Eleito deputado, general propõe impeachment e prisão de ministros do STF

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Gilmar Mendes é o principal alvo do general-deputado

Pedro do Coutto

A matéria foi publicada na página 8 da edição de ontem de O Estado de São Paulo. O general Eliezer Girão Monteiro Filho, eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte, está defendendo impeachment e prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal que tenham beneficiado com despachos irregulares os acusados de corrupção. O general citou como exemplo a libertação do ex-deputado José Dirceu e os ex-governadores Beto Richa e Marconi Perillo.

Destacou o deputado eleito que “não pode haver negociação com quem se vendeu”. E sua declaração inclui a responsabilidade do Senado Federal como árbitro do impeachment.

SETA LANÇADA – O fato chama atenção pelo inusitado da iniciativa, e também pela direção a quem se dirige a seta lançada. O episódio, importante em si, no sentido direto, traduz uma dificuldade de relacionamento que deve marcar as decisões parlamentares e as decisões da Corte Suprema.

Pode se argumentar que esta iniciativa seja uma ruptura da independência entre os Poderes, já que na história da República é praticamente impossível encontrar-se outro exemplo. Contudo, deixa assinalada uma atmosfera bastante densa que vai se verificar ao longo do provável governo Jair Bolsonaro.

Essa atmosfera inclui reflexos do pensamento, certamente, de alguns setores militares que estão formando a corrente do sucessor do presidente Michel Temer. São formas de agir que revelam modos de pensar bastante diverso.

PENA DE PRISÃO – O general deputado propõe até a prisão dos ministros que considera como bases voltadas para a liberação de acusados. Parece difícil que a iniciativa do novo parlamentar seja levada adiante pelo Senado, que já sentou em cima de diversos pedidos de impeachment de ministros do STF, especialmente Gilmar Mendes. Até porque criaria um fato sem precedentes no cenário nacional. Mas indica uma predisposição da qual Eliezer Girão não será o único defensor.

Imagine-se, por exemplo, se a Câmara ou o Senado Federal decide rejeitar um projetou ou emenda de bons propósitos apresentada por Bolsonaro. Qual o tipo de reação que tal episódio poderá acarretar? Por isso, digo eu, é que uma dificuldade de entendimento vai se impor essencialmente pelo menos na primeira fase do próximo governo. Dificuldades encontram-se à vista.

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BANCOS QUEREM RESTRINGIR USO DO DINHEIRO VIVO

Reportagem de Talita Moreira, edição de ontem do Valor, destaca o fato de os grandes bancos passarem a defender a restrição do uso de dinheiro em espécie como forma de bloqueio à circulação de moeda em espécie. A Federal Brasileira de Bancos defende esse tipo de controle e constrói uma ponte entre a transação financeira e sua origem. O presidente da Febraban , Murilo Portugal, relacionou os motivos que convergem para a ideia.

Acrescenta a matéria que o próprio Banco Central planeja realizar consulta pública sobre a ideia defendida pela Federação dos Bancos.

Cid Gomes diz que Lula é o culpado pela derrota de Haddad e do próprio PT

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Cid Gomes desfez o sonho de Haddad ter apoio do PDT

Pedro do Coutto     

Ao participar de ato público em Fortaleza para apoiar Fernando Haddad, o senador eleito Cid Gomes atacou o ex-presidente Lula e disse que, na realidade ele tornou-se o grande culpado pela derrota do candidato a que apoia e pela derrota do próprio PT nas urnas de outubro. As afirmações de Cid Gomes dividiram os presentes ao ato, uma parte aplaudindo outra vaiando. Mas ele foi em frente. A matéria está publicada em O Globo, edição de ontem, assinada por Dimitrius Dantas.

O PT, disse Cid, devia ter pedido desculpas ao seus eleitores pelas besteiras que suas lideranças fizeram. “Ao contrário do que normalmente se espera, o ex-presidente Lula da Silva não assumiu seus próprios erros”, acrescentou. O motivo principal da revolta de Cid Gomes foi a não aceitação de qualquer acordo político em torno da candidatura de seu irmão, Ciro Gomes, porque Lula julga-se dono da legenda partidária.

RUMO AO DESASTRE – Não reconhecer os próprios erros é algo que só pode conduzir ao desastre. As críticas de Cid Gomes, a meu ver, são procedentes. O ex-presidente da República, contraditoriamente, demonstrou medo de perder o comando do Partido dos Trabalhadores. Isso de um lado. De outro, foi superestimar sua força política e não perceber a rejeição do eleitorado contra ele. Tal situação conduziu ao equívoco e ao desastre eleitoral.

As pesquisas demonstravam que o candidato mais forte para disputar o Palácio do Planalto com Jair Bolsonaro era mesmo Ciro. Porém, Lula considera-se proprietário da legenda e acha que mesmo preso, podia comandar o eleitorado petista.

O eleitorado petista sozinho não garante o êxito eleitoral da candidatura que adotou. É indispensável reunir forças sociais para que o projeto de poder alcance a vitória e assegure a democracia no Brasil. Até certo ponto, a atitude de Lula ajudou a criar e fortalecer a candidatura de Bolsonaro. O candidato do PSL ocupou a faixa contrária abertamente ao projeto tanto de Lula quanto do próprio PT.

LULA PERDE TUDO – Temendo perder seus correligionários e sua legenda, Lula acabou perdendo tudo isso e também as eleições.  Na minha opinião uma frente de 18 pontos a duas semanas das urnas torna-se praticamente impossível de ter seus rumos alterados.

Lula não levou em consideração as reações da sociedade brasileira ao escândalo do Petrolão. Ainda por cima antes houve o mensalão.

O projeto político, não só do PT mas de todos os demais partidos, com a vitória de Bolsonaro foi transferido para 2022.

Sonegação de impostos caiu, mas chegou a R$ 390 bilhões no ano passado

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Charge do Tiago Recchia (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Com base em levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, a repórter Marta Watanabe, edição de ontem do Valor, revela que no exercício de 2017 a sonegação de impostos no Brasil ainda atingiu esse incrível montante, embora signifique uma redução drástica em relação ao que foi sonegado há dez anos. Calcule-se, portanto, o quanto representa o escapismo fiscal uma vez que o não pagamento de tributos era de 27%. Caiu para 17% em valores monetários corrigidos, o equivalente a 36%, nada mal. Entretanto, deixando-se o percentual de lado e calculando-se a sonegação ao longo da última década, certamente vamos nos deparar com uma situação enorme, fruto das sonegações acumuladas.

Portanto, o problema maior do déficit nas contas públicas situa-se exatamente no sistema tributário e nesse sistema não se inclui o panorama salarial, inclusive porque o recolhimento de impostos federais e estaduais não é feito pela mão de obra ativa e sim pelo sistema empresarial.

NOTAS ELETRÔNICAS – O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação atribui a queda da sonegação ao sistema das notas eletrônicas e também a uma fiscalização mais rigorosa.

Para Estevão Tair, na mesma edição do Valor focaliza a necessidade de minireformas pontuais para aliviar a área fiscal do país. Seja como for o recolhimento tributário, na realidade cabe às empresas produtoras. Incrível que em 2017 a sonegação tenha se elevado a 390 bilhões. E não se tem informação  de ofensiva governamental para efetivar essa cobrança. Em muitos casos é impossível, já que muitas empresas encontram-se em recuperação judicial ou então encerraram suas atividades, fechando assim uma porta decisiva para que fossem feitos recolhimentos.

