Índios ameaçam vingança e a força-tarefa federal tem de proteger quem trafega pela Transamazônica

Carlos Newton
A TV Globo mostrou na noite de sexta-feira a gravidade da situação em Humaitá, no Sul do Amazonas, onde várias aldeias das etnias tenharim e juiahui declararam-se em estado de guerra em protesto contra a prisão de cinco indígenas da etnia tenharim.
Agora, os carros, ônibus, caminhões e motocicletas só estão circulando pela Rodovia Transamazônica em comboios, com proteção da força-tarefa, com integrantes do Exército, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.
De acordo com o delegado federal Alexandre Alves, peças de um carro encontradas na reserva e depoimentos de várias testemunhas indicam que três homens (o professor Stef Pinheiro, o representante comercial Luciano Freire e o técnico Aldeney Salvador) foram sequestrados e assassinados pelos índios em 16 de dezembro, como represália pela morte do cacique Ivan Tenharim, que segundo a polícia teve um acidente de moto, mas os indígenas insistem em dizer que ele foi assassinado.
PRISÃO PREVENTIVA
Os cinco índios, entre eles dois filhos do cacique Ivan Tenharim, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal por trinta dias e foram levados para a superintendência da Polícia Federal em Porto Velho (RO).
A força-tarefa, com integrantes do Exército, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal permanece em alerta na região e controla a Transamazônica no trecho que corta a reserva. O serviço de balsa no rio Madeira, suspenso na quinta-feira, foi retomado na manhã de sexta-feira.
O problema é da maior gravidade e não há perspectiva de solução. Quando a força-tarefa se retirar da área, tudo pode acontecer.

Morre mais um preso e a governadora Roseana lança campanha na TV exaltando o “novo” Maranhão

Carlos Newton

Em O Globo, o repórter Oswaldo Viviani revela que morreu na noite de terça-feira num hospital de Imperatriz, no interior do estado, mais um detento no Maranhão, desta vez na Unidade Prisional de Ressocialização (UPR) de Balsas, a 790 km de São Luiz.

Valdiano Fernandes da Silva, de 27 anos, foi preso na sexta-feira (24) em Fortaleza dos Nogueiras, depois de ter assaltado uma pessoa. Foi espancado no domingo e o agente penitenciário Jomar de Oliveira entrou na cela para socorrer o preso. “Ele nem pedia mais por socorro, só dizia não me bate mais” – contou o agente.

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Ao mesmo tempo, na Folha de S. Paulo, reportagem de Diógenes Campanha comenta que em meio a uma das piores crises de segurança do país, o Maranhão lançou em janeiro uma campanha publicitária nacional para atrair investimentos para o Estado e exaltar obras da gestão Roseana Sarney (PMDB).

Em comerciais de um minuto, o governo diz que “grandes transformações constroem um novo Maranhão” e que o Estado é motivo de “orgulho”. As peças estão sendo exibidas nos canais por assinatura GNT, GloboNews e Sportv, todos da Organização Globo.

Os anúncios destacam investimentos de R$ 3,8 bilhões em infraestrutura para atrair indústrias ao Estado, além de obras nas áreas de educação e de saúde. Detalhe: não há uma só menção ao problema da segurança.

Pai de Neymar embolsou 40 milhões de euros e não quer pagar imposto

Carlos Newton

Para os milhões e milhões de brasileiros que têm seus rendimentos implacavelmente taxados pelo Imposto de Renda, soou como um escárnio a declaração do pai de Neymar, que convocou a imprensa em Santos e fez um pronunciamento para explicar a polêmica negociação que levou o seu filho ao Barcelona, em um acordo milionário que gerou uma investigação da Justiça espanhola e acabou sendo determinante para a renúncia de Sandro Rosell à presidência do clube catalão.

Visivelmente exaltado ao garantir que agiu de forma honesta durante a negociação, Neymar da Silva Santos confirmou, em entrevista para a ESPN Brasil, que recebeu 40 milhões de euros como uma “indenização” na transação que fez seu filho desembarcar no Camp Nou em 2013. E disse que não sonegou nenhum tostão, nem na Espanha nem no Brasil.

Resta saber o que acontecerá a ele. Será que o Imposto de Renda lhe será cobrado? Ou ficará tudo por isso mesmo? Nos Estados Unidos, Al Capone pegou cana dura. Mas aqui no Brasil é bem provável que nada aconteça.

Justiça mantém suspensão de pedágio em rodovia federal no RJ, mas não consegue impedir que índios cobrem pedágio no Amazonas

Carlos Newton

Reportagem de Nielmar de Oliveira, da Agência Brasil, mostra que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Campos, obteve decisão na Justiça que mantém a suspensão total da cobrança de pedágio pela Autopista Fluminense, nas duas praças de arrecadação situadas no município de Campos dos Goytacazes (Serrinha e Guandu) na BR-101.

A decisão da 24ª Vara Cível (Consumidor) do Tribunal de Justiça do Estado negando o efeito suspensivo foi tomada em função do recurso de agravo, interposto pela concessionária. A ação civil pública foi ajuizada pelo promotor de Justiça Leandro Manhães e se baseou no fato da concessionária ter descumprido cláusulas contratuais, o que na avaliação do promotor revela “a ineficiência na prestação do serviço pela Autopista Fluminense”.

É interessante essa notícia, porque demonstra a existência de vários países dentro do Brasil. Num deles, é possível impedir uma cobrança de pedágio legalizada. Mas em outro país, no caso o Amazonas, a Justiça não consegue impedir que uma tribo indígena cobre pedágio de R$ 120 reais para quem trafegue na Transamazônica, uma rodovia federal precária, que nem é pavimentada.

Pior: além de cobrar pedágio, esses índios, que são totalmente aculturados e têm até acesso à internet, se acham no direito de sequestrar e matar quem bem escolherem. E nada acontece a eles, porque são considerados índios, como se ainda vivessem na Idade da Pedra. Estão acima da lei e da ordem.

