia atrás das grades.

ALVO SERIA LULA? – Tem gente supondo que o alvo principal da Operação Eduardo Cunha é o Lula. Pode ser, tendo em vista o conjunto de forças dispostas a manter o instável equilíbrio do governo Temer, respaldado pelos setores conservadores e neoliberais, além da  mídia nacional.

Desconfia-se que, se Eduardo Cunha fizer o jogo dos detentores do poder, contará com a boa vontade dos seus carcereiros. Nada que signifique tão cedo a liberdade, mas, ao menos, um regime mais brando.

Algo vai acontecer, ninguém sabe quando

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

O “Sistema Único de Saúde é inviável!”  proclamam aqueles que desde a degola de Dilma Rousseff e do PT passaram a contestar a Constituição de 1988. Empenhados em suprimir o elenco de direitos tidos até agora como imprescindíveis, os novos donos do poder lançaram-se na campanha pelo retorno de seus privilégios e a extinção das prerrogativas das massas. Insurgem-se diante do tratamento médico gratuito para quem não possa pagá-lo, condenando os pobres à miséria e os ricos à indiferença.

Do corte de direitos sociais à supressão de pensões e aposentadorias, do aumento de impostos ao abandono das maiorias carentes e ao desemprego crescente, desenham um novo Brasil rachado ao meio. Ainda agora estão beneficiando quantos enviaram dinheiro roubado para o exterior e hoje poderão repatriá-lo sem maiores punições.

Em tempo rápido o governo Michel Temer vai revogando conquistas sociais que levaram décadas para ser implantadas. O triste é que a sociedade não reage, ou reage muito pouco. O trabalhador deixa de ganhar as ruas, preocupado em reconquistar o emprego perdido, mesmo às custas de redução  salarial. A classe média fecha os olhos e as elites ampliam reivindicações e benesses.

Enquanto isso, multiplicam-se as apreensões. Alguma coisa vai acontecer, mesmo ignorando-se quando e como. Pode ser amanhã. Até hoje.

FHC é candidato mesmo…

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Charge do Mauricio Rett, reprodução do Arquivo Google

Carlos Chagas

Há uma semana chamamos a atenção do leitor para a blitz desenvolvida na mídia pelo ex-presidente Fernando Henrique. Uma atuação digna de candidato para valer à presidência da República, porque jamais alguém frequentou tanto assim jornais, televisões, rádios, redes sociais e toda a parafernália eletrônica posta à sua disposição por razões mais do que óbvias. Dele fluem palpites sobre os assuntos mais variados, como se fosse o maestro de todas as orquestras e o capitão de todos os times. Seu objetivo inicial parece ser anular os três tucanos que perdem tempo na definição do preferido do PSDB. Imagina-se o quartus nessa disputa que se segue à demolição do PT. Não obstante estar na década dos oitenta anos de idade, comporta-se como um garotinho pleno de energia.

É claro que o sociólogo segue um organograma minucioso, impulsionado pela ambição do retorno.  Por que não? Afinal, apanhou durante treze anos e agora imagina-se na condição de quem remou por tanto tempo contra a maré e agora surfa num tsunami capaz de favorecê-lo. Seria um despropósito, mas é assim que o processo se desenvolve, facilitado pelo eclipse dos companheiros. Não se negará o direito de FHC imaginar-se outra vez no Planalto, completando a trajetória interrompida pelos anos Lula. Dependesse dele e terminaria de vez com o capítulo das esquerdas no poder.

Resta saber onde as coisas vão dar. Michel Temer estimula a aliança, mesmo sabendo dos perigos do racha cada vez mais evidente na população.

Para o PT, recomeçar é preciso

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas

Papelão pior do que no primeiro turno das eleições municipais está fazendo agora o PT, menos pelos votos que não teve no país inteiro, mais por parecer definitivamente rachado. Os companheiros hesitam em mudar de uma vez seus dirigentes, aproveitando a oportunidade para renovar-se, dar a volta por cima e recomeçar de novo.

Bem que o Lula dá o exemplo, negando-se a presidir o partido e dispondo-se a continuar como simples soldado. Claro que permanecerá à disposição para candidatar-se à presidência da República em 2018, mas gostaria de ver gente jovem no comando. Por enquanto, preocupa-se em saltar de banda diante das investidas do juiz Sérgio Moro, mas se escapar da cadeia, estará onde sempre esteve, ou seja, candidatíssimo. Quanto a poder empolgar as massas, como no passado, dependerá dele e do PT sob nova direção.

