A queima das bandeiras dos Estados

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Getúlio extinguiu a Federação e nomeou interventores

Carlos Chagas

Cresce, e mais crescerá, o debate sobre a necessidade de profunda revisão no pacto federativo. Do jeito que está, não dá mais. Os Estados encontram-se à beira da falência, se é que alguns já não faliram. Somos uma Federação de mentirinha. Sem a União, isto é, o poder central, que também vai de mal a pior, a Federação se desmancharia.

Será sempre bom lembrar que o golpe de 37 implantou no Brasil o Estado Unitário, com a nova Constituição centralizando todo o poder nas mãos do presidente da República. Textos e fotos de velhos jornais nos remetem ao final daquele ano, quando no Largo do Russell, no Rio, formados militarmente,  centenas de estudantes das escolas públicas confluíam para o centro da praça. Lá fora montada uma pira de grandes proporções. Uma escola após outra, os batalhões de rapazes marchavam levando as bandeiras de 21 Estados, que logo eram incineradas. Meninas garbosas vinham a seguir, trazendo nas mãos as partituras dos hinos estaduais, que também viravam cinzas. Getúlio Vargas discursou que dali em diante uma só bandeira seria hasteada no país, a brasileira. E apenas um hino entoado, o nacional.

INTERVENTORES – De tabela, tinham sido demitidos os governadores, chamados de presidentes dos Estados, substituídos por interventores nomeados pelo presidente. O fascismo dominava a Europa e o Brasil não ficou atrás. O singular é que não se disparou um tiro. Leis trabalhistas de rara sensibilidade levaram os trabalhadores a um apoio unânime ao novo regime, no caso, de justiça social e de exaltação à ditadura, pois o Congresso, as assembleias legislativas e os partidos políticos haviam sido fechados. Era o fim da Federação, estabelecido o Estado Unitário. O tempo passou, voltaram a democracia, mais tarde a ditadura, outra vez, e agora fomos até rebatizados de República Federativa.

Só que ela não funciona. Os Estados andam em frangalhos. O Poder Central, quase isso. É preciso tomar cuidado, pois muitos desiludidos e outro tanto de patetas não demoram a pregar a queima das bandeiras e das partituras.

O lobo mau, a chapeuzinho vermelho e o caçador

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas

Esta semana o Senado deve definir os presidentes das diversas comissões técnicas da casa. A principal é a Comissão de Constituição e Justiça, tanto pela importância política quanto pela obrigação de opinar sobre a aceitação das denúncias sobre os implicados na lista da Odebrecht, apresentada pelos seus delatores.  A CCJ poderá aceitar os depoimentos dos 77 diretores e ex-diretores da empreiteira, inculpando perto de 200 políticos e parlamentares acusados de corrupção, ou descartar boa parte deles, tentando livrá-los das punições  aguardadas.

Três são os candidatos a presidir a CCJ: Edison Lobão, Marta Suplicy e Raimundo Lira, todos do PMDB. O senador pelo Maranhão faz parte da lista da Odebrecht e tem tido seu nome como envolvido nas trapalhadas ora investigadas. A representante de São Paulo busca um lugar ao sol em plena noite, e o paraibano surge como imune a influências pouco éticas.

Qualquer dos três poderá definir o rumo das investigações que levarão ao sucesso ou ao malogro da operação Lava Jato. A maioria do Senado poderá contribuir para a luta  pelo restabelecimento da moralidade no Congresso ou erigir barreiras contra o combate à  corrupção.

Permitir que parlamentares envolvidos no Caixa Dois, por exemplo, sejam transformados em réus e submetidos a processos levados à condenação, é um caminho. Decidir que não cometeram faltas dignas de perda de mandatos, outro.

Quem quiser que opine, mas o país está diante de uma encruzilhada fundamental para o seu desenvolvimento. O lobo mau, a chapeuzinho vermelho e o caçador decidirão sobre a sorte da vovozinha indefesa.

Pedro Aleixo e o guarda da esquina

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Costa e Silva era o presidente da República quando reuniu o Conselho de Segurança Nacional, a 13 de dezembro de 1968. As instituições estavam em frangalhos, com os estudantes na rua gritando “abaixo a ditadura” e os generais reunidos no palácio Laranjeiras exigindo do chefe do governo a decretação de mais um ato institucional. Queriam a ditadura escancarada, uns, e a democracia, outros.

