Gilberto Carvalho diz que denúncia de corrupção na Petrobras é só boataria

Carlos Newton
O ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República compareceu domingo ao desfile cívico de 7 de setembro em Brasília e falou sobre o novo escândalo da Operação Lava Jato, com a lista de parlamentares, governadores e até ministro envolvidos na corrupção da Petrobras, com denúncias de um esquema de corrupção na empresa que atingem diretamente a base aliada da presidente Dilma Rousseff.

Segundo a Agência Brasil, Carvalho classificou como “boataria” as denúncias de envolvimento de parlamentares em esquema de pagamento de propina na Petrobras. Segundo, o ministro, as acusações têm caráter eleitoreiro.

“Não posso tomar como denúncia contra a base aliada uma boataria de um vazamento sobre um procedimento que não sei qual é. Só vamos falar depois que houver o inteiro teor das denúncias”, disse. “Estão tentando usar a notícia de delação premiada para, no desespero, mudar o rumo da campanha. O vazamento é sempre condenável”, completou.

Para Carvalho, só após a confirmação das denúncias o governo fará a apuração do caso. “As apurações serão feitas como sempre ocorreram”, afirmou.

SOLUÇÃO FÁCIL

Segundo a repórter Amanda Almeida, do Correio Braziliense, o ministro Gilberto Carvalho, disse, na manhã deste domingo (7/9), que as informações passadas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa ao Ministério Público Federal são “mais um incidente” que mostra a necessidade de reforma política no país. 

Confira a declaração do secretário-geral da Presidência, gravada pela jornalista do Correio: “(Sem financiamento público de campanha) Nós não temos como acabar com a corrupção e livrar o Congresso dessa dependência econômica (de empresas que banquem as corridas eleitorais”, disse o ministro, depois de assistir ao lado de Dilma, ao desfile cívico em Brasília.

Gilberto Carvalho repetiu discurso da presidente Dilma de que o Planalto precisa de mais informações sobre o que foi dito por Costa para tomar “as providências cabíveis”. A presidente saiu sem falar com a imprensa.

TUDO RESOLVIDO

Como se constata nas declarações do ministro, que é considerado como homem de confiança do ex-presidente Lula no Palácio do Planalto, o gravíssimo problema da corrupção na política brasileira pode ter solução imediata: basta o Congresso aprovar a obrigatoriedade do financiamento público da campanha eleitoral.

E a gente pensando que o problema seria difícil de resolver…

Perguntar não ofende: quais são os 62 políticos corruptos já entregues pelo ex-diretor da Petrobras?

Carlos Newton

Reportagem de Mario Cesar Carvalho, na Folha, revela que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, em depoimentos de sua delação premiada, já entregou o nome de 12 senadores, 49 deputados federais e um governador. Os envolvidos seriam de três partidos, ainda de acordo com a apuração da reportagem: PT, PMDB e PP.

Na cela em que está preso na Polícia Federal em Curitiba (PR), Costa dizia que não haveria eleições neste ano se ele revelasse tudo o que sabe. Mas acontece que a Polícia Federal está mantendo sigilo absoluto sobre o assunto e as eleições não serão afetadas. É o caminho certo. Somente depois de coligidas as provas é que as prisões poderão ser feitas e os processos iniciados etc. e tal.

Segundo a Folha, os políticos receberiam 3% do valor dos contratos da Petrobras na época em que Costa era diretor de distribuição da estatal, entre 2004 e 2012. Mas as informações a respeito ainda são muito desencontradas. Há reportagens que incluem outros partidos e até um ministro, como diz a Veja.

VEJA CITA VÁRIOS NOMES

Segundo a Veja, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa listou o ministro Edison Lobão, os líderes do Congresso e até o ex-governador Eduardo Campos entre os políticos envolvidos com esquema de corrupção na Petrobras.

No documento obtido pela “Veja”, Paulo Roberto Costa cita pelo menos 25 deputados federais, 6 senadores, 3 governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos (PT, PMDB e PP), que teriam tirado proveito de parte do dinheiro desviado dos cofres da Petrobras.

Contudo, papéis obtidos pela Folha mostram que a lista de políticos tem no total 12 senadores e 49 deputados federais. O jornal não teve acesso ao documento que cita os nomes dos parlamentares.

Diz a Veja que entre os envolvidos estão o ministro Lobão (Minas e Energia), o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Romero Jucá (PMDB-RR) e os deputados Cândido Vaccarezza (SP), João Pizzolatti (PP-SC) e Mário Negromonte (PP).

Entre os governadores, o ex-diretor cita o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto no dia 13 de agosto em um acidente aéreo em Santos (SP).

INVESTIGAÇÃO

Segundo a Folha, a escolha dos contratos superfaturados e do caminho pelo qual a propina chega aos partidos têm uma razão prática: são esses pontos sobre os quais os procuradores têm menos provas para usar nas ações penais. Um exemplo dos indícios de que Costa cuidava da distribuição de recursos a partidos: a Polícia Federal apreendeu uma caderneta do ex-diretor da Petrobras com anotações de doação de R$ 28,5 milhões em 2010 para o PP.

Os procuradores dizem nas ações que os recursos saíram de contratos superfaturados da Petrobras, principalmente na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, da qual Costa era um dos responsáveis. A obra já consumiu US$ 18,5 bilhões (R$ 42,2 bilhões).

DELAÇÃO PREMIADA

Como se sabe, delação premiada ou colaboração com a Justiça é a figura jurídica que prevê a redução de pena quando um réu fornece informações que possam esclarecer outros crimes. O depoimento (ou depoimentos, não se sabe ao certo) já foi enviado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal para que o ministro Teori Zavascki homologue o acordo.

A reportagem da Folha lembra que Costa decidiu fazer uma delação premiada no último dia 22, depois que a Polícia Federal fez buscas em empresas de suas filhas, de seus genros e de um amigo dele, todas no Rio de Janeiro. Em uma das empresas, a Polícia Federal encontrou indícios de que Costa tem mais contas no exterior.

Primeiramente, o ex-diretor havia negado à polícia que tinha recursos no exterior. Mas em junho a Suíça comunicou às autoridades brasileiras que Costa e seus familiares tinham US$ 23 milhões em contas secretas naquele país.  E a existência dessas contas na Suíça acabou sendo o motivo encontrado pelo juiz federal Sergio Moro para decretar a prisão de Costa pela segunda vez, em 11 de junho, porque ele havia sido libertado pelo ministro Teori Zavascki, que à época considerou a prisão abusiva.

Costa pediu a delação premiada porque estava em pânico também com a perspectiva de ser condenado a 30 anos de prisão, pena máxima no Brasil. Agora, quem está em pânico são os políticos que participaram dessa Farra do Boi em versão petrolífera.

Rejeição a Dilma Rousseff caiu, mas continua a ser o dobro da rejeição a Marina. É aí que mora o perigo

Dilma x Casillas

Carlos Newton

Conforme já expliquei, sou contrário a pesquisas eleitorais, por dois motivos: primeiro, devido à possibilidade de manipulações; e segundo, porque sempre conduzem a uma polarização entre dois candidatos. Se não houvesse pesquisas nesta eleição, por exemplo, ninguém saberia quem estava na frente. Assim, os que pretendessem votar em Eduardo Jorge (PV), por exemplo, não deixaria de fazê-lo por julgar que ele não teria chance. Não haveria a teoria do voto útil ou teoria do não-desperdício do voto), no primeiro turno cada eleitor votaria em seu candidato preferido. 

Mas o fato é que as pesquisas existem e conduzem à polarização, que era entre Dila e Aécio e passou a ser entre Marina e Dilma. E como não se pode desprezar as pesquisas, vamos analisá-las ao contrário, de cabeça para baixo (ou de ponta-cabeça, como dizem em outros estados).

Muitas vezes, o importante não é apenas a aceitação dos candidatos. Há situações em que a eleição pode ser resolvida ao contrário, pela rejeição aos candidatos. Aqui na Tribuna da Internet, nosso amigo Carlos Chagas já chamou atenção para esse curioso fenômeno, e ele tem toda razão.

