Se o PIB recuar 6,4%, o país perde R$ 392 bilhões, mas o recuo será bem maior

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Se os fatos confirmarem a previsão do Banco Central em relação ao recuo do Produto Interno Bruto neste ano, a economia brasileira perderá 392 bilhões de reais. Entretanto, o FMI já calcula um retrocesso de 9,1% e há instituições que chegam a estimar em 12% a perda da economia brasileira, que  passará a algo acima de 800 bilhões de reais. Explico por quê.

O PIB de nosso país alcança 6,6 trilhões de reais, e a dívida interna eleva-se a 4,2 trilhões de reais, agora ao juros anuais de 2,25% a/a. Nem o PIB nem a dívida interna têm a ver com o Orçamento da União para este ano, a chamada Lei de Meios, que atinge o teto de 3,6 trilhões de reais.

DEFICIT DA PREVIDÊNCIA – De passagem, comento que percentualmente o déficit da Previdência Social representa menos de 10% desse montante do Orçamento. Mas a percentagem sobe se o Ministério da Economia continuar projetando-o sobre a receita tributária que fica contida na metade do Orçamento.

A respeito de cálculos percentuais, lembro que o ministro Roberto Campos, avô do presidente do Banco Central, dizia sempre em seus artigos semanais em O Globo e no O Estado de São Paulo, que a análise de percentuais obrigatoriamente tem de citar os números absolutos sobre os quais esses cálculos se referem. Caso contrário, ficamos sem saber com exatidão a verdade entre as comparações fracionárias e as integrais.

Reportagem de Karen Garcia e Patrícia Vale, O Globo de segunda-feira, revela que com a queda dos juros à base da Selic o FGTS passou a ser uma opção para quem o possui, pois o fundo está girando com 3% ao ano, somados ao percentual de lucro que ele apresenta. O saldo atual do FGTS é de 410 bilhões de reais. Karen e Patrícia lembram que com a queda da Selic reduziram-se também as aplicações em nota do tesouro, CDI e CDB.

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PERY COTTA E FOLHA RELEMBRAM A DITADURA

No mais recente almoço que reuniu antigos jornalistas do Correio da Manhã, Pery Cotta narra o que atingiu a população brasileira, de modo geral, e o jornalismo em particular, principalmente logo após o Ato Institucional nº 5 de dezembro de 1968.

 Forças policiais invadiram o Correio da Manhã, prendendo o diretor Oswaldo Peralva, o colunista Carlos Heitor Cony e o próprio Pery Cotta acusados de terem se colocado contra a violenta medida excepcional.

Foi presa também Niomar Moniz Sodré, proprietária do jornal que herdou de seu marido Paulo Bitencourt.  Foram tempos difíceis nos quais a tortura física e psicológica passou a ser usada como instrumento para obter confissões.

TORTURA COMPROVADA – O livro de Pery Cotta contém inclusive uma entrevista que ele fez com o temido Brigadeiro Bournier, na qual o militar reconhecia a prática da tortura. A tortura, digo eu em conjunto com Pery Cotta, representa a face mais odienta das ditaduras.

A partir de domingo passado a Folha de São Paulo iniciou uma série de reportagens sobre os porões da fase ditatorial para que se incorpore a história do Brasil para sempre. E a obra de Pery Cotta recebeu destaque especial.

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BOLSONARO NÃO CONSEGUE MANTER DECOTELLI

Na minha opinião, e com base na reportagem de Paula Ferreira, Naira Trindade, Daniel Giulino e Leandro Prazeres, em O Globo, creio que os esforços do presidente Bolsonaro para manter Carlos Decotelli no Ministério da Educação teriam se transformado em tempo perdido.

A reportagem sobre as farsas do pseudo ministro (foi até nomeado), que quase ocupa uma página inteira, revela que o Palácio do Planalto já se encontra analisando outros nomes para o cargo. A reação negativa da área universitária a Decotelli é um peso enorme para o governo.

Pesquisa Datafolha mostra que os extremistas da direita são ameaça à democracia

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Charge do Duke (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada, hoje pela Folha de São Paulo, revela que 68% do eleitorado brasileiro consideram os atos dos extremistas da direita como ameaça à democracia. Apesar disso, ontem, domingo, representantes dessa corrente de pensamento (extremistas) voltaram a exibir faixas pedindo intervenção militar. Para Igor Gielow, eles prejudicam a imagem do presidente Bolsonaro sob a capa de que o apoiam.

Da mesma forma, o levantamento aponta que 66% consideram os insultos a ministros do Supremo e ao Congresso prejudiciais ao regime democrático. A condenação nesse caso refere-se a fake news e ao uso das redes sociais. De outro lado 31% acham que rais práticas não ameaçam o regime. Este percentual coincide praticamente com a parcela de 32% que consideram o governo Bolsonaro entre ótimo e bom.

O levantamento do Datafolha, desta vez exposto por Mauro Paulino e Alessandro Janone acentua serem legítimos os movimentos em favor da Democracia, de acordo com 81% dos entrevistados. Para 79%, a tortura é um método hediondo de obter confissões.

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GRANDES EMPRESAS CONTRA O FACEBOOK

Além da Coca-Cola e da L’Oreal, ontem os Starbucks e a Pepsi-Cola aumentaram a pressão contra o Facebook, rejeitando a acolhida a mensagens de ódio, colocações racistas e a divulgação de fake news.

A matéria a respeito é de Glauce Cavalcanti, edição de hoje de O Globo.

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FONTES DE INFORMAÇÃO E OS CASOS DE PLÁGIO
  

O que aconteceu com o Ministro Carlos Alberto Decotelli vai ao encontro do que sempre digo nesta coluna. As matérias contendo informações obrigatoriamente devem citar a fonte responsável. O ministro Decotelli foi foco de restrição por Franco Bartoluci, Reitor da Universidade de Rosário. Há precedentes. Dilma Rousseff e Wilson Witzel. A respeito de tese de Decotelli, relacionada a uma decisão da Comissão de Valores Mobiliários, a própria CVM lamentou não ser por ele citada como fonte de seu trabalho.

A tese em questão, sobre o BANRISUL, foi defendida na Fundação Getúlio Vargas. Nela aparece Luiz Cesar Gonçalves como orientador. Entretanto em nota dirigida ao Globo, a FGV informou estar pesquisando este fato, porque não encontrou ainda a referência citada.

O professor Thomas Conti vê indícios de plágio. Após pesquisar, afirmou ter encontrado 4200 palavras absolutamente iguais as usadas pela CVM. Além de tudo isso os professores Clovis Machado da Silva, Valeria Silva da Fonseca e Bruno Rocha Fernandes afirmam que o Ministro da Educação publicou com seu nome artigo assinado pelos professores. É por essas e outras que cito sempre as fontes a que recorro, dando também o nome dos autores do texto.

 

Datafolha: 75% dos brasileiros querem democracia e apenas 10% aceitam a ditadura

Após ir a ato antidemocrático, Bolsonaro repreende apoiador que ...

Defensores de nova intervenção militar são apenas 10% dos brasileiros

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha, objeto de reportagem de Igor Gielow, edição de hoje da Folha de São Paulo, revela que 75% do eleitorado brasileiro querem viver em um país que tenha a Democracia, contra apenas 10% que aceitam a ditadura e, mesmo assim, em caráter excepcional. Importante o resultado no momento em que grupos radicais defendem o fechamento do Supremo e do Congresso e a volta do sistema militar ao poder, tendo à frente Jair Bolsonaro.

Reparem que me referi ao eleitorado e não à população em geral. Isso porque dificilmente os menores de 16 anos poderiam ter uma opinião a respeito do tema.

APARENTES CONTRADIÇÕES – O levantamento do Datafolha estende-se a outros pontos políticos nos quais assinala aparentes contradições. Porém isso não importa, porque as contradições acontecem mas não influem no sentimento generalizado em favor do regime democrático.

Cito alguns exemplos. 82% não sabem o que foi o ato institucional nº 5; 58% desconhecem o assassinato de Wladimir Herzog; mas 62% já ouviram falar na Lei de Anistia. Apenas 39% conhecem o caso do atentado no RioCentro; 76% afirmam que houve ditadura em nosso país durante o regime militar.

Muito bem. Enquanto 75% preferem a democracia 59% manifestaram-se contra o direito de greve e 51% são contrários aos partidos políticos. 49% querem a prisão dos suspeitos de crimes de corrupção, mesmo sem autorização judicial. Finalmente 56% são contrários ao fechamento do STF.

EXISTE DESINFORMAÇÃO – Portanto, o problema da desinformação está presente em parcela dos eleitores e eleitoras. O que fazer? Resposta: nada. Esta é a realidade brasileira e comprova o caráter fundamentalíssimo da educação. Porque somente a educação pode assegurar uma base sólida para o conhecimento da realidade que envolve a todos nós.

Entretanto, a pesquisa não se refere ao que deveria ser, e sim a situação concreta que existe hoje. Como no velho ditado, não se combate a febre quebrando o termômetro.

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JOE BIDEN E DONALD TRUMP

Como digo sempre o processo político é mutável a qualquer instante com base no desenrolar dos fatos. Donald Trump era franco favorito para as eleições norte-americanas de 3 de novembro. Agora o quadro se inverteu. Joe Biden passou a liderar as pesquisas, de acordo com que publicou o New York Times, com 50% das intenções de voto contra 36% do atual presidente.

