O eleitorado, agora, aguarda o ‘encontro’ entre o candidato e o presidente eleito

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Pedro do Coutto

Superado o espaço eleitoral, naturalmente, é lógico, aguarda-se o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Presidente Jair Bolsonaro com o candidato destacado nas urnas. É o momento de sugerir aos vitoriosos de outubro que instalem uma espécie de termômetro que reflita o cumprimento das promessas de campanha.

No título me referi somente ao presidente da República, mas, na realidade o mesmo sistema deve ser adotado pelos governadores que assumem em janeiro de 2019. Há tempos Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário instalou em São Paulo o que foi chamado de Impostômetro, no sentido de divulgar com ênfase os aumentos da carga tributária que desabam sobre a economia nacional e, portanto, também sobre a economia de todos nós.

PAGANDO O PATO – O Impostômetro foi instalado em outros Estados e fez sucesso utilizando também a imagem de um pato. Ou seja: a população pagando o pato, como se diz popularmente.

No caso dos recém-eleitos, a partir desse momento, claro, a cobrança entre a promessa e o fato concreto não pode ser atingida rapidamente. Demora tempo.

Mas por isso mesmo é que acredito que seja um direito de cada pessoa verificar o que resulta da ação do presidente com as metas básicas da campanha. No plano Federal isso poderá ser objeto de divulgação jornalística de cada passo que administração leva para concretizar o que foi prometido.

AS DUAS VERSÕES – Ao longo dos próximos quatro anos, se aceita esta ideia, a opinião pública poderá verificar o encontro das versões. A versão original e a versão que vai se realizando aos poucos no cenário do país.

Creio também que tal proposta interessa diretamente ao Palácio do planalto, depois de 1º de janeiro do próximo ano. Trata-se de manter a opinião pública informada sobre as ações executivas, pleno direito dos que pagam impostos, mas, na grande maioria dos casos, não recebe em troca a compensação devida. Isso também ocorre nos estados. 

No caso do Rio de janeiro a criminalidade e a violência ocupam espaços e atormentam a vida de todos. A população não pode mais viver sem o exercício de seu direito de caminhar livremente pelas ruas e praças da cidade.

DESEMPREGO E SAÚDE – No plano federal, além da saúde, destaca-se o elevado nível de desemprego. Com o desemprego nas alturas, impossível recuperar -se a economia brasileira. Afinal de contas, como a população pode manter o nível atual das receitas federais, estaduais e municipais, se não lhe sobram recursos para aumentar o nível de consumo?

Faltam dois meses para a posse do novo presidente e dos que governarão, por mais quatro anos os estados brasileiros.

É tempo suficiente para que haja o encontro entre os vitoriosos nas urnas e os anseios legítimos da população brasileira.

No panorama visto da ponte, começa um novo ciclo da política brasileira

Pedro do Coutto

Analisando-se bem, com objetividade, o resultado das urnas de ontem, chega-se à conclusão de que a partir de hoje inicia-se um novo ciclo da política brasileira e também uma nova arquitetura partidária do país. Bolsonaro confirmou nas urnas a vantagem que lhe era oferecida pelas pesquisas do Ibope e Datafolha. Foi uma vitória que se pode dizer arrasadora, sobretudo porque arrastou para a estrada da vitória também novos governadores que se encontravam vinculados a sua campanha.

Mas o fato de iniciar-se um novo tempo não é suficiente para que possam ser resolvidos os problema econômicos e sociais que desafiam a governabilidade e o êxito da administração de modo geral.

MUITOS DESAFIOS –   Brasil é um país continental, oitava ou nona economia do mundo em matéria de PIB, mas com uma população de praticamente 50% excluída do saneamento, que de outro lado influi diretamente nos índices de saúde da população.

O Brasil também é uma democracia que precisa ser destacada pelo quadro político, a começar pelo Palácio do Planalto e necessita ser sempre reativada. Como no verso de Vinícius, precisa que haja vento sem parar.

A vitória de Bolsonaro, sem dúvida, foi espetacular, sem entrar em análise de conteúdo. Exige-se, portanto, que ele vá ao encontro das mensagens que seus eleitores marcaram firmemente nas urnas de outubro. Além disso, terá que ressurgir das mesmas urnas um novo quadro partidário, porque o sistema até então vigente desmoronou ontem nas ruas, praças, manifestações de júbilo de milhões de eleitores e eleitoras.

ENFRAQUECIMENTO – Alguns partidos sairam enfraquecidos ao extremo. Precisam mudar de ótica e fixar seus projetos de maneira que posam ter um contato mais direto, através de uma ponte de confiança com o eleitorado, que decretou o distanciamento entre o voto, os problemas não resolvidos, as investidas voltadas para o passado recente.

Um dos aspectos que mais influiram na vitória de Bolsonaro foi, sem dúvida, a avalanche de corrupção e desgoverno que envolveu o Brasil nos últimos anos. Mas passou. Agora é tempo de reconstrução do caminho perdido para o progresso e para a justiça social. Falando em corrupção, o panorama que agora surge está sinalizando que os condenados pela Justiça não têm qualquer esperança de verem a possibilidade de encontrarem um lugar ao sol.

Pelo contrário, são os personagens que indiretamente fortaleceram o sentimento de revolta que se exprimiu no candidato do PSL. Vamos aguardar um novo governo. Faltam dois meses para ele, Bolsonaro, cumprir as promessas do candidato.

Depois das urnas vamos aguardar projetos concretos de governo democrático

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

As urnas foram abertas na manhã de hoje e de seus resultados esperamos sobretudo uma afirmação totalmente clara voltada para a democracia, que aliás representa a síntese entre os contrários. O dia de hoje apresenta-se como uma nova alvorada da qual aguardamos projetos concretos e construtivos para o país e sua população. A sorte está lançada mais uma vez para o povo brasileiro atingido por tantos problemas simultâneos mas que não devem levar ao pessimismo e a intolerância.

O eleitorado está se manifestando em peso no dia de hoje e seu pensamento deve se voltar para o futuro, rejeitando-se o passado recente que atingiu em cheio a alma brasileira.

ALVORADA – Encerrada a votação no crepúsculo deste domingo, passemos a alvorada já com os resultados das eleições no país. O tempo do voto antecede os programas e projetos concretos do governo federal e dos governos estaduais.

Disse projetos concretos, porque o que aconteceu nas últimas 72 horas foram acusações de parte a parte, sem que os candidatos acenassem à população com programas definidos previamente e sustentados pela realidade financeira. É muito fácil trocar acusações, mas difícil porém é concatenar a visão dos programas com a possibilidade de bases financeiras sólidas e lógicas.

