Se você acredita em urna eletrônica, confira esses vídeos

Carlos Newton

Já que o assunto está pegando fogo, vamos jogar mais um pouco de gasolina. Se você não acredita na vulnerabilidade da urna eletrônica à brasíleira, é bom assistir com calma a esse vídeo produzido pela Universidade Nacional de Brasília (UnB), onde há informações preciosas sobre a precariedade e falta de segurança desse sistema eleitoral adotado no Brasil. Vale a pena ver este vídeo. O título é “URNAS ELETRÔNICAS FRAUDADAS / Comissão de Ciência e Tecnologia”.

http://www.youtube.com/watch?v=AeUHZGTCF7A

Se os políticos e as autoridades judiciais assistissem a esse trabalho da UnB, certamente se interessariam em moralizar nosso sistema eleitoral, porque está mais do que provado que as urnas eletrônicas adotadas no Brasil, sem comprovante impresso, decididamente não são confiáveis.

AMEAÇA À DEMOCRACIA

Todos os jornais publicaram que o PSDB enfim pediu ao TSE auditoria na eleição presidencial. A atitude do partido é louvável, mas é o mesmo que pedir para “uma raposa tomar conta do galinheiro”. O próprio corregedor-geral da Justiça Eleitoral, João Otávio Noronha, ao invés de efetuar a auditoria, na forma da lei, apressadamente saiu dando declarações de que esse pedido do PSDB pode ser “prejudicial” à democracia, enquanto o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), afirmava que “o PSDB ultrapassa os limites de respeito a um processo democrático”.

Entendo a afirmação do líder do PT. Seu partido e o governo têm medo de que a verdade venha à tona, mas consigo compreender a posição do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, uma vez que, por dever de ofício, ele deveria ser o primeiro a defender os necessários esclarecimentos sobre as contínuas denúncias de fraudes nas urnas eletrônicas.

Por fim, vale a pena também assistir a outros vídeos, nos links abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=b_4903DYTdk

http://www.youtube.com/watch?v=roZEpus-EiM

E no link abaixo existe a decisão do Supremo impedindo a implantação do voto impresso para comparar com o voto eletrônico, única forma de tornar possível a conferência ou recontagem futura dos votos. A quem interessa que essa recontagem seja impossível?

http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=252858

Traduzindo: tem algo de muito podre nessa “novela” toda.

Toffoli proibiu que os ministros acompanhassem a apuração…

Na apuração secreta criada por Dias Toffoli, nem mesmo os ministros do TSE tiveram acesso aos números

Carlos Newton

Em reveladora e estarrecedora entrevista a Beatriz Bulla, do Estadão, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, confirmou que somente um pequeno grupo de técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) assistiu o minuto a minuto da totalização dos votos.

De acordo com o corregedor-geral, foi por ordem direta de Toffoli que o TSE montou um esquema para manter isolados os técnicos responsáveis pela apuração, sem contato inclusive com outros membros da Corte.

E o mais inacreditável é que, ainda segundo o corregedor-geral João Otávio de Noronha, a orientação dada pelo presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, era para que os técnicos não informassem nem a ele o resultado parcial da eleição antes da abertura dos dados para todo o País.

Como todos sabem, essa abertura dos dados somente ocorreu já depois das 20 horas, quando estava assegurada a “eleição” da candidata oficial Dilma Rousseff. Esses são os fatos – verdadeiros, indiscutíveis e irrefutáveis – que marcaram as estranhíssimas inovações desta eleição presidencial, em que não houve transparência nem fiscalização.

NEM OS MINISTROS ACOMPANHARAM…

As declarações do corregedor-geral João Otávio de Noronha são inaceitáveis e assustadoras, porque jamais ocorrera no país uma eleição em que até mesmo as maiores autoridades da Justiça Eleitoral foram proibidas de acompanhar a apuração.

Antigamente, de acordo com o próprio Noronha, os ministros do TSE acompanhavam normalmente a apuração dos votos. Mas desta vez, eles só tiveram acesso aos números quando foi anunciada, de chofre, a vitória de Dilma Rouseff, pois embora se alegasse que “a eleição não estava matematicamente definida”, não havia mais a menor possibilidade de uma virada de Aécio Neves.

Esta é uma página deprimente da História Republicana, escrita primeiro com urnas eletrônicas sabidamente vulneráveis e que não foram submetidas a testes, e depois com uma apuração em sala secreta, à qual nem mesmo os ministros do TSE tiveram acesso. E fica tudo por isso mesmo, no País do Carnaval. E la nave va…

PS – Não deixem de ler a entrevista-bomba da procuradora do PDT na Justiça Eleitoral sobre a fraude das urnas eletrônicas, postada ontem (quinta, dia 30) à noite.

É facílimo tornar confiável a urna eletrônica. Basta querer.

Carlos Newton

Antigamente, os eruditos diriam que o problema das urnas eletrônicas é uma questão fiduciária. Hoje, dizemos que se trata apenas de falta de confiança e de responsabilidade.

Ninguém pode ser contra as inovações tecnológicas, em breve todos os países estarão adotando a urna eletrônica, mas é óbvio que só aceitarão sistemas que sejam realmente confiáveis.

A respeito do palpitante tema, vamos conferir as dúvidas levantadas pelo comentarista Francisco Vieira, sempre presente na Tribuna da Internet, e de José Augusto Aranha, que nos trazem importantes informações e ponderações.

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PAGAMENTO SEM COMPROVANTE

Francisco Vieira

Fico pensando cá, comigo… Você pagaria conta com cartão de crédito em uma máquina que não emitisse comprovante, aquele papeliznho que comprova o valor da compra realizada?

Você realizaria ou arquivaria um importante trabalho em um computador que não permitisse salvar ou fazer back-up?

A Receita Federal e o Fisco dos Estados não exigem recibo? E se, amanhã, quando você for comprar pão, após pagar ao caixa da padaria, se ele te dissesse: “Beleza! Tá debitado! Até amanhã! Como o senhor confia em mim, não preciso dar o recibo da maquininha, certo?”

Mesmo que o pleito tenha sido honesto, sempre pairará uma sombra de dúvida. E isso já era discutido desde as eleições passadas!

