Ministro do Supremo diz que País vive ‘apagão de gestão’ e que escândalos da Petrobrás causam constrangimento

Fausto Macedo
Estadão

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta segunda feira, 5, em São Paulo, que o País vive “um apagão de gestão” e que a sucessão de escândalos na Petrobrás o constrange. “Pela dimensão e repetição os escândalos realmente constrangem”, declarou o ministro.

“Basta saber qual é o próximo (escândalo), isso é sem dúvida muito sério”, alertou Gilmar Mendes. “Temos graves problemas aqui (na Petrobrás), são repetidos os casos de corrupção, muitos deles associados à questão política, a campanhas.”

A estatal petrolífera brasileira está no centro de uma crise sem precedentes desde que seu ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, foi preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Costa é acusado de lavagem de dinheiro a partir de crimes contra a administração pública, corrupção e peculato.

“É preciso que se dê a atenção devida (aos escândalos na Petrobrás)”, prosseguiu Mendes. “Temos um aparato de repressão que vem se mostrando pelo menos ativo, senão eficaz, mas os escândalos realmente constrangem. Pela dimensão e pela repetição. Era a grande empresa brasileira. E há pouco tivemos o caso do Mensalão com referências a uma outra grande empresa brasileira, o Banco do Brasil, envolvido nesse episódio lamentável.”

QUAL É O LEGADO???

Ao comentar a onda de violência que se espalha pelo País, Gilmar Mendes alertou para o que chama de “grave crise de gestão”.

“Quero dizer que nós estamos vivendo um momento de apagão de gestão. Precisamos pensar claramente: que tipo de legado estamos deixando para os nossos filhos? Quanto piorou a gestão pública no Brasil? É um quadro de anomia muito preocupante e má qualidade dos serviços prestados. As demandas que são formuladas não são atendidas minimamente. Isso é muito sério.”

Para o ministro, o quadro de “má gestão” afeta também a segurança pública. “Temos um déficit enorme no que concerne à segurança pública. Isso é notório. Basta ver o tema que está na agenda hoje, a má gestão dos presídios, todos esses problemas que se acumularam ao longo dos anos que é uma parte do tema segurança pública. Tomamos medidas importantes no que diz respeito à ocupação dos morros no Rio, as UPPs, mas com grandes déficits. A União tem que participar mais ativamente do tema da segurança pública. É preciso que isso entre na própria agenda da disputa presidencial. O cidadão perdeu a liberdade, o cidadão normal é um prisioneiro porque ele não pode sair à rua nas nossas grandes cidades.”

EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA

Para o ministro, “juntamente com a educação e a saúde, a segurança pública certamente é tema prioritário”.

“A gente não percebe, a não ser medidas paliativas propostas com forte caráter simbólico, a gente não percebe articulação de medidas que possam afetar de fato esse quadro de insegurança pública ao qual estamos submetidos.”

O ministro do Supremo atribui negligência aos órgãos públicos ante os ataques de vândalos em manifestações de rua. “Temos muitos conflitos que têm sido talvez negligenciados e que precisam merecer a devida atenção de todos os segmentos incumbidos de regular, de aplicar a lei, os setores investidos de poder público, de poder estatal.”

Gilmar Mendes advertiu para a forte carga tributária imposta ao contribuinte, sem contrapartida do poder público. “É notório que o País tem hoje uma cobrança, uma participação financeira por parte do cidadão que é bastante elevada, a tributação, a carga é muito elevada. E os serviços que são devolvidos são precários. Então, nós temos tributos em padrão da Suécia e serviços de alguns países africanos. É preciso que a gente perceba que nós estamos vivendo um quadro realmente de má gestão”.

(Reportagem enviada por Wagner Pires)

Era só o que faltava: Petrobras barra no TCU a apuração de contratos bilionários

O TCU chegou a multar gestores, mas liminares da Justiça paralisaram a apuração das irregularidades específicas do processo. Investigações sobre contratos bilionários da estatal com suspeita de desvios de recursos estão há mais de sete anos paradas porque o Supremo Tribunal Federal (STF) não julgou em definitivo nenhum desses processos.

