Morte de Eduardo Campos, com a volta de Marina Silva, é um tsunami na sucessão

Carlos Newton

Todos devem lamentar a morte de Eduardo Campos, em plena campanha eleitoral. Sempre tive simpatia por ele, a quem conheci aqui no Rio de Janeiro, quando veio participar da cerimônia de filiação do economista Carlos Lessa ao PSB. Não se conhece nada que desabonasse sua vida pública, caso contrário o entrevistador/inquisidor William Bonner não teria perdido tempo criticando a nomeação da mãe de Eduardo, Ana Arraes, para o Tribunal de Contas da União, com apoio decisivo do filho.

Pois é, o grande erro na vida pública do ex-governador de Pernambuco parece ter sido a ajuda para que a própria mãe ganhasse um cargo público importante. Perto dos “malfeitos” dos outros políticos de renome, este ato impróprio do neto de Miguel Arraes pode até ser considerado sem a menor importância, até porque Ana Arraes não somente possui totais habilitações para exercer o cargo no TCU como também apresenta uma trajetória limpa, ao contrários de muitos ministros que já passaram pelo Tribunal, sem que os jornalistas fizessem a menor celeuma.

(Aqui, abrimos parênteses para falar de William Bonner. Toda vez que tem de entrevistar algum candidato, Bonner assume uma atitude caricata, transforma-se num ser rancoroso e apresenta-se como se estivéssemos em plena Inquisição.  Só falta mandar o convidado subir num pau-de-arara para tomar uma dura…)

SUCESSÃO

É claro que a morte de Eduardo Campos (que hoje à noite, no Jornal Nacional, será chorada por um compungido William Bonner) vai ter o efeito de um tsunami na sucessão presidencial. Nenhuma pesquisa feita até agora está valendo. Pelo contrário, vamos atirar todas elas no lixo.

Marina Silva será candidata pelo PSB e só então as pesquisas voltarão a ter valor. Se repetir a façanha de 2010, e tem tudo para fazê-lo, pois agora poderá fazer uma campanha milionária, bancada por uma das herdeiras do grupo Itaú, que é sua principal patrocinadora política.

Lembrem-se de que, antes da união com o PSB de Campos, as pesquisa davam Marina em segundo lugar, com 20% das intenções de voto e bem à frente de Aécio Neves. E depois de firmada a aliança PSB/Rede, os votos de Marina não foram automaticamente transferidos para Campos. O certo, portanto, é que ninguém sabe aonde eles foram parar.

Com Marina de volta à disputa, as cartas estão sendo reembaralhadas e tudo indica que o segundo turno agora é inevitável. Mas não se pode prever se a disputa final será entre Dilma e Aécio ou Dilma e Marina. Pensem nisso e façam suas apostas.

 

Documento inédito vai revelar como Roberto Marinho conseguiu se apossar de uma emissora de TV na ditadura militar, lesando mais de 600 acionistas e pode diariamente divulgar a sua versão, com grande amplitude

O gen. João Figueiredo, de braço dado com Roberto Marinho

Carlos Newton

Tão logo o Supremo julgue o agravo regimental interposto por herdeiros dos antigos acionistas da TV Globo de São Paulo (antiga TV Paulista), que tentam recuperar na Justiça o controle da emissora, será divulgado documento inédito com novos detalhes sobre os crimes cometidos por Roberto Marinho durante a ditadura militar para se apossar do canal 5 de São Paulo, usurpando os direitos dos mais de 600 acionistas fundadores da empresa, entre eles o então famoso Palhaço Arrelia, que à época tinha um programa de grande sucesso na emissora.

Assim, a verdadeira, surpreendente e tenebrosa história do início da Organização Globo começará a ser mudada, ironicamente quando a corporação se prepara para comemorar os 50 anos de existência da TV Globo e o recebimento do prêmio Emmy Personalidade Internacional da Televisão 2014 por seu atual diretor-presidente, Roberto Irineu Marinho, filho mais velho do criador da rede de TV.

O documento, inédito, destrói completamente a veracidade do laudo pericial apresentado á Justiça do Rio por Roberto Marinho, para classificar como legítimos e verdadeiros alguns recibos e procurações de péssima qualidade, grotescamente falsificados para fazer prova junto às autoridades federais de que o empresário carioca realmente comprara dos legítimos donos o controle acionário do canal 5 de São Paulo.

 

NEGOCIAÇÃO FORJADA

Ficará provado que a suposta compra e venda da emissora foi totalmente forjada por Marinho e seus principais assessores, com destaque para Luiz Eduardo Borgerth, que depois viria a ser presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), entidade sempre controlado pela Globo.

Nos bastidores da Justiça, a questão é bastante conhecida, porque os próprios advogados da TV Globo admitiram nos autos judiciais que Roberto Marinho havia cometidos diversos crimes para justificar a compra e venda que não existiu e conseguir a concessão da emissora, mas todos eles já estavam prescritos, como uso de procurações de pessoas que já estavam mortas, falsificação de documentos e fraude na convocação e realização de assembleias de acionistas.

ACÓRDÃO REVELADOR

Em acórdão proferido em 1994 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 1994, foi claramente declarada a ilegalidade desses atos do criador da Rede Globo: Não pode ter subsistência um negócio jurídico cujo proprietário da coisa objeto do negócio sequer participou da cogitada alienação. A entender-se de outra forma, estar-se-ia proclamando a legalidade do enriquecimento ilícito e até da própria fraude, o que não é possível sancionar-se, irrefutavelmente. Ninguém dever estar acima da lei”.

Apesar desse acórdão, a bilionária Organização Globo tem conseguido pairar acima da lei e tudo indica que esse processo só vai terminar nas Cortes Internacionais, quando seu conteúdo passará a ser do conhecimento até dos membros da Academia Internacional das Artes & Ciências Televisivas, em Nova York, que está premiando Roberto Irineu.

Esta será a estratégia dos advogados que enfrentam a Globo e a família Marinho, segundo o ex-deputado e radialista Afanasio Jazadji, de São Paulo, que se notabilizou, nos últimos 20 anos, na defesa dos direitos dos herdeiros dos antigos acionistas fundadores da TV Paulista, hoje TV Globo de São Paulo. “Se perderem no Supremo, isso não significará que a causa acabou, porque poderemos reabri-la com os novos documentos e, ao mesmo tempo, recorrer aos tribunais internacionais”, explica o radialista, que continua atento aos desdobramentos do processo judicial.

Denúncias que Dilma classifica de “factóides” na verdade são gravíssimas e balançam a Petrobras

Carlos Newton

Os jornais publicaram que a presidente Dilma Rousseff (PT) classifica as denúncias envolvendo a Petrobras como um “factóide político”, estrategicamente esquecida de que já existe decisão judicial a respeito e diversos envolvidos estão com os bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União.

Na tentativa de minimizar a importância das irregularidades que estão sendo denunciadas em profusão, a chefe do governo disse que não se deve “misturar eleição com a maior empresa de petróleo do país”.

“Isso não é correto. Não mostra nenhuma maturidade”, comentou, acrescentando: “Acho fundamental que, na eleição, haja a maior e mais livre discussão. Agora, utilizar qualquer factóide político para comprometer uma grande empresa e sua direção é muito perigoso”.

Bem, esta é a versão palaciana. Mas na verdade não se trata de factóide e sim de fatos, mais do que comprovados, envolvendo a Petrobras numa série de negociatas, com ex-diretor Paulo Roberto Costa preso há vários meses.

Tudo isso é público e notório. Ninguém pode ser preso ou ter bens bloqueados apenas por estar envolvido em factóide. Se isso tivesse acontecido, significaria que não existe Justiça no país.

“SEGREDOS DE ESTADO”

Se as denúncias não passam de um factóide, por que o Planalto e a Petrobras não respondem a essas singelas perguntas, que estamos sempre a repetir neste Blog:

1) Quantos barris são refinados por dia em Pasadena?

2) Qual são os resultados contábeis da refinaria? Dá lucro ou prejuízo?

3) Por que a Petrobras transformou essas informações em “segredos de estado” e não as revelam de forma alguma?