EMPREGO TEMPORÁRIO  – Marcia De Chiara, em O Estado de São Paulo também de ontem, focalizou a questão do emprego temporário como a única opção no momento para combater uma fatia do desemprego que alcança mais de 12 milhões de pessoas no país. Está se aproximando a hora de contratações desse tipo, como acontece em todos os finais de ano. Pode se prever no setor comércio um aproveitamento de 10% sobre o total das admissões temporárias. Em muitos casos a contratação refere-se ao período outubro a dezembro.

ROMBO DO INSS – Mas dificilmente essa contratação informal produz recursos para o déficit previdenciário. Isso porque são contratos a prazo curto e que em sua grande maioria não incluem as contribuições para o INSS, como determina a lei. A lei estabelece que funcione o sistema de contribuição ao INSS. Mas essa contribuição refere-se muito mais às empresas (20% sobre total da folha) do que às pessoas contratadas (11% sobre os salários).

É verdade que uma percentagem de contratados, como sempre ocorre, serão efetivados. Aí sim as contribuições de empregados e empregadores vai se faz sentir. A reportagem acentua que as contratações temporárias vão atingir cerca de 41 mil trabalhadores. É pouco, muito pouco.

Facebook anuncia esquema para tentar a anulação das fake news

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Charge de Delize (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagens de Paula Soprana, Folha de São Paulo, e Mariana Lima, O Estado de São Paulo, edições de 12 de outubro, destacam a iniciativa do Facebook de oferecer um esquema de contextualização especial para o Brasil no sentido de dificultar ao máximo ou até mesmo anular as fake news que invadem a rede espacial eletrônica.

Trata-se de uma espécie de botão que conduz todas as mensagens sobre determinado assunto para uma contextualização de notícias. A engrenagem é simples, mas extremamente necessária para impedir o uso indevido ou falso das matérias veiculadas tanto pelo Facebook quanto pelo Whatsapp, que pertence a mesma rede. Tem-se a impressão de que a contextualização é uma forma de conduzir mensagens semelhantes por assunto e proporcionar assim melhor percepção sobre o que é falso e o que é verdadeiro.

POR ASSUNTO – Sobre tal sistema presume-se que seja a separação das comunicações por assunto. Assim como os jornais já há tempos adotam esquema parecido.

Antes um jornal publicava matérias correlatas em páginas diferentes. Isso dificultava a leitura ao contrário de unir textos e imagens sobre determinado assunto sempre na mesma página ou nas mesmas páginas dependendo do porte da matéria.

Agora o Facebook projeta a implantação de algo semelhante, porém muito mais complexo, bastando se ver o número de mensagens que são enviadas para as redes sociais. Calcula o Facebook que nos Estados Unidos sejam 500 mil por dia, que irão para uma página específica ou páginas específicas que levam leitores, são milhões em todo o mundo, a poderem comparar as comunicações e assim afastar de cogitação aquelas que destoam das demais. 

PELA LÓGICA – Ou seja, o leitor, que também é transmissor de notícias, poderá verificar pela lógica e pela sensibilidade do que é verdadeiro e o que é falso. Na parte das imagens o mesmo ocorre, uma vez que existem peritos capazes de montar fotografias exibindo absurdos. Aliás não precisa ser perito, basta comparar fotos que reproduzem personagens, às vezes em situações que levam a pensar ser verdadeira a fotografia projetada.

Há um sistema para isso. Individualmente a pessoa pode verificar, mas impossível detectar montagens, digamos abrangendo 500 mil postagens como acontece nos Estados Unidos.  Verifica-se assim a enorme dimensão da comunicação eletrônica no Brasil e no mundo. O Facebook anuncia um botão de contexto específico para o Brasil.

Assim quem desejar mais informações a respeito desse botão mágico, penso eu, deve ler as reportagens a que me refiro. A abrangência das redes sociais foi decisiva para o primeiro turno das eleições de outubro. No segundo turno será mais fácil, pois ao invés de dar seis votos, como no primeiro, no caso do Rio de Janeiro serão duas marcações.

Redes sociais se firmam como o novo espaço sideral dos votos no país

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Os resultados das eleições do dia 07 de outubro surpreenderam observadores políticos e abriram, sem dúvida, um novo campo de análise das disputas através das urnas. O espaço tornou-se imenso na divulgação de mensagens, comentários e debates que além das telas da TV encontraram centenas e milhares de telas da internet. O fenômeno a mim transmite a sensação de ruptura com o meio de se fazer campanha até o passado recente. Descortina-se um novo espaço iluminado na busca pelo apoio popular. A mim veio a mente o filme de Stanley Kubrick, “2001 Uma Odisseia no Espaço”.

Anteriormente, as campanhas eram projetadas em diferentes planos mas com um universo muito menor daquele que foi aberto pelas redes sociais. Agora, o tempo do passado encontra-se ultrapassado pela velocidade da tecnologia que cada dia avança mais. Lá se vai o tempo dos comícios, das propagandas publicitárias, da aparição nos horários gratuitos da TV e do rádio.

NA TV E NA WEB – Na televisão, o predomínio desloca-se para os debates, pois confronto é sempre confronto e dá margem a teses diferentes, antagônicas e ideológicas. Mas no espaço da Internet destaca-se a comunicação direta que penetra nos domicílios dos eleitores, renovando questões praticamente a toda hora, e nesse jogo ficam as incertezas.

Quando se examina as votações de candidatos a deputados que oscilaram em torno de 300 mil votos, só pode haver uma explicação lógica: o poder da Internet. As mensagens implicam inclusive na trajetória de ida e vinda onde se destacam muitas opiniões diferentes mas também muitas convergentes.

É preciso que os partidos políticos deem mais atenção a esse universo que começa a ser explorado no plano político eleitoral.

MILHÕES DE POSTAGENS – Como acentuamos em artigo anterior. na reta final do primeiro turno registraram-se postagens em torno de 60 milhões de textos e imagens. Certamente reside aí o êxito de Jair Bolsonaro no primeiro turno.

É preciso levar em conta que as mensagens eletrônicas passaram a possuir uma comunicação enorme incluindo a retransmissão de postagens a favor e contra os candidatos.

Esta é uma nova realidade no plano dos embates eleitorais e na propaganda de candidatos a cargos no Legislativo. Este assunto é tão amplo que merece uma reflexão mais profunda.

Voltaremos ao tema.

FMI sugere que o Brasil congele os salários nos próximos cinco anos

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O Fundo Monetário Internacional – reportagem de Alvaro Fagundes e Sérgio Lamucci, Valor de ontem – agravou suas críticas à política fiscal do Brasil acentuando que em 2023 vai atingir em torno de 100% do PIB. Hoje, o endividamento está perto de 88% do PIB. Portanto, a pergunta que se faz é em que patamar se encontra a dívida nominal existente. Considerando-se que este ano de 2018 o PIB se mantenha em 6,6 trilhões de reais, verifica-se que o montante da dívida eleva-se às nuvens, registrando mais de 4 trilhões em valores nominais absolutos.

O FMI propõe ao governo de Brasília que congele pelo prazo de cinco anos os vencimentos do funcionalismo federal e os salários dos servidores das empresas estatais.

