Atrás de novos números e novas letras

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

O governo Temer nada mais é do que um comitê organizado para gerir os negócios dos aproveitadores. Valeu-se o novo presidente da farsa encenada pelos que um dia deram a impressão de insurgir-se contra a exploração, mas, na verdade, já eram candidatos a integrar o time dos exploradores. Naufragaram o PT e penduricalhos, abrindo as comportas para o controle da nação pelos mesmos de sempre. Não mudou nada, até piorou um pouco, porque, enquanto os atuais donos do poder ampliam suas benesses e prerrogativas, suas vítimas perdem os poucos direitos que restavam. Os 12 milhões de desempregados só não falarão mais alto quando virarem 13.

A pergunta que se faz é se será possível inverter a equação, em meio a maiores sacrifícios impostos à população. Certamente que não, se for através dos mecanismos agora impostos pelos que ocuparam o governo, ou seja, menos emprego e mais sacrifícios.

Aproxima-se a hora da decisão, pois o trabalhador só poderá viver se encontrar trabalho, mas só encontrará trabalho na medida em que for mais explorado e sacrificado.

Ceder às ameaças de maior aumento do desemprego, em nome da igualdade, equivalerá a transformar o trabalhador em escravo. E o número de desempregados aumentará. De sacrificados, também. Logo a realidade se escreverá com outros números e outras letras.

Dos três sobrará um

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Charge do Amarildo (amarildocharge.worldpress.com)

Carlos Chagas

Um novo capítulo da arte de enxugar gelo e ensacar fumaça será completado assim que realizado o segundo turno das eleições municipais, dia 30. Porque mesmo sem se entenderem, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra aspiram a indicação presidencial no âmbito do PSDB. Os dois que vierem a ser derrotados não cogitam mudar de partido para encontrar uma legenda capaz de abrigá-los. Estão em igualdade de condições na disputa pela pole-position. Aécio por presidir o PSDB e ter sido o candidato nas eleições mais recentes. Alckmin por governar São Paulo, recém saído da esmagadora vitória de João Dória Júnior para a prefeitura paulistana. E Serra por exercer o ministério de maior visibilidade do governo Temer, disposto a repetir a experiência de Fernando Henrique Cardoso.

Os três candidatos sabem da impossibilidade de perder tempo. Logo começará a temporada de caça aos tucanos hesitantes. 2017 será ano pré-eleitoral, mesmo pleno  de perguntas sem resposta: se a recuperação nacional viabilizar-se, Michel Temer deixará de candidatar-se pelo PMDB, pesar das promessas de ficar de fora?  Henrique Meirelles deixará passar a oportunidade, na mesma hipótese de sucesso econômico?

Ciro Gomes espera vir com tudo, já dispondo de um programa para levar o PDT a reunir outros partidos.  Marina Silva imagina dispor de lugar cativo no primeiro pelotão. Outros não admitem perder tempo, como Alvaro Dias, Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro e alguns por enquanto desconhecidos.

Faltou um, sem dúvida lastreado na lembrança de forte contingente hoje ferido, mas não derrotado: o Lula, que se conseguir livrar-se das tenazes da operação Lava Jato, estará no páreo.

O maior obstáculo, por ironia, atinge os três hoje melhor posicionados, Aécio, Alckmin e Serra, dos quais sobrará apenas um com chances de passar ao segundo turno, sabe-se lá contra quem.

Reeleição, adeus

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Charge do Léo Correia (bocadura.com)

Carlos Chagas

Acabar com a reeleição em todos os níveis, de prefeito a governador e a presidente da República, parece uma aspiração nacional. Menos para os que se encontram no exercício do primeiro mandato, exceção de João Dória Júnior, que antes mesmo de assumir, já afastou a hipótese. No México, nos idos do presidente Lázaro Cárdenas, chegaram a aprovar o princípio de “no reeleciones” até para o Congresso. Entre nós, não pegou nem pegará essa profilática medida, mas não deixa de ser tentador, apesar do risco aberto em favor dos  corruptos, que tentariam amealhar num único mandato o dinheiro que levariam para enriquecer em longas carreiras de deputado ou senador.

Proibidas as reeleições para os segundos períodos imediatamente depois dos primeiros, como parece que virá com a reforma política, abre-se um terreno pantanoso.   A maioria dos partidários do mandato único, pretendendo levar vantagem em tudo, já sustenta para os cargos executivos e legislativos cômodas prorrogações. Em vez de quatro anos para deputado, prefeito, governador e presidente, por que não cinco? Ou seis? E para os senadores, que tal dez e não oito?

Além de haver a descoincidência de eleições, uma festa para quem gosta de juntar recursos fajutos.

MUITOS EXEMPLOS – O regime militar inovou. Castello Branco foi eleito para permanecer dois anos, prorrogou seu mandato por mais um. Costa e Silva era para ficar quatro anos, ficou dois e meio por conta da doença. Garrastazu Médici governou por quatro, três meses e dezessete dias. Ernesto Geisel por cinco anos. João Figueiredo por seis.