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SEM QUEBRA DO SIGILO

José Augusto Aranha

A tecnologia do voto impresso, junto com a votação eletrônica, não permite que haja quebra do sigilo nem que o eleitor leve o papel para casa.

Após a impressão, o voto/cédula é obrigatoriamente depositado numa urna junto à maquininha de votar. Em alguns casos, o eleitor nem toca no voto, pois tem um visor transparente protegendo a cédula impressa. O eleitor apenas confere se a impressão está de acordo com o seu voto, aperta um botão e o voto impresso “cai” dentro da urna anexa.

Como era antigamente, o eleitor não pode sair com este voto impresso E com isso temos a possibilidade de uma conferência futura se houver suspeita.

No mês passado a Índia (lembra do tempo em que ela era chamada, pejorativamente, de a parte miserável da Belíndia?) conseguiu colocar um satélite em órbita de Marte e os brasileiros não conseguem fazer a impressão de seus votos nem mesmo para presidente da República.

Fraude da urna eletrônica mostra que o País está podre

Carlos Newton

Quando afirmamos aqui na Tribuna da Internet que a Justiça é o mais podre dos poderes do Brasil, há quem diga que se trata de um exagero. Infelizmente, não. É a mais pura e dura realidade, porque se a Justiça funcionasse a contento, a corrupção não teria atingido o assustador estágio em que se encontra, muitas outras irregularidades deixariam de ser cometidas e nossas eleições seriam mais limpas, sem despertar tantas suspeitas.

Nos últimos meses, as sucessivas matérias publicadas com exclusividade na Tribuna da Internet desde o início da campanha eleitoral mostravam algo que era sabido, mas a imprensa e os próprios políticos se negavam a discutir – a inacreditável, inaceitável e irrefutável vulnerabilidade da urna eletrônica.

E nesta eleição o Tribunal Superior Eleitoral, sob comando do ministro petista Antonio Dias Toffoli, mesmo instado por um procurador da República a realizar testes de segurança nas urnas eletrônicas, estranhamente se recusou a fazê-lo, e tudo ficou por isso mesmo, a oposição se esqueceu de protestar e de mostrar que estava atenta aos acontecimentos.

AS PROVAS ABUNDAM

Quem somente agora se preocupa com o assunto desconhece que as provas da vulnerabilidade da urna eletrônica são abundantes, pois há anos vêm sendo apresentadas por professores universitários, cientistas, técnicos em informática e até mesmo por hackers, que já invadiram urnas, deram entrevistas e participaram de debates públicos em entidades de classe, como a Sociedade dos Arquitetos e Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro.

A maioria das pessoas certamente desconhece também que a urna eletrônica é uma invencionice brasileira, que nenhum país sério adotou. Alguns até tentaram, como a Argentina, mas logo mudaram o sistema, porque não é admissível que as eleições não possam ter fiscalização rigorosa pelos partidos e sofram recontagem de votos em caso de dúvidas ou suspeita de fraude.

Mas o Brasil, estranhamente, insiste no uso dessas urnas eletrônicas vulneráveis, apesar das denúncias e das suspeitas surgidas desde os tempos de Leonel Brizola, que nunca aceitou essa estranha “inovação”. Há até um caso curiosíssimo ocorrido no Rio de Janeiro, em que o candidato Edgard de Carvalho Jr. (hoje, conhecido leiloeiro) denunciou que numa urna do Leme sua mãe votou nele para vereador, mas o voto não apareceu…

APURAÇÃO SECRETA

Na eleição de domingo, houve outra inovação: a apuração secreta, feita numa sala com apenas 30 funcionários da Justiça Eleitoral, e sem divulgação parcial pelos Tribunais Regionais Eleitorais.

Lembremos que nas eleições anteriores os números sempre eram passados paulatinamente pelos TREs, a imprensa acompanhava atentamente em cada capital, e a possibilidade de fraude diminuía.

Desta vez, sob pretexto de que o recém-adotado horário eleitoral (vejam só que coincidência!) estabelecia três horas de diferença com o Acre, a Justiça Eleitoral de Toffoli inventou a apuração secreta. Ou seja, cada TRE divulgava apenas a votação nos Estados onde ocorreu eleição para governador no segundo turno. E as informações sobre a eleição presidencial eram enviadas ao TSE e somente ele fazia a totalização e a divulgação.

É claro que essa sistemática favorece que haja tentativas de fraude, bastando que exista conluio entre os TREs e o TSE, especialmente nos estados onde não houve segundo turno para governador, como Minas, Bahia e a grande maioria dos Estados do Nordeste, pois nem a imprensa local nem os partidos acompanharam a apuração.

Bem, estes são os fatos, todos eles irrefutáveis, não podem ser contestados, esta é a situação real. A desculpa do horário de verão é patética, porque havia duas soluções: atrasar por alguns dias a entrada em vigor em vigor do horário de verão ou simplesmente adiantar em uma hora a votação no Acre.

A JUSTIÇA PODRE

O pior é saber que em outros países que já adotaram urnas eletrônicas, como a Argentina, o sistema foi adaptado para que possa haver conferência e recontagem. São mudanças muito simples e que tornam mais confiável a eleição.

Mas no Brasil não pode ser adaptado o sistema, simplesmente porque o Supremo Tribunal não permite. O Congresso já aprovou uma lei para adaptação da urna eletrônica, por iniciativa do senador Roberto Requião (PMDB-PR), mas o Supremo a declarou inconstitucional, sob o ridículo argumento que o voto é secreto e não pode ser impresso, mostrando que nesse importantíssimo julgamento os ilustres ministros deste apodrecido tribunal nem se deram ao trabalho de tentar saber como é que o sistema de impressão do voto consegue funcionar em outros países, sem que o sigilo seja quebrado.

É triste ver a Justiça dominada, amordaçada, enxovalhada. E o domínio do Supremo pelo PT vai piorar, porque nos próximos quatros anos o governo PT nomeia mais quatro ministros. Assim, terá escolhido 10 dos 11 integrantes do STF. Isso, se o ministro Gilmar Mendes não pedir aposentadoria, porque nesta hipótese o PT então ficará com maioria absoluta. Ah. Brasil!…

PS – A Tribuna da Internet continua com dificuldade de acesso, mas já é possível editar textos e moderar comentários. O difícil é acessar o Blog, talvez devido ao grande número de leitores simultâneos. Agradecemos aos especialistas do UOL e vamos aguardar que eles consigam também que o acesso se torne mais fácil.