ESTRANHEZA – Sem dúvida, é estranha essa proposta, uma vez que nem por isso os preços administrados vão deixar de subir no quinquênio abrangendo os exercícios de 2019 a 2024. Inclusive fica-se sem saber se o FMI, no seu estudo, levou ou não em conta o salário mínimo nacional.

Sobretudo, porque a lei em vigor determina ajustar o piso mínimo à base da inflação oficial somada ao crescimento do PIB. No Brasil 1/3 da mão de obra ativa recebe mensalmente um salário mínimo.

DESEMPREGO – A questão do emprego é o maior desafio para o próximo governo, uma vez que, se houver congelamento de salários, a contribuição para o PIB vai também ser afetada, ficando contida numa parcela menor ainda de sua presença nos cálculos do Fundo Monetário Internacional.

Uma coisa leva consigo a uma outra parte menos visível para a opinião pública. E trata-se de uma matéria importante em relação a qual Jair Bolsonaro e Fernando Haddad devem se manifestar ao longo do espaço de tempo que termina a 28 de outubro. Isso porque a dívida bruta do país aumenta à medida em que, para a rolagem do total de hoje, a juros de 6,5%, a cada ano são emitidas novos papeis do Tesouro no esforço em vão para impedir um crescimento ainda maior da dívida.

100% DO PIB – O FMI estima que em até 2023, mantido o ritmo atual, o endividamento brasileiro chegará 100% do PIB. Curioso é acentuar que o FMI não inclui em seu projeto a cobrança das dívidas que empresas possuem junto ao governo e também com a Previdência Social.

Por que o FMI não se preocupa com o lado das empresas e só focaliza as folhas de pessoal?

Um forte sentimento de renovação irrompeu das urnas em 7 de outubro

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Charge do Adão (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Foi exatamente isso que ocorreu nas eleições de domingo, bastando dizer que a taxa de renovação na Câmara Federal alcançou 52%, um recorde na política brasileira. Tradicionalmente, esse índice oscilava em torno de 35%. Mas agora subiu, apesar dos recursos do Fundo Partidário terem sido distribuídos por aqueles que comandam as legendas. Isso significa a força do vento renovador. Sobretudo porque, não podendo competir com os caciques, os estreantes não tinham como aplicar muito dinheiro nas suas campanhas.

A propósito, foi a campanha de menor custo de todos os tempos, pois os candidatos trocaram as ruas e os redutos de votos pelas redes sociais.

RECORDE – O número de mensagens divulgadas pelas redes sociais por parte dos principais candidatos superou um total de 50 milhões de postagens. Bolsonaro bateu o recorde com 28 milhões de mensagens. Fernando Haddad, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e Marina Silva produziram, cada um, postagens em torno de 5 milhões de textos e imagens.

Enquanto se aguarda o segundo turno, destacam-se os problemas que surgiram das pesquisas eleitorais, realizadas tanto pelo Ibope quanto pelo Datafolha e outros institutos. O que terá acontecido? As arrancadas nos dois últimos dias das eleições traduzem bem o sentido que escapou aos institutos.

Exemplos não faltam. O mais significativo refere-se a disputa no Rio de Janeiro. Pois os levantamentos apontavam um destaque para Eduardo Paes e Romário, enquanto Wilson Witzel (PSC) aparecia distante dos dois que dividiam o favoritismo. Mas o fato é que o ex-juíz passou de passagem para o primeiro posto, ultrapassando Eduardo Paes por larga margem. Romário conseguiu obter uma parcela mínima de votos.

RENOVAÇÃO – A matéria sobre a renovação da Câmara Federal, Valor de ontem, é de autoria de Raphael di Cunto. A que trata da impressionante chegada de Witzel, na Folha de São Paulo, é de Ítalo Nogueira.

O Ibope, o Datafolha e os outros institutos devem explicações à opinião pública. Principalmente quanto às modificações que se verificaram 48 horas antes das urnas.

Eleitor diz nas urnas que não suporta mais corrupção, violência e promessas

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Charge do Rafael (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O título representa, em síntese, os principais problemas que afetam a população e que são alvo de promessas vãs que atravessam o tempo mantendo o que o povo repudia, usando o engodo e a falsidade, que é a marca da velha política. Não quero dizer com isso que sou adepto da ilusão. Pelo contrário, o país chegou ao ponto que está em consequência da gigantesca corrupção que marcou os governos Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer.

Primeiro o ex-presidente Lula fatiou as diretorias da Petrobrás, transferindo-a para as diversas bancadas no Congresso Nacional. Não precisava fazer nada disso para assegurar a maioria parlamentar. Dilma Rousseff, como não podia deixar de ser, pois era a sombra de Lula no Planalto, se omitiu concordando com a herança que lhe caiu nas mãos junto com a faixa presidencial. Do governo Michel Temer sequer vale a pena acentuar os erros e tropeços. Basta dizer que vários ministros seus foram acusados de corrupção.

EXEMPLO DE GEDDEL – O tesouro de Geddel Vieira Lima transforma-se numa síntese inultrapassável. Nas áreas urbanas, a violência é uma trágica situação. As promessas federais, estaduais e municipais chegaram a um ponto máximo de ilusão.

Contra tudo isso o povo deu a resposta irrecorrível nas urnas de domingo. Não estou querendo dizer que Jair Bolsonaro significa salvação e a direção correta das atuações do poder público. Ninguém vai cometer a ingenuidade de considerar possível uma mudança radical que envolva as questões políticas e administrativas.

Entretanto a esmagadora maioria do eleitorado vislumbrou no candidato do PSL uma saída a curtíssimo prazo. Não é nada disso. Mas o povo colocou seus votos nas urnas para responder à inércia, a omissão e o assalto aos cofres públicos. Mas temos que esperar o desfecho final no dia 28 de outubro. A resposta contra tudo isso foi dada há dois dias. Vamos ver o que vem pela frente.

Com a ascensão de Jair Bolsonaro, cria-se um novo quadro político no Brasil

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Bolsonaro significa uma reação da opinião pública

Pedro do Coutto

No início da apuração oficial do TSE, vislumbrou-se uma única dúvida: se Bolsonaro venceria no primeiro turno direto ou se iria haver segundo turno com Fernando Haddad. O candidato do PSL não conseguiu liquidar a fatura contra o petista, teremos de aguardar até o próximo dia 28. E o resultado do primeiro turno estabelece um crepúsculo na política brasileira. As grandes legendas desabaram nas urnas e o eleitorado demonstrou um  impulso forte no sentido da renovação e, portanto, numa rejeição às lideranças que vinham dominando através do tempo, desde 1989 até os dias de hoje.

O PT enfraqueceu-se enormemente, bem como ocorreu com as posições de centro-esquerda. O desempenho desses dois grupos ficou muito aquém do espaço que conquistaram principalmente a partir de 2002, que marcou a primeira vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

PASSADA A LIMPO – Essa constelação foi passada a limpo e não se pode negar que tudo resultou da sequência de reação a um sistema de corrupção, que somente poderia acabar assim, com o esfacelamento das siglas até ontem dominantes. Os eleitores e eleitoras do país revelaram-se profundamente contrários a um estilo que desabou.

