Moro tem o apoio de 59% da opinião pública e é o ministro mais conhecido

Resultado de imagem para sergio moro

Como juiz e como ministro, Moro é respeitado pelos brasileiros

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha, publicada segunda-feira pela Folha de São Paulo, revela que o ministro Sérgio Moro tem o apoio de 59% da opinião pública e é conhecido por 93% da população brasileira. O titular da Justiça é o ministro de maior aceitação, enquanto outros integrantes do primeiro escalão do governo apresentam índices de aprovação muito baixos. Para se ter uma ideia, o Ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antonio, só alcança 11%.

Esse quadro, a meu ver, reflete a dimensão adquirida pela operação Lava Jato, que foi iniciada em 2014. Prova também que seu desempenho como juiz foi ao encontro da vontade popular.

IMPORTÂNCIA – O resultado da pesquisa, sem dúvida alguma, coloca o ministro Moro numa posição que interessa diretamente ao governo Jair Bolsonaro. Pois as decisões que assume, no fundo da questão, refletem sua importância como integrante e ponto de sustentação do governo.

Quanto à presença de militares na equipe do governo, ela é aprovada por 55%. Resultado muito bom para o presidente da República e que deve influir no comportamento de Bolsonaro em relação a imprensa e especialmente quanto a Folha de São Paulo e o Datafolha.

Basta ver que na mesma edição da FSP o presidente da República afirmou textualmente que “não vou perder tempo para comentar pesquisa do Datafolha”, isso porque há poucos dias uma outra pesquisa apontou uma queda em sua popularidade nos primeiros 100 dias de seu mandato. 

PIB TRAVADO – Reportagem de Luciana Dyuiewcz destaca que a menor parcela da produção industrial fez com que o PIB crescesse menos. Chegou em torno de 1%, o que assinala que empatou com o aumento da população nos últimos 12 meses. A renda per capita, portanto, também não avançou e ficou estagnada.

Finalizando o artigo de hoje, Patrick Brock publicou no Valor de sexta-feira, ao responder uma pergunta sobre o período do presidente Ernesto Geisel, o vice Hamilton Mourão acentuou que “o General Geisel não foi eleito, eu fui”.

Com isso, Mourão, de forma indireta confrontou aquele período da história do Brasil com o panorama atual. E não há dúvida: a frase de Mourão destaca a importância do regime democrático.

Bolsonaro veta o modelo de capitalização, uma derrota para Paulo Guedes

Resultado de imagem para capitalização chargesPedro do Coutto     /      Charge do Kayser (Arquivo  Google)

No café da manhã com jornalistas na sexta-feira, o Presidente Jair Bolsonaro afirmou que o regime de capitalização que se encontra no projeto de emenda constitucional elaborado pelo ministro Paulo Guedes pode não ser votado quando a matéria chegar ao Plenário da Câmara dos Deputados. Esse assunto foi publicado com destaque na edições de ontem de O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo significando uma derrota do ministro Paulo Guedes, para ele o ponto principal da reforma elaborada por sua equipe.

A reportagem mais ampla foi a de Alan Gripp, Paulo Celso Pereira, Geralda Doca e Daiane Costa publicada em O Globo.

RESISTÊNCIA – O deputado Rodrigo Maia havia dito ao presidente que a capitalização era um dispositivo contra o qual havia e há forte resistência. O reflexo da opinião pública foi assinalado, segundo Maia nas redes sociais da Internet.

De fato, a questão é difícil em si mesma porque a ideia de Paulo Guedes era de desonerar a folha de pagamento das empresas para com o INSS. Portanto, os empresários e empregadores torciam para que o regime de capitalização fosse aprovado. Claro. As pessoas praticamente sempre são favoráveis a que se retire da legislação o recolhimento mensal para com o INSS.

A ideia da capitalização era, pode se dizer, a pedra de toque do projeto do governo, mas se mostrou inviável, na minha opinião, porque estabelecia que apenas os empregados recolhessem a parte que desejassem, enquanto as empresas ficariam isentas. Tal solução transformaria a Previdencia Social numa abstração. Pelos seguintes motivos: os empregados dificilmente aceitariam o regime previsto pelo ministro da Economia; e a receita previdenciária desabaria. Guedes não levou em consideração que dos recursos que convergem para a arrecadação da Previdência a maior parte é fornecida pelos empresários empregadores.

IMPACTO – É fácil calcular o impacto negativo que seria causado pela ideia colocada pelo governo na mensagem que enviou e que agora pode ser apagada no Poder Legislativo.

Enquanto os empregados contribuem com 11% até o teto de 5.800 reais, as empresas contribuem com 20% sobre a folha de salários.  Acredito que dos 600 milhões recolhidos por ano, pelo menos 2/3 provêm da contribuição empresarial.

Basta fazer as contas e levar em consideração o aspecto social da questão.

Para valorizar seu passe junto a Bolsonaro, governistas não socorreram Paulo Guedes

Resultado de imagem para tchutchuca chargesPedro do Coutto

Foi exatamente isso o que ocorreu na tarde-noite de quarta-feira quando houve um tumulto na Comissão de Justiça na Câmara envolvendo o ministro da Economia. Diante do bate-boca a solução da mesa diretora foi encerrar o depoimento, depois de longas horas de indagações sobre o projeto de Emenda Constitucional que abre caminho para a reforma da Previdência.

O fato foi comentado por fontes do Palácio do Planalto que lamentaram o fato de os deputados governistas não terem comparecido em número expressivo à sessão.

SE VALORIZANDO… – Enquanto os comentários registram o problema, na minha opinião tal ausência foi usada pelos deputados de diversos partidos, buscando se fortalecer junto ao presidente Jair Bolsonaro.

Esses parlamentares, em grande número, revelaram que estão condicionando seu voto a favor da reforma ao atendimento das reivindicações que apresentaram e que outros irão apresentar para obter apoio do Palácio do Planalto e, com isso, se situarem melhor, tendo como alvo nomeações para cargos de direção nas empresas estatais e nas autarquias do poder.

A confirmação de tal manobra está constatada na reportagem de Gustavo Uribe e Thais Bilenky, edição de ontem da Folha de São Paulo.

NO PLANALTO – Diversos dirigentes de partido foram recebidos pelo presidente Bolsonaro no Palácio do Planalto e receberam caminho livre para seus votos nas etapas decisivas da tramitação da matéria no Congresso Nacional. O encontro foi com os presidentes das legendas e líderes partidários. Porém, como a reportagem revela, nem por isso Bolsonaro conseguiu receber apoio para o projeto do Planalto.

