Com Ulysses, o Brasil seria outro

Resultado de imagem para ulysses guimarães frases

Fotomontagem reproduzida do RecadoX.com.br

Carlos Chagas

O marechal Castelo Branco havia fechado os velhos partidos políticos, num momento em que perdera a maioria no Congresso. Do maior deles, o PSD, à UDN, ao PTB e outros, todos foram proibidos de funcionar. A ditadura autorizou só dois: o partido do “sim” e o partido do “sim, senhor”. Formaram-se a Arena e o MDB. Para a Aliança Nacional Libertadora correram os salvados do regime militar, montes de parlamentares ávidos de aderir aos donos do poder. Sobraram os deputados e senadores impossibilitados de ficar com o governo e dispostos a agir como oposição consentida, que fundaram o Movimento Democrático Brasileiro.

Foram escolhidos os respectivos presidentes. Não sem motivos, o MDB optou por um desconhecido general, senador pelo Acre, Oscar Passos, herói da campanha da FEB, na Itália.

Logo vieram as eleições parlamentares e o general não se reelegeu. Assumiu o vice-presidente, Ulysses Guimarães, de São Paulo. Graças a ele, desapareceu a proposta de autodissolução do MDB, como reação à truculência da ditadura. Pelo contrário, ele organizou a resistência e enfrentou as forças do governo. Diante das eleições indiretas para presidente da República, foi lançado anticandidato. Mesmo sabendo da eleição do general Ernesto Geisel, percorreu o país em memorável campanha. São de sua inspiração as páginas mais lindas da literatura política brasileira, na convenção que o indicou:

A TERRA ANSIADA – “A caravela vai partir. As velas estão pandas de sonho e aladas de esperança. Posto no alto da gávea pelo povo brasileiro, espero um dia poder anunciar: “Alvíssaras, meu capitão! Terra à vista! À vista a terra ansiada da liberdade!”

O tempo passou, a ditadura também. Custou muito, pois as eleições continuaram indiretas. Nos estertores do regime militar, Ulysses liderou a campanha pelas “diretas já”. Perdeu. Seria o presidente se o povo pudesse votar. Com as indiretas, elegeu-se Tancredo Neves.

Anos depois, Ulysses sucumbiu à tragédia da vida, num desastre aéreo. Tivesse sido eleito, o Brasil seria outro.

 

Uma lei celerada, para cercear a informação

Resultado de imagem para tv justiça charges

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Chagas

Vez por outra somos surpreendidos, na Câmara dos Deputados, pela apresentação de projetos de lei lamentáveis, dignos de levar seus autores para o cadafalso. Um deles apareceu esta semana. O deputado Vicente Cândido, do PT de São Paulo, propôs a proibição da transmissão dos julgamentos realizados no Supremo Tribunal Federal e demais tribunais, vedando a veiculação nas telinhas de todas as sessões do poder judiciário, tanto faz se ao vivo, gravadas ou editadas.

O pior é que a Comissão de Comunicação aprovou esse absurdo. O parlamentar alega estar em defesa dos cidadãos submetidos a julgamento, ainda não condenados. Pretende impedir que suas famílias venham a ser prejudicadas pela exposição de detalhes processuais.

Trata-se, sem tirar nem pôr, de uma ode ao fascismo. Um retrocesso, até inconstitucional, porque cerceia o direito à informação.

UM MONSTRENGO – É de espantar que tenha sido apresentado um monstrengo dessa envergadura e ainda por cima acatado numa comissão parlamentar.

Reagiu o ministro Marco Aurélio Mello, rotulando de inimaginável uma proposta assim, que cerceia a liberdade e ofende a justiça. A lei garante a defesa da honra de todos, mas a censura degrada a humanidade.

Ignoram-se os motivos que levaram o representante do PT a tal destempero. Estaria na lista da Odebrecht? Estaria antecipadamente defendendo o Lula, na hipótese de sua prisão? Ou tem alguma rixa com os meios de comunicação? Quem quiser que investigue, mas essa lei celerada, se passar, envergonhará o país inteiro.

“Se ele (Rodrigo Maia) pode, eu também…”

Charge do William, reproduzida do Arquivo Google

 

Quem anda feliz é o presidente do Senado, Renan Calheiros. Principal estímulo a que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se candidate a novo período, o senador alagoano passou a exercitar a lição tão comum na política brasileira: “se ele pode, eu também…”

Ambos terminam seus períodos de comando na Câmara e no Senado. Maia, numa espécie de mandato-tampão, eleito para apenas completar o mandato que foi de Eduardo Cunha. Seu limite é fevereiro, quando a lei exige a eleição de um sucessor. Renan porque estoura seu tempo no mesmo mês. Presidiu o Senado e o Congresso inúmeras vezes, agora completa o prazo fatal.

Tanto um quanto outro lamentam a hora de esvaziar as gavetas. O deputado, porque tendo preenchido um terreno minado pelas armadilhas do hoje réu preso Eduardo Cunha, trouxe tranquilidade à Câmara. Ajustou-se às necessidades do governo Temer e comporta-se como parceiro ideal do palácio do Planalto. Se continuasse pelos próximos dois anos, evitaria montes de problemas com a instável base parlamentar do presidente da República.

