Dilma na Globo: faltou a farsa da CPI da Petrobrás

Pedro do Coutto
Na entrevista a William Bonner e Patrícia Poeta, no Jornal Nacional da Globo de segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff não acrescentou ou perdeu votos no resultado geral, limitando-se a não responder as perguntas de Bonner a respeito de corrupção em setores do governo e sobre as condenações de integrantes do PT no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. A edição de O Globo de terça-feira 19 publicou excelente matéria de Luiza Damé e Cristiane Jungblut sobre as indagações feitas e as respostas da presidente da República.
Pena, na minha opinião, que não tenha sido feita nenhuma pergunta sobre a farsa da CPI da Petrobrás, montada por servidores do Planalto com a conivência da maioria governista no Senado, tornada possível diante da omissão da bancada oposicionista. Estava em foco o escandaloso caso de compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Até agora explicada de forma pouco convincente e na qual encontra-se envolvido o ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, cumprindo inclusive pena de prisão no Paraná. Acusados também pela presidente Dilma Rousseff de não terem prestado informações técnicas o ex-presidente da estatal, Sérgio Gabrielli e mais o ex-diretor Nestor Cerverá. O assunto é importante sob todos os aspectos. No plano econômico causou um prejuizo de 790 milhões de dólares.
Infelizmente o tema não foi focalizado. Já os problemas de saúde foram destacados, mas não a contratação de médicos cubanos com seus salários recebidos pelo governo de Havana que apenas transfere um terço para os profissionais envolvidos. Caso nítido de apropriação do trabalho humano conduzindo ao plano de uma semi-escravidão consentida. Muitas outras perguntas deveriam ser feitas. Infelizmente não foram. Vamos aguardar o debate.
ASSUMIR COMPROMISSOS
Isso de um lado. De outro começou também na terça-feira o horário eleitoral cuja estrutura foi otimamente exposta em reportagem de André Sadi, Folha de São Paulo do mesmo dia. Os candidatos à presidência apresentam-se às terças, quintas e sábados. Dilma Rousseff tem 11 minutos e 24 segundos por dia; Aécio Neves, 4 minutos e 35 segundos; Marina Silva, 2 minutos e 3 segundos. São espaços a preencher com a participação de marqueteiros, essa profissão que surgiu nos últimos anos, mas que não substitui o desempenho pessoal e o conteúdo dos pronunciamentos. São fatores fundamentais. O meio não substitui a mensagem. Esta tem que ir ao encontro dos anseios coletivos. Embelezar as apresentações por si só não chega.
Há necessidade de propostas concretas capazes de mudar, para melhor, a vida de grupos sociais de modo geral, e de pessoas em particular. Neste ponto é que entra o trabalho básico de pesquisas. Evidente que temas como saúde, segurança pública e transporte são indispensáveis. Eles têm a ver com todos os segmentos da população, portanto envolvem diretamente os eleitores de todas as idades. Mas por serem igualmente usados pelos três principais candidatos (Dilma, Aécio e Marina Silva), não vão receber a atenção que merecem, já que estarão a toda hora nas telas de televisão e nas ondas de rádio. Portanto, os candidatos têm que se voltar para a criatividade capaz de convencer. Não se trata de fazer promessas. Mas de assumir compromissos com a sociedade. Esta a única forma de atrair para si a verdadeira atenção do eleitorado. De promessas o país e a sociedade andam cheios. É preciso algo novo. A hora é esta.

Na emoção, Marina passa Aécio e venceria Dilma no segundo turno

Pedro do Coutto

O impacto da morte de Eduardo Campos e a emoção desencadeada pelo seu sepultamento projetaram a candidatura de Marina Silva, que, pela pesquisa Datafolha publicada na edição de segunda-feira 18, Folha de São Paulo, passaria Aécio Neves no primeiro turno e venceria até Dilma Rousseff no desfecho final. Os números e as tendências estão reveladas na excelente reportagem de Ricardo Mendonça.

A importância eleitoral da ex-senadora pelo Acre pode ser avaliada a partir de dois pontos: se ela não fosse candidata, Dilma Rousseff ganharia no primeiro turno; nas simulações feitas quanto as alternativas para as urnas de 26 de outubro, Dilma bateria Aécio Neves por 47 a 39 pontos. Mas perderia para Marina por 47 a 43%.

O Datafolha, hoje, prevê para o primeiro turno 36% para a atual presidente, 21% para Marina, 20% para Aécio. Brancos e nulos somados aos eleitores que não souberam ou não quiseram responder, 17%. Encontra-se nesta faixa a maior subida de Marina Silva. Comparando-se com o resultado do levantamento anterior, também do Datafolha, verifica-se que houve recuo. Em julho, os que não queriam votar em candidato algum eram 27%. Agora são 17%. Marina Silva motivou os demais descontentes. Ela captou 10 pontos dessas correntes. Tanto assim qu,e retirado seu nome da disputa, os brancos e nulos retornam à escala registrada em julho.

Claro a pesquisa do Datafolha foi realizada em meio a torrente de emoção que a morte do ex-governador de Pernambuco desencadeou no Recife, levando uma multidão à missa campal, ao velório e ao sepultamento. Uma incógnita se tal caráter emotivo permanecerá mantendo o clima de hoje ao longo da campanha eleitoral, sobretudo em face de ser muito pequeno o tempo da candidata do PSB no horário gratuito da televisão que marcou o lançamento e homologação de seu nome. Não é fácil resistir a uma mudança de enfoque com base no tempo legal de exibição pública. Porém u,m aspecto ficou provado: ela despertou os adormecidos pelo desencanto e falta de esperança. Foi um vendaval que atingiu o universo político-partidário de forma repentina.

UMA ELEIÇÃO DIFERENTE

A eleição será uma com ele, Marina outra, muito diferente, sem ela. Sentindo o ímpeto despertado pelo surgimento de seu nome na lista das candidaturas, o PSB (como manchetou O Globo também de segunda-feira 18) deseja a sua presença na campanha dos candidatos da legenda em todos os Estados. Essa iniciativa criará pelo menos um problema direto: em São Paulo. Lá o vice do governador Geraldo Alckmin é exatamente o presidente do Partido Socialista Brasileiro no estado, Márcio França. Para apoiar Márcio França, portanto, Marina Silva terá de apoiar Alckmin, candidato à reeleição pelo PSDB que, no plano federal, tem Aécio Neves como candidato.

Um obstáculo, portanto, mas o fato é que uma campanha presidencial está sempre plena e obstáculos. Superá-los será eternamente o desafio colocado à frente dos que se propõem a lutar pelo poder. A campanha está começando esta semana. Vamos aguardar as próximas etapas, os futuros desdobramentos.

Vice na chapa de Alckmin é presidente do PSB de São Paulo

Pedro do Coutto  
Matéria redigida por Ranier Bragona, Valdo Cruz, Daniela Lima e Cátia Seabra, publicada na edição de sexta-feira da Folha, coloca sob lentes de análise as dificuldades de Marina Silva. Se homologada pelo PSB candidata à presidência da República nas urnas de outubro, terá pela frente para conciliar seu posicionamento político com os acordos regionais firmados por sua legenda com outros partidos. Em São Paulo, por exemplo, o candidato a vice de Geraldo Alckmin é o presidente da seção paulista do Partido Socialista Brasileiro, Márcio França. Acentuam os jornalistas que esse acordo foi bancado por Eduardo Campos, ficando no ar a dúvida se será mantido por Marina Silva.
Pois o governador Geraldo Alckmin é candidato à reeleição pelo PSDB, partido do candidato Aécio Neves. Portanto, o compromisso básico do governador paulista é com a candidatura do senador mineiro, logicamente levando consigo seu vice à mesma direção. Há diversas outras situações estaduais marcadas pela flexibilidade partidária. Ou seja: em vários Estados as coligações foram liberadas para adversários do programa do PSB, porém afinados com a candidatura do ex-governador de Pernambuco. A fidelidade programática e ideológica foi substituída por conversões pragmáticas. Marina Silva manterá essa visão e essa posição politicamente flexível?
CABE A MARINA
Fica no ar a indagação. Iniciada a campanha, caberá a ela, Marina, respondê-la na prática. Ela terá que dividir o palanque com adversários de sua legenda e de seu programa. Quando falo em palanque, não me refiro  aos limites dos comícios nas praça. Não. Estou me referindo aos amplos espaços que a televisão proporciona. Que são imensos.
Os autores da matéria publicada pela FSP tocaram num ponto bastante sensível de uma questão que provavelmente se colocará, além da investida do ex-presidente Lula sobre o PSB em relação à candidatura da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente de seu governo. Ela foi demitida no final de seu segundo mandato, entre 2007 e 2008, em função de divergências com a então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, por causa da construção da hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia. Ela era contra a realização da obra. Dilma a favor. Estabeleceu-se o impasse, projetou-se o conflito. A dimensão da usina é muito grande, envolveu área amazônica de grande dimensão, da mesma forma que a hidrelétrica de Belo Monte na mesma região. Santo Antônio já se encontra funcionando através de várias unidades geradoras liberadas para atividades comerciais. Mas esse motivo pertence ao passado.
Embora encontre-se presente no pensamento de Marina Silva que, afinal de contas, foi ultrapassada no episódio. Os fatos transcorrem, as mágoas ficam. Sobretudo na mente de pessoas que veem o processo político, mutável por natureza, de forma rígida. Bem, essas dificuldades existem para o roteiro de Marina Silva na sucessão. Entre elas a resistência, assinalaram os quatro repórteres, a resistência do atual presidente do partido, Roberto Amaral, ex-ministro de Ciência e Tecnologia. Mas um dos prismas dominantes na política – mistura de ciência e arte – está na capacidade dos personagens nela envolvidos de superar impasses e ultrapassar os obstáculos. Aliás eles surgem a todo momento. A luta pelo poder é essencialmente assim.

