Na visão do presidente do BC, se o governo cair, a equipe econômica continua

Resultado de imagem para ilan goldfajn

Equipe econômica está blindada, segundo Ilan

Pedro do Coutto

Numa entrevista de página inteira a Fabrício de Castro, Fernando Nakagawa e Irany Tereza, em O Estado de São Paulo desta segunda-feira, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que, apesar da incerteza ter aumentado, o que me interessa são as reformas e o ajuste fiscal. Com tal declaração, o presidente do BACEN praticamente separou o destino político do presidente Michel Temer do objetivo contido nas reformas trabalhista e previdenciária, distinguindo também o desfecho do ajuste fiscal proposto pela equipe econômica.

O presidente do Banco Central deve ter expressado também o posicionamento do ministro Henrique Meirelles, já que não faria sentido destacar um pensamento diverso do pensamento do titular da Fazenda. No texto, assinalou que “a incerteza nas últimas semanas aumentou. Mas podemos ter as reformas e o ajuste avançando. E é só isso que me interessa, sob o ponto de vista do BC.”

SEPARAÇÃO – As declarações de Goldfajn, presume-se, devem ter desagradado o presidente Michel Temer na manhã de sua viagem à Rússia. Pois dão a entender que o projeto econômico de seu governo nada tem a ver com a permanência ou não do presidente no Palácio do Planalto. Com a entrevista o presidente do BC, sem dúvida, dirigiu uma mensagem ao mercado financeiro, acentuando que o apoio às reformas independe do Palácio do Planalto. Depende, isso sim, da ação da Fazenda na Esplanada de Brasília. Separou o Planalto da visão geral da planície.

Goldfajn afirmou: “Trabalhamos no BC sempre com as questões econômicas e técnica. Desde o primeiro dia da crise, me perguntaram o que vocês (no plural) vão fazer? Vamos fazer a questão técnica. Tenho avaliado a consequência dos últimos eventos e as reformas e ajustes. São diferenças importantes. Podemos ter as reformas e os ajustes avançando, e é só isso que me interessa.”

MENOS INCERTEZA – O presidente do BC reconhece que apesar de a incerteza ter aumentado nas últimas semanas, é possível que venha a diminuir. A reforma trabalhista está avançando, vamos ter que observar como anda a reforma da Previdência, disse.

Como se constata, Ilan Goldfajn considera que o essencial na área econômica pode não ser o essencial na área política. Suas declarações são claras nesse sentido. Pode ter fortalecido a corrente de Henrique Meirelles, na qual navega ele próprio, mas enfraqueceu ainda mais o governo Temer.

Em síntese: a economia está bem, não importando que o projeto político esteja mal. Quis dizer: se o governo cair, a equipe econômica continua. Seu destino ultrapassa o destino do Palácio do Planalto.

Se Joesley Batista é um “bandido”, por que então Temer o recebeu em palácio?

Resultado de imagem para no porão do jaburu charges

Charge do Benett (Notícias UOL)

Pedro do Coutto

Na resposta que apresentou – reportagem de Eduardo Barretto e Eduardo Bressiani, O Globo deste domingo – Michel Temer afirma que o controlador do grupo JBS é o bandido de maior sucesso na história brasileira, figura notória da prática de lances ilegais, aliado dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff. Alegou também que os negócios do submundo foram realizados nos governos passados. Mas cabe a pergunta: se Joesley Batista é um bandido e estelionatário, quais os motivos que levaram o presidente da República a recebê-lo no Palácio Jaburu, com ele mantendo uma conversa que se prolongou por 40 minutos?

O fato predominante no episódio que surgiu do novo depoimento de Joesley Batista à Polícia Federal foi o encontro que Michel Temer não nega e que provocou nova avalanche de impactos no quadro político do país.

Esperamos para esta segunda-feira a abertura do processo judicial que o presidente da República prometeu iniciar contra Joesley e o rumo que daí vai surgir no entrechoque violento de versões e opiniões a que a opinião pública assiste com interesse e também com revolta e decepção.

DESCEU OS DEGRAUS – Revolta e decepção por ver um presidente da República descer dos degraus do Planalto para duelar na planície com um empresário beneficiado por uma série de créditos e favores imensos que recebeu a partir de 2005, como o próprio Temer diz, através de créditos do BNDES, entre outras vantagens.

Sabedor de avanços ilegais do dinheiro público, o que se podia esperar do presidente Michel Temer era uma reação oficial contra o empresário que criara uma fonte luminosa de corrupção no país. Ao ponto de se tornar proprietário de frigoríficos, não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e outros países.

Porém, ao contrário, o atual governo só firmou posição contrária em relação ao Joesley Batista quando por alvejado por ele em depoimento à Polícia Federal, objeto da entrevista publicada com destaque pela revista Época. Dessa forma a reação presidencial se fez sentir como resultado das pressões e reflexos da opinião pública.

FALA DE FHC – Michel Temer viaja nesta segunda-feira para a Rússia e a Noruega, mas sua ausência do Brasil não funcionará como uma espécie de tranquilizante. A crise, antevista pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, permanecerá e aguardará o retorno do presidente, previsto para o final da semana. Ao contrário, o clima continuará marcado por uma temperatura alta, no início do inverno em nosso país.

Possivelmente informado da nova etapa aberta por Joesley Batista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso desembarcou da viagem que os tucanos desejavam fazer na escala, mais uma, de participação no governo. Afinal de contas, o PSDB ocupa quatro ministérios na Esplanada atingida pela explosão desencadeada pela JBS. A ideia original era a de adiar a saída, esse adiamento durou apenas uma semana, pois agora a realidade passou a ser outra.

QUESTÃO ESSENCIAL – Desembarcar ou não desembarcar é a questão essencial do PSDB. Antecipar as eleições de 2018 tornou-se, como FHC deseja, uma solução de curto prazo. Essa antecipação pode não incluir os mandatos parlamentares e dos atuais governadores. Ficaria restrita a presidência e vice-presidência da República.

A tempestade atinge apenas o governo que não se encontrou desde a reeleição de Dilma Rousseff e de MIchel Temer. Michel Temer assumiu, mas não conseguiu sair-se bem das armadilhas que o poder deixa no caminho de quem o ocupa.

Confronto entre Temer e Joesley atinge seu ponto máximo

Resultado de imagem para temer e joesley

Ilustração reproduzida do Blog do Esmael

Pedro do Coutto

O confronto e o conflito entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista atingiram o ponto de tensão máxima neste final de semana, com a entrevista do principal dono da JBS a Diego Escosteguy, para a revista Época que se encontra nas bancas. O empresário acusou frontalmente o presidente da República de formar a maior e mais perigosa organização criminosa deste país. Michel Temer- ressaltou- é o chefe.

A matéria foi destacada também em reportagem de Jailton de Carvalho na edição de O Globo de sábado. O presidente MIchel Temer respondeu no final da tarde também deste sábado através de nota oficial divulgada integralmente pela Globonews e enviada a todas as demais emissoras e jornais do país.

VAI PROCESSAR – Nessa nota oficial o presidente Michel Temer anuncia que processará criminalmente Joesley Batista na segunda-feira. O texto do Palácio do Planalto dirige também críticas à Procuradoria Geral da República e à Justiça pelas vantagens que destinou ao personagem em troca de sua delação premiada. O fato é que a crise política atingiu com isso seu ponto máximo de tensão.

A partir de agora não haverá mais possibilidade de recuo ou de adiamento do desfecho. Na entrevista à Época, Joesley Batista diz que gravou a conversa que teve com MIchel Temer para se resguardar de eventuais pressões que  poderiam se suceder no que se refere a desembolsos financeiros, especialmente para o ex-deputado Eduardo Cunha manter-se em silêncio na prisão em que se encontra.

REFÉM DOS PRESOS – Joesley sustenta que foi transformado em refém de dois presidiários. Eduardo Cunha e o doleiro Lúcio Funaro. Não diz diretamente de quem era refém, mas pela direção do relato só pode ser refém do presidente Michel Temer. Isso porque tal ameaça levou-o a visitar o presidente da República no Palácio Jaburu, ocasião crítica na qual efetuou a gravação que se transformou em pedra de toque da crise que atinge o governo.

