O amor, na visão de Nelson Rodrigues, Vinicius de Moraes e Oduvaldo Matta

Resultado de imagem para sob a luz de antaresPedro do Coutto

Enquanto não se define o rumo da segunda denúncia de Rodrigo Janot contra Michel Temer, e na cidade do Rio de Janeiro a polícia não prende o homem que é apontado como responsável maior pela invasão da Rocinha, vamos deixar um pouco o campo de Marte para ingressarmos na atmosfera da arte. Na noite de domingo, Fernanda Montenegro apresentou mais um capítulo dirigido por ela sobre Nelson Rodrigues, o homem e sua obra. Desta vez o amor foi o tema, faixa da emoção que envolveu várias peças teatrais do autor de Vestido de Noiva.

No campo da arte, sobre o mesmo tema nos encontramos com Vinicius de Moraes, que, como ninguém focalizou e destacou a importância essencial do amor na condição humana.

No mesmo sentido, campo do amor, podemos incluir a obra do poeta Oduvaldo Matta.

A LUZ DE ANTARES – As obras de Vinicius de Moraes encontram-se contidas na bela edição da Companhia das Letras, que recentemente chegou às livrarias. Apresentação de Eucanaã Ferraz. As obras de Oduvaldo Matta foram relançadas há cerca de 60 dias pela Editora Autografia: “Sob a luz de Antares” é o seu título – e Antares, no poema central, ao mesmo tempo estrela e mulher.

Luz do céu que se transforma em amor, assim ilumina a existência. O livro de Oduvaldo Matta foi editado por seu bisneto Daniel Matta Roque e também por seu filho Olímpio Santa Rita Matta. Bela viagem, digo eu, entre o amor e as estrelas. Vale a pena ler e, sobretudo, sentir a força dos versos.

Nelson Rodrigues nasceu em 1912 e morreu em 1980. Vinícius de Moraes nasceu em 1913 e morreu no mesmo ano da morte de Nelson Rodrigues. Oduvaldo Matta nasceu em 1903 e faleceu em1977. Aproveitando a imagem que partiu do pensamento de Guimarães Rosa, os três artistas permanecem encantados. A arte produz esse efeito. Eis dois exemplos: em Buenos Aires houve-se a voz de Gardel constantemente. Em Lisboa o mesmo fenômeno se dá com Amália Rodrigues. Na Itália hão de surgir outros exemplos. Como o de Frank Sinatra em Nova Iorque. A arte continua além de seus autores e intérpretes.

DIFERENÇAS – Mas há diferenças entre eles. Para Nelson Rodrigues, os casos de amor são base de conflitos. O mesmo pode se dizer de Shakespeare, bastando para isso expor as tragédias de Otelo e de Romeu e Julieta. Não se trata de rejeição ao amor, mas sim dos obstáculos e conflitos que têm origem nos encontros e desencontros do destino.

Para Vinícius de Moraes e Oduvaldo Matta, o sentimento declina para o lirismo, como comprovam as múltiplas músicas inspiradas em suas letras e musicadas por alguns gênios, como é o caso de Tom Jobim.

O amor para Vinícius, em sua frase clássica, diz tudo: que seja infinito enquanto dure. Uma beleza sua obra que toca a emoção como poucas. A obra de Oduvaldo Matta possui forte carga no lirismo que o inspirou, como o poema “Quando a Saudade Vier Me Visitar”, ou “No Espaço Vazio da Despedida”, passando pelo “O Mar, Apelo , Neve do Tempo”, sem se distanciar da ‘Estrela de Antares”. Mas Oduvaldo Motta não se limitou a poesia de rimas. Há poesia em seus ensaios como “Água dos Rios” e “Alvorada”.

No final de sua obra, agora relançada, existem ainda peças como “Balanço de Uma Vida”, “Espectador Sereno do Mundo”, “Retrato” e sua despedida “A Última Reflexão”.

São histórias de amor todas elas sublinhadas pela beleza da arte e pela emoção humana.

Temer com 94% e Aécio com 88% lideram os índices de desaprovação

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Instituto Ipsos publicada no Estado de São Paulo deste domingo, reportagem de Adriana Ferraz e Gilberto Amêndola, revela que o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves são os políticos com maior índice de desaprovação junto à opinião pública, bem distantes  dos demais colocados no levantamento. O Ipsos concluiu a pesquisa nos últimos dias e os números mostram, por outro lado, que a opinião pública está acompanhando de perto os episódios da Operação Lava Jato e os reflexos no Supremo Tribunal Federal. Caso contrário as percentagens de rejeição não seriam tão elevadas como são.

A desaprovação do ex-presidente Lula, por exemplo, ficou em 58%. A de Geraldo Alckmin atingiu 75%, superior à desaprovação de João Dória, que ficou em 58 pontos. Uma surpresa a desaprovação do Ministro Henrique Meirelles, na escala de 68%. Sua figura não é do agrado popular, uma vez que somente 3% aprovam suas ações. Jair Bolsonaro é reprovado na escala de 63% e aprovado pela fração de 19%. Por coincidência, o mesmo índice que alcançou na pesquisa do MDA publicada recentemente.

DORIA E LULA – João Dória é desaprovado por 63 e aprovado por 19%. Sua posição, na pesquisa, é melhor do que a do governador de São Paulo, cuja aprovação é de 13 pontos.

Lula é desaprovado por 58%, mas aprovado por 40%. Em relação a ele, a taxa de desconhecimento é de apenas 2 pontos. A pesquisa quanto à tendência de voto do MDA coloca-o a frente dos demais candidatos em potencial. Marina Silva tem sua atuação desaprovada por 60% e aprovada por 28, 12% desconhecem seu trabalho.

Para se ter uma ideia de como a corrupção sensibiliza a opinião pública, o ministro aposentado Joaquim Barbosa é aprovado por 41% e desaprovado por 38%. O juiz Sérgio Moro é aprovado por 48% e desaprovado por 45%. Como se vê, os números refletem em si o grau de interesse que a operação Lava Jato desperta na população.

CIRO GOMES – É claro que a pesquisa do IPSOS faz um levantamento geral das principais figuras públicas e entra nessa generalização o ex-ministro Ciro Gomes, desaprovado por 64% e ignorado pela fração de 24 pontos.

A pesquisa funciona para colocar em destaque  uma espécie de termômetro, a medir a vontade popular bem como, vale notar, o grau de simpatia e antipatia que os personagens despertam. As situações são diversas mas o Ipsos mediu o reflexo popular contido nas respostas que obteve.

Uma delas envolvendo o ministro Henrique Meirelles, cuja candidatura à Presidência em 2018 foi lançada por parte do PSD. Matéria de Pedro Venceslau, Valmor Hupsel Filho e Adriana Ferraz, também no Estado de São Paulo analisa o episódio. A bancada da legenda na Câmara foi responsável pela colocação do nome de Meirelles no panorama da sucessão de 2018. Setores da direção partidária consideraram precipitada a iniciativa da bancada.

NA TEVÊ – Confirmando a pré-candidatura, o ministro Henrique Meirelles será o personagem principal do programa do PSD na televisão que vai ao ar no mês de dezembro. Precipitação ou não, surgiu mais um candidato para as urnas de outubro de 2018.

Vamos ver como o governo Michel Temer reagirá ao fato. Difícil prever, porque Michel Temer, Moreira Franco e Eliseu Padilha tornaram-se alvo do STF, através da lente da Câmara dos Deputados.

E se a Câmara mandar o STF julgar separadamente os ministros Padilha e Moreira???

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Padilha e Moreira podem se tornar “bois de piranha”

Pedro do Coutto     

O Supremo Tribunal Federal precisa de autorização da Câmara dos Deputados para processar e julgar ministros de Estado, que se aplica também ao Presidente da República. Mas se abriu uma polêmica quanto a Eliseu Padilha e Moreira Franco, acusados pela Procuradoria-Geral da República junto com Temer, em denúncia já aceita pelo STF. A questão de separar Michel Temer desses dois ministros terá que ser resolvida pela Comissão de Constituição e Justiça, embora a Mesa Diretora, presidida por Rodrigo Maia, tenha encaminhado o processo conjuntamente.

Reportagem de Igor Gadelha e Daiane Cardoso, em O Estado de São Paulo deste sábado, focaliza o assunto e coloca em debate o tema objeto da controvérsia. Parte da base do governo está defendendo a separação dos processos: o presidente da República de um lado e os ministros de outro. Essa divisão enfraquece a posição de Moreira Franco e Eliseu Padilha, é claro.