Pressionado, o marechal deu a palavra, primeiro, ao vice-presidente da República, Pedro Aleixo. Ele era contra o novo ato, a favor da adoção do estado de sítio, remédio constitucional para o regime não romper as frágeis estruturas constitucionais. Apesar de sua argumentação libertária, foi interrompido pelo ministro da Justiça, Gama e Silva, que o interpelou:

“Dr. Pedro, o senhor duvida das mãos honradas do presidente Costa e Silva, que será o único juiz da aplicação do ato?”

Diante da grosseria, o velho professor de democracia respondeu:

“Das mãos honradas do presidente Costa e Silva, jamais! Desconfio é do guarda da esquina!”

Referia-se à evidência de que quando a ditadura se instaura, desaparecendo as garantias constitucionais, prevalecem o arbítrio e a truculência, pois todo mundo se acha com autoridade para impor sua vontade.”

Continuou Pedro Aleixo sua pregação inócua, pois todos os ministros e generais, que se pronunciaram depois, manifestaram-se favoráveis ao ato. Ao encerrar a reunião, o presidente tentou a derradeira opção. Disse que pela importância dos argumentos de seu vice-presidente, pediria para  repeti-los. Como Pedro Aleixo estava resfriado e afônico, um ajudante de ordens foi encarregado de voltar a fita do gravador que registrava as intervenções. Poucos prestaram atenção, já haviam decidido antes pela volta à exceção. Costa e Silva não teve como impedir, pouco depois, a decretação do AI-5, que assinou.  O clima era de insubordinação.  Se resistisse, poderia ter sido deposto.

Esse episódio se conta para a comprovação das lições do vice-presidente. Estabeleceu-se o caos nas instituições e menos um ano depois o presidente foi acometido por um derrame cerebral. Impedido de assumir, Pedro Aleixo foi preso e os generais custaram a se entender, indicando ao final de amplas tertúlias o mais obscuro deles, Garrastazu Médici. Costa e Silva morreu, Pedro Aleixo tentou, sem conseguir, formar um novo partido político. Só em 2016 o Congresso reconheceu seu direito de ter assumido a presidência da República. O guarda da esquina prevaleceu.

 

 

 

Mais três na disputa presidencial

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

Começa a germinar uma nova leva de candidatos a candidato para 2018, mais uma evidência de inexistir alguém ocupando a pole-position. Amplia-se o plantel das especulações, até agora circunscrito a Aécio Neves, Geraldo Alckmim, José Serra, Ciro Gomes, Marina Silva, Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro, Roberto Freire, Alvaro Dias, Lula e outros menos lembrados.

Acabam de entrar na lista das especulações fugidias Rodrigo Maia, Moreira Franco e Carmem Lúcia, hipóteses geradas pelos acontecimentos mais recentes e, como as demais, simples exercícios pálidos e especulativos. Mas destacam-se na rearrumação das hipóteses geradas pela ambição, o acaso e a falta do que fazer.

Rodrigo Maia destacou-se quando Eduardo Cunha mergulhou nas profundezas. Elegeu-se para seis meses de insignificante presença na presidência da Câmara, mas ocupou a vice-presidência de fato da República, acoplando-se ao projeto de reformas de Michel Temer e atropelando a Constituição. Durante os próximos dois anos, tentará dividir com o atual presidente a liderança de mudanças estruturais e conjunturais, contando com o apoio sempre maior da bancada governista. Caso não cometa erros fundamentais, está no páreo.

Moreira Franco entra na equação como possível alternativa para o PMDB, até hoje marginalizado pela decisão anunciada mas não confirmada de Michel Temer abrir mão de disputar a reeleição. Elevado à condição de ministro detentor do poder palaciano, tendo alijado a influência do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o ex-governador do Rio precisará enfrentar a lista da Odebrecht, como tanto outros, mas resume-se hoje na opção do maior partido nacional. Evolui como o gato ancorá batizado por Leonel Brizola, cauteloso e macio.

Por último, uma estrela que vem de outro firmamento, a presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lúcia. Fica evidente sua disposição de ocupar espaços além do Judiciário.

Em suma, ampliou-se o quadro das hipóteses remotas, capaz de mudar ainda muitas vezes, e, para concluir, sem entusiasmar ninguém…

 

Dois coelhos numa paulada só

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Charge do Cicero (cicero.art.br)

Carlos Chagas

Dois coelhos bem que poderiam ser afastados numa só cajadada: o sigilo em ações penais e o tal segredo de justiça. Tem sido grande o prejuízo causado a cidadãos que deveriam estar beneficiados pelo princípio de ser todo mundo inocente até se lhe provarem a culpa. A verdade é que não se respeita o sigilo nas delações premiadas, antes mesmo de oferecidas as denúncias e abertos os processos. O resultado pode ser lido nas páginas dos principais jornais, todos os dias. Admite-se até como verdadeiras certas acusações, mas quantas terão sido mentirosas? Se é para prosseguir nessa distorção, melhor que se suprimisse o sigilo. Toda delação deveria ser permitida, claro que com o nome do delator. E a punição para quem inventou a mentira.

