Lava Jato enfim consegue provas contra Vaccari, PT e Dilma

Carlos Newton

A chamada Operação Lava Jato já utilizou vários homens-bombas no esforço de desvendar o esquema de corrupção montado pelo PT na Petrobras para se eternizar no poder. Os principais depoentes são o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor Paulo Roberto Costa. Mas nenhum deles tem o poder de detonação do ainda tesoureiro do PT, o sindicalista João Vaccari Neto, que já é réu no importante processo do Bancoop (cooperativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo) e agora aparece cada vez mais envolvido nos inquéritos da corrupção na Petrobras.

A ligação de Vaccari com o ex-presidente Lula sempre foi muito próxima. Ficaram amigos na década de 80, quando Lula criou o PT e se elegeu deputado federal. Foi Vaccari que nos anos 90 apresentou Lula à jovem Rosemary Noronha, que na época era secretária do Sindicato dos Bancários. Também foi Vaccari que conseguiu que o Bancoop vendesse a Lula um triplex em Guarujá, à beira-mar, por singelos R$ 47 mil, e não é preciso dizer mais nada.

Desde que seu nome começou a aparecer nas investigações da Lava Jato, Vaccari tem repetido que é inocente, que jamais houve propina para o PT e que não há nenhuma prova contra ele. Mas a situação foi mudando no decorrer dos trabalhos da chamada força-tarefa, formada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. O envolvimento do PT no esquema passou a ser cada vez mais flagrante, começaram a surgir os nomes de ex-ministros, como José Dirceu e Antonio Palocci, e agora aparecem provas de que Vaccari realmente atuava como operador do PT na corrupção da Petrobras.

PROVAS MATERIAIS

Na Justiça, sabe-se que as chamadas provas materiais são importantíssimas, embora possa até haver condenação com base em provas meramente testemunhais e circunstanciais. No caso de Vaccari, do PT e de Dilma faltavam provas materiais, pois o que existia eram apenas depoimentos contra ele e evidências de seu envolvimento.

Agora, porém, surgiram também provas materiais contra Vaccari e o PT, o que significa que a condenação do tesoureiro passa a ser praticamente certa (embora tudo possa acontecer na Justiça brasileira, vejam a que ponto chegamos).

Reportagem de Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, no Estadão, mostra que a força-tarefa dispõe de documentos incriminando Vaccari, pois tem as notas, a proposta de contrato e as cópias de e-mails trocados entre a Toshiba Infraestrutura América do Sul e os laranjas do doleiro Alberto Youssef, que teriam respaldado o pagamento da propina de pelo menos R$ 1,5 milhão ao PT e ao PP, em 2012.

Esta semana, em novo depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz todos autos da Lava Jato, o doleiro confessou pela primeira vez que procedeu a entrega de cerca de R$ 800 mil do PT. Segundo o relato de Youssef, a primeira parcela de R$ 400 mil foi paga no estacionamento de seu escritório em São Paulo, entregue a uma cunhada de Vaccari, chamada Marice Correa Lima. E a outra parcela de R$ 400 mil foi quitada em dinheiro vivo na porta da sede do partido, em São Paulo, tendo como destinatário da propina o atual tesoureiro João Vaccari Neto.

DIA 9, NA CPI…

Estas são as primeiras provas materiais contra Vaccari e o PT. Quando se fala em PT, por óbvio isto significa o envolvimento indireto ou até direto de Dirceu, Palocci, Genoino, Lula e até Dilma Rousseff, caso fique provado que sua campanha eleitoral recebeu propinas do esquema da Petrobras, conforme já consta de vários depoimentos colhidos pela força-tarefa.

Vaccari está deprimido e assustado. Em sua ignorância jurídica, ele foi convencido pelos advogados de que podia se julgar inocente, porque tudo que fez foi em nome do partido, no desempenho da função de tesoureiro, que Vaccari acreditava incluir a atuação como arrecadador de recursos.

Sua convicção na inocência era reforçada pelo fato de jamais ter se beneficiado pessoalmente. Nunca cobrou comissão para operar o esquema de propinas, vivia com seu rendimento de R$ 23 mil mensais como conselheiro de Itaipu, acrescido do salário que o partido lhe paga, e jamais exigiu nada.

Com o escândalo, já foi obrigado a deixar o conselho de Itaipu. Agora, os dirigentes petistas tentam tirá-lo da Tesouraria, com apoio do velho amigo Lula. No desespero, Vaccari se nega a pedir demissão e já avisou que vai comparecer à CPI da Petrobras, na próxima quinta-feira, dia 9, em pleno exercício da função de dirigente do PT.

NADA LHE FALTARÁ…

Lula mandou tranquilizar Vaccari, prometeu que nada faltará a ele e a sua família, e até citou o caso de Rosemary Noronha, cujo sustento está mais do que garantido, ninguém pode duvidar, e o processo judicial tramita devagar, quase parando. Mas no caso de Vaccari a tensão aumenta a cada dia e não se sabe por quanto tempo ele vai resistir à tentação de aceitar a delação premiada.

E tem um detalhe: mesmo que ele se cale para sempre, o surgimento de provas materiais pode ser suficiente para incriminar o partido e quem estiver dependurado nele. Se é que vocês me entendem, como dizia o genial jornalista Maneco Muller, meu amigo, irmão e camarada.

Quanto a Dilma Rousseff, a assinatura dela no contrato de montagem do Estaleiro Rio Grande, em 2006, quando era chefe da Casa Civil, é a primeira prova material de seu envolvimento em falcatruas. A chapa está esquentando, como se diz hoje em dia.

Se Deus não existe, é preciso criá-lo o mais rápido possível

Carlos Newton

Não há dúvida de que hoje é um dia especial, embora poucos saibam realmente o que representa a Sexta-feira Santa, destinada a relembrar o martírio de Jesus Cristo e sua morte no Calvário.

Nos atribulados dias de hoje, a grande maioria da população considera esta festa religiosa como mais um feriadão, que juízes, desembargadores e ministros dos tribunais superiores fazem questão de comemorar cristã de forma intensa, tirando onze dias de folga, pois já faz tempo que a maioria dos magistrados praticamente não trabalham mais às segundas e sextas-feiras, como uma forma de fazer justiça em benefício próprio. Se os juízes brasileiros não fossem tão descansados, digamos assim, a Justiça funcionaria a contento, os criminosos a temeriam e estaríamos em situação muito melhor.

O ATEÍSMO É RESPEITÁVEL

Tenho grandes amigos inteiramente ateus, que levam o agnosticismo às últimas consequências, como o médico Paulo Studart, o economista Ricardo Cunha e o empresário Luiz Dutra. São pessoas admiráveis, cidadãos exemplares, cultos e racionalistas. Eu respeito de forma absoluta a opinião deles, que tem forte base científica.

Há alguns anos, assisti a um impressionante documentário britânico, baseado nas teorias de Stephen Hawking, o maior físico da atualidade, que nesta obra cinematográfica faz uma ampla exposição de conceitos para enfim concluir pela inexistência de Deus.

Fiquei impactado com a tese de Hawking, mas pessoalmente não consigo viver sem alguma forma de apoio espiritual. É uma fraqueza, admito, mas sou assim mesmo, aceito qualquer religião.

TUDO É TRANSITÓRIO

Entre os princípios basilares das maiores religiões, acho a teoria budista a mais adequada. É inteiramente verdadeira a tese de que “nada é, tudo apenas está, tudo é transitório, nada é permanente”, porque pode ser aplicada a qualquer coisa na vida.

Desconfio que esse pensamento religioso oriental tenha até inspirado Lavoisier na teoria que revolucionou a Química com o “nada se cria, tudo se transforma”. É possível que também tenha sido usado pelo intelectual Eduardo Portela, quando declarou que não “era” ministro, apenas “estava” ministro.

Confesso também que fico muito impressionado com os fenômenos considerados paranormais, como o dejá vu, a telepatia, as premonições. Também me intriga o fato de certas pessoas fazerem previsões acertadas e nos revelarem coisas que jamais poderiam saber, por serem íntimas e apenas de nosso conhecimento.

Fico até desconfiado de que exista mesmo alguma coisa entre o céu e terra, com dizia Shakespeare, que pareceu budista e socrático ao desenvolver aquela genial tese hamletiana do “ser ou não ser”, também utilizada depois em “El Cid” por Molière, outro genial decifrador de conflitos humanos.

MUITAS DÚVIDAS

Em meio a esse universo de dúvidas, fico pensando na afirmação de Gandhi que publicamos semana passada aqui na Tribuna da Internet: “Não conheço ninguém que tenha feito mais pela humanidade do que Jesus. De fato, não há nada de errado no Cristianismo. O problema são vocês, cristãos. Vocês nem começaram a viver segundo seus próprios ensinamentos”.

Gandhi, que tinha o apelido de Mahatma (a Grande Alma), morreu em 1948. Tanto tempo depois, infelizmente nada mudou. Muitos cristãos, especialmente aqui no Brasil,  continuam preferindo se curvar diante do Deus Dinheiro. Irracionalmente, se arriscam para terem cada vez mais recursos, nem que seja apenas para depositar no exterior, sem qualquer objetivo ou função de ordem prática. Esquecem que a vida é finda, acaba num instante. Com toda certeza, a quase totalidade desses neoavarentos podem vir a fechar a conta de sua existência sem aproveitar um só centavo dos tesouros acumulados lá fora. Deixam o dinheiro sujo para os herdeiros contaminarem as consciências.

