Gasto do Planalto com publicidade cresce 30% no primeiro semestre

Fernando Rodrigues
Folha

De 1º de janeiro a 30 de junho, a Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência informou uma despesa de R$ 109,3 milhões com propaganda. O valor é 29,7% maior do que o consumido no mesmo período de 2013, que foi de R$ 84,3 milhões.

A concentração de publicidade nos primeiros seis meses do ano ocorre por causa da Lei Eleitoral, que proíbe esse tipo de despesa nos três meses anteriores à eleição –ou seja, a partir de julho.

Em 2010, quando Lula era o presidente, o Planalto consumiu R$ 124 milhões em publicidade de janeiro a junho, o equivalente a 67,3% desse tipo de despesa naquele ano inteiro. O site da Secom não informa se esse valor é o da época ou se foi feita atualização monetária.

Neste ano, a previsão de gastos publicitários da Secom é em torno de R$ 170 milhões. Os R$ 109,3 milhões consumidos até junho equivalem a 64,3% do total. O percentual é semelhante ao verificado nesta época em 2010.

BRECHA DA LEI

A prática de concentrar os gastos no primeiro semestre de anos eleitorais é comum também em governos estaduais e em prefeituras. Os políticos usam uma brecha da Lei 9.504, que proíbe investimentos acima da média dos três anos anteriores. A norma não veda, entretanto, desovar grande parte das verbas até junho, o que permite aos governantes se autopromoverem com dinheiro público até três meses antes do pleito.

“Seria importante aperfeiçoar a lei, pois de fato como está hoje não é possível impedir a concentração de gastos”, diz o ministro Admar Gonzaga, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A transparência dos valores investidos em propaganda por parte do governo federal é parcial. Em 2013, o total foi de R$ 2,313 bilhões, incluindo também a administração indireta (estatais).

O orçamento da Secom nessa área representa sempre menos de 10% do total. Os valores completos deste ano só serão conhecidos em 2015.

O ministro-chefe da Secom, Thomas Traumann, disse não haver nenhum valor fora do padrão. “Esta comparação entre investimentos em publicidade federal feita pela reportagem é a prova de que, sob tortura, os números confessam qualquer coisa”, disse.

“É uma comparação completamente equivocada. A legislação proíbe investimentos em publicidade institucional nos anos eleitorais nos três meses anteriores à votação. Portanto, é uma fraude estatística comparar os investimentos de publicidade do governo de primeiros semestres de anos com eleição com anos sem eleição”, acrescentou

A realidade dói, especialmente na economia

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Com a campanha eleitoral prestes a começar no rádio e na televisão, aqueles que vão depositar os votos nas urnas em outubro devem ficar atentos para não serem ludibriados. Qualquer que seja o candidato, a tendência é de se criar um mundo imaginário, no qual todos os problemas que há séculos afligem a população serão resolvidos como num passe de mágica.

No caso de Dilma Rousseff, que tentará a reeleição, o descolamento da realidade não vem de hoje. Basta uma simples pesquisa nos discursos semanais veiculados no programa Conversa com a presidente, para constatar a longa distância entre as palavras e o que os brasileiros estão vivendo no dia a dia.

Em 9 de setembro de 2013, ela afirmou que a indústria e os investimentos estavam em franca recuperação. Garantiu que manteria o equilíbrio fiscal e o crescimento gradual da economia. Para não perder o costume, criticou os que apostavam no aumento da inflação.

Menos de um ano depois, nada do que Dilma disse se sustenta. A indústria está em queda há quatro trimestres consecutivos. Em junho último, deve ter caído 7,5% ante o mesmo mês de 2013 — o número oficial será divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) está empacada em torno de 18% desde que a presidente tomou posse.

ROMPENDO O TETO

Nos 12 meses terminados em junho, a inflação acumulada atingiu 6,52%, rompendo, pela 11ª vez no atual governo, o teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Se o Banco Central estiver correto, o custo de vida fechará os quatro anos de Dilma com alta de 27%. Será a primeira vez, desde a fase inicial da administração de Fernando Henrique Cardoso (1994-1998), quando a carestia computou elevação de 43,5%, que o índice acumulado em um governo subirá. Na segunda administração de FHC, a inflação foi de 39,9%. Nos primeiros quatro anos de Lula, subiu 28,8%. Na etapa seguinte, 22,2%.

Ao mesmo tempo em que a carestia disparou no governo Dilma, a taxa de expansão do PIB minguou. No acumulado entre 2011 e 2014, a economia avançará 1,7% ao ano, menos da metade dos 4,6% anuais da segunda administração de Lula. “Estamos falando de um governo que será marcado pela estagnação da atividade e pela inflação alta, com o agravante de trazer de volta o problema fiscal”, diz o economista Raul Velloso.

A situação das contas públicas é tão crítica que, apenas nos seis primeiros meses do ano, o rombo do setor público atingiu R$ 91 bilhões, quase todo o deficit nominal (que inclui as despesas com juros da dívida) registrado em 2012. Em relação ao PIB, o buraco chegou a 3,6%, quando a promessa do ministro da Fazenda, Guido Mantega, era zerá-lo neste ano.

Certamente, nenhum desses números vão aparecer na campanha petista. Realidade não combina com política. Felizmente, os eleitores estão mais atentos ao que dizem os candidatos. E, melhor, dão claras demonstrações de que se cansaram de promessas vazias.

 

Sem feriados, PIB subirá

 

No governo, a ordem é manter o otimismo no discurso. A equipe econômica está orientada a dizer que o segundo semestre será de recuperação da atividade. Um dos argumentos mais usados é o de que, somente o fato de se ter mais dias úteis, os resultados da indústria e do varejo serão bem melhores do que os registrados entre janeiro e junho.

 

Há ainda a aposta de que, com a recuperação gradual da confiança dos consumidores, já que a inflação está desacelerando mês a mês, o consumo aumentará. “Não se pode esquecer que os preços no atacado estão em queda há três meses, e isso chegará às famílias”, afirma um técnico. Ele chama a atenção ainda para a decisão do Banco Central, de liberar R$ 45 bilhões ao sistema financeiro, medida que dará um gás no crédito.

 

A equipe econômica reconhece, porém, que, mesmo que o segundo semestre seja melhor, não há qualquer possibilidade de o PIB de 2014 crescer 1,8%, como previsto no projeto orçamentário do governo. “Se conseguirmos avançar o 1,6% previsto pelo BC já será um ótimo resultado”, frisa o mesmo técnico.

 

Brasil e Uruguai sofrerão mais

 

» A consultoria britânica Capital Economics assegura que Brasil e Uruguai serão os mais afetados pelo calote da dívida Argentina. No caso brasileiro, cerca de 8% das exportações vão para o país vizinho. Já os uruguaios embarcam 7% de seus produtos para os hermanos.

