Parecer de Zveiter foi arrasador para Temer, uma vitória da moral e da ética

Resultado de imagem para parecer de zveiter charges

Zveiter apresentou um parecer irrefutável à CCJ

Pedro do Coutto

O parecer do deputado Sérgio Zveiter pela admissibilidade da acusação do procurador-geral Rodrigo Janot contra Michel Temer foi de fato uma peça arrasadora para o atual presidente da República e uma vitória retumbante da moral e da ética pública, portanto, uma vitória da sociedade brasileira como um todo. Quem assistiu à reportagem da Globonews, na íntegra, incluindo a transmissão do parecer e da resposta do advogado Cláudio Mariz de Oliveira, percebeu a realidade do processo, marcado por seu ineditismo até esta segunda-feira.

Como sustentou o relator, não se tratou do julgamento penal de um presidente da República, a meu ver ingressando no crepúsculo político. Uma coisa, como já sustentei em artigo anterior, é admitir a possibilidade de alguém ser julgado, o que não significa antecipar sua condenação. Por isso achei fraquíssima a defesa em tom grandiloquente de Mariz de Oliveira. Seu empenho, refletindo o de Michel Temer é o de tentar barrar o julgamento e não provar a inocência material do acusado.

É CULPADO – Se Mariz de Oliveira considerasse Michel Temer inocente, deveria pautar seu discurso, cujo estilo pertence ao passado remoto dos tribunais, pelo julgamento do presidente da República, ao invés de se esforçar para barrar no início o processo e a sentença.

A sentença, aliás, já está no pensamento e na voz dos brasileiros e brasileiras. Pois ninguém em plena consciência acredita que Rocha Loures agiu por si próprio somente, sem autorização do presidente Michel Temer. Inclusive se Loures agisse por si próprio, evidentemente não receberia na noite paulista a mala repleta de 500 mil reais. Não adianta negar tal indício, reforçado em sua substância pelo diálogo que Michel Temer manteve com Joelsley Batista no Palácio Jaburu.

BANDIDO AMIGO – Não adianta também tentar desqualificar Joesley Batista, atitude assumida por Michel Temer e o senador Aécio Neves. Pois se Joesley Batista é um bandido, na versão do presidente e do senador, como esse presidente vai a seu casamento, viaja em seu avião particular e o recebe na sua residência oficial de Brasília e com ele mantém o diálogo que a gravação registra e confirma?

Se Joesley Batista é um criminoso, cujas penas deveriam atingir um milênio de prisão, como disse o senador Aécio Neves, como então o mesmo Aécio Neves poderia aceitar negociar um empréstimo de 2 milhões de reais com um personagem que representa em si um símbolo marcante da corrupção e do crime?

COINCIDÊNCIA?– Não creio que por coincidência Aécio Neves continue se empenhando para que o PSDB, partido de que está afastado da presidência, não desembarque da viagem empreendida por Michel Temer que agora foge do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

O parecer de Sérgio Zveiter terá que ser referendado pela Câmara Federal. Mas já foi apreciado pelo Tribunal da opinião pública em julgamento quase total e definitivo.

Esta semana pode se tornar a última escala de voo para Temer no poder

Resultado de imagem para temer com asas charges

Charge do Chico Caruso (O Globo)

Pedro do Coutto

É isso. A semana que está começando será extremamente crítica para o presidente da República e pode se tornar a última escala de sua viagem pelo poder. Três fatos se destacam nesse sentido: o relatório Sérgio Zveiter na Comissão de Constituição e Justiça, a aproximação entre Henrique Meirelles e o deputado Rodrigo Maia – reportagem de Bruno Boghossian e Marina Dias, Folha de São Paulo de domingo – e a votação da reforma trabalhista terça-feira pelo Senado Federal.

A rigor, são três capítulos lançados de uma só vez e que têm como a parte mais sensível o enfraquecimento cada vez maior daquele que ocupa ainda o Palácio do Planalto. Ao partir de Hamburgo retornando a Brasília, Michel Temer afirmou estar “tranquilíssimo”. Puro lance no sentido de iludir a opinião pública. Ele não poderia falar outra coisa, mas isso não representa que tenha falado a verdade.

NA CORDA BAMBA – Não é possível alguém situar-se num mar de tranquilidade, quando, ao que tudo indica, sofrerá um impacto no relatório preliminar contra si, a ser destacado na Comissão de Constituição e Justiça e que, sem dúvida, terá repercussão forte no palco político nacional.

Outra realidade que surge está contida na iniciativa de Henrique Meirelles de traçar um cenário de ação econômica com o deputado Rodrigo Maia. Meirelles, no relato de Boghossian e Marina Dias, deseja ainda mais autonomia proposta, que faz num momento de alvorada que deve marcar a sucessão presidencial que se descortina para breve. A conquista de mais espaço, além do que já possui, inclui a direção do BNDES. Ele já tem o Banco Central e o Ministério do Planejamento. Quer mantê-los e une o BNDES à sua área de influência.  São condições para permanecer no revezamento que se projeta na Esplanada de Brasília.

MANCHETE DA ÉPOCA – Além desse elenco de fatos, segundo a manchete da Revista Época que está nas bancas, haverá também comparecimento maciço de deputados para decidir o afastamento ou não do presidente da República. O cenário culmina com praticamente a certeza de que Michel Temer perdeu as condições de governar.

O PSDB, afinal, deve desembarcar do voo do poder. Os sintomas apontam para a escala final de um governo que perdeu a si mesmo. Não se pode esquecer também a hipótese dramática de uma delação de Eduardo Cunha. Uma dose para dinossauro.

Área econômica começa a deixar Michel Temer e aceitar Rodrigo Maia

Resultado de imagem para cartoon

Charge do Miguel (Jornal do Comércio/PE)

Pedro do Coutto

Manchete principal da edição de O Globo deste sábado e matéria também de grande destaque no Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, a área econômico-financeira do país – reportagem de Ana Paula Ribeiro, João Sorima Neto e Luciane Carneiro – começa a aceitar a transferência de poder de Temer para Rodrigo Maia, como caminho mais favorável ao atual panorama político do Brasil.

O afastamento do mercado do governo atual retira uma das principais bases de apoio que ainda sustentava o Planalto. Essa movimentação política, inclusive de acordo com Gustavo Uribe, Daniel Carvalho e Talita Fernandes, Folha de São Paulo, motivou até setores governistas que passaram a admitir o afastamento de Michel Temer do poder, mas a permanência da equipe econômica do Ministro Henrique Meirelles numa administração Rodrigo Maia.

DÍVIDA PÚBLICA – O principal ponto de vista dessa corrente governamental projeta-se na manutenção de Henrique Meirelles à frente da Fazenda. Com o afastamento do mercado, principalmente do sistema bancário, que é o principal credor da dívida pública brasileira, que já atinge, como escrevemos recentemente neste site, quatro 4,6 trilhões de reais, incluindo débitos dos Estados, Municípios e estatais, o presidente fica isolado, contando com o apoio apenas de deputados e senadores em margem restrita, ao contrário da maioria que o sustentava a partir do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O atual governo vem sofrendo um processo de diluição através do qual perdeu, acredito, pelo menos 70% de seu poder e de sua base de apoio. Verifica-se esse processo inclusive pela iniciativa da direção nacional do PSDB, hoje nas mãos do Senador Tasso Jereissati, para que a legenda afaste-se da coligação que constituia a base parlamentar do Executivo.

AGRAVAMENTO – O processo crítico ainda tende a se agravar mais, a partir da delação anunciada do ex-deputado Eduardo Cunha. Portanto, em seu retorno de Hamburgo, na realidade Michel Temer encontrou um cenário ainda pior daquele que deixou ao viajar para a Conferência do G 20.

Sua manutenção no Planalto está praticamente por um fio. Sem maioria parlamentar, sem apoio do mercado, na véspera do relatório de Sérgio Zveiter sobre a denúncia de Rodrigo Janot, o atual  presidente da República ingressou no seu crepúsculo político.

O Palácio Alvorada parece que terá em breve um novo ocupante.