FORO PRIVILEGIADO – O foro dos ministros é especial, mas começa e acaba na esfera da Corte Suprema. O deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), presidente da Comissão de Constituição e Justiça vai opinar sobre a matéria no momento em que escalar o relator. Rodrigo Pacheco, quando da primeira denúncia contra Michel Temer escalou o deputado Sérgio Zveiter para a tarefa. A divisão da base do governo no assunto pode expor os ministros Franco e Padilha ao julgamento direto que os envolvem nas denúncias de corrupção. A decisão que a CCJ tomar, seja qual for, vai produzir grande reflexo político.

Sob o prisma de Michel Temer, a separação o ajuda, ao contrário de a unificação porque será difícil, não só para a Comissão de Justiça, mas para o Plenário empenhar-se na tarefa impopular de blindar não só um personagem, mas três acusados de crimes comuns.

OUTRO ADVOGADO – De outro lado, o processo contra Michel Temer ganhou nova versão, esta decorrente de o advogado Mariz de Oliveira ter se considerado impedido eticamente de permanecer, uma vez que já advogou para Lúcio Funaro em 2016, exatamente quando este o procurou para articular a perspectiva de obter uma delação premiada.

Agora, nessa delação premiada, Lúcio Funaro tornou-se o principal delator do presidente Michel Temer. Uma contradição que envolve Antonio Mariz de Oliveira nas curvas de um sinuoso processo criminal. Entretanto, além disso, Mariz de Oliveira, em seu recurso ao Supremo para impedir liminarmente a iniciativa Do procurador Janot, aliás endossada por Raquel Dodge, acarretou uma derrota de 10 votos contra um no plenário da Corte.

O Presidente da República muda de advogado, mas não pode mudar o palco da questão.

Forças Armadas enfim mobilizadas para salvar da insegurança o Rio de Janeiro

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Forte presença dos militares pode inibir a violência

Pedro Coutto

A insegurança na Cidade do Rio de Janeiro atingiu uma escala altíssima nesta sexta-feira, especialmente na Rocinha, ao ponto de as Forças Armadas terem de ser mobilizadas para garantir segurança pública ameaçada por bandos criminosos ligados ao tráfico de drogas e de armas. A situação vem se tornando cada dia mais grave sem solução por parte do governo de Luiz Fernando Pezão. Após desencontros entre o governador e o ministro da Defesa, Raul Jugmann, o esquema militar foi ostensivamente implantado em torno da Rocinha após horas de angústia e medo ao longo do dia.

Mas a violência não se restringiu apenas a esse local da Zona Sul da cidade. Estendeu-se ao Morro Dona Marta em Botafogo, ao Chapéu Mangueira no Leme. Na véspera, um assalto na Lapa culminou com o assassinato da vítima. Este o panorama crítico de uma cidade em descontrole. Tanto assim que Exército teve que ser convocado para evitar que a onda de violência crescesse.

ALÉM DO LIMITE – Não há dúvida de que já foi ultrapassado o limite que separa a segurança da insegurança, a ordem da desordem, a vida humana e a iminência da morte. E tudo é resultado de omissões sucessivas e de problemas decorrentes da corrupção que nos últimos anos foi tomada por uma volúpia insaciável.

Esses fatos se acumularam no panorama e na consciência de uma cidade que sedia o festival Rock in Rio. Não poderia ser pior o momento para verdadeira explosão que ocorreu na Rocinha. Os estilhaços da incompetência e do roubo aos bens públicos cintilaram no final da tarde de ontem, ofuscando as luzes da festa internacional. Isso leva a pensar na vinculação dos fatos entre si e o resultado que produzem para todos. Quando a insegurança, avança a vida humana se retrai naturalmente num movimento de defesa.

MAUS GOVERNOS – Difícil é retomar o clima de um passado na vida do Rio separado pelo tempo e por desastres em sequência. Desastres que começam na ação de governantes e termina na angústia dos governados.

Enquanto o Rio enfrentava o confronto entre a ordem e a desordem, em Brasília (reportagem de O Estado de São Paulo de sexta-feira, assinada por Vera Rosa, Felipe Frazão, Tânia Monteiro e Carla Araujo) o presidente Michel Temer precipitava-se para tentar conter uma cisão na sua base parlamentar, consequência das fortes críticas do deputado Rodrigo Maia à ação principalmente dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco no sentido de esvaziar a legenda do DEM em sua representação na Câmara Federal.

No momento em que a segunda denúncia da Procuradoria Geral da República chega à praça dos Três Poderes, o presidente da República teme perder os votos  que podem livrá-lo do novo processo criminal no Supremo. E Temer não está sozinho como alvo da denúncia. Encontra-se ladeado pelos ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha. Os mesmos que se empenham por esvaziar o apoio ao presidente na Câmara dos Deputado.

Tentar o bloqueio da nova denúncia foi mais uma derrota para Temer no STF

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Mariz está levando uma pancada atrás da outra

Pedro do Coutto

O recurso do presidente Michel Temer, apresentado pelo advogado Mariz de Oliveira para bloquear de plano a nova denúncia criminal, ao contrário do que pretendia, ampliou sua derrota no Supremo Tribunal Federal. Este aspecto tem grande importância política, porque na primeira representação de Rodrigo Janot o processo foi encaminhado à Câmara Federal pelo despacho monocrático do Ministro Edson Fachin. Agora, esta semana, a nova representação foi homologada por grande maioria de votos. O recurso de Mariz de Oliveira, ao contrário do que previa, causou efeito absolutamente contrário. Com isso, agravou-se o quadro que envolve Michel Temer e inclui os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, acusados de terem recebido 13,3 milhões de reais da Odebrecht.

O assunto foi manchete de O Globo, Folha de São Paulo,O Estado de São Paulo e o Valor, edições desta quinta-feira. No Globo, reportagens de Carolina Brígido e Vinicius Sassine focalizam os dois ângulos mais críticos do processo em curso. Com uma agravante: a nova Procuradora Geral da República, Raquel Dodge entregou memorial a todos os ministros da Corte Suprema apoiando a iniciativa de seu antecessor, Rodrigo Janot. O Ministro Gilmar Mendes ficou solitário ao lado da tese de Mariz de Oliveira.

O resultado da votação iniciada na quarta-feira vai influir fortemente na dificuldade que o Presidente da República terá de negociar novamente com a Câmara dos Deputados a obstrução do processo penal contra si mesmo.

DIFICULDADE – Para acentuar esta dificuldade destacam-se dois fatos incluídos no debate. O primeiro, objeto de reportagem de Raphael Di Cunto e Marcelo Ribeiro, Valor, revela que a base aliada do governo na Câmara ameaça romper com o governo se Michel Temer aceitar o veto do Ministro Henrique Meirelles ao projeto que reescalona as dívidas tributárias de empresas rurais e urbanas. Trata-se da medida provisória 783 que se encontra em tramitação. Dificuldade à vista para o Governo.

O segundo aspecto que vale ser ressaltado é o fato de o Ministro Alexandre de Moraes, nomeado recentemente por Temer, ter votado contra o recurso do advogado Mariz de Oliveira, que se tornou também um grande derrotado no Plenário da Corte Suprema.

Portanto, Michel Temer encontrará pela frente obstáculos políticos mais consolidados do que aqueles que marcaram o desfecho da primeira denúncia.

IMPOPULARIDADE – Por falar em dificuldade, pesquisa da MDA encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes, objeto de reportagem de Bruno Peres e Lucas Marchesini, Valor de quarta-feira, aponta uma grande impopularidade de Michel Temer uma vez que 75% da população classifica seu desempenho como negativo, enquanto apenas 4% consideram positivo. Para 94% da opinião pública, o Brasil encontra-se em crise política.

Para as eleições de 2018, Lula lidera com 32% contra 19,4 pontos de Jair Bolsonaro. Um dado que vale a pena ser estudado está na disposição de 19% estarem dispostos a anular o voto ou votar em branco. A pesquisa que alterna Geraldo Alckmin e João Dória aponta 9,4% para o Prefeito e 8,7 para o governador de São Paulo. No panorama geral, Marina Silva surge com 12%.

Este é o quadro atual e seu reflexo na disposição de votar. Vamos aguardar as pesquisas do Ibope e do Datafolha.

Diante do silêncio de Pezão, traficantes propõem um pacto para segurança pública

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Mesmo preso, o traficante Nem manda na Rocinha

Pedro do Coutto

O governador Luiz Fernando Pezão, além de atrasar incrivelmente o pagamento mensal dos funcionários, à espera de ajuda federal, está se notabilizando pelo absoluto silêncio em relação as violentas explosões de insegurança nas ruas e nas estradas, pois se mantém inerte diante do “terror no asfalto”, retratado pela reportagem de Bruno Alfano, Daiana Rezende e Gabriel Oliveira, em O Globo desta quarta-feira – bandido assalta e mata aposentada em Niterói; tiroteio no Shopping Rio Sul, neste caso com a morte do criminoso; bando armado de fuzis invade Hospital do Fundão e médicos foram tornados reféns.

