Desemprego recorde não preocupa Paulo Guedes, esse homem fatal de Nelson Rodrigues

Frases de Nelson Rodrigues | Amantes do Saber™ AminoPedro do Coutto

O Globo edição de hoje, reportagem de Cássia Almeida, revela que, pela primeira vez na história, mais da metade da população com idade laboral está atingida pelo desemprego e pelo não emprego. Portanto, são praticamente 100 milhões de homens e mulheres fora do mercado e portanto do consumo pleno, de acordo com as faixas de renda em que se encontram.

O problema é gravíssimo, sobretudo porque é preciso considerar que o crescimento demográfico brasileiro é de 1%a/a: nascem 1,7% e morrem 0,7%. Perdendo para o índice populacional, a renda per capita do país anda para trás.

O HOMEM FATAL  – Mas eu disse que o ministro Paulo Guedes é o homem fatal de Nelson Rodrigues, que foi meu amigo pessoal.                       O grande teatrólogo usou essa imagem seguidamente em suas peças e textos jornalísticos para definir a presença marcante de certos personagens ao longo de diversas situações na vida humana. No futebol era para definir os jogadores de maior presença, negativa ou positiva nos lances aos olhos das multidões.

Para mim, Paulo Guedes integra-se à galeria dos homens fatais. Sua presença no governo Bolsonaro é predominante. Economista, mais ligado ao sistema financeiro do que a projetos de desenvolvimento econômicos e sociais, parece que ele não dá a menor importância à face que reflete a angústia e os anseios dos assalariados, entre os quais os servidores das empresas estatais e os funcionários públicos.

QUEBRA-QUEBRA – Bernardo Caran, na Folha de São Paulo de ontem, destaca uma palestra que ele, Guedes, realizou para empresários. A matéria vazou para Bernardo Caran.  Paulo Guedes afirmou que, não fosse o abono de 600 reais por três meses para a população mais carente, teria havido quebra- quebra nas principais cidades do Brasil. Assim ele chamou atenção para o problema da fome e de suas consequência, entre as quais a preservação da saúde.

Uma contradição, entretanto, destaca-se a seguir. Ele concordou com a prorrogação do benefício por mais alguns meses, mas propôs a diminuição de seu valor. São 64 milhões de pessoas em estado de carência. Os 600 reais são um benefício, algo que se dá sem retribuição. Os salários e as aposentadorias, ao contrário, são um direito. No caso da aposentadoria um seguro social que vence com 35 ou 30 anos de contribuição. Nos dois tempos homens e mulheres resgatam a apólice do seguro social que fizeram. Portanto, o resgate não é um benefício. É um direito.

O que alarma é o desemprego muito alto somado ao não emprego. E o não emprego reúne parte da população que atinge a idade de trabalhar, mas não consegue um lugar ao sol.

VÂNDALOS BRITÂNICOS – Em Londres, um grupo de vândalos tentou destruir o monumento a Winston Churchill, a meu ver a maior figura do século XX. Um líder que enfrentou a Alemanha nazista com a Inglaterra lutando sozinha contra Hitler e Mussolini.

Não fosse ele, talvez a destruição nazista tivesse ocupado mais países do que ocupou distribuindo aqueles contrários por mais campos de concentração e da morte. Glória eterna a esse grande homem. Não importa que ele tenha sido deputado conservador. Importa, mais que tudo, que ele se tornou um herói da liberdade.

A GloboNews, em seu noticiário da manhã de hoje, destacou manifestação de ontem quando extremistas carregaram Weintraub em ruas de Brasília, elogiando sua posição contra o STF. Para mim, Weintraub representa um novo caso Jurandir Mamede, ocorrido em 1955.

UM NOVO MAMEDE – No dia 3 de outubro de 1955, os brasileiros elegeram JK nas urnas. Lacerda assumiu a liderança de um movimento para impedir a posse do residente eleito. Escrevia na Tribuna da Imprensa e falava na rádio Globo.

Em outubro também, falecia o General Canrobert Pereira da Costa, que foi ministro do Exército no governo Dutra. No seu enterro falaram diversos militares e os discursos foram encerrados com a fala do ministro Henrique Lott. De repente toma a palavra, depois do ministro falar, o coronel Jurandir Mamede. Insolitamente, Mamedei aproveita a ocasião e prega o golpe para impedir a posse de JK. Foi o estopim da crise político militar desencadeada dos dias 11 e 21 de novembro.

Juscelino tomou posse e cumpriu seu mandato. Por causa de Mamede, o Congresso Nacional decidiu impedir o ex -presidente Café Filho e o deputado Carlos Luz. Juscelino tomou posse a 31 de janeiro de 1956 e governou até 31 de Janeiro de 1961. Foram os anos dourados do desenvolvimento brasileiro.

Informação ao general Eduardo Ramos: quem estica a corda é o próprio Jair Bolsonaro

Ficheiro:Luiz Eduardo Ramos em 23 de julho de 2019.jpg – Wikipédia ...

Ramos diz que se disfarçou para não ser reconhecido no protesto

Pedro do Coutto

O general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo, em uma entrevista à Veja que circulou ontem, e que deu margem a reportagem de Naira Trindade e Gustavo Maia, O Globo de hoje, afirmou não haver perspectiva de golpe militar no país, mas é preciso, acrescentou, a oposição não esticar demasiadamente a corda. A posição inicial de Ramos é democrática. Porém a conjunção “mas” é sempre restritiva à frase anterior.

Portanto, a advertência à oposição cria uma dubiedade contestada pelos partidos políticos, inclusive dos parlamentares que apoiam o Palácio do Planalto.

VAI PARA A RESERVA – Defendendo sua colocação o ministro anuncia que vai passar para a reserva, acumulando portanto o posto no Exército com sua condição atual.  O general Ramos revela ter decidido passar para a reserva porque, diz ele, “fui muito criticado pelos meus companheiros de farda. Não me sentia bem. Não tenho o direito de estar aqui como ministro e haver qualquer leitura equivocada. Conversei com o ministro da Defesa e com o Comandante do Exército e vou pedir para ir para a reserva.”

Na minha opinião, e aliás na dele, general, ele cometeu um erro ao sobrevoar de helicóptero com o presidente Bolsonaro e descer próximo a manifestação antidemocrática que pedia o fechamento do STF e do Congresso Nacional. Tanto que ao se aproximar do Palácio do Planalto colocou um boné na cabeça e óculos escuros para não ser reconhecido.

Para mim quando a pessoa oculta algo é porque tacitamente admite que sua presença no local não é adequada. Quem oculta tenta encobrir o fato. Como dizia Santiago Dantas, nenhuma posição é legítima, quando quem a ocupa não pode dizer seu verdadeiro nome.

ORDENS ABSURDAS? – Enquanto isso o presidente Bolsonaro afirmava, matéria de Carolina Brígido, que os militares não cumprem ordens absurdas. Ordens absurdas, digo eu, tem um autor ou autores, elas, não surgem do vento. Portanto, nesses casos é fundamental apontar-se quem mandou cumprir absurdos.

A citação é uma resposta de Bolsonaro em relação ao despacho do ministro Luiz Fux, do STF, concedendo liminar impetrada para acentuar que as Forças Armadas não são um poder moderador, e sim sua tarefa é cumprir o que está de fato no artigo 142 da carta, na defesa da pátria e na garantia dos poderes constitucionais.

O presidente da República na nota oficial, encerrou elogiando a decisão de Luiz Fux, que decorreu de representação formulada pelo PDT. Tudo bem. Mas é necessário que o Palácio do Planalto explique melhor o verdadeiro sentido contido no texto do presidente da República.  Mais um caso de ameaça velada através da conjunção “mas”, que deixa tudo no ar.

Algoz das universidades, Weintraub provoca crise que atrai Bolsonaro como um abismo

Abraham Weintraub e o Enem

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

A Medida Provisória de Jair Bolsonaro dando poderes ao ministro Abraham Weintraub para nomear reitores de 20 universidades no período da pandemia, na minha opinião, sem dúvida, representa um ato profundamente hostil a todos os dirigentes e integrantes do ensino superior do país. Acredito que o STF vai derrubar a medida, por absurda que ela é na sua essência e na sua forma.

Basta lembrar o desempenho trágico de Weintraub na reunião ministerial de 22 de abril. A colocação da tarefa que representa um ato de deseducação pode ser traduzida como expressão de um invasor e de um algoz para as reitorias.

IMAGEM DO ABISMO – A imagem do abismo que está no título é inspirada em um texto de nosso amigo Nelson Rodrigues, ao focalizar o desfecho no festival da canção promovido pela Rede Globo em 1968. A música de Geraldo Vandré tinha dois títulos “Caminhando” e “Para não dizer quer não falei de flores@. 

A música desagradou o governo Costa e Silva. Estávamos na véspera do Ato Institucional nº 5 que sufocou a democracia e a liberdade no pais e o conduziu ao que o jornalista Carlos Chagas chamou de ”A longa noite dos generais”. Este o fato.

No festival, Geraldo Vandré ficou no segundo lugar. O Maracanãzinho repleto vaiou a decisão. Depois do vencedor a palavra, foi dada a ele, que afirmou que a vida não se resume a festivais. Aí, no dia seguinte entrou Nelson Rodrigues. O grande teatrólogo afirmou o seguinte: a multidão atraia o autor como um abismo. Mas ele preferiu deixar para lá.

