Roberto Jefferson será preso esta segunda-feira

Paulo Virgilio
Agência Brasil 

O mandado de prisão do ex-deputado Roberto Jefferson só será expedido esta segunda-feira e ele será preso imediatamente, porque desde o fim da noite de sexta-feira agentes da Polícia Federal se revezam na porta da casa do ex-parlamentar e atual presidente do PTB, na cidade de Levy Gasparian, na região centro-sul fluminense.

Roberto Jefferson foi condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, a sete anos e 14 dias de prisão em regime semiaberto. A ordem de prisão foi dada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro  Joaquim Barbosa, que rejeitou o pedido dos advogados de Jefferson, feito no no final do ano passado, para que ele cumprisse a pena em prisão domiciliar, por causa de problemas de saúde. Submetido em 2012 a uma cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas, Jefferson precisa, segundo a defesa, de alimentação especial e de tomar regularmente 20 medicamentos.

No entanto, após perícia determinada pelo ministro Joaquim Barbosa, os médicos do Instituto Nacional do Câncer (Inca) concluíram o estado de saúde do ex-deputado não exige necessidade de cumprimento da pena em casa ou num hospital.

Quando a prisão ocorrer, Jefferson deverá seguir em carro da PF para a superintendência do órgão, na zona portuária do Rio.

Presidente interino da Ucrânia se adianta e pede respeito a “escolha europeia” do país, mas isso somente será decidido após as eleições

Da Agência Brasil

O presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchynov, pediu hoje (23) à Rússia para que respeite “a escolha europeia” do país, em uma mensagem à nação transmitida pela televisão. “Estamos prontos para um diálogo com a Rússia, desenvolvendo as nossas relações em pé de igualdade, e que respeitem a escolha europeia da Ucrânia. Espero que esta orientação seja confirmada nas [eleições] presidenciais”, disse. As eleições estão marcadas para o dia 25 de maio. Ele destacou que a integração europeia é uma prioridade para o país.

Oleksander Turchynov disse também que a Ucrânia está à beira do “precipício” e  que o presidente deposto Viktor Ianukóvitch e o primeiro-ministro, Mykola Azarov, “arruinaram o país”. Ianukóvitch vivia no luxo. Milhares de pessoas estão desde ontem (22) visitando a grande propriedade do ex-presidente, a 15 quilômetros da capital, Kiev. A propriedade tem um campo de golfe, coleções de automóveis e até um jardim zoológico privado. O local está protegido pela oposição, para impedir a destruição e os saques.

O dia de hoje foi também marcado por um encontro entre o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, para discutir a questão da Ucrânia. O presidente francês parabenizou “a transição democrática” promovida pelo país, afirmando que “a unidade e a integridade territorial do país devem ser respeitadas”.

“No interesse da Ucrânia, o presidente da República deseja a constituição de um governo de largo consenso para que organizem rapidamente eleições e um programa de reformas”, diz o comunicado da presidência francesa.

Amanhã (24), a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, visitará Kiev para discutir medidas a serem tomadas para acabar com a crise política e estabilizar a economia daquele país. Catherine deverá se reunir com os principais líderes e discutir o apoio da União Europeia a uma solução duradoura para a crise política, bem como medidas para estabilizar a situação econômica, como informa um comunicado da porta-voz da chefe da diplomacia.

Oleksander Turchynov foi hoje eleito presidente interino da Ucrânia, depois da destituição de Viktor Ianukóvitch. Ele foi destituído no sábado pelo Parlamento ucraniano, na sequência de uma crise que começou há três meses, quando foram suspensos acordos com a União Europeia. Os confrontos da semana passada resultaram em mais de 100 mortes.

Verdades que não podem ser definitivas

Paulo Roberto de Almeida
O Estado de S. Paulo

Algumas “teses” passam por verdades. Como não estou de acordo com algumas delas, permito-me fazer correções a essas “verdades inquestionáveis”.

1) Este é o pior Congresso de todos tempos. Não, não é: este é apenas um Congresso “normal”, que reflete as realidades políticas brasileiras, e os “tempos” ainda não acabaram. Teremos Congressos ainda piores do que este, pela simples razão de que o Brasil se encontra em plena construção de sua “democracia de massas”. Inevitável, assim, que as antigas representações elitistas sejam podadas em favor de novos representantes das classes populares e de setores organizados: sindicatos, igrejas, movimentos sociais, grupos de interesse setorial, etc. O sistema político é uma importante modalidade de ascensão social, atraindo arrivistas e oportunistas que têm no Congresso um excelente vetor de “negócios” de todo gênero.

2) A carga tributária brasileira já bateu no teto, impossível subir mais. Outro ledo engano. Não há limite teórico para a carga tributária, embora possa haver limites práticos, dada a conhecida relação entre taxação e receitas. Quem disse que a carga tributária não pode aumentar mais não conhece a sanha arrecadatória da nossa máquina fiscal, uma das mais eficientes do mundo. As despesas contratadas pelo Estado têm de ser financiadas de alguma forma e o governo vem criando novas fontes de gastos por meio dos programas sociais. Ou seja, continuaremos pagando cada vez mais para o Estado cobrir essas “obrigações”, que, diga-se de passagem, são demandadas pela própria sociedade. O povo brasileiro adora o Estado, implora que o Estado venha em seu socorro com programinhas sociais ou com alguma nova prestação especial.