Diante do quadro caótico de insegurança em que se encontra-se a população da cidade do Rio, o prefeito Marcelo Crivella deve estar preocupado e sentindo os efeitos da onda de descontrole urbano. O Rio, como dissemos ontem aqui na Tribuna, tornou-se uma cidade aberta ao crime e a violência. O panorama conduz à perplexidade.

DIÁRIO DA VIOLÊNCIA – A tal ponto chegou o vandalismo que O Globo lançou em suas páginas o que classificou de “diário da violência”, um espaço que destaca frontalmente o desmonte da política de segurança do estado.

Nesse panorama, advogados criminalistas chegaram a se reunir – segundo reportagem de Vera Araujo, O Globo de terça-feira – para propor uma estranha solução destinada a restabelecer a segurança pública. Seria um pacto a ser celebrado pelo poder público com chefes criminosos que se encontram presos.

Como a Prefeitura do Rio insere-se entre os poderes públicos, deixo a sugestão de opinar sobre a matéria para a vereadora Tereza Bergher, que há poucas semanas deixou a Secretaria Municipal de Assistência Social para votar contra o aumento do IPTU. Uma vereadora atuante como ela tem a oportunidade de trazer uma contribuição municipal para defesa da liberdade pública nas ruas, nas praças e nos parques do Rio.

ADVOGADO DE NEM – O pacto sombrio entre os bandidos e o governo estadual está sendo coordenado pelo advogado Jaime Fusco, que defende o traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, conhecido como Nem e que, segundo o noticiário, mantém sua influência na área da Rocinha, apesar de sua reclusão na penitenciária de Rondônia.

A proposta espantosa significa o enfraquecimento ainda maior do governo estadual. Vejam bem. Os criminosos separados da vida da cidade pelas portas da prisão continuam em condições de influir decisivamente para conter os assaltos e assassinatos em série que têm lugar nas vias urbanas da cidade.

O tema insólito foi pauta de uma entrevista de Jaime Fusco com o jornalista Ricardo Boechat, no programa da Band News. A rádio Band News está alcançando índices muito altos de audiência, principalmente nos táxis que cortam a cidade. Jaime Fusco afirma que a proposta é urgente e necessária para desarmar a bomba relógio em que se transformou o panorama carioca e fluminense.

O QUE DIZ PEZÃO? – Vamos ver se o governador Luiz Fernando Pezão sai da esfera do silêncio e se pronuncia a respeito. Só o fato de tal proposta ter sido colocada à mesa da decisão já revela uma dupla falência: a da segurança pública e a do sistema penitenciário estadual e federal.

Um outro assunto: O repórter Bruno Dutra, em O Globo de ontem, informa que o INSS pagou aposentadorias a 1.256 pessoas mortas durante 12 anos. Este fato deve ser do conhecimento do Ministro Henrique Meirelles e talvez faça com que ele tome providência concreta para conter o prejuízo das falsificações, ao invés de pressionar o Congresso para implantar uma reforma previdenciária que dificulta as aposentadorias legais.

Na verdade o déficit do INSS encontra explicação na ilegalidade. A sonegação por parte de empresas e a não fiscalização é que tornam o INSS alvo de roubos em sequência.

Procuradora Raquel Dodge não pode recuar e nem frear a Lava Jato no Supremo

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Raquel Dodge citou a palavra “corrupção” sete vezes

Pedro do Coutto

O título acima é a síntese da realidade que envolve a nova procuradora-geral da República. Ela não pode recuar na PGR, muito menos conter o desfecho da Operação Lava Jato, que já se encontra na pauta do Supremo Tribunal Federal. Hoje, quarta-feira, inclusive o Plenário do STF vai apreciar o recurso de Mariz de Oliveira, advogado de Michel Temer, que tenta bloquear a tramitação da segunda denúncia criminal contra o presidente da República. Decisão importante a que for concretizada hoje, a menos que algum ministro peça vista da matéria. Afastada tal hipótese, que seria uma possível iniciativa de Gilmar Mendes, o julgamento se revestirá de importância muito grande no quadro político do país.

Mas voltando a Raquel Dodge, com base em seu discurso de posse (texto integral na reportagem de Beatriz Bulla, Rafael Moraes Moura e Carla Araujo, em O Estado de São Paulo de terça-feira) não parece ser seu propósito estacionar a Operação Lava Jato na PGR, muito menos frear seu ritmo na Corte Suprema. Aliás, na verdade ela não poderia fazer nem uma coisa nem outra.

FATOS CONSUMADOS – A denúncia contra Michel Temer já foi enviada ao Supremo. O processo, assim, não depende mais da alçada da Procuradoria Geral. Raquel Dodge pode, isso sim, não se pronunciar sobre a matéria quando ela se encontrar na votação decisiva. Mas o silêncio é uma coisa. A ação concreta é outra. Não se confundem.

Nem a Procuradora Geral se confundiu ao discursar na presença de Michel Temer. Em seu discurso, encontra-se uma frase marcante: “O povo cobra e não tolera a corrupção”. E acrescentou que “no Ministério Público temos o dever de cobrar dos que gerenciam o gasto público que o façam em modo honesto, eficiente e probo, a ponto de restabelecer a confiança das pessoas nas Instituições de governança”.

Ao citar o verbo restabelecer, Raquel Dodge tacitamente reconhece que o modo honesto não se encontra nas atividades públicas. Caso contrário ela não diria “restabelecer”, logicamente, e sim manter o modo honesto.

DEPURAÇÃO – Em outro trecho a Procuradora Geral destacou que “o país passa por um momento de depuração.Os órgãos do sistema de administração da Justiça têm no respeito e harmonia entre as instituições a pedra angular que equilibra a relação necessária para se fazer justiça em cada caso concreto.”

Raquel Dodge fez questão de cumprimentar Rodrigo Janot por seu serviço a Nação. “A nenhum de meus antecessores faltou a certeza de que o Brasil seguirá em frente, pois esta é a esperança do povo”. A palavra corrupção foi citada sete vezes, acentuando, portanto, dimensionamento da batalha que Raquel Dodge espera que se trave contra esse crime. O Ministério Público, fiscal da Constituição e das leis deve zelar pela dignidade de cada pessoa, uma vez que a dignidade humana é essencial para a existência das nações.

FATOS POLÍTICOS – A semana na qual estamos começou plena de fatos políticos. Além dos que se referem à Lava Jato, devemos acrescentar a iniciativa do Ministro Raul Jungmann, relativa ao pronunciamento do general Antonio Hamilton Martins Mourão. Uma matéria da repórter Tânia Monteiro, de O Estado de São Paulo, revela que o ministro da Defesa contatou o general Eduardo Villas Bôas para pedir explicações sobre o pronunciamento do general Martins Mourão.

Como se sabe, o general Mourão afirmou: “Ou as instituições solucionam o problema político ou então nós teremos que impor isso”.

A questão em foco possui semelhanças com o caso do coronel Jurandir Mamede, que levou ao movimento político militar de 11 de novembro de 1955. Mas este já é outro assunto.

Rio, cidade aberta ao crime e agora até à guerra de bandos rivais

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A PM chegou depois que o combate havia terminado

Pedro do Coutto

O título, claro, está inspirado no clássico do neorealismo italiano “Roma, Cidade Aberta”, de Roberto Rosselini, que incluiu cenas dos últimos combates entre as forças aliadas e as nazifascistas derrotadas. O Rio de Janeiro transformou-se numa cidade aberta aos criminosos, levando ao confronto não só com forças policiais mas também entre bandos, como focalizou a excelente reportagem de Ana Clara Veloso, Carina Bacelar, Rafael Soares e Ana Beatriz Marin, em O Globo desta segunda feira. Era a guerra da Rocinha, que se estendeu por cinco horas sem que as forças estaduais de segurança aparecessem para combater a insegurança da  população, que teve que evitar o trânsito em frente à favela conflagrada. Com isso, o crime ganhou mais um episódio.

A reportagem assinala que bandos a serviço de traficantes, procedentes de outros pontos da cidade, invadiram a Rocinha desfechando milhares de balas que terminaram causando uma morte e vários feridos. Vejam só a que ponto chegou a guerra no Rio e a falência do governo Luiz Fernando Pezão. Onde estava o Secretário de Segurança? Onde estava o ministro Raul Jungman titular da Defesa, mas que foi incapaz de ordenar, como era de seu dever, a defesa da cidade.

MERCADO DAS DROGAS – O território da Rocinha, pela sua dimensão, é alvo de traficantes de outras localidades, em busca de cada vez mais espaço para colocação de seus produtos no mercado intoxicante das drogas, que apresenta infelizmente alto consumo, não só no Rio e São Paulo, mas em grande número de cidades brasileiras. Vale acentuar que tal consumo, como os fatos assinalam. alastra-se por uma série de países. O problema é universal.

