Ala militar terá de enfrentar a interferência dos filhos de Bolsonaro no governo

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Igor Gielow
Folha

Se por um lado está sendo comemorada pelo núcleo militar como a consolidação de seu poder no centro do governo Jair Bolsonaro, a chegada do oitavo ministro egresso das Forças Armadas já começa a despertar algumas preocupações. A principal, ouvida pela Folha de diversos oficiais generais ao longo do desenrolar da agônica demissão de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral, diz respeito ao óbvio: os filhos de Bolsonaro continuarão a ser instrumentos de interferência no governo?

É preciso sublinhar que Carlos Bolsonaro não atacaria Bebianno, disparando a crise, sem a anuência do pai. O caso do laranjal do PSL foi a gota d’água para uma longa história de desavenças entre os filho e o ex-ministro, mas Bolsonaro só deu o OK para a operação depois que ele começou a atingir Bebianno.

DELIMITAÇÃO – A ala militar não é coesa, podendo ser dividida grosseiramente entre aqueles que aderiram ao projeto Bolsonaro de forma ideológica ou por proximidade pessoal e os que veem no capitão reformado um barco do qual podem desembarcar se a nau se perder.

A eles, com igual divisão, somam-se oficiais da ativa. Todos dividem a preocupação dita em entrevista à Folha no ano passado pelo influente Eduardo Villas Bôas, então chefe do Exército: é preciso delimitar o que é governo, o que são as Forças Armadas.

O problema é que eles entraram em peso na gestão, tornando tal fronteira turva. O próprio Villas Bôas ocupa lugar no Planalto ao lado do patrono do projeto militar-bolsonarista, o general da reserva Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

PRÓXIMA CRISE – Essa ocupação militar, ora reforçada pela nomeação do general Floriano Peixoto para a cadeira de Bebianno, tornou-se então uma armadilha.

Na avaliação de alguns generais, se a militarização do governo torna-se ampla, a próxima crise tenderá a atingi-los diretamente. E aí quem irá fazer a mediação?, perguntam.

O único membro indemissível do grupo, o vice-presidente Hamilton Mourão, já é visto com desconfiança pelos filhos de Bolsonaro. Diverge publicamente da agenda propugnada pela “rapaziada”, como ele os chama.

MENOR EXPOSIÇÃO – Mourão tem influência, mas não é um líder inconteste da ala militar. Tanto que seu protagonismo durante a ausência por razões médicas de Bolsonaro de Brasília foi alvo de críticas por alguns oficiais mais próximos de Bolsonaro, e ele de fato reduziu um pouco sua exposição nos últimos dias.

O temor é tal que os próprios militares tentaram salvar Bebianno, para manter uma aparência de estabilidade no núcleo do poder no momento em que o governo precisa encaminhar a vital reforma da Previdência e outras medidas ao Congresso, embora soubessem que tal missão era virtualmente impossível.

Para destacar isso e evitarem a pecha de terem sido derrotados pelos Bolsonaros, os generais impuseram o nome de Floriano Peixoto. O general havia sido convidado para ocupar o segundo posto da Secretaria-Geral pelo próprio Bebianno, que havia se aconselhado com Heleno —ambos os militares serviram juntos no Haiti.

CAPACIDADE DE COMANDO – Há desconfortos tributários desse embate central. A ocupação do governo pelos militares funciona em rede: todos os principais nomes conhecem a situação enfrentada pelos seus pares. Mas parece questão de tempo para que as divisões ainda ofuscadas pela impressão de ordem unida da tropa surjam focalizadas em conflitos internos.

Hoje, a ala militar tem um Estado-Maior em formação na administração, com secretarias, estatais e cargos diversos. Só que esse tipo de órgão assessora e aconselha um líder, e o episódio Bebianno jogou dúvidas entre vários oficiais sobre a capacidade de comando do presidente logo na sua primeira crise política.

MOROSIDADE – Outros militares ponderam que Bebianno não virou o homem-bomba que se anunciava —o menos ainda.

Como a troca de mensagens entre bolsonaristas indica, a morosidade do presidente após seu impulso inicial parece obedecer à avaliação do jogo mútuo de chantagens que correu essa rede. A Folha ouviu um áudio do então ministro no qual ele diz que foi “apunhalado covardemente”.

Por fim, um general diz que o governo ainda está em estágio de experiência, e o que importa é estabilizá-lo.

Gravações comprovam que o “mentiroso” era Bolsonaro e não o ministro Bebianno

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Bolsonaro e Carlos mentiram e agora foram desmascarados

Bruno Mateus
O Tempo

A crise nos bastidores do governo Bolsonaro (PSL) ganhou mais um capítulo na tarde desta terça-feira (dia 19). A revista Veja divulgou uma conversa entre o presidente e o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, exonerado ontem. Em mensagens escritas e áudios de Whatsapp no dia 12, terça-feira passada, ambos conversam sobre vários assuntos e divergem sobre a maioria.

A relação entre os outrora aliados de todas as horas amargou quando denúncias de um esquema envolvendo candidatos laranjas do PSL nas últimas eleições veio à tona pela Folha de São Paulo, tumultuando o dia a dia bolsonarista. Vale lembrar que Bebianno presidia o partido em 2018.

DISSE BEBIANNO – No dia 13, ao jornal o Globo, o ex-ministro afastou rumores de que sua relação com o chefe do Executivo estaria estremecida e afirmou que, no dia anterior, havia falado com Bolsonaro três vezes. No entanto, Carlos, filho do presidente, publicou em seu Twitter que a afirmação do ex-ministro era “mentira absoluta”. Além de compartilhar o tuíte, o próprio Bolsonaro afirmou, em entrevista à TV Record, que Bebianno havia mentido sobre a conversa.

Em uma das mensagens, Bebianno questiona Bolsonaro se há algum impedimento sobre um encontro com o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. O presidente chama a Globo de inimiga e é incisivo: “Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo. Então não dá para ter esse tipo de relacionamento. (…) Como presidente da República: cancela, não quero esse cara aí dentro, ponto final”.

O presidente também relata restrições a uma viagem à região Norte, que era articulada, enquanto ele ainda estava internado em recuperação de uma cirurgia, com os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

O presidente dispara: “Gustavo, uma pergunta: “Jair Bolsonaro decidiu enviar para a Amazônia”? Não tô entendendo. Quem tá patrocinando essa ida para a Amazônia? Quem tá sendo o cabeça dessa viagem à Amazônia?”

PREOCUPAÇÃO – Em seguida, Bolsonaro relata ter conversado com os demais ministros – que seriam contra a missão amazônica – e mostra preocupação em ser cobrado posteriormente por resultados.

