Davi Alcolumbre exibe a senadores dossiê contra André Mendonça no Supremo

O senador Davi Alcolumbre e Jair Bolsonaro

Alcolumbre disse que André Mendonça perderá no plenário

Lauro Jardim
O Globo

Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Justiça, Constituição e Cidadania do Senado, é incansável em sua vontade de barrar a ida de André Mendonça para a Supremo Tribunal Federal. Tem mostrado a vários senadores um dossiê contra o candidato de Jair Bolsonaro à vaga de Marco Aurélio de Mello.

Nele, constam detalhes de uma importante reunião que Mendonça teria tido com o hoje desaparecido procurador Deltan Dallagnol, na qual o ainda chefe da AGU teria prometido apoiar postulados que eram bandeiras da Força-Tarefa da Lava-Jato.

COM BOLSONARO – Na tentativa de destravar a sabatina de André Mendonça no Senado, Jair Bolsonaro teve um encontro fora de agenda com Davi Alcolumbre na semana passada.

A reunião, intermediada por Flávio Bolsonaro, aconteceu depois que um grupo de líderes evangélicos foi ao gabinete presidencial pressionar Bolsonaro em favor do “terrivelmente evangélico” Mendonça.

Os pastores haviam pedido a Bolsonaro que entrasse em campo com mais força para que Alcolumbre tirasse da gaveta a indicação de Mendonça ao STF e marcasse de uma vez por todas a sabatina. Presidente da CCJ, cabe a Alcolumbre marcar a data.

FALTAM VOTOS – No encontro com Bolsonaro, Alcolumbre disse que Mendonça não teria votos no plenário do Senado para ser aprovado ao Supremo.

O presidente Bolsonaro, segundo relatos de um interlocutor, disse que sabia disso, mas que tinha um compromisso com os evangélicos e não retiraria a indicação de Mendonça.

Alcolumbre trabalha pelo nome de Augusto Aras para a vaga aberta no STF, por ser terrivelmente contra a Lava Jato.

‘Raça não é genética” – eis uma polêmica que consegue desagradar a direita e a esquerda 

RACISMO E POLÍTICA DE COTAS: CARA GENTE “BRANCA” RACISM AND QUOTA POLICY:  DEAR “WHITE” PEOPLE

Charge reproduzida do Arquivo Google

Eurípedes Alcântara
O Globo

Quando você consegue ao mesmo tempo desagradar à direita e à esquerda, são grandes as chances de estar com a razão. É o caso da pesquisadora americana Kathryn Paige Harden, professora de psicobiologia evolutiva na Universidade do Texas. Ela meteu sua colher de pau na panela da sopa mais quente de nosso tempo, a discussão sobre raça.

Passou a apanhar nas redes desde que seus estudos foram divulgados, primeiro num artigo na revista New Yorker, depois no livro “The genetic lottery “ (“A loteria genética” ), que tem como subtítulo traduzido para o português “Por que o DNA importa para a igualdade social”.

IRRACIONALIDADE DIGITAL – Acuada pelo avanço da lava vulcânica da irracionalidade digital militante, a professora recuou no Twitter: “Houve reações fortes ao artigo da New Yorker e não posso responder a todas elas aqui. Mas quero reafirmar que raça não é genética”.

De modo geral, simplificando a ponto de caricaturar a questão, a ideia de que raça não é definida pelo DNA com que a pessoa vem ao mundo não é o mesmo que afirmar que os genes são irrelevantes (posição da esquerda), nem que eles são os únicos responsáveis pelo destino de um indivíduo (posição da direita).

A doutora Kathryn importuna a esquerda e a direita, primeiro, por demonstrar que não existem simplificações científicas possíveis quando o assunto é a complexa interação da hereditariedade de cada um com o ambiente social, econômico e político em que nasce e vive. Como cantou Chico César, “deve ser legal / ser negão no Senegal”, mas já não é tão fácil em outras paragens, quando sua “mãe é mãe solteira / e tem que fazer mamadeira / todo dia / além de trabalhar / como empacotadeira / nas Casas Bahia”.

VIVER ENTRE IGUAIS – No Senegal, a pessoa de pele escura nasce e vive entre iguais, e a tonalidade de sua epiderme não tem peso específico sobre sua saúde psicológica ou suas chances de sucesso profissional e social. Já nascer negro numa sociedade onde a maioria esmagadora da classe dominante é formada por brancos significa ter de escalar montanhas de pedras soltas todos os dias, do berço ao túmulo.

Em segundo lugar, a professora desagradou à militância por mostrar que o prêmio da loteria genética que dota alguém individualmente de atributos hereditários especiais de inteligência ou destreza corporal em excesso pode sair tanto para um negro quanto para um branco, sem preferências raciais. A biologia é neutra no nível individual.

A encrenca começa quando a genialidade genética de um negro encontra hostilidade e é anulada por circunstâncias sociais adversas — nascer num gueto racial de Chicago, no exemplo dela.

PERPETUAR O PRECONCEITO – Mas nascer num gueto nada tem de biológico. É uma construção sociocultural que impede que o prêmio genético individual se expresse como poderia no conjunto da população negra:

 “Juntar raça e ancestralidade genética numa única ideia é a maneira mais cruel de perpetuar o preconceito de que as desigualdades de desempenho, vistas, por exemplo, nos testes de Q.I., são devidas a diferenças biológicas inatas.

Quando os primeiros imigrantes italianos, irlandeses e judeus chegaram aos Estados Unidos, eles não eram considerados socialmente brancos, e seu desempenho educacional e profissional era condizente com o de párias, mesmo sendo tão brancos quanto os integrantes da classe dominante.

DIREITA E ESQUERDA – Foi a contragosto que a professora Kathryn Paige Harden se obrigou a contextualizar sua demonstração de que “raça não é um conceito biológico válido no campo da ciência” com o mundo real dos combates nas ruas das grandes cidades dos Estados Unidos.

Ela diz esperar que seus estudos incomodem os que, à direita, se sentem “moralmente justificados” por acreditar que injustiça racial é de origem puramente genética — e, portanto, não há o que fazer. Espera também cutucar o pessoal à esquerda que “enfraquece seu argumento por igualdade” pela negação do papel dos genes sobre indivíduos e populações.

O exemplo ditatorial da China nas redes sociais precisa ser repelido no Ocidente

Charge do Jota (Arquivo Google)

Pedro Doria
O Globo

Este mês de setembro abriu, na China, com um grande simpósio promovido pela agência reguladora de entretenimento via rádio, televisão e internet. Todo mundo foi — estavam lá estrelas, os principais executivos e, naturalmente, toda a burocracia responsável pelo setor. A pauta em comum: moralizar a cultura de celebridades, principalmente no ambiente digital.

A palavra “moralizar” traz em si uma carga que parece sugerir algo sexual. A preocupação do governo chinês, porém, não é essa. A preocupação é comercial, passa por saúde mental e, naturalmente, por estabilidade política.

CONTRADIÇÕES – A China é uma ditadura. Assim, nunca serve como uma comparação perfeita. Mas é, também, uma ditadura única na história. Em teoria, é comunista. Porém adota economia de mercado. E tem uma indústria tecnológica formidável, equivalente apenas em sua inovação à americana.

É um país com uma imensa classe média, que vive um cotidiano até mais digital que o nosso. Por causa disso, há muito o que aprender com sua experiência, com seu olhar. Neste momento, a China está agindo com mão pesada sobre a indústria digital. Dificilmente vamos querer repetir, aqui, o tipo de regulação que uma ditadura impõe. Ainda assim, é preciso prestar atenção a seu olhar.

O Partido Comunista Chinês (PCC) começou 2021 indo atrás de Jack Ma, fundador e CEO do Grupo Alibaba, um portento que representa por lá algo como Google e Amazon somados. Ma, presença fácil nos grandes eventos da indústria mundo afora, está calado desde dezembro do ano passado. Foi censurado, lembrado de quem manda no país. Foi só o primeiro sinal de que as coisas estavam mudando.

