Olavo de Carvalho se transformou no filósofo da tempestade na crise brasileira

Resultado de imagem para olavo de carvalho

Olavo de Carvalho vive momentos de glória em Washington

Pedro do Coutto

As suas colocações políticas a respeito do governo Bolsonaro e do general Hamilton Mourão, vice-presidente, são suficientemente fortes para que, pelo menos eu, possa classificá-lo como filósofo da tempestade, a exemplo do albatroz que pressente as tempestades no mar e por isso aproxima-se e pousa nos navios. A classificação de albatroz da tempestade é bem antiga e não me lembro em que época foi destacada nem o autor do destaque. Mas esta é outra questão.

Nas edições de ontem da Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo, Olavo de Carvalho tornou-se chamada de primeira página com base em duas de suas investidas. As enviadas da FSP a Washington, Patrícia Campos Melo e Marina Dias, destacaram o pronunciamento que o filósofo fez na noite de domingo ao ser um dos homenageados no jantar promovido pelo financista Gerald Brant, um dos principais apoiadores de Donald Trump nas eleições de 2018.

Olavo de Carvalho, de forma surpreendente, afirmou que o governo Bolsonaro está muito ruim e, se seguir como está nesse momento, acaba em seis meses.

SEM IDEÁRIO – Olavo de Carvalho fez diversas críticas ao governo do vitorioso nas urnas e declarado seu candidato nas eleições de 2018. O filósofo da tempestade destacou que não sabe quais as ideias políticas do presidente brasileiro. O jantar foi no Trump Internacional Hotel, aliás na noite de sábado, portanto anterior ao jantar da noite de domingo, este já com a presença de Jair Bolsonaro na Embaixada Brasileira. E a Folha revela que na noite de domingo Olavo de Carvalho sentou-se ao lado do presidente da República, que homenageou o escritor com um brinde.

Para Olavo de Carvalho, o presidente está de mãos amarradas. “Não sou capaz de prever até onde vai, mas se continuar como está, seu governo pode acabar dentro de seis meses”. Estranha essa colocação, feita por alguém que no dia seguinte estaria alojado à mesa ao lado do presidente, em posição de honra, depois de profetizar o desabamento do governo, se continuar como está.

MAIS ATAQUES – Enviadas pelo O Estado de São Paulo a Washington, Naira Trindade e Tânia Monteiro publicaram reportagem sobre os ataques do filósofo ao vice-presidente Hamilton Mourão em particular, e, de modo geral, aos militares que formam ao lado do vice-presidente.

O general Mourão disse que não vai responder a Olavo de Carvalho, sobretudo porque não consegue identificar a motivação dos ataques, até porque não o conhece pessoalmente, e nunca portanto expôs a ele suas ideias e pensamentos.

A tempestade pode só existir na mente do albatroz. De qualquer forma, porém, acentua uma forte contradição nas forças que venceram as eleições de outubro do ano passado.

Não pode haver união entre os Poderes, pois um deles pode julgar os outros dois

Resultado de imagem para churrasco de maia

O pacto de governabilidade não condiz com a prática da democracia

Pedro do Coutto

 A reportagem de André de Souza e Daniel Gulino, edição de ontem de O Globo, destaca o churrasco de sábado na residência do deputado Rodrigo Maia com objetivo – afirmou o presidente da Câmara – de promover a união entre os três poderes, num pacto de governabilidade. O presidente Jair Bolsonaro estava no almoço, ao lado de vários ministros e do presidente do Supremo Dias Toffoli. A questão, a meu ver, apresenta uma sensibilidade própria, uma vez que a aproximação forte entre o Executivo, Legislativo e Judiciário ode contribuir para tornar pouco visível a linha que deve separar as três fontes de poder.

Isso porque, a qualquer momento, pode o Judiciário ter de julgar iniciativas tanto do presidente da República quanto questões envolvendo o Judiciário.

CONSTRANGIMENTO – Harmonia entre os Poderes é uma coisa natural e até constitucional. Porém é preciso lembrar que cabe ao Supremo julgar a constitucionalidade e a ilegitimidade das leis. A aproximação dos três poderes no primeiro plano do palco político pode produzir situações controversas e também aquelas que são marcadas por constrangimentos.

É preciso levar em conta que a proximidade excessiva pode inibir o relacionamento entre os presidentes ou deixar claro que a intimidade prejudica a independência da Corte Suprema do país. Veja-se por exemplo a votação do STF, que considerou o caixa 2 prática usual nas campanhas eleitorais apenas a ser julgada na Justiça Eleitoral.

Ficou destacada, a meu ver, a dúvida não só quanto a procedência do dinheiro transferido. Pois é possível que recursos movimentados no sentido das urnas tenha origem na figura quase emblemática de transações que envolvem interesses particulares e o poder público, o que nada tem de eleitoral.

DIZ A LEI – É preciso considerar que a atual legislação do pais proíbe doações por pessoas jurídicas. Dessa forma, vale somente aplicação de recursos provenientes de pessoas físicas e mesmo assim até o limite de 10% da renda anual dos doadores.. Por isso se aparecerem doações fora desse limite, os recursos só podem ter sido indiretamente aplicados por pessoas físicas.

A questão essencial é se os efeitos da decisão do STF retroagem ou não às eleições de 2014. Eis aí um aspecto concreto a ser analisado envolvendo doadores e falsos doadores a campanhas eleitorais.

Para nomear nas estatais, deputados têm de assumir por escrito apoio ao governo

Resultado de imagem para toma lá dá cá  chargesPedro do Coutto

Na edição de ontem de O Estado de São Paulo, reportagem de Naira Trindade e Vera Rosa revelou que o governo decidiu condicionar indicações de deputados para diretorias de empresas estatais, exigindo que assegurem apoio ao Palácio do Planalto, especialmente no caso da reforma da Previdência. O documento de compromisso, como está no título, destina-se a nomeação nos escalões de segundo e terceiro postos administrativos.

A ideia é que os parlamentares firmem um documento que permite que as indicações possam ser cobradas, caso o nomeado venha a se envolver em alguma irregularidade após assumir o posto.

CORTINA DE FUMAÇA – Entretanto, essa condição para que indicados sejam exonerados representa uma cortina de fumaça envolvendo a troca de nomeações por votos. Isso porque, se o nomeado para a diretoria de uma estatal cometer uma irregularidade ou uma ilegalidade, para demiti-lo não há necessidade de documento prévio reconhecendo a procedência de ações na área governamental.

A reportagem de O Estado de São Paulo acentua que as articulações com parlamentares para aprovar a reforma previdenciária encontram-se na esfera de atuação do Ministro Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. No fundo o objetivo é trocar as nomeações por votos a favor do projeto do governo, num regime de mão dupla.

