Secretaria de Segurança revela-se impotente para combater o crime no RJ

Pedro do Coutto

A situação crítica que está no título foi revelada pela excelente reportagem de Paula Ferreira, edição de O Globo, dia 26, destacando a importância do relatório enviado ao Tribunal Regional Eleitoral pela Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro comunicando que o crime organizado está impedindo que candidatos façam campanha em 41 favelas e áreas de renda baixa do Estado.Traficantes e milicianos cobram pedágio de até 10 mil reais e formam cadastros particulares à base de títulos eleitorais. O documento cujo texto foi publicado pela repórter representa, na realidade a maior confissão de impotência do governo estadual no combate à criminalidade. Apesar deste aspecto gravíssimo do problema, o governador Luiz Fernando Pezão afirma que não precisará de apoio da Força Nacional.

O relatório da Secretaria de Segurança foi entregue segunda-feira passada ao TRE e aponta nominalmente a ocorrência de fortes pressões nas comunidades da Rocinha, Alemão e Maré, além da Vila Ipiranga, em Niterói. O desembargador Fábio Uchoa, que recebeu o documento, classificou a situação como caótica. Por seu turno, o presidente do tribunal, desembargador Bernardo Garcez, afirmou ter enviado ofício ao governador Pezão para ouvi-lo a respeito. Mas o ofício foi respondido por um secretário subalterno, ao contrário do que o panorama exige, que é uma resposta direta do próprio chefe do Executivo. Por este motivo, Garcez encaminhou um novo ofício ao Palácio Guanabara. Há um temor de dizer que há necessidade da presença da Força Nacional.

Ao responder, então diretamente, a esse segundo ofício, o governador Pezão disse que a Secretaria de Secretaria sustentou que, até o presente momento, não há necessidade de forças federais. Como? Segundo Pezão, revela a reportagem de Paula Ferreira, caso o Tribunal Superior Eleitoral julgue necessário aumentar a segurança na cidade do Rio até as eleições, isso não representa fracasso das UPPS.

RESPOSTAS CONTRADITÓRIAS

As respostas do governador, que disputa a reeleição nas urnas de outubro, são contraditórias. Pois se a sua Secretaria de Segurança expôs a ocupação de áreas estaduais ao TRE, o que poderia esperar como resposta? Que a segurança pública é obrigação do estado. Porque, então, esperar uma outra posição por parte do Tribunal Superior Eleitoral? Não faz sentido. A reportagem revela as chantagens feitas por facções criminosas aos candidatos que se aventuram a penetrar nos principados estabelecidos à base de pagamentos regulares em dinheiro. Além disso, os autores das pressões recolhem os títulos eleitorais de moradores das comunidades na tentativa de controlar seus votos no dia 5 de outubro.

Pezão, em declarações à equipe de O Globo, integrada também por Carolina Oliveira Castro, Chico Otávio, Igor Melo, Juliana Castro, Letícia Fernandes e Marcelo Remígio, disse que as milícias dominam as comunidades por meio do assistencialismo em centros sociais e do terror. Assim, garantem o poder político – acrescentou. O que dizer?

Qual a solução desenhada para o impasse da liberdade prevista na lei? Nenhuma, pelo menos até o momento, significando uma situação pré-falimentar de um dos princípios fundamentais do próprio regime democrático, que está na liberdade de ir e vir, essencial à liberdade de expressão e de realizar campanhas eleitorais. Se o governo do Rio de Janeiro se confessa impossibilitado de assumir as providências cabíveis, nem sequer recorrendo ao governo federal, sua omissão se amplia conduzindo-o a um plano inclinado de uma atitude tacitamente de omissão e tolerãncia. Um verdadeiro desastre sintetizado na reportagem de Paula Ferreira, manchete principal de O Globo de 26, que deve ser objeto principal do debate na área da sucessão estadual.

 

 Quem vai ao 2º turno com Garotinho? Romário dispara para o Senado

Pedro do Coutto  
A pesquisa do Ibope sobre as intenções de voto para o governo do Rio de Janeiro, objeto de excelente reportagem de Juliana Castro, O Globo de quarta-feira 27, aponta nos últimos trinta dias um avanço de 7 pontos do candidato Anthony Garotinho, subindo no período de 21 para 28% das intenções devoto. Luiz Fernando Pezão ultrapassou Marcelo Crivella registrando  18 a 16, enquanto Lindbergh Farias passou de 11 para 12 pontos. A pesquisa, creio eu, carimba o passaporte de Garotinho para as urnas de 26 de outubro, mas deixa no ar um enigma que ou será resolvido no segundo turno ou então evidenciado nos levantamentos mais próximos do primeiro embate: quem vai enfrentá-lo no turno final?
Pode ser qualquer um dos três, Pezão, Crivella ou Lindbergh, dependendo do desempenho que apresentarem no horário eleitoral. Pezão leva a vantagem de ter em mãos a máquina administrativa do estado. Lindbergh está sendo explicitamente apoiado pelo ex-presidente Lula, que certamente lhe acrescentará uma parcela de votos, pois se trata do maior eleitor do país. Marcelo Crivella tem o respaldo da legião do bispo Edir Macedo, seu tio, porém os dois pontos que perdeu em agosto em relação a julho provavelmente decorrem da consolidação da candidatura Marina Silva à presidência da República que arrebatou bases de sustentação do eleitorado evangélico. Tanto assim que o pastor Everaldo recuou do terceiro para o primeiro degrau no período.
O Ibope fez três simulações para o segundo turno. Garotinho derrotaria Crivella por um ponto. Pezão por 7. Lindberg por 8 pontos. Curiosa projeção. O adversário mais difícil, como se vê, seria Marcelo Crivella. Vantagem mínima, praticamente um empate.
Mas enquanto há indefinição sobre qual o campo do segundo turno, não parece existir dúvida quanto ao Senado. Para a Câmara Alta, como se sabe, não há necessidade de segundo turno. O campeão do mundo Romário, de julho para agosto, avançou consideravelmente passando de 24 para nada menos de 37% das intenções de voto. O ex-prefeito Cesar Maia, no mesmo espaço de tempo, passou de 17 para 22, subindo 5 pontos. Os demais candidatos não possuem a menor chance de vitória. Sobretudo porque nas urnas de outubro estará em disputa apenas uma vaga.
ROMÁRIO VAI SUBIR MAIS
Romário deu um salto e, sem dúvida, está à porta de marcar mais um gol de placa em sua trajetória vitoriosa. Concorre pelo PSB, partido da ex-senadora Marina Silva que livrou  vantagem em relação a Aécio Neves e, pelo que destaca a pesquisa Ibope, vai ao segundo turno contra Dilma Rousseff no pleito marcado para 26 de outubro. A tendência de Romário, na minha impressão, é subir ainda mais.
Não existe nada no cenário eleitoral fluminense capaz de marcá-lo na arrancada final. Entretanto, em matéria de voto, quanto a governador e presidente da república surgem algumas dúvidas. Por exemplo o apoio de Garotinho a Dilma, que realizaram campanha juntos, quarta-feira no Rio. Tal apoio, por si, evidentemente atinge a articulação com o governador Pezão, formalizada há cerca de um mês em almoço, também na cidade do rio, com grande número de prefeitos. Uma dualidade impossível. Outro problema, para Dilma Rousseff é o apoio de Lula à candidatura de Lindbergh. Dilma não poderá deixar de seguir o mesmo caminho.
São três estradas no RJ rumo a Brasília. Se a dualidade que há pouco coloquei já era difícil, quanto mais três versões de votos. As contradições ainda não acabaram. Aparece ainda a propaganda veiculada pelo ex-ministro Carlos Lupi, que possui e pontos para o Senado, entre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff. É demais.