Genoino recorre ao plenário do Supremo para voltar à prisão domiciliar

Mariana Oliveira
Do G1, em Brasília

A defesa do ex-deputado José Genoino (PT-SP) entrou nesta segunda-feira (5) com recurso no qual pede que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) analise o pedido de prisão domiciliar ao petista. Em documento de 31 páginas apresentado ao Supremo, a defesa argumenta que manter o ex-parlamentar na prisão será impor “pena de morte”.

Genoino se apresentou na última quinta-feira (1º) ao Centro de Internamento e Reeducação (CIR) do presídio da Papuda, em Brasília, onde dará continuidade ao cumprimento da pena pela condenação no processo do mensalão do PT.

Ele voltou à prisão por ordem do presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, após laudo de médicos da Universidade de Brasília indicar que ele não possui doença cardíaca grave.

Condenado a 4 anos e 8 meses de prisão, o ex-deputado, que tem problemas cardíacos, foi preso em novembro do ano passado, mas passou mal no presídio e, desde então, obteve o direito a cumprir temporariamente a pena em prisão domiciliar provisória. A defesa pleiteava a prisão domiciliar definitiva, o que Barbosa negou.

No recurso apresentado ao Supremo, a defesa argumentou que a ordem de Joaquim Barbosa para que Genoino retornasse ao presídio “afastou-se da cautela e prudência que devem presidir situações de risco à saúde dos apenados”.

Mesmo após mais de noventa dias de tratamento domiciliar, continua ostentando quadro de alto risco cardiovascular e que, embora possa não integrar o conceito previdenciário de cardiopatia grave, é caracterizado pela alta mortalidade”
Defesa de José Genoino em recurso ao Supremo

Segundo o documento, a prisão no caso de Genoino é “caso de pena de morte a qual estaria sendo levado o paciente em caso de se haver negado o direito à vida ou pelo menos de lutar pela não morte prematura”.

A defesa diz que o fato de o condenado não ter cardiopatia grave “não afasta” a necessidade de prisão domiciliar. “Isto porque o encarcerado não tem as mesmas possibilidades de tratamento médico, exames e controle da alimentação do que alguém em liberdade.”

(reportagem enviada por Guilherme Almeida)

Em editorial, jornal londrino Financial Times compara Dilma aos comediantes Irmãos Marx

Deu na Época

O jornal Financial Times pede um “choque de credibilidade” no Brasil. Em editorial publicado nesta segunda-feira (05/05), a publicação afirma que se o governo de Dilma Rousseff não mudar de rumo, as eleições presidenciais poderão resultar em uma mudança. Ao comentar rumores que circulam no mercado, o editorial elogia a possibilidade de um Banco Central independente em eventual segundo mandato de Dilma e a chance de indicação de Alexandre Tombini para o lugar de Guido Mantega.

O editorial tem um tom duro contra a presidente brasileira. “Pobre Dilma Rousseff”, inicia o texto. Para o Financial Times, a presidente do Brasil projetava “uma aura tediosa da eficiência de Angela Merkel”, mas resulta em um trabalho mais parecido com o dos comediantes Irmãos Marx. “Os preparativos atrasados para a Copa do Mundo já envergonham o país, enquanto o trabalho para os Jogos Olímpicos de 2016 é classificado como ‘o pior’ que o Comitê Internacional já viu. A economia também está em queda. O Brasil, uma vez o queridinho do mercado, vê investidores caindo fora”, diz o texto.

(artigo enviado por Dorothy Lamour)

Dilma desiste de discursar na abertura da Copa do Mundo

Paulo de Tarso Lyra, Grasielle Castro e Marcos Paulo Lima
Correio Braziliense

Daqui a 38 dias, em São Paulo, quando a presidente Dilma Rousseff declarar oficialmente aberta a Copa do Mundo de 2014, ela também estará dando o pontapé inicial na nova fase da partida que disputará em outubro. A petista será candidata à reeleição e, no outro lado do gramado eleitoral, terá como principais adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

O Mundial ocorrerá em pleno período das convenções partidárias, que definirão oficialmente as candidaturas e as alianças. E o governo aposta que, se Neymar e companhia ganharem o hexacampeonato, uma onda de otimismo tomará conta do país. Se perderem, contudo, um tsunami de problemas represados poderá vir à tona. Os dois cenários, segundo o Planalto, têm capacidade para influenciar o humor das urnas.