Datafolha: Garotinho lidera no Rio; Alckmin dispara em São Paulo

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada na edição de sexta-feira 15 da Folha de São Paulo iluminou uma nova realidade em matéria de intenções de voto para as urnas de outubro. Garotinho, no primeiro turno, distanciou-se de Marcelo Crivela e Luiz Pezão, mostrando que haverá segundo turno:  a dúvida é se entre Crivela e Garotinho ou entre Garotinho e Pezão. Garotinho atinge 25%, Crivela 18, Pezão 16 e finalmente Lindbergh Farias 12%. Os demais candidatos não estão no páreo. Curioso é que na hipótese de segundo turno entre Garotinho e Crivela, este venceria por 44 a 32%. A rejeição a Garotinho é muito alta, a projeção surpreende. Mas tem que se esperar pelo desenrolar da campanha. Porém a mim parece difícil um avanço de Lindbergh. Está sem o apoio de Lula e de Dilma Rousseff, embora sua legenda seja o PT. Coisas de política.
Mas enquanto o quadro carioca e fluminense tem sombras, o panorama de São Paulo encontra-se absolutamente definido: Geraldo Alckmin lidera com 55%. Paulo Skaf tem 16, muito atrás. Mais distante  ainda situa-se o candidato petista, ex-ministro Padilha, registra 5 degraus. Não tem a menor chance. Aliás, Paulo Skaf, apesar da legenda PMDB, também não. As eleições em São Paulo, pelo Datafolha, estão nitidamente definidas. Não adianta discussão.
A diferença do atual governador para seus opositores é enorme. Já surgiu em São Paulo inclusive um movimento em torno de um voto Alckmin-Dilma, como O Globo publicou na sexta-feira. É o que pode explicar o fato de Alckmin atingir 55% para o Palácio Bandeirantes e Dilma ter 30% e Aécio Neves 25%, na mesma área estadual, para o Palácio do Planalto.
ALTERAÇÕES
Mudanças acontecem ao longo das campanhas, senão estas nada significariam, prevalecendo as pesquisas do Datafolha e do Ibope. Portanto alterações podem ocorrer. Mas dentro de limites. É absolutamente impossível, por exemplo, Paulo Skaf, hoje com 16, vir a ultrapassar Geraldo Alckmin que alcança 55% e tem o governo nas mãos. Este é um dos fatores que leva dúvida ao desfecho no Rio de janeiro e à certeza em São Paulo.
Por falar em dúvida e certeza, no Paraná, por exemplo, é muito ruim a posição da senadora Gleisi Hoffman, PT, ex-chefe da Casa Civil da presidente Dilma Rousseff.
Ela marca somente 11 pontos no Datafolha, enquanto, Beto Richa (PSDB), atual governador, assinala 39%, seguido de perto pelo senador Roberto Requião, do PMDB, que aparece em segundo com 33 pontos. Dificilmente a polarização entre o atual e o também ex-governador, poderá se modificar. Gleisi Hoffman tem poucas possibilidades de subir. Seria uma surpresa.
Surpresa igualmente em Minas Gerais: Aécio Neves lidera com 41 sobre 31 de Dilma. Porém, para o Palácio da Liberdade Fernando Pimentel com 29 distancia-se de Pimenta da Veiga que registra 16 pontos. Pimentel é do PT. Pimenta do PSDB. Logo em Minas Gerais, há votos cruzados para a presidência da república e o governo estadual. A exemplo de São Paulo onde ocorre fenômeno inverso, são coisas da política.
As divisões acontecem na prática. Se não acontecessem, o universo político seria regido pelos analistas que fazem previsões gelificadas. No papel tudo é possível, fácil. Na prática é que são elas.

Marina terá que decidir rápido sobre candidatura

Pedro do Coutto

Numa entrevista a O Globo, edição de sexta-feira 15, matéria de Eduardo Barreto, o ministro Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, afirmou que é impossível adiar o início do programa de propaganda política na televisão e no rádio, uma vez que a data é fixada em lei. Com isso, negou  pedido formulado pelo PV para que houvesse um adiamento de três dias. Assim, Marina Silva, candidata natural, e o PSB têm que definir suas posições. No caso do PSB e demais legendas da coligação, para indicar o candidato e vice. A família de Eduardo campos já anunciou sua preferência por Marina Silva.

Assim, concretamente, não terá êxito formal a tentativa do PT, avalizada por Lula, de tentar dividir o Partido Socialista Brasileiro e, dessa forma, atrair a legenda para Dilma Rousseff. No plano formal, como eu disse, não há chance. Mesmo porque, como diz a matéria do O Globo, a legislação não permite, nesta altura, mudanças de coligações. Mas sob o prisma informal, a possibilidade existe, através de compromissos estaduais. Mas esta é outra questão.

Os mais jovens não conhecem o termo cristianização. Aconteceu no pleito de 50. O PSD, que era o partido majoritáro, escolheu o deputado Cristiano Machado (MG) candidato à sucessão de Café Filho. Porém as bases não seguiram e votaram em}Getúlio Vargas. Naquele ano, inclusive, Juscelino elegeu-se governador de Minas Gerais, Amaral Peixoto governador do antigo Estado do Rio. O que passou, passou. Ficam aqui a explicação e a hipótese articulada por Luis Inácio da Silva.

HORÁRIO ELEITORAL

Voltemos à questão do horário eleitoral. Começa na terça-feira com os partidos homenageando a memória de Eduardo Campos. Reportagem de Cristiane Jungblut, Fernanda Kraskovics, Maria Lima e Paula Pereira, focaliza bem a programação de vários partidos, com base em gravações já realizadas. Escrevo este artigo na tarde de sexta-feira. De hoje a terça são apenas quatro dias. O enterro de Eduardo Campos, em princípio, já está marcado para domingo. Assim Marina Silva e o PSB terão que resolver a questão antes do amanhecer do dia 19.

Um caso de urgência para evitar inclusive que o espaço da coligação, que não poderá ser mudada, seja preenchido concretamente. Sobretudo que a mensagem a ser transmitida pela candidata provável chegue rapidamente às base das agremiações que se encontram coligadas, e chegue às esferas estaduais, onde há disputas para governos estaduais, Senado, Câmara Federal e Assembleias Legislativas.

As áreas regionais, por seu turno, também têm direito ao acesso ao horáro gratuito. Uma coisa é poderem se manifestar com a candidatura presidencial estabelecida. Outra a de se apresentarem com um espaço ainda não preenchido na disputa nacional e principal.

Inclusive porque, vale assinalar, se houver espaço vazio, neste caso o PSB estará facilitando a investida de Lula e do PT de fomentar divisões internas para conduzi-las ao endereço da candidatura Dilma Rousseff. Pode-se dizer que a grande maioria da verdadeira oposição ficará com Marina Silva. Mas grande maioria não significa integração absoluta. basta uma dissidência de 10% para desestabilizar uma campanha. Na realidade as coisas da vida humana, passando pela política, não são isso ou aquilo. São em síntese, isso e aquilo. Qualquer espaço em branco torna-se vulnerável. Marina Silva deve estar terça-feira nas telas de TV e nas ondas do rádio.