“Ô, Bebianno. Essa missão não vai ser realizada. Conversei com o Ricardo Salles. Ele tava chateado que tinha muita coisa para fazer e está entendendo como missão minha. Conversei com a Damares. A mesma coisa. Agora: eu não quero que vocês viajem porque… Vocês criam a expectativa de uma obra. Daí vai ficar o povo todo me cobrando. Isso pode ser feito quando nós acharmos que vai ter recurso, o orçamento é nosso, vai ser aprovado etc. Então essa viagem não se realizará, tá OK?!”

VERBAS DO PSL – Em outro mensagem, o presidente revela preocupação com a investigação da suspeita de desvio de dinheiro público no PSL, por meio de candidatas que teriam simulado participação na campanha.

“Querem empurrar essa batata quente desse dinheiro lá pra candidata em Pernambuco pro meu colo, aí não vai dar certo. Aí é desonestidade e falta de caráter”, afirma Bolsonaro. “A Polícia Federal vai entrar no circuito, já entrou no circuito, pra apurar a verdade. Tudo bem, vamos ver daí… Quem deve paga, tá certo? Eu sei que você é dessa linha minha aí.”

Bebianno tenta explicar sua participação na distribuição dos recursos públicos ao partido, que presidiu ao longo da campanha de 2018. O ex-ministro sustenta que a responsabilidade por supostas irregularidades nas candidaturas em Pernambuco seria do deputado Luciano Bivar (PSL-PE), que comanda o diretório local. Bebianno afirma que o presidente está “envenenado”.

TUDO POR ESCRITO – “Em relação a isso, capitão, também acho que a coisa está… Não está clara. A minha tarefa como presidente interino nacional foi cuidar da sua campanha. A prestação de contas que me competia foi aprovada com louvor, é… Agora, cada Estado fez a sua chapa. Em nenhum partido, capitão, a nacional é responsável pelas chapas estaduais. O senhor sabe disso melhor do que eu. E, no nosso caso, quando eu assumi o PSL, houve uma grande dificuldade na escolha dos presidentes de cada Estado, porque nós não sabíamos quem era quem. É… Cada chapa foi montada pela sua estadual. No caso de Pernambuco, pelo Bivar, logicamente. Se o Bivar escolheu candidata laranja, é um problema dele, político. E é um problema legal dela explicar o que ela fez com o dinheiro Da minha parte, eu só repassei o dinheiro que me foi solicitado por escrito. Eu tenho tudo registrado por escrito”, disse Bebianno, acrescentando:

“Então é ótimo que a Polícia Federal esteja, é ótimo que investigue, é ótimo que apure, é ótimo que puna os responsáveis. Eu não tenho nada a ver com isso. É… Depois a gente conversa pessoalmente, capitão, tá? Eu tô vendo que o senhor está bem envenenado. Mas tudo bem, a minha consciência está tranquila, o meu papel foi limpo, continua sendo. E tomara que a polícia chegue mesmo à constatação do que foi feito, mas eu não tenho nada a ver com isso. O Luciano Bivar que é responsável lá pela chapa dele.”

TUDO CONFIRMADO – Segundo a revista, os áudios comprovam que Bebianno de fato manteve contato com o presidente por “três vezes”, enquanto ele ainda estava internado, no dia 12, terça-feira passada, conforme o ministro relatara ao jornal O Globo. O ministro negava haver uma crise no governo por causa da revelação, pela Folha de S. Paulo, de suspeitas envolvendo candidatas laranjas do PSL. “Não existe crise nenhuma. Só hoje (terça-feira) falei três vezes com o presidente”, disse, então, Bebianno a O Globo.

A informação foi o estopim para que Carlos Bolsonaro, filho do presidente, viesse a público pelo Twitter acusar o ministro, de quem desconfiava, de mentir. O presidente endossou a reação do filho e negou que ele estivesse incitando a demissão de Bebianno.

“Carlos incitando a saída é mais uma mentira. Você conhece muito bem a imprensa, melhor do que eu. Agora: você não falou comigo nenhuma vez no dia de ontem. Ele esteve comigo 24 horas por dia. Então não está mentindo, nada, nem está perseguindo ninguém”, afirmou Bolsonaro.

BOLSONARO ACUSA – Bebianno tentou contemporizar, magoado com Carlos, porém o próprio presidente Bolsonaro rejeita a informação de que falar por Whatsapp seria considerado uma conversa e diz que não vai mais tratar com o ex-ministro, a quem acusava ainda de plantar notas na imprensa.

O ex-ministro reage: “Capitão, há várias formas de se falar. Nós trocamos mensagens ontem três vezes ao longo do dia, capitão. Falamos da questão do institucional do Globo. Falamos da questão da viagem. Falamos por escrito, capitão. Qual a relevância disso, capitão? Capitão, as coisas precisam ser analisadas de outra forma. Tira isso do lado pessoal. Ele não pode atacar um ministro dessa forma. Nem a mim nem a ninguém, capitão. Isso está errado. Por que esse ódio? Qual a relevância disso? Vir a público me chamar de mentiroso? Eu só fiz o bem, capitão. Eu só fiz o bem até aqui. Eu só estive do seu lado, o senhor sabe disso. Será que o senhor vai permitir que eu seja agredido dessa forma? Isso não está certo, não, capitão. Desculpe.”

MENSAGEM DE PAZ – O então ministro ainda envia outra mensagem em que sustenta pregar a paz:  “Capitão, eu só prego a paz, o tempo inteiro. O tempo inteiro eu peço para a gente parar de bater nas pessoas. O tempo inteiro eu tento estabelecer uma boa relação com todo mundo. Minha relação é maravilhosa com todos os generais. O senhor se lembra que, no início, eu não podia participar daquelas reuniões de quartas-feiras, porque os generais teriam restrições contra mim? Eu não entendia que restrições eram aquelas, se eles nem me conheciam. O senhor hoje pergunte para eles qual o conceito que eles têm a meu respeito, sabe, capitão? Eu sou uma pessoa limpa, correta. Infelizmente não sou eu que faço esse rebuliço, que crio essa crise. Eu não falo nada em público. Muito menos agrido ninguém em público, sabe, capitão?”, disse o ministro, assinalando:

“Então, quando eu recebo esse tipo de coisa, depois de um post desse, é realmente muito desagradável. Inverta, capitão. Imagine se eu chamasse alguém de mentiroso em público. Eu não sou mentiroso. Ontem eu falei com o senhor três vezes, sim. Falamos pelo WhatsApp. O que é que tem demais? Não falamos nada demais. A relevância disso… Tanto assunto grave para a gente tratar. Tantos problemas. Eu tento proteger o senhor o tempo inteiro. Por esse tipo de ataque? Por que esse ódio? O que é que eu fiz de errado, meu Deus?”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Confirma-se que eram rigorosamente verdadeiras todas as informações relatadas aqui na Tribuna da Internet. E o então ministro Bebianno não mentiu, porque realmente falara três vezes com o presidente, que sai do episódio como um personagem sem caráter, impulsivo e mentiroso. O trêfego Bolsonaro demitiu o amigo e depois, arrependido, ofereceu diretoria de Itaipu e embaixada na Itália. Que Deus proteja os brasileiros desse tipo de “governante” e de sua prole. (C.N.)

