Jair Bolsonaro faz oposição a si mesmo e está arrasando seu próprio governo

Gilmar Fraga: grande timoneiro | GaúchaZH

Charge do Gilmar Fraga (Rádio Gáucha/ZH)

Pedro do Coutto

A exibição do vídeo focalizando a reunião ministerial de 22 de abril, liberada pelo ministro Celso de Mello, relator do processo no Supremo, mostra a verdadeira face da administração que se iniciou como a redenção do país após o desmoronamento do governo Dilma Rousseff, que arrastou consigo a imagem do Partido dos Trabalhadores envolvido numa onda inédita em matéria de corrupção.

Agora assiste-se com perplexidade ao comportamento presidencial na célebre reunião de 22 de abril. A exibição do vídeo destina-se a ser incorporada ao processo que coloca o ex-ministro Sérgio Moro como o principal adversário de Jair Bolsonaro.

ALGUNS CORTES –  Partes referentes a países foram suprimidas na exibição. Também algumas partes relativas ao Supremo Tribunal Federal foram extirpadas e outras mantidas na gravação.

A gravação da reunião ministerial acentuou a fase deplorável em que se encontra a política brasileira. Jamais poder-se-ia considerar o nível revelado pelos próprios atores a começar pelo presidente Bolsonaro e a prosseguir ladeira abaixo pelo ministro da Educação. Este ofendeu a corte Suprema, seus integrantes e colocou na pauta o fechamento do próprio STF.

Não é preciso dizer mais nada a respeito da gravação que para avaliá-la e julgar seus personagens basta acompanhar as imagens da demolição.

GUEDES EM IMPASSE – O ministro da Economia quer barrar acesso ao fundo de apoio a estados e municípios se eles não pagarem dívidas que assumiram com bancos privados e não agirem junto aos parlamentares no sentido de evitar a derrubada do provável veto do presidente da República aos dispositivos que preveem reajuste salarial dos funcionários públicos.

Paulo Guedes argumenta com base no fato de liberar 60 bilhões de reais a estados e municípios. Na minha opinião o adicional de 60 bilhões de reais, como o anunciado pelo Ministério, não existe. São recursos já consignados no orçamento de 2020 e não uma parcela adicional proporcionado por esse fundo.

Claro, pois se os 60 bilhões fossem gerados agora. teria de ser ampliado o orçamento da União cujo teto é de 3,6 trilhões de reais. Não existe débito sem crédito e vice-versa. Portanto, o que está por trás do anúncio é uma troca de rubricas totalizando o montante ilusório para efeito político.

EMPRESÁRIOS REAGEM – Na edição desta sexta-feira da Folha de São Paulo, matéria de Bruna Narcizo destaca a reação de empresários contra a ideia proposta pelo presidente Bolsonaro no sentido de que as empresas devem pressionar governadores para garantir o congelamento salarial até dezembro de 2021.

Os empresários Horácio Lafer Piva, da Klabin, João Guilherme Sabino, um dos principais acionista da usina São Martinho, Luiza Helena, do Magazine Luiza, entre outros, reagiram negativamente à ideia. Colocaram a seguinte questão: empresários não têm de pressionar governadores. Seria um caso muito estranho.

NÃO VAI TER GOLPE – O general Augusto Heleno, Chefe do Gabinete da Segurança Institucional, segundo a Folha de S. Paulo, afirmou que os militares não vão dar golpe contra a democracia no país.

Negou qualquer intervenção militar no sentido de implantar nova ditadura no país. Com essas declarações Augusto Heleno propôs-se a desarmar os boatos que andam circulando em Brasília. Tudo bem. Mas o general, no final da tarde momentos, antes da liberação do vídeo irritou-se com um despacho formal que o ministro Celso de Melo encaminhando à Procuradoria Geral da República ação judicial que prevê a busca e apreensão do celular do presidente da República e também os telefones de seus filhos. A notícia explodiu com intensidade, mas passou a ser desconsiderada após uma análise da jornalista Natuza Nery na Globonews. A proposta não foi de Celso de Melo e sim de autores da respectiva ação.

SEGURO DESEMPREGO –  O jornalista Manoel Ventura, O Globo, revela que na primeira quinzena de maio 504 mil trabalhadores deram entrada no pedido de seguro desemprego.

No acumulado do ano o número de novos pedidos elevou-se a 2,8 milhões de trabalhadores que perderam seus empregos.

Lula tem estratégia errada e mantém a polarização que tanto interessa a Bolsonaro

Lula pede desculpa por usar "frase infeliz" em entrevista à Carta ...

Lula deu uma entrevista desastrada ao jornalista Mino Carta

Pedro do Coutto

O ex-presidente Lula da Silva, em entrevista â Carta Capital, reproduzida ontem pela Folha de São Paulo e O Globo, cometeu um erro enorme ao dizer que o coronavírus foi positivo para alertar o governo do presidente Bolsonaro sobre a importância de um Estado forte para conter o avanço da pandemia. A natureza, frisou, havia criado um monstro chamado coronavirus. Este monstro está permitindo que os cegos enxerguem e, portanto, comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises, disse ele.

A repercussão negativa fez com que o ex-presidente viesse a público se desculpar da frase em que elogiou a natureza por ter criado o monstro do coronavírus.

GRANDE ELEITOR – Lula, penso eu, na entrevista à Carta Capital, pretendia incluir críticas ao presidente da República. Entretanto, esqueceu que, na realidade, ele foi o grande eleitor de Bolsonaro, porque nas urnas de 2018, ao apoiar Fernando Haddad, deu margem a que Bolsonaro navegasse num mar revolto contra a administração do PT, que instalou uma corrupção desenfreada a começar pela Petrobrás.

O eleitorado foi então levado a decidir entre um símbolo humano da extrema direita brasileira e a atmosfera de corrupção envolvendo as legendas que se apresentam como de esquerda mas que na prática conseguem através dessa farsa transformarem-se em conservadoras.

Como sempre acentuo, o conflito entre o conservadorismo e a ideia de reforma tem de se basear no apoio a um novo modelo capaz de ampliar a renda do trabalho e assim ir ao encontro de um início de processo de desenvolvimento social. Para o desenvolvimento social o único caminho é o do trabalho.

DESIGUALDADE SOCIAL – A corrupção, no entanto é concentradora de renda, até porque a grande maioria da população brasileira não possui a menor condição de agir nas obras públicas, no reajustamento de contratos, na compra de equipamentos indispensáveis as atividades construtivas e tampouco tem acesso aos almoços e jantares oferecidos por empresários nos quais os objetivos se voltam para um relacionamento capaz de amanhã ou depois conseguirem as facilidades que estão em seu pensamento e na sua ótica.

Luis Inácio Lula da Silva, que, como já disse, elegeu Bolsonaro, agora parece sustentar o governo dele, na medida em que, criticando-o, restabelece a polarização que mais interessa ao Planalto.

FRAUDES NA AJUDA – A repórter Geralda Doca, O Globo desta quinta-feira, destaca a ocorrência de fraudes de grande porte no programa de distribuição de 600 reais a pessoas carentes. A lei que permitiu esse desembolso pelo governo determina que o auxílio pode ser destinado àqueles que tiveram em 2019 renda anual inferior a 28 mil reais.

Com isso abriu-se a porta para que indevidamente grande número de servidores públicos e militares se inscrevessem no programa. Receberam indevidamente. Tanto assim que o Ministério da Defesa já identificou os militares que burlaram a essência do programa embolsando o dinheiro como se fossem pessoas de renda muito baixa.

APOIO A ESTADOS – Na manhã de ontem o presidente Bolsonaro promoveu encontro com governadores para anunciar que na parte da tarde iria sancionar o projeto que libera 60 bilhões de reais para estados e municípios. Em troca os governadores assumiriam o compromisso de agir sobre os representantes de seus no sentido de impedir a hipótese do veto ser derrubado. O veto se refere ao reajuste salarial que o Palácio do Planalto quer adiar para janeiro de 2022. Os governadores que se manifestaram através da vídeo conferência assumiram compromisso.

