Flamengo domina a grande área da emoção e da comunicação coletiva do país

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Flamengo demonstrou que o jogo só acaba quando termina 

Pedro do Coutto

A televisão no final de semana e os jornais de segunda-feira acentuaram um aspecto, para mim nunca visto, de manifestação esportiva como a que empolgou principalmente o Rio de Janeiro. O povo foi maciçamente às ruas, lotou a Avenida Presidente Vargas, projetando sua magia numa área que na história política esteve ocupada só nas grandes manifestações da campanha pelas eleições diretas e também no comício de encerramento da candidatura de Tancredo Neves à presidência da República.

Ficou nítido que o Flamengo no gramado sintetiza em si o grande mercado de emoção e comunicação no Brasil. Isso fora do campo, no retorno pela estrada da vitória.

COISAS DO FUTEBOL – Mas o gramado do Monumental de Lima, como assinalou Joaquim Ferreira dos Santos, em O Globo de segunda-feira, foi palco de uma exibição fantástica de garra, coragem e da eterna afirmação que o jogo é de 90 minutos e que se por um gol se vence, por um gol também se perde.

O jornalista exaltou com precisão o trabalho do técnico Jorge Jesus cuja visão é sempre jogar na área do adversário, encurtando assim a trajetória da bola para a meta do outro time, adversário que exigiu no sábado uma forte carga de vigor na luta e na capacidade de acreditar que o jogo só acaba com o apito do juiz.

Jorge Jesus, como destacou Joaquim Ferreira dos Santos, tem uma preocupação permanentemente ofensiva, o que acrescenta muito de emoção e de comunicação da camisa rubro-negra com multidões de torcedores pelo país, especialmente, claro, no Rio de Janeiro.

VIRADA DO JOGO – O Flamengo chegou da vitória e foi recebido nos braços de uma multidão emocionada até as lágrimas, provocadas pela virada do jogo. Faltavam cinco minutos, o River Plate estava perto do êxito. Faltava apenas uma estação no caminho de um jogo que se desenhava como 1 X 0. Mas o Flamengo foi à frente, empatou o confronto e prosseguiu avançando. Estava parecendo que a decisão passaria a ser na prorrogação ou pelos pênaltis. Mas o Flamengo, de acordo com suas tradições no campo esportivo continuou indo para frente, e foi assim que nos cinco minutos finais arrebatou a taça.

Foi, sem dúvida, uma conquista que vai passar a história do futebol porque dificilmente se encontra uma emoção tão forte que uniu os jogadores e torcedores. Já se disse que a torcida é o 12º jogador do Flamengo. É verdade. A energia transmitida pelas arquibancadas e telas levando multidões no Brasil e na Argentina formaram uma ponte de afeto e dedicação tanto da equipe quanto do seu 12º jogador.

O Flamengo sempre se agiganta nas decisões que  participa. E o grito da vitória, quando surgiu o segundo gol, transformou-se numa emoção coletiva e ´profunda que somente as grandes partidas podem proporcionar.

CAMPO ABERTO – O Flamengo no futebol torna-se o maior mercado da emoção e da comunicação brasileira. Um campo aberto exclusivo para as grandes vitórias. No que se pode chamar de grande e absoluto mercado de comunicação e emoção, unindo por igual todas as classes sociais. O Flamengo está presente nessa unidade e suas atuações destacam sempre ainda mais a importância do grito da vitória.

Como escrevia Nelson Rodrigues, todas as vitórias são santas, tanto na terra quanto no céu. Amém. Os torcedores rubro-negros esperam novas vitórias. Tanto para o clube quanto para o futebol brasileiro modernizado por Jorge Jesus.

Emoção e entusiasmo levaram Flamengo a vitória na Libertadores

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Gabigol se consagra como maior artilheiro da competição

Pedro do Coutto

O assunto do dia, a meu ver, não poderia ser outro além da vitória do Flamengo por 2X1 sobre o River Plate. A emoção foi maior ainda porque a conquista do título só pisou o gramado nos cinco minutos finais da partida histórica de ontem. Vencendo por 1×0, o River Plate estava se investindo da conquista da taça, mas no final o Flamengo empatava a partida. Acompanhando futebol. Há muitos anos, em inúmeras vezes. constatei que a pior sensação de uma derrota é a que vem depois da vitória admitida, como ontem, no caso do River.

A emoção refletiu-se nas manifestações das ruas e praças de vários estados do país, consequência de nos cinco minutos finais o Flamengo transformar em vitória empolgante a derrota que parecia iminente.

RECUO FATAL – O River Plate vinha se defendendo muito bem, porém recuou o time para assegurar o placar. Foi nesse ponto que o rubronegro encontrou espaço na estrada da vitória e da consagração popular.

A vitória em boa parte foi também do futebol brasileiro. Mais uma vez, entre tantas histórias de bola rolando. evidencia-se uma realidade: ninguém vence na véspera, como também ninguém vence quando faltam cinco minutos para o apito do juiz.

O empate projetou uma dose de grande entusiasmo no Flamengo e daí a vitória foi apenas uma diferença de dois a três minutos. A pior sensação que uma torcida e uma equipe podem ter é exatamente esta: já contavam com o sabor da vitória. O empate foi uma ducha fria no entusiasmo do River Plate.

MUITA GARRA – O Flamengo ressurgiu então com sua garra e disposição de vencer e momentos depois do empate encontrou o caminho da vitória. Mais uma vez o destino consagra Gabigol que passou a representar um dos grandes jogadores da história do clube da Gávea. O Flamengo acrescenta assim mais uma conquista na sua trajetória no esporte brasileiro. O jogo disse eu há pouco, só termina com o apito do juiz.

Tenho isenção para destacar a vitória do Flamengo, pois sou torcedor do Fluminense. Mas torci pelo Flamengo acompanhando uma vontade popular amplamente majoritária no cenário brasileiro.

Fica assinalada uma verdade eterna no futebol. Essa verdade se divide por três ângulos. A emoção, tática e o que podemos chamar de força do destino que vai ao encontro das equipes que não se dão por vencidas durante os 90 minutos da bola rolando. Assim, todos os esportistas brasileiros têm motivo para comemorar a vitória do Flamengo, como decorrência das qualidades e surpresas que dominam o futebol. É isso aí.

Com sua nova legenda, Bolsonaro busca um isolamento partidário e ideológico

Bolsonaro pensa em colher assinaturas por meios eletrônicos

Pedro do Coutto

Na minha opinião, o título deste artigo sintetiza o novo projeto político do presidente Jair Bolsonaro, isolando-se das demais forças e mantendo para si mesmo, e seus filhos, um espaço político singular. Singular também é o episódio, pois pela primeira vez no Brasil um presidente da República eleito desliga-se da legenda com a qual fez a campanha para as urnas de 2018 e com o qual, no fundo da questão, não conseguiu governar. P

or isso lançou as bases de uma nova sigla, na percepção dele, capaz de caminhar pelas ruas do país na tentativa de unificar sua força política com o posicionamento ideológico que desenvolve.

ESFORÇO INÉDITO – Reportagem de Jussara Soares, Gustavo Maia e Naira Trindade, O Globo de sexta-feira, destaca com bastante nitidez o que se pode classificar de um esforço inédito para ocupar um espaço capaz de absorver tanto seu conteúdo ideológico quanto seu potencial de votos.

A sigla teve sua imagem projetada num painel formado por cápsulas de balas de revólver. Ele próprio, Bolsonaro, informou que escolheu o número 38 como símbolo de sua nova ofensiva. O número viria portanto de uma visão baseada no calibre de um revólver.