Piada do Dia: Mantega diz que povo apoia política econômica!

Carlos Newton

Desprezado, demitido e desolado, mas aparentando invulgar empolgação, o ainda ministro Mantega convocou os jornalistas que cobrem o Ministério da Fazenda para fazer declarações sobre o resultado das urnas. Como não tinham mais nada para fazer, numa segunda-feira de ressaca eleitoral, em que rareiam as pautas interessantes, os repórteres foram ouvi-lo.

Estava rouco (“de tanto torcer por Dilma”, justificou, como se fosse íntimo dela, que o despreza e somente o aturava por imposição de Lula). E fez afirmações hilariantes: “Estou feliz com o resultado das eleições, isso mostra que a população está aprovando a política econômica que estamos fazendo”, disse o ministro, como se alguém fosse capaz de apoiar uma política que partiu de um crescimento de 7,5 ao ano e quatro anos depois caiu para crescimento zero. E prosseguiu na sua cômica versão da realidade do país, fazendo planos para o futuro, embora já tenha sido demitido há dois meses e continue apenas interinamente no cargo.

“Nós vamos continuar nos esforçando para aumentar a transparência da execução fiscal. Aliás, isso tem avançado bastante. Portanto, esse é o rumo que está estabelecido”, prosseguiu, elogiando os feitos da política econômica, mas sem se referir às bilionárias maquiagens que têm sido feitas nas contas nacionais para reduzir o déficit fiscal. Até que, de repente, caiu na real:

“Temos grandes desafios pela frente, para podermos adentrar num novo ciclo de expansão da economia brasileira e mundial. Estamos trabalhando com cenários adversos, porque a economia mundial não melhorou como deveria”, citando a crise internacional como um dos entraves para o crescimento da economia brasileira.
AS “METAS” DE MANTEGA

Depois passou a se referir às metas dos próximos quatro anos de mandato, até parecia que ele estava confirmado para permanecer no cargo. E como falava a sério, os jornalistas procuravam não rir dele, embora todos saibam que dos 39 ministros do governo Dilma, Mantega é o único que já está demitido por antecedência.

E assim a curiosa entrevista foi se estendendo, não acabava mais a conversa fiada, até que os repórteres enfim perguntaram sobre os possíveis nomes para sucedê-lo no Ministério da Fazenda, e Mantega respondeu assim: “Essa pergunta não tem que ser feita a mim, tem de ser feita à presidenta.” E a entrevista acabou.

Será Mantega sabe de alguma coisa que a gente não sabe?

Confirmado: José Dirceu vai reabrir sua próspera consultoria

José Dirceu - André Dusek/Estadão

Dirceu já está procurando uma mansão para alugar em Brasília

Carlos Newton

Patrão do ex-ministro, o advogado José Gerardo Grossi afirmou a jornalistas que o ex-ministro José Dirceu não deverá continuar no escritório após ser autorizado a progredir para o regime aberto. “Ele me disse claramente que vai para a empresa dele (depois de mudar do regime semiaberto para o aberto)“, revelou Grossi.

A mudança de regime prisional significa que Dirceu vai deixar de dormir na Papuda e cumprir o resto da penal em liberdade condicional, em sua residência. Isso significa que o chefe do mensalão terá de ficar morando em Brasília, para onde vai transferir a sede de sua colossal consultoria, que funciona numa mansão na capital de São Paulo.

Onde se lê ”consultoria”, por favor, leia-se “tráfico de influência”, uma das especialidades a que se dedicam petistas famosos quando têm de deixar o poder, como aconteceu com Fernando Pimentel (que recebia pagamento por serviços não –prestados e acaba de ser eleito governador de Minas), Antonio Palocci (que ganhou R$ 20 milhões em apenas um ano, mas se recusa a identificar os clientes, alegando cláusula de confiabilidade, vejam só que falcatruas) e Delúbio Soares ( que comanda uma próspera empresa de consultoria que faz intermediação de negócios com a prefeitura petista de Goiânia), sem falar no Lula, que criou um instituto só para tomar dinheiro de empresário.

Bem, montando sua própria consultoria em Brasília, Dirceu não terá mais o constrangimento de receber autoridades do governo federal e dirigentes de estatais no Hotel Nahum, oinde foi flagrado e fotografado dando audiências a conhecidas personalidades nacionais, entre as quais o então presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli.

 

Efeito Dilma faz a Bolsa de Valores abrir com queda de 4,65

Carlos Newton

Já era esperada a rejeição dos investidores à continuação do governo de Dilma Rousseff. A Bolsa de Valores abriu com uma queda brutal, de menos 4,65%. Mas essa situação não pode prosperar. É claro que o Brasil está numa crise econômica gravíssima, com estagflação (inflação sem crescimento econômico), mas não se pode continuar derrubando o índice Bovespa.

Se as cotações continuarem caindo, será possível assumir o controle das empresas apenas comprando as ações ordinárias a preço vil, porque o patrimônio líquido delas terá maior valor do que os papéis oferecidos em bolsa.

A hora não é de desespero e desforra, mas de raciocínio lógico. É muito duro aturar uma presidente como Dilma Rousseff, totalmente despreparada. Aécio Neves não é nenhuma Brastemp, como se diz popularmente, mas seria um governante muito melhor do que ela, não há dúvida, mas não tem carisma para derrotar a máquina pública aparelhada pelo PT, com os eleitores de cabresto do Bolsa Família e a nova “classe média” da renda mensal per capita de 300 reais.

Quem tem ações na Bolsa não deve vender. Logo o mercado se normalizará e o índice Bovespa chegará à normalidade (no meu entender, algo em torno de 62 mil pontos; agora, está em menos de 50 mil).

Dilma, Lula e o PT passarão, e o Brasil resistirá a seus “malfeitos”, porque tem um encontro marcado com o futuro.

