José Rainha, ex-líder do MST, visita João Paulo Cunha e faz comentários racistas sobre Joaquim Barbosa

José Rainha Jr. falou com a imprensa após visita à casa de João Paulo CunhaFoto: Jorge William / O Globo

Carlos Newton

Os jornais divulgam que na tarde desta quarta-feira, em Brasília, o ainda deputado João Paulo Cunha (PT-SP), recebeu em seu apartamento funcional o ex-líder do Movimento Sem Terra (MST) José Rainha Júnior.

Após o encontro, Rainha saiu do apartamento por volta das 15h30m e falou com a imprensa e afirmou que conhece o deputado desde o início dos anos 1980, quando Cunha o visitou quando foi preso. Disse que Cunha, “companheiro e inocente”, sofre na pele a mesma perseguição que ele sofreu, como “discriminação contra as lideranças sociais do PT, que ousou construir um país diferente”.

Rainha, que disse já ter sido preso 13 vezes, criticou o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, com argumentos racistas, assinalando que o ministro age como “senhor de engenho”. Tachando Joaquim Barbosa de “injusto e arbitrário”, disse Rainha: “O dia em que o negro visitou a casa grande e se encantou pelos anéis, ele é tão reacionário com o dono de engenho. O dia em que o negro nega a sua raça, o seu sangue, a sua história, ele é tão branco como um dono de engenho”.

Questionado diretamente se Barbosa está agindo como “senhor de engenho”, Rainha respondeu: “Não tenho dúvida nenhuma. Mudou alguma coisa desde (o tempo da divisão) casa grande e senzala?” – disse, para novamente atacar Joaquim Barbosa: “Aqueles que ocupam um cargo que representariam sua classe e origem, se negam a ela para defender exatamente os donos de engenho de olhos azuis”.

Traduzindo tudo isso: como defensores como José Rainha Júnior, o ainda deputado João Paulo Cunha nem precisa de inimigos.

Cabral, o governador factóide, cria no Rio um batalhão que já existe

Carlos Newton

Sergio Cabral não tem jeito, mesmo. Desta vez, decidiu inventar a criação de um “Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos”, cujo foco é a atuação da PM “onde houver a presença de multidões, seja em manifestações populares, jogos de futebol ou qualquer outro evento esportivo ou cultural”.

De acordo com a resolução da Secretaria de Segurança, o objetivo do novo batalhão é dotar a PM de “instrumentos especializados, eficazes e inteligentes para sua atuação no campo do policiamento ostensivo, visando à preservação da ordem pública em locais públicos”.

Acontece que esta corporação já existe há muitas décadas e sempre foi chamada de Batalhão de Choque. E o próprio texto da tal “resolução” (que destaca a necessidade de policiais “especializados e treinados para atuar dentro de uma doutrina de policiamento de proximidade, através do emprego de equipamentos e técnicas próprias, visando a gestão de multidões”) reconhece que os agentes passam por treinamento específico “de mediação de conflito e de controle de distúrbios, bem similares aos do Batalhão de Choque”.

Traduzindo: ao invés de governar, Cabral simplesmente finge que governa. Ou seja, não passa de um “governador factóide”.

Grande imprensa tenta esconder a grave crise do mercado imobiliário

Carlos Newton

O professor de economia Luis Carlos Ewald, conhecido como “Sr. Dinheiro” por suas aparições no programa Fantástico, está prevendo que a bolha imobiliária vai estourar no Brasil ainda no primeiro semestre de 2014, mas nenhum veículo da grande imprensa, incluindo jornais, revistas e televisões vai entrevistá-lo.

O motivo é simples. A mídia tem ganhado muito dinheiro com o “boom” imobiliário, faturando propagandas caras e sofisticadas, além dos anúncios classificados de compra, venda e aluguel. E agora não pode dizer que o sonho acabou.

Ewald deu entrevista ao excelente site econômico InfoMoney, dizendo simplesmente o seguinte: “Não se vende nada e tem muita oferta. Quem comprou, não consegue vender. Está desesperador”.

DESESPERO

É claro que a grande mídia jamais vai repercutir esse tipo de afirmação, embora esteja claro que a fonte da inflação imobiliária já tenha secado. As grandes empresas do setor estão entrando em desespero, porque começaram a construir prédios sem vender todas as unidades na planta. Com o esgotamento da bolha, agora não estão conseguindo vender os apartamentos restantes.

Esse tipo de especulação funciona na economia como o conhecido golpe das pirâmides. Quem chega primeiro vai ganhando dinheiro, mas os que aderem depois acabam segurando o estouro. Uma coisa é comprar imóvel para fugir do aluguel. Outra, muito diferente, é querer transformar isso num negócio de compra e venda, como virou moda por aqui.

NOBEL DE ECONOMIA

O economista americano Robert Shiller, vencedor do Prêmio Nobel em 2013, que previu o estouro das bolhas da Nasdaq e do Subprime nos Estados Unidos, já detectou a bolha imobiliária brasileira, salientando que não há nada que justifique a magnitude da alta dos preços dos imóveis no Brasil.

“Eu também já estou avisando faz tempo. Quando o mercado fica assim fantasioso, pode esperar uma crise, porque ela irá vir. Eu já vi isso acontecer três vezes no Brasil e todas as vezes foi a mesma coisa”, completou o professor Luis Carlos Ewald, cujas advertências estão circulando com sucesso na internet, mas no momento não tem a menor chance de ser entrevistado na grande imprensa.

Só irão ouvi-lo depois que a bolha estourar.

 

Genoino troca de endereço mais uma vez e ninguém sabe por que ainda não alugou um apartamento

Carlos Newton

Os jornais informam que, condenado em regime semiaberto no processo do mensalão, o ex-presidente do PT José Genoino, alegando invalidez, desde 24 de novembro conquistou o regime aberto provisoriamente e já trocou de endereço por pelo menos três vez nos últimos 40 dias. A última mudança ocorreu na sexta-feira (3) e segundo o advogado Luiz Fernando Pacheco a decisão foi comunicada na véspera ao Supremo Tribunal Federal.

