Supremo libera depoimento do ex-diretor da Petrobras na CPI, mas falta o juiz autorizar a viagem

Caros Newton

Como se sabe, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, liberou sexta-feira o novo depoimento do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa à CPI Mista que investiga irregularidades na estatal.

Preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, Paulo Roberto Costa foi convocado a comparecer à CPI na próxima quarta-feira, para falar sobre os depoimentos prestados em função do acordo de delação premiada, em que o ex-diretor diz que distribuiu propinas da estatal a uma série de políticos.

Para permitir o depoimento, o ministro Zavascki, na condição de relator no Supremo dos processos referentes à Operação Lava-Jato com réus de foro privilegiado, alegou que não cabe ao Judiciário interferir nas convocações feitas por comissões de inquérito do Congresso e liberou o comparecimento de Costa à CPI.

Ao mesmo tempo, Zavascki decepcionou os parlamentares, por não ter enviado à CPI os novos documentos que fazem parte da delação premiada, que eram o grande objetivo dos membros da CPI. O ministro explicou que ainda não tem essa documentação, porque, ao menos em seu gabinete, só existem as informações constantes de dois processos judiciais, ambos já enviados à comissão na última quarta-feira.

DEPENDE DO JUIZ

Outro problema para a CPI é que o réu Paulo Roberto Costa está sob jurisdição e competência do juiz federal Sérgio Moro, que tem agido com independência em relação ao Supremo. Recorde-se que quando o ministro Zavascki equivocadamente mandou soltar o diretor da Petrobras, o juiz mandou prendê-lo de novo, porque havia flagrante risco de fuga.

Além disso, a assessoria da Procuradoria-Geral da República já informou que o procurador Rodrigo Janot é contra o novo depoimento de Costa no Congresso, por entender que o compartilhamento de informações com a CPI possa atrapalhar as investigações e até prejudicar a delação premiada.

O relator da CPI Mista, deputado Marco Maia (PT-RS), diz que, se for necessário, o depoimento do ex-diretor será feito de forma reservada, em sessão secreta. De toda forma, porém, a decisão será do juiz federal Sérgio Moro, o único magistrado que conhece o explosivo teor dos novos depoimentos do ex-diretor da Petrobras.
Como dizia o grande publicitário e compositor Miguel Gustavo, nosso vizinho no famoso Edifício Zacatecas, o suspense é de matar o Hitchcock…

William Bonner e Patricía Poeta tiveram de se segurar para não denunciar o golpe do Ibope

Bonner e Patrícia, apresentando os números, sem comentários…

Carlos Newton

Foi interessante assistir ao Jornal Nacional em que a “última” pesquisa do Ibope foi uma das manchetes. Como se sabe, na Organização Globo, por motivos mais do que óbvios, é terminantemente proibido fazer denúncias relacionadas ao Ibope e contestar números dos levantamentos do instituto.

Os dois apresentadores – William Bonner e Patrícia Poeta – não tinham como criticar  a estratégia de o Ibope divulgar sua pesquisa depois do Datafolha, apresentando seus resultados como se fossem mais novos, quando estava ocorrendo exatamente o contrário, pois os dados do Datafolha tinham sido colhidos depois do levantamento Ibope.

A Rede Globo registrou esse fato do atraso proposital da divulgação do Ibope, mas sem maiores comentários, e Patrícia Poeta apenas afirmou que a ordem de retardar o anúncio dos resultados partido da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que bancou a pesquisa.

Também sem maiores comentários, o Jornal Nacional deixou evidente a desproporção entre o número de entrevistados, com o Datafolha ouvindo mais de 10 mil pessoas em quase 700 municípios, enquanto o Ibope se limitava a entrevista 2.002 mil pessoas em apenas 144 municípios.

MARGEM DE ERRO IGUAL???

Patrícia Poeta informou que as duas pesquisas, apesar da enorme disparidade de número de entrevistados e de municípios, tinham o mesmo índice de erro (2% para mais ou para menos) com confiabilidade de 95%, o que rigorosamente não é verdade, porque na ciência da Estatística a confiabilidade da pesquisa (chamada de “amostragem”) é diretamente proporcional ao número de entrevistas e de locais visitados. Quanto mais entrevistas e locais, menor a margem de erro.

Tecnicamente, a margem de erro da pesquisa Datafolha está correta (2% para mais e para menos) e confiabilidade de 95%, mas a margem de erro do Ibope está subestimada e sua confiabilidade superestimada. A margem de erro verdadeira seria de de 3% ou 4% para mais ou para menos, com confiabilidade de 85% a 90%. Mas quem se interessa?

Por fim, destaque-se o mau humor de Bonner e Patrícia apresentando esses números. É triste o jornalista saber a verdade e não poder comentá-la.

APARÊNCIAS, NADA MAIS

Conforme explicamos no artigo anterior, o golpe do atraso na divulgação do Ibope fez com que ficasse parecendo que Dilma está em tendência de alta e Marina em baixa, quando está ocorrendo exatamente o contrário: as pesquisas Ibope e Datafolha, analisadas na ordem correta das datas das entrevistas, mostram que Marina voltou a subir e Dilma está novamente caindo.

Como diz o ditado, as aparências enganam. O que não se pode aceitar é que isso ocorra propositadamente.

Ibope aplica “o golpe da pesquisa nova”, atrasa a divulgação e inverte os resultados, para colocar Dilma em alta e Marina em baixa

Carlos Newton

Assim que foi divulgada a mais recente pesquisa do Ibope, o comentarista César Cavalcanti, sempre atento ao lance, logo denunciou aqui na Tribuna da Internet que estava sendo aplicado um golpe na opinião pública.

Essa pesquisa foi feita antes do levantamento do Datafolha. Já aí ela perde total credibilidade. Uma pesquisa que ouve 2002 pessoas, contra uma que entrevistou 10.568, não tem fundamento lógico. Sabe-se que o Ibope tem contrato com Planalto, de forma que o instituto faz a pesquisa inflando as intenções de voto da candidata oficial, pois sabe que muita gente vota no candidato(a) que está na frente” , assinalou César Cavalcanti.

Simultaneamente, no site da Veja o jornalista Lauro Jardim fazia a mesma advertência: ”O Ibope divulgou uma pesquisa agora há pouco. Por ela, Dilma Rousseff tem 39%, Marina, 31%, e Aécio, 15% das intenções de voto. Anteontem, o Datafolha cravou Dilma com 36%, Marina com 33%, e Aécio com 15%. Qual das duas pesquisas é a mais atual? Apesar da pesquisa Ibope ter sido apresentada há algumas horas, as entrevistas com os eleitores foram feitas entre sexta-feira passada e segunda-feira. A pesquisa Datafolha foi realizada entre segunda-feira e terça-feira. É, portanto, mais atual. Para o distinto público, no entanto, a do Ibope fica parecendo mais recente, pois apenas uma minoria está atenta para as datas de realização das entrevistas. Quem encomendou a pesquisa divulgada hoje foi a CNI, de Robson Andrade. A entidade não deve estar preocupada de ser acusada de manipulação”, destacou o colunista da Veja.

