Dilma está por um fio. Até o marqueteiro dela já diz que “a coisa está realmente feia”

Carlos Newton

Não se fala em outra coisa no Planalto, no PT e no Instituto Lula. Aliás, não se fala em outra coisa também no governo e na oposição. Todas as atenções estão concentradas para o diagnóstico feito pelo publicitário João Santana, que Dilma pensa ser marqueteiro dela, mas na realidade trabalha para o PT.

Numa reunião da campanha de Dilma na noite de anteontem no Palácio da Alvorada, diante do ex-presidente Lula e da atual presidente, o publicitário teria apresentado pesquisas mostrando que caiu a confiança do eleitor na capacidade do governo para promover mudanças. “A “coisa está realmente feia para o governo federal”, teria dito Santana à cúpula do partido, segundo a Folha de São Paulo.

O marqueteiro se baseia nas pesquisas que o PT manda fazer semanalmente e que estão mostrando a presidente Dilma Rousseff em viés de baixa, sem conseguir mobilizar a opinião pública, apesar de seu boom de viagens e inaugurações pelo país nos últimos dois meses. Tem sido vaiada com frequência e a recepção é sempre fria. A a presidente se esforça, mas não tem despertado entusiasmo, muito pelo contrário.

AÉCIO COMEMORA

“Eu concordo com o marqueteiro-mor do governo, João Santana. A coisa está realmente feia para o governo. Mas deveriam ter percebido isso lá atrás quando aparelharam de forma irresponsável a máquina pública, desqualificando a gestão pública, permitindo que os malfeitos pudessem avançar por todas as áreas do governo”, afirmou Aécio Neves à Folha, ao saber das novidades.

Já se colocando como candidato, o tucano disse que será “a alternativa mais responsável” à Presidência, com “experiência e quadros para fazer as mudanças que o Brasil espera”. “O que eu percebo por onde eu ando é apenas um sentimento: já deu. Ninguém aguenta mais o que está se assistindo no Brasil’, afirmou Aécio Neves.

Traduzindo: a candidatura de Dilma Rousseff subiu no telhado, às vésperas da convenção do PT, que será dia 29 deste mês. No PT e no Instituto Lula, o clima é de euforia com a possibilidade de Lula sair candidato. E amanhã sai a nova pesquisa Datafolha, colocando ainda mais emoção na disputa presidencial.

Sai esta semana a superpesquisa Datafolha, aguardada com ansiedade especial no Planalto, no PT e no Instituto Lula

Carlos Newton

O sempre presente comentarista Wagner Pires no informa que a nova pesquisa Datafolha, a ser divulgada ainda nesta semana, será mais confiável que todas as demais feitas, incluindo a última do Ibope, pois ouvirá mais eleitores (4.340 eleitores) que todas as demais. A última do Ibope, por exemplo, ouviu apenas 2. 002 eleitores. E neste caso o erro admitido será de aproximadamente 2% para cima ou para baixo, enquanto as outras pesquisas têm margem de 3% ou mais.

Há uma contradição no registro da nova pesquisa Datafolha sobre a preferência dos eleitores brasileiros para as eleições presidenciais. Embora a divulgação do levantamento esteja prevista para a quarta-feira, o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informa que o período de coleta de dados será de terça a quinta-feira. É uma maluquice, pois ninguém pode divulgar pesquisa pela metade.

De acordo com o registro no TSE, o levantamento nacional custará R$ 266,2 mil e será bancado pela própria Empresa Folha da Manhã S/A, que publica a “Folha de S.Paulo” e controla o Datafolha. Serão entrevistados 4.340 eleitores em 207 municípios do país.

No mesmo período, de terça a quinta-feira desta semana, o Datafolha fará pesquisa sobre a preferência do eleitorado de São Paulo para governador e senador. A divulgação do resultado também é prevista, no registro, para a quarta-feira (4). Serão entrevistadas 2.030 pessoas em 61 municípios paulistas. Conforme registro no TSE, esse levantamento, também pago pela Empresa Folha da Manhã, custará R$ 135,8 mil.

CADÊ A PESQUISA MDA/CNT

Nas minhas contas, já passou da hora de sair a pesquisa MDA, patrocinada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que é feudo do senador Clésio Andrade (PMDB-MG). Sabe-se lá por que razão, a CNT atrasou o levantamento. Detalhe: a última pesquisa MDA foi pioneira no registro da subida dos pré-candidatos Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

Como se sabe, a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição depende das pesquisas indicarem se haverá ou não segundo turno. Caso contrário, o PT lançará Lula.

Se o juiz Nicolau ganhou a liberdade, o que Dirceu e o resto da quadrilha estão fazendo na Papuda?

Carlos Newton

Desta vez, não tem mais como manter os mensaleiros na prisão. Temos de respeitar nossas leis e nos conformar. O Brasil é assim mesmo, não vai mudar nunca. Se o juiz Nicolau dos Santos Neto já ganhou o alvará de soltura, por haver cumprido 1/6 da pena, ter mais de 60 anos e sofrer de doença grave, o que os mensaleiros estão fazendo na Papuda?

Vamos deixar de lado nossas convicções sobre o que é certo ou errado, vamos aplaudir os corruptos, vamos endeusar Sérgio Cabral, Fernando Henrique Cardoso, Blairo Maggi, Newton Cardoso, José Roberto Arruda, a família Lula com Rosemary e tudo, a família Maluf, a família Perrela, a família Roriz, a família Sarney, a família Jefferson, a família ACM, a família Collor e por aí a fora.

Gente, este país está de cabeça para baixo, Ruy Barbosa era um imbecil e o povo deveria ter eleito Ademar de Barros, aquele do rouba, mas faz. Até os comunistas são corruptos, o PCdoB é de fazer Marx e Engels se revirarem no túmulo. O guerrilheiro Genoino virou um farsante que se finge de doente, o militante banido Dirceu tem conta das ilhas Cayman, é amigo de Eike e também está milionário,  enquanto o sindicalista Lula agora é codinome Barba, colaborador da ditadura, Bolsonaro que ser candidatar à Presidência da República, a guerrilheira Dilma Rousseff se alia a qualquer pilantra que lhe garanta meia dúzia de votos, a ex-ministra corrupta Erenice Guerra tornou-se uma das mais bem sucedidas lobistas de Brasília, é um nunca-acabar de velhas novidades.

