A Anatel em órbita: Como mandar, por 153 milhões, o lucro das multinacionais para cima, e o futuro do Brasil para o espaço

Mauro Santayana
(Jornal do Brasil)

A Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações licitou, há poucos dias, quatro grupos de direitos de exploração de satélites, em espaços reservados para o Brasil em órbita terrestre. Venceram a disputa a Hispamar Satélites, controlada pelo Grupo semiestatal espanhol Hispasat, que ficou com o primeiro grupo de posições licitado, por 65 milhões de reais; a também europeia, de Luxemburgo, SES-DHT, que ficou com o segundo e o terceiro grupos licitados, por 33 e 26,8 milhões de reais; e a também europeia Eutelsat, controlada majoritariamente pelo governo francês, que ficou com o quarto grupo, por 28,35 milhões de reais.

Como esse espaço, mesmo, que fique algumas dezenas de quilômetros acima de nossas cabeças, pertence à União, e, portanto, a todos os cidadãos brasileiros, seria interessante, se pudéssemos saber:

Quais são os critérios usados pela Anatel para a fixação de preço para uma posição de satélite durante 15 anos, renovável por mais 15 anos? Levou-se em consideração a cobertura, o número de transponders e de canais que serão instalados no satélite?

Esses satélites poderão alcançar apenas o território brasileiro, ou também outros países e regiões do mundo? Que tipos de serviços serão prestados por meio desses satélites? Banda Larga, telefonia, tv a cabo, outros?

Qual é o potencial de faturamento nos próximos 15, 30 anos, em princípio, desses satélites, na prestação direta de serviços à população, e a empresas de telecomunicações, internet, televisão, rádio, etc.? Esse potencial foi calculado, com base, por exemplo, no faturamento atual do mercado de comunicações brasileiro?

ALUGUEL OU PERCENTUAL

Nesse caso, por que não se estabeleceu um “aluguel” anual para o Estado Brasileiro, por cada satélite, ou um percentual de retorno mínimo em cima do faturamento mensal, ou anual, de cada satélite?

O mercado brasileiro de telecomunicações – criminosamente desnacionalizado nos anos 90 – fatura mais de 200 bilhões de reais por ano, e representa aproximadamente 54% do mercado latino-americano. Considerando-se, em uma conta rápida, que isso dá mais de 500 milhões de reais por dia – em troca de o país receber péssimos serviços e pagar, segundo a União Internacional de Telecomunicações, das mais altas tarifas do mundo – a Anatel licitou quatro posições de satélites, cada uma com um tremendo potencial de venda de um amplo leque de serviços, por menos da metade do que se fatura, em telecomunicações, no Brasil, por dia.

Nesse caso, qual foi a contrapartida oferecida pelas empresas europeias à indústria nacional, para vencer, por esse preço, essa licitação?

Os satélites que serão construídos e lançados a um custo de centenas de milhões de dólares, terão algum conteúdo mínimo nacional? Qual é a vantagem que nossos pesquisadores, e a indústria brasileira, terão nesse processo?

O Brasil já constrói satélites, como os CBERS, com 50% de conteúdo nacional, e 50% de nossos parceiros chineses. Também dispomos de laboratórios, como os do INPE, capazes de testar e certificar satélites estrangeiros, como fazemos, por exemplo, para a Argentina.

No caso de não se ter feito nenhuma exigência nesse sentido, porque essa questão, ou essa possibilidade, não foi contemplada no Edital de licitação da Anatel?

SEM FUNCIONAR

Afinal, trabalhar com tecnologia estrangeira, nem sempre é garantia de ausência de problemas. Um satélite da própria Hispasat,o  Amazonas A4, lançado da Base Aérea de Kourou, na Guiana Francesa, no início do mês de maio, está sem comunicação com a Terra, e pode ser que não venha a funcionar.

Finalmente, considerando-se a importância estratégica da comunicação orbital para qualquer país – mesmo que já se esteja projetando, por meio da Visiona, o desenvolvimento de um satélite para uso militar – e que as posições foram leiloadas por preço mais do que acessível, porque não se reservou pelo menos uma delas para uma empresa de capital nacional, ou o BNDES, por exemplo, não entrou, com a Telebrás, nesse processo?

Aqui, no Brasil falar em capital estatal na área de telecomunicações é pecado, mas poucos sabem que a Hispasat, vencedora na licitação da Anatel, tem capital da La Caixa, instituição financeira controlada pelo governo da Catalunha, por meio de fundos de pensão públicos, via ABERTIS, e da SEDI – Sociedad Estatal de Participaciones Industriales, e do CDTI – Centro para el DesarolloTecnológico e Industrial, que pertencem ao Governo Espanhol.

HOUVE CONCORRÊNCIA?

O que ocorrerá, no futuro, se precisarmos de novas posições para a instalação de satélites de comunicações nacionais e de defesa – nos próximos 30 anos, por exemplo?  Teremos mais vagas, em órbita, além das que foram “leiloadas” agora? Finalmente, e mais importante: houve mesmo concorrência nessa licitação?