Joice diz que demissão de Bebianno afeta a relação do governo com Congresso

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Joice Hasselmann afirma que a base aliada ficou insegura

Talita Fernandes
Folha

Uma das responsáveis por tentar negociar a permanência de Gustavo Bebianno no governo, a deputada federal Joice Hasselman (PSL-SP) disse que o episódio de demissão do ex-ministro é uma “ferida” na relação entre os poderes Executivo e Legislativo.

“Tivemos ali um ferimento, é uma ferida na relação Congresso/governo porque os líderes começaram a me dizer o seguinte: poxa vida, então a gente vai ser tratado assim também? Será que a gente vai ser tratado, vai ser fritado em praça pública?”, disse a deputada ao chegar para conversar com Bebianno, no hotel onde ele mora em Brasília.

ESTANCAR A FERIDA – Apesar de reconhecer que o episódio vai afetar a relação entre os poderes, ela disse que aliados do presidente Jair Bolsonaro estão trabalhando para “azeitar a relação” e “estancar a ferida”.

A seu ver, o episódio de saída do ministro, marcado por discussões públicas, pode afetar a tramitação da reforma da Previdência no Congresso, medida crucial para o governo e que será apresentada nesta quarta-feira (dia 20).

Joice criticou a forma como a demissão do ministro foi conduzida pelo governo. Ela disse que o ato de exoneração em si não é o problema e que essa é uma decisão do presidente. Contudo, disse que a briga pública foi uma “fatura exposta” e comparou o desentendimento a um divórcio.

QUESTÃO PESSOAL – “A relação ali ficou aquela coisa do casamento que está acabando, uma relação meio que sustentável. Foi uma paixão louca lá trás, os dois só andavam juntos, vocês acompanharam na campanha, eles estavam juntos para tudo, do café da manhã ao jantar, e de repente a relação desgastou e ai vem o divórcio. O problema é que o divórcio veio com o escândalo. Não precisa chamar os vizinhos para discutir o divórcio”, ponderou.

A deputada comparou o caso de Bebianno ao do ministro Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo, já que ambos foram envolvidos no escândalo de candidaturas de laranjas do PSL, caso revelado pela Folha.

No caso do titular do Turismo, o governo se manteve em silêncio sobre as apurações, e ele permanece no cargo. “Acho que foi uma questão mesmo pessoal. O presidente e o Marcelo puderam ter uma conversa e conseguiram se acertar. No caso do ministro Bebianno e o presidente, essa conversa não aconteceu, não pelo menos para que a paz viesse. Pelo que eu sei, a última conversa foi bem tensa”, afirmou.

VÍDEO DE BOLSONARO – Joice disse ainda que o vídeo divulgado por Bolsonaro na noite desta segunda, no qual diz acreditar na seriedade do trabalho do ex-ministro da Secretaria-Geral, é um começo para a solução do caso.

“Acho que é um começo. Acho que o presidente demonstra hombridade neste momento, maturidade. Acho que isso já poderia ter sido feito já na sexta-feira passada, sem ficar este final de semana toda essa sangria. Mas acho que é um primeiro passo, sim. É o presidente levantando uma bandeira de paz, dizendo: “Olha, muito obrigado pelo tempo em que você esteve comigo, mas nosso tempo acabou”.”, disse.

A deputada defendeu a apuração rigorosa das suspeitas de candidaturas de laranjas. “Se houve problema, que os problemas sejam investigados. Se nós chegarmos à conclusão de que houve crime, que haja apuração. Ponto. Agora, isso eu defendo para mim, para minha mãe, para o meu pai, para todo mundo. Isso é uma questão de ética.”

Oposição no Congresso pressiona para convocar depoimento de Gustavo Bebianno

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Maia está embromando a Oposição para evitar a convocação 

Pedro Venceslau e Renan Truffi
Portal Terra

Os partidos de oposição na Câmara pressionam o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) a colocar em pauta no plenário um pedido de convocação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno (PSL). Como justificativa para a convocação do ministro, citam o suposto desvio de recursos do Fundo Partidário do PSL nas eleições de outubro. 

Dois pedidos já foram protocolados: um pelo líder da bancada do PSOL, Ivan Valente (RJ), e outro pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS). O objetivo dos deputados é se reunir nesta terça-feira com Maia para tratar do assunto. 

CRISE PERMANENTE– Nesta semana a oposição vai definir outras linhas de atuação para manter acesa a crise no governo. “O episódio é gravíssimo e a crise muito mais profunda do que a denúncia de crime eleitoral. Esse governo está em uma crise permanente”, disse a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), líder da minoria. 

No Senado, o líder da oposição, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que os partidos também vão tentar convocar Bebianno, para dar explicações. 

REDES SOCIAIS – A crise envolvendo o ministro movimentou ainda as redes sociais. Pelo Twitter, parlamentares cobraram resposta rápida do governo.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) disse que via três desfechos para a crise. “Se Bebianno ficasse no governo, Bolsonaro teria um ministro que mente, segundo admitiu. Se saísse, o ministro aceitaria que mentiu. Se fosse ‘saído’, como aconteceu, é prova de que o país é presidido pelo filho caçula”, afirmou, em referência a Carlos Bolsonaro, que, na verdade, é o filho “número dois” do presidente – o caçula é o deputado Eduardo Bolsonaro.

Pacote anticrime de Moro fica ‘congelado’ até aprovação da reforma da Previdência

O ministro da Justiça, Sergio Moro 07/02/2019 Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS

Pacote de Moro ficará na “geladeira” por causa da reforma

Deu em O Globo

Os ministros Sergio Moro (Justiça) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil) devem ir nesta terça-feira ao Congresso Nacional entregar o pacote anticrime, uma das principais apostas do governo para sair da agenda negativa deste início de ano, marcada pela suspeitas de candidaturas laranjas do PSL e pela queda do ministro Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência. O pacote contém alterações em relação ao texto original apresentado e, depois, revisado por Moro.

Moro e Onyx deverão se reunir com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Na proposta de Moro estão 34 itens com sugestões de mudanças em 14 leis do Código Penal, Código de Processo Penal e sobre o Código Eleitoral. Entre os pontos centrais do pacote estão a tipificação do crime de caixa dois e tornar obrigatório, e não apenas autorizativo, o cumprimento de pena de prisão a partir de condenação em segunda instância.

PRIORIDADE ZERO – Embora o ministro da Justiça já tenha dito que espera a aprovação das medidas o mais rapidamente possível, o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), disse ao G1 que “a prioridade” é a reforma da Previdência: “Se aprovada a reforma, se Deus quiser, aí todo o esforço será para a aprovação do pacote de Moro”.