Como dizia o filósofo paulista Silvio Brito, parem o mundo que eu quero descer…

 

Dilma apela para a demagogia no decreto que torna obrigatória a consulta pública

Carlos Newton

Se você acredita que as aparências podem nos enganar na vida real, pode ter certeza que em política as aparências são ainda mais enganadoras. É só l ero decreto que a presidente Dilma Rousseff acaba de baixar, obrigando os órgãos do governo a realizar “consulta pública” antes de decidir sobre assuntos de interesse da “sociedade civil”.

A determinação vale para todos os “órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta”, o que inclui ministérios, autarquias e até agências reguladoras. O decreto, assinado no último dia 26 de maio, instituiu a chamada Política Nacional de Participação Social (PNPS), com o objetivo de “consolidar a participação social como método de governo” e aprimorar “a relação do governo federal com a sociedade”.

TIPO LEI-VACINA

Na aparência, é algo inovador e verdadeiramente democrático, mas tudo não passa de uma medida demagógica e improfícua, adotada estrategicamente no ano eleitoral. É uma espécie de lei-vacina, daquelas que são feitas para “não pegar”. Nesse caso específico, o decreto nem pode “pegar”. Motivo: se for obedecido, a administração pública federal (direta e indireta) simplesmente vai parar. Imaginem: sempre que tiver de ser tomada qualquer decisão, é preciso fazer antes uma série de consultas à “sociedade civil”,
Os dez “formatos de atuação” da Política Nacional de Participação Social serão, além dos conselhos, conferências e audiências por iniciativas próprias da sociedade civil, comissões de políticas, ouvidorias, mesas de diálogos, fóruns, ambientes virtuais de participação social e consultas públicas. Comandada pelo ministro Gilberto Carvalho, a Secretaria-Geral da Presidência da República será responsável por acompanhar e orientar essa embromação em todo o governo federal.

Joaquim Barbosa precisa vir a público explicar a aposentadoria. Caso contrário, vai pegar muito mal para ele…

Carlos Newton

Essa aposentadoria precoce do ministro Joaquim Barbosa, aos 59 anos, vem ganhando uma série de versões na imprensa e na internet. Como ele não fez um curto pronunciamento ao anunciar a decisão, sem explicar verdadeiramente qual o motivo de seu afastamento definitivo do Supremo, surgem as mais diversas justificativas.

Uns dizem que a aposentadoria é apenas por problema de doença, porque ele sofre da coluna, e não pode ficar muito tempo sentado.

Outros dizem que Barbosa vai se afastar porque não suportaria ver o Supremo sendo presidido por seu arqui-inimigo Ricardo Lewandowski, que o enfrentou durante todo o processo do mensalão, assumindo a defesa dos parlamentares e dirigentes petistas envolvidos no escândalo.

Por fim, agora há também quem explique que o verdadeiro motivo foram os telefonemas anônimos que recebeu, com mensagens sinistras e ameaçadoras. E o ministro então chegara à conclusão que era melhor desistir.

BARBOSA FICA MAL

A verdade é que qualquer uma dessas explicação deixa Joaquim Barbosa em má situação. O problema na coluna, por exemplo, não serve com justificativa, porque esse incômodo não tem impedido que o ministro faça longas viagens internacionais, sentado por horas e horas, e viva saracoteando por aí, pois aqui no Rio até em roda de samba de Moacyr Luz no Clube Renascença ele já foi fotografado.

Dizer que não aguentaria ver Lewandowski na presidência do Supremo também não serve como desculpa, porque isso só aconteceria em novembro, e a renúncia de Barbosa antecipará a posse de seu arqui-inimigo para 1º de julho. Quer dizer, Barbosa estaria entregando o ouro aos bandidos antes da hora fatal.

Quantos aos telefonemas anônimos que recebeu, usá-los como justificativa seria uma  demonstração de covardia que desmoralizaria qualquer homem público.

Portanto, é importante que Joaquim Barbosa venha a público e diga por que realmente vai deixar o Supremo. Caso contrário, estará voluntariamente se omitindo de suas funções públicas, que vão lhe garantir uma aposentadoria de aproximadamente R$ 30 mil reais por mês e que logo vai passar dos R$ 40 mil, paga pelo povo brasileiro, que ele tanto se orgulhava de defender.

 

Senado dá prazo de 30 dias para ministro das Comunicações explicar ilegalidades na transferência da TV Globo/SP para Roberto Marinho no regime militar

Carlos Newton

De acordo com o parágrafo 2º do artigo 50 da Constituição, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, tem 30 dias para prestar ao Senado informações solicitadas pelo senador Roberto Requião (PMDB/PR), autor do Requerimento nº 135/2014, acerca de ilegalidades e irregularidades cometidas quando da transferência do controle acionário da TV Globo de São Paulo e da outorga da concessão para o jornalista Roberto Marinho durante a ditadura militar.

O ofício do Senado requisitando as informações e documentos já foi enviado ao Ministério das Comunicações. Se o ministro Paulo Bernardo não atender ao estabelecido no dispositivo constitucional em 30 dias ou se prestar informações falsas, incorrerá em crime de responsabilidade, afora outras penas.

O longo requerimento do senador Requião, que analisa todos os procedimentos de Roberto Marinho para se apossar do canal 5 de São Paulo (TV Paulista), foi aprovado pela Mesa do Senado Federal, que nesse sentido acolheu por unanimidade o parecer do senador João Vicente Claudino (PTB-PI).

PROTEGENDO A GLOBO

A expectativa sobre a resposta do Ministério é enorme. Especialmente porque no ano passado o ministro Paulo Bernardo se recusou a prestar informações a herdeiros dos antigos acionistas da TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo), alegando que já estava prescrito o direito da administração federal apurar os ilícitos relacionados à transferência da concessão, que foi realizada ilegalmente, sem prévia aprovação do governo, mas mesmo assim, aceita como legítima pelo Ministério.