Pecúlio dos aposentados do INSS, tema para as urnas de 2014

Pedro do Coutto
O tema é de uma abrangência enorme, já que vinte por cento dos aposentados pelo INSS permanecem trabalhando nas empresas pelas quais se aposentaram, inclusive estatais, ou retornaram ao mercado de trabalho em outros empregos sendo aproveitados pelas experiências adquiridas ao longo da vida, claro encontrando-se em condições boas de saúde e com disposição. Mas o tema central deste artigo é o prejuízo causado a esses segurados do INSS pela lei 9718/98, sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, revogando a lei 6243/75, implantada – vejam só a contribuição – pelo presidente Ernesto Geisel.
A lei 6243 criou o pecúlio para os que obtiveram aposentadoria e permaneceram no mercado de trabalho. Dizia ele, textualmente:  “O aposentado pela Previdência Social que voltar a trabalhar em atividade sujeita ao regime da lei 3807/60, terá direito, quando dela se afastar, a um pecúlio constituído pela soma das contribuições pagas ou descontadas durante o novo período de trabalho, corrigida monetariamente, acrescido de juros de 4% ao ano”. Muito bem. Nada mais justo e correto, uma vez que esses aposentados recolhem mensalmente ao mesmo INSS pelo qual se aposentaram.
A lei de Geisel, socialmente muito à frente da legislação deixada por FHC, acabava com o regime da contribuição sem retribuição, o que a Constituição veda, mas tornou-se sistema adotado desde 98. Eleito em 2002, o presidente Lula não restabeleceu a solução correta, o mesmo procedimento sendo adotado pela presidente Dilma Rousseff.
PARA QUÊ?
Os aposentados que se mantêm em atividade continuam desembolsando mensalmente suas contribuições para quê? Para nada. Uma injustiça completa, um absurdo total. Mas infelizmente os integrantes do quadro político não leem as leis, tampouco avaliam seus efeitos. No caso em tela trata-se da violação tanto do Direito do Trabalho quanto do direito das famílias dos trabalhadores, as quais caberia  receber o pecúlio acumulado em caso de falecimento do titular da conta pecúlio, de sistema praticamente idêntico ao do FGTS.
A lei legada pelo presidente Fernando Henrique fez o Brasil socialmente andar para trás, recuar no tempo. Não soube e não desejou sequer manter o avanço social colocado em prática em 75. Inclusive eliminou o reembolso dos saldos acumulados entre a implantação da lei por Geisel, em plena ditadura militar e o momento que entrou em vigência a lei 9718 de 98. Vejam só a contradição. Ótimo tema para a campanha eleitoral deste ano. Não só a campanha pela presidência da República, mas também para os candidatos a governador, senador, deputado federal e estadual.
Claro que os que disputam as cadeiras nas Assembleias Legislativas não podem propor mudanças na legislação federal. Podem, porém, incorporar às suas campanhas o compromisso de apresentarem projetos instituindo o mesmo esquema de pecúlio adotado pelo governo Geisel nas esferas estaduais, pois a injustiça que ocorre hoje com servidores aposentados e continuam trabalhando em outros cargos é a mesma que pune injustificadamente os trabalhadores regidos pela CLT. Neste ponto a seguridade pública assume a mesma injustiça cristalizada pelas omissões seguidas do governo federal. Mudam os presidentes e a absurda injustiça não é revertida de volta ao plano da justiça social.

Candidatura Marina Silva, a única opção do PSB

Pedro do Coutto

Superado o primeiro e principal aspecto da tragédia aérea que matou Eduardo Campos, pois, como definia o escritor Hélio Silva, a história não espera o amanhecer, surgem as primeiras análises em torno de quem o substituirá agora como candidato à Presidência da República nas urnas de outubro. Faltam em torno de três meses, o tempo voa, como se diz no ditado popular. O PSB, vê-se logo, não pode deixar de escolher a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva. Seria uma implosão no partido, como ontem em ótimo artigo no Globo, o jornalista Élio Gaspari escreveu.
Seria uma contradição total. Alguém serve para vice, mas não para cabeça de chapa. Afinal, a atribuição essencial de quem é vice é substituir o titular nos seus impedimentos. Uma regra universal. Além do mais, sob o prisma eleitoral, creio que o Datafolha e Ibope vão assinalar, Marina Silva alcançará índices mais altos do que aqueles que foram atingidos por Eduardo Campos. Isso de um lado. De outro, homologando Marina, o Partido Socialista Brasileiro irá ao encontro das bases estaduais da legenda que vão disputar, também em outubro, eleições para o Senado, Câmara Federal, Assembleias Legislativas. Sem um nome de peso lutando pelo Planalto, os pleitos estaduais tornam-se mais difíceis, o endereço das urnas fica mais distante.
O problema é escolher um vice ideal para ela e para a sociedade. Um nome que possa tornar-se ponte para o diálogo entre a candidata e o mundo empresarial, pois inevitavelmente os recursos financeiros têm que figurar no planejamento de quaisquer campanhas. São combustíveis essenciais.
INDECISOS
As pessoas que dizem não suportar a política não percebem tal qualidade condicionante. E no alvorecer das campanhas afirmam sempre estarem dispostas a votar em branco ou anular o voto. No desenrolar dos acontecimentos esse contingente diminui de forma gradativa à medida que as urnas se aproximam. Por falar nisso, observei que Marina Silva vai arrebatar para si pelo menos uma boa parte dos indecisos e sem esperança na solução de seus problemas. A ex-senadora reanima essa esperança . Isso para não falar, em termos de importância política, que, mantido o quadro de intenções de voto até há poucos dias, ela assegura a convocação de um segundo turno.
Entretanto, segundo turno entre quem? Dilma Rousseff, sem dúvida, que pode até vencer no primeiro, tem seu passaporte carimbado para a convocação marcada para 26 de outubro. O cotejo pode ser entre Dilma e Aécio, é provável. Mas com Marina na disputa, mesmo com pouco tempo na televisão, pode se tornar um confronto entre Rousseff e ela, Marina Silva. Portanto, a candidatura da ex-senadora pelo Acre constitui uma ameaça a Aécio Neves, com quem disputará a segunda colocação no primeiro embate. Marina preocupa Aécio, de fato. Embora preocupe a Dilma também. Coisas de política, expressão que uso repetindo o título da coluna do notável Carlos Castelo Branco, no antigo Jornal do Brasil, maior jornalista político que o país já teve.
Vamos aguardar os próximos desdobramentos, que terão de ser rápidos. Afinal de contas, o horário eleitoral gratuito começa a 19 deste mês. Qualquer demora na apresentação oficial de candidaturas representará tempo perdido. E tempo na televisão vale ouro para chegar aos eleitores. E o espaço não utilizado torna-se irrecuperável. Como a história de Hélio Silva, a política também não espera o amanhecer.