JÔ SOARES E A ÍNDIA QUE VIROU MILITAR

Enquanto se desenrola essa ausência de governo e de autoridade em Humaitá, onde os índios Tenharim seguem incólumes e já sequestram um caminhoneiro, retiveram o veículo e exigiram R$ 10 mil para devolver, outros índios buscam integração com a sociedade brasileira.

Vejam este vídeo enviado pelo advogado Celso Serra, com Jô Soares entrevistando a aspirante Silvia Wajapi, a primeira índia a fazer carreira nas Forças Armadas brasileiras. Vale a pena conferir as declarações dela. Mostram que num tudo está perdido.

http://programadojo.globo.com/videos/v/aspirante-a-oficial-silvia-wajapi-fala-de-sua-vida/1493941/

Irritem bastante o ministro Joaquim Barbosa. É só o que falta para ele perder a paciência e se candidatar a Presidente.

Carlos Newton

A perseguição ao ministro Joaquim Barbosa é impressionante. Tentam devassar sua vida de todas as formas, para descobrir manchas em seu extraordinário currículo. É claro que muitos erros serão encontrados, ninguém é perfeito (ou atire logo a primeira pedra). Mas em comparação à quase totalidade dos políticos e autoridades brasileiras, a trajetória de Barbosa é algo insuperável.

Sua origem carente tem semelhanças com a de Lula, mas Barbosa conseguiu uma diferença fundamental. Ao contrário do ex-presidente, que sempre se orgulhou de jamais ter lido um só livro, Barbosa se tornou um intelectual de primeira, com um currículo cravejado de concursos públicos e uma cultura realmente invejável.

A pressão que hoje o PT e parte da mídia exercem sobre ele é implacável. Procuram de todas as formas evitar que ele peça aposentadoria em abril, se filie a algum partido e se candidate à Presidência da República, conforme a legislação eleitoral lhe permite, por ser magistrado.

AÇÃO E REAÇÃO

Mas o resultado dessa perseguição pode ser exatamente o contrário. Por ter um temperamento irritadiço e combativo, o resultado mais provável é que Barbosa acabe respondendo a seus desafetos com a apresentação de seu candidatura. E aí o atual quadro da política mudará por completo.

Nessa hipótese, a eleição presidencial deixará de estar vencida pelo PT por antecipação, Dilma Rousseff sai de cena e Lula será imediatamente “convocado” pelo partido, enquanto Aécio Neves (ou José Serra) e Eduardo Campos (ou Marina Silva) apenas disputarão o terceiro lugar no primeiro turno.

Irritem bastante Joaquim Barbosa, continuem perseguindo o presidente do Supremo. E vejam bem aonde isso vai dar.

Bolha imobiliária no Brasil não irá estourar de uma hora para outra: está esvaziando devagar.

http://mail-attachment.googleusercontent.com/attachment/?ui=2&ik=b49065ed91&view=att&th=143bc33cda2289ee&attid=0.1&disp=inline&realattid=f_hqr79j1y1&safe=1&zw&saduie=AG9B_P84meOSh3h2SMMYqTjYGbvH&sadet=1390672256992&sads=35S75IIB-9uOcsgfMU4i8m5BVak

Carlos Newton

Quando se fala em bolha imobiliária, a primeira coisa que vem em mente é a situação recentemente vivida nos Estados Unidos, onde a explosão dos preços dos imóveis resultou numa gravíssima crise econômico-financeira e balançou o sistema bancário, que teve de ser socorrido pelo governo de Barack Obama.

Nos EUA a bolha imobiliária realmente estourou e os preços despencaram de uma hora para outra. Mas aqui no Brasil é muito diferente, porque não há permissão de se fazerem hipotecas múltiplas de um mesmo imóvel. Isso significa que a bolha não irá estourar de uma hora para hora; ela vai esvaziando devagar, e esse fenômeno até já começou.

Os preços realmente estão caindo, embora os jornais continuem a publicar tabelas fajutas com cotações sempre em alta, como se a festa não fosse acabar nunca e o Brasil pudesse ter os imóveis mais valorizados do mundo, vejam a que ponto de desfaçatez os especuladores chegaram.

SITUAÇÃO DESESPERADORA

Segundo o professor de economia Luís Carlos Ewald, comentarista da GloboNews e do Fantástico, “situação do mercado é desesperadora, ninguém está comprando nada”. Por óbvio, era previsível que isso iria acontecer. E o anúncio publicado semana passada em O Globo pelo grupo Julio Bogoricin, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro, com 24 lojas e mais de mil corretores, é uma comprovação da gravidade da crise. O título diz tudo: “Cansou de perder dinheiro com imóvel vazio? Está na hora de alugar“.

Detalhe importantíssimo: há vários anos já existem mais imóveis vazios do que pessoas interessadas em ocupá-los. No Recenseamento de 2010, ficou provado que há três anos havia 6 milhões de imóveis residenciais vazios no país (sem contar casas de veraneio), para uma demanda de apenas 5,8 milhões. Ou seja, em 2010 havia 200 mil imóveis residenciais sobrando. E de lá para cá esse número aumentou muito, em função do boom imobiliário (ou da bolha).

Essa é a situação. E por isso, os preços já começaram a cair, tanto na oferta de aluguéis como na de venda de imóveis novos e usados. Mas a bolha não irá estourar como nos EUA. Aqui abaixo do Equador a coisa funciona mais devagar. Podem apostar.

Bolha imobiliária: CVM alerta para o golpe das ofertas irregulares de investimentos imobiliários

Carlos Newton

O boom do mercado imobiliário deu origem ao surgimento de diversos tipos de golpes na praça. Um deles está sendo denunciado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que constatou a ocorrência de “captação irregular de poupança popular”, promovida por incorporadores e corretores de imóveis, através da oferta pública de “oportunidades de investimentos imobiliários”.

Em nota oficial ao mercado, explica a CVM que nessas situações, os investidores recebem propostas de investimento por diversos meios: TV, rádio, jornais, e também por correios eletrônicos enviados por corretores de imóveis ou outros representantes de incorporadores, onde são apresentadas tais oportunidades e sua virtual lucratividade.