Vale o mesmo para o instituto do segredo de justiça. O juiz tem a prerrogativa de determiná-lo, mas virou regra a mídia quebrá-lo, sem que nada aconteça. Seria mais natural a supressão dessa defesa que não defende nada. Todo processo deveria ser partilhado com a opinião pública, por mais escabroso que fosse. E com a consequência de férrea punição para o veiculo que distorcesse os fatos.

Ganharia a sociedade. A justiça também. O que   não dá é a lei estabelecer uma diretriz e os fatos a renegarem. Quantos políticos podem estar sofrendo injustiças nesses dias bicudos das delações premiadas? Seus nomes, uma vez divulgados, continuarão na execração e no conhecimento geral. Então, que se libere a divulgação, assim como se acabe com o segredo de justiça. Mas com a rápida e implacável punição para quem denegrir, mentir e inventar.

Supremo vai adotar tolerância com o caixa dois?

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Chagas

Fecha-se o círculo, importando menos o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal a ocupar as funções de relator dos processos da Lava Jato. Os mais de cem deputados e senadores, como também alguns ministros e o próprio presidente Michel Temer, comporão a chamada lista da Odebrecht, com as respectivas acusações.

A maior dúvida é saber se todos os que receberam contribuições eleitorais através do Caixa Dois responderão por corrupção e se contra eles o Supremo abrirá processos. Pela lei, ficarão sujeitos à cassação de mandato, mas sendo seu número capaz de desfigurar Câmara e Senado, a pergunta é se os doutos ministros irão agir politicamente. Traduzindo: caixa dois bastará para afastar parlamentares ou será tida como falta leve, passível apenas de admoestações?

Existem outras irregularidades, desde barganhas entre ajuda eleitoral e aprovação de medidas provisórias, até desvio de verbas públicas. Além de tráfico de influência, peculato e tantas outras.

Não demora a divulgação da lista da empreiteira, ainda que os processos devam estender-se no mínimo até o fim do ano. Deputados, senadores, ministros e ex-ministros tentarão escapar, muitos sem qualquer esperança, mas a maioria confiando em que a suprema corte venha a adotar o critério  político de só condenar aqueles efetivamente implicados na roubalheira, tolerando a Caixa Dois.

SEM EXPLICAÇÃO – Qual a explicação para as dificuldades criadas pelo presidente Donald Trump para a concessão de vistos dos Estados Unidos a cidadãos brasileiros? Adotaremos a recíproca? Torna-se necessária uma palavra do presidente Michel Temer. Quem sabe um gesto do chanceler José Serra?

Não muda nada para o cidadão brasileiro

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Charge do Glauco, reproduzida do Arquivo Google

Carlos Chagas

Até sexta-feira é provável que muita coisa aconteça: a designação do ministro do Supremo Tribunal Federal que sucederá a Teori Zavaski como relator do processo dos corruptos envolvidos com a Odbrecht e sua decisão de levantar o sigilo de seus nomes; a indicação do presidente Michel Temer para a nova vaga aberta na maior corte nacional de justiça; a eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado para os próximos dois anos; a adoção da linha de defesa de Eike Batista diante de sua prisão como parceiro do ex-governador Sérgio Cabral; a devolução ao empresário de sua peruca arrancada no estabelecimento penal a que foi conduzido.

Qual desses fatos prenderá mais a atenção do cidadão que paga impostos e vive num sufoco permanente para sobreviver?

Nenhum,é a resposta óbvia que cada um teria na hipótese de ser perguntado. Porque, fora os envolvidos nesse novo capítulo do festival de corrupção que nos assola, a consequência seria do desinteresse nacional.

PREOCUPAÇÕES – O brasileiro comum preocupa-se muito mais com o desemprego, a alta do custo de vida, a forma de sustentar a família, a falta de hospitais e postos de saúde, a violência urbana e como enfrentar os impostos crescentes neste começo de ano.

Poucos sensibilizam-se com as sucessivas manchetes de jornal que apenas confirmam o que todos sabiam: o país é esse mesmo onde vivemos. Não há como transformá-lo, mesmo sabendo que as instituições continuam funcionando do mesmo jeito de sempre.

Há uns poucos que acreditam em eleições, mas apenas para aguardar novas frustrações. Afinal, a maioria dos condenados por corrupção cumpre suas penas em casa, destino provável para a nova lista a ser conhecida em breve. Tudo continuará como antes. Melhor assim.