José Sarney preparou-se para seis, a Assembleia Constituinte roubou-lhe um. Fernando Collor foi cassado depois de dois e meio, Itamar Franco completou os quatro, mas Fernando Henrique criou o segundo mandato, permanecendo oito anos, através de monumental garfada na memória nacional. Lula idem, ainda que Dilma cumprisse o primeiro e só um ano do segundo. Michel Temer a gente não sabe, o país continua uma caixinha de surpresas. É preciso tomar cuidado.

Ulysses foi o navegante da democracia

 Baluarte das conquistas republicanas do Brasil, as palavras de Ulysses ainda hoje servem de inspiração (Foto: Orlando Brito)

“À vista a terra ansiada da liberdade”, sonhou Ulysses

Carlos Chagas

“A caravela vai partir. As velas estão pandas de sonho e aladas de esperança. Posto no alto da gávea pelo povo brasileiro, espero um dia poder anunciar: “alvíssaras, meu capitão! Terra à vista! À vista a terra ansiada da liberdade!” – com essas palavras, o dr. Ulysses encerrou seu discurso de anticandidato à presidência da República, no plenário da Câmara dos Deputados. Acabara de ser indicado pelo MDB para enfrentar o tonitruante general Ernesto Geisel, imposto pelo Alto Comando das Forças Armadas para substituir o general Garrastazu Médici.

Não ia adiantar nada, pois as eleições presidenciais eram indiretas, pelo Congresso, onde o candidato militar dispunha de ampla maioria, garantida pela Arena, o partido do “sim”, frente  ao partido do “sim, senhor”, o MDB. Coube ao grupo mais aguerrido da oposição, os “autênticos”, lançar a proposta da anticandidatura, aproveitando a brecha da lei eleitoral que permitia aos candidatos acesso à televisão e a percorrer o país em campanha.

FORA DO AR – A primeira decepção veio antes que Ulysses Guimarães começasse a discursar: as emissoras de televisão já posicionadas saíram do ar, por decisão do mais arbitrário dos presidentes da República, o general Garrastazu Médici. Depois, vieram proibições de toda ordem, até de comparecer às praças públicas, ocupadas por cães policiais. Mesmo assim, naquela manhã, com os jornais momentaneamente sem censura, o país tomou conhecimento de uma das mais  belas páginas da literatura política do país.

Ulysses Guimarães, presidente do MDB, falou durante uma hora a um auditório de início desanimado, que aos poucos recebia vergastadas de democracia, ouvindo exortações como a anistia aos presos políticos e aos exilados, eleições diretas, liberdade de imprensa, restabelecimento do habeas-corpus e devolução do poder aos civis.

Quando concluiu a oração logo intitulada do “navegar é preciso”, recebeu prolongados minutos de ovações e de entusiasmo. Tornou-se o timoneiro da oposição, entregando-lhe uma nova carta de marear.  Enfrentou todo tipo de obstáculos até o restabelecimento da democracia.

Agora que se celebram cem anos do nascimento do maior dos seus combatentes, lembra-se que a travessia terminou onde começou: o dr. Ulisses desapareceu no mar, sem que seus despojos jamais tenham sido encontrados. Ainda navega na lembrança de todos nós.

O caos e a providência divina

Charge do Simanca, reprodução de A Tarde

Carlos Chagas

Até o dia 30, domingo, a disputa entre os dois Marcelos, Crivella e Freixo, concentrará as atenções não apenas do Rio, mas do país inteiro. A vitória do candidato do PSOL demonstrará que as esquerdas ressurgiram depois do naufrágio do PT. Ganhando o candidato do PRB, a ideologia eleitoral ficará para as calendas.

Os companheiros votarão em Freixo, mas envergonhados. Não só os religiosos estarão com Crivella, ainda que sua falta de ideologia sirva de argumento para uma futura pacificação.

Quem quiser que arrisque palpites, mas as próximas semanas definirão mais do que o governo do Rio. Estarão em jogo duas tendências capazes de definir os rumos nacionais.

Discute-se o destino do PT. Ampla renovação de quadros e de lideranças parece inevitável, ainda que sem o sacrifício do Lula, na hipótese de não ser atropelado pela Lava Jato ou por Sérgio Moro.

QUADRO PARTIDÁRIO – Recomeçar não será fácil para o PT, ainda que todo o quadro partidário se encontre exangue. O PMDB, por exemplo, caminha para as profundezas, onde já se encontra o PT.  Os tucanos confiam sair voando sobre o caos, mas enfrentam a desunião expressa pelo crescimento de Geraldo Alckmim nas eleições paulistanas de domingo passado. José Serra quer bancar o avestruz, enfiando a cabeça na areia em meio à tempestade, e Aécio Neves equilibra-se com a vantagem de presidir o PSDB.