A margem atual é muito grande sobretudo porque ela está presente nos principais colégios eleitorais daquele país. Hilary Clinton teve mais votos que Trump na sucessão de 2016, mas sua margem era de 3% muito diferente da situação atual, porque a margem de 3% permitiu sua derrota na soma dos Colégios Eleitorais. Entretanto, uma diferença de 14 pontos não proporciona o mesmo raciocínio.

GRANDES COLÉGIOS – Os EUA têm 10 colégios eleitorais fundamentais. Califórnia, Texas, New York, Flórida, Illinois, Pensilvânia, Ohio, Michigan, Georgia, Carolina do Norte e New Jersey. Este é um estado colado com o de New York e, ao longo do tempo sempre demonstrou a mesma tendência eleitoral. Nesses principais colégios, Biden e Trump encontram-se empatados . Nos demais a vantagem é de Joe Biden. Inclusive na Georgia, estado conservador. Mas a mim não surpreende, uma vez que o governador Democrata da Georgia, Jimmy Carter derrotou Gerald Ford na sucessão de 1976.

Mesmo nesse panorama adverso para Trump, ele conforme O Globo publicou no sábado, recorreu a Suprema Corte tentando revogar o Obama Care. Uma loucura. Na hora em que precisa de votos o presidente se isola mais ainda, uma vez que o Obama Care atendeu 20 milhões de pessoas no ano de 2019. O legado do ex-presidente Obama inclui a extensão do seguro social financiado em parte pela Casa Branca a 60 milhões de pessoas carentes que não podem pagar pelo atendimento hospitalar.

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POPULARIDADE DE BOLSONARO

Ia me esquecendo do resultado de outra pesquisa do Datafolha sobre a classificação relativa ao desempenho do governo Bolsonaro. Enquanto 44% consideram ruim e péssimo, 32% o definem como bom e ótimo.

Essa pesquisa praticamente confirma a de abril o que prova que o grupo de votou em Bolsonaro permanece apoiando. Lembrei a tempo e está aí a força dos números estatísticos.

Folha, O Globo e Estadão têm 911 mil exemplares e 663 mil assinantes online

REDAÇÃO EM REDE: IDEIAS. Charge. sobre manipulação da mídiaPedro do Coutto      Tirinha do Alexandre Beck

Os três maiores jornais do país – a Folha, O Globo e o Estadão –alcançaram circulação impressa no mês de maio de 911 mil exemplares nas bancas e assinaturas. Nas assinaturas online, a Folha registrou 268 mil, O Globo 245 mil e o Estadão 150 mil, perfazendo um total de 663.000 por dia.

Somando-se a circulação impressa e os acessos online, a Folha mantém a liderança, seguida de O Globo e do Estadão. São os três maiores jornais do país, deixando em quarto lugar o Valor, cuja circulação se realiza entre os grupos empresariais e as faixas de renda mais alta. O mesmo se verifica quanto a presença do Valor na área financeira.

INFORMAÇÃO E OPINIÃO – A matéria foi publicada na edição de hoje da Folha e representa a verificação numérica do que eu chamo mercado de informação e opinião. Não há dúvida quanto a importância cada vez maior das edições online, sobretudo porque a informação se acrescenta no decorrer de cada dia.

Assim, por exemplo uma parcela da opinião pública toma conhecimento dos fatos na hora do almoço e à tarde. Enquanto que pelo jornais impressos tem de haver uma espera de 24 horas.

Os sites também estão em evolução, como é o caso da TI, cujos artigos que publica diariamente se somam à transcrição das principais matérias dos jornais, revistas, sites e portais, formando uma seleção do que há de mais importante na mídia, como um todo, inclusive nas edições online de matérias que dão margem à redação de outras. Este é um fato concreto.

EXISTEM DIFERENÇAS – A meu ver, Há muita diferença entre as edições impressas dos jornais e a sistema online. Isso porque cada exemplar de jornal é lido por mais de uma pessoa, a média é de 2,8 por exemplar, uma vez que se considera a média de 4 pessoas por domicílio. Já as edições online têm o acesso de uma pessoa a cada vez. Mas no universo da internet essa multiplicação não se aplica.

Há uma diferença também que ocorre mais na área da opinião do que da informação. Nas reportagens longas e nas opiniões (editoriais e artigos assinados), a meu ver a vantagem tende para as edições impressas.

Vejam, por exemplo, o relacionamento entre o New York Times e o Washington Post, grandes jornais americanos com o Google. Para o New York Times, cuja tiragem diária é de 4 milhões e 500 mil exemplares, o Google concordou em pagar 4 milhões de dólares por mês porque reproduz matérias do jornal em sua monumental rede de informações em todo o mundo.

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AUMENTO DO DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA

Na Previdência, o aumento do déficit decorre do menor recolhimento por parte das empresas. Reportagem de Marcelo Correia, O Globo de hoje, revela que o déficit da Previdência Social este ano vai crescer muito mais do que assinalava a previsão do Ministério da Economia.

Como o número de empregados diminuiu, em razão do desemprego, com ele diminuíram também as contribuições patronais na ordem de 20% ao mês. Em consequência, a previsão da diferença entre receita e despesa sobe para 306 bilhões de reais até dezembro. A previsão inicial feita por Paulo Guedes estimava o déficit em 264 bilhões de reais.

O estudo é do Instituto Fiscal Independente que funciona no Senado Federal. Comentando o assunto, a economista Margarida Gutierrez argumenta que a face mais importante da reforma previdenciária que entrou em vigor não é seu efeito imediato mas sim uma base que vai se firmar ao longo dos próximos anos. Entretanto, digo eu, tudo dependerá da queda dos índices de desemprego.

Bernardo Mello Franco revela e expõe múltiplas contradições de Paulo Guedes

A Charge do Dia - Blog do Eliomar : Blog do Eliomar

Charge do João Bosco (Arquivo Google)

Pedro do Coutto             

Em um excelente artigo na edição de quinta-feira de O Globo, Bernardo Mello Franco focaliza as contradições do Ministro Paulo Guedes, classificando-o de mercador de ilusões. Criou uma fantasia igual à fantasia do mágico de OZ com base numa série de iniciativas cujos resultados não se confirmam na realidade de todos os dias.

O jornalista Mello Franco é bisneto do Senador Afonso Arinos, uma das figuras mais notáveis da política brasileira. Foi deputado federal, senador, ministro das Relações Exteriores, embaixador do Brasil junto a ONU. Focalizo a descendência em artigo que estou publicando hoje neste site. Mas esta é outra questão.

PROMESSAS ILUSÓRIAS – Bernardo Mello Franco acentua a promessa de Guedes, que fala em arrecadar 1 trilhão de reais com a venda de empresas estatais. Na sequência, eu ressaltou a ideia de privatizar a Eletrobrás, vendendo seu controle acionário por apenas 16 bilhões de reais. Na minha opinião, o valor é irrisório diante do montante do patrimônio de Furnas, Chesf, Eletro Sul e Eletro Norte. 

Voltando às fantasias, o ministro da Economia disse que a reforma da Previdência Social proporcionaria economia anual de 110 bilhões de reais, o que, em 10 anos, representaria 1,1 trilhão.

Para Mello Franco, nas horas vagas Guedes dedica-se a causas exóticas. Como, por exemplo, liberar os cassinos sob o argumento: “Deixa cada um jogador se f….”. Antes, Paulo Guedes atuava muito mais no mercado financeiro do que em projetos econômicos.

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CORRUPÇÃO NO RIO DE JANEIRO

A vereadora Tereza Bergher apresentou relatório encaminhado ao Prefeito Crivella, reunindo os principais atos de corrupção na Secretaria de Saúde da o-Prefeuturayr.

Compra de 300 mil litros de Alcool em gel por um preço 4 vezes maior do que o de mercado. Seria para distribuição às escolas municipais. A entrega não se confirmou. Em outros equipamentos houve casos de compra por 40 vezes os valores de mercado. O prefeito ainda está por decidir a questão.

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 FUNCIONÁRIOS NO ALVO DE PAULO GUEDES – STF anulou a medida proposta pelo ministro Paulo Guedes de reduzir os salários e a jornada de trabalho dos funcionários públicos.

Fábio Pupo e Bernardo Caran, na Folha, assinalam que o titular da Economia vai sugerir ao presidente Bolsonaro a tentativa de aprovar emenda constitucional.

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O PERCURSO PARA FÁBIO BOLSONARO NA ALÇADA – A 3ª Câmara Criminal do TJ-RJ, por dois votos a um retirou, Flávio Bolsonaro da alçada do juiz Flávio Itabaiana. Mas também por 2 a um decidiu manter as determinações do magistrado quanto a quebra do sigilo bancário do atual senador e a prisão de Fabrício Queiróz e de sua mulher Márcia Aguiar que se encontra foragida.

Não sei porque o recurso de Flávio Bolsonaro tentava livrar Fabrício de Queiroz e de sua mulher. São coisas da política.

 

General da Saúde fracassa e não contém coronavírus que mata mais de mil pessoas por dia

Pazuello militariza Saúde e vira executor de Bolsonaro

General Eduardo Pazuello, da Logístiva, virou ministro

Pedro do Coutto

Depois da saída do ministro Henrique Mandeta, o Ministério da Saúde é um desastre em matéria de combate ao coronavírus. Não se percebe nenhum entusiasmo para livrar a população brasileira da pandemia e não se identifica também nenhuma ação concreta para enfrentar a situação. O objetivo atual do MS a mim parece ter como alvo as estatísticas dos fatos ocorridos e não no sentido de conter ao máximo a pandemia reduzindo seus efeitos que já atingem um nível dramático no país.