O processo penal anunciado por Temer contra Joesley dará margem a um desdobramento da situação. Porque se Joesley confirmar mais uma vez o que disse à Polícia Federal na sexta-feira e a Justiça aceitar as provas que se dispõem a exibir, para o presidente Michel Temer tornar-se-á no ponto final de seu mandato.

Se a Justiça condenar Joesley Batista, nem por isso o residente da República sairá bem do episódio.

SEM ABSOLVIÇÃO – Michel Temer deixou-se, de uma forma ou outra, ser envolvido pela onda de denúncias contra ele. Joesley pode ser condenado, mas isso não significará a absolvição de um governo que se perdeu no rumo da história.

Finalmente, se Joesley não sofrer nenhuma pena o próximo passo político será a instalação urgente de um novo governo no país.

Um governo capaz de resistir à tempestade e que represente o povo brasileiro.

FHC retira a última coluna que sustentava Michel Temer no governo

Resultado de imagem para FHC CHARGES

Charge do Angeli (Folha)

Pedro do Coutto

Na entrevista a Silvia Amorim, O Globo desta sexta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a maior figura do PSDB, retirou o que se pode classificar de última coluna ou base de sustentação do presidente Michel Temer do Palácio do Planalto. Fernando Henrique Cardoso afirmou de forma direta que o presidente da República perdeu a legitimidade para permanecer no governo. O ex-presidente divulgou um texto no qual destaca os pontos principais de sua visão institucional. Ele defende que Temer, num gesto de grandeza concorde com a antecipação para já das eleições diretas marcadas para 2018.

“Se tudo continuar como está – ressaltou – com a desconstrução contínua da autoridade e seu empenho de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa permanecer no governo”.

ESVAZIAMENTO – Além de Sílvia Amorim em O Globo, as declarações de FHC foram também objeto de matéria assinada por Raymundo Costa no Valor. Na quinta-feira, Folha de São Paulo, reportagem de Talita Fernandes e Bruno Boghossian, o presidente em exercício do PSDB, Tasso Jereissati, afirmara que Michel Temer tem de provar sua inocência e que acreditar na proposta de acordo de apoio do PMDB a um candidato da legenda que preside interinamente, no lugar de Aécio Neves significa um verdadeiro delírio, ou, como disse o poeta, o sonho de uma noite de verão.

Deixando o sonho e retornando-se à realidade exposta por Fernando Henrique, pode-se afirmar que o argumento da falta de tempo para convocar eleições gerais é algo secundário, partindo de uma ilusão. O exemplo de 1945 coloca por terra o tema falta de tempo.

EXEMPLO DE VARGAS – A 29 de outubro de 1945, o presidente Getúlio Vargas, então ditador desde novembro de 37, foi deposto por um movimento político militar. Como não havia Congresso Nacional funcionado, assumiu a presidência da República o presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, hoje nome de rua no Leblon. As eleições presidenciais e para a constituinte de 46 foram realizadas normalmente a 2 de dezembro do ano hoje distante na memória política.

Foi eleito o general Eurico Dutra, com o apoio de Vargas, juntamente com a representação de 2 senadores por estado e os deputados federais. A Constituição de 46 que durou até 64, foi promulgada no mês de setembro. A nova Carta Constitucional da época foi que estabeleceu três senadores por estado. O terceiro senador foi eleito em 1947. Os governadores também.

HÁ TEMPO – Portanto, não é por falta de tempo que a sucessão presidencial antecipada não passará da teoria à prática. Em 1945, as cédulas de votação eram individuais, a contagem dos votos era manual, não existia internet e os computadores eram apenas um projeto nos países mais adiantados. Basta dizer que o primeiro computador a entrar em funcionamento foi inventado em 1944 pelo inglês Alan Touring que, com ele, decifrou o código nazista que antecipou o final da segunda guerra na Europa.

Hoje existe tudo  isso e não se pode sequer comparar o panorama tecnológico de 45 com a realidade dos dias de hoje.

Por falar em realidade a tese levantada por Fernando Henrique Cardoso é a mais realista possível e conduz à saída de um túnel obscurecido pela corrupção e pelas tentativas de obstruir as investigações da Lava-Jato e aquelas que sucederam o petrolão e aterrissaram nos campos da JBS. Depois de FHC falar, o silêncio do Planalto é a melhor confirmação dos fatos.

Jorge Bastos Moreno, um suave tradutor da realidade

Resultado de imagem para jorge basto moreno

Moreno escrevia em O Globo há mais de 30 anos

Pedro do Coutto

A diferença de 20 anos entre a minha geração e a dele não me deu o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas acompanhei sua trajetória brilhante no Globo. Pelas manifestações intensas que marcaram sua morte, constato que se tratava de excepcional figura humana, um suave tradutor da realidade, alguém que jogava luz entre a sombra e o fato. Colecionou amigos em grande número, o que destacava seu caráter agregador e assinalava sua compreensão entre as diferenças humanas.

Com ele desaparece um estilo raro no jornalismo brasileiro: alguém capaz de penetrar nas curvas do segredo sem contundir aqueles que o guardavam. Um jornalista que soube honrar sua profissão, a qual, no fundo, é uma ponte entre o que existe e o que se sabe. Atravessam essa ponte diariamente milhões de pessoas à procura da exatidão de uma ideia clara entre as múltiplas versões que podem existir entre um lado e outro da política, da economia da sociedade.

ANSIEDADE – O jornalismo, efetivamente, é isso. A busca incessante e renovadora marcada pela ansiedade própria de todos os profissionais de imprensa. Um jornalista nunca está tranqüilo, porque ele sempre tem o impulso dentro de si de identificar uma situação e em seguida traduzi-la para a opinião pública, para todos nós que caminhamos no tempo e buscamos uma resposta sempre clara de uma pergunta reveladora.

A beleza da comunicação vive nesta busca que se renova a todos os momentos. Redatores, repórteres, fotógrafos, cinegrafistas habitam esse universo fascinante que é marcado pela descoberta e por sua divulgação. Às vezes pessoas não entendem bem a nossa tarefa de tradução e revelação. Mas para estes dou sempre o exemplo do risco que também envolve a atividade profissional. Basta recorrer aos arquivos de fatos perigosos e marcantes da existência para se ter certeza do que estou afirmando aqui.

HIROSHIMA – Se alguém verifica, estarrecido, a história da bomba de Hiroshima, por exemplo, vai se deparar com os documentos fotográficos. E talvez não pense no risco que fotógrafos correram naquele agosto de 1945. Se alguém procurar fotografias da invasão da Normandia, em julho de 44, vai verificar que o risco heróico dos soldados americanos e ingleses que desembarcaram era o mesmo que os portadores das hoje velhas máquinas fotográficas corriam. Não é diferente a jornada também heróica da Força Expedicionária Brasileira nas montanhas da Itália Fascista.

Reportagens produziram em sua época longos capítulos da história universal. Hoje essa história está nos livros, depois de estar nas teclas de velhas máquinas de escrever e eternizadas nas lentes dos repórteres que trabalhavam na visão. São episódios como os de Monte Castelo, Pearl Harbor, Stalingrado, que serão visitados para sempre na memória universal.

PERSONAGEM – Jorge Bastos Moreno foi personagem marcante no jornalismo que se renova, não só a cada dia mas a cada momento da vida.

A história se escreve, assim, através das marcas indeléveis que a imprensa e a televisão produzem, da mesma forma que as imagens e os fatos registrados pelo jornalista que há poucos dias desembarcou da viagem. Viagem, lembro agora era a imagem que o grande pensador Alceu de Amoroso Lima – no final da vida, mais cristão do que católico – usava para falar daqueles que deixaram de viver na terra. Amoroso Lima referiu-se assim quando da morte de Nelson Rodrigues. Frisou que, apesar de suas divergências ele era mais um companheiro de viagem que desembarcava.

Jorge Bastos Moreno desembarcou, é pena. Mas sua passagem possui momentos importantes da história que ele assistiu e traduziu com leveza e humor. Mas sem minimizar o valor das descobertas a que chegou. Por tudo isso será sempre lembrado como um grande jornalista que foi. Ele viverá nos arquivos de O Globo com o destaque que fez por merecer.