Para pressionar a ida de Genoino para São Paulo, em prisão domiciliar, alega o advogado que o ex-presidente do PT tem problemas para encontrar acomodação em Brasília e agora teve de deixar a residência do sogro da filha. “Ele foi uma pessoa generosa que acolheu o Genoino. Mas diante da negativa do STF de autorizar que o Genoino cumprisse pena em São Paulo decidiu-se procurar outro endereço”, disse Pacheco ao Broadcast Político do Estadão, sem revelar o novo local nem de quem seria a propriedade.

FUGINDO DA CADEIA

A verdade é que, desde que houve a ordem de prisão, Genoino tenta se livrar da cadeia. Dizendo que estava passando muito mal, chegou a ser internado no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal, mas a equipe médica da Universidade de Brasília constatou que seu estado de saúde não requeria maiores cuidados e lhe deu alta. Logo em seguida, outra equipe médica, da Câmara Federal, confirmou o laudo anterior e lhe negou aposentadoria por invalidez.

O que poucos sabem é que Genoino já é aposentado pela Câmara e recebe cerca de 20 mil reais por mês. O pedido de nova aposentadoria por invalizez foi feito simplesmente para elevar a aposentadoria para 27 mil reais.

Além desse rendimento, ele dispõe também da chamada Bolsa-Ditadura, que lhe garante mais alguns milhares de reais por mês, e tudo sem pagar Imposto de Renda, por ter alegado “cardiopatia grave”.

Esta é a situação financeira de Genoino, que alega ser “pobre, pobre, pobre, de marré deci”. Mas na verdade tem renda suficiente para alugar um belo apartamento em Brasília e parar de chorar miséria. Afinal, esse comportamento patético fica feio para um ex-guerrilheiro.

Exército pode ajudar na busca dos corpos dos três homens sequestrados pelos índios

Carlos Newton

É uma notícia importante, não há dúvida. Os jornais informam que na terça-feira (7) o general de exército Eduardo Dias da Costa Villas Boas, comandante militar da Amazônia, vai sobrevoar a região onde três homens foram sequestrados dia 16 de dezembro, quando passavam de carro na rodovia Transamazônica.

Reportagem de José Maria Tomazela, enviado especial do Estadão, informa que o chefe militar vai decidir se autoriza a entrada na floresta da tropa de elite do Exército, especialista em combate na selva, para ajudar nas buscas, como querem familiares dos desaparecidos. Antes do sobrevoo, Villas Boas se reunirá com o general de brigada Ubiratan Poty, em Porto Velho.

SUSPEITA

Tomazela revela também que o advogado Carlos Terrinha, que representa as famílias dos desaparecidos, está pedindo à Funai que investigue a conduta do coordenador regional do Madeira, Ivã Bocchini, que teria usado o blog oficial do órgão para levantar suspeitas sobre a morte do cacique Ivan Tenharim, após acidente de moto, dia 3 de dezembro.

“As autoridades competentes devem ser capazes, agora, de dar uma resposta à altura da importância que o cacique tinha para os tenharim. A Funai irá cobrar a polícia para que haja uma investigação e seja apontada a verdadeira causa da morte”, escreveu.

O repórter do Estadão assinala que a suspeita realmente foi levantada por Bocchini antes do desaparecimento dos três homens na Transamazônica e levou a população a ligar os casos. E Bocchini alegou que acompanhou o velório do cacique e apenas relatou as suspeitas levantadas pelos próprios índios durante a cerimônia.

COMENTARISTA

Foi o comentarista Guido Batagglia que escreveu ao Blog da Tribuna da Internet revelando que o coordenador regional do Madeira, Ivã Bocchini, teria sido responsável pelo começo de tudo, com um comentário infeliz, pessoal, baseado sobre opiniões de outras pessoas.

“Utilizou um blog federal para expressar ideias próprias sem a autorização dos superiores dele. Ele, querendo ou não querendo, cometeu um crime. Teria, no mínimo, de ser despedido por justa causa”, salientou Battaglia, com toda razão.

Buscas realizadas por 300 policiais não conseguem encontrar os corpos dos três homens sequestrados pelos índios

Carlos Newton
Reportagem de José Maria Tomazela e Chico Siqueira, da Agência Estado, mostra que a situação em Humaitá segue se agravando, porque continuam sem sucesso as buscas pelos três homens desaparecidos desde 16 de dezembro, na rodovia que cruza a reserva indígena.
Circulam boatos nas redes sociais dando conta de que os corpos teriam sido encontrados e estariam escondidos para evitar o acirramento nos ânimos. Mas a verdade é que não se sabe o que aconteceu ao professor Stef Pinheiro, ao comerciante Luciano Ferreira Freire e ao técnico Aldeney Ribeiro Salvador. Eles teriam sido mortos pelos índios em represália ao suposto assassinato do cacique Ivan Tenharim. Segundo a versão da polícia, porém, o cacique simplesmente se acidentou com sua moto.

Até agora, a força-tarefa só encontrou pedaços de um veículo incendiado entre os municípios de Humaitá e o distrito de Santo Antônio do Matupi. É a primeira pista localizada e divulgada pela Polícia Federal em Rondônia, que centraliza as informações.

Em nota, a PF definiu o local como de “interesse pericial”. “Importante frisar, visto a onda de boatos infundados que se espalha, que até o momento nenhuma pessoa ou corpo foi encontrado, assim como não foi identificado o veículo”, descreve a nota. Peritos criminais federais vão realizar exames no local.

SEM COOPERAÇÃO

De acordo com o advogado das famílias dos desaparecidos, Carlos Terrinha, apesar de terem garantido à Polícia Federal que ajudariam na busca de informações sobre os desaparecidos, os caciques indígenas não estariam colaborando com as investigações.