Nos casos mais comuns, os investimentos do público são direcionados a sociedades em conta de participação (SCP), por meio da compra e venda de frações ideais de imóveis que correspondem a cotas das sociedades, e os contratos firmados sempre conferem aos investidores o direito de participação nos resultados – positivos ou negativos – do empreendimento imobiliário, resultados esses oriundos de atividades como hotelaria, locações comerciais ou residenciais, dentre outras, configurando-se o que a Lei nº 6.385/76 chama de contratos de investimento coletivo.

REGISTRO NA CVM

A CVM alerta os incorporadores, corretores de imóveis e demais participantes do mercado imobiliário que somente realizem tais operações mediante a fiel observância da legislação em vigor, com a necessária obtenção dos prévios registros na CVM.

“Finalmente, solicitamos que as pessoas que receberem propostas dessa natureza comuniquem o fato à CVM para viabilizar a pronta atuação da Autarquia na proteção e defesa do público investidor. A comunicação pode ser feita de forma eletrônica pelo Serviço de Atendimento ao Cidadão, disponível na página da CVM na Internet (www.cvm.gov.br) em “Fale com a CVM””, conclui a nota distribuída pela autarquia que controla o mercado de capitais.

AMANHÃ: Saiba como a bolha imobiliária
está se esvaziando aos poucos no Brasil

Corpos dos três homens sequestrados pelos índios em Humaitá ainda não foram encontrados e a tribo vai reabrir os pedágios

Carlos Newton

A imprensa literalmente abandonou o grave caso dos três moradores de Humaitá, no Amazonas, que no dia 16 de dezembro trafegavam na rodovia Transamazônica e foram sequestrados e mortos por índios tenharim que há anos cobram ilegalmente “pedágio” na estrada federal.

A justificativa do bárbaro crime foi a necessidade de vingarem a morte de um índio chamado Ivã, que caiu de moto, não usava capacete protetor, e a Polícia afirma que foi apenas um acidente.

A PM, a Polícia Federal e a Guarda Nacional fazem buscas na região, mas até agora não acharam vestígios dos corpos do professor Steff Pinheiro de Souza, do representante comercial Luciano Ferreira Freire e do funcionário da Eletrobrás Amazonas Energia Aldeney Ribeiro Salvador.

Foram encontradas apenas algumas peças queimadas de um carro modelo Gol (do mesmo tipo do veículo em que os três trafegavam), mas até agora não se tem confirmação se eram do automóvel das vítimas.

MEDIAÇÃO

O mediador que tenta resolver o conflito é o bispo dom Francisco Merkel, que conhece bem a situação. Ele afirmou que as desavenças começaram em 2006, após a instalação de pedágios cobrados pelos índios na Transamazônica. mas até agora não há possibilidade de acordo.

Em 2006, os índios sequestram um motorista de caminhão, apreenderam o veículo e só devolveram depois de extorquir 10 mil reais do caminhoneiro, que deu queixa à Polícia Federal, mas não houve qualquer providência.

Agora, os índios insistem em continuar a cobrança do pedágio, a partir de fevereiro. A cobrança será feita apesar da ameaça de um novo ataque dos brancos que, no dia 26 de dezembro, atearam fogo aos postos instalados na área indígena. Agora, os caciques prometeram estourar as pontes e isolar a reserva, caso haja novo ataque dos brancos.

A situação é da maior gravidade, mas nem o governo nem a imprensa parecem se interessar pelo problema.

Nobel de Economia prevê estouro da bolha imobiliária brasileira, mas quem se interessa por isso?

Carlos Newton

As matérias publicadas aqui na Tribuna da Internet sobre a bolha imobiliária estão viajando direto pelas redes sociais. A curiosidade das pessoas é enorme, porque ninguém pode entender a razão de os imóveis no Brasil terem passado a ser os mais valorizados do mundo. Já existem até sites e blogs na internet dedicados exclusivamente ao inquietante tema, como o bolhaimobiliária.com e o estamosricos.com.br.

A alta dos preços dos imóveis no Brasil é tão artificial e estranha que despertou o interesse até do professor norte-americano Robert Shiller (vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2013). Considerado um dos principais estudiosos do mundo sobre preços de ativos e especulações financeiras, foi Shiller quem previu as bolhas da Nasdaq e do Subprime nos Estados Unidos, onde os preços dos imóveis começaram a subir descontroladamente e depois desabaram.

Em recente entrevista à GloboNews, Shiller afirmou que não vê nada que justifique a magnitude da alta dos preços dos imóveis no Brasil. O professor da renomada Yale University explicou que uma bolha é algo contagiante que nasce da percepção das pessoas de que é fácil ganhar dinheiro com determinado investimento. E acrescentou que esse entusiasmo, normalmente, é alimentado pela mídia, que ajuda a inflar essa bolha.

Shiller disse não ter detalhes sobre a bolha brasileira, mas foi exatamente isso que aconteceu por aqui, com a imprensa a alardear e incentivar a alta dos imóveis, gerando um frenesi coletivo. Nessa tipo de situação, que lembra o “golpe da pirâmide”, as pessoas começam a agir com emoções e não conseguem ficar de fora quando entendem que é fácil ganhar dinheiro de alguma forma.

http://wpmedia.business.financialpost.com/2012/09/robert-shiller_.jpg%3Fw%3D620

SITUAÇÃO DIFÍCIL

Agora, a situação do mercado é muito difícil, com as construtoras tendo de cancelar novos lançamentos, por temerem não conseguir compradores, conforme já registramos quarta-feira aqui na Tribuna da Internet, ao analisar os problemas da maior corporação brasileira do setor, a PDG. As ações das construtoras desabaram na Bolsa de Valores de São Paulo, influindo negativamente no índice Ibovespa.

Nos classificados dos jornais, atualmente há cinco vezes mais anúncios de venda de imóveis do que de aluguel, o que demonstra excesso de oferta e desestabilização do mercado. É claro que os preços já estão caindo por falta de procura, tanto na venda como no aluguel de imóveis. Mas no Brasil não haverá estouro da bolha, como ocorreu recentemente nos EUA e no Japão, porque o sistema de financiamento é diferente.

