Nem Aécio nem Geraldo

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Geraldo Alckmin e Aécio Neves se odeiam e fingem que se amam

Carlos Chagas

A historinha merece ser recontada. Agripino Grieco era e continua sendo o maior crítico literário da língua portuguesa. Durante vinte anos cortava o cabelo num mesmo barbeiro de seu bairro. O “fígaro” tinha pretensões e passou anos pedindo ao cliente para fazer a revisão dos originais de uma obra de sua autoria destinada a suplantar Machado de Assis. Grieco declinava sempre, mas no fim não teve mais desculpas quando o inédito autor pediu-lhe que ao menos sugerisse um título. Aceitou, mas para continuar não lendo o manuscrito, indagou:

– “O seu romance tem trombones?”

– “Não”

– “E trombetas?”

– “Também não.”

– “Então aí está o título: Nem trombones nem trombetas…”

TEMER INDECISO – Pois é. O presidente Michel Temer continua e permanecerá indeciso até quase o final de seu mandato, sem candidato à própria sucessão. Desconversou quando, semana passada, manteve demoradas reuniões, em separado, com Aécio Neves e com Geraldo Alckmin. Não se comprometeu com o senador ou com o governador. Vai uma sugestão.  Quando perguntarem, afinal, qual o seu preferido, poderá sugerir a  sua preferência: “Nem Aécio nem Geraldo”. Poderá acertar quem responder “José Serra”…

O atual ministro das Relações Exteriores trabalha para não ser ultrapassado pelos dois tucanos.  Esboça uma equação capaz de ser costurada acima e além do PSDB, pois também fincada no PMDB, que por sinal não tem candidato. Os dois partidos, se unidos, formariam uma força considerável. Claro que dependendo de uma série de arranjos por enquanto apenas imaginados. Primeiro, que a retomada do crescimento econômico dê certo, coisa que necessitaria da colaboração de Henrique Meirelles, mas jamais a ponto de incluí-lo na lista dos presidenciáveis. Depois, 2017 precisaria ser um ano de conquistas na política externa, setor até agora afastado das preocupações do governo. Haveria, também, o fator Trump, por enquanto desconhecido.

Em suma, a concluir inicialmente está a realidade de que José Serra está no páreo e precisa cultivar o PMDB. Afinal, foi fundador do MDB…

A confusão é geral na expectativa de 2018

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.blogspot.com)

Carlos Chagas

Rodrigo Maia era para ficar três meses incompletos como presidente da Câmara, vai ficar até 2019. Eunício Oliveira presidiria o Senado até 2022, está a um passo de não presidir nada. Assim se desenvolvem as articulações partidárias no Congresso. O que vale na véspera deixa de valer no dia seguinte. Dos grandes partidos, o PSDB tem três candidatos presidenciais, ao tempo em que o PMDB não tem nenhum. O PT só tem o Lula, mas para o Lula não há certeza de ter o PT. Sequer dispõe da garantia de tornar-se o novo presidente do partido.

A confusão é geral, apesar de Geraldo Alckmin admitir voar do ninho tucano, deixando Aécio Neves sem plano de vôo e José Serra confiando em que sempre poderá concorrer ao governo de São Paulo.

Ronaldo Caiado busca recuperar o tempo perdido para Jair Bolsonaro, e Ciro Gomes dispõe-se a ultrapassar Marina Silva como primeiro movimento num tabuleiro indefinido. Diversas pequenas legendas oferecem-se a Joaquim Barbosa, enquanto Álvaro Dias procura ganhar terreno no PV. Michel Temer afasta a hipótese de disputar a reeleição, que a Constituição permite, mas ignora o que fazer com o PMDB.

Em suma, importa repetir, a confusão é geral, em meio a dúvidas relativas à recuperação da economia, que por enquanto ganha as profundezas.

O Paes escapou, o Vaz não foi encontrado

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Erro de datilografia evitou a cassação de Paes de Andrade

Carlos Chagas

Declarou o presidente Michel Temer, numa espécie de presente de Papai Noel, que não pretende reformar o ministério. Em especial para Eliseu Padilha, disse que não pensa em demiti-lo da chefia da Casa Civil. Em política, essas afirmações costumam mudar, de acordo com as contingências, mas às vezes também se confirmam. Nem Temer detém a chave do futuro, nem Padilha é senhor do amanhã. No Dia do Natal, ficou tudo estava. Quando chegar o Ano Novo, ninguém sabe.

Fica claro, porém, que a lista da Odebrecht vem por aí. O chefe da Casa Civil já foi referido como inserido na relação dos ministros incluídos nas propinas distribuídas pela empreiteira. Seu nome poderá ser incluído ou não nos processos do Supremo Tribunal Federal. Saberemos em poucos dias.

