Congresso não aceita ingerência da Justiça Eleitoral na fixação do número de deputados por Estado.

Carlos Newton

O Congresso Nacional volta a se desentender com a Justiça Eleitoral e recorre ao Supremo Tribunal Federal, com uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC), para fazer prevalecer a competência do Congresso na fixação do número de deputados por unidade da Federação. A medida é uma reação a uma nova resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que alterou a distribuição das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, alega que o TSE não tem competência para fixar o número de deputados por estado, tarefa que caberia exclusivamente ao Poder Legislativo.

Com a resolução do TSE, que leva em conta os dados do Censo de 2010 do IBGE, treze estados tiveram alterações, oito perderam representatividade na Câmara e cinco ganharam. Minas Gerais, por exemplo, passaria a ter direito a mais dois deputados federais.

A briga não é de agora. No ano passado, o TSE já havia aprovado resolução semelhante, sustada em dezembro com a edição do Decreto Legislativo 424/2013. E a ação da Mesa do Senado pede a declaração de constitucionalidade do Decreto Legislativo 424 para manter a atual composição da Câmara dos Deputados.

LEI COMPLEMENTAR

O mais interessante nessa disputa entre os dois poderes é que o problema foi causado pelo próprio Legislativo, como explica o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o único integrante da Mesa do Senado a votar contra a iniciativa.

“Eu discordo desse raciocínio, porque o próprio Congresso Nacional, através de uma Lei Complementar, transferiu ao TSE os poderes para que ele pudesse fazer, a cada eleição, o recálculo das bancadas”, explicou.

 

Aposentadoria de Joaquim Barbosa demonstra que é preciso mudar o sistema de escolha dos ministros do Supremo

Carlos Newton

Há três décadas, Caetano Veloso acertou em cheio ao denunciar “os podres poderes” exercidos pelos homens. O tempo passou e a situação continua a mesma. Os poderes da República estão cada vez mais apodrecidos, e a aposentadoria precoce do ministro Joaquim Barbosa demonstra que, para diminuir essa podridão, será necessário mudar o sistema de escolha dos integrantes do Supremo Tribunal Federal, iniciativa que hoje é exclusividade do presidente da República.

Dos 11 ministros que integram o Supremo, quatro foram indicados pela presidente Dilma Rousseff (Rosa Weber, Luiz Fux, Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso), quatro por Lula (Joaquim Barbosa, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski), um por Fernando Henrique Cardoso (Gilmar Mendes), um por Fernando Collor de Mello (Marco Aurélio Mello) e um por José Sarney (Celso de Mello ).

Com a saída de Barbosa, Dilma fará sua quinta indicação, e o próximo presidente da República irá indicar cinco ministros entre os anos de 2015 e 2018, devido à aposentadoria compulsória dos integrantes do Supremo aos 70 anos. Se Dilma Rousseff for reeleita, por exemplo, vai ter indicado 10 dos 11 ministros do Supremo.

PROPOSTAS TRAMITANDO

Existem diversas propostas de emendas constitucionais para mudar o sistema de indicação dos ministros do Supremo. Na Câmara, há pelo menos sete projetos que preveem a participação de entidades de classe e até mesmo do Congresso no sistema de substituição de ministros.

O deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), por exemplo, é autor de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevendo a obrigatoriedade de formação de uma lista com seis nomes indicados pelos ministros do próprio Supremo. A PEC estabelece também a idade mínima de 45 anos para os candidatos para a vaga de ministro e determina que seja um juiz de carreira.

Agora, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) quer criar uma “cota” para a categoria, ou seja, quer tirar a exclusividade de indicação das mãos do presidente da República.

O ideal seria um sistema múltiplo, com o presidente da República indicando um ministro; as associações de classe preenchendo a vaga seguinte; o Congresso Nacional escolhendo o terceiro ministro; e o próprio Supremo indicando o ocupante da quarta vaga.

Além disso, deveria existir uma condição acautelatória, com os integrantes do Supremo tendo o direito de decidir se os pretendentes indicados pelo presidente da República, pelas associações de classe e pelo Congresso realmente têm notório saber e reputação ilibada, para que não se repita o absurdo da nomeação de Dias Toffoli.

ONGs e lideranças indígenas são mestres em manobrar o Governo e o Congresso

O presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves recebe e ouve as reinvidicações da Comissão da Mobilidade Nacional Indígena (José Cruz/Agência Brasil)
Carlos Newton

Reportagem de Iolando Lourenço, da Agência Brasil, ao mostrar a pressão que as lideranças indígenas exercem sobre o Congresso Nacional, revela que hoje a principal luta das comunidades é impedir a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 215/2000), que inclui entre as competências exclusivas do Congresso Nacional a aprovação de demarcação de terras indígenas e a ratificação das demarcações já homologadas. A emenda também estabelece que os critérios e procedimentos de demarcação sejam regulamentados por lei.

A estratégia dos indígenas (ou melhor, das ONGs nacionais e internacionais que os orientam) é no sentido de condenar a emenda sob o argumento de que é defendida pelos integrantes da bancada ruralista, quando na verdade esta proposta tem de ser apoiada por todos os que defendem o interesse nacional.

As ONGs querem manter a demarcação sob controle exclusivo do Executivo, que já mostrou sua incompetência em diversas situações. Foi o Executivo, por exemplo, que criou a famosa “Nação Ianomami”, com território maior do que Portugal e onde vivem menos de 4 mil índios, por uma simples portaria do então ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, no governo Collor. O então presidente venezuelano fez a mesma coisa do outro lado da fronteira, e a tal “Nação Ianomami” passou a ser maior do que a Itália. Será que foi mera uecoincidência? Ninguém sabe. E por coincidência os dois sofreram impeachments e foram derrubados.

“NAÇÕES” INDEPENDENTES

Foi também o Executivo que assinou na Organização Internacional do Trabalho a Convenção 169, que ardilosamente facilita a independência das nações indígenas, e aprovou na ONU a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, que deixa de rodeios e determina logo que toda reserva indígena tem de se tornar um país independente, ora vejam vocês a que ponto chegou a irresponsabilidade de governantes como FHC e Lula.

Desde que a PEC 215 foi apresentada, em 2000, as lideranças indígenas e as ONGs condenam a proposta usando exclusivamente o argumento de que seria uma trama dos ruralistas, não se discute se é ou não do interesse nacional. E o mais decepcionante é que os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se curvam à pressão e a proposta simplesmente não anda.

Será que algum dia teremos um Executivo, um Legislativo e um Judiciário que realmente se preocupem com os interesses nacionais? Seria pedir muito?

O que significa Henrique Meirelles como vice na chapa de Aécio Neves?

Carlos Newton

Sempre bem informada, a colunista Sonia Racy, do Estadão, anunciou que Henrique Meirelles desistiu de sua pré-candidatura ao Senado pelo PSD. E registrou que a decisão do presidente do Banco Central do governo Lula acontece dias depois de seu nome ter sido aventado como possível candidato a vice na chapa do tucano Aécio Neves.

Mas o que significaria Meirelles como companheiro de Aécio? A própria Sonia Racy respondeu que a aliança nacional com o PSDB representaria o rompimento da aliança do PSD com o PT, mas ressalvou que esta possibilidade, porém, já teria sido descartada por Gilberto Kassab, presidente nacional do partido – o primeiro a declarar apoio oficial à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Meirelles formalizou sua decisão quinta-feira, em carta a Kassab. Embora tenha aberto mão de disputar a vaga ao Senado, afirmou manter “enorme disposição de seguir contribuindo para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do Brasil”.