Dilma sonha em estar no seleto quadro de governantes que foram anfitriões da Copa do Mundo e conseguiram ver o próprio país levantar o caneco. Para evitar a repetição das constrangedoras vaias ouvidas na abertura da Copa das Confederações, em junho do ano passado, a presidente decidiu não fazer discurso no jogo inaugural da Copa, limitando-se a um protocolar “declaro aberto os jogos”.

SÓ ESPECULAÇÕES

Para Leonardo Barreto, doutor em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB), neste momento só é possível especular sobre os resultados concretos da relação entre a bola e as urnas, especialmente porque estaremos diante de um fenômeno com poucos precedentes:

“Em outros momentos nos quais o Brasil foi campeão, a Seleção conquistou o caneco fora do país”, lembrou ele, citando os torneios sediados na Suécia (1958), no Chile (1962), no México (1970), nos Estados Unidos (1994) e no Japão/Coreia do Sul (2002).

Mesmo assim, em todos eles, não houve uma relação direta entre os dois fatores: o torneio e o voto. O mito de que o êxito da Seleção se transformara em prestígio para o governo ocorreu em 1970, no governo do general Emílio Garrastazu Médici.

“Naquele ano, tivemos eleições legislativas e houve um elevado índice de votos brancos e nulos”, recorda Barreto. Em 1994, o tetracampeonato brasileiro coincidiu com a vitória de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), candidato apoiado pelo então presidente, Itamar Franco.

Mas PT e PSDB hoje admitem que, mais do que a vitória do escrete comandado por Romário (hoje deputado federal pelo PSB), o que pesou na eleição foi o Plano Real, que controlou a hiperinflação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGHá outro fator tão importante quanto a influência da Copa do Mundo na eleição presidencial, porque ninguém sabe o que acontecerá com as manifestações que serão feitas pelos brasileiros que exigem Padrão Fifa também na educação, na saúde, nos transportes e na segurança.

Em Brasília, se anuncia que três mil militares do Exército irão participar da segurança dos jogos da Copa na capital da República. Em outras cidades, não será diferente. Mas o que poderão fazer contra as manifestações populares, que são mais do que justas.

Não é possível que persista o abandono desses estratégicos setores, em prejuízo justamente das classes menos favorecidas da população, enquanto o governo gasta fábulas em “arenas” onde pobre não entra. (C.N.)

O drama de Getúlio Vargas e a solidão do poder

Roberto Nascimento

O exercício do poder impõe a solidão pela sua própria natureza. São tantas as pressões, os interesses mesquinhos e a falta de patriotismo que os mandatários logo percebem a teia armada sobre suas cabeças. Ou entra nesse jogo de gato e rato, ou então pede para sair, como Jânio, ou é derrubado, como Jango. Getúlio preferiu o suicídio. Outros ainda são assassinados e a história nunca vem a tona na sua integralidade, em razão das questões maiores do Estado.

Isso sem falar na ingerência de potências estrangeiras, que utilizam seus serviços secretos para minar os governos até a exaustão, quando seus interesses vitais são contrariados. Vários governantes nacionalistas da América latina e do Caribe foram assassinados sem explicação. Até hoje, não foi desvendada a morte de Omar Torrijos, no Panamá. Generais nacionalistas também tombaram na Argentina, no Paraguai, na Bolívia, no Peru e na Venezuela.