PSDB abandona Temer e articula Rodrigo Maia para completar mandato

Resultado de imagem para tasso jereissati charges

Jereissati comanda o desembarque tucano

Pedro do Coutto

Em entrevista a Junia Gama , O Globo desta sexta-feira, o presidente do PSDB Tasso Jereissati afirma que o país com Michel Temer caminha para a ingovernabilidade e, para evitar tal desfecho, deve ser substituído na presidência da República pelo deputado Rodrigo Maia, seu sucessor natural e que tem condições de juntar os partidos ao redor de um nível mínimo de estabilidade para o país. Paralelamente a isso, em Buenos Aires o deputado Rodrigo Maia disse (matéria de Janaina Figueiredo, também em O Globo), que a denúncia de Rodrigo Janot contra o presidente da República é um fato muito grave.

A entrevista de Rodrigo Maia foi na residência do embaixador do Brasil. Esclareceu que sua viagem estava marcada há dois meses e que informou a Michel Temer de sua ida à capital da Argentina. Acrescentou que sua ausência do país tinha sido marcada porque Michel Temer havia lhe assegurado que não iria a Hamburgo para a Reunião do G-20. O presidente disse uma coisa e fez outra.

DESEMBARQUE -Tasso Jereissati afirmou também que está defendendo o desembarque do PSDB do governo e que tem se articulado com o DEM, partido de Rodrigo Maia. “Não conheço nenhum partido, incluindo o PMDB, cuja maioria não esteja a favor da saída do presidente Michel Temer”, disse. Para Tasso Jereissati, o deputado Sérgio Zveiter, relator da denúncia de Rodrigo Janot contra Michel Temer, deve dar parecer a favor do afastamento do presidente.

O afastamento, pela Constituição tem que ser de até seis meses e por isso o melhor caminho é a substituição definitiva do chefe do governo.

###
CUNHA, O HOMEM QUE SABIA DEMAIS

O ex-deputado Eduardo Cunha, revela O Globo, está negociando termos para fazer uma delação premiada a ser proposta à Procuradoria Geral da República. Eduardo Cunha, na realidade transformou-se no personagem de Hitchcock, na medida em que integrava um amplo esquema de corrupção que funcionava em múltiplas frentes. O homem atuava na Petrobrás, Caixa Econômica Federal, BNDES, no sistema de financiamento através do FGTS e em diversas outras modalidades capazes de lhe proporcionar comissões ilegais.

Uma coisa torna-se certa: se ele propõe delatar, é porque tacitamente confessa sua participação no assalto ao patrimônio público. Tem o que contar, portanto. Mas precisa agir rapidamente, porque poderá ser ultrapassado por outros delatores, como é o caso de Lúcio Funaro. De qualquer forma, os segredos que pretende publicar no livro que anunciou, seguramente vão causar um abalo profundo, desestabilizando a equipe do Planalto, a começar pelo presidente Michel Temer e pelos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

A era Temer, pelo que os fatos indicam, chegou ao fim da estrada. O Valor de sexta-feira publica como manchete principal – reportagem de Raphael Di Cunto e Vandson Lima – que Michel Temer perde apoio político e Rodrigo Maia já se articula com o mercado financeiro. Essa articulação inclui a permanência de Henrique Meirelles e da equipe econômica.

Ao desafiar Janot, o advogado de Temer desagradou ao Planalto

Resultado de imagem para mariz de oliveira

Mariz desafiou Janot para fazer debate na CCJ

Pedro do Coutto

Ao entregar nesta quarta-feira a versão do presidente MIchel Temer em sua defesa à Câmara dos Deputados, – reportagem de Cristiane Jungblut, Eduardo Bressiani e Gabriel Carvalho O Globo de quinta-feira – o advogado do presidente da República, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, desafiou o procurador Geral Rodrigo Janot para um debate na Comissão de Constituição e Justiça.

O presidente da CCJ, deputado Rodrigo Pacheco, encontrava-se em dúvida quanto à presença de Janot, a ser convocado por qualquer deputado da Comissão. No final da tarde desta quinta-feira, acabou por indeferir a convocação de Janot e dos peritos da Polícia Federal, entre outros. Com isso, ficou sem resposta o desafio feito pelo  advogado Mariz de Oliveira, ao demonstrar sua disposição de enfrentar o Procurador Geral num debate. Não é mais necessário que Janot aceite ou não o repto.

OBRA DE FICÇÃO? – O advogado Mariz de Oliveira afirmou que as acusações contra o presidente da República são uma obra de ficção. Mas o próprio Michel Temer não pensa assim. Ele admite dificuldade, conforme reportagem de Daiene Cardso, Tânia Monteiro e Isadora Peron, O Estado de São Paulo. A matéria sustenta que, diante das dificuldades existentes, o próprio Temer decidiu assumir diretamente a negociação de votos para que possa escapar do desfecho que a denúncia poderá lhe ser negativo.

A situação esta semana se agravou sensivelmente. Temer, na versão dos repórteres Rafael Di Cunto e Marcelo Ribeiro,  no Valor, na medida em que o Planalto não conta mais com o apoio de Rodrigo Maia. O presidente da Câmara tem traçado com correligionários o desenvolvimento de cenários que possam culminar com o afastamento de Michel Temer. Em tal hipótese, ele, Maia assumiria a presidência da República por seis meses.

PEGOU MAL –  Voltando às afirmações do advogado Mariz de Oliveira pode-se concluir que o desafio a Rodrigo Janot desagradou o Palácio do Planalto. No momento em que Michel Temer empenha-se por reduzir a grande repercussão jornalística do processo contra ele, seu advogado principal agiu exatamente em sentido contrário.

O desafio público que Mariz dirigiu a Janot seria inevitavelmente aceito pelo Procurador Geral. Dessa forma, a transmissão dos trabalhos da CCJ alcançaria uma audiência recorde nos canais a cabo. Infelizmente, porém, não teremos essa oportunidade de assistir, ao vivo e a cores, esse debate-desafio entre Mariz e Janot. É uma pena, mas o que fazer?

Pacheco, da CCJ, diz que admissibilidade da denúncia é diferente de julgamento

Resultado de imagem para rodrigo pacheco

“Quem vai julgar é o plenário”, esclarece Pacheco

Pedro do Coutto

Numa entrevista à Globonews no início da noite de terça-feira, o deputado Rodrigo Pacheco, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a propósito da apreciação sobre a denúncia de Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer, afirmou que admissibilidade é uma coisa; julgamento do conteúdo da representação é outra. Pouco antes de designar o deputado Sérgio Zveiter como relator da matéria, Rodrigo Pacheco colocou claramente a diferença.

Ao longo da entrevista o presidente da CCJ destacou sua independência em relação ao episódio que se projeta, acentuando que aprovar a aceitação de uma matéria não significa, em princípio, concordar com seu pretendido desfecho.

SEM PRESSÕES – Por seu turno, Sérgio Zveiter – reportagem de Catarina Alencastro, Letícia Fernandes e Cristiane Jungblut, O Globo desta quarta-feira – fez questão de destacar que não aceitará pressões no que se refere à elaboração de seu parecer.

As três repórteres assinalam paralelamente que a escolha de Zveiter desagradou o governo. Por que teria desagradado? Só pode ser porque o Palácio do Planalto insiste no esforço de barrar o exame da denúncia, preferindo assim sua rejeição liminarmente. O objetivo parece claramente inspirado numa incerteza e não no destemor de enfrentar um julgamento. Se o presidente da República considera-se inocente, não deveria temer (sem trocadilho) a tramitação e sobretudo o desfecho do processo.

APROVAÇÃO – Aparentemente, pelas afirmações de Rodrigo Pacheco e Sérgio Zveiter, é possível pensar-se na aprovação da admissibilidade pela Comissão de Constituição e Justiça. Inclusive de acordo com a reportagem de O Globo, 17 parlamentares da CCJ já se manifestaram no sentido da admissibilidade, cinco são contrários e 44 ainda sem opinião formada.