As buscas ocorrem a partir do km 130 da rodovia Transamazônica (BR-230), onde o automóvel Gol preto no qual viajavam os desaparecidos teria sido avistado pela última vez. O local tem mata fechada e de difícil acesso. Cerca de 300 soldados do Exército, Força Nacional e agentes da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal estão envolvidos nas buscas, no controle da passagem pela reserva e na proteção dos índios. Outros 200 homens das polícias estaduais garantem a segurança em Humaitá.

Desistência de Marina Silva à candidatura presidencial ainda não foi confirmada

Carlos Newton

O jornalista Ricardo Noblat publicou este sábado em O Globo a notícia de que Marina Silva desistira da candidatura presidencial. Mas essa informação ainda não foi confirmada. Segundo a repórter Isadora Peron, do Estadão, o que há é uma expectativa: O PSB espera que Marina Silva anuncie publicamente que será vice na chapa de Eduardo Campos à Presidência até o fim do mês ou meados de fevereiro. A condição que teria sido imposta pela ex-ministra para que isso ocorra é que a sigla abra mão de apoiar a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo.

“O nosso desejo é que ela (Marina) seja a vice”, disse à repórter o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), um dos principais articuladores políticos de Campos. O deputado nega que haja uma decisão sobre o quadro paulista, principal foco de tensão entre os integrantes do PSB e da Rede Sustentabilidade, sigla que Marina tentou criar, mas teve o registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

“Essa não é uma decisão que vai ser tomada de cima para baixo, pelo Campos ou por Marina. É uma decisão que os diretórios estaduais vão tomar”, disse Albuquerque.

No dia 17, Campos vai receber no Recife os principais dirigentes do PSB para definir o cronograma de campanha e discutir a situação dos palanques estaduais.

MARINA CALADA

Até agora, a pré-candidata Marina Silva continua calada. Terceira colocada na corrida presidencial de 2010, quando recebeu cerca de 20 milhões de votos, o nome dela aparece sempre com índices maiores que os de Campos nas pesquisas de intenção de voto.

No último levantamento do Datafolha, divulgado em dezembro, Marina alcança 26% das intenções de voto quando disputa com a presidente Dilma Rousseff e com Aécio. Em outro cenário, contra os mesmos adversários, Campos marca 11%.

Traduzindo tudo isso: o PSB pertence a Eduardo Campos. Foi ingenuidade de Marina Silva se filiar a esse partido, achando que poderia ser escolhida para candidata, no lugar de Eduardo Campos. Agora, está sendo pressionada a aceitar a candidatura a vice. E os dirigentes do PSB já dão o fato como consumado.

Vamos aguardar, porque tudo indica que o assunto terá muitos desdobramentos. Outro dia, no mesmo Globo, saiu a notícia de que José Serra havia desistido em favor de Aécio Neves. Depois, não era bem assim…

Senador Requião pede explicações ao BNDES sobre dívidas da Organização Globo

Carlos Newton

Com a multiplicação da estupenda herança recebida de Roberto Marinho, seus três filhos recentemente conseguiram subir no alto do pódio como a família mais rica do Brasil, suplantando as griffes Ermírio de Moraes Setubal, Gerdau e tantas mais, sem falar na família do ex-tudo Eike Batista.

Justamente por isso, é surpreendente que os Marinho possam ter dívidas junto ao BNDES. Este banco estatal, como todos sabem, vem usando indevidamente os recursos do povo brasileiro (arrecadados pelo FAT – Fundo de Apoio ao Trabalhador) para apoiar com juros de 5% ao ano grandes corporações nacionais e estrangeiras, que não necessitam de fomento e têm totais condições de buscar financiamentos no mercado internacional, como é caso da própria Organização Globo.

Nesse caso, a novidade é que, no apagar das luzes da legislatura de 2013, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) apresentou requerimento de informações ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, a quem o BNDES é subordinado, nos seguintes termos:

Requeiro que sejam informadas e remetidas, as respectivas copias dos documentos relativos aos benefícios fiscais e creditícios que tem sido concedidos às empresas componentes das Organizações Globo. Indicando, inclusive, se há amparo legal para a concessão de benefícios a quem esteja com elevadas dividas com a União”.

LESSA NÃO EMPRESTOU

Até novembro de 2005, final da gestão do economista Carlos Lessa no BNDES, apenas uma empresa da Organização Globo tinha dívidas com o BNDES – a NET.  Na época, representando a família Marinho, a economista Maria Silvia Bastos Marques realmente tentou conseguir um vultoso financiamento para a Organização Globo, mas não foi bem sucedida, até porque existia uma proibição do Tribunal de Contas da União, que impedia novos empréstimos ao grupo, enquanto não fosse resolvida a inadimplência da NET.

De lá para cá, ninguém sabe o que acontece no BNDES, porque desde o início da gestão de Luciano Coutinho o banco estatal deixou de ser transparente. Até então, o BNDES divulgava toda grande operação realizada, encaminhando as informações diretamente a todos os órgãos da grande imprensa e publicando em seu site oficial. Mas Luciano Coutinho resolveu acabar com a transparência, para operar mais à vontade, digamos assim.

Agora, com o oportuno requerimento do senador Requião, a opinião pública poderá saber se houve qualquer financiamento à Organização Globo, que ultimamente tem sido muito criticada por ser uma das maiores sonegadoras de impostos do país. Essa prática está se tornando uma verdadeira praga, utilizando abertamente por grandes corporações empresariais privadas que atuam no Brasil.

Simplesmente não pagam os impostos, colocam o dinheiro para render no mercado financeiro, depois se beneficiam com o programa Refis (quitação de impostos federais atrasados, mas sem multas e juros).

