Vergonha nacional. Graça Foster realmente mentiu no Senado, porque Pasadena não refina nem 20 mil barris/dia.

Carlos Newton

Com a decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, será enfim instalada a Comissão Parlamentar de Inquérito com foco apenas em suspeitas sobre a Petrobras. Vai ser um verdadeiro festival para a oposição, porque não faltam irregularidades a serem devassadas.

A compra da refinaria em Pasadena é totalmente injustificável e finalmente serão conhecidos os principais protagonistas do escândalo, que no momento se concentra especialmente em Nestor Cerveró, então diretor da Área Internacional da Petrobras, à qual se subordina a subsidiária Petrobras America, que conduziu o negócio com a empresa belga Astra Oil.

Antes mesmo da instalação da CPI, o castelo de cartas de Pasadena já está desabando e vai ter influência na próxima campanha eleitoral, porque as mentiras poderão ser oficialmente apontadas, como a superdimensionada produção da refinaria/sucata, que Graça Foster, Nestor Cerveró e o ex-presidente Sérgio Gabrielli apregoam ser de 100 mil barris/dia, quando na realidade não atinge nem mesmo um quinto deste total.

COMPRANDO NO “ESCURO”

Quando surgiu o escândalo, registramos aqui no Blog que a produção de Pasadena não poderia ser de 100 mil barris, porque a refinaria fora vendida pela família Rockefeller para a Astra Oil por apenas US$ 42,5 milhões, uma quantia ínfima e desprezível nos negócios ligados ao petróleo. E a dinastia Rockefeller tem um lema famoso: “O melhor negócio do mundo é uma companhia de petróleo bem administrada, e o segundo melhor negócio é uma companhia de petróleo mal administrada”. Portanto, para chegar a ponto de ser vendida pelos Rockefeller, uma refinaria precisa estar mesmo na CTI…

Agora se sabe que, conforme vínhamos afirmando com absoluta exclusividade, a apregoada produção de 100 mil barris/dia era coisa de um passado longínquo, dos tempos de instalação da refinaria, em 1934.

O sucateamento da unidade era visível nas fotos e nas imagens da emissoras de televisão. E com as reportagens que se seguiram, pôde-se constatar que havia também problemas colaterais, como os enormes prejuízos ao meio ambiente, que ainda precisam ser corretamente avaliados.

Ficou logo evidente que o negócio foi fechado sem que houvesse uma auditoria completa, como seria de se esperar numa operação de tal vulto, que começava com US$ 360 milhões, mas na Petrobras sabia-se que a velha refinaria americana exigiria investimentos de mais US$ 500 milhões, para operar à meia-bomba, digamos assim.

Mas não houve nenhuma ação preventiva, auditoria, “due diligence”, nada, nada. Caso contrário, não teria havido o negócio, porque algum funcionário decente da Petrobras protestaria ou vazaria para a imprensa, como estão fazendo agora, apesar da ridícula ameaça de punição pela Corregedoria-Geral da União. Houve apenas uma “vistoria”, em que os técnicos constataram o visível sucateamento, mas aceitaram a conclusão do dirigente da refinaria, de que a unidade estaria “pretty good” (muito boa), vejam quanta boa vontade dos enviados da Petrobras.

REFINARIA PRODUZ 18 MIL BARRIS/DIA

Quando começamos a escrever sobre o assunto, previmos que os técnicos e engenheiros se rebelariam, porque a Petrobras é uma das reservas morais do país. Seus funcionários sabem o que significa interesse nacional, não são vendilhões da pátria. Agora, vazaram uma importante informação à O Globo, publicada pelos repórteres Vinicius SassIne, Chico  de Góis e Danilo Farielo, sobre uma auditoria realizada em 2010. “Entre janeiro e agosto de 2010, conforme esse levantamento, o faturamento chegou a US$ 2,2 bilhões, equivalentes a 4,2 bilhões de litros (sic) de óleo”.

Segundo o comentarista De Pinho, se forem considerados “4,2 bilhões de litros de óleo” informados em um dos parágrafos, considerando um barril igual a 159 litros, tem-se em 240 dias 26,4 milhões de barris, equivalente então a uma média de 110,5 mil barris diários (alegado pelo Nestor e Graça). Por outro lado, se forem considerados no lugar de 4,2 bilhões de litros, 4,2 milhões de barris, a conta da média diária fecha em 17,5 mil barris diários (que bate, na ordem de grandeza, com a informação do comentarista Wagner Pires)”.

Na semana passada, Pires descobriu que a produção da Petrobras na América do Norte foi de apenas 22,9 mil barris/dia em fevereiro. Ou seja, faltariam exatos 77,1 mil barris/dia para atingir a produção de 100 mil barris/dia apregoada por Gabrielli, Foster e Cerveró, que são hoje os principais protagonistas do escândalo, faltando nominar os demais diretores envolvidos na época, especialmente os das seguintes áreas: Jurídica, Engenharia e Abastecimento, além de seus assessores principais, que jamais poderiam ter aceitado a negociata e tinham dever de denunciá-la.

Agora, enfim sabe-se a verdade. Nosso comentarista Wagner Pires tinha razão: a refinaria de Pasadena não consegue processar nem os parcos 22,9 mil barris/dia extraídos pela Petrobras America. Este caso é uma vergonha nacional. Logo voltaremos a ele, claro.

O ainda deputado André Vargas é como o personagem de Hithcock em “O Homem que Sabia Demais”

Carlos Newton

Não adianta o presidente do PT, Rui Falcão, e a bancada federal pedirem que o ainda deputado federal André Vargas (PT-PR) renuncie ao mandato. Falcão foi à Brasília quarta-feira exclusivamente para pressionar a bancada e tentar uma operação de “convencimento” para obter a aceitação do correligionário.

“A melhor solução para André Vargas é que ele renuncie, mas essa é uma decisão personalíssima. Nenhum partido ou bancada impõe às pessoas a renúncia. Mas é um pedido que temos feito e reiterado a ele, para que reflita e converse”, disse Falcão aos jornalistas, após se reunir com a bancada da Câmara.

O problema é que nos últimos anos André Vargas ganhou muito dinheiro e prestígio com a política. Tornou-se um dos parlamentares mais influentes do partido. Não quer sair de mãos abanando.

DO ZERO AO MILHÃO…

Reportagem de Paulo Celso Pereira, recentemente publicada em O Globo, mostra que nem sempre o luxo fez parte da vida de Vargas. Revela que, até entrar na política, em 2000, tudo o que ele tinha era um Monza 1993, avaliado em R$ 9 mil, e a sociedade em três pequenas empresas, cujas cotas somavam apenas R$ 2,1 mil. Dois anos depois, quando se candidatou a deputado estadual, tinha vendido o Monza por R$ 4 mil e declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 2.565,59 — as mesmas empresas e um título de capitalização. E ainda devia R$ 1.275,87 a um banco.

Mas a vida começou a melhorar quando se elegeu deputado estadual em 2002. Nos quatro anos seguintes, Vargas adquiriu por R$ 80 mil uma caminhonete Ford F-250 usada e comprou duas casas em Londrina, por mais R$ 80.576,30. Mas o grande salto veio com sua primeira eleição para deputado federal em 2006. Nos quatro anos seguintes, o deputado saiu definitivamente da penúria”, diz a surpreendente reportagem, acrescentando:

Entre 2006 e 2010, Vargas comprou um terreno de 121 mil m² em Iboporã, por R$ 100 mil, além de outra casa e um lote em Londrina por R$ 21.563,47. Os tempos de Monza foram esquecidos e o deputado chegou às eleições de 2010 como proprietário de três caminhonetes: Toyota Hilux, GM Tracker e Hyundai Vera Cruz. Na mesma época, tornou-se dono de duas empresas, com capital social de R$ 23.500. De acordo com sua declaração, Vargas guardava R$ 56.211,17 na Caixa Econômica Federal. O patrimônio total declarado na eleição passada foi de R$ 572.050,54”.

MUITA CALMA

Diante desse quadro, entende-se a cautela com o PT vem lidando com a situação, sem pretender expulsar André Vargas e tentando convencê-lo a pedir renúncia.

O problema, é claro, tem solução. Mas é preciso acalmar Vargas e resolver a vida dele. O PT tem de agir com a mesma habilidade que demonstrou nos casos de José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino. Como se sabe, Dirceu e Delúbio se tornaram “consultores” de empresas. Com apoio irrestrito do PT, tiveram muito êxito na nova profissão, Dirceu no plano federal e Delúbio em Goiânia, onde vinha intermediando bons negócios com a prefeitura, administrada pelo partido.

Como Genoino tem uma boa aposentadoria na Câmara (cerca de 20 mil mensais, sem Imposto de Renda), deu menos trabalho. Foi só o PT organizar a vaquinha para pagar a vultosa multa dele com a Justiça, providência que Dirceu e Delúbio também exigiram, claro.

Assim como os três mensaleiros condenados, André Vargas também será devidamente acalmado pelo PT, porque é como o personagem vivido por James Stewart no clássico de Hithcock intitulado “O Homem que Sabia Demais”.