É claro que isso aconteceria porque, se apoiarem antecipadamente não vão encontrar melhores condições para votar quando a matéria encontrar-se próxima ao desfecho.

Esta é a visão política baseada na tradição dos apoios ao Executivo fornecidas pelo Parlamento.

TÉCNICA JURÍDICA – O mesmo acontece com os advogados de políticos, empresários e autoridades que estão sendo processados em decorrência da Operação Lava Jato.

Quanto mais difícil estiver o esforço para libertar seus clientes, maior será a dependência desses acusados em relação aos advogados, cujo taxímetro roda sem parar, até com o motor parado.

Reforma da Previdência precisa recuperar as receitas que o INSS vem perdendo

Resultado de imagem para faustao

Faustão ganha milhões e paga zero de contribuição ao INSS

Pedro do Coutto

O economista Filipi Campello, amigo meu, coloca uma questão essencial em torno da reforma da Previdência, infelizmente ignorada tanto por parte de Paulo Guedes quanto da parte dos deputados que se opõem as modificações propostas. Trata-se de alterar as regras no que se refere aos salários dos trabalhadores e trabalhadoras que se aposentam por tempo de serviço ou por idade. Mas também a reforma proposta pelo governo não levou em conta a necessidade de uma mudança profunda no que se relaciona as receitas. Perfeito, digo eu, considerando que a reforma por princípio tinha de abranger os dois setores.

Paulo Guedes acentuou que as despesas com aposentadorias e pensões atinges mais de 700 milhões de reais por ano, dez vezes mais do que a rubrica orçamentária relativa a educação.

E OS DEVEDORES? – Nem eu nem o economista Filipi Campello, em nenhum momento, ouvimos falar em um aperto indispensável do governo contra os sonegadores e aqueles que descontam de seus empregados, mas não recolhem ao INSS.

Paulo Guedes, na exposição que fez a Comissão de Constituição de Justiça da Câmara dos Deputados, chegou a falar em desoneração dos empregadores, incluindo as empresas estatais. Como é possível assegurar a receita previdenciária reduzindo ou até zerando a parte dos empresários?

Simplesmente não é possível. Deve-se lembrar que os empresários contribuem para a Previdência na base de 20% sobre a folha de salário, muito mais do que o recolhimento dos empregados cujo limite máximo é de 11% sobre 5.800,00 reais teto das aposentadorias e pensões. Isso de um lado.

PESSOAS “JURÍDICAS”? – De outro lado, a questão implica inclusive nas contratações de técnicos, não pela CLT, mas sim pela transformação dos empregados em pessoa jurídica. Assim o desconto mensal para o INSS passa a ser zero pela empresa e o empregado paga se quiser ao INSS como autônomo. Quando o salário é muito alto, caso dos artistas de TV, por exemplo, nem se interessam em pagar INSS. Mas esta é outra questão.

Na exposição feita diante da CCJ Guedes não fez qualquer referência a esse ponto. A reunião, que acabou em tumulto, foi muito bem apresentada na reportagem de Adriana Fernandes, Idiana Tomazelli e Lorena Fernandes, edição de ontem de O Estado de São Paulo.

Ficou caracterizado em meio à confusão, a dificuldade que começou a ser colocada pelos partidos de oposição. O desfecho foi simplesmente lamentável.

DESONERAÇÕES – Devo destacar uma face do conflito. As acusações de Paulo Guedes aos governos do PT, Lula e Dilma Rousseff que desoneraram tributos pagos pelas empresas num montante de 300 bilhões de reais.

Esse argumento não se ajusta a cultura econômica de Paulo Guedes. Uma coisa não tem nada a ver com outra. E tem mais: por que Paulo Guedes não propõe ao presidente Jair Bolsonaro a reforma profunda desse monumento de absurdos legados pelo PT. Apenas é o caso de Paulo Guedes apresentar um projeto seu anulando tamanha liberalidade com o dinheiro da população.

São contradições nas quais o governo fica imobilizado.

Paulo Guedes sai-se mal na Comissão e pior ainda como articulador político

Resultado de imagem para guedes na camara

Guedes se enrolou muito ao enfrentar os deputados da oposição

Pedro do Coutto

Numa sessão marcada por protestos da oposição, o ministro Paulo Guedes não conseguiu apresentar argumentos capazes de tecnicamente contestar as críticas feitas e os números apresentados pelas correntes que se opõem à reforma da Previdência Social nos termos propostos pelo governo Jair Bolsonaro. Depois de quatro horas de debates o ministro Paulo Guedes foi acuado pelas razões colocadas pelos deputados Alessandro Molon e Paulo Pimenta.

Na parte final da exposição, o titular da economia exaltou-se e demonstrou ter sido acometido de uma crise de nervos. Rebateu os argumentos colocados fora do tema reforma da Previdência.

DISCURSO DE SEMPRE – Exaltado, condenou os incentivos fiscais e as desonerações concedidas pelos governos Lula e Dilma Rousseff, concessões que se elevam a uma escala em torno de 300 bilhões de reais, mas não atribuiu urgência a revogação de tal liberalidade. Fixou-se na reforma Previdenciária, porém sem iluminar os pontos mais concretos e objetivos da matéria.

Repetiu o discurso de sempre sem acrescentar qualquer ponto que funcionasse como base de sustentação da reforma elaborada por sua equipe.

A sessão da CCJ, transmitida integralmente pela Globo News revelou a força da oposição contrária a matéria. Os governistas não se pronunciaram para defender o Ministro e isso deixou claro as dificuldades que vão pesar contra o projeto.

DESARTICULADO – Reportagem de Geralda Doca, Marcelo Correa, Eduardo Bressiani, Bruno Goes e Manoel Ventura, edição de ontem de O Globo, acentuou a dificuldade encontrada pelo mesmo Paulo Guedes em se articular com deputados no sentido de ouvir suas reivindicações.

Na minha opinião está claro o erro de Paulo Guedes: ouvir reivindicações é algo que não pode ser articulado em conjunto. Isso porque aqueles que compareceram à reunião não estavam dispostos a assumir os pedidos decorrentes do encontro.

Paulo Guedes esqueceu ou não considerou, por falta de sensibilidade política, que aqueles deputados desejam no fundo trocar seus votos por indicações que pretendem fazer para os quadros de direção nas empresas estatais e autarquias. Assim, nenhum deles desejava expor claramente o que queria do governo. Na Folha de São Paulo, reportagem de Ângela Boldrini e Tiago Resende ressaltou essa face, mais ou menos, oculta da questão.

Coisas da política, universo no qual Paulo Guedes evidentemente não se sai bem.              

