Vidente que previu goleada da Alemanha diz que Aécio vence

Carlos Newton

Bem, eu não acredito em bruxos e bruxas, mas sei que existem. Por isso, a esta altura do campeonato, é bom lembrar que o conhecido vidente Carlinhos de Apucarana, durante a Copa do Mundo previu tudo o que aconteceu com a seleção brasileira, inclusive a goleada da Alemanha sobre o Brasil.

Interessante registrar que a previsão foi feita no início da Copa, quando ainda estávamos na fase da eliminatória e havíamos vencido bem o primeiro jogo.

O vidente foi claríssimo. Disse que a seleção brasileira iria adiante, mas não ganharia nada. E foi detalhando. Disse que, se o Brasil enfrentasse a Alemanha ou a Holanda, seria um desastre. Perderíamos de goleada para essas duas seleções. “Vai ser um gol atrás do outro”, previu, sempre lamentando que isso fosse acontecer.

Depois de esgotar o assunto Copa, o repórter da TV de Apucarana (Paraná) então perguntou quem iria ganhar a eleição. E o vidente respondeu da cara: “Aécio Neves”.

DEBATE NA RECORD

Não sei se Carlinhos de Apucarana vai continuar acertando suas previsões, mas pode ser que aconteça. O que sei é que no debate de hoje à noite, na TV Record, Dilma Rousseff tem mais uma chance de se recuperar e vencer a eleição no próximo domingo.

É possível, não há dúvida, mas improvável, diante de suas notórias dificuldades de falar em público e concatenar raciocínios.

No primeiro debate contra Aécio, na Band, terça-feira passada, quando todos esperavam que Dilma desmoronasse, ela conseguiu se superar e enfrentou bem o candidato tucano, fazendo com que experientes analistas, como Ricardo Noblat, tenham até considerado que a candidata petista ganhara o debate. A meu ver, porém, Aécio se saiu bem melhor, embora Dilma tenha surpreendido, dentro de suas limitações.

No segundo debate, no SBT, Dilma teve um retrocesso impressionante, deixou Aécio à vontade para atacá-la com invulgar competência. O resultado foi constrangedor. No final, ela se confundiu e até chamou o adversário de “presidente”. Depois do debate, não conseguiu dar uma entrevista, ficou toda enrolada, alegou que estava passando mal. Deram-lhe um copo d’água, ela imediatamente melhorou e foi embora com o marqueteiro João Santana.

Resumindo: se não se recuperar no debate de hoje, o vidente Carlinhos do Rio de Janeiro prevê que Dilma pode esquecer o eixo Planalto/Alvorada.

Lula e Dilma vão acabar ajudando a eleger Aécio Neves

Luiz Inácio Lula da Silva participa de comício com Fernando Pimentel (PT),governador eleito do estado de Minas Gerais em primeiro turno, na praça Duque de Caxias, Belo Horizonte (MG)

Descontrolado e apoplético, Lula agride Aécio em Belo Horizonte

Carlos Newton

Do jeito que a campanha está se desenrolando, Lula e Dilma vão acabar ajudando a eleger Aécio Neves. As agressões infundadas e as ofensas gratuitas estão pegando muito mal e podem beneficiar o candidato do PSDB, que já mostrou que não é trouxa e responde à altura quando provocado.

Lula parece ter se esquecido do importantíssimo conselho de seu principal assessor, o jornalista Wilson Thimóteo, que na campanha de 2002 sepultou o Lula rancoroso e vingativo, substituindo-o pelo Lula Paz & Amor, que acalmou o eleitorado e o levou a derrotar o tucano José Serra no segundo turno. Doze anos depois, agora quem aparece nos palanques é o velho Lula, que nada tem de Paz & Amor.

Este sábado, num comício realizado em Belo Horizonte, o ex-presidente perdeu inteiramente as estribeiras e comandou as ofensas e baixarias contra Aécio Neves.

“Foi o ponto mais baixo da campanha até aqui. E não apenas desta campanha: desde 1989 o Brasil não assistia a um festival de ataques como os que o PT hoje protagoniza em uma campanha. Lula não apenas se utiliza das mesmas armas de que foi alvo na campanha contra Collor, como vai ainda mais longe. No comício, o ex-presidente citou o nome de Aécio muito mais que o de Dilma, que se tornou personagem secundário dos discursos. A ordem era atacar, sem tréguas”, assinala o repórter Gabriel Castro, da editora Abril.

AGREDINDO MULHERES…

O jornalista revela que, num discurso preenchido por insultos pessoais ao tucano, Lula afirmou que Aécio usa violência contra as mulheres, por “experiência de vida”. Ao comentar a campanha do tucano,o ex-presidente insinuou até que Aécio costuma bater em mulheres.

“A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo”, afirmou Lula. O ex-presidente também classificou Aécio de “filhinho de papai” e “vingativo”. E o comparou a Fernando Collor. O mesmo Fernando Collor que hoje divide palanques com Dilma, como há uma semana, em Alagoas. E Lula não esqueceu de mencionar o episódio em que o adversário deixou de soprar o bafômetro em uma blitz no Rio de Janeiro.

Caramba! Lula e Aécio eram amigos. Por isso, até agora o tucano vem poupando o ex-presidente, que deveria ser o último a falar em bafômetro e relacionamento entre homem e mulher. Afinal, no mundo civilizado não existe nenhum outro caso de governante alcoólatra, que leva a amante no avião presidencial para sucessivas luas de mel no exterior e ainda manda que sejam pagas diárias a ela. Parece que Lula não gosta de olhar o próprio rabo.

E os eleitores mineiros, como estão encarando essas ofensas? Será que Dilma vai ganhar de novo lá?

No debate do SBT, Dilma chama Aécio Neves de “presidente”

Folhapress

Carlos Newton

Apesar das baixarias de sempre, foi interessante e revelador o debate presidencial transmitido pelo SBT. Como aconteceu no programa anterior, exibido terça-feira pela Band, a presidente Dilma Rousseff novamente surpreendeu e se apresentou além das expectativas, sem apresentar o raciocínio confuso e o linguajar enrolado que caracterizam suas apresentações ao vivo.

Bem treinada e municiada pelo marqueteiro João Santana, Dilma começou confiante, fazendo as acusações de sempre contra Aécio Neves, que dava as respostas de sempre, e o mano a mano estava parelho, com os dois no mesmo nível, até que a candidata do PT voltou a denunciar o “nepotismo” de Aécio, dando chance a que ele pudesse exaltar o espírito público da irmã Andrea Neves, que desenvolveu importante obra social em Minas, sem receber qualquer pagamento, trabalhando apenas como voluntária.

Se Dilma tivesse lido os jornais hoje, saberia disso e não levantaria a bola para Aécio, que terminou o bloco dando um duro troco, ao denunciar que o irmão de Dilma, Igor Rousseff, foi nomeado pelo então prefeito Fernando Pimentel em Belo Horizonte e jamais compareceu ao trabalho. Com essa bobeada de Dilma, o candidato do PSDB se saiu melhor no primeiro bloco.