Em São Paulo, no maior colégio eleitoral do País, Kassab segue em negociação com o governador Geraldo Alckmin. Os tucanos ofereceram a vice ao PSD – desistindo do Senado, Meirelles poderia ser uma opção.

Traduzindo tudo isso: a confusão é geral. Meirelles seria um enorme reforço para Aécio, em termos de patrocínio para a campanha e de credibilidade no mercado financeiro, se é que alguém sabe o que isso significa. Na verdade, “mercado” é sinônimo de “interesse das elites”, a Bolsa vai subir e a campanha de Aécio pode decolar. Acredite se quiser.

Lula enfrenta o maior dilema de sua vida, ao estilo hamletiano: ser ou não ser, eis a questão

Carlos Newton

Aproxima-se a hora da verdade e o ex-presidente Lula ainda não decidiu o que fazer. Ele é senhor de seu destino e também do destino do PT, partido que comanda com mão-de-ferro, sem permitir que surja qualquer liderança capaz de substituí-lo. O único personagem que lhe fazia sombra – e em certas circunstâncias chegava até a ser mais importante do que ele – era José Dirceu. Quando o então todo-poderoso chefe da Casa Civil foi abatido em pleno vôo no desenrolar do mensalão, Lula respirou aliviado. Já não havia nenhuma liderança ameaçadora, o PT era inteiramente dele.

Passou então a se dedicar à criação de “postes”, que fossem subservientes ao extremo e tivessem condições de substituir lideranças mais conhecidas e com voo próprio. Foi assim com Dilma Rousseff, depois com Fernando Haddad e agora com Alexandre Padilha, marginalizando Mercadante e Marta Suplicy em São Paulo, berço do PT e maior colégio eleitoral.

Essa estratégia de Lula é óbvia e transparente. E vinha dando certo até agora. Mas ele não contava com a insistência de Dilma Rousseff em disputar a reeleição. Se a presidente for reeleita, Lula sabe que não conseguirá indicar nenhum ministro, não nomeará nem mesmo o rapaz que serve cafezinho. Ficou claro que, desta vez, Dilma vai partir para o tudo ou nada e quer governar sozinha.

“VOLTA, LULA”

E de repente surge o “Volta, Lula”, que hoje anima e agita o PT, que nunca foi o partido de Dilma. Todos sabem que ela era originalmente do PDT e abandonou Brizola para aproveitar a maré petista. Há dois anos houve uma movimentação estranha, o ex-marido dela, Carlos Araújo, quis se filiar ao PDT, como se fosse um plano B de Dilma para a reeleição, caso fosse enxotada do PT.

Bem, a decisão será no próximo dia 29 de junho. Falta exatamente um mês. Lula quer ser candidato, mas não pode forçar a substituição. Tem de esperar que isso ocorra naturalmente, mas depende das pesquisas. E se Dilma continuar à frente, com larga margem de diferença para Aécio Neves e Eduardo Campos? Como Lula e o PT se posicionarão?

Este é o grande dilema da sucessão presidencial, nessa fase pré-campanha. Ninguém tem ideia do que vai acontecer. Nem mesmo Lula sabe o que fará. Está ficando emocionante.

 

Conar se assume como censura e quer proibir anúncio do “sabe de nada, inocente!”.

 (Reprodução)

Carlos Newton

Reportagem de Mirelle Pinheiro, no Correio Braziliense, destaca que o bordão do cantor baiano Compadre Washington está dando problema aos donos do site de vendas Bom Negócio. Em votação realizada terça-feira, 12 representantes da Comissão de Ética do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) optaram pela suspensão do comercial, que ficou popular com jargão “sabe de nada, inocente!”.

A punição se baseia no fato de que, na propaganda, o vocalista do É o Tchan também chama a mulher de ordinária. O cantor não chega a completar a frase, diz apenas “vem, vem, ordiná..”. No entanto, os conselheiros entenderam que não foi preciso dizer a palavra por completo para saber que se trata de uma ofensa.

Diz a repórter Mirelle Pinheiro que o Conar recebeu 50 e-mails de mulheres de todo o Brasil alegando que se sentiram desrespeitadas. Mas que falta do que fazer! Que intolerância idiota!

A empresa Bom Negócio ainda pode recorrer da decisão. E vale lembrar que a recomendação é válida apenas para fins comerciais. O internauta que publicar o vídeo no YouTube, por exemplo, não terá problemas.

VIROU UMA FEBRE

O anúncio é excelente, pegou mesmo e a mensagem virou uma febre na mídia em geral e na internet. Cartunistas de todo o país se inspiraram na frase pronunciada por Compadre Washington para compor grande variedade de charges. Até Dilma, Sarney e Lula apareceram nesse tipo de cartoon, como inocentes, que não sabem de nada.

É um exagero do Conar suspender o anúncio, que precisa ser encarado como uma peça de humor. Censurar humorismo sempre foi burrice. O Conar pode proibir o que quiser, mas esse anúncio será lembrado por muito tempo. Os conselheiros do Conar é que são inocentes, parecem que não sabem de nada… Sinceramente.

Apoio de Ronaldo Fenômeno a Aécio Neves será positivo ou negativo?


Carlos Newton

O ex-jogador Ronaldo Nazário declarou publicamente seu apoio ao pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, Aécio Neves. Em entrevista ao jornal Valor, publicada nesta segunda-feira 26, o ex-jogador afirma que tem amizade com o senador tucano há mais de 15 anos. “Confio nele e acho que é uma ótima opção para mudar nosso país”, disse o Fenômeno ao jornal.

Quando li a notícia do apoio de Ronaldo, fiquei na dúvida se seria ou não positivo para o candidato. Afinal, Ronaldo é um ex-craque que fala muita bobagem e se mete em cada encrenca que nem é bom lembrar… Depois, refletindo melhor, cheguei à conclusão que isso é bom para Aécio. No nível que a política brasileira chegou, em que o palhaço Tiririca foi o deputado mais votado do país, o apoio de qualquer pessoa famosa pode ser importante.

VAI PARTICIPAR DA CAMPANHA?

Sobre a adesão de Ronaldo, Aécio afirmou que o ex-jogador disse estar “a disposição” da campanha, mas que ainda não há nada definido sobre o papel dele. “Ronaldo deu uma opinião como cidadão. Ele e outras pessoas que manifestam apoio são imediatamente patrulhadas”, lamentou.

Já o pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, afirmou considerar “natural” a declaração de apoio do ex-jogador Ronaldo ao candidato tucano nas eleições de outubro.

“Qualquer cidadão tem direito, na democracia, de fazer sua escolha”, disse na saída do evento organizado pelo Estadão em parceria com a agência Corpora.

 

 

Disputa entre Dilma e Lula pela candidatura entra nos capítulos finais

Carlos Newton

Em 2010, não houve acordo entre o então presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff com relação às eleições de 2014. Nem precisava. Dilma não existia politicamente, jamais disputara eleição. E Lula não consultou ninguém. Atropelou todas as lideranças do PT,  resolveu lançar a candidatura dela e a transformou na primeira mulher a ocupar a Presidência da República.

Na época, jamais passou pela cabeça de Lula que Dilma, na hipótese de ser eleita, quatro anos depois insistisse em continuar, ao invés de lhe devolver a vaga, como seria de se esperar (no raciocínio dele).