Bem, voltemos ao que interessa. De toda forma, hoje é Sexta-Feira Santa. E se Deus não existe, parece óbvio que deveria existir. Portanto, é preciso que se tome alguma providência a respeito.

Jurisprudência do Supremo permite que Dilma seja investigada

Parecer de Celso de Mello confirma que Dilma não tem “imunidade”

Carlos Newton

Com as declarações do ministro Marco Aurélio Mello ao repórter Severino Motta, da Folha, aumenta a polêmica sobre a abertura de investigações sobre a presidente Dilma Rousseff no esquema de corrupção da Petrobras. Na entrevista, ele concordou com a tese do procurador-geral Rodrigo Janot, no sentido de que a presidente Dilma Rousseff não pode ser investigada por atos alheios a seu mandato.

Mas é claro que, no caso, o ministro Marco Aurélio está apenas emitindo uma opinião pessoal, pois já existe jurisprudência a respeito no Supremo Tribunal Federal e deve ser respeitada, até decisão posterior em contrário.

O ministro novato Teori Zavascki, que funciona como relator dos inquéritos abertos contra parlamentares envolvidos, foi o primeiro a desconhecer a jurisprudência do Supremo e apressadamente concordou com a criativa tese de Janot, que de forma peremptória foi logo afastando a possibilidade de a presidente da República ser investigada, como se ela tivesse uma espécie de imunidade.

Agora, surge o ministro Marco Aurélio, um dos mais antigos do Supremo, e também tenta derrubar a jurisprudência, com argumentos idênticos e altamente duvidosos. Repetindo as palavras do procurador-geral Janot, disse ele que “de início, a Constituição veda a responsabilização”.

“O que se quer com essa cláusula é proteger em si o cargo. Já está tão difícil governar o país, imagine então se nós tivermos um inquérito aberto contra a presidente da República?”, arrematou, misturando despropositadamente uma situação jurídica (a possibilidade de processo da presidente) e uma situação política (a crise que o país atravessa), como se fossem elementos excludentes entre si.

JURISPRUDÊNCIA CLARA

Se os ministros Zavascki e Marco Aurélio pretendem mudar a jurisprudência do Supremo, o problema é deles. O que não podem fazer (até porque isso pega muito mal para seus “notórios saberes jurídidos”) é desconhecer que existe uma clara jurisprudência no Supremo, fruto de julgamento que teve como o relator o ministro Celso de Mello, decano da instituição.

No parecer ao Inq 672 – 6 – DF, Celso de Mello afirmou justamente o contrário: Presidente da República não tem imunidade (ou seja, não existe absoluta vedação constitucional no artigo 86, § 4º, da Constituição Federal) e pode ser submetido a inquérito. Vejamos:

“Essa norma constitucional – que ostenta nítido caráter derrogatório do direito comum – reclama e impõe, em função de sua própria excepcionalidade, exegese estrita, do que deriva a sua inaplicabilidade a situações jurídicas de ordem extrapenal.

Sendo assim, torna-se lícito asseverar que o Presidente da República não dispõe de imunidade,quer em face de procedimentos judiciais que vissem a definir-lhe a responsabilidade civil, quer em face de procedimentos instaurados por suposta prática de infrações político-administrativas (ou impropriamente denominados crimes de responsabilidade), quer, ainda, em face de procedimentos destinados a apurar, para efeitos estritamente fiscais, a responsabilidade tributária do Chefe do Poder Executivo da União.”

“De outro lado, impõe-se advertir que, mesmo na esfera penal, a imunidade constitucional em questão somente incide sobre os atos inerentes à persecutio criminis in judicio. Não impede, portanto, que, por iniciativa do Ministério Público, sejam ordenadas e praticadas, na fase pré-processual do procedimento investigatório, diligências de caráter instrutório destinadas a ensejar a informatio delicti e a viabilizar, no momento constitucionalmente oportuno, o ajuizamento da ação penal.”

Bem, em termos judiciais, é esta jurisprudência da Suprema Corte que está valendo, embora Marco Aurélio Mello e Teori Zavascki pareçam estar pouco ligando para esse balizamento jurídico que deveria nortear seus atos e declarações.

NO CAMINHO CERTO

Foi justamente com base nesta clara jurisprudência que o PPS apresentou há duas semanas um recurso ao Supremo contra a decisão de Zavascki, que arquivou a abertura de investigação sobre a presidente Dilma Rousseff.

Nesta terça-feira (31), a Oposição voltou à carga. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) e líderes do DEM e do PSDB estiveram com o procurador-geral Rodrigo Janot, mas ele não quis muita conversa. Além de manter sua posição sobre a “vedação constitucional” de investigação, fez juízo de valor e acrescentou que não vê indícios para pedir apurações sobre a presidente.

Apesar disso, os oposicionistas vão insistir no pedido de investigações sobre a chefe do governo, por acreditarem que já existem muitos indícios de envolvimento e tudo indica que deverão surgir também outras evidências de que a presidente Dilma Rousseff foi favorecida eleitoralmente com recursos obtidos no esquema de corrupção montado pelo PT.

Neste caso, um inquérito contra a presidente inevitavelmente teria de ser aberto e poderia culminar na cassação do mandato dela com base na Lei Eleitoral, conforme a tese do jurista Jorge Béja, exposta aqui na Tribuna da Internet há dois meses, com riqueza de detalhes e sólida sustentação jurídica.

Novo governo Lula Rousseff mais parece uma peça surrealista

Carlos Newton

Em função da flagrante derrocada do governo Dilma Rousseff, a política brasileira está se tornando uma das atividades mais estranhas e esquisitas da humanidade. Sabe-se que o ex-presidente Lula está mais ou menos de volta ao poder. No caso, mais ou menos quer dizer que Lula dá pitacos nos principais assuntos, manda Dilma fazer isso ou aquilo, mas ela só obedece quando quer, porque a caneta oficialmente ainda lhe pertence e faz uso dela como e quando quiser.

Por exemplo: Lula lhe ordenou que tirasse os ministros Aloizio Mercadante e Pepe Vargas do comando da articulação política. Dilma disse que sim, prometeu atender, mas foi empurrando a decisão para frente, não mudou nada e o governo vai continuar se relacionando precariamente com a base aliada, que na verdade já nem existe mais.

Porém, Lula gostou que Dilma tenha nomeado o ex-deputado Edinho Silva para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, mas isso também não muda nada e o governo vai continua sem recuperar a popularidade perdida, até porque não há mais a menor possibilidade de reverter a queda da aprovação, por causa do inexorável agravamento da crise política, econômica, administrativa e… ética.

UMA POLÍTICA CONFUSA

A grande novidade agora é a tentativa de reabilitação do ex-ministro Antonio Palocci, que passou a ser participante assíduo das discussões mais amplas promovidas pelo Instituto Lula em busca de uma solução para a atual crise.

Reportagem de Catia Seabra e Marina Diaz, na Folha, mostra que nos últimos quinze dias Palocci participou de ao menos três encontros a convite de Lula. Segundo as jornalistas, o ex-ministro seria apontado como “uma ponte informal do governo com a classe média e o empresariado”, o que representa uma justificativa muito esdrúxula, digamos assim. Palocci com o empresariado, tudo a ver, dado o sucesso dele como “consultor”. Mas com a classe média, francamente…

EM MEIO A DENÚNCIAS

Essa volta de Palocci coincide justamente com o surgimento de denúncias de seu envolvimento no esquema da Petrobras. O ex-ministro foi acusado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, de ter pedido recursos para a campanha de Dilma em 2010, através do doleiro Alberto Youssef. A revista IstoÉ deu uma vasta matéria sobre o assunto, mas Lula não costuma ler o que a imprensa divulga…

O mais estranho é que, ao mesmo tempo em que tenta reabilitar Palocci, Lula se recusa a falar com José Dirceu, também já envolvido no esquema da Petrobras.

Não dá mesmo para entender. E tudo isso demonstra que no novo governo Lula Rousseff as coisas funcionam sem pé nem cabeça, uma confusão total, em clima de surrealismo puro.

 

Defensores da intervenção militar voltam às ruas

Carlos Newton

Neste 31 de março, quando se completam 51 anos do golpe militar de 1964, com a descida das tropas de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro, comandadas pelo general Mourão Filho, serão promovidas manifestações específicas a favor de uma intervenção militar contra o governo Lula Rousseff.

O direito de expressão deve ser sagrado e assegurado a todos, não há a menor dúvida. E a maioria dos participantes, é bom ressalvar, não está defendendo a volta da ditadura militar. Trata-se de brasileiros que simplesmente perderam a confiança nas instituições. Não acreditam mais nas boas intenções dos governantes, dos partidos, dos parlamentares nem dos juízes. Querem apenas que o país seja passado a limpo. Recorrem aos militares como último recurso, embora se saiba que eles também não são confiáveis, porque tendem a exercer o poder de forma equivocada e acima da lei.

O fato é que, no Brasil, os poderes estão podres. Mergulhados num oceano de corrupção e incompetência, Executivo, Congresso e Judiciário vivem num mundo à parte, uma espécie de Ilha da Fantasia, em que os interesses pessoais prevalecem sobre os demais, sejam coletivos ou até nacionais. Esta é a realidade atual, não se pode tapar o sol com uma peneira, como se dizia antigamente.