O Globo de hoje, matéria de Gabriela Oliva, diga-se de passagem a melhor reportagem sobre o tema, revela que o número de contaminados subiu para 1,151 milhão nas últimas 24 horas. E o número de mortes avançou no mesmo espaço de tempo para 1.364 pessoas.

PANORAMA NACIONAL – Os dados se refere a todo o país, e portanto o Ministério da Saúde não está levando em conta o panorama nacional sobre o qual ele deveria pautar sua política e coordená-la juntamente com os governadores dos estados.

 Por que digo eu que a matéria de Gabriela Oliva foi a melhor publicada hoje? Exatamente porque permite a comparação percentual da velocidade dos casos, possibilitando assim estabelecer-se um parâmetro. O percentual é de importância fundamental para que se possa medir as dimensões da tragédia.

Por exemplo. Um número de contaminados subiu 3% elevando-se ao número de 1,151 milhão. DE anteontem para ontem um avanço foi de 33 mil novos casos. Quanto as mortes, ao atingirem 52 mil, registra-se um avanço percentual diário de 4%.

OS NÚMEROS OSCILAM – Estou fazendo a média entre os números verificados. De domingo para segunda-feira o consórcio formado pelo O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Extra e o UOL chegou à conclusão deque morreram 749 pessoas. Mas de segunda para terça morreram 1.364.

Esses números vêm oscilando, razão pela qual fiz a média para das ideia da velocidade da pandemia. Acentuo que foram totalmente absurdas as medidas que pelo país afora reduziram os isolamentos. Podemos ver como trafegam os ônibus, metrôs, trens, enfim o transporte de massa. São aglomerações nas quais o vírus se movimenta.

Um absurdo agravado pela falta de apoio da própria população, que não obedece às normas de preservação, como é o caso das máscaras e da distância entre uma pessoa e outra. Assim, podemos calcular que até o fim do mês morrerão provavelmente mais de 6 mil contaminados.

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MANIFESTAÇÃO PELA DEMOCRACIA SEM APOIO DE LULA

 A jornalista Camila Mattoso, da Folha de São Paulo, informa hoje que depois de amanhã, sexta-feira, haverá uma manifestação através da rede virtual da Internet em favor da Democracia que vai reunir os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Michel Temer, além de Luciano Hulk, deputados federais, senadores, líderes comunitários, professores.

O ex-presidente Lula, mais uma vez, aliás como sempre, negou-se a comparecer. A esse respeito muitos consideram ser extremamente importante sua ausência, uma vez que por seu comportamento público sua presença contribuiria para nublar a importância do ato.

No centro de São Paulo, no Vale do Anhangabaú será montado um telão para participação popular. O momento, afirmo eu, é extremamente oportuno para rebater teses da extrema direita que pregam nas ruas de Brasília o fechamento do Congresso e do STF e a implantação de uma ditadura militar. Os extremistas não dizem se com ou sem Jair Bolsonaro. O presidente da República, como escrevi ontem, não se apercebe que tal movimento reverte contra ele próprio.

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ASCENSÃO E QUEDA DE ABRAHAM WEINTRAUB

O governo brasileiro deve tomar a iniciativa de retirar a indicação de Weintraub para uma diretoria no Banco Mundial. Pelos jornais de hoje e meios de comunicação de ontem, chega-se a conclusão que, exceto o presidente Bolsonaro, quase ninguém deseja que o personagem possa chegar ao cargo de grande importância para a economia universal.

Colômbia e Equador já se manifestaram contra. A ala militar do Planalto, também. O deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, disse ter sido um alívio a saída de Weintraub do MEC, e que agora só falta ter ele sua indicação rejeitada.

No caminho de Weintraub existe uma pedra: ele próprio.

Bolsonaro ainda não percebeu que extremistas podem causar sua queda do governo

E viva a ação antifascista, Ditadura nunca mais! | A Tal MineiraPedro do Coutto

A síntese da questão está no título deste artigo, que assinala um paradoxo entre ação dos extremistas de direita contra o Congresso e o Supremo Tribunal e a flagrante intenção de ver o país retornar a ditadura com o fechamento tanto do Congresso quanto do STF. O repórter Aguirre Talento, O Globo de hoje, focaliza o radicalismo, inclusive ilustrado numa foto de uma faixa de recente manifestação em Brasília: “STF contra o Brasil”.

Portanto, que aliados são esses que levam Jair Bolsonaro ao isolamento e à contradição entre sua vitória nas urnas e seu comportamento à frente do governo.

DEMISSÃO DE WEINTRAUB – Na manhã de hoje, terça-feira, a GloboNews noticiou que o Palácio do Planalto vai retificar a data da demissão de Weintraub do cargo de ministro da Educação. Isso porque praticou-se uma fraude para assegurar o passaporte diplomático a esse homem-tempestade.

A falsificação relativa a data só pode ser revogada pelo Presidente da República, que é o único no país que pode assinar decretos. Portanto, o presidente Bolsonaro foi levado a erro e a responsabilidade recai inevitavelmente sobre o Chanceler Ernesto Araujo. Além do ministro das Relações Exteriores, na minha opinião, a responsabilidade cabe também ao esquema político que reside no Palácio do Planalto.

A retificação deixa muito mal tanto o governo quanto o próprio Weintraub, sem dúvida.

GUEDES BALANÇANDO – O caso Weintraub agrava também a situação de outro homem-tempestade, o Ministro Paulo Guedes. Matéria de Júlio Wiziack, Júlia Chaib e Renato Machado, Folha de São Paulo, manchete da página econômica, diz que, se houver resistência contra a indicação de Weintraub para o Banco Mundial, o governo deverá indicar outro nome. Portanto, ficou claro que Guedes está reagindo mal à indicação do ex-titular do MEC para a missão internacional extremamente importante.

Voltando ao equívoco que envolve e ameaça a própria estabilidade de Bolsonaro no Planalto, a contradição política se repete, agora de forma totalmente evidente. Os produtores e financiadores de fake news e de ataques a ministros do Supremo representam um desses equívocos, custa crer que deputados defendam o fechamento do próprio Congresso no  qual eles se encontram.

Lembrem de Goulart -A contradição tem como precedente o comportamento dos extremistas, no caso os da esquerda que levaram o presidente João Goulart ao desastre e chegou ao ponto de se deslocar para o fatal encontro com os sargentos do Exército. Goulart achava que os radicais assegurariam seu mandato.

Ilusão total. Não há nada pior em política e na própria vida do que os falsos amigos capazes sempre de criar situações extremamente críticas para aqueles aos quais os falsos amigos dizem ajudar.

Artigo de Merval Pereira, hoje em O Globo parte de um tema focalizado pelo governador Flávio Dino dizendo que fazer política é uma coisa, radicalizar é um desastre. No caso de Bolsonaro Merval Pereira destaca um ponto acentuadamente importante. O de que tal comportamento dos falsos amigos certamente poderá transformar as próximas eleições municipais num plebiscito a respeito do próprio governo Bolsonaro. Especialmente nas capitais de estados. Acrescento: principalmente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. O problema do governo federal está se agravando a cada dia. A meu ver tal estado de ânimo está chegando a uma faixa de alto risco para a Democracia e para o próprio Palácio do Planalto.. Bolsonaro passou a colocar em risco seu próprio mandato. Estranho o silêncio do deputado Rodrigo maia.

Fake news, a rota que pode vincular atos antidemocráticos ao Palácio do Planalto

Presidente de CPI diz que agora Bolsonaro cria e divulga fake news ...

Charge do Duke (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Gabriel Mascarenhas, manchete principal da edição de hoje de O Globo, revela que a Procuradoria Geral da República já começou a descobrir o rastro do dinheiro que financia as manifestações antidemocráticas e as ameaças a integridade física de ministros do STF inclusive estendendo-as as suas famílias.

O rastro descoberto pela Procuradoria Geral da República, cujo chefe é Augusto Aras, já identificou vários autores e financiadores do sistema que tem como meta a subversão política, além do fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

SEPARAR AS COISAS – O roteiro, claro, está só no início. Portanto, temos de separar o que é fake news e o que é ameaça até de morte dirigida a magistrados. A diferença é muito profunda. Enquanto nas fake news os subversivos se ocultam, há mensagens personalizadas por seus autores que, abertamente, apresentam-se com nome e sobrenome assumindo a responsabilidade pelo crime praticado e pelo incentivo à violência. Pelo que se assiste, o governo Bolsonaro teme o prosseguimento das investigações.

O panorama fica cada vez mais denso e tenso. Agora, por exemplo o advogado Fred Wassef afasta-se da defesa do senador Flávio Bolsonaro e, com suas contradições que se repetem, transforma-se no personagem hitchcokiano do homem que sabia demais.

Sem dúvida, o vendaval político já começa a chegar à Esplanada de Brasília e ingressar no sistema de poder, uma espécie de ataque às instituições. Na minha opinião, um desfecho ao mesmo tempo traumático e dramático se aproxima.

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EM FEITIO DE ORAÇÃO

Em entrevista a Alessandra Medina, suplemento Ela de O Globo, a repórter Susana Naspolini revela sua luta contra o câncer e sua recuperação do coronavírus que a afastou do primeiro plano das reportagens da Rede Globo, nas quais dá voz e vez às comunidades carentes e pobres do Rio de Janeiro.

Na matéria, ela narra sua vida e fala de sua filha de 14 anos. Pede a Deus que a conduza de volta a tela que a consagrou como reveladora da omissão e inércia dos poderes públicos, incapazes de concretizar os apelos desesperados daqueles que, como cantou Chico Buarque, não sabem com quem contar.