No início do mês, Rodrigo Maia também disse, em entrevista à GloboNews, que as propostas anticrime deveriam ser apreciadas depois da votação da reforma da Previdência. O presidente da Câmara tem receio de que divergências sobre o pacote “contamine” as discussões sobre mudanças na Previdência, eixo central da política econômica neste primeiro ano de governo.

MAIS RIGOR – Por sugestão de governadores, Moro mudou trechos do pacote anticrime para tornar ainda mais duras as regras que dificultam a soltura de criminosos reincidentes. No texto original, um juiz poderia rejeitar pedido de liberdade provisória se o acusado é suspeito de prática habitual de crimes. Na nova versão, o magistrado deverá também negar a liberação de preso “que porta arma de fogo de uso restrito em circunstâncias que indique ser membro de grupo criminoso”.

O pacote prevê ainda que réu condenado por tribunal do júri deve cumprir pena imediatamente. Ou seja, pode até recorrer da condenação, mas preso.

Moro propõe também alterações no artigo sobre direito de defesa que, para especialistas, ampliam as situações em que policiais em serviço podem cometer excessos, ou até mesmo matar, sem serem punidos. Pela proposta, um juiz poderá reduzir a pena à metade ou mesmo deixar de aplicar qualquer punição se o excesso decorrer de “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”.

CORRUPÇÃO – O pacote determina que condenados por corrupção passiva, ativa ou peculato devem cumprir pena inicialmente em regime fechado. O ministro da Justiça espera ainda dificultar a progressão e a prescrição de crimes. Para ele, os atuais prazos de prescrição, combinados com a demora da conclusão de processos criminais, alimentam a impunidade no país.

O texto de Moro também amplia a possibilidade de videoconferência em audiências com presos. Hoje os governos estaduais gastam somas expressivas com escolta de presos entre cadeias e tribunais. O ministro da Justiça sugere ainda a redefinição do conceito de organização criminosa e inclui os nomes das maiores facções criminosas do país no lei.

PLEA BARGAIN – Inspirado na legislação americana, Moro tentará implantar também o “plea bargain”. Pela proposta, o investigado que se declara culpado por determinados crimes pode fazer acordo com o Ministério Publico e, com isso, obter benefícios sem necessidade de julgamento.

Segundo pesquisa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o “plea bargain” é endossado por 89% dos juízes de primeira instância, 92,2% dos de segunda instância e 82,4% dos ministros de tribunais superiores.

Filhos enfraquecem Bolsonaro e fortalecem os generais, Moro e Guedes

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Charge do Aroeira (Charge Online)

Vinicius Mota
Folha

A democracia, descobriram os gregos há 2.500 anos, precisa enfraquecer os laços tribais e familiares para frutificar. Ainda assim, dinastias persistem na política. O primeiro-ministro galã do Canadá, Justin Trudeau, é filho do ex-premiê Pierre. Logo ao sul, os clãs Kennedy e Bush mostram que não há monopólio partidário na coisa.

Nas nações emergentes, despontam os Nehru-Gandhi, na Índia, e os Park, na Coreia do Sul. No Brasil, o fenômeno parece mais regional, apesar de uma rede de parentescos e casamentos conectar Getúlio Vargas, João Goulart, Tancredo e Aécio Neves.

OLIGARQUIAS – A eleição para deputado federal do jovem João Campos, em Pernambuco, renovou o impulso de uma oligarquia de 300 anos, que batiza o famoso Souza Leão, bolo típico. Há quem tenha começado mais tarde, como os Calheiros em Alagoas.

Os Bolsonaros destoam desses padrões não apenas pela origem italiana do nome. Plantavam a semente de uma dinastia regional e periférica, excêntrica mesmo no contexto do Rio, quando de repente o patriarca foi alçado ao Planalto.

Os efeitos secundários desse salto quântico, que queimou as etapas usuais do acúmulo de capital político, começam a surgir.

É natural e inevitável que os três filhos do presidente procurem influenciar a tomada de decisões palacianas. Nessa movimentação, chocam-se com outras forças e grupos igualmente bem posicionados, imbuídos do mesmo objetivo.

TRAMA PRETORIANA – Mas os filhos, convertidos à paranoia de que uma trama pretoriana ameaça o cargo e a vida de Jair, não carecem apenas de expertise e sangue frio para atuar com eficiência nesse certame. Eles nada têm a oferecer agora à estabilidade da gestão.

Quanto mais os filhos intervierem, mais o governo do pai dependerá dos generais, de Sergio Moro e de Paulo Guedes, nessa ordem. Os meninos alucinados acabam por fortalecer alguns daqueles que têm por adversários.

PF mira tucanos, prende Paulo Preto e faz buscas em endereço de Aloysio Nunes

A Polícia Federal na casa do ex-chanceler Aloysio Nunes em São José do Rio Preto

Federais fazem busca e apreensão na casa de Aloysio Nunes

Estelita Hass Carazzai
Folha

​A Polícia Federal deflagrou nesta terça (19) mais uma fase da Operação Lava Jato e prendeu Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, suposto operador do PSDB e suspeito de operar propinas da Odebrecht. Batizada de Ad Infinitum, a fase também cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-senador e ex-chanceler Aloysio Nunes (PSDB). Nunes atualmente é presidente da estatal Investe SP, na gestão do governador João Doria (PSDB).

A Procuradoria acusa Paulo Preto de ter movimentado pelo menos R$ 130 milhões em contas na Suíça, entre 2007 e 2017. Em uma dessas contas, segundo o MPF, foi emitido um cartão de crédito em favor do ex-senador Aloysio Nunes, em dezembro de 2007 —que teria sido entregue a ele num hotel em Barcelona, na Espanha. Na época, Nunes era secretário da Casa Civil do governo de São Paulo, na gestão de José Serra (PSDB). O cartão foi emitido na semana entre o Natal e o Ano Novo.

DELAÇÕES – As investigações são baseadas em informações e documentos colhidos no sistema de propinas da empreiteira Odebrecht.  Paulo Preto é acusado de ter operado em favor da empreiteira, disponibilizando valores em espécie ao setor que comandava o pagamento de propinas.

Mas o ex-diretor da Dersa, segundo os investigadores, também recebeu valores em suas contas na Suíça das empreiteiras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, igualmente investigadas na Lava Jato.

As contas de Paulo Preto na Suíça foram encerradas no primeiro trimestre de 2017, depois de o acordo da Odebrecht ter se tornado público. Em seguida, os valores foram transferidos para contas nas Bahamas.

CAIXAS-PRETAS – Para o procurador da República Júlio Noronha, ainda há “várias caixas-pretas que precisam ser abertas” pela Lava Jato. O ex-diretor da Dersa já é alvo de investigação pela Lava Jato em São Paulo, que apura desvios em obras rodoviárias no estado.

Mas, segundo os procuradores de Curitiba, sua atuação no governo estadual não é alvo da investigação desta terça, que se concentra em seu papel de operador da Odebrecht.