3) A corrupção atingiu limites nunca vistos, não é mais possível continuar assim. Difícil saber, pois não dispomos de um “corruptômetro” para medir avanços e recuos da corrupção. Quantos “por cento” do produto interno bruto (PIB) são intermediados de maneira heterodoxa? Difícil saber, não é mesmo? Não temos base de comparação, histórica ou atual. O certo é que a corrupção tende a aumentar quando fluxos de receitas e de pagamentos transitam pelos canais oficiais, uma vez que transações puramente privadas são vigiadas pelas partes, cada uma cuidando do seu rico dinheirinho. O dinheiro da “viúva” é um pouco de todo mundo: existem milhares de programas “essenciais” para o bem-estar público, objeto de planejamento, discussão congressual, alocação, empenho, licitação, leilão, concorrência, doação, etc. É evidente que num sistema assim alguns dos muitos intermediadores encontrarão alguma maneira de desviar o dinheiro “público” para seu próprio usufruto. Quanto maior proporção do PIB brasileiro passar pelos canais públicos, maiores serão as oportunidades de corrupção. A corrupção só diminuirá quando menores volumes de recursos passarem pelos canais oficiais. Elementar, não é mesmo?

4) A qualidade da educação já atingiu patamares mínimos, tem de melhorar. Os otimistas incuráveis acham que a escola pública já piorou o que tinha de piorar e que daqui para a frente o movimento será no sentido de sua melhoria. Eu acho que ainda não atingimos o fundo do poço, independentemente do volume de recursos que se jogue no sistema atual. Existe uma incultura generalizada na sociedade, detectável nos canais públicos de televisão e nas universidades de modo geral, sem mencionar as “saúvas freireanas” do Ministério da Educação (MEC). Resultado paralelo de nossa “democracia de massas” e de um descaso generalizado com a escola pública, mais e mais pessoas ignorantes ascendem a posições de mando, com o que continuam contribuindo para a deterioração ainda maior do ensino, público ou privado. Uma ignorância enciclopédica atinge os mais variados campos do saber humano; como não existe muita autocrítica, ela continua impunemente produzindo efeitos deletérios sobre o nosso sistema de ensino. Acreditem, não há nenhum risco de melhoria da educação brasileira no futuro previsível.

5) O Brasil está condenado a ser grande e importante, é o país do futuro. Essas tiradas patrioteiras nunca me comoveram, pela simples razão de que tamanho não é documento. A China sempre foi enorme, gigantesca, e decaiu continuamente durante três ou mais séculos, antes de começar a reerguer-se, penosamente, nas duas últimas décadas do século 20. Ela está longe, ainda, de ser um exemplo de prosperidade para o seu povo, mesmo que possa já ser uma potência militar e venha a ser, brevemente, uma potência tecnológica, também. A Rússia sempre foi um gigante de pés de barro, seja no antigo regime czarista, seja durante os anos de socialismo senil, até se esboroar na decadência política e no capitalismo mafioso, do qual o país ainda não se recuperou.

GRANDE E POBRE

O Brasil sempre foi grande, e pobre, não absolutamente, mas educacionalmente paupérrimo, miserabilíssimo no plano cultural. Somos hoje um país totalmente industrializado – repito, totalmente – e uma potência no agronegócio, mas não deixamos de ser pobres, educacionalmente falando. Ainda estamos no século 18 em matéria de ensino, quando não de cultura. Bem sei que dispomos, atualmente, de um sistema de produção científica que se situa entre os 20 melhores do mundo, mas isso “atinge”, se tanto, uma mínima parcela da população, uma superestrutura extremamente fina em termos sociais. O que vale, em última instância, não é poder econômico absoluto, mas o poder relativo e, sobretudo, bem-estar e prosperidade para a população, qualidade de vida, e nisso estamos muito aquém do desejável. O Brasil continuará sendo um gigante de pés de barro enquanto não resolver problemas básicos no interior de suas fronteiras. Para mim, ele continua pequeno…

(Artigo enviado por Mário Assis)

Sangramentos diferentes no PT e no PSDB

Carla Kreefft

As respostas que PT e PSDB deram para os casos de desvios de recursos públicos são completamente diferentes. O que ainda não se sabe é qual delas será mais positiva do ponto de vista eleitoral.

No mensalão petista, a primeira reação dos envolvidos, filiados e militantes foi negar a existência do crime. E, logo em seguida, surgiram declarações de apoio aos alvos da ação criminal. Esse comportamento um tanto quanto protetor se estende até hoje. Um bom exemplo dessa “solidariedade” são as doações obtidas pelos condenados para pagar as multas impostas nas sentenças do Supremo Tribunal Federal.

