Nenhum dos “indicados” aceitou ser ministro da Fazenda

Dilma disfarça: “Ainda não escolhi…”

Vera Rosa e Tânia Monteiro

Estadão

A presidente Dilma Rousseff só anunciará o novo ministro da Fazenda na segunda quinzena deste mês, quando voltar da reunião de Cúpula do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo. O encontro será realizado na Austrália, entre os dias 15 e 16. Dilma pretendia chegar lá com essa pendência resolvida, para acalmar o mercado e aplacar incertezas dos investidores, mas está tendo dificuldades para definir o sucessor de Guido Mantega.

O ministro, o mais longevo titular da Fazenda da era republicana, faz parte da comitiva brasileira que viajará à cidade australiana. Sua participação na Cúpula é vista como uma forma honrosa de o Planalto se despedir do economista, já que a saída de Mantega do governo foi sugerida pela presidente Dilma ainda durante sua campanha na disputa presidencial, em setembro, no Ceará.

A montagem da nova equipe, o cenário adverso da economia e os percalços do governo no Congresso foram temas de uma conversa de Dilma com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de terça na Granja do Torto, em Brasília. “Ainda não escolhi o ministro”, desconversou, ao ser questionada por repórteres sobre o substituto de Mantega. “Só quando voltar”, emendou, numa referência à viagem para Brisbane, na Austrália.

MINISTÉRIO FATIADO

A presidente afirmou que fará o anúncio dos ministros “por partes”, e não de uma única vez. No encontro com Lula, do qual também participaram o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o presidente do PT, Rui Falcão, Dilma mostrou preocupação com as fraturas na base aliada e prometeu chamar todos os líderes dos partidos que a apoiaram para conversar em breve.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A presidente Dilma Rousseff, que tem problemas de comunicação verbal, errou ao dizer “ainda não escolhi”. A resposta certa seria: “Até agora, ninguém quer aceitar”. E o tal choque de credibilidade vai ficando para as calendas, como diziam os latinistas. (C.N.)

Fábricas de craques e bons calendários

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Tostão
O Tempo

Planejamento, organização, tempo e ótimo trabalho nas categorias de base são importantíssimos para se formar bons jogadores e um excelente time, mas os grandes da história do futebol mundial foram espetaculares porque tinham vários craques, entrosados. Para isso, não basta só planejamento. É preciso contar também com o acaso.

Os maiores clubes do mundo podem contratar os melhores jogadores. Já as seleções não têm essa possibilidade. Espanha e Alemanha, que dominaram o futebol nos últimos anos, provavelmente, não terão uma próxima geração tão excepcional quanto a atual, mesmo se fizerem ótimos trabalhos.

Isso me faz lembrar o presidente da TAM, já falecido, que encontrava, com frequência, no aeroporto de São Paulo, quando eu trabalhava como comentarista de televisão. Ele adorava conversar sobre futebol. Um dia, com seu otimismo e sua visão empresarial, me convidou para ser gerente de uma fábrica de jogadores, mas só de craques, como se fosse fácil. Eu, pessimista, ou melhor, realista, disse que não existe fórmula para isso. Aplaquei sua euforia, pelo menos naquele momento.

BONS CALENDÁRIOS

Craques precisam de bons calendários. Todos reclamam do atual, mas, raramente, citam a TV Globo. Não que ela seja vilã. É uma empresa particular, que visa lucros, que investe, que paga muito bem aos clubes e que, em troca, quer participar ativamente do calendário. O ideal seria que uma liga independente e competente, que visasse apenas o interesse da qualidade do futebol, fizesse isso, para, depois, chamar as emissoras de televisão para serem parceiras. Futebol é também um negócio.

Os clubes brasileiros arrecadam hoje muito mais, e gastam mais ainda. Se parecem com pessoas irresponsáveis e descontroladas. Pagam absurdos salários para jogadores, técnicos e executivos. Espero que o refinanciamento da dívida de R$ 4 bilhões com o governo, que, brevemente, será votado no Congresso, apresente soluções sérias, definitivas, com contrapartidas e punições severas a clubes e dirigentes, caso repitam as infrações.

É também um engano achar que, pelo fato de o Brasil ter uma forte economia, haja tantas pessoas para comprar ingressos caros e produtos ligados ao futebol. A renda per capita dos brasileiros é muito inferior à dos países desenvolvidos.

Enquanto discutem nos gabinetes, com a presença do Bom Senso F. C., o que aumentam minhas esperanças de boas soluções, a bola rola. O Cruzeiro, que se destaca por um grande repertório de jogadas ofensivas, tem, recentemente, dependido demais das bolas cruzadas pelos laterais e meias. Os outros times passaram a marcar melhor essa jogada.

Continuamos sob ataque de hackers, mas vamos sair dessa

Carlos Newton

Mais uma vez, tivemos esta sexta-feira (dia 7) confirmação do servidor UOL de que a Tribuna da Internet continua sob ataque de hackers. Os técnicos do UOL estão tomando os procedimentos necessários e a qualquer momento os problemas podem ser sanados, mas o prazo para concluir o atendimento é de 24 horas.

Por coincidência, o ataque foi iniciado no início da madrugada de quarta-feira (dia 5), pouco depois de o PT ter convocado sua “militância virtual” para combater as manifestações de oposição na internet. Como foi divulgado por toda a mídia, a mensagem postada na página oficial do PT no Facebook, sob o título “Militância, às armas”,incitou seus militantes a ocuparem a web em defesa do resultado das eleições.

O resultado foi que, ainda por mera coincidência, no início da madrugada de quarta-feira a Tribuna da Internet foi tirada do ar, por volta de 1h. Como sempre, recorremos ao especialista em informática Márcio Lordelo, que conseguiu recuperar o blog e descobriu que ele não era mais acessável se fosse digitado www ou htpp/ antes do título.

