Blogueiros e aliados atingidos pelas decisões de Moraes só podem recorrer ao STF

Blogueiros, youtubers e deputado: veja quem são os bolsonaristas ...

Allan Santos debochou do Supremo e esta recebendo o troco

Pedro do Coutto

Reportagem de Leandro Prazeres, Carolina Brígido, Marlen Couto e João Paulo Saconi, O Globo de hoje, destaca os efeitos e reflexos da decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes determinando a suspensão de blogueiros que na sua interpretação praticam crimes de calúnia e difamação e ameaças à integridade até de ministros da Corte Suprema.

Os atingidos, agora identificados pela reportagem, consideram-se vítimas de censura à liberdade de expressão e comunicação. Entre eles empresários e ativistas apoiadores do presidente Bolsonaro, entre os quais o ex-deputado Roberto Jeferson.

CPF OBRIGATÓRIO – Alguns autores das mensagens são também investigados no inquérito das fake news em curso no STF e objeto de proposição que tramita no Senado Federal. No caso de recorrerem ao Supremo, cuja decisão tanto pode ser do Tribunal pleno quanto de uma de suas duas turmas, para isso terão que se identificar anotando o CPF obrigatório.

Explico por que: a matéria de O Globo acentua que o Facebook e o TwitTer alegam não terem cumprido a decisão de Moraes no mês de maio porque vários CPFs não coincidiam com o CPF dos titulares das contas, entre as quais algumas sustentadas por publicidade comercial. Essa informação causa surpresa e dá margem a pergunta por qual motivo o Face e o Twitter não realizaram a conferência dos dados há dois meses.

FORA DO ANONIMATO – A sombra vislumbrada no espaço eletrônico impediria que os próprios atingidos pudessem recorrer à Justiça porque, para isso, teriam que sair do anonimato.  Não se pode confundir liberdade de expressão com anonimato, pois do contrário se alguém for atingido por difamação ficaria impossibilitado de processar o autor uma vez que ele teria passado a ser um enigma. Enigma não tem CPF.

QUESTÃO DA AMAZÔNIA – Os bancos investem contra Ricardo Salles e o desmastamento que vem ocorrendo na Amazônia. Itaú, Bradesco e o Santander publicaram ontem página publicitária defendendo o meio ambiente e condenando frontalmente o desmatamento na Amazônia. Dessa forma, o grande capitalismo brasileiro, a meu ver, assinalou fortemente sua posição contrária ao ministro Ricardo Salles, cujo comportamento choca-se com a mensagem dos três grandes bancos.

Aliás, Ricardo Salles tornou-se alvo de todos aqueles que têm na ecologia uma responsabilidade nacional e até internacional para com o futuro do planeta.

Desmatar a floresta verde, maior do mundo, será um atentado a própria humanidade.

Informação a Jair Bolsonaro: o ministro Paulo Guedes, na verdade, é um ficcionista

TRIBUNA DA INTERNET | Enquanto Paulo Guedes exibe seus ...

Charge do Gilmar Fraga (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro necessita observar a realidade com mais clareza e, nessa análise, concluir finalmente que o ministro Paulo Guedes, no fundo, é um personagem que dá mais valor a teoria do que a prática, opõe a teoria à prática, dá mais valor a mágica contra a lógica e, finalmente coloca sua impressão pessoal à frente da realidade dos fatos.

Vejam, por exemplo, o projeto parcial de reforma tributária que ele na terça-feira entregou ao deputado Rodrigo Maia e ao senador Davi Alcolumbre. Propôs a unificação do PIS e COFINS e nessa proposição eleva a contribuição dos bancos para 5,8%. Entretanto, relativamente aos serviços ele mais que dobra o tributo duplo, soma do PIS e COFINS.

DOBRANDO IMPOSTOS – A matéria de análise, de autoria de Adriana Fernandes, está publicada em O Estado de São Paulo nesta quinta-feira. Em O Globo, matéria de Geralda Doca, Manoel Ventura e João Sorima Neto coteja os impostos que serão substituídos pelas CBS com os futuros encargos.

Hoje a média de tributos oscila entre 4 e 5%. É o caso dos hospitais, clínicas e estabelecimentos de ensino, comércio, serviços gerais, informática e hotéis. A alíquota da indústria atualmente é de 6%. Todos esses setores, de acordo com Paulo Guedes, passariam a ser taxados em 12,8%. Fácil é entender a reação desencadeada por tais setores da produção.

FUTEBOL PELA TV – O Estado de São Paulo publicou quinta-feira que vamos ter pela frente um novo impasse e uma nova discussão entre a TV Globo e os clubes de futebol, na luta pela transmissão das partidas.

O presidente Bolsonaro remeteu ao Congresso a medida provisória 984 que estabelece que as transmissões das partidas terão que ser negociadas pelo mandante dos jogos. No dia 8 de agosto, por exemplo, Palmeiras e Vasco vão se enfrentar com a transmissão da TNT de propriedade do grupo Turner. Entretanto, pelo contrato em vigor a Globo possui os direitos de exibição.

A MP de Bolsonaro valeu para o campeonato carioca, mas nesse caso o prazo de contrato na Globo tinha vencido. No caso do campeonato brasileiro, o contrato firmado pela TV Globo ainda se encontra em vigor e assim não pode ser modificado pela MP do presidente da República. A solução dependerá da justiça e também da votação da MP pelo Congresso.

CAIXA E AS FRAUDES – Reportagem de Karen Garcia, Stefane Tondo e Manoel Ventura revela que a Caixa Econômica Federal bloqueou 1 milhão e 300 mil contas correntes no sentido de identificar a origem da torrente de fraudes que culminaram no pagamento ilegal do auxílio emergência concedido pelo governo.

O caso acentua ao mesmo tempo, na minha opinião, uma surpresa e um absurdo. O presidente da CEF, Pedro Guimarães, atribui a invasão do sistema da CEF por hackers,bmas coloco a seguinte questão: como os invasores tinham conhecimento nominal das contas? E se as contas existiam seus titulares tinham de estar coniventes com os créditos consignados.

Além disso, como poderiam receber o produto das fraudes, uma vez que os invasores têm de ter CPF diferente do CPF dos que tornaram os roubos viáveis.

ALGUMA CONIVÊNCIA – Tenho a impressão de que houve alguma conivência que abriram a chave eletrônica das contas. Mas não é só isso. Como os aparentes titulares escolhidos pelos invasores poderiam receber 3 prestações de 600 reais cada uma, mantendo o desenrolar do crime do primeiro ao terceiro mês.

Há poucos dias o Globo publicou que as fraudes estavam calculadas na estratosfera de 395 mil casos. Por que então a CEF bloqueia 1 milhão e 300 mil contas? A desproporção é evidente.

Tem-se a impressão de que o sistema administrativo de controle fracassou totalmente. E as fraudes dos militares, que receberam fraudulentamente?

Protetor dos bancos, Guedes fixa PIS-Cofins de 5,8% para eles e 12,8% para os demais

TRIBUNA DA INTERNET | Guedes diz que previdências estaduais e ...

Charge do Nani (naniohumor.com)

Pedro do Coutto

Na tarde de ontem o ministro Paulo Guedes entregou a Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre projeto que sua equipe chama de atualização tributária, mas que na realidade propõe, como era de esperar, um aumento na tributação, especificamente no caso do PIS-Cofins. Para os bancos e instituições financeiras permanece em 5,8%. Para os demais setores, estão previstos 12,8%.

Pelo projeto haverá unificação de PIS-COFINS que resultará num novo tributo que vai se chamar CBS. É o novo voo de Paulo Guedes no rumo da fantasia, partindo do princípio de que impostos possam mudar a fisionomia econômica do país, levando-o à retomada do desenvolvimento e a redução do desemprego.

NÃO FUNCIONA – Sabemos muito bem que tal engrenagem não funciona. O imposto menor apenas serve para lançar uma sombra em volta da realidade. Hoje, aliás, Delfim Neto publica artigo na Folha de São Paulo. Deve ter preocupado o Planalto porque Delfim Neto reflete a opinião das grandes empresas do país.

Hoje O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo dão grande destaque à matéria. No O Estado de São Paulo é assinada por Idiana Tomazelli, Eduardo Rodrigues, Daniel Weternan e Adriana Fernandes. No Globo assinam Manoel Ventura, Geralda Doca e Ramona Ordonez. Na Folha de São Paulo, por Tiago Resende, Daniele Brant, Bernardo Caran e Iara Lemos.