O mensalão petista parece ter atingido o partido por inteiro, que, por sua vez, adotou um discurso bem-ensaiado em resposta ao escândalo. Todos diziam – e ainda dizem – que não houve mesadas para parlamentares e que o que aconteceu foi apenas o uso de recursos em campanhas sem contabilização prestação de contas à Justiça Eleitoral.

CAIXA 2???

Os petistas também insistiram – e ainda insistem – que esse tal caixa 2 de campanha é um artifício usado por vários outros partidos e, no máximo, configuraria crime eleitoral, que é considerado menos grave e implica penas muito mais leves. Há ainda um discurso sobre o sentimento, verdadeiro ou forjado, de injustiça.

Eles consideram que o partido, mesmo estando no poder, continua sendo vítima das elites brasileiras que, segundo eles, estão presentes em todas as instituições e não se conformam com a ascensão social, econômica e política da classe trabalhadora. Em outras palavras, o PT decidiu mesmo usar a polarização como estratégia e criou o time dele e o dos inimigos. O jogo terminará na eleição de outubro.

Já o PSDB, que nunca usou de forma extrema o mensalão petista como arma eleitoral, decidiu se afastar dos focos do escândalo. A recente denúncia do ex-deputado Eduardo Azeredo pela Procuradoria Geral da República é um exemplo dessa escolha tucana. Antes mesmo de a denúncia acontecer, lideranças do PSDB falavam que quem errou tem que pagar pelo erro e ainda ressaltavam que confiam no Supremo Tribunal Federal.

BEM-ENSAIADO

Embora o discurso oficial não seja esse, os tucanos resolveram proteger o partido e afastá-lo de qualquer possibilidade de desgaste. O discurso das lideranças tucanas, que também parece estar bem-ensaiado, vai no caminho do “ninguém sabe o que pode acontecer” e, por isso, é melhor ficar longe de quaisquer possibilidades de respingo na candidatura do PSDB à Presidência da República, carregada pelo senador Aécio Neves.

Para o PT, foi melhor sangrar a si próprio, como um todo, do que sangrar seus integrantes. Para o PSDB, tem sido melhor sangrar os seus integrantes do que penalizar a si mesmo. Resta saber quem terá melhor resultado. (transcrito de O Tempo)

É preciso considerar que Roberto Jefferson se redimiu de parte de seus erros

Antonio Fallavena

Não desconsiderando tratar-se também de um “lesa-pátria”, um dia a nação e a história darão algum reconhecimento positivo ao Sr. Roberto Jefferson.

Para os brasileiros de bom caráter, o ex-presidente do PTB, por vingança ou qualquer outra razão, redimiu-se de parte de seus erros no momento em que detonou as bombas que expuseram as verdadeiras faces de tantos canalhas.

A Justiça pisou feio na bola! A outra Justiça – a de verdade, saberá decidir sobre os destinos de todos eles. Chegará o dia em que muitos dos políticos sentarão no banco dos réus e serão julgados de forma plena. Não sei se assistiremos a isso – estou com 64 anos, mas ainda tenho esperança. Até lá, uns poucos serão pegos para enganar a massa e proteger os demais.

TODOS SENDO JULGADOS

É preciso um julgamento que atinja aqueles que estiveram no poder nos últimos  30 anos.  Mas todos. Nenhum partido tem moral ou condições de julgar o outro – ficaram tão iguais que estão todos juntos! E os da oposição, nem oposição sabem/podem fazer.

Maquiavel não é o líder da maioria de nossos políticos. Se lessem o Mestre da Política, certamente não entenderiam nada! Restou-lhes a esperteza, a malícia e a malandragem.

Acredito que os petistas condenariam Azeredo e absolveriam Lula. Os cidadãos de verdade condenariam ambos.

Procedem as críticas do ex-ministro da Agricultura e o governo precisa tomar providências

Flávio José Bortolotto

O Sr. Wagner Pires, comentando o excelente artigo do competentíssimo ex-ministro da Agricultura do presidente Lula, Dr. Roberto Rodrigues, aponta o problema da má infraestrutura de escoamento da produção. Chama atenção também para o fato de estarmos bem em atrair capital para o Brasil, mas estamos mal em nossa estratégica Industrialização, que é o setor da Economia que mais dá padrão de vida ao Povo. O maior gerador de verdadeira classe média é a industrialização autônoma nacional.

Mas me parece que a maior crítica do ex-ministro Roberto Rodrigues é sobre a perda de aproveitamento do bagaço de cana e outras biomassas da agricultura, para gerar vapor e energia elétrica, das quais estamos tão carentes no momento, até com ameaças de apagões.

O brilhante ex-ministro se queixa que o governo, que fixa o estratégico preço mínimo da futura energia elétrica gerada, que depois é vendida no mercado aberto, mantém o valor  muito baixo ou mesmo não promove leilões para o setor de geração de energia elétrica via biomassa, no caso bagaço de cana.