SBT SE PORTOU BEM

Ao contrário do que ocorreu no debate da Band, quando a candidata do PT foi favorecida pela estranha inserção de duras propagandas do PT atacando Aécio Neves, a direção do SBT teve o cuidado de não inserir nenhuma publicidade relativa à eleição presidencial, poupando os dois candidatos.  Mas exibiu propagandas da eleição estadual e no Rio de Janeiro acabou beneficiando Pezão, com um comercial desmoralizando o candidato Marcelo Crivella por ser da Igreja Universal, criada pelo bispo Macedo, que é tio dele.

O segundo bloco começou com Dilma Rousseff dizendo que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, num dos depoimentos, acusou o ex-deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE) de também ter recebido propina.

Aí voltaram as acusações de corrupção para lá e para cá, nada de novo no front ocidental, e depois o assunto passou a ser segurança pública, em que Aécio se saiu bem, porque teve oportunidade de citar os projetos de lei que apresentou no Congresso e que estão engavetados pelo PT.

Depois, veio o tema mobilidade urbana e Dilma Rousseff fez uma declaração inacreditável, ao proclamar que “estão sendo construídos metrôs por todo o Brasil”, mas Aécio bobeou, deixando a mancada dela passar em branco.

Neste bloco, Aécio voltou a se apresentar melhor, e teve até chance de citar o expressivo número de obras inacabadas dos governos do PT.

BATENDO PESADO

No terceiro e último bloco, Dilma Rousseff começou batendo pesado, citando o conhecido episódio ocorrido com Aécio Neves, que foi apanhado numa blitz da Lei Seca e se recusou a fazer o teste do bafômetro. O candidato do PSDB respondeu que estava errado, disse que deveria ter feito o teste do bafômetro e que se arrepende disso, e foi aplaudido por seus assessores e pelos tucanos que estavam na platéia.

O apresentador Carlos Nascimento recolocou ordem na casa e o debate prosseguiu, com Dilma insistindo em lembrar o caso do bafômetro. Aécio então respondeu duramente e passou a enumerar as mentiras de Dilma nos debates e os exageros propositais na propaganda eleitoral do PT para denegrir os outros candidatos e enaltecer a atual presidente.

O nível foi baixando e Dilma voltou a falar em supostas falhas do governo de Aécio em Minas e ele respondeu lendo a decisão do Tribunal de Contas do Estado, que aprovou por unanimidade as prestações de contas apresentadas por seu governo.

O programa ia chegando ao final e Dilma recorreu novamente ao caso das pistas de pouso nos municípios de Cláudio e Montezuma, e Aécio repetiu as mesmas explicações, acrescentando apenas que Minas Gerais tem hoje 92 aeroportos etc. e tal.

A última a falar foi Dilma e curiosamente cometeu um ato falho em sua frase final, ao chamar Aécio de “presidente”. Mas pouca gente percebeu a bobeada.

Carlos Nascimento então abriu tempo de dois minutos e meio para as últimas declarações, Dilma falou primeiro, naquele estilo meio hesitante, e depois Aécio enumerou suas metas, encerrando o programa.

Resumindo: o candidato do PSDB voltou a se apresentar melhor, fazendo valer o prognóstico do mediador da Tribuna da Internet, ao analisar o primeiro enfrentamentos dos candidatos no primeiro turno:  “Se depender dos debates, Aécio será eleito”.

Depois do programa, Dilma passou mal, teve um problema de pressão, mas nem precisou ser medicada no local.

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PS – Uma observação final. Está pegando mal a insistência de Dilma Rousseff em colocar Minas Gerais no centro dos debates, ao invés de discutir propostas para o país. Desse jeito, a maioria do povo mineiro pode se unir contra ela, beneficiando Aécio.

 

SBT vai fazer a mesma armação que a Band fez com o PT?

15-debateRICOCarlos Newton

Sempre que ia iniciar um show ou programa de televisão, o célebre palhaço Carequinha, cujo centenário transcorre em 2015, fazia a mesma pergunta: “Hoje tem espetáculo?” E ele mesmo respondia: “Tem, sim senhor!“. Hoje é dia. Teremos mais um debate entre os dois candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), um embate que ninguém pode perder.

Como começa às 18 horas, a programação é mais destinada às donas de casa, aos aposentados e aos jovens nem-nem, que nem trabalham nem estudam e, consequentemente, não entram nas nossas criativas estatísticas de desemprego.

E depois ainda faltarão mais dois debates, semana que vem, na TV Record e na TV Globo, dando uma canseira no respeitável público. No programa de hoje no SBT, que vai ao ar menos de 48 horas depois do debate anterior na Band, os dois candidatos precisam desesperadamente mudar o repertório, para não entediar os telespectadores.

A expectativa é enorme. Qualquer vacilo pode ser fatal e nenhum dos pretendentes está em condição de perder eleitores, porque as pesquisas de opinião estão inteiramente desmoralizadas, ninguém acredita nelas e os candidatos não sabem em que situação realmente estão na disputa pela Presidência.

INTERVALOS COMERCIAIS

A maior expectativa diz respeito aos intervalos comerciais. Há enorme interesse em saber se o SBT vai fazer a mesma armação da Band, inserindo estrategicamente propaganda produzida pelo PT atacando o candidato Aécio Neves.

Já explicamos aqui na Tribuna da Internet que alguém levou uma bolada na Band para prestar o serviço ao PT, porque é impossível haver esse tipo de coincidência. A propaganda dos partidos é entregue às emissoras em pacotes, e quem decide em que intervalo comercial vai entrar esse ou aquele anúncio é a equipe de operadores de vídeo da emissora, que fazem a escolha aleatoriamente e nem se preocupam em prestar atenção em que comercial é escolhido para inserir. A equipe recebe apenas uma ordem por escrito dizendo assim: Intervalo tal, programa tal, anúncio 1 (Ponto Frio); anúncio 2 (TAM), anúncio 3 (chamada do programa tal), anúncio 4 (propaganda do PT). E o operador então edita uma fita com esses anúncios, nesta ordem, para que a inserção seja feita naquele determinado intervalo comercial.

Dizer que foi “coincidência” a Band fazer em pleno debate aquelas inserções atacando Aécio Neves, sem a menor dúvida, é menosprezar a inteligência alheia. Em televisão, como se sabe, tudo é possível se você tiver 30 dinheiros, digamos assim.

Vamos ver hoje como se comporta o Departamento de Programação do SBT.

Em nova pesquisa Datafolha, Aécio segue na frente

A 11 dias do segundo turno, a disputa pela Presidência da República continua extremamente acirrada, mostra pesquisa Datafolha feita na terça-feira (14) e nesta quarta (15). O senador Aécio Neves (PSDB) tem 51% dos votos válidos, a presidente Dilma Rousseff (PT) alcança 49%.