Contam, digo eu, com Susana Naspolini. Eu também peço a Deus, em feitio de oração, como compôs Noel Rosa, seu pleno restabelecimento. Faz falta. Concluo repetindo uma frase que um amigo do poeta e lorde George Byron lhe dirigiu: “Byron, uma das melhores coisas desta vida, é sua presença nela!”. Aproveito para adaptar o destino da exclamação. Susana Naspolini, uma das melhores coisas do jornalismo na TV, é sua presença nele.

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CASTRO E GUEDES NA ESTANTE VAZIA

Numa crônica na Folha de São Paulo, edição de hoje, Ruy Castro focaliza um cenário constante dos que são entrevistados nas emissoras de televisão, e ao mesmo tempo envolvendo atuação de comentaristas. Todos tendo ao fundo estantes repletas de livros os quais Ruy Castro e eu não podemos saber se os leram e se influíram nos seus rumos profissionais.

Ruy Castro faz uma exceção: o ministro Paulo Guedes que ainda outro dia surgiu na tela ao lado de uma estante vazia. Ruy Castro estranhou pois Guedes já disse que leu obras importantes sobre economia e finanças no original, acentuando assim sua cultura e sua capacidade de traduzir para si conhecimentos fundamentais para o processo econômico ao longo da vida.

Surpresa? Para mim, não, porque considero o ministro como alguém que tenta usar a mágica para substituir a lógica, que coloca a teoria acima da prática e finalmente destaca o adjetivo à frente do substantivo.

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MAIS DEPÓSITOS NA POUPANÇA

Por falar em economia, reportagem de Fernanda Terrin, Folha de São Paulo, ressalta que este ano o total das aplicações nas cadernetas de poupança atingiu 921 bilhões de reais, assinalando um crescimento desse saldo em 14% em relação a 2019. Decorrência da busca dos mais ricos nos seus investimentos. Isso porque temem uma instabilidade política, espécie de sombra sobre as perspectivas de 2020.

Uma outra informação a Policarpo Caminha, companheiro deste site: cito as fontes porque não julgo correto apoderar-me de matérias que têm definidos seus autores.

Há muitos motivos para o Banco Mundial rejeitar Weintraub, inclusive burlar a lei dos EUA

O jornalista Eliomar de Lima escreve sobre política, economia e ...

Charge do Céllus (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A realidade em torno de Abraham Weintraub, indicado para uma diretoria do Banco Mundial, encontra-se sintetizada no título deste artigo. O ex-ministro da Educação acumulou uma sequência de fatos contra ele mesmo. A sequência negativa teve por último ato sua demissão do Ministério, num sábado pela manhã tão logo desembarcou em Miami, a caminho de Washington. Por que isso?

Porque a condição de ministro de Estado, de senador ou deputado federal permite a seus titulares obterem passaporte diplomático, não estando sujeitos portanto à quarentena obrigatória decretada pelo governo dos Estado Unidos.

UM ATO ILEGAL – Este é o fato que levou Bolsonaro a só exonerá-lo quando já tinha ingressado em solo americano.               Assim, Weintraub livrou-se aparentemente da quarentena, uma vez que embarcou com sua condição de ministro e desembarcou quando sua exoneração foi publicada em edição extraordinária no D.O da União.

Mas vamos alinhar seu envolvimento em atos extremamente críticos que confirmam seu comportamento tão exótico quanto radical. Chamou os ministros do Supremo de vagabundos, está sendo acusado de próprio STF de participar do processo sobre as fake news. Participou da manifestação de domingo 14 de junho na qual se liam cartazes pedindo o fechamento do Supremo e do Congresso destacando a hipótese de um golpe militar no país.

Poderá, e acredito que o será, condenado pela Corte Suprema. Por fim, desencadeia-se sobre ele uma onda contrária a sua indicação pelo Congresso Nacional.

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FRACASSA A MISSÃO DE PAZ JUNTO A MORAES

Foi péssima a ideia do presidente Bolsonaro, ao enviar a São Paulo uma missão especial do governo, integrada pelos ministros Jorge Oliveira, André Mendonça e José Levi, para se encontrar com o ministro do Supremo Alexandre de Moraes e pedir algo esquisito, como se configura o objetivo de tentar harmonizar o relacionamento do Palácio do Planalto com o STF.

A ideia, por ser completamente absurda, deixa mal tanto o governo quanto a Corte Suprema. Como integrante do Supremo, Alexandre de Moraes é o relator do processo das fake news e também da inclusão de Weintraub como participante da manifestação que pediu tanto o fechamento do STF quanto do Legislativo.

A iniciativa só pode causar o efeito inverso. Pois se Alexandre de Moraes mudasse sua conduta, a todos pareceria que fora cooptado. Aliás, o STF em peso deve repudiar o lance despropositado do Palácio do Planalto.

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BIDEN TEM 7 PONTOS DE VANTAGEM CONTRA TRUMP

Reportagem de Marina Dias, Daniel Mariani e Diana Yukari, Folha de São Paulo de hoje, revela com base nas últimas pesquisas americanas que Biden tem 7 pontos à frente de Trump. Um dado interessante. Entre as mulheres a margem em favor de Biden chega a 25 pontos. E as mulheres pesam 55% do eleitorado americano.

o candidato Democrata tem melhorado sua posição em Estados de tendência Republicana. No Texas, o maior destes, Biden e Trump encontram-se empatados. Outro aspecto em favor de Biden é sua maior margem de vitória junto ao eleitorado negro e também os que congregam a categoria de não brancos.

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A REDE GLOBO E O FLAMENGO

Ontem, sábado, numa entrevista a Carlos Eduardo Mansur e Tales Machado, o diretor de direito de transmissão da rede Globo afirmou que a medida provisória assinada há poucos dias pelo presidente Bolsonaro estabeleceu uma confusão quanto aos contratos em vigor para as transmissões esportivas, principalmente o futebol. A MP 984 não pode alterar os contratos em vigor, pois os clubes têm que ser livres para comercializar seus direitos.

Enquanto isso, segue um desentendimento entre a Globo e o Flamengo a respeito do pagamento pela transmissão de suas partidas. A meu ver o Flamengo não tem razão. É preciso considerar que embora o clube seja o de maior torcida em todo o país, ele não joga sozinho. Precisa de um adversário para que sua imensa onda de adeptos possam torcer pelo time. Esta condição é tão essencial quanto insubstituível.

Drummond diria que há uma ou duas pedras no caminho de Jair Bolsonaro

Covid-19 contrata assessoria de imprensa para voltar a ser notícia ...

Queiroz e Weintraub se tornaram uma carga muito pesada

Pedro do Coutto

Um poema deixado por Carlos Drummond de Andrade na arte brasileira diz que no caminho havia uma pedra, o que se aplica muito bem à figura de Abraham Weintraub e sua estranha nomeação para uma diretoria do Banco Mundial, cuja sede é em Washington. A mim causou espanto o ato do presidente da República através do qual depositou sua confiança e tornou-se responsável, portanto, pelo desempenho no mundo financeiro internacional do ex-ministro da deseducação.

O personagem Weintraub é o homem que defendeu a prisão dos ministros do STF, além de ter seu nome entre os investigados pelas fake news contendo ofensas e até ameaças físicas aos titulares da Corte Suprema.

CEDEU ÀS PRESSÕES – Assim agindo, Bolsonaro cedeu às pressões da falange extremista que ocupa um espaço no Palácio do Planalto. E, pior, demonstrou inclusive confiança no desempenho dele.

Uma reportagem de Eliane Oliveira, O Globo de hoje, destaca que um manifesto com 300 assinaturas está sendo enviado aos embaixadores dos países cujo bloco inclui o Brasil para que rejeitem a desastrada indicação. Basta ver a atuação que teve à frente do MEC, só criando confusões e sem qualquer noção do que seja o sistema educacional. Na minha opinião, sequer levou em conta que professores podem se tornar os autores do amanhã, os arquitetos do futuro.

O manifesto está assinado, entre outros, pelo ex-ministro da Fazenda Rubens Recúpero, pelo ex-presidente do BNDES Pio Borges, pelo compositor Chico Buarque, pela ex-ministra do Meio Ambiente Isabela Teixeira, pelo ator Paulo Betti e pela cantora Olívia Byington.

TEMOR DA EQUIPE – Além desse documento, de acordo com reportagem de Bernardo Caran e Tiago Rezende, Folha de São Paulo, a equipe do ministro Paulo Guedes encontra-se envolvida pelo temor de que Weintraub cause estragos ao representar o Brasil na diretoria do Banco Mundial.

A preocupação é procedente e assim causa surpresa que o ministro Guedes tenha concordado com a nomeação de tal figura destrutiva para o cenário econômico mundial. Afinal de contas, ele será (ou seria) representante de nosso país. Um desastre o ato do presidente da República.

Mas falei numa pedra do caminho de |Bolsonaro. Aliás são duas pedras que o desestabilizam: a segunda chama-se Fabrício Queiroz.

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A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA NA NÉVOA DO TEMPO       

Ontem dia 19, transcorreu a data que marca os 155 anos do fim da escravidão negra nos EUA. Causou até uma guerra civil da qual o presidente Abraham Lincoln foi o autor, a chamada Guerra da Secessão, que durou de 1860 até 1864. Lincoln, que assassinado em 1865 por um fanático, tem seu nome marcado para sempre na história americana e mundial.