Aécio e Dilma: dois candidatos fracos, que “não representam”

Carlos Newton

Foi uma eleição sem empolgação nas ruas. Os poucos militantes que se viam nas grandes cidades eram todos profissionais e estavam sendo pagos para defender os dois candidatos, Dilma Rousseff e Aécio Neves, que não têm carisma para liderar coisa alguma, apenas preenchem espaços vazios, que poderiam ser ocupados por qualquer um.

Dilma Rousseff já é um nome na história, mas sem vida própria, apenas como mais um capítulo na impressionante trajetória de Lula. Todos hoje sabem por que ela chegou à Presidência. A estratégia de Lula era evitar que surgisse uma segunda liderança no PT, que no futuro pudesse ameaçar sua hegemonia no partido. Ele então escolheu a chefe da Casa Civil e lutou desabridamente para elegê-la em 2010 contra outro candidato também fraco e sem carisma, chamado José Serra.

DILMA FRACASSOU

Mesmo sob supervisão direta do ex-presidente Lula nos dois primeiros anos,  o primeiro mandato de Dilma foi um fracasso total. Nunca antes na História deste país um governante pegou a economia crescendo 7,5% ao ano e quatro anos depois tinha reduzido esse crescimento a zero, literalmente.

Agora, o show já terminou e todos têm de retornar à realidade, como ensina Roberto Carlos, acrescentando que a eleição foi apenas um detalhe. O problema é continuar tocando um governo sem a menor credibilidade, envolvido num gigantesco escândalo que faz balançar os delicados pilares do Planalto/Alvorada.

MINISTRO SEM PASTA

Tornou-se um governo tão problemático que tem um ministro da Fazenda desmoralizado e demitido há meses , sem prestígio e sem autoridade, mas que continua sentado na cadeira como se o cargo ainda fosse seu. O mais ridículo é que insiste em dar declarações fazendo de conta que permanece no exercício do poder.

Todos os possíveis golpes contabilísticos já foram aplicados. O governo não tem mais como maquiar as contas da União. E não há programa de governo nem qualquer medida destinada a retomar o crescimento. Nesse marasmo, os gargalos às exportações se eternizam, elevando o chamado Custo Brasil, enquanto a dupla presidencial Lula Rousseff manda o BNDES financiar um moderníssimo porto em Cuba.

Para onde vamos? Ninguém sabe. O que se sabe é que temos de continuar esperando que surja um político de verdade, com carisma, determinação e espírito público, em condições de conduzir o Brasil a um futuro melhor. Por enquanto, não se vê ninguém. É um vazio de homens e idéias, como dizia o genial Oswaldo Aranha. Ah. Brasil!

É preciso cuidar da saúde de Youssef com muito cuidado…

Imagem de Youssef no hospital publicada em primeira mão pela 'Época' (Reprodução/Revista Época)

Carlos Newton

Este domingo, enquanto os brasileiros iam às urnas, a internet fervilhava com o boato de que o doleiro Alberto Youssef morrera envenenado e a notícia estava sendo adiada até o final da votação. A boataria era tão forte que a própria Polícia Federal teve de desmentir a falsa notícia, divulgando uma foto de Youssef na cama do hospital, fora da UTI. E a psicóloga Kemelly Youssef, filha do doleiro, deu uma entrevista reforçando o desmentido da PF e anunciando que seu pai estava recuperando bem a saúde.

A preocupação com a saúde de Youssef é procedente. Embora já tenha prestado praticamente todas as informações necessárias para devassar o esquema montado pelo governo na Petrobras para subornar os parlamentares dos três principais partidos da base aliada (PT, PMDB e PP), é importante que ele permaneça vivo e em condições de esclarecer qualquer dúvida, especialmente sobre o conhecimento que o ex-presidente Lula e sua sucessora Dilma tinham a respeito da corrupção na estatal.

A saúde de Youssef é particularmente importante, porque Dilma Rousseff “ganhou” e agora terá de vencer também as acusações do doleiro, que podem conduzir ao impeachment dela.

NOVIDADES ELEITORAIS

Em meio a esses escândalos, surgiram as surpreendentes novidades desta eleição, estabelecidas pelo ministro Dias Toffoli, que só chegou ao Supremo e ao Tribunal Superior Eleitoral por ser petista, amigo íntimo do ex-ministro José Dirceu e do ex-presidente Lula.

A primeira inovação foi o cancelamento dos testes de segurança nas urnas eletrônicas. E a oposição não protestou, nada, nada. O candidato Aécio neves em nenhum momento da campanha eleitoral levantou esse importante assunto, que no entanto foi profundamente discutido aqui na Tribuna da Internet, inclusive houve uma grave advertência do jurista Jorge Béja a esse respeito.

Depois, a apuração secreta das eleições, que jamais havia ocorrido no país. Ou seja, o resultado das urnas sem teste foi computado pela Justiça Eleitoral sem efetivo acompanhamento dos fiscais dos partidos, e o resultado só foi divulgado quando confirmada a vitória da candidata da situação, e por vantagem mínima, certamente para não dar na vista.

Traduzindo tudo isso: estamos num país com os três Poderes apodrecidos, onde decididamente não se pode confiar na Justiça.

É a vitória da urna eletrônica sem teste e sem comprovação

Carlos Newton

Com os votos dados a Aécio Neves e Marina Silva, o primeiro turno revelara a existência de uma maioria silenciosa que não queria mais o PT no poder. O candidato do PSDB, Aécio Neves, teve 33,55% dos votos válidos, a representante do PSB chegou a 21,32%, perfazendo 54,87% de votos a esses dois candidatos de oposição, enquanto Dilma Rousseff recebeu 44,59%. Ficou claro que, se houvesse massiva transferência de votos de Marina para Aécio, a eleição ficaria dificílima para o PT.

Na disputa do segundo turno, a candidata Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o PT então fizeram o possível e o impossível, baixaram o nível da campanha a um ponto nunca antes visto na História deste país, ultrapassaram em muito o famoso limite tucano da irresponsabilidade.

