Entre becos e vielas da Rocinha, conheça a trajetória de Nem, um cidadão comum que dominou o tráfico

Resultado de imagem para dono do morroJúlia de Aquino
Instagram Literário @juentreestantes

“Os moradores estavam contentes com a estabilidade quem Nem trouxera (…), e a favela inteira prosperava dia após dia” – relata “Dono do Morro”, um dos meus livros favoritos de 2019, escrito por Misha Glenny e que prende muito nossa atenção.

Entre becos e vielas, a história de Nem da Rocinha se mistura com a da proliferação da cocaína no Brasil e com o crescimento da própria comunidade retratada, a maior favela do Rio de Janeiro.

EM PLENA ROCINHA – O livro conta a história de um dos líderes do tráfico da Rocinha. Ou melhor, conta como Antônio Francisco Bonfim Lopes, um cidadão comum, se tornou o Nem da Rocinha sem nunca ter tido relação com o tráfico até então.

É extremamente difícil pensar em um único “trecho favorito”, porque diversos parágrafos e capítulos são bem marcantes. O texto é bem amarrado e traça uma linha do tempo narrada de forma excepcional e muito fluida (parágrafos pequenos, frases curtas, diálogos que surgem no momento certo).

HISTÓRIAS INTERLIGADAS – O mais bacana do livro é que ele narra a história do Nem junto com a do Rio de Janeiro e até do país. Desde os anos 1980, com a inundação da cidade pela cocaína até nossa situação política atual.

É incrível como fica ainda mais claro como os políticos, o tráfico de armas, as polícias, os traficantes e a venda/compra de drogas estão completamente relacionados. Isso tudo a gente já sabia, mas com o livro acabamos descobrindo coisas que jamais imaginaríamos.

Quem mora no Rio ou conhece a cidade, sua geografia e seus “personagens” vai apreciar ainda mais a leitura, exatamente por ter maior noção dos lugares e pessoas citadas (bairros, políticos, shoppings etc). E vale a pena!

Resultado de imagem para dono do morroSEM ROMANTIZAR O TEMA – Em nenhum momento o livro tenta romantizar a questão do tráfico, muito menos tornar heróis o personagem Nem ou outros traficantes, assim como se procura minimizar qualquer atitude deles, boa ou ruim. O autor conta o que descobriu com suas pesquisas e entrevistas a moradores e traficantes – mas a personalidade apaziguadora de Nem marca muito a narrativa.

Livro: O dono do Morro – Um homem e a batalha pelo Rio
Autor: Misha Glenny
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 360

 

 

 

Mais que uma homenagem, o livro “Eu sou Ricardo Boechat” é leitura obrigatória

Livro conta 100 histórias sobre Ricardo Boechat

Júlia de Aquino
Instagram Literário @juentreestantes

“Essa era a essência de Boechat. Lidar com a vida, de maneira séria, se preocupando com os demais, mas sempre encontrando um momento para nos fazer sorrir” – assim o jornalista Ricardo Boechat é lembrado pelos amigos Eduardo Barão e Pablo Fernandez, que conheci no final do ano passado, quando estive presente ao lançamento do livro “Eu sou Ricardo Boechat”, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro. Entrei na fila para conversar com os autores, que conviveram com Boechat na BandNews FM e estavam lá para autografar os livros.

Na minha vez, Eduardo Barão e Pablo Fernandez autografaram o livro, conversaram comigo e fizeram vídeos para o @juentreestantes, falando um pouco sobre o trabalho e sobre as expectativas em relação ao livro. Muito simpáticos e atenciosos.

MUITA EMOÇÃO – Como eu não costumava ouvir rádio, não estava tão empolgada para ler, mas vi tanta gente emocionada na livraria, que no dia seguinte decidi passá-lo na frente das outras obras da minha fila de leitura.

Esse livro me surpreendeu. Muito. Tanto, mas tanto, que dos 41 que li m 2019, ele se tornou um dos favoritos do ano. Coloco alguns motivos abaixo, porém o mais importante é que, quando você começar a ler, não vai conseguir parar. É o tipo de livro que a gente devora. Principalmente se você é fã do apresentador.

São 100 histórias sobre Boechat, contadas pelos autores, que trabalharam com ele na rádio durante quase quinze anos. Eles relembram os melhores momentos que viveram com Boechat e contam passagens muito divertidas e emocionantes sobre o jornalista.

