As chuteiras e as lágrimas

Mauro Santayana
(Hoje em Dia)

A imprensa internacional tem dado destaque a rumores de que a seleção brasileira está preocupada com o estado emocional de seus jogadores, depois do sufoco vivido no jogo com o Chile. As notícias dão conta de que Luís Felipe Scolari teria se reunido com psicólogos para discutir o assunto.

Também temos sido chamados de “chorões” lá fora, e os comentários dos internautas estrangeiros não tem sido, certamente, de elogio, para com a virilidade dos nossos jogadores.

Os espanhóis, por terem tomado a surra que tomaram do Brasil no final da Copa das Confederações, e terem sido vaiados – junto com Diego Costa – e “toureados” à base de “olés”, por nossa torcida, em sua curta passagem pelo Brasil, são os mais agressivos.

Para eles, jogamos como “moças”, e depois  choramos como “tigres”, e de suas poltronas, agora definitivamente convertidos em meros espectadores, eles torcem rancorosamente para que sejamos estrepitosamente derrotados, seja qual for nosso adversário na próxima fase.

NA ARGENTINA…

A imprensa portenha, com algumas exceções como a revista Semana, cujo correspondente no Rio de Janeiro escreveu longo artigo analisando – e desancando – o comportamento da torcida celeste no Brasil – celebra o “Brasil, dime que se siente….”, a música cantada pelos argentinos no estádios brasileiros, e critica nossos comerciais de TV, como o da marca de cerveja, que mostra brasileiros mandando nossos “hermanos” de volta a Buenos Aires, pelo mar, como provocação.

Voltando ao estado psicológico de nossos craques, é verdade que não tem faltado emoção ao término dos embates para a passagem para as oitavas de final.

O Brasil, no entanto, por estar jogando em casa, e organizando a Copa do Mundo, poderia, desde o primeiro momento, ter demonstrado, dentro e fora de campo, um pouco mais de segurança do que mostrou até agora.

Compreende-se o desabafo do goleiro Júlio César, marcado por sua atuação no jogo contra a Holanda, no segundo gol de Schnejder, nas quartas de final da Copa da África do Sul. Na disputa de pênaltis no jogo contra o Chile, ele  exorcizou, com suas lágrimas, um trauma pessoal e profissional que já durava quatro anos.

AUTOINDULGÊNCIA

No mais, as preces e o choro dos outros jogadores se justificaria, se tivéssemos disputado, e vencido, por um triz, após a prolongação e os pênaltis, a final da Copa do Mundo, após ser salvos pelas mãos de Júlio César e pelo travessão.

Com todo o respeito e a confiança que a seleção merece, a cena, em sua exagerada dramaticidade, teve menos glória que autoindulgência e comiseração.

Afinal, nós, ganhando, choramos mais que os chilenos, que perderam, e saíram de cabeça erguida, do Mineirão.

A sacudida que o Brasil levou talvez tenha nos assegurado menos lágrimas e mais garra no jogo contra a Colômbia. Afinal, é importante vencer, mas também o como vencer, principalmente, quando se representa não apenas a si mesmo, mas toda uma Nação.

Decisão de Joaquim Barbosa possibilita que Tribunal do DF julgue logo a ação contra José Roberto Arruda

José Carlos Werneck

Por essa ninguém esperava. O ministro Joaquim Barbosa, em uma de suas últimas decisões como presidente do Supremo, acatou quinta-feira o pedido do Ministério Público Federal para permitir que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) julgue a ação civil de improbidade administrativa contra o ex-governador José Roberto Arruda. O processo decorre da operação Caixa de Pandora, conhecido como mensalão do DEM.

Em 26 de junho, data em que o TJDFT estava com julgamento pautado para julgamento do recurso de Arruda contra condenação em primeira instância, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a análise do processo.

A decisão liminar do ministro Barbosa de possibilitar o julgamento permite que a candidatura de Arruda ao governo do Distrito Federal seja contestada posteriormente. Permite também que candidatura de Arruda seja questionada, se ele for condenado até o prazo final de registro na Justiça Eleitoral, que termina neste sábado. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, não houve sessão do tribunal nesta sexta-feira, por causa do jogo Brasil contra a Colômbia.

Entretanto, uma condenação em Segunda Instância, decorrido o prazo de registro da candidatura, poderá impossibilitar que Arruda exerça o mandato, caso venha a vencer as eleições. O Ministério Público Eleitoral poderá alegar “inelegibilidade superveniente”, para impedir que a Justiça Eleitoral conceda o diploma que autoriza a posse no cargo. Caberá ao Tribunal Regional Eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral, em caso de recurso, decidir se cabe ou não aplicar a Lei da Ficha Limpa em Arruda.

Em dezembro de 2023, a 2ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal condenou o ex-governador, juntamente com a deputada federal Jaqueline Roriz e o marido dela, além de Durval Barbosa, o delator do chamado mensalão do DEM.

Todos eles, acusados de receber dinheiro de Durval Barbosa para apoiar a candidatura de Arruda ao cargo de governador do DF em 2006, foram condenados mas recorreram das sentenças.

RECURSOS

No último dia 29, o Partido da República homologou a candidatura de Arruda, que recorreu da decisão no TJDFT e entrou, também, com recurso no Superior Tribunal de Justiça pedindo que o juiz que o condenou na primeira instância fosse considerado suspeito para analisar a denúncia. Assim, a decisão do STJ pode anular a condenação do ex-governador.

O TJDFT marcou a análise do recurso para o dia 25 de junho, mas o ministro do STJ, Napoleão Nunes Ferreira suspendeu o julgamento entendendo que o processo só poderia prosseguir após decisão da Primeira Turma do STJ, incumbida do julgamento do mérito do pedido .

E com esta decisão, tomada ontem pelo ministro Joaquim Barbosa sustando a determinação do STJ, o Tribunal de Justiça do DF poderá remarcar o julgamento.

