É preciso cuidar da saúde de Youssef com muito cuidado…

Imagem de Youssef no hospital publicada em primeira mão pela 'Época' (Reprodução/Revista Época)

Carlos Newton

Este domingo, enquanto os brasileiros iam às urnas, a internet fervilhava com o boato de que o doleiro Alberto Youssef morrera envenenado e a notícia estava sendo adiada até o final da votação. A boataria era tão forte que a própria Polícia Federal teve de desmentir a falsa notícia, divulgando uma foto de Youssef na cama do hospital, fora da UTI. E a psicóloga Kemelly Youssef, filha do doleiro, deu uma entrevista reforçando o desmentido da PF e anunciando que seu pai estava recuperando bem a saúde.

A preocupação com a saúde de Youssef é procedente. Embora já tenha prestado praticamente todas as informações necessárias para devassar o esquema montado pelo governo na Petrobras para subornar os parlamentares dos três principais partidos da base aliada (PT, PMDB e PP), é importante que ele permaneça vivo e em condições de esclarecer qualquer dúvida, especialmente sobre o conhecimento que o ex-presidente Lula e sua sucessora Dilma tinham a respeito da corrupção na estatal.

A saúde de Youssef é particularmente importante, porque Dilma Rousseff “ganhou” e agora terá de vencer também as acusações do doleiro, que podem conduzir ao impeachment dela.

NOVIDADES ELEITORAIS

Em meio a esses escândalos, surgiram as surpreendentes novidades desta eleição, estabelecidas pelo ministro Dias Toffoli, que só chegou ao Supremo e ao Tribunal Superior Eleitoral por ser petista, amigo íntimo do ex-ministro José Dirceu e do ex-presidente Lula.

A primeira inovação foi o cancelamento dos testes de segurança nas urnas eletrônicas. E a oposição não protestou, nada, nada. O candidato Aécio neves em nenhum momento da campanha eleitoral levantou esse importante assunto, que no entanto foi profundamente discutido aqui na Tribuna da Internet, inclusive houve uma grave advertência do jurista Jorge Béja a esse respeito.

Depois, a apuração secreta das eleições, que jamais havia ocorrido no país. Ou seja, o resultado das urnas sem teste foi computado pela Justiça Eleitoral sem efetivo acompanhamento dos fiscais dos partidos, e o resultado só foi divulgado quando confirmada a vitória da candidata da situação, e por vantagem mínima, certamente para não dar na vista.

Traduzindo tudo isso: estamos num país com os três Poderes apodrecidos, onde decididamente não se pode confiar na Justiça.

É a vitória da urna eletrônica sem teste e sem comprovação

Carlos Newton

Com os votos dados a Aécio Neves e Marina Silva, o primeiro turno revelara a existência de uma maioria silenciosa que não queria mais o PT no poder. O candidato do PSDB, Aécio Neves, teve 33,55% dos votos válidos, a representante do PSB chegou a 21,32%, perfazendo 54,87% de votos a esses dois candidatos de oposição, enquanto Dilma Rousseff recebeu 44,59%. Ficou claro que, se houvesse massiva transferência de votos de Marina para Aécio, a eleição ficaria dificílima para o PT.

Na disputa do segundo turno, a candidata Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o PT então fizeram o possível e o impossível, baixaram o nível da campanha a um ponto nunca antes visto na História deste país, ultrapassaram em muito o famoso limite tucano da irresponsabilidade.

Depois, com o ministro petista Dias Toffoli à frente do Tribunal Superior Eleitoral, pela primeira vez não houve testes de segurança na urna eletrônica. E este domingo, na hora da apuração, pela primeira vez o Brasil viu-se diante de uma operação secreta. Nunca antes na História deste país ocorreu nada igual. Sem aviso, sob argumento da existência do horário de verão e da inexpressiva eleição no Acre, a apuração da eleição presidencial passou a ser feita de forma sigilosa.

Essa decisão é inexplicável, inacreditável e injustificável. Como já explicamos aqui na Tribuna da Internet, bastaria adiantar em duas horas a eleição no Acre e em uma hora no Amazonas e tudo ficaria normal.

BAIXO NÍVEL DE SEMPRE

Com os votos dados a Aécio Neves e Marina Silva, o primeiro turno revelara a existência de uma maioria silenciosa que não queria mais o PT no poder. O candidato do PSDB, Aécio Neves, teve 33,55% dos votos válidos, a representante do PSB chegou a 21,32%, perfazendo 54,87% de votos a esses dois candidatos de oposição, enquanto Dilma Rousseff recebeu 44,59%. Ficou claro que, se houvesse massiva transferência de votos de Marina para Aécio, a eleição ficaria dificílima para o PT.

Na disputa do segundo turno, a candidata Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o PT então fizeram o possível e o impossível, baixaram o nível da campanha a um ponto nunca antes visto na História deste país, ultrapassaram em muito o famoso limite tucano da irresponsabilidade.

URNA ELETRÔNICA SEM TESTE

Depois, com o ministro petista Dias Toffoli à frente do Tribunal Superior Eleitoral, pela primeira vez não houve testes de segurança na urna eletrônica, embora seja público e notório que esse tipo de equipamento é suscetível a fraudes diversas, como já ficou demonstrado por vários especialistas e pela Universidade Nacional de Brasília.

E este domingo, na hora da apuração, pela primeira vez o Brasil viu-se diante de uma operação secreta. Nunca antes na História deste país ocorreu nada igual. Sem aviso, sob argumento da existência do horário de verão e da inexpressiva eleição no Acre, a apuração da eleição presidencial passou a ser feita de forma sigilosa.

Essa decisão é inexplicável, inacreditável e injustificável. Como já mostramos aqui na Tribuna da Internet, bastaria adiantar em duas horas a eleição no Acre e em uma hora no Amazonas e tudo ficaria normal.

Apuração “secreta” coloca em suspeita a eleição presidencial

Carlos Newton

Nunca se viu nada igual. De repente, por causa do horário de verão e da inexpressiva eleição no Acre, a apuração da eleição presidencial passou a ser feita de forma sigilosa, comandada pelo ministro Antonio Dias Toffoli, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Como se sabe, Dias Toffoli só chegou ao Supremo e ao TSE por ser petista, pois jamais foi aprovado em concurso para juiz de primeira instância, tendo sido reprovado em duas tentativas.