Não adianta ir a Favoritos, nada, nada. Só se consegue acesso se digitar apenas tribunadainternet.com.br ou carlosnewton.com.br. E na busca pelo Google e outros sites, o blog continua indisponível. O que aparece é a foto de um carro de corrida ou uma página assinalando erro 404.

É claro que não vamos desistir, justamente quando nosso índice de leitura bateu recorde, atingindo mais de 84 mil acessos na última quinta-feira. Os piratas tecnológicos, sejam do PT ou de outras origens, não nos desestimularão.

Podem nos tirar da web quantas vezes quiserem, mas tenham certeza de que logo estaremos de volta, sempre obedecendo à regra de que jornalista tem de estar na oposição, apontando erros para que o governo possa melhorar. Jornalista que só faz aplaudir o governo e criticar a oposição deveria mudar de ramo, como recomendava Millôr Fernandes, e ir trabalhar em secos e molhados, porque não é jornalista.

E como dizem na TV, daqui a pouco a gente volta.

Uma pista para a Polícia Federal no caso de Pizzolato

Leonardo de Souza
Folha

Para fugir para a Itália, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato forjou uma série de documentos. Henrique tirou RG, CPF, passaporte e até mesmo inscrição eleitoral falsos. Sem o menor pudor, fez tudo em nome de Celso, seu irmão morto, em 1978, num acidente de carro.

Condenado a 12 anos e 7 meses de prisão por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro no processo do mensalão, Henrique pôs seu plano em prática em novembro de 2007, quando deu entrada, em Santa Catarina, para tirar uma carteira de identidade em nome de Celso. Daí foi um passo para o restante da papelada.

Para obter um passaporte, o falecido Celso precisava estar em dia com a Justiça Eleitoral. Em 2008, pronto, Celso votou (que partido terá recebido o voto do morto?). Celso prestou até declaração de Imposto de Renda à Receita Federal.

FALSIDADE IDEOLÓGICA

A Polícia Federal vai indiciar Henrique sob suspeita dos crimes de falsidade ideológica e uso de documentos falsos.

De acordo com a PF, uma fragilidade no sistema permite a qualquer um retirar documentos em nome de outra pessoa. O RG original de Celso era de São Paulo. Henrique tirou segunda via do documento de identidade do irmão no Rio e em Santa Catarina. Não há no Brasil um sistema de informações interligado entre os Estados que permita identificar, em tempo real, esse tipo de fraude.

Se tirou todos esses documentos, que dificuldade o falecido Celso teria para abrir uma conta-corrente? Nenhuma. Segundo a coluna apurou, Celso abriu uma conta num dos maiores bancos privados do país em 2008.

Quanto Celso recebeu em depósitos nessa conta? Quem depositou dinheiro para ele? Quanto ele movimentou? Fez saques no exterior? É a velha máxima de qualquer investigação, “follow the money”.

Que a polícia vá atrás e não permita que Henrique, solto pela Justiça italiana na semana passada, coma pizza com o rico dinheirinho do irmão morto.

O dilema do poeta Antonio Cícero

O filósofo, escritor, compositor e poeta carioca Antonio Cícero Correa de Lima reconhece, neste poema, um “Dilema” que o confunde bastante.

DILEMA
Antonio Cícero

O que muito me confunde
é que no fundo de mim estou eu
e no fundo de mim estou eu.
No fundo
sei que não sou sem fim
e sou feito de um mundo imenso
imenso num universo
que não é feito de mim.
Mas mesmo isso é controverso
se nos versos de um poema
perverso sai o reverso.
Disperso num tal dilema
o certo é reconhecer:
no fundo de mim
sou sem fundo.

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Por não aturar Dilma, Marta Suplicy sai do ministério

Mariana Haubert
Folha

A ministra Marta Suplicy (Cultura) confirmou que irá voltar para o Senado no ano que vem, mas disse que ainda está “conversando” com a presidente Dilma Rousseff sobre o assunto.

“Estamos conversando [sobre o assunto]. A situação da representação de São Paulo no Senado. Há o senador [Eduardo] Suplicy (PT-SP) que está saindo. Então é uma questão importante”, afirmou a ministra após participar de uma cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural 2014, no Palácio do Planalto.

Marta assumiu a pasta da Cultura em 2012 no lugar da ex-ministra Ana de Hollanda. A petista tem mandato no Senado até 2018. “Eu fui eleita pelo Estado mais populoso do Brasil. Passei dois anos fora. Eu era vice-presidente do Senado, e acredito que talvez seja necessário estar lá de volta. Estamos conversando sobre isso”, afirmou.

SUPLENTE

O suplente da ministra, o senador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), é uma das apostas do seu partido para assumir algum ministério no segundo governo da presidente Dilma. Na semana passada, ele e o presidente do seu partido, o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), se reuniram com Dilma no Palácio da Alvorada.

Ambos evitaram comentar se houve discussão sobre cargos na Esplanada e disseram que a visita foi apenas de cortesia para parabenizar a reeleição de Dilma.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGTraduzindo tudo isso: Martha Suplicy não atura Dilma Rousseff, que não suporta a senadora. Para quem não se lembra: Marta foi uma das lideranças do movimento “Volta, Lula” e Dilma jamais a perdoará por isso. Como o Ministério da Cultura é considerado “sem importância” pelo PT, ficou na “cota” de Dilma, que poderá nomear quem quiser, desde que não seja do desagrado de Lula, claro. (C.N)

Depois do auxílio-moradia, juízes federais suspendem protestos

Frederico Vasconcelos
Folha

O presidente e a vice-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Antônio César Bochenek e Candice Galvão Jobim, respectivamente, informaram nesta terça-feira (4) ao corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Humberto Martins, a suspensão dos protestos contra o acúmulo de acervos.