A Eutelsat, que ficou com o quarto direito de exploração de satélite, por 28,35 milhões de reais, é o segundo maior acionista, com 33,69%, da Hispasat, maior acionista da Hispamar, que ficou com o primeiro direito de exploração licitado, por 65 milhões de reais. E a ABERTIS, que é a maior acionista da Hispasat, com 57,5% das ações, também é o segundo maior acionista da Eutelsat, com 8,4% das ações.

Foi permitido que os mesmos investidores  concorressem a mais de um grupo de direitos? Esse tipo de participação cruzada é permitido nas licitações da Anatel? Em caso afirmativo, isso ajuda a concorrência, ou a atrapalha? Isso não bastaria para anular a licitação?

Na década de 70, logo depois da viagem da Apolo 11, muita gente ficou rica vendendo terrenos na Lua, para os incautos. Precisamos saber se não estamos dando uma de bobos, entregando, da forma como foi feito, nossos “slots” para comunicação via satélite, situados em órbita.

 

Juiz federal alerta que doleiro e outros criminosos da Lava Jato agora podem fugir do país

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Fausto Macedo
Estadão

O juiz Sérgio Fernando Moro, da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, enviou na segunda-feira, 19, ofício ao ministro Teori Zavazcki, do Supremo Tribunal Federal (STF) em que informa sobre o risco de fuga do doleiro Alberto Youssef, alvo maior da Operação Lava Jato – investigação sobre lavagem de dinheiro que pode ter alcançado R$ 10 bilhões.

Também na segunda-feira, Teori mandou soltar todos os investigados que foram presos pela Lava Jato, acolhendo reclamação da defesa do engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás.  O ministro também mandou que todos os outros processos da Lava Jato sejam enviados ao STF.

O juiz ressalta que seu objetivo é unicamente esclarecer o total alcance da decisão. “A fim de evitar que os processos, a ordem pública e a aplicação da lei penal sejam expostas a riscos por mera interpretação eventualmente equivocada de minha parte.”

O juiz informa o ministro que já mandou expedir alvará de soltura do engenheiro, mas consulta Teori para que esclareça sobre o “alcance da decisão, já que não foram nominados os acusados que devem ser soltos e os processos que devem ser remetidos ao Supremo Tribunal Federal”.

O juiz assinala que outros processos no âmbito da Lava Jato não têm Paulo Roberto Costa como denunciado. São investigações sobre tráfico de 698 quilos de cocaína e lavagem de dinheiro produto de tal crime. Ele cita o investigado René Luiz Pereira, acusado de ser o mandante de remessa de 55 quilos da droga apreendidos em Valência, na Espanha.

CONEXÃO E TRÁFICO

“Há indícios de que (René) compõe grupo organizado transnacional com diversas conexões no exterior e dedicado profissionalmente ao tráfico de drogas”, observa o juiz federal.

Ele destaca que esta ação penal também tem por acusados Sleiman Nassim El Kobrossy, Maria de Fátima Stocker, Carlos Habib Chater, André Catão de Miranda e Alberto Youssef este o alvo principal da Lava Jato.

“Um deles, Sleiman, que não foi preso preventivamente, já está foragido”, informa o juiz no ofício ao ministro Teori Zavascki. “Outro está preso na Espanha. Assim, muito respeitosamente, indago à V.Ex.ª o alcance da decisão referida, se este feito de tráfico de drogas e lavagem também deve ser remetido ao Supremo Tribunal Federal e se devem ser colocados soltos os acusados neste feito, entre eles Renê Luiz Pereira, preso por risco à ordem pública pelo indícios de envolvimento em organização criminosa responsável por tráfico de cerca de 750 kg de cocaína.”

O juiz federal também observa que “entre os outros feitos originados na assim denominada Operação Lava-jato, encontram-se as ações penais 5026243-05.2014.404.7000, 5026663-10.2014.404.7000 e 5025699-17.2014.404.7000 que têm por objeto crimes financeiros e de lavagem de dinheiro envolvendo três grupos distintos dirigidos por supostos doleiros, um dirigido por Carlos Chater, outro por Nelma Kodama e o terceiro por Alberto Youssef.”

CONTAS ELEVADAS NO EXTERIOR

O juiz anota que se estas três ações penais também devem ser remetidas ao Supremo Tribunal Federal e se devem ser colocados soltos os acusados neste feito, entre eles Carlos Chater, Nelma Kodama e Alberto Youssef.

“Informo por oportuno que há indícios, principalmente dos dois últimos, que eles mantêm contas no exterior com valores milionários, facilitando eventual fuga ao exterior e com a possibilidade de manterem posse de eventual produto do crime.”

O juiz observa, ainda, que a doleira Nelma Kodama foi presa em flagrante nas vésperas da operação Lava Jato, em tentativa de fuga do país quando portava, no aeroporto de Guarulhos, 200 mil euros escondidos na roupa íntima.

 

O fantasma que ronda o futuro dos meninos de rua

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A assistente social, letrista e poeta Márcia Figueiredo Barroso, nascida em São Gonçalo (RJ), no poema “Fantasma Negro” retrata o cotidiano caótico dos moradores de rua, vítimas do desajuste social.