Dilma venceu e logo depois Lula ficou muito doente, com câncer na laringe. Dilma pensou que ele não pretenderia mais voltar à política e se animou em ficar. O mais importante é que as pesquisas de opinião alardeavam números altíssimos de aprovação a seu governo, ela ficou cada vez mais animada, resolveu enfrentar Lula.

Iniciou-se, assim, a acirrada disputa de bastidores entre os dois, que logo deixaram de ser amigos e hoje verdadeiramente se odeiam.

CONVENÇÃO

A disputa vai prosseguir até 29 de junho, quando se realiza a convenção. Até lá, as pesquisas do Ibope, Datafolha, Sensus e MDA vão indicar tendências, mas o que está valendo mesmo são os levantamentos semanais que o PT tem mandado fazer, de forma sigilosa e sem registro na Justiça Eleitoral, porque os resultados não vêm a público.

Com relação a Dilma, essas pesquisas semanais do PT estão confirmando os levantamentos dos quatro institutos, com Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) em viés de alta, circunstância que garante segundo turno. Com relação a Lula, porém, o quadro é mais favorável e ele ainda aparece ganhando no primeiro turno. Isso significa que a candidatura de Dilma subiu no telhado. E ela só veio a perceber isso no mês passado, quando o presidente do PT, Rui Falcão, declarou publicamente que “Dilma não é candidata”.

Ela ficou furiosa, imediatamente ligou para ele, que se desculpou. Falcão alegou que estava apenas explicando aos jornalistas que só existirão candidatos oficiais depois das convenções, mas Dilma não aceitou o argumento, disse-lhe cobras e lagartos, como é bem do seu estilo.

PT ESTÁ COM LULA

Faltam exatamente cinco semanas para o desenlace. O PT em peso está com Lula. Dilma sabe que depende exclusivamente das pesquisas e da expectativa de vitória no primeiro turno. Por isso, está radicalizando a campanha, baseada na disseminação do medo do retrocesso, estratégia traçada pelo marqueteiro João Santana, que é uma espécie de 40º ministro, o único a quem ela realmente ouve… e obedece.

Já faz tempo que Dilma não ouve nem obedece mais a Lula, mas poucos perceberam essa mudança no comportamento dela.

Possibilidade de segundo turno faz a base aliada começar a se dividir, beneficiando Aécio e Campos

http://4.bp.blogspot.com/-M0APB9Qb4DM/UGw2CSVYTaI/AAAAAAAAHyc/Y_zCAtYKIyk/s320/Charge2012-pesquisa-701439.jpg

Carlos Newton

A classe política brasileira é um ser disforme e maleável, que se adapta a todas as situações. Seus líderes se caracterizam pelo excelente faro e pela intuição, duas qualidades que lhes garantem uma permanente fatia do poder. Como a política é sempre mutante, mas os políticos vão se adaptando às situações, com os partidos adquirindo novos contornos, diante das circunstâncias.

É justamente o que está acontecendo agora, em função das novas pesquisas que colocam Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) em viés de alta, e a expectativa é de que essa subida deles se mantenha, quando passarem a ser mais conhecidos pelo eleitorado.

Esses novos números das pesquisas estão fazendo com que a chamada base aliada comece a se moldar em relação à nova conjuntura, para não serem surpreendidos no futuro. O ex-presidente Lula teve de entrar pessoalmente nas negociações para garantir horário eleitoral três vezes maior do que o espaço dos tucanos, mas uma coisa é tempo na TV e outra coisa é apoio na hora do voto.

DIRETO DA PAPUDA

De dentro da penitenciária da Papuda, onde está preso em decorrência do processo do mensalão, o ex-presidente Valdemar Costa Neto continua influindo no partido. De início, ele estava trabalhando pelo “Volta Lula”, mas agora radicalizou e defende o rompimento com o governo e o apoio a Aécio Neves, enquanto o atual presidente, senador Alfredo Nascimento (AM), segue defendendo a reeleição de Dilma ou Lula.

No mês que vem, a convenção do PR vai definir de quem será o apoio “oficial” do partido, que significa 1min56 no horário eleitoral gratuito para o PT. Mas na hora do voto, já se sabe que o PR vai se dividir, para continuar no poder seja qual for o resultado das eleições.

A mesma situação acontece com o PP, que está com o governo, mas vai apoiar Aécio Neves em vários Estados, entre eles o Rio Grande do Sul. E até o PMDB também apresenta defecções em seu apoio ao candidato do PT, seja Dilma ou Lula. No Rio de Janeiro, por exemplo, o partido já está fechado com Aécio.

CAMPOS GANHA APOIO

O terceiro principal candidato, Eduardo Campos (PSB), que já era apoiado pelo PPS e pelo PPL, acaba de receber também a adesão de mais dois partidos: o Partido Republicano Progressista (PRP) e o Partido Humanista da Solidariedade (PHS). E no Rio de Janeiro, o pré-candidato do PR ao governo do estado, deputado Anthony Garotinho, também já fala em apoiar Eduardo Campos.

Traduzindo tudo isso: na política brasileira, a grande maioria dos partidos obedece às leis da física – são corpos menores que se amoldam aos corpos maiores, aos quais aderem pegajosamente. Não importa quem vença as eleições, esses partidos estarão sempre dispostos a apoiar o governo. Eles vivem disso.

PT MARCA CONVENÇÃO

O PT marcou sua convenção para 29 de junho, quando enfim decidirá entre as candidaturas de Dilma e Lula. O partido não confia nos institutos de pesquisas e está fazendo levantamentos semanais paralelos, que estão demonstrando a inevitabilidade do segundo turno, circunstância que para os petistas significa possibilidade de derrota se a candidata for Dilma Rousseff.

O tema é da máxima importância e daqui a pouco a gente volta com outras informações sobre a ferrenha disputa entre Dilma e Lula, que está agitando os bastidores do PT.

Polícia Federal aguarda que o doleiro Yossef faça o acordo de delação premiada que vai balançar o país

Collor: a PF encontrou no escritório do doleiro Alberto Youssef, em São Paulo, comprovantes de depósitos bancários feitos na conta do senador

Carlos Newton

Para o bem deste país, a Polícia Federal está se firmando cada vez mais como uma instituição independente e que trabalha em defesa do interesse nacional. Se a Justiça funcionasse com a mesma eficiência, o Brasil já seria outro, não haveria apenas 632 presos cumprindo pena por corrupção, os desvios de recursos públicos diminuiriam drasticamente, e governantes teriam dinheiro em caixa para atender às necessidades básicas da população.

Reportagem de Rodrigo Rangel na Veja desta semana revela que documentos apreendidos pela Polícia Federal e imagens captadas por câmeras de segurança mostram quem são os parlamentares que mantinham relações diretas com Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato.

O famoso doleiro já está preso há dois meses, mas ainda não falou nada sobre suas atividades ilícitas e seu envolvimento com políticos e autoridades que o ajudaram a  movimentar bilhões de dólares no Brasil e no exterior. Mas a Polícia Federal não tem pressa. Sabe que Yousseff já fez delações em duas prisões anteriores.

VAI ACABAR FALANDO…

Quando enfim resolver falar — pode ser hoje, amanhã ou depois —, o doleiro vai destruir grande número de parlamentares, autoridades e governantes. A reportagem de Rodrigo Rangel é apenas a ponta do iceberg. Mostra a intensa movimentação que havia no escritório de Alberto Youssef, numa área nobre na Zona Oeste de São Paulo, e que era, digamos assim, um ponto de peregrinação de políticos de partidos sabidamente envolvidos em tramoias financeiras.