NECESSIDADE – Ninguém em sã consciência pode ser contrário à melhoria dos serviços de saúde, aos avanços na educação, nos propósitos de combater a violência, enfrentando redutos que especialmente no Rio de janeiro são ocupados pela bandidagem. Tudo bem. Ninguém poder ser contrário à melhoria de transporte, contra  a recuperação dos salários diante da inflação apontada pelo IBGE. Da mesma forma não se pode ser contra a redução do endividamento do estado e o combate a sonegação de tributos refletidos na contabilidade de grande número de empresas. E o não recolhimento da parte dos empregadores para o INSS ilumina o desequilíbrio entre a arrecadação e os desembolsos do governo.

E assim fecham-se as cortinas de mais uma legislatura que termina no final de dezembro. Surge uma nova preocupação com o futuro. Vamos respeitar o voto é claro e os limites que asseguram o espaço à democracia e a liberdade.

Planejamento, lacuna a ser preenchida no país pelos vencedores de outubro

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

O planejamento econômico e social tornou-se um campo aberto para os eleitos de outubro, nesse contexto incluindo o presidente da República e os novos governadores.  O tema, fundamental, não foi abordado até esta quinta-feira pelos que concorrem às eleições de domingo. É pena. Tornou-se um espaço vazio a ser preenchido por projetos e programas que tenham como base a viabilidade.

O planejamento só se tornou possível a partir de 1939 com a criação do IBGE. Isso porque planejar está sempre condicionado às condições e caminhos abertos pelas estatísticas disponíveis. Por exemplo: o planejamento econômico do governo JK só se tornou possível porque baseado em metas realistas. A industrialização concebida dependia da maior oferta de energia elétrica.

TRÊS NOMES – Na verdade, a ideia básica do planejamento surgiu a partir de três nomes fundamentais que revelaram a importância da matéria para o exercício das políticas públicas. Celso Furtado, Roberto Campos e Hélio Beltrão. O planejamento de Celso Furtado referiu-se ao desenvolvimento do nordeste brasileiro.

No período JK, Roberto Campos, até 1959, presidia o então BNDE, hoje BNDES. Na década de 50 Juscelino lançou a operação Panamericana, a qual, no ano seguinte forneceu a base para o presidente Kennedy instituir a Aliança Para o Progresso, financiada pelo Fundo do Trigo. Os Estados Unidos apresentavam então um grande crescimento na produção do cereal.

Em 1960 também, Hélio Beltrão desenvolveu para o Estado da Guanabara, governado por Carlos Lacerda, um projeto econômico global que permitiu a criação de vários órgãos libertos da burocracia estatal. O quadro econômico cresceu em função da desburocratização e da obtenção de recursos por uma política fiscal mais integrada  e também integradora dos princípios que apresentavam como objetivo.

MINISTÉRIO – No governo Castelo Branco surgia i Ministério do Planejamento comandado por Roberto Campos. A estabilidade no emprego foi substituída pelo FGTS. Assim surgia uma fonte de recursos para a política de habitação e saneamento. Mas isso tudo pertence ao passado.

Nesta eleição não se vislumbrou um debate que incluísse projetos e programas econômicos e sociais.. Aliás quanto a Presidência da República o debate final não se realizou. O confronto ficou no primeiro turno. Mas os planos econômicos e sociais continuam esperando que os personagens que entram em cena nas urnas de domingo os acionem.

Esta é a realidade dos fatos. Sem planejamento nenhuma política pode dar certo. É pena.

“O Estado de S.Paulo” recebeu 100 mil consultas sobre as “fake news”

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Em matéria publicada na edição de ontem de O Estado de S.Paulo, a direção do jornal revela que ao longo de quatro meses recebeu 100 mil consultas para confirmar ou desmentir mensagens postadas nas redes sociais da Internet. O fluxo das indagações atinge 770 dúvidas por dia. Esses dados refletem bem a dimensão do problema. E o canal de comunicação WhatsApp do “Estadão Verifica” não é o único existente para essa finalidade. Existem muitos outros. Portanto, chega-se à conclusão de que é muito alto o número de integrantes das redes sociais que buscam ter certeza da veracidade das postagens.

As redes sociais tornaram-se um instrumento fantástico de comunicação na atual campanha eleitoral. Mas há grande volume de postagens verdadeiras, em dimensão muito maior do que as fake news. Entretanto os estragos causados pelas matérias falsas podem se tornar decisivos tanto em relação ao direito de voto, quanto a vida pessoal de cada cidadão ou cidadã.

BONS SERVIÇOS – Sentindo o peso do problema foi que O Estado de São Paulo colocou-se à disposição de qualquer um que tenha dúvida sobre textos com os quais se deparou.

O” Estadão Verifica” vem prestando serviços que se tornam de importância essencial na tentativa de iluminar falsificações injetadas no espaço eletrônico.  O Estado de S.Paulo, contudo, chama atenção para o fato de a comunicação por WhatsApp ser por criptografia, o que quer dizer que não há como monitorar ou mensurar toda a desinformação que é veiculada em grupos e conversas privadas.

Trata-se, portanto, de algo extremamente complexo a ser focalizado e sobretudo interpretado de forma tão individual quanto coletiva. Como digo sempre a análise deve recorrer à sensibilidade de cada pessoa. Por isso é que existe o “Estadão Verifica” que responde às perguntas que lhes são enviadas. Mas nem todos os sistemas de verificação são capazes de cobrir todas as questões que lhes são enviadas.

ESPAÇO LIVRE – A dificuldade provém de ser a internet um espaço livre para o acesso e comunicação, seja de pessoas, seja de empresas, seja de partidos políticos, seja de candidatos.. Agora mesmo se viu um caso que explica bem confusões projetadas na opinião pública. O general Hamilton Mourão nunca foi torturador.

Trata-se de uma diferença essencial, mas cuja repetição alcança reflexos extremamente negativos. Porém, a afirmação veiculada através de uma entrevista de Haddad a televisão e jornais tinha um conteúdo totalmente falso. Tratava-se de uma fake news, e no caso, entretanto, a procedência foi identificada. Mas existem mensagens cuja identificação conduz a um processo de pesquisa de fundamental importância.

Ainda bem que existem sistemas que se propõem a combater e desmascarar os adeptos de ficções.

Desemprego alto é o maior inimigo de qualquer projeto relativo à Previdência

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Charge do Nef (Jornal de Brasília)

Pedro do Coutto

Em reportagem publicada na edição de ontem da Folha de São Paulo, Raquel Landin analisa problemas relativos à Previdência Social no Brasil e acentua que o modelo chileno não é solução para o déficit do INSS. Ela frisou esta questão ao destacar que um dos projetos da equipe econômica de Jair Bolsonaro é o da capitalização, que foi adotado no Chile e já está criando problemas naquele país. Isso porque, apenas os funcionários  públicos contribuem com sua parte de 10% sobre o salário. O governo, não.