Quanto a Renan, os motivos são diversos. Respondendo a doze processos no Supremo Tribunal Federal, vive sob o risco de condenações e até de perda de mandato. Por isso atua perigosamente em todos os temas polêmicos de interesse do Congresso, certo de que preenchendo os espaços à vista, afastará a sombra de incursões inusitadas ao seu futuro. O problema é que completará o tempo de sair do palco, podendo ficar ao sol e ao sereno, exposto a seus adversários.

Em condições normais de temperatura e de pressão, os dois presidentes retomariam seu convívio com as casas que dirigem sem maiores problemas. Rodrigo Maia naturalmente aguardando novas oportunidades, Renan Calheiros usufruindo sua experiência. Do jeito que as coisas vão, no entanto, arriscam-se a mergulhar na incerteza. Um de volta à árida planície, outro sob o risco de mergulhar nas profundezas.

Por isso lançam-se ambos à cata de pareceres e de juristas capazes de justificar as reeleições que a lei e os regimentos internos proíbem. Contam com uma distante simpatia do presidente Michel Temer e com consideráveis bancadas de seus partidos e afins. Resta esperar como desenvolverão suas estratégias. Tempo existe.

 

 

A República foi proclamada sem povo

Resultado de imagem para marechal deodoro proclamação da republicaCarlos Chagas

O sol não tinha nascido quando um grupo de jovens oficiais do Exército, rebelados contra o primeiro-ministro, Visconde de Ouro Preto, bateram na porta de uma casa modesta, próxima do Campo de Santana. Vinham pedir ao morador que os liderasse, pois faltava um general de desenvoltura política que, à frente das tropas  insubordinadas, depusesse o ministério. Sem dormir por toda a madrugada, o marechal  Deodoro da Fonseca sofria de dispnéia, respirando mal e até, conforme seus vizinhos, talvez não passasse do dia 15, que nascia. Os boatos eram sobre a dissolução do  Exército, substituindo-o pela Guarda Nacional. Também se falava da iminente prisão de Deodoro.

Com muito esforço, e acreditando na boataria, o marechal fardou-se e tentou montar no cavalo baio a ele oferecido. Não conseguiu, ocupando então uma charrete. Tomou o rumo de São Cristóvão, onde se localizavam regimentos dispostos a aderir à rebelião. No meio do caminho, às margens do Mangue, um pequeno riacho, confraternizaram a comitiva do marechal e dois batalhões que deixavam os quartéis,  marchando para a sede do ministério da Guerra, onde se encontrava reunido o ministério. Da janela do segundo andar, o primeiro-ministro dava ordens ao ajudante-geral do Exército, marechal Floriano Peixoto, para acionar as tropas legalistas e tomar de assalto os poucos canhões apontados contra o governo. Referiu-se à superioridade dos soldados fiéis, lembrando que na recém encerrada Guerra do Paraguai, em condições muito mais adversas, peças inimigas tinham sido tomadas à baioneta. Floriano, sem posição definida na rebelião, justificou a inação: “é, senhor ministro, mas no Paraguai lutávamos contra paraguaios”.

Deodoro chegou, mandou abrir os portões e agora a cavalo, irrompeu pelo pátio interno, com a tropa entusiasmada gritando “viva Deodoro! Viva Deodoro!” Como gesto peculiar adquirido na guerra, ele saudou a tropa tirando e colocando o quepe por diversas vezes. E gritando “viva o Imperador! Viva o Imperador!”

Naquela hora, já haviam chegado ao prédio do ministério partidários da proclamação da República, como Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva, Aristides Lobo e outros, que subiram com Deodoro as escadarias para o salão onde o ministério estava reunido. Ouro Preto não se levantou e ouviu as queixas do marechal, falando na humilhação porque passava o Exército. Ardendo de febre, Deodoro repetiu diversas vezes que o Exército se sacrificara nos pântanos do Paraguai e não merecia o desprezo do governo. Em dado momento, replicou o primeiro-ministro: “Olha aqui, marechal, sacrifício muito maior estou  fazendo agora ouvindo as baboseiras de Vossa Excelência!”

Dali para Deodoro anunciar que Ouro Preto estava deposto e preso foi um minuto. Aproximaram-se os republicanos e os militares, quando Benjamin Constant aproveitou para sugerir a Deodoro que melhor oportunidade não havia para proclamar a república, naquela hora.  O marechal refugou, lembrou que o Imperador era seu amigo, mas ouviu que se a República fosse proclamada, o país seria governado por um ditador. Ele mesmo.

Quando todos se retiravam, Ouro Preto para a  cadeia, Deodoro montou o cavalo baio e saudou de novo a tropa, agora gritando “viva a República! Viva a República!”

Decidiram os militares   empreender a “marcha da vitória”, com a tropa desfilando pelas ruas do centro do Rio, com banda de música e a população ainda sem saber porque, já que a República fora proclamada sem povo, quase de madrugada. Foi preciso que à tarde, José do Patrocinio, republicano e vereador na Câmara Municipal, realizasse uma sessão solene participando aos presentes que o Brasil era uma república. A sequência do acontecido fica para outro dia.