 

Indústria vai encolher

 

» Caso a economia argentina mergulhe na recessão e reduza as compras externas, especialmente de bens manufaturados, a indústria brasileira e uruguaia será severamente atingida. Pelas contas da Capital Economics, a crise da Argentina poderá tirar até 0,2 ponto percentual do PIB do Brasil e do Uruguai.

 

Populismo custará R$ 75 bi 

 

» A fatura do setor elétrico deverá atingir R$ 75 bilhões no ano que vem, diz o economista Raul Velloso. Mesmo que o Tesouro Nacional cubra a maior parte dessa conta, os consumidores não escaparão de um pesado aumento da tarifa de energia. “Isso é resultado do populismo tarifário, que, acreditávamos, tinha ficado no passado”, acrescenta. icnte Nunes

 

Com a campanha eleitoral prestes a começar no rádio e na televisão, aqueles que vão depositar os votos nas urnas em outubro devem ficar atentos para não serem ludibriados. Qualquer que seja o candidato, a tendência é de se criar um mundo imaginário, no qual todos os problemas que há séculos afligem a população serão resolvidos como num passe de mágica.

 

No caso de Dilma Rousseff, que tentará a reeleição, o descolamento da realidade não vem de hoje. Basta uma simples pesquisa nos discursos semanais veiculados no programa Conversa com a presidente, para constatar a longa distância entre as palavras e o que os brasileiros estão vivendo no dia a dia.

 

Em 9 de setembro de 2013, ela afirmou que a indústria e os investimentos estavam em franca recuperação. Garantiu que manteria o equilíbrio fiscal e o crescimento gradual da economia. Para não perder o costume, criticou os que apostavam no aumento da inflação.

 

Menos de um ano depois, nada do que Dilma disse se sustenta. A indústria está em queda há quatro trimestres consecutivos. Em junho último, deve ter caído 7,5% ante o mesmo mês de 2013 — o número oficial será divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) está empacada em torno de 18% desde que a presidente tomou posse.

 

Nos 12 meses terminados em junho, a inflação acumulada atingiu 6,52%, rompendo, pela 11ª vez no atual governo, o teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Se o Banco Central estiver correto, o custo de vida fechará os quatro anos de Dilma com alta de 27%. Será a primeira vez, desde a fase inicial da administração de Fernando Henrique Cardoso (1994-1998), quando a carestia computou elevação de 43,5%, que o índice acumulado em um governo subirá. Na segunda administração de FHC, a inflação foi de 39,9%. Nos primeiros quatro anos de Lula, subiu 28,8%. Na etapa seguinte, 22,2%.

 

Ao mesmo tempo em que a carestia disparou no governo Dilma, a taxa de expansão do PIB minguou. No acumulado entre 2011 e 2014, a economia avançará 1,7% ao ano, menos da metade dos 4,6% anuais da segunda administração de Lula. “Estamos falando de um governo que será marcado pela estagnação da atividade e pela inflação alta, com o agravante de trazer de volta o problema fiscal”, diz o economista Raul Velloso.

 

A situação das contas públicas é tão crítica que, apenas nos seis primeiros meses do ano, o rombo do setor público atingiu R$ 91 bilhões, quase todo o deficit nominal (que inclui as despesas com juros da dívida) registrado em 2012. Em relação ao PIB, o buraco chegou a 3,6%, quando a promessa do ministro da Fazenda, Guido Mantega, era zerá-lo neste ano.

 

Certamente, nenhum desses números vão aparecer na campanha petista. Realidade não combina com política. Felizmente, os eleitores estão mais atentos ao que dizem os candidatos. E, melhor, dão claras demonstrações de que se cansaram de promessas vazias.

 

Sem feriados, PIB subirá

 

No governo, a ordem é manter o otimismo no discurso. A equipe econômica está orientada a dizer que o segundo semestre será de recuperação da atividade. Um dos argumentos mais usados é o de que, somente o fato de se ter mais dias úteis, os resultados da indústria e do varejo serão bem melhores do que os registrados entre janeiro e junho.

 

Há ainda a aposta de que, com a recuperação gradual da confiança dos consumidores, já que a inflação está desacelerando mês a mês, o consumo aumentará. “Não se pode esquecer que os preços no atacado estão em queda há três meses, e isso chegará às famílias”, afirma um técnico. Ele chama a atenção ainda para a decisão do Banco Central, de liberar R$ 45 bilhões ao sistema financeiro, medida que dará um gás no crédito.

 

A equipe econômica reconhece, porém, que, mesmo que o segundo semestre seja melhor, não há qualquer possibilidade de o PIB de 2014 crescer 1,8%, como previsto no projeto orçamentário do governo. “Se conseguirmos avançar o 1,6% previsto pelo BC já será um ótimo resultado”, frisa o mesmo técnico.

 

Brasil e Uruguai sofrerão mais

 

» A consultoria britânica Capital Economics assegura que Brasil e Uruguai serão os mais afetados pelo calote da dívida Argentina. No caso brasileiro, cerca de 8% das exportações vão para o país vizinho. Já os uruguaios embarcam 7% de seus produtos para os hermanos.

 

Indústria vai encolher

 

» Caso a economia argentina mergulhe na recessão e reduza as compras externas, especialmente de bens manufaturados, a indústria brasileira e uruguaia será severamente atingida. Pelas contas da Capital Economics, a crise da Argentina poderá tirar até 0,2 ponto percentual do PIB do Brasil e do Uruguai.

 

Populismo custará R$ 75 bi 

 

» A fatura do setor elétrico deverá atingir R$ 75 bilhões no ano que vem, diz o economista Raul Velloso. Mesmo que o Tesouro Nacional cubra a maior parte dessa conta, os consumidores não escaparão de um pesado aumento da tarifa de energia. “Isso é resultado do populismo tarifário, que, acreditávamos, tinha ficado no passado”, acrescenta.

Pesquisa mostra que seis em cada dez eleitores têm pouco ou nenhum interesse nas eleições

Seis em cada dez mineiros têm pouco ou nenhum interesse na eleição deste ano para presidente, governador, senador e deputados que acontecerá em outubro. É o que aponta o relatório da pesquisa Ibope realizada entre os dias 26 e 28 de julho. Além do desinteresse, na pesquisa espontânea de intenção de votos, 81% dos eleitores não foram capazes de apontar um candidato que esteja disputando o pleito deste ano.

Os eleitores foram questionados sobre seu grau de interesse na disputa eleitoral e mostraram um cenário de desânimo. Apenas 13% afirmam possuir “muito interesse” nas eleições. Outros 25% afirmam que possuem “interesse médio”. Os que dizem ter “pouco interesse” são 34%, e os que não possuem “nenhum interesse” somam 26%.

Os homens estão mais ligados na eleição. Do total de entrevistados do sexo masculino, 44% disseram ter muito interesse no pleito. Entre as mulheres, 33% afirmaram estar com a atenção voltada para a eleição.