Quem mais perde com a prisão é o próprio Eike

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Charge do Alpino, reprodução do Yahoo

Carlos Chagas

Quem tem mais a perder com a prisão de Eike Batista? O próprio é claro, que perdeu a liberdade depois de haver perdido a fortuna. Já havia perdido a mulher e a credibilidade. Assim como perdera o amigo e cúmplice, o ex-governador Sérgio Cabral, que não quer mais vê-lo.  Depois de conduzido do aeroporto à cadeia, ontem, foi entregue à Justiça, ignorando-se por quanto tempo.

Aguarda-se para esta semana a divulgação da lista da Odebrecht, envolvendo perto de 100 políticos e parlamentares, acusados de participação no recebimento e desvio de dinheiros públicos. Responderão a processos junto ao Supremo Tribunal Federal. O presidente Michel Temer precisará provar que não cometeu irregularidades durante a campanha de 2014, junto com Dilma Rousseff.

REFORMA POLÍTICA – Cresce no Congresso, no Judiciário e nos meios frequentados por  advogados, a opinião de que no trato da reforma política, este ano, deputados e senadores deverão acabar com o chamado foro especial para parlamentares e outros privilegiados. Eles deveriam enfrentar os mesmos trâmites legais de todos os cidadãos.

Prevê-se que o julgamento dos apontados pela Odebrecht levará meses, não dispondo os onze ministros do STF de mecanismos para agir  mais rapidamente. O ex-presidente da corte suprema, Carlos Velloso, considera o foro especial um absurdo, herança dos tempos do Império e incompatível com a República.

Nenhum partido escapa da lista da Odebrecht

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Ilustração reproduzida do site Metropoles

Carlos Chagas

Tudo indica não passar desta semana a divulgação da lista da Odebretcht, elaborada a partir da delação premiada de 77 executivos e ex-executivos da empreiteira. Serão perto de 100 parlamentares e políticos envolvidos nos esquemas de corrupção do tipo recebimento de propina, doação de dinheiro irregular, negociação de projetos de lei e medidas provisórias e outras ilegalidades.

Na dependência da aceitação das denúncias, do comportamento do Ministério Público, das investigações da Polícia Federal e da abertura de processos pelo Supremo Tribunal Federal, estarão em perigo os mandatos de muitos deputados e senadores. Coisa para um tempo razoável, mas capaz de interromper a carreira política de muita gente.

Prevê-se que alguns serão condenados a penas de cadeia, outros perderão os direitos políticos e boa parte desistirá de candidatar-se em 2018. Excelente chance para a renovação, ainda que persista a dúvida: os que virão serão melhores ou piores do que se forem? Fica o vaticínio do dr. Ulysses Guimarães, de que “pior do que o atual, só o futuro Congresso”. Estrelas de primeira grandeza deverão apagar-se, tornando-se crueldade alinhar especulações que já passeiam pelos corredores do Legislativo, pois nem todas poderão materializar-se.

De qualquer forma, na maioria dos partidos se verificará a ascensão de novas figuras, que só o futuro revelará a densidade. Até de hoje prováveis aspirantes à candidatura presidencial se especula sobre a possibilidade de não passarem incólumes ao tsunami que se aproxima. Discriminar legendas será inútil, todas deverão ser atingidas.

Um exemplo a seguir

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Roberto Marinho não aceitou demitir os comunistas

Carlos Chagas

O general Juracy Magalhães deixou a embaixada do Brasil nos Estados Unidos, a pedido do presidente Castello Branco, para assumir o ministério da Justiça e editar o Ato Institucional número 2, que dissolveu os antigos partidos políticos e estabeleceu as eleições indiretas para presidente da República, entre outras monstruosidades. Estava disposto a enquadrar os jornais, que timidamente se insurgiam contra os desmandos do primeiro governo militar, e reuniu os proprietários dos principais. Apresentou-lhes uma lista de redatores e repórteres, exigindo que fossem demitidos “porque eram comunistas”. Foi quando se levantou Roberto Marinho, que tinha transformado O Globo no maior defensor da Revolução, e disse: “Olha aqui, Juracy, eu tenho muitos comunistas na minha redação, mas eles só escrevem o que eu quero. Nos meus comunistas, mando eu!”

Na mesma hora, retirou-se, para espanto dos outros donos de jornal, muitos que já estavam copiando a lista dos subversivos denunciados, prometendo demiti-los. Um dia depois, o dr. Roberto mandou convidar Franklin de Oliveira, recentemente demitido do Correio da Manhã, para tornar-se editorialista de seu jornal, apesar de  notoriamente conhecido como comunista.