O sistema de capitalização foi adotado a partir da ditadura de Pinochet e está deixando o déficit crescer.

DUPLA CONTRIBUIÇÃO – Qualquer sistema previdenciário necessita da contribuição de empregadores e empregados. No Brasil, se retirada a participação dos empregadores o rombo do INSS aumentará incrivelmente, é claro. Os empregadores representam 2/3 do total das contribuições. O economista Paulo Guedes conhece bem o sistema chileno, porque foi professor da Universidade do Chile por alguns anos.

Na época de Pinochet, os chilenos ainda viviam uma situação bastante estável porque na América Latina a renda per capita do país era a maior do continente. A renda per capita resulta da divisão do Produto Interno Bruto pelo número de habitantes. Não quer dizer que todos vivam bem, porque a participação dos lucros financeiros nas classes de renda mais alta não inclui o aspecto do desenvolvimento humano. Mas é um indicador.

No Brasil a renda média, por coincidência se aproxima da renda per capita. O salário médio dos brasileiros e brasileiras é de 2.300 reais mensais. Com base nesse número, multiplicando-o pelo total de desempregados (12 milhões de pessoas), verifica-se que o INSS deixa de arrecadar em função do desemprego e do não emprego dos jovens que chegam à idade de trabalhar.

DÉFICIT AUMENTA – Essa é a questão essencial. Com o nível de desemprego atual torna-se impossível reduzir-se o déficit do INSS.

Todos os projetos incluem a obrigação das contribuições para a Previdência. Mas os desempregados não podem contribuir com nada. O problema é esse.

Contra tudo e contra todos, o povo brasileiro acordou nestas eleições

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Esta eleição demarcou a nova era das redes sociais

Percival Puggina

Não adiantou a enorme e persistente campanha para afastar os brasileiros das urnas. Poucas coisas são tão consensuais entre nós quanto a inconfiabilidade das eletrônicas em uso no país. Descrédito total! O solene depoimento de meia dúzia ou mais de ministros do STF e do TSE só agrava a situação. Quem confia nessas cortes? Pois mesmo assim, olhando de soslaio, com um pé atrás, os eleitores brasileiros foram às seções de votação no dia 7 de outubro. O pleito era sua bala de prata! Era a possibilidade de usar a minúscula fração de poder nas mãos de cada cidadão. Apenas nove horas, das 8 às 17. Mas durante esse curto espaço de tempo podia mandar quadrilheiros para casa e para a justiça, renovar o Congresso Nacional e evitar o retorno de criminosos aos locais dos crimes.

O jogo foi pesado. Havia na sociedade uma firme disposição de renovar o parlamento, suprimindo o foro privilegiado dos corruptos e despachando os coniventes e os omissos. Confrontados com essa notória intenção dos eleitores, os parlamentares avaliavam suas chances e muitos já buscavam alternativas pessoais longe do poder.

FUNDO DE CAMPANHA – Subitamente tudo mudou. Impulsionados pela oportunidade de ouro concedida pelo STF ao impedir o financiamento empresarial no modo como o fez, os parlamentares criaram o Fundão de Campanha com nosso dinheiro e o ratearam entre si. Em seguida, encurtaram todos os prazos, com o intuito de dificultar o trabalho dos novos postulantes. Para estes, apenas 45 dias de campanha, horário gratuito reduzido, publicidade dificultada e custeio por “vaquinha”.

Enquanto os novatos corriam por uma pista cheia de obstáculos, os detentores de mandato colhiam os frutos da generosa distribuição de emendas parlamentares. A vida lhes voltou a sorrir e o céu de Brasília se fez novamente azul. O STF é bom e Deus existe, talvez dissessem blasfemando.

MAIOR RENOVAÇÃO – Quem haveria de imaginar que o povo, contra tudo e contra todos, saísse de casa, mandasse às favas a desconfiança nas urnas e levasse a cabo sua tarefa promovendo a maior renovação do Congresso Nacional em vinte anos? O bom povo brasileiro fez o que lhe correspondia. De cada quatro senadores que tentaram reeleição, três não conseguiram; das 54 vagas em disputa, 46 serão ocupadas com novos nomes!

Na Câmara dos Deputados, dos 382 parlamentares que tentaram a reeleição, 142 foram destituídos de seus mandatos. A renovação atingiu mais da metade da Casa. O número de conservadores e liberais eleitos marca o que a imprensa militante qualificou como um inusitado giro à direita. Infelizmente, alguns inocentes foram descartados com a água desse banho.

NAS REDES SOCIAIS – É claro que esse giro se fez ao arrepio da grande imprensa. Nesta, viceja, cada vez mais forte, um rancor em relação às redes sociais. Acostumados a infundir suas convicções a um público dócil e cativo, muitos formadores de opinião viram o próprio poder se diluir, quase atomizar-se, na caótica democratização das redes sociais.

Os grandes jornalões, as principais revistas semanais, a Vênus Platinada e os militantes globais do “progressismo” debochado e do esquerdismo anacrônico, em vão tentaram conter o sucesso eleitoral de Bolsonaro. Em vão queimaram o filme perante seu público. Em vão promoveram o presidiário. Em vão tentaram vender picolé de chuchu por chicabon. A nação, preferindo escolher o próprio caminho, recusou a focinheira insistentemente apresentada.

Falta um tema na campanha eleitoral: os salários diante da inflação do IBGE

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Charge do Nef (Jornal de Brasília)

Pedro do Coutto

Reportagem de Larissa Quintino e Anais Fernandes, edição de ontem da Folha de São Paulo destaca o fato de os reajustes das aposentadorias e pensões do INSS serem menores que os índices inflacionários calculados pelo IBGE. De fato, essa questão devia ter encontrado maior destaque na campanha pela presidência da República. Afinal de contas, são praticamente 100 milhões de pessoas que compõem a força de trabalho brasileira. A reportagem focaliza somente o INSS, acentuando que pela diferença existente entre os dois fatores está levando aposentados e pensionistas no vermelho das dívidas que contraem.

Nessa análise tem que se incluirem os empréstimos consignados. Muitas dessas operações não foram sequer propostas pelos assalariados. Mas esta é outra questão.

DERROTA – O problema essencial é que a derrota dos trabalhadores em geral e dos funcionários públicos é que seus vencimentos estão sendo tragados pela espiral inflacionária. É grave o problema, deve ser uma preocupação por parte de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Isso no plano federal.