Em suma, as eleições cariocas do segundo turno poderão servir para definições, sendo que Michel Temer, às voltas com pesquisas de opinião cada vez mais desastrosas, tarda em iniciar suas reformas ditas imprescindíveis. Caso venha a sofrer dificuldades no Congresso, estará contribuindo para acirrar velhas divisões ideológicas. Sem confiar no PMDB, resta-lhe apelar para a Providência Divina. Do caos, pode surgir alguma luz.

Uma lição dos bombeiros para melhorar a política

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Chagas

Somados, os votos em branco, os nulos, as abstenções e as ausências quase chegaram à metade do eleitorado em várias capitais.  Recado maior as urnas não poderiam ter dado. Importa menos se a pergunta não foi feita pelos institutos de pesquisa eleitoral, porque estava no ar que a gente respira: a rejeição nacional ao sistema político vigente, ou melhor, aos políticos. E agora?

Foi-se com o vento a suposição de que o povo não está preparado para votar. Está, sim senhor. Tanto que nas próximas eleições parece inevitável assistir a maioria dando  as costas à farsa encenada pela minoria.

O Brasil real está prestes a despedir-se do Brasil formal. Em dois anos o não-voto irá superar o voto que algum candidato a presidente da República vier a ostentar como vencedor.

Tem saída? Várias, inclusive as amargas, sendo a pior delas deixar tudo como está. Fingir que nada aconteceu ou pretender que as instituições atuais nos bastam.

EXEMPLO DOS BOMBEIROS – Muitos supõem uma nova Constituição ou uma amplíssima reforma na atual. Não vai dar, se os personagens forem os mesmos.

Não só os bombeiros ensinam que fogo se combate com fogo. Democracia também pode ser consertada com democracia. Por que não promover eleições gerais, em todos os níveis? Talvez os ausentes de domingo passado se animassem a comparecer, desde que se estabelecesse que ninguém, mas ninguém mesmo, pudesse recandidatar-se. Sem reeleições municipais, estaduais e federais. Seria um risco, é claro, mas pior não ficaria.

Foi o povo que errou? Ou foram as pesquisas?

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Charge do Newton Silva, reprodução do Arquivo Google

Carlos Chagas

Quem se deu ao trabalho de comparar os números das previas eleitorais com os resultados das urnas chegou à mesma conclusão de sempre, de que os institutos de pesquisa não ganham eleições. Erraram feio, apesar das explicações enfadonhas de que foi o eleitorado que mudou, à ultima hora. Melhor não descer a detalhes, mas desta vez vale acrescentar um fator a mais: os comentaristas e repórteres de televisão perderam a humildade e também, com empáfia, engrossaram a corrente de tiros dados fora do alvo. No domingo, à medida em que eram conhecidos os resultados, desdobravam-se na tentativa de demonstrar que não erraram. Foi o povo que errou…

Mas acertaram, também, na unanimidade partilhada com a nação inteira, de que o PT seria o maior derrotado. Não deu outra, que o segundo turno confirmará no fim do mês.

MISSÃO IMPOSSÍVEL – A pergunta que se faz refere-se ao futuro do partido dos companheiros. Parece impossível supor que possam reconquistar a presidência da República em 2018, objetivo que lhes tomará tempo e esforço.

Em maioria, o PT jogará os seus cacifes na candidatura do Lula, cujos obstáculos a superar estão à vista de todos.  Primeiro, evitar a operação Lava Jato e a possibilidade de o candidato ser condenado pelas acusações do juiz Sérgio Moro. Depois, apostar no fracasso do governo Michel Temer e desenvolver intensa campanha demonstrando as realizações de seus dois governos. Missão quase impossível, mas a única que lhes resta.

SUCESSÃO DE 2018 – Começou a corrida sucessória, com ênfase para a  ascensão do governador Geraldo Alckmin, pai, mãe, avô e avó do novo prefeito João Dória.  No ninho dos tucanos, Aécio Neves e José Serra que se cuidem, já que uma força maior se faz sentir.

Sobre as eleições municipais, ainda uma evidência a referir: em comparação com embates anteriores, o não-voto cresceu na indiferença do eleitorado. Abstenções, ausências, votos brancos e nulos chegaram quase aos 30%.

Uma espada de Dâmocles paira sobre a cabeça do presidente Michel Temer. Ele insiste em que não se candidatará, mas sem outra opção, o PMDB tratará de convencê-lo a voltar atrás. Claro, se fizer um bom governo. Fará?

O mais no mesmo, em eleições que não empolgam mais ninguém

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

Certas eleições costumam ser emblemáticas, daquelas que levam o eleitor a empolgar-se e a indagar “e agora?”, logo depois de encerradas as urnas. Foi diferente quando Getúlio Vargas voltou ao poder através do voto direto, encerrado seu período com um tiro no peito. Jânio Quadros viu-se proclamado vencedor para presidente da República e a conclusão era do que tudo poderia acontecer, como aconteceu até sua renúncia, sete meses depois da posse. Inusitada também foi a eleição de Fernando Collor, completada com seu pedido para sair, um minuto antes de ser saído. A própria eleição de Dilma Rousseff para o segundo mandato não revelou o escândalo que se seguiria, mas logo mostrou ser inevitável o desfecho.