Mas no fundo, concordaram para garantir as aparências também o deputado Rodrigo Maia e o Senador Davi Alcolumbre, especialmente este último, destacaram que o encontro de ontem tornou-se um encontro histórico. Para mim histórica foi a encenação presidida por Jair Bolsonaro.

Apelo aos governadores e ao Centrão demonstra que o governo está fragilizado

Quem me conhece sabe que eu sou duro na queda", diz Guedes

Guedes continua insistindo que a única saída será a privatização

Pedro do Coutto

O governo Bolsonaro recorre ao apoio do Centrão com objetivo duplo: assegurar uma base efetiva contra qualquer processo de impeachment e também no sentido de garantir o veto ao dispositivo que prevê reajuste ao funcionalismo federal. Os dois caminhos partem da usina de pensamento do ministro Paulo Guedes. São dois caminhos difíceis que comprovam que o Palácio do Planalto está na defensiva.

Não está preocupado em ter maioria, como se registrou na reforma da Previdência, mas agora quer garantir uma presença partidária que se destina a evitar o afastamento de Bolsonaro.

VETO AO REAJUSTE – Quanto ao apoio de governadores, essa necessidade acentua que o governo teme que sozinho não tenha certeza de manter o veto.

Reportagem de Tiago Resende, na Folha de São Paulo de quarta-feira, ilumina o jogo do Palácio do Planalto. O receio, no fundo, parte do ministério da Economia, que deseja o congelamento salarial do funcionalismo e se preocupa com a hipótese da queda do veto do presidente da República.  Em primeiro lugar é preciso esperar que o veto se concretize. Em segundo a preocupação é com a maioria parlamentar. Por isso acentua Paulo Guedes que governadores deveriam influenciar as bancadas de seus estados na Câmara Federal.

Esse pensamento, que não é comum na política, destaca que no fundo da questão o governo de Brasília está vacilando.

PRIVATIZAÇÃO – De outro lado, Guedes passou a defender o acordo com o Centrão para, neste caso, fornecer a base necessária para que o governo possa desenvolver seu programa de privatização. Essa garantia é outra prova da descoordenação política que está ocorrendo no Palácio do Planalto. O apoio, de forma sombria, deve ocorrer em troca de cargos na administração. Reportagem de Julio Wiziack destaca o assunto.

Em matéria de privatização no setor elétrico, Manoel Ventura e Ramona Ordonez, O Globo, informam que as distribuidoras de energia elétrica estão tentando obter do governo um empréstimo que poderá chegar a 12 bilhões de reais. Essa solicitação revela um fato que agora ganha corpo. Se as distribuidoras de energia necessitam de 12 bilhões de reais como o preço que o governo anunciou para a privatização da Eletrobras é de apenas 16 bilhões de reais.

TRÊS SETORES –  O sistema elétrico se divide em três fatores: produção, distribuição e comercialização. Pela legislação em vigor as empresas só podem acumular dois dos três fatores. Ora, como é possível Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul valerem 16 bilhões de reais.

Não é possível que um sistema que, através de Furnas, fornece transmissão da energia de Itaipu esteja valendo a quantia que a Eletrobras anunciou para privatizar todo o sistema brasileiro?

São fatos divergentes nos quais a lógica parece não residir.

Era só o que faltava! Candidato a ministro da Saúde é contra direito de voto a mulher

Cotado para Ministro da Saúde, Ítalo Marsili já está em Brasília ...

Ítalo Marsili, mais uma debiloide indicado por Olavo de Carvalho

Pedro do Coutto

Inacreditável, mas foi o próprio médico Ítalo Marsili quem afirmou esse absurdo obscurantista. Está cogitado para ser ministro da Saúde do governo Bolsonaro e, segundo o repórter Guilherme Caetano, o tal Marsili tem o apoio dos filhos de Jair Bolsonaro. A nomeação, que já era difícil, tornou-se a meu ver impossível. Ítalo Marsili atravessou o túnel do tempo, foi à Grécia antiga e atribuiu a Platão a ideia de que a mulher não deveria votar na democracia grega.

Para mim, a colocação de Marsili é extremamente absurda e preconceituosa. Entretanto, acentua o repórter, ele tem o apoio também do filósofo Olavo de Carvalho, conhecido por seu alinhamento na extrema direita.

DIZ SER PSIQUIATRA – Penso que o médico, que se afirma psiquiatra mas não registrou seu diploma na Psiquiatria, não deverá ser nomeado. Isso porque ontem o ministro interino general Eduardo Pazuelo escolheu nove militares para as diversas chefias da Pasta. Não é comportamento de quem está interino no cargo. 

O candidato Marsili vem desenvolvendo articulações nos últimos dias. Obteve o apoio de alguns deputados do PSL. Retornando do túnel do tempo, destaca suas qualidades para assumir o ministério da Saúde. É o fim do mundo, acrescento. 

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DECISÃO DE CELSO DE MELO SAI ATÉ SEXTA-FEIRA

A decisão do ministro Celso de Melo a respeito da divulgação total ou parcial do vídeo da reunião do ministério de 22 de abril, segundo Ítalo Nogueira, Folha de São Paulo, estará concluída até sexta-feira. Na minha opinião, a divulgação deverá ser total. Inclusive existem dois pontos inegáveis. O primeiro envolve o fato de o próprio presidente da República ter afirmado que de fato interveio na Polícia Federal, a partir do momento em que reclamou sua iniciativa de substituir o superintendente no Rio de Janeiro.

Portanto, esse lado da questão confirma a interferência. Isso de um lado. De outro, vai depor hoje na PF o empresário Paulo Marinho, que na entrevista à Folha de domingo revelou ter havido vazamento que permitiu ao senador Flávio Bolsonaro tomar conhecimento do rumo do inquérito sobre o caso Fabrício Queiroz. 

FUNDO BILIONÁRIO – O PL, partido que se inclui no Centrão, liderado por Valdemar da Costa Neto, ganhou de Bolsonaro a diretoria do Fundo Nacional de Educação. A verba do FNDE para este ano totaliza 54 bilhões de reais.

Em seu artigo de ontem de O Globo, Miriam Leitão interpretou como erro a politização da Economia, iniciativa assumida pelo ministro Paulo Guedes, que parece não ter o perfil de articulador. Guedes se lança contra os adversários do governo Jair Bolsonaro. Com isso reduz o campo das articulações em face de suas afirmações que não expõem uma atuação no sentido da ampliação de direitos e da renda proporcionada pelo trabalho. 

Este é o panorama de hoje. Vamos esperar a decisão de Celso de Melo para podermos analisar o amanhã.

Paulo Marinho, um novo personagem entra em cena na complicada rede do poder

Coluna Pinga Fogo – Acusações de Paulo Marinho são graves, mas ...

Marinho fez acusações graves e a Procuradoria abriu inquérito

Pedro do Coutto

No final da tarde de ontem, na GloboNews, os jornalistas Natuza Nery, Andreia Sadi e Valdo Cruz analisaram o crescimento da preocupação do Palácio do Planalto, tanto relativamente à próxima decisão do ministro Celso de Mello sobre a divulgação do vídeo da reunião ministerial citada por Sérgio Moro, mas também com relação à entrevista do empresário Paulo Marinho,  publicada na Folha de São Paulo de domingo e na edição de ontem de O Globo.

Penso que Paulo Marinho tornou-se mais um personagem que entra em cena na sempre complicada rede do poder. E o episódio assemelha-se a uma trilha de um filme policial.

EM CLIMA TENSO  – A preocupação do governo Bolsonaro com a decisão de Celso de Melo ampliou-se no exato momento em que surge a explosiva do empresário, cuja residência na Barra da Tijuca transformara-se durante a campanha presidencial de 2018 em uma central de divulgação da candidatura Bolsonaro. 

A convergência de um fator novo sobre outro, atingindo a Polícia Federal, passou  a condicionar os passos e aos atos do presidente da República.

Isso porque a atmosfera que está envolvendo a Polícia Federal agrava-se com a entrevista do empresário, que, aliás, é suplente de Flávio Bolsonaro no Senado Federal. E o empresário Paulo Marinho diz ter provas sustentando a versão que tornou pública desde domingo.