“As investigações já revelaram que empresas-fantasma controladas por Youssef recebiam em suas contas inexplicáveis depósitos milionários de algumas das mais importantes empreiteiras do país. O dinheiro que entrava de um lado, por meio de contratos simulados de consultoria, saía por outro na forma de repasses a políticos e partidos. Os mesmos políticos e partidos que indicavam os apadrinhados que contratavam as empreiteiras pagadoras. É desse triângulo equilátero da corrupção que emergem os clientes mais vistosos do doleiro”, diz o repórter da Veja, que obteve os registros do prédio que durante anos abrigou o escritório de Youssef.

SEIS DEPUTADOS DO PP

Quando o doleiro começar a cantar, muita gente importante vai dançar. Aliás, já está até dançando, como acontece com os ainda deputados André Vargas e Luiz Argôlo, e também com o senador Fernando Collor, cuja foto e recibos de pagamento ilustram a matéria da Veja.

Na lista de visitantes tem um mensaleiro preso, um assessor de ministro e vários deputados. Mas é claro que nem todo corrupto ligado a Youssef precisava ir a São Paulo. O sistema de pagamento era descentralizado e cobria grande parte do país. Além dos já citados André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SDD-BA), a reportagem da Veja registra a presença de seis deputados do PP: Mário Negromonte (BA), Aline Corrêa (SP), Arthur Lira (AL), João Pizzolati (SC), Pedro Corrêa (PE) e Nelson Meurer (PR).

 

Joaquim Barbosa não responde à nota da CNBB criticando suas decisões contra os mensaleiros

Carlos Newton

O ministro Joaquim Barbosa ainda não respondeu à nota oficial da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgada sexta-feira para criticar as decisões do presidente do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Na nota, a entidade repudia o conteúdo das decisões tomadas pelo presidente Barbosa, que é responsável pelas execuções das penas dos condenados.

As decisões proferidas pela Presidência do Supremo Tribunal Federal sobre a execução da Ação Penal 470 (mensalão) que têm suscitado críticas e preocupações na sociedade civil em geral e na comunidade jurídica em particular, exigem o inadiável debate a cerca das situações precárias, desumanas e profundamente injustas do sistema prisional brasileiro.

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo vinculado à CNBB, soma-se à Pastoral Carcerária e “repudia” o conteúdo destas decisões, bem como a política de encarceramento em massa, que penaliza especialmente negros e pobres, com inúmeras práticas cruéis, estendidas aos familiares e amigos dos presos, como a “revista vexatória”, atentado direto à dignidade humana.

A CBJP tem a firme convicção de que as instituições não podem ser dependentes de virtudes ou temperamentos individuais. Não é lícito que atos políticos, administrativos e jurídicos levem a insuflar na sociedade o espírito de vingança e de ‘justiçamento’. Os fatos aqui examinados revelam a urgência de um diálogo transparente sobre a necessária reforma do Judiciário e o saneamento de todo o sistema prisional brasileiro”, disse a entidade, acrescentando:

“A Pastoral Carcerária, em recente nota, referiu-se à Justiça Criminal como um “moinho de gastar gente” por causa de decisões judiciais que levam a “condenações sem provas” e “negam a letra da lei” com “interpretações jurídicas absurdas”. Inseriu, neste contexto, a situação dos presos da Ação Penal 470 ao denunciar o conjunto do sistema penitenciário, violento e perverso, que priva os apenados “dos cuidados de saúde e de higiene mais básicos” e carece de políticas públicas para sua inserção no mercado de trabalho”.

SAMBA DO FIEL DOIDO

A nota da Comissão é uma espécie de “Samba do Crioulo Doido” em versão eclesiástica e depõe contra a seriedade da CNBB. Mistura a situação vexatória e criminosa dos presos comuns e a situação verdadeiramente privilegiada dos presos mensaleiros, como se fossem a mesma coisa, e não são.

Os bispos nada entendem de execuções penais e não deviam se meter nessas polêmicas meramente terrenas. O ministro Joaquim Barbosa faz bem em não responder a essa Comissão, que fala equivocadamente em nome da CNBB, entidade que verdadeiramente representa os bispos brasileiros.

As reivindicações dos mensaleiros serão decididas pelo plenário do Supremo, que pode ou não acatar a decisão de Barbosa. O resto é perda de tempo de quem devia estar preocupado com as injustiças que o povo sofre. Mensaleiro não é povo, todos eles são da elite.

Desta vez, nem mesmo a TV Globo acreditou no Ibope

Carlos Newton

O comentarista Ricardo Froes chama atenção para um fato importante. Quem se der ao trabalho de ir no site do TSE para saber as informações sobre a pesquisa do Ibope verá o seguinte: “Data de registro: 17/05/2014″ e, mais embaixo, “Data de início: 15/05/14″.

“Como é que pode ter início no dia 15 e só ser registrada no dia 17?”, indaga Froes, cheio de razão.

Já o comentarista Virgilio Tamberlini diz que também é muito estranho que a pesquisa do Ibope tenha sido registrada no dia 17 e já no dia 18 tenha começado a vazar. “Dias antes dela ser apresentada, o próprio Estadão escreveu sobre os contratos do Ibope com o governo federal. O mais estranho ainda é que ontem a TV Globo, via Jornal Nacional, não tenha ‘passado recibo’, pois apresentou apenas os índices de aprovação ou não do governo”, assinala Tamberlini.

Conversei com Pedro do Coutto, que é um dos maiores especialistas em pesquisas eleitorais e em 1982 denunciou a manobra do Proconsult para derrotar Brizola na eleição do Rio de Janeiro. Coutto também estranhou muito o fato de o Jornal Nacional não ter noticiado a pesquisa eleitoral, limitando-se a citar os números sobre os índices de aprovação do governo.

Traduzindo: desta vez, nem mesmo a TV Globo acreditou no Ibope.

Desculpe a nossa falha. Não sabíamos que ninguém paga o Ibope, que trabalha de graça na campanha eleitoral. Acredite se quiser.

Carlos Newton

Pesquisa eleitoral é uma atividade tão importante para o país que merecia ser debatida mais profundamente. Há quem defenda a liberdade total das pesquisas, sob o argumento de que a democracia não pode impor esse tipo de limite. A justificativa é aparentemente válida, mas acaba sendo derrubada pela realidade dos fatos. Basta analisar essa pesquisa do Ibope que acaba de ser divulgada.

De início, pedimos desculpas aos companheiros que nos acompanham aqui no blog da Tribuna da Internet, porque informamos erradamente que este levantamento tinha sido encomendado pela Rede Globo e pelo Estadão. Estávamos totalmente enganados. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00120/2014, foi custeada pelo próprio Ibope, que demonstra assim seu invulgar espírito público, investindo seus próprios recursos para informar ao povo brasileiro em quem deve votar, porque não há dúvida de que as pesquisas podem ajudar ou prejudicar os candidatos, dependendo da forma como são apresentadas.

O ideal democrático é conceder a mesmas possibilidades para todos. Essa utopia igualitária, porém, é derrubada justamente no ato mais importante dos cidadãos, que é a escolha de seus governantes. Se não houvesse pesquisas, cada um votaria no candidato que considera melhor preparado. Com as pesquisas, surge o temor de “desperdiçar o voto”, e a grande maioria dos eleitores acaba votando num dos dois favoritos. Não há dúvida de que as pesquisas quase sempre conduzem a uma polarização.