A primeira vista a imagem chocou na medida em que, além de representar um posicionamento radical, projetou um panorama a ser preenchido para as eleições municipais de 2020.

DIFÍCIL MISSÃO – A constituição de um novo partido não será tarefa fácil apesar de sua condição de presidente da República. Tal condição será sempre um fator importante para poder funcionar. Um dos obstáculos reside na obrigação de arregimentar 500 mil assinaturas em pelo menos 9 estados. A questão encontra-se no Tribunal Superior Eleitoral, uma vez que Bolsonaro quer alcançar os 500 mil apoiamentos através do meio eletrônico, enquanto surge a dúvida se as adesões podem ser feitas através das telas das redes sociais ou então pelo caráter até agora vigente que condiciona as assinaturas colocadas em folhas destinadas a inscrição.

ESTRADA IDEOLÓGICA – Outra dúvida parte da diferença existente entre a aprovação para que surja uma nova legenda e ocorram as inscrições nos quadros partidários. Enfim, pode ter surgido uma nova legenda caracterizada pela posição conservadora baseada no prestígio do presidente da República e na estrada ideológica que costuma atravessar. Atravessar para um plano talvez solitário, talvez aberto a adesões desde que mantenha sua liderança, o que afasta hoje qualquer adesão fisiológica.

Por falar em 38, era muito pouco provável um partido que nasceu na alvorada pudesse retroagir no tempo em busca de uma origem radical. O número 38 não é apenas uma arma, mas significa um atentado contra Getúlio Vargas no Palácio Guanabara, onde Vargas residiu até 29 de outubro de 45 quando foi deposto por forças militares fortalecidas pela vitória contra o nazi-fascismo nos campos da Itália. Dificilmente um partido escolheria um episódio marcado pela derrota.

Porém, é possível que 38 representasse uma corrente cujo símbolo inspirava-se na influência do nazismo. Muito bem. Vamos ver como o governo desenvolve seus projetos a partir de uma nova movimentação capaz de apoiar seus novos projetos de governo.

Governo Bolsonaro agora recorre à ONU contra desmatamento que atinge a Amazônia

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Desta vez, o governo teve de admitir a gravidade da situação

Pedro do Coutto

O governo Bolsonaro resolveu finalmente pedir apoio a ONU contra o desmatamento e as queimadas que ameaçam tanto o presente quanto o futuro da Amazônia. O resultado da última pesquisa realizada acendeu a preocupação do Palácio do Planalto sobre o tema cuja divulgação refletiu-se no panorama internacional. De fato, a questão possui grande amplitude, uma vez que pode atingir países ameaçados pelo aquecimento global.

Reportagem de André Borges e Mateus Vargas, O Estado de São Paulo de quinta-feira, focaliza o assunto que ocupou página inteira do jornal.

SUPERQUEIMADA – Na última segunda-feira o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais identificou uma devastação de 9.700 km², 29% superior a agressão ecológica verificada um ano atrás. E o presidente Bolsonaro afirmou que o processo de queimadas é um problema cultural como se natural fosse o desmatamento da maior reserva florestal do mundo.

O combate ao desmatamento não pode ser considerado uma consequência de um problema cultural, como afirmou o presidente. O governo tem obrigação de atuar evitando o atentado à ecologia brasileira.

Como eu disse há pouco, além de nacional, o desafio tem caráter mundial. O Palácio do Planalto precisa efetivamente agir para conter “um processo cultural”, cujos efeitos conduzem o país para uma escala que é na realidade uma não-cultura, como se o solo amazônico pudesse ser reconstruído com a mesma rapidez em que é destruído.

REFLORESTAMENTO – É óbvio que o replantio demora décadas, ao contrário do que acontece em face da destruição cada vez maior de áreas verdes. Entretanto, embora bastante grave, o problema não se esgota aí. Ao contrário, reflete-se no equilíbrio ecológico, além de atingir a grande presença de animais na região.

Esses animais, na medida em que o verde diminui, vão procurar condições de existir em áreas urbanas. Abre-se assim uma situação de perigo para populações que vivem na grande floresta brasileira. Além de brasileira a região amazônica abrange outros países sul-americanos que dependem diretamente do equilíbrio ameaçado pelas madeireiras e ruralistas.

 E OS ÍNDIOS? – Além disso existe também a população indígena, com sua cultura, seus hábitos, seu consumo. Finalmente, como André Borges e Mateus Vargas assinalaram, o Ministro Ricardo Salles reuniu-se com governadores da região e iniciou esforços junto à Petrobrás em busca de uma participação de 420 milhões de reais para fiscalização e repressão às investidas que sustentam os interesses antiecológicos.

No entanto, as verbas necessárias para o combate aos interesses ameaçadores não pode se restringir a uma etapa. Mas sim também a várias etapas que revestem o confronto para o qual o governo custou muito a admitir. Agora o problema ingressou finalmente na preocupação tanto do Planalto quanto da planície onde nos encontramos. Não se trata de anticultura, mas de sobrevivência.

Tofolli recuou na segunda decisão, mas manteve a primeira, ainda mais polêmica

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Pedro do Coutto

Na realidade o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, foi autor não de uma, mas de duas decisões sobre o acesso a dados financeiros sigilosos. Anulou o segundo despacho que determinara a requisição de 600 mil contribuintes, pessoas físicas e jurídicas. Esta matéria, sim, está fora de cogitação. Mas vale lembrar que sua primeira intervenção no levantamento de dados financeiros também é criticada e recebeu contestação do procurador geral da República, Augusto Aras.

 O procurador geral defende a tese de que o Ministério Público tem como uma de suas obrigações examinar movimentos financeiros marcados pela incompatibilidade entre depósitos feitos em suas contas e sua verdadeira situação financeira.

ALGUMA SUSPEITA – É claro que tal acesso tem de ser motivado por alguma suspeita. Pois duas leis são irrevogáveis: a da gravidade e a do menor esforço.

Portanto, a possibilidade de investigar tem de partir de denúncias ou configurações chamadas a atípicas, como é o caso de Fabrício Queiroz, que até hoje não compareceu para prestar depoimento. Alega encontrar-se doente. Mas esta é outra questão.

A questão essencial é que focaliza a habilitação e competência do Ministério Público para poder analisar casos suspeitos. O MPF, evidentemente, não poderia, por exemplo, reivindicar acesso a 600 mil fontes na área financeira, como o ministro Tofolli tentou fazer. Assim são dois casos no fundo bastante distintos.

APURAÇÕES SUSPENSAS – O problema continua em torno da suspensão das investigações medidas por objetivos diversos. Não antagônicos, mas diversos.

Recorde-se que o ministro Dias Tofolli suspendeu todas as investigações, acolhendo uma representação do senador Flávio Bolsonaro. É justamente isso que está sendo objeto de uma decisão do plenário do STF nesta quarta-feira. Se a liminar acolhida por Toffoli for derrubada pelo plenário, o desgaste do presidente da Corte não será transferido para o Poder Judiciário. Afinal de contas, a suspensão das investigações, estabelecida por medida liminar em pleno recesso, já recebeu parecer contrário do próprio procurador-geral Augusto Aras.

IMPUNIDADE – Essa nova polêmica veio se juntar à queda da prisão em segunda instância, que se transformou num assunto explosivo para o próprio Supremo, na medida em que acarreta uma estrada por onde transitam recursos em série, tornando-se o panorama que dá grande satisfação aos advogados representantes dos réus atingidos indiretamente pela medida que colocou o ex-presidente Lula em liberdade.

Mas antes o obstáculo mais sensível existente hoje nos processos principalmente na operação Lava Jato é exatamente o que fornece uma blindagem contra a identificação de operações financeiras fraudulentas e também contra o alvo de uma suposta corrupção.