A escolha de presidentes da República presta-se mais a surpresas do que as demais, mesmo admitindo-se o imponderável em outras eleições, como as municipais de ontem.

O desinteresse do eleitorado ficou claro a partir da divulgação das abstenções, não fosse também óbvio o sentimento de repúdio da nação a todos os candidatos, detectado nas campanhas.

Não há nada a esperar dos prefeitos das capitais, eleitos alguns no primeiro turno e outros levando seu desespero para o segundo, no fim do mês.

Sequer a situação mudará com a projeção dessas eleições para 2018, quando um novo presidente emergirá dos computadores. Tanto faz quem será.

O cidadão comum registrará o mais no mesmo, daqui a dois anos, com a confirmação de igual descrédito pelo futuro vencedor. Passou a época do entusiasmo pelos eleitos. Cada um trará o descrédito em sua bagagem, assim como os prefeitos escolhidos ou por escolher. As eleições não empolgam mais ninguém. Até a falta delas.

“O eleitorado é que mudou…”, dirão os institutos de pesquisas

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Chagas

Aproxima-se a noite das decepções. Horas depois de encerradas as eleições em todo o país, a maioria dos candidatos a prefeito ficará fora do segundo turno. Ranger de dentes em todos os estados, em especial nas capitais, com os derrotados correndo atrás de desculpas e argumentações incapazes de justificar a falta de votos. Poucos culparão o eleitorado, na verdade o maior responsável pelo fiasco. A maioria atribuirá a derrota à falta de competência dos auxiliares encarregados da comunicação social. Uma parte, à falta de dinheiro para as campanhas. Outros, à sabotagem da mídia. Uns, até aos institutos de pesquisa, certamente a serviço de seus adversários.

Vale começar pelo fim. Pesquisa não ganha eleição, conclui-se com algumas exceções. Dirão todos ter sido o eleitorado que mudou, o eleitor que não dispôs de caráter para votar como prometeu.

Importa, porém, atentar para a fragilidade dos institutos de pesquisa. É claro que os jornais de amanhã estarão cheios de explicações para demonstrar que as previsões estavam certas, foi o povo que mudou à última hora. No entanto, a formulação das questões, como sempre, deixou a desejar.

MARGEM DE ERRO – Tempos atrás os resultados de cada pesquisa eram acompanhados do tal “a margem de erro é de dois pontos para a frente ou para  trás”. De duas eleições para cá os números foram aumentados: a margem de erro passou a três pontos. Este ano as empresas que sondam a opinião pública perderam a compostura: já situaram a margem de erro em quatro pontos para cima ou para baixo.

Logo, nas próximas eleições, essa confissão de fracasso aumentará. Vão situar suas previsões em cinco ou seis pontos.  Equivale a dizer, o candidato vencerá ou perderá porque seis mais seis são doze, ou seja, até esse total de diferença o instituto acertou…

Engana-se quem quer, tornando-se meio cômica a conclusão a  que chegarão as empresas empenhadas em faturar: “nós acertamos; o eleitorado é  que mudou”…

Os candidatos ou os eleitores estão de cabeça para baixo)

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Carlos Chagas

São Paulo e Rio são as duas capitais mais importantes do país. Vamos ficar nas eleições de prefeito para concluir que anda tudo de cabeça para baixo, começando pelos candidatos, que sem exceção pertencem todos ao segundo time. Não sobra um com capacidade para gerir as intrincadas necessidades de paulistanos e cariocas. Tome-se, a 24 horas da votação, a falta de sintonia entre os pretendentes e seus padrinhos.

Em São Paulo, imaginou-se que o apoio do Lula serviria para alavancar Fernando Haddad. Deu o contrário, a  ponto de o candidato entrar em curva descendente nas pesquisas assim que o primeiro-companheiro aventurou-se a apoiá-lo. Marta Suplicy caiu quando o eleitorado percebeu que Michel Temer caracterizou-se como seu cabo eleitoral. Celso Russomano perdeu o primeiro lugar na reta de chegada pela falta de substância de seus partidários. Por último, João Doria, também perdendo pontos quando identificado com o governador Geraldo Alckmin. Quer dizer, tudo às avessas.

No Rio, Jandira Feghali ficou para trás depois de Dilma Rousseff aparecer a seu lado. Aconteceu o mesmo com Osório diante de Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves. Marcelo Crivella entregou percentuais ao visitar o cardeal Orani Tempesta e Marcelo Freixo ao aproximar-se do PT.

MAUS PADRINHOS – De duas, uma: ou os padrinhos perderam força e prestígio ou os candidatos escolheram mal. Mas tem pior entre os despreparados para as prefeituras, porque o índice de rejeição de cariocas e paulistanos superou de muito as respectivas aprovações.

