Pena de morte para os que ainda não nasceram?

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Charge do Amarildo, reprodução do Google

Carlos Chagas

Decidiu o presidente Michel Temer atenuar o texto da reforma da Previdência Social que, de resto, não seria aprovado por deputados e senadores. Vão-se os anéis, ficam os dedos, pois a verdade é que apesar de teoricamente contar com ampla maioria parlamentar, a dita reforma não passaria. Equivaleria, para o atual Congresso, decretar a pena de morte para os que ainda não nasceram. Já pressionados pela sombra das condenações e da inelegibilidade decorrente dos processos de corrupção a tramitar no Supremo Tribunal Federal, Suas Excelências corriam o perigo de não se reeleger, ano que vem. O governo ganhou sensível moratória com o recuo presidencial.

Temer espera ver a reforma previdenciária aprovada até julho, caso não surjam outros obstáculos. Ignora-se o potencial de desastres que os processos no Supremo causarão nas bancadas governistas, a começar pelo PMDB. Ministros e ex-ministros responderão a acusações de corrupção. Terão seus nomes expostos na mídia e talvez não consigam escapar.

Em entrevista recente, Michel Temer afirmou não ter cometido erros, em seus onze meses de poder. O problema é saber quantos acertos conseguiu. Voltar atrás na reforma da Previdência Social pode ter sido um deles, mas não basta. Apesar da disposição de não se candidatar em 2018, o presidente necessita manter unida sua base parlamentar. Henrique Meirelles conseguirá sucesso bastante em sua tentativa de recuperar a economia, a ponto de aspirar a indicação?

Uma inesquecível vassourada

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Charge do Santo (Charge Online)

Carlos Chagas

Além do senador Renan Calheiros e do deputado  Aníbal Gomes, estão sendo investigados pelo Supremo Tribunal Federal os senadores Valdir Raupp, Garibaldi Alves Filho, Agripino Maia e os deputados Walter Alves, Felipe Maia, Luiz Sérgio  e Jandira Feghali, acusados de receber propina com recursos  desviados da Transpetro. Também serão incluídos os ex-deputados Henrique Eduardo Alves, Cândido Vaccarezza, Jorge Bittar  e  Edson Santos, além da ex-senadora Ideli Salvatti.

Por enquanto liberada a conta-gotas, a lista de parlamentares e ex-parlamentares envolvidos com a corrupção chegará a 200, se não for um pouco mais. Deverão ser declarados inelegíveis, se condenados.

Nossos avós repetiam que “Deus escreve certo por linhas tortas”, tornando-se necessário dar-lhes razão. Porque renovação igual dificilmente acontecerá no Congresso. Para melhor ou para pior?

Fica difícil prever. Nunca será demais lembrar o Dr. Ulysses, para quem “pior do que o atual Congresso, só o próximo”.

RENOVAÇÃO? – Em termos de gente nova, até agora a safra é restrita, nos partidos. Aliás, não é obrigatória a conclusão de que candidatos mais jovens venham a candidatar-se, ano que vem. Podem muito bem sair atrás dos votos que não tiveram em 2014 os candidatos de 2018. Se não conseguiram eleger-se antes, suas chances aumentarão, em boa parte, depois? Começarão deficitários.

Imaginá-los cheios de planos e programas, além de prematuro, é um risco. No passado, antes da apresentação dos times titulares, jogavam os reservas. Uma maldade, porque entravam em campo com o sol a pino, por volta das 13 horas, já que as partidas do elenco principal começavam às 15 ou 16 horas. Seria oportunidade para a promoção dos reservas?

Com as novas regras limitando e cerceando as campanhas, proibidas as doações de pessoas jurídicas, levarão vantagem os candidatos mais ricos. Outro descompasso.

Em suma, a renovação constitui uma dúvida, mesmo significando inesquecível vassourada nas representações.

O Lula sem meio campo

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Charge do Simanca, reproduzida de A Tarde

Carlos Chagas

Assumindo o papel de adversário da reforma previdenciária, o senador Renan Calheiros candidata-se a coveiro do governo Michel Temer, na medida em que o atual presidente da República, mesmo mantendo o mandato, nenhuma herança deixará para o sucessor. Se o próximo presidente vier a ser o Lula, hipótese ainda em suspenso, quem garante a virada na página do retrocesso econômico nacional? A pergunta será quem sucederá a Henrique Meirelles na Fazenda. Não se esperem surpresas maiores no setor. O ex-presidente não rasga dinheiro, provavelmente escreverá outra carta aos brasileiros, tentando  substituir por gente nova o  time dos petistas históricos, desgastados e até presos.