Esse episódio se recorda como exemplo de que quando se resiste contra a truculência e o arbítrio, a resistência costuma vencer.

O Globo continuou apoiando a Revolução, mas os governos nunca mais pediram a cabeça de um de seus jornalistas. Até ontem, quando não existem mais generais-governantes nem comunistas…

A sombra da Esfinge

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Charge do Sponholz (sponholz.com.br)

Carlos Chagas

Apesar do sigilo imposto pelo falecido ministro Teori  Zavaski e religiosamente mantido pela ministra Carmem Lúcia, continuam sendo pinçados nomes de políticos importantes como alvo das 77 delações premiadas feitas por ex-diretores da Odebrecht.  Dentro de mais uns dias, no Congresso e na mídia, os mais de cem implicados nas denúncias serão conhecidos, iniciando-se as investigações pelo Ministério Público e a Polícia Federal e, em seguida, o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

Por nossa conta e risco, já que nada foi oficializado, vamos fixar-nos em dois deles, conforme corre na Câmara e no Senado: Eunício Oliveira e Rodrigo Maia.

Ignora-se de que são acusados, ainda que o leque esteja aberto. Caixa Dois, recebimento ilegal de recursos, dinheiro irregular, peculato e outros enquadramentos, apesar de nada estar comprovado.

O diabo é que o senador e o deputado encontram-se no meio da fogueira. São os favoritos para se tornar presidentes do Senado e da Câmara. Contam com votos de sobra para se elegerem no começo de fevereiro. Só não se sabe se antes ou depois de conhecida a lista da Odebrecht. Eleitos antes, poderão suas posses ser contestadas por seus próprios eleitores? Depois, não deixariam em má situação as respectivas casas legislativas?

MUITAS DÚVIDAS – Pode ser que se trate de injustiça, exagero ou excesso por parte dos denunciantes. Gastos de campanha, feitos de acordo com a lei, podem ser confundidos com irregularidades. Tanto Eunício quanto Rodrigo terão todas as prerrogativas para defender-se. Mas se não conseguirem? Aparecerão candidatos de última hora para substituí-los? E se forem condenados pelo Supremo Tribunal Federal?

A sombra da desmoralização paira sobre pelo menos a metade do Congresso, tornando-se uma questão de dias, quem sabe de horas, decifrar o enigma da esfinge que sobrevoa a Praça dos Três Poderes.

Falta coragem para recuperar o país

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Charge do Benett, reproduzida a Charge Online

Carlos Chagas

John Maynard Keynes deixou diversas lições sobre economia, mas uma se destaca pelo ineditismo: “Quem é capaz de melhorar a economia de uma nação tem a probabilidade inversamente proporcional de cuidar bem das próprias finanças”. Tomando-se a opinião como verdadeira, conclui-se que Michel Temer está milionário, porque mesmo auxiliado por Henrique Meirelles, o Brasil vai de mal a pior. Os governadores, então, nem se fala. Seus estados estão em frangalhos.

Não se trata de encontrar homens providenciais, magos ou feiticeiros para consertar a economia. Seria o caso de inverter a equação. O maior mal que assola o país é o desemprego. No final deste ano serão 13 milhões de cidadãos sem emprego, computados apenas os que já trabalharam e hoje se encontram de mãos abanando.

FRENTES DE TRABALHO – Franklin Roosevelt encontrou a saída para tirar os Estados Unidos do brejo: criou fontes públicas de trabalho, aos milhões. Também mobilizou as empresas privadas. Empreendeu a marcha para o interior, ampliando o crédito. E acreditou, acima de tudo. Deu certo, apesar dos sacrifícios.

Não seria um bom começo o governo enquadrar e intervir nas empreiteiras? Só o produto da corrupção e da roubalheira serviria para injetar ânimo na massa  abandonada. Qualquer parte do território nacional presta-se a programas de construção de habitações, de preferência populares.

Planos não faltam, ou pelo menos podem ser desenvolvidos. Falta coragem.

Fique de olho no céu, em 27 de setembro

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Vem aí o planeta X, mais uma ameaça celeste contra a Terra

Carlos Chagas

O Laboratório Astronômico do Vaticano acaba de confirmar: aproxima-se o planeta X, denominado de Nibiro, que de dois mil em dois mil anos visita o nosso sistema solar. Já pode ser visto atrás do sol pelos principais observatórios da terra. Chegará o mais perto da Terra a 27 de setembro deste ano. Não se encontra em rota de colisão conosco, mas vai passar perto. Sua proximidade causará profundas alterações na estabilidade do planeta, a começar pela alteração nos polos. Vamos virar de cabeça para baixo, com mudanças no campo magnético, no clima, no nível dos mares e das montanhas, além de ampla temporada de terremotos.