Já o interesse por faixa etária revela jovens desatentos ao processo. Os que possuem pouco ou nenhum interesse somam 65% entre os que possuem de 16 a 24 anos. Na faixa dos 25 aos 34 anos, por exemplo, os que possuem pouco ou nenhum interesse somam 53%.

MAIS INTERESSE

No quesito escolaridade, os menos interessados estudaram até a 8ª série (67%). Os que possuem mais interesse são os que têm ensino superior (43%).

Por faixa de renda, quanto mais ricos, mais interessados estão os mineiros. Os que possuem muito interesse ou interesse médio são 49% entre os que ganham mais de 5 salários mínimos, 39% entres os que recebem de dois a cinco salários, e 28% entre os que recebem até dois salários mínimos.

Quando perguntados em quem vão votar para governador de Minas, os mineiros se enrolaram para responder de forma espontânea. Oito em cada dez entrevistados não souberam, não responderam, alegaram voto em branco ou nulo ou citam políticos que não estão concorrendo nas próximas eleições.

Os que não souberam ou não responderam à questão somaram 65%, de acordo com o Ibope. Outros 12% disseram que votariam em branco ou nulo, e 4% citaram candidatos que sequer estão disputando as eleições deste ano.

Senado. No caso da disputa pelo Senado, o levantamento espontâneo mostra que os candidatos precisam se mostrar ainda mais ao eleitor. Sem a presença dos nomes dos postulantes, 84% dos entrevistados não citam ninguém.

PRESIDÊNCIA

No caso da Presidência da República, os mineiros parecem ter mais facilidade de apontar um candidato, mesmo quando os nomes não são apresentados a ele.

Os que não sabem ou não responderam sobre em quem pretendem votar somaram 30%, e os que disseram votar em branco ou nulo foram 11%. Outros 2% citaram candidatos fora da disputa. Os que sobraram se dividiram entre Aécio Neves (28%), Dilma Rousseff (26%), Eduardo Campos (3%), Pastor Everaldo (1%).

 

 

Sem “problemas técnicos”, a Tribuna da Internet chega à fase decisiva para recuperar a audiência

Carlos Newton

Devido à migração para novo servidor, os “problemas técnicos” do Blog da Tribuna da Internet estão sob controle. Com a experiência acumulada nos últimos anos, porém, não temos maiores ilusões. Sabemos que a qualquer momento os “problemas técnicos” podem ressurgir. Por isso, pedimos aos comentaristas que nos avisem sobre qualquer dificuldade de acesso e de inserção de mensagens.

De toda forma, enquanto estamos voando em céu de brigadeiro, podemos fazer planos e traçar estratégias para voltarmos ao patamar de 2013, quando nossa audiência diária era superior a 20 mil acessos diretos por dia.

Atualmente, vinha ocorrendo uma disparidade enorme na contagem do número de acessos. Enquanto o site especializado Histats registrava apenas cerca de 4 mil acessos diretos por dia, o servidor Hostgator vinha assinalando mais de 12 mil acessos na média diária.

É importante destacar que continuamos sendo lidos diariamente numa média de 35 países. Acreditamos que esses leitores no exterior em sua maioria sejam diplomatas brasileiros, que procuram informações confiáveis sobre a política e a economia do país.

BALANÇO DE JULHO

Aproveitamos para divulgar as contribuições obtidas no mês de julho. Como se sabe, este Blog só existe em função da iniciativa do engenheiro Carlo Germani, de Belo Horizonte. Quando o Blog perdeu o patrocínio, há alguns anos, foi Germani quem sugeriu que buscássemos contribuições dos comentaristas. Sua ideia deu resultado e o Blog sobreviveu.

No mês de julho, em nossa conta na Caixa Econômica, recebemos as seguintes contribuições, que agradecemos muitíssimo:

DIA    OPERAÇÃO   ESPÉCIE     VALOR

01        010839     DP DIN LOT        50,00
01        700002     DOC  ELET          50,00
04        041219     DP DIN LOT       200,00
04        041241     DP DIN LOT         28,49
07        002915     DP DIN AG        100,00
07        050920     DP DIN LOT         51,00
07        051218     DP DIN LOT         20,00
14        004021     DP DIN AG         100,00
14        120922     DP DIN LOT         30,00
21        002915     DP DIN AG         100,00
28        002915     DP DIN AG         100,00
28        281011     DP DIN LOT         50,00
28        281602     DP DIN LOT        100,00
29        700002     DOC ELET            31,00

No Banco Itáu, as contribuições foram estas:

01       TBI 2958.07601-6                  20,00
01       TBI 9368.46169-6                  50,00
22       TBI 0406.49194-4                  50,00

Com veiculação de anúncios, o Blog teve a seguinte receita líquida, já descontados impostos e percentual do prestador de serviços de informática:

Anúncios ONLINE                            317,47

 

OAB diz que é inaceitável o monitoramento dos movimentos sociais pelo Exército

A criação de um órgão do Exército brasileiro para monitorar movimentos sociais do país é alvo de críticas e desconfianças por parte de vários setores, como OAB e sociólogos. “Não cabe ao Exército cuidar de segurança de público interno. A função dessa corporação é proteger o país contra as ameaças externas. O ideal seria que esse órgão fosse subordinado à Polícia Civil ou militar”, defende o advogado Bruno Burgarelli, presidente da Comissão de Estudos Constitucionais da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB/MG).

Após ser diversas vezes acionado em 2013 e 2014 para auxiliar na segurança pública, principalmente durante as manifestações, o Exército brasileiro criou um órgão de monitoramento de movimentos sociais com potencial para prejudicar o deslocamento e a atuação de tropas federais para conter distúrbios.

A nova 4ª subchefia do Comando de Operações Terrestres (Coter) receberá dados de todos os órgãos que integram o Sistema de Inteligência do país (Sisbin). De acordo com o Exército, todo o trabalho será preventivo, permitindo que a Força Nacional chegue ao local para atuar.

“Outra questão é qual a destinação real desse material (coletado pelo órgão). É um monitoramento de segurança ou está havendo violações de direitos individuais?”, questiona Burgarelli.

ENQUADRAMENTO

Qualquer movimento, de black blocs a sem-teto, pode ser objeto de acompanhamento pelo Exército, caso seja enquadrado entre os segmentos que podem prejudicar a execução de uma missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Para o Exército, métodos de atuação de vários desses movimentos usam táticas similares a guerrilhas urbanas e rurais. Há suspeitas de que alguns deles tenham ligação com organizações criminosas das grandes capitais.

SEM JUSTIFICATIVA

O sociólogo Luís Flávio Sapori também desconfia da nova atribuição do Exército brasileiro, que ele diz ser “desnecessária e injustificável”. “Não me parece que o Exército deva se envolver em atividades de monitoramento. Em uma democracia, isso não é uma tarefa das Forças Armadas. Isso pode criar constrangimentos e retornar à perspectiva de que o Exército é o guardião do Estado e das instituições, e não é o caso ”, afirma Sapori.