Fernando Haddad representou bem o ocaso do Partido dos Trabalhadores e deixou claro que, rejeição por rejeição, a do PT superou em muito a de Bolsonaro. Foi uma explosão desencadeada por uma consciência nacional de que o roubo e as acomodações chocam-se com qualquer política capaz de levar a um desenvolvimento real, tanto econômico quanto social.

CONSULTAS A LULA – Refletiram negativamente as viagens constantes de Fernando Haddad a Curitiba. Talvez tenham pesado mais contra o próprio candidato do que lhe tenham acrescentado votos. Esta constatação é que pode explicar a forte subida do candidato do PSL, criando uma situação favorável aos candidatos alinhados com Bolsonaro nas urnas de ontem.

A atuação do PT, principalmente a partir da segunda vitória de Dilma Roussef, foi catastrófica. Isso de um lado. De outro, observa-se um repúdio firme às articulações de bastidores no estilo clássico baseado na frase de que o país precisa mudar para tudo ficar como está. Não é possível aceitar-se a corrupção e a impunidade, somadas à falta de soluções transparentes e que levam a certeza de engodo e mistificação. O exemplo encontra-se nos assaltos que os últimos governos permitiram que acontecesse. Foi uma verdadeira conspiração do silêncio. Não se ouviu a voz do maior interessado: a população brasileira.

REAÇÃO EM MASSA – Mas falei em assaltos. Os eleitores e eleitoras identificaram uma forma de reagir e se defender recorrendo a uma repressão dentro dos limites da lei, esperamos que seja assim.

As pesquisas falharam porque uma série de desfechos foi evidenciada nos movimentos impetuosos das últimas 48 horas. As previsões fracassaram. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo se noticiou, aguarda o momento para publicar uma carta aberta sobre os temores de um futuro marcado pelo lema violência contra violência. Vamos esperar uma política global de parte de Bolsonaro ou de Haddad, se este chegar ao segundo turno.

Na Democracia, se baterem à sua porta de madrugada, é o leiteiro

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Charge do Miguel Paiva (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A frase é antiga, do tempo em que leiteiros entregavam o leite nas residências. Hoje teria que ser atualizada recorrendo-se a uma outra imagem. Mas através de várias décadas fazia pleno sentido e era muito citada por Otto Maria Carpeaux, que em 1940 escapou por um triz do Nazismo na Europa. Hoje no Brasil, pesquisa do Datafolha destacada amplamente em reportagem de O Globo, revela que 69% dos brasileiros e brasileiras consideram a democracia essencial e o melhor de todos os regimes políticos.

Para 13%, tanto faz, quer seja uma democracia ou uma ditadura. Para 12%,  a opção depende de circunstâncias do momento. Os números refletem a eterna ideia da liberdade contra a opressão. Está sendo revigorada agora na véspera das urnas de hoje, 7 de outubro. Vale a pena destacar sua essência primordial para a dignidade dos seres humanos. Não poderia haver melhor ocasião para confrontar o índice democrático de hoje com índices registrados pelo Datafolha no passado recente.

NÃO HÁ OPÇÃO – O destaque à Democracia, vale frisar, serve para aqueles que preferem outro caminho. Mas o fato que se impõe é que o caminho para o poder só pode ser dividido em duas vias: pelas urnas ou pelas armas. Não estamos falando a respeito de nenhuma hipótese de os votos de hoje não valerem para legitimar os vitoriosos nas eleições. Mas representa uma manifestação essencial da opinião pública brasileira.

Não é provável que um candidato a presidente da República alcance 50%+1 , o que decidiria o pleito neste domngo. Não é provável, porém é possível. Temos que aguardar a contagem dos sufrágios. De qualquer forma está traçada a estrada a percorrer pelo regime democrático.

Aliás, o regime democrático assemelha-se à histórica definição do filósofo Hegel sobre a essência da lei. Disse ele simplesmente que a lei é a conciliação dos contrários.

REGIME DA MAIORIA – A definição pode ser aplicada, penso eu, a democracia. Regime da maioria conquistada nas urnas mas que exige respeito e admiração. Terminada a apuração da luta para a presidência da República, estamos vendo que nenhum dos favoritos vem acompanhado de sólida maioria parlamentar.

Por isso, quem for empossado no Planalto terá que reunir os partidos e traçar com eles as proposições do futuro governo.             Isso não quer dizer que a escalação de ministro, ou de dirigentes estatais, tenha que ser entregue, como aconteceu há poucos anosa pessoas sem escrúpulo, cuja única motivação foi de assaltar em bando os recursos públicos. Não se trata disso.

DENOMINADOR – Trata-se – isso sim – de se alcançar um Denominador comum para as etapas e desafios do governo que vai surgir nessa alvorada do ideal democrático.

Em síntese: a partir de 1º de janeiro de 2019 teremos, sejam quais forem os resultados, uma nova realidade, um novo poder no país.

É tempo de alvorada e resgatar o compromisso tácito do poder com a população brasileira.

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P. S.Na Democracia, aliás, não é só o leiteiro que bate à porta de madrugada. Pode ser também a equipe da Polícia Federal…  

 

 

Tempestade de fake news atinge o convés da campanha, mas logo se desfaz

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Uma onda e notícias falsas invade as redes sociais tendo como alvo influir no rumo da campanha eleitoral para presidente da República. Reportagem de Gisele Barros, Luis Guilherme Julião e Marlen Couto, edição de ontem de O Globo, destaca o assunto classificando-o de avanço da mentira. Sem dúvida, os que espalham textos falsos jogam com a perspectiva de alimentar aqueles que desejam ver vitoriosos os candidatos, bem como aqueles outros que desejam a derrota porque se chocam com sua sensibilidade política. Em relação a estes trata-se de confundir a realidade dos fatos com o desejo de que sua opinião esteja baseada numa versão e vai ao encontro do que desejam que aconteça.

No caso em tela, podemos dizer que as fake news têm vida curta: não resistem a mais de 24 horas.

RETA FINAL – Em relação à luta pela presidência da República, no primeiro turno de domingo, tanto o Ibope quanto o Datafolha estão expondo um quadro praticamente definido em matéria de voto. O confronto entre Bolsonaro e Haddad há uma diferença de aproximadamente 9 pontos. Na comparação entre Haddad e Ciro Gomes a margem é cerca de 10 pontos.

Muito difícil a mudança dessas colocações, embora tenha sido realizado na noite de ontem o último e mais importante debate entre os principais postulantes. Escrevo este artigo na tarde de quinta-feira. Portanto, impossível é prever o desfecho do último lance de grande peso no rumo das intenções de voto. Por isso espero pelo amanhecer a melhor análise acerca do confronto de ontem. Dificilmente ele poderá alterar a posição dos três principais candidatos. Entretanto não se pode negar a importância do fator surpresa e do alcance da televisão junto à opinião pública.

REDES SOCIAIS – Também não se pode reduzir a alta importância das redes sociais. Elas estão aí, afirmando-se com maior intensidade dia após dia. Mas há as fake news. E eu disse e acredito que tenham vida curta em matéria de indução ao voto, vida curta esta que se limita a 24 horas. O Globo, outros jornais e veículos de comunicação têm desenvolvido uma campanha contra as fake news, mas por mais forte que seja esta reação, não pode superar o ímpeto das mensagens eletrônicas.