UM GOLPE BAIXO

Esta jogada do Ibope é um golpe baixíssimo e pouco conhecido. Seu efeito é arrasador, porque modifica a realidade. No caso em foco, ao atrasar a divulgação de sua “pesquisa”, o Ibope simplesmente inverteu a situação da campanha política, apresentado Dilma Rousseff com “tendência de alta” e Marina Silva “com viés de baixa”, quando está acontecendo exatamente o contrário.

Quem na verdade reverteu a queda e agora está em tendência de alta é Marina Silva, que subiu de 31% para 36%, enquanto Dilma Rousseff interrompeu a alta e entrou em viés de queda, caindo de 39% para 36%. Isso significa que as duas estão rigorosamente empatadas no primeiro turno, mas no segundo turno a candidata do PSB continua vencendo a eleição, com 47% a 43%.

O pior é que os jornais e as televisões apoiaram as “conclusões” do Ibope, divulgando os resultados ao contrário, o que demonstra como o jornalismo políticos brasileiro atravessa uma fase verdadeiramente negativa, sem analistas que possam esclarecer a opinião público sobre esse tipo de golpe eleitoral.

Políticos não conseguem informações sobre a delação do homem-bomba da Petrobrás e têm de aguardar a próxima edição da Veja

capa veja petrobras paulo roberto costa

Carlos Newton

O Planalto, a base aliada e os partidos de oposição tentaram de todas as formas saber detalhes sobre os novos depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, mas não conseguiram nada. Reportagem de Naira Trindade e Amanda Almeida, do Correio Braziliense, mostra que nem mesmo a decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo, poderá ser atendida.

Zavascki mandou o juiz federal Sergio Moro liberar as informações à CPMI, mas o magistrado paranaense deu-lhe dura resposta indireta, ao recomendar ao presidente da Comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que refizesse os requerimentos ao ministro do Supremo, para que “sejam submetidos diretamente ao Supremo Tribunal Federal, especificamente ao ministro Teori Zavascki, prevento para o caso”.

Traduzindo: a CPMI só terá informações através do Supremo, porque o juiz tem de seguir os trâmites da delação premiada e dos processos com foro privilegiado. Assim, as informações têm de seguir diretamente para Zavascki, que é o relator e terá de aprovar a delação premiada e o fôro priivilegiado, no estilo mensalão.

PRÓXIMA EDIÇÃO

Diante dessa situação, aumenta extraordinariamente a importância da próxima edição da Veja, que promete ampliar o número de políticos acusados por Paulo Roberto Costa. Há informações também de que delator do propinoduto da Petrobras, Paulo Roberto Costa, mantinha a contabilidade organizada. Em abril, uma matéria de capa sobre o ex-diretor já mostrava suas agendas e anotações.

O jornalista Luiz Carlos Azedo, considerado um dos repórteres políticos mais bem informados de Brasília, publicou no Correio Braziliense um importante artigo, em que assinala:  “Circula no Congresso que a ‘delação premiada’ do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa é mais cabeluda do que se imagina. Não se trataria apenas de depoimentos gravados em vídeo, como se imaginava, mas de acusações fundamentadas em provas materiais — extratos bancários, contratos, ligações telefônicas etc. —, que comprometeriam todos os suspeitos de receberem propina.”

Como se sabe, durante sua gestão na diretoria da Petrobras, Paulo Roberto Costa tinha acesso a então presidente Lula. Por isso é provável que o ex-presidente seja atingido pelo novo escândalo, não saindo ileso desta vez como ocorreu no caso do mensalão.

EDIÇÃO ESGOTADA

A próxima edição da Veja já está previamente esgotada. Os petistas e políticos denunciados vão comprar o pacote inteiro, sábado de manhã, com fizeram semana passada.

Em Belo Horizonte, a leitora Jussara Gama reclamou ao jornal O Tempo que não conseguiu comprar a edição de “Veja” sobre corrupção na Petrobras: em todas as bancas ouviu que o estoque havia sido levado por uma única pessoa. No Pátio Savassi, o dono da banca disse que um homem ficou com as 36 revistas disponíveis; na Rodrigues Caldas, perto da Assembleia Legislativa, o comprador arrebatou 12 exemplares.

Agildo Ribeiro nos ensinou que no exterior todo mundo pensa que brasileiro é mentiroso

Agildo Ribeiro, fazendo papel de Maluf na TV

Carlos Newton

Um dos personagens mais interessantes dos programas humorísticos de TV foi criado por Agildo Ribeiro. O quadro se passava sempre numa festa, em que várias pessoas conversavam e Agildo entrava com a senha da piada, que sempre se referia a uma viagem a algum país estrangeiro:

– Não viajo mais para a Espanha!

– Por quê?

– Lá na Espanha eles não gostam de brasileiro, por qualquer motivo ficam chamando a gente de mentiroso, é um horror!

– Como assim ?

– Eu estava conversando com uns espanhóis em Barcelona e eles me perguntaram como é que funciona a Previdência Social no Brasil. Expliquei que é estatal, gerida pelo governo e dá sempre prejuízo, eles logo começaram a rir. Aí um deles me perguntou o que acontecia no Brasil quando o trabalhador ficava doente e não podia ir ao emprego. Eu então expliquei que o trabalhador brasileiro entrava de licença e passava a ganhar 75% do salário. Foi aí que eles caíram na gargalhada, me chamando de mentiroso…

– Mas por que te chamavam de mentiroso?

– Eles não acreditam que o governo do Brasil tenha coragem de diminuir o salário do trabalhador quando ele fica doente e precisa gastar mais dinheiro para se recuperar. Por isso acham que todo brasileiro é mentiroso… Não viajo mais para a Espanha!

MALUF INCÓLUME

O caso de Paulo Maluf merecia ser tratado como uma piada desse tipo, porque nenhum estrangeiro jamais vai entender como o político brasileiro possa estar sendo procurado pela Interpol (Polícia Internacional) nos 181 países que são membros da Interpol. Maluf foi incluído na lista de procurados, a chamada “difusão vermelha”, a pedido da Promotoria de Nova York, nos Estados Unidos, após investigação conjunta de promotores brasileiros e americanos, iniciada no Brasil em 2001. Em 2007, a Justiça americana determinou a prisão de Maluf pelos crimes de conspiração, auxílio na remessa de dinheiro ilegal para Nova York e roubo de dinheiro público em São Paulo.

Mas a decisão da prisão de Maluf pela Interpol não pode, no entanto, ser cumprida no Brasil, simplesmente porque ele é brasileiro…

Agora, Maluf foi escolhido pela Transparência Internacional como uma das “estrelas” de uma campanha mundial contra a corrupção, lançada semana passada em Berna, na Suíça. O caso do deputado é usado como exemplo de como as leis de combate a desvios de recursos públicos precisam ser modificadas para combater o problema. 

GRANDE FIGURA MUNDIAL

A campanha “Desmascarar a Corrupção” foi lançada pela Transparência Internacional como uma forma de pressionar o governo da Suíça a modificar suas leis em relação à proteção do sigilo bancário. Segundo a entidade, o deputado teria recebido US$ 344 milhões em propinas em quatro anos como prefeito de São Paulo. A ONG aponta que Maluf conseguiu desviar o dinheiro graças a paraísos fiscais que permitiram que ele mantivesse contas sem revelar seu nome.