O INTERESSE NA PF – Os dois fatos encontram-se em um ângulo no qual fica claro o interesse do governo a respeito da Polícia Federal. Paulo Marinho, na longa entrevista à Folha de São Paulo, apresentou um rol de advogados que para ele vão se tornar as principais testemunhas do encadeamento dos fatos e situações que segundo ele, se sucederam ao longo das eleições de 2018.

Ele apresentou também uma série de detalhes dos encontros que narrou e que revelam a participação da Polícia Federal, unidade do Rio de Janeiro. Essa unidade teria vazado ao então deputado estadual Flávio Bolsonaro o relatório contendo as investigações em torno de outro personagem misterioso, Fabrício Queiroz.

Marinho destacou que o deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro reconheceu a complicação em que poderia estar envolvido.

OUTRA INVESTIGAÇÃO – Segundo O Globo publicou ontem, a Procuradoria Geral da República vai investigar a estranha influência da família na Polícia Federal do Rio de Janeiro .

São duas situações capazes de convergir para um só plano, no qual se encontra o relato do ex-ministro Sérgio Moro sobre a ansiedade que o presidente Bolsonaro demonstrava ao exigir a substituição do diretor-geral e do superintendente da PF no Rio de Janeiro.

MANIFESTAÇÃO NO DF – O clima no Planalto passou a ser bastante denso e nervoso, pelo temor de que a divulgação dos dois episódios acumulados possa abalar ainda mais o presidente da República, que no domingo participou em mais uma manifestação pública de apoio a seu governo e a sua liderança política.

Quase todas as faixas da semana anterior atacando o Supremo e o Congresso foram recolhidas. Porém, o recolhimento decorreu de uma manifestação de setores do governo achando que esses ataques prejudicam mais do que ajudam o presidente Jair Bolsonaro.

Lauro Jardim diz que FHC e Lula se reaproximam para enfrentar Jair Bolsonaro

TRIBUNA DA INTERNET | É preciso entender por que o povo ainda ...

Charge do Kácio (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O jornalista Lauro Jardim, na página semanal que escreve aos domingos em O Globo, revelou que Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva estão se reaproximando para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro que consideram um inimigo comum. Lula pensa que o abono de 600 reais dados por Bolsonaro a população pobre durante a pandemia do Coronavírus vai somar para um apoio político à sua administração.

A tese da União contra Bolsonaro partiu de Fernando Henrique Cardoso, que vê um panorama difícil, principalmente agora em que a pandemia atinge a tantas pessoas.

SEM IMPEACHMENT – FHC disse também que hoje não há menor possibilidade de o Congresso Nacional aproar se impeachment. Faltam o impulso das ruas e também o ambiente político necessário. Lula concorda com essa interpretação.

Para Lula, acentuou o colunista, o atual governo avança sobre espólio do Partido dos Trabalhadores. Ele acha que Bolsonaro marcou gols importantes e acredita que, com os 600 reais distribuídos durante a pandemia, o presidente Bolsonaro vai atrair para seus braços uma parcela importante do eleitorado petista.

MAIS PARCELAS – Não é por outro motivo – acrescenta Lula – que o atual presidente da República, ao contrário do que pensa o ministro Paulo Guedes quer prorrogar por mais tempo as parcelas da distribuição.

Na minha opinião FHC, e Lula não estão, por incrível que pareça analisando as várias faces do auxílio. Depois da terceira parcela, não há o reflexo que preocupa os dois ex-presidentes. Isso porque, os exemplos são tantos, que se não conseguir continuar distribuindo a quantia os pobres vão sofrer uma decepção, uma vez que alguém começa a receber um benefício, a partir do momento em que ele cessar a reação acabará sendo contrária a Jair Bolsonaro.

Não quero dizer com isso não seja importante a entrega do benefício as pessoas carentes. Isso é necessário. O que quero dizer é que a reação favorável vai se transformar numa decepção. A falta de continuidade terminará tendo efeito contrário do que a alegria iniciada no mês de abril.

CRIANÇAS SEM MERENDA – Reportagem de Bruno Góes, Paula Ferreira, Renata Mateus e Thiago Herdy, também no Gobo de ontem, revela que sete milhões de crianças no Brasil enfrentarão a falta de merenda em todo o país. Os estados e prefeituras encontram-se sem disponibilidade financeira, principalmente no estado do Rio de Janeiro. Na capital, moradores da Rocinha perderam o direito à merenda.

Como se sabe grande número de famílias cujos filhos recebem merenda preocupam-se porque em muitos casos é a única refeição que recebem das administrações.

GENERAIS NA SAÚDE – Natália Portinari e Taís Ardex, informam que militares do primeiro escalão do governo estão aconselhando o presidente da República a não efetivar o general Eduardo Pazuelo como ministro da Saúde. Consideram que isso significa um risco para o segmento militar, porque um insucesso reflete exatamente nas Forças Armadas.

Inclusive o Centrão na Câmara dos Deputados não tem interesse em indicar alguém para o cargo porque tal fato refletirá negativamente às suas posições políticas. Mas o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca interessa ao Centrão, sobretudo porque possui um orçamento anual de 1 bilhão de reais.

Celso de Melo deve liberar segunda-feira o vídeo da reunião e o circo vai pegar fogo

Reunião tratou de temas reservados, diz Bolsonaro - Jornal Midiamax

Bolsonaro não conseguirá impedir a divulgação desse vídeo

Pedro do Coutto

O duelo entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Sérgio Moro ingressa em sua fase derradeira. Isso porque de acordo com reportagem de Renato Onofre e Ricardo Della Coletta, que focalizam o tema, o ministro Celso de Mello, já de posse do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, vai examiná-lo e formar sua opinião se a liberação deve ser total ou parcial.

O advogado Geral da União deu parecer no sentido de que seja liberada apenas a parte das afirmações de Bolsonaro sobre a Polícia Federal. O mesmo entendimento foi acentuado pelo Procurador Geral da República. Com base do exame do vídeo, Celso de Melo dará o despacho final.

TOTAL OU PARCIAL – Os advogados de Sérgio Moro são favoráveis à liberação total do vídeo. Com base nesses fatos, surge a evidência de que a única dúvida a respeito da divulgação do vídeo é se ele será total ou parcial. Mas a palavra final cabe a Celso de Mello, porque não se trata da maioria das opiniões e sim do que o ministro-relator irá decidir.

Na minha opinião causaram certa surpresa os posicionamentos idênticos do advogado geral da União e do procurador geral da República. Ambos dizem que Bolsonaro não cometeu crime. Tudo bem. Mas somente se demonstraram favoráveis à divulgação dos trechos que contêm as intervenções do presidente da República na reunião de 22 de abril.

De qualquer forma, ficou assegurada a divulgação do vídeo se parcial ou total. Mas está claro que as posições da AGU e da PGR negam que o presidente da República tenha cometido algum crime.

NO PLANO POLÍTICO – O ponto sensível da questão desloca-se para o plano político e seu reflexo na opinião pública. Isso porque, de acordo com a reportagem da Folha, Bolsonaro afirma não ter feito pressão sobre o ministro para intervir na direção da Polícia Federal. O presidente mantém sua versão de que ao se referir à Polícia Federal foi com o objetivo de tratar de sua segurança pessoal e de sua família, embora uma coisa nada tenha a ver com a outra. 

O presidente da República afirmou na sexta-feira ter colocado um ponto final na questão e espera ele que o vídeo alcance interpretação a seu favor por parte da opinião pública. Finalmente destacou que seria um absurdo também não trocar o chefe da PF e o próprio ministro da Justiça.

SOCORRO AOS ESTADOS – O ministro Paulo Guedes em uma entrevista a Geralda Doca e Manoel Ventura, O Globo de sábado, afirmou que o governo tem o objetivo de condicionar o socorro financeiro aos estados à aprovação da reabertura gradual do comércio e das atividades econômicas. Além disso, acrescentou o ministro da Economia, condiciona também a manutenção dos vetos aos dispositivos que concedem reajuste salarial ao funcionalismo público federal.

Causa espécie condicionar o apoio a eliminação dos reajustes. Até porque não se diz seria o percentual de tais reajustes? O ministro, no meu entendimento, confunde reajuste com aumento quando são coisas distintas. O reajuste destina-se a repor as perdas inflacionárias. Acima de tal limite, digamos de 3%, qualquer adição configura aumento.

