Com liberações parciais, a curva da morte da covid-19 pode se acelerar ainda mais

Wilson Witzel, governador do Rio, diz que está com coronavírus ...

Witzel decidiu flexibilizar o isolamento social no Estado do Rio

Pedro do Coutto

A partir de hoje, com as liberações parciais dos isolamentos anunciadas pelo governo Wilson Witzel no Estado do Rio de janeiro, a curva da morte causada pelo coronavírus pode se acelerar e com isso subir o número tanto de contaminados quanto de mortos. As estatísticas nacionais e estaduais comprovam um ritmo percentual oscilante entre as fachas de 7 a 10% demonstram uma tendência que deveria, esta sim, ser combatida.

Mas, ao invés disso, nos deparamos neste fim de semana com praticamente um desafio às forças que se empenham em favor da vida humana.

OCULTAR DADOS – Não adianta ocultar dados ou adiar sua divulgação, como vem fazendo o Ministério da Saúde na área Federal. Cria-se assim novamente no país um impulso para quebrar o termômetro em caso de febre, como se isso pudesse conter um dos sinais clássicos das doenças.

O Ministério da Saúde de acordo com a reportagem de Bela Megale, edição de hoje de O Globo, aborda o assunto e informa que Carlos Wizard que assumirá a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, afirma que os dados atuais de contaminação e mortes seriam fantasiosos ou manipulados.

Wizard se dispõe a recontar os números das incidência de mortes. Os números que chegam a 35.000 estariam inflados apesar do reconhecimento pelo próprio Ministério da Saúde. Inclusive existiria um número de subnotificações.

ERRO DE DIAGNÓSTICO – Para Wizard  há muita gente morrendo por outras causas e sendo computados em decorrência da Covid 19. Nesta sexta-feira, o governo Bolsonaro – acentua Bela Megale – atrasou novamente o número total de mortos e infectados pela doença. A sombra não é capaz, é claro, de reduzir o quantitativo do drama que o país está vivendo: o MS divulgou esta semana que o número dos contaminados eleva-se a 645.271 pessoas.

Qual o motivo que leva Carlos Wizard a contestar os números? A ocultação não muda a realidade. Mais um caso da mágica contra a lógica. Penso que Wizard desloca sua atuação com base na fantasia consagrada no filme O Mágico de Oz.

FORÇA NACIONAL – Enquanto isso Daniel Carvalho, Folha de São Paulo, revela que o presidente Jair Bolsonaro está cogitando convocar a Força Nacional para conter manifestações públicas contra seu governo. 

Para mim, tal ideia significa uma contradição em si mesma. Não há razão para que a Força Nacional atue somente para conter manifestações contrárias. Isso porque verificam-se também manifestações a favor do presidente, estas sim mais substanciais, sobretudo porque ostentam fachas pedindo a supressão do Congresso Nacional e do STF acrescentando ainda um apelo a um golpe militar capaz de levar à ditadura.

Nessa ditadura Bolsonaro seria o rei absoluto e absolutista do Brasil o que seria fazer o tempo retroagir a 1888, véspera da República e também o amanhecer do fim da escravidão.

Extremistas agridem o Supremo e carregam Weintraub nos braços de uma farsa

Após depor por ordem do STF, Weintraub é carregado nos braços e ...

Weintraub classificou os ministros do STF como vagabundos

Pedro do Coutto

A GloboNews em alguns de seus jornais, exibiu ontem as cenas que marcaram a chegada e a saída do ministro Weintraub na Polícia Federal em Brasília. Weintraub foi depor na condição de acusado e portanto não vejo razões lógicas para que seja carregado nos braços depois de se manter em sombrio silêncio. Não foi a primeira vez, também na condição de acusado, que se manteve no mesmo silêncio no mesmo prédio da PF.

Se os extremistas que o apoiam concordam com ele estão agredindo o Supremo Tribunal Federal, uma vez que o titular do MEC voltou-se contra seus ministros classificando-os como vagabundos que deveriam ir para a cadeia.

EM FORMA DE FARSA – Portanto, os que estavam na frente do prédio da PF concordam com o que ele disse ao ponto de carregá-lo nos braços de uma farsa, como se fora ele um atleta vitorioso terminada a competição. Mas não é nada disso, inclusive a competição continua se realizando especialmente na capital do país.

O presidente Bolsonaro aconselhou seus adeptos a não comparecerem domingo às manifestações semanais de apoio e exibição de faixas e cartazes contra o Congresso e o STF. Sem a menor base defendem o fechamento das duas instituições, o que só pode ocorrer em uma ditadura absoluta.

Como no domingo passado também apareceram adversários do governo em frente ao Palácio do Planalto, Bolsonaro talvez tenha como ideia deixar estes insatisfeitos com os rumos do país sozinhos e assim poderão se torna responsáveis por quaisquer consequências, nas quais se inclui a violência premeditada.

SEM DAR PRETEXTOS – Na minha opinião os adversários do governo e correligionários da democracia não devem fornecer pretextos que a exponham ao ritmo de radicais.

Trata-se de simples uso da lógica, a qual, no fundo, representa o oposto da mágica. Esse posicionamento deve se estender a todas grandes cidades brasileiras, portanto a começar pelo Rio de Janeiro e São Paulo. Aliás, a respeito desse tema, Ruy Castro, na Folha de São Paulo, abordou ontem a situação, inclusive ressaltando o que parece ser um apoio do ex-presidente Lula ao presidente Jair Bolsonaro.

SÓ EM CAMPANHA – O governo Bolsonaro destinou verba substancial para publicidade em sites que se alinham com as ideias extremistas e fake news. Penso que seja dinheiro jogado fora, pois este tipo de apelo funciona nas campanhas eleitorais, porém não funciona nos espaços de tempo em que os governos são julgados tanto pelas suas ações quanto por suas inações.

O jornalismo verdadeiro baseia-se no princípio dos teoremas, ou seja na necessidade de comprovação. Muito diferente de esquemas comerciais que representam os axiomas, algo que se afirma e que não precisa ser comprovado.

PORTO MARAVILHA – Reportagem de Ítalo Nogueira, na Folha, revela que depois de ter prejuízo de 2,4 bilhões de reais, dinheiro do FGTS, a Caixa Econômica Federal reconhece que o projeto no Porto Maravilha no Rio é inviável. Mas isso seria previsível, pois a revitalização de uma área urbana depende diretamente do poder de consumo da população.

Para finalizar, tomo por base matéria de Isabela Macedo destacando a ideia do deputado Rodrigo Maia de ampliar o prazo da desoneração das empresas com base nas folhas de pagamento salariais no sentido de preservar empregos que ainda resistem à devastação social causada exatamente pelas demissões decorrentes inclusive da pandemia. Esse projeto ainda aguarda votação.

Bolsonaro recorre ao absurdo e chama de “terrorista” quem é contra seu governo

Bolsonaro chama manifestantes contrários ao seu governo de ...

Ilustração reproduizda do UOL Notícias

Pedro do Coutto

Numa entrevista na portaria do Palácio da Alvorada o Presidente Bolsonaro classificou de marginais e terroristas os integrantes dos grupos antifascistas que têm realizado protestos contra seu governo. Reportagem de Daniel Carvalho destaca o assunto, na Folha de São Paulo desta quinta-feira. Ao lado de sua matéria Felipe Zanini e Joelmir Tavares apresentam reportagem acompanhada de foto de manifestantes portando facha em defesa da democracia.

Referindo-se aos grupos, Bolsonaro disse que esses protestos contra seu governo começam a aparecer em confronto com as manifestações dominicais a seu favor aqui em Brasília.” Marginais e terroristas têm ameaçado aos domingos as manifestações que me são favoráveis”, declarou.

SEM CONVOCAÇÃO – Acrescentou que não tem influência nos grupos que lhe são favoráveis. “Nunca convoquei pessoas para irem às ruas, embora agradeça a presença” afirmou. Em seguida, referindo-se aos contrários a ele, disse que não se pode admitir que o Brasil se transforme no que foi o Chile há pouco tempo.

Na minha opinião, Bolsonaro alçou voo para pousar no absurdo. Os que vão às ruas para defender a Democracia e criticar seu governo não são marginais, tampouco terroristas. Apresentam-se como antifascistas. O que é uma coisa completamente diferente.

O Fascismo italiano e o Nazismo alemão são nuvens negras do passado que ocuparam a Itália de 1939 a 1944 causaram a Segunda Guerra Mundial, com a morte de 50 milhões de pessoas.

OS PARTIZANS – Surgiram lá na Itália grupos de resistência à ditadura, tendo à frente os Partizans, como eram chamados os que lutavam contra a ocupação. Havia comunistas nos sindicatos e também nos Partizans. É verdade que o movimento foi iniciado em 1941 depois da invasão nazista contra a URSS, hoje Rússia.

O mesmo aconteceu na França, ocupada desde 1940 pela Alemanha de Hitler. Na França o movimento idêntico ao da Itália tinha o nome de Maquis. Era apoiado em sindicatos é inegável que tinha participação de comunistas.

Os dois movimentos – Patizans e Maquis – encontraram-se na história universal como um esforço para conter a cruel ditadura alemã.  Merecem reconhecimento os que deram seu sangue nessa luta heroica. A França foi libertada em 1944. A Itália, a partir também do mesmo ano. Foi trágico o destino de Hitler e Mussolini.