Nas esferas estaduais o problema está entre o funcionalismo e sua situação diante do custo de vida. Vale acentuar que os funcionários públicos, no que se refere a perdas salariais, são muito mais atingidos do que os trabalhadores regidos pela CLT. Isso porque algumas categorias profissionais obtiveram reposições que as livraram das perdas monetárias. O mesmo não está acontecendo em relação ao funcionalismo de modo geral.

HÁ REDUÇÃO – E quando existe uma diferença entre o salário e a inflação, tal fato representa, na verdade, uma redução de vencimentos. E, claro, quando esse fenômeno ocorre, reflete negativamente nos níveis de consumo, o que, por sua vez, acarreta um espaço vazio na economia produtiva. Pois ninguém logicamente se dispõe a produzir em escala se os consumidores não podem comprar seus produtos como comprariam se não estivessem perdendo a corrida contra o processo inflacionário.

Surpreende, portanto, que os dois finalistas na disputa pelo Planalto do Planalto não terem sequer mencionado a raiz dessa questão essencial.

PERDEM SEMPRE – Vale acrescentar um aspecto decisivo que acentua uma contradição essencial: as reposições salariais sucedem , ou deveriam suceder as perdas inflacionárias. Mas não acontece isso. Quando as perdas inflacionárias são zeradas, no dia seguinte continua a correr a inflação para um novo período. Assim, os salários perdem sempre  em grau cada vez maior.

O dilema capital e trabalho necessita de um denominador comum capaz de reduzir as perdas sociais. Da mesma forma que o rendimento do capital não pode perder para a inflação, o salário devia situar-se no mesmo caso.

Brancos e nulos foram 9% e a bancada do MDB desabou no primeiro turno

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Charge do Donga (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Duas faces marcaram o primeiro turno das eleições, além da vitória de Bolsonaro e sua capacidade de transmitir apoio a candidatos aos governos estaduais. Reportagem de Ana Luiza Albuquerque e Leonardo Diegues, edição de ontem da Folha de São Paulo, destaca que o contingente de votos brancos e nulos ficou na escala de 9%, o que ocorre normalmente em eleições, ficando muito aquém do que vários autores cogitavam e projetavam numa escala bem maior.

Mas o que ocorre na maratona do voto é sempre assim. Quando a campanha se inicia, o grau de desinteresse é muito grande. Mas quando a campanha esquenta e se aproxima do desfecho, os eleitores dispostos a anular ou votar branco, em grande parte acabam marcando seu candidato nas urnas eletrônicas do país.

MÉDIA DE 10% – Quem examinar a história do voto no Brasil vai encontrar uma média em torno de 10%, como aconteceu em 1955 e como aconteceu no primeiro turno de 2018. A reportagem da Folha acentua que aqueles que esterilizaram seu voto terminaram contrariando por larga margem as previsões projetadas para o embate nas urnas.

A campanha deste ano apresentou polarizações que contribuíram para motivar eleitores e eleitoras: a onda contra o PT de Lula e a reação bastante forte contra a corrupção. Foram esses os fatores mais aparentes.

Menos aparentes, mas também muito intensos os impulsos contra o MDB e contra o governo Michel Temer.

ESVAZIAMENTO – Para se ter uma ideia, a bancada do MDB na Câmara Federal desabou dos 65 deputados federais para apenas 34. Os votos parecem ter sido transferidos para a legenda do PSL. A bancada do PSL passou a ser a segunda em número na Câmara dos deputados. Só ficou atrás da bancada do PT. Verifica-se assim que o desastre que marcou o desempenho do candidato do PT foi maior do que aquele que fez submergir uma bancada que era de 62 para uma de 57. Devemos ressaltar que a queda da legenda do PT na área parlamentar foi menor do que aquela registrada pelo desempenho do partido nas eleições majoritárias.

NOVO QUADRO – É com esse quadro estabelecido no primeiro turno que vamos assistir ao segundo turno, cujas pesquisas preliminares apontam para a vitória de Jair Bolsonaro. Surgirá das urnas um novo quadro político para o país. A partir de janeiro de 2019 é que a população brasileira começará a ter uma ideia dos meses que virão depois. Exatamente quando o projeto de governo do PSL passará ao conhecimento público e ao debate nacional. Não possuindo bola de cristal, não podemos calcular o que vai acontecer.

Mas pelo panorama ainda nebuloso divisamos dificuldades que terão de ser contornadas. Porém, em primeiro lugar, o país terá conhecimento do plano do novo governo. Trata-se da passagem semelhante a que marca o crepúsculo e a alvorada.

Ditadura, tortura e censura formam uma afronta à dignidade humana

Suplício do pau-de-arara era praticado nas ruas

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada ontem pela Folha de São Paulo e O Globo revelou que a grande maioria da população brasileira, na qual se inclui o eleitorado que volta as urnas no próximo domingo, rejeita todas essas formas que atentam contra a liberdade e a dignidade humana. O levantamento assim iluminou o pensamento brasileiro de forma bastante clara, mas ao mesmo tempo acentuou que uma parcela considerável da opinião pública teme a hipótese de implantação de novo regime totalitário do país. A imensa maioria, vale frisar, é contra qualquer ditadura, porém, ao mesmo tempo, teme pela hipótese de se configurar a sombra do passado recente.

As ditaduras incluem automaticamente a censura à imprensa e a tortura nos porões das masmorras. No passado recente pode se dividir em duas partes de nossa história: a de Vargas de 37 a 45 e a que foi instalada em 1964 e só terminou 21 anos depois.

TUDO IGUAL – Nas duas ditaduras houve censura à imprensa, torturas, suspensão de habeas corpus e de mandados de segurança. Na ditadura de Vargas, para se ter uma ideia, basta lembrar que o lendário advogado Sobral Pinto invocou a Lei de Proteção aos Animais para fazer cessar as torturas praticadas contra o comunista alemão Harry Berger. Uma versão que predominou através de décadas foi a de que Sobral se baseou na Lei de Proteção aos Animais para defender Luis Carlos Prestes.

O advogado na fase final de sua vida, em almoço com jornalistas políticos, ao responder a uma colocação de Vilasboas Correa, esclareceu que usou essa figura legal para que cessasse as torturas contra o comunista alemão encarcerado pela polícia de Filinto Muller. Fica aí, portanto, uma informação que talvez seja útil para que o ponto verdadeiro da questão seja esclarecido.

Prestes, preso em 35, não foi vítima de torturas físicas. Anistiado por Vargas em 45, o líder comunista elegeu-se senador pelo então Distrito Federal, hoje cidade do Rio de Janeiro.