É um empate técnico, com exatamente os mesmos percentuais de voto válido da primeira pesquisa Datafolha do segundo turno, feita nos dias 8 e 9 deste mês. Nos dois casos, a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Em votos totais, Aécio tem 45%; Dilma, 43%. Na rodada anterior, cada um tinha um ponto percentual a mais. Os eleitores dispostos a votar nulo ou em branco oscilaram de 4% para 6%. Os indecisos continuam sendo 6%.

O instituto investigou ainda o grau de decisão dos eleitores. Aécio e Dilma também estão empatados na taxa de convicção: 42% afirmam intenção de votar nele “com certeza”, o mesmo valor para Dilma.

Há 18% que “talvez” possam votar no tucano (eram 22% na pesquisa anterior) ante 15% para Dilma (eram 14%). Já os que não votam em Aécio “de jeito nenhum” são 38% agora (eram 34% no dia 9), enquanto 42% rejeitam votar em Dilma (eram 43%).

O Datafolha ouviu 9.081 eleitores em 366 municípios. O nível de confiança do levantamento é 95% (em 100 pesquisas com a mesma metodologia, os resultados estarão dentro da margem de erro em 95 ocasiões). O registro do estudo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR 01098/2014.

Editoria de Arte/Folhapress

Primeiro debate é hoje, na Band. Um espetáculo realmente imperdível!

Carlos Newton

É claro que o horário eleitoral pelo rádio e TV tem forte influência no resultado das urnas, assim como a campanha nas ruas e na mídia, mas a eleição vai se decidir mesmo nos debates pela TV. O primeiro deles será realizado hoje à noite, na Band, com intermediação do jornalista Ricardo Boechat.

As estratégias dos concorrentes já estão bem definidas. Dilma Rousseff vai atacar a privataria tucana e tentar assumir os resultados obtidos pela Polícia Federal, dizendo que nunca antes, na História deste país, houve tamanha liberdade de investigação. Repetirá a tecla de que todos serão punidos, doa a quem doer, reclamará do “vazamento eleitoral” dos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef. E vai insistir na tática do medo, do retrocesso, do pobre comprando carro e viajando de avião.

Da mesma forma, Aécio vai seguir atacando a estagnação da economia, a volta da inflação, o aparelhamento do Estado, as obras inacabadas,a corrupção oficial, que realmente chegou a níveis realmente inesperados. E vai se beneficiar da tese de que o Brasil tem de mudar, melhorando educação, saúde, segurança e investimento, e agora só existe uma maneira de haver mudanças.

ARGUMENTOS FORTES

Bem, o jogo é este, mais do que sabido. Os argumentos são fortes de ambos os lados. Os candidatos funcionam como atores interpretando papéis principais. O que vai decidir a eleição será o desempenho de cada um deles. E o requisito mais importante é a tranquilidade.

Como Dilma hoje parece uma mulher à beira de ataque de nervos, e vive fazendo caras e bocas, como se fosse uma caricatura de si mesma, Aécio parece ter mais chances. Mas ninguém pode prever nada. Como dizia Abelardo Barbosa, o Chacrinha, o programa só acaba quando termina. Há sempre a possibilidade de Aécio dar alguma mancada e abrir espaço para Dilma crescer, como Marina fez na debate da Globo no primeiro turno. Justamente por isso, o espetáculo é imperdível.

PSB se livra de Amaral, que sonhava apoiar o PT e Dilma

Roberto Amaral, um estranho no ninho dentro do PSB

Carlos Newton

O Diretório Nacional do PSB escolheu, por aclamação, Carlos Siqueira, ex-coordenador da campanha de Eduardo Campos, como presidente nacional do partido, no lugar de Roberto Amaral, que não quis participar das eleições em protesto contra a decisão da legenda, tomada na semana passada, de apoiar a candidatura do tucano Aécio Neves.

A escolha da nova executiva do PSB nacional ocorreu em clima de consenso, sem haver  maior repercussão da atitude “emocional” do ex-presidente Roberto Amaral, que não somente decidiu não participar da disputa, mas também saiu disparando contra o partido, porque a legenda não quis aceitar sua proposta de apoiar a candidata do PT, Dilma Rousseff.

Ao chegar à reunião, o deputado Beto Albuquerque, que foi candidato a vice na chapa encabeçada por Marina Silva, disse que Amaral precisava aprender a respeitar as decisões partidárias e que se ele tivesse “força política” no partido, formaria sua própria chapa. “Se você não concorda com uma chapa e tem força política, se faz outra chapa”, disse Albuquerque.

Na verdade, Amaral não tinha votos nem prestígio. Era vice-presidente em consideração apenas à sua amizade ao ex-governador Miguel Arraes. Estava no PSB, mas se comportava como se fosse do PT. Jamais aceitou que o partido disputasse as eleições, defendendo ardorosamente que a legenda continuasse atrelada ao governo. Com a morte de Eduardo Campos, tentou evitar a candidatura de Marina Silva, mas foi derrotado. Com o insucesso de Marina no primeiro turno, voltou à carga, tentando fazer o PSB apoiar Dilma, mas foi novamente derrotado.

Com esse amor ao PT, Amaral conseguiu ser ministro no governo Lula e a partir de 2011 virou membro dos conselhos administrativos do BNDES e da Itaipu Binacional, recebendo mais de 20 mil mensais sem trabalhar, participando apenas de uma reunião por mês em cada uma das estatais. Essas mordomias explicam seu amor ao PT. Era um traidor infiltrado no PSB, que deveria expulsá-lo definitivamente, para que ele possa buscar abrigo no PT.

 

Corrupção na Petrobras é muito pior do que mensalão

Paulo Roberto Costa com Gabrielli, Dilma e Lula no Planalto, em 2006

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff pode esbravejar à vontade, dizer que o vazamento de informações significa crime eleitoral, acusar que a Polícia Federal está aparelhada pelo PSDB, alegar que desde o governo FHC já havia irregularidades e corrupção, nada disso funciona. O que interessa é que as denúncias são verdadeiras e rastreáveis, conforme está ficando comprovado nos novos depoimentos dos dois principais implicados, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.

É importante destacar que os dois estão sem comunicação entre si e suas novas declarações vêm sendo colhidas em separado. Mesmo assim, os Costa e Youssef têm falado exatamente a mesma coisa, com revelações coincidentes, em que citam os mesmos números e as mesmas autoridades envolvidas. É justamente essa similaridade de depoimentos que mostra estarem os dois falando a verdade, não há contradições e existem provas.

NOVOS NOMES

Começam a surgir novos nomes, as denúncias já envolvem o ex-diretor Renato Duque, que hoje é consultor de empresas fornecedoras da Petrobras, e o presidente eterno da Transpetro, Sérgio Machado (indicado em 2003 por Renan Calheiros e até hoje mantido no cargo).

Duque se diz revoltado com as acusações e mandou seus advogados entrarem na Justiça contra Paulo Roberto Costa no Juizado de Pequenas Causas, vejam só a que ponto chegamos, levando a corrupção a debate nesse tipo insignificante de tribunal.