Não demora e ele renuncia. Só depende da boa vontade do PT, se é que vocês me entendem, como dizia o genial colunista Jacinto de Thormes, meu querido e inesquecível amigo Maneco Müller.

Nestor Cerveró seguiu Graça Foster e também mentiu ao depor no Congresso Nacional

Carlos Newton

O ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró informou semana passada na Câmara ter encaminhado para a diretoria da estatal todos os documentos referentes à compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). Pode ser verdade e não é difícil de ser comprovado. Se realmente o fez, complica-se a situação da Diretoria, especialmente o presidente Sérgio Gabrielli, que tanto defende o negócio.

Mas Cerveró mentiu flagrantemente quando disse que não era sua responsabilidade fazer o encaminhamento da documentação ao Conselho de Administração. “Se foi encaminhado e o Conselho de Administração tomou conhecimento, a responsabilidade não é minha, porque não era responsabilidade de cada diretor fazer o encaminhamento”, afirmou.

Acontece que na Petrobras existe uma tramitação para aprovar projetos que começa na respectiva Gerência, depois passa pelo Chefe de Departamento e chega então à Diretoria da Área. O contrato é submetido também à Diretoria Financeira e à Diretoria Jurídica e só depois é encaminhado à decisão da Presidência, que, se estiver de acordo, então pede a aprovação do Conselho de Administração.

A PEÇA-CHAVE

É claro que a peça-chave nessa operação é o diretor da Área – no caso, justamente Nestor Cerveró, que respondia pela Diretoria Internacional, à qual se subordina a subsidiária Petrobras America, que concretizou o negócio. A operação teve de ser examinada e aprovada simultânea ou sucessivamente nas seguintes departamentos da Área Internacional, pois interessava a todos eles: 1) Planejamento e Serviços; 2) Extração e Produção; 3) Abastecimento; e 4) Gás, Energia e Engenharia. Todos obrigatoriamente teriam de opinar. Será que o fizeram? Cerveró não esclareceu.

E a Diretoria Jurídica? Nem a Gerência, nem a Chefia do Departamento nem o Diretor Jurídico consideraram prejudiciais as cláusulas agora denunciadas (Put Option, de extinção da sociedade, e Marlim, de rentabilidade do sócio)? Da mesma forma, a Diretoria Financeira da Petrobras não estimou o valor real da refinaria a ser adquirida? Todos falharam ou se omitiram? Se isso aconteceu, é claro que houve formação de quadrilha, e bota quadrilha nisso…

CERVERÓ NÃO SABE DE NADA…

No depoimento à Câmara, o ex-diretor considerou que as cláusulas Put Option e Marlim não teriam, na avaliação feita na ocasião, “essa representatividade no negócio”. “Não é importante do ponto de vista negocial, do ponto de vista da valorização do negócio, nem uma cláusula nem outra”, destacou. Segundo Cerveró, era equivocada a afirmação feita pelo seu próprio advogado, de que o Conselho recebeu o documento com 15 dias de antecedência. “Essa questão de tempo hábil é muito relativa. É uma coleção enorme de páginas, são milhares de páginas que são colocadas à disposição. Depois de encaminhado para a Diretoria, o que vai para o Conselho eu não sei”, desconversou.

Quer dizer que um funcionário experiente como ele, com 40 anos de Petrobrás (será que já se aposentou, ou continua na ativa por dedicação ao país???) não sabe o que acontece com uma operação de 360 milhões de dólares que ele mesmo encaminhou à Diretoria? Querer que se acredite nisso é menosprezar a inteligência alheia.

Traduzindo tudo isso: Nestor Cerveró é um golpista audacioso e que está consciente da impunidade, porque há tantos funcionários e carreira e dirigentes  envolvidos que ele não acredita que será punido, além da recente demissão da Diretoria Financeira da BR, que nada o afeta, porque já tem mais do que tempo de aposentadoria com salário integral, se é que já não está aposentado.

UM BOM EXEMPLO

Para comprovar como ocorre formação de quadrilha na Petrobras, basta citar a reportagem de Raquel Landim na Folha, mostrando que o engenheiro Gesio Rangel de Andrade foi “colocado na geladeira” na Petrobras por se opor ao superfaturamento da obra do gasoduto Urucu-Manaus, na Amazônia. A denúncia é de Rosane França, viúva de Gesio, que morreu há dois anos, vítima de ataque cardíaco.

Segundo ela, pessoas da estatal tentaram constranger seu marido a aprovar aditivos para a obra. Ele não concordou e foi exonerado do cargo, permanecendo por dois anos sem qualquer função. Os gastos com o gasoduto Urucu-Manaus estouraram todas as previsões. A área técnica estimou a obra em R$ 1,2 bilhão, mas o contrato foi fechado por R$ 2,4 bilhão, após pressão das construtoras. O gasoduto demorou três anos para ficar pronto e o custo chegou a R$ 4,48 bilhões. A estatal aprovou um aditivo de R$ 563 milhões para um dos trechos, praticamente o valor daquele contrato.

Gesio era o gerente-geral da obra do gasoduto. Segundo Rosane, o marido alertou Graça Foster, que então ocupava o cargo de Diretora de Gás e Energia e nada fez para evitar a negociata, conduzida pela Diretoria de Engenharia, que atendia aos pleitos das empreiteiras. Os outros funcionários graduados também nada fizeram. Ou se omitiram ou estava envolvidos, não há dúvida.

O TCU investigou o caso, mas não encontrou indícios de superfaturamento por conta da dificuldade de compará-lo com obras semelhantes. O órgão detectou falhas graves no projeto feito pela Engenharia da Petrobras. O caso ainda está em análise, mas não vai dar em nada. O TCU não tem credibilidade, isso está mais do que comprovado. O problema reside justamente aí. Se o TCU funcionasse, se a Justiça funcionasse, o Brasil seria muito diferente, não há dúvida.

 

Graça Foster mentiu no Senado e se tornou cúmplice da corrupção na Petrobras

Carlos Newton

Maria das Graças Foster é funcionária antiga da Petrobras, já tem mais do que tempo de aposentadoria, com salário integral, mas continua na ativa, dando uma demonstração de civismo e desprendimento. Assim poderia começar a biografia de Graça Foster (como prefere ser chamada), e seria maravilhoso se isso fosse verdade.

Mas há outra versão, dando conta de que ela continua trabalhando não somente porque faz parte da linha de frente do governo Dilma Rousseff, mas também para cuidar os interesses do marido, o empresário Colin Foster, que vem a ser proprietário da C. Foster Serviços e Equipamentos, que presta serviços na área de petróleo e gás para empresas estrangeiras e brasileiras – entre elas, a Petrobras, onde obteve sucessivos contratos sem licitação.

Uma dessas duas versões pode prevalecer, mas há também a possibilidade de as duas serem verdadeiras. Seja como for, o que se pode comprovar hoje, sem sombra de dúvida, é que, se Graça Foster não teve a menor atuação no caso Pasadena em 2006 e 2008, agora está participando de fato e se tornou cúmplice, ao procurar esconder os malfeitos cometidos.

Ou seja, se era inocente, agora não é mais, porque compareceu ao Senado propositadamente, a convite do PT, e lá omitiu informações importantíssimas, fez alegações falaciosas e tentou justificar as irregularidades e os crimes que deram vultosos prejuízos à Petrobras. Portanto, verdadeiramente tornou-se cúmplice.

DEFESA ARDILOSA E MENTIROSA

Mas por que alguém esperaria que Graça Foster contasse a verdade no Senado? Afinal, ela é diretamente ligada à presidente Dilma Rousseff desde o início do primeiro governo Lula e ficou claro que compareceu terça-feira ao Congresso justamente para evitar a convocação da CPI e encobrir a corrupção que grassa na importante empresa que dirige.

Mesmo admitindo que Pasadena foi um mau negócio, Graça Foster defendeu as premissas que embasaram a decisão, sob o argumento de que a Petrobras, antes da crise financeira de 2008, tinha margens “muito boas” (ou seja, dinheiro em caixa para esbanjar), como se isso justificasse qualquer negociata ruinosa.

Alegou ardilosamente que, em 2005, a ampliação de refino fora do Brasil era “decisão estratégica”, sem definir em qual estudo técnico isso se baseou.“Precisávamos refinar o óleo pesado do Campo de Marlim fora do país”, acrescentou, mas era tudo mentira. Nunca houve esta estratégia na Petrobras e a refinaria de Pasadena jamais processou óleo pesado, uma técnica muito mais complicada e dispendiosa do que refinar o óleo leve norte-americano.

Graça Foster mentiu, porque a estratégia da Petrobras é e sempre foi instalar mais refinarias aqui, como está acontecendo agora, para processar nosso óleo pesado, sem continuar importando óleo leve para misturar a ele. Mas a presidente Graça Foster, diante dos senadores, não disse uma palavra a esse respeito, confiante no desconhecimento dos parlamentares sobre essas questões eminentemente técnicas.

A decisão (realmente estratégica) de construir Abreu Lima em parceria com a PDVSA foi justamente para isso – conquistar tecnologia no refino de óleo pesado, uma das especialidades dos venezuelanos.