MERAS COINCIDÊNCIAS

Diante dessa demonstração de altruísmo e elevado espírito público, com o Ibope financiando tão importante  e custosa pesquisa nacional, devemos parabenizar a direção do consagrado instituto, que por coincidência é o que atribui maiores números à candidata do governo federal, Dilma Rousseff, devendo constar também como mera coincidência o fato de o Ibope manter contratos de R$ 4,2 milhões com o Planalto.

A justificativa do Ibope no levantamento ontem anunciado é de que a sequência de programas partidários na TV despertou mais eleitores para a eleição presidencial e derrubou a parcela de votos brancos e nulos, que estava no patamar mais alto da história recente. Última a aparecer na propaganda, Dilma Rousseff (PT) teria melhorado de 37% para 40% sua taxa de intenção de votos entre abril e maio.

Bem, a aparentemente boa performance de Dilma (que na margem de erro está apenas estacionária) é a única diferença entre o Ibope e os demais institutos. Em comparação com as pesquisas de Datafolha, Sensus e MDA, o que se vê agora é que os números do Ibope enfim passaram a ser idênticos aos dos levantamentos de no que se refere aos dois principais oponentes de Dilma.

5% DE POSSIBILIDADE DE ERRO

Traduzindo: o Ibope se curvou e agora admite que Aécio Neves (PSDB) subiu de 14% para 20% e Eduardo Campos (PSB), de 6% para 11%. E a vantagem que Dilma tinha sobre a soma dos adversários diminuiu de 13 pontos porcentuais para apenas 4. Como se sabe, para se reeleger já no primeiro turno, ela precisará da maioria absoluta dos votos válidos (metade mais um) em outubro.

O Ibope diz ter ouvido 2.002 eleitores em 140 municípios. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%  –  ou seja, há 5% de probabilidade de os números não estarem retratando o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. Ou seja, 2% mais 5% são 7%, o que significa quase 10% de possibilidade de erro. Nada mal.

 

Okamotto desmente a Veja: “Rose não precisa falar comigo para chegar no Lula”

Robson Bonin
do site da Veja

Qual é a relação do senhor com a Rose? A Rose me procura para reclamar, dizer que é um absurdo (os processos), que ela é inocente e dizer que não fez nada. Ela diz que alguém precisa ouvir o que ela tem a dizer. Ela reclama mais pelo fato de que acha que é uma injustiça essa perseguição da imprensa, porque ela não tem a importância que as pessoas querem dar. Ela fica revoltada porque perseguem ela, a família dela, atacam ela como pessoa, como mãe, como mulher, enfim, perseguem as filhas dela, perseguem o marido dela. E eu sou obrigado a concordar com ela. Uma coisa é você destruir uma pessoa que fez algum tipo de opção política, outra coisa é destruir a família. Mas, fazer o que, a democracia pressupõe isso. E acho que no Brasil tem pouca gente que é tão perseguida quanto ela.

Ela procurou o senhor porque queria falar com o Lula? Isso eu não sei. O presidente Lula tem agenda, tem secretárias, um monte de coisa, a Rose não precisa falar comigo para chegar no Lula. O que ela me procura é para dizer essas coisas (da defesa), que alguém precisa saber, porque ela iria contar para mais gente.

O senhor deu alguma ajuda financeira para a Rose pagar advogados? Eu não. Quem falou isso?

A própria Rose disse a pessoas próximas que o advogado Luiz Bueno de Aguiar, coordenador da defesa dela, se reportava ao senhor. Que eu saiba o advogado que cuida do caso dela não é o Lulinha (apelido de Luiz Bueno), mas não me recordo. Por que você diz que ela me procurou?

Porque ela estava com dificuldades financeiras. É, mas quando eu preciso contratar advogados também é difícil. O dia que você for processado você vai ver que a vida é dura. E, às vezes, custa caro se defender.

Mas por que ela procurava o senhor? Ela me procura porque eu conheço a Rose há muitos anos. Ela não é desconhecida de mim. Conheço dos tempos de PT, quando ela foi secretária do Dirceu, porque eu sou uma pessoa do partido. E também quando ela estava na Presidência eu fui algumas vezes lá, então é uma pessoa que eu conheço e tenho relações. Quando eu precisava de coisas no governo eu procurava ela então eu tenho a obrigação de atender uma companheira que a gente conhece.

Ela estava magoada com o próprio partido, se dizia abandonada e queria prejudicar o governo? O que eu posso esclarecer é se ela me procura. E aí os assuntos que ela trata comigo eu expliquei por cima. O que você quer é uma entrevista e eu não vou ficar aqui falando mais do que eu devo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
São comoventes as tentativas da Veja de dar credibilidade à reportagem/fraude montada com informações vazadas pelo Palácio do Planalto para atingir diretamente Rosemary Noronha e inviabilizar a candidatura de Lula.

A reportagem/fraude da Veja dizia que Lula, o PT e Dirceu abandonaram Rose, que no desespero teria chantageado o governo Dilma. Acontece que nem Lula, nem o PT nem Dirceu abandonaram Rose. A decisão de convocar ministros para depor (que seria a tal da chantagem de Rose) nem foi ideia dela. Um de seus advogados fez a sugestão.

Quem paga os advogados de Rose é o PT. Quem a sustenta (direta ou indiretamente) é Lula, que não a abandonou e jamais a abandonará.

Conforme já registramos aqui, essa desesperada tentativa do Planalto, visando a desmoralizar Lula e evitar sua candidatura, pode ter efeito contrário. Vamos aguardar. (C.N.)

 

Jornalista revela que Dilma recebeu dono da Abril antes da Veja publicar reportagem montada contra Rosemary e Lula

Carlos Newton

O sempre presente comentarista J. Falavigna F. nos enviou mensagem informando que o jornalista gaúcho Políbio Braga, titular de um dos sites mais lidos do Rio Grande do Sul, informou no dia 15 de maio sobre um encontro no Palácio do Planalto entre a presidente Dilma Rousseff e o empresário Giancarlo Civita, presidente do Conselho de Administração da Abril Comunicações.

“Lembro-me que o PT agiu assim com a RBS Comunicações, tirando-a do vermelho (contábil) e ampliando seus negócios. Desde a morte do velho Civita, mudanças vêm ocorrendo por lá. É possível notar-se. No entanto, essa reunião entre os dois, realizada no mal cheiroso palácio, me dá arrepios…” – afirmou Falavigna, desculpando-se pelo erro na identificação do personagem da Abril que experimentou o tapete vermelho do governo Dilma. “Julguei que tinha sido apenas o diretor-executivo, mas era tão somente o dono da Editora Abril”.

O texto mencionado por Falavigna e publicado por Polibio Braga é o seguinte: “A presidente Dilma Roussef reuniu-se nesta quarta-feira (dia 15), no Palácio do Planalto, com Giancarlo Civita, presidente do Conselho de Administração da Abril Comunicações. As revistas da Abril – Veja e Exame – mantêm uma posição de críticas ferozes ao PT e ao governo Dilma. Os inimigos da Abril afirmam que o grupo enfrenta dificuldades na área editorial e reestrutura seus negócios”.

A matéria contra Rosemary foi publicada três dias depois… E daqui a pouco a gente volta, com o diretor do Instituto Lula, Paulo Okamotto, desmentindo a matéria da Veja.

A culpa pela reportagem/fraude sobre Rosemary Noronha publicada na Veja não é do repórter, mas do Planalto

Carlos Newton

O chamado Caso Rose é apaixonante em todos os sentidos, mas procurei não me estender demais ontem, ao analisar a montagem da aparentemente bombástica reportagem da Veja sobre Rosemary Noronha, ex-chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo.