REJEIÇÕES EM QUEDA

Vamos então conferir as duas pesquisas mais recentes:

O levantamento do Ibope, encomendado pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela Rede Globo, divulgado dia 3, quarta-feira, mostrou uma queda na taxa de rejeição da candidata Dilma Rousseff (PT) de 36% para 31% da semana passada para cá. A taxa de rejeição da candidata Marina Silva (PSB) oscilou de 10% para 12% no mesmo período. A rejeição ao candidato Aécio Neves (PSDB) se manteve em 18%.

Já a pesquisa Datafolha divulgada quinta-feira, dia 4, mostrou que o índice de rejeição da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) caiu para 32%. Nas pesquisas anteriores, o porcentual havia oscilado de 34% para 35%. A rejeição do candidato Aécio Neves (PSDB) está em 21%, ante 18% e 22% nas mostras mais recentes. E a candidata Marina Silva (PSB) tem 16%, ante 11% e 15% nas anteriores.

Ainda segundo  a pesquisa Datafolha, 18% dos eleitores não votariam de jeito nenhum no pastor Everaldo, 12% em Levy Fidelix (PRTB), 11% em Zé Maria (PSTU) e Eymael (PSDC). A taxa de rejeição a Luciana Genro (PSOL) e Mauro Iasi (PCB) é 10% e a de Eduardo Jorge (PV), 7%; 12% disseram que poderiam votar em todos e 15% não sabem ou não responderam.

É na rejeição que mora o perigo. Ninguém consegue vencer no segundo turno quando existe alta taxa de rejeição. Este era o argumento principal dos líderes do movimento “Volta,Lula”, mas Dilma manteve-se irredutível. 

 

Aécio e Dilma estão esperando Godot para se salvarem. Mas Godot não virá…

Samuel Beckett flutua e delira à espera de Godot..

Carlos Newton

Como na célebre peça do dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989), aliás, a primeira escrita por ele, os candidatos Aécio Neves e Dilma Rousseff, diante da impressionante arrancada de Marina Silva, estão “esperando Godot” para tentarem salvar suas respectivas candidaturas.

Para um ou para outra, o providencial personagem Godot poderia ser substituído por alguma ideia genial, que fosse capaz de fazer os eleitores pararem para raciocinar, de forma a perceberem que nem sempre devemos nos deixar conduzir apenas pela emoção, porque em muitos casos uma pitada de racionalismo pode mudar as coisas. Mas essa ideia até agora não foi sequer esboçada pelos milionários marqueteiros (emprego mais bem pago do país).

MARQUETEIROS

O publicitário João Santana, que é uma espécie de 40º ministro de Dilma Rousseff, o único em que ela realmente confia e acredita, até agora se limitou a mandar Dilma atacar Marina Silva, dizendo que a candidata do PSB é uma nova versão de Jânio Quadros e Fernando Collor. Como tese, isso é apenas uma bobajada; como piada, é horrível, não serve para nada.

O marqueteiro de Aécio Neves, Paulo Vasconcelos, também está cacatônico. Ele já trabalhou diversas vezes com o político mineiro, com sucesso. Em 2002 e 2006, fez as campanhas ao governo de Minas, ambas vitoriosas. Em 2010, coordenou as campanhas de Aécio ao Senado e Antônio Anastasia ao governo de Minas. E foi o responsável pela propaganda eleitoral de Márcio Lacerda (PSB), prefeito de Belo Horizonte e parceiro dos tucanos, em 2008. Mas disputa de Presidência da República é outro departamento. E agora as críticas chovem sobre Vasconcelos, que no desespero mandou Aécio atacar Marina, uma burrice realmente colossal.

EQUÍVOCO COLOSSAL

Aécio aceitou a estratégia ofensiva, completamente equivocada. Está atacando justamente a candidata com a qual terá de se aliar no segundo turno. Com que constrangimento depois pedirá desculpas a quem nunca o atacou e agora está apenas reagindo a ofensas seguidas, de Aécio e de Dilma?

Enquanto os dois marqueteiros batem cabeça, Dilma e Aécio caem nas pesquisas de dois dos principais estados, Rio e São Paulo, mostrando que as estratégicas são patéticas e só darão certo caso Marina Silva caia na armadilha, dedicando-se a responder às ofensas, ao invés de concentrar suas forças exclusivamente na conquista do eleitorado.

O assunto é apaixonante e amanhã a gente volta a ele, dando aos dois marqueteiros uma sugestão que poderia ser salvadora a qualquer um dos candidatos, mas infelizmente a tese não poderá ser aceita, porque os dois (Aécio e Dilma) parecem já estarem comprometidos demais. Godot não virá.

Você acreditou mesmo quando o governo disse que ia apurar as alterações em perfis de jornalistas na internet?

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Carlos Newton

No Planalto, as coisas acontecem devagar, devagarinho, no ritmo de Martinho da Vila. A Secretaria de Administração da Presidência da República, por exemplo, alardeou que iria apurar o uso da rede de internet do Planalto para fazer as alterações nos perfis dos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Míriam Leitão, ambos da Organização Globo.

Mas somente quatro dias depois do escândalo é que o governo federal deu o primeiro passo, ao publicar na edição do Diário Oficial da União a portaria que criou uma comissão de sindicância investigativa para apurar o caso das alterações feitas em perfis de jornalistas na Wikipédia, enciclopédia virtual, a partir da rede de internet do Palácio do Planalto. A portaria estabeleceu o prazo de 30 dias para a conclusão dos trabalhos e designa os servidores que integram a comissão.

Como se sabe, reportagem do jornal O Globo, publicada no dia 8 de agosto , revelou que os perfis de Sardenberg e Míriam Leitão tinham sido alterados, em maio do ano passado, a partir da rede de computadores do Palácio do Planalto, e a fraude incluiu críticas às atuações dos dois profissionais como comentaristas econômicos.

FESTIVAL DE FRAUDES

Além desses perfis, já se sabe que partiu do Palácio do Planalto um verdadeiro festival de adulterações na Wikipédia, inclusive visando a limpar a imagem do ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, no caso Celso Daniel. Isso significa que esse tipo de iniciativa fraudulenta passou a ser rotina na sede do governo, vejam a que ponto chegamos em matéria de falta de ética.

A coisa mais simples é descobrir o culpado (ou culpados), porque os computadores do Planalto operam através de senha. Não há como evitar que se descubra de onde partiu a fraude. E a tal comissão nem precisaria desses 30 dias que o governo tão generosamente lhes ofereceu. O mais certo, porém, é que tão cedo não saia qualquer conclusão. O Planalto vai manter sepultado o instigante assunto até o final das eleições. Podem apostar.

SUMIÇO DE ENTREVISTA

Seria bom saber se está sendo investigado também o sumiço da entrevista de Gilberto Carvalho postada pela Agência Brasil (antiga Agência Nacional). Na matéria, que só foi republicada pelo Correio Braziliense e pela Tribuna da Internet, Carvalho dizia que “um doidinho do Planalto” fizera as adulterações na Wikipédia

Poucas horas depois da postagem, sem qualquer explicação, a entrevista do ministro foi abduzida do site da Agência Nacional. A meu ver é fato mais grave do que a adulteração de currículos que ninguém lê. O sumiço da entrevista de Carvalho significa a existência de censura oficial na Agência Brasil, mas quem se interessa?

Se tiver a candidatura cancelada, Arruda já tem substituto: a própria mulher

Carlos Newton

Reportagem de Almiro Barros, no Correio Braziliense, mostra que a disputa eleitoral no DF terá momentos decisivos nos próximos dias, quando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Dias Toffoli, despachar o pedido do Ministério Público, que requereu a suspensão da campanha de José Roberto Arruda, do PR.

Arruda está com a candidatura cancelada pela Lei da Ficha Limpa, mas apresentou recurso do Superior Tribunal de Justiça. Ele está à frente nas pesquisas e restam apenas duas semanas para que a coligação possa tomar a decisão de substituir o cabeça da chapa ou mantê-lo no páreo, sob risco de ficar sem candidato e perder as eleições.

