De volta ao passado que no vir

Resultado de imagem para fhc charges

Charge do Aroeira, reproduzida de O Dia/RJ

Carlos Chagas

Egocntrico e vingativo. O rtulo se aplica, mais do que metade da Humanidade, a quem o praticou. No caso, a Fernando Henrique Cardoso. Menos porque ele aplica o diagnstico que o marcou como presidente, mais porque at hoje no desencarnou, muito pelo contrrio. No se passa um dia sem o socilogo encenar novos captulos do espetculo patrocinado pelo seu prprio ego. Julga-se acima do Bem e do Mal, ainda agora repetindo o refro de que aqui estou eu, por que no me convocam?

No fundo, portando uma melancia no pescoo, julga-se preparado para fazer aquilo que no fez nos dois mandatos que ocupou no palcio do Planalto. Quando lanado por Itamar Franco, dava a impresso de poder realizar mais uma etapa de sua biografia, falsamente expressa at sua eleio. Vinha de uma trajetria poltica medocre mas acorde com as necessidades nacionais, de mais justia social e melhoria das condies de vida dos excludos. Ledo engano, porque pedindo a todos esquecerem o que havia escrito, revelou-se a expresso das elites s quais, revelou-se depois, sempre servira.

RETROCESSO SOCIAL – Nenhum presidente da Repblica dilapidou tanto os sonhos de igualdade e de progresso social. Serviu diligentemente aos ricos e poderosos, engrenando marcha-a-r nas conquistas sociais alcanadas a duras penas. Tornou-se o smbolo do retrocesso. Privatizou patrimnio pblico, retirou direitos dos excludos e satisfez desejos e exigncias dos mesmos de sempre.

Agora, FHC tenta apagar os resqucios das esperanas um dia despertadas naqueles que enganou. Ataca Itamar Franco, como se fosse a sombra reveladora de sua traio s origens.

Deseja o qu, em sua permanente tentativa de no ser esquecido? Apenas o impossvel retorno ao passado.

Matana, at quando?

Resultado de imagem para frigorifico

Na verdade, frigorficos so um festival de horrores

Carlos Chagas

Impossvel mudar os costumes, que vem da pr-histria, acoplados necessidade sempre justificada pela sobrevivncia do ser humano. Tem sido assim e assim continuar, espera-se que no at o fim do mundo. No entanto No entanto, no haver um nico cidado que deixe de horrorizar-se quando v despedaadas e dependuradas carcaas e partes de animais, expostas ao consumo geral, mesmo sabendo que pouco depois iro para a mesa na forma de bifes suculentos ou de costelas apetitosas. Menos ainda se livrar do horror quem assiste degola desses milhes de seres ditos inferiores, mas quem sabe plenos de conscincia quando deles se aproxima o golpe final? Basta atentar para como se comportam na fila do abate: os berros so lamentos impossveis de ser esquecidos.

Choca a imagem das peas de boi nos ganchos dos frigorficos, sangrando e logo esfaqueadas espera de novos captulos da ronda dessa matana permanente. So vidas abatidas em nome da vida dos que iro degluti-los.

Poderia ser diferente? Por enquanto, nem pensar. Raramente fazemos questo de assistir esse festival macabro, exceo dos encarregados dele. A ningum ser dado imaginar a humanidade sem comer carne de animais. Ainda bem que s de animais, pois em tempos imemoriais comia-se tambm o ser humano. claro que o sacrifcio serve para minorar as agruras dos homens famintos, a comear pelas crianas, mas nem por isso deixa de se constituir em indiscriminada matana.

A crise que assola nossa produo de carne, pelo jeito a maior do planeta, desperta a ateno de quantos so agredidos pelas imagens dos ltimos dias. Haveria alternativa, alm de desligar a televiso? Ou de cobrir as vitrinas dos aougues? Por enquanto, no. Mas um dia, quem sabe, a Humanidade encontrar sucedneos para dispensar essa degola, ainda hoje capaz de chocar o ser humano.

Alm de tudo, acresce que se ganha muito dinheiro com tal atividade. E at dinheiro podre, da corrupo. Que tal condenar os culpados ao trabalho social da prestao de servios nos frigorficos?

A briga do Juquinha com o Zzinho

Resultado de imagem para MENDES E JANOT CHARGES

Saber qual dos dois tem razo pura perda de tempo

Carlos Chagas

Ao acusar a Procuradoria Geral da Repblica de divulgar segredos de justia, o ministro Gilmar Mendes posiciona-se em favor dos deputados, senadores e ministros que podero ser punidos, perdendo o mandato e os direitos polticos. J o procurador Rodrigo Janot deseja que os mais de 150 parlamentares denunciados por ele se explodam, ou seja, deixem de ser parlamentares e possam at parar na cadeia.Traduzindo o festival de baixarias encenado pelos dois expoentes do poder, verifica-se o tradicional embate entre a impunidade e a punio total.

Saber quem tem razo perda de tempo. Os dois estaro certos, exceo das agresses e das ofensas ao vernculo que andam trocando. No universo poltico que Janot e Mendes tentam ordenar, existem bandidos esperando punio e inocentes merecedores de alforria.

DONOS DA VERDADE – Quer dizer, a um s tempo, o procurador e o ministro esto certos e esto errados. Falta-lhes a serenidade para entender que a virtude est no meio. Nem tanto ao mar nem tanto terra, diria o Conselheiro Accio, que tanta falta nos faz nos dias de hoje. Os dois contendores extrapolam e pretendem-se donos da verdade. Distribuem vaidade e presuno, mais ou menos como o Juquinha e o Zzinho disputando goiabas.