RESISTÊNCIAS – A matéria destaca ainda que a iniciativa criou resistências no Congresso Nacional, uma vez que os autores de indicações se responsabilizem pelo desempenho de dirigentes das estatais e das autarquias.

Ficou claro que, se o parlamentar votar contra a reforma da Previdência ou se omitir, não comparecendo a sessão do plenário os indicados, perderão os cargos nos quais foram colocados.

FALTA DE CONFIANÇA – A troca de votos por diretorias representa uma falta de confiança do governo no comportamento dos deputados e senadores.  De outro lado, fica clara uma contradição na área do Executivo.

Além disso tudo, o presidente da Petrobrás, Roberto Castelo Branco, em uma entrevista ao O Globo disse  que “sonha em privatizar a estatal ” e anunciou que até abril pretende vender ativos da Petrobrás num montante de 10 bilhões de dólares.

Roberto Castelo Branco afirmou que, em sua opinião, o BNDES deveria ser fechado. As reportagens econômicas na minha opinião devem tentar ouvir o presidente do Banco, Joaquim Levy.

Recuperação do comércio e da receita de impostos depende do nível de emprego

Resultado de imagem para consumo charges

Charge do Allan Sieber (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Finalmente surge uma voz do IBGE para colocar a verdade no mercado brasileiro. A voz é de Isabela Nunes, gerente da Pesquisa Mensal sobre o comércio, que iluminou a verdadeira base do consumo condicionado pelo nível de emprego. No caso brasileiro pode-se acrescentar a correlação a partir da queda do desemprego que ainda não se verificou. Desemprego alto significa, consequentemente, renda baixa e receita tributária que perde para a taxa de inflação.

Em reportagem de Tais Carrança e Bruno Villas Bôas, no jornal Valor, a especialista Isabela Nunes focalizou a essência do problema. Revelou que as vendas no comércio cresceram 0,4% em fevereiro, lembrando que no mês de janeiro registrou-se um recuo de 0,8%. Também importante, ela frisou, foi a retração da produção industrial na mesma percentagem dos resultados do bimestre.

FALTA COMPARAR – Na minha opinião, seria fundamental a comparação entre os índices de janeiro e fevereiro de 2018 com os de janeiro e fevereiro de 2019. Isso porque é preciso considerar os seguintes aspectos. Primeiro ponto, como ficou a produção física dos produtos?; segundo ponto, confrontar os preços desses dois períodos; terceiro ponto, comparar o  se o avanço decorreu dos preços ou a disposição de compra. Isso porque tem que se considerar a taxa inflacionária nos períodos cotejados.

A inflação de 2018 foi de 4%. Assim se o volume de vendas alcançou 0,4% fica nítido que o desembolso com a aquisição dos produtos recuou e não avançou como se constata. Ao contrário, a movimentação comercial não acompanhou o índice inflacionário e esta situação refletiu-se na cobrança dos impostos, principalmente do ICMS, que é estadual mas que representa a fonte explicativa do nível de consumo. O nível de consumo, como se sabe, depende diretamente da capacidade de compra da população brasileira de modo geral.

O mesmo sistema deve ser aplicado também em comparação a Previdência Social. O INSS arrecada sobre a folha de salário. Então desemprego alto arrecadação baixa.

INFLAÇÃO –  Matéria de Gabriel Vasconcelos, também na edição de ontem do Valor, analisa um estudo do IPEA voltado para medir tanto a inflação geral quanto o índice inflacionário por classes sociais. Diz que no primeiro bimestre do ano a inflação atingiu de forma mais forte os salários de renda mais elevada.

A afirmação, para mim parece impressionista. Além disso, deve-se lavar em conta que as pesquisas do IBGE baseiam-se nos preços mínimos e não nos preços médios. Desse jeito, desfoca-se o plano mais sensível da pesquisa.

Paulo Guedes colocou em compasso de espera a desvinculação dos orçamentos

Resultado de imagem para guedes na posse no bc

Guedes diz que pode sair do governo, se mudarem muito o projeto

Pedro do Coutto

Foi esta a decisão que o ministro da Economia, Paulo Guedes, adotou, segundo os jornais de ontem. Matérias sobre o recuo foram publicadas com destaque pelo O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e Valor. O titular da pasta, de outro lado sustentou que, se for aprovada emenda capaz de mudar a PEC enviada ao Congresso pelo presidente Jair Bolsonaro, significará a desistência da capitalização que ele quer introduzir no texto final da reforma.

O Valor focalizou diretamente esta situação na reportagem de Fabio Graner, Talita Moreira, Alex Ribeiro e Isabel Versiani. Quer dizer: o ministro Paulo Guedes decidiu, como a Folha ressaltara, colocar em compasso de espera o segundo projeto de desvinculação do orçamento.

LANCE DE DADOS – A editoria de O Estado de São Paulo completa o trio de jornais que utilizou o recuo como a manchete de suas seções econômicas.  Tem-se a impressão de que Paulo Guedes, ao propor a participação de políticos na gestão do orçamento, estava apenas colocando um lance no jogo de dados do poder Executivo. Claro. Pois somente este aspecto pode justificar e esclarecer a mudança de rumo.

Nessa mudança fica demonstrada a intenção de negociar a reforma previdenciária. Tanto assim que a iniciativa destinada a liberar o orçamento de 2019 para incluir as chamadas emendas impositivas colocadas pelos senadores e deputados, era só para consolidar uma outra realidade: tal proposta fica condicionada à aprovação da reforma que muda o sistema de aposentadoria no país.

PRIORIDADE – Guedes sustentou que a reforma da Previdência continua sendo o caminho para uma redução de gastos governamentais na escala de 1,1 trilhão de reais em 10 anos. O Ministro disse que se o Congresso colocar, ao invés de 1,1 trilhão, um corte de apenas 500 bilhões de reais, a reforma da Previdência perde sua força original, esvaziando as modificações que o Palácio do Planalto projetou.

Na minha opinião, é importante dimensionar uma economia governamental ao longo de 10 anos, enquanto o orçamento da União para este ano é de 3,3 trilhões de reais. Se a inflação se mantiver nas escala de 4% ao ano, daqui a 10 anos o orçamento federal terá que ser reajustado em pelo menos 40% no final da década cujo rumo está previsto agora.

Além disso existe um detalhe fundamental: se as aposentadorias forem reduzidas, o fato é que será diminuído também o consumo e, portanto, a receita tributária, indiretamente.

Presidente da Caixa diz estar sofrendo pressão de políticos para fazer nomeações

Charge do Dogo (dogosalles.com.br)

Pedro do Coutto

Em uma entrevista a Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes, edição de ontem de O Estado de São Paulo, o novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou estar sendo alvo de pressões de políticos para nomear pessoas e também para não fazer cortes nas despesas.  Pedro Guimarães disse que, além das pressões, está sofrendo ataques para que não corte as despesas da Autarquia, como pretende, no total de 3,5 bilhões de reais.

