Ao intervir na crise, o general Villas Bôas armou uma tempestade sobre Brasília

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Fotografia reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

O título deste artigo é inspirado num filme de Otto Preminger, “Tempestade Sobre Washington”.  No caso de Brasília, a tempestade foi desencadeada por uma entrevista a Tânia Monteiro, em O Estado de São Paulo, na qual o general Eduardo Villas Bôas rebateu firmemente a atuação de Olavo de Carvalho que vinha dirigindo ataques alucinados aos militares que fazem parte do governo Bolsonaro, entre eles os que trabalham no Palácio do Planalto.

O ALBATROZ – Na minha opinião, Olavo de Carvalho tornou-se uma espécie de albatroz da tempestade, ave de longo alcance de voo e que se aproxima dos navios quando pressente a chegada de uma tormenta. Isso de um lado. De outro o General Villas Bôas falou também em nome do Exército, uma vez que Olavo de Carvalho generalizou seus ataques como se fosse portador de uma metralhadora giratória.

Os reflexos definitivos do frontal repúdio manifestado pelo ex-comandante do Exército ainda estão por vir. Sobretudo porque, nas redes sociais, Olavo de Carvalho centralizara as ofensas que profere exatamente no General Villas Bôas, ao atacar outro general, o ministro Santos Cruz.  

PASSOU DOS LIMITES – Na entrevista a Tânia Monteiro, o General Eduardo  Villas Bôas afirmou  que Olavo de Carvalho passara do ponto, ou seja, então o limite de tolerância fora ultrapassado.

A imprensa em geral tem revelado os termos chulos e pesados que o filósofo tem usado nos ataques que partem de Virgínia, nos Estados Unidos, de onde acompanha de perto todas as mensagens colocadas nas redes sociais, e também o noticiário político dos jornais.

Na verdade, ele se julga acima dos fatos e, dramaticamente, para ele quase ninguém presta. Só ele e os olavistas (ou olavetes, como ele próprio denomina seus alunos). Este ponto de sua personalidade pode explicar as ondas negativas nas quais se transporta visando a atingir seus alvos, de forma absolutamente estéril.

A TEMPESTADE – Mas acentuei a existência de uma tempestade no centro do poder e me faz recordar os acontecimentos históricos de 11 de novembro de 1955, quando o Exército, comandado pelos generais Teixeira Lott e Odilio Denys, rejeitou a atitude do Presidente Carlos Luz que se recusava a punir o Coronel Jurandir Mamede pelo discurso que fez no sepultamento do General Canrobert da Costa, tento no pronunciamento defendido o golpe tramado contra a posse de Juscelino Kubitschek. O General Lott, Ministro do Exército, já havia falado no sepultamento. Mamede cometeu uma dupla subversão. Mas o episódio pertence ao passado.

Quando utilizo a palavra tempestade, estou dando razão total ao General Eduardo Villas Bôas. Isso não impede, e até justifica, a reação direta aos ataques desfechados pelo pensador, que pauta sua vida no exercício de injetar pessimismo doentio sobre todos aqueles que divergem dele, porque, para ele, não existe nada de positivo nos outros. Olavo de Carvalho é o cultor e o escultor de si mesmo.

Paulo Guedes passa ao largo das sonegações ao INSS e das isenções dadas por Dilma

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Charge do Tiago Recchia (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Após reunião com o presidente Jair Bolsonaro na tarde de ontem em Brasília, o Ministro Paulo Guedes afirmou mais uma vez que a reforma da Previdência terá um efeito mágico em relação a economia proporcionando o fechamento das contas do governo e possibilitando a retomada dos investimentos e do progresso do país. Na minha opinião, o titular da economia não se preocupa com dois importantes temas – as dívidas dos sonegadores do INSS, que chegam a quase 500 bilhões de reais, e com a isenção de contribuições e pagamento de impostos, que se elevam a mais de 300 bilhões de reais. Essa isenções, concedidas por Dilma Rousseff, foram focalizadas na reportagem de Marcelo Correa, edição de sábado, 4 de maio, de O Globo.

A quantia de R$ 303 milhões de isenções está prevista no orçamento de 2019 como “renúncia”. A metade desses R$ 303 representa a concessão de incentivos fiscais para com a Previdência Social. Quanto às dívidas de empresas para com o INSS, o Ministro Paulo Guedes ao que parece não dá a menor importância.