PRAZER EM CRIAR CRISES – O presidente Bolsonaro a mim parece incluir-se no mesmo ímpeto. Tem prazer em criar crises, momentos de tensão, fortes choques de ideias e intenções, e no seu laboratório de pensamento projetar adversários, consolidando-os no decorrer do tempo.

Ele necessita e se realimenta de absurdos. Sua meta é o conflito, não a atuação construtiva que deve ser a base indispensável de qualquer governo. Agora o inimigo menos oculto são as Universidades.

Também não tenho dúvida que o Supremo tribunal Federal vá derrubar a ascensão de Weintraub, tão absurda ela é.

EM TORNO DO ABISMO – Os exemplos em torno do abismo se repetem. Na Folha de São Paulo de hoje, Igor Gielow estende a lente de Bolsonaro incluindo no foco o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, encarregado da articulação política com o Poder Legislativo.

Eduardo Ramos tem sido contrário a nomeações capazes de assegurar ao governo votos nas matérias que o Palácio do Planalto pensa serem importantes. O caso da nomeação do deputado Fabio Faria, do PSD, faz parte desse elenco. Vai ao encontro do interesse de Gilberto Kassab, do mesmo partido e que foi ministro do governo Michel Temer.

Eis aqui mais um exemplo voltado para o conflito e para a ruptura entre o que o candidato disse ontem, em 2018, e o que pratica o presidente da República.

Dois marcos fundamentais na história universal da comunicação: Gutenberg e Google

Gutenberg Block For Google Maps Embed By Pantheon – WordPress ...Pedro do Coutto

Johannes Gutenberg, a partir de 1440, e o Google, que começou a funcionar em 1998, portanto no crepúsculo do século XX e no amanhecer do século XXI, mudaram o conteúdo, a forma e a velocidade da informação e da opinião. Descortinaram o tempo e aproximaram os fatos do conhecimento da população mundial. São testemunhas, reveladores e tradutores dos lances que a humanidade produz.

Na época das grandes descobertas, época marcada pela presença de Portugal nos mares nunca antes navegados, como disse o poeta Camões, a galáxia de Gutemberg, na expressão de Marshall McLuhan, separou duas fases da humanidade: a era do relato e a era do registro.

ANTES E DEPOIS – A crucificação é um relato, mas o nazismo é um registro, tão trágico quanto imundo. A crucificação produziu o maior corte da história universal. Todos os acontecimentos humanos foram divididos entre antes e depois de Cristo. Não pode haver figura maior que levou ao cristianismo. Mas esta é outra questão.

Gutemberg, de 1440 a 1445, foi o primeiro homem a imprimir a Bíblia Sagrada, composta por livros tanto cristãos como judaicos. Os jornais surgiram com Gutemberg, da mesma forma que as obras da literatura que passaram a se eternizar ao longo dos séculos. Eram os primeiros tipos a começar a funcionar e transportar os fatos para milhões de seres humanos. Foi uma revolução tanto na informação direta quanto no debate inspirado na lógica tão eterna da humanidade.

FOTO E CINEMA – No século XIX surgiu a fotografia e no anoitecer de XIX e na alvorada do século XX surgiu o cinema. O planeta não parou mais de evoluir. O registro dos episódios e conflitos tornou-se evidente aos olhos e a consciência de todos. Vale acentuar que no campo visual a memória histórica foi fornecida e projetada pelos pintores.

Em 1998 surgiu o Google que se tornou rapidamente no maior monumento voltado para informação de todos. As distâncias não dependiam mais das caravelas de Colombo e Cabral. Hoje sucedem-se nos espaços siderais da internet. Sua presença torna-se mais intensa a cada dia e sua estrutura baseia-se nos algoritimos da matemática.

TUDO INSTANTÂNEO – O economista Felipi Campelo que conhece bem as bases de funcionamento do Google, é capaz de descrever os detalhes fascinantes da engrenagem colossal.

Para se ter uma ideia da grandeza da Internet e do Google basta dizer que este além de acumular toda a cultura e história universal anterior ao século XXI, ainda por cima é capaz de anotar com velocidade instantânea as mudanças que ocorrem no dia a dia. Inclusive na política e na luta pelo poder.

Isso tudo simultaneamente em todos os idiomas do planeta. Pois o que acontece nas nações é traduzido imediatamente para o inglês, espanhol, francês, alemão e português, além de muitas outras línguas. Vê-se por aí um mar de alternativas. Pensar nas modificações e traduções dá bem a ideia da dimensão da nuvem que transporta as anotações simultâneas traduzidas e transferidas que se incorporam ao conhecimento humano.

DESEMPREGO AUMENTA – Na sua edição de quarta-feira, O Globo revelou que no mês de maio solicitaram o seguro desemprego 960 mil trabalhadores. Este número é 53% maior que o registrado em maio de 2019. E superou pela margem de 28% a soma dos requerimentos de abril.

Constata-se assim um aumento da despesa e uma diminuição da receita tanto para o INSS quanto para o FGTS. Eis aí uma informação que envio ao Palácio do Planalto e também ao ministro Paulo Guedes. O que pretendem fazer em relação a isso?

Paulo Guedes não consegue atravessar a ponte que separa a teoria da prática

Paulo Guedes anuncia que o novo presidente do BNDES virá da ...

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

O Ministro Paulo Guedes – O Globo e a Folha de São Paulo   publicam hoje – anunciou a criação do Renda Brasil que substituirá o Bolsa Família e ainda por cima destinará recursos para socorrer trabalhadores informais. São 38 milhões de pessoas, como o ministro da Economia vai obter recursos para isso, francamente não sei. Acredito que seja mais uma de suas fantasias delirantes que não conseguem ser comprovadas pelos fatos.

Por falar em teoria e prática, lembro uma frase do velho político Benedito Valadares: a teoria na prática é outra coisa. Valadares deixou exemplos em suas passagens pelo governo de Minas e seu mandato de senador.

ADVERSÁRIO CORDIAL – Outra de suas frases fez história: é melhor um adversário cordial do que um correligionário hostil.  Mas o ponto alto de suas decisões foi nomear JK em 1940 para prefeito de Belo Horizonte.

Juscelino substituiu os paralelepípedos da Avenida Afonso Pena pelo asfalto. Os bondes eram puxados a burro. O barulho era terrível, como me disse um dia meu saudoso amigo José Aparecido. Na ocasião Valadares disse apenas: agora sim Belo Horizonte tem prefeito. Mas estas são outras questões.

O ministro Paulo Guedes informou que o programa Renda Brasil, incluindo os informais, vai impulsionar as empresas, flexibilizar os contratos de trabalho e combater o desemprego. Para mim, pura fantasia. Mais uma com a qual ilude a opinião pública.

VERDE E AMARELO – Além disso. Guedes vai recriar o programa verde e amarelo destinado a capitalizar micro e pequenas empresas. Mas o problema é que está faltando coordenação a seu ministério. Vamos por etapas, a respeito de fantasia e realidade. As reportagens são de Julia Chaib e Gustavo Uribe, Folha de São Paulo, e de Marcelo Correia e Cassia Almeida em O Globo.

Quanto a descoordenação que envolve a atmosfera no Ministério da Economia, eis mais uma prova. O secretário de Fazenda Waldery Rodrigues foi o responsável pelo ato que transferia 83,9 milhões de reais do Bolsa Família para a Secom, que a aplicaria na publicidade do governo.

Gustavo Maia e Leandro Prazeres, em O Globo revelam que o presidente da República revogou o ato e mandou a revogação para a edição extra do DO de ontem. Onde estava o ministro Paulo Guedes? Ele deveria fiscalizar e impedir iniciativas como essa.

Somente comparações percentuais podem definir rumos e ritmos do coronavírus

Coronavírus - Ministério é criticado por ocultar dados da pandemia

Ministério da Saúde é criticado por ocultar dados da pandemia

Pedro do Coutto

Num pacto inédito na imprensa brasileira, reunindo O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Extra e os portais G1 e UOL, pode se esperar obter dados verdadeiros sobre a pandemia do coronavírus no Brasil. Por isso, a extrema importância da fidelidade das informações e sua aplicação prática. O problema é urgentíssimo e o presidente Bolsonaro precisa assumir a responsabilidade pelo trabalho do governo federal.

Afinal de contas, existe o Ministério da Saúde e daí conclui-se de forma cristalina a participação do Planalto na direção do problema que atinge forte e frontalmente toda a população brasileira.

ENCARGO COMUM – O combate a pandemia não é somente responsabilidade dos governadores e prefeitos. Se assim fosse o Ministério da Saúde não teria a obrigação de atuar contra o vírus que está ameaçando o Brasil e o mundo. 

Portanto, se existe Ministério da Saúde, é porque suas ações são fundamentais no panorama global e não apenas restrito a opiniões teóricas. O problema maior é que há necessidade de ter um ministro na Pasta, que entenda do assunto.

Vamos falar no lance de dados percentuais. Antes porém, chamo atenção para o pronunciamento do ministro Dias Toffoli que ontem afirmou, como se lê hoje nos jornais, que as ações do presidente Bolsonaro têm trazido dubiedade sobre a democracia, o que assusta a sociedade brasileira. A reportagem é de Washington Luiz e Carolina Brígido, em O Globo.