Jersey, ilha britânica onde empresas ligadas a Maluf mantinham recursos, acabou condenando o deputado brasileiro e a Interpol expediu um mandado de prisão internacional contra Maluf. “Apesar de sua notoriedade, Maluf não está na prisão. Na realidade, ele é membro do Congresso. Se ele corre o risco de ser preso se sair de seu país, no Brasil ele está livre”, aponta a campanha.

Agildo Ribeiro que nos perdoe, mas quem pode acreditar nisso?

Dá para desconfiar… São mais de 60 acusados, inclusive governadores e ministros, e nenhum deles processa Paulo Roberto Costa

Carlos Newton

Um ditado jurídico diz que, quando dois brigam, quem sai ganhando são os advogados. Outro ditado afirma que pessoas de bem só brigam através da Justiça. Pois já se passaram vários dias e até agora nenhum dos acusados decidiu processar o denunciante Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.

É muito estranho, não acham? Até agora, apenas saíram algumas “notas oficiais”, partindo de políticos como Sérgio Cabral, Roseana Sarney e Edison Lobão. A nota mais consistente, já mencionamos aqui, foi do senador Ciro Nogueira, do Piauí, presidente nacional do PP, partido que Paulo Roberto Costa representava na Diretoria da Petrobras, na partilha feita pelo governo do PT para repassar recursos para a base aliada na primeira gestão de Lula.

NOMES E MAIS NOMES

No documento obtido pela “Veja”, Paulo Roberto Costa cita pelo menos 25 deputados federais, 6 senadores, 3 governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos (PT, PMDB e PP), que teriam tirado proveito de parte do dinheiro desviado dos cofres da Petrobras.

Depois, outros papéis obtidos pela “Folha de S. Paulo” mostram que a lista de políticos teria no total 12 senadores e 49 deputados federais. Mas o jornal não teve acesso ao documento que cita os nomes dos parlamentares.

Entre os envolvidos estão o ministro Lobão (Minas e Energia), o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Romero Jucá (PMDB-RR) e os deputados Cândido Vaccarezza (SP), João Pizzolatti (PP-SC) e o ex-ministro Mário Negromonte (PP).

Entre os governadores, o ex-diretor cita o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto no dia 13 de agosto em um acidente aéreo em Santos (SP).

CADÊ A INDIGNAÇÃO?

Tanta gente envolvida, mas não se vê as violentas manifestações de repulsa e indignação que seriam de se esperar, caso as acusações fossem irreais, como alegam as “notas oficiais” e as rarefeitas declarações de alguns outros acusados, enquanto a grande maioria permanece escondida sabe-se lá onde.

Quanto falamos aqui na Tribuna da Internet que a nota mais consistente foi do presidente do PP, Ciro Nogueira, estamos baseados apenas no fato de que o senador do Piauí se oferece para abrir mão de seus sigilos. Apenas por isso. Mas falta cotejar as alegações do senador e as acusações do ex-diretor Paulo Roberto Costa. E é aí que mora o perigo.

Na minha avaliação, as acusações acabarão por se mostrarem reais, porque não há indignação nas reações dos políticos supostamente envolvidos. Além disso, falta uma resposta do principal acusado, o ex-presidente Lula. Mas ele anda meio sumido…

 

Procurador-geral da República não entra na discussão sobre vazamento de informações pela Polícia Federal

Carlos Newton 

Reportagem de André Richter, da Agência Brasil, revela que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, discutiu com integrantes do Ministério Público medidas para garantir o prosseguimento das investigações da Operação Lava Jato após a divulgação do depoimento em que o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, cita nomes de políticos que receberam propina no suposto esquema.

Janot, que em maio criou uma força-tarefa para auxiliar nas investigações, desta vez procurou evitar os jornalistas, que queriam saber sua opinião sobre o surpreendente vazamento de informações sigilosas obtidas pela Polícia Federal, pois os nomes de políticos citados pelo ex-diretor foram divulgados no sábado pela revista Veja.

A Procuradoria se limitou a divulgar uma nota à imprensa, dizendo que durante a reunião foram “avaliadas medidas para garantir a efetividade das investigações”.

O procurador também declarou, por meio de nota, que não vai se manifestar sobre a divulgação dos nomes. Segundo Janot, o Ministério Público vai continuar a investigação de forma imparcial e respeitando a presunção de inocência dos envolvidos.

Dilma quer saber quem vazou as informações, mas o ministro da Justiça não tem como pressionar a Polícia Federal

José Eduardo Cardozo perde as esperanças de ser nomeado para o Supremo

Carlos Newton

Não sai uma só linha nos jornais e sites, mas nos bastidores do poder o Planalto e o PT tentam de todas as formas descobrir quem vazou as informações sobre os novos depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e chefe da quadrilha montada na estatal para desviar recursos, beneficiando políticos da base aliada.

O Planalto considera que o vazamento das informações significa grave crime funcional, com agravante de ter ocorrido em período estratégico, às vésperas da eleição presidencial. Mas há controvérsias jurídicos, porque todo servidor público está obrigado a denunciar qualquer irregularidade de que tome conhecimento e ninguém pode prever como terminaria um processo desse tipo.

IMPOTÊNCIA

De início, a presidente Dilma Rousseff convocou diretamente o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que ficou em péssima situação ao confessar que não tem condições de pressionar a Polícia Federal, que se limitou a informar ter aberto uma sindicância interna. Na verdade, a PF está unida contra ele desde quando foi negado o aumento salarial reivindicado pela corporação, vetado pelo trio Dilma Rousseff, Guido Mantega e Miriam Belchior. A conversa com Dilma foi ríspida e Cardoso perdeu qualquer esperança de nomeação para ministro do Supremo.

Ao mesmo tempo, a presidente mandou acionar o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson Roberto Trezza, que também informou não ter condições de se imiscuir nos serviços internos da Polícia Federal e caiu na bobagem de sugerir que procurassem o Ministério da Justiça, ao qual a Polícia Federal é subordinada, fazendo com que Dilma ficasse ainda mais irritada, ao constatar que em determinadas situações a Presidência da República não manda nada e tem de se curvar ao poder da máquina administrativa.

A estratégia que restou ao Planalto é de tentar alguma informação através da equipe da Veja, que está preparando a continuação da reportagem, para fornecer detalhes sobre os políticos e empresários envolvidos no maior escândalo da história da Petrobras. Há informações de que o número de envolvidos vai aumentar. Quem sabe chega àqueles 300 picaretas denunciados por Lula nos anos 80? Somente saberemos no sábado, porque o assunto está sendo tratado na revista sob sigilo absoluto.

