Por que as nações fracassam

Márcio Garcia Vilela

A revista “Veja” de 16 último trouxe interessante entrevista com o economista James Robinson, autor, com Daron Acemoglu, de um best-seller mundial, a que deram o nome de “Why Nations Fail”, com o subtítulo “The Origins of Power, Prosperity, and Poverty”, parece-me que ainda sem tradução para o português. Recebi a edição em inglês da Eisenhower Exchange Fellowships, da qual fui bolsista, para um “post doctoral fellowship” nos Estados Unidos.

Obra polêmica e bem-elaborada, tem a seu favor apresentar conclusões empíricas por meio de observações de campo, como na África, contestadas pelo economista Jeffrey Sachs, que rejeita a afirmação de que o continente estudado tem como responsável pelo subdesenvolvimento a malária. Vale a pena ao menos ler-lhe e meditar-lhe o estimulante prefácio, se o leitor não sentir-se animado a garimpar-lhe o todo, acompanhando-o, por exemplo, na praça Tahir, no Cairo, onde descobre que os autores dos protestos públicos lá ocorridos, “praticamente em uníssono, queriam derrubar a corrupção do governo, a sua incapacidade de prover serviços públicos decentes e a falta de igualdade de oportunidade no país ou, em particular, atacavam a falta de liberdade, a repressão e o desrespeito dos direitos políticos”.

OTIMISMO

Otimista com o Brasil na sua entrevista à “Veja”, com o que humildemente discordo, Robinson lastreia seus argumentos:

1. A classe política brasileira, tão malquerida, não compromete a evolução positiva das instituições devido à correta (?) percepção que tem dessas vis-à-vis as pessoas que as representam. Contudo, a distinção só ocorre em proporção aos níveis de cultura, educação, compreensão política e grau de civilização, aqui muito baixos. Leva, pois, muito tempo, à luz do período (desde sempre, quiçá) que se negou aos brasileiros ingresso nesse aprendizado.

James Robinson reconhece que o Partido Trabalhista inglês levou 25 anos para romper o pacto da agremiação com a esquerda sindical e entrar na era da conciliação dos ganhos sociais com o livre mercado.Infelizmente, estamos ainda no ensaio para levar a ópera ao palco.

2.Os problemas do Brasil são superficiais e inseridos num processo mais profundo de transformação”, pondera. Mas há muito a escavar (quantos anos temos de PT no poder junto com a coalizão das trevas? Durará ainda mais?).

3.Instituições econômicas extrativas que concentram poder e renda nas mãos de um grupo pequeno de pessoas e agem em oposição às instituições inclusivas; estas permitem a disseminação da riqueza; porém, sem instituições políticas igualmente inclusivas, as econômicas não medram. O Bolsa Família funciona para sair dela”.

O que tem sido feito para a plena retirada? Como o país atual se compatibiliza com condições inclusivas e dinâmicas se é preciso subsidiar o patronato, via fiscal e créditos do BNDES? Como atua o PT? Como nos inserirmos em sistemas partidário e eleitoral corretos, se os trabalhistas ingleses precisaram de uma geração para reformar-se? Desanimar ou confiar? (transcrito de O Tempo)

 

Por que motivo os jovens renunciam ao direito de votar?

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Acílio Lara Resende

É natural que as derrotas escorchantes de que fomos vítimas no futebol nos impeçam (mas só por algum tempo, assim espero) de enxergarmos outras bem piores do que as recém-vividas na Copa do Mundo. Em junho do ano passado, por exemplo, os protestos pacíficos ocorridos em todo o país pegaram de surpresa o governo da presidente Dilma Rousseff e reacenderam, em milhões de brasileiros (jovens, sobretudo), a esperança num futuro melhor. Todavia, pesquisas indicam que são poucos os adolescentes (entre 16 e 17 anos) que procuraram a Justiça Eleitoral com o objetivo de votar nas eleições deste ano.

Dentre as respostas dadas por alguns adolescentes, separei duas, que merecem nossa reflexão: “Não tenho a quem confiar o meu voto. Por isso, optei por não tirar o título”. Ou: “Não quero votar agora porque não acredito em candidatos que não venham do povo”.

A queda do interesse dos jovens pelo título de eleitor se iniciou a partir de 2006. Nessa época, os eleitores menores de 18 anos (ou facultativos) representavam 39% do seu total. Em 2010, o índice baixou para 32% e, em 2014, para 25%. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, que se funda em dados fornecidos pelo IBGE, hoje, o total de eleitores representa apenas um quarto da população nessa faixa etária. Pela primeira vez na sua história, o Brasil terá mais eleitores idosos (os que têm mais de 60 anos) do que com idades entre 16 e 24 anos.

DESINTERESSE

Afinal, por que motivo os jovens renunciam ao direito e, com certeza, ao dever (de cidadania) de votar? Os motivos constantes das respostas dadas pela maioria não serão os mesmos que estão na cabeça do eleitor brasileiro de modo geral, seja ele maduro ou velho? Ou há dúvida de que, nesse particular, estamos todos de pleno acordo?

Embora o desinteresse dos jovens pelo voto tenha se iniciado logo após a denúncia do mensalão (2006), o que, na verdade, desapareceu não foi a confiança na política, indispensável à sociedade humana, mas naqueles que a vêm exercendo de maneira incorreta.