LEITURA RÁPIDA – A leitura é muito fluida e nos prende do início ao fim. Li em apenas dois dias. O formato é ótimo – cada página praticamente é uma história, as mais extensas têm somente duas páginas, o que faz a leitura ser ainda mais rápida e nada cansativa.

Para mim, as mais engraçadas foram duas: uma que conta sobre o dia em que ele esqueceu sua própria filha na praia e, a outra, que narra a ocasião em que ele pegou um táxi de São Paulo até o Sul e deixou a conta pra rádio pagar.

Barão. Júlia e Fernandez na noite de autógrafos

Dificilmente eu rio ou choro com livro. Com esse eu dei gargalhada, fiquei curiosa, me fez refletir… Um verdadeiro mix de emoções! E achei incrível conhecer o lado “vou salvar o mundo” do Boechat, sempre ajudando as pessoas e deixando marcas felizes na vida delas.

UM LIVRO ESPECIAL – Com toda certeza, não é mais um livro que vai ficar na sua estante depois de lido. É um livro que você vai olhar e vai ficar feliz por ter tido a oportunidade de ler e ficar conhecendo uma jornalista de verdade, além daquele Boechat-famoso-que-fala-na-rádio.

A introdução dos autores e o último texto, com parte escrita pela mãe dele, D. Mercedez, e com mais uma parte da mulher, a Doce Veruska, são trechos realmente emocionantes.

Já leram o livro? Gostaram? Se não leram, têm vontade? Confiram mais dicas e conteúdo literário no Instagram @juentreestantes

Livro: Eu sou Ricardo Boechat
Autores: Eduardo Barão e Pablo Fernandez
Editora: Panda Books
Páginas: 224

Acusado de “rachadinha”, tipo Flávio Bolsonaro, vereador é cassado em Belo Horizonte

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Cláudio Duarte foi cassado em BH por unanimidade

Juliana Cipriani
Estado de Minas

Em uma reunião marcada por ameaças de morte, boletim de ocorrência e presença de reforço policial, o vereador Cláudio Duarte (PSL) teve o mandato cassado, na manhã desta quinta-feira (1°/8), pela Câmara Municipal de Belo Horizonte. O relatório pela perda do mandato foi aprovado com 37 votos e nenhum contrário. O suplente dele, que será convocado a tomar posse, é Ronaldo Batista, do PMN (partido pelo qual Cláudio Duarte, que hoje integra a mesma legenda do presidente Jair Bolsonaro, foi eleito).

Eram necessários 28 votos, equivalentes a dois terços dos parlamentares. É a primeira vez na história que a Câmara cassa um parlamentar. Na sessão havia 39 parlamentares presentes, mas a vereadora Nely Aquino não votou por ser presidente e o acusado Cláudio Duarte não se posicionou.

FOI ATÉ PRESO – A sessão começou com a leitura do relatório do vereador Mateus Simões, que pediu a cassação de Cláudio Duarte por ele ter recolhido parte dos salários dos funcionários de gabinete e ter causado constrangimento à Câmara ao ter sido preso no dia 2 de abril. A outra motivação foi que ele teria mentido durante a comissão processante que analisou seu caso no Legislativo Municipal.

Na denúncia apresentada pelo advogado Mariel Marra, o parlamentar é acusado de obrigar os assessores a devolver parte do salário recebido por trabalhar em seu gabinete na Câmara Municipal.

Enquanto integrantes da Mesa liam o processo, Nely subiu à galeria para abraçar pessoas que levaram cartazes de apoio a ela. Na sequência, ela e o vereador Jair di Gregório se reuniram com o delegado Thiago Pacheco, da 1ª Delegacia de Polícia Civil Leste, e narraram as ameaças sofridas na noite anterior. Eles também mostraram os vídeos recebidos e informaram que seus filhos de seis (de Nely) e 17 anos (de Gregório) foram usados para intimidá-los.

CASSAÇÃO – Mateus Simões concluiu o relatório pedindo a cassação do vereador Cláudio Duarte por infrações que configuram quebra decoro, pela prática de rachadinha, por apresentar versões contraditórias e por ter sido preso. Antes da votação, 12 vereadores foram à tribuna falar do processo e repudiar as ameaças à Casa.