Haddad emplacou 13% das preferências, contra 41% que de jeito nenhum votarão nele. Marta pontuou 13% pró e 29% contra. Celso Russomano, 22 a 24. João Doria é a exceção à regra: 24 a 22.

Em suma, se milagres não sobrevierem, os eleitores de São Paulo e do Rio demonstram estar muito mais contra do que a favor. Quem se eleger carregará muito mais repúdio do que ovações. A tentação é de concluir que um dos dois se encontra de cabeça para baixo: o eleitorado ou os candidatos.

Desinteresse e irritação marcam as eleições deste ano

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Charge do Cazo (carlosaraújoilustrador.blogspot.com.br)

Carlos Chagas

Vêm se aproximando perigosamente do dia da eleição dois fatores que as pesquisas eleitorais não consideram, pelo contrário, fogem deles como o diabo da cruz: o desinteresse e a irritação. Os candidatos, os partidos políticos, a justiça eleitoral e até a mídia omitem e abominam esses dois sentimentos que acompanharão boa parte do eleitorado e demonstrarão a pouca importância que o cidadão comum vem dando ao processo político.

Vamos aguardar os resultados, mas há quem preveja boa parte  do eleitorado deixando de comparecer às urnas, por desinteresse amplo, geral e irrestrito.

Outros que não comparecem ou que votam por obrigação estarão com raiva de tudo o que os candidatos representam. A irritação diante daqueles que mentiram a mais não poder durante as campanhas torna-se evidente em qualquer conversa. “Votar nesses bandidos que nos exploram, para quê?”

RAIVA DA POLÍTICA – Os acontecimentos recentes, do mensalão ao petrolão, da Operação Lava Jato ao juiz Sérgio Moro, deixaram o eleitor com raiva da política e dos políticos. “Para que votar se eles vão roubar?”

Essas previsões dependem de comprovação, porque milagres às vezes acontecem. Pode ser que a maioria do eleitorado decida cumprir o seu dever, assim como existirá, entre os candidatos a prefeito e a vereador, um grupo de gente honesta e capaz de trabalhar pelo povo. Mas é bom não apostar, porque o desinteresse e a irritação batem à porta, faltam só 48 horas.

Houve tempo em que as eleições não eram informatizadas e tínhamos de votar colocando no envelope um papelzinho com o nome do candidato. Era grande o número de eleitores que rabiscavam ofensas e até palavrões em vez do nome do candidato, ou até preferencialmente deixando os dois. A justiça eleitoral proibiu a divulgação daquelas opiniões, e agora ficou impossível exprimir nossa irritação num teclado de computador. Mas a raiva permanece a mesma.

Em suma, vale aguardar a noite de domingo, quando já se conhecerão os prefeitos recém-eleitos, com possibilidade de segundo turno nas cidades com mais de 200 mil eleitores. O desinteresse poderá ser expresso pela ausência, a abstenção e o voto em branco. A irritação, porém, seguirá com o eleitor.

 

O vazio das eleições municipais

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

Pesquisas costumam ganhar eleições majoritárias, ainda que surpresas possam acontecer. Em São Paulo, Rio e Belo Horizonte parecem vitoriosos João Dória, Marcelo Crivella e João Leite, ainda que nessas três capitais paire a sombra do segundo turno.

O denominador comum das eleições de domingo é a falta da ideologia há anos verificada ao redor dos vencedores. Deles e da maioria dos candidatos favoritos nas capitais dos demais estados, agora. O fracasso dos indicados pelo PT abre um vazio de razoáveis proporções na ortodoxia política. Ainda que a Direita continue indo muito bem, por conta do imobilismo, a Esquerda escafedeu-se, mais do que se dividir.

A projeção desse fenômeno para as eleições gerais de 2018 está em aberto. Não dá para supor que daqui a dois anos, ao votar para o novo Congresso, os governos  estaduais e  a presidência da República, o eleitor venha a seguir as tendências do próximo domingo, que, aliás, não significam nada. O que representam João Dória, Marcelo Crivella e João Leite, em termos ideológicos? No máximo, identificam-se com o mais do mesmo. Deverão ser eleitos por conta da ausência de programas e de doutrinas.

Essa a lição das eleições municipais imediatamente seguintes à implosão do PT: o vazio. A falta de uma estrutura capaz de substituir aquilo que os companheiros não conseguiram emplacar.

Falta o torpedo final para destruir o PT

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Charge do PW (pwdesenhos.com.br)

Carlos Chagas

Cada vez que a Operação Lava Jato manda prender um dos marechais do PT, quantos companheiros desistem e se desligam da legenda, formal ou informalmente? Centenas ou milhares? A degola de Antônio Palocci constitui-se numa explosão de  profundas consequências para  o partido, menos porque o ex-ministro será condenado à  prisão por longo período, mais porque, depois dele, só resta mesmo disparar o torpedo final sobre  o Lula. Nessa hora, estará acabado  o PT. Esse golpe de graça ou petardo definitivo, porém, exige tornar o ex-presidente  inelegível  por via  judicial.

