Na eleição, votar em branco ou anular o voto beneficia quem está na frente

Resultado de imagem para voto branco e nulo charges

Charge do Diogo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Analisando-se de forma serena e objetiva a lei eleitoral brasileira, chega-se à conclusão de que não adianta o eleitor que deseja expressar sua rejeição pela política votar em branco ou anular o voto. Tanto nas eleições majoritárias, presidente da República, governador e senador, quanto nas eleições proporcionais para a Câmara Federal e Assembleias Legislativas.

Nas eleições para presidente da República, por exemplo, votar em branco ou anular é indiretamente favorecer o que vai na frente, inclusive votar em branco ou anular pode fazer com que não haja segundo turno. Tal hipótese é improvável na disputa presidencial, mas é possível que ocorra nas eleições para governador.

CÂMARA E SENADO – A disputa pelo Senado não tem segundo turno. Nas eleições para deputado, o voto branco e nulo é ignorado, sobretudo seu efeito pode alterar para menos o quociente partidário.

O quociente partidário resulta da divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras em jogo. Assim, quanto maior for a parcela de brancos e nulos, menor será o quociente. Se o voto nulo ou branco reduzisse o número de cadeiras, poder-se-ia dizer que o eleitor que anulou estaria diminuindo o número de vagas. Mas a legislação não prevê isso. O número de cadeiras não diminui; ao contrário, torna mais fácil a reeleição exatamente daqueles que o eleitor ou eleitora deseja substituir. Dessa forma, esterilizar o sufrágio é, no final das contas, uma atitude conservadora.

ELEITORES FIEIS – Vale frisar também que os eleitores que formam a base fisiológica dos candidatos que mais cultivam esses redutos não deixarão de votar de maneira alguma.

Para presidente da República, o voto branco ou nulo favorece o candidato que vai na frente nas pesquisas.

Se o líder não for do agrado de parcela do eleitorado, o jeito é escolher um candidato e, com isso, forçar o desfecho no segundo turno. Este ano o primeiro turno é dia 7 de outubro, e o segundo no dia 28 do mesmo mês.

FRUSTRAÇÕES – Os eleitores que rejeitam o quadro político ficarão frustrados consigo mesmos. Não adianta nada tal atitude, ao passo que escolhendo um candidato ele pode evitar que a eleição se decida anda no primeiro turno. Esta lógica se estende às disputas pelos governos estaduais.

Por isso, digo eu, marque seu candidato ou candidata na máquina eletrônica e tenha certeza de que assim agindo você estará fortalecendo o direito democrático do voto.

Alguém tem que ocupar o poder e para chegar ao poder só existem dois caminhos:  pelas urnas ou pelas armas. Vamos sempre pelas urnas.

Debate foi frio, mas o reflexo no voto não pode ter sido igual a zero

Resultado de imagem para debate na band

Boulos, do PSOL, provocou Jair Bolsonaro, do PSL

Pedro do Coutto

O debate levado ao ar pela Rede Bandeirantes de televisão na noite de quinta-feira, foi frio e certamente não apresentará reflexo maior junto ao eleitorado. Entretanto algum efeito produziu, partindo-se do princípio de que o reflexo não pode ser igual a zero. Vamos ver se o Ibope e o Datafolha divulgam pesquisas neste fim de semana. Aí, sim, poderemos ter o resultado concreto do confronto. Mas vale acentuar que foi o primeiro de uma série de enfrentamentos que serão transmitidos pela televisão. Além disso, valeu a manchete principal de O Globo, edição de ontem, além de ter recebido destaques na Folha de São Paulo, no Estado de São Paulo e no Valor.

O debate apresentou poucos resultados concretos embora tenha sido muito bem conduzido pelo jornalista Ricardo Boechat. O sistema colocado em prática foi muito bom, partindo de perguntas e respostas formuladas entre os candidatos e pelos jornalistas convidados a participar.

CIRO GOMES – Em matéria de desenvoltura, a meu ver, as intervenções de Ciro Gomes foram as mais observadas, apesar da promessa de cobrir as dívidas dos 63 milhões de brasileiros inadimplentes nos mercados comercial e bancário, um compromisso impossível de cumprir.

Não se pode criticar o desempenho de Marina Silva, de Geraldo Alckmin e de Henrique Meirelles. Marina Silva e Alckmin estavam embalados pelo resultado de pesquisas que apresentam percentual em seu favor. Mesmo caso de Bolsonaro, que se encontra em primeiro lugarno cenário sem candidato do PT, mas Henrique Meirelles está muito abaixo da escala do voto.

Aliás, por falar em pesquisa, acredito que nenhuma delas poderá fornecer resultado capaz de espelhar a sociedade brasileira, sem que nela esteja presente o candidato efetivo do PT.

É INELEGÍVEL – Lula já se convenceu de sua inelegibilidade, tanto assim que em declarações ao O Globo de ontem afirmou em carta colocada à divulgação que o direito do povo foi violado no campo do debate promovido pela Rede Bandeirante. A afirmação não é verdadeira, o direito do povo não foi violado e sim deixado em aberto pela vacilação do próprio PT. O Partido dos Trabalhadores, ao formalizar a indicação de Lula para as urnas de outubro, deixou um espaço aberto que criou uma indefinição quanto à manifestação popular.

Tanto assim que num lance inédito no campo político, a legenda apresentou dois candidatos a vice e nenhum nome capaz de substituir o de Lula na maratona eleitoral deste ano. Afirma-se que o substituto seja o ex-prefeito da cidade de São Paulo Fernando Haddad. Mas sem um pronunciamento efetivo do ex-presidente, deixa dúvidas quanto à escolha final de sua legenda.

CUMPRINDO PENA – Lula, inclusive, não poderia se pronunciar oficialmente, pois se encontra condenado pela Justiça e cumprindo pena na prisão. Entretanto. o PT terá que se definir até o próximo dia 15. Nesse ponto então deve homologar Fernando Haddad com Manoela D’Avila de vice.

Somente a partir daí o Ibope e o Datafolha terão condições de realizar uma pesquisa completa.

Preços sobem, mas os salários permanecem congelados. Isso pode, Arnaldo?

Resultado de imagem para salarios congelados charges

Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Os quatro grandes jornais do país publicaram com grande destaque a resolução administrativa do Supremo Tribunal Federal propondo um reajuste de 16,38% para os ministros da Corte, incluindo a projeção da despesa na Lei Orçamentária para 2019. A decisão despertou reações contrárias com base nas dificuldades de receita e despesa com que o governo Michel Temer se defronta. Tudo bem. Mas é preciso, sem entrar no mérito da questão específica, considerar que os salários, não apenas dos Ministros do STF, mas de todo o funcionalismo público federal, encontram-se congelados desde janeiro de 1917, exceção dos que percebem somente o salário mínimo.

Isso porque o salário mínimo é regido por lei especial impositiva, com base na taxa inflacionária do ano anterior mais o crescimento percentual do PIB. Como ano passado o PIB não cresceu, restou apenas transferir a inflação oficial, 2,9% sobre o piso salarial do país. A lei orçamentária aprovada no início do governo Michel Temer estabeleceu que os tetos não poderiam ser mais elevados do que o índice inflacionário do exercício anterior. Assim o orçamento que em 2016 era de 2,9 trilhões de reais passou a ser 3% maior. 

CORREÇÃO, APENAS – Não se pode dizer que o orçamento ficou maior, porque apenas se corrigiu o valor absoluto à base da inflação do exercício anterior. Não fosse colocado em prática o índice de inflação, o orçamento do país teria diminuído na mesma escala. É o que acontece com os salários de modo geral. Não havendo reposição de um ano para outro, aplicando-se-lhes o mesmo critério, o funcionalismo federal estará tendo seus vencimentos reduzidos. No caso dos aposentados, tiveram redução, porque o reajuste foi de apenas 1,8%, abaixo da inflação de 2,9%.

A matéria sobre a decisão do Supremo foi bem exposta nas edições de ontem de O Globo e do Estado de São Paulo. No Globo é assinada por Carolina Brígido e Geralda Doca. No Estado de São Paulo assinaram Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo. Nos outros dois jornais, Folha de São Paulo e Valor, tiveram chamadas nas primeiras páginas.

FREIO NO CONSUMO – O assunto é dos mais importantes, porque, sem correção salarial, o consumo não cresce e, em consequência os impostos também. Daí porque coloquei no título a expressão sempre usada por Galvão Bueno para ouvir a impressão de Arnaldo Cesar Coelho em lances do futebol.

Esse tema deve ser explorado amplamente nos debates sobre a sucessão presidencial que tiveram início ontem na Rede Bandeirantes de Televisão. Haverá uma sequência de confrontos, em várias emissoras, e o mais decisivo será a 4 de outubro, na Rede Globo, quando faltarem três dias para o desfecho do primeiro turno das urnas.

Voto feminino tem indefinição elevada, que deve cair no final da campanha

Resultado de imagem para voto feminino charges

Charge do Thiago (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Os jornais e as emissoras de televisão têm assinalado um elevado grau de indefinição da eleitoras no que se relaciona com a sucessão presidencial. Com base em pesquisas tanto do Ibope quanto do Datafolha, essa indefinição está na altura de 80%, muito maior que a indefinição registrada pelos eleitores masculinos até agora. Ontem mesmo , em sua coluna em O Globo, o jornalista Zuenir Ventura focaliza o tema. O fenômeno merece um estudo e uma observação mais transparente.

