Fator previdenciário, inconstitucionalidade à disposição dos candidatos

Pedro do Coutto
Não sei porque um tema tão abrangente como este, capaz de produzir uma avalanche de votos, não se tornou, até agora, uma prioridade ao debate social na campanha para a presidência da República nas urnas deste ano. Para não cometer injustiça, devo reconhecer que foi levemente tocado apenas por Aécio Neves durante comício na Bahia. Feita esta retificação, vamos entrar no assunto, uma injustiça total para com os aposentados pelo INSS.
Foi instituído pelo governo Fernando Henrique, primeiro pelo decreto 3.048/99, confirmado pela lei 9.876 aprovada no mesmo ano. O fator, para fixar o valor da aposentadoria, considera conjuntamente o tempo de contribuição, o que é natural, a idade do segurado, a expectativa de sobrevida, baseada nos cálculos médios do IBGE, o que concretamente varia de pessoa para pessoa, além da média de 80% dos maiores salários recebidos a partir de 1994. Ora, aplicar o índice de 80% é o mesmo que adotar um redutor de 20%.
O juiz federal da primeira vara previdenciária da São Paulo, Marcus Orione Gonçalves Correia, acolheu o argumento que lhe foi submetido por um segurado e considerou o fator previdenciário simplesmente inconstitucional por adicionar exigências para fixar o valor da aposentadoria que não se encontram na Constituição. Trata-se, disse o juiz, de um claro retrocesso  social. Tem razão, afirmo eu. Por qual motivo deve-se diminuir a correlação entre o que os trabalhadores contribuíram quando em atividade e o que vão passar a receber quando se aposentam? Não existe qualquer explicação lógica.
SEM LÓGICA
E, acima de tudo, torna ilógica a manutenção do fator previdenciário pelo governo Lula e ao longo do mandato da presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição nas urnas de outubro. A questão interessa diretamente a mais de um milhão de pessoas que integram o eleitorado brasileiro. Na reta final para o primeiro turno, a abolição do fator previdenciário, um enigma sua resistência ao passar do tempo, deve ser incluído nos principais debates e entrevistas de que participarem os candidatos. O principal debate, por exemplo, o da Rede Globo marcado para a noite de 3 de outubro, dois dias antes das urnas do dia 5.
Sobretudo porque, segundo afirma o presidente da Confederação dos Trabalhadores do Brasil, Wagner Gomes, existem nada menos que um milhão de ações na Justiça Federal, entre eles os ajuizados pela própria CUT, a qual, como se sabe, é um braço sindical do próprio PT e assim empenhada na campanha de Dilma Rousseff. Aliás surpreende não ter a presidente da República tomado a iniciativa para derrubar o fator previdenciário, repudiado e detestado por todos. A anulação é reivindicada tanto pelos que vão se aposentar, quanto pelos aposentados atingidos diretamente, e também pelos pensionistas. Nunca uma lei prejudicou a tantos eleitores deste país durante tanto tempo. Uma exceção à regra histórica. Afinal de contas, no Brasil o salário médio dos que trabalham, conforme revelou o IBGE na sexta-feira, é de 1.681 reais por mês.
Em matéria de direito previdenciário deve-se acrescentar o fim do pecúlio dos aposentados que permanecem trabalhando e portanto descontando para o INSS. A soma das contribuições, escrevi recentemente um artigo a respeito, formava uma conta pecúlio semelhante ao sistema do FGTS, que o aposentado sacava quando deixasse efetivamente de trabalhar. E no caso de falecimento seus herdeiros recebiam o valor acumulado. Esse pecúlio foi extinto por decreto de 1.998 e, até hoje, não foi restabelecido. Outra injustiça a ser debatida e afastada da legislação brasileira. Pois o fim do pecúlio criou a figura (inconstitucional) da contribuição sem retribuição. Nenhum momento melhor do que o das urnas para corrigir injustiças.

 Datafolha revela faixas decisivas para o primeiro turno

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha destacada por reportagem de Ricardo Mendonça, edição de 21 da Folha de São Paulo, destaca nitidamente a intenção de votos nas candidaturas Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves por classes sociais do eleitorado brasileiro. A divulgação da matéria é fundamental para que os três candidatos possam dirigir suas mensagens no momento em que a campanha para o primeiro turno ingressa na reta final.

A tendência de voto favorece Marina Silva nos grupos sociais de renda mais alta e fortalece Dilma Rousseff, ao contrário, nas faixas sociais de renda menor. Aécio Neves melhora nos grupos de renda mais elevada e decai nos grupos sociais de renda mais baixa.

Nos grupos considerados de renda alta pelo Datafolha Marina Silva lidera com 36 pontos, seguida de Aécio Neves com 33. Neste segmento Dilma Rousseff atinge somente 19%. Ocorre que os grupos de renda mais alta pesam 7% do total de eleitores. Passando a faixa de classe média alta, Marina alcança 35, mas Dilma tem 27 e Aécio 22. Este grupo representa 20% do eleitorado. Na classificação seguinte, classe média intermediaria, Dilma já assume a liderança alcançando 35 contra 33 de Marina. Nesta faixa, que representa 32% do eleitorado Aécio desce para 15 pontos.

A seguir o Datafolha apresenta as intenções de voto da classe que ele identifica como média baixa pela qual reúne 13% do total de eleitores e eleitoras. Neste seguimento Dilma lidera com 40 pontos, seguida de Marina com 28 e Aécio com 16%.

Finalmente junto às classes de menor renda, que pesam 27% do total de votos Dilma Rousseff dispara com 49 pontos, deixando Marina Silva em segundo com 23. Nesta faixa Aécio Neves registra apenas 10% das intenções de voto. Verifica-se assim a existência de dois seguimentos decisivos para definir os rumos do primeiro turno: a classe média intermediária, pesando 32% e classe de renda mais baixa representando a fração de 27% do eleitorado. Somando-se os dois seguimentos chega-se à conclusão que esses dois grupos representam 59% do total de eleitores do país.

MENSAGENS FINAIS

Isso de um lado, De outro, a pesquisa do Datafolha focalizada claramente por Ricardo Mendonça vem oferecer aos candidatos um panorama bastante nítido de como devem tentar dirigir suas mensagens nas semanas finais que antecedem as urnas de 5 de outubro. Como os números revelam as classes as quais as mensagens devem ser mais intensamente dirigidas são as de renda menor porque são amplamente majoritárias na composição do colégio eleitoral.

Esta divisão praticamente define que as duas primeiras colocações no voto que se aproxima serão ocupadas, como as pesquisas tanto do Datafolha quanto do IBOPE assinalam, pela atual presidente da República e pela candidata do PSB. Isso porque Aécio Neves como os números indicam alcança penetração muito pequena nas classes média intermediária, 15% na média baixa 16%, atingindo apenas 10 pontos junto àqueles que o Datafolha considera de renda menor, socialmente excluídos.

Aécio tem pouco tempo para a tentativa dar certo, mas para ele esse constitui o único caminho possível de passar de uma terceira para uma segunda colocação nas urnas do próximo dia 5. O tempo corre contra ele, mas nem por isso seu esforço nesse sentido pode ser considerado de antemão inútil. Para definir o resultado, vamos aguardar as próximas pesquisas dos dois principais Institutos do país.