Se os eleitores e eleitoras depararem com versões não fáceis de acreditar, aconselho que aguardem o dia seguinte. No dia seguinte, se a versão não se confirmar pela televisão e pelos jornais, as pessoas devem pensar um pouco antes de aceitar a fantasia destinada a apagar o caráter concreto dos fatos.

Sei que isso é difícil, principalmente nos grupos de menor renda e que não têm a experiência acumulada ao longo das décadas que acompanham a evolução da comunicação de massa. Só existe esta maneira de enfrentar as mensagens fantasiosas.

NOTÍCIAS EM MASSA – Por mais forte que seja a campanha de O Globo e outros veículos, ela não pode alcançar no prazo curto de um dia todas as manifestações postadas, uma vez que, são dezenas de milhares as veiculações no universo eletrônico.

O fato de grande parte da sociedade acreditar em informações estapafúrdias não quer dizer que elas não sejam produto de imaginação fantasiosa.

Enfim, vamos aguardar as novas pesquisas do Ibope e Datafolha que certamente vão se basear e incluir os efeitos do debate desta quinta-feira.

Pesquisas indicam vitória dos conservadores sobre a falsa esquerda de Lula/PT

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

As pesquisas do Ibope e Datafolha coincidem plenamente e convergem para destacar que Jair Bolsonaro vai derrotar a falsa esquerda representada por Lula e pelo PT. Terça-feira, por exemplo, reportagem de Marco Grillo e Jussara Soares, O Globo, chamou atenção para o avanço do candidato do PSL até em redutos lulistas. Tal fato passa a significar um sintoma de derrota tanto do ex-presidente quanto a de seu partido, Partido dos Trabalhadores.

A frente de Bolsonaro ampliou-se em relação a Fernando Haddad, que mantém uma larga diferença de 13 pontos em relação a Ciro Gomes. Torna-se difícil prever uma luta entre os dois pela segunda colocação.

DIZ O MERCADO… -Também o resultado da pesquisa do Datafolha, publicada ontem, e revelada na véspera pelos canais de televisão, funcionou para impulsionar o valor das ações estatais na Bolsa de Valores de São Paulo. Na quarta-feira repetiu-se o panorama: BOVESPA em alta, dólar em queda. Portanto, o capital financeiro praticamente mandou seu recado.

Tivesse ocorrido o contrário passava a ser sinal firme de temor ao retorno do PT ao poder, como anunciou inclusive o ex-ministro José Dirceu, condenado pela Justiça mas solto por decisão do Ministro Gilmar Mendes.

Mas eu disse que a derrota era da falsa esquerda e de seu chefe e líder Lula da Silva. Me refiro à falsa esquerda porque, ao longo dos seis anos e meio de governo, nem Lula nem o PT tomaram qualquer providência concreta para a valorização do trabalho humano exposto a perdas inflacionárias não repostas.

DOIS EXEMPLOS – O teto das aposentadorias do INSS era sobre 10 salários mínimos. O governo FHC reduziu à metade. Além disso, o governo FHC terminou com a conta pecúlio que reunia os aposentados que continuassem trabalhando e descontando para a Previdência Social. Da mesma forma, o Imposto de Renda subiu para as pessoas físicas e ao longo da subida foi cortado o direito de se abater 5% para compra de jornais e livros.

Nas campanhas em que foi vitorioso, Lula não tomou sequer uma iniciativa para reformar o que apontava como violação dos direitos dos trabalhadores. Portanto, não propôs nenhuma medida destinada a ampliar a distribuição de renda, equilibrando capital e trabalho – uma atitude, essa sim, que sintetiza e legitima o impulso reformista.

FALSA ESQUERDA – Não se trata mais de chamar de esquerda a política que não altera a distribuição de renda. Assim, é falsa a característica ideológica Na qual o PT quer se incluir.  O comunismo já foi superado. Hoje, é de esquerda qualquer movimento possível de fixar um equilíbrio cristão entre o capitalismo e o reformismo. Pelo contrário: Lula posicionou-se, no fundo, como um líder conservador, ao estilo de Perón décadas atrás na Argentina. 

Perón era um líder que comandava e não perdia os embates nas urnas. Mas nem por isso deixou de ser um conservador, abominado pelos comunistas argentinos.

13º SALÁRIO – Na edição de ontem do Valor, reportagem de Cristiane Agostini, destaca que o candidato a vice Hamilton Mourão voltou a condenar a existência do 13º salário, afirmando que ele prejudica a toda sociedade.  O 13º salário, disse ele, tem que receber um outro planejamento, uma vez que acarreta despesas adicionais ao governo do país. O general Mourão acrescentou que as despesas governamentais terminam obrigando a elevação de impostos. Todos nós perdemos com isso, ressaltou.

É possível e até provável que o tema faça parte do debate na noite de hoje na Rede Globo. Bolsonaro estará ausente, mas o tema assustador vai estar presente ao longo das discussões.

Rejeição a Lula e a Dirceu acaba superando a rejeição a Jair Bolsonaro

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Charge do Thiago (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Quem examinar com atenção a mais recente pesquisa do Ibope  e confrontá-la com as posições de Lula e José Dirceu, vai verificar que a reação contrária ao PT nesta campanha supera a rejeição que envolve a candidatura de Jair Bolsonaro. A repórter Denise Lima, O Estado de São Paulo de ontem, entrevistou o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, e este afirmou que há 22 anos à frente do Instituto, nunca viu uma eleição como essa, destacando que será decidida na escolha da maior ou menor rejeição, tanto de Bolsonaro quanto de Haddad.

Eu também, acompanhando pesquisas eleitorais desde 1955 nunca tomei conhecimento de um pleito a ser decidido à base do menos rejeitado pelos eleitores e eleitoras do país.

PERDE E GANHA – Nos últimos dias está se verificando uma situação singular na política brasileira. Toda vez que Fernando Haddad vai visitar Lula em Curitiba, perde mais votos do que ganha. E também há outro fato que inclusive provocou reações contrárias dentro do PT. Também no Estado de São Paulo, Marcelo Godói e Ricardo Galhardo revelam as reações contrárias às declarações de José Dirceu de que a perspectiva de o PT reassumir o poder no país é apenas uma questão de tempo.

Afirmar que a legenda voltaria ao poder, não apenas ao governo, repercutiu muito mal junto à opinião pública pelo caráter de uma ameaça de crise institucional. Assim, José Dirceu e Hamilton Mourão igualam-se nas afirmações capaz de perturbar o quadro político brasileiro.

EMBATE FINAL – Porém, o aspecto mais concreto dos últimos fatos, embutidos no levantamento do Ibope foi o de que Bolsonaro permaneceu avançando, enquanto Fernando Haddad estacionou no patamar de 21%. Nesse quadro está desenhado o perfil que restringe o embate final entre os dois candidatos, uma vez que o terceiro colocado Ciro Gomes, permaneceu estacionado no 11º andar. Os demais candidatos não apresentam sinais capazes de acentuar qualquer possibilidade de chegar ao 2º turno.

O desfecho permanece mesmo em torno dos candidatos do PSL e da aliança PT-PCdoB, mas, vale acentuar que a diferença do primeiro para o segundo é de 10 pontos, uma diferença enorme e difícil de ser reduzida seja qual for o resultado do debate de quinta-feira na Rede Globo. Isso porque Bolsonaro arrebatou para si os votos da classe média e penetrou de forma acentuada nos grupos de renda menor.