NAS RUAS

O resultado dessa apropriação indébita dos poderes públicos está nas ruas, segundo um levantamento da Opinião Pesquisa de Universidade Pública Latino-Americana (Lapop, na sigla em inglês), coordenada pela Universidade de Vanderbilt, dos Estados Unidos, e feita em parceria com instituições de todo o continente. Na edição de 2012, os dados no Brasil foram levantados pela Universidade de Brasília, com apoio da Coordenação de Apoio ao Pessoal de Ensino Superior (Capes) do Ministério da Educação. Em 2014, o instituto Vox Populi foi o responsável pelo levantamento.

Entre 2012 e 2014, a fatia da população que acha justificável um golpe militar quando há corrupção cresceu de 36% para 48%. Ou seja, de pouco mais de um terço, passou a praticamente a metade. O índice é o maior desde 2007, quando começaram as pesquisas, e vai no sentido contrário da queda percebida entre 2008 e 2012, de 39,8% para 36,3%.

Não há dúvida de que a pesquisa é impressionante e preocupante. Hoje, com manifestações restritas aos que realmente apoiam a intervenção militar, poderemos constatar na prática se esses dados assustadores batem com a realidade ou representam um exagero estatístico.

Mas é preciso entender que os números podem estar corretos, mesmo se fracassarem as manifestações convocadas para esta terça-feira, porque existe o fenômeno da “maioria silenciosa”, formada por pessoas que apoiam uma tese, mas não costumam defendê-la publicamente, o que explica algumas surpresas eleitorais que derrubam pesquisas.

Vaccari ameaça o PT e avisa que não deixará a Tesouraria

Deprimido e dececpcionado, Vaccari desafia o PT

Carlos Newton

Reportagem de Catia Seabra, na Folha de São Paulo, mostra o agravamento da crise interna do PT diante da ameaça feita ao partido por João Vaccari Neto, que já avisou aos dirigentes  que não pretende se afastar da Tesouraria do partido, comunicando que faz questão de prestar prestar depoimento à CPI da Petrobras, na Câmara dos Deputados, no exercício da função.

O problema é gravíssimo, porque Vaccari tornou-se o maior homem-bomba do esquema da Petrobras. Se ele fizer delação premiada, acaba com o PT e com o governo, levando de roldão toda a cúpula do partido, o ex-presidente Lula e até a atual presidente Dilma Rousseff, além de outras figuras de destaque, como Antonio Palocci, José Dirceu, Rui Falcão e José Genoino. Um verdadeiro festival, digamos assim.

Segundo dirigentes petistas ouvidos pela Folha, o ex-presidente Lula é um dos que se mostram desapontados com o comportamento do tesoureiro, pois a intransigência de Vaccari aumenta o movimento visando a afastá-lo do cargo e muitos companheiros de sigla já o acusam abertamente de prejudicar a imagem do PT, submetida a forte desgaste devido ao escândalo da Petrobras e à crise que abala o governo Dilma Rousseff.

VACCARI IRREDUTÍVEL

A reportagem de Catia Seabra revela que, para demover Vaccari da intenção de permanecer no cargo, a cúpula do partido já comunicou a ele que há dirigentes petistas que já se propõem a pedir formalmente seu afastamento.

Acontece que Vaccari está disposto a manter esta posição, mesmo que tenha de enfrentar o Diretório Nacional do PT, órgão partidário que estatutariamente tem o poder de decidir se ele será afastado ou mantido. Em seu delírio, ele até diz acreditar em sua vitória numa eventual disputa interna no Diretório.

A crise é gravíssima, porque ficou claro que no PT ninguém manda mais em Vaccari, que já não obedece nem mesmo a Lula. Para acalmá-lo, os advogados do partido repetem que não há provas. De início, Vaccari até chegou a acreditar nessa tese absurda, mas pouco a pouco foi despertando para a realidade. Está cada vez mais deprimido e decepcionado. É aí que mora o perigo, como se dizia antigamente. E la nave va, cada vez mais fellinianamente.

Agora, só falta a Câmara querer um Parque de Diversões…

Carlos Newton

É inacreditável, inaceitável e inviável a iniciativa da Câmara dos Deputados, que pretende construir mais três prédios e uma área de lazer e serviços, com orçamento de R$ 1 bilhão, incluindo lojas, restaurantes e tudo o mais, além de uma garagem subterrânea, para ocupar um gigantesco espaço de 332 mil metros quadrados.

O edital de consulta à iniciativa privada sobre interesse em construir os novos prédios já foi publicado no site da Câmara dos Deputados, com nome de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI).

Chamado de anexo IV-B, um dos prédios previstos irá abrigar um auditório para 700 pessoas, que poderá funcionar como plenário alternativo. Além disso, outros auditórios de menor capacidade e salas de reunião voltadas para o uso dos parlamentares estão previstas. Mas para que tudo isso? A Câmara já tem o auditório Ulysses Guimarães, de bom tamanho, e cada Comissão Técnica tem seu próprio salão de reuniões, e alguns são enormes, como o da Comissão de Relações Exteriores. Além disso, existe no Senado o imenso auditório Petrônio Portela, com 500 confortáveis poltronas, equipamento de tradução simultânea e tudo o mais.

PROJETO NÃO É NOVO

O anexo IV-D será um edifício de 10 andares na superfície e três no subsolo, com 256 gabinetes parlamentares de 60 m² cada. O terceiro edifício, chamado de anexo IV-D, abrigará “órgãos” da Câmara e garagens para funcionários. A área de lazer, chamada no edital de “praça de serviços”, terá restaurantes, cafés, lojas e “áreas de convivência”. As garagens dos três prédios, juntas, conterão 4.400 vagas cobertas.

Para sair do papel, o projeto terá de ser desenvolvido por meio de Parceria Público-Provada (PPP), ou seja, os serviços seriam explorados por meio de concessão a uma empresa, em contrapartida, para recuperar o valor investido.

Este obra megalomaníaca e abusiva não é da atual gestão. Foi desenvolvida durante a presidência de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que acaba de ser agraciado com o cargo de ministro do Turismo. Mas se tornou mais uma mancada do atual presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que deveria simplesmente ter arquivado o projeto.

OBRA NECESSÁRIA?

A justificativa é de que a ampliação é totalmente necessária, em função do gigantismo da Câmara, cujos funcionários não têm vagas para estacionar. Afinal, são mais de 15 mil servidores permanentes ou temporários na folha de pagamento e o Senado tem outros 9 mil funcionários, perfazendo 24 mil pessoas.

O que se espera dos políticos é que caiam em si e entendam que o poder público precisa economizar em custeio para poder investir. Mas quem se interessa? No Congresso há o exemplo do senador José Antônio Reguffe (PDT-DF), que reduziu de 55 para 12 a quantidade de assessores, abriu mão de 100% da verba indenizatória e da cota de atividade parlamentar. O impacto dessas duas medidas gera uma economia de quase R$ 17 milhões, isso sem contabilizar economias indiretas com custos de férias e encargos sociais de servidores que deixou de contratar.  O senador recusou ainda carro oficial, consequentemente economizará com combustível e manutenção. E foi além, abrindo mão de plano de saúde que garantiria acesso a tratamentos médicos e odontológicos tanto dele (senador) quanto de toda família. E mais que isso, preferiu contribuir com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) do que ter direito à aposentadoria especial de parlamentar.

MUJICA, OUTRO EXEMPLO

Outro exemplo é o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, que mostrou ao mundo a possibilidade de exercer o poder com simplicidade e ostentação. Sempre que o elogiamos, muitos comentaristas protestam, criticando Mujica por ser esquerdista. Mas não é este o caso, o que se discute é o poder público ser exercido ostensivamente, como ocorre no Brasil, cuja governanta se hospeda no exterior em hotéis de altíssimo luxo e frequenta os mais caros restaurantes com sua equipe, com tudo pago pelos cartões corporativos, cujos gastos são até secretos, vejam a que ponto vai a desfaçatez dessa gente.

Não devemos nos preocupar se Reguffe ou Mujica são do partido A ou B, se pertencem a esta ou aquela ideologia. O importante é o exemplo que nos dão, fazendo com que possamos cultivar um resquício de esperança, que dê algum sentido a nossas vidas neste país absurdo, onde predomina a falta de caráter, de ética e de espírito público nos três podres poderes da República, como diz Caetano Veloso.

Adeptos da intervenção militar querem sair às ruas dia 31

Este é um dos cartazes de convocação que rolam na internet

Carlos Newton

Os defensores da intervenção militar no Brasil de hoje enfim decidiram assumir essa posição sectária em eventos próprios, organizando manifestações e atos públicos a serem realizados em diversas cidades na próxima terça-feira, dia 31 de março, quando se completam 51 anos do golpe que derrubou o presidente João Goulart.

Esses grupos de admiradores do regime militar de 64 há muitos anos marcam presença na internet e não há dúvida de que o número de seguidores está aumentando, em função da crise política, econômica e ética que o país atravessa.