Marina Silva, uma arrancada espetacular

Pedro do Coutto
A pesquisa do Datafolha divulgada pelo Jornal Nacional de sexta-feira e objeto de reportagens na Folha de São Paulo e de O Globo de sábado, revela uma arrancada espetacular de Marina Silva nas intenções de voto para presidente da República nas urnas de outubro. Num espaço de tempo de quinze dias, ela avançou treze pontos, empatando na primeira colocação com a presidente Dilma Rousseff: 34 a 34%. Como no penúltimo levantamento do Datafolha ela registrava 21 pontos, nas duas últimas semanas ela subiu numa velocidade de quase 1 ponto por dia.
Nesse mesmo espaço de tempo Dilma recuou dois degraus e Aécio Neves caiu cinco pontos, descendo para 15%. A mão do destino parece ir ao encontro de Marina Silva, candidata com a coligação de pequenos partidos. Primeiro o trágico acidente que causou a morte de Eduardo Campos expôs intensamente sua imagem nos jornais e nas redes de televisão. Ela saiu-se bem nas aparições e também no debate promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão que provavelmente lhe acrescentou alguns pontos, apesar de a audiência máxima ter ficado em 7%.
ECONOMIA EM QUEDA
Falei mão do destino e vejam só a pesquisa do Datafolha foi publicada nos jornais simultaneamente ao resultado do PIB do segundo trimestre que assinalou um retrocesso de 0,6%, levantando pelo menos uma sombra sobre o desempenho da economia brasileira, fator que reflete negativamente no governo. Observamos inclusive que esta foi a última estimativa do PIB antes das eleições pois o trimestre agosto, setembro, outubro somente poderá ser divulgado após as urnas eleitorais terem sido computadas.
Da mesma forma que a pesquisa do Ibope, o Datafolha assinalou a polarização do eleitorado entre Dilma Rousseff e Marina Silva, uma vez que Aécio Neves, além da queda de cinco pontos, não vem demonstrando na campanha agressividade que seria de esperar por parte de um candidato da oposição. Motivos não faltam. A começar pela sonegação fiscal responsável a meu ver pela queda da arrecadação tributária. Para citar um só exemplo lembro que um ex-diretor da Petrobrás, que inclusive se encontra preso é acusado pela Polícia Federal de possuir uma conta num banco suíço no valor de 23 milhões de dólares.
Este quadro olhado panoramicamente não quer entretanto dizer que a sucessão presidencial, cujo desfecho se dará a 26 de outubro esteja hoje decidida pela vantagem (larga) de 10 pontos que Marina Silva, pelo Datafolha, livra sobre a atual presidente. Há pontos que serão focalizados no debate ao longo dos 30 dias que faltam para o primeiro turno que podem modificar a tendência hoje registrada. Num sentido ou no outro, como é o caso do pré-sal. Entretanto o desfecho final das urnas não sairá das duas primeiras colocações que as pesquisas, tanto do Ibope quanto do Datafolha apresentam. Aécio Neves perdeu velocidade e os demais candidatos praticamente não existem. Por falar em candidatos, vale a pena frisar serem onze no total, número raramente alcançado nas eleições presidenciais do Brasil. Criam-se partidos como se instalam pequenas empresas. Incrível.

 

Debandar do poder para apoiar Aécio? Politicamente impossível

Pedro do Coutto
Em sua coluna de O Globo, edição de quarta-feira 27, ao comentar a mais recente pesquisa do Ibope, o jornalista Merval Pereira afirmou ser “possível que boa parte da base aliada da presidente comece a debandar em busca de salvar-se na candidatura Aécio, se a vitória de Marina no segundo turno deixar de ser uma onda que vem e vai para se transformar numa possibilidade em si”. Discordo. Tal transferência, no sentido da candidatura Aécio Neves, presumo que ainda no primeiro turno, é politicamente impossível. Seria a primeira vez na história que haveria uma debandada de forças que vivem na área do poder.
Por que deveriam debandar de uma candidatura que ainda se encontra à frente das pesquisas no primeiro turno para um candidato que, pelo mesmo Ibope, encontra-se dez pontos atrás de Marina Silva? Fisiologicamente, debandar por debandar, seria mais lógico que, em tal caso, a debandada fosse diretamente no sentido de Marina Silva. Isso de um lado. De outro, também sob o prisma do fisiologismo, a debandada não teria conteúdo prático, pois como no velho ditado aplaude-se a traição, rejeita-se o traidor. Outro aspecto: em caso de dificuldade à vista para Dilma Rousseff permanecer no Planalto, mais necessitará ela do apoio de todas as correntes da chamada base aliada. Assim, os possíveis desertores veriam sua permanência valorizada no jogo.
“Esses partidos – acrescenta Merval Pereira – só estão com Dilma porque consideravam inevitável sua vitória e devem estar lamentando não terem desertado antes, como fizeram alguns setores do PMDB, do PP e do PTB.”
Não é fato. Se a deserção inspira-se na obtenção de metas fisiológicas, se os traidores da base tivessem se afastado antes de agora, o que obteriam em troca? Nada. Além do mais, a tese implica em que o candidato Aécio Neves aceitaria a adesão interesseira, contrariando os princípios que tem exposto na campanha. E não é só. Debandando do poder, os personagens da nave da revolta teriam deixado de contar com as vantagens diretas ou indiretas do poder sem receberem nada em troca. Sim. Sem receberem nada em troca, uma vez que, não tendo as engrenagens do poder nas mãos, Aécio Neves nada poderia oferecer. Isso é absolutamente claro, de lógica cristalina.
Porque, por exemplo, no debate da rede Bandeirantes de Televisão, todas as cobranças convergiriam para Dilma Rousseff? Simplesmente porque ela era a única pessoa que poderia receber cobranças, na medida em que ela é a chefe do Poder Executivo. Cobrar o quê de Aécio Neves? Dos demais candidatos não vale a pena nem falar. Em seu conjunto, com a queda do pastor Everaldo de 3 pontos para apenas 1, não ultrapassam 5% das intenções de voto. Eram sete candidaturas desempenhando seus papeis. Apenas três candidatos reais. E olha que, de forma surpreendente, quatro outros candidatos deixaram de comparecer. Parece incrível mas são onze as candidaturas presidenciais.
Mas voltando ao tema central deste artigo, podem haver deserções na política eleitoral, porém nunca para um candidato, como Aécio Neves, que se encontra 15 pontos atrás de uma candidata e diz pontos atrás da segunda que, contra a primeira, vai enfrentá-la no desfecho final. Dificilmente a candidatura de Aécio recuperará o espaço perdido.

 

Debate na Band atingiu máximo de 7 pontos e não mudou quadro eleitoral

Marina Silva, Aecio Neves, Ricardo Boechat e Dilma Rousseff
Pedro do Coutto
O debate que reuniu sete candidatos à presidência da República, realizado pela Rede Bandeirantes na terça-feira, atingiu o máximo de 7 pontos no Ibope e não mudou o quadro eleitoral que tonaliza para um segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva. Foram duas matérias publicadas na edição de ontem da Folha de São Paulo que acentuam esta realidade.
A primeira revelando que o debate, em seu pico máximo, sete pontos de audiência, com a média de 5%. Isso significa que ao longo das três horas de duração que apresentou a audiência foi caindo à medida que o tempo passava. Deve ter chegado a uma da manhã com o máximo 3 pontos. A segunda, também publicada pela Folha, revela pesquisa realizada pelo Instituto MDA por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes. Confirma quase exatamente os índices encontrados pelo Ibope, exceto quanto à posição de Aécio Neves.
O MDA apontou 34 para Dilma Rousseff, 28 para Marina e 16% para Aécio Neves. A diferença em relação ao que o Ibope achou para o senador mineiro, como se observa é de 3 pontos para menos. Quanto aos outros candidatos o MDA nada apresentou. Fez uma simulação para o segundo turno: Marina venceria Dilma por 43 a 37. Verifica-se assim uma convergência dos números e das tendências registradas. Vamos esperar para os próximos dias a divulgação do levantamento que está sendo feito pelo Datafolha. De qualquer forma ao que tudo indica as colocações das duas primeiras candidaturas não deverão ser alteradas.
E neste plano vamos citar um terceiro texto publicado na edição de ontem da Folha de São Paulo. Trata-se do artigo da jornalista Eliane Cantanhede cujo título foi o seguinte: Aécio no pior dos mundos. A frase revela de imediato o conteúdo que a direção do artigo acentuando que Aécio que contava crescer a partir de agora desabou sem ao menos conseguir estabilizar-se no patamar em que se encontrava. Um avião desabou na cabeça de todo mundo. De fato para o crescimento de Marina Silva tornou-se fator importante a repercussão da trágica morte de Eduardo Campos, em cuja chapa figurava como candidata a vice presidente. Mas não é somente esse o motivo da descida tanto de Dilma quanto de Aécio, acentuo eu.
Relativamente a Aécio Neves deve-se registrar sua pouca agressividade demonstrada na campanha eleitoral. Motivos para confrontar o governo não faltam, a começar pela farsa da CPI da Petrobrás, decorrente da compra da refinaria de Pasadena no Texas. O senador mineiro não desejou focalizar o tema e passou ao eleitorado imagem leve demais para quem se apresenta como adversário do governo Dilma Rousseff. Sua ultrapassagem pela candidata Marina Silva deixou-o em posição crítica. Pela primeira vez do decorrer da campanha encontra-se ameaçado de ficar fora das urnas de 26 de outubro. O segundo turno assim, que a esta altura parece ser inevitável deverá estar restrito às candidatas do PT e do PSB.
Curioso é que o instituto da reeleição foi implantado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso do PSDB e agora tende a doze anos depois deixar o PSDB fora de um desfecho presidencial. Aliás, por falar em reeleição o sistema vigente é profundamente contraditório. Basta dizer que  enquanto um secretário estadual, por exemplo, para ser candidato a deputado precisa deixar o cargo seis meses antes do pleito, mas um presidente da República e um governador podem disputar as urnas permanecendo nos postos executivos que ocupam. Absurdo total. Que pode ser ampliado com outro exemplo mais banal: o apresentador de programa de televisão ou rádio não pode permanecer no seu trabalho a partir de seis meses antes das eleições. O presidente da República pode.