HÁ DUBIEDADE – Essa declaração foi o fato político mais importante de ontem para hoje. Também houve mais 849 mortes em 24 horas, de acordo com informações obtidas pela frente integrada pela imprensa. Tais dados não são os fornecidos pelo Ministério da Saúde. Mas esta é outra questão. André de Souza, Gustavo Maia e Paula Fernandes publicam a reportagem no Globo de hoje. 

Mas falei na exigência natural da comparação dos dados percentuais. Daí a obrigação centímetro a centímetro da veracidade dos números. A questão baseia-se no seguinte: comparar o crescimento dos dados de morte, com os dados de um possível estacionamento de casos fatais e não fatais. Além disso, claro, tem de se incluir os números exatos da contaminação, assim como os casos de recuperação dos pacientes. 

Vamos ao plano concreto, pois de teorias que se chocam com a realidade todos nós estamos “cheios”. A teoria na prática é outra coisa.

COMO PROCEDER – Chegamos assim ao ponto essencial. Primeiro, comparar os dados de contaminação de um dia para outro. Segundo, comparar o número de falecimentos no mesmo período. Fechando o triângulo, confrontar através da mesma lente o total de contaminados de um dia para outro.

Só assim é que os cientistas, médicos, biólogos, infectologistas e outros poderão ter a noção exata das tendências de velocidade delas tanto para cima quanto para baixo, não esquecendo que os números também podem indicar o estacionamento. O enfoque cristalino revelará a tendência ascendente, estacionária ou declinante, como disse há pouco. Aí é que se sabe a tendência verdadeira.

Sei que os médicos que lerem este artigo vão fazer a pergunta: E os casos de recuperação? Acrescento então que são igualmente fundamentais, porque podem apontar a diferença entre métodos de tratamento. O coronavírus é um fantasma que só pode ser enfrentado através da lógica científica e não da mágica que oculta uma omissão.

Centrão quer Flávio Dolabella no lugar de Roberto Campos Neto no Banco Central

– Wikipédia, a enciclopédia livre

Roberto Campos Neto está ameaçado de deixar o cargo

Pedro do Coutto

Reportagem de Natália Portinari, Naira Trindade e Gustavo Maia, O Globo de sábado, revela que a bancada do Centrão está pressionando fortemente o governo para nomear Flávio Dolabella para presidente do banco. Ele é que é analista do BC e está sendo indicado pelo PL, um dos partidos que formam a constelação da fisiologia projetada na Câmara Federal e também no Senado, porém mais fortemente na Câmara.

MUITOS CARGOS – O entusiasmo do Centrão assim parece não ter limites, além da conquista do DNOCS e do FNDE e já ter obtido 300 cargos nos segundos e terceiros escalões, ainda por cima quer também as presidências do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste. 

Para substituir Rubens de Souza, o indicado é Júlio Cesar Alves de Oliveira, funcionário do próprio BB. Como se constata, é a velha prática da fisiologia política escancarada, sem o menor compromisso com o desenvolvimento econômico e social do país.

O Centrão parte para o que pode dizer seja um projeto de desmatamento administrativo. O Centrão segue em frente cada vez querendo mais posições, impulso que cresce na medida em que o governo Bolsonaro se enfraquece. Portanto, não se sabe quando vai acabar.

RUIM E PÉSSIMO – Por falar em processo de enfraquecimento, a Folha de S. Paulo de hoje publica matéria de Mauro Paulino e Alessandro Janone focalizando pesquisa do Datafolha concluída ontem, sobre a aprovação e a rejeição ao presidente Jair Bolsonaro. Para 27% ele se encaixa no segmento que o acham entre bom e ótimo. Para 22% é regular. Para 50% o governo oscila entre ruim e péssimo.

Com base em um sistema por mim adotado de afastar a parcela regular e dividir o índice maior pelo menor, penso que o coeficiente negativo é praticamente de 3 por 1.

ANTIDEMOCRACIA – Em sua coluna, Globo de sábado, Ascânio Seleme acentua que o ex-presidente Lula recusou-se a assinar o documento pró democracia, com base no mesmo pessimismo que em 1985 proibiu aos deputados do PT que votassem em Tancredo Neves.

Para mim, Lula julga-se o dono do PT e agora assume um isolamento extremo com uma sinalização no fundo em favor de Jair Bolsonaro, Claro. Ele sabe muito bem que a esmagadora maioria do Partido dos Trabalhadores é contra o atual governo. E, no fundo da questão, espera obter qualquer tipo de simpatia pensando que assim se livra da condenação que lhe foi imposta de 17 anos de prisão.

Ledo engano. Não existe a mais remota possibilidade de o lance imaginado dar certo. Afinal de contas ele é o autor do mensalão de José Dirceu e do escândalo da Petrobrás que dividiu suas diretorias à base da indicação de bancadas partidárias no Senado e na Câmara Federal.

SEM  LIDERANÇA –  Lula passou e o PT  tem que estabelecer um novo tipo de atuação e de liderança. Esta é que é a verdade. Lula, realmente, foi o grande eleitor de Bolsonaro.

Demetrio Magnoli lembrou no sábado episódios racistas, o principal deles o assassinato de Luther King. Agora o de George Floyd, este um episódio repugnante, no plano da violência policial. Luther King foi o grande líder da igualdade racial. 

Em 1958 o estudante negro James Meredith, liderando um grupo de companheiros, recorreu a Corte Suprema para garantir o direito de seu ingresso na Universidade de Arkansas. O governador de Arkansas recusou-se a cumprir a decisão. O presidente Eisenhower decretou a intervenção federal e mobilizou o exército para fazer cumprir a decisão do Supremo Tribunal.

INTEGRAÇÃO RACIAL – Lembro bem da fotografia na primeira página de O Globo, do Correio da Manhã e do Jornal do Brasil. Os estudantes negros foram escoltados pelo exército doa EUA.

Naquele momento o presidente dos EUA transportou para a história uma das mais belas afirmações em favor da integração racial. Lembrou que havia comandado a invasão da Normandia que libertou a França do nazismo em 1944.

Disse que soldados brancos, negros e amarelos enfrentaram as metralhadoras inimigas ombro a ombro nas areias do tempo. Não é possível portanto que brancos e negros não possam sentar-se lado a lado nas universidades, nas escolas, nos transportes, nas praças de nosso país.

Com liberações parciais, a curva da morte da covid-19 pode se acelerar ainda mais

Wilson Witzel, governador do Rio, diz que está com coronavírus ...

Witzel decidiu flexibilizar o isolamento social no Estado do Rio

Pedro do Coutto

A partir de hoje, com as liberações parciais dos isolamentos anunciadas pelo governo Wilson Witzel no Estado do Rio de janeiro, a curva da morte causada pelo coronavírus pode se acelerar e com isso subir o número tanto de contaminados quanto de mortos. As estatísticas nacionais e estaduais comprovam um ritmo percentual oscilante entre as fachas de 7 a 10% demonstram uma tendência que deveria, esta sim, ser combatida.

Mas, ao invés disso, nos deparamos neste fim de semana com praticamente um desafio às forças que se empenham em favor da vida humana.

OCULTAR DADOS – Não adianta ocultar dados ou adiar sua divulgação, como vem fazendo o Ministério da Saúde na área Federal. Cria-se assim novamente no país um impulso para quebrar o termômetro em caso de febre, como se isso pudesse conter um dos sinais clássicos das doenças.

O Ministério da Saúde de acordo com a reportagem de Bela Megale, edição de hoje de O Globo, aborda o assunto e informa que Carlos Wizard que assumirá a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, afirma que os dados atuais de contaminação e mortes seriam fantasiosos ou manipulados.

Wizard se dispõe a recontar os números das incidência de mortes. Os números que chegam a 35.000 estariam inflados apesar do reconhecimento pelo próprio Ministério da Saúde. Inclusive existiria um número de subnotificações.

ERRO DE DIAGNÓSTICO – Para Wizard  há muita gente morrendo por outras causas e sendo computados em decorrência da Covid 19. Nesta sexta-feira, o governo Bolsonaro – acentua Bela Megale – atrasou novamente o número total de mortos e infectados pela doença. A sombra não é capaz, é claro, de reduzir o quantitativo do drama que o país está vivendo: o MS divulgou esta semana que o número dos contaminados eleva-se a 645.271 pessoas.

Qual o motivo que leva Carlos Wizard a contestar os números? A ocultação não muda a realidade. Mais um caso da mágica contra a lógica. Penso que Wizard desloca sua atuação com base na fantasia consagrada no filme O Mágico de Oz.

FORÇA NACIONAL – Enquanto isso Daniel Carvalho, Folha de São Paulo, revela que o presidente Jair Bolsonaro está cogitando convocar a Força Nacional para conter manifestações públicas contra seu governo. 

Para mim, tal ideia significa uma contradição em si mesma. Não há razão para que a Força Nacional atue somente para conter manifestações contrárias. Isso porque verificam-se também manifestações a favor do presidente, estas sim mais substanciais, sobretudo porque ostentam fachas pedindo a supressão do Congresso Nacional e do STF acrescentando ainda um apelo a um golpe militar capaz de levar à ditadura.