Brasil vai para a semifinal, mas Neymar está de fora e o Sobrenatural de Almeida precisa continuar nos ajudando

Chorando, Neymar é carregado para fora do campo na partida entre Brasil e Colômbia, pelas quartas de final da Copa do Mundo Foto: FABRIZIO BENSCH / REUTERS Neymar, direto para o hospital

Carlos Newton

Um primeiro tempo eletrizante, na melhor apresentação do Brasil desde o início da Copa. Com Maicon na lateral direita (uma substituição óbvia desde o primeiro jogo, porque marca melhor e ataca melhor), Fernandinho (protege bem, como Luiz Gustavo, mas chega no ataque com muito mais disposição) e a volta de Paulinho, a seleção saiu da retranca de Felipão e jogou mais solta. Com essa nova formação, até o centroavante Fred apareceu melhor, participando de algumas jogadas e combatendo a saída de bola, com o time brasileiro marcando pressão o tempo todo.

É claro que o Brasil foi beneficiado pelo estranho gol de Tiago Silva, logo no ínicio, tranquilizando a equipe. A princípio, pensei que o gol tivesse sido marcado de genitália, digamos assim. Já vimos diversos gols de barriga, inclusive um famoso do Renato Gaúcho, e de genitália seria a primeira vez. Mas quando a televisão mostrou a jogada de vários ângulos, deu para ver com nitidez que a bola pegou na coxa, perto do joelho.

Com a desvantagem no placar, a Colômbia teve de partir para cima e o jogo ficou muito bonito, aberto, livre, leve e solto. O Brasil esteve sempre melhor e o resultado mais justo teria sido, pelo menos, 2 a 0 para nossa seleção.

SORTE DO NOSSO LADO

No primeiro tempo, o Sobrenatural de Almeida nem precisou entrar em campo, mas depois do intervalo a Colômbia voltou muito melhor e o Brasil precisou de muita sorte para se livrar do empate e da prorrogação.

Desde o início do segundo tempo, nosso time deixou de marcar pressão e os colombianos foram gostando cada vez mais do jogo e se soltando em campo. As melhores chances do Brasil saíam em jogadas de Hulk, e a partida seguia com nosso time visivelmente nervoso, até que David Luiz bateu aquela falta lá de longe e fizemos 2 a 0.

A Colômbia, é claro, partiu para cima e o retranqueiro Felipão começou a mudar o time. Equivocadamente, tirou Hulk e o Brasil ficou sem ataque, porque Neymar esteve mal o tempo todo. Aí foi domínio total da Colômbia, Julio Cesar fez o penalti, que o artilheiro James Rodrigues bateu magistralmente, goleiro de um lado, bola do outro.

E só dava Colômbia, até que Neymar foi agredido por um jogador colombiano com uma joelhada na coluna e o juiz não viu nada. Felipão então botou mais um zagueiro no time (Henrique) e foi um Deus nos acuda, com a Colômbia dominando o jogo até o apito final. Se tivéssemos ido para a prorrogação, seria um problema muito sério.

Terça-feira, outro teste cardiológico, contra a Alemanha, e sem o capitão Tiago Silva, que fica suspenso por ter completado dois cartões amarelos.

Que Deus e o Sobrenatural de Almeida nos protejam, porque sem Neymar, a tendência da retranca de Felipão é aumentar ainda mais.

Estudantes avaliam Joaquim Barbosa melhor do que advogados e magistrados

Deu no Consultor Jurídico

O site do Supremo Tribunal Federal divulgou trechos de cartas de estudantes do 8º ano do Instituto de Educação Estadual de Maringá (PR), enviadas ao ministro Joaquim Barbosa. A publicação foi feita segunda-feira, dia em que eram previstas críticas à gestão do ministro, que presidiu sua última sessão, depois de vários episódios em que colidiu com magistrados e advogados.

A ideia de aproximar os alunos “de personagens reais da história brasileira”, segundo informa o STF, partiu da professora Ignez Gealh. Além da biografia do ministro citada por vários alunos nas cartas, a professora também utilizou notícias de jornal, revistas e internet para informar os estudantes e prepará-los para um debate em sala de aula sobre o tema.

“Percebia-se que encontraram um personagem que preenchia suas almas de esperança, fé e coragem. Foi então que surgiu a ideia de escrever-lhe a carta”, afirmou a professora.

Para evidenciar a distância entre as gerações e mostrar a leitura distinta sobre o mesmo personagem em universos diferentes, o Consultor Jurídico reproduziu algumas manifestações dos estudantes e comentários de magistrados e advogados publicados nas últimas semanas.

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Quando li sua história logo admirei-o e de onde veio e de onde agora está, por enfrentar preconceitos e sair vitorioso, e por não se abater pela pobreza. Um querido herói para todos os brasileiros, a inspiração para as crianças”. (Isaac Di Lascio Silva, estudante)

“Se para a população em geral [o ministro] passou a imagem de grande paladino da Justiça e de defensor da Constituição, em muitos momentos, para a comunidade jurídica, público mais especializado, transmitiu a sensação de intolerância quanto ao exercício da advocacia e em relação ao direito de defesa.” (Marcelo Knopfelmacher, presidente do Movimento de Defesa da Advocacia)

Poder tê-lo como exemplo, modelo de vida a ser seguido é agradável. O que mais me surpreende é que, o senhor na infância poderia ter tudo para desistir.” (Fernanda dos Santos Silva, estudante)

A magistratura não sentirá saudades de Joaquim Barbosa.” (Nino Toldo, ex-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil – Ajufe)

“Aprendi muitas coisas lendo sua biografia e uma dessas coisas foi que cada pessoa pode mudar o mundo do seu jeito.” (Nathan Lucas Godoy, estudante)