A diferença da disposição dos homens e das mulheres em relação ao voto constitui um fato inédito ao longo de mais de 50 anos de campanhas eleitorais. Surpresa? Sim, porque se a indefinição se mantiver, será a primeira vez que ela marca um pleito desde 1945 até hoje. Podem perguntar ao diretor do Datafolha, Mauro Paulino, e ao presidente do Ibope, Carlos Alberto Montenegro, se há precedente, se numa eleição as mulheres se abstiveram muito mais que os homens.

SEM REPRESENTAÇÃO – A indecisão que está preocupando as mulheres decorre do fato de não se sentirem ainda representada através da voz dos candidatos e mesmo das candidatas envolvidas no processo político. Um dado importante, acho eu, que deveria ser objeto de uma pesquisa destinada a esclarecer os dirigentes partidários. O resultado, mais amplo possível poderá balizar as mensagens políticas, indo ao encontro das reivindicações da população feminina de modo geral.

Trata-se de ouvir a voz das eleitoras e Incorporar os anseios às plataforma das diversas legendas do país. São 35 partidos e 52% do eleitorado brasileiro. Em consequência, a diferença de eleitoras em relação aos eleitores vai de 52 a 48%. É hora, portanto de os partidos, através das campanhas de seus candidatos, fazerem se representar no universo do voto.

UMA SURPRESA – Para mim, é uma surpresa a indefinição que vem sendo destacada, porque até hoje acompanhando eleições verifiquei que nunca houve divergência entre o eleitorado masculino e o feminino no cômputo final dos votos. As diferenças ocorrem entre as classes sociais contrapondo as de maior renda e as de menor remuneração.

Inclusive as pesquisas eleitorais, todas elas, partem da divisão do eleitorado com base nos segmentos econômicos da sociedade. Por isso, vale destacar que os candidatos ou candidatas dos grupos de renda mais alta tendem a decidir mais prontamente quais as suas preferências.

As classes pobres custam mais a se decidir, por esse fato é que ocorrem mudanças nas pesquisas eleitorais, de acordo com o estágio das campanhas. Às vezes, um candidato de maior força nas classes média e alta larga na frente,, enquanto os candidatos de preferência dos outros grupos sociais crescem no final do processo – em muitos casos, na véspera das urnas. Trata-se de uma corrida de longa distância, daí as mutações que vez por outra acontecem.

OUTROS EXEMPLOS – Há casos, entretanto, em que o candidato preferido pelas classes de renda mais alta consegue penetrar de alguma forma mais sensível nos outros grupos. Caso, por exemplo, de Fernando Henrique Cardoso nas sucessões de 1994 e 1998. No outro lado do avesso, podemos citar Lula em 2002, quando arrebatou o eleitorado de menor renda e conseguiu sensibilizar uma fração do outro lado do espelho.

As considerações que faço sobre o voto estão restritas às eleições majoritárias. Porque nas disputas proporcionais, como é o caso dos deputados federais e estaduais, a lógica da divisão por classe torna-se pouco nítida. Isso porque existe a questão dos redutos eleitorais sobre os quais muitos candidatos detêm o controle, à base de atendimentos comunitários. Esses atendimentos, na verdade, preenchem vazios deixados pelas administrações estaduais e regionais. Não se pode exigir de quem tem recursos mínimos para viver uma capacidade de escolha que não se baseie numa ação paroquial.

Vamos, assim, para mais um desfecho dos muitos que tenho assistido ao longo do tempo de 1945 até hoje.  No final da ópera vamos conferir o voto colocado nas urnas sem distinção de sexo. O nexo entre os diferentes lados, tenho certeza, surgirá nos resultados finais de mais essa eleição.

Haddad e Manoela vão percorrer o país para consolidar a campanha de Lula

Imagem relacionada

Na reta final, Valéria  assumir como vice de Haddad

Pedro do Coutto

Falando na tarde de ontem à Globonews, Fernando Haddad afirmou que ele e Manoela D’Avila vão percorrer o país iniciando a campanha do ex-presidente Lula às eleições de outubro. Iniciativa inusitada porque, antes de tudo, tem de se decifrar, segundo a lógica do ex-prefeito de São Paulo, quem será o vice do outro. Pois, afinal de contas os dois foram indicados candidatos a vice, com o PT não deixando claro quem será o vice de quem. A colocação, como é natural, provoca risos uma vez que a lei não permite candidatura dupla para compor a chapa partidária.

Assim, está na cara que a chapa que emerge desse enigma, claro enigma, para citar Drummond é que Haddad disputará a presidência e Manoela a vice-presidência, recebendo o apoio de Lula, que, nesta altura dos acontecimentos já foi envolvido pela certeza de que será declarado inelegível.

APOIO A HADDAD – A decisão do Partido dos Trabalhadores conduz a uma mudança no cenário eleitoral. Porque é absolutamente claro que Lula dará seu apoio ao ex-prefeito da cidade de São Paulo e que foi ministro da Educação durante seu governo.

Dessa forma, pode mudar o panorama para o segundo turno. Os eleitores de Lula serão mobilizados para seguir na estrada com Haddad à frente. O segundo turno de outubro parece inevitável, com base nas pesquisas realizadas. Mas não há evidência sobre os dois que serão colocados frente a frente. Não se pode fazer qualquer previsão sobre os dois que ficarão como finalistas.

MOURÃO TRAPALHÃO -Bolsonaro lidera os levantamentos tanto do Ibope quanto do Datafolha, num panorama sem Lula. Até segunda-feira podia se considerar que estaria presente nas urnas no segundo turno. Mas agora é preciso que se leve em conta se as declarações do general Hamilton Mourão vão prejudicar sua imagem. Pode se admitir até uma semelhança com o caso dos marmiteiros na campanha presidencial de 1945, que prejudicam o brigadeiro Eduardo Gomes.

As questões de raça são profundamente sensíveis. Vamos aguardar novas revelações se o general Mourão prejudicou ou pelo menos reduziu a influência de Bolsonaro no posicionamento ideológico do qual faz parte.

A questão dos vice é curiosa: antigamente eram eleitos separadamente dos presidentes. Assim aconteceu com Café Filho em 1950, com João Goulart em 1955 e com ele também em 1960. Aliás tornou-se o primeiro caso de reeleição no país. Foi um caso decidido pelo Supremo Tribunal Federal. O advogado de Jango foi Santiago Dantas. Mas o passado o vento levou. Vamos ver agora qual o destino dos candidatos no desfecho de outubro.

###
ABRIL DEMITE 500 E FECHA VÁRIAS REVISTAS

A editora Abril em comunicado a seus funcionários, documento ontem publicado pelo O Globo, anunciou que vai encerrar a publicação de 10 revistas, entre as quais a Veja Rio. Vai demitir 500 funcionários, 170 dos quais jornalistas. A empresa alega que em 2017 teve um prejuízo de 331 milhões de reais, montante 140% maior do registrado em 2016.

Mais um golpe no mercado de empregos no Brasil. Quanto menos emprego, menor será o consumo, também menor será a receita de impostos e arrecadação do INSS e FGTS. Coisas da vida brasileira. Só se pensa em cortar empregos. Cobrar tributos é outra conversa.

Lula na esquerda e Bolsonaro na direita definem os caminhos para as urnas

Resultado de imagem para lula e bolsonaro

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

O ex-presidente Lula – reportagem de Sérgio Roxo, e Thiago Herdy, O Globo de ontem – escolheu Fernando Haddad para ocupar a candidatura a vice na sua chapa eleitoral. Bolsonaro, reportagem de Jussara Soares, escolheu o general Hamilton Mourão para seu companheiro de chapa. São dois episódios bem definidos na luta pelo voto. Lula sabe muito bem que sua candidatura será impugnada. Por isso, seu substituto, sem dúvida, será Fernando Haddad. Tanto assim que o PT está se esforçando para que Manuela D’Avila, do PCdoB, na hora aprazada firme uma aliança com o Partido dos Trabalhadores. A chapa, assim, seria Haddad com Manuela como vice. A convenção do PT, no fundo, homologou essa alternativa.

Do outro lado, ao escolher o general Hamilton Mourão, Bolsonaro definiu seu percurso pela avenida da direita no rumo do Palácio do Planalto. Os reflexos das duas decisões vão se fazer sentir nos próximos desdobramentos e nas próximas pesquisas. Lula transferirá parte de sua votação para Haddad, o que significa que seu estoque de votos, no primeiro turno, não poderá ser arrebatado por nenhum outro postulante.

CIRO PREJUDICADO – Dessa forma, não adiantam acenos ao Partido dos Trabalhadores para tentar obter algum resíduo eleitoral que o PT deixará no caminho.

É o fim das ilusões iniciais de Ciro Gomes de se tornar o herdeiro da corrente política que chegou ao poder em 2002 e nele permaneceu até 2016. Ninguém, aliás, deve se surpreender com a atitude exclusivista de Luiz Inácio Lula da Silva. Lembremos o precedente de 1985, quando o Partido dos Trabalhadores se recusou a apoiar Tancredo Neves nas eleições indiretas de março. Seus três deputados – Bete Mendes, José Eudes e Airton Soares – votaram em Tancredo contra Maluf. Em consequência, foram expulsos da legenda.