Nessa ditadura Bolsonaro seria o rei absoluto e absolutista do Brasil o que seria fazer o tempo retroagir a 1888, véspera da República e também o amanhecer do fim da escravidão.

Extremistas agridem o Supremo e carregam Weintraub nos braços de uma farsa

Após depor por ordem do STF, Weintraub é carregado nos braços e ...

Weintraub classificou os ministros do STF como vagabundos

Pedro do Coutto

A GloboNews em alguns de seus jornais, exibiu ontem as cenas que marcaram a chegada e a saída do ministro Weintraub na Polícia Federal em Brasília. Weintraub foi depor na condição de acusado e portanto não vejo razões lógicas para que seja carregado nos braços depois de se manter em sombrio silêncio. Não foi a primeira vez, também na condição de acusado, que se manteve no mesmo silêncio no mesmo prédio da PF.

Se os extremistas que o apoiam concordam com ele estão agredindo o Supremo Tribunal Federal, uma vez que o titular do MEC voltou-se contra seus ministros classificando-os como vagabundos que deveriam ir para a cadeia.

EM FORMA DE FARSA – Portanto, os que estavam na frente do prédio da PF concordam com o que ele disse ao ponto de carregá-lo nos braços de uma farsa, como se fora ele um atleta vitorioso terminada a competição. Mas não é nada disso, inclusive a competição continua se realizando especialmente na capital do país.

O presidente Bolsonaro aconselhou seus adeptos a não comparecerem domingo às manifestações semanais de apoio e exibição de faixas e cartazes contra o Congresso e o STF. Sem a menor base defendem o fechamento das duas instituições, o que só pode ocorrer em uma ditadura absoluta.

Como no domingo passado também apareceram adversários do governo em frente ao Palácio do Planalto, Bolsonaro talvez tenha como ideia deixar estes insatisfeitos com os rumos do país sozinhos e assim poderão se torna responsáveis por quaisquer consequências, nas quais se inclui a violência premeditada.

SEM DAR PRETEXTOS – Na minha opinião os adversários do governo e correligionários da democracia não devem fornecer pretextos que a exponham ao ritmo de radicais.

Trata-se de simples uso da lógica, a qual, no fundo, representa o oposto da mágica. Esse posicionamento deve se estender a todas grandes cidades brasileiras, portanto a começar pelo Rio de Janeiro e São Paulo. Aliás, a respeito desse tema, Ruy Castro, na Folha de São Paulo, abordou ontem a situação, inclusive ressaltando o que parece ser um apoio do ex-presidente Lula ao presidente Jair Bolsonaro.

SÓ EM CAMPANHA – O governo Bolsonaro destinou verba substancial para publicidade em sites que se alinham com as ideias extremistas e fake news. Penso que seja dinheiro jogado fora, pois este tipo de apelo funciona nas campanhas eleitorais, porém não funciona nos espaços de tempo em que os governos são julgados tanto pelas suas ações quanto por suas inações.

O jornalismo verdadeiro baseia-se no princípio dos teoremas, ou seja na necessidade de comprovação. Muito diferente de esquemas comerciais que representam os axiomas, algo que se afirma e que não precisa ser comprovado.

PORTO MARAVILHA – Reportagem de Ítalo Nogueira, na Folha, revela que depois de ter prejuízo de 2,4 bilhões de reais, dinheiro do FGTS, a Caixa Econômica Federal reconhece que o projeto no Porto Maravilha no Rio é inviável. Mas isso seria previsível, pois a revitalização de uma área urbana depende diretamente do poder de consumo da população.

Para finalizar, tomo por base matéria de Isabela Macedo destacando a ideia do deputado Rodrigo Maia de ampliar o prazo da desoneração das empresas com base nas folhas de pagamento salariais no sentido de preservar empregos que ainda resistem à devastação social causada exatamente pelas demissões decorrentes inclusive da pandemia. Esse projeto ainda aguarda votação.

Bolsonaro recorre ao absurdo e chama de “terrorista” quem é contra seu governo

Bolsonaro chama manifestantes contrários ao seu governo de ...

Ilustração reproduizda do UOL Notícias

Pedro do Coutto

Numa entrevista na portaria do Palácio da Alvorada o Presidente Bolsonaro classificou de marginais e terroristas os integrantes dos grupos antifascistas que têm realizado protestos contra seu governo. Reportagem de Daniel Carvalho destaca o assunto, na Folha de São Paulo desta quinta-feira. Ao lado de sua matéria Felipe Zanini e Joelmir Tavares apresentam reportagem acompanhada de foto de manifestantes portando facha em defesa da democracia.

Referindo-se aos grupos, Bolsonaro disse que esses protestos contra seu governo começam a aparecer em confronto com as manifestações dominicais a seu favor aqui em Brasília.” Marginais e terroristas têm ameaçado aos domingos as manifestações que me são favoráveis”, declarou.

SEM CONVOCAÇÃO – Acrescentou que não tem influência nos grupos que lhe são favoráveis. “Nunca convoquei pessoas para irem às ruas, embora agradeça a presença” afirmou. Em seguida, referindo-se aos contrários a ele, disse que não se pode admitir que o Brasil se transforme no que foi o Chile há pouco tempo.

Na minha opinião, Bolsonaro alçou voo para pousar no absurdo. Os que vão às ruas para defender a Democracia e criticar seu governo não são marginais, tampouco terroristas. Apresentam-se como antifascistas. O que é uma coisa completamente diferente.

O Fascismo italiano e o Nazismo alemão são nuvens negras do passado que ocuparam a Itália de 1939 a 1944 causaram a Segunda Guerra Mundial, com a morte de 50 milhões de pessoas.

OS PARTIZANS – Surgiram lá na Itália grupos de resistência à ditadura, tendo à frente os Partizans, como eram chamados os que lutavam contra a ocupação. Havia comunistas nos sindicatos e também nos Partizans. É verdade que o movimento foi iniciado em 1941 depois da invasão nazista contra a URSS, hoje Rússia.

O mesmo aconteceu na França, ocupada desde 1940 pela Alemanha de Hitler. Na França o movimento idêntico ao da Itália tinha o nome de Maquis. Era apoiado em sindicatos é inegável que tinha participação de comunistas.

Os dois movimentos – Patizans e Maquis – encontraram-se na história universal como um esforço para conter a cruel ditadura alemã.  Merecem reconhecimento os que deram seu sangue nessa luta heroica. A França foi libertada em 1944. A Itália, a partir também do mesmo ano. Foi trágico o destino de Hitler e Mussolini.

PELA DEMOCRACIA – Voltando ao Brasil deve se destacar os movimentos de rua hoje como uma campanha pela Democracia, uma vez que o movimento é contra a volta daqueles que exatamente propõe um fechamento do Congresso e do STF.

Paralelamente, há um movimento de consciência democrática. É melhor que isso se verifique. E não se verifique mais a nomeação de personagens corruptos como Alexandre Cabral, indicado pelo PL de Valdemar Costa Neto, e que ficou um dia no cargo de presidente do Banco do Nordeste.

Liberdade de expressão e de imprensa nada tem a ver com anonimato, pelo contrário

Charge O Tempo 17/04/2019

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

No momento em que o presidente Bolsonaro, de forma surpreendente, revela que hackers divulgaram informações pessoais dele e de seus filhos, Eduardo e Carlos, vale acentuar que no fundo da questão devemos ressaltar que a liberdade de expressão e de imprensa absolutamente não tem nada a ver com anonimato. Pelo contrário. Sem frisar que a censura é inconstitucional, só se pode arguir liberdade de expressão, quando a pessoa ou grupo que se valem do direito reconhecido pela unanimidade do Supremo Tribunal Federal revela sua autoria no caso em foco.

Mas Jair Bolsonaro já identificou de onde partiram as iniciativas de invadir sua vida particular e as de seus filhos. Portanto, em um espaço de 24 horas foi possível identificar onde estava a usina do crime praticado.

CASO DAS FAKE NEWS – Portanto, o exemplo logicamente deve ser aplicado também no caso das fake news. A origem partiu do site Anonymus Brasil e o presidente da República sustentou, de acordo com reportagem de Ricardo Della Coletta, Daniel Carvalho e Renato Onofre, na Folha de São Paulo de hoje, ter visto no crime uma tentativa de intimidá-lo. Intimidar o presidente da República? É demais.

Mas como eu disse há pouco, é um exemplo a ser seguido. Principalmente no caso das fake news,  porque, como está no título do artigo, só pode alegar liberdade de imprensa e expressão quem se manifesta publicamente, seja pessoa física ou jurídica.

Foi o caso exatamente do presidente Bolsonaro. A Anonymus, ela própria, assumiu o crime. Esta é uma face da questão que cresce na medida em que também cresce a importância da Internet. Portanto juntamente com os jornais e as emissoras de televisão, tem de haver uma forma de lançar luz sobre as sombras que caracterizam o anonimato.

ONDAS DA DIFAMAÇÃO – Não é o caso da invasão de hackers na esfera privada de Bolsonaro. Porém é o caso de centenas ou milhares de acusações a pessoas e instituições, a exemplo do que recentemente se descobriu quando as ondas da difamação atingiram o Supremo Tribunal Federal.

