A inacreditável desfaçatez de seis ministros do Supremo

Carlos Newton

Desculpem insistir no assunto, mas é impressionante a desfaçatez dos membros do Supremo que decidiram absolver José Dirceu por formação de quadrilha. Parodiando Ruy Barbosa, poderíamos dizer, sem medo de errar, que até as paredes do tribunal sabem que Dirceu chefiava não somente a Casa Civil, como também o esquema de suborno de deputados e senadores, que virou um verdadeiro festival, porque até parlamentares do próprio PT também recebiam propinas, como acontecia com o deputado João Paulo Cunha, conforme ficou provado no inquérito e no julgamento.

Há exceções na formação de quadrilha, claro. No que se refere a um parlamentar qualquer, que recebia propina para votar a favor do governo, realmente poder-se-ia alegar que ele não fazia parte da quadrilha, estava apenas sendo corrompido pela organização criminosa.

Mas José Dirceu (poderoso chefão), José Genoino (presidente do PT), Delúbio Soares (tesoureiro do partido), Marcos Valério e seus sócios (operadores do esquema), Henrique Pizzolato (diretor do Banco do Brasil e contribuinte)?

Sem a mínima dúvida, trata-se  de uma sofisticada quadrilha, uma organização criminosa de alto nível, formada para favorecer os propósitos do governo mediante corrupção e suborno. Simples assim.

FALSOS “JURISTAS”

E esses ministros do Supremo, que não conseguiram enxergam formação de quadrilha e que sofregamente se precipitaram, divulgando antecipadamente o teor de seus votos, o que pensar deles?

Alguns até tinham uma certa biografia, mas outros entraram pela janela do apadrinhamento. E devemos sempre repetir, para que não caia no esquecimento, que um deles, Dias Toffoli, chegou ao Supremo depois de reprovado em concurso para juiz, vejam a que ponto chegamos.

Só falta agora o governo do PT nomear um bacharel que nem tenha passado no exame da Ordem. Afinal, pode-se acreditar em tudo, porque o notório saber jurídico já faz tempo que foi desprezado. O que se sepultou nesse episódio foi a apenas reputação ilibada, a única exigência que ainda permanecia.

SEM MEDO DO RIDÍCULO

Como chegaram à conclusão de que essa organização criminosa que subornava parlamentares não era uma quadrilha?  Seus argumentos, exibidos pela televisão, são pífios e constrangedores.

Esses ministros parecem não ter medo do ridículo. Sua firmeza em defender o inaceitável mostra que não se preocupam com os parentes, com os amigos, como os vizinhos, com os próprios funcionários do Supremo.

Realmente, não se importam com suas “biografias” e não estão nem aí para o que as outras pessoas vão pensar deles?

Eles podem não ter vergonha, mas muita gente ficou envergonhada com a atitude deles.

Supremo agora é “tapetão” e Joaquim Barbosa pode se vingar aceitando a candidatura à Presidência

Carlos Newton

Em matéria de estratégia política, o PT e o governo federal (leia-se: Lula) estão enveredando por caminhos tenebrosos. Ao invés de cometer o erro de pressionar o Supremo a absolver os mensaleiros do crime de formação de quadrilha, cuja existência foi mais do que óbvia, o PT e governo federal (leia-se: Lula) deveriam ter deixado os mensaleiros responderem por seus atos ilícitos. Mas a vontade de achincalhar a Justiça falou mais alto.

O PT e o governo federal (leia-se: Lula) já tinham começado a ridicularizar a Justiça quando arranjaram emprego para Delúbio Soares na CUT, que é uma espécie de filial do partido, e lhe deram direito a “carro oficial” e até conseguiram que ele passe todo fim de semana em casa. Depois, a desmoralização prosseguiu com as vaquinhas para pagamento das multas dos condenados, algo inimaginável em termo de cumprimento de pena, um disparate completo, mas quem se interessa? Onde está o tal Ministério Público?

Agora, o circo ficou armado por completo, com a absolvição de José Dirceu por formação de quadrilha, como se fosse possível armar um macroesquema de suborno no Congresso Nacional por osmose ou geração espontânea, conforme já comentamos aqui no Blog da Tribuna da Internet.

FERA FERIDA

Com a absolvição dos mensaleiros por formação de quadrilha, a decepção do ministro Joaquim Barbosa foi impressionante. Jamais poderia imaginar que a audácia do PT e do governo federal (leia-se: Lula) chegasse a tanto. E agora, como o presidente do Supremo vai reagir a essa humilhação pública?

Como se sabe, Barbosa tem até o dia 5 de abril para se aposentar, filiar-se a algum partido e lançar-se à Presidência da República, bagunçando o coreto do PT.

Todos os candidatos o temem, inclusive Lula, que em 1989 perdeu uma eleição para Fernando Collor e sabe como o eleitorado gosta de uma novidade. Por isso, tentam devassar de todas as formas a vida de Joaquim Barbosa, para descobrir manchas em seu extraordinário currículo. É claro que muitos erros serão encontrados, ninguém é perfeito (ou atire logo a primeira pedra). Mas em comparação à quase totalidade dos políticos e autoridades brasileiras, a trajetória de Barbosa é algo insuperável.

Sua origem carente tem semelhanças com a de Lula, mas Barbosa conseguiu uma diferença fundamental. Ao contrário do ex-presidente, que sempre se orgulhou de jamais ter lido um só livro, Barbosa se tornou um intelectual de primeira categoria, com um currículo cravejado de concursos públicos e uma cultura realmente invejável. Fala vários idiomas e ainda se dá ao luxo de tocar piano e violino.

SE FOR CANDIDATO…

A pressão que hoje o PT e parte da mídia exercem sobre ele é implacável. Mas o resultado dessa perseguição pode ser exatamente o contrário. Por ter um temperamento irritadiço e combativo, agora pode ser que Barbosa responda a seus desafetos com a apresentação de seu candidatura. E aí o atual quadro da política mudará por completo.

Nessa hipótese, a eleição presidencial deixará de estar vencida pelo PT por antecipação, Dilma Rousseff sai de cena e Lula será imediatamente “convocado” pelo partido, enquanto Aécio Neves (ou José Serra) e Eduardo Campos (ou Marina Silva) apenas disputarão o terceiro lugar no primeiro turno, pois a realização do segundo turno estará mais do que garantida. Aliás, o PT jamais ganhou uma eleição presidencial no primeiro turno, lembram?

Como já alertamos aqui no Blog, irritem bastante Joaquim Barbosa, continuem prestigiando os mensaleiros e perseguindo o presidente do Supremo. E vejam bem aonde isso vai dar.

