Votar é pensar no outro

João Gualberto Jr.

Adalberto é dono de uma pequena indústria de material de segurança, que fica em Santa Luzia, quase na divisa com Belo Horizonte. A cada fim de mês, gira em torno de R$ 20 mil o lucro livre que embolsa, ou seja, o retorno do negócio que sobra depois de pagar fornecedores, funcionários, dívidas e impostos. O resultado já foi melhor: os clientes são outras indústrias, que, como a dele e como toda a economia, estão patinando.

As contas do executivo em casa também foram mais folgadas antes. Manter a casa dos sonhos, a vida ideal, custa caro. Em casa, numa região boa de BH, Adalberto mantém três funcionários regulares: um zelador, uma faxineira e a babá do casal de filhos, Carol, de 10 anos, e Júnior, de 5. Os meninos estudam em um dos melhores colégios da rede privada da região Centro-Sul. Apenas as duas mensalidades, com o escolar e os lanches diários, ficam próximos de R$ 3.000 por mês. Somando isso a quatro planos de saúde, das crianças, dele e da mulher, Débora, aí é que as despesas vão parar nas alturas.

O empresário está preocupado quanto ao futuro de sua família e do país. Percebe o quadro da estagnação na firma e o risco de corrosão do padrão de vida em casa. Lá na fábrica, ele ainda reluta em cortar na folha de pagamentos. São cem empregados divididos entre a produção e o escritório. Cláudia é uma das funcionárias. Está na linha de montagem há cinco anos e mora em um bairro vizinho, em Santa Luzia. É dedicada, chega no horário e raramente faltou nesse tempo. Como o patrão, tem dois filhos: Bernardo, de 9, e Beatriz, de 6, e, quando um dos meninos fica doente, é ela que tem que correr para o posto de saúde. Sua mãe está velhinha, não tem mais pique, e só fica com os netos durante a tarde, quando voltam da escola estadual.

EMPREGO AMEAÇADO

Cláudia é a chefe da família dela, que sustenta com dois mínimos mais a aposentadoria de um salário da mãe. Apesar da luta, a vida está se ajeitando. Mas os rumores de demissão na fábrica estão lhe tirando o sono. Se ficar sem o trabalho, pode recorrer a algum benefício social temporariamente. Nunca dependeu disso, mas conhece quem recebe a bolsa.

Pressionados por suas aflições, Adalberto e Cláudia vão votar no domingo. Ainda estão indecisos. O executivo quer nomes que propiciem uma economia mais sólida e próspera para tirar seu negócio do atoleiro. Cláudia gostaria de saber qual dos candidatos pode garantir uma UPA perto de casa, qual vai melhorar a escola de Bernardo e Beatriz e qual terá a coragem de acabar com as bocas de crack pelas quais os filhos passam ao voltarem da escola.

Ela também pensa no futuro da economia, é claro, mas entende pouco. Está preocupada em manter seu emprego: se, para seu patrão, é bom que as coisas melhores, isso deve ser bom para ela também. Já Adalberto ouve por aí que as redes públicas de educação e a saúde andam ruim. Não tem como comprovar direito, já que não depende delas. Mas é suficientemente inteligente para julgar que o bem-estar de seus funcionários é bom para ele também. (transcrito de O Tempo)

Confirmado: Camargo Corrêa repassou R$ 37,7 milhões ao doleiro

Mario Cesar Carvalho
Folha

O consórcio, chamado CNCC, pagou R$ 38,75 milhões à Sanko por serviços em que há “fortes indícios” de que não foram prestados. A maior parte desse valor (R$ 37,73 milhões) foram repassados à MO Consultoria e GFD Investimentos, duas empresas controladas pelo doleiro.

As transferências foram feitas entre outubro de 2010 e dezembro de 2013.

Denúncias de procuradores que atuam na Operação Lava Jato dizem que todos os pagamentos feitos às empresas de Youssef eram repasse de propina, já que essas firmas não tinham atividades que justificassem os recebimentos.

TESTEMUNHAS

Dois réus e uma testemunha afirmaram à Justiça que os contratos assinados pelas empresas de Youssef eram só uma forma de justificar a entrada de recursos, já que os serviços nunca foram prestados.

O consórcio recebeu o maior contrato para as obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, de R$ 3,4 bilhões, em valores de 2010. A refinaria, cujo custo inicial era estimado inicialmente em R$ 5,6 bilhões, deve consumir R$ 57 bilhões quando ficar pronta, no próximo ano.

Os procuradores sustentam que contratos superfaturados da refinaria eram uma das fontes do suborno distribuído pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa a políticos.

A própria Camargo Corrêa fez pagamentos à Sanko que também foram transferidos ao doleiro. Em 20 de julho de 2009, a empreiteira pagou R$ 3,6 milhões à Sanko Sider pelo fornecimento de tubos e prestação de serviços. Logo depois, em 31 de julho e 1º de outubro, a Sanko repassou R$ 3,2 milhões para a MO Consultoria de Youssef.

“Informações obtidas pelos peritos indicam que a venda dos produtos (tubulação) não foi efetivada”, afirma o laudo.

NA CONTABILIDADE

A PF também não encontrou na contabilidade da Sanko registro dos serviços que a empresa diz prestar ao consórcio CNCC.

O laudo diz que há indícios de fraude na avaliação que a Petrobras fez da Sanko para certificar a empresa —todos os fornecedores da estatal precisam desse certificado.

Segundo a PF, a Petrobras aceitava avaliar a Sanko usando documento contábeis de outra empresa, a Cia. Mecânica Auxiliar. A Sanko detém só um terço das ações da Cia. Mecânica, “não figurando nem mesmo como controladora”.

Para os peritos, “os demonstrativos contábeis [de 2009 a 2013] revelaram uma fragilidade financeira acentuada, com seguidos prejuízos e elevado endividamento”. Em 2009, por exemplo, a Sanko registrou um prejuízo de R$ 22,9 milhões e um patrimônio líquido negativo de R$ 64,1 milhões. Os peritos são didáticos sobre o significado de patrimônio líquido negativo: se a Sanko vendesse todos os seus bens e transformasse em dinheiro todos os seus direitos, ficaria devendo R$ 64,1 milhões.