Essa questão dos hackers e de outros episódios semelhantes conduz ao pensamento de que há necessidade urgente de um sistema de identificação das fontes que produzem tais atos caluniosos, difamatórios e injúrias. Não deve ser difícil, digo eu, porque todo esse universo de sordidez é manipulado na realidade pelo ser humano. Portanto, a máquina só pode ser acionada por esse eterno personagem da vida humana.

O INCRÍVEL LULA – Na edição de hoje de O Globo, Sérgio Roxo publica matéria focalizando com merecido destaque a estranha posição assumida ontem pelo ex-presidente Lula, que criticou (incrível!) os manifestos que se sucedem em todo o país na defesa da Democracia. A reação do ex-presidente choca-se tristemente com sua própria vida pessoal, pois foi a Democracia que o levou a presidência da República.

Ele agora contradiz a si mesmo. Para acentuar sua contradição, ele continua a revelar um personalismo exasperante. Caiu a máscara e a sua declaração de ontem o conduz a uma sombra que ele próprio assume. Aliás, esse aspecto já teve um capítulo, quando ele determinou ao PT que não votasse em Tancredo Neves contra Paulo Maluf nas eleições indiretas de 1985.

MEMÓRIA CURTA – Neste momento, ao fugir do compromisso com a Democracia ,Lula talvez tenha se esquecido de seu próprio passado recente e submergido nas águas da farsa e do egocentrismo absurdo. Lula demonstra hoje seu próprio desmoronamento tanto político quanto cidadão comprometido com a verdade.

Para finalizar cito matéria do Globo assinada por Carolina Brígido e Vitor Farias, a qual coloca em destaque as manifestações do Procurador Geral Augusto Aras, da OAB e do STF, rechaçando a interpretação do Palácio do Planalto sobre a intervenção militar como poder moderador. Claro, nada mais absurdo do que isso. Tanto assim que até mesmo Aras alinhou-se com o STF ao rejeitar frontalmente tal interpretação. Augusto Aras sentiu que a promessa de ser nomeado para o Supremo perde-se na noite dos tempos.

No Brasil, 90% condenam as fake news; em Nova Iorque, um abraço fica na História

Charge O Tempo 15/01/2019 | O TEMPOPedro do Coutto

Manchete principal de O Globo desta terça-feira, dia 2, com base em pesquisa do Ibope, destaca que 90% dos brasileiros condenam a prática usada pelos autores das falsas notícias para abalar a própria democracia e assim promover um projeto radical começando por vociferar contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Esse resultado interpreta na realidade a forte presença de um sentimento democrático contra quaisquer iniciativas de golpe ditatorial.

Com isso a sociedade brasileira reagiu enfática e fortemente contra iniciativas voltadas contra o processo democrático. Assim, a pesquisa do Ibope tornou-se extremamente um fator que consagra a liberdade e condena as longas noites de arbítrio que se sucederam ao longo de um passado recente.

EUA E BRASIL – Nos EUA, especialmente na passeata de Nova Iorque contra o racismo e o assassinato de um negro, registra-se uma imagem que fica na história para o presente e para o futuro: o abraço efusivo trocado entre o chefe do esquadrão policial encarregado de manter a ordem e o líder do movimento que congrega tanto brancos quanto negros e latinos. Isso porque desejo ressaltar que no fundo só existe uma raça no planeta. a raça humana.

Voltando ao Brasil, o dia de hoje marca com tintas bastante claras o que brasileiros desejam através da política: consolidar tanto a democracia quanto a liberdade de opinião, sobretudo porque não pode haver nenhum regime democrático sem a liberdade de expressão.

Assim aqueles que tentam praticar atos difamatórios alicerçados em falsidades, ontem sofreram grande e merecida derrota. Sem dúvida, 90%, é um resultado concreto da legítima vontade do nosso país.

RADICALISMO NO DF – A oportuna pesquisa veio ao encontro dos acontecimentos realizados no domingo, quando o presidente Bolsonaro participou de manifestação originada por grupos radicais em plena Esplanada de Brasília. A reação, dessa forma, coincidiu com a emoção popular rejeitando regimes de exceção como aqueles que estão hoje arquivados sob o peso da consciência e da memória. É preciso não esquecer porque a história nunca os perdoará. Essa expressão que uso é exatamente o oposto de um discurso de Hitler quando disse: A história me absolverá.

A humanidade jamais perdoará uma figura tão odienta e desumana, que se encontra, como sempre digo, no esgoto da História Universal.

Às vezes surgem tentativas. Em vão. Vale destacar que reportagem de João Pedro Fonseca, publicada em O Globo, destaca manifestações das torcidas de futebol ocorridas domingo no Rio e São Paulo. No Rio a torcida rubro-negra saiu em passeata com a faixa pela democracia. Em São Paulo foi a vez da torcida do Corínthians.

Para nós, todas as manifestações pela liberdade colidem contra aqueles que desejam que sua vontade, restrita a 10%, prevaleça sobre os direitos humanos, que são eternos.

Para Celso de Mello, aproxima-se o sinistro confronto entre a democracia e a ditadura

Ministro do STF atende Aras e manda abrir inquérito sobre fala de ...

Celso de Mello não tem dúvidas sobre os propósitos de Bolsonaro

Pedro do Coutto

No amanhecer de ontem, domingo, tão logo recebi os jornais, li a entrevista do historiador José Murilo de Carvalho a Miriam Leitão. Nela ele acentuou que o país corre o risco de uma ditadura. Horas depois, em Brasília o presidente Bolsonaro cavalgava ao lado de cartazes que propunham novamente o fechamento do Congresso e do Supremo. A temperatura política subiu ameaçando ferver.

Depois do Globo recebi na manhã de segunda-feira a Folha de São Paulo que publicou reportagem de Mônica Bergamo e Igor Gielow reproduzindo mensagem que o ministro Celso de Mello destinou aos ministros da Corte Suprema.

DESPREZÍVEL E ABJETA – “Os bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia nada mais desejam senão a instauração no Brasil de uma desprezível e abjeta ditadura militar”, escreveu o ministro Celso de Melo, citando o filme “O Ovo da Serpente”, de Ingmar Bergman, que focaliza a ascensão do nazismo na Alemanha.

Aliás, sobre esse processo hediondo existe a obra extraordinária do jornalista William Shirer, “Ascensão e Queda do III Reich”. Hitler digo eu, não foi eleito. Pelo contrário. Nas eleições de 1932 obteve 25% dos votos contra 75% de Paul Von Hindenburg.

Como os comunistas na época atacavam os dois, Hindenburg convidou Hitler para primeiro ministro. Mas em 1933 ficou doente e Hitler implantou a ditadura que durou até o desabamento de 1945. Mas esta é outra questão.

CAVALGADA – Continuando a reportagem, a Folha destaca que a cavalgada de Bolsonaro criou um clima de forte tensão institucional sensibilizando integrantes das próprias Forças Armadas que rechaçam a hipótese golpista. Além disso, os militares receberam com surpresa a presença do general Fernando Azevedo, ministro da Defesa, no helicóptero que conduziu Bolsonaro antes da cavalgada que liderou.

O posicionamento de Celso de Melo repercutiu profundamente entre os ministros da Corte Suprema. Sobretudo porque ele é o relator do processo que envolve a interferência do presidente da República na Polícia Federal. E Edson Fachin relata o processo das fake news.

VERDADEIRA FACE – O documento de Celso de Melo, a meu ver foi o mais importante descortinando a verdadeira face da crise política atual.

Na mesma edição da Folha, Tiago Rezende e Talita Fernandes ressaltam manifestação de direitistas trazendo nas mãos tochas acesas que lembram acontecimentos que envolveram a KKK. A figura do ministro Alexandre de Moraes foi atingida por fortes ataques. Foi ele o responsável pela instauração de inquérito destina a apurar as manifestações contra a Democracia.

Penso que a partir de agora o confronto tornou-se mais aberto e inclusive com a revelação e seus principais atores e suas verdadeiras faces e projetos. A partir de hoje, a realidade brasileira passa a ser outra, na qual se acentua o impasse entre a Democracia e a ditadura.

O processo é diferente do anterior que marcou o desfecho de 1964. Não existe a influência externa que Marcos Sá Correia focalizou no passado. A diferença é grande, a começar pelo intervalo de 56 anos.

Petrobrás e Eletrobrás patrocinam sites que pedem fechamento do Congresso e do STF

Por que é crime pedir o fechamento do Congresso e do STF?

Ilustração da Gazeta do Povo

Pedro do Coutto

Reportagem de Leandro Prazeres, O Globo de hoje, domingo, revela que a Petrobrás e a Eletrobrás vêm destinando verbas de publicidade para sites que pregam o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo, assim como uma intervenção militar no Brasil. Além disso, espalham torrentes de fake news. Leandro Prazeres obteve esses dados através da Lei de Acesso à Informação.

Nos últimos anos a irrigação financeira desses canais totalizou 28.845 anúncios que geraram 390.714 reproduções de matérias dessa procedência com a mesma origem financeira. O Globo publica a relação dos anúncios divididos pelos canais desse tipo de comunicação.

E OS ACIONISTAS? – Na minha opinião, tal atividade atinge o próprio governo Bolsonaro, pois, afinal de contas, os desembolsos influem negativamente, é claro, nos resultados obtidos pelas duas estatais. Como as duas empresas possuem ações na Bolsa de Valores, os débitos são lançados nas contas dos acionistas. Quem são os grandes acionistas?