GABRIELLI, DILMA E LULA

É inevitável que as novas revelações venham a atingir o ex-presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, aquele que despachava com José Dirceu num quarto de hotel em Brasília, em pleno escândalo do mensalão.

Mas a ligação do então diretor Costa não era apenas com Gabrielli. Existe uma foto, muito reveladora, batida em 2006, quando Lula era presidente e Dilma estava na Casa Civil, em que o diretor Paulo Roberto Costa aparece em audiência com o chefe do governo, ao lado de Gabrielli. Essa ocasião é totalmente atípica no Planalto. Presidente da República não despacha com diretor de estatal, apenas com o dirigente máximo, que no caso era Gabrielli.

Uma das perguntas que ficam é a seguinte: “O que levaria um modesto diretor de Abastecimento da Petrobras ao Planalto?”

Outra pergunta: “Em seus dois mandatos, Lula recebeu algum outro diretor da Petrobras em audiência?”

E mais uma: “Será que desta vez Lula e Dilma serão envolvidos nas investigações, ou continuarão dizendo que não sabiam de nada”?

O problema do Pezão é a mão grande e a goela enorme

Há algo cheirando muito mal no relacionamento de Cabral e Pezão, podem crer

Carlos Newton

Foi impressionante o desempenho do candidato Luiz Fernando Pezão (PMDB) na disputa do primeiro turno da eleição par governador do Rio de Janeiro. Chegou em primeiro, com 41% dos votos uteis, o que significou mais do dobro do total alcançado pelo segundo lugar, o senador Marcelo Crivella (PRB), com apenas 20,3%.

Agora tudo indica que Pezão será o novo governador do Rio, embora não mereça, porque está envolvido em grande número de irregularidades. Ele jamais foi um vice-governador omisso durante as duas gestões de Sérgio Cabral. Pelo contrário, sempre teve participação direta nos principais atos administrativos.

No primeiro mandato, Pezão simplesmente acumulou a vice-governadoria com a estratégica Secretaria Estadual de Obras, considerada a mais importante e cobiçada, por ter o maior orçamento e lidar diretamente com as empreiteiras. Traduzindo: foi Pezão quem assinou os contratos superfaturados com as principais construtoras do esquema da corrupção, principalmente a Delta de Fernando Cavendish, que ficou tão próximo do governador Sérgio Cabral  que chegaram ate a se tornar concunhados.

Quando houve o acidente do helicóptero de Cavendish próximo a Salvador, uma das vítimas foi a bela Fernanda Kfouri, cunhada do empreiteiro e então mulher de Sérgio Cabral, que estava separado de Adriana Ancelmo. Com o escândalo a estourar, Cabral se afastou de Cavendish, fingiu que nada tinha a ver com Fernanda Kfouri e voltou a viver com Adriana.

Pezão estava no meio desse rolo todo. No primeiro mandato, não somente assinava os contratos com as empreiteiras como depois concedia os chamados aditivos. Só não esteve em Paris com a turma do guardanapo na cabeça, porque precisou ficar no Rio de Janeiro para substituir Cabral, caso contrário o presidente da Assembléia assumiria o governo.

No segundo mandato, largou a Secretaria de Obras para assumir informalmente o governo, porque Cabral abandonou mesmo o cargo e não queria mais saber da rotina dos atos administrativos. Era Pezão quem cuidada de tudo. Ou seja, se o governo teve péssimo desempenho, a culpa é diretamente dele.

O povo do Estado do Rio, é claro, não tem conhecimento dessas características do candidato do PMDB, que além de ter pezão, possui também mão grande e está sempre com a goela aberta. Estranhamente, nenhum candidato explorou essas qualidades de Pezão na campanha do primeiro turno e ele pôde se passar por um caipira boa praça, trabalhador e dedicado ao povo. Mas na verdade não passa de mais uma raposa querendo tomar conta do galinheiro. Ah, Brasil!

 

 

 

Na Alemanha, para viajar com Lula em lua de mel, Rosemary teria de pagar caro, muito caro

Wálter Maierovitch
Portal Terra

Para a mídia alemã não representa notícia de interesse público o fato de a chanceler Angela Merkel, chefe de governo, não dar carona ao marido em avião oficial. Por exemplo, Merkel passou a Páscoa na cidade italiana de Nápoles a fim de descansar.  O avião oficial que a transportava desembarcou na sexta-feira e o corpo de segurança alemão a acompanhou à residência que alugara com dinheiro próprio.

Cerca de quatro horas depois do desembarque de Merkel em Nápoles, chegou o seu marido. Estava programado que o casal passaria a Páscoa em Nápoles. O “maridão”, no entanto, pegou um vôo comercial Berlim-Roma e, na sequência, uma conexão para Nápoles.

Por que não pegou uma “carona” com a poderosa chanceler e esposa? A resposta é simples. A carona em vôo oficial, segundo a legislação alemã, é muito cara. Mais de dez vezes o preço de um bilhete aéreo comercial. Por isso, o casal Merkel viajou separado. Em outras palavras, para economizar. Assim, o varão viajou como um comum mortal que, temporariamente, é esposo da chefe de governo da Alemanha. A virago, de enormes responsabilidades institucionais, cumpriu a lei e fez economia doméstica.

Depois da Páscoa, um avião alemão oficial conduziu Merkel de volta a Berlim, sede do governo e sua cidade natal. O esposo da chanceler partiu em vôo de carreira, com conexão e passagem paga por ele próprio e não pelo cidadão alemão.

(No Brasil, o senador Eduardo Suplicy, depois de noticiado na imprensa, correu para devolver o valor de uma  passagem aérea que o seu gabinete, por sua ordem e numa relação privada, havia comprado para a namorada.)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEste artigo do prof.  Wálter Maierovitch, enviado ao Blog por Mário Assis, faz sucesso na internet, com as consequentes comparações com os últimos presidentes brasileiros. Como se sabe, além da presidente Dilma levar toda a família para viagens de férias e finais de semana prolongados no avião da presidência da República, ainda se hospeda em instalações militares com tudo pago pelos cofres públicos – para ela e a trupe que a acompanha. O então presidente Lula fazia pior. Além de levar toda a parentada, permitia que os filhos dessem caronas a amigos. Sem dizer que nas viagens ao exterior, quando a primeira-dama Marisa Letícia não o acompanhava, Lula fazia questão de levar a segunda-dama Rosemary Noronha para lhe fazer companhia. Foram viagens de lua-de-mel a bordo a 30 países, inteiramente pagas pelo contribuinte, e Rosemary ainda recebia pagamento de diárias, por estar em viagem oficial. Estas diferenças entre Brasil e Alemanha deveria ser mais divulgadas pela imprensa brasileira. São lições de ética e de defesa do interesse do poder público. (C.N.)

