A batalha de São Paulo na guerra do poder

Gaudêncio Torquato
“Não sou conduzido, conduzo”. O lema do brasão da cidade de São Paulo expressa de modo adequado a importância do Estado mais poderoso da Federação no pleito eleitoral deste ano.

Mas a posição de liderança no processo eleitoral não pode ser entendida apenas em decorrência do poderio econômico do Estado que possui um PIB de R$ 1,5 trilhão, representando 31,2% do PIB nacional. A força de São Paulo vai além da liderança no ranking eleitoral, com seu 23% do eleitorado brasileiro. O Estado exibe o maior grupamento de eleitores racionais. Ao longo dos últimos anos, a comunidade criou múltiplas ilhas no arquipélago do poder, tornando-as canais para fazer chegar demandas aos governantes e representantes, praticando, assim, exercícios de democracia direta.

Costuma-se dizer que o pleito será decidido pela passagem do transatlântico eleitoral pelo Triângulo das Bermudas, constituído por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios. Ou, ainda, que Minas é quem decide, sob o argumento de que o Estado do Sudeste é uma encruzilhada que representa a síntese do país. Ora, quando há na disputa dois candidatos mineiros (Aécio e Dilma), a tese parece fraquejar. O fato é que São Paulo possui os maiores exércitos da guerra eleitoral. As ondas de seu mar costumam empurrar para longe os eventos que geram protestos, denúncias, discursos positivos/negativos, avaliações de candidatos, percepções sobre o cotidiano.

CLASSES MÉDIAS

As alavancas de empuxo são constituídas pelas classes médias: a emergente classe média C, a tradicional classe B e a classe média A, de renda elevada. Os discursos mais críticos e salientes provêm desses aglomerados, que se unem em cobranças e na disposição de votar contra o status quo. Tal posicionamento pode resultar nos chamados “não votos”, contabilizados hoje pelas pesquisas em cerca de 30%, soma de abstenção, votos nulos e brancos. Mas há uma forte coluna que jogará seus votos no continuísmo, particularmente os núcleos e as bases ancoradas nos vãos da administração pública.

Nunca foi tão forte o clamor pela micropolítica, programas e projetos destinados às melhorias da estrutura urbana. À frente das bandeiras, desfilam grupos organizados, categorias profissionais sob comandos de novas lideranças e movimentos que pregam ruptura. Em suma, o nível de conscientização é mais elevado.

Isso posto, desponta a questão: a disputa paulista terá influência nas lutas eleitorais de outras regiões? Tal influência se dá no plano de formação da opinião pública. O fragor da luta não começou agora com a abertura oficial da campanha de rua. Poucos se dão conta de que o rebuliço que toma conta do país, desde junho do ano passado, começou em São Paulo. E as ondas revoltas continuarão.

O país acompanha o que se passa nesta praça de guerra. Não dá para acreditar que o velho axioma resista ao pleito de outubro: “entre mortos e feridos, todos se salvaram”. A batalha de São Paulo será decisiva. (transcrito de O Tempo)

E depois do necessário?

Carla Kreefft

Não importa quem será o próximo presidente da República. É certo que a vida dele ou dela não será fácil. O país vai enfrentar uma situação nova que, de acordo com as soluções apresentadas, poderá ser a marca do Brasil do século XXI.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou uma frase na campanha presidencial de 2002 que cabe agora. “Nós vamos fazer primeiro o necessário, depois o possível e, quando menos se esperar, nós estaremos fazendo o impossível”, disse ele naquela oportunidade.

É certo que, desde as gestões de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil tem melhorado. É evidente que as administrações de Lula provocaram um salto importante no que diz respeito à resolução de graves problemas sociais. A manutenção da estabilidade econômica, a criação de empregos, a redução da miséria e a melhoria nos índices relativos à saúde e à educação, ainda que de forma tímida, são exemplos de avanços importantes.

Pois bem, não importa em qual medida, mas os governos do PSDB e PT fizeram o que era necessário. A presidente Dilma Rousseff deu continuidade a essa caminhada. A pergunta que se faz é: E agora? Qual será o grande desafio do próximo presidente?

MANTER O RITMO

O país, certamente, precisará manter o ritmo de crescimento econômico e de conquistas sociais. Mas como fazer isso, tendo em vista um certo esgotamento das políticas públicas? É preciso reconhecer que as chamadas políticas sociais compensatórias, ainda que mantidas, não serão suficientes para alimentar ou ampliar o nível de empregabilidade. A estratégia usada até aqui para distribuição de renda também não dará conta de continuar, sozinha, transferindo cidadãos de uma determinada classe para a imediatamente superior. A capacidade de consumo interno está se aproximando de um limite prudencial. As pessoas, especialmente as da nova classe média, estão mais cautelosas no momento de ir às compras.

Por outro lado, o poder público não poderá estender indefinidamente suas ações para alimentar o mercado. O próximo presidente não poderá se restringir à ampliação do Programa de Aceleração do Crescimento ou à isenção de impostos para esse ou aquele setor.

Além dessas limitações, há ainda as questões externas. A principal delas é mesmo a retração das economias europeias e a estratégia norte-americana de criar medidas de proteção de seu mercado interno. Como se tudo isso não bastasse, começa a crescer o nível de conflitos na Europa Oriental e Ásia.

Se havia um ambiente externo muito favorável ao crescimento do Brasil até o momento, o tempo já fechou. E de acordo com as novas previsões, nuvens carregadas se aproximam, criando a possibilidade de chuva. E isso não é pessimismo, é meteorologia – pode dar certo ou não. (transcrito de O Tempo)

Advogado denuncia massacre de Yeda Crusius pela Justiça Federal no Rio Grande do Sul

Fabio Medina Osório

Causa perplexidade a decisão proferida pelo juiz federal substituto da 3ª Vara Federal de Santa Maria, Gustavo Chies Cignachi, semana passada, que recebeu a Ação Civil Pública por Atos de Improbidade Administrativa movida em desfavor da ex-governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius.