MEIAS VERDADES…

Graça Foster disse a verdade, ao confessar que o investimento em Pasadena chegou a US$ 685 milhões, mas omitiu a informação de que nenhum cent desse total foi investido para adaptar a refinaria para processar o óleo pesado de Marlim, conforme aquela pseuda “decisão estratégica”. Esqueceu também de mencionar que esses US$ 685 milhões foram gastos para colocar a refinaria para funcionar e devem ser somados ao total de U$ 1,23 bilhão que a Petrobras pagou abusivamente pela unidade.

Graça Foster alegou que o prejuízo para a Petrobras com a aquisição da refinaria foi de apenas US$ 530 milhões, admitindo que esses recursos jamais serão recuperados. Mas seus cálculos não se sustentam na realidade dos fatos. Com a correção monetária, o gasto já está passando bastante dos US$ 2 bilhões, valor de uma refinaria zero quilômetro e de maior capacidade.

O mais incrível foi ter afirmado que a usina está operando em sua capacidade de processamento, de 100 mil barris por dia. É mais uma falácia. A verdadeira produção de Pasadena é um segredo impenetrável na Petrobras. Se a unidade realmente processasse 100 mil barris por dia, até teria sido um negócio aceitável, a Petrobras poderia estar no lucro, o assunto não renderia e nem haveria necessidade de CPI ou qualquer outra apuração a respeito.

QUANTO VALIA EM 2011

Sabe-se que em 2011, já na gestão da própria Graça Foster, a Petrobras tentou vender a unidade/sucata de Pasadena, mas só conseguiu uma oferta de US$ 180 milhões, o que significa menos de um décimo do total “investido”, se é que podemos considerar assim. Nem aqui nem na China, como se dizia antigamente, é possível que uma refinaria que processe 100 mil barris/dia valha apenas US$ 180 milhões.

Portanto, não há qualquer dúvida: Graça Foster se comportou levianamente no Senado Federal e mostrou conivência com os crimes e irregularidades da corrupção na Petrobras.

Agora, o Congresso, o Ministério Público Federal, o Tribunal de Contas da União e a Polícia Federal precisam exigir que a empresa forneça as informações propositadamente omitidas pela presidente Graça Foster: quanto a refinaria realmente produz por dia e quem fornece petróleo bruto, já que a extração da subsidiária Petrobras America é de apenas 23,9 mil barris diários, em média. Ficariam faltando, portanto, 76,1 mil barris diários para completar os 100 mil barris/ dia que Graça Foster alardeia estarem sendo processados em Pasadena.

Somente quando se souber a verdadeira produção de Pasadena é que o castelo de cartas da corrupção na Petrobras estará realmente perfurado.

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AMANHÃ:

O ex-diretor Nestor Cerveró imitou Graça Foster e também mentiu ao depor na Câmara dos Deputados

 

Candidatura de Dilma Rousseff subiu no telhado e ela está sendo “cristianizada” em plena Semana Santa

Carlos Newton

Na política brasileira, o termo cristianizar nada tem a ver com Jesus Cristo, mas com o político mineiro Cristiano Machado, ex-prefeito de Belo Horizonte, que em 1950 se lançou candidato à presidência da República pelo Partido Social Democrático, mas seu correligionários o traíram e acabaram apoiando Getúlio Vargas. Desde então, todo político brasileiro traído pelo partido é considerado “cristianizado”.

Detalhe: Getúlio ficou com pena dele e em 1953 o nomeou embaixador do Brasil no Vaticano, mas Cristiano Machado morreu antes da posse.

Mais de seis décadas depois, como na visão de Marx, a história se repete como farsa. E os principais protagonistas são a presidente Dilma e seu criador, o ex-presidente Lula, envolvidos no processo de cristianização em curso no PT.

NOS BASTIDORES…

Já não há mais dúvidas sobre essa odiosa disputa de bastidores. No palco da vida, Lula e Dilma se comportam como grandes amigos e aliados. Mas dentro de casa, se odeiam e tentam destruir um ao outro, sempre com um sorriso nos lábios, para preservar as aparências.

Agora se aproxima a hora da verdade. No final de junho, o PT terá de se decidir entre eles. Faltam apenas dois meses. Tudo o que previmos aqui no blog da Tribuna da Internet, com absoluta exclusividade, está rigorosamente acontecendo.

A disputa entre os “pré-candidatos” enfim veio a público, quando há poucos dias o presidente do PT, Rui Falcão, deu entrevista admitindo que “Dilma ainda não é candidata”. Em seguida, a jornalista Tereza Cruvinel, que é muito prestigiada pelo PT, escreveu artigo no Correio Braziliense dizendo simplesmente o seguinte:

“…a candidata do PT, para o que der e vier, será mesmo Dilma. Mas essa é a equação que ainda não tem resposta. As variáveis são o desempenho dela nos próximos meses e a disposição de Lula e do PT para, se for preciso, impor uma substituição que será desgastante e que pode deixar sequelas”.

EXEMPLO DO RECIFE

Traduzindo: como se dizia antigamente, a candidatura de Dilma subiu no telhado… A presidente está sendo cristianizada igual ao prefeito petista de Recife, João da Costa. Em 2006, foi eleito deputado estadual mais votado do Recife. Nas eleições de 2008, disputou a prefeitura pelo PT, sendo eleito no 1º turno, com 51,54% dos votos válidos. Mas foi cristianizado em 2012, quando a candidatura à reeleição lhe foi negada pelo partido, que o substituiu pelo senador Humberto Costa.

Resultado: o candidato do PSB, Geraldo Júlio, ganhou no primeiro turno, com 51,15% dos votos, e o PSDB chegou em segundo, com Daniel Coelho, que teve 27,65%, enquanto o PT conseguia apenas 17,43%.

Agora, a História se repete como farsa. Dilma continua favorita, mas está sendo cristianizada em plena Semana Santa. Faz sentido.

Era só o que faltava: governo quer punir quem vazou na Petrobras as informações sobre o escândalo de Pasadena

Carlos Newton

Os jornais noticiaram, sem maior destaque, que a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu segunda-feira (14) ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investigue a quebra de sigilo do processo que apura os negócios da Petrobras na compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A AGU pede que a Polícia Federal seja acionada para apurar o vazamento de dados do processo. 

A AGU requereu ainda que o relator do processo, ministro José Jorge, abra inquérito administrativo para investigar o vazamento da investigação. Segundo o órgão, o acesso ilegal das informações configura crime de violação de sigilo funcional.

Como se vê, a Advocacia-Geral da União, nas mãos de Luis Inácio Adams, continua funcionando como braço político-partidário do PT e do governo, o que significa um desvio de função. O fato de estar encarregada de defender judicialmente o governo, não dá à AGU a obrigação de ser conivente com os malfeitos, no dizer mitigado da presidente Dilma. Pelo contrário, a AGU tem de agir também para evitar e combater qualquer irregularidade na área federal de que tenha conhecimento, seja cometida por empresas, por pessoas físicas ou até pelo próprio governo. Mas na verdade está funcionando como prestadora de desse tipo de serviços político-partidários.

Como já foi amplamente divulgado, o relatório do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou a responsabilização dos integrantes do Conselho de Administração da Petrobras, caso seja concluído que a operação gerou prejuízos aos cofres públicos. Mas para esse tipo de informação relevante, a AGU não está nem aí.

As múltiplas contradições de Graça Foster mostram que a compra da refinaria foi mesmo uma macronegociata

Carlos Newton

Não é preciso ser especialista para apontar as contradições do depoimento de Maria das Graças Foster no Senado. A presidente da Petrobras falou muito, mas não conseguiu explicar nada. Não apresentou documentos que comprovassem suas alegações e acabou se contradizendo muitas vezes, evidenciando que a compra da refinaria nos Estados Unidos (em Pasadena, Texas) foi mesmo uma negociata jamais vista na Petrobras.

1ª CONTRADIÇÃO: PREJUÍZO OU LUCRO

Como se viu, Graça Foster (ela prefere ser chamada assim) admitiu que hoje “não há como reconhecer contabilmente” que Pasadena foi bom negócio. Contudo, defendeu as premissas que embasaram a decisão, sob o argumento de que a Petrobras, antes da crise financeira de 2008, tinha margens “muito boas” (ou seja, dinheiro em caixa para esbanjar). Confessou que o prejuízo para a Petrobras com aquisição da refinaria foi de US$ 530 milhões. Depois, caiu em contradição, ao dizer que a usina tem operado em sua capacidade de processamento, de 100 mil barris por dia.

É uma argumentação falaciosa. Se a unidade realmente processasse 100 mil barris por dia, teria sido um grande negócio, a Petrobras estaria no lucro, o assunto estaria encerrado e nem haveria necessidade de CPI ou qualquer outra apuração a respeito.

2ª CONTRADIÇÃO: DECISÃO ESTRATÉGICA

Graça Foster disse aos parlamentares que, em 2005, a ampliação de refino fora do Brasil era “decisão estratégica”. Alegou que, no caso de Pasadena, o motivo principal era a localização da refinaria em um grande centro do maior mercado consumidor mundial. Como se isso significasse grande coisa, informou que o Citigroup deu aval para aquisição de Pasadena, com ressalvas comuns. “Precisávamos refinar o óleo pesado do Campo de Marlim fora do país”, completou, sem que nenhum parlamentar manifestasse estranheza.