 

Ex-presidente Sérgio Gabrielli é o próximo a ser envolvido nos escândalos da Petrobras

Carlos Newton

A realidade e a ficção vivem às turras. Ninguém sabe se é a ficção que imita a realidade ou se prevalece a vice-versa. Agora, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), acaba de negar o pedido do Ministério da Justiça e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras para ter acesso ao depoimento no qual o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa cita nomes de políticos favorecidos com propinas no esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Na decisão, o ministro alega que o depoimento corre em segredo de Justiça e não pode ser compartilhado, confirmando posição anterior do Supremo, adotada em setembro, quando os integrantes da CPMI se reuniram com o presidente do tribunal, Ricardo Lewandowski, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Na ocasião, segundo relato do presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), Lewandowski e Janot explicaram que o depoimento não poderia ser repassado, por ser restrito às partes que fazem a investigação.

Portanto, no caso dos escândalos da Petrobras (no plural, sempre no plural..), esta é a ficção do segredo de Justiça, enquanto a realidade é bem outra, pois os jornais estão repletos de notícias a respeito dos depoimentos de dois dos personagens principais, o ex- diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.

E o próximo a entrar em cena será o ex-presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli. Quando os depoentes se referem a “outras autoridades envolvidas”, ele é a principal delas. E será que também vai pedir delação premiada?

PT acirra guerra suja na internet criando falso site de médicos

Carlos Newton

Reportagem publicada no IG mostra que está tendo resultado a estratégia do PT de criar falsos sites na internet. A matéria denuncia que uma comunidade de quase 100 mil usuários numa rede social, que se declaram profissionais da classe médica brasileira, se tornou palco de uma guerra de classes no entorno da corrida presidencial.

Nem passou pela cabeça da autora da matéria, Carolina Macedo, que pudesse ser uma criação de marqueteiro para desconstruir a candidatura do tucano Aécio. A jornalista do Yahoo denuncia que, com o título de “Dignidade Médica”, as postagens do grupo pregam “castrações químicas” contra nordestinos, profissionais com menor nível hierárquico, como recepcionistas de consultório e enfermeiras, e propõe um “holocausto” entre os eleitores da petista.

Médicos, professores e estudantes de medicina estão entre os 97.901 membros da comunidade na rede social Facebook. Entre postagens de revolta com a situação da econômica do País e xingamentos a nordestinos, os participantes confessam que fazem campanha pró-Aécio até dentro do próprio consultório – público ou privado – convencendo os seus pacientes. Eles dizem que colocam “a recepcionista no lugar dela” com ameaças de que perderia o emprego com a reeleição de Dilma”, diz a ingênua repórter, acrescentando:

O discurso de ódio com conta com frases de “nível de conversa que pobre entende” e ameaças de expulsão do grupo caso o usuário se manifeste contra os ideais da página. Um usuário protesta: “70% de votos para Dilma no Nordeste! Médicos do Nordeste causem um holocausto por aí! Temos que mudar essa realidade!“, salienta a jornalista do Yahoo.

É impressionante como jornalistas possam cair num golpe tão primário, aplicado através de um site supostamente formado por 97.901 pessoas absolutamente anônimas, sem a menção do nome de uma só delas. E não somente a repórter acreditou nessa história, como também seu chefe de reportagem e outros integrantes de destaque do Portal Yahoo. É inacreditável, inconcebível e, ao mesmo tempo, detestável e abominável.

Se é desse jeito que o PT pensa que ganhará a eleição, seus articuladores estão inteiramente enganados. Ninguém pode aceitar esse baixo nível de retaliação política. A resposta acabará sendo a desmoralização do PT, e não do PSDB.

Executiva do PSB decide esta quarta-feira apoio a Aécio

Aécio abraça Beto Albuquerque, do PSB, que defende sua candidatura

Carlos Newton

A  Comissão Executiva Nacional do PSB vai se reunir esta quarta-feira (8), em Brasília, a partir das 14h, na sede do partido, para uma avaliação da disputa eleitoral do último domingo (5)  e sobre o apoio da legenda a um dos candidatos à Presidência da República no segundo turno da eleição presidencial.

A expectativa é de que o partido apoie a candidatura do tucano Aécio Neves, devido à forte pressão do Diretório de Pernambuco e do candidato à vice-presidente na chapa de Marina, deputado Beto Albuquerque, do Rio Grande do Sul.

O presidente interino do PSB, Roberto Amaral, tem trabalhado internamente para que o partido apoie a reeleição da presidente Dilma, mas ninguém sabe se ele terá coragem de submeter essa proposta à Comissão Executiva.

Todos sabem que Amaral, ao lutar pela adesão do PSB ao PT, na verdade está defendendo seus interesses pessoais, porque desde 2011 é integrante dos conselhos administrativos do BNDES e da Itaipu Binacional, recebendo mais de R$ 20 mil mensais sem trabalhar, apenas participando de uma reunião mensal em cada uma dessas estatais.

MARINA, NA QUINTA-FEIRA

Quanto à posição pessoal de Marina Silva, ela só decidirá sua posição na quinta-feira, após a reunião dos partidos da Coligação Unidos pelo Brasil (PSB, REDE, PHS, PRP, PPS, PPL e PSL), que apoiaram sua candidatura à Presidência, em que ficou no terceiro lugar com 21,32% dos votos válidos.

O PPS se adiantou e já declarou seu apoio a Aécio Neves. Tudo indica que o PSB faça o mesmo. E la nave va…

 

 

 

Acredite se quiser, presidente do PSB quer trair Marina e apoiar Dilma

O beijo da traição: Roberto Amaral traiu Eduardo Campos e vai trair Marina

Carlos Newton

A disputa interna no PSB, adiada para 13 de outubro, quando haverá eleição da nova Executiva, ganhou ainda mais importância com a derrota de Marina Silva no primeiro turno.

Desde a morte de Eduardo Campos, a 13 de agosto, o PSB vem sendo presidido interinamente por Roberto Amaral, que inopinadamente convocou essa eleição interna do partido em plena sucessão presidencial, algo jamais visto na política do Brasil e do mundo.

Desde o primeiro governo Lula o PSB estava coligado ao PT, Roberto Amaral chegou a ser ministro de Lula e beneficiário de rendosos cargos em conselhos de estatais. Quando Eduardo Campos decidiu se lançar à Presidência da República, em 2012, Amaral se posicionou contra e passou a fazer oposição a Campos dentro do PSB.

O aliança entre socialistas e petistas em Pernambuco foi formalmente interrompida com a eleição de Geraldo Julio para a prefeitura do Recife, em 2012, e abriu caminho para a candidatura presidencial de Eduardo Campos, à época contestada por setores do PSB e causa da saída do governador Cid Gomes, do Ceará, e de seu irmão, Ciro, para o Pros.

PARTIDO DIVIDIDO

O presidente em exercício do PSB, Roberto Amaral, sempre se opôs à candidatura de Campos, preferindo apoiar Dilma Rousseff. Foi derrotado na convenção, mas não reviu sua convicção.

Sem Campos e diante da derrota da candidatura de Marina Silva, o PSB agora trabalha em duas frentes internas, a ala conduzida por Roberto Amaral, sonha com nova coalizão com o PT, e a facção liderada pelo Diretório pernambucano quer se aliar ao PSDB.

