PT faz investida ao PCdoB e sugere vaga de vice para Manuela D’Ávila

Politica - Do dia - Belo Horizonte MG Coletiva com a pre candidata a presidencia da republica pelo PSOL na assembleia legislativa de Minas Gerais - Manuela Davila Na foto: Manuela D avila  FOTO: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 19.3.2018

Manuela é cobiçada para ser vice do PT e do PDT

Deu no Estadão

Sob ameaça de ficar isolado na disputa presidencial, o PT acena com a possibilidade de ter Manuela D’Ávila, pré-candidata do PCdoB à Presidência, como vice. A hipótese foi discutida nesta quinta-feira, 19, em reunião entre as presidentes do PT, senadora Gleisi Hoffmann, e do PCdoB, Luciana Santos, em São Paulo. Gleisi excluiu o PR da lista de prioridades e disse ainda que conversa com o PSB.

“Temos muita simpatia por este arranjo de ter Manuela na vice. Obviamente, isso não é decisão que se tome neste momento. Depende de uma discussão interna do PCdoB e também das discussões que o PT tem internamente e com outros partidos”, disse Gleisi, ao fim da reunião.

OUTRAS CONVERSAS – “Nós estamos conversando com o PSB e tínhamos também conversa com o PR. Não terminaram as tratativas, mas nossas prioridades são o PSB e o PCdoB”, afirmou.

A presidente do PCdoB, que por seu lado mantém negociações com o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, também demonstrou interesse na possibilidade de Manuela ser vice, mas afirmou que a reunião não foi conclusiva. “Isso é algo que a gente escuta e vê com bons olhos. Mas, enquanto essas coisas não se derem, mantemos a candidatura de Manuela. Nada foi definitivo”, disse Luciana Santos.

ANIMAÇÃO – Os petistas saíram animados da reunião. Os partidos avançaram em entendimentos nos Estados e na estratégia para a disputa na Câmara.

Segundo dirigentes do PT, a decisão sobre a vaga de vice já começou a deve ser discutida na reunião da executiva nacional, marcada para esta sexta-feira, 20, mas o mais provável é que o assunto seja definido em uma reunião extraordinária na semana que vem, depois de esgotadas as tratativas com o PSB.

Existem três hipóteses no PT atualmente sobre a vaga de vice. A principal é que o posto seja entregue a um aliado. Outra possibilidade é que a vaga fique com o ex-prefeito Fernando Haddad ou com o ex-ministro Jaques Wagner, possíveis substitutos de Lula, condenado e preso na Operação Lava Jato,. Uma terceira opção é indicar um nome que não seja visto como um “plano B” a Lula, como o ex-ministro Celso Amorim ou a própria Gleisi.

NA CONVENÇÃO – A presidente do partido disse que o nome pode ser anunciado ainda na convenção, marcada para 4 de agosto. “Podemos já indicar o nome de vice. Não tem problema nenhum. Inclusive se prosperarem nossas conversas com alianças, porque temos reiterado que gostaríamos de ter um vice na composição partidária, ter outros partidos na nossa aliança e contar com uma indicação destes partidos”, afirmou.

Gleisi disse que está fora de discussão a possibilidade de o PT oferecer a vice ao empresário Josué Gomes da Silva (PR). “Essa discussão não está colocada no partido”, afirmou. Nesta quinta, líderes do Centrão – que inclui o PR – fecharam apoio ao presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, e cobraram a indicação de Josué para a vice. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Durante reunião com amigos, Aécio confirma será candidato a deputado

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Aécio Neves tenta fingir que não está acontecendo nada

Deu em O Tempo

Em reunião com amigos próximos e aliados na tarde desta quinta-feira (19), em um sítio da família na cidade de São João del Rei, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) anunciou que não concorrerá à reeleição no Senado e disputará uma vaga na Câmara Federal nas eleições deste ano.

Aécio marcou o encontro após ser constantemente questionado e pressionado por estes interlocutores próximos. Antes principal nome do PSDB mineiro, o tucano viu sua popularidade ser minada depois de ser gravado em conversas pouco republicanas com o empresário Joesley Batista.

A ideia do tucano, inicialmente, é se eleger deputado federal e, em fevereiro de 2019, disputar a presidência da Câmara. Aliados, no entanto, duvidam que ele ainda consiga uma mobilização relevante para alcançar o cargo de chefe da Casa.

ASSUNTO COMPLICADO – Em Minas, aliados que já iniciaram pré-campanha evitam até mesmo citar o nome do senador durante agendas. “Ninguém fala de Aécio em evento algum, virou um assunto complicado”, conta uma liderança.

Oficialmente, Aécio nega que já tenha tomado alguma decisão. Em resposta ao blog, a assessoria de imprensa informou que ele só deverá se pronunciar definitivamente sobre o assunto na próxima semana.

“O senador Aécio Neves tem recebido muitos amigos e lideranças políticas nos últimos dias, mas não esteve em nenhum sítio em São João del-Rei. O senador não tomou ainda qualquer decisão em relação a seu futuro político, o que deverá ocorrer na próxima semana, depois de reunir-se com parlamentares do partido e com o candidato ao governo, senador Antonio Anastasia”, informou a assessoria.

Rejeição e estrutura fraca do partido estão afastando aliados de Jair Bolsonaro

Bolsonnaro tem votos, mas não consegue alianças

MARCO GRILLO
O Globo

A relutância dos partidos em formalizarem alianças com o pré-candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, pode ser explicada, em parte, pela falta de estrutura do PSL e também na rejeição do candidato, que é elevada — 32%, de acordo com a pesquisa Datafolha mais recente. Na terça-feira, após o fracasso da negociação com o PR, a campanha do deputado sofreu novo revés, com a negativa do Partido Republicano Progressista (PRP) para a indicação do nome do general Augusto Heleno ao posto de candidato à vice.

— Acho que a candidatura do Bolsonaro é de alto risco para os partidos se engajarem. É uma candidatura sem estrutura, sem recursos, baseada na persona dele e nos mecanismos alternativos de conexão direta com os eleitores, via redes sociais. É um candidato com altíssima rejeição e o preferido para qualquer outro candidato ter como adversário no segundo turno. Os partidos que fazem esse cálculo não tem muito interesse em estarem próximos ao Bolsonaro, porque podem estar assinando a sentença de morte — avalia o cientista política Carlos Pereira, da FGV/Ebape.