Para entender o que houve (o vazamento de supostas informações escandalosas, visando a enfraquecer a imagem do ex-presidente Lula a partir de seu relacionamento amoroso com Rosemary Noronha), é preciso conhecer como funciona o jornalismo em Brasília.

Na cidade, tudo de importante acontece no chamado Plano-Piloto, o que transforma Brasília numa aldeia. Os jornalistas frequentam os mesmos bares, brincam no carnaval no mesmo bloco, são todos colegas entre si — divergências partidárias e ideológicas à parte, claro.

Por isso, em Brasília, a coisa mais fácil é o governo plantar uma nota numa coluna ou mesmo uma matéria inteira num jornal ou numa revista.

TRAIR E COÇAR…

Por coincidência, quando foi aberto o processo da Controladoria-Geral da União contra Rosemary Araújo, a primeira notícia a respeito foi estrategicamente vazada para a Veja, que é uma revista francamente de oposição, numa ardilosa manobra para que o ex-presidente Lula não desconfiasse que a presidente Dilma Rousseff (que deve tudo a ele) fosse capaz desse tipo de traição.

Como se sabe, quando a então ministra Erenice Guerra foi apanhada em flagrante de corrupção em 2010, Lula ainda era presidente e o Planalto não fez nenhuma carga contra a grande amiga de Dilma. Recorde-se que Erenice não sofreu qualquer punição severa, apenas uma advertência, e hoje comanda um dos mais bem sucedidos escritórios de lobby (leia-se: tráfico de influência) de Brasília, vejam a que ponto de desfaçatez a política brasileira chegou.

AS APARÊNCIAS ENGANAM

No caso da matéria da Veja contra Rosemary, publicada esta semana, as informações vazadas pelo Planalto realmente pareciam ter fundamento, e o repórter nem tinha como checar a maioria delas. Se ele foi ingênuo, os editores e diretores da Veja também bobearam, porque nenhum deles sabia que é o PT que paga os quatro escritórios de advocacia que defendem Rosemary, um assunto amplamente divulgado na mídia e que pode até ser considerado de “domínio público”. Só a Veja não sabia disso…

Portanto, logo de cara sabia-se que o PT jamais abandonara Rosemary. E este fato, mais do que comprovado, já bastava para desmontar a matéria que o Planalto vazou para o repórter da Veja, que nessa história toda surge como o menos culpado, pois a chefia da redação jamais deveria ter autorizado esse tipo de matéria especulativa.

Daqui a pouco a gente volta, para comentar a nova matéria da Veja e a insistência da revista em dizer que Rosemary tentou chantagear o governo Dilma…

Vem aí a nova pesquisa do Ibope sobre a sucessão. E haja Rivotril e Lexotan!

Carlos Newton

A mais recente pesquisa do Ibope foi divulgada dia 18 de abril. Portanto, está na hora de o Jornal Nacional abrir manchetes para os novos números e novos rumos da sucessão presidencial, que estão sendo aguardados com uma ansiedade verdadeiramente inusitada.

No Planalto, no PT e no Instituto Lula, o clima é de suspense, porque as últimas pesquisas dos quatro institutos concordam num ponto básico – Aécio Neves está em viés de alta, Dilma Rousseff entrou em viés de baixa e Eduardo Campos permanece estacionário.

Se os novos levantamentos de Ibope, MDA, Datafolha e Sensus se mantiverem nessa perspectiva, a candidatura de Dilma Rousseff tem um encontro marcado com o fracasso. A própria presidente já começa a demonstrar uma tendência negativa. Sua recente declaração na semana passada, perante dez jornalistas, já diz tudo: “É a minha hora, e vou até o fim. Perdendo ou ganhando”.

Mas ela precisa combinar isso com o PT. Como o presidente Rui Falcão já explicou, a candidatura dela ainda nem existe. Se as pesquisas seguirem indicando viés de baixa para ela, no final de junho o PT não terá dúvidas de lhe negar a legenda, e estamos conversados.

É com essa possibilidade que Lula sonha. Ele se olha no espelho todos os dias e vê um homem cada vez envelhecido, que quase morreu de câncer e sabe que o futuro é incerto. Esperar mais quatro anos, por quê? Para quê? A troco de quê?

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer, já dizia Geraldo Vandré. É esse enredo que rola nos bastidores do PT, do Planalto e do Instituto Lula. Vamos aguardar a nova pesquisa do Ibope. Pode ser que saia hoje…

Veja diz que Rosemary Noronha fez chantagem contra o governo Dilma, mas não é verdade

Carlos Newton

Reportagem bombástica de Robson Bonin, na Veja, diz que Rosemary Noronha, ex­-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, “chegou ao extremo de ameaçar envolver o governo no escândalo”.

E o texto da revista segue nesse diapasão, batendo o tempo todo em Rosemary e defendendo o governo Dilma, dizendo que “no Palácio do Planalto, a ordem era aprofundar as investigações”.

“Em 2013, no auge das investigações, quando ainda lutava para provar sua inocência, a ex-se­cretária Rosemary procurou ajuda entre os antigos companheiros do PT — inclusive Lula, o mais íntimo deles. Desempregada, precisando de dinheiro para pagar bons advogados e com medo da prisão, ela desconfiou que seria abandonada. Lula não atendia suas ligações. O ex-ministro José Dirceu, às vésperas da fase final do julgamento do mensalão, estava empenhado em salvar a própria pele e disse que não podia fazer nada”, afirma a Veja.

CONVERSA FIADA 1 – Rosemary nunca correu risco de ser abandonada nem precisou chantagear o governo Dilma. Lula jamais deixou de atender suas ligações. Dirceu, amigo pessoal de Rose, ajudou diretamente a armar a defesa. Desde o início, o PT paga os advogados dela. E Lula sempre participou de tudo, mantendo inclusive encontros pessoais com advogados de Rose.

“Magoada com o PT por ter permitido que a Casa Civil aprofundasse as investigações sobre suas traficâncias, Rose destila ódio contra a então ministra Gleisi Hoffmann (…). Rose acreditava que o próprio Palácio do Planalto estava por trás das revelações sobre o desfecho da sindicância — “a porcaria toda” — que apontava, entre outras irregularidades, o seu enriquecimento ilícito no cargo“, assinala a Veja, acrescentando:

“Com o fundo do poço cada vez mais próximo, Rosemary decidiu arrastar para dentro do escândalo figuras centrais do Planalto e, se possível, a própria presidente Dilma Rousseff. A estratégia consistia em constranger os antigos colegas de governo pressionando-os a depor no processo que tramitava na Controladoria-Geral da União. “Quero colocar o Beto e a Erenice Guerra”, diz Rose em uma mensagem. “Você quer estremecer o chão deles?”, questiona o interlocutor. “Sim”, confirma Rose. “Porque vai bombar. Gilberto Carvalho também?”, indaga. “O.k.”, devolve ela. As autoridades que deveriam “estremecer” não foram escolhidas por acaso. Atual chefe de gabinete da presidente Dilma Rousseff, Beto Vasconcelos era na ocasião o número 2 da Casa Civil. Ao lado da ex-ministra Erenice Guerra, ele servira a Dilma no Planalto durante anos”.