Aqui, felizmente, não existe aqui a prática da hipoteca múltipla, que balançou os bancos americanos. De toda forma, a bolha não estoura no Brasil, mas é claro que dará prejuízo às empresas construtoras, às corretoras, aos especuladores que compraram na alta e aos bancos, especialmente a Caixa Econômica Federal. Se o comprador fica inadimplente e não paga o imóvel, o banco tem de entrar na Justiça para retomar, gasta dinheiro, o processo leva tempo, o imóvel se deteriora e quando enfim vai a leilão, o valor é bem mais baixo. Ou seja, prejuízo na certa.

Especular é sempre um risco. Uma coisa é comprar um  imóvel para morar. Outra, muito diferente, é comprar para ganhar dinheiro na revenda. Pense nisso.

AMANHÃ: Bolsa de Valores alerta sobre golpe
de falsos fundos de investimentos imobiliários

Por que o PT não faz vaquinha para ajudar também Marcos Valério? É muita ingratidão…

Carlos Newton

O advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do Setorial Jurídico do PT, anuncia que, após o site criado para arrecadar dinheiro para o ex-deputado José Genoino (PT-SP) conseguir mais de R$ 700 em cerca de dez dias, campanhas idênticas para arrecadar dinheiro serão feitas para ajudar outros petistas condenados no julgamento: o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP).

A campanha faz sentido. Afinal, são velhos companheiros, estiveram juntos na empreitada do chamado, a Justiça até os considerou membros de uma só quadrilha. O PT realmente não pode privilegiar Genoino, em detrimento dos outros mensaleiros.

O que não se entende é o motivo pelo qual o publicitário Marcos Valério está sendo discriminado pelo PT. Até agora não houve uma só manifestação de solidariedade a ele, que foi quem mais perdeu, pois sua condenação é muito maior. Pegou 40 anos e dois meses de prisão, não tem direito a regime semiaberto e tem de pagar uma multa de R$ 4,4 milhões.

Em comparação à pena de Valério, as multas dos outros mensaleiros têm valor muito inferior, por isso não se entende que o PT não faça vaquinha também para ajudar a quem tanto ajudou o partido a governar. É, no mínimo, uma baita ingratidão.

IMPOSTO SOBRE DOAÇÃO

O imposto sobre as doações recebidas pelo ex-presidente do PT para pagar a multa por sua condenação no processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal) ainda será calculado.

A campanha realizada na internet pela família arrecadou mais do que os R$ 667,5 mil cobrados pela Justiça. E agora falta pagar o imposto. Foi esquecimento, claro. Não se pode esperar que um homem limpo como José Genoino tenha esquecido de cumprir a lei propositadamente.

Bolha imobiliária não é causada por déficit habitacional. No Brasil, em 2010 o número de imóveis desocupados já superava o suposto déficit

Carlos Newton

A grande desculpa para a hipervalorização dos imóveis no Brasil seria o proclamado déficit habitacional. Faltariam 5,8 milhões de moradias para atender à demanda reprimida, e por isso os preços dispararam, sem controle.

Mas acontece que isso é uma grande balela. Em 2010, os primeiros dados do Censo, divulgados pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) mostravam que o número de domicílios vagos no país já era maior que o déficit habitacional brasileiro.

Segundo o IBGE, há 4 anos existiam no Brasil pouco mais de 6,07 milhões de domicílios vagos, incluindo os que estavam em construção. Detalhe importantíssimo: este número não levava em conta as moradias de ocupação ocasional (de veraneio, por exemplo) nem casas cujos moradores estavam temporariamente ausentes durante a pesquisa. Mesmo assim, o total de 6.07 milhões já superava em cerca de 200 mil o número de habitações necessárias para que todas as famílias brasileiras vivessem em locais considerados adequados: 5,8 milhões.

NÚMEROS OFICIAIS

Segundo Vinicius Konchinski, repórter da Agência Brasil (principal órgão de divulgação do governo), esse déficit habitacional foi calculado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo com base em outro levantamento do IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

O déficit soma a quantidade de famílias que declaram não ter um teto, que habitam locais inadequados ou que compartilham uma mesma moradia e pretendem se mudar. Não leva em conta as famílias que vivem em casas adequadas de aluguel.

O censo mostrou que em 2010 São Paulo era o estado com o maior número de domicílios vagos. O número de moradias vazias chegava a 1,112 milhão. Segundo o Sinduscon-SP, havia 1,127 milhão de famílias sem teto ou sem uma casa adequada. Portanto, na hipótese de que essas casas vagas fossem ocupadas por uma família, só 15 mil moradias precisariam ser construídas para solucionar o déficit habitacional do estado.

Minas Gerais era o segundo estado com o maior número de habitações vazias: cerca de 689 mil, segundo o Censo. Se todas as 444 mil famílias que compõem o déficit habitacional de Minas estimado pelo Sinduscon-SP mudassem para uma das moradias vagas, ainda sobrariam 245 mil domicílios desocupados.

POLÍTICAS PÚBLICAS

Entrevistado pela Agência Brasil na época, o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, ex-secretário de Planejamento de São Paulo, disse que para resolver o problema de habitação são necessárias políticas públicas que estimulem a reocupação de moradias vazias e, principalmente, as que estão abandonadas há anos.

“Precisamos de uma intervenção do Poder Público para desatar este déficit habitacional”, disse. “Tem que haver uma intervenção para desapropriar os imóveis que estão abandonados há muito tempo, para sua reposição no mercado”, completou.

Já o coordenador da Secretaria Executiva da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi Pereira, destacou que medidas como a taxação progressiva de imóveis desocupados poderia minimizar a situação. Pereira defendeu o aumento progressivamente do valor do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de imóveis ociosos.

“Isso vai inibir a manutenção do imóvel vazio”, explicou, lembrando que só na capital paulista o número de imóveis desocupados chegava a 290 mil em 2010. “E o dinheiro arrecadado com o aumento de imposto deve ser usado para construção de novas casas que atendam a população incluída no déficit habitacional da cidade”. sugeriu.

