De olho no impeachment, Temer dá força a Eduardo Cunha

Carlos Newton

Importante notícia publicada na coluna Painel da Folha de São Paulo, sob comando da jornalista Vera Magalhães, mostra que o vice-presidente Michel Temer está se mexendo nos bastidores do poder e já começou a articular um acordo entre PT e PMDB para evitar uma disputa pelo comando da Câmara.

A informação é de que a sondagem de Temer prevê que os petistas desistam de lançar um candidato e apoiem Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para presidir a Câmara. A justificativa de Temer é de que o próprio Planalto estaria interessado em evitar que uma disputa acirrada crie um clima hostil contra Cunha, que  se tornaria inimigo do governo.

“Temer já conversou com o pré-candidato do PT, Arlindo Chinaglia (SP), e disse a aliados que recebeu boas sinalizações”, diz a coluna Painel, acrescentando um detalhe fundamental: “A negociação não prevê um rodízio entre PT e PMDB na presidência da Câmara: Cunha respeitaria a tradição e apoiaria a condução de um petista à 1ª vice, mas não se comprometeria a levar o PT à presidência em 2017”.

Eduardo Cunha, que é franco favorito, está percorrendo o país em campanha e deve receber esta semana apoio formal do PRB, o que agregará 21 votos à sua candidatura à Mesa, e diz ainda não ter sido consultado sobre o acordo que Temer tenta costurar até o Natal, para arrematar a composição em janeiro, às vésperas da eleição na Câmara, que se realiza no mês seguinte.

DE OLHO NA SUCESSÃO

Michel Temer é uma raposa felpuda e está se mexendo em causa própria. Como primeiro colocado na linha de sucessão de Dilma Rousseff, ele luta para tirar o PMDB da linha de tiro da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Sabe que pode ser o grande beneficiário da crise e começa a armar seu circo.

Com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara, o impeachment da presidente Dilma Rousseff terá tranquilamente o apoio de dois terços dos deputados e subirá para o Senado, que decidirá a cassação dela. O único problema é que Eduardo Cunha então se tornaria o segundo na linha da sucessão presidencial, mas Temer nem se importa com esse pequeno detalhe, porque a hora é essa.

A saída do jurista Jorge Béja da Tribuna da Internet

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Carlos Newton

Não pode passar sem uma explicação nossa a saída do jurista Jorge Béja, que decidiu se afastar da Tribuna da Internet. São vários os motivos. De início, é preciso esclarecer que se trata de um intelectual de fina educação, que não aceita a maneira inconveniente e deselegante de determinados comentaristas, que ofendem os outros e apelam até mesmo a palavrões.

Além disso, Dr. Béja costuma relembrar aqui grandes causas humanitárias defendidas por ele, sem remuneração, em favor de pessoas absolutamente desprotegidas ou simplesmente em defesa do interesse público. Mas sempre que o jurista escreve sobre alguns desses fatos memoráveis, logo aparece algum comentarista desqualificado, e ridiculamente insinua que se trata de autopromoção, sem saber que o Dr. Béja, para a atual geração de juristas, representa o mesmo idealismo e a mesma dedicação ao próximo que o Dr. Sobral Pinto representou na geração anterior.

Essas contrariedades foram se somando a problemas outros, como as chatices que costumam ocorrer na informática, sem que nós, os leigos, possamos entender e resolver.

Semana passada, por exemplo, deixou de aparecer no computador dele a diagramação da página da Tribuna da Internet. Toda vez que Dr. Béja acessava, surgia na tela uma página confusa, sem o visual conhecido.

Trocamos e-mails a respeito, o problema persistiu apenas no computador dele, até que sugeri que acessasse o blog através de www.carlosnewton.com.br e tudo voltou ao normal.

Depois, deixou de aparecer o link “responder” nos comentários, e Dr. Béja voltou a se comunicar comigo. Como não tenho conhecimento de informática a ponto de saber o que está acontecendo,  sugeri que ele chamasse um técnico de minha confiança, para que fizesse uma limpeza (desfragmentação) do computador e repassasse um antivírus, para ver se o problema cessava. De três em três meses, faço esses procedimentos, senão o computador enlouquece e, pior, também me leva à loucura.

Agora, vejo que Dr. Béja perdeu a paciência. Acontece a mesma coisa comigo. Às vezes, tenho vontade de atirar o computador pela janela. Por isso, se algum de vocês sabe como resolver este problema técnico, peço que nos informe o mais rápido possível, porque não podemos deixar de contar com as abalizadas opiniões e com os artigos de nosso principal comentarista.

P.S. – Quando estava escrevendo este texto, o computador trocou o tipo da letra duas vezes. É mesmo uma chatice…

Diante do mar de lama do PT, Getúlio merecia ser canonizado

Carlos Newton

O escândalo da Petrobras se agrava a cada dia. É um nunca-acabar de fatos escabrosos, que vão desestabilizando o governo Dilma Rousseff exatamente quando deveria ser renovado, para trazer esperança de retomada do crescimento socioeconômico. E nesse clima o sonho do PT de transformar a nova posse de Dilma em uma enorme festa popular está se tornando um pesadelo sinistro.

Ao contrário do que ocorreu no Mensalão, quando havia dúvidas se Lula sabia ou não do esquema de corrupção da base aliada, desta vez o quadro é totalmente diverso. Naquela época, o ex-ministro José Dirceu acabou sendo responsabilizado sozinho, como se o então presidente Lula fosse apenas um ceitantoche nas mãos do chefe da Casa Civil, pois prevaleceu a inaceitável tese de que Dirceu corrompia sozinho a base aliada para facilitar sua ascensão ao poder, na sucessão de Lula.

Agora, Lula não é mais presidente e o esquema de corrupção na Petrobras sobreviveu a Dirceu, envolvendo diretamente o ainda Tesoureiro do PT, José Vaccari Neto, e os “operadores” de mais dois importantes partidos da base aliada – o PMDB de Michel Temer e o PP de Paulo Maluf.

GRAÇA SABIA, DILMA SABIA

De início, Dilma Rousseff tentou fingir que nada tinha a ver com o escabroso assunto. Pelo contrário, vinha dando repetidas declarações de que o combate à corrupção deveria ser debitado diretamente a ela. Repetiu esse bordão ad nauseam, embora seu governo jamais tenha incentivado a Polícia Federal ou a Controladoria-Geral da União. Pelo contrário, o corte nas verbas dessas duas instituições chegou a tal ponto que o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, acaba de pedir demissão, sem condições de realizar o trabalho que se esperava dele.

Dilma não pode mais fingir que não sabia de nada, porque sempre soube da corrupção na Petrobras, que lhe foi denunciada antes mesmo de tomar posse como ministra de Minas e Energia, em janeiro de 2003. Ela pode até alegar que, naquela época, não recebeu o dossiê que lhe foi entregue pessoalmente pelo jornalista Wilson Thimóteo, principal assessor de Lula. Mas agora não tem mais desculpa.

Como já está provado e confirmado que a presidente da Petrobras, Graça Foster, tinha conhecimento da corrupção na Petrobras, não resta a menor dúvida: se Graça sabia, Dilma também sabia, conforme informamos ontem aqui na Tribuna da Internet. As duas têm uma amizade realmente tão profunda, que chega a um ponto de insanidade, com a presidente Dilma mantendo Graça Foster no cargo, apesar de tudo e de todos.

ATÉ LULA QUER DERRUBAR GRAÇA

A situação vai num crescendo e agora é o próprio Lula que ordena a demissão de Graça Foster, “através de lideranças do PT”, segundo o jornal Correio Braziliense noticiou este domingo, com exclusividade. Mas a presidente Dilma, fiel à velha amiga, continua fingindo que não está acontecendo nada na Petrobras e estamos vivendo no melhor dos mundos.

