Do triunfo da corrupção ao primado do caos

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Charge do Mariano, reprodução da Charge Online

Carlos Chagas

A primeira lista da Odebrecht dá vontade de declarar que o Brasil merece acabar. Começar de novo, porque assim não dá para continuar. Fica difícil saber quem escapará, quando a relação tiver sido totalmente divulgada. Do governo Temer, escapam poucos. No Congresso, identifica-se quem não foi relacionado. Nem o presidente da República escapou.

Novas eleições gerais resolveriam? Nem pensar. Sequer teria jeito se todo cidadão ficasse proibido de candidatar-se. Uns menos, outros mais, a conclusão é de que poucos políticos merecem respeito. Empresários também.

Aumenta o número de brasileiros (e estrangeiros) ávidos de cair fora das acusações de corrupção. O pior é que não há sociedade organizada capaz de interromper o processo da desilusão generalizada. Nem os militares, nem os religiosos, muito menos os empresários, sequer os professores e os partidos dispõem de vontade e de mecanismos para dar o primeiro passo no rumo da interrupção do festival de bandalheiras celebradas à vista de todos. No entanto, mais do que esperar, teme-se uma reação popular, ainda que a consequência possa ser o caos.

LEVAR VANTAGEM – Nivelou-se por baixo a prática de se levar vantagem em tudo. O crime assume proporções variadas, com o triunfo da corrupção de diversos matizes.

Não há que desanimar, apesar da tendência. Por que imaginar que um só dos 12 milhões de desempregados resistirá à tentação de seguir o exemplo daquele que o desempregou? A dissolução dos costumes é corolário da permissividade das elites. E a desagregação institucional, o resultado final. Não demora, antes até de conhecida última lista da Odebrecht, o país viverá o primado do caos.

Só um maremoto resolveria

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Chagas

Apesar de escandaloso, o primeiro vazamento da lista de delatores da Odebrecht não despertou tempestades de indignação nas ruas. O mais que telejornais e outros meios de comunicação ensejaram foi um comentário generalizado na opinião pública: “Eu já sabia”. Realmente, nenhuma surpresa a lista causou. Os nomes divulgados e publicados formam a linha de frente dos acusados de corrupção. Caberá ao Supremo Tribunal Federal provar se houve recebimento de dinheiro podre ou doações legais para candidaturas recentes, assim como quais as compensações promovidas pelos montes de políticos envolvidos nas tramoias.

Do presidente da República a líderes de todos os partidos, ministros, governadores e parlamentares, saem todos enlameados, apesar das negativas.

Muito tempo transcorrerá até que sejam julgados e talvez condenados os integrantes dessa quadrilha variada que em momento algum surpreendeu o país. Para muita gente, nem valeria a pena ficar comparando um por um os nomes dos denunciados. Que tal reunir as listas de presença da Câmara e do Senado, mais a relação dos ministros e altos funcionários, para selecionar apenas os que não estão implicados na roubalheira? Muito tempo e fartos recursos seriam poupados.

Para limpar as cavalariças do rei Áugias, Hércules precisou desviar o curso de um rio.  Aqui, dada a extensão do território nacional, seria necessário um maremoto.

POR ENQUANTO, ESCAPOU – Até prova em contrário, o nome do Lula não apareceu na primeira versão da lista da Odebrecht. É verdade que já se tornou réu num processo de corrupção, tornando-se candidato a mais três. Mesmo assim, o Ministério Público do Distrito Federal gostaria de ver o ex-presidente arrolado na lista da empreiteira.

Pior não fica? Mas para Michel Temer, ficou…

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas 

Do jeito que as coisas vão, Michel Temer não completa o seu mandato. Nenhum presidente da República tem sido tão humilhado como ele. Com todo o respeito, mas S. Exa. acaba de perder o próprio, com o recuo da nomeação de Antônio Imbassay para ministro da Articulação Política (ou secretário de Governo). Partidos grandes e pequenos tripudiam sobre sua figura, tanto quanto o Senado humilhou o Supremo Tribunal Federal.

Só falta o Congresso aprovar o impeachment de Michel, por total ausência de condições para governar o país.  Determinação e firmeza são produtos em falta nas prateleiras do palácio do Planalto.

Pode até o ex-futuro ministro ser outra vez reconvocado, na próxima semana. Mesmo assim, não adiantará nada. Já se ouve nos corredores parlamentares que apenas novas eleições diretas resolveriam, ainda que deputados e senadores tenham até o dia 31 para tomar a decisão. Depois, as eleições presidenciais teriam de ser indiretas, pelo Congresso.  Mas o melhor, mesmo, seria o eleitorado escolher todos os cargos eletivos, proibidas as reeleições.