NOVAS REGRAS – Nas últimas semanas vieram duas novas regras, ambas muito relevantes. Uma proíbe que menores de idade joguem videogames durante a semana e limita seu consumo a entre 20h e 21h de sextas, sábados, domingos e feriados.

A outra é a que interfere na “cultura de celebridades”. O termo é esse, mas se refere ao que, no Brasil, temos chamado de influenciadores digitais. É claro que artistas entram no jogo, mas os mesmos limites valem para todos aqueles que atraem um número grande de seguidores nas redes sociais.

O argumento dos reguladores é que influenciam de forma negativa a população, principalmente em questões de imagem corporal, e que também incentivam consumismo exacerbado. Quem deseja uma carreira artística, agora, pode usar os meios digitais. Mas, caso se envolva com publicidade e cruze a linha que o partido determinou, pode ver o fim da carreira.

É PROIBIDO – Os argumentos oficiais do PCC, qualquer um de nós compreende na hora. Da maneira como a internet se desenvolveu, ela se tornou viciante. Crianças e adolescentes estão entre os mais suscetíveis a se perder nesse mundo. Em não raros casos, a gastar todo o seu tempo livre diante de uma tela, o dedo frenético no controle de games ou girando sem parar na tela que flui. O TikTok que vemos no Brasil não pode mais funcionar na China como opera no Ocidente.

Esse é um problema para as big techs americanas. Elas vinham resistindo à regulação por parte do governo com o argumento de que, controladas, não teriam como acompanhar suas equivalentes chinesas — e os EUA estão preocupados com a concorrência da China. Só que, agora, a regulação por lá é cada vez mais rigorosa.

Não custa observar: os protestos de jovens em Hong Kong durante o ano de 2020, mobilizados on-line para brigar por liberdade, também estão entre as razões de um governo ditatorial decidir agir. Não é isso que desejamos numa democracia — mobilização espontânea on-line pode e deve ocorrer. Como regular para evitar manipulação por grupos políticos? E atacar uma indústria que constrói seus produtos para viciar e vender?

O tema é urgente.

Bolsonaro sai da quarentena e voltará a bater ponto no cercadinho do Palácio Alvorada

PT plantará maconha no Alvorada se voltar ao poder, diz Bolsonaro |  Política - Últimas Notícias em Fortaleza e Ceará - O POVO

Jair Bolsonaro está liberado para receber seus apoiadores

Mateus Vargas
Folha

O presidente Jair Bolsonaro recebeu neste domingo (26) resultado negativo de exame para Covid e deve deixar o isolamento.Ele estava em quarentena desde terça-feira, por orientação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), após o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) ter confirmado infecção.

“A Secretaria Especial de Comunicação Social informa que o Presidente da República, Jair Bolsonaro, testou negativo para a Covid-19. O exame foi realizado na manhã deste domingo (26), no Palácio da Alvorada”, informou o Planalto em nota.

LIBERADO DO ISOLAMENTO – A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também divulgou neste domingo (26) que fez exame e não tem Covid. Um auxiliar de Bolsonaro disse que o presidente já está liberado do isolamento, mesmo que ainda faça exame de contraprova mais tarde.

Bolsonaro não tem agenda oficial neste domingo. O resultado do exame libera o presidente para voltar diariamente ao cercadinho de apoiadores na portaria do Alvorada e participar de uma série de eventos durante esta semana para celebrar os mil dias de sua gestão.

O governo planeja enviar ministros para eventos em todas as regiões do Brasil. A ideia é tentar reverter a queda de popularidade do presidente.

QUEIROGA AINDA ISOLADO – O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, recebeu exame confirmando a Covid na terça-feira passada (21), em Nova York. Ele acompanhou a comitiva de Bolsonaro para participar da Assembleia-Geral da ONU. O ministro continua em quarentena nos Estados Unidos. E todo o grupo que esteve nos Estados Unidos foi colocado em isolamento, por recomendação da Anvisa.

A agência recomendou que Bolsonaro fizesse exame cerca de cinco dias após o último contato com Queiroga. A mesma orientação foi dada a todos os membros da comitiva.

Há quatro casos confirmados da Covid entre o grupo que acompanhou Bolsonaro. Além de Queiroga, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) recebeu diagnóstico da Covid na sexta-feira (24), o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, confirmou a infecção neste domingo (26) e um funcionário do cerimonial do Planalto que esteve nos Estados Unidos para preparar a viagem do presidente também se contaminou.

SEM MÁSCARAS – Membros da comitiva de Bolsonaro não usaram máscaras e fizeram aglomerações em alguns momentos da viagem aos Estados Unidos, aumentando as chances de contaminação. Mesmo depois de saber da infecção de Queiroga, o presidente cumprimentou apoiadores.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS), e o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Bruno Bianco, também confirmaram a infecção na sexta-feira (24). Eles não estavam na comitiva de Bolsonaro em Nova York.

Somando os diagnósticos desta semana, 18 ministros de Bolsonaro já foram infectados pela Covid. A conta considera autoridades que já deixaram o governo, como Ricardo Salles, mas que confirmaram o contágio enquanto estavam no cargo de ministro.

Afirmar que a CoronaVac não tem eficácia científica comprovada é um crime grave

"Querer me culpar pela fome no Brasil, pelo desemprego... Você está de sacanagem, né?", disse Bolsonaro - Reprodução/Facebook

Jair Bolsonaro insiste em dizer que a vacina não tem eficácia

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

Além de se manifestar contra a vacinação em geral, o presidente afirmou três vezes, somente nesta semana, que a CoronaVac não tem eficácia científica comprovada. Por outro lado, o Ministério da Saúde informou que já distribuiu mais de 101 milhões de doses da CoronaVac.

Vai daí que: ou o presidente mente descaradamente ao declarar ineficaz uma vacina aprovada e distribuída por órgãos técnicos de seu governo; ou o Ministério da Saúde engana descaradamente a população brasileira ao oferecer um medicamento imprestável.

BOLSONARO MENTE – Em qualquer caso, temos aí um crime grave, sempre de responsabilidade direta do presidente Bolsonaro. Ele costuma colocar a culpa nos outros, mas não tem como dizer que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é o único responsável pela aplicação da vacina do Instituto Butantan.

Como a eficácia da CoronaVac tem farta comprovação científica, no Brasil e em outros países, como Chile, para não citar a China, produtora original da vacina, a conclusão é inevitável: Bolsonaro mente.

Mas isso se estivéssemos tratando de uma pessoa normal. Mentiroso é quem afirma algo sabendo tratar-se de mentira. Não é o caso. Pelo seu comportamento nesta e noutras situações, Bolsonaro demonstra que não acredita — isso mesmo, não acredita —nas informações científicas sobre a Covid-19, muito menos sobre a eficácia da CoronaVac.

O PODER DA CIÊNCIA – Diria, de novo, uma pessoa normal: ciência não é algo em que se acredita ou não. Ciência é experimento, prova, demonstração, teste. Diferente de senso comum praticado por pessoas ignorantes que se acham portadoras da verdade para tudo.

Sabe aquele cara que, diante de uma informação científica, olha para você com ar superior e diz: “E você acredita nisso?”. Muita gente entende que há uma estratégia por trás desse comportamento de Bolsonaro. Mas qual seria a estratégia de espalhar mentiras e confundir a população, junto à qual, aliás, perde confiança toda semana?

Não é estratégia. Na verdade, ao desclassificar a vacinação, a CoronaVac, os números sobre a pandemia (acha que o número de mortos é bem menor que o registrado pelo próprio governo) e a gravidade da doença (acha que os mortos por Covid-19 morreriam em poucas semanas, tendo o vírus apenas antecipado o desfecho fatal), Bolsonaro se comporta como o sabichão de mesa de bar.