Em audiência, Bochenek e Jobim entregaram ofício comunicando a suspensão das medidas adotadas pelos juízes em relação ao acúmulo de acervos processuais e funções administrativas sem a correspondente gratificação prevista no PL 7.717/2014.

Em consulta nacional realizada pela Ajufe, com 800 votantes, 665 juízes foram favoráveis à suspensão (83,12%).

No último dia 30/10, o Blog informou que a Ajufe estava consultando os associados sobre a eventual suspensão, uma vez que o Executivo teria acenado com a possibilidade de negociação. Outro fator que pesou na decisão foi o desgaste do movimento.

As manifestações foram realizadas a partir de decisão tomada em assembleia da Ajufe, prevendo que os juízes somente atuariam “em seus órgãos de origem e nos processos de sua exclusiva competência”.

“O diálogo é o meio mais importante para a solução de problemas em qualquer das atividades jurídicas, onde sempre prevalece o bom senso e a razão”, disse Martins. Segundo o corregedor, “o novo expediente da Ajufe demonstra a maturidade da magistratura federal, sempre acreditada e respeitada pela cidadania brasileira”.

Martins comunicará a decisão da Ajufe ao presidente do CNJ, ministro Ricardo Lewandowski, à corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, e aos corregedores das cinco regiões da Justiça Federal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDepois da concessão do auxílio-moradia de R$ 4,7 mil mensais, pegaria muito mal para os juízes continuarem pedindo aumento. Então, eles vão sossegar, por enquanto. Daqui a pouco voltam a exigir mais dinheiro. (C.N.)

A União Européia e o Brasil

Mauro Santayana
(Hoje em Dia)

Mesmo estando – ao menos, na aparência – em plena negociação de um acordo de livre comércio com o Mercosul, a União Européia não consegue esconder sua verdadeira natureza.

As autoridades da organização acabam de entrar com um processo contra o nosso país na Organização Mundial do Comércio – comandada pelo brasileiro Roberto Azevedo – pedindo que se abra um “painel” contra os incentivos dados, pelo Brasil, à indústria automobilística.

Se a UE, antes mesmo de assinar um acordo de livre comércio com o Mercosul, já pretende sabotar a indústria brasileira, combatendo medidas que beneficiam diretamente empresas europeias instaladas no Brasil, como a Fiat e a Volkswagen, já é possível imaginar o que ela fará quando já não houver qualquer barreira à entrada de seus produtos no Brasil.

Se o acordo Mercosul-Europa não avança, é por atitudes como essa, e por resistências dentro da própria UE, principalmente na área agrícola, onde somos mais competitivos.

MERCADO MUNDIAL

É ilusão pensar que abriremos espaços na Europa e nos EUA, se cedermos à sua chantagem. O mercado mundial já se encontra quase que definitivamente dividido. A América do Sul, e, no futuro, a África – e não a Europa ou os EUA – são o pedaço que nos coube nesse bolo.

Não estamos, como o México, colados na fronteira dos Estados Unidos. Não podemos reduzir nossos salários em dois terços, para chegar ao que recebem os trabalhadores mexicanos. Lá, o salário mínimo é de cerca de 11 reais por dia. Nem é possível diminuir o índice de formalização e os direitos de nossos trabalhadores para atrair “maquiladoras” e apenas montar peças de terceiros. O déficit do México com a China, por exemplo, passou, nesse quesito, de 50 bilhões de dólares no ano passado.

Da mesma forma, não podemos achar que os EUA e a Europa nos abrirão seus mercados, extremamente protegidos, se nunca os abriram no passado.

CADEIA PRODUTIVA

É possível, sim, nos integrarmos à cadeia produtiva global, mas sem abrir mão de uma visão estratégica. O sucesso da Embraer é prova disso.

A não ser que compremos matrizes industriais no exterior, como têm feito, com êxito, outros países do BRICS, como os indianos e os chineses, que já adquiriram marcas como a Jaguar, a Land Rover e a Volvo, nunca teremos acesso a seu mercado, e a tecnologia, como já não temos hoje. E os lucros continuarão sempre com as mesmas multinacionais.

É portanto, um absurdo, que, ainda assim, tenhamos que enfrentar pressões da UE, tanto para colocar nossos produtos lá fora, como para abrir nossas fronteiras para a importação, praticamente forçada, de produtos feitos em seu território.

O tempo passa, mas a história não muda. Os europeus, mesmo quando mergulhados na crise – segundo suas próprias previsões, a União Européia crescerá apenas 0.4% este ano – sempre verão a América Latina como uma colônia, a não ser que nos recusemos a assumir esse papel e essa postura.

Impasse: Meirelles e Barbosa exigem autonomia na Fazenda

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Tanto Henrique Meirelles quanto Nelson Barbosa, cotados para assumir o Ministério da Fazenda no segundo mandato de Dilma Rousseff, vêm assegurando a pessoas próximas que só aceitarão substituir Guido Mantega se tiverem total autonomia para fazer o que precisa ser feito. Nenhum dos dois foi oficialmente convidado pela presidente reeleita para o cargo de ministro, mas ambos já começam a esboçar o que seria a gestão deles à frente da equipe econômica.

Interlocutores de Meirelles e de Barbosa asseguram que o quadro traçado por eles para a economia em 2015 é dramático. Mesmo que se dê um choque de credibilidade no governo, não há a menor perspectiva de retomada do crescimento econômico no ano que vem. A tendência é de um avanço tímido do Produto Interno Bruto (PIB), fruto dos ajustes que terão de ser feitos. A resistência da inflação exigirá novos aumentos na taxa básica de juros (Selic), que, na semana passada, passou de 11% para 11,25% ao ano. O arrocho monetário terá de vir acompanhado de um forte e efetivo ajuste fiscal, sem maquiagem nas contas públicas.