CONVERSA FIADA 2 – O diálogo descrito por Veja é patético e altamente imaginativo. Quem decidiu convocar Carvalho, Beto e Erenice para depor foi um dos advogados, e Rose nada teve a ver com isso, jamais se intrometeu na estratégia da defesa. Nas reuniões com os advogados, inclusive com a presença de Lula e Dirceu, ela sempre entrava muda e saía calada.

Na verdade, Veja não sabe nada sobre Rose. Por isso, o enredo rocambolesco da reportagem foi ficando cada vez mais ridículo. A matéria, por exemplo, diz que Rose ameaçava envolver o Planalto para se reaproximar de Lula, a quem ela chamaria de “Deus”. E o texto destaca que a estratégia de Rose para chantagear o Planalto foi justamente a indicação das testemunhas Gilberto Carvalho, Beto Vasconcelos e Erenice Guerra no processo da CGU.

“Não se sabe exatamente o que aconteceu a partir daí, mas a estratégia funcionou. Um dos homens mais próximos a “Deus”, Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, cuidou pessoalmente de algumas necessidades mais imediatas da família de Rosemary durante o processo. Além de conseguir ajuda para bancar um exército de quase quarenta juristas das melhores e mais caras bancas de advocacia do país, a ex-se­cretária reformou a cobertura onde mora em São Paulo e conseguiu concretizar o antigo projeto de ingressar no mundo dos negócios”, diz a matéria, assinalando:

“Rosemary comprou uma franquia da rede de escolas de inglês Red Balloon. Para evitar problemas com a ficha na polícia, o negócio foi colocado no nome das filhas Meline e Mirelle e do ex-marido José Cláudio Noronha. A estratégia para despistar as autoridades daria certo não fosse por um fato. A polícia já havia apreen­dido em 2012, na casa de Rose, todo o planejamento para aquisição da franquia. Os documentos mostravam que o investimento ficaria a cargo da quadrilha que vendia influência no governo. Na época, a instalação da escola foi orçada em 690 000 reais — padrão semelhante aos valores praticados atualmente no mercado —, dinheiro que Rosemary e seus familiares não possuíam”.

CONVERSA FIADA 3 – Nessa parte final, em meio à conversa fiada, enfim aparecem as únicas novidades trazidas pela matéria da Veja: a reforma da cobertura onde Rose mora e a criação da franquia do curso de inglês, em nome da filhas e do ex-marido. O resto é tudo uma viagem psicodélica, em mais um “vazamento” direto do Palácio do Planalto, na tentativa de fazer Lula desistir de voltar à Presidência. O Planalto acha que “plantar” matéria na Veja é crime perfeito, ninguém desconfia. Puxa, como são amadores…

Detalhe importantíssimo: a primeira matéria denunciando Rose e o processo na Controladoria-Geral da União foi feita pelo mesmo repórter e na mesma Veja. É a segunda vez que o Planalto fala através dele, digamos assim.

O pior é que o efeito pode ser inverso. Lula realmente gosta de Rose e a protege. Nada falta (nem faltará) a ela e a sua família. Esta reportagem conjunta Veja/Planalto deixou furioso o ex-presidente,  e o vazamento destas  informações contra sua protegida pode ser a gota d’água, como diziam Chico Buarque e Ruy Guerra. Vamos aguardar o troco.

E daqui a pouco a gente volta, para comentar o suspense da nova pesquisa do Ibope, que deve ser divulgada hoje pela Rede Globo.

O caso da Escola Base e a investigação do assassinato do menino Bernardo Boldrini

Carlos Newton

No mês passado, o educador Icushiro Shimada morreu de infarto em São Paulo, mas a imprensa fez questão de ignorar o fato. Não saiu nos telejornais da Globo, SBT, Bandeirantes, Cultura, TVE (Rede Brasil), nem foi publicado nos grandes jornais, mas merecia o mesmo destaque com que destruíram a vida de Shimada, ao denunciá-lo como um perigoso maníaco sexual, que seviciava criancinhas no jardim de infância da Escola Base.

O episódio, ocorrido há 20 anos, ficou conhecido como o “caso Escola Base”. Os jornalistas acreditaram na versão do delegado de polícia Edelson Lemos e noticiaram, com estardalhaço, denúncias infundadas de pedofilia na escola. O delegado, por sua vez, confiou no laudo da Dra. Eliete Pacheco, setor de sexologia, do Instituto Médico Legal, nos seguintes termos:

“Referente ao laudo nº 6.254/94 do menor F.J.T. Chang, BO 1827/94, informamos que o resultado do exame é compatível para a prática de atos libidinosos”.

Somente um mês depois constatou-se que a denúncia dos pais era uma farsa e o resultado do exame não era conclusivo, apenas “compatível”. Mas a polícia havia destruído a vida dos acusados e principalmente seu trabalho, sua escola, que foi saqueada e destruída pelos vizinhos.

ORDEM JUDICIAL

Detalhe: a imprensa somente divulgou o erro por imposição de ordem judicial, ainda assim de forma discreta, limitada, sem destaque. Shimada já estava viúvo. Sua mulher morrera de câncer, poucos meses após o escândalo.

Vinte anos depois, em fevereiro deste ano, o SBT foi condenado a pagar R$ 100 mil de indenização por danos morais a Shimada e aos antigos sócios da Escola Base, que ficava no bairro da Aclimação, em São Paulo. E as outras emissoras e jornais? Pagaram alguma coisa? Quem se interessa por isso?

Esse gravíssimo erro policial e da mídia somente ocorreu porque desrespeitaram a velha máxima jurídica de que “todos são inocentes, até prova em contrário”.

O CASO BERNARDO

Na investigação do assassinato do menino Bernardo Boldrini, que ainda está em curso, embora a Justiça já tenha aceitado a denúncia, não há provas concretas contra o pai, o cirurgião Leandro. E as evidências são de que ele não teria participado. Primeiro, porque se o pai estivesse participando, porque a mulher dele (Graciele) precisaria arranjar uma cúmplice (Edelvânia) e lhe pagar 6 mil reais para ajudar no crime, prometendo ainda quitar o apartamento que ela havia comprado recentemente? E o médico ainda deu à cúmplice da mulher uma receita de medicamento controlado, que é facilmente identificável. Ele mesmo, que é cirurgião, poderia dopar ou matar a criança sem muita dificuldade e sem precisar de cúmplice.

É lógico que teria sido muito mais simples e seguro cometer o crime sem cúmplice. Pensem nisso e raciocinem se existe ou não a possibilidade de o médico Leandro Boldrini acabar condenado como assassino do filho, quando merecia ser punido apenas por ter sido um péssimo pai, o que também é um crime muito grave, mas está longe de se equiparar a um assassinato premeditado e com requintes de crueldade.

Se ele participou ou não, é preciso provar. Já estão dizendo que ele matou também a primeira mulher, cujo inquérito concluiu por suicídio. Daqui a pouco vão dizer que ele matou também Aida Curi e Dana de Teffé…

Militante denuncia “armação” do movimento petista Fora do Eixo para esvaziar protestos na Copa

Carlos Newton

É um engano pensar que o movimento Fora do Eixo (patrocinado pelo PT através do líder Pablo Capilé) esteja desmobilizado depois da série de denúncias que começaram aqui no blog da Tribuna da Internet e se espalharam pela mídia. Agora, o Fora do Eixo e seu braço jornalístico Mídia Ninja estão se infiltrando no Rio para ocupar a Cinelândia na Copa.