Os procuradores argumentam que os repasses de Paulo Preto à Odebrecht foram imediatamente anteriores a pagamentos de propina para ex-diretores e gerentes da Petrobras, como Paulo Roberto Costa, Roberto Gonçalves e Pedro Barusco.  

Aí estaria o vínculo com a Lava Jato de Curitiba, a quem cabe apurar desvios na estatal de petróleo.

ALOYSIO NUNES – O ex-senador Aloysio Nunes, por sua vez, já foi alvo de um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que apurava doações irregulares à sua campanha ao Senado, em 2010. Mas a investigação foi arquivada no fim do ano passado, por falta de indícios mínimos de autoria ou materialidade.

No início deste mês, o Ministério Público Federal pediu à Justiça que o ex-diretor da Dersa  seja condenado a cerca de 80 anos de prisão na primeira ação da Lava Jato de São Paulo.

GilMAR MENDES – Uma decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes deve levar esse caso à prescrição. A decisão liminar (urgente e provisória) do ministro, assinada na semana passada, anula a fase final do processo e reabre a possibilidade de produção de provas por parte dos réus, fazendo com que a tramitação seja mais demorada.

 

A prescrição de parte dos crimes atribuídos por delatores a Preto é dada como certa por investigadores do caso em São Paulo. Isso porque ele completa 70 anos no dia 7 de março, daqui a quatro meses, e a possibilidade de que as apurações sobre o principal caso em que ele é citado avancem depende de documentos que ainda serão despachados pelo Supremo Tribunal Federal.

Oposição quer que Bebianno saia atirando contra o presidente Bolsonaro

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Ivan Valente, líder do PSOL, pede que Bebianno diga a verdade

Deu no Estadão

Os líderes da oposição pressionam agora para que o agora ex-ministro Gustavo Bebianno deixe o governo atirando contra o presidente Jair Bolsonaro. Para o líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP), Bebianno deveria falar sobre os supostos esquemas de candidaturas laranja dentro do PSL, partido do presidente. “Bolsonaro demite Bebianno. Nenhuma palavra sobre as outras laranjas podres, ministro do Turismo, Flávio Bolsonaro, Queiroz. Abre o bico Bebianno”, provocou Ivan.

“Achincalhado publicamente por Bolsonaro e seu filhote pitbull, Gustavo Bebianno, braço direito do presidente na campanha, se torna a primeira queda do desgoverno do capitão reformado. E a gestão não tem nem dois meses”, lembrou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ improvável que Bebianno ataque Bolsonaro frontalmente, até porque o presidente não teve coragem de fazer nenhuma crítica a ele, ofereceu-lhe a diretoria da Itaipu Binacional e a Embaixada na Itália, e elogiou sua atuação ao comunicar seu afastamento. Mas é quase certo que o ex-ministro vá dizer duas ou três coisas que sabe sobre Carlos Bolsonaro e seu “olheiro” no Planalto, o primo Léo Índio. Vamos aguardar. (C.N.)

Nas siderações de Cruz e Sousa, o canto de libertação do poeta

Resultado de imagem para cruz e sousa frasesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis, e tornou-se conhecido como o “Cisne Negro” de nosso Simbolismo, seu “arcanjo rebelde”, seu “esteta sofredor”, seu “divino mestre”. Procurou na arte a transfiguração da dor de viver e de enfrentar os duros problemas decorrentes da discriminação racial e social.

No poema “Siderações” encontramos a presença do Misticismo, característica da nova fase (Simbolismo) em que se opõem matéria e espírito, corpo e alma. Há um clima onde predomina o vago, o abstrato, porém voltado para uma esfera superior, aqui evidenciada através das palavras: “Para as estrelas/ …as ânsias e desejos vão subindo/ galgando azuis  siderais noivados…”

Mais do que nunca, há uma linguagem simbólica intensamente subjetiva que busca o Eu no universo, a essência do ser humano, através de incursões a regiões etéreas, espaciais, ilimitadas.

SIDERAÇÕES
Cruz e Sousa

Para as Estrelas de cristais gelados
As ânsias e os desejos vão subindo,
Galgando azuis e siderais noivados
De nuvens brancas a amplidão vestindo…

Num cortejo de cânticos alados
Os arcanjos, as cítaras ferindo,
Passam, das vestes nos troféus prateados,
As asas de ouro finamente abrindo…

Dos etéreos turíbulos de neve
Claro incenso aromal, límpido e leve,
Ondas nevoentas de Visões levanta…

E as ânsias e os desejos infinitos
Vão com os arcanjos formulando ritos
Da Eternidade que nos Astros canta.

Demissão de Bebianno por motivo de foro íntimo afeta confiança no presidente

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Merval Pereira
O Globo

A demissão do ministro Gustavo Bebianno, um dos primeiros a aderir à candidatura de Jair Bolsonaro e coordenador nacional da campanha, afeta muito a confiança dos políticos no presidente e está preocupando militares e assessores mais próximos da Presidência, que alegam que não terão mais confiança nas conversas com ele sem saber o que os filhos pensam.

O twitter dos filhos é um fator sem controle e pode alvejar qualquer um. A Secretaria-Geral da Presidência, cargo ocupado por Bebianno, sempre teve papel importante pois é quem lida diretamente com o presidente e cuida da sua agenda – é uma espécie de secretário particular. É estratégico, por isso a demissão está tendo tanta repercussão.

Lobista da Petrobras delata Renan Calheiros e mais 50 envolvidos na corrupção

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Jorge Luz foi lobista na Petrobras e estatais por mais de 50 anos

Aguirre Talento
O Globo

Uma delação ainda sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), a qual O Globo teve acesso, dá detalhes inéditos sobre a atuação de lobistas na Petrobras e pode dar novo fôlego à Lava-Jato. Jorge Luz, o lobista mais antigo da estatal e próximo do MDB, revelou que mais de 50 políticos, agentes públicos e empresários, brasileiros e estrangeiros, se envolveram em irregularidades em estatais.

Um dos principais alvos é o senador Renan Calheiros (MDB-AL). Jorge Luz relatou que conversou sobre propina com Renan em seu gabinete no Senado e diz que intermediou pagamentos ao seu grupo político.

ACUSAÇÕES DETALHADAS – Também há acusações contra o ex-deputado Aníbal Gomes (MDB-CE), os petistas Cândido Vaccarezza (SP) e Vander Loubet (MS), o ex-cônsul honorário da Grécia Konstantinos Kotronakis, dentre outros alvos. Luz faz acusações detalhadas contra gerentes de segundo escalão da Petrobras e outros dirigentes da estatal, com extratos bancários e trocas de e-mails.

Arquiteto de formação, Luz, de 75 anos, ganhou fama nos bastidores do poder como o lobista mais antigo da Petrobras e por suas ligações com emedebistas. Nesta profissão, intermediou pagamentos de propina de empresários a políticos e agentes públicos, para que essas empresas abocanhassem contratos milionários com estatais.