FANTASMA NEGRO
Márcia Barroso

A cara do sofrimento
Dorme ao relento
Nas ruas vazias
Vadias,
Repletas de nada
Nos Reflexos das luzes
Escuras…
Corpos que se agasalham
Nos trapos
Farrapos deixados pelos caminhos
Sujos
Abandonados
Invisíveis
Sofrem calados
Porque o choro silenciou
Na garganta seca
E o medo de tão intenso
Esqueceu de assustar…
A cara da fome
Mama nas tetas flácidas
Recostadas nas calçadas
Com as mãos abertas
Pedintes
Famintas
A barriga não ronca
Ela ruge
Exige
Mas não tem resposta
E troca
O pedaço de pão
Pela ilusão
Do crack
Ou qualquer outra droga
Que possa saciar
O desejo de se alimentar
De vida
De alívio
Da fome que nada sacia
E a barriga segue vazia
E qualquer farelo não basta
Pois o desejo de pão é ancestral
Animal
E pede, pede
Mas ninguém dá.
Então exige, ataca
E não acata,
Porque precisa saciar
Uma fome que não mata
Porque desacata
A ordem de seguir vivendo
Como um fantasma negro
Zumbi
Que mostra a existência nula,
Chula,
Inútil e resistente
Vivente…
A cara da solidão
Se esconde amedrontada
Teme ser reconhecida
Por quem a abandonou.
Cresceu só
E aprendeu que não tem par
Vive
Porque insiste
Suporta
Mas não sabe ser sozinho
E busca alguém para abraçar
Acalentar
Amar
E faz um filho
Para preencher o vazio
Desta inexistência
Viva
De não ser ninguém.

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

 

Para evitar impunidade, juiz envia logo ao Supremo o processo sobre a Refinaria Abreu e Silva

André Richter
Agência Brasil 

O juiz Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, determinou hoje (19) que a investigação sobre os supostos desvios de recursos públicos na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, seja encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF). No processo, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e outros acusados são investigados por lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, a obra foi orçada em R$ 2,5 bilhões e alcançou gastos de R$ 20 bilhões.

A decisão de Moro foi tomada seguindo despacho do ministro Teori Zavascki, que determinou a suspensão de oito ações penais oriundas das investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Segundo o ministro, a íntegra dos processos da Operação da Lava Jato deve ser encaminhada ao Supremo para que a Corte decida sobre o desmembramento dos processos.

Na semana passada, Moro enviou ao Supremo apenas parte do processo na qual o deputado federal André Vargas (sem partido-PR) é citado. Vargas não é investigado na Operação Lava Jato, no entanto, a suspeita de envolvimento entre o parlamentar e o doleiro Alberto Youssef foi descoberta durante as investigações. Na decisão, o juiz entendeu que somente o Supremo pode julgar o deputado. Por ser parlamentar, Vargas tem foro privilegiado e não pode ser julgado pela Justiça de primeira instância.

A segunda ação penal, na qual Costa é acusado de obstruir as investigações, também será encaminhada ao ministro Teori Zavascki. No processo, também são réus as duas filhas dele, Arianna e Shanni Costa, e os dois genros.

SUPERFATURAMENTO

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os desvios na construção da refinaria ocorreram por meio de contratos superfaturados feitos com empresas que prestaram serviços à Petrobras entre 2009 e 2014. Segundo o MP, a obra foi orçada em R$ 2,5 bilhões, mas custou mais de R$ 20 bilhões. De acordo com a investigação, os desvios tiveram a participação de Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento, e de Youssef, dono de empresas de fachada, segundo o órgão.

Na defesa prévia apresentada à Justiça, os advogados do ex-diretor informaram que os pagamentos recebidos das empresas do doleiro, identificados como repasses ou comissões, foram decorrentes de serviços de consultoria prestados. No entanto, de acordo com o juiz, a Polícia Federal e o Ministério Público não encontraram provas de que os serviços foram prestados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEste jovem juiz Sergio Fernando Moro é um exemplo. Surpreendido com o açodamento do novo ministro do Supremo, Teori Zavascky, que soltou de uma vez só todos os denunciados, o magistrado paranaense imediatamente mandou remeter o inquérito ao Supremo, que agora vai demorar décadas para se pronunciar. E ainda dizem que o nome disso é Justiça… (C.N.)

43 anos depois, cinco militares enfim são denunciados pela morte de Rubens Paiva

Rubens Paiva

Vladimir Platonow
Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro denunciou hoje (19) cinco militares reformados pelos crimes de homicídio e ocultação do cadáver do ex-deputado Rubens Paiva (foto). O crime foi cometido entre os dias 21 e 22 de janeiro de 1971, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do 1° Exército, no Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, zona norte do Rio.

Os cinco militares também foram denunciados por associação criminosa armada, e três deles, por fraude processual. O MPF denunciou o ex-comandante do DOI, general José Antônio Nogueira Belham, e o ex-integrante do Centro de Informações do Exército (CIE), coronel Rubens Paim Sampaio, por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa armada. Foram denunciados por ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa armada o coronel reformado Raymundo Ronaldo Campos e os militares Jurandyr Ochsendorf e Souza e Jacy Ochsendorf e Souza.

CRIMES DE ESTADO

O procurador da República Sérgio Suiama explicou que as ações que resultaram na prisão e morte de Rubens Paiva se enquadram como crimes de Estado, praticados sistematicamente e de forma generalizada contra a população. Por isso, segundo ele, os crimes podem ser tipificados como de lesa-pátria. Ele argumenta que não há prescrição porque são crimes cometidos contra a humanidade. Da mesma forma, também os praticantes não são beneficiados pela Lei da Anistia.