A data de 15 de setembro é fatal para mudanças porque, a partir daí, encerra-se a possibilidade de alterações. Ainda que Arruda adote um discurso otimista, o grupo mais próximo de aliados começa a analisar qual é o candidato mais viável num plano B. E está emergindo a possibilidade de lançamento da própria mulher de Arruda, Flávia Peres, que jamais disputou eleição.

VAI ATÉ O FIM?

Segundo o repórter Almiro Bastos, a avaliação entre os aliados de Arruda é de que ele está determinado a continuar, o que representa motivo de preocupação. Afinal, se Arruda ultrapassar a data decisiva de 15 de setembro na cabeça de chapa, pode colocar a perder o trabalho da coligação, caso não consiga reverter na Justiça a sua condição de ficha suja.

Se a chapa é cassada antes do primeiro turno, por exemplo, apenas os outros adversários inscritos concorrem. Se a decisão da Justiça barrar a candidatura entre o primeiro e o segundo turnos, os dois candidatos mais bem classificados além dele vão para a disputa. Se Arruda vencer, mas for classificado ficha suja após as eleições, os votos são anulados e nova eleição é convocada.

Eleitor, é hora de acabar com a reeleição e restabelecer a alternância no poder

Carlos Newton

Estamos diante de uma sucessão presidencial de características especiais. Um dos pontos mais importantes é a reeleição. Está na hora de os eleitores decidirem se querem manter a reeleição ou refluir para o sistema de 5 anos de mandato. Entre os três candidatos que concorrem com condições de vitória, dois deles já se manifestaram contra a reeleição – Aécio Neves e Marina Silva.

No sistema atual, que é propositadamente injusto, o presidente da República não se desincompatibiliza e concorre mantendo o pleno domínio da máquina do governo, usando a caneta republicana e detendo a chave dos cofres do Tesouro Nacional.

Com base no exemplo desse presidencialismo continuísta, governadores e prefeitos também acabaram se beneficiando nessa versão política da Farra do Boi, ganhando o esdrúxulo e inaceitável “direito” de concorrer ao segundo mandato sempre em condições privilegiadas. Com essa manobra, FHC ficou dois mandatos. Lula também se deu bem e ainda conseguiu eleger a sucessora.

ARDIL DA REELEIÇÃO

Muitos brasileiros já perceberam que esse ardil criado no primeiro governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso é uma arma poderosa contra a mais importante instituição da democracia – a alternância no poder.

Coincidência ou não, 79% do eleitorado expressaram desejo de mudança na pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira, e os governadores de 16 das unidades da Federação (incluindo o Distrito Federal) estão em situação difícil nas eleições deste ano.

A crise afeta tanto os que disputam a reeleição quanto os que tentam emplacar o sucessor. Dos 17 que buscam um segundo mandato, apenas cinco lideram as pesquisas de intenção de voto. Três estão empatados e sete em desvantagem, de acordo com pesquisas Ibope e Datafolha (não há levantamentos desses institutos na Paraíba e em Tocantins, onde os governadores disputam a reeleição). Em 2010, dos 18 que tentaram a reeleição, 13 foram bem-sucedidos, ou 72%.

É IMPORTANTE PARTICIPAR

O cidadão é muito desprotegido num país como o Brasil, onde os três Poderes tentam inventar uma Ilha da Fantasia em meio a um mar de corrupção. Sua única arma é o voto. É compreensível que, diante dessa poluição política, muitos eleitores estejam dispostos a anular o voto ou a não eleger ninguém que já tenha mandato, forçando uma renovação total, o que seria outra injustiça, pois ainda há parlamentares que cumprem seus mandatos com honra e perseverança. São poucos, mas existem, não merecem ser afastados da política.

Repetindo: dois candidatos são contra a reeleição. Escolha um deles e vote acertadamente, para que volte a existir maior alternância de poder em nosso país. Se não o fizermos agora, as próximas gerações terão de fazê-lo Do jeito que está é que não pode continuar. Pensem nisso.

Nova política de Marina é um projeto de cunho personalíssimo, que só beneficia a ela própria

Carlos Newton

Em 13 de maio de 2008, a senadora licenciada Marina Silva (PT-AC) pediu demissão do ministério. Em carta ao presidente Lula, afirmou: “Esta difícil decisão, Sr. Presidente, decorre das dificuldades que tenho enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental federal”. E voltou para o Senado.

Em 19 de agosto de 2009, deixou o PT, manifestando seu desacordo com uma “concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida”.

Já estava tudo acertado com o Partido Verde, e onze dias depois ela anunciou sua filiação ao PV, para disputar no ano seguinte, 2010, a Presidência da República, em chapa que contava com o empresário Guilherme Leal (grupo Natura) como candidato a vice e financiador.

BAIXO CARBONO

Marina alegou que o objetivo de sua candidatura era “promover um acordo social no Brasil que integrasse avanços dos governos passados e apontasse para uma economia de baixo carbono“.

A candidata se comprometia a manter as conquistas dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, entre elas a estabilização econômica e a redução da pobreza, e prometia governar junto com os “núcleos vivos” da sociedade em defesa do desenvolvimento sustentável.

Entre suas propostas estavam os programas sociais de terceira geração. Segundo essa diretriz, uma rede de agentes de desenvolvimento familiar teria a responsabilidade de levar programas sociais às famílias mais pobres e dar apoio a suas escolhas, o que facilitaria a inclusão produtiva desses brasileiros na sociedade.

Teve 19,6 milhões de votos, quase 20% dos votos válidos. Foi o melhor desempenho de um terceiro colocado desde a redemocratização do país.

SAINDO DO PV…

Nos meses seguintes, Marina tentou assumir o comando do PV e foi rechaçada pelo grupo do deputado José Luiz Penna, que há mais de 10 anos domina e explora o partido, sem convocar eleições internas.

Em 7 de julho de 2011, a ex-senadora anunciou sua saída do PV. “Queremos resgatar as motivações originais deste projeto, agora participando da construção de uma nova política efetivamente democrática, ética, ecológica, participativa, inovadora e conectada com os desafios e oportunidades que o século 21 nos impõe”, afirmava, junto com outras 15 lideranças, na carta enviada à direção do partido.

Com apoio financeiro de Neca Setubal, herdeira do grupo Itaú, começou a formar um partido, que mesmo com ajuda de políticos do PMDB (Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos), PDT (Miro Teixeira), PT (Eduardo Suplicy),  PSBD, PPS e outros, não conseguiu o registro da Rede Sustentabilidade.

Na véspera da data fatal para filiação, procurou o PSB de Eduardo Campos para se candidatar, pensando que seria a cabeça da chapa, por causa dos 20 milhões de votos. Mas Eduardo não aceitou e ela saiu como vice da chapa dele. O ex-governador esperava que Marina levaria com ela os 20 milhões de votos e nada aconteceu. Na verdade, não fez força e não cansava de falar que, depois das eleições, voltaria a trabalhar para viabilizar a Rede Sustentabilidade.

Com a morte de Eduardo, ela assumiu a cabeça da chapa e aproveitando a comoção do momento, assumiu a missão de “salvadora da pátria”, mediante uma “providência divina”, como disse própria justificou.

Traduzindo, até agora a nova política de Marina da Silva não passa de um mero projeto pessoal de poder. Alguém ainda tem alguma dúvida?

 

Agora, salvação de Dilma é torcer para que Aécio chegue na frente de Marina no primeiro turno

Carlos Newton

Não sou nada fã de pesquisas Novoeleitorais. Acho que nem deveriam ser permitidas num país como o Brasil, que imita muita coisa ruim dos Estados Unidos e esquece de imitar coisas boas que existem por lá, como o protecionismo comercial e a defesa intransigente dos interesses nacionais.

Nos EUA, que só têm dois partidos para valer, as pesquisas são justificáveis, mas aqui, com quase 40 legendas, esse tipo de levantamento estatístico pode induzir a uma polarização entre os dois candidatos mais prestigiados, prejudicando todos os demais. É a teoria do voto útil, que leva o eleitor a evitar “desperdiçar” o voto, se escolher uma terceira força tida como “sem chance”.