O panorama na próxima semana será bastante movimentado. Principalmente no que se refere à tese levantada pelo presidente da República quanto a questões de segurança.

 

Governo se desestabiliza e Celso de Mello decide sobre exibição do vídeo nesta segunda

Imprensa internacional repercute saída de Nelson Teich | Mundo | G1

Teich peitou Bolsonaro e mostrou que é um homem de caráter

Pedro do Coutto

Com a demissão do ex-ministro da Saúde Nelson Teich ficou flagrante a desestabilização do governo Jair Bolsonaro, uma vez que são muitos os choques entre o presidente e integrantes de seu governo. Na minha opinião, o presidente da República encontra-se em conflito com o candidato vitorioso nas urnas de 2018. Seu alvo deixou de ser o ataque ao PT e ao lulismo. Acredito que ele próprio tenha esta questão como seu próprio enigma.

A semana que se inicia terá efeito decisivo no momento em que o ministro Celso de Mello divulgar sua decisão a respeito do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril.

NUVENS CARREGADAS – O dia de ontem, sexta-feira, foi pleno de nuvens carregadas ameaçando a população brasileira. São 220 milhões de pessoas que dependem de forma absoluta do rumo que o governo vier a tomar, a partir do despacho decisivo do ministro Celso de Melo.

Até ontem, tornaram-se claros os ponto de vista do Procurador Geral da República, do Advogado Geral da União e dos advogados do ex-ministro Sérgio Moro.

O Procurador Geral da República afirmou ser favorável a liberação parcial do vídeo, portanto condicionada às palavras do presidente da República no que se refere à Polícia Federal. Assim nesse contexto está a referência à Superintendência do Rio de Janeiro.

AGU QUER SELECIONAR – A mesma resposta foi fornecida, também ontem, pelo AGU, enquanto os advogados de Sérgio Moro manifestaram-se pela divulgação total do vídeo, que não deixa de ser um fato que certamente balizará os rumos que vão suceder aos dois episódios mais sensíveis dos últimos dias: a confusão na área da saúde e a exposição parcial ou total do vídeo que, na minha opinião, vai se incorporar a história do Brasil a ser observada na sua importância pelos que vierem depois de nós.

ARTIGO DE MOURÃO – Um artigo do General Hamilton Mourão publicado no Estado de São Paulo de quinta-feira, causou reflexos preocupantes por se referir ao poder militar e seu peso nas instituições do país. Um problema a mais, portanto, a ser esclarecido. Entretanto, penso eu, que o vice-presidente no fundo estava mais se referindo a seus colegas de farda para que não se desviem de suas obrigações constitucionais e institucionais.

Acrescentando mais outro problema, desta vez na área econômica, o ministro Paulo Guedes voltou a um de seus assuntos prediletos. Desonerar a folha dos empresários no que se refere as suas contribuições para o INSS e para o FGTS.

Eu adiciono um aspecto: é preciso desonerar o povo brasileiro dos problemas que ele enfrenta todos os dias.

General Ramos diz que Bolsonaro referiu-se à Polícia Federal, mas o presidente nega

Não foi boa', diz ministro Luiz Eduardo Ramos sobre declaração de ...

Ramos retificou seu depoimento e mesmo assim foi desmentido

Pedro do Coutto

Reportagem de Daniel Carvalho, Folha de São Paulo desta quinta-feira, destaca uma frase do presidente Jair Bolsonaro dizendo que o General Eduardo Ramos, chefe da Secretaria de Governo, se equivocou ao dizer que na reunião ministerial de 22 de abril, ele, Bolsonaro se referiu a Polícia Federal. A questão surgiu em decorrência de o presidente da República ter se referido a Polícia Federal naquela reunião. Mas na versão de Bolsonaro, em momento algum ele falou sobre a PF.

A reportagem de Daniel Carvalho acentua que não só o general Eduardo Ramos, mas também o general Augusto Heleno se referiram ao mesmo fato. Bolsonaro disse que não solicitou nada a Polícia Federal, mesmo porque a segurança de sua família é encargo do Gabinete de Segurança Institucional chefiado por Augusto Heleno.

MOTIVO DA DEMISSÃO – Na minha opinião a referência ocorreu porque sobre ela referiu-se o ex-ministro Sérgio Moro ao colocar um motivo central de sua exoneração. O ministro Celso de Mello deu prazo de cinco dias para que o procurador geral da República, Augusto Aras, decida o caminho do inquérito aberto a pedido dele, por ordem do presidente da República.

Vão opinar ao relator do STF também o advogado Geral da União, ministro José Levi, e também os advogados de Sérgio Moro. Vencida esta etapa a matéria retorna às mãos do ministro Celso de Mello.

Assim dessa forma no sábado o país tomará conhecimento do despacho de Augusto Aras e também a posição a ser fixada pelo ministro Celso de Mello.

REAJUSTE DIRECIONADO – O presidente da República enviou ao Congresso projeto de lei que concede reajuste de vencimentos aos policiais militares e civis que trabalham no Planalto. Na mensagem estão incluídos os que integram o corpo de bombeiros. É possível que o aumento se estenda a segurança que trabalha no Congresso Nacional.

Lembro, entretanto, que pela Constituição Federal não pode haver a concessão de reajuste para algumas categorias e o mesmo não abranger o funcionalismo federal de modo geral. Vamos aguardar assim a próxima etapa desse projeto.

A Câmara, matéria de Manoel Ventura, O Globo, aprovou o aumento encaminhado pela presidência da República. Agora é a vez do Senado.

CHANCELER INSATISFEITO – O Ministério das Relações Exteriores decidiu suspender o envio de matérias nacionais às embaixadas estrangeiras. Lisandra Paraguaçu, O Globo, disse que o chanceler brasileiro encontra-se insatisfeito com a cobertura jornalística de seu trabalho pelas embaixadas sediadas em Brasília.

Além desse aspecto ele inclui o fato de não ter sido publicado nos jornais nos países que possuem representação em Brasília. Entre os motivos encontra-se também a não publicação de artigo de Ernesto Araujo sobre o relacionamento diplomático de ex-chanceleres.

A meu ver, o ministro Ernesto Araujo revela desconhecer as questões relativas a publicação de artigos. É fato comum matérias e artigos enviadas a jornais não serem publicadas. Isso acontece. Não é motivo para reclamações.

Ministro Weintraub visita o passado e cria clima igual ao de 29 de outubro de 1945

Abraham Weintraub e o Enem

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Ao ofender os onze ministros do Supremo Tribunal Federal, inclusive pedindo a prisão de todos eles, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, visitou o passado e tornou impossível sua permanência no cargo, colocando o governo em uma situação terrível, caso não o demita hoje mesmo.

Eu digo que o ministro que visitou o passado, porque me lembrei da queda de Getúlio Vargas, em 29 de outubro de 1945. Menos de uma semana antes do fim da ditadura, que começou em novembro de 1937 e terminou a 29 de outubro de 45, num de seus últimos atos, Vargas nomeou seu irmão Benjamin Vargas para chefe de Polícia do então Distrito Federal.

PÉSSIMA REPERCUSSÃO – Tal nomeação foi recebida pessimamente na opinião pública. Era o fim de 15 anos de poder, primeiro como presidente revolucionário a partir de 1930, depois eleito indiretamente em 1934, em seguida como ditador de 1937 até 1945.

Foi longo seu período de poder, que começou com a revolução de 30 e terminou 15 anos depois. De 1930 a 34, ele também foi ditador. Agora a sensação registrada em outubro de 45 repete-se hoje com o ministro Weintraub. Não é possível que o ministro da Educação se transforme em líder da deseducação e ofenda todos os integrantes da Corte Suprema. Mas Weintraub não está sozinho nessa viagem no tempo. Encontra-se acompanhado pela ministra Damares Alves, que pediu a Bolsonaro a prisão dos governadores e prefeitos que se opuseram ao fim do isolamento social.