Em defesa de seu requerimento, o senador Roberto Requião, em discurso no plenário, argumentou que “ o Brasil e sua população têm o direito de saber porque tantas ilicitudes foram praticadas para que, de qualquer jeito, o empresário Roberto Marinho, que já tinha ganho um canal de TV no Rio de Janeiro, assumisse de forma tão irregular o canal 5 de São Paulo, o maior e o mais rentável do Brasil, ignorando os direitos de propriedade de seus mais de 600 acionistas fundadores. O tempo nunca apagará essa mácula, não importando a grandeza da organização beneficiária dessa manobra desprezível, ilegal e imoral”.

Congresso não aceita ingerência da Justiça Eleitoral na fixação do número de deputados por Estado.

Carlos Newton

O Congresso Nacional volta a se desentender com a Justiça Eleitoral e recorre ao Supremo Tribunal Federal, com uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC), para fazer prevalecer a competência do Congresso na fixação do número de deputados por unidade da Federação. A medida é uma reação a uma nova resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que alterou a distribuição das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, alega que o TSE não tem competência para fixar o número de deputados por estado, tarefa que caberia exclusivamente ao Poder Legislativo.

Com a resolução do TSE, que leva em conta os dados do Censo de 2010 do IBGE, treze estados tiveram alterações, oito perderam representatividade na Câmara e cinco ganharam. Minas Gerais, por exemplo, passaria a ter direito a mais dois deputados federais.

A briga não é de agora. No ano passado, o TSE já havia aprovado resolução semelhante, sustada em dezembro com a edição do Decreto Legislativo 424/2013. E a ação da Mesa do Senado pede a declaração de constitucionalidade do Decreto Legislativo 424 para manter a atual composição da Câmara dos Deputados.

LEI COMPLEMENTAR

O mais interessante nessa disputa entre os dois poderes é que o problema foi causado pelo próprio Legislativo, como explica o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o único integrante da Mesa do Senado a votar contra a iniciativa.

“Eu discordo desse raciocínio, porque o próprio Congresso Nacional, através de uma Lei Complementar, transferiu ao TSE os poderes para que ele pudesse fazer, a cada eleição, o recálculo das bancadas”, explicou.

 

Aposentadoria de Joaquim Barbosa demonstra que é preciso mudar o sistema de escolha dos ministros do Supremo

Carlos Newton

Há três décadas, Caetano Veloso acertou em cheio ao denunciar “os podres poderes” exercidos pelos homens. O tempo passou e a situação continua a mesma. Os poderes da República estão cada vez mais apodrecidos, e a aposentadoria precoce do ministro Joaquim Barbosa demonstra que, para diminuir essa podridão, será necessário mudar o sistema de escolha dos integrantes do Supremo Tribunal Federal, iniciativa que hoje é exclusividade do presidente da República.

Dos 11 ministros que integram o Supremo, quatro foram indicados pela presidente Dilma Rousseff (Rosa Weber, Luiz Fux, Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso), quatro por Lula (Joaquim Barbosa, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski), um por Fernando Henrique Cardoso (Gilmar Mendes), um por Fernando Collor de Mello (Marco Aurélio Mello) e um por José Sarney (Celso de Mello ).

Com a saída de Barbosa, Dilma fará sua quinta indicação, e o próximo presidente da República irá indicar cinco ministros entre os anos de 2015 e 2018, devido à aposentadoria compulsória dos integrantes do Supremo aos 70 anos. Se Dilma Rousseff for reeleita, por exemplo, vai ter indicado 10 dos 11 ministros do Supremo.

PROPOSTAS TRAMITANDO

Existem diversas propostas de emendas constitucionais para mudar o sistema de indicação dos ministros do Supremo. Na Câmara, há pelo menos sete projetos que preveem a participação de entidades de classe e até mesmo do Congresso no sistema de substituição de ministros.

O deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), por exemplo, é autor de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevendo a obrigatoriedade de formação de uma lista com seis nomes indicados pelos ministros do próprio Supremo. A PEC estabelece também a idade mínima de 45 anos para os candidatos para a vaga de ministro e determina que seja um juiz de carreira.

Agora, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) quer criar uma “cota” para a categoria, ou seja, quer tirar a exclusividade de indicação das mãos do presidente da República.

O ideal seria um sistema múltiplo, com o presidente da República indicando um ministro; as associações de classe preenchendo a vaga seguinte; o Congresso Nacional escolhendo o terceiro ministro; e o próprio Supremo indicando o ocupante da quarta vaga.

Além disso, deveria existir uma condição acautelatória, com os integrantes do Supremo tendo o direito de decidir se os pretendentes indicados pelo presidente da República, pelas associações de classe e pelo Congresso realmente têm notório saber e reputação ilibada, para que não se repita o absurdo da nomeação de Dias Toffoli.

ONGs e lideranças indígenas são mestres em manobrar o Governo e o Congresso

O presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves recebe e ouve as reinvidicações da Comissão da Mobilidade Nacional Indígena (José Cruz/Agência Brasil)
Carlos Newton

Reportagem de Iolando Lourenço, da Agência Brasil, ao mostrar a pressão que as lideranças indígenas exercem sobre o Congresso Nacional, revela que hoje a principal luta das comunidades é impedir a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 215/2000), que inclui entre as competências exclusivas do Congresso Nacional a aprovação de demarcação de terras indígenas e a ratificação das demarcações já homologadas. A emenda também estabelece que os critérios e procedimentos de demarcação sejam regulamentados por lei.

A estratégia dos indígenas (ou melhor, das ONGs nacionais e internacionais que os orientam) é no sentido de condenar a emenda sob o argumento de que é defendida pelos integrantes da bancada ruralista, quando na verdade esta proposta tem de ser apoiada por todos os que defendem o interesse nacional.