A filha de Rubens Paiva, Vera Paiva, participou da coletiva no MPF e disse estar agradecida pelo desfecho da denúncia. “Agradeço o privilégio de estabelecer um marco como o Brasil tem tratado a violência de Estado”, declarou ela, que citou o caso do pedreiro Amarildo de Souza como exemplo da permanência da violência contra o cidadão.

As investigações do MPF duraram cerca de três anos e envolveram a análise de 13 volumes de documentos. Foram tomados depoimentos de 27 pessoas.

Liberou geral! Ministro do STF manda soltar todos os presos na Operação Lava Jato

André Richter
Agência Brasil 

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou hoje (19) que sejam libertados todos os investigados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), que estão presos. Entre os beneficiados pela decisão estão o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. Todos os investigados deverão entregar os passaportes ao Supremo em 24 horas.

O ministro também determinou que oito ações penais, abertas pelo juiz Sérgio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, para apurar as denúncias apuradas na operação, sejam suspensas. Zavascki entendeu que, em função da presença de parlamentares, que são citados nas investigações, o juizado de primeira instância não pode continuar com a relatoria dos processos. Por isso, deve enviar todos os processos ao Supremo, para que os ministros decidam quem será investigado pela Corte.

“O plenário desta Suprema Corte mais de uma vez já decidiu que ‘é de ser tido por afrontoso à competência do STF o ato da autoridade reclamada que desmembrou o inquérito, deslocando o julgamento do parlamentar e prosseguindo quanto aos demais’, argumentou o ministro.

A decisão foi tomada após o juiz Sérgio Moro enviar ao ministro, na sexta-feira (16), parte da investigação da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, na qual o deputado federal André Vargas (sem partido-PR) é citado. Moro remeteu as investigações ao STF por entender que cabe à Corte apurar a relação entre Vargas e o doleiro Alberto Youssef. O deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) também é citado em outras conversas.

ANDRÉ VARGAS

André Vargas não é investigado na Operação Lava Jato, no entanto, a suspeita de envolvimento entre o parlamentar e o doleiro foi descoberta durante as investigações.

Com autorização da Justiça, a Polícia Federal quebrou o sigilo de 270 mensagens de texto trocadas entre Vargas e Youssef e descobriu a relação próxima entre eles. A primeira conversa monitorada pela PF foi no dia 19 de setembro de 2013 e a última, em 12 de março.

Inicialmente, a PF teve dificuldade para concluir que o interlocutor André Vargas se tratava do deputado. As mensagens foram enviadas de celulares da marca Black Berry, aparelhos considerados mais seguros, devido à grande capacidade de ocultar a identidade dos usuários.

Com a quebra do sigilo telefônico, a PF descobriu que o número de identificação fornecido pela Black Berry era o mesmo do aparelho do deputado. Os agentes da PF chegaram aos contatos do deputado por meio de vários cartões de visita de Vargas que foram apreendidos na GFD Investimentos, uma das empresas de Youssef.

A BORDO DO JATINHO

A relação entre os dois tornou-se conhecida por meio de uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada em abril. De acordo com o jornal,  Vargas usou um avião do doleiro para uma viagem a João Pessoa.

Segundo o jornal, o empréstimo da aeronave foi discutido entre os dois por mensagens de texto no início de janeiro. Em outras mensagens, Vargas e o doleiro discutiram assuntos relacionados a contratos com o Ministério da Saúde, por meio do Laboratório Labogen.

Deflagrada no dia 17 de março, a Operação Lava Jato desarticulou uma organização que tinha como objetivo a lavagem de dinheiro em seis estados e no Distrito Federal. De acordo com as informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os acusados movimentaram mais de R$ 10 bilhões.

PMDB insiste que Lula defina logo a atuação nas campanhas estaduais

Grasielle Castro
Correio Braziliense

Nem mesmo a ala do PMDB satisfeita com a aliança do partido com o PT ficou imune às declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre palanques. Até ele, que tinha um bom trânsito no maior partido aliado, conseguiu azedar ainda mais a relação. No Encontro Nacional do PT, organizado para reforçar a pré-candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff, Lula disse que não está sujeito aos acordos feitos pelo presidente do PT, Rui Falcão.

“Temos um pequeno problema para resolver que é o seguinte: a Dilma, por conta dos acordos da aliança, não vai poder ir a vários lugares. Eu não sou presidente do PT. Então, não estou subordinado aos acordos que o Rui Falcão fez. Aonde tiver candidato do PT, eu estarei lá”, disse.

Desde o encontro, feito há cerca de duas semanas, os peemedebistas mais conciliatórios buscam, ainda sem sucesso, acertar a relação. Outros, mesmo sinalizando apoio à manutenção da chapa de Dilma com o vice-presidente, Michel Temer, assim como os dissidentes, não querem saber de conversa. O argumento é que o ex-presidente está agindo como o PT, sem atenção com as alianças, e que o peso do PMDB é essencial para a vitória da Dilma.