Essa a dúvida fundamental para o novo período, se vier liderado pelo Primeiro Companheiro: até hoje não despontaram novos contingentes no PT. Quais seriam os substitutos da turma hoje dormindo na cadeia? Não há sinal de que o Lula esteja procurando no Congresso. Nem nas universidades ou no que restou da aliança com a Igreja. Sequer nos sindicatos.

NÃO HÁ NINGUÉM – A falta de equipe não será suprida pelas “meninas” do Senado, muito menos pelos “salvados do incêndio”. Quando eleito pela primeira vez, o torneiro-mecânico encontrou uma espécie de âncora empresarial no candidato a vice presidente, logo empenhado na crítica permanente aos juros altos. Hoje, se existe, esse companheiro não apareceu. Há quem aposte em Ciro Gomes, mas ele é inconfiável.

Em suma, apesar de nítido apoio popular, o Lula carece de um time capaz de respaldá-lo. Não tem meio campo. Jamais poderá confiar em Renan Calheiros.

 

A farsa da lista fechada

Carlos Chagas

De tempos em tempos a ameaça ressurge. Já foi apresentada três vezes no Congresso, não prosperou, mas de novo retorna feito lobisomem em noite de sua cheia. Fala-se da votação para deputado em lista fechada. O eleitor ficaria proibido de escolher o candidato de sua preferência, manifestando-se apenas pelo partido que melhor lhe agrade. Aos caciques, donos das legendas, caberia elaborar a lista de candidatos. É claro que se colocariam nos primeiros lugares. Nem precisariam fazer campanha.

Trata-se de uma velhacaria que só favorecerá os dirigentes partidários. Um breve contra a renovação, porque além de elaborar a lista fechada, os caciques também controlarão o Fundo Partidário e os recursos suplementares para as campanhas.

Nada mais lucrativo do que fundar um partido, ensina a malandragem. O fundador consegue uma permanente fonte de renda, tem a eleição garantida e afasta a incômoda tentativa de os mais novos ascenderem às funções de chefia.

E AGORA? – De tão gritante e canhestra, a lista fechada jamais se concretizou. Mais uma vez, os mesmos de sempre insistem na mudança, tudo indicando nova frustração. Quem sabe, agora, por meio de artifícios renovados, obterão sucesso?

De jeito nenhum a adoção desse casuísmo servirá para diminuir o numero de partidos. Pelo contrário, as siglas deverão multiplicar-se através de variados expedientes.

Em suma, nada de novo debaixo do sol. A menos que o eleitorado decida, por maioria, rejeitar mais essa tramoia. Que tal o cidadão comum recusar-se a declinar sua preferência partidária, anulando seu voto?

Começar tudo de novo?

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Charge do Cicero (ciceroart.blogspot.com)

Carlos Chagas

Fazer o quê, diante desse festival de corrupção envolvendo o Rio de Janeiro? Do ex-governador Sérgio Cabral aos seis entre sete Conselheiros do Tribunal de Contas, cinco deles também presos por meterem a mão nos dinheiros públicos, não sobra nem o Pezão. Para não falar no presidente da Assembleia Legislativa.

Melhor seria dissolver o Estado do Rio, cassando os direitos políticos de seus representantes no Executivo e no Legislativo, sem esquecer de uma faxina em regra no Judiciário. Mas fixar atenções apenas neles? O que dizer de outros Estados, igualmente atingidos pelas mesmas práticas celeradas em suas instituições e em seus poderes?

A Federação morreu. Para cada unidade que a nação se volte, a conclusão será a mesma: lama de Norte a Sul.

Adiantaria muito pouco estabelecer um Estado Unitário, abolindo-se a República Federativa do Brasil. Getúlio Vargas, em 1937, falhou quando mandou queimar as bandeiras e as partituras dos hinos estaduais. Os generais-presidentes fracassaram da mesma forma, ao nomear governadores sem representatividade nem poder. Suprimir os Estados Federados redundaria em nada. Reimplantar a Monarquia também não dá.

Fazer o quê, então, para substituir a corrupção e o roubo?

Fica uma alternativa: começar tudo de novo, com  um adendo:  ampliar o número de cadeias e criar a prisão perpétua.

A confusão continua geral

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Charge do J. Bosco, reproduzida do UOL

Carlos Chagas

Caso o Tribunal Superior Eleitoral considere indivisíveis os gastos da campanha presidencial de 2014, condenando Dilma Rousseff e Michel Temer, a ex-presidente perderá os direitos políticos e o atual terá seu mandato cassado.  Nessa hipótese, aliás provável, se confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, assumirá o palácio do Planalto o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Discute-se apenas se caberá a ele cumprir o mandato até 2018 ou se convocará novas eleições imediatas para o término do período.