Os votos de Lula são seu patrimônio pessoal e desse patrimônio não se dispõe a dividir nas urnas, até ser oficialmente excluído.

CHAPA MILITAR – Jair Bolsonaro, por sua vez, teve que restringir sua posição na escolha de um vice da mesma corrente de pensamento. Sinal de que não conseguiu alinhar em torno de si uma perspectiva ideológica de centro-direita. Até porque esta hipótese não existe. A direita dificilmente poderia se conjugar com uma posição mais moderada, porque sua força maior encontra-se exatamente no radicalismo que provoca.

A esquerda, entretanto, poderia tentar uma articulação de centro-esquerda, partindo do princípio de que o centro não é um ponto, mas uma faixa de comportamento capaz de superar divergências ideológicas na busca da vitória nas urnas. Alguns poderão colocar em pauta as contradições do petismo. Mas as contradições são inerentes ao processo político. JK, em 55 recebeu o apoio do então Partido Comunista que se encontrava na ilegalidade. Venceu as eleições e, nem por isso em seu quinquênio tomou qualquer medida que significasse um elo de aproximação com o marxismo.

CONTRADIÇÕES – Mas a história universal está repleta de contradições, que nem sempre deixaram de cristalizar uma frente comum.

Basta lembrar o acordo de Yalta em 1945 no sul da Rússia, que consolidou a aliança de Roosevelt, Churchill e Stalin, que levou à divisão da Alemanha em Ocidental e Oriental, assegurando o desabamento do Nazismo. Eram duas superpotências capitalistaS e um país comunista. Ainda no cenário da Segunda Guerra, registre-se o acordo entre Roosevelt e Mao Tse Tung, capitalismo e comunismo, numa só frente para combater o Japão no Oriente.

É possível que, com apoio de Lula, Haddad possa se habilitar a decidir o segundo turno com Bolsonaro. Tal hipótese no fundo vai depender do desempenho de Alckmin na campanha que se inicia.

Nas eleições, os institutos de pesquisa jogam sua imagem e seu destino

Resultado de imagem para PESQUISAS ELEITORAIS CHARGES

Charge do Newton Silva (Charge Online)

Pedro do Coutto

Meu saudoso amigo Paulo Montenegro me disse uma vez que as pesquisas eleitorais são as únicas que podem ter seu resultado conferido por toda a opinião pública do país. É verdade. Porque todas as demais pesquisas, sejam de audiência da TV, sejam relativas ao mercado econômico, não passam por uma revisão popular e integral de seus prognósticos e resultados.  Conheci muito o Paulo Montenegro, que assumiu o Ibope a partir de 1945 e dele não se afastou até o final de sua vida.

A projeção do Ibope foi evoluindo através do tempo, tanto assim que nas eleições no Rio em 1962, Montenegro fez uma permuta com o jornal Última Hora para publicar o prognóstico apontando a vitória de Eloi Dutra sobre Lopo Coelho, que disputavam o cargo de vice-governador da Guanabara.

Lembro que Lacerda, então governador, no final da campanha afirmou que só a Marinha tem contra-almirante e, por isso, a então Guanabara não deveria ter um contra-governador. Mas foi o que aconteceu.

LACERDA E NEGRÃO – Me encontrava com Paulo Montenegro praticamente todas as semanas para obter acesso às pesquisas em relação às quais eu escreveria no Correio da Manhã. A eleição de 1962 não foi a única derrota de Lacerda. Ele perdeu em 65, quando apoiou Flexa Ribeiro e foi batido por maioria absoluta nas urnas por Negrão de Lima.

Chegamos então a um ponto ao qual me referi no título. Negrão venceu com 51% dos votos contra 38 de Flexa Ribeiro.  Naquele tempo a Marplan era outra empresa de pesquisa existente. Concluiu por um prognóstico totalmente oposto ao feito pelo Ibope e deu a vitória de Flexa. Aconteceu simplesmente o seguinte: a Marplan fechou.

Eis aí um exemplo de como a comprovação das pesquisas nas urnas torna-se fundamental para os institutos. No dia seguinte às urnas a população inteira fica sabendo dos erros e acertos das pesquisas. E os acertos acontecem quase sempre, como os números comprovam.

VITÓRIA DE DILMA – Nas eleições de 2014 o Ibope apontou a vitória de Dilma Rousseff por 5 pontos de vantagem. O Datafolha prognosticou vantagem de 4 pontos. Na contagem final dos votos a vitória da candidata do PT foi pela margem de 3%. Os números do pleito encontram-se a disposição na Internet. Por isso é que eu digo que as empresas de pesquisa jogam seu destino nas urnas.

O Ibope é mais antigo que o Datafolha, mas na minha opinião ambos merecem ampla credibilidade. De 1945 para 2018 lá se vão 73 anos. Nesse espaço de tempo o Ibope foi atingido por dois erros: um em 54 na disputa entre Jânio Quadros e Ademar de Barros pelo governo de São Paulo. Outro em 1985, quando Fernando Henrique Cardoso perdeu a prefeitura da capital do estado para o mesmo Jânio Quadros. Portanto dois erros, registrados em mais de 70 anos, a meu ver, tornam-se apenas duas exceções numa regra de dezena de milhares de acertos. Não se trata de acertos exatos. Mas é fundamental que a pesquisa aponte o vencedor e o segundo colocado.

BASTA CONFERIR – Sei que há pessoas que não acreditam em pesquisas. É natural. Mas convido essas pessoas a confrontar os levantamentos deste ano em torno do desfecho das urnas a cotejarem o que vão dizer os levantamentos e os resultados finais das eleições que não se referem apenas à Presidência da República, mas incluem também os governos estaduais.

Nos Estados Unidos e no Brasil nada se faz no campo empresarial sem que seja precedido por pesquisas. Aliás no mundo inteiro. As pesquisas estendem-se ao consumo das famílias, à divisão da sociedade por classe de renda, as audiências da televisão e emissoras de rádio. Um dos fatores do sucesso da Rede Globo decorreu de uma pesquisa. Estava em foco a audiência do Chacrinha. Numa reunião o apresentador sustentava que a televisão repousava sua força nas classes de menor renda. Uma pesquisa do Ibope provou o contrário.

E hoje as audiências das emissoras de televisão em geral são altíssimas.

Rede Bandeirantes inicia na quinta-feira a série de debates entre os candidatos

Resultado de imagem para ricardo boechat

Ricardo Boechat será o mediador dos debates na Band

Pedro do Coutto

A Rede Bandeirantes de Televisão informou ontem que na próxima quinta-feira iniciará o ciclo de debates entre os candidatos à Presidência da República inaugurando assim uma temporada de confrontos diretos , dando sequência, assim, à semana de entrevistas exibida pela Globonews. A Rede Bandeirantes colocou a informação em sua tela e também numa página da revista Veja que chegou ontem as bancas. Há uma certa dúvida se o debate reunirá todos os postulantes ou serão destacados aqueles que lideram a mais recente pesquisa do Ibope.

O debate será coordenado pelo jornalista Ricardo Boechat. Vamos assistir e comparar nas próximas pesquisas eleitorais se a tela da TV produzirá efeitos nas cotações de cada um no panorama global. O ex-ministro Meirelles anunciou que estará presente, já como candidato do presidente Michel Temer, homologado em convenção pelo MDB.

DEBATE LONGO – Não foi ainda revelado o tempo de duração da noite de quinta-feira. Mas não poderá ser curto, uma vez que a Bandeirantes já estabeleceu critérios para perguntas, réplicas e tréplicas que inevitavelmente, como é natural ocorrerão.

A partir da semana passada, na minha opinião, já devem estar começando a surgir os reflexos da arrancada inicial da exposição das candidaturas pelas telas da TV. É natural que isso aconteça, porque a televisão é a principal fonte de comunicação entre os elegíveis e os eleitores. São desempenhos ao vivo em que os telespectadores poderão avaliar quais aqueles capazes de proporcionar entusiasmo, além da comparação entre as declarações de cada um.

O critério jornalístico, segundo o Ibope, reportagem de Lucas Altino e Louise Quiroga, edição de ontem de O Globo, é o preferido por 84% dos eleitores do Brasil.  Essa pesquisa foi feita por encomenda da Confederação Nacional da Indústria e revela um aspecto importante.

CARÁTER DIRETO – O que motiva a grande maioria dos eleitores é o caráter direto da linguagem jornalística, mais objetiva do que as mensagens publicitárias caracterizadas como tal.

O fenômeno tem uma lógica: o conteúdo jornalístico representa uma visão mais aberta à compreensão do que espaços pagos. Ninguém vai acreditar que alguém ou alguma empresa vai pagar por um espaço para exibir uma mensagem isenta da realidade dos fatos e das pessoas.

O jornalismo, assim, é o vértice de um triângulo no qual focaliza-se de maneira objetiva o confronto político. Essa minha observação resulta de algumas décadas de experiência ao longo do processo de comunicação. O que fortalece uma candidatura é o caráter mais próximo entre elas e a sociedade. Não é o caso das transações publicitárias, que trazem consigo mesmas pagamentos em dinheiro pelas peças divulgadas.