O jogo é baixo, rasteiro, repulsivo e alienante. Nenhum governante sai ileso do exercício do poder. Geralmente contraem alguma doença derivada do cargo. É o preço que pagam por desejarem tanto a bela noiva, que depois se transforma em angústia e solidão o tempo todo. No entanto, o poder é irresistível e todos querem a reeleição, mesmo sabendo que estão a caminho do cadafalso, inexoravelmente. Os exemplos são tantos, que se tornaria enfadonho enumerá-los, deixo para a imaginação dos comentaristas esta tarefa inglória.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO artigo de Roberto Nascimento nos leva a reflexões importantes. Na verdade, o poder é como a própria vida e se extingue com o tempo. Da mesma forma, a riqueza, o fausto, a vaidade, a competição, o consumismo e a fama seguem idêntico percurso, acabam se esvaindo. Aqui na terra, ninguém é dono de nada, tudo é alugado. Mas muitas pessoas geralmente não raciocinam sobre essa realidade. Vivem num outro mundo ilusório, que não leva a nada. São dignos de pena. (C.N.)

Getúlio, Gregório e as múltiplas versões sobre 1954

Antonio Santos Aquino

Jovem ainda, servindo no Superior Tribunal Militar com o almirante Benjamin Sodré de 1953 a 1954, vi, ouvi e li muita coisa sobre os trágicos acontecimentos da morte de Getúlio Vargas. Posso assegurar: se tudo o que escreveram ou disseram e dizem sobre Gregório Fortunato fosse verdade, algum escritor já teria escrito um livro mostrando os documentos encontrados em seu arquivo.

Lacerda publicou muita mentira, repercutida por outros órgãos de imprensa, que chegavam ao conhecimento de Getúlio e, naquele clima, ele não tinha como confirmar ser verdade ou não. Gregório Fortunato nunca comprou fazenda. O documento era uma promessa de venda feita por um filho de Getúlio de uma fazenda de sua propriedade (do filho), sobre um empréstimo para fazer uma viagem a Europa. O resto dos documentos eram pedidos para transferência de professora tal para tal cidade. Pedidos para que ele falasse sobre alguma coisa de interesse em algum órgão do governo. (Gregório não tinha condição de falar nada dessas coisas com Getúlio, que zelava por sua autoridade).

A UDN jamais deixaria esses documentos arquivados na Aeronáutica sem publicá-los. A fama que Gregório tinha de intermediar alguma coisa no governo era muito menor do que os reacionários e golpistas diziam. Lendo o que foi dito por Gregório na acareação feita pelo coronel Adil entre ele e Euvaldo Lodi, você chega a conclusão que Gregório foi induzido a “dar um jeito naquele indivíduo” que com suas acusações estava pondo em risco a vida do presidente.

O pistoleiro foi contratado para dar um tiro na perna de uma pessoa em Volta Redonda, o que não aconteceu porque o carro enguiçou. Depois tentaram dar o tal tiro na perna de Lacerda no Colégio São José, na Tijuca. Como não deu certo, foram para a residência de Lacerda, onde morreu Rubens Vaz. Naquele ano de 1954, Helio Fernandes ainda não estava na Tribuna.

Quanto à humilhação que Getúlio temia, era verdadeira. E aceita licenciar-se, desde que as instituições fossem respeitadas. Recebe um aviso de que seu Ministro da Guerra dissera aos oficiais: “Getúlio não volta”. Ele concluiu que estava deposto; poderia ser preso, interrogado, humilhado. Em 1945, eles, os mesmos, não tiveram moral para prendê-lo, cassar seus direitos políticos. Agora era diferente: tinha o cadáver de um oficial da Aeronáutica.

Além de tudo, devia ser levado em conta que dona Darcy Vargas tinha sido interrogada pelo coronel Adil, no apartamento de uma amiga. Ele queria interrogá-la no Palácio do Catete. (Poucos sabem desse detalhe, dito e escrito por Lutero Vargas seu filho). Os fatos são verdadeiros. Mas as versões são muitas, atendem a todos os gostos.