A duvida é saber quem e como. Tarso Genro e Patrus Ananias não serão propriamente renovação, mas podem considerar-se limpos. Seria necessário que começassem do zero, desenvolvendo agressiva campanha contra as reformas do governo Michel Temer. Retomar os laços perdidos com o sindicalismo está na ordem do dia, mas é preciso não apenas gente nova, senão propostas  novas. A partir das realizações dos dois mandatos do Lula e desconsiderando Dilma Rousseff e a quadrilha hoje na cadeia, a luta precisará ser ideológica. Recomeçar é preciso…

A corrida vai começar

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Charge do Gilmar (gilmar.blogosfera.uol.com.br)

Carlos Chagas

Rodrigo Maia não desistiu de disputar a presidência da Câmara, a partir de fevereiro. Pelo contrário, faz ouvidos de mercador quando toma conhecimento das pretensões do PSDB de ocupar o lugar. A razão é simples: os tucanos não se entendem quanto ao deputado a ser escolhido. Sairá de que grupo? Porque Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra querem a indicação, mesmo por enquanto não se definindo.  Sabem apenas rejeitar os outros dois preferidos,  quaisquer que venham a ser.

Logo após a realização do segundo turno das eleições municipais, os candidatos estarão em campanha. Salvo raras exceções, o PMDB aceitará quem a maioria do PSDB apontar para presidir a Câmara. O diabo é imaginar seu nome, pois fatalmente será cabo eleitoral de Aécio, Alckmin ou Serra. Dos três, nem por milagre.

O segundo round a ser disputado pelos tucanos  presidenciáveis acontecerá em março, quando da escolha do novo presidente nacional do partido. Aécio fará tudo para continuar outro mandato, na ilusão de manter a instável pole-position que divide com os outros dois. A partir daí, será a guerra aberta. A seleção do candidato vai demorar todo o ano que vem, a menos que um dos três desista, hipótese remota. Ou, mais difícil ainda, que mude de partido.

CORRIDA DE OBSTÁCULO – Montes de variáveis transformarão a disputa interna no PSDB numa eletrizante corrida de obstáculos. Para qual dos três se inclinará a maioria da bancada na Câmara? E no Senado? Fernando Henrique tentará ser o quartus pacificador? São Paulo pesará mais do que Minas? Quem se aventurará a percorrer primeiro os outros estados, dizendo-se candidato? E os discursos, serão longos?

Em suma, uma campanha educada ou violenta? Quem perder apoiará o vencedor ou tentará um novo partido? E se todos perderem?

Uma nova estrela no céu do Planalto

Ex-esquerdista que se filiou a partido apoiador daditaduraeex-assessor de FHC, Lula e Dilma, MoreiraFranco é um dos nomes mais próximos de Temer

Moreira, na visão de Carlinhos Muller (Folha)

Carlos Chagas

As coisas não são como parecem. Apesar de haver declarado que não se candidatará a um segundo mandato, ainda que a Constituição permita, o presidente Michel Temer não afasta a hipótese. Primeiro, será preciso que dê certo seu programa de recuperação nacional, porque dando tudo errado, nem pensar. Depois, torna-se necessário que não apareça outro candidato em condições de empolgar o eleitorado. Ninguém do PMDB, muito menos do PSDB, sequer das forças auxiliares.

Quem raciocina assim é o ministro Moreira Franco, a mais nova estrela da constelação palaciana, responsável pelo eclipse de Eliseu Padilha.

O ex-governador do Rio de Janeiro poderá acabar na Casa Civil. Dias atrás, comentou a importância de Michel preparar-se, mas só no devido tempo. Precipitar a equação equivalerá a fortalecer um dos três tucanos hoje posicionados, Aécio Neves, Geraldo Alckmin ou José Serra. Melhor será combatê-los por inanição, deixando que se anulem. Ainda mais pelo fato de ser o atual presidente a única opção do PMDB, claro que no momento oportuno e na dependência do sucesso econômico.

Quem se prepara, diante de outras variáveis, é Ciro Gomes, com cadeira cativa no PDT. Mas só terá chances se o governo Temer fracassar.

Quando janeiro chegar; novas cartas poderão ser distribuídas, inclusive o Curinga, no caso o Lula, se escapar da guilhotina de Curitiba.

Um dia a coisa explode

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Charge do Flávio, reprodução do Arquivo Google

Carlos Chagas

Proibição das coligações partidárias nas eleições para a Câmara dos Deputados, cláusula de barreira para reduzir o número de partidos políticos, teto para gastos nas campanhas eleitorais e voto em listas partidárias em vez de candidatos a deputado federal. Some-se a reforma da Previdência Social e se terá a pauta das reforma até o final do ano.

Desse sucinto elenco apenas um contraria a natureza das coisas: a obrigação do eleitor votar apenas na sigla do partido de sua preferência, sem fulanizar o voto. Desde o Império que a gente escolhe em quem votará. Tanto faz se João, Benedito ou Antônio, mas tem sido assim há séculos.