O presidente, mesmo tentando contemporizar, não encontra parlamentares e partidos para respaldá-lo. Muito menos a opinião pública e a opinião publicada. Começam a aparecer pseudo-candidatos para sucedê-lo, de Fernando Henrique a Nelson Jobim, sem esquecer Renan Calheiros.

Há que poupar Michel Temer, mas apenas com sua dispensa. Não transcorre uma semana sem que a lambança fique pior. Até a fugaz confiança em Henrique Meirelles virou pó. Um murro na mesa resolveria a questão, ainda que se ignore o punho capaz de vibrá-lo. Do PMDB ao PSDB e ao Centrão, ninguém se entende.

Do Rei Salomão a Pôncio Pilatos

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Chagas

Dos vexames oferecidos nos últimos dias pelo Senado e o Supremo Tribunal Federal, destacam-se dois, coisa que não afasta a contundência de outros. Mas não dá para entender o comportamento de Renan Calheiros, escondendo-se do Oficial de Justiça encarregado de citá-lo como réu. Um presidente do Senado brincando de “pique” seria cômico se não fosse trágico, tudo fotograficamente registrado.

No reverso da medalha, também expõe ao ridículo o “acordão” entre os ministros da mais alta corte nacional de Justiça, decididos a proibir o presidente do Senado de hipoteticamente assumir a presidência da República, mas livre para presidir a casa da qual não foi expelido.

Se quiserem, vale incluir o presidente Michel Temer, que não desceu de cima do muro e estimulou a quebra das obrigações do Judiciário e do Legislativo.

Não ficou de fora o decano dos integrantes do Supremo, Celso de Mello, com uma volta de 180 graus em suas concepções jurídicas. E muitos outros vexames que tiraram dos três poderes da União o que lhes restava de dignidade. Valeu tudo nesse capítulo de horror encenado por magistrados, parlamentares e governantes. Buscaram refúgio no rei Salomão, mas terminaram como Pôncio Pilatos. Ignoraram a manifestação de centenas de milhares de cidadãos que no último domingo deixaram bem claros seus sentimentos. Entregaram os anéis e os dedos. Em vez de desempenharem um espetáculo de harmonia e independência, confundiram os preceitos da Constituição e demonstraram completo despreparo para lidar com as instituições, mais uma vez postas em frangalhos.

Senado e Supremo deveriam ter sido fechados

Iotti: Senado x STF Iotti/Agencia RBS

Charge do Iotti, reprodução da Zero Hora

Carlos Chagas

Nesta quarta-feira, antes que se reunisse o Supremo Tribunal Federal, primeiro, e o Senado Federal, depois, a única saída logica e democrática para o impasse institucional seria a dissolução das duas instituições. Nem o Supremo nem o Senado mereciam estar funcionando. Melhor teria sido fechá-las. O diabo seria quem executaria essa missão profilática: o povo que domingo saiu às ruas? Os militares? As centrais sindicais? O presidente da República?

A mais alta corte nacional de Justiça vinha de diversas trapalhadas. Uma, de o ministro Dias Toffolli ter pedido vista a um processo na prática já concluído,  porque seis outros ministros  se haviam pronunciado pela impossibilidade de réus (como Renan Calheiros havia sido transformado na véspera) exercerem a função de substituto do presidente da República. O ínclito jurista deveria ter percebido que de nada adiantaria protelar a questão, sabe-se lá porque motivos, mas é fácil imaginá-los, pois o senador alagoano já estava afastado da presidência do Senado desde que tornado réu.  Depois, porque o relator Marco Aurélio Mello decidiu monocraticamente pela degola de Renan, em vez de logo ter submetido sua decisão ao pleno daquela corte. Mas teve mais: foi digna de um carroceiro a definição que o ministro Gilmar Mendes dedicou a Marco Aurélio Mello, chamando-o de “desequilibrado”.

DESCUMPRIMENTO – Do outro lado, as mesmas baixarias. Como o senador Renan Calheiros ousou descumprir uma sentença do Supremo Tribunal Federal? De que forma reuniu os membros da mesa do Senado e obteve deles, por escrito, a concordância com a rebelião diante do Supremo? Como Renan permaneceu onde não poderia mais estar, a presidência da casa?

Em suma, diante de tantas agressões à Constituição e, pior ainda, de uma briga entre meninos mal educados, como explicar que Senado e Supremo não tenham sido fechados, pelo menos até a tarde de ontem? Depois do péssimo soneto, veio a emenda, igualmente infeliz, o que deixa o país do mesmo jeito, isto é, com as instituições em frangalhos.