O episódio da Comissão de Constituição e Justiça, ainda que não definitivo, pois a decisão final cabe ao plenário, é politicamente muito importante pela repercussão que alcançará na imprensa.

É possível até que o relatório pela admissibilidade seja derrotado no âmbito da CCJ. Mas isso não bloqueia a repercussão pública de seu texto, sobretudo porque conterá as razões que o levaram ao ponto de vista mais crítico para o presidente da República.

REPERCUSSÃO – Assim, cada sessão do órgão será um fator de grande repercussão na sociedade, uma vez que as sessões da Comissão e do plenário serão transmitidas pela TV, o que certamente  dará margem a manchetes principais de O Globo, da Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo, jornais mais importantes do Brasil, podendo se incluir o Valor e o Correio Braziliense nesta lista.

A preocupação de Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco acentua bem a sensibilidade e a dimensão do debate cujo desdobramento é difícil prever.

Mas fácil prever é a condenação de Rocha Loures. A prisão de Gedel Vieira Lima é um enigma.

No Sindicato de Ladrões, a prisão de Geddel deixa Temer encurralado

Carlos Latuff / Brasil247

Charge do Latuff (reprodução do site 247)

Pedro do Coutto

O título do artigo reproduz o título do filme famoso de Elia Kazan com Marlon Brando no papel principal. O tema, que tem na prisão de Geddel Vieira Lima mais um capítulo, é uma teia sombria que se estende em torno do governo Michel Temer. O presidente da República encontra-se encurralado no Palácio do Planalto, lutando desesperadamente para tentar obstruir na Câmara dos Deputados o curso da denúncia formalizada contra ele por Rodrigo Janot, Procurador Geral da República.

Estranhamente, Temer, que devia ser o primeiro a querer elucidar a questão e comprovar sua inocência, ao contrário, lança-se freneticamente no empenho de barrar o curso da investigação e dos acontecimentos que a antecedem e podem sucedê-la de maneira capaz de culminar com seu afastamento do Palácio do Planalto.

GEDDEL NA PAPUDA – A prisão de Geddel Vieira Lima, acusado de corrupção, quando foi vice-presidente da Caixa Econômica no governo Dilma Rousseff, e de obstrução da Justiça, já no governo Michel Temer, tornou-se a manchete principal das edições de O Globo, Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo nesta terça-feira. No Globo, a reportagem é de Jailton de Carvalho; na Folha, de Camila Matoso; e no O Estado de São Paulo, de Fabio Serapião, Júlia Afonso e de Luiz Vassalo.

O abalo político, mais um capítulo da crise, evidentemente tornou o presidente da República ainda mais inseguro e mais vulnerável diante da ação movida por Rodrigo Janot, sobretudo porque o procurador deverá ser convocado a depor na Comissão de Constituição e Justiça e com isso os aliados do presidente Michel Temer preocupam-se com a repercussão do depoimento, situação agravada com a falta de explicações por parte do presidente da República capazes de rebater as suspeitas que o envolvem , inclusive no seu relacionamento com Rocha Loures.

SILENCIAR LOURES – De fato a partir do instante em que MIchel Temer recebeu favoravelmente a transferência do homem da mala da prisão comum para a prisão domiciliar, deixa evidente que seu objetivo é evitar o depoimento de seu ex-assessor. A respeito de Rocha Loures, não há motivo para festejar. Isso porque passou a aguardar em casa, com tornozeleira, a inevitável condenação pela Justiça Federal.

Na sequência de páginas negativas no capítulo que marca o início da semana, segundo reportagem de Carla Araújo, O Estado de São Paulo de terça-feira, a equipe do presidente da República foi acometida de mais um temor – a investida de Rodrigo Janot contra os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

É dose muito forte para o governo que já tem dois ex-ministros presos por corrupção e o senador Romero Jucá destituído do Ministério do Planejamento. O fim da estrada aproxima-se cada vez mais.

Delfim Neto, traduzido, denuncia que o capitalismo brasileiro está sem controle

Resultado de imagem para delfim neto charges

Charge do Solda (cartunistasolda.com.br)

Pedro do Coutto

Numa entrevista de página inteira às repórteres Ana Estela de Souza Pinto e Érica Fraga, Folha de São Paulo desta segunda-feira, o ex-ministro Delfim Netto afirmou que o Brasil deixou o poder econômico controlar a política, acrescentando que o domínio do Congresso pelo setor privado anulou a força que poderia controlar o capitalismo do país.  Sua entrevista merece ser traduzida.

Enganam-se os que pensam que o processo de tradução restringe-se à passagem de um idioma para outro. Nada disso. Quantas vezes ouvimos pessoas dizerem uma coisa, mas que no fundo significa outra. Este caráter perceptivo da vida humana sem dúvida representa uma tradução. A tradução encontra-se também nas expressões faciais, nos olhares, até nas sílabas. Quanta coisa é interpretada dessa forma? Dessa maneira, interpretar pode ser sinônimo de traduzir. De uma língua para outra, o tradutor tem que encontrar a palavra que corresponda ao peso certo da expressão original.

PESO DA CORRUPÇÃO – No caso da entrevista à Folha de São Paulo, Delfim Netto, no fundo, referiu-se ao peso da corrupção que imobilizou a capacidade positiva e construtiva do sistema político. Tanto assim que, no diálogo com Ana Estela e ´Erica Fraga, sustentou que a principal revelação da Lava-Jato está no fato de o setor privado ter conseguido anular a única força que controla o capitalismo, que é o Congresso Nacional.

Reforçando a minha convicção de que é necessário traduzir corretamente suas palavras, vejamos o que aparece na frase seguinte da entrevista. Delfim diz que as denúncias do empresário Joesley Batista contra o presidente Michel Temer “tem proporções catastróficas e tornaram impossível prever quando o Brasil sairá da crise em que se encontra”.

Na opinião de Delfim, entretanto, Temer é a solução menos pior para o momento. “Não acredito”, disse, “que uma eleição indireta produza um equilíbrio maior do que o atual, incluindo todos os problemas que o poder hoje é capaz de produzir”.

Delfim Neto, hoje também colunista semanal da Folha, foi ministro da Fazenda do governo Costa e Silva, da Agricultura no governo Médici e do Planejamento no governo João Figueiredo. No governo Ernesto Geisel foi embaixador em Paris. Trata-se de profundo conhecedor dos sistemas militares de poder que se alongaram por mais de 20 anos no Brasil.

Delfim Neto conhece as estradas da economia e aquelas que transportam os interesses do Palácio do Planalto ao Congresso Nacional. Fica, portanto, assinalada sua visão do Planalto e da planície.

###
ADVOGADO DISCORDA DE TEMER

Por falar em visão, sem dúvida interessante a entrevista do advogado do presidente Temer, Antonio Cláudio Mariz de Olivera, a Fausto Macedo e Eduardo Kattah, O Estado de São Paulo, edição de domingo. O advogado contesta a estratégia política de quem o contratou, tanto assim que condena a pressa pretendida pelo Planalto em matéria de apreciação da denúncia do procurador Rodrigo Janot pela Câmara dos Deputados.

A pressa – assinalou – não pode ser em detrimento do conteúdo da defesa. Eu disse isso ao presidente. A visão do Planalto é uma e a minha visão é outra.

Até o advogado discorda do impulso inicial de Michel Temer. Coisas da vida.

Oswaldo Aranha, brilho eterno na estrada da História, na visão de Augusto Nunes

Resultado de imagem para oswaldo aranha

Aranha foi até capa da revista “Time”

Pedro do Coutto

Magnífico, brilhante, emocionado e emocionante o texto do jornalista Augusto Nunes sobre Oswaldo Aranha, personagem  marcante da História brasileira e também da História do mundo, pois foi ele o primeiro presidente da ONU, em 1947, único a ser reeleito no organismo internacional até os dias de hoje. Em seu artigo, Augusto Nunes destacou o livro que acaba de ser lançado, uma fotobiografia de Aranha, cujo autor é o diplomata Pedro Correa do Lago.