LULA É FUNDAMENTAL

Para os peemedebistas, há o entendimento de que a imagem de Lula — que na sexta-feira disse ser babaquice ter metrô até os estádios da Copa — é fundamental em alguns estados. Uma fonte do partido ressalta que o fator político de Lula como cabo eleitoral é tamanho que é usado como suporte para a presidente Dilma Rousseff. “A figura dele é fundamental em alguns estados, por isso essa presença precisa ser conversada. E está sendo. É preciso estabelecer padrões”, disse.

Justiça Eleitoral vai receber a lista com 6 mil fichas sujas, impedidos de se candidatarem

Cristina Indio do Brasil
Agência Brasil

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, encaminhará até junho ao novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dias Toffoli, uma lista com cerca de 6 mil gestores que estarão impedidos de participar das próximas eleições. Segundo Nardes, a relação está em fase final de preparação.

“É uma lista de condenados pelo TCU, chamada ficha suja, das pessoas que não têm as contas aprovadas em todo o país. É significativo, mas além de fazermos a avaliação da legalidade, avaliamos a questão da governança e da qualidade dos serviços prestados”, disse Nardes. Ele participou do lançamento do portal Fiscaliza Rio 2016, criado pelo TCU e pelos tribunais de contas do Estado do Rio e do Município do Rio de Janeiro.

Durante a cerimônia, o presidente do TCU disse que o país terá decepções com a Copa e destacou que em torno de 50% das obras prometidas não foram concluídas. “Estive em Cuiabá e fiquei impressionado. Está uma praça de guerra”, disse. Nardes também citou dificuldades nos aeroportos de São Paulo, Rio, Fortaleza e Belo Horizonte.

DAR UM JEITINHO…

“Espero que a Copa seja um sucesso até pelo jeitinho dos nossos atletas, que nesse aspecto é positivo. Mas no jeitinho de fazer as obras no Brasil, com certeza estamos deixando a dever no sentido de apresentar para a sociedade uma solução melhor”, avaliou. Para Nardes, o visitante passará por constrangimentos no transporte durante o torneio provocados pela falta de planejamento.

Para o presidente do TCU, a grande tragédia do Brasil é a ausência de governança, que impede os projetos de serem entregues de forma adequada. Quanto à fiscalização das obras das instalações para as Olimpíadas de 2016, ele disse que os três tribunais estão trabalhando em conjunto, e o portal ajudará nessa tarefa.

Mais cedo, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, tinha dito que a Copa não é o foco das manifestações pelo país. Segundo ele, as reivindicações estão relacionadas a demandas sociais, não diretamente ao torneio. O ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que os protestos não assustam o governo e são democráticos, desde que os manifestantes não recorram à violência.

FISCALIZAÇÃO

“No caso de Deodoro [Complexo Esportivo de Deodoro, na zona oeste da cidade, onde serão disputadas algumas modalidades como tiro, hipismo e esgrima], estamos com a fiscalização em conjunto para que as obras não atrasem, ou seja, estaremos de olho a todo momento e usando este portal como forma de controle”, destacou Nardes. Ele também citou preocupação com as obras de extensão do metrô do Rio até a Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade.

O portal pode ser acessado pelo endereço www.fiscalizario2016.gov.br. Além de português, os textos serão publicados em inglês e espanhol. A página permitirá que qualquer pessoa acompanhe os gastos, a execução de projetos, as fiscalizações dos tribunais e as notícias sobre os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, que ocorrerão no Rio de Janeiro.

Vírus, transgressão e acaso no futebol

Tostão

Faltam 24 dias para a grande festa do futebol, e o ambiente continua tenso, tumultuado, obscuro. Vários estádios ainda não estão prontos. Aumentaram os protestos, as greves, a incerteza, a perplexidade e a insegurança, diante de tanta violência. Existe uma descrença nas instituições. O cidadão está indeciso entre lamentar, protestar e festejar a Copa. Muitos farão de tudo.

Já com a seleção há um grande otimismo. O Brasil voltou a ser temido, ainda mais em casa, após a brilhante vitória sobre a Espanha na Copa das Confederações. Todos os outros técnicos estão estudando nossa seleção. Já sabem que o time brasileiro costuma marcar por pressão, desde o início, para tentar fazer logo um gol, e que, em vez da troca curta de passes e da posse de bola, prefere chegar rapidamente ao gol. Para anular essa velocidade, vão formar duas linhas de quatro, próximas à área, como fez o San Lorenzo, contra o Cruzeiro, que se limitou a dar chutões e a cruzar a bola. 

Os outros técnicos sabem que os habilidosos laterais brasileiros avançam muito e que precisam ser marcados por meias, pelos lados. Sabem ainda que Daniel Alves, por causa de Hulk, é mais protegido que Marcelo, já que Neymar volta pouco para marcar o lateral. Por isso, muitas vezes, ele troca de posição com Oscar e passa a jogar mais pelo centro, mais próximo de Fred e do gol. Por outro lado, com Oscar pela esquerda, falta um meia de ligação, para ajudar os volantes na transição da defesa ao ataque. 

Ainda bem que os zagueiros da seleção possuem um bom passe. Já os dos times brasileiros, com raras exceções, como o veterano Juan, do Inter, e o argentino Otamendi, do Atlético, só dão chutões. Quando tentam passar a bola, erram. Não treinam, e os técnicos não exigem isso deles, por medo. Cria-se um ciclo negativo de mediocridade. É uma, entre dezenas de deficiências.