A ação de improbidade tramita desde 2009 na Justiça Federal, tendo sido suspensa em relação a Yeda Crusius por força de decisão Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em 14 de outubro de 2009, e de decisão do Superior Tribunal de Justiça, em 02 de fevereiro de 2011.

Trata-se de processo que, originariamente, foi conduzido pela juíza Simone Barbisan Fortes, e que, desde 8 de março de 2013, vem sendo conduzido e presidido pelo juiz titular da 3ª Vara Federal da Subseção Judiciária Federal de Santa Maria, Loraci Flores de Lima. Processo complexo e que reúne mais de 300 (trezentos) volumes e apensos, consideradas todas as ações diretamente relacionadas que, inclusive, foram e estão sendo decididas pelo juízo titular. Só a inicial acusatória tem 1.238 páginas.

JUIZ SUBSTITUTO

Ocorre que, em 23 de julho de 2014, por força de afastamento provisório do juiz Loraci Flores de Lima para atuar no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, foi prolatado nos autos referidos despacho pelo juiz federal substituto, Gustavo Chies Cignachi, recém-removido para a Subseção Judiciária Federal de Santa Maria e cujo contato com os autos foi iniciado recentemente. or esse motivo, presume-se, a decisão foi lavrada sem fundamentação idônea ou exame acurado dos autos.

O juiz substituto não enfrentou uma linha sequer da defesa ofertada por Yeda Crusius, desprezando o dever constitucional de fundamentação das decisões judiciais. Era obrigatório examinar as teses da defesa, os argumentos e as provas dos autos. Nada disso ocorreu. Foi prolatada uma decisão padronizada, que poderia ter sido confeccionada sem nenhuma leitura dos autos, pois revela argumentos abstratos, que servem para qualquer processo. No ponto em que refere a existência de indícios, ignora completamente as provas apontadas pela defesa, sequer examinando-as para refutá-las, se fosse o caso de refutar. Há que se exigir de um juiz o cumprimento rigoroso do dever de examinar os argumentos da defesa e as provas dos autos, não sendo compatível com o Estado de Direito uma decisão arbitrária, destituída de amparo no Direito e nas provas reunidas neste volumoso processo.

Ainda tenho convicção de que a ação de improbidade deverá ser rejeitada, para evitar danos morais e materiais ainda mais expressivos a Yeda Crusius, que já vem sofrendo um autêntico massacre desde a abusiva entrevista coletiva dos procuradores signatários da inicial acusatória, os quais, antes mesmo do ajuizamento da ação, já a acusavam publicamente por fatos que jamais praticou.

Reitera-se que a ex-governadora é vítima de abuso de poder, na medida em que a ação de improbidade carece dos mais elementares fundamentos, inexistindo quaisquer indícios de participação de Yeda Crusius em esquema de fraudes no Detran. Por isso, a decisão do juiz substituto deverá ser reformada, seja por interposição de embargos declaratórios, com efeitos infringentes, seja por força de agravo de instrumento, recursos que poderão ser manejados nos respectivos prazos legais.

 

Segundo a MCM Consultores, as chances da presidente Dilma não ser reeleita já são de 60%

José Carlos Werneck

Segundo matéria de Fábio Alves da Agência Estado, a MCM Consultores passou a atribuir uma probabilidade de 60% de derrota à presidente Dilma Rousseff na eleição. Desde abril, a consultoria trabalhava com um cenário de probabilidade equivalente à reeleição e à vitória da oposição. Hoje, os analistas da MCM rebaixaram as chances da presidente e agora trabalham com uma probabilidade de 60% a 40%, contra a reeleição.

“Não estamos declarando taxativamente, é bom esclarecer, que a presidente Dilma não se reelegerá. Longe disso. É muito cedo. A campanha ainda nem começou efetivamente”, dizem os analistas da MCM na nota enviada a seus clientes. “Contudo, a nosso juízo, já existem elementos suficientes para atribuir mais probabilidade de vitória à oposição do que à candidatura governista.”

De acordo com a consultoria, as últimas pesquisas Datafolha e Ibope representaram um ponto de virada (“turning point”) para o novo cenário, agora desfavorável à reeleição. “Ambas mostraram continuidade na tendência de encurtamento da vantagem de Dilma frente a Aécio Neves e Eduardo Campos no segundo turno e aumento da diferença entre a rejeição à presidente e aos candidatos de oposição”.

Além das pesquisas, a MCM enfatizou que a mudança de cenário também considerou a piora da situação econômica, “sintetizado pelo resultado decepcionante do último Caged (abertura de apenas 25 mil vagas de trabalho em junho), os sinais de forte rejeição ao PT no Sudeste , notadamente em São Paulo e a baixa competitividade das candidaturas petistas nos estados mais importantes do País, com exceção de Minas Gerais, onde Fernando Pimentel é franco favorito nas pesquisas”.

 

Relator pretende votar cassação de André Vargas durante esforço concentrado

Karine Melo
Agência Brasil 

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo contra o deputado André Vargas (sem partido-PR) no Conselho de Ética da Câmara, pretende votar o relatório sobre o processo durante o esforço concentrado da Câmara dos Deputados, marcado para os dias 5 e 6 de agosto.

Vargas, que em abril anunciou a desfiliação do PT, legenda que militou por 24 anos, é investigado por ter atuado em favor de um laboratório que pretendia fechar um contrato com o Ministério da Saúde para fornecimento de remédios. A empresa seria um laboratório de fachada do doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, de combate à lavagem de dinheiro. O deputado nega as acusações.