O projeto apresentado faz parte de uma trilogia de novas proposições completando o que será ou seria a reforma tributária integral.

EVENTUAIS CRÉDITOS – A assessora do ministro Guedes, Vanessa Rahal Canado, e o secretário da Receita Federal, José Tostes Neto, disseram que eventuais créditos gerados em operação da CBS (PIS-Cofins) poderão ser compensados pela empresas de três em três meses.

Portanto, penso eu, esses resultados, na realidade e não na teoria, poderão ultrapassar a escala de 12,8%. Não fosse assim não haveria necessidade da ressalva.

BOLZONARO ZEN – Em uma entrevista a Paulo Capetti, O Globo de hoje, Flávio Bolsonaro informou que o presidente da República adotou uma nova postura diante dos relacionamentos com o Congresso e o Supremo. As declarações polêmicas de Jair Bolsonaro estão sendo substituídas por outras mais suaves.

Trata-se de uma agenda positiva do Brasil. O senador diz não acreditar muito em pesquisas, entretanto baseia-se numa do Instituto IPSOS que apontou para o governo uma rejeição de 43% contra uma aprovação de 33%. Praticamente o mesmo resultado da semana passada registrado pelo DataFolha.

Flávio Bolsonaro não acredita em pesquisa, mas eu acredito. Eu as acompanho desde 1955, recebendo informações do meu amigo Paulo Montenegro, pai de Carlos Augusto Montenegro presidente do Ibope.

Paulo Montenegro assumiu o Ibope em 1945. De lá para cá la se vão 75 anos. A exatidão das pesquisas nesse espaço de temo foi mais do que comprovada. As pesquisas do DataFolha apresentam a mesma exatidão. Um erro ou outro podem acontecer, mas a regra é acertar.

Aposentar o “desembargador” Siqueira representaria um prêmio e não punição

Coronavírus: Abordado sem máscara, desembargador despreza guarda ...

Desembargador Siqueira é um ser humano de segunda categoria

Pedro do Coutto

O desembargador Eduardo Siqueira, que estupidamente destratou o guarda Cícero Hilário Roza Neto, na minha opinião deve ser imediatamente aposentado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, com vencimentos proporcionais (e não integrais) ao tempo de serviço, considerando suas contribuições ao serviço público. Ele chocou todo o país, como se tivesse dado uma bofetada em cada um de nós.

O guarda Cícero Hilário em uma entrevista a Diego Maia, Folha de São Paulo de hoje, diz com toda razão que a ofensa do magistrado não sai de sua mente.

RASGOU A MULTA – O desembargador Eduardo Siqueira rasgou a multa e jogou-a no chão, demonstrando situar-se acima da lei e do convívio social dentro dos limites civilizados.

A desembargadora Maria Lúcia Pizoti, do TJ-SP, afirmou, com toda a razão, que Eduardo Siqueira é uma figura desprezível. Concordo totalmente, pois quem não respeita o direito dos outros, no fundo tem desprezo por si mesmo e assim não tem condições de julgar pessoa alguma. Maria Lúcia lembra que já processou Eduardo Siqueira por injúria e difamação.

Digo eu, a aposentadoria de Siqueira é o ato mínimo que se pode esperar da Justiça, embora signifique um prêmio para ele.

GUEDES ENROLADO – Reportagem de Tiago Lusso, O Estado de São Paulo de ontem, destaca os pontos principais do projeto de reforma tributária elaborado pelo ministro Paulo Guedes.

O fato é que Guedes se especializou em cobrar dos salários aquilo que não consegue cobrar das empresas. No seu projeto de reforma, prevê desoneração para com o INSS e elevação do IR na fonte para os que vivem de seu trabalho. Para se ter uma ideia do absurdo, pretende elevar de 27,5% para 35% o desconto na fonte para os que recebem, acima de 4.600 reais.

SEM CONSENSO – Hoje a repórter Adriana Fernandes, O Estado de São Paulo de hoje, revela que o governo não conseguiu ainda consenso da Câmara e do Senado em torno do projeto do ministério da Economia.

A matéria exige uma descomplicação por parte do Congresso Nacional. Guedes acentuou que já se reuniu com empresários da indústria. Por que não se reúne também com os órgãos de classe dos trabalhadores e funcionários públicos?

Mais que o Flamengo, perde o futebol brasileiro com o voo de volta de Jorge Jesus

Jorge Jesus confirma que vai permanecer no Flamengo: 'Digam à ...Pedro do Coutto

A afirmação que está neste título resulta de uma conversa que na tarde de domingo mantive com Ruy Castro. Citado numa reportagem de Tatiana Furtado, O Globo, Ruy Castro sustentou que o voo de retorno de volta a Lisboa de Jorge Jesus frustrou a imensa torcida do Flamengo, porém mais do que isso foi uma perda para o próprio futebol brasileiro. Ele tem razão, e concordo com ele porque Jorge Jesus não é apenas um técnico vitorioso que se incorporou à história do Flamengo. Ele comprovou a convergência entre a técnica e a arte nesse mundo maravilhoso que se chama futebol.

Para mim, um dos aspectos mais brilhantes do treinador que retorna ao Benfica está na ocupação permanente dos espaços do gramado.

ESTADO ATLÉTICO – Se os leitores prestarem atenção aos movimentos da equipe, vão descobrir que uma das razões básicas do sucesso cem do fato de sempre onde está a bola encontram-se permanentemente dois jogadores rubro-negros. Para isso é fundamental o estado atlético dos 11 da equipe.

Digo 11 da equipe, mas de tal atividade excluo o goleiro, para incluir a eterna camisa que, lenda do esporte, joga na equipe. É a formidável torcida que acompanha o time desde o passado.

O Flamengo foi tricampeão em 42,43 e 44, com Flávio Costa como técnico. Depois iria conquistar novo tricampeonato em 53,54 e 55, tendo como técnico o paraguaio Fleitas Solich. Foram jornadas heroicas, com destaque para o título de 43 conquistado no último minuto na cabeçada do ponta direita Valido.

OUTROS TÍTULOS – Flávio Costa foi o técnico na derrota brasileira para o Uruguai. Tinha trocado o Flamengo pelo Vasco e foi campeão um ano antes da Copa pelo Vasco, com Heleno no time, portanto em 1949.

Na história do Flamengo, muitos outros títulos se incorporaram, inclusive o de campeão mundial, na equipe liderada por Zico.

 Ia me esquecendo: o tri na década de 40 foi conquistado no estádio da Gávea, à beira da Lagos Rodrigo de Freitas. O tempo foi passando, atravessando etapas e continuará no futuro para a glória do Flamengo e do próprio futebol brasileiro.

 

 

Se ocultar o nome dos autores, Facebook estará assumindo crimes de difamação e calúnia

TRIBUNA DA INTERNET | Facebook rompeu a galáxia da informação e se ...Pedro do Coutto

Na semana que se encerrou neste sábado, os três maiores jornais do país, O Globo, Folha de São Paulo e O Estado e São Paulo, noticiaram a existência de problemas entre o Facebook e as investigações a respeito das fake news e dos textos difamando e caluniando ministros do Supremo, parlamentares e jornalistas, no momento investigadas pelo STF e pela CPMI do Congresso.

O Facebook apresentou como desculpa a necessidade de preservar a privacidade de seus verdadeiros autores, incluindo a ocupação de espaços publicitários, e a meu ver isso representa um verdadeiro absurdo.

CRIMES DE MONTÃO – Nas mensagens de calúnia, injúria e difamação encontra-se a raiz dos crimes de imprensa e de informação pública. Nessas mensagens criminosas, em vários casos sua divulgação é feita até em espaços de publicidade comercial.

Ao dizer que são feitas por robôs, assim agindo, o Facebook manifesta profundo desprezo pela opinião pública de modo geral e pelos seus leitores, que são muitos, em particular.

Os robôs são instalados e financiados por seres humanos, eles não têm personalidade própria e nem são personagens das sombras capazes de agir por si próprios. Nesse caso, o Facebook insinua sermos todos desprezíveis e idiotas.

NA FORMA DA LEI –  Pela Lei de Imprensa e Informação, os artigos e reportagens, quando assinados, são da responsabilidade daqueles que os produziram. Mas no caso de saírem sem assinatura são da responsabilidade dos órgãos que publicaram as matérias.

O Facebook, assim, ao confundir privacidade com anonimato, se expõe aos processos criminais e à obrigação de abrir espaço para o direito de resposta com o mesmo destaque do texto difamatório e calunioso.