Esse é o panorama geral da crise institucional, que tem uma das suas vertentes sendo apreciada no plenário da Corte Suprema.

Parlamentares precisam perguntar a Tofolli o que pretendia fazer com os dados do BC

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Toffoli parece querer dominar o país com medidas tresloucadas

Pedro do Coutto

Muito bom o artigo de Fernando Gabeira na edição de segunda-feira de O Globo, cujo texto dirige-se ao Ministro Dias Tofolli a respeito das 600 mil fichas cadastrais por ele solicitadas ao Banco Central e ao antigo Coaf. A opinião pública brasileira de fato encontra-se perplexa, pois o ministro decidiu centralizar o acesso a essas contas em torno de si mesmo. Isso porque, num momento, ele suspendeu qualquer investigação sobre as contas que agora ele obtém para seu próprio conhecimento.

A dualidade é flagrante: enquanto ele afasta o Ministério Público Federal de obter esses dados, de outro lado ele retém em suas mãos exatamente todas as informações que ele nega aos outros.

MISTERIOSO – Parece difícil entender o propósito do Presidente do Supremo Tribunal Federal e, por este motivo é que senadores e deputados devem perguntar a ele qual seu objetivo e o que pretende realizar com base nas informações, uma parte delas preciosa, do modo mais amplo possível.

Sim, porque toda ação de uma pessoa com poderes de presidente da Corte Suprema tem que divulgar o projeto e o objetivo que inspiraram a iniciativa.

Sobretudo, tratando-se do STF, não se pode negar conhecimento público em torno de iniciativas como essa colocada em prática pelo ministro Dias Tofolli. Claro. Ele foi obrigado a revogar a exigência, mas precisa se explicar.

FALAR CLARAMENTE – Se toda ação humana resulta numa reação, é oportuno que o ministro diga claramente qual seu projeto, qual sua ideia. Na realidade Dias Tofolli assumiu sozinho a questão que ele próprio determinou. Ele representa um dos poderes da República, mas não todos eles. Por isso é que acredito que o melhor caminho para os partidos políticos representados na Esplanada de Brasília possam apenas solicitar a Tofolli que traduza o conteúdo de seu projeto.

Se de um lado ele paralisou todas as investigações envolvendo inclusive o caso Fabrício Queiroz, não há portanto o que negar e explicar suas razões, que não são do interesse público. Afinal de contas ele não poderia tornar-se a única pessoa da República capaz de armazenar dados financeiros capazes de esclarecer ou dar rumo concreto a investigações. Se ele pretendia investigar, teria que montar uma equipe porque nenhuma pessoa sozinha será capaz de examinar e clarificar conteúdos que implicam no cruzamento de informações e datas em que foram realizadas transações financeiras incompatíveis com as declarações de contribuintes junto ao Imposto de Renda.

Verifica-se nesse quadro muito bem focalizado por Gabeira um verdadeiro redemoinho de contradições.

Em vários países, multidões protestam nas ruas independentemente de ideologia política

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Em Paris, os “coletes amarelos” fazem protestos há um ano

Pedro do Coutto

Nas últimas semanas observou-se nos meios de comunicação uma onda de protestos que ocuparam as principais cidades de vários países, manifestando-se contra a falta de solução para questões sociais básicas, contra o desemprego, desigualdade social ou falta de liberdade de expressão, com Hong Kong como exemplo.

Não se trata de combates com base política, mas o motor central localiza-se na eterna falta de solução para problemas que ultrapassaram do século XX ao XXI longe de serem pelo menos iniciados esforços para que governos fossem ao encontro das ruas e no caso de várias nações, também o caminho das urnas.

ATÉ SANEAMENTO – No Brasil por exemplo, de acordo com o IBGE, metade da população não conta com serviços básicos de saneamento, o que gera uma série de problemas graves em decorrência. Fala-se em reduzir despesas do governo, porém não se fala em diminuir a terrível pressão social que inviabiliza qualquer impulso para ampliar a produtividade dos trabalhadores.

No Chile, os protestos atingiram dimensão tão extraordinária que o governo do país anunciou as bases de um plebiscito voltado para uma reforma constitucional de profundidade.

As multidões são, no fundo, a expressão de uma revolta contra governos capazes de prometer muito, mas quando empossados realizarem muito pouco em matéria de uma descompressão social inevitável. Inevitável, na teoria, pois na prática a omissão comanda o cenário partidário.

SOBREVIVÊNCIA – As pessoas se transformam em rostos na multidão, por sinal título de um filme de Elia Kazan. Os rostos da ansiedade são fotografados e filmados, traduzindo correntes de opinião movidas muito mais pela luta da sobrevivência do que pela conquista de poder.

Haverá sempre disputa pelo poder, uma vez que, sem comando, nenhuma nação ou nenhum Estado poderá apresentar-se como sinal e desfecho de embates naturais que se repetem. Para alcançar esse poder só existem, dois caminhos: ou as armas ou as urnas. Vamos ficar sempre com as urnas. Porque exemplos não faltam no planeta de opressões que sufocaram a voz e a vez dos cidadãos.

REDES SOCIAIS – Agora as manifestações públicas ganharam muito mais força porque além dos jornais e emissoras de rádio e televisão, existem as redes sociais, nas quais cada pessoa pode se transformar facilmente como editor de si mesmo. Os meios então de protesto atingiram uma dimensão bem maior do que os movimentos que vigoraram até o final do século XX.

Francamente, não é possível alguém afirmar-se como um ser humano satisfeito se não tem a seu serviço uma obrigação mínima do Estado para consigo e para suas famílias.

Com isso chega-se à conclusão de que o impasse continua a ser uma ameaça a eternizar-se para os séculos que vierem depois de nós. Portanto, os governos precisam corrigirem a si próprios, suas omissões e equívocos insuportáveis.

Era só o que faltava! Tofolli rechaça recurso e quer mais informações do antigo Coaf

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Pedro do Coutto              

Reportagem de Renato Onofre e Rafael Moraes Moura, em O Estado de São Paulo, edição de sábado, destaca que Dias Tofolli rechaçou de plano o recurso de Augusto Aras e passou inclusive a exigir ainda mais informações financeiras do antigo COAF, que agora se chama Unidade de Inteligência Financeira. Na sua primeira exigência o presidente do Supremo determinou que fossem enviadas a ele 600 mil informações a respeito de movimentações realizadas nos últimos três anos, por pessoas físicas e jurídicas.

O Procurador Geral da República, nomeado recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro recorreu contra tal iniciativa, sustentando a improcedência jurídica da disposição de Tofolli.

MAIS INFORMAÇÕES – Tofolli respondeu de bate pronto e ainda por cima passou a pressionar para que receba ainda mais informações.

“Este processo – afirmou o presidente do STF – justamente por conter em seu bojo informações sensíveis que gozam de proteção constitucional, foi ultrapassado, não havendo que se cogitar portanto de qualquer medida invasiva por, parte do Supremo Tribunal Federal, maior autoridade judiciária do país.”

Na minha opinião não vejo muito nexo nos argumentos de Dias Tofolli. Principalmente porque ele não relaciona os motivos que o levaram ao aprofundamento de suas investigações num prazo de apenas 48 horas.

IMPOSSIBILIDADE – Outro ângulo da questão é a impossibilidade de pesquisar 600 mil contribuintes da Receita Federal, ainda mais agora quando o Ministro inexplicavelmente ainda quer mais informações. Ele sustenta entretanto, que assim agiu, na segunda etapa de pesquisa no intervalo de dois dias, para conhecer quais os membros do ministério público Federal que obtiveram dados sigilosos do antigo COAF.