Mas isso não quer dizer que o poder público não deva cumprir a obrigação que a lei estabelece. O governo Pezão, que chega ao ponto de atrasar os vencimentos do funcionalismo estadual, não tem justificativa para se ausentar por completo da batalha de domingo, que é sem dúvida mais uma da série de confrontos e conflitos que deixam a população em pânico.

ROCK IN RIO – O domingo foi teatro da catástrofe que decretou a falência do Palácio Guanabara e, pior, quando se realizava o Rock’n Rio na Barra da Tijuca. Péssima propaganda para o turismo carioca e brasileiro. Péssima mensagem que os artistas internacionais que se apresentam na cidade de Roberto Medina  vão levar para seus países.

Aliás, já levaram porque cenas do festival de Rock já foram reproduzidas nas televisões no mundo de modo geral, inevitavelmente adicionadas a guerra urbana deste domingo.

Essa verdadeira guerra urbana se desencadeia todos os dias no Rio de Janeiro, tornando-se exceção o dia em que o noticiário policial não destaca um confronto armado em morros e comunidades cariocas. O crime ganha espaço. O governo encontra-se acuado, inoperante e impotente.

ERA DO PÂNICO – Mais acuada ainda encontra-se a população que paga impostos e também paga com sua vida e com sua integridade os assaltos que se multiplicam no Rio.

A soma desses fatores extremamente críticos influem no comportamento coletivo. Os cariocas vivem uma era de pânico.

Pânico nas ruas, como no filme de Elia Kasan, pânico nas residências. Perplexidade em todos os setores. Uma outra escala do neorealismo sufoca a cidade.

Prazo para Joaquim Barbosa e João Dória se filiarem termina no dia 7 de outubro

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Doria só tem três semanas para trocar de partido

Pedro do Coutto

Enquanto o Congresso Nacional não vota a reforma política, o prazo para as inscrições partidárias que habilitem as candidaturas às urnas de 2018 termina exatamente no próximo dia 7 de outubro. Isso porque a legislação eleitoral em vigor estabelece o mínimo de 12 meses de filiação partidária para os que decidirem concorrer às eleições. Reportagem de Cristiane Jungblut e Carolina Brígido, em O Globo deste domingo, destaca muito bem a existência de impasses envolvendo o projeto apresentado como voltado para a reforma política.

Um impasse marcante é o que se refere às coligações nos pleitos proporcionais, como é o caso da Câmara Federal, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores. Para o ministro Luis Roberto Barroso, as coligações nas disputas proporcionais violam um dos princípios básicos da Constituição Federal. Por isso, as repórteres colocam em destaque a perspectiva de a reforma política terminar sendo fixada pelo Supremo Tribunal Federal.

PRAZO DE FILIAÇÃO – Mas o prazo de filiação partidária exigido não se encontra em discussão, é matéria pacífica. Assim, por exemplo, se o ministro aposentado Joaquim Barbosa desejar concorrer ao próximo pleito, terá que ingressar numa legenda partidária até 7 de outubro. Isso de um lado. De outro, se o Prefeito João Dória desejar ser candidato à Presidência da República, terá que fazer o mesmo.

Relativamente a João Dória, ele pode não trocar de legenda, permanecendo no PSDB. Porém, neste caso corre o risco de não ser escolhido candidato pelos tucanos e assim, após 7 de outubro perde a perspectiva de 2018, adiando-a para 2022. O prefeito João Dória, entretanto, pode concorrer no ano que vem ao governo de São Paulo pelo PSDB, ou tentar sua reeleição em 2020. Mas esta é outra questão.

O problema essencial está basicamente voltado para 7 de outubro, não só para Joaquim Barbosa ou João Dória, mas para todos os que se julgarem em condições de concorrer ao pleito. Novos candidatos que surgirem terão pela frente esse mesmo prazo. O limite serve também para os que possuem mandato e desejarem trocar de legendas.

UMA RESSALVA – O prazo de 7 de outubro, portanto, é fundamental. Não existe hipótese de vir a ser reduzido, até a Atal legislação é inflexível. Há apenas uma ressalva: a que se refere aos magistrados, que poderão se inscrever partidariamente até 6 meses antes das eleições. Mas para isso terão que se aposentar ou se afastar dos quadros judiciais. Seria o caso aplicado ao Juiz Sérgio Moro, que, se fosse candidato a deputado, teria sua eleição assegurada por grande quantidade de votos. Mas não parece ser esta a sua vontade.

Joaquim Barbosa, se concorrer a Câmara Federal, recebera uma votação consagradora das urnas. Afinal de contas, a prisão/condenação de ladrões de casaca começou com ele. Sua presença nas eleições fortaleceria qualquer legenda que homologasse sua candidatura.  Esse rumo será totalmente decidido daqui a três semanas.

CONTAS NO VERMELHO – Por falar em rumo, não é nada favorável o rumo verdadeiro das contas orçamentárias do governo federal. Reportagem de Flávia Lima, na Folha de São Paulo de domingo, destaca pesquisa do Instituto Fiscal Independente, órgão do Senado Federal, apontando que as renúncias fiscais concedidas pelos governos Dilma Rousseff e Michel Temer alcançam 284,8 bilhões de reais em 2017. Esse montante corresponde a 4,3% do Produto Interno Bruto. O mais grave é que apenas a fração de 16% dos incentivos têm prazo para acabar este ano. Os 84% restantes possuem prazo mais longo, o que bloqueia sua suspensão.

A perspectiva para 2018, portanto, permanece no patamar de 284 bilhões relativo às desonerações. Detalhe: não há desonerações para pessoas físicas. Aliás, desoneração é sempre restrita às empresas, entre elas os bancos.

Torquato teve de manter Daiello, que acusou Temer de ser o chefe da corrupção

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Daiello deu impressionante demonstração de força

Pedro do Coutto

Enquanto Rodrigo Janot se despedia da Procuradoria Geral da República, o ministro Torquato Jardim anunciava que Leandro Daiello estava mantido no cargo de Diretor Geral da Polícia Federal, por coincidência na semana em que Daielo acusou o presidente Michel Temer de ser o chefe do bando da corrupção. Os repórteres Fábio Serapião e Vera Roda,  em O Estado de São Paulo de sábado, destacaram a iniciativa do titular da Justiça de assegurar a continuidade de Daiello. “Não me pareceu adequado que o diretor Geral da PF se afastasse agora” – ressaltou Torquato Jardim.

O Ministro da Justiça, se desejasse, poderia não dizer nada e assim manter Daielo no cargo. Mas no momento em que, com base no trabalho investigativo da PF, Rodrigo Janot encaminha a segunda denúncia de corrupção contra o presidente da República, seja qual for a interpretação do ato, ele inevitavelmente surpreende e se revela como mais um fator contrário ao governo.

UMA QUADRILHA – As acusações preparadas pela Polícia Federal não se restringem ao Presidente da República, na verdade estendem-se aos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, além de incluírem Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures, o advogado José Yunes e outros personagens próximos a Michel Temer e que, de acordo com a Revista Veja que está nas bancas, formariam a Rede organizada da quadrilha.

A semana que se inicia terá grande reflexo político no destino do Palácio do Planalto. Quarta-feira o Supremo Tribunal Federal incluiu em sua pauta o julgamento de duas questões de alta importância: a primeira refere-se à petição do advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz, voltada para impedir que possa tramitar a denúncia de Rodrigo Janot contra o presidente da República. O advogado Mariz de Oliveira não recorre contra o conteúdo da matéria e sim para impedir liminarmente sua apresentação. E o segundo julgamento é relativo à validade das provas decorrentes das delações de Joesley e Ricardo Saud, independentemente da manutenção ou não da impunidade dos executivos da JBS.

TEMAS POLÊMICOS – São matérias de alta sensibilidade, na medida em que reduzem o poder do procurador-geral da República e separam as delações dos delatores. Os delatores podem perder as vantagens obtidas por suas delações, porém as delações podem permanecer como provas materialmente válidas para o curso das ações criminais contra os corruptos e os corruptores.

O que o STF decidir marcará passo importante para o desdobramento da crise política que se apresenta cada vez mais intensa aos olhos e à consciência da população brasileira. Vale lembrar que, em matéria de delação, já ocupa espaço considerável a apresentada pelo ex-ministro Antonio Palocci contra o ex-presidente Lula. Este capítulo é mais um da série de crimes de corrupção que inundaram o país principalmente a partir de 2003, quando Luiz Inácio da Silva assumiu o Planalto em seu primeiro mandato.