O POVO QUER A VACINA – Nossas avós diziam: a ignorância é atrevida. Tinham razão. Repetiam Sócrates, pelo avesso. Só sei que nada sei, dizia o verdadeiro sábio, criador do pensamento ocidental. Só que o sabichão de mesa de bar é apenas isso. Ignorante inofensivo.

Sendo presidente, Bolsonaro causa enorme problema para o país e para sua população. O que nos salva, parcialmente, é que a população é mais esperta que o presidente.

A maioria esmagadora dos brasileiros corre atrás da vacina, seja qual for e onde esteja sendo aplicada. A adesão dos brasileiros à vacina está bem acima da média mundial. Aqui não tem movimentos antivacina, demonstração de que a maioria não cai na conversa maluca do presidente.

NEGACIONISMO – Mas o estrago está feito. O negacionismo de Bolsonaro atrasou a chegada das vacinas ao Brasil e, pois, contribuiu para um número maior de doentes e mortos.

O que evitou o pior — um país sem vacinas —foi a ação do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu o poder de governadores e prefeitos nos programas de combate à pandemia. E estes lutaram pelas vacinas, assim como parte das lideranças políticas e civis, conseguindo forçar o governo federal a adquiri-las. A mídia independente e séria teve papel crucial ao mostrar os dados da ciência e os fatos observados.

Médicos e profissionais da saúde pública e privada tiveram comportamento exemplar, tirante aqueles, agora apanhados pela CPI, que agiram contra a ciência que deveriam ter aprendido. Essa barreira continua de pé. Mas é preciso impedir que o presidente continue nessa cruzada do mal.

Desde a Segunda Guerra Mundial, ainda não tinha ocorrido uma crise de tamanha gravidade

TRIBUNA DA INTERNET | Crise política não bateu na “economia real”

Charge do Lute (Arquivo Google)

Deu no Estadão

O crescimento esperado para a economia mundial neste ano, de 5,3%, será o maior em meio século e alguns países deverão alcançar ainda em 2021 o nível de produção que registravam antes da pandemia ou até superá-lo. Este é o dado mais positivo do relatório anual da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Mas o crescimento deverá ter forte desaceleração em 2022, para 3,6%, por causa da retomada desigual em termos regionais e das incertezas que ainda cercam a economia mundial.

ABAIXO DA MÉDIA – Países em desenvolvimento estão tendo mais dificuldades para se recuperar e enfrentarão problemas no ano que vem. O Brasil está entre eles: o crescimento previsto para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, de 4,9%, é menor do que a média mundial; também no ano que vem o desempenho brasileiro, com expansão estimada em 1,8%, será inferior ao do resto do mundo.

O impacto nos países menos desenvolvidos é mais forte e será mais duradouro do que nos países ricos. As perdas dos países em desenvolvimento em relação ao que eles poderiam produzir caso não tivessem sido tão duramente atingidos pela covid-19 são estimadas pela Unctad em US$ 12 trilhões entre 2020 e 2025.

PERDAS DO BRASIL – Para o Brasil, a Unctad estima a perda em US$ 240 bilhões no período. Poderia ter sido pior, caso a economia brasileira não tivesse mostrado, em 2020 – quando encolheu 4,1% –, maior resistência aos efeitos da crise sanitária do que a observada em outros países da região. Na América Latina e no Caribe, o PIB caiu 7,1% no ano passado. Para a região, a perda de renda entre 2020 e 2025 pode chegar a US$ 619 bilhões, segundo a Unctad.

Problemas específicos do Brasil foram citados no relatório para explicar o desempenho econômico mais fraco do que o de países em desenvolvimento fora da América Latina. O relatório observa que fatores políticos internos levaram à desvalorização mais aguda do real do que de outras moedas de países em desenvolvimento. A crise hídrica também é lembrada, por seu impacto sobre os preços da energia.

NO FIM DA DÉCADA – A efetiva recomposição da renda dos países em desenvolvimento, se não houver novos choques que retardem mais sua recuperação, só deverá ser alcançada no fim desta década.

Segundo a Unctad, esta poderá ser a década de menor taxa de crescimento desde o final da 2.ª Guerra.

CPI precisa focar no seu relatório final e deixar o restante para a Polícia Federal

CPI da Covid estuda discutir denúncias da Prevent Senior

Enfim, chegou a hora de a CPI preparar seu relatório final

Eliane Cantanhêde
Estadão

Vagabundo, picareta, ladrão, vigarista… Com essa profusão de insultos mútuos, os senadores Renan Calheiros, relator da CPI da Covid, e Jorginho Mello, da tropa de choque bolsonarista, deixaram claro que a comissão não está no seu melhor momento e chega à reta final com ameaças de sopapos entre seus próprios integrantes. Renan caiu na armadilha dos governistas e só quem perde é a CPI. Foco, senhores! Foco!

Criada para investigar, divulgar e responsabilizar os negacionistas, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, pela sua coleção de erros pavorosos durante a pandemia, a CPI não só cumpriu esse papel, como também atirou no que viu e acertou no que não viu – nem previu: um esquema tão primário quanto nocivo de empresas e lobistas para tirar uma casquinha da desgraça com o dinheiro público.

NUMA ENCRUZILHADA – Na última semana, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid mostrou estar numa “encruzilhada”, após uma sequência de três depoimentos “lamentáveis” e troca de insultos entre senadores. O momento é de encerrar as oitivas para que os parlamentares foquem no relatório final.

Os senadores precisam parar de temer a crise de abstinência do pós-CPI, que é quando os holofotes se apagam. É preciso parar os depoimentos, com o fim da exposição pública, e se voltar para dentro, para o principal, que é o relatório final a ser discutido e votado.

FORÇA-TAREFA – Para dar sequência às apurações iniciadas pelos senadores, o Ministério Público de São Paulo criou na quinta-feira, 23, uma força-tarefa que vai investigar se a Prevent Senior tratou pacientes, sem o devido consentimento, usando o chamado kit-covid.

A CPI tem uma função: trazer à luz todas essas questões, mostrar tudo isso e concretizar um belo relatório final, porque não pode ficar indefinidamente, durante anos, investigando os detalhes.

Sobre a próxima semana de trabalhos, o já agendado depoimento do empresário bolsonarista Luciano Hang não vai servir para nada e será transformado por ele num circo, porque é daqueles que gostam de aparecer na mídia.

Ao fazer da questão ambiental sua prioridade, Biden deixa o Brasil ainda mais isolado

Bolsonaro avalia anunciar aumento de verba para o Meio Ambiente em cúpula  de Biden

Joe Biden inova em política ambiental nos Estados Unidos

Deu em O Globo

O presidente americano, Joe Biden, superou a expectativa criada em torno de sua política ambiental. Não apenas pôs os Estados Unidos de volta no Acordo de Paris, mas baixou na semana passada uma série de decretos que mudarão drasticamente a atitude americana diante das mudanças climáticas e obrigarão os demais países — inclusive o Brasil — a também rever o próprio papel.

O governo americano investirá numa frota de veículos elétricos e criará uma rede de postos de eletricidade espalhada pelo país. Das terras, lagos e rios de propriedade federal, 30% serão reservados a preservação.

OUTRAS MEDIDAS – Foram suspensas novas concessões para exploração de petróleo e foi cancelada a construção do controverso oleoduto ligando o Canadá ao Texas.

Espera-se que amplie o compromisso de emissão de gases de efeito estufa firmado em Paris, de 28% para 40% ou 50% até 2030.

Não tardou a haver reação da oposição republicana e dos estados cuja economia depende da extração de carvão e petróleo. Biden tenta compensar o impacto negativo apostando nos negócios baseados em energia limpa. Em seu decreto, repete a palavra “empregos” 15 vezes. Só na indústria automotiva, quer criar um milhão de novos postos de trabalho (meta considerada exagerada por quem acompanha o setor).