O resultado será visto no dia da posse, 1º de janeiro. As redes sociais se mobilizam para promover megaprotestos em Brasília e nas grandes cidades do país. Na capital federal , o movimento “Vem pra Rua, Brasília” já começou a distribuição de convites para a manifestação. O grupo, que desta vez se chamará “Vem pra Brasília, Brasil”, aposta nas últimas notícias do escândalo da Petrobras para atrair o maior número de insatisfeitos e a azedar a festa apoteótica que o PT sonhava fazer.

Realmente, nunca antes, na História desse país, se viu nada igual. Perto do mar de lama de Lula/Dilma, o escândalo que derrubou Getúlio Vargas virou brincadeira de criança.

Se Graça Foster sabia, Dilma Rousseff também sabia…

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Graça e Dilma subiram juntas e estão caindo juntas

Carlos Newton

Os jornais noticiam que a ex-gerente da Venina Fonseca, que denunciou a corrupção no setor de Abastecimento da Petrobras e acabou demitida por justa causa, será ouvida esta semana pelos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Conforme reportagem-denúncia do Valor Econômico, publicada sexta-feira, a funcionária enviou e-mails alertando a atual diretoria da estatal sobre desvios na companhia. Uma dessas mensagens, enviada em 16 de janeiro de 2009 ao então diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, Venina Fonseca disse ser fiel a ele, mas que passou por “momentos difíceis” por não conseguir praticar atos contra as regras da estatal.

O novo escândalo foi divulgado pelo “Jornal Nacional”, da TV Globo, na própria sexta-feira e desde então vem dominando o noticiário, com ampla repercussão na internet.

E-MAIL PARA COSTA

No início do e-mail, Fonseca afirmou ter gratidão pelo fato de Costa, um dos acusados de desvios na Petrobras, ter colaborado para a evolução profissional dela.

“Nos últimos tempos tenho vivido momentos difíceis… diariamente me deparo com situações que geram um grande conflito de valores. Não vou entrar em detalhes porque sei que você sabe do que eu estou falando.”

A geóloga detalhou os fatos que a deixavam aflita.

“Quando me deparei com a possibilidade de ter que fazer coisas que supostamente iriam contra as normas e procedimentos da empresa, não consegui criatividade para isto. No meio do diálogo caloroso e intenso ouvi palavras como “covarde”, “pular fora do barco” e “querer me pressionar”. Esperava mais apoio”.

Este e-mail faz parte da investigação da comissão interna da Petrobras que investiga as obras da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, nas quais há suspeita de superfaturamento. O material será analisado pela força-tarefa da Lava Jato.

GRAÇA FOSTER SABIA

Segundo a bombástica reportagem do “Valor”, A então gerente do Abastecimento também enviou para Graça Foster mensagens eletrônicas e documentos comunicando irregularidades ocorridas tanto antes de ela assumir a presidência, em 2012, quanto depois. O mesmo ocorreu com o atual diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza, que hoje responsável pelas “auditorias” que estariam sendo feitas na estatal, se é que se pode confiar em investigações conduzidas pela atual diretoria

De acordo com o jornal, Graça foi informada sobre contratações irregulares na área de Abastecimento durante a gestão de Paulo Roberto Costa e de aditivos nas obras da refinaria Abreu e Lima, envolvendo o cartel de empreiteiras investigadas na Lava Jato.

E se Graça Foster sabia de tudo, é óbvio que Dilma Rousseff também sabia. Ou alguém ainda tem alguma dúvida sobre isso?

 

Entenda o risco de impeachment da presidente Dilma Rousseff

Carlos Newton

A Operação Lava Jato deverá gerar imensa onda de ações de improbidade contra empresas, executivos, funcionários e agentes públicos, inclusive governantes, ministros e parlamentares. Nessas ações de improbidade, o Ministério Público Federal pode e deve pleitear paralisação de contratos, pedindo até mesmo antecipação de tutela para proibir que empresas corruptoras sigam prestando serviços ao poder público.

Existem membros da Procuradoria-Geral da República que cogitam inclusive aplicar a nova Lei Anticorrupção (Lei 12.846/13) aos fatos ilícitos comprovados pela Operação Lava Jato, considerando que muitos contratos viciados continuaram e continuam a produzir efeitos e pagamentos após a entrada em vigor dessa legislação, além de existirem delitos permanentes em curso. Isso geraria ações para impor multas de até 20% sobre faturamento bruto das empresas corruptoras.

A esse respeito, há algumas informações que não procedem e precisam ser bem esclarecidas, segundo o jurista Fábio Medina Osório, considerado o maior especialista na legislação brasileira sobre corrupção e improbidade administrativa. Confiram os esclarecimentos dele:

1) Um eventual acordo de leniência (cooperação da empresa com as autoridades) na Controladora-Geral da União não inibe ações de improbidade pelo Ministério Público Federal, tampouco ações do Tribunal de Contas da União, porque as instâncias são independentes.

2) Não há controle político sobre o Ministério Público Federal (Procuradoria-Geral da República) ou sobre magistratura.

RECESSSÃO E IMPEACHMENT

O fato concreto é que a crise é gravíssima e seu prolongamento pode mergulhar a economia nacional numa recessão profunda, devido à paralisação de importantes obras por todo o país, em função das ações de improbidade que inevitavelmente atingirão as empreiteiras. Os resultados jurídicos e administrativos da Operação Lava Jato podem gerar essas consequências, não se trata de nenhuma teoria conspiratória.

Esse ambiente de crise econômica e política tem os ingredientes ideais para fomentar o impeachment da presidente Dilma Rousseff, que permitiria ao vice Michel Temer realizar seu sonho de exercer a Presidência da República, caso ele também não venha a ser atingido pelo prosseguimento das investigações acerca da participação do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras.

PROCESSOS NOS EUA

Detalhe final e sinistro: o cenário vai se agravar ainda mais, porque Petrobras está na iminência de ser desestabilizada em função da atuação da SEC norte-americana (Securities and Exchange Commission), entidade que protege os investidores no mercado de capitais.

Quando isso ocorrer, a presidente Dilma enfim poderá finalmente colher os frutos de seu péssimo relacionamento com os Estados Unidos, sempre atacados por ela, que só tem revelado compreensão no que se refere a países como Cuba, Angola, Moçambique, Venezuela e Estado Islâmico, a “nação” rebelde que tenta usurpar territórios da Síria e do Iraque, por meio de um barbarismo jamais visto desde as chacinas de Pol Pot no Camboja.

Não há dúvida de que os Estados Unidos são imperialistas e cometem brutais atrocidades, invadem e saqueiam nações independentes e tudo o mais. Porém, em comparação ao tal Estado Islâmico, que Dilma defendeu na ONU e nos expôs ao ridículo internacional, os americanos podem até ser considerados bons samaritanos.

Revelação dos políticos envolvidos será presente de Natal

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Carlos Newton

A novela da corrupção na Petrobras está longe de se aproximar dos capítulos finais. Pelo contrário, ainda está praticamente no início e a cada dia o respeitável público é surpreendido com novidades de “estarrecer”, para usarmos uma das expressões da preferência da presidente Dilma Rousseff.

O próximo capítulo, realmente sensacional, será a tão esperada divulgação dos nomes dos políticos envolvidos, em episódio que vai funcionar como uma espécie de presente coletivo de Natal para os brasileiros.

Depois, vai se desenrolar a trama seguinte, conforme já revelamos aqui na Tribuna da Internet, com a Polícia Federal e o Ministério Público investigando a corrupção em outras estatais e em órgãos do governo federal, com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que é o nome atual do antigo DNER, famoso pela corrupção desde o regime militar.