PELA DEMOCRACIA – Voltando ao Brasil deve se destacar os movimentos de rua hoje como uma campanha pela Democracia, uma vez que o movimento é contra a volta daqueles que exatamente propõe um fechamento do Congresso e do STF.

Paralelamente, há um movimento de consciência democrática. É melhor que isso se verifique. E não se verifique mais a nomeação de personagens corruptos como Alexandre Cabral, indicado pelo PL de Valdemar Costa Neto, e que ficou um dia no cargo de presidente do Banco do Nordeste.

Liberdade de expressão e de imprensa nada tem a ver com anonimato, pelo contrário

Charge O Tempo 17/04/2019

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

No momento em que o presidente Bolsonaro, de forma surpreendente, revela que hackers divulgaram informações pessoais dele e de seus filhos, Eduardo e Carlos, vale acentuar que no fundo da questão devemos ressaltar que a liberdade de expressão e de imprensa absolutamente não tem nada a ver com anonimato. Pelo contrário. Sem frisar que a censura é inconstitucional, só se pode arguir liberdade de expressão, quando a pessoa ou grupo que se valem do direito reconhecido pela unanimidade do Supremo Tribunal Federal revela sua autoria no caso em foco.

Mas Jair Bolsonaro já identificou de onde partiram as iniciativas de invadir sua vida particular e as de seus filhos. Portanto, em um espaço de 24 horas foi possível identificar onde estava a usina do crime praticado.

CASO DAS FAKE NEWS – Portanto, o exemplo logicamente deve ser aplicado também no caso das fake news. A origem partiu do site Anonymus Brasil e o presidente da República sustentou, de acordo com reportagem de Ricardo Della Coletta, Daniel Carvalho e Renato Onofre, na Folha de São Paulo de hoje, ter visto no crime uma tentativa de intimidá-lo. Intimidar o presidente da República? É demais.

Mas como eu disse há pouco, é um exemplo a ser seguido. Principalmente no caso das fake news,  porque, como está no título do artigo, só pode alegar liberdade de imprensa e expressão quem se manifesta publicamente, seja pessoa física ou jurídica.

Foi o caso exatamente do presidente Bolsonaro. A Anonymus, ela própria, assumiu o crime. Esta é uma face da questão que cresce na medida em que também cresce a importância da Internet. Portanto juntamente com os jornais e as emissoras de televisão, tem de haver uma forma de lançar luz sobre as sombras que caracterizam o anonimato.

ONDAS DA DIFAMAÇÃO – Não é o caso da invasão de hackers na esfera privada de Bolsonaro. Porém é o caso de centenas ou milhares de acusações a pessoas e instituições, a exemplo do que recentemente se descobriu quando as ondas da difamação atingiram o Supremo Tribunal Federal.

Essa questão dos hackers e de outros episódios semelhantes conduz ao pensamento de que há necessidade urgente de um sistema de identificação das fontes que produzem tais atos caluniosos, difamatórios e injúrias. Não deve ser difícil, digo eu, porque todo esse universo de sordidez é manipulado na realidade pelo ser humano. Portanto, a máquina só pode ser acionada por esse eterno personagem da vida humana.

O INCRÍVEL LULA – Na edição de hoje de O Globo, Sérgio Roxo publica matéria focalizando com merecido destaque a estranha posição assumida ontem pelo ex-presidente Lula, que criticou (incrível!) os manifestos que se sucedem em todo o país na defesa da Democracia. A reação do ex-presidente choca-se tristemente com sua própria vida pessoal, pois foi a Democracia que o levou a presidência da República.

Ele agora contradiz a si mesmo. Para acentuar sua contradição, ele continua a revelar um personalismo exasperante. Caiu a máscara e a sua declaração de ontem o conduz a uma sombra que ele próprio assume. Aliás, esse aspecto já teve um capítulo, quando ele determinou ao PT que não votasse em Tancredo Neves contra Paulo Maluf nas eleições indiretas de 1985.

MEMÓRIA CURTA – Neste momento, ao fugir do compromisso com a Democracia ,Lula talvez tenha se esquecido de seu próprio passado recente e submergido nas águas da farsa e do egocentrismo absurdo. Lula demonstra hoje seu próprio desmoronamento tanto político quanto cidadão comprometido com a verdade.

Para finalizar cito matéria do Globo assinada por Carolina Brígido e Vitor Farias, a qual coloca em destaque as manifestações do Procurador Geral Augusto Aras, da OAB e do STF, rechaçando a interpretação do Palácio do Planalto sobre a intervenção militar como poder moderador. Claro, nada mais absurdo do que isso. Tanto assim que até mesmo Aras alinhou-se com o STF ao rejeitar frontalmente tal interpretação. Augusto Aras sentiu que a promessa de ser nomeado para o Supremo perde-se na noite dos tempos.

No Brasil, 90% condenam as fake news; em Nova Iorque, um abraço fica na História

Charge O Tempo 15/01/2019 | O TEMPOPedro do Coutto

Manchete principal de O Globo desta terça-feira, dia 2, com base em pesquisa do Ibope, destaca que 90% dos brasileiros condenam a prática usada pelos autores das falsas notícias para abalar a própria democracia e assim promover um projeto radical começando por vociferar contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Esse resultado interpreta na realidade a forte presença de um sentimento democrático contra quaisquer iniciativas de golpe ditatorial.

Com isso a sociedade brasileira reagiu enfática e fortemente contra iniciativas voltadas contra o processo democrático. Assim, a pesquisa do Ibope tornou-se extremamente um fator que consagra a liberdade e condena as longas noites de arbítrio que se sucederam ao longo de um passado recente.

EUA E BRASIL – Nos EUA, especialmente na passeata de Nova Iorque contra o racismo e o assassinato de um negro, registra-se uma imagem que fica na história para o presente e para o futuro: o abraço efusivo trocado entre o chefe do esquadrão policial encarregado de manter a ordem e o líder do movimento que congrega tanto brancos quanto negros e latinos. Isso porque desejo ressaltar que no fundo só existe uma raça no planeta. a raça humana.

Voltando ao Brasil, o dia de hoje marca com tintas bastante claras o que brasileiros desejam através da política: consolidar tanto a democracia quanto a liberdade de opinião, sobretudo porque não pode haver nenhum regime democrático sem a liberdade de expressão.

Assim aqueles que tentam praticar atos difamatórios alicerçados em falsidades, ontem sofreram grande e merecida derrota. Sem dúvida, 90%, é um resultado concreto da legítima vontade do nosso país.

RADICALISMO NO DF – A oportuna pesquisa veio ao encontro dos acontecimentos realizados no domingo, quando o presidente Bolsonaro participou de manifestação originada por grupos radicais em plena Esplanada de Brasília. A reação, dessa forma, coincidiu com a emoção popular rejeitando regimes de exceção como aqueles que estão hoje arquivados sob o peso da consciência e da memória. É preciso não esquecer porque a história nunca os perdoará. Essa expressão que uso é exatamente o oposto de um discurso de Hitler quando disse: A história me absolverá.

A humanidade jamais perdoará uma figura tão odienta e desumana, que se encontra, como sempre digo, no esgoto da História Universal.

Às vezes surgem tentativas. Em vão. Vale destacar que reportagem de João Pedro Fonseca, publicada em O Globo, destaca manifestações das torcidas de futebol ocorridas domingo no Rio e São Paulo. No Rio a torcida rubro-negra saiu em passeata com a faixa pela democracia. Em São Paulo foi a vez da torcida do Corínthians.

Para nós, todas as manifestações pela liberdade colidem contra aqueles que desejam que sua vontade, restrita a 10%, prevaleça sobre os direitos humanos, que são eternos.

Para Celso de Mello, aproxima-se o sinistro confronto entre a democracia e a ditadura

Ministro do STF atende Aras e manda abrir inquérito sobre fala de ...

Celso de Mello não tem dúvidas sobre os propósitos de Bolsonaro

Pedro do Coutto

No amanhecer de ontem, domingo, tão logo recebi os jornais, li a entrevista do historiador José Murilo de Carvalho a Miriam Leitão. Nela ele acentuou que o país corre o risco de uma ditadura. Horas depois, em Brasília o presidente Bolsonaro cavalgava ao lado de cartazes que propunham novamente o fechamento do Congresso e do Supremo. A temperatura política subiu ameaçando ferver.

Depois do Globo recebi na manhã de segunda-feira a Folha de São Paulo que publicou reportagem de Mônica Bergamo e Igor Gielow reproduzindo mensagem que o ministro Celso de Mello destinou aos ministros da Corte Suprema.

DESPREZÍVEL E ABJETA – “Os bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia nada mais desejam senão a instauração no Brasil de uma desprezível e abjeta ditadura militar”, escreveu o ministro Celso de Melo, citando o filme “O Ovo da Serpente”, de Ingmar Bergman, que focaliza a ascensão do nazismo na Alemanha.

Aliás, sobre esse processo hediondo existe a obra extraordinária do jornalista William Shirer, “Ascensão e Queda do III Reich”. Hitler digo eu, não foi eleito. Pelo contrário. Nas eleições de 1932 obteve 25% dos votos contra 75% de Paul Von Hindenburg.