Augusto Nunes traça um perfil essencial que tanto unia quanto separava Oswaldo Aranha e Getúlio Vargas, fenômeno assinalado em vários momentos da trajetória que percorreram. A começar pela Revolução de 30. Governador do Rio Grande do Sul, Vargas hesitava em deflagrar o movimento que o conduziria a 15 anos de poder, oito dos quais como ditador.

EMOÇÃO PURA – Acho que Aranha era a emoção pura que faltava a Vargas, que, por seu turno, era a frieza que não motivava o comportamento emotivo do organizador da Conferência Pan-Americana do Rio de Janeiro em fevereiro de 42, no Palácio Tiradentes, quando Aranha em discurso arrebatado lançou a tese do alinhamento do governo brasileiro com os EUA e a Inglaterra.

Na América do Sul, o Brasil foi o único país a declarar guerra ao Eixo Nazifacista formado pela Alemanha de Hitler, pela Itália de Mussolini e também peloJapão, que em dezembro de 41 desencadeara a guerra no Oriente contra os EUA.

Falei em temperamento emotivo de Aranha e aqueles que o conheceram chamavam atenção para um aspecto essencial e definitivo: emocionava-se no trato com as pessoas e efusivamente seus olhos nunca estavam longe das lágrimas e de seu ímpeto conciliador e fraterno.

AMIGO DE ROOSEVELT – Vargas nomeou-o embaixador nos Estados Unidos, quando se tornou amigo do presidente Roosevelt e como ele assumia o papel de defensor da liberdade e dos direitos humanos.

Foi um elo decisivo na aliança Brasil/Estados Unidos. Pouco antes da conferência de 42, Vargas nomeou-o Ministro da Relações Exteriores.

Aproximava-se o fim da guerra e também a data prevista para as eleições brasileiras de 45. A figura de Aranha crescia excepcionalmente. Getúlio Vargas desejava alcançar um futuro mandato.  Aranha, pelo prestígio de possuía, tornou-se seu rival. No final de 1944, Aranha formalizava uma indicação para o Itamarati que necessitava da assinatura de Vargas.

Vargas não assinou, Aranha demitiu-se do posto. Era uma atitude de independência que marcou uma geração de políticos, como Augusto Nunes lembrou bem.

PASSADO E PRESENTE – Hoje, digo eu, o panorama mudou. Basta citar que o presidente Michel Temer recebeu com satisfação o despacho do Ministro Edson Fachin enviando Rocha Loures para a prisão domiciliar vinculado a uma tornozeleira eletrônica. Augusto Nunes acertou em cheio ao fazer a comparação entre o passado e o presente do poder no Brasil, para concluir que o nível de hoje encontra-se abaixo de zero.

Oswaldo Aranha tornou-se fundador da UDN e na campanha da redemocratização de 45 apoiou o brigadeiro Eduardo Gomes, comparecendo ao famoso comício dos lenços brancos no Largo da Carioca. O brigadeiro perdeu a eleição. Vargas apoiou o general Dutra.

DE NOVO, MINISTRO – O afastamento permaneceu por nove anos. Em setembro de 53 houve o reencontro com Vargas, então presidente pelo mandato conquistado nas urnas de 50. Oswaldo Aranha foi nomeado ministro da Fazenda, para uma curta permanência, porque em agosto de 54 o governo terminava com a tragédia e com a posse do vice Café Filho.

Aranha poderia ter mudado o curso do processo de 1964 se na eleição de 1960 tivesse sido candidato a vice-presidente na chapa do General Lott. Naquele tempo o presidente era eleito independentemente do vice, que disputavam uma outra eleição. Aranha podia ser derrotado por Milton Campos. Em qualquer hipótese, João Goulart não assumiria o governo na renúncia de Jânio Quadros. O homem e o seu destino.

Mas acontece que oito meses antes da eleição, em 27 de janeiro de 1960, após ser homenageado num jantar no Hotel Glória, Aranha faleceu aos 66 anos. E até hoje  o brilho de sua personalidade continua iluminando as páginas da história.    

Dívida pública bruta do Brasil, na realidade, já chega a 4,6 trilhões de reais

Resultado de imagem para dívida pública charges

Charge do Cicero (ciceroart.blogspot.com)

Pedro do Coutto

A informação foi divulgada na sexta-feira pelo Banco Central e publicada na reportagem de Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de São Paulo de sábado. Há poucos dias escrevi um artigo neste site dizendo que a dívida pública era de 3,2 trilhões de reais. Explico a diferença: a dívida federal direta é de fato de 3,2 trilhões, mas adicionados os endividamentos dos estados, municípios e da Previdência Privada, acrescenta a matéria, eleva-se a 4,6 trilhões.

Trata-se do maior encargo que recai sobre o governo federal. Basta dizer que a dívida bruta é girada à base da SELIC anual de 10,25%, A soma de tal encargo ultrapassa os 400 bilhões por ano, para chegar-se a essa conclusão basta calcular a incidência de 10,25% sobre o total de 4,6 trilhões de reais.

JUROS EXPLOSIVOS – A produção dos juros, assim, atinge uma quantia fabulosa de quase 500 bilhões de reais por ano. Várias vezes mais do que o déficit da Previdência Social Pública, a qual, na informação do BC atingiu 170 bilhões de reais nos doze meses que separam maio de 2016 de maio de 2017. Entretanto não houve nenhuma declaração do Ministro Henrique Meirelles sobre a dimensão do problema. Pelo contrário, ele concentra sua preocupação maior no déficit da Previdência Social, gerida pelo INSS.

Aliás, com base na matéria de O Estado de São Paulo, deve-se fazer a pergunta sobre qual a diferença apontada pelo Banco Central entre a Previdência Social Privada e a Previdência Social Pública, já que o próprio governo separa os dois setores ao focalizar a dívida bruta da ordem de 4,6 trilhões de reais.

Dá a impressão de que a Previdência Privada refere-se aos fundos de pensão de empresas estatais, como a Previ, do Banco do Brasil, a Petros da Petrobrás, a Funcef da Caixa Econômica e o Postalis da Empresa de Correios. Sim, porque não faria sentido que planos de Previdência Particular como os do Bradesco e Itaú, por exemplo, fossem deficitários. Ao contrário. São Bastante sólidos e têm captado recursos sempre crescentes por parte de famílias que temem sofrer prejuízos em consequência da perda de direitos com a reforma da Previdência Pública.

E AÍ, MEIRELLES? – Qual a solução do problema para reduzir a dívida interna? Eis aí uma pergunta que deve ser feita ao MInistro Henrique Meirelles.

Para conter o déficit do INSS, O Estado de São Paulo publica que o governo cogita suspender o pagamento do abono anual aos aposentados e pensionistas que recebem até dois salários mínimos.  A medida produzirá reflexos negativos, uma vez que 40% dos aposentados e pensionistas do INSS encontram-se nessa faixa salarial. Punir os mais pobres não é solução.

Temer apenas tenta barrar a denúncia, não importam os fatos que a compõem

Resultado de imagem para temer charges

Charge do Clayton (O Povo/CE)

04Pedro do Coutto

Ao comentar a estratégia do governo no caso da denúncia do Procurador Rodrigo janot, o jornalista Valdo Cruz afirmou, no programa Studio I, na tarde desta sexta-feira, que a estratégia do Palácio do Planalto é barrar, pelo voto, a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer. Se o governo empenha-se em barrar a sequência do processo, é porque não baseia seu comportamento na hipótese de refutar os fatos sobre os quais a acusação se projeta. Para Michel Temer e seus aliados no governo e na Câmara dos Deputados, contestar o conteúdo das denúncias não é relevante.

Não é relevante também, para quem ocupa o poder, a gravação feita pelo empresário Joesley Batista. Para o Planalto, pode ser irrelevante, mas para a opinião pública brasileira o episódio reveste-se de uma importância fundamental.

FATOS CONCRETOS – Aliás, o governo não vem dando importância a fatos significativos. Sua meta é continuar no poder à custa das manobras capazes de seduzir votos dos deputados que terão a seu cargo apreciar e decidir sobre a continuidade da queixa-crime colocada no cenário político do país pelo Procurador Geral Rodrigo Janot.