DOIS GRANDES ABSURDOS – Reportagem de Bela Megali e Aguirre Talento, O Globo desta quarta-feira, destaca os dois rematados absurdos. Prender os governadores e prefeitos, como se o governo tivesse capacidade para jogar no lixo a Constituição e as leis, é prova da sua incapacidade absoluta para o cargo que exerce.

Da mesma forma, Weintraub, que mais uma vez estarrece o país. O ministro da Educação tem por hábito usar as redes sociais para dirigir ataques variados às pessoas que ele julga exercerem atividades negativas. Desta vez, ele deve ser responsabilizado judicialmente também pelos ministros do STF.

Na minha opinião, se depois disso, principalmente a ofensa aos titulares da Corte Suprema, ele não for demitido, vai contribuir para o fim do governo que o escalou para a Pasta que infelizmente ocupa.

Com Bolsonaro encurralado, desencadeia-se uma tempestade na Praça dos Três Poderes

Cai na prova? "TCU pede investigação de gastos de Bolsonaro"

Bolsonaro tem uma capacidade rara de criar grandes problemas

Pedro do Coutto

O advogado de Sergio Moro, Rodrigo Sanches, afirmou na tarde de terça-feira que o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril confirma integralmente a versão do ex-ministro da Justiça, quando focalizou a discordância entre ele e o presidente Jair Bolsonaro. Outros participantes disseram o mesmo. Assim foi eliminada qualquer dúvida sobre a veracidade das afirmações do ex-ministro Sérgio Moro em torno das demissões desejadas pelo presidente da República na Polícia Federal.

As declarações de Rodrigo Sánchez Rios foram divulgadas na tarde de ontem pela Globonews e pela CNN. A reportagem da CNN, inclusive, foi o veículo que iniciou uma entrevista na rampa do Palácio do Planalto com o presidente Bolsonaro.

SEGURANÇA DA FAMÍLIA – A respeito de sua pressão sobre a Superintendência da Policia Federal no Rio de Janeiro, o presidente da República disse que assim agiu para fortalecer a segurança de sua família. Negou que tenha agido para afastar qualquer investigação a respeito de seus filhos.

Não rebateu as afirmações sobre a veracidade do vídeo, que passa agora para a fase seguinte, a critério do ministro Celso de Melo. Celso de Melo determinou a transcrição integral do vídeo, e segundo informações que circularam vai analisá-lo em profundidade.

Na minha opinião, o aspecto político é o tema dominante do episódio, além de qualquer outra movimentação nos autos.

GOVERNO É ABALADO – Acrescento que o governo Bolsonaro sofreu ontem um abalo em sua estrutura e também na conjuntura que envolve o Palácio do Planalto e a base parlamentar que o sustenta tanto na Câmara quanto no Senado Federal.

O apoio que poderá receber do Centrão, não será suficiente, a meu ver, para que Jair Bolsonaro possa retomar o comando que equilibra os três poderes da República e a própria população brasileira, especialmente o eleitorado que o levou a vitória nas urnas de 2018. A oposição ao seu governo, portanto, passou a dispor de mais uma peça a ser incorporada na definição de sus opositores.

O revés desta terça-feira não está  separado das afirmações feitas na véspera pelo ex-diretor da PF Maurício Valeixo. O delegado sustentou que, no contato que o presidente da República manteve com ele por telefone o chefe do Executivo lhe disse que desejava uma afinidade com o novo titular e que por isso queria afastá-lo do cargo.

AJUDA A MILITARES? – O Globo e a Folha de São Paulo publicaram nesta terça-feira a nota oficial do Ministério da Defesa revelando casos do auxílio de 600 reais ter sido pago de forma irregular a militares. No Globo assina a matéria Geralda Doca; na Folha de São Paulo, Gustavo Uribe, Bernardo Caran e Larissa Garcia.

Outra reportagem, de Gabriel Shinohara, revela o crescimento do seguro desemprego, acentuando que os pedidos atingiram a escala de 748 mil no mês de abril, representando crescimento de 22% em comparação com o mesmo mês de 2019. Isso de um lado. De outro o número é 39% maior do que o total de desempregados no mês de março deste ano.  Consequência evidente do crescimento de desemprego no pais.        

Entrega do vídeo na íntegra indica uma divisão no Planalto, porque havia resistência

Enfim será divulgado o que realmente aconteceu na reunião

Pedro do Coutto

O governo tentou evitar ao máximo, mas acabou enviando o vídeo solicitado pelo ministro Celso de Melo para que se comprove a veracidade das afirmações do ex-ministro Sérgio Moro, que apontou pressão do presidente Bolsonaro sobre a Polícia Federal, principalmente em relação à Superintendência do Rio de Janeiro. Esta foi a versão que Sérgio Moro apresentou como uma das razões de sua exoneração do Ministério da Justiça e Segurança.

Moro acusa o presidente Jair Bolsonaro pela responsabilidade dos fatos ocorridos que envolveram as substituições da direção geral da PF e também do Superintendente do Rio de Janeiro.

EXIBIÇÃO DO VÍDEO – Celso de Mello marcou para hoje a exibição do vídeo na presença do procurador geral da República, do advogado geral da União e do advogado de Sérgio Moro, entre outras pessoas. Entretanto, o próprio Sérgio Moro faz questão de estar presente. Certamente para assegurar que a fita exibida é exatamente aquela versão do que realmente ocorreu no Palácio do Planalto a 22 de abril.

Ontem, reportagem da CNN destacou bem o assunto noticiando os depoimentos de Valeixo, ex-diretor Geral, de Ricardo Saadi, ex-superintendente da PF no Rio de Janeiro e de Alexandre Ramagem. O panorama geral, assim, em torno da questão, tornou-se mais tenso e denso a partir da etapa que se iniciou ontem com os depoimentos na Polícia Federal. Os três ministros militares do Planalto, Augusto Heleno, Braga Neto e Eduardo Ramos serão ouvidos no Palácio do Planalto, não havendo necessidade deles comparecerem a qualquer outro setor ligado ao tema, como por exemplo o Ministério da Justiça e a direção da Polícia Federal.

ACELERADO, MARCHE – Como disse no título, o inquérito está transcorrendo de forma acelerada. O envio da gravação integral indica uma divisão no Planalto, porque o chamado “Gabinete do Ódio” se recusava a entregar o conteúdo total, o que resultará em reflexos políticos. Sobretudo no momento atual, em que o Centrão, inspirado na fisiologia, empenha-se em emplacar integrantes de seu grupo para cargos de direção do governo federal.

Para o Centrão, não interessa indicar para o governo pessoas que tenham real capacidade técnica, mas sim pela capacidade política de representar seus interesses na administração federal.                 

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NAZISMO ESTÁ PARA SEMPRE NO ESGOTO DA HISTÓRIA

Na sexta-feira, 8 de maio, transcorreram 75 anos da rendição incondicional da Alemanha nazista ao comando dos EUA e também da França. A rendição foi feita pelo comando alemão. Era o fim do nazismo como legenda e bandeira política.

O nazismo foi responsável pela morte de milhões de pessoas, grande parte das quais foram assassinadas nos campos de concentração. Hitler mergulhou no pântano que ele reservou a si próprio na eternidade.

No dia 22 de abril a BBC de Londres anunciava a morte de Hitler. Deve ter sido exata a informação, pois de 22 de abril a 8 de maio não se encontra nenhures despacho com sua assinatura.

Assim se escreve a História.

Celso de Mello não deve divulgar trechos mais “delicados” da reunião ministerial

O ministro Celso de Mello Foto: Michel Filho / Agência O Globo

Celso de Mello conduz o inquérito mais importante de sua carreira

Pedro do Coutto

O ministro Celso de Melo, revelaram na tarde de ontem a GloboNews e a CNN, determinou à delegada federal Christiane Corrêa, que marque o encontro ao qual estarão presentes o procurador-geral da República, Augusto Aras; o advogado-geral da União, José Levi; o ex-ministro Sérgio Moro, procuradores, advogados e dirigentes da Polícia Federal, para assistirem ao vídeo da reunião ministerial do dia 22.

