Narrado integralmente na voz de uma criança, o thriller “Quarto” surpreende de muitas maneiras

Júlia de Aquino
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“É tudo real no Lá Fora. A Mãe e eu não podemos ir lá porque não sabemos o código secreto, mas assim mesmo é real”.

ATENÇÃO – O livro aqui comentando possui os seguintes gatilhos: claustrofobia; violência doméstica; estupro. (se os temas causarem desconforto ou fobia, não é aconselhável a leitura da obra citada e do texto abaixo).

A experiência com esse livro, comigo, pode ser resumida da seguinte forma: aquele livro que ficou três anos na estante, esperando para ser lido mas nunca escolhido (seria a capa? O tamanho? A sinopse?). Assim que – finalmente – foi o escolhido, surpreendeu sua leitora de diversas maneiras.

Com toda certeza todos já passaram por uma situação parecida com algum título específico. O tempo de espera pode variar, mas é sempre indefinida a sensação que justifica nossa não-escolha.

O LIVRO – Jack, de cinco anos, e sua Mãe vivem num quarto, o único lugar que ele conhece. Ele dorme no Guarda-Roupa, onde fica quando o Velho Nick visita a Mãe à noite. Jack começa a ficar cada dia mais curioso sobre sua realidade e passa a questionar a Mãe constantemente.

Quando ela elabora um plano de fuga, o menino precisa entender que terá um papel crucial nele.

NARRATIVA – Sem dúvidas é o aspecto principal do livro, o que mais chama atenção de quem o lê. A história inteira – da primeira à última página – é narrada pelo menino Jack.

A forma perfeita como a autora descreve a mentalidade de uma criança de cinco anos impressiona e comove. Os erros de português do menino correspondem fielmente aos enganos cometidos por crianças de sua idade (por exemplo, constantemente ele troca a palavra “trouxe” por trazeu” – veja exemplo nos trechos citados no fim do texto). Nesse sentido, vale enaltecer o trabalho da tradução da Verus Editora.

UM MUNDO SEGURO – Outro ponto interessantíssimo é o fato de todos os objetos e pessoas serem escritos com a primeira letra Maiúscula, como se para Jack fossem “entidades” importantes (Mãe, Abajur, Cama, Pia…). Afinal, é tudo o que ele conhece na vida, seu mundo, o local mais seguro que pode existir.

Por todos esses motivos, e a despeito dos elogios, a narrativa pode ser angustiante ou até fazer mal a alguns leitores. Falando pessoalmente, ele mexeu muito comigo em alguns momentos, a ponto de eu precisar parar de ler para respirar um pouco e me distrair com outra coisa, principalmente na parte da Fuga (citada na sinopse).

CINEMA – O filme “O quarto de Jack” é a adaptação do livro, e a atriz que vive a Mãe, Brie Larson, ganhou o Oscar 2016 por sua atuação.

Uma curiosidade: apesar de no filme ela se chamar Joy Newsome, no livro o nome dela não é falado em nenhum momento. Isso é genial, porque reforça ainda mais a ideia de que, para Jack, a Mãe é única, que não precisa ser “identificada no Lá Fora”.

Livro: Quarto
Autor: Emma Donoghue
Editora: Verus
Páginas: 350

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ALGUNS TRECHOS

  • “O ar é real e a água só na Banheira e na Pia, os rios e os lagos são da TV”
  • “Bombeiros, professores, ladrões, bebês e gente de todo tipo, todos estão mesmo no Lá Fora. Mas eu não estou lá, eu e a Mãe, nós somos os únicos que não estão lá. Será que ainda somos reais?”
  • “Acho que foi o Lá Fora que eu vi. O Lá Fora é real e brilha muito, mas eu não consigo…”
  • “Um dia, quando eu tinha quatro anos, a TV morreu e eu chorei, mas de noite o Velho Nick trazeu uma caixa mágica de conversor para fazer a TV ressuscitar”.
  • “De manhã, estávamos comendo mingau de aveia e eu vi marcas.
  • “Você está suja no pescoço” –  A Mãe apenas bebeu água, a pele se mexeu quando ela engoliu. “Na verdade, não é sujeira, acho que não.”
  • “-Escute. O que vemos na televisão são… são imagens de coisas reais.
  • Essa foi a coisa mais assombrosa que eu já escutei.”
  • “No Quarto eu ficava seguro e o Lá Fora é que me assusta”

Cinema em casa: “A livraria”, adaptação do livro de Penelope Fitzgerald, está na Netflix

A Livraria - Almanaque Virtual

Emily Mortimer interpreta o papel principal do filme

Júlia de Aquino
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Assistir a filmes é uma das atividades mais comuns desse período de Quarentena. Principalmente nos dias mais chuvosos, a Netflix faz companhia para muitos.

O filme “A livraria”, no catálogo da rede de streaming, é uma boa opção para quem gosta de Leitura e Cinema e quer assistir a um filme tranquilo.

SINOPSE – no final da década de 50, uma mulher recém-chegada em uma pacata cidade do litoral da Inglaterra decide abrir uma livraria. Contudo, sua iniciativa é vista com maus olhos pela conservadora comunidade local, que passa a se opor tanto a ela quanto ao seu negócio, obrigando-a a lutar por seu estabelecimento.

Diretora: Isabel Coixet
Elenco: Emily Mortimer, Bill Nighy, Patricia Clarkson, James Lance.
Duração: 115 minutos

Disponível na Netflix

RITMO – Em alguns momentos o filme é um pouco “parado” demais, com algumas pausas nos diálogos, o que garante à obra seu toque clássico.

Nesse sentido, é importante ressaltar que, apesar de ser ótimo para passar o tempo, não vai agradar aos que gostam de muito movimento, ação e barulho. Em contrapartida, quem curte finais surpreendentes vai gostar desse.

DESTAQUES – É fácil gostar da personagem principal, Florence, e torcer por seu sucesso. O que pode incomodar são suas atitudes pacatas diante de algumas situações extremas, embora sua coragem em ir contra as opiniões alheias seja marcante.

Os figurinos e a cenografia são os grandes protagonistas da obra! A pequena cidade europeia e a vestimenta de seus moradores impõem um encantamento próprio de filmes de décadas passadas.

ADAPTAÇÃO – É interessante assistir tendo em mente que se trata de uma adaptação do livro homônimo da autora Penelope Fitzgerald.

Ele pode ser encontrado na Amazon, em formato Kindle ou físico, pelo link: https://www.amazon.com.br/dp/B078ZZ4GL7/ref=dp-kindle-redirect?_encoding=UTF8&btkr=1

Conheça cinco mães que se tornaram personagens marcantes da Literatura Universal

Júlia de Aquino
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Há personagens da Literatura tão marcantes que se tornam inesquecíveis. Desde clássicos a obras contemporâneas, algumas mães das histórias tornaram-se tão queridas quanto os protagonistas.

Nesse mês das Mães, separei cinco delas, que foram inclusive para as telas de Cinema ou da TV e se tornaram ainda mais populares.