Além da tendência à polarização, os próprios erros das pesquisas, como aconteceu na eleição do prefeito de Manaus, Arthur Virgilio, no primeiro turno, há dois anos, mostram que não se pode confiar nelas.

No caso da eleição presidencial, não acredito em vitória de Dilma Rousseff. E o motivo parece flagrante. Ela é fraca demais, enrolada demais, vaidosa demais, uma espécie de presidente “caras & bocas”. Seu governo não estimula ninguém, é o contrário do governo Lula, que levava as pessoas a serem otimistas. Por isso, o mercado torce tanto contra ela.

ESTACIONÁRIA

O fato é que a candidatura de Dilma ficou estacionada em 34%, não desce nem sobe, mostrando que ela não tem vida própria, depende diretamente do PT e do ex-presidente Lula, que detêm cerca de 1/3 dos votos. Ao mesmo tempo, Marina Silva já chegou a 29% pelo Ibope, apenas a cinco pontos porcentuais atrás da presidente Dilma, mas praticamente dentro da margem de erro do empate técnico.

E o importante é que o segundo turno está mais do que confirmado, pois a soma dos adversários de Dilma dá 51%, 17 pontos a mais do que os 34% da presidente.

SEGUNDO TURNO

Na simulação de segundo turno, diz o Ibope que Marina seria eleita com 45%, contra 36% da petista. Há, porém, ainda 11% de indecisos e outros 9% que anulariam. Contra Aécio, Dilma ainda seria reeleita: 41% a 35%. Nesse cenário, há mais indecisos e eleitores que anulariam: 12% em cada grupo. E o Ibope esqueceu de fazer a pesquisa Marina contra Aécio…

Detalhe fundamental: na pesquisa espontânea, em que é indagada a intenção de voto do eleitor sem mostrar a cartela com os nomes dos candidatos, Dilma segue na liderança, com 27%. Marina chega a 18% e Aécio tem 12%.

Com a entrada de Marina Silva, o número de eleitores indecisos na espontânea despencou de 43% para 28%, em relação à pesquisa anterior do Ibope, de 6 de agosto.

Dos três primeiros colocados, Marina tem a menor rejeição. Apenas 10% dizem que não votariam nela de jeito nenhum, contra 36% que não votariam em Dilma, e 18% que rejeitam Aécio. Tirem suas conclusões. Para mim, a salvação de Dilma é torcer para Aécio ultrapassar Marina.

Linha dura do Exército manda comandante impor silêncio sobre crimes da ditadura e Dilma Rousseff não o demite

Carlos Newton

Os jornais publicaram, discretamente, que um ofício assinado pelo general Enzo Peri, comandante do Exército, proíbe que unidades militares deem informações sobre crimes ou violências praticadas em suas dependências durante a ditadura militar (1964-1985).

A existência do ofício foi do Ministério Público Federal, que o recebeu após ter informações negadas pelo Hospital Central do Exército, conforme publicou Chico Otavio  em  “O Globo”. No documento encaminhado a subordinados em fevereiro, Enzo disse que qualquer informação referente ao tema deveria ser respondido exclusivamente por seu gabinete.

“A respeito do assunto, informo a esse comando que pedidos/requisições de documentos realizados pelo Poder Executivo, Poder Legislativo, Ministério Público, Defensoria Pública e missivistas que tenham relação ao período de 1964 a 1985 serão respondidos, exclusivamente, por intermédio do gabinete do comandante do Exército”, diz trecho do documento assinado pelo general Enzo Peri.

LINHA DURA PRESSIONA

Já faz tempo que a chamada “linha dura” do Exército vem pressionando o comandante Peri, que é da Engenharia e nunca comandou tropa. Na Marinha e na Aeronáutica acontece a mesma pressão e o Clube Naval, quando era presidido pelo vice-almirante Veiga Cabral, chegou a criar sua própria Comissão da Verdade.

Os militares não querem apurar nada, nem mesmo casos importantes como os assassinatos do deputado Rubens Paiva e do estudante Stuart Angel Jones. Querem que tudo caia no esquecimento, mas isso não é possível, porque uma coisa é aceitar a anistia, e outra coisa muito diferente é fingir que não aconteceu nada.

O pior desa história toda é que a comandanta-em-chefa das Força Armadas, Dilma Rousseff, não tomou a menor iniciativa. E o mínimo que deveria ter feito era demitir o comandante do Exército e mandá-lo criar galinhas.

O governo não sabe mais o que fazer para reanimar o mercado imobiliário, e as empresas dão até R$ 500 mil de desconto

Carlos Newton

A crise se agrava e as empresas do setor estão jogando seus últimos trunfos. A PDG, maior construtora do país, na semana passada fez uma promoção inacreditável, oferecendo descontos entre R$ 30 mil e R$ 500 mil. Outras empresas oferecem um carro zero quilômetro na garage ou o apartamento inteiramente decorado, mas não adianta nada. Não há procura para imóveis nos preços que ainda tentam praticar.

Não dá para esconder que a crise é muito grave. Desde 2012, tentam evitar a expressão  ‘”bolha imobiliária”, dizem que a desmesurada alta dos preços foi norma, como mera valorização ou simples realinhamento. Mas o nome real disso é especulação desenfreada, movida por ganância e tentativa de lucro fácil.

Funciona como o famoso golpe da “pirâmide”. Os primeiros a entrar se dão bem, a procura cresce incessantemente, de repente todos estão ganhando muito dinheiro. Quem vende a alto preço, realiza lucro. Quem comprou também comemora, porque os preços continuam subindo, dá até vontade de vender o imóvel recém-adquirido.

UM DIA A CASA CAI

Mas acontece que esses imóveis são como castelos de cartas, não têm fundação sólida e um dia a casa cai. A demanda diminui drasticamente e obriga a que os preços também caiam na mesma proporção. Não há alternativa, é assim que funciona a Lei da Oferta e da Procura, que rege todos os mercados.

Sem ter mais alternativa para reaquecer o mercado, o ainda ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenta embromar os empresários, que estão em situação desesperadora, segundo o economista Luís Carlos Ewald, do Fantástico e da GloboNews.

Para acalmar o setor, Mantega anuncia que o governo federal vai simplificar, por meio de medida provisória, o procedimento de aquisição de imóveis financiados. “Vai ser mais fácil comprar imóvel com financiamento. Estamos reduzindo a necessidade de fazer périplo pelos cartórios”, disse.

A ideia salvadora é concentrar na matrícula do imóvel todas as informações que possam resultar em ônus sobre imóvel. “Quando você vai fazer uma transação imobiliária financiada, tem que tirar um monte de certidão em um monte de cartórios. Vamos concentrar em um único cartório”, afirmou Mantega, acrescentando que isso diminui o trabalho do comprador, simplifica a operação e dá segurança jurídica ao negócio. “Dá segurança jurídica porque você vai ter um panorama de todas as transações desse imóvel. Não tem possibilidade de furo”, disse.

IMÓVEL COMO GARANTIA

O governo também anunciou um estímulo aos empréstimos que dão imóvel como garantia (também conhecidos como home equity). Agora, parte dos recursos da poupança (3%) poderá ser utilizada nessa modalidade. “O financiamento ficará mais barato. O juro ficará mais barato”, disse o ministro. O incentivo depende de aprovação no Conselho Monetário Nacional. A expectativa é que ela adicione R$ 16 bilhões em novas operações.

As duas medidas são até interessantes, especialmente a simplificação da atividade cartorial, que já deveria ter sido adotada há séculos. Mas não vão adiantar nada. Se os preços não caírem, o mercado imobiliário continuará paralisado.

Quanto ao estímulo a empréstimos com imóvel como garantia, este é justamente o sistema que causou a bolha imobiliária nos Estados Unidos e no Japão, onde florescia a mania de fazer hipotecas. Por enquanto, aqui no Brasil temos uma bolha domesticada, que não estoura e apenas vai esvaziando até se adequar à situação real de mercado. Mas se continuarmos nessa linha, inventando falsas soluções, vamos acabar aumentando a bolha, que poderá ficar fora de controle e explodir.  Pensem nisso.