As duas possibilidades favorecerão o deputado fluminense, ainda que na teoria a Câmara possa escolher quem quiser. Michel Temer já se pronunciou acentuando estar disposto a cumprir aquilo que o Judiciário estabelecer. Mas lutará pela preservação de seu mandato até a última instância, recorrendo ao Supremo e esgotando todos os prazos.

TUDO COMO ESTÁ – A confusão será geral, atropelando as instituições e fazendo naufragar qualquer perspectiva de recuperação da economia. Melhor seria, caso o TSE decidisse a partir de hoje contra Dilma e contra Temer, que o Congresso mandasse realizar eleições gerais, não apenas para presidente da República, no mais breve prazo possível. Tudo seria passado a limpo, a começar pelos mandatos parlamentares, mas como reagiriam deputados e senadores capazes de não se reeleger? Pelo menos defenderiam seus mandatos até o último dia de 2018, imaginando recuperar o tempo perdido.

A conclusão é de que melhor faria a Justiça Eleitoral se deixasse tudo como está, ou seja, com Temer no exercício de suas prerrogativas. O diabo está em que parece provável o voto dos sete ministros do TSE, em maioria inclinados a rejeitar a divisão da malfada chapa vitoriosa em 2014.  Quer dizer, pela cassação do atual presidente Michel Temer. Para cada lado que se olhe, mais confusão.

Quem enfrentará o Lula?

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Charge do Frank, reprodução do Arquivo Google

Carlos Chagas

De repente, virou briga de foice em quarto escuro a disputa entre Aécio Neves e Geraldo Alckmin pela indicação do PSDB à presidência da República. O senador mineiro identifica o dedo do governador paulista na denúncia feita pela Odebrecht, de haver depositado milhões em nome da conta administrada por Andréi Neves num banco de  Nova York. A delação foi feita pelo ex-presidente de uma das subsidiárias da empreiteira, Benedicto Júnior, em função de propinas nas obras da cidade administrativa do governo de Minas e da construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia.

Já Geraldo Alkmin supõe dever-se a Aécio Neves os estímulos à candidatura presidencial de João Doria Júnior, prefeito de São Paulo.

O senador e presidente nacional do PSDB montou espetacular banca de advogados para defendê-lo, com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Velloso, o ex-procurador-geral da República, Aristides Junqueira, e Alexandre Toron.

DESMENTIDOS – Paulistas e mineiros dedicam-se à sutil arte dos desmentidos, sabendo que no fundo da tertúlia estão os dois candidatos ao palácio do Planalto. O governador de São Paulo anda com uma lista no bolso do paletó, com o nome dos convencionais tucanos que daqui a pouco mais de um ano decidirão sobre a candidatura.  Na verdade, muito antes disso a escolha poderá estar concretizada, numa espécie de duelo de titãs, opondo o poder econômico de São Paulo à ortodoxia partidária.

Como tertius, José Serra assiste de camarote, atrás do apoio de Alckmin ou de Aécio para tornar-se o novo governador paulista. João Dória Júnior será o quartus, embaralhando as cartas. A dúvida é saber quem enfrentará o Lula…

Passar o Brasil a limpo

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Charge do Alpino, reproduzida do Yahoo

Carlos Chagas

O Tribunal de Contas da União nasceu pela iniciativa de Rui Barbosa, maior artífice da Constituição de 1891, que estabeleceu a República. Era para moralizar os costumes políticos dilapidados pelo Império. Nosso segundo presidente da República, Floriano Peixoto, inaugurou a sinecura ao nomear amigos sem qualificação intelectual ou jurídica. Guardadas as proporções, inaugurou-se a queda, com as exceções de sempre. Sucederam-se nomeações vitalícias, com altos vencimentos para  as nomeações até que alcançassem o prazo para as aposentadorias.

Virou moda aproveitar políticos, ex-parlamentares ou não, para gozar sem trabalhar os proventos de carreiras que só terminam com a ida para o cemitério. Por que não extinguir os Tribunais de Contas estendidos da União para os Estados e até os municípios? Vasta economia fariam os cofres públicos com a extinção.

AGORA PIOROU – Cinco dos sete ministros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro estão na cadeia. Quantos outros mereceriam a mesma sorte, espalhados pelo país inteiro, além daqueles designados para o ápice da pirâmide, no caso do Tribunal de Contas da União?

Quem julgará os julgadores torna-se a principal questão.  O Poder Judiciário, por certo, fechando-se o círculo, porque os ministros dos tribunais superiores e dos tribunais estaduais de Justiça valem-se das mesmas prerrogativas de aposentar-se, agora depois de 75 anos.