Detalhe importantíssimo: o Fora do Eixo/Mídia Ninja é francamente petista, com ligações que chegam diretamente à presidente Dilma Rousseff, que já foi fotografada em conversa com Pablo Capilé numa reunião política. O próprio José Dirceu também foi fotografado em visita à sede do Fora do Eixo/Mídia Ninja, em São Paulo. Mas o movimento se diz apartidário para tentar cooptar os grupos de oposição que se manifestam contra o governo federal e o governo estadual.

Acontece que a velhacaria já está sendo denunciada por esses grupos cariocas de oposição, que não aceitam ser manipulados pelo Fora do Eixo/Mídia Ninja, como se vê neste desabafo que a ativista carioca Paula Kossatz postou no Facebook.

###
O MOVIMENTO DO RIO ESTÁ UNIDO…
QUEM NÃO ESTÁ, É APENAS FORA DO EIXO.
(ou sobre contra-ataques que mencionam rachas e xenofobias)

Paula Kossatz

Ontem à noite fui à uma reunião na Cinelândia que eu acreditava ser dos movimentos do Rio que estão nas ruas e da qual o pessoal do Mídia Ninja (M.N.) tinha pedido a palavra para tentar lançar um movimento-produto para a Copa do Mundo.

Mas não foi uma coisa nem outra. Não era uma reunião com o pessoal atuante do Rio. Estou nas ruas bem antes de junho e, para a minha surpresa, eu não identificava ali nenhuma pessoa que estivesse nas ruas ou em ocupações. Só tinha o pessoal da M.N., do Fora do Eixo (F.D.E.) e uma claque risível que aplaudia apenas os discursos que iam de acordo com a proposta deles da criação de uma “República” Alternativa na Cinelândia… Quem nesta altura do campeonato no Brasil acredita em República? Ou mesmo, ingenuamente, utilizar este nome tão pesado e antiquado para fazer uma “provocação”, como eles justificaram o tempo todo?

Como tenho acompanhado de perto, desde junho do ano passado, os movimentos como midia-ativista, fotógrafa, mulher, cidadã e, com isso, ser cunhada de vândala pelo Estado, presenciei a chegada sorrateira da M.N. no Rio.

Durante estes 11 meses, eu, que sei muito bem de que lado estou, por não fazer parte de nenhum partido, de nenhum movimento em especial e de nenhum coletivo, posso dizer que estou do lado do mais fraco, sempre. Quem me conhece sabe muito bem disso… e durante todo este período eu sempre bati de frente em algum momento com os seguidores do F.D.E. por aqui. Fosse em protestos, greves, ocupações, atos… eles sempre vinham com um discurso estranhamente neutralizador das pautas. E eu os questionei sempre, eles sabem disso.

Bem, voltando ao que presenciei hoje, não passou mais do que uma reunião interna deles em praça pública, com direito à claque, impondo, como sempre, um produto já friamente calculado e esmiuçado por trás dos panos… me explico:

Eles chegaram “propondo” o nome/marca de “República Autônoma”. Quem questionou o nome/marca, tinha que ouvir 3 pessoas fechadas com eles, todos em sequência, justificando a “provocação” do nome/marca (o argumento foi só este do começo ao fim). No final eles se renderam e cederam à criação de um GT só para definir o nome/marca… mas será que pela resistência deles, este nome/marca já não estava registrado em algum cartório? Será que, como sempre, eles já não tinham todos os flyers e memes prontos com o tal nome/marca? (estou especulando apenas, por experiências anteriores…)

Questionados sobre as atas que criaram a tal proposta a ser realizada ali no coração do Rio, disseram que já haviam feito 5 reuniões! Pasmem, reuniões estas “internas”, realizadas em Santa Teresa, das quais apenas simpatizantes eram convidados. Tendo em vista estes pré-encontros fechados, fica muito claro que não começou horizontal, aberto, disposto ao diálogo e mais uma vez e como sempre repito: começou entre eles, internamente, com objetivos políticos bem definidos e articulados. E o resultado foi este: uma imposição e cagação de regras em praça pública, na qual qualquer pessoa que se colocava contra, era grosseiramente cortada pela claque ali presente. E olha que éramos só umas 3, contando comigo. Afinal, os demais “do contra” não foram notificados deste encontro.

Bem, o que ouvi ao longo da noite foi um discurso neutro e vazio, como o de qualquer político que quer agradar a gregos e troianos, com a insuportável repetição de jargões utilizados por eles como “mimético”, “disputa”, “horizontalidade”, “somando esforços”, “utopias” e “narrativas”, sendo este último o mais risível de todos, como se Herodes e demais autores e atores da vida (incluindo eu e você), já não se utilizassem da tal narrativa há milênios… (bem, eles devem ter ouvido falar deste termo recentemente e ainda estão deslumbradíssimos com esta descoberta).

Mas o ponto alto foi o Capilé sugerindo uma data para o “fim” da República… tive que rir. Como uma ocupação, por mais que pretenda ser apenas ”provocativa”, neste momento pelo qual estamos passando aqui no Rio, se propõe a ter um “fim definido”? Bem, apenas posso dizer que o Capilé nunca participou de uma ocupação por aqui, assim como não o vi uma vez sequer em manifestações aqui do Rio (salvo o Grito da Liberdade, que foi totalmente neutralizado por eles).

O segundo ponto mais alto foi eles terem acusado uma pessoa que ocupou a Cinelândia por meses de ser P2 ali… apenas por ela ter questionado a possibilidade de haver uma ocupação naquele espaço, visto que o Ocupa Câmara, da qual ela fazia parte, foi violentamente removido baseado na legislação vigente. Por este episódio, ficou claro ali que eles são apenas aquelas pessoas que chegam atrasadas e já querem sentar na janela (e com muita arrogância). Eles, por total ignorância e desconhecimento de causa, simplesmente destrataram uma das pessoas mais atuantes e conhecidas na luta e resistência das ruas do Rio… foi um mico gigantesco. E qdo nos posicionamos questionando que tipo de autoridade um grupo que vem de fora tem pra cagar regra assim grosseiramente, somos ridiculamente acusados de xenofobia e de rachar o movimento (nessa hora eu ri de novo).

Tudo muito podre, tudo muito nebuloso… e o problema maior está aí! Se eles ao menos assumissem que são um novo modelo horizontal de frente jovem partidária (do PT, no caso) e convocassem neste sentido, seria mais honesto. Seria abertamente politiqueiro e acabaria com metade dos rumores e implicâncias que existem em relação à eles, minhas, inclusive…

Porém, como as manifestações de junho trouxeram exatamente a crise da representatividade, eles se viram numa sinuca de bico: “E agora? Como vamos assumir que somos ligados ao raio do PT numa cidade que tem se colocado contra o Estado que massacra a população toda vez que bota os pés nas ruas para protestar para o que quer que seja?”

Assim sendo, que ninguém se assuste se durante ou depois da Copa eles vierem com a bandeira do PT, apoiando o Lindhberg e a Dilma (via Lula). Qual o problema de assumir? Será porque o PT está queimado?

Enfim, o Rio está rumando para a Copa do Mundo e tem muita gente que vai para as RUAS se manifestar e se posicionar contra as arbitrariedades da FIFA e do Estado (PT + PMDB) do jeito que der.

Mas quem quiser tirar umas férias e descansar, sugiro que compareça a esta Colônia de Férias do Fora do Eixo fixa ali na Cinelândia que vai ser bem tranquilinha, alienante e Fora do Contexto carioca. Essa, garanto, vai ser bem chapa branca.

E aos que me chamam de radical, eu respondo: sou apenas honesta e digo o que penso, com transparência.