Um barco à deriva

Carlos Chagas

Deve o partido conduzir o governo ou o governo conduzir o partido? Foi essa a pergunta que poucos tiveram coragem de fazer, nas eleições para a direção do PT. Unanimidade em torno de um desses pontos de vista não houve, nem haverá.

A reeleição de Rui Falcão para  presidente confirmou a prevalência da corrente que subordina o partido ao governo, com a peculiaridade de existirem duas chefias de governo. Uma, formal, expressa por Dilma Rousseff. Outra real, pelo Lula.  Para ambos, no entanto, os companheiros devem constituir  tropa a serviço do governo, quer dizer, deles.

Notícia não há de haver germinado no partido qualquer das diretrizes praticadas pelo  palácio do Planalto. Foi assim desde o primeiro dia do mandato  do Lula, como assim vem sendo no período Dilma,  mesmo em condomínio com o antecessor.  Rui Falcão acopla-se ao modelo que subordina o PT ao governo.   Tarso Genro lidera pequena facção discordante, mas ironicamente segue no  Rio Grande do Sul a mesma prática. Lá, o partido  presta vassalagem ao governador.

Só por milagre essa equação se inverterá, importando menos a existência de outros partidos além do PT formando  na base do governo. Eles também se encontram prisioneiros da  dupla Dilma-Lula  quando se trata de definir políticas públicas e programas de ação.  Perderam até a compostura, empenhados apenas em ocupar ministérios e altos cargos na administração. Seus próprios ministros carecem de iniciativas para gerir os respectivos setores. Da mesma forma como os ministros  do PT.

VARGAS

Terá sido Getúlio Vargas, quando escolhido para governar o Rio Grande do Sul, que quebrou  a prevalência do partido  sobre o governo. Quando o chefe inconteste da política gaúcha e seu antecessor, Borges de Medeiros, apresentou-lhe uma lista com os nomes para as diversas secretarias de estado, o futuro presidente da República atalhou: “dr.Borges, o senhor manda no partido, mas quem escolhe os secretários é o presidente do estado)”.

De lá para cá, o personalismo dos governantes ocupou todos os  espaços partidários. Mesmo com o retorno à democracia,José Sarney conseguiu livrar-se gradativamente da tutela do PMDB, melhor dizendo, de Ulysses Guimarães. Uns com menos jeito, como Fernando Collor, outros mais jeitosos, como Fernando Henrique, todos demonstraram que os partidos não impunham diretrizes nem tinham nos presidentes seus serviçais. Muito pelo contrário.

Presumindo-se conforme as pesquisas o segundo mandato de Dilma, nada vai mudar. O PT continuará a reboque, esquecido de seu programa e das antigas propostas dos tempos em que era oposição. E cada vez mais parecido com os demais partidos que um dia desprezou, voltado para a ocupação de fatias não propriamente de poder, mas de benesses. À maneira dos outros, um barco à deriva ou, no mínimo,   ligado ao  rebocador por uma corda.

O casamento da censura com a propaganda


Carlos Chagas

Pacifista extremado, inimigo de todo tipo de militarismo, Bertrand Russell chegou a ser duas vezes confinado pelo governo inglês por opor-se às guerras de 1914-18 e 1939-45.  A primeira  num quarteirão em Londres, a outra na Escócia. Era socialista.

Viajou à União  Soviética nos primeiros anos do regime comunista e deparou-se com a férrea censura à imprensa  e à liberdade de manifestação do pensamento. Mais o monopólio  da propaganda pelo governo bolchevique.  De volta à Inglaterra, irritado, escreveu que os russos mais felizes  eram os analfabetos, aliás, naqueles idos a maioria, “porque a capacidade de ler, naqueles tempos de jornais subsidiados, era um obstáculo à aquisição da verdade”.

Não vamos chegar a tanto,  o analfabetismo existe no Brasil atual, até em índices maiores do que há décadas atrás, mas nossos   analfabetos, mesmo sem ler jornal, submetem-se a dois fatores iguais e  mais sofisticados com os criticados pelo genial matemático e filósofo. Fala-se  da censura e da propaganda.  Não a censura policial de tempos atrás,  sequer  da propaganda dos governos, que obviamente existe. A realidade atual é   sutil e perversa.