AMANHÃ: Ganhador do Nobel de Economia critica
os inaceitáveis preços dos imóveis no Brasil

Bolha imobiliária: PDG, a maior empresa do país, já teve de cancelar 43 lançamentos (e deve cancelar mais cinco)

Carlos Newton

Ainda com certa timidez, começam a ser vistos na internet determinados artigos e reportagens que demonstram a gravidade da chamada bolha imobiliária, que elevou ao espaço os preços de imóveis no Brasil, como já ocorreu nos Estados e no Japão, entre outros países.
Um bom termômetro da situação é a estratégia que está sendo adotada pelo grupo PDG, a maior corporação imobiliária do país, que decidiu cancelar o lançamento de 43 projetos de  êxito duvidoso, avaliados em R$ 2,11 bilhões, e outros cinco, estimados em R$ 250 milhões, deverão ser cancelados em breve.
Conforme temos registrado aqui no Blog da Tribuna da Internet, “a situação do mercado imobiliário é desesperadora”, na visão do comentarista econômico da GloboNews e do Fantástico, Luís Carlos Ewald, professor da PUC. Diz ele que ninguém está comprando nada. E os fatos o demonstram. Os classificados de O Globo, este domingo, traziam 22 páginas de oferta de imóveis para venda no Rio de Janeiro, e apenas 5 páginas de imóveis para aluguel.
O problema é que os preços estão caindo, mas os donos de imóveis que tentam vendê-los insistem em exigir valores absurdos, que eles lêem nas tabelas divulgadas pelos jornais nos classificados. Hoje, há maciça oferta de imóveis para venda, mas não existe a respectiva procura. Os corretores ficam desesperados, porque não conseguem fechar negócios devido à intransigência dos proprietários/especuladores.
ALUGUÉIS EM QUEDA
Os aluguéis já caíram tanto que um apartamento em Ipanema, com ampla sala, três quatros e duas vagas na garagem, em ótimo estado, está oferecido há três semanas pela WebImóveis por R$ 4,5 mil mensais, sem conseguir interessado. E só as duas vagas valem R$ 1 mil…
A crise do setor, é claro, está se refletindo na Bolsa de Valores de São Paulo. As ações das construtoras vêm caindo desde o ano passado. Das 17 empresas listadas no pregão, 12 valem menos do que seu patrimônio, o que indica a gravidade da situação.

A PDG é uma das mais afetadas. Suas ações tiveram queda de 45,32% em 2013 e viraram o ano valendo apenas metade de seu patrimônio. A empresa tem uma dívida líquida de 3,87 bilhões e contabilizou forte prejuízo em 2012. O balanço de 2013 ainda não foi divulgado.

Esta é a realidade do mercado, e os especuladores que compraram imóveis na alta, pensando em revender com grande lucro, vão acabar segurando o mico. Podem apostar.

AMANHÃ: Bolha imobiliária: em 2010, número de imóveis desocupados já superava o déficit habitacional brasileiro

Sinal vermelho: Bolha imobiliária derruba cotação das ações das construtores de imóveis

Carlos Newton

Conforme temos noticiado aqui no Blog da Tribuna da Internet, o mercado imobiliário está enfrentando uma crise gravíssima. As empresas do setor vêm tentando alternativas, mas não conseguem reaquecer as vendas, devido aos preços irreais e absurdos dos imóveis, em comparação com outros países.

É claro que essa situação acabaria se refletindo na Bolsa de Valores, onde constam do pregão as ações de 17 das maiores empresas do setor. Suas cotações, é claro, estão em queda, e 12 delas já valem menos do que seu patrimônio, o que indica claramente a gravidade da  chamada bolha imobiliária.

A crise vem sendo estrategicamente camuflada pelos órgãos de comunicação, porque o setor imobiliário é um dos maiores anunciantes. Semana passada, a Organização Globo tentou reaquecer o mercado, divulgando no jornal e na TV a oferta de uma apartamento no Leblon por R$ 66 milhões. Mas esse tipo de enganação tem limites e a situação do mercado chegou a um ponto que não dá mais para despistar.

CRISE VEM DESDE 2011

O problema na verdade começou em 2011, quando a venda de imóveis novos residenciais na capital de São Paulo somou apenas 28,3 mil unidades, com retração de 21,2% ante o ano anterior, de acordo com os dados divulgados pelo Secovi (Sindicato da Habitação).

A quantidade era a menor desde 2005 (23,8 mil) e foi a mesma registrada em 2006. As moradias de dois e três dormitórios responderam por 77% das vendas. O único crescimento (54%) foi registrado nas unidades de um dormitório, que atingiram 6,6 mil unidades.

Para driblar a crise, as empresas do setor mudaram a estratégia comercial e passaram a fazer lançamentos em grandes cidades da periferia e do interior. Conseguiram um certo êxito, mas essa fonte também começou a secar.

PRESSIONANDO O GOVERNO

No desespero, os empresários passaram a pressionar o governo para elevar o teto de utilização das contas de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que só podiam ser usadas na compra de imóveis até 500 mil reais.

Em outubro, o governo curvou-se à pressão e o valor subiu  para até R$ 750 mil em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal. Para os demais estados, o limite é de até R$ 650 mil.

Mesmo assim, o mercado não se reaqueceu e os preços dos imóveis, que subiram artificialmente por força de descontrolada especulação, agora têm de cair, caso contrário as vendas continuarão devagar, quase parando.

O mercado é implacável. Nenhum especulador jamais conseguiu derrubar a lei da oferta e da procura, que é a regra mais implacável da ciência econômica.

(Amanhã vamos voltar ao assunto,
comentando a situação dramática da PDG,
a maior construtora do país)

Empresas do setor enfim reconhecem que a bolha imobiliária já está estourando

Carlos Newton

Demorou, mas acabou acontecendo. Desde 2011 a grande imprensa tenta ocultar a grave crise que atinge o mercado imobiliário. É compreensível. A imprensa “falada, escrita e televisada” vive de anúncios, e o setor de compra e venda de imóveis é um dos mais importantes em termos de veiculação de publicidade. São luxuosos anúncios de duas páginas inteiras, são sofisticados comerciais em horário nobre, estrelados por artistas e personalidades famosas (com altos cachês). Mas o resultado tem sido decepcionante.