Ou Temer muda ou será tragado pela indecisão

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Eliseu Padilha é o próximo ministro a ser demitido

Carlos  Chagas

Eliseu Padilha é a bola da vez. Menos por suas atividades agrícolas, mais porque estava escrito. Sua passagem pela Casa Civil vinha atrapalhando a performance de Michel Temer. São grandes as possibilidades de Moreira Franco sucedê-lo. Com seis mudanças ministeriais nos primeiros seis meses de governo, o presidente da República luta para livrar-se da instabilidade.

Jamais imaginou chefiar uma administração tranquila, mas errou ao compor um ministério que só lhe trouxe percalços e dificuldades. Não se    governa com amigos, principalmente os que vêm sendo catapultados, de Romero Jucá a Geddel Vieira Lima, Henrique Alves e outros.

ALTERNATIVAS – Duas vertentes se abrem para Michel Temer entrar em 2017: assumir o governo sem deixar espaço para condôminos ou continuar influenciado por ministros pouco confiáveis.

Há mouros na costa, à espera de que Michel Temer fracasse, ou seja, que o Tribunal Superior Eleitoral decida afastar o presidente da República por conta de malfeitos na campanha eleitoral de 2014, junto com Dilma Rousseff, que não pode mais ser afastada por que jê foi.

FHC DE OLHO – Fernando Henrique Cardoso bem que gostaria de ser escolhido pelo Congresso para completar o atual mandato. Nelson Jobim, também.  Este, de olho na reeleição. Aquele, apenas para fechar uma inusitada biografia complementar.

Cabe ao atual presidente decidir se continua ou se cederá às imposições da própria hesitação. Nenhuma hora mais propícia do que a passagem do ano para reformular por completo o Ministério. Ou muda ou será tragado pela indecisão. A crise é grande, mas nem de longe capaz de impedir-lhe debelá-la, se houver disposição.

Sumiram os candidatos para a sucessão?

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Charge do William (william.com.br)

Carlos Chagas

Tijolo por tijolo, vai sendo demolido o edifício da sucessão presidencial de 2018, erigido às pressas depois do impeachment de Dilma Rousseff. A reeleição de Michel Temer irá para o espaço, pela revogação do direito de mandatários executivos concorrerem a um segundo mandato no exercício do primeiro. Acresce que o próprio governo já reconhece a impossibilidade de o crescimento econômico ser retomado tão cedo. Pelo mesmo motivo afasta-se a hipótese de Henrique Meirelles ter seu nome lembrado.

A trinca tucana, de Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra dá a impressão de estar fora de propósito, mesmo se fosse computada a votação dos três candidatos. O PSDB entrou na enxurrada de rejeição dos demais partidos.

O Lula, se escapar da prisão, não escapará da ruína do PT. A Rede parece desfeita antes mesmo de costurada. Candidatos avulsos, como Ciro Gomes, Álvaro Dias, Roberto Requião, Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro dão a impressão de estar sendo arrastados com a correnteza.

UM VAZIO – Sendo assim, a ortodoxia política não vicejou, como seria de esperar. O aparecimento de um denominador comum não apareceu, muito menos no PMDB. Resultado: o vazio também é de candidatos.

Outra página em branco refere-se aos partidos. Todos andam sem rumo, ainda mais depois dos acontecimentos mais recentes envolvendo o choque entre os três poderes.

Melhor que seja assim, isto é, sem precipitações, muito menos salvadores da pátria.

Meirelles terá sido apenas mais um?

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas

Por enquanto é missão impossível saber de onde começou o ataque, mas a verdade é que o ministro Henrique Meirelles encontra-se sob fogo batido. Poderá render-se em poucos dias. Serão os tucanos? O próprio presidente Temer? O tal centrão de deputados desimportantes? Ou ministros com trânsito livre no palácio do Planalto?

A verdade é que começou a temporada de caça ao ministro da Fazenda, como tantas vezes tem acontecido contra os antes campeões da recuperação econômica, desde os tempos de Sarney, Fernando Collor, Lula e Dilma. Salvou-se apenas Fernando Henrique, que resistiu oito anos com Pedro Malan. De início tidos como solução para a volta à normalidade, exaltados e cortejados, acabaram  saindo pelo ralo ministros de todos os matizes e tendências. Escusados de ser referidos nominalmente, pela injustiça que seria apontá-los, eles passaram da exaltação à execração em pouco tempo.

Agora chegou a vez de Meirelles, seis meses depois de ser saudado como esperança do governo e do mercado de sairmos do sufoco. A hipótese de que Armínio  Fraga está convocado para ajudar a combater a crise não deixa dúvidas, pois foi Temer quem anunciou. É claro que o atual ministro pedirá para sair assim que o outro estiver entrando.