Pedido de extradição de Pizzolato enviado à Itália é só “para inglês ver”


Carlos Newton

O pedido de extradição do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão, enviado pelo Ministério do Exterior, é somente uma formalidade. O governo e o PT sabem que ele não será extraditado e nem pretende que o seja. Pizzolato é como o célebre personagem de Alfred Hitchcock em “O Homem que Sabe Demais”.

O pedido para que Pizzolato retorne ao Brasil para cumprir a pena a que foi condenado do processo do mensalão foi encaminhado inicialmente à embaixada brasileira na Itália. De lá, será repassada ao Ministério das Relações Exteriores italiano, cumprindo os protocolos diplomáticos. Só quando chegar à Justiça italiana é que o pedido será analisado.

A extradição de criminosos é uma via de mão dupla e só funciona quando existe reciprocidade. E isso não está acontecendo entre Brasil e Itália. Muito pelo contrário. Dois bons exemplos: Salvatore Cacciola e Cesare Battisti. Condenado no Brasil, Cacciola fugiu para a Itália e de lá não foi extraditado. Só voltou preso para o Brasil por ter entrado no Principado de Mônaco.

Cesare Battisti é exemplo inverso. Antigo membro dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo de extrema-esquerda que agia na Itália no fim dos anos 70, Battisti foi condenado em 1987 pela justiça italiana por crime de terrorismo, Pegou prisão perpétua, com restrição de luz solar, pela autoria direta ou indireta dos quatro homicídios atribuídos aos PAC – além de assaltos e outros delitos menores, igualmente atribuídos ao grupo. O Brasil também não o extraditou, apesar dos veementes protestos do governo italiano.

 

DUPLA NACIONALIDADE

No pedido de extradição de Pizzolato, a Procuradoria-Geral da República reconhece que, como o ex-diretor do Banco do Brasil tem dupla nacionalidade, o governo da Itália não tem obrigação de extraditá-lo.

Traduzindo: fim de papo.

Carlos Chagas lança esta quarta-feira um livro que mostra a verdade sobre a o golpe de 1964-

Carlos Newton

O lançamento do primeiro volume da obra “Os golpes dentro do golpe – 1964/69”, de Carlos Chagas, será quarta-feira em Brasília, no restaurante Carpediem, a partir das 18 horas. E o segundo volume, cujos originais já estão na editora, será lançado no final do ano.

“Nos dois volumes é feito um relato, dia a dia, da tragédia iniciada 50 anos atrás, com um registro das preliminares do golpe e depois a fixação do regime militar, seus desdobramentos e suas contradições, até seu final, 21 anos depois. Acompanhei tudo, primeiro como editor-político de O Globo, depois como diretor da Sucursal de O Estado de S. Paulo em Brasília. E nos meses de maio a outubro de 1969, como Secretário de Imprensa da Presidência da República, no governo Costa e Silva”, diz Chagas.

Neste novo livro, ao fazer o relato sobre os governos militares, o jornalista expõe tanto o que se desenrolou à vista de todos, em especial episódios que a memória nacional esqueceu, como uma série de eventos transcorridos nos bastidores, envolvendo personagens de diversos matizes.

“Como exemplo, cito o diálogo entre o coronel Meira Mattos, comandante das tropas que invadiram o Congresso em novembro de 1966, e o presidente da Câmara, Adaucto Lúcio Cardoso. Foi uma repetição do diálogo havido em 1823 entre o presidente da Assembléia Constituinte, Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, e o oficial mandado por D.Pedro I para fechá-la”, revela Chagas, acrescentando:

“Mostro também conversas informais do marechal Castello Branco com jornalistas políticos, o atraso de doze horas do relógio do plenário da Constituinte de 1967, para evitar a edição de uma Constituição que não  tinha o capítulo dos Direitos e Garantias Individuais, as tentativas do primeiro general-presidente para evitar a posse do segundo, a edição do AI-5 contra a vontade de Costa e Silva e Pedro Aleixo, os esforços do velho marechal para não passar à História como tendo golpeado as instituições, a singular  eleição presidencial direta onde só votaram generais,  almirantes e brigadeiros”.

Depois, no que virá no segundo volume, os palavrões trocados entre o presidente Geisel e o ministro do Exército, Silvio Frota, a iminência de paraquedistas saltarem na Praça dos Três Poderes para resgatar o presidente da República.

“Mais tarde, entre mil outros episódios, a tentativa de ministros do presidente João Figueiredo, enfartado, de impedir sua substituição pelo vice-presidente Aureliano Chaves, a sugestão de Paulo Maluf ao general Newton de Oliveira e Cruz para assassinar Tancredo Neves e muita coisa a mais”, diz Chagas, que no regime militar respondeu a três processos a  pela Lei de Segurança Nacional, um movido pelo governo Médici, dois durante o governo Ernesto Geisel.

O maior inimigo dos ucranianos não é a Rússia, mas o famoso “General Inverno”

Carlos Newton

Assim como ocorreu com Napoleão Bonaparte e com Adolf Hitler, derrotados pelo chamado “General Inverno”, os rebeldes ucranianos pró-Ocidente terão de enfrentar esse implacável e estratégico inimigo. E se eles pensam que a União Europeia ou os Estados Unidos estão dispostos a pagar as contas dessa guerra civil, estão muito enganados.

O comentarista Laco Silva já explicou aqui no Blog os interesses geopolíticos e econômicos em jogo na Ucrânia. Os geopolíticos são ligados à OTAN, dominada pelos EUA e que os russos não querem nessa sua fronteira, e os econômicos se referem ao gás natural e suas consequências para a economia ucraniana, que não tem como pagar a preço de mercado.

“Os russos lhe propuseram preço baixo e um crédito de 15 bilhões de dólares, e a comunidade europeia nem um décimo disso oferece para a vulnerável (como o Brasil) Turquia, que lhe presta relevantes serviços sujos na Síria”, destacou Laco Silva, acrescentando:

“Aliás, para se esquentar, a Europa depende hoje do gás natural russo e paga preço de mercado. Se o povo ucraniano não concorda, eleja seu governo pelo voto nas próximas eleições, se una à Comunidade Europeia e se garanta economicamente na aquisição do gás natural russo a preço de mercado”.

Traduzindo: essa revolta popular vai custar muito caro aos ucranianos, que não têm como pagar preço de mercado pelo gás que a Rússia subsidia para lhes fornecer. O gás será cortado e a Europa não aceitará os ucranianos como imigrantes.