Na terça-feira, dia 12, deverão ser ouvidos os generais Augusto Heleno, Braga Netto e Eduardo Ramos, que formam a ala militar do Palácio do Planalto e que estiveram presentes na reunião ministerial de 22 de abril, quando Sérgio Moro considerou-se pressionado pelo presidente Bolsonaro, no caso da substituição da Diretoria Geral da Polícia Federal. Portanto, de hoje para amanhã informações importantes devem surgir a respeito do processo.

HAVERÁ UMA SELEÇÃO – Segundo a Folha de São Paulo publicou sábado, o vídeo, além de permitir confirmar ou não as afirmações de Sérgio Moro, contém ofensas do ministro da Educação aos 11 ministros do STF e também críticas a China no caso do surgimento do coronavírus.  É possível, penso eu, que a parte relativa a China e outros trechos não sejam incluídos na divulgação.

Mas não há dúvida que o diálogo entre Jair Bolsonaro e Sérgio Moro será destacado, porque fornece a realidade do que se passou no Palácio do Planalto, assim como o trecho do general Heleno defendendo a posição do ministro da Justiça, em relação à Polícia Federal.

A respeito das ofensas aos integrantes do STF, paira dúvida quanto ao rumo a ser adotado. Afinal de contas, o ministro da Educação, deseducadamente, ofendeu a Corte Suprema.

MEDOS E ESPERANÇAS – A ministra Carmen Lúcia publicou ontem, domingo, artigo em O Globo, baseada num poema de Carlos Drummond de Andrade que focaliza os medos e as esperanças de todos nós. Eis alguns trechos. “As instituições estão trabalhando no Brasil,. A bússola constitucional marca a rota democrática a seguir. O barco Brasil não está à deriva, embora as águas estejam tormentosas e o alvorecer tende ainda ser turbulento. Mas o país não é uma outra instituição, é o seu povo com sua história, seus sonhos sua vontade de construir-se. A hora é dura, é grave e até triste. Por isso mesmo não é tempo de descuidos, de descrenças. O tempo é de cuidados. O momento pede cautela e coragem. “

Numa entrevista a Manoel Ventura, em O Globo, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, pede aos funcionários públicos federais que aceitem o congelamento de seus salários até o final de 2021. Não estamos pedindo, acentua Paulo Guedes, a contribuição desnecessária. Estamos pedindo um modo de equilíbrio para as contas públicas.

FALANDO AO MERCADO – Guedes fez estas afirmações destinadas ao mercado financeiro. O titular da economia negou ao mercado financeiro que o governo vá aumentar impostos. O presidente Bolsonaro fica irritadíssimo e bate na mesa o tempo inteiro quando se fala na criação de impostos, como seria o caso da nova CPMF.

 Paulo Guedes disse ainda que inicialmente pensou-se num corte de 25% nos salários do funcionalismo acompanhada da mesma proporção quanto a jornada de trabalho. Mas depois concluíram que apenas o congelamento resolve a questão.

Na minha opinião, o congelamento de salários só poderia ser se acompanhado pelo congelamento de preços.

Paulo Guedes defende congelar salários e reduzir a carga tributária das empresas

TRIBUNA DA INTERNET | Piada do Ano! Bolsonaro exige de Guedes um ...Pedro do Coutto

O ministro Paulo Guedes encarregou sua equipe de elaborar projeto de lei congelando até dezembro de 2021 as contribuições tributárias das empresas, incluindo o repasse de 20% sobre as folhas de salários destinado ao INSS. Na minha opinião, um absurdo total que, se colocado em prática, explode a receita da Previdência Social. O argumento é fazer com que as empresas passem a admitir empregados, reduzindo assim o índice de desemprego que cresceu no mês de abril, e com isso o país passou a ter 13 milhões de desempregados.

A desoneração das contribuições empresariais terá de ser aprovada pelo Congresso. Da mesma forma que o congelamento dos salários do funcionalismo. Serão duas dificuldades de peso sobretudo em um ano eleitoral.

FASE DE DESGASTE – Além disso, existe uma crise política envolvendo fortemente o governo Bolsonaro. Será difícil para o Palácio do Planalto superar a fase atual de desgaste sobretudo através de medidas que atingem os salários e diminuem o compromisso tributário das empresas. Só em relação ao INSS, reduzir a contribuição dos empregadores significará fechar a Previdência Social. Afinal de contas, tal contribuição hoje é de 20% sobre a folha salarial.

É preciso considerar também que o número de trabalhadores informais está na escala de 30% da mão de obra ativa brasileira.

REGINA DUARTE À DERIVA – Excelente o artigo de Ascânio Seleme, O Globo de ontem, destacando a atuação contraditória de Regina Duarte na Secretaria Especial de cultura. Acrescento uma nova face da questão. Na semana passada o presidente Jair Bolsonaro convidou a atriz para almoçar em Brasília. Não disse que a mesa teria um terceiro personagem, no caso o superintendente da Fundação Palmares. Exatamente a pessoa que Regina Duarte exonerou logo que assumiu. Exonerou mas ele foi reconduzido por ato do presidente da República.

Ao convidar o dirigente da Fundação Palmares criou uma situação de constrangimento para Regina Duarte. Ao mesmo tempo tacitamente revelou uma desconsideração frontal para a atriz. Desconsideração só, não. No fundo, um desprezo pela secretária. Isso porque, como digo sempre, não é suficiente tomar conhecimento de um fato. Mas sim o que esse fato representa.  

CHOQUE DE ILUMINISMO – De repente, é preciso um choque de           Iluminismo para recuperar o Brasil. Numa entrevista a Carolina Brígido, O Globo deste sábado, o ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que nosso país precisa de um choque de iluminismo para se recuperar de forma concreta. Tem razão.

O Iluminismo nos séculos XVII e XVIII reuniu uma extraordinária elite intelectual para mudar a sociedade e suas regras. Desse movimento fizeram parte, Voltaire, Montesquieu e Rousseau, autor de uma obra extraordinária sobre o contrato social.

Realmente, o atual nível brasileiro é muito precário. Basta ver os erros cometidos pelo ministro da Educação Weintraub. Reportagem de Thais Oyama, Folha de São Paulo, revela que o personagem na reunião ministerial de 22 de abril, a mesma que colocou em pontos divergentes Bolsonaro e Sérgio Moro,. o titular da Educação ofendeu todos os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, usando palavras de baixo calão.; Não preciso dizer mais nada.

Em pleno avanço da coronavirus, Bolsonaro oferece um churrasco festivo no Alvorada

Bahia Notícias / Notícia / Bolsonaro atribui agressão a jornalista ...

Não é época de festejos, mas Bolsonaro vive num outro mundo

Pedro do Coutto

O coronavírus segue avançando no país e atinge mais intensamente agora o estado do Rio de Janeiro, principalmente a capital, com seus quase 7 milhões de habitantes, cercados por intensa favelização. Ontem os técnicos e especialistas na matéria sugeriram ao governador Wilson Witzel o lockdown no Rio de Janeiro. O ministério da Saúde, de acordo com o que afirmou Nelson Teich, passou a defender um lockdown, uma vez que grande parte da população não colabora com as normas para sua própria defesa e assim se expõe ao processo de contaminação.

Enquanto isso, o presidente Bolsonaro anunciou que vai promover um  churrasco no final de semana que inclui uma partida de futebol num campo menor que o profissional. Trata-se assim de uma autêntica pelada com o presidente da República entrando em campo.

COMEMORAR O QUÊ? – A decisão de Bolsonaro é um erro, pois a situação do país não é propícia para comemorações e diversão. O próprio Jair Bolsonaro reconhece isso, mas vai em frente. Tal atitude é inexplicável e expõe o próprio chefe do Executivo a críticas de cientistas, médicos e profissionais da área médica e também liberais.

Na quinta-feira já houve problemas. Acompanhado de 15 empresários o presidente deflagrou uma visita inesperada ao STF. Era uma forma de pressionar a Corte Suprema para, segundo o pensamento dos participantes, tornar flexível o isolamento social e ao mesmo tempo levar o STF a rever sua decisão unânime que estabeleceu a competência de governadores e prefeitos para adotarem as medidas necessárias no sentido de conter a progressão do vírus e fixar normas capazes de fazer com que as pessoas, no máximo possível, ficarem em casa.