No dia 18 de junho, transcorreu o dia da declaração de De Gaulle pela resistência francesa contra o nazismo que ocupou o país por quatro anos . Trata-se assim de outra data histórica a ser relembrada. A resistência francesa foi formalizada em 1940.

Com Queiroz e Weintraub, um vendaval balança Jair Bolsonaro levando-o à depressão

New York Times faz editorial sobre "escolha triste do Brasil" por ...

Jair Bolsonaro está enfrentando um inferno astral interminável

Pedro do Coutto

De fato, o vendaval produzido pela engrenagem acionada por Abraham Weintraub e Fabrício Queiroz seria capaz de balançar qualquer governo e produzir reflexos extremamente negativos para os que ocupam o poder, como é o caso do presidente Jair Bolsonaro, que com certeza conhecia os modos de atuação desses dois personagens dramáticos na galeria da política e da administração pública. Isso de um lado.

De outro, há os videos que focalizaram a demissão de Weintraub e também a reação do próprio Bolsonaro à prisão de Fabrício Queiroz.

NO BANCO MUNDIAL – As imagens falam por si. No primeiro caso, para surpresa geral quem anunciou a demissão do ministro da Educação foi o próprio Weintraub e não o presidente da República, que assinou o ato. Weintraub , esse personagem sombrio, demolidor e desastrado tomou a iniciativa de divulgar que iria trabalhar em um banco retornando à sua profissão.

No segundo caso, a imagem transmitida também pelas redes de televisão apresentaram um Bolsonaro triste e abatido, remetendo o quadro para o plano da depressão. A depressão é sempre causada por um fato entristecedor e o impacto na alma da pessoa.

Sem me afastar do assunto, dou o exemplo de Getúlio Vargas no desfecho trágico de 24 de agosto. E o episódio que vou narrar deve ser analisado pelos historiadores do amanhã.

ATENTADO A LACERDA – Vargas estava num redemoinho por causa do atentado a Carlos Lacerda que causou a morte do major Rubem Vaz. Entretanto, uma semana antes de sua morte, o presidente da República pediu a seu filho Maneco Vargas que vendesse uma fazenda que possuía no Rio Grande do Sul, estado que foi seu berço político.

Chegou a Vargas a informação de que a fazenda tinha sido vendida por Maneco Vargas a Gregório Fortunato, chefe de sua segurança pessoal. O embaixador Edmundo Barbosa da Silva, em um almoço comigo e com o economista Gilberto Paim narrou a atmosfera de abalo que envolvia o caso.

Vargas dirigiu-se a Barbosa da Silva, seu oficial de gabinete, que naquele tempo era responsável pelo cerimonial do Palácio do Catete e disse que chamasse Gregório Fortunato à sua sala.

FORTUNATO ERA CORRUPTO – Vargas chegara finalmente à conclusão de que Gregório Fortunato era corrupto, pois como chefe da segurança jamais poderia comprar uma fazenda. Deixou escapar uma frase que ficou na História: “Nos porões do Catete corre um rio de lama. O tiro no pé de Lacerda foi vibrado nas costas do governo. Só morto sairei do Catete.”

Gregório, ajoelhado aos pés de Vargas começou a chorar. Nesse dia Vargas dissolveu sua segurança pessoal.

Voltando ao tema Bolsonaro verifica-se ter ele tentado na live defender indiretamente Queiróz. As imagens falaram por si. O governo passou a correr risco, como corre risco a nomeação de Weintraub para o Banco Mundial.

CONVOCAÇÃO DE GUEDES – A nomeação de Weintraub pode ser objeto de um requerimento convocando o ministro Paulo Guedes, proposto, por exemplo por Rodrigo Maia ou Alessandro Molon. A convocação de Guedes se explica pelo fato de o ministro da Economia ter concordado com a nova tarefa de Weintraub.

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O JORNALISMO E AS FONTES CRISTALINAS DA INFORMAÇÃO

O leitor deste site tem me criticado por nos meus comentários citar habitualmente O Globo, Folha de São Paulo, Folha, Valor e a Globo News. São episódios do jornalismo de análise seja ela política ou cultural. Todas as pessoas que escrevem tem de se basear em algum ponto capaz de desenvolver seus textos.

Me lembro por exemplo que o intelectual José Lino Grunewald, que foi meu amigo, tornou-se responsável pelas matérias que publicava pelo conhecimento no país do cinema sueco, consagrado depois entre nós com a exibição dos filmes de Ingmar Bergman. Mas ele não partiu do nada. Leitor do “Cahiers du Cinema” inspirou-se na fonte de André Basin, redator chefe da revista. Basin teve grande importância na cultura da França.

Como estou constatando basear-se em uma fonte não é concordar com tudo o que passa pelo seu cristal. É partir de um ponto concreto. Agradeço ao leitor Policarpo Caminha pelos textos que publica e que me deram motivação para escrever esta matéria.

Ingmar Bergman, André Basin e José Lino Grunewd serão sempre lembrados como grandes atores de uma arte imortal como o cinema. Porque principalmente o cinema, como dizia JLG, é a única arte que destaca o comportamento humano. E isso diz tudo.

Queiroz e Weintraub explodem ao mesmo tempo e isolam o presidente Bolsonaro

Fabrício Queiroz

Ao ser preso, Queiroz disse que pretende se entender com a Justiça

Pedro do Coutto

A prisão no amanhecer de hoje de Fabrício Queiroz e a permanência de Abraham Weintraub são peças de uma tragédia política que explodiu, abalando o governo e contribuindo intensamente para isolar o presidente Jair Bolsonaro numa base de apoio que no momento só conta com os extremistas da direita. Mesmo assim, a reação dos ministros do STF adicionou mais evidências de uma crise causada pelo próprio Palácio do Planalto.

Não se trata de interpretações voltadas para acusar a imprensa e os meios de comunicação. Trata-se de dois fatos concretos: absoluta incapacidade de Weintraub e a condição de foragido da Justiça quanto a Fabrício Queiroz.

NA CASA DO ADVOGADO – Ele se encontrava há um ano, como revelaram os meios televisivos, foragido na casa do advogado da família Bolsonaro em Atibaia, litoral paulista.

A Polícia Federal ajudou a Polícia Civil a cumprir mandado expedido pela Justiça para capturar o homem que se tornou ao mesmo tempo, uma bomba política e um enigma que agora vai ser desvendado.

Portanto, não adiantaram as mudanças realizadas pelo governo na Polícia Federal, investindo na direção geral da PF e na superintendência do Rio de janeiro pessoas que substituíram os até então titulares dos dois postos.

JUNTO AOS EXTREMISTAS – Falei em isolamento político do presidente Bolsonaro e dos extremistas, estes alvo das investigações solicitadas pelo Procurador Geral, Augusto Aras, e pelos ministros do STF, os quais numa só voz repudiaram ameaças e incitações aos crimes de estupro e homicídio. Foi demais.

Agora, mais uma vez verifica-se que o Planalto produziu falsos aliados ao mesmo tempo que falsos amigos. Porque é um erro confundir uma aparente fidelidade canina, o que caracteriza os aspones, com impulsos legítimos e construtivos.

Esse erro atravessa a história e atinge no seu percurso interminável o poder político, aviltando seu exercício constitucional.

DOIS FATOS – Falei em isolamento e imobilização do presidente, pois ela está caracterizada em dois fatos extremamente importantes. A decisão do Supremo quanto às fake news, reportagem de Carolina Brígido, O Globo, e as pressões militares no sentido da demissão de Weintraub, episódio narrado por Paula Ferreira, Bela Megali e Vitor Farias, também publicada em O Globo.

Escrevo este artigo na manhã de hoje e tenho a impressão que até o final da tarde o presidente Bolsonaro finalmente demitirá o ministro da deseducação de seu governo. Não quero fazer profecias, já que estas não se coadunam com a política.

Mas tenho a impressão que demitir Weintraub, hoje, é a única saída de Bolsonaro na tentativa de afastar sobre si mesmo a onda que os dois episódios citados no título conduzem seu mandato para o impasse gravíssimo que se volta contra a própria Democracia e os princípios éticos e morais incompatíveis com as excitações aos crimes de estupro e assassinatos.

ENVOLVIMENTO – Não há a menor possibilidade de a população brasileira conviver com os personagens dramáticos da atual crise que está envolvendo o Palácio do Planalto. Envolvimento este que, como disse há pouco está abalando os alicerces fragilizados do poder político conquistado pelas urnas de 2018.

As urnas de 2018 já pertencem ao passado próximo. Não funcionam para sustentar atos absurdos, sobretudo porque os atos absurdos não confirmam os compromissos do candidato vitorioso.

Se mantiver Weintraub no cargo, Bolsonaro estará assinando sua renúncia ao poder

Weintraub erra novamente português em tuíte e ironiza | Congresso ...

Abraham Weintraub não pode sair porque é o homem que sabia demais

Pedro do Coutto

Na minha opinião, se mantiver Weintraub à frente do Ministério da Deseducação, o presidente Jair Bolsonaro estará assinando sua renúncia ao poder. Nesta altura os leitores já perceberam que estou me referindo ao poder e não ao governo, pois tenho dúvida se mesmo com o poder torpedeado ele permanecerá ou não no governo.

A reportagem de Sérgio Roxo, Fernanda Alves e Guilherme Caetano, O Globo de hoje, focaliza muito bem o assunto. E assinala que a ala ideológica do Palácio do Planalto está absurdamente pressionando o presidente da República no esforço de manter no cargo um homem absolutamente incapaz de exercê-lo.