Perto de 200 políticos não têm dormido bem, neste final de ano. Claro que muitos escaparão das penas da lei, mantendo seus mandatos, mas quantos acabarão fulminados?

Jamais o país viveu um final de ano como o atual. Nem um começo como o que se aproxima. Há muitas décadas, deputados, senadores, ministros e ex-ministros enfrentaram período igual. Era assim às vésperas da divulgação das listas de cassação pelo regime militar.  Naqueles idos, com raríssimas exceções, não se viam banidos da vida pública por crimes de corrupção. Era por subversão, prática impossível de ser demonstrada. De vez em quando os algozes incorriam em erros que seria m cômicos se não fossem trágicos.  Certa feita cassaram e suspenderam os direitos políticos de um tal Deputado Antônio Vaz de Andrade. Esse nome não constava da relação da Câmara Federal, e o deputado Paes de Andrade escapou para depois presidir o MDB e a própria Câmara. Nenhum dos ministros que eram deputados disse uma palavra, festejando todos aquela alforria inusitada. Quem sabe algum ministro do Supremo Tribunal Federal possa festejar situação semelhante?

Eleições ou depredação, no Natal do desespero

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Charge do Marco Jacobsen, reprodução do Arquivo Google

Carlos Chagas

Sem ter recebido o mês de novembro, muito menos o 13% salário, os funcionários públicos do estado do Rio de Janeiro ficaram, desde ontem, sem a cesta básica. Belo Natal estão comemorando, celebrado literalmente a pão e água, defronte ao palácio do governador. Pelos poucos que tiveram a felicidade de consumi-los.

A gente se pergunta quando virá a depredação das estruturas oficiais, que não tarda. No complexo penitenciário de Bangu, onde se encontra o casal de bandidos que já governou o estado? Diante do palácio Guanabara, de onde governou a Princesa Isabel, hoje gabinete do Pezão? Na Assembleia Legislativa ou em Copacabana, palco das manifestações populares por enquanto pacíficas?

Não dá para entender como o Rio transformou-se em conglomerado da miséria. Ou entendemos muito bem. Pior estarmos falando de um retrato do Brasil, com muito mais de 12 milhões de desempregados. Breve o povo reivindicará o que é seu. Uma cidade em chamas, ou melhor, todas as cidades, estados e enfim o país.

NÃO É SINISTROSE – Pensam tratar-se de sinistrose? De péssimos e ilusórios devaneios de horror? Nem pensar.  O caos se organiza milimetricamente a partir do vazio das elites. Tiveram oportunidade de evitá-lo. Não quiseram ou não puderam. Antes da implosão virá a desagregação, importando menos se o rastilho começará no Rio, em Brasília, em São Paulo ou em qualquer outro centro ou periferia. A verdade é que com Michel Temer não dá, como não deu com Dilma, Lula, FHC e antecessores.

Tem saída? Tem. A começar por imediatas eleições gerais. De preferência proibindo-se reeleições de toda espécie, de vereador a presidente da República. Sem partidos, nem cartões de crédito. Quem sabe, sem bancos?

No Brasil, Papai Noel virá de carroça

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

Papai Noel, hoje, não virá de trenó, puxado por renas reluzentes e cercado por centenas de criancinhas, cada uma com seu presente. Chegará de carroça, conduzida por um burro. E sem os presentes desejados. Para Michel Temer, trará um saco vazio, com a recomendação de preenchê-lo com promessas de emprego capazes de aparecer dentro de um ano.

O Lula receberá o diploma de candidato sem seu nome inscrito no envelope. Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra vão ganhar a mesma mensagem desenhada a carvão: “Insista, não desista”. Ciro Gomes, o número “2022”, e Ronaldo Caiado, a imagem de uma fazendinha em chamas. Para Jair Bolsonaro, um soldadinho de chumbo, Marina Silva, uma placa dizendo “Menina não entra”. Joaquim Barbosa, uma toga com os dizeres “Tente outra vez”.

Para pelo menos 200 deputados e senadores, os presentes são certificados de dispensa do exercício parlamentar, e a um número ainda desconhecido de ministros e ex-ministros, diplomas de conclusão do curso de mestrado em corrupção.

Mais triste nessa nova incursão do Papai Noel será o seu uniforme. Em vez de vermelho, preto. Quando sua carroça estiver sobrevoando a Praça dos Três Poderes, é provável que caia uma dessas tempestades de verão. Só que em vez de água, cairá do céu um líquido viscoso e mau cheiroso, responsável por matar a grama, as árvores e os jardins. No próximo Natal, quem sabe floresçam rosas. Ou cravos de defunto?