Doleiro assina a delação premiada e vai ligar o ventilador

Fausto Macedo
Estadão

O Ministério Público Federal e o doleiro Alberto Youssef, alvo da Operação Lava Jato, assinaram nesta quinta feira, dia 2, o acordo de delação premiada. Após uma semana de sucessivas reuniões para ajustar os termos do acordo, Youssef e seus advogados assinaram o documento em que ele se compromete a revelar detalhes do esquema de lavagem de dinheiro e corrupção na Petrobrás .

“Confirmo que o acordo está assinado e definido, mas não posso revelar as condições por força do sigilo”, declarou o advogado criminalista Antonio Figueiredo Basto, defensor de Youssef.

As condições do acordo foram definidas e Youssef já pode começar a depor perante um grupo de procuradores da República e a Polícia Federal. O acordo, porém, só terá validade se for homologado pelo Supremo Tribunal Federal – a Corte é competente para o caso porque deputados são citados como beneficiários de propinas.

NA MESMA LINHA…

O acordo segue praticamente a mesma linha da delação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, apontado pela PF como parceiro de Youssef. O ex-diretor, depois de prestar longos depoimentos à Procuradoria, ganhou o benefício da prisão domiciliar – nesta quarta feira, 1, ele foi transferido para sua casa, no Rio.

Youssef é réu em cinco ações da Lava Jato, denunciado por organização criminosa, corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Na iminência de pegar pena superior a 50 anos de prisão, ele decidiu fazer o acordo de delação.

O doleiro já havia feito delação em outro caso, o escândalo do Banestado – esquema de evasão de divisas nos anos 1990 por meio Foz de Iguaçu. Ao ser preso pela Operação Lava Jato em março deste ano, contudo, o acordo foi cancelado e a Justiça reabriu duas ações penais do caso Banestado contra ele. Em uma delas ele já foi condenado a quatro anos e quatro meses de prisão por corrupção.

Piada do Dia: Lula diz que foi ‘trucidado’ oito anos pela imprensa

Clayton de Souza/Estadão

Em cena, o comediante Lula leva a plateia às gargalhadas

Deu no Estado de Minas

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou suas críticas à imprensa durante comício nesta quinta-feira, 2, em Diadema e disse que durante seus oito anos de mandato como presidente ele foi “trucidado” pela imprensa e que “apenas nove famílias” determinam o que e como as coisas serão publicadas.

“Existe uma doutrina de nove famílias que dominam a comunicação nesse País, que determina quem é o inimigo, quem é bom e quem é ruim neste País, o que vai mostrar e o que não vai mostrar”, disse. “Aqui no Brasil, quando uma pessoa que não faz parte da elite e chega ao governo, normalmente, é trucidado pela imprensa. Eu fui durante oito anos”, afirmou, em seu segundo discurso do dia.

Lula lembrou que quando foi candidato contra Fernando Collor, enquanto ele aparecia todo suado na televisão, o concorrente aparecia “sempre em pé, bonitinho, parecia um pôster”. “Eu não estou me queixando”, disse. “Estou contando isso para que as pessoas saibam que a perseguição ao PT é um negócio descomunal.”

Segundo Lula, no governo tucano que o antecedeu a imprensa fazia justamente o contrário. “Fernando Henrique Cardoso ganhou as eleições e a imprensa fez oito anos de silencio, era um País onde tudo parecia que estava bom”, disse. “O dado é que eles me massacraram e quando chegou no final do meu mandato, pela primeira vez na história, um presidente tinha 87% de bom e ótimo”, disse

Manchetômetro

Lula trouxe um papel com dados do manchetômetro, criado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com análise das manchetes e notícias dos candidatos a presidência divulgados pela imprensa. “Eles avaliaram para quem a imprensa torcia, se era neutra, favorável ou contra. Presta atenção no número você que acha que a imprensa muito democrática”, declarou.

De acordo com os dados divulgados pelo ex-presidente, o Jornal Nacional não veiculou nenhuma notícia negativa contra a candidata do PSB, Marina Silva. Já o candidato Aécio Neves teve 5’35 (cinco minutos e 35 segundo) de matérias negativas, e Dilma teve 1h46m57s de noticias negativas. “É mais do que uma partida de futebol de notícia negativa contra a companheira Dilma Rousseff”, afirmou.

A mesma pesquisa mostrou que em matérias positivas também haveria uma postura prejudicial à candidata petista. Marina teve 10m47s de matérias positivas, contra 7m42s de Aécio e 4m15s de matérias positiva a respeito de Dilma.

DILMA, A VÍTIMA

Citando mais dados – que incluíam a cobertura do jornal O Estado de São Paulo, a Folha de S. Paulo, O Globo e o Jornal Nacional -, Lula afirmou que do dia 6 de julho até agora, quando começou a campanha, Dilma também é o alvo preferencial para críticas.

Segundo ele, as notícias negativas em manchetes dos jornais em relação aos candidatos aconteceu na seguinte proporção: Aécio Neves (39), Marina (75) e Dilma (490). “Estou querendo dizer a vocês que o grande partido de oposição ao nosso partido e a presidente Dilma chama-se imprensa brasileira”, reforçou.

Lula voltou a dizer que pensou que o “ódio” era contra ele, mas disse que contra Dilma os ataques são ainda piores.

O ex-presidente lembrou ainda que hoje é o último dia permitido pela lei eleitoral para atos de campanha e disse que a partido de agora é preciso usar o boca a boca. “Vamos fazer da nossa boca o microfone. Não tem que brigar, discutir ou romper amizade”, disse. Segundo ele, o argumento que dele ser usado “quando estiverem falando mal” do partido e do governo é dizer para que as pessoas lembrem “como era o Brasil antes do Lula governar esse País”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEm deplorável final de carreira, Lula vai se transformando cada vez mais numa figura altamente caricata. É uma pena. Se após deixar o poder tivesse se comportado com a discrição e a humildade de Nelson Mandela, se não vivesse dando demonstrações de enriquecimento, se fosse comedido e modesto, Lula ficaria na História como um dos maiores líderes mundiais, em função de sua impressionante trajetória. Mas a vaidade fala mais alto e hoje ele é um pastiche de novo rico, falastrão e arrogante, com uma imensa capacidade de dizer uma idiotice atrás da outra. Não pode mais ser levado a sério. Virou uma espécie de comediante stand up, que vai falando bobagens e levando a plateia às gargalhadas. É uma pena. Ele não percebe que, quando faz papel ridículo, a imagem do país também fica ridicularizada. Olhem de novo a foto e digam se Lula não é um comediante em cena. (C.N.)