Entrevista da Globo com Aécio foi marcada pela pressão

Pedro do Coutto
Sem dúvida alguma a entrevista feita na noite de segunda-feira por William Bonner e Patrícia Poeta com Aécio Neves, abrindo a série com os quatro candidatos à Presidência da República que ocupam os primeiros lugares nas pesquisas do Ibope e Datafolha, foi marcada por forte pressão refletida na exigência de respostas adequadas às perguntas feitas.
Está perfeito. Assim devem ser as entrevistas. Além de Dilma Rousseff, também o pastor Everaldo foi selecionado pela Rede Globo para aparecer no Jornal Nacional, de forma surpreendente já que aparece com apenas 3 pontos no Ibope e 4% no Datafolha só pode ser pela influência que tem, não para chegar ao Planalto, mas para influir ou não num segundo turno entre a atual presidente eo senador mineiro. Mas esta é outra questão.
O desempenho de Aécio Neves foi focalizado em reportagem de Juliana Granjeia, publicado no GLobo, edição de 12 de agosto. A atuação não foi positiva, não somou votos para o candidato do PSDB. Talvez em função dos temas colocados, como Juliana focalizou bem, o reajuste, ano que vem, dos preços dos combustíveis e das tarifas de energia elétrica. Preços represados para conter a ruptura, antes das urnas, do processo inflacionário.
Esta pergunta certamente será feita a todos, vamos esperar, mas estamos falando de Aécio. Não se saiu bem. A meu ver faltou firmeza diante da solidez dos perguntadores. Procurou desviar o assunto, porém foi impedido de fazê-lo. Talvez tenha se surpreendido com a avalanche jornalística que ocorreu. Não foi convincente nas respostas, não enfrentando as perguntas adjetivadas que conduziram a dificuldade das respostas. Afinal de contas, como a Folha de São Paulo acentuou na edição de segunda-feira, pelo menos do outro lado da tela mágica estavam 36 milhões de pessoas, eleitores.
As indagações evidentemente incomodaram os candidatos da oposição, principalmente sobre a presença em sua campanha do ex-senador Eduardo Azeredo, acusado de haver participado do mensalão mineiro quando governador e que renunciou ao mandato parlamentar para evitar seu julgamento pelo Supremo tribunal federal.
Deveria ter se preparado melhor para a hipótese do pior que marcou a atmosfera da comunicação entre ele, Bonner e Patrícia Poeta. A indagação incomodou, é claro, e o mal estar ytranspareceu na face e na expressão de Aécio Neves. Outra colocação incômoda foi desfechada quanto a questão do aeroporto construida próximo à cidade de Claudio, em cuja área está localizada pequena fazenda de propriedade de sua família. O candidato não soube sair da pressão, com o tempo ocupado por uma pergunta em cima da outra, e, com isso, pasou a imagem de estar na defensiva, pouco destacando os progressos e metas com os quais está se apresentando ao eleitorado brasileiro.

O destino, esse enigma eterno, mudou o quadro da sucessão presidencial

Pedro do Coutto
O destino, esse enigma eterno que acompanha a existência humana, produzindo desfechos e tragédias inesperadas, mais uma vez surgiu no horizonte político brasileiro e levou Eduardo Campos para o além da vida. Cedo demais para morrer nos seus 49 anos, juventude plena. Quem poderia prever? Ninguém. Como pessoa alguma poderia prever a morte, em desastre aéreo, 1950, do senador Salgado Filho em campanha pelo governo do Rio Grande do Sul, a morte, 1961, do governador do antigo Estado do Rio de janeiro, Roberto Silveira, do ex-presidente Castelo Branco, em 1967, início do governo Costa e Silva. Tampouco a maior tragédia de todas, o assassinato do presidente John Kennedy, 1963, em Dallas, no Texas. Acrescento o suicídio de Vargas, 1954, Palácio do Catete.
De todo esse elenco de acontecimentos trágicos, claro, o que de maiores reflexos, inclusive mundiais, proporcionou foi o assassinato do presidente John Kennedy. Os Estados Unidos, de um projeto reformista renovador, passou para o plano de um conservadorismo integral traduzido pela administração Lyndon Johnson. A escalada da guerra do Vietnã vem daí. Mas todas essa são outras questões pertencem ao passado.
No presente, para onde se deslocarão os rumos da sucessão presidencial de outubro? Escrevo este texto na tarde de quarta-feira, dia da morte de Eduardo Campos. Pretendia escrever sobre a entrevista dele a William Bonner e Patrícia Poeta no Jornal Nacional de terça-feira, véspera do desastre aéreo no litoral paulista. O reflexo, a meu ver, junto à opinião pública não seria positivo. Mas com sua morte encerra-se um período. Inicia-se outro, que começa com o preenchimento do vazio que deixou.
Para quem irão as intenções de voto assinaladas pelas pesquisas do Ibope e Datafolha, que variavam entre 8 a 9%? Esta é uma das indagações. Existem, porém, várias outras. Como ficará o PSB? Pretenderá o partido substituí-lo por outro? Quem  poderia ser? Ou pretende abrir a questão, o que afasta a hipótese de Marina Silva vir a se tornar a candidata socialista, o que leva à escolha de outro vice? A favor de  Marina Silva existe o ótimo desempenho que realizou nas urnas de 2010. Isso de um lado. De outro, aceitará ela a missão que, logicamente, ela estaria investida? vamos considerar que sim. Quem seria escolhido vice?
Falamos em enigmas e destinos. Para alguém ser candidato a Constituição exige um ano de filiação partidária. Ela, Marina, era filiada ao movimento chamado Rede. Não foi reconhecido pela Justiça Eleitoral. Marina Silva, no dia 4 de outubro de 2013, inscreveu-se no PSB. Pode, portanto, ser escolhida candidata à presidência da República, como sua candidatura foi homologada como vice de Eduardo Campos. Habilitação legal ela possui, já que as eleições acontecem no dia 5 de outubro deste ano. Temos que aguardar os desdobramentos que já vão começar a surgir. Candidata, alcançará mais intenções de voto que o ex-governador de Pernambuco? Neste caso, ele ameaça mais Aécio Neves, para obter passaporte para um possível segundo turno. Ou não atingirá os 20% Nesta hipótese poderá se tornar fator decisivo para transferir de 5 para 26 de outubro o desfecho do pleito, o que pode favorecer Aécio.
        São perguntas que as próximas semanas vão responder.

Band inicia debates dia 21: chance para oposição discutir Pasadena

Pedro do Coutto
Os debates frente à frente entre os candidatos à presidência da república vão ser abertos pela Rede Bandeirantes de Televisão no próximo dia 21 e vamos ver como será focalizado o escândalo envolvendo a compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobrás. Inclusive uma oportunidade para os candidatos da oposição de verdade cobrarem explicações definitivas da presidente Dilma Rousseff a respeito do assunto, uma vez que as correntes oposicionistas omitiram-se inexplicavelmente quando do comparecimento de Sérgio Gabrieli e Nestor Cerveró na CPI do Senado, que terminou sob acusação de farsa, como a imprensa amplamente publicou.
Esses dois ex-diretores foram acusados, inclusive, diretamente por Dilma Rousseff de haverem fornecido um relatório técnico incompleto ao Conselho de Administração da empresa. Outro ex-diretor acusado, Paulo Roberto Costa, não pode estar presente. Motivo: encontra-se numa prisão do Paraná, preso por corrupção. Não quero incluir a presidente Graça Foster no esquema montado. Ela foi convocada por responsabilidade administrativa. Mas este é outro caso.
Voltemos ao teatro da Comissão Parlamentar de Inquérito. A farsa montada, todos reconhecem, teve como objetivo essencial blindar o mistério Pasadena. Portanto, Aécio Neves e Eduardo Campos estão investidos na obrigação de perguntarem à presidente da República qual sua posição concreta e efetiva em relação ao episódio. Se mantém as acusações que no primeiro instante em que o fato veio intensamente a público atingindo Gabrieli, Cerveró e Roberto Costa por terem enviado relato técnico incompleto ao Conselho de Administração da Petrobrás, ou se por qualquer fato desconhecido mudou seu ângulo de análise sobre a trama. Este é um aspecto fundamental.
Mas há também outros temas de peso em destaque a serem debatidos livremente, como a Bandeirantes anunciou que será o confronto. O caso de auditoria levada a efeito pela própria Petrobrás na subsidiária Transpetro que, segundo reportagem de Diego Escosteguy, revista Época que está nas bancas, é cenário de maciças irregularidades decorrentes sobretudo de indicações políticas estranhas e ações de baixo nível que poluem as questões em pauta.
Outrro assunto é a tentativa de difamação contra os jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg através de violação do acesso à Wikipedia por servidores usando computadores do Planalto. Servidores do governo, consubstanciando uso de máquina do estado para ações criminosas.
Mais um tema: o represamento dos preços dos combustíveis e tarifas públicas para que não sensibilizem os índices de inflação antes de completado o caminho para as urnas de outubro. Outro assunto bastante importante.
PONTOS SENSÍVEIS
Os que relacionei representam alguns pontos sensíveis no endereço do plano alto do Planalto. Existem outros. Os juros cobrados pelos bancos que incidem sobre o crédito dos financiamentos, envolvendo especialmente os cobrados pelos cartões de crédito, em alguns casos superiores a 200%, 30 vezes a taxa de inflação para o período de 12 meses.
Quanto à invasão da Wikipedia, a própria Dilma Rousseff numa entrevista às repórteres Juliana Granjeia e Cristine Jungblut, publicada sábado pelo O Globo, condenou o crime praticado e mandou formar sindicância interministerial que inclui a Polícia federal. Deu prazo de trinta dias para que os nomes dos culpados venham a publico. Pelo tom assumido, esta investigação é pra valer. Mas nem por isso a questão pode ser ignorada no debate da Band que se aproxima. Vamos aguardar.