Surge muito mais profundo o risco enfrentado não apenas pelos analfabetos, mas por toda a população, diante dessa sofisticada manipulação imposta pelas elites.

Primeiro a censura, praticada com a cooperação dos próprios  meios  de comunicação: suprimiu-se, se é que algum dia existiu, o debate a respeito do que seria uma sociedade evoluída   e organizada através da própria organização e evolução do indivíduo. Estabeleceram-se padrões que a mídia não contesta, mas, pelo contrário, integra-se neles. Lemos nas folhas e assistimos nas telinhas, agora telões, ser a livre competição a razão principal de nossas vidas.  Obriga-se a todos considerar o vizinho do lado um adversário. O resultado é que as elites transformaram nossa existência num  campo de batalha onde, não por coincidência, vencem sempre o mais forte e  o mais esperto, sob a empulhação de que  todos são livres para competir. Mentira, a competição se fere entre  cartas marcadas.

Quanto à propaganda, serve para alimentar a farsa. Melhor para o cidadão sonhar com a  troca anual  de carro, a maioria sem poder, ou entregar-se à pirataria das facilidades bancárias, ou a comidas e remédios maravilhosos   do que dedicar recursos e tempo, também quando pode e possui,  para construir uma sociedade mais justa. Para instruir-se, instruir os filhos e meditar sobre os princípios e os fins de todos nós.

E nem adianta imaginar que seríamos mais felizes se fôssemos analfabetos. O casamento da censura com a propaganda gerou essa ilusão que sufoca  o ser humano e impede a sociedade de alcançar suas possibilidades ideais. Um dia, quem sabe…

O Brasil e o futuro

Carlos Chagas

Sem dúvidas, cada um à sua maneira, estão se mostrando  os candidatos presidenciais às eleições do próximo ano. Aécio Neves e Marina Silva por exemplo, através de artigos semanais na imprensa, entrevistas e pronunciamentos. Eduardo Campos prefere inaugurações em Pernambuco  e conversas com empresários, em São Paulo. José Serra opta por visitas a municípios do interior de São Paulo e encontros  com parlamentares tucanos, em Brasília. A todos a imprensa escrita  dá cobertura, apesar do pouco caso das emissoras de rádio e televisão, mais preocupadas em captar audiência através do noticiário policial.

É bom não esquecer que a presidente Dilma desenvolve sua campanha através de ações de governo, tendo adotado a prática de duas viagens pelo país a cada semana. O Lula continua falando pelos cotovelos, mesmo para dizer que só se candidatará em 2018.

Mesmo assim,  falta a todos, mesmo à presidente da República, um programa organizado. Um elenco ordenado de conceitos e de propostas capazes de defini-los.   Pílulas são espalhadas todos os dias, mas já era hora de os pretendentes a subir a rampa do Planalto ou a ficar lá em cima terem divulgado sua visão do Brasil e de suas  necessidades nacionais futuras. Não se trata de esperar tratados sociológicos ou geopolíticos, mas de conhecer de forma sistematizada o roteiro de pensamento e de ação de cada um, para o caso de vitória. Questões fundamentais são tratadas de forma atabalhoada ou não são tratadas.

Desnecessário se torna dar grandes  exemplos do vazio que cerca os candidatos. Até agora, carecem de ideologia, doutrina ou filosofia na definição de suas políticas. Mesmo Dilma continua devendo esclarecer que posição ocupa no cenário: neoliberal, estatizante ou misturando quantidades distintas e conflitantes? Qual o socialismo de Eduardo Campos? Marina Silva manteria o ambientalismo separado da necessidade do desenvolvimento? Aécio Neves e a política social serão realidades antagônicas? José Serra exerceria o poder público para conter a ambição dos bancos?

Tardam as definições, ainda que a  onze meses da eleição e sem a designação formal de nenhum dos candidatos pelos respectivos partidos. Não se trata de levar o eleitor, desde já, a fazer sua escolha, mas de municiar os diversos grupos, conglomerados e corporações nacionais sobre o conhecimento dos planos de cada candidato  para o  futuro. É bem verdade que em todas as eleições os candidatos prometem muito, mentem mais ainda e pouco se lembram de suas definições de campanha. Mas seria bom que pelo menos desta vez, já que começaram cedo demais, pudessem ajudar a esclarecer para onde vamos.

