Com Lula vetado, o tempo agora passou a correr rapidamente para o PT

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Charge do Jota A (Portal O Dia/SE)

Pedro do Coutto

O julgamento do Tribunal Superior Eleitoral confirmando a inelegibilidade do ex-presidente Lula criou uma situação bastante sensível para o Partido dos Trabalhadores. A legenda terá que registrar outro candidato no prazo máximo de 10 dias. Isso faz com que, a partir deste momento, terá que decidir rapidamente e ao mesmo tempo desistir de recursos difíceis por Luiz Inácio Lula da Silva. Os recursos tornariam confusa a opção partidária por Fernando Haddad, que precisa utilizar como candidato a presidente (e não como vice) o espaço que lhe cabe no horário eleitoral das emissoras de rádio e televisão.

Seria uma contradição um partido político recorrer e com isso retardar seu próprio acesso à propaganda gratuita. Vejam bem: se uma pessoa ou um partido recorre contra uma decisão judicial, no caso da eleição de 2018, cairia num impasse, numa contradição. Como registrar a chapa Fernando Haddad e Manuela D’Avila, se um recurso da mesma fonte seria colocado para obscurecer a escolha de Haddad e manter iluminado o caminho de Lula para as urnas de outubro?

O TEMPO VOA – O partido não pode perder tempo e com isso deixar de aproveitar espaços essenciais para a campanha política. Portanto, o PT tem que desistir de tentar mudar a decisão de 6 votos a 1 pelo TSE. Problema a ser equacionado pela presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisei Hoffman. O PT, na minha impressão, tem que atravessar a ponte entre um sonho e a realidade. Hoje, qualquer insistência com o nome de Lula atrasaria o esforço do partido em chegar as urnas eleitorais nas condições ideais.

A decisão do TSE, pelo que os jornais publicaram, estabelece que Lula não poderá aparecer como candidato na campanha, mas cabe a pergunta se sua imagem fotográfica poderá firmar-se como cenário das aparições de Haddad. Questão a ser decidida.

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LIVRO DE DALLAGNOL  SOBRE CORRUPÇÃO

Muito importante a leitura do livro do procurador Deltan Dallagnol narrando a luta da Força Tarefa da Operação Lava jato contra a corrupção. O prefácio, brilhante, é da jornalista Miriam Leitão, para a GMT Editores.

Dallagnol destaca um aspecto essencial. Diz ele que o sistema legal contra subtrações do dinheiro público, constatou ele, foi montado décadas atrás exatamente para não funcionar. Entretanto, acabou funcionando e pela primeira vez na história do Brasil, colocando ladrões de casaca na cadeia. Eles jogavam com a impunidade. O panorama, no entanto, mudou. A campanha eleitoral deste ano vai provar que com menos dinheiro pode-se fazer o esforço político na busca do voto.

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OLHO NO SEGUNDO TURNO

E o problema principal, a partir de agora, é que a campanha pelas urnas de outubro vai se tornar mais nítida e mais intensa na busca pela classificação no segundo turno, a 28 de outubro. Pois agora já se sabe que o PT vai na campanha com Fernando Haddad, e o problema principal é em que percentagem Lula poderá transferir votos para ele. O quadro de opções ficou mais nítido sem a nuvem que inibia a atuação do PT. Era Lula ou Haddad. A partir de hoje é só a candidatura do ex-prefeito da cidade de São Paulo.

O segundo turno é inevitável. Bolsonaro, candidato da extrema- direita, estará nele. Mas quem será seu adversário no duelo final? Esta passou a ser a questão essencial.

Lula precisa sair de cena e o PT conduzir Haddad ao palco da sucessão de 2018

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Haddad e Manuela precisam entrar em campo em definitivo

Pedro do Coutto

Depois de longas horas de exposição de teses – escrevo este artigo às 20:30 hs de ontem – a tendência dominante do Tribunal Superior Eleitoral voltava-se para a inelegibilidade do ex-presidente Lula, como o Ministro Luis Roberto Barroso arguiu em seu voto de relator da matéria. Não havia dúvida quanto a este desfecho, mas dúvidas existem quanto aos prazos de substituição de sua candidatura por outro nome para o qual o Partido dos Trabalhadores pedir registro.

Superado o prazo de substituição, seja ele qual for, emerge nitidamente que o Partido dos Trabalhadores vai finalmente homologar a candidatura do ex-prefeito da cidade de São Paulo, tendo Manoela D’Avila como sua companheira de chapa.

SEM TEMPO – O prazo de definição total terá de ser curto, pois curta é também a duração do horário eleitoral que começou ontem para os candidatos aos governos estaduais e hoje, sábado, terá sequência projetando os candidatos à presidência da República.

O julgamento de ontem estendeu-se por longas horas, todas convergindo, por parte do Tribunal para a inelegibilidade de Lula com base na lei da Ficha Limpa. Afastada a presença física de Luis Inácio da Silva do horário da televisão, restam dúvidas sobre o uso de sua imagem em pelas legendas que o apoiam. Coloca-se a questão de o seu sucessor poder usar sua imagem no fundo de suas aparições. Há pensamentos diversos a respeito de tal alternativa. Um caso, penso eu, a ser resolvido pelo próprio TSE.

A conclusão da sessão de ontem entrou pela noite a dentro. Me parece totalmente solucionada a questão da inelegibilidade. Mas tenho dúvidas quanto aos rumos que o PT possa imprimir à campanha.

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OPINIÃO PÚBLICA REAGE MAL A BONNER E 
RENATA

A opinião pública, de modo geral, com poucas exceções reagiu negativamente sobre a atuação de William Bonner e Renata Vasconcelos na semana em que ambos entrevistaram Ciro Gomes, Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Marina Silva. Não focalizaram as propostas dos candidatos ao Palácio do Planalto. Agiram como inquisidores baseados em contradições inevitáveis no plano político. Isso de um lado. De outro terminaram falando mais do que os próprios entrevistados.

Usaram argumentos com base na comparação das alianças que sustentam os candidatos no plano federal com as coligações que seus partidos firmaram nas esferas estaduais.

Foi uma oportunidade perdida para os milhões de espectadores da Rede Globo que continuam aguardando explicações mais transparentes por parte dos candidatos às urnas de outubro.

A lacuna permanece. Creio que os programas tiveram uma audiência em torno de 35 milhões de pessoas. A força da televisão não encontrou reciprocidade por parte dos dois apresentadores.

Análise do índice de desemprego tem de incluir o crescimento demográfico do país

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Reportagem de Thais Carrança, edição de ontem do Valor, focalizou a redução da taxa de desemprego em julho com a criação de 47 mil postos de trabalho. Para a jornalista,que colheu dados em várias fontes sendo uma delas o setor econômico do Itaú, a queda foi muito tímida num universo de desempregados que se eleva a 11 milhões 933 mil. Para o banco de investimentos MUFG, o recuo deixou a taxa em 12,3%. O tema desemprego vem sendo discutido por vários setores, incluindo a pesquisa nacional por domicílios do IBGE. O desemprego, contudo, na minha opinião, tem que ser confrontado com o índice de crescimento demográfico.

Se nascem 2 milhões de pessoas por ano, tem que se considerar que o mesmo percentual abrange os jovens maiores de 18 anos. Dividindo-se 2 milhões de seres humanos por 12 temos então a onda que devia caminhar para o mercado de trabalho.

NOVAS ADMISSÕES – Esse dado é muito importante porque ao desemprego decorrente de demissões tem que se adicionar a taxa de não admissões. Uma questão que esclareça os fatores desemprego e não emprego afetando a economia de modo global. inclusive a Previdência Social, que majoritariamente arrecada sobre a folha de salários e está atingida fortemente no seu universo social.

Existem outras implicações relativas ao movimento de consumo que gera receitas provenientes do vínculo empregatício. Portanto, os governos estaduais e federal, de modo geral, dependem das compras no mercado. Se as compras caem, a receita pública também recua.