Não se compreende, de fato, os objetivos do presidente do Supremo. Afinal ele deseja armazenar centenas de milhares de contas sobre operações financeiras com que propósito?Ele não diz.

SEM TRADUÇÃO – Tentando se colocar na iniciativa sob o ângulo político, também não se encontra uma tradução lógica. Em primeiro lugar, tal atitude não interessa ao governo Jair Bolsonaro. Pois se interessasse, o Procurador Geral da República, nomeado por ele, não teria recorrido ao próprio Tofolli em relação a uma entrada tão sensível no universo, mais sensível ainda, que envolve dados financeiros sigilosos.

Então pergunto eu, a quem interessa na realidade saber os nomes de membros do Ministério Público Federal alcançaram as informações reservadas, que tanto incomoda o presidente do STF?

Repita-se: o movimento do presidente da Côrte Suprema não se ajusta a situações políticas de interesse do Palácio do Planalto. Pois se assim fosse o Procurador Geral não teria feito a contestação que fez.

INTERESSE OCULTO – De outro lado, afinal de contas, observa-se que a lógica do episódio, na medida em que Tofolli investe sobre o Ministério Público, visa a desclassificar os julgamentos da primeira e segunda instâncias envolvendo o elenco de personagens da Operação Lava Jato, cuja figura mais importante sem dúvida é a do ex-presidente Lula da Silva.

Será que informações colhidas pelo MPF junto ao COAF serão capazes de levar à anulação de alguns julgamentos na segunda instância? Ou há outras razões que impulsionariam o presidente do Supremo nesse caminha tortuoso?

Seleção de Tite fracassa novamente: foi uma decepção. E agora, para onde vamos?

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Tite era uma esperança , mas já se tornou uma decepção

Pedro do Coutto

Foi um verdadeiro desastre a derrota da seleção para a Argentina no cenário da Arábia Saudita. O escrete decepcionou profundamente os brasileiros que acompanham o futebol, entre os quais estão aqueles que vibraram com jornadas heroicas de 58, 62,70 e que se repetiram em mais duas Copas do Mundo o que consagrou nosso futebol e passou a chamar o time brasileiro de seleção de ouro. Mas isso ficou no passado.

No presente o sentimento de derrota passou a dominar o cenário brasileiro depois de nossa desclassificação para uma equipe fraca como a da Bulgária.

SEM VITÓRIAS – Atravessamos o tempo e constatamos um capítulo de cinco partidas amistosas sem uma vitória sequer. Coisas do futebol, podemos dizer, porém a afirmativa não significa uma ocultação da verdade.

A outrora Seleção de Ouro não conseguiu alcançar e dominar adversários mais fracos e que terminaram muito satisfeitas porque saíram-se bem no confronto com o único país penta campeão. O que assistimos sexta-feira foi uma equipe que partiu de uma tática de passes curtos e com isso aumentou o tempo de chegar a área adversária, numa perspectiva tática que terminou favorecendo a marcação argentina sobre nosso escrete.

No segundo tempo o domínio argentino foi total. Para acrescentar a nossa decepção Gabriel Jesus chutou um pênalti para fora. Diferente do que aconteceu com Leonel Messi. Foi nesse momento que o goleiro Alyson defendeu o pênalti batido por Messi. Mas a bola terminou voltando para os pés do argentino que então concluiu o lance.

GRANDE GOLEIRO – Para se ter uma ideia sobre como se desenrolou a partida, basta lembrar que o goleiro Alyson fez defesas espetaculares e, sem dúvida, tornou-se o melhor jogador de uma partida para nós absurda e medíocre. A equipe comandada por Tite não conseguiu livrar-se do esquema tático projetado pelo treinador argentino.

Até a Copa do Muindo há bastante tempo para imprimir reformas, não representando isso a necessidade de alteração da equipe. Não foi pela ausência de Neymar que perdemos ontem. Foi mais um capítulo de derrotas assumidas pelo treinador.

OUTRO ASSUNTO – Numa entrevista a Manoel Ventura, edição de ontem de O Globo, Waldery Rodrigues Júnior, Secretário de Fazenda do Ministério comandado por Paulo Guedes, revela que o governo vai editar medida provisória ou projeto de lei ao Congresso implantando um corte de salários de funcionários públicos, adequado à redução da carga horária de trabalho.

O Secretário calcula que a economia será de 10,5 bilhões de reais por ano. Mas não se referiu ao reflexo do corte de vencimentos no mercado de consumo, que é essencial para que cresçam os investimentos nacionais e estrangeiros no Brasil. Evidentemente o projeto corresponde a uma nova modalidade de desemprego.

É o desemprego parcial, uma nova modalidade para reduzir ainda mais o peso dos salários. Trata-se do desemprego por frações, e estas frações vão se projetar na queda do consumo, reduzindo por consequência a receita tributária do país.

Tofolli acumula dever de julgar com o direito que se atribuiu de também investigar

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Charge do Sponholz (sponholz)

Pedro Coutto           

Manchete principal da edição de quinta-feira da Folha de São Paulo, reportagem de Reynaldo Tourollo e Thais Arbex revela que o Ministro Dias Tofolli, presidente do STF, determinou ao Banco Central lhe fornecer dados sigilosos de 600 mil pessoas físicas e jurídicas. Em números redondos os dados se referem a 450 mil pessoas e 150 mil empresas.

A iniciativa inédita na política administrativa brasileira levou o procurador geral da República, Augusto Aras, a representar ao plenário da Corte Suprema sobre a legitimidade da medida. Legitimidade à primeira vista contraditória porque como está no título deste artigo o presidente da Suprema Corte resolveu acumular as funções de juiz com a tarefa de investigar o universo dos depósitos e movimentações nas contas que totalizam 600 mil. 

DUALIDADE – Na minha opinião, além da dualidade que Tofolli criou existe também a impossibilidade de conferir os dados sigilosos de contribuintes do Imposto de Renda. A determinação de Tofolli estende-se à Receita Federal. Não creio que haverá tempo para investigar volume tão amplo de dados sigilosos, incluindo a percepção de depósitos e também ao histórico dos saques nas contas e recebimentos financeiros. Ou seja, o que pretende Toffoli com essas informações? 

O presidente do Supremo que recentemente suspendeu todas as investigações junto ao antigo COAF e conseguiu pautar no STF a nova apreciação das prisões em segunda instância foi também o autos do despacho que suspendeu todas as investigações do Ministério Público, com isso livrando Fabrício Queiroz de ter que depor na PGR. 

CONTRADIÇÃO – Não sei realmente qual o objetivo de Tofolli. Mas fica clara a contradição: ele preside o Supremo e com seu ato transforma-se de fato no investigador geral do país. Tarefa hercúlea já que ele não poderá obter as informações que deseja sem cruzar os dados sigilosos dos recebimentos e saques de número tão grande de contribuintes.

Finalmente, o que pretenderá decidir quando estiver de posse de todos os cruzamentos de contas bancárias e também dos pagamentos em moeda corrente?

OUTRO ASSUNTO – Em medida provisória enviada ao Congresso, projeto de emenda constitucional de Bolsonaro, com base em iniciativa do ministro Paulo Guedes, desobriga o poder público de construir novas escolas no país. O objetivos, assinala o repórter Bernardo Caran, é reduzir os custos da administração pública e ampliar o raio de ação no ensino privado.  Para mim esse novo projeto de emenda constitucional deve causar perplexidade.