Extraordinário' derruba 'Star Wars' nos cinemas brasileiros | VEJA

Julia Roberts viveu a personagem Isabel Pullman no Cinema

1 – Isabel Pullman– Mãe de Auggie e Olivia na obra “Extraordinário”. Na adaptação para o Cinema, a atriz Julia Roberts deu vida a Isabel.

Livro: Extraordinário
Autora: R.J. Palacio
Editora: Intrínseca

IRENE RAVACHE E NICETTE BRUNO FARÃO PARTICIPAÇÃO ESPECIAL EM ...

Irene Ravache, Glória Pires e Nicette Bruno juntas no set

2 – Dona Lola– Mãe de Carlos, Julinho, Alfredo e Isabel em “Éramos seis”.

Sem dúvida um dos melhores clássicos brasileiros, que fala sobre problemas familiares, envelhecimento e, acima de tudo, amor de mãe. A obra já foi adaptada três vezes para a TV e D. Lola foi vivida por três grandes atrizes: Nicette Bruno, Irene Ravache e Gloria Pires.

Livro: Éramos seis
Autora: Maria José Dupré
Editora: Ática

Catelyn - Michelle Fairley - Seriados

Michelle Fairley vive Catelyn na série da televisão.

3- Catelyn Stark– Mãe de Robb, Sansa, Arya, Brrandon e Rickon.

A matriarca dos Stark é uma das personagens mais queridas da série “Guerra dos Tronos” (nome do primeiro livro da saga “Crônicas de gelo e fogo”).

Na série, que estreou em 2011 na HBO, a atriz Michelle Fairley vive Catelyn.

Livro: As crônicas de gelo e fogo
Autor: George R.R. Martin
Editora: Leya/Suma (desde o ano passado a Suma assumiu as publicações da saga no Brasil, feitas antes pela editora Leya)

Actress Julie Walters reveals she fought bowel cancer - CNN Video

Julie Walters rouba as senas em Harry Potter

4 – Molly Weasley – Mãe de Rony, Fred, Jorge, Gina, Percy, Gui e Carlinhos.

Molly é, com certeza, a mãe mais querida da saga Harry Potter (é provável que supere até mesmo Lilian Potter, mãe do Harry).

Nos cinemas, a mãe dos sete é a atriz Julie Walters.

Livro: Saga Harry Potter (7 livros)
Autora: J.K. Rowling
Editora: Rocco

O Quarto de Jack | Brie Larson publica foto de reunião com Jacob ...

Brie Larson ganhou o Oscar de Melhor Atrzi fazendo a mãe

5 – Joy “Mãe”– Mãe de Jack no livro “Quarto”.

Best-seller do New York Times, o livro Quarto foi adaptado para o cinema com o nome “O quarto de Jack”. A atriz é a mãe do menino e venceu Oscar de Melhor Atriz em 2016 por seu papel no filme.

Uma curiosidade é que em nenhum momento no livro o nome da personagem é citado. Como todo o livro é narrado por Jack, um menino de cinco anos, ele se dirige a ela apenas como “Mãe”, e quando fala algo relacionado a ela sempre diz “a Mãe”.

Livro: Quarto
Autora: Emma Donoghuen
Editora: Verus

Em trama cativante, Zuenir Ventura mistura romance de costumes e História Mundial

Júlia de Aquino
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“A cada momento eu era acordado pela perturbadora cena que presenciara no fundo da farmácia” – diz Zuenir Ventura em Sagrada família, que é uma quase-autobiografia do autor. O livro, lançado em 2012, é uma excelente opção para quem deseja ler uma obra nacional leve e agradável. E Zuenir já adianta na epígrafe: “Só dez por cento é mentira. O resto é invenção”.

A leitura é muito boa. Comecei a ler sem saber o que esperar, mas sem dúvidas, por enquanto, é um dos meus favoritos de 2020.

CONTEXTO – Ele narra a história de uma família de forma cômica e repleta de encontros e segredos, numa pequena cidade nos anos 1940. Com maestria e bom-humor, o autor nos apresenta Florida, cidade fictícia extremamente conservadora e com hábitos característicos de cidades pequenas.

Quem gosta de História do Brasil e do Mundo, vai gostar ainda mais da narrativa. Isso porque ela se passa em plena II Guerra, e a história mostra um pouco o “clima” do país nessa época, com Getúlio Vargas no poder e diversas questões políticas permeando todos os relacionamentos sociais.

É sempre interessante ver como a mulher era vista na sociedade. E como Florida, o cenário principal, tem esse aspecto tradicionalista, tudo fica ainda mais “intenso” nesse sentido – a maneira como os personagens masculinos analisam as situações, a forma como as mulheres se comportam etc. Abaixo, alguns trechos do livro ilustram esse aspecto.

PERSONAGENS – O primeiro capítulo já começa muito bem. O jovem narrador, Manuéu (sim, com U, devido a um erro no registro do nascimento), torna-se muito querido ao longo do livro.

Mas não apenas o narrador é cativante dessa forma. Todos os personagens nos deixam completamente absorvidos pela trama, numa época em que o carisma contava para ascensão social. E o “emaranhado familiar” construído pelo autor e manifestado pelos personagens, é excepcional.

A hipocrisia é um aspecto marcante no livro, tanto nas atitudes das pessoas e das histórias narradas, como na cidade de modo geral. Ela permeia todos os acontecimentos, direta ou indiretamente. A leitura com um olhar mais crítico deixa o leitor, no mínimo, reflexivo em relação a algumas situações.

ELEMENTOS DA NARRATIVA – Quem curte finais inesperados vai adorar esse livro! Em resumo: trama bem construída, narrativa ótima, diálogos divertidos, desfecho surpreendente. Leitura que vale muito a pena! Confira alguns trechos:

  • “Por muito tempo escondi – até de mim mesmo – o que reluto em contar agora”.
  • “Eu me sentia importante participando daquele jogo secreto, sendo cúmplice de uma trama que eu não sabia qual era, mas que tinha um confuso sabor clandestino.”.
  • “O marido, como muitos dessa época, dividia sua vida com outra, com quem tinha um filho pequeno, mas de vez em quando dormia em casa. Assim, mantinham o que era importante: as aparências”.
  • “- Leninha, o Douglas me deu um beijo! – falou baixinho, com medo de que a mãe escutasse.- E como é que você deixou ele fazer isso? – Deixei porque hoje completa um ano que começamos a namorar. Quis dar a ele esse presente. – Mas mesmo sem saber se ele vai se casar com você?”.
  • “O jornal me fez sentir orgulho da minha sagrada família. A realidade, porém, guardava outra revelação, ainda mais chocante”.
  • “Minha tia tinha opiniões tão firmes quanto seu andar. Seu rigoroso código moral se aplicava não só às filhas, mas também às irmãs, cunhadas, vizinhas e conhecidas. Só ela sabia como devia se comportar uma moça de família. Estava sempre com a língua em riste para derrubar reputações femininas”.