Existe, ainda, o fator prestação de serviço, no qual se encontram centenas de milhares de pessoas em todo o país trabalhando em caráter informal. Não estão desempregadas, mas em sua grande maioria não recolhem para o INSS. A cadeia de tributos é formada pelo Imposto de Renda no plano federal,  assim como pela Previdência, pelo ICMS que é estadual e pela contribuição de empresas para o ISS na esfera municipal. Uma corrente contínua.

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SUPREMO LEGITIMA TERCEIRIZAÇÃO

O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem, por 7 votos a 4  reconhecer a legitimidade dos contratos de terceirização para o sistema da CLT. A discussão era se a terceirização pode ser estabelecida para as atividades-fim, além de para as atividades meio. Portanto, o STF aprovou a existência do sistema, de modo geral, para os empregados privados e para os servidores das empresas estatais. Mas não para o funconalismo público.

A decisão vai ao encontro de cerca de 2 milhões de homens e mulheres que trabalham com esse vínculo indireto no campo trabalhista. Quem pode o mais pode o menos. Assim, os terceirizados podem continuar presentes tanto nas atividades meio quanto nas atividades-fim.

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TSE PODE JULGAR HOJE RECURSO DE LULA PARA TV

Os repórteres Rafael Moraes Moura e Ricardo Galhardo, no Estado de São Paulo de ontem, revelaram que o Tribunal Superior Eleitoral poderá julgar hoje o recurso do PT no sentido da presença de Lula no horário gratuito nas emissoras de rádio e televisão.

Talvez Lula não possa aparecer, mas sua mensagem de apoio a qualquer candidato na realidade não poderá ser proibida.

Bonner e Renata contribuíram para levar Jair Bolsonaro para o segundo turno

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Bolsonaro se saiu melhor na TV Globo do que na GloboNews

Pedro do Coutto

Na entrevista que fizeram com Jair Bolsonaro na Rede Globo, noite de terça-feira, os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos questionaram intensamente o candidato do PSL, apontando contradições entre suas falas públicas, numa série de situações que vão da homofobia à ameaça de intervenção militar no governo.  Sobre esta questão, basearam-se nas declarações do General Hamilton Mourão, seu candidato à vice-presidência. O tom foi agressivo e a projeção da contradições foi bastante explorada. Mas contraditoriamente, tais estocadas foram do agrado de Jair Bolsonaro.

Foi do agrado, porque propiciou a ele tocar os temas radicais de sua plataforma política, assim expondo-a bem junto a seus eleitores extremados, grande parte dos quais podem ser considerados da extrema-direita.

SAIU-SE BEM – O tema segurança, por exemplo, foi levantado para diretamente condenar as ações e pensamentos do candidato nessa área. Mas ele saiu-se bem na resposta, ao citar que a presença de bandidos armados em bairros do Rio de Janeiro tinha que ser repelida com a violência.

Nesta parte é que ele encontra adeptos extremados, defensores da violência para reprimir a ação de criminosos. Não se pode, disse Bolsonaro, querer tratar gentilmente os bandidos que infernizam a vida das pessoas de bem. A pergunta deixou Bolsonaro à vontade para se afirmar ainda mais com os eleitores e eleitoras que pensam como ele, porque, a exemplo de todos os brasileiros, vivem sob atmosfera imposta pela bandidagem.

Comparando-se a entrevista com Bonner e Renata com a que foi conduzida na GloboNews por Heraldo Pereira, também na noite de terça-feira, dá para se verificar a grande diferença entre uma e outra.

DIFERENÇA – Na primeira entrevista, como eu disse há pouco, o tema predominante deu margem a respostas intensas. Afinal, os candidatos que são entrevistados, como é natural, estão jogando para o eleitorado na busca de votos. Porém, o encontro comandado por Heraldo Pereira focalizou a inexistência de projetos específicos de governo, sobretudo na área econômica. Na GloboNews, Bolsonaro perdeu votos, mostrando-se mais uma vez dependente dos pensamentos do economista Paulo Guedes.

Na Globo, mostrou-se como radical que baseia suas ações no confronto físico, que caminha a seu lado com a homofobia e até manifestações absurdas como aquela que ele dirigiu à deputada Maria do Rosário.

No balanço geral da terça-feira, Bolsonaro ganhou mais votos do que perdeu. William Bonner e Renata Vasconcelos carimbaram o passaporte dele para o segundo turno em 28 de outubro.

Política é uma estrada sinuosa, marcada a cada curva por contradições sem fim

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Ciro se deu bem ao defender sua proposta sobre a Serasa

Pedro do Coutto

Escrevo este artigo na tarde de ontem, terça-feira, portanto antes da entrevista de Bolsonaro à Rede Globo. Minha base assim está focada na entrevista de Ciro Gomes, noite de segunda-feira, a William Bonner e Renata Vasconcelos. Esta entrevista, embora pautada em linguagem de alto nível, ressaltou mais contradições do candidato do PDT do que propriamente seu plano e projeto de governo. Foi uma pena. Uma pena para os telespectadores, mas um êxito para o candidato.

Seu lance mais forte na busca de votos terminou obtendo grande destaque na tela. Deu oportunidade a ele de colocar diante de milhões de pessoas seu projeto para retirar 63 milhões de brasileiros e brasileiras do rol de inadimplentes. Sobre este aspecto a meu ver, deve ter obtido mais intenções de votos do que aquele que possuía antes da entrevista.

CONTRADIÇÕES – No caso eleitoral somou para sua imagem, embora dificilmente possa concretizar a intenção dentro da perspectiva de sua vitória em outubro e de seu governo que começaria em janeiro de 2019. Mas falei em contradições da política. São enormes, inclusive parecem não ter fim.

Para citar um exemplo marcante de contradições, podemos lembrar o encontro entre Roosevelt, Churchill e Stalin em abril de 1945, na cidade de Yalta, ao sul da Rússia, a poucas semanas da rendição da Alemanha nazista. Estavam a mesa o presidente dos Estados Unidos, um liberal, o primeiro-ministro inglês, um conservador, e o ditador Stalin, comunista que sucedeu a Lenine no governo da então URSS. Discutiu-se a divisão da Alemanha entre duas partes a ocidental e a oriental, divisão que permaneceu de 1945 a 1989. Depois de Yalta, houve mais dois encontros. Um em Potsdam, outro em Berlim. Os três governos vitoriosos logo após o desabamento do Terceiro Reich, começaram a se desentender. Como explicar uma união entre os lados opostos do capitalismo e do comunismo? Mas foi o que aconteceu.

PRIMAVERA DE PRAGA – Os exemplos não ficam só nesse confronto. Em 1956, a então União Soviética invadiu a Hungria e mudou o governo do país. Em 1968 a invasão russa sufocou a Primavera de Praga, na então Checoslováquia, derrubando o governo que fazia tentativa de conjugar o comunismo com a liberdade. A liberdade era inadmissível para Moscou.

Aliás, há um terceiro exemplo. Em1948, ainda Stalin no poder, o governo comunista ameaçou invadir a Iugoslávia para conter o projeto de independência do Marechal Tito, que não aceitou e por isso teve sua fronteira fechada.

Mas esses exemplos são do passado. As contradições são de todas as épocas. Escreverei para amanhã artigo sobre a entrevista de Bolsonaro.

Elogios pagos são a pior propaganda para os candidatos, pelo excesso de bajulação

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Reportagem de Débora Sogur Hous revela que a jornalista Paula Holanda acusou o comando do PT de contratar internautas falsos para divulgar elogios a candidatos do Partido através de uma agência de comunicação que utilizava o twitter para destacar nomes preferidos para as eleições. Um dos nomes é o da atual senadora Gleisi Hoffmann, que concorre a uma cadeira na Câmara dos Deputados, abrindo mão de disputar a reeleição. O equívoco é o de considerar positiva a propaganda paga e sobretudo caracterizada como tal. Não se trata exatamente de uma “fake new”, mas sim de elogios rasgados que conduzem a desconfiança sobre o que é injetado nas redes sociais.