Depois, com o ministro petista Dias Toffoli à frente do Tribunal Superior Eleitoral, pela primeira vez não houve testes de segurança na urna eletrônica. E este domingo, na hora da apuração, pela primeira vez o Brasil viu-se diante de uma operação secreta. Nunca antes na História deste país ocorreu nada igual. Sem aviso, sob argumento da existência do horário de verão e da inexpressiva eleição no Acre, a apuração da eleição presidencial passou a ser feita de forma sigilosa.

Essa decisão é inexplicável, inacreditável e injustificável. Como já explicamos aqui na Tribuna da Internet, bastaria adiantar em duas horas a eleição no Acre e em uma hora no Amazonas e tudo ficaria normal.

BAIXO NÍVEL DE SEMPRE

Com os votos dados a Aécio Neves e Marina Silva, o primeiro turno revelara a existência de uma maioria silenciosa que não queria mais o PT no poder. O candidato do PSDB, Aécio Neves, teve 33,55% dos votos válidos, a representante do PSB chegou a 21,32%, perfazendo 54,87% de votos a esses dois candidatos de oposição, enquanto Dilma Rousseff recebeu 44,59%. Ficou claro que, se houvesse massiva transferência de votos de Marina para Aécio, a eleição ficaria dificílima para o PT.

Na disputa do segundo turno, a candidata Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o PT então fizeram o possível e o impossível, baixaram o nível da campanha a um ponto nunca antes visto na História deste país, ultrapassaram em muito o famoso limite tucano da irresponsabilidade.

URNA ELETRÔNICA SEM TESTE

Depois, com o ministro petista Dias Toffoli à frente do Tribunal Superior Eleitoral, pela primeira vez não houve testes de segurança na urna eletrônica, embora seja público e notório que esse tipo de equipamento é suscetível a fraudes diversas, como já ficou demonstrado por vários especialistas e pela Universidade Nacional de Brasília.

E este domingo, na hora da apuração, pela primeira vez o Brasil viu-se diante de uma operação secreta. Nunca antes na História deste país ocorreu nada igual. Sem aviso, sob argumento da existência do horário de verão e da inexpressiva eleição no Acre, a apuração da eleição presidencial passou a ser feita de forma sigilosa.

Essa decisão é inexplicável, inacreditável e injustificável. Como já mostramos aqui na Tribuna da Internet, bastaria adiantar em duas horas a eleição no Acre e em uma hora no Amazonas e tudo ficaria normal.

Apuração “secreta” coloca em suspeita a eleição presidencial

Carlos Newton

Nunca se viu nada igual. De repente, por causa do horário de verão e da inexpressiva eleição no Acre, a apuração da eleição presidencial passou a ser feita de forma sigilosa, comandada pelo ministro Antonio Dias Toffoli, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Como se sabe, Dias Toffoli só chegou ao Supremo e ao TSE por ser petista, pois jamais foi aprovado em concurso para juiz de primeira instância, tendo sido reprovado em duas tentativas.

A apuração dos governadores transcorreu normalmente, mas esse surpreendente atraso da apuração do pleito presidencial é estranho e inexplicável, pois bastaria adiantar em duas horas a eleição no Acre e tudo ficaria normal. Mas o que esperar de uma Justiça Eleitoral comandada por um magistrado do porte de Dias Toffoli. Só se poderia esperar uma vergonha nacional.

Michel Temer já sonha com o impeachment de Dilma

Carlos Newton

Foi um fim de semana muito especial para Michel Temer, o vice-presidente da República nem consegue dormir direito desde sexta-feira, quando leu a reportagem-denúncia da revista Veja. E seu pensamento vem se dividindo entre euforia e depressão, num vaivém infernal.

Não é para menos. Se Dilma Rousseff ganhar, tudo ótimo, o futuro de Temer estará garantido e pela primeira vez o veterano político paulista terá condições concretas de sonhar com a Presidência da República. Ele sabe que o impeachment da presidente Dilma tornar-se-á inevitável e ele próprio será, nos bastidores, o principal articulador das manobras para tirar o PT do Planalto/Alvorada e entregar o Poder ao PMDB.

Temer sabe que as denúncias que pesam contra a presidente da República e a cúpula do PT estão se acumulando, são muito mais graves do que o caso do mensalão. E como o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef só têm direito aos benefícios da delação premiada se falarem a verdade, é perda de tempo duvidar da veracidade de seus depoimentos.

Desta vez, o processo inicial não correrá no Supremo. O juiz federal Sérgio Moro somente encaminhará os autos a Brasília quando forem incriminados os parlamentares e governantes envolvidos, entre os quais inevitavelmente estará a atual presidente da República. E isso muda tudo, porque o processo chegará ao Supremo já bem estruturado e o desfecho poderá ser mais rápido.

E SE DILMA NÃO GANHAR?

É somente uma questão de tempo. Desta vez, Temer realmente pode ver no final do túnel a rampa do Palácio do Planalto. Mas há um grave empecilho: e se Dilma não ganhar a eleição?

Bem, neste caso o futuro de Michel Temer não vale uma nota de três reais. Ele entrará na “Lista dos Desesperados” – os políticos da base aliada que se encantaram com o canto da volumosa sereia e não se candidataram nessas eleições, como Aloizio Mercadante, Miguel Rossetto, Ricardo Berzoini, Rui Falcão e mais alguns aduladores de Dilma Rousseff, que sonhavam em viver eternamente à sombra do Poder.

Por tudo isso, hoje ninguém está torcendo mais por Dilma Rousseff do que Michel Temer. Se ela ganhar, ele será o futuro presidente e terá ao seu lado a mais sensacional primeira-dama do mundo, a bela e doce Marcela Tedeschi, que deixará no chinelo as também inesquecíveis Jacqueline Kennedy, Maria Tereza Goulart e Carla Bruni.

Hoje é o primeiro dia do resto da vida de Michel Temer. Haja coração!

Votar nulo, em branco ou se abster são decisões equivocadas

Carlos Newton

No desespero com a progressiva decadência dos três poderes da República, muitos brasileiros defendem uma renovação radical da classe política. Uns pretendem invalidar as eleições através do voto nulo ou em branco, outros defendem a abstenção e há também quem sugira que não se reeleja nenhum político, votando-se apenas em quem jamais disputou eleição.