Em novembro, por exemplo, o Tesouro só apresentou superávit de R$ 28,8 bilhões após incorporar os R$ 15 bilhões dos bônus pagos pelo leilão de Libra e mais R$ 20,4 bilhões arrecadados com incentivo a empresas que quitassem dívidas sem multas e juros. Somente a mineradora Vale renegociou R$ 6 bilhões, com os bancos privados renegociando outros R$ 12 bilhões, vejam que grandes espertalhões. A Globo também está nessa onda, claro. Sonegam, fazem o dinheiro render e depois não pagam multa nem juros, embolsando os rendimentos obtidos. Ah, Brasil!

Brigadeiro reconhece que os índios estão abandonados pelo governo, mas não aceita que se dê independência às nações indígenas

Carlos Newton

Um dos militares que mais conhecem a situação dos índios brasileiros é o major brigadeiro Carlos Eurico Peclat, Comandante do 4º Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo e responsável pela Comissão de Aeroportos da Região Amazônica.

Em recente palestra sobre “Apoio ao Meio Ambiente em Áreas Remotas – Participação da Força Aérea Brasileira”, o brigadeiro foi incisivo nas críticas ao governo: “Podemos dobrar a produção agrícola, mas não há como escoar. Quem está estudando isso?”, indagou, afirmando que os Estados Unidos têm como política de Estado defender os interesses do povo, mas no Brasil isso não está acontecendo, porque falta planejamento a nosso país.

Sobre a sustentabilidade na Amazônia, o brigadeiro Carlos Peclat lamentou que não haja iniciativas concretas com esse objetivo e exemplificou: “Manaus e Santarém jogam seus esgotos no Rio Amazonas, sem tratamento. E não há uma política para mudar isso”.

ÍNDIOS ABANDONADOS

A seguir, fez um duro relato sobre a situação de abandono dos índios. Disse que a FAB os contrata para trabalhar nas obras dos aeroportos, mas isso pouco adianta. “Quando o serviço termina, eles não têm o que fazer, ninguém os ampara”, salientou Peclat, acrescentando:

“O índio quer se integrar à sociedade brasileira, mas o Estado não aparece. Só aparece em época de eleição”, desabafou, frisando que os indígenas deveriam ter direito a todas as benesses dos outros brasileiros, mas hoje somente são atendidos pelas Forças Armadas.

Depois da palestra, o brigadeiro Peclat me concedeu uma entrevista. Indaguei sobre a opinião dos militares a respeito da Declaração Universal dos Direitos das Nações Indígenas, assinada pelo Brasil na ONU, que dá independência territorial, política, econômica e administrativa às tribos.

“Temos muito amor e respeito pelos índios, mas não se pode aceitar essa reivindicação de dar independência às nações indígenas. Os índios precisam entender que são brasileiros. Os índios que não querem mais ser brasileiros precisam falar claramente sobre isso, para que sejam tomadas as providências necessárias” – respondeu o chefe militar.

Previsão de Ano Novo: Bolha imobiliária atinge o ápice e depois…

Carlos Newton

Não é preciso ser ilusionista para perceber que a bolha imobiliária no Brasil está atingindo o ápice. A única dúvida é saber se vai explodir igual aos Estados Unidos ou se irá esvaziando devagar, devagarinho, no estilo do Martinho da Vila.

Há alguns anos, desde que os juros dos fundos financeiros começaram a baixar e passaram a apenas empatar com a inflação, os chamados “rentistas” passaram a investir em imóveis e os preços dispararam.

A empolgação era geral, os corretores de imóveis ganharam dinheiro como nunca. Mas acontece que ninguém consegue derrubar a lei da oferta e procura, ainda não surgiu Nobel da Economia capaz de decifrar esse enigma.

E o resultado já começa a aparecer. Circula na internet uma espantosa comparação entre os preços atuais dos imóveis no Brasil, nos EUA e em outros países. É inacreditável a disparidade.

Também fazem sucesso na internet as fotos do porão em Copacabana, cheio de canos de esgoto à mostra, oferecido para venda pela módica quantia de 300 mil reais, vejam a que ponto chegamos.

UM GRAVE PROBLEMA

O problema afeta a economia como um todo. Pelo Brasil inteiro, é um espanto o número de lojas e galpões vazios, oferecidos para alugar ou vender. Em Botafogo, aqui no Rio, pedem 400 mil para vender uma lojinha de 48 m², numa rua sem movimento. Parece piada.

Quem se arrisca a abrir um negócio tendo de investir tanto para comprar ou alugar o ponto? É claro que se trata de uma circunstância altamente desestimulante. E não adianta a presidente Dilma ir à TV para dizer que está tudo bem e pedir que os empresários invistam e que seja abertos novas empresas. A bolha imobiliária está prejudicando os negócios, não há dúvida.

EXEMPLO DOS EUA

Nos Estados Unidos a bolha imobiliária explodiu e balançou a maior economia do planeta, mas no Brasil a situação é bem diferente, porque aqui não há a praxe de serem feitas sucessivas hipotecas sobre imóveis.

O que está aumentando é o número de imóveis vazios, para aluguel ou venda, e os corretores estão entrando em desespero. No Rio, o mercado está devagar, quase parando. Uma casa de vila, no Rio de Janeiro, com 4 quartos, está para aluguel por 7 mil reais. Desanimado, o corretor reconhece que assim não é possível, ninguém se interessa. Diz que o valor real será 3 mil ou, no máximo, 4 mil.

É claro que o mercado está caindo na real. Chama atenção o anúncio de um apartamento amplo, de três quartos, em Ipanema, prédio antigo, sem elevador, por apenas 3,5 mil mensais, algo inimaginável até alguns meses atrás. E já aparecem muitos anúncios dizendo “aceito oferta”…

Traduzindo tudo isso: A bolha começa a desinchar, sem explodir. Mas a economia vai mal, presidente Dilma, e pode prejudicar sua candidatura. Pergunte à General Motors. Ou ao próprio PT, que prefere a candidatura de Lula.