A intenção do relator era ter liquidado o processo antes do recesso parlamentar de julho, mas como várias testemunhas não compareceram e diversas reuniões do conselho foram adiadas por falta de quórum, a nova previsão teve que ser feita.

O advogado de André Vargas, Michel Saliba, criticou o fato de embora o Conselho de Ética não ter poder de convocação, ter prazo para encerrar os trabalhos. Questionado sobre o não comparecimento de Vargas para se defender no conselho, o advogado explicou que a ida do deputado ao conselho está condicionada a tomada de depoimento de todas as testemunhas de defesa. “ Ele quer vir ao Conselho de Ética, mas não comparecerá em uma data açodada. Entendemos açodada, aquela que não respeita a oitiva de todas as testemunhas”, disse, ressaltando que ainda faltam três testemunhas.  Hoje, o colegiado ouviu o capitão Paulo Ricardo de Souza, da Marinha, que tem contratos com o laboratório Labogen.

NO QUARTO CONVITE…

“A gente não tem como ouvir todas as testemunhas, nós temos um prazo de encerramento. É bom lembrar que as testemunhas de defesa já estão no quarto convite”, disse o relator. Segundo ele, todas que estão sendo arroladas pela defesa poderão comparecer até o dia 29, quando já estarão na sexta convocação, inclusive o próprio deputado André Vargas , depois disso, será encerrada a fase de instrução probatória.

“Se o deputado André vargas também não comparecer como parece que não vai fazê-lo, logicamente ele terá no dia que nos apresentarmos o nosso parecer, o nosso voto, a sua defesa por escrito e oral porque ele vai ter o direito também de vir aqui” , garantiu o relator.

Mesmo assim, Delgado admite que o processo de André Vargas só deverá ser totalmente encerrado durante o esforço concentrado, que deve ocorrer na Câmara em setembro. Isso porque após a votação do parecer deve haver apresentação de recurso por parte de Vargas tanto à Justiça como à Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

O jingle (im)possível na campanha de Minas Gerais

Vittorio Medioli
O Tempo
 A tropa petista queixou-se “injustamente” de Fernando Pimentel por um motivo que à primeira vista e para o público em geral pode parecer um caso de traição à presidente candidata, Dilma Rousseff. Não tem nada disso. Mesmo partido, ambos nascidos em Belo Horizonte, “companheiros” de armas e credo ideológico. A falta de menção a Dilma nas primeiras e mais importantes peças de campanha espalha desconforto apenas para quem entende a letra morta, e não o grito do “silêncio”.
Dilma certamente não é, como Lula foi, “puxadora de votos”. Pior, seu índice de rejeição é um “afastador de votos”. Ainda mais em Minas, que tem Aécio, como dizem os petistas, de “imperador” ao longo de 12 anos.
Ao contrário, Pimenta da Veiga entra no vácuo da facilidade, dos mais de 50% de intenções de votos que recolhe do presidenciável Aécio Neves. Entre um e outro, ao veterano Tarcísio Delgado cabe o papel de correr por fora, e apenas começou a correr.
“Falou Zaratustra”, que continua atual depois de milhares de anos, que “o interesse dita o comportamento”. Jogar-se de uma janela de um prédio tomado pelas chamas pode ser melhor que ficar dentro dele. Há sempre algo pior do que se pode fugir. Isso é “relativismo”, ou simplesmente “menos mal” do que se sonha abraçando um travesseiro.
SEGUNDO TURNO?
A disputa pelo Palácio Tiradentes em Minas, depois de ter contrabandeado a candidatura de Vanessa Portugal, que recolhia já 7% das intenções de votos para governador – não pela popularidade, mas por ser a “terceira via” mais detectável no questionário das pesquisas eleitorais –, se afirma num nítido e desgastado bipolarismo, PT versus PSDB. Segundo turno? Depende de Tarcísio Delgado situar-se com credibilidade. Isso cabe a ele demonstrar.
Quem pesquisou o perfil do “governador ideal”, uma espécie de retrato falado do sonho do eleitor mineiro, encontrou, atrás dos 38% de brancos e nulos e dos 7% que “não sabem de nada”, que existe um majoritário desejo de renovação falando de modernidade, superação do Estado que muito cobra e nada dá em troco, da varrição da corrupção e burocracia – principais pés de cabra para arrombar o erário e continuar a esfolar o cidadão sem saúde, educação e segurança. O “retrato falado” teria votos para ganhar de qualquer um.
Desfeita a possibilidade de o eleitor “sonhar” com uma alternativa inovadora, resta escolher um ou outro.
Deveria ser Pimentel um kamikaze a se “casar” com quem mais tira do que atrai votos? Dilma tem que se viabilizar, ultrapassar este momento pelas ações pessoais, pois no refluxo que enfrenta pode levar consigo Pimentel. Pois hoje parece que enfrentar o “imperador” é entendido como enfrentar Minas.
VOTAR CONTRA AÉCIO
A campanha caminha a favor de Aécio em Minas, sob o argumento de que Minas (inteira) voltaria ao topo do Planalto. Votar contra Aécio parece escolha impatriótica para o mineiro? Parece que sim.
A mineira Dilma ajudou esquecendo Minas como seu berço natal. A reforma do Anel Rodoviário, o metrô, duplicações de rodovias, ações que generosamente foram distribuídas pelo Brasil, ficaram sobrevoando o Estado. Fábricas de automóveis e polos químicos, que Lula tirou de Minas como último ato do governo dele, ficaram sem reparação. O “imperador” Aécio teve ajudas indiretas ao se firmar como defensor de Minas e Dilma como ingrata. O que tem a ver Pimentel com isso?
Pimenta da Veiga, costurado no amigo Aécio por 30 anos de compadrio, avança no vácuo dos 50% das preferências do imperador.
Para Pimentel resta o “Aeciel”, Aécio e Pimentel. Tem que sorver esse cálice. Só o segundo turno o afastará da disputa presidencial PT e PSDB, Dilma e Aécio. Se esta acontecer. Dilma sabe, concorda e vê tudo como natural.
Se houvesse segundo turno também em Minas para governador, Pimentel estaria seguramente neutralizado, subjugado ao Aeciel. Mas o segundo turno para governador está longe de acontecer. A separação é para se encontrar lá na frente com mais força.
Para o PT “que conta”, isso foi estudado, certamente não pode ser explicado, mas poderá dar uma diferença de 2 milhões de votos no segundo turno para Dilma aqui, em Minas, se Pimentel ganhar no primeiro. Diferença fundamental. Pimentel está livre, assim, de fazer o melhor para ele, que representa o melhor também para Dilma depois de outubro. A jogada está dada no xadrez de Minas.
Esse é o caminho do (im)possível, a escolha eleitoral de um jingle sem Dilma.