As ONGs querem manter a demarcação sob controle exclusivo do Executivo, que já mostrou sua incompetência em diversas situações. Foi o Executivo, por exemplo, que criou a famosa “Nação Ianomami”, com território maior do que Portugal e onde vivem menos de 4 mil índios, por uma simples portaria do então ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, no governo Collor. O então presidente venezuelano fez a mesma coisa do outro lado da fronteira, e a tal “Nação Ianomami” passou a ser maior do que a Itália. Será que foi mera uecoincidência? Ninguém sabe. E por coincidência os dois sofreram impeachments e foram derrubados.

“NAÇÕES” INDEPENDENTES

Foi também o Executivo que assinou na Organização Internacional do Trabalho a Convenção 169, que ardilosamente facilita a independência das nações indígenas, e aprovou na ONU a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, que deixa de rodeios e determina logo que toda reserva indígena tem de se tornar um país independente, ora vejam vocês a que ponto chegou a irresponsabilidade de governantes como FHC e Lula.

Desde que a PEC 215 foi apresentada, em 2000, as lideranças indígenas e as ONGs condenam a proposta usando exclusivamente o argumento de que seria uma trama dos ruralistas, não se discute se é ou não do interesse nacional. E o mais decepcionante é que os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se curvam à pressão e a proposta simplesmente não anda.

Será que algum dia teremos um Executivo, um Legislativo e um Judiciário que realmente se preocupem com os interesses nacionais? Seria pedir muito?

O que significa Henrique Meirelles como vice na chapa de Aécio Neves?

Carlos Newton

Sempre bem informada, a colunista Sonia Racy, do Estadão, anunciou que Henrique Meirelles desistiu de sua pré-candidatura ao Senado pelo PSD. E registrou que a decisão do presidente do Banco Central do governo Lula acontece dias depois de seu nome ter sido aventado como possível candidato a vice na chapa do tucano Aécio Neves.

Mas o que significaria Meirelles como companheiro de Aécio? A própria Sonia Racy respondeu que a aliança nacional com o PSDB representaria o rompimento da aliança do PSD com o PT, mas ressalvou que esta possibilidade, porém, já teria sido descartada por Gilberto Kassab, presidente nacional do partido – o primeiro a declarar apoio oficial à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Meirelles formalizou sua decisão quinta-feira, em carta a Kassab. Embora tenha aberto mão de disputar a vaga ao Senado, afirmou manter “enorme disposição de seguir contribuindo para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do Brasil”.

Em São Paulo, no maior colégio eleitoral do País, Kassab segue em negociação com o governador Geraldo Alckmin. Os tucanos ofereceram a vice ao PSD – desistindo do Senado, Meirelles poderia ser uma opção.

Traduzindo tudo isso: a confusão é geral. Meirelles seria um enorme reforço para Aécio, em termos de patrocínio para a campanha e de credibilidade no mercado financeiro, se é que alguém sabe o que isso significa. Na verdade, “mercado” é sinônimo de “interesse das elites”, a Bolsa vai subir e a campanha de Aécio pode decolar. Acredite se quiser.

Lula enfrenta o maior dilema de sua vida, ao estilo hamletiano: ser ou não ser, eis a questão

Carlos Newton

Aproxima-se a hora da verdade e o ex-presidente Lula ainda não decidiu o que fazer. Ele é senhor de seu destino e também do destino do PT, partido que comanda com mão-de-ferro, sem permitir que surja qualquer liderança capaz de substituí-lo. O único personagem que lhe fazia sombra – e em certas circunstâncias chegava até a ser mais importante do que ele – era José Dirceu. Quando o então todo-poderoso chefe da Casa Civil foi abatido em pleno vôo no desenrolar do mensalão, Lula respirou aliviado. Já não havia nenhuma liderança ameaçadora, o PT era inteiramente dele.

Passou então a se dedicar à criação de “postes”, que fossem subservientes ao extremo e tivessem condições de substituir lideranças mais conhecidas e com voo próprio. Foi assim com Dilma Rousseff, depois com Fernando Haddad e agora com Alexandre Padilha, marginalizando Mercadante e Marta Suplicy em São Paulo, berço do PT e maior colégio eleitoral.

Essa estratégia de Lula é óbvia e transparente. E vinha dando certo até agora. Mas ele não contava com a insistência de Dilma Rousseff em disputar a reeleição. Se a presidente for reeleita, Lula sabe que não conseguirá indicar nenhum ministro, não nomeará nem mesmo o rapaz que serve cafezinho. Ficou claro que, desta vez, Dilma vai partir para o tudo ou nada e quer governar sozinha.

“VOLTA, LULA”

E de repente surge o “Volta, Lula”, que hoje anima e agita o PT, que nunca foi o partido de Dilma. Todos sabem que ela era originalmente do PDT e abandonou Brizola para aproveitar a maré petista. Há dois anos houve uma movimentação estranha, o ex-marido dela, Carlos Araújo, quis se filiar ao PDT, como se fosse um plano B de Dilma para a reeleição, caso fosse enxotada do PT.

Bem, a decisão será no próximo dia 29 de junho. Falta exatamente um mês. Lula quer ser candidato, mas não pode forçar a substituição. Tem de esperar que isso ocorra naturalmente, mas depende das pesquisas. E se Dilma continuar à frente, com larga margem de diferença para Aécio Neves e Eduardo Campos? Como Lula e o PT se posicionarão?

Este é o grande dilema da sucessão presidencial, nessa fase pré-campanha. Ninguém tem ideia do que vai acontecer. Nem mesmo Lula sabe o que fará. Está ficando emocionante.

 

Conar se assume como censura e quer proibir anúncio do “sabe de nada, inocente!”.

 (Reprodução)

Carlos Newton

Reportagem de Mirelle Pinheiro, no Correio Braziliense, destaca que o bordão do cantor baiano Compadre Washington está dando problema aos donos do site de vendas Bom Negócio. Em votação realizada terça-feira, 12 representantes da Comissão de Ética do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) optaram pela suspensão do comercial, que ficou popular com jargão “sabe de nada, inocente!”.