Faz sucesso na internet a entrevista de Ciro Gomes dizendo que Lula ‘está conspirando’ para ser candidato no lugar de Dilma

Carlos Newton

O excelente colunista Ilimar Franco, de O Globo, noticiou que “petistas estão em campanha contra a ida de Ciro Gomes seja convidado para a Saúde”. A informação não somente é verdadeira, como também revela os bastidores da sucessão presidencial, porque os citados “petistas” espalham na internet uma entrevista de Ciro Gomes em que ele diz que Lula “está conspirando” para ser o candidato do PT nas eleições de 2014.

Esse estardalhaço com a entrevista de Ciro, ao invés de enfraquecer sua indicação para o ministério, só está fortalecendo, porque hoje Dilma e Ciro são aliados contra Lula. O ex-governador do Ceará não perdoa o golpe que Lula lhe aplicou, sugerindo que ele mudasse o endereço eleitoral para São Paulo em 2009, quando estava bem cotado na pesquisa CNI/Ibope, e depois optando por Dilma e inviabilizando a candidatura de Ciro ao Planalto em 2010.

A notícia divulgada por Ilmar Franco confirma a série de reportagens exclusivas publicadas aqui no Blog da Tribuna da Internet, sobre as manobras de bastidores de Lula para sair candidato pelo PT.

ECONOMIA FRACA

A candidatura de Dilma depende hoje do desempenho da economia, e as perspectivas não são nada animadoras. Reportagem de Nivaldo Souza, do site iG Brasília,mostra que o incentivo ao consumo como principal motor do crescimento está sendo chamado por alguns economistas de “insistência no erro”’ por parte da presidente Dilma Rousseff.

As críticas atingem também o fraco desempenho na área fiscal após desonerações sem a reestruturação da carga tributária, o isolamento do Banco Central (BC) como único agente efetivo na tentativa de controlar a inflação e a falta de foco para diminuir despesas.

A desoneração tributária concedida pelo governo a para estimular setores da indústria gerou redução de R$ 14 bilhões na arrecadação federal em 2013. Outros R$ 28 bilhões deixarão de entrar nos cofres do governo em 2014.

Na contramão, os gastos públicos saltaram de R$ 725,76 bilhões para R$ 827,88 bilhões na comparação entre 2012 e 2013.  E em novembro o Tesouro só apresentou superávit de R$ 28,8 bilhões após incorporar os R$ 15 bilhões dos bônus pagos pelo leilão de Libra e mais R$ 20,4 bilhões arrecadados com incentivo a empresas que quitassem dívidas sem multas e juros. Somente a mineradora Vale renegociou R$ 6 bilhões, com os bancos privados renegociando outros R$ 12 bilhões, vejam que grandes espertalhões. Sonegam e depois não pagam multa nem juros. Ah, Brasil!

Traduzindo: para desalojar Dilma da candidatura, bastará Lula repetir o assessor de Clinton e dizer: “É a economia, estúpida!”.

Celso Amorim (ainda ministro da Defesa) deveria ser julgado e condenado por crime de lesa-pátria

Carlos Newton

Há quem defenda a tese de que as tribos indígenas devem ser mantidas afastadas, vivendo da caça e da pesca, como no tempo do descobrimento. Mas não é isso que os índios desejam. Segundo o sertanista Sidney Possuelo, só existem hoje 28 tribos arredias. Praticamente todos os indígenas estão aculturados, poucas tribos ainda guardam suas tradições.

Os sucessivos governos brasileiros jamais se preocuparam verdadeiramente com a questão indígena. A Funai (Fundação Nacional do Índio) simplesmente não funciona e não lhes dá assistência.

Muitas tribos vivem um doloroso processo de degradação, com altos índices de alcoolismo e de suicídio, como a nação guarani kaiowa, no Mato Grosso do Sul.

INTEGRAÇÃO

Os índios querem se integrar à sociedade brasileira, mas como seus direitos preservados. Pretendem em explorar economicamente as reservas. O maior sonho do cacique Davi Yanomami, por exemplo, é formar jovens índios como geólogos.

Ele mesmo me disse isso, em 1987, quando o levei para uma audiência com Dr. Ulysses Guimarães, então presidente da Constituinte, junto com outros 17 caciques (e todos eles fizeram questão de ir usando ternos, fornecidos pelos funcionários da Funai). Foi uma festa e Dr. Ulysses os atendeu plenamente: todos os direitos dos índios foram reconhecidos na Constituinte.

Mas naquela época os índios se consideravam brasileiros. Hoje, não. Cansaram do abandono. E a chamada questão indígena só tende a se agravar, porque em 2007, no governo Lula, o então chanceler Celso Amorim mandou a diplomacia brasileira assinar na ONU a Declaração Universal dos Direitos das Nações Indígenas, que dá independência territorial, política, econômica e cultural às “reservas” indígenas.

O resultado aí está. O delicado problema se agrava cada vez mais, as tribos vão recorrer aos tribunais internacionais, com apoio dos mais importantes países do mundo.

PRESSÃO INTERNACIONAL

Se o governo enviar ao Congresso a Declaração da ONU que dá independência aos povos indígenas (para ser ratificada ou rejeitada), a pressão internacional será arrasadora. Todas as tribos irão para Brasília e acamparão na Praça dos Três Poderes, milhares e milhares de ecochatos e ecóolatras as acompanharão, sustentados pelas ONGs e mineradoras estrangeiras. Vai ser um festival maior do que o Rock in Rio.

Este ano, os índios já ocuparam o Congresso Nacional e tentaram invadir o Palácio do Planalto, vejam a que ponto chegamos. E tudo por culpa da ignorância/omissão do então presidente Lula e da atuação do patético Celso Amorim, que ao invés de ser preso por crime de lesa-pátria, acabou promovido a ministro da Defesa, uma verdadeira ofensa aos militares.

Por isso, todo cuidado é pouco.

