Uma polarização eleitoral com contornos absurdos

Carla Kreefft

Aconteceu o que, de certa forma, todos estavam imaginando que aconteceria. A polarização da eleição no segundo turno alcançou contornos absurdos. A radicalização de ambas as posições por parte dos candidatos e da militância faz todos perderem a razão, a noção de respeito ao outro e, principalmente, o sentido do ato de votar. Em resumo, a disputa ficou insustentável. E seja quem for o vitorioso, ele vai assumir um país partido, com uma de suas metades absolutamente ressentida e incapacitada de abraçar qualquer proposta, ainda que ela seja boa e beneficie a todos.

A divisão de um país está diretamente relacionada à governabilidade política e à capacidade de implementação de ações administrativas eficientes. Em outras palavras, o próximo presidente não terá vida fácil. É possível que a tendência de adesão ao governo que, normalmente, atinge a maioria dos partidos aconteça. Mas, ainda assim, estabelecer uma política conciliatória não é tarefa fácil, depois de um desgaste como o provocado pela atual campanha.

As dificuldades de gerir política e administrativamente um país podem ter consequências importantes. São obras e projetos parados, programas suspensos e expectativas frustradas. O tempo que isso tudo pode demorar é uma verdadeira incógnita. Mas, certamente, lá vão alguns meses. E, como a reforma política não foi feita, em 2016 já tem nova eleição – desta vez para prefeitos e vereadores. Assim, o Brasil terá pouco tempo para se refazer dessa confusão que a campanha impôs.

PT E PSDB 

E quando é questionado o motivo de tudo isso, qual é a resposta? Será que PT e PSDB são assim tão diferentes que a derrota de um e a vitória de outro são capazes de virar o país de cabeça para baixo? A resposta mais prudente é “não”. Os dois partidos não são assim tão diferentes. As semelhanças os aproximam tanto que os discursos das campanhas caminharam para questões de ordem ética e pessoal, já que, do ponto de vista ideológico, as convergências são muitas.

Mas do que em 1989, quando Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva disputaram o segundo turno, trata-se de uma questão emocional e extremamente relacionada à acessibilidade social. As pessoas estão se envolvendo como nunca nas duas campanhas porque se enxergam nelas. Lá estão seus interesses financeiros, como cargo, emprego e capacidade de compra, a sensação de estabilidade e expectativa de futuro.

Mais uma vez o eleitor brasileiro se posiciona de forma inteiramente individual e sem engajamento político. Os interesses que estão aparecendo nas campanhas são mesquinhos, pequenos e não representam o avanço da democracia. A guerra, como todas as outras, não tem a menor razão, mas as feridas são verdadeiras e vão deixar sequelas.

Justiça Eleitoral agora também desconfia das pesquisas…

Mariana Desidério
Com o fim das eleições se aproximando, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Antonio Dias Toffoli, afirmou que quer conversar com os institutos de pesquisa sobre a metodologia e as regras para divulgação dos levantamentos de intenção de voto. A iniciativa vem após o primeiro turno ter apresentado nas urnas resultados bem diferentes dos previstos nas pesquisas. “Vamos chamar os institutos para entender o que aconteceu. A primeira coisa que queremos é conhecer melhor, pois não foram erros pontuais, e nem contra o partido A ou o partido B, mas erros sobre diversos resultados”, afirmou o ministro em reportagem publicada no jornal Folha de S.Paulo.
Uma questão já levantada pelo ministro é a diferença na margem de erro de cada pesquisa. “Talvez isso devesse ser padronizado para evitar que se compare alhos com bugalhos”, disse. Outro ponto que pode ser debatido é o prazo para divulgação da pesquisa.NO PRIMEIRO TURNOO primeiro turno das eleições teve várias disputas com resultados diferentes do que os divulgados pelas pesquisas eleitorais.

Um dos casos mais discrepantes ocorreu no Rio Grande do Sul, onde o candidato do PMDB, José Ivo Sartori, aparecia em terceiro lugar, com 23% das intenções de voto. Sartori ficou em primeiro lugar no estado, com 40,4% dos votos. Ele disputa o segundo turno com o governador Tarso Genro (PT), candidato à reeleição.

Já no Rio de Janeiro, o candidato Garotinho (PR) aparecia como segundo colocado nas pesquisas, com 27% das intenções de voto. No entanto, após a votação, Garotinho ficou com 19,7% e foi ultrapassado por Marcelo Crivella (PRB), que agora disputa o segundo turno com Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Para especialistas, é importante ter clareza de que as pesquisas de intenção de voto não são um retrato do que acontecerá nas urnas. “A pesquisa capta o momento, é uma sondagem da opinião pública. É inaceitável que ela seja vendida como algo infalível e como substituta da eleição”, afirmou Victor Trujillo, professor de marketing eleitoral da ESPM, em entrevista a EXAME.com logo após o segundo turno.

Assim como nos estados, o resultado do primeiro turno na eleição para presidente também foi diferente do que havia sido previsto nas pesquisas. Aécio Neves (PSDB) tinha 24% das intenções de voto na última pesquisa divulgada no primeiro turno. Na votação, o tucano ficou com 33% dos votos.