HORÁRIO MALFADADO

Há dias que sofre a população do Sul, Sudeste e Centro-Oeste por conta desse absurdo horário de verão a dividir o país pela metade, já que o Norte e o Nordeste rebelaram-se e não aceitam,  há alguns anos, adiantar o relógio por uma hora.

Não vale à pena, hoje,  ficar repetindo argumentos tanto biológicos quanto psicológicos dessa imposição feita sem consulta aos interessados, registrando-se  apenas o ridículo da mudança. O historiador do futuro, empenhado na crônica dos presidentes da República, estranhará que  na sexta-feira, 1 de novembro, Dilma Rousseff saiu de Brasília às 8.30 horas e chegou em Salvador às 9 horas. Maravilhas da tecnologia aeronáutica, um novo  avião presidencial? Terá um nó no cérebro esse nosso longínquo descendente, porém,  quando notar que a presidente deixou a capital baiana às 12.30 horas e só chegou à capital federal às 15 horas. Defeito num dos motores?

Cotas para lourinhos?

Carlos Chagas

Todo  mundo aplaudiu quando Jânio Quadros, naqueles tumultuados  sete meses em que exerceu a presidência da República, nomeou um negro para embaixador do Brasil num país da África. Carlos Lacerda foi o único a protestar, lembrando estar vaga nossa embaixada na Suécia: “vão nomear um lourinho para Estocolmo?”

Repete-se agora a situação. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara acaba de aprovar a cota de um quinto das cadeiras da casa para, obrigatoriamente, serem ocupadas por deputados negros. Parece difícil que o plenário vote em favor dessa proposta de emenda constitucional, diante do risco de projetos serem apresentados para também  beneficiar descendentes de japoneses, índios, cafusos, quilombolas e, em seguida, gays e até black-blocs.

Todas as categorias raciais  tem direito a representação no Congresso, mas desde que amparadas pelo voto popular. A propósito,  lembra-se o episódio da queixa do primeiro-ministro do Japão ao todo-poderoso interventor, general MacArthur, logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial. O japonês queria providências para cassar o  mandato de uma prostituta pouco antes eleita para a Dieta japonesa. O general indagou quantos votos a deputada havia recebido e ouviu que tinham sido mais de 200 mil. Sua decisão foi de respeitar a vontade do eleitorado, acrescentando: “clientela fiel ela possui…”

O Brasil resgatou, ainda que em  parte, a dívida para com os cidadãos de cor negra, durante séculos submetidos à escravidão: foram   estabelecidas cotas  para eles ingressarem nas universidades. Muito mais precisará ser feito para a  conquista  da igualdade econômica e  social. Mas levar essa preocupação ao Congresso significa agredir o livre direito do voto. Representantes do povo devem ser os mais votados, discutindo-se ainda agora o fim das coligações partidárias, responsáveis por levar à Câmara candidatos com menos votos do que outros derrotados.

A Constituição de 1934, por sinal democrática, oriunda de uma Assembléia Nacional Constituinte, estabeleceu a chamada representação classista para a Câmara dos Deputados. Entidades  representativas de  patrões e empregados apresentaram  candidatos que não foram  submetidos ao voto. Assumiram suas cadeiras. Logo veio o golpe de 1937 e não tivemos mais Congresso. De lá para cá, a idéia felizmente  foi rejeitada.  Acaba de dar filhotes, mesmo sob forma diferente, ainda que o resultado final venha a ser o mesmo: deputados sem representatividade.

A PALAVRA EXATA

Para o senador Pedro Simon, não há que evitar a palavra certa: os black blocs que atormentam as principais cidades do país são, sem tirar nem pôr, terroristas. No 11 de setembro, nos Estados Unidos, os dois aviões lançados contra as torres gêmeas levavam, cada um,  30 mil litros de combustível. O resultado todo mundo viu.  Pois esta semana os black blocs apoderaram-se de um caminhão tanque,  numa rodovia paulista, e por pouco não o explodiram. Qual a diferença?