Basta comparar a média salarial das famílias brasileiras com os custos cobrados pelas escolas particulares. 1/3 da mão de obra brasileira recebe o salário mínimo. E mais de 55% ganham até 3 pisos salariais. Não é possível famílias de baixa renda inscreverem seus filhos e filhas nos estabelecimentos privados de ensino.

Mirando a reeleição, Bolsonaro aceita desafio de Lula na estrada das urnas de 2022

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Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto      O presidente Jair Bolsonaro, ao anunciar sua saída do PSL e a ideia de criar um novo partido com base numa aliança nacional, partiu para acirrar a polarização política no panorama político brasileiro. O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo deram grande destaque ao tema. O foco mais acentuado sobre a polarização lançada com antecedência de três anos foi destacado pela edição de O Estado de São Paulo de quarta-feira.

A reportagem, de página inteira, está assinada por Mateus Vargas, Rafael Moraes Moura, Camila Turtelli, Renato Onofre e Lígia Formenti. Com isso teve início antecipado, por incrível que pareça, o debate em torno da sucessão presidencial. 

LULA INELEGÍVEL – Entretanto, o presidente da República pode lançar a polarização contra as forças que considera de esquerda, mas não contra o ex-presidente Lula, simplesmente porque está sendo considerado inelegível, já que enfrenta outros processos no seu caminho e tem a ficha suja.

Assim, Jair Bolsonaro lançou praticamente um desafio ao PT, sigla contra a qual alcançou a vitória nas urnas em 2018. 

Mas não só de desafios políticos vive a administração nacional. Bolsonaro tornou-se autor de uma série de projetos que mudam a economia e boa parte dos direitos sociais. Na minha opinião a caminhada para Brasília vai depender sensivelmente dos resultados positivos que alcançar para a sociedade brasileira, na medida em que conseguir fixar uma nova distribuição de renda e paralelamente diminuir o escandaloso índice de desemprego destacado pelos olhos de todos.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS – O presidente Jair Bolsonaro considera muito importantes as eleições municipais de 2020, porque nelas poderá fixar as bases de uma trajetória vitoriosa. No entanto, há o risco de seus projetos não serem aceitos como positivos e, nesta hipótese, sofrer os reflexos nas urnas.

Mas falei em eleições municipais. Pois é. Deve-se levar em conta que a lei eleitoral exige um ano de filiação partidária e, assim, aqueles que abandonarem seus partidos e pretenderem ser candidatos a Prefeituras não poderão registrar suas candidaturas. É o caso de vários deputados e senadores dispostos a disputar a eleição municipal.

Nesse caso somente poderão fazê-lo se permanecerem nas siglas em que se encontram no momento. É o caso da deputada Joice  Hasselmann, que deverá permanecer nos quadros do PSL mesmo sob o risco de um desabamento da legenda com o rompimento de Jair Bolsonaro. Coisas da política. Ela se encontra disposta a concorrer a prefeitura da cidade de São Paulo. Mas este é um outro assunto. 

TUDO ESTÁ INDEFINIDO – O certo é que as reformas da Previdência e a trabalhista terão de enfrentar as ruas até chegarem nas urnas de 2020 e de 2022. E não faltam candidatos à sucessão presidencial. É o caso do governador paulista João Dória, pelo PSDB, do também governador fluminense, Wilson Witzel, do PSC, do ex-ministro Ciro Gomes, do PDT, e da ex-senadora Marina Silva.

Mas o quadro ainda está longe de ser definido. Aliás, como ocorre com todos os lances de uma coisa chamada política.

Jair Bolsonaro, indiretamente, acabou por estatizar o programa Emprego para Jovens

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Foi exatamente isso o que está no conteúdo da medida provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro, que os jornais destacaram dando sequência ao que foi divulgado pelas empresas de televisão. Como digo sempre, é preciso analisar-se o conteúdo dos fatos. A iniciativa de incentivar a criação de empregos é de fato essencial, mas acontece que as empresas que aderirem ao programa vão receber isenção de contribuições para o INSS e redução de 8 para 2% no que contribuem para o FGTS.

É claro que as empresas darão preferência a jovens de 18 a 29 anos de idade. Basta considerar que vão obter desoneração total no que se refere às contribuições para o INSS. Além disso diminuição dos depósitos para o FGTS. Tem mais uma coisa: nos casos de demissão sem justa causa a multa rescisória cai de 40 para apenas 10%.

PERDENDO RECEITA – Como se constata, a União abriu mão da receita para o INSS e também diminuiu as outras contribuições citadas. Trata-se, portanto, de uma espécie de estatização que vem junto com o programa de emprego para jovens, porque o governo perde receita. Isso de um lado.

De outro lado, afasta ainda mais o acesso ao emprego dos que têm mais de 30 anos de idade. Se você, leitor, tivesse que admitir alguém optaria por aqueles da faixa etária de 18 a 29 anos, ou aproveitaria aqueles que perderam o emprego, e que têm experiência profissional? É claro que optaria por aqueles que zeram a receita para a Previdência Social.

O prazo para o programa de Emprego para Jovens é de dois anos e os salários não podem ultrapassar 1469 reais por mês. Um ponto que pode gerar dúvida: a diminuição do depósito para o FGTS só vale para os jovens admitidos ou para todos os demais empregados? A lógica indica que se refere aos jovens admitidos, mas é bom focalizar esse ponto.

DESEMPREGO – Reportagem de Manoel Ventura, Geralda Doca e Renata Vieira, em O Globo de terça-feira, e reportagem de Bernardo Caran e Talita Fernandes, na Folha de São Paulo, destacaram o tema relativo ao acesso da juventude ao mercado de trabalho. O ponto nevrálgico para mim é que o programa pode inclusive aumentar o índice de desempregados que já ultrapassaram a barreira dos 30 anos.

Outro aspecto contido na medida provisória refere-se à possibilidade de uma empresa contratar jovens e dispensar os menos jovens. 

COMO CONTROLAR? – A MP veda esse desdobramento. Mas como ele pode ser controlado? Seria o caso de decretar a estabilidade para os atuais empregados? O governo deve responder a essa pergunta que pode conduzir a controvérsias profundas e difíceis de estabelecer.

Outro aspecto, também contraditório, refere-se ao auxílio-desemprego. Milhões de pessoas estão recebendo. Mas agora terão de contribuir com 7,5% sobre o recebido. Inclusive os que recebem seguro desemprego não têm direito a computar esse tempo para efeito de aposentadoria pelo sistema previdenciário.

Esse é o quadro concreto da iniciativa do governo Bolsonaro. Como se vê, leva a um labirinto de questões que exigem interpretações mais claras.

Lei não retroage para punir, e a emenda da 2ª instância só valerá em novas condenações  

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Charge do Sponholz (sponhoz.arq.br)

Pedro do Coutto

O governo, através de sua bancada na Câmara, sem dúvida alguma exerceu influência para que a Emenda Constitucional sobre a prisão em segunda instância seja aprovada, inclusive com efeito retroativo. Esse efeito retroativo refere-se, claro, à decisão de quinta-feira passada do Supremo Tribunal Federal.  O fato comprova, como era esperado, que a liberdade concedida ao ex-presidente Lula incomodou fortemente o Palácio do Planalto além de atingir a maior parte da opinião pública.

Esse quadro partiu do desenho do ministro Dias Tofolli, presidente da Corte Suprema, que aguardou o término do mandato da Ministra Carmen Lúcia no cargo para pautar a matéria.

TENTATIVAS – Anteriormente foram feitas várias tentativas, mas a ministra Carmen Lúcia não aceitou nenhuma delas. No entanto, esta é outra questão, já ultrapassada pelos fatos.