5 razões para o Brasil não reeleger Dilma Rousseff, segundo a revista Forbes

Rodrigo Tolotti Umpieres
A revista americana Forbes não poupou a candidata à reeleição
Dilma Rousseff, de duras criticas, ressaltando até que os avanços
conquistados não são mérito dela. Dito isso, o colunista da publicação Anderson Antunes enumerou 5 (cinco) motivospara que, em outubro, os brasileiros não reelejam a petista.
A matéria resume o passado recente do Brasil, falando um pouco da trajetória de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva na presidência, mas afirma que com a entrada de Dilma, o País “passou da efervescência para a melancolia”. Antunes ainda lembra que recentemente o Brasil entrou em recessão técnica e diz que os recentes
escândalos com a Petrobras e a dificuldade de controlar a inflação estão entre as razões para que ela não continue no poder.
O colunista até destaca que o Brasil, nos últimos 20 anos, passou por uma “transformação social e econômica”, que levou a retirada de “dezenas de milhares de pessoas da extrema pobreza”, além de alcançar o sétimo lugar entre as maiores economias do mundo. Mas logo depois, ele destaca que todas essas conquistas foram por causa de FHC e Lula, e não Dilma.
Veja abaixo os 5 motivos listados pela Forbes para Dilma não ser reeleita:1 -O Brasil não cresceu como poderia e deveria durante o governo DilmaDe acordo com a matéria, o Brasil registrou uma taxa de crescimento de 7,5% em 2010 – último ano de Lula como presidente -, sendo que o País era uma dos maiores exportadores de produtos manufaturados e agrícolas, além de minério de ferro. Mas este cenário nunca mais foi visto. Pelo contrário, o Brasil andou para trás e hoje está em recessão.Além disso, Antunes lembra que nem a Copa do Mundo conseguiu ajudar a economia no segundo trimestre e que, mesmo que Dilma diga que a culpa do fraco crescimento seja da crise internacional, os números provam que ela está errada. “Esta será a primeira vez em 20 anos que o Brasil é deixado para trás comendo a poeira de seus vizinhos”, afirma.

“É a primeira vez em cinco anos que a economia retraiu”, escreveu o colunista. “Até o fim de seu mandato neste ano, o crescimento do Brasil sob o comando de [Dilma] Rousseff é esperado que seja dois pontos percentuais menor do que o crescimento médio da América Latina entre 2010 e 2014”, conclui.

2 -Maior empresa estatal do País, a Petrobras, está sendo seriamente
prejudicada por Dilma

Antunes explica a história da Petrobras e principalmente o lema do PT para a exploração da companhia, com “O Petróleo é Nosso”. Ele lembra que em 1997, a estatal ganhou uma nova força quando FHC acabou com o monopólio da estatal e abriu o capital da empresa para investimento privado. Dez anos depois, a petrolífera descobriu o pré-sal, o que seria uma prova de que “Deus é realmente brasileiro”, citando uma afirmação do ex-presidente Lula.Enquanto isso, sob o governo petista, a estatal tem enfrentado diversos escândalos, mais recentemente com o caso da Refinaria de Pasadena e a delação do ex-diretor da companhia, Paulo Roberto da Costa. Além das investigações, o colunista também destaca que o valor de mercado da companhia caiu de US$ 190 bilhões para US$ 119 bilhões em quatro anos, criticando ainda o uso da estatal para controlar a inflação, segurando reajustes nos preços de combustíveis e agregados.Por fim, ele destaca que “a ironia neste caso está na única solução lógica para o imbróglio da Petrobras”, que foi sugerido pelo “mais improvável dos candidatos presidenciais”, o membro do PSC, o Pastor Everaldo. “Se eu ganhar, a Petrobras será privatizada. É a única maneira de acabar com a corrupção existe e de dentro da empresa “, disse o candidato durante uma entrevista na TV Globo.3 -A abordagem de Dilma para manter a inflação alta, a fim de manter
empregos, é questionável.

Um consenso dos analistas é que inflação e desemprego baixo funcionam quando há crescimento econômico, diz o colunista. No Brasil, a inflação tem piorado pelo fato de que nos últimos anos os salários têm aumentado em um ritmo constante, enquanto o lucro das empresas seguem com forte queda.“Para Dilma, a solução seria elevar os juros, apertar a política fiscal e permitir que os preços se ajustem, acelerando a inflação antes que a situação se normalize. Isso não é uma tarefa fácil, já que o consumo representa a maior parte da economia do País, com 63%”, diz Antunes. Por outro lado, ele destaca que Dilma não tomará essas medidas, já que seria atípico para um “governo populista”.4 -Dívida Pública do Brasil continua crescendo, e as economias
nacionais ainda estão baixas.
O colunista lembra que a dívida pública está relativamente baixa – cerca de 35% do PIB -, mas que esse valor tem crescido constantemente. “O orçamento federal está constantemente em déficit, e a Dilma se comprometeu a cumprir uma meta de superávit primário de 1,9% do PIB neste ano e 2% no próximo ano, se reeleita”, destaca.Antunes ressalta que, nos primeiros seis meses do ano, o superávit primário atingiu R$ 29,4 bilhões, o menor valor da história. Ele ainda ressalta o fato de que o governo de Dilma Rousseff tem um total de 39 ministérios para ajudá-la, mas que muitos não têm nenhuma função significativa. Por outro lado, o colunista lembra que Aécio Neves e Marina
Silva já teriam afirmado que vão reduzir pela metade o número de ministérios.5 -Dilma não promoveu as reformas necessárias para tornar a vida das
pessoas, especialmente os pobres, melhor.
“O PT se autoproclama como o partido que tem a missão de defender os pobres e os socialmente excluídos. As reformas necessárias para isso, no entanto, não têm acontecido no governo Dilma”, diz o colunista. Ele ressalta que o Brasil, além de não estar mais crescendo como deveria, reduziu sua distribuição de renda.”Dilma não parece ter feito a lição de casa. De acordo com uma pesquisa de 2012, a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a desigualdade de renda no Brasil cresceu continuamente desde 2002″, destacou o colunista.”Dilma já sinalizou que vai mudar sua equipe econômica, caso as vença as eleições de outubro. O sentimento, no entanto, é que o tempo de fazer promessas ficou para trás”, diz Antunes. “Não há dúvida sobre a importância de Dilma para o Brasil, como a primeira mulher que ganhou uma eleição, se tornando presidente anos depois de ter sido torturado pela ditadura por suas atividades de esquerda na década de 1970. Mas os políticos,
especialmente aqueles eleitos para cargos públicos, devem ser avaliados pelas obras que realizam e pela forma como suas ações afetarão positivamente a maioria das pessoas, e não pelo que dizem ou querem”, conclui o colunista.