Direito de resposta e indenização são as armas contra fake news e difamação via redes sociais

Enquanto Isso no Facebook - Imagens de Charges

Charge do Tigre (Arquivo Google)

Pedro do Coutto            

Acompanhei com muito interesse o jornal das 18 horas da GloboNews na quarta-feira, 15 de julho, especialmente as opiniões de Cesar Tralli, Cristiana Lobo, Gerson Camaroti e Fernando Gabeira. O tema encontra-se na ordem do dia e causa preocupação geral, uma vez que o espaço conquistado pela Internet é muito amplo e, na minha opinião, tende a ser cada vez maior.

Está ocorrendo um movimento contra as fake news e as peças de injúria, difamação e calúnia que cortam a era espacial da comunicação. É impossível deter o acesso indiscriminado às redes sociais. Mas é possível, digo eu, enfrentar o problema com medidas que partem do exercício do direito de resposta previsto na Constituição e na Lei de Imprensa.

MEDIDA SANEADORA – Não se trata, ainda, de recurso a alguma ação penal ou indenizatória por danos morais. Trata-se de uma providência altamente saneadora, gratuita, cujo publicação as redes sociais não poderão negar. Colocada a questão, posso afirmar que adotado o direito de resposta, por parte do ofendido, o circuito das redes sociais ficará repleto de matérias cuja veiculação, no fundo voltar-se-á contra a usina de informação e opinião que opera no contexto da era moderna em que nos encontramos.

Essa providência, ao lado da decisão do ministro Alexandre de Moraes assegurando acesso da Polícia Federal aos perfis do Facebook, vão ao encontro da opinião pública na medida em que fornece a certeza do próprio direito de resposta. Tanto a decisão funcionou que o próprio Facebook retirou de seu sistema os perfis e matérias que mais comprometem legalmente seus autores.

Se como os fatos comprovam, o Facebook retirou tais textos, tentando oculta-los fora de tempo, é porque revela a dimensão e a sensibilidade do que ele próprio destacou e divulgou. Sobre este assunto O Globo e a FSP de quinta-feira publicaram reportagens com bastante destaque. No Globo escreveram Bela Megale e Jéssica Moura. Na Folha, Marcelo Rocha e Camila Mattoso.

Uma festa esplêndida com a arte se encontrando com os cristais, no cenário de Paris 

O que fazer em Paris no dia 14 de julho, festa nacional francesa ...

Um espetáculo eletrizante, emoldurado pelo cenário de Paris

Pedro do Coutto

Foi emocionante pela arte e a leveza dos cristais, a festa que ontem a eterna Paris ofereceu ao mundo em mais uma comemoração da data histórica de 14 de julho, orgulho da França, marcando a queda da Bastilha. A festa transferida das ruas de Paris para um palco no campo de Mars teve a Torre Eiffel como espelho e símbolo. Peças musicais se sucederam revisitando Chopin, Beethoven, Mozart, Ravel, e a Marselhesa de Rouget de Lisle, na interpretação arrebatadora de uma cantora negra seguida de um coral.

A orquestra nacional da França, regida por uma coreana, foi simplesmente deslumbrante. As músicas se sucederam na interpretação de cantores e cantoras, cujas vozes conduziram a momentos que ficarão para sempre guardados na memória e no coração envolvidos pela sensibilidade ante as peças mais belas que fazem a história da música.

TRÊS SÉCULOS – Pode-se dizer que três séculos nos contemplam a partir do 14 de julho de 1789. Nos contemplam hoje e vão contemplar pela estrada a fora aqueles que vierem depois de nós. O tempo entretanto não limita à arte. Tanto é assim que os clássicos e os intérpretes continuam sendo ouvidos e admirados ao longo do tempo.

Não vão desaparecer no decorrer das etapas que marcam o tempo e que transmitem a cultura aos que vão e aos que surgem. A arte, como provou a festa de Paris, não tem idade, ela será eterna, uma forma de se tornar contemporânea do próprio futuro, como é contemporânea das belas páginas imortais do passado.

LA VIE EM ROSE – Assisti à festa pelo canal Filme&Art ao longo de sua duração que encantou a todos durante duas horas e meia. Encantou tanto que desejava que não acabasse.

O fim, limite da arte no episódio, acolheu a bela interpretação de La Vie en Rose, de autoria de Piaf e Guglielmi, que eu pela primeira vez ouvi em 1948 pela voz suave e romântica de Charles Trenet. O balé entrelaçou lindamente os dois corpos em apenas um só ser.

Hoje, às 17 horas, horário do Rio aquele canal reprisará a festa inesquecível que encheu de beleza e poesia nossos pensamentos e corações. O 14 de julho de 2020 ficará na história como o mais belo espetáculo produzido até hoje, na minha opinião. Ao final, fogos representando as cores da França abraçaram a Torre Eiffel, símbolo de uma cidade que não pertence só a França mas ao mundo todo e assim a todos nós.

TV GLOBO E FLAMENGO – Me comprometi no artigo de ontem a falar hoje apresentando uma síntese do que causou a briga entre Flamengo e a Globo, sendo que, para mim o Flamengo não tem razão.

A controvérsia nasceu da medida provisória 984 do presidente Bolsonaro estabelecendo que não poderia haver exclusividade nas transmissões do futebol. Hoje, publica o jornal O Globo, o FlaAXFlu será transmitido pelo SBT. A medida provisória acertou o alvo de tentar anular o domínio da Globo nas transmissões esportivas.

Vendaval da corrupção no combate à pandemia passou pelo Rio e segue para a Amazônia

Ter um interino no comando da Saúde não é o melhor dos mundos ...

Mourão reconhece os erros cometidos pelo governo na Amazônia

Pedro do Coutto

O vendaval da corrupção sem dúvida alguma destruiu a administração de vários Estados, bastando acentuar que cinco governadores foram denunciados, com secretários de saúde e assessores presos e envolvidos seriamente nos processos que gravitam no espaço da Justiça. Incrível. No Estado do Rio de Janeiro já temos consequências políticas, com o pedido de abertura de impeachment de Wilson Witzel aprovado pela Assembléia por 69 a zero.

O governador anuncia recurso a Justiça, alegando que estaria havendo cerceamento de defesa. Na minha opinião, é extremamente difícil que Witzel possa superar a reação contra ele.

ATÉ EM BRASÍLIA – Mas o vendaval da corrupção, talvez até um ciclone, já passou por Brasília e começa nos dias atuais a se aproximar e penetrar na Amazônia. O vice presidente Mourão em uma entrevista a Eliane Cantanhede, O Estado de São Paulo, reconheceu que houve omissão contra o desmatamento sucessivo e o recurso das queimadas para ocupação ilegal de terras.

Reportagem de Leandro Prazeres, Paula Ferreira e Gustavo Maia, O Globo de hoje, revela que o governo exonerou Lubia Vinhas que apontou no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais o avanço do desmatamento na região. Especialistas na matéria, como Ricardo Galvão, condenaram o afastamento e disseram que o Ministro Ricardo Salles pratica uma administração desastrosa. Lubia foi exonerada pelo ministro Marcos Pontes, titular da pasta da Ciência e Tecnologia. 

DESMENTIDO – André Trigueiro, da Rede Globo, recebeu informação de Marcos Pontes: Lubia Vinhas foi quem pediu demissão, o que foi desmentido por ela. Há poucos dias Hamilton Mourão revelou que investidores estrangeiros condicionam suas aplicações no Brasil à preservação da Amazônia.

O Estado de São Paulo, matéria de Giovana Girardi, ressalta com grande destaque a demissão de Lúbia Vinhas frisando que o desmatamento na Amazônia, nos últimos 11 meses subiu 65% em relação ao período também de 11 meses de agosto de 19 a junho deste ano. Até o Ministro Paulo Guedes, de acordo com reportagem de Eduardo Rodrigues e Lorema Rodrihues, O Estado de São Paulo de hoje, defende mais compreensão para preservar a Amazônia através de correção de erros. A não preservação bloqueia investimentos estrangeiros no país.

FUTEBOL NA TV– Tomara que amanhã não chova, para que o FlaxFlu decisivo seja disputado com bom tempo no Maracanã. A confusão quanto ao televisIonamento continua. Matéria de Igor Siqueira, O Globo de hoje, focaliza o assunto e destaca o problema entre o Flamengo e a TV Globo, reflexo a seu ver da medida provisória 984 do presidente Bolsonaro, que alterou as normas para o pagamento de direitos autorais.