O grave no episdio que contaminam o ar sua volta. Geram dois grupos opostos e inconciliveis, prximos de adotar o radicalismo de seus mentores. Haver injustia caso condenados todos os polticos que receberam o Caixa Dois, propinas e dinheiro podre. Como tambm injustia emergir do perdo amplo, geral e irrestrito para quantos se valeram de recursos ilcitos.

Exageros inadmissveis

Resultado de imagem para GILMA MENDES CHARGES

Charge do Clayton, reproduzida de O Povo/CE

Carlos Chagas

No se sabe bem se como presidente do Tribunal Superior Eleitoral ou como ministro do Supremo Tribunal Federal, a verdade que Gilmar Mendes anda extrapolando. No se passa um dia sem que ele se manifeste sobre temas jurdicos, polticos e econmicos, sempre polemizando e levantando opinies favorveis e contrrias, numa evidncia de no ser essa a funo dos integrantes da maior corte nacional de Justia. Pelo menos, de acordo com a mxima de dever a Justia ser cega, sem inclinar-se por qualquer das questes que dividem as instituies, mas enxergando a ponto de dirimi-las.

Gilmar Mendes, alis, enxerga muito, apesar de suas vises parciais, muitas corretas, outra nem tanto.

A mais recente produo do nclito jurista foi acusar a Procuradoria Geral de Justia de divulgar detalhes protegidos pelo segredo constitucional de justia, a ponto de pretender a anulao de delaes praticadas que deveriam permanecer em sigilo mas vm sendo transmitidas mdia, sabe-se l por quem. Acusar a Procuradoria de ser a fonte dessas revelaes, s com provas, que o ministro no tem, talvez porque no pode apresentar.

SEGREDO DE JUSTIA – Para afastar esse perigoso entrevero de poderes, uma soluo bastaria: acabar com o segredo de justia em todas as questes. Estabelecer transparncia em todas elas, mesmo que se em certos casos haja prejuzo para uma parte, ainda que corrigido nas etapas finais de todo julgamento. So os nus da cegueira da Justia.

A Procuradoria Geral de Justia e a Polcia Federal foram acusadas por Gilmar Mendes de fazer chantagem, usando a imprensa e desmoralizando a autoridade pblica. Pela extino do segredo de Justia, seriam evitados confrontos que apenas prejudicam as instituies, apesar de exageros e injustias eventuais.

Omitir ser sempre pior do que esclarecer. Quem for acusado que se defenda, apesar de acusaes falsas e prejudiciais ao acusado.

Briga de foice em quarto escuro

Resultado de imagem para POLICIAL FEDERAL charges

Charge do Paixo, reproduzida da Gazeta do Povo

Carlos Chagas

bobagem chamar de apenas insignificante o ltimo episdio no captulo da carne podre desvendado pela Polcia Federal. Perdeu o presidente Michel Temer mais uma oportunidade de ficar calado. Ainda mais porque nas investigaes comea a aparecer a presena de polticos governistas pela nomeao de altos funcionrios do ministrio da Agricultura indicados por deputados e senadores que o dinheiro sujo dos frigorficos costuma irrigar.

A Polcia Federal reagiu, ontem, contra a tentativa do Executivo de minimizar a nova denncia de roubalheira no setor de exportao de carnes. E outros. Quatro senadores esto sob vigilncia por envolvimento em negcios ilcitos variados, como a prestao de servios de segurana, limpeza e sucedneos a rgos pblicos.

Indaga-se da hiptese de continuar o entrevero entre a denncia e sua camuflagem, cuja concluso ser a desmoralizao das instituies.

ENVOLVIMENTO – O Supremo Tribunal Federal autorizou a investigao sobre pessoas ligadas aos senadores Euncio Oliveira, Renan Calheiros, Valdir Raupp e Humberto Costa. Com a retaguarda garantida, logo surgiro atravs da Polcia Federal evidncias da participao parlamentar em muitas atividades fajutas, por meio de seus prepostos ou diretamente.

Aguarda-se a reao do Congresso na defesa de seus integrantes, culpados ou inocentes, mas a verdade que a Polcia Federal no se intimidou e prepara-se para seguir adiante.

Em suma, dentro do prprio governo a briga de foice em quarto escuro.

Um adversrio para o Lula

Resultado de imagem para lula candidato charges

Charge do Paixo, reproduzida da Charge Onlineeta do Povo

Carlos Chagas

A repetio, pelo Lula, de que ser candidato em 2018, tem tido correspondncia nas pesquisas eleitorais. Est na frente e at poder vencer no primeiro turno, na hiptese de disputar o palcio do Planalto. No adianta brigar com a notcia, muito menos ficar torcendo para o companheiro tropear na Lava Jato e ficar proibido de se apresentar por suposta condenao em segunda instncia. Tudo tem que ser no voto.

Para impedir o retorno do Lula, s apresentando um candidato capaz de venc-lo, seno no primeiro, ao menos no segundo turno. aqui que as coisas enrolam para os adversrios. Porque a maioria dos partidos, descrente da existncia de um contendor altura do Lula, aferra-se perspectiva de impedir o ex-presidente, ao invs de eleger uma candidato. Quer dizer, no desespero, querem ganhar no tapeto.

O motivo simples: os demais possveis concorrentes no sensibilizam o eleitorado. Pelo contrrio, perdem apoio a cada pesquisa.