Na minha opinião, acontece que, se aprovada a emenda constitucional, só valerá a partir da data de sua promulgação, não retroagindo seus efeitos. O ministro Dias Tofolli foi quem criou essa grande confusão, que abalou o país e alcançou grande repercussão.

O governo, seguramente, não contava com esse desfecho, considerando inclusive que o ministro Tofolli havia sustado as investigações contra o senador Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz, ator que operava nas sombras de um gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

DESDOBRAMENTOS – Muito bem, vamos aos desdobramentos. A emenda, se aprovada, o que não parece ser fácil, não pode retroagir, com base em princípio geral de Direito. Mas isso não quer dizer que não aconteça nenhum reflexo sobre o ex-presidente Lula e também sobre a situação de mais de 4 mil condenados em segunda instância que se encontram presos e que agora já estão se articulando para aguardarem julgamento em liberdade. Assim a questão deve ser analisada. Uma reportagem de Carolina Brígido e André de Souza, em O Globo de segunda-feira, focaliza o tema numa página inteira do jornal.

No entanto os juristas ouvidos pela reportagem, não se basearam na impossibilidade de fazer a emenda retroagir no caso da libertação dos condenados até seu julgamento definitivo. Isso é fato, mas é fato também que o ex-presidente Lula, condenado pelo triplex de Guarujá, responde também pelo caso do sítio de Atibaia e mais cinco processos.

NOVA CONDENAÇÃO – A única forma de incluir o ex-presidente em uma nova realidade prevista pela emenda seria sua condenação também por causa de Atibaia.

Um outro ângulo pode ser incluído no tema em destaque. A tentativa de anulação, pelo Congresso, do julgamento do Supremo. Sim, porque o que a emenda pretende é, no fundo, anular o novo conceito que a maioria da Corte adotou criando uma onda política que dividiu o país. E

ssa divisão pode não ser em partes iguais mas não deixa de ser uma divisão de realce no encaminhamento das relações entre poderes em nosso país. Autor da confusão: ministro Dias Tofolli.

Ao invés de reajuste pela inflação, haverá corte nos vencimentos dos servidores

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Charge do Jorge Braga (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A matéria faz parte do pacote de projetos elaborados pelo Ministro Paulo Guedes e que foram transformados em mensagens ao Congresso pelo presidente Jair Bolsonaro. A matéria que focaliza o tema é dos repórteres João Sorima Neto e Leo Branco, em O Globo de domingo. Na Folha de São Paulo, edição de sábado. texto de Bernardo Caran, Fábio Pupo e Tiago Resende focaliza projeto paralelo condicionando direitos sociais à situação fiscal do país.

Além dessas duas reportagens, Adriana Fernandes, no Estado de São Paulo de sábado, chamando atenção sobre a viabilidade do pacote de restrições.

DIFICULDADES – A tramitação do conjunto de medidas, pelos sinais iniciais dados por deputados e senadores, terá obstáculos e a aprovação pode ser mais difícil do que a prevista pelo Palácio do Planalto.

Como se observa mais diretamente pela reportagem de O Globo, a investida inicial é permitir a redução dos salários e o congelamento de reajuste pela inflação do IBGE. atingindo objetivamente a 14 estados cujas folhas salariais ultrapassam os percentuais fixados para seus orçamentos. Como se constata, na realidade, a dose é dupla: primeiro, pela redução de vencimentos, com diminuição também na jornada de trabalho. Segundo, porque o outro fator de diminuição está no fato de não permitir reposições inflacionárias, com base nos números do IBGE para o funcionalismo.

O elenco de restrições está amplamente destacado pela FSP, pois um dos pontos da emenda constitucional proposta propõe que o governo  pode até condicionar o reconhecimento de direitos sociais de acordo com a situação fiscal do país.

PREOCUPAÇÃO – No projeto que permite a redução dos vencimentos, a medida é prevista para os estados que se encontram sufocados por endividamentos. Entretanto, matéria paralela condiciona direitos sociais a situação fiscal do país. Portanto, os funcionários federais têm com que se preocupar.

Mas é possível que Câmara e Senado não aprovem o contexto de restrições. Restrições que recaem sobre os assalariados. Quanto às empresas, o ministro Paulo Guedes insiste na desoneração fiscal. Como se vê, sinal de tempestade marcado pelo contraste entre os tratamentos que abrangem salários e outros que se destinam à iniciativa privada.

Não podia haver melhor cenário à disposição do ex-presidente Lula para fixar em torno de si uma liderança das oposições junto a população brasileira. Aliás, a unificação das oposições deve ser creditada politicamente à decisão do Supremo Tribunal Federal. Inclusive, a partir de hoje devem ocorrer centenas de pedidos de liberdade por parte dos advogados que atuam na defesa dos réus da Lava Jato.

SEM CONVICÇÃO – Por falar no STF, devemos acentuar o pronunciamento final do ministro Dias Tofolli ao anunciar seu voto de Minerva contra a prisão em segunda instância. Ele disse que o Legislativo possui a faculdade de alterar a Constituição no que se refere ao tema que envolve a segunda instância. Com isso, revelou uma convicção fraca em relação ao voto decisivo. Convicção que deveria ter sido traduzida na defesa do conteúdo de sua posição no STF. Ele esperou assumir a presidência da Corte para recolocar a matéria em pauta.

A ministra Carmen Lúcia havia se recusado à reposição do tema considerando que ele já havia sido decidido em 2016.

Espertamente, Lula parte para uma polarização sobre os temas econômicos e sociais

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Eu precisava provar que Moro é um canalha, disse Lula

Pedro do Coutto

Foi esse o rumo que o ex-presidente Lula imprimiu ao discursar na tarde de sábado no sindicato dos metalúrgicos na cidade de São Bernardo do Campo. Curiosa a escolha do local, pois de lá ele partiu para suas campanhas políticas e também quando se apresentou a Polícia Federal que o conduziu para a prisão. De São Paulo foi para Curitiba e agora volta à cena transportado pela decisão do Supremo Tribunal Federal.

Quem assistiu a transmissão do ato pela televisão investiu-se da certeza de que Lula deseja de fato polarizar intensamente com o governo Jair Bolsonaro, dando curso assim a uma onda oposicionista que, como escrevi ontem, não tem ainda rumo certo e definido. Como no filme de Kubrick, “2001”,  a nave do desafio flutua no espaço sem pouso certo.

DISPOSIÇÃO – Vai depender da disposição do Planalto em travar um duelo nas ruas do país logo no momento em que o ex-presidente ataca as reformas propostas pelo ministro Paulo Guedes e transformadas em mensagens ao Congresso pelo presidente Bolsonaro.

Lula levou o debate para as ruas e não só sobre os temas econômicos mas também com acusações diretas ao Palácio do Planalto. A primeira reação do Planalto restringiu-se a não aceitar o confronto, tentando assim gelificar o contexto esboçado pelo ex-presidente Lula.

FICARÁ CALADO? – Essa é uma estratégia sem dúvida alguma válida para não esquentar demais as vozes da multidão incentivada pelas bandeiras em torno do autor da nova versão política no país. Perfeito. Mas até onde será possível a Bolsonaro não rebater as acusações do ex-ocupante do Alvorada?

Aliás, por falar em alvorada, as reformas do ministro Paulo Guedes já foram anunciadas e vão encontrar junto à opinião pública um panorama mais difícil do que na fase da reforma da Reforma da Previdência Social.

Porém, o silêncio de Bolsonaro dificilmente poderá se manter como resposta oculta, uma vez que integrantes de seu governo vão terminar rebatendo as teses e antítese de Lula da Silva.

Assim, na minha opinião, o confronto vai se deslocar da Praça do Congresso para as ruas e avenidas brasileiras.