A verdade é que a compra da refinaria de Pasadena é injustificável. Trata-se de uma unidade sucateada, construída há 80 anos para refinar óleo leve americano. Para justificar o “bom negócio”,  a Petrobras alegou que iria fazer com que a unidade passasse a processar o óleo pesado extraído no Campo de Marlim, no Brasil, que fica a quase 20 mil quilômetros de distância da cidade texana, fato (e não factóide) que praticamente eliminaria a lucratividade da refinaria.

JUSTIFICATIVA RIDÍCULA

A argumentação usada para comprar Pasadena é patética para quem entende de indústria petrolífera. Fato (não factóide): não é nada fácil fazer com que uma refinaria de óleo leve passe a refinar óleo pesado. Até hoje, 40 anos depois da descoberta do abundante petróleo pesado em Campos, a Petrobras ainda não adaptou nenhuma de suas refinarias para processá-lo. Resultado: exporta óleo pesado (que é barato) e tem de importar óleo leve (que é mais caro), para misturá-los e conseguir refinar o petróleo extraído aqui no Brasil.

Pasadena nunca refinou óleo pesado e nunca irá refinar. Do jeito como está sucateada, se estiver refinando 25 mil barris dia de óleo leve, já será uma vitória. Mas o ex-presidente Sergio Gabrielli e a atual presidente Maria da Graça Foster seguem afirmando que a refinaria processa 100 mil por dia (esta era a capacidade máxima da época em que foi instalada, em 1934).

Para destruir de vez esse factóide de Gabrielli e Foster, basta dizer que, se a refinaria de Pasadena realmente estivesse processando 100 mil barris/dia, o lucro da Petrobras seria tamanho que os dois farsantes já teriam esfregado na cara dos parlamentares da CPI os resultados contábeis da unidade. Não haveria motivos para se discutir o assunto e muito menos para convocar duas CPIs simultâneas, jogando recursos públicos no lixo, como Gabrielli e Foster costumam fazer.

Para concluir, é sempre bom lembrar que Gabrielli é aquele presidente da Petrobras que ia a Brasília para “despachar” com o consultor José Dirceu no “escritório” do Hotel Naoum, e Graça Foster é aquela presidente da Petrobras cujo marido tem uma empresa que presta serviços à estatal sem licitação. E tudo isso não pode ser negado – são fatos e não factóides.

 

 

E o dia 6 de agosto, maior marco da bravura do povo brasileiro, passou mais uma vez em brancas nuvens…


Plácido de Castro deveria ser considerado o maior herói da História do Brasil

Carlos Newton

É decepcionante constatar que o Brasil não cuida de sua memória. Se você perguntar a algum historiador brasileiro sobre o dia 6 de agosto, possivelmente ele não lembrará do que se trata. Se o historiador for católico, pode ser que se lembre de que se trata do Dia de Nosso Senhor do Bonfim ou de Bom Jesus da Lapa. Se for estudioso da História das Américas, poderá lembrar que foi em 6 de agosto que Simón Bolívar entrou em Caracas, após a vitória de Taguanes, e recebeu o título honorífico de Libertador, e 12 anos depois, também num 6 de agosto, Bolívar declarou a independência do país que levou seu nome, a Bolívia.

Mas dificilmente o historiador se lembrará do que deveria significar o 6 de agosto para os brasileiros, por ser a data em que se iniciou a revolução que culminou na anexação do Acre ao território nacional, livrando a Amazônia da possibilidade de ser colonizada pelo Império britânico, que na época (1902) dominava a maior parte do mundo e estava tentando usurpar a Amazônia com apoio dos Estados Unidos, que mal começava a ser firmar como grande potência.

A CORRIDA DA BORRACHA

Naquele início de século XX, a borracha já se tornara uma das mais importantes e estratégicas matérias-primas, e toda a produção mundial provinha de um só lugar, a Amazônia, onde vicejava a nativa hevea brasiliensis, que era mais abundante justamente no território boliviano do Acre, uma extensa região que desde os anos 1870 vinha sendo colonizada por brasileiros, que emigravam para viver da borracha. Lá havia seringueiros e aventureiros de todo o país, mas a imensa maioria vinha do Nordeste, sobretudo do Ceará.

Um desses aventureiros chama-se José Plácido de Castro, era gaúcho de São Gabriel, filho do capitão Prudente da Fonseca Castro, veterano das campanhas do Uruguai e do Paraguai, e de Dona Zeferina de Oliveira Castro.

Plácido começou a trabalhar aos 12 anos – quando perdeu o pai – para sustentar a mãe e os seis irmãos. Aos 16 anos, ingressou na vida militar, chegando a 2° sargento, entrou na Escola Militar do Rio Grande do Sul e depois lutou na Revolução Federalista ao lado dos “maragatos”, chegando ao posto de Major. Com a derrota para os “pica-paus”, que defendiam o governo Floriano Peixoto, Plácido decidiu abandonar a carreira militar e recusou a anistia oferecida aos envolvidos na Revolução.

Mudou-se para o Rio de Janeiro,  foi inspetor de alunos do Colégio Militar, depois empregou-se como fiscal nas docas do porto de Santos, em São Paulo e, voltando ao Rio, obteve o título de agrimensor. Inquieto e à procura de desafios, viajou para o Acre, em 1899, para tentar a sorte como agrimensor e logo arranjou trabalho por lá.

O BOLIVIAN SYNDICATE

Havia uma antiga disputa de terras entre Brasil e Bolívia, os colonos brasileiros já tinham até declarado duas vezes a independência do Acre, mas o governo brasileiro mandara tropas para devolver o território à Bolívia. Até que surgiu a notícia de que a Bolívia havia arrendado o Acre aos Estados Unidos, através do Bolivian Syndicate, uma associação anglo-americana sediada em Nova York e presidida pelo filho do então presidente dos EUA, William McKinley.

O acordo autorizava o Bolivian Syndicate a usar força militar como garantia de seus direitos na região, as leis e os juízes seriam norte-americanos, a língua oficial seria o inglês e os Estados Unidos se comprometiam a fornecer todo o armamento que necessitassem. Além disso, tinham a opção preferencial de compra do território arrendado, caso viesse a ser colocado à venda. E a Bolívia também se comprometia em, no caso de uma guerra, a entregar a região aos Estados Unidos.

Plácido de Castro estava demarcando o seringal Victoria, quando ficou sabendo do acordo pelos jornais e viu nisto uma ameaça à integridade do Brasil. Tinha 27 anos, era o único militar de carreira que morava naquela região e decidiu liderar uma resistência. Convocou os comerciantes, seringalistas e emigrantes brasileiros, formou um pequeno grupo de guerrilheiros e aproveitou o dia 6 de agosto, feriado nacional na Bolívia, para iniciar a revolução.

A REVOLUÇÃO COMEÇA…

Quando Plácido chegou com cerca de 60 guerrilheiros ao pequeno quartel do Exército boliviano na vila de Rio Branco, às margens do Rio Acre, o oficial boliviano julgou que os brasileiros vinham comemorar o feriado. “Es temprano para la fiesta”, disse ele, e Castro respondeu: “Non es fiesta, es revolución”. E a guerra começou, para desespero do governo brasileiro, que não se interessava pelo Acre.

O governo boliviano logo enviou mais um contingente de 400 homens, comandados por Rosendo Rojas. Mas Plácido de Castro, percursor da guerrilha na selva,  se revelou um grande estrategista e conseguiu enfrentar e derrotar o Exército e a Marinha da Bolívia em várias batalhas.

Os combates da Revolução Acreana duraram vários meses e a revolução só acabou em janeiro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil comprou o território do Acre à Bolívia, anexando essas terras ao nosso país.

Além do Brasil seguir dominando o comércio mundial da borracha, outro resultado da vitória da Revolução liderada por Plácido de Castro foi o sepultamento do sonho anglo-americano de dominar o Acre e a Amazônia. Ao vencer o Exército e a Marinha da Bolivia, aqueles valorosos guerrilheiros brasileiros na verdade estavam derrotando também a maior potência militar do mundo, a Inglaterra, e seu principal aliado, os Estados Unidos.

Esta é uma história linda, que infelizmente não se aprende nos colégios brasileiros. Somente é lembrada . Mas um dia o major Plácido de Castro há de se lembrado e homenageado como um dos maiores heróis deste país.