Na sequência, o vereador Mateus Simões disse que as provas são conclusivas e evidentes. “O vereador foi preso, está de tornozeleira eletrônica e praticou rachadinha. Não há dúvida da quebra de decoro e o vereador deve ser cassado”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro e Fabrício continuam numa boa… (C.N;)

Ele afirmou ser inaceitáveis as ameaças à presidente da Câmara Nely Aquino e a Jair de Gregório e disse que hoje é um dia de coragem. “Espero que possamos terminar sem comemorações porque esse é um momento triste para a Câmara Municipal. Teremos a cassação do primeiro vereador na capital reconhecendo que nós vivemos a impregnação da corrupção”, disse.

DEFESA – O vereador Cláudio Duarte acompanhou, assentado em uma das cadeiras do plenário, a sua defesa, feita pelo advogado Vicente Rezende Junior, que começou dizendo que o parlamentar não tem nada a ver com as ameaças feitas aos vereadores e está à disposição para esclarecer os fatos.

Em relação à prática de rachadinha, segundo ele, o que há contra o vereador é um inquérito policial. Sobre a prisão temporária do vereador Cláudio Duarte, o advogado disse que não se tratou de um flagrante delito nem de uma condenação. Sobre a acusação de que houve uma ameaça de morte a um funcionário por parte do vereador, ele disse que no próprio depoimento do funcionário, ao ser ouvido como testemunha, negou que isso tenha ocorrido.

Segundo ele, a prisão não foi ocasionada por nenhuma conduta do vereador Cláudio Duarte, mas por uma “calúnia da imprensa”. O advogado disse o vereador sequer é réu e muito menos confesso e que não há qualquer comprovação que ele tenha exigido parte do salário dos funcionários. Mesmo assim, o vereador foi cassado por unanimidade do presentes.

Pesquisadora condena mitos existentes sobre adoção de crianças

Júlia de Aquino
Site da UERJ

Mãe adotiva há mais de duas décadas, Ana Perez Pacheco escolheu o tema “adoção” para concluir seu mestrado em Saúde Coletiva no Instituto de Medicina Social da UERJ, em 2008. A dissertação, contudo, abrange diversos aspectos acerca do assunto, como a reflexão sobre uma possível adoção aberta e sobre a situação da mãe doadora. Além disso, sinaliza para a importância de uma discussão sobre mitos e preconceitos que cercam o tema.

Para a autora, é essencial reconhecer as diferenças econômicas e culturais existentes entre as duas famílias (biológica e adotiva), para, a partir daí, buscar uma adoção aberta, sempre privilegiando os interesses da criança. Segundo Ana, “a necessidade da verdade envolve não só o fato de se revelar à criança adotiva a sua condição, mas principalmente a possibilidade de se lidar com esta condição de forma cristalina”.

MÃES INVISÍVEIS

Em sua análise, ela expõe que a as mães que doam seus filhos são consideradas invisíveis, apesar de nosso sistema ainda enxergar os laços de sangue como prioridade. A expressão “luto não franqueado” está relacionada ao luto vivido por essas mulheres, que por inúmeras razões optam pelo caminho da doação de seus filhos e  acabam sendo marginalizadas. O estudo aponta que o conceito de “abandono” é tratado de forma equivocada, já que em muitas situações a “entrega” (termo mais utilizado nesses casos) está relacionada ao sentimento de amor.

Mitos também contribuem para que o assunto, ainda hoje, seja considerado um tabu. Muitos enxergam a adoção como um ato de caridade. Também há a crença infundada no risco de um suposto desvio de caráter genético do indivíduo adotado, além de outros mitos como o da rejeição por parte da criança no momento em que ela souber sobre sua verdadeira origem. Tantas crenças, segundo a autora, têm alicerce nos dogmas sociais e no senso comum, já que o Ocidente não trata do assunto com naturalidade: “A adoção é algo que foge ao ‘natural’ da cultura ocidental moderna, fincada na tradição da família consanguínea”.

A pesquisa relembra, por fim, a importância da implantação de políticas de governo e de ações comunitárias para se estimular a adoção consciente, além do apoio a diversos tipos de relação, como a homoafetiva e a socioafetiva, por exemplo. Segundo a pesquisa, “as novas configurações familiares trazem consigo também novas possibilidades de adoção”.

 

Sem limites para alcançar a excelência

Miles Teller brilha como personagem principal de Whiplash

Júlia de Aquino
LED UERJ 

No lugar de créditos e trilha sonora, sons de tambores e pratos: é assim que tem início Whiplash – Em Busca da Perfeição, uma experiência musical que merece ser conhecida por todos. O filme vencedor de dois prêmios no Festival de Sundance em 2014, e presente em muitos outros, como Cannes e Toronto, traz a história de Andrew, um adolescente que almeja se tornar o maior baterista de jazz de sua geração. Para isso, no entanto, ele deve suportar o rígido e impiedoso professor Terence Fletcher, cujos métodos beiram o cruel.