Por enquanto, a sobrevivência do PT liga-se à sorte do Lula. Procuradores, Polícia Federal, Ministério Público e Receita atuam para levar o combate às últimas consequências, ou seja, ao afastamento do Lula da vida política. É o embate derradeiro, ainda de resultado inconcluso.

ACUSAÇÕES – Afinal, as acusações contra o primeiro-companheiro, por enquanto costeando  o alambrado, restringem-se a um apartamento triplex cuja propriedade ele nega,  e ao armazenamento de presentes recebidos durante seus dois mandatos na presidência da República. Crimes, é claro, mas nada parecido com os  praticados por Antônio Palocci, orçados em mais de uma centena de milhões carreados para  seu bolso e para o partido. Daí para trás, até chegar a José Dirceu, há munição capaz de implodir o Partido dos Trabalhadores, desde que disparado o último torpedo.

Os petistas aferram-se à possibilidade de blindar seu chefe maior para levá-lo até a próxima sucessão presidencial.  Difícil é, mas impossível, não será.

Guilhotina da Lava Jato está à espera do último pescoço

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Chagas

A pergunta mais ouvida no país é sobre quando chegará a vez do Lula, agora que até Antônio Palocci acaba de ser preso. Todo o alto comando do PT foi e continua indo para o brejo, feito a vaca. De José Dirceu em diante, todos tomam o rumo da cadeia. Com pequenas variações, a acusação é a mesma: roubalheira no exercício de funções públicas.

Faz tempo que se desencadeou a operação Lava Jato, visando identificar e punir quantos praticaram crimes de tráfico de influência, formação de quadrilha, doação e recebimento de propinas, desvio de recursos públicos, superfaturamento e outros.

O círculo se fecha em torno do Lula e de Dilma, pois são seus ex-ministros e antigos auxiliares que vêm sendo flagrados em associações criminosas com empreiteiros e grupos empresários de toda espécie. Estes também são condenados e até se valem das benesses concedidas para facilitar-lhes delações premiadas que aumentam a ciranda de acusações e punições.

ELEIÇÃO DE 2018 – Conseguirá o Lula escapar das tenazes que obviamente se aproximam dele? Impedir sua candidatura à presidência da Republica em 2018 parece objetivo maior de seus adversários, ainda que, em paralelo, combater a corrupção.

Aguardam-se os próximos lances da ação da Polícia Federal, do Ministério Público e da Receita Federal, cumprindo integralmente suas missões. Daqui a pouco não sobrarão pescoços para ser degolados, ficando a guilhotina à espera do último.

Dória e Alckmin antecipam a campanha para a sucessão presidencial de 2018

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João Dória é o “passaporte” para Alckmin sair candidato

Carlos Chagas

A súbita ascensão de João Dória na disputa pela prefeitura de São Paulo, caso mantida até domingo, significa confusão no ninho dos tucanos. Porque o alegre candidato das milionárias reuniões das elites empresariais já declarou, no fim de semana, que sua vitória será o passaporte para a consolidação da candidatura de Geraldo Alckmin à presidência da República.

AÉCIO E SERRA – Não constitui segredo que o governador paulista disputará a indicação do PSDB. Com o peso do estado mais rico da Federação, liderando a pauliceia desvairada, Alckmin trabalha há muito tempo para superar Aécio Neves e José Serra. Dispõe de bem montada máquina que opera não propriamente em silêncio para levá-lo ao pódio. Ainda mais se dispuser da eleição do prefeito de São Paulo como trunfo.

Com a evidência de que o Lula já está lançado pelo PT, será a antecipação do processo sucessório, porque Aécio e Serra não entregarão os pontos. O atual chanceler tenta repetir com Michel Temer o episódio de Fernando Henrique com Itamar Franco, sendo que Aécio Neves aproveitará a condição de presidente do partido tucano para cooptar bases e lideranças.

ROQUE NO XADREZ – Esse movimento no tabuleiro equivale ao conhecido “roque” no xadrez. As demais peças estarão obrigadas a movimentar-se, como Marina Silva, Ciro Gomes, Ronaldo Caiado, Álvaro Dias, Jair Bolsonaro e outros.

Quem não agir no ritmo adotado pelo PSDB arrisca-se a abrir mão do sonho de chegar ao palácio do Planalto em 2018, apesar de faltarem dois anos.

Ficou faltando incluir o PMDB na relação. Michel Temer, apesar das negativas, poderá repensar a decisão, caso seu governo tenha sucesso.  Henrique Meirelles seria uma opção, na mesma hipótese. Em suma, está posta a antecipação das campanhas para as eleições presidenciais, por conta da frouxa escolha dos prefeitos.