Os canhões não falaram e a democracia saiu ilesa

Resultado de imagem para jk e o marechal lott

Juscelino e o general Lott, que garantiu a posse dele

Carlos Chagas

Sexta-feira, 11 de novembro de 1955, o Rio não dormiu. Ou dormiu pouco, porque de madrugada a cidade já estava acordada. Em todos os quartéis e repartições do Exército havia movimentação inusitada. Tanques e canhões ocupavam as principais avenidas e praças. Soldados equipados  guardavam repartições federais e, de forma um tanto estranha, cercavam estabelecimentos da Marinha e da Aeronáutica.

No ministério da Guerra, as luzes estavam acesas, em especial nos andares dos gabinetes do ministro e do comandante do I Exército.  Aparelhos de telegrafia e telefones não paravam de tilintar, transmitindo ordens e recebendo adesões das unidades espalhadas pelo país inteiro.

O Exército erguia-se em solidariedade ao ministro Henrique Teixeira Lott, demitido na véspera, mas horas depois outra vez instalado em seu gabinete pela totalidade dos demais generais e altos oficiais. Levantava-se o país armado para evitar o golpe engendrado pelo presidente interino da República, Carlos Luz, apoiado pela Marinha e a Aeronáutica, empenhados em não dar posse ao presidente eleito, Juscelino Kubitschek.  Em nome da legalidade e para assegurar o regime democrático e a Constituição, o general Lott aceitara chefiar a rebelião. Um golpe para evitar outro golpe, ironicamente batizado de Movimento de Retorno aos Quadros Constitucionais Vigentes. A agressão à semântica tinha sido o único erro do Exército, porque como retornar ao que não era  mais vigente?

Enquanto o sol nascia, o presidente derrotado e mais uns poucos ministros e conspiradores conseguiram embarcar no cruzador “Tamandaré”, rompendo a linha de defesa das fortalezas do Exército, na entrada da baía da Guanabara. Diz a crônica que general Lott mandara bombardear e afundar o navio rebelado. Como estávamos no Brasil, as fortalezas atiravam, o estrondo era grande, mas nenhuma bala acertou. Brasileiros matando brasileiros? De jeito nenhum.

O navio seguiu para o Sul, mas precisou voltar, pois nenhuma adesão foi conquistada. O Exército dominava o litoral e o interior. O Congresso encontrou outro presidente interino, no caso Nereu Ramos. Juscelino Kubitschek tomou posse, dias depois, mantendo o general Henrique Lott como ministro da Guerra. Estava salva a Legalidade, pelo menos até 1964. Ainda hoje ressoam os estampidos dos poderosos canhões das fortalezas. Merecem medalhas os bravos artilheiros que, de propósito, erraram o “Tamandaré”.  Da mesma forma os marinheiros que não responderam ao fogo amigo. Felizmente, os canhões não falaram.

Mesmo se não escapar ninguém…

Resultado de imagem para SERVIDORES MARAJAS  CHARGES

Charge do Dum (dumilustrador.blogspot.com)

Carlos Chagas

Apesar de nenhum funcionário público do Judiciário, Legislativo e Executivo ou das estatais poder receber mais do que 33 mil reais por mês, quantia devida aos ministros do Supremo Tribunal Federal, a verdade é que na administração direta e indireta existem montes de marajás beirando os cem mil reais.

Irritado com esse descumprimento da Constituição, o presidente do Senado, Renan Calheiros, instalou uma comissão para, em vinte dias, relacionar todas as distorções e seus beneficiários.

Trata-se de um absurdo, disse o parlamentar alagoano. Poderia ter dito, também, de um crime. Em especial por atingir integrantes do Judiciário. A Associação dos Juízes Federais denuncia que os maiores salários estão entre os servidores da Câmara e do Senado.

Seria bom repetir o mote que de quando em quando refere-se à atividade pública no país: “esteje todo mundo preso!” Pelo menos, que se aplique prisão domiciliar a quem ultrapassar o teto máximo devido aos funcionários do estado. E com o adendo de que todos deveriam repor aos cofres públicos as quantias recebidas indevidamente. Não sobraria ninguém. Ou muito poucos.

DISPARIDADES – Se um ascensorista da Câmara recebe mais do que um piloto de avião a jato, também é verdade que um servidor de cafezinho no palácio do Planalto ganha mais do que um professor universitário. Em oportunidades sem conta, acima dos ministros do Supremo.

Conseguirá Renan Calheiros chegar a esse “listão” de horrores, e, mais ainda, obter que algum intérprete da Constituição sentencie todos os privilegiados?

Tem gente supondo que a iniciativa do presidente do Senado deve-se à reação contra a iminência dele ser processado no Judiciário. Tanto faz, mesmo se não escapar de sua participação na Operação Lava Jato e sucedâneos.