Na economia, 2015 já chegou

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Muita gente no governo acreditava que 2014 seria um ano tranquilo na economia. Nas discussões que se travaram no Ministério da Fazenda e no Banco Central, alguns meses atrás, a percepção era de que, mesmo com a inflação roçando o teto da meta de 6,5%, o ritmo da atividade seria semelhante ao observado no ano passado, quando o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,5%. Admitia-se, porém, que, em 2015, a situação seria mais complicada, mas, com a presidente Dilma Rousseff reeleita, possivelmente no primeiro turno, os ajustes necessários para pôr a casa em ordem poderiam ser feitos mais lentamente.

Os mesmos integrantes da equipe econômica que apostavam nesse quadro, admitem agora: foram atropelados pela realidade. Parte da fatura a ser quitada em 2015 já chegou, com o país entrando em recessão às vésperas das eleições, sem que os brasileiros sintam, no bolso, o alívio dos preços dos alimentos.

“Em nenhuma das nossas projeções, havia o risco de queda no PIB em quaisquer dos trimestres do ano. Mas a onda de desconfiança que engolfou empresários e consumidores foi mais forte do que imaginávamos. O país parou”, reconhece um técnico graduado, com acesso à presidente Dilma. “E temos que admitir: o governo errou muito. Subestimou os alertas dos economistas e apostou que uma reação tardia na busca pelo apoio do empresariado daria resultados imediatos”, acrescenta.

PESSIMISMO

Na equipe econômica, são poucos o que veem melhora na economia neste ano e em 2015. “Na verdade, a possibilidade mais concreta é de piora. As eleições agravam o quadro de incertezas. Os empresários com os quais conversamos têm dito que, sem os resultados das urnas, não tocarão qualquer projeto. Vão empurrar com a barriga até saberem quem comandará o Brasil a partir de janeiro próximo e qual será a política econômica adotada”, conta um funcionário da Fazenda. “É desaminador o que nos tem sido repassado pela iniciativa privada”, emenda um técnico do BC.

O maior temor é de que 2015 seja ainda pior do que este ano. Não se pode esquecer que há uma inflação represada dos preços administrados, que o setor elétrico está em frangalhos, que as contas públicas vão de mal a pior e que os Estados Unidos vão aumentar as taxas de juros mais cedo do que se imagina.

A presidente do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, deu uma mão e tanto ao governo brasileiro ao adiar as mudanças na política monetária norte-americana. Mas Brasília parece não ter entendido o recado. Em vez de preparar o Brasil para enfrentar a migração de recursos para a maior economia do planeta, que está em franca recuperação, ampliou as vulnerabilidades do país.

Vergonha nacional: No Brasil, a corrupção não respeita nem mesmo os recursos humanitários da Cruz Vermelha

Alex Rodrigues
Agência Brasil 

Milhões de reais destinados a ações assistenciais podem ter sido desviados das contas da Cruz Vermelha Brasileira por antigos gestores da organização humanitária. A constatação é fruto de uma auditoria feita por uma empresa de consultoria internacional contratada pelo conselho diretor da entidade. Em nota divulgada hoje (25), a Cruz Vermelha Brasileira revela que foram encontrados gastos sem comprovação e movimentações suspeitas da ordem de R$ 25 milhões.

“Foi uma auditoria complexa e minuciosa e, por isso mesmo, longa”, informa a diretoria da organização em comunicado. As irregularidades apontam para desvios de doações feitas para as vítimas de conflitos e da seca na Somália; do tsunami no Japão; das enchentes na Região Serrana do Rio de Janeiro e para uma campanha de prevenção à dengue. Os supostos desvios estão concentrados nas filiais do Maranhão e Ceará, além de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, entre 2010 e 2012.

IRREGULARIDADES

“Há comprovações de irregularidades e considera-se que alguns desses casos podem ser delitos, enquanto outros se configuram como faltas administrativas, menos graves, mas não menos passíveis de punição”, afirma a entidade. Entre as deficiências e irregularidades identificadas pela consultoria estão a falta de controle interno e a ausência de documentos.

A Cruz Vermelha Brasileira garante que tomará todas as providências necessárias, inclusive judiciais, para reaver os recursos e destiná-los aos beneficiários. Além de entregar cópias do relatório final ao Ministério da Justiça, a diretoria da entidade promete acionar os ministérios Público Federal e estaduais para que adotem as medidas judiciais cabíveis.