(artigo enviado por Mário Assis)

O país no porto eleitoral

Gaudêncio Torquato

O Brasil que chega às eleições do próximo 5 de outubro se assemelha ao navio que chega ao ancoradouro com instalações precárias, motor quase parando, depois de realizar uma travessia cheia de borrascas no giro por grandes oceanos. A longa viagem não foi em vão. O país que se aproxima de um novo pleito presidencial se mostra disposto a fechar um ciclo que pode ser registrado com o selo da “mesmice” e abrir uma era de efetivas mudanças.

O povo nas ruas sinaliza o encontro do cidadão com a pertinência que lhe dá o direito de se achar o legítimo dono do poder. A descoberta não é obra do acaso. Desenvolveu-se ao longo de anos a fio de convivência social com práticas depravadas na política, promessas nunca cumpridas e escândalos. O senso crítico ganhou forma, espraiando-se por um tecido social mais orgânico e agora disposto a cobrar a fatura dos governantes. Explica-se, assim, a redistribuição do poder, saindo do centro para as margens.

A polarização entre tucanos e petistas, que se desenvolveu ao longo das últimas três décadas, sinaliza cansaço. Só no Mato Grosso do Sul e em Minas vê-se ainda um debate entre os nomes dos dois partidos.

PAÍS DIVIDIDO

Seria possível afirmar que o país está dividido? Sob o prisma aritmético, levando em consideração as preferências eleitorais entre candidatos, a resposta é positiva. Mas a ampla maioria da população concorda com a necessidade de mudanças na gestão e na política, seja com a candidata à reeleição, Dilma, seja com a opositora Marina ou o tucano Aécio. Não se pode negar, porém, que os ânimos estão acirrados também em função do recorrente discurso do PT, que teima em separar os habitantes do território entre “nós” e “eles”, na defesa do apartheid que azeda relações entre grupos e classes. A situação se agrava quando o PT se torna fonte central de casos de corrupção.

Não é outra razão pela qual o Partido dos Trabalhadores, mesmo ganhando a cadeira maior do Palácio do Planalto, não terá a força de outrora. Também o PSDB, mesmo continuando à frente de Estados importantes, como São Paulo, terá uma fatia menor no bolo do poder, perdendo envergadura. Trata-se também de partido desgastado, que não soube canalizar forças em seu papel de oposição ao governo federal.

O conjunto de fenômenos que marcam a atual quadra política se completa com uma leve guinada conservadora. Seria exagero defender a hipótese de que o país faz uma curva forte à direita. Mas é possível divisar tênue marca conservadora. Sob outro ângulo, o próprio perfil da candidata do PSB parece ser um corpo estranho ao hábitat da sigla. Marina, evangélica, defende posições duras em matérias que ferem postulados da fé religiosa (ou batem no intocável e sagrado templo ambientalista), ganhando de críticos o epíteto de “fundamentalista”.

Este é o Brasil sociopolítico que aporta no ancoradouro das eleições. Sem mudar os cascos, o velho navio não suportará novo e longo trajeto. O próximo tripulante, seja quem for, terá de levá-lo ao estaleiro para fazer nele uma boa reforma e garantir aos passageiros uma viagem sem sustos. (transcrito de O Tempo)

Mundo cão: metade dos idosos não recebe aposentadoria

Deu na Ag. Brasil

Pelo menos 48% das pessoas em todo o mundo, com idade para se aposentar, não recebem nenhum tipo de benefício, enquanto os 52% que têm acesso a algum provento não recebem o valor adequado. É o que indica o estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em razão do Dia do Idoso.

No Brasil, os dados indicam que 86,3% das pessoas com idade para se aposentar recebem algum tipo de benefício. Os idosos no país somam 26,3 milhões de pessoas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa 13% da população. A expectativa é que esse percentual aumente e que, em 2060, chegue a 34%, segundo previsão do IBGE.

A instituição alerta que a maior parte dos homens e mulheres idosos, em todo o planeta, não têm renda garantida ou direito à aposentadoria e precisa continuar trabalhando como pode, geralmente recebendo pouco e em situações precárias. Setecentos milhões de pessoas no mundo têm 60 anos de idade ou mais e o número pode dobrar até 2030, segundo dados das Nações Unidas.

HÁ AVANÇOS

O estudo mostra que, nos últimos anos, muitos países de média e baixa renda expandiram consideravelmente a cobertura previdenciária com a concessão de pensões sociais financiadas por impostos. O levantamento foi feito em 178 países e aponta que mais de 45 deles alcançaram cobertura previdenciária de 90%, enquanto mais de 20 países, considerados em desenvolvimento, alcançaram ou estão perto da cobertura previdenciária universal.

A entidade destaca, entretanto, que, tão importante quanto expandir a cobertura previdenciária é o pagamento adequado de benefícios, uma vez que homens e mulheres idosos têm o direito de se aposentar com dignidade.