SINAL INEQUÍVOCO – Para os ambientalistas, Biden transmite um sinal cristalino de que suas vozes serão doravante levadas a sério. Sobretudo porque, mais surpreendente do que a aposta econômica, foi a mudança de status político que deu à questão climática, tornada prioridade tanto para a segurança nacional quanto para a política externa.

A principal dúvida despertada entre os analistas internacionais é o impacto da nova política ambiental na relação dos Estados Unidos com os centros produtores de petróleo no Oriente Médio, em especial com a Arábia Saudita, país com que Donald Trump fez questão de desenvolver um relacionamento estreito. Para o Brasil, ela expôs ainda mais os erros cometidos pelo governo Bolsonaro.

O incentivo do ministro Ricardo Salles às queimadas e à devastação da Amazônia sempre foi nocivo ao meio ambiente, contribuindo para agravar o aquecimento global. Também dificulta as exportações de produtos agrícolas. Agora, põe o Brasil em confronto aberto com o país mais poderoso do planeta e nosso segundo maior parceiro comercial.

BRASIL ISOLADO – Certamente a política ambiental de Biden não é bom augúrio para Bolsonaro, Salles e companhia. Além do enfrentamento recorrente com a União Europeia, o Brasil fica ainda mais isolado na cena internacional.

Ao mesmo tempo, se os americanos souberem exercer pressão diplomática de modo construtivo — como Biden sugeriu num debate ainda na campanha, quando falou na criação de um fundo para financiar a preservação da Amazônia —, poderá ser uma oportunidade para deter a devastação dos biomas brasileiros, fortalecer a economia baseada em energias renováveis, contribuir para conservar o clima da Terra e salvar o Planeta da catástrofe ambiental.

Bolsonaro diz em entrevista que Moraes soltou bolsonaristas após conversa por telefone

Articulador da carta com acenos ao Supremo, Temer acredita que Bolsonaro  não promoverá nova escalada da crise institucional - Jornal O Globo

“Moraes não recuou um milímetro”, Temer se apressou a dizer

Camila Mattoso
Folha

Em entrevista a alemães de extrema direita, gravada em 9 de setembro e divulgada esta semana, Bolsonaro atrelou a conversa com Alexandre de Moraes intermediada por Michel Temer à decisão do ministro de revogar a prisão de um jornalista bolsonarista alvo dos inquéritos em andamento no STF.

Bolsonaro foi criticado por apoiadores por recuar. Questionado sobre a conversa, classificada pelo entrevistador como “branda”, o presidente disse que a queda do dólar e a melhora dos índices do mercado foram efeitos positivos “de imediato”.

PRISÃO RELAXADA – E continuou a resposta: “Hoje [9] nós tivemos já por parte do Alexandre de Moraes a revogação da prisão de um jornalista e, pelo que tudo indica, [são] novos tempos entre o Executivo e o Supremo”. Naquela data, o ministro revogou a prisão do bolsonarista Oswaldo Eustáquio.

“Estamos indo muito bem e muito rápido. Temos ainda algumas questões, estou conversando lá, e eu vejo boas notícias. Mas tudo indica, era um casal que estava brigando já há algum tempo e que de repente fizeram as pazes. Está assim nosso relacionamento com o Supremo”, completou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica claro que o presidente nada entende de política. Inabilmente, atribuiu a libertação do blogueiro ao telefonema que deu para o ministro Alexandre de Moraes. O resultado é que foi imediatamente desmentido pelo ex-presidente Michel Temer, que deu entrevista dizendo que “Moraes não recuou um milímetro”. É impressionante como Bolsonaro insiste em dar declarações que depõem contra ele mesmo… (C.N.)

Clínicas acionam Justiça para a Precisa devolver R$ 1,8 milhão por vacinas não entregues

mão de homem com anel vermelho escuro no dedo segura frasco transparente

As vacinas foram pagas, mas sumiram, e não acontece nada

Mônica Bergamo
Folha

A Precisa Medicamentos está sofrendo uma chuva de processos na Justiça de clínicas, laboratórios e associações que compraram dela vacinas da Covaxin que jamais foram entregues. A empresa é investigada pela CPI da Covid por suposta fraude na tentativa de aquisição de imunizantes.

Além da ação já divulgada em que a empresa teve R$ 144 mil bloqueados pelo Tribunal de Justiça de SP a pedido do Laboratório Côrtes Villela, outras oito demandas foram apresentadas à Justiça do estado. No total as dívidas somam R$ 1,8 milhões.

PAGOU À TOA – Apenas uma das empresas, a Centro de Diagnóstico Brasil (CDB), pagou R$ 1 milhão relativos a 10% do contrato para obter vacinas. Voltou atrás depois que o Congresso Nacional impediu a iniciativa privada de comercializar vacinas. Mas não recebeu os recursos de volta.

Na decisão em que já bloqueou recursos da Precisa em contas bancárias, o desembargador Alfredo Attié afirmou que a empresa “vem sendo investigada por participação alegada em uma série de ilícitos penais e civis, envolvendo a compra das vacinas da Covaxin, de forma superfaturada e fraudulenta, fatos que são gravíssimos, por Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado Federal, a denotar sério risco de não pagamento dos valores antecipados pela autora. Há, assim, perigo de dano e risco ao resultado útil do processo”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais incrível nisso tudo é que os diretores da Precisa e da Global, que são os mesmos, recebem adiantado e não entregam os remédios. No caso da Global, 14 pacientes morreram de imediato, por falta dos medicamentos. E não aconteceu nada, rigorosamente nada. Os “empresários” da Global submergiram e depois voltaram à cena na empresa Precisa, aplicando o mesmo golpe no mesmo cliente, o Ministério da Saúde, e não acontecerá nada, rigorosamente nada, porque os três Poderes, para libertar e “inocentar” Lula da Silva, já se encarregaram de garantir que esses tipos de crime gozem de impunidade no Brasil. Mas quem se interessa? (C.N.)

“DEM migrou para a direita e sua fusão com PSL será confusa”, diz ex-prefeito Cesar Maia

O vereador e ex-prefeito do Rio Cesar Maia 17/09/2018 Foto: Leo Martins / Agência O Globo

Cesar Maia exibe o tamanho do problema da fusão para o DEM

Thiago Prado
O Globo

Com as malas prontas para sair do DEM, o ex-prefeito e vereador Cesar Maia avalia que a fusão com o PSL é praticamente certa, e que o novo partido deverá marcar posição à direita do espectro ideológico. A guinada, comandada por ACM Neto, presidente nacional da sigla, foi marcada pelo racha devido a divergências na escolha do sucessor de Rodrigo Maia na Câmara dos Deputados, que acabou expulso do partido em junho.

Diante do cenário que se desenha para a eleição presidencial de 2022, Maia ainda especula desistência de Bolsonaro e enfraquecimento de Lula.

De zero a dez, qual a chance da fusão entre DEM e PSL realmente se concretizar nos próximos meses?
Sete. Temos que aguardar os desdobramentos, especialmente nos estados. As informações que tenho recebido é que a escolha dos presidentes dos diretórios estaduais será confusa. Veja o caso do Rio. Um acordo de ACM Neto com o pastor Silas Malafaia levou o deputado Sóstenes Cavalcante à presidência do DEM no Rio. Mas, se houver mesmo a fusão, o presidente será o Waguinho, prefeito de Belfort Roxo pelo PSL. Em São Paulo, difícil saber como vai se resolver. Esse processo de fusão vai demorar no mínimo 90 dias.

A união dos dois partidos é boa para a centro-direita brasileira?
Pelo que tenho acompanhado, a fusão formará um partido de direita e não de centro-direita. O DEM estava indo por um caminho de centro e optou por migrar para a direita. É uma decisão com foco apenas nas eleições de alguns governadores e deputados.