O governo, de fato, analisando-se bem suas colocações, dá mostras de certo distanciamento das questões nacionais.          Tanto assim que , entrevistado pela Globonews no início da noite de quinta-feira, o ministro Henrique Meirelles anunciou que se a previsão das contas públicas não se confirmar este ano, a solução será aumentar impostos.

Meirelles não levou em consideração o aspecto legal do tema. Aumentar impostos tem que partir de uma iniciativa do presidente da República, não da iniciativa do Ministro da Fazenda. Meirelles agiu como se fosse o chefe do Governo.

Entretanto sua previsão foi praticamente confirmada com base no resultado das contas governamentais do mês de maio. Segundo reportagem de Idiana Tomazelli e Eduardo Rodrigues, em O Estado de São Paulo de sexta-feira, o déficit foi de 29,3 bilhões de reais. Este resultado gerou desconfiança junto aos analistas econômicos, sobre a viabilidade da previsão de um déficit de 138 bilhões para todo o exercício.

MAIS IMPOSTOS – A desconfiança foi admitida por Ana Paula Vescovi, Secretária do Tesouro Nacional, ao revelar que há alternativas em estudos, como a elevação dos tributos que incidem sobre os combustíveis.

Vale a pena assinalar que o déficit registrado em maio refere-se ao resultado primário das contas públicas. Antes, portanto, da parcela relativa ao pagamento de juros pela rolagem da dívida interna do Brasil.

Essa dívida interna está em 3 trilhões de reais. Os juros da taxa Selic são de 10,25% ao ano. Portanto, essa conta vai longe. Muito longe.

Meirelles omite-se e não relaciona aumento do PIB ao crescimento populacional

Resultado de imagem para henrique meirelles

Meirelles anuncia cresimento fictício do PIB

Pedro do Coutto                            

O ministro Henrique Meirelles – reportagem de Chico Prado, edição de quinta-feira, O Globo – afirmou que a economia do Brasil deve crescer este ano na realidade um pouco abaixo de 0,5%. Não é crescimento. É retração, porque a avaliação do nível econômico exige um confronto com o índice demográfico, e Henrique Meirelles sabe muito bem disto,

Por exemplo: vamos dizer que o crescimento do Produto Increscimento terno Bruto de 2017 seja de 0,5%. Mas a população brasileira cresce à velocidade de 1% a cada 12 meses. A taxa de natalidade está em torno de 1,7%. A de mortalidade é praticamente de 0,7%, ou seja, anualmente, de cada mil pessoas morrem 7 no Brasil. O crescimento populacional, portanto, é de 1%, o dobro do aumento do PIB projetado para o mesmo período.

NOVA RETRAÇÃO – A comparação quer dizer que o PIB brasileiro per capita vai diminuir. Assim sendo, não haverá na verdade avanço econômico. Pelo contrário. Ocorrerá perda concreta. O PIB per capita é um detalhe importante, porém o índice mais significativo ainda é o crescimento da renda per capita, que de forma alguma está ocorrendo no país.

Nada mais concentrador de renda do que a corrupção. A esse propósito, deve se assinalar que processo de corrupção institucionalizada teve consolidação no governo Lula, prosseguiu na administração Dilma Rousseff e não diminuiu no curto espaço de tempo em que Michel Temer ocupa a presidência da República.

A contradição de Lula e do PT é que seu projeto de poder partiu de uma mensagem reformista, iludiu o povo, e se transformou em conservador. Michel Temer é um conservador por natureza. Entretanto o poder ameaça escapar-lhe das mãos.

Resultado de imagem para raquel dodge

Raquel Dodge tem um currículo expressivo

###
RAQUEL DODGE, NA VISÃO DE MIRIAM LEITÃO

Em artigo assinado na terceira página de O Globo desta quinta feira, a jornalista Mirian Leitão destaca que a carreira da procuradora Raquel Dodge, escolhida por Michel Temer para suceder Rodrigo Janot a partir de 17 de setembro, é marcada pela luta que ao longo de sua vida travou e trava contra a corrupção. Mirian Leitão, no seu evangelho, apresenta fatos concretos do combate que a procuradora desenvolveu através do tempo contra a improbidade administrativa.

Ressalta a denúncia que formalizou contra o governador de Brasília, José Roberto Arruda, cujo desfecho foi o afastamento do chefe do Executivo de Brasília.

Mirian Leitão apresentou outros fatos, um deles a atuação de Raquel Dodge contra o trabalho escravo que resiste no país mais de um século depois da abolição.

Essa apresentação acrescenta bastante para elucidar que o comportamento da futura Procuradora Geral não será de omissão, muito menos de conivência.

Aliás, nem poderia ser de outra forma. O processo contra Michel Temer foi apresentado por Rodrigo Janot. Temer talvez tenha esquecido que Janot fica na PGR até setembro e está deixando traçado um caminho que não permite retrocessos.

Em defesa surrealista, Michel Temer tenta escapar do fantasma Rocha Loures

Resultado de imagem para temer e rocha loures charges

Charge do Lezio (Diário da Região)

Pedro do Coutto

O presidente Michel Temer recorreu ao surrealismo, que na arte consagrou figuras como Luís Buñuel e Salvador Dali, para apresentar sua defesa em relação ao documento enviado pelo Procurador Geral Rodrigo Janot ao Supremo Tribunal Federal. Michel Temer absurdamente classificou a denúncia do Procurador Geral como uma obra de ficção. Pautando-se na ficção, Temer em sua teia tentou escapar do fantasma chamado Rodrigo Rocha Loures. Não teve nem poderia ter êxito.

As manchetes principais de O Globo, da Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo desta quarta-feira contém a forte reação contrária as expressões adotadas pelo chefe do Executivo. No Globo a reportagem foi de Letícia Fernandes e Eduardo Barreto. Na FSP de Gustavo Uribe e Marina Dias. No Estadão, a matéria leva a assinatura de Carla Araujo e Tânia Monteiro.

TEMER SÓ ACUSA – O presidente da República, na verdade não rebateu as acusações, tampouco, exigiu a apresentação de provas, como lhe cabia fazer. Não tocou no tema provas, claramente, porque elas existem de forma volumosa e irrefutável. Tanto assim que Michel Temer, analisando-se bem o conteúdo de seu pronunciamento não refutou a sustentação de Rodrigo Janot. Não. Acusou Janot de favorecimento voltado para o ex-procurador Marcelo Miller que trocou o Ministério Público pela tarefa de advogado que atuou em causa particular.

Marcelo Miller é um episódio à parte do emaranhado que conduziu Joesley Batista ao Palácio Jaburu e teve sequência na entrega de mala repleta de dinheiro por Ricardo Saud, executivo da JBF, a Rodrigo Rocha Loures, na sequência cinematográfica registrada pela Polícia Federal. Rocha Loures transformou-se numa espécie de fantasma que atormenta o pensamento e o comportamento concreto de Michel Temer. Tanto assim que o presidente da República sequer cita Rocha Loures, o que poderia acontecer na medida em que dissesse que Loures não agiu em seu nome na noite paulista.

NO LABIRINTO – O silêncio de Michel Temer reflete bem o labirinto pelo qual está caminhando. De forma não convincente, porque apontar um ato negativo de Rodrigo Janot não significa – nem poderia significar – que o comportamento do presidente da República tenha sido baseado na liturgia do cargo e nos princípios da ética e da legalidade. Uma coisa nada tem a ver com outra.

Michel Temer, para se absolver terá de enfrentar a realidade dos fatos e justificar-se a si mesmo. Como na obra conjunta de Buñuel e Dali, no filme L’age D’or, no qual os personagens principais não conseguem encontrar-se a si mesmos.

O tempo e os fatos correm contra o surrealismo presidencial. As acusações colocadas contra ele não são produto de uma obra de ficção. Pelo contrário. São a expressão dos acontecimentos marcados pelas imagens e pelas gravações. Michel Temer não conseguirá destruí-las. Elas fazem parte de seu processo político e sua passagem pelo poder.