Nada do que Meirelles e Barbosa traçam como medidas prioritárias para restabelecer a confiança na economia soa como novidade. A dúvida é se esse trabalho óbvio, de resgate da credibilidade do governo, terá o aval de Dilma. A presidente tem calafrios diante da possibilidade de começar o segundo mandato com retração na atividade — o que será inevitável se o futuro ministro da Fazenda optar por corrigir os erros dos últimos quatro anos, que resultaram em recessão em 2014. Há casas bancárias de respeito prevendo que, no caso de alta dos juros e de cortes de gastos, o PIB fechará 2015 em queda. Pior: com desemprego em alta, justamente o que a petista mais teme.

SERVIÇO SUJO

Ciente das resistências de Dilma, o ex-presidente Lula vem martelando, desde que as urnas sacramentaram a reeleição da presidente, que a hora de fazer o serviço sujo é agora. Para Lula, se a petista não reverter logo o descrédito que afastou os investimentos produtivos e está mantendo a atividade no chão, ela corre o risco de se enfraquecer demais ao longo do segundo mandato. Com isso, enterrará o sonho do PT de recolocar Lula novamente no Palácio do Planalto em 2018.

Lula, por sinal, saiu ontem em socorro da pupila. Sem capacidade de reorganizar a base do governo no Congresso, Dilma pediu socorro para garantir a aprovação de projetos importantes de interesse do Executivo, como o que muda a Lei de Diretriz Orçamentária (LDO) de 2014. Depois de muito enrolar, de recorrer a todos os tipos de truques contábeis para mostrar uma saúde que as contas públicas não têm, o Planalto, enfim, reconheceu que será impossível cumprir a meta de superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida) de 1,9% do PIB.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme já afirmamos aqui, o problema para escolher ministro da Fazenda é que ninguém aceita receber ordens e se submeter aos humores de Dilma Rousseff, a suposta doutorada em Economia. (C.N.)

Há irregularidades em nove grandes obras da Petrobras

João Valadares
Correio Braziliense

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou relatório que recomenda a paralisação ou a retenção parcial de valores em nove grandes obras do governo federal, incluindo a Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, alvo de denúncias no âmbito da Operação Lava-Jato.

O documento será encaminhado ao Congresso Nacional para atendimento às determinações da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O objetivo é alertar os parlamentares para promover preventivamente o bloqueio de recursos que seriam destinados a empreendimentos irregulares. A consolidação de 102 auditorias, denominada Fiscobras 2014, englobou uma dotação orçamentária de R$ 12,3 bilhões. O TCU encontrou 840 irregularidades, das quais 637 referem-se às fiscalizações realizadas na áreas de saúde e educação e 203 nos demais segmentos.

Os problemas mais recorrentes nas áreas de saúde e educação foram atrasos nas obras e nos serviços, fiscalização deficiente ou omissa, inobservância dos requisitos legais e técnicos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência, execução de serviços com qualidade deficiente e ausência de anotação de responsabilidade técnica do projeto básico ou executivo.SEM RECEBER RECURSOS

O relator do Fiscobras 2014, ministro Bruno Dantas, afirmou que o percentual de intervenções públicas irregulares ainda é alto. “Entre todas essas obras que nós escolhemos a dedo — não são escolhidas aleatoriamente, é importante que se diga —, elegemos critérios. Foram encontrados, em 53% dos casos, indícios de irregularidades graves. É um índice ainda bastante elevado”, afirmou. O ministro explicou a importância do relatório.

“Fizemos a indicação de paralisação para que não sejam alocados recursos na LDO do próximo ano. Queremos que esses empreendimentos sejam afastados de qualquer tipo de recebimento de recursos públicos devido a esses problemas diagnosticados”, comentou.

Sempre haverá algum tipo de roubalheira

Fernando Rodrigues
Folha
Corrupção nunca acaba. Pode e deve ser combatida. Mas onde houver dinheiro e interesses, públicos e privados, sempre haverá algum tipo de roubalheira.

Em todos os anos pares (aqueles em que há eleição, como este de 2014), os brasileiros ficamos com a impressão de que a corrupção aumenta de forma exponencial. Tenho dúvidas a respeito dessa percepção.

É impossível medir se há hoje mais ou menos corrupção do que nos anos 1990. As instituições eram diferentes. Outro erro é idolatrar o período da ditadura militar (1964-1985) ou anteriores. Volta e meia nas redes sociais alguém diz que alguns generais morreram pobres, o que não prova nada. À época, centenas de empresas ganharam dinheiro fácil com a proteção indecente do mercado para a produção nacional incompetente, como na área de informática.

Durante a fase final da corrida presidencial, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) ficaram a um milímetro de se acusarem mutuamente de ladrões. Acho ótimo que petistas e tucanos duelem a respeito de quem foi mais ou menos leniente no governo com atos de corrupção.

BEM COMUM DOS CIDADÃOS

É bom o assunto não sair de cena. Nada a ver com o udenismo regressivo do passado. Trata-se apenas de martelar o conceito de que o patrimônio público deve ser preservado para o bem comum dos cidadãos.

Nesta semana o Conselho Nacional de Justiça publicou uma compilação sobre processos de corrupção (improbidade e crimes contra a administração pública) que tiveram início até dezembro de 2012 e estavam ainda sem julgamento. Eram 86.418 processos nas Justiças estaduais. Até julho deste ano, 30.911 foram julgados. Houve 6.107 condenações. É pouco ou muito? Não se sabe, pois o levantamento nunca havia sido realizado antes –o que já é um sinal de que as coisas estão melhorando.