REAÇÃO NEGATIVA – A marcha sobre o Supremo colheu uma onda de manifestações contrárias que deixaram o governo muito mal junto à opinião pública. A administração Bolsonaro está enfrentando uma sequência de reflexos contrários. Não é para menos, como se constata.

E ainda por cima desaba sobre o Governo mais um problema bastante crítico: a liberação ao ministro Celso de Mello do vídeo gravado na reunião ministerial quando Jair Bolsonaro cobrou de Sérgio Moro a nomeação de novo superintendente da Polícia Federal no Rio Janeiro.  O ministro Celso de Mello recebeu ontem o material, que parece estar na íntegra, e ele decretou sigilo temporário.     

VÁRIAS VERSÕES –  O vídeo integral, segundo reportagem de Bela Megale, de O Globo, inclui um desentendimento bastante forte entre os ministros Paulo Guedes e Rogério Marinho.

Outra versão, da jornalista Thais Oyama, colunista do site UOL, diz que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, teria afirmado que o Supremo Tribunal Federal (STF) é composto por “onze filhos da puta”, durante reunião ministerial realizada em 22 de abril.

Mais uma versão dá conta de que o presidente Bolsonaro teria feito ofensas à China.  Mas o vice Mourão disse que foi uma reunião sem nada de mais. Vamos aguardar o desfecho.

Agatha Christie chega ao Planalto para desvendar o mistério do vídeo dourado

MaisPB • Bolsonaro cancela readmissão de Santini e transfere PPI

Bolsonaro disse que ia divulgar a gravação, mas depois desistiu

Pedro do Coutto

São tantas as versões, as confirmações e as negativas da existência do vídeo focalizando a reunião ministerial que colocou frente a frente o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Sérgio Moro, que os avanços e recuos conduzem a uma situação de mistério. Por isso recorri a grande figura da literatura policial para tentar chegar a uma conclusão.

Os personagens são vários e assim dei o título deste artigo a uma obra bastante representativa da situação em que caminha o caso. Um enigma.  Enigma esse capaz de concluir não apenas por um responsável mas sim por vários deles.

FALSAS NEGATIVAS – Reportagem de Júlia Chaib, Folha de São Paulo desta quinta-feira, apresenta os vários estágios percorridos por negativas sucessivas e que conduzem a que se possa supor que no caso do vídeo haja uma semelhança com o Oriente Express.

A reportagem começa pela determinação do ministro Celso de Mello, ao determinar que o governo forneça o vídeo daquele encontro ministerial no qual o presidente da República teria afirmado interesse em acompanhar investigações que corre na Superintendência do Rio de Janeiro. O ex-ministro da Justiça narrou esse episódio no depoimento que fez à Polícia Federal. Tal versão deixaria Bolsonaro muito mal.

Entretanto setores do Palácio do Planalto revelaram haver incerteza quanto a gravação e se essa gravação seria integral ou apenas focalizando uma parte do encontro.

ASSESSOR NEGOU – O chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Célio Faria Jr. negou que esteja com o vídeo em nota a Folha de São Paulo. Disse que a gravação dos vídeos são questões eventuais. Celso Faria negou também não estar de posse do cartão de memória. Passou a bola para a Secretaria de Comunicação. Mas esta, por sua vez negou a realização da tarefa. Fábio Wajngartem que chefia o órgão não está com a gravação. A estrada a ser percorrida desviou-se para a empresa Brasil de Comunicação, particular, que possui contrato com a Secom.

A empresa tirou o corpo fora e o gabinete da Presidência da República negou-se a comentar o assunto.

RECURSO REVELADOR – Após as voltas circulares em torno do tema, as quais deixaram em dúvida quanto a existência integral do vídeo, um fato restabeleceu a lógica. A Advocacia Geral da União na tarde de ontem ingressou com recurso ao STF no sentido de modificar o despacho do ministro Celso de Melo.

Portanto, a iniciativa da AGU revela tacitamente que o vídeo existe, pois não pode haver recurso contra algo que não existe. A iniciativa, por outro lado, demonstra a preocupação em que o vídeo termine por não ser divulgado em face das marchas e contramarchas que marcaram as respostas vagas do gabinete presidencial.

BOLSONARO PREOCUPADO – Fica claro que Jair Bolsonaro revelou a preocupação para com os trabalhos da Superintendência da PF no Rio de Janeiro. Na minha opinião, dificilmente o plenário do STF vai atender a manutenção do sigilo do vídeo, contida no recurso, que pede apenas liberação parcial.

O desencadeamento dos vários capítulos podem terminar assinalando um conjunto de informações prestadas ao vídeo em questão. Vídeo dourado é apenas uma expressão que acrescentei a consagrada obra de Agatha Christie.

Somente isso. E agora espero pela confirmação de se os suspeitos são vários ou recai em uma só pessoa.

PF vai cumprir decisão de Moraes e manter os delegados que apuram” fake news”?

Alexandre de Moraes suspende envio de informações da Receita ...

Alexandre de Moraes tenta evitar manipulações no inquérito

Pedro do Coutto

A pergunta vai ensejar resposta em torno de uma parte do despacho do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, uma vez que a determinação de afastar o ex-superintendente do Rio de Janeiro estendeu-se às investigações e investigadores que atuaram ou estão atuando no inquérito relativo a situações em torno das fake news e dos ataques ao Supremo e ao Congresso Nacional.

As investigações ficaram a cargo de quatro delegados. O que o ministro Alexandre de Moraes determinou é que eles não poderão ser substituídos nessa tarefa. Assim, tanto o novo diretor geral da PF quanto o novo superintendente do Rio de Janeiro Tácio Muzzi vão precisar dar uma resposta sobre a decisão.

CHOQUES E ENTRECHOQUES – Diretor e superintendente terão de resolver rapidamente se tomaram conhecimento dessa parte do despacho do ministro do STF.  Mais um capítulo, portanto, dos choques e entrechoques que envolvem a PF depois da exoneração do ministro Sérgio Moro. Em caso positivo será mais uma complicação em torno do capítulo visto sob este ângulo judicial.

Por falar em capítulo, mais um deles encontra-se a caminho. O despacho do ministro Celso de Mello, relator de outro caso envolvendo a Polícia Federal refere-se a entrega do vídeo gravado quando Sérgio Moro participou de reunião no Palácio do Planalto, ocasião na qual o presidente da República, de acordo com o que diz Sérgio Moro, teria afirmado que o presidente da República disse que há 27 superintendências da Polícia Federal no país e ele, presidente, estava interessado em uma só. No caso a do Rio de Janeiro,

MELLO EXIGE A GRAVAÇÃO – Celso de Mello requisitou que lhe seja fornecida cópia do video com som no sentido de confirmar a veracidade da acusação feita pelo ex-juiz da Operação Lava Jato. Há poucos dias no encontro matinal com jornalistas Jair Bolsonaro afirmou que desejava ter conhecimento das investigações a respeito de fatos ocorridos no Rio de Janeiro, somente porque ele reside nessa cidade. 

Causou estranheza esse interesse específico e Sérgio Moro utilizou este aspecto para que sejam reveladas as intenções do presidente da República.

Este foi o capítulo assistido pela opinião pública. Vamos aguardar o próximo episódio.

Augusto Heleno, Braga Netto e Eduardo Ramos não concordaram com a demissão de Moro

Aras coloca generais Braga Netto, Heleno e Ramos em saia justa ...

Os três ministros generais tentaram fazer Bolsonaro poupar Moro

Pedro do Coutto

A CNN divulgou na tarde de ontem, em primeira mão, o depoimento do ex-ministro Sérgio Moro à Polícia Federal, em Curitiba, no sábado. O ex-juiz da operação Lava Jato disse que no dia 23 de abril se reuniu com os ministros Augusto Heleno, Braga Neto e Eduardo Ramos que tentaram dissuadir o presidente Jair Bolsonaro de demiti-lo do cargo. Sérgio Moro afirmou que no encontro com os três ministros e Bolsonaro ficou no ar uma dúvida quanto a posição final do presidente da República.