Nas duas empresas a União controla mais de 51% das ações. Como se vê são injeções financeiras que não produzem retorno. Ao contrário: atingem, como se constata agora, a credibilidade da onda de comunicação que se espalha pelo universo das redes sociais.

Aliás, é quase incrível a atuação governamental na área publicitária de modo geral. São contratos que envolvem publicações nos jornais que seriam publicadas inteiramente sem pagamento desde que vão ao encontro do interesse público.

ANÚNCIOS REAIS – O caso dos anúncios caracterizados como tal, são outra história. Tratam de informações de sentido institucional e construtivo. Mas nas sombras dos setores de comunicação, que deveriam ser jornalísticos, atuam assessorias que nada entendem do assunto.

O repórter Renato Onofre, na Folha de São Paulo, também aborda o assunto e afirma que existem fake news que atacam negócios com a China, como se sabe. a maior fonte no comércio internacional brasileiro.

DEFESA DA DEMOCRACIA – Em matéria publicitária publicada hoje pela Folha de São Paulo, profissionais de direito, advogados e magistrados, pronunciam-se contra campanhas antidemocráticas que ameaçam o futuro próximo de nosso país, e ameaçam os poderes constitucionais, como é o caso do Congresso Nacional e do STF. O título (“Basta”) reproduz um artigo do Correio da Manhã de 30 de março de 1964 contra o governo João Goulart. Este artigo foi sucedido por três outros: “Fora”, “Basta e Fora”, e o quarto, “Basta: Fora a Ditadura”. O artigo foi confirmado pela realidade dos fatos.

MARCOS SÁ CORREA – Está no Google: o brilhante jornalista Marcos Sá Correa, filho de Villas Boas Correa, retornou às atividades que o consagraram como grande analista e repórter na política brasileira. O jornalismo portanto está de parabéns.

Marcos Sá Correa é o autor da reportagem que com base em pesquisa na Biblioteca Lindon Johnson revelou a interferência do governo americano num movimento político militar de 31 de março de 64. Não foi a causa principal da queda, mas vale o registro histórico. Devemos fixar na memória que Jango Goulart rompeu com as forças com as quais não podia ter rompido. Estatizou refinarias particulares, ameaçou a desapropriação de terras, lançou as bases de uma reforma urbana, além de ter se reunido com sargentos no fatídico encontro de 31 de março no Automóvel Clube do Brasil. O Automóvel Clube do Brasil desapareceu. Mas o local deve ficar na memória dos historiadores.

JK E DOM HELDER – Por falar em historiadores lembro um fato que marcou a favor da posse de Juscelino Kubitschek na presidência da República.

Foi a carta aberta que D. Helder Câmara dirigiu a Carlos Lacerda, que pregava o golpe contra o resultado das urnas de 1955. Um dos trechos da carta deve ter realçada sua importância. Escreveu D. Helder Câmara:

” Carlos, você fala em tanques e canhões. Você os teme ou os deseja? Faz-me parecer que você os deseja se eles estiverem a seu lado”    

Bolsonaro erra em manter Weintraub, que só tem trazido prejuízos ao governo

Premiando o ódio: Bolsonaro condecora ministro Weintraub com Ordem ...

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro comete um enorme erro político ao tentar blindar Weintraub e mantê-lo na sua equipe. A presença do ministro da Educação abala ainda mais seu governo, somando-se ao recuo do PIB, à redução do consumo das famílias e às dificuldades que ele vem registrando junto à opinião pública.

Hoje mesmo a Folha de São Paulo publica pesquisa do Datafolha revelando que 69% do eleitorado pensam que ele não está cumprindo no Palácio do Planalto os compromissos que assumiu ao longo da campanha eleitoral. De outro lado 29% acham o contrário, que o candidato vitorioso em 2018 manteve seu programa como presidente da República.

BLINDAR O MINISTRO? – Como é possível o presidente Bolsonaro tentar blindar Weintraub e mantê-lo à frente da importante Pasta da Educação? Weintraub ficou em silêncio ao prestar depoimento à Polícia Federal. Exerceu seu direito que, aliás, reúne uma série de precedentes sobretudo de criminosos, quando descobertos, e que têm a obrigação legal de comparecer ao interrogatório policial.

Mas tratando-se de um ministro de Estado, a atitude tem outra dimensão, uma vez que foi ele convocado pela Polícia Federal, que na hierarquia integra o segundo escalão do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Trata-se de um caso singular que depõe , não só contra o ministro, mas contra o próprio governo do país.

NOITE DOS CRISTAIS – Inclusive a citação da noite dos cristais causou até reações internacionais, como foi o caso de Israel e da comunidade judaica de Nova York. Weintraub cerra fileiras em um grupo ideológico de extrema direita que mantém o governo na faixa de apoio de 30% da população.

Sobre o silêncio do ministro, vale a pena ler a matéria de Thais Arbex, O Globo deste sábado. Não quero dizer que todo direitista seja adepto do nazismo. Porém, todo nazista alinha-se à extrema direita da história universal. Portanto, os 30% de apoio que Bolsonaro conserva, na minha impressão, incluem o pensamento nazista apenas numa faixa entre 7% e 10%.

HOLOCAUSTO – É uma faixa reduzida (7% e 10%), pois o nazismo acarretou a morte de 50 milhões de seres humanos e representa eternamente o maior assassinato e violação de direitos humanos da história universal. O Holocausto está no esgoto da história. O nazismo, como dizia Santiago Dantas, representou a morte de uma posição ideológica contrária aos direitos humanos. Hitler não está sozinho entre os maiores assassinos da memória universal. Está secundado por Stalin, como acentua a própria posição da antiga URSS, que  depois de sua morte denunciou os crimes praticados. Kruchev foi um dos líderes comunistas que mais denunciou os crimes de Stalin. Os russos mudaram até o nome da cidade que resistiu às forças alemães.  Mas esta é outra questão.

PESSIMISMO CONSTANTE – No caso de Jair Bolsonaro, ele está enfrentando a recessão econômica com o aumento da dívida interna, com a diminuição do mercado de trabalho e com a falta de um projeto construtivo para a sociedade brasileira. O ministro Paulo Guedes projeta um pessimismo constante que contamina a população da mesma forma que a pandemia do coronavírus.

A política e extremamente dinâmica. Dois anos para ela constitui um prazo no qual figuram fatos capazes de mudar a direção das nuvens todos os dias. Vejam o exemplo dos EUA. Há um mês, Donald Trump encontrava-se em uma posição confortável para buscar a reeleição em novembro deste ano. Mas, de repente, surgiram fatos como sua ruptura com a OMS, sua fraca atuação contra o coronavírus e o assassinato de George Floyd em MIneápolis. Acontecimentos de peso capazes de direcionar o eleitorado americano na opção das urnas de novembro.  

Ameaça ao Supremo reflete contra Bolsonaro, une o Tribunal e o isola na extrema direita

Indo fechar o STF — Indo fechar o STF — Alô Notícias - Com Lucio ...

Ilustração reproduzida do Google

Pedro do Coutto

Esta é minha opinião sobre os episódios no palco político refletidos pelos jornais. A ameaça do presidente da República desferida contra o Supremo transformou-se num fator amplamente contrário a ele mesmo. A ameaça sintetiza um apelo as Forças Armadas, utilizando-as como instrumento de seu poder e não como um sustentáculo da Democracia brasileira.

O ministro Marco Aurélio respondeu diretamente, acentuando não acreditar que o poder das Forças Armadas funcione para virar a mesa, acrescentou. Creio que ele tem razão. Até porque o isolamento de Bolsonaro na extrema direita vai de encontro aos princípios tanto militares quanto democráticos.

ORDENS ABSURDAS – O presidente da República, voltando-se contra o despacho monocrático de Alexandre de Moraes, citou um Item do regulamento disciplinar do Exército, o RDE. Lá está escrito que, de fato, ordens absurdas não se cumprem. Mas é preciso notar que um dos pontos do RDE impõe aos subordinados terem de pedir licença aos autores das ordens para representar contra eles. Aprendi isso quando estive servindo o Exército. A norma, portanto, é difícil de executar. Mas esta é outra questão.

Bolsonaro, ao exclamar sua ameaça, na realidade revelou tacitamente encontrar-se na defensiva. Em primeiro lugar, porque se trata de tarefa impossível a defesa do ministro Weintraub. Em segundo, porque levou a uma união dos ministros da Corte Suprema, ameaçados por ele como um todo. Em terceiro lugar, porque desejar suspender as investigações sobre as fake news assinala no processo uma confissão de culpa pelo silêncio. Se as mensagens que resultam da investigação fossem legais não haveria motivo para tentar obstruir as ações investigadoras.

PRINCÍPIO ABSOLUTO – A liberdade de expressão constitui um princípio absoluto. Mas não impede que os atingidos não possam recorrer contra eles. Como é o caso de situações que envolvem calúnia, injúria e difamação. Não significa portanto uma imunidade tão absurda quanto a prática dos atos. O que vai acontecer, e não pode ser de outra maneira, é a união do STF quando apreciar, segundo penso, brevemente o mérito da decisão monocrática de Alexandre de Moraes.