MAIA RECUA – Um reflexo já foi acusado pelo deputado Rodrigo Maia ao afirmar que colocara em pauta o projeto de reforma constitucional permitindo a prisão em segunda instância. É claro que sua iniciativa, por sua vez, reflete e é impulsionada pela esplanada de Brasília. Portanto, o presidente da Câmara dos Deputados reconheceu o impacto da decisão do STF.

Ele pode não estar sozinho na iniciativa. Seu aliado pode ser o próprio Palácio do Planalto. E a reação ao Supremo já tem voz e voto na Comissão de Constituição e Justiça na Câmara Federal, cujo presidente, Felipe Francischini, é do PSL, partido de Bolsonaro.

Supremo lançou a nave política para o espaço, mas sem rumo e sem previsão

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No primeiro discurso, críticas ao governo de Bolsonaro

Pedro do Coutto

A política, mais uma vez, revelou sua face de imprevisibilidade a partir da decisão do Supremo Tribunal Federal, que, na prática, suspendeu as prisões em segunda instância, e, com isso, colocou o ex-presidente Lula da Silva em liberdade. Como comprovou seu primeiro pronunciamento ao sair da Polícia Federal em Curitiba, Lula partiu, como seria lógico, para procurar o espaço na área da oposição ao governo Jair Bolsonaro. O episódio marcante, sem dúvida, abriu uma nova ´perspectiva de análise do quadro político brasileiro.

Agora surge uma nova realidade no panorama, mas não se sabe qual será o rumo da nave que o STF fez decolar, não se podendo estimar sua flutuação no espaço sideral partidário e o novo rumo que passará a ser cenário de  uma polarização colocando em cotejo o atual presidente e o ex-presidente da República.

QUEM GANHA? – A decisão do Supremo foi ótima para os advogados de presos pela Operação Lava Jato, mas esta é uma outra questão. O fato é que Lula reacende a esperança do PT e dos movimentos sociais simbolizados pelas bandeiras balançando Na porta da PF em Curitiba. Coisas da política.

Provavelmente a maioria do Supremo Tribunal Federal não levou em conta o quadro que passou a criar no país. Vejam os leitores como são as coisas: quando o panorama parecia destacar em absoluto a liderança do presidente Jair Bolsonaro, eis que surge no placar de 6 votos a 5 um panorama totalmente novo. O discurso da oposição tornou-se mais fácil do que era antes da decisão da Corte Suprema.

Quem perde – A derrota, a meu ver injusta, o governo deve dividir com o ministro Sérgio Moro,que lutou pela manutenção das sentenças em segunda instância. Afinal, ele é o ministro da Justiça e assim ampliou a dimensão do desfecho que se deslocou num espaço em torno do Palácio do Planalto e da Esplanada de Brasília.

A partir de hoje uma nova realidade e um novo panorama projetam-se tão logo se abram as cortinas do palco político.

Lances marcados pela emoção vão surgir numa dimensão na qual flutua sem rumo certo a nave do destino. Lula, na tarde de sexta-feira, concentrou o foco principal de um quadro enigmático. Resta saber qual será a reação ou as reações do Palácio do Planalto.

Guedes se enganou e a Previdência privada sustenta-se nos assalariados de alta renda  

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Isabela Bolzani, na Folha de São Paulo de segunda-feira, com base nos próprios dados da Associação Nacional de Previdência Privada, revela que a fonte de captação de recursos financeiros no mercado destinados à previdência complementar tem origem na injeção de recursos das pessoas físicas que possuem renda mais alta. Não há adesão por parte dos trabalhadores de renda menor.

Isabela Bolzani acrescenta que a renda baixa da grande maioria da população brasileira limita os avanços no sistema privado de complementação.

DEU ERRADO – Portanto, esse quadro contesta diretamente o projeto do ministro Paulo Guedes de substituir o sistema atual do INSS por um regime de capitalização sustentado apenas pelos assalariados.

Não era necessário esperar a confirmação da realidade exposta pela Folha de São Paulo para saber que os que vivem de salário no Brasil colocam-se em número imensamente maior do que aqueles melhor remunerados. Basta dizer que, como o IBGE já divulgou, mais da metade da força de trabalho nacional ganha por mês de um a três salários mínimos.

A ideia de que o regime de capitalização fosse capaz de assegurar o pagamento de aposentadorias e pensões não passava de um sonho de alguns, tornando-se um pesadelo para a maciça maioria dos que não têm condições de aderir a planos privados.

COMPARAÇÃO – A matéria apresenta inclusive comparação numérica que marca diferenças entre o exercício de 2017 e os dias de hoje. A captação, ao invés de subir, desceu de 12,8 bilhões para 11,6 bilhões de reais. Se aplicada a taxa de inflação, o recuo nas aplicações torna-se aproximadamente 10% maior.

O número de pessoas que contribuem para a seguridade complementar aproximadamente mantém-se no mesmo patamar de 11 milhões de pessoas.

São aqueles, penso eu, 7% que ganham por mês mais de 10 salários mínimos. O patamar de 10 salários mínimos caracteriza aqueles que formam da classe média para cima os que podem contribuir permanentemente para captação e portanto fortalecimento do sistema previdenciário privado.

DOIS GRUPOS – A reportagem assinala que os Fundos complementares de renda dividem-se entre dois grupos bastante distintos: as entidades abertas e as fechadas. Isso quer dizer que as entidades abertas recebem adesão de qualquer pessoa. A entidades fechadas representam os fundos complementares das empresas estatais. Nesse caso somente contribuem aqueles que formam os quadros de empresas como a Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Furnas além da Eletrobras.

Portanto, se excluirmos os fundos fechados, teremos uma ideia mais clara da capacidade de capitalização e de sua restrição aos assalariados de maior renda.

Fica aqui a informação para o ministro Paulo Guedes, para Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre.

Protestos populares em vários países nada têm a ver com comunismo ou com subversão

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Os protestos são provocados pela desigualdade social

Pedro do Coutto

Reportagem de Daniel Avelar, na Folha de São Paulo de domingo, destaca os movimentos de protesto populares em vários países do mundo analisando-os sob o ângulo econômico social. Perfeita, a meu ver, a colocação principal no texto de página inteira, focalizando a subida dos termômetros que calculam sua legitimidade.

Digo eu o seguinte. Defender reformas sociais, que somente podem ser alcançadas através do desenvolvimento econômico, mantém infinita distância com o comunismo, sobretudo porque o comunismo no sentido de negar a propriedade individual e a livre iniciativa, começou a desaparecer em 1953 com a morte de Joseph Stalin.

NOVO FIGURINO – Uma coisa é o regime ditatorial que vigora hoje na Rússia, China, Coreia do Norte e Cuba. Tais regimes sufocam as populações com a falta de liberdade de expressão. Mas no caso da Rússia, o país hoje tem a presença de bilionários em suas fronteiras. A China também se enquadra no mesmo figurino.

Em matéria de liberdade, a Venezuela pode ser incluída entre as ditaduras, não há dúvida, pois o governo Maduro perdeu seu rumo há poucos anos. O que havia anteriormente e que se manteve com o fenômeno da guerra fria não tem mais lugar no pensamento de hoje. V

Vejam só um exemplo: em outubro de 2017 transcorreram 100 anos da Revolução Comunista. O presidente Putin deixou passar em branco qualquer manifestação sobre o fato que pertence à história universal e o jornalista americano John Reed foi o autor do livro “Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”.