O economista Luís Carlos Ewald, conhecido como Sr. Dinheiro, comentarista da Globonews e do Fantástico, afirmou recentemente, em entrevista exclusiva ao InfoMoney, que uma bolha imobiliária ia estourar no Brasil ainda no primeiro semestre de 2014. “Não se vende nada e tem muita oferta. Quem comprou, não consegue vender. Está desesperador”, assinalou.

Ewald acertou em cheio. E a bolha já estourou. Mas a situação é diferente das crises imobiliárias nos Estados Unidos e no Japão. O baque na economia não será tão expressivo, porque aqui não há o sistema de hipotecas múltiplas (Subprime), que balançou os bancos americanos. O que acontecerá é o esvaziamento progressivo da bolha, até atingir as cotações reais.

CAINDO NA REAL

No Brasil, agora são as próprias empresas do ramo imobiliário que reconhecem a existência da grave crise. O grupo Julio Bogoricin, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro, com credibilidade adquirida ao longo de 57 anos de atuação, com 24 lojas estrategicamente situadas nos principais cidades do Estado e cerca de 1.500 profissionais de vendas, enfim caiu na real e publicou sábado um chamativo anúncio em O Globo, no alto da página principal dos classificados, com o seguinte título: “Cansou de perder dinheiro com imóvel vazio? Está na hora de alugar.”

Esta peça publicitária, criada pela Cleian Publicidade, agência do próprio grupo Bogoricin, diz tudo e confirma as declarações do economista Luís Carlos Ewald, professor da Universidade PUC, que trabalha também na Globonews e no Fantástico, mas não pode tocar nesse delicado assunto em seus comentários, por motivos óbvios.

Aliás, o esforço da imprensa para reativar o mercado imobiliário chega a ser comovente. Mas o fato concreto, aqui no Rio, pode ser extraído do Caderno de Classificados de O Globo, aos domingos. São cerca de 20 páginas anunciando imóveis para vender, mas apenas quatro páginas destinadas a aluguel.

Traduzindo: a oferta para venda é massiva, mas não existe procura, o que justifica plenamente o anúncio do grupo Bogoricin: se não consegue vender, pelo menos tente alugar, porque assim economiza o condomínio e o IPTU.

AMANHÃ: Sinal vermelho: Bolha imobiliária
afeta cotação das ações das construtores de imóveis

 

Não há alternativa: rolezinho terá de sair dos shoppings e ganhar as ruas

Carlos Newton

O chamado rolezinho é um  subproduto das manifestações do ano passado, que agora só tendem a se intensificar. É claro que os jovens e seus seguidores vão continuar se manifestando contra os principais problemas nacionais – educação, saúde, segurança e emprego.

Nada mais faziam do que reivindicar direitos que lhes são garantidos pela Constituição mas na prática inexistem. E exigiam o famoso “Padrão Fifa”, na certeza de que um país que pode realizar o maior evento  mundial nesse alto nível, certamente é capaz também de oferecer serviços de qualidade à sua população.

No ano passado, as centrais sindicais, orientadas diretamente por Lula, tentaram pegar uma carona e criaram o Dia Nacional de Luta, em 11 de julho, mas foi um enorme fracasso, mostrando que o movimento das ruas era de real oposição ao governo e não aceita imitações.

Mas as manifestações acabaram desvirtuadas pelo grupos de black blocs, que radicalizaram o movimento o transformaram num simples quebra-quebra, com inevitáveis choques com a polícia.

Agora, surge o rolezinho, sob proteção do espaço aparentemente livre e protegido dos shopping centers, onde não havia policiamento ostensivo. Mas é claro que essa estratégia não vai dar certo. As manifestações dos jovens ferem o direito ao livre comércio e até mesmo o direito de ir e vir, que tem de ser garantido a todos os cidadãos.

SHOPPING FECHADO

O Shopping Leblon não funcionou este domingo, devido ao rolezinho convocado nas redes sociais pelo grupo que se intitula Porque eu quis”. O fechamento foi determinado pelos lojistas, embora houvesse uma decisão judicial proibindo o rolezinho. O despacho da juíza Isabela Pessanha Chagas, da 14ª Vara Cível, estabelecia uma multa de R$ 10 mil a cada pessoa que desobedecesse a decisão. Mas quem pode confiar na Justiça no Brasil de hoje?

O certo é que não há como defender o rolezinho, sob argumento de que se trata de jovens de classe média baixa que estão sendo marginalizados. Por óbvio, o local não é apropriado. E o ajuntamento passa a a representar ameaça à segurança dos demais visitantes e dos próprios lojistas.

Só é admissível esse tipo de manifestação se ocorrer em áreas livres, de preferência praças e parques públicos. Caso contrário, os choques com a polícia serão novamente inevitáveis. Com a aproximação da Copa do Mundo, a tendência é de que os protestos aumentem progressivamente. Uma lição para determinados governantes como Sérgio Cabral e Eduardo Paes, que só pensam em se promover e desprezam o verdadeiro interesse público. E ninguém sabe aonde isso pode parar.

Juiz errou feio ao permitir que Delúbio vá trabalhar na CUT

Carlos Newton

O juiz Bruno André Silva Ribeiro, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, errou ferio ao autorizar o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares a deixar a prisão durante o dia para trabalhar na sede CUT (Central Única dos Trabalhadores), em Brasília. Delúbio está preso na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal. Ele foi condenado a seis anos e oito meses de prisão na Ação Penal 470, o processo do mensalão.

É certo que, por ter sido condenado a cumprir pena abaixo de oito anos, Delúbio tem direito a deixar o presídio durante o dia para trabalhar. De acordo com a Lei de Execução Penal, condenados em regime semiaberto podem trabalhar dentro do presídio, em oficinas de marcenaria e serigrafia, por exemplo, ou externamente, em uma empresa que contrate detentos.

Mas acontece que até os muros da Papuda sabem que a CUT não passa de um apêndice sindical do PT. Delúbio deveria ser levado a trabalhar de verdade, não num emprego de fancaria, ganhando salário de R$ 4,5 mil, para pretensamente dar assessoramento à direção nacional da entidade. Por que não autorizou logo Delúbio a trabalhar novamente no PT, com tesoureiro, ou no Palácio do Planalto, como conselheiro presidencial?