Livro: Sagrada família
Autor: Zuenir Ventura
Editora: Alfaguara
Páginas: 233

“O casal que mora ao lado” também é ótimo para retomar o hábito de leitura

Resenha: O casal que mora ao lado - Shari LapenaJúlia de Aquino
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“Quando chega ao quarto do bebê e vê o berço vazio, ela grita” – com essa frase a autora finaliza o primeiro capítulo do livro, que já começa apresentando uma trama envolvente. Por muito pouco esse livro não foi meu favorito do ano passado (foram 41 lidos).

A HISTÓRIA – Marco e Anne são um casal com uma filha recém-nascida, que vão jantar na casa dos vizinhos que moram ao lado, a fim de se distraírem um pouco. A noite, porém, torna-se um pesadelo quando descobrem que a bebê sumiu de seu berço.

A narrativa é muito rápida e cheia de diálogos. O suspense e as reviravoltas fazem a gente virar as páginas e ler vários capítulos direto, “sem perceber”. A construção dos personagens e da trama em si também é genial.

O leitor passa o livro todo imaginando quem poderia ter sido e qual o motivo, a autora dá muitas pistas falsas – e algumas verdadeiras – e, ainda assim, o final é surpreendente em diversos sentidos.

BOA LEITURA –Para quem precisa de um incentivo para retomar o hábito de ler, essa é uma ótima opção! Leitura rápida, fluida e instigante. Mais um do tipo “impossível parar de ler”. Fica então a dica, tanto para esse período de quarentena como para qualquer época!

Livro: O casal que mora ao lado
Autora: Shari Lapena
Editora: Grupo Editorial Record
Páginas: 294

“Cinco Esquinas” é uma boa opção para conhecer o peruano Mario Vargas Llosa

Cinco Esquinas - R$ 43,92 em Mercado LivreJúlia de Aquino
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Uma excelente dica para quem quer começar a ler algo de Mario Vargas Llosa. Além de ser uma leitura deliciosa, mostra o porquê de o autor peruano ter ganhado o Nobel de Literatura. Nesse livro, ele consegue misturar romance de costumes, suspense, política, sexo, crítica social, amor e drama.

A história é muito bem amarrada, inteligente e com final inesperado. Ingredientes ideais para um thriller impossível de parar de ler!

CONTEXTO – Década de 1990 durante a ditadura no Peru (Fujimori). A história tem início com duas melhores amigas que começam a ter um caso sem seus respectivos maridos saberem. Estes, empresários muito ricos e conhecidos, estão com muitos problemas para resolver, principalmente Quique, que começa a sofrer uma espécie de chantagem por causa de algumas fotos suas.

Nos primeiros capítulos, enquanto constrói a história, o autor se dedica muito aos personagens, a contar suas vidas e descrever suas personalidades.

Apesar de parecer cansativo, isso torna a leitura mais rica, pois o leitor se “envolve emocionalmente” com cada um. Destaco aqui o caso do personagem o Juan Peineta, muito marcante.

CRÍTICAS À POLÍTICA – A injustiça é um aspecto muito presente no livro. Mas ela não é direcionada a uma única pessoa – é todo um sistema de intriga e violência controlado pelas mais altas esferas do poder que submetem as pessoas a isso.

Essa, por sinal, é uma característica marcante de Vargas Llosa: a crítica contra qualquer tipo de ditadura e contra o jornalismo corrupto. É possível considerar que esse é o foco principal de Cinco Esquinas – jornalismo antiético e em função de um Estado. Os personagens, assim como a sociedade peruana da época, ficam à mercê desse sistema vigente.

Livro: Cinco Esquinas
Autor: Mario Vargas Llosa
Editora: Alfaguara
Páginas: 213

Dica de leitura em tempos de coronavírus: “O poder do agora”, um eterno best-seller

O Poder do Agora - Livro - WOOK

A mente é como o corpo e precisa de treinamento

Júlia de Aquino
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Esvazie sua mente de opiniões para ler esse livro. Foi com esse pensamento que iniciei a leitura de “O poder do agora” e não é exagero afirmar que ele me transformou de muitas formas. Não é à toa que esse livro é um best-seller há muitos anos. Logo eu, a leitora voraz que virava a cara para qualquer título que se aproxime de autoajuda, por pensar – equivocadamente – que “qualquer livro relacionado ao assunto é cansativo, porque só fala o que o leitor quer ler”.

Quebrar pré-conceiios – “O poder do agora, maior sucesso de Eckhart Tolle, escritor alemão radicado no Canadár, surgiu para quebrar paradigmas e romper as barreiras de “pré-conceitos literários”.

NÃO É AUTOAJUDA – Além do mais, não o considero um livro de autoajuda, embora sirva como um necessário incentivo para repensarmos diversos aspectos de nossa vida e de todos ao nosso redor.

E essa dica de leitura foi pensada em relação ao momento pelo qual estamos passando. O mundo está parado, atônito e temeroso, e as pessoas têm tempo para pensar sobre si mesmas. Com toda certeza, esse livro nos traz uma visão concretude num momento de incertezas, possibilita acalmar nossa mente em dias de inquietação extrema e induz cada um a olhar para dentro de si mesmo, num período de julgamentos virtuais diários.

VIVER O PRESENTE –  Nós passamos a maior parte de nossas vidas pensando no passado e fazendo planos para o futuro. Ignoramos ou negamos o presente e adiamos nossas conquistas para algum dia distante, quando conseguiremos tudo o que desejamos e finalmente seremos felizes. Mas, se queremos realmente mudar nossas vidas, precisamos começar neste momento. Essa é a mensagem simples, mas transformadora de Eckhart Tolle: viver no agora é o melhor caminho para a felicidade e a iluminação.

Combinando conceitos do cristianismo, do budismo, do hinduísmo, do taoísmo e de outras tradições espirituais, Tolle elaborou um guia de grande eficiência para a descoberta do nosso potencial interior. Este livro é um manual prático que nos ensina a tomar consciência dos pensamentos e emoções que nos impedem de vivenciar plenamente a alegria e a paz que estão dentro de nós mesmos.

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CINCO MOTIVOS PARA LER “O PODER DO AGORA”

  1. É uma leitura necessária e transformadora, daquelas que nos fazem repensar em muitos hábitos nocivos à nossa saúde mental (por exemplo, se martirizar pelo que poderia ter acontecido ou o que pode acontecer daqui a algum tempo).
  2. Apesar de ser uma leitura densa, a escrita do autor é clara e nos instiga a ler mais e mais. No entanto, não pegue o livro para ler rápido ou de forma superficial. A leitura precisa respeitar o seu tempo.
  3. Como disse o item 2, não é um livro para apenas passar o tempo. É bom pegá-lo pra ler e estar disposto a refletir. Tanto é que, logo no início, o autor mostra um símbolo e diz que toda vez que aquele sinal aparecer nos capítulos é para o leitor parar de ler e refletir sobre os últimos trechos – dinâmica muito interessante e que só enriquece a experiência do livro.
  4. Um dos assuntos sobre os quais ele fala bastante é nosso sofrimento em relação ao Passado e ao Futuro, aspectos que não temos controle. Ele nos leva a compreender maneiras de não perder o foco no nosso Presente (que, segundo ele, é tudo o que temos de verdade).
  5. É um livro que nos coloca em contato com a meditação ou, ao menos, desperta nosso interesse para o assunto. Ele nos leva a identificar e reconhecer nosso potencial interior e refletir sobre o que nossa mente é capaz, se bem “educada” por nossos pensamentos.