A punição se baseia no fato de que, na propaganda, o vocalista do É o Tchan também chama a mulher de ordinária. O cantor não chega a completar a frase, diz apenas “vem, vem, ordiná..”. No entanto, os conselheiros entenderam que não foi preciso dizer a palavra por completo para saber que se trata de uma ofensa.

Diz a repórter Mirelle Pinheiro que o Conar recebeu 50 e-mails de mulheres de todo o Brasil alegando que se sentiram desrespeitadas. Mas que falta do que fazer! Que intolerância idiota!

A empresa Bom Negócio ainda pode recorrer da decisão. E vale lembrar que a recomendação é válida apenas para fins comerciais. O internauta que publicar o vídeo no YouTube, por exemplo, não terá problemas.

VIROU UMA FEBRE

O anúncio é excelente, pegou mesmo e a mensagem virou uma febre na mídia em geral e na internet. Cartunistas de todo o país se inspiraram na frase pronunciada por Compadre Washington para compor grande variedade de charges. Até Dilma, Sarney e Lula apareceram nesse tipo de cartoon, como inocentes, que não sabem de nada.

É um exagero do Conar suspender o anúncio, que precisa ser encarado como uma peça de humor. Censurar humorismo sempre foi burrice. O Conar pode proibir o que quiser, mas esse anúncio será lembrado por muito tempo. Os conselheiros do Conar é que são inocentes, parecem que não sabem de nada… Sinceramente.

Apoio de Ronaldo Fenômeno a Aécio Neves será positivo ou negativo?


Carlos Newton

O ex-jogador Ronaldo Nazário declarou publicamente seu apoio ao pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, Aécio Neves. Em entrevista ao jornal Valor, publicada nesta segunda-feira 26, o ex-jogador afirma que tem amizade com o senador tucano há mais de 15 anos. “Confio nele e acho que é uma ótima opção para mudar nosso país”, disse o Fenômeno ao jornal.

Quando li a notícia do apoio de Ronaldo, fiquei na dúvida se seria ou não positivo para o candidato. Afinal, Ronaldo é um ex-craque que fala muita bobagem e se mete em cada encrenca que nem é bom lembrar… Depois, refletindo melhor, cheguei à conclusão que isso é bom para Aécio. No nível que a política brasileira chegou, em que o palhaço Tiririca foi o deputado mais votado do país, o apoio de qualquer pessoa famosa pode ser importante.

VAI PARTICIPAR DA CAMPANHA?

Sobre a adesão de Ronaldo, Aécio afirmou que o ex-jogador disse estar “a disposição” da campanha, mas que ainda não há nada definido sobre o papel dele. “Ronaldo deu uma opinião como cidadão. Ele e outras pessoas que manifestam apoio são imediatamente patrulhadas”, lamentou.

Já o pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, afirmou considerar “natural” a declaração de apoio do ex-jogador Ronaldo ao candidato tucano nas eleições de outubro.

“Qualquer cidadão tem direito, na democracia, de fazer sua escolha”, disse na saída do evento organizado pelo Estadão em parceria com a agência Corpora.

 

 

Disputa entre Dilma e Lula pela candidatura entra nos capítulos finais

Carlos Newton

Em 2010, não houve acordo entre o então presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff com relação às eleições de 2014. Nem precisava. Dilma não existia politicamente, jamais disputara eleição. E Lula não consultou ninguém. Atropelou todas as lideranças do PT,  resolveu lançar a candidatura dela e a transformou na primeira mulher a ocupar a Presidência da República.

Na época, jamais passou pela cabeça de Lula que Dilma, na hipótese de ser eleita, quatro anos depois insistisse em continuar, ao invés de lhe devolver a vaga, como seria de se esperar (no raciocínio dele).

Dilma venceu e logo depois Lula ficou muito doente, com câncer na laringe. Dilma pensou que ele não pretenderia mais voltar à política e se animou em ficar. O mais importante é que as pesquisas de opinião alardeavam números altíssimos de aprovação a seu governo, ela ficou cada vez mais animada, resolveu enfrentar Lula.

Iniciou-se, assim, a acirrada disputa de bastidores entre os dois, que logo deixaram de ser amigos e hoje verdadeiramente se odeiam.

CONVENÇÃO

A disputa vai prosseguir até 29 de junho, quando se realiza a convenção. Até lá, as pesquisas do Ibope, Datafolha, Sensus e MDA vão indicar tendências, mas o que está valendo mesmo são os levantamentos semanais que o PT tem mandado fazer, de forma sigilosa e sem registro na Justiça Eleitoral, porque os resultados não vêm a público.

Com relação a Dilma, essas pesquisas semanais do PT estão confirmando os levantamentos dos quatro institutos, com Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) em viés de alta, circunstância que garante segundo turno. Com relação a Lula, porém, o quadro é mais favorável e ele ainda aparece ganhando no primeiro turno. Isso significa que a candidatura de Dilma subiu no telhado. E ela só veio a perceber isso no mês passado, quando o presidente do PT, Rui Falcão, declarou publicamente que “Dilma não é candidata”.

Ela ficou furiosa, imediatamente ligou para ele, que se desculpou. Falcão alegou que estava apenas explicando aos jornalistas que só existirão candidatos oficiais depois das convenções, mas Dilma não aceitou o argumento, disse-lhe cobras e lagartos, como é bem do seu estilo.

PT ESTÁ COM LULA

Faltam exatamente cinco semanas para o desenlace. O PT em peso está com Lula. Dilma sabe que depende exclusivamente das pesquisas e da expectativa de vitória no primeiro turno. Por isso, está radicalizando a campanha, baseada na disseminação do medo do retrocesso, estratégia traçada pelo marqueteiro João Santana, que é uma espécie de 40º ministro, o único a quem ela realmente ouve… e obedece.

Já faz tempo que Dilma não ouve nem obedece mais a Lula, mas poucos perceberam essa mudança no comportamento dela.