O juiz deu um prêmio a Delúbio, que ele decididamente não merecia receber, pois foi um dos principais operadores do mensalão.

 

Já se passaram 30 dias e ainda não foram encontrados os corpos dos moradores sequestrados pelos índios

Carlos Newton

Em Humaitá, no Amazonas, a Polícia Federal prossegue as buscas dos três moradores desaparecidos, que foram sequestrados pelos índios tenharim dia 16 de dezembro, quando trafegavam num Gol preto na Transamazônica.

A Polícia Federal montou uma delegacia móvel montada em um caminhão. As equipes usam cães farejadores e equipamentos especiais, como ultrassom para a leitura do subsolo e até um detector de metais, para encontrar outras peças do automóvel desaparecido. As primeiras que foram achadas foram enviadas à perícia, para confirmar se eram mesmo do carro Gol.

EM 2006, OUTRO SEQUESTRO

Reportagem de José Maria Tomazela, enviado especial do Estadão, revela que este não foi o primeiro sequestro na reserva indígena. O caminhoneiro Jafre Rangel de Souza, com 25 anos na época, ficou 20 horas como refém dos índios tenharim, por ter se negado a dar carona a um grupo de indígenas.

O sequestro ocorreu em março de 2006, mas o caso veio à tona na última sexta-feira, dia 10, com a apreensão, pela Polícia Federal, de um documento em que os próprios índios relatam a retenção de um caminhão Mercedes Benz e do homem que o conduzia.

De acordo com o documento, o motorista foi rendido no km 120 da rodovia Transamazônica (BR-320) e levado com o veículo para a aldeia tenharim. Os índios exigiam que ele pagasse R$ 10 mil para que o veículo fosse liberado. Souza só foi liberado depois da chegada do administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), mas o caminhão continuou retido.

Os índios lavraram um documento a que chamaram de “relatório de ocorrência” impondo a condição do pagamento para a liberação do veículo. O dono procurou a 8ª Delegacia Regional de Humaitá, que o encaminhou à Polícia Federal de Manaus. Sem solução, Souza acabou pagando a “multa” com a ajuda de outros caminhoneiros.

Crime de lesa-pátria de Lula e Celso Amorim no caso das terras indígenas é ainda mais grave dos que se pensava

Carlos Newton

Quando pedimos aqui no Blog da Tribuna da Internet que o jurista Celso Serra esclarecesse os problemas causados ao Brasil pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), não tínhamos noção de que o crime de lesa-pátria praticado por Celso Amorim, como ministro do Exterior, e por Lula, como presidente da República, era muito mais grave do que se pensava.

Jamais poderíamos esperar que o então chanceler tivesse a ousadia de fraudar a tradução de um tratado internacional da OIT, mas foi exatamente isso que aconteceu, conforme Celso Serra explica nesse artigo exclusivo, em que o jurista desce a impressionantes detalhes, com uma denúncia estarrecedora e à prova de desmentidos.

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AMORIM ALTEROU TEXTO DA CONVENÇÃO DA OIT

Celso Serra

Ab initio, peço desculpas pelo tamanho do texto. Porém, devido à gravidade da situação, não pode ser diferente.

CONVENÇÃO DA OIT nº 169

1. Do texto original da Convenção (obtido na própria OIT)

Artículo 7 –
1. 1. Los pueblos interesados deberán tener el derecho de decidir sus propias prioridades en lo que atañe al proceso de desarrollo, en la medida en que éste afecte a sus vidas, creencias, instituciones y bienestar espiritual y a las tierras que ocupan o utilizan de alguna manera, y de controlar, EN LA MEDIDA DE LO POSSIBLE , su propio desarrollo económico, social y cultural. Además, dichos pueblos deberán participar en la formulación, aplicación y evaluación de los planes y programas de desarrollo nacional y regional susceptibles de afectarles directamente.

Do texto assinado por Lula e Celso Amorim (Decreto nº 5.051, de 19 de abril de 2004):

1. Os povos interessados terão o direito de definir suas próprias prioridades no processo de desenvolvimento na medida em que afete sua vida, crenças, instituições, bem-estar espiritual e as terras que ocupam ou usam para outros fins, e de controlar, NA MAIOR MEDIDA POSSÍVEL, seu próprio desenvolvimento econômico, social e cultural. Além disso, eles participarão da formulação, implementação e avaliação de planos e programas de desenvolvimento nacional e regional que possam afetá-los diretamente.

O texto original da OIT é RESTRITIVO: “EN LA MEDIDA DE LO POSSIBLE”.

O texto ASSINADO por Lula e Celso Amorim é EXPANSIVO: “NA MAIOR MEDIDA POSSÍVEL”.

Em matéria legislativa, todo cuidado é pouco, pois jamais se presume “inocência” em alterações nos textos. Impossível que na passagem do idioma espanhol para o português seja inocente tamanha discrepância.

Quem alterou o texto para o presidente Lula (que tem fobia pela leitura e “governou” o Brasil tudo assinando e pouco lendo o que assinava) e o colocou em sua frente para ASSINAR ?

E o Celso Amorim – que não sofre de fobia pela leitura – por qual razão não alertou o presidente e TAMBÉM ASSINOU  o mencionado Decreto com o texto alterado ?

É claro que a FUNAI, que já vinha aumentando desmedidamente as áreas destinadas aos índios, em nítida atuação contra os interesses do Brasil, se sentiu com mais força para assim continuar procedendo.

Por qual razão os Estados Unidos, o Canadá, a Nova Zelândia, a Austrália e mais 160 países membros NÃO RATIFICARAM a Convenção da OIT nº 169, isto é, não admitiram subordinar suas soberanias à OIT ?

E dentre esses países que NÃO RATIFICARAM não estão apenas os de maior representatividade econômica (EUA, China, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália, Canadá, Rússia) e sim pequenos e dignos países como Albânia, Armênia, Bangladesh, Benin, Burundi, Camarões, Burundi, Congo, Cuba, El Salvador, Gabão, Haiti, Gana, Jamaica, Kenya, Lituânia, Letônia, Moçambique, Suriname, Trinidad Tobago, Uganda, Zâmbia e outros mais que não admitiram a submissão de suas soberanias.