O senhor acha que ACM Neto foi desleal com seu filho Rodrigo Maia em fevereiro na questão da liberação da bancada do DEM para apoiar Arthur Lira na disputa pela presidência da Câmara com Baleia Rossi?
Não tenho como avaliar. Mas os fatos posteriores mostram que havia uma pressão para empurrar o DEM para direita. Rodrigo já ocupava explicitamente o campo do centro.

O senhor sairá do DEM assim como Rodrigo?
Sair do partido sem fusão exigiria uma solução jurídica com advogados de um lado e outro. Com fusão não haverá complexidade. Bastará uma escolha.

A relação ruim de Gilberto Kassab com Rodrigo Maia não torna difícil a ida de vocês dois para o PSD, movimento feito pelo prefeito e aliado Eduardo Paes?
São dois profissionais e sabem bem que não estarem longe é bom para os dois.

Como o senhor acha que Bolsonaro chegará para a eleição de 2022?
Na balança de probabilidades, o mais provável é desistir da candidatura sem decepcionar seu time por ficar fora do segundo turno. E desenhará uma desculpa para seus aficionados: tipo, “assim não dá para governar”. Ele já vem repetindo esse discurso. Sem Bolsonaro, Lula perderá o sparring preferencial e começará a perder musculatura. O quanto perderá depende da qualidade política das alternativas e dos discursos propositivos oferecidos. Não seria surpresa se a eleição de 2022 ocorresse em torno de outros dois nomes excluindo Lula e Bolsonaro. Em junho de 1994, Lula estava eleito. O Plano Real em julho desmanchou seu favoritismo. Fernando Collor só surgiu na pesquisa para valer também em junho. Ambos os casos no ano da eleição. Falta muito ainda.

Como avalia os outros nomes cogitados para a Presidência até o momento?
Na disputa do PSDB entre João Doria e Eduardo Leite, não vejo como São Paulo deixará de disputar a cabeça. Basta ver toda a história da República. Há também que se aguardar a decisão de Rodrigo Pacheco e esperar ele esquentar nas pesquisas. A opção por Minas Gerais é inteligente. Abre um caminho. Trata-se do segundo colégio eleitoral do país.

Pacheco deixará o DEM?
Acredito que sim. Segundo se diz, a conversa com o PSD avançou muito. E, como senador, ele pode mudar de partido quando quiser.

E o seu correligionário Luiz Henrique Mandetta, alguma chance de ser candidato ou vice em outra chapa?
Se vier a fusão da forma anunciada, não vejo espaço para ele. Esse novo partido será criado para eleger deputados apenas.

O que tem achado da estratégia de Ciro Gomes de bater tanto em Lula quanto em Bolsonaro?
É uma escolha apressada imaginando que o desgaste de Lula em função do Lava-jato abriria um vetor para ele. Acho uma estratégia equivocada.

Foi essa, aliás, a estratégia do MBL nas manifestações do dia 12 de setembro, que levou um público muito baixo para as ruas. Está errado ser contra Lula e Bolsonaro ao mesmo tempo?
Certamente errado. Mas se deve ir bem além do anti-Bolsonaro. A crise brasileira múltipla exige a escolha de uns três ou quatro temas propositivos. Emprego entre eles. O desemprego entre os jovens está em 30%.

Não acha que a economia melhora um pouco ano que vem e ajuda a melhorar a popularidade de Bolsonaro?
É claro que não. Dois exemplos: o minério de ferro caiu 47% de julho para cá e o agronegócio ficará sem parceiro “primário”. E mesmo que façam um novo bolsa-família turbinado, programas de transferência de renda precisam estar lastreados em confiança e esperança. As respostas relativas a estes dois vetores nas pesquisas recentes de DataFolha e Ipec mostram que estamos longe disso.

O senhor descarta o impeachment?
Sim, pela estrutura de comando e minoria na Câmara. A proximidade das eleições não ajudará a formar maioria de dois terços. Ele ainda se mantém com mais de 20% de avaliação de ótimo e bom devido a força do seu cargo. Mas, quando vier a aproximação da perda da Presidência, esse quadro muda.

Não teme que cenas como a tentativa de invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, se repitam em 2022 no Brasil?
A situação política é muito diferente. Donald Trump contava com pouco menos da metade dos eleitores. Bolsonaro hoje conta com um quinto da população.

Como analisa a disputa pelo governo de São Paulo?
Só quando Rodrigo Garcia for percebido como governador é que se conhecerá o quadro eleitoral efetivo.

Acredita em uma candidatura Geraldo Alckmin forte?
Em geral o governador de São Paulo conta com forte apoio no Interior. Alckmin fora do governo terá uma tarefa árdua para compensar a região metropolitana.

Guilherme Boulos ou Fernando Haddad, quem é o nome mais competitivo para a esquerda?
Tende a ser o Haddad colado no Lula e amaciando o discurso para a classe média e o empresariado.

Como analisa a disputa para o governo do Rio? Uma eleição no Rio sempre tem um quadro múltiplo. Acho muito pouco ainda apenas os três nomes colocados até agora (Cláudio Castro, Marcelo Freixo e Rodrigo Neves). Imagino que Freixo vá até o fim e fará uma campanha olhando a candidatura a prefeito dois anos depois. Castro fez uma montagem multipartidária. Há um risco grande dessas alianças se desintegrarem se as pesquisas apontarem para um quadro adverso.

Acredita em fatos novos como a candidatura do vice-presidente Hamilton Mourão ou do prefeito Eduardo Paes?
Mais provável que Mourão termine como candidato a deputado federal evitando riscos maiores. E Se Paes estivesse pensando nisso teria escolhido um vice próximo e com lastro. Em 2024 fará isso e irá para governador depois.

O senhor pode se aventurar a ser candidato a algo em 2022?
Estou feliz como vereador com três mandatos.

Bolsonaro usará marco dos mil dias para viajar o país e tentar recuperar a popularidade

Governo Bolsonaro em Charges | Bolsonaro 1000 dias

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Deu na Folha

Na esteira do pior patamar de reprovação ao governo desde que tomou posse, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) planeja uma sequência de eventos para celebrar a semana em que completa mil dias de mandato. A ideia original do presidente é fazer viagens para todas as regiões do país, num esforço concentrado para apresentar entregas como estradas, casas populares e até hidrelétrica.

Com as viagens e os eventos, Bolsonaro espera recuperar parte da sua popularidade. Segundo o Datafolha divulgado na semana passada, 53% da população considera a gestão do presidente ruim ou péssima, um novo recorde.

PLENA CAMPANHA – A ideia de integrantes do Palácio do Planalto é que Bolsonaro visite ao menos uma cidade de cada região e participe por videoconferência de inaugurações de impacto.

Durante as viagens, além das solenidades de lançamento das obras, o presidente deverá conceder entrevistas a rádios locais. A medida faz parte de uma nova estratégia de comunicação que busca dar capilaridade às ações do governo.

No dia 27 de setembro, quando o governo completa mil dias, o plano é fazer um ato no Planalto. De 28, terça-feira, a 1º de outubro, sexta-feira, Bolsonaro deve ir para Nordeste, Norte, Sudeste, Centro-Oeste e Sul. As duas últimas regiões serão visitadas no mesmo dia pelo presidente, na sexta.

INAUGURAÇÕES – O chefe do Executivo está sendo aconselhado a participar dos eventos mais vistosos, como inaugurações de hidrelétrica ou rodovias. Mas caberá ao próprio Bolsonaro a escolha das cidades e dos eventos que participará.

Segundo auxiliares palacianos, o chamado “entregaço” já vinha sendo organizado há pelo menos quatro meses. Foram concentradas todas as entregas de ministérios previstas para setembro em uma única semana.