No ninho dos tucanos, os nmeros cada vez mais enfraquecem o trio Geraldo Alckmin, Acio Neves e Jos Serra, a ponto de haver surgido nos ltimos dias a hiptese Joo Doria Jnior, que seria cmica se no fosse trgica. Porque ao prefeito paulistano faltam embasamento ideolgico e eleitoral. Seria fogo de palha.

No PMDB, surgir um candidato apenas se der certo a poltica de recuperao econmica. Nesse caso, Henrique Meirelles se posicionaria, mas Michel Temer poderia rever a determinao de no disputar outro mandato. Quer dizer: por enquanto nenhuma possibilidade para os dois.

H outros nomes que batem cabea, como Ciro Gomes, que o mundo esqueceu, Jair Bolsonaro, ltima esperana nascida nos quartis, Ronaldo Caiado, sem empolgar o setor rural, Marina Silva, fugitiva das esquerdas sem voto, Joaquim Barbosa, que ningum sabe por onde anda, e outros sem referncia sequer nas consultas populares.

O curioso nessas projees que apesar do desgaste do PT e da blitz desencadeada contra o Lula, ele exprime quantos se opem ao atual governo, quer dizer, ampla maioria nacional. Sem voz, sem voto e sem candidato, a retaguarda do atraso segue rejeitando o ex-presidente, sem coragem para construir outra alternativa. bom prestar ateno, pois se continuar o processo como vai, sem adversrio, ele volta.

Universidades em vez de aeroportos

Resultado de imagem para universidades charges

Charge do Moa, reproduzida do Arquivo Google

Carlos Chagas

Nunca demais repetir episdios da vida de Voltaire. Jean Marie Arouet, na flor de seus vinte anos, foi para Paris, onde logo se lanou como cronista de costumes. Ao saber que o Regente da Frana, empenhado em promover a conteno de gastos, havia decidido vender a metade das cavalarias reais, escreveu que melhor seria livrar-se da metade dos asnos que rodeavam o trono.

Num domingo, passeando pelo Bois de Boulogne, o monarca deparou-se com Voltaire e disse: monsieur Arouet, vou proporcionar-lhe uma viso de Paris que o senhor desconhece. A guarda real aproximou-se e levou o cronista para a Bastilha, onde ficou preso por quase um ano.

Amigos intercederam, o jovem foi perdoado e Felipe ainda o gratificou com razovel penso mensal, para que pudesse prover suas despesas com alimentao e habitao.

Voltaire agradeceu por carta, acentuando que ficava feliz pela preocupao do Regente com sua alimentao, mas quanto habitao, no se preocupasse, pois ele mesmo a proveria.

Seguiu-se nova ordem de priso e o cronista fugiu para a Inglaterra.

A historinha se conta a propsito de nosso Regente haver privatizado quatro aeroportos e comemorado o sucesso da venda a empresas estrangeiras. Bem que Michel Temer poderia ter feito diferente e, em vez de alienar patrimnio pblico, por que no transformar os quatro aeroportos em universidades abertas, disposio de estudantes carentes? Melhor teria sido o investimento, em especial porque o dinheiro a ser recebido pelo governo logo sair pelo ralo, sem nenhum proveito para a recuperao nacional.

Pior para todos, no escndalo da carne

Resultado de imagem para carne fraca charges

Charge do Hubert, reproduzida do Arquivo Google

Carlos Chagas

Incrvel, mesmo, com as excees de sempre, foi o comportamento da mdia televisiva e escrita diante do escndalo que exps o mercado da carne. A maioria dos veculos noticiou a ao da Polcia Federal na investigao da roubalheira que envolve frigorficos grandes e pequenos, mas abriu pginas e vdeos farta publicidade das empresas flagradas metendo a mo na atividade conspurcada.

Evidenciaram, esses veculos, a disposio de continuarem faturando em cima de desculpas esfarrapadas que pretenderam contrabalanar crimes capazes de perturbar a economia nacional. O Brasil est em vias de perder os resultados da exportao que vinha sendo das mais lucrativas de nossa economia, por conta da roubalheira dos responsveis pelos frigorficos.

ARGUMENTOS TOLOS – No adianta argumentar que tudo se tratou de iniciativa solerte de uns poucos funcionrios pblicos e privados, porque na realidade so as empresas as responsveis pelo envio de carne podre a nossos fregueses dos outros continentes. Basta ver a queda nos preos das aes e a reao de pases que no confiam mais na produo nacional. Nem nossa populao, da mesma forma atingida pela certeza de estar sendo envenenada.

A queda, j neste fim de semana, das vendas de carne nos supermercados, s ser inferior s exportaes que elevavam nossa balana comercial e agora comeam a ser denunciadas pelos importadores. Pior para todos, menos para os concorrentes.

Como complemento desse festival de corrupo, tambm surgiu a denncia de que propinas da carne tambm abasteciam o PMDB e o PP.

A exploso do presidente

Imagem relacionada

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas

Ao aterrissar no aeroporto Santos Dumont, o ento avio presidencial, o BAC-One Eleven, raspou sua cauda na pista. Mesmo assim, taxiou normalmente, at a parada dos motores. O chefe da Segurana, coronel Vale, alertou os passageiros para que deixassem rapidamente a aeronave, que poderia explodir. Recomendou ao presidente Costa e Silva, que corresse. O velho general irritou-se e respondeu: O presidente explode mas no corre!