Hoje, a Folha de São Paulo publicou pesquisa do Datafolha sobre a posição do governo junto a opinião pública. Vamos por etapas. A rejeição ao governo Bolsonaro atinge 43% e a aceitação 33%, o que falta para completar 100 é a faixa dos que consideram regular o desempenho. Em todos os quesitos da pesquisa os empresários e os que ganham acima de 10 salários mínimos por mês são favoráveis ao presidente da República, mas entre os demais a insatisfação cresce.

SEM CONFIABILIDADE – Relativamente à respeito da confiabilidade que Bolsonaro inspira, 21% sempre acreditam. 44% não acreditam nunca. Sobre a forma se adequada ou não que envolve o desempenho de Bolsonaro na presidência do país, 25% acham que sim, 32% acham que não. Quanto à capacidade dele liderar o país, 45% responderam afirmativamente, 52% consideram que ele não tem capacidade.. Novamente a maior força do presidente está junto àqueles de renda mais alta. Acima de 10 salários mínimos.

Não são muitos, pois é preciso lembrar que, segundo o IBGE, 60% dos trabalhadores brasileiros ganham até 3 salários mínimos.

No que diz respeito ao desempenho do ministério da Saúde, 45% aprovam. 21% desaprovam. Para 43% Bolsonaro não tem responsabilidade pelo avanço da pandemia, enquanto 32% afirmam que ele tem responsabilidade. A mesma pergunta focalizando o governo de São Paulo conclui que para 56% o governador João Dória não tem culpa. 

AUXÍLIO EMERGENCIAL – Outro quesito refere-se ao auxílio emergencial de 600 reais por mês. O resultado surpreende pois evidencia que 52% não fizeram o pedido. O que na minha opinião não representa o não cumprimento de uma promessa e sim embute uma afirmação de que além de não terem direito não o solicitaram.

Finalmente uma observação importante. Escrevendo há mais de 60 anos sobre pesquisas, aprendi com o tempo a dar valor às tendências. A pergunta inicial do Datafolha, contida na reportagem de Igor Gielow assinala que a rejeição a Bolsonaro está se verificando em um movimento ascendente enquanto a aprovação mantém-se num patamar de 33%. 22% não acham nem uma coisa nem outra. Para mim 33% é o teto reservado às posições da extrema direita. Aliás não só no Brasil, mas em vários outros países. 

 O ministro Weintraub situa-se na posição mais radical possível. Ele quebrou os cristais de qualquer raciocínio lógico.

 

Datafolha diz que Bolsonaro perde espaço político, mas conserva faixa de apoiadores

Bolsonaro mobilizou o fascismo via WhatsApp — Conversa Afiada

Charge do Beto (Site Conversa Afiada)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada hoje na Folha de São Paulo, matéria de Igor Gielow, revela que o presidente Jair Bolsonaro na realidade perdeu espaço político, pelos números apresentados , mas com base no levantamento, conserva uma faixa de apoiadores que oscila entre 20 e 32% da opinião pública.

Os números variam de acordo com as questões colocadas, e vale a pena acentuar que a gravação do encontro ministerial de 22 de abril foi assistida por 55% do eleitorado brasileiro.

REJEIÇÃO DE 61% – As emissoras que transmitiram integralmente o assunto foram a GloboNews e a CNN, além de portais, sites e blogs na internet. A atuação do presidente da República foi considerada inadequada por 61% e adequada por 30%.

Como se observa, digo eu, a fração de bolsonaristas basicamente não mudou apesar de sua atuação patética junto aos ministros. Entretanto, relativamente às palavras usadas por Bolsonaro, 73% consideram o vocabulário inadequado, sendo que para 61% foram muito inadequadas. Entretanto 19% acham que foram adequadas. Neste ponto, acentuo, pousou o apoio ideológico ao presidente eleito em 2018.

Isso porque, na minha opinião, o comportamento do chefe do Executivo se destaca pelo ineditismo da linguagem e da complacência para com os ministros Weintraub e Paulo Guedes.

ATAQUES A STF E AO BB – O ministro da Educação lançou-se contra os ministros do STF. O segundo subestimou a importância do Banco do Brasil e usando expressão pesada disse ao presidente da República que ele deveria vender logo o principal estabelecimento de crédito do país, o Banco do Brasil. Interessante seria que o Datafolha pesquisasse o reflexo real da frase aos empresários e figuras no mundo financeiro.

No que diz respeito ao confronto entre as versões de Jair Bolsonaro e Sérgio Moro, para 54% a posição de Sérgio Moro foi aceita como melhor. No mesmo quesito, para 27% predomina a versão de Bolsonaro. A pergunta foi colocada para revelar qual o posicionamento quanto às versões de interferência ou não na Polícia Federal.

CLASSES SOCIAIS – Dividindo-se o levantamento por classes sociais, como era de prever, os melhores índices de Bolsonaro localizam-se entre a população de classe média intermediária. Isso de um lado. De outro, Bolsonaro também está melhor nas regiões norte-sul. E se encontra pior no sudeste e nordeste.

No meu entendeu os números do Datafolha conduzem a uma análise mais demorada da atmosfera política que está prevalecendo no país.

Os jornais de hoje, por exemplo, destacam problemas do governo especialmente refletidos no universo do Supremo e do Poder Judiciário em geral.

VALOR DO DÓLAR – Num artigo de página inteira da FSP, matéria publicitária, Vilmar Ferreira, presidente do Grupo Aço Cearense, faz um alerta a Nação sobre os rumos econômicos do país. Ataca principalmente a flutuação para cima do valor do dólar, cotejando a política econômica atual com aquela do plano Real dos governos Itamar Franco e FHC.

 Acentua que nos 17 primeiros meses do atual mandatário, 60 bilhões de dólares saíram do Brasil. E que a queda da inflação está custando uma recessão econômica que não retrata nenhum mérito do ministro Paulo Guedes. Percebe-se em Vilmar Ferreira não é somente o presidente do grupo Aço Cearense. Mas sim portador de mensagem das classes empresariais que falaram junto ao artigo que ele assinou.

NUVENS SOBRE BRASÍLIA – Outro sintoma da crise está no artigo de Fabio Pupo, na Folha,ressaltando que a parcela de capitais estrangeiros na dívida pública brasileira é a menor da década atual. Afeta as notas do Tesouro Nacional na escala de 79 bilhões de reais.

Também importante sob todos os aspectos o artigo de Miriam Leitão, pulicado em O Globo de terça-feira sobre o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. Ela chamou atenção para o fato de naquela reunião não ter surgido uma palavra sequer sobre a pandemia de coronavírus. Enquanto isso somaram-se os ataques a adversários imaginários do governo alvejando o Supremo, Banco do Brasil atingindo também aqueles que atuam na defesa do meio ambiente. Neste ponto o ministro Ricardo Salles se destacou.

ADEUS A MURILO – Faleceu ontem o jornalista e acadêmico Murilo Melo Filho. Excelente profissional, testemunha da história brasileira moderna e autor na revista Manchete de reportagem completa sobre o movimento político militar de novembro de 55 que garantiu a posse de JK em 56.

Como dizia Alceu Amoroso Lima, mais um companheiro de viagem que desembarca. Dos jornalistas que cobriram a constituinte de 46 só há dois sobreviventes: Helio Fernandes e Wilson Figueiredo.

Bomba política explodiu nas Laranjeiras, mas os estilhaços voam entre o Rio e Brasília

Witzel, do dígito solitário aos 3,1 milhões de votos

Briga entre Bolsonaro e Witzel virou uma guerra de extermínio

Pedro do Coutto

No alvorecer de terça-feira, uma bomba política de forte alcance explodiu no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel gerando diversas reações, como os jornais estão acentuando, entre o Palácio Guanabara e o Palácio do Planalto. Tudo começou com o desencadeamento de uma operação da Polícia Federal que chegou ao prédio em busca de informações contidas nos celulares do governador e sua esposa Helena, culminando com a apreensão dos aparelhos, para análise.  A crise, assim, explodiu e seus estilhaços estão voando no espaço entre o Rio de Janeiro e a capital do país.

O governador Witzel reagiu e disse que a responsabilidade é do presidente Bolsonaro, que ataca o Executivo fluminense por sua oposição às decisões de Brasília.

FLÁVIO NA BRIGA – O governador do RJ foi além, afirmou que quem deveria ser objeto de ação policial era o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República. Os jornais da manhã de hoje deram como era de prever grande destaque ao episódio. Em O Globo a reportagem é assinada por uma equipe: Chico Otávio, Luiz Ernesto Magalhães, Juliana Castro, Juliana Del Piva e Ludimila de Lima.

Não há dúvida que a crise que atinge o país apresenta uma tendência de evoluir ao longo do tempo, ou seja, nos próximos meses, em meio à pandemia que está produzindo uma tragédia nacional.

Além da área da saúde, estamos assistindo a uma crise de poder inclusive acentuada pela radicalização que está iluminando o palco de contradições acumuladas, cujos preceitos não possuem base na lógica dos fatos.

RADICALISMO EM ALTA – Mas quem pode falar em lógica no meio de ondas radicalistas? Só um ingênuo. O processo tende a se ampliar. Prova disso está na violência de apoiadores do governo contra os jornalistas da Folha de São Paulo, UOL e O Globo que anteontem, aguardavam Bolsonaro na saída do Alvorada para o contato com a mídia, uma prática que vinha adotando desde o início de seu governo.