Já o cientista político Ricardo Ismael, professor da Puc-Rio, destaca a “incerteza geral” no cenário eleitoral, o que faz com os partidos adiem as decisões, e aponta que a estratégia de Bolsonaro de privilegiar, neste momento, o contato direto com eleitores, em detrimento das conversas com as cúpulas partidárias pode ser “arriscada”.

DESMOBILIZAÇÃO“A população brasileira, embora esteja desencantada com partidos, com a política tradicional, também não está mobilizada nas ruas em torno de um candidato, pelo menos não até agora. Não há mobilização tão forte nas ruas e nas redes a ponto de dispensar deputados e senadores que vão fazer campanha e são profissionais na hora de pedir voto. A mobilização fora da estrutura partidária vai ter um peso, mas também não será uma revolução a ponto de imaginar que a sociedade vai ignorar a propaganda eleitoral.

Na última semana, o general Augusto Heleno passou a ser tratado como a principal aposta de Bolsonaro, após o naufrágio da articulação para que o senador Magno Malta (PR-ES) integrasse a chapa. Da mesma forma que os acordos estaduais impediram o avanço das negociações com o partido de Valdemar Costa Neto, as pretensões do nanico PRP nos estados também comprometeram as ambições do ex-capitão do Exército. Coligada ao governador petista da Bahia, Rui Costa, por exemplo, a sigla não quer pôr em risco alianças que já foram costuradas.

ALTERNATIVACom o naufrágio aparente de suas duas principais apostas, o pré-candidato corre em busca de uma alguma alternativa. Uma delas é a advogada Janaína Paschoal, filiada ao mesmo PSL de Bolsonaro. O nome dela vinha sendo cotado para a disputa do governo de São Paulo, embora pessoas ligadas ao partido no estado acreditem que a advogada prefira concorrer à vaga de deputada.

Bolsonaro afirmou que existe chance para um acordo, que poderia envolver alianças para os cargos proporcionais (deputado federal e estadual) em alguns estados. “Ainda ficou uma frestinha e talvez esse acordo feche amanhã (hoje)” — disse Bolsonaro, que lidera todas as pesquisas sem a presença do ex-presidente Lula.

FLEXIBILIDADEPara tentar reabrir as negociações, o pré-candidato flexibilizou os termos da aliança e, agora, diz aceitar um acordo para a disputa proporcional, mas isso ainda vai depender dos presidentes das legendas em cada estado.

— Vai depender das perspectivas estaduais. Aqui no Rio, por exemplo, é meu filho (deputado Flávio Bolsonaro), que é presidente do partido, que vai decidir. Acho que não terá acordo aqui. A ideia é que em alguns lugares tenha aliança — explicou o pré-candidato.

No Rio, a notícia de uma possível negociação com o PSL provocou surpresa no pré-candidato do PRP ao governo do estado, Anthony Garotinho. “No meu caso, seria complicado. Não tenho nada pessoal contra o Bolsonaro, mas nossas ideias são muito diferentes”.

Por que a guerra dos republicanos contra a pobreza não dá resultado?

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Governo Trump pretende cortar os gastos sociais

Paul Krugman
Folha

Quatro anos atrás, no 50º aniversário da declaração de guerra à pobreza pelo presidente Lyndon Johnson, a bancada republicana da Câmara dos Deputados, liderada por Paul Ryan, divulgou um relatório em que declarava que a guerra havia sido um fracasso. Eles afirmavam que a pobreza não caiu nos Estados Unidos. Por isso, concluíram, devemos cortar os gastos do governo em assistência aos mais pobres.

Na semana passada, o conselho de assessores econômicos da Casa Branca divulgou um novo relatório sobre a pobreza, reconhecendo o que a maioria dos especialistas no assunto vem dizendo: o indicador básico de pobreza tem defeitos graves, e um indicador mais apropriado demonstra que houve progresso substancial. Os assessores econômicos de Trump chegaram a afirmar que a pobreza deixou de ser problema. (Alguma dessas pessoas frequenta o mundo real?)

CORTAR GASTOSDe qualquer forma, afirma o relatório, a guerra contra a pobreza “está praticamente encerrada, e foi um sucesso”. E nossa resposta, diz o governo Trump, deveria ser… cortar severamente os gastos com os pobres.

Está bem, o relatório não apela abertamente por cortes nos benefícios. Em lugar disso, apela pela imposição generalizada de requisitos burocráticos severos para os beneficiários do programa federal de saúde Medicaid, da assistência alimentar federal e de outros programas. Mas os requisitos teriam o efeito prático de reduzir acentuadamente a cobertura oferecida por esses programas.

CONTRADIÇÃO A queda na cobertura não resultaria de muitas pessoas estarem ganhando bem o suficiente para escapar à pobreza. Em lugar disso, muitos americanos pobres se veriam, por diversas razões (saúde precária, instabilidade no emprego para os trabalhadores de baixa renda, complicações burocráticas impostas às pessoas menos capazes de lidar com elas), impossibilitados de cumprir as exigências e, com isso, teriam negados seus pedidos de assistência, embora continuem pobres.

Assim, quaisquer que sejam as provas em debate, os republicanos sempre chegam à mesma conclusão, em termos de políticas públicas. A guerra contra a pobreza fracassou? Então vamos parar de ajudar os pobres. Foi um sucesso? Então vamos parar de ajudar os pobres.

VIÉS REPUBLICANO – E é preciso que sejamos claros: estamos falando de todo o partido, não só do governo Trump. Os governadores republicanos, especialmente, são fanáticos quanto ao corte de benefícios para seus cidadãos de baixa renda.

No Kentucky, o governador Matt Bevin tentou impor requisitos severos quanto a emprego para os beneficiários do Medicaid. Quando um tribunal decidiu que o plano dele violava a lei, o governador retaliou cortando a cobertura oftalmológica e odontológica de centenas de milhares de pessoas.

No Maine, os eleitores aprovaram por maioria esmagadora uma iniciativa que expandiria o programa Medicaid, nos termos da Lei de Acesso à Saúde (Obamacare). Mas o governador Paul LePage se recusou a implementar a expansão — cujos custos seriam cobertos em sua vasta maioria pelo governo federal –, a despeito de uma ordem judicial, e já se declarou disposto a ir para a cadeia, em vez de ver seus eleitores recebendo serviços de saúde.

O QUE HÁ POR TRÁS? Assim, o que está por trás da guerra do Partido Republicano contra os pobres? Não é uma questão de incentivos. A persistente afirmação da direita de que os Estados Unidos estão repletos de “aproveitadores” que mamam nos programas sociais, quando deveriam estar trabalhando, pode ser aquilo em que os conservadores querem acreditar, mas não é verdade.