Grupo do PT agrediu Miriam Leitão para escapar a si próprio

Resultado de imagem para miriam leitão charges

A ABI se omitiu sobre o caso de Miriam Leitão

Pedro do Coutto

A agressão cometida por um grupo de filiados do PT à jornalista Miriam Leitão, num voo de Brasília para o Rio, não só foi uma manifestação brutal à liberdade, como também psicologicamente representou uma tentativa vã de escapar a si próprio, uma vez que a corrupção disparou nos governos Lula e Dilma Rousseff, desembocando no governo Michel Temer. O PT deveria, isto sim, manifestar-se contra aqueles que mancharam a carta de princípios do próprio partido, que de sua mensagem original de reformista, transformou-se em conservador. E mais do que isso: patrocinou por ação e omissão a onda de assaltos ao patrimônio público. A Petrobrás é o exemplo mais emblemático.

A jornalista Miriam Leitão narrou o episódio em sua coluna de O Globo de terça-feira e nesta quarta-feira o jornal em que trabalha publicou destacada reportagem sobre o assunto. No que foi acompanhado pela Folha de São Paulo e pelo O Estado de São Paulo. No Estado de São Paulo a matéria é assinada por Elisa Clavery.

SILÊNCIO DA ABI – Estranho e sobretudo revoltante foi o silêncio da ABI, destoando das posições assumidas pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, pela Associação Nacional de Editoras de Revistas e pela Associação Nacional de Jornais e pelo Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro.

O repúdio foi geral, maciço, apagando a omissão da ABI. Mas não apagou o repúdio de toda a opinião pública. A situação do voo foi tão intensa que o comandante da aeronave propôs a Miriam Leitão que trocasse de lugar para um espaço que a libertaria dos fanáticos impulsionados por uma confissão de culpa. Miriam Leitão rejeitou e preferiu enfrentar o absurdo mantendo-se onde se encontrava, rodeada por aqueles que querem impor a sua realidade, tentando desconhecer a realidade dos fatos.

FASCISMO – O episódio representa também o espírito fascista que habita grande parte das hostes petistas. Como, aliás, focalizou O Globo em editorial nesta quarta-feira. Os petistas fiéis ao programa do partido deveriam repudiar os que romperam com a dignidade pública, apropriando-se de negócios sinuosos que mancharam a sua bandeira de luta. Para o PT, o episódio do avião demonstra que o partido está perdido no espaço político. E na procura de reencontrar-se consigo mesmo, extrapola e acusa aqueles que não são responsáveis pela debacle da legenda e, na verdade, apenas relataram o que aconteceu no Brasil a partir de 2003.

Enquanto permanecer longe de seus princípios, longe da bandeira que levou à sua constituição, os petistas precisam urgentemente ingressar num processo de autocrítica. Miriam Leitão não foi responsável pelo desabamento partidário. Não foi responsável também pela passeata de 1 milhão de pessoas em São Paulo e 600 mil no Rio exigindo a saída de Dilma Rousseff.

EMBLEMA DA REFORMA – Foram as ruas brasileiras e não os jornalistas e apresentadores de televisão que explodiram o emblema da reforma que, depois das derrotas de 89, 94 e 98, foi usado para fins nada coincidentes com a motivação original de um Partido que se intitulava dos Trabalhadores.

No final das contas, o PT acabou nas mãos da Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez e da JBS. A JBS permaneceu aliada a MIchel Temer até o episódio de Joesley Batista com sua gravação desmoralizante.

INTOLERÂNCIA – A atitude agressiva para com Miriam Leitão foi mais uma página também da intolerância dos que tentam fugir ao julgamento inapelável da consciência.

Miriam Leitão está bem com sua consciência de jornalista. Ela foi personagem principal de um fato que representa a preservação da liberdade de pensamento como uma das grandes colunas que sustentam a mente humana.

Os agressores do final de semana juntam-se aos eternos inconformados com uma coisa chamada liberdade.

Na visão do PSDB, a corrupção do governo é assunto sem relevância

Resultado de imagem para cunha e temer charges

Charge do Jota A (O Dia/PI)

Pedro do Coutto

Acho que o título do artigo sintetiza a decisão que o PSDB tomou na noite desta segunda-feira, de não deixar o governo Michel Temer e, portanto, manter os titulares da legenda que ocupam quatro Ministérios atualmente. O Partido – reportagem de Maria Lima, O Globo – alegou compromisso com as reformas que se encontram em tramitação no Congresso – no caso, as Reformas Trabalhista e Previdenciária. Mas a verdade é outra. O PSDB permanece na base que sustenta o equilíbrio de Temer no Planalto porque fez um compromisso com o PMDB: votar pela absolvição do senador Aécio Neves para depois assegurar o apoio do PMDB ao candidato que o PSDB vier a escolher para a sucessão presidencial de 2018.

Na primeira fila da cogitação relativa a 2018, encontra-se o governador Geraldo Alckmin, que aliás foi peça decisiva no sentido de que os tucanos não rompessem com a administração do país. Quer dizer, não rompessem nos dias atuais,  porque o futuro é incerto e a dinâmica da política pode levar o partido a mudar de rumo a qualquer instante.

SÓ PROMESSA – Apoio ao candidato do PSDB em 2018 representa apenas uma promessa que se vai com o vento e com a realidade que se impuser no país no próximo ano. Mas promessa é sempre algo animador, não importando quaisquer empecilhos.

Entretanto, episódios novos estão para surgir, sem dúvida alguma. A Rede de Marina Silva recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra a decisão do TSE. O recurso é importante, sobretudo porque abriu uma divergência no STF, colocando em lados opostos Gilmar Mendes e Luiz Fux.

O ministro Fux, matéria de Juliana Arreguy e Cristiane Jungblut, em O Globo, afirmou que o TSE usou um artifício para absolver a chapa Dilma-Michel Temer. E acrescentou que, se a ação chegar ao Plenário do STF, seu voto será pela cassação do mandato do presidente da República. Para ele, a exclusão das delações da Odebrecht, de João Santana e Mônica Moura foi um erro.

###
REFORMA FORTALECE A PREVIDÊNCIA PRIVADA

Em entrevista ao Valor desta terça-feira, o presidente da entidade que congrega os Fundos Privados de Previdência Complementar anunciou um grande avanço na captação de recursos, ao longo do debate que se trava no Congresso Nacional em torno da reforma previdenciária com recursos estatais. É o caso da Previdência privada de modo geral, uma vez que o projeto que o presidente Michel Temer elaborou muda as condições básicas para aposentadoria.

Defensor da reforma, o presidente da Bradesco Vida, Jorge Pohlman Nasser, destaca que a reforma abriu uma janela de oportunidades para o setor privado.

A questão é muito simples: temendo perda dos valores da aposentadoria, grande parte dos servidores das estatais e do serviço público tem partido para buscar opção na previdência privada.

 

Gilmar Mendes, um voto chamado desastre

Resultado de imagem para gilma mendes charges

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Pedro do Coutto 

O título, claro está inspirado na obra de Tennessee Wiliams, para comentar a declaração de Gilmar Mendes em entrevista a Mônica Bergamo, Folha de São Paulo desta segunda-feira, ao justificar que a decisão do TSE visou a evitar que o país ingressasse num quadro de incógnita. Na entrevista, ele frisou que o TSE contrariou pressões de grupos da mídia e de setores políticos. Infelizmente, acrescentou, cabe a nós do Judiciário decidir muitas vezes contrariando a maioria. Disse ainda que seu voto seria o mesmo se estivesse em jogo o mandato de Dilma Rousseff. Além disso, o magistrado apontou pressões sobre o Judiciário especialmente relacionadas à Operação Lava-Jato.

Gilmar Mendes criticou o ministro Edson Fachin, frisando que o STF não deve ser obrigado a chancelar todos os atos da Procuradoria Geral da República.

JANOT E CÁRMEN – Após atacar de maneira quase direta o procurador Rodrigo Janot, indiretamente teceu restrições à presidente do STF, Cármen Lúcia, acentuando que ela tem de sair em defesa de todos os ministros.

Neste ponto, Gilmar Mendes esqueceu que Carmen Lúcia defendeu Edson Fachin porque contra ele surgiram notícias de que o governo estaria utilizando a ABIN para devassar sua vida pessoal. Este tema foi levantado pela Revista Veja, que se encontra nas bancas e que deu margem à enérgica resposta da ministra Carmen Lúcia. O que, de fato, o presidente do TSE quis dizer com isso?