Lucros elevados da Petrobrás e Eletrobrás elevam o custo de privatizações

Resultado de imagem para privatização charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

A Petrobrás anunciou ontem em O Globo, reportagem de Ramona Ordoñez, através de seu presidente, que pretende realizar privatizações de suas subsidiárias sem necessidade de aval dos acionistas. Pretende que as decisões sejam realizadas pelo Conselho de Administração. Quanto à Eletrobrás sua privatização vai exigir que possíveis compradores sejam obrigados a despender maior volume de recurso. O caso da Eletrobrás assemelha-se ao da Petrobrás. Porque as duas empresas alcançaram lucros altos no exercício de 2018.

Matéria de Márcia de Chiara, O Estado de São Paulo de ontem, também destaca o tema com base no lucro alcançado pelas duas estatais no exercício passado.

VALORIZAÇÃO – A Petrobrás lucrou 25,7 bilhões de reais. A Eletrobrás apresentou resultado positivo da ordem de 13,7 bilhões de reais. Portanto, se tanto as subsidiárias da Petrobrás quanto a Eletrobrás despertarem o interesse de empresas em assumir aquisições, evidentemente os comprAdores terão que desembolsar montantes muito maiores do que aqueles previstos antes do resultado divulgado. Isso de um lado.

De outro, se as empresas, como O Estado de São Paulo, publicou atingiram resultados positivos, fica difícil alguém sustentar que as duas maiores estatais brasileiras não programaram investimentos por falta de recurso. Tanto não faltam recursos que a Eletrobrás lucrou 13,7 bilhões de reais e a Petrobrás 25,7 bilhões de reais.

PRIVATIZAÇÃO – No caso da Petrobrás a presidência da estatal deseja privatizar várias subsidiárias no campo da distribuição e de associações que mantêm hoje no campo do refino.

O presidente da Petrobrás, Roberto Castelo Branco, que é ardoroso defensor da privatização de todas as estatais, já selecionou umconjunto de subsidiárias que serão oferecidas ao mercado para que os interessados preparem-se para apresentar suas ofertas.

Como se constata agora, os prejuízos tanto da Petrobrás quanto da Eletrobrás não ocorreram. Portanto seus lucros passam a ser argumentos das correntes contrárias a vendê-las a acionistas particulares.

LÍDER NACIONAL – Por falar em lucros e prejuízos vamos acrescentar as empresas que obtiveram os maiores lucros e as de maiores prejuízos. No lado dos lucros Petrobrás lidera 25,7 bilhões seguida da Vale com 23,9 bilhões, Itau-Unibanco com 24,9 bilhões, Bradesco com 19 bilhões e a Eletrobrás com 13,7 bilhões de reais.

Os maiores prejuízos colocam em primeiro lugar a BRF com 4,4 bilhões, seguida da Minerva, 1,2 bilhão, ambas do setor de alimentos, depois a construtora Mendes Júnior, 1,1 bilhão, a companhia aérea GOL com 1 bilhão de reais, e finalmente a empresa de energia Cee-D com 989 milhões.

Como se constata, o quadro de lucros e prejuízos que ocorreram ano passado está agora exposto à opinião pública e a toda a população brasileira.

Quem vive mais acaba consumindo mais e, portanto, paga mais impostos

Resultado de imagem para aposentadoria charges

Charge do Bier (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O número dos segurados atualmente com mais de 90 anos somam 632 mil na previdência social.  O número preocupa o governo Bolsonaro porque a longevidade acarreta maior tempo de pagamento de aposentadorias e pensões. Reportagem de Edna Simon, Valor de ontem, focaliza o assunto e ouve a opinião de Leonardo Rolim, Secretário de Previdência Social. Ele apresentou números: nos últimos dez anos a faixa daqueles que têm mais de 90 aumentou 50%.

Com isso o INSS tem de desembolsar em períodos mais longos as despesas que oscilam entre o déficit e a arrecadação. O orçamento da Previdência Social, hoje está em torno de 800 bilhões por ano. Mas a receita gira em torno de 600 bilhões. O fato de o limite de vida vir crescendo, consequência do progresso não atinge apenas as contas da Previdência Social. Isso porque os que vivem mais tempo têm despesas elevadas com medicamentos, consomem mais e em consequência pagam mais impostos.

LONGEVIDADE – Como se constata, o fenômeno da longevidade apresenta pontos francamente ligados ao maior pagamento de tributos, sejam eles diretos ou indiretos. Assim toda vez que um aposentado ou pensionista adquirir alguma coisa, está pagando ICMS, imposto que abrange todo consumo. Ou seja, o inativo ou inativa está aumentando a receita tributária. Como se vê, é um círculo normal da longevidade. Não deve ser encarado como um problema e sim como uma conquista voltada para melhores patamares de vida dos seres humanos.

É difícil para os economistas reconhecer a face dupla da existência humana. Não se pode considerar apenas um fator de desembolso por parte do governo, mas sim o mesmo governo deve na realidade festejar o maior tempo de duração da vida humana.

UMA SUGESTÃO – Eis aí uma pesquisa interessante a ser feita – deixo aqui a sugestão – pelo Ibope ou pelo Datafolha. O tema sintetiza no sentido de medir os índices de consumo nas faixas de mais idade da população. O próprio IBGE pode fazer isso. Ou então a Fundação Getúlio Vargas.

O resultado dessa pesquisa vai fornecer mais luz sobre o problema pleno de sombras levantadas pelo próprio governo. Não deveria este lamentar o número de idosos. Mas sim se congratular com os personagens desse fenômeno.

Afinal de contas, se tivermos sorte chegaremos todos a idades mais longas que embalam nossas esperanças.

Bolsonaro quer menos impostos para empresas e maior contribuição do servidor

Charge reproduzida do blog amebanegra.com

Pedro do Coutto

Reportagem de Mônica Scaramuzzo, Fernando Scheller e Renata Agostini, O Estado de São Paulo de ontem, revela que os empresários estão entrando firmes na campanha pela reforma da Previdência Social. Claro, faz sentido, porque o Presidente Jair Bolsonaro, em mensagem colocadas nas redes sociais, afirmou encontrar em estudo pela equipe econômica de Paulo Guedes a perspectiva de reduzir os impostos que pesam sobre as empresas no país. A redução tem base no IR de pessoa jurídica e também a menor alíquota que incide sobre a folha salarial. Portanto, é claro o apoio das classes empresariais ao projeto da equipe econômica. Sem dúvida alguma ao empresariado interessa diretamente pagar menos impostos. E isso não significa que vai contratar mais empregados ou elevar salários.