A jornalista Paula Holanda foi quem revelou ter recebido uma proposta para esse tipo de trabalho, o qual recusou. Entretanto, outros provavelmente aceitaram e tanto é assim que as páginas aparecem como uma torrente elogiosa, o que colide com a veracidade das mensagens.

FORA DA REALIDADE – Inclusive os leitores que tenham o mínimo de sensibilidade vão logo identificar a existência de um trabalho remunerado direcional e fora da realidade. Nessa questão inclui-se também a seguinte trama: redatores escrevem em nome de grande número de internautas, cada um produzindo de cinco a dez identidades imaginárias.

Os leitores, todos nós, devemos ter cuidado com o assunto. Mas isso, se as mensagens fossem levadas a sério. Não são. E, aí a contradição tira mais votos do que podem proporcionar no sentido de qualquer candidatura assim plantada na mídia eletrônica.

Não é comum adjetivar-se de forma exagerada textos jornalísticos. Tal identificação, de fato, leva os leitores a rejeitar os nomes elogiados, partindo-se do princípio de que, para destacar situação e candidatos, a linguagem não pode ser a bajulação descabida. Esta bajulação faz com que os leitores se afastem das mensagens. Mas isso não entra na cabeça de quem paga por esse tipo de trabalho.

ELOGIOS DEMAIS – Entretanto, o que chama atenção é o exagero dos afagos, do destaque a qualidades inexistentes, tudo culminando com o objetivo de levar votos em favor destes ou daqueles.

O PT certamente não é o único partido a fazer uso desse tipo de tentativa de envolvimento. Contudo, a farsa que se projeta nas linhas sinuosas do apelo político leva ao esclarecimento da opinião pública, que já identifica uma procedência ilegítima das postagens cheias de bajulação e até de narcisismo. O caminho para o voto é outro, bem menos custoso.

Afinal, quem compraria o espaço para ser isento consigo mesmo. Daí porque a publicidade comercial não se ajusta ao apelo político. Ainda bem que é assim: alguns gastam dinheiro à toa em busca de autopromoção.  Só as mensagens gratuitas é que podem ser levadas a sério e produzir resultados concretos. A farsa dura menos que 24 horas, entre seu lançamento e a sua percepção.

Um grande salto na História: da sucessão de 1960 (Jânio e Lott) à sucessão de 2018

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Jânio em 1961, fotografado por Erno Schneider

Pedro do Coutto

Essa comparação foi colocada pelo jornalista e historiador José Hamilton Ribeiro na edição de 25 de agosto na Folha de São Paulo. Ele relembrou o clima do pleito de 60, final de mandato do presidente Juscelino Kubitschek, comparando-o com a jornada dos candidatos às urnas de outubro deste ano. Acentuou a euforia de ontem com o amargor de hoje, situação decorrente de dois polos políticos. Em 1960 havia euforia no país, o debate econômico ganhara as ruas, herança dos anos dourados que conduziram o impulso para frente da sociedade. Não havia desemprego, não havia nem um centésimo da corrupção que marca a vida brasileira nos últimos 16 anos.

Falava-se na caixinha de 10% em matéria de intermediação ilegal de contratos. Hoje essa comissão elevou-se, acho eu, à casa dos 1.000%. Uma explosão que concentrou a renda do país ainda mais.

JK E JÂNIO – Mas voltemos a outubro de 1960. Juscelino concluía seu mandato entregando a Jânio Quadros um país redemocratizado com as instituições concretizadas. Ele próprio ao passar a faixa a Jânio, lembrou o seguinte: “Vossa Excelência recebe o governo do Brasil em condições muito diversas daquelas que marcaram minha posse. Basta dizer que para que eu assumisse, em janeiro de 56, houve necessidade de dois movimentos políticos militares. Agora, situação muito diferente o espera daqui para frente.”

Mas não seria por muito tempo porque a 25 de agosto de 61, sete meses depois Jânio Quadros renunciava à Presidência da República. Frustrou os partidos que o apoiaram e os autores dos milhões de votos a ele destinados nas urnas. A democracia voltava a faixa de risco. E o projeto de Juscelino de disputar novamente a presidência em 65 evaporou-se no meio da tempestade que marcou a posse de João Goulart e depois o final de seu governo.

ELEIÇÃO SEPARADA – Naquele tempo o vice-presidente era eleito separadamente do presidente. Nas urnas de 60, Jânio Quadros derrotou o general Teixeira Lott, mas Jango foi reeleito vice-presidente. Esta foi a primeira reeleição da história do Brasil. Foi um lance de dados. O general Lott durante a campanha afirmou que seu candidato a vice seria Oswaldo Aranha. Mas Aranha faleceu no mês de abril de 60, deixando espaço para o retorno de Goulart. Se Aranha não tivesse morrido Jango, não poderia ser vice mais uma vez.

Mas isso tudo foi ontem. Hoje o embate entre os postulantes ainda não entusiasmou o eleitorado. O que deve mudar mais à frente, mas até agora não mudou.

SETE PRÊMIOS – Hamilton Ribeiro, testemunha da história moderna, como é o caso dos que passaram a faixa dos 70 anos, marca sua presença no jornalismo e na história pela conquista de 7 prémios Esso que lhes foram conferidos por reportagens publicadas na imprensa.

Vamos ver se a partir dessa semana a corrida eleitoral desperta finalmente o entusiasmo de 147 milhões de brasileiros e brasileiras aptas a votar a 7 e 28 de outubro.
Um fato capaz de iluminar a disputa está na pesquisa que Marcio Godoi e José Maria Tomazelli focalizaram na edição de ontem de O Estado de São Paulo: Bolsonaro passou à frente de Alckmin na cidade de São Paulo.

Entrevistas dos candidatos na Rede Globo marca a nova fase da campanha

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William Bonner e Renata Vasconcelos farão as entrevistas

Pedro do Coutto

Na semana que começa, as posições dos principais candidatos à presidência da República provavelmente vão se definir mais nitidamente porque irão ao ar no Jornal Nacional. Una coisa é um programa ser editado por emissora de menor alcance. Outra é a mesma entrevista ser feita e exibida pela Rede Globo, que lidera a audiência da televisão no país. O episódio aumenta de importância porque se trata de um horário que atrai muito mais telespectadores do que outros por causa do noticiário das 20:30 hs. A ordem das entrevistas encontra-se programada: Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Marina Silva e Geraldo Alckmin.

A iniciativa não pode incluir o ex-presidente Lula e também Fernando Haddad, uma vez que este está sendo apresentado pelo PT como candidato a vice presidência.

OSCILAÇÕES – As entrevistas serão realizadas também pela Globonews no horário um pouco mais a frente. Vamos ver quais as oscilações que serão decorrentes dos programas. Sejam quais forem, vão pesar no cenário eleitoral. Afinal de contas foram convidados os quatro candidatos que melhor se projetam tanto nas pesquisas do IBOPE quanto do Datafolha.

Poderemos então realizar uma avaliação em torno da influência da televisão, comparando-a com a presença do mesmo grupo de candidatos nas redes sociais da Internet. Alguns candidatos com pouco tempo de aparição na TV certamente vão reforçar suas mensagens na mídia eletrônica para compensar o menor índice de exposição de suas imagens diante do eleitorado.

A seleção escolhida pelas organizações Globo representa, de outro lado, uma diferença de tratamento entre todos aqueles que disputam a sucessão do presidente Michel Temer.

DIVISÃO – A exclusão na TV Globo daqueles que apresentam índices insignificantes junto ao eleitorado tornará mais concreta a divisão dos que têm possibilidade de vitória e aqueles que estão concorrendo por concorrer, uma vez que não possuem estrutura partidária capaz de funcionar a seu favor.