A maioria dos adultos que recebem assistência (e não são deficientes físicos) trabalha; a maioria dos que não o fazem tem bons motivos para isso, como problemas de saúde ou obrigações de cuidar de outros familiares. Cortar seus benefícios pode forçar algumas dessas pessoas a ingressar na força de trabalho por puro desespero, mas não afetará muita gente e terá um custo imenso em termos do bem-estar das pessoas envolvidas.

E as afirmações de que programas sociais excessivamente generosos são a causa da queda da participação na força de trabalho podem ser facilmente refutadas com base na experiência internacional.

EXEMPLO EUROPEUOs regimes de bem-estar social da Europa – ou, como os conservadores gostam de dizer, os regimes “fracassados” de bem-estar social da Europa – oferecem assistência muito mais generosa do que nós às famílias de baixa renda, e como resultado a pobreza é menor. Mas a probabilidade de que um adulto em seus anos de maior aptidão profissional seja parte da força de trabalho é muito maior nos principais países europeus do que nos Estados Unidos.

O problema tampouco é o dinheiro. Em nível estadual, muitos governadores republicanos continuam se recusando a expandir o Medicaid mesmo que isso venha a lhes custar pouco e injete dinheiro nas economias de seus estados. Em nível federal, seriam necessários cortes draconianos de benefícios, causadores de imenso sofrimento, para economizar um montante semelhante ao que o Partido Republicano distribuiu, sem pensar duas vezes, no corte de impostos do ano passado.

E quanto à resposta tradicional de que a questão na verdade é racial? Os programas sociais costumam ser vistos como mais benéficos para aquelas pessoas do que para os americanos brancos. E isso certamente ainda é parte do que vem acontecendo.

FANÁTICOS Mas não explica a história toda, já que os republicanos são fanáticos quanto ao corte de benefícios mesmo em lugares como o Maine, onde a maioria esmagadora da população é formada por brancos não hispânicos.

Assim, a que serve a guerra contra os pobres? Em minha interpretação, é preciso fazer uma distinção entre o que motiva a base republicana e o que motiva os políticos conservadores.

Muitos brancos de classe trabalhadora acreditam que os pobres são preguiçosos e preferem viver do dinheiro do governo. Mas, como provam os acontecimentos no Maine, essas crenças não são centrais para a guerra contra os pobres, que é propelida principalmente pela elite política.

IDEOLOGIA – E o que motiva a elite é a ideologia. As identidades políticas, bem como as carreiras, de seus integrantes dependem, da ideia de que mais governo é sempre pior. Por isso, eles se opõem a programas que ajudam os pobres em parte por hostilidade generalizada contra os “aproveitadores”, mas também porque odeiam a ideia de que o governo ajude alguém.

E se eles conseguirem o que desejam, a sociedade deixará de ajudar dezenas de milhões de americanos que precisam desesperadamente de ajuda.

Seleção miscigenada da França é exemplo na luta contra o preconceito racial

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Pela primeira vez, houve predominância de negros 

César Cavalcanti

Terminada a festa e baixada a poeira, cabem algumas reflexões sobre esta Copa do Mundo, em que a França levou pela segunda vez o troféu da competição futebolística mais importante do mundo, depois de um interregno de 20 anos. O triunfo sobre a valente e boa Seleção da Croácia , no estádio Luzhniki, em Moscou, coroou uma geração que quebra paradigmas e deixa valiosas e importantes lições ao País , relembrando a essência de sua história.

A França campeã é das minorias, especialmente dos negros africanos imigrantes e seus descendentes. É verdadeiramente a França da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, como diz o lema da Revolução Francesa.

AFRICANOS – Dos 23 atletas campeões mundiais, 14 têm ascendência africana. Ao todo, são 17 nações representadas. A origem multiétnica foi um dos fatores determinantes para o sucesso do único país que chegou em três finais de Copas nos últimos 20 anos.

As semelhanças entre a duas gerações da seleção francesa ao longo dos 20 anos contrapõem à situação de um dos mais marcantes personagens desta conquista. Em 1998 , o volante N’Golo Kanté , então aos sete anos, catava lixo nas ruas de Paris para dar ajuda financeira aos pais imigrantes de Mali. Hoje, ele é campeão do mundo como peça fundamental da excelente engrenagem dos Bleus. Mbappé é outro que está eternizado. Aos 19 anos , juntou-se a Pelé como os únicos jogadores com menos de 20 anos que fizeram gols em finais de Copa do Mundo.

Sem contar com a o talento e experiência de Criezmann, que foram preponderantes. O camisa sete participou de seis dos setes gols do time a partir da quarta de final. Destaque também para a segurança da defesa e do excelente goleiro Lloris – em que pese à falha no jogo final.

JUVENTUDE – O feito tem magnitude ainda maior considerando a juventude da atual geração francesa Os Bleus entraram na copa como a delegação mais jovem de todas. com média de 26 anos.

Foi campeã do mundo a seleção mais jovem, que tem predominância negra, com forte influência de imigrantes africanos e que, apesar de todas as diferenças existentes, se uniu em prol de um ideal comum.

Mais que um feito futebolístico, os franceses deram uma lição para os retrógradas do planeta. Que a miscigenação não se limite à seleção e transcenda à sociedade do país. E do mundo.

Negociação fracassada está deixando sequelas na campanha de Ciro Gomes

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Explosões verbais prejudicam a campanha de Ciro

Bruno Boghossian
Folha

A turbulenta etapa de negociações partidárias para a eleição deixará sequelas na campanha de Ciro Gomes (PDT). O contorcionismo do presidenciável para se adequar à pauta do centrão fracassou, enquanto suas contradições e explosões verbais foram amplificadas.

Ciro foi colocado sob uma lente de aumento quando aceitou discutir uma aliança com siglas que carregam agendas bem diferentes da sua. Sentado à mesa com DEM e PP, o candidato deu sinais de que estaria disposto a flexibilizar suas posições para absorver uma plataforma mais amigável ao mercado.

TUDO CONFUSOO movimento confundiu setores à esquerda que enxergavam em seu nome uma alternativa ao ausente ex-presidente Lula. Para agradar à direita, por exemplo, Ciro precisou dizer que sua proposta de revogar a reforma trabalhista era só um jeito de falar, e que tudo seria discutido em harmonia com os partidos do centrão que ele adorava fustigar.