A alegação da “decisão estratégica” de ter refinarias fora do Brasil precisa ser confirmada. Em que estudo técnico essa decisão se baseou? A melhor estratégia, por óbvio, sempre foi instalar mais refinarias aqui, como está acontecendo agora. Com essa desculpa sem a menor base, Graça apenas tentou abrir algum caminho que pudesse justificar a compra de Pasadena.

3ª CONTRADIÇÃO: A IMPORTÂNCIA DO AVAL

Dizer que o Citigroup deu aval, como se isso comprovasse alguma coisa, chega a ser ridículo. Qualquer organização bancária do mundo aceita avalizar as negociações da Petrobras, não só porque ganha dinheiro com isso, mas também porque a empresa brasileira tem patrimônio gigantesco, muito maior do que o do próprio Citigroup, que anda mal das pernas e recentemente teve de ser socorrido pelo governo americano.

4ª CONTRADIÇÃO: REFINAR ÓLEO PESADO

Por fim, dizer que “a Petrobras precisava refinar o óleo pesado do Campo de Marlim fora do país” é um disparate completo. Ocorre justamente o contrário. A Petrobras precisa desesperadamente refinar óleo pesado aqui no Brasil, mas não domina as melhores tecnologias, desenvolvidas por especialistas canadenses e venezuelanos, acreditem se quiserem. A Petrobras tem de importar óleo leve (mais caro) para misturar ao óleo pesado e conseguir processá-lo no país. Aliás, a importância da parceira com a Venezuela na refinaria Abreu Lima era justamente para adquirir tecnologia de refino do óleo pesado extraído em nosso país.

5ª CONTRADIÇÃO: PASSANDO DOS US$ 2 BILHÕES 

A presidente da empresa também informou que o investimento na refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), chegou a US$ 685 milhões, desde sua aquisição pela companhia de petróleo brasileira em 2006. Mas esse valor não inclui o aporte total de U$ 1,23 bilhão que a Petrobras pagou pela refinaria. Ou seja, com a correção monetária, o gasto está passando dos US$ 2 bilhões, valor de uma refinaria zero quilômetro e de maior capacidade.

E sabe-se que a Petrobras já tentou vender a unidade (instalada pela dinastia Rockefeller em 1934), mas não conseguiu oferta que chegasse nem mesmo a US$ 200 milhões, o que significa apenas um décimo do total já “investido”, se é que podemos considerar assim.

CONCLUSÃO: O QUE FALTA SABER

A presidente da Petrobras omitiu as principais informações, que deveriam ser entregues por escrito aos parlamentares, em forma de relatório. O que se precisa saber agora é quanto a refinaria realmente produz por dia e quem fornece petróleo bruto, já que a produção da subsidiária Petrobras America é de apenas 22,9 mil barris diários. Ficam faltando, portanto, 77,1 mil barris diários para completar os 100 mil barris que Graça Foster alardeia, em sua missão impossível de tentar justificar o injustificável…

Reflexões sobre a utopia de existir um blog realmente livre e o exemplo de Wagner Pires

Carlos Newton

Podem dizer o que quiserem, toda crítica é válida. Só não aceitamos que se tente induzir o blog da Tribuna da Internet a se posicionar sectariamente,  buscando-se atrelar sua linha editorial a essa ou aquela tendência. Pelo contrário, insistiremos sempre na utopia de editar um blog realmente livre, em que todas as correntes políticas, filosóficas e religiosas possam se intercomunicar, manifestando-se da forma mais aberta possível, mas com respeito e sem trocar ofensas.

Muitos comentaristas não aceitam tal liberalidade, sem entender que é justamente essa pré-condição que ampara seus próprios posicionamentos. Como dizia o genial Ruy Barbosa, “a lei que protege meu inimigo é a lei que protege”. Mas alguns comentaristas chegam a considerar  os opositores como se fossem inimigos, empenhando-se numa briga de vida ou morte, sem perceberem que se pretende apenas que haja troca de opiniões, apenas isso.

Resumindo: já existem blogs demais alinhados a essa ou aquela corrente, e muitos deles são remunerados para tal. O que falta, justamente, é a existência de blogs livres. Isso parece óbvio, mas quem se interessa?

O EXEMPLO DE WAGNER PIRES

Através da troca de informações, um blog realmente livre acaba funcionando sempre em prol do interesse público. Vejam o que acaba de ocorrer, com o sensacional artigo em que o comentarista Wagner Pires simplesmente revelou na Tribuna da Internet o segredo mais bem guardado da Petrobras: a produção de Pasadena, mostrando que a refinaria produz apenas menos de 25% do que a Petrobras apregoa e não está dando lucro coisíssima alguma.

Quando Pires começou a comentar aqui no blog, escrevia sob um pseudônimo jocoso. Mandei um e-mail e pedi que assinasse seu nome, para que pudéssemos publicar seus artigos, sempre de altíssimo nível. E o resultado aí está.

Muitos outros comentaristas também enviam comentários sensacionais, sob pseudônimos humorísticos, mas não podemos publicá-los, porque falta credibilidade. Se não querem usar o nome verdadeiro, por um motivo ou outro, usem um pseudônimo decente, como faziam Fernando Pessoa, Alceu Amoroso Lima e tantos outros pensadores fantásticos.

A MARCA TRIBUNA DA IMPRENSA

E a boa novidade é que esta semana enfim conseguimos registrar o domínio da marca tribunadainternet.com.br. Isso significa que agora poderemos ir abandonando o link da antiga marca www.tribunadainternet.com.br, que seguimos usando para manter o blog no ar.

No próximo dia 24, termina nosso contrato com o registro do link heliofernandes.com.br, que há muitos anos também está sob nosso domínio, mas imediatamente paramos de usá-lo quando há alguns meses Helio Fernandes nos deixou e resolveu fazer seu próprio blog.

Esperamos que seu procurador Roberto Monteiro Pinho, que hoje responde por tudo que envolva a antiga Tribuna da Imprensa, se interesse em assumir logo a marca heliofernandes.com.br, e depois também a marca www.tribunadainternet.com.br, que dentro de alguns meses também terá encerrado seu contrato de registro e estará liberada.

Quanto a Helio Fernandes, nossa amizade a ele é de aço inoxidável e só lamentamos que ainda não tenhamos autorização para reproduzir seus artigos aqui neste blog, que ele tanto honrou com sua presença, durante anos.

Eleição presidencial mostra que Oswaldo Aranha tinha razão: Estamos num deserto de homens e ideias

Carlos Newton

A situação política do país é desalentadora. O ministro Joaquim Barbosa amarelou, desistiu de uma eleição em que tinha grande chance de vitória, e agora fica tirando uma onda, insinuando que pode ser candidato em 2018 e repetindo o estilo do ex-ministro Armando Falcão no regime militar: “Deus dirá…”

Os pré-candidatos que se apresentam são realmente de segundo time. Nenhum deles parece ser merecedor da confiança do povo. Como se dizia antigamente, “um pelo outro, eu não quero troca”.

A presidente Dilma Rousseff, por exemplo, jogou fora sua chance. Curvou-se às imposições de Lula, deixou que o temperamento horrível a levasse por caminhos tristonhos, como dizia Ary Barroso, e vai encerrando seus quatro anos melancolicamente, em ambiente de franco pessimismo, ninguém mais sabe se será ou não candidata. Até mesmo o presidente do PT, Rui Falcão, já expressou publicamente suas dúvidas quanto à candidatura dela (conforme este blog vinha anunciando, com absoluta exclusividade, há mais de dois anos).

LULA, TODO ARRUMADINHO…

O substituto eventual do PT, lógico, é o ex-presidente Lula, que perdeu a chance de deixar seu nome na História Universal. Ao invés de se comportar com a simplicidade de Nelson Mandela ou Pepe Mujica, travestiu-se em novo rico, usa caríssimos ternos, só anda todo arrumadinho, é irmão/amigo-de-fé/camarada dos grandes empresários e financistas, virou um pastiche de si próprio, um personagem que soa falso o tempo todo.

Mas seu reinado parece longe do fim, é um enganador profissional que tem uma qualidade impressionante: sabe injetar otimismo. Diz as maiores barbaridades, mente sem parar, chega a ponto de afirmar que “o SUS está quase perfeito”, e o povo bate palmas, ninguém ri, ele não é internado e segue dizendo essas bobagens positivas.

Além disso, consegue passar ao largo dos repetidos escândalos do PT, sua popularidade se mantém, tornou-se um triste fenômeno, a registrar a absurda despolitização do país.

E OS OPOSITORES???

Os opositores , do PT francamente… Aécio Neves não tem perfil, não tem carisma. Desde jovem, com a farda da Escola Naval, viveu à sombra do avô Tancredo Neves, não transmite credibilidade nem confiança. A recente propaganda do PSDB na TV mostra isso, mensagens de estúdio, sem maior impacto, apesar da situação deplorável em que o PT se encontra. Está faltando pimenta no tempero tucano, a inapetência política é flagrante.