Os avanços mais expressivos, segundo a pesquisa, ocorreram em países como China, Tailândia, Timor Leste e Tunísia, onde a cobertura previdenciária passou de cerca de 25% para mais de 70% em apenas uma década. “Pensões financiadas por impostos têm um papel importante na expansão da cobertura previdenciária, já que garantem um nível básico de proteção para os que não recebem pensão por tempo de contribuição”, informou a OIT.

(Matéria enviada por Paulo Peres)

O PT e a imprensa – de pedra a vidraça

Percival Puggina

Entre 1980 e 2002, o Partido dos Trabalhadores foi uma ininterrupta saraivada de pedras contra as vidraças do poder. Pedra dura sem ternura, nem meias palavras. O partido adotou a denúncia como elemento central de suas estratégias, dividindo-se entre as tribunas dos parlamentos e os balcões do Ministério Público e do Poder Judiciário. Era carga cerrada, que ganhava eficiência e eficácia com produção de cartilhas e com a rápida propagação das mensagens e orientações até o mais solitário vereador ou militante, no mais remoto dos municípios.

Onde houvesse um meio de comunicação e alguém para ser municiado, ali chegava a informação ou a versão mais conveniente para o ataque, em dimensões nacionais, aos adversários da hora. Foram mais de duas décadas disso.

Os alvos não eram apenas os ocupantes do Palácio do Planalto. Eram, também, as vidraças de todo espaço de poder cobiçado pelo partido. E o partido cobiçava todos os espaços de poder. A articulação com movimentos sociais e sindicatos permitia-lhe dar um jeito de mobilização popular às manifestações estrategicamente promovidas contra seus adversários em todo o país. Como era de se esperar, o partido tornou-se o queridinho da mídia porque, na área política, ninguém conseguia ser mais ativo. O PT não era apenas fonte. Era protagonista e fonte torrencial de informações maliciosas, que geravam repercussão.

UM INCÔMODO…

Eram cotidianos, nos parlamentos, os discursos de senadores, deputados e vereadores petistas brandindo como tacapes, jornais e revistas que reproduziam suas denúncias e acusações. Não passava pela cabeça do PT a ideia de que o jornalismo, em especial o jornalismo investigativo, pudesse se tornar um incômodo. Não! Era uma parceria que dava bons resultados. O PT atacava e a imprensa multiplicava os efeitos do ataque. A imprensa investigava e o partido repercutia. Os órgãos oficiais investigavam e vazavam para o partido e para a imprensa. E a vida sorria para todos.

No entanto, poucos meses após haver o PT chegado ao poder, os mesmos veículos que antes eram fidedignos e parceiros passaram a ser vistos como manipuladores e inimigos. Acumulam-se, desde então, as tentativas de lançar controle sobre os meios de comunicação. Mais recentemente, tal proposta recebeu o nome de “marco regulatório” da mídia. Agora, foi a vez da presidente Dilma, numa de suas cotidianas crises de nonsense, proclamar, referindo-se às denúncias sobre a Petrobras: “Não é papel da imprensa investigar!”. Segundo ela, a tarefa pertence à Polícia Federal.

A frase atropela rudimentares liberdades propiciadas pela democracia, essenciais à subsistência desse regime. Tem potencial para destruir as pontes sobre as quais o partido de quem a proferiu palmilhou os caminhos do poder. E ergue nuvens negras sobre o futuro do país em suas mãos.

Dilma não pode ignorar pedidos de mudança, diz Financial Times

Deu no Estadão

O jornal britânico Financial Times publicou editorial nesta quinta-feira (2) com críticas ao discurso da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), de que pretende continuar com as mesmas políticas em um eventual segundo mandato. Para o jornal, os protestos populares do ano passado e a recente reação dos mercados financeiros mostram que, apesar de a presidente liderar as pesquisas, parte do eleitorado quer mudança. No editorial, o jornal defende que “Dilma não pode ignorar” essas vozes.

Com o título “Eleições no Brasil oscilam entre a esperança e o medo”, o FT destaca que a candidata à reeleição voltou a ganhar vantagem nas últimas pesquisas eleitorais. Essa reação, diz o jornal, é resultado de “uma melhor organização, mais tempo de televisão e uma campanha ‘anti-Marina'”, diz. “Como a atual ocupante do cargo, sua principal plataforma é a continuidade – embora a ponto de teimosia”, afirma o editorial.

ECONOMIA EM CRISE

O FT cita essa suposta teimosia com o argumento de que Dilma se recusa a aceitar a culpa pela economia mais lenta e que, em eventual segundo mandato, já sinalizou que não deve rever suas políticas. “Isso acalma a base eleitoral entre os pobres”, diz o texto. Como contraponto, o texto lembra da insatisfação popular vista há um ano. “Protestos de rua em massa foram mais uma sinal da necessidade de mudança. A continuidade não é mais suficiente” diz o FT.

O FT avalia que Dilma Rousseff e Marina Silva devem se enfrentar no segundo turno no fim do mês. O tempo igual de televisão poderia permitir à candidata do PSB reduzir a vantagem de Dilma, mas a presidente que tenta a reeleição é a favorita, diz o jornal. “Aconteça o que acontecer, no entanto, a ascensão de Marina Silva agitou o Brasil. Para ter um segundo mandato bem-sucedido, Dilma não pode ignorar o que os mercados e milhões de brasileiros querem: mudança”, diz o editorial.

Reflexões sobre o capitalismo brasileiro

Luiz Cordioli

Interessante o capitalismo brasileiro: Volkswagen do Brasil; Siemens Brasil; Alcoa Brasil; Alstom Brasil; Ford Brasil; Toyota do Brasil; Cargill Brazil; Monsanto do Brasil; Vale no Brasil; Santander Brasil; City Bank Brasil, Telefônica Brasil S/A, etc, etc etc. Outras, mais escondidas, Embratel, Elektro etc. Não preciso me estender. Se me fizer entender, já estará bom demais…

Pois bem, lendo estas poucas linhas acima vemos que, pelo andar da carruagem, porque disso o Brasil profundo não passou mesmo, muito em breve não existirá mais este país, como País. Haverá, apenas, braços, sorvedouros, tentáculos do capitalismo global atuando por aqui, como se depreende com facilidade.