No período de namoro com DEM, PP e companhia, cada passo dado fora da cartilha do liberalismo fazia mais barulho do que o normal. A carta que enviou para sugerir a paralisação das negociações entre a Embraer e a Boeing provocou um estrondo no grupo de partidos que é abertamente pró-privatizações.

No fim das contas, o pedetista perdeu também a direita. Recebeu um veto de economistas de viés liberal, reforçou as antipatias do mercado a sua candidatura e terminou sem o apoio do bloco que daria musculatura política a sua campanha.

VOLTA À ESQUERDAO deslocamento errático pode ter queimado terrenos que Ciro pretendia percorrer no eleitorado de centro. Ele terá poucas alternativas a não ser recuar à esquerda, ainda que precise enfrentar o congestionamento que será causado pelo futuro apoio de Lula a um candidato do PT.

Bem encaminhada, uma aliança com o PSB daria a Ciro a “hegemonia moral e intelectual” que desejava conferir a sua chapa. Será difícil, porém, fingir que não esteve prestes a assinar uma carta de boas intenções com o DEM e o Centrão.

Lojas Americanas é condenada a indenizar consumidora por danos morais

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Segurança da loja em Brasília agiu de forma truculenta

José Carlos Werneck

A rede Lojas Americanas foi condenada a pagar indenização de 3.000 reais por obrigar uma cliente a limpar o xixi de uma criança do chão de sua loja do bairro de Santa Maria, no Distrito Federal.  A sentença foi divulgada pela Justiça do Distrito Federal.

De acordo com a decisão, ainda em primeira instância, a criança de cinco anos de idade não conseguiu controlar o xixi e molhou o chão da loja. Sua avó chegou a pedir um pano para um dos funcionários, mas foi avisada de que não precisaria se preocupar.

“SEGURANÇA” – Após pagar suas compras, ela foi abordada pelo segurança do estabelecimento, que exigiu que o chão fosse limpo. Ele entregou um rodo e um pano para outra senhora, que acompanhava a criança e avó. A avó tentou filmar o que estava ocorrendo e levou um tapa no braço, desfechado pelo segurança.

Ela ingressou na Justiça pedindo indenização de 7.000 reais por danos morais. A juíza responsável pela ação entendeu que “o funcionário apresentou um comportamento agressivo e desarrazoado, levando em conta que o infortúnio se deu por ação involuntária de uma criança de cinco anos, ainda sem condições fisiológicas de conter suas necessidades”. Ainda cabe recurso da decisão.

Estevão e Geddel transferidos para ala de segurança máxima da Papuda

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Luiz Estevão é considerado o “dono” da Papuda

Mateus Coutinho e Daniel Gullino
O Globo

A juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penas do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), determinou nesta quinta-feira a transferência do ex-ministro Geddel Vieira Lima, do ex-senador Luiz Estevão e do ex-deputado Márcio Junqueira para o Pavilhão de Segurança Máxima do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. De acordo com a magistrada, a medida foi tomada para “resguardar suas respectivas integridades físicas e também primar pela manutenção da segurança e da estabilidade carcerárias”.

A decisão cita a suspeita de que Luiz Estevão atua como “dono” da Papuda, levantada na Operação Bastilha, que investigou supostas regalias ao ex-senador e a Geddel. Segundo a juíza, a suspeita é exagerada, mas isso não quer dizer que Luiz Estevão não tenha benefícios na cadeia.

LIDERANÇA – “Se por um lado não se pode afirmar que Luiz Estevão seja ‘o dono da cadeia’, porque não há prova do descontrole total do Estado ou vácuo de poder, por outro, há indícios de que ele vem exercendo liderança negativa no ambiente em que atualmente está recolhido, pois, através de alguma das hipóteses acima elencadas (ou eventualmente de qualquer outra sequer imaginada) ele já foi flagrado, pelo menos duas vezes, na posse de objetos proibidos, tudo estando a indicar que, se não for imediatamente realocado em outro local, além de dificultar a efetiva apuração dos fatos, pode vir a conseguir novamente outros privilégios”, escreveu.

Após a operação, o governo do Distrito Federal afastou, preventivamente, o diretor do Centro de Detenção Provisória (CDP), José Mundim Júnior, e o subsecretário do Sistema Penitenciário, Osmar Mendonça de Souza.

TIPO ESCOBAR – Estevão já se envolveu em outros polêmicas na prisão. Em 2016, ele foi denunciado pelo Ministério Público por ter financiado a reforma do local onde estava preso. O prédio abriga a chamada ala de vulneráveis, destinada a ex-policiais, presos federais e outros detentos que correm riscos se colocados em meio à massa carcerária. Nas celas, havia itens considerados luxuosos para cadeias, tais como sanitário e pia de louça, chuveiro e cerâmica no chão, segundo a denúncia.

Os promotores afirmam que o caso lembrava “um marco histórico da criminalidade, quando Pablo Escobar construiu La Catedral, sua própria prisão na Colômbia”. Também foram denunciados gestores do sistema prisional que teriam agido em conluio com Estevão entre 2013 e 2014, quando as obras começaram.

ISOLAMENTO – No início de 2017, o ex-senador foi colocado em isolamento, por dez dias, por falta disciplinar. Foram encontrados cafeteira, cápsulas de café, chocolate e macarrão importado, entre outros itens proibidos no presídio, na sua cela e na cantina.

Em junho deste ano, Geddel também foi colado no isolamento, após ter se desentendido com um agente penitenciário. Estevão foi condenado em 2006 por desvio de recursos públicos destinados à construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

51 MILHÕES – Geddel Vieira Lima é réu, no STF, por lavagem de dinheiro e associação criminosa, no caso dos R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador que seria utilizado pelo ex-ministro. Márcio Junqueira foi preso em abril, suspeito de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato.

Advogado de Luiz Estevão, Marcelo Bessa, disse que a transferência é “absurda” e as condições da cela, degradantes. Segunda a defesa de Geddel, a decisão é contraditória com resultado semelhante ao regime disciplinar diferenciado em desacordo com a lei. Para os advogados de Junqueira, a transferência busca fragilizá-lo em busca de delação.

Corregedor de Justiça intima Favreto, Gebran e Moro sobre o habeas de Lula

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Tavreto, Gebran e Moro têm 15 dias para responder

Adriana Mendes
O Globo

O ministro João Otávio de Noronha, da Corregedoria Nacional de Justiça, órgão ligado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), intimou os desembargadores Rogério Favreto e João Pedro Gebran Neto, ambos do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), e o juiz Sergio Moro a prestarem informações sobre a batalha jurídica em torno da liberdade do ex-presidente Lula.