Enquanto isso, ao funcionalismo público evidentemente não interessa o desconto mensal de 11 para 14% de seus salários. Como se vê as setas da questão não se encontram no espaço dos dois projetos. Uma seta vai para o norte, outra para o sul.

MAIS EXIGÊNCIAS – Com a entrada dos principais empresários do país, é possível, penso eu, que o projeto de reforma obtenha maior pressão em favor da redução dos impostos, mas os trabalhadores públicos e privados como sempre sofrerão os reflexos de maior exigência para que conquistem a aposentadoria.

Por falar em aposentadoria, matéria de O Globo, também edição de ontem, assinada por Geralda Doca, Marcello Corrêa e Cássia Almeida, destaca que, com as possíveis novas regras para aposentadoria dos funcionários, os governos estaduais vão obter uma economia de 277,4 bilhões de reais ao longo de dez anos. Acredito que na reportagem de O Globo fique clara uma confusão da equipe econômica do Planalto. Isso porque, no que se refere ao serviço público, a despesa será a mesma englobando o total das folhas dos servidores ativos de um lado e as folhas de aposentadorias de outro.

CONTRADIÇÃO – Assim destaca-se uma contradição: para que a folha dos que estão em atividade diminua, é preciso reduzir o número de funcionários. Como não é possível demiti-los, a folha com o pagamento da aposentadorias deles vai aumentar. É, portanto, um claro enigma na visão da equipe de Paulo Guedes.

Para efeito do serviço público, tanto faz pagar aos ativos ou pagar aos aposentados. No cômputo geral, dá a mesma coisa. Maior gasto de um setor será compensado com a menor despesa de outro. Não faz sentido a visão parcial focalizada pela Esplanada dos Ministérios.

Como se constata é um equívoco separar despesas quando as fontes de pagamento são uma só.

Desemprego cresce, dívida atinge 5,3 trilhões de reais e o governo não se manifesta

Resultado de imagem para divida publica charges

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Pesquisa do IBGE com base no índice de fevereiro revela que o desemprego voltou a subir no país e está atingindo 13 milhões de brasileiros e brasileiras. Esse número representa uma diferença para menos de cerca de 1 milhão de postos de trabalho que desapareceram do mapa estatístico. Reportagem de Daiane Costa, O Globo edição de sábado, desenvolve de forma bastante ampla as implicações do resultado negativo. Entre eles a faixa dos que estão procurando trabalho, e não encontrando, revelam sinais de desalento.

A interpretação de estatísticas representa, quando procedente, uma atmosfera difícil, à primeira vista, de ser notada numa primeira leitura. Na minha opinião já na segunda leitura pode-se chegar a conclusões melhores e mais claras.

CRUZAR OS NÚMEROS – Por exemplo: admitamos que no mês de março o desemprego tenha ficado estacionado. Mas em fevereiro recuou. Se em março registrar algum impulso positivo, se comparado a fevereiro representa um avanço. Porém se comparado a janeiro representa um retrocesso.

Portanto, em matéria de comparações, há necessidade fundamental de se cotejar números de períodos iguais ao longo do ano. Representa o seguinte: pode haver algum índice ilusório quando se coteja, por exemplo, realidade de março em relação a de fevereiro. Mas é preciso comparar também quanto a situação de janeiro.

Outra coisa. É indispensável quando se manipula uma estatística comparar seu resultado percentual e também o quanto representa em relação ao total da matéria.

FÓRMULA CORRETA – Assim, se o Produto Interno Bruto cresceu 2%, indispensável dizer-se o que representa o avanço em número absolutos como em relação ao aumento do número de habitantes etc.

Esta fórmula era sempre defendida pelo ministro Roberto Campos que destacava a exigência de se comparar percentagens com seu efeito em números absolutos. Tenho a impressão que seu neto, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, situa-se dentro do mesmo pensamento crítico para chegar a um resultado verdadeiro.

DÍVIDA EM ALTA – Na mesma edição de O Globo, página 20, matéria redigida com base em resultado do Banco Central acentua que a dívida pública do país saltou em março para 5,3 trilhões de reais. Sobre esse endividamento, o governo paga juros anuais, taxa Selic, de 6,5%. Nos últimos 10 anos, a dívida pública triplicou. Hoje representa 77% do PIB. A tendência aponta para um aumento ainda maior nos próximos meses, em decorrência de o governo estar capitalizando juros. Isto é, fornecendo mais papeis ao mercado em face de não possuir recursos para pagar cerca de 300 bilhões de reais por ano.

Chama atenção o fato de o governo condicionar a estabilização financeira à reforma da Previdência e omitir que o problema principal não está na Previdência e sim na dívida pública.

Quando se trata de reduzir encargos com pessoal, o caminho é sempre mais curto para o governo. Mas quando se trata de interesse dos bancos, a coisa muda de figura.

Paulo Guedes e Rodrigo Maia querem articular os votos dos deputados? Essa não!

Resultado de imagem para paulo guedes e rodrigo maia

Pedir votos a deputado não é “função” de Guedes nem de Maia

Pedro do Coutto

As repórteres Eliane Cantanhêde e Adriana Fernandes, na edição de O Estado de São Paulo de ontem, publicaram reportagem sobre a participação direta de Paulo Guedes e Rodrigo Maia em uma articulação política para obter votos de deputados em favor da reforma da Previdência. Os dois decidiram deixar de esperar pela participação do presidente Jair Bolsonaro, para iniciarem, eles próprios, a tarefa para eles fundamental no episódio do projeto de emenda constitucional destinado a mudar a face previdenciária do país. Com isso Maia e Guedes demonstram não esperar pela articulação, cujo início aconteceu com a participação de Onyx Lorenzoni.

O ministro da Economia e o presidente da Câmara Federal decidiram que, juntos, vão tocar a tarefa de convencer os deputados.

ARTICULADOR? – Paulo Guedes vai ampliar sua participação de articulador político e passará a receber parlamentares para sentir e avaliar suas reivindicações. Em artigo publicado na edição de ontem de O Globo, Miriam Leitão sustentou que Paulo Guedes não pode ser o articulador pelo fato de encontrar dificuldades no diálogo que vai ocorrer com frequência entre os parlamentares e o MInistério da Economia.

Para Miriam Leitão, com base no estilo Paulo Guedes, será difícil para ele dialogar com deputados de diversos partidos, e mais difícil ainda atender aos pedidos que inevitavelmente vão ser colocados na mesa dos entendimentos.

Esse encontro levará à tona os mais diversos pedidos entre os quais nomeações para cargos do segundo escalão, incluindo as empresas estatais.