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ALGUMAS FRASES MARCANTES DO LIVRO

É extremamente difícil selecionar apenas alguns trechos, pois em todas as páginas há alguma frase ou reflexão marcante. Veja os exemplos:

”Se for usada corretamente, a mente é um instrumento magnífico. Quando a usamos de forma errada, ela se torna destrutiva”.

“Onde quer que você esteja, esteja lá por inteiro”.

“Não é raro que as pessoas passem a vida toda esperando para começar a viver”.

“A única coisa real sobre a nossa jornada é o passo que estamos dando nesse exato momento. Isso é tudo o que existe”

Livro: O poder do agora
Autor: Eckhart Tolle
Editora: Sextante
Páginas: 224

Cinco dicas para ler mais e cinco livros para retomar o hábito de leitura

1984 por [George Orwell, Heloisa Jahn, Alexandre Hubner]Júlia de Aquino
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Ler é um hábito, um exercício diário. Retomá-lo pode parecer complicado, mas com as iniciativas corretas e boas escolhas de leitura não é assim tão difícil. O contexto atual, que nos obriga a passar mais tempo em casa, é um excelente momento para recomeçar as leituras.

Veja cinco dicas para voltar a ler mais e, em seguida, cinco obras curtas e com narrativas envolventes, ótimas opções para essa retomada:

DICA 1 – Peça a amigos sugestões de livros

Cada um tem um estilo de que gosta mais, e um amigo que lê muito pode sugerir algum livro que tenha a ver com seu perfil.

DICA 2 – Descubra sites e projetos que disponibilizem livros gratuitos

Existem milhares de títulos gratuitos na Amazon, mesmo para quem não possui Kindle Unlimited. É possível “comprar” as obras e ler pelo celular (com o aplicativo Kindle) ou pelo site da Amazon, no computador.

Obras de domínio público também estão disponíveis, e uma breve pesquisa no site http://www.dominiopublico.gov.br/ mostrará muitas delas.

Livro Crônica De Uma Morte Anunciada Gabriel García Márquez - R ...DICA 3 – Crie metas possíveis

Estipule uma determinada quantidade de páginas por dia e quantos livros quer ler no mês. Além de manter o hábito de leitura, é uma excelente dica para aperfeiçoar o senso de disciplina. Comece aos poucos (por exemplo: 10 páginas por dia e 1 livro por mês)

DICA 4 – Leia dois livros ao mesmo tempo

Escolha estilos literários distintos e livros de tamanhos diferentes. Uma boa opção é levar um deles para a rua e deixar o outro para ler em casa (quando nossa rotina voltar ao normal).

DICA 5 – Comprometa-se a determinado número de páginas antes de desistir de um livro

É comum não gostarmos de um livro no início, e muitas vezes esse “abandono” no começo nos afasta de uma ótima trama. No geral, as histórias começam a “tomar forma” na página 40 ou 50. Sendo assim, essa dica também pode ser: tente o máximo que puder antes de deixar um livro de lado.

Dica extraLeve sempre um livro com você

Ótima opção para quem passa muito tempo fora de casa. Quando terminar o risco de contaminação pelo coronavírus, coloque essa dica em prática! Tenha sempre um livro na bolsa ou mochila para aproveitar momentos livres durante o dia (por exemplo: enquanto aguarda o metrô, em filas de banco, mercado etc.)

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VEJA ALGUNS TÍTULOS PARA RECOMEÇAR A LER:

Livro 1 – 1984 (George Orwell)

Sinopse: Ao lado de A Revolução dos Bichos, o livro 1984 é um dos mais famosos de George Orwell. A obra já ganhou versões de filmes, minisséries, quadrinhos, traduções para 65 países.

Nesse romance, o autor criou um personagem chamado Winston, que vive aprisionado em uma sociedade completamente dominada pelo Estado. Essa submissão ao poder é relatada, inclusive, na rotina desse personagem, que trabalha com a falsificação de registros históricos a fim de satisfazer os interesses presentes.

Winston, contudo, não aceita bem essa realidade, que se disfarça de democracia, e vive questionando a opressão que o Partido e o Grande Irmão exercem sob a sociedade. A inspiração do livro vem dos regimes totalitários dos anos 30 e 40 e, é assim, sob a ótica da ficção, que o autor faz com que seus leitores reflitam sobre o sistema de controle, que depois de tanto tempo ainda é muito questionado.

Livro 2 – Crônica de uma morte anunciada (Gabriel García Marquez)

Sinopse: A morte de Santiago Nasar está anunciada desde a primeira linha da história. Toda a comunidade sabe do iminente assassinato movido por vingança, mas nada nem ninguém o salva de seu trágico fim. Com brilhantismo, o autor monta um quebra-cabeça com a superposição de versões do último dia do jovem do ponto de vista de diversas testemunhas, utilizando o rigor jornalístico nesta construção, que lhe era tão caro.

nai (naiarasilva1172) no PinterestLivro 3 – Extraordinário (R. J. Palacio)

Sinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade… até agora. Todo mundo sabe que e difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tao diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele e um menino igual a todos os outros.

por Que Fazemos O Que Fazemos? Mario Sérgio Cortella | Livro ...Livro 4 – Por que fazemos o que fazemos? (Mário Sérgio Cortella)

Sinopse: Bateu aquela preguiça de ir para o escritório na segunda-feira? A falta de tempo virou uma constante? A rotina está tirando o prazer no dia a dia? Anda em dúvida sobre qual é o real objetivo de sua vida? O filósofo e escritor Mario Sergio Cortella desvenda as principais preocupações com relação ao trabalho. Dividido em vinte capítulos, ele aborda questões como a importância de ter uma vida com propósito, a motivação em tempos difíceis, os valores e a lealdade – a si e ao seu emprego.

O livro é um verdadeiro manual para todo mundo que tem uma carreira mas vive se questionando sobre o presente e o futuro.

O Castelo de Vidro – Jeannette Walls [Opinião] – Mil Estrelas No ColoLivro 5 – O castelo de vidro (Jeannette Walls)

Sinopse: Neste surpreendente livro de memórias, a famosa jornalista norte-americana Jeannette Walls mostra como conseguiu lidar, até a adolescência, com a excentricidade, a negligência e a falta de dinheiro dos pais.

Durante vinte anos, sempre que alguém perguntava pela sua família, Jeannette Walls mudava de assunto. Nunca contava detalhes do seu passado.

Neste livro ela finalmente revela todos os segredos sobre suas origens. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, esta não é uma história triste. Sem qualquer resquício de autopiedade, Jeannette Walls descreve suas aventuras de forma divertida, e seus pais, com profundo carinho e admiração.