SABEM TUDO…

Os outros técnicos sabem que Daniel Alves e Marcelo, por serem baixos, não fazem bem a cobertura dos zagueiros, nos cruzamentos pelo alto, de um lado para o outro, no segundo pau, nas costas dos defensores centrais. O Barcelona, com Daniel Alves e Jordi Alba, sofre muitos gols dessa maneira.

Felipão e Murtosa também sabem tudo sobre as outras seleções. Em uma Copa, com jogos mata-mata, as partidas tendem a ser muito táticas, na tentativa de controlar o imponderável e de anular a estratégia do outro time. 

Ainda bem que existem o acaso, os jogadores excepcionais, transgressores, e a jogada de craque, que não precisa ser realizada, necessariamente, por um craque. Funcionam como um vírus, um vírus bom, que invade e desconfigura o sistema e engrandece o espetáculo.

Parafraseando a belíssima música de Lô Borges e Márcio Borges, quem sabe isso quer dizer talento, arte de jogar futebol?

 

Comissão da Verdade reúne grupos estaduais e municipais para trocar informações

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) vai reunir esta segunda-feira, em São Paulo, representantes das comissões estaduais e municipais de todo o país para apresentar um relatório parcial daquele que será concluído e apresentado em dezembro pelo órgão. O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Estado, Antônio Ribeiro Romanelli, vai participar do encontro.

Durante a reunião, os integrantes da CNV também irão solicitar informações coletadas pelos grupos locais que possam subsidiar o documento final. As comissões têm como objetivo esclarecer as violações de Direitos Humanos durante o regime militar (1964 a 1985).

A comissão de Minas Gerais vai comparecer ao encontro de São Paulo para debater os rumos das investigações e pesquisas feitas no Estado. “As nossas cinco subcomissões estão fazendo o levantamento das fontes documentais. Estamos estabelecendo termos de cooperação com entidades para que possamos ter acesso ao máximo de documentos possíveis. Depois vamos dar início à coleta de depoimentos”, explicou Maria Céres Pimenta Spínola Castro, coordenadora-adjunta da Comissão da Verdade do Estado de Minas Gerais.

CRIANÇAS E JOVENS

A Comissão da Verdade em Minas Gerais foi instituída por lei promulgada pelo então governador Antonio Anastasia, em julho do ano passado, depois do projeto de lei da deputada Liza Prado ter sido aprovado pela Assembleia Legislativa. Decreto publicado em agosto regulamentou a lei.

Dentre as cinco subcomissões que fazem parte da comissão de Minas, está a que trata de crianças e jovens que tiveram o contato com os pais interrompidos por ações do regime militar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA reunião de hoje pode ficar animada, porque a Comissão da Verdade de São Paulo concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado, enquanto a Comissão Nacional da Verdade diz que foi só um acidente. Onde estará a verdade? (C.N.)

 

Serra ironiza as notícias de que poderia ser candidato a vice de Aécio

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) afirma que nunca foi pré-candidato a vice na chapa presidencial do PSDB encabeçada pelo senador mineiro Aécio Neves e que pretende apenas concorrer a uma vaga na Câmara ou no Senado nas eleições de outubro deste ano.

“Há coisas que chegam a ter a sua graça, talvez involuntária. Fui literalmente atropelado pela suposta informação de que sou pré-candidato a vice-presidente na chapa presidencial do PSDB, que terá o senador Aécio Neves na cabeça. Nunca fui pré-candidato a vice. Também inexistem ‘interlocutores’ atuando em meu nome”, afirmou.

Na nota, Serra fez ainda uma crítica à imprensa e classificou como “jornalismo criativo” as matérias que foram publicadas sobre o assunto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Serra detesta Aécio. Acha que o político mineiro o traiu na eleição presidencial, sem se esforçar para elegê-lo contra Lula. Agora, está dando o troco. Nada fará para eleger Aécio. E la nave va… (C.N.)

Viajando na águas do Mucuripe, com Fagner e Belchior

O produtor, instrumentista, cantor e compositor cearense Raimundo Fagner Cândido Lopes, compôs em parceria com Belchior a belíssima “Mucuripe”, inspirada na paisagem pesqueira daquela praia, no Ceará, cuja letra reflete o sofrimento pelo abandono de um grande amor.

Para curar o coração, nada como sair bem vestido (chamando atenção) para a noitada, em busca de um novo amor: “Calça nova de riscado, paletó de linho branco, que até o mês passado, lá no campo inda era flor”. Embora o “Ouro Branco do Ceará” seja o algodão mocó, Belchior usou o linho branco, proveniente dos campos europeus, algo mais sofisticado e caro.