SEM SENTIDO – Na minha opinião, não faz sentido que Rodrigo Maia e Paulo Guedes assumam tal tarefa porque, no caso de nomeações, elas terão de ser assinadas pelo presidente Jair Bolsonaro. A caneta pertence a ele, e na medida em que reivindicações ficarem condicionadas à chancela do chefe do Executivo, fica demonstrado o equívoco de articular negociações sem contar com a assinatura de Bolsonaro.

Enfim há um problema político: a dificuldade de Paulo Guedes em obter acordos e também porque não possui conhecimento sobre regras do jogo político.

De seu lado, Rodrigo Maia, como presidente da Câmara, precisa ter mais equilíbrio para desempenhar essa importantíssima função. Não tem cabimento o presidente da Câmara empenhar-se na conquista de votos dos parlamentares. Isso é atribuição dos líderes.

Ao admitir a hipótese da rejeição à reforma, Guedes pode ter antecipado sua derrota

Resultado de imagem para guedes charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Alcançou enorme repercussão o desfecho em torno da presença do ministro Paulo Guedes no Senado, na quarta-feira, quando ele admitiu a hipótese de o projeto de emenda constitucional ser rejeitado pela Câmara Federal. Paralelamente, revelou não ter apego ao cargo, mas disse também que não sairá do governo na primeira derrota em seu caminho. O tom adotado pelo ministro da Economia revelou, entre seus aspectos uma posição defensiva, pois se assim não fosse teria feito perspectivas otimistas. Ao contrário, assumiu uma estratégia marcada por limites. Esses limites, hoje, deveriam ter sido desenhados mais objetivamente por Paulo Guedes.

O Globo, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo publicaram reportagens bastante amplas focalizando e destacando os pontos mais sensíveis em torno dos diálogos de Paulo Guedes com os senadores.

APEGO AO CARGO – No Estado de São Paulo a matéria está assinada por Idiana Tomazelli e Eduardo Rodrigues. Em O Globo por Marcelo Correia e Manoel Ventura e na Folha de São Paulo, a autora da reportagem é Mariana Carneiro.

A Folha transcreveu com destaque uma das afirmações de Paulo Guedes: “Não tenho apego ao cargo, como também não tenho em consequência e a irresponsabilidade de sair na primeira derrota. ” Outro ponto de destaque da Folha de São Paulo focaliza a frase de Paulo Guedes na qual ele critica o PSL, partido do governo, dizendo que a legenda, ao criar dificuldades parciais, faz com que a bancada do governo enfrente a si mesma.

Ontem houve esforços de parte a parte para reduzir, como era esperado, o impacto do combate travado na véspera entre Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia. Pode-se admitir que o entrechoque tenha sido gerado pela demonstração de poderes, especialmente de parte do Presidente da Câmara, fixando suas bases para futuros embates nas urnas. Sob este aspecto, o choque de ideias ajuda Rodrigo Maia, mas não resolve a questão essencial no momento colocada que é a reforma do sistema previdenciário.

MÁ PERSPECTIVA – Em matéria de erro de informação por parte do governo, não podia ser pior a colocação de uma perspectiva de derrota. As oposições crescem nesse autoconhecimento.

E logo também no momento em que o Palácio do Planalto está empossando um novo responsável pela comunicação do Executivo. Admitir derrota antecipadamente é trabalhar, no fundo, para que ela aconteça.

Divulgar o governo é tarefa fácil, mas desde que a comunicação disponha de matérias concretas de interesse coletivo em busca de espaço gratuito nos jornais, emissoras de rádio e televisão. A comunicação jornalística nada tem a ver com publicidade comercial. Publicidade se consegue somente para campanhas governamentais.

Paulo Guedes joga seu destino político na aprovação da reforma da Previdência

Resultado de imagem para guedes no senado

Paulo Guedes faz declarações espantosas e absolutamente improváveis

Pedro do Coutto

O ministro Paulo Guedes, provavelmente para reduzir o mal estar registrado na Câmara dos Deputados pelo fato de não ter comparecido terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça, ontem esteve no Senado para debater a matéria e também outras questões colocadas pelos senadores e senadoras.               O comparecimento de Paulo Guedes estendeu-se ao longo de várias horas. Começou pouco depois das 14 horas e passou da tarde à noite, não acrescentando nenhum ponto a que não tenha se referido antes ao longo de suas entrevistas e palestras.

Num determinado momento, ao responder a uma indagação acentuou praticamente que sua presença no Ministério e no Governo depende da aprovação pelo Congresso do projeto de reforma previdenciária.

SÓ AMEAÇAS – Foram tocados diversos pontos sobre os quais há temores e divergências quanto a seu reflexo concreto. Paulo Guedes voltou a destacar que empresários americanos, europeus e asiáticos estão dispostos a investir no Brasil, mas desde que seja aprovada a reforma da Previdência.

A meu ver, uma comparação espantosa, porque não acredito que o sistema previdenciário possa ser considerado como algo extremamente essencial e capaz, por si, de mover montanhas. Não creio tampouco que o equilíbrio fiscal do governo Jair Bolsonaro dependa da redução de custos na área social.

De qualquer forma foi importante a presença do ministro no Senado. Vamos esperar agora por sua presença na Câmara dos Deputados. Principalmente nos próximos dias, porque na terça-feira as lideranças de 11 partidos criaram uma frente para mudar o projeto de emenda constitucional do governo. Foi a manchete de primeira página da Folha de São Paulo de ontem e a reportagem está assinada por Tiago Resende, Ângela Boldrini e Mariana Carneiro.

BASE ALIADA – Provavelmente, os partidos do governo estão sendo coordenados pelo Ministro Onix Lorenzoni, visando a constituir o bloco parlamentar favorável ao projeto. A diferença entre uma articulação e outra encontra-se no dilema quanto à aprovação ou à derrota do projeto. Isso porque há necessidade de 308 votos favoráveis para a emenda constitucional.

Vai se travar, portanto, o embate entre governistas e opositores a partir da data em que o projeto começar a transitar na Câmara Federal. Os deputados, aliás terão oportunidade de apresentar questionamentos novos para o ministro Guedes, que adiou para semana que vem seu comparecimento àquela casa do Legislativo.