Um oceano de amor na inspirada poética de Djavan

 

O cantor, compositor e produtor musical alagoano Djavan Caetano Viana, na letra de “Oceano”, mostra um amor que se encontra num estágio extremo de uma paixão parcialmente não correspondida que, metaforicamente, associa às águas revoltas do alto-mar as incertezas e as dores emocionais. Esta música foi gravada no CD Djavan, em 1989, pela CBS

OCEANO
Djvan

Assim
Que o dia amanheceu
Lá no mar alto da paixão
Dava pra ver o tempo ruir
Cadê você? Que solidão!
Esquecera de mim

Enfim
De tudo que há na terra
Não há nada em lugar nenhum
Que vá crescer sem você chegar
Longe de ti tudo parou
Ninguém sabe o que eu sofri

Amar é um deserto
E seus temores
Vida que vai na sela
Dessas dores
Não sabe voltar
Me dá teu calor

Vem me fazer feliz
Porque eu te amo
Você deságua em mim
E eu oceano
Esqueço que amar
É quase uma dor
Só sei
Viver
Se for
Por você

         (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Um amor se consumindo na fogueira da paixão

A publicitária, tradutora, compositora e poeta curitibana Alice Ruiz Scherone, no poema “Teu Corpo Seja a Brasa”, revela um amor que literalmente se consome na fogueira da paixão.

TEU CORPO SEJA BRASA

Alice Ruiz

teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo

um incêndio basta
pra consumar esse jogo
uma fogueira chega
pra eu brincar de novo

    (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

O ponto que paira (e a possibilidade de “Volta,Lula”)

Tereza Cruvinel
Correio Braziliense

Estamos no curso da sétima campanha presidencial depois do fim da ditadura. Cada campanha foi única, marcada por circunstâncias próprias e pela personalidade dos atores envolvidos. A deste ano, entretanto, tem algo de mais atípico, na conduta dos candidatos, na ação dos partidos e na postura dos eleitores. E pairando sobretudo isso ficará, talvez até 20 dias antes do pleito, quando acaba o prazo para a troca de candidatos, este grande ponto de interrogação: Lula voltará ou não no papel de candidato, que ele encarnou durante 17 anos, de 1989 a 2006.

Não só a presidente Dilma, como candidata à reeleição, tem tido uma postura heterodoxa. Aécio Neves e Eduardo Campos são atípicos com suas campanhas que apostam na força inercial do desgaste de Dilma. Cresceram agora, graças ao desgaste dela com a crise da Petrobras, não à empatia do eleitorado com suas ideais e propostas para o país. Ninguém é capaz de dizer com segurança o que cada um deles faria na economia ou na gestão das principais políticas públicas.

AUTODESTRUIÇÃO DE DILMA

Mas Dilma é ainda mais insólita, parecendo empenhada na autodesconstrução. Sua declaração de que será candidata com ou sem apoio dos partidos da base, expressa sua incompreensão do modo brasileiro de fazer política, com todos os defeitos que ele tem. Sem os partidos da base, não haverá tempo de televisão, nem palanques nos estados. Não haverá campanha. O PT sozinho não faz verão e mesmo ele é um pote até aqui de mágoas com ela.

Quando Dilma sangrou pela primeira vez, logo depois das manifestações de junho de 2013, em vez de se abraçar aos aliados, ela começou a brigar com eles. Os tubarões então atacaram. O ministro Ricardo Berzoini vem pacificando a base mas em alguns casos, sua ação é tardia. Vide o que fez o ressentido PR ao lançar o manifesto “Volta Lula”.

Essas estranhezas, dela e de seus adversários, alimentam o “volta Lula”, que ninguém sabe até onde vai crescer. Teoricamente, o PT tem o início de setembro para trocar Dilma por Lula na chapa. Mas quem colocaria o guizo no gato? Quem convenceria uma presidente que declara gostar do cargo a abdicar do direito à recandidatura? Lula nega mas há sinais de que se prepara para uma eventual emergência. Alguém já explicou, por exemplo, por que ele convenceu o empresário Josué Alencar, filho de seu ex-vice José Alencar, a filiar-se ao PMDB? Ele já tinha certa uma candidatura a governador pelo partido do pai, o PRB. Mas Lula pediu e ele atendeu. Ia ser candidato ao Senado mas desistiu de enfrentar o ex-governador Anastasia, que seria imbatível.

Há quem diga que Lula levou Josué para o PMDB para chamá-lo como vice, caso precise ser candidato. Leal a Dilma ele é, como disse ela no jantar com jornalistas esportivos. Mas até que ponto estaria disposto a aceitar uma derrota do projeto longamente perseguido para não ofendê-la? Esta é a grande interrogação.