 

Ibope define segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva

Pedro do Coutto
A pesquisa do Ibope revelado pela rede Globo na noite de terça-feira, e também objeto de reportagem de Sérgio Roxo na edição de O Globo de ontem, quarta-feira 27, a meu ver define antecipadamente o segundo turno nas eleições presidenciais de outubro: o confronto, se não houver um fato absolutamente imprevisto, será entre Dilma Rousseff e Marina Silva. A ex-senadora, inclusive, encontra-se em plena ascensão, tendo subido 8 pontos de julho para agosto, comparando-se a atual pesquisa com a que o Datafolha publicou no final do mês passado na Folha de São Paulo.
No mesmo espaço de tempo, a presidente da República recuou 4 pontos, descendo de 38 para 34%. Mantém a liderança, mas a distância em relação a marina encurtou para 5 degraus. O terceiro candidato, Aécio Neves, perdeu 4 pontos declinando para 19%. Como se observa, o ex-governador de Minas Gerais ficou 15 pontos distante de Dilma e 10 pontos de Marina Silva. Inclusive o debate realizado pela Rede bandeirantes de televisão, mediado por Ricardo Boechat, confirmou a polarização entre as duas primeiras colocadas no Ibope. Aécio Neves não convenceu. Sua participação foi fraca.
O quadro não lhe é favorável. Sobretudo porque Marina encontra-se em plena ascensão. Para subir, Aécio Neves tem que empolgar, o que não está conseguindo fazer, as correntes antidilmistas. Pois o pleito está nitidamente dividindo o eleitorado entre os que estão com Dilma e os que se voltam contra sua reeleição. Marina Silva assumiu este papel e, embalada pela morte de Eduardo Campos, está conseguindo preencher o espaço da oposição, colocando em prática uma firmeza que falta a Aécio.
GRAÇA FOSTER
A presidente da República está sendo atingida pelos reflexos de alguns equívocos que cometeu. O primeiro decorrendo da aliança com candidatos fracos que o PT apresentou em São Paulo e no Paraná, por exemplo. Alexandre Padilha e Gleisi Hoffman nada acrescentam à candidatura da presidente. Mas não apenas isso. Na minha opinião, a atitude de Graça Foster, transferindo os imóveis que possui para os filhos, deixou o governo mal, pois, como escreveu Élio Gásperi no Globo de domingo, colocou-a ao lado do ex-diretor Nestor Cerveró que tomou a mesma iniciativa.
Diante da repercussão da matéria na imprensa, Dilma Rousseff precipitou-se em sair na defesa de Graça Foster, tentando desviar o tema para focalizar a Petrobrás como instituição. A Petrobrás é, sem dúvida, uma instituição econômica, a maior empresa do Brasil, mas a questão não era essa.
O segundo turno, para o qual na simulação formulada pelo Ibope, hoje, aponta Marina bem à frente de Dilma, por 45 a 36% dos votos, entretanto vai se constituir numa nova etapa, num outro quadro. O esquema partidário ao lado da atual presidente é muito mais forte. Porém até agora não conseguiu fazer com que tal realidade se refletisse nas intenções de voto. Pelo contrário. As pesquisas estão demonstrando a ruptura do eleitorado com o sistema configurado pelas legendas. Assim não fosse, Marina Silva não teria saltado de 21 para 29 pontos num espaço de duas semanas.
Faltam 5 semanas para o turno marcado para 5 de outubro. Mas como os levantamentos concluem a decisão final será nas urnas do dia 26: entre Dilma Rousseff e Marina Silva. Aécio neves perdeu impulso justamente na fase mais sensível da campanha política.

Com a propaganda eleitoral em marcha, pesquisas vão definir os rumos


Pedro do Coutto
O tempo da propaganda eleitoral na televisão e no rádio começou, e, logicamente os candidatos vão definir suas estratégias realçando as diferenças entre eles, como destacaram as reportagens de O Globo e Folha de São Paulo, nas edições de quarta-feira 20. No Globo, o texto foi assinado pela repórter Maria Lima. Na Folha de São Paulo, um conjunto de matérias divididas em blocos, sem assinatura. Convergem entretanto para o mesmo tema. Escrevo este artigo na quarta-feira, antes portanto da primeira aparição de Marina Silva como candidata do PSB, tendo como vice o deputado gaúcho Beto Albuquerque, da corrente menos reformista do partido.
Os desempenhos na TV são fundamentais para os avanços das campanhas, razão pela qual as exposições, como sempre, serão acompanhadas pelas pesquisas no sentido de medir seus efeitos na opinião pública, no eleitorado como um todo. Eventuais equívocos e posturas não adequadas serão corrigidos no passar dos dias, uma vez que os três principais candidatos, Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves, também vão se expor em seus horários três vezes por semana, além das inserções diárias de 30 segundos cada uma. São inserções múltiplas, com a presidente da república tendo direito a 36 ou 38 comerciais  por semana ao longo de diversos horários. Aparecem repentinamente nas telas nos momentos mais diversos.
PESQUISAS

As medições quanto aos efeitos que produzem já podem ser avaliados a partir desta semana, pois o quadro estará completo com a homologação, pelo PSB, de Marina Silva como candidata da legenda que lidera uma coligação de pequenos partidos. Vamos observar, a partir de então, os reflexos mais concretos do confronto, reduzido o impacto da emoção pela trágica morte e pelo sepultamento de Eduardo Campos.
Deve-se levar em conta, inclusive, que os quadros que formam no apoio a Dilma Rousseff e Aécio Neves já se encontram consolidados. Os em torno de marina Silva ainda não totalmente. A indicação do candidato a vice, por exemplo. O deputado Beto Albiquerque conta com o apoio do agronegócio, como afirmou na Folha de São Paulo o repórter Felipe Bachtoldt, edição do dia 20. O agronegócio enfrenta resistência da candidata Marina Silva. Ela terá também que equacionar ou conviver com a candidatura de Márcio França  a vice-governador de São Paulo na chapa de Geraldo Alckmin. Márcio França é o presidente da seção paulista do PSB. Vai ter que equacionar ou superar o apoio do Partido Socialista Brasileiro à candidatura Linbergh Farias que é do PT, ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Enfim nada insuperável, mas nem por isso deixa de exigir sensibilidade para as circunstâncias e trabalho para superá-las.
O PASTOR E A PETROBRAS
O pastor Everaldo, que alcança 3% nas pesquisas do Ibope e Datafolha quanto as intenções de voto, foi entrevistado na noite de terça-feira por William Bonner e Patrícia Poeta no Jornal Nacional. Foram quinze minutos de diversão, uma vez que a candidatura do Partido Socialista Cristão só pode ser levada a sério como capaz de assegurar a realização do segundo turno. Três pontos podem ser decisivos sob este aspecto. Fora daí, não tem o menor sentido, a não ser conduzir ao divertimento. Basta dizer que defendeu, se eleito, a privatização da Petrobrás. Quem poderia comprar a estatal? Somente uma empresa internacional, já que Eike Batista está fora de cogitações. Qual seria o preço? O próprio pastor Everaldo não faz ideia.