Alguns acham que, se a maioria anular o voto, votar em branco ou se abster, a eleição será automaticamente invalidade, mas isso não é verdade. Nenhuma eleição jamais será invalidada por votos nulos, em branco ou abstenção massiva. Se houver apenas um voto, ele será válido e o resultado da eleição estará confirmado.

Na forma da lei, infelizmente a nulidade da votação somente ocorre em casos muito especiais, com ocorrência de fraude ou erro essencial de organização.

UMA DECEPÇÃO ENORME

Entende-se perfeitamente a decepção desses brasileiros. Realmente, é muito duro suportar tanta falta de espírito público, tanta corrupção e tanta impunidade, em meio à progressiva segregação de grande parte da população brasileira, que necessita dos serviços públicos de saúde, educação, saneamento e transportes, mas continua eternamente desassistida.

Veja-se o caso da saúde pública, por exemplo. Os governantes conseguiram dividir os brasileiros em duas classes – os que têm planos de saúde e os que não têm. Mas há, ainda, mais uma subclasse, formada pelos segurados de planos de saúde que não funcionam, fazendo com que o suposto beneficiário acabe tendo de recorrer aos hospitais públicos.

Na educação, formaram-se as mesmas classes, dividindo os brasileiros entre os que têm escola particular e os que necessitam da escola pública, havendo também a subclasse dos que se sacrificam para colocar os filhos em colégios particulares que também quase nada ensinam.

REALIDADE MASSACRANTE

É diante desta realidade incontestável e massacrante que muitos brasileiros perdem a confiança nas eleições, por entenderem que votar não significa nada. É verdade, muitas eleições não mudam nada, mas não se pode aceitar esse posicionamento autodestrutivo de brasileiros conscientes, porque a eleição é nossa única arma.

Se os brasileiros conscientes desistem de votar, os únicos beneficiados são os políticos profissionais, que já têm seus feudos. Quando votamos nulo, em branco ou quando deixamos de votar, os corruptos ficam cada vez mais fortalecidos.

Por tudo isso, fica claro que os brasileiros conscientes não podem se omitir nas eleições. Pelo contrário, precisam participar e influir para que os melhores candidatos (ou os “menos piores”, como diz o comentarista Théo Fernandes) sejam eleitos. Pensem nisso.

Desmoralização das pesquisas eleitorais agora é inevitável

Carlos Newton

É impressionante e inaceitável o que está acontecendo com os chamados institutos de pesquisas, que se transformaram em máquinas de fazer dinheiro e manipular resultados eleitorais.

No rastro do Ibope, que foi o pioneiro no país e desfruta de um monopólio estranhíssimo, sendo o único a pesquisar audiência de televisão de forma permanente, surgiram muitos outros “institutos”. Alguns já desapareceram, mas hoje o mercado é disputado por grande número de empresas (é melhor chamá-las assim, pois são movidas pelo lucro) que atuam em termos nacionais ou apenas regionais.

No âmbito nacional, as principais empresas são Ibope, Datafolha, Sensus e Vox Populi, segundadas por MDA, Veritá e Gerp.

DISPARIDADES RIDÍCULAS

As disparidades entre seus resultados são surpreendentes e até ridículas.

No caso da eleição presidencial, duas dessas empresas já apresentaram seus resultados finais. Uma delas foi a Veritá, que deu Aécio Neves com 53,2% e Dilma 46,8, ou seja, 6,4 pontos na frente de Dilma Rousseff, em levantamento contratado pela Rede Record (na pesquisa anterior da Veritá, o tucano tinha os mesmos 6,4 pontos de frente). E a Sensus, divulgada quinta-feira, deu resultado também favorável ao tucano: Aécio com 54,6% e Dilma 45,4, com 9,2% de diferença.

Na mesma quinta-feira, o Ibope apresentou números totalmente contrários: deu Dilma 8 pontos na frente (54% a 46%), enquanto o Datafolha veio mais contido, com 6 pontos de diferença a favor da candidata do PT (53% a 47%).

Comparando-se as pesquisas, as discrepâncias são assustadoras. Em qual empresa acreditar ou confiar?

Ora, se todas elas, sem exceção, erraram completamente as previsões do primeiro turno, que significa apenas uma pré-eleição, não podemos confiar em nenhuma delas. E como não se deve desperdiçar o voto, vamos apontar em um dos candidatos, e fim de papo.  Na situação em que estamos, só resta escolher o menos pior.

 

Dilma convidou Paulo Roberto para o casamento da filha

Dilma não gostava de Paulo Roberto, mas fez questão de convidá-lo para o casamento da filha

Carlos Newton

Não se pode contestar o ditado que diz “uma foto vale mais do que mil palavras”. Na verdade, a fotografia significa o flagrante, o instantâneo, como se dizia antigamente. E um flagrante jamais pode ser desmentido.

Existe uma foto, feita por Ed Ferreira, do Estadão, que mostra a familiaridade de Paulo Roberto Costa com o então presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff. O flagrante foi colhido em 2006 no Palácio do Planalto. Da direita para a esquerda, aparecem Lula, Dilma, o então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado (também envolvido na corrupção), e outra autoridade que não conseguimos identificar.

Hoje, a presidente Dilma repete que não gostava de Paulo Roberto Costa, mas não conseguia derrubá-lo. Essas declarações não correspondem à realidade, segundo o jornalista Lauro Jardim, da revista Veja. Diz ele:

De duas, uma: ou Dilma Rousseff gosta de ter em sua intimidade pessoas com quem não se bica ou suas incompatibilidades com o notório Paulo Roberto Costa não eram tão agudas como ela afirmou hoje na sabatina de O Globo. Basta relembrar que o diretor com quem Dilma diz não ter “afinidade” estava na seleta lista de convidados do casamento de Paula Rousseff, filha de Dilma, em 2008, em Porto Alegre”.

CONCLUSÃO

A foto pode ser considerada um belo flagrante, porque a ocasião foi reveladora. Presidente da República jamais despacha com diretor, só da audiência ao presidente da estatal. Da mesma forma, não despacha com vice-governador nem com secretário-geral de ministério, somente recebe ministros e governador, e isso nem ocorre frequentemente.