A apuração dos governadores transcorreu normalmente, mas esse surpreendente atraso da apuração do pleito presidencial é estranho e inexplicável, pois bastaria adiantar em duas horas a eleição no Acre e tudo ficaria normal. Mas o que esperar de uma Justiça Eleitoral comandada por um magistrado do porte de Dias Toffoli. Só se poderia esperar uma vergonha nacional.

Michel Temer já sonha com o impeachment de Dilma

Carlos Newton

Foi um fim de semana muito especial para Michel Temer, o vice-presidente da República nem consegue dormir direito desde sexta-feira, quando leu a reportagem-denúncia da revista Veja. E seu pensamento vem se dividindo entre euforia e depressão, num vaivém infernal.

Não é para menos. Se Dilma Rousseff ganhar, tudo ótimo, o futuro de Temer estará garantido e pela primeira vez o veterano político paulista terá condições concretas de sonhar com a Presidência da República. Ele sabe que o impeachment da presidente Dilma tornar-se-á inevitável e ele próprio será, nos bastidores, o principal articulador das manobras para tirar o PT do Planalto/Alvorada e entregar o Poder ao PMDB.

Temer sabe que as denúncias que pesam contra a presidente da República e a cúpula do PT estão se acumulando, são muito mais graves do que o caso do mensalão. E como o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef só têm direito aos benefícios da delação premiada se falarem a verdade, é perda de tempo duvidar da veracidade de seus depoimentos.

Desta vez, o processo inicial não correrá no Supremo. O juiz federal Sérgio Moro somente encaminhará os autos a Brasília quando forem incriminados os parlamentares e governantes envolvidos, entre os quais inevitavelmente estará a atual presidente da República. E isso muda tudo, porque o processo chegará ao Supremo já bem estruturado e o desfecho poderá ser mais rápido.

E SE DILMA NÃO GANHAR?

É somente uma questão de tempo. Desta vez, Temer realmente pode ver no final do túnel a rampa do Palácio do Planalto. Mas há um grave empecilho: e se Dilma não ganhar a eleição?

Bem, neste caso o futuro de Michel Temer não vale uma nota de três reais. Ele entrará na “Lista dos Desesperados” – os políticos da base aliada que se encantaram com o canto da volumosa sereia e não se candidataram nessas eleições, como Aloizio Mercadante, Miguel Rossetto, Ricardo Berzoini, Rui Falcão e mais alguns aduladores de Dilma Rousseff, que sonhavam em viver eternamente à sombra do Poder.

Por tudo isso, hoje ninguém está torcendo mais por Dilma Rousseff do que Michel Temer. Se ela ganhar, ele será o futuro presidente e terá ao seu lado a mais sensacional primeira-dama do mundo, a bela e doce Marcela Tedeschi, que deixará no chinelo as também inesquecíveis Jacqueline Kennedy, Maria Tereza Goulart e Carla Bruni.

Hoje é o primeiro dia do resto da vida de Michel Temer. Haja coração!

Votar nulo, em branco ou se abster são decisões equivocadas

Carlos Newton

No desespero com a progressiva decadência dos três poderes da República, muitos brasileiros defendem uma renovação radical da classe política. Uns pretendem invalidar as eleições através do voto nulo ou em branco, outros defendem a abstenção e há também quem sugira que não se reeleja nenhum político, votando-se apenas em quem jamais disputou eleição.

Alguns acham que, se a maioria anular o voto, votar em branco ou se abster, a eleição será automaticamente invalidade, mas isso não é verdade. Nenhuma eleição jamais será invalidada por votos nulos, em branco ou abstenção massiva. Se houver apenas um voto, ele será válido e o resultado da eleição estará confirmado.

Na forma da lei, infelizmente a nulidade da votação somente ocorre em casos muito especiais, com ocorrência de fraude ou erro essencial de organização.

UMA DECEPÇÃO ENORME

Entende-se perfeitamente a decepção desses brasileiros. Realmente, é muito duro suportar tanta falta de espírito público, tanta corrupção e tanta impunidade, em meio à progressiva segregação de grande parte da população brasileira, que necessita dos serviços públicos de saúde, educação, saneamento e transportes, mas continua eternamente desassistida.

Veja-se o caso da saúde pública, por exemplo. Os governantes conseguiram dividir os brasileiros em duas classes – os que têm planos de saúde e os que não têm. Mas há, ainda, mais uma subclasse, formada pelos segurados de planos de saúde que não funcionam, fazendo com que o suposto beneficiário acabe tendo de recorrer aos hospitais públicos.

Na educação, formaram-se as mesmas classes, dividindo os brasileiros entre os que têm escola particular e os que necessitam da escola pública, havendo também a subclasse dos que se sacrificam para colocar os filhos em colégios particulares que também quase nada ensinam.

REALIDADE MASSACRANTE

É diante desta realidade incontestável e massacrante que muitos brasileiros perdem a confiança nas eleições, por entenderem que votar não significa nada. É verdade, muitas eleições não mudam nada, mas não se pode aceitar esse posicionamento autodestrutivo de brasileiros conscientes, porque a eleição é nossa única arma.

Se os brasileiros conscientes desistem de votar, os únicos beneficiados são os políticos profissionais, que já têm seus feudos. Quando votamos nulo, em branco ou quando deixamos de votar, os corruptos ficam cada vez mais fortalecidos.

Por tudo isso, fica claro que os brasileiros conscientes não podem se omitir nas eleições. Pelo contrário, precisam participar e influir para que os melhores candidatos (ou os “menos piores”, como diz o comentarista Théo Fernandes) sejam eleitos. Pensem nisso.

Desmoralização das pesquisas eleitorais agora é inevitável

Carlos Newton

É impressionante e inaceitável o que está acontecendo com os chamados institutos de pesquisas, que se transformaram em máquinas de fazer dinheiro e manipular resultados eleitorais.

No rastro do Ibope, que foi o pioneiro no país e desfruta de um monopólio estranhíssimo, sendo o único a pesquisar audiência de televisão de forma permanente, surgiram muitos outros “institutos”. Alguns já desapareceram, mas hoje o mercado é disputado por grande número de empresas (é melhor chamá-las assim, pois são movidas pelo lucro) que atuam em termos nacionais ou apenas regionais.