Uso político do BNDES pelo PT é um dos maiores crimes contra a Nação

Carlos Newton

Surgem cada vez mais críticas ao desempenho do BNDES, que na gestão de Luciano Coutinho se transformou num simples instrumento de governo. Para mim, ex-funcionário do BNDES, é algo inaceitável. Na gestão da dupla Carlos Lessa/Darc Costa, a melhor administração que o banco de fomento já teve, eu trabalhava em Brasília, representando a diretoria junto ao Congresso Nacional.

Na época (2003), o BNDES era um dos pratos do dia da oposição (PSDB, DEM e PPS). Eram frequentes os ataques ao banco, mas com argumentos ardilosos e falseados. Eu anotava tudo, respondia as críticas por escrito, imediatamente enviava ao parlamentar oposicionista, e no dia seguinte comparecia ao gabinete e explicava como ele estava ingenuamente sendo usado por “informantes” mal intencionados. E eu sempre acabava a conversa usando um argumento irrespondível:

“O BNDES não pertence ao PT ou ao governo. O BNDES trabalha para desenvolver o País social e economicamente. Não está a serviço de grupos ou facções”. Entregava ao parlamentar da oposição um manual sobre os financiamentos do BNDES e explicava que o banco estava à disposição para projetos em todos os Estados e municípios brasileiros, e não nos interessava se eram governados pelo partido A ou B.

Os parlamentares oposicionistas que haviam criticado o BNDES ficavam envergonhados e nunca mais caiam na esparrela dos “informantes”, como aconteceu com Artur Virgilio, Alberto Goldman, José Agripino Maia, Alvaro Dias e tantos outros que foram procurados por mim.

RETROCESSO

Era um prazer trabalhar com dois intelectuais brasileiros como Carlos Lessa e Darc Costa, ambos nacionalistas e somente dedicados aos interesses do país. Estabeleceram uma nítida separação entre empresa nacional e multinacional, ao mesmo tempo em que criaram incentivos às empresas de setores estratégicos e tecnológicos (como energia,medicamentos e informática). Fizeram uma dobradinha com a Petrobras e rapidamente recuperaram a indústria naval. Lançaram o Cartão BNDES e o banco enfim passou a financiar micros, pequenas e médias empresas. Bons tempos.

Depois, vieram as gestões de Guido Mantega e Demian Fiocca, e o BNDES começou a ser usado politicamente pelo governo, primeiro de forma tímida, depois escancaradamente. Mas nada que se compare à administração de Luciano Coutinho, um verdadeiro desastre.

Hoje o banco funciona como um instrumento do governo, criando degenerações, como o Friboi e o Grupo X, de Eike Batista, e fazendo financiamentos bilionários a Cuba e a outras nações financeiramente arruinadas e sem perspectivas.

E AS GARANTIAS???

Agora, pergunta-se pelas garantias, que no tempo de Carlos Lessa e Darc Costa eram anunciadas e detalhadas nos press-releases do banco. Hoje, se tornaram garantias secretas e não sai uma CPI, ninguém reclama, nada, nada…

Não pode ser assim, não pode continuar assim. As garantias precisam ser transparentes, para evitar o que aconteceu num vultoso financiamento a Eike Batista, que teve como avalista o Banco Votorantim.

Mas onde se lê Votorantim, por favor leia-se Banco do Brasil, que livrou da ruína o banco da família Ermírio de Moraes, da mesma forma que a Caixa Econômica Federal salvou o PanAmericano, da família Abravanel, evitando a falência de Silvio Santos.

E tudo isso graças à generosidade de Lula, um ignorante a serviço dos banqueiros e das elites, ao invés de estar a serviço do país. Mas já é outro assunto, que envolve executivos tipo Henrique Pizzolato, um exemplo do patriotismo dos políticos brasileiros desta geração fracassada. Dá um desânimo danado. Precisamos de um novo Brizola, mas cadê ele?

Bolha Imobiliária: Construtora Rossi já oferece desconto de R$ 60 mil em qualquer imóvel

Carlos Newton

Como se dizia antigamente, “é grave a crise econômica”, especialmente no setor imobiliário, em que a situação chega a ser “desesperadora”, segundo o economista Luís Carlos Ewald, professor da PUC-Rio e consultor do Fantástico e da GloboNews.

Temos escrito bastante sobre o assunto aqui no Blog e as informações que divulgamos estão sendo confirmadas. A maior construtora brasileira (grupo PDG), já cancelou mais de 40 lançamentos. Ou seja, comprou os imóveis, mas não se arrisca a construir, por saber que não há compradores.

COMERCIAIS

Um grande exemplo da gravidade da crise foi dado pela Imobiliária Julio Bogoricin (uma das maiores do Rio, com mais de 20 lojas e cerca de mil corretores), ao colocar um espalhafatoso anúncio em O Globo, com o seguinte título:
Cansou de perder dinheiro com imóvel? É hora de alugar“. Essa proclamação confirma a análise de Ewald, que disse recentemente: “Ninguém está comprando nada”. E recomendou que só se compre imóvel em 2015, quando os preços vão desabar.

Agora, é outro grupo gigante do setor, a construtura, com comerciais insistentes na TV, anunciando que baixou R$ 60 mil nos preços de qualquer imóvel no Estado do Rio, seja residencial ou comercial. Considerando-se que os imóveis tenham preço médio de R$ 1 milhão (apartamento de 2 ou 3 quartos, dependendo do bairro), isso significa que a Rossi já reduziu 6% no preço de seus imóveis. Mas ainda é pouco. Espera-se que dentro de um ano os preços caiam pelo menos 50 por cento. É a velha Lei da Oferta e da Procura, que não perdoa especuladores. E já ia esquecendo: os aluguéis também já começaram a despencar.

Depois de Roberto Jefferson, o próximo alvo de Joaquim Barbosa será Genoino

Carlos Newton

O ex-deputado José Genoino está passando um fim de semana de muita contrariedade. Depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, determinou  a prisão do presidente licenciado do PTB e ex-deputado federal Roberto Jefferson, Genoino sabe que será o próximo alvo. O motivo é simples: a doença de Jefferson (câncer no pâncreas) é mais grave e exige muito mais cuidados do que a de Genoino (hipertensão).

Contrariando a posição da defesa, após perícia feita a pedido do ministro Joaquim Barbosa, os médicos do Instituto Nacional do Câncer (Inca) concluíram, em dezembro do ano passado, que o estado de saúde de Jefferson não indica necessidade de cumprimento da pena em casa ou no hospital. Segundo os médicos, o ex-deputado, que foi submetido a uma cirurgia e tem vida praticamente normal, deve apenas usar regularmente medicamentos e seguir dieta prescrita por nutricionista.