Infelizmente o ministro Joaquim vai deixar como marca o destempero e a arrogância no trato com as pessoas, sejam seus colegas de Casa, sejam juízes, sejam jornalistas ou advogados.” (Antonio Carlos de Almeida Castro, advogado criminal)

“Parabéns pela sua história de vida, sempre com dedicação e honestidade.” (Carolina de Lima Sousa, estudante)

O ministro Joaquim Barbosa não deixará saudades entre os que foram vítimas de ofensas e atos arbitrários, leia-se advogados, juízes e muitos de seus próprios colegas no STF.” (Alberto Zacharias Toron, advogado)

Venho através desta carta, dizer que estudei sua biografia e soube que realizou os diversos trabalhos mais simples para pagar as universidades internacionais, para conseguir formar-se.” (Vitória Gabriele Baier da Silva, estudante)

“[O ministro Joaquim Barbosa] fez muito pela magistratura, guardando três características muito importantes que se exige: a nobreza de caráter, sua elevação moral e sua independência olímpica.” (Luiz Fux, ministro do STF)

Caríssimo Ministro, eu como jovem te admiro por ser uma pessoa íntegra, justa, que tem amor por essa pátria. Desejo seguir seu exemplo de vida.” (Geovanna Cruz Silva, estudante)

É o resgate da liturgia que precisa ser observado. As instituições crescem quando nós proclamamos valores, quando nós observamos a necessidade de manter o alto nível. Precisamos voltar ao padrão anterior, que não é só da Fifa. Deve ser também das instituições brasileiras. Esse padrão ficou arranhado na última gestão.” (Ministro Marco Aurélio, do STF)

“Queria saber qual é o seu segredo de na sua época de escola conseguir chegar onde o senhor chegou, com tão poucos recursos, e eu com muito, reprovei uma vez, vou levar o seu nome a sua história de vida como exemplo para o meu futuro.” (Maria Eduarda S. Miranda, estudante)

Sua personalidade forte e forma dura, e por vezes até mesmo ríspida, de agir e se expressar angariaram a antipatia de muitos.” (Sérgio Rosental, presidente da Associação dos Advogados de São Paulo)

Eu, cidadã brasileira, dirijo-me a Vossa Excelência com o mais alto grau de respeito, consideração e admiração. Sr. Joaquim Barbosa, admiro sua profissão, quero ser juíza, esse é meu foco, mas não tenho sido bem sucedida na escola, vou espelhar-me na sua vida, na sua biografia.” (Geovana Ferreira, estudante)

Cerco a cambistas é inédito em Copas

Chico Maia

Os cambistas trabalham desde a abertura da Copa do Mundo e certamente continuarão até o último jogo, no dia 13. Porém, nunca foram tão reprimidos e perseguidos pelas autoridades como neste Mundial. Na África do Sul e mesmo em países mais desenvolvidos, como Alemanha, Coreia do Sul, Japão e França, já eram proibidos, mas agiam livremente, sem a polícia para incomodar. Em 2010 podiam ser vistos perto dos portões de entrada dos estádios, momentos antes dos jogos, com placas penduradas no pescoço com a frase “tenho ingressos”. Parecia que a ordem era ignorar a presença deles.

A Polícia Civil do Rio investiga uma máfia internacional que teria representantes dentro da Fifa, da CBF e do Comitê Organizador, que envolve também ex-atletas, parentes de atuais jogadores e empresários. Caso a Polícia Federal e a Interpol entrem de sola no assunto, acredito que peixes graúdos sejam apanhados nessa rede. Se ficar só no âmbito da polícia do Rio, o assunto será esquecido, já que ela não tem poder de fogo para chegar aos chefões do esquema. O volume de dinheiro movimentado é muito grande. Ingressos que eram vendidos no site da Fifa inicialmente por R$ 60 valem hoje mais de R$ 5 mil.

Nenhuma pega

Em função da falta de criatividade da torcida brasileira que está comparecendo aos estádios, incontáveis oportunistas de plantão tentam emplacar alguma musiquinha ou ao menos um refrão para ser entoado nestes jogos que faltam. Mas são tantas, nas TVs e na internet, que acabam se confundido, e nenhuma pega.

Que pena, Beagá

Lamentável sob todos os aspectos a queda desse viaduto em Belo Horizonte, a única cidade-sede da Copa que concluiu em mais de 90% as obras de infraestrutura previstas. O Mineirão, entregue até antes do prazo exigido pela Fifa, não registrou nenhum acidente grave de trabalho, apesar do tamanho e da complexidade da construção.

Engraçado como a hipocrisia campeia na nossa sociedade

Dione Castro da Silva

O Sr. Janio Quadros viveu e morreu alcoólatra, era de domínio público essa faceta de sua personalidade. A maioria dos homens públicos têm amantes – até o “acima de qualquer suspeita” Thomas Jefferson (teve filhos com a escrava), fato negado por amigos e descendentes até 1998, quando um ‘inargumentável’ exame de DNA comprovou a ligação.

Recentemente, a mídia noticiou o ‘aparecimento’ de mais um suposto filho de FHC – com uma ex-doméstica de sua casa e que hoje é copeira do Senado. Desta vez, possui uma notável semelhança física com o acadêmico, ao contrário do filho da jornalista da Globo, que o exame de DNA comprovou não ser filho de FHC.

Aliás, falando em hipocrisia social, esse suposto filho, já homem, trabalha como auxiliar de serviços gerais no Senado, não estudou, não possui qualificação profissional e nem é reconhecido pelo suposto pai. Por que será? Será que é por ser filho de uma mulher negra? Tal atitude é altamente censurável para alguém que, para fazer média com a população brasileira, referiu-se a si mesmo como “tendo um pé na cozinha”, além de ter registrado um filho que, comprovadamente não é seu,.