QUASE R$ 1 TRILHÃO – Essa atitude de omissão não considera que a soma das dívidas mais as isenções fiscais poderia, isso sim, aproximar-se do trilhão de reais prevista por Guedes no período marcado pela década que se inicia agora no governo Bolsonaro.

Reportagem de Geralda Doca, edição de ontem de O Globo, destaca que o governo está disposto a incluir novamente no projeto de reforma da Previdência fatores voltados para manter a receita mágica de 1 trilhão de reais. Inclusive a base parlamentar de Jair Bolsonaro está preparando propostas para incluir no debate da Comissão Especial os itens que foram retirados da mensagem original e que incorporaram dispositivos voltados para a meta de R$ 1,1 trilhão, mas haviam sido retiradas na Comissão de Constituição e Justiça.

APENAS ILUSÃO – Na entrevista ao vivo, na tarde de ontem, Paulo Guedes voou novamente para o alto nível da ilusão. Para ele a reforma da Previdência proporcionará todos os recursos financeiros de que o país necessita.

Mas não disse como isso acontecerá, certamente porque qualquer cálculo feito agora voltar-se-á para o mundo da fantasia.

Como não há débito sem crédito, quais os pontos da legislação social do país que poderiam fornecer uma soma tão fantástica? Esse é o panorama que envolve tanto a realidade como o sonho do ministro.

Maio de 1945: a rendição incondicional do Nazismo e a velocidade da informação

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No próximo dia 8 de maio, quarta-feira, completam-se 74 anos da rendição incondicional do Nazismo, terminando assim a Segunda Guerra na Europa. Em agosto depois das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki houve a rendição também incondicional do Japão. Estava destruído o eixo Alemanha, Itália e Japão.

A história da Segunda Guerra Mundial ainda não se esgotou, como sustenta o pesquisador Daniel Mata Roque em seu livro “A Cobra Vai Filmar”. Apesar de sua juventude, o autor é membro da diretoria da Associação dos Veteranos da FEB. O título “A Cobra Vai Filmar” parte de homofonia com “A cobra vai fumar”, expressão símbolo da Força Expedicionária Brasileira.

DIFICULDADE – O título de Daniel Mata Roque relata inclusive a dificuldade de se reunir a filmografia sobre a jornada heróica brasileira nos campos da Itália, principalmente nas tomadas de Monte Castelo e Montesi, onde resistiam núcleos alemães no final da batalha na Europa.

Mesmo assim, em seu livro o jovem autor, neto de Olimpío da Mata, meu amigo e contemporâneo, refere-se ao material encontrado sobre a participação brasileira no cenário internacional.

Mas me referi a rendição incondicional da Alemanha Nazista e a velocidade da informação, no fundo um processo na verdade impossível de conter. Nos momentos críticos dos países e da humanidade, as informações estratégicas terminam sempre vazando.

BBC DE LONDRES – De volta a 1945, no dia 22 de abril, a BBC de Londres, que tinha Antonio Callado como editor para a América Latina, anunciou a morte de Hitler. As agências alemães rebateram a versão e disseram que Hitler estava combatendo nas linhas da frente ocidental. Muito bem. A guerra terminou em 8 de maio de 45, e de 22 de abril a 8 de maio não há nenhum registro ou ato assinado pelo nazista no seu país em meio às ruínas da Guerra.

O que me leva a crer que a 22 de abril Hitler tenha dado fim à sua diabólica presença no mundo. A informação assim rompeu mais uma barreira entre o que aconteceu de fato e a versão divulgada pelos derrotados. Na madrugada de 8 de maio, a UPI divulgava pelo telégrafo que” exatamente às 2 horas e 41 minutos da madrugada, o Almirante Doenitz assinou a rendição incondicional do nazismo”.

MÁQUINA DE GUERRA – Com base na diferença de horário, a rendição foi assinada em torno das 10 horas da noite em nosso país. Esse episódio pôs fim à maior máquina de guerra que se encontra na História Universal. Morreram 50 milhões de pessoas, das quais 20% de russos. Mas esta é uma outra história.

O livro “A Cobra Vai Filmar” consagra o autor como um dos mais jovens pesquisadores que se debruçam sobre a história moderna brasileira. Voltarei ao assunto nos próximos dias.

Governo libera saques do PIS e PASEP na tentativa de incrementar o consumo

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Charge do Emidio (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Hoje vou abordar dois assuntos: o que está no título da matéria e o que se refere às tiragens dos principais jornais do país. Vamos por partes. Reportagem de Manoel Ventura, edição de ontem de O Globo, destaca que o governo Bolsonaro vai autorizar os saques do PIS e do PASEP, numa tentativa de incentivar o consumo, uma vez que a retração atinge a indústria afetada pela pouca capacidade de consumo da população.