Como amanhã o mando de campo é do Flamengo, o clube pretende negociar os direitos de transmissão com o SBT e não com a Globo. As partidas anteriores foram transmitidas através dos canais FLU TV e FLA TV. No caso do FLA TV apenas a partida final da Taça Rio. Amanhã vamos ver o que acontece e se a Globo permite a transmissão pelo SBT como permitiu as transmissões pelo Youtube.

Depois volto ao assunto.

Flamengo não tem razão na briga com a TV Globo, porque nenhum time joga sozinho

FluTV? Globo? Veja como fica a transmissão caso o Fluminense mande ...

A transmissão inferior é o ponto franco do esquema alternativo

Pedro do Coutto

O desentendimento entre o Flamengo e a TV Globo decorre do fato de que, alegando ser a maior torcida do Brasil, o que é verdade, o rubro-negro deseja receber mais pela transmissão das partidas em que atua, o que na minha opinião choca-se com a realidade. Parto do princípio de que nenhum time de futebol joga sozinho. O adversário é imprescindível. Portanto, digamos, se o Flamengo enfrentar o Bonsucesso, nem por isso deverá receber mais do que a equipe do subúrbio da Leopoldina. Mas há uma série de outros reflexos causados pela posição do Flamengo.

Uma delas é a redução da publicidade colocada na lendária camisa que joga sozinha, tornando-se assim o 12º jogador. As marcas estão na camisa heroica de tantas vitórias e tantos campeonatos conquistados.

TRANSMISSÃO RUIM – Uma constatação: as transmissões por canais de clubes como o Fluminense, e o próprio Flamengo, naturalmente não colocam nas telas imagens de qualidade como as transmitidas pela TV Globo.

Aliás, achei excelente a reportagem de Diogo Dantas, João Pedro Fonseca e Rafael Oliveira, O Globo de domingo, focalizando o assunto com base na nova estratégia dos clubes.

Não se pode esquecer que a Globo possui 120 canais na rede espacial moderna. Assim, por mais acessos que a TV Flu possa conquistar, como ocorreu ontem no Rio de Janeiro, não se pode comparar com os reflexos da transmissão pela TV Globo.

Outro aspecto essencial é a valorização dos passes de jogadores no exterior, atualmente meta legítima de todos os atletas profissionais. Como sempre digo, não se pode ver só o fato mas também seus reflexos e consequências.

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GRANDE SOLUÇÃO… PETROBRÁS DEMITE FUNCIONÁRIOS

Mais uma vez chamo atenção para que os leitores examinem o fato e, sobretudo, seus reflexos. Menos servidores, menor a receita do INSS, menor a receita do FGTS, menor a receita da Petrus, o Fundo de Pensão. Demitir não resolve nada, pelo contrário. Agrava o problema.

Além da dívida herdada dos governos Lula, fonte de corrupção, que levou ao endividamento em torno de 100 bilhões de dólares, uma das maiores dívidas empresariais do mundo. Hoje a dívida, revela a reportagem de Ramona Ordonez e Bruno Rosa, O Globo de hoje, caiu para 78,8 bilhões de dólares. O fundo de aposentadoria complementar está sendo atingido por dois fatores: redução das contribuições dos empregados, decorrente do enxugamento estabelecido pela direção.

E também finalizando, pelo número de servidores afastados, o que vai pesar contra a PETRUS, aumentando sua despesa e diminuindo sua receita.

Brasil perde 12 bilhões de dólares se não enfrentar desmatamento, adverte Mourão

Mourão se submete a isolamento após funcionário próximo ser ...

Mourão criticou claramente o ministro Salles, do Meio Ambiente

Pedro do Coutto

Em uma entrevista a Eliane Cantanhede, no Estado de São Paulo de sábado, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o governo começou tarde o combate ao desmatamento na Amazônia e que, com essa omissão, perderá 12 bilhões de dólares, quantia a ser investida no Brasil por empresas nacionais e estrangeiras e também por órgãos que lutam pela preservação do meio ambiente, não só no Brasil, mas no mundo inteiro.

Mourão, encarregado de supervisionar o combate ao problema, mostra-se preocupado com os reflexos e consequências da omissão. Pergunto eu: qual poderá ser a reação do Ministro Ricardo Salles diante da revelação do vice-presidente da República?

FALTA DE RECURSOS – De outro lado Mourão revelou-se surpreso com a falta de recursos para a Operação Verde Brasil, que, aliás, há dois meses não recebe repasse do Fundo da Amazônia, embora as aplicações nesse Fundo estejam previstas no orçamento federal da União para este ano. Acrescento: e o orçamento federal eleva-se a 3,6 trilhões de reais, praticamente a metade do PIB.

Mourão afirmou a Eliane Cantanhede que a operação de combate frontal ao desmatamento começou tarde demais e assim acumulou a escassez de recursos em dois anos. O vento levou, digo eu, e agora Mourão tem de partir em busca do tempo perdido. Uma das preocupações dos investidores estrangeiros refere-se a questão dos índios na Amazônia.

PREJUÍZO ÀS EMPRESAS – Uma reportagem de Fernanda Perrin, Folha de São Paulo de hoje, sustenta que o desambientalismo da política do governo prejudica também as empresas brasileiras em larga escala, principalmente pelo fato de que grandes exportadores estão sofrendo resistência em vários países preocupados com o aquecimento global.

O tema é também objeto de matéria de Henrique Gomes Batista e João Sorima Neto, O Globo. No mesmo jornal, Geralda Doca, revela que o governo Bolsonaro estuda autorizar o resgate parcial de recursos acumulados pelos Fundos de Pensão das empresas estatais.

UM GRAVE ERRO – Na minha opinião trata-se de um grande erro, e a ideia, claro, está colocada pelo Ministério da Economia. Acontece que os Fundos de Pensão voltados para complementação de aposentadorias possuem a enorme maioria dos recursos aplicados no mercado de capitais e portanto difíceis de resgatar para garantir a liquidez financeira dos saques. É o caso da Previ do Banco do Brasil, e do Real Grandeza, de Furnas. Esta questão merece ser objeto de profunda apreciação.

A Previ e o Real Grandeza estão superavitários, enquanto a Petros, da Petrobrás e o Funcef, da Caixa Econômica Federal, encontram-se em fase de recuperação de seus prejuízos.

EM RENDA FIXA – De modo geral, em 2019 por exemplo, eles movimentaram 124 bilhões de reais no mercado. Entretanto no caso da Previ e do Real Grandeza, cerca de 80% de seus patrimônios encontram-se em aplicações de renda fixa, cujo saque reduziria substancialmente o valor dos investimentos.

É preciso considerar também que a Previ e o Real Grandeza aplicaram fortemente em notas do Tesouro Nacional remuneradas com base na Selic.

Assim a rentabilidade anual está hoje em 2,25%. Se a inflação bater 3% o prejuízo real terá sido de 0,75%.

Lembrem-se: Adhemar de Barros e Moysés Lupion nunca fizeram apologia da honestidade

Adhemar de Barros - Algo Sobre

Slogan de Adhemar (“Rouba mas faz”) foi apropriado por Maluf

Pedro do Coutto

Leitoras e leitores, no meu artigo de ontem, talvez tenham se surpreendido com o fato de eu não ter eu colocado os nomes de Adhemar de Barros e Moises Lupion entre os que são acusados de terem praticado atos de corrupção. Explico. Ontem fiz o contraste entre a honestidade aparente e a corrupção oculta. Por isso, exclui os ex-governadores de São Paulo e do Paraná. Feita esta observação, vou escrever tópicos sobre fatos políticos que ocorreram de ontem para hoje. Dentro do princípio que adoto de que tão importante quanto ver os fatos, ver nos fatos, seus reflexos e consequências.

NOVO MINISTRO – O professor Milton Ribeiro foi nomeado ministro da Educação pelo presidente Jair Bolsonaro. É o quarto ministro em 18 meses. Vamos aguardar sua atuação. Penso eu que, da mesma forma que todos os professores, podem se tornar um autor do amanhã, um arquiteto do futuro.

De acordo com meu pensamento, o ministro da Educação e todos os professores devem escolher entre serem doadores ou cobradores. A informação deve ser transmitida dentro de uma atmosfera fraterna, cordial e não amedrontadora. É o melhor caminho para análise dos fatos e dos desempenhos humanos no futuro. A reportagem de O Globo é de Cleide Carvalho, Naira Trindade, Renata Mariz e Raquel Kapa.