No âmbito nacional, as principais empresas são Ibope, Datafolha, Sensus e Vox Populi, segundadas por MDA, Veritá e Gerp.

DISPARIDADES RIDÍCULAS

As disparidades entre seus resultados são surpreendentes e até ridículas.

No caso da eleição presidencial, duas dessas empresas já apresentaram seus resultados finais. Uma delas foi a Veritá, que deu Aécio Neves com 53,2% e Dilma 46,8, ou seja, 6,4 pontos na frente de Dilma Rousseff, em levantamento contratado pela Rede Record (na pesquisa anterior da Veritá, o tucano tinha os mesmos 6,4 pontos de frente). E a Sensus, divulgada quinta-feira, deu resultado também favorável ao tucano: Aécio com 54,6% e Dilma 45,4, com 9,2% de diferença.

Na mesma quinta-feira, o Ibope apresentou números totalmente contrários: deu Dilma 8 pontos na frente (54% a 46%), enquanto o Datafolha veio mais contido, com 6 pontos de diferença a favor da candidata do PT (53% a 47%).

Comparando-se as pesquisas, as discrepâncias são assustadoras. Em qual empresa acreditar ou confiar?

Ora, se todas elas, sem exceção, erraram completamente as previsões do primeiro turno, que significa apenas uma pré-eleição, não podemos confiar em nenhuma delas. E como não se deve desperdiçar o voto, vamos apontar em um dos candidatos, e fim de papo.  Na situação em que estamos, só resta escolher o menos pior.

 

Dilma convidou Paulo Roberto para o casamento da filha

Dilma não gostava de Paulo Roberto, mas fez questão de convidá-lo para o casamento da filha

Carlos Newton

Não se pode contestar o ditado que diz “uma foto vale mais do que mil palavras”. Na verdade, a fotografia significa o flagrante, o instantâneo, como se dizia antigamente. E um flagrante jamais pode ser desmentido.

Existe uma foto, feita por Ed Ferreira, do Estadão, que mostra a familiaridade de Paulo Roberto Costa com o então presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff. O flagrante foi colhido em 2006 no Palácio do Planalto. Da direita para a esquerda, aparecem Lula, Dilma, o então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado (também envolvido na corrupção), e outra autoridade que não conseguimos identificar.

Hoje, a presidente Dilma repete que não gostava de Paulo Roberto Costa, mas não conseguia derrubá-lo. Essas declarações não correspondem à realidade, segundo o jornalista Lauro Jardim, da revista Veja. Diz ele:

De duas, uma: ou Dilma Rousseff gosta de ter em sua intimidade pessoas com quem não se bica ou suas incompatibilidades com o notório Paulo Roberto Costa não eram tão agudas como ela afirmou hoje na sabatina de O Globo. Basta relembrar que o diretor com quem Dilma diz não ter “afinidade” estava na seleta lista de convidados do casamento de Paula Rousseff, filha de Dilma, em 2008, em Porto Alegre”.

CONCLUSÃO

A foto pode ser considerada um belo flagrante, porque a ocasião foi reveladora. Presidente da República jamais despacha com diretor, só da audiência ao presidente da estatal. Da mesma forma, não despacha com vice-governador nem com secretário-geral de ministério, somente recebe ministros e governador, e isso nem ocorre frequentemente.

Como existem 39 ministros, muitos deles ficam meses (ou anos) esperando um chamado para audiência presidencial. Alguns jamais são chamados, nem conhecem direito o Palácio do Planalto. Ficam complexados, sentem-se rejeitados.

Mas o prestigiado diretor Paulo Roberto Costa, repetindo o genial filme de Peter Sellers, era um convidado muito especial e bem trapalhão.

Haja saco! Ainda faltam ser divulgadas seis pesquisas

Carlos Newton

Os registros no Tribunal Superior Eleitoral mostram que, na reta final da campanha, pelo menos seis novas pesquisas eleitorais serão divulgadas ainda nesta semana sobre a disputa presidencial. Os levantamentos foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos Institutos Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus.

A primeira pesquisa Ibope/Estadão/Globo vai ser divulgada às 18 horas de hoje (quinta-feira, 23). Devem ser entrevistados 3.010 eleitores e o número do registro é BR-01168/2014. O instituto também deve divulgar mais um levantamento no sábado, véspera da eleição.

Também o Datafolha deve divulgar mais duas pesquisas, uma delas na quinta-feira, contratada pela Rede Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo. A previsão é de 9.978 eleitores entrevistados. O Datafolha, assim como o Ibope, também divulgará uma pesquisa no sábado.

O Vox Populi tem uma pesquisa prevista, contratada pela Rede Record para ser divulgada no sábado. E o Instituto Sensus, com coleta prevista entre terça e sexta-feira, divulga seus resultados na sexta-feira, pela revista IstoÉ.

É uma verdadeira overdose de pesquisas que estarão sendo empurradas pela goela abaixo dos eleitores, cada uma com um resultado diferente.

Governo se mostra impotente no combate à criminalidade

Em Santa Catarina, a partir de setembro, três atentados por dia

Carlos Newton

A conclusão sobre a impotência do governo diante do crime organizado é óbvia, especialmente quando se analisa a triste e trágica situação de Santa Catarina, que sempre foi um dos estados de menor criminalidade. O que está acontecendo lá é inacreditável, porque a cada três dias ocorre um ataque do crime organizado. Entre ontem (21) e hoje (22), por exemplo, mais dois carros e um ônibus foram incendiados em Santa Catarina.

Com isso, subiu para 113 o número de ataques ocorridos no estado desde o final de setembro, quando teve início a onda de crimes relacionados a facções criminosas que atuam a partir dos presídios catarinenses. A estatística é brutal e desmoralizante: são mais de três atentados por dia, uma rotina que a imprensa brasileira simplesmente não mais divulga, por não ser novidade.

Está mais do que provado que a PM e a Polícia Civil de Santa Catarina não têm condições de enfrentar as quadrilhas de traficantes, e o governo federal se mantém imóvel, como se não tivesse nada a ver com o gravíssimo problema.

UM BRASIL DIFERENTE…

A onda de atentados em Santa Catarina mostra que a situação do Brasil, em termos de segurança, é muito diferente dos comerciais apresentados pelo governo no horário gratuito de televisão e dos números exibidos nos debates dos presidenciáveis.