Guimarães destacou também que irá reduzir as compras da CEF e atribui também a este fator a contrariedade que está despertando nos fornecedores tradicionais.

LINHA DE DEFESA – Na minha opinião, qualquer administrador de uma empresa estatal (caso da CEF) deve incluir na sua estratégia uma linha de defesa contra as indicações com base em partidos políticos. Não é que pressões políticas deixem de existir, mas compete ao presidente de uma estatal o combate às indicações que não incluam a capacidade técnica dos indicados. É a regra do jogo.

Pedro Guimarães não deve se surpreender com isso. Pelo contrário, deve absorver as pressões como algo inevitável na administração. Ele pode, claro, receber as indicações, mas isso não tem nada a ver com sua disposição em concordar ou não com esse processo.

PROBLEMA COMUM – O presidente da CEF, com sua entrevista, abriu um processo que deve estar ocorrendo em todas as empresas estatais. Os políticos que não foram atendidos no primeiro escalão voltam-se para o segundo. E também estão se equilibrando para sustentar as despesas longe dos cortes de 3,5 bilhões de reais.

Os orçamentos das estatais são de grande porte, como é o caso da Petrobrás e Banco do Brasil, e as pressões são inerentes à realidade eterna, e ninguém conseguirá mudar a face oculta das indicações partidárias.

Reforma de Guedes já provoca aumento da procura pela Previdência Privada

Resultado de imagem para guedes charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

1Pedro do Coutto

O aumento das aplicações na Previdência Privada – reportagem de Renato Jakitas, edição de ontem de O Estado de São Paulo –  revela que à medida que se aproxima a votação do projeto do governo de reforma da Previdência Social, cresce a procura  dos aplicadores pelos planos de Previdência Privada, no sentido de assegurar melhor remuneração quando se aposentarem.

Em janeiro deste ano a captação dos planos privados atingiu 817,9 bilhões de reais equivalendo a um percentual de aumento que oscila em torno de 25%. Isso de um lado. De outro, em fevereiro deste ano foram feitos 987 mil acessos em busca de informações sobre as melhores remunerações oferecidas pelos bancos. No ano passado os acessos foram de 677 mil.

VAI AUMENTAR – Especialistas sustentam que este ano a captação da previdência privada avançará ainda mais em razão dos debates que vão ser travados no Congresso a respeito do projeto de emenda constitucional elaborado pela equipe econômica do Ministro Paulo Guedes.

O Estado de São Paulo acentua que foram os planos de renda fixa que tiveram o maior aumento da procura mais acelerada para garantir o valor maior para aposentadoria. O confronto que se desenrola no mercado financeiro destaca as movimentações mais intensas e também aquelas que retrocederam ao longo dos últimos 12 meses.

CAPTAÇÕES – No que se refere as captações o mercado é liderado pelo Fundo Icatu com 4,2 bilhões de reais, em seguida o Itaú com 3,7 bilhões. Depois o Safra com 1 bilhão e 500 milhões. A Sul-América capitou 245 milhões. E o BTG Pactual, com 149 milhões. Para que o leitor esteja informado no que se refere à captação e o desembolso, o Estado de São Paulo informa os casos de maior valor líquido cedido a outros bancos. As transferências de maior porte foram as seguintes: Bradesco menos 3,9 bilhões, BB menos 3,4 bilhões, MetLIfe menos 1,3, Maphre menos 382 milhões e o Santander menos 202 milhões de reais.

Verifica-se assim que de um lado a captação e de outro a transferência, e dessa comparação certamente os especialistas e as consultorias terão uma explicação concreta do balanço de uma face e outra.

MAIS ATENTOS – Na opinião da economista Juliana Inhasz os investidores estão mais atentos aos rendimentos de suas aplicações.

E na visão de Henrique Pocal, a procura por novos clientes é a prova de que os investidores das faixas mais altas de renda estão se precavendo com valores menores aplicados às suas aposentadorias quando chegarem os momentos de se afastarem do mercado de trabalho.

Congresso controlará orçamento do país, mas sem emendas impositivas, diz Guedes

Resultado de imagem para paulo guedes

Por causa das emendas, Guedes vai comprar uma briga feia 

Pedro do Coutto

Em uma entrevista de duas páginas, edição de ontem de O Estado de São Paulo, o Ministro Paulo Guedes afirmou que os políticos têm de controlar integralmente o orçamento da União, porém sem as emendas impositivas de deputados e senadores. A matéria está assinada por Adriana Fernandes, José Fues e Renata Agostini. Para ser ideia de tal tarefa, basta dizer que a Lei de Meios em vigor este ano eleva-se a 3,3 trilhões de reais. Isso de um lado. De outro, no final do governo Dilma Rousseff as emendas dos parlamentares ao orçamento deixaram de ser autorizativas e passaram à condição de impositivas.

Paulo Guedes anunciou que, além da reforma previdenciária, o Governo vai enviar outra emenda estabelecendo o controle do orçamento federal e alterando o projeto que altera as indicações dos parlamentares.

OTIMISTA – Paulo Guedes disse que tem mantido entendimentos com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sobre a votação da Emenda Previdenciária na Câmara Federal.  E acha que ela será aprovada, e nas suas contas hoje estão faltando apenas 48 votos.  Explicitamente fechados com o projeto do governo encontram-se 160 deputados, mas outros 100 admitiram que vão votar. Por isso falta a diferença de 48 sufrágios para alterar a Constituição.

O Ministro da Economia informou, por outro lado, que o projeto da Previdência dos militares será enviado ao Congresso até o próximo dia 20. 

Uma questão a ser incluída no debate está no fato que anuncia quanto à iniciativa das emendas parlamentares, que são projetos de senadores e deputados indicando a realização de obras públicas cujos recursos, é claro, são originários do orçamento federal.

SEM IMPOSIÇÃO – Paulo Guedes pretende que as emendas parlamentares voltem a ser facultativas, sem obrigatoriedade de serem cumpridas pelo Governo. Isso vai dar briga e muitos problemas.

Disse que o controle do orçamento da União será feito pelo Congresso, e deu a entender que haverá o mesmo controle parlamentar nos estados e municípios, embora não tenha se referido à inclusão dessas duas tarefas por parte de deputados estaduais e vereadores. Com isso, não mais haveria imposição de percentuais para gastos de pessoal, educação e saúde.

O ministro da Economia defendeu ainda um novo pacto federativo para sustentar o avanço reformista que o governo Jair Bolsonaro está propondo para o país.

PREVIDÊNCIA – Entretanto, declarou que as idades mínimas para aposentadoria de trabalhadoras e trabalhadores ainda não estão detalhadas. Isso porque o presidente Bolsonaro defende para as mulheres a base de 60 anos de idade e não 62.