Com exceções, há uma desconfiança generalizada de que não temos a quem confiar o nosso voto. Não acreditamos, enfim, na maioria dos candidatos às eleições no dia 5 de outubro de 2014.

ATORES IMPRESTÁVEIS

Vale dizer: os políticos (não todos, repito) têm sido atores imprestáveis de uma cena que se esgota a cada dia que passa, e com grande risco para o aperfeiçoamento do regime democrático. Ao alcançarem o limite máximo da desfaçatez, a paciência do povo se esgotou e deu no que deu.

Só que, sem a política e, por consequência, sem os seus atores, não haverá salvação para ninguém. Sem o voto, jamais se mudará o rumo que o atual governo deseja para o país. Ao que parece.

É isso – a indispensabilidade da política e dos políticos – que se deve incutir na mente dos jovens, que sofrem hoje, de fontes diversas, uma influência negativa e deletéria – a de que a democracia já não responde aos seus reclamos. E é preciso lhes dizer que a resposta à desconfiança nos políticos não pode ser a abstenção, o voto nulo ou em branco. Ao contrário, qualquer dessas opções poderá levar o país a descrer da liberdade – nosso único e confiável meio de salvação possível.

Haverá sempre alguém a quem confiar o nosso voto. A política, leitor, na prática, não diverge muito do que ocorre em qualquer setor da atividade humana, aqui ou neste contraditório mundo de Deus. Não nos iludamos! (transcrito de O Tempo)

 

Se Aécio for esperar a homologação do aeroporto pela Anac, vai ficar mais velho do que Tancredo Neves

Suzana Inhesta e Marcelo Portela
O Estado de S. Paulo

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, voltou a defender o investimento de R$ 13,9 milhões feito pelo governo de Minas na construção do aeroporto de Cláudio (MG). A obra foi feita em área desapropriada que pertencia a um tio-avô do tucano, a 6 km de uma fazenda de sua família. Na quarta-feira, 30, Aécio admitiu pela primeira vez que pousou no local, disse que foi um erro não checar se as autoridades do setor aéreo consideravam a pista regular ou não. O candidato culpou a demora da Agência Nacional de Avião Civil (Anac) em homologar a pista pelo imbróglio.

“Não me refuto a responder sobre o assunto. A obra foi planejada, como milhares de outras obras feitas em Minas Gerais. O que há, na verdade, é uma grande demora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para fazer essas homologações e fui, de forma inadvertida, não me preocupei efetivamente de saber ou não se havia ou não homologação da pista. Isso é um erro, eu assumo esse erro”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGHá um número enorme de pistas de pouso no Brasil que não estão homologadas pela Anac, que nos faz ter saudades do aintigo DAC (Departamento de Aviação Civil). A Anac nada mais é do que uma agência reguladora como todas as outras, que não regulam nada e só servem de cabides de emprego. Para se ter uma ideia da bagunça que invadiu o setor, o ex-governador Sergio Cabral, durante seus dois mandatos, usou diariamente para pouso e decolagem um falso heliporto no Palácio Laranjeiras. Os moradores do Parque Guinle reclamaram à Anac (publicamos aqui na Tribuna com exclusividade), a agência afirmou que não podia haver heliporto no local, mas Cabral disse literalmente que ninguém tinha nada a ver com isso. Não só seguiu usando o heliporto, como mandou até fazer uma obra de ampliação, e estamos conversados. Homologação? Era só o que faltava… (C.N.)

De vez em quando assisto a excelentes jogos

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Tostão
O Tempo

Há coisas boas no futebol brasileiro. De vez em quando, vejo excelentes partidas, belos lances e times com um jogo coletivo, moderno e eficiente. De vez em quando, vejo partidas com poucas faltas, poucas simulações, poucos chutões, poucas trombadas, poucas discussões e poucas ofensas. De vez em quando, vejo estádios cheios e boas arbitragens. De vez em quando, vejo dirigentes com boas ideias.

De vez em quando, vejo, escuto e leio ótimas análises sobre o jogo coletivo, e não apenas sobre lances isolados e/ou erros dos árbitros. De vez em quando, vejo que algumas pessoas explicam e compreendem o futebol. “Os que têm estudo explicam a claridade e a treva, dão aulas sobre os astros e o firmamento, mas nada compreendem do universo e da existência, pois bem distinto de explicar é compreender e quase sempre os dois caminham separados” (“O Albatroz Azul”, de João Ubaldo Ribeiro).

O problema do futebol brasileiro é que as coisas boas acontecem de vez em quando. É preciso haver um grande esforço de todos para que as coisas boas ocorram com mais frequência. Para isso, é necessário ter mudanças, dentro e fora de campo, que deveriam começar pela CBF. Não se pode também esconder a realidade. Jogos péssimos, como o entre Flamengo e Botafogo, precisam ser ditos que são péssimos, mesmo quando são emocionantes.

No fim de semana, vi coisas boas, como a estreia de Kaká, as ótimas atuações do Cruzeiro, de Ricardo Goulart, de Everton Ribeiro, de Elias e, mais uma vez, a excelente estrutura tática do Goiás, dirigido por Ricardo Drubscky, preparada para um time muito modesto de valores individuais, que me lembra a Costa Rica na Copa.