Falta um número na relação criminosa da Odebrecht

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Chagas

 

Dias atrás a Odebrecht pediu homéricas desculpas ao público por haver distribuído propinas a políticos, partidos, governos e administradores do Brasil e de mais onze países das Américas e da África. Foi preciso que esta semana o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgasse o total do dinheiro podre destinado pela empreiteira a um monte de clientes nacionais e internacionais. Por enquanto, um bilhão de dólares reconhecidos.

Fica faltando o número-chave correspondente a esse que foi, segundo os americanos “o maior caso de pagamento de suborno da História”: quanto a Odebrecht lucrou com a distribuição do suborno?

E O LUCRO ILEGAL? – Porque nem é preciso argumentar: toda empresa que investe, em especial ilicitamente, tem um único objetivo, o lucro. Se gastou um bilhão de dólares subornando todo tipo de agentes públicos, quanto terá faturado em contrapartida? Dois bilhões?  Três ou quatro?

A essa trama agora revelada por completo falta o principal: a empreiteira, e outras também envolvidas na mesma prática, lucraram horrores. Onde estão esses recursos? Não terão saído pelo ralo aberto com as investigações e delações, pelo menos na sua totalidade. Em parte estarão aplicados, depositados ou rendendo juros e sucedâneos. Enriqueceram o patrimônio de seus dirigentes e responsáveis e não se tem notícia de devoluções.

As empreiteiras valeram-se de leis, medidas   provisórias e toda sorte de instrumentos votados pelos beneficiários das propinas, parlamentares e políticos. Daí a origem de seus lucros ainda não contabilizados. Portanto, falta um número na relação criminosa.

2017 será diferente, mas como será 2018 ?

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Charge do Pelicano (pelicano.cartum.net)

Carlos Chagas

Talvez o ano não termine antes do vazamento de mais algumas trapalhadas, com a indicação de seus autores, pinçados das delações premiadas de 77 diretores e ex-diretores da Odebrecht. Não há sala blindada e trancada no Supremo Tribunal Federal que consiga guardar todos os segredos das acusações.

Conhecidos agora ou em janeiro mais alguns personagens da roubalheira, a conclusão é de que perto de 200 parlamentares andam sem dormir ou dormindo mal, neste fim de ano. Nem todos que são objeto das delações premiadas perderão o pescoço, mas o percentual incomoda. O dinheiro podre da empreiteira movimentou o bolso de muita gente e a menos contundente das punições será devolver o dinheiro roubado. Pior acontecerá com os que tiverem seu futuro interrompido, proibidos de candidatar-se em 2018. Uns que pretendiam subir de patamar, candidatando-se a governador e até a presidente da República, outros à reeleição.

GUILHOTINA – De um total de 513 deputados e 81 senadores, quantos serão processados e perderão seus direitos políticos? Mais importante, quantos serão rejeitados pelo eleitorado, mesmo conseguindo escapar da guilhotina?

Prenuncia-se uma renovação forçada de parte do atual Congresso, sem a garantia de que os eleitos cederão à tentação de enveredar pelo mesmo caminho do atingidos. A ninguém será dado concluir que o país vai mudar completamente, que a longa temporada de corrupção estará encerrada. O ano em vias de começar não se livrará de malfeitos peculiares ao tempo que passou. Mesmo assim, passos fundamentais terão sido dados, em matéria de mudanças. 2017 será diferente de 2016. Mas 2018?

A hora de quem trabalha em transportes públicos

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Charge sem assinatura (Arquivo Google)

Carlos Chagas

A partir de hoje, e até o dia 2 de janeiro, tudo funcionará no País em meia intensidade. Na indústria, no comércio, nos serviços, a sociedade restringirá parte de seus esforços, adotando apenas um pedaço de seu potencial na produção de obrigações e deveres rotineiros. Nada haverá que criticar. O Natal, assim como o Ano Novo, pouco depois, incluem-se naqueles dias em que por motivos menos religiosos e mais necessários à sobrevivência, a cada cidadão e a cada família é concedida uma espécie de refrigério em meio   ao sacrifício permanente do ano inteiro.

Há, no entanto exceções. Certas atividades impõem redobrado vigor, dadas as contingências da vida. Os trabalhadores nos transportes públicos, por exemplo. Condenam-se a maior empenho na execução de suas tarefas. Enquanto pais, filhos e amigos aproveitam as horas de lazer para recarregar a baterias, seja esperando Papai Noel ou preparando as ceias e festejos que os parcos salários permitem, esses sacrificados funcionários encarregados de transportar a população desdobram-se em permanentes atividades suplementares. Na faina de assegurar transporte ao povo em festa, enfrentam duplas jornadas nos trens, ônibus, metrôs, navios, aviões, taxis, restaurantes e atividades similares, para sustentar a massa afinal satisfeita.