A indústria recuou 1,3% no mês de março em relação a fevereiro. Esta informação adicional deu margem à matéria de Vinicius Nader, em O Estado de São Paulo. O Palácio do Planalto espera liberar em torno de 10 bilhões de reais. Falta definir qual será o limite de saque que vai recair sobre as parcelas dos dois fundos.

SEM LIMITE – Não há limite de idade para que os saques se realizem, ao contrário do que atualmente acontece, quando os saques são autorizados somente para os que têm mais de 60 anos de idade.

Os saques são divididos entre o PIS e o PASEP. O PIS refere-se aos trabalhadores celetistas. O PASEP para os funcionários públicos. Assim, no caso dos celetistas eles terão que acessar a Caixa Econômica Federal, e os funcionários públicos devem procurar as agências do Banco do Brasil. Nos dois casos basta o assalariado informar seu CPF.

CIRCULAÇÃO – Na edição de ontem a Folha de São Paulo publicou peça publicitária apresentando os jornais que possuem as maiores tiragens impressas. A FSP roda 339 mil exemplares. O Globo 319 mil, Estado de São Paulo 245 mil e a Zero hora de Porto Alegre 162 mil exemplares Há um quinto jornal que roda 186 mil. Trata-se do SuperNotícia que a meu ver é um jornal popular em São Paulo.  Cabe destacar, como o fez a Folha de São Paulo. os acessos às suas páginas somam 278 milhões por mês e mais 28 milhões de visitantes que acessam um único conteúdo.

Nesta parte a FSP não se referiu aos acessos on line relativos ao O Globo e ao O Estado de São Paulo.

LEITORES DIÁRIOS– Para finalizar uma observação importante. A circulação dos jornais, critério adotado IVC, não corresponde ao número de leitores diários. Isso porque, na média brasileira cada jornal impresso é lido pela média de três pessoas. Então para se medir o índice de leitores deve-se multiplicar por três o total de assinaturas e também os números de vendas nas bancas existentes.

Esse é o quadro do que chamo de mercado de informação e comunicação. O mercado cresce no mesmo ritmo do índice demográfico, que é de 1% ao ano no Brasil.

Liberdade de imprensa ainda é única ponte entre os fatos e os seres humanos

Resultado de imagem para liberdade de imprensa frasesPedro do Coutto

A Associação Nacional dos Jornais, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão e a Associação Nacional de Editores de Revistas publicaram nesta sexta-feira, nos grandes jornais do país, peça publicitária altamente importante, focalizando a liberdade de imprensa cuja comemoração mundial ocorreu no dia de ontem. Entre os grandes jornais, a mensagem foi reproduzida pelo O Globo. No texto, as Associações destacaram, com plena razão, que a liberdade de imprensa não se destina a homenagear jornalistas, mas sim destacar o direito que se refere à opinião pública.

O texto acrescenta que a liberdade de imprensa interessa diretamente a todas as pessoas, inclusive revelando opiniões diversas para os fatos que acontecem no dia a dia.

A ABI, CALADA – Surpreende o silêncio da ABI, cuja história através dos tempos por diversas vezes foi marcada por confrontos entre o jornalismo e o poder. Esta verdade é mundialmente abrangente e, para termos noção exata do que ela representa, basta citar as ditaduras em relação as informações e versões.

A primeira medida das ditaduras é suprimir a liberdade de expressão e opinião. Basta dar como exemplo o Nazismo de Hitler, extrema-direita, e o de Stalin, extrema esquerda, cenário em que podemos incluir Cuba e Venezuela, com a ressalva da ditadura de Vargas de 1937 a 1945, que tinha viés trabalhista.

É horrorosa a figura torpe dos que tentaram abafar as vozes que se levantaram para assegurar a volta de direitos humanos perdidos no tempo.

Resultado de imagem para liberdade de imprensa frasesO ESSENCIAL – É claro que não se pode dizer que tudo o que os jornais, emissoras de rádio e televisão e agora incluindo as redes sociais, tudo seja verdadeiro e razoável. Mas não tem importância isso. O essencial é garantir a liberdade, que é o tema principal que rege os regimes democráticos. No qual pode se afirmar inclusive a presença das vocações e das emoções de todos nós. É fato que a verdade não resulta de nenhuma tendência absoluta, mas sim decorre de um processo multilateral que impulsiona a espécie humana.