“A responsabilidade de corrigir os problemas apontados na auditoria é da Cruz Vermelha Brasileira, que adotará os procedimentos judiciais e administrativos para punir quem deu causa às irregularidades e ilegalidades. Nos casos em que a auditoria não é conclusiva, a entidade realizará investigações internas e, quando cabível, apresentará denúncia à Justiça, além de entregar o relatório da auditoria às autoridades competentes”.

RECUPERAÇÃO

Além de apontar o suposto desvio financeiro, a consultoria contratada apresentou um plano de recuperação das contas da entidade – que confirmou que vai colocar em prática todas as recomendações do relatório. A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), à qual a organização brasileira é filiada, determinou que uma comissão especial acompanhe a implementação das recomendações.

“A atual diretoria está implementando mudanças e está comprometida com uma solução definitiva, à altura de uma organização como a Cruz Vermelha, reconhecida por seus princípios e pela pertinência de sua ação humanitária”, acrescente o comunicado.

Em fevereiro do ano passado, a Cruz Vermelha Brasileira devia cerca de R$ 90 milhões aos cofres públicos e a antigos funcionários que recorreram à Justiça para receber seus direitos trabalhistas. O presidente da entidade à época, Nício Brasil Lacorte, atribuiu a situação à “má gestão” da entidade ao longo de “mais ou menos 20 anos” – período durante o qual, a Cruz Vermelha Brasileira teve algumas gestões marcadas pela “pouca transparência”.

Aécio e Alckmin: união só nas fotos

Julia Duailibi  
Estadão

Os candidatos tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin cumprem agendas eleitorais juntos, posam para fotos sorrindo, trocam elogios mútuos, mas nos bastidores a relação não é essa maravilha. Preocupado com a sua reeleição, Alckmin adotou medidas que foram na contramão do que queria o presidenciável do PSDB.

O governador paulista fechou coligação com o PSB no Estado, dando o cargo de vice para o presidente estadual do partido, Marcio França. A aliança se traduziu em palanque no maior colégio eleitoral do País para um dos adversários de Aécio, Eduardo Campos.  Alckmin também atropelou as negociações do PSDB para dar a vaga ao Senado em sua chapa para José Serra e a negociou com o PSD, de Gilberto Kassab.

Aliados de Aécio achavam essa negociação péssima para o presidenciável: o tempo de TV do candidato ao Senado poderia ser usado a favor de Dilma Rousseff, já que o ex-prefeito apoia a reeleição da petista. A contragosto de Aécio, Alckmin tentou ainda resolver a sua vida defendendo Serra como vice do presidenciável – assim teria a vaga do Senado livre para negociar com outros partidos.

Não conseguiu porque Aécio segurou no braço a articulação.

COM EDUARDO CAMPOS

Desde que começou a eleição, a equipe de Alckmin conversa com integrantes da equipe de Campos para definir estratégias comuns no Estado. E agora começam a pipocar pelo interior paulista fotos e propaganda dessa parceria entre o governador e o presidenciável do PSB.

Hoje, no QG de Aécio em São Paulo, a orientação era criar comitês pelo interior paulista para fazer frente a essa parceria Alckmin-Campos. Os tucanos tinham em mente quatro principais cidades: Campinas, Marília, Limeira e São José do Rio Preto, que são governadas pelo PSB e que estimulam a dobradinha.

Por trás desses desencontros entre os dois tucanos, estão as perspectivas eleitorais de longo prazo. Alckmin é candidato a presidente em 2018 e sabe que o caminho só será possível – ou pelo menos mais fácil –  com a derrota de Aécio em 2014.

Mais ou menos o mesmo raciocínio que o mineiro fez em 2010, quando Serra era  candidato a presidente e perdeu a eleição em Minas, onde não contou com a ajuda do correligionário.

IMAGEM DE UNIDADE

Aécio sabe disso e tenta se blindar da melhor maneira possível. Tanto que convidou um paulista, o senador Aloysio Nunes Ferreira, para ser vice na sua chapa.  Oficialmente, até o final da campanha, a imagem vendida para o público será de unidade, como na caminhada do sábado em M’Boi Mirim, quando os dois com o mesmo figurino, camisa social de mangas arregaçadas, tentavam reforçar o clima de união. Alckmin foi escalado para a agendas de Aécio em São Paulo e irá participar de todas elas.  Nos bastidores, porém, a distância será cada vez maior até 2018.