A quadrilha imortalizada por Drummond

Coligações, campanhas, promessas, pesquisas e debates com acusações, até certo ponto criminosas, trocadas entre os candidatos que disputam hoje o 2º turno das eleições para presidente e para governador (este apenas em alguns estados) são elementos que, ironicamente, lembram-me muito o poema “Quadrilha”, do bacharel em farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos mestres da poesia brasileira.

QUADRILHA

Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

         (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Uma eleição de recordes

Fernando Rodrigues
Folha

Como a democracia brasileira é jovem, a cada eleição registram-se alguns ineditismos. Será assim amanhã, com a escolha do próximo presidente da República.

Se Dilma Rousseff (PT) ganhar mais quatro anos no Planalto, ela será a primeira mulher a conseguir tal feito. Estará também consignada uma outra lógica: presidentes que disputam a reeleição têm sucesso nas urnas. Foi assim com Fernando Henrique Cardoso, em 1998, e com Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006.

Em caso de vitória, Dilma governará até 2018, quando o PT completará 16 anos no poder. Nunca na história verdadeiramente democrática do Brasil um único partido comandou o país por tanto tempo.

Na hipótese de Aécio Neves (PSDB) ganhar, sua vitória significará a chegada ao poder do primeiro político que fez carreira majoritariamente no Brasil pós-ditadura. Seria uma troca geracional relevante num país que muitas vezes vive mais do passado do que do presente ou do futuro.

ELEIÇÕES EM SI

Mas o maior recorde talvez seja a realização das eleições em si. Apesar do clima beligerante entre os candidatos a presidente, não há dúvidas na sociedade a respeito da lisura da disputa –o nível de fraudes ou urnas com defeito fica sempre perto de 0,5% do total.

Tampouco se coloca em dúvida a solidez das instituições: ganhe quem for, tomará posse no dia 1º de janeiro de 2015. Nessa data, escrevo isso sempre e acho importante repetir, o país terá realizado sete eleições presidenciais diretas consecutivas com a posse do eleito. O fato é único na história brasileira.

O aspecto negativo da atual corrida presidencial fica para o quadro político fracionado que vai emergir na segunda-feira. O próximo presidente terá enormes dificuldades na construção de algum consenso. É um desafio que nenhum dos anteriores enfrentou e será mais um teste sobre o grau de maturidade da democracia local.

Últimas pesquisas: Sensus dá Aécio e Vox Populi dá Dilma

dilma aecio debate record by divulgacao

O Instituto Sensus realizou a última pesquisa de intenção de votos para presidente, fechada há pouco, indicando liderança do candidato do PSDB, Aécio Neves, com 52,1% dos votos válidos. A sua oponente Dilma Rousseff (PT), segundo o Sensus, soma 47,9% dos votos válidos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob nº 01193/2014.

Ao contrário de todos os demais institutos de pesquisa do País, como Datafolha, MDA e Ibope, que apontavam para Marina Silva (PSB) disputando o segundo turno com a candidata do PT, o Sensus foi o único a captar o crescimento de Aécio, na reta final, sobretudo após o debate da Rede Globo, indicando que ele estaria no segundo turno, como de fato aconteceu.

Computando-se todas as intenções de voto, inclusive brancos e nulos, Aécio tem 45,7%, contra 42% de Dilma. Indecisos, brancos e nulos somam 12,4%. As entrevistas foram realizadas nesta sexta-feira (24) e hoje, e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais e para menos.

O levantamento do Sensus confirma o Veritá e mais outra pesquisa, divulgada mais cedo pela CNT/MDA, segundo a qual Aécio Neves passou à frente da candidata petista. Ele agora somaria 50,3% das intenções de votos válidos contra 49,7% de Dilma. Na última pesquisa CNT/MDA, divulgada no dia 20 de outubro, Dilma aparecia com 50,5% dos votos válidos, contra 49,5% de Aécio.

A intenção de votos espontânea mostra os candidatos empatados tecnicamente. Aécio tem 44,4% dos votos e Dilma, 43,3%. Na pesquisa estimulada os números vão a 45,3% para o tucano e 44,7% para a candidata à reeleição.

VOX POPULI

A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) continua à frente do senador Aécio Neves (PSDB) na disputa pela Presidência da República, segundo pesquisa Vox Populi, encomendada pela TV Record, Record News e R7divulgada neste sábado (25). A petista aparece com 48% dos votos totais, contra 41% do tucano.

A vantagem de Dilma sobre Aécio passou de três para sete pontos percentuais, já que no último levantamento, de 20 de outubro, a petista tinha 46% e o tucano, 43% dos votos totais. A pesquisa de hoje, portanto, é a primeira do instituto em que Dilma aparece na liderança fora da margem de erro.

Votos brancos e nulos somam 5%, enquanto outros 5% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

Considerando apenas os votos válidos — que exclui brancos, nulos e eleitores indecisos —, Dilma passou de 52% para 54% na pesquisa atual, enquanto Aécio caiu de 48% para 46%.

A pesquisa foi realizada neste sábado com 2.000 eleitores de 147 municípios do País. O levantamento está registrado no TSE com o número BR-01185/2014.

 

Deficit nas contas externas brasileiras é o maior desde 2002

Eduardo Cucolo
Folha

O déficit do Brasil nas suas transações de bens e serviços com o exterior alcançou 3,7% do PIB (Produto Interno Bruto) nos 12 meses encerrados em setembro. É o maior percentual, na comparação com o tamanho da economia nacional, desde fevereiro de 2002, quando estava em 3,9%.