Neste caso encontra-se o ex-ministro Henrique Meirelles, lançado pelo MDB, maior partido do país, inclusive com maior representação na Câmara Federal. Mas que até o momento somente deu provas de que a escolha de Meirelles não foi capaz de causar maior entusiasmo nos seus quadros.

É verdade que a eleição será em dois turnos e essa característica abre também a perspectiva de que a legenda possa ser mobilizada para o desfecho final no segundo turno. De qualquer forma a semana que amanhã se inicia vai proporcionar condições para que as próximas pesquisas iluminem mais nitidamente as tendências do eleitorado  

E HADDAD? – Ao quadro composto por Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Marina Silva, terá que ser incluído o nome de Fernando Haddad, cuja candidatura depende do apoio explícito do ex-presidente Lula da Silva. Esse apoio não pode ser subestimado. Porque se ele transferir, digamos, 9%, tal transferência poderá levar a uma disputa ainda mais acirrada para revelar os dois finalistas.

Na edição de ontem da Folha de São Paulo, o jornalista José Hamilton Ribeiro, também historiador, escreveu longa matéria comparando a sucessão presidencial de 60 com a que vai se realizar em 2018.  Sobre essa comparação escreverei amanhã.

Luta dos candidatos é para saber quem enfrentará Bolsonaro no segundo turno

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Charge do Kacio (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O tema do título é uma síntese da estratégia adotada até aqui pelos candidatos, em matéria de ocupação nas redes sociais para passar ao segundo turno. Reportagem de Pedro Venceslau, Adriana Ferraz e Vera Rosa, edição de ontem de O Estado de São Paulo, destaca o posicionamento dos principais candidatos, buscando passagem para o segundo turno a 28 de outubro. A conclusão é a de que ninguém poderá vencer num turno só, marcado para 7 de outubro, e assim todos se empenham para figurarem na corrida do desfecho final.

Com base na pesquisa realizada pelo Ibope para a TV Globo e o jornal Estadão, por exemplo, Geraldo Alckmin substituiu o comando da campanha nas redes da Internet. Isso porque chegou à conclusão de que o candidato Tucano estava perdendo intenções de voto para Jair Bolsonaro, situação que, se mantida, iria afastá-lo do segundo turno.  O comando da campanha considera Bolsonaro o rival mais perigoso, isso porque passou a admitir que o candidato apoiado por Lula, tem possibilidade de se incluir entre os dois mais votados.

REDES SOCIAIS – O aspecto que mais pressionou Alckmin a rever as mensagens nas redes sociais decorreu da verificação que Bolsonaro vem ocupando o lugar do ex-governador de São Paulo nas pesquisas. Neste caso, além do levantamento do Ibope, também da confirmação pelo Datafolha.

A imagem de Lula, que fatalmente será usada por Fernando Haddad, acarretaria a subida deste na disputa por votos. Entretanto, como escreveram André de Souza e Renata Mariz, em O Globo, também ontem, o Tribunal Superior Eleitoral poderá limitar ou proibir o uso da imagem de Lula pelo ex-prefeito da cidade de São Paulo. Entretanto, tal proibição, com base na lógica dos fatos, poderia se referir ao horário eleitoral da televisão, o que restringiria o uso da imagem do ex-presidente nas redes sociais. Nas redes sociais, seria impossível a proibição.

LIDERANDO – De qualquer forma, analisando-se o panorama geral da campanha verifica-se que Bolsonaro lidera em todos os prognósticos, numa faixa entre 18 e 20 pontos. O segundo lugar é ocupado por Marina Silva. O empenho de Alckmin é para buscar uma polarização entre ele e Bolsonaro, de maneira que ele surja como o anticandidato contra o nome do deputado que exprime a extrema-direita brasileira. Vale acentuar, quanto a este ponto, que Bolsonaro é plenamente representativo de uma corrente ideológica de pensamento.

Na realidade essa polarização ainda não se cristalizou ao longo dos debates e entrevistas, embora Marina Silva tenha tomado a iniciativa de se tornar a candidata antiBolsonaro. Alckmin, com base na reportagem de Venceslau, Adriana e Vera Rosa, tem iniciado um esforço estratégico para completar a outra face do embate central pela chegada ao Palácio do Planalto.

CAMPANHA – A importância das redes sociais é muito grande, principalmente para os candidatos (à exceção de Alckmin), que dispõem de pouco tempo no horário da televisão que começa no próximo dia 31, com a participação dos candidatos a governador. Aliás, ao longo do mês de setembro, um dia será reservado às eleições presidenciais, outro dia às eleições de governador.

Dentro do quadro até aqui esboçado, Bolsonaro parece ser um candidato que passará ao segundo turno. Fica a pergunta: quem disputará com ele o turno final de 28 de outubro.

Alianças estaduais diferem, em muitos casos, das coligações no plano federal

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Charge do Kayser (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

É exatamente isso o que está acontecendo em grande número dos estados da Federação: as coligações para governador são diferentes das coligações para a presidência da República. Reportagem de Jeferson Ribeiro e Marco Grillo, edição de ontem de O Globo, focaliza o assunto e serve de base para uma análise em torno do tema vinculado às eleições deste ano. São muito comuns os casos, inclusive se baseiam na força partidária estadual, colidindo com compromissos políticos no plano da União. São dados como exemplo os casos marcados pelas candidaturas Garotinho, Romário, João Dória e Bolsonaro.

Por exemplo. 36% dos que apoiam Romário, no RJ, estão dispostos a votar em Bolsonaro para presidência da pública. Uma fração de 23%, engajada na campanha de João Dória para o governo de São Paulo afirma-se favorável a Lula, mesmo que a candidatura do ex-presidente seja afastada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Mas há também o caso de 28% dos que estão com João Dória preferem votar em Bolsonaro.

CONTRADIÇÕES – Como os partidos vão reagir diante de tais contradições? É uma pergunta a ser decidida na prática. Até porque as legendas partidárias não significam compromisso maior entre os candidatos e eleitores.

Entretanto, as direções dos partidos, pelo desenrolar dos fatos, não deram ainda importância maior as contradições colocadas no palco político do país. Talvez mesmo o problema não tenha solução porque os candidatos em seus redutos não vão poder impor fidelidade entre as coligações federais e as alianças de fato nas áreas estaduais.

Mas as divergências têm importância muito grande e podem mudar o curso das disputas nos estados. O caso de João Dória é típico: ele tem de apoiar Geraldo Alckmin já que os dois são do PSDB. Mas o candidato tucano não terá condições de se apresentar de forma hostil ao posicionamento que Lula vier a adotar.

TAMBÉM NO RIO – No Rio de Janeiro, confusão semelhante está potencializada nos debates políticos, diante de contradições e choques entre as campanhas para o Palácio Guanabara e o Palácio do Planalto. As dificuldades terão que ser superadas, mas até agora não se sabe como, porque não existem sinais para tentar aplainar as divergências entre uma eleição e outra. É um problema a ser decifrado pela divisão do tempo partidário na TV. Ocorrerão casos em que, no espaço que cabe a um partido ou coligação, o candidato estadual poderá anunciar seu vínculo com um candidato de outro partido. Como resolver essa questâo?

A reportagem de O Globo fala em fusão política com eleitores ignorando alianças e escolhendo duplas diferentes de um plano e outro.

Dentro do princípio de que apoio não se rejeita,t surge um quadro bastante complicado tanto para os candidatos, sobretudo quanto aos eleitores.

Votos brancos e nulos vão cair à medida em que a campanha for esquentando 

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Essa tendência foi destacada na edição de ontem da Folha de São Paulo, com base na pesquisa do Datafolha focalizada nas reportagens de Marina Dias, Cátia Seabra e Igor Gielow. De acordo cm o Datafolha, o índice de votos nulos e brancos recuou 9 pontos da penúltima pesquisa para a de ontem. O levantamento do Datafolha coincide com o contexto revelado pelo Ibope e que deu margem a uma reportagem de Marco Grilo, Bernardo Melo Franco e Daniel Salgado em O Globo. As diferenças entre as duas pesquisas são poucas.