OUTROS DOLEIROS

A apuração das irregularidades em outras estatais e órgãos do governo será feita paralelamente à investigação de outros doleiros identificados (dois deles já estão presos em Curitiba), que faziam a lavagem do dinheiro de outros casos de corrupção, pois o doleiro Alberto Youssef não dava conta de tanto dinheiro sujo e estava sempre assoberbado com suas atividades no esquema da Petrobras.

Tudo isso, é claro, será debitado na conta da base aliada e do próprio governo, porque a quadrilha comandada por Lula e Dirceu cometeu a insensatez de instituir um pedágio, para cobrar percentagens fixas destinadas ao enriquecimento ilícito dos dirigentes petistas e também para sustentar o projeto político de eternização do partido no Poder.

BURRICE DO PT

Se o PT e a base aliada tivessem se aproveitado da corrupção sem envolvimento direto, apenas recebendo doações das empreiteiras, a presidente Dilma Rousseff poderia atribuir tudo aos empresários e executivos da Petrobras, e dormir tranquila. Mas não é o caso.

Já está mais do que comprovada a participação direta do PT, de José Dirceu, do tesoureiro petista José Vaccari Neto e de políticos da base aliada. Agora a Polícia Federal começa a chegar no envolvimento de Lula e da própria Dilma. Mesmo que nada fique provado contra ela, tudo isso vai desmoronar sobre sua cabeça, pois não há a menor dúvida de que a atual presidente se tornou hoje a grande beneficiária desse esquema criminoso.

E se ficar provada também a participação direta do PMDB, o vice-presidente Michel Temer será alvejado, pois presidia o partido na época da corrupção. E o caminho ficará limpo para que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como presidente da Câmara e segundo na linha sucessória, assuma a Presidência da República, e que Deus nos proteja.

 

 

Novos doleiros vão denunciar a corrupção em outras estatais

Carlos Newton

É da maior importância a informação de que a operação Lava-Jato, que apura desvios de recursos da Petrobras a partidos políticos, vai incluir a participação de novos doleiros e emissários na entrega de dinheiro a agentes públicos em Brasília e outros estados. Isso significa que será comprovada a corrupção em outras estatais e nos três níveis de governo – federal, estadual e municipal.

Devido à existência do sistema do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão administrativo criado em 1998 nas reformas econômicas do governo FHC), a corrupção ficou mais dificultada, porque o sigilo bancário foi quebrado no que se refere a movimentação interbancária de quantias elevadas.

Ou seja, desde então, a corrupção passou a ser paga em dinheiro vivo ou em depósitos no exterior, com necessidade de intervenção de doleiros, entre os quais se destacava Alberto Yossef. Mas agora a Polícia Federal identificou subcontas e documentos de transporte de valores em espécie na contabilidade paralela do Posto da Torre, que pertence a Carlos Habib Chater, um dos doleiros presos na Lava-Jato.

“CONTA K CORRENTE”

Apenas numa delas, a “K corrente”, foram movimentados R$ 15,2 milhões entre 2008 e março deste ano. Os documentos que servem para justificar transporte de dinheiro vivo somam R$ 1,8 milhão. As remessas foram destinadas a Rio de Janeiro, Manaus, Porto Alegre e Santa Catarina entre 2011 e 2014, e uma delas, para Curitiba, envolve o réu na Lava Jato André Luiz Santos, que até tentou fugir após uma audiência na Justiça. No nome dele está a subconta “And”, da qual, em um único dia, foram retirados R$ 574 mil em dinheiro vivo e R$ 33 mil pagos a Chater, supostamente de comissão. Em novembro de 2013, a “And” acumulava movimentação de R$ 1,3 milhão.

Em depoimento à Justiça no último dia 1º, Chater afirmou que as remessas foram feitas unicamente para pagar dívidas que tinha com essas pessoas ou “por amizade”. Ele se negou a identificar para quem trabalhavam alguns emissários. Ou disse que não se lembrava.

OUTROS DOLEIROS

Em relação às subcontas, Chater disse ser o dono da “K corrente” e identificou apenas três, que atribuiu a alguns doleiros já investigados ou citados na Lava-Jato: “Fa”, de Fayed Trabulsi, preso na Operação Miqueias e que tinha políticos em sua agenda; “Sasa”, de Sleiman Nassim El Kobrossy, também conhecido como Salomão e acusado de atuar no mercado negro de câmbio para pagamento de cocaína na Bolívia; “Kld”, de Khaled Youssef Nasr, cunhado de Chater, que administrava a casa de câmbio Valortur, localizada dentro do posto. Chater negou que a subconta “Primo” seja do doleiro Alberto Youssef, que era tratado como “primo” nas conversas gravadas pela PF durante a investigação.

Apesar das negativas, Youssef era um dos clientes de Chater e já admitiu que usou o posto para entrega de dinheiro a agentes públicos em Brasília.

MAIS DELAÇÃO PREMIADA

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, e o Ministério Público Federal querem detalhes da movimentação de sete das subcontas. E a investigação dos pagamentos feitos por Chater deve avançar ainda mais com a assinatura de mais um acordo de delação premiada: Ediel Viana da Silva, gerente do posto e que emprestava o nome para empresas de fachada, além de administrar lavanderias que tinham Chater como sócio oculto, negocia com o Ministério Público Federal e já contou em um dos depoimentos que o ex-deputado Pedro Corrêa, do PP, condenado no mensalão, pegava dinheiro no posto.

Ou seja, mensalão e petrolão eram partes do gigantesco esquema de eternização do PT no poder, conduzido por José Dirceu, que já está confirmado como participante do esquema de corrupção da Petrobras.

Nova Piada: governo manipula contas “para evitar desemprego”

A Comissão Mista de Orçamento realiza audiência pública com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, sobre a proposta orçamentária de 2015 (LOA - PLN 13/14) (Wilson Dias/Agência Brasil)

Miriam Belchior apresenta outra “ideia genial”

Carlos Newton

Às vésperas de deixar o ministério do Planejamento e prestes a se consagrar como uma ausência que preenche uma lacuna, a ainda ministra Miriam Belchior aproveitou a abertura do 5º Fórum Interconselhos, no Palácio do Planalto, para dar sua derradeira “aula de democracia”, antes de mergulhar num merecido ostracismo.

“Quem tem medo da participação da sociedade não é democrático”, sentenciou, ao defender a retomada da discussão sobre a participação social nas decisões dos governos federal, estaduais e municipais, embora tal proposta tenha sido derrubada em outubro pela Câmara dos Deputados, que arquivou o decreto presidencial estabelecendo obrigatoriedade de consulta a conselhos populares antes de decisões do Congresso sobre implantação de políticas públicas.

“É preciso consolidar, na nossa legislação, a questão da participação social como meio legítimo e democrático de participação da sociedade nas políticas públicas. Para que não haja retrocesso e para que a gente rejeite de forma bastante firme insinuações, inclusive preconceituosas, de bolivarianismo nas ações do governo federal”, insistiu a ainda ministra ao discursar no Fórum, que reunia representantes de conselhos, entidades e movimentos sociais, ou seja, a chama prata da casa, com se dizia antigamente.

MAQUIAGEM EMPREGATÍCIA…

O pior veio a seguir, em entrevista após o evento, quando Miriam Belchior defendeu a estratégia de o governo maquiar a meta de superávit deste ano para conseguir fechar as contas, através de proposta enviada e aprovada pela base aliada no Congresso. Pois a ainda ministra simplesmente afirmou que a revisão da meta de superávit foi feita porque o governo “não quer desemprego” e precisa continuar a política de investimentos. “É importante que isso ocorra e o Congresso entendeu essa necessidade”, afirmou, ao deixar o Fórum Interconselhos.