Quanto a Genoino, ele teve dissecção da aorta, fez cirurgia em julho do ano passado e também leva uma vida normal. Hoje, sofre apenas de hipertensão, controlada facilmente por medicamentos. Mas alega ter cardiopatia grave e tentou se aposentar por invalidez como deputado, para receber salários integrais. Mas a comissão de cardiologistas da Câmara já o examinou duas vezes, não considerou grave seu estado de saúde e ele tem de se contentar com a aposentadoria atual. Recebe cerca de 20 mil mensais, além da chamada Bolsa Ditadura. Um bom dinheiro, em qualquer país do mundo.

Durante o período de prisão domiciliar, Genoino já passou mal e foi internado duas vezes, mas logo em seguida recebeu alta. Como se sabe, para um hipertenso passar mal, basta não tomar o remédio. E com esses achaques, Genoino está perdendo progressivamente a credibilidade e se tornando uma figura caricata.

65% dos brasileiros querem mudança. Mas mudar o quê, escolhendo entre os atuais candidatos?

Carlos Newton

É preciso concordar com a opinião do jurista Jorge Béja e do jornalista Heron Guimarães, editor do jornal O Tempo, de Belo Horizonte, sobre o desalento que nos é provocado pela fase patética que a política brasileira atravessa. Para quem tinha 20 anos na Revolução de 64, como o locutor que vos fala, a sensação é de que nossa geração fracassou.

A duras penas, após 21 anos conseguimos recuperar a plenitude democrática, mas o que fizemos? Quando os civis retomaram o poder em 1985, a Presidência caiu no colo de José Sarney, nem deu para sentir diferença em relação ao regime militar.

Depois, grande esperança em Fernando Collor, que representava uma salutar renovação, mas o resultado foi dantesco. Em seguida, um governo muito bom de Itamar Franco, nacionalista e íntegro, deixou saudade, mas não havia reeleição. O poder então caiu no colo de Fernando Henrique Cardoso, um dos maiores enganadores da História, que começou sua gestão dizendo: “Esqueçam tudo o que eu disse ou escrevi antes”. E alienou as riquezas do país, mostrando que se tratava de uma geração de fracassados.

AINDA HAVIA ESPERANÇA

Lula surgiu então como uma grande esperança, mas não tinha um projeto de governo, sua equipe apenas alimentou a economia pela via do consumo e do crédito. O país cresceu, na onda da economia internacional, puxada pela China, e houve uma fase de muita empolgação. Inventaram uma classe média em que cada membro da família ganha apenas R$ 300 por mês, vejam que disparate, e o criador desta ilusão, o economista Marcelo Neri, acabando virando ministro de Assuntos Estratégicos, um disparate inominável.

Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente, veio no embalo dessa política aparentemente vitoriosa, mas a fórmula agora está esgotada, a crise bateu na porta do governo, o chamado Custo Brasil é cada vez maior, não houve as indispensáveis obras de infraestrutura, os investidores estão desestimulados.

Este é o quadro neste ano, em que será disputada a eleição presidencial, a ser travada entre Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos, se Lula, José Serra e Marina Silva realmente desistirem e o ministro Joaquim Cardoso não aceitar a candidatura.

QUEREM MUDANÇA

A mais recente pesquisa eleitoral diz que 65% dos brasileiros querem mudança. Mas mudar o quê, com esses candidatos? Entre os seis que já apresentaram seus nomes, apenas Eduardo Campos pode significar alguma mudança. Mesmo assim, ninguém sabe a que veio, qual o seu programa, o que pretende fazer. Será nacionalista, vai lutar pelas empresas nacionais e pelos interesses do povo deste país, ou será mais um enganador?

E Joaquim Barbosa continua uma incógnita. Não admite ser candidato, mas não anuncia peremptoriamente que não será. Fica em cima do muro, compreensivelmente, porque não pode abandonar o processo do mensalão antes do fim, caso contrário Ricardo Lewandowski assume a presidência do Supremo e dá um  jeito de soltar os petistas.

Quanto aos demais envolvidos no mensalão, Lewandowski nem liga. Jamais deu uma palavra em defesa deles. Interessante… Não seriam também injustiçados?

Joaquim Barbosa diz a Dilma que antes de se aposentar vai avisar a ela

Carlos Newton

Como dizia o genial compositor e publicitário Miguel Gustavo, meu vizinho no Edifício Zacatecas, “o suspense é de matar o Hitchcock…”, porque o ministro Joaquim Barbosa ligou para a presidente Dilma Rousseff e disse que, por enquanto, não é candidato a presidente e prometeu comunicar a ela, com antecedência, seu pedido de aposentadoria no Supremo.

A informação foi dada pela colunista Monica Bergamo, da Folha, que colocou a expressão condicional “por enquanto”, antes de escrever que Barbosa dissera que não é candidato ao Planalto.

Isso ninguém sabe, só ele. E para lembrar outros compositores famosos, os fadistas Artur Ribeiro e F. Trindade, “nem às paredes o Joaquim Barbosa confessa” se é candidato ou não. Enquanto isso (ou por enquanto), vamos às opiniões dos comentaristas.

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Antonio Santos Aquino

O ministro Joaquim Barbosa tem pretensões políticas, mas não nessa eleição. Sua visão se detém em 2018. Quanto a ser bom candidato, potencialmente, podemos dizer que sim. Fazer um bom governo, no sentido da moralidade, é difícil, não impossível. Difícil se não tiver ao seu redor uma equipe de técnicos competentes em todas as áreas e comprometidos com a ética política.

Se Barbosa um dia for candidato, não será um demagogo (a definição correta de demagogo, que vem do grego é “contratador de casamentos”, os dicionários e muitos intelectuais dizem erradamente ao contrário). O povo, que vive sedento de moralidade na vida pública, pode elevá-lo à Presidência tranquilamente. “Comprar ações de Joaquim Barbosa é bom negócio para 2018″. Até lá ele estará “maduro”???

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Pedro Alcântara

É claro que sou a favor do Dr. Joaquim Barbosa, para renovar o Brasil…

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Dorothy Lamour

O Dr, Joaquim Barbosa vem dando mostras de integridade moral, patriotismo e coragem. Já afirmou que não continuará no STF até os 70 anos. Tudo leva a crer
que não ficará um dia sequer além do seu período na presidência da casa.
Se decidir pela candidatura à Presidência do Brasil, não é difícil ser eleito.
E eleito, terá que enfrentar a corja política. Não se juntará a ele. Essa corja não permitirá que ele governe. Caos, revolta, guerra civil, tudo pode acontecer.