O aumento dos gastos brasileiros com serviços estrangeiros e a queda no saldo comercial do país estão entre os motivos que levaram a uma elevação desse resultado negativo nos últimos anos.

No acumulado do ano, o deficit nas transações de bens e serviços com outros países somou US$ 62,7 bilhões, outro recorde. Na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto), o resultado passou de 3,61% nos nove primeiros meses de 2013 para 3,72% no mesmo período de 2014.

Estudo recente do FMI (Fundo Monetário Internacional) mostrou que o Brasil está entre os dez países com os maiores deficit mundiais, o que não acontecia desde 2006. O resultado brasileiro só é menor que os de Turquia e Reino Unido.

COMÉRCIO EXTERIOR

Em setembro, o déficit externo ficou em US$ 7,9 bilhões. Foi o maior valor para este mês do ano da série histórica iniciada em 1947. O BC previa resultado negativo de US$ 6,7 bilhões.

“O desempenho da balança comercial foi o principal responsável por essa diferença”, afirmou Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC.

O IED (Investimentos Estrangeiros Diretos) em setembro atingiu US$ 4,2 bilhões e superou a previsão do BC de US$ 3 bilhões. “Tivemos algo em infraestrutura, uma operação no setor energético”, disse Maciel sobre o destaque do mês.

Para outubro, o BC espera déficit de US$ 6,6 bilhões e IED de US$ 3 bilhões.

VIAGENS AO EXTERIOR

Os gastos dos brasileiros em viagens internacionais somaram US$ 2,39 bilhões em setembro, segundo maior valor para todos os meses da série histórica do BC, que começou em 1947. A despesa de setembro é superada apenas pelos US$ 2,41 bilhões registrados em julho deste ano. Portanto, o resultado é também o maior para meses de setembro em toda série

Em 2014, os gastos em viagens têm superado os resultados vistos nos mesmos períodos de 2013 em praticamente todos os meses. As exceções foram os meses de janeiro e março. Na época, o BC chegou a projetar uma desaceleração dessas despesas, o que não se confirmou nos meses seguintes. No acumulado do ano, os brasileiros já gastaram US$ 19,6 bilhões, valor também recorde e 5% acima do verificado no mesmo período de 2013.

Datafolha pisa no freio: Dilma 47, Aécio 43% (empate técnico)

Ricardo Mendonça
Folha

Pesquisa Datafolha com entrevistas realizadas nesta sexta (24) e neste sábado (25) mostra que o segundo turno da eleição presidencial chega ao final com uma disputa bastante acirrada entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB).

Na conta dos votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Dilma marcou 52%, Aécio alcançou 48%. Trata-se de um empate técnico no limite máximo da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos.

A probabilidade maior que é Dilma esteja à frente. Isso porque a situação de empate efetivo só ocorre numa combinação que considera os máximos da margem de erro para cada um em sentidos opostos (Dilma para baixo, Aécio para cima).

Na pesquisa anterior do Datafolha, nos dias 22 e 23, Dilma tinha 53%, Aécio 47%, uma diferença fora da margem. A oscilação negativa da petista mostra agora que ela parou de abrir vantagem sobre o rival.

Em votos totais, o placar da última pesquisa do segundo turno é Dilma 47% ante 43% de Aécio. Brancos e nulos somam 5%. Outros 5% não sabem em quem votar.

E JÁ VAI SE DESCULPANDO…

Os números da atual pesquisa não podem ser confundidos com uma tentativa de previsão dos resultados da eleição deste domingo. O levantamento é um retrato da corrida eleitoral no período em que as entrevistas foram feitas. Com a maior das entrevistas foram realizadas nesta sexta, o levantamento não é capaz de captar com precisão eventuais mudanças de opinião no sábado. Nem tem como identificar eventuais alterações no próprio domingo.

O Datafolha também investigou as taxas de rejeição e convicção dos candidatos.

Aécio é rejeitado por 41% (eram 40% na pesquisa anterior). Acerca de Dilma, 38% dizem não votar nela “de jeito nenhum” (eram 39%). Sobre a certeza do voto, 46% responderam que “votariam com certeza” na petista, enquanto 41% “votariam com certeza” no tucano.

Por encomenda da Folha e da TV Globo, o Datafolha ouviu 19.318 eleitores em 400 municípios. O nível de confiança é 95%. O registro da pesquisa no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR-1210/2014.

 

Ibope governista: Dilma Roussef tem 49 % e Aécio Neves, 43%

Deu no Globo

SÃO PAULO — Pesquisa Ibope divulgada neste sábado mostra que Dilma Rousseff (PT) manteve a liderança da corrida eleitoral no segundo turno contra Aécio Neves (PSDB). A petista continua com os mesmos 49% do levantamento divulgado na quinta-feira e o tucano oscilou positivamente dois pontos, e está com 43%. Esta é a segunda vez no segundo turno que candidata à reeleição aparece à frente do senador.

O número de indecisos se manteve em 3%. O total dos que pretendem votar em branco ou anular caiu de 7% para 5%. Se forem considerados apenas os votos válidos, Dilma tem 53% % e Aécio, 47%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos e o índice de confiança é de 95%.

O Ibope ouviu 4 mil eleitores em todo o país. A pesquisa, encomendada pela Rede Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01221/2014.