Kaká, mais pela esquerda, e Ganso, mais pelo centro, podem formar uma boa dupla. São jogadores que sempre atuaram na mesma posição, mas completamente diferentes. Kaká é muito mais um atacante, e Ganso, um armador. O meio-campo, para Kaká, é apenas passagem, para ele receber a bola e ir em direção ao gol. Para Ganso, é a moradia. Alguns assistiram à Copa e não compreenderam nada. Querem que Ganso jogue como Kaká.

Ricardo Goulart tem as características muito parecidas com as de Kaká, e Everton Ribeiro, com as de Ganso. Evidentemente, Ricardo Goulart não tem o talento que Kaká teve na maior parte da carreira. Everton Ribeiro se movimenta muito mais que Ganso e é, hoje, mais eficiente.

De vez em quando, ou melhor, várias vezes, vi momentos espetaculares de Ronaldinho no Atlético. Um torcedor me disse que foi a todas as partidas do Galo, que se sentava nas primeiras filas, só para ver Ronaldinho, para ele, o melhor jogador que viu tão de perto. Ele falou ainda que nunca viu alguém dominar tão bem uma bola, mesmo vinda de um chutão, para, em seguida, olhando para um lado, dar um passe tão preciso para outro. Ele completou: “Nem acredito no que vi”.

 

 

PT conseguiu transformar em pano de chão suas bandeiras de luta

Antonio Fallavena

Sob alguns aspectos, me sinto recompensado. Presidente do partido, tesoureiro, ministro, deputados. Puxa, quanto “cabra grandão” na cadeia, num só momento. E a grande maioria do PT, o partido puro, sério, que mudaria tudo para melhorar. Prometiam dar exemplo de conduta, de moral e ética.

Em pouco anos, transformaram as bandeiras de lutas em mentiras e a bandeira-símbolo em pano de chão! A estrela, sem ser cadente, caiu em desgraça. E a esperança, bem, a esperança virou canção.

Dos fundadores e militância, perderam cabeças boas, pensantes: muitos que ajudaram a criá-lo pularam do barco. Olham, com vergonha, no que se transformou o “sonho sonhado por muitos”.

E o mensalão chegou, se instalou e explodiu com tudo. Denúncias, processo, julgamento, condenação e prisão. Democratas e republicanos agora estão atrás das grades. E o que isto significou? Muito, muito mesmo.

UM DIA NA CADEIA

Um dia, apenas um dia na cadeia e já seria suficiente para “marcar no osso”, na “paleta”, alguns daqueles que, durante anos, vomitaram e arrotaram ideias, soluções, juízo de valores e moral para todos os outros. Eram eles e somente eles, os donos da verdade, do mundo, de tudo!

Agora, Genoino vai para casa. Sem problemas. Mas onde está hoje Genoino? Em hotel, com amigos, amigas? Onde? Na Papuda! Estes senhores que tinham muito papo, só poderiam parar lá.

Um dia na cadeia e agora cumprindo pena em casa. os crimes cometidos foram de pequena monta, principalmente para aqueles que ainda acreditam na inocência dele e dos demais. Lulla é o maior deles: continua declarando que o “mensalão não existiu”. Por mais engraçado que possa parecer, Genoino e os demais continuam presos, presos à história.

E depois de soltos, sempre serão ex-presos. É uma marca que jamais será retirada, nem como plástica, nem com banda de música. Só por isto, vale a pena viver neste período. Aliás, em relação as condenações deles, tudo valeu a pena.

Campanha de Dilma pede inquérito criminal contra Aécio Neves por usar aeroporto

José Carlos Werneck

Em reportagem de Ricardo Galhardo e Ricardo Della Colletta, publicada pelo jornal,”O Estado de S. Paulo”, o comando da campanha da presidente Dilma Rousseff entrou sexta-feira com uma representação junto à Procuradoria Geral da República, na qual pede abertura de inquérito criminal para investigar o candidato do PSDB, Aécio Neves, por supostos “atentados à segurança aérea” pelo uso dos aeroportos de Cláudio e Montezuma, cidades do interior de Minas Gerais.

No pedido os advogados do PT querem que sejam tomados depoimentos de Aécio, seu  tio-avô, Múcio Tolentino, proprietário da fazenda onde foi construído o aeroporto de Cláudio, e o primo do senador, Fernando Tolentino, que teria os  testemunhado os pousos do  avião do candidato do PSDB,nos referidos aeroportos .

Segundo eles, ao admitir, em artigo publicado quinta-feira, no jornal Folha de S. Paulo,o  uso dos aeroportos, ambos sem homologação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Aécio teria cometido o crime de atentado à segurança aérea, previsto no artigo 261 do Código Penal, e cuja pena vai de seis meses a dois anos de detenção.