 

 

A vida como um poema, na visão de Paulinho Tapajós e Mú Carvalho

O arquiteto, produtor musical, escritor, cantor e compositor carioca Paulo Tapajós Gomes Filho (1945-2013), em parceria com Mú Carvalho, nos mostra como a vida tem seu lado belo e realmente pode ser um grande poema. 
A VIDA É UM GRANDE POEMA
Mú Carvalho e Paulinho Tapajós

Que bom despertar de manhã
Dar de cara com a vida
Sem pensar se o tempo atrasou
Ou se está de partida
Ser apenas parte de tudo
No compasso do mundo
Ter o coração sempre atento
Compreender brincar
Que a vida também quer brincar
De viver
Lírios, rouxinóis e as maçãs
Nos abraços do dia
E a felicidade de ser
Uma eterna alegria

      (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Na Faixa de Gaza, a escuridão não ilumina o futuro

Cristovam Buarque

Os stalinistas chamavam de “reacionários”, “anticomunistas” ou “agentes da CIA” os democratas liberais que denunciavam os crimes de Stálin. Fui lembrado disso ao tratar sobre Gaza nos dias de hoje.

Qualquer um de nós, que respeita o povo judeu, reconhece o direito de existência do Estado de Israel, admira o que seu povo fez na inóspita terra que recebeu e conhece seu exemplo na educação, fica com receio de ser acusado de ser antissionista e se intimida em criticar o que fazem hoje as tropas israelenses contra o povo de Gaza. Mas, como antes, não é hora de silêncio.

Desde o século XIX, o sonho de líderes idealistas, como Theodor Herzl, pela criação de um Estado para reunir em um território o historicamente perseguido povo judeu, foi uma das maiores aventuras do espírito humano. Independentemente de discordâncias sobre a correção do local escolhido, a criação de Israel pelas Nações Unidas foi um dos fatos mais notáveis do século XX. Isso justifica o reconhecimento da existência de Israel e seu direito à autodefesa. Mas é injustificável se calar diante do que sofre o povo de Gaza.

Israel tem o direito de se defender contra foguetes lançados sobre sua população civil, um ato que pode ser considerado terrorista. Esses lançamentos devem ser impedidos tanto pelo uso de tecnologias como também atacando os autores. Mas, no lugar de as Forças Armadas de Israel enfrentarem os terroristas, estão massacrando o povo que mora em Gaza. Não são alguns terroristas que foram presos, foram mais de 1.200 civis mortos, entre os quais mais de 250 crianças.

A destruição não atinge apenas as bases de lançamento de foguetes. Foram mais de 4.000 casas demolidas por bombas, além de hospitais e escolas. Gaza inteira foi jogada na escuridão da falta de eletricidade, com todas as suas consequências.

DERROTA MORAL

A vitória de Israel, mesmo exterminando Gaza para acabar com todos os pontos de lançamento de foguetes, virá ao custo de uma derrota moral na opinião pública mundial e não trará paz duradoura para a nação israelita. Alguns palestinos sobreviverão, e o ódio será ampliado. A sobrevivência de Israel, ao longo dos próximos séculos, vai exigir uma força moral que o massacre de Gaza está comprometendo.

É como se o Hamas e Israel se unissem para destruir Gaza, empatando na derrota moral de ambos.

É comum aos que estão no poder, enfrentando atos como o uso de foguetes de destino indiscriminado, perder o sentido crítico da moralidade de seus atos e suas consequências. E é comum que os aliados, por medo, por autocensura, por acomodamento ou por simples obtusidade, deixem de fazer as críticas necessárias. E que eles fiquem também apequenados moralmente e deixem de ser aliados críticos para se transformar em apoiadores irresponsáveis.

Com todos os riscos e incompreensões que isso possa provocar, é preciso dizer que a escuridão em Gaza não ilumina o futuro de Israel.

 

Um documento para a História


Carlos Chagas

Completam-se 60 anos,  este mês, da maior tragédia sofrida pela República brasileira desde sua proclamação. Dia 24 a nação deveria parar  para reverenciar aquele que foi o maior de nossos presidentes e decidiu,com um tiro no peito, mobilizar as  forças populares e  operárias que havia redimido ao longo de décadas anteriores e se encontravam prestes a perder boa parte de seus direitos. O sacrifício de Vargas  adiou por mais dez anos a cupidez das elites. Seus herdeiros, a começar por João Goulart, em 1964, assistiram o inicio do desmonte das estruturas sociais que dali por diante os sucessores promoveram. Registram-se, também agora, os 50 anos da queda da democracia que levará 21 para restabelecer-se. Mas sem trazer de novo em sua plenitude  as conquistas anteriores.

Existem, na crônica dos povos, datas fundamentais. Agosto de 1954 foi uma delas. Desaparecem em irrefreável progressão natural as testemunhas oculares da tragédia, substituídas por farta literatura incapaz de reproduzir o fenômeno das multidões arrependidas ganharem as ruas impondo pelo menos mais dez anos de justiça.

Quando,  na madrugada do dia 24, o velho presidente percebera a armadilha em que o tinham prendido, desencadeou a libertação não apenas de seus esforços anteriores e dele próprio, mas o petardo que fez tremer por mais uma década  os alicerces dos privilegiados. Deixou o documento que sem sombra de dúvidas inscreve-se no rol dos mais contundentes libelos libertário de nossa História. Ei-lo:

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenam-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto.  Depois de decênios de domínio e espoliação de grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. À campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se  a dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros internacionais foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a  liberdade na potencialização da Petrobrás.  Mas esta começa a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o  desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o  povo seja independente.

Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% a ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender o seu preço e  a resposta foi uma  violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo  esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida .Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis a  minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a lutar por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota do meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio, respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram, respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo jamais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço de seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, a infâmia, a calúnia  não abateram o meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora, ofereço a minha  morte. Nada receio. Serenamente, dou o primeiro passo   no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.”

Sessenta anos não são nada na história do mundo. Esse documento continua atual, presente e necessário. Algum candidato presidencial terá coragem de repeti-lo em sua campanha?

 

Reflexões sobre guerra e paz no mundo, no momento que vivemos

Pedro Ricardo Maximino

Há homens tão cruéis e canalhas ao ponto de aniquilar o valor da vida humana, tão preciosa e única quanto o centro de todo o universo.

É certo que os civis continuam utilizados como escudo e alvo principal, tanto no fatídico século XX, quanto neste terrível século XXI.

E nossas guerras diárias envolvem drogas e impiedade, enquanto naquelas bandas se somam a arrogância e o fanatismo religioso.

Apesar do complexo de colônia, desarmada, frágil, dependente e fornecedora de matérias primas, estamos estudando e pensando mais, sou otimista ao ponto de crer que, por aqui, os templos salomônicos são mera exibição mafiosa da idolatria à lavagem de dinheiro.