Dilma transformou Guido Mantega num morto-vivo, uma espécie de zumbi sem palmares

Carlos Newton
Para a presidente Dilma Rousseff, que decididamente não foi contemplada com o dom da oratória, dar entrevistas à imprensa e participar de debate são atividades que exigem um sacrifício realmente enorme. Tem de prestar atenção em tudo, pensar no que vai dizer, não pode falar nenhuma bobagem, é um inferno.
Nessa reta final de campanha, a situação não está nada fácil. Em busca da recuperação dos votos perdidos, Dilma Rousseff se vê obrigada a dar seguidas entrevistas, que acabam complicando sua vida. Na semana passada, por exemplo, numa entrevista em Fortaleza, Dilma foi questionada especificamente sobre o futuro do ministro Guido Mantega, titular da Fazenda, caso vença as eleições. “Eleição nova, governo novo, equipe nova”, disse a presidente e logo tentou remendar:
“Quero dizer o seguinte. Só faço uma coisa. Não nomeio ministro em segundo mandato. Eu não fui eleita. Como é que eu saio por aí nomeando ministro? Não sei se vocês lembram quando sentaram na cadeira antes da eleição”, completou a presidente, numa referência a Fernando Henrique Cardoso, que sentou na cadeira de prefeito de São Paulo às vésperas das eleições de 1985 e acabou derrotado em seguida por Jânio Quadros.
A repercussão foi a pior possível. Mantega ficou completamente desprestigiado. Só não pede demissão porque é um homem sem fibra, que se agarra ao poder como uma ostra. chega a ser patético. Hoje, é um ex-ministro, uma espécie de morto-vivo no Planalto, onde ninguém lhe dá mais a menor confiança.
REPETINDO A DOSE…
No domingo, em entrevista coletiva de imprensa no Palácio do Alvorada, a presidente Dilma Rousseff voltou a ser abordada a respeito de Mantega e confirmou que, se reeleita, contará com uma nova equipe no governo. Mas ressalvou que não vai anunciar os nomes dos novos ministros durante o atual mandato. E contou novamente o caso de FHC, que sentou na cadeira antes da eleição.
“Um governo novo fará uma equipe nova. As pessoas que vão compor essa equipe podem vir do governo anterior, mas é uma nova equipe. Meu querido (em referência ao jornalista que fez a pergunta), eu não vou discutir minha equipe de governo e nem escalar nessa altura do campeonato. Eu não vou indicar ministro antecipadamente. Acho que isso é sentar na cadeira antes. Eu não vou fazer isso, porque dá azar. Vou conversar sobre o meu ministério em 1º de janeiro de 2015, caso eu seja eleita. Alguns poderão ficar, outros eu irei trocar”, disse Dilma, visivelmente atrapalhada.
E assim ela deixou Guido Mantega com um encontro marcado com o fracasso. Hoje ele é um ministro sem pasta, uma espécie de zumbi sem palmares, que ao anoitecer se esgueira pelos jardins da Esplanada dos Ministérios, a cantar “Ninguém me ama”. Um cena verdadeiramente triste. Mas cadê coragem para pedir demissão?

Novo presidente do STJ ataca nepotismo, mas sua biografia o contradiz

Falcão, que ataca o nepotismo, e a mulher Ana, que foi agraciada

Carlos Newton

O novo presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Francisco Falcão, empossado na última segunda-feira, foi logo demitindo a nora de um ministro e o filho da cozinheira de outro.

Promete uma revolução no STJ, pois submeterá à filtragem da Polícia Federal os nomes de candidatos a vagas na corte. As novas indicações de magistrados para o STJ dependerão dessa “ficha limpa” a ser atestada por PF, Abin e Conselho Nacional de Justiça.

Falcão pretende também acelerar processos contra governadores, desembargadores e conselheiros de Tribunais de Contas que estão parados no STJ.

Para identificar casos de nepotismo, todos os servidores serão recadastrados. Essas notícias são auspiciosas, mas poucos lembram que Falcão tem experiência em nepotismo. Sua mulher, Ana Elizabeth Bezerra de Melo Paraguai, foi nomeada em 2009 assessora técnica da Consultoria Técnica da Secretaria de Estado de Articulação Governamental, em Brasília. A repercussão foi tão negativa que o governador José Maranhão anulou a nomeação.

Além da esposa, o ministro, que é de uma família paraibana, também mantinha um filho na folha do gabinete do então senador Roberto Cavalcanti, proprietário do Correio da Paraíba, e réu em processos no STJ.

Em entrevista a Frederico Vasconcelos e Severino Motta, da Folha, Falcão fala de seus planos para moralizar o tribunal, mas esses problemas familiares ficaram de fora da matéria.

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Folha – Quais serão suas prioridades na presidência do STJ?

Francisco Falcão Vamos priorizar o julgamento de recursos repetitivos. Quero julgar casos em que os brasileiros mais demandam à Justiça. São ações contra bancos, operadoras de telefonia e concessionárias de serviços públicos. Além disso, vamos fazer uma parceria com o procurador-geral da República para priorizar o andamento de inquéritos e julgamento de ações penais contra governadores, desembargadores e conselheiros dos Tribunais de Contas estaduais. Tem muita coisa parada. Vamos fazer uma limpeza.

Os processos de governadores não podem abrir uma crise entre Judiciário e Executivo?
Ninguém vai escolher o que vai julgar. Nós vamos dar celeridade aos processos, principalmente as ações penais. Isso não é nenhuma caça às bruxas. É cumprir o dever. Processo penal tem que ser o primeiro a ser julgado.

Qual será a atuação do grupo de juízes que o sr. trouxe do Conselho Nacional de Justiça?
É uma tropa de elite que veio da Corregedoria para trabalhar na assessoria direta do presidente. Alguns são do tempo da Eliana Calmon. O novo secretário de controle interno do STJ será uma pessoa de confiança do presidente do TCU. Acho que nunca houve isso em tribunal nenhum. Quero ele para dizer se o que a gente vai fazer está errado. É uma prevenção.

Como o sr. tratará a questão do nepotismo no STJ?
Assim que assumi, descobri casos de parentes de ministros e já demiti os servidores. Um era nepotismo mesmo, era a nora de um colega. Em outro caso não era parentesco, mas era uma safadeza. Um ministro colocou o filho da cozinheira num cargo em comissão. Para evitar novos casos, farei com que todos os servidores passem por um recadastramento. Vão assinar um formulário para dizer que não têm parente até o terceiro grau com nenhum ministro, diretor ou servidor.

Outra situação é aquela que Eliana Calmon chamava de “filhotismo”: filhos de ministros e ex-ministros que tentam usar essa influência para beneficiar clientes…
Filho de ministro não pode atuar na Turma em que o pai é magistrado. Agora, você não pode impedir que o filho do ministro atue em outra Turma. Eu tenho um filho que advoga. Ele é maior de idade. Se eu disser para ele, “a partir de amanhã você não advoga mais no STJ”, ele pode se recusar. Eu vou fazer o quê? Entrar com ação contra ele? Isso a OAB vai ter que disciplinar.

O sr. falou em limitar viagens de ministros. Como fará isso?
Assinamos uma resolução determinando que compete ao presidente do STJ representar o tribunal em eventos. Poderá delegar ao vice-presidente essa representação. Se ele não puder, delegará ao corregedor. Havendo impossibilidade do corregedor, poderá se delegar a um ministro. Ele viajará só na classe executiva e não poderá levar a mulher. A mulher é por conta dele. E a viagem vai para o Portal da Transparência.