Caso decida concorrer ao governo do RJ, onde tem domicilio eleitoral, ganha com folga, é barbada. E como governador poderá fazer algo pelo RJ e mesmo pelo Brasil. É só escolher equipe comprometida, pessoas vindas de qualquer parte do Brasil e governar ao lado do povo.

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José Carlos

Quem é esse Barbosa ? Aquele que chafurdou nos States junto ao bandido foragido ?
Algum de vocês tinham ouvido falar dele antes do presidente Lula nomeá-lo a pedido daquele Frei ?
Se o cidadão não respeita nem seus colegas de tribunal, esperar o que dele? Me poupem.

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Helena Beatriz

O ministro Joaquim Barbosa seria um candidato de peso, mas não creio que se candidate. Enquanto isso vamos tirar a petralha do poder de qualquer jeito, porque se continuarem… muito pior do que está poderá ficar.

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José Ari

…Já vi esse filme, com o caçador de marajás. Uma das sua primeiras medidas, foi acabar com o programa de distribuição do leite, que nos moldes do bolsa família, trazia uma força para muitas crianças subnutridas. Nosso País piorou e muito com o Collor. Agora essa figura de ditador, em todos os seus atos fica patente sua arrogância, a sede de poder. Collor era menos perigoso.

Na morte de Santiago, onde estavam Caetano Veloso, Pablo Capilé e a Mídia Ninja?

Carlos Newton

Depois da morte de Santiago Andrade, é bom lembrar o que vem acontecendo desde junho passado, quando começaram as manifestações populares, no Rio de Janeiro e São Paulo, organizadas pelo movimento Passe Livre, que depois foram se encorpando, ganhando adeptos e incluindo protestos contra a Copa do Mundo e exigindo “Padrão Fifa” para educação, saúde, transportes e segurança.

De repente, apareceram em cena os black blocs. Surgiam na fase final dos protestos, provocavam a polícia de uma maneira inacreditável, quebravam o que estivesse na frente, especialmente abrigos de ônibus e agências bancárias.

Junto aos black blocs, notabilizou-se a mídia ninja bancada pela ONG de Pablo Capilé, espalhada pelo país com generoso financiamento do governo federal, de governos estaduais e prefeituras, não somente ocupadas pelo PT mas também por outros partidos, inclusive o PSDB de São Paulo, vejam que ironia, além de empresas privadas e entidades interessadas em agradar a quem está no poder.

“ALTERNATIVA” À MÍDIA

Os ardorosos defensores de Capilé argumentavam que seus seguidores eram uma alternativa à mídia normal, para “cobrir” as manifestações e denunciar as agressões dos policiais. Muita gente boa entrou nessa esparrela, inclusive Caetano Veloso, que foi visitar os tais ninjas e se deixou fotografar como black bloc, que santa ingenuidade.

Na época, aqui no Blog, chamávamos atenção para uma realidade flagrante – os mídias ninjas jamais apresentavam imagens de manifestantes agredindo policiais nem fazendo atos de vandalismo. Pelo contrário, suas imagens visavam  sempre denegrir os policiais.

O melhor exemplo foi a série de imagens de um manifestante correndo pelas ruas e depois sendo alvo de pistola de choque e agressão por policiais, fato que virou um escândalo nacional. Mas esqueceram de mostrar o que o manifestante fizera antes, provocando os policiais de tal forma que eles perderam a razão.

Agora, na morte de Santiago Andrade, onde esta a a mídia ninja? Todas as imagens que documentaram o assassinato do cinegrafista foram feitas pela mídia nacional e estrangeira, incluindo jornalistas ingleses e russos. Nem uma só imagem da mídia ninja. Por que será? Devo perguntar ao Caetano Veloso? Ou a Dilma Rousseff, tão amiga e ligada a Pablo Capilé?

Que Deus proteja os jornalistas de verdade!

Joaquim Barbosa desistiu de concorrer à Presidência? Desistiu, mas não desistiu muito…

Carlos Newton

A imprensa alardeia que o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, afirmou que não será candidato a presidente nas eleições de 2014, conforme nota divulgada sábado. Mas o texto da mensagem precisa ser lido com muita cautela. Como se sabe, cada palavra tem um peso e um significado, enquanto o tempo dos verbos define passado, presente e futuro, que não podem se misturar.

Assim, vamos analisar o texto da nota oficial, para que cada um tire suas conclusões:

NOTA À IMPRENSA

1) O Presidente do Supremo Tribunal (STF), Ministro Joaquim Barbosa, ratifica que não é candidato a presidente nas eleições de 2014.

2) Com relação a uma possível renúncia ao cargo que hoje ocupa, o Ministro já manifestou diversas vezes seu desejo de não permanecer no Supremo até a idade de 70 anos, quando teria que se aposentar compulsoriamente. No entanto, não existe nenhuma definição com relação ao momento de sua saída. Ele não fez consulta alguma ao setor de recursos humanos do STF sobre benefícios de aposentadoria.

3) No que se refere ao seu futuro após deixar o Tribunal, o Ministro reserva-se o direito de tomar as decisões que julgar mais adequadas para a sua vida na ocasião oportuna. Entende que após deixar a condição de servidor público, suas decisões passam a ser de caráter privado.

4) O Ministro Joaquim Barbosa não faz juízo de valor sobre nenhum dos partidos políticos brasileiros, individualmente. A respeito do quadro partidário, já expressou sua opinião no sentido da realização de uma ampla reforma política que aprimore o atual sistema. Apesar de já ter tornado público o seu voto nas últimas três eleições presidenciais, o Presidente do STF, Tribunal que é o  guardião da Constituição, ratifica seu respeito por todas as agremiações partidárias, seus filiados e eleitores.

E O FUTURO?

Como se vê, Joaquim Barbosa foi bem claro quanto ao passado e o presente. Mas e quanto o futuro, o que disse ele?

No que se refere ao seu futuro após deixar o Tribunal, o Ministro reserva-se o direito de tomar as decisões que julgar mais adequadas para a sua vida na ocasião oportuna. Entende que após deixar a condição de servidor público, suas decisões passam a ser de caráter privado.

Portanto, o certo é que ele vai pedir aposentadoria ao Supremo. Se o fizer antes de 5 de abril, poderá ser candidato. E não faltam partidos. Pode escolher e até formar uma coalizão.