Sem Joaquim Barbosa no Supremo, está tudo dominado e Genoino é o primeiro a sair da Papuda

Carlos Newton

Reportagem de Mariângela Gallucci, no Estadão, revela o que já se esperava: o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, concordou que o ex-deputado federal José Genoino tem o direito de ser transferido para a prisão domiciliar.

Em parecer já encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e imediatamente aceito pelo ministro Luís Roberto Barroso, que mandou soltar Genoino, Janot afirmou que os documentos apresentados comprovam que Genoino já cumpriu um sexto da pena fixada pelo STF como punição por envolvimento com o esquema do mensalão. Quando esse patamar é atingido, o preso pode requerer a transferência de regime de cumprimento de pena.
Acontece que esses documentos consideram como cumprimento de pena todo o período que Genoino passou em prisão domiciliar ou em suposto tratamento de problemas de saúde, que jamais foram confirmados pelas juntas médicos que examinaram várias vezes o ex-deputado e que até o consideraram apto para trabalhar. Foram também considerados como duplamente válidos no cumprimento da pena, na rubrica “estudos e trabalhos realizados”, os dias que Genoino passou na cadeia supostamente lendo alguns livros sobre informática e direito constitucional.

Como no Distrito Federal não existe casa do albergado ou estabelecimento prisional semelhante, a Justiça, nesses casos, concede a prisão domiciliar.

A liberdade condicional de Genoino era mais do que esperada. Desde o afastamento do ministro Joaquim Barbosa, sabia-se que o pedido dos advogados deleseria aceito, porque a operação para libertar o ex-presidente do PT na época do mensalão ia de vento em popa, e o novo comandante do Supremo chama-se Ricardo Lewandowski e a ordem dele é para que la nave va. E os outros mensaleiros fazem a festa no convés.

Toda entrevista de Dilma Rousseff virou uma espécie de comédia stand up, em versão política. Divirtam-se

Carlos Newton

Com toda certeza, a presidente Dilma Rousseff é uma espécie de Seinfeld de saias, especialista em stand up comedy, fazendo graça o tempo todo. Cada vez que ela fica em pé diante de um microfone, podemos contar com um show imperdível, em que a governante brasileira sempre se enrola toda, começa as frases e não as termina, num espetáculo verdadeiramente hilariante e sensacional.

Ontem, após participar de sabatina organizada pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, a candidata do PT tentou desqualificar a denúncia da revista Veja de que parlamentares da base aliada repassaram perguntas da CPI aos dirigentes  da Petrobras,  para que treinassem as respostas que dariam à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de corrupção na estatal.

O Palácio do Planalto não é expert em petróleo e gás. O expert em petróleo e gás é a Petrobras. Queria que você [jornalista] me dissesse quem elabora perguntas de petróleo e gás para a oposição. Perguntas sobre petróleo e gás, só um lugar ou em vários lugares no Brasil: na Petrobras e em todas as empresas de petróleo e gás. Eu acho estarrecedor que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para eles [diretores]”.

Ele tentou defender a presidente da Petrobras, Graça Foster, e sua diretoria, mas ficou parecendo uma crítica aos diretores da estatal, por precisarem de ajuda dos parlamentares da base aliada para deporem na CPI.

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Outro raciocínio dela, sobre comércio exterior: “Precisamos cada vez mais cooptar e captar novas fronteiras tanto na Ásia quanto no Oriente Médio“.
Mas o que significa “cooptar e captar novas fronteiras?

Ainda sobre comércio exterior. “É importante vocês saberem que há uma restrição na União Europeia em receber propostas de acordos comerciais, pois esses países atribuem acordos a crises. Apesar disso, estamos prontos para apresentar nossa proposta conjunta com Argentina, Paraguai e Uruguai.

Será que ela não estava querendo dizer o contrário: que os europeus atribuem crises de sua produção agrícola a acordos comerciais firmados pela União Europeia?

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Depois, falou sobre a proteção ao setor agropecuário nacional. “Não é um processo em que a gente apenas asssegure a qualidade da produção, é um instrumento fundamental de comércio agropecuário. Eu assumo aqui o compromisso de reforçar nossa defesa agropecuária, ela está hoje aquém do nosso País.”

Mas o que significa reforçar nossa defesa agropecuária?

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O etanol de cana terá que ser competitivo com o etanol de milho [dos Estados Unidos]. A política do governo é ajudar nessa competitividade. Junto com Anfavea [Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores] estamos estudando a possibilidade de ampliar de 25% para 27,5% a mistura do etanol na gasolina. O setor passou por uma crise de sobreprodução no início da crise financeira. Esse processo de crise sistematicamente será absorvido. Estruturas de financiamento mais favoráveis vão garantir ampliação da nossa produtividade”, argumentou Dilma.

Crise de sobreprodução no início da crise financeira? Mas o que será isso? E ninguém riu da piada?

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Sobre a possibilidade de o Tribunal de Contas da União (TCU) rever a decisão sobre o caso da compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e pedir o bloqueio dos bens da presidenta da Petrobras, Graça Foster.

Você [jornalista] já julgou? Acho que, se não houve julgamento, não há constrangimento nenhum. Peço para não me fazer uma pergunta sobre julgamento que não aconteceu”, respondeu.

Mas o que será que Dilma Rousseff tentou dizer ao afirmar que sem julgamento, não há constrangimento? É por isso que la nave va, sempre fellinianamente.

 

Ascensão e queda de Rodrigo Bethlem, o político factóide do “Choque de Ordem”

Carlos Newton

Rodrigo Bethlem era um político jovem que tinha tudo para dar certo, mas hoje é uma caricatura de si mesmo, com uma biografia atirada no lixo e um encontro marcado com o fracasso e o ostracismo.
O jovem deputado já está com os bens bloqueados desde segunda-feira, por determinação judicial, acusado de desvio de recursos públicos na época em que esteve à frente da Secretaria Municipal de Assistência Social da Prefeitura do Rio de Janeiro. Quem podia prever que fosse acabar assim?
Neto de general e cheio de banca, ele costumava convocar a imprensa e circulava pelas ruas do Rio de Janeiro de peito entufado e usando um espalhafatoso colete, empenhado numa implacável perseguição a pequenos comerciantes e camelôs. Demonstrava prazer nessa incansável e desumana tarefa, alegando que era preciso implantar no Rio de Janeiro a política do “Choque de Ordem”, e com isso ganhava as páginas da imprensa e os preciosos espaços nos telejornais. Mas tudo era apenas um factóide, seu interesse na política era bem outro.
A sociedade brasileira agora deveria agradecer à ex-mulher do parlamentar, Vanessa Felipe, que  arrancou a máscara do ex-marido e mostrou que na realidade ele é um farsante, apenas mais um criminoso que usa a política para enriquecer ilicitamente. Mas Vanessa é considerada cúmplice e também está com os bens bloqueados judicialmente, vejam que situação estranha.
IGUAL AOS OUTROS
É preciso ficar claro que Bethlem não é nenhuma avis rara. Pelo contrário, assemelha-se à imensa maioria dos governantes, parlamentares e autoridades do Brasil, que usam a política apenas como um instrumento, pouco se importando com o interesse público.
Vamos falar francamente: nosso país é assim mesmo, os políticos são parecidos com o Hércules Quasímodo imortalizado por Euclides da Cunha, mas apenas no mau sentido. Antes de tudo, são seres disformes moralmente e se tornam fortes apenas pela força dos recursos desviados e dos ganhos com a corrupção.
Aqui no Rio de Janeiro, sabe-se que Bethlem é como o ex-governador Sergio Cabral e o ainda prefeito Eduardo Paes. Há abundantes provas de corrupção envolvendo os três, e o que não existe é vontade política de se fazer justiça. A única diferença entre eles é que Bethlem agiu de forma infantil e se deixou ser apanhado, enquanto Cabral e Paes seguirão impunes até o final dos tempos. Este é o retrato da política brasileira, temos de admitir. Uma espécie de circo dos horrores, em que as pessoas de bem precisam escolher o candidato menos pior, na hora de votar.