Possibilidade de segundo turno faz a base aliada começar a se dividir, beneficiando Aécio e Campos

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Carlos Newton

A classe política brasileira é um ser disforme e maleável, que se adapta a todas as situações. Seus líderes se caracterizam pelo excelente faro e pela intuição, duas qualidades que lhes garantem uma permanente fatia do poder. Como a política é sempre mutante, mas os políticos vão se adaptando às situações, com os partidos adquirindo novos contornos, diante das circunstâncias.

É justamente o que está acontecendo agora, em função das novas pesquisas que colocam Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) em viés de alta, e a expectativa é de que essa subida deles se mantenha, quando passarem a ser mais conhecidos pelo eleitorado.

Esses novos números das pesquisas estão fazendo com que a chamada base aliada comece a se moldar em relação à nova conjuntura, para não serem surpreendidos no futuro. O ex-presidente Lula teve de entrar pessoalmente nas negociações para garantir horário eleitoral três vezes maior do que o espaço dos tucanos, mas uma coisa é tempo na TV e outra coisa é apoio na hora do voto.

DIRETO DA PAPUDA

De dentro da penitenciária da Papuda, onde está preso em decorrência do processo do mensalão, o ex-presidente Valdemar Costa Neto continua influindo no partido. De início, ele estava trabalhando pelo “Volta Lula”, mas agora radicalizou e defende o rompimento com o governo e o apoio a Aécio Neves, enquanto o atual presidente, senador Alfredo Nascimento (AM), segue defendendo a reeleição de Dilma ou Lula.

No mês que vem, a convenção do PR vai definir de quem será o apoio “oficial” do partido, que significa 1min56 no horário eleitoral gratuito para o PT. Mas na hora do voto, já se sabe que o PR vai se dividir, para continuar no poder seja qual for o resultado das eleições.

A mesma situação acontece com o PP, que está com o governo, mas vai apoiar Aécio Neves em vários Estados, entre eles o Rio Grande do Sul. E até o PMDB também apresenta defecções em seu apoio ao candidato do PT, seja Dilma ou Lula. No Rio de Janeiro, por exemplo, o partido já está fechado com Aécio.

CAMPOS GANHA APOIO

O terceiro principal candidato, Eduardo Campos (PSB), que já era apoiado pelo PPS e pelo PPL, acaba de receber também a adesão de mais dois partidos: o Partido Republicano Progressista (PRP) e o Partido Humanista da Solidariedade (PHS). E no Rio de Janeiro, o pré-candidato do PR ao governo do estado, deputado Anthony Garotinho, também já fala em apoiar Eduardo Campos.

Traduzindo tudo isso: na política brasileira, a grande maioria dos partidos obedece às leis da física – são corpos menores que se amoldam aos corpos maiores, aos quais aderem pegajosamente. Não importa quem vença as eleições, esses partidos estarão sempre dispostos a apoiar o governo. Eles vivem disso.

PT MARCA CONVENÇÃO

O PT marcou sua convenção para 29 de junho, quando enfim decidirá entre as candidaturas de Dilma e Lula. O partido não confia nos institutos de pesquisas e está fazendo levantamentos semanais paralelos, que estão demonstrando a inevitabilidade do segundo turno, circunstância que para os petistas significa possibilidade de derrota se a candidata for Dilma Rousseff.

O tema é da máxima importância e daqui a pouco a gente volta com outras informações sobre a ferrenha disputa entre Dilma e Lula, que está agitando os bastidores do PT.

Polícia Federal aguarda que o doleiro Yossef faça o acordo de delação premiada que vai balançar o país

Collor: a PF encontrou no escritório do doleiro Alberto Youssef, em São Paulo, comprovantes de depósitos bancários feitos na conta do senador

Carlos Newton

Para o bem deste país, a Polícia Federal está se firmando cada vez mais como uma instituição independente e que trabalha em defesa do interesse nacional. Se a Justiça funcionasse com a mesma eficiência, o Brasil já seria outro, não haveria apenas 632 presos cumprindo pena por corrupção, os desvios de recursos públicos diminuiriam drasticamente, e governantes teriam dinheiro em caixa para atender às necessidades básicas da população.

Reportagem de Rodrigo Rangel na Veja desta semana revela que documentos apreendidos pela Polícia Federal e imagens captadas por câmeras de segurança mostram quem são os parlamentares que mantinham relações diretas com Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato.

O famoso doleiro já está preso há dois meses, mas ainda não falou nada sobre suas atividades ilícitas e seu envolvimento com políticos e autoridades que o ajudaram a  movimentar bilhões de dólares no Brasil e no exterior. Mas a Polícia Federal não tem pressa. Sabe que Yousseff já fez delações em duas prisões anteriores.

VAI ACABAR FALANDO…

Quando enfim resolver falar — pode ser hoje, amanhã ou depois —, o doleiro vai destruir grande número de parlamentares, autoridades e governantes. A reportagem de Rodrigo Rangel é apenas a ponta do iceberg. Mostra a intensa movimentação que havia no escritório de Alberto Youssef, numa área nobre na Zona Oeste de São Paulo, e que era, digamos assim, um ponto de peregrinação de políticos de partidos sabidamente envolvidos em tramoias financeiras.

“As investigações já revelaram que empresas-fantasma controladas por Youssef recebiam em suas contas inexplicáveis depósitos milionários de algumas das mais importantes empreiteiras do país. O dinheiro que entrava de um lado, por meio de contratos simulados de consultoria, saía por outro na forma de repasses a políticos e partidos. Os mesmos políticos e partidos que indicavam os apadrinhados que contratavam as empreiteiras pagadoras. É desse triângulo equilátero da corrupção que emergem os clientes mais vistosos do doleiro”, diz o repórter da Veja, que obteve os registros do prédio que durante anos abrigou o escritório de Youssef.

SEIS DEPUTADOS DO PP

Quando o doleiro começar a cantar, muita gente importante vai dançar. Aliás, já está até dançando, como acontece com os ainda deputados André Vargas e Luiz Argôlo, e também com o senador Fernando Collor, cuja foto e recibos de pagamento ilustram a matéria da Veja.