O roteiro e a direção ficam por conta de Damien Chazelle (Toque de Mestre), que resume no longa diversos sentimentos familiares àqueles que sonham em ser profissionais da música. Escolhas difíceis, ceticismo por parte dos que estão ao redor, concessões e comportamentos implacáveis inundam a história e transmitem ao espectador toda a tensão vivida por Andrew.

Miles Teller (Divergente) é o protagonista da trama, e sua performance justifica o sucesso do ator, que já está confirmado para O Quarteto Fantástico (2015). Ao mesmo tempo em que demonstra insegurança – seu personagem tem apenas 19 anos –, Andrew é extremamente esforçado, e as expressões de Teller demonstram todo o sacrifício e o esforço para ser o melhor.

TORMENTO PSICOLÓGICO

O ator J.K. Simmons, o J. Jonah Jameson da trilogia Spider Man, interpreta com maestria o intransigente Fletcher, e transforma a busca pela perfeição num tormento psicológico – tanto para seu aluno, no filme, como para quem assiste. A atuação de Simmons beira o desconcertante e o relacionamento conflituoso entre professor e aluno atingem o espectador de maneira envolvente e perturbadora.

Toda essa explosão de talento, contudo, não seria possível sem instrumentos como trompete, saxofone, piano e bateria em primeiríssimo plano, ou os detalhes captados pelas câmeras. Chazelle concede ao público maravilhosas tomadas, cuja velocidade e ritmo coincidem com o som ao fundo, seja ele em ritmo lento ou composto por batidas agitadas e rápidas.

Whiplash – Em Busca da Perfeição é maravilhoso. Uma obra que vai mexer com todos aqueles que tiverem o prazer de assisti-la. Uma viagem sonora com direito a uma mistura de emoções.

Netos de Brizola não são donos do PDT, o partido não é uma fazenda

Antonio Santos Aquino

Os netos de Brizola lamentavelmente se deixaram influenciar por um deputado estadual do PDT que acaba de sair do partido. Esse deputado e o marido de Dilma, o falso guerrilheiro que voltou ao partido, o tal Carlos Araújo,  é que influenciaram os netos do Brizola dizendo que são herdeiros do PDT, como se o PDT fosse uma fazenda.

Nada fizeram pelo partido; eram crianças quando foi fundado o partido. O vereador Leonel Brizola Neto já foi chamado de vagabundo e fumador de maconha por Cidinha Campos. Amiga de Brizola e dona Neusa, avós dele, Cidinha o conhece bem desde quando ficava no Arpoador enchendo a cabeça de fumaça. Nunca se interessou por nada. Ele e os irmãos vivem fomentando intrigas apoiados pelo tal falso guerrilheiro marido de Dilma.

O general Golbery do Couto e Silva infiltrou muita gente no PDT para desestabilizar Brizola. Se Dilma e Araújo foram infiltrados, não podemos afirmar. Mas, temos o direito, como trabalhistas desde o tempo de Getúlio, de desconfiar pois Dilma e o pilantra do Araújo SEMPRE TIVERAM MAIS PRÓXIMOS DA UDN. Não tiveram nenhuma relação com os trabalhistas antes de 1964.

Por que então, depois de passarem pelas mãos de Fleury e serem soltos, foram de fininho entrar no PDT? Em 2001 traíram Brizola e o PDT no Rio Grande do Sul, dando Dilma um arrastão no partido levando 504 pedetistas para o PT.

Brizola elegeu Lupi o primeiro vice-presidente. Com sua morte, Lupi assume legalmente, ficando ele, Manoel Dias e Vieira da Cunha responsáveis pelo partido. Lupi passou 25 anos trabalhando com Brizola sem nenhuma falha. Vem agora esse pilantra chamado Leonel Brizola Neto dizer que está ameaçado de morte. Lupi nunca se envolveu com violência.

Só para lembrar, Juliana, gêmea de Leonel Neto, já foi processada por Vieira da Cunha; Leonel agora está processado por Lupi. Tem mais: esse pilantra foi falar ao jornal O Globo, inimigo mortal do governador Brizola, avô dele. Não tem gabarito para discutir o partido.