Acentuou que o programa de privatizações continuará como uma forma de cobrir os gastos governamentais. Vale a pena ler a reportagem a que me referi no início da matéria. Para concluir, Guedes sustentou que terá curso o projeto para reduzir os impostos que hoje recaem sobre as empresas. Diz que, pagando menos impostos as empresas poderão empregar mais. Só o futuro definirá essa hipótese.

Duas contradições sobre Previdência e o caso de Vélez Rodriguez e Olavo de Carvalho

ctv-zkv-dalcolmo

Secretário Bruno Dalcomo falou uma bobagem sobre a Previdência

Pedro do Coutto

Foram duas contradições marcantes as publicadas nas edições de ontem em O Estado de São Paulo e em O Globo. Aliás O Estado de São Paulo focalizou os dois episódios, mas O Globo deu mais destaque à versão de Olavo de Carvalho sobre a exoneração de pupilos seus pelo atual ministro da Educação. Vamos por partes.

Numa entrevista a Eduardo Rodrigues, em O Estado de São Paulo, o secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Silva Dalcamo, afirmou que a melhora do nível de emprego no país, que hoje atinge 12 milhões de desempregados depende da aprovação da Emenda Constitucional que modifica o sistema da Previdência Social no Brasil. Na minha opinião, ele inverteu a questão: a melhora da Previdência Social é que depende do aumento do número de empregos.

CONTRADIÇÃO 1– Isso porque, digo mais uma vez, a Previdência arrecada sobre a folha de salários. Portanto, se a folha cresce, consequentemente aumenta a receita do INSS. Ou seja, o secretário do Trabalho destaca um poder econômico da Previdência, que de fato não o possui.

O grau de investimentos no país poderá crescer, porém mais em função do avanço da economia do que a redução de gastos com aposentados e pensionistas. Observem os leitores um aspecto essencial. O projeto do governo de reforma tem como alvo a redução de despesas do INSS. Não quer dizer que a redução desses gastos vá se deslocar para os investimentos públicos. Isso porque a meta é corrigir o déficit antes de investir na economia. Apenas isso.

CONTRADIÇÃO 2 – A segunda contradição ressaltada ontem foi publicada pelo O Globo e também pelo O Estado de São Paulo. Em O Globo a matéria foi de Natália Portinari, André de Souza e João Paulo Saconi. Em O Estado de São Paulo, o duelo entre o filósofo e o ministro está na reportagem de Renata Cafardo, Isabela Palhares e Matheus Lara.

A contradição não deixa de possuir um toque de humor, que está no fato de Olavo de Carvalho dizer que orientou seus alunos a deixarem o governo, enquanto Vélez Rodriguez afirma ter feito um expurgo nos quadros do MEC dos seguidores de Olavo de Carvalho. “Foi para organizar a casa”, diz ele. Os dois jornais publicam os nomes dos afastados.

OS INIMIGOS – Olavo de Carvalho em documento enviado àqueles que seguem suas aulas online, disse que “o presente governo está repleto de inimigos do Presidente e do povo brasileiro”. Ele postou a mensagem na madrugada de sábado.

O desencontro da versões deve ser, logicamente, do conhecimento do presidente Jair Bolsonaro. O chefe do governo deverá tomar alguma posição a respeito desse fato, uma vez que Olavo de Carvalho indicou dois ministros em seu governo: o titular das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o da Educação, o próprio Vélez Rodrigues.

Assim, a questão torna-se mais confusa. No caso, o indicado Vélez Rodrigues tinha em seus quadros pupilos de quem o indicou para o governo.

O homem tem de libertar a mulher, libertando-se de si mesmo e da ideia da propriedade

Resultado de imagem para dia da mulher charges

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Pedro do Coutto

Ontem, Dia Internacional da Mulher, as comemorações no Brasil afastaram-se de colocações vagas e sentimentais e se deslocaram para o plano da realidade, no qual opera uma violência latente e a ideia de que a mulher é uma propriedade sua. Ninguém nesta vida pode ser dono de alguém e do destino das pessoas que convivem diariamente participando do combate diário de sobrevivência.

Sobrevivência e afirmação. É exatamente isso que na história moderna representa uma emancipação e uma atuação de acordo com sua visão e vontade.

“SÃO MAIORIA” – A mulher no Brasil só teve direito de voto a partir de 1934. Hoje o eleitorado feminino supera o masculino por 52 a 48. Essa é também é a proporção existente quanto ao número de habitantes. Falar da mulher é falar da existência humana, porque a mulher mantém o relacionamento mais profundo que marca o andar da vida. Ela abriga dentro de si um ser humano durante nove meses. Não existe relacionamento mais profundo do que este. A mulher assim tem o código da existência, no sentido que proporciona a ela colocar no mundo tanto homens quanto mulheres.

Os debates e informações que ocuparam programas de televisão, jornais e redes sociais deixaram em foco a situação mais importante entre os sexos: a violência contra as mulheres levado ao extremo por homens desequilibrados, capazes de se valer da força física para agredir aquelas que se colocam no plano oposto nas questões do dia a dia.

INSEGURANÇA – A violência, por paradoxal que pareça representa um covarde sentimento de rancor e às vezes ódio que tem origem na insegurança do homem em relação a mulher. Exemplos recentes confirmam essa opinião.

O problema da violência doméstica, sobretudo, é gravíssimo entre nós, pois exemplos não faltam de crimes covardes que se desenrolam tanto nos centros urbanos quanto em todos os pontos do país.

É hora de dar um basta à violência, ao crime deformante e à covardia que marca os desentendimentos entre homens e mulheres.

LONGO PERCURSO – As mulheres têm avançado muito no país, mas ainda falta um longo percurso para que a intolerância e a alucinação deem espaço para a convivência sadia, em que alucinações e agressões não ocorram. Trata-se de um longo percurso, é verdade.

Mas com base nas comemorações de ontem, 8 de março, já se vislumbra uma saída do túnel da maldade, insegurança, desespero e da covardia.

Que seja assim, pois essa disposição está sendo injetada em toda a população do Brasil.

Encontro da emoção com a arte levou a Mangueira à vitória e à aclamação

Resultado de imagem para mangueira desfile 2019

A vitória da Mangueira já era esperada pelos espectadores

Pedro do Coutto

Foi uma vitória incontestável a da Mangueira no Grupo Especial das Escolas de Samba. O Sambódromo na Sapucaí tornou-se testemunha de um espetáculo sem falhas e cheio de esplendor. Não faltaram críticas a governos e cobrança para identificar os autores do assassinato da vereadora Marielle Franco. O espetáculo proporcionado pela Estação Primeira ficará para sempre como uma das noites mais brilhantes que passaram pela obra de Oscar Niemeyer.