Se é para passar o Brasil a limpo, em nome da moralidade pública, melhor que os doutos ministros tivessem mandatos terminativos. Com aposentadorias, é claro, proporcionais ao tempo de serviço.

Sérgio Moro é apenas um detalhe na derrocada de Cunha

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Charge do Paixão, reproduzida da Gazeta do Povo

Carlos Chagas

“Onde foi que eu errei?” – deve estar se perguntando o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, agora que foi condenado a quinze anos e quatro meses de prisão. Receber propinas da Petrobras e muitas empreiteiras não terá sido motivo, tais e tamanhos têm sido os assaltos aos cofres públicos por ele e sua quadrilha, praticados ao longo das últimas décadas. Distribuição de percentuais aos deputados que votaram nele para presidente da Câmara, também não. Afinal, não precisou oferecer: a maioria agiu como quem cobrava dívidas antigas. Aceitar um de múltiplos pedidos de impeachment contra Dilma Rousseff? Já estava tudo acertado para a defenestração da então presidente da República.

Sobra, então, um tiro que acabou saindo pela culatra: Eduardo Cunha foi para as profundezas por ter tentado dar um passo maior do que suas pernas. Sua estratégia era conhecida de todos e ele não percebeu aonde sua ambição poderia levá-lo. No caso, perdeu tudo porque pretendia subir mais um degrau na escada que o levaria de imediato ao poder maior. Precipitou-se. Como presidente da Câmara, ocupava posição privilegiada para chegar ao palácio do Planalto. Não escondia de ninguém que, se Dilma fosse cassada, havendo ou não motivos para isso, Michel Temer não assumiria.

TUDO ARRUMADINHO – Faltavam votos para o vice-presidente tornar-se presidente, enquanto Eduardo Cunha tinha tudo arrumadinho: Michel Temer também seria garfado.  Ou não estava garantida a eleição indireta do presidente  da Câmara, tendo em vista os favores e as benesses por ele concedidos à quadrilha que acabava de compor?

Esqueceu-se Eduardo Cunha de que Michel Temer também tinha suas malandragens. Era o primeiro da fila, na hipótese de Dilma ser posta para fora, ainda que lhe faltasse apoio para assumir. Na mesma hora começaram as defecções na maioria que o presidente da Câmara tinha certeza de possuir. Logo armou-se a teia de aranha para capturar o grupo dos amigos do Cunha e entregar a Temer a cadeira presidencial. Isso porque ele ofereceu mais, ainda que trabalhando na moita. Cunha logo perdeu a metade mais um dos deputados, ou seja, estava garantida a eleição do vice, na base do “quem dá mais”, muito acima da Constituição.

A posse de Temer serviu para comprovar a loteria que o favoreceu. Bastou verificar o loteamento do ministério e do governo, que permanecem até hoje. Cunha tinha sua ascensão garantida. Perdeu na jogada final. Para completá-la, a Câmara foi reunindo acusações e armando o sacrifício, para que não surgissem dúvidas. Em suma, o grande estrategista foi mergulhando cada vez mais fundo, perdeu a presidência da República, a cadeira de deputado e a própria liberdade, por açodamento. Sérgio Moro tem sido apenas um detalhe, na degola de Eduardo Cunha…

Fora da corrupção não há salvação

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Esta é a “comissão de frente” do PMDB no Rio

Carlos Chagas

Cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Rio, mais o presidente da Assembleia Legislativa, reúnem-se ao ex-governador Sérgio Cabral e a antigos auxiliares para responder por toda sorte crimes de corrupção. Inclua-se na lista o governador Pezão e se terá a receita de um Estado em decomposição. Sobrará o quê, dessa quadrilha empenhada em enriquecer às custas de um povo entregue à própria sorte?

O Rio já foi a capital do Brasil. Hoje transformou-se em centro do crime organizado. Do tráfico de drogas aos assaltos, sequestros e ao desvio de verbas públicas de toda espécie, não sobrou nada. Para cada canto que o cidadão se vire, escorre lama.

Tem saída? Provavelmente, não. Daqui, só para pior. A corrupção estendeu-se por todos os setores e atividades públicas. Os encarregados de zelar pela ordem entregam-se à desordem. Receber propinas tornou-se regra fundamental de comportamento social.

Claro que existem exceções, do Ministério Público à Polícia Federal, mas o enfraquecimento das elites conduziu à rendição das massas, breve a se transformar em rebelião. Qualquer um que se disponha a protestar diante da roubalheira indiscriminada receberá o repúdio dos que servem como exemplo às avessas. Fora da corrupção não há salvação.

Cármen Lúcia para presidente?

