Uma desesperada canção de amor de Joubert de Carvalho, por Silvio Caldas

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Joubert de Carvalho é autor de grandes sucessos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O médico e compositor mineiro Joubert Gontijo de Carvalho (1900-1977), na letra de “Minha Casa”, explica que de nada adianta buscar um lugar melhor para viver, se na nova casa só existe solidão, não existe amor. A música “Minha Casa” foi gravada por Sílvio Caldas, em 1946, pela Continental.

MINHA CASA
Joubert de Carvalho

Foi num dia de tristeza
Que a cidade abandonei
Sem saber o que fazer
Na esperança de encontrar
Pela vida, algum prazer
Alegria em algum lugar
Lá no alto da Tijuca
Tem um sítio bem florido
Onde agora estou morando
Com os pássaros em festa
De galho em galho cantando
Lá dentro, pela floresta

Minha casa é tão bonita
Que dá gosto a gente ver
Tem varanda, tem jardim
Ainda agora estou esperando
Uma rede para mim
A embalar de quando em quando

Minha casa é uma riqueza
Pelas jóias que ela tem
Minha casa aqui tem tudo
Tanta coisa de valor
Minha casa não tem nada
Vivo só, não tenho amor                                    

A visão do arco-íris após a chuva, na criatividade do poeta Olegário Mariano

Olegário Mariano, retratado por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

O “Arco-Íris” marca presença na visão poética do diplomata, político e poeta pernambucano Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889-1958).

ARCO-ÍRIS
Olegário Mariano

Choveu tanto esta tarde
Que as árvores estão pingando de contentes.
As crianças pobres, em grande alarde,
Molham os pés nas poças reluzentes.

A alegria da luz ainda não veio toda.
Mas há raios de sol brincando nos rosais.
As crianças cantam fazendo roda,
Fazendo roda como os tangarás:

“Chuva com sol!
Casa a raposa com o rouxinol.”

De repente, no céu desfraldado em bandeira,
Quase ao alcance da nossa mão,
O Arco-da-Velha abre na tarde brasileira
A cauda em sete cores, de pavão.

A mistura de raças nos requebros da mulher brasileira, na visão do poeta Olavo Bilac

Resultado de imagem para olavo bilacPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e poeta carioca Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865-1918), no soneto “Música Brasileira”, faz uma homenagem poética aos diferentes gêneros musicais que à época eram os preferidos em nosso país. Bilac foi responsável pela criação da letra do Hino à Bandeira, inicialmente criado para circulação na capital federal da época (o Rio de Janeiro), e mais tarde sendo adotado em todo o Brasil. Também ficou famoso pelas fortes convicções políticas, sobressaindo-se a ferrenha oposição ao governo militar do marechal Floriano Peixoto.

MÚSICA BRASILEIRA
Olavo Bilac

Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.

És samba e jongo, xiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:

E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes.

A história da vida de João do Vale no Maranhão, onde nasceu o Poeta do Povo

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor e cantor maranhense João Batista do Vale (1933-1996), o Poeta do Povo, representou o grito contido das massas contra todo o tipo de injustiça social. A letra de “Minha História” retrata o retirante nordestino que, na tentativa de superar o seu estado social de oprimido, sai em busca de uma vida melhor na cidade grande, onde a saudade, a alegria e a tristeza por seus colegas de infância são uma constante no seu cotidiano. O baião Minha História foi gravado por João do Vale no LP O Poeta do Povo, em 1965, pela Philips.


MINHA HISTÓRIA
João Cândido e João do Vale

Seu moço, quer saber, eu vou cantar num baião
Minha história pra o senhor, seu moço, preste atenção

Eu vendia pirulito, arroz doce, mungunzá
Enquanto eu ia vender doce, meus colegas iam estudar
A minha mãe, tão pobrezinha, não podia me educar
A minha mãe, tão pobrezinha, não podia me educar

E quando era de noitinha, a meninada ia brincar
Vixe, como eu tinha inveja, de ver o Zezinho contar:
– O professor raiou comigo, porque eu não quis estudar
– O professor raiou comigo, porque eu não quis estudar

Hoje todo são “doutô”, eu continuo joão ninguém
Mas quem nasce pra pataca, nunca pode ser vintém
Ver meus amigos “doutô”, basta pra me sentir bem
Ver meus amigos “doutô”, basta pra me sentir bem

Mas todos eles quando ouvem, um baiãozinho que eu fiz,
Ficam tudo satisfeito, batem palmas e pedem bis
E dizem: – João foi meu colega, como eu me sinto feliz
E dizem: – João foi meu colega, como eu me sinto feliz

Mas o negócio não é bem eu, é Mané, Pedro e Romão,
Que também foram meus colegas, e continuam no sertão
Não puderam estudar, e nem sabem fazer baião

Um desesperado poema de amor, na criatividade do poeta Murilo Mendes

Paulo Peres    Site Poemas & Canções

O notário e poeta mineiro Murilo Monteiro Mendes (1901-1975), no poema “Fanático”, expõe seu exacerbado amor por uma mulher.