A eleição do enfado, da desesperança e da descrença

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Charge do Luciano Kemp, reprodução da Charge Online

Carlos Chagas

Domingo que vem, com exceção dos que vivem no Distrito Federal, o eleitorado estará votando para prefeito e vereador. Houve tempo em que as atenções se voltavam para os candidatos a prefeito das capitais dos estados, pois nelas despontavam lideranças capazes de nos anos seguintes virarem astros de primeira grandeza, disputando os governos estaduais e até a presidência da República.

Dessa vez, a safra é reduzida, para não dizer inexistente. Dos favoritos a ganhar no Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, entre outros, não se encontra um só em condições de ascensão. Claro que surpresas sempre acontecem, mas o conjunto não anima ninguém.

Começa pela falta de embasamento partidário. A ausência de programas e de ideologia nos postulantes às prefeituras mais importantes faz a eleição um deserto de homens e de ideias, diria Ruy Barbosa se estivesse por aqui. Entre veteranos e jovens, não se aponta quem possa despertar entusiasmo.

SEM RECURSOS – Claro que as capitais andam pela hora da morte em se tratando de recursos para empreender seu desenvolvimento. Só estão em situação de penúria um pouquinho superior aos respectivos estados.

Tome-se São Paulo. Nem Russomanno nem João Dória, muito menos Marta ou Haddad, este já se despedindo de um sofrível primeiro mandato, conseguirão levar os paulistanos a acreditar em dias melhores. No Rio, Crivella inspira bocejos. Em Belo Horizonte, assiste-se a uma disputa restrita aos atleticanos. E assim por diante.

Foi-se o tempo em que Jânio Quadros, Ademar de Barros, Carlos Lacerda, Negrão de Lima, Miguel Arraes, Leonel Brizola e outros faziam de suas capitais trampolins para Brasília.

É preciso atentar para o índice de abstenções, apesar de o voto ser obrigatório. Mesmo em se tratando dos que comparecerão às urnas, o sentimento parece de enfado, desesperança e descrença.

A batalha da comunicação só é vencida quando o governo vai bem

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Chagas

Virou moda, quando um governo vai mal, dizer que ele está perdendo a batalha da comunicação, tornando-se essencial mudar toda a estrutura que responde pelo setor. Em muitos casos, trata-se de chantagem: bicões e até partidos instalados ao redor do presidente da Republica, não conseguindo verbas de publicidade como desejariam, pressionam para a troca do ministro ou secretário por outro que lhes satisfaça as ambições. A argumentação é a mesma: “não temos comunicação capaz de transmitir à opinião pública os resultados de nossos esforços”. Quase sempre, o governo não tem o que apresentar, sendo as primeiras vítimas os encarregados da comunicação social.

Anunciam-se mudanças no governo Temer, com a convocação de um jornalista ou diplomata para a comunicação social. Mais um que vai para o sacrifício, porque milagres não poderá fazer.

Houve tempo em que a função de “comunicador-chefe” era abastecer a mídia de notícias. Desde que elas existissem, é claro.

O PRÓXIMO – Salvou-se Guido Mantega de ser preso,  mas de Curitiba chegam rumores sobre outros ex-ministros do PT estarem na alça de mira dos procuradores. Antônio Palloci seria um deles, por conta de sua passagem na Fazenda, com o Lula, e na Casa Civil, com Dilma.

No PT, continua a disposição de expor cada vez mais o ex-presidente, fazendo-o viajar pelos estados até o dia da eleição municipal. A vilegiatura não se interromperá, ainda que venha a arrefecer. O objetivo é fazê-lo desde já o candidato do partido em 2018, coisa que levará os demais concorrentes a se movimentarem. Entendem os companheiros ser essa a melhor estratégia para neutralizar os efeitos da Operação Lava Jato, capaz de atingir outros líderes do PT,   desde que blindado o ex-presidente.

Mais um na porta de saída do Ministério

Caricatura Geddel

Charge de Carlinhos Muller, reprodução da Folha

Carlos Chagas

Desautorizado pelo telefone, e de Nova York, o ministro Geddel Vieira Lima não tem outra saída senão pedir para sair. Acusado pelo presidente Michel Temer de possuir uma posição personalíssima a respeito de anistiar quantos praticaram o Caixa Dois em todas as eleições, o ex-deputado baiano deixou claro ter sido um dos  artífices da malograda emenda que anistiava todo mundo, no Congresso e fora dele, por haver doado e recebido dinheiro podre.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo é o segundo, da trinca do barulho dos ministros palacianos que pretendiam atropelar o presidente da República, opinando mais do que ele, e na contramão. Romero Jucá já havia sido defenestrado do ministério do Planejamento. Agora falta Eliseu Padilha, da Casa Civil, que igualmente vem batendo de frente com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Há semelhança entre Michel Temer e Itamar Franco, que também não deixava ministros esquentarem lugar quando batiam de frente com ele. Ambos caíram de paraquedas no palácio do Planalto, vice-presidentes que eram de dois presidentes vitimados pelo impeachment. E ambos, Itamar o tempo todo e Michel ao menos por enquanto, não colocavam amizades acima de suas obrigações.