O protetorado judaico nos chama de anões e Dungas diplomáticos, mas somos gigantes, Hércules quasímodos, sempre de cabeça baixa, sem defesa ou tecnologia independentes, mas que podem virar o jogo e se fortalecer, conquistando a sua capacidade de fato e o respeito, que deve sempre ser recíproco, à nossa condição natural de direito.

Quanto à impiedade que trata alguns como mais humanos do que outros, o complexo industrial armamentista agradece e não vive sem a destruição e a morte por atacado.

A estúpida prepotência e a perversidade humana permanecem, coisificando e descartando a vida humana, daí as guerras, os estupros e as demais formas cruéis de exploração e de dominação.

Vídeo revela o que já se sabia: a CPI da Petrobras era apenas uma farsa

José Carlos Werneck

A agência Estado informa que, segundo denúncia publicada pela revista Veja, os  investigados receberam antecipadamente as perguntas que seriam feitas pela Comissão.

Um vídeo divulgado, hoje, mostra claramente que houve fraude na investigação da CPI da Petrobrás. Segundo a denúncia, a CPI foi criada com o objetivo de não pegar os envolvidos acusados de corrupção. Ainda assim, o Governo e a liderança do PT decidiram não correr riscos e montaram uma fraude que consistia em passar antes aos investigados as perguntas que lhes seriam feitas pelos senadores. A gravação foi obtida,com exclusividade, pela revista.

Com vinte minutos de duração, o vídeo mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobrás em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e um terceiro personagem ainda desconhecido. A decupagem do vídeo mostra que o encontro foi registrado por alguém que participava da reunião ou estava na sala enquanto ela ocorria. A gravação teria sido feita com uma caneta dotada de uma microcâmera. De acordo com a publicação, quem assiste ao vídeo do começo ao fim percebe claramente o que está sendo tramado naquela sala. A fraude consistia em obter dos parlamentares da  CPI as perguntas que eles fariam aos investigados e, de posse delas, treiná-los para responder os questionamentos.

TUDO MONTADO…

O depoimento de Nestor Cerveró, o ex-diretor da Petrobrás, se contradiz com o que foi revelado pelo vídeo, segundo a reportagem. Depois que o ex-presidente Lula mandou  o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli parar de confrontar a presidente Dilma Rousseff, Cerveró se tornou o principal motivo de apreensão do governo porque ameaçara desmentir a presidente diante dos parlamentares. Essa ameaça jamais se consumou. No vídeo, uma das falas de Barrocas desfaz o mistério: ele insista em saber se estava tudo certo para que chegassem às mãos de Cerveró as perguntas que lhe seriam feitas na Comissão.

Outros personagens citados como peças-chave da transação são Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Marco Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado, e Carlos Hetzel, assessor da liderança do PT. Segundo a denúncia, a eles coube fazer muitas das perguntas que alimentariam a cadeia de ilegalidades entre investigados e investigadores. Barrocas diz, também, que o senador Delcídio Amaral era peça-chave da operação para manter Cerveró sob o cabresto governista, porque o senador foi seu padrinho político.

 

 

Ministério Público quer investigar por que o BC autorizou a Caixa a comprar o banco falido de Silvio Santos

José Carlos Werneck

Máteria de Fábio Fabrini, publicada pelo “O Estado de S. Paulo”, informa que o Ministério Público, junto ao Tribunal de Contas da União, pediu a abertura de uma fiscalização sobre o Banco Central por autorizar, entre 2009 e 2010, a compra de uma fatia do Banco Panamericano pela Caixa Econômica Federal .

A CEF pagou R$ 740 milhões no negócio meses antes de o Panamericano quebrar, devido a fraudes financeiras que abriram um rombo de R$ 4,3 bilhões em seu patrimônio.

O procurador Júlio Marcelo de Oliveira sustenta em representação enviada ao ministro José Múcio Monteiro, do Tribunal de Contas da União, que, com o aval do Banco Central, a Caixa, por meio de uma de suas subsidiárias, fez com o banco de Silvio Santos uma transação “ruinosa e ilegal”.

Caberá ao Tribunal, de acordo com os elementos apresentados pelo Ministério Público e em avaliação feita por sua área técnica, decidir se abre ou não uma auditoria para apurar a regularidade dos atos praticados pelo BC.

“Trata-se da compra de uma instituição falida por um banco público, que trouxe benefícios exclusivos para o antigo grupo empresarial controlador e apenas prejuízos vultosos para a Caixa e para a sociedade brasileira, sem nenhum interesse público a ser atendido e sem a adoção dos procedimentos acautelatórios básicos que qualquer outra instituição financeira adotaria”, afirma o procurador em sua representação.

NEGOCIATA

O Grupo Silvio Santos fechou contrato em dezembro de 2009 que previa a venda de 49% do capital votante e de 21,9% das ações preferenciais do Panamericano para a Caixapar, subsidiária da Caixa. Naquele ano, a instituição pública pagou R$ 517,4 milhões a título de sinal. Em julho de 2010, transferiu os R$ 221,7 milhões restantes dias após o Banco Central dar uma autorização “preliminar” para o negócio. Mesmo com o pagamento integral, a Caixa só passou a integrar o grupo de controle do Panamericano mais de três meses depois.

O Banco Central alega que só detectou fraudes no Panamericano em outubro de 2010, ou seja, após a transação ser concluída. O MP sustenta, contudo, não ser possível atestar que isso é verdade sem uma investigação aprofundada, pois fiscalização sobre eventuais irregularidades no banco de Silvio Santos já estava em curso no BC quando o processo de compra foi avaliado e aprovado. Além disso, já havia fortes indícios no mercado de fragilidades do banco nas suas operações interbancárias.

“O procedimento de fiscalização ocorreu paralelamente. Por que os primeiros indícios de fraude não foram imediatamente comunicados ao setor responsável por avaliar a aquisição? Será que a autorização preliminar foi emitida justamente porque se descobriram graves indícios de irregularidades e era politicamente importante que o pagamento se consumasse logo para criar-se um fato consumado?”, pergunta Júlio Marcelo.

BANCO QUEBRADO

Para o procurador, a negociação era atípica e os valores envolvidos, muito altos. Por isso, o Banco Central deveria ter iniciado uma investigação já em dezembro de 2009, quando o contrato foi firmado. Na prática, a Caixa fez investimento em um banco que tinha passivo a descoberto quatro vezes superior. Em 2011, após a descoberta das fraudes, o BTG Pactual adquiriu participação com recursos do Fundo Garantidor de Crédito.

Para o MP, cabe ao TCU avaliar minuciosamente os atos do Banco Central que possibilitaram o negócio. Na representação, Júlio Marcelo de Oliveira pede,também,que sejam esclarecidos outros detalhes, como o motivo de o BC não ter nomeado dirigentes para assumir o Panamericano. Tal procedimento foi adotado em 2013 com o Banco Cruzeiro do Sul, após a constatação de que regras do sistema financeiro estavam sendo descumpridas.