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Charge da Pryscila, reprodução do Arquivo Google

Carlos Chagas

 

Houve tempo em que todo jornalista e todo político tinha na estante um exemplar do Almanaque do Exército, com a relação dos generais de Exército, Divisão e Brigada, além dos coronéis mais antigos. Daí sairiam os candidatos a presidente da República, com seus nomes na memória de quantos se dedicavam a prever o futuro.

Hoje não se conhecem sequer os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Em compensação, lembram-se de trás para a frente os ministros do Supremo Tribunal Federal, ainda que nem se cogite da candidatura de um dos onze doutos juristas ocupando o palácio do Planalto.

Certo? Mais ou menos, porque se o Tribunal Superior Eleitoral considerar cassados Dilma Rousseff e Michel Temer, caberá ao Congresso eleger um novo presidente da República para governar até 31 de dezembro de 2018. Dificilmente deputados e senadores deixarão de selecionar um deles para chefiar o governo.

EM ABERTO – Mesmo assim, a escolha estará em aberto, sendo possível, mas não provável, a eleição pelo Congresso de um magistrado para dirigir o Executivo. Passa-se ao próximo capítulo, ou seja, qual dos onze ministros?

Um, ou melhor, uma, poderá ocupar a pole-position: quem se destaca é a presidente Cármen Lúcia. Apartidária, preocupada com o funcionamento das instituições, incorruptível, que dispensa motoristas e dirige o próprio carro, ela teria condições de passar o Brasil a limpo.

Fica tudo na dependência de fatores ainda desconhecidos, mas a sugestão, mesmo inusitada, começa a germinar na Praça dos Três Poderes.

O tamanho da confusão

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Charge do Sinovaldo, reproduzida do Jornal VS

Carlos Chagas

Tudo indica que em seu relatório sobre a chapa Dilma-Temer, entregue segunda-feira aos colegas do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Herman Benjamim pede a cassação da dupla. Mas há indicações, também, de que a maioria dos sete ministros absolverá a ex-presidente da República e seu então vice-presidente, acusados de irregularidades ao participarem das eleições de 2014.

Traduzindo: Michel Temer continuará na chefia do governo até o término de seu mandato e Dilma Rousseff manterá seus direitos políticos, devendo até candidatar-se a deputada federal pelo Rio Grande do Sul.

Claro que mudanças podem acontecer até a votação pelo plenário do TSE, semana que vem ou nas próximas.

O principal argumento para esse desenlace aponta para a preservação das instituições já desacreditadas. Uma nova alteração nas regras do jogo, que seria a posse de Rodrigo Maia na presidência da República, exporia o Brasil ao ridículo internacional. Três ocupantes de um mesmo mandato gerariam sonora gargalhada por parte das demais nações.

ELEIÇÕES GERAIS – Só três? Pode ser que não, pois no Congresso cresce a possibilidade da convocação de eleições gerais ainda este ano. Seria preciso uma reforma na Constituição, mas, afinal, tantas já aconteceram que mais uma não fugirá à regra.

Duvida-se da data em que a mais alta corte eleitoral do país resolverá a questão. Se os sete ministros com poder decisório optarem por pedir vistas, sem prazo para a devolução do processo,  esticarão ao máximo a tertúlia. O presidente do tribunal, Gilmar Mendes, mostra-se favorável a uma decisão rápida, mas garantir que aconteça, ninguém garante.

Em suma, a confusão é geral, destacando-se a performance de deputados e senadores empenhados em aprovar  outra emenda constitucional, no caso, da votação para deputado em listas partidárias, proibindo-se o voto individual.

A última tragédia ainda não começou

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Charge do Montanaro, reproduzida do Portal UOL

Carlos Chagas

Qualquer diferença entre valores ditos fundamentais verificados na vida de cada um merece a unidade de todos. Traduzindo: nenhuma identidade pode ser admitida como definitiva na existência do todo. Em outras palavras, as  certezas precisam ser afastadas das conclusões adotadas pelas  antecedências. Ninguém pode dizer que chegou ao fim naquilo que não começou. Nem no começo daquilo que não terminou.

Essas confusas tragédias da vida de cada um, que conduzem à inexistência de todos, revelam o vazio jamais conquistado pelo conjunto. Trata-se do nunca, do zero absoluto que nos envolve. Quem, no meio da ignorância definitiva que nos assola, ousará concluir pela presença de alguma coisa permanente e eterna?

Em suma, jamais chegaremos ao final de um dia definitivo e completado pelo que seria a última tragédia. Melhor aguardar a última tragédia.

A falta que Carlos Lacerda faz

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Charge sem assinatura, reproduzida do Google

Carlos Chagas

Carlos Lacerda era imbatível nos debates parlamentares, ainda que muitas vezes injusto e grosseiro. Discursava contra o governo, aliás, qualquer governo, quando foi aparteado pela deputada Ivete Vargas. “Vossa Excelência é um purgante!” disse a líder trabalhista, imediatamente contraditada: “Do qual Vossa Excelência é o efeito!”