ALGO INDISPENSÁVEL – Essa, provavelmente, foi a razão do resultado apresentado na edição de O Globo deste sábado. Mas esta é outra questão. A pesquisa, nos dias de hoje, é algo indispensável e mais amplo possível para que se sinta o pulso dos candidatos à Presidência, incluindo as candidatas Marina Silva e Manuel D’Ávila.

Foi uma longa trajetória a afirmação dos Institutos que medem a temperatura da opinião pública. Em Sâo Paulo, por exemplo, O Globo publicou que no estado destacam-se Geraldo Alckmin com 19 pontos e Bolsonaro com 16. Sinal de alarme para Alckmin, uma vez que ele foiu eleito e reeleito pelos paulistas.

Os números não podem contentar a todos. Essa é uma realidade. Mas também é a única forma de se chegar ao poder nas democracias.

Audiência da Globonews comprova que aumenta o interesse pelas eleições

Resultado de imagem para alckmin na Globonews

Alckmin perdeu pontos ao defender tucanos corruptos

Pedro do Coutto

A semana de entrevistas que a Globonews realizou com os principais candidatos à sucessão presidencial de outubro, sem dúvida, revelou a existência de interesse efetivo pelo desfecho das eleições presidenciais. Olha que escrevo este artigo ao anoitecer de ontem, portanto antes da sabatina da equipe da emissora com Jair Bolsonaro. Senti no correr do dia que a entrevista de ontem era a mais esperada de todas, tanto pelas contradições do candidato quanto pelas correntes radicais que representa e que estão sendo suficientes para colocá-lo na primeira posição nas pesquisas eleitorais.

Claro que o primeiro lugar em que se encontra refere-se ao contexto do qual Lula está excluído. Uma exclusão a meu ver definitiva e que significa a consequência lógica da condenação que o atingiu e dos recursos até aqui tentados mas não aceitos. Mas esta é outra questão.

DESINTERESSE – O fato é que jornalistas e cientistas políticos vêm apontando o desinteresse muito grande em relação ao próximo pleito. É verdade. Mas se olharmos o passado, vamos verificar que os índices de abstenção tendem a cair na medida em que os eleitores aproximam-se das urnas eletrônicas.  O mesmo acontece com aqueles que hoje afirmam que votarão em branco ou pretendem anular o voto.

A partir do início da campanha na televisão e no rádio esses índices têm tendência declinante. É natural, sobretudo porque os debates na televisão ainda não se realizaram e o interesse pelos confrontos é alto. Assim não fosse o programa da Globonews não estaria atraindo o número de pessoas que acompanham as promessas dos principais candidatos e fazem comentários a respeito dos respectivos desempenhos.

CONSERVADORISMO – Ontem, sexta-feira, várias pessoas que falaram comigo disseram estar interessadas no programa com Bolsonaro. Inclusive porque Bolsonaro representa o conservadorismo mais extremado, principalmente nas questões referentes a segurança e suas ideias no campo econômico. Aliás, ele já afirmou por diversas vezes que os temas econômicos serão equacionados pelo ex-banqueiro Paulo Guedes, presumindo-se que ele seja nomeado ministro da Fazenda na hipótese de vitória final nas urnas.

Não importa no momento formular hipóteses sobre sua candidatura, no sentido de vitória ou derrota, mas sim pensar-se no que poderia ser sua administração à frente do país. O radicalismo de Bolsonaro formando um ângulo reto na geometria política, assusta a maior parcela do eleitorado e também preocupa os grandes empresários que temem pelo seu comportamento.

ROMPANTES DE CIRO – O empresariado teme também, por outro lado, os rompantes de Ciro Gomes e sua dificuldade em formar alianças. O caso do PSB é um exemplo. O Palácio do Planalto conseguiu distanciá-lo de Ciro, isolando-o na margem da correnteza eleitoral.

O PSB terminou aproximando-se do PT, e a Ciro Gomes restou a aliança consigo mesmo. Aliás, o isolamento de Ciro teve a participação do ex-presidente Lula, por considerar que a hipótese do apoio do PT significaria a superação definitiva de sua liderança no Partido dos Trabalhadores. Lula, nessa altura dos acontecimentos, ainda não chegou à realidade amplamente provável dos fatos. Ele não poderá ser candidato, entretanto, não quer ainda indicar ninguém. A perspectiva do PT concorrer com Fernando Haddad, Jaques Wagner ou Gleisi Hoffman, dependerá de sua decisão final e pessoal como comandante de uma nave com destino incerto nos mares revoltos da campanha eleitoral.

MAIS INTERESSE – Mas são pensamentos que voam ao redor das ideias. O fato mais significativo do interesse dos eleitores pela política foi cristalizado pelo êxito da Globonews em promover a série seletiva de entrevistas.

É esperar que os acontecimentos se desdobrem até a eleição, quando então ficarão mais nítidas as disposições que os votos neste ou naquele candidato, ou candidata, vão revelar.

O número de votos brancos e nulos vai diminuir, como já está diminuindo. Caso contrário os programas levados ao ar pela emissora, perfeitamente conduzidos pela jornalista Mirian Leitão, não teriam atingido o grau de interesse que alcançaram.

 Nas redes sociais cada um é editor de si mesmo; daí as verdades e as fake news

Resultado de imagem para redes sociais charges

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

É exatamente isso o que acontece. Todos encontram o campo livre para colocar suas notícias, comentários, observações e interpretações. O volume é imenso, como nós focalizamos ontem neste site. Esta é a diferença entre as redes da internet de um lado, e os jornais e emissoras de televisão de outro.  Nas redes sociais não há editor, todos estão livres para divulgar o que quiserem. Na imprensa, o editor é também responsável pelos textos e imagens que chegarem às suas mãos. Às suas mãos e à sua aceitação para que sejam divulgadas as matérias. Sustento essa diferença com base em meus quase sessenta anos de jornalismo.

Para se ter uma ideia do procedimento fixado para os setores de imprensa, basta dizer que todos os jornais e emissoras de televisão e rádio publicam diariamente apenas 33% (ou menos) das informações que recebem.

TRIAGEM – Não há espaço para publicar ou divulgar 100% das informações. Para fazer a triagem é indispensável ter sensibilidade para o valor de cada matéria. Então, entra em pauta a pesagem de cada reportagem ou artigo que chega a esse degrau, após deixar as mãos da reportagem e chegar às mãos decisivas dos editores. Tanto assim que os veículos assinalam também os nomes dos editores responsáveis.

Assim, portanto, se algum repórter ou redator entregar uma matéria absurda ou falsa, ela não chegará às bancas do dia seguinte e nem resistirão a algumas horas que distanciam os textos e sua projeção pela TV.

Como se constata, qualquer assunto divulgado ao público passará sempre ao julgamento dos editores de setor e também serão enviadas ao conhecimento do redator-chefe. Na Rede Globo, por exemplo, o diretor de jornalismo é Ali Kamel, cujo nome aparece sempre na tela quando chegam ao fim as matérias produzidas pela reportagem.

HÁ DIFERENÇA – Constata-se também a diferença essencial entre o livre acesso às redes sociais e o acesso que resulta do exame pelas chefias. Com a internet, que representa um avanço extraordinário na comunicação, o comportamento idêntico não se verifica. Basta alguém munido de um computador ou um smartphone para se tornar um autor do amanhã e um editor que é ele mesmo.

Por falar em editor e também em matéria de comunicação em geral, enquanto os órgãos de imprensa possuem jornalista na direção, o mesmo não ocorre no serviço público em geral, incluindo as empresas estatais. É uma pena. Porque, enquanto para dirigir o setor de engenharia, é claro, exige-se um engenheiro, como da mesma forma para comandar o setor médico exige-se um profissional habilitado, ocorrendo o mesmo nos departamentos jurídicos, a chefia tem que ser entregue a um advogado.

PROFISSIONALIZAÇÃO – Nas áreas de comunicação e marketing, porém, não se exige que para o comando tenha que haver um jornalista ou profissional de marketing. Qualquer um, assim, pode dormir com sua profissão e amanhecer na chefia de um departamento de comunicação social. O que acontece é que por essa distorção a comunicação do serviço público e das estatais termina em muitos casos não funcionando. Esses titulares são incapazes de estabelecer a diferença entre informação e publicidade comercial. E acabam cometendo omissões e erros em série e de grande proporção.

Há uma explicação para isso: é mais cômodo garantir a divulgação por esse meio e não levar em conta que a qualidade das informações lançadas na imprensa não é paga e sua divulgação depende inteiramente da qualidade e oportunidade das matérias.

Para finalizar um outro aspecto: os contratos de publicidade geram recursos para os intermediários. Esta é a diferença.

Uma ideia para O Globo: abrir espaço para revelar as principais “fake news”

Resultado de imagem para fake news charges

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Diante do volume enorme e postagens na internet em relação às eleições presidenciais, desejo transmitir uma ideia ao jornal O Globo e também a todas as empresas que compõem o universo do grupo familiar. A ideia é a seguinte: O jornal O Globo publicar semanalmente as principais notícias e comentários falsos detectados pela equipe tanto do jornal quanto da rede, quanto na Globonews.