Esse é o problema do Brasil. O rumo parece correto, mas falta muito a percorrer e o progresso é lentíssimo.

É grave a poluição mental!

Eduardo Aquino

Em meio à grave crise de água que assola o país, alarma a população e mostra o quanto somos frágeis e dependentes da natureza que insistimos em desrespeitar, lanço outro tema que, apesar de fazer parte do cotidiano de todos nós, tem sido desprezado, embora o custo seja altíssimo para nossa existência: a poluição mental.

Sou adepto e defensor da Ecologia Humana, que estuda e tenta resgatar os ritmos naturais e a harmonia do ser humano e do meio ambiente que o circunda.

Para não precisar ir muito longe, tenho dito que o sono é o fator mais importante na prevenção dos distúrbios psíquicos. Os estudos de sono-vigília publicados ultimamente apontam para uma catástrofe anunciada (pela piora crescente da quantidade e qualidade do sono da população frente aos hábitos notívagos tecnológicos da humanidade,), que é a demenciação precoce de toda uma geração, a apatia, perda de memória, os surtos psicóticos, a agressividade, a epidemia de casos de transtornos, ansiedade e depressão.

Mas nesse bombardeio de informação a que somos submetidos, nessa correria a que somos condenados, alguém aí perguntou ao cérebro e à mente o que estão achando disso tudo? Se eles conseguem processar essa demanda toda de megabytes, gigas, e daí por diante?

UM FILTRO

Será que existe um selecionador, um filtro, que qualifique e elimine tanto besteirol, tanta fofoca, tanta mentira, tanta manipulação de dados e informações ora alarmantes, ora estressantes, para não falar daquelas falsas publicações em redes sociais e multimídias que geram revoltas, agressões ou acabam com reputações e carreiras sem a menor cerimônia?

A resposta para estas e qualquer outra pergunta semelhante é um sonoro e contundente “não!”.

Somos um coletor eficiente em captar estímulos e, mesmo quando não nos damos conta, não estamos conscientes plenamente, acabamos por respondê-los. Partindo do princípio de que o cérebro é um grande condensador, alimentado por energia eletro-magnética e neurotransmissores químicos, evidentemente que esse bombardeio inclemente, constante de estímulos externos que atingiram níveis estratosféricos com a tecnologia que não para de evoluir e acelerar, inevitavelmente vai levando a um estado que chamamos de hiperatividade cerebral. Não há cérebro que aguente!

E a mente? Didaticamente, consideremos que o mundo mental seja o universo imaterial onde pensamentos habitam, sentimentos dão vida e ações constroem nosso cotidiano. Somos, então, fruto do que pensamos, sentimos e fazemos. Fica claro que a medida que o bombardeio de notícias negativas, distorcidas e alarmantes vai alimentando nas pessoas uma tendência a criar conceitos e preconceitos, estes interferem diretamente no seu humor, na sua ansiedade, no seu relacionamento com os que o cercam.

SENTIMENTO DE PAVOR

Motoqueiros assaltam? Então cada moto é pensada como suspeita e um sentimento de pavor é que assalta aquela mente. Homem não presta? Então a ligação não completada vira um filme de traição e ciúme que envenena a relação pois a mente insegura e a baixa autoestima traem antes do parceiro.

Afinal, nunca observei tanta distorção na forma de pensar quanto atualmente. Há um clima de desconfiança, indiferença e negativismo que não faz bem a ninguém. A insegurança povoa a mente, dá a mão ao medo, se submete à angústia. Uma “pensação disparada” onde sofrimentos antecipatórios se impuseram, preocupações irrealistas se apossaram de nossa mente , e tiraram de nós tempos de alegria, relaxamento e descontração. E o mais estranho é quando se pede às comadres: “tenha mais fé, entrega pra Deus”. E elas não largam o celular!

Continuo pregando no deserto: celular é fábrica de fazer doido! O dia em que houver um grande “bug” com hackers chineses, russos, árabes e brasileiros, ou uma tempestade solar acabar com as transmissões elétricas na Terra, psiquiatras perderão 90% de sua clientela! (transcrito de O Tempo)

Situação do país é pior do que se imaginava na campanha

Vicente Nunes
Correio Braziliense

A primeira semana de Dilma Rousseff como presidente reeleita foi de amargar. Nem o mais pessimista dos pessimistas acreditava que, em apenas cinco dias úteis, o governo revelasse que a situação econômica do país é pior do que se imaginava. Agora, se tem a noção clara do porquê o Palácio do Planalto adiou a divulgação de indicadores para depois das eleições. Temos um Brasil quase de joelhos.

Muitos dizem que foi surpreendente a alta de juros promovida pelo Banco Central na última quarta-feira. Não foi. Na verdade, o Comitê de Política Monetária (Copom) já deveria ter elevado a taxa básica (Selic) muito antes, devido à persistência da inflação no teto da meta, de 6,5%. Não o fez pelo desejo de Dilma de ser reeleita. O problema é que a situação se complicou de uma tal forma que, mesmo com a Selic passando de 11% para 11,25% ao ano, a carestia poderá fechar 2014 acima do teto da meta.

Esta semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dará um sinal explícito nessa direção. A previsão do Banco Santander é de que o indicador tenha subido 0,50% em outubro, cravando 6,68% em 12 meses. Se confirmado, será o segundo mês seguido em que o custo de vida superará o limite de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Até setembro, a inflação bateu em 6,75%.

PLANTANDO INFLAÇÃO

Isso mostra que a presidente Dilma plantou inflação para colher juros. Se realmente estiver disposto a retomar o controle da carestia, o BC terá que avançar no processo de aumento da Selic 2015 adentro. O aperto não vai parar na reunião de dezembro do Copom, quando se espera alta de 0,5 ponto na taxa básica, para 11,75%, o que fará com que a petista encerre o primeiro mandato com os juros um ponto percentual acima da taxa que recebeu de Lula.