Para advogados do PT,o senador Aécio Neves colocou em risco tanto o espaço aéreo  quanto a vida dos tripulantes ao  utilizar os aeroportos. Além da abertura do inquérito e dos depoimentos de Aécio e seus parentes, e pleiteiam a identificação de todos pousos e decolagens em Cláudio e Montezuma e informações sobre o processo de homologação das pistas pela Anac.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNa política brasileira vale tudo, menos perder eleição. Mas o comando da campanha do PT parece que está perdendo o rumo no caso do aeroporto. Um país das dimensões do Brasil tem grande número de pistas de pouso não homologadas em cidades do interior e em propriedades particulares, como a Fazenda Brasil, de um dos filhos de Lula, no interior de Mato Grosso, conforme relato do comentarista Wagner Pires. Aliás, se esta fazenda realmente existe, porque os tucanos não pousam por lá? (C.N.)

Desculpe o mau jeito, pede Flora Figueiredo num poema sintético

A tradutora, cronista e poeta paulista Flora Figueiredo, no poema “Atitude”, aborda os desentendimentos e os males que ocorrem em praticamente todas as relações amorosas, e pede desculpas pelo mau jeito.

ATITUDE

Flora Figueiredo

Esse seu silêncio
soa como um grito,
abafado em panos.
Só faz denunciar os danos que causei.
Desculpe o mau jeito,
mas comporto, em minha quota de defeitos,
não levar junto os enganos que eu amei.

  (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

 

O supermilionário mexicano Carlos Slim sugere que as pessoas trabalhem só três dias por semana

Deu no Bloomberg View

Carlos Slim é um sujeito bem sucedido: dono da maior ou segunda maior fortuna do mundo, dependendo do critério adotado e do quanto ele tenha gasto no almoço. Assim sendo, vale a pena prestar atenção quando ele tem algo a dizer sobre trabalho e produtividade.

Numa conferência realizada recentemente no Paraguai, Slim, que controla a América Móvil, maior operadora de celular das Américas, defendeu uma reforma radical no regime de trabalho das 9 às 17 horas: melhor seria se as pessoas trabalhassem três dias por semana, com mais horas por dia (11), e a aposentadoria só viria mais tarde (perto dos 70). Os dias de folga adicionais proporcionariam às pessoas mais tempo para relaxar e inventar coisas, disse Slim.

No outro lado do mundo, o governo municipal de Seul, na Coreia do Sul, estava cantando o mesmo refrão – na verdade, o refrão de uma canção de ninar: logo os funcionários terão permissão para tirar sonecas à tarde, embora o experimento das sonecas seja limitado aos meses de verão. Talvez os funcionários do governo municipal tenham percebido algo que a ciência do sono já diz há algum tempo: as sonecas ajudam a melhorar o desempenho cognitivo, especialmente se a soneca ficar na casa dos 10 a 25 minutos.

MAIS SONECAS

O ethos do ‘mais sonecas, menos trabalho’ não é novidade. Mas seus principais defensores costumavam estar na parte mais sensível do espectro do trabalho, lugares como a Suécia ou empresas como o Google. Agora a ideia recebe o apoio de um bilionário de peso e dos administradores da maior cidade de um país conhecido pelas jornadas de trabalho exaustivas, noites de trabalho movidas a soju (bebida destilada) e insônia crônica.

Ainda assim, não será fácil para que tais ideias peguem, obviamente. A semana de trabalho, submetida a uma pressão possibilitada pela tecnologia pessoal e incentivada pela ansiedade com o emprego, vai no sentido contrário: ampliá-la, e não reduzi-la.

O aspecto genial das ideias de Slim e dos governantes de Seul está em aceitar a maleabilidade da semana de trabalho do século 21, mas indagar por que a mudança só se dá numa direção. O fato de o ambiente de trabalho estar sempre ligado e à disposição não significa que a semana de trabalho deva ser ininterrupta. Afinal, a semana de trabalho de cinco dias foi criada numa época em que tínhamos artigos secos, motores a vapor e lampiões. O ambiente de trabalho se tornou mais eficiente desde então. A semana de trabalho deve seguir o mesmo rumo, não?

Alguns burocratas sonolentos de Seul e um importante bilionário da Cidade do México dizem que a resposta é sim. (Assim como o conselho editorial de uma organização conhecida por sua ética de trabalho de primeira a chegar, última a sair, e também pelo ambiente de escritório aberto, que facilita o convívio, mas dificulta as sonecas.) A questão é como colocar a ideia em prática. É bem possível que as pessoas tenham necessidades específicas em relação às sonecas, ou talvez precisemos de um ano inteiro de dias de trabalho de 18 horas para descobrir a resposta ou, ao menos, fazer as pessoas despertaram para este problema. (Tradução de Augusto Calil)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo todo supermilionário, Slim se julga especial e gosta de tirar uma onda. Sua declaração é patética e deveria ser ridicularizada. Sua sugestão não está baseada em nenhum estudo, apenas na necessidade de chocar a plateia. Por que ele então não adota essa novidade em suas próprias empresas, que impõem exaustivos regimes de trabalho a seus empregados? Slim é um farsante, explorador do trabalho alheio. Deveria ficar em casa, contando dinheiro. (C.N.)

Declarações do desembargador que soltou ativistas serão analisadas pelo Conselho Nacional de Justiça

Adriana Cruz e Flavio Araújo
Jornal O Dia

As declarações do desembargador Siro Darlan sobre a ação do Ministério Público na questão dos ativistas presos vão parar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em entrevista ao site BBC Brasil, o magistrado tratou o órgão como um serviço de “inutilidade”. Ontem, por unanimidade e a pedido do conselheiro Walter de Agra Júnior, o Conselho Nacional do Ministério Público decidiu enviar o caso ao CNJ.