Isso porque o grupo publicou com destaque relativo à importância do tema seu projeto de combater as fake news e informar, na medida do possível os autores as falsificações e distorções que navegam na rede eletrônica. Será uma decorrência lógica da batalha a qual a empresa se propõe a conter nos limites possíveis.

FAKES EM PROFUSÃO – Digo limites possíveis porque no trimestre de abril a junho, referentes à sucessão presidencial foram postadas 131 milhões de mensagens, das quais apenas 53 milhões tinham origem e fim definidos. Ou seja, matérias que se presume do conhecimento prévio dos candidatos. Porém, foram inseridas no universo das redes sociais 77 milhões de mensagens de autores, em sua maioria, desconhecidos pelos que disputam o Palácio do Planalto.

Fiquemos nesses 77 milhões. Uma pesquisa será gigantesca e não encontrará de modo algum espaço para ser transformada da descoberta à sua publicação. Por mais que o computador tenha profundidade e agilidade, tal levantamento exigirá tempo e como disse, há pouco espaço no qual a execução do trabalho ganhará o domínio público.

Por isso minha sugestão é que o jornal destaque as principais fake news e revele sua existência, o que dará margem à revelação pública.

Acrescento à ideia o caminho de uma página semanal para essa divulgação que, ao mesmo tempo seria a confirmação do trabalho e o empenho em desmentir as fantasias. Por que digo jornal O Globo? Porque um trabalho tão longo cabe numa folha impressa, mas não poderá ser citada na televisão. A amostragem focalizando os principais atentados contra a verdade tornará possível tal pesquisa. Claro, porque se as falsificações forem por exemplo, 10 milhões não há como divulgar todas elas.

Seria preciso uma enciclopédia do porte daquela que Antonio Houaiss produziu para a Delta Larrousse.

###
TRABALHO INFORMAL, MAIOR INIMIGO DO INSS E DO FGTS

Reportagem de Arícia Martins e Hugo Passarelli, edição de ontem do Valor, destaca o resultado de pesquisa do IBGE informando que 40% dos empregos ocupados referem-se a trabalhadores informais. Portanto, seus empregadores não contribuem para o INSS e para o FGTS. Tampouco, preocupam-se com os depósitos no PIS. Eis aí o maior adversário da receita da Previdência Social. Ainda que empregados informais também possam contribuir para o INSS, a modalidade de seus contratos passa ao largo dos 20% sobre a folha salarial.

O problema não tem solução.  Mas fica aqui assinalada uma realidade quase impossível de reverter. Inclusive, na hora da aposentadoria, os informais vão ter direitos limitados às contribuições que fizeram. Esqueça-se a parte dos empregadores.

E no meio rural, então, o quadro é ainda pior.

Elevar impostos, reduzir gastos ou cobrar as dívidas imensas dos empresas?

Resultado de imagem para divida publica charges

Charge do Kaiser (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A pergunta tem sua razão de ser, pois os presidenciáveis não estão focalizando pontos concretos sobre os quais seus programas de governo devem se basear. Reportagem de Antonio Nucifora, na Folha, analisa o panorama das contas públicas e conclui que em seus programas os presidenciáveis precisam definir suas estratégias para seguir o caminho de aumentar tributos ou de reduzir os gastos. A redução de despesas termina sempre recaindo no número de empregos e tal operação logo em seguida vai elevar o desemprego e consequentemente diminuir o consumo.

Coloco uma terceira opção, a mais cristã e também democrática: por que não combater a sonegação de empresas e cobrar mesmo que parcialmente suas dívidas acumuladas? A corda como diz o velho ditado, arrebenta sempre do lado mais fraco. E se o equilíbrio das contas públicas dependesse da mão de tigre do mercado não haveria solução.

DÍVIDA IMENSA – Cortar salários não chega para enfrentar o impasse sintetizado na dívida interna que, como vimos outro dia, está se elevando a 3,7 trilhões de reais. A perspectiva, inclusive, é que aumente ainda mais, uma vez que o governo está capitalizando juros à base da colocação de mais notas do Tesouro Nacional no mercado. Basta imaginar o montante que resulta da incidência da taxa Selic sobre o total do endividamento.

Como não tem 200 bilhões de reais disponíveis para pagar os juros, o governo substitui o valor dos juros pela alienação de mais papeis. Essa operação derruba o mito do superavit primário. Trata-se de déficit secundário.

Mas as contas, mesmo sem calcular os juros, não vão bem, e daí o déficit financeiro resultante.

###
ALIANÇAS ELEITORAIS E CORRUPÇÃO

Carolina Linhares, em reportagem publicada na Folha de São Paulo de ontem, faz uma análise das alianças eleitorais que estão sendo costuradas à base de acréscimos no horário eleitoral na TV. Não se cogita em convergência de ideias e de sintonias programáticas entre as candidaturas.

O ex-governador Geraldo Alckmin por exemplo, afirmou à repórter que as alianças são criticadas por quem não as conseguiu, querendo com isso apagar as restrições quanto a sintonia de ideias e de rumos na formação do governo que começa em janeiro de 2019.

Quanto ao vice, Alckmin afirmou que revelará o nome no dia 4, na véspera do amanhecer do dia em que o prazo termina. Acentuou, entretanto, que não será um nome do PSDB, tampouco do Estado de São Paulo.

DUAS MATÉRIAS – Temos, assim, duas matérias de importância destacadas pela Folha de São Paulo: a primeira, relativa aos gastos públicos; a segunda, referente às alianças para a campanha eleitoral. Como se vê, está faltando afinidade entre os candidatos a presidente e vice. Sinal dos tempos.

Depois do dilúvio da corrupção que fez desabar a administração pública, os candidatos não estão enfrentando o desafio maior, que somente poderá ser atingido por uma carga muito forte de eficiência.

Esta matéria começou com uma pergunta. Termina com outra: até agora nenhum candidato abordou o tema corrupção?

Grupo Globo vai pesquisar “fake news” em 133 milhões de postagens

Resultado de imagem para fake news charges

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

O grupo Globo – formado pelo jornal, TV, rádio e Globonews, além do Extra e do Valor, da rádio CBN e da revista Época – anunciou ontem com grande destaque a tarefa de detectar fake news nas redes sociais do universo eletrônico. Sem dúvida é uma ótima iniciativa em favor do processo de informação em geral, pois, investigando os temas, lançará nas suas edições os maiores exemplos de notícias falsas e também comentários desconexos. Presume-se, é claro, que o grupo Globo vai expor as falsificações encontradas e comunicá-las ao público em geral. O universo da internet é enorme.

Somente na parte que se refere à política nos últimos três meses, de acordo com reportagem de Luis Fernando Toledo, Cecília do Lago, Kaype Abreu e Guilherme Sette, em O Estado de São Paulo, nos últimos três meses registraram-se 131 milhões de mensagens postadas na rede eletrônica.

FORA DO CONTROLE – São 53,2 milhões através de espaços nominais e 77,8 milhões de matérias colocadas aparentemente fora do controle das páginas identificadas. Esse montante refere-se apenas às mensagens políticas.

São chamadas de “páginas satélites”, que são colocadas independentemente dos perfis sociais de que são alvo os titulares da autoria assumida. Pelo volume do universo em que se localizam tais matérias, a tarefa do grupo O Globo será das mais difíceis.

O recordista no que se refere a postagens é o ex-presidente Lula. Sua página oficial reúne 3,5 milhões de seguidores. Sua página lançada sem seu conhecimento engloba 27,1 milhões de postagens. Saindo de Lula e passando-se aos candidatos à sucessão presidencial, Jair Bolsonaro postou 5,3 milhões de mensagens e foram postadas dirigidas ao candidato 14,1 milhões comunicações. Bolsonaro possui 83 páginas na internet.

OUTROS CANDIDATOS – Marina Silva postou 2,3 milhões de mensagens e houve 1 milhão e 500 mil comunicações sobre ela nos satélites. Ciro Gomes aparece com 1 milhão e 800 mil postagens feitas diretamente por seu grupo, e 12,8 milhões matérias colocadas destinadas a ele.

Por incrível que pareça Geraldo Alckmin não tem grande número de mensagens. O total em relação a ele, segundo a reportagem ultrapassa apenas a 10.000. Portanto fica assinalado, até esse momento seu desinteresse pelas páginas eletrônicas.

São estes os candidatos mais citados através das redes. Há casos, como o de Bolsonaro, em que seus adeptos quadruplicaram sua relevância na rede da internet.  Verifica-se assim o fato de tanto Lula quanto Bolsonaro figurarem com mais destaque nas redes sociais. São equipes trabalhando e procurando com intensidade destacar seu nome na disputa presidencial.

ANTICANDIDATO – Acentue-se que o ex-presidente Lula não será candidato às urnas de outubro. Entretanto, pode se admitir que seus adeptos estejam em franca atividade apesar do obstáculo.

Uma coincidência. Os candidatos mais citados são também aqueles que lideram as pesquisas do Datafolha e do Ibope.

A pesquisa do Estado de São Paulo foi feita pela Big Data- Estadão, de propriedade do mesmo jornal.