O Ibope, porém, focalizou um aspecto importante que se refere aos votos nulos e brancos por classe social. Por exemplo, o índice dos que hoje se mostram dispostos a votar branco ou anular está em 18% junto aqueles que ganham mais de 5 salários mínimos. Para os que percebem de 2 a 5 a taxa passa para 26%. Para os de renda ainda menor de 1 a 2 salários mínimos o percentual sobre para 31 pontos. Finalmente para o conjunto de assalariados contidos em 1 salário mínimo a intenção de votar nulo ou branco eleva-se a 33%.

CLASSES SOCIAIS – As diferenças entre as classes sociais norteia as pesquisas muito mais do que a divisão por sexo, embora as mulheres representam 30% da rejeição ao voto. Os homens 23%.

Relativamente no que se refere ao quadro sem Lula, o Datafolha apontou 22% para Jair Bolsonaro , enquanto que para o Ibope o índice é de 20%. As diferenças são pequenas entre as duas pesquisas. Marina Silva encontra-se em segundo lugar, seguida por Ciro Gomes e Alckmin. Respectivamente 10 pontos para Ciro, 9 para Alckmin e 4 tanto para Alvaro Dias quanto para Fernando Haddad.

No cenário com Lula no Datafolha o ex-presidente surge com 39%, dois pontos apenas da pesquisa do Ibope que lhe atribuiu com 37%. Mas esta é outra questão.

BRANCOS E NULOS – Os indicativos apontados pelo Datafolha assinalam uma tendência de queda progressiva dos votos brancos e nulos à medida em que a campanha política entra na sua reta final. A reta final, digo eu, transcorre na segunda quinzena de setembro até o início de outubro, inclusive porque a Rede Globo marcou um debate entre os candidatos exatamente nesse dia, no qual termina também o horário político.

É sempre assim, tenho experiência como repórter de um grande número de decisões eleitorais. Lembro a de Negrão de Lima,  em 65, para o governo da então Guanabara. Ele venceu em 22 dias.

DIFERENÇA – Para não dizer que as pesquisas do Ibope e do Datafolha são iguais, assinalo uma diferença quanto as intenções de voto para o governo do Rio de Janeiro. Para o Datafolha, Eduardo Paes lidera com 18, seguido por Romário 16 e Garotinho com 12. Para o Ibope, Romário tem16, Paes 14 e Garotinho registra 12 pontos.

A partir desta data vamos ver quais modificações podem ocorrer. A começar no plano federal, a partir do momento em que Lula formalizar seu apoio ao ex-prefeito da cidade de São Paulo.

Pesquisa do Ibope consolida tendências eleitorais acima dos empates técnicos

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Charge do Cazo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Os jornais publicaram ontem os resultados da mais recente pesquisa do Ibope, que na realidade confirma tendências razoavelmente definidas, superando a questão dos empates técnicos. Em matéria de pesquisa eleitoral é importante estabelecer-se os pontos percentuais que abrangem as candidaturas de modo geral, esclarecendo diferenças marcantes.

Uma pesquisa incluindo o ex-presidente Lula aponta para ele 37 pontos, seguido de Bolsonaro com 18, Marina 6, Ciro Gomes e Alckmin com 5 e Álvaro Dias com 3. A diferença entre a hipótese Lula e os números de Bolsonaro são de 19 pontos. Entretanto, percentualmente a pesquisa registra uma diferença superior a 100% entre um e outro. 18 pontos estão abaixo da metade dos índices atribuídos a Lula.

Esse critério, a meu ver, vale para todas as diferenças expostas no levantamento. Nesse quadro os votos brancos e nulos estão contidos na escala de 16% e os indecisos completam a diferença que separa as intenções de voto e a rejeição aparente ao quadro de candidatos.

Mas deixemos para o lado as parcelas de indecisos, uma vez que terão que decidir amanhã ou depois dentro das opções oferecidas pelo quadro de candidatos. Falamos, portanto, da pesquisa incluindo o nome de Lula.

E SEM LULA? – Entretanto, o IBOPE trabalhou também com base na ausência mais que provável do ex-presidente da República das urnas de outubro. Então, esta parte da pesquisa assinalou 20 pontos para Bolsonaro, 12 para Marina, 9 para Ciro Gomes, 7 para Alckmin e 4 para Alvaro Dias. Os demais candidatos ficaram contidos numa taxa que varia de 0 a 1 ponto percentual.

Verifica-se que a ausência de Lula é absorvida parcialmente, por Marina Silva na medida em que ela passa de 6 para 12%. Assim, ela duplica as intenções de votos. Fenômeno quase idêntico é o de Ciro Gomes, que sobe do 5º para o 9º andar. Geraldo Alckmiin passa de 5 para 7 pontos e Álvaro Dias de 3 para 4.  Uma parte, surpreendentemente, deslocou-e para Bolsonaro, tanto assim que ele subiu de 18 para 20%.  Então Bolsonaro avançou 2 degraus.

BRANCOS E NULOS – Neste quadro o número de votos brancos e nulos eleva-se de 16 para 29%. Acredito que seja importante assinalar que uma coisa reside nas diferenças de intenção de voto entre os quatro candidatos que lideram o levantamento. A diferença de Bolsonaro para Marina, em números absolutos é de 8 pontos. Porém percentualmente representa uma diferença de praticamente 70%. Aplicado o mesmo raciocínio para a diferença entre Marina e Ciro, que em números absolutos é de 3 pontos, em números relativos está em torno de 30%. A diferença de Ciro (9) e Alckmin (7) em números absolutos representa 2 pontos, e percentualmente a diferença passa a ser de 25%.

MARINA E CIRO – Diante desse quadro constata-se que Marina Silva e Ciro Gomes são os candidatos que absorvem a maior parte do eleitorado DE Lula. Fernando Haddad que o Ibope incluiu no palco sem Lula registrou 4%. Portanto, os lulistas ainda não se manifestaram no que se refere à capacidade de seu líder transferir votos válidos para as urnas. Tanto é assim que não houve ainda deslocamento em favor de Haddad. Os eleitores de Lula, em grande parte, estão aguardando uma tomada de posição lançada na campanha pelo ex-presidente da República.

O panorama pode mudar, mas as tendências básicas estão configuradas pelo trabalho do Ibope.

Maioria do eleitorado desaprova a atuação dos candidatos ao Planalto, diz o Ibope

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Pedro do Coutto

Uma pesquisa interessante foi feita pelo instituto IPSOS para o jornal O Estado de São Paulo, objeto de reportagem de Daniel Bramatti, edição de ontem, indagando se os eleitores e eleitoras aprovam ou desaprovam a atuação dos candidatos na fase atual que antecede a abertura da campanha nas emissoras de rádio e televisão. Prevaleceu a desaprovação o que possivelmente, de acordo com o Ibope, fez a aprovação a Lula subir para a escala de 37%. Esse levantamento numa segunda etapa aponta o quadro sem o ex-presidente.

Aí Bolsonaro lidera com 20, seguido de Marina com 12, Ciro 9, Alckmin 7. Na perspectiva de Haddad substituir Lula, o ex-prefeito da cidade de São Paulo registra 4%. Logo em seguida aparece Alvaro Dias com 3 pontos. Os demais dividiram-se entre os que registram 1 ponto e outros ficam com 0%.