No entanto, não existe nenhuma definição com relação ao momento de sua saída – diz a nota, sintomaticamente..

A divulgação da nota pela assessoria do STF ocorreu após publicação de reportagem, na revista Veja deste fim de semana, dando conta de que o ministro teria dito a interlocutores que pretendia deixar o Supremo após o julgamento dos embargos infringentes do processo do mensalão. Ou seja, nos próximos dias.

Vamos aguardar.

Ministro da Justiça quer deixar os mascarados circulando livremente nas manifestações…

Carlos Newton

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, demonstra uma inquietante incoerência. Ao mesmo tempo em que defende nesta sexta-feira o aumento de penas de crimes decorrentes de manifestações, como dano ao patrimônio e lesão corporal, e o uso de balas de borrachas pela polícia, ele considera um erro classificar como crime o uso de máscaras em protestos.

Ou seja, não haverá esse importante detalhe no projeto de lei que a presidente Dilma Rousseff enviará ao Congresso Nacional nos próximos dias para conter os excessos nas manifestações de rua.

O ministro argumenta que o projeto precisa coibir os atos de vandalismo, mas tem de garantir o direito de manifestação do cidadão. Na teoria, tudo, mas na prática Cardoso demonstra uma ingenuidade surpreendente. Ele se esquece de que é atrás das máscaras que se escondem os criminosos. Quem é do bem não precisa de máscara para ir à manifestação.

A principal característica em comum entre Fábio Raposo e Caio de Sousa é justamente o fato de os dois terem comparecido à manifestação com o rosto encoberto. Caio de Sousa estava com uma camisa preta amarrada na cabeça, no estilo ninja, enquanto Fábio Raposo estava com uma máscara antigases, o que é ainda pior, pois evidencia sua disposição de enfrentar a polícia. E onde ele conseguiu a máscara?

Quando a baderna começou, sugerimos aqui no blog que toda pessoa com rosto encoberto fosse detida para averiguações. Alguns Estados já aprovaram legislação nesse sentido, mas o governo federal continua usando antolhos, conforme se depreende da declaração do ministro Cardozo. Antolhos é uma peça que não chega a ser uma máscara, mas continua a ser muito usada nas cavalariças.

Carlos Chagas dá mais uma contribuição para documentar os bastidores da Revolução de 64

Carlos Newton

A documentação dos bastidores da Revolução de 1964 ganha mais uma contribuição do jornalista político Carlos Chagas, que na época trabalhava em O Globo e se tornou uma das principais testemunhas dos acontecimentos. O lançamento do primeiro volume da obra “Os golpes dentro do golpe – 1964/69”, pela Record, será em Brasília, no próximo dia 26, numa quarta-feira, no restaurante Carpediem, a partir das 18 horas. E o segundo volume, cujos originais já estão na editora, será lançado no final do ano.

“Nos dois volumes é feito um relato, dia a dia, da tragédia iniciada 50 anos atrás, com um registro das preliminares do golpe e depois a fixação do regime militar, seus desdobramentos e suas contradições, até seu final, 21 anos depois. Acompanhei tudo, primeiro como editor-político de O Globo, depois como diretor da Sucursal de O Estado de S. Paulo em Brasília. E nos meses de maio a outubro de 1969, como Secretário de Imprensa da Presidência da República, no governo Costa e Silva”, diz Chagas.

Nessa época, Chagas e eu trabalhávamos juntos na editoria de Política de O Globo, com dois grandes jornalistas: Antonio Vianna de Lima e Jair Rebelo Horta. Chagas já era um dos profissionais mais importantes do país, responsável pela coluna Política, publicada diariamente.

Lembro que em 3 de outubro de 1966 foi realizada a eleição indireta do general Costa e Silva para sucessor de Castelo Branco. Depois de “eleito”, Costa e Silva foi fazer uma viagem ao exterior (Europa e Estados Unidos), para se apresentar como futuro presidente brasileiro. E a direção de O Globo indicou Carlos Chagas para integrar a comitiva de jornalistas que iria acompanhar o general e fazer a cobertura da viagem. Foi assim que ficou conhecendo Costa e Silva.

Quando foi convidado para ocupar a Secretaria de Imprensa da Presidência da República, Chagas não quis aceitar. Chegou à Redação de O Globo e nos contou o que estava acontecendo. Descemos para conversar mais à vontade na lanchonete da esquina da Rua Irineu Marinho. Chagas estava irredutível, não queria trabalhar com os militares.

Antonio Vianna, que era mais experiente do que nós, disse que Chagas estava cometendo um erro, porque, próximo ao general Costa Silva, poderia interceder positivamente junto a ele para que não houvesse torturas e tudo o mais. E eu acrescentei que não gostava de trabalhar no Globo, mas meu amigo José Fernandes do Rego, que havia sido barbaramente torturado, me convencera a continuar no jornal. Insistimos muito, e a contragosto Chagas decidiu aceitar o convite de Costa e Silva, e até hoje tem sido erroneamente criticado por isso, como se tivesse sido colaborador do regime militar, o que decididamente nunca foi verdade.

“Retornando a O Globo depois do impedimento do presidente Costa e Silva, da prisão do vice-presidente Pedro Aleixo, da usurpação do poder pela Junta Militar e da escolha do general Garrastazu Médici para presidente da República, consultei Roberto Marinho sobre a conveniência de escrever sobre o período. Ele então me autorizou a elaborar uma série de reportagens de página inteira que o Estado de S. Paulo se interessou em publicar simultaneamente, entre janeiro e fevereiro de 1970.  O título era: “113 dias de angústia: Impedimento e morte de um Presidente”. Ganhei o Prêmio Esso de Jornalismo daquele ano, como, também, o primeiro dos três processos a que respondi pela Lei de Segurança Nacional, um movido pelo governo Médici, dois durante o governo Ernesto Geisel”, diz Chagas, lembrando que o único jornalista que teve mais processos do que ele no regime militar foi Helio Fernandes.

Detalhe que Chagas não citou: logo em seguida, o governo Médici obrigou O Globo a publicar uma outra série de reportagens sobre o mesmo tema, com o mesmo destaque e título muito parecido. Até a diagramação era semelhante. Os textos, pavorosos e irreais, vinham assinados por Emiliano Castor, um repórter que funcionava como informante do SNI e ganhava a vida passando informes sobre os outros jornalistas.