Quanto a Eduardo Campos, também viveu à sombra do avô Miguel Arraes. Não tem maior expressão, circunstância que até o favorece. No meio dos outros pré-candidatos, quem é menos conhecido pode ser encarado como menos pior, e a carreira meteórica de Fernando Collor foi exemplo disso. Mas Eduardo Campos também não desperta confiança. Fez um lobby incansável no governo e no Congresso para colocar a própria mãe em cargo vitalício no Tribunal de Contas da União. Ou seja, manchou a biografia, desnecessariamente.

Marina Silva é uma caricatura. Seu ambientalismo xiita e ecoólatra evidencia um impressionante despreparo político-administrativo. Se fosse eleita presidente, o país iria mergulhar em retrocesso. Não construiria hidrelétricas nem usinas nucleares. Não permitiria termoelétricas, porque são poluentes. E o país ficaria sem energia, porque as alternativas solares e eólicas por enquanto não geram quase nada.

Outro eterno pretendente ao Planalto, o tucano José Serra, também é carente de carisma, não tem projeto nem merece confiança, por ser ligadíssimo ao grande empresariado e ao mercado financeiro. Foi traído por Aécio na eleição de 2010, agora está indo à forra, porque dois tucanos bicudos não se beijam.

GERAÇÃO FRACASSADA

Resumindo: essa geração de políticos realmente fracassou. Portanto, como diziam os comunistas nos tempos da clandestinidade, quando tinham de escolher algum candidato, “é preciso votar com o dedo tapando o nariz”.

Parodiando o genial Oswaldo Aranha, a política se tornou um deserto de homens e ideias. Mesmo assim, ainda podemos encontrar razões para sermos otimistas. Entre todos os países do mundo, o Brasil é um dos que têm maior potencial de desenvolvimento econômico, em termos de agricultura, mineração e indústria. Como dizia um antigo ditado que ninguém lembra mais, “o Brasil cresce à noite, enquanto os políticos estão dormindo e não atrapalham”.  Ainda bem.

Movimento “Volta Lula” cresce cada vez mais no PT

Carlos Newton

Aproxima-se a hora da verdade para o PT e o movimento “Volta Lula” é igual ao cordão dos puxa-sacos da marchinha de Roberto Martins e Erastóstenes Frazão – “cada vez aumenta mais…”

Eles nem se preocupam com a ausência forçada do ainda deputado André Vargas (PT-PR), pois há muitos outros petistas prontos para substituí-lo na linha de frente da campanha para derrubar a candidatura de Dilma Rousseff.

A ala pró-Lula, que é amplamente majoritária no partido, parte do princípio de que Dilma está em viés de baixa, duramente atingida pelos escândalos da Petrobras, pela volta da inflação, pelo descontrole da economia e pelo elevadíssimo preço dos aluguéis, entre outros pontos fracos de seu governo.

DE CORPO FECHADO

Para justificar a candidatura de Lula, alega-se justamente o inverso, argumentando que nele os escândalos petistas não causam dano. Realmente, o então presidente passou praticamente incólume pelo caso Celso Daniel, pelo mensalão e pelas alianças espúrias com Sarney, Barbalho, Maluf & Cia. Depois, deu dribles no Rosegate,  no apoio financeiro a Eike Batista e nas suas ligações íntimas com macroempreiteiros. E agora nem mesma a gravíssima acusação de que foi informante do DOPS no regime militar está conseguindo reduzir sua popularidade. Como no filme “O Amuleto de Ogum”, de Nelson Pereira dos Santos, Lula parece ter corpo fechado…

É essa couraça praticamente intransponível que anima cada vez mais os petistas do movimento “Volta Lula”. A convenção para escolher o candidato será no final de junho. Daqui até lá, a situação de Dilma Rousseff só tende a piorar. E não foi à toa que o presidente do PT, Rui Falcão, declarou semana passada que “Dilma ainda não é candidata”. Pegou muito mal esta afirmação dele, mas não deixa de ser verdadeira. A ainda presidente Dilma Rousseff ficou revoltada, mas não tem como reagir. E a hora da verdade se aproxima.

Filhos de Roberto Marinho renegam o passado de apoio à ditadura, que tantos benefícios proporcionou às Organizações Globo, e permitem que a memória do pai seja denegrida

Carlos Newton

É inacreditável o que está acontecendo com a memória de Roberto Marinho, que foi o “Senhor do seu tempo”, conforme o título do documentário lançado há alguns anos sobre sua impressionante carreira de jornalista e empresário.

Se os três filhos dele (Roberto Irineu, José Roberto e João Roberto Marinho) estão hoje na lista dos homens mais ricos do mundo, e suas fortunas somadas (US$ 28,3 bilhões) já os colocam perto de atingirem a 20ª posição neste ranking liderado por Bill Gates, é público e notório que eles devem tudo ao pai, ao qual respeitosamente sempre chamaram de “Doutor Roberto”.

Mas ao invés de preservar a veneração à memória de Roberto Marinho, que em sua época foi o homem mais poderoso do Hemisfério Sul, seus três filhos recentemente o condenaram publicamente por ter apoiado a ditadura, de 1964 a 1985, fazendo dessa proximidade com o regime militar a principal base do fenomenal crescimento das Organizações Globo.

Essa ingratidão dos irmãos Marinho, evidentemente, tem causado surpresa e estupefação. Em palestra realizada em Brasília há alguns dias, o general da reserva Augusto Heleno criticou O Globo por ter publicado no ano passado o editorial em que considerou um erro o apoio aos governos militares, classificando-os como uma ditadura. Segundo o ex-comandante militar da Amazônia, o jornal “renegou todo o seu passado”.

DEPOIS DOS PROTESTOS DE RUA…

Esse inusitado editorial foi publicado dia 31 de agosto de 2013, depois dos protestos de rua em que as Organizações Globo se tornaram um dos alvos das críticas dos manifestantes. Para não sofrerem agressões nas passeatas, as equipes de reportagem tiveram de trabalhar com câmaras e equipamentos sem o logotipo da Globo, trafegando sempre de táxi, sem usar os veículos da empresa. Mesmo assim, alguns prédios da Globo foram cercados e houve ameaças de apedrejamento.

Foi por isso que os filhos de Roberto Marinho então decidiram apagar o passado, criando o chamado projeto “Memória Globo” e proclamando publicamente que a Globo (leia-se: Roberto Marinho) havia errado ao apoiar a ditadura militar. Diz o editorial:

“Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.

Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.

Há alguns meses, quando o Memória estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar pública essa avaliação interna. E um texto com o reconhecimento desse erro foi escrito para ser publicado quando o site ficasse pronto.

Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deram ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.

Governos e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas”, diz o surpreendente editorial de O Globo.

CONTRARIANDO O PRÓPRIO PAI

Esse novo posicionamento político significa que, aproveitando o “clamor das ruas”, os filhos de Roberto Marinho jogaram no lixo a memória do próprio pai, por ser público e notório que ele serviu dedicadamente à ditadura militar, vivendo à sombra do poder para enriquecer e consolidar o maior império jornalístico do mundo, pois em nenhum outro país existe algum grupo empresarial que tenha tantos tentáculos na mídia, atuando simultaneamente com redes de televisões e de rádios, jornais, revistas, emissoras e operadoras de TV a cabo, editora de livros, gravadora de discos e produtora de filmes.

Sobre a atuação de Roberto Marinho no regime militar, a internet está fervilhando com o relato da jornalista Helena Sthephanowitz, da Rede Brasil Atual (RBA), divulgando um impressionante documento que mostra o papel de liderança exercido pelo jornalista na ditadura.

A jornalista revela que no dia 14 de agosto do 1965, ano seguinte ao golpe, o então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, enviou a seus superiores um telegrama então classificado como altamente confidencial – agora já aberto a consulta pública.

A correspondência narra encontro mantido na embaixada entre Gordon e Roberto Marinho. Segundo relato do embaixador, Marinho estava “trabalhando silenciosamente” pela prorrogação ou renovação do mandato do ditador Castelo Branco junto a um grupo composto, entre outras lideranças, pelo general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar, o general Golbery do Couto e Silva, chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI),  e o ministro Luis Vianna, chefe da Casa Civil. No início de julho de 1965, a pedido do grupo, Marinho teve um encontro com Castelo para persuadi-lo a prorrogar ou renovar o mandato.

Traduzindo: não foi por mera coincidência que Marinho conseguiu estruturar no regime militar o maior império de comunicação do mundo. Ele era a face oculta da ditadura que durou 21 anos. E aproveitou o beneplácito dos militares para cometer gravíssimas ilicitudes, como a usurpação da TV Paulista (Canal 5 de São Paulo), um episódio clamoroso, em que Marinho lesou dolosamente centenas de acionistas fundadores da empresa de comunicação – um deles era o palhaço Arrelia, que tinha um programa na emissora.

ILÍCITOS COMPROVADOS

Os reprováveis procedimentos adotados  diretamente por Roberto Marinho ou por seus assessores para se apossar da TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo, responsável por mais de 50% do faturamento da rede) estão todos documentados num processo judicial que a grande mídia finge desconhecer, e que segue tramitando no Supremo Tribunal Federal.