Para favorecer Dilma, “petistas” do PSB tentam demolir Marina Silva

Carlos Siqueira tenta inviabilizar a candidatura de Marina

Carlos Newton

Com reportagem de Tarso Lyra, Étore Medeiros e Denise Rothenburg, o Correio Braziliense anuncia que “a crise na campanha presidencial de Marina Silva cresce na mesma proporção das justificativas dadas por dirigentes do PSB e da Rede de que tudo está dentro da normalidade”.

Este espalhafato é motivado pelo fato de o antigo coordenador-geral da campanha, Carlos Siqueira, ter entregue o cargo, dizendo para Marina ir “mandar na Rede dela”. Depois, deu extravagantes entrevistas para afirmar que a nova candidata está muito longe de representar o legado de Eduardo Campos e dizendo grosserias, como: “Da Marina, só quero distância”.

“Eu sei o que ele Eduardo Campos sofreu para manter essa coalizão”, disse o exagerado Carlos Siqueira, que deixou a campanha junto com Milton Coelho, do comitê de mobilização, e no mesmo dia vazaram rumores de que também o responsável pela arrecadação, Henrique Costa, estaria pensado em retornar a suas atividades profissionais, e o marqueteiro Diego Brandy só teria permanecido após receber o aval de pessoas próximas a Campos.

JANTANDO COM O INIMIGO

Detalhe da maior importância: 48 horas depois da morte de Eduardo Campos, sem qualquer comunicação à Comissão Executiva ou ao Diretório Nacional, Carlos Siqueira e o presidente interino Roberto Amaral se reuniram longamente com Lula e jantaram na sede do Instituto Lula, quando o ex-presidente lhes pediu para fazerem o PSB apoiar Dilma Rousseff.

Não seria preciso dizer mais nada sobre o boicote a Marina Silva, mas é sempre bom lembrar também que Roberto Amaral foi sempre contrário à candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República e em 2013 fez um esforço inaudito para que o PSB seguisse apoiando Dilma Rousseff na campanha sucessória.

Agora, já está mais do que claro de que lado Roberto Amaral e Carlos Siqueira estão. Se Marina Silva depender dos dois para vencer a eleição, é melhor ir logo preparando sua volta ao seringal em Xapuri.

Sem votos e sem prestígio no PSB, Amaral e Siqueira também deveriam abandonar logo o barco e se filiar ao PT, que realmente está precisando de militantes fiéis como eles.

 

Você acredita que os 11 ministros do Supremo conseguem julgar mais de 50 mil processos num só ano?

Carlos Newton

Certamente você não acredita, pois o Brasil inteiro acompanhou o julgamento da Ação Penal 470 (Mensalão), um único processo e que chegou a consumir um ano inteiro de trabalho da Suprema Corte. Porém, apesar disso, as estatísticas de produção dos ministros exibem números anuais estratosféricos e que merecem um exame acurado, em nome da transparência e da verdade dos fatos. Mas na verdade o excesso de trabalho é uma balela e cada ministro tem um número enorme de assessores que redigem praticamente tudo para eles.

Por causa do processo contra a transferência do controle da TV Globo de São Paulo para a família Marinho, realizada por meio de documentos e procurações falsos (agravo regimental 665.065/RJ, que está parado no gabinete do ministro relator Celso de Mello há dois anos e meio, enquanto processos recentes e com numeração superior a 820.000 já foram julgados), fui buscar no site do STF explicações para esse milagre da multiplicação dos julgamentos (www.stf.jus.br).

E a resposta veio rápida e cristalina. No STF, simples despachos monocráticos em agravos de instrumento e em agravos regimentais (acórdãos), com não mais de duas páginas de texto, boa parte totalmente repetitivo (copia e cola), que chegam a superar a casa dos 40 mil num só ano, são considerados “processos julgados” para efeitos estatísticos.

AGRAVO ENGAVETADO

Assim, não causa estranheza que numa única sessão de julgamento de uma das turmas, um único ministro coloque em julgamento mais de 100 processos, com decisões não lidas e todos acabam concordando. A bem da verdade, quase 99% desses recursos são rejeitados nessas sessões-relâmpago.

Por exemplo, o ministro Celso de Mello, que até agora não enxergou os quase 30 volumes do processo contra a TV Globo, que desde o início de 2012 ocupa espaço de vulto em seu gabinete, só no início do mês de agosto submeteu ao conhecimento da 2ª Turma cerca de 70 agravos regimentais, interpostos nos últimos 30 dias, negando provimento a todos eles. Mas não colocou em julgamento o agravo 665065/RJ, que interessa à Globo e continua preterido não se sabe por quê.

No mês de junho passado o mesmo ministro levou ao julgamento da 2ª. Turma mais de 90 agravos regimentais, mas esqueceu justamente o número 665065/RJ, só pode ser coincidência.

Para melhor esclarecer o leitor, vamos exibir duas decisões monocráticas proferidas pelo ministro Celso de Mello, em 10 de junho de 2014, em processos de agravo e com partes totalmente diferentes. No agravo 810.681 a recorrente é a União Federal e no agravo 811.692 recorre o Estado de Pernambuco.

Como esses 2 processos, centenas, milhares de outros têm o mesmo texto e a mesma conclusão (improvimento) e engordam as estatísticas da Suprema Corte.

ATÉ O GLOBO RECLAMA

Até o jornal o “Globo” está preocupado com a morosidade do Poder Judiciário. Em editorial do dia 18 passado, disse que a Justiça brasileira é lenta e a morosidade é uma negação do ato de fazer justiça. Como discordar do jornal da família Marinho?

Por entenderem que a situação descrita fere o inciso LXXVIII, do artigo 5º da Constituição Federal, e a Lei Orgânica da Magistratura (exceder injustificadamente os prazos para sentenciar ou despachar), alguns herdeiros de ex-acionistas da ex-Rádio Televisão Paulista, hoje, TV Globo de São Paulo, e cidadãos comuns estão pensando em levar a questão ao conhecimento do Senado Federal, com amparo na Lei 1.079/1950.

Que ironia! O processo engavetado no Supremo refere-se à usurpação da TV Paulista, feita ilegalmente por Roberto Marinho durante o regime militar. Mais de 600 acionistas da emissora tiveram suas valorizadíssimas ações transferidas para o jornalista Roberto Marinho a custo zero.

TEXTOS IDÊNTICOS…

Leia abaixo duas decisões monocráticas proferidas pelo mesmo relator em agravos nos recursos extraordinários e com partes diferentes. Os textos são idênticos e contêm até os mesmos erros de digitação:

 RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 810.681 RIO DE JANEIRORELATOR :MIN. CELSO DE MELLORECTE.(S) :UNIÃOPROC.(A/S)(ES) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃORECDO.(A/S) :DÉBORA MALIKI MENAGEDADV.(A/S) :LEONARDO FAJNGOLD DECISÃO: O presente recurso não impugna todos os fundamentosem que se apoia o ato decisório ora questionado.Isso significa que a parte agravante, ao assim proceder, descumpriuuma típica obrigação processual que lhe incumbia atender, pois, como sesabe, impõe-se, ao recorrente, afastar, pontualmente, cada uma das razõesinvocadas como suporte da decisão agravada (AI 238.454-AgR/SC, Rel.Min. CELSO DE MELLO, v.g.).O descumprimento desse dever jurídico – ausência de impugnaçãode cada um dos fundamentos em que se apoia o ato decisório agravado –conduz, nos termos da orientação jurisprudencial firmada por estaSuprema Corte, ao desacolhimento do agravo interposto (RTJ 126/864 –RTJ 133/485 – RTJ 145/940 – RTJ 146/320):“RECURSO EXTRAORDINÁRIO – DECISÃO QUENEGA SEGUIMENTO AO APELO EXTREMO –INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO QUE NÃO IMPUGNA ASRAZÕES DESSE ATO DECISÓRIO – AGRAVO IMPROVIDO.RECURSO EXTRAORDINÁRIO – DECISÃO QUENEGA SEGUIMENTO AO APELO EXTREMO –INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO QUE NÃO IMPUGNA ASRAZÕES DESSE ATO DECISÓRIO – AGRAVO IMPROVIDO.– Impõe-se, à parte recorrente, quando da interposição doagravo de instrumento, a obrigação processual de impugnar todasas razões em que se assentou a decisão veiculadora do juízo negativode admissibilidade do recurso extraordinário. Precedentes.”(AI 428.795-AgR/RJ, Rel. Min. CELSO DE MELLO)Não basta, portanto, considerada a diretriz jurisprudencial referida,que a parte agravante, ao deduzir a sua impugnação, restrinja-lhe oARE 810681 / RJconteúdo, limitando-o a alegações extremamente vagas, semdesenvolver, de modo consistente, as razões que apenas genericamenteenunciou.Cabe insistir, neste ponto, que se impõe, a quem recorre, comoindeclinável dever processual, o ônus da impugnação especificada, sem oque se tornará inviável a apreciação do recurso interposto.Sendo assim, e tendo em consideração as razões expostas, nãoconheço do presente agravo, por não atacados, especificamente, osfundamentos da decisão agravada (CPC, art. 544, § 4º, I, segunda parte,na redação dada pela Lei nº 12.322/2010).Publique-se.Brasília, 14 de maio de 2014.Ministro CELSO DE MELLO