Em outra oportunidade, o deputado Batista Ramos interrompeu novas diatribes, acentuando: “Vossa Excelência é um ladrão da honra alheia!”, ouvindo em seguida: “Então Vossa Excelência não tem nada a perder!”

Os exemplos se sucedem nos anais parlamentares de décadas atrás, com o notável tribuno humilhando colegas e arrancando aplausos de seus seguidores, no plenário da Câmara. Só não conseguiu alcançar o objetivo maior, de chegar à presidência da República. No fim da vida, perdeu até o que parecia um trampolim para chegar ao palácio do Planalto: o apoio dos militares, que ajudara a ocupar o poder. Terminou cassado, preso e obrigado a confraternizar com seus tradicionais adversários, a começar por Juscelino Kubitschek e João Goulart. – Por que se recordam episódios que o passado levou? Porque Carlos Lacerda faz falta. Imagine-se estivesse no Congresso. Não deixaria pedra sobre pedra na confusão de hoje. Do PMDB não sobraria nada. Também do PSDB, do PT e penduricalhos. Amassaria partido por partido, sem falar nos governos, de Fernando Henrique ao Lula, de José Sarney a Dilma Rousseff e a Michel Temer.

Quando se analisa o Congresso atual, sente-se a ausência de um líder que seja, preparado para influir na vida pública. Nem na privada. Nenhuma proposta, nenhum objetivo. Nada, exceção do vazio de líderes, de ideias e de partidos. Nem mesmo oradores de escol, muito menos de coragem para sensibilizar a opinião pública. Carlos Lacerda, para o bem ou para o mal, faz falta.

De volta ao passado que não virá

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Charge do Aroeira, reproduzida de O Dia/RJ

Carlos Chagas

Egocêntrico e vingativo. O rótulo se aplica, mais do que à metade da Humanidade, a quem o praticou. No caso, a Fernando Henrique Cardoso. Menos porque ele aplica o diagnóstico que o marcou como presidente, mais porque até hoje não desencarnou, muito pelo contrário. Não se passa um dia sem o sociólogo encenar novos capítulos do espetáculo patrocinado pelo seu próprio ego. Julga-se acima do Bem e do Mal, ainda agora repetindo o refrão de que “aqui estou eu, por que não me convocam?”

No fundo, portando uma melancia no pescoço, julga-se preparado para fazer aquilo que não fez nos dois mandatos que ocupou no palácio do Planalto. Quando lançado por Itamar Franco, dava a impressão de poder realizar mais uma etapa de sua biografia, falsamente expressa até sua eleição. Vinha de uma trajetória política medíocre mas acorde com as necessidades nacionais, de mais justiça social e melhoria das condições de vida dos excluídos. Ledo engano, porque pedindo a todos esquecerem o que havia escrito, revelou-se a expressão das elites às quais, revelou-se depois, sempre servira.

RETROCESSO SOCIAL – Nenhum presidente da República dilapidou tanto os sonhos de igualdade e de progresso social. Serviu diligentemente aos ricos e poderosos, engrenando marcha-a-ré nas conquistas sociais alcançadas a duras penas. Tornou-se o símbolo do retrocesso. Privatizou patrimônio público, retirou direitos dos excluídos e satisfez desejos e exigências dos mesmos de sempre.

Agora, FHC tenta apagar os resquícios das esperanças um dia despertadas naqueles que enganou. Ataca Itamar Franco, como se fosse a sombra reveladora de sua traição às origens.

Deseja o quê, em sua permanente tentativa de não ser esquecido? Apenas o impossível retorno ao passado.

Matança, até quando?

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Na verdade, frigoríficos são um festival de horrores

Carlos Chagas

Impossível mudar os costumes, que vem da pré-história, acoplados à necessidade sempre justificada pela sobrevivência do ser humano. Tem sido assim e assim continuará, espera-se que não até o fim do mundo. No entanto… No entanto, não haverá um único cidadão que deixe de horrorizar-se quando vê despedaçadas e dependuradas carcaças e partes de animais, expostas ao consumo geral, mesmo sabendo que pouco depois irão para a mesa na forma de bifes suculentos ou de costelas apetitosas. Menos ainda se livrará do horror quem assiste à degola desses milhões de seres ditos inferiores, mas quem sabe plenos de consciência quando deles se aproxima o golpe final? Basta atentar para como se comportam na fila do abate: os berros são lamentos impossíveis de ser esquecidos.