A ministra Carmen Lúcia defendeu o ministro focalizado na matéria da Veja e inclusive baseou sua defesa em todo o universo do Poder Judiciário.

AUTODEFESA – Gilmar Mendes parece desejar que a presidente do STF o defenda das críticas maciças que lhes são dirigidas. Mas ele próprio está se defendendo na entrevista a Mônica Bérgamo. Não foi acusado de nenhuma intenção ilegal nem teve ameaçada qualquer devassa em sua vida pessoal. Seu caso é completamente diferente do episódio que atingiu Edson Fachin.

Parte da mídia, disse ele, passou a entender que o TSE seria a solução para o impasse político que está envolvendo o governo Michel Temer. O Tribunal não é o cenário para esse desfecho, alegou.

Relativamente à ministra Carmen Lúcia, Gilmar Mendes acentuou que ela deve assumir a defesa institucional do STF e não só de um ou outro ministro. Essa é a missão dela.

GRAVE CRISE – Por falar em missão, não se pode ignorar a dimensão da crise que atinge o Palácio do Planalto. Gilmar Mendes defende sua posição como destinada a assegurar a governabilidade. Mas deve se perguntar a ele: qual a governabilidade?

O presidente Michel Temer é acusado pelo Procurador Geral Rodrigo Janot de prática de fatos ilegais e também inquirido pela Polícia Federal. Qual a governabilidade que ele poderá exercer se não resguardar o Palácio de visitas como a do empresário Joesley Batista ou do fugitivo da noite Rocha Loures, filmado pela Polícia Federal?

O ministro Gilmar Mendes com seu voto não assegurou a estabilidade do poder. Assegurou, isso sim a permanência de Michel Temer na presidência da República, enfraquecido e exposto à decepção que vem provocando em todo o povo brasileiro.

Estar presidente é uma coisa. O exercício do cargo é outra. O voto de Gilmar Mendes é uma terceira versão para negar a realidade concreta do país.

Na imprensa e no povo, foi péssima a repercussão do julgamento de Temer

Gilmar  não agradou a gregos nem a troianos

Pedro do Coutto

Não podia ter sido pior a repercussão na imprensa do resultado do julgamento do TSE que apenas prolongou, por pouco tempo, a permanência do presidente Michel Temer no poder. Nenhum jornal, nenhum comentarista de programas na televisão, ninguém na realidade ficou satisfeito com o voto de Minerva do ministro Gilmar Mendes. A sensação geral é a de frustração e de descrédito, não quanto a Justiça em geral, mas em relação ao TSE em particular, principalmente aos quatro integrantes que garantiram a vitória de uma tese impossível à luz da lei, da ética e até da moral.

Ironicamente surgiram comentários dizendo que o desfecho de 4 a 3 foi consequência do excesso de provas. De fato, provas de corrupção não faltaram, o que foi assinalado tanto pelas testemunhas das manobras financeiras, quanto pelos delatores que desembolsaram milhões e milhões de reais aparentemente para a campanha da chapa Dilma-Temer, mas na realidade para encobrir uma sequência interminável de propinas e contratos superfaturados na Petrobrás.

DENÚNCIA NO STF – Agora o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, em matéria de Jailton de Carvalho, O Globo deste domingo, vai ampliar a denúncia contra o Presidente da República com base no depoimento do doleiro Lúcio Funaro e a perícia da gravação do diálogo de 40 minutos entre Joesley Batista e Michel Temer.

A Polícia Federal, espera Janot, deve concluir a perícia da gravação nos próximos dias. Para os que investigam o processo, o caso Michel Temer é um dos mais bem documentados, registrando crimes políticos.

A rigor, pelo que se conhece dos fatos acumulados ao longo do tempo, não se percebe a possibilidade de Temer sobreviver à crise da qual ele é mesmo o personagem mais importante. Não só pela amizade e intimidade que mantinha com Joesley Batista, mas também por sua vinculação com Rocha Loures, o fugitivo da noite e da mala de 500 mil reais.

QUAL O DESTINO? – Por que motivo os donos da JBS iriam doar R$ 500 mil a um suplente de deputado federal? Sobretudo um ex-assessor do Palácio do Planalto. O destino do suborno não poderia terminar com Loures, filmado em desabalada carreira de um táxi para outro pelas câmeras da Polícia Federal.

Examinando-se, assim, o quadro real do sinuoso e sombrio processo de corrupção, constata-se – que coincidência – não se ouviu nem a mínima palavra do presidente Michel Temer sobre a corrupção. As declarações que ele e seus personagens mais próximos têm acentuado, ao contrário, direcionam-se mais contra a Operação LavaJato do que contra os ladrões que vinham assaltando a Petrobrás, o BNDES e o país, de forma avassaladora e sem limite.

Limite? O limite que agora a população brasileira deseja conhecer encontra-se voltado para o fim do atual governo. Enredou-se a si próprio numa teia de corrupção e falsificações. Tentou iludir a Nação e o povo. Não conseguiu.

Indignação quanto ao desfecho do TSE vai aumentar a rejeição a Temer

Resultado de imagem para decisão do tse charges

Charge do Mariano (Charge Online)

Pedro do Coutto

O absurdo da decisão do Tribunal Superior Eleitoral, na prática absolvendo MIchel Temer apesar da existência de provas maciças e evidentes, causou indignação geral e principalmente repulsa ao voto de desempate do ministro Gilmar Mendes. O presidente do TSE entrou em contradição consigo mesmo e isso está comprovado, como assinalou o relator Herman Benjamin, com base na comparação entre seu  voto de 2015 na mesma questão e seu voto desta sexta-feira, que conduziu a uma verdadeira catástrofe do pensamento jurídico.

O presidente do Tribunal sustentou que não se tira um presidente a toda hora. Traduzindo-se o conteúdo da frase, inevitável é concluir que para o ministro Mendes não importa o limite da lei. O presidente da República estaria desobrigado de respeitar a legislação, e não só a legislação, mas também o compromisso ético do cargo que foi rompido a 7 de março na recepção a Joesley Batista em sua residência na capital do país.

FACCIOSO ABSURDO – Além da indignação em face do faccioso absurdo, a população brasileira – certamente uma pesquisa confirmará isso – foi tomada de revolta e de repugnância pela farsa cometida que durou quase a semana inteira. Isso de um lado.

De outro, o presidente da República chocou o país ao não responder às perguntas que lhe foram dirigidas pela Polícia Federal, através do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot e do despacho do ministro Edson Fachin. Michel Temer pedira mais prazo para responder as indagações, entre as quais a razão verdadeira de seu encontro com o dono da JBS. Ele primeiro solicitou mais tempo, que lhe foi concedido por Fachin.

Ao não responder às perguntas sua atitude define um desrespeito ao despacho do relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

RECURSO – É verdade que a decisão do TSE poderá ser objeto de recurso ao Supremo pela procuradoria eleitoral. Mas isso não muda em nada a condenação ao desempenho público de Michel Temer de passar ao ataque contra a Polícia Federal em vez de responder aos quesitos, por exemplo, sobre a proximidade com o ex-deputado Rocha Loures.

Virando-se esta triste página da história do Brasil, passa-se a uma questão vital para o governo. Trata-se da reunião do PSDB marcada para segunda-feira em Brasília.

O repórter Igor Gielow, Folha de São Paulo deste sábado, destaca a turbulência que envolve o Partido diante de permanecer ou não no Executivo.

REBELIÃO DE TUCANOS – A ala jovem da legenda propõe o desembarque imediato do barco da presidência, enquanto a cúpula deseja mais tempo para decidir, o que, aliás, seria o segundo adiamento da decisão que está polarizando a legenda entre duas correntes. Uma delas formada por 29 deputados federais,; a outra, por 17 parlamentares. A maioria da legenda, portanto, repudia a aliança com o Planalto e luta para que sejam traçados novos rumos políticos para o voo dos tucanos no caminho das urnas de 2018.

Ser ou não ser governo, eis a questão essencial, parafraseando o poeta. A ala jovem coloca o seguinte dilema: se o PSDB permanecer no governo os integrantes do grupo revoltado vão sair do partido. E buscar nova sigla para desempenhar seus mandatos com independência e, portanto, livres de acomodações como essa de ficar num governo expulso da consciência nacional. Ser ou não ser, mais uma vez, é a questão essencial, sobretudo à luz da ética e da moral.