POEMA DO FANÁTICO
Murilo Mendes

Não bebo álcool, não tomo ópio nem éter,
Sou o embriagado de ti e por ti.
Mil dedos me apontam na rua:
Eis o homem que é fanático por uma mulher.

Tua ternura e tua crueldade são iguais diante de mim
Porque eu amo tudo o que vem de ti.
Amo-te na tua miséria e na tua glória
E te amaria mais ainda se sofresses muito mais.

Caíste em fogo na minha vida de rebelado.
Sou insensível ao tempo – porque tu existes.
Eu sou fanático da tua pessoa,

Da tua graça, do teu espírito, do aparelhamento da tua vida.
Eu quisera formar uma unidade contigo
E me extinguir violentamente contigo na febre da minha, da tua, da nossa poesia.

Uma belíssima música de Pixinguinha, que não tinha letra e ficou mais bela ainda

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Braguinha, homenageado pela Mangueira em 1984

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor carioca Carlos Alberto Ferreira Braga (1907-206), conhecido como Braguinha ou João de Barro, fez uma belíssima declaração de amor ao colocar letra no famoso choro “Carinhoso”, um dos maiores clássicos da MPB, composto por Pixinguinha.  “Carinhoso” foi gravado por Orlando Silva, em 1937, pela RCA Victor.

CARINHOSO
Pixinguinha e Braguinha

Meu coração, não sei por quê
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo,
Mas mesmo assim foges de mim.

Ah se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero.
E como é sincero o meu amor,
Eu sei que tu não fugirias mais de mim.

Vem, vem, vem, vem,
Vem sentir o calor dos lábios meus
A procura dos teus.
Vem matar essa paixão
Que me devora o coração
E só assim então serei feliz,
Bem feliz.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER!
Paulo Peres

Quero parabenizá-la, dizendo que
não existe palavra capaz de definir,
peculiarmente, esta dádiva chamada
MULHER, maravilha infinita
que embeleza o cotidiano!…

“Nas portas desse botequim, passaram tempos antigos, passaram sonhos, amigos…” (Ivan Lins)

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Ivan Lins, um dos grandes nomes da música brasileira

Paulo Peres
Poemas & Canções

O químico, instrumentista, cantor e compositor carioca  Ivan Guimarães Lins relembra personagens, sonhos, costumes e objetos que através do tempo passaram “Nesse Botequim”, que cita o clássico “Águas de Março”, de Tom Jobim. Ivan Lins gravou essa música no LP Chama Acesa, em 1975, pela RCA Victor. É uma das raras composições de Ivan Lins, em que ele fez música e letra.

NESSE BOTEQUIM
Ivan Lins

Nas portas desse botequim
Passaram tempos antigos
Passaram sonhos, amigos
Passaram crimes, castigos
Nas portas desse botequim
Passaram porcos e vadios
Passaram povos, pavios
Passaram os corpos vazios
Nas portas desse botequim
Passaram teias daninhas
Passaram reis e rainhas
Passaram fés, ladainhas
Nas portas desse botequim
Passaram trens e tratores
Passaram cães e tambores
Passaram bois voadores
Nas portas desse botequim
Passaram barbas, batinas
Passaram mãos assassinas
Passaram grossas cortinas
Nas portas desse botequim
Passaram quedas de braço
Passaram trevas de aço
Passaram as águas de março
“É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho”

Na visão de Menotti del Picchia, a poesia é ouro, não importa quem seja o garimpeiro

Resultado de imagem para menotti del picchiaPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, tabelião, advogado, político, romancista, cronista, pintor, ensaísta e poeta paulista Paulo Menotti Del Picchia (1892-1988), nos versos de “Poesia é Ouro”, explica que não importa o estilo do poema, mas o seu inatingível substrato.

POESIA É OURO
Menotti Del Picchia

Onde está a poesia?
Na imaginação do garimpeiro
ainda oculta na pepita lasca de luz na quina da pedra bruta.
Ouro é ouro
mineral na terra, puro. Fundido
não degradado no amálgama embora sofisticado
em molde e moda
no brinco barroco na cintilação do dente
no céu de esmalte de uma boca jovem
concha aberta num sorriso.