SOMBRAS DO PASSADO – São episódios dos quais a história do Brasil e a própria história universal flutuam como sombras de processos indignos à consciência humana e também a idéia de liberdade. Não precisamos citar o nazismo, que é o ponto máximo do que de hediondo pode produzir a mente de seres incompatíveis com a existência dos seres humanos. Podemos citar também o ditador Stalin que comandou a antiga União Soviética de 1924 a 1953.

Passemos ao futuro. O repúdio a ditadura está também sintetizado no temor que tal hipótese desperta. O povo brasileiro quer viver em liberdade, o bem maior que se pode desejar para o país.

Só o espírito construtivo pode legitimar e dar sentido ao exercício do poder

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Charge do Henfil (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

É exatamente isso: só o espírito construtivo e a vontade de melhorar as coisas podem dar sentido e legitimar o exercício do poder. Para as eleições do dia 28, até o momento, tem predominado mais o sentido de destruição de um partido, o PT, do que o sentido de construção do futuro. É natural até certo ponto essa reação, uma vez que nos longos anos de poder o partido de Lula deixou-se tragar pela corrupção, uma espécie de delírio onírico em torno da personalidade de um líder.

Esse rumo deve levar Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto, pois dificilmente o que vai acontecer nos próximos dias será capaz de alterar os números do Ibope e do Datafolha. Mas não é só esta a questão.

RECONSTRUIR – O espírito construtivo, sem dúvida uma das essências do cristianismo, tem que predominar, uma vez que os instrumentos de execução dos programas expostos têm como objetivo o progresso de um país, no caso o Brasil, marcado por tantos problemas a resolver e que se transformaram num atentado à sequência do tempo. Essa é a importância maior das urnas de outubro.

Vale recordar o poema de Drummond: a festa acabou, a noite esfriou, o povo sumiu; e agora, José? Bolsonaro, na minha opinião vai sair das urnas, com a vitória por larga margem. Termina uma etapa, começa outra. É exatamente essa outra que deve preocupar os vencedores do voto popular. O PT sai derrotado, mas isso não basta para a sociedade brasileira e para o país. É preciso passar da demolição de um esquema, que entrou em contradição consigo mesmo, e dar início à edificação do futuro que interessa a mais de 200 milhões de brasileiros e brasileiras. Afinal qual o programa econômico social que será adotado? Quais as proposições a curto e a médio prazo? Quais os pontos construtivos nos quais se baseará o novo governo que assume a partir de janeiro de 2019?

 ALVORADA – Virada a página do PT, que alvorada Bolsonaro irá oferecer ao eleitorado que, como tudo indica, o consagrará nas urnas? Espera-se um discurso e um conjunto de ações construtivas deixando a exacerbação para o passado dos fatos. Daí a importância, muito grande, do que a revista Época que circulou sexta-feira, ontem. A Época foi distribuída aos assinantes de O Globo.

Num longo capítulo a revista destacou estudos de Clovis Saintclair, Joel Birman, Cristian Ingo Lenz Dunker e Francisco Daudt, focalizando e iluminando faces da personalidade do candidato do PSL, como se ele estivesse sendo analisado.

Dias difíceis deverão surgir no amanhecer do novo mandato no Planalto. Terá que ser um governo de convergência com a visão marcada pelo fim de uma tempestade.

Um vendaval chamado Jair Bolsonaro varre a política brasileira

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

A frase que está no título sintetiza bem, a meu ver, o fenômeno que está conduzindo a campanha eleitoral rumo as urnas de 2018.O vendaval balançou antigos redutos políticos que se encontravam comprometidos com o passado. Não estou tratando de nenhum processo de adivinhação. Ou seja, como será esse futuro que vai nascer das urnas de domingo 28. Mas assinalo que sem dúvida alguma haverá uma renovação no país com o sepultamento de práticas que só desabonaram governos do país, inclusive a Presidência da República e alguns estados, Rio de Janeiro entre estes.

A corrupção e a violência incontida tornaram-se os maiores fatores que impulsionaram e vão levar a candidatura Bolsonaro à vitória.

ANTES DO DATAFOLHA – Me baseio nas mais recentes pesquisas do IBOPE sobre a corrida presidencial. Escrevo este artigo na tarde de quinta-feira e, portanto, antes da divulgação do novo levantamento do Datafolha por encomenda de O Globo, da Rede Globo e da Folha de São Paulo. Não creio que a diferença vá ser ponderável entre um resultado e outro. A margem é muito grande no universo de dois candidatos para haver diferenças substanciais quanto aos números encontrados. Mas falei no vendaval Jair Bolsonaro.

Acompanhando eleições no país desde 1950, só encontro dois exemplos que podem ser comparados ao avanço de Bolsonaro: Getúlio Vargas em 1950 e Jânio Quadros em 1960. Os leitores mais jovens podem perguntar: e Juscelino em 55? JK em 55 teve 33% da votação contra 27% de Juarez Távora, 20 de Ademar de Barros e 10% de Plínio Salgado. Os votos brancos e nulos somaram 10%, aliás sua escala habitual. Mas Bolsonaro está influindo diretamente nos desfechos estaduais. É preciso frisar que antes as eleições brasileiras eram em turno único. A maioria absoluta foi instituída pela Constituição de 1988.

DEPOIS DO VENDAVAL – A influência de Bolsonaro é muito forte, como a repórter Fernanda Krakovics destacou ontem em O Globo ao analisar o também fenômeno Wilson Witzel no RJ. Há vários outros exemplos da influência decisiva do apoio de Bolsonaro a candidaturas que lideram as disputas regionais. Bem. Mas temos de pensar um pouco no que irá ocorrer no Brasil depois do vendaval deste mês. Será um esforço de reconstrução e de moralização da administração em todos os seus níveis, o que inclui o afastamento de conluios entre bases partidárias e grandes empresas.

Esta é a pergunta que se coloca quando já se começa a perceber que o futuro está perto. São nove dias para as eleições e dois meses e meio para a instalação do governo que surge das urnas.

Eleito deputado, general propõe impeachment e prisão de ministros do STF

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Gilmar Mendes é o principal alvo do general-deputado

Pedro do Coutto

A matéria foi publicada na página 8 da edição de ontem de O Estado de São Paulo. O general Eliezer Girão Monteiro Filho, eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte, está defendendo impeachment e prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal que tenham beneficiado com despachos irregulares os acusados de corrupção. O general citou como exemplo a libertação do ex-deputado José Dirceu e os ex-governadores Beto Richa e Marconi Perillo.

Destacou o deputado eleito que “não pode haver negociação com quem se vendeu”. E sua declaração inclui a responsabilidade do Senado Federal como árbitro do impeachment.