Paradoxo: TSE comprova a corrupção, mas absolve quem se beneficiou

Resultado de imagem para plenário do tse

Como se diz no futebol, foi uma jogada ensaiada

Pedro Coutto

Esta é a síntese do julgamento que se estendeu por vários dias, transmitido pela GloboNews, e que terminou na noite desta sexta-feira com o voto de desempate do Ministro Gilmar Mendes,  que, entre as suas razões, colocou a necessidade de se respeitar a vontade popular e sustentar a estabilidade política  do país.

Os ministros Herman Benjamin, Luiz Fux e Rosa Weber pronunciaram-se a favor praticamente do fim do mandato do presidente Michel Temer. Sustentaram não ser possível ignorar o mar de corrupção que transformou doações à campanha eleitoral de 2014 num túnel destinado a dividir a propina, originária dos contratos firmados entre a Petrobrás e a Odebrecht.

MARCADO PARA SEMPRE – Um dado que vale a pena ressaltar e que, pela natureza histórica do julgamento, ficará marcado na memória brasileira. Os sete ministros, por unanimidade reconheceram a ocorrência de uma corrupção maciça envolvendo as eleições, porém quatro dos sete integrantes do Tribunal decidiram não reconhecer a importância das revelações feitas por testemunhas do processo nem as abundantes provas nos autos

Destacando a importância do trabalho do relator Herman Benjamin, o ministro Luis Fux afirmou ser impossível desconhecer a realidade da corrupção praticada em escalas milionárias em torno do pleito sucessório. O mesmo raciocínio foi o do relator e base também do voto da ministra Rosa Weber.

ESTRANHA DUALIDADE – Sem dúvida alguma ficou na noite de sexta-feira marcada uma dualidade estranha: um Tribunal reconhece a procedência das provas, mas as desconhece para efeito do julgamento final.

Ao longo da semana de apreciação do recurso contra a posse da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, houve um  momento em que o ministro Gilmar Mendes, presidente da Corte, ao relembrar ter sido o responsável pela continuidade do julgamento, pois foi voto vencedor contra o arquivamento do processo, mandou às favas a modéstia.

Neste ponto reviveu a frase célebre de Jarbas Passarinho, dirigida ao Presidente Costa e Silva no anoitecer dramático do Ato 5, quando conclamou a necessidade da medida ditatorial: “Presidente, se o Ato é necessário, às favas os escrúpulos da consciência”.

A história, como se vê, aproximou os dois autores na estrada do tempo.

PSDB deve desembarcar do avião de Joesley que transportou Temer

Charge do Léo, reproduzida do SIte GGN

Pedro do Coutto

O presidente em exercício do PSDB, Tasso Jereissati, convocou para segunda-feira em Brasília uma reunião da para decidir se o partido sai ou permanece no apoio ao governo Michel Temer. Matéria nesse sentido destaca a importância da convocação – reportagem de Talita Fernandes e Venceslau Borlina Filho, Folha de São Paulo desta quinta-feira – como um marco na história do PSDB e também no desfecho do governo Michel Temer.

A reunião estava marcada para quinta-feira, mas foi adiada para depois da conclusão do julgamento de Temer no TSE. O simples fato de o PSDB reunir-se para decidir sua saída já representa por si um fator de enfraquecimento do presidente da República. Inclusive a reunião foi convocada na noite do dia 7, antes, portanto, da revelação sobre o fato de Michel Temer ter admitido que viajou em avião de Joesley Batista.

ERA MENTIRA – Inicialmente, quando a questão foi levantada no início da semana, o Palácio do Planalto negou a viagem. Entretanto, Joesley Batista a confirmou, o que  obrigou Temer a alterar sua negativa inicial. As repórteres Carla Araujo e Tania Monteiro, além do repórter Fábio Serapião, em O Estado de São Paulo de quinta-feira, assinalaram que o presidente viu-se obrigado a mudar sua versão original, mas acentuando que não sabia que o avião pertencesse a JBS. O fato seria confirmado em seguida pelo próprio Joesley.

Portanto, no encontro dos dois fatos surge um terceiro: se o PSDB já estava propenso a deixar o governo, agora provavelmente encontra mais um motivo para deixar o Planalto e aterrissar na planície de Brasília. Michel Temer assim fica sob dois focos extraordinariamente sensíveis: a decisão do TSE e a retirada dos tucanos na rota de voo do governo.

ABSOLVIÇÃO – No TSE a primeira vista pode-se descortinar uma tendência básica favorável, por 4 votos a 3, a Michel Temer. A decisão oscila em torno de um voto, provavelmente o de Gilmar Mendes. Daí o debate intenso entre o relator Herman Benjamin e o presidente do TSE.

A razão do choque, registrado principalmente pela Globonews, emissora que está transmitindo integralmente a sessão, teve origem no fato de o relator ter transcrito voto de Gilmar Mendes meses atrás, quando impediu que fosse arquivada a ação que hoje se aproxima de seu desfecho.

A jornalista Maria Cristina Fernandes, no Valor, apresentou uma análise do confronto, ressaltando no título que Benjamin usou o voto de meses atrás no Tribunal, para duelar com o autor que outro não é senão o próprio Gilmar Mendes.

Tenho a impressão de que sentindo no ar um clima de empate, o relator procurou amarrar Gilmar Mendes ao Gilmar Mendes do passado, talvez para assim obter, no final da ópera o voto que aparentemente lhe falta para chegar à vitória. É possível.

UMA SURPRESA? – Possível é também a ocorrência de uma surpresa. Mas como todo aquele que necessita uma surpresa a seu favor revela a dificuldade que tem pela frente e que desejava superar.

Herman Benjamin enfrenta uma dificuldade. Mas Michel Temer, nos próximos dias se depara com duas: o próprio Tribunal Superior Eleitoral e a iniciativa do PSDB de saltar ou não numa escala de voo do avião de Joesley Batista.

Se Temer pediu mais prazo, é porque vai responder às perguntas da Polícia Federal

Resultado de imagem para PERGUNTAS A TEMER CHARGES

Charge do Mariano (Charge Online)

Pedro do Coutto 

É isso aí. A Polícia Federal encaminhou 82 perguntas ao presidente Michel Temer, através do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot que por sua vez as enviou ao Ministro Edson Fachin , relator no STF da Operação Lava Jato. Edson Fachin dera um prazo de 24 horas ao Presidente da República.      Este, através de seus advogados, pediu mais prazo. Seu pedido foi atendido: o prazo foi prorrogado até sexta-feira. Ao pedir mais prazo, tacitamente Michel Temer sinalizou que vai responder às perguntas, pois chegou-se a divulgar de que ele não estava disposto a atender os questionamentos. Mas agora observa-se que, ao pedir mais prazo Michel Temer pretende responder a esta peça do processo contra si.

A íntegra das 82 perguntas foi publicada nas edições desta quarta-feira de O Globo e da Folha de São Paulo. É possível que o presidente não responda a todas elas, concentrando-se naquelas de mais fácil explicação. Outras são mais difíceis de abordar, principalmente as que se referem à disparada de Rocha Loures na noite paulista com a mala de 500 mil reais. Outra pergunta espinhosa refere-se a seu encontro no Palácio Jaburu com o empresário Joesley Batista.

OBJETIVO – Examinando-se com atenção o elenco das perguntas chega-se a conclusão de que seu texto não oculta o sentido de afirmação contido nelas. Porque é público e notório, por exemplo, que Joesley Batista dialogou durante 40 minutos com Michel Temer. Como poderá o presidente responder a esta questão buscando um mínimo de sinceridade em torno do fato?

Outra pergunta bastante sensível é a relativa ao grau de intimidade com Rocha Loures. Por coincidência, foi publicada uma foto do presidente da República assistindo televisão no Palácio do Planalto ao lado de Rocha Loures, Henrique Eduardo Alves e Eliseu Padilha. Assistiam a transmissão do impeachment de Dilma Rousseff, quando ele foi votado e aprovado pela Câmara dos Deputados. A foto, portanto, focaliza duas pessoas que hoje encontram-se presas por despacho exatamente do ministro Edson Fachin. Quanto a Eliseu Padilha, Chefe da Casa Civil, tem contra si manifestações da Odebrecht dentro do esquema de delação premiada e é réu em vários processos.