O desfile foi impecável do início ao fim. Aliás, por falar em final devo ressaltar que o carnavalesco Milton Cunha acertou em cheio a classificação das três primeiras colocadas. Em artigo anterior já havia veiculado a opinião dele, que se confirmou no final do desfile consagrado pela apuração dos votos.

VOOU LEVE… – A Mangueira, para citar um verso de Vinícius de Moraes voou leve no tempo e separou as noites do alvorecer de segunda e terça-feira. Foi uma apresentação sem dúvida emocionante. E provou que a emoção é o maior transporte de uma exibição para consagrar espetáculos que se sucedem ao longo do tempo.

A Mangueira transmitiu às multidões que a assistiram no palco e na televisão uma energia amplamente positiva e uma apresentação de grande beleza. A harmonia acompanhou a escola naquela gloriosa madrugada.

OUTRO ASSUNTO – Há emoções positivas e outras negativas. Enquanto a Mangueira brilhava na Sapucaí e na televisão, o presidente Bolsonaro causava uma reação muito forte com o vídeo que ele divulgou. A reportagem de página inteira em O Globo, foi de Bruno Goes, Daniel Gullino e Karla Gamba. O vídeo obsceno postado por um presidente da República também ficará na história do país.

Vice-presidente Mourão tenta levar Bolsonaro a adotar uma posição menos radical

Resultado de imagem para mourao charges

Mourão afirma que é preciso respeitar as regras democráticas

Pedro do Coutto

Numa entrevista ao Valor, também publicada pelo O Globo, edições de ontem, o general Hamilton Mourão afirmou diretamente que o país sofreu uma derrota com o recuo na nomeação de Ilona Zsabór para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. As declarações do vice-presidente expuseram o grau de radicais que apoiam Bolsonaro, conduzindo a uma radicalização que se afasta da democracia. Em O Valor a matéria está assinada por Carla Araujo e Fernando Exman e no Globo levou assinatura de Patrik Camporez.

O general Hamilton Mourão referiu-se a uma situação própria da verdadeira política cujo objetivo tem de ser a construção e não o confronto permanente entre uma facção política e outra. Tanto é assim que o vice-presidente projetou uma imagem bastante forte e inerente ao processo político numa democracia. A capacidade que um governante deve ter como, por exemplo, sentar-se à mesa com pessoas de pensamento contrário.

CLAREZA – Essa imagem foi bastante marcante por sua clareza, pois destaca a realidade não só da política, mas do comportamento humano que é o fato de se conviver com as ideias contrárias as suas. Na minha opinião foi a melhor síntese de um episódio no qual, sem dúvida, o Ministro Sérgio Moro saiu ferido com sua imagem tisnada por uma vacilação demonstrada no pêndulo das horas que separaram a nomeação de Ilona Szabó da sua exoneração. Foram 24 horas que causaram uma diferença enorme entre um ato e outro.

É evidente que Sérgio Moro recuou pela disposição do presidente Bolsonaro em aceitar os argumentos do radicalismo, sem pensar nas consequências. Tanto Bolsonaro quanto Moro deixaram-se envolver pelos fundamentalistas, cujo perfil ideológico os leva a desejarem situações extremadas com base num impulso que, no fundo, nada tem de político. Da mesma forma que em qualquer competição um lado não conseguirá vencer a zero o adversário, a mesma verdade inexorável envolve os radicais.

CAMINHO ERRADO – As últimas atitudes do presidente Jair Bolsonaro destacam-se pela disposição de desmoralizar os adversários. Não é este o caminho de um presidente da República, muito menos o rumo desejado pela maioria esmagadora da população do país.

O episódio Hamilton Mourão se sobrepos ao resultado que consagrou a Mangueira como grande campeã do carnaval. O exemplo pode ser dirigido ao governo: a Mangueira venceu no final da competição marcada por diferenças mínimas de pensamento e percepção.

Mangueira arrebatou o povão e levou o Estandarte de Ouro no alvorecer da terça-feira

Resultado de imagem para desfile da mangueira

Todas as escolas estavam divinas e são merecedoras da vitória

Pedro do Coutto

Foi realmente emocionante o desempenho da Mangueira no desfile das escolas de samba, conquistando a admiração e o entusiasmo que se estendeu a todos os componentes da verde e rosa contagiando o público formado por imensa legião de pessoas que assistiam pela televisão. O entusiasmo foi constatado também no Sambódromo que, mais de uma vez registrou momentos de arte e amor dos integrantes das escolas.

A emoção predominou, transformando-se em manifestação dos críticos e de todos aqueles que assistiram ao desfile concluído ao amanhecer de terça-feira.

ESTANDARTES – A Mangueira conquistou três Estandartes de Ouro no juri que a Organização Globo formou, como faz todos os anos, para informar sobre uma posição geral do confronto entre a arte e o entusiasmo projetado na emoção humana.

A Mangueira venceu na categoria de melhor samba e de melhor escola a se apresentar no carnaval do Rio. Atingiu o coração dos que viveram da noite de segunda-feira à alvorada de ontem.

A Estação Primeira destacou-se também nos comentários de Milton Cunha, que a colocou entre os destaques de domingo e de segunda-feira. O carnavalesco exaltou também a beleza apresentada pela Vila Isabel e pela criatividade da Viradouro.

JULGAMENTO – Hoje quarta-feira, haverá o julgamento coletivo para classificar aqueles que receberem as maiores notas nos diversos quesitos nos quais a decisão se baseia. Mas penso que todas as catorze Escolas de Samba exaltaram mais uma vez a força da poesia, melodia, escolha dos temas, para mim todas são vencedoras. Pois todas, sem exceção, honraram mais uma vez a essência e a beleza do carnaval carioca.

Muitos vão exercitar a memória luminosa de duas noites e duas alvoradas, destacando vários pontos captados por suas observações. Perfeito, nada contra isso, pois como disse Noel Rosa, o samba não se aprende no colégio. O samba parte da emoção e, quanto ao desfile encontra apresentação de uma realidade.

REALIDADES – No que se refere a esse ano, percebe-se que as realidades são múltiplas dentro da busca da forma na cor e a cor da forma, sob as luzes da obra de Niemeyer e sobre a percepção e o julgamento de cada um.

Esse encontro entre arte e beleza, da criatividade com a história, são dois pontos eternos do carnaval. Ninguém poderá contestar o incontestável, mesmo porque a poesia que o desfile passa ficará por conta de cada um de nós, expectadores e testemunhas de tantos carnavais.