 Impactos na campanha: Graça Foster, Marina e apoio de Lula a Lindbergh

Pedro do Coutto
A política, mistura de ciência e arte, está cheia de acontecimentos imprevistos que explodem a cada momento, especialmente nas disputas eleitorais, capazes de influir e até mudar, pelo menos parcialmente, os rumos das campanhas sinalizados pelas pesquisas de intenções de voto. A atitude da presidente da Petrobrás, Graça Foster, doando três imóveis que possui para os filhos temendo o bloqueio de bens pelo tribunal de Contas da União, é um exemplo. Deixou em posição desconfortável a presidente Dilma Rousseff, ao tomar iniciativa igual à de Nestor Cerveró, ex-diretor da estatal, sobretudo porque Cerveró, juntamente com Sérgio Gabrielli e Roberto Costa, foi acusado pela chefe do Executivo de fornecer informações incompletas sobre a compra da refinaria de Pasadena.
Dilma Rousseff saiu na defesa de Graça Foster no primeiro instante. Não estava com as informações divulgadas pelos repórteres Vinicius Sassine, Eduardo Bressolini e Demétrio Weber, O Globo, edição de quinta-feira 21. A decisão de Graça Foster não acrescenta nenhum voto para a reeleição da presidente da República. Mas pode tirar. Basta o cotejo das duas faces da questão para acentuar a imprudência do gesto. Desnecessário. Os filhos são herdeiros universais e necessários. Assim agindo, ela se igualou a Nestor Cerveró. Errou e muito sob o prisma político.
IMPOSIÇÕES DE MARINA
Outro impacto na campanha foi produzido por Marina Silva com as imposições a que obrigou o PSB, partido ao qual está filiada. Uma delas a de não apoiar os candidatos escolhidos pela legenda em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Foram compromissos assumidos por Eduardo Campos que ela resolveu apagar da memória partidária. reportagem de Simone Iglesias, Cristiane Jungblut e Catarina Alencastro, O Globo também de 21 de agosto destaca estas alterações. Além disso, ela afirmou que, candidatando-se pelo PSB, não desistirá de se empenhar pela transformação do Movimento Rede Sustentabilidade em partido político, o que facilmente acontecerá se ela for eleita pelas urnas de outubro. Para a Rede será uma alvorada. Para ela, Marina, a chegada ao Planalto.
Marina Silva também fez duas substituições no comando da campanha: o coordenador geral e o encarregado da arrecadação financeira. Tais substituições não devem ter agradado nada o comando do Partido Socialista Brasileiro. Principalmente uma arrecadação financeira estilo socialista, presume-se, colocada em prática num sistema capitalista. Sim, partindo-se do princípio de que doações para campanhas políticas só podem se realizar através do capital. Nunca dos salários por motivos óbvios.
LULA E LINDBERGH

Finalmente o terceiro impacto: o apoio expressado pelo ex-presidente Lula a Lindbergh Farias, candidato ao governo do Rio de janeiro. Como Lula aparece apoiando enfaticamente Dilma Rousseff, depois de aderir a Lindbergh, dificilmente Dilma Rousseff poderá se aproximar de Luiz Fernando Pezão, como no episódio que marcou o encontro de ambos com grande número de prefeitos fluminenses quando foi lançada a chapa Dilmão: Dilma com Pezão. Qualquer novo movimento nesse sentido, sem dúvida, causará confusão na cabeça dos eleitores do Rio de janeiro, capazes de identificar uma distonia entre o -ex-presidente da república e a atual que busca nas urnas a reeleição e tem em Luís Inácio da Silva seu maior eleitor e sua principal fonte de apoio. Com o apoio de Lula, Lindbergh, quarto colocado no Ibope e Datafolha, passa a ser um candidato competitivo. Pode subir na escala de votos, superando Pezão e Marcelo Crivela e decidindo o acesso às escadas do Palácio Guanabara com Garotinho no segundo turno.
Bem: esses foram os impactos. Vamos ver como se refletem nas próximas pesquisas do Ibope e Datafolha.

Assessora assume diretrizes econômicas de Marina Silva

Pedro do Coutto
Numa entrevista ao repórter Fernando Rodrigues, edição de 22 de agosto da Folha de São Paulo, Maria Alice Setúbal, acionista do grupo Itau e principal assessora econômica de Marina Silva, narrou e praticamente assumiu as principais diretrizes da candidata do PSB, o que, sem dúvida, representou um exagero, uma ruptura dos limites que publicamente separam o assessoramento do primeiro plano reservado aos candidatos. Não creio tenha a atitude sido positiva em matéria de votos para a ex-senadora.
Maria Alice Setúbal afirmou, por exemplo, que ao longo da campanha mais economistas estarão se aproximando (da candidata) e terão o perfil de operadores do mercado para compensar a característica mais acadêmica da maioria dos atuais conselheiros. Neste ponto, claro, entrou em rota de colisão com os conselheiros a que se refere. Destacou que esta será a tentativa de Marina de se qualificar como uma candidata confiável aos olhos do establishement financeiro e empresarial. Informou que  o programa a ser assumido pela candidata deve ser lançado na próxima sexta-feira, 29 deste mês. A candidata, acrescentou Maria Alice, estuda fazer um discurso ou um documento sucinto a respeito de seus compromissos na área econômica.
Ela ressaltou que conversa quase todos os dias com Marina e que, partir da consolidação da candidatura, cresceram as ofertas de doações. E foi em frente. Falou sobre pontos específicos do programa, dando a impressão de que Marina será uma repetidora deles, não idealizadora. Fernando Rodrigues perguntou: Marina concorda com todos esses pontos e vai assumi-los?
Vai assumi-los, assegurou Maria Alice. Ela tinha se se posicionado em alguns pontos de forma diferente de Eduardo. O caso da autonomia do Banco Central, por exemplo. Ela não achava que precisaria uma lei. Existiam diferenças. Mas o programa (partidário) vai refletir o consenso. Assim Marina aceitou a fórmula, acrescentou Maria Alice.
Já que a assessora estava falando sobre os mais variados temas, Fernando Rodrigues indagou: Há em geral dúvida sobre a falta de experiência administrativa de Marina. Como ela responderá a essa crítica? Maria Alice respondeu através de uma comparação com Dilma Rousseff. Afirmou: hoje, temos uma presidente cujo perfil é de gestão programática, racional. Talvez o oposto de Marina. E o resultado que nós temos é bastante insatisfatório. Toda essa fala de Dilma gestora se desfez ao longo de quatro anos. O mercado visualizando as pessoas que estarão ao lado dela (Marina) vai ter mais segurança. Ela já tem vários economistas. Terá outros, mais operadores, revelou.
O principal problema do governo Dilma – prosseguiu Maria Alice Setúbal – é a questão política. Ela tem incapacidade de ouvir. Tem um discurso absolutamente racional, de uma gerente, uma gestora. Mas tem que ter liderança. Ela não tem essa capacidade política. Ela desagrega. É aquela pessoa dura, que bate na mesa, que briga, que sustenta eu vou fazer, acontecer. Atitude política tradicional de quem vai resolver tudo sozinha.
Maria Alice, como se vê pelo texto de Fernando Rodrigues, assumiu um espaço na comunicação que, penso eu, deveria ter sido antes assumido pela candidata em pessoa. Passou a ideia de que Marina Silva em vez de produzir afirmações, repete opiniões. Torna-se assim, o que é negativo, uma síntese de sua assessoria, um consenso de seus consultores.

Horário eleitoral precisa, pelo menos, passar seriedade

Pedro do Coutto

O horário eleitoral na televisão precisa urgentemente ser modernizado quanto a forma de apresentação dos candidatos e principalmente passar o mínimo de seriedade e credibilidade. Os partidos são responsáveis pela desarrumação e confusão que o envolvem, fatores que se refletem na acentuada queda dos índices de audiência, através especialmente da fuga para os canais pagos. É o que revela a jornalista Keila Jimenez na edição da Folha de São Paulo de 21 de agosto, quinta-feira passada.

Ela acentua que à tarde do primeiro dia da entrada em vigor do espaço obrigatório nada menos que 28% dos televisores da Grande São Paulo deslocaram-se para os canais pagos que subiram de habituais 3,7 pontos para 8,9%. Cada ponto na região representa 65 mil domicílios. A Globo, que possui audiência média de 11 pontos das 13 às 13:50hs, caiu para 5,9%. À noite, das 20:30hs às 21:20hs, a fuga para os canais por assinatura elevou-se dos habituais 9 pontos para a escala de 16,4%. No horário político, a Globo perdeu 27%, a Record 40 e o SBT 28 pontos.

Para a colunista de TV da Folha de São Paulo, com o passar dos dias, a tendência é a retração se ampliar. Decorrência, principalmente, creio eu, da falta de qualidade dos candidatos que fazem promessas absurdas sem parar e se transformam em figuras folclóricas que não passam a menor confiança por não dizerem como pretendem efetivar os compromissos que se propõem a assumir com milhões de pessoas que vão comparecer às urnas de outubro.

PROMESSAS

Candidatos a deputado federal e estadual apresentam propostas que aos poderes executivos (federal, estaduais) compete executar como seus próprios nomes indicam. Porque as direções partidárias não selecionam melhor as pessoas que se apresentam para disputar o voto do eleitorado? Simplesmente porque não lhes interessam. Aos dirigentes interessa atrair e apresentar candidatos de poucos votos, mas de boa presença nas comunidades, a fim de que possam somar sufrágios para as legendas, porém sem ameaçar os que as dirigem.

O resultado é esse que se vê. Lástimas sob o ângulo de análise, ou um divertimento inconsequente, visto de modo amplo e geral. Há pessoas que assistem ao horário político para se divertir com a exposição de absurdos em série. Casos existem em que as falas, nos curtos espaços a serem preenchidos rapidamente, em que as mensagens não fazem sequer sentido. E pior: quando um está terminando sua parte, o outro está iniciando, ficando uma voz em cima da outra. Um desastre completo.