INJUSTIÇA – Trata-se de desespero e injustiça jogar sobre os ombros do ex-presidente do Banco de Boston e do Banco Central o ônus do fracasso da retomada do crescimento. É o próprio ministério que sabota as iniciativas de contenção que ele pretendia estabelecer. Para não falar do presidente da República, de seu turno pressionado para fazer bondades em vez das pretensas maldades de Meirelles. A corda sempre arrebenta do lado mais fraco, no caso, o ministro da Fazenda e não o chefe do governo.

A conclusão dessa nova escaramuça na Esplanada dos Ministérios é de que nenhuma nova tentativa de restabelecer o crescimento econômico dará certo se não vier precedida de medidas de contenção e de sacrifício. Se Michel insistir em continuar bonzinho, quebrará a cara. Henrique Meirelles terá sido apenas mais um.

Em Cuba, com ou sem volta?

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Charge do Iotti, reprodução da Zero Hora

Carlos Chagas

Agora que 70 executivos da Odebrecht assinaram os pedidos de delação premiada e começarão a denunciar perto de 200 políticos envolvidos com a roubalheira, a moda é especular quais os “peixes grandes” que cairão na rede. A grande indagação é se o Lula será ou não premiado. Os vazamentos já estão no forno, mas resposta ainda não há. Como o ex-presidente viajou ontem para Cuba, a fim de participar dos funerais de Fidel Castro, a bolsa de apostas está em aberto. No PT, há quem se organize para tratar da defesa, como também existem os companheiros empenhados em deitar gasolina no fogo.

Para o governo Temer, seria o que de pior poderia acontecer. O Lula já declarou que se aparecer uma mínima insinuação de que participou da lambança, irá a pé para a primeira delegacia da Polícia Federal que encontrar, entregando-se  à Justiça.

Divide-se o país. Metade, ávida de receber uma carta de alforria para o primeiro companheiro, o resto torcendo para ele ser definitivamente afastado da corrida sucessória.

PEDIRÁ ASILO? – Como vazamentos são inevitáveis, é possível que antes de retornar de Cuba o ex-torneiro-mecânico já tenha definida sua sorte. Há quem o aconselhe, até, de que se for incluído na lista dos acusados, poderá pedir asilo a Raul Castro. Aguardaria a decisão da justiça instalado numa das casas de visita nos arredores de Havana.

A História tem dessas reviravoltas. Registra-se uma situação daquelas consideradas inimagináveis há um ano atrás. Haverá que aguardar, especulando-se apenas a quantidade de malas que o primeiro-companheiro levou para Cuba.

Renunciar, nunca! A hora é de redobrar a luta contra a corrupção

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Charge do Tacho, reprodução do Jornal NH

Carlos Chagas

De tempos imemoriais vem a observação de que muitas vezes o dia seguinte consegue ficar pior do que a véspera. Com todo o respeito, é o caso dos procuradores da operação Lava Jato, que ameaçam suspender as investigações contra a corrupção e os corruptos, abandonando o trabalho a que se dedicam faz tempo.

Entende-se a exasperação dos doutores, até agora responsáveis pela mais importante ação de combate à roubalheira desenfreada. A Câmara dos Deputados demoliu o projeto de inspiração dos procuradores, dez postulados que dariam mais eficiência à caça aos bandidos de colarinho branco. Em nota oficial, eles classificaram a votação da madrugada de quarta-feira, pelos deputados, de “golpe mais forte desferido contra a Lava Jato em toda a sua história”. Caso o Senado também se manifeste assim, e se o presidente Michel Temer sancionar a aberração, os procuradores renunciariam coletivamente à missão desempenhada.

Quer dizer, os envolvidos nos crimes contra o patrimônio público celebrariam. Ficariam felizes por evitar as punições. Demonstrariam que roubar vale à pena. Que o crime compensa.

RENUNCIAR? – Trata-se de um erro fundamental, capaz de implodir o Ministério Público. De desmoralizar a nobre função de defesa da sociedade.

Os procuradores certamente deixaram-se influenciar pela emoção. Viram seu esforço fracassado por conta da ação de deputados empenhados em escapar da cassação de seus mandatos. Mais uma página de vergonha escrita pela quadrilha dos que já deveriam estar na cadeia.

Caso o Senado e, depois, o presidente da República, pratiquem o mesmo escândalo, a única saída para os procuradores seria redobrar seus esforços nas investigações e nas denúncias, aguardando as iniciativas da Justiça. O objetivo final é a punição dos meliantes, afastados e se possível, presos. Não há fator que justifique a  omissão. Renunciar, nunca.

Em breve aparecerá um cadáver

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Manifestações de protestos estão se radicalizando

Carlos Chagas

Trata-se apenas de uma questão de tempo. Logo uma dessas violentas manifestações de protesto verificadas nas grandes cidades vão gerar uma vítima. Ou mais de uma. Provavelmente alguém dos grupos mais açodados na arte de depredar. Mas por que não um das forças da repressão? Quem sabe um inocente infeliz colhido entre as duas forças em choque?