RAPINA OFICIAL – A partir de Lula, foi instituído um profundo sistema de assalto ao patrimônio da União, causando imensos prejuízos ao povo brasileiro, que pagou muito caro pelos rumos adotados para roubar o dinheiro público. Porque as vultosas comissões pagas como suborno não saíram dos bolsos dos empresários. Pelo contrário. Estes elevaram os preços de seus contratos em valores várias vezes maiores que as comissões pagas.

O prejuízo, como sempre, foi do povo. O maior destes prejuízos encontra-se indiretamente no desemprego que atinge mais de treze milhões de brasileiros. Quanto custa o desemprego? Custa mais do que todas as propinas somadas.

Janot e Fachin bloqueiam qualquer possibilidade de recuo de Rachel Dodge

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Janot e Fachin trabalharam juntos contra a corrupção

Pedro do Coutto

Com a apresentação de nova denúncia contra o presidente Michel Temer e com o despacho inicial do ministro Edson Fachin, o encadeamento do processo tornou impossível a hipótese de qualquer recuo por parte da nova Procuradora Geral da República, Rachel Dodge. Esta é a face política do episódio que ocorreu ao anoitecer de quinta-feira. Reportagem excelente de Vinicius Sassine e Renata Mariz, em O Globo desta sexta-feira, revela claramente os rumos que vão marcar as próximas decisões a respeito de Michel Temer e de seu esquema no Planalto, incluindo os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Esse esquema apresentava a participação, entre outros de Geddel Vieira Lima, Rocha Loures e, não devemos esquecer, o ex-deputado Eduardo Cunha, personagem de grande realce na corrupção que causou um maremoto no país.

RECURSO DE TEMER – Por que se tornou impossível a hipótese de qualquer recuo? Porque no seu despacho no STF o ministro Edson Fachin condicionou o encaminhamento da denúncia à Câmara dos Deputados ao desfecho do julgamento preliminar sobre a matéria, provavelmente na próxima quarta-feira, quando o Plenário do Supremo decidir sobre o recurso submetido à Corte pelo advogado Mariz de Oliveira.

O recurso de Mariz de Oliveira volta-se no sentido de que o Supremo impeça simplesmente o encaminhamento da denúncia. E assim sequer discuta o conteúdo da matéria. Se Edson Fachin condicionou seu voto ao julgamento da preliminar é porque pessoalmente é a favor da aceitação do processo. Pois se fosse contrário, negaria monocraticamente seu curso. Dessa forma, pode-se presumir que seu parecer será favorável à última representação de Rodrigo Janot.

SEM VOLTA – Não estou dizendo que Rachel Dodge vá recuar, Mas apenas que, diante de hipótese tão remota, vale analisar politicamente seus primeiros passos na Procuradoria Geral da República. Isso de um lado. De outro, a chefe da PGR não encontraria estrada para voltar no tempo e transformar a semana que vai começar na rota do passado. Passado recente, mas que deixou marcas na história do Brasil.

Deixou marca na história do Brasil porque, como disse o ministro Marco Aurélio Mello, constitui fato inédito na vida do Supremo a apreciação de um embargo antecipado de uma matéria judicial. A iniciativa de Mariz de Oliveira não está voltada para apreciação do conteúdo oferecido por Rodrigo Janot. Nada disso. Está voltada para impedir que o processo seja julgado pelo STF. Assim agindo, Mariz de Oliveira deseja de fato , em nome de Michel Temer, anular na véspera do tempo uma ação que de direito cabe ao Procurador Geral.

O Procurador Geral pode até ter sua iniciativa rejeitada, mas o que o advogado do Presidente da República propõe é que, para usar a linguagem do futebol, possa ele ser segurado pela camisa. Caso, portanto, de cartão vermelho.

NO VERMELHO – Por falar em cartão vermelho, o Governo Federal encontra-se no vermelho em matéria de contas públicas. O Orçamento para 2018 coloca no horizonte um déficit de 159 bilhões. Entretanto, reportagem de Lorena Rodrigues e Eduardo Rodrigues, em O Estado de São Paulo também de sexta-feira, o próprio governo abre mão de nada menos que 283 bilhões de reais concedidos a incentivos fiscais orçamentários. O vermelho nas contas públicas adiciona-se assim ao cartão vermelho levantado previamente por Fachin e Marco Aurélio à atuação de Michel Temer. Na verdade, o presidente da República só existe dentro do Palácio do Planalto. Seu poder não chega sequer à Polícia Federal. A próxima quarta-feira será decisiva para seu destino.

Destino também de Eliseu Padilha, Moreira Franco, Gedel Vieira Lima e Rocha Loures.

Ação da PF contra Blairo é uma bomba que estilhaça o governo Michel Temer

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Operação na casa de Maggi teve cobertura na TV

Pedro do Coutto

Escrevo este artigo na manhã desta quinta-feira logo após as emissoras de televisão divulgarem a ação da Polícia Federal contra o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Faço essa anotação para que o artigo ingresse na edição de hoje e permaneça na edição de amanhã, sexta-feira. O tema é altamente importante, na medida em que a explosão estilhaça os vidros do Palácio do Planalto, joga o poder pelos ares e deixa o governo entre escombros. Some-se a isso a decisão do Supremo não aceitando a suspeição contra Rodrigo Janot, o que deixou o Procurador Geral em condições de propor a nova investida penal contra o Presidente da República.

Não importa que esta iniciativa seja também barrada pela Câmara Federal. Os estragos arrasaram o atual sistema de poder. Afinal de contas, Blairo Maggi, além de senador é ministro da Agricultura. O terceiro a ser alvo de denúncias e ações diretas da PGR e da Polícia Federal. É o terceiro homem. Os dois outros são Gedel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves. Num quarto episódio a opinião pública pode situar Romero Jucá, líder do governo no Senado, que não conseguiu assumir o ministério do Planejamento no atual governo.

DESGOVERNO – Pode-se até assinalar que, diante de tais incidências a administração da Esplanada de Brasília tornou-se um desgoverno. Ao ponto de a defesa de Michel Temer, a cargo do advogado Mariz de Oliveira, ter recorrido ao STF no intuito de bloquear a apresentação da nova denúncia colocada em pauta pelo Procurador Geral da República.

O Ministro Marco Aurélio de Mello fez, na sessão de quarta-feira, a observação crítica essencial: pela primeira vez ele se deparou com a proposta de bloquear um ato do Procurador Geral da República antes mesmo de ser apresentadO. O advogado de Michel Temer assumiu assim a prática de um fato inédito. Alguém recorrer à Justiça na véspera de uma questão antes mesmo dela ser substantivada.

TEMOR DE TEMER – Nessa etapa Mariz de Oliveira traduziu para todo o país o temor de seu próprio constituinte e cliente. A Globonews transmitiu a sessão.

Não é relevante – reportagem de Camila Matoso e Bela Megale, Folha de Saõ Paulo – o fato de terem sido descobertas mensagens no celular de Marcelo Miller que comprovam entendimento prévio com a JBS para o encaminhamento da delação premiada. Ele falou pelo telefone com Wesley Batista, irmão de Joesley. Mas esse comprometimento não retira a materialidade contida na delação levantada por Rodrigo Janot e confirmada pelo Ministro Edson Fachin.

O governo Michel Temer desmoronou.

Acrescento dois fatos que não têm ligação com o processo de Kafka que envolve o governo. Mas são atos do governo. No Diário Oficial de 12 de setembro está publicado o Decreto que inclui a Loteria Instantânea na lista das privatizações. A privatização será promovida pelo BNDES.

E no Diário Oficial de 13 de setembro está publicado um outro Decreto este reestruturando os cargos em Comissão e as Funções de confiança da Casa Civil. São nessas reestruturações que se explicam os aumentos da despesa pública. É só prestar atenção aos decretos presidenciais.

Os aposentados e pensionistas não são a causa da elevação dos gastos. Aliás, gasto é como se encontra o desgoverno do Brasil. E, em meio à tempestade, o PSD prepara-se para lançar a candidatura de Henrique Meirelles à sucessão de 2018.

Fato inédito na História: a Polícia Federal demoliu o governo Michel Temer

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Charge do Laerte (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Manchete principal nas edições desta terça-feira de O Estado de São Paulo e de O Globo, a Polícia Federal acusou frontalmente Michel Temer, Gedel Vieira Lima e Eduardo Cunha, além dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco de corrupção organizada e irrigada por um lance de propina no montante de 31 milhões de reais. No Estado de São Paulo a reportagem é de Beatriz Gulla, Fábio Serapião e Andreza Mataes, no Globo matéria de página inteira saiu sem assinatura. Mas assinada por Bruno Pires no Estadão, que destacou a versão de Joesley Batista a respeito de como subornava políticos do país.