O episdio se conta a propsito de outro presidente que, s voltas com a exploso de seu governo, procura manter uma postura de normalidade. Apesar de seis de seus ministros estarem includos na lista do Janot, passveis de condenao, Michel Temer recomendou a todos continuarem no exerccio de suas funes, como se nada tivesse acontecido.

A gente fica pensando no que acontecer caso Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, puxando a fila de outros, venha a se transformar em ru do Lava Jato. Conseguir o presidente preservar a dignidade de seu governo? Quando pipocarem evidncias de malfeitos de parte de sua equipe, junto com as demisses, recebero a protocolar carta de elogios e agradecimentos pelos servios prestados?

No seria melhor dispens-los antes, em silncio, para evitar o vexame? Nada parece mais oportuno do que uma reforma do ministrio, ampla, geral e irrestrita. At hoje o governo, com raras excees, tem sido um condomnio de faces partidrias vidas de participar do poder e de suas benesses. Desafia-se que algum, hoje, possa citar na ponta da lngua, os nomes de todos os ministros e suas respectivas filiaes. Muito menos suas realizaes.

A oportunidade mpar para trocar todo mundo, abrindo espaos para a convocao de auxiliares sem compromisso com a corrupo. Fora da, o risco de Michel Temer explodir, junto com as instituies

 

 

A insatisfao dos excludos est nas ruas

Capa Folha de S.Paulo - Edio So PauloCarlos Chagas

De repente, acordaram as centrais sindicais, os sindicatos, as corporaes e demais entidades que se imaginava adormecidos. O povo foi para a rua. Impossvel desconsiderar o que aconteceu no pas inteiro, quarta-feira. Trabalhadores e desempregados deram sinal de estarem vivos nas manifestaes verificadas nas capitais dos estados e principais cidades, protestando contra as reformas da Previdncia Social e trabalhista. Poucos entreveros, a maioria dos protestos verificou-se em clima de ordem, nem por isso menos assustador.

A partir de agora, depois de razovel interregno, o ator principal est de novo no palco, insurgindo-se contra o modelo das reformas elitistas. No faltaram, sequer, os veementes protestos contra Michel Temer, uma espcie de representante maior da insatisfao popular.

ENSAIO GERAL – Assistimos um ensaio geral da pea que em 2018 ser encenada com toda pompa e circunstncia pela sucesso presidencial. Daqui por diante, mais se faro ouvir os protestos do Brasil Real frente ao das foras empenhadas em dar marcha-a-r no processo poltico-institucional. No foi por acaso que as manifestaes coincidiram com a condenao da banda podre do conservadorismo, no caso, a revelao dos agentes da lista do Procurador Geral.

Adianta muito pouco minimizar a voz das ruas novamente entoada para quem quiser ouvir. No parece fora de propsito imaginar que nas prximas vezes em que o povo se manifestar, subir a temperatura. A insatisfao dos excludos poder chegar a limites perigosos, mas explicveis.

Em suma, erguem-se obstculos aos retrocessos programados pelo neoliberalismo.

A CONTA-GOTAS – Melhor seria que o ministro Fachin abrisse logo o sigilo das acusaes ao mundo poltico, revelando quantos deputados, senadores, ministros e ex-ministros, governadores e demais espcimes do bloco da corrupo, bem como suas praticas delituosas. A revelao a conta-gotas s faz aumentar as agruras da classe poltica.

Os caadores derrotaro o lobo mau

Resultado de imagem para Eliseu padilha charges

Padilha, o Lobo Mau, quer a Chapeuzinho Vermelho

Carlos Chagas

Chapeuzinho Vermelho entrou toda faceira no quarto da Vovozinha, levando na cesta caf com leite, queijo e uma ma. A velha tirou a cabea dos lenis e espantou a netinha. Vov, para que esses olhos to grandes? Para melhor te ver, minha querida. E essas mos to compridas? Para melhor de abraar, meu bem. E essa boca com dentes to feios? Para melhor te comer, meu petisco! A histria para crianas no termina assim, porque logo vieram os caadores, mataram o lobo e retiraram a Chapeuzinho e a av de sua barriga, ficando todos felizes.

A historinha se conta a propsito da chegada dos lderes dos partidos ao gabinete do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, ontem. Tinham sido convocados para cuidar da reforma da Previdncia Social. Espantaram-se quando ouviram dele apavorantes ameaas no caso de o projeto do governo no ser aprovado. Perderiam as benesses e vantagens, no teriam apoio nenhum e seriam derrotados nas eleies do ano que vem. Cederam, dispostos a aceitar a proposta, antes de ser deglutidos, quando um deles exclamou: Vamos chamar os caadores!

Parece evidente a reao da base parlamentar oficial proposta que penaliza os assalariados e retira dos menos privilegiados os derradeiros direitos ainda vigentes. Pior fica a situao quando se acrescenta a reforma trabalhista.

O governo insiste e aterroriza o Congresso, diante do horror das mudanas apresentadas sob a promessa de recuperao da economia nacional. Ningum escapar, nas eleies do ano que vem. Muito menos o empresariado, iludido com as promessas de ser favorecido com o sacrifcio das massas. Elas so os caadores, vidos de arcabuzar quantos, como Eliseu Padilha, imaginam sobreviver anacrnica iniciativa das prerrogativas do Lobo.

FULMINADA A CAIXA DOIS

Quem faz as contas sobre a prxima deciso a ser adotada pelo Supremo Tribunal Federal conclui pela condenao do Caixa Dois conforme puxa a fila a opinio da presidente Carmem Lcia: crime mesmo. Nas investigaes que se seguiro, respondero quantos tiverem recebido esses recursos ilcitos, tanto faz se em dinheiro podre ou no.