Além disso, é só medir a capacidade que a mídia em geral possui de se comunicar ao mesmo tempo com milhões de pessoas, caminho que não pode ser percorrido individualmente. Daí a expressão comunicação de massa.

O Brasil já viveu tempos de censura: o Estado Novo de Vargas, derrubado pela entrevista de José Américo de Almeida ao repórter Carlos Lacerda, do Correio da Manhã, em fevereiro de 1945.

À LUZ DOS SÉCULOS – A luta pela liberdade apresenta-se à luz dos séculos como um esforço gigantesco contra o arbítrio e também contra a violência do poder, especialmente a tortura e o assassinato no cárcere, que constituem os maiores crimes hediondos praticados pelos agentes da escravidão ditatorial.

Portanto, nós jornalistas, no dia de ontem, encontramos motivo para irmos ao encontro da opinião pública, sem temores e rancores do passado.

País aguentará pagar os juros de 6,5% sobre a dívida de 5,4 trilhões de reais?

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Charge do Paixão, Gazeta do Povo

Pedro do Coutto

A dívida bruta brasileira, reportagem de Isabel Versiani e Alex Ribeiro, atingiu um novo recorde, subindo para 5,4 trilhões de reais equivalendo a 78% do Produto Interno Bruto. Portanto, requer o desembolso de mais de 300 bilhões de reais somente para rolar o endividamento. Isso porque, sobre o montante da dívida, recaem 6,5% de juros, uma vez que este é o valor da Taxa Selic.

Esse resultado alarmante, com base no mês de março, paradoxalmente não acarreta nenhuma reação por parte da equipe econômica do Ministro Paulo Guedes. A preocupação concentra-se hoje na reforma da Previdência Social quando o esforço para cobrir os juros da dívida é numericamente muito maior do que o déficit do INSS.

DIZ O BANCO CENTRAL – Os números são do Banco Central e neles se baseou a reportagem publicada na edição de ontem do Valor. Na quarta-feira, também O Estado de São Paulo abordara o endividamento e suas consequências. Mas a matéria publicada pelo Valor foi mais ampla. O chefe do Departamento de Estatística do Banco Central, Fernando Rocha, acredita que a tendência da dívida continuará sendo alta, consequência do déficit primário registrado entre despesas e receitas.

Tal panorama leva o Ministério da Economia a entregar maior volume de Notas do Tesouro Nacional para cumprir o desembolso em juros. Trata-se, assim, de uma capitalização negativa para o Brasil. Entretanto, digo eu, ótima para os grandes bancos que acumulam em suas carteiras maiores volumes de Notas do Tesouro Nacional, pois é esse o caminho para manter o estoque da dívida lastreado pela SELIC, na base de 6,5% ao ano.

SALÁRIO ESTAGNADO – De outro lado, agravando a situação econômica e financeira do país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, a massa salarial do país terá alta modesta em 2019. Os indicativos encontram-se nas previsões de receita do FGTS e do PIS PASEP. A matéria também saiu no Valor, assinada por Bruno Vilas Boas. O fenômeno continua na medida em que a taxa de desemprego não dá sinais de recuperação. E sem emprego não pode haver consumo, causando, portanto, um freio na receita dos impostos.

A massa salarial é o mais forte alicerce para sustentar a etapa de consumo e produção, porque ninguém pode produzir para estocar. E para o país crescer é preciso aumentar o consumo.

De Havana 1962 a Caracas 2019, a presença das superpotências na América Latina

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A liberdade dos países latino-americanos ainda é hipotética

Pedro do Coutto

Em 1962 a 2019, um longo período de crises internacionais cujo desfecho oscilou sempre dependendo das superpotências. Em Cuba, foi o episódio que culminou com a retirada dos mísseis soviéticos que apontavam de Havana para a Flórida. Agora, um confronto das superpotências deslocou-se para a Venezuela. Tanto os Estados Unidos como a Rússia assinalam caminhos para superar crises.

A questão internacional vem de longe, na estrada do tempo a doutrina Monroe marca seu lugar na Geografia. A América para os americanos, destacou o presidente James Monroe.  Este posicionamento prevaleceu em 1962, mas agora novamente a questão projeta-se no cenário internacional.