A mídia está repleta de matérias sobre vários ex-presidentes (casados) e suas amantes, em casos de conhecimento público.

LULA e YELTSIN

O ex-presidente lula gosta de bebida alcoólica; um ex-presidente da Rússia (Bóris Yeltsin) protagonizou várias cenas vergonhosas/constrangedoras em público, estampadas em todas as mídias (mundialmente) por estar bêbado (vodca).
Quem mora aqui no Rio e costuma frequentar a noite carioca, já está cansado de flagrar o candidato tucano à Presidência da República, mesmo durante o exercício de cargo executivo em outro Estado e cargo legislativo em Brasília, com a mente enevoada pelo álcool e… “disseminar boatos sobre a vida privada do tucano” é uma afirmação altamente temerária. No mínimo. Quanto patrulhamento. Quanto fascismo.

Quer dizer que, como é sabido, tanto faz PT,PSDB,PMDB, PR, DEM, PSC, PCB, PPS… são tudo “farinha do mesmo saco?” Quando é do seu interesse, todos usam as mesmas práticas que reprovam nos outros?

PRECISA DESENHAR?

Será que dá para entender agora por que o PT não investiga de jeito nenhum a privataria tucana? Ou precisa desenhar? Na politicalha brasileira, “uma mão lava a outra” (a água é o nosso suado dinheirinho…); não mostra o meu que, quando chegar na minha vez, eu não mostro o seu.

E digo mais: essa “ópera bufa” do ‘mensalão’ (com o patrocínio luxuoso dos ot…ops, digo, do povo brasileiro) já estava tudo “combinadinho” entre eles. O “ponto fora da curva” (royalties para o ministro Barroso) talvez, repito, talvez, tenha sido o ministro Joaquim Barbosa, que não foi devidamente ‘sabatinado/cooptado’ de como deveria agir para seguir o ‘script’; mas desse eles já se livraram. Na época do FHC, a tabela de HC era mais rápida, eficaz e competente para desembarcar os “white collars” em Mônaco, Paris, etc. Não tem saída.

Moderador entra no inferno astral, mas logo vai sair, podem apostar

Carlos Newton

Além da sabotagem ao blog Tribuna da Internet, que para os sites de busca Google e  Ask nem existe mais, só permanecendo vivo graças ao Yahoo, agora o moderador recebe novidades de seu e-mail IG, de tantos serviços prestados e que também pertence ao Google.

Vejam só:

Caro Usuário,

Informamos que o iG Mail/iBest Mail estará em manutenção durante o perí­odo de 4/7/14 (sexta-feira) à  partir das 16:30 até o dia 6/7/14 (domingo) às 23:00.

Neste perí­odo, o iG Mail/iBest Mail poderá sofrer lentidão
no acesso, na navegação no e-mail e também atraso na entrega de mensagens.

Atenciosamente,
iG

Haja imaginação para a pilantropia!

Sandra Starling

Acompanhando o noticiário político, fica até parecendo que 2014 é um ano eleitoral atípico. Atípica, diria eu, é a facilidade com que partidos e candidatos assumem em público o que já praticavam havia muito por debaixo dos panos. E o preço que cobram (ou pagam) por isso: míseros ou substanciosos tempos de campanha no rádio e, sobretudo, na TV; ministérios e diretorias de estatais antecipadamente prometidos; derrama de recursos para a feitura de material de propaganda; promessas de milagres na educação, saúde, mobilidade urbana, com números fantásticos para agradar ao eleitorado – (quase sempre) carente de tudo.

Aos olhos dos inexperientes, o que não aparecem são os carguinhos mequetrefes que os grandes chefes desse verdadeiro cangaço cobram pelo apoio a esse ou aquele candidato: são lugares de meras “batedeiras de cheques” – como foi lembrado da excelsa tribuna do Supremo Tribunal Federal por um ilustre advogado, defendendo sua constituinte no mensalão petista – ou o cargo de elaboradores de editais de licitação, que embolsam, eles próprios, miseráveis quantias (os “petequeiros”, como os denominou Roberto Jefferson) para colocar nesses editais certos requisitos capazes de dar aos beneficiados verdadeiras fortunas… Isso só é visível pelos que militam na máquina pública e dela saem envoltos em escândalos, e voltam como deputados eleitos, membros de órgãos de cúpula, gente graúda, enfim. Tudo nos conformes.

MINA DE OURO

Tomei conhecimento de parte dessa malandragem quando fui eleita deputada estadual em 1986/1987. Um prócer do antigo PDS lera cuidadosamente o primeiro estatuto do antigo PT e lá, segundo ele, descobrira a mina de ouro para se ver livre dos pedidos sem conta que recebia do eleitorado.

Naquela época, o PT se orgulhava de organizar-se em “núcleos de base”, pequenos agrupamentos de militantes de uma mesma categoria ou de um mesmo local de moradia. Cada núcleo escolhia um coordenador e um tesoureiro. Àquele cabia convocar reuniões, zelar pela ordem dos trabalhos, determinar tarefas.

O tesoureiro deveria recolher a contribuição de cada militante, sempre um percentual proporcional ao nível de renda e que todos deviam ao partido, com a exceção (comprovada) dos que estavam desempregados.

“TESOUREIRO”

Pois bem, o deputado, de 400 costados de famosa família mineira, adotou os núcleos e a eles repassava o que conseguia em emendas orçamentárias e outros penduricalhos agregados ao contracheque. Como não era ele o responsável por destinar a grana, mas o “tesoureiro”, via-se livre de qualquer queixa dos não agraciados.