JULGAMENTO NO TSE – É possível que, ao solicitar prazo até sexta-feira, o presidente Michel Temer mostre confiança no resultado do julgamento que transcorre no Tribunal Superior Eleitoral. O prazo previsto para decisão assinalava esta quinta-feira. É possível, porém, que se estenda por mais alguns dias. De qualquer forma, Temer assinalou estar convencido de que o resultado lhe será favorável.

Uma outra expectativa destacada pelo Procurador Geral é de que, na hipótese de ser absolvido, Michel Temer tenha que enfrentar uma ação de Rodrigo Janot, inicialmente dirigida ao STF solicitando instauração de processo criminal contra o presidente da República. O mandato de Rodrigo Janot termina em setembro. Não poderá mais ser reeleito e sua substituição caberá à escolha do presidente da República entre os três integrantes do Ministério Público que forem mais votados pela categoria. Existe também a hipótese de a escolha recair sobre um procurador independentemente de votação, o que parece inviável.

SAÍDA DE JANOT – Mas há muito tempo até setembro para o Planalto contar com a saída de Rodrigo Janot, afinal o prazo é de três meses, diferença de tempo entre junho e setembro.

Devem surgir fatos novos a qualquer momento, uma vez que soa estranho um presidente da República recear a atuação de um Procurador Geral. Se isto ocorre é porque algo inusitado está ocorrendo no processo de poder no país, pois o panorama é incomum.

Vamos esperar o resultado do TSE e a forma com que Michel Temer responderá às perguntas da Polícia Federal.

Rejeição a Michel Temer é maciça: 77% acham que ele precisa ser cassado

Resultado de imagem para rejeição a temer charges

Charge do Oliveira (Humor Político)

Pedro do Coutto

Seja qual for o resultado do julgamento no TSE que se iniciou nesta terça-feira, na realidade a posição do presidente Michel Temer é insustentável e sua permanência no Palácio do Planalto contraria frontalmente a opinião pública brasileira. Pesquisa do Datafolha, publicada na Folha de São Paulo, além de revelar a impopularidade do governo no grau de 2/3, revelou também que 51% desejam que o sucessor do presidente surja de eleições indiretas enquanto 47% manifestam-se favoráveis à eleição direta.

Verifica-se assim que a rejeição está atingindo seu grau máximo, incluindo um aspecto paralelo: para 62% a Câmara dos Deputados deveria abrir um processo de impeachment. Aliás, este processo de impeachment, inclusive apresentado pela Ordem dos Advogados do Brasil, só não foi aberto ainda porque Rodrigo Maia, presidente da Câmara, recusa-se a acolher as pedidos apresentados.

EM TODAS AS CLASSES – A rejeição a Michel Temer, segundo o Datafolha abrange todas as classes de renda mensal familiar e de escolaridade. Ela é maior, sobretudo, entre a faixa incluída entre 1 a 2 salários mínimos. Nesta escala, são contrários a Temer 75%. A rejeição entre as famílias entre 2 a 5 salários mínimos é de 70%. Registra 51% para as integram a faixa de 5 a 10 SM. E finalmente é de 33% para os que integram a escala de mais de 10SM.

Relativamente ao resultado do julgamento que se iniciou no TSE, 77% são favoráveis à cassação da chapa Dilma-Temer. Esta manifestação , deve se assinalar, representa mais um dado contra a permanência de Temer no Planalto, uma vez que Dilma Rousseff já perdeu o mandato de presidente e assim não se encontra mais em julgamento. A não ser no que se refere ao item que a impede de disputar qualquer eleição nos próximos oito anos. No mais Dilma já saiu do poder, enquanto a expectativa é que Temer, que a sucedeu pelo impeachment, tenha agora o mesmo destino.

TUCANOS NO MURO – Uma colocação que se deve levar em conta é a de que o PSDB, que é autor da ação que tem como conteúdo a queda de Temer, integre a base de seu governo. Movimentos no Partido têm ocorrido para a ruptura, mas esta até agora não foi oficializada, embora estejam surgindo sinais de que o desembarque está próximo.

Quando o presidente Michel Temer foi a São Paulo pedir a interferência do governador Geraldo Alckmin, no sentido de conter a revolta, forneceu a prova de sua fraqueza. Nâo existe dúvida sobre a falta de solidez de um presidente da República que teve em Rocha Loures um de seus assessores em que depositava total confiança.

Rocha Loures pode permanecer em silêncio. Tal posição não mudará a vontade da população brasileira registrada pelo Datafolha.

Medo de novas gravações significa confessar que elas podem existir

Resultado de imagem para GRAVAÇÃO DE TEMER CHARGES

Charge do Montanaro (Folha)

Pedro do Coutto

Reportagem de Catarina Alencar, Júnia Gama e Jailton de Carvalho, O Globo desta segunda-feira, reproduz declarações de Gustavo Guedes, advogado do presidente Michel Temer, acentuando o temor de que Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República, possa divulgar novas gravações de diálogos do presidente da República durante o julgamento da ação, ajuizada inclusive pelo PSDB, que tem início nesta terça-feira. Ora, se há perspectiva da liberação de outras gravações de reflexo negativo para o presidente da República, é confessar tacitamente que elas podem existir.

Caso contrário, se fossem elas falsas, não haveria motivo para temor ou preocupação, pelo contrário, desarmaria totalmente qualquer posição contrária a Michel Temer. Mas o advogado Gustavo Guedes, além da preocupação com o surgimento de novos diálogos relacionados a Joesley Batista afirma, num gesto de inabilidade, que o Palácio do Planalto já tem os votos necessários para vencer o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral. Por isso o governo trabalha – acrescentou – para minimizar o impacto da delação da JBS.

DUPLA MANCADA – Como se vê, em nenhum momento Gustavo Guedes nega a existência de outras gravações, além daquela do encontro a 7 de março no Palácio Jaburu. Além disso, dá outra mancada, extremamente negativa, ao anunciar a vitória antes do término da partida, como é o caso de jogos de futebol. Aliás, pelas declarações de Gustavo Guedes que se encontram na matéria publicada pelo O Globo, fica exposta de forma nítida a antecipação de um resultado, o que deixa em posição desconfortável os sete ministros do Tribunal.

De outro lado, surge a informação de que o presidente do Tribunal, Gilmar Mendes, tem mantido diálogo constante com o Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e com o líder do governo no Senado, Romero Jucá. O que quer dizer isso? Dá a impressão de um entrosamento sem cabimento ético.

PEDIDO DE VISTA – A defesa do presidente Michel Temer, contraditoriamente, admite que possa haver um pedido de vista o que poderia adiar o desfecho da ação. Mas se os advogados que defendem Temer, especialmente Gustavo Guedes, afirmam que o Presidente da República sairá vitorioso do julgamento, não há porque paralelamente admitir que ocorra um pedido de vista. Caso haja, porém, o presidente da República teria seu destino protelado por mais quinze dias.

De qualquer forma o desfecho será político, sobretudo se o PSDB, como a maioria da legenda está desejando, romper com o governo. O presidente Michel Temer teme essa ruptura e inclusive pediu o apoio do governador Geraldo Alckmin para tentar conter a base paulista.

No final da ópera neste momento, o presidente da República está envolto por uma nuvem de dúvida: ao mesmo tempo em que acusa o Procurador Geral da República de agir contra ele, reconhece por ação tácita a existência de novas peças capazes de inviabilizá-la para prosseguir seu roteiro no Palácio do Planalto. Em síntese: Michel Temer balança entre o Planalto e a Planície.

Uma verdade: custo da dívida é 20 vezes maior que o déficit da Previdência

Resultado de imagem para divida pública charges

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Pedro do Coutto

Dentro da indispensável relatividade dos fatos, tese com a qual Einstein conquistou o Prêmio Nobel de 1931, vale sempre a pena comparar os números para que se possa chegar a conclusões efetivas e concretas. Dito isso, a situação do presidente Michel Temer se agrava a todos os instantes. Principalmente, com a prisão de Rocha Loures  no fim de semana que antecede de perto o julgamento do dia 6 pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Mas não é só este o fato que se adiciona à tempestade que está atingindo o Palácio do Planalto. Na edição deste domingo de O Estado de São Paulo, reportagem de Pedro Venceslau revela declarações do publicitário Elsinho Mouco que informa ter recebido dinheiro de Joesley Batista para atuar na campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff. Elsinho Mouco é o marqueteiro oficial de Michel Temer desde 2002, atua também para o PMDB e é o autor do programa Ponte Para O Futuro.