SACRIFÍCIOS – Dirão muitos que em cada profissão e em cada período da vida em sociedade essas situações se repetem, sacrificando-se uns em prol do conjunto.

O problema é que agora, às vésperas do Natal e do Ano Novo, a vez é dos trabalhadores em transportes públicos e penduricalhos. A hora seria de compensações. Que tal duplicar-lhes os salários, nesses períodos, oferecendo a justa retribuição pelo sacrifício que há décadas sofrem sem nenhuma contrapartida? Eis o início de uma reviravolta capaz de inaugurar novos tempos nessa quadra em que ao trabalho nada se concede.

Como dizia Dr. Ulysses, pode ficar pior…

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Charge do Fraga, reproduzida do Arquivo Google

Carlos Chagas

O procurador Rodrigo Janot entregou ontem ao Supremo Tribunal Federal o conteúdo das delações premiadas feitas por setenta e sete diretores e ex-diretores da Odebrecht. Trata-se da maior peça acusatória já encaminhada à mais alta corte nacional de justiça, envolvendo ministros, ex-ministros e políticos de diversos partidos que receberam propina da empreiteira para defender seus interesses no Congresso e fora do Congresso. Houve vazamento de algumas acusações que chegaram a atingir o presidente Michel Temer, os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, o ex-ministros Geddel  Vieira Lima e  Romero Jucá, além de Renan Calheiros e Rodrigo Maia, presidentes do Senado e da Câmara. E muitos outros políticos.

Apenas após o recesso do Judiciário, em fevereiro, o ministro Teori Zavascki, relator dos processos da operação Lava Jato, opinará a respeito da homologação dessas delações premiadas. Muito tempo vai passar até que se apure a participação dos mais de acusados. Apesar disso, a simples menção de nomes de políticos irá deixá-los sob suspeição, com reflexos em seu futuro. Embora as próximas eleições só devam acontecer em 2018, a maioria deles vive desde já um prolongado inferno zodiacal. Assiste-se a preliminar de uma renovação do quadro político, ainda que se possa temer a emenda ficar pior do que o soneto, ou seja, de os eleitos superarem os excluídos em matéria de corrupção.

A concluir está o vaticínio do dr. Ulysses: pior do que o  atual Congresso, só o próximo…

O problema de Joaquim Barbosa é se livrar dos políticos

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Charge do Frank, reprodução de A Notícia

Carlos Chagas

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, voltou à lista de possíveis candidatos presidenciais para 2018. Está nas especulações, ainda que se ignore por qual partido. Possivelmente um dos pequenos, ainda que origens partidárias seja o que menos interessa. No caso de aceitar a disputa, seu maior cacife será de sua relação direta com a opinião pública, favorecida pela rejeição do eleitor comum a todo o tipo de políticos profissionais.

Sendo assim, Barbosa começará diante de amplos obstáculos erigidos pela ortodoxia partidária. A menos, é claro, que alguma legenda importante se acople ao sentimento nacional de repúdio à esfrangalhada situação de todos os partidos e aceite ficar de cócoras diante do novo poder.

Será sempre bom atentar para o fato de que se o ex-presidente do STF se apresentar, será para implodir o quadro partidário.

ESTRUTURAS – O problema é que mesmo desgastados, os partidos detém as estruturas institucionais. Alguns se disporão a identificar Barbosa como a forma de continuarem no jogo político, candidatos a condôminos de seu hipotético governo. Resta saber se o suposto candidato aceitará essa presença incômoda e prejudicial a uma administração independente e contrária à prática a que nos acostumamos há décadas.

Numa palavra, a primeira necessidade de Barbosa será chegar ao poder rejeitando os partidos, até o que se disporá a apresentá-lo. Uma tarefa difícil, quase impossível, mas a única em condições de livrar o país da influência perniciosa da classe política, razão da maioria de nossas mazelas.

Como comporia, por exemplo, seu ministério? Nem os militares conseguiram, durante a ditadura, livrar-se dos políticos, mesmo os que apoiaram o golpe.

Fica uma dificuldade suplementar: sem partidos e políticos, como governar? Além deles, qual sua base de sustentação, mesmo na certeza do apoio da opinião pública? O Judiciário não adiantaria, dividido como se encontra.