Macetes como esses vão sendo sempre aperfeiçoados. Recentemente, na Câmara dos Deputados, em Brasília, descobriu-se outra maracutaia. Promove-se o servidor não concursado para um salário muito maior; depois, se faz sua exoneração, e, passados os três meses regulamentares na Casa, ele é recontratado, com o salário anterior – para, com a sobra, se contratar mais um… futuro cabo eleitoral! Haja imaginação para a pilantropia! (transcrito de O Tempo)

 

Dilema de Felipão

Tostão

O Brasil não vai ganhar da Colômbia somente na raça e no Hino Nacional, nem somente na técnica e na tática. A Colômbia possui bons jogadores, como em outras épocas, com a diferença que o time atual é mais disciplinado taticamente, mais seguro. O fato de a Colômbia ser mais técnica e menos aguerrida que o Chile não significa que seja mais fácil. Não dá para fazer esse prognóstico.

Felipão vive um dilema. Se colocar Oscar no meio-campo para preencher o vazio, vai faltar alguém pelo lado para marcar o avanço do bom lateral colombiano, já que o técnico brasileiro quer Neymar pelo centro e perto do gol. Uma opção, ensaiada por apenas 30 minutos, para ser usada durante a partida, é colocar Hulk e Neymar na frente, com Oscar vindo de trás. Entraria Henrique, para ser um terceiro zagueiro ou para fazer a função de Luiz Gustavo, formando, com Fernandinho e Paulinho, um trio no meio-campo.

Repito, com Hulk e Neymar, dois atacantes agressivos e artilheiros, não haveria necessidade de se ter um centroavante apenas finalizador. Já a Alemanha sente muita falta de um centroavante, de um Klose mais jovem, já que o único atacante artilheiro é Müller. No passado, um meia habilidoso e fino para jogar, como Götze, era chamado de Armandinho, barbantinho, por fazer maravilhas com a bola, mas não sair do lugar e finalizar pouco. Evidentemente, é um exagero rodriguiano.

Entre as grandes atrações do clássico entre França e Alemanha, duas me encantam. A primeira foi o show, a aula de Neuer, contra a Argélia, sobre como um goleiro deve jogar na cobertura dos zagueiros adiantados. A segunda são os dois meio-campos. Pogba parece um bailarino dentro das quatro linhas. Contraria a lei da física, a do movimento e do equilíbrio de um corpo. O jogador francês dá a impressão de que vai cair no campo, que não vai conseguir dominar a bola, mas alcança o êxito, com muita técnica e leveza.

 

 

Um prelúdio imortal de Luiz Vieira, para ninar gente grande

 

A balada “Prelúdio para Ninar Gente Grande”, mais conhecida como “Menino Passarinho”, em razão do verso “sou menino passarinho com vontade de voar”, retrata a bela poesia existente no clima místico-romântico vivido pelo radialista, cantor e compositor pernambucano Luiz Rattes Vieira Filho. Um dos maiores sucessos de Luiz Vieira que ele próprio gravou, em 1967, pela Copacabana.
PRELÚDIO PARA NINAR GENTE GRANDE

Luiz Vieira

Quando estou nos braços teus
Sinto o mundo bocejar
Quando estou nos braços teus
Sinto a vida descansar

No calor do teu carinho
Sou menino passarinho…
Com vontade de voar…
Sou menino passarinho
Com vontade de voar.

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

 

A vida felliniana e felliniesca de Sarney et caterva…

Fátima Oliveira

Volto ao repisado tema: o clã Sarney, cujo patriarca, aos 84 anos, sentindo o cheiro da derrota nas eleições de 2014, no Amapá e no Maranhão, se viu obrigado a não disputar mais um mandato de senador pelo Amapá e anunciou seu “amarelar” estribado em desculpas esfarrapadas: cuidar da mulher doente.

Imaginei Sarney de pijama fazendo um chazinho para dona Marly Macieira Sarney. Até fiquei enternecida porque se nós, maranhenses, devemos algo ao clã é à dona Marly, que, da profundeza do silêncio de toda a sua vida (namorou Sarney desde 1947, e casaram-se em 12.7.1952), conseguiu algo que nós, que há anos bradamos “Xô, Sarney”, jamais conseguimos!

Quem pilhou um Estado por meio século não merece piedade! O patriarca não se faz de rogado para mentir. Basta ler seu último artigo. Além de destilar todo o seu ódio anticomunista, caprichou em megalomania: “Retribuí, devolvendo ao Estado o que realizei, e tudo do que aqui foi feito passou pelas minhas mãos, até os adversários!”. É infâmia demais!

E arrematou: “Depois de 60 anos de mandato… Ocupei todos os cargos políticos da República, chegando a ser presidente. Sou o senador que mais tempo passou no Senado, do qual fui presidente quatro vezes: 38 anos. Atrás de mim vem Rui Barbosa, com 33 anos” (“De convenção em convenção”, EMA, 29.6.2014). Esqueceu que dom Pedro II reinou por 49 anos e ele, no Maranhão, reina desde 1966!

PERSONAGEM GROTESCO

Ninguém mais do que Sarney soa tão felliniano (personagem com traços caricatos e grotescos). Sempre que revejo “E la Nave Va” (1983), genial bizarrice de Fellini – a viagem-funeral do luxuoso navio Glória N. com as cinzas da cantora de ópera Tetua Edmea para a ilha de Erina, onde ela nasceu –, tenho a impressão de que é o funeral de Sarney.

É que a vida de Sarney, além de felliniana, é felliniesca – contém cenas em que imagens alucinógenas invadem uma situação comum, sobretudo no tocante à riqueza subtraída do povo maranhense. Somemos todas as obras que Sarney diz ter feito em meio século de mando no Maranhão e comparemos com o patrimônio pessoal legal do clã. O Maranhão perde feio! É impossível que, somados todos os proventos auferidos por Sarney, Roseana e Zequinha em cargos parlamentares e executivos, tenham gerado tanta riqueza familiar! Com razão @mellopost: “O problema não é José e Roseana Sarney estarem deixando a política. O problema é estarem saindo pela porta da frente”.