Denúncia de Janot é arrasadora para Michel Temer e Rocha Loures

Resultado de imagem para temer e loures charges

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Pedro do Coutto

Sem dúvida alguma a denúncia apresentada por Rodrigo Janot contra Michel Temer é um documento arrasador para o presidente da República. A repercussão foi enorme nos jornais desta terça-feira, manchete principal de O Globo, da Folha de São Paulo, de O Estado de São Paulo e do Valor. No Globo a reportagem é de André de Souza e Eduardo Bressiani. Uma outra matéria, também no Globo, esta de Cristiane Jungblut e Letícia Fernandes, destaca o silêncio do Palácio do Planalto diante da denúncia, pois os houve reação na terça-feira.

O aspecto mais sensível da iniciativa do procurador-geral da República é que, para se defender, Michel Temer terá que acusar Rocha Loures, que foi filmado recebendo a mala de 500 mil reais. Temer, diante do abismo, só poderá dizer que Rocha Loures usou seu nome para obter a propina da JBS. Isso porque Loures entregou a mala, com 465 mil, à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Dias depois tomou a iniciativa de depositar os 35 mil reais restantes numa conta do governo na Caixa Econômica Federal.

UM DILEMA – Michel Temer, para armar sua defesa, defronta-se com o dilema que singularmente oscila entre voltar-se para desacreditar Rocha Loures, ou então assumir que o ex-assessor agiu em seu nome.

A situação de Michel Temer complica-se de maneira profunda, sobretudo porque, de acordo com o que publicaram a FSP e o Estadão, o ministro Edson Fachin ainda vai decidir qual a tramitação que atribuirá ao processo.

Pode ser que o encaminhe diretamente à Câmara Federal, mas é possível que abra prazo, no Supremo, para que Temer apresente as razões voltadas para sua defesa. Se a opção de Fachin for esta, o presidente da República terá que formular os termos de sua defesa ao ministro do STF, que em seguida encaminhará o documento a Câmara Federal. Como a denúncia de Rodrigo Janot será dividida praticamente em capítulos, para cada capítulo será adotado o mesmo ritual.

AO CONTRÁRIO – O fatiamento da acusação funciona ao contrário do que deseja o Palácio do Planalto que se empenha para uma apreciação em bloco das acusações de Rodrigo Janot, primeiro pela Comissão de Justiça, em seguida pelo plenário da Câmara Federal. Dividida em blocos a denúncia, cada um deles dará margem ao mesmo procedimento, expondo o presidente da República a uma série de constrangimentos. Isso se cada capítulo for rejeitado pela Câmara dos Deputados, que pode negar a sequência da denúncia evitando assim que se transforme em julgamento do presidente Temer pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.

A Constituição do país estabelece o julgamento do presidente da República pelo STF, no caso da prática de crimes comuns. Se fosse crime de responsabilidade, o julgamento caberia ao Senado Federal. Na hipótese de impeachment o destino do chefe do Executivo estaria nas mãos do Congresso Nacional. Foi o que aconteceu com a ex-presidente Dilma Rousseff.

JULGAMENTO NO STF – Entretanto, o impeachment, no caso de corrupção, não apaga a perspectiva de julgamento do presidente pelo plenário do STF. Seja como for, o desgaste político e moral de Michel Temer atingiu uma escala que a meu ver impede sua permanência à frente do governo, ainda que a Câmara não dê prosseguimento à denúncia de Rodrigo Janot.

Uma coisa é negar a licença para o curso de um processo criminal. Outra coisa é apagar os danos irreparáveis da investida da Procuradoria. Na realidade, o presidente Michel Temer agiu para se tornar o acusador de si próprio. Rodrigo Janot apenas deu forma e conteúdo à escolha feita por quem estava impedido de fazê-la.

Um claro enigma: depois de Temer, será Lula ou Bolsonaro?

Resultado de imagem para lula e bolsonaro chargesPedro do Coutto

O título deste artigo está inspirado no belo poema de Carlos Drummond de Andrade e os números que levam a esta imagem são produzidos por pesquisa do Datafolha, objeto de reportagem de Thais Bilenky e José Marques, sobre tendências de voto para uma sucessão presidencial, que, a meu ver, tanto pode ocorrer ainda em 2017 ou 2018. A hipótese de 2017, segue o raciocínio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, em artigo publicado na Folha de São Paulo desta segunda-feira, dirigiu um apelo ao presidente da República para num gesto lógico, convoque a sucessão presidencial para este ano. A reportagem de Thais e José Marques foi publicada na mesma edição da FSP.

O Datafolha colocou em questão vários cenários referentes às eleições presidenciais. Em todos eles Lula lidera, ora com 30%, ora com 29% das intenções de voto. Este me parece ser seu contingente eleitoral e se mantém estável, apesar da rejeição de 46 pontos que o atinge caso decole para a jornada da sucessão.

30 PONTOS – Optando pelos dois cenários mais lógicos projetados pelo Datafolha, verifica-se, primeiro: Lula 30 pontos, Bolsonaro 16, Marina Silva 15, Alckmin 8. Ciro Gomes aparece com 5. No segundo cenário, Lula mantém 30%, seguido por Marina Silva e Jair Bolsonaro empatados com 15 pontos, surgindo João Dória com 10%. Ciro Gomes permanece na faixa entre 5 a 6%. Luciana Genro aparece com apenas 2 pontos. Sua candidatura, pelo PSOL, fica estacionada sejam quais forem as alternativas.

O levantamento do Datafolha apresenta uma constatação interessante: enquanto Geraldo Alckmin reúne 8%, João Dória, também do PSDB, chega a 10 pontos. Curiosa perspectiva. O prefeito da cidade de São Paulo situa-se dois andares acima daquele no qual aterrissa o governador do estado.

Mas eu falei num claro enigma que a pesquisa ilumina, ao situar Lula da Silva e Jair Bolsonaro numa espécie de confronto entre o ex-presidente da República e o deputado federal representante da extrema direita. Não que Lula interprete a esquerda, melhor dizendo, uma posição de centro-esquerda, pois na verdade, depois de alçar voo com a mensagem reformista, transformou-se num líder conservador. Principalmente porque nada supera a corrupção em matéria de ideia concentradora de renda.

SEM FANTASIA – O líder do PT, podemos dizer assim, afastou-se da fantasia com que se apresentou sete vezes ao eleitorado brasileiro, em duas delas bancando Dilma Rousseff. Um recorde difícil de bater.

O claro enigma, síntese do panorama descortinado pelo Datafolha, encontra-se na possibilidade de Lula vir a ser condenado pelo juiz Sérgio Moro. Neste caso, os votos que acumula iriam para que candidatura?

Economistas querem mais transparência do IBGE quanto à inflação e consumo

Resultado de imagem para inflaçao e consumo charges

Charge do Cicero (cicero.art.br)

Pedro do Coutto

Um grupo de vários economistas – reportagem de Érica Fraga e Mariana Carneiro, Folha de São Paulo deste domingo – acentua que as últimas pesquisas divulgadas pelo IBGE mostram falhas e se transformam em preocupação. Essas pesquisas focalizaram o índice inflacionário, muito baixo, o crescimento do comércio em Santa Catarina, muito alto, e também quanto ao analfabetismo no país, que teria subido de 8,5 para 12,5%, entre os maiores de 14 anos. O analfabetismo foi registrado pela PINAD de 2015.

Os economistas Cimar Azeredo, Fernando de Holanda Barbosa, Marcos Lisboa e Cláudio Crespo analisaram as pesquisas e pedem mais transparência, de forma direta ou indireta.

HÁ CONTROVÉRSIAS – A transparência é essencial, uma vez que não é o caso apenas de metodologia, mas também da colocação de perguntas capazes de induzir a respostas desejadas pelos pesquisadores. Mas esta é outra questão.

O fato, no que se refere ao forte crescimento do comércio em Santa Catarina, suscita dúvida. Por que Santa Catarina? A taxa inflacionária recuou, encontrando-se numa projeção reduzida de 4% para os últimos 12 meses. No entanto, os salários, que são a verdadeira base do consumo, não foram corrigidos acima desse limite, o desemprego continua na escala de13,8% que corresponde à existência de 14 milhões de desempregados, pois a mão de obra ativa brasileira encontra-se no total de 104 milhões de homens e mulheres, correspondendo praticamente à metade do total de habitantes.