Piada do Ano: Dilma diz que é ela que manda apurar corrupção

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff voltou a condenar a última reportagem da Veja sobre o escândalo da Petrobras, com depoimento do doleiro Alberto Youssef dizendo que ela e Lula sabiam de tudo sobre a corrupção na estatal.

A candidata do PT, naquele seu linguajar inovador, diz que a atitude da revista faz parte de um processo “golpístico”. “Eu quero dizer aqui que eu tenho uma vida inteira que demonstra o meu repúdio à corrupção. Eu não compactuo com a corrupção, eu nunca compactuei. Quero que provem que eu compactuei com a corrupção e não esse tipo de situação em que se insinua e não tem prova”, disse.

“Além disso, eu quero dizer também, eu não falo de corrupção só em época eleitoral. Eu combato a corrupção fora do período eleitoral e faço isso de forma sistemática. Nesse caso da Petrobras, ou qualquer outro, que tenha a ver com corrupção, eu vou investigar a fundo, doa a quem doer. Quero dizer que não vai ficar pedra sobre pedra”, repetiu a presidente.

Parece brincadeira, mas ela diz essas coisas, mesmo. Desta vez, Dilma Rousseff quer que acreditemos que foi ela que mandou a Polícia Federal devassar a Petrobras e descobrir a corrupção que beneficia o PT e seu próprio governo. Ela deve achar que no Brasil todo mundo é retardado mental.

No que dependeu dela para combater a corrupção, o que se viu foi a imprensa derrubando ministros após ministro e ela resistindo a demiti-los, só o fazendo quando já não havia a menor possibilidade de mantê-los. Basta lembrar o caso do então Carlos Lupi, que se recusava a sair e bradou: “Eu te amo, Dilma!”. Mesmo fazendo essa palhaçada envolvendo diretamente o nome da presidente, ela não o demitiu e ele ainda se agüentou um pouco no cargo. Portanto, em matéria de combate à corrupção, Dilma Rousseff jamais poderá ser citada como exemplo.

Datafolha e Ibope mudam rejeição para manipular pesquisas

Wagner Pires

O calcanhar de aquiles de Datafolha e Ibope nos levantamentos que realizaram foi a ilógica inversão nas taxas de rejeição apresentadas pelos candidatos. Sem a menor noção e responsabilidade, tais institutos simplesmente inverteram tal estatística, apresentando Dilma com a menor taxa de rejeição e Aécio com a maior. E é claro que não há nenhuma justificativa para que isso, de fato, seja verdadeiro.

Mas, justamente para justificar em suas pesquisas a inversão das posições na corrida eleitoral, era necessário inverter, também, a taxa de rejeição dos candidatos. E é claro que isto é falso.

Não houve, absolutamente nada para que houvesse a inversão das taxas de rejeição. Portanto, está aí o calcanhar de aquiles desses dois institutos (Ibope e Datafolha) e a falta de fidedignidade com a intenção do eleitorado embutida em suas pesquisas. Simples assim.

Ficarei com o levantamento do instituto Veritá que ouviu 7.700 eleitores em sua amostragem, cujo erro de estimativa, bem pequeno, é de 1,7% e que guarda a seguinte relação de eliminação da zona de intersecção da margem de erro:

Aécio tem 47% – 1,7% (para menos) = 45,3%, enquanto Dilma tem 41,4% + 1,7% (para mais) = 43,1%.

Logo: 45,3% – 43,1% = 2,2% de vantagem real do candidato tucano sobre a candidata petista.

Mantidas as taxas de rejeição captadas desde o primeiro turno, isto é, Dilma com a maior taxa de rejeição e Aécio com a menor taxa de rejeição entre os dois candidatos. Assim, pela lógica contida na pesquisa, podes-e afirmar que Aécio Neves vence a disputa eleitoral com uma vantagem mínima de 2,2% da preferência dos eleitores.

É uma margem apertadíssima, talvez de dois milhões e meio de votos válidos, mas é o suficiente para garantir-lhe o próximo mandato. E é isso que importa.

Lula ordenou pagamento a uma agência suspeita, diz doleiro

Ricardo Brandt e Fausto Macedo
Estadão

O doleiro Alberto Youssef afirmou nos termos de sua delação premiada que o então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva teria dado uma ordem em 2010 ao então presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, para que ele resolvesse uma pendência com uma agência de publicidade suspeita de integrar o esquema de corrupção na Petrobrás.

“O Lula ligou para o Gabrielli e falou que tinha que resolver essa merda”, revelou o doleiro em um dos seus vários depoimentos que vem prestando à Justiça a fim de tentar reduzir sua pena ao colaborar com as investigações da Operação Lava Jato.

Youssef, que está preso sob acusação de integrar um megaesquema de lavagem de dinheiro que envolvia contratos milionários da Petrobrás, não deu detalhes sobre como ficou sabendo desse suposto telefonema.

No depoimento, Youssef afirmou que, depois da suposta ordem, Gabrielli teria acionado o então diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, outro personagem central do caso, e pedido para que ele usasse “o dinheiro das empreiteiras e passasse para a agência”.

AGÊNCIA MURANNO

A agência de publicidade que teria recebido o repasse de empreiteiras, ainda segundo disse Youssef, é a Muranno Marketing/Brasil. Trata-se de uma empresa suspeita de integrar o esquema de propinas.