Obsoletas discussões sobre futebol e o título do Atlético

Tostão
O Tempo
Dunga falou que a maioria das seleções na Copa marcou atrás, para contra-atacar, como se dissesse: “A seleção, comigo, jogou assim”. Ele não falou que as marcas principais da Alemanha e da Espanha, os dois últimos campeões, e dos melhores times do mundo são a troca de passes e o futebol compacto, coisas que as seleções dirigidas por ele e por Felipão não fizeram.
Luxemburgo, que voltou ao Flamengo, disse que não viu nada de novo na Copa. Citou a Holanda, que jogou com três zagueiros, uma maneira considerada ultrapassada. A Holanda não jogou bem por causa dos três zagueiros. As discussões sobre qual seria o melhor sistema tático, sobre futebol arte ou de resultados, defensivo ou ofensivo e muitas outras, incentivadas por parte da imprensa, dos técnicos e de ex-atletas saudosistas, estão ultrapassadas.
Os problemas do futebol brasileiro são outros e mais graves, dentro e fora de campo. Dias atrás, a “Folha” publicou uma lista dos melhores jogadores entre 19 e 21 anos, que devem participar das Olimpíadas. Alguns poderão estar nas próximas convocações da seleção principal e na Copa de 2018. Quase todos são titulares de grandes equipes brasileiras ou de times médios ou pequenos da Europa.
Fiquei mais preocupado. Todos são bons, mas nenhum promete ser um jogador excepcional, destaque na seleção e/ou nas melhores equipes do mundo. A geração atual, de 2014, é inferior à anterior, que tinha Kaká, Ronaldinho, Adriano, Robinho, Luís Fabiano, e superior à que vem por aí.
Logo após a Copa de 2010, todos escalavam a seleção de 2014 com Neymar, Pato e Ganso. Se Ganso tivesse sido formado na Alemanha ou na Espanha, seria colocado, desde as categorias de base, para ser um armador, jogar na posição e nas funções de Schweinsteiger, Kroos, Xavi e outros, de uma área à outra. Nos treinos, seria cobrado para não perder a posse de bola, para esperar o momento certo de dar um passe decisivo, para tocar, avançar, receber, tocar e, quando time perdesse a bola, voltar rápido para marcar e proteger os defensores. Provavelmente, seria tão bom quanto os melhores armadores do mundo, pois tem talento para isso.
Se Kroos, Schweinsteiger e outros fossem formados no Brasil, seriam escalados, desde as categorias de base, de meias ofensivos, para atuar da intermediária do adversário ao gol. Seriam cobrados para entrar na área. Provavelmente, seriam apenas bons jogadores, como Ganso, irregulares, pois teriam poucos espaços e seriam mais marcados. De vez em quando, fariam uma bela jogada.
A razão dessa diferença é que os técnicos brasileiros, décadas atrás, dividiram o meio-campo entre os volantes para marcar e os meias ofensivos. Sumiram os armadores.
Neymar, que ainda vai evoluir, é tão fenomenal que resistiu e passou por cima das instruções dos técnicos das categorias de base.

GALO CAMPEÃO

No Mineirão, mais uma vez, como tinha acontecido na Libertadores, o Atlético foi campeão, em um estádio com mais de 50 mil pessoas. Se não fosse a exigência da Conmebol, provavelmente, o jogo seria no Independência, com menos da metade do público. O clube arrecadaria muito menos, e as chances do título seriam as mesmas.
O Atlético, longe de seus melhores momentos, mostrou suas virtudes e deficiências. O time não tem armador, como a maioria das equipes brasileiras. Os dois volantes marcam, e os três meias correm na frente, formando um quarteto ofensivo. Foi o mesmo problema da seleção brasileira. Victor, novamente, foi brilhante, e Ronaldinho, mais uma vez, foi discretíssimo.

Emílio Moura, um poeta entre o desejo e a angústia

O jornalista, professor e poeta mineiro Emílio Guimarães Moura (1902-1971), no poema “Poema Patético”, revela como o amor entremeia emoções diferentes entre o desejo e a angústia.

POEMA PATÉTICO

Emílio Moura

Como a voz de um pequeno braço de mar perdido dentro de uma caverna,
Como um abafado soluço que irrompesse de súbito de um quarto fechado,
Ouço-te, agora, a voz, ó meu desejo, e instintivamente recuo até as
origens de minha angústia,
Policiada e vencida, oh! afinal vencida por tantos e tantos séculos
de resignação e humildade.
Em que hora remota, em que época já tão distanciada, foi que os ares
vibraram pela última vez, diante de teu último grito de rebeldia?
Quantas vezes, ó meu desejo, tu me obrigaste a acender grandes fogueiras
dentro da noite.
E esperar, cantando, pela madrugada?
Mas, e hoje? Hoje a tua voz ressoa dentro de mim, como um cântico de
órgão.
Como a voz de um pequeno braço de mar perdido dentro de uma
caverna,
Como um abafado soluço que irrompesse, de súbito, de um quarto fechado.

             (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Vamos falar a verdade sobre a Previdência, aposentados e pensionistas. E a verdade é bem dolorida, mesmo.

Wagner Pires

Dou toda a razão para o nobre deputado Arnaldo Faria de Sá e a bandeira que está levantando, em defesa dos aposentados e pensionistas. Ocorre, entretanto, que o sistema brasileiro de amparo à saúde, à assistência social e à previdência social, conhecido constitucionalmente como Seguridade Social, está deficitário, sim.

Não era o caso de algum tempo atrás, mas não posso deixar de falar a verdade aos leitores da Tribuna da Internet, uma gente que gosta de estar bem informada. Inclusive ontem saiu um artigo do deputado dizendo que a Previdência Social é superavitária em R$ 78 bilhões ou mais. Então fiz mais, colecionei um artigo de uma Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, o qual serviu de embasamento para as argumentações do citado deputado. Mas a verdade é a verdade, e temos de primar por ela.

E a verdade é que o sistema brasileiro da Seguridade Social está apresentando cada vez mais sucessivos déficits em decorrência da maior distribuição de benefícios à população.

É preciso saber que é do montante orçamentário destinado à seguridade social que saem os recursos para o Bolsa Família, para o Seguro Desemprego e para o programa instituído do LOAS/RMV, isto é, da Lei Orgânica da Assistência Social e para as Remunerações Mensais Vitalícias.

Acrescente-se aí os benefícios estendidos aos trabalhadores ruralistas que, ou não contribuíram para o sistema, ou contribuíram pouco.

Então, basicamente é isso. Os três últimos governos optaram pela forma assistencialista de governo, retirando recursos da Saúde, do Regime Geral da Previdência Social e da Assistência Social, cada vez mais incapazes de suportar o crescimento do assistencialismo e até populismo implantados e desenvolvidos por estes governos.

Então, se te perguntarem por que aos aposentados foram impostos os fatores de redução e a limitação de seus valores de remuneração e pensões, pode responder que foi para pagar o Bolsa Família, para suportar os desempregados segurados e para distribuir recursos com os necessitados especiais.