Como os comunistas na época atacavam os dois, Hindenburg convidou Hitler para primeiro ministro. Mas em 1933 ficou doente e Hitler implantou a ditadura que durou até o desabamento de 1945. Mas esta é outra questão.

CAVALGADA – Continuando a reportagem, a Folha destaca que a cavalgada de Bolsonaro criou um clima de forte tensão institucional sensibilizando integrantes das próprias Forças Armadas que rechaçam a hipótese golpista. Além disso, os militares receberam com surpresa a presença do general Fernando Azevedo, ministro da Defesa, no helicóptero que conduziu Bolsonaro antes da cavalgada que liderou.

O posicionamento de Celso de Melo repercutiu profundamente entre os ministros da Corte Suprema. Sobretudo porque ele é o relator do processo que envolve a interferência do presidente da República na Polícia Federal. E Edson Fachin relata o processo das fake news.

VERDADEIRA FACE – O documento de Celso de Melo, a meu ver foi o mais importante descortinando a verdadeira face da crise política atual.

Na mesma edição da Folha, Tiago Rezende e Talita Fernandes ressaltam manifestação de direitistas trazendo nas mãos tochas acesas que lembram acontecimentos que envolveram a KKK. A figura do ministro Alexandre de Moraes foi atingida por fortes ataques. Foi ele o responsável pela instauração de inquérito destina a apurar as manifestações contra a Democracia.

Penso que a partir de agora o confronto tornou-se mais aberto e inclusive com a revelação e seus principais atores e suas verdadeiras faces e projetos. A partir de hoje, a realidade brasileira passa a ser outra, na qual se acentua o impasse entre a Democracia e a ditadura.

O processo é diferente do anterior que marcou o desfecho de 1964. Não existe a influência externa que Marcos Sá Correia focalizou no passado. A diferença é grande, a começar pelo intervalo de 56 anos.

Petrobrás e Eletrobrás patrocinam sites que pedem fechamento do Congresso e do STF

Por que é crime pedir o fechamento do Congresso e do STF?

Ilustração da Gazeta do Povo

Pedro do Coutto

Reportagem de Leandro Prazeres, O Globo de hoje, domingo, revela que a Petrobrás e a Eletrobrás vêm destinando verbas de publicidade para sites que pregam o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo, assim como uma intervenção militar no Brasil. Além disso, espalham torrentes de fake news. Leandro Prazeres obteve esses dados através da Lei de Acesso à Informação.

Nos últimos anos a irrigação financeira desses canais totalizou 28.845 anúncios que geraram 390.714 reproduções de matérias dessa procedência com a mesma origem financeira. O Globo publica a relação dos anúncios divididos pelos canais desse tipo de comunicação.

E OS ACIONISTAS? – Na minha opinião, tal atividade atinge o próprio governo Bolsonaro, pois, afinal de contas, os desembolsos influem negativamente, é claro, nos resultados obtidos pelas duas estatais. Como as duas empresas possuem ações na Bolsa de Valores, os débitos são lançados nas contas dos acionistas. Quem são os grandes acionistas?

Nas duas empresas a União controla mais de 51% das ações. Como se vê são injeções financeiras que não produzem retorno. Ao contrário: atingem, como se constata agora, a credibilidade da onda de comunicação que se espalha pelo universo das redes sociais.

Aliás, é quase incrível a atuação governamental na área publicitária de modo geral. São contratos que envolvem publicações nos jornais que seriam publicadas inteiramente sem pagamento desde que vão ao encontro do interesse público.

ANÚNCIOS REAIS – O caso dos anúncios caracterizados como tal, são outra história. Tratam de informações de sentido institucional e construtivo. Mas nas sombras dos setores de comunicação, que deveriam ser jornalísticos, atuam assessorias que nada entendem do assunto.

O repórter Renato Onofre, na Folha de São Paulo, também aborda o assunto e afirma que existem fake news que atacam negócios com a China, como se sabe. a maior fonte no comércio internacional brasileiro.

DEFESA DA DEMOCRACIA – Em matéria publicitária publicada hoje pela Folha de São Paulo, profissionais de direito, advogados e magistrados, pronunciam-se contra campanhas antidemocráticas que ameaçam o futuro próximo de nosso país, e ameaçam os poderes constitucionais, como é o caso do Congresso Nacional e do STF. O título (“Basta”) reproduz um artigo do Correio da Manhã de 30 de março de 1964 contra o governo João Goulart. Este artigo foi sucedido por três outros: “Fora”, “Basta e Fora”, e o quarto, “Basta: Fora a Ditadura”. O artigo foi confirmado pela realidade dos fatos.

MARCOS SÁ CORREA – Está no Google: o brilhante jornalista Marcos Sá Correa, filho de Villas Boas Correa, retornou às atividades que o consagraram como grande analista e repórter na política brasileira. O jornalismo portanto está de parabéns.

Marcos Sá Correa é o autor da reportagem que com base em pesquisa na Biblioteca Lindon Johnson revelou a interferência do governo americano num movimento político militar de 31 de março de 64. Não foi a causa principal da queda, mas vale o registro histórico. Devemos fixar na memória que Jango Goulart rompeu com as forças com as quais não podia ter rompido. Estatizou refinarias particulares, ameaçou a desapropriação de terras, lançou as bases de uma reforma urbana, além de ter se reunido com sargentos no fatídico encontro de 31 de março no Automóvel Clube do Brasil. O Automóvel Clube do Brasil desapareceu. Mas o local deve ficar na memória dos historiadores.

JK E DOM HELDER – Por falar em historiadores lembro um fato que marcou a favor da posse de Juscelino Kubitschek na presidência da República.

Foi a carta aberta que D. Helder Câmara dirigiu a Carlos Lacerda, que pregava o golpe contra o resultado das urnas de 1955. Um dos trechos da carta deve ter realçada sua importância. Escreveu D. Helder Câmara:

” Carlos, você fala em tanques e canhões. Você os teme ou os deseja? Faz-me parecer que você os deseja se eles estiverem a seu lado”    

Bolsonaro erra em manter Weintraub, que só tem trazido prejuízos ao governo

Premiando o ódio: Bolsonaro condecora ministro Weintraub com Ordem ...

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro comete um enorme erro político ao tentar blindar Weintraub e mantê-lo na sua equipe. A presença do ministro da Educação abala ainda mais seu governo, somando-se ao recuo do PIB, à redução do consumo das famílias e às dificuldades que ele vem registrando junto à opinião pública.

Hoje mesmo a Folha de São Paulo publica pesquisa do Datafolha revelando que 69% do eleitorado pensam que ele não está cumprindo no Palácio do Planalto os compromissos que assumiu ao longo da campanha eleitoral. De outro lado 29% acham o contrário, que o candidato vitorioso em 2018 manteve seu programa como presidente da República.

BLINDAR O MINISTRO? – Como é possível o presidente Bolsonaro tentar blindar Weintraub e mantê-lo à frente da importante Pasta da Educação? Weintraub ficou em silêncio ao prestar depoimento à Polícia Federal. Exerceu seu direito que, aliás, reúne uma série de precedentes sobretudo de criminosos, quando descobertos, e que têm a obrigação legal de comparecer ao interrogatório policial.

Mas tratando-se de um ministro de Estado, a atitude tem outra dimensão, uma vez que foi ele convocado pela Polícia Federal, que na hierarquia integra o segundo escalão do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Trata-se de um caso singular que depõe , não só contra o ministro, mas contra o próprio governo do país.

NOITE DOS CRISTAIS – Inclusive a citação da noite dos cristais causou até reações internacionais, como foi o caso de Israel e da comunidade judaica de Nova York. Weintraub cerra fileiras em um grupo ideológico de extrema direita que mantém o governo na faixa de apoio de 30% da população.

Sobre o silêncio do ministro, vale a pena ler a matéria de Thais Arbex, O Globo deste sábado. Não quero dizer que todo direitista seja adepto do nazismo. Porém, todo nazista alinha-se à extrema direita da história universal. Portanto, os 30% de apoio que Bolsonaro conserva, na minha impressão, incluem o pensamento nazista apenas numa faixa entre 7% e 10%.

HOLOCAUSTO – É uma faixa reduzida (7% e 10%), pois o nazismo acarretou a morte de 50 milhões de seres humanos e representa eternamente o maior assassinato e violação de direitos humanos da história universal. O Holocausto está no esgoto da história. O nazismo, como dizia Santiago Dantas, representou a morte de uma posição ideológica contrária aos direitos humanos. Hitler não está sozinho entre os maiores assassinos da memória universal. Está secundado por Stalin, como acentua a própria posição da antiga URSS, que  depois de sua morte denunciou os crimes praticados. Kruchev foi um dos líderes comunistas que mais denunciou os crimes de Stalin. Os russos mudaram até o nome da cidade que resistiu às forças alemães.  Mas esta é outra questão.

PESSIMISMO CONSTANTE – No caso de Jair Bolsonaro, ele está enfrentando a recessão econômica com o aumento da dívida interna, com a diminuição do mercado de trabalho e com a falta de um projeto construtivo para a sociedade brasileira. O ministro Paulo Guedes projeta um pessimismo constante que contamina a população da mesma forma que a pandemia do coronavírus.