Adeus, renovao poltica

Resultado de imagem para reforma politica charges

Charge do Sinovaldo, reproduzida do Jornal VS

Carlos Chagas

Feito o lobisomem que aparece nas noites de lua cheia, caiu no Congresso, mais uma vez, a proposta da eleio de deputados em lista fechada, na discusso da reforma poltica. O eleitor no votaria no candidato de sua preferncia, mas na sigla de um partido cujos caciques comporiam a relao dos companheiros dignos de receber os votos. Imagine-se quem os dirigentes partidrios colocariam nos primeiros lugares: eles mesmos, ainda que se fosse para ser votados individualmente, ficariam na rabeira.

Trata-se de mais uma vigarice dos mesmos de sempre.

Fica estranho que depois de a Cmara dos Deputados haver rejeitado a sugesto, tempos atrs, ela retorne impvida pela manobra dos mesmos de sempre. Quem puxa a fila, agora, o presidente do Congresso, Euncio Oliveira, por sinal o senador mais votado no Cear.

A reforma poltica segue os passos da vaca: vai para o brejo, ainda que se tenha a certeza de sua rejeio pelo bom senso.

A reforma poltica ressurge em meio crise gerada pela tentativa de aceitao do caixa dois, outra agresso abominvel. Suas Excelncias imaginam que uma das duas excrescncias acabar aprovada, coisa que lhes basta para continuar boiando no esgoto.

Nada de novo acontece sob o sol. Porventura aprovada a lista fechada, seria incuo o desvio de recursos ilcitos do caixa dois para a preservao dos mandatos dos controladores dos partidos. Garantiriam seus lugares, verdadeiramente o que lhes interessa. A renovao ficaria para as calendas, em todas as legendas.

 

A sucesso na estaca zero

Resultado de imagem para lula candidato charges

Charge do Mariano, reproduzida da Charge Online

Carlos Chagas

Acio Neves e Geraldo Alckmin esto na lista de Janot, a ser divulgada em breve. H rumores de que Jos Serra tambm. No h clusula de inelegibilidade para nenhum dos trs, pelo menos enquanto no forem condenados em segunda instncia. Mas se forem, ficaro afastados da sucesso de 2018. Sobrar espao para Joo Dria Jnior, apesar de suas sucessivas declaraes de que cumprir at o fim o mandato de prefeito de So Paulo.

De repente, instaura-se a dvida no ninho dos tucanos. Certeza tambm no h no PMDB, porque se a recuperao econmica naufragar, Henrique Meirelles ficar de fora. Como Michel Temer, pelos mesmos motivos e mais o juramento de que no disputar o segundo mandato.

O leque de outras opes no anima ningum. Marina Silva eclipsou-se, Ciro Gomes no mais o mesmo, Jair Bolsonaro marcha de p trocado, Ronaldo Caiado no rompe os limites de Gois, Joaquim Barbosa sumiu e quaisquer outros nem lembrados so.

A concluso de que apagaram o quadro negro, restando apenas o Lula, que esta semana confirmar sua candidatura pelo PT. Tambm cercado de obstculos e armadilhas da operao Lava Jato.

Em suma, a sucesso presidencial volta estaca zero. Como s daqui a um ano a disputa ressurgir, aguarda-se o aparecimento de novas hipteses.

QUEM SER O CHEFE? – A Segunda Guerra Mundial aproximava-se o fim e perguntaram ao maior lder militar da Inglaterra, Bernard Montgomery, a razo de seu sucesso. Cheio de arrogncia e empfia, ele disse aos jornalistas ser porque no bebia, no fumava, no jogava e no prevaricava.

Winston Churchill agastou-se e chamou os reprteres, dizendo: Podem escrever que eu bebo, fumo, jogo e prevarico, mas sou o chefe dele…

O episdio se recorda a propsito das mudanas que o presidente Michel Temer promover no ministrio, assim que divulgada a segunda lista do Janot.

A farsa da livre competio

Resultado de imagem para OPORTUNIDADES IGUAIS CHARGES

Charge sem autoria (Arquivo Google)

Carlos Chagas

Tome-se um pimpolho bem alimentado, bem vestido e feliz, que vai escola particular, tem direito a festa de aniversrio todo ano, levado Disney, e, acima de tudo, recebe o amor dos pais.Coloque-se ao lado dele um desses meninos de rua, maltrapilho, que no sabe quem foi o pai ou onde est a me, com os dentes podres sem nunca ter ido ao dentista e obrigado a buscar alimentao na lata do lixo.

Vamos promover uma corrida entre eles, colocando-os lado a lado e dizendo que ganha quem chegar primeiro no prximo quarteiro.

Sem tirar nem pr, esse o modelo econmico que nos assola, da livre competio entre quantidades e valores desiguais. D no mesmo quando os meninos crescem e a diferena entre eles se amplia. Mesmo se no ceder tentao do crime e da marginalidade, um vai continuar enfrentando o desemprego, passando fome e recebendo, no mximo, o vergonhoso salrio mnimo. O outro progride, torna-se empresrio, especula na bolsa, aumenta seu patrimnio e torna-se dirigente poltico, mesmo se aceitando que no recebe propinas nem se torna cliente da operao Lava Jato.