Candidatos alteram estratégia para o desfecho do primeiro turno

 
Pedro do Coutto
Reportagem de Júnia Gama, Fernanda Krakovics e Maria Lima, O Globo de quinta-feira 18, focaliza com destaque as principais alterações nas estratégias dos três candidatos para a etapa final do primeiro turno, na realidade decisivo para a classificação dos dois primeiros às urnas de 26 de outubro. As três repórteres analisam as propostas em curso nos bastidores principalmente de Dilma Rousseff e Marina Silva, mas também as colocadas pelo estafe de Aécio neves.
As mudanças de alvo e de estilo foram colocadas em foco depois que a pesquisa do Ibope divulgada na noite de terça-feira pelo Jornal Nacional apontou um recuo de Dilma (de 39 para 36), um leve declínio de Marina (de 31 para 30) e um avanço de Aécio de 15 para 19 pontos. Relativamente à presidente da República, a estratégia colocada a ela implica em atacar menos a ex-senadora, sua principal adversária, e adotar o caminho de apresentar ao eleitorado projetos de conteúdo positivo.
Pelo contrário, a tática de Marina Silva é não deixar acusações sem respostas, forma de neutralizar os ataques, e reforçar as críticas ao atual governo. Para Aécio neves, o comportamento básico será aquele que aliás vem adotando: criticar  tanto Dilma quanto Marina.
DILMA AGORA É O ALVO
O que ocorre é que, a meu ver, Dilma torna-se o melhor alvo das restrições, pois é a única candidata que pode ser cobrada pelas ações que adotou ou deixou de adotar, já que ocupa o poder Executivo. Marina Silva e Aécio Neves podem receber cobranças por seus posicionamentos políticos, não pelos resultados de suas administrações. Marina Silva deixou o Ministério do Meio Ambiente no início do segundo governo Lula, por uma desavença exatamente com Dilma Rousseff em torno da construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, ambas em Rondônia. Assim, está fora do poder há mais de seis anos.. Aécio Neves deixou o governo de Minas antes do pleito de 2010, quando foi eleito senador. O que fez e o que deixou de fazer não são temas atuais nem nacionais.
Como se vê, as cobranças recaem todas sobre a presidente da República. Dessa forma, se o poder permite que realizações sejam ressaltadas, de um lado, de outro abre perspectivas para que omissões se transformem em objetos de realce negativo. Elas por elas. Os dois fatores se compensam no debate eleitoral. Faltam poucos dias para o primeiro turno, marcado para o próximo dia 5. Apesar do avanço de Aécio, quando escrevo este artigo, antes da divulgação de mais uma pesquisa do Datafolha, a distância que o separa de Dilma (17 pontos) e de Marina (11% das intenções de voto) é acentuada e somente um fato inesperado poderá leva-lo a obter a colocação que o conduza ao segundo turno. Este, mais provavelmente, vai reunir face a face, com tempo igual no horário político, Dilma Rousseff e Marina Silva. Qualquer outro desfecho fornecerá uma sensação de total surpresa.
PARTIDOS MENOS CORRUPTOS
Em palestra quarta-feira no centro Cultural Turquia-Brasil, em São Paulo, matéria do repórter Tiago Dantas, edição de O Globo de quinta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique afirmou que  precisamos ter partidos mais autênticos e menos corruptos. Colocação de impacto, como se pode constatar. “Menos corruptos” é uma expressão relativa dentro da realidade brasileira. A corrupção atingiu tal dimensão que exigir honestidade integral, como deveria ser, passou a constituir um excesso. Corrupção menor do que a atual, em todos os níveis, sob a ótica de FHC, já seria aceitável. A relatividade, no fundo, dimensiona bem o problema.

 

Datafolha confirma duelo final entre Dilma e Marina

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha concluída quinta-feira e publicada com destaque pela Folha de São Paulo de 19, reportagem de Ricardo Mendonça e comentários de Mauro Paulino, diretor geral do Instituto, e de Alessandro Janoni, destaca que o duelo final das eleições para presidente da República permanece entre Dilma Rousseff e Marina Silva, embora a ex-senadora tenha recuado de 33 para 30 pontos no espaço de uma semana. Nesse mesmo período, aliás curto, o Datafolha está realizando levantamentos de sete em sete dias, Dilma Rousseff subiu um degrau: passou de 36 para 37%. Aécio neves cresceu de 15 para 17 pontos.

A pesquisa contém diferenças em relação à do Ibope que saiu na terça-feira, mas a direção é a mesma. Para o IBOPE, Aécio saltou de 15 para 19. Para o Datafolha de 15 para 17 pontos. O recuo de Marina ocorreu principalmente nas regiões sudeste e sul. No sudeste desceu de 36 para 32. No sul de 30 para 25%. Nas duas regiões perdeu votos para Aécio Neves. Por falar no ex-governador mineiro, a pesquisa do Datafolha provavelmente o levará a mudar de estratégia: seu alvo deixará de ser Dilma, da qual encontra-se distante vinte pontos, para ser Marina. Isso porque seu esforço, agora, é para obter o segundo lugar que poderá levá-lo às urnas de 26 de outubro. Está mais próximo de Marina Silva que, não se sabe bem por qual razão, perdeu no sul e sudeste. O sudeste é fundamental, uma vez que reúne em torno de 50%  do eleitorado brasileiro. Não se sabe também porque a rejeição a Marina, nesta semana, cresceu de 18 para 22. A rejeição a Dilma permaneceu em 33%. A rejeição a Aécio desceu para 21.

RETA FINAL

Praticamente na véspera da entrada na reta final, os  índices assinalados nas duas regiões por Marina nas duas regiões , se refletirem uma tendência, são preocupantes, pois Dilma, em decorrência do programa Bolsa Família, registra 49% no nordeste contra 32 de Marina e apenas 8 de Aécio. Na região norte, alcança os mesmos 49 pontos contra 28 de Marina e 9 de Aécio. Para compensar tais diferenças, a ex-ministra do Meio Ambiente tem que manter boa dianteira no sudeste e no sul.

De qualquer forma, em termos de segundo turno, o panorama mudou pouco. Na simulação realizada pelo Datafolha, ela venceria Dilma por 44 a 42 pontos. Panorama de quase um empate. Mas que significa que Marina hoje absorveria para si mais leitores de Aécio do que a presidente da República.A análise feita por Mauro Paulino e Alessandro Janoni ressalta que o recuo de Marina aconteceu entre os eleitores de menor renda mensal, de 1 a 5 salários mínimos que representam – frisaram – a parcela de 77% do eleitorado, portanto largamente majoritária. Esta constatação certamente influirá numa mudança de linguagem e postura da candidata, uma vez que o avanço de Dilma Rousseff ocorreu justamente nesse grupo social.

Mas não só Marina deve alterar o rumo de sua campanha, Dilma e Aécio também. Dos três, concluem Paulino e Janoni, como se vê, a posição mais difícil é de Aécio Neves que, na etapa final do primeiro turno, terá que superar o seu potencial de votação registrado até agora e torcer para que Marina Silva desça ainda mais na escala no roteiro das urnas do primeiro turno. Para os diretores do Datafolha, se acontecer tal processo, terá sido o primeiro da história das eleições brasileiras.

Ibope: permanece indefinido o duelo entre Dilma e Marina

Pedro do Coutto

A mais recente pesquisa do Ibope divulgada pelo Jornal Nacional da Globo, e objeto de excelente reportagem de Júnia Gama, em O Globo do dia seguinte, vem acentuar a indefinição que marca o duelo entre Dilma Rousseff e Marina Silva, tanto no primeiro turno, quanto no segundo e absolutamente definitivo confronto final marcado para 26 de outubro. Em relação ao Levantamento anterior, uma semana de diferença, Dilma desceu 3 pontos, Marina recuou 1, Aécio Neves avançou 4%. As urnas se aproximam, os candidatos vão entrar na reta final e o panorama não apresenta modificações.
A atual presidente lidera com 36 pontos, a ex-senadora assinala 30% das intenções de voto, Aécio saltou de 15 para 19 pontos. Embora este tenha sido um avanço considerável, a sua distância das líderes da pesquisa permanece muito grande. Em termos de segundo turno, hoje, o IBOPE aponta vantagem para marina Silva: 43 a 40 pontos da segunda colocada. Deve-se observar que o número dos eleitores que se dispõem a anular o voto ou votar em branco recuou para 7%, o menor índice da atual campanha e os que não souberam ou quiseram responder desceu para6%.
Além dos três principais, as urnas deste ano reúnem mais oito candidatos de diferentes partidos. Estes oitos, em seu conjunto, pesam apenas 2%, acrescenta o IBOPE. Dois pontos, entretanto, podem ser decisivos para que haja ou não segundo turno. Mas no caso presente parece que não. Pois enquanto Dilma Rousseff aparece na pesquisa com 36 pontos, a soma de Marina (30) e de Aécio (19) perfaz 49%. A fração de 2%, assim, não possui maior importância. Não expressa nada. Da mesma forma que nada exprimem em matéria de projetos e ideias os oito nomes que conduzem a formação dessa percentagem.
RETA DE CHEGADA
Se exprimissem atingiriam uma fração bem maior do eleitorado. Mas esta é outra questão. Voltando ao tema central, dentro de poucos dias estaremos na reta de chegada do primeiro turno. A reportagem de Júnia Gama acentuou que a estratégia adotada por Dilma Rousseff e marina não alcançaram êxito. Tanto assim que Dilma desceu 3 degraus e Marina declinou um. A violência dos ataques desfechados pela presidente e pelo presidente Lula contra Marina conteve a ex-senadora, porém não se tr4aduziu em avanço em favor de Dilma. Alheio ao choque principal da campanha, Aécio foi o que obteve o melhor resultado no espaço de uma semana. Mas nada que se apresente como um impulso capaz de leva-lo a um segundo lugar no primeiro turno. Temos de esperar o Datafolha que está vindo aí e mais um novo IBOPE provavelmente dentro de uma semana.
Com base nos resultados que as estatísticas forneceram as candidatas e o candidato montarão seus impulsos financeiros, suas estratégias na busca principalmente dos eleitores indecisos. A repórter Daniela Lima, em matéria publicada na Folha de São Paulo, publica declarações do ex-presidente Henrique Cardoso aconselhando Aécio Neves a dirigir seus ataques à presidente Dilma Rousseff, ao invés de a Marina Silva. É a segunda vez que o ex-presidente dirige-se publicamente ao senador mineiro nesse sentido.
Ele seguirá o conselho? Irá ao encontro da observação? Não se sabe. Como tampouco sabe-se que a mudança de alvo causará o efeito desejado por FHC que, aliás, foi o primeiro integrante do PSDB a lançar a candidatura de Aécio Neves à presidência da República. Acredito que, sob o ângulo partidário, ele estava certo. Naquele momento, não podia prever a ascensão de Marina Silva substituindo Eduardo Campos na chapa do PSB. Este fato mudou o cenário principal das eleições.