Já podemos começar, talvez hoje, a sentir os efeitos da pesquisa do grupo Globo, uma vez que todos os dias são lançadas milhões de mensagens.

Candidatos prometem, mas não explicam como vão executar seus programas

Resultado de imagem para CANDIDATOS CHARGES

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Reportagem de Miguel Caballero e Renata Mariz, edição de ontem de O Globo, destaca a indefinição do eleitorado, principalmente das eleitoras, em relação às eleições presidenciais de outubro. Essa indefinição, acredito, decorre da falta de transparência nos projetos que dizem pretender executar. É uma pena, porque tal situação desloca a intenção de voto em torno de um alvo indefinido. O desapontamento é maior entre as mulheres. Mas é preciso levar em conta que as mulheres representam 52% do eleitorado e os homens, portanto, 48%.

Tenho a impressão que a sensação de apatia vai diminuir a partir do momento em que começar o horário eleitoral na televisão e no rádio. Esta visão, aliás, é da professora Fátima Pacheco Jordão, especialista em comunicação política.

31 DE AGOSTO – Vamos conferir a partir de 31 de agosto, quando poderemos principalmente confrontar a influência das redes sociais e das emissoras de rádio e tv. Até o momento as redes sociais não influíram para animar os eleitores. Vamos ver se a partir de setembro, por exemplo, esse comportamento se modifica. É próprio da campanha política acentuar a mudança no decorrer dos dias na medida em que se aproxima o desfecho nas urnas.

De qualquer forma, os eleitores têm razão na sua frieza. Afinal de contas, um mar de corrupção afundou o país e o povo. Como alguém poderia pensar o contrário numa fase de total descrédito do poder e dos políticos. Um exemplo: Valdemar Costa Neto, voz maior do PR, foi quem decidiu o apoio da legenda a Geraldo Alckmin. Enquanto isso, Roberto Jeferson, do PTB, foi responsável pelo compartilhamento da legenda também com Geraldo Alckmin. São dois nomes marcados pela corrupção.

SEM VICES – Uma prova capaz de explicar o desânimo encontra-se na dificuldade de escolha dos candidatos a vice-presidente. Nenhum vice foi escolhido ainda pelos quatro candidatos com mais possibilidades de vencer: Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Alckmin. Fica nítida a dificuldade tanto dos que querem ser eleitos quanto de todos nós eleitores.

Se os candidatos tivessem programas específicos, poder-se-ia dizer que o eleitorado está mais apático do que os candidatos. Entretanto, são os próprios candidatos que fornecem a prova do contrário. Se eles até agora não conseguiram completar suas chapas, como esperar que os votantes tenham se definido a uma distância de pouco mais de dois meses das urnas.  Os candidatos, pelo contrário, preocupam-se em negociar apoios em troca de tempo na televisão. Assim esquecem como viabilizar as propostas que vão emoldurar suas campanhas.

EXPLICAÇÕES – É necessário que os candidatos consigam explicar quanto e como pretendem mudar a face do governo do país. Vejam só: falar que vão resolver os problemas da saúde, da segurança, dos transportes, da educação, isto é algo comum no pensamento do eleitorado. Principalmente as mulheres, que se preocupam mais com a saúde de que com qualquer outro tema.

Mas não é esta a questão. A dúvida essencial é como os candidatos vão obter recursos capazes de realizar suas metas. Trata-se de uma explicação indispensável, porque, caso contrário, as palavras o vento leva, e tal perspectiva se repete de um pleito para outro.

TEMAS CRÍTICOS – Todos os postulantes abordam sempre os temas críticos, mas não tocando na forma de enfrentá-los, as promessas caem no vazio. Daí a reação das eleitoras e eleitores, principalmente das mulheres. Está se verificando, de outro lado, um sentimento de frustração que se renova a cada quatro anos. Até aqui, 30 anos depois da redemocratização, o panorama de angústia das classes de menor renda não foi coberto pelos projetos dos governantes.

Citei 30 anos porque houve eleições livres em 89. A pobreza não diminuiu, e os problemas coletivos, entre eles o desemprego, que afetou também a classe média, não foram solucionados e nem os governos passaram ao povo uma ideia de que caminhariam para uma evolução concreta no campo econômico social.

Daí porque o desânimo tomou conta de grande parte do eleitorado. Entretanto, tenho a impressão de que depois da televisão o clima vai mudar. Esperemos que pelo menos desta vez os programas políticos não sejam apenas promessas.

Em outubro, quase 2 milhões de jovens irão às urnas votar pela primeira vez

Resultado de imagem para eleitor jovem charge

Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Marina Merlo e Sarah Mota Rezende, edição de ontem da Folha de São Paulo, revela um dado muito importante capaz de influir nas eleições de outubro para a presidência da República. Levantamento que acaba de ser realizado pela Justiça Eleitoral revela que 1 milhão e novecentos mil jovens, entre 16 e 18 anos de idade, inscreveram-se para votar nas urnas de outubro. Esse contingente supera o ingresso no universo do voto nas eleições anteriores. 

As inscrições em 2006 alcançaram um nível mais alto do que nos períodos que antecederam. Mas este ano a marca de 2006 foi batida em 2018. O fato é importante e pode influir para tornar menor a abstenção.

VOTO OBRIGATÓRIO -O crescimento, na verdade, registra-se entre os que têm 16 e 17 anos, isso porque o voto torna-se obrigatório a partir de 18 anos de idade. Assim, os quase dois milhões de jovens se inscreveram espontaneamente. Talvez, digo eu, pelo temor de uma candidatura radical chegar ao segundo turno.

O primeiro turno é a 7 de outubro, os dois mais votados vão para a final, marcada para o dia 28 de outubro. É possível que o índice de abstenção seja reduzido este ano em face do ingresso dessa parcela expressiva do eleitorado jovem. Aliás, por falar em abstenção, registre-se o seguinte: quanto mais a eleição se distanciar do último recadastramento, a abstenção pode ser notada. Mas não é só uma questão de ausência por iniciativa própria, mas sim em função de alguns fatores.

MORTALIDADE – Um dos fatores é a taxa de mortalidade, que no Brasil oscila em torno de 0,7% a/a. Grande parte das famílias não procura a Justiça Eleitoral para dar baixa nos títulos. Outro fator é que existe uma parcela de pessoas que completam 70 anos e que, portanto, não são obrigadas a votar. A soma desses fatores pode assinalar uma abstenção que na verdade não significa somente um desprezo pela política e pelo voto.

O desprezo pela política e pelo voto existe e reflete uma disposição que aumenta com o passar do tempo, principalmente nos últimos seis anos. Fatos não faltam para justificar esse sentimento. A corrupção, as manobras políticas tradicionais, a baixa qualificação dos governantes e parlamentares, tudo isso desagua num mar de amargura e decepção. Vamos ver o que acontecerá nas urnas de outubro.

###
BOLSONARO E MARINA LIDERAM PESQUISA NA VEJA

A revista Veja que se encontra nas bancas publicou reportagem de Ana Clara Costa, destacando pesquisa realizada pela Ideia Big Data que confirma as mesmas tendências anteriormente detectadas pelo Ibope e pelo Datafolha. O levantamento divide-se em dois seguimentos essenciais: um com a presença do ex-presidente Lula, outro sem ele.

No primeiro caso hipotético, Lula aparece com 29%, Bolsonaro 14 pontos, Marina Silva com 10 pontos seguida por Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, ambos com 7%. Os demais candidatos aparecem com índices insignificantes. Exceção de Álvaro Dias cuja candidatura atinge 4 pontos.

No cenário sem Lula Bolsonaro lidera com 18, Marina com 11, Ciro Gomes confirma os 7%, um ponto acima de Geraldo Alckmin.

TRANSFERÊNCIA – A pesquisa do Ideia Big Data colocou um ítem importante. O apoio do ex-presidente Lula a qualquer candidatura, incluindo a do PT seu próprio partido, transfere 9% dos eleitores e eleitoras. Essa pergunta é muito importante e revela que concretamente Lula tem um limite de transferência de votos da ordem de 30% daqueles que se afirmam serem seus eleitores. Ele, sozinho tem 29, quase 30 portanto, mas sua capacidade de transformar em votos sua escolha está limitada hoje a 1/3 de seus apoiadores.

Como se verifica, as tendências que vêm surgindo de alguns meses para cá mantem-se numa faixa na qual navegam os quatro candidatos com possibilidade de chegarem ao segundo turno.

No segundo turno o panorama permanece indefinido.

Entre os candidatos de fato, Marina Silva é a única com equilíbrio e coerência

Resultado de imagem para marina silva

Na campanha, Marina se destaca pela sobriedade

Pedro do Coutto

As eleições de outubro para o Palácio do Planalto têm apenas poucos candidatos de fato: Bolsonaro, Alckmin, Marina Silva e Ciro Gomes. Os demais são figurativos sem qualquer possibilidade de vitória, ou até mesmo de decolagem suficiente para somar, digamos, três pontos percentuais nas urnas eletrônicas.

De todos estes, Marina Silva é a única que tem apresentado equilíbrio e coerência política. Os outros três caem em contradições seguidas e tentam lances dispersos na tentativa vã de conquistar eleitores.