Poesia é ouro
carregada de história no cunho da moeda antiga
mística na âmbula, sagrada no romance
do anel nupcial amor alegria sofrimento vida.

Não importa forma ou fôrma não importa o lugar
não importa
se jovem é o ourives ou velho o garimpeiro.

O que vale é a incontaminda essência.

Um domingo na praça do Recife, na criatividade do poeta Mauro Mota

Mauro Mota, um grande poeta pernambucano

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, jornalista, professor, memorialista, cronista, ensaísta e poeta pernambucano Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (1911-1984) explica que este “Domingo na Praça” é bastante antigo.

DOMINGO NA PRAÇA
Mauro Mota

Na praça, este domingo
não é de hoje: é antigo.

O banco, o lago, a relva
para onde é que me levam?
Ai, dezembro de acácias,
esta praça não passa.
E essa gente depressa
(a moça e a bicicleta)
passa para deixar-se
um pouco nesta tarde.
Ai, dezembro de acácias,
este cheiro, esta música…

Sou, domingo na praça,
um momento o que fui.

“Ô Antonico, vou lhe pedir um favor, que só depende da sua boa vontade…”

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Ismael Silva, um sambista de grande inspiração

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor Ismael Silva (1905-1978), nascido em Niterói (RJ), para fazer a letra de “Antonico”, inspirou-se em uma carta de Pixinguinha para Mozart de Araújo, na qual o maestro pedia ao amigo um emprego para um sambista em dificuldade. O samba “Antonico” foi gravado por Alcides Gerardi, em 1950, pela Odeon.

ANTONICO
Ismael Silva

Ô Antonico
vou lhe pedir um favor
Que só depende da sua boa vontade
É necessário uma viração pro Nestor
Que está vivendo em grande dificuldade
Ele está mesmo dançando na corda bamba
Ele é aquele que na escola de samba
Toca cuíca, toca surdo e tamborim
Faça por ele como se fosse por mim

Até muamba já fizeram pro rapaz
Porque no samba ninguém faz o que ele faz
Mas hei de vê-lo bem feliz, se Deus quiser
E agradeço pelo que você fizer

A estória triste do Assum preto, na composição de Gonzaga e Humberto Teixeira

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Teixeira e Gonzaga, grandes amigos e parceiros

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, compositor e poeta cearense Humberto Cavalcanti Teixeira (1915-1979), na letra de “Assum Preto”,  descreve a beleza de uma paisagem bucólica, comum no sertão após as chuvas, pois quando há estação chuvosa na região pode-se ver o reverdecimento da mata e isto traz alegria e esperança para o sertanejo. No entanto, a beleza do sol de abril e das flores não pode ser apreciada por um pássaro assum preto, porque não a vê, já que é cego. Contudo, a beleza é expressada através de um canto doloroso, uma forma de superar sua sina, porque furaram-lhe os olhos. O baião “Assum Preto” foi gravado, primeiramente, por Luiz Gonzaga, em 1950, pela RCA Victor.

ASSUM PRETO
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Tudo em volta é só beleza
Sol de Abril e a mata em flor
Mas Assum Preto, cego dos olhos
Não vendo a luz, ai, canta de dor…
Tarvez por ignorância
Ou maldade das piores
Furaram os olhos do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantar melhor…
Assum Preto vive solto
Mas não pode voar
Mil vezes a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse olhar…
Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também roubaram o meu amor
Que era a luz, ai, dos olhos meus.

“Canção do dia de sempre”, na criatividade esperançosa de Mário Quintana

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Poemas & Canções

O jornalista, tradutor e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994), no poema “Canção do Dia de Sempre”, constrói um alerta sobre o verdadeiro estado geral das coisas – a mudança.

CANÇÃO DO DIA DE SEMPRE
Mário Quintana

Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…

“Quem me dera viver pra ver e brincar outros carnavais…” (de Vinicius e Carlos Lyra)

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Vinicius e Lyra, dois expoentes da bossa nova

Paulo Peres
Poemas & Canções

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta carioca Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes (1913-1980) escreveu com Carlos Lyra, em 1963, a “Marcha da quarta-feira de cinzas”. O lirismo melancólico dos foliões a espera do próximo carnaval, que imperava na letra, depois serviu também como música de protesto contra a ditadura militar de 1964. Embora consagrada pela voz de Nara Leão, essa marcha-rancho foi gravada, inicialmente, por Jorge Goulart, em 1963, pela Copacabana.

MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor.

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade…

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar.

Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe…

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.