A pressa de Amaral em se consolidar presidente do partido e apoiar Dilma e o PT sofre uma desaceleração por pressão do núcleo pernambucano, apoiado pelo primeiro vice-presidente da legenda, Beto Albuquerque, que deve sair candidato à presidência, enfrentando Roberto Amaral, que não tem voto nem prestígio no partido, enquanto o grupo de Pernambuco saiu amplamente vitorioso nessa eleição.

No PSB, Roberto Amaral não engana mais ninguém. É um estranho no ninho e ser defenestrado pelo Diretório Nacional, que vai eleger Beto Albuquerque para a presidência, até para compensá-lo pelo sacrifício da candidatura na chapa de Marina Silva, deixando de lado uma tranquila reeleição para a Câmara Federal.

E tudo indica que o PSB venha a apoiar Aécio Neves, para se fortalecer ainda mais.

Afinal, por que Marina Silva foi derrotada de novo?

Marina chorando em público e dando demonstração de fraqueza

Carlos Newton

Conforme se esperava, no primeiro turno assistimos a uma reta de chegada espetacular, como se diz no linguajar turfístico. A primeira colocada Dilma Rousseff (PT) chegou em primeiro com folga, mas agora está seriamente ameaçada pelo segundo colocado Aécio Neves (PSDB), que apareceu por fora, numa atropelada sensacional, e conseguiu fazer a dupla exata e se inscrever para o Grande Prêmio Governo do Brasil, a corrida final e decisiva, mano a mano, no segundo turno.

Apesar das tentativas de acertos de última hora, nas vésperas das eleições, a verdade é que os conhecidos e desconhecidos “institutos de pesquisas “(melhor chamá-los de “empresas de pesquisas”) fizeram papel feio nessas eleições. Todos erraram grosseiramente. Não apenas os mais afamados, como Ibope, Datafolha e Vox Populi, como também os menos conhecidos, como Sensus e MDA.

As empresas de pesquisas deveriam fazer como o candidato Eduardo Jorge (PV) sugeriu a Levy Fidelix, e pedir perdão aos eleitores. Afinal, elas são pagas para quê? Informar ou enganar a opinião pública?

A estatística é uma ciência social, que pode ser praticamente uma ciência exata, mas é preciso que suas rigorosas regras sejam observadas estritamente. Pesquisa eleitoral é um exemplo de estatística de amostragem. Para que tenham um mínimo de credibilidade, têm de obedecer aos critérios semelhantes ao universo eleitoral, em termos de faixa de idade,  instrução, localização e classe social, com subdivisões bem estabelecidas.

Fazer pesquisa com 2 mil pessoas em 100 municípios, num país das dimensões e das diversidades do Brasil, deveria ser considerado piada do ano.

A QUEDA DE MARINA

Em meio a essa arrancada dos últimos metros, com decisão de segundo lugar no photochart, os torcedores se perguntam por que Marina, que chegara a ser favorita nas apostas, caiu tanto em relação aos outros dois concorrentes.

O fato é o seguinte: quando ela se tornou candidata e passou a subir rapidamente nas pesquisas, os outros candidatos começaram a atacá-la de todas as maneiras. Essa reação já era esperada, faz parte do jogo, a política brasileira ainda é feita assim, de uma forma sórdida, sem debate de ideias ou programas de governo. A baixaria come solta.

É claro que Marina e seu marqueteiro Diego Brandy tinham de estar preparados para isso. Brandy é um sociológo argentino que trabalhou nas duas campanhas vitoriosas de Campos ao governo de Pernambuco, em 2006 e 2010. Mas será que Marina ouviu as indicações dele? Provavelmente, não.

ATAQUES DE DILMA E AÉCIO

O certo é que a estratégia de Dilma Rousseff e Aécio Neves passou a ser o ataque direto a Marina Silva. Ao adotar essa postura agressiva, demonstraram disposição, força e empenho para ganhar a eleição. Enquanto isso, Marina aceitava passivamente essas agressões, não quis atacar os erros de Lula, chegou a chorar em público lembrando a antiga amizade. Sua equivocada estratégia limitou-se a se defender, adotando uma atitude passiva, passando por vítima, enquanto os outros dois candidatos mostravam-se proativos e aguerridos.

Marina repetiu o erro da seleção brasileira, não apenas chorou em público, como também pediu orações a seus eleitores. Ela demorou a aprender que ninguém gosta de líder fraco. O candidato precisa ter o estilo de Euclides da Cunha – ser, antes de tudo, um forte.  O resultado é que parte dos eleitores de Marina voltou a pender para Dilma e outra parte preferiu refluir para Aécio Neves, que mostra grande poder de recuperação e voltou a disputar com chances a passagem para o segundo turno.

É claro que Marina sentiu o golpe e no final subiu o tom da campanha, mas ainda estava longe de falar o que se espera de uma candidata de oposição ao mais corrupto dos governos brasileiros, em todos os tempos.

O próprio Aécio, em nome da “velha amizade”, também foi comedido nas críticas a Lula, mas na política não se aceita esse tipo de vacilação. Não se pode contemporizar com um adversário de tamanho porte. É um erro. No segundo turno, para ganhar a eleição, Aécio terá de subir o tom das críticas. Como diz aquele título de um velho filme de  faroeste, a “História não fala dos covardes”.

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PS – Essas explicações sobre a queda de Marina Silva foram publicadas aqui na Tribuna da Internet algumas semanas antes da eleição. Estamos repetindo o raciocínio porque não aconteceu nada de novo. Marina caiu mesmo porque ninguém gosta de líder fraco. Simples assim.

Aécio tem de esquecer “velha amizade” a Lula e partir para cima

No segundo turno, Aécio terá de pegar pesado para derrotar Dilma e Lula

Carlos Newton

O candidato Aécio Neves, do PSDB, durante todo o primeiro turno foi comedido em suas críticas a Lula, mas na política não se aceita esse tipo de vacilação. Não se pode contemporizar com um adversário de tamanho porte. É um erro.

Aécio conseguiu passar para o segundo turno, mas se realmente quiser ganhar a eleição, terá de subir o tom das críticas a Dilma Rousseff, ao PT e também ao ex-presidente Lula, que faz parte desta trindade que nada tem de santíssima.

Candidato precisa tomar posições e falar claro, para ser bem entendido. Especialmente em segundo turno de eleição presidencial. A realidade brasileira não admite dúvidas: há 12 anos no poder, o PT tornou-se uma quadrilha e o cappo chama-se Luiz Inácio. Aécio não poderá contornar essa situação. A cada dia explode um escândalo, quase sempre envolvendo o PT. Culpar o partido e a administração Dilma Rousseff, tentando poupar Lula, será um erro estratégico que pode lhe roubar a vitória.