Polícia Federal tenta encontrar os corpos dos três homens sequestrados pelos índios

Reserva foi invadida por centenas de pessoas na sexta - Raoni Magalhães
Carlos Newton
Reportagem de José Maria Tomazela, enviado especial do Estadão, exibe a gravidade do problema na Reserva Indígena Tenharim, em Humaitá, sul do Amazonas. Soldados do 54º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército em Humaitá expulsaram os não índios e instalaram uma base avançada no distrito de Santo Antonio do Matupi, uma das extremidades da reserva, e controlavam a passagem de pessoas e veículos.

Os bloqueios seguem pelos 150 km da rodovia entre o distrito e a cidade de Humaitá e Santo Antonio do Matupi. De acordo com o tenente coronel Antonio Prado, comandante do batalhão, o objetivo é dar apoio à investigação da Polícia Federal, que tenta encontrar os corpos de três homens (o técnico da Eletrobrás Amazonas Aldeney Ribeiro Salvador, o professor Stef Pinheiro e o comerciante Luciano Ferreira Freire) que desapareceram ao cruzar a reserva pela rodovia Transamazônica.

VINGANÇA

Eles teriam sido mortos pelos índios para vingar a morte do cacique Ivan Tenharim. que teria sido assassinado por pessoas descontentes com a cobrança de pedágios pelos índios para quem passa pela rodovia. Mas a versão oficial é de que o cacique sofreu um acidente de moto.

No dia 25, a população revoltada incendiou instalações da Funai, casas de índios, um barco usado para atender populações indígenas e vários veículos. Cerca de 140 índios que estavam na cidade se refugiaram o batalhão do Exército.

Na sexta-feira, 27, os moradores de Humaitá formaram comboios de carros e caminhonetes e atearam fogo nos postos de pedágio instalados pelos índios. Parte do grupo permaneceu acampada no km 150 da rodovia.

A Polícia Federal dará prosseguimento neste domingo, 30, a uma varredura na área com o uso de helicópteros. De acordo com o delegado, a população não indígena encontrada na região será retirada, sob pena de prisão por desobediência.

“Estamos preparados para cumprir a lei que manda preservar o cenário de possíveis crimes”, disse o delegado Alexandre Alves ao repórter do Estadão.

“INDEPENDÊNCIA”

O problema de Humaitá é apenas a ponta do iceberg. A chamada questão indígena só tende a se agravar. Em 2007, no governo Lula, o então chanceler Celso Amorim mandou a diplomacia brasileira assinar a Declaração Universal dos Direitos das Nações Indígenas, que dá independência territorial, política, econômica e cultural às “reservas” indígenas.

O resultado aí está. A questão se agrava cada vez mais, as tribos vão recorrer aos tribunais internacionais, com apoio dos mais importantes países do mundo. E o patético Celso Amorim, ao invés de ser preso por crime de lesa-pátria, foi promovido a ministro da Defesa, uma verdadeira ofensa aos militares.

Questão indígena se agrava cada vez mais, por culpa do governo

Alvo de descontentamento, Funai critica vandalismo e afirma que não cabe a ela investigar desaparecimento de pessoas

Carlos Newton

Há tempos estamos advertindo para o agravamento da questão indígena, motivada pelo erro do governo Lula em 2007, quando a diplomacia brasileira (então comandada pelo ministro Celso Amorim) aceitou assinar na ONU a Declaração Universal dos Direitos das Nações Indígenas.

Este tratado internacional simplesmente reconhece o direito dos povos indígenas se tornarem independentes do Brasil, com gestão própria e fronteiras fechadas. O governo depois se arrependeu, jamais enviou o tratado para ratificação pelo Congresso, porém o problema já estava criado.

O resultado é que, por todo o país, as tribos entraram em pé de guerra para exigir seus direitos e pretendem recorrer aos tribunais internacionais.

O incidente da última quarta-feira, na cidade amazonense de Humaitá, foi da maior gravidade. Cerca de 3 mil moradores promoveram uma violenta manifestação contra os índios, incendiando à sede local da Funai (Fundação Nacional do Índio) e da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), assim como 13 veículos e três barcos usados no transporte dos índios, em protesto contra o desaparecimento de três moradores.

SEQUESTRADOS

Os moradores dizem que os três desaparecidos Aldeney Salvador, funcionário da Eletrobras, Luciano Ferreira, representante comercial, e Stef de Souza, professor em Humaitá , foram sequestrados pelos índios, em represália pela morte recente de um cacique, que foi atropelado.

Segundo autoridades policiais locais, o atual conflito é resultado de tensões acumuladas na região. Desavenças com os mesmos índios também geram tensão no município de Apuí (AM).

“A população está revoltada, há um ódio acumulado. Além dessa situação [desaparecimento de três homens], os índios começaram a cobrar pedágio há cerca de 20 dias na rodovia Transamazônica, que atravessa a terra indígena”, disse à Folha o primeiro-tenente da PM de Humaitá, Gebes Santos.

“A manifestação foi a gota d’água de uma série de outros acontecimentos, entre elas a cobrança de pedágio pelos índios”, afirmou o coronel Paulo Vianna, do centro de operações do Comando Militar da Amazônia.

O governo não sabe o que fazer e não dá a devida assistência aos índios, que não querem mais ser brasileiros e preferem lutar pela independência, num movimento que terá forte apoio internacional, não tenham dúvidas.

Detalhe: quase 20% do território brasileiro já são considerados áreas indígenas, já demarcadas ou não.

Radicalização: Ditadura do Egito declara Irmandade Muçulmana grupo terrorista

Carlos Newton

Conforme previmos diversas vezes aqui no Blog da Tribuna, quando começou a Primavera Árabe e as manifestações atingiram o Egito, derrubando a ditadura de Hosni Mubarak, o resultado tem sido apenas um – a radicalização política e religiosa, mergulhando numa crise tenebrosa o mais ocidentalizado dos países árabes.