Num processo de acompanhamento já julgado, o TCU isentou em junho ex-gestores da Caixa de multas por supostas irregularidades na compra de participação no Panamericano. O MP recorreu no último dia 18, pedindo a aplicação das penalidades no valor máximo, além da abertura de processo para apurar quais providências foram tomadas pelo Bacen para reaver os prejuízos com a negociação.

Em 2012, ao examinar outros detalhes da atuação do Banco Central no caso, o TCU entendeu que não houve irregularidades. O BC, através de comunicado, esclarece  que naquela oportunidade já teve sua atuação julgada pelo TCU, “que a considerou legal e regular, relativamente aos trabalhos de fiscalização e de reorganização societária no Banco Panamericano”. “Tal como em relação à primeira representação, a autarquia está à disposição do TCU para prestar todos os esclarecimentos”.

 

Era só que faltava: Doleiro preso foi sócio da Petrobras em projeto de usina elétrica

Mario Cesar Carvalho

Duas empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef foram sócias da Petrobras Distribuidora num consórcio escolhido para construir uma usina termelétrica em Suape (Pernambuco), segundo relatório da Polícia Federal sobre a Operação Lava Jato.

O doleiro é réu numa ação penal sob acusação de ter lavado dinheiro desviado da obra da refinaria Abreu e Lima, que está sendo construída em Pernambuco. Mas é a primeira vez que ele aparece como sócio da estatal.

Uma das suspeitas investigadas é que Youssef conseguiu entrar no consórcio graças aos contatos políticos que ele tinha na Petrobras. As empresas de Youssef que se associaram à estatal (Ellobras e Genpower Energy) não tinham atuação no mercado de energia.

A Petrobras não quis se pronunciar.

DOLEIRO MAJORITÁRIO

Com as duas empresas, Youssef detinha a maior fatia do consórcio, de 40%. Petrobras, MPE Montagens e Genpower detinham 20% cada uma, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica, que fez o leilão para a construção da termelétrica.

A usina começou a ser erguida em 2008 e ficou pronta em 2013, após investimentos de R$ 600 milhões.

A PF descobriu que o doleiro estava por trás do consórcio ao apurar que a CSA Project Finance, empresa de Youssef e do ex-deputado José Janene (PP-PR), que morreu em 2010, controlavam as duas associadas da Petrobras. “A CSA é mandatária das empresas Ellobras e Genpower”, afirma o relatório da investigação.

Janene foi quem introduziu Youssef no mundo político, de acordo com a polícia. Foi o ex-deputado também quem indicou Paulo Roberto Costa para a diretoria de distribuição da Petrobras em 2003. Costa está preso na PF em Curitiba e é réu em dois processos, sob acusação de ter desviado recursos da refinaria Abreu e Lima.

LAVAGEM DE DINHEIRO

A CSA é acusada de ter lavado dinheiro do mensalão para Janene. A empresa investiu R$ 1,16 milhão dos R$ 4,1 milhões que Janene e o PP receberam do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza em uma indústria de Londrina (PR).

Youssef não atuou na construção da usina. O consórcio ganhou o leilão em 7/11/2007 e, 40 dias depois, o doleiro vendeu os 40% que detinha para o Grupo Bertin.

A Folha apurou que os 40% no consórcio renderam cerca de R$ 700 mil a Youssef. O Bertin acabou fora do projeto por falta de recursos. Para acabar a usina, a Petrobras teve de recorrer ao Fundo de Investimento do FGTS, que aplicou R$ 372,9 milhões na usina de Suape.

OUTRO LADO

A Petrobras Distribuidora não quis se manifestar sobre o fato de ter integrado um consórcio do qual faziam parte duas empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef.

A MPE disse que nunca teve negócios com Alberto Youssef nem atuou na construção da usina termelétrica Suape 2. Dos vencedores do leilão, só a Petrobras seguiu no projeto até o fim. Os outros ganhadores venderam suas participações à estatal.

O Grupo Bertin disse que nunca soube que as empresas Ellobras e Genpower eram controladas por Youssef. Essas empresas detinham competências que o grupo não dispunha, segundo o Bertin.

 

Por que as nações fracassam

Márcio Garcia Vilela

A revista “Veja” de 16 último trouxe interessante entrevista com o economista James Robinson, autor, com Daron Acemoglu, de um best-seller mundial, a que deram o nome de “Why Nations Fail”, com o subtítulo “The Origins of Power, Prosperity, and Poverty”, parece-me que ainda sem tradução para o português. Recebi a edição em inglês da Eisenhower Exchange Fellowships, da qual fui bolsista, para um “post doctoral fellowship” nos Estados Unidos.

Obra polêmica e bem-elaborada, tem a seu favor apresentar conclusões empíricas por meio de observações de campo, como na África, contestadas pelo economista Jeffrey Sachs, que rejeita a afirmação de que o continente estudado tem como responsável pelo subdesenvolvimento a malária. Vale a pena ao menos ler-lhe e meditar-lhe o estimulante prefácio, se o leitor não sentir-se animado a garimpar-lhe o todo, acompanhando-o, por exemplo, na praça Tahir, no Cairo, onde descobre que os autores dos protestos públicos lá ocorridos, “praticamente em uníssono, queriam derrubar a corrupção do governo, a sua incapacidade de prover serviços públicos decentes e a falta de igualdade de oportunidade no país ou, em particular, atacavam a falta de liberdade, a repressão e o desrespeito dos direitos políticos”.

OTIMISMO

Otimista com o Brasil na sua entrevista à “Veja”, com o que humildemente discordo, Robinson lastreia seus argumentos:

1. A classe política brasileira, tão malquerida, não compromete a evolução positiva das instituições devido à correta (?) percepção que tem dessas vis-à-vis as pessoas que as representam. Contudo, a distinção só ocorre em proporção aos níveis de cultura, educação, compreensão política e grau de civilização, aqui muito baixos. Leva, pois, muito tempo, à luz do período (desde sempre, quiçá) que se negou aos brasileiros ingresso nesse aprendizado.

James Robinson reconhece que o Partido Trabalhista inglês levou 25 anos para romper o pacto da agremiação com a esquerda sindical e entrar na era da conciliação dos ganhos sociais com o livre mercado.Infelizmente, estamos ainda no ensaio para levar a ópera ao palco.

2.Os problemas do Brasil são superficiais e inseridos num processo mais profundo de transformação”, pondera. Mas há muito a escavar (quantos anos temos de PT no poder junto com a coalizão das trevas? Durará ainda mais?).

3.Instituições econômicas extrativas que concentram poder e renda nas mãos de um grupo pequeno de pessoas e agem em oposição às instituições inclusivas; estas permitem a disseminação da riqueza; porém, sem instituições políticas igualmente inclusivas, as econômicas não medram. O Bolsa Família funciona para sair dela”.