Apenas 0,08% dos funcionários ganham acima do teto de 39,2 mil reais por mês

Resultado de imagem para servidor charges

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

A realidade que está acentuada no título destaca-se na reportagem, aliás excelente, de Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, edição de ontem de O Estado de São Paulo. A matéria esclarece que a ideia atribuída ao ministro Paulo Guedes prevê taxação de 22% sobre os vencimentos dos funcionários que ganham acima do teto de R$ 39,2 mil. As duas autoras concluem, que, dessa forma, não faria sentido propor-se tal taxação, sobretudo porque recairia numa faixa salarial mínima. Além do mais, torna-se necessário para esclarecer a questão, examinar as revelações publicadas apontando as diversas faixas salariais do funcionalismo público.

Para se ter uma ideia do produto mínimo decorrente, o desconto máximo de 22% ficaria restrito a um número muito pequeno do funcionalismo. Tanto é assim que o país tem 1 milhão e 400 mil funcionários federais incluindo também a escala de salários do Legislativo e do Judiciário. Desse total somente 1.100 servidores podem ser classificados nos níveis mais altos de remuneração, acima do teto.

GUEDES DESMARCOU – É importante a leitura da matéria publicada pelo O Estado de São Paulo para esclarecer dúvidas e também para classificar os níveis de rendimento da categoria. Talvez tenha sido este o motivo que levou o ministro Paulo Guedes a desmarcar e adiar seu comparecimento à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal.

Provavelmente, penso eu, o tema seria abordado e possivelmente não encontraria resposta adequada diante da suposição de que Paulo Guedes, por incrível que pareça, não tenha informação clara sobre o projeto de emenda constitucional elaborado por sua própria equipe.

 A ausência de Paulo Guedes foi recebida com indignação, estado de ânimo que somente foi reduzido com a disposição do ministro de comparecer um outro dia. Dificilmente o ministro poderá faltar por duas vezes a rebater um tema que interessa diretamente a metade da mão de obra ativa do país.

REALIDADE SALARIAL – A matéria publicada inclui as despesas com aposentados e pensionistas. E divide a remuneração de todos em 9 faixas de renda. As maiores parcelas abrangem os que recebem de 2.000 até 3000 reais e também os que recebem de 3000 a 5000 reais.  Por aí se vê a realidade salarial do funcionalismo público. O número cresce se forem incluídos os servidores das empresas estatais e também a Magistratura.

Talvez a partir de hoje o governo Bolsonaro finalmente mande publicar nos jornais de maior circulação o texto integral do projeto de emenda que foi enviado para o Congresso. É preciso urgentemente que a opinião pública tome conhecimento do texto integral da proposição.

Olavo de Carvalho se empenha para afastar Bolsonaro da cúpula militar do governo

Resultado de imagem para olavo de carvalho

Olavo de Carvalho investe infantilmente contra os militares do Planalto

Pedro do Coutto

Essa é minha impressão dos ataques que o filósofo Olavo de Carvalho dirige à cúpula militar do Palácio do Planalto, principalmente ao general Hamilton Mourão. Revoltado com os ataques do escritor, o general Carlos Alberto Santos Cruz decidiu responder diretamente em uma entrevista a Thais Bilenky, acusando o autor dos ataques de usar termos chulos e inconveniente. Ao mesmo tempo, acentuou o “desequilíbrio emocional” do pensador Olavo de Carvalho. A matéria foi publicada ontem na edição da Folha de São Paulo.

Olavo de Carvalho mostra-se sempre pronto para o ataque àqueles que são alvo de sua antipatia.  Mas não percebe, ou percebe mas não liga, que está fazendo um esforço pessoal para desestabilizar a própria equipe do Executivo.

EM MÁ HORA – Sem dúvida, a hora não poderia ser mais imprópria, já que Bolsonaro empenha-se na tentativa de aprovar o projeto de reforma da Previdência. No último ataque que postou nas redes sociais, o escritor ofendeu por igual os generais que se encontram trabalhando no Palácio do Planalto. Um deles é o general Santos Cruz, atual secretário do Governo.

Na semana passada, o general Hamilton Mourão foi alvo das críticas e restrições colocadas nas redes sociais por Olavo de Carvalho. Mourão não desejou responder. Mas o general Santa Cruz resolveu tomar essa iniciativa.

Os episódios e crise se repetem e acentuam uma divisão entre o formulador de teses do governo e os militares no exercício de suas funções no Palácio do Planalto.

BOLSONARO ATINGIDO – Na verdade o entrechoque não interessa politicamente a ninguém, mas prejudica o presidente Jair Bolsonaro. São coisas imprevistas que fazem parte do jogo político. Entretanto, as críticas não vêm da oposição e sim por parte daquele que se apresenta como mentor dos rumos do Executivo.

Trata-se de um equívoco absoluto, porque o poder não se divide, e muito menos pode existir uma fratura entre um plano administrativo e outro que envolve a atuação da própria equipe governamental.

DESAGREGADOR – Para mim, o problema maior reside no conflito que Olavo de Carvalho tenta conduzir para frente do palco de Brasília, com uma postura desagregadora.

Em vez de somar, o filósofo divide opiniões pessoais que inevitavelmente abalam a base governamental e parlamentar do presidente da República.

O reflexo imediato é o de aumentar as dificuldades para aprovar a reforma da Previdência nos termos polêmicos e confusos do projeto Paulo Guedes, que por si só já é extremamente controverso.

No caso da Previdência, Bolsonaro está certo; Rodrigo Maia entra na contramão

Resultado de imagem para bolsonaro e maiacharges

Charge do Gilmar (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Os três maiores jornais do país, O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, em suas edições de ontem, deram grande destaque ao entrechoque protagonizado pelo presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em torno do projeto de reforma da Previdência Social.

O desentendimento, se persistir, redundará na não-aprovação do projeto do governo. Mas eu disse no início que Bolsonaro estava certo e que Rodrigo Maia no debate entrou na contramão. Mas por quê?

SEGUNDO ESCALÃO – Rodrigo Maia estava tentando que o presidente da República fizesse as nomeações para cargos de segundo escalão do governo, sobretudo nas estatais, em troca do voto dos autores das indicações. Bolsonaro, como O Globo publicou, nega-se a aceitar tal troca. E na sua negativa, disse que não faria nenhuma negociação política porque simplesmente não deseja ir para a cadeia no final de seu mandato.

O Estado de São Paulo, em um de seus títulos, destacou que Bolsonaro, ao rebater argumentos de Maia, acentuou que a troca de votos por cargos faz parte da velha política. O impasse assim parece estar configurado. Também em O Estado de São Paulo está publicada uma afirmação feita pelo presidente da Câmara dizendo que a política na democracia representa uma atuação conjunta entre o Executivo e Legislativo governando juntos.