PARA O BREJO – Para onde vamos? Para o brejo, atrs ou na frente da vaca. De pouco adianta fornecer a um dos menininhos escola gratuita, uniforme, merenda e transporte. Ou, depois de crescido, bolsa-famlia, luz para todos e minha casa, minha vida. falsa a alegao de que todos tiveram as mesmas oportunidades de progredir. Turva-se a viso da sociedade com essa farsa que serve apenas para entupir conscincias e manter o modelo cruel em funcionamento.

Basta atentar para o contedo das reformas propostas pelo governo para promover a justia social, da previdenciria trabalhista e tributria. Nenhuma delas ir melhorar a vida das massas. Todas beneficiam as elites.

A livre competio est em marcha, enganando os ingnuos e satisfazendo os vigaristas.

Enganados e sufocados

Resultado de imagem para LULA ENGANADOR CHARGES

Charge do Kacio (kacio.art.br)

Carlos Chagas

Quando o PT foi para o poder, frustrado desde sua fundao, derrotado trs vezes com o Lula, mas afinal vitorioso, imaginava-se mudana fundamental na vida do pas. Afinal, mesmo de forma lenta e gradual, porm segura, parecia ter chegado a hora do andar de baixo. No mais a prevalncia dos beneficiados pela fortuna, pelo bero ou pelas maracutaias, seno os primeiros passos para a conquista da melhoria das condies de vida dos despojados da fortuna e da ascenso dos trabalhadores a patamares menos cruis de sobrevivncia.

Empolgaram a imensa maioria dos cidados as pregaes sobre igualdade, extino dos privilgios de uns poucos e fim da livre competio entre quantidades e valores desiguais.

Seria extinta a misria, reduzida a pobreza e gradativamente poderiam desaparecer as diferenas sociais responsveis pelo fato de sempre os ricos ficarem mais ricos e os pobres, mais pobres.

APOIO ENTUSIASMADO – Era nesse objetivo que se fixava o pequeno grupo de intelectuais e acadmicos, entusiasmados com a experincia mpar de ver um operrio no governo. Tambm compareciam os sindicatos, a Igreja, os universitrios e at parte da classe mdia.

Claro que mais se organizavam, desde muito j organizadas, as mesmas camadas beneficiadas de sempre, fceis de identificar no empresariado, nos donos da terra, nos especuladores, banqueiros e demais condutores de uma sociedade que, pelo jeito, esgotara-se e se condenava ao fracasso.

Abria-se o palco para o confronto entre o passado e o futuro, ainda que subordinado a vcios de l e de c, corolrio da imperfeio humana da qual jamais nos livraremos.

Pelo menos, estava evidente a importncia de se alterar o modelo que nos acompanha desde o Descobrimento, cada vez mais sofisticado por maior sacrifcio das massas e festa das elites. Criava-se no pas a conscincia da necessidade de interromper a progresso das vantagens que o dinheiro concede aos senhores e falta faz aos vassalos.

EQUILBRIO E IGUALDADE – Imaginava-se, vale repetir, haver chegado o tempo do equilbrio, pelo esforo de um grupo disposto no a recuperar, mas a criar o espao de igualdade, porque liberdade, afinal, mesmo distorcida, j tnhamos, e fraternidade, conseguiramos fora.

Alguma coisa se conseguiu, mas preciso atentar para o fato de que desde a primeira eleio do Lula, as elites foram cooptando os personagens. At o prprio, surpreendendo com uma anacrnica Carta aos Brasileiros, no endereada aos seus eleitores, mas a leitores interessados em preservar benesses e vantagens. Ao redor, vicejaram falsos aliados, antigos cultores das mudanas, mas empenhados em isoladamente ascender de patamar atravs da corrupo, do roubo e da mistificao.

Apesar disso, algum resultado o primeiro companheiro conquistou, advindo da sua reeleio. O diabo foi o segundo mandato. Sem reao, o Lula entregou-se aos destinatrios da malfada carta.O ideal igualitrio naufragou e foi para as profundezas quando, no podendo disputar um terceiro perodo, vendeu sonhos que no eram mais dele. Assumiu a incompetncia em forma de mulher. Foi simples questo de tempo as elites voltarem ao poder e s reformas que mais uma vez massacram e sufocam a maioria, de novo enganada e sufocada.

Choro e ranger de dentes

Resultado de imagem para lista de janot charges

Charge do Boopo (Humor Poltico)

Carlos Chagas

No Congresso, ressurge a proposta de ser anistiado o recebimento de ajuda eleitoral pelo caixa dois. No se encontram deputados e senadores dispostos a votar contra. Depois que o Supremo Tribunal Federal admitiu como crime at o caixa um, Suas Excelncias replicam com a iniciativa celerada.

Foi mais uma vez protelada a divulgao da lista do procurador Rodrigo Janot, no caso, a segunda, quando nem a primeira conhecida. Deputados, senadores e ministros andam apavorados com a perspectiva de ter seus nomes conhecidos, na semana que vem. Mas tambm confiam em que, de novo, mudaro a lei para escapar de incriminaes.

O risco de novamente ficarem impunes os parlamentares que se elegeram com dinheiro podre. Sofrem tambm os vigaristas hoje sem mandato.No Congresso, h quem esteja sem dormir, pois pelo menos 150 seriam referidos como beneficiados pelas falcatruas.