GABINETE DO ÓDIO – Além disso, a ala ideológica, formada por extremistas e atores de transações sombrias empenha-se em favor de Weintraub ignorando seu comportamento repetidas vezes, sobretudo atacando os ministros e propondo o fechamento do STF.

Como se isso não bastasse, ele também integra o elenco de pessoas investigadas pela circulação de fake news nas redes sociais. O inquérito que investiga as fake news encontra-se no caminho de identificar os patrocinadores dessa equívoca publicidade. No fundo uma publicidade que se volta contra o próprio presidente Bolsonaro, iludindo-o que tal movimento tem como objetivo mantê-lo no poder.

Ledo engano. O extremismo pode mantê-lo no governo, mas nunca mantê-lo no poder republicano. Pelo contrário. O presidente da República passará à condição de mero instrumento flexível ao ponto de assinar decretos mas sem poder de vetá-los ou analisá-los.

PRIVATIZAÇÃO ASURDA – O repórter Manoel Ventura, O Globo, publica na edição de hoje reportagem destacando que na última reunião do Conselho do Programa de Parcerias Para Investimentos, semana passada, o ministro Paulo Guedes, como digo sempre, o homem fatal de Nelson Rodrigues, revelou seu projeto de privatizar a Eletrobrás, os Correios, o Porto de Santos e a Pré-Sal Petróleo, transformando-a em S/A.

Quer também abrir o capital da Caixa Econômica. Relativamente a Eletrobrás, cuja privatização tem de passar pela aprovação do Congresso, já que é empresa de economia mista, há tempos o tema foi colocado e Paulo Guedes acentuou o preço básico da operação: 16 bilhões de reais.

UMA DOAÇÃO PRIVADA – Um absurdo total, refletindo uma doação privada e não uma privatização para efeito de ampliar a produção de energia elétrica no país. Para se ter noção clara do valor arbitrado, basta dizer que a Eletrobrás, que possui ações na Bovespa é formada pelas seguintes empresas: Furnas, Chesf, Eletrosul e Eletronorte. Cada uma delas possuindo um elevado patrimônio público, configurando seus ativos fixos e sua capacidade de produção de energia.

Furnas, por exemplo, é responsável pela produção de 20% do consumo nacional. Além disso transmite a energia gerada por Itaipú em um montante de outros 20% do sistema elétrico brasileiro.

Recentemente, a direção da empresa demitiu 1094 contratados, nesse total incluindo até pessoas com deficiência física, portanto deveriam estar garantido pela legislação trabalhista. A direção da empresa não levou em conta. Na minha impressão porque no fundo, desejava reduzir o que se compreende como passivo trabalhista. Ou seja, facilitar as condições básicas para quem assumisse seu controle. Furnas é a segunda maior estatal brasileira, só perdendo para a Petrobrás.

VENDA FACILITADA – Uma beleza para os compradores. Uma vez que desembolsariam um volume de recursos infinitamente menor do que os ativos das empresas que formam a holding Eletrobrás e, ainda por cima, encontrariam um quadro de funcionários mínimo na sua essência. Tão mínimo quanto o preço proposto para a nebulosa transação. Se Furnas sozinha é a segunda maior estatal do país, fácil imaginar o patrimônio da Chesf, Eletrosul e Eletronorte.

Todas essas empresas compõem a holding chamada Eletrobrás. A diferença entre o valor e o preço determinaria o lucro da privatização para os compradores.

 

 

Supremo rechaça ataques extremistas e exalta compromisso democrático da Corte

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e ministros que compõem o STF rechaçaram os ataques da noite de sábado realizados por extremistas que no fundo defendem a ditadura e não a liberdade e a democracia.

Reportagem de André de Souza, Daniel Giulino e João Paulo Saconi, edição de hoje de O Globo, destaca amplamente o que aconteceu e a forma com que o Poder Judiciário do país a condenou.

APOIO DE 70 POR CENTO – Ao condenar mais este ataque as instituições a Corte foi ao encontro do sentimento democrático de mais de 70% da população brasileira. O Supremo – destacou o ministro Dias Toffoli – não se submeterá a ameaças venham elas de onde vierem.

O Procurador Geral da República Augusto Aras abriu a investigação para identificar os personagens envolvidos na ação extremista e antidemocrática. Augusto Aras disse que um ataque ao Supremo representa um ataque a todas as instituições do país.

O Ministro Weintraub, enquanto os extremistas agiam na noite de sábado, no domingo participou de manifestação na qual os integrantes repetiam pedidos de fechamento do Supremo Tribunal Federal.

“ESSES VAGABUNDOS…” –  Inclusive, acrescenta a reportagem, ao ser entrevistado, o ministro da deseducação disse o seguinte: “já falei sobre minha opinião e o que faria com esse vagabundos”, referindo-se à Corte Suprema.

A mim espanta que o ministro da deseducação Weintraub ainda não tenha sido demitido pelo presidente. Ele na realidade é o titular da deseducação, uma vez que até agora foi incapaz de apresentar qualquer projeto voltado para o fortalecimento e a expansão de todas as escalas do ensino.

A SAÍDA DE MANSUETO – Em entrevista ao repórter Manoel Ventura, em O Globo, o economista Mansueto de Almeida anuncia que deixará a Secretaria do Tesouro Nacional, órgão vinculado ao Ministério da Economia. Disse já ter avisado ao ministro Paulo Guedes, e que seu sucessor terá de ter compromisso com o ajuste fiscal. Caso contrário “ele não sobrevive um dia no cargo”.

Alegou cansaço, o que, para mim, é forma delicada de se afastar do governo, pois quem aceita um cargo de tal responsabilidade na administração sabe muito bem o esforço que será obrigado a desenvolver para enfrentar as manobras de sempre e manter a ética no posto. Penso, assim, que sua saída decorre de uma discordância quanto aos rumos políticos do Ministério do qual se afastará no mês de julho. Por isso, lembrou as contas públicas e a busca para seu equilíbrio.

Pessoalmente, ressalto um aspecto que julgo importante: relativamente às contas públicas, tem de acabar esse negócio de superavit primário. Ele não existe. O que os governos tentam explicar é o seguinte: entradas e saídas de recursos, sem levar em conta os encargos que a dívida interna de 4,2 trilhões de reais acarretam. São os juros anuais, hoje de 3% sobre o montante acumulado. Superavit primário é uma noção falsa. Mesma coisa que qualquer pessoa comum poderia fazer para sua família, caso seus integrantes pudessem deixar de se alimentar.

MARACANÃ, 70 ANOS DEPOIS – O Globo está publicando diariamente reportagens sobre os 70 anos do Maracanã que transcorrem este ano de 2020. Ele foi inaugurado com um jogo reunindo as seleções de novos do Rio e São Paulo. Eu assisti. Os paulistas venceram por 4X1 mas o primeiro gol da história do estádio teve como autor Didi, que depois integraria as seleções vitoriosas de 58 e 62. É preciso lembrar que o jornalista Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues, é o nome do estádio.

Volto ao passado e me vejo na arquibancada nos jogos contra a Espanha, Suécia e a dramática derrota para o Uruguai no dia 16 de julho do ano em que o gramado tornou-se palco das eternas histórias da bola rolando.

“A BATALHA DO ESTÁDIO” – Mário Filho, então proprietário do Jornal dos Sports iniciou a campanha que chamou de “a batalha do estádio” para sediar a primeira copa do mundo do após guerra. Enfrentou resistências mas as superou legando ao país um estádio na época o maior do mundo e o mais moderno também. O prefeito era o general Mendes de Moraes, o presidente da República Eurico Dutra. Havia necessidade de uma lei.

 Nesse sentido o projeto da construção foi apresentado pelo então vereador Ary Barroso, que, além de artista transmitia os jogos de futebol pela rádio Tupi. Discutiu-se a localização do estádio. O vereador Lacerda defendia a ideia de que fosse em Jacarepaguá, mas prevaleceu a ideia do vereador Ary Barroso e do prefeito de localizá-lo no espaço que havia sido ocupado pelo BCC, Batalhão de Carros de Combate do Exército.

Mário Filho deve ser lembrado como autor do palco que reuniu e reúne grandes multidões em delírio.

Desemprego recorde não preocupa Paulo Guedes, esse homem fatal de Nelson Rodrigues

Frases de Nelson Rodrigues | Amantes do Saber™ AminoPedro do Coutto

O Globo edição de hoje, reportagem de Cássia Almeida, revela que, pela primeira vez na história, mais da metade da população com idade laboral está atingida pelo desemprego e pelo não emprego. Portanto, são praticamente 100 milhões de homens e mulheres fora do mercado e portanto do consumo pleno, de acordo com as faixas de renda em que se encontram.

O problema é gravíssimo, sobretudo porque é preciso considerar que o crescimento demográfico brasileiro é de 1%a/a: nascem 1,7% e morrem 0,7%. Perdendo para o índice populacional, a renda per capita do país anda para trás.

O HOMEM FATAL  – Mas eu disse que o ministro Paulo Guedes é o homem fatal de Nelson Rodrigues, que foi meu amigo pessoal.                       O grande teatrólogo usou essa imagem seguidamente em suas peças e textos jornalísticos para definir a presença marcante de certos personagens ao longo de diversas situações na vida humana. No futebol era para definir os jogadores de maior presença, negativa ou positiva nos lances aos olhos das multidões.

Para mim, Paulo Guedes integra-se à galeria dos homens fatais. Sua presença no governo Bolsonaro é predominante. Economista, mais ligado ao sistema financeiro do que a projetos de desenvolvimento econômicos e sociais, parece que ele não dá a menor importância à face que reflete a angústia e os anseios dos assalariados, entre os quais os servidores das empresas estatais e os funcionários públicos.