APROVAÇÃO – Mas vamos aos números do cotejo entre aprovação e desaprovação. A atuação de Alvaro Dias é aprovada por 8% contra uma desaprovação de 46. A parcela que eleva o resultado a 100 refere-se aos que não opinaram. Ciro Gomes é aprovado por 19% e desaprovado por 65. Alckmin tem 17 de aprovação e 70 de desaprovação. Guilherme Boulos tem aprovação de 3% e desaprovação de 47. Henrique Meirelles é aprovado por 5 pontos e desaprovado por 80. Bolsonaro é aprovado por 25 e desaprovado por 73. Marina é desaprovada por 61 e aprovada por 30%.

O quadro parece colidir com a pesquisa do Ibope, mas não é bem assim. Os que lideram o levantamento, no fundo, são os que ocupam os lugares de mais destaque, partindo-se do princípio de que a intenção de voto pode divergir da aprovação ou não das ações dos candidatos.  Vamos esperar que o Ibope finalmente tenha focalizado a colocação dos candidatos com base dos segmentos sociais.

Os índices de aprovação e desaprovação podem balizar, daqui para frente o desempenho dos candidatos, em vários casos corrigindo como pode se supor os enfoques menos populares das mensagens.

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ALGUNS EQUÍVOCOS SOBRE BOLSONARO

Em uma entrevista a Naief Haddad, edição de ontem, a historiadora  Heloísa Starling sustenta que Jair Bolsonaro está defendendo um autoritarismo político e não os valores militares que destacou como incluídos em seu programa de governo. A historiadora tem várias obras publicadas, mas no decorrer da entrevista comete alguns equívocos.

O primeiro é comparar a posição atual de Lula com a de Getúlio Vargas em 1945. Não é só a diferença entre o fato de Vargas se encontrar na sua fazenda e Luizs Inácio na prisão. Vale apenas acrescentar que Vargas ditador deposto em 29 de outubro, elegeu-se senador por dois estados e deputado federal por cinco. Seu apoio foi decisivo na vitória do General Eurico Dutra sobre o Brigadeiro Eduardo Gomes.

Um outro equívoco foi o de dizer que Vargas pertencia ao PSD. Na realidade,Vargas foi o criador do PTB.

Mas esses enganos não são importantes para reduzir a importância das palavras de Heloisa Starling. Os enganos se vão com o vento.

Uma pergunta a ser respondida: quem enfrenta Bolsonaro no segundo turno?

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Com base nas entrevistas e nos debates entre os candidatos às eleições de outubro, a pergunta fica no ar. Bolsonaro mantém 18% e nenhum de seus adversários, exceção de Marina Silva consegue dele se aproximar. A campanha está apenas começando, entretanto, tendências vão ficando nítidas. Somente a mesma Marina Silva, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes têm possibilidade de transferir a decisão de 7 para 28 de outubro.

As divisões são muitas. Agora mesmo, reportagem de Demétrius Dantas, O Globo de ontem, destaca a reação do ex-governador de São Paulo quanto a perspectiva de ser apoiado por Michel Temer. “O presidente nem gosta de mim”, afirmou Alckmin, temendo o desgaste que o presidente da República acarretaria a sua campanha.

RECURSO DO MDB – Aliás, por falar em campanha, o MDB pediu a impugnação de Alckmin com base na formação de coalizões que se chocariam com a lei eleitoral. Alckmin reagiu e disse que o partido de Henrique Meirelles está tentando ganhar no tapetão.

Sem se entrar no mérito da questão o recurso do MDB, partido de Michel Temer, acentua sem dúvida uma divisão das legendas situadas no centro do embate político. O MDB, que exprime uma tendência conservadora, choca-se com a coligação, também conservadora, que se cristalizou em torno do candidato do PSDB.

Por menos votos que o MDB possa retirar do PSDB, o que vai depender da campanha, a divisão do centro, mesmo em parte desiguais, pode influir na disputa pelo segundo lugar, o que deslocará as eleições do primeiro para o segundo embate final.

PEQUENA MARGEM – Basta lembrar que foi pela margem de 1% que Lula derrotou Brizola em 1989, derrota que praticamente afastou o ex-governador gaúcho do cenário da política brasileira. As disputas são assim, como ocorreu nos Estados Unidos na sucessão de 60, quando Kennedy derrotou Nixon por 0,6% da votação.

São diferenças assim que as vezes decidem o rumo da história das Nações. Não se deve subestimar ou rejeitar apoios que aparentemente são insignificantes. Muitas vezes as diferenças partidárias são decididas por estocadas no momento certo.

MARINA NO DEBATE – Na busca para inscrever seu nome no segundo turno, Marina Silva, no debate da Rede TV. fez questão de polarizar sua imagem enfrentando Bolsonaro. Não porque desejasse desconstruir a posição do candidato sabidamente direitista. Mas sim para estreitar o debate de forma que possa medir forças com ele no turno final de 28 de outubro.

Para Marina Silva, interessa a manutenção de Bolsonaro no páreo porque isso lhe dá oportunidade de se apresentar ao eleitorado como a candidatura mais forte para se opor ao candidato do PSL. A pergunta contida no título fica aqui exposta: só o tempo na campanha poderá responder.

Institutos de pesquisa deviam apurar as tendências eleitorais por classe social

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

É exatamente isso que se encontra no título desta matéria, uma ideia que deixo aqui para ser apreciada. A divisão por classes sociais é fundamental para que as tendências eleitorais possam ser observadas com maior nitidez. Quase sempre a tendência registrada nos grupos de renda mais alta é diversa da constatada nos grupos de menor renda. Trata-se, assim, de aplicar uma visão com base na média, a partir dos índices expostos para cada classe. Trata-se de uma média algébrica e não de uma média aritmética. Os pesos proporcionais não são os mesmos. Isso porque os grupos majoritários são aqueles mais sensíveis às ações paroquiais.

Mas essa colocação refere-se com mais intensidade aos votos para deputados federais e estaduais. Nos pleitos majoritários, os chamados currais eleitorais perdem-se no oceano das disputas. Pois não é possível praticar um mesmo sistema num eleitorado de praticamente 100 milhões de pessoas.

DEPENDEM DA CANETA – Há problemas cuja solução depende de ações executivas e não de ações legislativas, estas podem servir de base para as decisões do presidente da República e dos governadores. De qualquer forma as decisões finais sempre dependem da caneta dos governantes.

As pesquisas que têm sido publicadas, como Ibope, Datafolha e Big Data, têm apresentado uma convergência generalizada, apontando as preferências em torno de Bolsonaro e Marina Silva e logo atrás Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Álvaro Dias registra índices que variam de 3 a 4%. Os demais candidatos ficam abaixo dessa linha e praticamente estão contidos, sem decolar no piso de 1 ponto. Mas isso não reflete ainda tendências definidas. Pode haver mudanças porque o desempenho dos candidatos pode definir o rumo das indecisões que devem baixar de patamar. Aí entra a importância da divisão por categorias sócioeconômicas.

QUEM NÃO VOTA – São elevados os índices relativos aos que votarão em branco ou anularão o voto, e todos os candidatos sonham em vencer essa barreira, o que seria mais fácil se as pesquisas identificassem as tendências de hoje pelas divisões nas categorias da sociedade que acabei de citar.

Com base em tantas pesquisas através das décadas, a realidade é que as indefinições maiores encontram-se nas faixas de menor escolaridade e de menor poder aquisitivo. Uma pesquisa recente, da Big Data, apontou uma soma enorme de eleitores que não se motivou ainda para escolher seu candidato. A tarefa é difícil, pois a campanha atual não apresentou até agora motivos para maiores entusiasmos. Porém, esse distanciamento tende a se encurtar. Mas o mais importante é que o eleitorado de renda mais alta decide mais rapidamente em qual candidato votar.

NA ÚLTIMA HORA – Ao contrário, as classes cuja remuneração mensal é de 1 a 3 salários mínimos deixa sempre para decidir na semana final das campanhas.

Os eleitores de renda mais alta são minoria, basta dizer que 50% do eleitorado brasileiro ganham mensalmente de 1 a 3 salários mínimos. Portanto, tais categorias são amplamente majoritárias.