Agora, é preciso investigar SENAC, SESC, SEBRAE, SENAI e as outras entidades do Sistema S

Carlos Newton

As primeiras entidades do chamado Sistema S foram criadas pelo governo Eurico Dutra em 1946, como instituições complementares ao esforço para melhorar a qualidade da educação e elevar a escolaridade e a profissionalização dos trabalhadores brasileiros, especialmente na indústria e no comércio.

Quase 80 anos depois, pela primeira vez surgem escândalos de mordomias, nepotismos e favorecimentos atingindo o SESI (Serviço Social da Indústria), em denúncia publicada no final de semana pela revista “Época”, envolvendo o ex-presidente Lula e integrantes da alta cúpula do PT, como o ex-tesoureiro Delúbio Soares e os ex-deputados Jair Meneguelli e João Paulo Cunha.

Agora, é preciso investigar os demais órgãos do chamado Sistema S, pois tudo indica que também estejam enfrentando o mesmo problema de aparelhamento político/pessoal/familiar. Mas certamente não se chegará ao impressionante estágio de putrefação que se registra no SESI. E o motivo é simples: há diferenças nos decretos que criaram  as entidades do Sistema S, fazendo com que a exploração por predadores políticos seja bem mais facilitada no SESI e no SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), porque seus principais dirigentes são nomeados diretamente pelo presidente da República.

APARIÇÕES Marlene (à esq.), nora de Lula, só apareceu no trabalho depois de ÉPOCA perguntar por ela. Márcia (à dir.), mulher do mensaleiro João Paulo Cunha, estava em casa (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)

Duas fantasmas: Marlene, nora de Lula, e Márcia, mulher de João Paulo Cunha

SUCURSAL PESSOAL

Nomeado pelo então presidente Lula, Jair Meneguelli abandonou a carreira política e se sentiu à vontade para fazer um verdadeiro festival de favorecimentos no SESI, chegando ao ponto de criar uma sucursal do SESI em São Bernardo do Campo, com a única e exclusiva finalidade de facilitar a vida de duas funcionárias fantasmas (uma das noras de Lula e a mulher de João Paulo Cunha), num ato administrativo de extrema audácia e total despudor.

A nora de Lula, que alegou ter ganhado a sinecura no SESI por ser “formada em Eventos”, e a mulher do ex-deputado mensaleiro João Paulo Cunha, que se diz especialista em “Marketing”, são exemplo de uma realidade revoltante, que mostra até onde o PT pode descer na vala da corrupção.

SESC E SEST

É preciso ficar claro também que em outros serviços sociais (como o SESC, do Comércio, e o SEST, do Transporte), o nepotismo e o favorecimento ficam respectivamente por conta da apropriação indébita da Confederação Nacional do Comércio pelo empresário Antonio Oliveira Santos, que há mais de 30 anos está à frente da entidade e nomeia os dirigentes do SESC, e por conta da ditadura imposta na Confederação Nacional do Transporte por seu eterno presidente, o empresário Clésio Andrade, que chegou a ser senador da República e renunciou recentemente ao mandato, para não ser julgado por corrupção pelo Supremo. Com a renúncia, o processo vai baixar para a Justiça Federal em Minas e o presidente da CNT acabará beneficiado pela prescrição dos crimes.

Por fim, que fique claro: mesmo nos serviços sociais em que o presidente da República não nomeia dirigentes, sempre há um jeito de ajudar os amigos, através das múltiplas vagas no Conselho de Administração que ficam reservadas para os Ministérios.

 

Olha a bolha imobiliária aí, gente! Índice que reajusta aluguéis tem em julho terceira queda seguida

Carlos Newton

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado como referência para os reajustes de aluguel e tarifas de energia elétrica, apresentou deflação de 0,61% em julho, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada quarta-feira. Em junho, o índice já havia caído 0,74%, e, em maio a redução fora de 0,13%. Como se sabe, o IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

Traduzindo: a queda dos preços dos aluguéis e dos imóveis em geral é uma realidade inafastável, demonstrando que realmente terminou o festival da alta dos preços, falsamente motivado pela Copa do Mundo. Agora, estamos de volta à velha Lei da Oferta e da Procura, que não consta em nenhum Código Jurídico e não há regime político que consiga derrubá-la.

A crise começou há três anos, quando diminuiu a procura por imóveis novos nas capitais e grandes cidades. O mercado estava aquecido devido à queda dos juros, os rentistas largaram os fundos e passaram a investir em imóveis, os preços mais do que duplicaram, todos mundo feliz, achavam que a festa não acabaria nunca, como se fosse possível algum mercado especulativo conseguir ficar eternamente em alta…

Com a demanda despencada nas capitais e grandes cidades, as construtoras e incorporadoras passaram a fazer lançamentos nas cidades de porte médio e conseguiram manter o mercado falsamente aquecido. Mas agora parou de vez . No desespero, as imobiliários fazem as mais incríveis promoções.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a Rossi já chegou a oferecer desconto de R$ 60 mil em qualquer imóvel, residencial ou comercial. Outras imobiliárias usam artifícios diferentes: vendem o apartamento com a decoração e a mobília de graça ou oferecem um carro zero quilômetro na garage. Mesmo assim a coisa está feia.

É uma bolha imobiliária, não há dúvida, mas não vai estourar como nos Estados Unidos ou no Japão. A versão brasileira é diferente e não corre risco de explodir, afetando outros mercados. Nossa crise é menos agressiva e a bolha vai esvaziando lentamente, com os preços caindo na real.

Quem está ganhando fortunas com a crise é a mídia tradicional e a internet. Podem reparar, ninguém anuncia tanto quanto o setor imobiliário. Por isso, os jornais, televisões e sites de informações raramente tocam no assunto. Esta semana, o Estadão e a TV Globo (Jornal Nacional) deram destaque às dificuldades das empresas incorporadoras e à queda da cotação de suas ações na Bolsa de Valores, mas o resto da mídia silenciou, inclusive o jornal O Globo, que costuma fazer reportagens eletrizantes sobre a suposta valorizações dos imóveis no Rio.

Aliás, é a Organização Globo que mantém o índice Zap-Fipe que registra ardilosamente a evolução dos preços sempre para cima, fazendo a pesquisa com os preços anunciados nos anúncios, ao invés de procurar os preços reais de compra e venda nos cartórios.

E a crise está só começando.

Roberto Irineu Marinho ganha prêmio de Personalidade Mundial da TV, mas ninguém sabe explicar o motivo

Carlos Newton

A Academia Internacional das Artes & Ciências Televisivas anunciou quarta-feira que o presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, é um dos vencedores do prêmio Emmy Internacional 2014, na categoria “Personalidade Mundial da Televisão”, no evento a ser realizado dia 24 de novembro, em Nova York.

A premiação causou surpresa, e a Academia justificou a escolha alegando que Roberto Irineu é um pilar do sucesso da Globo e “tem liderado a marca do grupo a nível nacional e internacional, mantendo por muitos anos o forte comprometimento de sua família com o jornalismo de qualidade e responsabilidade social”.

Na verdade, não há a menor justificativa para esse prêmio. A família Marinho jamais esteve comprometida com um jornalismo de qualidade e responsabilidade social. Além disso, Roberto Irineu nunca dirigiu a TV Globo. Quando seu pai morreu, já fazia décadas que a emissora tinha uma diretoria altamente profissionalizada e Roberto Irineu sempre teve um cargo apenas honorífico e simbólico, como é praxe na Organização Globo.

Curiosamente, a sucessão na família Marinho foi semelhante à do filme “O Poderoso Chefão”. Na ficção, com a morte do Don Corleone, quem assumiu a direção foi o filho mais novo, interpretado por Al Paccino. Na vida real, Roberto Irineu é presidente da Globo apenas  por ser o mais velho, porque quem lidera a família e a organização desde a morte de Marinho é João Roberto, o caçula.

REPETINDO O PAI…

Roberto Irineu vai ganhar o mesmo prêmio que o pai recebeu em 1983, ainda em plena ditadura, com a qual Roberto marinho esteve ligado desde a conspiração contra o presidente João Goulart, em que o diretor de O Globo se tornou principal parceiro do embaixador americano Lincoln Gordon, que conduzia o golpe nos bastidores.