CONTRADIÇÕES – Ciro Gomes, por exemplo (reportagem de Gabriela Pessoa, Folha de São Paulo de ontem), disse uma coisa no dia 16 e outra, totalmente oposta no dia 26, reproduzida pela FSP de ontem 27.No dia 16 ele afirmou que era o único candidato com possibilidade de, em caso de vitória, livrar Lula da cadeia e enquadrar os juízes que condenaram o ex-presidente, além de traçar normas que disse democráticas para os integrantes do Ministério Público.

Entretanto, na convenção do PDT que homologou seu nome, na concentração em São Paulo, afirmou ser antagônico a Lula e também contrário ao candidato escolhido pelo PT para disputa em outubro.

Como se constata, parece ter mudado de opinião no decorrer de 10 dias entre 16 e 26 deste mês.

TUCANO NO NINHO – O candidato Geraldo Alckmin, do PSDB, recebeu apoio do chamado Centrão e acolheu, de acordo com reportagem de Bruno Goes, Cristiane Jungblut, Eduardo Breciani e Letícia Fernandes, O Globo, deixou-se fotografar na mesa central do encontro, realizado em Brasília, ao lado de nove políticos envolvidos em casos de corrupção. No seu discurso, passou ao largo da Operação Lava Jato e prometeu transformar o Brasil numa Abu Dhabi, numa referência à rica capital dos Emirados Árabes Unidos. A afirmação representa uma impossibilidade. O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes e é um país que figura entre os maiores da Terra. Como ele conseguiria isso?

Esqueceu dos problemas sociais existentes, da falta de saneamento, da crise da segurança, da situação caótica do sistema de saúde, da educação, dos transportes e, sobretudo do desenvolvimento econômico.  Têm-se a impressão de que para ele não importa muito qualquer meta para redistribuir a renda, a partir de um ponto de equilíbrio entre o capital e o trabalho.

GUEDES NO COMANDO – Jair Bolsonaro representa a extrema direita, a apologia à tortura além de dizer que nada entende de economia. Em recente entrevista, inclusive, acentuou que na área da economia entregará tudo ao professor Paulo Guedes, fundados do Banco Pactual e do IBMEC e que mantinha uma coluna semanal em O Globo. Bolsonaro age como se a economia pudesse ser transferida integralmente para as mãos de Paulo Guedes.

Para se ter uma ideia do absurdo, convém lembrar que o sistema econômico, do lado do Estado, forma-se pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco Central, Petrobrás e Eletrobrás para ficarmos só nesses exemplos. Com base na afirmação que fez, Paulo Guedes seria o ministro da Fazenda plenipotenciário. O que seria um absurdo total.

EXEMPLO ISOLADO – Marina Silva constitui um exemplo isolado entre os quatro candidatos de fato. Ela, pelo menos até agora, demonstrou coerência em suas atitudes. Um exemplo é sua negativa em apoiar o senador Romário para o governo do estado do Rio de Janeiro. Na sua pré-campanha, tem demonstrado firmeza nas decisões  que tomou, principalmente em matéria de coligações entre legendas.

Dentro desse panorama que reúne Bolsonaro, Marina, Alckmin e Ciro Gomes, encontramos uma frieza que se generaliza, já que os três adversários da candidata da Rede enveredam por caminhos sinuosos na tentativa de conquistar o voto e chegar ao poder.

SEM ENGANAR – Relativamente a Bolsonaro, ele está sendo fiel a si próprio e parece não pretender enganar ninguém. Representa uma corrente radical de pensamento e na disposição de materializar esse pensamento em política de governo. Sua vitória seria um desastre para o país.

Em tal hipótese sairíamos de uma calamidade chamada Michel Temer e ingressaríamos numa outra situação desastrosa.

Mas tudo isso está encoberto pelo eclipse em torno de qual posição Lula colocará o PT.

Poucos funcionários federais decidiram aderir à Previdência complementar

Resultado de imagem para previdencia privada charges

Charge do Mariano (Charge Online)

Pedro do Coutto

Os funcionários federais não se motivaram a ingressar no plano de Previdência Complementar Privada estabelecido pela lei de 2013 que limitou o teto da aposentadoria, igualando-a ao teto do INSS para os trabalhadores regidos pela CLT.

Reportagem de Lais Alegretti, edição de quarta-feira da Folha de São Paulo, focaliza o assunto. Em O Globo de ontem, matéria de Nelson Lima Neto aborda também o tema. A questão é a seguinte. O serviço público federal possui 450 mil funcionários. A partir de 2013 o teto de suas aposentadorias foi fixada igualmente ao dos trabalhadores celetistas. Entre estes encontram-se os servidores das empresas estatais.

COMPLEMENTAÇÃO – Como uma parcela do funcionalismo tem salários acima de 5.300 reais a legislação criou um regime de previdência complementar privada capaz de complementar a diferença entre 5.300 e o total de sua remuneração. Tal regime, facultativo, já funciona para aqueles que trabalham nas empresas estatais de economia mista.

Criou-se de um novo plano facultativo para o qual os funcionários contribuiriam com 8% sobre seus vencimentos no sentido de garantir-lhes a integralidade do salário quando se aposentassem. O governo esperava uma adesão de 5%, entretanto a adesão não chegou a 2%. É preciso, para esse cálculo, levar em conta que acima de R$ 5.300 mensais encontra-se a franca minoria do funcionalismo. Claro, porque quem está contido na escala prevista no INSS não teria porque aceitar mais um desconto, que criaria uma contribuição sem retribuição.

APÓS 2003 – É preciso considerar também que tal regra não atinge os funcionários admitidos antes de 2013, pois estes ainda têm direito a aposentadoria integral. A partir de 2013, as admissões no serviço público federal já estabelecem em seus contratos a igualdade de direitos fixados para os segurados da Previdência Social. Aí verifica-se a diferença entre Seguridade Social, a dos funcionários públicos e a Previdência Social que rege os direitos e deveres do INSS.

Talvez uma das causas da baixa adesão à previdência complementar tenha base na impossibilidade de os funcionários, em sua grande maioria, poderem arcar com uma contribuição adicional de 8% sobre a folha já cheia de descontos, como os que se referem ao Imposto de Renda e à própria seguridade.

ACABA HOJE – A reportagem de Lais Alegretti acentua que o prazo limite para a adesão termina exatamente hoje, sexta-feira, 27 de julho. A menos que haja prorrogação a partir de segunda feira os funcionários não poderão mais se inscrever no regime de complementação. O regime de complementação funciona da seguinte maneira: se o funcionário ganha por exemplo 7.000 reais, se aderir ao plano privado, ao se aposentar passaria a receber os 5.300, seu salário básico, e mais a complementação de 1.700 reais. Tal sistema já existe para os que trabalham no Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobrás e Eletrobrás, por exemplo.

Citei algumas empresas estatais. Porém, a Previdência Complementar pode receber a adesão de empregados cujas empresas, por sua vez ofereçam tal plano. Além da Previdência Complementar, existem planos privados de previdência oferecidos pela rede bancária a qualquer pessoa. Os funcionários federais não puderam ou não quiseram aderir ao sistema.

###
DÍVIDA PÚBLICA CRESCE E ATINGE R$ 3,7 TRILHÕES

A dívida pública federal cresceu 1% em junho e atingiu 3,7 trilhões de reais. Matéria de Bárbara Nascimento focaliza o avanço e acentua o crescimento da dívida em parte em decorrência do índice de inflação no mês passado. Sobre o montante de 3,7 trilhões, o governo federal paga juros anuais de 6,5%, relativos a taxa Selic.

Ciro Gomes, sem rede de proteção, voa rumo a Lula no trapézio da política    

Resultado de imagem para ciro gomes charges

Ciro busca atrair os votos dos petistas radicais

Pedro do Coutto

O ex-ministro Ciro Gomes afirmou ser o único candidato, que, se eleito, pode tirar Lula da cadeia e enquadrar juízes que o condenaram. A afirmação é surpreendente, conforme matéria de Daniel Guilino, edição de ontem de O Globo, que destacou essa afirmativa singular. O fato tornou-se manchete principal de O Estado de São Paulo, reportagem de Gilberto Amêndola. A opinião do ex-governador do Ceará, pelo destaque que teve, vai gerar reações fortes em vários setores sobretudo no universo judicial do país, pois atinge diretamente os juízes que o condenaram e também os tribunais que rejeitaram os recursos até agora dirigidos pelos advogados do ex-presidente da República.

Falei em trapézio político, sobretudo porque os trapezistas fazem manobras espetaculares mas protegidos, como é natural, por redes que os amparam em caso de o exercício não dar certo, uma vez que o erro seria mortal.

SEM RETORNO – Acentue-se que a iniciativa de Ciro Gomes, candidato pelo PDT, é um lance de dados sem retorno. Ele foi ao encontro das correntes lulistas que se encontram órfãs de um candidato próprio do PT. Não tem linha de recuo, pois suas declarações não dão margem a dúvida alguma e sintetizam uma disposição que, aparentemente tem como meta o caminho das urnas de 7 e 28 de outubro.