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RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 811.692 PERNAMBUCORELATOR :MIN. CELSO DE MELLORECTE.(S) :ESTADO DE PERNAMBUCORECTE.(S) :FUNAPE – FUNDAÇÃO DE APONSENTADORIAS EPENSÕES DOS SERVIDORES DO ESTADO DEPERNAMBUCOPROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DEPERNAMBUCORECDO.(A/S) :ARI TEIXEIRA DE BARROSADV.(A/S) :PAULA DE REZENDE CAMINHA E OUTRO(A/S)DECISÃO: O presente recurso não impugna todos os fundamentosem que se apoia o ato decisório ora questionado.Isso significa que a parte agravante, ao assim proceder, descumpriuuma típica obrigação processual que lhe incumbia atender, pois, como sesabe, impõe-se, ao recorrente, afastar, pontualmente, cada uma das razõesinvocadas como suporte da decisão agravada (AI 238.454-AgR/SC, Rel.Min. CELSO DE MELLO, v.g.).O descumprimento desse dever jurídico – ausência de impugnaçãode cada um dos fundamentos em que se apoia o ato decisório agravado –conduz, nos termos da orientação jurisprudencial firmada por estaSuprema Corte, ao desacolhimento do agravo interposto (RTJ 126/864 RTJ 133/485 – RTJ 145/940 – RTJ 146/320):“RECURSO EXTRAORDINÁRIO – DECISÃO QUENEGA SEGUIMENTO AO APELO EXTREMO –INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO QUE NÃO IMPUGNA ASRAZÕES DESSE ATO DECISÓRIO – AGRAVO IMPROVIDO.- Impõe-se, à parte recorrente, quando da interposição doagravo de instrumento, a obrigação processual de impugnar todasas razões em que se assentou a decisão veiculadora do juízo negativode admissibilidade do recurso extraordinário. Precedentes.”(AI 428.795-AgR/RJ, Rel. Min. CELSO DE MELLO)ARE 811692 / PECabe insistir, neste ponto, que se impõe, a quem recorre, comoindeclinável dever processual, o ônus da impugnação especificada, sem oque se tornará inviável a apreciação do recurso interposto.Sendo assim, e tendo em consideração as razões expostas, nãoconheço do presente agravo, por não atacados, especificamente, osfundamentos da decisão agravada (CPC, art. 544, § 4º, I, segunda parte,na redação dada pela Lei nº 12.322/2010).Publique-se.Brasília, 20 de maio de 2014.Ministro CELSO DE MELLO

 

 

Marina Silva, na hora da verdade, tem de mostrar maior maturidade política

Carlos Newton

Se a candidata Marina Silva tiver juízo, parar de fazer oposição radical às hidrelétricas e ao moderno agronegócio, que se tornou o maior potencial do Brasil no mercado internacional, e se aceitar que o país tem de ser laico e abrigar todas as religiões, certamente vai disputar a eleição com grande chance de chegar ao segundo turno.

Mas se continuar defendendo esses dogmas político-religiosos, poderá atrair uma rejeição enorme a seu nome, inviabilizando sua ida para o segundo turno e abrindo espaço para crescimento de Aécio Neves, que é hoje o preferido do mercado financeiro e do empresariado em geral.

Marina Silva, ressalve-se, também consegue entrada no mercado, através de empresários ecologistas que se tornaram seus principais patrocinadores, especialmente a empresária paulista Maria Alice Setubal, também conhecida por Neca (de “boneca”). O apelido foi dado pelo pai, o falecido criador do Banco Itaú, Olavo Setubal, encantado pela única filha mulher, nascida em 1951, a segunda de outros seis, todos homens.

Doutora em Psicologia da Educação pela PUC de São Paulo, Maria Alice é amiga íntima de Marina Silva, dirige uma importante fundação, a Tide Setubal, e fundou o Centro de Pesquisa para Educação e Cultura (Cenpec), entidade de referência no setor. Além disso, Neca Setubal também administra, ao lado do marido, um hotel-fazenda no interior paulista.

Traduzindo: dinheiro não será problema para a campanha de Marina nessa reta de chegada, e a maior dificuldade vai ser a resistência que a  candidata desperta com suas teses radicais no tocante à religião e à ecologia.

Se tiver um ataque de lucidez se comportar com maior maturidade política, apresentando ao país uma Carta aos Brasileiros que desfaça essas restrições, Marina fará um estrago nas campanhas de Dilma Rousseff, de Aécio Neves e até do Pastor Everaldo, que também perderá preciosos votos de eleitores evangélicos.

De toda forma, uma coisa é certa: teremos segundo turno, sem a menor dúvida.

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PSFoi de cortar o coração assistir aquelas crianças ao lado da mãe, se despedindo do pai que se foi tão cedo e de maneira tão trágica que nem o rosto dele puderam beijar pela última vez. Que Deus os proteja e a nós não desampare.

Fracassa o plano de Lula e Dilma para dividir o PSB, e o novo presidente do partido se recolhe à sua insignificância

Carlos Newton

Reportagem de Paulo Gama e Bruno Boghossian mostra que fracassou a tentativa do PT de rachar o PSB para garantir a vitória da presidente Dilma Rousseff. O texto dos repórteres assinala que o partido de Eduardo Campos “superou as divergências internas e selou acordo para lançar Marina Silva à Presidência da República no lugar de Eduardo Campos. Ela concordou com a inversão da chapa e deverá ser anunciada oficialmente na próxima quarta-feira“.

Note-se que a reportagem começa claudicando, ao se referir a “divergências internas” sobre o lançamento de Marina Silva, fato que jamais existiu. O que ocorreu, na realidade, é que o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, assumiu o comando do partido no lugar de Eduardo Campos e foi logo soltando uma nota oficial meio estranha, cujo texto dava a entender que existiria uma segundo hipótese de posicionamento do partido, ao invés de lançar a vice Marina Silva, que é reconhecidamente uma força eleitoral. E ainda advertiu, em entrevista a O Globo: “Sou eu que vou abrir o processo para a nova candidatura“..

Na verdade, a resistência ao nome de Marina partia exclusivamente de Roberto Amaral. Ligadíssimo a Lula e a Dilma Rousseff, o novo presidente do PSB é uma espécie de agente infiltrado do PT. Recorde-se que há cerca de dois anos, quando Eduardo Campos começa a preparar sua candidatura, Amaral lutou desesperadamente contra ele dentro do partido, tentando manter a aliança com o PT e adiar o lançamento de Campos para 2018.

LULA E DILMA TELEFONARAM

Roberto Amaral foi ministro no governo Lula, continua agraciado por benesses do governo como membro de conselhos de estatais e não quer pessoalmente prejudicado, digamos assim. Na quinta-feira, dia seguinte ao acidente em Santos, Lula e Dilma telefonaram para Amaral e ele se saiu com essa estranha “nota oficial” do PSB, redigida por ele próprio, sem ouvir ninguém.