Pré-Sal, o centro do debate entre Dilma e Marina

Pedro do Coutto
Reportagem de Mariana Carneiro e Samanta Lima, Folha de São Paulo de 16, destaca as restrições feitas pelo coordenador da campanha de Marina Silva, Walter Feldman, ao modelo adotado pelo governo Dilma Rousseff para explorar o Pré-Sal, que está fornecendo no momento uma produção de 500 mil barris de petróleo por dia, correspondendo – acrescenta o jornal – a um quarto do total extraído dos poços do país. Aliás, por falar em Pré-Sal, ele passou a representar o principal debate travado entre as duas principais candidatas às eleições presidenciais de outubro. Tornou-se o centro da questão e deve permanecer como tal no desenrolar da luta no segundo turno.
Em primeiro lugar, o debate foi aberto pela atual presidente da República, com base em declaração da ex-senadora que, num descuido, sustentou que o Pré-Sal não estaria entre as prioridades de seu governo, se este for o desfecho das urnas. O PT, então, voltou-se por inteiro para acentuar que a candidata do PSB estaria contra o projeto em sua essência. A extrapolarização surtiu efeito, tanto assim que o PSB decidiu editar uma nova versão programática. A dúvida, entretanto, permaneceu na cabeça dos eleitores.
A prova de que permaneceu uma nuvem envolvendo o tema está na reportagem de Mariana Carneiro e Samanta Lima, com base em exposição feita por Walter Feldman, coordenador da campanha de Marina Silva. Teria sido melhor, para a candidata do PSB, que as afirmações feitas a respeito do assunto tivessem partido dela própria, e não de seu principal coordenador. Teria  transmitido um sinal mais acentuado de firmeza, já que o problema refere-se diretamente a uma solução de governo, não da assessoria. O campo do Pré-Sal é por demais sensível, extremamente técnico, além de incluir interesses econômicos de extraordinário vulto.
O modelo adotado para o Pré-Sal é essencial no confronto entre as duas candidatas no segundo turno, mas não é o único. Vários outros serão incorporados ao debate final, já que com onze candidatos as teses se diluem em tal pluralidade, não permitindo a centralização que inevitavelmente marca as decisões no segundo turno. Tem sido sempre assim e assim, creio, será mais uma vez, tornando o desfecho imprevisível com base no quadro hoje delineado. Vai depender do desempenho de uma e de outra ante as telas da televisão, já que os comícios e grandes concentrações públicas desapareceram do calendário eleitoral. O voto, hoje, é disputado à distância, através dos aparelhos de televisão.

A FORÇA DA IMPRENSA
Os jornais têm também seu  lugar em matéria de importância e influência pelo poder que possuem, ao lado das principais revistas, de fazerem repercutir os fatos que acontecem ao longo e à margem das disputas. A imprensa não perdeu – nem perderá – seu papel de confirmação dos acontecimentos e dos impactos capazes de gerar reflexos no endereço das urnas. Principalmente na reta final, quando cai sensivelmente o número de indecisos e também daqueles que, até as vésperas, pretendiam anular o voto ou votar em branco.
Em todas as eleições o fenômeno se repete. E será sempre assim. As disputas eleitorais somente acendem e esquentam quando o confronto ganha caracteres de competição esportiva. Exatamente quando a emoção entra em cena e passa a ser um fator dominante da vontade de cada eleitor, de cada eleitora. No mundo todo é assim: faz parte da democracia, da liberdade, da vontade coletiva.

Na reta final, debates da CNBB e da Globo definem primeiro turno

Pedro do Coutto
Estamos muito próximos da reta final do primeiro turno para as urnas de 2014: faltam menos de três semanas. Por isso mesmo, adquirem importância fundamental os debates da CNBB, realizado na terça-feira 16, e o da Rede Globo marcado para a noite de 3 de outubro, quarenta e oito horas antes do voto que vai definir quais candidaturas vão para o segundo turno, projetado para o dia 26, três semanas após o resultado inicial do confronto que reúne nada menos de onze postulantes. Dos onze, apenas três ganham relevo.
Dos três – Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves – dois vão para a etapa final de acordo com o Ibope e Datafolha, a luta pelo Planalto será entre Dilma e Marina. Aécio vem registrando 15 pontos, muito distante tanto de Dilma quanto de Marina.
Mas esta é outra questão. O problema essencial é o debate livre de ideias e posicionamentos em torno das questões de maior importância, a começar pelo combate à pobreza, origem de uma série de problemas que se irradiam pela sociedade. Flávia Marreiro e Fabiano Missonave, edição de 15 da Folha de São Paulo, publicaram reportagem a respeito do debate convocado pela CNBB. Além do combate à pobreza, mais dois temas foram destacados: o aborto e o casamento gay.
Flávia e Fabiano destacam que as opiniões dos três principais candidatos são convergentes: contra o aborto, restringindo-o aos casos legalmente admitidos; contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, porém admitindo a união estável nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o assunto, reconhecendo sua legitimidade, mas não a forma de casamento civil. O casamento religioso é impossível, já que todas as igrejas recusam-se a aceita-lo e portanto celebrá-lo.
Os debates são eleitoralmente importantes pela repercussão que acarretam. No caso promovido pela CNBB, a entidade exige que os candidatos assumam compromissos contra a ampliação da lei nas hipóteses de aborto, contra o casamento gay e contra a liberação das drogas. Não será difícil aos três candidatos de melhor pontuação aceitarem tais princípios  Até porque coincidem com aqueles que vêm expondo em suas campanhas. Escrevo este artigo na segunda-feira para ser publicada na Tribuna da Internet na quarta-feira. O debate da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil ocorreu na véspera. O clima não deve ter sido de confronto direto.
CONFRONTO DIRETO SERÁ NA GLOBO
Clima de confronto direto e atmosfera tensa vão marcar, isso sim, o debate promovido a 3 de outubro pela Rede Globo. A troca de ataques entre as duas principais candidatas deve ocorrer dentro das regras estabelecidas. Sobretudo em face dos ataques já desfechados pela presidente e por seu partido, o PT, contra a candidata do PSB. O duelo não deverá ser evitado, sobretudo porque, é evidente, o desfecho do primeiro turno poderá vir a influir nos rumos do segundo.
Pela força e penetração do canal na opinião pública, os confrontos divulgados por seu intermédio, dependendo do desempenho de cada um, podem atingir em cheio os eleitores, gerando nos últimos dias de distância das urnas o entusiasmo que vem faltando a campanha eleitoral.
Ao contrário do que acontecia antigamente quando as ruas eram tomadas pela presença de um entusiasmo característico da luta pelo voto, emoção que desapareceu do programa eleitoral. Hoje, a campanha está praticamente restrita aos horários de televisão e aos debates que são capazes de despertar a emoção do eleitorado, entusiasmo adormecido com o passar do tempo e a repetição de promessas que não se cumprem.