FUTURO EX-MINISTRO – Ricardo Salles deve sair do Ministério              do Meio Ambiente. Isso porque, na sexta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão reuniu-se com investidores e empresários estrangeiros que condicionaram suas aplicações de capital no Brasil ao fim do desmatamento na Amazônia. Reportagem em O Globo, de Johanns Eller, Gabriel Shinohara, Washington Luiz e Henrique Gomes Batista, destacou o encontro.

O ministro Salles sequer foi convidado. Hamilton Mourão reconheceu ação tardia do governo Bolsonaro para conter a devastação. E o jornalista André Trigueirom da TV Globo, já manifestou fortes críticas ao interesse financeiro dos que desmatam e incendeiam.

MINISTRO EQUIVOCADO – Ao contrário do que se pensa, o ministro João Otávio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça, está longe do Supremo. Os repórteres Mateus Teixeira e Marcelo Rocha focalizaram extensamente na edição de hoje da Folha de São Paulo as contradições do presidente do STJ, João Otávio de Noronha, ao conceder prisão domiciliar a Fabrício Queiroz.

Contrariou diversas decisões em casos semelhantes antes de modificar seu pensamento em relação a Queiróz. Mas foi além. Fixou prisão domiciliar a Márcia Aguiar, mulher de Queiróz. Disse que ela assim poderá cuidar do marido. Esqueceu que no longo tempo em que Queiróz esteve oculto em Atibaia ela não se aproximou para apoiar o personagem nebuloso.

Aliás, Merval Pereira no seu artigo de hoje de O Globo, desmancha qualquer possibilidade de Otávio de Noronha vir a ser nomeado pelo presidente Bolsonaro para o STF.

Lacerda, Jânio, Collor, Lula e Bolsonaro tiveram a honestidade como bandeira

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Charge do Solda (cartunistasolda.com.br)

Pedro do Coutto

O governador Carlos Lacerda e os presidentes Jânio Quadros, Fernando Collor, Lula da Silva e Jair Bolsonaro se pautaram sempre nas suas campanhas eleitorais pela defesa absoluta da honestidade, principalmente da honestidade quanto aos recursos públicos. Condenaram sempre a corrupção e os corruptos, sendo que Jânio Quadros adotou como símbolo em sua campanha vitoriosa nas urnas de 1960 a vassoura destinada a varrer a corrupção no país e lançá-la no eterno arquivo nacional.

Os fatos não confirmaram seus propósitos iniciais. Inclusive honestidade não se refere apenas a questões financeiras. Existe também a desonestidade intelectual.

DEPOIS DE ELEITOS… – Ao longo do tempo as contradições foram muitas porque os eleitos não se encontraram com os candidatos. Lacerda foi excelente governador da Guanabara. Mas no início de seu mandato, em 1961, enviou à Assembleia projeto de lei reduzindo a incidência do ICM sobre as exportações de café de 4 para 1%. O deputado Amaral Neto apresentou emenda perdoando a dívida dos exportadores de café para com a Fazenda estadual.

A questão vinha sendo objeto de discussão no STF. O advogado dos exportadores era Dario de Almeida Magalhães, pai de Rafael de Almeida Magalhães, chefe da Casa Civil de Carlos Lacerda.

E o mesmo Lacerda desencadeou um movimento contra a posse de JK, que venceu as eleições de 1955, alegando que o político mineiro era corrupto.

JÂNIO E A VASSOURA – Jânio Quadros foi eleito presidente, vassoura na mão para banir os corruptos. Quando assumiu, o dólar, sobre o controle da SUMOC, estava fixado em 100 cruzeiros. Através da instrução 204 Jânio já no primeiro dia de seu mandato duplicou o valor da moeda americana fixando-o em 200 cruzeiros. Quem por acaso comprou o dólar a 100 enriqueceu numa noite de verão. Jânio Quadros renunciou à presidência da República em agosto de 1961.

Fernando Collor foi eleito em 1989 defendendo ardorosamente a integridade e prometendo cassar os marajás do serviço público. Logo no início de seu mandato, o personagem Paulo Cesar Farias entrou em cena praticando extorsões em série. Collor foi afastado da presidência dois anos depois de tê-la assumido. Corrupção. Mas apesar do impeachment, criminalmente foi absolvido pelo STF, não havia provas.

LULA E O MENSALÃO – Lula, sob o manto da honestidade, atacava os picaretas e defendia um novo ciclo voltado para a redistribuição de renda. Assumiu em janeiro de 2003. Poucos meses depois, explodiu o mensalão arquitetado por José Dirceu, que era o chefe de sua Casa Civil.

Reeleito, Lula  desencadeou corrupção jamais vista na história do país. Distribuiu as diretorias da Petrobrás pelas bancadas partidárias no Congresso e concretizou um pacto com a Odebrecht e outras empreiteiras, levando a Petrobrás a um endividamento internacional de 90 bilhões de dólares.  Na minha opinião nada mais conservador e concentrador de renda do que a corrupção. Pedro Barusco, um dos gerentes da Petrobrás, depois do petrolão devolveu aos cofres públicos 95 milhões de dólares.

BOLSONARO E A CORRUPÇÃO – Chegamos assim à vitória de Jair Bolsonaro. cuja campanha atacando a corrupção de Lula e do PT conquistou a ampla maioria do eleitorado brasileiro. Já no primeiro ano de seu governo, começaram a surgir entre as nuvens sinais de que se aproximava uma tempestade. Hoje todos sabem o que são as fake news, a atuação do ministério do meio ambiente, na Educação um desastre chamado Weintraub e um personagem da literatura policial como Fabrício Queiroz.

Emergiu das sombras um personagem de Agatha Christie, um advogado misterioso que ocultou Fabrício Queiroz. Na onda atual, o presidente do STJ, João Otávio Noronha, concedeu prisão domiciliar para Queiroz e a estendeu a sua mulher,Márcia Aguiar. Ela estava foragida. Tal decisão causou perplexidade nos meios jurídicos. A esperança é que seja anulada pelo Plenário do STJ ou então pelo STF.

E la Nave Va, como no filme de Fellini.

A mentira (“fake news”) jamais se transformou ou conseguirá se transformar em verdade

O Espiritualismo Ocidental: Farsa Eleitoral bolsonárica. Quem está ...

Frase famosa da Goebbels foi desmentido pela própria História

Pedro do Coutto

A cínica frase de Goebbels de que a mentira repetida mil vezes se transformará em verdade é absolutamente falsa e qualifica muito bem do que era capaz o chefe da propaganda de Hitler em matéria de violar os direitos humanos e também a consciência dos fatos.

É o caso das fake news que operavam até ontem na rede do Facebook e que foram banidas exatamente com base nesse raciocínio que faço e também com base no dinamismo da política e da própria vida humana.

EXPURGO MERITÓRIO – O banimento não decorreu de uma suspensão ideológica, isso porque as contas do PT no WhatsApp foram igualmente desmobilizadas e banidas por não representarem conteúdo verdadeiro.

Posso afirmar também que jamais o adjetivo poderá suplantar o substantivo. Ou seja, a mensagem não depende do meio de sua divulgação ou dispensar o conteúdo concreto das matérias.

Reportagens publicadas em O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo comprovam firmemente minha opinião sob o ângulo jornalístico, moral e ético. Comparando-se a terrível frase de Goebbels e o pensamento do presidente Lincoln, chegamos à conclusão cristalina que a verdade absoluta se encontra consolidada na História pelo presidente dos EUA.

FRASE DE LINCOLN – Disse ele em 1862: é possível enganar a poucos por todo o tempo, é possível enganar a muitos por pouco tempo; mas é impossível iludir a todos por todo o tempo.

Em O Globo a reportagem é de Leonardo Cazes, João Paulo Saconi e Juliana Del Piva. Na Folha, a matéria é de Paula Soprana, Renato Onofre e Patrícia Campos Melo. No Estadão, Paulo assinam Bruno Romani, Camila Tordelli e Júlia Lindner. As matérias se referem ao caso do face book. No caso do WhatsApp envolvendo o PT o texto é de Fernanda Alves.

Voltando ao tema que confronta de um lado a mentira, de outro a verdade, os fatos através da História sempre apontaram a vitória da verdade sobre a mentira e também, por consequência, na minha opinião, o domínio do substantivo sobre a forma sinuosa de tentar disfarçar a verdade, porque isso não resulta na criação de uma realidade. Pelo contrário, sempre termina se voltando contra o falsificador. Aconteceu exatamente isso na segunda Guerra mundial.