Choca a imagem das peças de boi nos ganchos dos frigoríficos, sangrando e logo esfaqueadas à espera de novos capítulos da ronda dessa matança permanente. São vidas abatidas em nome da vida dos que irão degluti-los.

Poderia ser diferente? Por enquanto, nem pensar.  Raramente fazemos questão de assistir esse festival macabro, exceção dos encarregados dele. A ninguém será dado imaginar a humanidade sem comer carne de animais. Ainda bem que só de animais, pois em tempos imemoriais comia-se também o ser humano. É claro que o sacrifício serve para minorar as agruras dos homens famintos, a começar pelas crianças, mas nem por isso deixa de se constituir em indiscriminada matança.

A crise que assola nossa produção de carne, pelo jeito a maior do planeta, desperta a atenção de quantos são agredidos pelas imagens dos últimos dias. Haveria alternativa, além de desligar a televisão? Ou de cobrir as vitrinas dos açougues? Por enquanto, não. Mas um dia, quem sabe, a Humanidade encontrará sucedâneos para dispensar essa  degola, ainda hoje capaz de chocar o ser humano.

Além de tudo, acresce que se ganha muito dinheiro com tal atividade. E até dinheiro podre, da corrupção. Que tal condenar os culpados   ao trabalho social da prestação de serviços nos frigoríficos?

A briga do Juquinha com o Zézinho

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Saber qual dos dois tem razão é pura perda de tempo

Carlos Chagas

Ao acusar a Procuradoria Geral da República de divulgar segredos de justiça, o ministro Gilmar Mendes posiciona-se em favor dos deputados, senadores e ministros que poderão ser punidos, perdendo o mandato e os direitos políticos. Já o procurador Rodrigo Janot deseja que os mais de 150 parlamentares denunciados por ele se explodam, ou seja, deixem de ser parlamentares e possam até parar na cadeia. Traduzindo o festival de baixarias encenado pelos dois expoentes do poder, verifica-se o tradicional embate entre a impunidade e a punição total.

Saber quem tem razão é perda de tempo. Os dois estarão certos, exceção das agressões e das ofensas ao vernáculo que andam trocando. No universo político que Janot e Mendes tentam ordenar, existem bandidos esperando punição e inocentes merecedores de alforria.

DONOS DA VERDADE – Quer dizer, a um só tempo, o procurador e o ministro estão certos e estão errados. Falta-lhes a serenidade para entender que a virtude está no meio. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, diria o Conselheiro Acácio, que tanta falta nos faz nos dias de hoje. Os dois contendores extrapolam e pretendem-se donos da verdade. Distribuem vaidade e presunção, mais ou menos como o Juquinha e o Zézinho disputando goiabas.

O grave no episódio é que contaminam o ar à sua volta. Geram dois grupos opostos e inconciliáveis, próximos de adotar o radicalismo de seus mentores. Haverá injustiça caso condenados todos os políticos que receberam o Caixa Dois, propinas e dinheiro podre. Como também injustiça emergirá do perdão amplo, geral e irrestrito para quantos se valeram de recursos ilícitos.

Exageros inadmissíveis

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Charge do Clayton, reproduzida de O Povo/CE

Carlos Chagas

Não se sabe bem se como presidente do Tribunal Superior Eleitoral ou como ministro do Supremo Tribunal Federal, a verdade é que Gilmar Mendes anda extrapolando. Não se passa um dia sem que ele se manifeste sobre temas jurídicos, políticos e econômicos, sempre polemizando e levantando opiniões favoráveis e contrárias, numa evidência de não ser essa a função dos integrantes da maior corte nacional de Justiça. Pelo menos, de acordo com a máxima de dever a Justiça ser cega, sem inclinar-se por qualquer das questões que dividem as instituições, mas enxergando a ponto de dirimi-las.

Gilmar Mendes, aliás, enxerga muito, apesar de suas visões parciais, muitas corretas, outra nem tanto.

A mais recente produção do ínclito jurista foi acusar a Procuradoria Geral de Justiça de divulgar detalhes protegidos pelo segredo constitucional de justiça, a ponto de pretender a anulação de delações praticadas que deveriam permanecer em sigilo mas vêm sendo transmitidas à mídia, sabe-se lá por quem.  Acusar a Procuradoria de ser a fonte dessas revelações, só com provas, que o ministro não tem, talvez porque não pode apresentar.

SEGREDO DE JUSTIÇA – Para afastar esse perigoso entrevero de poderes, uma solução bastaria: acabar com o segredo de justiça em todas as questões. Estabelecer transparência em todas elas, mesmo que se em certos casos haja prejuízo para uma parte, ainda que corrigido nas etapas finais de todo julgamento. São os ônus da cegueira da Justiça.