Gilberto Carvalho diz que denúncia de corrupção na Petrobras é só boataria

Carlos Newton
O ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República compareceu domingo ao desfile cívico de 7 de setembro em Brasília e falou sobre o novo escândalo da Operação Lava Jato, com a lista de parlamentares, governadores e até ministro envolvidos na corrupção da Petrobras, com denúncias de um esquema de corrupção na empresa que atingem diretamente a base aliada da presidente Dilma Rousseff.

Segundo a Agência Brasil, Carvalho classificou como “boataria” as denúncias de envolvimento de parlamentares em esquema de pagamento de propina na Petrobras. Segundo, o ministro, as acusações têm caráter eleitoreiro.

“Não posso tomar como denúncia contra a base aliada uma boataria de um vazamento sobre um procedimento que não sei qual é. Só vamos falar depois que houver o inteiro teor das denúncias”, disse. “Estão tentando usar a notícia de delação premiada para, no desespero, mudar o rumo da campanha. O vazamento é sempre condenável”, completou.

Para Carvalho, só após a confirmação das denúncias o governo fará a apuração do caso. “As apurações serão feitas como sempre ocorreram”, afirmou.

SOLUÇÃO FÁCIL

Segundo a repórter Amanda Almeida, do Correio Braziliense, o ministro Gilberto Carvalho, disse, na manhã deste domingo (7/9), que as informações passadas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa ao Ministério Público Federal são “mais um incidente” que mostra a necessidade de reforma política no país. 

Confira a declaração do secretário-geral da Presidência, gravada pela jornalista do Correio: “(Sem financiamento público de campanha) Nós não temos como acabar com a corrupção e livrar o Congresso dessa dependência econômica (de empresas que banquem as corridas eleitorais”, disse o ministro, depois de assistir ao lado de Dilma, ao desfile cívico em Brasília.

Gilberto Carvalho repetiu discurso da presidente Dilma de que o Planalto precisa de mais informações sobre o que foi dito por Costa para tomar “as providências cabíveis”. A presidente saiu sem falar com a imprensa.

TUDO RESOLVIDO

Como se constata nas declarações do ministro, que é considerado como homem de confiança do ex-presidente Lula no Palácio do Planalto, o gravíssimo problema da corrupção na política brasileira pode ter solução imediata: basta o Congresso aprovar a obrigatoriedade do financiamento público da campanha eleitoral.

E a gente pensando que o problema seria difícil de resolver…

Perguntar não ofende: quais são os 62 políticos corruptos já entregues pelo ex-diretor da Petrobras?

Carlos Newton

Reportagem de Mario Cesar Carvalho, na Folha, revela que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, em depoimentos de sua delação premiada, já entregou o nome de 12 senadores, 49 deputados federais e um governador. Os envolvidos seriam de três partidos, ainda de acordo com a apuração da reportagem: PT, PMDB e PP.

Na cela em que está preso na Polícia Federal em Curitiba (PR), Costa dizia que não haveria eleições neste ano se ele revelasse tudo o que sabe. Mas acontece que a Polícia Federal está mantendo sigilo absoluto sobre o assunto e as eleições não serão afetadas. É o caminho certo. Somente depois de coligidas as provas é que as prisões poderão ser feitas e os processos iniciados etc. e tal.

Segundo a Folha, os políticos receberiam 3% do valor dos contratos da Petrobras na época em que Costa era diretor de distribuição da estatal, entre 2004 e 2012. Mas as informações a respeito ainda são muito desencontradas. Há reportagens que incluem outros partidos e até um ministro, como diz a Veja.

VEJA CITA VÁRIOS NOMES

Segundo a Veja, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa listou o ministro Edison Lobão, os líderes do Congresso e até o ex-governador Eduardo Campos entre os políticos envolvidos com esquema de corrupção na Petrobras.

No documento obtido pela “Veja”, Paulo Roberto Costa cita pelo menos 25 deputados federais, 6 senadores, 3 governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos (PT, PMDB e PP), que teriam tirado proveito de parte do dinheiro desviado dos cofres da Petrobras.

Contudo, papéis obtidos pela Folha mostram que a lista de políticos tem no total 12 senadores e 49 deputados federais. O jornal não teve acesso ao documento que cita os nomes dos parlamentares.

Diz a Veja que entre os envolvidos estão o ministro Lobão (Minas e Energia), o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Romero Jucá (PMDB-RR) e os deputados Cândido Vaccarezza (SP), João Pizzolatti (PP-SC) e Mário Negromonte (PP).

Entre os governadores, o ex-diretor cita o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto no dia 13 de agosto em um acidente aéreo em Santos (SP).

INVESTIGAÇÃO

Segundo a Folha, a escolha dos contratos superfaturados e do caminho pelo qual a propina chega aos partidos têm uma razão prática: são esses pontos sobre os quais os procuradores têm menos provas para usar nas ações penais. Um exemplo dos indícios de que Costa cuidava da distribuição de recursos a partidos: a Polícia Federal apreendeu uma caderneta do ex-diretor da Petrobras com anotações de doação de R$ 28,5 milhões em 2010 para o PP.

Os procuradores dizem nas ações que os recursos saíram de contratos superfaturados da Petrobras, principalmente na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, da qual Costa era um dos responsáveis. A obra já consumiu US$ 18,5 bilhões (R$ 42,2 bilhões).

DELAÇÃO PREMIADA

Como se sabe, delação premiada ou colaboração com a Justiça é a figura jurídica que prevê a redução de pena quando um réu fornece informações que possam esclarecer outros crimes. O depoimento (ou depoimentos, não se sabe ao certo) já foi enviado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal para que o ministro Teori Zavascki homologue o acordo.

A reportagem da Folha lembra que Costa decidiu fazer uma delação premiada no último dia 22, depois que a Polícia Federal fez buscas em empresas de suas filhas, de seus genros e de um amigo dele, todas no Rio de Janeiro. Em uma das empresas, a Polícia Federal encontrou indícios de que Costa tem mais contas no exterior.

Primeiramente, o ex-diretor havia negado à polícia que tinha recursos no exterior. Mas em junho a Suíça comunicou às autoridades brasileiras que Costa e seus familiares tinham US$ 23 milhões em contas secretas naquele país.  E a existência dessas contas na Suíça acabou sendo o motivo encontrado pelo juiz federal Sergio Moro para decretar a prisão de Costa pela segunda vez, em 11 de junho, porque ele havia sido libertado pelo ministro Teori Zavascki, que à época considerou a prisão abusiva.

Costa pediu a delação premiada porque estava em pânico também com a perspectiva de ser condenado a 30 anos de prisão, pena máxima no Brasil. Agora, quem está em pânico são os políticos que participaram dessa Farra do Boi em versão petrolífera.

Rejeição a Dilma Rousseff caiu, mas continua a ser o dobro da rejeição a Marina. É aí que mora o perigo

Dilma x Casillas

Carlos Newton

Conforme já expliquei, sou contrário a pesquisas eleitorais, por dois motivos: primeiro, devido à possibilidade de manipulações; e segundo, porque sempre conduzem a uma polarização entre dois candidatos. Se não houvesse pesquisas nesta eleição, por exemplo, ninguém saberia quem estava na frente. Assim, os que pretendessem votar em Eduardo Jorge (PV), por exemplo, não deixaria de fazê-lo por julgar que ele não teria chance. Não haveria a teoria do voto útil ou teoria do não-desperdício do voto), no primeiro turno cada eleitor votaria em seu candidato preferido. 