Bem, voltemos à análise da oportuna reportagem da Folha. Em seguida a esse erro de registrar que haveria “divergências internas” sobre o lançamento de Marina, os repórteres se recuperaram ao afirmar o seguinte: “O novo presidente do PSB, Roberto Amaral, era visto como último entrave ao acerto. Sob forte pressão de correligionários, ele se convenceu a apoiar Marina, que disputou o Planalto em 2010 pelo PV“.

Foi isso mesmo que aconteceu. Conforme previmos aqui na Tribuna da Internet, Roberto Amaral, que não tem voto nem a menor influência no partido, acabou sendo interpelado por um grupo de parlamentares federais, que têm voto e grande influência, e foi obrigado a se enquadrar.

E agora o PSB agora discutirá a indicação do novo vice na chapa presidencial. O deputado gaúcho Beto Albuquerque, hoje candidato ao Senado, é o mais cotado para a vaga. Mas há muitos nomes em avaliação. Mas pode-se dizer, sem medo de errar, que Roberto Amaral não está entre eles.

O Globo revela que novo presidente do PSB é ligado ao PT, foi contra a candidatura de Eduardo Campos e já conversou com Lula e Dilma

Roberto Amaral é ligado ao PT

Carlos Newton

O novo presidente do PSB, Roberto Amaral, deu entrevista à repórter Paula Ferreira, de O Globo, para assumir a responsabilidade de conduzir o procedimento para a nova candidatura do partido ao Planalto, que somente será feito após o sepultamento de Eduardo Campos. Não quis dar maiores declarações e apenas distribuiu a nota oficial assinada por ele:

“O Partido Socialista Brasileiro (PSB) está de luto pela trágica morte de seu presidente nacional, Eduardo Henrique Accioly Campos, ocorrida em 13 de agosto de 2014. Recolhe-se, neste momento, irmanado com os sentimentos dos seus militantes e da sociedade brasileira, cuidando tão somente das homenagens devidas ao líder que partiu. A direção do PSB tomará, quando julgar oportuno, e ao seu exclusivo critério, as decisões pertinentes à condução do processo político-eleitoral.”

LIGAÇÕES COM O PT

A repórter fez questão de registrar que as antigas ligações de Roberto Amaral com o PT despertam questionamentos a respeito de seu apoio a uma eventual candidatura de Marina Silva:

“No ano passado, o agora presidente do PSB, que é ex-ministro do governo Lula, chegou a sugerir a Eduardo Campos que desistisse da corrida eleitoral e apoiasse a reeleição de Dilma Rousseff (PT)”, diz oportunamente a jornalista Paula Ferreira, acrescentando que, na época, Amaral propôs que Eduardo Campos partisse para a disputa presidencial somente em 2018. E salientou também que Amaral foi o articulador da aliança do PSB com o PT do Rio, para apoiar Lindbergh Farias (PT) ao governo do estado.

A repórter de O Globo agiu acertadamente ao levantar esses posicionamentos do novo presidente do PSB, que na quinta-feira se reuniu num hotel em São Paulo com algumas das principais figuras do partido: Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), líder no senado; Beto Albuquerque (PSB-RS), líder na Câmara; o deputado Gláuber Braga, presidente do partido no Rio; e o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

SE DEPENDESSE DE AMARAL…

O Globo também revela que Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula ligaram na sexta-feira para o novo presidente do PSB, para trocar ideais sobre a situação do partido e a escolha da nova candidatura ao Planalto, numa inacreditável e revolta demonstração de oportunismo político, de quem já apareceu “chorando” no noticiário e vai reaparecer “chorando” na hora do enterro.

Traduzindo tudo isso: se depender de Amaral, o PSB esquece a sucessão presidencial e faz coalizão com o PT. Acontece que esta decisão não depende dele, que sempre defende seus interesses meramente pessoais, pois sonha em voltar ao Ministério. O PSB, desde sua união à Rede Solidariedade, tinha dois candidatos à Presidência. Não pode simplesmente desistir da disputa, especialmente porque a candidatura suplente sempre esteve à frente da candidatura titular nas pesquisas de opinião.

Por fim, é bom lembrar que Amaral não comanda a Executiva, que tem muitos integrantes com mais prestígio e influência do que ele, como Júlio Delgado, Luíza Erundina, Rodrigo Rollemberg, Beto Albuquerque, Fernando Bezerra Coelho, Antonio Carlos Valadares, Renato Casagrande, João Capiberibe, Mares Guia e mais e mais…

O prazo para a substituição da candidatura já começou a correr. Segundo a Justiça Eleitoral, a coligação tem até dez dias para definir o novo candidato. De acordo com a lei, o substituto pode pertencer a qualquer legenda da coalizão, que é composta por PSB, PPS, PHS, PRP, PPL e PSL.

Dilma e Aécio já se preparam para enfrentar Marina Silva e sabem que a eleição recomeça do zero

Carlos Newton

Embora Marina Silva tenha proibido seus correligionários de tratarem da eleição enquanto  Eduardo Campos não for sepultado, é compreensível que comecem a haver posicionamentos não somente acerca da confirmação do nome dela como candidata à Presidência, mas também quanto à escolha de seu companheiro de chapa. O certo é que na próxima sexta-feira tudo terá de estar decidido, com a apresentação da nova chapa do PSB para registro no Tribunal Superior Eleitoral.

Também é natural que os partidos adversários se preparem para a nova realidade da sucessão, porque o choque causado pela morte de Eduardo Campos fez com que a campanha eleitoral tenha sido praticamente demolida, embora não se possa desconhecer que a petista Dilma Rousseff continue sendo favorita e que o tucano Aécio Neves também já tenha uma posição firme no cenário da sucessão.

BOATOS E MAIS BOATOS

Acontece que Marina Silva não é nenhuma estreante. Tendo obtido 19,6 milhões de votos para presidente em 2010 (ficou em terceiro na disputa), e com desempenho bem melhor do que Eduardo Campos nas pesquisas de intenção de voto, a ex-senadora era frequentemente citada como uma ameaça à permanência do ex-governador na cabeça de chapa. Mas isso jamais poderia acontecer, porque Campos controlava toda a máquina partidária. Justamente por  disso, o grupo político de Marina sempre deixou claro que deixará a legenda assim que conseguir validar sua própria sigla, a Rede Sustentabilidade,na Justiça Eleitoral.

Diante dessa situação, já era esperado que surgissem rumores de que Marina não aceitará a candidatura. A boataria inundou Brasília ontem, não se falava em outra coisa. Chegava-se até a dizer que uma ala do PSB já defendia a escolha de um nome genuíno do partido para substituir Campos. Outros boatos desmentiam tudo, confirmavam a candidatura de Marina Silva e ainda adiantavam que o vice dela seria o deputado federal Roberto Freire, presidente do PPS, para garantir ainda mais votos no Nordeste e em São Paulo, Estado pelo qual Freire se elegeu.

PREOCUPAÇÃO NO PT E NO PSDB

No PT, a preocupação é enorme e ninguém sabe qual a pior hipótese. Existe consenso de que, se Marina for candidata, fica praticamente assegurado um segundo turno. E mesmo que Marina não aceite disputar, o PT acha que eleitores de Eduardo Campos podem se bandear para o PSDB.

Ao mesmo tempo, o clima também é de intranquilidade no PSDB, porque a candidatura de Marina pode roubar votos já conquistados por Aécio Neves. Os tucanos acham que o segundo turno está garantido, mas não sabem se a eleição ocorrerá com Aécio enfrentando Dilma Rousseff ou com Marina no lugar dele.

A única coisa certa, nisso tudo, seja para petistas, socialistas ou tucanos, é que a eleição está recomeçando do zero, a menos de dois meses da  votação.

Na última entrevista, Campos disse que a disposição de Marina sempre foi de apoiá-lo, com base em três compromissos

Carlos Newton

Em uma última entrevista antes do trágico acidente aéreo em Santos, Eduardo Campos, candidato à Presidência da República pelo PSB, conversou com a repórter Renata Lo Prete, da GloboNews. Um dos temas foi a possibilidade de inverter posições na chapa com a vice Marina Silva.