Estão planejados eventos que vão da alçada desde do Ministério da Defesa até a Saúde, passando por Educação, Desenvolvimento Regional, Ciência e Tecnologia e Infraestrutura, entre outros.

AGENDA POSITIVA – A lista de obras está sendo finalizada. A expectativa é que sejam incluídos atos de assinatura de concessão de aeroportos e rodovias, além da liberação de trechos duplicados em estradas.

Com a série de eventos, a meta do Planalto é tentar emplacar uma agenda positiva nos estados, diante das pesquisas de opinião que mostram Bolsonaro em desvantagem em relação ao seu provável adversário no ano que vem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A mais recente pesquisa Datafolha mostrou que a corrida presidencial está estagnada, com Lula mantendo larga vantagem sobre Bolsonaro na dianteira da disputa.

MIL DIAS – Durante as atividades dos mil dias, no mesmo dia e no mesmo horário, a previsão é que ocorram eventos simultâneos em diferentes estados do país com os ministros.

Bolsonaro quer participar presencialmente de um e, por videoconferência, aparecer nos demais. Nas cerimônias, o Planalto também pretende apresentar vídeo com o que foi entregue pelo governo federal aos estados.

Antes da pandemia, o governo realizava eventos no Planalto a cada cem dias para apresentar o que teria feito no período. Esta deve ser a primeira vez que Bolsonaro viajará com esse propósito. E o governo prepara eventos em dias e cidades distintas com os ministros como estrelas.

Próximo presidente terá um trabalho enorme para refazer a imagem do Brasil no exterior

Iotti / Iotti

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Deu no Estadão

O cientista político Joseph Nye conceituou como soft power a capacidade de determinados países de influenciar e seduzir outros por meio da inspiração evocada por seus valores, ideologias e modos de vida. Nye contrapôs esse tipo de poder, mais brando, ao poder bruto, coercitivo, tradicionalmente advindo da força militar e da pujança econômica.

Bem antes da conceituação do chamado soft power, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, já o tinha como a espinha dorsal do que viria a ser a doutrina diplomática brasileira.

LUGAR NO MUNDO – Ao mesmo tempo experiente e visionário, arguto observador da construção das relações de poder entre as nações, Rio Branco sabia que o lugar do Brasil no mundo não seria definido por seu poderio bélico nem por sua potência econômica, ambos muito aquém dos de países mais desenvolvidos.

Em grande medida, portanto, o Brasil é o que é hoje – um país de dimensões continentais que garantiu suas fronteiras quase sempre por meio de negociação e que é pacífico na relação com todo o mundo – graças à sua diplomacia.

Uma das razões pelas quais o chefe de Estado brasileiro tem a honra de abrir a Assembleia-Geral da ONU é o reconhecimento aos esforços do País para a criação da própria organização e, sobretudo, por seu histórico empenho em solucionar conflitos de forma pacífica.

ENVERGONHOU O PAÍS – Ao realizar o mais indigno discurso que um chefe de Estado brasileiro já ousou pronunciar da tribuna da ONU, o presidente Jair Bolsonaro, na terça-feira passada, não apenas envergonhou os concidadãos que deveria representar com honradez, como minou esse longo e profícuo trabalho da diplomacia brasileira na construção da imagem do Brasil no exterior, e que tantas conquistas legou ao País.

Hoje, o Brasil de Bolsonaro, que abandonou o poder brando em favor do poder truculento, na verdade é miseravelmente impotente.

A despeito das significativas mudanças de orientação política no curso da história republicana, jamais o País havia perdido de vista os pilares da doutrina diplomática consagrada em todas as Constituições desde 1891 – nem mesmo nos duros tempos da ditadura militar.

SERVIR AO PAÍS – “Um diplomata não serve a um regime, e sim a um país”, escreveu certa vez Rio Branco, ele mesmo um monarquista convicto que serviu brilhantemente a quatro presidentes da República entre 1902 e sua morte, em 1912.

Consta que Bolsonaro praticamente rasgou o discurso “moderado” redigido pelo chanceler Carlos França e pelo secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, almirante Flávio Rocha, e escreveu outro com auxílio do filho deputado, Eduardo Bolsonaro – que o pai queria ver embaixador nos Estados Unidos tendo como qualificação a experiência de ter “fritado hambúrguer” em uma lanchonete americana. De forma livre e consciente, o presidente decidiu ignorar sua responsabilidade como chefe de Estado e falar da tribuna da ONU diretamente a seus apoiadores mais amalucados.

MONTE DE BOBAGENS – A versão final do discurso, como o mundo inteiro teve o desprazer de ouvir, é um amontoado de mentiras, distorções da realidade e teorias conspiratórias.

Ao mesmo tempo que nega peremptoriamente a realidade que o cerca, Bolsonaro não propõe nada em troca. Não é possível nem sequer afirmar que seu governo sugere uma nova política externa para o Brasil. Seu discurso “sem alma”, como bem classificou a colunista Rosângela Bittar, do Estado, foi tão desértico como sua agenda para o País.

Sob Bolsonaro, o Brasil foi de um importante interlocutor em questões de interesse global a pária internacional, a motivo de chacota. Isso nada tem de trivial. A faina do próximo presidente da República, seja quem for, para reconstruir a reputação internacional do País será árdua, tarefa que dará trabalho dobrado aos genuínos herdeiros de Rio Branco. É essa a dimensão dos estragos provocados pela pequenez daquele a quem, desafortunadamente, coube conduzir o País num dos momentos mais desafiadores da história.

Condenado na Espanha, sargento da FAB preso com 39kg de cocaína ainda recebe salário

O segundo-sargento da Aeronáutica, Manoel Silva Rodrigues, foi preso em 2019 transportando cocaína em voo presidencial Foto: Reproduçao

Sargento Rodrigues já recebeu a gratificação de Natal

Eduardo Gonçalves
O Globo

Preso há mais de dois anos na Espanha, o segundo-sargento Manoel Silva Rodrigues continua recebendo normalmente os seus honorários como militar da ativa da Força Aérea Brasileira (FAB). Ele foi detido em junho de 2019, transportando 39 kg de cocaína na bagagem em um dos aviões da FAB que dava apoio à  comitiva do presidente Jair Bolsonaro.

Condenado a seis anos de prisão pelo Superior Tribunal da Andaluzia, na Espanha, Rodrigues consta ainda como militar da ativa no Brasil e é renumerado com um salário mensal na faixa dos 7.000 reais brutos.

GRATIFICAÇÃO – Segundo informações do Portal da Transparência, ele recebeu em junho deste ano – quando completou dois anos da prisão – R$ 9.975 líquidos. O salário foi acrescido com uma gratificação natalina de 3.000 reais. De junho de 2019 até agosto de 2021, ele ganhou pelo menos R$ 180 mil dos cofres públicos.

A Força Aérea Brasileira afirmou ao O Globo que o militar só será expulso e terá os honorários anulados quando houver uma condenação definitiva contra ele, de acordo com o Estatuto dos Militares.

“A exclusão do militar a bem da disciplina só será aplicada ao militar após ter sido condenado à pena restritiva de liberdade individual a 2 anos, em sentença transitada em julgada, conforme determina o Estatuto dos Militares (Lei 6880)”, diz a nota enviada pelo Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.

É TUDO LEGAL – Juristas consultados pela reportagem dizem que não há nenhuma irregularidade no fato de o militar continuar recebendo renumeração, mesmo que ele esteja afastado da função por razões óbvias.

– Antes do trânsito em julgado, nenhuma condenação ou pena pode ser antecipada. É uma norma constitucional e processual, que faz parte do nosso cenário jurídico. É a garantia do princípio da presunção de inocência – diz o advogado criminalista Daniel Gerber.