Ciro Gomes jogou para arrebatar o potencial de votos que Lula possui, mas do qual não poderá dispor para si, uma vez que sua candidatura tornou-se inviável pelas barreiras da lei eleitoral. O ex-governador do Ceará assumiu o caráter de adepto de Lula, posição de risco que assumiu diante do eleitorado brasileiro.

Ciro está ao lado de Lula, mas Lula estará ao lado dele? É possível que antes de a matéria publicada em O Globo e no Estado de São Paulo ele tenha mantido entendimento com o líder do PT. Neste caso, tal situação representa uma escolha em seu favor defendida pelo ex-presidente.

ACENO AO PT – No caso de a iniciativa ser singularmente de Ciro, aí então trata-se de um aceno à fração de 30% dos eleitores do país, de acordo com todas as pesquisas do Ibope e Datafolha.

Ao iluminar seu propósito de colocar Lula em liberdade, Ciro Gomes foi além de uma manifestação partidária, tendo como objetivo a conquista de votos. Ele atacou fortemente o Poder Judiciário do Brasil, na medida em que disse que, se eleito, libertará Lula da prisão, além de enquadrar magistrados. Um absurdo. Como é possível um candidato à Presidência afirmar sua disposição de simplesmente desconhecer as decisões da Justiça, e, ainda por cima ameaçar juízes de enquadramento em regras que a legislação não prevê?

Ciro Gomes desencadeou uma tempestade que coloca sob risco as instituições políticas e jurídicas brasileiras. Vamos ver como o PT reagirá à iniciativa.

###
QUESTÃO A SER DECIDIDA PELO TSE           

Constitui uma questão a ser decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral o fato de um partido coligar-se de uma forma na esfera federal e outra na área estadual.

Por exemplo: o PR de Valdemar Costa Neto uniu-se com o Centrão e vai se coligar com o PSDB. Perfeito. O tempo na televisão no horário eleitoral será dividido com base nas bancadas partidárias na Câmara dos Deputados.

E se na área estadual, o PR coligar-se com o PT de Minas Gerais. A pergunta é a seguinte: como será a divisão do acesso a televisão para o estado de Minas Gerais?

O presidente do TSE, ministro Luis Fux, precisa baixar uma norma regulando a matéria de forma concreta e definitiva. Tem de fazer isso imediatamente porque a campanha eleitoral inicia-se antes dele passar o cargo para a Ministra Rosa Weber.

Josué Gomes só poderá ser candidato a vice se o PR entrar numa coligação

Resultado de imagem para JOSUÉ GOMES

Josué Gomes, do PR, esnobou esnobou petistas e tucanos,

Pedro do Coutto

O empresário Josué Gomes Alencar está sendo cortejado por vários partidos para ser candidato a vice-presidente. Reportagem de Bruno Goes e Cristianne Jungblut, em O Globo de ontem, focaliza amplamente o problema e destaca que tanto Geraldo Alckmin deseja tê-lo na chapa quanto o próprio PT, já que ele é filho de José Alencar, que foi eleito vice-presidente da República na chapa encabeçada por Lula nas eleições de 2002. Foi reeleito e faleceu em 2001, no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Mas Josué Gomes Alencar é filiado ao PR. Sendo assim, só poderá aceitar o convite se o PR formar na coligação. Dessa forma, será mais fácil concorrer a vice de Alckmin, porque o PR, junto com o Centrão, integra a coligação existente.

Mas Josué Alencar,de acordo com a reportagem, está condicionando a aceitação depois de uma consulta ao governador Fernando Pimentel, de Minas Gerais que integra os quadros do PT. Josué está disposto a antes de mais nada consultar o governador mineiro, que é candidato à reeleição.

ÚNICO CAMINHO – Josué  só pode concorrer a vice se seu nome for homologado pela convenção do PR, uma vez que se encontra inscrito nos quadros dessa legenda. É o único caminho possível para ele. Para ser vice na chapa de Pimentel, nas urnas de Minas Gerais, ele depende do aval do PR, ou seja, o PR firmar duas posições, dando apoio a Alckmin no plano federal e apoio a Fernando Pimentel no plano estadual.

A situação partidariamente inclui a hipótese de o PR coligar-se com Alckmin na esfera federal e coligar-se com o PT na esfera estadual. Quer dizer, em síntese, que seu partido, PR, iria as urnas de outubro dividido em duas faces. Uma face relativa a Minas, outra face referente a sucessão presidencial.

Na perspectiva de Josué aceitar concorrer à vice de Alckmin, a coligação estadual com o PT seria descartada. Já na hipótese de Josué aceitar ser vice de Fernando Pimentel a coligação que sustenta a candidatura do ex-governador de São Paulo perderia o palanque em Minas Gerais.

HÁ UM IMPASSE – Minas Gerais é o segundo colégio eleitoral do país e, portanto, Alckmin teria de abrir mão da base mineira. Vamos ver qual rumo Josué escolhe no caminho das urnas de outubro. Tem que decidir tudo até 5 de agosto.

Os que estão convidando Josué para ser vice esquecem que ele não pode ser um candidato avulso, pois tal hipótese é expressamente proibida pela legislação eleitoral.

###
FUNDO PARTIDÁRIO TEM DE INCLUIR CRITÉRIOS DA DISTRIBUIÇÃO

Matéria de Reynaldo Torelo Junior, Folha de São Paulo também de ontem, revela que dos 35 partidos existentes no país, até agora, somente 12 já informaram quais os critérios adotados para divisão dos recursos financeiros. Essa questão é da mais alta sensibilidade porque, afinal de contas, o fundo partidário envolve um bilhão e setecentos milhões de reais.

O PSDB, o DEM, PSB, PSD, PR, PRB, PSOL, PPS, PMN, PRTD e o PATRIOTA apresentaram seus critérios ao Ministro Luis Fux presidente do TSE, como se verifica o MDB e o PTB formam entre as 23 legendas partidárias que ainda não revelaram seus critérios. O PT também forma no bloco dos ainda omissos.

As direções partidárias vão preferir aplicar os recursos que cabe a cada legenda prioritariamente aos deputados e senadores que buscam a reeleição no próximo pleito. Os candidatos novos, portanto, terão acesso restrito às verbas do fundo.

Indefinição eleitoral não deve preocupar somente o mercado financeiro

Resultado de imagem para indefinição eleitoral charges

Charge do Cabalau (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Ana Paula Ragazzi, edição de ontem da Folha de São Paulo, destaca que a indefinição eleitoral está preocupando e aumentando o nervosismo do mercado. No caso, trata-se do mercado financeiro, uma vez que analistas de investimentos estão sugerindo aplicações em títulos púbicos pós-fixados para que não surjam riscos que acarretem desvalorização do dinheiro investido. A indefinição eleitoral, digo eu, deve preocupar tanto ao mercado financeiro quanto aos assalariados que formam a força de trabalho do Brasil.

A mão de obra ativa brasileira envolve diretamente 100 milhões de homens e mulheres, número que, incluindo-se o reflexo indireto, reúne mais ou menos 140 milhões de pessoas.  Tal número refere-se aos dependentes dos trabalhadores e funcionários públicos.

ASSALARIADOS – Portanto, a preocupação maior deve ser dos assalariados, não dos empresários que manipulam o valor das ações e canalizam os investimentos na economia. É natural a preocupação, mas ela tem um caráter geral, porque o processo econômico depende do nível de consumo e o consumo é gerado pelos que trabalham.

Uma coisa leva à outra. Será eternamente assim, como é assim em todos os países do mundo. O consumo está diretamente vinculado ao nível de renda e dessa forma observamos o funcionamento dinâmico dos valores econômicos e financeiros.

Os agentes do mercado, se fizerem um retrospecto vão encontrar exemplos contraditórios à sua tese relativa a desconfiança no futuro próximo.

CASO DE JÂNIO – No passado, por exemplo, o mercado apoiou maciçamente Jânio Quadros e o que aconteceu? Ele renunciou seis meses depois de assumir a presidência da República. Nesse intervalo a antiga SUMOC, que quatro anos depois seria transformada em Banco Central, baixou uma resolução, a de número 204, que duplicou o valor do dólar no país.

Com isso, o lucro financeiro foi enorme, pois, por uma coincidência numérica, o dólar, para nós, brasileiros, teve o valor duplicado de 100 para 200 cruzeiros. Com este fato os especuladores ganharam fortunas. Ninguém poderia prever uma decisão desse tipo. Como também pessoa alguma poderia prever que o presidente da República renunciasse.

CASO DE JK – Quando JK foi eleito em 1955, os setores ortodoxos do mundo financeiro acenderam um sinal de alerta. O que aconteceu? Exatamente o contrário do que tais setores supunham. O desenvolvimento econômico do país criou diretamente mais de 1.000 novas oportunidades para investir, e a expansão da economia refletiu-se em ganhos maiores do capital e também melhorou as condições de vida dos trabalhadores e funcionários públicos. O mercado, em seguida reformulou seus conceitos básicos. Afinal de contas surgia uma alvorada brasileira.

A indefinição é própria da política. Ninguém pode querer que meses antes de uma eleição já fosse possível identificar as correntes vitoriosas. Eleição se ganha na urna. Mesma coisa do que no futebol: ninguém vence na véspera.

Esperar é preciso. Aliás, é o que a nossa população enfrenta no passar de uma eleição para outra.