Agora, querem mudar o objetivo do voto para deputado. Cada um que escolha o seu partido, cabendo aos dirigentes de cada um preparar as listas dos que serão votados. Claro que se colocarão nos primeiros lugares, nem precisando fazer campanha ou gastar dinheiro.

Será um retrocesso.  Deixar de optar por quem pretendemos representar-nos afastará a decisão personalizada. Poderão ser eleitos candidatos despojados da vontade do eleitor, bafejados por amizades ou motivos menos nobres.

As reformas políticas se limitarão ao imprescindível, havendo dúvidas, também, sobre a questão previdenciária. Aumentar o prazo para aposentadorias parece certo, mas pelo jeito não se cuidará da reforma trabalhista. Suprimir direitos levantará protestos, mas será bom ir com calma. O desemprego ultrapassa todos os limites enquanto inexistem sinais de arrefecer. Um belo dia a coisa explode, sem que se possa conter a indignação geral.

As dúvidas de Michel Temer e a ambição de FHC

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Por incrível que pareça, FHC sonha em voltar ao Planalto…

Carlos Chagas

Voltaire, nascido François Marie Arouet, com pouco mais de vinte anos de idade foi preso na Bastilha. O Regente da França prometeu conceder-lhe uma visão de Paris que certamente nunca tinha apreciado. Vingava-se de uma observação do irreverente cronista dos costumes da corte, para quem, em vez de vender metade das cavalariças reais como economia, Felipe devia livrar-se dos asnos que troteavam ao redor do trono. Arrependeu-se o soberano substituto do infante Luís XV. Mandou soltar Voltaire e até dedicou-lhe uma pensão para que pudesse prover “habitação e alimentação”.

Por ter agradecido, o jovem  viu-se novamente condenado à cadeia, porque se disse  feliz pelas preocupações do Regente para com suas refeições, mas dispensava aquelas destinadas à  sua hospedagem…

Tem gente que não perde a ocasião de uma crítica bem ou mal humorada, mesmo prejudicial ao seu futuro.

Esta semana o presidente Michel Temer convidou o ex-presidente Fernando Henrique para jantar no palácio do Jaburu.

O sociólogo discorreu sobre os percalços e as vantagens do exercício da chefia do governo, mas não deixou de provocar o anfitrião ao lembrar serem muito mais cômodas as instalações do palácio da Alvorada, para onde o atual presidente ainda não se mudou. Assim como pareciam mais sofisticados e substanciais os jantares na residência oficial.

No dia seguinte, mesmo admitindo a hipótese de estar enganado, Temer arriscou um palpite depois de ouvir de FHC referências pouco entusiasmadas a respeito de Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra, quando deixou evidente não apoiar nenhum dos três como futuro presidente. Qual, então, seria o tucano candidato das suas preferências?

Para Temer, pelo jeito que a conversa tomou, é o próprio. Fernando Henrique não arquivou suas pretensões, agora retemperadas pelo empate entre os três pretendentes mais ostensivos no PSDB.  Não se passa uma semana sem que conceda uma entrevista ou escreva um artigo na imprensa diária.  Dá palpite em todos os assuntos, faz questão de aparecer onde puder.

Suas recentes memórias, já no segundo volume de uma série prevista para cinco, envolvem as importantes e as desimportantes passagens pelos dois mandatos.

Em suma, mesmo iniciando a oitava década de vida, não perde oportunidade de aproveitar sua presença no palco.

Estaria o presidente Michel Temer enganado em seus temores? Além de não evitar observações de todo tipo, até capazes de aumentar-lhe dificuldades pessoais, Fernando Henrique deixa no ar uma dúvida. Será mesmo candidato?

O “primeiro-ministro” Padilha está ultrapassando os limites

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Charge do Bier (sindbancarios.org.br)

Carlos Chagas

É conhecido, mas merece ser repetido, o episódio que envolveu o general Bernard Montgomery, chefe das forças armadas britânicas, e o primeiro-ministro Winston Churchill. A II Guerra Mundial aproximava-se do fim e o orgulhoso militar, vencedor de todas as batalhas, revelara aos jornalistas as razões de seu sucesso. “Escrevam que é porque eu não bebo, não jogo, não fumo e não prevarico”. Enciumado, Churchill convocou os repórteres e ditou: “Eu bebo, fumo, jogo,  prevarico, e sou o chefe dele…”