Na verdade, o drama da Santa Catarina, que tem menos de 7 milhões de habitantes e sempre foi um estado que servia de exemplo ao país, hoje é comparável à crise dos demais estados, especialmente o Rio de Janeiro, onde a política das UPPs fracassou completamente, porque foi baseada num acordo espúrio entre o então governador Sergio Cabral e os traficantes.

Cabral queria ser presidente da República e liberou o tráfico em troca da pacificação das favelas, para fazer dessa farsa seu principal argumento na ansiada campanha eleitoral. Mas acontece que fazer acordo com bandido nunca dá certo. Riquíssimo, Cabral teve de abandonar a política e refugiou-se em sua mansão para contar os 30 dinheiros.

A partir do exemplo de Cabral e da omissão do governo federal, é melhor entregar logo aos traficantes as chaves do palácio do Planalto. Quem manda mesmo no país são eles, não é verdade?

Nunca antes, na História deste país, as pesquisas erraram tanto

Carlos Newton

Está todo mundo de olho nas pesquisas, que nunca erraram com tamanha intensidade. No Rio de Janeiro, por exemplo, Ibope e Datafolha davam Anthony Garotinho (PSC) na frente de Marcelo Crivella (PRB) no primeiro turno, com 10 pontos de diferença, enquanto o instituto Gerp registrava empate entre os dois, o que realmente aconteceu e Crivella acabou indo para o segundo turno, por escassa diferença.

Agora, Ibope e Datafolha preveem folgada vitória de Luiz Fernando Pezão (PMDB), mas o instituto Gerp insiste em proclamar que Crivella está na frente e se tornará governador do Rio de Janeiro neste domingo.

Na disputa presidencial, a disparidade também é surpreendente e assustadora. Datafolha indica Dilma Rousseff (PT) com 4 pontos na frente de Aécio Neves (PSDB), o Ibope coloca Aécio na dianteira com 2 pontos de diferença, enquanto o instituto Veritá dá 6 pontos de frente ao candidato do PSDB e o Sensus vai muito além, assinalando que Aécio estaria com quase 13 pontos de frente.

Essas absurdas discrepâncias significam que as pesquisas viraram uma loteria e, com resultados tão díspares, um dos institutos acabará acertando. São tantos (Ibope, Datafolha, Sensus, Vox Populi, MDA, Gerp, Veritá etc.) que a gente até se perde à procura de um que acerte ou chegue perto, o que inevitavelmente acontecerá.

QUANDO TODOS ERRAM...

No primeiro turno, os principais institutos erraram (para menos) a votação de Aécio Neves e superestimaram a de Dilma Rousseff. O presidente do Datafolha, Mauro Paulino, deu pomposa entrevista às vésperas da eleição e disse que, se Aécio Neves confirmasse ter passado Marina Silva nas urnas, seria um fato inédito em disputas presidenciais.

Paulino explicou que em 1989 foi diferente: “Quando o candidato Lula passou Leonel Brizola e foi para o segundo turno contra Fernando Collor, já ocorria há mais tempo uma situação de empate técnico entre o segundo (Brizola) e o terceiro colocado (Lula) nas pesquisas”.

NÃO HÁ SERIEDADE

Já está demonstrado que, pelo menos aqui no Brasil, as pesquisas não são realizadas com a seriedade que seria de se esperar. As empresas do setor, que se autodenominam “institutos”, começam a mostrar sua falta de responsabilidade quando declararam margens de erro inferiores à realidade das normas estatísticas. Todas as empresas de pesquisas (é melhor chamá-las assim) procedem desse jeito, o que já configura uma fraude. O comentarista Wagner Pires deu repetidas aulas a respeito aqui na Tribuna da Internet.

As empresas faziam questão de insistir na falsidade, sem declarar a verdadeira margem de erro, que é diretamente proporcional ao número de entrevistas feitas. Uma pesquisa ouvindo apenas 2 mil eleitores jamais pode declarar margem de erro igual ao de um levantamento que abranja 10 mil eleitores, conforme denunciamos aqui, seguidamente.

Por tudo isso, ao final dessas eleições, ficará comprovado o que todos já sabem: os tais institutos/empresas estão cada vez mais especializados em ganhar dinheiro e enganar os incautos.

Magro e envelhecido, Dirceu vai cumprir a pena em casa

Carlos Newton

Bem mais magro e muito envelhecido, José Dirceu se prepara para cumprir o resto da pena em prisão domiciliar. Está condenado a 7 anos e 11 meses, mas tem direito à liberdade condicional e seu advogado enviou nesta segunda-feira o pedido de soltura ao relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso.

Dirceu está no regime semiaberto, em que o preso pode trabalhar fora do presídio desde que tenha autorização da Justiça, mas logo passará para o regime aberto. Em tese, ele dormiria todas as noites numa Casa do Albergado, mas, como não existe este tipo de estabelecimento penal em Brasília, ele poderá cumprir o resto da pena em casa.

Para encurtar a pena, o ex-ministro usou benefícios da ressocialização de criminosos. Trabalhou, estudou e leu livros desde que foi preso, em 15 de novembro passado. Conseguiu, assim, abater 142 dias de sua condenação. Com isso, a progressão de regime, concedida aos presos após o cumprimento de um sexto de suas sentenças, foi antecipada de março de 2015 para esta segunda.

BUROCRACIA

Antes de se manifestar sobre o pedido, o ministro-relator Barroso terá de ouvir o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Como outros condenados no processo – entre eles o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares – já obtiveram o benefício, Dirceu também será beneficiado.

Fora da prisão, o ex-ministro terá que seguir algumas regras do regime aberto, entre elas, permanecer em casa entre 21h e 5h. Também não poderá se encontrar com outros condenados que cumpram pena, sejam eles do processo do mensalão ou não, e nem portar armas, entorpecentes ou bebidas alcoólicas.

Olhando as fotografias recentes, nota-se como o outrora todo-poderoso José Dirceu está abatido e envelhecido. Deve se arrepender muito dos crimes cometidos em nome do Poder. Sabe que, se tivesse procedido como um líder republicano, hoje seria presidente da República e estaria disputando a reeleição, com muito mais chances do que Dilma Rousseff. Tinha tudo nas mãos, mas jogou fora. Apesar de ser hoje um homem muito rico, sabe que o dinheiro ás vezes pode não valer nada. E pelo resto da vida vai se arrepender dos erros cometidos. 