PT VEM COM TUDO…

O PT vai partir para cima, no mesmo estilo de baixaria, usado contra Marina Silva. Vão falar o tempo todo na “privataria tucana”. Em eleição presidencial, vale tudo, inclusive mentir e falsear a realidade, como Dilma Rousseff tem feito, proclamando, por exemplo, que os médicos cubanos estão atendendo a 50 milhões de brasileiros (o equivalente a um quarto da população). Ela disse essa barbaridade num debate na TV e ficou tudo por isso mesmo.

Aécio Neves terá de bater na situação precária que o país atravessa, no estilo “É a economia, estúpido!”, como disse em 1992 o genial assessor democrata James Carville, que trabalhava para Bill Clinton.

No Brasil, o problema é justamente a economia. No último ano de Lula, o PIB cresceu 7,5 e elegeu Dilma. Mas agora o superávit primário virou déficit, o PIB parou de crescer, temos uma situação de estagflação (recessão e inflação, conjuntas). A desindustrialização é flagrante. Até as contas públicas passaram a ser maquiadas e perderam a confiabilidade. O aparelhamento do BNDES, do IPEA e do IBGE é notório, são instituições que estão perdendo a credibilidade. As obras do PAC estão paradas, há risco de apagão, o Custo Brasil não para de crescer. E por aí afora, é sempre a economia, estúpido.

LULA NADA FEZ?

E a culpa de tudo isso é apenas de Dilma e do PT? O velho Lula nada tem a ver com isso? É claro que ninguém acredita nisso e Aécio terá de sair atropelando essa realidade. Tem de mostrar claramente que qualquer outro governo deve ser preferível para os brasileiros. Se quiser ganhar a eleição, claro.

Daqui a pouco a gente volta, comentando a necessidade de Aécio Neves contar com apoio de Marina Silva, que foi duramente atacada por ele no primeiro turno.

 

Sem Suplicy, o Senado jamais será o mesmo…

Suplicy, defendendo da tribuna do Senado a Taxa Robin Wood

Carlos Newton

São instigantes dos resultados das eleições para o Senado, em que havia apenas uma vaga para cada unidade da Federação. A relação dos eleitos mostra uma pulverização entre diversos partidos e a pequena renovação de mais da metade dos senadores.

Entre os vitoriosos, há políticos experientes e bastante conhecidos no país, como o líder ruralista Ronaldo Caiado, do DEM, eleito por Goiás, o ex-governador José Maranhão, do PMDB da Paraíba, o ex-governador Antonio Anastasia, do PSDB mineiro, o ex-governador Álvaro Dias, do PSDB do Paraná, o ex-senador José Serra, do PSDB de São Paulo, e a senadora Kátia Abreu, que se reelegeu pelo PMDB de Tocantins.

Quem também permanece no Senado é o ex-presidente Fernando Collor (PTB), que derrotou com facilidade a ex-senadora Heloisa Helena, do PSol, que tem mandato de vereadora em Maceió.

MUITOS NOVATOS

Há nomes menos conhecidos nacionalmente, como a deputada Rose de Freitas, eleita pelo PMDB no Espírito Santo, José Antonio Reguffe, do PDT do Distrito Federal, e Dario Berger, do PMDB de Santa Catarina.

Outro novato no Senado é um veterano na Câmara: Wellington Fagundes, do PR de Mato Grosso, que já foram eleito deputado federal por seis mandatos. Também saem da Câmara para o Senado os deputados federais David Alcolumbre, do DEM no Amapá, e o ex-jogador Romário, do PSB do Rio de Janeiro, que derrotou amplamente um político experiente como Cesar Maia, do DEM.

No Amazonas, o ex-governador Omar Aziz, do PSD, venceu com quase 60 por cento dos votos. E o Rio Grande do Norte ganha uma senadora do PT, Fátima Bezerra. No Maranhão, o candidato do Roberto Rocha, do PSB, venceu a disputa contra o deputado federal Gastão Vieira, do PMDB, aliado do senador e ex-presidente José Sarney e ex-ministro do Turismo do governo Dilma Rousseff. O PSB venceu também em Pernambuco, elegendo o ex-deputado Fernando Bezerra.

MAIS ESTREANTES

Outro nome pouco conhecido é da candidata Simone Tebet, eleita pelo PMDB no Mato Grosso do Sul. No Pará, o candidato Paulo Rocha, que se torna senador pelo PT, só era conhecido por seu envolvimento no mensalão, e chegou a ter sua candidatura impugnada pelo TSE, com base na Lei da Ficha Limpa, mas conseguiu recorrer e participar da eleição.

Na Bahia, o PSD conseguiu fazer um senado, Otto Alencar, que derrotou de forma acachapante o peemedebista Geddel Vieira Lima, ex-ministro no governo Lula.

Também é desconhecido nacionalmente o novo senador do Piauí, Elmano Férrer, do PTB, apelidado de “Veín Trabalhador”, que é ex-prefeito de Teresina e superou o governador Wilson Martins.

Mais estreantes no Senado: o jornalista Lasier Martins, do PDT no Rio Grande do Sul, que nunca disputara eleições e derrotou o ex-governador Olivio Dutra. O PDT fez mais outros senadores, ao eleger o candidato Acir Gurgacz em Rondônia, e Telmário Mota, em Roraima, além do já citado Reguffe, no DF.

O PP elegeu apenas um senador, Gladson Cameli, no Acre. As eleições marcaram também a volta de um dos senadores mais conhecidos nacionalmente, Tasso Jereissati, do PSDB do Ceará.

A renovação passou dos 50% e tem um significado positivo. Mas uma coisa é certa, sem a participação do petista Eduardo Suplicy, o Senado nunca mais será o mesmo.

 

Pesquisas erram feio e Aécio Neves está no segundo turno


Carlos Newton

O presidente do Datafolha, Mauro Paulino, deu entrevista às vésperas da eleição e disse que, se Aécio Neves confirmasse ter passado Marina Silva nas urnas, seria um fato inédito em disputas presidenciais, pois o único exemplo anterior, em 1989, quando o candidato Lula passou Leonel Brizola e foi para o segundo turno contra Fernando Collor, já ocorria há mais tempo uma situação de empate técnico entre o segundo e o terceiro colocado nas pesquisas.

Pois os resultados parciais das urnas agora mostram que todos os institutos de pesquisas, mas todos, mesmo, erraram feio na eleição presidencial, superestimando os votos de Dilma Rousseff e Marina Silva e subestimando a votação de Aécio Neves.

Fica demonstrado que, pelo menos aqui no Brasil, as pesquisas não são realizadas nem anunciadas com a seriedade que seria de se esperar. Conforme foi amplamente discutido aqui na Tribuna da Internet, durante o período pré-eleitoral, os chamados institutos mostravam sua falta de responsabilidade ao declararem margens de erro inferiores à realidade das normas estatísticas e, por isso, tudo poderia acontecer. O comentarista Wagner Pires deu repetidas aulas a respeito aqui no Blog.