A Polícia Federal disparou a reação provavelmente contra a iniciativa do ministro Torquato Jardim de substituir Leandro Daielo da direção geral da PF. Mas este aspecto, quanto à motivação, importa pouco. O essencial é que jamais na História do Brasil, até esta terça-feira, a Polícia Federal havia formulado denúncia tão frontal contra um presidente da República, em particular, e contra um governo de modo geral.

UM VENDAVAL – Causou assim um impacto da força de um vendaval que demoliu o esquema de poder, como comprova a falta de reação do Planalto a uma entidade de segundo escalão na hierarquia ministerial. O governo explodiu e a demolição tornou-se o cenário do poder. O Globo e O Estado de São Paulo que ontem circularam vão se tornar peças importantes de um triste período da vida brasileira. A Esplanada do Ministérios em Brasília foi varrida do mapa da moralidade pública.

A tal ponto que o único reflexo assinalado por Brasília foi o da indicação do deputado Carlos Marun para relator da CPMI para desinvestigar Joesley Batista e a atuação da JBS no panorama governamental. A reação descambou para o ridículo, na medida em que atribuiu a Marun uma reação impossível. Pois o deputado é o relator mas não é o único tradutor dos caminhos que a Comissão Parlamentar Mista, de Senado e Câmara, vai percorrer. A CPMI inevitavelmente terá que convocar Joesley Batista e Rodrigo Janot, sob pena de tornar-se uma tentativa frustrada, logo na decolagem para o reino da fantasia.

MANOBRA INÚTIL – A representação parlamentar do governo pode incluir a maioria de senadores e deputados, mas nunca a totalidade de seus integrantes. Assim o projeto de desviar as atenções da opinião pública e a busca de diluir as denúncias não surtirão efeito favorável ao sistema de poder. Pelo contrário. As sessões do reino fantástico vão esbarrar na cortina do irrealismo implantado pela verdade dos fatos e pela consciência da população brasileira.

A manobra saiu pela culatra. O Planalto esqueceu os jornais e as emissoras de televisão que vão acompanhar o desenrolar das cenas que ficarão gravadas na memória. A exemplo das gravações de Joesley Batista e Ricardo Saud, da filmagem de Rocha Loures, da gravação do encontro noturno do controlador da JBS com o presidente da República na residência oficial de Michel Temer, no Palácio Jaburu.

A soma dos fatores conduz a um resultado péssimo para o governo, que, nesta altura dramática do desabamento, está sendo  exposto com luzes fortes ao julgamento popular. Do julgamento popular surgirão reflexos que vão emoldurar o episódio desencadeado pela Polícia Federal no mapa da História do Brasil para sempre.

Fernanda Montenegro conduz Nelson Rodrigues à eternidade de sua própria obra

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Fernanda dá um show interpretando o amigo Nelson

Pedro do Coutto

No domingo que passou, o programa Fantástico deu sequência à viagem que Fernanda Montenegro realiza com Nelson Rodrigues para a eternidade da obra do maior teatrólogo brasileiro, ao mesmo tempo memorialista, cronista apaixonado por futebol. Além disso, romancista. A série preparada por Fernanda Montenegro, domingo passado, estacionou a viagem no cronista esportivo. Apaixonado pela Seleção brasileira e pelo Fluminense, tem com parte de sua bagagem literária a coluna no O Globo “À Sombra das Chuteiras Imortais”.

A atriz abordou frases suas e, sobretudo, a descoberta do que ele chamava complexo de vira-lata, que pesava na alma de parte substancial da população. O Campeonato do Mundo conquistado em 1958 foi uma resposta à frustração de 1950, quando, segundo o próprio Nelson Rodrigues, fomos derrotados por um homem só: Obdulio Varela. A conquista histórica de oito anos depois na Suécia começou a mudar o complexo que o escritor identificava. Vibrou como poucos no bicampeonato de 62 e guardou tristezas para a derrota de 66.

BELA PREVISÃO – Em 70, apaixonadamente escreveu no início da Copa que o Brasil seria novamente campeão do mundo. O jornalismo esportivo se dividiu entre a euforia de Nelson e a isenção de Armando Nogueira, este na coluna diária do Jornal do Brasil. O impacto da certeza de Nelson e da dúvida de Armando deu margem ao surgimento de personagens de ficção como o “Sobrenatural de Almeida”, o “Gravatinha” e o “Palhares”. Sobrenatural de Almeida era a imagem da derrota e do derrotismo. Uma variante do complexo de vira-lata.

O destino levou a confirmação do que previa Nelson Rodrigues: na final do México, derrotamos a Itália. O êxito foi mais uma consagração passageira do cronista, já consagrado plenamente por suas múltiplas criações. Dentro e fora da realidade.

Hoje, olhando-se o passado com a lente da memória, concluímos que a diferença essencial entre Nelson Rodrigues e Armando Nogueira estava na arte do primeiro e no estilo do segundo. O artista não tem limites para si próprio. Ele flutua, voa na imaginação e usa a realidade para construir tanto a fantasia quanto o que considera no fundo da alma a sua própria realidade.

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Nelson e Fernanda, amigos desde sempre

A ARTE É UM DOM – A busca da ruptura, da criação, do encontro entre o fascínio criativo e a imaginação projetada no papel e agora nas telas da televisão e da internet, são características da arte que, como disse Noel Rosa, não se aprende no colégio. É um dom, um impulso com o uso das palavras e das imagens, e isso diferencia os artistas e as demais pessoas, que mesmo inteligentes não conseguem escapar dos limites em torno de si.

Para falar de limites desejo sugerir a Fernanda Montenegro que dedique um capítulo de sua série à peça “Vestido de noiva”, que está para o teatro brasileiro assim como o “Cidadão Kane”, de Orson Welles, está para o cinema internacional.

Deve ser esta talvez a última escala da viagem de Nelson Rodrigues, conduzida por Fernanda, em busca da eternidade do escritor e da eternidade de sua própria obra.

Meirelles prevê 3% de crescimento do PIB, sem a menor base na realidade

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Pensava em escrever hoje sobre “Poesia”, de Vinícius de Moraes, obra lançada pela Companhia das Letras, e sobre a poesia de Oduvaldo Matta, “Sob a Luz de Antares”, editora Autografia, mas a reportagem de Marli Prado e Mariana Carneiro, Folha de São Paulo de domingo, passou a ter preferência no momento em que o ministro Henrique Meirelles anuncia crescimento do Produto Interno Bruto na escala de 3% no ano de 2018. Como? Se os investimentos públicos caíram , incluindo despesas com obras públicas, como o PIB pode crescer este ano e no próximo? Este ano a previsão é de 0,2%. E a expectativa de Henrique Meirelles para o ano que vem dispara na escala de 3%.

Eis uma questão que necessita ser explicada pelo Ministro da Fazenda, uma vez que está se transformando numa espécie de Mágico de Oz, filme famoso da década de 40. Na matemática, as afirmações necessitam de base concreta. E não projeções otimistas que começam e terminam na tela do computador ou na folha de papel que não rejeita atitudes otimistas.

E O PAC? – Meirelles não enfoca as reduções feitas no Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, para o qual estavam previstas prioridades que evaporaram dos planos do governo.

A reportagem de Marli Prado e Mariana Carneiro, Folha de São Paulo de domingo, é acompanhada pela matéria de Alexia Salomão, no mesmo jornal, destacando a estimativa feita pelo Credit Suisse a respeito da economia brasileira. O Banco internacional destaca que a economia brasileira está sendo puxada para baixo na medida em que as contas públicas se encontram no vermelho.

Se as contas públicas, como na proposta orçamentária para 2018 acusam de início um déficit de 159 milhões de reais, tal constatação observada pelo Credit Suisse colide frontalmente com as palavras otimistas em excesso de Henrique Meirelles.

SEM EXPLICAÇÃO – Mágico da economia futura, o titular da Fazenda necessita explicar quais os caminhos que percorreu, ou que pretende percorrer, para prever o crescimento da ordem de 3% em 2018. A política não está nada favorável ao governo Michel Temer. Ao contrário, as prisões de Geddel Vieira Lima, Joesley Batista e Ricardo Saud tornam-se fatores adversos para o Palácio do Planalto.

O presidente Michel Temer, no fundo da questão, gostaria que não tivessem acontecido a Lava Jato, com também desejaria que o Tesouro de Geddel permanecesse oculto, uma vez que não pode haver uma explicação legítima para tal acumulação de dinheiro num apartamento de Salvador próximo à sua residência.

GedDel Vieira Lima, afinal de contas, foi nomeado ministro pelo presidente Michel Temer. Se o presidente não sabia das atividades de Geddel, é algo que depõe contra a percepção presidencial. Se ele sabia, pior ainda. As duas versões são péssimas.