Magia da Viradouro iluminou e arrebatou a noite de domingo no Sambódromo

Resultado de imagem para viradouro desfile 2019

No primeiro dia, a Viradouro deu um show de efeitos especiais

Pedro do Coutto

O desfile belíssimo da Viradouro emocionou todos os que assistiram a noite de domingo no Sambódromo, quando se apresentaram sete escolas de samba. A meu ver foi uma apresentação fantástica que coloca a escola de Niterói inevitavelmente no grupo mais destacado das duas noites que marcam mais um carnaval na cidade do Rio de Janeiro. Disse magia e, de fato, penso que é a melhor classificação sobre o desempenho da Viradouro na Sapucaí. A síntese do título desse artigo está também em O Globo na edição de segunda-feira, junto com uma foto espetacular que ocupou metade da primeira página do jornal.

Minha impressão foi confirmada pelas palavras de Milton Cunha, profundo conhecedor das escolas de samba, de seus movimentos e personagens ao longo de tantos carnavais.

PAMPLONA E ARLINDO – Tenho até a impressão que o desfile da Viradouro se iguala ou até mesmo ultrapassa a apresentação do Salgueiro em 1963, quando Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues mudaram a face do samba e conduziram o espetáculo para uma nova forma e um novo campo de visão descoberto na noite do tema “Chica da Silva”.

Foi, sem dúvida uma renovação cultural que até hoje abrange e emociona todos os seguimentos sociais.

A foto de O Globo acentua em fortes cores o aparente voo de personagens da Viradouro no espaço aéreo do Sambódromo. Os detalhes, muito belos, que a VIradouro acentuou vão marcar um novo período na vida eterna das escolas de samba.

Paulo Barros foi o responsável pela apresentação e também pela representação da escola de Niterói. Os apresentadores tiveram razão em destacar a atuação da escola de samba que pertencia ao segundo grupo no carnaval de 2018 e passou para o primeiro no carnaval deste ano.

LUGAR CATIVO – Como simples observador de espetáculos ligados ao samba, acho que a Viradouro permanecerá no grupo especial das escolas. Vamos ver como ela vai se colocar na apuração final de quarta-feira de cinzas. Escrevo este artigo no final da tarde de segunda-feira e, para efeito de apreciação vou comparar o de domingo com o da noite de segunda-feira, que vai terminar na madrugadad e hoje. Na mesma forma que o desfile de domingo só terminou no alvorecer de segunda-feira, com a Unidos da Tijuca.

A Beija Flor, como sempre apresentou um espetáculo excelente.                               Mas a Viradouro ousou mais e levantou voo da Sapucaí de Oscar Niemeyer para o céu, atravessando a rota de sucesso e deslumbramento onde vivem as estrelas da arte.

Rede Sociais se tornaram um novo e permanente universo de comunicação

Resultado de imagem para redes sociais charGES

Charge do Ricardo Welbert (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

No momento em que governo Bolsonaro estuda uma nova forma de comunicação do governo, tem que ser levar em conta a influência das redes sociais, espaço luminoso da internet. Aliás, como destacou O Globo na edição de ontem, em reportagem não assinada, o Palácio do Planalto já acompanha com grande interesse as tendências colocadas nas redes sociais.

O Globo citou vários exemplos, o último dos quais culminou com o recuo do ministro Sérgio Moro no episódio da anulação da escolha de Ilona Szabó para suplente de um conselho consultivo voltado para a política criminal. Choveu forte na Esplanada dos Ministérios em Brasília e o ministro Sérgio Moro voltou atrás diante das manifestações contrárias a Ilona.

ERRO TÁTICO – Pessoalmente penso que o titular da Justiça não deveria ter recuado. Certamente, o que não foi ainda publicado na imprensa deve ter sido resultado de manifestação do presidente Jair Bolsonaro. No artigo de ontem, lembrei o recuo de Vargas em 1953, no episódio da reação militar a presença de João Goulart no Ministério do Trabalho.

Posso acrescentar hoje outra decisão que o presidente Vargas, na década de 40, quando deixou de chamar o embaixador Oswaldo Aranha nos Estados Unidos para participar do encontro com Roosevelt na cidade de Natal. Já se evidenciava a realizações de eleições em 1945 e Vargas, que amava o poder, sentia que a candidatura Aranha crescia no país. Vargas, que era ditador desde 37 queria habilitar sua candidatura às urnas de dezembro de 45.

MAIS ADIANTE – Não terminou aí a manobra para afastar Aranha. Mais perto do pleito, Vargas recusou-se a homologar uma indicação de Aranha para um cargo no Itamaraty. Aranha então exonerou-se, e Vargas seria deposto a 29 de outubro, praticamente pouco mais de um mês para a redemocratização nas urnas.

Os jornais então se libertaram assim da absurda censura que desabava sobre a imprensa. Hoje, além da televisão, jornais impressos e do rádio, existe um novo poderoso meio que a opinião pública encontrou para se manifestar. Trata-se das redes sociais, cuja importância é cada vez maior. A vitória de Bolsonaro nas eleições de 2018 foi uma consequência direta da utilização do meio rápido e livre que emoldura a internet.

Por isso, o setor de comunicação no Palácio do Planalto terá que levar em conta, além dos meios tradicionais, o novo horizonte que surge e crescerá cada vez mais rapidamente.

Vice-presidente coloca-se no centro, longe de extremismos e radicalismos políticos

Resultado de imagem para mourao na veja

Mourão é uma voz moderada dentro de um governo extremado

Pedro do Coutto

Na minha opinião, esse é o ponto mais importante da entrevista do general Hamilton Mourão a Ricardo Noblat e Manuela Matos, na revista Veja que desde ontem está nas bancas. Com esse pensamento essencial, o vice presidente da República colocou-se no centro dos embates políticos rejeitando os extremismos e fundamentalismos que, ao mesmo tempo provêm de sentimentos antidemocráticos e apaixonados, que nesses casos é extremamente prejudicial ao denominador comum e deve surgir para as correntes adversas, que se julgam acima das leis e da vontade popular.

Tanto assim que Mourão, ao responder a uma pergunta que lhe foi colocada na entrevista, acentuou que o PT possui uma parte boa, inclusive voltada para soluções dos problemas sociais.

RECONHECIMENTO – Só essa afirmação, creio eu, significa não uma rejeição total às correntes adversas, mas o reconhecimento de que não é pelo fato de ser oposição que todas as vozes que vêm de lá serão obrigatoriamente ruins. Assim, é preciso admitir, como consequência, o exame dos conteúdos colocados na mesa dos debates. Dessa forma, o vice presidente da República iluminou um caminho ideológico para o governo do Presidente Jair Bolsonaro.

A política decorre de uma ideia firme e forte em torno de algo alcançável. Ninguém no campo político pode desejar vencer a zero. A liquidação de adversários nada significa de construtivo. A capacidade de analisar os fatos só pode se desenvolver se os que estão no poder não se julguem donos da verdade. Porque, no fundo das questões, o exercício do Executivo encontra na oposição sincera um fator favorável.