É isso. Ah, sim… o déficit de todo a seguridade social o ano passado foi de mais de R$ 90 bilhões. E em 2012, diferentemente do que afirmaram o deputado e a auditora da Receita Federal, que disseram que o superávit foi de R$78 bilhões, na verdade, foi um déficit de R$76 bilhões!

Paciência, mas, é a verdade!

Educação é o nosso calcanhar de Aquiles

PERGUNTA de Dorothy Lamour

Prezados Francisco Bendl, Virgilio Tamberlini e Carlos Newton,

Pelos belos textos e comentários, peço a opinião de vocês. Como explicar que países que até “ontem” fizeram parte da Cortina de Ferro, que foram arrasados durante a Segunda Guerra Mundial, que ficaram 45 longos anos fechados no comunismo, que não têm um imenso território ou os recursos naturais como o Brasil e hoje estão com IDH alto, qualidade de vida, sem violência, PIB considerável, etc. etc.

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RESPOSTA de Francisco Bendl

Hoje é Dia dos Avós, então estou acompanhado dos meus cinco netos que vieram visitar o avô e a avó. A festa foi grande, razão pela qual não dei a atenção que normalmente disponho ao blog.

Em princípio, minha cara, eu não seria a pessoa mais indicada para responder à tua pergunta, mas prometo que vou me esforçar. Rússia, Checoslováquia, Hungria, Polônia, os países Bálticos, que seriam a Lituânia, Letônia, Estônia… possuem melhor IDH que o nosso por uma única razão: Educação!

Antes da Revolução Russa de 1917 e da Segunda Guerra Mundial, esses países já detinham um nível cultural de séculos, tradição e costumes praticamente milenares. Havia base intelectual e governos voltados aos estudos, ao Ensino, diante da industrialização européia e necessidade de mão de obra qualificada à época.

Independente do regime comunista que impediu a liberdade de ir e vir, de se escolher os novos dirigentes políticos, o povo detinha consigo alto nível de aprendizado, e que não foi interrompido pelo sistema totalitário.

Por outro lado, após a Segunda Guerra, a Rússia e suas repúblicas trataram de se armar para enfrentar o Ocidente, ocasionando uma corrida industrial muito forte e enaltecendo mais ainda o Ensino em nível superior, diante da necessidade de engenheiros, cientistas, pesquisadores, descobertas e desenvolvimentos de tecnologias e métodos científicos avançados.

Portanto, a meu ver, a Educação, que tem sido desprezada pelos governos brasileiros e, principalmente pelo PT, que permitiu o avanço do analfabetismo depois de tanto tempo em baixa, é a causa principal que nos coloca muito aquém de um IDH que pudéssemos nos orgulhar e nos dar a certeza de que estaríamos sendo administrados corretamente.

Jamais estivemos sendo governados de forma que a Educação e Ensino fossem os objetivos fundamentais de nossos governantes nas últimas décadas, resultando que atualmente estejamos na dependência da exportação de commodities, no lugar de também podermos vender tecnologia ou produtos de ponta.

Assim, o Brasil limita em demasia seu próprio desenvolvimento e progresso da sociedade, carente sempre de mão de obra qualificada, mas empregando milhões de brasileiros na construção civil, que absorve o trabalhador menos preparado em termos de ensino.

Se tu lembrares, quando tivemos uma explosão na construção civil, nossos problemas foram encontrar engenheiros e mestres de obra, enquanto que pedreiros e serventes não eram dificuldades maiores.

Educação é o nosso calcanhar de Aquiles.

Denúncias de corrupção do deputado Rodrigo Bethlem abalam Prefeitura do Rio

Adriana Lorete
Agência O Globo

O prefeito Eduardo Paes anunciou, neste sábado, que fará uma auditoria especial para investigar todos os contratos em sua administração celebrados pelo deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ). As investigações não se limitarão à Secretaria municipal de Desenvolvimento Social, na qual o deputado admite, em gravações divulgadas pela revista “Época”, ter embolsado uma espécie de mesada da ONG Casa Espírito Tesloo. As despesas autorizadas por Bethlem nas secretarias de Ordem Público e de Governo também serão analisadas. Durante a gestão Paes, Bethlem ocupou cargos na prefeitura, com algumas interrupções, de 2009 até abril de 2014, quando se afastou para tentar a reeleição a deputado.

Paes se disse estarrecido com o que ouviu. Ele lembrou que o contrato mencionado por Bethlem tinha sido cancelado em 2012, após auditoria da Controladoria Geral do Município identificar falhas na prestação de contas. Ele, no entanto, disse que Bethlem permaneceu à frente da secretaria por não haver elementos que apontassem para um má conduta do então secretário.

“ESTARRECIDOS”

— Essa é uma notícia que deixa todos estarrecidos. Em cinco anos e sete meses, nunca tivemos um escândalo na administração municipal. As investigações vão ser feitas com absoluta transparência. Em suspeitas de desvio de conduta por corrupção, não há relação política pessoal ou ligação partidária com o prefeito quando se trata de mau uso do dinheiro público — comentou Paes ao afirmar que as investigações seriam aprofundadas.