A recepção pelo sistema solar  do X, que aliás não é um, mas são oito, sete bem menores, já está causando alterações: os terremotos aumentaram de número e de intensidade; movimentam-se as camadas tectônicas; a seca e as enchentes se sucedem; o calor se multiplica nos trópicos, o frio nos polos.

Essas conclusões não são exclusivas para o Papa Francisco. Corre que Wladimir Putin e Donald Trump conversaram a respeito. Angela Merkel não ficou de fora. Nem aquele Fu-Manchu lá de Pequim.

FAZER O QUÊ? – Pior é que nada há para fazer. Construir bunkers e subterrâneos para acomodar a humanidade não dá. Nem uns poucos privilegiados poderiam beneficiar-se. Estocar água potável e comida seria missão impossível, em especial quando há séculos já fazem falta. Rezar é duvidoso.

A ausência de informações detalhadas sobre o cataclismo iminente faz parte da estratégia das nações. Para que levar o pânico a bilhões de seres humanos, se o resultado poderá ser o caos?  Melhor informar o mínimo possível e aguardar um milagre. Só não dá para imaginar que essas previsões façam parte de uma jogada de marketing ou de um golpe das multinacionais para enriquecer um pouco mais. Resta olhar para o céu, de preferência a partir de 27 de setembro…

Só sobrará ele?

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Charge do Paixão, reproduzida da Gazeta do Povo

Carlos Chagas

Em 1930, perguntaram ao então presidente interino da República, Getúlio Vargas, o que tinha feito para livrar-se do peso incômodo dos tenentes, que se julgavam condôminos do poder. A resposta veio rápida: “promovi-os a capitães…” Vale acrescentar que a capitães e a governadores-interventores. O episódio se conta a propósito das dificuldades enfrentadas pelo presidente Michel Temer para conviver com o PMDB. Na falta de um único líder maior, o partido pressiona o chefe do governo a todo instante. Quer mais ministérios e o controle dos principais setores da administração, bem como mandar na Câmara e no Senado e nos governos estaduais.

Para sorte de Temer, por sinal a figura mais expressiva do partido, os peemedebistas não se entendem.  Cada um tenta passar o outro para trás, sendo que alguns já se viram jogados no mar, para satisfação dos demais.

HAVERÁ CANDIDATO? – No fundo, trava-se no maior partido nacional uma luta sem quartel, diante da mais intrincada questão a envolver o partido: haverá um candidato do PMDB à sucessão de 2018? Afinal, seria direito natural a apresentação de um deles na disputa pelo palácio do Planalto. Mas qual?

Romero Jucá foi para o espaço, Geddel Vieira Lima também, além de Henrique Alves, para não falar de Eduardo Cunha, Renan Calheiros e outros.  Sobraram Moreira Franco e Eliseu Padilha, na alça de mira do conjunto.

A conclusão é de que como Getúlio Vargas impediu que todos os tenentes ascendessem ao trono, inclusive Juarez Távora, Michel Temer também afasta o PMDB. O passado sempre nos dá lições: como Getúlio manobrou e ficou, estará o atual presidente visando o mesmo objetivo? Numa palavra: sua disposição anunciada de não concorrer a um novo mandato será mesmo para valer?

Vão deixar Trump cumprir o prometido?

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Charge do Elvis, reproduzida do Humor Político

Carlos Chagas

Corre até hoje que 48 horas antes de implodir Hiroshima, os Estados Unidos derramaram centenas de milhares de cartazes alertando a população japonesa da iminência da deflagração da bomba. Era um apelo para que ninguém permanecesse na região, dispondo-se todos à rendição. Não houve quem atendesse ao aviso e a cidade virou pó, repetindo-se a situação dias depois, em Nagazaki. Rendeu-se o Japão.

Nenhum museu, nenhum arquivo americano ou japonês, mostra um só exemplar do alerta feito naqueles idos, duvidando-se até se foi verdadeiro.

Eis que o novo presidente americano, Donald Trump, anunciou em seu discurso de posse que vai extirpar o Estado Islâmico da face da terra. A televisão substituiu os impressos, com mais eficiência, mas que outra forma de extirpar uma nação existe, além da bomba?

COMO DETÊ-LO? – Terá o milionário coragem para tanto?  Haverá força humana capaz de impedi-lo, e a que custo? Por mais que pareçam animais, os integrantes do Estado Islâmico merecem ser incinerados? Suas famílias serão culpadas por seus desatinos? Sobreviveria o Oriente Médio? E o restante da humanidade?