Para resolver isso bastaria uma divisão melhor do tempo disponível de cada legenda e um treinamento prévio. Tal iniciativa elevaria os níveis de audiência no passar dos dias, funcionando inclusive para adicionar doses de propaganda aos candidatos a presidente da República e aos governos estaduais. Enfim seria melhor para todos, sobretudo para aprimorar o perfil dos que se apresentam como habilitados a receber o voto, país afora, de milhões e milhões de eleitores. Do jeito como as coisas estão funcionando hoje, os espaços partidários vão adicionar um retrocesso em cima do outro. A democracia, de fato, necessita ter níveis positivos de qualidade. Estão faltando.

Marina abre cisões no PSB; Dilma erra na forma de apoio a Graça Foster

Pedro do Coutto

Foram duas reportagens publicadas na edição de O Globo de sexta-feira 22 de agosto. A primeira de Catarina Alencastro, Simone Iglesias e Flávio Ilha focalizando a crise aberta no comando de campanha de Marina Silva no PSB. A segunda de Eduardo Bresciani reproduzindo declarações da presidente Dilma Rousseff apoiando a atitude de Graça Foster de transferir para o nome dos filhos três imóveis que possui. Foram dois erros, na realidade, um cometido pela ex-senadora; outro pela candidata à reeleição nas urnas de outubro.

Era esperada, como escreveu Eliane Catanhede na Folha de São Paulo também de sexta-feira, a dificuldade que Marina encontraria no Partido Socialista Brasileiro. Não somente pela substituição de dois coordenadores da campanha, um deles no setor de arrecadação financeira, mas igualmente em função do veto que formulou às alianças firmadas pelo PSB em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

Rejeitados os candidatos que formaram em coligações condenadas por ela, é claro quje não poderão apoiar sua candidatura. É o caso por exemplo, de Márcio França, candidato a vice do governador Geraldo Alckmin em São Paulo, e de Lindbergh Farias, candidato ao governo do Rio de janeiro. Essas dissidências pesam, sem dúvida. Quanto a Lindbergh, este não poderia mesmo apoiar Marina Silva, não só porque é candidato do PT, mas sobretudo pelo fato de ter recebido o apoio declarado na televisão do ex-presidente Lula.

O apoio de Lula, inclusive, vai levar Dilma a reexaminar a articulação iniciada com Pezão e acompanhar seu maior eleitor na direção de Lidbergh. Pois não será possível que ela forme ao lado de uma candidatura estadual combatida na prática do apelo ao voto pelo ex-presidente Lula. O ex-prefeito de Nova Iguaçu levou a melhor no episódio.

Enquanto isso, de outro lado, espontaneamente a presidente Dilma Rousseff levou a pior na defesa que fez de Graça Foster, presidente da Petrobrás por sua indicação direta e pessoal. Principalmente, quanto à forma que usou, acusando a oposição de tentar deslocar a Petrobrás para o campo do debate eleitoral. E, ao mesmo tempo, defender como legítima a pressão de ministros e setores do governo sobre o Tribunal de Contas da União, como está na manchete principal da edição de O Globo, 22. Não faz sentido.

Sua iniciativa não  vai lhe acrescentar um voto sequer. Mas é capaz de prejudicá-la em matéria de intenção de votos. O debate em torno da Petrobrás foi alimentado pela estranha transação  envolvendo a compra (forçada) da refinaria de Pasadena, Texas, condenada por ela própria, Dilma Rousseff, quando acusou os ex-diretores Sergio Gabrielli, Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa de haverem fornecido informações incompletas ao Conselho de Administração da estatal, o qual dirigia por ocupar, final do governo Lula, a chefia da Casa Civil. Transferindo seus imóveis para os filhos, Graça Foster assumiu a mesma atitude do ex-diretor Nestor Cerveró. Inclusive quase na mesma data.

MARINA NA GLOBO QUARTA-FEIRA

William Bonner anunciou na edição de quinta-feira do Jornal nacional que Marina Silva será entrevistada por ele e Patrícia Poeta na edição do JN da próxima quarta-feira. Será uma oportunidade para que a candidata do PSB possasesclarecer contradições que envolvem sua plataforma eleitoral e seu relacionamento com o próprio PSB, pois excluiu de sua cogitação as sessões regionais de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro, afastando-se dessa forma da totalidade de compromissos assumidos por Eduardo Campos.

Deverá também ser indagada sobre o relacionamento de sua campanha com o agronegócio, uma vez que o vice Beto Albuquerque é ligado a esse setor produtivo. Vamos ver o que acontece.

Dilma na Globo: faltou a farsa da CPI da Petrobrás

Pedro do Coutto
Na entrevista a William Bonner e Patrícia Poeta, no Jornal Nacional da Globo de segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff não acrescentou ou perdeu votos no resultado geral, limitando-se a não responder as perguntas de Bonner a respeito de corrupção em setores do governo e sobre as condenações de integrantes do PT no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. A edição de O Globo de terça-feira 19 publicou excelente matéria de Luiza Damé e Cristiane Jungblut sobre as indagações feitas e as respostas da presidente da República.
Pena, na minha opinião, que não tenha sido feita nenhuma pergunta sobre a farsa da CPI da Petrobrás, montada por servidores do Planalto com a conivência da maioria governista no Senado, tornada possível diante da omissão da bancada oposicionista. Estava em foco o escandaloso caso de compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Até agora explicada de forma pouco convincente e na qual encontra-se envolvido o ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, cumprindo inclusive pena de prisão no Paraná. Acusados também pela presidente Dilma Rousseff de não terem prestado informações técnicas o ex-presidente da estatal, Sérgio Gabrielli e mais o ex-diretor Nestor Cerverá. O assunto é importante sob todos os aspectos. No plano econômico causou um prejuizo de 790 milhões de dólares.
Infelizmente o tema não foi focalizado. Já os problemas de saúde foram destacados, mas não a contratação de médicos cubanos com seus salários recebidos pelo governo de Havana que apenas transfere um terço para os profissionais envolvidos. Caso nítido de apropriação do trabalho humano conduzindo ao plano de uma semi-escravidão consentida. Muitas outras perguntas deveriam ser feitas. Infelizmente não foram. Vamos aguardar o debate.
ASSUMIR COMPROMISSOS
Isso de um lado. De outro começou também na terça-feira o horário eleitoral cuja estrutura foi otimamente exposta em reportagem de André Sadi, Folha de São Paulo do mesmo dia. Os candidatos à presidência apresentam-se às terças, quintas e sábados. Dilma Rousseff tem 11 minutos e 24 segundos por dia; Aécio Neves, 4 minutos e 35 segundos; Marina Silva, 2 minutos e 3 segundos. São espaços a preencher com a participação de marqueteiros, essa profissão que surgiu nos últimos anos, mas que não substitui o desempenho pessoal e o conteúdo dos pronunciamentos. São fatores fundamentais. O meio não substitui a mensagem. Esta tem que ir ao encontro dos anseios coletivos. Embelezar as apresentações por si só não chega.
Há necessidade de propostas concretas capazes de mudar, para melhor, a vida de grupos sociais de modo geral, e de pessoas em particular. Neste ponto é que entra o trabalho básico de pesquisas. Evidente que temas como saúde, segurança pública e transporte são indispensáveis. Eles têm a ver com todos os segmentos da população, portanto envolvem diretamente os eleitores de todas as idades. Mas por serem igualmente usados pelos três principais candidatos (Dilma, Aécio e Marina Silva), não vão receber a atenção que merecem, já que estarão a toda hora nas telas de televisão e nas ondas de rádio. Portanto, os candidatos têm que se voltar para a criatividade capaz de convencer. Não se trata de fazer promessas. Mas de assumir compromissos com a sociedade. Esta a única forma de atrair para si a verdadeira atenção do eleitorado. De promessas o país e a sociedade andam cheios. É preciso algo novo. A hora é esta.

Na emoção, Marina passa Aécio e venceria Dilma no segundo turno

Pedro do Coutto

O impacto da morte de Eduardo Campos e a emoção desencadeada pelo seu sepultamento projetaram a candidatura de Marina Silva, que, pela pesquisa Datafolha publicada na edição de segunda-feira 18, Folha de São Paulo, passaria Aécio Neves no primeiro turno e venceria até Dilma Rousseff no desfecho final. Os números e as tendências estão reveladas na excelente reportagem de Ricardo Mendonça.