CARTA BRANDI – E no Brasil vale citar o exemplo da Carta Brandi, falsificada na campanha eleitoral de 1955 e que apontava o personagem título como autor de uma remessa de armas para o vice-presidente João Goulart que terminou eleito na chapa de JK.

Carlos Lacerda deu grande divulgação à sombria notícia. E o episódio terminou com a derrota dos falsários e da própria UDN de Lacerda.

Governo vai tentar “comprar” apoio da mídia no Brasil e também no exterior

Charge de Luiz Mello (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O governo Bolsonaro, através da Secretaria de Comunicação (Secom), deseja praticamente dobrar a verba de publicidade prevista para este ano, no sentido de melhorar sua imagem tanto no país quanto no exterior. O desgaste decorre das crises que envolvem o Palácio do Planalto e a equipe do presidente da República. Reportagem de Renato Onofre, Folha de SP de segunda-feira, focaliza o assunto.

Jornalista profissional há mais de 60 anos, posso assegurar que não existe vínculo entre a publicidade paga e as matérias publicadas nos jornais e focalizadas nas redes de televisão.

PUBLICIDADE COMERCIAL – Na minha opinião, a Secom está visando principalmente a Rede Globo por dominar amplamente a audiência, e a Folha, O Globo, o Estadão e também o Valor, pois estes são os maiores e mais influentes jornais do país.

Veicular publicidade comercial não adianta nada, é jogar dinheiro fora. A comunicação política e administrativa é gratuita e tem como base os acontecimentos da realidade e as iniciativas do governo que representem o interesse legítimo da população.

A Secom não consegue compreender esse processo.  Pudera. São pouquíssimos os órgãos públicos e empresas estatais que adotam a linha a que me refiro. Preferem pagar pela divulgação que poderiam obter de graça.

ERRO ESTRATÉGICO – A matéria publicitária não convence exatamente por resultar de espaço pago. A diferença entre publicidade e jornalismo é a mesma que na matemática separa o teorema do axioma. Um abismo.

Renato Onofre destaca o ponto nevrálgico da questão. O secretário adjunto Samy Liberman, em ofício encaminhando a duplicação da verba para este ano, dá como exemplo que as mudanças do comando da Saúde repercutiram negativamente nos jornais econômicos mais influentes no mundo.

E conclui haver necessidade de uma liberação maior do gasto no setor de comunicação. Principalmente – vejam só – nos veículos nacionais mais críticos às ações do governo, além de quintuplicar o valor de gastos em relações públicas com a mídia. Isso exige maior capilaridade associada a situações muito díspares em cada local.

ESFORÇO INÚTIL – A verba este ano para a Secom incluída no orçamento prevê uma aplicação de 138 milhões de reais. A Secretaria está pedindo orçamento de 325 milhões de reais. Como se constata, a surpresa não está tanto no aumento da verba e sim no objetivo falso do alvo apresentado como justificativa.

Não adianta nada, é absolutamente nulo qualquer gesto que possa ser interpretado como tentativa de cooptação. A imagem do Brasil é ruim, porque o governo toma decisões erradas.a meta citada por Liberman, ela envolve além da mídia brasileira o New York Times, Washington Post e o Wall Street Journal, além de jornais europeus.

“COMPRAR” APOIO? – Nesse cenário as matérias negativas expõe o país, o que faz necessária uma ação de comunicação positiva. A imagem do Brasil no exterior tem de ser revertida. Para isso acontecer, é preciso o governo melhorar sua atuação, é claro. Não adianta tentar “comprar” apoio jornalístico.

Internamente, de acordo com o Datafolha, o governo Bolsonaro está perdendo de 44 a 32 na opinião pública. Nas relações públicas, em foruns internacionais, a média dos gastos nos últimos anos foi de “apenas” 10 milhões de reais.

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LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO INCLUI ANONIMATO

Em artigo publicado hoje na Folha, o professor Ivar A. Hartmann, aborda o tema das fake news, a partir do projeto do senador Alessandro Vieira aprovado pelo Senado Federal.

Hartmann, formado em Direito por Harvard, aponta para um alvo certo quando defende a liberdade de expressão e condena o anonimato ao mesmo tempo. Está certo. Mas algumas observações escapam à realidade das redes sociais. Ele condena, é claro, as fake news, mas acentua que deve ser encontrado um denominador comum entre os bolsonaristas e os esquerdistas.

Não é nada disso. O cenário é muito mais amplo do que daquele ocupado pelas duas correntes. A rede da Internet, na minha opinião, torna impossível qualquer controle prévio da mídia espacial.

EDITOR RESPONSÁVEL – Nos jornais e emissoras de televisão as matérias são vistas por editores antes de sua publicação. Há inclusive editores responsáveis. O diretor responsável da Rede Globo, por exemplo, é o jornalista Ali Kamel. Esta colocação é fundamental para dividir as responsabilidades e situações. O que não pode haver, como o próprio Hartmann observa, é o anonimato, por uma razão simples. Seres humanos são responsáveis pela introdução dos robôs nas telas de um espaço infinito.

As pessoas podem escrever o que desejarem. Mas ficam responsáveis pelo que dizem. Os robôs não têm responsabilidade alguma. Assim, o fim do anonimato resolve a questão.

Arrancada do democrata Joe Biden surpreende até jornalistas e cientistas políticos

Aos poucos. Joe Biden está ganhando a confiança dos eleitores dos EUA

Pedro do Coutto

A política é sempre repleta de surpresas e, por isso, sua movimentação contesta as afirmações que se tornam congeladas diante das mutações. Isso é próprio da política em si. Os imprevistos ao longo da estrada possuem sempre uma influência de peso que apaga as ideias fixas. É a vitória de seu caráter dinâmico sobre os estacionamentos do raciocínio, em um encadeamento que se choca com uma visão fotográfica do momento.

O cinema, iniciado no amanhecer do século XX, assim representou um dinamismo de imagens que supera a cristalização da conquista da técnica e da arte de fotografar. Mas vamos ao assunto esquecendo essas movimentações de texto.

NOS ESTADOS UNIDOS – O New York Times publicou, e reportagem de Bruno Benevides e Catarina Pignato, Folha de São Paulo de 4 de julho reproduziu, apontando um distanciamento de Joe Biden sobre Donald Trump para as eleições de 3 de novembro. A surpresa comprova o dinamismo do processo político que altera rumos que pareciam estar solidificados.

Donald Trump estava firme à frente dos Democratas. Mas o jogo se modificou, podendo ser muitas as razões, a começar pelo desempenho do atual ocupante da Casa Branca.

O New York Times encomendou quatro pesquisas sobre intenções de voto. A primeira aponta diferença de 53 a 41 pontos. A segunda de 52 a 44, a terceira de 46 a 39, uma quarta de 50% a 38%.

ELEITORADO NEGRO – A grande margem de intenções de votos no eleitorado negro sustenta o avanço de Biden. Nessa faixa ele atinge 90%. Entre os latinos a vantagem é de 65 a 35. E entre os brancos Trump tem uma vantagem de 51 a 49, praticamente um empate.

O panorama representa o caráter volúvel do eleitorado ao sentir a força do vento dos fatos. Nas eleições de 2016, por exemplo, Hillary Clinton perdeu a disputa por si mesma. Ela foi usar o sistema da Internet do governo para mensagens não oficiais entre pessoas de seu conhecimento. E também fez exatamente o contrário. Usou seu computador pessoal para trocar correspondências de Estado.

EXEMPLO DE HILLARY – Ela vinha à frente com 12 pontos em outubro. James Comay, diretor do FBI, reviveu o episódio três semanas antes das eleições. Hillary teve mais votos mas perdeu no peso dos colégios eleitorais. O páreo foi decidido em Michigan onde Trump venceu pela margem de 0,1%. Como sempre digo, Hillary perdeu para si mesma.

Agora mais um fato contra Trump. No sábado ele atacou a new left (nova esquerda) e estendeu suas críticas àqueles que combatem o racismo. O que dizer?

O PIB E O ABONO – Francamente, ao longo de 62 anos de jornalismo, poucas vezes li afirmação tão sem base na realidade quanto a declaração de Sérgio Vale, economista chefe da MB Associados. Na reportagem de Cássia Almeida, O Globo de hoje, ele disse que a distribuição do benefício mensal de 600 reais representou 2,5 pontos a mais no PIB deste ano. A queda que seria de 9% passou a ser de 6,5.