DINHEIRO VIVO – As fotos das malas de dinheiro foram colocadas pelos jornais e revistas à vista de todos os brasileiros.  As imagens conduzem a uma sensação de perplexidade. Quais foram as práticas usadas por Geddel e acolhidas  pelo poder que levaram a uma acumulação de 51 milhões de reais num apartamento?

São fatos que se adicionam a um processo extremamente crítico que envolve os governos de Lula, Dilma, do próprio Temer. No caso de Michel Temer, antes de Geddel, ele já fora obrigado a anular a nomeação de Romero Jucá para o Planejamento e a de Henrique Eduardo Alves para o Turismo.

Os episódios críticos crescem a todo momento, como cresceu o tesouro de Geddel. O que o Planalto pode dizer sobre isso? E o que o ministro Henrique Meirelles pode esclarecer a respeito de sua previsão sobre o Produto Interno Bruto?

Tesouro de Gedel e prisão de Joesley consolidam a atuação de Rodrigo Janot

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Charge do Aroeira (portal O Dia/RJ)

Pedro do Coutto

O tesouro de Gedel Vieira Lima, ex-ministro dos governos Lula e Temer e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal ao longo do mandato de Dilma Rousseff, encontrado num apartamento em Salvador no montante de 51 milhões de reais, não pode ter sido remetido num dia só e sim através de meses seguidos, que resultaram no acúmulo revelado pela Polícia Federal e reproduzido em todos os jornais do país. Quanto à prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud, proposta pelo Procurador Geral da República ao Supremo Tribunal, é praticamente certo que será concretizada, como segunda etapa do processo detonado pela JBS.

Com isso, Rodrigo Janot se consolida sob o aspecto político na medida em que o Supremo aceitar prender novamente Joesley. Nas gravações que ele mesmo produziu, sem dúvida desacatou o STF.

O CASO DE MILLER – A prisão do ex-procurador Marcelo MIller é uma consequência lógica do comportamento que ele próprio adotou. Demitiu-se espontaneamente da PGR, mas seu projeto de advocacia frustrou-se. Depois das revelações dos irmãos Batista, ele deixou de interessar ao escritório onde deu os primeiros passos para articular a delação premiada da JBS. Sua presença na equipe passou a ser negativa. E assim, Rodrigo Janot acertou o alvo mais sensível de toda a trama no atual capítulo das delações e de suas premiações.

A reportagem de Carolina Brígido e de Jailton de Carvalho, em O Globo de sábado, antecipou a ação do Procurador Geral no caso de Joesley Batista e Marcelo Miller. O jornal saiu na frente da Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. Foi o primeiro a noticiar a representação de Rodrigo Janot. Mas esta é outra questão.

MALAS DE DINHEIRO – O caráter essencial do tesouro de Gedel Vieira Lima contém em si a evidência de que as malas e caixas de dinheiro foram se acumulando através do tempo, uma vez que não faria o menor sentido que fossem transferidas todas de uma só feita. O episódio remete a uma sequência prolongada de corrupções, as quais, mesmo assim,  não foram suficientes para impedir sua nomeação para a equipe ministerial de Michel Temer.

Esses 51 milhões de reais resultaram em qual volume de corrupção que antecederam sua passagem as mãos de Gedel, que inclusive, como a Polícia Federal constatou, não teve a preocupação de não deixar nas notas suas impressões digitais. O tesouro foi fotografado e ficará eternamente na memória do país e da opinião pública.

NOS CINEMAS – E por falar em Polícia Federal, excelente o filme “A Lei é Para Todos” que retrata o desencadeamento da Operação Lava Jato. Trata-se de um filme-reportagem porque intercala sequências que reproduzem situações e no final, intercala flashes da realidade com o decorrer da história. Entre esses flashes, há um que reproduz literalmente a nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil de Dilma Rousseff. Outros personagens aparecem na parte final, caso de Paulo Roberto Costa.

O filme, ao mesmo tempo uma reportagem, lembra o italiano A “Cidade Se Defende”, do diretor Pietro Germi, sobre a Camorra Napolitana, rival no crime da Máfia Siciliana.

No Brasil as correntes corruptas uniram-se num rio só. Com as ações do Ministério Público e da Polícia Federal, ao que tudo indica, a fonte secou.

De Geddel a Joesley, em meio ao impacto do IPTU na cidade do Rio

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Charge do Orlandeli (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Enquanto se assiste pela TV à prisão de Geddel Vieira Lima em regime fechado e se aguarda a decisão de Rodrigo Janot de anular a delação premiada concedida a Joesley Batista, vamos focalizar a Lei aprovada pela Câmara dos Vereadores que vai causar impacto contra a população carioca através dos aumentos do IPTU e do Imposto de Transmissão. Vamos por partes.

A decisão de Rodrigo Janot, procurador geral da República, de cancelar os benefícios concedidos a Joesley Batista está focalizada principalmente nas reportagens de Carolina Brígido, O Globo, e de Beatriz Bulla, O Estado de São Paulo, ambas nas edições desta sexta-feira. A questão do IPTU, cujo aumento foi contestado pela vereadora Tereza Bergher, que vai recorrer à Justiça, foi destaque na matéria de Erenice Bottari e Gustavo Goulart, em O Globo de quinta-feira. Tereza Bergher, no primeiro passo, já formulou representação junto ao Ministério Público.

CIDADÃO ONERADO – A elevação do IPTU e do IT atinge a metade dos domicílios existentes na cidade do Rio, algo em torno de 850 mil imóveis. O Imposto de Transmissão incide sobre as transferências e venda de unidades residenciais, inclusive as decorrentes de heranças. O prefeito Marcelo Crivela adotou, no caso do IPTU, o critério baseado no valor de venda dos imóveis, sejam eles residências ou escritórios. O valor venal atinge também lojas comerciais. Em síntese: abrange quaisquer transações imobiliárias.

O Imposto de transmissão, atualmente de 2% sobre o valor do imóvel, passa a ser de 3%. Logo implica em majoração de 50%, diferença entre a taxa de ontem e a de que vigora a partir de hoje. Elevação expressiva, muitas vezes superior à inflação entre 2016 e a de 2017. As duas escalas inflacionárias representam 4,5% em 2016 e cerca de 3% em 2017. O índice aceitável seria uma correção de 7,5%, não de 50%.

ARBÍTRIO – No caso do IPTU, o principal problema apontado por Tereza Bergher encontra-se no arbítrio a ser adotado pelo prefeito em relação ao valor potencial dos imóveis, especialmente os residenciais, que são a grande maioria. Com essa faculdade, a Prefeitura do Rio, a fim de elevar a receita, pode aumentar à vontade o imposto em questão. Acontece que o IPTU, no caso das locações, é pago pelos inquilinos e locatários. Portanto atinge grande parte da população carioca.

Ocorre – acentua a vereadora do PSDB – que o valor potencial do imóvel não necessariamente representa seu valor de mercado. Isso porque o valor de mercado encontra-se comprimido há pelo menos 3 anos, e assim torna-se muito difícil estabelecer um valor tributário à base da suposição de que cada residência por exemplo, vale tantos reais por metro quadrado, sem levar em consideração o valor real para efeito concreto das transações. É muito fácil projetar o valor dos imóveis dos outros, de modo geral, sem levar em conta a dificuldade atual de mercado.

MERCADO FRACO – Os financiamentos da Caixa Econômica Federal, para citar um exemplo, diminuíram sensivelmente no período de 2015 a 2017, tornando mais difíceis as negociações que envolvem possíveis transações. É muito fácil dizer, para efeito de cobrança do IPTU, que o imóvel vale hoje muito acima do que valia no ano passado. Mas é extremamente difícil efetuar um cálculo arbitrário, sem levar em conta as restrições de mercado.

O prefeito Marcelo Crivella deseja arrecadar, tanto assim que vai colocar à venda seu camarote no desfile das Escolas de Samba. Porém, o prefeito não deve esquecer jamais as dificuldades financeiras da população.

A vereadora Tereza Bergher espera  alcançar êxito na sua representação ao Ministério Público e a Justiça. Esperemos que sua iniciativa seja confirmada pelos fatos. Afinal, estão em jogo as contas de todos os que moram no Rio de Janeiro.

Palocci detona Lula e a explosão volta a fortalecer o procurador Rodrigo Janot

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Em uma só tacada, Palocci incriminou Lula e Dilma

Pedro do Coutto

O depoimento claro e absolutamente direto do ex-ministro Antonio Palocci ao juiz Sérgio Moro foi a bomba que explodiu a defesa do ex-presidente Lula e trouxe, por reflexo, um novo fortalecimento do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, demonstrando que as denúncias formuladas encontram plena confirmação na realidade dos fatos. Principalmente no ponto em que o ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-ministro chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff confirma a celebração de um pacto entre Luiz Inácio Lula da Silva e a empresa, fechando um acordo entre ambos que inclui a propina de 300 milhões de reais para obtenção de superfaturamentos em contratos com a Petrobrás e outras obras.