Já virou rotina: Aécio Neves vence mais um debate

Carlos Newton

O debate na Record foi maçante, sem maiores novidades, como se fosse reprise. A presidente Dilma Rousseff surpreendeu, porque desta vez não passou mal, não falou do bafômetro, nao tocou no assunto do aeroporto de Cláudio nem insinuou que Aécio Neves tem costume de bater em mulher. Quer dizer, o clima esteve mais elevado, sé é que podemos considerar assim.

Uma das características desses confrontos Dilma/Aécio é uma questão de DNA, com os dois candidatos buscando a paternidade das iniciativas que dão certo, como o Programa Simples, que Dilma usou para se autoelogiar no início do debate, até Aécio lembrar que se trata de um projeto antigo, pois a política é igual à televisão, como ensinava Abelardo Chacrinha Barbosa: “Nada se cria, tudo se copia”.

NÚMEROS PARA VALER…

Uma das táticas de Dilma é inundar a platéia de números. São bilhões e bilhões para lá e para cá, uma chatice monumental. No meio dessa xaropada deu para sacar o exagero presidencial ao falar sobre o Mais Médicos, dizendo que o programa está atendendo a 50 milhões de brasileiros. Mas é uma bobagem monumental proclamar que ¼ da população brasileira estaria sendo atendido pelos 14 mil médicos contratados. Um recorde mundial que jamais seria batido…

As diferenças entre a presidente Dilma e o candidato Aécio são gritantes, porque ele é bem articulado e transmite a sensação de que conhece os assuntos, enquanto a candidata do PT é hesitante, confusa, tem dificuldades até para fazer as perguntas previamente redigidas.

Outra característica que distingue os dois é o senso de humor. Dilma está sempre irritada e até quando tenta fazer uma piada não transmite alegria, perde a graça. E demonstra uma falta de preparo intelectual que chega a ser surpreendente.

PROIBIÇÃO???

Dima foi capaz de dizer a Aécio que “seu governo aprovou um projeto no Congresso proibindo a União de construir escolas técnicas”. O candidato do PSDB a corrigiu, dizendo que nenhum governo aprovaria uma proposta desse teor e explicou que o tal projeto, aprovado pelo Congresso na gestão de FHC, apenas previa que a União construísse escolas em parceria com estados e municípios. Mas Dilma insistiu no assunto, com se existisse mesmo essa proibição, foi uma cena patética.

Sempre enrolada e confusa, a certa altura Dilma se gabou de ter construído uma linha de transmissão de energia elétrica “ligando o Brasil à Amazônia”, vejam a que ponto chega a dislexia fonética dessa candidata.

Por várias vezes, Aécio tentou trazer o debate para o terreno das idéias, mas não conseguiu. Dilma sempre insistia nos ataques e a discussão se perdia novamente.

Para variar, Aécio ganhou mais uma vez. Dilma saiu rapidamente do estúdio e foi embora, enquanto o candidato do PSDB lá permanecia cercado de repórteres e dando sucessivas entrevistas.

Vidente que previu goleada da Alemanha diz que Aécio vence

Carlos Newton

Bem, eu não acredito em bruxos e bruxas, mas sei que existem. Por isso, a esta altura do campeonato, é bom lembrar que o conhecido vidente Carlinhos de Apucarana, durante a Copa do Mundo previu tudo o que aconteceu com a seleção brasileira, inclusive a goleada da Alemanha sobre o Brasil.

Interessante registrar que a previsão foi feita no início da Copa, quando ainda estávamos na fase da eliminatória e havíamos vencido bem o primeiro jogo.

O vidente foi claríssimo. Disse que a seleção brasileira iria adiante, mas não ganharia nada. E foi detalhando. Disse que, se o Brasil enfrentasse a Alemanha ou a Holanda, seria um desastre. Perderíamos de goleada para essas duas seleções. “Vai ser um gol atrás do outro”, previu, sempre lamentando que isso fosse acontecer.

Depois de esgotar o assunto Copa, o repórter da TV de Apucarana (Paraná) então perguntou quem iria ganhar a eleição. E o vidente respondeu da cara: “Aécio Neves”.

DEBATE NA RECORD

Não sei se Carlinhos de Apucarana vai continuar acertando suas previsões, mas pode ser que aconteça. O que sei é que no debate de hoje à noite, na TV Record, Dilma Rousseff tem mais uma chance de se recuperar e vencer a eleição no próximo domingo.

É possível, não há dúvida, mas improvável, diante de suas notórias dificuldades de falar em público e concatenar raciocínios.

No primeiro debate contra Aécio, na Band, terça-feira passada, quando todos esperavam que Dilma desmoronasse, ela conseguiu se superar e enfrentou bem o candidato tucano, fazendo com que experientes analistas, como Ricardo Noblat, tenham até considerado que a candidata petista ganhara o debate. A meu ver, porém, Aécio se saiu bem melhor, embora Dilma tenha surpreendido, dentro de suas limitações.

No segundo debate, no SBT, Dilma teve um retrocesso impressionante, deixou Aécio à vontade para atacá-la com invulgar competência. O resultado foi constrangedor. No final, ela se confundiu e até chamou o adversário de “presidente”. Depois do debate, não conseguiu dar uma entrevista, ficou toda enrolada, alegou que estava passando mal. Deram-lhe um copo d’água, ela imediatamente melhorou e foi embora com o marqueteiro João Santana.

Resumindo: se não se recuperar no debate de hoje, o vidente Carlinhos do Rio de Janeiro prevê que Dilma pode esquecer o eixo Planalto/Alvorada.

Lula e Dilma vão acabar ajudando a eleger Aécio Neves

Luiz Inácio Lula da Silva participa de comício com Fernando Pimentel (PT),governador eleito do estado de Minas Gerais em primeiro turno, na praça Duque de Caxias, Belo Horizonte (MG)

Descontrolado e apoplético, Lula agride Aécio em Belo Horizonte

Carlos Newton

Do jeito que a campanha está se desenrolando, Lula e Dilma vão acabar ajudando a eleger Aécio Neves. As agressões infundadas e as ofensas gratuitas estão pegando muito mal e podem beneficiar o candidato do PSDB, que já mostrou que não é trouxa e responde à altura quando provocado.