TENDÊNCIA – Mantida esta tendência será difícil para Haddad alcançá-lo. Passa a depender de manter a segunda colocação e tentar um esquema de alianças para um possível segundo turno marcado para 28 de outubro.

Mas até mesmo o segundo turno tornou-se incerto, porque como afirmei no título, o temor de uma volta do PT ao Palácio do Planalto está se colocando de forma muito firme, na medida em que sobe a rejeição ao Partido dos Trabalhadores e a seu líder preso em Curitiba.

Na reta final, a emoção esquenta a disputa polarizada pelo Planalto

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Haddad ainda está longe de alcançar Bolsonaro

Pedro do Coutto

A reportagem de Thiago Prado, edição de ontem de O Globo, focalizou a manifestação em favor de Jair Bolsonaro, domingo, na Avenida Paulista. As imagens não deixam dúvida sobre a força de sua candidatura. Tenho a impressão de que a decisão do primeiro turno levará Bolsonaro e Haddad para o desfecho final.  As ruas e praças, como sempre dão o eco de uma realidade. Não se pode brigar com os fatos, como diz o velho ditado, aliás expressão jornalística comum em todas as redações.

Será que o debate na Globo dia 4, quinta-feira, poderá alterar as tendências reveladas pelo Ibope e Datafolha? Uma pergunta que só poderá ser respondida a partir da antevéspera do pleito.

INDECISOS – Nas antevésperas das urnas é quando grande parcela de eleitores indecisos poderá decidir seu voto. Mas de qualquer forma a distância dos dois primeiros para Ciro Gomes, em terceiro, é bastante ampla.

Os ataques desfechados por Geraldo Alckmin contra o candidato do PSL não surtiram o efeito esperado pelo seu autor, ao contrário, serviram para acordar indecisos e injetar mais emoção nas etapas derradeiras do voto no dia 7 de outubro.

Bolsonaro havia afirmado que não aceitaria resultado das urnas diferente de sua vitória, mas recuou e disse, como publicou O Globo, que em caso de derrota “não há nada para fazer”. O candidato sentiu portanto o erro enorme da sua primeira declaração sobre a eleição, tema destacado na edição de domingo da Folha de São Paulo, jornal que publicou editorial na primeira página chamando atenção e condenando o lance antidemocrático contido na afirmação infeliz do candidato.

REJEIÇÃO AO LULISMO – Tenho a impressão de que o embate também inclui a rejeição bastante alta em relação ao Lulismo. Dessa forma, pela primeira vez na história, a tendência para as urnas passa pela estrada das restrições aos dois candidatos. Os votos de Bolsonaro dirigem-se contra o PT e a seu principal líder, aliás, condenado e preso.

Por outro lado, as intenções de voto contra os dois candidatos reúnem Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva e outros. Talvez esta posição explique uma divisão de forças que acaba, pela pulverização que provoca fortalecendo tanto o próprio Bolsonaro quanto Fernando Haddad.

POLARIZAÇÃO – É preocupante a polarização que se estabeleceu e se revelou no primeiro turno. O voto no dia 7 é inspirado na rejeição tanto a Bolsonaro quanto a Haddad, embora, no fundo, seja uma reação contra a volta do PT ao poder.

Entretanto, para finalizar, os exemplos conduzem à certeza de que ninguém pode exercer o poder através de vias indiretas. Eis um exemplo: Vargas elegeu Eurico Dutra.  A primeira coisa que Dutra fez foi romper com seu grande eleitor.

José Dirceu é um personagem do “antióbvio ululante” de Nelson Rodrigues

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Dirceu diz que o importante é a “tomada do poder”

Pedro do Coutto         

José Dirceu, francamente, é um personagem de Nelson Rodrigues. Apresenta-se como um homem fatal, cuja imagem foi criada pelo grande dramaturgo. Em certas ocasiões, investe-se numa polarização de ideias, polarização que se desenha como alguém capaz de entrar em conflito, sempre divergindo do óbvio ululante. Assim, tornou-se um dos personagens centrais do mensalão, depois do petrolão e agora faz afirmações que só prejudicam o candidato Fernando Haddad, na medida em que anuncia ser questão de tempo a tomada do poder pela sua corrente política.

A edição de sábado de O Globo publica declarações dele, feitas ao jornal espanhol El Pais, nas quais anuncia ser questão de tempo a volta de sua corrente política ao poder. Declaração infeliz que em nada somou para o candidato Fernando Haddad, do PT.

ALÉM DAS URNAS – Vejam bem, Dirceu não se referiu somente às urnas, mas destacou a ocupação do poder, imagem que com razão deixa dúvidas quanto a seu caráter democrático. Além do mais, a posição de Fernando Haddad não tem sido inclinada para a radicalização.

Já o próprio Fernando Haddad tem se referido ao ex-presidente Lula, mas o tom de Dirceu passou por uma sombra que nitidamente reflete uma ameaça à democracia. Sobretudo porque seu principal oponente, Jair Bolsonaro, sequer esconde seu impulso antidemocrático.

Basta ver as afirmações que vêm sendo feitas por seu companheiro de chapa, general Hamilton Mourão. O eleitorado brasileiro, assim, se encontra entre duas ondas totalmente incômodas e preocupantes. Pode-se até dizer que Dirceu e Hamilton Mourão, ao lado de Paulo Guedes tornam-se também personagens no primeiro plano, no qual representam homens fatais, imagem criada por Nelson Rodriques. Mas ficam melhor colocados com antagonistas de si próprios. Talvez Freud explique.

FALAS INSANAS – Paulo Guedes anunciou aumento de impostos. Mourão condenou o 13º salário. Dirceu, certa vez, em um de seus depoimentos à Justiça afirmou não saber explicar como ele poderia viver só com 120 mil reais mensais. Essas colisões com a lógica estão levando os eleitores e eleitoras à tentativa de escolher um candidato que possa representar mais estabilidade ao confronto que tem sua primeira etapa no próximo domingo, 7 de outubro.

Não está fácil encontrar uma terceira via. Entretanto penso eu, o último lance para o primeiro turno será o debate da Globo no dia 4, quinta-feira.

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UMA VOZ PARA A ETERNIDADE

Ângela Maria viajou para a eternidade. Com uma voz fantástica, uma capacidade de interpretação musical raríssima, neste fim de semana Angela Maria viajou para a eternidade e foi se encontrar com outros intérpretes, artistas inesquecíveis como ela.

Aproveitando a frase célebre de Guimarães Rosa, os artistas não morrem. Ficam encantados.

Vamos continuar ouvindo suas belíssimas interpretações, cheias de emoção e amor. Adeus a essa grande artista.

Bolsonaro só aceita resultado das urnas se for ele o vitorioso na eleição

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Charge do Thiago (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Esta afirmação singular foi feita pelo candidato Jair Bolsonaro ao apresentador José Luiz Datena, colocada no ar pela TV Bandeirantes, no programa Brasil Urgente. A entrevista foi reproduzida nas edições de ontem de O Estado de São Paulo, O Globo e Folha de São Paulo. No Globo a matéria foi assinada por Jussara Soares, relatando que Jair Bolsonaro afirmou que não confia totalmente nas urnas eletrônicas e frisou que o Brasil é o único país do mundo a adotar o sistema.