Bandeirantes deve escalonar os debates entre os candidatos

Pedro do Coutto
Na noite de quarta-feira, Boris Casoy (substituindo Ricardo Boechat em férias) anunciou no telejornal as regras básicas dos debates entre os candidatos que a rede Bandeirantes vai realizar. Tanto entre os que se encontram em campanha pela presidência da República quanto os que, escolhidos pelas convenções, vão disputar os governos estaduais. Importante, claro, a iniciativa da Band que também abriu a sequência de debates de 2010. Importante e oportuna, desta vez permitindo réplica e tréplica entre os candidatos, como igualmente que os jornalistas escolhidos para participar reeditem suas perguntas, caso considerem as respostas insuficientes no seu conteúdo.
Tudo bem. Entretanto, pelo esquema anunciado me pareceu que o confronto incluirá, quanto ao primeiro turno, todos os candidatos registrados à presidência. No meu modo de ver, reunir todos terminará esterilizando o próprio debate. Pois não faz sentido agrupar cerca de dez postulantes, quando apenas três – Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos – têm chance de vitória. Nesta perspectiva não haverá tempo suficiente para acolher as proposições, especialmente dentro de horários compatíveis com os níveis de audiência. Imagine-se colocar os três assinalados nas pesquisas do Datafolha e do IBOPE ao lado do pastor Everaldo, Luciana Genro, José Ismael e outros, cujos votos, todos somados, não passam de algo em torno de 7 a 10 pontos. Dentre as menores, a pontuação do pastor Everaldo chega a surpreender: 3 a 4%. Sua presença pode se tornar importante, isso sim, para levar a disputa ao segundo turno.
Sim. Isso porque, de acordo com a última pesquisa do Ibope, publicada simultaneamente pelo Globo e O Estado de São Paulo, Dilma liderava com 38% contra  37 pontos de Aécio, Eduardo Campos, Everaldo e os demais reunidos. A diferença de um degrau na escala torna a expectativa duvidosa. Vai depender do desempenho dos principais na campanha que começa dia 19 nas redes de televisão e rádio.
Mas observando-se os números, incluindo os níveis muito elevados dos que pretendem votar em branco ou anular o voto, além dos que não souberam (ou quiseram responder às consultas dos institutos), verifica-se que o quadro básico coloca em confronto as correntes dilmistas e antidilmistas. Os que estão com a reeleição e aqueles contra ela. Aliás, nesse propósito Eliane Cantanhede escreveu um artigo muito bom na edição da Folha de São Paulo de quinta-feira 7.
Tanto é este o cotejo que, nas simulações quanto à hipótese de segundo turno, o quadro mantém a percentagem de Dilma, porém alterna tendências de voto que aproximam, cada um de uma vez, atribuídas a Aécio e Campos. Nesses planos unem-se os antidilma Rousseff. Já que, no primeiro turno, Aécio Neves passa de 20 e Eduardo Campos não chega a 9%. Os índices de votos nulos e brancos vão baixar. Mas vão baixar, ao que tudo indica, dentro das proporções registradas em matéria de intenção de voto. Daí a importância do pastor Everaldo. Não tem chance de vitória, porém sua presença torna-se decisiva sobre se haverá ou não segundo turno. Um aspecto importante a considerar, sem dúvida.

IBOPE: Dilma lidera e dúvida é sobre o segundo turno; e se houver segundo turno, Campos apoiará quem?

Pedro do Coutto

O Ibope divulgou na noite de quinta-feira, pelo Jornal Nacional, nova pesquisa sobre as intenções de voto para as eleições presidenciais de outubro, detalhada através de excelente matéria de Júnia Gama, em O Globo do dia seguinte, sexta-feira. O quadro manteve-se estável, em relação ao levantamento de julho, com Dilma Rousseff liderando com 38%, seguida de Aécio Neves 23, Eduardo Campos 9, Pastor Everaldo 3 pontos e todos os demais candidatos reunidos ficando restritos a outros 3 pontos. Votos brancos e nulos 13, enquanto a parcela de 11% não soube ou não desejou responder. Faixa de omissão: 24%. Caiu. Há um mês era de 31%.
Acontece sempre à medida em que diminui a distância para as urnas. A pesquisa apresenta aspectos importantes. O primeiro que Dilma Rousseff parou de descer. O segundo que Aécio e Campos subiram 1 ponto cada um. O terceiro é que, pelo resultado geral, o pastor Everaldo, com 3 pontos, continua, a meu ver, sendo a sombra da dúvida se haverá ou não segundo turno. Os demais candidatos, cerca de uma inflação em torno de 7, todos reunidos aparecem com 3%. O dilema se haverá ou não um segundo pleito a 26 de outubro (o primeiro é no dia 5) por si constitui um fator favorável à atual presidente. Pois duvidar é reconhecer que ela poderá até vencer no primeiro embate. Mas esta é outra questão.
Vamos admitir a ocorrência do segundo turno. É de tal ordem a diferença de Aécio Neves sobre Eduardo Campos, que na hipótese de um novo confronto, ele somente poderá ser entre Dilma e Aécio. Neste caso, quem Eduardo Campos apoiará? Pensando bem, o ex-governador de Pernambuco, na realidade não é um candidato pra valer este ano, e sim aguardar a sucessão de 2018 mais conhecido pelo eleitorado do que é atualmente. Como escrevi em artigo recente, ele tem a sucessão do vencedor deste ano como, digamos, uma espécie de terceiro turno no tempo. Dessa forma projetando-se seu posicionamento de maneira pragmática, como é próprio da política, não deve ter interesse na vitória de Aécio Neves, que, em tal hipótese, seria candidato à reeleição daqui a quatro anos.
Torna-se assim mais provável que ou se mantenha neutro, ou apoie Dilma Rousseff, uma vez que, reeleita, ela estará fora do quadro da sucessão presidencial de 2018. Nesta perspectiva Dilma Rousseff não teria logicamente mais futuro no universo político, passando  a livrar-se se desejar, de compromissos que, ao mesmo tempo, pesam e repousam sobre a estrada que leva às urnas. Escrevo este artigo para chamar atenção dos leitores a respeito das várias traduções que o código político partidário pode apresentar, acrescentar, incorporar ou conter.
É verdade inquestionável que, sob o ângulo do eleitorado, o embate sucessório coloca em confronto as correntes dilmistas e antidilmistas. Para estas tanto faz Aécio ou Eduardo Campos: votarão contra ela Mas a vantagem de ser Aécio o adversário é enorme e as pesquisas do Ibope e Datafolha têm mostrado isso. Porém na hipótese de segundo turno os aecistas não devem contar como certo o apoio do ex-governador de Pernambuco. Tampouco a transferência de todos os seus votos. Política não é uma ciência exata. Eleição muito menos.