Caramba, a que ponto chegamos! É por isso que um comentarista aqui da Tribuna da Internet já sugeriu que a gente suspenda o concurso “Piada do Ano”, porque todo dia as autoridades governamentais apresentam uma nova ideia sensacional. Certamente, essa multiplicidade de propostas geniais deve ser reflexo da tal “contabilidade criativa”, criada pela equipe econômica do primeiro mandato de Dilma Rousseff para concorrer ao Oscar de Efeitos Especiais.

Crise se agrava cada vez mais e Dilma terá de culpar Lula

Carlos Newton

A nova pesquisa Datafolha, o crescimento da manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff em São Paulo e o nunca-acabar de denúncias de corrupção, agora não somente na Petrobras mas em muitas obras do próprio governo – tudo isso são fatos que se somam e vão aumentando a tensão no Planalto/Alvorada, no Instituto Lula e no próprio PT, que não manda nada, mas distribui empregos à mancheias, como se dizia antigamente.

Não há mais dúvida de que a crise se apresenta num crescendo, não existe a menor perspectiva de arrefecer, muito pelo contrário. A pesquisa do Instituto Datafolha, publicada na edição de domingo da Folha de São Paulo, sustenta que 68% da opinião pública já responsabilizam a presidente Dilma Rousseff pela corrupção no país. É claro que este número agora só tende a aumentar, fragilizando a chefe do governo ainda mais.

A pesquisa teve demonstração prática com o crescimento número de participantes nos protestos da Avenida Paulista, que ocorrem todo sábado desde o final da eleição. Desta vez, pela fotografia panorâmica publicada na Folha, dá para constatar que a manifestação reuniu mais de 10 mil pessoas, sem falar no protesto simultâneo dos que pedem intervenção militar, que tinha pelo menos mais mil participantes. Portando, a expectativa é de que o protesto semanal ganhe cada vez mais adeptos, em função do agravamento da crise.

A ESTRATÉGIA DE DILMA

A troika formada por Planalto, PT e Instituto Lula está acuada. São sabem como reagir e, num caso desta gravidade, não há marqueteiro que dê jeito.

Nesses momentos, como sempre, Lula arruma uma maneira de submergir, fazendo de conta que não sabia de nada, não está no poder e não tem nada a ver com isso, embora todos saibam que não é bem assim.

Nesse quadro sinistro, a estratégia inicial de Dilma Rousseff, que até agora tem obtido algum resultado, é de proclamar que jamais se combateu a corrupção no Brasil como agora. Não deixa de ser uma verdade, mas acontece que esse fenômeno não pode ser atribuído ao governo dela. É fruto, única e exclusivamente, do esforço da Polícia Federal, que não tem sido incentivada pelo governo federal e vem sofrendo cortes de verbas que dificultam cada vez suas operações.

JOGANDO OS RATOS AO MAR

Com a progressiva deterioração de sua imagem, Dilma não terá alternativa. Se quiser continuar no poder e tirar o corpo fora, será obrigada a culpar Lula, José Dirceu e companhia, jogando os ratos ao mar. Mas pode ser que nem mesmo esta tentativa desesperada consiga resultado e a livre do impeachment, porque é mais do que óbvio que ela tem sido diretamente beneficiada pelo esquema de corrupção montado pelo PT para se perpetuar no poder.

Sem falar que Dilma, ministra de Minas e Energia do primeiro governo Lula, desde 2010 tinha conhecimento das irregularidades na Petrobras, por ter recebido um alentado dossiê, que já mencionamos aqui na Tribuna da Internet e lhe foi entregue por Tom Thimoteo, o principal assessor do presidente Lula no início do mandato.

A corrupção existia, Dilma e Lula sabiam e a incrementaram

Carlos Newton

As investigações estão chegando ao final, com base em importantes provas testemunhais e materiais (notas fiscais, contratos etc.). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já dispõe de informações suficientes para iniciar o processo no Supremo Tribunal Federal, envolvendo cerca de 35 parlamentares e outras autoridades , como ministros e governadores.

Não há a menor dúvida de que o escândalo da Petrobras é muito mais grave do que o mensalão, que levou muita gente à cadeia. E alguns mensaleiros estarão de novo envolvidos, como José Dirceu e José Genoino, como chefe da quadrilha e presidente do PT, respectivamente. Mas desta vez Delúbio Soares deu sorte, porque quem está diretamente envolvido é seu substituto na Tesouraria do PT, o sindicalista José Vaccari Neto.

A CORRUPÇÃO JÁ EXISTIA

Está mais do que comprovado que a corrupção já existia na Petrobras, e isso vem de muito longe, desde o regime militar, pelo menos, quando o ex-presidente da estatal Shigeaki Ueki ficou riquíssimo e se mudou para o Texas, onde tem mais gado e poços de petróleo do que a família Bush.

O que sempre houve era uma corrupção interna, com enriquecimento ilícito de dirigentes da estatal, empreiteiros e fornecedores. Mas o PT inovou e espalhou tentáculos das propinas pela base aliada, para abastecer o projeto definitivo de consolidação do partido no poder, de forma perene.

O DOSSIÊ PETROBRAS

Quando Lula venceu a eleição em 2002, a corrupção estava grassando cada vez mais na Petrobras. Um jornalista investigativo filiado ao partido tinha trabalhado na estatal no setor de Abastecimento, durante o segundo mandato de FHC, e farejara muita corrupção. Um mês antes da posse, entregou um volumoso dossiê ao jornalista Wilson Thimoteo, conhecido como Tom, principal assessor de Lula e figura lendária da resistência à ditadura, que foi exilado na Argentina e no Chile, muito querido e respeitado na imprensa do Rio de Janeiro.

Tom Thimoteo imediatamente entregou cópias do dossiê a Lula (leia-se: José Dirceu, que era quem na verdade comandava o governo eleito) e a Dilma Rousseff, que iria assumir o Ministério de Minas e Energia.

Depois da posse, Tom então mandou que o autor do dossiê se apresentasse na Petrobras ao recém-empossado gerente de Comunicação Institucional , Wilson Santarosa (um sindicalista de São Paulo), para que fosse contratado e seguisse informando o governo sobre as irregularidades na estatal.

Quando o autor do dossiê se apresentou na Petrobras, julgando que iria trabalhar lá, foi recebido na antessala por Santarosa, que o tratou secamente e comunicou que “todas as vagas já estavam preenchidas”. Traduzindo: por motivos óbvios, de forma alguma a nova direção petista da Petrobras iria querer um jornalista investigativo trabalhando na empresa.

PT MONTA O ESQUEMA

O encontro-relâmpago com Santarosa aconteceu numa quinta-feira. No dia seguinte, acompanhado por Carlos Pinto, então chefe da Assessoria de Imprensa da Petrobras, o autor do dossiê foi receber Tom no Aeroporto Santos Dumont. O assessor de Lula tinha consulta marcada com uma médica no Centro da cidade. No caminho, lamentou o comportamento de Santarosa, disse que estava tendo problemas com a Petrobras e iria resolver. Mas não teve tempo de fazer nada, pois já estava sofrendo de leucemia e morreria poucos meses depois, apesar de ter feito transplante de medula óssea.

Sem a presença de Tom para atrapalhar, Santarosa afastou Carlos Pinto da Assessoria de Imprensa e os dirigentes petistas da Petrobras puderam então armar o esquema que agora se transformou no maior escândalo de corrupção do país.

Quanto ao dossiê, certamente o então presidente Lula (leia-se: José Dirceu) e Dilma jogaram suas cópias no lixo. Mas ainda existem algumas, que o jornalista investigativo entregou a pessoas de sua confiança, por temer represálias a ele e à família.

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PS –
Bem, eu guardei minha cópia do dossiê. Se o juiz federal Sérgio Moro ou o ministro Teori Zavascki quiserem tomar conhecimento de seu conteúdo, terei imenso prazer em lhes entregar, como tributo a meus grandes amigos Tom Thimóteo e Carlos Pinto, que eram homens decentes e idealistas, jamais poderiam imaginar que o PT fosse se transformar nessa organização criminosa que se revela agora.