O depoimento de Antonio Palocci detona também a ex-presidente Dilma Rousseff como conhecedora do pacto e recebedora de doações eleitorais disfarçadas na campanha da sua própria sucessão em 2014. O valor de 300 milhões de reais assusta, é claro, pelo seu volume, porém está plenamente confirmado pelo empresário Emílio Odebrecht, controlador da empreiteira e pai de Marcelo Odebrecht, que se encontra preso há dois anos em Curitiba.

CRISE MORAL – Reportagens de Chico Prado, Demétrius Dantas, Gustavo Scimit, Sérgio Roxo e Carolina Brígido, em O Globo desta quinta-feira, focalizam com total nitidez o relato desse episódio que agravou a crise moral do poder. Além desta matéria, acrescente-se a de Andre de Souza e Jailton de Carvalho, na mesma edição do jornal, reproduzindo o reflexo da explosão no Supremo Tribunal Federal.

Neste ponto é que transparece o apoio da ministra Carmen Lúcia, presidente do STF, e dos ministros Celso de Mello, Luiz Fux e Marco Aurélio Mello à atuação de Rodrigo Janot, cujo refortalecimento colide com o que o presidente Michel Temer poderia esperar no incidente envolvendo Joesley Batista e Ricardo Saud no capítulo da delação premiada.

STF A FAVOR DA LEI – Por que o posicionamento de integrantes do Supremo não foi do agrado do Planalto? Ora, porque os ministros citados mostraram-se favoráveis à validação das provas que os irmãos Batista apresentaram, separando-as da posição pessoal dos colaboradores em busca de uma liberdade que, ao que tudo indica, vai durar muito pouco. Ficou claro, aliás, que as fitas de quatro horas de duração vão transportar seus autores para um regime de prisão, como sustentou o ministro Luiz Fux.

É preciso considerar também que o atual capítulo da operação Lava-Jato apresenta também um personagem de grande importância na sequência criminal: o milionário Geddel Vieira Lima, o homem que guardava em casa, 51 milhões de reais, cuja origem ele terá que explicar. Malas cheias de notas de 100 e 50 reais, além de dólares. As malas revelam ser o meio de transporte adotado por ladrões, visando lucrar com isso. Uma ponte entre a lei e o crime. Nesse panorama visto da ponte – para citar a peça de Arthur Miller – situa-se também a mala noturna de Rocha Loures, que igualmente deverá traduzir o destino da encomenda.

NOVA TEMPESTADE – Fatos novos, portanto, iluminam a nova etapa da tempestade que se desenvolve no país, confirmando o dinamismo sequente próprio da área política e do processo dos que percorrem caminhos sinuosos e sombrios em busca do dinheiro e do poder. O dinheiro, nesse caso, trata-se de um instrumento de comunicação entre os que querem servir e os que se servem da corrupção.

Eterna verdade, infelizmente exponenciada ao máximo pelos ladrões de Brasília e das empreitadas escusas no campo da vida. Principalmente em torno do Planalto e da Esplanada que Niemeyer projetou em Brasília.

Geddel, como personagem de René Clair, num mar de dinheiro e corrupção

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Charge do Renan Lima (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagens dos quatro maiores jornais do país, O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e o Valor, publicaram com grande destaque, aliás merecido, que a Polícia Federal – apreendeu 51 milhões de reais, propriedade de Geddel Vieira Lima, espalhados pelo chão, em malas num apartamento cedido ao ex-ministro para guarda de objetos de família. A justificativa (falsa) explodiu na televisão e na imprensa como uma prova direta da corrupção desencadeada no país e que a cada dia parece ser maior do que se pensava na véspera.

Geddel Vieira Lima realizou na vida real a história de um personagem do diretor francês René Clair, um homem que adorava estender-se sobre colchões de dinheiro. O nome do filme é Monsieur Bancô (pronúncia francesa). O episódio de Salvador fica depositado na memória ao lado daquela obra. Gedel foi ministro do governo Michel Temer e antes vice-presidente da Caixa Econômica Federal do governo Dilma Rousseff e ministro de Lula.

PAPEL DE DESTAQUE – Geddel não é o único protagonista do assalto aos cofres públicos, mas inegavelmente integra o elenco, com papel de destaqie. Como é possível explicar a propriedade dos R$ 51 milhões que repousavam no apartamento de Salvador.

Mas se esta é uma comprovação, ao lado existem enigmas a serem decifrados. Um deles a gravação de Joesley Batista e Ricardo Saud que foi parar nas mãos do Procurador Geral Rodrigo Janot. O Procurador Geral, na minha opinião, à primeira vista parece ter se precipitado, quando disse que existiam fatos gravíssimos nas gravações de quatro horas envolvendo até o Supremo Tribunal Federal.

Pelo que se leu nos jornais, relativamente ao Supremo existem apenas generalidades e nenhum comprometimento dos ministros citados, Carmen Lúcia, Ricardo Lewandovsky e Gilmar Mendes.

EX-PROCURADOR – O fato importante refere-se ao ex-procurador Marcelo Miller, apontado como uma espécie de ponte entre a JBS e a delação de seu controlador majoritário.

A verdade é que essas últimas gravações, a rigor, não desqualificam a conversa gravada no Palácio Jaburu e tampouco o filme que destaca a corrida de Rodrigo Rocha Loures na noite paulista. Mas abre pelo menos uma perspectiva de redução da carga política contra o presidente Michel Temer. A menos que a delação do doleiro Lúcio Funaro, homologada pelo ministro Edson Fachin, possa reacender a temperatura em torno do Palácio do Planalto e do PMDB. Temos que esperar os próximos desdobramentos. Michel Temer está de retorno da China. Porém veio informado plenamente dos últimos acontecimentos. Não trazem alívio para aqueles que direta, ou indiretamente participaram da avalanche de dinheiro que foi retirado dos cofres públicos.

BOLSO DO POVO – Esta conta foi transferida para a população brasileira. As empreiteiras e fornecedores de notas frias não perderam nada. Descontaram as diferenças roubando o bolso do povo.

Uma coisa entretanto é certa: com Janot ou Rachel Dodge na Procuradoria Geral da República, o roubo vai diminuir consideravelmente. E em velocidade a jato, a exemplo da operação do mesmo nome.

Rodrigo Janot cria uma trama cheia de enigmas, do tipo “O Terceiro Homem”

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Charge do Aroeira (Portal O Dia)

Pedro do Coutto

O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot (a melhor matéria sobre suas declarações de segunda-feira, foi a de Beatriz Bulla e Fábio Serapião, O Estado de São Paulo de terça, dia 5) – anunciou a hipótese de revisar o acordo de delação premiada com Joesley Batista e Ricardo Saud diante da hipótese de faltarem informações essenciais em torno dos casos de corrupção dos quais os controladores da JBS foram protagonistas e ao mesmo tempo testemunhas capazes de identificar aqueles que conseguiram seduzir e comprar com dinheiro as consciências e parcerias.

Entretanto, Janot revelou estar de posse de quatro horas de diálogos gravados contendo acusações gravíssimas nas gravações de 240 minutos feitas pelo próprio Joesley Batista, que não sabia manusear adequadamente o equipamento de áudio? As gravações (com grande parte apagadas) foram entregues pela defesa de Joesley e chegaram às mãos de Rodrigo Janot, que as transferiu ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato.

VÁRIOS ENIGMAS – Como explicar essa trama, que tem vários enigmas?, eis a pergunta lógica. Neste ponto, o enredo lembra o filme famoso de Carol Reed, “O Terceiro Homem”, com Orson Welles no papel principal.

Ocorre que a gravação recuperada pela Polícia Federal já está sendo desmoralizada, porque Joesley e Saud estavam visivelmente embriagados, fazendo ilações absurdas e dizendo bobagens o tempo todo. Tanto assim que, no final da tarde desta terça-feira, dia 5, Joesley e Saud divulgaram uma nota oficial desmentindo tudo o que haviam gravado.

ELDORADO E ELETROBRÁS – Reportagem de Estela Fontes e Carolina Mandi focaliza a venda da Eldorado papel e celulose, do grupo JBS, a uma empresa estrangeira por 15 bilhões de reais. Portanto deve ser revista a avaliação que o governo Michel Temer divulgou em relação ao valor de mercado da Eletrobrás: 22 bilhões de reais.

Se a Eldorado sozinha vale 15 bilhões, a Eletrobrás, que inclui Furnas, Chesf,Eletronorte e Eletrosul, não pode valer apenas 22 bilhões de reais. Fica a informação comparativa que poderá servir para o dimensionamento do processo de privatização da holding de energia.