O que tem sido feito para a plena retirada? Como o país atual se compatibiliza com condições inclusivas e dinâmicas se é preciso subsidiar o patronato, via fiscal e créditos do BNDES? Como atua o PT? Como nos inserirmos em sistemas partidário e eleitoral corretos, se os trabalhistas ingleses precisaram de uma geração para reformar-se? Desanimar ou confiar? (transcrito de O Tempo)

 

Por que motivo os jovens renunciam ao direito de votar?

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Acílio Lara Resende

É natural que as derrotas escorchantes de que fomos vítimas no futebol nos impeçam (mas só por algum tempo, assim espero) de enxergarmos outras bem piores do que as recém-vividas na Copa do Mundo. Em junho do ano passado, por exemplo, os protestos pacíficos ocorridos em todo o país pegaram de surpresa o governo da presidente Dilma Rousseff e reacenderam, em milhões de brasileiros (jovens, sobretudo), a esperança num futuro melhor. Todavia, pesquisas indicam que são poucos os adolescentes (entre 16 e 17 anos) que procuraram a Justiça Eleitoral com o objetivo de votar nas eleições deste ano.

Dentre as respostas dadas por alguns adolescentes, separei duas, que merecem nossa reflexão: “Não tenho a quem confiar o meu voto. Por isso, optei por não tirar o título”. Ou: “Não quero votar agora porque não acredito em candidatos que não venham do povo”.

A queda do interesse dos jovens pelo título de eleitor se iniciou a partir de 2006. Nessa época, os eleitores menores de 18 anos (ou facultativos) representavam 39% do seu total. Em 2010, o índice baixou para 32% e, em 2014, para 25%. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, que se funda em dados fornecidos pelo IBGE, hoje, o total de eleitores representa apenas um quarto da população nessa faixa etária. Pela primeira vez na sua história, o Brasil terá mais eleitores idosos (os que têm mais de 60 anos) do que com idades entre 16 e 24 anos.

DESINTERESSE

Afinal, por que motivo os jovens renunciam ao direito e, com certeza, ao dever (de cidadania) de votar? Os motivos constantes das respostas dadas pela maioria não serão os mesmos que estão na cabeça do eleitor brasileiro de modo geral, seja ele maduro ou velho? Ou há dúvida de que, nesse particular, estamos todos de pleno acordo?

Embora o desinteresse dos jovens pelo voto tenha se iniciado logo após a denúncia do mensalão (2006), o que, na verdade, desapareceu não foi a confiança na política, indispensável à sociedade humana, mas naqueles que a vêm exercendo de maneira incorreta.

Com exceções, há uma desconfiança generalizada de que não temos a quem confiar o nosso voto. Não acreditamos, enfim, na maioria dos candidatos às eleições no dia 5 de outubro de 2014.

ATORES IMPRESTÁVEIS

Vale dizer: os políticos (não todos, repito) têm sido atores imprestáveis de uma cena que se esgota a cada dia que passa, e com grande risco para o aperfeiçoamento do regime democrático. Ao alcançarem o limite máximo da desfaçatez, a paciência do povo se esgotou e deu no que deu.

Só que, sem a política e, por consequência, sem os seus atores, não haverá salvação para ninguém. Sem o voto, jamais se mudará o rumo que o atual governo deseja para o país. Ao que parece.

É isso – a indispensabilidade da política e dos políticos – que se deve incutir na mente dos jovens, que sofrem hoje, de fontes diversas, uma influência negativa e deletéria – a de que a democracia já não responde aos seus reclamos. E é preciso lhes dizer que a resposta à desconfiança nos políticos não pode ser a abstenção, o voto nulo ou em branco. Ao contrário, qualquer dessas opções poderá levar o país a descrer da liberdade – nosso único e confiável meio de salvação possível.

Haverá sempre alguém a quem confiar o nosso voto. A política, leitor, na prática, não diverge muito do que ocorre em qualquer setor da atividade humana, aqui ou neste contraditório mundo de Deus. Não nos iludamos! (transcrito de O Tempo)

 

Se Aécio for esperar a homologação do aeroporto pela Anac, vai ficar mais velho do que Tancredo Neves

Suzana Inhesta e Marcelo Portela
O Estado de S. Paulo

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, voltou a defender o investimento de R$ 13,9 milhões feito pelo governo de Minas na construção do aeroporto de Cláudio (MG). A obra foi feita em área desapropriada que pertencia a um tio-avô do tucano, a 6 km de uma fazenda de sua família. Na quarta-feira, 30, Aécio admitiu pela primeira vez que pousou no local, disse que foi um erro não checar se as autoridades do setor aéreo consideravam a pista regular ou não. O candidato culpou a demora da Agência Nacional de Avião Civil (Anac) em homologar a pista pelo imbróglio.

“Não me refuto a responder sobre o assunto. A obra foi planejada, como milhares de outras obras feitas em Minas Gerais. O que há, na verdade, é uma grande demora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para fazer essas homologações e fui, de forma inadvertida, não me preocupei efetivamente de saber ou não se havia ou não homologação da pista. Isso é um erro, eu assumo esse erro”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGHá um número enorme de pistas de pouso no Brasil que não estão homologadas pela Anac, que nos faz ter saudades do aintigo DAC (Departamento de Aviação Civil). A Anac nada mais é do que uma agência reguladora como todas as outras, que não regulam nada e só servem de cabides de emprego. Para se ter uma ideia da bagunça que invadiu o setor, o ex-governador Sergio Cabral, durante seus dois mandatos, usou diariamente para pouso e decolagem um falso heliporto no Palácio Laranjeiras. Os moradores do Parque Guinle reclamaram à Anac (publicamos aqui na Tribuna com exclusividade), a agência afirmou que não podia haver heliporto no local, mas Cabral disse literalmente que ninguém tinha nada a ver com isso. Não só seguiu usando o heliporto, como mandou até fazer uma obra de ampliação, e estamos conversados. Homologação? Era só o que faltava… (C.N.)

De vez em quando assisto a excelentes jogos

01

Tostão
O Tempo

Há coisas boas no futebol brasileiro. De vez em quando, vejo excelentes partidas, belos lances e times com um jogo coletivo, moderno e eficiente. De vez em quando, vejo partidas com poucas faltas, poucas simulações, poucos chutões, poucas trombadas, poucas discussões e poucas ofensas. De vez em quando, vejo estádios cheios e boas arbitragens. De vez em quando, vejo dirigentes com boas ideias.

De vez em quando, vejo, escuto e leio ótimas análises sobre o jogo coletivo, e não apenas sobre lances isolados e/ou erros dos árbitros. De vez em quando, vejo que algumas pessoas explicam e compreendem o futebol. “Os que têm estudo explicam a claridade e a treva, dão aulas sobre os astros e o firmamento, mas nada compreendem do universo e da existência, pois bem distinto de explicar é compreender e quase sempre os dois caminham separados” (“O Albatroz Azul”, de João Ubaldo Ribeiro).