Segundo o doleiro, a agência tinha valores a receber e, em razão disso, ameaçava tornar pública a corrupção na Petrobrás.

Youssef não cita datas nem como foi feito o pagamento à agência. A Polícia Federal, porém, identificou dois repasses, num total de R$ 1,7 milhão, à agência via MO Consultoria, empresa do doleiro. O repasse é datado de 22 de dezembro de 2010. Houve ainda outros três depósitos à agência, num total de R$ 509 mil, nos dias 12 e 13 de janeiro de 2011, feitos pela empresa Sanko Sider, também investigada pela Lava Jato.

Ouviu dizer.

Além do suposto telefonema entre Lula e Gabrielli, o doleiro fez outras referências a Lula e à suposto conhecimento do Palácio do Planalto em relação ao esquema: “Todas as pessoas com quem eu trabalhava diziam o seguinte: ‘Todo mundo sabia lá em cima, que tinha aval para operar”. Não tinha como operar um tamanho esquema desse se não houvesse o aval do Executivo. Não era possível que funcionasse se alguém de cima não soubesse, as peças não se moviam”.

O doleiro também disse no depoimento da delação: “Era impossível o Lula governar se não tivesse esse esquema. O Lula era refém desse esquema”, afirmou. Como exemplo, citou o episódio da disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados em 2005. Na ocasião o PT queria no cargo o então deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), mas teve que se curvar à exigência de José Janene (PP-PR), que morreu em 2010 e é apontado como a ponte entre o esquema e o Congresso. Na época, Janene teria imposto o nome de Severino Cavalcanti (PP-PE) para o comando da Câmara. Cavalcanti acabou eleito.

Youssef é apontado como sócio de Janene e suposto criador do esquema de propina na Petrobrás comandado pelo PP.  O doleiro, que ainda não teve a delação homologada pela Justiça, diz que ainda apresentará provas sobre suas declarações. O esquema teria atuado entre 2004 e 2012, período em que Costa esteve na diretoria de Abastecimento da Petrobrás.

COM A PALAVRA, A DEFESA

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “não comenta vazamentos parciais de delação premiada, nem depoimentos aos quais sequer teve acesso”.

O ex-presidente da Petrobrás (2005-2012), hoje secretário de Estado de Planejamento da Bahia, José Sergio Gabrielli, rechaçou com veemência as informações do doleiro Alberto Youssef em sua delação.

Gabrielli esclareceu, ainda, taxativamente, que “não conhece o senhor Alberto Youssef e nunca teve qualquer tipo de contato presencial ou telefônico com ele ou com pessoas ligadas às suas empresas”. Para o ex-presidente da Petrobrás, “as falsas informações atribuídas à delação premiada do doleiro são uma tentativa desesperada de interferir no 2.º turno das eleições”.

A Muranno Marketing foi procurada nos contatos disponíveis e ninguém foi localizado.

Pesquisa CNT/MDA também mostra Aécio à frente de Dilma

Deu no Valor

Depois das pesquisas Sensus e Veritá, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, também aparece numericamente à frente da presidente Dilma Rousseff (PT) na pesquisa CNT/MDA divulgada neste sábado.

Considerando os votos válidos, Aécio tem 50,3% das intenções de votos e Dilma está com 49,7%. Os candidatos continuam tecnicamente empatados, já que a margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais. O nível de confiança do levantamento é de 95%.

Na sondagem CNT/MDA anterior, Dilma aparecia com 50,5% dos votos válidos e Aécio com 49,5%.

Com as mãos e os pés

01

Continuo o assunto da última coluna, sobre os inúmeros lugares-comuns que existem em nosso futebol e que deveriam ser, no mínimo, relativizados. Um deles é que volante com bom passe deveria jogar mais adiantado, como um meia. Outro é que os meias-armadores, deveriam atuar mais próximo ao gol. Esses conceitos são consequência da divisão que houve, tempos atrás, no meio-campo, entre os volantes que marcam e jogam do meio para trás e os meias que atacam e jogam do meio para a frente. Com isso, desapareceram os grandes meio-campistas, que atuam de uma área à outra.

Essa é uma das principais razões da queda de qualidade de nosso futebol, da diminuição da posse de bola, da troca de passes e do jogo coletivo, do predomínio dos lançamentos longos, dos lances isolados, espasmódicos, do excesso de jogadores que conduzem demais a bola e da ausência dos fora de série no meio-campo, no nível dos melhores do mundo.

NEYMAR

Ainda bem que temos Neymar. Em vez de trocar passes, jogam a bola para ele. Neymar, por se destacar mais pela individualidade, por não depender tanto do jogo coletivo, como outros craques, por saber que, na seleção, é ele quem tem de decidir, e por ser capaz de driblar vários jogadores e fazer o gol, já levantou e vai levantar o prestígio de muitos treinadores e dirigentes. O problema é que ele é um só e, nem sempre, estará presente, como contra a Alemanha.

Existem, cada vez mais, jogadores que atuam bem em várias posições. Os técnicos adoram esse tipo de atleta, mesmo que ele seja medíocre. Pior que o medíocre é o medíocre versátil. Mais importante ainda que ser versátil é o que, durante a partida, percebe o momento de fazer algo diferente, e surge em outro lugar do campo, para fazer uma jogada decisiva. Isso não significa que ele possa atuar, desde o início, em outras posições.