Eleições: renovam-se as promessas; eternizam-se as realizações

Pedro do Coutto
Num belo e importante artigo na edição de O Globo, quarta-feira 10, sob o título “Candidatos, Pedintes e Profetas”, o antropólogo Roberto DaMatta sintetizou, com seu brilho intelectual, o que se pode considerar como principal problema das campanhas eleitorais. De um lado as promessas de sempre, numerosas e até fascinantes, de outro as parcas realizações concretas do que foi prometido. Mas como política, no fundo, é esperança, na definição de Juscelino Kubitschek, elas se renovam a cada convocação para as urnas.
Roberto DaMatta focaliza as imagens das cidades do país mostradas nas sequências produzidas pelo sistema de marquetagem, que se chocam com as oferecidas pela realidade do cotidiano. Na lista, os transportes, o saneamento, os serviços de saúde pública, a segurança nas ruas e nas praças. Um confronto inevitável entre a fantasia e a verdade. Não quero dizer com isso que os poderes públicos não tenham resultados a exibir. Mas apenas que constitui uma diferença enorme entre o que foi prometido há quatro anos e o panorama de hoje. Até porque existem compromissos esboçados cujo cumprimento é impossível.
Nesta escala encontram-se o que candidatos ao Poder Legislativo prometem, omitindo que a execução de obras públicas e melhorias de serviços pertencem aos poderes executivo federal e estaduais. Isso agora, em 2014. Em 2016 a tarefa de realizar passa às mãos dos quase seis mil prefeitos do país. Seja como for, prometer para conquistar votos é algo intoxicante na medida em que vemos, como viu DaMatta, o tempo passar e as soluções não passarem da promessa para o tempo presente. Isso de um lado.
FANTASIA E VERDADE
De outro lado, há candidatos que se utilizam da capacidade de convencer prometendo, tendo consciência plena de que estão anestesiando e, dessa forma, iludindo eleitores. Mas que podem fazer diante do dilema proposto?
Praticamente nada. A não ser votar e, implicitamente, aceitar as regras do jogo. A esperança de uma vida melhor renasce, a esperança rejuvenesce o ânimo popular. Tanto assim que os índices de abstenção são mínimos. Não se pode apresentar como explicação do comparecimento maciço ser o voto obrigatório. Ele, no fundo da questão, é obrigatório para os servidores públicos de todos os níveis. Mas, concretamente, não para os empregados particulares. Qual o empregador que exige de seus empregados a comprovação de terem votado? Poucos, muito  poucos. Quais as empresas, grandes ou médias que condicionam o pagamento mensal dos salários à prova de que seus funcionários foram às urnas? Especialmente neste ano de 2014 quando as eleições presidenciais vão ser decididas no segundo turno?
No caso do Rio de Janeiro, o desfecho final de 26 de outubro, depois do primeiro embate no próximo dia 5, também será definido no segundo turno. Assim, na realidade, o que leva os eleitores às urnas é a esperança: de vários tipos e de motivações diversas.
                  Universitários: diminui o número dos que se formam
Reportagem de Dandara Tinoco, Demétrio Weber e Leonardo Vieira, O Globo, edição do dia 10, revela que, de acordo com o Censo de Educação Superior de 2013, divulgado há poucos dias pelo MEC, o número de estudantes universitários que concluíram seus cursos, 981 mil, foi 5,7% menor do que o registrado em 2012. Apesar de o total de matriculados nas faculdades ter atingido 7,3 milhões de alunos, no ano passado, ter sido 3,8% maior do que em 2012. Que terá ocorrido? Qual a explicação? Importante o Ministério da Educação esclarecer para, inclusive, ele próprio corrigir algum problema existente, algum obstáculo que esteja travando a conclusão dos cursos.
O Censo revela também que do total dos que se graduaram, 761 mil estudaram em faculdades particulares. Praticamente 80% dos estudantes universitários. Assim, o ensino público superior corresponde apenas a 20% do total de estudantes. Já vai longe, portanto, o tempo em que a maioria do ensino universitário era efetivamente estatal em sua maioria. Hoje, a realidade é outra. Eis um tema a ser debatido com mais atenção por parte dos governantes. Promessas só não resolvem nada. Promessas, o vento leva.

     

    Ao afirmar que sangrias estão estancadas, Dilma confirma as denúncias

    Pedro do Coutto
    Reportagem de Luiza Damé, Catarina Alencastro e Fernanda Krakovics, edição de O Globo do dia 9, destaca uma afirmação da presidente Dilma Rousseff, que surgiu na entrevista a O Estado De São Paulo, de essencial importância para traduzir efetivamente sua posição ante os escândalos na Petrobrás revelados pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa. Ela diz que não sabia de tais assaltos aos recurso da empresa, com a participação de grandes empresas privadas, “mas posso garantir” – acrescentou – “que as sangrias estão estancadas”. Aplicando-se à frase um prisma de análise concreta, evidentemente só se pode estancar o que existe. caso contrário, impossível.
    As repórteres de O Globo devem ter acessado O Estado de São Paulo on line e baseado sua matéria no que foi antecipado na Internet. Mas esta é outra questão, apenas explica a simultaneidade dos textos publicados em ambos os jornais. Voltando ao tema central, não é apenas o anunciado estancamento que confirma fatos contidos na versão de Paulo Roberto Costa publicada  pela revista Veja.
    A presidente da República destaca ter pedido informações à Polícia Federal e ao Ministério Público pata tomar providências em relação aos funcionários doo governo denunciados pelo ex-diretor, cujo envolvimento classificou de estarrecedor. Ela enfatizou que (durante a primeira parte de seu mandato) não tinha a menor ideia de que havia um esquema criminal na empresa, referindo-se, é claro, à Petrobrás. Se não tinha a menor ideia, mas agora tem, é porque, no seu pensamento de hoje, o esquema criminal a que se refere existe.
    PF ABRE INQUÉRITO
    Da mesma forma que, por ação tácita, a Polícia Federal, matéria de Jailton de Carvalho também na edição de 9 de O Globo, decidiu abrir inquérito para investigar o responsável ou responsáveis pelo vazamento das revelações feitas por Paulo Costa, cujo teor está publicado na Veja. Se o inquérito é para descobrir responsabilidades, evidente, o conteúdo do que vazou, e se encontra nas bancas, é verdadeiro. Ocorreu uma verdadeira explosão da verdade. O depoimento do ex-diretor, que tenta enquadrar-se na figura jurídica da delação premiada, ainda não terminou, é fato. Mas ele, nesta altura dos acontecimentos, não possui mais linha de recuo. O que ele falou, como dizia o juiz de futebol e comentarista esportivo, Mário Vianna, está falado.
    É claro que o tema, por sua enorme abrangência, repercutiu e continuará repercutindo com intensidade nos jornais, revistas, canais de televisão, e na Internet, de modo geral, com os candidatos Marina Silva e Aécio Campos partindo para o ataque contra o governo Dilma Rousseff, na busca de maiores votações nas urnas de 5 de outubro, que, entre os dois, vão decidir quem vai ao segundo turno contra a presidente na votação decisiva de 26, portanto três semanas após o primeiro confronto que selecionará os finalistas.
    Vamos aguardar as próximas pesquisas do Datafolha e do IBOPE para que possamos sentir a direção dos ventos. O episódio não soma para Dilma, é óbvio. Mas acrescentará para as campanhas de Marina e Aécio? Aparentemente, vendo a questão sob o ângulo impressionista, creio que soma mais para Marina. Aécio terá que derrotar a lei da gravidade, pois sua candidatura encontra-se em declínio. O vento levou.

       

      Quais números os eleitores devem digitar nas urnas de outubro?

      Pedro do Coutto
      Num ótimo artigo publicado na edição de 11 de setembro da Folha de São Paulo, o diretor geral do Datafolha, Mauro Paulino, e o diretor de Pesquisas do Instituto, Alessandro Janoni, focalizam um ponto de importância essencial nas eleições de outubro: como devemos todos nós, eleitores, proceder para marcar nossos votos nas urnas eletrônicas?
      Com base no exemplo de Marina Silva, cuja parcela de 25% dos que pretendem votar nela desconhecem seu número no teclado, roteiro para o voto ser computado no sistema, os autores do artigo concluem que, para a candidata do PSB, neste momento, mais importante que tudo é divulgar a numeração que corresponde a seu nome.
      Evidentemente, o caso de Marina Silva não constitui exemplo isolado. Pelo contrário. Ressalta a existência de um defeito de comunicação, pelo menos referente aos candidatos a cargos majoritários: presidente da República, governadores e senadores, já que existem variações a partir dos algarismos que compõem as legendas escolhidas. O problema deve se generalizar. No caso de Marina Silva chama mais atenção porque, como focalizamos em artigo recente neste site, ela alcança melhores índices junto aos eleitores de renda mais alta (em termos brasileiros), enquanto Dilma Rousseff, ao contrário, domina nos  grupos sociais de renda menor. Renda menor, escolaridade rudimentar. Como explicar a aparente contradição.