INTERNACIONAL – Houve um tempo em que a velha guarda comunista da então União Soviética propunha a internacionalização do comunismo. Esse foi inclusive o ponto de ruptura entre Stalin e Leon Trotsky. Houve a partir de 56 duas invasões soviéticas para manter o comunismo na Hungria e na Checoslováquia. Em 68 a invasão foi para derrubar o governo e sufocar a primavera de Praga.

A partir daí a ideia comunista foi se tornando numa impossibilidade para si mesmo. O capitalismo sempre que associado a liberdade, como a História comprova, e seguiu vencendo todos os cotejos que colocaram em confronto a força criativa do capital.

OUTRA REALIDADE – Atualmente o comunismo não inspira e muito menos lidera manifestações populares. Tais manifestações não trazem dentro de si a ideia de dividir bens em partes iguais. A ideia predominante do reformismo consiste apenas em valorizar os interesses do capital e do trabalho de forma mais justa do que continua acontecendo. hoje mais de 2000 anos depois da crucificação de Cristo.

Portanto, ir ao encontro dos princípios da liberdade não significa dar as mãos a comunistas que sobreviveram do passado até hoje. São muito poucos aliás. 

REFORMISMO – A ideia reformista é absolutamente livre de vinculações políticas, partidárias ou ideológicas. Nasce de um esforço para valorização do ser humano e de seu trabalho. Se ser esquerdista é ser reformista, devo assinalar que na lente de aumento dos que assim pensam não cabe de forma alguma a encíclica Mater et Magistra do Papa Joâo XXIII. Impossível, portanto, a classificação da esquerda radical a um documento que acentuou um ponto firme e eterno: os seres humanos têm que se realizar tanto na terra como no céu. A encíclica é do final dos anos cinquenta. 

Será que os conservadores da atualidade classificariam o Papa João XXIII como esquerdista? E o Papa Francisco que brilhantemente defende o combate a miséria e a opressão do poder contra seres humanos? Não acredito.

O reformismo busca apenas a valorização do trabalho e o respeito à existência humana na face da terra. A realização tem de valer tanto na terra quanto no céu. Amém.

Com sua inabilidade, Eduardo Bolsonaro conseguiu congelar a corrente radical do bolsonarismo

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Eduardo perdeu uma boa oportunidade de ficar calado

Pedro do Coutto

Na minha opinião, foi isso que aconteceu quando o deputado Eduardo Bolsonaro fez afirmações sobre confrontos políticos e ideológicos e, no caso de nosso país, admitindo várias formas de desfecho, entre elas o retorno do Ato Institucional nº 5 de dezembro de 1968. Provocou intensa revolta, como seria de prever na sociedade brasileira de modo geral, com destaque e reflexos maiores nas áreas políticas e jurídicas.

A impressão deixada pelo episódio foi uma forte tempestade na área política e também, como não poderia deixar de ser, na opinião pública.

DEU EXEMPLOS – O deputado Eduardo Bolsonaro, inclusive, reuniu vários exemplos de poder em países da América do Sul, referência que fez para mostrar na sua opinião um hipotético risco capaz de contaminar a democracia brasileira. Citou vários exemplos de radicalismo, acentuando como exemplos a Argentina e o Chile. Para erguer uma espécie de cordão sanitário contra ideologias da esquerda, ele se referiu a uma hipótese de acontecimentos populares no Brasil.

Causou também uma sensação de perplexidade, já que nosso país tem um governo eleito democraticamente, não se encontra em véspera de eleição, e tampouco há risco de qualquer subversão constitucional e institucional.

Se o deputado considera de esquerda o presidente eleito da Argentina Alberto Fernandes, enganou-se totalmente. O peronismo e qualquer outro populismo são, na realidade, antítese de um governo de esquerda.

NEM APOIO TINHA – Ao longo da história inclusive sucederam longos períodos peronistas sem que qualquer um deles tivesse sido apoiado pelo comunismo. Pelo contrário. O comunismo nunca transitou pelo Rio da Prata. Assim, trata-se de uma radicalização considerar o nascimento de uma força política que jamais pontuou sua presença na Argentina. Mas não é esta a questão.

A questão essencial é que a fala de Eduardo Bolsonaro foi ao encontro de uma corrente de pensamento liderada pela extrema direita, a mesma que foi testemunha e sobrevivente do desfecho trágico de dezembro de 68. Muito bem. O que aconteceu então?

Em primeiro lugar, uma onda colossal de rejeição à hipótese; em segundo lugar, por ação tácita, o deputado mais votado no Brasil em 2018 deslocou o problema para o estágio evidentemente no qual se encontra o saudosismo da ditadura que se alongou por 21 anos.

DEU TUDO ERRADO – Essa corrente certamente não esperava uma repercussão tão intensa contra seu pensamento e seu projeto de ação. Assim, Eduardo Bolsonaro congelou e, ao mesmo tempo, imobilizou qualquer hipótese de um movimento político militar inspirado na dramática reunião no Palácio da Laranjeiras em que foi editado o Ato Institucional nº 5.

Ao longo do tempo, o grupo mais radical do bolsonarismo não encontrou qualquer reação favorável ao retorno da ditadura. E a estrada da democracia continua aberta aos passageiros da liberdade.

No meio da tempestade, a Selic reduz rentabilidade da poupança e de vários fundos

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto         

No meio da tarde desta quinta-feira, a atmosfera política do país passou a sinalizar tendência a uma nova tempestade institucional, com as declarações do deputado Eduardo Bolsonaro admitindo a possibilidade do retorno de um novo AI-5. Como esta matéria terá desdobramentos, escreverei sobre ela amanhã.

Vamos focalizar hoje os reflexos do novo corte da taxa Selic, que desceu de 5,5% para 5%. Reportagem de Renato Jakitas, em O Estado de São Paulo de ontem, focaliza o tema que foi destacado como manchete de página.

JUROS NEGATIVOS – A matéria tem base em informação do próprio Banco Central, que teria avançado uma página na classificação da rentabilidade de diversos meios de poupança e aplicação no mercado financeiro. Uma simulação relativa ao investimento conservador das cadernetas de poupança e também dos fundos TI ressalta que o resultado será possivelmente negativo ainda em 2019.

Nesse caminho a rentabilidade aparente perderia para um universo real incapaz de superar a taxa de inflação, mesmo a que é apresentada pelo IBGE. O tema é bastante sensível já que as cadernetas de poupança estão atingindo um saldo de 818 bilhões de reais.

A comparação leva em conta o índice inflacionário como falei e assim em valores reais uma aplicação de 1 mil reais poderá transformar-se em 998 reais.

CONSEQUÊNCIAS – Os reflexos no mercado de capitais são muitos e batem exatamente na parte sensível que está no bolso ou nas bolsas das pessoas físicas. A reportagem, inclusive, chama atenção para as consequências que vão atingir os saldos dos investidores. A Selic possui vínculo com a poupança, na medida em que ela causa um reflexo que seria acrescido pela Taxa de Referência. Mas como a Taxa de Referência atualmente é igual a zero, os poupadores terão que se restringir ao quadro comparativo que a reportagem do Estado de São Paulo publica.

Em síntese, a matéria sustenta que os fundos de renda fixa serão os mais atingidos, restando como instrumento capaz de elevar a rentabilidade uma ida à Bolsa de Valores de São Paulo.

ESPECULAÇÕES – A Bovespa é mais rentável, porém implica num risco que pode sensibilizar negativamente os capitais nela injetados. O mercado de ações é marcado também por especulações.

Por falar nisso, as declarações do deputado Eduardo Bolsonaro dão margem a especulações políticas em variadas formas.

Uma delas logo se faz sentir, traduzindo forte preocupação com o destino democrático do Brasil. Mas temos o exemplo de um passado que durou 21 anos e que tantos danos causou a população do país.