Pezão apoia Dilma, mas abre espaço para Aécio e mais três presidenciáveis

Pedro do Coutto

Ao participar, sexta-feira da série de sabatinas promovida em conjunto pela Folha de São Paulo, portal UOL e pelo SBT, o governador Luiz Fernando Pezão, candidato do PMDB a um novo mandato no Rio de Janeiro nas eleições de outubro – reportagem publicada sábado pela FSP – afirmou que apoia a reeleição de Dilma Rousseff, mas poderá abrir espaço em sua campanha para mais quatro candidatos. São eles: Aécio Neves, Pastor Everaldo, José Maria Eymael e Levy Fidelis. Como se vê, excluiu Eduardo Campos. Mas este é um detalhe.
Examinando-se o posicionamento de forma ampla, verifica-se a predominância do caráter pessoal ou personalista da atual campanha no rumo do endereço das urnas. Não há nas escolhas de coligações preocupação alguma com as diferenças entre os presidenciáveis tão pouco consideração ideológica com os programas partidários. No caso de Pezão, que melhorou no Ibope e, a meu ver, vai decidir o governo do Rio no segundo turno contra Garotinho, ele se dispõe a abrir espaço para os dois principais antagonistas ao mesmo tempo, na luta pelo Planalto.
Pois o Pastor Everaldo, José Eymael e Levy Fidelis não possuem a menor possibilidade de vitória. Não se sabe até por que os dois últimos são candidatos. Um mistério político. Quanto ao pastor Everaldo que alcança 3 pontos no IBOPE e Datafolha, pode ter como objetivo contribuir para levar o desfecho federal para o segundo turno. É possível, mas esta é outra questão.
Pezão sustenta sua posição múltipla no argumento de que não está recebendo o apoio do PT. Uma vez estivesse, seu comportamento e seu compromisso seriam outros. Mas de qualquer forma, o que está predominando no universo político partidário é um processo de descompromisso ideológico. As esquerdas, por exemplo, desapareceram do mapa por completo. Cooptadas passaram do reformismo que as inspiravam ao conservadorismo que as imobilizam.
MÍRIAM E SARDENBERG
O descompromisso ideológico não se restringe a luta pelo voto. Vejam os leitores o absurdo episódio ocorrido na Wikipédia com autores imaginários desfechando ataques contra a jornalista Miriam Leitão e o comentarista Carlos Alberto Sardenberg. Invadiram os verbetes e mudaram suas configurações. Um crime. Que expõe o descontrole editorial da própria Wikipédia, envolvendo o Palácio do Planalto. Lendo-se a Wikipédia, além disso, constatam-se erros em cima de erros. O senador Mario Martins por exemplo é apontado como tendo sido suplente de Marcelo Alencar, quando em 1966 aconteceu exatamente o contrário nas eleições. Em outro trecho ao focalizar dois falecimentos confunde-se Mario Martins que morreu no Espírito Santo com a artista plástica Maria Martins.
O pior é que pessoas mudam perfis, não acrescentando suas opiniões mas substituindo textos existentes. No caso de Miriam Leitão e Sardenberg a gravidade é maior porque sem dúvida a violação foi digitada por integrantes do governo. Em matéria de enciclopédia, que o que a Wikipédia pretende ser, os absurdos são tão grandes que, se houver outra vida, Antônio Houaiss, que dirigiu a Delta Larousse, deve estar sentindo ímpetos de retornar à terra.

Dilma rejeita articulação na CPI que assessor confirma

Pedro do Coutto

Reportagens de Simone Iglesias (O Globo) e de Eduardo Cucolo e Natuza Nery (Folha de São Paulo), edições de 7 de agosto, publicadas com destaque, reproduzem a resposta dada pela presidente Dilma Rousseff a perguntas que lhe foram feitas por jornalistas a respeito da articulação desenvolvida por setores do governo voltada para reduzir o impacto da CPI do Senado sobre a compra da refinaria de Pasadena, pela Petrobrás.

A chefe do Executivo – acentuam as matérias – irritou-se e sustentou que o Planalto não é especialista em petróleo para formular perguntas relativas à área. Não esclareceu. Não falou na providência que iria tomar. Tampouco admitiu a hipótese de haver tanto indagações bem formuladas quanto as mal formuladas, além das asnásticas. Esta diversidade está presente em todos os setores da atividade humana. Há os bem capacitados e os incapazes de raciocinar. Acontece com frequência.

Mas antes de analisar o posicionamento político da presidente da República, verificamos, de acordo com o que a  Folha de São Paulo publicou, a existência de uma contradição. Pois enquanto a presidente nega a participação do Planalto, em nota enviada ao jornal o diretor executivo da Secretaria de Relações Institucionais, que tem nível de ministério, confirma. Pelo cargo que ocupa – afirma literalmente – “não devo me omitir de participar dos debates com parlamentares, inclusive para a formação do roteiro e da estratégia dos trabalhos.”

CONSTRUINDO UMA PONTE

Após se referir à CPI da Petrobrás, na mesma nota, acrescentou: “Atuo em ambas as frentes para que todos os esclarecimentos sejam prestados pela empresa, assegurando a qualidade das informações, evitando dessa forma o uso político eleitoral da CPI”.

Confirmou, portanto, ter participado de alguma articulação, da construção de uma ponte entre o indagado e o respondido. Porém esta é outra questão. O essencial encontra-se, nesta altura dos acontecimentos, no bloqueio praticamente adotado por Dilma Rousseff em responder as perguntas dos jornalistas. Não se compreende. Desperdiçou uma excelente oportunidade de se comunicar positivamente com a opinião pública e somar pontos para sua campanha à reeleição. Pois o que a maioria, ou pelo menos parte substancial do eleitorado, deseja é a condenação da farsa publicada inicialmente pela Veja e que se projeta em sequência através de dezenas de páginas e noticiários diários das emissoras de televisão. A presidente da República mostrou-se indignada. Deveria esclarecer esta indignação do campo emocional para o da investigação.

Sobretudo porque não pode existir alguém capaz de achar certo o esquema colocado em prática que, antes de mais nada, desmoralizou o próprio Senado, palco de uma representação sequer contra senador Aécio Neves (FSP de 7 de agosto), foram fracos e genéricos diante das verdadeiras dimensões da montagem. Pasadena, tem-se a impressão, encontra tradução no encolhimento e desocupação do espaço verdadeiramente político.

Mas enquanto setores do governo e da oposição adormecem, a sociedade desperta, já que a alvorada da campanha eleitoral se aproxima. Ela vem no amanhecer de 19 próximo. Temas para que se desenvolva e abasteça um mar de debates, não faltam. Se confirmada a farsa da CPI, esse será um deles. Dilma Rousseff perdeu a chance  de abrir as cortinas do palco. Bastaria, pelo menos, dizer que ia mandar investigar a denúncia. E a oposição? Onde ela se encontra? Bem longe do Texas.

Farsa da CPI da Petrobras foi bofetada no Senado e pressão internacional levou Israel ao recuo

Pedro do Coutto

O título destaca dois temas de impacto. Vamos começar pelo primeiro. Confirmada a farsa da CPI sobre atuação da Petrobras em Pasadena, denunciada pela edição da revista Veja que desde sábado está nas bancas, e confirmada plenamente na quarta-feira pela Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo, principais jornais do país, não há como deixar de considerar que o episódio representou – e continua a significar – uma bofetada no próprio Senado federal que instituiu a investigação e agora tem a obrigação de investigar o que deixou de ser investigado.
A bofetada atinge também o governo que não reagiu à altura da gravidade do ocorrido, e se estende alcançando em cheio a sociedade brasileira como um todo. Afinal, o patrimônio público viu-se torpedeado e a melhor prova da usurpação está no recurso dos ex-dirigentes da empresa estatal em recorrer à Justiça contra a decisão do Tribunal de Contas que bloqueou seus bens, cujos limites interno e externo não são sequer imaginados, quanto mais conhecidos. Isso de um lado.
De outro, as manobras articuladas nas sombras com a posição originalmente assumida pela presidente Dilma Rousseff, que direta e claramente responsabilizou os ex-dirigentes da Petrobras pelo contrato firmado com uma empresa belga, que culminou conduzindo a um prejuízo avaliado em 793 milhões de dólares. Talvez até maior no final das contas, diferença indenizatória desembolsada sem maiores recursos jurídicos em sentido contrário.
Em matéria de contradições essenciais creio que estas são suficientes. Em matéria de Senado, deslocando-se para o campo da surpresa, para dizer o mínimo, basta ler a versão colocada pelo senador José Pimentel (PT-CE) de que teria repassado as perguntas que iam ser formuladas aos inquiridos, através da Internet. Mas como? Como teve ele acesso ao que seria indagado? Um desastre total. O qual, aliás, começou com o mensalão dos parlamentares oposicionistas que, alegando estarem em minoria, como se tal motivo fosse preponderante, decidiram não comparecer e participar. Tivessem participado, pelo menos suas perguntas não teriam sido transmitidas previamente, e poderiam ter contestado as respostas pré-elaboradas. Como agirá agora o Senado Federal? Como agirá agora o governo? É necessário acentuar que existem ocupantes de cargos de confiança envolvidos.
RECUO EM GAZA      
Foi a pressão internacional que levou Netanyahu a recuar em Gaza. No final da semana passada, no rompimento da trégua estabelecida, o primeiro ministro de Israel, Netanyahu, afirmou taxativamente que suas forças militares não se retirariam de Gaza e a guerra contra o Hamas se estenderia até sua destruição completa, ênfase especial à derrubada e ocupação dos túneis do terror sob as terras israelenses. De repente, para surpresa geral, positiva aliás, vale frisar, o Exército de Israel decidiu retirar suas tropas, cujos integrantes voltaram para casa, ao longo de um rastro enorme de destruição.
A pressão internacional há de ter sido decisiva, certamente a começar por uma mudança no posicionamento dos Estados Unidos. A atuação do Secretário de Estado John Kerry mudou um pouco de rota e de foco, a partir de uma análise mais profunda dos reflexos do morticídio em Gaza sobre as condições dos vários países cujas fronteiras, caso do Egito, situam-se bem próximas do teatro da guerra Israel-Hamas.
As reportagens magníficas editadas pelo Globo e pela Folha de São Paulo de quarta-feira 6 revelam bem a profundidade das condições e dos fatos que levaram à revisão. Israel recuou. Não devemos deixar de considerar a presença também da pressão interna de correntes políticas israelenses insatisfeitas com o prolongamento do conflito. Netanyahu, sem dúvida, sai enfraquecido do episódio positivo. Pois destruir por destruir é o melhor e mais amplo caminho para o abismo. Devemos esperar que o Hamas recue também. Pois, caso contrário, o recuo de Israel será sucedido por novas ofensivas mortais e arrasadoras. Deus será testemunha.