Está faltando um cadáver para levar ao ponto de ebulição os sucessivos episódios de rebelião verificados no país inteiro. Quando acontecer, adiantará muito pouco ficar buscando os responsáveis, porque essas coisas costumam ficar fora de controle. E geram resultados imprevisíveis.

Em São Paulo, em 1932, a morte de quatro estudantes fez nascer o MMDC e a revolução constitucionalista.  Em Recife, anos depois, a morte de um estudante pela polícia foi o estopim do movimento que depôs Getúlio Vargas. No Rio, o assassinato de Edison  Luís, quase um menino,  marcou o rompimento final entre a juventude e o regime militar. Antes e depois, quantos mais episódios a História registrou?

MUITOS EXCESSOS – Dúvidas inexistem de excessos se sucederem, como o da noite de terça-feira, em Brasília. Teve de tudo, no confronto aberto entre policiais e manifestantes. Da depredação de ministérios a invasões de patrimônio público até bombas de gás, tiros e pancadaria. Durante horas ficou impossível respirar na Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes. Carros foram incendiados. Vidros e janelas quebradas. Cabeças ensanguentadas.

Continuando o processo como vai, tanto faz onde, logo virá o primeiro cadáver da temporada. Depois dele, o imponderável e suas consequências. Até a intervenção militar vem sendo cogitada por um bando de energúmenos.

A culpa vai para os arruaceiros ou para o governo que rapidamente perde o controle da vida nacional, fruto de sua incompetência e incapacidade? No fundo de tudo, o desemprego, a crise econômica, a roubalheira na política, o descrédito dos partidos e do Congresso, a falência das instituições.

Instituições em frangalhos, segundo o presidente 

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Charge do Iotti, reprodução da Zero Hora

Carlos Chagas

Perdeu-se o presidente Michel Temer na trapalhada de conceitos que se obriga a oferecer a seus ministros e ao país. Acaba de declarar, em encontro com empresários, que o Brasil não tem instituições sólidas, pois elas são abaladas por qualquer fatozinho que surja.

Com todo o respeito, o Judiciário é uma instituição sólida. A Polícia Federal, também, assim como o Ministério Público. Claro que a Câmara dos Deputados não é, assim como o Ministério. Mas a operação Lava Jato parece feita de granito. E assim por diante, com vantagem para a solidez de boa parte das instituições nacionais. Se o presidente da República duvida, é problema dele.

Sólido é o processo eleitoral, apesar da fragilidade de seus resultados. Ainda agora vai-se desmanchar como sorvete ao sol um grupo de perto de 200 políticos incluídos na lista da Odebretch. Como alguns ministros que deixaram de ser ministros depois da posse de Temer.

Nas colunas de deve e haver, o governo ainda dispõe de saldo positivo. O que não dá para entender é o desânimo presidencial, estendido a uma parte do Ministério.

DOSE DE ESPERANÇA – Ao aderir ao processo de impeachment da antecessora, Michel conseguiu injetar boa dose de esperança no fortalecimento das instituições. Se agora é ele mesmo a duvidar de seus sentimentos, alguma coisa desandou. Talvez a confiança em seus próprios ministros, ainda que se possa dizer que vem colhendo o que plantou.

Estava escrito que determinados ministros se envolveriam em trapalhadas. Cabe-lhe corrigir a escalação do time. Reconhecer o erro é o primeiro passo para a correção de rumos. Faltam dois anos e um mês para a consolidação das instituições. Jamais para deixá-las em frangalhos.

Temer, Renan e Maia parecem apressadinhos

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Na entrevista, a animação dos três era contagiante…

Carlos Chagas

Costuma dar errado  celebrar a vitória antes do apito final. Michel Temer, Renan Calheiros e Rodrigo Maia proclamaram domingo o pacto contra a anistia ao caixa dois e demais velhacarias quase aprovadas pela Câmara na semana anterior. Peito estufado e sorrisos a mais não poder, anunciaram que não haverá perdão para crimes eleitorais, na votação marcada para amanhã.

Seria bom que tivessem aguardado alguns dias antes das comemorações, porque continuam majoritárias as bancadas que a qualquer custo tentam escapar das punições por conta do conluio entre a Odebretch e a classe política. Está para ser divulgada a lista da empreiteira, com quase duzentos deputados envolvidos na tramoia.  Eles tentaram e continuarão tentando incluir no projeto a ser votado nesta terça-feira artifícios capazes de livrá-los da perda de mandatos e sucedâneos. Mesmo que afastada a torpe anistia, encontrarão meios igualmente pérfidos para sobreviver.