Mas o fato é que as pesquisas existem e conduzem à polarização, que era entre Dila e Aécio e passou a ser entre Marina e Dilma. E como não se pode desprezar as pesquisas, vamos analisá-las ao contrário, de cabeça para baixo (ou de ponta-cabeça, como dizem em outros estados).

Muitas vezes, o importante não é apenas a aceitação dos candidatos. Há situações em que a eleição pode ser resolvida ao contrário, pela rejeição aos candidatos. Aqui na Tribuna da Internet, nosso amigo Carlos Chagas já chamou atenção para esse curioso fenômeno, e ele tem toda razão.

REJEIÇÕES EM QUEDA

Vamos então conferir as duas pesquisas mais recentes:

O levantamento do Ibope, encomendado pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela Rede Globo, divulgado dia 3, quarta-feira, mostrou uma queda na taxa de rejeição da candidata Dilma Rousseff (PT) de 36% para 31% da semana passada para cá. A taxa de rejeição da candidata Marina Silva (PSB) oscilou de 10% para 12% no mesmo período. A rejeição ao candidato Aécio Neves (PSDB) se manteve em 18%.

Já a pesquisa Datafolha divulgada quinta-feira, dia 4, mostrou que o índice de rejeição da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) caiu para 32%. Nas pesquisas anteriores, o porcentual havia oscilado de 34% para 35%. A rejeição do candidato Aécio Neves (PSDB) está em 21%, ante 18% e 22% nas mostras mais recentes. E a candidata Marina Silva (PSB) tem 16%, ante 11% e 15% nas anteriores.

Ainda segundo  a pesquisa Datafolha, 18% dos eleitores não votariam de jeito nenhum no pastor Everaldo, 12% em Levy Fidelix (PRTB), 11% em Zé Maria (PSTU) e Eymael (PSDC). A taxa de rejeição a Luciana Genro (PSOL) e Mauro Iasi (PCB) é 10% e a de Eduardo Jorge (PV), 7%; 12% disseram que poderiam votar em todos e 15% não sabem ou não responderam.

É na rejeição que mora o perigo. Ninguém consegue vencer no segundo turno quando existe alta taxa de rejeição. Este era o argumento principal dos líderes do movimento “Volta,Lula”, mas Dilma manteve-se irredutível. 

 

Aécio e Dilma estão esperando Godot para se salvarem. Mas Godot não virá…

Samuel Beckett flutua e delira à espera de Godot..

Carlos Newton

Como na célebre peça do dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989), aliás, a primeira escrita por ele, os candidatos Aécio Neves e Dilma Rousseff, diante da impressionante arrancada de Marina Silva, estão “esperando Godot” para tentarem salvar suas respectivas candidaturas.

Para um ou para outra, o providencial personagem Godot poderia ser substituído por alguma ideia genial, que fosse capaz de fazer os eleitores pararem para raciocinar, de forma a perceberem que nem sempre devemos nos deixar conduzir apenas pela emoção, porque em muitos casos uma pitada de racionalismo pode mudar as coisas. Mas essa ideia até agora não foi sequer esboçada pelos milionários marqueteiros (emprego mais bem pago do país).

MARQUETEIROS

O publicitário João Santana, que é uma espécie de 40º ministro de Dilma Rousseff, o único em que ela realmente confia e acredita, até agora se limitou a mandar Dilma atacar Marina Silva, dizendo que a candidata do PSB é uma nova versão de Jânio Quadros e Fernando Collor. Como tese, isso é apenas uma bobajada; como piada, é horrível, não serve para nada.

O marqueteiro de Aécio Neves, Paulo Vasconcelos, também está cacatônico. Ele já trabalhou diversas vezes com o político mineiro, com sucesso. Em 2002 e 2006, fez as campanhas ao governo de Minas, ambas vitoriosas. Em 2010, coordenou as campanhas de Aécio ao Senado e Antônio Anastasia ao governo de Minas. E foi o responsável pela propaganda eleitoral de Márcio Lacerda (PSB), prefeito de Belo Horizonte e parceiro dos tucanos, em 2008. Mas disputa de Presidência da República é outro departamento. E agora as críticas chovem sobre Vasconcelos, que no desespero mandou Aécio atacar Marina, uma burrice realmente colossal.

EQUÍVOCO COLOSSAL

Aécio aceitou a estratégia ofensiva, completamente equivocada. Está atacando justamente a candidata com a qual terá de se aliar no segundo turno. Com que constrangimento depois pedirá desculpas a quem nunca o atacou e agora está apenas reagindo a ofensas seguidas, de Aécio e de Dilma?

Enquanto os dois marqueteiros batem cabeça, Dilma e Aécio caem nas pesquisas de dois dos principais estados, Rio e São Paulo, mostrando que as estratégicas são patéticas e só darão certo caso Marina Silva caia na armadilha, dedicando-se a responder às ofensas, ao invés de concentrar suas forças exclusivamente na conquista do eleitorado.

O assunto é apaixonante e amanhã a gente volta a ele, dando aos dois marqueteiros uma sugestão que poderia ser salvadora a qualquer um dos candidatos, mas infelizmente a tese não poderá ser aceita, porque os dois (Aécio e Dilma) parecem já estarem comprometidos demais. Godot não virá.

Você acreditou mesmo quando o governo disse que ia apurar as alterações em perfis de jornalistas na internet?

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Carlos Newton

No Planalto, as coisas acontecem devagar, devagarinho, no ritmo de Martinho da Vila. A Secretaria de Administração da Presidência da República, por exemplo, alardeou que iria apurar o uso da rede de internet do Planalto para fazer as alterações nos perfis dos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Míriam Leitão, ambos da Organização Globo.

Mas somente quatro dias depois do escândalo é que o governo federal deu o primeiro passo, ao publicar na edição do Diário Oficial da União a portaria que criou uma comissão de sindicância investigativa para apurar o caso das alterações feitas em perfis de jornalistas na Wikipédia, enciclopédia virtual, a partir da rede de internet do Palácio do Planalto. A portaria estabeleceu o prazo de 30 dias para a conclusão dos trabalhos e designa os servidores que integram a comissão.

Como se sabe, reportagem do jornal O Globo, publicada no dia 8 de agosto , revelou que os perfis de Sardenberg e Míriam Leitão tinham sido alterados, em maio do ano passado, a partir da rede de computadores do Palácio do Planalto, e a fraude incluiu críticas às atuações dos dois profissionais como comentaristas econômicos.

FESTIVAL DE FRAUDES

Além desses perfis, já se sabe que partiu do Palácio do Planalto um verdadeiro festival de adulterações na Wikipédia, inclusive visando a limpar a imagem do ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, no caso Celso Daniel. Isso significa que esse tipo de iniciativa fraudulenta passou a ser rotina na sede do governo, vejam a que ponto chegamos em matéria de falta de ética.