MARGEM DE ERRO FALSA

Mas os institutos faziam questão de insistir na falsidade, sem declarar a verdadeira margem de erro, que é diretamente proporcional ao número de entrevistas feitas. Uma pesquisa realizada ouvindo apenas 2 mil eleitores jamais pode declarar margem de erro igual ao de um levantamento que abranger 10 mil eleitores, conforme denunciamos.

Ao final, fica-se sabendo que os tais institutos estão cada vez mais especializados em ganhar dinheiro alto e enganar os incautos. E vamos nos divertir agora, assistindo na TV a cenas hilariantes, com os representantes das empresas de pesquisa (é melhor considerá-las assim) tentando defender o indefensável.

Votar é a única saída. Não desperdice esta oportunidade.

Carlos Newton

No desespero com a progressiva decadência dos três poderes da República, muitos brasileiros defendem uma renovação radical da classe política. Uns pretendem invalidar as eleições através do voto nulo ou em branco, outros defendem a abstenção e há também quem sugira que não se reeleja nenhum político, votando-se apenas em quem jamais disputou eleição.

Alguns acham que, se a maioria anular o voto, votar em branco ou se abster, a eleição será automaticamente invalidade, mas isso não é verdade. Nenhuma eleição jamais será invalidada por votos nulos, em branco ou abstenção massiva. Se houver apenas um voto, ele será válido e o resultado da eleição estará confirmado.

Na forma da lei, infelizmente a nulidade da votação somente ocorre em casos muito especiais, com ocorrência de fraude ou erro essencial de organização.

UMA DECEPÇÃO ENORME

Entende-se perfeitamente a decepção desses brasileiros. Realmente, é muito duro suportar tanta falta de espírito público, tanta corrupção e tanta impunidade, em meio à progressiva segregação de grande parte da população brasileira, que necessita dos serviços públicos de saúde, educação, saneamento e transportes, mas continua eternamente desassistida.

Veja-se o caso da saúde pública, por exemplo. Os governantes conseguiram dividir os brasileiros em duas classes – os que têm planos de saúde e os que não têm. Mas há, ainda, mais uma subclasse, formada pelos segurados de planos de saúde que não funcionam e fazem com que o suposto beneficiário acabe tendo de recorrer aos hospitais públicos.

Na educação, formaram-se as mesmas classes, dividindo os brasileiros entre os que têm escola particular e os que necessitam da escola pública, havendo também a subclasse dos que se sacrificam para colocar os filhos em colégios particulares que também quase nada ensinam.

REALIDADE MASSACRANTE

É diante desta realidade incontestável e massacrante que muitos brasileiros perdem a confiança nas eleições, por entenderem que votar não significa nada. É verdade, muitas eleições não mudam nada, mas não se pode aceitar esse posicionamento autodestrutivo de brasileiros conscientes, porque a eleição é nossa única arma.

Se os brasileiros conscientes desistem de votar, os únicos beneficiados são os políticos profissionais, que já têm seus feudos. Quando votamos nulo ou em branco, e quando deixamos de votar, os corruptos ficam cada vez mais fortalecidos.

Por tudo isso, fica claro que os brasileiros conscientes não podem se omitir nas eleições. Pelo contrário, precisam participar e influir para que os melhores candidatos (ou os “menos piores”, como diz o comentarista Théo Fernandes) sejam eleitos. Pensem nisso.

Carlos Newton

No desespero com a progressiva decadência dos três poderes da República, muitos brasileiros defendem uma renovação radical da classe política. Uns pretendem invalidar as eleições através do voto nulo ou em branco, outros defendem a abstenção e há também quem sugira que não se reeleja nenhum político, votando-se apenas em quem jamais disputou eleição.

Alguns acham que, se a maioria anular o voto, votar em branco ou se abster, a eleição será automaticamente invalidade, mas isso não é verdade. Nenhuma eleição jamais será invalidada por votos nulos, em branco ou abstenção massiva. Se houver apenas um voto, ele será válido e o resultado da eleição estará confirmado.

Na forma da lei, infelizmente a nulidade da votação somente ocorre em casos muito especiais, com ocorrência de fraude ou erro essencial de organização.

UMA DECEPÇÃO ENORME

Entende-se perfeitamente a decepção desses brasileiros. Realmente, é muito duro suportar tanta falta de espírito público, tanta corrupção e tanta impunidade, em meio à progressiva segregação de grande parte da população brasileira, que necessita dos serviços públicos de saúde, educação, saneamento e transportes, mas continua eternamente desassistida.

Veja-se o caso da saúde pública, por exemplo. Os governantes conseguiram dividir os brasileiros em duas classes – os que têm planos de saúde e os que não têm. Mas há, ainda, mais uma subclasse, formada pelos segurados de planos de saúde que não funcionam e fazem com que o suposto beneficiário acabe tendo de recorrer aos hospitais públicos.

Na educação, formaram-se as mesmas classes, dividindo os brasileiros entre os que têm escola particular e os que necessitam da escola pública, havendo também a subclasse dos que se sacrificam para colocar os filhos em colégios particulares que também quase nada ensinam.

REALIDADE MASSACRANTE

É diante desta realidade incontestável e massacrante que muitos brasileiros perdem a confiança nas eleições, por entenderem que votar não significa nada. É verdade, muitas eleições não mudam nada, mas não se pode aceitar esse posicionamento autodestrutivo de brasileiros conscientes, porque a eleição é nossa única arma.

Se os brasileiros conscientes desistem de votar, os únicos beneficiados são os políticos profissionais, que já têm seus feudos. Quando votamos nulo ou em branco, e quando deixamos de votar, os corruptos ficam cada vez mais fortalecidos.

Por tudo isso, fica claro que os brasileiros conscientes não podem se omitir nas eleições. Pelo contrário, precisam participar e influir para que os melhores candidatos (ou os “menos piores”, como diz o comentarista Théo Fernandes) sejam eleitos. Pensem nisso.

Ministro do STF confirma envolvimento de parlamentares nos escândalos da Petrobras

Ministro Teori Zavascki é o relator e começa a abrir o jogo

Carlos Newton

Ao homologar o acordo de delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e principal envolvida no esquema de corrupção levantado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou que por meio das revelações dele, “foi possível identificar um conjunto de pessoas físicas e jurídicas envolvidas em operações ilícitas, entre as quais as utilizadas inclusive para lavar dinheiro oriundo de crimes antecedentes praticados em detrimento da Petrobrás”.

Para o relator do processo, “há elementos indicativos, a partir dos termos do depoimento, de possível envolvimento de várias autoridades detentoras de prerrogativa de foro perante tribunais superiores, inclusive de parlamentares federais, o que atrai a competência do Supremo Tribunal Federal, a teor do artigo 102, I, b, da Constituição”. Ou seja, o processo vai se desenrolar no supremo como Ação Penal, exatamente como o Mensalão.

É pena que não haja vazamento dos nomes dos parlamentares antes das eleições, para que os eleitores pudessem mudar os votos. Mas de toda forma será reconfortante assistir ao martírios deles, perdendo os mandatos, caso sejam vencedores este domingo.