SEM PERFEIÇÃO – Em política, nas democracias, ninguém deve se julgar dono de uma ideologia perfeita. Mesmo porque, na minha visão, ela não existe. O processo político se afirma com a aceitação de vontades adversas, evidentemente dentro da lógica que não pode deixar de prevalecer nos combates partidários. O cheiro da pólvora nos confrontos políticos, como disse Otávio Mangabeira na morte de Artur Bernardes, é a atmosfera real da diversidade dos conceitos e opiniões.

Vale a pena ler a entrevista, porque ela representa um distanciamento de posições extremadas e fundamentalistas. Indiretamente parece-me que a observação do vice-presidente tem um endereço certo: o endereço do professor Olavo de Carvalho, atualmente residindo nos Estados Unidos.

INFLUÊNCIA – Apesar da distância, Olavo de Carvalho apresenta-se como um filósofo influente no governo, e sempre acentua sobre si o fato de ter indicado dois ministros neste governo no qual o general Hamilton Mourão é vice-presidente da República.

Olavo de Carvalho é um filósofo de fato, mas segundo o pensamento de De Gaulle, filosofia não se coaduna obrigatoriamente com a política. Foi a resposta que o presidente da França deu a Jean-Paul Sartre, em 1968, quando os estudantes ocuparam as ruas de Paris.

Sérgio Moro enfrenta a primeira tempestade; outras o esperam pelo caminho

Imagem relacionada

Sérgio Moro bateu de frente contra Bolsonaro e teve de recuar

Pedro do Coutto

Sem dúvida, o ministro Sérgio Moro perdeu pontos na primeira tempestade que encontrou no seu caminho. Depois de nomear Ilona Szabó para suplente no Conselho de Política Criminal, recuou diante das ondas que abalaram sua força política e sua imagem junto à opinião pública. A meu ver, Sérgio Moro não podia recuar. A escolha de Ilona tinha sido publicada na edição de 27 do Diário Oficial. Assim, sua exoneração anunciada no dia 29 foi oficializada a 1º de março. Como se constata, curtíssima distância entre o ato e o fato, para lembrar importante livro de Carlos Heitor Cony.

Não sei porque desabou uma tempestade na nomeação de Ilona, especialista renomada no setor de política criminal e penitenciária. O fato provocou a revolta expressa nas mensagens lançadas nas redes sociais.

APENAS SUPLENTE – O cargo sequer era executivo e sim uma simples suplência de um Conselho, sem força de lei, sem remuneração e sem qualquer poder decisório. Na suplência, pessoa alguma pode fazer qualquer ato concreto. Argumenta-se que o motivo foi sua posição contrária à liberação de armas de fogo. Mas esta questão não poderia sob hipótese alguma ser decidida por um Conselho Consultivo. Trata-se de matéria de lei a ser viabilizada ou não pela mensagem que o presidente Jair Bolsonaro enviou ao Legislativo.

Os mares de outras revoltas sem dúvida alguma vão desabar no convés da nave que transporta Sérgio Moro na Esplanada dos Ministérios. Seu recuo foi ruim. Decorreu de sua incapacidade de lidar com os ataques contrários às suas decisões. O de ilona foi um precedente perigoso.

NO PASSADO – Anos atrás registraram-se exemplos marcantes . Em 1953 por exemplo Vargas cedeu a pressões militares e exonerou João Goulart do Ministério do Trabalho. Começou sua queda em 54. Outro exemplo, o do próprio presidente Goulart, ao exonerar João Pinheiro Neto do Ministério do Trabalho. Outros exemplos encontram-se ao longo das praias revoltas pelas ondas do inconformismo.

Uma dessas ondas atingiu mais Sérgio Moro do que a Ilona. Ela se tornou a principal figura de um perigoso recuo que nada acrescenta nem ao governo Bolsonaro, nem ao Ministro da Justiça. Pelo contrário, ao invés de justiça no primeiro ato, no segundo ofereceu uma injustiça à opinião pública do país.

A matéria sobre o episódio foi destacada por Paulo Saldaña na edição de ontem da Folha de São Paulo.

Violência contra mulher é crime hediondo gerado na caverna do machismo

Resultado de imagem para eliane caparroz

Eliane Caparróz escapou por pouco de ser brutalmente assassinada

Pedro do Coutto

Não há dúvida, a onda de violência contra a mulher é um crime hediondo e covarde que se repete através dos tempos, aumentando a indignação social pelas sombras que o ocultam, manobra para tentar eximir seus autores. Trata-se da violência pela violência envolto na ilusão da impunidade. Essa impunidade muitas vezes se reflete no relacionamento entre os sexos, porém o grau sinistro de culpa persegue ao infinito os espancadores, homicidas em potencial que não resistem a reconhecer a liberdade essencial e existencial da mulher, sob a capa de transformá-la em objeto. A mais recente vítima foi a paisagista Eliane Caparróz, brutalmente e covardemente espancada por Vinícius Serra.

A opinião pública ficou perplexa diante do caso de tortura prolongada e até um ensaio de canibalismo. Ela não é a única mulher vitimada pela sombra da covardia. Mas sem dúvida figura entre as que mais sofreram espancamentos.

LUTA DESIGUAL – Foram quatro horas de sadismo e suplício. Um milagre ter ela sobrevivido, e marcou com tintas fortíssimas o tema sufocante de uma luta desigual.

Não importa que Vinícius Serra esteja com prisão preventiva. O crime bárbaro que cometeu, na minha opinião, ilumina uma série de outros casos semelhantes. A mulher entre quatro paredes da violência é um ser humano elevado à última potência da criminosa cena que se prolongou da surpresa inicial a uma sensação de que se encontrava diante do abismo entre a vida e a morte.

O machismo atravessa os séculos impulsionado por uma vontade que uma pessoa tem de escravizar a outra. As figuras odiosas do machismo insistem em não reconhecer e aceitar a vontade de cada ser humano.

DESEJO DE POSSE – O machismo está presente numa série de capítulos que lançam conflito entre a vontade própria e aquela de não reconhecer a liberdade. Há também um sentido de propriedade. O machista, seja ele criminoso ou não, transmite o desejo de posse revestindo-se da vontade sombria de projetar a mulher na esfera de uma propriedade. Tal sentimento revela-se, por exemplo, na música popular brasileira.

Vejam um verso de Amélia: “Ai, que saudades da Amélia, aquilo é que era mulher”. Os autores não pensaram nesse aspecto, mas Mario Lago e Ataulfo Alves escreveram aquilo e não aquela é que era mulher de verdade.

MUDA DE DONO – Outro exemplo está na canção “Número Um”, também de Mário Lago, interpretada por Orlando Silva. Um dos versos diz assim: “Satisfaz sua vaidade, muda de dono à vontade, isso em mulher é comum. Não guardo frios rancores, pois entre teus mil amores, eu sou o número um”. Muda de dono à vontade, na realidade ninguém pode ser dono de alguém.