Para termos esta certeza, basta imaginarmos os fluxos monetários destas empresas “do Brasil”. Interessante, ao final, constatar como isto é sempre babaqueado pelos mesmos de sempre. E sempre.

VERDADE ABSOLUTA

Falam como se houvessem descoberto a verdade absoluta… Não há, na História deste País, a mais mínima possibilidade de estarem errados. Mas vemos que só estão ainda de pé, porque mentem e enganam, como sempre.

Sempre assim, os apologistas locais das empresas transnacionais e da ideologia capitalista externa, descaradamente, sempre mentem. Sempre.

Vão fazer daqui um belo inferninho (em qualquer sentido…) capitalista. E danem-se os prejudicados. Que pena.

UM MILÍMETRO

Em dois minutos após este meu post ser publicado e bem no estilo destes vendilhões, já haverá quem me responda que eu estou errado, eu que vá para Cuba, e que não existem prejudicados, mas tão somente alguns danos colaterais…
Vamos conferir, quem sabe, evoluíram um milímetro…

Provérbio oriental, de esperança: toda caminhada começa com um primeiro passo.
Adaptado, numa eventual evolução dos lacaios locais, mas com grande esperança também: Toda caminhada, no Brasil, começa com um primeiro milímetro…

Na medida certa

12

Tostão
O Tempo

Apesar de, na média, ser ruim o nível técnico do Brasileirão, noto, pós-Copa, uma evolução da maneira de jogar de várias equipes. Os enormes espaços entre defesa, meio-campo e ataque, característica de nosso futebol nos últimos tempos, tem diminuído. Porém, há menos gols que nos campeonatos anteriores. Muitos times têm iniciado a marcação a partir do meio-campo, para diminuir os espaços na defesa, seguindo um dos modelos do Mundial. Mas, quando recuperam a bola, têm enorme dificuldade para chegar ao gol, pela pouca qualidade individual, pela distância da área adversária e pelas escolhas erradas, entre o passe curto e a posse de bola e o jogo mais rápido e com lançamentos longos. É impressionante como se dá a bola facilmente ao outro time.

O Sport, contra o Cruzeiro, marcou bem atrás, com nove jogadores, mas não incomodou Fábio. Daí, o 0 a 0. É a mesma dificuldade do Corinthians e do Grêmio, que dependem demais de Guerrero e de Barcos. Em compensação, o Grêmio não sofre gols há oito jogos, uma marca excepcional.

Algumas equipes, como Inter e Fluminense, atuam em espaços reduzidos, com os zagueiros adiantados e próximos ao meio-campo e ataque, como fizeram a Alemanha e outras seleções na Copa.

Às vezes, o Atlético faz o mesmo. Contra o Vitória, Victor tirou duas bolas com a cabeça, fora da área, à la Neuer, em lançamentos nas costas dos defensores.

QUARTETO DO SÃO PAULO

Nas três semanas em que estive fora, disseram maravilhas do quarteto do São Paulo, especialmente de Kaká, por seu dinamismo e participação coletiva. Assisti aos três últimos jogos, e ele e o time jogaram mal. Segundo alguns comentaristas, que não se limitam a repetir o que a maioria diz, Kaká não foi brilhante nem decisivo, mesmo nos jogos em que foi superelogiado. Nos dois gols contra o Corinthians, ele cobrou faltas, sem fazer nada especial, e foi tratado como se tivesse feito dois lances espetaculares.

Se o Palmeiras esquecesse que é um clube grande e tivesse jogado, desde o início, marcando mais atrás, para contra-atacar, como têm feito até as melhores equipes, estaria mais bem colocado, ainda mais se Valdívia não fosse tão instável, tão ausente. Valdívia é um desses habilidosos, criativos, que seria um craque nos campeonatos de pelada ou de veteranos, mas que não consegue ser um razoável atleta profissional.

O Cruzeiro é, taticamente, a equipe mais organizada, equilibrada e eficiente. Não é moderna nem antiga. Não mudou a maneira de jogar pós-Copa. Não privilegia o ataque nem a defesa. Não marca muito à frente nem muito atrás. Não há faltas nem excessos. Não dispersa nem flutua. Desliza no gramado e na realidade, tudo na medida certa, característica importante para um campeonato de regularidade, longo e por pontos corridos.

Marcado para morrer, Paulo Roberto Costa terá proteção da Polícia Federal em casa

 Foto: Reprodução de vídeo/G1

Paulo Roberto Costa é abraçado por sua filha na chegada ao Rio

Deu no Correio Braziliense
A advogada Beatriz Catta Preta, que defende o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, disse que seu cliente terá proteção permanente da Polícia Federal (PF). Costa foi beneficiado com a delação premiada e, por isso, foi transferido na tarde de quarta-feira (1º/10) da Superintendência da PF em Curitiba, onde estava detido em prisão preventiva, para sua casa, no Rio de Janeiro.
“Ele terá proteção ostensiva da Polícia Federal nesse início. Ele ficará em casa, em prisão domiciliar, e só poderá sair de casa com autorização judicial. Se, no prazo de um ano, não houver sentença prolatada nos autos onde corre o acordo [de delação premiada], ele fica em liberdade aguardando a prolação da sentença”, disse a advogada.
Catta Preta acrescentou que, com a decretação da sentença, o juiz avaliará a colaboração de Costa e os efeitos alcançados para o processo. “Ele vai, então, aplicar a pena que, segundo o acordo, tem seu patamar máximo de dois anos em regime semiaberto”, explica.

No cumprimento da pena em prisão domiciliar, o ex-diretor usará uma tornozeleira eletrônica. Costa é investigado pela PF, por suspeita de participação em um esquema de corrupção da Petrobras, e decidiu colaborar com as investigações em troca de redução de pena.

As dores secretas e as portas abertas da alma, na visão de Abel Silva e Suely Costa

O professor, jornalista, escritor e compositor Abel Ferreira da Silva, nascido em Cabo Frio (RJ), em parceria com Sueli Costa, explica as diferentes características que a “Alma” possui. A música foi lançada pela Simone no LP Corpo e Alma, em 1982, pela Sony/CBS.