MADURO CAIRIA – Não fosse a presença da Rússia e Nicolás Maduro já teria caído. A queda, no fundo do problema, envolve os Estados Unidos. Tanto assim que a Casa Branca apoiou, e continua apoiando, a posição de Juan Guaidó. O obstáculo para a queda de Maduro foi fixado pela Rússia de acordo com o noticiário internacional divulgado pelas agências AFP/EFE, edição de ontem de O Estado de São Paulo.

A Rússia assumiu uma posição a favor de Maduro na medida em que propõe um acordo capaz de evitar um banho de sangue na Venezuela, o que significa na realidade um apoio direto ao governo Maduro. Ao longo da História, os fatos comprovam que o desfecho de crises regionais só encontram solução em propostas internacionais. Em 1962, o ultimato de John Kennedy a Nikita Kruschev resultou na retirada dos mísseis de Havana. Agora, enquanto os EUA propõem a saída de Maduro, a política de Moscou defende sua permanência.

MAIORES RESERVAS – Afinal de contas, encontraM-se em jogo as maiores reservas de petróleo do mundo. Não só a Rússia mas também a China estão ao lado do ditador da Venezuela. A China segue calada. Cuba, ao lado de Maduro, participa do jogo de poder. Tanto assim que Washington defende a saída de militares cubanos da Venezuela.

Mais uma vez predomina no mundo o que foi chamado em 1962 de novo tratado de Tordesilhas. A divisão das áreas de influência permanece na sombra do lance de dados em busca do poder. Aí está uma linha divisória predominante.

Governo depende do Congresso para pagar aos aposentados e pensionistas do INSS

Charge sem assinatura, reproduzida do site Ameba Negra

Pedro do Coutto

A afirmação que se encontra no título é, ao mesmo tempo, tão impressionante quanto impressionista. A perspectiva encontra-se com grande destaque na edição de ontem de O Estado de São Paulo, reportagem de Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli. A situação aponta para a falta de recursos financeiros em decorrência da máquina pública estar praticamente paralisada, em consequência da pouca vitalidade do Executivo na arrecadação fiscal do país.

O governo Bolsonaro está diante — acentuam as repórteres — de um impasse representado pelos efeitos de uma recessão.

AUMENTAR RECEITA? – A equipe econômica tem se voltado para buscar receitas e reduzir despesas, porém sua atuação aponta mais para a redução das despesas do que para o aumento de receita. Este tem sido, a meu ver, o caminho para assegurar as obrigações do governo. A equipe econômica luta para conseguir liberar 800 milhões de reais, para evitar o não pagamento de pensões e aposentadorias a partir do mês de junho.

O país necessita de ato do Congresso liberando os recursos que se elevam a 4 bilhões se considerarmos os compromissos financeiros com organismos internacionais. Só com a ONU a dívida brasileira situa-se no patamar de 2 bilhões de reais.

Há necessidade de o Congresso liberar um aval para atender a emergência sem comprometer a medida de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal. É preciso agir rápido para que o Executivo não fique na mão de deputados e senadores, sobretudo no momento em que o Palácio do Planalto pratica um lance de dados para aprovar a reforma da Previdência.

SEM RECURSOS – A escassez de recursos estende-se também ao pagamento da Bolsa Família e ao pagamento do benefício de prestação continuada. O Executivo, se não obtiver o aval parlamentar corre o risco de ser acusado de pedaladas fiscais, no estilo das que marcaram o final do governo Dilma Rousseff. Na minha opinião o panorama destacado pelo O Estado de São Paulo resulta de uma queda de consumo que atinge a população do país.

Sem salários capazes de fazer face à inflação, não há saída possível, porque o consumo cai e a receita, também.

Governo anuncia reajuste anual de apenas 1% ao ano para servidores federais

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Charge do Bier (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

É incrível! Se tal medida for adotada, os funcionários federais, entre eles os ministros do Supremo e os magistrados, na realidade terão seus vencimentos reduzidos, pois ninguém acredita que a inflação seja menor de 1%. A meu ver, trata-se de arrocho salarial claro e direto. A reportagem de Ribamar Oliveira e Edna Simão foi publicada na edição de ontem do Valor. A estimativa é que os reajustes anuais ficarão cristalizados nessa base.

O assunto foi revelado pela Secretaria de Previdência e Trabalho ao responder a requerimentos de informação apresentados pelos deputados Tadeu Alencar e Marcelo Moraes.

E OS MILITARES? – A resposta assinala que os próximos itens do projeto de reajuste, no que se refere às Forças Armadas, estarão incluídos na proposta do Ministério da Defesa.