Falsificação de documentos, uso de procurações “emitidas” por acionistas que haviam morrido muitos anos atrás, realização irregular de assembleias gerais extraordinárias presididas pelo próprio Roberto Marinho, fraude na preparação e publicação de atas societárias – foi um verdadeiro festival de ilegalidades cometidas pelo patrono das Organizações Globo e, inclusive, admitidas em juízo por seus próprios advogados, mas, com a ressalva de que já estariam todas prescritas.

A verdade é que, durante o regime militar, Roberto Marinho tinha tanta confiança em sua impunidade que levou 12 anos mantendo ilegalmente no ar a TV Paulista, sem passar para seu nome a concessão da emissora, quando a legislação da época (em vigor até hoje) exigia que toda transferência de controle de estação de TV fosse aprovada previamente pelo governo, sob pena de nulidade absoluta.

Ou seja, como a concessão da emissora foi outorgada ilegalmente a Roberto Marinho, pode ser cassada a qualquer momento. Não há lei ou jurisprudência, no Brasil e no mundo, que possa justificar a preservação de uma concessão pública obtida mediante fraude.

DA TRIBUNA DO SENADO

Recentemente, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) subiu à tribuna e denunciou esses fatos relacionados à TV Paulista. Não somente elencou no discurso os ilícitos cometidos por Roberto Marinho, como também anunciou ter enviado requerimento de informações ao ministro das Comunicações, pedindo explicações sobre a transferência da concessão da TV Globo de São Paulo por meio de documentação fraudada, conforme consta dos autos do processo em tramitação no Supremo.

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AMANHÃ Confira a contundência do discurso do senador Requião denunciando o roteiro da usurpação da TV Paulista por Roberto Marinho e pedindo explicações sobre a ocorrência de fraude na concessão da TV Globo de SP  

Enriquecimento dos filhos de Roberto Marinho é o fenômeno empresarial mais surpreendente do país. Um verdadeiro milagre para quem estava devendo 3,5 bilhões de dólares em 2002

Carlos Newton

Há algo de errado — e muito errado, mesmo… — no discreto e surpreendente crescimento da fortuna dos proprietários das Organizações Globo: os irmãos Roberto Irineu, como presidente, e José Roberto e João Roberto Marinho, como vices (citados por ordem de idade, apesar de o mais importante hoje ser o mais jovem, João Roberto). Segundo a revista americana Forbes e a agência Bloomberg, os três, juntos, já possuem algo em torno de 28,3 bilhões de dólares, uma quantia realmente fabulosa.

O mais incrível é que foi justamente a partir do primeiro governo Lula, em 2003, que os irmãos Marinho deram esse salto para o futuro, que os posiciona bem perto da 20ª colocação no ranking mundial dos mais ricos do mundo, hoje ocupada por Li Ka-Shing, chinês de Hong Kong, detentor de US$ 31 bilhões.

Mas quando Roberto Marinho morreu, em 2003, nem tudo eram flores. Pelo contrário, as Organizações Globo acumulavam uma dívida superior a 3,6 bilhões de dólares, segundo relatório da Price Waterhouse Coopers – Auditores Independentes, assinado por William J. N. Graham em 2002.

BNDES DISSE NÃO

Em 2004, a situação ainda estava tão complicada que os filhos de Roberto Marinho contrataram a economista Maria Silvia Bastos Marques para negociar um empréstimo no BNDES, então dirigido por Carlos Lessa. A delegação da Globo (Maria Silvia e diretores) foi recebida pelo vice-presidente Darc Costa, que recusou liminarmente a possibilidade de financiar a Globo enquanto não houvesse uma linha de crédito que pudesse ser utilizada por quaisquer veículos de comunicação. Além disso, o Tribunal de Contas da União havia impedido o BNDES de dar qualquer novo financiamento às Organizações  Globo, enquanto não fosse resolvida a dívida pendente da Net com o banco estatal.

Ex-funcionário da Fundação Roberto Marinho, o escritor Roméro da Costa Machado revelou que no início de 2002 a astronômica dívida de US$ 3,583 bilhões era basicamente concentrada em três empresas do grupo (Globopar, Globo Cabo, Net Sat), representando cerca de 90% da dívida, na qual também aparecia, com cerca de 3% do total, a Editora Globo, de crônico e sistemático prejuízo.

O BNDES não socorreu, mas do governo Lula para cá, a situação milagrosamente se inverteu e as Organizações Globo tiveram espantosa recuperação, embora a audiência de sua TV aberta venha diminuindo progressivamente, o que representa uma contradição inexplicável.

Como se sabe, além da principal emissora de TV do país, o grupo controla jornais, revistas, rádios, gravadora de discos, editora de livros, produtora de filmes, canais pagos da Globosat (SporTV, Multishow, Futura, Playboy, Canal Brasil, Telecine e GloboNews, entre outros), além de participação em operadoras como a Net e Sky. Mas o forte do faturamento é mesmo a Rede Globo.

NÚMEROS NÃO BATEM

Segundo a agência americana Bloomberg, os três irmãos Marinho ocupam o segundo lugar no ranking mundial do setor de mídia, atrás apenas de David Thomson, sócio majoritário da Reuters, embora na lista das maiores corporações de mídia a Rede Globo ocupe apenas o 25º lugar. É um estranho paradoxo, não há dúvida. Ou essas estatísticas estão equivocadas, ou realmente há algo de errado com o megaenriquecimento dos filhos de Roberto Marinho, um fenômeno que merece apuração mais acurada.

Para se ter uma ideia, a fortuna deles, somada, já é duas vezes maior que a de Rupert Murdoch, o magnata australiano que comprou a Fox e o New York Post, e o triplo da riqueza de Silvio Berlusconi, que usou seu controle da mídia italiana para governar o país por quase vinte anos.

O sucesso dos irmãos Marinho é de fato surpreendente, porque a Rede Globo está em decadência. Apesar do número de televisores ter aumentado consideravelmente nos últimos anos, desde 2004 a audiência da Globo no horário nobre vem caindo. Há 10 anos, praticamente 60% dos domicílios com TV ligada sintonizavam a Globo durante esse horário. De lá para cá, a emissora perdeu 37% de sua audiência na faixa de 18h à 0h, de segunda a sexta-feira.

Se antes o canal atingia 38 pontos, hoje fica na marca dos 25, com baixos índices nas novelas das seis e sete. E o “Jornal Nacional” também sai perdendo. Em 2013, pelo segundo ano consecutivo, o JN ficou abaixo dos 30 pontos. A média em São Paulo, a principal praça do país, foi de apenas 26 pontos.

FATURAMENTO EM ALTA

No entanto, ao invés de diminuir, o faturamento da Globo cresce sem parar. No acumulado de 2012, as Organizações Globo dizem que lucraram 2,9 bilhões de reais — um aumento de 35,9% ante o resultado do ano anterior. Com audiência em baixa, foi um verdadeiro milagre. A receita líquida da empresa também avançou 32,4% em 2012, chegando a 12,6 bilhões de reais. E em 2013 o faturamento aumentou 13%, alcançando R$ 14,4 bilhões.

Nada mal para um império que foi construído por Roberto Marinho com apoio total da ditadura militar e que enriquece cada vez mais em plena democracia, mostrando a extraordinária capacidade de adaptação de seus três filhos, digamos assim.

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Filhos de Roberto Marinho renegam o passado de apoio à ditadura, que tantos benefícios proporcionou às Organizações Globo, e permitem que a memória do pai seja denegrida 

Com um dirigente como Marcelo Neri, fica muito difícil o IPEA não ser estuprado…

Carlos Newton

Não deveria causar surpresa o fato de o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do governo federal, ter sido obrigado a divulgar um desmentido público, reconhecendo haver divulgado uma pesquisa com resultado invertido, proclamando que 65% dos brasileiros concordam que mulheres com roupas curtas merecem ser atacadas, quando eram 26%.

O que causa surpresa é que nenhum órgão da imprensa tenha registrado que o IPEA é dirigido por um ministro, Marcelo Neri, que ocupa a Secretaria de Assuntos Estratégicos, diretamente vinculada ao Palácio do Planalto. Poucos também lembram que esse Neri,  economista da Fundação Getúlio Vargas, vem fazendo meteórica carreira no Executivo, por prestar “voluntariamente” inestimáveis serviços ao governo, digamos assim.

“NOVA CLASSE MÉDIA”

Foi Neri quem inventou a chamada “nova classe média”, ao genialmente proclamar que um família com renda média de 300 reais não poderia mais ser considerada pobre e deveria ganhar status de “classe média”. E o pior é que a imprensa engoliu essa tese, abrindo espaço para as teses desse futuro candidato ao Nobel da Economia.

Façam as contas e respondam: uma família de cinco pessoas, com renda total de R$ 1,5 mil, pode ser considerada “classe média”, aqui ou em qualquer outro lugar do mundo??? Quer dizer que o Brasil chegou ao paraíso e nem percebemos???

Como esse tipo de  “serviços prestados” ao governo, o genial Neri acabou chegando ao Ministério, acumulando o cargo de presidente do IPEA. Em sua gestão, levou a outrora respeitada instituição a percorrer caminhos tristonhos, como na canção de Ary Barroso.