      POUCA DIVULGAÇÃO
      Vale observar o fenômeno para ver se Dilma Rousseff está expondo seu número na cédula de forma mais exposta e mais intensa do que Marina Silva em torno de sua candidatura. Aliás numa campanha não marcada pelo entusiasmo, que se reflete (refletia) no ato de eleitores gritarem o nome de seus candidatos nas ruas, é fundamental expor nos horários eleitorais, a forma clara e objetiva sobre como votar certo. Há, certamente, pouca divulgação a respeito do ato de votar. É simples.
      Nas próprias mensagens que dirigem à opinião pública, as candidatas e os candidatos podem fazê-lo ao mesmo tempo em que simulem como votar em si próprios. Esta propaganda, inclusive, fará reduzir o número de votos nulos, já que uma parte deles decorre mais de erro que da vontade de anular o sufrágio. O mesmo comportamento pode ser exercido pelos candidatos a deputado federal e estadual.
      Estes poderiam até, no tempo de que dispõem, aparecer usando corretamente as teclas que conduzem à verdade das urnas. Vou mais além, com base no artigo de Mauro Paulino e Alessandro Janini. Os partidos, principalmente estes, deveriam, na reta final das campanhas, a produzir filmetes que mostrem o roteiro do voto para que ele seja convalidado através do processo eletrônico atual. O custo de uma produção dessas seria mínimo, sobretudo levando-se em conta os efeitos a serem proporcionados. Mais do que quanto às candidaturas em todos os níveis, sobretudo à própria democracia.
      Saber votar constitui um ato legítimo de cidadania. Não devemos contribUir, por  omissão, para que desconhecimentos e erros se acumulem. Basta dizer o seguinte: se o desconhecimento numérico é alto nos segmentos de maior escolaridade, e portanto de renda, imagine-se o que acontece com os votos para deputado federal e estadual. Até porque os números dos presidentes reúnem dois algarismos formando uma dezena. Para deputado estadual o eleitor tem de digitar cinco teclas. Para deputado federal o eleitor tem de digitar quatro teclas. Para senador três. Assim, diante da tela eletrônica, os eleitores têm que digitar cinco vezes: para presidente, governador, senador, deputado federal e estadual. Um treino fará bem ao sistema eleitoral e ao processo político.

      Ibope coincide com Datafolha: Dilma e Marina empatadas no 2º turno

      Dilma foi mal na sabatina organizada pelo Globo no Rio de Janeiro

      Pedro do Coutto
      Em pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria, concluída nesta sexta-feira, e no mesmo dia divulgada pelos sites de O Globo e da revista Veja, o Ibope apontou, da mesma forma que o Datafolha, uma disputa extremamente acirrada entre Dilma Rousseff e Marina Silva no segundo turno. Com base nas intenções de voto, hoje. Marina alcançaria 43 pontos contra 42 de Dilma – um empate. Para o Datafolha, na pesquisa publicada na edição de quinta-feira da Folha de São  Paulo, a ex-senadora, no desfecho final a 26 de outubro, levaria a melhor por 47 a 43. Margem de quatro pontos. No final de agosto era de 10%: 50 a 40. Dilma, portanto, crescia e Marina descia na estatística.
      No primeiro turno, Dilma Rousseff liderava por 36 a 33 pontos, acrescenta o Datafolha. Para o Ibope, no primeiro confronto, Dilma aparece com 39 e Marina com 31%. Subida da atual presidente, recuo da ex-senadora. Como se vê, as tendências registradas tanto por um quanto pelos dois institutos convergem. O ex-governador Aécio Neves, nos dois levantamentos, atinge apenas 15% das intenções de voto. Pode-se afirmar que se encontra fora da disputa final. Inclusive suas aparições no horário eleitoral não ocultam a expressão de abatimento que o envolve. Tal reflexo é natural, mas nem por isso deixa de ser observado pelos milhões de eleitores que assistem o espaço político na televisão. O índice de audiência, segundo o IBOPE, é de 29%, na Globo que domina a audiência, principalmente porque o horários eleitoral antecede a novela que entre às 21:20hs, de segunda a sábado.
      CAMPANHA FRACA

      A campanha eleitoral, aliás, vem se concentrando nas emissoras de TV e nos jornais. Não há mais comícios, concentrações, carros de som, está fraca a distribuição de “santinhos” nas ruas, o número de cartazes afixados diminuiu enormemente em relação aos últimos pleitos. Os custos da propaganda estão muito elevados e a abrangência das mensagens divulgadas nas televisões e emissoras de rádio é incomparavelmente maior. Além do mais, no que se refere às eleições majoritárias, o Datafolha e o Ibope fixaram as polarizações, como entre Dilma e Marina pela presidência da República, como entre Garotinho e Pezão pelo governo do Rio de Janeiro. São dois exemplos bastante fortes.
      Como também, disputas definidas antecipadamente. A vitória de Geraldo Alckmin para o governo de São Paulo. A eleição de Romário para o Senado do Rio de Janeiro. Na última semana, pelo Datafolha, matéria publicada sexta-feira pela Folha de São Paulo, Romário saltou de 38 para 43, subindo 5 pontos. Enquanto isso, Cesar Maia, o segundo colocado, desceu de 28 para 25%. Tendência nitidamente fixada.
      Indefinido o desfecho do voto para o Senado por São Paulo: Serra tem 34%; Suplicy 31 pontos. Diferença pequena, menor ainda, de apenas um ponto para senador pelo Rio Grande do Sul: Olívio Dutra do PT, registra 27 pontos; Lasier Martins do PDT, aparece com 26. Em terceiro, distante dos dois primeiros, surge o senador Pedro Simon com 16%. Uma pena, ele está entre os políticos mais importantes e íntegros do país.
      O panorama é este. Vamos esperar as próximas pesquisas. Inclusive porque a presidente Dilma não foi bem na sabatina que enfrentou sexta-feira na redação de O Globo.

      Datafolha aponta desfecho duríssimo entre Dilma e Marina

      Pedro do Coutto
      É esta a tendência revelada pela pesquisa do Datafolha sobre as eleições presidenciais de outubro, concluída dia 10, e objeto, no dia seguinte, de primorosas reportagens de Tatiana Farah, Renato Onofre e Isabel Braga, O Globo, e de Ricardo Mendonça na Folha de São Paulo. O quadro parece definitivo com a exclusão de Aécio Neves, aparecendo com 15% das intenções de voto, em terceiro, contra 36 pontos de Dilma Rousseff e 33% de Marina Silva. O segundo turno encontra-se definido, cabendo a pergunta para quem vai a maioria dos eleitores do ex governador de Minas.
      Ao que tudo indica para Marina, já que na pesquisa simulada para o desfecho de 26 de outubro (o primeiro turno é no próximo dia 5), Marina atinge 47 pontos e Dilma alcança 43. Mas é indispensável considerar que a diferença projetada anteriormente já foi maior. Vem diminuindo. No final de agosto, por exemplo, pelo mesmo Datafolha, chegava a dez pontos: 50 a 40. No início de setembro passou para 48 a 41, sete degraus portanto. Agora diminuiu ainda mais, registrando margem de 47 a 43 pontos.
      Mantida a tendência atual, com Marina descendo pouco e Dilma subindo pouco, pode se prever praticamente um empate. Desfecho imprevisível. No primeiro turno, a presidente da República vem sendo apoiada por tempo maior que possui no horário eleitoral: 11 minutos contra somente 2 que cabem a Marina. No segundo turno, os espaços na televisão e no rádio passam a ser absolutamente iguais. A vantagem desaparece.
      CLASSES SOCIAIS

      O levantamento do Datafolha separou as tendências de voto por classes sociais. Entre os que ganham por mês até 2 salários mínimos do eleitorado, Dilma vence Marina por 43 a 29. Nessa faixa, Aécio aparece com apenas 10%. Entre aqueles cujos vencimentos enquadram-se de 2 a 10 salários mínimos, Marina passa a obter 38% contra 26 de Dilma. Larga distância. Mas se estreita entre os que recebem mais de 10 mínimos: 32 a 26. Nesta categoria, Aécio Neves encontra seu melhor resultado: 31%, ultrapassando Dilma e ficando só um ponto abaixo de marina. Ocorre é que, com base em dados a mim enviados pelo leitor deste site Wagner Pires, acima de 10 pisos concentram-se somente 3,24% da população. Tal informação foi muito bem observada pelo leitor Flávio José Bortolotto, que acrescentou ser de 2 mil e 100 reais o salário médio brasileiro.
      Mas voltando ao tema central da pesquisa do Datafolha, vários fatores podem ser assinalados para traduzir a queda que atingiu em cheio a candidatura Aécio Neves. Um deles, inclusive, foi comentado pelo ex-presidente Fernando Henrique, tornado público pelo jornalista Ricardo Noblat em sua coluna no Globo, edição também de 11 de setembro. FHC definiu como um erro do ex-governador de Minas os ataques que desfechou contra a candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente. Deveria, no seu modo de ver o processo eleitoral, ter alvejado a própria presidente da República. Mas não. Escolhendo como um dos alvos Marina Silva, Aécio perdeu votos nas classes médias, sem conseguir arrebatar apoio expressivo no povão.
      Na entrevista publicada pelo Globo, na quinta-feira, procurou  corrigir sua posição. Porém parece tarde demais para convencer e, mais tarde ainda, para obter a classificação para o segundo turno. Nesta altura dos acontecimentos, o duelo final está definido.