GANSO EVOLUIU

Quando Muricy pede que Ganso faça mais gols não significa que ele deva ser escalado para atuar mais adiantado. Ganso evoluiu quando passou a iniciar as jogadas no próprio campo, além de participar da marcação. De vez em quando, aparece na frente e faz um gol e, somente assim, é muito elogiado. Os grandes meio-campistas do futebol mundial são brilhantes pela armação das jogadas, e não porque, esporadicamente, fazem gols.

No futuro, goleiros e zagueiros das grandes equipes terão também de ter habilidade e bom passe. O mundo adorou, na Copa, ver Neuer sair para fazer, com perfeição, na cobertura dos defensores. Mas, com a bola nos pés, para passar e driblar, quando necessário, ele está muito longe de Rogério Ceni, disparado, o melhor goleiro com os pés de toda a história do futebol, além de ser excelente debaixo das traves. Rogério já fez 123 gols, sendo 63 de pênalti e 60 de falta. Um fenômeno.

O futuro ausente nos debates do segundo turno

Cristovam Buarque

O debate na TV Globo é o ponto alto do processo eleitoral. Ali, cada candidato tem a última chance para dizer por que os eleitores devem optar por ele ou por ela. Em 2014, o eleitor que buscou o melhor candidato no primeiro turno ficou frustrado pela ausência do tema educação, jogado na vala comum, e o assunto não foi sorteado. Pior, apesar de a educação permear todos os temas sorteados, nenhum dos candidatos aproveitou cada questão para apresentar suas propostas de como fazer a revolução educacional que o Brasil precisa iniciar urgentemente.

A verdadeira razão da ausência do tema educação está na ausência do tema futuro. Das muitas dezenas de horas de entrevistas, discursos, debates e manifestações, os temas debatidos estiveram sempre vinculados aos problemas do presente. Não foram sobre o destino que o candidato sonha para o país e quais as reformas estruturais que levem ao destino que defende.

SEM PROGRAMAS

Mesmo quando o tema da educação apareceu, os candidatos se limitaram a sugerir tempo integral nas escolas, sem dizer como fazê-lo a partir do governo federal, sendo a educação de base uma questão municipal e estadual; nem se discutiu como será a educação nas próximas décadas.

Tampouco como fazer a educação ser igual para todas as crianças, independentemente da cidade onde mora e da renda dos pais. Comemora-se que alguns filhos de pedreiros já entram em alguns cursos superiores, sem propor como fazer para que todos os filhos de todos os pedreiros tenham a mesma oportunidade para disputar o ingresso nas melhores universidades.

Debateu-se a manutenção do Bolsa Família, mas não se debateu como e em quanto tempo nenhuma família brasileira necessitará de auxílio para garantir sua sobrevivência.

Em um mundo que se globaliza em todos os aspectos, inclusive pelas epidemias, como se vê agora com o ebola, o problema da segurança nacional não foi debatido.

CRESCIMENTO DO PIB

Debateu-se a baixa taxa de crescimento do PIB no presente, sem se discutir que tipo de desenvolvimento é desejável para o Brasil no futuro: se vamos continuar basicamente com bens primários ou concorrer mundialmente com bens de alta tecnologia. Ninguém propôs e nenhum entrevistador perguntou como abrir as portas para o Brasil ingressar no mundo dos países inovadores.

Debateu-se como ampliar o sistema de segurança, mas não se discutiu como fazer as cidades serem tão pacíficas que não se necessite do Estado policial que estamos construindo.

Nenhum tema foi abordado na perspectiva do longo prazo. O debate ficou prisioneiro do imediato, como se estivéssemos escolhendo um gestor para apenas administrar a crise, e não um estadista para reorientar os destinos nacionais.

Felizmente, ainda temos uns dias antes do segundo turno, além do que, a cada quatro anos, a democracia oferece novas oportunidades ao país e seu futuro ausente.

A paixão ardente de Adalgisa Nery

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery, no “Poema da Amante”, faz ardentes confissões amorosas.

POEMA DA AMANTE
Adalgisa Nery

Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Se depender do debate na TV Globo, Aécio já está eleito

Carlos Newton

O debate final entre os presidenciáveis foi mais um baile de Aécio Neves em Dilma Rousseff. Desde o início, o candidato do PSDB mostrou-se seguro e confiante, enquanto a representante do PT se apresentou quase sempre confusa, vacilante, sem transmitir confiança.

O confronto começou com Aécio perguntando a Dilma sobre a reportagem da revista Veja que reproduz o novo depoimento do doleiro Alberto Yousseff, no qual confirma que Dilma e Lula tinham conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras.

A presidente respondeu que se trata de calúnia e difamação, anuncia que vai processar a revista por ter publicado acusações sem nenhuma prova, e Aécio então lembra a ela que réu em delação premiada não pode mentir, caso contrário perde os benefícios e tem a pena agravada.

Depois, passaram a discutir economia, com Dilma exaltando o baixo desemprego e Aécio batendo na inflação, na recessão e nas obras paradas. Nada de novo, parece reprise de programas anteriores.

Em seguida, Aécio pergunta por que o governo preferiu investir no Porto de Mariel, em Cuba, ao invés de recuperar e modernizar os portos brasileiros. E indaga também por que a operação é considerada secreta pelo BNDES.