Lula parece ter se esquecido do importantíssimo conselho de seu principal assessor, o jornalista Wilson Thimóteo, que na campanha de 2002 sepultou o Lula rancoroso e vingativo, substituindo-o pelo Lula Paz & Amor, que acalmou o eleitorado e o levou a derrotar o tucano José Serra no segundo turno. Doze anos depois, agora quem aparece nos palanques é o velho Lula, que nada tem de Paz & Amor.

Este sábado, num comício realizado em Belo Horizonte, o ex-presidente perdeu inteiramente as estribeiras e comandou as ofensas e baixarias contra Aécio Neves.

“Foi o ponto mais baixo da campanha até aqui. E não apenas desta campanha: desde 1989 o Brasil não assistia a um festival de ataques como os que o PT hoje protagoniza em uma campanha. Lula não apenas se utiliza das mesmas armas de que foi alvo na campanha contra Collor, como vai ainda mais longe. No comício, o ex-presidente citou o nome de Aécio muito mais que o de Dilma, que se tornou personagem secundário dos discursos. A ordem era atacar, sem tréguas”, assinala o repórter Gabriel Castro, da editora Abril.

AGREDINDO MULHERES…

O jornalista revela que, num discurso preenchido por insultos pessoais ao tucano, Lula afirmou que Aécio usa violência contra as mulheres, por “experiência de vida”. Ao comentar a campanha do tucano,o ex-presidente insinuou até que Aécio costuma bater em mulheres.

“A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo”, afirmou Lula. O ex-presidente também classificou Aécio de “filhinho de papai” e “vingativo”. E o comparou a Fernando Collor. O mesmo Fernando Collor que hoje divide palanques com Dilma, como há uma semana, em Alagoas. E Lula não esqueceu de mencionar o episódio em que o adversário deixou de soprar o bafômetro em uma blitz no Rio de Janeiro.

Caramba! Lula e Aécio eram amigos. Por isso, até agora o tucano vem poupando o ex-presidente, que deveria ser o último a falar em bafômetro e relacionamento entre homem e mulher. Afinal, no mundo civilizado não existe nenhum outro caso de governante alcoólatra, que leva a amante no avião presidencial para sucessivas luas de mel no exterior e ainda manda que sejam pagas diárias a ela. Parece que Lula não gosta de olhar o próprio rabo.

E os eleitores mineiros, como estão encarando essas ofensas? Será que Dilma vai ganhar de novo lá?

No debate do SBT, Dilma chama Aécio Neves de “presidente”

Folhapress

Carlos Newton

Apesar das baixarias de sempre, foi interessante e revelador o debate presidencial transmitido pelo SBT. Como aconteceu no programa anterior, exibido terça-feira pela Band, a presidente Dilma Rousseff novamente surpreendeu e se apresentou além das expectativas, sem apresentar o raciocínio confuso e o linguajar enrolado que caracterizam suas apresentações ao vivo.

Bem treinada e municiada pelo marqueteiro João Santana, Dilma começou confiante, fazendo as acusações de sempre contra Aécio Neves, que dava as respostas de sempre, e o mano a mano estava parelho, com os dois no mesmo nível, até que a candidata do PT voltou a denunciar o “nepotismo” de Aécio, dando chance a que ele pudesse exaltar o espírito público da irmã Andrea Neves, que desenvolveu importante obra social em Minas, sem receber qualquer pagamento, trabalhando apenas como voluntária.

Se Dilma tivesse lido os jornais hoje, saberia disso e não levantaria a bola para Aécio, que terminou o bloco dando um duro troco, ao denunciar que o irmão de Dilma, Igor Rousseff, foi nomeado pelo então prefeito Fernando Pimentel em Belo Horizonte e jamais compareceu ao trabalho. Com essa bobeada de Dilma, o candidato do PSDB se saiu melhor no primeiro bloco.

SBT SE PORTOU BEM

Ao contrário do que ocorreu no debate da Band, quando a candidata do PT foi favorecida pela estranha inserção de duras propagandas do PT atacando Aécio Neves, a direção do SBT teve o cuidado de não inserir nenhuma publicidade relativa à eleição presidencial, poupando os dois candidatos.  Mas exibiu propagandas da eleição estadual e no Rio de Janeiro acabou beneficiando Pezão, com um comercial desmoralizando o candidato Marcelo Crivella por ser da Igreja Universal, criada pelo bispo Macedo, que é tio dele.

O segundo bloco começou com Dilma Rousseff dizendo que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, num dos depoimentos, acusou o ex-deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE) de também ter recebido propina.

Aí voltaram as acusações de corrupção para lá e para cá, nada de novo no front ocidental, e depois o assunto passou a ser segurança pública, em que Aécio se saiu bem, porque teve oportunidade de citar os projetos de lei que apresentou no Congresso e que estão engavetados pelo PT.

Depois, veio o tema mobilidade urbana e Dilma Rousseff fez uma declaração inacreditável, ao proclamar que “estão sendo construídos metrôs por todo o Brasil”, mas Aécio bobeou, deixando a mancada dela passar em branco.

Neste bloco, Aécio voltou a se apresentar melhor, e teve até chance de citar o expressivo número de obras inacabadas dos governos do PT.

BATENDO PESADO

No terceiro e último bloco, Dilma Rousseff começou batendo pesado, citando o conhecido episódio ocorrido com Aécio Neves, que foi apanhado numa blitz da Lei Seca e se recusou a fazer o teste do bafômetro. O candidato do PSDB respondeu que estava errado, disse que deveria ter feito o teste do bafômetro e que se arrepende disso, e foi aplaudido por seus assessores e pelos tucanos que estavam na platéia.

O apresentador Carlos Nascimento recolocou ordem na casa e o debate prosseguiu, com Dilma insistindo em lembrar o caso do bafômetro. Aécio então respondeu duramente e passou a enumerar as mentiras de Dilma nos debates e os exageros propositais na propaganda eleitoral do PT para denegrir os outros candidatos e enaltecer a atual presidente.

O nível foi baixando e Dilma voltou a falar em supostas falhas do governo de Aécio em Minas e ele respondeu lendo a decisão do Tribunal de Contas do Estado, que aprovou por unanimidade as prestações de contas apresentadas por seu governo.