Estima o bem informado ex-ministro que só o Estado de São Paulo tem um potencial gerador de uma grande usina como a de Monte Belo, cerca de 7.000 Mega-Watts. Procede a crítica, porque é altamente rentável aproveitar essa biomassa, e toda a cadeia produtiva de caldeiras, trocadores de calor, condensadores, turbinas a vapor, tubulações etc, etc. Ainda está em tempo do governo resolver esse problema de relativa fácil solução, eis que não precisa importar nada.

Ministro da Justiça tem acesso de bom senso e agora quer proibir mascarados nas passeatas

Deu no Estadão

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, entregou sexta-feira à Casa Civil cópia do projeto de lei do governo para conter a violência nas manifestações. A proposta proíbe o uso de máscaras durante os protestos e aumenta as punições em caso de dano ao patrimônio público, lesão corporal e homicídio. Na primeira vez que, interpelado pela polícia, o manifestante se recusar a tirar a máscara, ele será advertido. Na segunda vez incorrerá em crime de desobediência.

O texto será submetido à análise da presidente Dilma Rousseff na próxima semana. O argumento do Ministério da Justiça é de que não será criminalizada a utilização da máscara, mas, sim, a desobediência a um aviso prévio, feito pela polícia.

O governo estudou a legislação de 30 países, incluindo Canadá, França, Espanha e EUA, para preparar o projeto. Em média, a penalidade para quem comete atos ilícitos em manifestações, sob o uso de máscaras, é de cinco anos. A pena pode aumentar quando há lesão corporal e homicídio. “Quem se infiltra em manifestações e esconder o rosto para depredar o patrimônio, agredir e até matar tem de arcar com as consequências”, disse Cardozo.

Para evitar polêmica, o projeto exclui da proibição “eventos culturais, históricos e religiosos”. Pela proposta, o abuso policial será punido. O governo quer, ainda, que os manifestantes avisem com antecedência às autoridades sobre o protesto. A regra já é prevista na Constituição, assim como a vedação do anonimato. Na prática, porém, nada é aplicado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Ministro do Supremo defende reforma e diz que há escassez de boa política no Brasil

Flávia Villela
Agência Brasil

O ministro Luís Roberto  Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), defende a urgência de uma reforma política no país. Segundo Barroso, a expansão do Judiciário nas decisões da vida pública brasileira deve-se, sobretudo, à escassez de boa política no pais. Ao ministrar a aula inaugural na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, sexta-feira, Barroso abordou os temas judicialização da Política e Separação dos Poderes.

Barroso disse que a escassez de boa política talvez seja uma marca da atualidade no Brasil e que a constatação não é apenas dele, mas também da sociedade e da classe política. Segundo ele, é preciso romper com a inércia e reconhecer “a necessidade urgente, quase desesperada, de uma reforma política no país”. O ministro exemplificou com o atual modelo de financiamento de campanhas eleitorais, que, segundo ele, dá uma centralidade exorbitante ao dinheiro.

“O dinheiro é o grande eleitor no Brasil, mas nenhuma democracia pode viver sem um debate de ideias, onde quem tem mais dinheiro financia-se melhor e faz o programa de televisão mais caro”, afirmou Barroso, Para ele, houve um descolamento entre a classe política e a sociedade civil, que faz mal à democracia.

O ministro ressaltou, entretanto, que quem deve fazer a reforma é o Congresso Nacional, e não o Supremo. “Essa reforma picotada e eventual feita pelo Judiciário não é boa, porém, acaba sendo o único instrumento pelo qual se tenta empurrar essa agenda”.

NO CONGRESSO

Além da proibição do financiamento de campanhas políticas por empresas, o ministro citou situações em que o Judiciário alargou seu campo de atuação para atender a demandas sociais que não estavam sendo atendidas pelas instâncias políticas ordinárias, como a recente decisão do STF sobre a fidelidade partidária.

“Não é possível eleger-se num partido e no dia seguinte mudar-se para outro”, afirmou. “Tal situação não está prevista na Constituição, nem em lei alguma, mas, interpretando o princípio democrático, o Supremo considerou [a situação] fraude à vontade política.”

Para ele, a superposição da vontade do Judiciário sobre a vontade política do Legislativo e do Executivo deve ocorrer somente em situações excepcionais, quando a violação à Constituição for muito ostensiva.

Ele citou os casos julgados pelo STF das uniões homoafetivas e do aborto a fetos anencéfalos. “As minorias, muitas vezes, não podem contar com o processo político majoritário, e o Judiciário não deve faltar a elas, se se tratar de um direito fundamental.”

 

Os olhos da amada de Gonçalves Dias

O advogado, jornalista, etnógrafo, teatrólogo e poeta maranhense, Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), revela sua paixão ao descrever os olhos da amada.

SEUS OLHOS


Gonçalves Dias

Seus olhos são negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
estrelas incertas, que as águas dormentes do mar vão ferir;

seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, têm meiga expressão,
mais doce que a brisa, – mais doce que a flauta quebrando a solidão.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
são meigos infantes, gentis, engraçados brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando em jogo infantil,
inquietos, travessos; – causando tormento,
com beijos nos pagam a dor de um momento, com modo gentil.

Deus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
às vezes luzindo, serenos, tranquilos, às vezes vulcão!

Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco, tão frouxo brilhar,
que a mim me parece que o ar lhes falece,
e os olhos tão meigos, que o pranto umedece, me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranquilo, desperta a chorar;
e mudo e sisudo, cismando mil coisas, não pensa – a pensar.

           (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Pesquisa Datafolha diz que melhor candidato é Lula

Deu no Yahoo

A presidente Dilma Rousseff (PT) venceria Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) no primeiro turno, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 22. Dilma aparece com os mesmos 47% de intenção de voto da pesquisa anterior, divulgada no fim de novembro.

O pré-candidato do PSDB Aécio Neves caiu dois pontos porcentuais (p.p.), de 19% na pesquisa anterior, para 17% agora. Já Eduardo Campos subiu um p.p. De 11% para 12% das intenções de voto. A margem de erro é de dois pontos porcentuais.

Os entrevistados que declararam que vão anular ou votar em branco somam 18%, enquanto os indecisos são 6%. A pesquisa foi feita com 2614 pessoas entre os dias 19 e 20 de fevereiro em 161 municípios.

LULA NA FRENTE

A pesquisa apontou ainda que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria os adversários no primeiro turno em dois cenários simulados pela pesquisa Datafolha. No cenário em que o candidato do PSB é Eduardo Campos, Lula tem 54% das intenções de voto, Aécio Neves (PSDB) tem 15% e o governador de Pernambuco aparece com 9%.

Já em um cenário com Marina Silva (PSB), o ex-presidente Lula tem 51%, contra 19% da própria Marina e 14% de Aécio. Na comparação de cenários com os mesmos adversários, os números de Lula são melhores que o da presidente Dilma Rousseff.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA pesquisa está meio furada, porque não coloca José Serra como candidato, nem apura o que aconteceria se o ministro Joaquim Barbosa entrasse na disputa. Vamos aguardar.(C.N.)

Jornalistas e manifestantes são detidos durante protesto contra a Copa em São PauloP

PM detém jornalistas e manifestantes (Foto: Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo)
Deu no Diário do Litoral

Com informações da Agência Estado e Agência Brasil

A manifestação contra os gastos com a Copa do Mundo reúne mil pessoas na Praça da República, no centro da capital paulista, informou a Polícia Militar (PM). Segundo a corporação, os manifestantes provocaram tumulto, depredaram agências bancárias e entraram em confronto com a polícia na Rua Coronel Xavier de Toledo. A Polícia Militar deteve cinco jornalistas  – três repórteres e dois fotógrafos. Um soldado aplicou uma gravata em um deles e o atirou no chão.

Os jornalistas estão enfileirados no chão da calçada da Rua Xavier de Toledo para serem levados presos em companhia de uma centena de manifestantes. Os PMs decidiram mantê-los presos mesmo depois de ele terem se identificado com documentos profissionais. Um ônibus da PM chegou ao lugar a fim de conduzir dos detidos.  A Polícia Militar faz uma barreira humana na rua para impedir as gravações dos jornalistas.

Na página do evento no Facebook, os organizadores criticam a forma como a Copa do Mundo ocorrerá no país. “Bilhões do nosso dinheiro público estão sendo gastos em estádios privados, milhares de famílias estão sendo removidas de suas casas e os investimentos em rodovias e transporte público encontram mais um motivo para servir à especulação imobiliária”.

“Iremos às ruas pela educação pública estatal de qualidade, por 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para a educação, por vagas para todos – da creche à universidade, por valorização dos professores”, diz o comunicado.

Mandado de prisão de Jefferson só sai segunda-feira

Paulo Virgilio
Agência Brasil

A Superintendência da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro confirmou, há pouco, que o mandado de prisão do ex-deputado Roberto Jefferson só será expedido na próxima segunda-feira (24). Agentes da PF, que, desde o fim da noite de ontem (21), se revezam na porta da casa do ex-parlamentar e atual presidente do PTB, na cidade de Levy Gasparian, na região centro-sul fluminense, permanecerão no local até a chegada do mandado judicial. Roberto Jefferson foi condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, a sete anos e 14 dias de prisão em regime semiaberto,

A ordem de prisão foi dada ontem pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro  Joaquim Barbosa, que rejeitou o pedido dos advogados de Jefferson, feito no no final do ano passado, para que ele cumprisse a pena em prisão domiciliar, por causa de problemas de saúde. Submetido em 2012 a uma cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas, Jefferson precisa, segundo a defesa, de alimentação especial e de tomar regularmente 20 medicamentos.

No entanto, após perícia determinada pelo ministro Joaquim Barbosa, os médicos do Instituto Nacional do Câncer (Inca) concluíram o estado de saúde do ex-deputado não exige necessidade de cumprimento da pena em casa ou num hospital.

No início da manhã deste sábado, Roberto Jefferson, presidente licenciado do PTB, falou rapidamente aos jornalistas da sacada de sua casa. Ele disse que só vai se apresentar com o mandado judicial. Quando a prisão ocorrer, ele deverá seguir em carro da PF para a superintendência do órgão, na zona portuária do Rio.