Candidatos em busca de votos no tempo perdido


Pedro do Coutto

O título está inspirado, ao mesmo tempo, no romance de Marcel Proust (Em busca do Tempo Perdido) e na reportagem excelente de Renato Onofre, Sérgio Roxo, Sílvia Amorim e Tatiana Farah, O Globo de terça-feira, focalizando o empenho da presidente Dilma Rousseff, do senador Aécio neves e do ex-governador Eduardo Campos, num esforço desenvolvido em São Paulo na segunda-feira para reduzir o contingente de votos brancos e nulos e assim conquistar parcelas de eleitores ainda indecisos.
Em São Paulo, a faixa dos que hoje pretendem neutralizar o sufrágio é muito alto: 31% de quase 32 milhões de eleitores do maior colégio eleitoral do país. No Rio de Janeiro, terceiro maior reduto de votos, a percentagem é até mais alta em termos percentuais. Atinge, como revelou a mais recente pesquisa Ibope, 33%. No segundo colégio, Minas Gerais, oscila em torno de 25 e 26%. Na Bahia passa da escala de 40%. Enfim, reflete o peso de uma indiferença que se reflete no campo da rejeição que, por sua vez decorre de decepções que se acumularam através do tempo.
Os candidatos, assim, estão partindo em busca do tempo perdido. Caso especial de Eduardo Campos que, até pouco, integrou o atual governo indicando um de seus ministros.
É SEMPRE ASSIM
Os candidatos não têm dúvida, vão recuperar espaços hoje brancos ou marcados pelo sufrágio nulo. É sempre assim. É inclusive próprio das fases iniciais das campanhas. A indecisão, de um lado, e a rejeição, de outro, começam a diminuir na proporção em que o confronto pela conquista dos votos progride nas telas da propaganda na televisão. E também na medida em que a disputa esquenta e incorpora parcialmente o clima de competição esportiva, quando o entusiasmo entra em campo e as imagens na TV vão acrescentando doses de simpatia atualmente ocultas em sombras.
Política é esperança, sustentava Juscelino, sintetizando a atividade que o fascinava e inspirou sua vida e suas realizações. A esperança, como ela própria, se renova, sai do adormecimento dos votos nulos e brancos e parte ao encontro da realidade.
A REJEIÇÃO SERÁ MENOR
Claro que não recuará totalmente, e nem vai descer à escala de 10%, como acontecia antigamente. Mas não ficará na casa dos 30% como onde se encontra hoje. Em minha opinião cairá à metade nas urnas de outubro, no primeiro turno. Ou seja: desce para a proximidade do décimo-quinto degrau, assinalando uma frieza na casa dos 15, talvez 17%.
Esse processo de recuperação dependerá essencialmente dos quadros que as campanhas apresentarem. A força da publicidade, com sua psicologia da forma, não pode ter sua importância e influência minimizada. basta ver o volume de recursos que se injeta nas mensagens publicitárias comuns nas emissoras de televisão e rádio, além de, claro, nos grandes jornais do país.
As campanhas de publicidade são mantidas ou reformuladas à base dos resultados obtidos. Se isso ocorre com produtos de consumo que não têm a emoção humana, evidentemente em maior escala vai incidir sobre os candidatos que são seres humanos e, como tal, além do livre desempenho, passam – ou devem passar – a emoção, tão essencial à vida, quanto ao voto em tempo de eleição. nenhum momento melhor para a população cobrar compromissos assumidos, promessas feitas não realizadas, e os candidatos se comprometerem novamente. Mas vamos ver desta vez, pensam parcelas dos que se decepcionaram com as urnas do tempo.

Eleições dependem também de emoção que candidatos despertam na TV

Pedro do Coutto

Têm sido comum nos jornais, e também em programas de televisão, inclusive nos mais qualificados como o de William Waak, na Globonews, a colocação de dados econométricos como formas de aferir não só as tendências atuais dos eleitores, como até o desfecho das urnas de outubro. Com base nesses dados, economistas titulares de consultorias arriscam-se até a prever os desfechos finais da urna. Esses estudos são importantes, só que não consideram a presença da emoção nas fases decisivas das campanhas projetada pelo empenho dos candidatos nos espaços da televisão ao longo dos horários de propaganda gratuita.

Inclusive os índices econométricos não sensibilizam por igualtodas as classes sociais em que se divide o eleitorado de modo geral. Seria exigir demais dos votantes que ganham até cinco salários mínimos, que correspondem a dois terços do eleitorado, que se baseiem, para efeito de escolher candidatos, em publicações de consultorias, da mesma forma que os debates intelectualizados são muito importantes para aqueles que podem acompanhá-los com atenção. Mas não para mobilizar as demais camadas da população para seu voto nas urnas.

A Folha de São Paulo, edição de 4 de agosto, por exemplo, publica com o destaque merecido uma reportagem de Fernando Canzian, na qual são destacados os índices fracos de aliados da presidente Dilma Rousseff em diversos estados, entre os quais a Bahia, Minas, Pernambuco e Paraná, além de São Paulo e Rio Grande do Sul. A matéria compara as taxas de intenção de votos de candidatos a governos estaduais apoiados pela presidente da República. O Rio de janeiro não figura na relação. E há um equívoco quanto a Pernambuco. Lá o candidato que lidera, Armando Monteiro Neto, do PTB, apoia a candidatura Rousseff.

Em trechos encontram-se declarações  do economista Sérgio Vale, diretor da consultoria MB Associados, sustentando que a atual posição do PT no Nordeste está muito abaixo do índice que alcançou na região nas urnas de 2010. E, por isso, Dilma recuou de 55%, há quatro anos, para 49% hoje. São projeções válidas porém gelificadas. Podem se manter ou não ao longo da campanha.

NA TELEVISÃO

Tudo depende também do desempenho de cada candidato na televisão. Esta regra vale não só para o Nordeste, mas para todos as regiões do país. As campanhas só esquentam à medida em que se aproxima o dia das urnas. E dependem da emoção, simpatia e confiança que os candidatos conseguirem despertar. O grau de convencimento, seja obtido de que forma for, é igualmente essencial.

As campanhas eleitorais só aquecem a partir do momento em que os confrontos, através da emoção, adquirem o caráter de competições esportivas. As reações que despertam não são totalmente lógicas ou decorrentes de injeções de tecnicalidade. Ao contrário. Emoção é emoção, nem sempre se explica na vida comum. Muito menos em matéria de eleições, terreno no qual o partidarismo, pelo partidarismo, tem peso próprio. E significativo.

Por isso, quando se analisa política eleitoral, tem que se levar em conta todos esses fatores. Eles existem.

Israel e Hamas aproximam-se do limite da destruição total de Gaza

Pedro do Coutto

O Globo e a Folha de São Paulo, nas edições de ontem, primeira página, divulgam novo ataque de Israel a outra escola da ONU, na faixa de Gaza, classificado como ato criminoso por Bam Ki-Moon, secretário geral das Nações Unidas. E acrescentou, com objetividade, que o conflito é uma loucura. Isso mesmo, colocou bem a questão essencial. Sobretudo porque verifica-se pelo noticiário internacional, as fotos publicadas e pelos telejornais, que Israel e Hamas aproximam-se do limite que ainda separa hoje a sobrevivência, por pequena que seja, de uma região ameaçada de destruição total.

Os bombardeios são incessantes, acarretando grande número de mortes e mutilações. Mas a tragédia não se esgota com as explosões. Gera outras consequências gravíssimas. Entre elas, a dificuldade de enterrar os mortos, tarefa que passa a demandar dias seguidos, talvez semanas. Impossibilita e pronto atendimento médico aos feridos, o que eleva o número de falecimentos. Não há energia, cirurgias tornam-se impossíveis.