CONTRADIÇÃO – A meu ver, há uma diferença essencial: o Legislativo elabora leis e pode inclusive alterar pontos da Constituição, mas não pode preencher cargos na esfera do Poder Executivo. Tanto assim que as indicações políticas têm que ser chanceladas pelo Presidente da República. A palavra executivo sintetiza toda a diferença entre um Poder e outro. Daí porque o Presidente Bolsonaro, como a Folha de São Paulo destacou, afirmou que a reforma depende do Congresso. A bola frisou, está com o Legislativo em matéria de reforma da Previdência Social.

CONVERGÊNCIA – O impasse se configurou e pela forma das divergências será difícil de ser superado. É preciso que haja um ponto de convergência pelo menos que leve ou à retirada das propostas de nomeações ou então fica condicionada a um recuo do presidente da República, o que levaria que o chefe do Executivo aceitasse as indicações politicas que ele hoje rejeita.

O lance de dados encontra-se sobre a mesa do Palácio do Planalto e também do gabinete da Câmara Federal. Se nenhuma das partes ceder, o projeto de Paulo Guedes não se concretizará.

General defende reajuste a militares antes de aprovada a reforma da Previdência

Resultado de imagem para

General Eduardo Garrido foi claro: os militares receberão reajuste

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, em O Estado de São Paulo de ontem, o general Eduardo Garrido, assessor especial da Secretaria de Defesa, afirmou que as Forças Armadas devem receber reajuste de seus vencimentos antes de aprovada a reforma previdenciária. Acentuou que desde 2016 as Forças Armadas não tiveram seus soldos reajustados e assim perderam o poder aquisitivo na mesma dimensão na qual o custo de vida subiu.

Há, portanto, uma defasagem em torno de 15% e a oportunidade para voltar ao equilíbrio entre o salário e os preços coloca-se agora no episódio da reforma previdenciária.

REPERCUSSÃO – A entrevista, sem dúvida, terá grande repercussão, sobretudo porque o general Garrido destacou em linguagem militar que o comandante precisa ter as tropas na mão. E por isso torna-se oportuno o reajuste dos soldos porque deve se alcançar um clima de coesão.

A colocação do general Eduardo Garrido é pertinente e funciona para iluminar uma realidade na qual se incluem todos os assalariados sejam civis ou os integrantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Se existiam correntes contrárias à articulação do Planalto para tentar aprovar a reforma previdenciária, surge mais um fator de contrariedade.

Esse fator inclui a posição do deputado Rodrigo Maia que fez críticas fortes à articulação do governo na qual acha indispensável a presença direta de Jair Bolsonaro.

DENSIDADE CONTRA – Rodrigo Maia repetiu frase histórica de Oswaldo Aranha quando em 1944 declarou que o Brasil era um deserto de homens e ideias. Vê-se agora que a frase atravessou muitas décadas.

Como se constata, a atmosfera em torno da reforma projetada pelo ministro Paulo Guedes está ganhando densidade contra sua aprovação pela Câmara Federal.     

Compromissos de campanha quase nunca se realizam no início do mandato de presidente

Imagem relacionada

Bolsonaro está tendo dificuldades para manter o foco na sua gestão

Pedro do Coutto

Nas edições de quinta-feira os jornais deram o devido destaque à pesquisa do Ibope que apontou uma queda de 15 pontos na avaliação positiva do governo Jair Bolsonaro. Daniel Gullino, em O Globo, analisou as razões da queda. Muito bem. Na minha opinião, o fenômeno tem origem na diferença entre o entusiasmo da campanha e a realização concreta dos compromissos e promessas feitos pelo candidato. Mas é preciso acentuar que o encontro entre o candidato e o presidente depende de mais tempo para ser avaliado corretamente.

Três meses é um espaço de tempo bastante curto para que se possa observar de maneira inteligente o que está se passando no país, num salto entre o governo Michel Temer e o de Jair Bolsonaro, seu sucessor.

TERMÕMETRO – Há uma série de problemas esperando solução que atravessam o tempo à espera de serem resolvidos. Esse espaço entre uma coisa e outra é que poderá, passo a passo, funcionar como um termômetro do voto dado na urna e a promessa que o vento leva.

Não quer dizer com isso que todos os compromissos de campanha serão levados pelo vento. Mas apenas acentuar a existência concreta da falta de convergência entre a emoção pela conquista do sufrágio e sua realização como o eleitorado aguarda. As decepções são muitas e bastante amplas, o que faz com que cada homem, cada mulher, sinta-se iludido. Vem daí uma sensação de uma ilusão a mais estar se verificando.

De qualquer forma, porém, os dados revelados pelo Ibope nos primeiros 100 dias do mandato são significativos e, assim, funcionam como base de cálculo comparativo para as pesquisas de opinião que vão acontecer.

OUTRO ASSUNTO – Tássia Kastner, em O Globo, edição de ontem, e reportagem também de Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, em O Estado de São Paulo, destacam a queda da Bolsa de Valores na semana que ontem terminou e o fato de a prisão do ex-presidente Michel Temer ser apontada como causa do seu recuo, ao lado do desentendimento entre o deputado Rodrigo Maia com o ministro Sérgio Moro, além das restrições feitas pelo presidente da Câmara, direcionadas à Casa Civil do Planalto, e também no diálogo que deve ser mantido com os deputados que vão apreciar o projeto de reforma da Previdência.

A meu ver, essas situações não são suficientes para causarem queda na Bovespa. E me pergunto quais serão os rumos daqui para frente, conduzindo a um desfecho provável. De fato, como sustenta Tássia Kastner, as sombras que atingem o mercado financeiro são mais sopradas por especuladores do que propriamente pelos valores das ações.

Qualquer ação negociada na Bovespa está muito distante do episódio que culminou com a prisão de Michel Temer e Moreira Franco.

É bom lembrar que funcionários públicos e os militares não têm direito ao FGTS

Resultado de imagem para servidor charges

Charge do Arievaldo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Sei que o fato político do dia decorre da prisão do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco. Mas eu já tinha arquitetado matéria a partir do título acima e, portanto, focalizarei a decisão do juiz Marcelo Bretas um pouco ao final do texto que se relaciona com o projeto de reforma da Previdência Social.    

Os quatro grandes jornais – O Globo, Valor, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo – destacaram a diferença de tratamento entre os civis e militares. Esse fato causou reações negativas quanto a tramitação da PEC, primeiro na Câmara Federal e a seguir no Senado, hipótese condicionada à aprovação pela Câmara dos Deputados. Se a matéria for rejeitada na sua primeira passagem pelo Congresso Nacional, o projeto do governo não chegará ao Senado. Seu destino será o arquivamento.