Na ditadura, Roberto Marinho usou sua proximidade com os chefes militares para enriquecer, desestabilizar seus concorrentes e montar a maior rede de comunicação do mundo, pois fechou o círculo do setor, com emissoras de TV aberta e por assinatura, rádios, jornais, revistas, editora de livro, sites especializados, gravadora de discos, produtora de filmes e operadoras de TV por assinatura. No mundo inteiro, não há nenhuma organização que se compare à Globo.

Para montar esse verdadeiro império, Marinho usou de todos os instrumentos que estiveram ao seu alcance, fossem legais ou até mesmo ilegais. O mais conhecido dos crimes que o diretor da Globo cometeu — reconhecido em autos judiciais por seus próprios advogados, que apenas alegaram já estarem prescritos — foi a usurpação da TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo), mediante documentos grosseiramente falsificados, convocação fraudulenta de assembleias de acionistas, procurações anacrônicas, funcionamento da emissora sem concessão federal por 12 anos e tudo o mais.

EM 2003, CHEIOS DE DÍVIDAS

Na verdade, tudo que envolve a Organização Globo é muito nebuloso. Quando Roberto Marinho morreu, em 2003, as Organizações Globo acumulavam uma dívida superior a 3,6 bilhões de dólares, segundo relatório da Price Waterhouse Coopers – Auditores Independentes, assinado por William J. N. Graham em 2002.

Em 2004, a situação continuava tão complicada que os filhos de Roberto Marinho contrataram a economista Maria Silvia Bastos Marques para negociar um empréstimo no BNDES, então dirigido por Carlos Lessa. A delegação da Globo (Maria Silvia e diretores) foi recebida por Darc Costa, vice-presidente do BNDES, que recusou liminarmente a possibilidade de financiar a Globo enquanto não houvesse uma linha de crédito que pudesse ser utilizada por quaisquer veículos de comunicação.

Além disso, o Tribunal de Contas da União havia impedido o BNDES de dar qualquer novo financiamento às Organizações Globo, enquanto não fosse resolvida a dívida pendente da subsidiária Net com o banco estatal.

CADA VEZ MAIS RICOS

Mesmo sem conseguir o dinheiro do BNDES, a família Marinho se recuperou financeiramente numa velocidade estonteante. Dez anos depois, segundo a revista americana Forbes e a agência Bloomberg, os três irmãos, juntos, já possuem algo em torno de 28,3 bilhões de dólares, uma quantia realmente fabulosa.

O mais incrível é que foi justamente a partir do primeiro governo Lula, que os  Marinho deram esse salto para o futuro, que os posiciona bem perto da 20ª colocação no ranking mundial dos mais ricos do mundo, hoje ocupada por Li Ka-Shing, chinês de Hong Kong, detentor de US$ 31 bilhões.

Mas sabe-se que esse súbito macroenriquecimento está envolto em golpes tributários, com vultosa retenção de impostos para pagamento a posteriori com benefício do Programa Refis, que isenta de multa e parcela a dívida. Além disso, fala-se em desaparecimento de processos administrativos referentes a essas manobras fiscais e também já começam a circular informações de que os três irmãos estão cada vez mais especializados em sonegação de impostos, na casa dos bilhões. Para quem conhece o passado da família, não há surpresa alguma.

OUTRAS IRREGULARIDADES

Afora isso, é fato conhecido que a organização mantém em seus quadros dezenas de trabalhadores contratados com elevadíssimos salários, como se fossem pessoas jurídicas, em contratos simulados, lesando-se a Previdência Social, Receita Federal e o FGTS, numa completa irresponsabilidade social.

Até novembro, quando essa almejada honraria internacional for entregue, decerto que novos fatos virão à tona, como o aparecimento de novas perícias feitas nos documentos montados e que serviram de base para o jornalista Roberto Marinho se apossar do canal 5 de São Paulo, entre 1964 e 1985, o mais valioso e rentável de todo o país, apropriando-se a custo zero da concessão federal e lesando os mais de 600 acionistas fundadores da emissora.

Aliás, de não se esquecer também que, no ano passado, Roberto Irineu Marinho, que desde 1977 era vice-presidente das Organizações Globo, veio a público divulgar documento no qual reconhece que suas empresas não agiram com ética e respeito à verdade e aos direitos humanos, entre 1964 e 1985, no período ditatorial em que colocou todo o seu monopolista e imbatível aparato informativo a serviço da ditadura, graças à qual transformou-se numa das maiores empresas de comunicação de todo o Planeta, agora premiada por seu comprometimento com o jornalismo verdade e por sua preocupação com o social, desde que não precise recolher em dia a pesada carga tributária que recai sobre todos os outros brasileiros.

 

Com novo ânimo, a Tribuna da Internet se lança em busca do tempo perdido

Carlos Newton

Este blog perdeu muito tempo com “problemas técnicos”. Nos primeiros anos, quando a audiência era pequena, o funcionamento da Tribuna jamais teve dificuldades. Mas depois que a audiência foi crescendo, até atingir em 2013 o recorde de 64 mil acessos diretos num só dia (sem contar Facebook, outras redes sociais, distribuição de artigos por e-mail e reproduções em outros blogs e sites), os “problemas técnicos” enfim surgiram e logo se multiplicaram.

Ontem, acabamos de trocar de servidor, a migração ficou praticamente perfeita, até agora não houve dificuldades de acesso e o trabalho diuturno de edição do blog passou a funcionar com maior velocidade.

BLOQUEIO DE COMENTÁRIOS

É claro que ainda há problemas, como alguns comentários que ficam aguardando moderação ou bloqueados como spam (propaganda indesejada), quase sempre por conterem palavras em idioma estrangeiro, como Béja, Welinton, Wagner, Limongi, Bortolotto e tantos outros, como o onipresente Schossland, que nem se fale… Schossland é sempre o primeiro comentarista a ficar bloqueado e abduzido, até que o programa antispam se acostume com o nome dele e entenda que suas mensagens são bem-vindas.

Esse bloqueio indevido é mais uma tarefa adicional para nós, porque temos de ficar conferindo nos spams se algum comentário está indevidamente bloqueado. Acreditamos que em mais alguns dias tudo estará normalizado e poderemos seguir Marcel Proust em busca do tempo perdido.

AS DUAS TRIBUNAS

Quanto ao contador de acessos, que o comentarista Ricardo Sales nos cobra, só poderemos recolocá-lo quando a contagem estiver normalizada. No momento, só há contagem para Tribuna da Imprensa, embora a maior parte dos acessos seja feita por Tribuna da Internet.

O fato mais importante é que, desta vez, enfim conseguimos instalar o blog como Tribuna da Internet, para que em breve possamos devolver ao grande mestre Helio Fernandes o título Tribuna da Imprensa, que fomos obrigados a manter quando ele se afastou para fazer um novo blog, o Tribuna da Imprensa Online.

Na época, o título Tribuna da Internet não estava disponível e tivemos de continuar usando o Tribuna da Imprensa, que há anos está sob nosso domínio, desde o fechamento do jornal impresso.  Mas agora parece que ficou tudo certo com o título Tribuna da Internet e esperamos poder liberar o domínio Tribuna da Imprensa para nosso amigo Helio Fernandes o mais rápido possível.

E como diz nosso amigo Ancelmo Gois, que Deus os ajude e a nós não desampare.

Temer provoca crise no PMDB paulista e atrapalha Skaf

Carlos Newton

Incomodado com peça publicitária que insinuava a negativa do PMDB paulista apoiar Dilma, o vice-presidente Michel Temer resolveu enquadrar o candidato do partido ao governo de São Paulo, Paulo Skaf.

A bem-humorada peça publicitária consistia na divulgação de um vídeo em que o candidato Skaf aparece sentado num trem e é perguntado pelo celular sobre um possível apoio ao PT. A resposta usa o bordão de um comercial do cantor Cumpadre Washington, do conjunto É o Tchan: “Sabe de nada, inocente”.

O vídeo causou revolta no Planalto e a conta sobrou para o vice-presidente Michel Temer, que não só voltou a presidir o PMDB, como também é padrinho da candidatura de Skaf ao governo paulista. Temer imediatamente ligou para Skaf e exigiu do aliado. “O PMDB paulista estará com Dilma e comigo na campanha nacional”.