A GRANDE DÚVIDA – Qual fenômeno que poderia ter acontecido em Santa Catarina capaz de conduzir a um resultado positivo no que se refere ao mercado consumidor. Além disso, Santa Catarina representa um peso reduzido ao se pensar numa média algébrica abrangendo os demais 26 estados.

Aliás, por falar em média algébrica, que é a atribuição de pesos diferentes às parcelas do produto global, creio ser válido considerar que o reflexo econômico social de qualquer inflação não se faz sentir por igual em todas as camadas da população. É preciso levar em conta , de acordo com o próprio IBGE, que 1/3 dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil ganha um salário mínimo. E que 50% da mão de obra percebe até 3 salários mínimos mensais.

CORRELAÇÃO – Assim, à medida em que se consideram os efeitos inflacionários, é lógico concluir-se que quanto mais baixa for a remuneração salarial, maior será o reflexo do índice do custo de vida. Alimentação e transporte, além da moradia, absorvem parcelas percentuais mais elevadas para aqueles cuja remuneração mensal é menor. E a remuneração mensal é menor para a metade das classes trabalhadoras.

Portanto, a contenção inflacionária (seja em decorrência de uma política monetária colocada em prática, seja em consequência de uma recessão) não significa avanço social daqueles que formam a base da pirâmide.

À medida em que a renda sobe, o reflexo inflacionário torna-se menor, já que as despesas obrigatórias têm um peso mais baixo para aqueles que trabalham com rendimentos mais altos. No Brasil não são muitos os que têm remuneração mais alta, estimada na escala de 10 salários mínimos. Estes representam apenas entre 7 a 8% da população.

ALTA ELITE – Se elevarmos o patamar para 20 salários mínimos, vamos encontrar somente 0,8% da mão de obra ativa brasileira.

Se tudo é relativo, e só Deus é absoluto, como afirmou Einstein, temos que identificar em quais graus se traduz o efeito inflacionário sobre todas as faixas de rendimento.

Assim, chegamos à conclusão de que uma escala inflacionária baixa só produz efeitos evolutivos em matéria de renda para os que são melhor remunerados, portanto temos que procurar efeito de uma verdade setorial numa verdade geral. Como  é o caso da renda per capita, que é o resultado da divisão do Produto Interno Bruto pelo total da população.

Renda per capita é uma coisa. Redistribuição de renda é outra. E nada mais concentrador de renda do que a corrupção.

DataFolha e FHC deixam apenas por um fio Michel Temer no governo

 

Resultado de imagem para temer pendurado charges

Charge do Frank (Charge Online)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha, reportagem de Thais Bilenky, Folha de São Paulo, e a entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, matéria de Adriana Ferraz, O Estado de São Paulo, nas edições deste sábado da Folha e do Estadão, sem dúvida alguma contribuem fortemente para deixar por um fio o elo político que ainda mantém Michel Temer no Palácio do Planalto.

Somem-se aos dois conteúdos o resultado da perícia feita pela Polícia Federal na fita gravada por Joesley Batista e a decisão do ministro Edson Fachin de determinar ao Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que tome a iniciativa de formalizar a denúncia contra Temer, por corrupção e obstrução da Justiça, para se chegar a conclusão da extrema fragilidade de um governo que perdeu a si mesmo e, com seu isolamento na opinião pública, tornou-se um fator muito forte de contrariedade por parte da população.

RENÚNCIA – Tanto assim que o Datafolha aponta que nada menos que 76% dos brasileiros desejam que o atual presidente renuncie. Ao lado desse resultado desgastante, ainda por cima 69% consideram sua administração entre ruim e péssima. Tal resultado só é ultrapassado pela conclusão a que o Datafolha Chegou, há 28 anos, quanto ao conceito final sobre o ex-presidente José Sarney, época da hiperinflação que se abateu sobre o Brasil. O ministro da Fazenda era Mailson da Nóbrega.

Fernando Henrique Cardoso afirma que, ao apresentar acusação formal contra MIchel Temer, Rodrigo Janot tornar-se-á personagem de uma situação inédita em toda a República brasileira. Estará formado, acentuou, um panorama gravíssimo, cuja solução reside na antecipação das eleições presidenciais de 2018.

AGRAVAMENTO – Se antes da viagem à Rússia e a Noruega, Michel Temer já se deparava com um quadro profundo de desgaste, a partir de agora enfrentará uma situação ainda mais grave. É como, para citar uma expressão usada por Tennessee Williams, o clima é do fundo de um saco sem fundo. Michel Temer desabou. E com ele seu governo.

Perdeu as condições de permanecer no Palácio do Planalto. Acredito que a melhor solução é a proposta por FHC. E não se diga que há o problema de tempo para que as eleições se realizem. Como já escrevi recentemente, há o exemplo de 1945, quando, a 29 de outubro, o ditador Getúlio Vargas era deposto do poder. As eleições para presidente e Assembléia Nacional Constituinte se realizaram normalmente no dia 02 de dezembro. O General Eurico Dutra foi eleito com 52% dos votos.

Não havia voto eletrônico e nem internet. Era o tempo em que os eleitores e eleitoras colocavam num envelope as cédulas impressas com o nome dos candidatos. Isso aconteceu exatamente há 72 anos.

Pezão, uma calamidade que se aproxima do desfecho final no Rio de Janeiro

Resultado de imagem para PEZAO CHARGES

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Os servidores do Estado do Rio de janeiro podem fornecer a prova mais contundente sobre o governo calamitoso de Luiz Fernando Pezão. O governo estadual, por exemplo, ainda não conseguiu pagar o 13º salário de 2016. Nós estamos em 2017 e a administração adotou um parcelamento salarial para pagar o funcionalismo público. Como é possível uma coisa dessas? Na realidade, este e outros fatos decretam a falência política de um governo que efetivamente começou tendo Pezão como vice de Sérgio Cabral.

A reportagem de Antonio Werneck, Erenice Botari e Nelson Lima Neto, O Globo desta sexta-feira, expõe bem o quadro de descalabro que envolve a administração, aliás a desadministração, que norteia os passos do governo estadual. Ao ponto do deputado Jorge Picciani, presidente da Assembléia Legislativa, ter colocado em pauta ou a intervenção federal ou o impeachment, do atual desgovernador.

JOGANDO A TOALHA – O próprio Pezão – destaca a reportagem – admitiu que poderá não concluir seu mandato. Em tal hipótese encontra-se o motivo de plena satisfação por parte do funcionalismo público, incluindo os aposentados e pensionistas. Não bastasse o descalabro de Pezão não cumprir suas obrigações constitucionais, a repórter Juliana Castro, edição de O Globo de quinta-feira, revelou que a Polícia Federal obteve uma correspondência do operador Luiz Carlos Bezerra com Luiz Fernando Pezão.

Luiz Carlos Bezerra era um dos operadores financeiros do ex-governador Sérgio Cabral. Para a Polícia Federal tal correspondência aproxima o então vice-governador do esquema que levou o ex-governador à prisão, incluindo uma pena de 14 anos estabelecida pelo juiz Sérgio Moro. É difícil acreditar que Pezão não soubesse o que se passava nas sombras do Palácio Guanabara. Mas não é esta a questão essencial.

A questão essencial está na calamidade a que o Rio de Janeiro foi condenado pelas ações e ao mesmo tempo omissões de Fernando Pezão. Falei a pouco no descumprimento de disposições constitucionais. Reforçando este ângulo, lembro o voto magistral do ministro Luiz Roberto Barroso no julgamento da validade da colaboração premiada de Joesley Batista da JBS.

LEALDADE – O Estado tem que ser leal. Com esta frase o ministro Barroso selou o destino da votação. Transferido esse exemplo genérico para o estado do Rio de Janeiro, veriifica-se que Luiz Fernando Pezão descumpriu o princípio e não só acrescentou parcelas à ruina do Rio de Janeiro, como também não agiu com a lealdade essencial, base filosófica do exercício do poder.