Na nova Era Dilma, juros em alta e economia em baixa

Carlos Newton

Reportagem de Deco Bancillon, no Correio Braziliense, tenta explica a alta dos juros básicos da economia, que elevam a dívida pública e dificultam ainda mais a busca de superavit fiscal primário para pagamento de juros pelo Tesouro Nacional. Ao mesmo tempo, o governo edita medida provisória autorizando a União a conceder crédito de até R$ 30 bilhões ao BNDES, através de emissão de títulos da dívida pública.

Pesou para a elevação dos juros uma inflação ainda bastante elevada, que está há cinco anos acima da meta de 4,5% ao ano. Até outubro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cravou alta de 6,59%, no acumulado em 12 meses. A explicação do Copom é de que o Banco Central estima que a inflação recuará para “trajetória de conversão à meta de 4,5% ao ano” apenas em meados de 2016, período considerado o horizonte de planejamento da política monetária.

TUDO COMO ANTES…

Traduzindo: nada de novo. Até agora o governo continua tentando derrubar a inflação via juros, que desestimulam a retomada da economia e o crescimento do PIB. E não existe nenhuma meta de corte de custeio (manutenção da máquina pública), que só tem aumentando na Era PT. Ao mesmo tempo, sinaliza aumento da dívida pública, que já está em 62% do PIB.
O que pensa disso tudo Joaquim Levy, o novo czar da economia? Será que foi ouvido ou se tornará um novo obediente Mantega. Ninguém sabe. E o ainda ministro Mantega, ao ser questionado sobre a contradição entre as palavras de Levy e a ação do governo, justificou o aporte de recursos ao BNDES dizendo que Levy ainda não tomou posse…  Ah, Brasil!

Tucanos comandando a economia do PT? Isso não é novidade

Meirelles conduzia a economia e Lula aceitava…

Carlos Newton

O mundo gira e hoje poucos lembram que, na primeira eleição de Lula, houve um enorme desespero diante da chamada “reação do mercado”. Surgiu, então, a “Carta aos Brasileiros”, escrita por José Dirceu e um grupo de colaboradores com objetivo de acalmar banqueiros, empresários e investidores nacionais e estrangeiros.

Mas o que realmente acalmou o mercado foi a nomeação do médico sanitarista e ex-prefeito Antonio Palocci para o Ministério da Fazenda e do deputado eleito Henrique Meirelles (PSDB-GO) para presidir o Banco Central.

Durante a “fase de transição”, Palocci teve oportunidade de mostrar sua maneabilidade (digamos assim) aos grandes capitalistas. Sua vocação de “consultor de empresas” já se fazia presente e ele foi consagrado como “confiável”, digamos assim.

Quanto a Meirelles, seu nome surgiu por indicação de Aloizio Mercadante, que havia trabalhado com ele no BankBoston. Para a Secretaria do Tesouro, Meirelles então indicou o tucano Joaquim Levy, que na segunda gestão de FHC, era economista-chefe do Ministério do Planejamento.

Prazerosamente, Palocci se colocou inteiramente “à disposição” do mercado. Portanto, para o PT, na equipe econômica sobrou apenas o Ministério do Planejamento, que não fede nem cheira, pois nada decide de importância, e o obediente Guido Mantega ficou estacionado lá.

Lula não tinha alternativa e concordou, assumindo um governo que era uma espécie de Hidra de apenas duas cabeças — uma administrativa (do PT) e a outra financeira (do PSDB). O mercado então sossegou, o dólar começou a cair e o governo foi em frente.

A HIDRA DEU CERTO

Esta estranha composição PT/PSDB deu absolutamente certo. Lula sabia transmitir esperança e otimismo a todos, o panorama internacional estava favorável, o preço das commodities subiu, puxado pelo efeito China, e o PIB foi crescendo, inflando a arrecadação federal. O Brasil parecia estar “no melhor dos mundos”, como dizia o professor Pangloss a seu discípulo Cândido, na genial criação de Voltaire.

Quando Lula entregou o governo em 2010, o PIB havia subido espantosos 7,5% naquele ano. Mas a sucessora Dilma Rousseff era uma espécie de Lula pelo avesso. Não tinha carisma, não sabia transmitir esperança ou otimismo e possuía um gravíssimo defeito — julgava entender de economia, por ter conseguido se formar na UFRS em 1977.

Dilma tinha tanta ânsia de demonstrar conhecimento em Economia que sua biografia oficial, no site da Casa Civil, informava erroneamente que ela era “mestre em Teoria Econômica pela Unicamp” e também “doutoranda em Economia Monetária e Financeira” pela mesma universidade. E no site da Plataforma Lattes, que abriga currículos, Dilma estava identificada como “mestra“, com título obtido em 1979, e “doutoranda em Ciências Sociais Aplicadas” desde 1998. Mas era tudo mentira.

A FARSA DE DILMA

Quando a farsa foi descoberta, Dilma deu a seguinte declaração: “Fiz o curso de mestrado, mas não o concluí e não fiz dissertação. Foi por isso que voltei à universidade para fazer o doutorado. E aí eu virei ministra e não concluí o doutorado“.

Foi patético, porque imediatamente a Universidade de Campinas informou que ela nunca se matriculou no mestrado. E o pior é que ninguém pode fazer doutorado sem antes fazer mestrado.

Quando Dilma assumiu, o obediente Mantega já estava na Fazenda desde março de 2006, quando Palocci foi derrubado pelo caseiro Francenildo. Dilma teve de mantê-lo, por ordem de Lula, mas conseguiu demitir Meirelles. Foi seu maior erro, porque era justamente Meirelles quem orientava Mantega. Dilma, porém, se julgava candidata ao Oscar e decidiu ela própria conduzir a economia, ou seja, conduzir Mantega, que simplesmente a obedecia sem jamais discordar.

UM FRACASSO ABSOLUTO

O resultado aí está. De 7,5% caímos para PIB zero, o país está devagar, quase parando, com uma presidente sem a menor credibilidade, que mostrou inacreditável despreparo nos debates da TV. Ora, se ela não consegue raciocinar direto nem concluir frases, como pode pretender conduzir a economia de um país complexo como o Brasil?

A solução de momento foi ouvir Lula e aceitar novamente a Hidra de duas cabeças — uma administrativa (PT) e a outra, financeira (PSDB). É o famoso jeitinho brasileiro, em versão política. Se vai funcionar novamente, só depende de Dilma Rousseff. Basta que ela não atrapalhe. Mas já está atrapalhando, com a alta dos juros, que elevam a dívida, e com novo repasse de R$ 30 bilhões ao BNDES, mediante emissão de títulos.

Dilma deveria ficar à vontade lá no Alvorada, brincando com o neto e se dedicando a coisas que realmente saiba fazer.

Aos poucos, o Blog vai se recuperando do ataque dos hackers

Carlos Newton

O mais recente ataque de hackers (piratas da informática) sofrido pela Tribuna da Internet foi devastador. Derrubou nossa audiência de forma arrasadora. Chegamos a mais de 84 mil acessos diretos por dia (segundo o contador americano Histats.com, ou mais de 100 mil, de acordo com a contagem do Google) e de repente caímos para apenas cerca de mil acessos/dia.

É claro que isso é desanimador, especialmente porque grande parte dos leitores da Tribuna da Internet não tem profundo conhecimento técnico de informática e continua tendo dificuldades de acesso.

Para limpar o computador da figura deixada pelos hackers (um carro de corrida) no lugar da Tribuna, é preciso “atualizar” a busca, teclando F5. É coisa simples, mas a imensa maioria dos internautas não conhece essa prática.