Esta semana, os convites para participação nos eventos foram espalhados pela web, mostrando um radicalismo absolutamente condenável. Vejam como procede um dos principais grupos organizadores, denominado OCC – Organização de Combate à Corrupção, que está convidando para a manifestação em São Paulo, que começará com um evento no Círculo Militar:

O Brasil só tem um jeito e este jeito quem pode dar são os militares do país, que fizeram este trabalho no passado quando no governo de joão goulart, a corrupção, incompetência e a comunização estavam em um ritmo galopante em nosso país… A Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade, CONVOCOU OS MILITARES AO PODER DO BRASIL, não tivemos GOLPE MILITAR como os PETRALHAS adoram dizer aos 4 cantos do Brasil, inclusive dentro das escolas públicas, privadas e nas universidades federais em todo o Brasil…” – diz o manifesto da OCC Alerta Brasil.

FALTA DE PÚBLICO

O mais provável é que essas demonstrações fracassem por falta de público, já que os defensores da intervenção militar ainda representam uma minoria desprezível, caso estejam corretas as mais recentes pesquisas de opinião. Mas acontece que seguro morreu de velho, como se dizia antigamente. Esse sectarismo não interessa a ninguém, quer dizer, só interessa aos inimigos da democracia.

Todos sabem que o regime democrático não é perfeito, mas sem dúvida é o melhor dos piores, como ensinava no século passado o grande estadista Winston Churchill, e desde então nenhum pensador jamais conseguiu demonstrar que o político britânico estivesse equivocado.

Mas de qualquer forma é triste assistir brasileiros pregando contra a democracia, por causa de um governo trapalhão e corrupto. Afinal, existem mecanismos constitucionais criados para permitir que o país se livre desse tipo de governante. Não é preciso convocar os militares para fazê-lo. Nossa obrigação é respeitar o que está determinado na Constituição Federal. O resto é insanidade política, simplesmente isso.

Um grande país não merece “um governo de merda”

Carlos Newton

A impressão que se tem, diante das estatísticas e das previsões, é de que o Brasil vai demorar a sair dessa situação a que foi conduzido pela irresponsabilidade dos governos da coudelaria Lula Rousseff. Esta semana, o próprio presidente do PT, Rui Falcão, em discurso perante cerca de 150 petistas, não teve dúvidas em afirmar que é “um governo de merda”, ratificando o que praticamente todos os brasileiros sentem.

Realmente, para conseguir desestabilizar um país com as condições do Brasil, é preciso ser um governo muito ordinário, no mau sentido. Quinto maior em território, sexto em população, sétimo em economia, possuindo riquíssimas reservas minerais, as mais extensas terras agricultáveis do planeta e condições ideais de luminosidade, a maior reserva de água potável, com amplas possibilidades de geração de energia limpa e irrigação, uma indústria muito diversificada e capaz de gerar tecnologia, realmente pode-se dizer que não há outra nação com o mesmo potencial.

O que faz a diferença, sem a menor dúvida, é que existem hoje muitos países com administrações bem mais eficientes, com governos interessados no bem comum, ou seja, o contrário do que ocorre no Brasil.

UM VELHO DITADO

No século passado, havia um velho ditado que ridicularizava a incompetência dos governantes brasileiros: “O Brasil cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar”. Este é o ponto. O potencial do país é tamanho que o governo nem precisa administrar direito, basta não criar obstáculos. Mas nem mesmo isso conseguimos.

Os artigos do geólogo Pedro Jacobi sobre a crise da mineração, publicados nos últimos dias aqui na Tribuna da Internet, mostram a que ponto chegamos. O então ministro Edison Lobão, ao gerir o estratégico setor, atrapalhou tanto a iniciativa privada que praticamente inviabilizou todos os segmentos (pesquisa, sondagem, laboratório e lavra), sem os quais a mineração não prospera.

Os sucessivos desgovernos conseguiram também atrapalhar a indústria, com uma política suicida de valorização artificial do real, acompanhada de uma exagerada abertura às importações, provocando o fechamento de fábricas e a redução de postos de trabalho da mão de obra especializada. Uma estratégia verdadeiramente suicida.

O PIOR É A CORRUPÇÃO

A corrupção na Petrobras, nas outras estatais, nos Fundos de Pensão, no BNDES, no chamado Sistema S e nos ministérios, compondo o sinistro esquema criado para perpetuar no poder a grife Lula Rousseff, é um filme de terror que mais parece um nunca-acabar e arrasa o prestígio do país no exterior.

Em meio a esse quadro de queda dos investimentos, o governo do PT se esmera num setor em que se mostrou imbatível – a maquiagem dos números da economia e as consequentes pedaladas de final de ano, postergando o pagamento de despesas correntes, iniciativa que desmoraliza inteiramente a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Do alto de sua arrogância e prepotência, a inexperiente e patética Sra. Dilma Vana Rousseff conseguiu o que na História do Brasil nenhum outro governante (ou governanta, no caso) jamais alcançou, nem mesmo nos tempos da macroinflação. Ela simplesmente nos atrapalhou tanto que parou o país e enfraqueceu o bem mais precioso de uma nação – a esperança.

Em meio ao caos administrativo, dona Dilma continua lá na Ilha da Fantasia, sentada à mesa presidencial e se comportando como se estivesse num salão de cabeleireiros. Finge que governa, enquanto nós fingimos que somos governados. Deveria mudar de ramo. Seria uma grande atriz para novelas da TV, teatro e cinema. Afinal, ninguém consegue fazer caras e bocas como ela. Com toda certeza, ganharia pelo menos o Oscar de coadjuvante.

Pena sofrida por Valério apavora os acusados da Lava Jato

Carlos Newton

Não há dúvida de que todos os envolvidos na operação Lava Jato conhecem muito bem o exemplo do publicitário Marcos Valério, que no inquérito do Mensalão inicialmente deixou de passar importantes informações ao Ministério Público Federal, por achar que a situação se resolveria no Supremo Tribunal Federal, onde o governo e o PT contavam com a maioria dos ministros. Foi o maior erro que cometeu na vida. Embora não fosse o chefe da quadrilha, apenas o operador, recebeu a maior pena do processo, enquanto os principais responsáveis pegaram condenações leves e quase todos já estão em liberdade.

Quando entendeu que poderia pagar o pato, como se dizia antigamente, Marcos Valério resolveu fazer delação premiada, mas já era tarde demais e a Procuradoria-Geral da República não aceitou. Mesmo assim, ele deu novo depoimento para envolver o então presidente Lula no Mensalão.

Na chamada undécima hora, Valério enfim contou que em 2003 se reuniu com o chefe da Casa Civil José Dirceu no Planalto, quando acertaram o esquema do mensalão e decidiram que a empresa de Valério pegaria empréstimos para bancar o esquema. Dirceu então o levou ao gabinete de Lula, que aprovou tudo.

DESPESAS PESSOAIS

Valério se aprofundou nas denúncias e disse feito dois repasses para a empresa Caso, de Freud Godoy, amigo pessoal e assessor de Lula, e o dinheiro foi usado para pagar despesas pessoais do presidente.

Além de se referir especificamente ao Mensalão, o publicitário contou também ter mantido reunião com Dirceu para acertar um repasse de R$ 7 milhões da Portugal Telecom para o PT. Disse que Dirceu então o levou à presença de Lula, que teria ajudado nas negociações com a Portugal Telecom.

E ao final dessas explosivas declarações, Valerio disse ter sido ameaçado diretamente, porque em 2005 foi procurado pelo dirigente petista Paulo Okamoto, que lhe revelou que muita gente no PT já queria vê-lo morto.

Mas de nada adiantou o desabafo de Valério, que também falou o que sabia sobre o assassinato de Celso Daniel, prefeito petista de Santo André. Não houve delação premiada e ele pegou a pena mais severa, de 37 anos e cinco meses de prisão em regime fechado.

LULA NEGA TUDO

Estranhamente, a Procuradoria e a Polícia Federal fizeram corpo mole quanto às denúncias de Valério. Mesmo sem ter foro privilegiado, Lula somente seria ouvido em dezembro de 2014, mas na condição de testemunha, e desmentiu tudo.

Confirmou apenas que de fato reuniu-se duas vezes, em 2003, com executivos da Portugal Telecom e do Banco Espírito Santo, no Palácio do Planalto. Negou, porém, que tivesse tratado de repasses para o PT. E afirmou que os pedidos de audiência teriam partido da empresa e do banco, que participaram da privatização das telefônicas e queriam saber se Lula modificaria as regras do setor.

As explicações pareciam uma história mal contada, apesar de Lula ter alegado que as conversas teriam sido testemunhadas pelos seus ministros das Comunicações da época. No primeiro encontro, chefiava a pasta o deputado Miro Teixeira (Pros-RJ). No outro, comandava o setor o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Não se sabe se a Polícia Federal confirmou com eles as informações de Lula.

IGUAIS A VALÉRIO

Vários empreiteiros, executivos, doleiros, operadores, políticos e autoridades estão agora na mesma situação de Marcos Valério. Podem fazer como ele, julgando que a situação no Supremo está cada vez mais sob controle do governo e do PT e pagar para ver, como se diz na linguagem do pôquer. Todos estão apavorados, é claro, e muitos acabarão aceitando a delação premiada.

Para a força-tarefa, o mais importante de todos eles é o bancário João Vaccari Neto, que continua a ser Tesoureiro do PT. Se ele abrir a boca, liquida com Lula, Dilma, Dirceu, Palocci e com o próprio partido.