Por enquanto, nenhum tucano conseguiu voar

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas

Causou confusão no ninho a prorrogação, até maio de 2018, do mandato de Aécio Neves na  presidência do PSDB. O governador Geraldo Alckmin estrilou e até ameaça trocar de partido, certo de que continuando a dirigir os tucanos, o senador mineiro será beneficiado como candidato presidencial daqui a dois anos. Os partidários de Aécio contraditam, indagando se Alckmin estaria disposto a renunciar ao governo de São Paulo como compensação a um malogrado afastamento dele da presidência da legenda.

Assim, deflagra-se mais um capítulo da disputa que também envolve  José Serra, que os dois candidatos pretendem seduzir oferecendo-lhe a candidatura ao governo paulista. O problema é que o atual ministro das Relações Exteriores também trabalha pelo palácio do Planalto.

Por enquanto são frágeis as estruturas das pontes da trinca no rumo do poder, até porque parecem pinguelas, diante das pretensões de Fernando Henrique. O ex-presidente não abre mão de candidatar-se, apesar dos 85 anos de idade, mas raciocina com um mandato-tampão, caso o Tribunal Superior Eleitoral decida afastar Michel Temer e ensejar a imediata ascensão do sociólogo.

PLANOS DE VOO – Fica assim conturbado o ambiente no aeroporto da esquadrilha tucana, com quatro planos de voo conflitantes, mas nenhum motor realmente funcionando. Até porque, as pesquisas não indicam perspectivas favoráveis para nenhum dos quatro. Ainda mais porque as delações da Odebrecht estão voando baixo e poderão bombardear qualquer um deles.

Apesar de os conciliadores apostarem que só 2018 será o ano das definições, tudo indica que de 2017 não passará. Três precisarão refugiar-se no hangar e apenas um disporá de condições para ganhar o céu.

O novo ano começará com outros aparelhos tentando taxiar na pista, de Lula a Ciro Gomes, Marina Silva, Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro, Álvaro Dias, Henrique Meirelles, Joaquim Barbosa e mesmo Sérgio Moro. Difícil saber qual deles pilotará um Boeing ou um teco-teco. Ou quantos serão abatidos ainda na cabeceira da pista.

Pacotinho de bondades para as elites

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Charge do Montanaro, reprodução do Portal UOL

Carlos Chagas

É preciso aguardar a reação das centrais sindicais, dos grandes sindicatos e dos partidos e entidades voltadas para o trabalhador. Só então saberemos se o pacotinho de bondades anunciado quinta-feira pelo governo foi nova manifestação dos donos do poder em favor das elites e das empresas, de preferência as grandes.

Porque em se tratando do trabalhador, nem paliativos. Nada com relação ao combate ao desemprego que atinge muito mais do que 12 milhões de pessoas.

Acesso mais fácil ao crédito dos que já se valem dele; abatimento e refinanciamento de dívidas empresariais e de valores devidos a prejuízos; eliminação de multas no caso de demissões sem justa causa; cobrança de preços diversificados nas compras com cartão de crédito e outras iniciativas que, com muita justiça, contemplarão o capital no meio da crise. Agora, para o trabalho, nada.

SEM POPULARIDADE – É esse o retrato da administração Temer que dia a dia perde índices de popularidade. Levaram sete meses na gestação desse pacotinho que só irá favorecer as elites, mas nenhuma menção à abertura de frentes de trabalho para criar novos empregos.

Dirão os inocentes que a melhoria da situação das empresas, com o tempo, levará à diminuição do desemprego, o que é verdade. Mas essa equação capenga o palácio do Planalto continuará devendo aos que mais necessitam de ajuda no país. Ajuda imediata, por sinal.

Lamenta-se o silêncio do PT e penduricalhos. Pode ser estarem dedicando o fim de semana à exegese mais profunda das medidas anunciadas. Também pode ser que não.

O incômodo e inusitado abandono de Yunes

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Amigo de Temer há 50 anos, Yunes  saiu de cena

Carlos Chagas

Certas iniciativas, em política, são incompreensíveis. A mais recente foi encenada pelo advogado José Yunes, assessor especial da presidência da República e amigo fraterno do presidente Michel Temer. Em carta emocional, ele entregou o cargo, alegando como motivo haver sido acusado pelo ex-diretor da Odebrecht, Claudio Melo Filho, de receber em seu escritório, em São Paulo, 4 milhões de reais de propina  pagos pela empreiteira que supostamente atendia pedido do presidente Michel Temer para ajudar o PMDB na campanha eleitoral. Yunes chamou a acusação de abjeta e fantasiosa, feita por pessoa que nem conhece. Por isso, pedia demissão.