João e Kim

Ricardo Amorim

João e Kim nasceram em 21 de junho de 1970, dia em que o Brasil ganhou a Copa do México. Os pais de Kim eram professores; os de João também. Kim sempre estudou em escola pública; João também. Kim ama futebol; João adora. Kim é da classe média de seu país; João também. Os pais de Kim já se aposentaram; os de João também. Kim e João trabalham na mesma empresa, uma multinacional líder mundial em tecnologia. Kim é engenheiro e ganha R$ 7.100,00 por mês. João não chegou a terminar o ensino médio, ganha R$ 1.900,00 por mês. Kim trabalha na sede da multinacional e é chefe do chefe de João, que trabalha aqui no Brasil.

Onde os caminhos de Kim e João se separaram? A cegonha deixou Kim na Coréia do Sul, João no Brasil. Em 1960, a renda per capita na Coréia era metade da brasileira. Em 1970, eram parecidas. Hoje, na Coréia, ela é três vezes maior do que a nossa.

Como as vidas de centenas de milhões de Kims e Joãos tomaram destinos tão diferentes em poucas décadas? Educação, educação e educação.

O país dos Kims investiu no ensino público básico, de qualidade e acessível a todos. O governo coreano gasta quase seis vezes mais do que o brasileiro por aluno do ensino médio. Na Coréia, um professor de ensino médio ganha o dobro da renda média local; no Brasil, menos do que a renda média. Com isso, os Kims estão sempre entre os primeiros lugares nos exames internacionais de estudantes de ensino fundamental e médio – muitas vezes, em primeiro lugar. Os Joãos, melhor nem falar.

Só após garantir uma boa formação básica e bom ensino técnico, os coreanos investiram em ensino universitário. Ainda assim, a Coréia tem 3 universidades entre as 70 melhores do mundo. O Brasil não tem nenhuma entre as 150 primeiras. Hoje, a Coréia do Sul é, em todo o mundo, o país com maior percentual de jovens que chega à universidade – mais de 70%, contra 13% no Brasil. De quebra, o país dos Kims forma 8 vezes mais engenheiros do que nós em relação ao tamanho da população de cada um. Tudo isso com um detalhe: a Coréia gasta menos com cada universitário do que o Brasil, mas forma 4 vezes mais PhDs per capita do que nós.

Para cada won gasto com a aposentadoria do pai de Kim, o governo coreano gasta 1,2 won com a escola do seu filho. No Brasil, para cada real gasto pelo governo com a aposentadoria do pai de João, ele gasta apenas R$ 0,10 com a escola do Joãozinho.

No ano que vem (2014), os pais de Kim virão para a Copa do Mundo no Brasil. A mãe de João já tinha falecido, mas seu pai quis muito ir à Copa da Coréia e do Japão em 2002, mas não tinha dinheiro para isso. Há um ano, ele está fazendo uma poupancinha e ainda está esperançoso em ser sorteado para um dos ingressos com desconto para idosos para ver um jogo da Copa de 2014, nem que seja Coréia do Sul x Argélia. Como os ingressos com descontos são poucos e concorridos, as chances de Seu João são baixas. Se conseguir, quem sabe ele não se senta ao lado do Sr. e Sra. Kim. Pena que Seu João não teve a chance de estudar inglês. Eles poderiam conversar sobre os filhos…

Quem representará os 65% de brasileiros que querem mudança?

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Acílio Lara Resende

Pode haver algum erro ou exagero, mas, segundo nos dizem as últimas pesquisas de opinião, 65% dos brasileiros estão insatisfeitos com seu país. Reclamam de tudo. Da péssima educação, ou seja, do ensino do primeiro grau à universidade; do terrível atendimento na saúde à falta de médicos e/ou de leitos; da caótica mobilidade urbana ao modelo de desenvolvimento cruelmente centrado no consumo; da corrupção, que se alastrou como erva daninha por todo o país, à falta de obras de infraestrutura; dos partidos e dos políticos de modo geral; da desaceleração da economia ao aumento gradual da tinhosa inflação etc.

Por meio de quem, porém, esses 65% dos brasileiros desejam mudanças nos rumos do país? Da presidente Dilma Rousseff? De Aécio Neves? De Eduardo Campos? De Marina Silva? Ou, quem sabe, de acordo com alguns ardorosos petistas, do ex-presidente Lula? A demissão de Helena Chagas, a volta de Franklin Martins e a nomeação de Mercadante para a Casa Civil não seriam sinais desse retorno?

Preocupado com os rumos que tomou o país, Márcio Garcia Vilela, em artigo recente aqui ao lado (“Para onde estaremos indo?”), depois de algumas reflexões, referindo-se ao ex-presidente Fernando Henrique, deu sua opinião: “O século nascido há 14 anos trouxe-nos promessas.