          Até o governador Pezão admite mudar a atuação da Cedae

        Pedro do Coutto
        Os repórteres Igor Melo, Letícia Fernandes, Carolina Castro e Leandra Lima, em matéria publicada na edição do dia 9 de O Globo, ouviram os principais candidatos ao governo do estado do Rio de Janeiro nas próximas urnas de outubro, e todos eles, inclusive o atual governador Pezão, anunciaram que, em seus governos, pretendem fazer alterações na atuação da Cedae. Perfeito, é absolutamente necessário, já que abastecimento d’água e saneamento são fundamentais à existência humana. E, por exemplo, só na cidade do Rio, a segunda em população do país, acumulam-se as demandas.
        O Instituto Trata Brasil publicou levantamento sobre obras essenciais que não foram iniciadas incluindo também aquelas que, começadas, foram interrompidas sem explicação. É o caso, por exemplo, de obra paralisada há cerca de 18 meses na esquina das Avenida Rainha Elizabeth com Rua Conselheiro Lafaiete, no Posto 6. Mas há uma série muito elevada de interrupções cujas áreas passam a abrigar mendigos e pessoas de várias origens, servindo de abrigo para assaltantes. O prejuízo é enorme, a começar para os gastos públicos. Obras paralisadas acarretam forte acréscimo de preços, pois embora interrompidas, os reajustes trimestrais, é claro, são cobrados pelas empreiteiras, e pagos pela empresa.

        PROBLEMA GRAVE
        Nesta altura da campanha, quando estamos praticamente entrando na reta final do endereço das urnas, é importante que o tema seja levantado pelos candidatos, e pelos jornais, como foi feito pelos repórteres de O Globo. Quando até o candidato à reeleição admite inclusive uma privatização parcial da empresa, o que não creio seja a melhor solução, já que desde que foi criada em 1962 na reforma administrativa promovida pelo governador Carlos Lacerda, sempre possuiu autonomia e flexibilidade administrativa, é porque o problema vem se tornando cada vez mais grave.
        Reconheço que o enfrentamento não constitui tarefa fácil. Ao contrário é bastante complexo. Basta olhar em volta e atestar-se que antiga Guanabara é hoje uma cidade cercada de favelas de todos os lados. E também numa série de bairros, avenidas, ruas, esgotos correm a céu aberto, como ressaltou O Globo. O crescimento demográfico é muito veloz e a construção de moradias precárias somente agrava o desafio a vencer.
        Porém em nenhuma hipótese pode se justificar a paralisação inexplicável de obras. Um atestado de erro de planejamento marcado pela morosidade de corrigi-lo. Ou então de um despropósito generalizado que custa caro, no que se refere a impostos, taxas, despesas imotivadas que atingem diretamente o bolso de milhões de contribuintes. São necessárias explicações claras e objetivas a respeito do porquê das interrupções. Na grande maioria dos casos, sem sequer informações concretas a respeito de quando serão retomadas.
        Se esta é a realidade na cidade do Rio, que dirá na Baixada Fluminense e no interior do Estado? E olha que estamos perto das eleições. nem os votos, para as obras interrompidas, servem como fator de motivação?

        Se a renda dos trabalhadores de nível universitário é baixa, imagine a dos outros

        Pedro do Coutto
        Excelente reportagem de Erica Fraga, edição de segunda-feira da Folha de São Paulo, dia 8, revelou com base na Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho, que nada menos de 47% dos empregados de nível universitário regidos pela CLT e dos servidores públicos ganham até 4 salários mínimos mensais. Faixa teto como se vê muito baixa para mão de obra especializada. Se a parcela de 47% desses assalariados brasileiros é tão pouco remunerada, imagine-se as demais categorias. cerca de dois terços dos que trabalham ganham por mês de 1 a 3 salários mínimos.
        Esse perfil de renda, como não poderia deixar de ser, divide o eleitorado do país em faixas específicas. Com base nele, inclusive, é que o Datafolha e Ibope realizam as pesquisas de intenção de voto. Com base em tal estrutura social separam-se os níveis d compreensão dos fenômenos e dos fatos que se refletem no universo político.
        Pois quando se pensa que determinado acontecimento produziu um forte abalo em candidaturas direta ou indiretamente envolvidas na repercussão que justamente produziram, na verdade para as classes de menor renda (a maioria absoluta da população) não conseguiram atingi-las e causar efeito concreto no roteiro da campanha e no endereço das urnas.
        PRÓXIMAS PESQUISAS

        As próximas pesquisas do Ibope e Datafolha, dentro de duas semanas, prazo de absorção dos impactos que se sucedem, é que vão traduzir a impressão panorâmica para a realidade concreta, fruto da capacidade de sensibilização das correntes populacionais escalonadas por classes sociais. Estou me referindo diretamente ao reflexo das revelações do ex diretor da Petrobrás, Paulo Roberto da Costa, sobre escândalos de corrupção colocando no mesmo patamar ex dirigentes da estatal e representantes de grandes empresas. Somente a partir desse estágio, alcançando causa e efeito, é que se poderá saber.
        Voltando ao tema central contido na reportagem de Érica Fraga, os baixos níveis de remuneração dos profissionais de nível universitário, que constituem 17,8% de todo atual mercado de trabalho, tal realidade é focalizada pelo presidente do Instituto do Trabalho e Sociedade, Simon Schartzman, professor e economista, pelo especialista Naércio Menezes Filho, do INSPER, pelo economista Fernando veloso, da Fundação Getúlio Vargas. As traduções são várias, cada enfoque enfatiza aspectos diversos da questão. Convergem, porém, acentuo eu, para uma realidade incontestável: o antigo dilema entre oferta e procura. Sendo maior a oferta, claro, à medida em que a distância entre um polo e outro se alarga, os valores do salário descem.
        Pois, afinal de contas, por que as empresas devem elevar a remuneração que oferecem, se as oportunidades são aceitas e preenchidas por uma mão de obra compelida a aceitar e absorver as regras do jogo. E as regras do jogo, ditadas pela oferta das colocações, não vão mudar, sempre que o fantasma do desemprego e do não emprego surgir à frente da juventude que conclui a formação universitária. Isso de um lado.
        De outro, se o mesmo fantasma intimida os que deixaram os bancos das faculdades, que se pode dizer relativamente àqueles cuja formação não passa do nível médio, ou de cursos de profissionalização? O temor para esses se acentua por razões ainda de maior vulto. As classes sociais é que formam e fornecem pensamento aos eleitores do país. Por isso, as decisões políticas, no caso específico da presidência da república, cabem a elas.

         