ALMA
Sueli Costa e Abel Silva

Há almas que têm
as dores secretas
as portas abertas
sempre pra dor

Há almas que têm
juízo e vontades
alguma bondade
e algum amor

Há almas que têm
espaços vazios
amores vadios
restos de emoção

Há almas que têm
a mais louca alegria
que é quase agonia
quase profissão

A minha alma tem
um corpo moreno
nem sempre sereno
nem sempre explosão

Feliz esta alma
que vive comigo
que vai onde eu sigo
o meu coração

                              (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

 

Fale por si, presidente, não nos exponha ao ridículo

Percival Puggina

Leio no site de O Globo, em 23 de setembro de 2014:

NOVA YORK — A presidente Dilma Rousseff condenou os ataques aéreos na Síria pela coalizão liderada pelos Estados Unidos, iniciados na noite de segunda-feira para desmantelar a organização terrorista Estado Islâmico (EI) e combater células da rede al-Qaeda. Para Dilma, o Brasil repudia agressões militares, porque elas podem colher resultados imediatos, mas trazem consequências deletérias para países e regiões no médio e longo prazos. A presidente citou Iraque, Líbia e Faixa de Gaza como exemplos recentes da falta de eficácia deste tipo de política.

O Globo transcreve a fala presidencial: — Lamento enormemente isso (ataques aéreos na Síria contra o EI). O Brasil sempre vai acreditar que a melhor forma é o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU. Eu não acho que nós podemos deixar de considerar uma questão. Nos últimos tempos, todos os últimos conflitos que se armaram tiveram uma consequência. Perda de vidas humanas dos dois lados, agressões sem sustentação aparentemente podem dar ganhos imediatos, mas depois causam prejuízos e turbulências. É o caso do Iraque, está lá provadinho. Na Líbia, a consequência no Sahel. A mesma coisa na Faixa de Gaza.

***
Se a presidente dissesse isso conversando com seus próprios botões, durante um chá da tarde com a família em Porto Alegre, já seria um disparate. Afirmá-lo perante a comunidade internacional reunida em Nova Iorque, durante um evento de grande repercussão como a Cúpula de Mudança Climática da ONU, é um caso de internação. Mais grave ainda se torna o quadro clínico quando se sabe que a presidente não esboçou o menor muxoxo, nem fez tisc, tisc, tisc perante o genocídio que o Estado Islâmico vem praticando nas regiões ocupadas.

Nossa lamentável presidente não lamentou a degola de qualquer dos jornalistas executados friamente pela jihad em curso. Nossa credibilíssima presidente, que diz crer na diplomacia contra esse tipo de terrorismo religioso, está envergonhando o Itamaraty. Ela dá continuidade, aliás, às posições políticas que vêm dos dois governos de Lula, quando as relações internacionais do Brasil foram conduzidas como se o país fosse um diretório de estudantes controlado pela esquerda.

É preciso fazer saber ao mundo que, especialmente em questões internacionais, nosso governo representa o que há de mais retrógrado no seu partido. E não o Brasil. Tais não são as opiniões da nação brasileira. Fale por si e pelo PT, presidente. Não nos exponha ao ridículo dessa maneira.

Dilma e o marqueteiro João Santana são os “senhores do universo”


Fernando Rodrigues
Folha

A pesquisa Datafolha dos dias 29 e 30 mostra Dilma Rousseff (PT) com 40% contra 25% de Marina Silva (PSB). Aécio Neves (PSDB) está em terceiro lugar, com 20%.

Foi muito bem sucedida a estratégia petista de ataque a Marina. Numa eleição tão cheia de incertezas, ninguém duvida da presença de Dilma Rousseff no segundo turno.

Mas o cenário é mais sofisticado. Dilma e seu marqueteiro, João Santana, transformaram-se nos “senhores do universo” desta eleição, para usar a metáfora de Tom Wolfe no livro “A Fogueira das Vaidades”.

A dupla tem o poder de modular o processo de desossar Marina. Pode decidir quem passará ao segundo turno ao apertar um pouco mais o botão ou ao suavizar a “blitzkrieg”. Aécio fica ali embaixo com uma bacia coletando os votos que desabam da prateleira marinista.

Ocorre que parece ter chegado a um limite o benefício direto da estratégia para Dilma. Ela tem hoje os mesmos 40% registrados no último dia 26. Seus comerciais vitriólicos na TV fazem os votos perdidos por Marina deslizarem para Aécio.

CONTRA AÉCIO OU MARINA

Se os “senhores do universo” Dilma e Santana desejarem, podem pisar no acelerador e catapultar Aécio ao segundo turno. A alternativa é reduzir a guerrilha, permitindo que Marina passe à rodada final de votação. A decisão será tomada depois de ponderar a respeito de quem seria o adversário mais fraco contra Dilma numa disputa mano a mano.

A julgar pelo demonstrado até agora pelo Palácio do Planalto, Marina é uma candidata muito mais indesejada do que Aécio. Ela (ainda) incorpora o sentimento de mudança mais do que o tucano.

E assim chegamos à reta final. Dilma e seu marqueteiro comandam a situação a ponto de poderem escolher quem preferem enfrentar. E por que Marina não reage? Essa é uma pergunta que renderá quilômetros de análises depois da eleição, se a pessebista de fato for ejetada da disputa.

Perigo no horizonte econômico da América Latina

Vicente Nunes
Correio Braziliense

A América Latina deve se preparar para tempos difíceis, especialmente os países com rombos nas contas externas, como o Brasil. Com a forte queda dos preços das commodities (mercadorias com cotação internacional) exportados pela região, uma quantidade menor de dólares será despejada nessas economias, dificultando o financiamento dos déficits. O resultado será o enfraquecimento das moedas locais e a valorização da divisa norte-americana, um perigo para o controle da inflação.

Na avaliação de Marcos Buscaglia, economista do Bank of America Merrill Lynch, para tentar manter o controle da situação, os bancos centrais latinos serão obrigados a se desfazerem de parte de suas reservas internacionais a fim de conter excessos na alta da moeda dos Estados Unidos. Ele ressalta, porém, que essas operações de venda de dólares têm limite. Por isso, o risco de alguns países mais intervencionistas recorrerem a medidas extremas, como a limitação de importações. “Esse tipo de decisão não cabe, contudo, para Brasil, Colômbia e Peru”, afirma.