Dilma se enrolou toda para responder, é claro. Naquele seu jeito atrapalhado, disse que o financiamento não foi feito a Cuba, porque a garantia é da empreiteira brasileira, e destacou que com isso foram gerados 450 mil empregos no Brasil, o que deve ser alguma piada. É duro ver uma suposta doutorada em Economia acreditar que uma obra em Cuba possa “abrir” 450 mil empregos aqui no Brasil. Só na cabeça dela…

Ao final, a candidata petista atacou Aécio pelas verbas de publicidade recebidas por uma emissora de televisão da família dele. Foi outra mancada, porque a família dele não possui nenhuma TV. E Aécio nem perdeu tempo em responder.

BANCOS PÚBLICOS

Dilma então passou a elogiar o programa Minha Casa, Minha Vida e depois o tema mudou para bancos estatais. Aécio criticou o fato de que o Banco do Brasil tem hoje 37 diretores, dois quais 18 são filiados ao PT. Lamentou o aparelhamento da instituição e terminou dizendo que um ex-vice-presidente está preso na Itália e o atual presidente está hoje sob investigação criminal.

Dilma sentiu o golpe e acusou o governo FHC de ter “quebrado o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES”. Ninguém sabe de onde ela tirou essa estranha informação, mas Aécio nem contestou, apenas registrou que o Tesouro Nacional está devendo R$ 18 bilhões ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica, por causa das manobras contábeis que o governo faz para esconder o déficit fiscal.

Dilma então retoma a palavra e passa a enaltecer o Pronatec (escolas técnicas) e se sai bem, ridicularizando o governo FHC por só ter criado 11 instituições. Porém, Aécio consegue se recuperar, ao falar sobre seu trabalho no governo estadual, quando conseguiu que Minas Gerais passasse a ter o melhor sistema de educação fundamental do país.

OS ELEITORES PERGUNTAM

No segundo bloco, quem faz as perguntas são eleitores indecisos, selecionados pelo Ibope. O primeiro deles reclama que o aluguel da casa onde morou quadruplicou.

Ao responder a pergunta, Dilma se saiu bem, porque mais uma vez ele fala do programa Minha Casa, Minha Vida, repete que já foram entregues 3,5 milhões de moradias, explica as condições de financiamento etc. e tal. Mas Aécio então a corrige, lembrando que somente foram construídas 1,6 milhões de unidades, as outras continuam sem ser entregues.

Dilma volta a falar e faz a piada da noite, chamando o eleitor de “candidato”. Nervosa, nem replicou a correção feita pelo candidato tucano sobre o número de casas já construídas.

EDUCAÇÃO

O programa foi mal organizado pela Globo, que resolveu fazer a inovação de colocar “eleitores indecisos”, e o resultado foi que alguns temas acabaram sendo repetidos.

Assim, uma eleitora de Belém voltou a perguntar sobre educação e as colocações de Dilma e Aécio se repetem. O candidato do PSDB tem programa bem delineado, enquanto a rival petista parece que só sabe falar sobre Pronatec e Prouni. Mas desta vez sela e saiu bem, porque acusou o PSDB de entrar no Supremo com pedido de inconstitucionalidade do Prouni e Aécio não respondeu.

A próxima pergunta foi sobre corrupção. Dilma responde que o problema é que a lei é branda e não há punição. Esqueceu completamente que já está em vigor a chamada Lei Anticorrupção, que ela própria sancionou e que tem dispositivos muito rigorosos também no tocante à punição dos empresários corruptores. É uma lei que o governo até hoje não regulamentou, certamente porque o governo não lembra dela.

Depois, toda confusa, Dilma falou que tem cinco projetos para combater a corrupção e Aécio a corrigiu, dizendo que as propostas são do Congresso e não do governo. Encerrando o assunto, o tucano então afirmo que a solução contra a corrupção é simplesmente tirar o PT do governo e o auditório responde com uma salva de palmas.

William Bonner põe ordem na casa e outra eleitora indaga sobre a aposentadoria e Aécio se sai bem, dizendo que vai rever o fator previdenciário e melhorar as condições dos aposentados.

E assim termina o segundo bloco, com Aécio dominando a disputa.

ASSISTÊNCIA SOCIAL

O terceiro bloco começa com Aécio introduzindo um tema novo, que sempre esteve fora da campanha – a assistência social. Com documentos na mão, denuncia que o repasse do governo federal para as instituições de assistência social estão muito atrasados, e reclama especialmente do que está acontecendo no setor de deficientes físicos.

Dilma fica furiosa e responde que o governo nunca atrasou esses repasses, mas Aécio insiste que o problema existe, cita novamente os números e fala direto para a câmera, se dirigindo aos prefeitos e diretores dessas instituições, para se comprometer a acabar com o contingenciamento de verbas da assistência social, caso seja eleito este domingo.

Em seguida, é Dilma quem pergunta e ela entra no assunto da seca em São Paulo, para culpar o governo Alckmin de falta de planejamento, mas ao final faz uma piada de mau gosto, ao dizer que os tucanos vão criar em São Paulo o programa “Meu Banho, Minha Vida”.