A expectativa é cada vez maior. E como diz a famosa Lei de Murici, cada um sabe de si.

Procurador Janot comprou uma briga feia com os parlamentares

Carlos Newton

Ao responder duramente aos ataques que sofreu na CPI da Petrobras, o procurador-geral Rodrigo Janot aprofundou a crise e comprou uma briga feia com a Câmara Federal. O quadro se agravou porque Janot, num inflamado discurso durante uma reunião do Ministério Público Federal, procurou dar a entender que não é o relatório dele que está sendo atacado por parlamentares, mas a atuação da própria Procuradoria-Geral da República.

Disse o procurador-geral: “Causa espécie que vozes do Parlamento, aproveitando-se de uma CPI instaurada para investigar o maior esquema de corrupção já revelado no País, tenham-se atirado contra a instituição que começa a desvelar a trama urdida contra a sociedade. Pelos esforços do Ministério Público, esse esquema foi exposto ao País e será também pela nossa atuação que os verdadeiros culpados irão responder judicialmente e sofrerão as penas cabíveis”.

Esta afirmação de Janot significa uma clamorosa distorção dos fatos. O problema que criou com seu relatório sobre os pedidos de abertura de inquérito é exclusivamente dele. A Procuradoria-Geral da República nada tem a ver com isso, até hoje não houve a menor crítica ao Ministério Público Federal. Todos os ataques dos parlamentares foram dirigidos exclusivamente a Rodrigo Janot, que na chamada undécima hora, tenta conseguir o apoio dos demais procuradores, alegando que é a instituição que está sendo atingida, e não apenas ele.

RECORDAR É VIVER

Não foi a Procuradoria-Geral da República, como instituição, que manteve dois encontros secretos com o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, fora da agenda dos dois, em plena efervescência da operação Lava Jato.

Também não foi a Procuradoria-Geral da República, como instituição, que vazou ao Planalto a informação de que os presidentes da Câmara e do Senado constavam da lista dos parlamentares que seriam submetidos a inquérito, um assunto que estava submetido a segredo de Justiça.

Por fim, não foi a Procuradoria-Geral da República, como instituição, que encaminhou ao Supremo um relatório altamente contestável, porque tratou de forma desigual os diversos parlamentares citados nos depoimentos da operação Lava Jato, fazendo com que surgisse uma forte reação no Congresso, liderada por Eduardo Cunha, que foi a CPI e apontou estas contradições, recebendo apoio de grande número de deputados, entre os quais o próprio líder do PT, Sibá Machado.

Estes três atos isolados foram cometidos pessoalmente pelo procurador-geral Janot, o Ministério Público Federal, como instituição, jamais poderá ser responsabilizado nem criticado. Ao contrário, a atuação da Procuradoria tem sido exemplar. E o problema somente surgiu porque Janot não respeitou o extraordinário trabalho da força-tarefa formada pela regional paranaense da Procuradoria e pela Polícia Federal, preferindo dar “interpretação pessoal” aos autos.

RELATÓRIO POLÍTICO

Esperava-se do procurador Janot um relatório técnico e independente, mas sem a menor dúvida seu parecer teve fortes pinceladas políticas, em benefício de uns e em detrimento de outros. Este fato é inegável.

Em seu discurso diante dos integrantes da Procuradoria da República em Brasília, vejam bem o desafio que Janot fez ao Congresso: “Não vou permitir que, neste momento da vida funcional, interesses vis ou preocupações que estejam além do Direito influenciem o meu agir. Garantirei o exercício independente do Ministério Público”, disse ele, como se os parlamentares estivessem defendendo interesses escusos ao criticar erros existentes no parecer do procurador-geral.

Todos nós cometemos erros, mas pessoas como Janot não sabem admitir. Da tribuna do Senado, nesta segunda-feira, o senador Fernando Collor (PTB-AL) bateu pesado no procurador-geral, dizendo que ele não tem “estatura moral” para comandar o Ministério Público. Incluído na lista de investigados na Lava Jato, Collor afirmou que Janot  faz “chantagem” e descumpre leis ao exercer sua função de chefe da Procuradoria.

Collor foi o primeiro, muito outros o seguirão. É briga de cachorro grande, como se dizia antigamente.

Eduardo Cunha já está em campanha para presidente em 2018

Ademar Luiz Traiano é um político brasileiro, atual presidente da Assembleia Legislativa do Paraná. É deputado estadual pelo PSDB. Wikipédia

Ao lado de Richa e Traiano, Cunha discursa em Curitiba

Carlos Newton

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está fazendo uma verdadeira revolução na política nacional e já arranjou um jeito de iniciar sua campanha para tentar a Presidência da República em 2018. Sob o pretexto de promover o entrosamento da Câmara Federal com as Assembleias Legislativas de todos os Estados, Cunha iniciou sexta-feira em Curitiba um projeto chamado “Câmara Itinerante”, que o levará a percorrer todo o país, com cobertura ao vivo pela TV Câmara.

No Paraná, ele comandou uma audiência sobre a reforma política e recebeu diversos elogios, inclusive do governador tucano Beto Richa, que prestigiou o evento, e do presidente da Assembleia paranaense, Ademar Traiano, também do PSDB. Ao discursar, Cunha afirmou que a crise atual somente será superada quando o governo Dilma Rousseff buscar a reaproximação com a sua base. “Vamos dar um tempo para que o governo se reorganize na sua articulação política”.

O peemedebista também criticou o pacote anticorrupção lançado pela presidente nesta semana. Disse que duas das propostas estão em tramitação no Congresso há anos e que só agora receberam prioridade. “Se os projetos fossem assim tão importantes, se tivessem dado urgência dez anos atrás, poderíamos não estar discutindo hoje a CPI da Petrobras”.

APOIANDO EDUARDO PAES?

No evento de Curitiba, Cunha foi questionado a respeito de especulações sobre uma eventual candidatura sua à Presidência da República daqui a três anos e desconversou. Disse que nas eleições de 2018 estará apoiando o lançamento do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, também do PMDB. “Meu candidato a presidente é Eduardo Paes. Trocaram o Eduardo, trocaram o sobrenome”, brincou.

Esse apoio a uma suposta candidatura do prefeito carioca não existe. Se Eduardo Cunha conseguir escapar das acusações do procurador-geral Rodrigo Jato, saindo incólume da operação Lava Jato, não há dúvida de que será o candidato do PMDB à Presidência em 2018.

O fato é que, de uma hora para outra, Cunha se tornou o político mais importante do país, com uma exposição na mídia realmente massiva, em âmbito nacional. E a tendência é de que sua visibilidade seja cada vez mais intensa, porque ele já demonstrou que sabe criar situações e se manter em evidência.

Quanto a Eduardo Paes, é uma ausência que preenche uma lacuna, como se dizia antigamente. Não serve nem mesmo para ser candidato a vice.

Piada do Ano: Duque não fará delação premiada, porque é inocente

Duque ri da própria piada: poupou 70 milhões com trabalho honesto

Carlos Newton

A grande expectativa da Operação Lava Jato refere-se à possibilidade de o ex-diretor da Petrobras Renato Duque fazer uso da delação premiada. Na quinta-feira, depois da sessão da CPI da Petrobras, o advogado Alexandre Lopes se apressou em anunciar que seu cliente não se interessa em recorrer a esse benefício. “Em todas as conversas que tive com Duque, ele nega os fatos, refuta as acusações e diz: ‘Eu não tenho o que delatar e quem delatar’. Não há possibilidade alguma (de delação). Ele não tem o que delatar nem que delatar”, repetiu o advogado.

Na CPI da Petrobras, o próprio Duque declarou (está no Globo) que nada tem a temer e que provará que todos os seus bens são fruto do seu trabalho, porque ele é pessoa de bem.

É tudo conversa fiada, porque Duque não tem alternativa, a não ser a delação premiada. A declaração do advogado não merece credibilidade, ele pode apenas estar ganhando tempo. A afirmação de Duque também não é para ser levada a sério. Motivo: há poucos dias, a Justiça Federal em Curitiba informou que Renato Duque transferiu cerca de R$ 70 milhões de suas contas na Suíça para outros países.

Com base em relato do Ministério Público Federal (MPF), um despacho do juiz Sérgio Moro apontou que “Renato Duque, com receio do bloqueio de valores de suas contas na Suíça, como ocorreu com (o ex-diretor de Abastecimento) Paulo Roberto Costa, transferiu os fundos para contas no Principado de Mônaco, esperando pôr a salvo seus ativos criminosos”.

PIADA DO ANO

O ex-diretor e seu advogado, com toda certeza, são sérios concorrentes à Piada do Ano. Duque surge cotado para receber o troféu, por tentar convencer a Polícia, a Justiça e a opinião pública de que conseguiu economizar R$ 70 milhões de reais com as sobras de seu trabalho honesto e dedicado. Sem falar na fortuna em obras de arte… Havia 131 peças na residência dele na Barra da Tijuca. A propósito, alguém já ouviu falar em colecionador de arte que seja honesto e mantenha as peças escondidas numa sala secreta, para ninguém ver?