E A FILHA?

Para completar o espetáculo felliniesco, aparece a filha imitando o pai: “Já fui tudo o que eu podia ser. Não quero mais disputar eleição. Não quero saber mais de mandato… Eu estou perdendo toda a minha biografia. Estava virando apenas a filha de Sarney. Eu tenho uma vida política própria. Fui a primeira mulher governadora do país. Sempre tive uma forte atuação na luta das mulheres”.

Pergunto: na luta das mulheres de qual país? Vida política própria? Outra mentira deslavada! Ela entrou na política como herdeira do pai (vide “Em nome do pai e do clã”) e continua. Ponto final!

O meu grande sonho era ver os Sarneys expurgados da vida pública pelo voto do povo, e não saindo quase à francesa, como se não estivessem à beira do precipício da derrota eleitoral. Como disse Flávio Dino na Convenção da Mudança, no dia 29.6, que homologou sua candidatura a governador do Maranhão, à qual compareceram 10 mil pessoas: “Nenhum império dura para sempre”. (transcrito de O Tempo)

 

Brasil já tem 600 mil ONGs, que atuam sem o menor controle governamental

Gelio Fregapani

Pelos cálculos feitos ainda em 2007, já dava para perceber que o Brasil tinha se transformado, de vez, no paraíso das ONGs. Naquela época, o número de organizações não governamentais girava em torno de 250 mil, com aportes financeiros federais da ordem de mais de R$ 3 bilhões. Hoje, as estimativas indicam que há perto de 600 mil ONGs atuando no país, recebendo mais de R$ 18 bilhões por ano em repasses federais e verbas de valor desconhecido vindas de fora, inclusive de governos estrangeiros.

Não possuímos registros confiáveis sobre os reais serviços prestados por essas ONGs, onde atuam de fato e como atuam. Além das denúncias de corrupção, sobram informações de ingerência dessas entidades em assuntos de interesse do Estado, inclusive em questões de Segurança Nacional.

A maior parte das ONGs tem atuação na Amazônia e são direta ou indiretamente vinculadas a organismos internacionais, seus objetivos são claros para qualquer analista de Inteligência – o controle das jazidas minerais consideradas de extremo interesse estratégico.

DEMARCAÇÕES

Nos oito anos do FHC foram 145 áreas demarcadas; nos oito anos de Lula, foram 79; nos três anos e meio de Dilma, mais 10. Segundo a Funai, 65 áreas já reconhecidas como indígenas aguardam a homologação da presidente e o Conselho Indigenista Missionário, talvez o mais perigoso inimigo da nossa nação, se queixa da morosidade do governo nas demarcações, que visam, à primeira vista, proteger a cultura dos povos indígenas, para logo que possível os separarem do nosso País, de modo que possam controlá-los efetivamente e dispor dos imensos recursos naturais.

Sem uma resposta efetiva por parte das autoridades, que consideram essas ameaças coisa de ficção ou história de caboclos perdidos na selva é claro que nossos problemas se agravarão.  Felizmente, o período em que a Funai agia com superpoderes acabou. Nosso povo começa a tomar consciência da malignidade do uso do meio ambiente e do indigenismo para nos manter no subdesenvolvimento, impedindo a construção de hidrelétricas, a expansão da agricultura e até o asfaltamento de estradas. De senhores do país, os ecoxiitas estão passando a repudiados. Veja-se a Marina Silva, que pensava ter 20 milhões devotos cativos e hoje faz o Eduardo Campos perder votos de protesto que teria.

Estamos aprendendo.

Supremo de frango

Sylo Costa

Cozinhe o frango em fogo brando em água e sal. Deixe esfriar, desfie e refogue com temperos a seu gosto: alho, cebola, paciência. Sirva com molho à base de caldo de galinha e duas colheres de raspas de queijos podres de nomes estrangeiros, cheios de consoantes. Coisa esquisita. Virei chef de cozinha? Não, é que fui a um restaurante ontem à noite, e foi servido esse prato, imposto pelo aniversariante, que também é seu proprietário, que contrata os cozinheiros e os 11 garçons, pessoas de sua máxima confiança. Ali, o regime de trabalho é diferente, todos têm contratos vitalícios, mas nem todos fazem jus a essa vantagem. No caso, come quem tem fome e obedece quem tem juízo. O tal supremo é uma saroba de hospital, parece cardápio de porco.

Papo estranho, não estou entendendo, talvez reclame o leitor. É, não dá para entender mesmo, a hora é de confusão, exige um cobertor para cobrir as bandalheiras que acontecem debaixo dos caracóis dos nossos cabelos. Vamos mudar o rumo dessa conversa de doido.

Vamos no popular: muito se tem falado sobre o processo de judicialização das nossas instituições. Essa anomalia se dá quando o Poder Judiciário começa a legislar no lugar do Poder Legislativo. Como aconteceu agora, no caso dos mensaleiros que foram autorizados a sair para trabalhar e apenas dormem na prisão.

O QUE DIZ A LEI?

E daí? Daí que está em vigor a Lei Federal 7.210, de 11.7.1998, cujo artigo 37 reza que o condenado só poderá obter esse benefício após cumprir no mínimo 1/6 da pena. Nesse caso, o Supremo Tribunal legislou porque mudou a lei.

Lei só pode ser alterada por outra lei, e quem faz lei é o Legislativo. O ministro Luís Roberto Barroso, que não é bobo nem nada, sabe disso. E sabe também que, nessa hora em que o governo ocupa o povo com o futebol, o país está dopado. Como disse Millôr, sem dúvida uma das três cabeças pensantes desse nosso país – nosso e da Fifa –, o “futebol é o ópio do povo”.