A crise política motivou ma crise econômica que está destruindo a principal fonte de renda do país – o turismo. E o retrocesso político-institucional prosseguiu no Dia de natal, com o Conselho de Ministros do Egito declarando a Irmandade Muçulmana como “grupo e organização terrorista”.

A decisão, arriscada e controversa, foi anunciada pelo vice-primeiro-ministro e titular da pasta do Ensino Superior, Hosam Isa. O governo acusou o grupo, do qual faz parte o ex-presidente Mohamed Mursi, de ser responsável pelo ataque suicida de terça-feira a uma esquadra da polícia. No ataque, 15 pessoas morreram e 134 ficaram feridas na cidade de Mansura, no delta do Rio Nilo.

O atentado, também condenado pela Irmandade Muçulmana, foi reivindicado por um grupo fundamentalista com sede no Monte Sinai e que se diz inspirado pela organização Al Qaeda.

Nesta quarta-feira, um dos líderes da Irmandade Muçulmana no Egito, Ibrahim Munir, disse que o movimento continuará com os protestos, mesmo após o grupo ter sido considerado “terrorista” pelo governo. Segundo Munir, que está exilado em Londres, a Irmandade Muçulmana considera ilegal a decisão do governo.

Primeiro presidente civil eleito no Egito, Mohamed Mursi ficou pouco menos de um ano no poder e foi destituído pelo Exército no dia 3 de julho passado.

Dirceu está precisando de uma assessoria jurídica que seja competente

Carlos Newton

Há um ditado na ramo jurídico que diz o seguinte: “Quando um advogado defende a si mesmo, isso significa que um idiota está representando outro idiota”.

O caso de José Dirceu comprova essa situação. Mal assessorado juridicamente, o ex-ministro só vem cometendo erros, que acabam prejudicando suas pretensões.  Ele tem todo direito de cumprir a pena em regime aberto, na forma da lei. Ninguém pode contestar. O que está errado é o modo de tentar concretizar este direito.

Se estivesse bem assessorado juridicamente e não tentasse defender a si próprio, Dirceu já estaria no regime aberto e teria passado o Natal com a família.

ESTRATÉGIA ERRADA

As duas tentativas de emprego jamais poderiam dar resultado. Na primeira, a circunstância de a carteira de trabalho ter sido assinada previamente (para constituir um fato consumado e forçar a decisão judicial, e com um salário de R$ 20 mil reais) representou uma ofensa à inteligência alheia, que veio se tornar ainda mais grave depois que o Jornal Nacional desvendou os bastidores da situação jurídica do hotel St. Peter.

Agora, a presidente do Conselho Nacional de Biblioteconomia, Regina Céli de Souza, divulga nota em que contesta a oferta de emprego oferecida pelo advogado José Geraldo Grossi a  Dirceu para cuidar dos livros de sua biblioteca. “Em relação a emprego oferecido a mensaleiro, informamos que o exercício da profissão de bibliotecário é privativo do bacharel em biblioteconomia, conforme a legislação vigente determina”, diz ela.

De erro em erro, a situação vai se complicando, ao invés de se normalizar. O advogado José Dirceu precisa parar de se defender e procurar um especialista que realmente tenha a habilidade necessária para fazer cumprir a lei que lhe beneficia com o regime aberto.

É importante destacar que qualquer direito deve ser respeitado, para evitar a predominância do espírito de vingança. Como dizia Ruy Barbosa, ” a lei que protege meu inimigo é a lei que me protege”. Que assim seja.

Ver a presidente usando colete das equipes de resgate foi um pouco demais…

Carlos Newton

É com tristeza que se constata como a política vem se transformando numa encenação teatral, em que o marketing desempenha o papel de maior destaque.

Um dos exemplos foi a visita da presidenta Dilma Rousseff ao Espírito Santo, onde fez um sobrevoo com o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, sobre as regiões mais afetadas pelas enchentes.

Pois acreditem que a presidente vestia um colete de cor berrante que é usado pelas equipes de resgate para serem identificadas e localizadas em suas operações, e fez questão de ser fotografada a caráter, digamos assim.

Da mesma forma, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que causou o mais engarrafamento da História do Rio de Janeiro, motivado por suas ensandecidas e desnecessárias obras do tal Porto Maravilha, apareceu dando entrevista à TV Globo usando uma capa de chuva, como se fosse encarar o temporal.

Traduzindo: já não se fazem políticos como antigamente. Os que nos governam hoje não têm medo do ridículo e só se preocupam com as aparências e com o marketing. Deveriam ter um pouco mais de dignidade e espírito público.

Presente de Natal: Renan diz que devolverá valor de viagem ao Recife para fazer implante

Carlos Newton

Os jornais informaram que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), enfim decidiu devolver aos cofres públicos o valor referente à sua viagem de Brasília para Recife em avião da Força Aérea Brasileira (FAB) na última quarta-feira, 18, com o objetivo de fazer um implante de cabelo. O valor a ser ressarcido ao Tesouro Nacional, por meio de uma Guia de Recolhimento da União (GRU), ainda será calculado pela FAB.

Antes disso, a Aeronáutica divulgou uma nota confirmando ter disponibilizado um avião para o transporte do senador atendendo a regras firmadas e abstraindo questões de mérito relacionadas ao motivo da viagem. A mensagem cita que foge à alçada do Comando da Aeronáutica julgar os motivos da viagem. Renan não tinha compromissos oficiais na data.

A devolução do dinheiro nada significa. O que este bizarro acontecimento demonstra é a impunidade dos criminosos que poluem a política brasileira. Renan Calheiros já teve sua vida devassada, revelando seu enriquecimento ilícito envolto num festival de irregularidades, inclusive emissão de notas frias em compra e venda de gado, e nada lhe aconteceu. Pelo contrário: ao invés de ser cassado, acabou reconduzido à presidência do Congresso Nacional.