De toda forma, com base em pesquisas abrangendo divisão por renda, tanto os partidos quanto os eleitores vão se situar melhor no panorama.

Tempo na TV deveria ser igual para todos os candidatos a presidente

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Charge do Glauco (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Em artigo publicado ontem na Folha de São Paulo, a jornalista Eliana Passarelli analisa as limitações e permissões estabelecidas pelo TSE para as eleições deste ano para Presidente da República. De fato, digo eu, a articulista aponta a existência de contradições, como é o caso do tempo de rádio e televisão ser acessível aos candidatos, com base na dimensão das bancadas que os partidos que apoiem este ou aquele tenham na Câmara Federal. Vejam só a contradição entre o objetivo da Lei Eleitoral de igualar todos os candidatos e o que acontece na prática na luta pelas urnas.

O horário eleitoral gratuito inicia-se a 31 de agosto e vai até 4 de outubro. Não existe, na realidade, oportunidades iguais a todos os que postulam chegar ao Palácio do Planalto. Tanto assim que o partido com direito ao maior espaço é o MDB. Logo seu candidato o ex-ministro Henrique Meirelles será o mais beneficiado. Nada a ver com a percentagem mínima que seu nome registra nas pesquisas eleitorais. 

CASO COLLOR – Mas o que tem a ver a posição dos candidatos com as bancadas do Legislativo? Nada. Em 1989, o espaço de Collor era muito pequeno em relação aos demais. Venceu a eleição. E no primeiro turno Lula assegurou o direito de disputar com ele, superando Brizola pela diferença de apenas 1% dos votos válidos, em 16 a 15%.

Por isso, o aproveitamento do tempo é algo diferente do que seu preenchimento. Isso leva à conclusão de que o enigma da exposição pode ser superado pela má qualidade das mensagens de um e a qualidade positiva de outros, com menor tempo no vídeo. Mas esta é outra questão.

O fato é que o objetivo é a igualdade, mas a legislação consagra a desigualdade. Porém, a política é plena de contradições e não adianta apontá-las como algo negativo, uma vez que abrangem tanto a direita quanto a esquerda com a predominância do centro. Até porque o centro é uma faixa, não é um ponto.

MENOS RECURSOS – Dito isso, as urnas de outubro serão aquelas com menor injeção de recursos financeiros. A propaganda nos jornais e nas emissoras de TV está proibida. O mesmo acontece em relação as redes sociais na Internet. A diferença entre as mensagens gratuitas e as postagens pagas é difícil estabelecer.

Está aberta a colocação de textos e imagens, mas desde que não ocupem espaços publicitários remunerados. Nessa situação, os canais eletrônicos estão abertos a todos os candidatos. O acesso aos respectivos espaços é problema de cada um. Porque, como nos próprios jornais os leitores e telespectadores são livres para assistir as mensagens, razão pela qual é difícil distinguir o que foi pago e o que não foi nas redes sociais.

PAGOS E GRATUITOS – Nos jornais e emissoras de televisão, a publicidade é editada com esta colocação. Porém, este ano não poderá haver comparação entre destaques pagos e gratuitos, porque a lei eleitoral proíbe a publicidade individual das candidaturas.

Em 2018 haverá a campanha eleitoral mais barata em termos relativos, em relação àquelas que passaram no tempo desde a redemocratização de 1945, ano em que o ditador Getúlio Vargas foi afastado do poder que exercia por 15 longos anos. Também este ano, os gastos serão infinitamente menores que aqueles das eleições de 1988 para cá.

É consequência direta da operação Lava Jato.

TSE ainda precisa regular o tempo de televisão nas eleições para governador

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

O Tribunal Superior Eleitoral terá que regular o tempo do horário gratuito na televisão e no rádio, a partir de 31 de agosto, conforme a lei determina. A Lei Eleitoral também determina a distribuição do tempo no espaço da propaganda com base na soma das coligações e dos partidos que concorram sozinhos. Os casos relativos a candidaturas isoladas encontra-se definido, tomando-se por base o tempo destinado à legenda no plano federal. Parece fácil solucionar o problema, baseando-se nas coligações. Mas é aí neste ponto que surge o impasse.

As coligações nem sempre são iguais na campanha presidencial e nas campanhas para os governadores. Não é a mesma coisa. O modelo tem que ser alterado para que se encaixe na legislação. Tarefa a ser conduzida a partir de hoje pela ministra Rosa Weber que assumiu a presidência do Superior Tribunal Eleitoral em lugar do ministro Luis Fux.

DIVIDIR O TEMPO – Torna-se necessário que se estabeleça um sistema claro e direto na distribuição do tempo na TV na área federal e nas áreas estaduais. No plano federal o problema já está equacionado.  Resta equacionar os espaços nas telas e nas emissoras de rádio.

Em matéria de alianças eleitorais sempre se evidenciam contradições e problemas a serem resolvidos nas proximidades das urnas. Os exemplos que a história eleitoral registra são múltiplos. Agora por exemplo, surgiu mais um, conforme a entrevista do presidente Michel Temer ao repórter Bruno Boghossian, Folha de São Paulo de ontem.

Logo no início da entrevista, ao responder uma pergunta a respeito de quem o governo está apoiando, Michel Temer afirmou: “você pergunta a quem o governo apoia. Parece que é o Alckmin…”, especulou. O impulso no sentido de apoiar o PSDB está no pensamento do presidente da República. Tanto assim que Michel Temer acrescentou que os partidos que votaram a favor das reformas vão continuar a participar do governo se o candidato Tucano vencer o pleito.

PONTE DE TEMER – Para mim Michel Temer construiu uma ponte entre o Palácio do Planalto de hoje e o Palácio do Planalto a ser ocupado amanhã, depois do desfecho nas urnas.

A matéria deve repercutir principalmente junto ao comando do MDB, que na convenção escolheu Henrique Meirelles como candidato da legenda. Nessa aparente contradição vamos esperar qual será o rumo do ex-ministro da Fazenda nas eleições de outubro.

Ao longo da entrevista o presidente da República acrescentou que os partidos que deram sustentação ao seu governo devem levar em conta o quadro político e as urnas de outubro.           Tem-se a impressão que o atual governo concorre com duas alternativas.

Não cabe ao governo decidir o que é fake news e o que é verdade na internet

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Charge do Cazo (blogdoafr.com)

Pedro do Coutto

A afirmação que está no título reproduz a opinião de David McCraw, advogado do New York Times, que se encontra no Brasil participando exatamente de um seminário sobre a matéria. McCraw informou que o New York Times tem como princípio não recorrer a Justiça contra as fake news porque isso se opõe a Constituiução americana que com base na 1ª emendam garante o direito de mentir, o que transfere o julgamento do assunto à própria população.

Nos Estados Unidos esse direito foi assegurado pela Corte Suprema em 2012 ao julgar uma ação ajuizada visando a proibição da circulação das fake news.

QUEM JULGARIA? – McCraw, penso eu, está certo na colocação da matéria porque quem julgaria se as notícias são falsas ou não? Os que navegam na internet é que devem fazer essa seleção, que pode acarretar prejuízos sem conta em todos os sentidos. Mas a internet funciona as 24 horas do dia, todos os dias, são milhões de mensagens postadas num número enorme da nações. Muito difícil pesquisar as milhões de postagens que circulam no mundo inteiro. Cada um tem que exercitar sua sensibilidade para concluir o que é verdade e o que é mentira.

Pode ocorrer, inclusive, que os textos possam ser metade verdadeiros e metade seja fake news, cujo propósito é atingir pessoas, empresas e entidades governamentais. O conteúdo das postagens deverá ser objeto de análise, excetuando-se as mensagens facilmente identificáveis como falsas.