Outra sombra a pairar sobre a Praa dos Trs Poderes refere-se ao futuro. Nas eleies do ano que vem, quando a maioria disputar a reeleio, esto proibidas as doaes por empresas. Campanhas milionrias, s por candidatos milionrios. Como a maioria parlamentar disputar as preferncias do eleitor? O fundo partidrio no chegar para todos, talvez nem para os caciques. A quase totalidade das empresas, com as empreiteiras frente, decidiram no abrir os cofres. Resultado: choro e ranger de dentes…

OS GOVERNADORES – Quantos governadores integram a lista? Se forem os 27, no haver surpresa. Mas uns poucos escaparo. No muitos, porque as empreiteiras agiram nos Estados at com mais desfaatez. Sofrem os que pretendiam candidatar-se reeleio, abrindo-se para eles a frustrao de buscar outros caminhos.

preciso rasgar o vu da impunidade

Resultado de imagem para LISTA DE JANOT CHARGES

Charge do Giancarlo, reproduo do Arquivo Google

Carlos Chagas

Tarda a divulgao da lista do Procurador Rodrigo Janot, parece que em sua segunda verso, mesmo se desconhecendo a primeira. Seriam 150 deputados, senadores e ministros envolvidos com a corrupo. At agora, Suas Excelncias conseguiram empurrar com a barriga a possibilidade de, denunciados, perderem os mandatos, os direitos polticos e a prerrogativa de se candidatarem reeleio, ano que vem.

Alguma coisa no bate, nessa protelao que deixa mal o Supremo Tribunal Federal.

Nos tempos do Descobrimento, anos se passaram sem que as naus portuguesas conseguissem dobrar o Cabo Bojador, depois do qual se imaginava o oceano despencando num precipcio cheio de monstros e drages. Foi preciso que Vasco da Gama seguisse adiante, contornasse o continente africano e afinal chegasse s ndias.

Falta um capito corajoso para enfrentar o desconhecido, como tambm um novo Henrique, o Navegador, para estimular a aventura.

O impasse diante da corrupo, hoje, lembra a epopeia lusitana daquele idos. Faltou coragem nos dois casos, at que um desbravador se animasse a seguir em frente.

Quem romper o vu da impunidade? O prprio Janot? Marco Aurlio Mello ou Carmem Lcia?

O PMDB E SEU CANDIDATO – De forma lenta e gradual, cristaliza-se no PMDB a evidncia de que existe apenas um candidato capaz de disputar a sucesso presidencial do ano que vem. Certamente com clusula de desempenho: Henrique Meirelles, se a recuperao econmica vingar. Ele j pertenceu ao PSDB, elegendo-se deputado sem ter assumido. Agora, seria a salvao do PMDB.

Mudar o modelo, para conseguir crescer

Resultado de imagem para reformas charges

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Chagas

Baixou sobre o Brasil a sombra do Capeta, com a divulgao pelo IBGE da queda de 3,6% do PIB, em 2016. Foi a confirmao do caos que vnhamos sentindo desde a reeleio de Dilma Rousseff, que agora queima nas chamas do esquecimento. Alis, por onde andar a ex-presidenta? Adianta muito pouco a esfarrapada contestao de Henrique Meirelles, a respeito de j termos voltado a crescer. Apenas se confirmou o mergulho no precipcio, do qual emergiremos quando Deus quiser, e parece que ELE no quer.

Porque no ser com as reformas da Previdncia Social, trabalhista e outras mudanas favorveis aos mesmos de sempre que o pas se ir recuperar.

MODELO PERVERSO – Do que necessitamos quebrar as estruturas do modelo vigente h dcadas, sempre fazendo os ricos mais ricos e os pobres, mais pobres. Para comear, imediatas eleies gerais, capazes de expelir os responsveis pela dbacle atual. Coisa que s acontecer pela proibio de concorrerem quantos exercem mandatos eletivos. Mais a dissoluo dos partidos polticos em funcionamento. E uma nova Constituio acorde com as necessidades da populao carente, ou seja, a maioria dos cidados.

Utopia? Sonhos de noite de vero? Iluses impossveis de se materializar?

Os trs mosqueteiros j so quatro

Resultado de imagem para AECIO, ALCKMIN, SERRA E DORIA

S est faltando o quarto destaque da ala dos tucanos…

Carlos Chagas

Geraldo Alckmin movimentou mais uma pea no xadrez sucessrio ao declarar, domingo, desejar ser candidato presidncia da Repblica. Todo mundo j sabia, claro, mas como o nome do prefeito Joo Dria Jnior passou a sensibilizar os setores mais conservadores do PSDB, entendeu o governador de garantir seus espaos.

Aguarda-se agora a rplica de Acio Neves, mesmo em vias de ter seu nome relacionado com a lista da Odebrecht. Alckmin tambm ser citado e sabe das dificuldades em superar a vantagem do presidente do partido, pela prpria funo exercida, por isso no fecha as portas para uma futura mudana de legenda. Como essa hiptese s se viabilizar no primeiro semestre do ano que vem, h tempo de sobra.

Impossvel negar que Joo Dria Jnior poder superar a afirmao de apoiar a indicao de Geraldo Alckmin, caso as pesquisas, daqui por diante, favoream seu nome.

E JOS SERRA? – O problema dessas evolues no ninho tucano est na pouca projeo do PSDB na corrida sucessria. Onde, por exemplo, insere-se Jos Serra na equao? Renunciando ao ministrio das Relaes Exteriores, dias atrs, o senador paulista ficou menos engessado para curvar-se hierarquia partidria. Tambm poder mudar de partido para disputar o palcio do Planalto. O singular na histria que tanto Acio quanto Alckmin e Serra so trs derrotados em passadas eleies presidenciais.

Em suma, continuam as especulaes, indicando que os trs mosqueteiros agora so quatro, com a chegada de Joo Dria Jnior. Alexandre Dumas no faria melhor.