Acreditamos nelas. A Presidência da República tinha, no seu titular, o que havia de melhor entre as lideranças políticas nacionais. Aí veio o lulopetismo, saudado de início como salutar às instituições republicanas. Ao contrário, revelou-se uma tragédia. Pior ainda: não sabemos nem quanto ainda vai durar”. Depois de um elogio ao ex-presidente, Márcio considerou a reeleição “um erro lamentável”, hoje utilizado pelo partido que mais a combateu.

Aliás, o PT, quando era oposição, combateu tudo que foi implementado no governo a que se refere Márcio, mas, quando conquistou o poder, apropriou-se daquilo que antes criticou severamente.

SE ESGOTOU

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do alto dos seus 82 anos, igualmente preocupado com as mudanças pleiteadas nas ruas do país, mas agora tumultuadas pelos inimigos da democracia (que só querem mesmo é tingir as ruas com sangue inocente), em artigo há dias no jornal “O Globo” disse que “o passado recente teve suas virtudes, mas se esgotou”. Muitos entendem assim, mas faltou a FHC dizer, no artigo, que o esgotamento desse passado, pelo menos até o presente instante, não foi clara e eficientemente demonstrado pela oposição aos governos tanto de Lula quanto de Dilma. Quando, encarnando-a, Geraldo Alckmin e José Serra disputaram a Presidência da República, provavelmente intimidados pelos adversários comandados por Lula, foram pusilânimes, deixando de lado teses importantes, e fracassaram.

E agora? Chegou a hora de a oposição conquistar o poder, com Aécio Neves e/ou Eduardo e Marina? Tudo é incerto, mas vejo uma certeza nesse tudo: cabe aos anunciados pré-candidatos de oposição, sobretudo a Aécio Neves, a difícil tarefa de demonstrar, doravante, por atos, e não palavras, primeiro aos mineiros, depois ao Brasil inteiro, que, “sendo a vez, sendo a hora, Minas – pois é aqui, segundo colégio eleitoral do país, que se decidirão as eleições – entende, atende, toma tento, avança, peleja e faz. Sempre assim foi. Assim seja”.

Não perco a esperança no país, mas, ao divisar o que hoje acontece nele, há uma possibilidade que me assusta: em 2015, o eleito, qualquer que seja ele, poderá encontrar um país à deriva. (transcrito de O Tempo)

Código Mineral: Governo erra no regime de prioridades e ameaça a pesquisa mineral no Brasil

Pedro Jacobi

Os ministros Édison Lobão (Minas e Energia) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) estiveram reunidos com assessores e parlamentares para discutir os impasses gerados pelo novo Código Mineral. Dos inúmeros pontos de divergência restam apenas os seguintes:

regime de prioridade: o Governo não abre mão das licitações. Segundo fontes os Ministros querem que sejam feitas, sempre, licitações para jazidas de minério de ferro, nióbio, cobre, ouro, manganês e magnesita.  A informação parece conter alguma falha pois o Governo inclui o ouro, o cobre e a magnesita e esquece das terras-raras, fosfato e potássio, que são muito mais estratégicos para o País. Parece que os ministros precisam de uma assessoria melhor, ou a estratégia é começar a estatizar e controlar o ferro, cobre e o ouro… Será que estamos vendo a ponta do iceberg no que se refere a nova política governamental?

CEFEM: o Governo quer poder mudar as alíquotas por decreto criando o controle total e absoluto mudando, sempre que necessário, as regras do jogo e arrecadando sempre que o caixa estiver necessitando.

Se o Governo conseguir acabar com o regime de prioridade o Brasil entrará em um período negro onde se extinguirão as empresas de pequeno e médio porte de pesquisa, que são as maiores investidoras na pesquisa mineral, dando lugar à ditadura das grandes empresas e das estatais.
Será o fim da democracia mineral comum aos países desenvolvidos e o início da ditadura e da ingerência nos negócios da mineração que trará imensos prejuízos ao país e sua população.

(artigo enviado por Ricardo Sales)

As ruas e suas circunstâncias

Luiz Tito

A volta das manifestações nas ruas, Brasil afora, sinaliza que o ano da Copa e das eleições será também o ano da substituição da fala pela violência. A vida urbana está com pressa, não quer esperar e o que estamos vendo nas ruas passou a ser a nova forma de protagonização da cena política. A força como argumento.

O povo cansou de só ver a inércia e o desserviço daqueles que elegera como seus representantes no Executivo e no Legislativo, uma classe política mal-organizada, em partidos mofados, que não entendeu que as demandas atuais, especialmente aquecidas pela fantasia do crédito, das bolsas, da pseudo-casa pseudo-própria, dos diplomas universitários outorgados, muitas vezes aos quilos por faculdades de parca ou nenhuma autonomia intelectual e científica, não fossem mudar as regras do jogo.

Seguiram com seu discurso vazio, amorfo, trancados nos gabinetes e movimentando os balcões de negócios nos quais se transformaram as câmaras municipais, as assembleias legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, quase sem exceções entre seus membros, em todo país. Não entenderam o momento e agora estão perdidos, longe do povo e das ruas, que os repelem. Brincaram com o fogo e a agora não sabem como sair dele.