Ora, o PIB é a soma de tudo que se produziu ao longo de 12 meses em qualquer país. Não importa qual o setor da produção, incluindo o consumo. O que está havendo no Brasil é uma simples transferência de recursos estatais para camadas da sociedade, justa.  Portanto, a ordem dos fatores não pode alterar o resultado.

DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS – Por fim, neste artigo de hoje focalizo matéria de O Globo de domingo. O presidente da Petrobrás, Roberto Castelo Branco, lançou na empresa o programa de demissões voluntárias, cujo objetivo é reduzir o número de empregados de 44 mil para 30 mil. Argumentou que o programa contribui para redução de custos da Petrobrás.

Só na aparência, porque a grande parte dos que aderem ao PDV são os que possuem tempo de serviço para se aposentar. Assim obtêm indenização e recorrem à Petrus, fundo de pensão que complementa o valor de remuneração mensal. Por exemplo: se alguém vai receber 6.000 reais do INSS e seu salário na Petrobrás for de 10.000 reais. a Petrus complementa a diferença.

Ótimo negócio para os que atingiram o tempo suficiente para se aposentar. Em matéria de economia de custos, a diminuição do quadro de pessoal é transferida para o Fundo de Pensão, que é parcialmente pago pela própria Petrobras. Apenas isso.

Integralismo foi uma ponte que uniu o nazismo de Hitler aos extremistas da direita

Livro de doutor em história revela que Plínio Salgado espionou ...

O deputado paulista Plínio Salgado foi o líder do integralismo no país

Pedro do Coutto

O Integralismo que surgiu no Brasil na década de 30 e que na realidade terminou em 1938, com o frustrado ataque ao Palácio Guanabara com objetivo de matar o presidente Getúlio Vargas, representou a ponte entre o nazismo de Hitler e a posição ideológica dos extremistas da direita no Brasil. O tema integralismo foi abordado por Ancelmo Goes, no espaço que brilhantemente ocupa em O Globo, edição de 04/07.

Os nazistas usavam camisas negras com a suástica nas mangas e sua saudação era “Heil, Hitler!”. O integralismo de Plínio Salgado ostentava camisas verdes e um sigma nas mangas. Sua saudação de braço levantado, como os nazistas, era a palavra “Anauê” da cultura indígena.

ELOGIO DE GOEBBELS – Em novembro de 1937 Goebbels enviou mensagem a Vargas, já então ditador, congratulando-se com a decretação do Estado Novo dia 10 de novembro, quando fechou o Congresso e passou a governar por Decretos-Lei. A tortura passou a ser praticada. Getúlio Vargas não respondeu a Goebbels, mas se comprometeu com Plínio Salgado a nomeá-lo Ministro da Educação. Plínio Salgado programou um desfile de integralistas na Rua Pinheiro Machado, passando em frente ao Palácio Guanabara. Além de sede do governo, residência da família Vargas.

Logo após o desfile. Vargas determinou ao temível chefe de polícia Filinto Muller que iniciasse a prisão dos principais líderes da ação integralista, pois o serviço secreto identificara vários nomes. Sentindo-se traído, Plínio Salgado organizou um atentado terrorista contra Vargas através de invasão ao Palácio Guanabara. O ataque esperaria o tenente Júlio Nascimento, integralista, estar em serviço comandando a guarda do Palácio. Ele facilitaria a entrada dos terroristas nos jardins e depois ao segundo andar durante a noite.

DEU TUDO ERRADO – Acontece que Júlio Nascimento foi envolvido pelo medo e não apareceu para comandar a guarda. Foi substituído pelo capitão Maurício Kices, que não sabia de nada e comandou firmemente a resistência. O episódio é narrado pelo jovem historiador Daniel Mata Roque que pesquisou bem o episódio. A resistência de Kices foi fundamental e deu tempo para que chegasse o general Leite de Castro que cercou o Palácio com acesso facilitado pelo Fluminense Futebol Clube.

Plínio Salgado conseguiu chegar a uma corveta portuguesa ancorada na Baia de Guanabara. O governo de Portugal lhe concedeu asilo. Depois da anistia de abril de 45, Plínio Salgado criou o Partido de Representação Popular e foi eleito deputado federal.

GUERRA AO NAZIFASCISMO – A substituição de Nascimento por Kices impediu um corte abrupto na história de nosso país. Naquele tempo, intelectuais como Gustavo Barroso, Miguel Reale, Santiago Dantas, D. Helder Câmara e Alceu de Amoroso Lima eram adeptos daquela doutrina. Romperam quando o Brasil declarou guerra a Alemanha de Hitler e à Itália de Mussolini. O Brasil foi o único país da América do Sul a declarar guerra ao nazifascismo.

Vinte navios mercantes brasileiros, a partir do Baependi foram torpedeados por submarinos alemães. Em maio de 42 uma passeata da UNE acabou acarretando a queda de Filinto Muller da chefia de polícia. Filinto vetou a passeata. O presidente da UNE era Hélio de Almeida, mais tarde presidente do Clube de Engenharia e Ministro dos Transportes do governo João Goulart. Hélio de Almeida não se conformou com o veto e resolveu recorrer ao Ministro da Justiça, mas Francisco Campos havia sido demitido na véspera por Vargas. O ministro interino era o diplomata Vasco Leitão da Cunha que autorizou a passeata.

CARTA DE DEMISSÃO – Filinto Muller foi ao Guanabara e entregou sua carta de demissão. Getúlio Vargas aceitou na hora e os estudantes tomaram as ruas do centro do Rio.

Cito o episódio para acentuar que Filinto não permaneceu no governo até a deposição de Vargas a 29 de outubro de 45.

Outra informação. Plínio Salgado concorreu a presidência da República nas eleições de 1955. Teve 10% dos votos.

Caso de José Serra explode no PSDB e o governador João Dória teme os estilhaços

Coronavírus: Governador João Doria decreta quarentena em SP por 15 ...

Candidato à Presidência, João Doria se preocupa com os estilhaços

Pedro do Coutto

O senador José Serra foi denunciado pela Polícia Federal, que, depois de uma investigação complicada, desvendou as manobras do senador paulista para ocultar propina recebida da Odebrecht quando foi governador de São Paulo. O dinheiro segundo a PF, saltou vários obstáculos e depois foi estacionar na Suiça.

Este foi mais um fato que abalou os tucanos, porque antes de Serra outras investigações envolveram Eduardo Azeredo, Aécio Neves e outros políticos de destaque.

REFLEXOS ELEITORAIS – O choque causado por José Serra preocupou o governador João Doria, que é um potencial candidato à sucessão de 2022. É lógico que os reflexos preocupam Doria, sobretudo porque sua candidatura a presidência da República pode ser considerada uma opção entre Jair Bolsonaro e o candidato do PT.  Isso de um lado.

De outro, a ação desencadeada pela Polícia Federal traz consigo um aspecto relevante no plano político administrativo, pois comprova que a PF não necessitou de apoio do Ministro da Justiça e, ao que se pode perceber não teve também concordância prévia do Diretor Geral da PF.

O caso complica bastante e tinge a imagem de José Serra, porque João Dória deu ênfase a seu apoio sobre as investigações, ressaltando, entretanto, que aguarda o desfecho final do processo.

No Globo a reportagem está assinada por Sérgio Roxo e Dimitrius Dantas. Na Folha por José Marques.

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À VENDA O HISTÓRICO PRÉDIO DE “A NOITE”

O governo federal colocou à venda por 90 milhões de reais o tradicional edifício de “A Noite” na Praça Mauá, grande palco e testemunha do êxito que a Rádio Nacional alcançou nas décadas de 1940 e 1950. Foi o chamado maior arranha-céu da América do Sul quando de sua inauguração em 1929. Ficou na história por dois motivos principais. No andar térreo erai impresso o jornal A Noite e, a partir de 1936, lá funcionou a Rádio Nacional, que foi um sucesso absoluto.

“A Noite” enfrentou uma crise quando sua linha editoria (jornal) pendia mais para o lado do fascismo, pois 90% da população brasileira condenavam tanto o nazismo quanto o fascismo de Mussolini. No final de 1940, o governo Vargas incorporou o jornal ao patrimônio público. Fazia parte assim das empresas incorporadas.

RÁDIO NACIONAL – A partir de 1936, surgia a rádio nacional na voz de Celso Guimarães e ao som de Luar do Sertão. A rádio Nacional tornou-se um símbolo da comunicação brasileira. Com ela surgiram os grandes shows, principalmente o programa Cesar de Alencar. O programa era sucesso absoluto nas tardes de sábado, porém Cesar de Alencar terminou mal sua carreira acusado de apontar companheiros esquerdistas às inquisições de 1964.  Mas esta é outra questão.