Já o advogado Alexandre Lopes também é um dos favoritos à Piada do Ano, por proclamar a inocência de seu cliente, ao invés de convencê-lo a fazer a delação premiada, única alternativa que lhe resta. Afinal, não é possível que o ilustre causídico não esteja acompanhando o noticiário da imprensa sobre as provas que se acumulam contra seu cliente, não somente através de depoimentos dos cúmplices, mas também por meio de documentação bancária, que tecnicamente é considerada prova material.

O advogado disse que “Duque nega os fatos”. Ora, se são “fatos”, existem e não podem ser negados. Na Ciência do Direito, o que se nega são as “versões”, jamais os “fatos”. Se Duque não fizer delação premiada, vai mofar na cadeia igual ao Marcos Valério.

Duque vai fazer delação premiada e demolir o governo

Renato Duque é o novo “homem-bomba”

Carlos Newton

Em artigo publicado quarta-feira na Tribuna da Internet, o jurista Jorge Béja explicou que, caso o ex-diretor da Petrobras Renato Duque se recusasse a responder as perguntas dos deputados na CPI, isso significaria que está disposto a fazer delação premiada. E foi exatamente o que aconteceu quinta-feira na Câmara, para desespero do Planalto, do PT e do Instituto Lula. O clima é de desespero, porque, se Duque realmente falar, vai destruir o que resta do governo Dilma Rousseff, levando de roldão Lula, Dirceu, Palocci & Cia.

Ontem, em sua fala ao final da CPI, Duque disse que se recusou a responder sobre a Petrobras atendendo a uma determinação de seus advogados. “Tenho a obrigação de seguir a minha orientação legal. Não é porque eu tema e esteja de antemão me declarando culpado. Muito pelo contrário, eu vou me defender, eu vou provar que os meus bens têm fundo no meu trabalho“, afirmou, assinalando: “Estou com a consciência tranquila e vou me defender na hora certa. muito obrigado.

CONTRADIÇÕES

Renato Duque é o mais interessante personagem da operação Lava Jato. Na fase inicial, quando foi denunciado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, ficou furioso e mandou os advogados abrirem um processo contra o ex-colega de Diretoria. Era a palavra de um contra a do outro. Mas acontece que seu subordinado Pedro Barusco também depôs, as denúncias foram se avolumando de forma impressionante, a Polícia Federal invadiu sua casa e encontrou até uma sala secreta, onde escondia obras de arte valiosíssimas, tudo depõe contra ele, mas Duque continua insistindo em se declarar inocente.

Como não se trata de um caso patológico, pois o ex-diretor demonstrou na CPI estar no pleno domínio de sua capacidade racional, e como também não há a menor possibilidade de ser inocente, a conclusão é de que o jurista Jorge Béja está certíssimo em sua análise – Renato Duque vai mesmo aceitar o acordo de delação premiada.

O FIM DE UMA ERA

Como este benefício somente é concedido se o delator falar a verdade, incriminar os cúmplices e devolver os recursos desviados, pode-se dizer que o governo Dilma Rousseff, o PT e o Instituto Lula estão com os dias contados. Especialmente se o tesoureiro do PT João Vaccari entrar nessa onda e também pedir delação premiada.

Como todos sabem, foi Vaccari quem arranjou para D. Marisa Letícia Lula da Silva fazer o melhor negócio da vida dela – a compra do apartamento triplex à beira-mar, no Guarujá, por módicos R$ 47 mil. Sabemos que amizade não tem preço, mas o fato é que Vaccari anda muito deprimido, está se sentindo abandonado e Lula não lhe dá um telefonema…

Jorge Béja acertou em cheio ao prever que Duque se calaria

O ex-diretor da Petrobras Renato Duque, que se negou a responder questões sobre a estatal em CPI na Câmara

Duque se negou a falar sobre a Petrobras na CPI

Carlos Newton

Em artigo publicado aqui na Tribuna da Internet nesta quarta-feira, o jurista Jorge Béja acertou em cheio ao prever que o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, se reservaria o direito de ficar calado perante a Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados. Foi o que aconteceu hoje, porque Duque se recusou a responder a qualquer pergunta sobre o esquema de corrupção do qual participou ativamente como um dos principais membros da quadrilha instalada na estatal.

Por engano, o deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) confundiu Duque com o ex-gerente Pedro Barusco, o que motivou uma reação exaltada do ex-diretor. “Não me confunda com Pedro Barusco“, disse Duque, balançando o dedo indicativo negativamente. E se calou de novo.

Diante da intransigência do depoente, o deputado André Moura (PSC-SE) sugeriu até mudar a Constituição para não permitir mais que investigados fiquem calados. E chamou Duque de “corrupto”.

POUCAS RESPOSTAS

Calo-me por direito“, respondeu Duque, que só aceitou dar explicações sobre perguntas de caráter pessoal, como a indagação feita em seguida pelo deputado Izalci Ferreira (PSDB-DF), sobre a existência de parentesco de Duque ou sua esposa com o ex-ministro José Dirceu, como foi citado em depoimentos das delações premiadas.

Quando eu digo infelizmente [não posso responder], é porque realmente tem determinadas perguntas que não tem nenhum problema de responder. Uma questão de parentesco é uma questão de árvore genealógica, basta olhar a árvore genealógica de um e de outro. Não tem nenhum parentesco, nunca teve“, disse o depoente, que respondeu também sobre acusações de que sua esposa teria pedido ao ex-presidente Lula que Duque fosse solto, na primeira vez que foi preso.

Minha esposa nunca esteve com o presidente Lula ou com o senhor [Paulo] Okamotto [do Instituto Lula]. Não conhece, nunca conheceu“, afirmou Duque..

CONVOCAÇÃO DA ESPOSA

Duque então explicou que resolvera responder às perguntas que envolviam sua esposa, porque ouviu o deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS) ameaçando convocá-la à CPI.

Estou respondendo a essa pergunta, contrariando a orientação dos meus advogados, [porque] estou vendo o deputado Ônix falando que tem que colocar minha esposa aqui, eu estou entendendo como uma ameaça“, disse.

Depois, Duque negou conhecer o doleiro Alberto Youssef ao ser questionado pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP) sobre as empresas dele. “Vou ficar calado e não conheço o senhor Youssef para responder.”

A essa altura do depoimento, vários parlamentares já haviam sugerido que Duque aceite acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. “Embora denunciado, acho que existe praticamente uma condenação. Faça a contribuição da delação premiada“, insistiu Antonio Imbassahy (PSDB-BA).

O deputado Darcisio Perondi (PMDB-RS) também recomendou que Duque siga os conselhos de sua família a conte o que sabe. “Você vai ser o novo Marcos Valério e vai apodrecer na cadeia. Escute sua esposa, escute Dona Elza. Prefere falar a agora ou ver sua esposa convocada, a dona Elza?“, sugeriu Perondi.

Duque corrigiu: “Dona Elza não é minha esposa, é minha mãe“. E Perondi então indagou: “E qual é o nome da sua esposa?”. Mas Duque preferiu encerrar o assunto, arrancando gargalhadas da CPI: “Permanecerei calado“, disse.

A deputada Eliziane Gama (PPS-MA) em seguida perguntou a Duque se seu filho trabalharia em uma empresa ligada à UTC e cita a Technip, uma empresa francesa. E indagou se ele estaria envolvido no esquema de corrupção.

Faço questão de responder essa pergunta, se trata do meu filho. A Technip, empresa que a senhora acabou de citar, não tem nada a ver com a UTC. É uma das maiores empresas da área de petróleo do mundo, é empresa internacional. Technip é muito maior que a UTC, internacional, não tem nada a ver. O meu filho trabalhou nessa empresa, em Houston, e em um tempo no Brasil. Meu filho é economista formado, foi recrutado por um headhunter e trabalhou nessa empresa. Quando foi recrutado pra trabalhar nessa empresa nos Estados Unidos eu fiz uma consulta formal ao jurídico da Petrobras se haveria algum empecilho, falaram que não tem problema. Ele retornou ao Brasil um ano e meio depois com a família dele. Algum tempo depois se retirou para montar seu próprio negócio“, disse Duque.

E AINDA SE DIZ INOCENTE…

Em sua fala ao final da CPI, Duque se defendeu das críticas em relação ao fato de não ter respondido perguntas após seu translado até Brasília ter sido custeado feito pela Polícia Federal.

Foi comunicado com antecedência que eu me permaneceria calado. Eu não posso ser responsabilizado por esse custo, já era uma decisão tomada de acordo com meu advogado e com meu direito constitucional. Em segundo lugar, encerrando, não tenho problema nenhum em discutir qualquer um dos assuntos aqui levantados porque eu tenho a consciência tranquila, sei como responder e tenho argumentos suficientes para rebatê-los. Apenas eu tenho a obrigação de seguir a minha orientação legal. Não é porque eu tema e esteja de antemão me declarando culpado. Muito pelo contrário, eu vou me defender, eu vou provar que os meus bens têm fundo no meu trabalho.”

E continuou: “Tenho 34 anos de companhia, tenho orgulho por ter sido diretor por nove anos. Lamento que esteja nessa situação agora, mas tudo é a seu tempo, vou terminar como comecei, vai ter um tempo pra calar e um tempo pra falar. Sem querer citar a Bíblia ou qualquer outra coisa, mas estou com a consciência tranquila e vou me defender na hora certa. muito obrigado.

DELAÇÃO PREMIADA?