Paes disse ainda que não conversou com Bethlem após as denúncias virem à tona. O prefeito, de forma genérica, afirmou que “independente de quem comete um ato de corrupção, tem que ir para a cadeia”. Ele acrescentou também que, se ficar comprovado que houve desvio de recursos para uma conta na Suíça, o município vai tentar todas as medidas para reaver o dinheiro. Por meio de nota divulgada na manhã deste sábado por sua assessoria de imprensa, Rodrigo Bethlem negou as acusações mostradas em gravações que teriam sido feitas por sua ex-mulher, Vanessa Felippe.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEssas denúncias abalam novamente o prefeito Eduardo Paes, cuja família já foi flagrada com contas em paraísos fiscais. Bethem, um dos políticos mais ligados a Paes, assumiu como secretário municipal e instituiu um tal Choque de Ordem na cidade, mas se limitava a perseguir pequenos comerciantes e miseráveis camelôs. Agora, Bethlem foi o primeiro a lançar uma campanha eleitoral milionária nas ruas, que estão percorridas por dezenas de grupos de jovens empunhando bandeiras com o nome dele. Paes e Bethlem, tudo a ver. Há muitas outras denúncias contra eles. Como se dizia antigamente, um pelo outro, eu não quero troca. Nenhum dos dois vale nada. (C.N.)

Lula comenta o caso do aeroporto da forma mais mineira possível

José Carlos Werneck

Numa tirada ao estilo de um José Maria Alkmin e de causar inveja às mais lendárias raposas do velho PSD mineiro, Lula defendeu Aécio Neves das acusações de construir um aeroporto na fazenda de seu tio, quando governador de Minas Gerais. Segundo o ex-presidente, é necessário investigar antes de condenar. “O PT, por exemplo, é sempre condenado, até antes de ser investigado”.

Segundo ele a questão de haver uma denúncia contra o senador mineiro “não significa que ele é culpado”.

“Um ministro que era do PMDB uma vez foi dito pela imprensa que ele tinha um envelope embaixo do braço. Isso já faz sete anos e esse rapaz nunca foi indiciado por ninguém, nunca ninguém conversou com ele, nunca ninguém perguntou se era verdade ou mentira e o cidadão está há sete anos esperando”.

“Eu não sou daqueles que, de forma leviana, condena as pessoas antes da investigação. Se tem uma denúncia contra o Aécio que se investigue corretamente, se apure com a maior seriedade possível e, se tiver procedência, que tomem as medidas cabíveis. Se não tiver, vamos punir quem denunciou, porque também nesse país qualquer cidadão pode encher a cara em um buteco, sair do buteco com vontade de denunciar alguém, denuncia, o Ministério Público vai apurar e depois ninguém pede desculpa a pessoa”.

AÉCIO EXPLICA

Aécio afirma que o aeroporto foi construído em área pública, já que o local foi desapropriado em favor do estado. Ele exibe documentação que comprova o que diz e garante que, à época, o governo respeitou integralmente o processo de licitação.

“O proprietário da área, meu tio-avô, argumentava e apresentou proposta para R$ 9 milhões, mas foi desapropriada com valor depositado de R$ 1 milhão. Se houve alguém favorecido nisso foi o estado e não o meu parente”. Aécio declarou que local só foi escolhido, porque “era  mais barato” e não precisava de grandes despesas com terraplenagem.  A Procuradoria-Geral da República irá investigar o caso.

Se eu fosse palestino

http://www.patrialatina.com.br/fotos/19-07-2014_08_38_09_.jpg

Eduardo Galeano

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a escolher seus governantes.

Quando votam em quem “não devem votar”, são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou de forma limpa as eleições no ano de 2006. Algo parecido aconteceu em 1932, quando o Partido Comunista venceu as eleições em El Salvador.

Banhados em sangue, os salvadorenhos foram castigados por sua má conduta e, então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com péssima pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou.

E o desespero, a espera pela loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouco da Palestina. Pouco a pouco, Israel a está apagando do mapa. Os colonos invadem e depois deles os soldados vão restabelecendo a fronteira. As balas sacralizam a remoção, como legítima defesa.

Não existe guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo.

Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel engole outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam.

(artigo enviado por Mário Assis)

Por que a energia brasileira passou a ser uma das mais caras do mundo?

Welinton Naveira e Silva

Os projetos de construção das bem sucedidas usinas hidrelétricas, possuidoras de grandes reservatórios de água visando garantir a geração elétrica durante os períodos de estiagem, foram abandonados no governo FHC/PSDB, desmantelando nossa segura geração de energia elétrica, renovável, de tecnologia e engenharia brasileira conhecida e confiável. A partir daí, a construção de grandes usinas contendo reservatórios de água tornou-se quase impossível, enfrentando todo tipo de impedimentos, ditos ambientais.

Para inviabilizar a construção de usinas hidrelétricas, usaram pretextos ecológico-indigenistas. Entrou em campo Marina Silva (sonha chegar a presidente da República), mais incontáveis ONG’s estrangeiras em aberta “proteção da ecologia da Amazônia e dos índios”. Muitos desses índios, formados, fazendeiros, empresários, falando língua inglesa e fazendo uso de todo tipo de avançada tecnologia, ferramentas, celulares, computadores, automóveis, tratores, aviões etc.

Enquanto isso, FHC/PSDB dava início ao processo de montagem da chamada “matriz energética diversificada”, com importações e instalações de inúmeras usinas termelétricas, transformando a velha barata energia elétrica hidráulica estatal (antes das desastradas privatizações FHC/PSDB) em mercadoria.

GERAÇÃO TÉRMICA

Num fechado modelo, entrou em cena a crescente grande geração térmica, num sistema que antes das privatizações, praticamente só existia a geração hidráulica, com energia barata. Daí em diante, a energia elétrica passou a ser vendida como mercadorias ao sabor dos mercados, demandas e ofertas, entregues às ambições dos lucros, sem limites.

Nesse modelo, passamos a pagar uma das mais caras energias elétrica do Planeta. Só nessa última grande estiagem, atingiu valores nunca vistos nem nunca imaginados, freando nossa economia.

Enquanto isso, mais de 70% do potencial hidrelétrico do Brasil de energia renovável continuam aguardando ser explorados.