Mas fica clara uma dualidade: como Bolsonaro diz não aceitar no caso de derrota em função das urnas, como pode ele mudar de pensamento se for ele o vitorioso? O fato é que a candidatura Bolsonaro, isso ontem foi demonstrado pela televisão, está dividindo as ruas e praças das capitais do país. Isso porque houve manifestações contrárias a seu nome e outras favoráveis a ele.

POLARIZAÇÃO – Na reta final da campanha, evidencia-se uma polarização dos que são contra e dos que são favoráveis ao candidato do PSL. Ocorre que os contrários a Bolsonaro dividem-se no apoio a pelo menos três candidatos: Fernando Haddad, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Essa divisão, paradoxalmente é que garante a presença de Jair Bolsonaro no segundo turno.

As pesquisas do Datafolha e do Ibope revelam que Bolsonaro será derrotado a 28 de outubro. A luta, assim, resume-se a qual candidato cruzará a faixa de chegada no próximo domingo, dia 7 de outubro. O problema de seus adversários reside totalmente nesse ponto. Pelo Datafolha se as eleições do primeiro turno fossem hoje, Fernando Haddad seria o adversário de Bolsonaro no desfecho final. Por isso, em entrevista aos repórteres Renan Truffi, Gilberto Amendola e Mateus Fagundes, edição de ontem de O Estado de São Paulo, Ciro Gomes passou a atacar forte e diretamente o PT e ao mesmo tempo descartou qualquer aliança com o Partido dos Trabalhadores nas eleições presidenciais de outubro.

DEBATES NA TV – Na noite de hoje, às 22 horas, debate na Record reunindo os candidatos mais bem situados nas pesquisas. Esse debate será muito importante, da mesma forma que o evento que a Rede Globo promove no próximo dia 4 também às 22 horas.

Coloco duas questões. 1- Como os partidos e seus candidatos vão reagir à afirmação de Jair Bolsonaro no que se refere à questão democrática. Bolsonaro condicionando a aceitação do resultado das eleições à sua vitória, me lembra comportamento do governador Carlos Lacerda contra a posse de Juscelino Kubitschek. 2 – Qual a posição dos candidatos em relação a dívida interna do país?

ENDIVIDAMENTO – Reportagem de Fabrício de Castro, O Estado de São Paulo edição de 29, revela que o endividamento está na casa dos 5 trilhões de reais, correspondendo a 77,3% do Produto Interno Bruto. Sobre o total de 5 trilhões de reais incidem os juros de 6,5%a/a, Taxa Selic.

Pode se considerar que o endividamento dos Estados Unidos eleva-se a US$ 16 Trilhões para um PIB de US$ 18,5 Trilhões, cerca de 87% do PIB dos EUA. No Brasil, como vemos, a proporção está chegando lá, em condições muito mais adversas.

Que posição os candidatos têm a respeito?

Política é como a nuvem e 100 milhões de brasileiros recebem 13º salário

O general Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro — Foto: Sara Resende/TV Globo

Mourão imitou Guedes e deixou Bolsonaro mal

Pedro do Coutto

Francamente a semana não foi boa para a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência da República. O candidato a vice na sua chapa, general Hamilton Mourão, ao criticar o 13º salário e também a contribuição no valor de 1/3 nas férias, conduziu o PSL para uma situação difícil de explicar diante de aproximadamente 100 milhões de brasileiros e brasileiras que compõem a mão de obra ativa do país, além dos aposentados e pensionistas.

A imagem da chapa ficou desgastada, uma vez que se tem a seguinte certeza: não somou em nada para a candidatura Bolsonaro e provavelmente reduziu as intenções de voto que, dependendo do reflexo do estrago, podem fazer diferença tanto no primeiro quanto no segundo turno.

DESDE JANGO – O 13º salário, vale lembrar, decorre de uma lei sancionada em 1962 pelo presidente João Goulart. A origem da matéria vem de um projeto proposto pelo Senador Aarão Steinbruch, da bancada do Rio de Janeiro, antes da fusão com a Guanabara.

Vale a pena acentuar a origem da lei para se ver que ela, que começou restrita aos regidos pela CLT, terminou se estendendo também a todo funcionalismo público do país. Tanto civis quanto militares, além de aposentados e pensionistas. Por isso, sem dúvida, Jair Bolsonaro recebe dois 13º salários: um como parlamentar, outro como capitão reformado do Exército.

MOURÃO RECEBE – Aliás, convém destacar também que o general Hamilton Mourão, seu companheiro de chapa, também se inclui no recebimento do 13º salário, cuja existência foi criticada por ele. 

O 13º salário atravessou inclusive os 21 anos da ditadura político-militar que governou o país de Castelo Branco a João Figueiredo. Esta semana que termina amanhã, sábado, termina não foi boa para Bolsonaro.  Os jornais, todos eles, deram grande destaque ao tema, da mesma forma proliferaram críticas nas redes sociais da Internet.  No Globo de ontem, a reportagem de Jussara Soares e Vinicius Sassine tornou-se a manchete principal da edição, na primeira página. Também foi a manchete principal de O Estado de São Paulo.

NOVA PESQUISA – No momento em que escrevo este artigo nesta sexta-feira, ainda não havia sido divulgada a nova pesquisa do Datafolha. É provável, contudo, que ela não focalize com profundidade o reflexo do tema em discussão, pois a distância entre o noticiário e o fechamento da pesquisa provavelmente não deu tempo para uma avaliação mais precisa do que as críticas subtraíram em matéria de voto para Bolsonaro. Portanto, na minha opinião, para se ter uma visão dos estragos causados teremos que esperar as pesquisas que vão ser divulgadas na reta final da campanha, semana que vem.

No título cito uma frase do governador Magalhães Pinto. Política é como a nuvem. Muda de direção e de forma a qualquer tempo. Mas nesse tempo, entre a explosão e seu efeito, vamos verificar que o quadro eleitoral pode se alterar em consequência das palavras do general Mourão.

Outro dia foi o economista Paulo Guedes que destacou estar sendo cogitada a criação de um novo imposto. Portanto, os maiores adversários de Bolsonaro não se encontram nos partidos que lhes são contrários. Pelo contrário. Situam-se em seu próprio quartel de votos.

Ibope sinaliza que Bolsonaro e Haddad se consolidam para o segundo turno

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Charge reproduzida do Site UOL Notícias

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ibope divulgada na noite de quarta-feira e comentada quinta-feira através de reportagem de Bruno Góes, fornece a impressão de que Bolsonaro e Haddad vão se enfrentar no segundo turno marcado para 28 de outubro. O levantamento acentua uma diferença muito grande entre Bolsonaro e Haddad em relação a Ciro Gomes e Geraldo Alckmin.

Bolsonaro atingiu 27% das intenções de votos e Haddad 21%. A seguir Ciro Gomes obteve 12 pontos e Geraldo Alckmin ficou congelado no 8º andar. Assim Bolsonaro distancia-se 6 pontos de Haddad e Haddad, por sua vez, fica com 9 pontos em relação a Ciro Gomes. E Ciro Gomes fica a 4 pontos à frente de Alckmin.

DATAFOLHA – Vamos esperar, com base no Datafolha de hoje, se existem diferenças entre seus números e os percentuais fixados pelo Ibope.

Bruno Goes focalizou um ponto importante que aparece no levantamento do Ibope. Trata-se da possibilidade de que 28% dos que hoje manifestam sua intenção de voto para os candidatos ainda podem mudar de escolha.