O presidente do Conselho, o procurador-geral da República Rodrigo Janot, repudiou a entrevista, classificando-o como uma “agressão gratuita”. “O Ministério Público é uma instituição séria, que tem se dedicado a uma atuação eficaz, objetiva e de resultados reconhecidos”. As declarações de Darlan também incomodaram membros da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que emitiu na última terça-feira nota oficial expressando repúdio pelo que taxaram de “pesadas críticas” direcionadas ao Ministério Público.

No documento, a entidade descreve parte da entrevista concedida por Darlan à BBC Brasil, destacando que Darlan chega a afirmar que o Ministério Público “é muito eficiente quando lhe interessa”, “…porque somente é eficiente na prisão de pessoas negras e pobres”, “além de imputar ao MP omissão e responsabilidade pela superpopulação carcerária e pela política de combate ao tráfico de drogas”.

A associação argumenta que além de “promover a defesa da sociedade no combate à criminalidade, luta contra a superpopulação carcerária”, seja nas constantes inspeções e controles que realiza, seja através das inúmeras ações civis públicas. Em nota oficial, o Ministério Público disse que “rotular o Ministério Público de ‘inutilidade’ é ignorar seu importante papel na tutela dos interesses coletivos”. Procurado ontem, Darlan não atendeu às ligações.

Cerca de 500 manifestantes fizeram uma passeata ontem à noite no Centro, contra a prisão de ativistas. Não houve confrontos com a polícia. Em cartazes, eles ironizavam o deputado federal Rodrigo Bethlem, acusado de corrupção, e perguntavam pelas vigas da Perimetral, que desapareceram.

SEM FUNDAMENTO?

Fundamentado em uma reportagem jornalística, recurso apresentado terça-feira pelo Ministério Público do Rio para manter prisão cautelar de 24 ativistas acusados de participação em protestos violentos é considerado ‘frágil’ por jurista ouvido pelo jornal Dia.

O documento inclui trechos de matéria publicada pelo ‘Globo’ na última quinta-feira em que são descritas supostas estratégias de ação da Frente Independente Popular (FIP) que teriam sido discutidas em reunião na Uerj, na véspera da publicação. O procurador Riscalla J. Abdenur destacou que elas trariam “indiscutível risco à ordem pública e à segurança de autoridades”.

Para o jurista Luiz Flávio Gomes, porém, a justificativa usada pelo MP para manter a prisão é frágil justamente por se basear em reportagem, que, diz, pode não ser “verdadeira”. Além disso, segundo ele, “ninguém pode ser preso por ter intenção de cometer crimes. E as pessoas acusadas não estão vinculadas a essas intenções por estarem detidas na ocasião”.

Academia dos poetas mortos

Sylo Costa

Nesta última quinzena de julho, o Brasil e a Academia Brasileira de Letras perderam três de seus maiores vultos. Uma pena… Eu nunca tinha prestado atenção na fragilidade humana dos imortais da ABL, igual à nossa, pessoas comuns. Talvez eu estivesse querendo me convencer dessa imortalidade e só agora tenha ficado ciente de que a imortalidade é da obra literária de cada um deles, e não da pessoa. Como diz uma amiga, “no fundo, no fundo, a gente sabe disso, só que não presta atenção”. E é mesmo. Pensando bem, onde será esse fundo, que nossa teimosia torna tão profundo? Pensar pensando é bom e fácil, e eu gosto…

JOÃO UBALDO

João Ubaldo, sem aviso prévio, morreu de doença que grassa no Nordeste, uma tal de “de repente”, que ataca por motivo secreto e de surpresa. “De repente” é um mal perverso e, ao mesmo tempo, confortador, pois a passagem se dá sem sofrimento. A morte morrida em tempo prolongado é sofrença, é ruim, porque dói mais nas pessoas do seu bem-querer… Vou morrer um dia qualquer, sem saber que a morte chegou. Eu lia João sempre aos domingos. Certamente, vou ficar pensando nele, por enquanto, sem precisar dormir na praça. Quando se dorme na praça, quase sempre é pensando nela…

RUBEM ALVES

O mineiro Rubem Alves, que era uma pessoa tão discreta quanto amável, tinha aquela fisionomia que podia fazer qualquer um pensar: “Parece que conheço aquele senhor…”. Na expressão dos mais novos, da geração celular: “Conheço aquele cara…”. Rubem será lembrado não só por sua obra como educador, filósofo, psicanalista e teólogo, mas, principalmente, por sua enorme generosidade, virtude própria dos que sabem tudo da vida.

ARIANO SUASSUNA

Finalmente, mas não por último, já que ficaram vivos muitos imortais que ainda não sabem que já morreram, assinalo a partida do querido Ariano Suassuna, paraibano de nascimento e pernambucano de vivência e preferência. O povo nordestino vai sentir muita falta de suas aulas-espetáculo, forma que ele usava para divulgar cultura.

De suas obras, guardarei sempre a lembrança de Chicó, um dos personagens do “Auto da Compadecida”, história que me tocou fundo, obra-prima da cultura das terras áridas do Nordeste. Não sei por que, mas sempre achei o Nordeste do Brasil a síntese do nosso povo e do país.