Eles têm 15 dias corridos, contados a partir de 1º de agosto (por causa das férias do Judiciário), a enviarem as informações por escrito.

VAIVÉMNo início do mês, Favreto, desembargador plantonista do TRF-4, determinou a soltura de Lula. O juiz Sergio Moro, responsável pela primeira condenação do ex-presidente, foi contra e consultou o relator do caso no TRF-4, desembargador João Pedro Gebran Neto, que, pouco depois, determinou a continuidade da prisão. Mas Favreto deu nova decisão pela liberdade. Em seguida, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), o presidente do TRF-4, desembargador Thompson Flores, determinou que valeria a decisão de Gebran, e não a de Favreto.

O CNJ recebeu 12 representações contra Favreto e quatro contra Moro. Em uma dessas contra o juiz da Lava-Jato, também aparece o nome de Gebran. Os pedidos visam apuração sobre possível infração disciplinar no episódio. As representações foram sobrestadas e apensadas ao pedido de providências aberto pelo corregedor. O procedimento está em segredo de Justiça.

SEM PRAZOApós receber as manifestações dos magistrados, se achar necessário o corregedor pode pedir mais informações até que esclareçam todos os fatos. Não há um prazo determinado para análise.

Essa é uma fase preliminar e os processos serão analisados de maneira conjunta. Se o corregedor achar que houve falta disciplinar pode pedir a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que depende de decisão do plenário do CNJ.

Se vingar, acordo com Alckmin pode dar ao Centrão um poder de tutela inédito

ACM Neto e Ciro Nogueiro, após a reunião do bloco

Daniela Lima
Folha/Painel

Se confirmado, o acordo do bloco capitaneado por DEM e PP com Geraldo Alckmin (PSDB) abre brecha para o Centrão exercer um poder de tutela inédito na história recente sobre um mandatário do país. A manutenção do comando da Câmara nas mãos desse grupo está afiançada desde o início das negociações. Mas, no desenho atual, o consórcio indicaria também o vice do tucano e teria número suficiente para eleger o novo presidente do Senado. Aposta-se que caberá ao PP apontar o nome.

Por todos os lados A união dos partidos que compõem o Centrão foi forjada em cima da tese da repartição do poder. Somados, eles praticamente garantem a recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara e, a números de hoje, chegam a 32 senadores. “Ninguém terá isso”, reconheceu um tucano.

ANTIGAMENTE – PT e MDB se alternaram no comando das duas casas Legislativas de 2003 a 2016. Na Câmara, só houve duas exceções: Aldo Rebelo, à época no PCdoB, chefiou a Casa de 2005 a 2007. Foi sucedido por Severino Cavalcanti (PE) que, no PP, segurou-se pouquíssimo tempo no cargo.

O MDB controla o Senado desde 2001. Só houve um intervalo, em 2007, quando Tião Viana (PT-AC) assumiu a Casa após renúncia de Renan Calheiros (MDB-AL).

PADRINHO MÁGICO – O aceno de Valdemar Costa Neto, o comandante do PR, a Alckmin foi fundamental para mudar o rumo do centrão. Como mostrou o Painel nesta quinta (19), ele mudou a correlação de forças no grupo ao dizer que preferia apoiar o tucano a Ciro Gomes (PDT).

Políticos que torciam o nariz para uma aliança com Ciro no PSDB e no DEM capricharam nas ironias após a guinada do centrão. Arthur Maia (DEM-BA) brincou: “Ciro me lembra aquele piloto de Fórmula 1 dos anos 1990, o Nigel Mansell. Largava sempre bem, mas invariavelmente rodava”.

TEMPO ENSINA – No MDB, que deve lançar Henrique Meirelles ao Planalto, há quem recorra a 1989 para dizer que propaganda na TV – o que Alckmin terá de sobra com o centrão – não elege ninguém. Na ocasião, Ulysses Guimarães tinha larga vantagem nesse quesito, mas Fernando Collor venceu.

Por sua vez, Jair Bolsonaro (PSL) disse a aliados que vai sondar o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) para a vaga de vice. Se a tese vingar, a proposta será levada a Levy Fidelix, presidente do PRTB. O militar será o terceiro vice que o presidenciável tenta atrair.

Mourão já negou uma proposta do PSL. Convidado a se filiar para disputar o governo do Rio, recusou.

CHAPA MILICO – A formação da chapa com dois egressos das Forças Armadas enfrenta resistências na campanha de Bolsonaro. Auxiliares do deputado preferiam alguém com perfil empresarial. Depois de Mourão, aparecem como opções Janaina Paschoal e Luciano Bivar, ambos do PSL.

No PT, o convite para que Manuela D’Ávila (PC do B) assuma a vaga de vice do PT só não foi formalmente apresentado nesta quinta-feira (19) porque a direção petista quer o aval de Lula. O ex-presidente foi informado da negociação.

SER OU NÃO SER – O senador Aécio Neves (PSDB) passou parte desta quinta (19) reunido com cerca de 50 prefeitos que o apoiam em Minas para debater seu futuro político. O grupo está dividido.

Há uma ala que prega que ele dispute a reeleição ao Senado para livrar o aliado Antonio Anastasia, candidato tucano ao governo, do embate com Dilma Rousseff (PT), chamando “pancadaria da campanha” para si. Outra ala vê a eleição para a Câmara como o caminho mais fácil.

Aécio disse que bateria o martelo após falar com Anastasia neste fim de semana.

Isolado, Jair Bolsonaro afirma que ‘jamais’ se comprometeu com partidos

Bolsonaro tem votos, mas não consegue fechar alianças

Leticia Fernandes
O Globo

Com dificuldade de formar alianças, o pré-candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, criticou pelo Twitter, nesta quinta-feira, as notícias de que teria sido “descartado por fulano e cicrano (sic)”, chamadas por ele de “falsa narrativa”. Ele faz referência à relutância de legendas, como PR e PRP, que negociavam a vaga de vice na chapa de Bolsonaro, de se juntarem ao pré-candidato, líder nas pesquisas de intenções de votos.

O PRP rejeitou a aliança com Bolsonaro nesta quarta-feira, após o PSL ter praticamente fechado que o vice do candidato seria o general da reserva Augusto Heleno. Antes, o PR já havia interrompido as negociações. O senador Magno Malta (PR-ES) era preferência de Bolsonaro para compor a chapa, mas o partido também não aceitou.