‘Mas é Carnaval! Não me diga mais quem é você! Amanhã tudo volta ao normal…

Resultado de imagem para noite dos mascaradosPaulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Hollanda, na letra de “Noite dos Mascarados”, descreve o encontro de duas pessoas no carnaval que procuram um grande amor. Essa marcha-rancho foi gravada no Lp Chico Buarque de Hollanda – Vol. 2, em 1966, pela RGE.

NOITE DOS MASCARADOS
Chico Buarque

– Quem é você?
– Adivinha, se gosta de mim!
Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:
– Quem é você, diga logo…
– Que eu quero saber o seu jogo…
– Que eu quero morrer no seu bloco…
– Que eu quero me arder no seu fogo.
– Eu sou seresteiro, poeta e cantor.
– O meu tempo inteiro
   Só zombo do amor.
– Eu tenho um pandeiro.
– Só quero um violão.
– Eu nado em dinheiro.
– Não tenho um tostão.
–  Fui porta-estandarte,
    Não sei mais dançar.
– Eu, modéstia à parte,
    Nasci pra sambar.
– Eu sou tão menina…
– Meu tempo passou…
– Eu sou Colombina!
– Eu sou Pierrô!
– Mas é Carnaval!
   Não me diga mais quem é você!
   Amanhã tudo volta ao normal.
   Deixa a festa acabar,
   Deixa o barco correr.
   Deixa o dia raiar, que hoje eu sou
   Da maneira que você me quer.
   O que você pedir eu lhe dou,
   Seja você quem for,
   Seja o que Deus quiser!
   Seja você quem for,
   Seja o que Deus quiser! 

“A velhice da porta-bandeira”, na visão de Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

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Selminha Sorriso (Beija-Flor) é porta-bandeira há 25 anos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, compositor e poeta carioca Paulo César Francisco Pinheiro, na letra de “A velhice da porta-bandeira”, em parceria com Eduardo Gudin, registra que a vida partilha alegrias e tristezas enquanto o tempo passa e, nas escolas de samba, há sempre outra porta-bandeira a espreitar.

Esse samba foi gravado no LP “O importante é que a nossa emoção sobreviva”, em 1974, pela Odeon, por Eduardo Gudin, Paulo César Pinheiro e a cantora Márcia, alcançando repercussão nacional com o disco e os shows realizados por diversos estados.

A VELHICE DA PORTA-BANDEIRA
Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Ela renunciou
A Mangueira saiu, ela ficou
Era porta-bandeira
Desde a primeira vez
Por que terá sido isso que ela fez?

Não, ninguém saberá
Ela se demitiu, outra virá
Ninguém a viu chorando
Coisa tão singular
Quando a bandeira tremeu no ar

Ô… quando toda avenida sambou
O seu mundo desmoronou
Ela se emocionou
Perto dela ela ouviu, alguém gritou:
“Viva a porta-bandeira”,
“Sou eu”, ela pensou
Mas foi a outra quem se curvou
Ô… quando toda avenida sambou
O seu mundo desmoronou
Ô… quando a porta-bandeira passou
Quem viu
Ela se levantou e aplaudiu

Dois poemas de Paulo Peres que relembram a História do Carnaval do Rio de Janeiro

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No verde e amarelo, uma cultura tipicamente brasileira

Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca Paulo Roberto Peres, nos poemas “Samba na Escola” e “Zeca-José”, fala de partes históricas do carnaval carioca.

SAMBA NA ESCOLA
Paulo Peres

Grandes sociedades, ranchos, blocos e cordões
Através da organização, tal realeza dos salões, …
Criaram as Escolas de samba no Rio de Janeiro.
Ópera do sonho-folia do carnaval brasileiro.

Deixa Falar, primeira escola fundada
No Estácio, local de bamba, abençoada
Pelo samba de afro-baiana origem
E tempero carioca, democratizou a imagem.

Na Praça Onze, casa da Tia Ciata,
O batuque, compasso dois por quatro, reuniu a nata
Da malandragem, hoje, sambistas geniais.

O surdo e o tamborim ritmaram os usuais
Instrumentos e cantos, tal marcação harmonia
Fez do samba uma escola desfilando poesia.