É bom os três presidentes tomarem cuidado. Contam com o apoio do Supremo Tribunal Federal mas necessitam aprovar uma série de projetos ligados à recuperação econômica. No mínimo, os deputados pró-anistia poderiam não comparecer às votações.

DIÓGENES E ALEXANDRE – Nunca  será demais repetir o diálogo entre Diógenes e Alexandre. Depois de tornar-se um dos maiores advogados de seu tempo, o grego decidiu mudar de vida. Distribuiu seus bens, que não eram poucos, tornando-se filósofo. Passou a morar num barril e viver da caridade dos atenienses.

Alexandre havia conquistado Atenas, iniciando a trajetória que o faria Senhor do mundo. Antes de partir, impressionado com a fama de Diógenes, foi visitá-lo. Indagou do que necessitava, pronto para dar-lhe fortunas, palácios e tesouros. Postando-se diante do filósofo, ouviu dele: “Majestade, não me tire aquilo que não me podes dar.”

O jovem olhou em volta e viu que se tinha colocado diante do velho, que tomava sol, impedindo luz e calor chegarem a Diógenes…

Abominável mundo novo

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O drama dos imigrantes é mais um capítulo da tragédia humana

Carlos Chagas

Em 1960 duas imagens ocupavam a imaginação da juventude, claro que aquela com acesso às informações e açodadamente disposta a aceitar as parcelas pelo todo. Não havia uma universidade que não promovesse debates e manifestações em favor da revolução cubana, que desde 1959 registrava a onda reformista capaz de alastrar-se pelo planeta inteiro. Em especial na América Latina e na Europa, respirava-se a iminência de mudanças fundamentais na política e na economia.

Em paralelo, vinham das estepes russas, através de profundas alterações nos meios de comunicação, com ênfase para a propaganda, sinais de que a Humanidade caminhava para o socialismo. Primeiro o sputnik, depois a viagem de Iuri Gagárin ao redor do mundo, a cadelinha Laika e, mais tarde,  a explosão dos jovens, de Paris para os demais quadrantes.

Exemplos redobrados de sucesso inevitável na construção de um mundo novo eram Nikita Kruschev, Mao Tse-tung, João XXIII, John Kennedy,  De Gaulle, Fidel Castro, Che Guevara e, entre nós, Jânio Quadros.

Imaginávamos uma realidade composta de diferentes matizes, até conflitantes, mas todos exprimindo o anseio irresistível de mudanças estruturais. Valia à pena viver naquele limiar de conquistas que breve estaríamos gerindo e aprimorando.

O tempo passou e com ele a inevitável lei da física, de que a  cada ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário. O mundo é esse aí, mesmo, entregue à miséria, a fome e à desilusão. O dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera.

Essas supérfluas e incompletas considerações nos fazem não perder a esperança de uma reviravolta. Quem sabe a demissão de Geddel Vieira Lima venha a marcar a passagem do abominável para o admirável?

 

 

Ruim com ele, pior sem ele

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Fotomontagem reproduzida do Arquivo Google

Carlos Chagas

Milton Campos, ao renunciar ao ministério da Justiça do governo Castello Branco, produziu uma das maiores lições políticas de todos os tempos, ao reagir ao apelo do primeiro general-presidente para que permanecesse nas funções. Escreveu sobre a diferença entre ele e o presidente, pois dispunha do direito de pedir para sair, por diversas razões e motivos. Castello, não: era o único cidadão brasileiro obrigado a permanecer, quaisquer que fossem as agruras e dificuldades a enfrentar.

Vale o exemplo para o atual presidente. Michel Temer não tem liberdade para saltar de banda. Seu governo pode enfrentar a mais difícil das crises nacionais, colhendo fracassos de toda ordem. A herança recebida no momento em que sucedeu a Dilma Rousseff desanimaria qualquer cidadão. A economia posta em frangalhos, a desorganização verificada em sua base partidária, a incompetência de seus ministros, a falta de apoio nas diversas camadas da sociedade, a péssima repercussão de suas iniciativas políticas – tudo trabalha contra sua permanência no palácio do Planalto.

NÃO PODE RENUNCIAR – O problema é que não pode renunciar, apesar de alguns de seus antecessores tivessem cedido à tentação. Primeiro desafio seria o país aferrar-se ao cumprimento dos postulados democráticos.

Mesmo sem o sonho de instituições acordes com nossas necessidades, haverá que seguir adiante, à espera do que os ventos mudem e soprem um fiapo de esperança em meio à conturbação generalizada.

Quem sabe o Congresso se recicle, alterando a postura de deputados e senadores que só pensam em satisfazer seus interesses? As camadas privilegiadas abram parte de suas benesses para as massas desprotegidas? Os ministros, mesmo se não ficar um só, encontrem o caminho do cumprimento de seus deveres? O próprio Michel Temer talvez vislumbrasse a importância de seguir exemplos, mesmo raros, de como dirigir um governo?