Outro dia, encontrei um amigo que é especialista em informática e ele reclamou que não conseguia acessar o blog. Quando lhe lembrei que era preciso apertar a tecla F5 para atualizar a busca, ele caiu em si. Ora, se um técnico em informática não se liga nesse detalhe, o que diremos de um cidadão comum?

Aos poucos, é claro, as coisas irão se normalizando. O importante é que não desistiremos, podem ter certeza e já estamos de novo com 6 mil acessos diretos/dia no contador Histats (ou 8 mil no contador Google).

MUITA COINCIDÊNCIA

O servidor UOL não sabe de onde partiu o ataque os hackers, é claro, e dá muito trabalho fazer o rastreamento. Nós, aqui da Tribuna da Internet, só sabemos que houve uma enorme coincidência. Num dia, o site do PT publicou uma conclamação, intitulada “Às Armas, Militantes”, convocando os petistas especializados em informática para combater os “inimigos do partido”. No início da madrugada seguinte, nosso blog saiu do ar.

Para quem acredita em coincidência, um prato cheio.

BALANÇO DE NOVEMBRO

Segue abaixo o balanço das contribuições ao blog no mês de novembro. Agradecemos a todos que têm conseguido colaborar para manter este espaço livre na internet. E vamos em frente, juntos, como diz nosso amigo Pedro do Coutto.

DIA   REGISTRO      OPERAÇÃO       VALOR

03       002915       DP DINH AG      100,00
03       000013       DOC ELET           50,00
04       041421       DP DINH LOT      20,00
07       070956       DP DINH LOT      30,00
10       002915       DP DINH AG      100,00
10       204792       CRED TEV           50,00
11       183200       CRED TEV           50,00
13       131716       DP DINH LOT      30,00
17       002915       DP DINH AG      100,00
17       492554       CRED TEV           50,00
18       181348       DP DINH LOT      22,68
24       002915       DP DINH AG      100,00
27       271536       DP CX AQUI        50,00
27       271617       DP DINH LOT     200,00

E na conta do Itaú, os depósitos em novembro foram os seguintes:

05   TBI 9368.46169-6 TRIBUNA        50,00
06   DOC 001.2315SEVERINO T D    100,00
10   TBI 2958.07601-6TRIBUNA         20,87
11   CEI 000220 DINHEIRO                50,00
21   TBI 0406.49194-4 C/C                50,00
25   TEC DEPOSITO DINHEIRO           76,44
28   DOC 033.4213ROBERTO S N      200,00

Lula tenta evitar a divulgação do cartão corporativo de Rose

Carlos Newton

Em plena efervescência da nomeação do novo ministério, o ex-presidente Lula anda muito sumido e a gente fica até pensando se desta vez ele vai mesmo permitir que, pelo menos, a presidente Dilma faça a escolha dos seis ministros da chamada “cota” dela.

Lula submergiu, mas sabe-se que ele não abriu mão de nomear os ministros da Fazenda, da Educação e das Cidades. Quer dizer, Joaquim Levy é indicação dele. Falta preencher as outras duas pastas, e todos sabem que Dilma Rousseff não ousa contraditar seu antecessor, criador e preceptor.

Nos bastidores, no momento Lula tenta cuidar de um problema muito mais grave do que nomear ministros. Trata-se de evitar mais desgaste em sua imagem de homem público, que desde o episódio do mensalão vem sendo deteriorada progressivamente, e agora a situação se complicou muito com a corrupção na Petrobras e o desenrolar do caso Rosemary Noronha.

O CARTÃO DE ROSE

No momento, a preocupação maior de Lula e evitar a divulgação dos abusivos gastos feitos no cartão corporativo da Presidência por sua companheira de viagens internacionais, digamos assim. Como se sabe, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já determinou que o Planalto divulgue ao jornal O Globo os gastos de Rosemary no cartão.

Com a morte de Marcio Thomaz Bastos, Lula ficou desprotegido em matéria de assessoria jurídica. Não há maiores informações, mas tudo indica que, no desespero, o governo impetrou um recurso extraordinário ao Supremo. Acontece, porém, que o próprio STJ pode indeferir a manobra protelatória, por não se tratar de questão constitucional, e dar a questão por encerrada. Portanto, em breve saberemos se houve recurso e se subiu ou não.

O SORRISO DE DILMA

O que se sabe é o seguinte: se forem divulgados os gastos de Rosemary com o cartão corporativo da Presidência da República, a imagem de Lula estará seriamente comprometida junto à opinião pública, porque ele será ridicularizado no Brasil e no exterior.

E o mais interessante é que a presidente Dilma Rousseff está doida para liberar logo essas informações. Se depender do apoio dela, Lula estará liquidado. A verdade é que Dilma não quer mais aceitar as ordens do ex-presidente, mas ainda não tem como se livrar dele. Por isso, vai quebrar o sigilo do cartão corporativo de Rose com um sorriso enviesado nos lábios.

Há alguns meses, quando o movimento “Volta, Lula” estava ganhando força no PT, foi Dilma quem mandou “vazar” uma série de informações sobre Rosemary ao repórter Vinicius Sassine, de O Globo. Dilma e Lula se odeiam e fingem que se amam. Mas em sociedade tudo se sabe, como dizia Ibrahim Sued.

Ministro Paulo Bernardo pode ser processado por Requião

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que está no primeiro escalão desde 2005, no governo Lula

Em janeiro, Paulo Bernardo perde o foro privilegiado

Carlos Newton

Reportagem de Lucas Vettorazzo, da Folha, mostra que, perto de completar dez anos como ministro do governo do PT, Paulo Bernardo (Comunicações) disse que, seguindo a lógica da renovação proposta pela presidente Dilma Rousseff, ele certamente está “na mira”.

O ministro participou nesta segunda-feira da abertura de um seminário de telecomunicações, no Rio, e lembrou que em março completaria dez anos como ministro. Ele foi ministro do Planejamento nos dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e ainda está à frente das Comunicações.

Ainda que tenha dito, em tom de brincadeira, que está “na mira” da renovação e “na linha de tiro” para possíveis mudanças, Bernardo ressaltou que não ter a menor informação nesse sentido. “Acho natural e desejável que haja mudança e renovação, e aí não estou falando somente no Ministério das Comunicações. Eu sou ministro há quase dez anos”, disse a Lucas Vettorazzo.

CRIME DE RESPONSABILIDADE

Paulo Bernardo que se prepare. Está acabando o prazo de 15 dias que o senador Roberto Requião (PMDB-PR) lhe deu para explicar o estranhíssimo caso da concessão da TV Globo de São Paulo, que foi outorgada ilegalmente a Roberto Marinho durante o regime militar.

A Mesa do Senado enviou ao ministro Paulo Bernardo um Requerimento de Informações a respeito do assunto. Ele respondeu com evasivas, anexando um processo administrativo incompleto e sem a documentação exigida. Se não responder desta vez, estará incurso em crime de responsabilidade e o parlamentar do PMDB já avisou que vai mover processo contra ele. E como Paulo Bernardo não será mais ministro, perderá o foro privilegiado no Supremo, e será julgado pela Justiça Federal.

Planalto enfim dirá como Rosemary usava o cartão corporativo

Carlos Newton

A imprensa tem alertado que está longe de punição o esquema de venda de pareceres e outros atos de corrupção desvendados da Operação Porto Seguro há exatos dois anos. Os principais envolvidos continuam trabalhando para o governo e recebendo altos salários, como Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas, que é analista da Secretaria do Tesouro e ganha quase R$ 20 mil mensais, e José Weber Holanda, ex-adjunto da Advocacia-Geral da União, que continua neste órgão recebendo cerca de R$ 21,5 mil mensais.