Conforme o Código Penal, a senteça no exterior ainda precisa ser confirmada em outro julgamento no Brasil, o que não aconteceu ainda no caso do sargento Rodrigues.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esse tipo de impunidade só acontece na filial Brazil. Na matriz USA, o sargento já teria sido julgado por Corte Marcial e sua expulsão seria formalizada a toque de caixa, como se dizia antigamente. Mas aqui na filial, se até Geddel Vieira Lima já foi solto, por que o sargento Rodrigues mereceria tratamento diferente? (C.N.)

Como ministro da Saúde, Ricardo Barros pagou R$ 20 milhões por remédios jamais recebidos 

Quem é Ricardo Barros, líder do governo citado em 'rolo' da Covaxin -  Notícias - R7 Brasil

Barros montou um esquema de corrução no setor da Saúde

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

Polícia Federal afirmou à Justiça Federal ter reunido elementos que indicam ter havido “pressão” de integrantes do Ministério da Saúde durante a gestão do deputado Ricardo Barros (PP-PR) para o pagamento antecipado de quase R$ 20 milhões à empresa Global Saúde pela compra de remédios para doenças raras que nunca foram entregues.

Representação da PF obtida pela TV Globo reúne depoimentos de servidores do ministério que atribuem a liberação da verba a cobranças do próprio Ricardo Barros e de pessoas ligadas ao gabinete dele, além de mudanças, introduzidas durante a gestão do então ministro nos processos de aquisição de medicamentos comprados por decisão judicial.

PÉS DE BARRO – O material reunido pela Polícia Federal foi a base da Operação Pés de Barro (vídeo abaixo), realizada na última terça-feira (21). A operação apura fraudes na aquisição de medicamentos de alto custo pelo Ministério da Saúde, entre maio de 2016 e março de 2018, período em que Barros — atual líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados — comandava a pasta, durante o governo do então presidente Michel Temer.

Na operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro estados (Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo) e no Distrito Federal.

DISSE A PF – A contratação irregular envolve a empresa Global Saúde, sócia da Precisa Medicamentos – arrastada para o centro das investigações da CPI da Covid após suspeitas de irregularidades nas tratativas de compra da vacina indiana Covaxin.

A Polícia Federal informou à Justiça que não estava investigando o caso Covaxin, mas que os fatos revelados pela CPI mostram que o mesmo grupo investigado na Operação Pés de Barro pode ter perpetuado outro esquema para desviar dinheiro público.

Segundo a PF, as medidas de busca e apreensão eram necessárias diante da exposição dos alvos pela CPI, que poderiam agir para destruir provas, e de indícios dos crimes de estelionato, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, prevaricação, advocacia administrativa e organização criminosa.

INFLUÊNCIA POLÍTICA – Sem citar o nome de Barros, o delegado José Augusto Versiani afirmou que o esquema não seria comandando por Francisco Maximiano, dono da Global e da Precisa, mas por alguém com “influência política”.

O depoimento do servidor Victor Lahud cita diretamente a suposta interferência de Barros. Ele afirmou aos investigadores que antes do pagamento houve muita pressão dos superiores para a liberação dos valores e que se recusou por entender que não estavam preenchidos os requisitos para justificar a antecipação do pagamento.

Segundo relata a representação da PF, “as cobranças partiram do Sr. Alexandre Lages, bem como de outras pessoas ligadas ao gabinete, alegando sempre que o Diretor, Davidson Tolentino, e o próprio Ministro, Ricardo Barros, estavam cobrando que fosse feito esse pagamento”.

Luiz Fux marca para 25 e 26 de outubro a audiência pública sobre o juiz de garantias

TRIBUNA DA INTERNET | Juiz de garantias é tendência mundial e pode ser  importante evolução também no BrasilJosé Carlos Werneck

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, marcou para os dias 25 e 26 de outubro a audiência pública que irá debater a implementação da figura do juiz de garantias, o acordo de não-persecução penal e os procedimentos de arquivamento de investigações criminais previstos no Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019).

A audiência, que será realizada por videoconferência, terá a participação de membros do poder público e da sociedade civil com conhecimento sobre os temas, que são objeto das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) 6298, 6299, 6300 e 6305.

ATUA NA INVESTIGAÇÃO – Na prática, os processos penais passam a ter um acompanhamento por dois juízes. O juiz de garantias se responsabilizará na parte investigativa, enquanto a análise, o julgamento e as sentenças permanecem sob a responsabilidade de outro magistrado.

O resultado será uma seleção das funções jurisdicionais, na investigação e no julgamento. Faz parte do dever do juiz de garantias, por exemplo, decidir sobre prisão provisória, sobre assuntos como os que envolvem impostos, bancos, dados telefônicos, e também sobre fases de busca e apreensão.

A operação Lava-Jato serve de exemplo dessa divisão de tarefas, porque à época foi criado um grupo de trabalho para ajudar nas investigações, com membros do Ministério Público Federal.

ADIAMENTO – A audiência, inicialmente agendada para março de 2020, foi adiada por causa da pandemia da covid-19 e da necessidade de readequação dos trabalhos do STF, sendo os debates suspensos. No despacho, que trata do assunto, o ministro explica que os 66 participantes já habilitados devem confirmar o interesse na participação nas audiências públicas até o dia 3 de outubro e que a não confirmação acarretará a exclusão do interessado.

Outras entidades públicas e privadas ainda não habilitadas, especialmente instituições acadêmicas e grupos representativos da sociedade civil, igualmente terão até 3/10 para pleitear participação nas audiências públicas.

SELEÇÃO – Os novos participantes serão selecionados segundo os critérios de representatividade, especialização técnica, expertise e diversidade de opiniões, com paridade de pontos de vista a serem defendidos.

A relação final dos inscritos habilitados estará disponível no portal eletrônico do Supremo Tribunal Federal a partir de 8 de outubro.

A audiência pública será transmitida pela TV Justiça e pela Rádio Justiça.

Boçalidade oficial registrada em Nova York é muito constrangedora para nossas elites

Radical": imprensa estrangeira repercute discurso de Bolsonaro na ONU

Jair Bolsonaro fala sobre coisas nas quais só ele acredita

William Waack
Estadão

As peripécias envolvendo a comitiva presidencial para participar da Assembleia-Geral da ONU em Nova York demonstram que boçalidade é contagiante. É até possível por hipótese admitir que um político disputando votos, como é o caso de Jair Bolsonaro, calcule ganhar vantagem eleitoral com comportamentos boçais em público. Faz tempo que “tosco” virou “autêntico” (Collor dizia ter aquilo roxo).

Também por hipótese pode-se admitir que ministros de Estado que fazem gestos obscenos para manifestantes (o da Saúde) ou macaqueiam símbolos usados em campanha política pelo presidente (o das Relações Exteriores) – como aconteceu em Nova York – jogaram fora compostura e decoro para agradar ao chefe. Puxa-saquismo e apego ao cargo são reconhecidamente parte da condição humana. Talvez imperdoável, mas compreensível.

CULTURA CORPORATIVA – Não é por acaso que o mundo empresarial adaptou da política a expressão “cultura corporativa” para descrever como uma figura de comando (um CEO, por exemplo) é capaz de moldar estruturas hierárquicas ao seu estilo e, o que é mais importante, seu modo de pensar.

Basta constatar que não só ministros forçosamente metidos na política, como Paulo Guedes, mas também alguns considerados “técnicos”, abraçaram teorias boçais de conspiração que sustentam o universo paralelo de Bolsonaro.

Na verdade, o fenômeno da boçalidade contagiante é muito mais amplo e profundo. Já foi tratado na ciência política como “princípio da comunicabilidade”, e o que aconteceu em Nova York é parte dele: são processos pelos quais elites sociais deixam corroer seus valores e acabam vencidas pelo “simples” (no caso, boçal) na conformação do seu universo de pensamentos. Numa imortal passagem literária, é a exclamação de Euclides da Cunha de que “Canudos não se rendeu!”