SETA LANÇADA – O fato chama atenção pelo inusitado da iniciativa, e também pela direção a quem se dirige a seta lançada. O episódio, importante em si, no sentido direto, traduz uma dificuldade de relacionamento que deve marcar as decisões parlamentares e as decisões da Corte Suprema.

Pode se argumentar que esta iniciativa seja uma ruptura da independência entre os Poderes, já que na história da República é praticamente impossível encontrar-se outro exemplo. Contudo, deixa assinalada uma atmosfera bastante densa que vai se verificar ao longo do provável governo Jair Bolsonaro.

Essa atmosfera inclui reflexos do pensamento, certamente, de alguns setores militares que estão formando a corrente do sucessor do presidente Michel Temer. São formas de agir que revelam modos de pensar bastante diverso.

PENA DE PRISÃO – O general deputado propõe até a prisão dos ministros que considera como bases voltadas para a liberação de acusados. Parece difícil que a iniciativa do novo parlamentar seja levada adiante pelo Senado, que já sentou em cima de diversos pedidos de impeachment de ministros do STF, especialmente Gilmar Mendes. Até porque criaria um fato sem precedentes no cenário nacional. Mas indica uma predisposição da qual Eliezer Girão não será o único defensor.

Imagine-se, por exemplo, se a Câmara ou o Senado Federal decide rejeitar um projetou ou emenda de bons propósitos apresentada por Bolsonaro. Qual o tipo de reação que tal episódio poderá acarretar? Por isso, digo eu, é que uma dificuldade de entendimento vai se impor essencialmente pelo menos na primeira fase do próximo governo. Dificuldades encontram-se à vista.

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BANCOS QUEREM RESTRINGIR USO DO DINHEIRO VIVO

Reportagem de Talita Moreira, edição de ontem do Valor, destaca o fato de os grandes bancos passarem a defender a restrição do uso de dinheiro em espécie como forma de bloqueio à circulação de moeda em espécie. A Federal Brasileira de Bancos defende esse tipo de controle e constrói uma ponte entre a transação financeira e sua origem. O presidente da Febraban , Murilo Portugal, relacionou os motivos que convergem para a ideia.

Acrescenta a matéria que o próprio Banco Central planeja realizar consulta pública sobre a ideia defendida pela Federação dos Bancos.

Cid Gomes diz que Lula é o culpado pela derrota de Haddad e do próprio PT

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Cid Gomes desfez o sonho de Haddad ter apoio do PDT

Pedro do Coutto     

Ao participar de ato público em Fortaleza para apoiar Fernando Haddad, o senador eleito Cid Gomes atacou o ex-presidente Lula e disse que, na realidade ele tornou-se o grande culpado pela derrota do candidato a que apoia e pela derrota do próprio PT nas urnas de outubro. As afirmações de Cid Gomes dividiram os presentes ao ato, uma parte aplaudindo outra vaiando. Mas ele foi em frente. A matéria está publicada em O Globo, edição de ontem, assinada por Dimitrius Dantas.

O PT, disse Cid, devia ter pedido desculpas ao seus eleitores pelas besteiras que suas lideranças fizeram. “Ao contrário do que normalmente se espera, o ex-presidente Lula da Silva não assumiu seus próprios erros”, acrescentou. O motivo principal da revolta de Cid Gomes foi a não aceitação de qualquer acordo político em torno da candidatura de seu irmão, Ciro Gomes, porque Lula julga-se dono da legenda partidária.

RUMO AO DESASTRE – Não reconhecer os próprios erros é algo que só pode conduzir ao desastre. As críticas de Cid Gomes, a meu ver, são procedentes. O ex-presidente da República, contraditoriamente, demonstrou medo de perder o comando do Partido dos Trabalhadores. Isso de um lado. De outro, foi superestimar sua força política e não perceber a rejeição do eleitorado contra ele. Tal situação conduziu ao equívoco e ao desastre eleitoral.

As pesquisas demonstravam que o candidato mais forte para disputar o Palácio do Planalto com Jair Bolsonaro era mesmo Ciro. Porém, Lula considera-se proprietário da legenda e acha que mesmo preso, podia comandar o eleitorado petista.

O eleitorado petista sozinho não garante o êxito eleitoral da candidatura que adotou. É indispensável reunir forças sociais para que o projeto de poder alcance a vitória e assegure a democracia no Brasil. Até certo ponto, a atitude de Lula ajudou a criar e fortalecer a candidatura de Bolsonaro. O candidato do PSL ocupou a faixa contrária abertamente ao projeto tanto de Lula quanto do próprio PT.

LULA PERDE TUDO – Temendo perder seus correligionários e sua legenda, Lula acabou perdendo tudo isso e também as eleições.  Na minha opinião uma frente de 18 pontos a duas semanas das urnas torna-se praticamente impossível de ter seus rumos alterados.

Lula não levou em consideração as reações da sociedade brasileira ao escândalo do Petrolão. Ainda por cima antes houve o mensalão.

O projeto político, não só do PT mas de todos os demais partidos, com a vitória de Bolsonaro foi transferido para 2022.

Sonegação de impostos caiu, mas chegou a R$ 390 bilhões no ano passado

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Charge do Tiago Recchia (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Com base em levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, a repórter Marta Watanabe, edição de ontem do Valor, revela que no exercício de 2017 a sonegação de impostos no Brasil ainda atingiu esse incrível montante, embora signifique uma redução drástica em relação ao que foi sonegado há dez anos. Calcule-se, portanto, o quanto representa o escapismo fiscal uma vez que o não pagamento de tributos era de 27%. Caiu para 17% em valores monetários corrigidos, o equivalente a 36%, nada mal. Entretanto, deixando-se o percentual de lado e calculando-se a sonegação ao longo da última década, certamente vamos nos deparar com uma situação enorme, fruto das sonegações acumuladas.

Portanto, o problema maior do déficit nas contas públicas situa-se exatamente no sistema tributário e nesse sistema não se inclui o panorama salarial, inclusive porque o recolhimento de impostos federais e estaduais não é feito pela mão de obra ativa e sim pelo sistema empresarial.

NOTAS ELETRÔNICAS – O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação atribui a queda da sonegação ao sistema das notas eletrônicas e também a uma fiscalização mais rigorosa.

Para Estevão Tair, na mesma edição do Valor focaliza a necessidade de minireformas pontuais para aliviar a área fiscal do país. Seja como for o recolhimento tributário, na realidade cabe às empresas produtoras. Incrível que em 2017 a sonegação tenha se elevado a 390 bilhões. E não se tem informação  de ofensiva governamental para efetivar essa cobrança. Em muitos casos é impossível, já que muitas empresas encontram-se em recuperação judicial ou então encerraram suas atividades, fechando assim uma porta decisiva para que fossem feitos recolhimentos.