ATUAÇÃO DIRETA – Esta informação traz consigo a realidade da participação do vice Michel Temer na queda de Dilma Rousseff. Não que a queda de Dilma Rousseff não tivesse sido causada por uma sequência enorme de erros porque o marketing não constrói milagres, não pode inverter a vontade coletiva, registrada nas ruas, e só é forte quando vai ao encontro de um desejo coletivo. É incapaz de fazer milagres como está sendo comprovado agora, já que os esforços de Elsinho Mouco se mostram inócuos para reverter a impopularidade crescente do Presidente da República.

###
DÍVIDA INTERNA E PREVIDÊNCIA

Em meio ao caos político, é importante destacar          que o custo da dívida interna é praticamente 20 vezes maior do que o déficit da Previdência. Basta aplicar a taxa SELIC sobre os 3 trilhões de reais da dívida, cujo total já representa cerca de 50% do PIB. Assim, de verdade em verdade vão desabando os mitos que se criaram ao longo do tempo. Este processo tem sua base na simples comparação entre os números que regem a economia.

Em reportagem também publicada no Estado de São Paulo no domingo, Alexa Salomão destaca que só a revogação das desonerações fiscais criadas no período Dilma Rousseff totalizam uma receita perdida de 170 bilhões de reais por ano. Mas em um levantamento paralelo de especialistas o total de favorecimentos concedidos é muito maior: atinge 260 bilhões de reais.

Pesquisas realizadas pelo economista Vilma da Conceição Pinto, da Fundação Getúlio Vargas destacam que as desonerações vão expirar só em 2036, sendo que uma parte foi concedida por tempo indeterminado.

MENTIRAS OFICIAIS – A comparação ilumina o conhecimento concreto da fenomenologia que está envolvendo o país. Fala-se costumeiramente de coisas que não se ajustam à realidade dos fatos. Esta realidade ingressa a partir de agora numa fase absolutamente crítica, como na véspera de um desfecho.

Michel Temer tenta escapar de Rocha Loures e da  verdade. Tanto assim que, numa entrevista a Isto É, destaca qualidades que identifica no comportamento do fugitivo da noite paulista. Loures será eternamente o homem da mala com 500 mil reais entregues por Ricardo Saud, executivo da JBS.

A JBS está perdendo os propagandistas da Seara e da Friboi. A revista Veja diz que Tony Ramos e Fátima Bernardes resolveram romper seus contratos. Só resta agora a ruptura do contrato social de Michel Temer.

Ministro recorre à imagem de Madame Bouvary, mas esquece de Aécio e Loures

Resultado de imagem para aloysio nunes

Nunes tenta manter o apoio do PSDB a Temer

Pedro do Coutto

Numa entrevista a um grupo de repórteres, em Washington ao anoitecer de sexta-feira – transmitida pela GloboNews e comentada por Alberto Bombig e Cláudia Trevisan, na edição de sábado de O Estado de São Paulo –, o ministro Aloysio Nunes Ferreira recorreu à imagem de Madame Bouvary, famosa personagem de Gustave Flaubert, para defender a permanência do PSDB na base de apoio ao presidente Michel Temer. O ministro das Relações Exteriores disse que o comportamento de seu partido não pode ser a traição assumida por Ema Bouvary em relação a seu marido Charles Bouvary, destacado no romance de Flaubert que causou ao autor até um processo na Justiça francesa.

Aloysio Nunes Ferreira se apegou a uma situação refletida na literatura no ano de 1857, portanto há 160 anos, quando a França era governada por Napoleão III, sobrinho de Bonaparte. Hoje em dia, o romance de Flaubert não escandalizaria mais ninguém. Os tempos são outros.

TEMER E O PSDB – Inclusive vale lembrar que, ao se defender num Tribunal de Paris Flaubert, afirmou o seguinte: “Madame Bouvary sou eu”. O tema transformou-se num filme da Metro em 1949 com Jennifer Jones no papel título, que interpretou de maneira profunda a personagem. Mas esta é outra questão.

O ministro Nunes Ferreira está se empenhando para evitar o rompimento do PSDB com o presidente Michel Temer. Ao criticar o que classificou de infidelidade, esqueceu os comportamentos do senador Aécio Neves e do suplente de deputado Rocha Loures, os quais evidentemente chocam-se com os princípios partidários. Não só do PSDB, como de quaisquer partidos políticos. Infiéis, portanto, são aqueles que fogem do reconhecimento da infidelidade à ética e ao sistema legal do país. Os que desejam a ruptura são, portanto, fiéis à doutrina legal.

Vale acentuar que a prisão de Rocha Loures, por qualquer motivo, implicou num constrangimento para o presidente Michel Temer. Tanto assim que ele na sexta-feira à noite esteve em São Paulo quando pediu apoio do governador Geraldo Alckmin no sentido de usar de sua influência para impedir a ruptura dos Tucanos, especialmente os que integram a ala jovem da legenda.

VAIVÉM – Na madrugada de sábado, retornou a Brasília. Entretanto, ao tomar conhecimento da prisão de Rocha Loures na manhã de sábado voltou a São Paulo para se avistar com o advogado Antonio Carlos Mariz. No mesmo sábado, retornou à capital do país.

Com base no relato apresentado pelos jornais da GloboNews, o presidente da República irritou-se fortemente com a frase de Rodrigo Janot proferida no pedido de prisão despachado pelo ministro Edson Fachin, de que Rodrigo Rocha Loures, na trama desenrolada na noite da mala em São  Paulo, representava uma espécie de mão longa do presidente. Michel Temer considerou haver um complô contra ele colocado em ação pelo Procurador Geral da República e pelo ministro-relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal.

Pelo quadro exposto, a inquietação de Michel Temer, que havia se evidenciado na noite paulista cresceu em intensidade, no alvorecer de sábado.

Fachin pode decretar a prisão de Loures, o fugitivo da noite (com a mala)

Resultado de imagem para loures com a mala

Loures leva a mala de dinheiro dentro do shopping

Pedro do Coutto

Na quinta-feira desta semana. o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, dirigiu-se ao ministro Edson Fachin apresentando novo pedido de prisão do suplente de deputado Rocha Loures ex-assessor especial do presidente Michel Temer, e que foi filmado pela Polícia Federal numa noite em São Paulo recebendo mala com 500 mil reais do executivo Ricardo Saud, da JBS Esse pedido é o segundo formulado, porque o primeiro foi indeferido devido ao fato de Loures estar na condição de deputado, na vaga aberta com a nomeação de Osmar Serraglio para ministro da Justiça. Matérias de Letícia Casado, Folha de São Paulo e Carolina Brígido. O Globo, destacaram o assunto nas edições desta sexta-feira.

Agora, como Rocha Loures não se encontra mais na Câmara Federal, desaparecer o motivo que levou Edson Fachin a negar a prisão. Rodrigo Janot então reapresentou o pedido para que o ex-assessor do Palácio do Planalto seja preso.

FORO PRIVILEGIADO – A negativa original de  Fachin coloca mais uma vez em debate a questão do foro privilegiado. O Supremo estava julgando na quarta-feira a questão, porém um pedido de vista do Ministro Alexandre Moraes, recentemente nomeado pelo presidente Temer, suspendeu o fim do julgamento. Mesmo assim, quatro ministros fizeram questão de votar no sentido de acabar com o foro privilegiado para prática de crimes comuns.

Coincidência ou não, no mesmo dia o presidente da República reeditou medida provisória atribuindo o status de ministro de Estado a Moreira Franco, secretário-geral da Presidência. A reedição da MP significa que o Congresso Nacional não transformou em lei a MP inicialmente editada.

VALIDADE RÁPIDA – As medidas provisórias valem por 180 dias e têm que ser aprovadas pelo Parlamento para que sejam transformadas em lei. Logo, a Medida Provisória que inicialmente foi publicada não teve aprovação nos últimos seis meses. Pois se tivesse, não haveria necessidade de o presidente Michel Temer editar novamente o texto que atribui a Moreira Franco a hipótese de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Moreira Franco está denunciado na Operação Lava-Jato em face das revelações feitas por Marcelo Odebrecht quanto à sua participação no esquema voltado para concretizar interesses da empreiteira.