A coisa mais simples é descobrir o culpado (ou culpados), porque os computadores do Planalto operam através de senha. Não há como evitar que se descubra de onde partiu a fraude. E a tal comissão nem precisaria desses 30 dias que o governo tão generosamente lhes ofereceu. O mais certo, porém, é que tão cedo não saia qualquer conclusão. O Planalto vai manter sepultado o instigante assunto até o final das eleições. Podem apostar.

SUMIÇO DE ENTREVISTA

Seria bom saber se está sendo investigado também o sumiço da entrevista de Gilberto Carvalho postada pela Agência Brasil (antiga Agência Nacional). Na matéria, que só foi republicada pelo Correio Braziliense e pela Tribuna da Internet, Carvalho dizia que “um doidinho do Planalto” fizera as adulterações na Wikipédia

Poucas horas depois da postagem, sem qualquer explicação, a entrevista do ministro foi abduzida do site da Agência Nacional. A meu ver é fato mais grave do que a adulteração de currículos que ninguém lê. O sumiço da entrevista de Carvalho significa a existência de censura oficial na Agência Brasil, mas quem se interessa?

Se tiver a candidatura cancelada, Arruda já tem substituto: a própria mulher

Carlos Newton

Reportagem de Almiro Barros, no Correio Braziliense, mostra que a disputa eleitoral no DF terá momentos decisivos nos próximos dias, quando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Dias Toffoli, despachar o pedido do Ministério Público, que requereu a suspensão da campanha de José Roberto Arruda, do PR.

Arruda está com a candidatura cancelada pela Lei da Ficha Limpa, mas apresentou recurso do Superior Tribunal de Justiça. Ele está à frente nas pesquisas e restam apenas duas semanas para que a coligação possa tomar a decisão de substituir o cabeça da chapa ou mantê-lo no páreo, sob risco de ficar sem candidato e perder as eleições.

A data de 15 de setembro é fatal para mudanças porque, a partir daí, encerra-se a possibilidade de alterações. Ainda que Arruda adote um discurso otimista, o grupo mais próximo de aliados começa a analisar qual é o candidato mais viável num plano B. E está emergindo a possibilidade de lançamento da própria mulher de Arruda, Flávia Peres, que jamais disputou eleição.

VAI ATÉ O FIM?

Segundo o repórter Almiro Bastos, a avaliação entre os aliados de Arruda é de que ele está determinado a continuar, o que representa motivo de preocupação. Afinal, se Arruda ultrapassar a data decisiva de 15 de setembro na cabeça de chapa, pode colocar a perder o trabalho da coligação, caso não consiga reverter na Justiça a sua condição de ficha suja.

Se a chapa é cassada antes do primeiro turno, por exemplo, apenas os outros adversários inscritos concorrem. Se a decisão da Justiça barrar a candidatura entre o primeiro e o segundo turnos, os dois candidatos mais bem classificados além dele vão para a disputa. Se Arruda vencer, mas for classificado ficha suja após as eleições, os votos são anulados e nova eleição é convocada.

Eleitor, é hora de acabar com a reeleição e restabelecer a alternância no poder

Carlos Newton

Estamos diante de uma sucessão presidencial de características especiais. Um dos pontos mais importantes é a reeleição. Está na hora de os eleitores decidirem se querem manter a reeleição ou refluir para o sistema de 5 anos de mandato. Entre os três candidatos que concorrem com condições de vitória, dois deles já se manifestaram contra a reeleição – Aécio Neves e Marina Silva.

No sistema atual, que é propositadamente injusto, o presidente da República não se desincompatibiliza e concorre mantendo o pleno domínio da máquina do governo, usando a caneta republicana e detendo a chave dos cofres do Tesouro Nacional.

Com base no exemplo desse presidencialismo continuísta, governadores e prefeitos também acabaram se beneficiando nessa versão política da Farra do Boi, ganhando o esdrúxulo e inaceitável “direito” de concorrer ao segundo mandato sempre em condições privilegiadas. Com essa manobra, FHC ficou dois mandatos. Lula também se deu bem e ainda conseguiu eleger a sucessora.

ARDIL DA REELEIÇÃO

Muitos brasileiros já perceberam que esse ardil criado no primeiro governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso é uma arma poderosa contra a mais importante instituição da democracia – a alternância no poder.

Coincidência ou não, 79% do eleitorado expressaram desejo de mudança na pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira, e os governadores de 16 das unidades da Federação (incluindo o Distrito Federal) estão em situação difícil nas eleições deste ano.

A crise afeta tanto os que disputam a reeleição quanto os que tentam emplacar o sucessor. Dos 17 que buscam um segundo mandato, apenas cinco lideram as pesquisas de intenção de voto. Três estão empatados e sete em desvantagem, de acordo com pesquisas Ibope e Datafolha (não há levantamentos desses institutos na Paraíba e em Tocantins, onde os governadores disputam a reeleição). Em 2010, dos 18 que tentaram a reeleição, 13 foram bem-sucedidos, ou 72%.

É IMPORTANTE PARTICIPAR

O cidadão é muito desprotegido num país como o Brasil, onde os três Poderes tentam inventar uma Ilha da Fantasia em meio a um mar de corrupção. Sua única arma é o voto. É compreensível que, diante dessa poluição política, muitos eleitores estejam dispostos a anular o voto ou a não eleger ninguém que já tenha mandato, forçando uma renovação total, o que seria outra injustiça, pois ainda há parlamentares que cumprem seus mandatos com honra e perseverança. São poucos, mas existem, não merecem ser afastados da política.

Repetindo: dois candidatos são contra a reeleição. Escolha um deles e vote acertadamente, para que volte a existir maior alternância de poder em nosso país. Se não o fizermos agora, as próximas gerações terão de fazê-lo Do jeito que está é que não pode continuar. Pensem nisso.

Nova política de Marina é um projeto de cunho personalíssimo, que só beneficia a ela própria

Carlos Newton

Em 13 de maio de 2008, a senadora licenciada Marina Silva (PT-AC) pediu demissão do ministério. Em carta ao presidente Lula, afirmou: “Esta difícil decisão, Sr. Presidente, decorre das dificuldades que tenho enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental federal”. E voltou para o Senado.

Em 19 de agosto de 2009, deixou o PT, manifestando seu desacordo com uma “concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida”.

Já estava tudo acertado com o Partido Verde, e onze dias depois ela anunciou sua filiação ao PV, para disputar no ano seguinte, 2010, a Presidência da República, em chapa que contava com o empresário Guilherme Leal (grupo Natura) como candidato a vice e financiador.

BAIXO CARBONO

Marina alegou que o objetivo de sua candidatura era “promover um acordo social no Brasil que integrasse avanços dos governos passados e apontasse para uma economia de baixo carbono“.

A candidata se comprometia a manter as conquistas dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, entre elas a estabilização econômica e a redução da pobreza, e prometia governar junto com os “núcleos vivos” da sociedade em defesa do desenvolvimento sustentável.

Entre suas propostas estavam os programas sociais de terceira geração. Segundo essa diretriz, uma rede de agentes de desenvolvimento familiar teria a responsabilidade de levar programas sociais às famílias mais pobres e dar apoio a suas escolhas, o que facilitaria a inclusão produtiva desses brasileiros na sociedade.