Em seu artigo de ontem, o jurista Jorge Beja afirmou que a ida do Duque à CPI seria inútil. “Primeiro, porque se Duque decidir se beneficiar da Delação Premiada, nesse caso falará tudo exclusivamente lá no Paraná. Só no Paraná, nos autos da Lava Jato, tal como fez Barusco. Se falar antes na CPI, não conseguirá a Delação Premiada, que exige exclusividade e sigilo. E se Duque decide negar tudo, nesse caso não falará nem no Paraná, nem na CPI, nem em lugar algum. Por isso, em qualquer hipótese, amanhã ele repetirá “Me reservo o direito de ficar calado”.

Na opinião de Béja, Duque vai pedir ao juiz Moro e ao Ministério Público o benefício da
delação premiada. “Seu silêncio antecipa essa certeza. Ele não poderia confessar o que sabe, sob o manto da Lei da Delação Premiada, a uma CPI que apenas tem o poder de investigar e, não, de julgar, de perdoar de reduzir pena, etc. etc.. CPI não tem o poder de conceder o benefício da delação premiada a investigado. Nem a ninguém. Duque não iria contar o que sabe a quem não tem o poder de conceder-lhe benefício algum. Se confessasse à CPI não poderia, depois, se beneficiar da delação em juízo”, disse hoje o jurista.

E se Duque fizer a delação premiada, acabará com o governo Dilma, com Lula, com o PT e por aí em diante.

Cunha sabe a hora certa para abrir o processo de impeachment

Carlos Newton

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem arquivado os pedidos de abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, sob alegação de que existe vedação constitucional para atos criminosos cometidos por presidente da República antes do atual mandato, com base no § 4º do artigo 86 da Constituição Federal.

A tese foi lançada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot e aceita pelo ministro-relator Toeri Zavascki, responsável pelos inquéritos dos envolvidos que na Lava Jato têm foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal. O deputado Eduardo Cunha tem se socorrido nesta tese para se livrar dos pedidos de impeachment, que se sucedem e não vão parar à medida que ganham consistência as denúncias contra a ex-ministra e atual presidente Dilma Rousseff.

Dizem que o presidente da Câmara está recusando os pedidos liminarmente, nem perde tempo em ler os requerimentos. Está agindo assim por entender que não há clima para o processo de impeachment, cujos fundamentos ainda estão sendo consolidados. Mas o fato é que a cada dia a situação da presidente Dilma piora, em função do aprofundamento das investigações sobre o PT.

DE VACCARI A DILMA

Somente agora os inquéritos conduzidos pela força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Federal estão devassando as ligações do PT e do governo no esquema de corrupção montado na Petrobras. As delações premiadas já mostram o envolvimento pessoal de dois tesoureiros do PT, Paulo Ferreira e João Vaccari Neto, que operavam diretamente com os diretores e gerentes corruptos da estatal. Há cada vez mais provas também contra os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci.

No final deste novelo, por óbvio, estão o ex-presidente Lula e sua sucessora Dilma Rousseff, principais beneficiários das milionárias doações que as empreiteiras do cartel faziam diretamente ao caixa de campanha do PT, fato que representa crime eleitoral punido com cassação de mandato, conforme o jurista Jorge Béja já explicou diversas vezes aqui na Tribuna da Internet.

Já existem provas testemunhais e materiais, mas logo surgirão muitas outras, com base em quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico, sem falar nos novos personagens que já não têm alternativa e sonham em conseguir o benefício da delação premiada.

UMA QUESTÃO DE TEMPO…

É tudo apenas uma questão de tempo, para que surjam os resultados do aprofundamento das investigações da força-tarefa, que agora está livre das amarras impostas pelo procurador-geral Rodrigo Janot e pelo ministro-relator Teori Zavascki.

O Planalto, o PT e o Instituto Lula podem até achar que Eduardo Cunha voltou a ser um aliado confiável e vai blindar eternamente a presidente Dilma Rousseff com base na tese anacrônica de Janot e Zavascki, mas estão totalmente enganados. O presidente da Câmara jamais se guiará pela troika palaciana.

Cunha já confidenciou aos dirigentes do PMDB que o pedido de impeachment será decidido pelo clamor das ruas. Já disse que está “babando de ódio” pelo envolvimento na operação Lava Jato, que atribui a uma manobra do Planalto. Garante que as acusações contra ele não têm a menor consistência, porque foram desmentidas formalmente pelo doleiro Alberto Youssef, e isso realmente aconteceu. Youssef depois atribuiu as denúncias contra Cunha ao executivo Júlio Camargo, da empresa Toyo, que fez delação premiada, mas nada falou sobre Cunha. O quadro é este.

SONHANDO COM O PLANALTO

Cunha é uma raposa política e já sonha com a presidência da República. Como o vice Michel Temer vai fazer 75 anos e está em final de carreira, Cunha desponta como a maior liderança do PMDB, que ainda é o principal partido do país. Seu desempenho na presidência da Câmara é algo jamais visto na História Republicana. Com impressionante habilidade, conseguiu fragmentar a base aliada do governo, desalojou o PT dos principais cargos e hoje domina a situação, faz o que bem entende.

O futuro de Dilma Rousseff e do PT agora está nas mãos de Eduardo Cunha. Quando chegar a hora, o presidente da Câmara saberá justificar a aceitação do pedido de impeachment, para liquidar a fatura. Vai então saborear o gosto da vingança, aquele prato que se come frio, e depois tentará concretizar seu sonho de poder.

Força-tarefa aperta o cerco a Vaccari, Dirceu, Dilma, Lula & Cia.

Vaccari se recusa a entregar o PT e se complica cada vez mais

Carlos Newton

A cada dia a situação se complica mais para a presidente Dilma Rousseff, o PT e o ex-presidente Lula. Sem precisar continuar se submetendo ao procurador-geral da República Rodrigo Janot nem ao ministro-relator Teori Zavascki, a força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Federal avança inexoravelmente em suas investigações para provar o envolvimento do PT e do governo, a partir das atividades criminosas de João Vaccari Neto, tesoureiro do partido, até chegar a José Dirceu, Antonio Palocci, Lula e a própria Dilma.

Em sua denúncia contra o ex-diretor de Serviços Renato Duque e o tesoureiro petista Vaccari Neto, por corrupção e lavagem de dinheiro, a força-tarefa da Operação Lava Jato já está exibindo provas realmente irrefutáveis de que sistema oficial de financiamento partidário foi usado para receber propinas da corrupção na Petrobras.

A constatação é evidente quando se faz a comparação entre as datas de pagamento da Petrobras para os consórcios Interpar e Intercom (formados pela Mendes Jr, MPE e SOG) nas obras de reforma de duas refinarias entre 2008 e 2010, e as datas de doações para o PT por uma das empreiteiras.

DUQUE E VACCARI

A vinculação entre as doações políticas e os pagamentos feitos pela Petrobras aos Consórcios Interpar e Intercom pode ser comprovada pela comparação entre as datas em que a Petrobras pagou os consórcios e as datas, subsequentes, em que empresas controladas por Augusto Mendonça promoveram a transferência de propina disfarçada de doações oficiais para partido político”, eis a base de sustentação da denúncia da força-tarefa contra Duque e Vaccari.

Houve 24 doações eleitorais feitas ao longo de 18 meses por empresas vinculadas ao grupo Setal para pagamento de propina ao Partido dos Trabalhadores. Essas doações eleitorais foram feitas a pedido de Renato Duque e eram descontadas da propina devida à diretoria de Serviços”, declarou o procurador.

João Vaccari indicava as contas dos diretórios, onde deveriam ser feitos esses depósitos”, sustenta a Procuradoria, acrescentando: “Temos evidência de que João Vaccari Neto tinha consciência de que esses pagamentos eram feitos a título de propina, porque ele se reunia com regularidade com Renato Duque para acertar valores devidos”.

CASSAÇÃO DE MANDATO

Essas doações das empreiteiras à campanha eleitoral de Dilma Rousseff com dinheiro da propina, em 2010, configuram um crime passível de cassação de mandato, segundo a Lei Eleitoral, conforme já foi explicado aqui na Tribuna da Internet diversas vezes pelo jurista Jorge Béja.

Os defensores de Dilma, como o procurador-geral Rodrigo Janot, é claro que vão alegar que os crimes ocorreram no mandato anterior. Mas esta argumentação é falaciosa e não procede, porque o dispositivo invocado por Janot (§ 4º, artigo 86, C.F.) se tornou totalmente anacrônico, pois foi redigido antes de existir reeleição de presidente.

“Quando um presidente da República se candidata e é reeleito, os mandatos se somam. Não há interrupção. Não sofre solução de continuidade. Tanto é verdade que a faixa presidencial, na solenidade de posse do segundo mandato, não é o presidente anterior que a transfere ao seu sucessor, porque não há sucessão, não há presidente anterior. E onde não existe sucessão e não existe solução de continuidade, a gestão é contínua. A faixa foi a própria Dilma que colocou nela mesmo, símbolo da continuidade. Os atos que justificariam o impeachment no primeiro mandato subsistem no segundo. Não se apagam. Não se extinguem”, explica o jurista Jorge Béja, acrescentando: “Ocorrendo a prática de crime eleitoral anterior ao primeiro mandato, seus efeitos e repercussão se projetam no segundo mandato, eis que entre um e outro mandato não houve solução de continuidade. O presidente é o mesmo. O delito eleitoral persiste”.