ZECA-JOSÉ
Paulo Peres

Viva o Zé Pereira
Viva o carnaval
Batucada feiticeira
Na folia Imperial

Na memória do Brasil
Festas vindas de Portugal
Zé Pereira substituiu
O Entrudo inicial

A história transformou
Zé Pereira em José
Zeca então referendou
Seu destino (vai-e-tem)

Tal Zeca pedreiro
E José batuqueiro
Ele vai vivendo
E filhos nascendo

Tijolo em tijolo
Sonhando subir
O samba é o consolo
Prá vida curtir

Acorda o sentido
No passar repetido
Da escola de samba,
Brasileiro bamba

No trem é pingente
É Zeca pedreiro
No samba é presidente
É José batuqueiro

Vai fantasiado de fome
E de medo
Procura o seu nome
No meio do enredo

A presença eterna de Chiquinha Gonzaga, embalando o sonho dos carnavais

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Poemas & Canções

A regente, pianista e compositora carioca Francisca Hedwiges de Lima Neves Gonzaga (1847-1935) compôs a marcha-rancho “Ó Abre-Alas” para o Cordão Rosa de Ouro, do bairro do Andaraí, em 1899, primeiro grande destaque carnavalesco que se tem registro na MPB, segundo a História da Música Popular Brasileira – Grandes Compositores, da Abril-Cultural.

O ABRE–ALAS
Chiquinha Gonzaga

Ó abre alas!
Que eu quero passar (bis)
Eu sou da lira
Não posso negar (bis)

Ó abre alas!
Que eu quero passar (bis)
Rosa de Ouro
É que vai ganhar (bis)

No imaginário da poesia, tudo de bom pode acontecer quando o carnaval chegar…

Resultado de imagem para Mardilê FabrePaulo Peres
Poemas & Canções

A professora e poeta gaúcha Mardilê Friedrich Fabre fez um poema sobre a expectativa da chegada do Carnaval, quando os sonhos podem até se tornar realidade.

QUANDO O CARNAVAL CHEGAR…
Mardilê Fabre

Quando o Carnaval chegar,
Fantasiar-me-ei de rosa…
O mundo irei perfumar,
Dançarei bela e dengosa.

Fantasiar-me-ei de rosa…
Arlequim me beijará…
Dançarei bela e dengosa.
A festa nossa será.

Arlequim me beijará,
Pierrô ficará comigo,
A festa nossa será,
Desfarei amor antigo.

Pierrô ficará comigo,
Viveremos outra história,
Desfarei amor antigo,
Intriga contraditória…

“Eu sou o samba, a voz do morro sou eu mesmo, sim senhor”, cantava o genial Zé Kéti

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O cantor carioca Zé Kéti era a voz do morro personificada

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Zé Kéti, nome artístico de José Flores de Jesus (1921-1999), sentiu a sua carreira começar a deslanchar em 1955, quando o seu samba “A voz do morro”, gravado por Jorge Goulart, pela Continental, fez enorme sucesso na trilha do filme “Rio 40 graus”, de Nelson Pereira dos Santos. “A Voz do Morro” mostra em sua letra que o samba é a única voz valorizada no morro, transformada em um condutor de alegria do Rio de Janeiro para o resto do país.

A VOZ DO MORRO
Zé Kéti

Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei dos terreiros

Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões
De corações brasileiros

Mais um samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo do país
Viva o samba, vamos cantando
Essa melodia do Brasil feliz

Separação de Herivelto Martins e Dalva de Oliveira rendeu alguns clássicos da MPB

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Herivelto e Dalva viveram uma tumultuada história de amor

Paulo Peres
Poemas & Canções

O ator, cantor e compositor nascido em Vila de Rodeio, atual Município de Engenheiro Paulo de Frontin (RJ), Herivelto de Oliveira Martins (1912-1992), viveu com Dalva de Oliveira um intenso e turbulento amor entre 1930 e 1940. Segundo alguns historiadores, o relacionamento rendeu alguns clássicos para a MPB, entre os quais, “Bom Dia”, em parceria com Aldo Cabral, cuja letra retrata a surpresa e o sofrimento que uma separação podem trazer. O samba Bom Dia foi gravado por Linda Batista, em 1942, pela RCA Victor.

BOM DIA
Aldo Cabral e Herivelto Martins

Amanheceu, que surpresa
Me reservava a tristeza
Nessa manhã muito fria
Houve algo de anormal
Tua voz habitual
Não ouvi dizer
Bom dia!
Teu travesseiro vazio
Provocou-me um arrepio
Levantei-me sem demora
E a ausência dos teus pertences
Me disse, não te convences
Paciência, ele foi embora

Nem sequer no apartamento
Deixaste um eco, um alento
Da tua voz tão querida
E eu concluí num repente
Que o amor é simplesmente
O ridículo da vida

Num recurso derradeiro
Corri até o banheiro
Pra te encontrar, que ironia
E que erro tu cometeste
Na toalha que esqueceste
Estava escrito bom dia