Como um domador de cavalos e um preparador físico mudaram a vida de um empresário

Livro - Encantadores De Vidas - Eduardo Moreira - Seminovo - R$ 22 ...

Eduardo Moreira escreveu um livro sobre sua recuperação

Júlia de Aquino
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“Percebi então que meus dois tombos tinham me dado de presente a amizade de dois verdadeiros encantadores de vidas” – diz o empresário Eduardo Moreira, autor do livro “Encantadores de vidas”, uma obra capaz de transformar a vida de quem a lê, e se tratar de autoajuda, mas simplesmente de um relato biográfico.

No livro, o autor conta amava montar a cavalo e dois graves  quedas o fizeram conhecer Nuno Cobra, preparador físico de muitos atletas campeões, e Monty Roberts, o domador de cavalos mais famoso do mundo, e como o convívio com os dois influenciaram sua trajetória.

À PRIMEIRA VISTA – Pelos tons monocromáticos de sua capa, Pode ser que, num primeiro momento, o livro não crie muitas expectativas, mas não se deixe enganar: logo no início, o autor começa a nos surpreender, e vamos nos envolvendo com tudo o que é contado ali.

A leitura é gostosa, fluida e objetiva, mas sem deixar escapar detalhes importantes. Ótima opção para quem quer uma leitura rápida e surpreendente.

MONTY ROBERTS– É maravilhoso conhecer Roberts, o mais conhecido domador de cavalos mais famoso do mundo, que revolucionou as técnicas usadas para amansar equinos, ao criar um método sem violência e apresentar resultados em poucos minutos. Minha sugestão é que após a conclusão do livro o leitor assista a alguns vídeos do mestre. É incrível!

Quem gosta de cavalos ou convive com a espécie vai se apaixonar pelo livro. Pessoalmente, não faço parte desse grupo, mas depois da leitura, tive muita vontade de me aproximar deles.

NUNO COBRA – Também é uma oportunidade especial para conhecer melhor Nuno Cobra e seu método de preparação física, que envolve corpo-mente-espírito.

Em diversos trechos, o autor nos presenteia com a apresentação dos métodos e exercícios do mais famoso preparador físico brasileiro, mostrando inclusive os métodos utilizados para fazê-lo se recuperar das quedas. Eduardo Moreira conta que no início achava tudo muito fácil – quase ridículo –, mas depois foi se conscientizando da importância dos exercícios e atividades, que conseguiram transformar seu corpo de forma excepcional.

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ALGUMAS FRASES MARCANTES DO LIVRO

“Ver minha imagem refletida nos cavalos ajudou a me tornar uma pessoa melhor”.

“O presente que de fato podemos dar aos outros é o nosso tempo”.

“Nuno estava coberto de razão: deveríamos ir devagar exatamente porque tínhamos pressa”.

“Ambos são pessoas que quebraram os paradigmas das áreas em que atuam. Por isso, seguir seus métodos significa enfrentar a resistência do senso comum”

Livro: Encantadores de vidas
Autor: Eduardo Moreira
Editora: Record
Páginas: 270

Livro infanto-juvenil conta a história de Greta e aborda a Síndrome de Asperger

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“Ninguém é pequeno demais para fazer a diferença”

Júlia de Aquino
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“É impossível resolver uma crise sem tratá-la como tal” – esse é o pensamento de Greta, que apesar de ter apenas 17 anos, traz sensatez e otimismo em cada atitude e declaração. O livro “A história de Greta”, da italiana Valentina Camerini, é uma excelente oportunidade de conhecer melhor a menina que há alguns anos vem se destacando pela luta a favor do meio ambiente.

A leitura é rápida, dá para ser concluída em duas horas. A linguagem do livro é bem fácil, direcionada ao público infanto-juvenil principalmente.

A VIDA DE GRETA – De forma bem lúdica, a autora nos mostra a vida de Greta, desde antes de seu protesto em frente ao Parlamento sueco até depois de ter se tornado mundialmente conhecida por sua luta em defesa do meio ambiente.

Apesar de ser curto, o livro não deixa a desejar no que se refere às informações sobre a história dessa famosa adolescente. E terminamos sabendo mais do que imaginaríamos.

SÍNDROME DE ASPERGER – Sem dúvida, o ponto que mais chama atenção na obra é a forma como a autora Valentina Camerini expõe a Síndrome de Asperger, transtorno que acompanha Greta desde sua infância. Fica claro o quanto essa condição de saúde impactou seu caminho e de sua família, e como ela direciona sua energia e concentração para a causa que defende.

Como o título é direcionado ao público jovem, a Síndrome é explicada de maneira bem didática e perfeitamente compreensível (veja alguns trechos mais abaixo).

DESIGN E DIAGRAMAÇÃO – A arte do livro é linda, desde a capa às ilustrações internas, com cores em tons de azul (a paleta também inclui amarelo e verde-claro, para contrastar com as cores frias e predominantes).

Outro aspecto interessante é o final do livro, que traz um Glossário, uma Cronologia e uma Lista de atitudes para apoiar o meio ambiente.

Por tudo isso, o livro é um excelente presente. É ideal para amigos ou parentes entre 10 e 15 anos, mas pode ser uma escolha interessante para profissionais que atuem com crianças e jovens ou mesmo para quem se interessa pela questão ambiental.

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ALGUMAS FRASES MARCANTES DO LIVRO

“Será que o mais certo não seria os países com as economias mais desenvolvidas reduzirem seu impacto no meio ambiente para permitir que os outros continuem a construir estradas, hospitais e tudo o que as pessoas precisam para viver melhor?”

“Quem sofre da Síndrome de Asperger costuma se interessar por um assunto e pensar nele o tempo todo, sem conseguir tirá-lo da cabeça. Era exatamente o que estava acontecendo com ela.”

“A mente de Greta também tem outra característica especial: ela consegue se entregar de corpo e alma ao que desperta sua curiosidade. Essa síndrome torna as pessoas determinadas e capazes de uma dedicação extraordinária.”

Livro: A história de Greta
Autor: Valentina Camerini
Editora: Sextante
Páginas: 128

Livro autobiográfico de Michelle Obama conquista o leitor logo nas páginas iniciais

Resultado de imagem para michelle obama livroJúlia de Aquino
Instagram Literário @juentreestantes

Ao abrir seu mundo para mim, Barack estava me mostrando tudo o que eu precisava saber sobre o tipo de parceiro que ele seria para a vida inteira” – este é apenas um trecho dos 60 que marquei na impressionante autobiografia “Minha História”, de Michelle Obama.

O livro é dividido em três partes: 1ª) Minha história, com sua infância, adolescência até a faculdade e seu primeiro emprego; 2ª) Nossa história, sobre seu relacionamento, desde o momento em que começaram a namorar até o nascimento das filhas e a campanha eleitoral; 3ª) Uma história maior, a partir da primeira vitória para presidência, em 2008, aos dias atuais.