Ora, se mentirosa a delação, caberia ao advogado permanecer ao lado do amigo há cinquenta anos, para comprovar a falsidade. Saindo, deixa no mínimo dúvidas. Deveria ter aguardado a divulgação completa do depoimento do delator para desmenti-lo e processá-lo. Jamais deixar o presidente Temer às voltas com uma acusação por enquanto indefinida.

São muitas as situações como essa, em se tratando de acusações à distribuição de propinas por empreiteiras a figuras do governo. Cabe ao presidente elucidá-las, dando aos envolvidos no noticiário a prerrogativa de comprovar sua inocência. Se não conseguirem, só então deveriam renunciar.

REBELIÃO – Renan Calheiros sofreu nova derrota no plenário do Senado. Seus liderados não aceitaram antecipar a votação do projeto sobre o abuso de autoridades, ficando o projeto para fevereiro. Fora da presidência da casa, após o recesso parlamentar, precisará comprovar sua liderança na votação posterior. Terá mais dificuldades, como ex-presidente, mas promete manter a disposição de enquadrar o Judiciário.

 

 

Falta de alternativas na política nacional

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Charge do Genildo, reprodução da Charge Online

Carlos  Chagas

Com a paralisação das atividades do Congresso a partir de hoje e o Supremo Tribunal Federal devagar, quase parando, aumentarão as agruras do Executivo. Deverão continuar os vazamentos das delações dos ex-diretores da Odebrecht, atingindo grandes e pequenas figuras do mundo político. Todos terão direito à defesa, mas a simples inclusão de seus nomes funcionará como sentença irrecorrível para condenar o futuro de todos. Nas eleições de 2018 poderão estar afastados os sonhos de candidatos até à presidência da República, aos governos estaduais, à Câmara e ao Senado. Hoje, não há certeza de quem e quantos vão concorrer. Claro que muitos poderão escapar da degola, mesmo culpados.

Certa parece ser, também, sensível mudança no ministério e em altos postos do governo. Impossível será a permanência de uns tantos ministros envolvidos com o recebimento de propinas e a manipulação de dinheiro podre.

A pergunta que se faz é sobre o papel das empreiteiras nesse período de pós-guerra após o festival de corrupção por elas encenado há anos.  Possivelmente sobreviverão, mas marcadas a ferro e fogo.

E TEMER? – Quanto ao presidente Michel Temer, precisará enfrentar sucessivas tertúlias que nem Papai Noel poderá evitar.  Não surtirão efeito os apelos para que renuncie, sequer as tentativas para a convocação de imediatas eleições gerais. Seguir adiante dentro das disposições constitucionais é sua garantia final. Apesar das sucessivas manifestações de protesto da população, e do risco do aumento da violência, não há sinal de desmoronamento das estruturas institucionais. Pelo menos por enquanto.

É flagrante a rejeição do povo diante das combalidas instituições representativas ortodoxas, mas não surgiu até agora um movimento ou um líder capaz de empalmar o sentimento de mudanças inusitadas.

Em suma, por falta de alternativas, haverá que seguir adiante.

Temer precisa selecionar os melhores em cada setor

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Charge do Frank (www.danosse.com)

Carlos Chagas

Irritou-se Michel Temer com a  divulgação de parte das delações premiadas do ex-diretor da Odebrecht, Claudio Melo Filho, no fim de semana que passou. Por isso, escreveu segunda-feira ao Procurador Geral da República recomendando celeridade na apuração das acusações, para não prejudicar a votação das medidas econômicas a cargo do Congresso. O presidente precisou voltar atrás, alertado para o fato de que as delações seguem em segredo de Justiça até que o Supremo Tribunal Federal se pronuncie sobre elas.

Mesmo assim, a indagação continua, porque alguém escorregou para a imprensa o vazamento  das delações. O governo imagina má-fé na divulgação, já que atingiu especialmente ministros e ex-ministros do PMDB. Mas não perde por esperar.

TOMAR CALMANTE – Seria bom Temer tomar um calmante, porque novos vazamentos virão, especialmente quando conhecidas as listas dos donos da empreiteira, pai e filho, envolvendo muito mais gente. Não haverá partido que escape, adiantando muito pouco o palácio do Planalto divulgação de supostas colaborações premiadas”. O que importa não é saber se a divulgação foi ilegítima, mas se as acusações são verdadeiras.