Poder mudar de escolha, é possível. Entretanto não é possível que as mudanças de candidatos se distribuam exatamente quanto a Bolsonaro e Haddad. As mudanças não se referem especificamente a quais candidatos, de maneira capaz de mudar a colocação dos que disputam o Planalto nas urnas de outubro.

VOTOS PARA CIRO – Há casos em que aqueles que declararam votar em Bolsonaro possam deslocar-se para Ciro Gomes. Há também a perspectiva daqueles que afirmam seu voto em Ciro mas que podem mudar para o candidato do PSL. Da mesma forma, aqueles que declararam sua intenção de voto em Haddad venham a se transferir para Ciro ou Alckimin.

Assim, não há uma transferência total para ninguém. As transferências podem abranger os três principais candidatos. Ninguém pode garantir que as mudanças venham coincidir de forma única. É como uma convergência de vontades, que se incorporam à atitude em relação às urnas.

NULOS E BRANCOS – A respeito dos votos nulos e brancos que vêm caindo de pesquisa em pesquisa, agora em 12% pelo Ibope, é preciso considerar que os eleitores nas urnas do próximo dia 7 têm que marcar seis candidatos. Um para Presidente da República, um para governador de estado, dois para o senado, um para a Câmara Federal outro para a Assembleia Legislativa.

É possível que os votos nulos e brancos atinjam fortemente a eleição presidencial, a última a ser digitada. Vamos ver se tal hipótese se confirma. 

Alianças estaduais nem sempre coincidem com alianças para eleição presidencial

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Praticamente na reta final da campanha eleitoral, surgem alianças para governadores de estado que muitas vezes não coincidem e até colidem com os acordos partidários no plano federal. O tema é objeto de reportagem de Amanda Almeida, Eduardo Presciani e Daniel Gracetto, em O Globo de ontem.

Essa reportagem destaca que em 7 estados as correntes do PSDB abandonaram praticamente o candidato Geraldo Alckmin e passaram a apoiar Jair Bolsonaro. Os estados são: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Sergipe. A razão desse deslocamento vem do fato de que nesses estados Alckmin perde para Bolsonaro.

SÃO PAULO E MINAS – O exemplo é marcante sobretudo porque o novo desalinhamento tucano refere-se aos dois principais colégios eleitorais brasileiros. São eles São Paulo e Minas Gerais.

O dado é profundamente contrário à candidatura do ex-governador paulista, que assim vê reduzidas as chances de conseguir alcançar o segundo turno. As composições estaduais são uma consequência das pesquisas do Ibope e Datafolha e acentuam a tendência das legendas em se unir ao candidato mais votado nas esferas estaduais. Essa tendência não é exclusiva do PSDB nesta altura da corrida eleitoral.

Tampouco não se relaciona com a candidatura do PT liderada por Fernando Haddad. Verifica-se assim nos 7 estados uma distância menor entre o PSDB e o PSL. Isso porque não há notícia de qualquer aliança estadual entre a legenda dos tucanos com a candidatura do PT.

SETE PONTES – Tenho a impressão que as sete pontes estaduais dão margem a uma aproximação entre o pensamento do centro e o desempenho da direita, representada esta por Jair Bolsonaro.

A reportagem expõe uma situação bastante contrária para o ex-governador paulista. Pois no momento que Alckmin mais precisaria de apoio, grande parte dos votos das sete unidades da Federação escapam de suas mãos e se deslocam para Bolsonaro, o que leva a crer que nos sete colégios eleitorais é mais fácil transferir votos para o PSL e receber sufrágios da legenda de Bolsonaro do que partir para obter reflexos positivos se mantivessem apoio ao candidato presidencial do PSDB.

Sem dúvida, representam dissidências dentro do próprio território Tucano. Um problema para Alckmin. Talvez insolúvel nesta altura da maratona. Vamos ver o que revelará a pesquisa do Datafolha anunciada para sexta-feira, amanhã.

Nem os petistas nem os adeptos de Bolsonaro podem se queixar da Rede Globo

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Desta vez, não se pode dizer que a culpa é da Globo

Pedro do Coutto

Os fatos servem para desmentir frontalmente as afirmações do PT de Lula e do PSL de Bolsonaro, que atribuem principalmente à Rede Globo campanhas nos meios de informação contra os dois partidos. Para ser justo, a onda de críticas parte sobretudo do PT que vislumbra manobras secundárias m tudo o que acontece.

Na edição de ontem de O Globo, a principal manchete destacava a liderança de Bolsonaro na pesquisa do Ibope e a ascensão de Fernando Haddad. Na véspera, a pesquisa que apontou 28% para Bolsonaro e 22% para Haddad foi o tema principal da Rede Globo, incluindo a Globonews, projetando os dois candidatos que guardam uma distância grande para o terceiro colocado, Ciro Gomes. A distância aumenta se incluirmos Geraldo Alckmin e Marina Silva.

SEM PREJUDICAR – Portanto, as organizações Globo balizaram os resultados do Ibope que conduzem o desfecho entre os dois candidatos no segundo turno. Se as organizações Globo estivessem contra um ou outro, evidentemente a divulgação não teria o destaque e o calor que marcou as edições tanto do jornal quanto das emissoras de televisão. A pesquisa do Ibope foi também manchete de primeira página de O Estado de São Paulo. Poderia eu citar outros jornais, mas seria desnecessário.

O que aconteceu na imprensa anteontem e ontem foi a prova definitiva de que a empresa da família Roberto Marinho não cria fatos e sim os divulga. O mesmo conceito abrange a família de Júlio Mesquita, proprietária de O Estado de São Paulo. Os órgãos de comunicação, felizmente, não têm o poder de criar fatos. Podem destacar mais um fato ou outro, mas não têm o poder de criar situações.

ONDAS DO MAR – Sobre a imprensa, pode-se fazer a comparação com as ondas do mar. Ou seja, pode acelerar a chegada da espuma na areia. Mas não tem o poder, graças a Deus, de devolver essas mesmas ondas ao oceano. Falei em espuma e areia, lembrando-me de Ary Barroso. Assim tem curso a política, o que não deve ter curso é a mentalidade de se ver truques em todas as coisas editadas no universo espacial da comunicação jornalística.

Vale acentuar também equívocos de parte de políticos em relação à imprensa. Antigamente, os grandes jornais tinham candidato a presidência. O Correio da Manhã escolheu JK nas urnas de 1955. O Estado de São Paulo apoiou intensamente a candidatura Jânio Quadros em 60. Que fez o presidente Jânio Quadros na primeira entrevista já eleito: atacou furiosamente O Estado de São Paulo. São coisas do passado.

BONNER E RENATA – No presente os jornais não apoiam candidatos e tampouco as empresas de televisão. Pode se considerar entrevistas inadequadas, como as conduzidas por William Bonner e Renata Vasconcelos. Tais entrevistas assumiram o caráter de inquisições. Mas nesse tom, equivocado a meu ver, o tratamento foi igual para todos.

Enfim, estamos a 12 dias das eleições. Aguardamos a divulgação de mais pesquisas. O Datafolha anunciou mais uma delas para a próxima sexta-feira. Até aqui verifica-se que Bolsonaro e Haddad estão abrindo luz em relação aos demais candidatos.