Talvez porque meu querido pai fosse um cearense da gota serena… Há mais de 20 anos, sei que saudade não mata a gente. E desse naipe foram também, para a Academia do Céu, Castro Alves e o Quintana, que, em vida, assumiu ser passarinho. Fica Manoel de Barros, o pantaneiro, que pensa e escreve pelo reverso do avesso e poeta com musgo incolor do nada…

BRIGA

E, para terminar, falando de flores, é incrível que o Brasil se meta em briga de judeus e palestinos, assunto que nem Cristo resolveu. Era só o que faltava. Com razão, a resposta de Israel foi à altura da intromissão indébita: “O Brasil é um país anão”. Israel está quase certo, pois não é o país que é anão, mas a porcaria do governo petista. Falei… (transcrito de O Tempo)

 

A expectativa antidilmista

João Gualberto Jr.

As rodadas mais recentes dos dois principais institutos de pesquisa trouxeram uma possibilidade interessante de leitura. A consulta para a eleição presidencial mostrou que a distância entre a presidente Dilma e Aécio, o segundo colocado, continua significativa, na casa dos 20 pontos. Em terceiro vem Eduardo Campos, com aproximadamente 10% das intenções.

A curiosidade está nas simulações de segundo turno. Apesar da margem de folga da candidata à reeleição nas consultas relativas ao primeiro turno, nos confrontos diretos, Aécio ou mesmo Campos sobem muito mais do que a adversária: ela não chega a 50% enquanto qualquer um dos dois se aproxima dos 40%.

Os números do Ibope e do Datafolha demonstrariam, assim, um forte fator anti-Dilma. As intenções de voto dadas aos demais concorrentes, diluídas no primeiro turno, parecem tender a concentrar-se no rival da petista nas hipóteses de segundo turno. É mais ou menos assim: “Voto em quem disputar com Dilma”.

Essa leitura das pesquisas retrata um clima cada vez mais presente de que o governo vai mal. Estão vencendo os discursos de que a inflação está fora de controle (embora isso não seja verdade), que o país não cresce quanto deveria (o que é verdade) e que os serviços de saúde e educação são uma lástima (ainda que quem critica contrate ambos da rede privada). E essa faixa de sintonia de humor, que anda contagiosa, já favorece os adversários de Dilma.

Mesmo assim, ela ainda é favorita. Tenhamos uma certeza, contudo: se uma nova vitória da presidente se confirmar, seu segundo mandato será entre espinhos e pedregulhos. O símbolo máximo dessa profecia é a carta do Santander endereçada a seus clientes mais abonados: o cenário de sucesso eleitoral da petista faz mal à economia.

PODER ECONÔMICO

É notável o poder econômico das expectativas autorrealizáveis, e a história é farta de exemplos. Assim como o banco espanhol, entendem os entendidos que a equipe econômica de Dilma é incapaz de aproveitar as oportunidades de crescimento, que o governo dela gasta muito e mal e não controla (pior, alimenta) a inflação. Com isso, um novo mandato manteria o país numa iminência de estagnação com inflação (a famosa estagflação). Antevendo as agruras de um novo mandato, o agente econômico não investe, não contrata, não se endivida: a economia não cresce com boa parcela de culpa da autorrealização de expectativas.

Segundos mandatos já tendem a ser piores do que os primeiros porque a saída do poder dentro de quatro anos tem um viés de desestímulo e porque o poder de novidade que propicia mudanças num primeiro governo não se repete. Imaginemos qual seria, então, a relação de Dilma com o Congresso num segundo governo. Todos os partidos aliados, inclusive o PMDB, venderam caro a fiança para uma nova adesão agora e saíram rachados.

“Todo esse pacote de desesperança já não seria motivo para votar em outro?”, provocam os antidilmistas. Se quiser dobrar o mau humor endêmico e a força das expectativas autorrealizáveis, o trabalho dela e do PT deve começar já e tem o desafio de ir além da propaganda eleitoral. (transcrito de O Tempo)

 

Desproporcional é o PT ameaçar retaliação usando a caneta

Julia Duailibi
Estadão

A presidente Dilma Rousseff e o PT erram quando ameaçam retaliar o Santander sugerindo o uso de mecanismos de Estado para isso. Na semana passada, o banco soltou um informe aos seus clientes com renda acima de R$ 10 mil dizendo haver risco de deterioração do cenário econômico em caso de vitória da presidente Dilma Rousseff.

Até então, a reação histérica sobre o tema parecia estar no ringue das opiniões. O ex-presidente Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, e a oposição, cada um falou o que achava do caso. E é assim que as coisas funcionam na normalidade democrática. O banco emitiu sua opinião – você pode ou não concordar com ela. O PT reagiu a essa opinião e emitiu a sua – e você pode ou não concordar com ela.

O problema não é o bate-boca, mas o uso da máquina pública para retaliar ou ameaçar adversários ou instituições. As ameaças veladas ao Santander feitas por Dilma e por outros petistas levam a crer que algo pode estar acontecendo nos bastidores, longe dos microfones e da verborragia eleitoreira.  “Eu vou ter uma atitude bastante clara em relação ao banco”, afirmou ontem a presidente, de maneira misteriosa.