A atividade foi interrompida em fevereiro de 2017, quando ele e seu filho Bruno Luz, parceiro de negócios, foram presos na Lava-Jato. Passaram a negociar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), assinado no fim do ano passado. Em novembro, o ministro Edson Fachin, do STF, homologou a delação.

VELHOS AMIGOS – O delator também fez um inventário de sua história com Renan Calheiros. Disse que conheceu o senador em 1989 e o reencontrou em 2003, em um café na residência do ex-senador paraense Luiz Otávio Campos (MDB) — seu conterrâneo. Na ocasião, conversaram sobre a indicação de Sérgio Machado, aliado político de Renan, para a presidência da Transpetro. Renan teria pedido a Jorge Luz que fiscalizasse a cobrança de propina por Machado, porque não confiava nele.

O lobista relata, então, diversos encontros com Renan para tratar do assunto. O segundo foi em um apartamento alugado no Hotel Glória, no Rio de Janeiro, em que estavam o emedebista e Machado. Nessa ocasião, Jorge Luz teria sido indicado para cuidar da propina na Transpetro em nome do senador. As tratativas ilícitas com Machado, porém, não avançaram. Então, Jorge Luz conta que procurou Renan e conversou com ele em seu gabinete no Senado, em uma sala à prova de som.

TRAIÇÃO DE MACHADO – De acordo com o lobista, Renan teria ficado “profundamente indignado” com a traição de Sérgio Machado e convocou-o para ir a Brasília. Em outro dia, o trio teria se reunido no gabinete no Senado e Renan teria cobrado o afilhado político sobre a arrecadação de propina, mas Machado disse que não tinha nada para repassar.

Luz relatou ainda que participou de um acerto de propina de R$ 11,5 milhões pagos ao grupo de Renan, em troca do apoio do PMDB à permanência de Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró em diretorias da estatal. Os recursos saíram da empresa sul-coreana Samsung Heavy Industries, que construía dois navios-sonda para a Petrobras.

Luz afirma que recebia do ex-deputado Aníbal Gomes (MDB-CE), aliado de Renan, a indicação das contas no exterior para onde transferir a propina, que era destinada ao senador alagoano e ao senador Jader Barbalho (MDB-PA).

OUTRAS ESTATAIS – O lobista também tinha trânsito em outras estatais, como a Eletronuclear, então comandada pelo almirante Othon Pinheiro — já condenado a 43 anos de prisão. Luz conta que o almirante Othon recebeu propina de uma empresa de informática, a Allen Rio, contratada para fornecer softwares da Microsoft. De 2011 a 2014, a firma recebeu R$ 10 milhões da Eletronuclear.

Todos os citados negam as acusações. A defesa de Renan disse que o senador “não se encontra com Jorge Luz há 25 anos” e que é uma delação “sem amparo em qualquer prova, com o único intuito de obter os generosos benefícios do acordo”. A defesa de Aníbal diz que ele “refuta qualquer envolvimento em condutas ilícitas”. Barbalho negou à PF o recebimento de propina.

A defesa de Machado, que também fez delação, confirmou que ele teve encontros com Jorge Luz, mas afirmou que não fizeram negócios. A defesa do almirante Othon afirmou que “Jorge Luz mente”. As defesas da Allen e de Vaccarezza dizem que só vão comentar após terem acesso à delação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais triste é o envolvimento do vice-almirante Othon Pinheiro, que era um ícone da ciência militar brasileira, como condutor do projeto do enriquecimento de urânio, mas acabou se corrompendo e envolveu a própria filha. (C.N.)

Exoneração de Bebianno é a demissão mais esquisita da História Republicana

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Porta-voz anunciou a estranha demissão por “foro íntimo”

Jussara Soares e Karla Gamba
O Globo

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, confirmou nesta segunda-feira a demissão do ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno. Em um pronunciamento à imprensa, o porta-voz leu uma nota na qual comunicou oficialmente que Bolsonaro decidiu pela exoneração de Bebianno. Perguntado sobre a razão da demissão, o porta-voz explicou que foi uma questão de “foro íntimo” do presidente. O general Floriano Peixoto Vieira Neto assumirá o cargo  Ele será o oitavo militar no primeiro escalão do governo.

Em nome do presidente Jair Bolsonaro, Rêgo Barros agradeceu ao ministro Bebianno: “O presidente agradece sua dedicação à frente da pasta e deseja sucesso na nova caminhada” — afirmou o porta-voz.

NA ADVOCACIA – Agora, fora do governo, Bebianno diz que voltará a advogar. Segundo o empresário Paulo Marinho, um dos mais próximos aliados do ex-ministro, ele não descarta seguir na política.

A demissão ocorre após uma crise ao longo de toda a última semana. O ex-ministro foi chamado de mentiroso pelo vereador Carlos Bolsonaro, na última quarta-feira. No Twitter, o filho mais próximo do presidente disse que Bebianno mentiu ao falar ao Globo que havia conversado três vezes com o presidente no dia anterior.

A declaração foi dada para negar que ele estava protagonizando a crise. Na ocasião, Bebianno disse que só havia tratado de assuntos institucionais e não sobre uma possível instabilidade no governo.

ACUSAÇÕES – Carlos chegou a compartilhar um áudio do presidente para Bebianno como forma de comprovar que não o houve uma conversa entre os dois. As mensagens foram posteriormente compartilhadas pelo próprio Bolsonaro.

O processo de desgaste de Bebianno começou com denúncias envolvendo supostas irregularidades na sua gestão à frente do caixa eleitoral do PSL, partido dele e de Bolsonaro, publicadas na “Folha de S. Paulo”. Bolsonaro e os filhos, no entanto, acusam o ex-coordenador da campanha de vazar informações para a imprensa.

A “fritura” do ministro ocorria desde a transição, quando o presidente esvaziou a Secretaria-Geral da Presidência para tirar poderes do desafeto do filho. Durante todo o período de mudança de governo, Bebianno evitou declarações à imprensa e se cercou de militares em seu gabinete como modo de se blindar no Planalto.

Bebianno nega as acusações e promete, fora do poder, comprovar com textos e áudios que não mentiu e que não é responsável pelos casos de candidaturas laranjas nos estados. Ele também está disposto a rebater os ataques de Carlos Bolsonaro.

Na semana passada, políticos e militares atuaram para tentar debelar a crise e evitar a demissão. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chegou a ligar para o ministro da Economia, Paulo Guedes, para dizer que a demissão poderia atrapalhar a aprovação da reforma da Previdência.

Na sexta-feira, durante uma reunião no Palácio do Planalto, Onyx disse a Bebianno que ele ficaria no governo, mas foi alertado a permanecer em silêncio.