Parece que sim, na maior parte dos casos. Em Brasília e fora de Brasília cresce a impressão de que depois de o Supremo Tribunal Federal iniciar o julgamento de corruptos beneficiados com foro especial, ou de o juiz Sérgio Moro começar a julgar outros importantes cidadãos comuns, não haverá como o presidente evitar profunda reforma do ministério. Os “amigos” privilegiados ou não, devem começar a tratar de seu futuro. A oportunidade para Temer será promover ampla mudança, mandando passear políticos e convocando luminares. Depois de aprovadas as medidas econômicas será hora de selecionar os melhores em cada setor.

O retorno de Lula, na pole position

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Charge do Iotti, reprodução da Zero Hora

Carlos Chagas

A pedra foi aqui cantada assim que decidido o impeachment de Dilma Rousseff: Lula é candidato em 2018 e lidera a disputa. Para impedi-lo, só cadeia.  A pesquisa do Datafolha, divulgada ontem, revela que o ex-presidente lidera todas as previsões contra os demais cogitados, no primeiro turno. No segundo, Marina Silva teria chances, desde que os concorrentes derrotados fluíssem para ela.

Significam o quê, esses números? Que acima e além do PT, o ex-presidente conta com a maioria do eleitorado menos favorecido economicamente. Muitos, por lembrarem seus dois mandatos de ascensão social das massas. Outros, pelo repúdio à ortodoxia política envolvida na corrupção desenfreada agora exposta na temporada de delações.

INELEGÍVEL – Só tem um jeito de impedir o retorno do Lula: torná-lo inelegível por iniciativa do Ministério Público e dos tribunais. Vai ficando claro tornar-se impossível a formação de uma frente anti-Lula integrada por seus adversários. Agora é cada um por si, no devastado grupo dos políticos. Quando conhecidas todas as delações da Odebrecht, não sobrará pedra sobre pedra. Juntando-se o percentual de 63% de consultados que querem eleições diretas já, ficam evidentes as chances do Lula.

No jornalismo, há uma regra básica: não adianta brigar com a notícia. Pode-se detestar o ex-presidente. Constatar que ele fracassou ao optar pelas elites numa série de ações, começando pela imposição da sucessora. Acreditar numa série de acusações envolvendo apartamentos e sítios. De ter promovido falsas palestras no exterior para facilitar a vida de empreiteiras. E mais o que se pretenda acusar nas atividades de seus filhos.

Mas a notícia, hoje, é que continuando as coisas como vão, o Lula é candidato e ocupa a pole position. Poderá retornar em 2018.

Do triunfo da corrupção ao primado do caos

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Charge do Mariano, reprodução da Charge Online

Carlos Chagas

A primeira lista da Odebrecht dá vontade de declarar que o Brasil merece acabar. Começar de novo, porque assim não dá para continuar. Fica difícil saber quem escapará, quando a relação tiver sido totalmente divulgada. Do governo Temer, escapam poucos. No Congresso, identifica-se quem não foi relacionado. Nem o presidente da República escapou.

Novas eleições gerais resolveriam? Nem pensar. Sequer teria jeito se todo cidadão ficasse proibido de candidatar-se. Uns menos, outros mais, a conclusão é de que poucos políticos merecem respeito. Empresários também.

Aumenta o número de brasileiros (e estrangeiros) ávidos de cair fora das acusações de corrupção. O pior é que não há sociedade organizada capaz de interromper o processo da desilusão generalizada. Nem os militares, nem os religiosos, muito menos os empresários, sequer os professores e os partidos dispõem de vontade e de mecanismos para dar o primeiro passo no rumo da interrupção do festival de bandalheiras celebradas à vista de todos. No entanto, mais do que esperar, teme-se uma reação popular, ainda que a consequência possa ser o caos.

LEVAR VANTAGEM – Nivelou-se por baixo a prática de se levar vantagem em tudo. O crime assume proporções variadas, com o triunfo da corrupção de diversos matizes.

Não há que desanimar, apesar da tendência. Por que imaginar que um só dos 12 milhões de desempregados resistirá à tentação de seguir o exemplo daquele que o desempregou? A dissolução dos costumes é corolário da permissividade das elites. E a desagregação institucional, o resultado final. Não demora, antes até de conhecida última lista da Odebrecht, o país viverá o primado do caos.

Só um maremoto resolveria

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Chagas

Apesar de escandaloso, o primeiro vazamento da lista de delatores da Odebrecht não despertou tempestades de indignação nas ruas. O mais que telejornais e outros meios de comunicação ensejaram foi um comentário generalizado na opinião pública: “Eu já sabia”. Realmente, nenhuma surpresa a lista causou. Os nomes divulgados e publicados formam a linha de frente dos acusados de corrupção. Caberá ao Supremo Tribunal Federal provar se houve recebimento de dinheiro podre ou doações legais para candidaturas recentes, assim como quais as compensações promovidas pelos montes de políticos envolvidos nas tramoias.