Rosemary Noronha, companheira de viagens de Lula, foi atingida diretamente, pois perdeu de imediato o cargo de Chefe de Gabinete da Presidência da República em São Paulo, e sua filha mais velha também foi demitida do cargo comissionado. Mas a situação financeira mudou pouco, porque o velho companheiro Lula continua ajudando. Não somente paga advogados e contas através dos caixas do PT e do Instituto Lula, como ainda mete a mão no bolso quando se faz necessário. É compreensível. São mais de 20 anos de intenso relacionamento, não se pode abandonar um grande amor assim em momento de tamanha dificuldade.

O problema é gravíssimo, mas estava mais ou menos sob controle até 13 de novembro, quando o Superior Tribunal de Justiça acolheu o processo da Infoglobo e do jornalista Thiago Herdy Lana para terem acesso aos gastos efetuados com o cartão corporativo do governo federal utilizado por Rosemary Noronha, com as discriminações de tipo, data, valor das transações e CNPJ/razão social.

SEGREDO DE ESTADO

A decisão do STJ foi tomada porque houve resistência na divulgação desses gastos e  o Planalto cercou o assunto de sigilo total e somente aceitou liberar a planilha dos gastos de Rosemary, entre 2003 e 2011, mas sem discriminá-los.

No julgamento, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho, relator do caso, disse que a atitude da Secretaria de Comunicação Social configurou uma “violação ilegal do direito líquido e certo da empresa e do jornalista de terem acesso à informação de interesse coletivo”. O relator disse ainda que o pleno acesso aos extratos que detalham os gastos “é assegurado pela Constituição e regulamentado pela Lei de Acesso à Informação”.

“Inexiste justificativa para manter em sigilo as informações solicitadas, pois não se evidencia que a publicidade de tais questões atente contra a segurança do presidente e vice-presidente da República ou de suas famílias”, sentenciou o ministro Maia Filho. “A divulgação dessas informações seguramente contribui para evitar episódios lesivos e prejudicantes”.

FIM DO SEGREDO

Agora, além do valor de cada transação, logo se saberá em que Rosemary gastou os recursos públicos de que dispunha através do cartão corporativo. Vai ser um novo escândalo da melhor qualidade. Em compensação, o ministro Maia Filho perde qualquer possibilidade de ser nomeado para o Supremo. Mas ele é um jurista sério, não liga para isso, porque sabe que hoje em dia é um desprestígio ser nomeado para o Supremo pelos governantes do PT.

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NÃO DEIXE DE LER AMANHÃ: E LULA, O QUE DIZ DISSO TUDO?

Com a máxima urgência, Dilma precisa aprender economia

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Carlos Newton

Lula sempre se orgulha de jamais ter lido um livro, de ser um autodidata movido pela intuição. Recentemente, mentiu ao dizer que tinha lido a biografia de Lincoln. Ele apenas viu o filme e quis tirar onda dizendo ter lido o livro. Mas foi apanhado em flagrante ao citar um trecho que não existe na biografia e foi incluído pelo roteirista do filme. E o pior: ao descrever a cena, Lula ainda confundiu telégrafo com telex.

Dilma é diferente. Quer mesmo tirar uma onda de erudita. Há poucos meses, por sugestão do marqueteiro, imitou descaradamente Ulysses Guimarães e fez uma citação do” Velho do Restelo”, como se fosse conhecedora da obra de Camões.

Como se sabe, quando era ministra Dilma declarou-se “doutorada” em Economia. Depois, foi obrigada a admitir que era tudo mentira e nem mestrado tinha. Mesmo assim, se julga o máximo e quer conduzir a equipe econômica a seu bel prazer.

Agora, Dilma enfim poderá fazer um curso intensivo e gratuito de economia, porque a partir de hoje começa a funcionar o chamado “gabinete de transição” instalado no Palácio do Planalto. A dupla de quase-ministros, Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento), trabalhará no terceiro andar do prédio, o mesmo da presidente Dilma Rousseff.

É importante que ela passe o máximo de tempo possível com eles, para tentar aprender alguma coisa de economia.

A POBREZA AUMENTA

Em contato com Levy e Barbosa, a presidente da República poderá descobrir, por exemplo, que sem crescimento do PIB a pobreza sempre aumenta. Não adianta maquiar as estatísticas, ampliar programas de assistência social e elevar à classe média as famílias que ganham apenas R$ 300 de renda per capita mensal. O número de miseráveis vai aumentar, como acaba de ser divulgado pelo IPEA, apesar de toda a política social alardeada pelo governo.

Por isso, o resultado de 01% no PIB do terceiro semestre não é façanha a ser comemorada. Em relação a igual período de 2013, houve queda de 0,2% na atividade econômica brasileira. Significa que o país continua em estagnação ou até estagflação. O fato é que Dilma Rousseff assumiu o governo em 2010 com crescimento de 7,5% do PIB, e quatro anos depois o resultado pode ser igual a zero, dependendo do desempenho do quatro semestre.

Se a presidente e seu fiel chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante não entenderem que é preciso diminuir não somente os custos, mas também os custeios, de nada adiantará a presença de Levy e Barbosa no governo.

MÁQUINA INCHADA

Movida pelos 39 ministérios, a máquina administrativa está cada vez mais inchada. Como exemplo direto de desperdício, a Presidência continua tendo chefia de gabinete em São Paulo (criada por Lula para dar emprego a Rosemary Noronha, sua companheira de viagens) e em Belo Horizonte (criada por Dilma para dar emprego a uma amiga da adolescência, Sonia Lacerda, que foi sua colega de sala em dois colégios, companheira de armas na luta contra o regime militar e que a acompanhou até a Chefia da Casa Civil).

Dilma e seu governo vivem num mundo à parte, como se o resto do Brasil não existisse. Para entender como se comporta essa elite formada por PT e base aliada, basta conferir os orçamentos de mordomia do Planalto/Alvorada, destinados a alimentar a chefe de governo e sua entourage. Como se dizia antigamente, o diabo mora nos detalhes.

Todos sabem que o exemplo de austeridade deve ser dado pelos governantes. Quando forem divulgados os gastos da namorada de Lula com cartão corporativo, vai ser um espanto.

Mesmo assim, la nave va. O PT, o PMDB, o PSDB ou qualquer outro partido não conseguirão atrapalhar indefinidamente a volta do crescimento, pois o Brasil permanece como a nação do Terceiro Mundo com maior potencial de desenvolvimento socioeconômico e tem um encontro marcado com seu futuro.

Levy finge que manda na economia, a gente finge que acredita

Joaquim Levy faz de conta que tem autonomia total

Carlos Newton

O engenheiro naval Joaquim Levy enfim foi declarado “ministro” da Fazenda, a ser empossado sabe-se lá quando, e avisa que já está no comando e o Titanic desta vez não vai naufragar. Abrindo os braços na proa, tal qual Leonardo de Capri  no filme famoso, Levy garante que logo no primeiro ano vai conseguir superávit primário e ganhar o Oscar de coadjuvante.

Em sua primeira entrevista antes de ser empossado, o recém-quase-nomeado fez questão de dizer que conquistou autonomia para conduzir a economia brasileira, como se alguém fosse acreditar. Todos sabem que é tudo uma pantomima, a presidente Dilma Rousseff não admite dar autonomia a ninguém, os 39 ministérios estão garantidos, a máquina administrativa não será enxugada, nenhum petista perderá sua “boquinha”, nada de novo no front. O novo-quase-futuro ministro da Fazenda que se vire.

Detrás daqueles óculos fundo de garrafa, Levy não enxerga que está entrando numa canoa furada e sem remos. Indagado pelo jornalistas sobre a proposta de o Congresso alterar a meta fiscal para facilitar a maquiagem das contas negativas do governo federal este ano, fingiu que não ouviu a pergunta e saiu de banda.