Aécio replica com seriedade, lembrando que o governo federal também tem sua cota de responsabilidade, através da incompetência e omissão da Agência Nacional de águas, que conduz a política de recursos hídricos e que teve dirigentes presos por corrupção (caso Rosemary Noronha). Depois de observar que o problema não é apenas em São Paulo, critica as obras intermináveis da Transposição do Rio São Francisco, o superfaturamento da refinaria Abreu e Lima e a ausência total de planejamento no governo federal.

REELEIÇÃO

Em seguida, Aécio provoca Dilma por causa da reforma política que não sai nunca. Reclama da omissão do governo e critica a reeleição. Diz que, nos últimos 60 dias, Dilma só esteve duas vezes no Palácio do Planalto e pergunta a ela quem está governando o país.

Ela responde que está “sempre e sistematicamente” no governo e estranha que Aécio critique a reeleição, que foi comprada por Fernando Henrique no Congresso. No final da fala, diz que é contra o financiamento empresarial de campanhas eleitorais, e Aécio encerra o assunto lembrando que em 2013, que nem era ano eleitoral, o PT recebeu R$ 80 milhões de contribuições.

Dilma então critica o apoio de FHC à agricultura e exibe seus números (adora falar em bilhões…), mas o tucano não se intimida. Diz que o governo do PT abandonou a agricultura e que no estratégico segmento do etanol, a política desastrada do governo já fez serem fechadas 70 usinas somente em São Paulo. Reclama também da falta de planejamento e do custo Brasil, devido ao abandono das vias de escoamento da produção.

Dilma nem responde.

CORRUPÇÃO, DE NOVO

Aécio pergunta a opinião pessoal de Dilma sobre o mensalão e a condenação de José Dirceu. A candidata do PT responde à altura, citando o mensalão tucano e outros escândalos ligados ao PSDB. Mas Aécio tem uma carta na manga e denuncia que um dos réus do mensalão tucano é justamente Walfrido Mares Guias, responsável pela coordenação da campanha de Dilma em Minas Gerais.

Dilma então volta a falar do Enem, do Prouni e do Pronatec, enquanto Aécio anuncia seus planos para educação e relembra sua gestão em Minas. Nada se cria, tudo se copia e se repete.

VOLTAM OS ELEITORES

No último bloco, os tais eleitores indecisos voltam a fazer perguntas. A primeira delas é dirigida a Dilma por uma eleitora que reclama da falta de saneamento em muitas cidades do país.

A candidata se esquiva, dizendo que a responsabilidade por obras de saneamento é dos estados e municípios, devido à Constituição, e o governo federal apenas ajuda a financiar as obras. Volta  então a falar nos bilhões investidos etc. e tal.

Aécio aproveita a deixa e cita o número de residências brasileiras que não têm serviços de água e esgoto. Ironiza Dilma, diz que vai não “terceirizar responsabilidades” e afirma que o saneamento básico será uma das suas prioridades de governo.

Depois, o assunto volta a ser tráfico de drogas e segurança, mostrando mais uma vez que a organização do programa da TV Globo falhou infantilmente, ao permitir que os temas se repetissem. E de novo fala-se em controle de fronteiras, segurança, narcotráfico, reabilitação de drogados, nada de novo no front, tudo se copiando.

Na última pergunta dos eleitores, uma economista de 55 anos reclama do desemprego no setor e Aécio aproveita a deixa. Fala da desindustrialização do país e do estreitamento do mercado de trabalho para profissionais mais gabaritados. Explica a grave crise econômica que o país atravessa e a necessidade de retomada do crescimento, para reabertura do mercado de trabalho.

Dilma intervém e dá então a maior mancada da noite. Dirigindo-se à eleitora que fez a pergunta sobre desemprego, sugere que ela faça um curso de qualificação profissional no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), porque a melhor maneira de o trabalhador desemprego se recolocar no mercado é através da capacitação…

Caramba! Como é que uma suposta doutorada em Economia pode dar um conselho desses a uma colega desempregada? Mais parece uma cena de nonsense ou teatro do absurdo. Quer dizer que, a essa altura do campeonato, a economista de 55 anos vai aprender no Senai a ser metalúrgica, soldadeira ou operadora de máquina industrial?

Só mesmo no cabeça de Dilma Rousseff…

Protocolado no Congresso novo pedido de impeachment de Dilma


Deu no Yahoo

Nesta quinta-feira, 23 de outubro, foi protocolado no Congresso mais um pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. 
Desta vez o que fundamentou as denúncias foram as provas que estão sendo obtidas pela Justiça Federal sobre o esquema para desviar recursos da Petrobras com o objetivo de financiar partidos políticos – PT, PMDB e PP – bem assim para custear a campanha à Presidência da República de 2010 da presidenta Dilma Rousseff”, disse  o autor, o advogado Luís Carlos Crema.
Segundo ele, “motivaram também as denúncias as declarações falsas da presidenta Dilma Rousseff quanto a bolsa família, ao afirmar que o benefício criado pelo governo do PT não teria nenhuma vinculação com os benefícios sociais então existentes, a afirmação da presidenta não guardou a verdade, pois a própria MP nº 132/2003, que criou o bolsa família, revela, expressa e literalmente, a unificação dos benefícios anteriores.
A adulteração das imagens do Senado, em vídeo utilizado na campanha, distorcendo a realidade dos fatos, foi outra razão do pedido de impeachment”.