Desenvolve-se o primeiro teste relativo à sanidade do presidente americano. Levar adiante a promessa feita no dia de sua posse, o mínimo será afastá-lo. Mas não faltarão ao seu redor vozes para incentivá-lo. Como em todos os Estados Unidos, multidões para tentar interrompê-lo. Está a um passo de iniciar a extinção da vida na terra, se cumprir o que anunciou. Vão deixar?

 

 

 

 

Os novos tempos chegaram

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Na posse de Trump, ocorreram protestos radicais

Carlos Chagas

Sexta-feira, desnudou-se a sociedade americana.     Em Washington e montes de outras cidades, o povão foi para a rua, em boa parte protestando contra a posse de Donald Trump. Muita gente apelou para a violência, quebrando vitrinas, depredando carros, jogando pedras, virando e botando fogo em latas de lixo. A polícia fez a sua parte, avançando com gás de pimenta, gás lacrimogêneo, cassetetes e ocupação das principais avenidas, além de prisões.

Demonstraram ser um povo igual aos demais, participando do inconformismo e de excessos verificados em todo o planeta. Faltava apenas a comprovação que os aparelhos de televisão forneceram nos mínimos detalhes.

Era mera ilusão, provocada pela propaganda e a truculência, supor que formavam um mundo à parte. Até porque a História tem provado serem os Estados Unidos uma das nações mais violentas do mundo, que de uns tempos para cá até guerras vem perdendo.

O novo presidente promete acelerar o processo de ebulição da sociedade que passou a conduzir, ampliando o fosso entre ricos e pobres e deixando de lado sonhos e ideais de igualdade e aprimoramento social.

O egoísmo sempre foi a principal característica dos americanos, mas agora chegou a níveis nunca antes alcançados. Há quem julgue estar próximo o rompimento social, com parte das gerações mais jovens dispostas a enfrentar a minoria voltada apenas para os próprios interesses. Deveríamos acostumar-nos a esses novos tempos.

Valeu a pena

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Sem Teori, a Lava Jato vai prosseguir

Carlos Chagas

Não dá para aceitar a suposição de ter havido um atentado, sabotagem ou coisa igual. Mesmo assim, lá no fundo do cérebro, permanecerá a dúvida. Mesmo sabendo que de nada adiantaria, pois a Operação Lava Jato dobrou a curva da esquina. Quem se tornar relator do processo estará obrigado a seguir adiante na condenação dos corruptos envolvidos no escândalo.

A vida tem dessas surpresas. De Tancredo, Ulysses e Teori, entre tantos outros, já estava escrito. Importa seguir adiante. A delação da Odebrecht não demora a ser conhecida. E outras. Tanto faz quem será  o novo relator. Ou quantos corruptos serão denunciados, dispondo ou não de foro especial. A verdade é que montes de políticos, parlamentares ou não, deixarão de ser políticos e certamente, os que tiverem sido parlamentares.

O fundamental, a partir do início da Operação Lava Jato, e tanto faz quem irá encerrá-la, é que conluio entre empreiteiras e políticos está terminado. Claro que crimes continuarão a ser praticados, ainda que em número bem menor. As estrelas de primeira grandeza se apagarão, por ação do ministro Teori Zavaski, abruptamente interrompida mas já completada em sua fase mais importante.

Agora é aguardar as investigações já iniciadas pelas autoridades competentes para apurar o acidente nas águas de Parati. Que o exemplo do morto ilustre permaneça para sempre na crônica do Poder Judiciário. Onde quer que ele se encontre, deixará marcada sua passagem com a lição de que, se a alma não é pequena, valeu a pena…

A correção no calendário da posse

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Charge do PW (pwdesenhos.com.br)

Carlos Chagas

Durante a República Velha as eleições se realizavam em março, data para comemorar a vitória do Brasil na Guerra do Paraguai, mas a posse dos eleitos só a 15 de novembro, em homenagem à Proclamação da República. Péssima escolha, pois entre a eleição e a posse decorriam nove meses. Era tempo demais para que se confirmassem os resultados e surgissem, não raro, ideias e até propostas nada ortodoxas, quando os novos donos do poder criavam novas oligarquias ou submetiam-se às anteriores.

De lá para cá testamos inúmeras datas, sendo que as atuais fixam as eleições no primeiro domingo do mês de outubro do ano eleitoral e a posse a primeiro de janeiro do ano seguinte. Menos mal, porque havendo segundo turno na maioria dos casos no último domingo de outubro, sobrarão apenas dois meses, novembro e dezembro, para o novo presidente assumir. Tempo bastante para a composição do ministério mas curto para se pensar em bobagens.