Ou seja, se o arrocho dado pelo BC realmente for forte, com a Selic passando de 12%, como espera boa parte dos analistas, há um enorme risco de o Produto Interno Bruto (PIB) fechar o primeiro ano do segundo mandato de Dilma com retração. Juros altos inibem investimentos e o consumo e batem pesado na indústria, que está em recessão profunda — são quatro trimestres consecutivos de queda.

Assombrações, vida e morte num vale de lágrimas

Jacques Gruman

O nome, não lembro. Talvez seja uma obra menor na filmografia do Al Pacino. Um motorista bêbado atropela e mata uma moça. É condenado a alguns anos de prisão. O pai dela, inconformado, planeja vingar-se. Obcecado, sua vida passa a girar em torno de uma imagem única: o tiro que daria no assassino de sua filha, no momento exato em que ele saísse da cadeia. O tempo emocional para, a vida afetiva entra em colapso – quem aguenta um monotemático? -, não consegue se manter em nenhum emprego. Vira um trapo, riscando cada dia na folhinha e lustrando o revólver que sequestrara sua alma.

Chega o dia tão sonhado. Segue-se uma perseguição hollywoodiana, que termina num cemitério. Prestes a consumar sua vingança, o homem percebe que está na frente do túmulo da filha. Leva um choque, em tantos anos jamais tinha estado ali, artifício inconsciente para negar a tragédia. A pedra tumular tem um efeito libertador. Cai de joelhos, larga a arma e, finalmente, admite a morte da filha, dura e inevitável realidade, longamente soterrada por outra morte, a planejada.

Neste momento, lembrei de um velho ditado em ídish: trern zainen di zaif fun di neshome (numa tradução livre: lágrimas são o detergente da alma). O protagonista da história levou anos para admitir a perda e transitar para uma nova etapa. Chorar ajuda a atravessar o rio da nossa desesperança. Quantos de nós não enfrentam dilema semelhante, sejam perdas físicas ou simbólicas ?

O CHORO E O LUTO

O Menino teve a sua cota. O Grande, aflito profissional, não resistiu a um ataque cardíaco. Tinha pouco mais de quarenta anos. A primeira reação foi letárgica. Olhos, coração, corpo, tudo congelou no Menino. Foi nesse momento que veio o socorro providencial de uma vizinha com espírito mediterrâneo. Quebrou a couraça gelada na base do grito e de uma vigorosa sacudida. “Chora!”, ordenou aquela mulher sábia. E umidades ancestrais brotaram no rosto assustado.

O luto, entretanto, migrou rapidamente para o subterrâneo e só veio à tona depois de vinte e dois anos, tempo em que se recusou a visitar o cemitério. Quando o fez, foi surpreendido por sensações desconhecidas. Sobretudo chorou. Muito. Cada vez que olhou de frente para aquela pedra preta. A elaboração de tudo aquilo, tão fortemente negado, não foi fácil, mas, como é frequente em situações de perda, despedir-se termina por abrir caminhos.

CAPRICHOS DO TEMPO

Tal como a História, o tempo também cultiva seus caprichos. Não se comove com ansiedades, nem negocia acelerações. Vocês sabem que não sou religioso. No entanto, reconheço que certos rituais condensam um acúmulo de vivências que não vale a pena desprezar. Veja-se o caso do luto no judaísmo. Há pelo menos dois momentos em que se concede um tempo para que os enlutados mergulhem na memória afetiva e iniciem o lento e doloroso processo de despedida. Este convite, se debulhado da carga dogmática, é uma inspiração para a ultrapassagem da dor. Atenção: ultrapassagem não significa negação. O contato com o vazio existencial ou a morte física pode ser tão inaceitável, a dor tão corrosiva, que certas culturas terceirizaram o luto.

Bom exemplo disso são as carpideiras, que teatralizam a tristeza alheia, contratadas para honrar com lágrimas a memória do morto. É difícil, talvez mesmo inadmissível na nossa matriz de valores morais, imaginar um velório sem choro. Hoje, estão confinadas em regiões pobres, que relutam em abandonar tradições. Descobri uma gravação interessante sobre estas profissionais da dor, feita no interior de Portugal. Vale a visita: https://www.youtube.com/watch?v=8iEoWiQ1wQU.

FINITUDE DA VIDA

Andei pensando nesta peleja do homem com o horizonte de sua finitude, com a sensação de isolamento que acompanha as perdas inevitáveis. Como suportar a consciência destes chicotes? Conta-se que alguns dos povos que formam a nação peruana acreditam na existência de três mundos: o do céu, o do inferno e o da terra. Ao deixar esta vida, os malvados seriam precipitados num abismo em que aparecem todos os males que conhecemos na terra. Com uma diferença importante: nele não há descanso, nem esperança.

Eis a palavra chave: esperança. Não a esperança mística num pós-morte que apenas alivia a tensão existencial, mas a que chamo de esperança operária. Aquela que se constrói e se modifica ao longo da vida, dando-lhe significados e renovando sentidos. Sem essa trajetória criativa e mutante, corremos o risco de cair no vale de lágrimas a que se refere uma certa tradição católica: “A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas” (Ad te clamamus, exsules filii Hevae, ad te suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum Valle).

(artigo enviado por Mário Assis)

Itália só libertou Pizzolato porque Brasil não deu garantias

Jamil Chade
O Estado de S. Paulo

O Tribunal de Bolonha alerta que o Brasil não deu garantias de que o Complexo da Papuda teria condições de assegurar a proteção de Henrique Pizzolato e confirmou que tomou a decisão de não extraditá-lo baseada apenas nesse argumento. Mas a corte rejeitou o argumento do brasileiro de que o processo do mensalão foi “político” e que ele não teve o direito de se defender.