A Procuradoria Geral de Justiça e a Polícia Federal foram acusadas por Gilmar Mendes de fazer chantagem, usando a imprensa e desmoralizando a autoridade pública. Pela extinção do segredo de Justiça, seriam evitados confrontos que apenas prejudicam as instituições, apesar de exageros e injustiças eventuais.

Omitir será sempre pior do que esclarecer. Quem for acusado que se defenda, apesar de acusações falsas e prejudiciais ao acusado.

Briga de foice em quarto escuro

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Charge do Paixão, reproduzida da Gazeta do Povo

Carlos Chagas

É bobagem chamar de apenas insignificante o último episódio no capítulo da carne podre desvendado pela Polícia Federal. Perdeu o presidente Michel Temer mais uma oportunidade de ficar calado. Ainda mais porque nas investigações começa a aparecer a presença de políticos governistas pela nomeação de altos funcionários do ministério da Agricultura indicados por deputados e senadores que o dinheiro sujo dos frigoríficos costuma irrigar.

A Polícia Federal reagiu, ontem, contra a tentativa do Executivo de minimizar a nova denúncia de roubalheira no setor de exportação de carnes. E outros. Quatro senadores estão sob vigilância por envolvimento em negócios ilícitos variados, como a prestação de serviços de segurança, limpeza e sucedâneos a órgãos públicos.

Indaga-se da hipótese de continuar o entrevero entre a denúncia e sua camuflagem, cuja conclusão será a desmoralização das instituições.

ENVOLVIMENTO – O Supremo Tribunal Federal autorizou a investigação sobre pessoas ligadas aos senadores Eunício Oliveira, Renan Calheiros, Valdir Raupp e Humberto Costa. Com a retaguarda garantida, logo surgirão através da Polícia Federal evidências da participação parlamentar em muitas atividades fajutas, por meio de seus prepostos ou diretamente.

Aguarda-se a reação do Congresso na defesa de seus integrantes, culpados ou inocentes, mas a verdade é que a Polícia Federal não se intimidou e prepara-se para seguir adiante.

Em suma, dentro do próprio governo a briga é de foice em quarto escuro.

Um adversário para o Lula

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Charge do Paixão, reproduzida da Charge Onlineeta do Povo

Carlos Chagas

A repetição, pelo Lula, de que será candidato em 2018, tem tido correspondência nas pesquisas eleitorais. Está na frente e até poderá vencer no primeiro turno, na hipótese de disputar o palácio do Planalto. Não adianta brigar com a notícia, muito menos ficar torcendo para o companheiro tropeçar na Lava Jato e ficar proibido de se apresentar por suposta condenação em segunda instância. Tudo tem que ser no voto.

Para impedir o retorno do Lula, só apresentando um candidato capaz de vencê-lo, senão no primeiro, ao menos no segundo turno. É aqui que as coisas enrolam para os adversários. Porque a maioria dos partidos, descrente da existência de um contendor à altura do Lula, aferra-se à perspectiva de impedir o ex-presidente, ao invés de eleger uma candidato. Quer dizer, no desespero, querem ganhar no tapetão.

O motivo é simples: os demais possíveis concorrentes não sensibilizam o eleitorado. Pelo contrário, perdem apoio a cada pesquisa.

No ninho dos tucanos, os números cada vez mais enfraquecem o trio Geraldo Alckmin, Aécio Neves e José Serra, a ponto de haver surgido nos últimos dias a hipótese João Doria Júnior, que seria cômica se não fosse trágica. Porque ao prefeito paulistano faltam embasamento ideológico e eleitoral. Seria fogo de palha.

No PMDB, surgirá um candidato apenas se der certo a política de recuperação econômica.  Nesse caso, Henrique Meirelles se posicionaria, mas Michel Temer poderia rever a determinação de não disputar outro mandato. Quer dizer: por enquanto nenhuma possibilidade para os dois.

Há outros nomes que batem cabeça, como Ciro Gomes, que o mundo esqueceu, Jair Bolsonaro, última esperança nascida nos quartéis, Ronaldo Caiado, sem empolgar o setor rural, Marina Silva, fugitiva das esquerdas sem voto, Joaquim Barbosa, que ninguém sabe por onde anda, e outros sem referência sequer nas consultas populares.

O curioso nessas projeções é que apesar do desgaste do PT e da blitz desencadeada contra o Lula, ele exprime quantos se opõem ao atual governo, quer dizer, ampla maioria nacional. Sem voz, sem voto e sem candidato, a retaguarda do atraso segue rejeitando o ex-presidente, sem coragem para construir outra alternativa. É bom prestar atenção, pois se continuar o processo como vai, sem adversário, ele volta.