O programa ia chegando ao final e Dilma recorreu novamente ao caso das pistas de pouso nos municípios de Cláudio e Montezuma, e Aécio repetiu as mesmas explicações, acrescentando apenas que Minas Gerais tem hoje 92 aeroportos etc. e tal.

A última a falar foi Dilma e curiosamente cometeu um ato falho em sua frase final, ao chamar Aécio de “presidente”. Mas pouca gente percebeu a bobeada.

Carlos Nascimento então abriu tempo de dois minutos e meio para as últimas declarações, Dilma falou primeiro, naquele estilo meio hesitante, e depois Aécio enumerou suas metas, encerrando o programa.

Resumindo: o candidato do PSDB voltou a se apresentar melhor, fazendo valer o prognóstico do mediador da Tribuna da Internet, ao analisar o primeiro enfrentamentos dos candidatos no primeiro turno:  “Se depender dos debates, Aécio será eleito”.

Depois do programa, Dilma passou mal, teve um problema de pressão, mas nem precisou ser medicada no local.

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PS – Uma observação final. Está pegando mal a insistência de Dilma Rousseff em colocar Minas Gerais no centro dos debates, ao invés de discutir propostas para o país. Desse jeito, a maioria do povo mineiro pode se unir contra ela, beneficiando Aécio.

 

SBT vai fazer a mesma armação que a Band fez com o PT?

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Sempre que ia iniciar um show ou programa de televisão, o célebre palhaço Carequinha, cujo centenário transcorre em 2015, fazia a mesma pergunta: “Hoje tem espetáculo?” E ele mesmo respondia: “Tem, sim senhor!“. Hoje é dia. Teremos mais um debate entre os dois candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), um embate que ninguém pode perder.

Como começa às 18 horas, a programação é mais destinada às donas de casa, aos aposentados e aos jovens nem-nem, que nem trabalham nem estudam e, consequentemente, não entram nas nossas criativas estatísticas de desemprego.

E depois ainda faltarão mais dois debates, semana que vem, na TV Record e na TV Globo, dando uma canseira no respeitável público. No programa de hoje no SBT, que vai ao ar menos de 48 horas depois do debate anterior na Band, os dois candidatos precisam desesperadamente mudar o repertório, para não entediar os telespectadores.

A expectativa é enorme. Qualquer vacilo pode ser fatal e nenhum dos pretendentes está em condição de perder eleitores, porque as pesquisas de opinião estão inteiramente desmoralizadas, ninguém acredita nelas e os candidatos não sabem em que situação realmente estão na disputa pela Presidência.

INTERVALOS COMERCIAIS

A maior expectativa diz respeito aos intervalos comerciais. Há enorme interesse em saber se o SBT vai fazer a mesma armação da Band, inserindo estrategicamente propaganda produzida pelo PT atacando o candidato Aécio Neves.

Já explicamos aqui na Tribuna da Internet que alguém levou uma bolada na Band para prestar o serviço ao PT, porque é impossível haver esse tipo de coincidência. A propaganda dos partidos é entregue às emissoras em pacotes, e quem decide em que intervalo comercial vai entrar esse ou aquele anúncio é a equipe de operadores de vídeo da emissora, que fazem a escolha aleatoriamente e nem se preocupam em prestar atenção em que comercial é escolhido para inserir. A equipe recebe apenas uma ordem por escrito dizendo assim: Intervalo tal, programa tal, anúncio 1 (Ponto Frio); anúncio 2 (TAM), anúncio 3 (chamada do programa tal), anúncio 4 (propaganda do PT). E o operador então edita uma fita com esses anúncios, nesta ordem, para que a inserção seja feita naquele determinado intervalo comercial.

Dizer que foi “coincidência” a Band fazer em pleno debate aquelas inserções atacando Aécio Neves, sem a menor dúvida, é menosprezar a inteligência alheia. Em televisão, como se sabe, tudo é possível se você tiver 30 dinheiros, digamos assim.

Vamos ver hoje como se comporta o Departamento de Programação do SBT.

Em nova pesquisa Datafolha, Aécio segue na frente

A 11 dias do segundo turno, a disputa pela Presidência da República continua extremamente acirrada, mostra pesquisa Datafolha feita na terça-feira (14) e nesta quarta (15). O senador Aécio Neves (PSDB) tem 51% dos votos válidos, a presidente Dilma Rousseff (PT) alcança 49%.

É um empate técnico, com exatamente os mesmos percentuais de voto válido da primeira pesquisa Datafolha do segundo turno, feita nos dias 8 e 9 deste mês. Nos dois casos, a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Em votos totais, Aécio tem 45%; Dilma, 43%. Na rodada anterior, cada um tinha um ponto percentual a mais. Os eleitores dispostos a votar nulo ou em branco oscilaram de 4% para 6%. Os indecisos continuam sendo 6%.

O instituto investigou ainda o grau de decisão dos eleitores. Aécio e Dilma também estão empatados na taxa de convicção: 42% afirmam intenção de votar nele “com certeza”, o mesmo valor para Dilma.

Há 18% que “talvez” possam votar no tucano (eram 22% na pesquisa anterior) ante 15% para Dilma (eram 14%). Já os que não votam em Aécio “de jeito nenhum” são 38% agora (eram 34% no dia 9), enquanto 42% rejeitam votar em Dilma (eram 43%).

O Datafolha ouviu 9.081 eleitores em 366 municípios. O nível de confiança do levantamento é 95% (em 100 pesquisas com a mesma metodologia, os resultados estarão dentro da margem de erro em 95 ocasiões). O registro do estudo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR 01098/2014.

Editoria de Arte/Folhapress

Primeiro debate é hoje, na Band. Um espetáculo realmente imperdível!

Carlos Newton

É claro que o horário eleitoral pelo rádio e TV tem forte influência no resultado das urnas, assim como a campanha nas ruas e na mídia, mas a eleição vai se decidir mesmo nos debates pela TV. O primeiro deles será realizado hoje à noite, na Band, com intermediação do jornalista Ricardo Boechat.