A importância eleitoral da ex-senadora pelo Acre pode ser avaliada a partir de dois pontos: se ela não fosse candidata, Dilma Rousseff ganharia no primeiro turno; nas simulações feitas quanto as alternativas para as urnas de 26 de outubro, Dilma bateria Aécio Neves por 47 a 39 pontos. Mas perderia para Marina por 47 a 43%.

O Datafolha, hoje, prevê para o primeiro turno 36% para a atual presidente, 21% para Marina, 20% para Aécio. Brancos e nulos somados aos eleitores que não souberam ou não quiseram responder, 17%. Encontra-se nesta faixa a maior subida de Marina Silva. Comparando-se com o resultado do levantamento anterior, também do Datafolha, verifica-se que houve recuo. Em julho, os que não queriam votar em candidato algum eram 27%. Agora são 17%. Marina Silva motivou os demais descontentes. Ela captou 10 pontos dessas correntes. Tanto assim qu,e retirado seu nome da disputa, os brancos e nulos retornam à escala registrada em julho.

Claro a pesquisa do Datafolha foi realizada em meio a torrente de emoção que a morte do ex-governador de Pernambuco desencadeou no Recife, levando uma multidão à missa campal, ao velório e ao sepultamento. Uma incógnita se tal caráter emotivo permanecerá mantendo o clima de hoje ao longo da campanha eleitoral, sobretudo em face de ser muito pequeno o tempo da candidata do PSB no horário gratuito da televisão que marcou o lançamento e homologação de seu nome. Não é fácil resistir a uma mudança de enfoque com base no tempo legal de exibição pública. Porém u,m aspecto ficou provado: ela despertou os adormecidos pelo desencanto e falta de esperança. Foi um vendaval que atingiu o universo político-partidário de forma repentina.

UMA ELEIÇÃO DIFERENTE

A eleição será uma com ele, Marina outra, muito diferente, sem ela. Sentindo o ímpeto despertado pelo surgimento de seu nome na lista das candidaturas, o PSB (como manchetou O Globo também de segunda-feira 18) deseja a sua presença na campanha dos candidatos da legenda em todos os Estados. Essa iniciativa criará pelo menos um problema direto: em São Paulo. Lá o vice do governador Geraldo Alckmin é exatamente o presidente do Partido Socialista Brasileiro no estado, Márcio França. Para apoiar Márcio França, portanto, Marina Silva terá de apoiar Alckmin, candidato à reeleição pelo PSDB que, no plano federal, tem Aécio Neves como candidato.

Um obstáculo, portanto, mas o fato é que uma campanha presidencial está sempre plena e obstáculos. Superá-los será eternamente o desafio colocado à frente dos que se propõem a lutar pelo poder. A campanha está começando esta semana. Vamos aguardar as próximas etapas, os futuros desdobramentos.

Vice na chapa de Alckmin é presidente do PSB de São Paulo

Pedro do Coutto  
Matéria redigida por Ranier Bragona, Valdo Cruz, Daniela Lima e Cátia Seabra, publicada na edição de sexta-feira da Folha, coloca sob lentes de análise as dificuldades de Marina Silva. Se homologada pelo PSB candidata à presidência da República nas urnas de outubro, terá pela frente para conciliar seu posicionamento político com os acordos regionais firmados por sua legenda com outros partidos. Em São Paulo, por exemplo, o candidato a vice de Geraldo Alckmin é o presidente da seção paulista do Partido Socialista Brasileiro, Márcio França. Acentuam os jornalistas que esse acordo foi bancado por Eduardo Campos, ficando no ar a dúvida se será mantido por Marina Silva.
Pois o governador Geraldo Alckmin é candidato à reeleição pelo PSDB, partido do candidato Aécio Neves. Portanto, o compromisso básico do governador paulista é com a candidatura do senador mineiro, logicamente levando consigo seu vice à mesma direção. Há diversas outras situações estaduais marcadas pela flexibilidade partidária. Ou seja: em vários Estados as coligações foram liberadas para adversários do programa do PSB, porém afinados com a candidatura do ex-governador de Pernambuco. A fidelidade programática e ideológica foi substituída por conversões pragmáticas. Marina Silva manterá essa visão e essa posição politicamente flexível?
CABE A MARINA
Fica no ar a indagação. Iniciada a campanha, caberá a ela, Marina, respondê-la na prática. Ela terá que dividir o palanque com adversários de sua legenda e de seu programa. Quando falo em palanque, não me refiro  aos limites dos comícios nas praça. Não. Estou me referindo aos amplos espaços que a televisão proporciona. Que são imensos.
Os autores da matéria publicada pela FSP tocaram num ponto bastante sensível de uma questão que provavelmente se colocará, além da investida do ex-presidente Lula sobre o PSB em relação à candidatura da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente de seu governo. Ela foi demitida no final de seu segundo mandato, entre 2007 e 2008, em função de divergências com a então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, por causa da construção da hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia. Ela era contra a realização da obra. Dilma a favor. Estabeleceu-se o impasse, projetou-se o conflito. A dimensão da usina é muito grande, envolveu área amazônica de grande dimensão, da mesma forma que a hidrelétrica de Belo Monte na mesma região. Santo Antônio já se encontra funcionando através de várias unidades geradoras liberadas para atividades comerciais. Mas esse motivo pertence ao passado.
Embora encontre-se presente no pensamento de Marina Silva que, afinal de contas, foi ultrapassada no episódio. Os fatos transcorrem, as mágoas ficam. Sobretudo na mente de pessoas que veem o processo político, mutável por natureza, de forma rígida. Bem, essas dificuldades existem para o roteiro de Marina Silva na sucessão. Entre elas a resistência, assinalaram os quatro repórteres, a resistência do atual presidente do partido, Roberto Amaral, ex-ministro de Ciência e Tecnologia. Mas um dos prismas dominantes na política – mistura de ciência e arte – está na capacidade dos personagens nela envolvidos de superar impasses e ultrapassar os obstáculos. Aliás eles surgem a todo momento. A luta pelo poder é essencialmente assim.

Datafolha: Garotinho lidera no Rio; Alckmin dispara em São Paulo

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada na edição de sexta-feira 15 da Folha de São Paulo iluminou uma nova realidade em matéria de intenções de voto para as urnas de outubro. Garotinho, no primeiro turno, distanciou-se de Marcelo Crivela e Luiz Pezão, mostrando que haverá segundo turno:  a dúvida é se entre Crivela e Garotinho ou entre Garotinho e Pezão. Garotinho atinge 25%, Crivela 18, Pezão 16 e finalmente Lindbergh Farias 12%. Os demais candidatos não estão no páreo. Curioso é que na hipótese de segundo turno entre Garotinho e Crivela, este venceria por 44 a 32%. A rejeição a Garotinho é muito alta, a projeção surpreende. Mas tem que se esperar pelo desenrolar da campanha. Porém a mim parece difícil um avanço de Lindbergh. Está sem o apoio de Lula e de Dilma Rousseff, embora sua legenda seja o PT. Coisas de política.
Mas enquanto o quadro carioca e fluminense tem sombras, o panorama de São Paulo encontra-se absolutamente definido: Geraldo Alckmin lidera com 55%. Paulo Skaf tem 16, muito atrás. Mais distante  ainda situa-se o candidato petista, ex-ministro Padilha, registra 5 degraus. Não tem a menor chance. Aliás, Paulo Skaf, apesar da legenda PMDB, também não. As eleições em São Paulo, pelo Datafolha, estão nitidamente definidas. Não adianta discussão.
A diferença do atual governador para seus opositores é enorme. Já surgiu em São Paulo inclusive um movimento em torno de um voto Alckmin-Dilma, como O Globo publicou na sexta-feira. É o que pode explicar o fato de Alckmin atingir 55% para o Palácio Bandeirantes e Dilma ter 30% e Aécio Neves 25%, na mesma área estadual, para o Palácio do Planalto.
ALTERAÇÕES
Mudanças acontecem ao longo das campanhas, senão estas nada significariam, prevalecendo as pesquisas do Datafolha e do Ibope. Portanto alterações podem ocorrer. Mas dentro de limites. É absolutamente impossível, por exemplo, Paulo Skaf, hoje com 16, vir a ultrapassar Geraldo Alckmin que alcança 55% e tem o governo nas mãos. Este é um dos fatores que leva dúvida ao desfecho no Rio de janeiro e à certeza em São Paulo.
Por falar em dúvida e certeza, no Paraná, por exemplo, é muito ruim a posição da senadora Gleisi Hoffman, PT, ex-chefe da Casa Civil da presidente Dilma Rousseff.
Ela marca somente 11 pontos no Datafolha, enquanto, Beto Richa (PSDB), atual governador, assinala 39%, seguido de perto pelo senador Roberto Requião, do PMDB, que aparece em segundo com 33 pontos. Dificilmente a polarização entre o atual e o também ex-governador, poderá se modificar. Gleisi Hoffman tem poucas possibilidades de subir. Seria uma surpresa.
Surpresa igualmente em Minas Gerais: Aécio Neves lidera com 41 sobre 31 de Dilma. Porém, para o Palácio da Liberdade Fernando Pimentel com 29 distancia-se de Pimenta da Veiga que registra 16 pontos. Pimentel é do PT. Pimenta do PSDB. Logo em Minas Gerais, há votos cruzados para a presidência da república e o governo estadual. A exemplo de São Paulo onde ocorre fenômeno inverso, são coisas da política.
As divisões acontecem na prática. Se não acontecessem, o universo político seria regido pelos analistas que fazem previsões gelificadas. No papel tudo é possível, fácil. Na prática é que são elas.