Inscreve-se no rol dos inusitados o tratamento dado pelo falecido senador mineiro ao seu melhor amigo e chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, quando acusado de irregularidades. O então presidente mandou que se afastasse para dispor de melhores condições para defender-se. Demitido, provou estar sendo vítima de uma armação. Quando absolvido no Judiciário, retornou com tapete vermelho e tapinhas nas costas.

VÃO VISITÁ-LO? – A dúvida, ontem, era se o  Lula e Dilma Rousseff iriam visitar Guido Mantega na cadeia. Afinal, foi ministro da Fazenda de ambos. A ausência revelará pouco caso. A presença poderá ser interpretada como provocação.

Cuidado com a gastança em projetos bolivarianos

Resultado de imagem para temer na onu charges

Charge do Nef (neftalyvieira.blogspot.com.)

Carlos Chagas

Uma infeliz coincidência surpreendeu quem se deu ao trabalho de comparar os países cujos representantes abandonaram ou não compareceram ao plenário das Nações Unidas durante o discurso de Michel Temer, terça-feira. Com a exceção de Costa Rica, embora sem certeza, os demais tinham sido agraciados com dinheiro do governo brasileiro para variadas obras de infraestrutura. Quer dizer, Equador, Bolívia, Venezuela, Cuba e Nicarágua agradeceram os investimentos feitos pelos governos Lula e Dilma em seus respectivos territórios. Protestaram contra Michel Temer, acusando-o de responsável pelo que chamaram de golpe contra a democracia.

Poucos se deram conta de ser governados por ditadores ou candidatos a ditador, ou por regimes não propriamente democráticos. A proximidade desses governos com as benesses do PT também não deixam dúvidas.

COISA DE ANTIGAMENTE – Foi um vexame, tão comum em décadas passadas, nos tempos da guerra fria, quando representantes da União Soviética tiravam os sapatos e batiam com eles nas bancadas onde deveriam prestar atenção nos discursos. Ou abandonavam o recinto para discordar de quem protestava contra a União Soviética.

Assistimos pela televisão, ao vivo, a repetição daqueles vexames de ontem, com vetustos senhores e madames empoadas saindo em fila do recinto, como forma de discordar de acontecimentos da economia interna do Brasil.

Não sabemos se Temer foi alertado antes, nem mesmo se reparou na pobre debandada, enquanto ela acontecia. Chefões como Raul Castro, Evo Morales, Nicolas Maduro e outros, tornando-se porta-vozes do lulopetismo, perderam a oportunidade de ouvir considerações sobre a prevalência da Constituição, entre nós. Quanto aos vultosos investimentos brasileiros em seus países, como portos, rodovias e usinas, fica a lição de termos assistido mais uma demonstração de ingratidão. Da próxima vez deveremos tomar cuidado com a gastança.

No caso do Caixa 2, quem poderia atirar a primeira pedra?…

Caixa dois (Foto: Arquivo Google)

Charge sem autoria (Arquivo Google)

Carlos Chagas

A Caixa Dois existe desde que pela primeira vez tivemos eleições no Brasil. Dinheiro não contabilizado para ajudar na campanha dos candidatos circulou pelo país inteiro e ajudou todos que disputavam votos, provocando vitórias e derrotas. A última tentativa de criminalizar essas doações transcorreu na noite de segunda-feira, mas ia invertendo o sentido da proposta. Se o projeto punia os doadores irregulares, uma emenda acrescentada na surdina, sem indicação do autor, dava o dito pelo não dito, anistiando as multidões que haviam incorrido no crime em todas as eleições verificadas no país, inclusive as últimas.

A atenção de alguns deputados cultores da ética foi despertada, gerando a maior confusão. Resultado: adiou-se a votação para a semana que vem.

Pela Lei Eleitoral vigente, a Caixa Dois pode gerar inelegibilidade ou perda de mandato, mas não vem sendo aplicada, porque esvaziaria o Congresso, as Assembleias Legislativas e as Câmaras de Vereadores, além dos governos federal, estaduais e municipais. Quem não se valeu da Caixa Dois, recebendo fortunas ou merrecas? Valeria atirar a primeira pedra…

Convém aguardar o desdobramento, mas o mais o provável é o adiamento da votação.

SOBE A TEMPERATURA – Ficou quente o plenário do Tribunal Superior Eleitoral com a confissão do ex-presidente da Andrade Gutierrez de que a empresa repassou um milhão de reais para a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer. Às campanhas do PT, foram 30 milhões. Houve abuso de poder econômico? A palavra está com o ministro Gilmar Mendes. Tanta coisa estranha tem acontecido na política que não assustaria ninguém a anulação do resultado das eleições presidenciais de 2014…