CINISMO

Triste e perigosa realidade essa que estamos vivendo em todo país, no qual o Poder Executivo quase sempre é a penosa conjugação do cinismo, do equívoco de suas medidas e de uma corrupção horizontal e incontida. De um Legislativo sem propostas e sem projetos, sem apego à oposição e à controvérsia. De um Judiciário que judicializou a vida em sociedade, mas que não responde com presteza e agilidade quando demandado por justiça.

Quando não se produzem lideranças capazes de penetrar com suas ideias e suas propostas na alma da sociedade civil o que nos resta é a liderança mascarada dos black blocs, dos arruaceiros, a serviço de nada e de tudo, inclusive, agora se suspeita, do crime organizado.

Que produção política pobre essa vinda de uma sociedade já tão sofrida. Mas o que esperar? Quando luta por saúde, dão-lhe como resposta o improviso e o despreparo de médicos cubanos, de cuja formação, recursos científicos e procedência ninguém sabe ou explica. Sobre esses, nem como são recrutados, contratados e remunerados o governo divulga, mas se deduz da deserção que estamos agora assistindo.

EDUCAÇÃO PÚBLICA

Quando essa mesma sociedade pede educação para seus filhos, a solução está na escola privada porque a educação pública é uma atividade de abnegados. Nossos políticos deveriam ter vergonha de falar sobre nossas estatísticas na educação. Somos em Minas, registre-se, pela sétima vez campeões da olimpíada da matemática.

Nos quesitos português, ciências, biologia, geografia, história, asseio, qualidade das instalações das escolas, ementa das disciplinas, saúde dos alunos, oferta de merenda escolar, remuneração, programas de treinamento e carreira dos professores não estamos concorrendo. Segurança, sistema prisional, aplicação da lei, justiça, mobilidade, infraestrutura, qualificação para o trabalho, ocupação urbana.

Há, certamente, os oportunistas que se beneficiam e ganham com tais movimentos. O crime organizado certamente neles está infiltrado, o que torna o momento mais grave ainda. Mas quem vai interpretar as demandas das ruas? Como e quando atendê-las, para não ficar tarde e além da conta? Que nação queremos? Essa, difusa, incerta e mascarada das ruas? (transcrito de O Tempo)

Nostalgia do que não existiu

01
Tostão
O Tempo

Chico Buarque, que deveria voltar a escrever sobre futebol, disse, décadas atrás, que os europeus eram os donos do campo, pela distribuição e organização tática, e os brasileiros, os donos da bola, pela habilidade e criatividade.

Na época, vários lances eram a marca de nosso futebol, como os chutes e passes de curva, de rosca, de trivela, os elásticos, os chapéus e dezenas de outros efeitos especiais. Melhor ainda, o futebol-arte ganhava do futebol-força.

A Europa e a América do Sul tinham estilos bem definidos, opostos, embora, como hoje, haja várias diferenças entre o futebol que se joga em um país e outro da Europa e entre um sul-americano e outro. Às vezes, para simplificar, cometo o erro de não fazer esta distinção.

Com o tempo, houve uma grande aproximação entre os dois estilos. Os europeus deixaram de ser cintura dura, e os brasileiros não são mais os únicos artistas da bola. O belga Hazard é mais habilidoso e inventivo que seu companheiro Oscar, enquanto o brasileiro é mais disciplinado e tem mais inteligência coletiva.

UM DILEMA

Por causa da globalização e do avanço da ciência esportiva, criou-se, no Brasil, há décadas, um dilema entre aderir ao futebol essencialmente coletivo, moderno, compacto, de atacar e defender em bloco, de valorizar a posse de bola, e a outra postura, a de incentivar a improvisação, os efeitos especiais e os devaneios individualistas. Uma coisa não anula a outra.

Essa indefinição continua. O futebol que se joga no Brasil não é uma coisa nem outra. Pior, passou a ser um jogo de espasmos individuais, isolados, além de excesso de faltas, chutões e jogadas aéreas.

Fora de campo, o futebol brasileiro continua dividido entre o profissionalismo e o amadorismo, entre a ganância pelo lucro, sem se preocupar com a qualidade do jogo, e a nostalgia, às vezes, por coisas que nunca existiram ou que nunca foram vistas.

Faço essas reflexões, divagações, um resumo telegráfico, por falta de espaço, para responder a um leitor contrário à minha opinião, de que um dos méritos de Felipão, facilitado pelo fato de os jogadores da seleção atuarem fora, é fazer com que o time tenha uma estratégia parecida com a das principais equipes da Europa.

Esse leitor e muitos outros pensam que o Brasil deveria recriar seu estilo, sem perder a origem, a magia, o jogo bonito e peculiar, marcas da história de nosso futebol. Seria ótimo, mas a atual realidade é outra. Ficamos para trás e, neste momento, é preciso aprender com as coisas boas de fora.

Quem sabe, em um futuro não muito distante, isto aconteça, quando os melhores jogadores continuarem aqui e quando sair a turma que está no poder, que, há décadas, voltando novamente a Chico Buarque, subtrai nosso futebol, em tenebrosas transações?