Nomeao do novo Assessor de Imprensa do Planalto mais um golpe em Padilha

Resultado de imagem para luciano suassuna jornalista

Luciano Suassuna vai comandar a Imprensa no Planalto

Carlos Newton

Em mais um eletrizante captulo da novela do esvaziamento da faco de Eliseu Padilha no Planalto, ojornalista Luciano Suassuna assumiu nesta segunda-feira (dia 6) o cargo de assessorde Imprensa da Presidncia da Repblica. Com isso, a faco do presidente Michel Temer ganha mais um importante cargo na hierarquia palaciana, enquanto Padilha passa a contar apenas com o apoio de dois assessores de primeiro escalo – o advogado Gustavo do Vale Rocha, da Subchefia Jurdica da Casa Civil, e o jornalista Mrcio de Freitas Gomes, da Secretaria de Comunicao Social (Secom).

DEVAGAR E SEMPRE -O estilo de Temer lento, dissimulado preciso. O primeiro passo para esvaziar Padilha, a partir de outubro, foi deix-lo de fora da maioria das reunies polticas internas e externas, nas quais o presidente passou a ser acompanhado por Moreira Franco, que nem ministro era. Padilha fez cara de paisagem, fingiu que no era com ele e continuou se comportando como todo-poderoso do governo, inclusive criando problemas com outros ministros.

O segundo passo de Temer foi dado em 3 de fevereiro, com a nomeao de Moreira Franco para ministro da Secretaria-Geral, que passou a controlar hierarquicamente trs importantes setores do Planalto (Cerimonial, Administrao e Comunicao Social), que desde o incio do governo eram subordinados Casa Civil.

No sbado de Carnaval (dia 24), Temer aproveitou a ausncia de Padilha, que estava prestes a ser operado, e afastou o chefe da Assessoria de Imprensa, Douglas de Felice, ex-assessor de Renan Calheiros. Para que no houvesse problemas, deu a ele um emprego de melhor remunerao, comoassessor da presidncia do Sebrae, e sepultou o assunto.

S FALTA UM – Agora, para retomar inteiramente o controle da Comunicao Social, s falta se livrar do secretrio Mrcio de Freitas Gomes. Alis, ao assumir a Presidncia em maio de 2016, Temer nem queria nome-lo, mas sofreu forte presso de Padilha e dos demais caciques do PMDB, teve de ceder.

Mrcio Gomes pode at continuar na Secom, mas est totalmente esvaziado. Ser uma presena meramente decorativa, porserum jornalista sem maior experincia, que passou muitos anos como assessor do PMDB e depois ficou encostado como assessor de Temer na Vice-Presidncia da Repblica, no fez carreira na profisso.

Quanto a Luciano Suassuna, trata-se de um jornalista de verdade, com trajetria vitoriosa no Correio Braziliense, Veja, Estado, Zero Hora e Isto. J ganhou dois prmios Esso de Reportagem, publicou trs livros sobre poltica e jornalismo. Em 1993 recebeu, junto com o jornalista Lus Costa Pinto, o prmio Jabuti de melhor livro-reportagem por Os Fantasmas da Casa da Dinda.

UMA SITUAO ESTRANHA – Essa disputa entre as faces de Padilha e Temer uma situao estranha e inusitada, porque isso nunca aconteceu, muitos jornalistas ainda nem acreditam que esteja havendo esse imbroglio. Afinal,o presidente da Repblica detm a caneta. Portanto, basta manej-la, sempre que se sentir incomodado. Mas acontece que Temer s chegou ao poder porque foi carregado pelos caciques do PMDB. Era um dos participantes do grupo e teve de se tornar refm deles, pois o governo foi claramente fatiado e compartilhado.

Com as demisses de Romero Juc, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima, a priso de Eduardo Cunha, o esvaziamento de Renan Calheiros e Edison Lobo, o recolhimento de Jder Barbalho e a licena de Eliseu Padilha, pela primeira vez Temer est respirando sem aparelhos e comea a montar sua prpria estrutura no Planalto, junto com Moreira Franco, que est citado na Lava Jato, porm jamais integrou a elite dos caciques do PMDB.

JORNALISTAS CERCEADOS – Desde que a Tribuna da Internet publicou, com absoluta exclusividade, as primeiras matrias sobre a disputa de poder, o ambiente ficou ainda mais pesado no Planalto. No dia 27 de setembro, os jornalistas ficaram proibidos de circular sozinhos.Para entrar no terceiro andar (Presidncia) e no quarto andar (Casa Civil e Secretaria de Governo), at hoje tm de ser acompanhados por funcionrios da Secretaria de Comunicao.

claro que isso deve acabar na gesto de Luciano Suassuna, assim que ele estiver adaptado s novas funes, em meio intrigalhada que hoje caracteriza o Planalto. E com toda certeza a Assessoria de Imprensa vai parar tambm de mover campanhas difamatrias usando notcias falsas. como acorreu com os ministros Medina Osrio (AGU) e Marcelo Calero (Cultura), para for-los a deixar o governo.

###
PS – Somente vo continuar (por enquanto) as notcias falsas divulgadas pelos assessores sobre a doena de Padilha, que foi muito mais grave do que se divulgou, pois ele no dever ter condies de assumir na prxima segunda-feira, ao contrrio do que a imprensa continua a anunciar, repetindo as informaes manipuladas pelo pessoal da Casa Civil. Como dizia nosso amigo Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)