EXEMPLO BRITÂNICO

Enquanto isso, em Londres, o ex-ministro britânico dos Assuntos Europeus, Denis MacShane, foi condenado a seis meses de prisão por apresentação de relatórios de despesa falsos e já está preso. O ex-membro do governo trabalhista de Tony Blair falsificou 19 notas de despesa entre 2005 e 2008 no valor total de cerca de 15 mil euros, equivalentes a R$ 50 mil.

MacShane, de 65 anos, tinha justificado essas notas de despesa falsas com trabalhos de “tradução” e “pesquisa”. Contudo, o ex-ministro utilizou o dinheiro para financiar as suas viagens a Paris, onde fez parte de um júri de atribuição de um prêmio literário.

Mas aqui no Brasil os políticos estão acima dessas pequenas coisas, é claro, porque estamos num estágio superior de civilização.

 

As dúvidas de Sócrates sobre a existência de Deus e a reencarnação perduram até hoje, 2,5 mil anos depois

Carlos Newton

Já falamos aqui sobre oito dos avatares que criaram as principais religiões, com doutrinas muito semelhantes e praticamente os mesmos ensinamentos – Krishna, Lao Tsé, Moisés, Buda, Confúcio, Sócrates, Jesus Cristo e Maomé.

Entre esses oito doutrinadores,  os registros mais precisos que existem são de Sócrates, embora ele tenha nascido muito antes de Jesus (400 anos) ou Maomé (1.100 anos). Esse legado nos foi transmitido por dois de seus discípulos em Atenas: Platão e Xenofonte.

Os ensinamentos de Sócrates, ministrados quatro séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, perduram até hoje e influenciam não somente o Cristianismo, em suas diferentes segmentações, mas também outras religiões, como o Espiritismo, que nitidamente é baseado nos pensamentos do mestre ateniense.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec destacou que a doutrina cristã “foi pressentida muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, tendo por principais precursores Sócrates e Platão”, e analisou em profundidade os ensinamentos dos mestres gregos em relação à espiritualidade.

CORPO E ALMA

Antes de Sócrates e Platão, grandes pensadores já haviam concluído haver uma nítida separação entre corpo e alma (espírito). Muitas religiões acreditavam em reencarnação, outras pregavam a transmigração das almas ou metempsicose, segundo a qual o homem poderia reencarnar  também em animais.

Sócrates tinha dúvidas. Aos juízes que o condenaram à morte, disse ele: “De duas uma: ou a morte é uma destruição absoluta, ou é passagem da alma para outro lugar. Se tudo tem de extinguir-se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonho e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Todavia, se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para o lugar onde os mortos têm de se reunir, que felicidade a de encontrarmos lá aqueles a quem conhecemos! O meu maior prazer seria examinar de perto os habitantes dessa outra morada e distinguir lá, como aqui, os que são dignos e os que se julgam tais e não o são. Mas é tempo de nos separarmos, eu para morrer, vós para viverdes”.

DIÁLOGOS

Na prisão, em diálogos com os discípulos, dizia Sócrates: “O corpo conserva bem impressos os vestígios dos cuidados de que foi objeto e dos acidentes que sofreu. Dá-se o mesmo com a alma. Quando despida do corpo, ela guarda, evidentes, os traços do seu caráter, de suas afeições e as marcas que lhe deixaram todos os atos de sua vida. Assim, a maior desgraça que pode acontecer ao homem é ir para o outro mundo com a alma carregado de crimes. Vês, Cálicles, que nem tu, nem Pólux, nem Górgias podereis provar que devamos levar outra vida que nos seja útil quando estejamos do outro lado. De tantas opiniões diversas, a única que permanece inabalável é a de que mais vale receber do que cometer uma injustiça e que, acima de tudo, devemos cuidar, não de parecer, mas de ser homem de bem”.

Passados quase 2,5 mil anos, a humanidade continua com as mesmas dúvidas que atormentavam Sócrates e seus discípulos, a respeito da existência de Deus e da possibilidade de reencarnação. Na verdade, só sabemos que nada sabemos, podemos dizer assim, parafraseando o mais famoso ensinamento do grande mestre ateniense.

AMANHÃ:
Acreditar em Deus pode até ser um erro,
mas é um grande alento para bilhões de pessoas

Depois de 11 anos de governo do PT, Dilma reconhece que os serviços públicos não têm qualidade, mas elogia os servidores.

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff parece mesmo ter algum problema de coordenação de raciocínio ou é portadora de uma desfaçatez sem limites. Na segunda-feira, 23, em uma mensagem de fim de ano aos servidores públicos, a  presidente citou as “vozes que foram às ruas” nos protestos ocorridos este ano no Brasil, iniciados em junho após os reajustes de passagens de transportes públicos.

As vozes dos que foram às ruas querem melhores serviços públicos, + médicos, + educação, + transporte de qualidade, + segurança“, relatou a presidente, substituindo o palavra mais pelo símbolo +, como é comum no Twitter. “Cabe a todos nós, servidores públicos, responder essas vozes”, completou ela.

Ainda segundo a presidente, “o Estado brasileiro precisa oferecer serviços públicos de qualidade para todos, promovendo inclusão social e cidadania“. E ela encerra a série de mensagens com um afago aos servidores. “A dedicação dos servidores federais ampara o meu otimismo com o presente e o futuro do Brasil. Desejo a vocês, servidores públicos como eu, um ótimo Natal e um 2014 pleno de realizações“.

É como se ela estivesse assumindo o governo somente agora. Esquece que o PT já está no poder desde 2003 e já se passaram exatos 11 anos, sem que os serviços públicos tivessem qualquer melhora. Os amados funcionários seguiram desprestigiadíssimos. O que aumentou, de forma impressionante, foi a massa de servidores, especialmente os de altos salários, espalhados pelos 39 ministérios e pelas agências reguladoras.

Governar assim, com tamanha irresponsabilidade, é muito fácil. Qualquer um tira de letra.