 

 

Tribunal da Síria aceita inscrição de três candidatos para disputar eleições de junho

Da Agência Lusa

O presidente da Síria, Bashar Al Assad, irá disputar com pelo menos dois candidatos as eleições marcadas para  3 de junho, anunciou hoje o porta-voz do Tribunal Constitucional, Mayed Jadara. O tribunal aceitou as candidaturas de Assad, do deputado Maher Abdel Hafez Hayar, da oposição, e do ex-ministro Hassan Abdullah Al Nuri, segundo informações divulgadas pela agência de notícias oficial síria.

No total, foram apresentadas 24 candidaturas à Presidência do país, mas só são consideradas válidas as que receberam apoio de 35 dos 250 deputados do Parlamento. Os candidatos recusados podem recorrer a partir desta segunda-feira (5). O tribunal anunciará posteriormente a lista definitiva de candidatos.

Será a primeira vez em décadas que as eleições presidenciais sírias terão a participação de mais de um candidato. Assad, que ocupa o cargo de presidente desde julho de 2000, apresentou-se no final de abril para disputar o terceiro mandato.

Um dos seus concorrentes da disputa, Al Nuri foi ministro para o Desenvolvimento da Administração Pública e dos Assuntos Parlamentares entre 2000 e 2002, além de deputado entre 1998 e 2003.

Já Hayar fundou em 2003, com outros dirigentes de esquerda, o Comitê Nacional Comunista da Síria e foi um dos seus líderes até que a formação mudou de nome para Partido da Vontade Popular. O partido é um dos que integram a Frente Popular para a Mudança e a Libertação, um dos principais grupos da oposição.

A Síria vive há três anos em guerra civil, que já causou mais de 150 mil mortes e deixou milhões de desalojados.

Assembleia Legislativa confirma Sandoval Cardoso como governador do Tocantins

Da Agência Brasil

O presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins, Sandoval Cardoso (SDD), foi eleito este domingo governador do estado. A eleição indireta, realizada pelos demais deputados da Casa, foi feita devido à renúncia do governador eleito Siqueira Campos (PSDB) e do vice, João Oliveira. Desde a renúncia, no mês passado, Cardoso ocupava o cargo interinamente. Ele foi eleito com voto de 15 dos 21 parlamentares presentes e ficará no cargo até dia 31 de dezembro. No dia 1º de janeiro de 2015, será empossado o governador escolhido em outubro deste ano nas eleições gerais.

Na carta de renúncia, entregue à Assembleia Legislativa, Siqueira Campos afirmou que a decisão foi tomada com “propósito de continuar servindo ao bravo povo tocantinense, respeitando as normas sobre inelegibilidade definidas pela Constituição Federal”. Cardoso e o novo vice-prefeito, Tom Lyra (PR), foram empossados hoje, em sessão extraordinária, no plenário da Casa.

A coalizão dos indignados

Gaudêncio Torquato

A burocracia do ar-condicionado é refratária ao calor das ruas, vielas e becos. Por isso mesmo, fechados na redoma de estatísticas frias, os burocratas costumam desenhar cenários de um país diferente daquele em que vivem seus habitantes. São também afamados pela “contabilidade criativa”, que usam com frequência para puxar para baixo as contas que batem no bolso do consumidor, principalmente em ciclo de disputa eleitoral. A inflação das ruas não conta para o burocrata. A aritmética das massas não entra nas quilométricas planilhas dos senhores dos cálculos.

E assim, longe dos gritos de feirantes e da reclamação das donas de casa, a insensibilidade da burocracia econômica arruma a “cama” dos gestores públicos, sob o risco de provocar torcicolo em candidatos. São bons em promessas, como a de que a inflação, neste ano, se manterá na meta de 4,5%, com dois pontos para mais ou para menos. Convém lembrar que período de eleições é o mais propício às manifestações populares. Este ano possui, portanto, uma identidade peculiar, ainda mais por abrigar a Copa do Mundo, o maior evento esportivo mundial. É bastante previsível a hipótese que aponta para a existência de bolsões represados aguardando o momento para despejar sua indignação.