DIFERENÇAS – Pessoalmente não sei porque os funcionários públicos e também os militares não colocaram essa face do problema, no caso do FGTS. Essa face será revelada quando das aposentadorias no caso dos civis, e no caso da reforma dos militares.

No Globo a reportagem sobre o tema Previdência está assinada por Geralda Doca, Manuel Ventura, Eduardo Preciani e Marcelo Correia.

Relativamente aos militares, o governo Bolsonaro recuou e, ao lado de ampliação de idade para a reforma os integrantes das Forças Armadas vão receber o valor de 8 soldos quando passarem para a reforma. No momento recebem 4 remunerações no momento em que deixam o serviço ativo. Esse pagamento ocorrerá apenas uma vez.

RESISTÊNCIAS -O impasse em torno da reforma da Previdência ampliou-se no dia de ontem com os jornais publicando as resistências que começam a se consolidar colocando em dúvida não só a dificuldade de aprovação, mas sobretudo a sombra da rejeição. Confirmada a expectativa de rejeição, o governo sofrerá uma derrota política de larga dimensão.

Os jornais destacaram também ontem, com base em levantamento feito pelo O Estado de São Paulo que na matéria o governo somente conta com 180 votos. Muito longe da aprovação que depende de 308 adesões.

OUTROS ASSUNTOS – Ontem também saiu publicada pesquisa do Ibope sobre o governo.

Comento amanhã. Pretendo comentar também o reflexo político das prisões de Michel Temer e Moreira Franco. Surpresa? Nem tanto. O processo estava caminhando na sombra do Judiciário. De repente, chegou à conclusão.

Na Previdência, Bolsonaro confia no patriotismo e Rodrigo Maia na articulação política

Imagem relacionada

Desta vez, Bolsonaro e Maia estão falando línguas bem diferentes

Pedro do Coutto

Em artigo assinado na edição de ontem do Valor, o Presidente Jair Bolsonaro afirma confiar no patriotismo dos parlamentares para aprovar a reforma da Previdência Social. Isso de um lado. De outro, reportagem de Tiago Rezende e Ângela Boldrini, na Folha de São Paulo, o presidente da Câmara Federal faz restrições à eficiência da articulação política do Planalto e defende um diálogo melhor entre os deputados e o Palácio do Planalto. No momento, disse Maia, a bancada do PSL é a única disposta a votar o projeto. Em sua opinião, está surgindo um clima de decepção quanto a forma de atendimento a reivindicações das demais bancadas.

Maia diz que está se verificando uma disputa de poder entre a Casa Civil e a Secretaria de Governo. O presidente da Câmara acentuou também que hoje não haveria hipótese de a PEC da Previdência ser aprovada em Plenário.

SEM REALISMO – Na sua visão, está faltando realismo político aos setores do governo que se propõe a decidir sobre os pedidos e indicações dos deputados.

Como se constata, na essência da questão, está se verificando uma total divergência de opiniões. A começar pelo fato de Bolsonaro confiar no patriotismo dos deputados e o Presidente da Câmara acentuar que para aprovação do projeto há necessidade de uma articulação melhor entre o Executivo e as bancadas partidárias. Nesse ponto, a meu ver, reside o foco da colisão de pensamentos de um lado e de outro, em tempo de toma lá dá cá..

No seu artigo no Valor, Jair Bolsonaro defende também uma reforma trabalhista logo a seguir da reforma previdenciária. Para ele a aprovação das duas reformas causará, como reflexo, a retomada do desenvolvimento econômico e o surgimento de novas vagas no mercado de trabalho. E o presidente da República estima que o custo da Previdência, hoje, é de 800 bilhões de reais por ano.

RECEITA DO INSS – Só que Bolsonaro esqueceu que a receita do INSS atinge 600 bilhões de reais por ano. Aí o déficit gira em torno de 200 bilhões, portanto. O corte nas despesas visa a reduzir aposentadorias e pensões, esquecendo de aprimorar a cobrança das bilionárias dívidas das empresas para com o INSS.

A realidade da política leva sempre a contradições. As contraditórias opiniões de Bolsonaro e Rodrigo Maia constituem um exemplo.

Governo tem que ser construtivo e não pode ficar seguindo Olavo de Carvalho

Resultado de imagem para olavo de carvalho charges

Pensamento de Olavo estacionou na guerra fria e não avançou mais

Pedro do Coutto

No seu editorial de ontem, sob o título “O Guru do Presidente”, O Estado de São Paulo sustentou estar faltando ao governo Jair Bolsonaro um projeto construtivo para o país, no lugar de passar o tempo preocupado com o fantasma do comunismo. O jornal afirma que a visão de Olavo de Carvalho, no fundo, é uma visão radical que se perdeu na estrada do tempo. No final dos anos 50 o comunismo representava um risco para a democracia brasileira. Esse caminho perdeu-se na memória do passado, quando os conservadores que elegeram Jânio Quadros taxavam qualquer adversário como adepto de Moscou.

O ridículo dessa visão arcaica estendia-se à China Continental. Era o tempo ainda em havia duas Chinas inimigas entre si, com um governo em Pequim e com outro governo baseado na ilha de Taiwan. O tempo mudou, hoje há coexistência pacífica e nem por sonho pode se achar que o comunismo é internacional cujo principal objetivo é atacar e contaminar ideologicamente as nações democráticas.

SEM COMUNISMO – Hoje em dia a China, internamente cada vez menos comunista e externamente capitalista, é o principal parceiro comercial do Brasil.

A Rússia também se afastou do radicalismo ideológico nas suas relações com os demais países. Atualmente, como a China, é capitalista por fora e meio comunistas por dentro, conservando a tradicional repressão àqueles que fazem críticas ao governo. E o presidente Putin eterniza-se no governo de Moscou. Mas estas são outras questões.

Em seu editorial de ontem o tradicional jornal paulista aponta uma série de contradições produzidas pelo pensador Olavo de Carvalho, classificado como um professor de cursos online, mas que conseguiu sensibilizar o presidente Bolsonaro e, pelo que se viu no jantar em Washington, inocular suas opiniões fundamentalistas também no discurso do ministro Paulo Guedes.

CONTRADIÇÕES – Esse é o universo contraditório do governo, mais voltado para seguir as ideias de Olavo de Carvalho, e não em conseguir lançar seu projeto de desenvolvimento econômico e social.

No editorial, O Estado de São Paulo exprimiu a essência do choque de rumos entre a construção democrática e a desconstrução das poucas ideias que comunismo apresentava no passado. Ou seja, a política do governo é atacar algo que nem mais existe. Pura perda de tempo.