Da Doutrina Monroe à Doutrina Trump

Resultado de imagem para TRUMP CHARGES

Charge do Chappatte, reproduzida do New York Times

Carlos Chagas

O Pato Donald e o Tio Patinhas assumirão juntos a presidência dos Estados Unidos? Um estrilando e vociferando contra o mundo, outro empenhado em fazer de cada cidadão americano um bilionário associado à característica de só ganhar dinheiro. Essa união dificilmente deixará de dar errado, mas foi o resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Indaga-se das consequências na América Latina e, em especial, no Brasil. O muro prometido na fronteira com o México não isolará apenas esse país, mas deixará em situação de crise tudo o que existir de lá até a Terra do Fogo.

Vivermos sem a presença dos Estados Unidos será impossível, ainda que a convivência com o egoísmo enunciado pelos irmãos do Norte possa  resultar em nossa carta de emancipação. E na necessidade de seguirmos apoiados em nossas próprias forças.

PROMESSAS E ENGANAÇÕES – O pior nesses novos tempos não seria a suspensão de eventuais benesses americanas em nosso favor. Na balança do deve e do haver temos recebido muito mais promessas e enganações. Só que agora, salvo engano, receberemos mais cobranças. Voltará a chantagem de que a  Amazônia é o pulmão do mundo, pertence ao planeta inteiro e deve ser internacionalizada? Ou de que precisamos pagar primeiro para depois auferirmos o lucro de nossos investimentos? Criar empregos nos Estados Unidos prevalecerá sobre a importância de reduzir os doze milhões de desempregados em nosso território?

Vem por aí, pelos braços do novo presidente americano, tempos ainda mais amargos de relacionamento com Washington. Depois da Doutrina Monroe, vem por aí a Doutrina Trump. Teremos que pagar também uma parte das despesas com o muro?

Donald Trump, entre o impossível e o previsível

Resultado de imagem para vitoria de trump

Na Casa Branca, Trump precisa enxergar o futuro

Carlos Chagas

A primeira e mais importante conclusão da vitória de Donald Trump foi a falência total das prévias eleitorais nos Estados Unidos. Mais do que um clamoroso erro dos institutos de pesquisa, está o vexame dado pelos comentaristas da televisão, das emissoras de rádio e dos jornais, com ênfase para os brasileiros, cópia escancarada dos americanos. No mundo inteiro foi a mesma coisa: ninguém fez a previsão correta. Ou davam a vitória indiscutível de Hillary Clinton ou, pelo menos, um resultado apertado para o partido democrata.  Jamais números cravados do começo ao fim nos republicanos.

Perplexidade, incerteza, falta de visão? Despreparo ou humilhação? Tanto faz.  A verdade é que uma candidata tida como vitoriosa perdeu o rumo e obrigou-se a reconhecer que Casa Branca, nunca mais.

O mundo só não acordou em crise porque não dormiu. Do Alaska à Terra do Fogo, a madrugada desse 9 de novembro terá sido de insônia ou de maciças doses de cafezinho, porque desde a abertura dos resultados da votação que todo mundo apavorou. Até aqui no Brasil, onde péssimas previsões começaram a ser feitas. Se o homem é doido ou se acertou com o sentimento do povo americano, tanto faz. Parece a mesma coisa. A diferença entre o colégio eleitoral e o voto individual foi mínima, mas não deixou dúvidas: Trump ganhou nas duas. Agora, precisa provar que prometeu o impossível ou o previsível.

 

PT está em busca do novo através do velho

Resultado de imagem para Lula candidato charges

Charge do Mariano, reproduzida da Charge Online

Carlos Chagas

Reunido segunda-feira com 47 deputados do PT, em São Paulo, o ex-presidente Lula sustentou a escolha de um novo presidente para o partido, ano que vem. Para ele, deve haver renovação no comando petista, o que significa companheiros dispostos a percorrer o país, não necessariamente jovens, mas capazes de captar novos sentimentos nas classes trabalhadoras. O Lula deixou claro estar disposto a contribuir para mudar o PT, mas sem abrir mão da preservação dos ideais dos tempos de sua fundação.

Traduzindo: poderá assumir a liderança do novo sem perder as características do velho. Em outras palavras, pode candidatar-se à presidência do PT, agora, e até aspirar a  presidência da República,  em 2018.

São os primeiros passos da renovação, que ninguém garante possam ser percorridos, dado o desgaste sofrido pelos companheiros nas recentes eleições municipais. Rui Falcão parece afastado da direção do partido, mas se vier a ser substituído pelo Lula, será até a definição do candidato ao palácio do Planalto, ele mesmo.

Nos demais partidos, as dúvidas permanecem. No PSDB, Aécio Neves tem tudo para permanecer como presidente do partido e como candidato presidencial. A menos que Geraldo Alckmin atropele. No ninho tucano, a estratégia será mais lenta, mas nem tanto.

No PMDB, tudo dependerá de Michel Temer e do sucesso do plano de recuperação  econômica.