Na lista de visitantes tem um mensaleiro preso, um assessor de ministro e vários deputados. Mas é claro que nem todo corrupto ligado a Youssef precisava ir a São Paulo. O sistema de pagamento era descentralizado e cobria grande parte do país. Além dos já citados André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SDD-BA), a reportagem da Veja registra a presença de seis deputados do PP: Mário Negromonte (BA), Aline Corrêa (SP), Arthur Lira (AL), João Pizzolati (SC), Pedro Corrêa (PE) e Nelson Meurer (PR).

 

Joaquim Barbosa não responde à nota da CNBB criticando suas decisões contra os mensaleiros

Carlos Newton

O ministro Joaquim Barbosa ainda não respondeu à nota oficial da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgada sexta-feira para criticar as decisões do presidente do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Na nota, a entidade repudia o conteúdo das decisões tomadas pelo presidente Barbosa, que é responsável pelas execuções das penas dos condenados.

As decisões proferidas pela Presidência do Supremo Tribunal Federal sobre a execução da Ação Penal 470 (mensalão) que têm suscitado críticas e preocupações na sociedade civil em geral e na comunidade jurídica em particular, exigem o inadiável debate a cerca das situações precárias, desumanas e profundamente injustas do sistema prisional brasileiro.

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo vinculado à CNBB, soma-se à Pastoral Carcerária e “repudia” o conteúdo destas decisões, bem como a política de encarceramento em massa, que penaliza especialmente negros e pobres, com inúmeras práticas cruéis, estendidas aos familiares e amigos dos presos, como a “revista vexatória”, atentado direto à dignidade humana.

A CBJP tem a firme convicção de que as instituições não podem ser dependentes de virtudes ou temperamentos individuais. Não é lícito que atos políticos, administrativos e jurídicos levem a insuflar na sociedade o espírito de vingança e de ‘justiçamento’. Os fatos aqui examinados revelam a urgência de um diálogo transparente sobre a necessária reforma do Judiciário e o saneamento de todo o sistema prisional brasileiro”, disse a entidade, acrescentando:

“A Pastoral Carcerária, em recente nota, referiu-se à Justiça Criminal como um “moinho de gastar gente” por causa de decisões judiciais que levam a “condenações sem provas” e “negam a letra da lei” com “interpretações jurídicas absurdas”. Inseriu, neste contexto, a situação dos presos da Ação Penal 470 ao denunciar o conjunto do sistema penitenciário, violento e perverso, que priva os apenados “dos cuidados de saúde e de higiene mais básicos” e carece de políticas públicas para sua inserção no mercado de trabalho”.

SAMBA DO FIEL DOIDO

A nota da Comissão é uma espécie de “Samba do Crioulo Doido” em versão eclesiástica e depõe contra a seriedade da CNBB. Mistura a situação vexatória e criminosa dos presos comuns e a situação verdadeiramente privilegiada dos presos mensaleiros, como se fossem a mesma coisa, e não são.

Os bispos nada entendem de execuções penais e não deviam se meter nessas polêmicas meramente terrenas. O ministro Joaquim Barbosa faz bem em não responder a essa Comissão, que fala equivocadamente em nome da CNBB, entidade que verdadeiramente representa os bispos brasileiros.

As reivindicações dos mensaleiros serão decididas pelo plenário do Supremo, que pode ou não acatar a decisão de Barbosa. O resto é perda de tempo de quem devia estar preocupado com as injustiças que o povo sofre. Mensaleiro não é povo, todos eles são da elite.

Desta vez, nem mesmo a TV Globo acreditou no Ibope

Carlos Newton

O comentarista Ricardo Froes chama atenção para um fato importante. Quem se der ao trabalho de ir no site do TSE para saber as informações sobre a pesquisa do Ibope verá o seguinte: “Data de registro: 17/05/2014″ e, mais embaixo, “Data de início: 15/05/14″.

“Como é que pode ter início no dia 15 e só ser registrada no dia 17?”, indaga Froes, cheio de razão.

Já o comentarista Virgilio Tamberlini diz que também é muito estranho que a pesquisa do Ibope tenha sido registrada no dia 17 e já no dia 18 tenha começado a vazar. “Dias antes dela ser apresentada, o próprio Estadão escreveu sobre os contratos do Ibope com o governo federal. O mais estranho ainda é que ontem a TV Globo, via Jornal Nacional, não tenha ‘passado recibo’, pois apresentou apenas os índices de aprovação ou não do governo”, assinala Tamberlini.

Conversei com Pedro do Coutto, que é um dos maiores especialistas em pesquisas eleitorais e em 1982 denunciou a manobra do Proconsult para derrotar Brizola na eleição do Rio de Janeiro. Coutto também estranhou muito o fato de o Jornal Nacional não ter noticiado a pesquisa eleitoral, limitando-se a citar os números sobre os índices de aprovação do governo.

Traduzindo: desta vez, nem mesmo a TV Globo acreditou no Ibope.

Desculpe a nossa falha. Não sabíamos que ninguém paga o Ibope, que trabalha de graça na campanha eleitoral. Acredite se quiser.

Carlos Newton

Pesquisa eleitoral é uma atividade tão importante para o país que merecia ser debatida mais profundamente. Há quem defenda a liberdade total das pesquisas, sob o argumento de que a democracia não pode impor esse tipo de limite. A justificativa é aparentemente válida, mas acaba sendo derrubada pela realidade dos fatos. Basta analisar essa pesquisa do Ibope que acaba de ser divulgada.

De início, pedimos desculpas aos companheiros que nos acompanham aqui no blog da Tribuna da Internet, porque informamos erradamente que este levantamento tinha sido encomendado pela Rede Globo e pelo Estadão. Estávamos totalmente enganados. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00120/2014, foi custeada pelo próprio Ibope, que demonstra assim seu invulgar espírito público, investindo seus próprios recursos para informar ao povo brasileiro em quem deve votar, porque não há dúvida de que as pesquisas podem ajudar ou prejudicar os candidatos, dependendo da forma como são apresentadas.