EMPREGO TEMPORÁRIO  – Marcia De Chiara, em O Estado de São Paulo também de ontem, focalizou a questão do emprego temporário como a única opção no momento para combater uma fatia do desemprego que alcança mais de 12 milhões de pessoas no país. Está se aproximando a hora de contratações desse tipo, como acontece em todos os finais de ano. Pode se prever no setor comércio um aproveitamento de 10% sobre o total das admissões temporárias. Em muitos casos a contratação refere-se ao período outubro a dezembro.

ROMBO DO INSS – Mas dificilmente essa contratação informal produz recursos para o déficit previdenciário. Isso porque são contratos a prazo curto e que em sua grande maioria não incluem as contribuições para o INSS, como determina a lei. A lei estabelece que funcione o sistema de contribuição ao INSS. Mas essa contribuição refere-se muito mais às empresas (20% sobre total da folha) do que às pessoas contratadas (11% sobre os salários).

É verdade que uma percentagem de contratados, como sempre ocorre, serão efetivados. Aí sim as contribuições de empregados e empregadores vai se faz sentir. A reportagem acentua que as contratações temporárias vão atingir cerca de 41 mil trabalhadores. É pouco, muito pouco.

Facebook anuncia esquema para tentar a anulação das fake news

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Charge de Delize (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagens de Paula Soprana, Folha de São Paulo, e Mariana Lima, O Estado de São Paulo, edições de 12 de outubro, destacam a iniciativa do Facebook de oferecer um esquema de contextualização especial para o Brasil no sentido de dificultar ao máximo ou até mesmo anular as fake news que invadem a rede espacial eletrônica.

Trata-se de uma espécie de botão que conduz todas as mensagens sobre determinado assunto para uma contextualização de notícias. A engrenagem é simples, mas extremamente necessária para impedir o uso indevido ou falso das matérias veiculadas tanto pelo Facebook quanto pelo Whatsapp, que pertence a mesma rede. Tem-se a impressão de que a contextualização é uma forma de conduzir mensagens semelhantes por assunto e proporcionar assim melhor percepção sobre o que é falso e o que é verdadeiro.

POR ASSUNTO – Sobre tal sistema presume-se que seja a separação das comunicações por assunto. Assim como os jornais já há tempos adotam esquema parecido.

Antes um jornal publicava matérias correlatas em páginas diferentes. Isso dificultava a leitura ao contrário de unir textos e imagens sobre determinado assunto sempre na mesma página ou nas mesmas páginas dependendo do porte da matéria.

Agora o Facebook projeta a implantação de algo semelhante, porém muito mais complexo, bastando se ver o número de mensagens que são enviadas para as redes sociais. Calcula o Facebook que nos Estados Unidos sejam 500 mil por dia, que irão para uma página específica ou páginas específicas que levam leitores, são milhões em todo o mundo, a poderem comparar as comunicações e assim afastar de cogitação aquelas que destoam das demais. 

PELA LÓGICA – Ou seja, o leitor, que também é transmissor de notícias, poderá verificar pela lógica e pela sensibilidade do que é verdadeiro e o que é falso. Na parte das imagens o mesmo ocorre, uma vez que existem peritos capazes de montar fotografias exibindo absurdos. Aliás não precisa ser perito, basta comparar fotos que reproduzem personagens, às vezes em situações que levam a pensar ser verdadeira a fotografia projetada.

Há um sistema para isso. Individualmente a pessoa pode verificar, mas impossível detectar montagens, digamos abrangendo 500 mil postagens como acontece nos Estados Unidos.  Verifica-se assim a enorme dimensão da comunicação eletrônica no Brasil e no mundo. O Facebook anuncia um botão de contexto específico para o Brasil.

Assim quem desejar mais informações a respeito desse botão mágico, penso eu, deve ler as reportagens a que me refiro. A abrangência das redes sociais foi decisiva para o primeiro turno das eleições de outubro. No segundo turno será mais fácil, pois ao invés de dar seis votos, como no primeiro, no caso do Rio de Janeiro serão duas marcações.

Redes sociais se firmam como o novo espaço sideral dos votos no país

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Os resultados das eleições do dia 07 de outubro surpreenderam observadores políticos e abriram, sem dúvida, um novo campo de análise das disputas através das urnas. O espaço tornou-se imenso na divulgação de mensagens, comentários e debates que além das telas da TV encontraram centenas e milhares de telas da internet. O fenômeno a mim transmite a sensação de ruptura com o meio de se fazer campanha até o passado recente. Descortina-se um novo espaço iluminado na busca pelo apoio popular. A mim veio a mente o filme de Stanley Kubrick, “2001 Uma Odisseia no Espaço”.

Anteriormente, as campanhas eram projetadas em diferentes planos mas com um universo muito menor daquele que foi aberto pelas redes sociais. Agora, o tempo do passado encontra-se ultrapassado pela velocidade da tecnologia que cada dia avança mais. Lá se vai o tempo dos comícios, das propagandas publicitárias, da aparição nos horários gratuitos da TV e do rádio.

NA TV E NA WEB – Na televisão, o predomínio desloca-se para os debates, pois confronto é sempre confronto e dá margem a teses diferentes, antagônicas e ideológicas. Mas no espaço da Internet destaca-se a comunicação direta que penetra nos domicílios dos eleitores, renovando questões praticamente a toda hora, e nesse jogo ficam as incertezas.

Quando se examina as votações de candidatos a deputados que oscilaram em torno de 300 mil votos, só pode haver uma explicação lógica: o poder da Internet. As mensagens implicam inclusive na trajetória de ida e vinda onde se destacam muitas opiniões diferentes mas também muitas convergentes.

É preciso que os partidos políticos deem mais atenção a esse universo que começa a ser explorado no plano político eleitoral.

MILHÕES DE POSTAGENS – Como acentuamos em artigo anterior. na reta final do primeiro turno registraram-se postagens em torno de 60 milhões de textos e imagens. Certamente reside aí o êxito de Jair Bolsonaro no primeiro turno.

É preciso levar em conta que as mensagens eletrônicas passaram a possuir uma comunicação enorme incluindo a retransmissão de postagens a favor e contra os candidatos.

Esta é uma nova realidade no plano dos embates eleitorais e na propaganda de candidatos a cargos no Legislativo. Este assunto é tão amplo que merece uma reflexão mais profunda.

Voltaremos ao tema.