Para finalizar, lembro Lupicínio Rodrigues: “O cabaré se inflama quando ela dança, e naquela mesma esperança, todos lhe põem um olhar. E eu o dono, aqui no meu abandono, espero louco de sono, o cabaré terminar”.

Esses são exemplos principais de um sentido absurdo de domínio e propriedade. Vamos ver se no Brasil o exemplo de Elaine Caparróz gera os efeitos que a consciência humana registra de forma emocionada.

Antes de pedir votos a deputados, Bolsonaro devia publicar o texto integral da reforma

Resultado de imagem para charges sobre a reforma da previdênciaPedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro tem dialogado com deputados e senadores pedindo votos para aprovar a reforma da Previdência Social. Tudo bem, faz parte do jogo político. Mas penso que esses diálogos deveriam ser precedidos da publicação do texto integral do projeto em jornais de grande circulação, como é o caso de O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. Pois assim não somente os deputados têm acesso a todos os pontos da proposição, alguns deles extremamente sensíveis.

Refiro-me à sociedade de modo geral uma vez que partes dela estão representadas no Parlamento. E assim senadores e deputados vão poder dialogar com as categorias que representam em torno da matéria.

REAJUSTE ANUAL – Um desses pontos, reportagem de Anais Fernandes, Flávia Lima e William Castanho, Folha de São Paulo, edição de ontem, descobriu e revelou que entre os itens do projeto do governo está incluído um dispositivo que elimina o reajuste das aposentadorias e pensões de acordo com o índice de inflação.

Atualmente, pela lei em vigor, o reajuste dá-se pela taxa inflacionária do ano anterior, somado à percentagem relativa ao crescimento do Produto Interno Bruto. Mas retiremos o PIB do texto legal. Se não houver reposição pelo índice inflacionário ao longo do tempo o valor das aposentadorias e pensões cairá rapidamente e perderá o valor de hoje.

FORTE REAÇÃO – De outro lado, de acordo com Adriana Fernandes, Diana Tomazelli e Camila Turtelli, o deputado Rodrigo Maia, edição de ontem de O Estado de Sã Paulo, manifestou sua preocupação com as aposentadorias rurais e o auxílio a idosos carentes de mais de 70 anos. Para ele o governo Bolsonaro deve ceder nesses dois pontos porque já se percebe a forte reação dos sindicatos e das associações que atuam principalmente no meio rural, ligado, portanto, ao agronegócio.

Textos de leis e projetos, como é o caso do projeto de emenda constitucional que o Planalto enviou ao Congresso têm que ser lidos com atenção e traduzidos para os efeitos práticos neles contidos. Por várias vezes torna-se necessária uma segunda leitura, às vezes uma terceira, para que se perceba de forma clara e profunda as consequências do conteúdo exposto na mensagem presidencial. Isso é natural e sustenta a norma de que matérias relativas a legislação sejam analisadas sem pressa e sem atenção que as circunstâncias exigem.

COMO VOTA? – A propósito do pedido de conhecimento pleno do assunto para definir a opinião, existe uma história muito muito engraçada ocorrida na antiga Federação Carioca de Futebol.

Colocado um assunto em votação, o presidente da FCF indagou: “Como vota o Madureira?”

Resposta:” Vota com o Vasco da Gama”.

O presidente então retrucou: “O Vasco da Gama ainda não votou…”.

E o representante do Madureira liquidou o assunto: “Não faz mal, eu espero”.

Academia de Hollywood reencontra o realismo italiano de Rosselini e Vittorio de Sica

Resultado de imagem para roma filmePedro do Coutto

Na noite de domingo, ao premiar o diretor Alfonso Cuarón e eleger “Roma” como o melhor filme estrangeiro, a Academia de Hollywood marcou um reencontro na história do cinema entre as produções americanas e o neorealismo italiano de Rosselini e Vittorio de Sica, que marcaram a história do cinema no pós-guerra, portanto, a partir de 1945. O filme “Roma”, preto e branco, pela emoção da história de seu conteúdo, lembrou , sem dúvida o “Roma Cidade Aberta” e “Paisà”, de Roberto Rosselini, e o emocionante “Ladrões de Bicicleta”, de Vittorio de Sica.

Na escala do neorrealismo podemos incluir “Alemanha Ano Zero”, de Rosselini e “Umberto D”, de Vittorio de Sica. Essas produções marcaram época, afastando o glamour de grandes filmes e as produções improvisadas que contaram a vida de pessoas simples, mas cujo desfecho foi socialmente marcado pela emoção e pela naturalidade com que os personagens marcaram sua passagem nas telas do passado.

CENAS REAIS – “Roma Cidade Aberta” inclui no seu roteiro cenas reais dos combates em Roma, finais da segunda guerra entre tropas alemães nazistas, as forças de ocupação das forças americanas e brasileiras, as quais se juntaram os heroicos partisans que deram suas vidas ao combater frontalmente os nazistas, acrescentando à narrativa que a Itália foi duplamente invadida pelas tropas alemães e pelos contingentes que combateram pela restauração da liberdade contra a tirania e a opressão.

“Roma CIdade Aberta” foi sucedido pela série de filmes de De Sica, como “Umberto D”, que dedicou a seu pai, velho professor universitário vivendo em meio a dificuldades sociais no panorama italiano.

“Ladrões de Bicicletas” teve como protagonista principal um mecânico de 62 anos da fábrica Fiat. “Umberto D” teve como ator principal um professor universitário de 72 anos, idoso pelos padrões da época.

CENAS ETERNAS – Enquanto “Ladrões de Bicicletas” leva às lágrimas pela forma em que o filho caminha ao lado do pai dando-lhe a mão, “Umberto D” projeta uma cena na qual o professor aposentado ensaia um pedido de esmola numa esquina romana. São personagens que ficam na história.

Por isso, ao dizer que a Academia em 2019 premiou em “Roma” de Cuarón a emoção dos viveram aquela época, como eu, podemos sem esforço ver na premiação do diretor mexicano e de seu filme o reencontro numa alameda dos tempos idos, com o presente e talvez com o futuro, estrada marcada pelas contradições parece-me que eternas entre o trabalho e sua remuneração.

LADO A LADO – “Roma”, de Cuarón, passa a viver ao lado de “Ladrões de Bicicletas”, “Paisà” e de “Umberto D”. Importante que seja assim. Porque a cultura e as condições humanas relacionam-se entre si. Tanto assim que a meu ver, Alfonso Cuarón emocionou-se também com as histórias de Rosselini e De Sica.

Acredito que a emoção que marcou o neorrealismo foi a mesma que levou Cuarón ao êxito mais de 60 anos depois, na festa do Oscar de 2019.