O dobro da metade, na estratégia do governo

Resultado de imagem para governo temer  charges

Charge do Sid, reprodução do Arquivo Google

Carlos Chagas

O senador Renan Calheiros foi avisado pelo palácio do Planalto de que não deve contar com qualquer iniciativa capaz de ajudá-lo nas denúncias que correm contra ele no Poder Judiciário. Da mesma forma, porém, não deve esperar a intervenção do presidente Michel Temer no sentido de levar o Supremo Tribunal Federal a   ajudá-lo na tramitação dos processos a que responde. Traduzindo: o governo não atuará nem contra nem a favor do presidente do Senado. Simplesmente, deixará que a natureza siga o seu curso.

Na mesma linha de comportamento seguirá o governo diante da eleição dos novos presidentes e das mesas do Senado e da Câmara. Quem a maioria dos partidos escolher, estará escolhido. Assim, tanto fará para Michel Temer se o sucessor de Renan Calheiros vier a ser Eunício Oliveira ou Raimundo Lyra. Vale o mesmo na Câmara dos Deputados.

É claro que o Executivo terá suas preferências, ou melhor, disporá de uma relação de parlamentares infensos a seus interesses. Mas não participará da seleção de quem vier a ser indicado pelos partidos de sua base. O ideal será evitar a ascensão de adversários, mas mesmo eles, se foram indicados de acordo com as maiorias parlamentares, o governo tentará ficar de fora.

Em suma, o objetivo é a preservação da bandeira branca, para a governabilidade. Se Michel conseguir o dobro da metade das forças que evoluem ao seu redor, melhor para conquistar espaços necessários a afastar obstáculos.

Voz e imagem de um candidato

Resultado de imagem para FHC charges

Charge do Aroeira, reprodução do Portal O Dia

Carlos Chagas

Não deixa dúvidas o recente artigo semanal que dá continuidade a entrevistas permanentes, palpites e manifestações variadas: o sociólogo é candidato mesmo. Afere-se a certeza da afirmação pela evidência de que imagem e voz do personagem ganham cada vez mais intensidade na busca de um objetivo. Começa pela constatação de que as coisas estão mudando, depois das recentes eleições municipais, mas com o alerta de que mais riscos e medos ganham a realidade.

Não há candidato que despreze essas duas paralelas: otimismo pelas mudanças registradas, mas horror pelo que poderá sobrevir caso sua pregação deixe de ser seguida.

As urnas comprovaram aquilo que orgulhosamente o candidato reivindica ter  previsto antes de todo mundo: a derrocada do PT, os êxitos do PSDB, a emergência da antipolítica, o desemprego, os desafios, as abstenções, anulações de votos, a vitória dos não partidos.

O QUE FAZER? – Na sequência, ele indaga o que fazer, depois de afirmar, como eleitor do PSDB, e ampliar aos dirigentes políticos de outros matizes, ao Brasil, como país parte de um mundo desafiador, às demandas dos perdedores e das organizações internacionais, para evitar a escalada dos conflitos geopolíticos.

“Os que temos responsabilidades públicas ainda não sentimos com força a urgência do que é preciso fazer para reconstruir o tecido social de um país com 12 milhões de desempregados, em situação fiscal falimentar”.

O sociólogo aproveita para verberar o estrago e o milenarismo esquerdista que o lulopetismo fizeram, mostrado pelas urnas.

Vai adiante, juntando as peças do raciocínio óbvio de um candidato  disposto a, acima das bandeiras partidárias, reconstruir a economia, refazer as bases da convivência política em meio à permissividade e a corrupção, engatando novamente o Brasil no mundo.

Depois de elogiar o governo Temer, fala numa trégua nacional, rejeitando a conciliação das elites e exortando o Supremo Tribunal Federal a deixar o Lava Jato cumprir seu papel de restaurador da moral pública e do respeito aos direitos humanos. Quer salvaguardar os empregos e as empresas, exigindo vozes não ouvidas e exortando o PSDB a reafirmar o “social” de seu nome, opondo-se às ondas reacionárias.

É ou não é a voz de uma imagem construída ao longo de um objetivo impossível de ser negado?

Embolou o meio campo na sucessão presidencial

Resultado de imagem para sucessão de 2018 charges

Charge do PW (pwdesenhos.com.br)

Carlos Chagas

Michel Temer, se der certo a recuperação econômica, poderá rever a decisão de não candidatar-se à reeleição, porque direito ele  dispõe desde já,  pela Constituição. A  candidatura de Henrique Meirelles só se viabilizaria com o sucesso do primeiro fator,  que o segundo anularia. Com o presidente e o ministro da Fazenda fora do páreo, dificilmente o PMDB teria chance, por falta de candidato. A menos que Roberto Requião se reciclasse, hipótese remota.

As projeções mudam quando se olha para o PSDB, que tem candidatos até demais, em especial depois da vitória nas recentes eleições municipais. Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra correm o risco de canibalizar-se e assistir a ascensão do pretendente que há anos vem montando sua estratégia, o ex-presidente Fernando Henrique. Apesar dos 85 anos atuais, mais parece um adolescente empenhado em reler a biografia de Konrad Adenauer.