E o Brasil, como ficou ?

Teve mutilado sua plena soberania sobre seu espaço territorial. Perdeu sua absoluta autonomia para decidir sobre seu território.

Os militares teriam aprovado e depois ratificado a Convenção da OIT nº 169? O passado é prova incontestável que não.

É essa sequência de fatos ocorridos que faz com que muitos cidadãos achem que o Brasil foi traído. Anos atrás a Maçonaria alertou as autoridades sobre essa situação e nada foi feito até agora.

O Brasil está colhendo o que foi plantado por diversos e contínuos governos. Um país que não defende seu território, merece ser mutilado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAproveitamos a oportunidade para lembrar ao jurista Celso Serra que a intenção de agravar o texto da Convenção 169 era tamanha que o artigo 1º do decreto de promulgação do tratado internacional da OIT está redigido nos seguintes termos:

“A Convenção no 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT sobre Povos Indígenas e Tribais, adotada em Genebra, em 27 de junho de 1989, apensa por cópia ao presente Decreto, será executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém.

Por que esse reforço com a determinação “será executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém“???

E pensar que um traidor da pátria como Celso Amorim foi alçado ao comando do Ministério da Defesa… É desanimador e estarrecedor. (C.N)

Confira quem deve ser responsabilizado pelo agravamento da questão indígena

Carlos Newton

Sempre que a chamada questão indígena é tratada aqui na Tribuna da Internet, surgem comentários especulando sobre quem realmente foi o responsável pelo apoio do governo brasileiro à Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pela Organização das Nações Unidas em setembro de 2007.

Na época, o presidente era Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Celso Amorim respondia pelas Relações Exteriores. Em julho de 2007, a embaixadora Maria Luiza Viotti foi nomeada representante permanente do Brasil na ONU. Dois meses depois, em setembro, ela assinava a Declaração da ONU, em nome do governo brasileiro.

Detalhe importantíssimo: este tratado internacional vinha sendo discutido há quase 20 anos nas Nações Unidas e os representantes diplomáticos brasileiros sempre se posicionaram contrários à aprovação. De repente, não mais que de repente (como dizia o poeta Vinicius de Moraes), a missão do Brasil mudou de ideia e assinou o documento. Sabe-se que a pressão internacional, chefiada pela delegação francesa, realmente foi muito intensa, mas nada justificava o apoio do Brasil a um tratado internacional que concede independência às chamadas nações indígenas, que já detém cerca de 20% do território nacional, entre reservas demarcadas e a demarcar.

UM PRECEDENTE

Não podemos esquecer que já havia um precedente. Em 1989, final do governo de José Sarney, a delegação brasileira na Organização Internacional do Trabalho (OIT) havia assinado a Convenção 169, que abria caminho para a independência das nações indígenas. O chanceler era Abreu Sodré e é espantoso que o Brasil tenha aceitado justamente na OIT um tratado que extrapolava em muito as relações de trabalho e invadia assuntos internos de nosso país.

O pior é que esse tratado foi levado a ratificação pelo Congresso Nacional, que o aprovou em 2002, final do governo FHC, quando o chanceler era Celso Lafer. E para orgulhosamente comemorar o Dia do Índio, a 19 de abril de 2004 o então presidente Lula assinou o decreto 5.051, promulgando a Convenção 169 da OIT, a ser obedecida pelo Brasil (“executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém“, diz o decreto).

TODOS SÃO RESPONSÁVEIS

Este é o quadro da questão indígena, que se agrava progressivamente. Todos são responsáveis: os presidentes Sarney, FHC e Lula, os chanceleres Abreu Sodré, Celso Lafer e Celso Amorim, e os embaixadores que à época representavam o Brasil na OIT e na ONU e assinaram os tratados em nome de nosso país. Os embaixadores também são responsáveis, porque deveriam ter se recusado a assinar, denunciando esses crimes de lesa-pátria.

Todos são responsáveis, não há dúvida. O único que pode dizer que não sabia de nada, claro, é Lula. Sua ignorância é uma espécie de habeas corpus preventivo. Nunca leu um só livro, como iria ler e compreender um tratado internacional de tal importância?

Agora, seus marqueteiros vivem a propagar que Lula está lendo livros. Recentemente, Lula deu entrevista dizendo ter lido a biografia de Abraham Lincoln e até citou uma passagem importante. Mas era mentira. Lula apenas viu o filme, pois citou justamente uma cena que não consta da biografia e foi inserida pela roteirista da película.

Como ensinava Noel Rosa, “pra que mentir?”

Pedir doações de petistas para pagar multa de Dirceu mais parece uma piada

Carlos Newton

Oportuna reportagem de Marina Dias, na Folha, revela que o presidente nacional do PT, Rui Falcão, não só está conclamando a militância petista a contribuir com doações para ajudar José Genoino a pagar a multa de R$ 667,5 mil estipulada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão, como também pretende fazer o mesmo em relação “aos companheiros José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo Cunha”, anunciou em nota oficial.

A matéria da Folha acrescenta que “de acordo com petistas, Dirceu, Delúbio e João Paulo também colocarão no ar sites como o de Genoino, para recolher contribuições em dinheiro”.

A solidariedade dos companheiros já era esperada, claro, mas pedir doações para auxiliar José Dirceu a pagar a multa judiciária parece um bocado de exagero. Parodiando Ruy Barbosa, até as paredes da Papuda sabem que Dirceu é hoje um homem muito rico, que fez “consultorias” milionárias para empresas nacionais e multinacionais, implantando um sofisticado sistema de tráfico de influência que funcionava num hotel de Brasília, onde o ex-ministro recebia autoridades do governo federal e dirigentes de empresas estatais, como o então presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Dirceu não precisa desse tipo de apoio financeiro. Basta fazer um prosaico cheque e liquidar a multa, usando recursos próprios ou o dinheiro da conta do mensalão nas Ilhas Cayman, conforme consta no livro de seu ex-amigo Romeu Tuma Júnior. Simples assim.