Agora, deveria nos explicar o que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada tem a ver com estupro. Só se for com o estupro da inteligência nacional, o que parece ser a especialidade de Neri.

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Enriquecimento dos filhos de Roberto Marinho é o fenômeno empresarial mais surpreendente do país. Um verdadeiro milagre para quem estava devendo 3,5 bilhões de dólares em 2002

 

Termina esta sexta-feira o prazo que Joaquim Barbosa deu para receber informações sobre regalias aos mensaleiros na Papuda

Carlos Newton

Esgota-se esta sexta-feira o prazo de 48 horas que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, deu para que o governador do Distrito Federal (DF), Agnelo Queiroz, envie ao tribunal informações sobre supostas regalias aos condenados pelo mensalão. Em outro ofício, Barbosa pediu informações também ao responsável pela administração dos presídios.

Como se sabe, as denúncias de regalias atingem especialmente o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que passa os dias trabalhando na sede da CUT no centro de Brasília.

No ofício, Barbosa pede que o governador Agnelo responda se foi instaurada investigação interna para apurar a responsabilidade funcional dentro dos presídios; as medidas que foram adotadas para a retomada do comando do sistema prisional; e se os presídios do DF podem custodiar os condenados no processo do mensalão, garantindo a integridade física e tratamento isonômico em relação aos demais presos, sem ingerências políticas.

E no ofício ao diretor do Centro de Progressão Penitenciária (CPP), unidade da Papuda onde ficam os condenados em regime semi-aberto, Barbosa pede informações sobre alimentação diferenciada, recebimento de visitas especiais e estacionamento privativo.

Reflexões sobre a liberdade na internet e as agressões gratuitas a dois grandes juristas, Jorge Béja e José Carlos Werneck, aqui no blog

Carlos Newton

A internet é um veículo de comunicação que nos surpreende a cada dia, para o bem e para o mal. A repercussão de dois artigos publicados ontem, um de Jorge Béja e o outro de José Carlos Werneck, mostrou a que ponto pode chegar o destempero dos comentaristas.

Por coincidência, Béja e Werneck são dois juristas muito conhecidos e respeitados, um baseado no Rio de Janeiro e o outro em Brasília. O mais curioso é que nem se tratava de artigos. Béja simplesmente havia feito um comentário no blog, relatando o habeas corpus que em 1980 impetrou, no extinto Tribunal Federal de Recursos, em favor de Mário Juruna,
para que o cacique pudesse viajar à Holanda e participar do Tribunal Bertrand Russel.

O importantíssimo habeas corpus foi concedido e, na época, tornou-se matéria de primeira página dos jornais e destaque nos noticiários das TVs. O texto de Béja, que apenas relembrava o fato, foi enviado como comentário a propósito do artigo que escrevi sobre a adesão, em 2007, do Brasil à Resolução da ONU sobre os territórios indígenas.

É lamentável que muitos comentaristas não tenham situado o texto de Béja no tempo e no espaço, pois estávamos em plena ditadura e o governo militar foi derrotado. Béja se arriscou em defesa de Juruna, voluntária e valorosamente, sem receber um centavo, trabalhando apenas em prol da Justiça numa causa realmente nobre.

AGRESSÕES SEM SENTIDO

O leitor “Carlos de Jesus” mais do que me agrediu Béja, pois o caluniou, chamando-o de “traidor da Pátria” e muitas coisas mais. E depois apareceu um comentário curto de “José A” propondo a pena de morte.

Na pressa do revide, sem prestarem atenção aos fatos, não perceberam que o jurista Jorge Béja na verdade defendeu e continua defendendo uma tese irrefutável. As nações indígenas realmente têm direito à autonomia de suas terras, e isso é reconhecido consensualmente por todos os homens de bem. Em nenhum momento Béja defendeu a independência dos territórios indígenas em relação ao Brasil, mas muitos comentaristas entenderam assim.

Ontem, tive de interromper o trabalho no blog por algumas horas, em função do nascimento de uma sobrinha-neta, e então ocorreu a publicação desses inaceitáveis exageros, sem moderação. o blog, o mal já estava feito.

DISTORÇÕES

 

Os comentaristas precisam entender que “Sob o Signo da Liberdade” não significa “Sob o Signo da Calúnia” nem “Sob o Signo da Ameaça”. É por essas distorções que às vezes tenho vontade fechar o blog. Precisamos trafegar apenas no terreno das ideias, sem ofensas pessoais, mas parece que jamais alcançaremos essa utopia. É pena.

Daqui, humildemente peço desculpas a Béja e também a Werneck, agredido pelo simples fato de o senador Paulo Paim ter elogiado um artigo que ele publicou aqui no blog. Recebi a notícia por e-mail e a publiquei, apenas para mostrar a repercussão que as matérias da Tribuna da Internet vêm obtendo. Foi um erro meu. Mais um, aliás.

 

Sobre o golpe de 64, é preciso louvar as posição moderadas e realistas do general Heleno e do ex-deputado Gabeira

Carlos Newton

Em meio ao festival dos 50 anos do golpe de 1964, com comemorações e denúncias de militares saudosos e de ex-guerrilheiros idem, o que está havendo de melhor são as vozes que têm se levantando em nome da moderação e da responsabilidade mútua, como o ex-deputado Fernando Gabeira e o general da reserva Augusto Heleno.

Ninguém pode defender militares torturadores, terroristas e assassinos, cujos nomes (quase todos) são hoje por demais conhecidos. Mas também não podem ser esquecidos os excessos da luta armada, especialmente os atos de terrorismo contra civis e os justiciamentos de militantes suspeitos de traição, sem o menor direito de defesa.

Nesse contexto de enfrentamentos tardios, merecem reflexão as posições defendidas por Gabeira e Heleno, por serem guiadas pelo bom senso e pela admissão dos erros cometidos num passado que ainda é muito recente para quem viveu aquela época.

ESTUPIDEZ

O general Heleno se manifestou em palestra na Maçonaria do Distrito Federal, ao dizer que a volta dos militares ao poder seria hoje uma estupidez, porque o mundo é outro e a democracia, apesar dos defeitos, é o melhor regime.

Ex-comandante da Missão das Nações Unidas no Haiti e também ex-comandante militar da Amazônia, o general criticou a Comissão Nacional da Verdade, afirmando que seus integrantes partem do pressuposto de que os grupos que travaram a luta armada contra o regime buscavam implantar uma democracia no Brasil, embora se saiba que o objetivo era mesmo impor um regime ditatorial comunista.

Por sua vez, em debate na Casa do Saber, no Rio de Janeiro, Fernando Gabeira destacou o que chamou de “ilusões” dos dois lados. “Os militares achavam que os brasileiros não sabiam votar e que enquanto houvesse eleição os demagogos venceriam. Achavam que podiam ensinar o povo a votar, e roubaram a principal motivação para o aprendizado, que é a liberdade”.

Mas também a esquerda, lembrou Gabeira, sobretudo a armada, acreditava que poderia servir de guia aos cidadãos. Os dois lados de certa maneira achavam-se dirigentes dos destinos do país, comentou o x-deputado, e se afastavam “da ideia de que o povo, através de seu desenvolvimento, poderia se aperfeiçoar”.

“Na verdade, nenhum dos lados acreditava na democracia”, salientou o moderador do debate, jornalista Merval Pereira.

TEORIA DO FOCO

Gabeira disse ainda que havia determinadas ilusões na luta armada, como a “teoria do foco”, ideia que vinha de Cuba e se baseava no livro do francês Regis Debray prevendo que o movimento revolucionário acabaria atraindo o apoio das populações, o que não era verdade, e foi essa expectativa que custou caro a Ernesto Guevara ao tentar exportar a revolução cubana para a Bolívia.

Em meio ao posicionamento moderado e realista de Heleno e Gabeira, por parte do governo o que se vê é uma tentativa patética de passar a borracha na História, apresentando acertadamente os militares como ditadores, mas falsamente considerando os militantes da luta armada como defensores da democracia, o que decididamente não é verdade.
Não devemos tentar mudar a História. Esse posicionamento que visa a adulterar os acontecimentos resulta patético e grotesco. E isso é o mínimo que se pode dizer a respeito.

Na Conferência dos Povos Índigenas, a ser realizada pela ONU, tribos brasileiras vão pressionar o governo e exigir independência territorial, política e econômica

Carlos Newton

Aproxima-se a hora da verdade. Dias 22 e 23 de setembro será realizada na ONU a Conferência Mundial dos Povos Índigenas, para discutir a situação da chamada “população nativa” dos mais diversos países, em conformidade com a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pelas Nações Unidas em 2007 com apoio do Brasil

Conforme temos alertado aqui no blog da Tribuna da Internet, esta Declaração da ONU concede às chamadas nações indígenas o direito de se emanciparem, tornando-se independentes em termos territoriais, políticos e econômicos, inclusive com fronteiras fechadas.

O Brasil assinou discretamente essa Declaração em setembro de 2007, no primeiro governo Lula, mas até agora o governo não enviou o documento para ratificação pelo Congresso Nacional.