A política e extremamente dinâmica. Dois anos para ela constitui um prazo no qual figuram fatos capazes de mudar a direção das nuvens todos os dias. Vejam o exemplo dos EUA. Há um mês, Donald Trump encontrava-se em uma posição confortável para buscar a reeleição em novembro deste ano. Mas, de repente, surgiram fatos como sua ruptura com a OMS, sua fraca atuação contra o coronavírus e o assassinato de George Floyd em MIneápolis. Acontecimentos de peso capazes de direcionar o eleitorado americano na opção das urnas de novembro.  

Ameaça ao Supremo reflete contra Bolsonaro, une o Tribunal e o isola na extrema direita

Indo fechar o STF — Indo fechar o STF — Alô Notícias - Com Lucio ...

Ilustração reproduzida do Google

Pedro do Coutto

Esta é minha opinião sobre os episódios no palco político refletidos pelos jornais. A ameaça do presidente da República desferida contra o Supremo transformou-se num fator amplamente contrário a ele mesmo. A ameaça sintetiza um apelo as Forças Armadas, utilizando-as como instrumento de seu poder e não como um sustentáculo da Democracia brasileira.

O ministro Marco Aurélio respondeu diretamente, acentuando não acreditar que o poder das Forças Armadas funcione para virar a mesa, acrescentou. Creio que ele tem razão. Até porque o isolamento de Bolsonaro na extrema direita vai de encontro aos princípios tanto militares quanto democráticos.

ORDENS ABSURDAS – O presidente da República, voltando-se contra o despacho monocrático de Alexandre de Moraes, citou um Item do regulamento disciplinar do Exército, o RDE. Lá está escrito que, de fato, ordens absurdas não se cumprem. Mas é preciso notar que um dos pontos do RDE impõe aos subordinados terem de pedir licença aos autores das ordens para representar contra eles. Aprendi isso quando estive servindo o Exército. A norma, portanto, é difícil de executar. Mas esta é outra questão.

Bolsonaro, ao exclamar sua ameaça, na realidade revelou tacitamente encontrar-se na defensiva. Em primeiro lugar, porque se trata de tarefa impossível a defesa do ministro Weintraub. Em segundo, porque levou a uma união dos ministros da Corte Suprema, ameaçados por ele como um todo. Em terceiro lugar, porque desejar suspender as investigações sobre as fake news assinala no processo uma confissão de culpa pelo silêncio. Se as mensagens que resultam da investigação fossem legais não haveria motivo para tentar obstruir as ações investigadoras.

PRINCÍPIO ABSOLUTO – A liberdade de expressão constitui um princípio absoluto. Mas não impede que os atingidos não possam recorrer contra eles. Como é o caso de situações que envolvem calúnia, injúria e difamação. Não significa portanto uma imunidade tão absurda quanto a prática dos atos. O que vai acontecer, e não pode ser de outra maneira, é a união do STF quando apreciar, segundo penso, brevemente o mérito da decisão monocrática de Alexandre de Moraes.

Hoje, a Folha de São Paulo publicou pesquisa do Datafolha sobre a posição do governo junto a opinião pública. Vamos por etapas. A rejeição ao governo Bolsonaro atinge 43% e a aceitação 33%, o que falta para completar 100 é a faixa dos que consideram regular o desempenho. Em todos os quesitos da pesquisa os empresários e os que ganham acima de 10 salários mínimos por mês são favoráveis ao presidente da República, mas entre os demais a insatisfação cresce.

SEM CONFIABILIDADE – Relativamente à respeito da confiabilidade que Bolsonaro inspira, 21% sempre acreditam. 44% não acreditam nunca. Sobre a forma se adequada ou não que envolve o desempenho de Bolsonaro na presidência do país, 25% acham que sim, 32% acham que não. Quanto à capacidade dele liderar o país, 45% responderam afirmativamente, 52% consideram que ele não tem capacidade.. Novamente a maior força do presidente está junto àqueles de renda mais alta. Acima de 10 salários mínimos.

Não são muitos, pois é preciso lembrar que, segundo o IBGE, 60% dos trabalhadores brasileiros ganham até 3 salários mínimos.

No que diz respeito ao desempenho do ministério da Saúde, 45% aprovam. 21% desaprovam. Para 43% Bolsonaro não tem responsabilidade pelo avanço da pandemia, enquanto 32% afirmam que ele tem responsabilidade. A mesma pergunta focalizando o governo de São Paulo conclui que para 56% o governador João Dória não tem culpa. 

AUXÍLIO EMERGENCIAL – Outro quesito refere-se ao auxílio emergencial de 600 reais por mês. O resultado surpreende pois evidencia que 52% não fizeram o pedido. O que na minha opinião não representa o não cumprimento de uma promessa e sim embute uma afirmação de que além de não terem direito não o solicitaram.

Finalmente uma observação importante. Escrevendo há mais de 60 anos sobre pesquisas, aprendi com o tempo a dar valor às tendências. A pergunta inicial do Datafolha, contida na reportagem de Igor Gielow assinala que a rejeição a Bolsonaro está se verificando em um movimento ascendente enquanto a aprovação mantém-se num patamar de 33%. 22% não acham nem uma coisa nem outra. Para mim 33% é o teto reservado às posições da extrema direita. Aliás não só no Brasil, mas em vários outros países. 

 O ministro Weintraub situa-se na posição mais radical possível. Ele quebrou os cristais de qualquer raciocínio lógico.

 

Datafolha diz que Bolsonaro perde espaço político, mas conserva faixa de apoiadores

Bolsonaro mobilizou o fascismo via WhatsApp — Conversa Afiada

Charge do Beto (Site Conversa Afiada)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada hoje na Folha de São Paulo, matéria de Igor Gielow, revela que o presidente Jair Bolsonaro na realidade perdeu espaço político, pelos números apresentados , mas com base no levantamento, conserva uma faixa de apoiadores que oscila entre 20 e 32% da opinião pública.

Os números variam de acordo com as questões colocadas, e vale a pena acentuar que a gravação do encontro ministerial de 22 de abril foi assistida por 55% do eleitorado brasileiro.

REJEIÇÃO DE 61% – As emissoras que transmitiram integralmente o assunto foram a GloboNews e a CNN, além de portais, sites e blogs na internet. A atuação do presidente da República foi considerada inadequada por 61% e adequada por 30%.

Como se observa, digo eu, a fração de bolsonaristas basicamente não mudou apesar de sua atuação patética junto aos ministros. Entretanto, relativamente às palavras usadas por Bolsonaro, 73% consideram o vocabulário inadequado, sendo que para 61% foram muito inadequadas. Entretanto 19% acham que foram adequadas. Neste ponto, acentuo, pousou o apoio ideológico ao presidente eleito em 2018.

Isso porque, na minha opinião, o comportamento do chefe do Executivo se destaca pelo ineditismo da linguagem e da complacência para com os ministros Weintraub e Paulo Guedes.

ATAQUES A STF E AO BB – O ministro da Educação lançou-se contra os ministros do STF. O segundo subestimou a importância do Banco do Brasil e usando expressão pesada disse ao presidente da República que ele deveria vender logo o principal estabelecimento de crédito do país, o Banco do Brasil. Interessante seria que o Datafolha pesquisasse o reflexo real da frase aos empresários e figuras no mundo financeiro.

No que diz respeito ao confronto entre as versões de Jair Bolsonaro e Sérgio Moro, para 54% a posição de Sérgio Moro foi aceita como melhor. No mesmo quesito, para 27% predomina a versão de Bolsonaro. A pergunta foi colocada para revelar qual o posicionamento quanto às versões de interferência ou não na Polícia Federal.

CLASSES SOCIAIS – Dividindo-se o levantamento por classes sociais, como era de prever, os melhores índices de Bolsonaro localizam-se entre a população de classe média intermediária. Isso de um lado. De outro, Bolsonaro também está melhor nas regiões norte-sul. E se encontra pior no sudeste e nordeste.

No meu entendeu os números do Datafolha conduzem a uma análise mais demorada da atmosfera política que está prevalecendo no país.

Os jornais de hoje, por exemplo, destacam problemas do governo especialmente refletidos no universo do Supremo e do Poder Judiciário em geral.

VALOR DO DÓLAR – Num artigo de página inteira da FSP, matéria publicitária, Vilmar Ferreira, presidente do Grupo Aço Cearense, faz um alerta a Nação sobre os rumos econômicos do país. Ataca principalmente a flutuação para cima do valor do dólar, cotejando a política econômica atual com aquela do plano Real dos governos Itamar Franco e FHC.

 Acentua que nos 17 primeiros meses do atual mandatário, 60 bilhões de dólares saíram do Brasil. E que a queda da inflação está custando uma recessão econômica que não retrata nenhum mérito do ministro Paulo Guedes. Percebe-se em Vilmar Ferreira não é somente o presidente do grupo Aço Cearense. Mas sim portador de mensagem das classes empresariais que falaram junto ao artigo que ele assinou.

NUVENS SOBRE BRASÍLIA – Outro sintoma da crise está no artigo de Fabio Pupo, na Folha,ressaltando que a parcela de capitais estrangeiros na dívida pública brasileira é a menor da década atual. Afeta as notas do Tesouro Nacional na escala de 79 bilhões de reais.