Campos deixou claro que, em momento algum, pensou em trocar de posição com sua vice, Marina Silva. Frisou que “Marina sempre deixou claro que sua decisão foi para apoiar e fazer um debate programático em cima de três princípios: um programa que assuma compromissos com o que o Brasil conquistou, melhorar a qualidade da democracia política e fazer um diálogo com a sociedade para construir uma base programática de entendimento”.

A entrevista foi ao ar, terça-feira, durante o programa Jornal das Dez. Mais cedo, na mesma noite, o candidato havia participado de outra entrevista, no Jornal Nacional, com William Bonner e Patricia Poeta, dos quais se despediu dizendo: “Nos veremos de novo no segundo turno”.

A FORÇA DA SOCIEDADE

Durante o programa da GloboNews, Campos criticou o descontrole das contas públicas e manifestou confiança de que sua candidatura iria crescer nas pesquisas, à medida em que suas mensagens e metas de campanha fossem mais conhecidas e assimiladas pela sociedade. Destacou a importância da “força da sociedade” que sai às ruas para exigir seus direitos, e disse que esta sempre foi a força fundamental para haver mudanças.
“Quando o Brasil construiu a democracia não foi por conta dos partidos, mas porque as ruas e a sociedade fizeram o grito pela democracia”, completou.
O candidato reafirmou então seu comprometimento em tocar a nova agenda do Brasil, dizendo que para desenvolver esta nova política é necessário ter uma governança mais digital e interativa. “Precisamos fazer com que o governo possa servir a sociedade e não ser servido por ela e, sobretudo, trazer para gestão pública a questão da meritocracia, remuneração variável, com metas bem definidas”, disse. “Hoje o brasileiro tem aquela sensação de pagar por um hotel cinco estrelas, mas se hospedar numa barraca de camping”, ironizou.

Morte de Eduardo Campos, com a volta de Marina Silva, é um tsunami na sucessão

Carlos Newton

Todos devem lamentar a morte de Eduardo Campos, em plena campanha eleitoral. Sempre tive simpatia por ele, a quem conheci aqui no Rio de Janeiro, quando veio participar da cerimônia de filiação do economista Carlos Lessa ao PSB. Não se conhece nada que desabonasse sua vida pública, caso contrário o entrevistador/inquisidor William Bonner não teria perdido tempo criticando a nomeação da mãe de Eduardo, Ana Arraes, para o Tribunal de Contas da União, com apoio decisivo do filho.

Pois é, o grande erro na vida pública do ex-governador de Pernambuco parece ter sido a ajuda para que a própria mãe ganhasse um cargo público importante. Perto dos “malfeitos” dos outros políticos de renome, este ato impróprio do neto de Miguel Arraes pode até ser considerado sem a menor importância, até porque Ana Arraes não somente possui totais habilitações para exercer o cargo no TCU como também apresenta uma trajetória limpa, ao contrários de muitos ministros que já passaram pelo Tribunal, sem que os jornalistas fizessem a menor celeuma.

(Aqui, abrimos parênteses para falar de William Bonner. Toda vez que tem de entrevistar algum candidato, Bonner assume uma atitude caricata, transforma-se num ser rancoroso e apresenta-se como se estivéssemos em plena Inquisição.  Só falta mandar o convidado subir num pau-de-arara para tomar uma dura…)

SUCESSÃO

É claro que a morte de Eduardo Campos (que hoje à noite, no Jornal Nacional, será chorada por um compungido William Bonner) vai ter o efeito de um tsunami na sucessão presidencial. Nenhuma pesquisa feita até agora está valendo. Pelo contrário, vamos atirar todas elas no lixo.

Marina Silva será candidata pelo PSB e só então as pesquisas voltarão a ter valor. Se repetir a façanha de 2010, e tem tudo para fazê-lo, pois agora poderá fazer uma campanha milionária, bancada por uma das herdeiras do grupo Itaú, que é sua principal patrocinadora política.

Lembrem-se de que, antes da união com o PSB de Campos, as pesquisa davam Marina em segundo lugar, com 20% das intenções de voto e bem à frente de Aécio Neves. E depois de firmada a aliança PSB/Rede, os votos de Marina não foram automaticamente transferidos para Campos. O certo, portanto, é que ninguém sabe aonde eles foram parar.

Com Marina de volta à disputa, as cartas estão sendo reembaralhadas e tudo indica que o segundo turno agora é inevitável. Mas não se pode prever se a disputa final será entre Dilma e Aécio ou Dilma e Marina. Pensem nisso e façam suas apostas.

 

Documento inédito vai revelar como Roberto Marinho conseguiu se apossar de uma emissora de TV na ditadura militar, lesando mais de 600 acionistas e pode diariamente divulgar a sua versão, com grande amplitude

O gen. João Figueiredo, de braço dado com Roberto Marinho

Carlos Newton

Tão logo o Supremo julgue o agravo regimental interposto por herdeiros dos antigos acionistas da TV Globo de São Paulo (antiga TV Paulista), que tentam recuperar na Justiça o controle da emissora, será divulgado documento inédito com novos detalhes sobre os crimes cometidos por Roberto Marinho durante a ditadura militar para se apossar do canal 5 de São Paulo, usurpando os direitos dos mais de 600 acionistas fundadores da empresa, entre eles o então famoso Palhaço Arrelia, que à época tinha um programa de grande sucesso na emissora.

Assim, a verdadeira, surpreendente e tenebrosa história do início da Organização Globo começará a ser mudada, ironicamente quando a corporação se prepara para comemorar os 50 anos de existência da TV Globo e o recebimento do prêmio Emmy Personalidade Internacional da Televisão 2014 por seu atual diretor-presidente, Roberto Irineu Marinho, filho mais velho do criador da rede de TV.

O documento, inédito, destrói completamente a veracidade do laudo pericial apresentado á Justiça do Rio por Roberto Marinho, para classificar como legítimos e verdadeiros alguns recibos e procurações de péssima qualidade, grotescamente falsificados para fazer prova junto às autoridades federais de que o empresário carioca realmente comprara dos legítimos donos o controle acionário do canal 5 de São Paulo.

 

NEGOCIAÇÃO FORJADA

Ficará provado que a suposta compra e venda da emissora foi totalmente forjada por Marinho e seus principais assessores, com destaque para Luiz Eduardo Borgerth, que depois viria a ser presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), entidade sempre controlado pela Globo.

Nos bastidores da Justiça, a questão é bastante conhecida, porque os próprios advogados da TV Globo admitiram nos autos judiciais que Roberto Marinho havia cometidos diversos crimes para justificar a compra e venda que não existiu e conseguir a concessão da emissora, mas todos eles já estavam prescritos, como uso de procurações de pessoas que já estavam mortas, falsificação de documentos e fraude na convocação e realização de assembleias de acionistas.

ACÓRDÃO REVELADOR

Em acórdão proferido em 1994 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 1994, foi claramente declarada a ilegalidade desses atos do criador da Rede Globo: Não pode ter subsistência um negócio jurídico cujo proprietário da coisa objeto do negócio sequer participou da cogitada alienação. A entender-se de outra forma, estar-se-ia proclamando a legalidade do enriquecimento ilícito e até da própria fraude, o que não é possível sancionar-se, irrefutavelmente. Ninguém dever estar acima da lei”.

Apesar desse acórdão, a bilionária Organização Globo tem conseguido pairar acima da lei e tudo indica que esse processo só vai terminar nas Cortes Internacionais, quando seu conteúdo passará a ser do conhecimento até dos membros da Academia Internacional das Artes & Ciências Televisivas, em Nova York, que está premiando Roberto Irineu.

Esta será a estratégia dos advogados que enfrentam a Globo e a família Marinho, segundo o ex-deputado e radialista Afanasio Jazadji, de São Paulo, que se notabilizou, nos últimos 20 anos, na defesa dos direitos dos herdeiros dos antigos acionistas fundadores da TV Paulista, hoje TV Globo de São Paulo. “Se perderem no Supremo, isso não significará que a causa acabou, porque poderemos reabri-la com os novos documentos e, ao mesmo tempo, recorrer aos tribunais internacionais”, explica o radialista, que continua atento aos desdobramentos do processo judicial.