VIRALISANDO – Geralmente, na opinião do advogado, as fake news propõem que cada um viralise as informações para, com isso,  atingirem uma amplitude maior.  Neste aspecto, torna-se possível iniciar-se até uma ação na justiça contra o responsável pela exposição. O problema, neste caso é individual. O que dá margem para que pessoas e empresas possam desmentir as notícias.

Mas na rede da internet, universo espacial de grande alcance e que proporciona divulgação ao longo das 24 horas do dia, que pode desmentir as notícias falsas? Esse fato, a ele me referi no início da matéria, porém repito para colocar em debate uma questão extremamente complexa. No Brasil, por exemplo, a Rede Globo e o jornal O Globo estão realizando um trabalho para selecionar as fake news e assim desmenti-las em consequência.

E O MOMENTO? – O tema é altamente complexo e nesse sentido podemos apreciar em que momento as notícias falsas forem postadas. Sobretudo porque, o horário no Brasil, para citar como exemplo está num fuso horário diferente da Europa e da América do Norte. Isso para citar dois casos. Há muitos outros. A complexidade da matéria, portanto, exige enorme atenção

Por falar em nosso país, matéria de  Mariana Lima, O Estado de São Paulo, o presidente Temer sancionou lei que proíbe as empresas e quaisquer pessoas físicas de usarem dados pessoais para campanhas comerciais. Ou então para enviar, o que acontece muito pelo telefone e que parte de bases de dados obtidos através de cadastros divulgados.  A lei entretanto não institui o órgão regulador necessário para a tarefa.

O princípio é o de que a utilização de dados pessoais só pode ser utilizada com a concordância prévia de cada um.

Corrente do PT quer lançar logo candidatura de Haddad no lugar do ex-presidente Lula

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Jaques Wagner diz que o PT não pode continuar esperando

Pedro do Coutto

O ex-governador Jacques Wagner defendeu ontem que o PT formalize logo a substituição do ex-presidente Lula pelo ex-prefeito Fernando Haddad como candidato do partido às eleições presidenciais de outubro. Jacques Wagner – reportagem de Yuri Silva, Ricardo Galhardo e Daniel Wetermam, o Estado de São Paulo de ontem- afirmou que “nós não vamos ter a vida inteira para expor o Haddad”. Com isso evidencia-se uma pressão de expressiva corrente partidária que se dispõe a seguir o ex-prefeito da cidade de São Paulo rumo às urnas de outubro.

O avanço da corrente que apoia a solução do ex-governador da Bahia, assim, apresenta-se como de oposição dentro da legenda do Partido dos Trabalhadores. Pois não é essa a posição assumida pela senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT.

ESGOTAR OS RECURSOS – Como Gleisi Hoffmann já disse várias vezes, a agremiação deve insistir no nome de Lula esgotando todos os recursos possíveis dentro do quadro da legislação eleitoral e do entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a elegibilidade ou inelegibilidade do ex-presidente da República.

Na argumentação de Wagner, porém, a legenda não pode perder tempo, porque o calendário eleitoral tem prazos curtos. Como revelou matéria de Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo, na mesma edição de O Estado de São Paulo.

O pedido de registro dos candidatos termina hoje, dia 15. No dia 31 inicia-se o horário eleitoral. A 17 de setembro esgota-se o prazo para substituição de candidaturas, quando também termina a derradeira análise sobre o registro de candidatos. As eleições, primeiro turno, estão marcadas para 7 de outubro.

TESE DE WAGNER – Com base nesses prazos é que Jacques Wagner sustenta a tese do aproveitamento maior do horário eleitoral, espaço reservado ao PT. O raciocínio é o seguinte: se o candidato a presidência não tiver sido homologado, na hipótese de serem encaminhados recurso ao TSE, STJ e ao STF, a legenda não pode aproveitar a presença no horário eleitoral que tem início a 31 de agosto. Enquanto estiver na perspectiva de Lula ser homologado ou não candidato, a legenda perde espaço que vai de 31 de agosto a 7 de setembro. Se os recursos demorarem além do previsto, a chapa do PT só poderia ocupar espaço político a partir de 17 de setembro até 1º de outubro.

O partido perderia assim vários dias seguidos de ausência na televisão e rádio, o que seria extremamente prejudicial à legenda. Além do mais, como seria possível admitir o registro de dois candidatos a vice presidente sem que haja candidato ao Palácio do Planalto?

CASO DE MANUELA – Inclusive, no caso de Manuela D’Avila, o PCdo B já providenciou seu registro como candidata do partido à Presidência da República. Firmado o acordo com o PT de Haddad como postulante à chefia do Executivo, têm-se a certeza que o PCdoB retirará o pedido de registro de Manoela D’Avila e se deslocará para coligação final com o PT.

Como se constata, Jacques Wagner revelou o sentimento que domina as bases da legenda. As bases já estão imbuídas da certeza de que a candidatura Lula não chegará ao fim da viagem para as urnas, e será impedida pela Justiça Eleitoral.

Será testada hoje, no protesto em Brasília, a força do famoso “Exército” de Stédile

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Estes militantes pró-Lula saíram de Formosa de Goiás

Carlos Newton

Há três anos, em discurso no auditório da Associação Brasileira de Imprensa, antes do impeachment da presidente Dilma Rousseff, Lula da Silva ameaçou as instituições, ao anunciar que poderia colocar nas ruas o “exército” de Stédile. Referia-se aos trabalhadores rurais sem-terra, liderados pelo economista João Pedro Stédile, que jamais empunhou uma enxada e estava presente ao ato na ABI, como um dos convidados especiais do PT.

Três anos depois, a promessa enfim se cumpre e nesta quarta-feira o MST coloca seu exército nas ruas de Brasília, em manifestação para apoiar a candidatura de Lula e para protestar contra a prisão dele por corrupção e lavagem de dinheiro.

SUPERPROTESTO – Enfim saberemos quantas legiões tem o “exército” de Stédile e qual é na realidade o seu potencial de intimidação e destruição, porque desta vez é o Movimento Sem-Terra que está liderando as 80 organizações integrantes da Frente Brasil Popular.

Na defesa da libertação e da candidatura de Lula, sete integrantes do MST estão em greve de fome desde o dia 31 de julho, por tempo indeterminado. Na sexta-feira passada, dia 10, estava prevista uma mobilização nacional dos trabalhadores, convocada por todas as centrais sindicais, mas foi igual à “Conceição” do Cauby Peixoto, ninguém sabe, ninguém viu.

E nesta quarta-feira, quando será registrada a candidatura de Lula, os sem-terra estão chegando a Brasília, em marcha nacional convocada pelo próprio Stédile.

A AMEAÇA – Em artigo publicado recentemente na Folha, sob o título “Uma saída para o Brasil”, diz Stédile: “Se Lula não for candidato, as eleições serão uma fraude, pois impedirão que a maior parte do povo tenha o direito de escolher quem deseja para a Presidência. E as crises se aprofundarão e teremos mais quatro anos de conflitos, violência e agravamento das desigualdades sociais”.

“Para construirmos um novo projeto para o país, com reformas estruturais na política, no Judiciário, nos meios de comunicação e na economia, é necessário garantir a participação de Lula nas eleições”, acrescenta o líder do MST, que assim finaliza o texto:

“Esperamos que o Poder Judiciário lembre que, acima de suas vaidades e interesses, está a Constituição, que já foi suficientemente violada e desprezada nos últimos anos. Que os juízes se submetam à vontade popular e à Carta Magna, e não aos interesses da Rede Globo e do projeto golpista do grande capital”.

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P.S. 1
Espera-se que o bom senso prevaleça e os grevistas da fome aceitem comer uma buchada de bode, prato da preferência de Fernando Henrique Cardoso em época eleitoral. Quanto ao “exército” de Stédile, isso não “ecziste”, como diria o Padre Quevedo. Hoje haverá milhares de sem-terra em Brasília, mas será apenas uma miragem no horizonte rural. Amanhã, o “exército” já estará desmobilizado. (C.N.)