Também importante sob todos os aspectos o artigo de Miriam Leitão, pulicado em O Globo de terça-feira sobre o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. Ela chamou atenção para o fato de naquela reunião não ter surgido uma palavra sequer sobre a pandemia de coronavírus. Enquanto isso somaram-se os ataques a adversários imaginários do governo alvejando o Supremo, Banco do Brasil atingindo também aqueles que atuam na defesa do meio ambiente. Neste ponto o ministro Ricardo Salles se destacou.

ADEUS A MURILO – Faleceu ontem o jornalista e acadêmico Murilo Melo Filho. Excelente profissional, testemunha da história brasileira moderna e autor na revista Manchete de reportagem completa sobre o movimento político militar de novembro de 55 que garantiu a posse de JK em 56.

Como dizia Alceu Amoroso Lima, mais um companheiro de viagem que desembarca. Dos jornalistas que cobriram a constituinte de 46 só há dois sobreviventes: Helio Fernandes e Wilson Figueiredo.

Bomba política explodiu nas Laranjeiras, mas os estilhaços voam entre o Rio e Brasília

Witzel, do dígito solitário aos 3,1 milhões de votos

Briga entre Bolsonaro e Witzel virou uma guerra de extermínio

Pedro do Coutto

No alvorecer de terça-feira, uma bomba política de forte alcance explodiu no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel gerando diversas reações, como os jornais estão acentuando, entre o Palácio Guanabara e o Palácio do Planalto. Tudo começou com o desencadeamento de uma operação da Polícia Federal que chegou ao prédio em busca de informações contidas nos celulares do governador e sua esposa Helena, culminando com a apreensão dos aparelhos, para análise.  A crise, assim, explodiu e seus estilhaços estão voando no espaço entre o Rio de Janeiro e a capital do país.

O governador Witzel reagiu e disse que a responsabilidade é do presidente Bolsonaro, que ataca o Executivo fluminense por sua oposição às decisões de Brasília.

FLÁVIO NA BRIGA – O governador do RJ foi além, afirmou que quem deveria ser objeto de ação policial era o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República. Os jornais da manhã de hoje deram como era de prever grande destaque ao episódio. Em O Globo a reportagem é assinada por uma equipe: Chico Otávio, Luiz Ernesto Magalhães, Juliana Castro, Juliana Del Piva e Ludimila de Lima.

Não há dúvida que a crise que atinge o país apresenta uma tendência de evoluir ao longo do tempo, ou seja, nos próximos meses, em meio à pandemia que está produzindo uma tragédia nacional.

Além da área da saúde, estamos assistindo a uma crise de poder inclusive acentuada pela radicalização que está iluminando o palco de contradições acumuladas, cujos preceitos não possuem base na lógica dos fatos.

RADICALISMO EM ALTA – Mas quem pode falar em lógica no meio de ondas radicalistas? Só um ingênuo. O processo tende a se ampliar. Prova disso está na violência de apoiadores do governo contra os jornalistas da Folha de São Paulo, UOL e O Globo que anteontem, aguardavam Bolsonaro na saída do Alvorada para o contato com a mídia, uma prática que vinha adotando desde o início de seu governo.

Nesta segunda-feira, os repórteres dos dois jornais e da Rede Globo foram vítimas de ameaças, por pouco não culminando com agressões físicas cujo desfecho poderia se tornar num desastre humano, mas um na longa história da violência e do ódio represados que conduzem a intolerância. Os adeptos de tal comportamento, bem como seus autores, só conseguem enxergar elogios a seus líderes.

FANATISMO – Os fanáticos não desejam sequer a discussão democrática, esquecendo-se da histórica afirmação do filósofo Hegel: a lei é a conciliação dos contrários. Mas os donos do pensamento vinculado ao poder não querem saber nem de lei ou de conciliação, tampouco dos debates democráticos.

William Bonner é um exemplo. Depois de ver um de seus filhos ser atingido por uma falsificação do CPF, hoje a Rede Globo publica nos jornais que o apresentador do JN vem sendo alvo de campanha de intimidação a partir de mensagens ameaçadoras e dramáticas.

É sempre assim, mais uma vez a intolerância projeta-se no palco da informação e da opinião. Os radicais não querem liberdade de pensamento. Tratam a liberdade de opinião como algo que só pertence à ideologia que os inspira. É um desastre que se aproxima da opinião pública.

CONTRADIÇÃO – Enquanto isso o deputado Orlando Silva, relator da MP que prevê a redução da jornada de trabalho e dos salários, para mim de forma surpreendente, propõe a desoneração das empresas com os tributos que repousam na folha de pagamento. Acrescente-se: Orlando Silva é do PCdoB. Contradição total. Seu objetivo é o de reduzir a renda do trabalho e ao mesmo tempo, favorecer o lado do capital com base na promessa de que as empresas vão contratar trabalhadores reduzindo assim os índices altíssimos do desemprego.

O panorama desta-quarta feira pode ser desenhado dessa forma crítica para refletir a tempestade. Estamos na véspera de algo extremamente ameaçador.

Abraham Weintraub, ministro da Educação, tornou-se o maior problema do governo

Ilustração do Nando (Míidia Ninja)

Pedro do Coutto

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, por sua atuação na reunião ministerial de 22 de abril, tornou-se de fato, neste momento, o maior problema para o governo. Seus ataques ao Supremo Tribunal Federal, sustentando que os ministros daquela Corte são vagabundos e ainda por cima, alterando a voz para que fossem presos, representou uma explosão no próprio governo a quem desejava destacar e agradar.

Foi um fato altamente negativo que a meu ver torna sua permanência na Educação impossível. Não só pelo absurdo do ataque em sim, mas porque atrai contra o governo uma reação em cadeia no poder Judiciário.

AULAS DE DESEDUCAÇÃO – Não sei como o presidente da República pensa a respeito do assunto e se propõe exatamente a hipótese da demissão. Afinal de contas, a presença de Weintraub na Educação conduz de modo absoluto a um capítulo que podemos chamar de deseducação. Sua permanência na pasta está fortemente abalada e não creio que em sã consciência apareça alguém para defendê-lo. Nem mesmo o filósofo Olavo de Carvalho, guru em quem se espelha.

É só ver a situação de forma isenta para se chegar a conclusão de que Weintraub atraiu para si tanto a onda da oposição quanto a governamental. E justamente no momento em que o Centrão está reivindicando cargos para votar no Congresso a favor do Palácio do Planalto. A tempestade vai abranger pelo menos uma tentativa de indicação de um parlamentar escolhido entre as legendas que gravitam em torno do governo.

Porém, o estrago causado pelo ainda titular da Educação não tem limites e sempre permitirá que qualquer partido possa condená-lo pela inabilidade política. Nunca houve um ministro da Educação como Weintraub.

CENTRÃO E GUEDES – No espaço que ocupa aos domingos no Globo e na Folha de São Paulo, Elio Gaspari volta a abordar o caso Sérgio Moro e seus reflexos. De fato, o Centrão é um centro de negócios, a exemplo do que a Operação Lava Jato revelou ao país. Sérgio Moro surgiu exatamente no julgamento e condenação de vários integrantes. Vou lembrar que até o momento não houve nenhuma decisão de qualquer Tribunal Superior que não confirmasse suas sentenças. Pelo contrário. Algumas delas ampliaram até as penas que recaem sobre o ex-presidente Lula.

Elio Gaspari lembra as intervenções do ministro Paulo Guedes na reunião ministerial de abril. Referindo-se ao Centrão, Guedes disse que “nós governo, podemos conversar com todo mundo, uma questão de poder”. Na coluna Gaspari cita o deputado Alceu Moreira, presidente da Frente Parlamentar do AgroNegócio, que disse que” ninguém pode adivinhar o que pode acontecer no momento em que o Palácio do Planalto resolve recorrer à velha política. Nem sempre o inevitável acontece.”

SAÍDA DO MINISTRO – Para mim, é inevitável a saída de Weintraub do governo. Ultrapassando limites deslocou-se para um radicalismo que comprometeu sua própria permanência no cargo. Outro ministro em foco é Ricardo Salles pelo que disse na reunião de 22 de abril. Afirmou que a crise da pandemia favorece mudanças na legislação do meio ambiente.

São coisas da política e da luta pelos espaços de poder. Entretanto, o Poder tem obrigação de ser construtivo porque dele depende a vida da população brasileira.

País está no meio da tempestade e o governo não tem nenhum projeto de recuperação

Reunião ministerial

Esperava-se que grandes projetos fossem colocados em discussão

Pedro do Coutto

A liberação do vídeo gravado na reunião ministerial de 22 de abril comprova que nosso país encontra-se no meio de uma tempestade política e que o governo Bolsonaro não possui um projeto construtivo para o desenvolvimento econômico e social. Parecia algo inacreditável. Mas a verdade se impôs e chego à conclusão a respeito da gravidade de um conflito ideológico que dificilmente poderá encontrar uma saída.

A análise política para ser eficaz tem de ter como base uma serenidade crítica. Exatamente o contrário daquilo que o vídeo revelou. Não há serenidade crítica nem autocrítica.