Nesta segunda-feira, os repórteres dos dois jornais e da Rede Globo foram vítimas de ameaças, por pouco não culminando com agressões físicas cujo desfecho poderia se tornar num desastre humano, mas um na longa história da violência e do ódio represados que conduzem a intolerância. Os adeptos de tal comportamento, bem como seus autores, só conseguem enxergar elogios a seus líderes.

FANATISMO – Os fanáticos não desejam sequer a discussão democrática, esquecendo-se da histórica afirmação do filósofo Hegel: a lei é a conciliação dos contrários. Mas os donos do pensamento vinculado ao poder não querem saber nem de lei ou de conciliação, tampouco dos debates democráticos.

William Bonner é um exemplo. Depois de ver um de seus filhos ser atingido por uma falsificação do CPF, hoje a Rede Globo publica nos jornais que o apresentador do JN vem sendo alvo de campanha de intimidação a partir de mensagens ameaçadoras e dramáticas.

É sempre assim, mais uma vez a intolerância projeta-se no palco da informação e da opinião. Os radicais não querem liberdade de pensamento. Tratam a liberdade de opinião como algo que só pertence à ideologia que os inspira. É um desastre que se aproxima da opinião pública.

CONTRADIÇÃO – Enquanto isso o deputado Orlando Silva, relator da MP que prevê a redução da jornada de trabalho e dos salários, para mim de forma surpreendente, propõe a desoneração das empresas com os tributos que repousam na folha de pagamento. Acrescente-se: Orlando Silva é do PCdoB. Contradição total. Seu objetivo é o de reduzir a renda do trabalho e ao mesmo tempo, favorecer o lado do capital com base na promessa de que as empresas vão contratar trabalhadores reduzindo assim os índices altíssimos do desemprego.

O panorama desta-quarta feira pode ser desenhado dessa forma crítica para refletir a tempestade. Estamos na véspera de algo extremamente ameaçador.

Abraham Weintraub, ministro da Educação, tornou-se o maior problema do governo

Ilustração do Nando (Míidia Ninja)

Pedro do Coutto

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, por sua atuação na reunião ministerial de 22 de abril, tornou-se de fato, neste momento, o maior problema para o governo. Seus ataques ao Supremo Tribunal Federal, sustentando que os ministros daquela Corte são vagabundos e ainda por cima, alterando a voz para que fossem presos, representou uma explosão no próprio governo a quem desejava destacar e agradar.

Foi um fato altamente negativo que a meu ver torna sua permanência na Educação impossível. Não só pelo absurdo do ataque em sim, mas porque atrai contra o governo uma reação em cadeia no poder Judiciário.

AULAS DE DESEDUCAÇÃO – Não sei como o presidente da República pensa a respeito do assunto e se propõe exatamente a hipótese da demissão. Afinal de contas, a presença de Weintraub na Educação conduz de modo absoluto a um capítulo que podemos chamar de deseducação. Sua permanência na pasta está fortemente abalada e não creio que em sã consciência apareça alguém para defendê-lo. Nem mesmo o filósofo Olavo de Carvalho, guru em quem se espelha.

É só ver a situação de forma isenta para se chegar a conclusão de que Weintraub atraiu para si tanto a onda da oposição quanto a governamental. E justamente no momento em que o Centrão está reivindicando cargos para votar no Congresso a favor do Palácio do Planalto. A tempestade vai abranger pelo menos uma tentativa de indicação de um parlamentar escolhido entre as legendas que gravitam em torno do governo.

Porém, o estrago causado pelo ainda titular da Educação não tem limites e sempre permitirá que qualquer partido possa condená-lo pela inabilidade política. Nunca houve um ministro da Educação como Weintraub.

CENTRÃO E GUEDES – No espaço que ocupa aos domingos no Globo e na Folha de São Paulo, Elio Gaspari volta a abordar o caso Sérgio Moro e seus reflexos. De fato, o Centrão é um centro de negócios, a exemplo do que a Operação Lava Jato revelou ao país. Sérgio Moro surgiu exatamente no julgamento e condenação de vários integrantes. Vou lembrar que até o momento não houve nenhuma decisão de qualquer Tribunal Superior que não confirmasse suas sentenças. Pelo contrário. Algumas delas ampliaram até as penas que recaem sobre o ex-presidente Lula.

Elio Gaspari lembra as intervenções do ministro Paulo Guedes na reunião ministerial de abril. Referindo-se ao Centrão, Guedes disse que “nós governo, podemos conversar com todo mundo, uma questão de poder”. Na coluna Gaspari cita o deputado Alceu Moreira, presidente da Frente Parlamentar do AgroNegócio, que disse que” ninguém pode adivinhar o que pode acontecer no momento em que o Palácio do Planalto resolve recorrer à velha política. Nem sempre o inevitável acontece.”

SAÍDA DO MINISTRO – Para mim, é inevitável a saída de Weintraub do governo. Ultrapassando limites deslocou-se para um radicalismo que comprometeu sua própria permanência no cargo. Outro ministro em foco é Ricardo Salles pelo que disse na reunião de 22 de abril. Afirmou que a crise da pandemia favorece mudanças na legislação do meio ambiente.

São coisas da política e da luta pelos espaços de poder. Entretanto, o Poder tem obrigação de ser construtivo porque dele depende a vida da população brasileira.

País está no meio da tempestade e o governo não tem nenhum projeto de recuperação

Reunião ministerial

Esperava-se que grandes projetos fossem colocados em discussão

Pedro do Coutto

A liberação do vídeo gravado na reunião ministerial de 22 de abril comprova que nosso país encontra-se no meio de uma tempestade política e que o governo Bolsonaro não possui um projeto construtivo para o desenvolvimento econômico e social. Parecia algo inacreditável. Mas a verdade se impôs e chego à conclusão a respeito da gravidade de um conflito ideológico que dificilmente poderá encontrar uma saída.

A análise política para ser eficaz tem de ter como base uma serenidade crítica. Exatamente o contrário daquilo que o vídeo revelou. Não há serenidade crítica nem autocrítica.

ATAQUE AO SUPREMO – O ministro da educação atacou o Supremo Tribunal Federal defendeu a prisão dos ministros o que, na prática, corresponde ao fechamento do Poder Judiciário. Sim, porque a ordem de prisão abriria um vazio institucional deixando tudo na mão do Executivo. Se o STF fosse fechado, o mesmo aconteceria com o Poder Legislativo. Estaríamos assim em uma ditadura.

É bom lembrar que nem Getúlio Vargas na ditadura de 37 a 45 fechou a Corte Suprema. Na ditadura que o país enfrentou de 1964 a 1985 o STF funcionou, mas três ministros foram aposentados compulsoriamente. Evandro Lins e Silva, Gonçalves de Oliveira e Vitor Nunes Leal.  O governo Castelo Branco impôs, com a nomeação dos substitutos uma maioria na Corte. Mas esta é uma questão que está incorporada à História.

REINO DA INTOLERÂNCIA – Hoje enfrentamos uma outra realidade, um novo cenário, um novo estilo que nasce da multiplicidade de opiniões, porém todas elas convergentes num só propósito: implantar a intolerância na Nação. O ministro da Educação sequer causou reação contrária de Jair Bolsonaro. O do Meio Ambiente defendeu de forma quase direta o processo de desmatamento que está agredindo a Amazônia. O ministro do Exterior dois meses antes da reunião havia se pronunciado criticando o relacionamento do Brasil com outros países nos quais ele interpreta como sabotadores do nosso país.

Outro ministro defendeu a reimplantação dos cassinos que foram proibidos de funcionar em 1946, logo no primeiro decreto-lei do presidente Eurico Dutra. De 46 até agora estão fechados. A ministra Damares, da Mulher e da Família, viu nos cassinos a presença de algo diabólico.

UM POVO ARMADO – O mais importante de tudo, de fato, foi o presidente da república defender com emoção o armamento geral no país. Um povo armado jamais será escravizado, ele disse. Identifiquei nessa afirmativa uma ameaça à segurança interna brasileira, como se o país estivesse em guerra civil. O fato de pessoas adquirirem armas é perigosíssimo por dois motivos fundamentais. Acirra questões de divergências simples e também insinua a eclosão de uma guerra civil.

Além disso contribui para que os grupos criminosos tenham acesso facilitado à compra de armas. Ao invés de desarmar os bandidos proporcionaria mais ainda seu fortalecimento. Sobretudo no Rio de Janeiro, cidade ocupada flagrantemente pelo crime organizado e também pela violência generalizada, inclusive com existência de milícias.

NÃO HÁ PROJETO – Nem uma palavra foi pronunciada em relação a qualquer projeto construtivo capaz de levar o Brasil a um processo consolidado de desenvolvimento econômico e social. Nada se ouviu a respeito de medidas voltadas para a recuperação da economia, abalada por contradições que surgem no dia a dia da vida nacional.

A frase usada pelo ministro Paulo Guedes em relação ao Banco do Brasil sintetiza uma visão global sobre o que se passou numa tarde de abril. Guedes disse que temos de vender logo o BB. Desdenhou da importância do Banco, reduzindo-o a uma coisa qualquer.

O desprezo ficou evidente.