As estratégias dos concorrentes já estão bem definidas. Dilma Rousseff vai atacar a privataria tucana e tentar assumir os resultados obtidos pela Polícia Federal, dizendo que nunca antes, na História deste país, houve tamanha liberdade de investigação. Repetirá a tecla de que todos serão punidos, doa a quem doer, reclamará do “vazamento eleitoral” dos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef. E vai insistir na tática do medo, do retrocesso, do pobre comprando carro e viajando de avião.

Da mesma forma, Aécio vai seguir atacando a estagnação da economia, a volta da inflação, o aparelhamento do Estado, as obras inacabadas,a corrupção oficial, que realmente chegou a níveis realmente inesperados. E vai se beneficiar da tese de que o Brasil tem de mudar, melhorando educação, saúde, segurança e investimento, e agora só existe uma maneira de haver mudanças.

ARGUMENTOS FORTES

Bem, o jogo é este, mais do que sabido. Os argumentos são fortes de ambos os lados. Os candidatos funcionam como atores interpretando papéis principais. O que vai decidir a eleição será o desempenho de cada um deles. E o requisito mais importante é a tranquilidade.

Como Dilma hoje parece uma mulher à beira de ataque de nervos, e vive fazendo caras e bocas, como se fosse uma caricatura de si mesma, Aécio parece ter mais chances. Mas ninguém pode prever nada. Como dizia Abelardo Barbosa, o Chacrinha, o programa só acaba quando termina. Há sempre a possibilidade de Aécio dar alguma mancada e abrir espaço para Dilma crescer, como Marina fez na debate da Globo no primeiro turno. Justamente por isso, o espetáculo é imperdível.

PSB se livra de Amaral, que sonhava apoiar o PT e Dilma

Roberto Amaral, um estranho no ninho dentro do PSB

Carlos Newton

O Diretório Nacional do PSB escolheu, por aclamação, Carlos Siqueira, ex-coordenador da campanha de Eduardo Campos, como presidente nacional do partido, no lugar de Roberto Amaral, que não quis participar das eleições em protesto contra a decisão da legenda, tomada na semana passada, de apoiar a candidatura do tucano Aécio Neves.

A escolha da nova executiva do PSB nacional ocorreu em clima de consenso, sem haver  maior repercussão da atitude “emocional” do ex-presidente Roberto Amaral, que não somente decidiu não participar da disputa, mas também saiu disparando contra o partido, porque a legenda não quis aceitar sua proposta de apoiar a candidata do PT, Dilma Rousseff.

Ao chegar à reunião, o deputado Beto Albuquerque, que foi candidato a vice na chapa encabeçada por Marina Silva, disse que Amaral precisava aprender a respeitar as decisões partidárias e que se ele tivesse “força política” no partido, formaria sua própria chapa. “Se você não concorda com uma chapa e tem força política, se faz outra chapa”, disse Albuquerque.

Na verdade, Amaral não tinha votos nem prestígio. Era vice-presidente em consideração apenas à sua amizade ao ex-governador Miguel Arraes. Estava no PSB, mas se comportava como se fosse do PT. Jamais aceitou que o partido disputasse as eleições, defendendo ardorosamente que a legenda continuasse atrelada ao governo. Com a morte de Eduardo Campos, tentou evitar a candidatura de Marina Silva, mas foi derrotado. Com o insucesso de Marina no primeiro turno, voltou à carga, tentando fazer o PSB apoiar Dilma, mas foi novamente derrotado.

Com esse amor ao PT, Amaral conseguiu ser ministro no governo Lula e a partir de 2011 virou membro dos conselhos administrativos do BNDES e da Itaipu Binacional, recebendo mais de 20 mil mensais sem trabalhar, participando apenas de uma reunião por mês em cada uma das estatais. Essas mordomias explicam seu amor ao PT. Era um traidor infiltrado no PSB, que deveria expulsá-lo definitivamente, para que ele possa buscar abrigo no PT.

 

Corrupção na Petrobras é muito pior do que mensalão

Paulo Roberto Costa com Gabrielli, Dilma e Lula no Planalto, em 2006

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff pode esbravejar à vontade, dizer que o vazamento de informações significa crime eleitoral, acusar que a Polícia Federal está aparelhada pelo PSDB, alegar que desde o governo FHC já havia irregularidades e corrupção, nada disso funciona. O que interessa é que as denúncias são verdadeiras e rastreáveis, conforme está ficando comprovado nos novos depoimentos dos dois principais implicados, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.

É importante destacar que os dois estão sem comunicação entre si e suas novas declarações vêm sendo colhidas em separado. Mesmo assim, os Costa e Youssef têm falado exatamente a mesma coisa, com revelações coincidentes, em que citam os mesmos números e as mesmas autoridades envolvidas. É justamente essa similaridade de depoimentos que mostra estarem os dois falando a verdade, não há contradições e existem provas.

NOVOS NOMES

Começam a surgir novos nomes, as denúncias já envolvem o ex-diretor Renato Duque, que hoje é consultor de empresas fornecedoras da Petrobras, e o presidente eterno da Transpetro, Sérgio Machado (indicado em 2003 por Renan Calheiros e até hoje mantido no cargo).

Duque se diz revoltado com as acusações e mandou seus advogados entrarem na Justiça contra Paulo Roberto Costa no Juizado de Pequenas Causas, vejam só a que ponto chegamos, levando a corrupção a debate nesse tipo insignificante de tribunal.

GABRIELLI, DILMA E LULA

É inevitável que as novas revelações venham a atingir o ex-presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, aquele que despachava com José Dirceu num quarto de hotel em Brasília, em pleno escândalo do mensalão.

Mas a ligação do então diretor Costa não era apenas com Gabrielli. Existe uma foto, muito reveladora, batida em 2006, quando Lula era presidente e Dilma estava na Casa Civil, em que o diretor Paulo Roberto Costa aparece em audiência com o chefe do governo, ao lado de Gabrielli. Essa ocasião é totalmente atípica no Planalto. Presidente da República não despacha com diretor de estatal, apenas com o dirigente máximo, que no caso era Gabrielli.

Uma das perguntas que ficam é a seguinte: “O que levaria um modesto diretor de Abastecimento da Petrobras ao Planalto?”

Outra pergunta: “Em seus dois mandatos, Lula recebeu algum outro diretor da Petrobras em audiência?”

E mais uma: “Será que desta vez Lula e Dilma serão envolvidos nas investigações, ou continuarão dizendo que não sabiam de nada”?