SALVADOR DA PÁTRIA

Levy insiste em se apresentar perante o respeitável público como se fosse uma espécie de primeiro-ministro, salvador da pátria e encarregado de gerir a economia com plenos poderes, mas na verdade até agora só teve um encontro frente a frente com a czarina Dilma Rousseff, supostamente doutorada pela Unicamp e que se julga merecedora do Nobel de Economia.

A união de Dilma e Levy está destinada ao fracasso. Ela não entende de economia, mas finge ser especialista e quer mandar em tudo. Ele não tem nem terá autonomia, mas finge que está no comando.

Mesmo assim la nave va, porque o Brasil é muito maior do que a dupla Dilma/Levy e acabará passando por cima de tudo, no rumo de um futuro grandioso. Conforme já dissemos aqui na Tribuna da Internet, os políticos atrapalham muito, mas o país está destinado a seguir em frente nesse clima de permanente caos democrático, que é ruim, porém muito melhor do que o regime militar.

 

 

 

 

 

 

Brasil precisa de um presidente como o uruguaio Pepe Mujica

O presidente Mujica e seu Fusca de um milhão de dólares

Carlos Newton

Em meio a esse mar de lama, é certo que nosso país não precisa de presidentes de terno Armani (Lula), de Ferrari (Collor), de Ford Fundation (FHC) ou de Louis Vuitton (Dilma). Nosso ideal é alguém como o presidente uruguaio Jose Pepe Mujica, totalmente avesso a vaidades, luxos e consumismos, mas sempre atento aos interesses de sua gente.

É o único governante de classe média baixa que não mora em palácio e  não aceitou se desfazer do seu Fusca azul, modelo 1987, nem mesmo pela espantosa quantia de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,6 milhões), oferecida por um árabe exibicionista no último encontro G77+China, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

De início, Mujica afirmou que, caso vendesse o veículo, iria destinar o dinheiro para programas sociais do governo. Mas depois abandonou a idéia, argumentando que, caso vendesse o automóvel, ofenderia aos amigos que juntaram dinheiro para ajudar a adquirir o carrinho por 70 mil pesos uruguaios (cerca de R$ 5 mil).

“VAQUINHA” DOS AMIGOS

O presidente uruguaio tem dois Fuscas, para a eventualidade de um deles enguiçar. Um deles foi comprado graças a essa “vaquinha” dos amigos. Por isso, afirmou que os Fuscas irão “vegetar” na garagem de sua casa enquanto ele e sua mulher, a senadora Lucía Topolansky, estiverem vivos.

“Não sei se algum dia vamos ou não vender o carro, mas enquanto eu estiver vivo, ele vai dormir no galpão e vai dar uma voltinha”, afirmou Mujica, que doa grande parte de seu salário para ações sociais, e sua mulher faz o mesmo. Ele está deixando o governo do Uruguai, mas será para sempre idolatrado pelo povo.

Que diferença para os políticos brasileiros e do resto do mundo, hein? Mas sonhar ainda não é proibido. Talvez um dia cheguemos lá.

Corrupção sempre foi rotina na trajetória da Petrobras

Efromovich em 1999, cheio de pose

Carlos Newton

Sob o título de “Negócios inexplicáveis” e o subtítulo “Como a pequena Marítima ganhou quase todas as concorrências da gigante Petrobras”, uma reportagem de 1999, na revista Veja, já mostrava como funcionava a corrupção na Petrobras, que fez a fortuna de Shigeaki Ueki, ex-presidente da estatal e ex-ministro de Minas e Energia, que era conhecido como o “Japonezinho do Geisel”.

Leiam abaixo esta reveladora reportagem de Consuelo Dieguez, oportunamente enviada à Tribuna da Internet pelo sempre presente comentarista Guilherme Almeida.

NEGÓCIOS INEXPLICÁVEIS

Até o final de 1994, o empresário German Efromovich era dono de uma empresa de pequeno porte que prestava serviços de manutenção submarina na área de petróleo, a Marítima. Seu trabalho era colocar mergulhadores no fundo do mar para verificar se os equipamentos das companhias para as quais prestava serviço estavam em ordem. Nessa época, a empresa funcionava numa casa ao pé de uma favela num subúrbio do Rio de Janeiro. Até aí, tudo normal. O que causou estranheza mesmo foi o fato de, menos de um ano depois, a insignificante Marítima, cujo patrimônio não chegava a 1 milhão de dólares, começar a ganhar quase todas as concorrências da Petrobras para a construção de plataformas de perfuração e exploração de petróleo. Uma área em que Efromovich não possuía a mínima experiência e que envolvia contratos superiores a 2 bilhões de dólares.

Essa façanha empresarial seria digna de figurar no livro de recordes. Mas a Marítima não conseguiu fazer mais nada direito a partir daí. Começou a descumprir todos os contratos, sempre contando com a vista grossa de quem deveria ser rigoroso com ela, a Petrobras. Entre os contratos estava o da superplataforma P-36, a maior do mundo, que chegou ao país há alguns dias, com um atraso de quatro meses. Pior: a P-36 só ficou pronta depois de a Petrobras ter sido obrigada a desembolsar 45 milhões de dólares, porque a Marítima não cumpriu sua parte no contrato. Se não fizesse isso, a plataforma só entraria em operação no final do ano que vem – e cada dia de atraso custa muito dinheiro, já que se inviabilizam todas as metas de produção de petróleo.

VELHOS AMIGOS

As proezas de Efromovich começaram a ser notadas no final de 1995, alguns meses após o superintendente de Engenharia da Petrobras, Antônio Carlos Agostini, ser promovido a diretor da área de exploração e produção da companhia. Agostini era conhecido de longa data de Efromovich. Nessa época, a Petrobras decidiu abrir concorrência para a construção de duas plataformas de produção de petróleo. O edital de licitação trazia, no entanto, uma cláusula que todos os participantes diziam ser impossível de cumprir: prazo de dezoito meses para a plataforma entrar em operação.

Mas a Petrobras, então presidida por Joel Rennó, manteve-se irredutível alegando que havia empresas que se diziam capazes de cumprir o prazo. Essas “empresas” a que a Petrobras se referia era apenas uma – a Marítima. Para surpresa do mercado, foi ela a vencedora da concorrência de um contrato de 720 milhões de dólares. O que aconteceu a partir daí foi uma sucessão de absurdos. A Marítima não tinha projeto nem estaleiro contratado para a execução da obra e tampouco financiamento. Mas a Petrobras pareceu não se importar muito. Em 1997, a estatal fez nova concorrência e declarou vencedora a inadimplente Marítima.

SEMPRE BLEFANDO

A tendência de Efromovich, de 49 anos, para o blefe sempre pautou sua vida profissional. Quando sua empresa ainda estava começando, ele costumava impressionar os potenciais clientes marcando reuniões no Hotel Sheraton, um cinco-estrelas carioca. Na verdade, por causa do dinheiro curto, ele se hospedava em hotéis baratos na zona de boemia do Rio. Pegava o ônibus duas horas antes do encontro, atravessava toda a Zona Sul da cidade para chegar ao hotel e dar a impressão de que estava hospedado ali. Seu pulo-do-gato, porém, foi com a Petrobras.

A companhia pediu que ele fizesse a manutenção de uma plataforma em 1988 e perguntou a Efromovich se o barco que ele possuía tinha condições de fazer o serviço. Efromovich não pestanejou. Disse que sim. Era mentira. Fez, no entanto, das tripas coração para adaptar seu barco ao serviço, comprometendo-se a trabalhar três anos de graça para um estaleiro que concordou em fazer a adaptação. Agora, pode estar chegando ao fim a era de Efromovich na estatal. A Petrobras se prepara para cancelar o restante dos contratos que estourarem o prazo combinado. “A Petrobras está sendo injusta”, afirma o empresário, um boliviano de forte sotaque, naturalizado brasileiro.