Guardadas as proporções, é o que o presidente Michel Temer deveria dizer ao chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Porque o todo-poderoso auxiliar anda passando dos limites. Não há um dia sem que ele dê palpite em alguma iniciativa do governo, como se fosse o artífice de todas as mudanças e reformas. Depois da aprovação do teto máximo de gastos do Executivo, Padilha anunciou como obra sua, para os próximos dias, a redução dos juros. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, estrilou junto ao presidente Temer, reivindicando não para ele, mas para o chefe, a autoria de uma das mais importantes medidas de reconstrução econômica do governo.  Não há um empresário, economista ou contribuinte que nos últimos meses não relacione como aspiração nacional a redução dos juros. Do cheque especial aos cartões de crédito, das dívidas crescentes dos impostos ao gargalo que impede o desenvolvimento, todos apontam a farra dos bancos como causa principal de nossas agruras econômicas.

É bom atentar que nem Meirelles ousa reivindicar como sua a redução em vias de concretizar-se.   Não fosse a decisão de Temer, disposto a contrariar os bancos, nada seria feito, como parece que será.

Pois não é que Padilha proclama a autoria? Só falta intitular-se Prefeito do Paço, coroando-se Carolíngio no lugar dos Merovíndios. Só que se chama Eliseu e não Carlos…

Sacrifícios inúteis no horário de verão

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Charge do Pelicano (pelicanocartum.net)

Carlos Chagas

Devemos preparar-nos. Quando os ponteiros se reunirem, à meia-noite de sábado para domingo, quem estiver acordado na metade mais populosa do país, do Mato Grosso ao Rio Grande do Sul, deverá adiantar seu relógio em uma hora. No mínimo cem milhões terão sido roubados em sessenta minutos. Para quê? Para nada. Melhor dizendo, para confundir-nos. Porque o sol nascerá na mesma hora. Apenas, quem acorda às sete horas verá que são oito. Uma hora de sono foi-se com o vento.

O pior é que o novo horário vale para metade do território nacional. A outra metade seguirá como antes. Um baiano que trabalha em Minas atravessará a ponte certo de que iniciará sua jornada na hora certa, mas já estará descontado em sessenta minutos. Em compensação, ao voltar para casa, ficará sem ter o que fazer por uma hora, esperando o jantar que o estômago reclama mas a mulher levará igual tempo  para servir.

Multiplique-se a situação para a ida e volta das crianças à escola, entre mil outras atividades, e se terá a receita de como o horário de verão perturba e irrita a população inteira, lá e cá.

Quase 150 milhões de reais serão economizados nas contas de luz de meio Brasil, porque não haverá necessidade de acender as lâmpadas quando a noite chegar. Ainda vai demorar uma hora. No reverso da medalha, será madrugada quando formos escovar os dentes e tomar café, de luz acesa, gastando outros 150 milhões…

Imaginava-se que em meio a tantas reformas anunciadas, o governo Temer se esquecesse do horário de verão, mas não teve jeito. Chega à meia-noite de sábado para domingo, prolongando-se até março.

O relógio biológico dissocia-se do calendário. Quando nos tivermos acostumado, será hora de atrasar os ponteiros, para nova temporada de sacrifícios inúteis. Povo rico é assim mesmo…

Prestigiar a política, valorizando o município

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

Ninguém mora na União, nem no Estado, mas todos no Município. Ou no Distrito Federal. Quem assim dizia era o dr. Ulysses Guimarães. Para ele, as eleições municipais estavam no cerne das decisões nacionais. Num período de tantas sugestões sobre a reforma política, a  hora seria de o país voltar-se para reformular suas primeiras estruturas. Para começar, ampliando as atribuições dos prefeitos. Dando-lhes maiores obrigações em saúde, educação e segurança, claro que aumentando os recursos e evitando a superposição de tarefas nos estados e na União.

“Sua Excelência o prefeito” ganharia mais encargos e, certamente, maior cobrança de seus eleitores. A participação do cidadão comum na administração municipal seria o corolário da responsabilidade, com frequentes aferições do desempenho das autoridades municipais. Uma vez por ano, durante seus mandatos, os prefeitos responderiam por sua atuação, podendo receber votos de rejeição ou aprovação, mas votos mesmo, capazes de mantê-los ou despedi-los de suas funções.

Às Câmaras de Vereadores caberia referendar a decisão, dentro de rigorosa vigilância da Justiça. Essa participação popular levaria o eleitorado a começar de baixo o exercício da cidadania. Custos haveria, ainda que compensados pela eficiência do julgamento.

Começar pelos municípios serviria para aprimorar o processo político, quem sabe levando a aferição de competência aos planos estadual e federal. Hoje, depois de árdua campanha, os eleitos ganham carta de alforria para fazer o que bem entendem, tendo sua performance apreciada apenas quatro anos depois, durante os quais a ninguém respondem.