Como existem 39 ministros, muitos deles ficam meses (ou anos) esperando um chamado para audiência presidencial. Alguns jamais são chamados, nem conhecem direito o Palácio do Planalto. Ficam complexados, sentem-se rejeitados.

Mas o prestigiado diretor Paulo Roberto Costa, repetindo o genial filme de Peter Sellers, era um convidado muito especial e bem trapalhão.

Haja saco! Ainda faltam ser divulgadas seis pesquisas

Carlos Newton

Os registros no Tribunal Superior Eleitoral mostram que, na reta final da campanha, pelo menos seis novas pesquisas eleitorais serão divulgadas ainda nesta semana sobre a disputa presidencial. Os levantamentos foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos Institutos Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus.

A primeira pesquisa Ibope/Estadão/Globo vai ser divulgada às 18 horas de hoje (quinta-feira, 23). Devem ser entrevistados 3.010 eleitores e o número do registro é BR-01168/2014. O instituto também deve divulgar mais um levantamento no sábado, véspera da eleição.

Também o Datafolha deve divulgar mais duas pesquisas, uma delas na quinta-feira, contratada pela Rede Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo. A previsão é de 9.978 eleitores entrevistados. O Datafolha, assim como o Ibope, também divulgará uma pesquisa no sábado.

O Vox Populi tem uma pesquisa prevista, contratada pela Rede Record para ser divulgada no sábado. E o Instituto Sensus, com coleta prevista entre terça e sexta-feira, divulga seus resultados na sexta-feira, pela revista IstoÉ.

É uma verdadeira overdose de pesquisas que estarão sendo empurradas pela goela abaixo dos eleitores, cada uma com um resultado diferente.

Governo se mostra impotente no combate à criminalidade

Em Santa Catarina, a partir de setembro, três atentados por dia

Carlos Newton

A conclusão sobre a impotência do governo diante do crime organizado é óbvia, especialmente quando se analisa a triste e trágica situação de Santa Catarina, que sempre foi um dos estados de menor criminalidade. O que está acontecendo lá é inacreditável, porque a cada três dias ocorre um ataque do crime organizado. Entre ontem (21) e hoje (22), por exemplo, mais dois carros e um ônibus foram incendiados em Santa Catarina.

Com isso, subiu para 113 o número de ataques ocorridos no estado desde o final de setembro, quando teve início a onda de crimes relacionados a facções criminosas que atuam a partir dos presídios catarinenses. A estatística é brutal e desmoralizante: são mais de três atentados por dia, uma rotina que a imprensa brasileira simplesmente não mais divulga, por não ser novidade.

Está mais do que provado que a PM e a Polícia Civil de Santa Catarina não têm condições de enfrentar as quadrilhas de traficantes, e o governo federal se mantém imóvel, como se não tivesse nada a ver com o gravíssimo problema.

UM BRASIL DIFERENTE…

A onda de atentados em Santa Catarina mostra que a situação do Brasil, em termos de segurança, é muito diferente dos comerciais apresentados pelo governo no horário gratuito de televisão e dos números exibidos nos debates dos presidenciáveis.

Na verdade, o drama da Santa Catarina, que tem menos de 7 milhões de habitantes e sempre foi um estado que servia de exemplo ao país, hoje é comparável à crise dos demais estados, especialmente o Rio de Janeiro, onde a política das UPPs fracassou completamente, porque foi baseada num acordo espúrio entre o então governador Sergio Cabral e os traficantes.

Cabral queria ser presidente da República e liberou o tráfico em troca da pacificação das favelas, para fazer dessa farsa seu principal argumento na ansiada campanha eleitoral. Mas acontece que fazer acordo com bandido nunca dá certo. Riquíssimo, Cabral teve de abandonar a política e refugiou-se em sua mansão para contar os 30 dinheiros.

A partir do exemplo de Cabral e da omissão do governo federal, é melhor entregar logo aos traficantes as chaves do palácio do Planalto. Quem manda mesmo no país são eles, não é verdade?

Nunca antes, na História deste país, as pesquisas erraram tanto

Carlos Newton

Está todo mundo de olho nas pesquisas, que nunca erraram com tamanha intensidade. No Rio de Janeiro, por exemplo, Ibope e Datafolha davam Anthony Garotinho (PSC) na frente de Marcelo Crivella (PRB) no primeiro turno, com 10 pontos de diferença, enquanto o instituto Gerp registrava empate entre os dois, o que realmente aconteceu e Crivella acabou indo para o segundo turno, por escassa diferença.

Agora, Ibope e Datafolha preveem folgada vitória de Luiz Fernando Pezão (PMDB), mas o instituto Gerp insiste em proclamar que Crivella está na frente e se tornará governador do Rio de Janeiro neste domingo.

Na disputa presidencial, a disparidade também é surpreendente e assustadora. Datafolha indica Dilma Rousseff (PT) com 4 pontos na frente de Aécio Neves (PSDB), o Ibope coloca Aécio na dianteira com 2 pontos de diferença, enquanto o instituto Veritá dá 6 pontos de frente ao candidato do PSDB e o Sensus vai muito além, assinalando que Aécio estaria com quase 13 pontos de frente.

Essas absurdas discrepâncias significam que as pesquisas viraram uma loteria e, com resultados tão díspares, um dos institutos acabará acertando. São tantos (Ibope, Datafolha, Sensus, Vox Populi, MDA, Gerp, Veritá etc.) que a gente até se perde à procura de um que acerte ou chegue perto, o que inevitavelmente acontecerá.

QUANDO TODOS ERRAM...

No primeiro turno, os principais institutos erraram (para menos) a votação de Aécio Neves e superestimaram a de Dilma Rousseff. O presidente do Datafolha, Mauro Paulino, deu pomposa entrevista às vésperas da eleição e disse que, se Aécio Neves confirmasse ter passado Marina Silva nas urnas, seria um fato inédito em disputas presidenciais.

Paulino explicou que em 1989 foi diferente: “Quando o candidato Lula passou Leonel Brizola e foi para o segundo turno contra Fernando Collor, já ocorria há mais tempo uma situação de empate técnico entre o segundo (Brizola) e o terceiro colocado (Lula) nas pesquisas”.