QUEBRA-QUEBRA – Bernardo Caran, na Folha de São Paulo de ontem, destaca uma palestra que ele, Guedes, realizou para empresários. A matéria vazou para Bernardo Caran.  Paulo Guedes afirmou que, não fosse o abono de 600 reais por três meses para a população mais carente, teria havido quebra- quebra nas principais cidades do Brasil. Assim ele chamou atenção para o problema da fome e de suas consequência, entre as quais a preservação da saúde.

Uma contradição, entretanto, destaca-se a seguir. Ele concordou com a prorrogação do benefício por mais alguns meses, mas propôs a diminuição de seu valor. São 64 milhões de pessoas em estado de carência. Os 600 reais são um benefício, algo que se dá sem retribuição. Os salários e as aposentadorias, ao contrário, são um direito. No caso da aposentadoria um seguro social que vence com 35 ou 30 anos de contribuição. Nos dois tempos homens e mulheres resgatam a apólice do seguro social que fizeram. Portanto, o resgate não é um benefício. É um direito.

O que alarma é o desemprego muito alto somado ao não emprego. E o não emprego reúne parte da população que atinge a idade de trabalhar, mas não consegue um lugar ao sol.

VÂNDALOS BRITÂNICOS – Em Londres, um grupo de vândalos tentou destruir o monumento a Winston Churchill, a meu ver a maior figura do século XX. Um líder que enfrentou a Alemanha nazista com a Inglaterra lutando sozinha contra Hitler e Mussolini.

Não fosse ele, talvez a destruição nazista tivesse ocupado mais países do que ocupou distribuindo aqueles contrários por mais campos de concentração e da morte. Glória eterna a esse grande homem. Não importa que ele tenha sido deputado conservador. Importa, mais que tudo, que ele se tornou um herói da liberdade.

A GloboNews, em seu noticiário da manhã de hoje, destacou manifestação de ontem quando extremistas carregaram Weintraub em ruas de Brasília, elogiando sua posição contra o STF. Para mim, Weintraub representa um novo caso Jurandir Mamede, ocorrido em 1955.

UM NOVO MAMEDE – No dia 3 de outubro de 1955, os brasileiros elegeram JK nas urnas. Lacerda assumiu a liderança de um movimento para impedir a posse do residente eleito. Escrevia na Tribuna da Imprensa e falava na rádio Globo.

Em outubro também, falecia o General Canrobert Pereira da Costa, que foi ministro do Exército no governo Dutra. No seu enterro falaram diversos militares e os discursos foram encerrados com a fala do ministro Henrique Lott. De repente toma a palavra, depois do ministro falar, o coronel Jurandir Mamede. Insolitamente, Mamedei aproveita a ocasião e prega o golpe para impedir a posse de JK. Foi o estopim da crise político militar desencadeada dos dias 11 e 21 de novembro.

Juscelino tomou posse e cumpriu seu mandato. Por causa de Mamede, o Congresso Nacional decidiu impedir o ex -presidente Café Filho e o deputado Carlos Luz. Juscelino tomou posse a 31 de janeiro de 1956 e governou até 31 de Janeiro de 1961. Foram os anos dourados do desenvolvimento brasileiro.

Informação ao general Eduardo Ramos: quem estica a corda é o próprio Jair Bolsonaro

Ficheiro:Luiz Eduardo Ramos em 23 de julho de 2019.jpg – Wikipédia ...

Ramos diz que se disfarçou para não ser reconhecido no protesto

Pedro do Coutto

O general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo, em uma entrevista à Veja que circulou ontem, e que deu margem a reportagem de Naira Trindade e Gustavo Maia, O Globo de hoje, afirmou não haver perspectiva de golpe militar no país, mas é preciso, acrescentou, a oposição não esticar demasiadamente a corda. A posição inicial de Ramos é democrática. Porém a conjunção “mas” é sempre restritiva à frase anterior.

Portanto, a advertência à oposição cria uma dubiedade contestada pelos partidos políticos, inclusive dos parlamentares que apoiam o Palácio do Planalto.

VAI PARA A RESERVA – Defendendo sua colocação o ministro anuncia que vai passar para a reserva, acumulando portanto o posto no Exército com sua condição atual.  O general Ramos revela ter decidido passar para a reserva porque, diz ele, “fui muito criticado pelos meus companheiros de farda. Não me sentia bem. Não tenho o direito de estar aqui como ministro e haver qualquer leitura equivocada. Conversei com o ministro da Defesa e com o Comandante do Exército e vou pedir para ir para a reserva.”

Na minha opinião, e aliás na dele, general, ele cometeu um erro ao sobrevoar de helicóptero com o presidente Bolsonaro e descer próximo a manifestação antidemocrática que pedia o fechamento do STF e do Congresso Nacional. Tanto que ao se aproximar do Palácio do Planalto colocou um boné na cabeça e óculos escuros para não ser reconhecido.

Para mim quando a pessoa oculta algo é porque tacitamente admite que sua presença no local não é adequada. Quem oculta tenta encobrir o fato. Como dizia Santiago Dantas, nenhuma posição é legítima, quando quem a ocupa não pode dizer seu verdadeiro nome.

ORDENS ABSURDAS? – Enquanto isso o presidente Bolsonaro afirmava, matéria de Carolina Brígido, que os militares não cumprem ordens absurdas. Ordens absurdas, digo eu, tem um autor ou autores, elas, não surgem do vento. Portanto, nesses casos é fundamental apontar-se quem mandou cumprir absurdos.

A citação é uma resposta de Bolsonaro em relação ao despacho do ministro Luiz Fux, do STF, concedendo liminar impetrada para acentuar que as Forças Armadas não são um poder moderador, e sim sua tarefa é cumprir o que está de fato no artigo 142 da carta, na defesa da pátria e na garantia dos poderes constitucionais.

O presidente da República na nota oficial, encerrou elogiando a decisão de Luiz Fux, que decorreu de representação formulada pelo PDT. Tudo bem. Mas é necessário que o Palácio do Planalto explique melhor o verdadeiro sentido contido no texto do presidente da República.  Mais um caso de ameaça velada através da conjunção “mas”, que deixa tudo no ar.

Algoz das universidades, Weintraub provoca crise que atrai Bolsonaro como um abismo

Abraham Weintraub e o Enem

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

A Medida Provisória de Jair Bolsonaro dando poderes ao ministro Abraham Weintraub para nomear reitores de 20 universidades no período da pandemia, na minha opinião, sem dúvida, representa um ato profundamente hostil a todos os dirigentes e integrantes do ensino superior do país. Acredito que o STF vai derrubar a medida, por absurda que ela é na sua essência e na sua forma.

Basta lembrar o desempenho trágico de Weintraub na reunião ministerial de 22 de abril. A colocação da tarefa que representa um ato de deseducação pode ser traduzida como expressão de um invasor e de um algoz para as reitorias.

IMAGEM DO ABISMO – A imagem do abismo que está no título é inspirada em um texto de nosso amigo Nelson Rodrigues, ao focalizar o desfecho no festival da canção promovido pela Rede Globo em 1968. A música de Geraldo Vandré tinha dois títulos “Caminhando” e “Para não dizer quer não falei de flores@. 

A música desagradou o governo Costa e Silva. Estávamos na véspera do Ato Institucional nº 5 que sufocou a democracia e a liberdade no pais e o conduziu ao que o jornalista Carlos Chagas chamou de ”A longa noite dos generais”. Este o fato.

No festival, Geraldo Vandré ficou no segundo lugar. O Maracanãzinho repleto vaiou a decisão. Depois do vencedor a palavra, foi dada a ele, que afirmou que a vida não se resume a festivais. Aí, no dia seguinte entrou Nelson Rodrigues. O grande teatrólogo afirmou o seguinte: a multidão atraia o autor como um abismo. Mas ele preferiu deixar para lá.

PRAZER EM CRIAR CRISES – O presidente Bolsonaro a mim parece incluir-se no mesmo ímpeto. Tem prazer em criar crises, momentos de tensão, fortes choques de ideias e intenções, e no seu laboratório de pensamento projetar adversários, consolidando-os no decorrer do tempo.

Ele necessita e se realimenta de absurdos. Sua meta é o conflito, não a atuação construtiva que deve ser a base indispensável de qualquer governo. Agora o inimigo menos oculto são as Universidades.

Também não tenho dúvida que o Supremo tribunal Federal vá derrubar a ascensão de Weintraub, tão absurda ela é.

EM TORNO DO ABISMO – Os exemplos em torno do abismo se repetem. Na Folha de São Paulo de hoje, Igor Gielow estende a lente de Bolsonaro incluindo no foco o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, encarregado da articulação política com o Poder Legislativo.

Eduardo Ramos tem sido contrário a nomeações capazes de assegurar ao governo votos nas matérias que o Palácio do Planalto pensa serem importantes. O caso da nomeação do deputado Fabio Faria, do PSD, faz parte desse elenco. Vai ao encontro do interesse de Gilberto Kassab, do mesmo partido e que foi ministro do governo Michel Temer.

Eis aqui mais um exemplo voltado para o conflito e para a ruptura entre o que o candidato disse ontem, em 2018, e o que pratica o presidente da República.