Mesmo assim, seria bom aproveitar a reforma política em curso para uma pequena mas importante correção.  Não há dia pior para posses do que o último dia do ano e o primeiro do novo. Muita gente comemora, alguns se excedem e todos se ressentem. Temos tido prova desses incômodos desde 1989, quando não apenas convidados estrangeiros deixam de vir, mas ministros já nomeados trocam os discursos pelo sono.

Seria oportuno prorrogar os mandatos por alguns  dias, sem que a mudança significasse diminuição sensível. Já se tentou, no Congresso, fixar as posses a dez de janeiro, quando todos estariam devidamente a postos, já que antecipá-las para o dia de Natal seria de mau gosto.

Pode parecer coisa de menor importância, ainda que se trate de detalhe capaz de equilibrar o humor de muita gente. Numa hora em que se trata da reforma política, seria oportuna a correção do calendário.

 

Quem ocupará o lugar de Michel, se o TSE o cassar?

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Charge do Clayton, reproduzida de O Povo/CE

Carlos Chagas

Vamos que, apenas por exercício especulativo, o Tribunal Superior Eleitoral decida mesmo considerar nulo o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2014. O mandato de Dilma já foi cassado, restaria o de Michel Temer. Ainda outro dia ele se declarou pronto para acatar  a decisão. Pela Constituição, o TSE convocaria novas eleições, desde o primeiro dia deste ano realizadas pelo Congresso. Uma segunda hipótese seria considerar eleito o segundo colocado naquele ano, Aécio Neves.

Havendo nova eleição, dificilmente o Congresso deixaria de indicar o novo presidente. É provável que seja Rodrigo Maia, se conseguir eleger-se para a presidência da Câmara. O diabo é se ele fizer parte da lista da Odebrecht. Ou qualquer outro deputado ou senador. Nessa hipótese, se não for obrigatória a eleição de um parlamentar, Fernando Henrique Cardoso e Nelson Jobim serão candidatos.  Se for, haverá que buscar um deputado ou um senador de ficha limpa. Claro que será encontrado alguém.

Mas quem? O PMDB é o maior partido nacional, capaz de selecionar um de seus líderes. Não vai ser fácil, porém, porque todo o seu selecionado joga no time da Odebrecht. Senão, na Camargo Corrêa ou outra empreiteira qualquer. O perigo é que no PSDB, os riscos são os mesmos. Aécio Neves, Geraldo Alckmin, José Serra? Muito possível que também façam parte das listas. Haverá que buscar um tucano sem mácula, mas onde?

O nó vai sendo dado, sem que ninguém se arrisque a sugerir um hipotético candidato a governar durante 2017 e 2018. Por conta disso há quem pretenda deixar as coisas como estão, permanecendo Michel Temer até o final do mandato.

 

Reduzir ou protelar a Operação Lava Jato?

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Charge da Myrria, reprodução da Charge Online

Carlos Chagas

Antes que a lista da Odebrecht seja conhecida, outra igual vem sendo preparada, a da Camargo Corrêa. Foram 77 ex-funcionários da primeira, serão 40 os da segunda, encarregados de aprontá-las. Nas duas, entre 100 e 200 políticos  denunciados em cada uma como tendo participado das propinas. Muitos relacionados duas vezes, numa e outra empreiteira.  Os que são parlamentares poderão ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal. Outros vão para Curitiba, entregues ao juiz Sérgio Moro.

A falência do sistema penitenciário se acoplará à batalha contra a corrupção. Não parece provável que os supostos condenados venham a misturar-se à massa carcerária hoje em revolta. Seria sentenciá-los a penas capitais, superiores às que devem responder. Mas criar estabelecimentos penais especiais, onde ficariam a salvo de degolas e estripações variadas, não vai dar. Uma alternativa seria transformá-los em delatores, concorrendo a cumprir em prisão domiciliar a maior parte de seus crimes, desde que reconhecidos. Equivaleria a premiá-los, como muitos já se encontram.

Por conta dessa dúvida, há quem suponha reduzir  ou protelar a Operação Lava Jato. Esticar ao máximo o julgamento dos envolvidos com a Odebrecht e a Camargo Corrêa. E outras.

Cabe ao Ministério Público e ao Judiciário decidir a sorte dos corruptos, bem como dos animais que em variadas penitenciárias são responsáveis pelo assassinato de mais cem presos, só este ano. Tomara que a ninguém seja dado imaginar a mistura de uns e outros.