Cheguemos, agora, ao epicentro das manifestações de rua, formado por grupos com origem na classe média C, os emergentes que escalaram os degraus de baixo da pirâmide para chegar ao primeiro andar do meio. Nesse espaço, alinham-se os grupos que puxam a corrente do “queremos mais”. O pão sobre a mesa já não lhes é suficiente. Exigem serviços públicos qualificados.

CLASSES MÉDIAS

As classes médias tradicionais também disparam fortes sinais de descontentamento, menos por conta da pressão da inflação das ruas e mais por se verem inundadas por uma volumosa torrente de escândalos em série. O longo episódio que culminou na condenação de implicados na chamada “Ação Penal 470”; o desvendamento de teias de corrupção nos intestinos da administração pública e que batem na Petrobras; a polêmica que se estabeleceu em torno de programas como é o caso do Mais Médicos; as nuvens que se formam em torno das arenas esportivas; a repetição de mantras da velha política, com as interjeições do passado a mostrarem a perpetuação de vícios – esse é o cenário da degradação que acolhe a gestão pública e a esfera política. Não por acaso, elevado índice de brasileiros – 72%, segundo o Ibope – não tem nenhum ou quase nenhum interesse na eleição.

Os setores produtivos, por sua vez, se mostram igualmente insatisfeitos. Vale lembrar que nunca se abriu tanto a caixa das desonerações tributárias como no governo Dilma. Mesmo assim, são claras as manifestações de desagrado com a política econômica, a traduzir inconformismo com os rumos da economia.

Como se pode inferir, há um “Produto Nacional Bruto de Insatisfação” que a burocracia brasiliense teima em não enxergar ou não querer medir. Sem aviso prévio, grupos vão formando o que se pode designar de “coalizão dos indignados”, que ameaça todos os candidatos. (transcrito de O Tempo)

 

Descendo ladeira abaixo, Dilma é vaiada na Expozebu

Leonêncio Nossa
Estadão

A presidente Dilma Rousseff foi vaiada em três momentos na abertura oficial da Expozebu, que reúne empresários da agropecuária no Triângulo Mineiro. No evento, ela prometeu que o plano agrícola pecuário 2014-2015 terá mais recursos e mais facilidades na obtenção de crédito. Na versão anterior, a verba para financiamento foi de R$ 136 bilhões. O anúncio não foi suficiente para conter a plateia.

As vaias começaram assim que a presidente recebeu a medalha alusiva aos 80 anos da Expozebu. Voltaram no início e no fim do discurso da presidente. Visivelmente tensa, a presidente não fez nenhum comentário sobre as manifestações. O evento contava com grande número de simpatizantes do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). O parlamentar, também homenageado com a medalha do evento, foi aplaudido pela plateia.

Dilma anunciou que na segunda-feira o Diário Oficial da União publicará um decreto do Ministério do Meio Ambiente formalizando a entrada em vigor do Cadastro Ambiental Rural, o CAR, ferramenta de dados para controle de desmatamentos com base em informações das propriedades rurais. O CAR foi criado com o Código Florestal. Ele é um dos requisitos para a obtenção de financiamento público.

A presidente Dilma afirmou que o governo está aberto a sugestões para a elaboração do plano agrícola que deverá ser anunciado ainda este mês. Dilma observou que a meta é manter as diretrizes dos planos anteriores, ampliar recursos e simplificar procedimentos. “Dos R$ 136 bilhões para o crédito em 2013 e 2014, foram contratados R$ 116 bilhões até março. Desse montante, R$ 42,5 bilhões foram destinados ao financiamento da pecuária”, afirmou Dilma.

Reflexões sobre o renascimento do fascismo no Brasil

César Cavalcanti

A todo momento alguém é acusado de fascista, sem que realmente se saiba do que está se falando. O fascismo constitui uma das teorias político-filosóficas mais eficazes já criadas no mundo. Reconhecê-lo não significa apoiar seus males, mas identificar as fragilidades para combater sua nocividade. A doutrina se apresenta como um movimento nacionalista de massa via adesão multiclasse, formando uma liga que consolida os interesses de qualquer corporação, fazendo crer que união de pessoas em defesa de seus direitos individuais se tornem uma frente forte e invencível. É aí onde mora a sua falácia.