Bem, não é preciso dizer mais nada.

Lula exige e Dilma vai trocar Mercadante por Jaques Wagner

“Parece que teremos de fazer um troca-troca de ministros…”

Carlos Newton

A situação está cada vez mais complicada. Como diz nosso amigo Carlos Chagas, ficou de um jeito de vaca não reconhecer bezerro. O certo é que está todo mundo batendo cabeça no Planalto e nenhum dos ministros do chamado “núcleo duro” (se é que alguém consegue definir esta expressão…)  tem a menor noção de como a presidente Dilma Riousseff poderá sair desta enrascada. O fato é que o governo está parado, é como se não existisse mais.

No desespero, a presidente Dilma Rousseff resolveu apelar para o velho Lula, que politicamente parece ter o corpo fechado, pois nada o atinge. Criador e criatura então voltaram a se falar, depois de vários meses de rompimento. E como a vingança é um prato que se come frio, desde a quinta-feira antes do carnaval Lula vem saboreando os restos do governo.

Toda vez que se encontra com Dilma, o ex-presidente lhe diz poucas e boas. Quem acompanha a Tribuna da Internet sabe que desde o início do ano passado estamos noticiando, com absoluta exclusividade, os sucessivos desentendimentos entre criador e criatura, e somente agora, no último sábado, a chamada grande mídia (através de O Globo, reportagem de Fernanda Krakovics) confirma o tom extremamente ríspido do mais recente diálogo entre Lula e Dilma, no Palácio Alvorada, com base na inconfidência de um dos ministros que aguardavam na antessala.

PRIMEIRO ENCONTRO

Aqui na TI, quando informamos a respeito, adiantamos que no primeiro encontro, ocorrido na quinta-feira antes do Carnaval, em São Paulo, Lula mandou que Dilma Rousseff se recompusesse imediatamente com o PMDB, exigiu que ela afastasse Aloizio Mercadante da Casa Civil e do comando das reuniões do grupo de articulação política do Planalto (que cada vez ganha mais integrantes e daqui a pouco estará do tamanho do Ministério) e pediu também que Pepe Vargas saísse do Ministério das Relações Institucionais, devido à sua inabilidade no trato com a base aliada, se é que ainda pode ser considerada assim.

Dilma tentou resistir, porque Mercadante é seu mais fiel escudeiro e porque o PT não tem nenhum deputado com carisma para substituir Vargas. Criou-se um impasse. Nesse ínterim, Lula já havia tomado a rédea da situação e fora a Brasília para se entender com a cúpula do PMDB e dar orientações aos parlamentares do PT. Dias depois, Dilma também se reuniu com o comando do PMDB, mas o senador Renan Calheiros se recusou a participar, deu tudo errado.

SEGUNDO ENCONTRO

Na terça-feira passada, Dilma foi vaiada em São Paulo e cancelou o encontro que teria com Lula, que ficou furioso, pegou o avião e foi a Brasília se reunir à noite com ela, no Alvorada. A reportagem de O Globo revelou que houve um ríspido diálogo entre os dois, mas não informou que Lula voltara a exigir a demissão de Mercadante, dizendo que abandonaria o governo caso fosse desobedecido.

Completamente aturdida e desamparada, agora Dilma não encontra alternativa. Terá de obedecer ao chefe, e é justamente por isso que estão circulando em Brasília boatos  de que Mercadante irá para o Ministério da Defesa, como prêmio de consolação, e Jaques Wagner assumirá a Casa Civil e comandará o grupo de articulação política do Planalto.

TERCEIRO ENCONTRO

Nesta segunda-feira, Lula voltou a Brasília para se reunir com Dilma no Alvorada, a portas fechadas e sem testemunhas. Levou o presidente do PT, Rui Falcão, só para fazer companhia. Vai exigir de novo a recomposição do grupo de articulação política, à sua feição.

Como se sabe, Jaques Wagner é um dos líderes petistas preferidos de Lula. Ao nomeá-lo para a Casa Civil, Dilma aplacará a fúria do ex-presidente e ganhará fôlego dentro do PT, que é o primeiro passo para ela tentar uma penosa sobrevida no cargo de presidente da República.

Quanto a Mercadante, o pai é general e o irmão é coronel, vai se sentir em casa no Ministério da Defesa. Mas seu sonho de ser candidato a presidente em 2018 vai para o espaço sideral.

Cunha já admite que poderá abrir o processo de impeachment

“Pode ficar tranquila que não vou deixar haver impeachment…”

Carlos Newton

O jornalista Lauro Jardim, da Veja, revela que “o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, embora de público não vá admitir nem que a vaca tussa, dias atrás afirmou a mais de um interlocutor ser impossível segurar o processo de impeachment caso a possibilidade ganhe força a partir dos protestos de 15 de março”.

Bem, pelo que se viu no domingo, vai ser difícil segurar essa onda. O fato é que o possível e provável impeachment da presidente Dilma Rousseff já havia se tornado um dos principais temas procurados no Google e nos outros sites de buscas do Brasil. Embora os jornais ainda fingissem que não estava acontecendo nada, a expectativa era cada vez maior na internet, onde reina a confusão, porque muitos portais, sites e blogs revelam brutal ignorância sobre as regras que regulam o impeachment presidencial no Brasil.

Na verdade, tudo dependerá da forma com que estiverem sendo conduzidos os inquéritos da Operação Lava Jato e das investigações complementares no Supremo Tribunal Federal. Mesmo que não haja provas diretas do envolvimento da presidente Dilma Rousseff no esquema, que demonstrem dolo (intenção) em caso de improbidade administrativa, ela poderá ser incriminada também por culpa (negligência, imperícia e omissão), na tese de Ives Gandra Martins. Ou por ter sido beneficiada pelo Caixa 2 da campanha do PT, segundo a Lei Eleitoral, na tese de Jorge Béja, que aventa até a possibilidade de impeachment por crime de responsabilidade, devido à omissão de Dilma na indicação do novo ministro do Suprem.

TEMER ASSUME?

No caso da tese de Gandra, quem assume é o vice-presidente Michel Temer, se ele não estiver envolvido no esquema da Petrobras, pois era presidente do PMDB na época da corrupção desenfreada.

Mas no caso de o processo ser movido com base na Lei Eleitoral, porque parte do dinheiro da corrupção foi utilizado na campanha presidencial do PT, e o vice-presidente Michel Temer também acabar sendo envolvido, como beneficiário do esquema da Petrobras, nesta hipótese então assumiria interinamente o presidente da Câmara, que hoje é o deputado Eduardo Cunha.

Mas se Cunha também estiver envolvido, assim como Renan Calheiros, presidente do Senado,  quem assumiria em caráter interino seria o presidente do Supremo Tribunal Federal, que hoje é o ministro Ricardo Lewandowski.

Outro detalhe: se o impeachment for aprovado ainda nos dois primeiros anos de mandato de Dilma/Temer, o presidente interino é obrigado a convocar eleições no prazo de 90 dias. Porém, se a aprovação pelo Congresso ocorrer nos dois últimos anos, ele terá de convocar as eleições no prazo de 30 dias, para completar o mandato de Dilma. e como lembra o comentarista Oigres Martinelli, é eleição indireta, realizada pelo Congresso Nacional.

INQUÉRITOS

Quanto aos inquéritos agora abertos no caso de envolvimento de políticos e autoridades no Supremo Tribunal Federal (presidente, vice-presidente, deputados federais, senadores e ministros) ou no Superior Tribunal de Justiça (governadores), tudo está no início.

Uma vez finalizadas essas investigações complementares, o procurador-geral da República então decidirá quais políticos e autoridades serão alvo de denúncia. E novamente o STF terá que decidir se aceita essas eventuais denúncias, para que ocorram efetivamente os processos.

Quanto ao impeachment de Dilma (e Temer?), trata-se de julgamento político, que pode começar a qualquer tempo, dependendo apenas de apresentação do pedido de processo à Câmara Federal, com deferimento do presidente da Câmara, que acaba de se tornar inimigo declarado do Planalto. Ou seja, a novela está apenas começando.

Um recado a senadores e deputados, em forma de canção

Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor e poeta carioca Paulo Roberto Peres, na letra de “Senador e Deputado”, manda um recado para os péssimos políticos brasileiros. Esta música foi gravada por Johnny do Matto no CD Parcerias, em 2009, produção independente.

SENADOR E DEPUTADO                               

Johnny do Matto e Paulo Peres

Senador e deputado
Eis aqui o meu recado
Cansei de ficar calado
Ser roubado e humilhado
Visto que sou homem honrado
Veja o calo do roçado
Trago na mão avantajado
Pois minha família é um tratado
Na Igreja assinado
A qual faço o sustentado
Cotidiano suado
Coração alimentado
E por Deus abençoado

Senador e deputado
O meu voto foi tragado
No plenário sempre usado
Comando oficiado
Pelo Brasil alastrado
Por estrangeiro mandado
Sob barganha açoitado

Senador e deputado
Corpo eu tenho fechado
Na seca e na fome fui criado
Embora nenhum trocado
Jamais de alguém fiz tirado
Já de berço aprendizado
Por meus pais não diplomados
Viver assim foi-me ensinado