SEM PALANQUE

Mas o fato é que Skaf tem rechaçado a possibilidade de abrir seu palanque para Dilma Rousseff, por conta do elevado índice de rejeição da presidente no Estado de São Paulo. Ele acha que receber apoio de Dilma hoje significa perder eleitores.

Temer foi chamado pelo Planalto para agir como bombeiro, mas acabou botando mais lenha na fogueira. Criou uma crise no PMDB justamente quando o partido volta a ter alguma chance de ao menos apresentar candidato e disputar o governo de São Paulo.

As pesquisas indicam que o tucano Alckmin pode ser reeleito no primeiro turno, mas ainda faltam mais de dois meses e muita coisa pode acontecer. Como dizia Magalhães Pinto, a política é como uma nuvem: agora está de uma maneira, daqui a pouco estará de outro jeito.

Aviso aos navegantes: estamos fazendo a migração do blog, que na segunda-feira terá de sair do ar, durante algum tempo

Carlos Newton

Como todos sabem, a Tribuna da Internet é um dos blogs mais complicados e hackeados do país. Como não temos condições financeiras para nos proteger de invasões, estamos sempre sujeitos a atos de pirataria cibernética, mas não vamos desistir.

Durante quatro anos, não tivemos nenhum problema. Somente quando a audiência superou os 6 mil acessos diretos por dia é que as coisas começaram a se complicar. Surgiram dificuldades para editar o blog e também para acessá-lo, sem que o servidor UOL tivesse qualquer explicação. Até que saímos do ar, e a equipe técnica do servidor alegou que eu mesmo tirara o blog da plataforma WorldPress através do Painel do Cliente, e respondi que era impossível, porque eu nem sabia que existia o tal Painel do Cliente…

Isso foi em 2011. Recomeçamos do zero, refizemos o blog e a audiência foi voltando. Chegamos à média de 13 mil acessos diretos, sem contar os leitores através de Facebook, republicações etc. E novamente surgiram os problemas, acabamos outra vez tirados do ar.

SUCESSO TOTAL

Refizemos o blog, mas desta vez perdemos centenas de milhares de comentários, fato que até hoje revolta o José Guilherme Schossland, ganhamos audiência e nos conectamos ao site norte-americano de contagem de acessos Histats.com, que registrava em nossa primeira página o número de visitantes online, ou seja, quantos estavam lendo o blog naquele exato momento, e também o total de visitas no dia, até aquele minuto. Foi um sucesso tremendo, com uma impressionante escalada de acessos. E em 19 de junho de 2013, por exemplo, postei o seguinte comentário:

Na terça-feira, a medição do site de contagem norte-americano Histats.com mostrava que fechamos o dia com 17.280 acessos diretos, quebrando o recorde anterior, que era de 16.872 , total alcançado no julgamento do mensalão, quando houve a discussão entre os ministros Fux e Toffoli.

Ontem, quarta-feira, desde o início da manhã o site Histats.com já previa que passaríamos de 20 mil acessos diretos. Ou seja, novo recorde, um em cima do outro, algo que nunca aconteceu antes aqui na Tribuna da Imprensa.

Realmente, às 21 horas já tínhamos ultrapassado o recorde anterior de 17.280 acessos e avançávamos rumo aos 21 mil, vejam que coisa espantosa, chegando a exatos 21.482 acessos.

E o blog não parava de ganhar eleitores, com tudo registrado no contador Histats.com instalado na primeira página do blog, fazendo com postássemos no dia 4 de agosto de 2013 o seguinte comentário:

“Como diz o genial Martinho da Vila, devagar, devagarinho, o Blog da Tribuna da Imprensa vai se consolidando e garantindo um espaço cada vez maior na web. Na quarta-feira, dia 24 de julho, batemos novo recorde, com 64.801 acessos diretos, sem contar as leituras via Facebook ou em reprodução de nossos artigos por sites e blogs, além do envio de artigos e matérias para milhares de pessoas, através de nossos seguidores.”

DE NOVO FORA DO AR…

Nem precisava dizer que logo saímos de novo do ar. Na época, culpamos o servidor UOL, desistimos dele e refizemos o blog no servidor Hostgator. Foi um grande erro. Somente um macrosservidor como o UOL pode suportar um blog com tamanha procura. De lá para cá, tivemos permanentes dificuldades de edição e de acesso à Tribuna da Internet, os próprios comentaristas nos comunicam esses problemas. E ficamos estacionários, com algo em torno de 11 mil ou 12 acessos diários.

É claro que essas dificuldades jamais vão acabar. Se os hackers conseguem invadir o sistema do Pentágono, não é preciso dizer mais nada, eles entram onde bem entendem. Outro dia o Globo deu uma matéria de página inteira mostrando como é fácil e barato contratar um hacker, como se fosse uma espécie de pistoleiro de aluguel.

Bem, o fato é que desde quinta-feira estamos voltando para o UOL e esta segunda-feira teremos de ficar fora do ar durante algum tempo, para concretizar a migração definitiva. Até lá, pedimos que os amigos tenham paciência e sigam adiante conosco. Não vamos desistir. Pelo contrário, vamos nos divertir.

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PS – Alguns amigos e comentaristas insistem em afirmar que nosso blog não sofre ataques de hackers, que tudo não passa de coincidências, são problemas técnicos normais. A eles respondo que quem já passou dos 40 anos dificilmente continua acreditando em coincidências. Seria a mesmo coisa que acreditar na confiabilidade da urna eletrônica brasileira. Problemas técnicos sempre têm explicações técnicas, que jamais nos foram apresentadas.

 

Para atender aos anseios de mudança dos brasileiros, marqueteiro manda Dilma aceitar várias reformas

Carlos Newton

A repórter Luciana Lima, do iG Brasília, revela que a presidente Dilma Rousseff, para tentar satisfazer o desejo dos eleitores por mudança, tendência que apareceu forte em sucessivas pesquisas encomendadas pelo próprio PT, vai passar a defender em sua campanha pela reeleição a necessidade do país fazer quatro grandes reformas.

A sugestão foi feita pelo marqueteiro João Santana, que se tornou uma espécie de 40º ministro do atual governo, um ministro sem pasta, mas que manda mais do que os outros 39, pois é o único ao qual a presidente ouve e… obedece.

Na lista do marqueteiro de Dilma estão destinadas a figurar no horário eleitoral a reforma política, a reforma federativa, a reforma urbana e a reforma dos serviços públicos. Na verdade, são quatro factóides criados pelo marqueteiro, que por enquanto ninguém nem sabe explicar.

PLEBISCITO

Segundo o coordenador da campanha e presidente do PT, Rui Falcão, repetindo a estratégia de junho do ano passado, quando os protestos forçaram uma resposta do governo, Dilma pretende novamente chamar a população para uma reforma política com plebiscito.

“Essa é a primeira reforma que estamos propondo e presidenta vai encampar”, diz Falcão, acrescentando: “A reforma política, através de um plebiscito, significa perguntar ao povo se ele quer continuar com isso que está aí, com políticos que usam o mandato para fins pessoais”.

E completou: “Querem continuar com parlamentares que vocês elegem e depois não parecem mais? Vocês sabem que que tipo de coisa eles estão votando? Que tipo de coisa estão fazendo pelos eleitores? Vocês querem continuar em um sistema que é o poder econômico que decide eleição ou vocês querem ter a oportunidade de participar mais, de opinar sobre orçamento, de opinar sobre políticas públicas de saúde, de educação? “, sugeriu. “Essa é reforma política que nós queremos perguntar através de um plebiscito”.

Caramba, quase doze anos depois de chegar ao poder, o PT resolveu se preocupar com políticas públicas de saúde e educação? Mas qual seria a reforma política que o governo tenciona? Fim da reeleição e  voto distrital com lista de nomes, como sugere Lula? Adoção do regime parlamentarista? Ninguém sabe…

E a reforma federativa? Será um sistema como o americano, em que a segurança pública é municipal e as leis são estaduais? Vamos eleger xerifes, como os municípios da matriz? Os impostos serão melhor divididos entre os três níveis federativos? Ninguém sabe…

E que reforma urbana será esta? Vão obrigar os municípios a terem saneamento básico? Será proibido construir prédios com mais de cinco andares? Haverá coretos obrigatoriamente nas praças? Escolas e hospitais para todos? Ninguém sabe…

E a reforma dos serviços públicos? Como se sabe, os serviços públicos são abastecimento de água e instalação de esgotos, energia, transportes, educação e saúde. Quais são as reformas que o novo governo Dilma Rousseff pretende, ao invadir a competência dos prefeitos. Ninguém sabe…

Traduzindo: vamos deixar de intermediários e colocar logo o marqueteiro João Santana como cabeça de chave. Dilma Rousseff não tem ideias próprias, mas seria uma ótima candidata a vice-presidente.