Não há outra palavra e outro sentimento: VERGONHA!

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas

Saberemos terça-feira a extensão da vergonha oferecida pela Câmara dos Deputados ao país inteiro na forma do projeto de anistia aos crimes praticados por Suas Excelências acima e além da punição a quantos tiverem recebido o Caixa Dois nas últimas eleições. Traduzindo: o projeto do deputado Onyx Lorenzoni anistiava apenas os parlamentares que haviam sido agraciados com recursos distribuídos irregularmente pela Odebrecht. Já era uma vergonha, digna de cadeia, mas a situação ficou mil vezes pior quando os deputados acrescentarem o perdão para quantos cometeram  peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e similares.

Em suma, a Câmara livrava-se dos execráveis crimes que boa parte de suas bancadas vem praticando para se eleger. O resultado do projeto seria ninguém ser punido, da lista que a  empreiteira divulgará nos próximos dias. Todos os crimes estariam alforriados, não apenas os de recebimento de Caixa Dois.

ADIAMENTO – Quinta-feira, quando a maioria dos deputados preparava-se para aprovar esse monstrengo, PSOL, REDE e PPS insurgiram-se. Ameaçaram recorrer ao Supremo Tribunal Federal, porque tamanha agressão à Constituição poderia levar todos à perda dos mandatos. Assim, preferiram deixar a decisão para terça-feira. O problema é que as bancadas dos demais partidos parecem dispostas a votar esse projeto que as envergonharão. Assim, anistiados, escapariam da punição capaz de reduzir pela metade o número de deputados. Mesmo levando ao fundo do poço a imagem dos representantes do povo.

Continuam na ordem do dia, porém, essas abomináveis iniciativas. Querem os deputados, em maioria, salvar o pescoço. Permanecer no exercício de seus mandatos, mesmo enlameando o pouco que lhes resta de dignidade.

Mas tem mais. Pretendem incluir no malfadado projeto a punição para juízes, promotores, polícia federal e receita federal, sob a alegação de abuso de autoridade.

Não há outra palavra e outro sentimento: VERGONHA!

A hora dos vazamentos do listão da Odebrecht

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Charge do Baggi, reprodução do Jornal de Brasília

Carlos Chagas

A lista do fim do mundo não se limita apenas aos 78 executivos da Odbrecht que traficaram propinas com deputados, senadores e ministros de recentes governos do PT e demais partidos. Os sacripantas da empreiteira responderão pela corrupção que promoveram, ainda que venham a ser beneficiados pelas delações em vias de concretizar-se. Punições bem mais consistentes serão exigidas para os políticos envolvidos na trama, ou seja, para quantos receberam dinheiro sujo da Odbrecht para facilitar as atividades da empresa.

Traduzindo: cada executivo apresentará não apenas um criminoso, mas muitos. Dai a previsão de que perto de 200 políticos serão chamados a defender-se por haver-se enrolado no recebimento de propinas.

Tanto os que detém mandatos eletivos quanto os já postos fora da atividade parlamentar receberão sentenças pelo mau comportamento. Precisarão responder e devolver o que receberam. Os que vierem a ser julgados no Supremo Tribunal Federal por prerrogativa de função e os que foram lançados na vala comum conduzida pelo juiz Sérgio Moro.

A dúvida é calcular o tempo, pois meses passarão até que cada um desses prováveis 200 processos cheguem à sua conclusão. Alguns conseguirão provar inocência, mas a maioria, não. Como tanta gente parece envolvida, tem-se a impressão de vazamentos ganharem rapidamente os meios de comunicação. Bem feito para todos…

TRIO ATACANTE – Renan, Geddel e Jucá formam um trio atacante digno dos louvores de qualquer locutor esportivo. Pena que pertençam a um clube único, no caso o PMDB. São os nomes mais referidos na bolsa de especulação da Odbrecht. Pode até haver injustiça na escalação, mas é o que transita pelos corredores do Congresso. Bem que o técnico fará tudo para livrá-los, até por ser farta a lista dos convocados. O time poderá ser composto com facilidade. Resta saber o potencial do adversário, com Moro podendo escalar muito mais do que onze craques.

No Congresso, 80 cabeças próximas à guilhotina

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Charge do Oliveira, reprodução do Diário Gaúcho

Carlos Chagas

No Congresso, há quem acredite que até a próxima segunda-feira, 28, será conhecida a relação de deputados e senadores incursos nas delações da Odebretch. Seriam perto de oitenta parlamentares envolvidos nas tramoias da empresa, denunciados como tendo recebido favores pecuniários em  troca de  apoio no Legislativo para as operações envolvendo superfaturamento de contratos e similares entre a empreiteira  e variadas empresas públicas. Oitenta cabeças próximas da guilhotina.