        Há momentos em que campanha no Rio transforma-se em comédia

        Pedro do Coutto
        É um fato: há momentos em que a campanha eleitoral no Rio de janeiro ganha características  de verdadeira comédia do cinema americano das décadas de 50 e 60, no mais puro estilo marcado pelos Irmãos Marx, que, vale lembrar, nada tem com o pensador Karl Marx. Para sustentar a afirmação que faço, é necessário apenas ler as reportagens de Carolina de Oliveira Castro, Pâmela Oliveira e Letícia Fernandes publicadas no Globo, edição de 29 passado. Vamos por partes.
        Depois da Secretaria de Segurança informar ao Tribunal Regional Eleitoral que traficantes e milicianos vêm ocupando 41 comunidades de baixa renda do Grande Rio e cobrando pedágio e aluguel para que os candidatos possam fazer investidas eleitorais nesses redutos, o governador Luiz Fernando Pezão afirmou ao próprio Globo que não se opõe ao pedido de tropas federais para garantir a liberdade de expressão no Estado. Não se opõe? Mas como, se foi uma Secretaria de sua administração que se dirigiu ao TRE? O TRE, por seu turno, dirigiu-se ao Superior Tribunal Eleitoral, que, como é de rigor e prevê a lei, vai consultar o governador. E o governador, de quem partiu na realidade a solicitação indireta, agora diz não se opor. Não se opõe ou necessita? Se não precisa do apoio federal, a consulta é desnecessária. Uma comédia.
        APREENSÃO DE MATERIAL
        No mesmo texto, o TRE apreendeu material de propaganda do candidato Anthony Garotinho na favela da Maré. Panfletos em grande número, remédios para serem distribuídos e formulários para o recebimento de cheques. O candidato disse à reportagem do jornal desconhecer a origem do material destinado à divulgação no local. Paralelamente, também de origem não assumida, um pedido de oração a fieis de um templo, para que Deus inspira Garotinho a governar o Rio de Janeiro. Garotinho lidera as pesquisas de intenção de votos.
        O contexto da matéria inclui ainda mensagem de texto, de origem igualmente desconhecida, distribuído pelo sistema SMS, atacando fortemente a política dos governos Sérgio Cabral e Pezão e destacando as qualidades que o conteúdo atribui a Garotinho. Junte-se a isso tudo o anúncio que o candidato do PDT  ao Senado, Carlos Lupi, ex-ministro do Trabalho do governo Dilma Rousseff, vem publicando nos jornais, o 1 do ex-presidente Lula e 1 da chefe do executivo como se ambos o estivessem apoiando. Confusões generalizadas. E olha que estamos a apenas um mês do primeiro turno das eleições de outubro. As urnas estão se aproximando.

        Quais serão os reflexos das revelações de Paulo Roberto Costa na campanha eleitoral?

        Pedro do Coutto

        Esta é a pergunta que se faz neste momento em que as revelações do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa alcançam enorme repercussão na imprensa e na mídia em modo geral. Isso a partir da reportagem que a revista Veja publicou na edição de sábado que se encontra nas bancas. Na proposta que formulou de delação premiada com a redução de sua pena, Paulo Roberto Costa relacionou nominalmente diversos políticos importantes como envolvidos no esquema de corrupção que funcionava na Petrobrás e incluía grandes empresas empreiteiras.
        O episódio vem comprovar que campanhas eleitorais não se decidem somente com base em projeções estatísticas frias e baseadas em números de eleições anteriores e a transferência possível de votos de um candidato para outro. Nada disso. De repente explode um fato imprevisto capaz de alterar o rumo dos confrontos. Não quero com isso dizer que a atitude do ex-diretor da estatal vá influir na conquista ou perda deste ou daquele candidato em matéria de intenções de voto nas urnas de outubro. Daí porque coloco a pergunta, cuja resposta as próximas pesquisas do Datafolha e do Ibope irão responder.
        Vamos nos próximos dias entrar na reta final da campanha cujo início verifica-se sempre a duas semanas do pleito. É quando as disputas assumem o caráter de competição esportiva e atingem a emoção dos eleitores e eleitoras. Nesse período valem pouco os resultados anteriores revelados pelas urnas de quatro anos atrás, destacando-se a importância do desempenho dos três candidatos reais ao Palácio do Planalto ao longo do horário eleitoral gratuito e dos debates que vão se desenrolar nas emissoras de televisão.
        DEBATE NA TV GLOBO
        Entre esses debates ressalte-se o peso do confronto a ser promovido pela Rede Globo na noite de 3 de outubro, 48 horas antes das urnas do dia 5. A audiência, pela força do canal, será elevada e a avaliação dos eleitores sobre o desempenho de Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves poderá se tornar decisiva para a escolha dos dois finalistas no confronto marcado para 26 de outubro.
        Os demais candidatos, está evidente, não possuem a menor chance de se aproximar dos três primeiros, mas terão que ser convidados a participar, em pé de igualdade, pelo que determina a lei eleitoral, lei 9504/97. Neste ponto cabe uma explicação: são 11 as candidatas e candidatos, porém a lei condiciona a obrigatoriedade de participação nos debates ao fato de serem eles de partidos que possuam representação no Congresso Nacional. Caso contrário a determinação não se estende a eles. Por este motivo os debates realizados até agora na Rede Bandeirante e no SBT reuniram somente 7 candidaturas.
        Enfim, este é o quadro que se apresenta como decisivo no final da atual campanha. A escolha para o segundo turno vai depender do desempenho de Dilma, Marina e Aécio no primeiro.

        Pesquisas do Ibope e Datafolha norteiam campanhas dos candidatos

        Pedro do Coutto

        Antigamente eram maiores as reações contrárias às pesquisas eleitorais, hoje permanecem porém em escala muito menor. Apesar dessa evolução, comprovada pelos acertos dos levantamentos, ainda há setores que permanecem nelas não acreditando sempre que os números não favorecem os candidatos de sua preferência. Verifiquei isso quando participei como assistente de palestra realizada pelos professores Jairo Nicolau na residência do ex-deputado Luis Alfredo Salomão, levado por um amigo comum, da equipe da direção de Furnas.
        Na realidade não encontro motivos para descrédito das estatísticas, sobretudo porque em função delas os candidatos norteiam as campanhas que realizam. A presidente Dilma Rousseff, por exemplo, mudou de rumo e alvo. Concentrava seu combate contra Aécio Neves e alterou seu alvo a partir do momento em que as pesquisas, tanto as do Datafolha quanto as do IBOPE, apresentaram a subida espetacular de Marina Silva, que, em apenas duas semanas, passou de 21 para 34 pontos. O alvo da presidente da República passou a ser a ex-senadora do Acre.
        Na luta pela colocação que possa permitir sua classificação para o segundo turno, Aécio Neves também passou a dirigir ataques a Marina Silva, procurando destacar a falta de base parlamentar a sua candidatura. Na edição de O Globo, dia 4, quinta-feira passada, reportagem de Cássio Bruno e Leandra Lima focaliza um pacto firmado entre os candidatos ao governo do Rio de Janeiro, Lindberg Farias e Marcelo Crivella, contra Garotinho e Luiz Fernando Pezão, que passaram a polarizar a disputa pelo Palácio Guanabara.
        NÃO-AGRESSÃO

        Sob a capa de pacto de não-agressão, uniram-se contra os adversários apontados pelos institutos como os mais fortes. O primeiro turno realiza-se a 5 de outubro. O segundo a 26 do próximo mês. Como antes de resolvido o primeiro embate, dois candidatos se unem pelo desfecho final das urnas? É claro que, sentindo perda de espaço na maratona, Crivella e Lindbergh uniram-se para melhorar suas posições em primeiro turno. Tudo  isso em função dos resultados apontados pelo Datafolha e Ibope até agora.
        Essas atitudes, todas elas, demonstram tácita e claramente que os personagens citados acreditam na firmeza das estatísticas envolvendo as intenções de voto. Caso contrário, não mudariam de rumo e de alvo. E que, na verdade, além das colocações, os levantamentos apontam tendências. A tendência declinante de Aécio neves, por exemplo, tornou-se um fato concreto e bastante sensível junto ao eleitorado após seu recuo ter sido publicamente assinalado. As pesquisas não criam fatos, da mesma forma que a imprensa, mas assinalam e acentuam realidades. Os jornais não inventam fatos. Expõe, os acontecimentos, isso sim. Os levantamentos do Ibope e Datafolha não criam posições eleitorais, somente as revelam.
        Quanto aos seus efeitos, trata-se de outra coisa. A repercussão no que hoje se chama mídia conduziu e provocou o julgamento dos acusados pelo mensalão, bomba que explodiu no segundo mandato do presidente Lula. O principal acusado (e condenado) foi o ministro chefe da Casa Civil. As pesquisas de agora polarizam a disputa final pela presidência da República entre Dilma Rousseff e Marina Silva. No Rio de Janeiro conduziram a polarização entre Anthony Garotinho e Luiz Fernando Pezão. Refletiram atmosferas existentes. Não as criaram e produziram. Imprensa e pesquisas não são instrumentos mágicos. São fatores reais das sociedades e dos regimes democráticos.

        A sucessão em oito estados e uma grande dúvida: qual será o reflexo na campanha da saída antecipada de Mantega?