Disse o representante gaúcho que em junho 90% da população brasileira apoiou as manifestações de rua contra a má qualidade de vida existente no país. Hoje, esse mesmo percentual traduz o repúdio nacional contra os vândalos que, de cabeça coberta, dedicam-se a depredações e roubos. Os black blocs mataram o  movimento democrático da juventude. Enquanto isso, a polícia só assiste a baderna. Ainda bem que na véspera o ministro da Justiça havia se reunido com os secretários de Segurança do Rio e de São Paulo para acertar providências.  Mesmo com atraso, não pode haver contemporização com os mascarados, que são terroristas, disse Pedro Simon, ontem, da tribuna do Senado.

 

A rolha no gargalo da garrafa

Carlos Chagas

O Lula admitiu candidatar-se à presidência da República em 2018, “se os adversários continuarem a encher-lhe o saco”.  Como acaba de completar 68 anos, seria eleito com 73. Nada demais no mundo de hoje, em  termos de preservação de saúde, apesar do alerta que nossa história recente registrou: Tancredo Neves elegeu-se com 76 anos e o processo político deu no que deu.

Existe, é claro, o reverso da medalha. Konrad Adennauer reconstruiu a Alemanha aos 80 anos.  Winston Churchill salvou a Inglaterra pouco antes de completar 70 e, além disso, voltou a ser primeiro-ministro aos 73.

Nada haveria a opor à idade do suposto candidato, já que surpresas  acontecem até com criancinhas e tendo em vista o vertiginoso avanço da Medicina.   O problema da nova candidatura Lula é outro. Ainda há dias, num pronunciamento polêmico, ele recomendou renovação ao PT. Exortou para o aparecimento de novos líderes entre os companheiros, inclusive para disputarem as eleições do ano que vem. Sua volta ao poder em 2018 não seria propriamente uma renovação no partido. Mais uma vez, a rolha no gargalo da garrafa impediria o conteúdo de expandir-se.                                         

Apesar disso, dúvidas inexistem: caso não sobrevenham inusitados, o Lula se elegeria daqui a cinco anos, como também no ano que vem. É a certeza da excelência eleitoral apregoada  no rótulo de qualquer pesquisa que venha a ser feita.

O PERIGO DA AUTONOMIA

Por iniciativa do senador Renan Calheiros, volta ao debate a questão da autonomia do Banco Central. O senador Francisco Dornelles apresentou proposta da emenda constitucional desvinculando a política cambial do restante da política econômica do governo. Foi generoso, dando ao presidente da instituição e seus diretores mandatos de seis anos, renováveis por mais seis. Doze anos na condução dos negócios ligados à moeda seriam mais do que suficientes para sustentar a unidade de uma programação, sem interferências externas.

O problema da autonomia  do Banco Central não é esse. É outro que envolve o desdobramento do projeto atual. Porque para o senador Dornelles, o presidente da República continuará nomeando o presidente do BC e seus diretores, submetendo seus nomes ao Senado, para aprovação. Logo surgirão adendos e acréscimos em nome da “verdadeira” autonomia, expressos pela importância de afastar definitivamente o governo da política cambial. Outros senadores proporão, agora ou mais tarde, que os ocupantes desses  cargos venham a ser designados por indicação exclusiva da categoria. Qual? A dos banqueiros…

É BOM PARAR

De vez em quando os exageros se multiplicam.  Tudo bem que o governo tenha proposto e o Congresso, aprovado, as cotas raciais para estudantes universitários. Quinhentos anos do horror da escravidão e de suas consequências  não se apagam da noite para o dia. O número de negros que agora tem acesso ao ensino superior só dignifica a nação e aprimora a sociedade.  Mesmo o estabelecimento de cotas para mulheres ocuparem cadeiras no Parlamento  resgata  séculos de opressão contra o sexo feminino.