Do presidente da República a líderes de todos os partidos, ministros, governadores e parlamentares, saem todos enlameados, apesar das negativas.

Muito tempo transcorrerá até que sejam julgados e talvez condenados os integrantes dessa quadrilha variada que em momento algum surpreendeu o país. Para muita gente, nem valeria a pena ficar comparando um por um os nomes dos denunciados. Que tal reunir as listas de presença da Câmara e do Senado, mais a relação dos ministros e altos funcionários, para selecionar apenas os que não estão implicados na roubalheira? Muito tempo e fartos recursos seriam poupados.

Para limpar as cavalariças do rei Áugias, Hércules precisou desviar o curso de um rio.  Aqui, dada a extensão do território nacional, seria necessário um maremoto.

POR ENQUANTO, ESCAPOU – Até prova em contrário, o nome do Lula não apareceu na primeira versão da lista da Odebrecht. É verdade que já se tornou réu num processo de corrupção, tornando-se candidato a mais três. Mesmo assim, o Ministério Público do Distrito Federal gostaria de ver o ex-presidente arrolado na lista da empreiteira.

Pior não fica? Mas para Michel Temer, ficou…

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas 

Do jeito que as coisas vão, Michel Temer não completa o seu mandato. Nenhum presidente da República tem sido tão humilhado como ele. Com todo o respeito, mas S. Exa. acaba de perder o próprio, com o recuo da nomeação de Antônio Imbassay para ministro da Articulação Política (ou secretário de Governo). Partidos grandes e pequenos tripudiam sobre sua figura, tanto quanto o Senado humilhou o Supremo Tribunal Federal.

Só falta o Congresso aprovar o impeachment de Michel, por total ausência de condições para governar o país.  Determinação e firmeza são produtos em falta nas prateleiras do palácio do Planalto.

Pode até o ex-futuro ministro ser outra vez reconvocado, na próxima semana. Mesmo assim, não adiantará nada. Já se ouve nos corredores parlamentares que apenas novas eleições diretas resolveriam, ainda que deputados e senadores tenham até o dia 31 para tomar a decisão. Depois, as eleições presidenciais teriam de ser indiretas, pelo Congresso.  Mas o melhor, mesmo, seria o eleitorado escolher todos os cargos eletivos, proibidas as reeleições.

O presidente, mesmo tentando contemporizar, não encontra parlamentares e partidos para respaldá-lo. Muito menos a opinião pública e a opinião publicada. Começam a aparecer pseudo-candidatos para sucedê-lo, de Fernando Henrique a Nelson Jobim, sem esquecer Renan Calheiros.

Há que poupar Michel Temer, mas apenas com sua dispensa. Não transcorre uma semana sem que a lambança fique pior. Até a fugaz confiança em Henrique Meirelles virou pó. Um murro na mesa resolveria a questão, ainda que se ignore o punho capaz de vibrá-lo. Do PMDB ao PSDB e ao Centrão, ninguém se entende.

Do Rei Salomão a Pôncio Pilatos

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Chagas

Dos vexames oferecidos nos últimos dias pelo Senado e o Supremo Tribunal Federal, destacam-se dois, coisa que não afasta a contundência de outros. Mas não dá para entender o comportamento de Renan Calheiros, escondendo-se do Oficial de Justiça encarregado de citá-lo como réu. Um presidente do Senado brincando de “pique” seria cômico se não fosse trágico, tudo fotograficamente registrado.

No reverso da medalha, também expõe ao ridículo o “acordão” entre os ministros da mais alta corte nacional de Justiça, decididos a proibir o presidente do Senado de hipoteticamente assumir a presidência da República, mas livre para presidir a casa da qual não foi expelido.

Se quiserem, vale incluir o presidente Michel Temer, que não desceu de cima do muro e estimulou a quebra das obrigações do Judiciário e do Legislativo.

Não ficou de fora o decano dos integrantes do Supremo, Celso de Mello, com uma volta de 180 graus em suas concepções jurídicas. E muitos outros vexames que tiraram dos três poderes da União o que lhes restava de dignidade. Valeu tudo nesse capítulo de horror encenado por magistrados, parlamentares e governantes. Buscaram refúgio no rei Salomão, mas terminaram como Pôncio Pilatos. Ignoraram a manifestação de centenas de milhares de cidadãos que no último domingo deixaram bem claros seus sentimentos. Entregaram os anéis e os dedos. Em vez de desempenharem um espetáculo de harmonia e independência, confundiram os preceitos da Constituição e demonstraram completo despreparo para lidar com as instituições, mais uma vez postas em frangalhos.