ATAQUE AO SUPREMO – O ministro da educação atacou o Supremo Tribunal Federal defendeu a prisão dos ministros o que, na prática, corresponde ao fechamento do Poder Judiciário. Sim, porque a ordem de prisão abriria um vazio institucional deixando tudo na mão do Executivo. Se o STF fosse fechado, o mesmo aconteceria com o Poder Legislativo. Estaríamos assim em uma ditadura.

É bom lembrar que nem Getúlio Vargas na ditadura de 37 a 45 fechou a Corte Suprema. Na ditadura que o país enfrentou de 1964 a 1985 o STF funcionou, mas três ministros foram aposentados compulsoriamente. Evandro Lins e Silva, Gonçalves de Oliveira e Vitor Nunes Leal.  O governo Castelo Branco impôs, com a nomeação dos substitutos uma maioria na Corte. Mas esta é uma questão que está incorporada à História.

REINO DA INTOLERÂNCIA – Hoje enfrentamos uma outra realidade, um novo cenário, um novo estilo que nasce da multiplicidade de opiniões, porém todas elas convergentes num só propósito: implantar a intolerância na Nação. O ministro da Educação sequer causou reação contrária de Jair Bolsonaro. O do Meio Ambiente defendeu de forma quase direta o processo de desmatamento que está agredindo a Amazônia. O ministro do Exterior dois meses antes da reunião havia se pronunciado criticando o relacionamento do Brasil com outros países nos quais ele interpreta como sabotadores do nosso país.

Outro ministro defendeu a reimplantação dos cassinos que foram proibidos de funcionar em 1946, logo no primeiro decreto-lei do presidente Eurico Dutra. De 46 até agora estão fechados. A ministra Damares, da Mulher e da Família, viu nos cassinos a presença de algo diabólico.

UM POVO ARMADO – O mais importante de tudo, de fato, foi o presidente da república defender com emoção o armamento geral no país. Um povo armado jamais será escravizado, ele disse. Identifiquei nessa afirmativa uma ameaça à segurança interna brasileira, como se o país estivesse em guerra civil. O fato de pessoas adquirirem armas é perigosíssimo por dois motivos fundamentais. Acirra questões de divergências simples e também insinua a eclosão de uma guerra civil.

Além disso contribui para que os grupos criminosos tenham acesso facilitado à compra de armas. Ao invés de desarmar os bandidos proporcionaria mais ainda seu fortalecimento. Sobretudo no Rio de Janeiro, cidade ocupada flagrantemente pelo crime organizado e também pela violência generalizada, inclusive com existência de milícias.

NÃO HÁ PROJETO – Nem uma palavra foi pronunciada em relação a qualquer projeto construtivo capaz de levar o Brasil a um processo consolidado de desenvolvimento econômico e social. Nada se ouviu a respeito de medidas voltadas para a recuperação da economia, abalada por contradições que surgem no dia a dia da vida nacional.

A frase usada pelo ministro Paulo Guedes em relação ao Banco do Brasil sintetiza uma visão global sobre o que se passou numa tarde de abril. Guedes disse que temos de vender logo o BB. Desdenhou da importância do Banco, reduzindo-o a uma coisa qualquer.

O desprezo ficou evidente.

Jair Bolsonaro faz oposição a si mesmo e está arrasando seu próprio governo

Gilmar Fraga: grande timoneiro | GaúchaZH

Charge do Gilmar Fraga (Rádio Gáucha/ZH)

Pedro do Coutto

A exibição do vídeo focalizando a reunião ministerial de 22 de abril, liberada pelo ministro Celso de Mello, relator do processo no Supremo, mostra a verdadeira face da administração que se iniciou como a redenção do país após o desmoronamento do governo Dilma Rousseff, que arrastou consigo a imagem do Partido dos Trabalhadores envolvido numa onda inédita em matéria de corrupção.

Agora assiste-se com perplexidade ao comportamento presidencial na célebre reunião de 22 de abril. A exibição do vídeo destina-se a ser incorporada ao processo que coloca o ex-ministro Sérgio Moro como o principal adversário de Jair Bolsonaro.

ALGUNS CORTES –  Partes referentes a países foram suprimidas na exibição. Também algumas partes relativas ao Supremo Tribunal Federal foram extirpadas e outras mantidas na gravação.

A gravação da reunião ministerial acentuou a fase deplorável em que se encontra a política brasileira. Jamais poder-se-ia considerar o nível revelado pelos próprios atores a começar pelo presidente Bolsonaro e a prosseguir ladeira abaixo pelo ministro da Educação. Este ofendeu a corte Suprema, seus integrantes e colocou na pauta o fechamento do próprio STF.

Não é preciso dizer mais nada a respeito da gravação que para avaliá-la e julgar seus personagens basta acompanhar as imagens da demolição.

GUEDES EM IMPASSE – O ministro da Economia quer barrar acesso ao fundo de apoio a estados e municípios se eles não pagarem dívidas que assumiram com bancos privados e não agirem junto aos parlamentares no sentido de evitar a derrubada do provável veto do presidente da República aos dispositivos que preveem reajuste salarial dos funcionários públicos.

Paulo Guedes argumenta com base no fato de liberar 60 bilhões de reais a estados e municípios. Na minha opinião o adicional de 60 bilhões de reais, como o anunciado pelo Ministério, não existe. São recursos já consignados no orçamento de 2020 e não uma parcela adicional proporcionado por esse fundo.

Claro, pois se os 60 bilhões fossem gerados agora. teria de ser ampliado o orçamento da União cujo teto é de 3,6 trilhões de reais. Não existe débito sem crédito e vice-versa. Portanto, o que está por trás do anúncio é uma troca de rubricas totalizando o montante ilusório para efeito político.

EMPRESÁRIOS REAGEM – Na edição desta sexta-feira da Folha de São Paulo, matéria de Bruna Narcizo destaca a reação de empresários contra a ideia proposta pelo presidente Bolsonaro no sentido de que as empresas devem pressionar governadores para garantir o congelamento salarial até dezembro de 2021.

Os empresários Horácio Lafer Piva, da Klabin, João Guilherme Sabino, um dos principais acionista da usina São Martinho, Luiza Helena, do Magazine Luiza, entre outros, reagiram negativamente à ideia. Colocaram a seguinte questão: empresários não têm de pressionar governadores. Seria um caso muito estranho.

NÃO VAI TER GOLPE – O general Augusto Heleno, Chefe do Gabinete da Segurança Institucional, segundo a Folha de S. Paulo, afirmou que os militares não vão dar golpe contra a democracia no país.

Negou qualquer intervenção militar no sentido de implantar nova ditadura no país. Com essas declarações Augusto Heleno propôs-se a desarmar os boatos que andam circulando em Brasília. Tudo bem. Mas o general, no final da tarde momentos, antes da liberação do vídeo irritou-se com um despacho formal que o ministro Celso de Melo encaminhando à Procuradoria Geral da República ação judicial que prevê a busca e apreensão do celular do presidente da República e também os telefones de seus filhos. A notícia explodiu com intensidade, mas passou a ser desconsiderada após uma análise da jornalista Natuza Nery na Globonews. A proposta não foi de Celso de Melo e sim de autores da respectiva ação.

SEGURO DESEMPREGO –  O jornalista Manoel Ventura, O Globo, revela que na primeira quinzena de maio 504 mil trabalhadores deram entrada no pedido de seguro desemprego.

No acumulado do ano o número de novos pedidos elevou-se a 2,8 milhões de trabalhadores que perderam seus empregos.

Lula tem estratégia errada e mantém a polarização que tanto interessa a Bolsonaro

Lula pede desculpa por usar "frase infeliz" em entrevista à Carta ...

Lula deu uma entrevista desastrada ao jornalista Mino Carta

Pedro do Coutto

O ex-presidente Lula da Silva, em entrevista â Carta Capital, reproduzida ontem pela Folha de São Paulo e O Globo, cometeu um erro enorme ao dizer que o coronavírus foi positivo para alertar o governo do presidente Bolsonaro sobre a importância de um Estado forte para conter o avanço da pandemia. A natureza, frisou, havia criado um monstro chamado coronavirus. Este monstro está permitindo que os cegos enxerguem e, portanto, comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises, disse ele.

A repercussão negativa fez com que o ex-presidente viesse a público se desculpar da frase em que elogiou a natureza por ter criado o monstro do coronavírus.

GRANDE ELEITOR – Lula, penso eu, na entrevista à Carta Capital, pretendia incluir críticas ao presidente da República. Entretanto, esqueceu que, na realidade, ele foi o grande eleitor de Bolsonaro, porque nas urnas de 2018, ao apoiar Fernando Haddad, deu margem a que Bolsonaro navegasse num mar revolto contra a administração do PT, que instalou uma corrupção desenfreada a começar pela Petrobrás.

O eleitorado foi então levado a decidir entre um símbolo humano da extrema direita brasileira e a atmosfera de corrupção envolvendo as legendas que se apresentam como de esquerda mas que na prática conseguem através dessa farsa transformarem-se em conservadoras.

Como sempre acentuo, o conflito entre o conservadorismo e a ideia de reforma tem de se basear no apoio a um novo modelo capaz de ampliar a renda do trabalho e assim ir ao encontro de um início de processo de desenvolvimento social. Para o desenvolvimento social o único caminho é o do trabalho.