Agora, determinar que um quinto das vagas na Câmara, Senado, Assembléias  Legislativas e Câmaras de Vereadores destinem-se  cidadãos de cor  negra, é um pouco demais. Interfere no direito de livre escolha do eleitor em seus candidatos.  E o pior é se a moda pega: logo surgirão projetos determinando cotas para descendentes de japoneses, de escandinavos, quem sabe de gays e até de black-blocs. Melhor seria deixar a democracia desenvolver-se naturalmente…

FALTARAM DOIS

Tomara que produza resultados o encontro de ontem entre o ministro da Justiça e  os secretários de Segurança do Rio e São Paulo. São necessárias medidas novas e urgentes para interromper o ciclo de barbaridades verificadas nos dois estados sob a capa de protestos corporativos. Só que na reunião referida faltaram dois personagens: os governadores Geraldo Alckmin e Sérgio Cabral. Ou não será deles a responsabilidade maior pela preservação da ordem em seus territórios? 

A presença de dois Lulas


Carlos Chagas

Recebido com tapete vermelho, loas e fanfarras em Brasília e especialmente no Congresso, o Lula emitiu com precisão uma série de conceitos sobre a Constituição e a passada Assembléia Constituinte,  mas botou tudo a perder em termos de lógica e de bom-senso quando misturou juventude, política, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e imprensa. A impressão que se teve foi de dois Lulas: um ameno, preciso  e portador de inequívocos conhecimentos e de inconteste liderança popular; outro destemperado, mesquinho e desinformado.

Na segunda parte, começou criticando a juventude, que para ele despreza a política por não haver lido as biografias de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek. Se os moços  conhecessem a História,  estariam elogiando a política. Em seguida verberou a imprensa,  “que avacalha a política”.  Acrescentou que negar a política é praticar a ditadura.

Não é nada disso.  Se os jovens desprezam a política, será por conta dos políticos, não da imprensa, que também podem desprezar. Quem “avacalha” a política não são os meios de comunicação,  mas quantos fazem da política uma gazua para assaltar o poder público. Getúlio, no período em que foi ditador, censurou a imprensa com crueldade igual à dos  militares, anos depois. Foram eles que negaram a política e praticaram a ditadura. Jamais a juventude e muito menos a imprensa.  Ressalva se faça a Juscelino, que não censurou e tornou-se grande exemplo de presidente cultor da  democracia.

A gente fica pensando sobre as causas dessa raiva permanente manifestada pelo ex-presidente contra a mídia, já que dela se valeu para chegar ao poder. Claro que sofreu injustiças por parte de jornais, revistas, rádios e televisões,  antes e depois de seus oito anos no palácio do Planalto, mas onde estaríamos caso tivesse seguido o conselho de alguns companheiros para estabelecer a censura? 

A política a que o Lula se refere será a do mensalão? Do fisiologismo a que se dedicou, herdado pela Dilma, trocando ministérios por apoio parlamentar e privilegiando nulidades?

Perdeu o primeiro-companheiro excelente oportunidade de ficar calado, abreviando suas declarações repetitivas e injustas contra a imprensa, acrescidas agora de ampla confusão a respeito da política e das ditaduras. Como falou estar pronto para concorrer em 2018, é bom tomar cuidado… 

CARTAS MARCADAS

Seis companheiros disputam a presidência nacional do PT, dos quais cinco criticam o governo Dilma e querem Lula de candidato, no próximo ano. Apenas um apóia a reeleição da presidente, precisamente aquele que vencerá a consulta, o atual presidente Rui Falcão. Tem-se a impressão de um jogo de cartas marcadas, com cinco jogando para a plateia e um  interessado em aumentar seus cacifes, tudo engendrado pelo Lula. Sempre ficará aberta uma porta, na hipótese de sobrevirem inusitados diante da conquista do segundo mandato de Dilma.

ANTES TARDE DO QUE NUNCA

Decidiu o ministro da Justiça promover ainda hoje um encontro entre os secretários de Segurança do Rio e de São Paulo, mais autoridades federais. A proposta é elaborar um plano capaz de interromper o festival de depredações encenado pelos animais do black-bloc, que apesar de repudiados pela população dos dois estados, só fazem aumentar o ritmo da bagunça. Sempre será possível prever com algumas horas de antecedência  onde esses vândalos vão aparecer, mas mesmo admitindo-se a falta de estruturas de inteligência das respectivas polícias,  fácil parece identificar os baderneiros em meio à baderna.  Mais fácil ainda, cercá-los e prendê-los. O problema é não soltá-los.