Teve 19,6 milhões de votos, quase 20% dos votos válidos. Foi o melhor desempenho de um terceiro colocado desde a redemocratização do país.

SAINDO DO PV…

Nos meses seguintes, Marina tentou assumir o comando do PV e foi rechaçada pelo grupo do deputado José Luiz Penna, que há mais de 10 anos domina e explora o partido, sem convocar eleições internas.

Em 7 de julho de 2011, a ex-senadora anunciou sua saída do PV. “Queremos resgatar as motivações originais deste projeto, agora participando da construção de uma nova política efetivamente democrática, ética, ecológica, participativa, inovadora e conectada com os desafios e oportunidades que o século 21 nos impõe”, afirmava, junto com outras 15 lideranças, na carta enviada à direção do partido.

Com apoio financeiro de Neca Setubal, herdeira do grupo Itaú, começou a formar um partido, que mesmo com ajuda de políticos do PMDB (Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos), PDT (Miro Teixeira), PT (Eduardo Suplicy),  PSBD, PPS e outros, não conseguiu o registro da Rede Sustentabilidade.

Na véspera da data fatal para filiação, procurou o PSB de Eduardo Campos para se candidatar, pensando que seria a cabeça da chapa, por causa dos 20 milhões de votos. Mas Eduardo não aceitou e ela saiu como vice da chapa dele. O ex-governador esperava que Marina levaria com ela os 20 milhões de votos e nada aconteceu. Na verdade, não fez força e não cansava de falar que, depois das eleições, voltaria a trabalhar para viabilizar a Rede Sustentabilidade.

Com a morte de Eduardo, ela assumiu a cabeça da chapa e aproveitando a comoção do momento, assumiu a missão de “salvadora da pátria”, mediante uma “providência divina”, como disse própria justificou.

Traduzindo, até agora a nova política de Marina da Silva não passa de um mero projeto pessoal de poder. Alguém ainda tem alguma dúvida?

 

Agora, salvação de Dilma é torcer para que Aécio chegue na frente de Marina no primeiro turno

Carlos Newton

Não sou nada fã de pesquisas Novoeleitorais. Acho que nem deveriam ser permitidas num país como o Brasil, que imita muita coisa ruim dos Estados Unidos e esquece de imitar coisas boas que existem por lá, como o protecionismo comercial e a defesa intransigente dos interesses nacionais.

Nos EUA, que só têm dois partidos para valer, as pesquisas são justificáveis, mas aqui, com quase 40 legendas, esse tipo de levantamento estatístico pode induzir a uma polarização entre os dois candidatos mais prestigiados, prejudicando todos os demais. É a teoria do voto útil, que leva o eleitor a evitar “desperdiçar” o voto, se escolher uma terceira força tida como “sem chance”.

Além da tendência à polarização, os próprios erros das pesquisas, como aconteceu na eleição do prefeito de Manaus, Arthur Virgilio, no primeiro turno, há dois anos, mostram que não se pode confiar nelas.

No caso da eleição presidencial, não acredito em vitória de Dilma Rousseff. E o motivo parece flagrante. Ela é fraca demais, enrolada demais, vaidosa demais, uma espécie de presidente “caras & bocas”. Seu governo não estimula ninguém, é o contrário do governo Lula, que levava as pessoas a serem otimistas. Por isso, o mercado torce tanto contra ela.

ESTACIONÁRIA

O fato é que a candidatura de Dilma ficou estacionada em 34%, não desce nem sobe, mostrando que ela não tem vida própria, depende diretamente do PT e do ex-presidente Lula, que detêm cerca de 1/3 dos votos. Ao mesmo tempo, Marina Silva já chegou a 29% pelo Ibope, apenas a cinco pontos porcentuais atrás da presidente Dilma, mas praticamente dentro da margem de erro do empate técnico.

E o importante é que o segundo turno está mais do que confirmado, pois a soma dos adversários de Dilma dá 51%, 17 pontos a mais do que os 34% da presidente.

SEGUNDO TURNO

Na simulação de segundo turno, diz o Ibope que Marina seria eleita com 45%, contra 36% da petista. Há, porém, ainda 11% de indecisos e outros 9% que anulariam. Contra Aécio, Dilma ainda seria reeleita: 41% a 35%. Nesse cenário, há mais indecisos e eleitores que anulariam: 12% em cada grupo. E o Ibope esqueceu de fazer a pesquisa Marina contra Aécio…

Detalhe fundamental: na pesquisa espontânea, em que é indagada a intenção de voto do eleitor sem mostrar a cartela com os nomes dos candidatos, Dilma segue na liderança, com 27%. Marina chega a 18% e Aécio tem 12%.

Com a entrada de Marina Silva, o número de eleitores indecisos na espontânea despencou de 43% para 28%, em relação à pesquisa anterior do Ibope, de 6 de agosto.

Dos três primeiros colocados, Marina tem a menor rejeição. Apenas 10% dizem que não votariam nela de jeito nenhum, contra 36% que não votariam em Dilma, e 18% que rejeitam Aécio. Tirem suas conclusões. Para mim, a salvação de Dilma é torcer para Aécio ultrapassar Marina.

Linha dura do Exército manda comandante impor silêncio sobre crimes da ditadura e Dilma Rousseff não o demite

Carlos Newton

Os jornais publicaram, discretamente, que um ofício assinado pelo general Enzo Peri, comandante do Exército, proíbe que unidades militares deem informações sobre crimes ou violências praticadas em suas dependências durante a ditadura militar (1964-1985).

A existência do ofício foi do Ministério Público Federal, que o recebeu após ter informações negadas pelo Hospital Central do Exército, conforme publicou Chico Otavio  em  “O Globo”. No documento encaminhado a subordinados em fevereiro, Enzo disse que qualquer informação referente ao tema deveria ser respondido exclusivamente por seu gabinete.

“A respeito do assunto, informo a esse comando que pedidos/requisições de documentos realizados pelo Poder Executivo, Poder Legislativo, Ministério Público, Defensoria Pública e missivistas que tenham relação ao período de 1964 a 1985 serão respondidos, exclusivamente, por intermédio do gabinete do comandante do Exército”, diz trecho do documento assinado pelo general Enzo Peri.

LINHA DURA PRESSIONA

Já faz tempo que a chamada “linha dura” do Exército vem pressionando o comandante Peri, que é da Engenharia e nunca comandou tropa. Na Marinha e na Aeronáutica acontece a mesma pressão e o Clube Naval, quando era presidido pelo vice-almirante Veiga Cabral, chegou a criar sua própria Comissão da Verdade.

Os militares não querem apurar nada, nem mesmo casos importantes como os assassinatos do deputado Rubens Paiva e do estudante Stuart Angel Jones. Querem que tudo caia no esquecimento, mas isso não é possível, porque uma coisa é aceitar a anistia, e outra coisa muito diferente é fingir que não aconteceu nada.

O pior desa história toda é que a comandanta-em-chefa das Força Armadas, Dilma Rousseff, não tomou a menor iniciativa. E o mínimo que deveria ter feito era demitir o comandante do Exército e mandá-lo criar galinhas.