FAZER DIFERENTE – Apesar disso, o pré-candidato disse nesta quinta que “jamais” se comprometeu com esses partidos ou candidatos. “Queremos fazer diferente. Se for para fazer igual a todos estamos fora sem problema algum. A escolha é dos eleitores”, escreveu.

A maioria da imprensa cria falsa narrativa como se tivesse sido descartado por fulano e cicrano. Jamais me comprometi com nenhum dos citados. Sempre deixei claro que meu partido é o povo e agora tentam desonestamente inverter a situação para mais uma vez nos descredibilizar!

Com o naufrágio aparente de suas duas principais apostas, o pré-candidato corre em busca de uma alternativa. Uma delas é a advogada Janaína Paschoal, filiada ao mesmo PSL de Bolsonaro. O nome dela vinha sendo cotado para a disputa do governo de São Paulo, embora pessoas ligadas ao partido no Estado acreditem que a advogada prefira concorrer à vaga de deputada.

Uma música de Milton e Brant, para se guardar do lado esquerdo do peito

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Milton e Brant, uma amizade eterna, desde sempre

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, compositor e poeta mineiro Fernando Rocha Brant (1946-2015), na letra de “Canção da América”, lembra o desejo de frátria, devido aos laços histórico/afetivos que unem os países americanos, em especial, os latino-americanos. Pelo potencial confraternizador que carrega, a canção tornou-se o hino de celebração das amizades, mormente, para retratar os encontros e as despedidas existentes em nossa vida. Esta música foi gravada por Milton Nascimento, em 1980, no LP Sentinela, pela Ariola. E deve ser cantada sempre, como se fosse um hino do Dia do Amigo, que se comemora hoje, 20 de julho.


CANÇÃO DA AMÉRICA

Milton Nascimento e Fernando Brant

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam “não”
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar. 

Para ter apoio, Alckmin aceitou até recriar o imposto sindical obrigatório

Charge do Xavi (Arquivo Google)

Carlos Newton

De uma hora para a outra, o quadro político mudou totalmente, imitando a imagem da nuvem, eternizada pela criatividade do político mineiro Magalhães Pinto. Os partido do Centrão, que dispõem de aproximadamente 40% do horário gratuito, preferiam apoiar Ciro Gomes, tese defendida pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), principal líder do bloco e pelo presidente do PP, Ciro Nogueira, amigo particular do candidato do PDT. Mas acontece que Ciro Gomes é do tipo autocarburante, que pega fogo sozinho.

Ao chamar de “filha da puta” a promotora que vai processá-lo, ele abriu a guarda, mais uma vez, e fortaleceu os defensores da candidatura do tucano Geraldo Alckmin, que vive em cima do muro e de bico calado.

PAUTA DE EXIGÊNCIAS – Na reunião mantida nesta quinta-feira com Alckmin, o partidos do Centrão apresentaram uma pauta de reivindicações como condição para fechar uma aliança. Os partidos querem garantias antes de oficializar o apoio ao tucano, que já é dado como certo entre alguns dirigentes das agremiações.

Uma das exigências foi apresentada na reunião pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP) – a criação de um novo modelo de financiamento de sindicatos. Com o fim do imposto sindical, que obrigava os trabalhadores a contribuir com sindicatos, federações e centrais, a fonte secou. Extinguir a contribuição obrigatória foi um dos raros acertos do governo Temer, e agora Alckmin aceitou negociar a sinistra reivindicação, capaz de fazê-lo perder votos ao invés de ganhar.

CIRO À ESQUERDA – A escolha feita pelo Centrão fez Ciro Gomes virar imediatamente à esquerda. Vai aumentar a pressão sobre o PCdoB e o PSB, tentando isolar o candidato do PT, que deverá ser Fernando Haddad. O primeiro passou foi defender a libertação do ex-presidente Lula da Silva, preso desde abril, e criticar o Poder Judiciário e o Ministério Público.

“O Brasil nunca será um país em paz enquanto o companheiro Luiz Inácio Lula da Silva não restaurar a sua liberdade. Eu luto por isso”, disse, durante encontro com dirigentes sindicais.

E a eleição fica ainda mais dividida entre os principais candidatos – com Jair Bolsonaro, na extrema-esquerda; Ciro Gomes e Fernando Haddad, na esquerda; e Marina Silva, Geraldo Alcmin e Alvaro Dias, no centro.

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P. S. –
A divisão dos votos será impressionante e já não dá mais para saber quem deve ir para o segundo turno. (C.N.)  

Ciro Gomes vira à esquerda, defende a libertação de Lula e reconhece erros

Ciro Gomes

Rejeitado pelo Centrão, Ciro busca PSB e PCdoB

Gustavo Uribe
Folha

No dia em que o bloco do Centrão desistiu de apoiar a sua candidatura, o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, fez nesta quinta-feira (dia 19) um aceno enfático aos partidos de esquerda e reconheceu que comete erros. Na tentativa de garantir os apoios do PSB e do PCdoB, ele defendeu a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril, e criticou o Poder Judiciário e o Ministério Público.

“O Brasil nunca será um país em paz enquanto o companheiro Luiz Inácio Lula da Silva não restaurar a sua liberdade. Eu luto por isso”, disse, durante encontro com dirigentes sindicais.

SEM O CENTRÃO – Nesta quinta-feira (dia 19), partidos como DEM, PP e PR, que negociavam apoio ao PDT, preferiram fechar aliança com o PSDB, de Geraldo Alckmin. Com o receio de ficar isolado na disputa eleitoral, Ciro decidiu aumentar a ofensiva sobre o PSB e o PCdoB, que, nas últimas semanas, passaram a cogitar como mais provável um apoio ao PT.

No discurso, Ciro fez uma autocritica. Ele disse não ser “dono da verdade” e que não lhe custa nada “reconhecer erros”. Desde o início de junho, dirigentes do centrão vinham criticando o estilo verborrágico do pedetista.

“Eu não sou o dono da verdade, não sou poupado do erro, eu cometo erros. Eu cometo erros e não me custa nada reconhecer erros. Mas nenhum deles foi por deserção do que me trouxe à vida pública de volta, que é compromisso e o amor a essa terra e esse povo”, afirmou.

PRISÃO DE LULA – Sem citar nomes, ainda no discurso, Ciro criticou procuradores que fazem críticas e magistrados que fazem políticas, “invadindo as atribuições uns aos outros dos poderes”.