EXAGERO

O prefeito de Osasco, Jorge Lapas (PT), segundo a Folha de S. Paulo, chegou a declarar que vai romper convênio com o banco para recolhimento de taxas e tributos municipais. Se havia um convênio com o Santander, deveria existir interesse da população nele. Agora que o banco virou inimigo do PT, a prestação de serviço do Santander para a população de Osasco não serve mais?

O Santander pode até ter errado na maneira como expôs o que vários analistas já falam em alto e bom som. A opinião institucional de um banco tem um peso diferente do que a declaração avulsa de um analista. Tanto que os demais bancos têm opiniões similares, mas a expressam de modo mais cauteloso porque sabem que cenário eleitoral e expectativa econômica são duas variáveis que demandam responsabilidade e ponderação.

Mas o governo ameaçar usar a máquina porque não gostou da opinião não só é ilegal como é perigoso. Ao contrário do que disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, desproporcional não é perder de 7 a 1. É usar a mão pesada do Estado por não aceitar o contraditório.

O problema da economia é que já está esgotada a capacidade de as famílias se endividarem

Wagner Pires

A medida tomada pelo Banco Central de liberar R$ 30 bilhões para o mercado de crédito, por meio do afrouxamento do instituto do desconto compulsório do Banco Central, pode não dar o resultado que se espera.

O desconto compulsório é o recolhimento obrigatório a que todos os bancos comerciais são obrigados a fazer nos depósitos à vista e nas poupanças que seus clientes depositam. Assim, se um hipotético Sr. Joaquim deposita em poupança R$ 1.000,00 no  HSBC, por exemplo, tal banco é obrigado a recolher 44% desse valor em uma conta única ao Banco Central, de tal modo que esse montante não sirva para o HSBC como recursos de empréstimo.

Sendo assim, sobram apenas os R$ 660,0 restantes para o banco comercial trabalhar oferecendo empréstimos a outros clientes tomadores.

Isso faz com que o volume de dinheiro disponível para empréstimo caia, reduzindo o padrão de consumo da população. E esta é a ideia do desconto compulsório instituído pelo Banco Central.

AFROUXAMENTO,

Agora, com a medida de afrouxamento o Banco Central libera R$30,0 bilhões para os bancos comerciais emprestarem aos tomadores de empréstimos.

Acontece que, como disse o economista-chefe da Corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, ao manter a taxa Selic em 11%, o BC abre um ponto de inflexão entre as duas medidas, pois, se liberou mais recurSos para se emprestados de um lado, continua a restringir o crédito ao inibir a tomada de empréstimos, porque a taxa de juros Selic continua alta, o que faz manter também altos os juros de empréstimos praticadas pelos bancos.

É como se uma medida anulasse a outra. Portanto, a decisão do BC é muito mais emocional do que racional.

E mais, o economista Fernando Motero não acrescentou o que já postulamos, porque não só o crédito está muito caro e, portanto, proibitivo, como as famílias estão com seus orçamentos apertados pelo endividamento já feito. Endividamento que compromete 46% de seus orçamentos familiares anuais.

CARGA TRIBUTÁRIA

Acrescente-se a decomposição do orçamento das famílias brasileiras pelo comprometimento também com o pagamento da carga tributária, que, como calcula o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) chega a 41% do orçamento.

Logo, se somarmos os dois compromissos teremos, por espanto, 87% (!) do orçamento das famílias já comprometidos com as dívidas e com o pagamento de tributos.

Sobram apenas 13% (!) para as famílias manobrarem os custos com a manutenção da casa e despesas básicas de existência como alimentação, vestuário, saúde, educação e transporte.

Veja que, sobre esses 13%, há, também, o efeito corrosivo da inflação!

Isso explica o porquê de no primeiro trimestre do ano corrente o IBGE ter apontado para um recuo do consumo e agora os índices do IBC-BR do BC terem apontando para uma recessão da nossa economia.

O poder de consumo da sociedade brasileira esgotou-se. E se não há consumo (demanda), não adianta criar oferta, e a economia entra em recessão. Simples assim.

Joaquim Barbosa planejou milimetricamente sua aposentadoria

José Carlos Werneck

Segundo informa o jornalista Claudio Humberto, no site”Diário do Poder”, com a publicação do decreto de sua aposentadoria, ontem, no Diário Oficial da União, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa deu o troco nos ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia. A saída um dia antes da reabertura dos trabalhos livrou Barbosa de ter de participar e, principalmente, votar na sessão que escolherá, hoje, seus dois desafetos para dirigir a mais alta Corte de Justiça do País.

O ministro Lewandowski deverá, nesta sexta-feira, assumir interinamente a presidência do Supremo e do Conselho Nacional de Justiça, tendo como vice no STF a ministra Cármen Lúcia .

Joaquim Barbosa não suporta Lewandowski, revisor do processo do mensalão, com quem trocou insultos pesados durante o julgamento.

Já Cármen Lúcia foi para a lista de desafetos após ser flagrada, em 2007, comentando que Joaquim daria “salto social” como relator do mensalão.

A decisão de Barbosa de se aposentar, para não ficar “um só dia” sob comando de Lewandowski, tinha sido revelada, anteriormente, por Claudio Humberto.