A música Mucuripe foi um grande sucesso com Elis Regina, embora tenha sido gravada, anteriormente, pelo Fagner no Disco de Bolso do Pasquim, em 1972, pela Phonogram

MUCURIPE

Belchior e Fagner

Aquela estrela é dela
Vida, vento, vela, leva-me daqui

As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas
Prás águas fundas do mar

Hoje a noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar

Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo ainda era flor

Sob o meu chapéu quebrado
O sorrido ingênuo e franco
De um rapaz novo encantado
Com 20 anos de amor

 

         (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Foco no eleitor mais pobre

Murilo Rocha

A propaganda lançada na televisão pelo PT ainda vai dar muito pano para manga, mas já deixa claro algumas diretrizes do partido. No vídeo, famílias em situações do dia a dia – andando de carro, fazendo compras, tomando sorvete – se deparam com “fantasmas do passado”. Eles se veem nos mesmos locais, mas em uma condição social bem pior anos atrás. Quem agora tem um automóvel se lembra da época de retirante andando a pé pelas estradas. O menino com mochila nas costas ao lado da mãe recorda do tempo de pedinte nos sinais de trânsito. E por aí vai ao longo de um minuto, com imagens de cinema e um clima meio deprê.

Do ponto de vista do sentimento abordado por detrás do comercial, não há novidade. O PT aposta no medo, no “terrorismo” em relação a uma futura mudança para atingir o eleitor. É como se dissesse: olha, se mudarmos a direção do país, todas essas conquistas – o carro, a escola, o remédio – podem acabar. A tática já foi usada contra Lula inúmeras vezes, desde sua primeira eleição presidencial, em 1989, quando ele era associado a um terrível comunista disposto a acabar com a propriedade privada, até 2002, quando a atriz Regina Duarte disse “ter medo” de um candidato que havia mudado demais ao longo dos anos.

Nas três primeiras vezes, a tática do medo funcionou. Na última, a aparição da atriz global acabou provocando uma reação contrária à campanha de Serra, apoiado por Regina Duarte.

O mais interessante agora, porém, não é a volta da estratégia do medo, mas o direcionamento da campanha. Em um dos momentos mais críticos até então, quando Dilma cai nas pesquisas e é atacada por todos os lados, principalmente, nas regiões Sudeste e Sul do país, o PT decide ignorar esse público e priorizar sua força de votos com as classes mais pobres.

NOVA CLASSE C

O comercial tem o foco explícito nos novos brasileiros da classe C. O partido quer fidelizar a população beneficiada pelos programas sociais, como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Pronatec.

E a predileção por esse eleitor, assim como a produção do novo vídeo, não é gratuita. De acordo com dados do Datafolha, a maior parte do eleitorado brasileiro tem entre 25 e 34 anos, mora em cidades com menos de 50 mil habitantes, possui ensino médio e renda familiar mensal baixa, de até R$ 1.448. Ou seja, mais uma vez, a população de baixa renda é quem irá decidir o pleito.

Esses dados talvez expliquem a nova postura do PT, ignorando os ataques de parte do empresariado brasileiro e dos dois principais candidatos de oposição, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

O partido parece apostar em um eleitorado fiel e em expansão e também em um teto de crescimento da oposição. (transcrito de O Tempo)

 

Governo do PT é melhor do que o do PSDB, mas ambos seguiram erradamente o Consenso de Washington

Flávio José Bortolotto

A meu ver, tanto o PSDB-Base Aliada, como o PT-Base Aliada, não governaram de forma correta o Brasil, pois ambos mantiveram nossa economia em duplo déficit (déficit fiscal de cerca de 3,5% do PIB, o governo federal gastando sempre mais do que arrecada, e principalmente déficit do Balanço de Pagamentos Internacional, hoje na ordem de aproximadamente US$ 90 bilhões/ano, permitindo assim que a cada ano saiam mais riquezas do entram no Brasil, internacionalizando cada vez mais nossa economia.

Dentro desse quadro, que não é bom para nossa economia, o PT-Base Aliada governou melhor, porque melhorou um pouco o padrão de vida médio nacional, via diminuição do desemprego, aumento real do salário mínimo, hoje em R$ 724,00; salário médio nacional, que hoje atinge R$ 2 mil, tudo isso com US$ dolar = R$ 2,2, e Inflação dentro do teto máximo da meta = 6,5% ao ano.

Fez reservas nos tempos bons de cerca de US$ 430 bilhões, tendo ainda hoje US$ 370 bilhões. Mas o Brasil tem potencial humano e material para fazer muito mais.

CONSENSO DE WASHINGTON

Ambas as administrações seguiram a mesma diretriz geral do Consenso de Washington (Disciplina Fiscal; Redução de Gastos Públicos; Privatização de Estatais; Incentivo ao Investimento Estrangeiro Direto e Indireto; Juros de Mercados; Câmbio de Mercados e Abertura Comercial).

Só que o PT-Base Aliada foi mais esperto e foi mais nacionalista dentro das circunstâncias, mais keynesiano, protegeu mais nosso mercado interno e manejou melhor nosso Tripé Estabilizador (Meta de Inflação – Superávit Primário – Câmbio Flutuante , e metendo pé até na tábua do motor do crédito.

Exemplo: governo FHC leiloava pedágio de estrada pelo preço máximo; governo Lula/Dilma, pela tarifa mínima. É diferente. Mas melhor ainda seria não ter pedágio nas estradas, como antigamente.