 

Norberto Odebrecht é sepultado em Salvador. Espera-se que sua obra social jamais seja esquecida

Casa Familiar das ÁguasCasa Familiar Rural de IgrapiúnaCasa Cultural da Floresta

Carlos Newton

A imprensa noticiou a morte do engenheiro e empresário Norberto Odebrecht, de 93 anos, fundador da Organização Odebrecht, que hoje emprega cerca de 200 mil pessoas e atua em 23 países.

Nesse noticiário muito se falou sobre o sucesso da empresa, mas não saiu publicada uma linha sobre a maior realização do empresário: a Fundação Odebrecht, à qual se dedicou inteiramente nos últimos 25 anos, desde seu afastamento da presidência do grupo, que passou a ser ocupada por seu filho Emilio.

E também não saiu uma só linha sobre o maior orgulho do empresário – a implantação do projeto Baixo Sul da Bahia, um empreendimento social que dá assistência a 15 municípios baianos, com população de 350 mil habitantes, num território com mais de 7 mil quilômetros quadrados.

EDUCAR E TRABALHAR

Nesse projeto, o mais importante é o método aplicado, com ênfase na educação e no trabalho, através de cooperativas de agricultura familiar que estão fazendo uma verdadeira revolução social naquela região.

O que Norberto Odebrecht fez foi mostrar que é possível desenvolver os municípios carentes, com governança participativa e um mínimo de investimentos a fundo perdido, e seu método é justamente o oposto ao Bolsa Família, que não estimula diretamente o trabalho e o desenvolvimento social.

O projeto Baixo Sul da Bahia deveria servir de modelo ao governo para implantação nos municípios carentes do Norte/Nordeste, de acordo com as peculiaridades e potencialidades de cada micro-região. Mas quem se interessa por isso num governo de 39 ministérios?

Para os governantes é muito mais cômodo distribuir Bolsas Famílias e garantir os votos dessa massa carente. Implantar projetos de inclusão dá mais trabalho, então vamos deixar para depois. E agora a mais perfeita obra do engenheiro Norberto Odebrecht pode estar destinada ao esquecimento, antes mesmo de se tornar nacionalmente conhecida. Espera-se que seus filhos e netos não permitam que isso aconteça.

 

A economia vai mal. Porém, quando Dilma cai nas pesquisas, a Bolsa dispara

Carlos Newton

Estamos diante de um fenômeno político/econômico/social muito interessante e intrigante. Embora a economia esteja mal, sob ameaça de estagflação (estagnação em cenário de inflação), com previsão de PIB negativo este ano, a Bolsa de Valores tem subido nos últimos dois meses. E com uma peculiaridade marcante: sempre que as pesquisas eleitorais indicam queda das intenções de voto na presidente Dilma Rousseff, o índice Ibovespa dispara.

Este fenômeno só tem uma explicação: o chamado mercado rejeita Dilma Rousseff, quer tirá-la do poder e faz questão de demonstrar essa intenção. É um perigo. A flagrante rejeição do mercado é muito pior do que a rejeição dos eleitores, que também está aumentado nas últimas pesquisas, fazendo acender o sinal vermelho na campanha do PT, que virou uma espécie de Babel, com uma nítida divisão entre os lulistas, que são ampla maioria, e os dilmistas, que se contam nos dedos.

Na verdade, Lula jamais transferiu inteiramente o poder a Dilma, e o PT apenas aceitou-a, pois a decisão de lançá-la candidata a presidente partiu única e exclusivamente de Lula. Mas em 2010, tudo eram flores, a economia brasileira crescia em índices asiáticos, o mercado estava satisfeitíssimo com Lula. E como todos sabem, quem manda nesse país é o mercado, agora também conhecido pelo codinome de “elite branca”.

OPOSTO DE LULA

Mas Dilma é o oposto de Lula. Não tem carisma, não sabe transmitir otimismo e empolgar a elite branca e as massas. Vive a fazer caras e bocas, parece entediada e não respeita a dignidade do cargo, que inclui regras de comportamento. Imagine-se se algum dia a chanceler alemã Angela Merkel se deixará ser fotografada em idênticas condições… Claro que não. Ela sabe se comportar, nada de caras e bocas.

Agora Dilma está nas mãos de Lula. Em 2010 ele lutou como um leão, percorrendo o país inteiro para pedir votos e conseguiu elegê-la contra um candidato forte como José Serra, que saiu na frente na campanha e depois foi caindo nas pesquisas, exatamente como está acontecendo agora com Dilma.

A grande dúvida é saber se Lula vai mergulhar nessa campanha com a mesma disposição. Pessoalmente, acredito que não, até por que ele já deixou claro que não pretende acompanhá-la nas viagens aos Estados. Dilma irá para um lado e Lula irá para outro. Ele preferiria viajar com outra pessoa, mas infelizmente desta vez não vai dar.

SENSUS CONFIRMA DATAFOLHA

Para quem duvidou do Instituto Datafolha, praticamente todos seus dados foram confirmados pela pesquisa encomendada pela revista IstoÉ ao Instituto Sensus. O levantamento aponta empate técnico entre Dilma e Aécio em um provável segundo turno. Os candidatos teriam 36,3% e 36,2% de intenção de votos, respectivamente.

Se o embate fosse com Eduardo Campos, Dilma teria 38,7% e o ex-governador de Pernambuco 30,9%. No levantamento anterior, a petista obteve 37,5% e o pernambucano 26,9%. A diferença entre eles diminuiu: de 10,6 para 7,8 pontos. Indecisos, nulos, em branco ou que não responderam totalizam 30,4%, ante 35,6% do levantamento do mês passado.

Traduzindo: a coisa está feia para a candidatura de Dilma. Se Lula não a socorrer com empenho total e dedicação exclusiva, a vaca vai para o brejo.

 

Manutenção dos estádios/arenas da Copa é tão cara que a “solução” será entregá-los à iniciativa privada

Dando adeus ao estádio…

Carlos Newton

Terminada a Copa do Mundo, é hora de pensar o que fazer com o principal legado, os 12 luxuosos estádios de futebol, que passaram a ser chamados de arenas. E a verdade é que o Brasil agora tem 12 moderníssimos elefantes brancos cuja manutenção custa uma fortuna e assusta os governantes.

Um bom exemplo é o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, cuja reforma custou  R$ 1,4 bilhão. Desde a grandiosa reinauguração, em maio de 2013, com a presidente Dilma Rousseff dando o pontapé inicial e tudo o mais, o estádio foi palco de cerca de 50 eventos, entre partidas de futebol (incluindo amistosos da seleção e jogos da Copa) e apresentações musicais. No total, apenas cerca de 1,2 milhão pessoas passaram pela arena do ano passado para cá. A arrecadação girou em torno de R$ 3,2 milhões, enquanto somente as despesas com água e energia elétrica foram de R$ 1,5 milhão, quase a metade. Somando-se os custos de pagamento de pessoal e manutenção, pode-se concluir que o empreendimento está dando um baita prejuízo e jamais pagará o investimento.

CENÁRIO SOMBRIO

A agenda até o final do ano só aprofunda esse cenário sombrio. O secretário extraordinário da Copa no Distrito Federal, Cláudio Monteiro, tenta fingir empolgação ao anunciar que o estádio deve ser palco de alguns eventos ao longo do segundo semestre. “Teremos pelo menos mais seis jogos da primeira divisão por aqui esse ano. Além disso, em dezembro, devemos realizar a segunda edição do Torneio Internacional de Futebol Feminino, com a seleção brasileira feminina”, disse, acrescentando que duas atrações musicais internacionais se apresentarão na cidade até o fim do ano.