DESIGUALDADE SOCIAL – A corrupção, no entanto é concentradora de renda, até porque a grande maioria da população brasileira não possui a menor condição de agir nas obras públicas, no reajustamento de contratos, na compra de equipamentos indispensáveis as atividades construtivas e tampouco tem acesso aos almoços e jantares oferecidos por empresários nos quais os objetivos se voltam para um relacionamento capaz de amanhã ou depois conseguirem as facilidades que estão em seu pensamento e na sua ótica.

Luis Inácio Lula da Silva, que, como já disse, elegeu Bolsonaro, agora parece sustentar o governo dele, na medida em que, criticando-o, restabelece a polarização que mais interessa ao Planalto.

FRAUDES NA AJUDA – A repórter Geralda Doca, O Globo desta quinta-feira, destaca a ocorrência de fraudes de grande porte no programa de distribuição de 600 reais a pessoas carentes. A lei que permitiu esse desembolso pelo governo determina que o auxílio pode ser destinado àqueles que tiveram em 2019 renda anual inferior a 28 mil reais.

Com isso abriu-se a porta para que indevidamente grande número de servidores públicos e militares se inscrevessem no programa. Receberam indevidamente. Tanto assim que o Ministério da Defesa já identificou os militares que burlaram a essência do programa embolsando o dinheiro como se fossem pessoas de renda muito baixa.

APOIO A ESTADOS – Na manhã de ontem o presidente Bolsonaro promoveu encontro com governadores para anunciar que na parte da tarde iria sancionar o projeto que libera 60 bilhões de reais para estados e municípios. Em troca os governadores assumiriam o compromisso de agir sobre os representantes de seus no sentido de impedir a hipótese do veto ser derrubado. O veto se refere ao reajuste salarial que o Palácio do Planalto quer adiar para janeiro de 2022. Os governadores que se manifestaram através da vídeo conferência assumiram compromisso.

Mas no fundo, concordaram para garantir as aparências também o deputado Rodrigo Maia e o Senador Davi Alcolumbre, especialmente este último, destacaram que o encontro de ontem tornou-se um encontro histórico. Para mim histórica foi a encenação presidida por Jair Bolsonaro.

Apelo aos governadores e ao Centrão demonstra que o governo está fragilizado

Quem me conhece sabe que eu sou duro na queda", diz Guedes

Guedes continua insistindo que a única saída será a privatização

Pedro do Coutto

O governo Bolsonaro recorre ao apoio do Centrão com objetivo duplo: assegurar uma base efetiva contra qualquer processo de impeachment e também no sentido de garantir o veto ao dispositivo que prevê reajuste ao funcionalismo federal. Os dois caminhos partem da usina de pensamento do ministro Paulo Guedes. São dois caminhos difíceis que comprovam que o Palácio do Planalto está na defensiva.

Não está preocupado em ter maioria, como se registrou na reforma da Previdência, mas agora quer garantir uma presença partidária que se destina a evitar o afastamento de Bolsonaro.

VETO AO REAJUSTE – Quanto ao apoio de governadores, essa necessidade acentua que o governo teme que sozinho não tenha certeza de manter o veto.

Reportagem de Tiago Resende, na Folha de São Paulo de quarta-feira, ilumina o jogo do Palácio do Planalto. O receio, no fundo, parte do ministério da Economia, que deseja o congelamento salarial do funcionalismo e se preocupa com a hipótese da queda do veto do presidente da República.  Em primeiro lugar é preciso esperar que o veto se concretize. Em segundo a preocupação é com a maioria parlamentar. Por isso acentua Paulo Guedes que governadores deveriam influenciar as bancadas de seus estados na Câmara Federal.

Esse pensamento, que não é comum na política, destaca que no fundo da questão o governo de Brasília está vacilando.

PRIVATIZAÇÃO – De outro lado, Guedes passou a defender o acordo com o Centrão para, neste caso, fornecer a base necessária para que o governo possa desenvolver seu programa de privatização. Essa garantia é outra prova da descoordenação política que está ocorrendo no Palácio do Planalto. O apoio, de forma sombria, deve ocorrer em troca de cargos na administração. Reportagem de Julio Wiziack destaca o assunto.

Em matéria de privatização no setor elétrico, Manoel Ventura e Ramona Ordonez, O Globo, informam que as distribuidoras de energia elétrica estão tentando obter do governo um empréstimo que poderá chegar a 12 bilhões de reais. Essa solicitação revela um fato que agora ganha corpo. Se as distribuidoras de energia necessitam de 12 bilhões de reais como o preço que o governo anunciou para a privatização da Eletrobras é de apenas 16 bilhões de reais.

TRÊS SETORES –  O sistema elétrico se divide em três fatores: produção, distribuição e comercialização. Pela legislação em vigor as empresas só podem acumular dois dos três fatores. Ora, como é possível Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul valerem 16 bilhões de reais.

Não é possível que um sistema que, através de Furnas, fornece transmissão da energia de Itaipu esteja valendo a quantia que a Eletrobras anunciou para privatizar todo o sistema brasileiro?

São fatos divergentes nos quais a lógica parece não residir.

Era só o que faltava! Candidato a ministro da Saúde é contra direito de voto a mulher

Cotado para Ministro da Saúde, Ítalo Marsili já está em Brasília ...

Ítalo Marsili, mais uma debiloide indicado por Olavo de Carvalho

Pedro do Coutto

Inacreditável, mas foi o próprio médico Ítalo Marsili quem afirmou esse absurdo obscurantista. Está cogitado para ser ministro da Saúde do governo Bolsonaro e, segundo o repórter Guilherme Caetano, o tal Marsili tem o apoio dos filhos de Jair Bolsonaro. A nomeação, que já era difícil, tornou-se a meu ver impossível. Ítalo Marsili atravessou o túnel do tempo, foi à Grécia antiga e atribuiu a Platão a ideia de que a mulher não deveria votar na democracia grega.

Para mim, a colocação de Marsili é extremamente absurda e preconceituosa. Entretanto, acentua o repórter, ele tem o apoio também do filósofo Olavo de Carvalho, conhecido por seu alinhamento na extrema direita.

DIZ SER PSIQUIATRA – Penso que o médico, que se afirma psiquiatra mas não registrou seu diploma na Psiquiatria, não deverá ser nomeado. Isso porque ontem o ministro interino general Eduardo Pazuelo escolheu nove militares para as diversas chefias da Pasta. Não é comportamento de quem está interino no cargo. 

O candidato Marsili vem desenvolvendo articulações nos últimos dias. Obteve o apoio de alguns deputados do PSL. Retornando do túnel do tempo, destaca suas qualidades para assumir o ministério da Saúde. É o fim do mundo, acrescento. 

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DECISÃO DE CELSO DE MELO SAI ATÉ SEXTA-FEIRA

A decisão do ministro Celso de Melo a respeito da divulgação total ou parcial do vídeo da reunião do ministério de 22 de abril, segundo Ítalo Nogueira, Folha de São Paulo, estará concluída até sexta-feira. Na minha opinião, a divulgação deverá ser total. Inclusive existem dois pontos inegáveis. O primeiro envolve o fato de o próprio presidente da República ter afirmado que de fato interveio na Polícia Federal, a partir do momento em que reclamou sua iniciativa de substituir o superintendente no Rio de Janeiro.

Portanto, esse lado da questão confirma a interferência. Isso de um lado. De outro, vai depor hoje na PF o empresário Paulo Marinho, que na entrevista à Folha de domingo revelou ter havido vazamento que permitiu ao senador Flávio Bolsonaro tomar conhecimento do rumo do inquérito sobre o caso Fabrício Queiroz. 

FUNDO BILIONÁRIO – O PL, partido que se inclui no Centrão, liderado por Valdemar da Costa Neto, ganhou de Bolsonaro a diretoria do Fundo Nacional de Educação. A verba do FNDE para este ano totaliza 54 bilhões de reais.

Em seu artigo de ontem de O Globo, Miriam Leitão interpretou como erro a politização da Economia, iniciativa assumida pelo ministro Paulo Guedes, que parece não ter o perfil de articulador. Guedes se lança contra os adversários do governo Jair Bolsonaro. Com isso reduz o campo das articulações em face de suas afirmações que não expõem uma atuação no sentido da ampliação de direitos e da renda proporcionada pelo trabalho. 

Este é o panorama de hoje. Vamos esperar a decisão de Celso de Melo para podermos analisar o amanhã.

Paulo Marinho, um novo personagem entra em cena na complicada rede do poder

Coluna Pinga Fogo – Acusações de Paulo Marinho são graves, mas ...

Marinho fez acusações graves e a Procuradoria abriu inquérito

Pedro do Coutto

No final da tarde de ontem, na GloboNews, os jornalistas Natuza Nery, Andreia Sadi e Valdo Cruz analisaram o crescimento da preocupação do Palácio do Planalto, tanto relativamente à próxima decisão do ministro Celso de Mello sobre a divulgação do vídeo da reunião ministerial citada por Sérgio Moro, mas também com relação à entrevista do empresário Paulo Marinho,  publicada na Folha de São Paulo de domingo e na edição de ontem de O Globo.

Penso que Paulo Marinho tornou-se mais um personagem que entra em cena na sempre complicada rede do poder. E o episódio assemelha-se a uma trilha de um filme policial.