Fora das duas forças partidárias maiores, outras surpresas se arriscam. Estaria o PT sepultado pela tragédia de Dilma Rousseff e a queda do Lula? Como explicar, porém, a fobia das elites em destroçar o que sobrou do torneiro mecânico? Haveria no PT outro capaz de, sem ter lido Proust, andar com “Em Busca do Tempo Perdido” debaixo do braço? Teriam virado fumaça as massas um dia imaginando-se a um passo do poder?

Mas tem mais. Marina Silva encomendou  a túnica de Madre Teresa de Calcutá. Ronaldo Caiado espera montar o corcel do Zorro. Álvaro  Dias até abandonou o ninho dos tucanos para voar mais alto. Jair Bolsonaro confia na força dos quartéis despojados de fuzis. E mais uma legião de candidatos atrás de quinze minutos de glória na televisão.

Diz o velho provérbio árabe que bebe água limpa quem chega primeiro na fonte. Talvez por isso Marcelo Crivella se encontre, esta semana, rezando em Jerusalém.  E João Dória Júnior,  ampliando o número de empresários em resorts nas praias da Bahia.

FHC e seus três ministros do segundo reinado

Charge do Aroeira, reprodução do portal O Dia

Carlos Chagas

O primeiro movimento é óbvio: aparecer em todas as oportunidades, manifestar-se sobre todos os assuntos, dar palpite sobre cada tema ou acontecimento. O segundo é uma consequência: deixar claro seu desinteresse em tirar proveito de suas opiniões, sempre  a título de colaboração, especialmente se tiver sido professor, pairando acima do conjunto ávido de receber concordâncias.

Terceiro: mais do que tudo, negar até o último minuto ilações a respeito de suas verdadeiras intenções, mas acertando sempre nas críticas e no chamamento às necessárias correções. Jamais dizer-se candidato, alegando até mesmo a idade  e o dever já cumprido, em se tratando de ex-presidentes.

Por último: valer-se, sem exagerar, das lembranças e artigos favoráveis de antigos colaboradores e fiéis seguidores, mesmo deixando claro não estar concorrendo, apesar de dispor de soluções para as questões mais agudas à vista de todos.

Esse, sem tirar nem pôr, é o roteiro da candidatura de Fernando Henrique Cardoso, aquele que é, dando a impressão de nunca ter sido. Milimetricamente, peça por peça, o sociólogo cumpre as diversas etapas que o farão ser lançado como denominador comum em meio ao canibalismo de tucanos como Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra. Quando tais ingênuos perceberem, terão sido engolidos pelo ex-presidente, até felizes por evitar derrotas isoladas e imediatas, esperançosos em disputar os futuros mandatos.

Traduzindo: FHC é candidato mesmo, aproveitando-se da vitória do PSDB nas recentes eleições municipais. Os três pretendentes fracassados poderão até ocupar três ministérios no Segundo Reinado.

Complicações à vista na Câmara e no Senado

Resultado de imagem para rodrigo maia charges

Charge do Elvis, reprodução do Humor Político

Carlos Chagas

Eunício Oliveira no Senado e Rodrigo Maia na Câmara aparecem como favoritos para as presidências das duas casas, com decisão prevista para fevereiro.  Entre os senadores, não há problema. O PMDB tem maioria e o representante do Ceará conta com o apoio do palácio do Planalto. No caso dos deputados, é diferente. O atual presidente da Câmara não pode permanecer, conforme o regimento interno, ainda que conte com a simpatia do presidente Michel Temer e de boa parte dos deputados. Seria preciso mudar o regimento para permitir a reeleição. O problema é que se Rodrigo Maia for beneficiado com a mudança, por que não estender a permanência para o Senado? Nesse caso, Renan Calheiros exigiria reciprocidade.  Continuando a presidir o Senado, ficaria livre de pelo menos a metade de seus problemas.

As decisões só serão tomadas em fevereiro e surgiu um obstáculo: o PSDB. Os tucanos contam com a presidência da Câmara, mesmo sem dispor de um nome de consenso. Se for para engolir Rodrigo Maia, vão botar água no chope de Eunício Oliveira. A equação ficará mais conturbada se entrarem nela  as preliminares da sucessão presidencial de 2018.  Onde estiver Geraldo Alckmin, não estará Aécio Neves, e vice versa. Os dois candidatos presidenciais pretendem fechar o ano com um futuro presidente da Câmara definido, mas dificilmente será o mesmo. Mais provável é que um mineiro e um paulista busquem a indicação, vencendo aquele que dispuser de maior apoio no PMDB.

Em suma, complicações à vista para o tucanato e para o presidente Michel Temer.

Três Marcelos e uma Marcela nos rumos da política

Aos poucos, Marcela começa a aparecer na ribalta política

Carlos Chagas

O segundo turno das eleições municipais misturou conceitos políticos conflitantes,  incapazes de definir o que vem por aí. Três Marcelos e uma Marcela aumentam as indefinições, mas servirão como parâmetro para o malogro ou o fracasso da recuperação nacional.