(artigo republicado por ter saído no dia do apagão “internético”)

Prefeito do Rio vai entrar no Livro Guinness de Recordes com o maior engarrafamento do mundo

Carlos Newton

Os sites dos jornais noticiam que, ao anunciar o fechamento do chamado Mergulhão da Praça Quinze, a partir deste domingo, o prefeito Eduardo Paes alertou que este é o momento que vai causar mais transtornos para a população desde as mudanças provocadas pela interdição do Elevado da Perimetral. E previu o caos que todos já esperavam, menos ele, desde que a prefeitura começou a demolir os quatro quilômetros do Elevado da Perimetral, a principal ligação viária do Centro do Rio, sob o estranho pretexto de “embelezar” a área portuária.

Em entrevista coletiva, concedida na manhã de sexta-feira, Paes frisou que a população deve evitar ir de carro ao Centro e dar prioridade ao transporte público.

“O Centro não terá condições de receber a mesma quantidade que recebe normalmente de carros. Se isso acontecer, a situação será caótica” — disse Paes. “É importante que as pessoas fiquem atentas às mudanças viárias. Quem insistir em vir de carro para o Centro vai encontrar um cenário complicado. Se não houver a colaboração da população, vai ocorrer o caos”.

O prefeito é totalmente irresponsável. Vai causar o maior engarrafamento permanente do mundo, exclusivamente para beneficiar a especulação imobiliária. As contas de sua família no paraíso fiscal vão bombar, é claro. Mas ele não está nem aí para o interesse público. Antes de entrar no Livro Guinness de Recordes, deveria ser internado e submetido a uma camisa de força.

Estamos de volta, depois de mais um “problema” inexplicável

Carlos Newton

Certamente este não é o melhor blog da internet, mas não há dúvida de que é o mais sujeito a chuvas e trovoadas, saindo do ar a pretexto de “problemas técnicos”, sem a menor justificativa.

Durante cinco anos, jamais tivemos problemas. De repente, saímos do ar quando estávamos no servidor UOL, sem explicação. Depois de dezenas de telefonemas e pedidos de apoio técnico, um funcionário do UOL nos esclareceu que eu havia entrado no “Painel do Cliente” e desconectado o Blog da plataforma WorldPress. Ele dizia que tinha sido eu, porque era a única pessoa a conhecer a senha. Ocorre que eu nem sabia que existia “Painel do Cliente” e nem lembrava da senha que havia fixado quatro anos atrás.

Tivemos de fazer de novo o Blog e voltamos à cena, até que, alguns meses depois, saímos novamente do ar. Dessa vez, recebi um e-mail em tom ríspido de uma funcionária do UOL, reclamando que nós teríamos aberto simultaneamente mais de 30 páginas, ao editar o Blog. Mas como? Apenas eu tenho acesso a edição do Blog, trabalho sozinho, infelizmente. Como poderia abrir simultaneamente mais de 30 computadores?

Por sua sugestão de meu amigo e companheiro Yuri Sanson, mudamos do UOL para o HostGator. Três meses depois, novamente saímos do ar. A primeiro explicação que deram ao Yuri Sanson foi de que havia acessos demais. Mas como? Os blogs não podem fazer sucesso e serem acessados em massa? Depois, a desculpa mudou para algum problema nos “plugins”…

De qualquer modo, ao contrário do que aconteceu no UOL, conseguimos voltar após alguns dias de pane. É um avanço, não há dúvida, e vamos continuar no Hostgator.

Por fim, para quem acredita em coincidências, na primeira pane estávamos cobrindo com exclusividade absoluta o caso Rosemary Noronha, inclusive anunciando com antecedência as datas em que ele tinha de comparecer ao Fórum Criminal em São Paulo.

Na segunda pane, o assunto em voga era a briga entre Lula e Dilma Rousseff, nos bastidores do PT e do governo, em disputa para ver quem sai candidato, assunto que também cobríamos com exclusividade.

Agora, na terceira pane, estávamos dedicados a esmiuçar as denúncias do delegado Romeu Tuma Jr. contra Lula, a respeito de o antigo líder sindical ter colaborado com a ditadura militar, atuando como informante do DOPS sob codinome “Barba”.

Para quem gosta de coincidências…

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PS – Redigi rapidamente essa nota e nem revisei, porque tenho de sair. Mas daqui a pouco estaremos de volta, podem apostar.

Governo é insano, vai fazer campanha publicitária enaltecendo a Copa

Carlos Newton

O governo federal mudou o discurso em relação à Copa depois que pesquisas sigilosas apontaram no ano passado que a população via com ceticismo o “legado” do evento e enxergava as obras como uma “maquiagem” para garantir o sucesso do Mundial.

Reportagem de Natuza Nery e Filipe Coutinho, publicada pela  Folha, mostra que foram feitos levantamentos pelos institutos Análise e Ibope, que resultaram num trabalho de 428 páginas sobre o perfil das manifestações populares, a relação delas com a Copa e os índices de aprovação e rejeição. O custo desses levantamentos não foi revelado.

As pesquisas foram feitas entre junho e agosto de 2013 e o resultado  fez com que a presidente Dilma Rousseff mudasse o tom de seus discursos e declarações. A mensagem oficial deixou de enfatizar as obras de infraestrutura que ficariam como herança do evento e passou a enaltecer o ufanismo e o orgulho do “país do futebol” em sediar a Copa.

A reportagem da Folha conta que então surgiu o mote “Copa das Copas” em detrimento do “Pátria de Chuteiras”, criado por Nelson Rodrigues e inicialmente adotado, sem a  menor menção ao autor. O mote “Copa das Copas” foi bolado pelo marqueteiro Nizan Guanaes em uma reunião com Dilma em novembro passado. No dia 6 de dezembro, no sorteio da Copa, Dilma usou o bordão pela primeira vez – repetiu várias vezes depois, inclusive em sua conta no microblog Twitter.

DIZENDO O ÓBVIO

Os levantamentos, que certamente custaram uma fortuna, dizem apenas o que todos sabem. Por exemplo: “A imagem dos estádios como obra é a melhor possível, mas é exatamente essa imagem que torna os estádios alvos de crítica, porque são comparados com a qualidade dos hospitais e escolas.”

E o texto recomenda ao governo sempre usar o termo “fiscalizar” ao tocar no tema. E foi justamente o que o governo não fez. Pelo contrário, liberou geral e dispensou as obras de licitações, sob pretexto da necessidade de “urgência” das obras.

O pior é a insanidade. O governo vai lançar uma campanha publicitária caríssima, para enaltecer a importância da Copa do Mundo. Ou seja, vai provocar as massas e dar a elas munição para incendiarem o País. Para citar novamente Nelson Rodrigues, podemos dizer que isso é o óbvio ululante. Mas o governo, do alto de sua prepotência, não consegue enxergar.