FAZENDO EM CASA

No estratégico setor Petróleo/Gás, o governo FHC ia reduzindo a participação do governo até ficar quase tudo na mão das multinacionais. Não estaria errado se ficasse quase tudo em mãos privadas nacionais, mas como isso é impossível por falta de capital, então cairia nas mãos de multinacionais do petróleo, o que é muito pior do que ficar nas mãos de uma estatal-mista como a Petrobras S/A. Todas as plataformas, navios, equipamento submarino etc. seriam feitos no exterior, hoje provavelmente China/Coreia do Sul/Japão/Noruega/EUA/Reino Unido…

Com o governo Lula/Dilma se determinou fazer tudo no brasil e com mínimo de 65% de conteúdo nacional, mesmo a um Custo Inicial mais caro, para reforçar a indústria nacional. É uma solução muito melhor.

Resumindo: governo FHC, nota 4; governo Lula/Dilma, Nota 6. E para quem eu daria Nota 10? Para um governo que planejasse em 8 Anos, zerar nosso duplo déficit, acabando assim com a internacionalização de nossa economia.

Problema? Que nada

Carla Kreefft

Dizem que um problema faz esquecer outro ou, pelo menos, torná-lo mais compreensível. Parece que é assim mesmo que caminha a humanidade. O Brasil começa a viver uma efervescência, alimentada pela realização da Copa do Mundo e pela aproximação do período eleitoral. São dois eventos que mobilizam a população e implicam visibilidade para o país. É claro que o mundo político pretende tirar proveito dessa situação. A maneira de se fazer isso é variável. A oposição tenta derrubar a Copa para comprovar uma incompetência da gestão da presidente Dilma Rousseff. O governo federal, por sua vez, trabalha para garantir o sucesso do Mundial e colher os frutos nas urnas, na eleição de outubro próximo.

E nessa guerra vale tudo. A propaganda e a contrapropaganda correm soltas, especialmente nas redes sociais. Denúncias de irregularidades, principalmente nas obras relacionadas ao evento esportivo, começam a aparecer cada vez mais. Declarações de pessoas públicas e de notoriedade a favor e contra o Mundial ganham espaços grandes na mídia.

O que não acontece de parte alguma é uma análise mais isenta sobre as vantagens e desvantagens para a sociedade da realização da Copa. O que será que a população quer e qual a importância que ela concede ao evento esportivo são questões que quase não são discutidas, exceto por uma pesquisa ou outra.

E, ao se falar sobre benefícios e prejuízos provocados pela Copa, é necessário destacar que, de forma geral, os países que já sediaram a competição não registraram prejuízos consideráveis. E se assim não fosse, qual seria então o motivo pela disputa tão acirrada entre os países que se habilitam para sediar o evento? Mas é necessário lembrar o quanto o poder público participa e investe e de qual tamanho é a contribuição da iniciativa privada.

“PAIZÃO PROVEDOR”

No Brasil, como sempre, a máquina pública sempre acaba arcando com a conta mais pesada. E não foi diferente agora. Essa cultura de entender o Estado como “paizão provedor” é secular e persiste. Esse entendimento não está restrito a um segmento ou partido. Na verdade, todos os governos, após a redemocratização, atuaram com paternalismo.

A visão de que o poder tem a obrigação de fomentar os diversos setores da economia está presente no Programa de Aceleração do Crescimento, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff, bem como também existiu na administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em resumo, qualquer governo gostaria de trazer uma Copa para o Brasil, e qualquer oposição iria criticar a atitude. Nenhum lado, certamente, colocaria a sociedade como foco dessa decisão. Como é uma decisão política, ela é analisada do ponto vista da capacidade da urna. (transcrito de O Tempo)

Henrique Meirelles pode ser vice na chapa de Aécio Neves

Raquel Faria
O Tempo

Tucanos paulistas e pessedistas mineiros articulam uma aliança nacional entre PSDB e PSD para dar a Aécio Neves, além de tempo extra de propaganda na TV (cerca de 1,4 minuto/dia), uma nova e poderosa opção de vice: Henrique Meirelles, presidente do Banco Central nos dois governos Lula. Meirelles foi do PSDB e hoje está no PSD.

A articulação tucano-pessedista é estimulada por empresários do setor financeiro que torcem pela união, na mesma campanha em torno de Aécio, de dois grandes nomes na área econômica dos governos Fernando Henrique e Lula: Armínio Fraga e Meirelles. Armínio, ex-presidente do BC na era FHC, já está engajado na candidatura tucan

Para bem ou mal, as novas articulações devem ter um desfecho nas próximas semanas: Aécio pretende anunciar seu vice antes da convenção tucana, marcada para 14 de junho.

APOIO A ALCKMIN

A aliança PSDB-PSD com Meirelles na vice agrada o tucanato paulista por consolidar o apoio pessedista ao governador Alckmin. Para Aécio, seria uma boa por agregar ao seu palanque um dos maiores partidos hoje aliados de Dilma e um nome de grande prestígio no meio empresarial – além de dar ao presidenciável um bom pretexto para se livrar de candidato a vice do seu próprio partido, bastante incômodo: o José Serra.

Uma fonte mineira que acompanha de perto as conversas disse ontem à coluna que o problema está sendo o próprio Meirelles. Ele resistiria a integrar a chapa tucana em virtude de sua ligação recente com Lula. Por isso não se descarta uma outra hipótese para viabilizar a aliança PSDB-PSD: Kassab ser vice de Aécio (e não de Alckmin), embora esta não seja a alternativa preferida por nenhum dos articuladores.