Na conferência internacional que se realizará em setembro na sede da ONU em Nova York, as tribos indígenas brasileiras vão aumentar a pressão para que o governo confirme que concederá independência às mais de 200 “nações indígenas” situadas no país, que já controlam cerca de 15% do território nacional e ainda há muitas reservas ainda a serem demarcadas. Acredita-se que o total das terras indígenas vá ultrapassar 20% do pa.ís

Explicação de Gabrielli sobre Pasadena está cheia de furos

Carlos Newton

Sobre o caso da refinaria de Pasadena, o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, 
alega que há algum tempo foi ao Senado e falou por três horas “para explicar as estratégias e as razões econômicas da operação”. “Desmontei a falsidade da informação que está sendo veiculada insistentemente dos US$ 42 milhões, do preço inicial, do US$ 1,1 bilhão do preço da refinaria. Expliquei que o mercado naquele momento era outro”, disse ele ao Estadão.

Gabrielli argumentou ainda que o preço da refinaria, em termos de ativo, foi de US$ 486 milhões. “Isso, a 100 mil barris por dia, corresponde a US$ 4.860 por barril. Desafio qualquer analista a dizer que este preço está acima do mercado, mesmo com a disputa judicial”, afirmou, acrescentando: “O custo de refinaria foi de US$ 486 milhões, o US$ 1,2 bilhão corresponde ao custo da matéria-prima adquirida, as garantias bancárias e o processo judicial. Portanto, não é custo da refinaria”.

Segundo o Estadão, ele argumentou ainda que é preciso ponderar que a refinaria está produzindo. “Se ela hoje produz 100 mil barris por dia, a US$ 100 dólares o barril, são US$ 10 milhões de faturamento diário. US$ 3,6 bilhões por ano de faturamento. Isso não conta?”, pergunta. “A usina está dando lucro”.

PIADA DO ANO

As declarações de Gabrielli podem ser consideradas como a piada do ano. É uma conta sem sustentação dizer que o custo foi apenas “US$ 486 milhões, e  o US$ 1,2 bilhão corresponde ao custo da matéria-prima adquirida, as garantias bancárias e o processo judicial”. Ele nem sabe direito o valor das parcelas desse cálculo. Seus números não batem. A contradição é flagrante.

Mas o pior mesmo é dizer que a refinaria produz 100 mil barris por dia. Instalada em 1934 pelo grupo Rockefeller, 100 mil barris é a “capacidade nominal” daqueles áureos tempos. A unidade hoje completamente está sucateada. Por isso foi vendida por míseros US$ 42,5 milhões. Ninguém sabe quanto a Petrobras investiu (Além dos US$ 1,2 bilhão) para mantê-la operando. Mas esses números logo serão conhecidos.

Quanto aos 100 mil barris/dia alegados por Gabrielli, isso é um verdadeiro delírio. Se Pasadena produzir 25 mil barris/dia já será uma façanha extraordinária. Justamente por isso, a produção real da refinaria de Pasadena é hoje o segredo mais bem guardado da Petrobras. Mas a verdade em breve virá à tona, e os argumentos de Gabrielli vão virar piada de salão, como diz seu amigo Delúbio Soares.

No mês passado, Dilma mandou punir mais de 100 militares, mas não foi obedecida. E hoje é o dia 31 de Março…

Carlos Newton

Conforme publicamos aqui, está causando insatisfação nas Forças Armadas a decisão de proibir a comemoração dos 50 anos da Revolução de 1964, determinada pela presidente Dilma Rousseff ao ministro da Defesa Celso Amorim. Em suas ordens-do-dia, os comandantes militares estão impedidos de exaltar hoje as realizações dos governos militares no período de 1964 a 1985. Somente as três entidades que congregam oficiais da reserva e da ativa (Clube Militar, Clube Naval e Clube da Aeronáutica) poderão fazê-lo, por se tratar de instituições civis.

Desde o início do governo Lula, a passagem do 31 de março é lembrada discretamente nas respectivas ordens-do-dia dos comandantes militares. Desta vez, porém, a data marca os 50 anos do golpe, que não foi somente militar, pois teve o entusiástico apoio de importantes figuras da política e do empresariado, que desde sempre participaram da trama.

Este ano, os militares esperavam que a presidente Dilma tivesse uma maior compreensão, mas ela se apressou em determinar a proibição, que terá de ser cumprida. Se houver desobediência, na condição de comandante-em-chefe das Forças Armadas, Dilma Rousseff poderá mandar punir os infratores, na forma da lei. Mas nada poderá fazer em relação aos clubes militares.

O assunto já vinha dominando os bastidores militares desde 19 de fevereiro, quando o jornal Estadão publicou um explosivo artigo do general (de Exército, quatro estrelas) da reserva Rômulo Bini Pereira, intitulado “Árvore Boa”, defendendo o direito de os militares celebrarem a “Revolução Democrática de 31 de março de 1964”.

Simultaneamente, começou a circular um manifesto assinado por oficiais da reserva e também por civis, se insurgindo contra o partidarismo da Comissão da Verdade e também contra as entrevistas de ministros a favor da revogação da Lei da Anistia, para punir os crimes dos militares durante a ditadura.

A PUNIÇÃO QUE NÃO HOUVE

A presidente Dilma ficou furiosa, convocou a palácio o ministro da Defesa, Celso Amorim, e ordenou que os comandantes militares punissem todos os militares que assinaram o manifesto (na época, mais de 100). O tempo foi passando, as assinaturas se multiplicando e não aconteceu nada, ninguém foi punido. Motivo: existe uma lei, do governo Sarney, que protege o direito dos militares da reserva se pronunciarem politicamente. Dilma Rousseff pensava que mandava neles, mas não manda.

Tudo isso demonstra que a presidente da República não tem jogo de cintura e é revanchista. Os militares a detestam, mas sabem que têm de aturá-la, hierarquicamente. Sua decisão de criar a Comissão da Verdade evidentemente desagradou as Forças Armadas, especialmente porque só investiga os crimes dos militares, deixando no esquecimento os crimes da luta armada, inclusive os atentados contra civis e os justiciamentos de militantes suspeitos de traição.

Os jornais não dão uma linha a respeito dessas movimentações de bastidores, embora tenham grande importância, não há dúvida. Na sexta-feira, os presidentes do Clube Militar, do Clube Naval e do Clube da Aeronáutica assinaram um documento intitulado “À Nação Brasileira: 31 de março”, prestando sua homenagem à “Gloriosa Revolução de 64″ e sua moção de repúdio à criação da Comissão Nacional da Verdade.

Hoje, 31 de março, haverá (?) silêncio nos quartéis. Mas nos clubes militares as fanfarras vão soar, com toda certeza.

Diretores e conselheiros da Petrobras precisam ser punidos de forma exemplar

Carlos Newton

Em recente artigo aqui na Tribuna da Internet, o jurista Jorge Béja confirmou que todos os dirigentes e conselheiros da Petrobras que aprovaram a aquisição da refinaria de Pasadena podem ser responsabilizados judicialmente.

Explicou que se trata de um caso de responsabilidade solidária, em que se pode exigir (de um, de uns e/ou de todos os responsáveis solidários) que prestem as informações a respeito do fato e que o reparem da forma mais ampla e abrangente quanto possível.

Esclarecido pelo Dr. Béja este importante aspecto jurídico, podemos então buscar os principais envolvidos – aqueles cujas atuações foram fundamentais para que a negociata se concretizasse, porque qualquer um deles, individualmente, poderia tê-la inviabilizado.

FORMAÇÃO DE QUADRILHA

Houve três elementos fundamentais nessa formação de quadrilha. Os principais envolvidos foram o diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, o diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa (que está preso por lavagem de dinheiro em outra jogada), e o diretor jurídico, a terceira peça-chave nessa negociata, cujo nome estranhamente continua fora do noticiário. Além desses três dirigentes, também participaram diretamente da armação do golpe os chefes de departamento que então assessoravam essas três diretorias da estatal.

Qualquer um desses seis personagens tinha condições de evitar esse crime de lesa-pátria. A negociata só foi em frente porque todos eles a aprovaram previamente, antes de enviar o projeto ao Conselho de Administração. Nenhum dos seis esboçou a menor reação, todos foram coniventes, embora a análise da primeira negociação, no valor de 360 milhões de dólares, tenha sido totalmente irregular e executada num prazo-relâmpago de apenas 20 dias, totalmente fora do padrão.

Numa empresa-gigante como a Petrobras, acostumada a negócios bilionários, nenhuma norma de segurança jurídico-administrativa foi obedecida nesse caso específico do sucatão de Pasadena. A conivência e a leniência reinaram, absolutas.

PUNIÇÃO A TODOS

Todos os seis executivos diretamente envolvidos precisam de punição exemplar. Quanto aos membros do Conselho de Administração, então presidido por Dilma Rousseff, também merecem ser punidos, pelo alto grau de irresponsabilidade com que atuaram no episódio.

A meu ver, todos os conselheiros deveriam ser proibidos de exercer função pública, no mínimo. Inclusive a própria Dilma Rousseff, aquela que se diz “gerentona”, mas demonstra uma incapacidade administrativa realmente estarrecedora.

Mas do jeito que está o país, dificilmente acontecerá alguma punição. Podem apostar.