No fim da tarde do mesmo dia, Bolsonaro e Bebianno se encontraram pessoalmente. O presidente chegou a oferecer a ele um cargo na diretoria da hidrelétrica de Itapu, mas Bebianno recusou. Após uma conversa ríspida, com ataques de ambos os lados, Bolsonaro saiu decidido a demiti-lo e integrantes do governo vazaram para a imprensa que o ato de exoneração do ministro já havia sido assinado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEm relação simultânea, “razões de foro íntimo” podem ser substituídas por “pedidos dos filhos”. Bebianno não aceitava a interferência dos filhos de Bolsonaro em assuntos do governo nem o fato de manterem um “olheiro” dentro do Planalto, o primo Léo Índio, muito ligado a Carlos Bolsonaro, que por ele é chamado de Carluxo. O afastamento de Bebianno, por motivo de foro íntimo, é a demissão mais esquisita da História Republicana. E foi um parto prolongado. Resta saber se Bebianno, que recusou a diretoria de Itaipu e a Embaixada na Itália, vai ficar calado ou reagir. (C.N.)

Bolsonaro ofereceu embaixada de Roma a Bebianno, que recusou essa honraria

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Gustavo Bebianno não aceitou ser “comprado” pelo ex-amigo

Ascânio Seleme e Jussara Soares
O Globo

Em uma última tentativa de manter no governo o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, o presidente Jair Bolsonaro ofereceu a ele o posto da embaixador do Brasil em Roma , na Itália. A proposta, segundo interlocutores do Planalto, foi levada a Bebianno no sábado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, após um encontro que teve com o presidente no Palácio da Alvorada. O convite foi recusado pelo ministro.

Na noite anterior, conforme o Globo antecipou, Bolsonaro propôs que Bebianno ocupasse uma diretoria da Hidrelétrica de Itaipu. O ministro declinou do convite. Em entrevista no sábado, Bebianno confirmou que recebeu a proposta para Itaipu e disse que não aceitou porque não apoiou Bolsonaro “para ganhar dinheiro” e “nem precisa de emprego”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba, como as coisas mudam! Acusado de corrupção pelo deputado Eduardo Bolsonaro, filho mais novo do presidente, que usou as redes sociais para denegrir o ministro, mesmo assim ele foi convidado para ser embaixador na Itália ou diretor da Itaipu Binacional, mas recusou os dois convites. Sem dúvida, o caso do ministro Bebianno é a demisão mais estranha já tomada na História Republicana. Nunca se viu nada igual. (C.N.)

Bolsonaro e Bebianno articulam uma saída negociada que não deixe sequelas

Mauro Pimentel

A história de uma vitoriosa amizade que acabou subitamente

Lauro Jardim
O Globo

Foi articulada entre Gustavo Bebianno e Jair Bolsonaro uma saída negociada para o imbróglio da demissão do ministro. Bolsonaro, que na quarta-feira chamou Bebianno de mentiroso, fará ainda hoje declarações públicas elogiosas ao ex-aliado.

Bebianno, por sua vez, também irá baixar a fervura da briga e se manifestar no mesmo sentido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG É ingenuidade achar que depois de toda essa confusão, que teve xingamentos de todos os lados, poderá ser encontrada uma solução negociada, que fique bem para todo mundo. Como já afirmamos repetidas vezes, se houvesse algum motivo sólido para detonar Bebianno, o presidente já teria ter assinado o ato há muito dias. Se não assinou, é porque sabe – e sempre soube – que a demissão é injusta. (C.N.)

Secretária de Justiça ganha R$ 54 mil mensais, e o Supremo respalda o pagamento

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Maria Hilda recebe o maior salário da Praça dos Três Poderes

Bernardo Bittar
Correio Braziliense

A aposentadoria de subprocuradora-geral da República, de R$ 37.328,65, somada ao salário de secretária nacional de Justiça, de R$ 16.944,90, faz com que o rendimento mensal de Maria Hilda Marsiaj Pinto, número dois do Ministério da Justiça, ultrapasse em quase R$ 15 mil o teto remuneratório do serviço público. A procuradora nacional tem salário superior, inclusive, ao do ministro Sérgio Moro.

Individualmente, os salários não podem ultrapassar os rendimentos dos ministros do STF, segundo o próprio entendimento de Corte. Ainda assim, o acúmulo nos rendimentos de Maria Hilda Marsiaj demonstra, mais uma vez, os privilégios dos integrantes do Judiciário e do Ministério Público.

COMPARAÇÃO – Juntos, os dois salários de Maria Hilda somam R$ 54 mil mensais, ultrapassando em R$ 14.973,55 o teto constitucional baseado na remuneração dos ministros do Supremo (R$ 39,3 mil).

Como ministro, Sérgio Moro recebe R$ 30.934,70, valor um pouco maior que os R$ 28.947,55 que ganhava enquanto juiz de primeiro grau em Curitiba. O valor acima do teto que Maria Hilda recebe equivale a, praticamente, metade do subsídio de Moro. A Controladoria-Geral da União (CGU), responsável pelo Portal da Transparência, informou que o nome de Maria Hilda ainda não consta na plataforma.

Os valores recebidos pelo cargo dela são baseados na tabela do portal, mas o salário de fato será divulgado apenas na semana que vem. Ainda assim, o Ministério da Justiça confirmou ao Correio que a secretária nacional de Justiça “ocupa cargo com DAS 101.6”, com os vencimentos especificados acima.

SEM ABATIMENTO – A pasta negou que haja abatimento no valor. “A secretária se encontra na mesma situação dos demais aposentados que exercem cargo em comissão, conforme regra estabelecida na Portaria Normativa nº 2 de 2011/MPOG.”

O salário de Sérgio Moro, discriminado no Portal de Transparência (R$ 22.701,30), é referente a um cargo especial de transição governamental. A remuneração como ministro ainda não foi atualizada, disse a CGU. O Correio analisou o contracheque de janeiro de Maria Hilda na Procuradoria-Geral da República. Além do salário, os valores recebidos demonstram o direito a “verbas indenizatórias” não especificadas. O valor foi de R$ 197.427,08. A assessoria de imprensa da PGR disse se tratar de um “benefício eventual”.

FONTE PAGADORA – Enquanto as proposições da reforma da Previdência ainda não alcançam o alto escalão do serviço público, servidores acumulam gratificações que ultrapassam, em muito, o teto constitucional. “O entendimento é o seguinte: quando há fonte pagadora diferente, o teto remuneratório não é um problema.

Nesta questão do salário de aposentada, (Maria Hilda) tem a Previdência do Ministério Público como fonte pagadora. No outro caso, quem assume os custos é a administração direta”, explica o constitucionalista Tony Chalita, sócio e coordenador do departamento de Direito Eleitoral e Político do Braga Nascimento e Zilio Advogados.

De acordo com o especialista em direito administrativo Ivan Lucas de Souza Junior, a Constituição informa “de maneira expressa, no artigo 37, que a acumulação também entra no teto, salvo nas hipóteses permitidas”.