Basta citar como exemplo o odioso e absurdo parcelamento dos salários dos servidores: 300 reais em determinado dia, 700 em outro, enfim um sinuoso calendário fatídico para a vida de aposentados, pensionistas e funcionários em geral. E também, sobretudo, para o conceito público do próprio personagem que deveria encarnar o papel insubstituível de governador de estado.

Ao admitir que poderá não terminar seu infeliz mandato, Luiz Fernando Pezão praticamente lançou a toalha da derrota e da vergonha que um homem público deve sentir pela sua própria atuação a frente de um sistema social que deveria estar voltado para garantia dos direitos individuais e coletivos.

QUE SAIA LOGO -Os funcionários da ativa, aposentados e pensionistas, diante da reportagem de O Globo desta sexta-feira, estão unidos por um só pensamento e uma só vontade: que a saída do governador Pezão se realize o mais breve possível. Ele não cumpriu o contrato humano que deve ser a base da administração pública.

Agiu exatamente em sentido contrário. Ficará na história como o pior, ou um dos piores governadores que o estado do Rio de Janeiro elegeu. A única dúvida dos personagens Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão oscila em torno de definir qual dos dois causou maiores prejuízos à população.

É uma escolha difícil. Até porque Pezão pertenceu ao elenco que atuava no Palácio da Rua Pinheiro Machado desde 2006. Uma longa e calamitosa jornada. Sem dúvida.

Validade da delação da JBS é mais uma derrota para Michel Temer

Resultado de imagem para jbse charges

Charge do Jota A (Portal O Dia/PI)

Pedro do Coutto

Os jornais desta quinta-feira, O Globo, Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo, anteciparam a decisão final do STF de manter a validade das delações do grupo JBS, encabeçadas por Joesley Batista, contra o presidente Michel Temer. No Globo a reportagem é de Carolina Brígido e André de Souza. O ministro Edson Fachin e o ministro Alexandre de Moraes votaram pela manutenção da validade das revelações, o que sinalizava para aprovação final desta tendência pelo plenário da Corte Suprema. Escrevo este artigo antes do final da sessão, mas vale acentuar que o ministro Alexandre Moraes votou pela manutenção e também pela permanência de Edson Fachin como relator do processo.

Com esse voto, Alexandre Moraes, indiretamente, assinalou sua independência como magistrado, isso porque seu voto foi contrário à tese da defesa do presidente da República. Alexandre Moraes foi nomeado por Michel Temer para o STF.

MENOS ESPAÇO – Na Folha de São Paulo a reportagem é de Letícia Casado e Reynaldo Turollo Júnior. No Estado de São Paulo assinam a matéria Breno Pires, Rafael Moura e Beatriz Buila. O fato é que a decisão projetada retira ainda mais espaço para atuação política de Michel Temer. Com isso vão se acumulando dificuldades. Uma delas – matéria de Eduardo Bressiani, O Globo – ressalta novo depoimento de Joesley Batista, na parte em que se refere ao fato de Michel Temer ter-lhe indicado o advogado José Yunes pata representar a empresa num conflito judicial. Um conflito em torno do qual existia a perspectiva de um montante de 50 milhões de reais.

A presidência da República contesta o fato, porém o caso envolvia a perspectiva de um financiamento do BNDES, não concretizado, relativo a um projeto para aquisição de uma usina termoelétrica da Petrobrás. Joesley Batista, no depoimento, inclui a participação de Rocha Loures nas articulações que terminaram não dando certo. Não deram certo no plano econômico financeiro. Mas deram errado no plano de um comprometimento político administrativo.

CENÁRIO NEGATIVO – Este passou a ser o cenário negativo com o qual o presidente Michel Temer terá de se defrontar a partir desta sexta-feira que marca seu retorno ao país depois da viagem à Russia e à Noruega. Não será tarefa fácil, porque as provas de seu relacionamento com Joesley Batista vão sendo empilhadas na consciência da opinião pública e também nas decisões da Suprema Corte.

Reflexos no Congresso Nacional já começaram a se fazer sentir. As reformas trabalhista e previdenciária, principalmente esta, estão sendo objeto de adiamentos.

Adiar as reformas é um fato que diz respeito ao projeto econômico – e político – do ministro Henrique Meirelles. O que parece inadiável é o desfecho da crise que abala o poder no Brasil.

Polícia Federal acusa Temer de corrupção, e a estrada do poder chega ao fim

Resultado de imagem para temer corrupto charges

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com.br)

Pedro do Coutto

Com base na delação da JBS e nas afirmações do doleiro Lúcio Funaro – reportagem de André de Souza, O Globo desta quarta-feira – a Polícia Federal acusou o presidente Michel Temer da prática de corrupção. Lúcio Funaro revelou o episódio em que 20 milhões de reais foram retirados da Caixa Econômica Federal e distribuídos para campanhas eleitorais de acordo com a seleção estabelecida pelo próprio Temer. Acrescenta a Polícia Federal que o presidente da República também sabia do pagamento de propina feito pela Odebrecht para obter contratos na Petrobrás. Lúcio Funaro atuava como operador do PMDB e revelou que repasses foram feitos para o ministro Moreira Franco e para os ex-ministros Gedel Vieira Lima e Henrique Alves.

A quarta-feira, em matéria de imprensa, foi muito ruim para Michel Temer.  Além da reportagem de André de Souza, Carolina Brígido e Eduardo Bressiani, a mesma edição de O Globo publica declarações de Joesley Batista dizendo que Temer pressionou a ex-presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos, para que atendesse pedido de crédito da empresa da qual é o principal controlador.

QUEIXA-CRIME – Na mesma edição do jornal está publicado que o juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, rejeitou liminarmente a queixa-crime do presidente Michel Temer contra Joesley Batista, que, na entrevista à Época que está nas bancas acusou o Presidente da República de chefiar a maior quadrilha criminosa.

A soma desses acontecimentos leva à conclusão de que a estrada do poder chegou ao fim para o atual governo. Só falta mesmo o presidente deixar o Palácio do Planalto, para que se vire uma página, mais uma, da história do Brasil. É fato inédito que a Polícia Federal do país acuse um presidente da República de corrupção. Trata-se, no fundo, do governo atacando o próprio governo.

AÇÃO RECUSADA – Fato inédito é também o juiz de uma Vara Federal rejeitar liminarmente uma ação proposta pelo Chefe do Executivo contra um empresário que o considerou um criminoso. O juiz poderia ter registrado a ação e pedido explicações ao acusador. Afinal de contas, se a acusação era falsa, estaria caracterizado um crime de calúnia. Mas o juiz rejeitou de plano os argumentos do presidente Michel Temer, porque não viu na entrevista à Época a prática de transgressão alguma por Joesley Batista. Logo, o juiz Marcus Vinicius Reis Bastos tacitamente revelou concordar com os termos da entrevista.

Justificando sua decisão, disse que Joesley Batista estava, na verdade, reiterando fatos contidos no acordo de colaboração premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal. O magistrado não viu no lance qualquer aleivosia. Deixou a impressão que a seu juízo concorda com o conteúdo da matéria.

POSIÇÃO FRÁGIL – Foram, assim, fatos que no seu conjunto fragilizam incrivelmente a posição do presidente da República, sobretudo porque o relatório da Polícia Federal sustenta diretamente que Michel Temer era o beneficiário final da propina, especialmente no caso da mala de dinheiro entregue por Ricardo Saud a Rodrigo Rocha Loures numa noite paulista.

Para a Polícia Federal – é incrível! –, Michel Temer praticou corrupção passiva de acordo com os artigos 29 e 317 do Código Penal, usando Rocha Loures como intermediário.

Este capítulo extremamente crítico do processo político, que atinge duramente Michel Temer, não tem precedentes na memória da República brasileira. E provavelmente não será repetido, pelo menos nos próximos 100 anos. É o triste fim de um governo que perdeu a si mesmo.