Ao fugir do Brasil, Pizzolato declarou que iria provar nas cortes italianas que havia sido alvo de uma “injustiça”. Ao sair da prisão, o brasileiro ainda elogiou a Justiça italiana, dizendo que era “muito melhor que a brasileira por não se basear na imprensa”.

Na terça-feira, porém, a Corte publicou a argumentação de sua decisão, tomada há uma semana e que soltou Pizzolato da prisão de Modena. A corte derrubou nove dos dez argumentos da defesa do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil.

O advogado do brasileiro na Itália, Alessandro Sivelli, havia alegado aos juízes que seu cliente sofreu um processo político no Brasil, que não teve a possibilidade de recorrer, que provas foram escondidas e que ele não teve como se defender. Para a Corte, as alegações são “todas infundadas”.

CASO DA PAPUDA

Mas o que mais pesou foi a violência nas prisões e o fato de que o Brasil não deu garantias diante “fenômeno alarmante da falta de segurança e de ordem nas penitenciárias brasileiras”. “A Corte entende que o Brasil nada exprimiu sobre esse fenômeno”, disse. “A situação que gera violência súbita entre os detentos não se alterou significativamente e ainda há risco”, acusa a corte.

Um dos pontos destacados foram os dois homicídios ocorridos neste ano na Papuda, em julho e agosto. Sivelli havia usado os casos para mostrar que os riscos eram reais e a corte acatou. Para ela, existe uma “situação dramática e endemicamente caracterizada pela violência”. “Papuda foi teatro de recente episódio de violência e há um perigo concreto de um tratamento desumano e degradante (a Pizzolato)”, declarou.

“No caso específico da Papuda, o complexo penitenciário foi palco de episódios de violência incontroláveis e é irrelevante que agressões tenham ocorrido em setores diferentes daquele para onde o governo brasileiro afirma que Pizzolato será levado”, afirmou a corte. “Tais eventos não foram contestados pelo Brasil” e mostram a “extensão e difusão do fenômeno”, afirmou sentença.

Ministério Público questiona o Programa Mais Médicos

Ricardo Brito e Lígia Formenti
O Estado de S. Paulo

O Ministério Público Federal em Brasília cobrou na Justiça que o governo Dilma Rousseff pague diretamente os médicos cubanos que atuam no programa Mais Médicos. Ponto de destaque na campanha de reeleição da petista, o programa prevê o pagamento de R$ 10 mil a cada profissional que tenha aderido ao Mais Médicos. Entretanto, os cubanos recebem mensalmente US$ 1 mil, por meio do convênio entre a União e a Organização Panamericana de Saúde (Opas).

O MPF contestou, em dois pareceres encaminhados à Justiça Federal do Distrito Federal, os termos do acordo entre a União e a Opas para viabilizar a vinda desses profissionais ao País. Os questionamentos judiciais foram apresentados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e um advogado, que moveram ações para tentar decretar a nulidade do convênio.

A procuradora Luciana Loureiro Oliveira, autora dos pareceres, afirmou que o acordo com a Opas não permite saber como foram empregados os recursos repassados pelo governo federal à entidade. Isto é, “não se pode saber, precisamente, quanto efetivamente cada médico vem recebendo pela sua participação no projeto Mais Médicos”.

“Note-se que a indagação não é de somenos importância, como quer fazer crer a União, porque, em sua defesa, está dito que os valores repassados à Opas (R$ 510.957.307,00), o foram à razão de R$ 10 mil por médico intercambista”, destacou Luciana, nas duas manifestações.

“FRANCAMENTE ILEGAL”

A procuradora afirmou que, embora reconheça a importância da motivação e da finalidade do Mais Médicos para o Brasil e das “inegáveis contribuições” que os médicos de Cuba podem trazer para o Sistema Único de Saúde (SUS), a forma como foi realizado o convênio com a Opas “se mostra francamente ilegal e arrisca o erário a prejuízos até então incalculáveis, exatamente por não se conhecer o destino efetivo dos recursos públicos brasileiros empregados no citado acordo”.

“É dizer, em breves linhas, que o convênio com a OPAS se ressente de graves vícios, eis que viola, a um só tempo, os princípios constitucionais da legalidade, da publicidade/transparência e da motivação dos atos administrativos”, disse.

Nos pareceres referentes às duas ações, apresentados nos dias 14 e 15 de outubro, antes do segundo turno das eleições, mas só divulgados na tarde desta terça-feira pela assessoria de imprensa do órgão, o MPF cobra que a Justiça Federal reveja decisões anteriores que rejeitaram pedidos de concessão de liminar para suspender os acordos.

O belíssimo e imortal Luar do Sertão

João Pernambuco e Catulo

A letra de “Luar do Sertão”, um dos maiores clássicos da MPB, é muito extensa e quase nunca foi gravada integralmente, além de ser o maior sucesso do poeta, compositor e cantor maranhense Catulo da Paixão Cearense (1863-1946), em parceria com João Pernambuco. Eis a letra completa e original, extraída do livro “Minhas Serestas” de Loris R. Pereira, paginas 61/64. A toada “Luar do Sertão” teve sua primeira gravação,em 1914, por Eduardo da Neves, pela Odeon.