Para se livrar do problema, a solução do governo do Distrito Federal é genial: o estádio Mané Garrincha será entregue à iniciativa privada. Este é o objetivo do governador Agnelo Queiroz (PT). Segundo ele, a discussão está avançada e será retomada agora com o fim da Copa do Mundo. “Estudaremos a realização de uma licitação internacional destinada a transferir a administração do estádio” afirmou.

O secretário Cláudio Monteiro admite que os estudos para a privatização do estádio ocorrem desde a época em que a arena estava sendo construída. Ou seja, o governo já sabia que se tratava de uma obra sem perspectivas. E Monteiro tenta aparentar otimismo. Segundo ele, existem diversos empresários interessados em assumir a gestão do espaço. “A Copa serviu para valorizar ainda mais o Mané, é uma pena que ainda haja quem pense que se trata de um elefante branco”, desabafou.

Bem, privatizar é preciso, mas vai ser muito difícil que o poder público consiga recuperar pelo menos um centavo do total de R$ 1,4 bilhão consumido pela reforma. E tudo isso já era sabido e esperado, em função dos elefantes brancos abandonados na África do Sul. E la nave va…

 

O suspense aumenta: Tuma Jr. vai ou não vai lançar o novo livro antes das eleições

Carlos Newton

O jornalista Polibio Braga, um dos blogueiros mais influentes do Rio Grande do Sul, anuncia que, depois de vender 100 mil livros, o ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, está mesmo escrevendo “Assassinato de Reputações II”.

Ainda segundo Polibio Braga, o delegado aposentado da Polícia Federal “quer fazer o lançamento às vésperas das eleições de outubro, e prometeu revelações ainda mais bombásticas sobre os bastidores do governo Lula”.

O fato é que, em seu primeiro volume, Tuma Jr. deixou o PT, o governo e o ex-presidente Lula totalmente na defensiva. Fez denúncias pesadas sobre perseguições do governo a políticos de oposição, com preparação de dossiês fraudulentos. E culminou a série de acusações dizendo que Lula era informante do DOPS, com o codinome “Barba”, e operava diretamente com o pai dele, o célebre delegado Romeu Tuma, depois eleito deputado e senador.

SILÊNCIO ABSOLUTO

Como não foi processado por ninguém e como também Câmara e Senado não quiseram ouvir suas revelações, com a base aliada impedindo sua convocação pelas comissões temáticas, Tuma Jr. avisou que as denúncias que reservara para Justiça e Congresso irão para o novo livro.

Nesse ínterim, o delegado deu uma bombástica entrevista no programa Roda Viva. Reafirmou  ter provas de tudo, inclusive do envolvimento de Lula com a ditadura. E anunciou que iria escrever a continuação do livro, sob o título “Assassinato de Reputações II”, anexando as provas.

De lá para cá, com os escândalos da Petrobras e com a realização da Copa do Mundo, o assunto de Tuma Jr. ficou adormecido, somente voltando agora ao noticiário.

Bem, se o livro for lançado antes das eleições, como é a intenção, com toda certeza fará um grande estrago na campanha do PT. Vamos aguardar,

 

 

O mistério continua: Blog da Tribuna da Internet ainda está sob bloqueio no Google

Carlos Newton

Seja como Tribuna da Internet ou como Tribuna da Imprensa, o blog continua com acesso bloqueado ao Google, que é o maior site de buscas e acessos, e ao Ask.

Não há estatísticas precisas, mas é notório que o Google hoje é hegemônico em relação aos demais sites de busca: Yahoo, Ask e Bing (antigo MSN). Acredito que Google e Ask sejam coirmãos, porque exibem exatamente a mesma coisa.

O acesso pelo Yahoo e pelo Bing está normal, mas é muito difícil conseguir pelo Google e pelo ASK. Quando algum internauta tenta acessar a Tribuna da Internet, jamais aparece a edição do dia, e nem adianta clicar no ícone de atualização. O acesso à edição atualizada só ocorre numa hipótese – se o internauta clicar no título Tribuna da Internet. Aí, num passe de mágica, surge a edição do dia.

Descobrimos também outra maneira de se conseguir acesso pelo Google, quando se busca o endereço inteiro: www.tribunadainternet.com.br. Mas se faz a busca pelo outro endereço (tribunadainternet.com.br), sai o seguinte aviso: Ops! O Google Chrome não conseguiu localizar tribunadainternet.com.br. 

Esta é a situação atual. Sem recorrer ao link FAVORITOS, só é possível acessar a Tribuna da Internet através dos sites Yahoo e Bing, ou no Google, se a busca for feita mediante essas instruções acima mencionadas.

Aproveitamos para agradecer a solidariedade dos comentaristas que têm enviado mensagens com sugestões para solucionar o problema. Quem conhece o blog sabem que não é a primeira vez que sofremos “problemas técnicos” inexplicáveis. E, ao que parece, não deverá ser a última vez, dada a notória criatividade dos hackers. Se essas piratas da informática conseguem entrar nos computadores do Pentágono, o que os impediria de interferir conosco?

Um comentarista que tenta nos ajudar identificou que o domínio tribunadainternet.com.br estaria disponível, mas isso não seria possível, porque ainda faltam oito meses para terminar o contrato, está tudo em dia e nos conformes, como se dizia antigamente. Quando o comentarista nos enviou a mensagem, já tínhamos adquirido de novo o mesmo domínio. Mesmo assim, os problemas continuaram.

Vamos em frente.

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PS – No site de buscas Bing (antigo MSN), o domínio Tribuna da Internet teve 2,33 milhões de acessos, em apenas dois anos.

O abatimento de Dirceu é uma impressionante lição de vida

Carlos Newton

A fisionomia de José Dirceu ao sair da cadeia para trabalhar não era esperada pelos repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. Não havia nada daquela alegria demonstrada por Delúbio Soares, que está sempre com o sorriso estampado no rosto, o que até indica um determinado grau de alienação.

Mas o inesperado abatimento de Dirceu dizia tudo. No início do governo do PT, ele era o político mais importante do país. Lembro de uma frase de Dirceu , em conversa com uma empresária do Rio, que apoiara Lula e montara para ele o maior comitê eleitoral de todo o país. Após a vitória nas urnas, Dirceu disse a ela: “Agora, vou ensinar o Lula a governar”. E lá foi ele para a Casa Civil, cumprir o prometido.

Dirceu mandava e desmandava no governo. O presidente Lula o obedecia cegamente, até que foi aprendendo as manhas e passou a dividir o poder, digamos assim. Veio então o escândalo do mensalão, e Lula deu a sorte de ter sido poupado por Roberto Jefferson e pela própria oposição, que ingenuamente achava que o presidente iria cair de podre. “Vamos deixá-los sangrar”, diziam os oposicionistas, festejando antes da hora.

Lula não perdeu uma gota de sangue, ficou até mais robustecido, enquanto Dirceu sangrava sem parar, até perder o mandato. Mas já estava doutorado em administração pública, abriu sua consultoria em São Paulo e imediatamente atraiu uma romaria de empresários nacionais e estrangeiros.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

Dirceu demonstrou uma invulgar capacidade de operar o chamado tráfico de influência e ficou rico numa velocidade impressionante. Sua desenvoltura era tamanha que montou um escritório num hotel de Brasília, onde foi flagrado “despachando” com o então presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, e outras autoridades federais, inclusive ministros.

Nessa incessante e proveitosa atividade, o ex-chefe da Casa Civil fez escola no governo, porque outros influentes petistas também abriram “consultorias” e passaram a faturar no estilo Dirceu. Entre outros, Antonio Palocci, Fernando Pimentel, Erenice Guerra e até Delúbio Soares se tornaram “consultores” bem sucedidos.

Mas o final da história é triste. Dirceu ganhou muito dinheiro, mas perdeu todo o resto: a dignidade, a honradez, o futuro político e própria biografia. Até a mulher que ele amava foi embora. Sua fisionomia abatida e desanimada mostra uma transformação brutal.

Como ensinava Miguel de Cervantes e o poeta Ascenso Ferreira repetia, pode-se dizer que Dirceu também levou a vida em grande disparada. Para quê? Para nada. Se tivesse feito a coisa certa, estaria hoje no eixo Planalto-Alvorada tentando a reeleição. Seria o presidente José Dirceu e nem saberia onde fica a Penitenciária da Papuda.