Após esse momento é que Moro recebeu a notícia que Bolsonaro já havia demitido Maurício Aleixo. Portanto, os três ministros que estavam presentes ao encontro no Palácio do Planalto não sabiam que a medida já tinha sido tomada pelo presidente. Fica  claro, também, que os ministros-generais Augusto Heleno, Braga Netto e Eduardo Ramos não concordavam com a demissão de Moro.

VIDEO DA OUTRA REUNIÃO

A Procuradoria Geral da República pediu ao Supremo a requisição do vídeo de uma outra reunião entre Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro e diversos ministros, no dia anterior, 22 de abril. Segundo Moro, o vídeo gravado comprovaria a pressão do presidente da República para demitir Maurício Valeixo do cargo de diretor geral da PF.

Num trecho do encontro, Bolsonaro disse a Moro que desejava também o afastamento do Superintendente da Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro.

O Procurador Augusto Aras é o autor do pedido para que o vídeo do encontro passe a constar como peça do inquérito, que tem como objetivo confirmar se são verdadeiras ou não as acusações de Sérgio Moro ao presidente.

OUTRAS INFORMAÇÕES – Ontem, Aguirre Talento e Bela Megale, em reportagem publicada pelo O Globo, destacam o tema e assinalam que Carlos Henrique Oliveira ia ser substituído do cargo que ocupa no Rio, como exigia Bolsonaro, mas foi promovido a Diretor Executivo da Polícia Federal na sede de Brasília.

A matéria assinada por Aguirre Talento e Bela Megale fiz que o procurador Augusto Aras pediu também a realização de perícia no celular do ex-ministro Sérgio Moro na busca de dados concretos das conversas mantidas entre Moro em torno das investigações. Uma dessas conversas, anteriormente já divulgada por Moro, é o diálogo com a deputada Carla Zambeli que insinuou que o ex-ministro se aceitasse a substituição de Valeixo poderia contar com ela para articular sua nomeação para o STF.

Também ontem pela manhã, no encontro com jornalistas em frente ao Palácio do Planalto o presidente da República irritou-se fortemente quando percebeu que a pergunta de um jornalista destinava-se sobre o inquérito a respeito das fake news e dos ataques ao Supremo e ao Congresso Nacional.

A história está se desenvolvendo assim, porém. na minha opinião, está longe de se encerrar.

Intervenção militar com Bolsonaro? General Fernando Azevedo e Silva rebate tal absurdo

Nós não queremos negociar nada', diz Bolsonaro em ato contra STF e ...

Manifestantes querem que Bolsonaro governe como “ditador”

Pedro do Coutto

Nas manifestações antidemocráticas de domingo passado em frente ao Palácio do Planalto em Brasília, além de haver faixas a favor do fechamento do Supremo Tribunal e do Congresso, uma delas propunha a intervenção militar com Bolsonaro, representando uma ruptura na Constituição do país. O presidente Bolsonaro participou do episódio acenando para os manifestantes. Portanto, desta vez o caráter subversivo ficou configurado.  Pelo seu silêncio, Bolsonaro revelou-se favorável ao fato.

Entretanto, na tarde de segunda-feira, o General Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, divulgou nota oficial afirmando que as Forças Armadas estão ao lado da lei para garantir a democracia, liberdade e a Constituição. Como se constata, o titular da Pasta da Defesa assumiu mais uma vez uma posição contrária daquela que é repetidamente apresentada por apoiadores do presidente da República.

FORTE APACHE – Foi assim também nas manifestações que foram realizadas em frente ao QG de Brasília, o Forte Apache. O general Azevedo reafirma sua posição e a do Exército, Marinha e Aeronáutica na defesa do regime democrático, da lei e da ordem.

O ponto político da questão, o qual não pode ser afastado, é que o general Fernando Azevedo e Silva é o ministro da defesa do governo Bolsonaro. Dessa forma evidencia-se uma colisão entre a posição democrática do general e o silêncio comprometedor do presidente da República.

O ministro da Defesa é mais um a discordar do presidente. No domingo Bolsonaro havia anunciado que estava no limite diante de decisões que o contrariavam. A distonia entre o presidente da República e o ministro da Defesa vai imobilizar qualquer ato de Bolsonaro contra o ministro que nomeou.

OUTRO ABSURDO TOTAL – Os acontecimentos de domingo ainda assinalam mais um absurdo total. Impressionante o radicalismo de setores que pregam o golpe militar em relação aos jornalistas e ao jornalismo. Não suportam que alguém revele a verdade.

Fanáticos e fanatizados na concentração em frente ao Palácio do Planalto praticaram violências contra jornalistas do jornal O Estado de São Paulo. Os protestos foram gerais, tanto contra a faixa pedindo intervenção militar quanto a absurda agressão desfechada contra repórteres e fotógrafos que realizavam seu trabalho. O procurador Aras abriu inquérito para apurar as violências praticadas contra os jornalistas.

MORO SEM SIGILO – Enquanto isso nesta segunda-feira, o ex-ministro Sérgio Moro, através de seu advogado, dirigiu-se ao Procurador Geral Augusto Aras abrindo mão do sigilo em torno de seu depoimento a Polícia Federal, achando que tal decisão vai ao encontro da opinião pública que tem direito a plena informação. O procurador Aras recebeu o requerimento.

Rapidamente o presidente Jair Bolsonaro nomeou e também empossou o delegado Rolando de Souza no cargo de Diretor Geral da Polícia Federal. As atenções gerais voltam-se sobre a substituição ou não do superintendente no Rio de Janeiro, onde correm as investigações sobre as fake news e a atuação de Fabrício de Queiroz.

Portanto, na minha opinião o clima que está envolvendo a política brasileira conduz a que se possa imaginar estarmos na véspera de um desfecho institucional.

Bolsonaro ameaça: “Chegamos ao limite e Forças Armadas estão ao lado do povo

Manifestantes pró-Bolsonaro agridem e ameaçam jornalistas em ato ...

Bolsonaro dá força às manifestações pela intervenção militar

Pedro do Coutto

Ao comparecer à manifestação que reuniu milhares de pessoas em frente ao Palácio do Planalto, organizada contra o ex-ministro Sérgio Moro, o Supremo e o Congresso, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “chegamos ao limite, não aceitamos mais interferência”, acrescentando que as Forças Armadas estão ao lado do povo para assegurar a democracia. Essas afirmações causaram forte movimentação nos meios políticos, como era de se prever.

Reportagem completa da CNN focalizou a longa manifestação registrando que os protestos eram mais dirigidos contra o ex-ministro Sérgio Moro, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso.

ATAQUE AO SUPREMO – Quando Bolsonaro se referiu ao fato de não aceitar mais interferência em seu governo, estava na realidade referindo-se ao Supremo Tribunal Federal. Disse que os Poderes são independentes e Harmônicos entre si e essa harmonia tem que ser observada.

Em seguida, anunciou que hoje, segunda-feira nomeará o novo diretor geral da Polícia Federal. Deixou mais ou menos implícito que deverá ser alguém da confiança de Ramagem, cuja posse foi impedida pelo Supremo.

MUITAS REAÇÕES – Na parte da tarde de ontem a Globonews colocou no ar reações que se fizeram sentir ao longo do dia. O pronunciamento de Bolsonaro foi fortemente rebatido principalmente pelos governadores de São Paulo e Rio de Janeiro e pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Foi um final de semana movimentado em Brasília, e o Senado aprovou a ajuda financeira aos estados e municípios. Aprovou também o congelamento dos salários do funcionalismo federal até o final de 2021, modificando assim a matéria aprovada anteriormente pela Câmara. Os dois projetos voltarão para última discussão à Câmara Federal.

OUTRO ASSUNTO – Prosseguiu ontem a não observância da população quanto a cumprir as recomendações de governadores principalmente a não fazer aglomerações e uso de máscara. Aliás, um outro tema abordado por Bolsonaro foi o de culpar governadores pelo desemprego que voltou a crescer no  país. O que deu margem a esse enfoque foi a decisão de estender por mais tempo o isolamento social, tomada pela maioria dos governadores e prefeitos

Como se constata, o Palácio do Planalto ,ao adotar um tom ameaçador, contribui para ampliar a crise política, que, juntamente com o coronavírus, constitui uma séria ameaça no horizonte.