Lei cria regras para convênios com ONGs, que deveriam ser proibidas de usar recursos públicos

Yara Aquino e Pedro Peduzzi
 Agência Brasil 

O projeto de lei que cria um novo marco regulatório para as organizações não governamentais (ONGs) foi sancionado hoje (31) pela presidenta Dilma Rousseff. A lei estabelece normas para as parcerias voluntárias da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios com as organizações e estabelece regras para evitar o favorecimento de grupos específicos e a escolha de entidades sem preparo técnico ou estrutura para o cumprimento dos projetos.

Pela proposta, as ONGs terão que participar de processo seletivo (chamada pública) inscrevendo seus projetos para serem selecionados, pondo fim a uma das principais polêmicas referentes às parcerias, a forma de seleção. Terão ainda que cumprir uma série de requisitos para fazer parcerias com os governos. Entre as exigências para firmar os contratos estão: existir há, no mínimo, três anos; ter experiência prévia na realização do objeto do convênio; e ter capacidade técnica e operacional para desenvolver as atividades propostas.

A presidenta Dilma Rousseff disse que a democracia se fortalece quando se abre para a participação social e destacou que a criação de regras claras vai permitir o reconhecimento por parte do Estado da relevância e importância dessas instituições. “A legislação cria um ambiente muito mais adequado para a atuação das organizações da sociedade civil e reconhece nelas parceiras fundamentais do Estado na implementação de políticas em favor dos nossos cidadãos”.

FICHA LIMPA

O novo texto traz também a exigência da ficha limpa tanto para as organizações quanto para os seus dirigentes. Passa a ser lei nacional a determinação de que as organizações e os dirigentes que tenham praticados crimes e outros atos de violação aos princípios e diretrizes ficam impedidos de celebrar novas parcerias. A medida vinha sendo aplicada nas parcerias firmadas pelo Poder Executivo Federal desde 2011.

Além disso, a norma prevê regras mais rígidas no planejamento prévio dos órgãos públicos, no monitoramento e na avaliação, e um sistema de prestação de contas diferenciado por volume de recursos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGTudo isso é muito bonito e comovente, até parece que vai funcionar… A realidade, porém é bem outra, como ficou demonstrado no caso do deputado Rodrigo Bethlem e a ONG espírita (deve ser espírito de porco). E como ficou demonstrado também no caso das ONGs do Ministério do Esporte, num verdadeiro festival do PCdoB. Nada disso interessa. As ONGs deveriam ser proibidas de receber recursos públicos, apenas isso. Seu nome já diz que são não-governamentais. Mas só vivem penduradas nas tetas da viúva. (C.N.)

Cantando na estrada, como Paulinho Pedra Azul

O cantor, compositor e poeta mineiro Paulo Hugo Morais Sobrinho nasceu na cidade de Pedra Azul, a qual adotou como nome artístico. É tido como um dos cantores mais conhecido de Minas Gerais. Sua música registra influências que vão desde os Beatles e o samba até o mineiro Clube da Esquina. Suas criações, como “Ave Cantadeira”, mostram suas origens rurais. Esta música foi gravada no CD Paulinho Pedra Azul 10 anos, em 1992, produção independente.

AVE CANTADEIRA
Paulinho Pedra Azul

E lá vou eu nessa estrada
desafiando o coração
cantando em prosa ou canção
feito uma ave cantadeira
cantar, cantar, cantar
viver, viver, viver
criar penas de pássaro no ar
voar, voar, voar
sofrer, sofrer, sofrer
amar, amar, amar você
E lá vou eu nessa agonia
levando a dor em minhas mãos
fugindo igual a um bicho errante
amargurado coração
cantar, cantar, cantar
sofrer, sofrer, sofrer
voar, voar, sobreviver

     (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Aleluia! Israel e Hamas aceitam cessar-fogo de 72 horas

Da Agência Lusa

O governo de Israel e o movimento islâmico Hamas concordaram com um cessar-fogo de 72 horas na Faixa de Gaza, palco de uma ofensiva militar israelense desde o dia 8 deste mês. O anúncio da trégua foi feito pelo chefe da Diplomacia dos Estados Unidos, o secretário de Estado John Kerry.

O secretario anunciou que os dois lados cessarão as hostilidades às 8h (2h, horário de Brasília) desta sexta-feira (1°) e iniciar as negociações no Cairo. Logo após o anúncio feito por Kerry, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, confirmou que o movimento aceitou a trégua.

“O Hamas e todos os movimentos da resistência aceitaram um cessar-fogo humanitário de 72 horas, que será respeitado por todos se a outra parte [Israel] também observar a trégua”, afirmou Barhoum.

Kerry informou que Israel irá prosseguir, durante a trégua de 72 horas, com as operações “defensivas” contra os túneis escavados pelo Hamas. De acordo com o secretário norte-americano, Israel vai continuar com as operações “atrás das linhas” definidas durante o conflito.

Segundo Kerry, durante a trégua de 72 horas, “os civis de Gaza irão receber a ajuda humanitária de que tanto precisam e terão oportunidade de exercer atividades urgentes, como enterrar seus mortos, cuidar dos feridos e reabastecer os bens alimentares”. A trégua também servirá para fazer o reparo da infraestrutura de fornecimento de água e energia.