NÃO HÁ SERIEDADE

Já está demonstrado que, pelo menos aqui no Brasil, as pesquisas não são realizadas com a seriedade que seria de se esperar. As empresas do setor, que se autodenominam “institutos”, começam a mostrar sua falta de responsabilidade quando declararam margens de erro inferiores à realidade das normas estatísticas. Todas as empresas de pesquisas (é melhor chamá-las assim) procedem desse jeito, o que já configura uma fraude. O comentarista Wagner Pires deu repetidas aulas a respeito aqui na Tribuna da Internet.

As empresas faziam questão de insistir na falsidade, sem declarar a verdadeira margem de erro, que é diretamente proporcional ao número de entrevistas feitas. Uma pesquisa ouvindo apenas 2 mil eleitores jamais pode declarar margem de erro igual ao de um levantamento que abranja 10 mil eleitores, conforme denunciamos aqui, seguidamente.

Por tudo isso, ao final dessas eleições, ficará comprovado o que todos já sabem: os tais institutos/empresas estão cada vez mais especializados em ganhar dinheiro e enganar os incautos.

Magro e envelhecido, Dirceu vai cumprir a pena em casa

Carlos Newton

Bem mais magro e muito envelhecido, José Dirceu se prepara para cumprir o resto da pena em prisão domiciliar. Está condenado a 7 anos e 11 meses, mas tem direito à liberdade condicional e seu advogado enviou nesta segunda-feira o pedido de soltura ao relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso.

Dirceu está no regime semiaberto, em que o preso pode trabalhar fora do presídio desde que tenha autorização da Justiça, mas logo passará para o regime aberto. Em tese, ele dormiria todas as noites numa Casa do Albergado, mas, como não existe este tipo de estabelecimento penal em Brasília, ele poderá cumprir o resto da pena em casa.

Para encurtar a pena, o ex-ministro usou benefícios da ressocialização de criminosos. Trabalhou, estudou e leu livros desde que foi preso, em 15 de novembro passado. Conseguiu, assim, abater 142 dias de sua condenação. Com isso, a progressão de regime, concedida aos presos após o cumprimento de um sexto de suas sentenças, foi antecipada de março de 2015 para esta segunda.

BUROCRACIA

Antes de se manifestar sobre o pedido, o ministro-relator Barroso terá de ouvir o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Como outros condenados no processo – entre eles o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares – já obtiveram o benefício, Dirceu também será beneficiado.

Fora da prisão, o ex-ministro terá que seguir algumas regras do regime aberto, entre elas, permanecer em casa entre 21h e 5h. Também não poderá se encontrar com outros condenados que cumpram pena, sejam eles do processo do mensalão ou não, e nem portar armas, entorpecentes ou bebidas alcoólicas.

Olhando as fotografias recentes, nota-se como o outrora todo-poderoso José Dirceu está abatido e envelhecido. Deve se arrepender muito dos crimes cometidos em nome do Poder. Sabe que, se tivesse procedido como um líder republicano, hoje seria presidente da República e estaria disputando a reeleição, com muito mais chances do que Dilma Rousseff. Tinha tudo nas mãos, mas jogou fora. Apesar de ser hoje um homem muito rico, sabe que o dinheiro ás vezes pode não valer nada. E pelo resto da vida vai se arrepender dos erros cometidos. 

Já virou rotina: Aécio Neves vence mais um debate

Carlos Newton

O debate na Record foi maçante, sem maiores novidades, como se fosse reprise. A presidente Dilma Rousseff surpreendeu, porque desta vez não passou mal, não falou do bafômetro, nao tocou no assunto do aeroporto de Cláudio nem insinuou que Aécio Neves tem costume de bater em mulher. Quer dizer, o clima esteve mais elevado, sé é que podemos considerar assim.

Uma das características desses confrontos Dilma/Aécio é uma questão de DNA, com os dois candidatos buscando a paternidade das iniciativas que dão certo, como o Programa Simples, que Dilma usou para se autoelogiar no início do debate, até Aécio lembrar que se trata de um projeto antigo, pois a política é igual à televisão, como ensinava Abelardo Chacrinha Barbosa: “Nada se cria, tudo se copia”.

NÚMEROS PARA VALER…

Uma das táticas de Dilma é inundar a platéia de números. São bilhões e bilhões para lá e para cá, uma chatice monumental. No meio dessa xaropada deu para sacar o exagero presidencial ao falar sobre o Mais Médicos, dizendo que o programa está atendendo a 50 milhões de brasileiros. Mas é uma bobagem monumental proclamar que ¼ da população brasileira estaria sendo atendido pelos 14 mil médicos contratados. Um recorde mundial que jamais seria batido…

As diferenças entre a presidente Dilma e o candidato Aécio são gritantes, porque ele é bem articulado e transmite a sensação de que conhece os assuntos, enquanto a candidata do PT é hesitante, confusa, tem dificuldades até para fazer as perguntas previamente redigidas.

Outra característica que distingue os dois é o senso de humor. Dilma está sempre irritada e até quando tenta fazer uma piada não transmite alegria, perde a graça. E demonstra uma falta de preparo intelectual que chega a ser surpreendente.

PROIBIÇÃO???

Dima foi capaz de dizer a Aécio que “seu governo aprovou um projeto no Congresso proibindo a União de construir escolas técnicas”. O candidato do PSDB a corrigiu, dizendo que nenhum governo aprovaria uma proposta desse teor e explicou que o tal projeto, aprovado pelo Congresso na gestão de FHC, apenas previa que a União construísse escolas em parceria com estados e municípios. Mas Dilma insistiu no assunto, com se existisse mesmo essa proibição, foi uma cena patética.

Sempre enrolada e confusa, a certa altura Dilma se gabou de ter construído uma linha de transmissão de energia elétrica “ligando o Brasil à Amazônia”, vejam a que ponto chega a dislexia fonética dessa candidata.

Por várias vezes, Aécio tentou trazer o debate para o terreno das idéias, mas não conseguiu. Dilma sempre insistia nos ataques e a discussão se perdia novamente.

Para variar, Aécio ganhou mais uma vez. Dilma saiu rapidamente do estúdio e foi embora, enquanto o candidato do PSDB lá permanecia cercado de repórteres e dando sucessivas entrevistas.