STF CONCORDA – É permitido unir uma aposentadoria e um cargo em comissão, como ocorre com Maria Hilda. “No ano passado, o STF decidiu, numa repercussão geral (ou seja: vale para todo mundo), que em caso de acúmulo, os salários respondem ao teto individualmente, e não somados”.

Com o aumento dos salários do Judiciário no fim do ano passado, o teto constitucional alcançou R$ 39,3 mil. O valor é usado como base para os pagamentos dos salários do resto do país. Procurado pela reportagem, o ministro Sérgio Moro não comentou o caso.

CASO LUISLINDA – Em novembro de 2017, a então ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, apresentou ao governo um pedido para acumular o salário integral do ministério com a aposentadoria da magistrada, o que daria R$ 61 mil.

 À época, disse que “trabalhar sem receber contrapartida se assemelha a trabalho escravo”. Após ter acesso aos contracheques de Luislinda, a Casa Civil deu parecer negando ao pedido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Reina a esculhambação institucional. Se Luislinda ocupasse um cargo inferior, ao invés de ser ministra, teria direito a acumular os salários. Ou seja, o sistema em vigor não tem lógico nem é justo, além de descumprir o que diz a Constituição (artigo 17 das Disposições Transitórias). Este país precisa de uma vassourada, mas Jânio já morreu. (C.N.)

“De hoje não passa”, diz o vice Mourão sobre definição do caso Bebianno

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Mourão não está participando das negociações sobre o caso

Roniara Castilhos e Guilherme Mazui
TV Globo e G1

O vice-presidente, Hamilton Mourão, disse nesta segunda-feira (dia 18) no Palácio do Planalto que uma definição do caso do ministro Gustavo Bebianno “de hoje não passa”. O vice-presidente afirmou ainda que ‘acha’ que ministro da Secretaria-Geral da Presidência vai ser exonerado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! Quanta indecisão para demitir o ministro… Conforme já afirmamos aqui na TI, se Bebianno fosse realmente corrupto e tivesse cometido algum erro grave, é claro que já teria sido demitido. Mas ficam dizendo que a demora é porque ele sabe todos os podres do governo… Ora, esse governo nem começou e já teria tantos podres assim? Claro que não. A demora significa consciência e falta de segurança para tomar a decisão injusta, apenas isso. Quanto à Mourão, está sendo escanteado por Bolsonaro, que o mantém na geladeira, por motivos óbvios. (C.N.)

Há algo no ar!  Já passa das 13 horas e Bebianno ainda não foi demitido

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Se Bebianno fosse corrupto e tivesse cometido algum erro grave, é claro que já teria sido demitido. O assunto começou a ser examinado às 7h30 da manhã, no Palácio da Alvorada, pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Bolsonaro já está no Planalto desde as 9h30m. Já passa das 13 hotas, o editor da Tribuna está impaciente. Precisa sair para cumprir um compromisso, mas a curiosidade fala mais alto e é preciso aguardar a definição do presidente.

Manter Bebianno, como é propósito dos integrantes do núcleo duro do Planalto, seria uma medida justa e que demonstraria maturidade e equilíbrio. Confirmar a demissão será um desestímulo a todos aqueles que confiaram em Bolsonaro e querem ajudá-lo a fazer um bom governo.

“Se o presidente quisesse Carlos no Planalto, teria nomeado ele lá”, diz Mourão

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Mourão acha que Bolsonaro ainda vai conseguir conter os filhos

Andréia Sadi
G1 Política

Para o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, se o presidente Jair Bolsonaro quisesse que o filho Carlos Bolsonaro atuasse no Palácio do Planalto, teria o nomeado para um cargo no governo. Carlos é vereador no Rio de Janeiro e, nesta semana, protagonizou uma crise com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Carlos Bebianno. O episódio desgastou a relação de Bebianno com o presidente e deve lhe custar o cargo.

“Eu acho que se o presidente quisesse o Carlos no Palácio do Planalto, ele teria nomeado ele lá”, afirmou Mourão.

VAI RESOLVER… – O vice disse ainda que Jair Bolsonaro vai saber resolver a questão da influência dos filhos no governo. Além de Carlos, Bolsonaro tem outros dois filhos na política: Eduardo (deputado federal) e Flávio (senador). “Acho que o presidente está dando um tempo para organizar isso aí”, disse Mourão.

Na sexta-feira (15), Carlos publicou numa rede social que apoia uma homenagem a Mourão que será feita pela Câmara de Vereadores do Rio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A família Bolsonaro é chegada a uma teoria conspiratória. O pais e os filhos veem inimigos por todo canto, acham que eles estão infiltrados no Planalto, é um horror. O próprio vice Mourão está sendo considerado “inimigo”, e por isso preferiram deixar o governo parado durante a recuperação de Bolsonaro no Hospital Albert Einstein, sem permitir que o vice assumisse por mais de dois dias. Parece brincadeira, mas é verdade. (C.N.)  

Se estava sendo falso, Bebianno é melhor ator que Tony Ramos, diz Janaina Paschoal

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Janaina diz que não há provas contra Bebiano na gestão do PSL

Deu no Estadão

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) declarou que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, não pode ser considerado automaticamente culpado por supostos desvios de recursos do Fundo Partidário para candidaturas laranjas do PSL. A parlamentar o classificou como uma “pessoa controversa”, mas afirmou que não adianta o governo “cortar cabeças” sem uma apuração.

Reforçando que não estava defendendo Bebianno, a deputada  afirmou que o ministro tinha “devoção” por Bolsonaro, mas ponderou: “Estaria ele sendo falso? Talvez. Mas digo, se estava, ele é melhor ator que Tony Ramos. E Tony Ramos é muito bom.”

FALTA O MOTIVO – “Até onde foi noticiado, as situações suspeitas ocorreram em Minas Gerais e em Pernambuco, Bebbiano é do Rio de Janeiro. Vejam, Bebbiano pode ou não ficar no governo, insisto que a situação não me compete. Mas se sair, que seja porque não o desejam por lá”, afirmou nas redes sociais”, acrescentando:

“O fato de Bebianno ter assinado a liberação do dinheiro, na condição de presidente do Partido, não o torna automaticamente culpado, pois ele era a pessoa competente para assinar a documentação. Temos que saber quem, eventualmente, ficou com o dinheiro”, escreveu.

OFERECIMENTO – Na sequência de mensagens na rede social, a deputada relatou ter sido procurada por Bebianno durante a campanha e recusado dinheiro do fundo. “Em meio a tantas acusações, eu fiquei pensando: se ele tinha um esquema de desvio, iria oferecer mandar dinheiro justo para mim? Iria insistir? Entendo que não”, escreveu.

Janaina classificou o ministro como “uma pessoa controversa” e que “muita gente não gosta dele”. “Eu mesma tenho minhas mágoas. Mas não acho justo usar uma denúncia que, a princípio, não o envolve, para vingar outras questões”, afirmou.