Marcelo Crivella confirmou a importância do desembarque e da fuga das ideologias como fator das decisões na cidade politicamente mais rebelde do país. Houve tempo em que sucederam-se Carlos Lacerda e Negrão de Lima, antípodas capazes de exprimir o mesmo espírito rebelde da  população mais politizada do país, ainda que conflitantes. Foram os dois governadores mais populares que os cariocas tiveram, mesmo inimigos permanentes. Depois das sucessivas nulidades que os sucederam, abre-se o palco para nova confrontação: Marcelo Crivella, elegendo-se prefeito, insere a religião como penhor de sua vitória. Ganhou em função da sua Igreja, mas ela estará iniciando um período promissor em termos de poder ou tratou-se de presença passageira?

Terá Marcelo Freixo condições de ressuscitar a ideologia, no caso de esquerda, constituindo-se no polo oposto ao Bispo, nas eleições de governador, em 2018? Ou de presidente?

O terceiro Marcelo é o Odebrecht, longe de disputar eleições, por enquanto inquilino da cadeia. Supondo-se que, com suas delações, e de seus funcionários, venha a  facilitar a condenação de montes de políticos petroleiros, mensaleiros e demais fraudadores dos dinheiros públicos, o milionário prestará grandes serviços ao combate à impunidade. Também influirá no futuro político da nação.

Falta a Marcela, primeira dama do governo Michel Temer. Seu papel, de anjo-da-guarda do presidente da República, é fundamental para o sucesso dele. Tanto quando os três Marcelos referidos.

 

Um enigma, um mistério e uma charada

Resultado de imagem para renovação na política charges

Charge do Santo, reprodução da Charge Online

Carlos Chagas

Dos 513 deputados federais, quantos perderão o direito de candidatar-se à reeleição em 2018, incluídos no rol dos ficha suja? Quantos senadores, dos 61 cujos mandatos se encerram? Que partidos fornecerão maior número de proscritos: PT, PMDB ou PP?

Poucas dúvidas existem a respeito de tratar-se da maior renovação parlamentar das últimas décadas na Câmara e no Senado. Acresce que a cláusula de barreira, agora uma certeza, também contribuirá para sensíveis mudanças, junto com a proibição de doações de empresas para as campanhas eleitorais.

Vale prestar atenção nesses números, que não demora serão conhecidos. Cálculos sem confirmação dão conta de que, com a obrigação de apresentarem 2% de votos válidos em todo o país, distribuídos por pelo menos 14 estados, dos 35 partidos hoje funcionando, apenas 9 sobreviveriam. É claro que o Senado, hoje debruçado na questão, cuida de dar um jeitinho nesses percentuais. Se não conseguir, a Câmara cuidará, apesar de 9 ser uma conta exagerada.

O importante, porém, é saber o grau de renovação de deputados federais e senadores, com ênfase para os atuais que estarão impedidos de concorrer. Trata-se de um enigma dentro de um mistério, envolto por uma charada. Os novos congressistas serão mais novos ou mais velhos? Admitindo-se 9 partidos, parece que os dois primeiros serão PMDB e PSDB, desconhecida ainda a pole-position, mas o PT conseguirá emplacar?  Quanto aos demais, existirão os “de aluguel”? Algum “histórico”?

Por último, outra dúvida: dos prefeitos de capital hoje todos conhecidos, todos cumprirão seus mandatos de quatro anos? Quantos disputarão os governos estaduais?  E a presidência da República, só dois?

Mais dois no páreo da sucessão de 2018

Resultado de imagem para JOÃO DORIA E CRIVELLA

Dória e Crivella ainda negam, mas tudo é possível

Carlos Chagas

Entraram mais dois candidatos presidenciais, um abrindo o jogo, outro escondendo. Já existe uma página no Facebook divulgando que Marcelo Crivella disputará o palácio do Planalto dentro de dois anos. João Dória Júnior negou, mas dispõe de instrumentos até maiores: elegeu-se prefeito de São Paulo no primeiro turno.

Outro, se não saiu, pelo menos recuou. Aécio Neves havia perdido o governo de Minas e agora perde Belo Horizonte. Se ano que vem perder a presidência do PSDB, dificilmente se tornará o candidato tucano, cedendo a vez a Geraldo Alckmin.

No mais, as cartas continuam na mesa. Michel Temer logo poderá lançar-se candidato a um segundo mandato, porque a lei não retroage para prejudicar. Tem o direito constitucional da reeleição, mesmo se a próxima reforma política vier a proibi-la. Para a hipótese de rejeitar mesmo a permanência, surge Henrique Meirelles. Nos dois casos, a recuperação econômica será condição imprescindível.

Os outros pré-candidatos são os mesmos: Ciro Gomes, Marina Silva, Alvaro Dias, Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro, Joaquim Barbosa e outros menos falados.

OPÇÃO DO PT – E o Lula? Será bom não esquecê-lo, pois apesar da queda livre que atinge o PT e o próprio primeiro-companheiro, será sempre bom lembrar constituir-se na única opção do partido. Disporá da lembrança de dois mandatos presidenciais de muito êxito, apesar de Dilma Rousseff haver perdido todo o seu capital.