Dois marcos fundamentais na história universal da comunicação: Gutenberg e Google

Gutenberg Block For Google Maps Embed By Pantheon – WordPress ...Pedro do Coutto

Johannes Gutenberg, a partir de 1440, e o Google, que começou a funcionar em 1998, portanto no crepúsculo do século XX e no amanhecer do século XXI, mudaram o conteúdo, a forma e a velocidade da informação e da opinião. Descortinaram o tempo e aproximaram os fatos do conhecimento da população mundial. São testemunhas, reveladores e tradutores dos lances que a humanidade produz.

Na época das grandes descobertas, época marcada pela presença de Portugal nos mares nunca antes navegados, como disse o poeta Camões, a galáxia de Gutemberg, na expressão de Marshall McLuhan, separou duas fases da humanidade: a era do relato e a era do registro.

ANTES E DEPOIS – A crucificação é um relato, mas o nazismo é um registro, tão trágico quanto imundo. A crucificação produziu o maior corte da história universal. Todos os acontecimentos humanos foram divididos entre antes e depois de Cristo. Não pode haver figura maior que levou ao cristianismo. Mas esta é outra questão.

Gutemberg, de 1440 a 1445, foi o primeiro homem a imprimir a Bíblia Sagrada, composta por livros tanto cristãos como judaicos. Os jornais surgiram com Gutemberg, da mesma forma que as obras da literatura que passaram a se eternizar ao longo dos séculos. Eram os primeiros tipos a começar a funcionar e transportar os fatos para milhões de seres humanos. Foi uma revolução tanto na informação direta quanto no debate inspirado na lógica tão eterna da humanidade.

FOTO E CINEMA – No século XIX surgiu a fotografia e no anoitecer de XIX e na alvorada do século XX surgiu o cinema. O planeta não parou mais de evoluir. O registro dos episódios e conflitos tornou-se evidente aos olhos e a consciência de todos. Vale acentuar que no campo visual a memória histórica foi fornecida e projetada pelos pintores.

Em 1998 surgiu o Google que se tornou rapidamente no maior monumento voltado para informação de todos. As distâncias não dependiam mais das caravelas de Colombo e Cabral. Hoje sucedem-se nos espaços siderais da internet. Sua presença torna-se mais intensa a cada dia e sua estrutura baseia-se nos algoritimos da matemática.

TUDO INSTANTÂNEO – O economista Felipi Campelo que conhece bem as bases de funcionamento do Google, é capaz de descrever os detalhes fascinantes da engrenagem colossal.

Para se ter uma ideia da grandeza da Internet e do Google basta dizer que este além de acumular toda a cultura e história universal anterior ao século XXI, ainda por cima é capaz de anotar com velocidade instantânea as mudanças que ocorrem no dia a dia. Inclusive na política e na luta pelo poder.

Isso tudo simultaneamente em todos os idiomas do planeta. Pois o que acontece nas nações é traduzido imediatamente para o inglês, espanhol, francês, alemão e português, além de muitas outras línguas. Vê-se por aí um mar de alternativas. Pensar nas modificações e traduções dá bem a ideia da dimensão da nuvem que transporta as anotações simultâneas traduzidas e transferidas que se incorporam ao conhecimento humano.

DESEMPREGO AUMENTA – Na sua edição de quarta-feira, O Globo revelou que no mês de maio solicitaram o seguro desemprego 960 mil trabalhadores. Este número é 53% maior que o registrado em maio de 2019. E superou pela margem de 28% a soma dos requerimentos de abril.

Constata-se assim um aumento da despesa e uma diminuição da receita tanto para o INSS quanto para o FGTS. Eis aí uma informação que envio ao Palácio do Planalto e também ao ministro Paulo Guedes. O que pretendem fazer em relação a isso?

Paulo Guedes não consegue atravessar a ponte que separa a teoria da prática

Paulo Guedes anuncia que o novo presidente do BNDES virá da ...

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

O Ministro Paulo Guedes – O Globo e a Folha de São Paulo   publicam hoje – anunciou a criação do Renda Brasil que substituirá o Bolsa Família e ainda por cima destinará recursos para socorrer trabalhadores informais. São 38 milhões de pessoas, como o ministro da Economia vai obter recursos para isso, francamente não sei. Acredito que seja mais uma de suas fantasias delirantes que não conseguem ser comprovadas pelos fatos.

Por falar em teoria e prática, lembro uma frase do velho político Benedito Valadares: a teoria na prática é outra coisa. Valadares deixou exemplos em suas passagens pelo governo de Minas e seu mandato de senador.

ADVERSÁRIO CORDIAL – Outra de suas frases fez história: é melhor um adversário cordial do que um correligionário hostil.  Mas o ponto alto de suas decisões foi nomear JK em 1940 para prefeito de Belo Horizonte.

Juscelino substituiu os paralelepípedos da Avenida Afonso Pena pelo asfalto. Os bondes eram puxados a burro. O barulho era terrível, como me disse um dia meu saudoso amigo José Aparecido. Na ocasião Valadares disse apenas: agora sim Belo Horizonte tem prefeito. Mas estas são outras questões.

O ministro Paulo Guedes informou que o programa Renda Brasil, incluindo os informais, vai impulsionar as empresas, flexibilizar os contratos de trabalho e combater o desemprego. Para mim, pura fantasia. Mais uma com a qual ilude a opinião pública.

VERDE E AMARELO – Além disso. Guedes vai recriar o programa verde e amarelo destinado a capitalizar micro e pequenas empresas. Mas o problema é que está faltando coordenação a seu ministério. Vamos por etapas, a respeito de fantasia e realidade. As reportagens são de Julia Chaib e Gustavo Uribe, Folha de São Paulo, e de Marcelo Correia e Cassia Almeida em O Globo.

Quanto a descoordenação que envolve a atmosfera no Ministério da Economia, eis mais uma prova. O secretário de Fazenda Waldery Rodrigues foi o responsável pelo ato que transferia 83,9 milhões de reais do Bolsa Família para a Secom, que a aplicaria na publicidade do governo.

Gustavo Maia e Leandro Prazeres, em O Globo revelam que o presidente da República revogou o ato e mandou a revogação para a edição extra do DO de ontem. Onde estava o ministro Paulo Guedes? Ele deveria fiscalizar e impedir iniciativas como essa.

Somente comparações percentuais podem definir rumos e ritmos do coronavírus

Coronavírus - Ministério é criticado por ocultar dados da pandemia

Ministério da Saúde é criticado por ocultar dados da pandemia

Pedro do Coutto

Num pacto inédito na imprensa brasileira, reunindo O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Extra e os portais G1 e UOL, pode se esperar obter dados verdadeiros sobre a pandemia do coronavírus no Brasil. Por isso, a extrema importância da fidelidade das informações e sua aplicação prática. O problema é urgentíssimo e o presidente Bolsonaro precisa assumir a responsabilidade pelo trabalho do governo federal.

Afinal de contas, existe o Ministério da Saúde e daí conclui-se de forma cristalina a participação do Planalto na direção do problema que atinge forte e frontalmente toda a população brasileira.

ENCARGO COMUM – O combate a pandemia não é somente responsabilidade dos governadores e prefeitos. Se assim fosse o Ministério da Saúde não teria a obrigação de atuar contra o vírus que está ameaçando o Brasil e o mundo. 

Portanto, se existe Ministério da Saúde, é porque suas ações são fundamentais no panorama global e não apenas restrito a opiniões teóricas. O problema maior é que há necessidade de ter um ministro na Pasta, que entenda do assunto.

Vamos falar no lance de dados percentuais. Antes porém, chamo atenção para o pronunciamento do ministro Dias Toffoli que ontem afirmou, como se lê hoje nos jornais, que as ações do presidente Bolsonaro têm trazido dubiedade sobre a democracia, o que assusta a sociedade brasileira. A reportagem é de Washington Luiz e Carolina Brígido, em O Globo.

HÁ DUBIEDADE – Essa declaração foi o fato político mais importante de ontem para hoje. Também houve mais 849 mortes em 24 horas, de acordo com informações obtidas pela frente integrada pela imprensa. Tais dados não são os fornecidos pelo Ministério da Saúde. Mas esta é outra questão. André de Souza, Gustavo Maia e Paula Fernandes publicam a reportagem no Globo de hoje. 

Mas falei na exigência natural da comparação dos dados percentuais. Daí a obrigação centímetro a centímetro da veracidade dos números. A questão baseia-se no seguinte: comparar o crescimento dos dados de morte, com os dados de um possível estacionamento de casos fatais e não fatais. Além disso, claro, tem de se incluir os números exatos da contaminação, assim como os casos de recuperação dos pacientes. 

Vamos ao plano concreto, pois de teorias que se chocam com a realidade todos nós estamos “cheios”. A teoria na prática é outra coisa.

COMO PROCEDER – Chegamos assim ao ponto essencial. Primeiro, comparar os dados de contaminação de um dia para outro. Segundo, comparar o número de falecimentos no mesmo período. Fechando o triângulo, confrontar através da mesma lente o total de contaminados de um dia para outro.

Só assim é que os cientistas, médicos, biólogos, infectologistas e outros poderão ter a noção exata das tendências de velocidade delas tanto para cima quanto para baixo, não esquecendo que os números também podem indicar o estacionamento. O enfoque cristalino revelará a tendência ascendente, estacionária ou declinante, como disse há pouco. Aí é que se sabe a tendência verdadeira.

Sei que os médicos que lerem este artigo vão fazer a pergunta: E os casos de recuperação? Acrescento então que são igualmente fundamentais, porque podem apontar a diferença entre métodos de tratamento. O coronavírus é um fantasma que só pode ser enfrentado através da lógica científica e não da mágica que oculta uma omissão.