Para ele, o vaivém sobre a prisão do ex-presidente petista, em um final de semana, foi uma “aberração”.

“Como é que pode tanta aberração lidando com coisas graves como a liberdade do maior líder popular do país ou o próprio direito, regra de convivência que substitui a lei do mais forte, a prepotência da violência e o caos”, disse.

DOCE ESTRAGADO – Também presente no evento, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse que Ciro não ficará isolado e que não há como perder algo que não se tem.

“Esse doce podia estar estragado”, respondeu ao ser perguntado se o bloco do Centrão tirou o doce da boca do PDT.

Ciro perdeu o apoio do Centrão porque chamou a promotora de “filha da puta”

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Ciro perdeu a linha novamente, e isso lhe custou caro

Cristiane Jungblut , Bruno Góes,  Silvia Amorim e Gustavo Schmitt
O Globo

Antes do encontro com o candidato tucano Geraldo Alckmin, os partidos do Centrão se reuniram e avaliaram que não era possível confiar em Ciro Gomes, do PDT. Segundo um dos dirigentes, o comportamento de Ciro, sua verborragia foram cruciais para que o pêndulo voltasse a balançar para o lado de Alckmin. Os tucanos e parte do DEM armaram uma força-tarefa para reforçar esse entendimento de que Ciro Gomes não era confiável e que não tinha “filtro”. Segundo um parlamentar experiente, “prevaleceu o bom senso”.

Eles não gostaram das declarações de Ciro sobre um promotor, que na verdade era uma promotora, chamando-a de “filha da puta” e avaliaram que ele é “incontrolável”.

“Revertemos o jogo. Se fosse hoje, o anúncio seria de apoio a Alckmin” — disse um integrante do DEM, admitindo que a tendência era apoiar Ciro.

ARTICULAÇÃO – O chamado “blocão” foi uma articulação de Rodrigo Maia para reunir os partidos de centro e fazê-los ter um único candidato na eleição presidencial de 2018.

Nesta quinta-feira, em encontro com o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo, o blocão (DEM, PP, PR, PRB e SD) fechou um acordo para apoiar o tucano para a Presidência da República. Dirigentes saíram do encontro afirmando que aliança está consolidada. O anúncio formal será feito na próxima semana. “Já está fechado” — disse o presidente de um dos partidos.

EXIGÊNCIAS – Na reunião, o blocão levou uma pauta de reivindicações como condição para fechar uma aliança, segundo fontes ouvidas pelo Globo. Dirigentes das siglas discutiram a possível formação de um governo e saíram do encontro afirmando que agora apenas levarão a posição às instâncias regionais dos partidos para resolverem eventuais divergências nos palanques.

Os partidos querem algumas garantias para anunciar o apoio ao tucano, que já é dado como certo entre alguns dirigentes das agremiações. Alguns parlamentares já foram até mesmo avisados de que se chegou a um entendimento.

Centrão escolhe Alckmin, mas exige garantias para fechar o apoio ao tucano

Alckmin terá de aceitar as reivindicações  do blocão

Cristiane Jungblut , Bruno Góes,  Silvia Amorim e Gustavo Schmitt
O Globo

 Em encontro com o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, o blocão (DEM, PP, PR, PRB e SD) fechou um acordo para apoiar o tucano para a Presidência da República. Dirigentes saíram do encontro afirmando que aliança está consolidada. O anúncio formal será feito na próxima semana. “Já está fechado” — disse o presidente de um dos partidos.

Na reunião, o blocão levou uma pauta de reivindicações como condição para fechar uma aliança, segundo fontes ouvidas pelo Globo. Dirigentes das siglas discutiram a possível formação de um governo e saíram do encontro afirmando que agora apenas levarão a posição às instâncias regionais dos partidos para resolverem eventuais divergências nos palanques.

ENTENDIMENTO – Os partidos querem algumas garantias para anunciar o apoio ao tucano, que já é dado como certo entre alguns dirigentes das agremiações. Alguns parlamentares já foram até mesmo avisados de que chegou-se a um entendimento.

O Globo obteve relatos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina de que o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, telefonou para algumas lideranças comunicando a aliança com Alckmin. Nogueira nega publicamente o acordo e diz que o bloco partidário decidiu que a decisão sobre o apoio só será anunciada na próxima quinta-feira.

MOEDA DE TROCA – Apesar da proximidade de dois partidos do blocão — PP e Solidariedade — com a pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT), ambas as legendas aceitam bandear-se para o lado de Alckmin. O movimento depende de uma velha moeda de troca da política real: a distribuição de cargos e verbas.

O chamado “blocão” representa 164 deputados e 2 minutos e 35 segundos no tempo de rádio e TV durante a propaganda eleitoral.

Um dos itens apresentados na reunião foi uma condição de Paulinho da Força (SD-SP): o compromisso de um novo modelo de financiamento de sindicatos. Com o fim do imposto sindical, que obrigava os trabalhadores a contribuir com as associações, a fonte de dinheiro de seus colegas começou a secar. Paulinho, o principal dirigente da legenda, é oriundo da Força Sindical e defende os interesses dos grupos organizados. Segundo um dos participantes, Alckmin aceitou discutir o assunto.

DIVISÕES – O PP teve a garantia de que manterá espaços importantes. O presidente da legenda resistia a um acordo com Alckmin por conta de problemas no seu palanque eleitoral, no Piauí, onde ele é ligado ao PT. Mas a posição de Ciro Nogueira nunca foi unânime dentro do PP, tanto que a ala governista atuou em favor de uma aliança com Alckmin.

O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), esteve com o presidente Michel Temer antes de embarcar para São Paulo, onde foi o representante do PP no encontro com o tucano. Ao arriscar-se neste fim de ano, o PP poderia abrir mão de um verdadeiro latifúndio: ministérios da Agricultura, Cidades e Saúde, além da presidência da Caixa Econômica, já que o Planalto pressionou publicamente a legenda a não apoiar Ciro Gomes, candidato que trata o presidente como “bandido”.

PRAGMATISMO – O jantar de quarta-feira e o café desta quinta-feira serviram para que os cinco partidos do “blocão” fechassem a pauta. Neste contexto, o pragmatismo do ex-deputado Valdemar Costa Neto, que controla o PR, foi fundamental. Ele explicou que o maior interesse do PR sempre foi eleger uma grande bancada de deputados. O mesmo interesse dos demais, que viram a base de qualquer governo e ainda fazem o presidente da Câmara.