Trata-se do clímax das investigações feitas à sombra do poder.  Caberá ao Supremo Tribunal Federal abrir os respectivos processos contra quantos pretendem valer-se de imunidades. Em suma, a lista estaria pronta e prestes a ser divulgada.

EM DIVERSOS PARTIDOS – A indagação refere-se ao que acontecerá aos premiados prestes a expor o pescoço. A mais alta corte nacional de justiça poderá condená-los, desde a cassação dos mandatos até a proibição de candidatar-se nas próximas eleições.

Certamente pertencerão a diversos partidos, do PT ao PMDB, PP e outros. Será um razoável prejuízo para a base parlamentar do governo, impossibilitado de sair em defesa de seus integrantes.

Há temor no palácio do Planalto, em especial diante de ministros capazes de ser acusados e punidos. Na recente reunião de governadores, aqui em Brasília, a iminência da divulgação da lista da Odebretch gerou preocupações. A empreiteira operou em muitos estados, não apenas no plano federal.

NA MARCA DO PÊNALTI – Nesta quarta-feira, na Comissão de Ética da presidência da República, era grande a impressão de que Geddel Vieira Lima tem mínimas chances de escapar à acusação de haver atuado em favor de interesses pessoais. Amanhã também será um difícil para o ministro.

Um dia a coisa explode

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Chagas

Proibição das coligações partidárias nas eleições para a Câmara dos Deputados, cláusula de barreira para reduzir o número de partidos políticos, teto para gastos nas campanhas eleitorais e voto em listas partidárias em vez de candidatos a deputado federal. Some-se a reforma da Previdência Social e se terá a pauta das reforma políticas até o final do ano.

Desse sucinto elenco apenas um contraria a natureza das coisas: a obrigação do eleitor votar apenas na sigla do partido de sua preferência, sem fulanizar o voto.

Desde o Império que a gente escolhe em quem votará. Tanto faz se João, Benedito ou Antônio, mas tem sido assim há séculos. Agora, querem mudar o objetivo do voto para deputado. O eleitor que escolha o seu partido, cabendo aos dirigentes de cada um preparar as listas dos que serão votados. Claro que se colocarão nos primeiros lugares, nem precisando fazer campanha ou gastar dinheiro.

SEM REPRESENTAÇÃO – Será um retrocesso. Deixar de optar por quem pretendemos que nos represente afastará a decisão personalizada. Poderão ser eleitos candidatos despojados da vontade do eleitor, bafejados por amizades ou motivos menos nobres.

As reformas políticas se limitarão ao imprescindível, havendo dúvidas, também, sobre a questão previdenciária. Aumentar o prazo para aposentadorias parece certo, mas pelo jeito não se cuidará da reforma trabalhista. Suprimir direitos levantará protestos, será bom ir com calma. O desemprego ultrapassa todos os limites enquanto inexistem sinais de arrefecer. Um belo dia a coisa explode, sem que se possa conter a indignação geral.

Falta o torpedo final para acabar com o PT

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Fotomontagem reproduzida do Diário do Brasil

Carlos Chagas

Cada vez que a Operação Lava Jato manda prender um dos marechais do PT, quantos companheiros desistem e se desligam da legenda, formal ou informalmente? Milhares ou milhões?

A degola de Antônio Palocci constitui-se numa explosão de  profundas consequências para  o partido, menos porque o ex-ministro será condenado à  prisão por longo período, mais porque, depois dele, só resta mesmo disparar o torpedo final sobre  o Lula. Nessa hora, estará acabado o PT.

Esse golpe de graça ou petardo definitivo, porém, exige tornar o ex-presidente  inelegível  por via  judicial.

Por enquanto, a sobrevivência do PT liga-se à sorte do Lula. Procuradores, Polícia Federal, Ministério Público e Receita atuam para levar o combate às últimas consequências, ou seja, ao afastamento do Lula da vida política. É o embate derradeiro, ainda de resultado inconcluso.

TRÍPLEX NO GUARUJÁ – Afinal, as acusações contra o primeiro-companheiro, por enquanto costeando  o alambrado, restringem-se a um apartamento triplex cuja propriedade ele nega,  e ao armazenamento de presentes recebidos durante seus dois mandatos na presidência da República. Crimes, é claro, mas nada parecido com os  praticados por Antônio Palocci, orçados em mais de uma centena de milhões carreados para  seu bolso. Daí para trás, até chegar a José Dirceu, há munição capaz de implodir o Partido dos Trabalhadores, desde que disparado o último torpedo para atingir o Lula.

Os petistas aferram-se à possibilidade de blindar seu chefe maior para levá-lo até a próxima sucessão presidencial. Difícil é, mas impossível, não será.