Marina terá que decidir rápido sobre candidatura

Pedro do Coutto

Numa entrevista a O Globo, edição de sexta-feira 15, matéria de Eduardo Barreto, o ministro Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, afirmou que é impossível adiar o início do programa de propaganda política na televisão e no rádio, uma vez que a data é fixada em lei. Com isso, negou  pedido formulado pelo PV para que houvesse um adiamento de três dias. Assim, Marina Silva, candidata natural, e o PSB têm que definir suas posições. No caso do PSB e demais legendas da coligação, para indicar o candidato e vice. A família de Eduardo campos já anunciou sua preferência por Marina Silva.

Assim, concretamente, não terá êxito formal a tentativa do PT, avalizada por Lula, de tentar dividir o Partido Socialista Brasileiro e, dessa forma, atrair a legenda para Dilma Rousseff. No plano formal, como eu disse, não há chance. Mesmo porque, como diz a matéria do O Globo, a legislação não permite, nesta altura, mudanças de coligações. Mas sob o prisma informal, a possibilidade existe, através de compromissos estaduais. Mas esta é outra questão.

Os mais jovens não conhecem o termo cristianização. Aconteceu no pleito de 50. O PSD, que era o partido majoritáro, escolheu o deputado Cristiano Machado (MG) candidato à sucessão de Café Filho. Porém as bases não seguiram e votaram em}Getúlio Vargas. Naquele ano, inclusive, Juscelino elegeu-se governador de Minas Gerais, Amaral Peixoto governador do antigo Estado do Rio. O que passou, passou. Ficam aqui a explicação e a hipótese articulada por Luis Inácio da Silva.

HORÁRIO ELEITORAL

Voltemos à questão do horário eleitoral. Começa na terça-feira com os partidos homenageando a memória de Eduardo Campos. Reportagem de Cristiane Jungblut, Fernanda Kraskovics, Maria Lima e Paula Pereira, focaliza bem a programação de vários partidos, com base em gravações já realizadas. Escrevo este artigo na tarde de sexta-feira. De hoje a terça são apenas quatro dias. O enterro de Eduardo Campos, em princípio, já está marcado para domingo. Assim Marina Silva e o PSB terão que resolver a questão antes do amanhecer do dia 19.

Um caso de urgência para evitar inclusive que o espaço da coligação, que não poderá ser mudada, seja preenchido concretamente. Sobretudo que a mensagem a ser transmitida pela candidata provável chegue rapidamente às base das agremiações que se encontram coligadas, e chegue às esferas estaduais, onde há disputas para governos estaduais, Senado, Câmara Federal e Assembleias Legislativas.

As áreas regionais, por seu turno, também têm direito ao acesso ao horáro gratuito. Uma coisa é poderem se manifestar com a candidatura presidencial estabelecida. Outra a de se apresentarem com um espaço ainda não preenchido na disputa nacional e principal.

Inclusive porque, vale assinalar, se houver espaço vazio, neste caso o PSB estará facilitando a investida de Lula e do PT de fomentar divisões internas para conduzi-las ao endereço da candidatura Dilma Rousseff. Pode-se dizer que a grande maioria da verdadeira oposição ficará com Marina Silva. Mas grande maioria não significa integração absoluta. basta uma dissidência de 10% para desestabilizar uma campanha. Na realidade as coisas da vida humana, passando pela política, não são isso ou aquilo. São em síntese, isso e aquilo. Qualquer espaço em branco torna-se vulnerável. Marina Silva deve estar terça-feira nas telas de TV e nas ondas do rádio.

Pecúlio dos aposentados do INSS, tema para as urnas de 2014

Pedro do Coutto
O tema é de uma abrangência enorme, já que vinte por cento dos aposentados pelo INSS permanecem trabalhando nas empresas pelas quais se aposentaram, inclusive estatais, ou retornaram ao mercado de trabalho em outros empregos sendo aproveitados pelas experiências adquiridas ao longo da vida, claro encontrando-se em condições boas de saúde e com disposição. Mas o tema central deste artigo é o prejuízo causado a esses segurados do INSS pela lei 9718/98, sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, revogando a lei 6243/75, implantada – vejam só a contribuição – pelo presidente Ernesto Geisel.
A lei 6243 criou o pecúlio para os que obtiveram aposentadoria e permaneceram no mercado de trabalho. Dizia ele, textualmente:  “O aposentado pela Previdência Social que voltar a trabalhar em atividade sujeita ao regime da lei 3807/60, terá direito, quando dela se afastar, a um pecúlio constituído pela soma das contribuições pagas ou descontadas durante o novo período de trabalho, corrigida monetariamente, acrescido de juros de 4% ao ano”. Muito bem. Nada mais justo e correto, uma vez que esses aposentados recolhem mensalmente ao mesmo INSS pelo qual se aposentaram.
A lei de Geisel, socialmente muito à frente da legislação deixada por FHC, acabava com o regime da contribuição sem retribuição, o que a Constituição veda, mas tornou-se sistema adotado desde 98. Eleito em 2002, o presidente Lula não restabeleceu a solução correta, o mesmo procedimento sendo adotado pela presidente Dilma Rousseff.
PARA QUÊ?
Os aposentados que se mantêm em atividade continuam desembolsando mensalmente suas contribuições para quê? Para nada. Uma injustiça completa, um absurdo total. Mas infelizmente os integrantes do quadro político não leem as leis, tampouco avaliam seus efeitos. No caso em tela trata-se da violação tanto do Direito do Trabalho quanto do direito das famílias dos trabalhadores, as quais caberia  receber o pecúlio acumulado em caso de falecimento do titular da conta pecúlio, de sistema praticamente idêntico ao do FGTS.
A lei legada pelo presidente Fernando Henrique fez o Brasil socialmente andar para trás, recuar no tempo. Não soube e não desejou sequer manter o avanço social colocado em prática em 75. Inclusive eliminou o reembolso dos saldos acumulados entre a implantação da lei por Geisel, em plena ditadura militar e o momento que entrou em vigência a lei 9718 de 98. Vejam só a contradição. Ótimo tema para a campanha eleitoral deste ano. Não só a campanha pela presidência da República, mas também para os candidatos a governador, senador, deputado federal e estadual.
Claro que os que disputam as cadeiras nas Assembleias Legislativas não podem propor mudanças na legislação federal. Podem, porém, incorporar às suas campanhas o compromisso de apresentarem projetos instituindo o mesmo esquema de pecúlio adotado pelo governo Geisel nas esferas estaduais, pois a injustiça que ocorre hoje com servidores aposentados e continuam trabalhando em outros cargos é a mesma que pune injustificadamente os trabalhadores regidos pela CLT. Neste ponto a seguridade pública assume a mesma injustiça cristalizada pelas omissões seguidas do governo federal. Mudam os presidentes e a absurda injustiça não é revertida de volta ao plano da justiça social.