Pelos cálculos de Buscaglia, os preços da soja, principal produto agrícola exportado pela região, caíram 33% desde 25 de junho último. O tombo já se reflete no saldo da balança comercial de vários países e deve ficar mais explícito a partir de 2015, justamente quando o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, começará a elevar a taxa de juros, tirando recursos que hoje irrigam as economias latinas emergentes.

CHILE SAIU NA FRENTE

Prevendo possíveis dificuldades, o Chile saiu na frente e começou a reduzir o rombo nas contas externas. A previsão de Buscaglia é de que o deficit caia de 1,4% para apenas 0,5% do PIB entre 2014 e 2015. No Brasil, a desaceleração será bem mais lenta, de 3,5% para 3,1%. Hoje, quase 30% do buraco nas transações correntes do país governado por Dilma Rousseff com o exterior vêm sendo financiado com capital especulativo, de curto prazo, que pode fugir a qualquer momento. Por isso, a economia brasileira é apontada como uma das mais frágeis do mundo em caso de mudança na política monetária norte-americana.

O Peru também não está em situação das mais confortáveis, destaca o economista do Bank of America Merrill Lynch. Como a economia local está muito dolarizada, uma forte valorização da moeda dos EUA pode provocar estragos significativos. Não é só. A perspectiva é de que o rombo nas contas externas do país vizinho aumente, em vez de encolher, de 6,5% para 7,1% do PIB.

Polícia Federal investiga ação do PT em fundos de pensão

Alexandre Rodrigues e Rennan Setti

A Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que revelou a relação entre o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, começa a esbarrar em possíveis ramificações nos fundos de pensão de funcionários das estatais. Controladas por dirigentes indicados por partidos da base do governo, essas entidades acumulam prejuízos em operações financeiras complexas e parecem obedecer a uma coordenação externa para fazer os mesmos investimentos controversos.A PF abriu uma nova frente de investigação para apurar se investimentos feitos por fundos de pensão em empresas ligadas a Youssef foram influenciados pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O Globo revelou que o advogado Carlos Alberto Pereira Costa, um dos principais auxiliares de Youssef, disse em depoimento que Vaccari frequentou uma empresa em São Paulo, entre 2005 e 2006, para tratar de negócios com fundos de pensão com um operador do doleiro.

Domingo, o jornal “Folha de S.Paulo” revelou que a PF encontrou e-mails em computadores de pessoas ligadas a Yousseff atribuindo à influência de Vaccari a aplicação, em 2012, de R$ 73 milhões das fundações Petros e Postalis, dos funcionários da Petrobras e dos Correios, na empresa Trendbank, que administra fundos de investimentos, causando prejuízos às fundações. Vaccari nega participação. Em maio, O Globo já havia mostrado que Postalis teve prejuízo ao aplicar R$ 40 milhões num fundo no Banco BNY Mellon por meio de uma gestora de investimentos indicada a dirigentes da fundação por operadores de Youssef, em 2012.

OPERAÇÕES SUSPEITAS

A complexidade e o grande número de operações, muitas delas feitas de forma indireta por meio de fundos que fazem outros investimentos, dificultam a identificação dos prejuízos dessas fundações, que administram as contribuições de funcionários das estatais e pagam os benefícios complementares aos aposentados dessas empresas. Os negócios suspeitos já revelados mostram que os interessados em lesar os fundos usam como estratégia a capilaridade e a divisão dos riscos entre vários fundos.

Um caso emblemático é a quebra do Banco BVA, em 2013, cuja falência foi formalmente pedida no início deste mês. Apuração do Banco Central apontou indícios de conluio entre dirigentes do BVA e da Petros na formulação de operações fraudulentas. No entanto, mais de 70 fundos de pensão de funcionários de estatais, estados e prefeituras perderam dinheiro no BVA comprando principalmente títulos lastreados em empréstimos dados pelo BVA a empresas com poucas condições de pagamento. Compraram juntos R$ 2,7 bilhões diretamente ou por fundos de investimento ligados ao BVA.

Nesse tipo de papel, se o credor não paga numa ponta, o investidor (no caso o fundo de pensão) perde na outra. Petros e Postalis estão entre os que mais perderam dinheiro no BVA. Os dois fundos são protagonistas de outro fracasso: compraram R$ 100 milhões em debêntures do Grupo Galileo, mantenedor da Universidade Gama Filho, que fechou as portas insolvente no ano passado. A Petros comprou 25% dos papéis e o Postalis ficou com os outros 75%, contra a regulação que limita aos fundos a aquisição de até 25% de emissões de títulos.

PÉSSIMAS APLICAÇÕES

Postalis e Petros têm muito mais em comum do que péssimas aplicações. O atual presidente do Postalis, Antonio Carlos Conquista, foi executivo da Petros entre 2003 e 2009, quando o fundo de pensão era dirigido por Wagner Pinheiro, atual presidente dos Correios, que o indicou para o Postalis. O fundo de pensão dos Correios é dividido entre o PT, que indicou o presidente, e o PMDB, que indicou os outros diretores, inclusive o financeiro. A Petros segue sob domínio exclusivo do PT, embora as diretorias sejam divididas por dois grupos: o dos ex-sindicalistas bancários e o dos petroleiros, todos oriundos da CUT, braço sindical do PT.

Com um patrimônio de R$ 6,8 bilhões, bem menor que o da Petros (R$ 60 bilhões), o Postalis tem sofrido mais com a má gestão. Os prejudicados são os 140 mil participantes, o maior contingente entre as fundações de estatais. Em 2012, o Postalis passou a cobrar contribuição adicional dos participantes e pensionistas para cobrir um rombo de R$ 1 bilhão, cuja metade foi assumida pelos Correios. Agora, segundo funcionários, novo déficit atuarial chega a R$ 2,2 bilhões.

A Previc, órgão do Ministério da Previdência que fiscaliza as fundações, é considerada lenta nas investigações, que não são transparentes e geralmente terminam em punição leve. Em agosto, a Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap) e outras entidades pediram à Previc uma intervenção no Postalis.