Neste contexto, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que queria apoio a Ciro, foi convencido e agora deve lutar para se eleger novamente deputado e chefe da Câmara.

Agência reguladora da Saúde é como um vampiro no banco de sangue

Aguiar, diretor da ANS, avisa que não é do Procon

Bernardo Mello Franco
O Globo

O diretor de Desenvolvimento Setorial da ANS, Rodrigo Aguiar, não pode ser acusado de esconder o jogo. Em entrevista ao Globo, ele defendeu a cobrança extra aos pacientes e informou que a agência “não é um órgão de defesa do consumidor”. Quem ousaria pensar o contrário?

A fala não revela apenas desprezo pelos clientes, que já penavam para pagar as mensalidades antes da nova regra. Também escancara a captura das agências reguladoras por grandes grupos econômicos. No caso da ANS, quem dá as ordens são os planos de saúde.

ATRIBUIÇÕES – A autarquia ANS não é o Procon, mas foi criada para fiscalizar as empresas e impedir que o mercado atropele os consumidores. Não se trata de uma opinião. Basta ler a lei que criou a agência, no governo FH.

O texto afirma que a finalidade institucional do órgão é “promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde”. Entre suas principais atribuições, fixa a de “articular-se com os órgãos de defesa do consumidor visando à eficácia da proteção e à defesa do consumidor de serviços privados”.

NÃO É NEGÓCIO? – Na segunda-feira, a ministra Cármen Lúcia suspendeu a resolução da ANS que permitiu a cobrança extra de até 40% sobre consultas e exames. Na decisão, ela anotou: “Saúde não é mercadoria. Vida não é negócio. Dignidade não é lucro”.

O diretor da agência não entendeu ou não quis entender o recado. Na entrevista a Luciana Casemiro, ele desdenhou de quem questiona a submissão da ANS aos planos. Reduziu as críticas a “fala repetida” e “retórica de falar mal das agências”.

FEUDO DO MDB – O lobby da saúde sempre foi influente em Brasília. A novidade é que a turma perdeu o pudor e passou a operar às claras. O presidente Michel Temer entregou o ministério a Ricardo Barros, um deputado do PP que teve a campanha patrocinada pelo setor. Ele avisou logo que não fiscalizaria a qualidade dos planos. “Ninguém é obrigado a contratar”, justificou.

A ANS é feudo do MDB. O relatório que avalizou a indicação de Rodrigo Aguiar foi assinado pelo senador Valdir Raupp, réu na Lava-Jato. Um observador do que ocorre na agência diz que seria impreciso falar em raposas cuidando do galinheiro. Neste caso, ele prefere a imagem de vampiros no banco de sangue.

Presidente do STJ decide não julgar habeas dos deputados e Lula segue preso

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Laurita Vaz considerou “prejudicado” o recurso

Camila Bomfim e Renan Ramalho
TV Globo e G1

A ministra Laurita Vaz, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), decidu não julgar uma solicitação da Procuradoria-Geral da República para que a Corte analisasse pedido de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentado ao desembargador plantonista Rogério Favreto no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Com isso, Lula segue preso.

No dia 9 de julho a Procuradoria solicitou ao STJ que julgasse o pedido de liberdade apresentado ao TRF-4 por três deputados federais do PT, em defesa do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

“PREJUDICADO” – Ao julgar o pedido como “prejudicado”, a ministra apontou que o habeas corpus da defesa de Lula já foi analisado pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), desembargador Thompson Flores, e por ela própria. Com isso, na argumentação de Laurita Vaz, o pedido da PGR “perdeu o objeto”.

O pedido da PGR foi feito após o desembargador plantonista do TRF-4, Rogério Favreto, conceder liberdade ao ex-presidente, decisão que acabou derrubada pelo presidente do tribunal.

“O problema do Bolsonaro não é econômico, é civilizatório”, afirma Horácio Piva

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Piva, ex-presidente da Fiesp, analisa os candidatos

Josette Goulart
Folha

O empresário Horácio Lafer Piva, 61 anos, é um dos que atesta que o problema de Bolsonaro não é o da condução da economia. Mas ele completa sua sentença: “O problema do Bolsonaro é civilizatório. O Brasil retrocederia neste ponto e voltaria a discutir temas como gênero, segurança… O Brasil não precisa disso”. Piva é o comandante de uma das principais indústrias de papel do país, a Klabin, e foi presidente da Fiesp. Em entrevista à Folha, o empresário disse que se espanta com o fato de o “Centrão” comandar a cena política.

Os partidos que compõem esse grupo — DEM, PP, PRB e Solidariedade — estão sendo hoje paparicados pelas candidaturas de Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), pela força que podem trazer às suas campanhas, principalmente em tempo de televisão. O MDB, para ele, também é outro grande centro de interesses.

DESCRÉDITO – “Acreditar demais neste momento nos candidatos é perda de tempo”, diz Piva. “Quais são as demandas do centrão? Só vamos saber mais adiante. Me proponho a acreditar no que os candidatos estão dizendo só depois de já terem negociado.”

O centrão tem tido força para barrar votações consideradas importantes pelos empresários, como aconteceu com a reforma da Previdência. E também para apoiar outras reformas consideradas ruins pelo empresário, como a política.

“Maior golpe que teve no Brasil foi o da reforma política, que manterá a política na mãos dos mesmos”, diz Piva, referindo-se às mudanças nas regras que na prática inviabilizam o potencial de novas candidaturas para o Legislativo.

COM CHANCES – Historicamente o empresário é ligado ao tucanato, mas ele não declara voto ou mesmo não-voto neste momento a qualquer candidato.

Na sua avaliação, apenas quatro têm chances reais de se eleger: Alckmin, Bolsonaro, Ciro e Marina. De antemão, coloca dúvidas sobre uma chance real de transferência de votos de Lula a um candidato do PT, que ele acredita será Fernando Haddad.

Marina, segundo Piva, tem grande potencial de se mostrar como uma alternativa ao eleitor desalentado, desde que consiga se destacar na campanha. A candidata terá apenas 10 segundos de tempo de TV.

INCERTEZAS – O empresário diz que Alckmin depende das coligações para decolar e Ciro tem se colocado como uma opção de centro, mesmo que de esquerda. “Mas é muito cheio de certezas e com viés muito estatizante”.

No cenário traçado nas conversas entre empresários e representantes de mercado financeiro, só há uma certeza: a de que ninguém tem certeza. “Mesmo aqueles que tentam apontar as certezas não estão tão certos quando pressionamos um pouco”, diz Piva.