Candidatura Marina Silva, a única opção do PSB

Pedro do Coutto

Superado o primeiro e principal aspecto da tragédia aérea que matou Eduardo Campos, pois, como definia o escritor Hélio Silva, a história não espera o amanhecer, surgem as primeiras análises em torno de quem o substituirá agora como candidato à Presidência da República nas urnas de outubro. Faltam em torno de três meses, o tempo voa, como se diz no ditado popular. O PSB, vê-se logo, não pode deixar de escolher a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva. Seria uma implosão no partido, como ontem em ótimo artigo no Globo, o jornalista Élio Gaspari escreveu.
Seria uma contradição total. Alguém serve para vice, mas não para cabeça de chapa. Afinal, a atribuição essencial de quem é vice é substituir o titular nos seus impedimentos. Uma regra universal. Além do mais, sob o prisma eleitoral, creio que o Datafolha e Ibope vão assinalar, Marina Silva alcançará índices mais altos do que aqueles que foram atingidos por Eduardo Campos. Isso de um lado. De outro, homologando Marina, o Partido Socialista Brasileiro irá ao encontro das bases estaduais da legenda que vão disputar, também em outubro, eleições para o Senado, Câmara Federal, Assembleias Legislativas. Sem um nome de peso lutando pelo Planalto, os pleitos estaduais tornam-se mais difíceis, o endereço das urnas fica mais distante.
O problema é escolher um vice ideal para ela e para a sociedade. Um nome que possa tornar-se ponte para o diálogo entre a candidata e o mundo empresarial, pois inevitavelmente os recursos financeiros têm que figurar no planejamento de quaisquer campanhas. São combustíveis essenciais.
INDECISOS
As pessoas que dizem não suportar a política não percebem tal qualidade condicionante. E no alvorecer das campanhas afirmam sempre estarem dispostas a votar em branco ou anular o voto. No desenrolar dos acontecimentos esse contingente diminui de forma gradativa à medida que as urnas se aproximam. Por falar nisso, observei que Marina Silva vai arrebatar para si pelo menos uma boa parte dos indecisos e sem esperança na solução de seus problemas. A ex-senadora reanima essa esperança . Isso para não falar, em termos de importância política, que, mantido o quadro de intenções de voto até há poucos dias, ela assegura a convocação de um segundo turno.
Entretanto, segundo turno entre quem? Dilma Rousseff, sem dúvida, que pode até vencer no primeiro, tem seu passaporte carimbado para a convocação marcada para 26 de outubro. O cotejo pode ser entre Dilma e Aécio, é provável. Mas com Marina na disputa, mesmo com pouco tempo na televisão, pode se tornar um confronto entre Rousseff e ela, Marina Silva. Portanto, a candidatura da ex-senadora pelo Acre constitui uma ameaça a Aécio Neves, com quem disputará a segunda colocação no primeiro embate. Marina preocupa Aécio, de fato. Embora preocupe a Dilma também. Coisas de política, expressão que uso repetindo o título da coluna do notável Carlos Castelo Branco, no antigo Jornal do Brasil, maior jornalista político que o país já teve.
Vamos aguardar os próximos desdobramentos, que terão de ser rápidos. Afinal de contas, o horário eleitoral gratuito começa a 19 deste mês. Qualquer demora na apresentação oficial de candidaturas representará tempo perdido. E tempo na televisão vale ouro para chegar aos eleitores. E o espaço não utilizado torna-se irrecuperável. Como a história de Hélio Silva, a política também não espera o amanhecer.

Entrevista da Globo com Aécio foi marcada pela pressão

Pedro do Coutto
Sem dúvida alguma a entrevista feita na noite de segunda-feira por William Bonner e Patrícia Poeta com Aécio Neves, abrindo a série com os quatro candidatos à Presidência da República que ocupam os primeiros lugares nas pesquisas do Ibope e Datafolha, foi marcada por forte pressão refletida na exigência de respostas adequadas às perguntas feitas.
Está perfeito. Assim devem ser as entrevistas. Além de Dilma Rousseff, também o pastor Everaldo foi selecionado pela Rede Globo para aparecer no Jornal Nacional, de forma surpreendente já que aparece com apenas 3 pontos no Ibope e 4% no Datafolha só pode ser pela influência que tem, não para chegar ao Planalto, mas para influir ou não num segundo turno entre a atual presidente eo senador mineiro. Mas esta é outra questão.
O desempenho de Aécio Neves foi focalizado em reportagem de Juliana Granjeia, publicado no GLobo, edição de 12 de agosto. A atuação não foi positiva, não somou votos para o candidato do PSDB. Talvez em função dos temas colocados, como Juliana focalizou bem, o reajuste, ano que vem, dos preços dos combustíveis e das tarifas de energia elétrica. Preços represados para conter a ruptura, antes das urnas, do processo inflacionário.
Esta pergunta certamente será feita a todos, vamos esperar, mas estamos falando de Aécio. Não se saiu bem. A meu ver faltou firmeza diante da solidez dos perguntadores. Procurou desviar o assunto, porém foi impedido de fazê-lo. Talvez tenha se surpreendido com a avalanche jornalística que ocorreu. Não foi convincente nas respostas, não enfrentando as perguntas adjetivadas que conduziram a dificuldade das respostas. Afinal de contas, como a Folha de São Paulo acentuou na edição de segunda-feira, pelo menos do outro lado da tela mágica estavam 36 milhões de pessoas, eleitores.
As indagações evidentemente incomodaram os candidatos da oposição, principalmente sobre a presença em sua campanha do ex-senador Eduardo Azeredo, acusado de haver participado do mensalão mineiro quando governador e que renunciou ao mandato parlamentar para evitar seu julgamento pelo Supremo tribunal federal.
Deveria ter se preparado melhor para a hipótese do pior que marcou a atmosfera da comunicação entre ele, Bonner e Patrícia Poeta. A indagação incomodou, é claro, e o mal estar ytranspareceu na face e na expressão de Aécio Neves. Outra colocação incômoda foi desfechada quanto a questão do aeroporto construida próximo à cidade de Claudio, em cuja área está localizada pequena fazenda de propriedade de sua família. O candidato não soube sair da pressão, com o tempo ocupado por uma pergunta em cima da outra, e, com isso, pasou a imagem de estar na defensiva, pouco destacando os progressos e metas com os quais está se apresentando ao eleitorado brasileiro.

O destino, esse enigma eterno, mudou o quadro da sucessão presidencial

Pedro do Coutto
O destino, esse enigma eterno que acompanha a existência humana, produzindo desfechos e tragédias inesperadas, mais uma vez surgiu no horizonte político brasileiro e levou Eduardo Campos para o além da vida. Cedo demais para morrer nos seus 49 anos, juventude plena. Quem poderia prever? Ninguém. Como pessoa alguma poderia prever a morte, em desastre aéreo, 1950, do senador Salgado Filho em campanha pelo governo do Rio Grande do Sul, a morte, 1961, do governador do antigo Estado do Rio de janeiro, Roberto Silveira, do ex-presidente Castelo Branco, em 1967, início do governo Costa e Silva. Tampouco a maior tragédia de todas, o assassinato do presidente John Kennedy, 1963, em Dallas, no Texas. Acrescento o suicídio de Vargas, 1954, Palácio do Catete.
De todo esse elenco de acontecimentos trágicos, claro, o que de maiores reflexos, inclusive mundiais, proporcionou foi o assassinato do presidente John Kennedy. Os Estados Unidos, de um projeto reformista renovador, passou para o plano de um conservadorismo integral traduzido pela administração Lyndon Johnson. A escalada da guerra do Vietnã vem daí. Mas todas essa são outras questões pertencem ao passado.
No presente, para onde se deslocarão os rumos da sucessão presidencial de outubro? Escrevo este texto na tarde de quarta-feira, dia da morte de Eduardo Campos. Pretendia escrever sobre a entrevista dele a William Bonner e Patrícia Poeta no Jornal Nacional de terça-feira, véspera do desastre aéreo no litoral paulista. O reflexo, a meu ver, junto à opinião pública não seria positivo. Mas com sua morte encerra-se um período. Inicia-se outro, que começa com o preenchimento do vazio que deixou.
Para quem irão as intenções de voto assinaladas pelas pesquisas do Ibope e Datafolha, que variavam entre 8 a 9%? Esta é uma das indagações. Existem, porém, várias outras. Como ficará o PSB? Pretenderá o partido substituí-lo por outro? Quem  poderia ser? Ou pretende abrir a questão, o que afasta a hipótese de Marina Silva vir a se tornar a candidata socialista, o que leva à escolha de outro vice? A favor de  Marina Silva existe o ótimo desempenho que realizou nas urnas de 2010. Isso de um lado. De outro, aceitará ela a missão que, logicamente, ela estaria investida? vamos considerar que sim. Quem seria escolhido vice?
Falamos em enigmas e destinos. Para alguém ser candidato a Constituição exige um ano de filiação partidária. Ela, Marina, era filiada ao movimento chamado Rede. Não foi reconhecido pela Justiça Eleitoral. Marina Silva, no dia 4 de outubro de 2013, inscreveu-se no PSB. Pode, portanto, ser escolhida candidata à presidência da República, como sua candidatura foi homologada como vice de Eduardo Campos. Habilitação legal ela possui, já que as eleições acontecem no dia 5 de outubro deste ano. Temos que aguardar os desdobramentos que já vão começar a surgir. Candidata, alcançará mais intenções de voto que o ex-governador de Pernambuco? Neste caso, ele ameaça mais Aécio Neves, para obter passaporte para um possível segundo turno. Ou não atingirá os 20% Nesta hipótese poderá se tornar fator decisivo para transferir de 5 para 26 de outubro o desfecho do pleito, o que pode favorecer Aécio.
        São perguntas que as próximas semanas vão responder.