EM CLIMA TENSO  – A preocupação do governo Bolsonaro com a decisão de Celso de Melo ampliou-se no exato momento em que surge a explosiva do empresário, cuja residência na Barra da Tijuca transformara-se durante a campanha presidencial de 2018 em uma central de divulgação da candidatura Bolsonaro. 

A convergência de um fator novo sobre outro, atingindo a Polícia Federal, passou  a condicionar os passos e aos atos do presidente da República.

Isso porque a atmosfera que está envolvendo a Polícia Federal agrava-se com a entrevista do empresário, que, aliás, é suplente de Flávio Bolsonaro no Senado Federal. E o empresário Paulo Marinho diz ter provas sustentando a versão que tornou pública desde domingo.

O INTERESSE NA PF – Os dois fatos encontram-se em um ângulo no qual fica claro o interesse do governo a respeito da Polícia Federal. Paulo Marinho, na longa entrevista à Folha de São Paulo, apresentou um rol de advogados que para ele vão se tornar as principais testemunhas do encadeamento dos fatos e situações que segundo ele, se sucederam ao longo das eleições de 2018.

Ele apresentou também uma série de detalhes dos encontros que narrou e que revelam a participação da Polícia Federal, unidade do Rio de Janeiro. Essa unidade teria vazado ao então deputado estadual Flávio Bolsonaro o relatório contendo as investigações em torno de outro personagem misterioso, Fabrício Queiroz.

Marinho destacou que o deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro reconheceu a complicação em que poderia estar envolvido.

OUTRA INVESTIGAÇÃO – Segundo O Globo publicou ontem, a Procuradoria Geral da República vai investigar a estranha influência da família na Polícia Federal do Rio de Janeiro .

São duas situações capazes de convergir para um só plano, no qual se encontra o relato do ex-ministro Sérgio Moro sobre a ansiedade que o presidente Bolsonaro demonstrava ao exigir a substituição do diretor-geral e do superintendente da PF no Rio de Janeiro.

MANIFESTAÇÃO NO DF – O clima no Planalto passou a ser bastante denso e nervoso, pelo temor de que a divulgação dos dois episódios acumulados possa abalar ainda mais o presidente da República, que no domingo participou em mais uma manifestação pública de apoio a seu governo e a sua liderança política.

Quase todas as faixas da semana anterior atacando o Supremo e o Congresso foram recolhidas. Porém, o recolhimento decorreu de uma manifestação de setores do governo achando que esses ataques prejudicam mais do que ajudam o presidente Jair Bolsonaro.

Lauro Jardim diz que FHC e Lula se reaproximam para enfrentar Jair Bolsonaro

TRIBUNA DA INTERNET | É preciso entender por que o povo ainda ...

Charge do Kácio (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O jornalista Lauro Jardim, na página semanal que escreve aos domingos em O Globo, revelou que Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva estão se reaproximando para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro que consideram um inimigo comum. Lula pensa que o abono de 600 reais dados por Bolsonaro a população pobre durante a pandemia do Coronavírus vai somar para um apoio político à sua administração.

A tese da União contra Bolsonaro partiu de Fernando Henrique Cardoso, que vê um panorama difícil, principalmente agora em que a pandemia atinge a tantas pessoas.

SEM IMPEACHMENT – FHC disse também que hoje não há menor possibilidade de o Congresso Nacional aproar se impeachment. Faltam o impulso das ruas e também o ambiente político necessário. Lula concorda com essa interpretação.

Para Lula, acentuou o colunista, o atual governo avança sobre espólio do Partido dos Trabalhadores. Ele acha que Bolsonaro marcou gols importantes e acredita que, com os 600 reais distribuídos durante a pandemia, o presidente Bolsonaro vai atrair para seus braços uma parcela importante do eleitorado petista.

MAIS PARCELAS – Não é por outro motivo – acrescenta Lula – que o atual presidente da República, ao contrário do que pensa o ministro Paulo Guedes quer prorrogar por mais tempo as parcelas da distribuição.

Na minha opinião FHC, e Lula não estão, por incrível que pareça analisando as várias faces do auxílio. Depois da terceira parcela, não há o reflexo que preocupa os dois ex-presidentes. Isso porque, os exemplos são tantos, que se não conseguir continuar distribuindo a quantia os pobres vão sofrer uma decepção, uma vez que alguém começa a receber um benefício, a partir do momento em que ele cessar a reação acabará sendo contrária a Jair Bolsonaro.

Não quero dizer com isso não seja importante a entrega do benefício as pessoas carentes. Isso é necessário. O que quero dizer é que a reação favorável vai se transformar numa decepção. A falta de continuidade terminará tendo efeito contrário do que a alegria iniciada no mês de abril.

CRIANÇAS SEM MERENDA – Reportagem de Bruno Góes, Paula Ferreira, Renata Mateus e Thiago Herdy, também no Gobo de ontem, revela que sete milhões de crianças no Brasil enfrentarão a falta de merenda em todo o país. Os estados e prefeituras encontram-se sem disponibilidade financeira, principalmente no estado do Rio de Janeiro. Na capital, moradores da Rocinha perderam o direito à merenda.

Como se sabe grande número de famílias cujos filhos recebem merenda preocupam-se porque em muitos casos é a única refeição que recebem das administrações.

GENERAIS NA SAÚDE – Natália Portinari e Taís Ardex, informam que militares do primeiro escalão do governo estão aconselhando o presidente da República a não efetivar o general Eduardo Pazuelo como ministro da Saúde. Consideram que isso significa um risco para o segmento militar, porque um insucesso reflete exatamente nas Forças Armadas.

Inclusive o Centrão na Câmara dos Deputados não tem interesse em indicar alguém para o cargo porque tal fato refletirá negativamente às suas posições políticas. Mas o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca interessa ao Centrão, sobretudo porque possui um orçamento anual de 1 bilhão de reais.

Celso de Melo deve liberar segunda-feira o vídeo da reunião e o circo vai pegar fogo

Reunião tratou de temas reservados, diz Bolsonaro - Jornal Midiamax

Bolsonaro não conseguirá impedir a divulgação desse vídeo

Pedro do Coutto

O duelo entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Sérgio Moro ingressa em sua fase derradeira. Isso porque de acordo com reportagem de Renato Onofre e Ricardo Della Coletta, que focalizam o tema, o ministro Celso de Mello, já de posse do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, vai examiná-lo e formar sua opinião se a liberação deve ser total ou parcial.

O advogado Geral da União deu parecer no sentido de que seja liberada apenas a parte das afirmações de Bolsonaro sobre a Polícia Federal. O mesmo entendimento foi acentuado pelo Procurador Geral da República. Com base do exame do vídeo, Celso de Melo dará o despacho final.

TOTAL OU PARCIAL – Os advogados de Sérgio Moro são favoráveis à liberação total do vídeo. Com base nesses fatos, surge a evidência de que a única dúvida a respeito da divulgação do vídeo é se ele será total ou parcial. Mas a palavra final cabe a Celso de Mello, porque não se trata da maioria das opiniões e sim do que o ministro-relator irá decidir.

Na minha opinião causaram certa surpresa os posicionamentos idênticos do advogado geral da União e do procurador geral da República. Ambos dizem que Bolsonaro não cometeu crime. Tudo bem. Mas somente se demonstraram favoráveis à divulgação dos trechos que contêm as intervenções do presidente da República na reunião de 22 de abril.

De qualquer forma, ficou assegurada a divulgação do vídeo se parcial ou total. Mas está claro que as posições da AGU e da PGR negam que o presidente da República tenha cometido algum crime.

NO PLANO POLÍTICO – O ponto sensível da questão desloca-se para o plano político e seu reflexo na opinião pública. Isso porque, de acordo com a reportagem da Folha, Bolsonaro afirma não ter feito pressão sobre o ministro para intervir na direção da Polícia Federal. O presidente mantém sua versão de que ao se referir à Polícia Federal foi com o objetivo de tratar de sua segurança pessoal e de sua família, embora uma coisa nada tenha a ver com a outra. 

O presidente da República afirmou na sexta-feira ter colocado um ponto final na questão e espera ele que o vídeo alcance interpretação a seu favor por parte da opinião pública. Finalmente destacou que seria um absurdo também não trocar o chefe da PF e o próprio ministro da Justiça.

SOCORRO AOS ESTADOS – O ministro Paulo Guedes em uma entrevista a Geralda Doca e Manoel Ventura, O Globo de sábado, afirmou que o governo tem o objetivo de condicionar o socorro financeiro aos estados à aprovação da reabertura gradual do comércio e das atividades econômicas. Além disso, acrescentou o ministro da Economia, condiciona também a manutenção dos vetos aos dispositivos que concedem reajuste salarial ao funcionalismo público federal.

Causa espécie condicionar o apoio a eliminação dos reajustes. Até porque não se diz seria o percentual de tais reajustes? O ministro, no meu entendimento, confunde reajuste com aumento quando são coisas distintas. O reajuste destina-se a repor as perdas inflacionárias. Acima de tal limite, digamos de 3%, qualquer adição configura aumento.

O panorama na próxima semana será bastante movimentado. Principalmente no que se refere à tese levantada pelo presidente da República quanto a questões de segurança.