Na prática, o que acontece é que, enquanto sindicatos, corporações, associações e entidades de classe e unem em defesa de seus afiliados, e eles se unem entre si, o Estado e as famílias afortunadas (de poder ou dinheiro) adquirem em seu benefício a capacidade de comprar as pessoas no atacado, através dos pelegos representantes, até negando determinados direitos aos outros cidadãos, sob argumento que os direitos reivindicados por eles são privativos, e não coletivos.
Na Europa e em outros países está voltando o fascismo com grande força, criando grandes feudos, cartórios e dinastias. No caso do Brasil, não creio em uma economia que enche o Estado de servidores, patrocina a agiotagem oficial e desencoraja a produção, as artes e os ofícios.
E não são legítimos todos os movimentos de categorias agrupadas, porque o que lhe conferiria legalidade é justamente sua interseção com a coletividade, e nem sempre com o Estado. Mas no Brasil, o Estado, muitas vezes, continua sendo usado por interesses privados, corporativos e feudais.
A ciência diz que, nos umbigos são onde estão a maior concentração de DNA. Talvez seja por isso que a hereditariedade e o corporativismo sejam tão fortes nas opções políticas do cotidiano no Brasil.

Crise que o Brasil não vive

Heron Guimarães

O jornal “Daily Telegraphy” noticiou semana passada a separação do príncipe britânico Harry e de sua namorada, Cressida Bonas, filha de uma futura banqueira e integrante da elite empresarial inglesa. O motivo seria uma passagem aérea de pouco mais de R$ 2.400 de ida e volta aos Estados Unidos.

De acordo com o tabloide, a candidata a princesa teria questionado Harry se o relacionamento dos dois tinha futuro. Se a resposta fosse dúbia, garante o jornal, ela não pagaria pelos custos da viagem.

Deixando de lado o sensacionalismo e a especulação da vida privada da família real, a veracidade de que o bilhete da British Airways tenha causado a desilusão amorosa do neto da rainha Elizabeth II é pouco relevante, se vista por uma perspectiva geral, mas reveladora, sobretudo para nós, brasileiros, em seus melindres. Revela-nos como estamos longe de um Primeiro Mundo.

Mas a distância aqui não é porque jamais teremos príncipes e futuras princesas brigando para ver quem vai pagar a conta e fazendo disso o estopim de uma crise conjugal, mas pelo fato em si de saber que, na Inglaterra, ao contrário daqui, aquela que deseja ser “princesa” paga por suas despesas.

ESTILO BRASILEIRO

No Brasil, que há muito aboliu a monarquia, o relacionamento dos dois não estaria em perigo por motivo tão banal. Bastaria mandar “pendurar” as despesas para as contas governamentais e usar o avião da Força Aérea Brasileira que tudo estaria muito bem-resolvido, sem maiores dilemas.

Neste caso, a conselheira sentimental de Cressida poderia ser muito bem uma tal de Rosemary Noronha, “amiga” de Lula que anda meio sumida do noticiário, mas que não titubeava nem um pouco em viver por aqui uma vida de rainha.

Com viagens pagas pela Presidência, o tíquete aéreo, ainda mais em vôo convencional, jamais criaria uma crise capaz de gerar, por menor que fosse, alguma instabilidade em sua amizade colorida.

O príncipe e a agora ex-futura princesa da Inglaterra também poderiam aprender por aqui algumas malandragens que os impediriam de brigar por uma simples passagem de avião. Professores não faltariam.

Mestres como o deputado André Vargas, o senador Renan Calheiros e o governador Sérgio Cabral – que teve a proeza de garantir assento aéreo em um helicóptero do Estado do Rio de Janeiro até para o cachorro da família, diriam a eles que brigar por isso é bobagem. Por aqui, o dilema estaria solucionado, e o casório de Harry e Cressida, definitivamente, estaria salvo. Como dito, bastaria recorrer à FAB. (transcrito de O Tempo)