PROTAGONISMO – O primeiro destaque do livro é o fato de o protagonismo nunca sair da autora. Mesmo nos momentos em que o “foco” é o Obama, durante as campanhas e no período presidencial, Michelle jamais “some” nos fatos narrados. Afinal, é a personagem principal.

A sinceridade com a qual conta os fatos é evidente. Em muitos momentos Michelle comenta o quanto detesta política e até revela que não acreditava que Barack venceria, além de contar episódios inacreditáveis dos bastidores das campanhas.

É um livro para ser lido com calma, pois em alguns momentos pode ser denso. Apesar disso, nos faz pensar em muitas questões. A todo instante ela conta os fatos com alguns detalhes curiosos e, ao mesmo tempo, emite sua opinião ou ponto de vista.

TEMAS RELEVANTES – Ao longo das mais de 400 páginas, Michelle Obama fala sobre família, maternidade, racismo, educação de meninas e vários outros assuntos.

É inevitável: em algum momento, todos os leitores vão acabar se identificando com ela – tanto homens como mulheres.

Foi maravilhoso saber o quanto sua família a estimulou e ao irmão, apesar de serem bem humildes e com poucos recursos. Os pais apostaram na educação dos dois filhos e em seus sonhos. A parte em que ela narra a morte de seu pai é muito emocionante, pois em capítulos anteriores ela mostra como a relação entre os dois era especial.⠀⠀

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ALGUMAS FRASES MARCANTES DO LIVRO

Para meu pai, o tempo era um presente que se dava aos outros”.

“Muito antes de se tornar um resultado verdadeiro, o fracasso começa como um sentimento”.

“Consome muita energia ser a única pessoa negra numa sala de aula”.

“Grande parte de seu dinheiro era gasto em livros. Para ele, eram como objetos sagrados”.

“Barack tinha a fé simples e estimulante de que se você se mantivesse fiel a seus princípios, tudo daria certo”.

“Quando há um bebê em casa, o tempo se contrai e se dilata, sem obedecer a regras. Um único dia pode parecer interminável, e de repente seus meses se passam num piscar de olhos”.

“Sabíamos que, como candidato negro, ele não podia se permitir nenhum deslize. Tinha que ser duas vezes melhor em tudo”.

“A forma mais fácil de desmerecer a voz de uma mulher é resumi-la a uma pessoa rabugenta. Ninguém criticava Barack por parecer sério demais ou não sorrir muito”.

“Se eu tinha aprendido alguma coisa com os horrores da campanha, era que o julgamento público é veloz em preencher qualquer espaço vazio”.

“Às vezes eu detestava como as fronteiras entre a vida doméstica e a política haviam se dissipado”.

“Eu sabia qual era o estereótipo que deveria encarnar: o de esposa bibelô, arrumada, com um sorriso fixo no rosto, fitando o marido como que arrebatada por cada palavra dele. Essa não era eu, jamais seria. Podia dar apoio, mas não seria um robô”

“Queríamos fazer um trabalho melhor no sentido de democratizar a Casa Branca, para que parecesse menos elitista e mais aberta”.

”Tive a sorte de contar com pais, professores e mentores que me alimentavam sempre com uma mensagem simples: você tem valor”.

“Cresci com um pai incapacitado numa casinha pequena, sem muitos recursos, num bairro que ensaiava a decadência, e também cresci rodeada de amor e música, num país onde a instrução pode nos levar longe. Eu não tinha nada, ou tinha tudo – depende de como você queira contar essa história”.

Livro: Minha história
Autor: Michelle Obama
Editora: Objetiva
Páginas: 440

Entre becos e vielas da Rocinha, conheça a trajetória de Nem, um cidadão comum que dominou o tráfico

Resultado de imagem para dono do morroJúlia de Aquino
Instagram Literário @juentreestantes

“Os moradores estavam contentes com a estabilidade quem Nem trouxera (…), e a favela inteira prosperava dia após dia” – relata “Dono do Morro”, um dos meus livros favoritos de 2019, escrito por Misha Glenny e que prende muito nossa atenção.

Entre becos e vielas, a história de Nem da Rocinha se mistura com a da proliferação da cocaína no Brasil e com o crescimento da própria comunidade retratada, a maior favela do Rio de Janeiro.

EM PLENA ROCINHA – O livro conta a história de um dos líderes do tráfico da Rocinha. Ou melhor, conta como Antônio Francisco Bonfim Lopes, um cidadão comum, se tornou o Nem da Rocinha sem nunca ter tido relação com o tráfico até então.

É extremamente difícil pensar em um único “trecho favorito”, porque diversos parágrafos e capítulos são bem marcantes. O texto é bem amarrado e traça uma linha do tempo narrada de forma excepcional e muito fluida (parágrafos pequenos, frases curtas, diálogos que surgem no momento certo).

HISTÓRIAS INTERLIGADAS – O mais bacana do livro é que ele narra a história do Nem junto com a do Rio de Janeiro e até do país. Desde os anos 1980, com a inundação da cidade pela cocaína até nossa situação política atual.

É incrível como fica ainda mais claro como os políticos, o tráfico de armas, as polícias, os traficantes e a venda/compra de drogas estão completamente relacionados. Isso tudo a gente já sabia, mas com o livro acabamos descobrindo coisas que jamais imaginaríamos.

Quem mora no Rio ou conhece a cidade, sua geografia e seus “personagens” vai apreciar ainda mais a leitura, exatamente por ter maior noção dos lugares e pessoas citadas (bairros, políticos, shoppings etc). E vale a pena!

Resultado de imagem para dono do morroSEM ROMANTIZAR O TEMA – Em nenhum momento o livro tenta romantizar a questão do tráfico, muito menos tornar heróis o personagem Nem ou outros traficantes, assim como se procura minimizar qualquer atitude deles, boa ou ruim. O autor conta o que descobriu com suas pesquisas e entrevistas a moradores e traficantes – mas a personalidade apaziguadora de Nem marca muito a narrativa.

Livro: O dono do Morro – Um homem e a batalha pelo Rio
Autor: Misha Glenny
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 360

 

 

 

Mais que uma homenagem, o livro “Eu sou Ricardo Boechat” é leitura obrigatória

Livro conta 100 histórias sobre Ricardo Boechat

Júlia de Aquino
Instagram Literário @juentreestantes

“Essa era a essência de Boechat. Lidar com a vida, de maneira séria, se preocupando com os demais, mas sempre encontrando um momento para nos fazer sorrir” – assim o jornalista Ricardo Boechat é lembrado pelos amigos Eduardo Barão e Pablo Fernandez, que conheci no final do ano passado, quando estive presente ao lançamento do livro “Eu sou Ricardo Boechat”, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro. Entrei na fila para conversar com os autores, que conviveram com Boechat na BandNews FM e estavam lá para autografar os livros.

Na minha vez, Eduardo Barão e Pablo Fernandez autografaram o livro, conversaram comigo e fizeram vídeos para o @juentreestantes, falando um pouco sobre o trabalho e sobre as expectativas em relação ao livro. Muito simpáticos e atenciosos.