Ataque de Lula a Joaquim Barbosa é uma estratégia que pode dar errado

Carlos Newton

O ex-presidente Lula repete a mesma estratégia usada no caso Rosegate e continua fugindo dos jornalistas. Está em campanha aberta, faz discursos, participa de encontros com empresários, mas circula permanentemente protegido pelos seguranças do PT e do Instituto Lula, que não permitem acesso a nenhum jornalista. Apenas os fotógrafos e cinegrafistas podem se aproximar dele, mas não têm permissão para fazer-lhe perguntas.

No último sábado, em Ribeirão Preto, num discurso de meia hora, Lula fez uma defesa veemente do PT e dos filiados que foram presos após serem condenados pelo Supremo Tribunal Federal no escândalo do mensalão. Mas não deu uma só palavra sobre as denúncias do delegado Romeu Tuma Jr. a respeito da atuação de Lula como informante do DOPS durante o regime militar, sob codinome de “Barba”.

ATAQUES AO SUPREMO

No discurso, Lula atacou os ministros do Supremo Tribunal Federal , sem citá-los nominalmente. Disse que “o grande papel do ministro da Suprema Corte é falar nos autos do processo e não falar para a televisão o que ele pensa”. E acrescentou: “Se quer fazer política, que entre para um partido”.

Em seguida, assinalou: “Quando você indica alguém, você está dando um emprego vitalício e o cidadão, quando quer fazer política, diga não aceito ser ministro, vou ser deputado, entrar para um partido político e mostrar a cara”.

CUTUCANDO A ONÇA

A tática de Lula de tentar “esquecer” as graves denúncias de Romeu Tuma Jr. é compreensível. Mas ficar atacando os ministros do Supremo pode ser um tiro pela culatra, como se dizia antigamente.

Até 5 de abril, o ministro Joaquim Barbosa tem prazo para se desincompatilizar (se aposentar do Supremo) para sair candidato. É claro que a candidatura dele não interessa ao PT, à presidente Dilma Rousseff e ao próprio Lula, porque pode significar os votos que faltam para levar a disputa para o segundo turno.

Como todos sabem, Joaquim Barbosa é rebelde e irritadiço. Cutucá-lo com vara curta, como Lula está fazendo, pode ser um péssimo negócio.

Morte do cinegrafista agrava a acusação para homicídio doloso

O cinegrafista da TV Bandeirantes que foi atingido por um rojão durante protesto no Centro do Rio Foto: Reprodução da TV Globo

Carlos Newton

Foi anunciado hoje que o cinegrafista da Rede Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade, de 49 anos, teve morte cerebral na manhã desta segunda-feira. Santiago está no Centro de Terapia Intensiva do Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro, desde a quinta-feira da semana passada.

As informações são de que 90% do lado esquerdo do cérebro do cinegrafista estariam sem irrigação. O site de O Globo diz que, na porta do hospital, muitos amigos e colegas do cinegrafista choram e lamentam o acontecido.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a morte encefálica foi diagnosticada nesta segunda-feira pela equipe de neurocirurgia do hospital. “A pedido da família, a secretaria torna público o agradecimento a todos os que torceram pelo seu restabelecimento e que, num ato de solidariedade, atenderam ao chamado para doar sangue ao Hemorio’, diz trecho da nota.

Agora, a acusação contra os dois manifestantes que lançaram o arfefato passa a ser de homicídio doloso, que pode condená-los à pena máxima – 30 anos de prisão.

Dilma acredita que as acusações de Tuma Jr. vão inviabilizar a candidatura de Lula

Carlos Newton

A sucessão presidencial está cada vez mais empolgante. Dois conhecidos jornalistas políticos – Ricardo Noblat e Josias de Souza – já anunciaram que Marina Silva desistiu de disputar e até aceita ser vice de Eduardo Campos, na chapa do PSB, mas só anunciará essa decisão no mês que vem. Ou seja, a notícia ainda não está confirmada.

No PSDB, o candidato oficial é o senador Aécio Neves, mas há controvérsias. O jornal O Globo chegou a anunciar a desistência do ex-governador José Serra, que manda no partido. Porém, no dia seguinte ele desmentiu, dizendo que não era bem assim.

Também no PT a situação continua indefinida. O partido prefere a candidatura de Lula, mas aceita a contragosto votar em Dilma Rousseff, que luta com todas as armas para tirar as possibilidades de Lula concorrer. Nessa reta de chegada para a definição, Dilma está mais animada. Em sua opinião, as denúncias do delegado Romeu Tuma Jr., ex-secretário nacional de Justiça, sobre a atuação de Lula como informante do DOPS no regime militar, podem inviabilizar definitivamente uma nova candidatura do ex-presidente.

LULA NÃO LIGA

O raciocínio de Dilma Rousseff parece linear. É muito possível que as denúncias de Tuma Jr. atinjam Lula profundamente, sobretudo se o delegado apresentar no segundo livro as provas que afirma dispor, não somente contra Lula, mas também contra José Dirceu, Tarso Genro e companhia limitada.

Mas acontece que Lula não liga para isso. O exercício do poder exacerbou sua autoestima. Julga ser inatingível, acha que é uma espécie de Abraham Lincoln redivivo, mas não conhece a frase famosa: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos o tempo todo”. Por isso, continua viajando e delirando, julgando-se acima do bem e do mal.

Sua tática é bastante conhecida. Finge que não é com ele, manda o PT blindá-lo no Congresso e foge da imprensa. Repete exatamente o que fez no caso Rosegate, em que conseguiu êxito total. Um ano depois, ninguém toca mais no assunto.

Traduzindo: Lula continua pré-candidato e já está em campanha, a pretexto de ajudar Alexandre Padilha. Acha que a crise econômica enfraquecerá Dilma Rousseff de tal forma que o PT saberá se livrar dela.

E JOAQUIM BARBOSA?

Bem, este é o quadro atual. Mas fica faltando a possibilidade de o ministro Joaquim Barbosa se candidatar. Esta continua a ser a grande incógnita. E o grande temor do PT, porque a candidatura dele, no mínimo, levaria a disputa para segundo turno.

Os demais candidatos (Eduardo Campos/Marina Silva e Aecio Neves/José Serra), o PT, Lula e Dilma acham que os derrotam ainda no primeiro turno.

O presidente do Supremo tem até o dia 5 de abril para se desincompatibilizar. O que fará ninguém sabe.

AMANHÃ: Lula pode provocar a candidatura de Joaquim Barbosa