Em palestra proferida num seminário sobre direito e desenvolvimento, realizado pela FGV, no Rio de Janeiro, o hoje ministro José Roberto Barroso disse que “não é por acaso que o ativismo se expandiu”. Segundo Barroso, isso aconteceu pelas dificuldades enfrentadas pelo Legislativo. A retração do Legislativo, constatada, é ruim e representa um grave problema. “É preciso uma reforma política urgente, pois não há democracia sem um Poder Legislativo atuante” – será que ele descobriu isso sozinho?

TRAZER A PESSOA AMADA…

E chegou a brincar, ao falar sobre o controle da constitucionalidade: “A Constituição só não traz a pessoa amada em três dias”. Então, fica pairando no ar a pergunta: será que o ministro foi indicado para o egrégio Supremo porque sabe disso tudo e, mesmo sabendo, vota e faz tábula rasa da Constituição que ele jurou obedecer? E mudar a forma de provimento do STF, que tal?

E pensar que, se reeleita, a presidente poderá indicar durante o mandato mais cinco Ministros para o Supremo. Arre!

 

Supremo autoriza ex-senador Demóstenes Torres a retornar ao Ministério Público

Mariângela Gallucci
Agência Estado

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu uma liminar garantindo ao ex-senador Demóstenes Torres o direito de retornar ao Ministério Público do Estado de Goiás. Torres foi afastado do cargo em 2012 pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Na ocasião, o CNMP também decidiu abrir um processo disciplinar contra ele.

Mendes concordou com o argumento de que o afastamento, que já dura mais de um ano e meio, ultrapassou o prazo de 60 dias estabelecido pela legislação. “Ainda que se possa defender a tese de renovação reiterada do referido prazo, o que se verifica é o dado objetivo de afastamento do impetrante desde a intimação da decisão do CNMP de 24.10.2012, ou seja, há mais de um ano e meio”, afirmou o ministro.

O afastamento de Demóstenes ocorreu devido ao Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura seu envolvimento com o esquema de exploração de jogos de azar de Carlinhos Cachoeira, desbaratado pela Operação Monte Carlo realizada pela Polícia Federal (PF).E

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Um senador com ares moralistas, apanhado em flagrante de envolvimento com um criminoso notório e corruptor como Carlinhos Cachoeira, perde o mandato mas continua empregado como procurador do Estado de Goiás, com salário superior a 20 mil reais e aposentadoria garantida. E ainda chamam isso de Justiça. (C.N.)

“Bacanal Eleitoral” ou “Reunião de Bacana”?

Pedro Ricardo Maximino

O desabafo do prefeito carioca Eduardo Paes, ao classificar de “bacanal eleitoral” a coalizão do PMDB de Sergio Cabral com o DEM de Cesar Maia, humilha os dignos praticantes de bacanal, swing e suruba e ele merece ser processado por suas afirmações metafóricas (de quem não dá uma dentro…).

Os grupos de praticantes de sexo livre devem processá-lo pela terrível ofensa comparativa ou de aproximação semântica. Eles não fazem mal a ninguém, se protegem, se submetem a exames frequentes de saúde, têm certa ética, mostram convicção e respeitam as regras do jogo, ao contrário da seleta e repetitiva politicagem brasileira

Bacanal é uma coisa. Outra coisa é a já tradicional “Reunião de Bacana”, de Ari do Cavaco, um dos pagodes mais gravados, cuja letra tem um refrão feito sob medida para a política brasileira: “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Quem colocou Eduardo Paes na política foi Cesar Maia. Fica feio atacar quem tanto o ajudou, isso é uma demonstração de falta de caráter. (C.N.)

 

Será que o treinador do penta está sentindo a pressão de comandar o Brasil em casa?

Josias Pereira
O Tempo

Professor, técnico, comandante, disciplinador, paizão. Várias foram as denominações atribuídas a Luiz Felipe Scolari durante os anos. Tido como um profissional firme em suas convicções, principalmente em relação às formações de suas equipes, o comandante vem demonstrando nos últimos dias uma certa instabilidade. Estaria o treinador do penta sentindo a pressão de comandar a seleção em casa? Ou estaria Felipão ultrapassado para os padrões do futebol moderno?

Uma reunião do treinador e seu fiel escudeiro Murtosa com seis jornalistas, na Granja Comary, escancarou as dúvidas do comandante quanto à capacidade – técnica e emocional – da atual seleção brasileira. Uma prova que, por algumas vezes, a irresoluta certeza de Felipão não passaria de uma mera caricatura. Para quem já vivenciou a pressão de comandar o escrete canarinho, a decisão do treinador em expor as dificuldades da equipe não é um sinal de fraqueza, porém não seria também o caminho mais acertado.

“Nunca reuniria a imprensa para falar sobre minhas dificuldades. Quando você é escolhido para assumir o comando de alguma coisa, você precisa ir até o fim com suas convicções. Se um dia eu me sentir inapto a continuar no cargo de treinador, é melhor pegar o boné e ir embora”, afirma Carlos Alberto Silva, ex-técnico da seleção brasileira.

“Não acho que a seleção esteja completamente errada. O Felipão é um dos melhores treinadores do futebol mundial, tem uma maneira própria de lidar com os jogadores. Quando estamos no comando da seleção, às vezes, pagamos por convocar alguns jogadores, e eles acabam não rendendo o esperado”, completa.

INEXPERIÊNCIA?

A inexperiência de grande parte da equipe também seria um dos fatores responsáveis pelo ‘pedido de ajuda’ do comandante. “É uma equipe em formação. Isso (juventude) pesa na hora de uma decisão. Porém, a falta de experiência de alguns jogadores pode ser suprida pela torcida, pelo fato de jogarmos em casa”, diz Vanderlei Luxemburgo, ex-treinador da seleção e atual comentarista da Fox Sports.