LUAR DO SERTÃO

João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como este do sertão. ”
(refrão)
Oh que saudade do luar da minha terra,
Lá na serra branquejando,
Folhas secas pelo chão,
Esse luar cá da cidade, tão escuro,
Não tem aquela saudade,
Do luar lá do sertão.
(refrão)
Se a lua nasce por detrás, da verde mata,
Mais parece um sol de prata,
Prateando a solidão,
E a gente pega na viola que ponteia,
E a canção é a lua cheia,
A nos nascer no coração.
(refrão)
Quando vermelha, no sertão desponta a lua,
Dentro d’alma, onde flutua,
Também rubra, nasce a dor,
E a lua sobe…
E o sangue muda em claridade !
E a nossa dor muda em saudade…
Branca, assim, da mesma cor !!!
(refrão)
Ai !… Quem me dera, que eu morresse lá na serra,
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez !
Ser enterrado numa grota pequenina,
Onde à tarde a surunina,
Chora sua viuvez.
(refrão)
Diz uma trova,
Que o sertão todo conhece,
Que se à noite o céu floresce,
Nos encanta e nos seduz,
É porque rouba dos sertões as flores belas,
Com que faz essas estrelas,
Lá do seu jardim de luz !!!
(refrão)
Mas como é lindo ver depois,
Por entre o mato,
Deslizar, calmo o regato,
Transparente como um véu,
No leito azul das suas águas, murmurando,
Ir, por sua vez roubando,
As estrelas lá do céu !!!
(refrão)
A gente fria desta terra sem poesia,
Não se importa com esta lua,
Nem faz caso do luar,
Enquanto a onça, lá na verde capoeira,
Leva uma hora inteira,
Vendo a lua a meditar.
(refrão)
Coisa mais bela neste mundo não existe,
Do que ouvir um galo triste,
No sertão, se faz luar,
Parece até que a alma da lua é que descanta,
Escondida na garganta,
Desse galo a soluçar !!!
(refrão)
Se Deus me ouvisse, com amor e caridade,
Me faria esta vontade,
-O ideal do coração !
Era que a morte,
A descantar, me surpreendesse, e eu morresse
Numa noite de luar, no meu sertão !
(refrão)
E quando a lua surge em noites estreladas,
Nessas noites enluaradas, em divina aparição
Deus faz cantar o coração da natureza,
Para ver toda a beleza do luar do Maranhão !
(refrão)
Deus lá do céu, ouvindo um dia, essa harmonia,
-A do meu sertão, do meu sertão primaveril,
Disse aos arcanjos que era o hino da poesia,
E também a Ave Maria, da grandeza do Brasil !
(refrão)
Pois só nas noites do sertão de lua plena,
Quando a lua é uma açucena,
É uma flor primaveril,
É que o poeta, descantado a noite inteira….

                        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Petrobras acabará pagando nos EUA o preço da indolência

José Casado
O Globo

Jason Coomer lidera uma banca de advocacia em Austin, Texas. Como outros advogados americanos, ele está à caça de pessoas no Brasil que queiram ganhar dinheiro com denúncia anônima sobre pagamento de propinas na Petrobras.

Coomer explica na internet: “Quando funcionários do governo violam a lei, aceitando subornos para concessões de petróleo e contratos de compras, há base para ações legais (nos EUA) com grandes recompensas aos denunciantes”(internationalwhistleblower.com/brazilbribewhistleblowers.htm).

Um ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, revelou em delação premiada, no Brasil, traficâncias empresariais e partidárias que resultavam em subornos de até 3% sobre o valor dos contratos de bens e serviços.

Como a estatal e principais fornecedores atuam no mercado americano, sujeitam-se às leis anticorrupção. Sabe-se que os negócios da Petrobras estão sob investigação do Departamento de Justiça e da Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês).

Nos EUA, a delação anônima é premiada com até 30% do valor das multas, habitualmente milionárias, impostas às empresas pelos organismos de fiscalização. A Comissão de Valores Mobiliários mantém um programa de incentivo, o “SEC Whistleblower”. A palavra “whistleblower” define quem “toca o apito” numa corporação pública ou privada, divulgando informações confidenciais.

Três mil pessoas foram premiadas nas investigações da SEC durante o ano fiscal de 2013, encerrado no último 1º de outubro. Delas, 779 atuaram no anonimato, via advogado.

DEMORARAM 220 DIAS…

Parte da confusão que a Petrobras passou a enfrentar nos EUA tem origem na indolência demonstrada pelo governo Dilma Rousseff e pela direção da empresa. Exemplo: demoraram 220 dias, desde a prisão do ex-diretor, para cumprir uma exigência básica das leis do Brasil e dos Estados Unidos — a abertura de investigação independente sobre responsabilidades dos dirigentes em negócios suspeitos dos últimos dez anos. Remancharam, até a estatal receber ultimato do auditor fiscal, Price Waterhouse, que optou por não se associar aos riscos jurídicos.

A contratação de investigadores externos só foi anunciada no domingo eleitoral (27), com discrição. O comunicado está permeado pela autoindulgência dos diretores da estatal quando informam sobre seu “dever de diligência” no “contexto” de duas leis americanas. Na prática, levaram sete meses para decidir cumprir uma lei promulgada há 80 anos (o Securities Exchange Act), complementada por outra 37 anos atrás (o Foreign Corrupt Practices Act).

Até então, o governo e a direção da estatal contentavam-se com a letárgica revisão interna dos contratos da Refinaria de Abreu e Lima (PE) e do Comperj (RJ), conduzida pelo diretor José Carlos Consenza. Ele foi à CPMI do Senado, na semana passada. Apresentou 271 negativas em três horas de depoimento.

Desde 2012, Consenza comanda o projeto da refinaria pernambucana. Presidiu 33 reuniões, quase uma por semana, entre março e novembro do ano passado. Nelas foram aprovados 63 aditivos no valor dos contratos de bens e serviços, quase oito por mês. O custo aumentou em US$ 377 milhões (R$ 1, 7 bilhão). Ninguém questionou — registram as atas.