MUITA EMOÇÃO – Como eu não costumava ouvir rádio, não estava tão empolgada para ler, mas vi tanta gente emocionada na livraria, que no dia seguinte decidi passá-lo na frente das outras obras da minha fila de leitura.

Esse livro me surpreendeu. Muito. Tanto, mas tanto, que dos 41 que li m 2019, ele se tornou um dos favoritos do ano. Coloco alguns motivos abaixo, porém o mais importante é que, quando você começar a ler, não vai conseguir parar. É o tipo de livro que a gente devora. Principalmente se você é fã do apresentador.

São 100 histórias sobre Boechat, contadas pelos autores, que trabalharam com ele na rádio durante quase quinze anos. Eles relembram os melhores momentos que viveram com Boechat e contam passagens muito divertidas e emocionantes sobre o jornalista.

LEITURA RÁPIDA – A leitura é muito fluida e nos prende do início ao fim. Li em apenas dois dias. O formato é ótimo – cada página praticamente é uma história, as mais extensas têm somente duas páginas, o que faz a leitura ser ainda mais rápida e nada cansativa.

Para mim, as mais engraçadas foram duas: uma que conta sobre o dia em que ele esqueceu sua própria filha na praia e, a outra, que narra a ocasião em que ele pegou um táxi de São Paulo até o Sul e deixou a conta pra rádio pagar.

Barão. Júlia e Fernandez na noite de autógrafos

Dificilmente eu rio ou choro com livro. Com esse eu dei gargalhada, fiquei curiosa, me fez refletir… Um verdadeiro mix de emoções! E achei incrível conhecer o lado “vou salvar o mundo” do Boechat, sempre ajudando as pessoas e deixando marcas felizes na vida delas.

UM LIVRO ESPECIAL – Com toda certeza, não é mais um livro que vai ficar na sua estante depois de lido. É um livro que você vai olhar e vai ficar feliz por ter tido a oportunidade de ler e ficar conhecendo uma jornalista de verdade, além daquele Boechat-famoso-que-fala-na-rádio.

A introdução dos autores e o último texto, com parte escrita pela mãe dele, D. Mercedez, e com mais uma parte da mulher, a Doce Veruska, são trechos realmente emocionantes.

Já leram o livro? Gostaram? Se não leram, têm vontade? Confiram mais dicas e conteúdo literário no Instagram @juentreestantes

Livro: Eu sou Ricardo Boechat
Autores: Eduardo Barão e Pablo Fernandez
Editora: Panda Books
Páginas: 224

Acusado de “rachadinha”, tipo Flávio Bolsonaro, vereador é cassado em Belo Horizonte

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Cláudio Duarte foi cassado em BH por unanimidade

Juliana Cipriani
Estado de Minas

Em uma reunião marcada por ameaças de morte, boletim de ocorrência e presença de reforço policial, o vereador Cláudio Duarte (PSL) teve o mandato cassado, na manhã desta quinta-feira (1°/8), pela Câmara Municipal de Belo Horizonte. O relatório pela perda do mandato foi aprovado com 37 votos e nenhum contrário. O suplente dele, que será convocado a tomar posse, é Ronaldo Batista, do PMN (partido pelo qual Cláudio Duarte, que hoje integra a mesma legenda do presidente Jair Bolsonaro, foi eleito).

Eram necessários 28 votos, equivalentes a dois terços dos parlamentares. É a primeira vez na história que a Câmara cassa um parlamentar. Na sessão havia 39 parlamentares presentes, mas a vereadora Nely Aquino não votou por ser presidente e o acusado Cláudio Duarte não se posicionou.

FOI ATÉ PRESO – A sessão começou com a leitura do relatório do vereador Mateus Simões, que pediu a cassação de Cláudio Duarte por ele ter recolhido parte dos salários dos funcionários de gabinete e ter causado constrangimento à Câmara ao ter sido preso no dia 2 de abril. A outra motivação foi que ele teria mentido durante a comissão processante que analisou seu caso no Legislativo Municipal.

Na denúncia apresentada pelo advogado Mariel Marra, o parlamentar é acusado de obrigar os assessores a devolver parte do salário recebido por trabalhar em seu gabinete na Câmara Municipal.

Enquanto integrantes da Mesa liam o processo, Nely subiu à galeria para abraçar pessoas que levaram cartazes de apoio a ela. Na sequência, ela e o vereador Jair di Gregório se reuniram com o delegado Thiago Pacheco, da 1ª Delegacia de Polícia Civil Leste, e narraram as ameaças sofridas na noite anterior. Eles também mostraram os vídeos recebidos e informaram que seus filhos de seis (de Nely) e 17 anos (de Gregório) foram usados para intimidá-los.

CASSAÇÃO – Mateus Simões concluiu o relatório pedindo a cassação do vereador Cláudio Duarte por infrações que configuram quebra decoro, pela prática de rachadinha, por apresentar versões contraditórias e por ter sido preso. Antes da votação, 12 vereadores foram à tribuna falar do processo e repudiar as ameaças à Casa.

Na sequência, o vereador Mateus Simões disse que as provas são conclusivas e evidentes. “O vereador foi preso, está de tornozeleira eletrônica e praticou rachadinha. Não há dúvida da quebra de decoro e o vereador deve ser cassado”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro e Fabrício continuam numa boa… (C.N;)

Ele afirmou ser inaceitáveis as ameaças à presidente da Câmara Nely Aquino e a Jair de Gregório e disse que hoje é um dia de coragem. “Espero que possamos terminar sem comemorações porque esse é um momento triste para a Câmara Municipal. Teremos a cassação do primeiro vereador na capital reconhecendo que nós vivemos a impregnação da corrupção”, disse.

DEFESA – O vereador Cláudio Duarte acompanhou, assentado em uma das cadeiras do plenário, a sua defesa, feita pelo advogado Vicente Rezende Junior, que começou dizendo que o parlamentar não tem nada a ver com as ameaças feitas aos vereadores e está à disposição para esclarecer os fatos.

Em relação à prática de rachadinha, segundo ele, o que há contra o vereador é um inquérito policial. Sobre a prisão temporária do vereador Cláudio Duarte, o advogado disse que não se tratou de um flagrante delito nem de uma condenação. Sobre a acusação de que houve uma ameaça de morte a um funcionário por parte do vereador, ele disse que no próprio depoimento do funcionário, ao ser ouvido como testemunha, negou que isso tenha ocorrido.

Segundo ele, a prisão não foi ocasionada por nenhuma conduta do vereador Cláudio Duarte, mas por uma “calúnia da imprensa”. O advogado disse o vereador sequer é réu e muito menos confesso e que não há qualquer comprovação que ele tenha exigido parte do salário dos funcionários. Mesmo assim, o vereador foi cassado por unanimidade do presentes.