Com esse quadro extremamente crítico, as condições sanitárias desabam na proporção da fúria destruidora de prédios públicos e particulares. Como fica a rede de abastecimento de água? Como fica a rede de esgoto? A simples colocação destas perguntas amplia o panorama do conflito armado, de fato uma loucura dos dois lados, como acentuou Bam Ki-Moon. Sobretudo porque não prevê qualquer desfecho lógico em momento algum.

RISCO DE EPIDEMIA

Destruir por destruir, expressão que se aplica aos dois lados, não leva a nada. Em primeiro lugar abre fortes perspectivas de uma epidemia na região. Epidemia múltipla em série, levando as populações a um plano francamente imprevisível. O Hamas é um movimento terrorista entre os palestinos. Mas Israel é um Estado organizado. Assim encontra-se investido de uma capacidade maior de previsão dos acontecimentos e suas consequências a curto e médio prazos.

Se chegou a uma tecnologia que permite a interceptação de mísseis no ar, evidentemente tem capacidade para antever todo o elenco de situações decorrentes da guerra. Quanto mais ela durar, mais se aprofundarão as consequências, maior número de habitantes tanto do próprio Israel (em muito menos número) quanto da Palestina, serão atingidos e tragados pelos efeitos concretos de loucuras.

EXPERIÊNCIAS

Como as guerras do Oriente Médio começaram em 1948, e atravessaram portanto seis décadas, não é por falta de experiência que se repetem. Impõe-se uma negociação que leve efetivamente ao cessar fogo. E, a meu ver, tal desfecho depende dos Estados Unidos. É o único país que apoia as ações de Israel, embora se empenhe nos bastidores para a concretização de um acordo. O Secretário de Estado John Kerry tem se empenhado a fundo nesse propósito. Porém seus esforços não têm superado o campo sempre flexível e ilusório da retórica.

A retórica não resolve o impasse, principalmente em toda sua profundidade. Semana passada, para citar um exemplo, numa entrevista coletiva na Casa Branca, o presidente Barack Obama dirigiu um apelo aos palestinos para que libertassem, sem condições, um soldado israelense aprisionado em combate. Dois dias depois revelou-se que o soldado em questão já estava morto. Morto em combate. Vítima da loucura da guerra e também de um processo de desinformação.

 

Votar em branco ou anular só como força de expressão

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Pedro do Coutto

O jornalista Fernando Rodrigues escreveu excelente artigo na edição de sábado da Folha de São Paulo a respeito do tema contido no título. Quem opta pelo voto nulo ou branco dá um recado aos políticos: rejeita sua atuação e seu comportamento ético. É um fato.

Mas fato é também, como aliás sustenta Fernando Rodrigues, que assim agindo, os eleitores contribuem para fortalecer, no caso das eleições para presidente, governador e prefeito aqueles que lideram as pesquisas. Porque os sufrágios nulos e brancos são retirados totalmente dos cálculos. Assim, a atitude torna mais fácil que atinjam a maioria absoluta.

No campo do voto proporcional (deputados federal, estadual, vereador), reduz o quociente exigido para o preenchimento das cadeiras: total de votos válidos dividido pelo número de vagas. Em muitos casos, os nulos e brancos contribuem exatamente para manter o mandato aqueles que os autores desejam substituir. Na realidade, uma contradição acentuando que, pela legislação brasileira torna-se concretamente impossível anular o voto ou digitar a tecla em branco na máquina.

Para o Senado, única exceção, não influi de fato. A escolha não é proporcional e para ela não se exige maioria absoluta. A omissão, portanto, importa menos. Se as eleições para deputados fossem distritais como nos EUA e Inglaterra, por exemplo, a escolha dos eleitos não dependeria de quocientes eleitorais por legenda. Cada caso é um caso; cada disputa é uma disputa diversa da outra. Como para o Senado.

SEGUNDO TURNO NO RIO      

Com base na pesquisa do Ibope publicada semana passada pelo Globo e Folha de São Paulo, ao que os números indicam, as eleições para o governo do Rio de janeiro devem ser decididas no segundo turno. Garotinho aparece com 21%, Marcelo Crivella com 16 e Luiz Fernando Pezão em terceiro com 15 pontos nas intenções de voto. Como Crivella desceu e Pezão subiu, enquanto Garotinho permaneceu estável em relação à penúltima pesquisa, a meu ver a segunda convocação será entre Garotinho e Pezão. O Palácio Guanabara conhecerá seu ocupante nas urnas de 26 de outubro.

Ibope na Folha tem interpretações divergentes em São Paulo e Minas Gerais

Pedro do Coutto

A Folha de São Paulo publicou na edição de sexta-feira, primeiro de agosto, matéria assinada por Fernando Canzian sobre pesquisa do Ibope sobre a sucessão presidencial em quatro estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco. O texto inclui a interpretação de que, à luz dos números, ficam evidenciadas as dificuldades de Dilma Rousseff em São Paulo e Minas Gerais. Dificuldades existem para todos os candidatos nesta ou naquela região. Em Minas as dificuldades que a presidente encontra têm base nos índices do Ibope. Em São Paulo, não.
Em Minas, o Ibope aponta 41 pontos para Aécio neves, 31% para Dilma. Diferença bastante ampla no segundo maior colégio eleitoral do país. Mas o mesmo não acontece em São Paulo. Pois em São Paulo, Dilma Rousseff, de acordo com o próprio Ibope, lidera com a parcela de 30%, contra 25 pontos de Aécio neves. Para manter lógico o raciocínio que levou à interpretação, o Ibope, autor do levantamento, ou o responsável pelo texto, deveriam acentuar que, no caso paulista, a dificuldade cabe ao senador Aécio Neves.
Sobretudo levando-se em conta que, no estado, o governador Geraldo Alckmim, do PSDB, mesmo partido de Aécio, lidera amplamente a pesquisa para o governo estadual. Fosse hoje a eleição, estaria reeleito com nada menos de 54 pontos. O candidato do PT, ex-ministro Padilha, aparece na pesquisa com apenas 5%, ou 4%, das intenções de voto. Observando-se a força de Alckmim em contraste com a fraqueza de Padilha, conclui-se que parte expressiva dos que votam no atual governador estão dispostos a votar simultaneamente em Dilma Rousseff. Pois se assim não fosse, ela não poderia atinge a escala de 30%, segundo o próprio Ibope. A dificuldade em São Paulo, portanto,  é de Aécio, que não está conseguindo atrair para si os eleitores de Alckmim.
No Rio de Janeiro, informa o Ibope, a atual presidente lidera com 35% sobre 15 pontos de Aécio. Em Pernambuco, para completar o quadro publicado pela Folha de São Paulo, Dilma alcança 41 pontos, aparecendo em segundo, não Aécio, mas o ex-governador Eduardo campos com 37%. Aécio Neves atinge apenas 6 degraus. Este quadro comprova que Aécio e Campos estão disputando em partes desiguais as correntes que se opõe à reeleição de Aécio, entretanto, é muito melhor que a de Eduardo Campos. Se houver segundo turno, será entre Dilma e o ex-governador de Minas Gerais.
AS DIFICULDADES DE CAMPOS
Mas já que focalizamos as dificuldades de Dilma e Aécio em Minas e São Paulo, os dois polos colocados pelo Ibope para efeito de análise, devemos destacar as dificuldades, estas sim, infinitamente maiores, que envolvem a caminhada de Eduardo Campos para as urnas. Vamos ver: em São Paulo ele registra apenas  6%. No Rio de Janeiro 5%. Em Minas Gerais apresenta igualmente a mesma fação de 5 pontos. Só está bem em Pernambuco, estado do qual foi governador. E, mesmo assim, encontra-se em segundo lugar com 37%. Dilma, como vimos, tem 41.
Portanto se aceitarmos a perspectiva de que, liderando com 30% em São Paulo, Dilma depara-se com dificuldades no estado, examinando-se os índices atribuídos em quase rodo o país a Eduardo campos, implicitamente chegaremos à conclusão que se trata de uma candidatura cercada por um mar de impossibilidades. Neste caso, sim, é válido o raciocínio. Quanto a Dilma e Aécio em Minas e São Paulo, a análise deve ser revista pelo Ibope.