FMI sugere que o Brasil congele os salários nos próximos cinco anos

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O Fundo Monetário Internacional – reportagem de Alvaro Fagundes e Sérgio Lamucci, Valor de ontem – agravou suas críticas à política fiscal do Brasil acentuando que em 2023 vai atingir em torno de 100% do PIB. Hoje, o endividamento está perto de 88% do PIB. Portanto, a pergunta que se faz é em que patamar se encontra a dívida nominal existente. Considerando-se que este ano de 2018 o PIB se mantenha em 6,6 trilhões de reais, verifica-se que o montante da dívida eleva-se às nuvens, registrando mais de 4 trilhões em valores nominais absolutos.

O FMI propõe ao governo de Brasília que congele pelo prazo de cinco anos os vencimentos do funcionalismo federal e os salários dos servidores das empresas estatais.

ESTRANHEZA – Sem dúvida, é estranha essa proposta, uma vez que nem por isso os preços administrados vão deixar de subir no quinquênio abrangendo os exercícios de 2019 a 2024. Inclusive fica-se sem saber se o FMI, no seu estudo, levou ou não em conta o salário mínimo nacional.

Sobretudo, porque a lei em vigor determina ajustar o piso mínimo à base da inflação oficial somada ao crescimento do PIB. No Brasil 1/3 da mão de obra ativa recebe mensalmente um salário mínimo.

DESEMPREGO – A questão do emprego é o maior desafio para o próximo governo, uma vez que, se houver congelamento de salários, a contribuição para o PIB vai também ser afetada, ficando contida numa parcela menor ainda de sua presença nos cálculos do Fundo Monetário Internacional.

Uma coisa leva consigo a uma outra parte menos visível para a opinião pública. E trata-se de uma matéria importante em relação a qual Jair Bolsonaro e Fernando Haddad devem se manifestar ao longo do espaço de tempo que termina a 28 de outubro. Isso porque a dívida bruta do país aumenta à medida em que, para a rolagem do total de hoje, a juros de 6,5%, a cada ano são emitidas novos papeis do Tesouro no esforço em vão para impedir um crescimento ainda maior da dívida.

100% DO PIB – O FMI estima que em até 2023, mantido o ritmo atual, o endividamento brasileiro chegará 100% do PIB. Curioso é acentuar que o FMI não inclui em seu projeto a cobrança das dívidas que empresas possuem junto ao governo e também com a Previdência Social.

Por que o FMI não se preocupa com o lado das empresas e só focaliza as folhas de pessoal?

Um forte sentimento de renovação irrompeu das urnas em 7 de outubro

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Charge do Adão (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Foi exatamente isso que ocorreu nas eleições de domingo, bastando dizer que a taxa de renovação na Câmara Federal alcançou 52%, um recorde na política brasileira. Tradicionalmente, esse índice oscilava em torno de 35%. Mas agora subiu, apesar dos recursos do Fundo Partidário terem sido distribuídos por aqueles que comandam as legendas. Isso significa a força do vento renovador. Sobretudo porque, não podendo competir com os caciques, os estreantes não tinham como aplicar muito dinheiro nas suas campanhas.

A propósito, foi a campanha de menor custo de todos os tempos, pois os candidatos trocaram as ruas e os redutos de votos pelas redes sociais.

RECORDE – O número de mensagens divulgadas pelas redes sociais por parte dos principais candidatos superou um total de 50 milhões de postagens. Bolsonaro bateu o recorde com 28 milhões de mensagens. Fernando Haddad, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e Marina Silva produziram, cada um, postagens em torno de 5 milhões de textos e imagens.

Enquanto se aguarda o segundo turno, destacam-se os problemas que surgiram das pesquisas eleitorais, realizadas tanto pelo Ibope quanto pelo Datafolha e outros institutos. O que terá acontecido? As arrancadas nos dois últimos dias das eleições traduzem bem o sentido que escapou aos institutos.

Exemplos não faltam. O mais significativo refere-se a disputa no Rio de Janeiro. Pois os levantamentos apontavam um destaque para Eduardo Paes e Romário, enquanto Wilson Witzel (PSC) aparecia distante dos dois que dividiam o favoritismo. Mas o fato é que o ex-juíz passou de passagem para o primeiro posto, ultrapassando Eduardo Paes por larga margem. Romário conseguiu obter uma parcela mínima de votos.

RENOVAÇÃO – A matéria sobre a renovação da Câmara Federal, Valor de ontem, é de autoria de Raphael di Cunto. A que trata da impressionante chegada de Witzel, na Folha de São Paulo, é de Ítalo Nogueira.

O Ibope, o Datafolha e os outros institutos devem explicações à opinião pública. Principalmente quanto às modificações que se verificaram 48 horas antes das urnas.

Eleitor diz nas urnas que não suporta mais corrupção, violência e promessas

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Charge do Rafael (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O título representa, em síntese, os principais problemas que afetam a população e que são alvo de promessas vãs que atravessam o tempo mantendo o que o povo repudia, usando o engodo e a falsidade, que é a marca da velha política. Não quero dizer com isso que sou adepto da ilusão. Pelo contrário, o país chegou ao ponto que está em consequência da gigantesca corrupção que marcou os governos Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer.

Primeiro o ex-presidente Lula fatiou as diretorias da Petrobrás, transferindo-a para as diversas bancadas no Congresso Nacional. Não precisava fazer nada disso para assegurar a maioria parlamentar. Dilma Rousseff, como não podia deixar de ser, pois era a sombra de Lula no Planalto, se omitiu concordando com a herança que lhe caiu nas mãos junto com a faixa presidencial. Do governo Michel Temer sequer vale a pena acentuar os erros e tropeços. Basta dizer que vários ministros seus foram acusados de corrupção.

EXEMPLO DE GEDDEL – O tesouro de Geddel Vieira Lima transforma-se numa síntese inultrapassável. Nas áreas urbanas, a violência é uma trágica situação. As promessas federais, estaduais e municipais chegaram a um ponto máximo de ilusão.

Contra tudo isso o povo deu a resposta irrecorrível nas urnas de domingo. Não estou querendo dizer que Jair Bolsonaro significa salvação e a direção correta das atuações do poder público. Ninguém vai cometer a ingenuidade de considerar possível uma mudança radical que envolva as questões políticas e administrativas.

Entretanto a esmagadora maioria do eleitorado vislumbrou no candidato do PSL uma saída a curtíssimo prazo. Não é nada disso. Mas o povo colocou seus votos nas urnas para responder à inércia, a omissão e o assalto aos cofres públicos. Mas temos que esperar o desfecho final no dia 28 de outubro. A resposta contra tudo isso foi dada há dois dias. Vamos ver o que vem pela frente.