Pesquisadora condena mitos existentes sobre adoção de crianças

Júlia de Aquino
Site da UERJ

Mãe adotiva há mais de duas décadas, Ana Perez Pacheco escolheu o tema “adoção” para concluir seu mestrado em Saúde Coletiva no Instituto de Medicina Social da UERJ, em 2008. A dissertação, contudo, abrange diversos aspectos acerca do assunto, como a reflexão sobre uma possível adoção aberta e sobre a situação da mãe doadora. Além disso, sinaliza para a importância de uma discussão sobre mitos e preconceitos que cercam o tema.

Para a autora, é essencial reconhecer as diferenças econômicas e culturais existentes entre as duas famílias (biológica e adotiva), para, a partir daí, buscar uma adoção aberta, sempre privilegiando os interesses da criança. Segundo Ana, “a necessidade da verdade envolve não só o fato de se revelar à criança adotiva a sua condição, mas principalmente a possibilidade de se lidar com esta condição de forma cristalina”.

MÃES INVISÍVEIS

Em sua análise, ela expõe que a as mães que doam seus filhos são consideradas invisíveis, apesar de nosso sistema ainda enxergar os laços de sangue como prioridade. A expressão “luto não franqueado” está relacionada ao luto vivido por essas mulheres, que por inúmeras razões optam pelo caminho da doação de seus filhos e  acabam sendo marginalizadas. O estudo aponta que o conceito de “abandono” é tratado de forma equivocada, já que em muitas situações a “entrega” (termo mais utilizado nesses casos) está relacionada ao sentimento de amor.

Mitos também contribuem para que o assunto, ainda hoje, seja considerado um tabu. Muitos enxergam a adoção como um ato de caridade. Também há a crença infundada no risco de um suposto desvio de caráter genético do indivíduo adotado, além de outros mitos como o da rejeição por parte da criança no momento em que ela souber sobre sua verdadeira origem. Tantas crenças, segundo a autora, têm alicerce nos dogmas sociais e no senso comum, já que o Ocidente não trata do assunto com naturalidade: “A adoção é algo que foge ao ‘natural’ da cultura ocidental moderna, fincada na tradição da família consanguínea”.

A pesquisa relembra, por fim, a importância da implantação de políticas de governo e de ações comunitárias para se estimular a adoção consciente, além do apoio a diversos tipos de relação, como a homoafetiva e a socioafetiva, por exemplo. Segundo a pesquisa, “as novas configurações familiares trazem consigo também novas possibilidades de adoção”.

 

Sem limites para alcançar a excelência

Miles Teller brilha como personagem principal de Whiplash

Júlia de Aquino
LED UERJ 

No lugar de créditos e trilha sonora, sons de tambores e pratos: é assim que tem início Whiplash – Em Busca da Perfeição, uma experiência musical que merece ser conhecida por todos. O filme vencedor de dois prêmios no Festival de Sundance em 2014, e presente em muitos outros, como Cannes e Toronto, traz a história de Andrew, um adolescente que almeja se tornar o maior baterista de jazz de sua geração. Para isso, no entanto, ele deve suportar o rígido e impiedoso professor Terence Fletcher, cujos métodos beiram o cruel.

O roteiro e a direção ficam por conta de Damien Chazelle (Toque de Mestre), que resume no longa diversos sentimentos familiares àqueles que sonham em ser profissionais da música. Escolhas difíceis, ceticismo por parte dos que estão ao redor, concessões e comportamentos implacáveis inundam a história e transmitem ao espectador toda a tensão vivida por Andrew.

Miles Teller (Divergente) é o protagonista da trama, e sua performance justifica o sucesso do ator, que já está confirmado para O Quarteto Fantástico (2015). Ao mesmo tempo em que demonstra insegurança – seu personagem tem apenas 19 anos –, Andrew é extremamente esforçado, e as expressões de Teller demonstram todo o sacrifício e o esforço para ser o melhor.

TORMENTO PSICOLÓGICO

O ator J.K. Simmons, o J. Jonah Jameson da trilogia Spider Man, interpreta com maestria o intransigente Fletcher, e transforma a busca pela perfeição num tormento psicológico – tanto para seu aluno, no filme, como para quem assiste. A atuação de Simmons beira o desconcertante e o relacionamento conflituoso entre professor e aluno atingem o espectador de maneira envolvente e perturbadora.

Toda essa explosão de talento, contudo, não seria possível sem instrumentos como trompete, saxofone, piano e bateria em primeiríssimo plano, ou os detalhes captados pelas câmeras. Chazelle concede ao público maravilhosas tomadas, cuja velocidade e ritmo coincidem com o som ao fundo, seja ele em ritmo lento ou composto por batidas agitadas e rápidas.

Whiplash – Em Busca da Perfeição é maravilhoso. Uma obra que vai mexer com todos aqueles que tiverem o prazer de assisti-la. Uma viagem sonora com direito a uma mistura de emoções.

Netos de Brizola não são donos do PDT, o partido não é uma fazenda

Antonio Santos Aquino

Os netos de Brizola lamentavelmente se deixaram influenciar por um deputado estadual do PDT que acaba de sair do partido. Esse deputado e o marido de Dilma, o falso guerrilheiro que voltou ao partido, o tal Carlos Araújo,  é que influenciaram os netos do Brizola dizendo que são herdeiros do PDT, como se o PDT fosse uma fazenda.

Nada fizeram pelo partido; eram crianças quando foi fundado o partido. O vereador Leonel Brizola Neto já foi chamado de vagabundo e fumador de maconha por Cidinha Campos. Amiga de Brizola e dona Neusa, avós dele, Cidinha o conhece bem desde quando ficava no Arpoador enchendo a cabeça de fumaça. Nunca se interessou por nada. Ele e os irmãos vivem fomentando intrigas apoiados pelo tal falso guerrilheiro marido de Dilma.

O general Golbery do Couto e Silva infiltrou muita gente no PDT para desestabilizar Brizola. Se Dilma e Araújo foram infiltrados, não podemos afirmar. Mas, temos o direito, como trabalhistas desde o tempo de Getúlio, de desconfiar pois Dilma e o pilantra do Araújo SEMPRE TIVERAM MAIS PRÓXIMOS DA UDN. Não tiveram nenhuma relação com os trabalhistas antes de 1964.

Por que então, depois de passarem pelas mãos de Fleury e serem soltos, foram de fininho entrar no PDT? Em 2001 traíram Brizola e o PDT no Rio Grande do Sul, dando Dilma um arrastão no partido levando 504 pedetistas para o PT.

Brizola elegeu Lupi o primeiro vice-presidente. Com sua morte, Lupi assume legalmente, ficando ele, Manoel Dias e Vieira da Cunha responsáveis pelo partido. Lupi passou 25 anos trabalhando com Brizola sem nenhuma falha. Vem agora esse pilantra chamado Leonel Brizola Neto dizer que está ameaçado de morte. Lupi nunca se envolveu com violência.

Só para lembrar, Juliana, gêmea de Leonel Neto, já foi processada por Vieira da Cunha; Leonel agora está processado por Lupi. Tem mais: esse pilantra foi falar ao jornal O Globo, inimigo mortal do governador Brizola, avô dele. Não tem gabarito para discutir o partido.