Portanto, verifica-se a total procedência da proposta do ministro Luís Roberto Barroso, nas colocações que apresentou na condição de relator da ação, para alterar substancialmente os julgamentos pelo STF no campo da prerrogativa vigente até hoje, mas objeto de fortes contestações. A principal mudança é que o foro privilegiado não se justificaria para crimes praticados antes de assumir o mandato ou função em exercício.

CRIMES COMUNS – Portanto, não valeria o foro privilegiado para crimes comuns que cometidos anteriormente ao mandato ou função.

No caso de Rocha Loures, ele foi filmado na prática de recebimento de propina no exercício do mandato, na trama de que foi protagonista na noite de São Paulo, quando provavelmente sentindo a proximidade da Polícia Federal, saiu correndo e fugiu entrando num carro que o esperava.

Mas ele deixou a Câmara e perderia a prerrogativa de foro. Acontece, porém, que o presidente Temer está envolvido na mesma investigação e agora Loures está pegando carona no foro privilegiado do chefe do governo, o que não impede que sua prisão seja decretada pelo ministro Edson Fachin. É por isso que ele poderá tentar um acordo de delação premiada e revelar para quem se destinava os 500 mil reais que ele, Loures, teria de repassar.

O fato representa mais um episódio destinado a reduzir o foro privilegiado no país.

PSDB pode sair do governo antes mesmo de Temer ser cassado

Resultado de imagem para tucanos de fora charges

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Pedro do Coutto

Na noite de segunda-feira, na cidade de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ao presidente Michel Temer que o PSDB sai do governo se ele, Temer, for cassado pelo TSE e recorrer da decisão. O mesmo comportamento será adotado na hipótese de Temer recorrer ou então houver protelação do julgamento. A protelação no caso seria um pedido de vista para adiar o resultado do julgamento.

É o que afirma o jornalista Igor Gielow, Folha de São Paulo desta quarta-feira. O encontro teve a participação também do senador Tasso Jereissati e do ministro Moreira Franco. Durante o encontro, Michel Temer cobrou o que chama de lealdade da parte do PSDB, uma vez que na sua visão os tucanos têm faltado com um apoio compacto nos momentos que antecedem votações importantes. Fernando Henrique, por seu turno, frisou que a avaliação que vem sendo feita pelo PSDB leva em conta a falta de confiança quanto aos atos do governo no plano econômico o que contribui pra uma atmosfera de indefinição.

POSIÇÃO POLÍTICA – Este cenário acentuou FHC reflete na posição política de senadores e deputados que temem perder apoios eleitorais para 2018, se defenderem o governo.  Exemplo disso está na corrida de Rodrigo Rocha Loures com uma mala de dinheiro na noite de 7 de março em São Paulo, sequência filmada pela Polícia Federal. Fernando Henrique citou a posição da ala jovem do partido, que está pressionando a direção em seu inconformismo com o fato de a legenda vincular-se ao governo. A ala jovem, assim como é chamada, defende o rompimento imediato do esquema do Palácio do Planalto e cita como exemplo da dificuldade que tem de apoiar o projeto de reforma da Previdência.

A ala jovem do PSDB argumenta que a permanência ao lado de Michel Temer assemelha-se a um abraço mortal nas urnas de 2018. FHC referiu-se também a uma análise agregada contida numa pesquisa no mercado que concluiu pela falta de otimismo da opinião pública – portanto, da população – quanto ao êxito do governo. A tônica do otimismo foi substituída por uma visão pessimista envolvendo, não só a economia, mas sobretudo o desfecho do governo.

RUPTURA DO PSDB – Na noite de quarta-feira, reportagem da GloboNews, abordou o tema ruptura do PSDB, destacando que os tucanos romperiam com Michel Temer, caso o relatório do Ministro Herman Benjamin  seja favorável ao fastamento de Temer no dia 6 de junho e ocorra algum pedido de vista por parte de ministros que integram o Tribunal.

A decisão, se confirmada, teria como alvo impedir qualquer manobra protelatória, pois como a revista Veja que está nas bancas publicou o voto do relator estaria elaborado no sentido de anular a vitória de 2014 da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer. Se tal fato se configurar, está valendo sobretudo a declaração de FHC contra a manobra destinada a protelar a decisão.

Nas últimas horas cresceu nos bastidores de Brasília que o sucessor de Michel Temer será ou Tasso Jereissati ou o próprio FHC. Nomes como de Nelson Jobim estão afastados de cogitações porque não alcançam um denominador comum que favoreça um amplo entendimento entre as legendas principais do Congresso Nacional.

A meu ver está mais para FHC que lançou inclusive quando a crise começou a crescer aceleradamente um amplo entendimento nacional, incluindo até o PT. O PT, sem Lula, evidentemente.

Michel Temer depõe à Polícia Federal, aproxima-se o fim da estrada para ele

Resultado de imagem para temer sozinho

Derrocada de Temer é só uma questão de tempo

Pedro do Coutto

O ministro Edson Fachin – reportagem de Carolina Brígido e André de Souza, O Globo desta quarta-feira – acolheu a representação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e determinou que o presidente Michel Temer preste depoimento à Polícia Federal na condição de acusado no inquérito que focaliza mais acentuadamente efeitos de seu relacionamento próximo com Joesley Batista. O presidente da República vai receber perguntas por escrito e responder também por escrito, às questões formuladas.

Creio que o episódio não tenha antecedentes na história do Brasil: um presidente da República ser interrogado por um órgão do segundo escalão do próprio governo. O efeito político de tal obrigação é arrasador. E o efeito pode ser notado na foto de primeira página da Folha de São Paulo que integra a reportagem de Letícia Casado.

VÉSPERA DO DESFECHO – O desânimo reunindo João Dória, Michel Temer, Henrique Meirelles e Rodrigo Maia, por si só torna-se um documento histórico registrando praticamente a véspera de um desfecho. Michel Temer manifestou a Edson Fachin o desejo de não responder nada com base no vídeo gravado por Joesley Batista no Palácio Jaburu. Acha que só deve responder sobre a gravação sonora depois de esclarecida a dúvida levantada se a fita foi editada ou então reflete integralmente o diálogo de 40 minutos na noite de 7 de março.

Uma outra matéria publicada na Folha de São Paulo mostra que havia razões para que o dono da JBS pudesse ter acesso à residência presidencial com base apenas na identificação na placa do automóvel. Essa matéria registra, também com foto, a presença de Michel Temer no casamento de Joesley Batista com a jornalista Ticiana Villas Boas. Mas esta é outra questão.

SEM CONDIÇÕES – O fato essencial dominante é a perda praticamente total das condições políticas capazes de manter o atual governo. Vejam só a atitude do deputado Osmas Serraglio de recusar a nomeação para o Ministério da Transparência. Com isso Rocha Loures perde o direito a ser julgado no foro especial do STF. Seu destino seria a instância em que se encontra o juiz Sérgio Moro. No entanto, como o episódio da mala se vincula à investigação que atinge Michel Temer, também Rocha Loures terá seu destino decidido pela Corte Suprema.

Tal hipótese pode melhorar sua situação, mas piora a situação do presidente da República. Afinal de contas, Loures foi filmado pela Polícia Federal recebendo e correndo com a mala do emissário da JBS Ricardo Saud pela noite da cidade de São Paulo. Não transitou como está na música pela Avenida São João, porém transitou direto para a perda do mandato, aliás, como suplente da bancada do Paraná.

PRÓXIMO DO FIM – Aproxima-se o desfecho do desastre refletido no Palácio do Planalto. Daí a dificuldade de o presidente da República fazer nomeações para postos de relevância no Executivo. Porque os selecionados sabem que seus períodos serão curtos. Apenas Henrique Meirelles acredita que continuará à frente do Ministério da Fazenda seja qual for o personagem que completará o mandato que termina em dezembro de 2018 e que passa pelas eleições diretas para sucessão presidencial.

Falando ao Valor, edição de terça-feira, Paulo Rabello de Castro anunciou que vai destravar os créditos do BNDES. Difícil. Seu prazo será pequeno para uma tarefa tão grande.