Em suma, o quadro não parece definitivo, mas é o que se delineia. O leitor não deve estranhar a repetição, hoje, dos fatores aqui expostos ontem, apenas com a atualização de mais opções.

Definições iniciais da sucessão de 2018, que começou hoje

Resultado de imagem para alckmin e aecio

Alckmin e Aécio disputam a indicação, com Serra alijado

Carlos Chagas

Começou hoje a temporada sucessória de 2018.  Conhecidos os resultados do segundo turno das eleições municipais, vale o provérbio árabe de que “bebe água limpa quem chega primeiro na fonte”. Geraldo Alckmim ou Aécio Neves? Note-se a exclusão de José Serra dos pretendentes a candidato pelo PSDB. O governador de São Paulo leva ligeira vantagem sobre o senador mineiro, tanto pela força do estado que governa quanto pela vitória de João Dória para prefeito de São Paulo. Como Aécio Neves é o presidente do partido e foi candidato nas últimas eleições, está no páreo.

Entre os tucanos, cresce a tendência para a realização de uma prévia junto às bases do partido, iniciativa capaz de acontecer no primeiro semestre de 2017.

Discute-se no PMDB a hipótese de o presidente Michel Temer rever a já anunciada disposição de não candidatar-se. Primeiro, pela ausência de candidatos robustos em seus quadros. Depois, porque Henrique Meirelles, para viabilizar-se, precisaria realizar o milagre da recuperação econômica em prazo bastante curto.

Ciro Gomes, Marina Silva, Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro, o Lula e outros constituem hipóteses a depender de dois fatores maiores: sucesso no plano de governo de Michel Temer e definição do candidato dos tucanos.

Dois anos para meditar, antes da sucessão presidencial

Resultado de imagem para sucessão charges

Charge do Tacho, reprodução do Jornal NH

Carlos Chagas 

A partir de hoje começa no país um jejum de dois anos sem eleição. Excelente oportunidade para 140 milhões de eleitores meditarem a respeito dos votos dados e por dar. Arrependimento? Sensação de dever cumprido? Ou de tempo perdido?

Da próxima vez que o eleitor se deparar com as diabólicas maquininhas de votar, estará escolhendo o futuro presidente da República, além de governadores, deputados e senadores. Tempo de sobra para decidir sobre os rumos a tomar.

Do que o Brasil mais necessita, além de eleições? Persistir no desvio adotado de maio para cá, sob nova direção e empenhado em cercear direitos e exigir sacrifícios das camadas menos favorecidas? Ou ampliar espaços para distribuir pela maioria carente a riqueza concentrada nas elites?

São duas alternativas a concentrar as atenções gerais sem possibilidade de integração entre elas. Ou uma ou outra. Dois anos bastarão para o país decidir se os 12 milhões de desempregados se multiplicarão ou serão sensivelmente reduzidos. Tempo há para a sociedade definir-se até que outra vez sejamos chamados a votar pela distribuição ou a concentração da riqueza.

Desde que o mundo é mundo essa dicotomia atormenta a humanidade. Raras vezes, porém, abre-se ocasião como essa, um interregno de dois anos para a revelação do futuro.

ESTRELA EM ASCENSÃO – O PT começa a reunir os cacos, visando ressurgir, e um nome começa a ser lembrado para presidir o partido. É o ministro Patrus Ananias, que até agora passou incólume pelo lamaçal dos últimos anos. Resta saber se tem disposição.

Como estimular o comparecimento às urnas

Resultado de imagem para ELEIÇÕES CHARGES

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

As abstenções, os votos nulos e em branco poderão superar as preferências dadas aos vencedores e aos derrotados nas eleições de prefeito nos municípios que amanhã estarão votando no segundo turno. Trata-se de um perigoso sinal. De um vexame, é claro, mas acima e além do desinteresse de parte dos cidadãos incumbidos de zelar pelo próprio futuro, de um libelo contra o voto obrigatório. Também, de um alerta para 2018. Caso o número de ausências supere o de eleitores, melhor seria encontrar novos mecanismos de aferição da vontade popular.

Pelas projeções ainda insuficientes para as eleições de presidente da República, parece que candidatos aos montes se apresentarão. E se mais da metade do eleitorado recusar-se a comparecer? A ridícula multa de 3 reais para quem faltar não pesará na equação. Pelo contrário, será um incentivo a que o eleitor fique em casa.

FALTA QUALIDADE – A rejeição ao processo dito democrático corre por conta da qualidade dos eleitos. Ou da falta dela. Agora, que mais uma vez se cogita da reforma política, seria oportuna a busca de alternativas. Que tal criar obrigações adicionais para os candidatos? Ou estabelecer filtros para a seleção de quantos pretendam submeter-se ao voto popular? Considerar inelegíveis para sempre quantos não tenham conquistado um certo número de votos nas eleições anteriores? Proibir reeleições em todos os níveis após o cumprimento de um único mandato?

Renovando os candidatos, quem sabe não se oxigenaria o eleitorado a ponto dele voltar a participar maciçamente do processo eleitoral?