O ideal democrático é conceder a mesmas possibilidades para todos. Essa utopia igualitária, porém, é derrubada justamente no ato mais importante dos cidadãos, que é a escolha de seus governantes. Se não houvesse pesquisas, cada um votaria no candidato que considera melhor preparado. Com as pesquisas, surge o temor de “desperdiçar o voto”, e a grande maioria dos eleitores acaba votando num dos dois favoritos. Não há dúvida de que as pesquisas quase sempre conduzem a uma polarização.

MERAS COINCIDÊNCIAS

Diante dessa demonstração de altruísmo e elevado espírito público, com o Ibope financiando tão importante  e custosa pesquisa nacional, devemos parabenizar a direção do consagrado instituto, que por coincidência é o que atribui maiores números à candidata do governo federal, Dilma Rousseff, devendo constar também como mera coincidência o fato de o Ibope manter contratos de R$ 4,2 milhões com o Planalto.

A justificativa do Ibope no levantamento ontem anunciado é de que a sequência de programas partidários na TV despertou mais eleitores para a eleição presidencial e derrubou a parcela de votos brancos e nulos, que estava no patamar mais alto da história recente. Última a aparecer na propaganda, Dilma Rousseff (PT) teria melhorado de 37% para 40% sua taxa de intenção de votos entre abril e maio.

Bem, a aparentemente boa performance de Dilma (que na margem de erro está apenas estacionária) é a única diferença entre o Ibope e os demais institutos. Em comparação com as pesquisas de Datafolha, Sensus e MDA, o que se vê agora é que os números do Ibope enfim passaram a ser idênticos aos dos levantamentos de no que se refere aos dois principais oponentes de Dilma.

5% DE POSSIBILIDADE DE ERRO

Traduzindo: o Ibope se curvou e agora admite que Aécio Neves (PSDB) subiu de 14% para 20% e Eduardo Campos (PSB), de 6% para 11%. E a vantagem que Dilma tinha sobre a soma dos adversários diminuiu de 13 pontos porcentuais para apenas 4. Como se sabe, para se reeleger já no primeiro turno, ela precisará da maioria absoluta dos votos válidos (metade mais um) em outubro.

O Ibope diz ter ouvido 2.002 eleitores em 140 municípios. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%  –  ou seja, há 5% de probabilidade de os números não estarem retratando o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. Ou seja, 2% mais 5% são 7%, o que significa quase 10% de possibilidade de erro. Nada mal.

 

Okamotto desmente a Veja: “Rose não precisa falar comigo para chegar no Lula”

Robson Bonin
do site da Veja

Qual é a relação do senhor com a Rose? A Rose me procura para reclamar, dizer que é um absurdo (os processos), que ela é inocente e dizer que não fez nada. Ela diz que alguém precisa ouvir o que ela tem a dizer. Ela reclama mais pelo fato de que acha que é uma injustiça essa perseguição da imprensa, porque ela não tem a importância que as pessoas querem dar. Ela fica revoltada porque perseguem ela, a família dela, atacam ela como pessoa, como mãe, como mulher, enfim, perseguem as filhas dela, perseguem o marido dela. E eu sou obrigado a concordar com ela. Uma coisa é você destruir uma pessoa que fez algum tipo de opção política, outra coisa é destruir a família. Mas, fazer o que, a democracia pressupõe isso. E acho que no Brasil tem pouca gente que é tão perseguida quanto ela.

Ela procurou o senhor porque queria falar com o Lula? Isso eu não sei. O presidente Lula tem agenda, tem secretárias, um monte de coisa, a Rose não precisa falar comigo para chegar no Lula. O que ela me procura é para dizer essas coisas (da defesa), que alguém precisa saber, porque ela iria contar para mais gente.

O senhor deu alguma ajuda financeira para a Rose pagar advogados? Eu não. Quem falou isso?

A própria Rose disse a pessoas próximas que o advogado Luiz Bueno de Aguiar, coordenador da defesa dela, se reportava ao senhor. Que eu saiba o advogado que cuida do caso dela não é o Lulinha (apelido de Luiz Bueno), mas não me recordo. Por que você diz que ela me procurou?

Porque ela estava com dificuldades financeiras. É, mas quando eu preciso contratar advogados também é difícil. O dia que você for processado você vai ver que a vida é dura. E, às vezes, custa caro se defender.

Mas por que ela procurava o senhor? Ela me procura porque eu conheço a Rose há muitos anos. Ela não é desconhecida de mim. Conheço dos tempos de PT, quando ela foi secretária do Dirceu, porque eu sou uma pessoa do partido. E também quando ela estava na Presidência eu fui algumas vezes lá, então é uma pessoa que eu conheço e tenho relações. Quando eu precisava de coisas no governo eu procurava ela então eu tenho a obrigação de atender uma companheira que a gente conhece.

Ela estava magoada com o próprio partido, se dizia abandonada e queria prejudicar o governo? O que eu posso esclarecer é se ela me procura. E aí os assuntos que ela trata comigo eu expliquei por cima. O que você quer é uma entrevista e eu não vou ficar aqui falando mais do que eu devo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
São comoventes as tentativas da Veja de dar credibilidade à reportagem/fraude montada com informações vazadas pelo Palácio do Planalto para atingir diretamente Rosemary Noronha e inviabilizar a candidatura de Lula.

A reportagem/fraude da Veja dizia que Lula, o PT e Dirceu abandonaram Rose, que no desespero teria chantageado o governo Dilma. Acontece que nem Lula, nem o PT nem Dirceu abandonaram Rose. A decisão de convocar ministros para depor (que seria a tal da chantagem de Rose) nem foi ideia dela. Um de seus advogados fez a sugestão.

Quem paga os advogados de Rose é o PT. Quem a sustenta (direta ou indiretamente) é Lula, que não a abandonou e jamais a abandonará.

Conforme já registramos aqui, essa desesperada tentativa do Planalto, visando a desmoralizar Lula e evitar sua candidatura, pode ter efeito contrário. Vamos aguardar. (C.N.)