O problema do futebol brasileiro é que as coisas boas acontecem de vez em quando. É preciso haver um grande esforço de todos para que as coisas boas ocorram com mais frequência. Para isso, é necessário ter mudanças, dentro e fora de campo, que deveriam começar pela CBF. Não se pode também esconder a realidade. Jogos péssimos, como o entre Flamengo e Botafogo, precisam ser ditos que são péssimos, mesmo quando são emocionantes.

No fim de semana, vi coisas boas, como a estreia de Kaká, as ótimas atuações do Cruzeiro, de Ricardo Goulart, de Everton Ribeiro, de Elias e, mais uma vez, a excelente estrutura tática do Goiás, dirigido por Ricardo Drubscky, preparada para um time muito modesto de valores individuais, que me lembra a Costa Rica na Copa.

Kaká, mais pela esquerda, e Ganso, mais pelo centro, podem formar uma boa dupla. São jogadores que sempre atuaram na mesma posição, mas completamente diferentes. Kaká é muito mais um atacante, e Ganso, um armador. O meio-campo, para Kaká, é apenas passagem, para ele receber a bola e ir em direção ao gol. Para Ganso, é a moradia. Alguns assistiram à Copa e não compreenderam nada. Querem que Ganso jogue como Kaká.

Ricardo Goulart tem as características muito parecidas com as de Kaká, e Everton Ribeiro, com as de Ganso. Evidentemente, Ricardo Goulart não tem o talento que Kaká teve na maior parte da carreira. Everton Ribeiro se movimenta muito mais que Ganso e é, hoje, mais eficiente.

De vez em quando, ou melhor, várias vezes, vi momentos espetaculares de Ronaldinho no Atlético. Um torcedor me disse que foi a todas as partidas do Galo, que se sentava nas primeiras filas, só para ver Ronaldinho, para ele, o melhor jogador que viu tão de perto. Ele falou ainda que nunca viu alguém dominar tão bem uma bola, mesmo vinda de um chutão, para, em seguida, olhando para um lado, dar um passe tão preciso para outro. Ele completou: “Nem acredito no que vi”.

 

 

PT conseguiu transformar em pano de chão suas bandeiras de luta

Antonio Fallavena

Sob alguns aspectos, me sinto recompensado. Presidente do partido, tesoureiro, ministro, deputados. Puxa, quanto “cabra grandão” na cadeia, num só momento. E a grande maioria do PT, o partido puro, sério, que mudaria tudo para melhorar. Prometiam dar exemplo de conduta, de moral e ética.

Em pouco anos, transformaram as bandeiras de lutas em mentiras e a bandeira-símbolo em pano de chão! A estrela, sem ser cadente, caiu em desgraça. E a esperança, bem, a esperança virou canção.

Dos fundadores e militância, perderam cabeças boas, pensantes: muitos que ajudaram a criá-lo pularam do barco. Olham, com vergonha, no que se transformou o “sonho sonhado por muitos”.

E o mensalão chegou, se instalou e explodiu com tudo. Denúncias, processo, julgamento, condenação e prisão. Democratas e republicanos agora estão atrás das grades. E o que isto significou? Muito, muito mesmo.

UM DIA NA CADEIA

Um dia, apenas um dia na cadeia e já seria suficiente para “marcar no osso”, na “paleta”, alguns daqueles que, durante anos, vomitaram e arrotaram ideias, soluções, juízo de valores e moral para todos os outros. Eram eles e somente eles, os donos da verdade, do mundo, de tudo!

Agora, Genoino vai para casa. Sem problemas. Mas onde está hoje Genoino? Em hotel, com amigos, amigas? Onde? Na Papuda! Estes senhores que tinham muito papo, só poderiam parar lá.

Um dia na cadeia e agora cumprindo pena em casa. os crimes cometidos foram de pequena monta, principalmente para aqueles que ainda acreditam na inocência dele e dos demais. Lulla é o maior deles: continua declarando que o “mensalão não existiu”. Por mais engraçado que possa parecer, Genoino e os demais continuam presos, presos à história.

E depois de soltos, sempre serão ex-presos. É uma marca que jamais será retirada, nem como plástica, nem com banda de música. Só por isto, vale a pena viver neste período. Aliás, em relação as condenações deles, tudo valeu a pena.

Campanha de Dilma pede inquérito criminal contra Aécio Neves por usar aeroporto

José Carlos Werneck

Em reportagem de Ricardo Galhardo e Ricardo Della Colletta, publicada pelo jornal,”O Estado de S. Paulo”, o comando da campanha da presidente Dilma Rousseff entrou sexta-feira com uma representação junto à Procuradoria Geral da República, na qual pede abertura de inquérito criminal para investigar o candidato do PSDB, Aécio Neves, por supostos “atentados à segurança aérea” pelo uso dos aeroportos de Cláudio e Montezuma, cidades do interior de Minas Gerais.

No pedido os advogados do PT querem que sejam tomados depoimentos de Aécio, seu  tio-avô, Múcio Tolentino, proprietário da fazenda onde foi construído o aeroporto de Cláudio, e o primo do senador, Fernando Tolentino, que teria os  testemunhado os pousos do  avião do candidato do PSDB,nos referidos aeroportos .

Segundo eles, ao admitir, em artigo publicado quinta-feira, no jornal Folha de S. Paulo,o  uso dos aeroportos, ambos sem homologação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Aécio teria cometido o crime de atentado à segurança aérea, previsto no artigo 261 do Código Penal, e cuja pena vai de seis meses a dois anos de detenção.

Para advogados do PT,o senador Aécio Neves colocou em risco tanto o espaço aéreo  quanto a vida dos tripulantes ao  utilizar os aeroportos. Além da abertura do inquérito e dos depoimentos de Aécio e seus parentes, e pleiteiam a identificação de todos pousos e decolagens em Cláudio e Montezuma e informações sobre o processo de homologação das pistas pela Anac.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNa política brasileira vale tudo, menos perder eleição. Mas o comando da campanha do PT parece que está perdendo o rumo no caso do aeroporto. Um país das dimensões do Brasil tem grande número de pistas de pouso não homologadas em cidades do interior e em propriedades particulares, como a Fazenda Brasil, de um dos filhos de Lula, no interior de Mato Grosso, conforme relato do comentarista Wagner Pires. Aliás, se esta fazenda realmente existe, porque os tucanos não pousam por lá? (C.N.)

Desculpe o mau jeito, pede Flora Figueiredo num poema sintético

A tradutora, cronista e poeta paulista Flora Figueiredo, no poema “Atitude”, aborda os desentendimentos e os males que ocorrem em praticamente todas as relações amorosas, e pede desculpas pelo mau jeito.

ATITUDE

Flora Figueiredo

Esse seu silêncio
soa como um grito,
abafado em panos.
Só faz denunciar os danos que causei.
Desculpe o mau jeito,
mas comporto, em minha quota de defeitos,
não levar junto os enganos que eu amei.

  (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)