Na década de 30 iniciaram-se as transmissões das partidas de futebol. Galeano Neto tornou-se o locutor na Rádio Nacional. O grande ArY Barroso, na Rádio Tupi, e Oduvaldo Cozzi, na Rádio Mayrink Veiga. Um detalhe. Galean Neto veio da Mayrink Veiga para a Nacional, decorrência de intensa manifestação pública que refletia um caráter condenatório. Os ouvintes acharam que ao transmitir a Copa de 1938 Galeano, filho de italianos, deu ênfase exagerada aos gols marcados contra nós pela seleção da Itália. Na Copa de 38, vencida pela Itália, Mussolini foi a Paris para comandar a torcida italiana. Oduvaldo Cozzi, na Mayrink Veiga, tornou-se sem dúvida o locutor que melhor transmitiu a emoção causada pelo futebol.

Augusto Aras expõe politicamente Bolsonaro no caso do depoimento à Polícia Federal

Aceno de Bolsonaro a Aras com vaga no STF é crime?Pedro do Coutto

Reportagem de Carolina Brígido e Aguirre Talento, O Globo de hoje, mostra que o procurador-geral Augusto Aras, a meu ver, expõe politicamente o presidente Bolsonaro na medida em que o fará depor no inquérito sobre sua suposta influência na Polícia Federal, ultrapassando o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, na composição de cargos na Polícia Federal.

Aliás, a ação que tramita no Supremo decorre da própria iniciativa de Augusto Aras, que atendeu pedido do presidente Bolsonaro para investigar Sérgio Moro. A delegada que está à frente das investigações básicas, Cristiane Correa Machado, por seu turno encaminhou ofício ao Ministro Celso de Mello, relator do processo no STF, porque só falta o depoimento do presidente.

UM GOL CONTRA – A decisão do procurador geral deve ter desagradado o presidente da República, já que seu depoimento poderá atingi-lo juridicamente e também politicamente junto à opinião pública. Cabe ao presidente marcar a data e a forma para cumprir a decisão de Augusto Aras.

Juliana Del Piva, matéria também de O Globo, aborda a questão da rachadinha que envolve o senador Flávio Bolsonaro. Vale acrescentar, um aspecto que escapou, a meu ver, da imprensa. Os advogados de Flávio Bolsonaro, por erro, de fato não alegam sua inocência, mas lutam para que o processo saia das mãos do juiz Flávio Itabaiana. A meu ver, uma contradição.

Maiá Menezes e Carolina Brígido, também em O Globo, focalizam problemas que estão atingindo o TSE, como a falta de mesários para as eleições transferidas para novembro.

HORÁRIO GRATUITO – A questão do horário gratuito encontra-se na pauta do Tribunal presidido pelo ministro Luiz Fux. Tal problema só existe porque além do horário gratuito existe o fundo partidário, constituindo um acúmulo de benefícios. O horário gratuito sem dúvida destina-se aos partidos e aos candidatos. Mas traz consigo uma questão que envolve o governo.

Trata-se do seguinte: as emissoras de rádio e TV, com base em decreto deixado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, podem abater nas declarações de Imposto de Renda o valor equivalente aos comerciais não exibidos no tempo ocupado pelas transmissões das propagandas eleitorais. A base para isso são as tabelas da publicidade normal.

DÍVIDA DESCONTROLADA – Marcelo Correa revela que o ministério da Economia, em matéria divulgada ontem, está prevendo para este ano um aumento ainda maior da dívida pública que deverá alcançar 98% do PIB. Isso representa 22% a mais do que o acumulado anterior. O PIB alcança o patamar de 6,6 trilhões de reais, sobre o qual incidem juros de 2,25%a/a.

Já o repórter William Castanha, Folha de São Paulo, informa que o ministro Gilmar Mendes concedeu liminar a recurso de empresas fixando em 0% a correção das dívidas trabalhistas de 2018 a 2020. Os sindicatos lutavam por uma correção de 1,45%. O ministro fixou a correção de acordo com a TR e não com o IPCA. A TR oscilou em 0%.

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O JORNALISMO  NO TEMPO DA MÁQUINA DE ESCREVER

O jornalismo no tempo da máquina de escrever, livro de Aziz Ahmed, faz reviver o passado das redações onde pontificavam grandes nomes de repórteres, editorialistas, cronistas e colaboradores que regularmente até hoje colocam sua cultura e sua arte nas páginas impressas. Hoje as redações, incluindo material fotográfico, estão ocupadas pelas teclas sensíveis dos computadores produzindo páginas da realidade e imagens que acompanham textos importantes.

Quanto aos jornalistas, incluíram-se Carlos Castelo Branco, Ruy Barbosa, Villasboas Correia, Benedito Coutinho, Helio Fernandes, Wilson Figueiredo.

Helio e Wilson passaram dos 90 e são os sobreviventes de uma época que começou com a Constituinte de 1946. Entre os intelectuais encontramos Otto Maria Carpeaux, Alceu Amoroso Lima, Prudente de Moraes Neto etc. etc., além de Carlos Lacerda e tantos outros.

Liberdade de expressão não pode admitir anonimato, pois são coisas bem distintas

Liberdade de Expressão: o que é, importância, limites e ...

Charge do Bob Biker (bobbiker.com)

Pedro do Coutto

É exatamente a síntese que o título desta matéria reflete e vai ao encontro da votação no Senado, na noite de ontem, e que determinou a identificação original dos textos e imagens remetidos às mídias sociais. É claro. A liberdade de pensamento e expressão, ao contrário dos que defendem difamações e fake news, não implica em anonimato. Pura questão de lógica.

Pois  como podem as vítimas de calúnia, difamação e injúria agir no universo legal contra os detratores. O mesmo raciocínio se aplica às usinas de fake news.

TEMA IMPORTANTE – Assim, está perfeita a iniciativa do senador Alessandro Vieira (Cidadania-ES), aprovada por 44 votos contra 32. A matéria teve sua importância realçada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A iniciativa abrange não só as pessoas, mas se for o caso, as empresas que atuam no setor.

A questão tornou-se absolutamente grave bastando dizer que grandes empresas estão cancelarando seus anúncios comerciais no face book.

A divulgação tem seus autores. Estes apenas têm de ser identificados. Não se trata de censura, sobretudo porque ela está abolida totalmente pela Constituição de 88 e pela unanimidade do Supremo, ao julgar questão relativa à biografia do cantor Roberto Carlos.  Nesse ponto foi importante a campanha liderada pelo jornalista Ruy Castro, que levou o STF a banir integralmente qualquer censura seja nos jornais, emissoras de TV, cinemas e teatros.

LEI AFONSO ARINOS – Na época de hoje em que no Brasil se combate frontalmente a pratica de racismo, vale lembrar que a primeira lei sobre essa nódoa foi de autoria do então deputado federal Afonso Arinos de Melo Franco, uma das maiores figuras do país e um legítimo representante da elite intelectual.

 Trata-se da Lei 1390 de julho de 1951, sancionada pelo presidente Getúlio Vargas. Afonso Arinos nas eleições de dezembro de 1945 tornou-se o primeiro suplente da bancada mineira da UDN. Mas como em 1947 Milton Campos derrotou Bias Fortes nas eleições de governador, Afonso Arinos assumiu o mandato pela primeira vez. Depois, para citar um fato histórico, Juscelino, derrotando Gabriel Passos, retomou o governo de Minas para o PSD.

PANDEMIA PREOCUPA – Pesquisa do Datafolha publicada hoje pela Folha revela a preocupação da população com a ameaça da pandemia, que já causou mais de 57 mil mortes. O levantamento diz que 47% têm muito medo, 31% um pouco de medo e 19% não tem medo nenhum. É por isso que o número de contaminados cresce à velocidade de 3% ao dia.

620 MIL FRAUDES – O Globo publicou na edição ontem que o auxílio emergencial de 600 reais já registra fraudes em série que envolve 620 pessoas.

Como a Caixa Econômica Federal explica o fato, se ela é a fonte pagadora do benefício? E o governo, como fica?

ELETROBRÁS CONVOCA – A Eletrobrás publicou edital convocando os acionistas para assembleia geral para o mês de julho. Na pauta o reajuste de vencimentos da atual diretoria e portanto também da remuneração dos diretores das empresas estatais que compõem do holding.    

Se for privatiza no preço aventado, de R$ 25 bilhões, será uma galinha morta, um prejuízo enorme para o país.