        Pedro do Coutto
        Escrevo este artigo com base em duas reportagens publicadas na edição de sex-feira 5 da Folha de São Paulo. A primeira, de Ricardo Mendonça, reproduzindo, e também analisando pesquisa do Datafolha apontando a posição dos três candidatos à presidência da República em oito estados que pesam entre 56 a 5¨% do eleitorado do país. Se tal levantamento incluísse a Bahia, quarto maior colégio, alcançaria de 61 a 62% dos votos. Mas como não inclui, fiquemos nos oito a que se refere a pesquisa.
        Com base nos resultados, verificamos que em nenhum deles Aécio Neves deixa de ocupar a terceira posição, com Dilma Rousseff e Marina Silva alternando-se no primeiro e segundo lugar. Surpreende Minas Gerais: Dilma 35, Marina 27, Aécio com 22 pontos. Em São Paulo, Marina 42, Dilma 23, Aécio 18%, embora o candidato ao Palácio Bandeirantes, Geraldo Alckmin, PSDB, esteja disparado nas intenções de voto. No Rio de Janeiro, Marina lidera com 37, seguida por Dilma com 31. Aécio alcança apenas 11%. A atual presidente ocupa o primeiro lugar no Rio Grande do Sul e Ceará. A ex-senadora lidera em Pernambuco e na cidade de Brasília. No final das contas praticamente o empate: 35 para Dilma Rousseff; 34 pontos para Marina Silva.
        Aécio Neves, terceiro colocado muito distante da dupla, adotou como tática concentrar os ataques em Marina Silva na tentativa de substituí-la, no dia 5 que se aproxima,  se classificar para as urnas de 26 de outubro, data do desfecho final entre os dois primeiros colocados no turno básico da disputa. Conseguirá? As próximas pesquisas do IBOPE e Datafolha vão dar a resposta.
        O mais forte ataque de Aécio a Marina foi feito no horário eleitoral de quinta-feira, base da matéria de Paulo Peixoto e Daniela Lima, FSP do dia seguinte, quando criticou a candidata do PSB por não ter deixado o Ministério do Meio Ambiente, quando explodiu em 2005 o escândalo do mensalão. Lula foi reeleito em 2006 e Marina Silva foi exonerada no início de 2008 em consequência de divergência com a ministra Dilma Rousseff em torno da construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, região amazônica. Marina era contra, Dilma a favor.
        O ENIGMA MANTEGA
        Os repórteres André Uzeda, Andréa Sadi e Natuza Nery são os autores da reportagem, também publicada na edição de sexta-feira da Folha de São Paulo, focalizando a resposta dada pela presidente Dilma Rousseff, quando, em campanha no Ceará, deixou claro, pelo menos até agora, que pretende substituir Guido Mantega no Ministério da Fazenda, caso reeleita nas urnas de outubro. A repercussão, como era natural, foi enorme: desagrado na atual equipe que se encontra em ação; abertura de novas perspectivas em setores do empresariado, de acordo com o que a matéria acrescentou.
        O que pesará mais em consequência da atitude da presidente em matéria de votos? Esta é a questão essencial, como disse o poeta. As próximas pesquisas, também neste caso, vão revelar. Mas o episódio apresenta um risco para Dilma: e se Mantega, em consequência, pedir demissão antecipando-se ao desfecho? Pois seu destino está traçado: se Dilma Rousseff vencer, ela não ficará no cargo. Se a presidente perder, ele, claro, não será mantido por quem vier a ocupar o Palácio do Planalto. Seu rumo portanto está longe da esplanada dos ministérios.

        Ibope e Datafolha divergem, mas convergem quanto ao duelo entre Dilma e Marina

        Pedro do Coutto

        Em reportagem de Juliana Gama e Fernanda Krakovics, edição de O Globo de quinta-feira 04, ficou acentuada uma divergência de números entre as pesquisas do Ibope e Datafolha sobre as eleições presidenciais de outubro. Foram divulgadas simultaneamente na noite de terça-feira e enquanto o Ibope apontou 37 pontos para Dilma contra 33 para Marina, o Datafolha assinalou Dilma com 35% e Marina com 34 nas intenções de voto do primeiro turno das eleições de outubro. A direção entretanto das pesquisas dos institutos convergem plenamente quanto à polarização do quadro eleitoral entre as duas principais candidatas e convergem também no que se refere ao enfraquecimento de Aécio Neves.
        Em uma semana, prazo da diferença entre as duas últimas pesquisas anteriores, para o Ibope o senador mineiro desceu de 19 para 15 pontos; para o Datafolha Aécio Neves está com 14 pontos. Vale assinalar que a pesquisa do Ibope anterior foi divulgada em 25 de agosto e a penúltima pesquisa do Datafolha saiu no dia 29. Como se vê o prazo de levantamento do Datafolha é um pouco mais curto do que o do Ibope
        Mas isso importa pouco, inclusive a convergência dos dois institutos estende-se às simulações para o segundo turno: para o Ibope, Marina venceria nas urnas de 26 de outubro por 46 a 39 pontos. Para o Datafolha a vitória seria por 48 a 41. Nota-se que em ambos os casos a diferença projetada é de 7 degraus. Dificilmente o panorama do primeiro turno se modificará quanto à polarização, inclusive porque Aécio neves passou a botar um tom pessimista, como ficou claro na reportagem de Silvia Amorim, também na edição de O Globo do dia 4, quando perguntado por ela sobre sua posição eleitoral, terceiro lugar em Minas Gerais, admitiu que “eleições se perdem”.
        POLARIZAÇÃO TAMBÉM NO RJ
        O Datafolha, em outra pesquisa, revelou também que para governador do Rio de Janeiro estabeleceu-se uma polarização entre o Anthony Garotinho e Fernando Pezão. Garotinho com 28, Pezão subindo para 23, distanciando-se de Marcelo Crivella com 18%. O candidato do PT, Lindbergh Farias, enquanto Pezão subiu nove degraus e Garotinho 1 ponto, desceu de 12 para 11, apesar do apoio do ex-presidente Lula. Marcelo Crivella, segundo matéria publicada na Folha de São Paulo no dia 04, avançou dois pontos, atingindo 18%, ficando 5 pontos abaixo de Pezão e 10 pontos de Garotinho.
        Feita a simulação, as intenções de voto hoje assinalam vitória de Pezão por 45 contra 36 de Garotinho. Pelo que os sintomas indicam não deverá haver mudanças quanto ao ocupante do Palácio Guanabara.

         Dilma e Marina: consolidado o desfecho final nas urnas

        Pedro do Coutto
        Os últimos debates e posicionamentos dos candidatos às eleições presidenciais de outubro revelam nitidamente que se consolidou a polarização da disputa entre a presidente Dilma Rousseff e a ex-senadora Marina Silva. Aécio Neves perdeu o embalo na medida em que não foi agressivo nos seus pronunciamentos. Dilma mudou de estratégia e sentido. O avanço de Marina Silva foi focalizado nas pesquisas do Ibope e Datafolha, Dilma passou a dirigir seus ataque à principal adversária que inclusive continua a crescer.
        Agora mesmo o Ibope, reportagem de Cássio Bruno e Letícia Fernandes, O Globo de terça-feira três, revela que Marina Silva abriu 16 pontos sobre Dilma Rousseff em São Paulo, alcançando 39% das intenções de voto. Dilma permaneceu com 23 pontos e Aécio Neves desceu dos 19 para o décimo-sétimo degrau . A tendência de subida de Marina Silva, contra a qual se volta Dilma Rousseff, pode ser bem analisada se verificarmos que no Rio de Janeiro, onde Dilma liderava, a ex-senadora passou a liderar com a margem de seis pontos: 38 a 32. Portanto, a arrancada de Marina Silva continua, como mostram os resultados em São Paulo e no Rio de Janeiro.
        A importância destes dois colégios é essencial, pois são respectivamente o primeiro e o terceiro redutos dos votos nacionais. O segundo colégio é Minas Gerais. Os três estados atingem praticamente a metade de todo o eleitorado brasileiro.
        NO SEGUNDO TURNO…
        O embate decisivo será no segundo turno, marcado para 26 de outubro. E a partir de agora os debates vão se concentrar cada vez mais entre Dilma e Marina, como ficou comprovado também na edição do horário eleitoral gratuito da última terça-feira. Está nítido no panorama o cotejo que assinalamos entre as duas candidatas, o que levará a escolher entre uma e outra, com o quadro não dando margem a uma outra opção.
        Um fenômeno que também se observa é a redução dos eleitores que tendiam a anular o voto ou votar em branco, mas que resolveram mudar de posição. Essa mudança foi no sentido de Marina Silva, já que à medida em que ela sobe, os eleitores desestimulados descem na escala.
        Para o confronto final as duas candidatas, vamos chamar assim, terão que se voltar cada vez mais para o plano concreto das ideias, que é o meio mais eficaz de atingir e emocionar o eleitorado. A posição mais sensível é da presidente Dilma Rousseff, cuja atuação visa conter a arrancada de Marina Silva e recuperar o espaço e o tempo perdido, na maratona eleitoral. Seu alvo não era Aécio Neves e sim a ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, que deixou o cargo no início do segundo mandato do ex-presidente.