SEM COMPARAÇÕES – Em outras palavras, é a admissão quase impossível de ser feita em público por elites (na época de Euclides, as tais “classes letradas”) da falência de suas maçarocas ideológicas e a vigência das crenças (teorias conspiratórias) e o modo bronco e rude de dizer “as verdades”.

Não, não se trata de forma alguma de comparar Bolsonaro a Antonio Conselheiro, e muito menos o arraial de Canudos às redes sociais bolsonaristas. Seria uma injustiça com Conselheiro e Canudos.

Mas, sim, de registrar o fato de que o modo de pensar de elites foi vencido pela boçalidade que elas julgaram poder comandar. Provocou em muita gente um sentimento de “vergonha alheia” a boçalidade da comitiva presidencial em Nova York – que abrange dos comportamentos descritos acima à ideia profundamente boçal de que algo mudaria na péssima imagem externa do Brasil a partir de um discurso na Assembleia-Geral da ONU inconsequente, dirigido em primeira linha aos convertidos do bolsonarismo.

DESONESTIDADE INTELETUAL – Boa parte das elites sociais brasileiras repudia o que viu e ouviu em Nova York e se sente ofendida diante da, no mínimo, reiterada desonestidade intelectual dos que falaram pelo Brasil. Esse sentimento de “aquilo não somos nós” foi aprofundado pela noção do ridículo de ver o País virar piada pronta – a de ter na comitiva presidencial um ministro da Saúde transformado em potencial “super spreader” do vírus que o chefe minimizou, e a delegação brasileira em risco para o resto do mundo na sede da ONU.

A vergonha é genuína. Em parte ela surge de uma constatação profundamente desagradável: a de que nossa sociedade nem de longe venceu desigualdade, miséria e injustiça social em todas as suas formas. Ao contrário do que possa parecer, porém, a frase “Canudos não se rendeu” não é a descrição do triunfo da ignorância, ou uma denúncia do atraso social.

Era um duríssimo recado de Euclides da Cunha (que alguns descreveram como um “conservador lúcido”) às elites da sua época: vocês não conseguiram derrotar um universo de pensamentos, vocês são parte dele, com suas ideias pretensamente científicas e populares. Nesse sentido, Canudos vive.

 

Veja o que está por trás da fusão PSL-DEM para criar o maior partido do Congresso

Fusão do PSL e DEM começa dia 21 e novo partido lançará candidato à  Presidência

ACM Neto e Luciano Bivar podem fortalecer a terceira via

Wesley Oliveira
Gazeta do Povo

Líderes do DEM e do PSL pretendem bater o martelo nos próximos dias sobre a fusão entre as duas legendas. O presidente nacional do DEM, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, desembarco nesta terça-feira (21) em Brasília para se reunir com a bancada do Congresso Nacional e definir os critérios para criação do novo partido.

No PSL, as negociações acontecem com a ala do partido ligada ao presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PE). A legenda abriga ainda alguns deputados próximos ao presidente Jair Bolsonaro, que se desfiliou em 2019. A expectativa é de que parte desses parlamentares deixe o PSL na janela partidária do ano que vem.

DIVISÃO DE CARGOS – Caso se concretize, o novo partido será presidido por Bivar, enquanto a secretaria-geral ficará com ACM Neto. Integrantes do DEM deverão controlar dez diretórios estaduais, enquanto o PSL ficará com 14. Até o momento, os diretórios de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, considerados os mais estratégicos, ainda não tiveram seus dirigentes definidos.

Pesquisas internas estão sendo feitas para definição de um novo nome e da nova identidade da sigla. Parte dos envolvidos nas negociações defende que o número 25 do DEM seja mantido na urna ao invés do 17 do PSL.

O novo partido, que já irá nascer grande, poderá ter cerca de R$ 1 bilhão para o próximo ano dos fundo eleitoral e partidário, e quase dois minutos do tempo da propaganda eleitoral de rádio e TV.

A MAIOR BANCADA – Além do caixa, o novo partido reforçará a sua representatividade dentro do Congresso Nacional, com 81 deputados na Câmara e sete senadores no Senado. “Estamos trabalhando para que o processo avance. Isso significa que nós chegaremos com muita força em 2022 como a maior bancada federal”, afirma o líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB).

Nos bastidores, integrantes dos dois partidos admitem que o assunto já está “pacificado”, entre os membros das duas executivas. No entanto, existem resistências em alguns diretórios estaduais, principalmente no DEM.

O entorno de ACM Neto admite que ele desembarcou em Brasília com a missão de convencer os parlamentares do DEM a trabalharem pela fusão junto a prefeitos, vereadores e comandantes de diretórios estaduais. Tradicionalmente esses parlamentares são próximos desses políticos e exercem influência em seus redutos eleitorais.

SOLUÇÃO HÁBIL – Integrantes do DEM e do PSL veem na fusão entre os dois grupos uma forma de ampliar o poder dentro do Congresso Nacional e de se distanciar da cláusula de barreira nos próximos anos.

No PSL, Luciano Bivar temia que, com a saída de deputados bolsonaristas do partido e sem um presidenciável para 2022, o partido voltasse a ser nanico na Câmara. No DEM, a debandada de nomes como do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia; do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que migrou para o PSD; e de Rodrigo Garcia, vice-governador de São Paulo que foi para o PSDB, também acendeu o alerta na cúpula do partido. O ninho democrata pode perder ainda o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), para o PSD de Gilberto Kassab.

Nos cálculos dos líderes envolvidos nas negociações para a fusão, a expectativa é eleger 80 deputados e pelo menos dez senadores em 2022. Com a maior fatia do fundo eleitoral, o novo partido deverá atrair nomes de legendas como PSD, MDB e PSDB.

JANELA PARTIDÁRIA – Para atrair novos filiados, assessores do DEM e do PSL trabalham em conjunto na criação de um novo estatuto para ser homologado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda nas primeiras semanas de outubro. Os dirigentes do novo partido acreditam que a Justiça Eleitoral levará cerca de quatro meses para homologar a fusão, portanto, em fevereiro de 2022. A estratégia é dar segurança para os novos filiados que poderão ser atraídos durante a janela partidária, que será em março do ano que vem.

Com tempo de TV e com o caixa reforçado para as eleições do ano que vem, líderes do PSL e do DEM defendem que o novo partido encampe o discurso da construção de uma candidatura terceira via para a disputa presidencial do ano que vem.

TERCEIRA VIA – Até o momento, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta é apontado como pré-candidato pelo DEM, enquanto o PSL testa o nome do apresentador José Luiz Datena.

Ao lado de ACM Neto, Mandetta pretende mensurar junto aos integrantes do PSL o apoio à sua candidatura para 2022. O ex-ministro da Saúde tem admitido aos seus interlocutores que a fusão poderia lhe beneficiar eleitoralmente, mas que tem compromisso em abrir mão de sua candidatura, caso outro nome da terceira via cresça nas pesquisas de intenção de voto.

Em outra frente, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, acompanha o desenrolar das negociações sobre a fusão para definir se irá migrar para o PSD. Cortejado pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab, o senador tem sinalizado aos seus aliados que a criação de um novo partido poderia beneficiar sua candidatura ao Planalto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enviada por Mário Assis Causanilhas, a matéria é importante, porque tudo o que beneficia a terceira via será positivo para o país. Não interessa se o candidato da terceira via será Henrique Mandetta, José Luiz Datena, Rodrigo Pacheco, Ciro Gomes, Simone Tebet, Alessandro Vieira ou um dos quatro do PSDB (João Doria, Eduardo Leite, Tasso Jereissati e Arthur Virgilio), qualquer um deles é melhor do que Bolsonaro e Lula. Pense nisso e amadureça essa ideia. (C.N.)