Acredito que o reajuste anual de 1% deve desencadear uma onda contrária e, sem a menor dúvida, causará uma diminuição real nos vencimentos do funcionalismo público em geral. Inclusive, como assinalei há pouco, as ondas de protesto vão contar com o apoio da Magistratura Federal. Se a inflação permanecer em 4% ao ano, em 10 anos a diminuição será de 40%, sem calcular os montantes. O governo assim tropeça na realidade.

ESTATAIS LUCRATIVAS – Enquanto isso o Valor, também ontem, publicou reportagem de Fábio Pupo destacando o desempenho das empresas estatais no exercício de 2018. Passaram a dar lucro, o que revela uma face diferente das exposições feitas até agora pela equipe econômica do Ministro Paulo Guedes. A Petrobrás apresentou lucro de 26,4 bilhões de reais. A Eletrobrás aparece na segunda colocação com lucro de 11,1 bilhões de reais. Em seguida vem o Banco do Brasil com 10 bilhões.

Portanto, usar como argumento para privatização desempenhos financeiros não apresenta um ponto lógico de base para o raciocínio. Ao contrário, Fabio Pupo acentua que as estatais federais lucraram 132% acima do resultado de 2010.

MAIS DEMISSÕES – Além disso, o Valor acrescenta que as empresas estatais já cortaram 60 mil pessoas de suas folhas e estão preparando mais programas de demissão voluntária. O Valor publica a evolução dos quadros das estatais a partir de 2006. O governo assegura que não haverá mais contratações, como se tal atitude estivesse numa tempestade econômica e financeira.

E onde está o plano social? Mais demissões equivalem a menor consumo e menor receita para o INSS. E na verdade somente o crescimento dos salários pode sustentar o consumo e com isso, tocar para frente o desenvolvimento do país. A regra é clara.

Bolsonaro não pode dispensar nem Mourão nem Moro; os dois são indemissíveis

Resultado de imagem para capa da veja com mouraoPedro do Coutto

A frase que está no título, penso eu, sintetiza em cores fortes a dependência política de Jair Bolsonaro ao vice-presidente da República e ao ministro Sérgio Moro, por motivos diferentes porém convergentes para a estabilidade do chefe do Executivo. Vamos por partes. A revista Veja, na edição que se encontra nas bancas, publica reportagem de Thiago Bronzatto, Marcela Mattos e Nonato Viegas, na qual destacam problemas de relacionamento entre Hamilton Mourão e os filhos do presidente da República, exponenciados pelas agressões de Olavo de Carvalho a Mourão, em particular, e aos militares de forma geral.

O conflito atingiu o que pode ser seu ponto mais alto com o que foi publicado pelos três repórteres na revista que citei há pouco. O General Hamilton Mourão disse a Bronzatto, Marcela e Renato que, se o presidente da República assim desejar, ele renuncia e vai embora para casa.

JOGADA DE MESTRE – Foi um lance de dados de grande potência, capaz de abalar a base militar sobre a qual Jair Bolsonaro montou seu governo. É claro, digo eu novamente, que Hamilton Mourão não fala só por si e também exprime pensamentos de militares que ocupam cargos no Palácio do Planalto.

Assim, se Mourão renunciasse levaria consigo os generais que despacham na Esplanada de Brasília e integram até mesmo Secretária de Comunicação do governo, para se avaliar a profundidade da presença dos militares. Na condição de porta-voz, na lógica deste caso, pode se destacar a presença de um general, num setor que deveria ser comandado por um jornalista profissional.

Mas deixemos isso para lá porque os exemplos de pessoas não habilitadas a redigir textos e destacar fotos virou uma rotina nos esquemas de poder.

PLANO INCLINADO – O fato é que o presidente Bolsonaro depende da presença a seu lado do vice Hamilton Mourão, porque sem ele o plano inclinado da estrutura do poder desequilibraria o projeto de governo.

Quanto ao ministro Sergio Moro, Jair Bolsonaro não pode prescindir de sua presença no Ministério. Personagem que tem o maior prestígio pessoal dentre os brasileiros, o ex-juiz Moro funciona como um avalista do desempenho do Executivo, alicerçado pela aura de honestidade que o ex-juiz de Curitiba reflete.

Portanto, como se constata, Mourão e Moro são dois alicerces de sustentação que asseguram, até agora, o desempenho do governo e a imagem pessoal do presidente da República. A política é assim. Qualquer movimento impreciso, ao mudar o rumo, coloca o poder em risco.