Paulo Autuori, ex-comandante do Atlético, preferiu fazer uma análise mais profunda do futebol nacional. “Estamos parados no tempo. Enquanto outras equipes evoluíram, continuamos presos em uma velha metodologia. Temos visto outras seleções sul-americanas, com treinadores também sul-americanos, que não possuem grandes talentos individuais, mas têm um coletivo muito forte”, concluiu.

MUDANÇAS?

Às vésperas das quartas de final, a formação tática de Felipão apresenta deficiências. Uma falta de sintonia entre o meio-campo e o ataque faz com que os avançados da seleção brasileira saiam da grande área para buscar a bola. Caindo pela ponta direita, Oscar está apagado e pouco produz. Diferentemente da Copa das Confederações, algumas peças vêm destoando, casos dos laterais Daniel Alves e Marcelo, além de Paulinho e Fred.

Felipão admitiu a possibilidade de mudanças contra a Colômbia. Mas seria esta a hora de mudar? “Eu acho que os problemas que a seleção está enfrentando não são bichos de sete cabeças. O esquema tático não está ruim e é perfeitamente adequado para o próximo jogo. A Colômbia é um time perigoso, que precisa ser respeitado, mas que pode ser batido”, diz Carlos Alberto Silva. “Existe uma pressão exagerada sobre a seleção brasileira”, completa o ex-treinador.

Dirceu começa a trabalhar, com uma Hilux com motorista à sua disposição

José Dirceu primeiro dia de trabalho

Deu nos jornais

O ex-ministro José Dirceu deixou nesta quinta-feira o Centro de Progressão Penitenciária para trabalhar no escritório do advogado José Gerardo Grossi, em Brasília. Condenado por participação no mensalão, Dirceu cumpre desde novembro uma pena de 7 anos e 11 meses de prisão no regime semiaberto.

O ex-ministro trabalhará das 9h às 18h em atividades diversas no escritório. Receberá salário mensal de R$ 2,1 mil e não poderá advogar. No horário de almoço, só pode se deslocar até 100 metros para fazer a refeição.

Para chegar ao trabalho, poderá usar transporte público ou particular. E na estréia teve uma Hilux preta com motorista para conduzi-lo ao escritório. Mais magro e abatido, vestia calça jeans, camisa social azul e blazer.

Ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, Dirceu vai ajudar, das 9h às 18h, a organizar documentos e livros e a fazer serviços administrativos no escritório de Grossi. Ele deve trabalhar ao lado de outras duas auxiliares. O salário combinado é de R$ 2.100.

Dirceu estava preso na Papuda desde novembro do ano passado. O ex-ministro foi condenado a 7 anos e 11 meses pelo crime de corrupção ativa no processo do mensalão do PT, mas tem direito a cumprir a pena no regime semiaberto. O Código Penal estabelece que o semiaberto é destinado a presos não reincidentes condenados a mais de quatro anos de prisão e menos de oito anos.

Zoológico partidário

Gaudêncio Torquato

Quem poderia imaginar uma serpente tornando-se amiga de um hamster, depois de recusar a comê-lo como refeição? Vivem juntos num zoológico do Japão. Situações fantásticas no mundo animal chamam a atenção pelo inusitado. No mundo dos humanos, a fenomenologia no campo dos relacionamentos não fica atrás, plena que é de histórias bonitas e feias, ou, simplesmente, risíveis. Mas o que chama a atenção é o casamento, mesmo provisório, dos bichos que povoam o território da política.

A expressão “bichos”, usada de forma coloquial no mundo dos humanos, particularmente no tratamento entre amigos, cai bem nos partidos políticos tupiniquins. Identificado como o hábitat de seres inodoros e insossos, o zoológico partidário brasileiro abre as portas para deixar ver a liturgia dos casamentos mais exóticos de sua população: cobra-d’água com jacaré, elefante com zebra.

Desnaturada de sua essência, a política ajusta-se ao figurino de alcançar “o poder pelo poder”, rompendo os eixos que a edificam como um empreendimento do bem comum. Nunca se viu uma colcha eleitoral com tantos retalhos como os de hoje, unindo nos Estados opostos no plano federal.

FARINHA DO MESMO SACO…

Quem acredita no argumento de um candidato de que seus partidos podem formar alianças com os contrários nas unidades federativas? Acabam sendo carimbados como “farinha do mesmo saco”. O PSB, de Eduardo Campos, fazendo aliança com os candidatos dos adversários PT e PSDB, no Rio de Janeiro e em São Paulo, desmancha qualquer esforço para situá-lo como alternativa de mudança na política. Esse é apenas um caso estrambótico entre muitos, a denotar que o campo da política não passa de um deserto de ideias.

A falta de coerência na política, visível em ciclos de eleições, resulta na inconsistência doutrinária de uma infinidade de siglas; no precário sistema de coligação ora vigente; em frouxas regras eleitorais; enfim, na teia de despolitização e desideologização que cobre o amorfo corpo político. O que leva a representação a desprezar o escopo moral e ético que deveria ser o lume?

DEGRADAÇÃO

Há de se admitir que a contemporaneidade política tem se desenvolvido sob a degradação dos mecanismos tradicionais da democracia liberal, a partir do declínio de ideologias e partidos, situação que resultou no desaparecimento dos partidos de massa e consequente emergência de entes amorfos. O jogo político menos contrastado ganha reforço com o desvanecimento do antagonismo de classes, o arrefecimento das bases, a ascensão das estruturas técnicas e burocráticas, o declínio dos parlamentos e a dispersão das oposições. Esse conjunto de questões desloca a política para outros espaços. Ante a paisagem devastada na seara tradicional da política, não lhe resta alternativa senão a de reencontrar o rumo.

Para tanto, urge um pacto entre núcleos políticos, forças partidárias e Poderes da República para tapar os buracos nos vãos das instituições e ajustar as ferramentas da política. Se assim for acordado, a atual campanha será a última da era do casamento da raposa com o leão. (transcrito de O Tempo)