O que a Petrobras precisa é de se livrar da influência política. Apenas isso.

Guilherme Almeida

A melhor ajuda que a Petrobras pode ter é demitir todos os diretores nomeados por partidos políticos, colocar apenas administradores Técnicos e cobrar a administração por metas.

Administrador nomeado por partido político só tem o compromisso com quem o nomeou.

Da reportagem do JB:”Políticos beneficiados com o pagamento da comissão pela SBM se reuniam quase que semanalmente num hotel de São Paulo com o ex-diretor da Petrobras envolvido no caso e que não dava um passo sequer sem ouvir primeiro o grupo que o sustentava na estatal.”

Os governos Lula+Dilma+PT conseguiram quebrar a Petrobras, Previ, Petros e agora vão quebrar a Vale e a mídia não comenta.

Gostaria de saber quanto o governo PT pagou ou está pagando para os donos da Vale, tais como Bradesco, Itau, etc.

Lendo a reportagem do Jornal do Brasil Online se chega a esta conclusão do compromisso dos administradores nomeados com os desvios.

DEU NO JORNAL DO BRASIL

http://www.jb.com.br/economia/noticias/2014/02/14/escandalo-da-petrobras-pode-ter-desdobramentos/

Escândalo da Petrobras pode ter desdobramentos.
Dinheiro da holandesa SBM pode ter ido para campanha

As informações sobre pagamento de suborno a um ex-diretor da Petrobras pela holandesa SBM, dona da maior frota de mundial de plataformas para exploração de petróleo do mundo, começam a ter desdobramentos e possivelmente envolvem o primeiro escalão do governo. De acordo com as denúncias reveladas por um ex-funcionário da SBM, o ex-diretor recebia uma comissão da empresa e repassava a maior parte para financiar campanha política. Entre os beneficiados está um ex-ministro das Cidades e seu filho.

O ex-diretor da Petrobras – da cota de um dos partidos da base de apoio ao governo – pode ter recebido da SBM cerca de US$ 139 milhões. Em troca da propina a empresa holandesa tinha a garantia de contratos para aluguel de plataformas de exploração de petróleo. O suborno começa a aparecer com mais força na mídia e já deu munição à oposição que já está pedindo a investigação do caso. A liderança do PSDB na Câmara protocolou, na quinta-feira (13), na Procuradoria Geral da República (PGR), uma representação pedindo a investigação da denúncia.

Os detalhes que começam a surgir sobre o suborno já chegaram ao Palácio do Planalto e estão irritando profundamente a presidente Dilma Rousseff. As informações sobre o pagamento de propina a um diretor da estatal certamente não chegaram ao Conselho de Administração da empresa que na época era presidido por Dilma. Extremamente exigente com seus subordinados, a presidente teria mandado apurar todos os indícios com o maior rigor possível.

O pagamento de suborno feito pela SBM a um ex-diretor da Petrobras, de acordo com a denúncia, teria sido feito pelo representante comercial da empresa no Brasil, Julio Faerman, e por empresas ligadas a ele, entre as quais a Faercom Energia Ltd., JF Oildrive Consultoria em Energia Petróleo, Bienfaire, Jandell, Journey Advisors e Hades Production Inc. A operação triangular começava com as transferências de recursos da SBM para Faerman e as demais empresas que posteriormente repassavam aos funcionários da estatal brasileira.

A “comissão” da SBM era de 3% sobre o valor do contrato, sendo que 1% ficava para Faerman e as empresas ligadas a ele. Os outros 2% eram repassados ao ex-diretor da estatal. Em resposta ao Jornal do Brasil, a Petrobras disse nesta quinta-feira (13) que não comentaria o caso. A Petrobras encomendou a SBM diversas plataformas para exploração de petróleo no valor total de US$ 23 bilhões, algumas ainda em construção.

As investigações sobre pagamento de suborno feito pela SBM envolvem empresas e autoridades da Itália, Malásia, Cazaquistão,Guiné Equatorial, Angola e Iraque, além do Brasil. A empresa está sob investigação nos Estados Unidos, Inglaterra e na própria Holanda. No Brasil, possivelmente a investigação não deverá se restringir à PGR. O Tribunal de Contas da União (TCU) poderá ampliar as investigações que já vem fazendo de contratos da Petrobras com empresas que teriam financiado campanhas políticas.

Políticos beneficiados com o pagamento da comissão pela SBM se reuniam quase que semanalmente num hotel de São Paulo com o ex-diretor da Petrobras envolvido no caso e que não dava um passo sequer sem ouvir primeiro o grupo que o sustentava na estatal. Alguns contratos suspeitos sob investigação do TCU contemplam reajustes, a título de aditivos contratuais de quase 60% sobre o valor original, sendo que a lei de licitações determina que os termos aditivos não podem superar 25% do valor do contrato inicial.

Depois de 35 anos, o processo da Tribuna da Imprensa está novamente parado. Sobra dinheiro para dar a Cuba, Venezuela e Bolívia, mas as dívidas não são pagas.

Carlos Newton

Sempre recebo mensagens e telefonemas de ex-funcionários da Tribuna da Imprensa e de amigos e admiradores de Helio Fernandes, indagando a respeito da indenização devida pela União em função da censura prévia exercida sobre o jornal durante 10 anos (de 1968 a 1978) e também pelo atentado a bomba que destruiu o prédio e as oficinas da Tribuna, em 1981, dois anos depois da Lei da Anistia. Este fim de semana, procurei para o jurista Luiz Nogueira, um dos advogados de Helio Fernandes, e ele me comunicou que infelizmente o processo está parado na Justiça Federal do Rio de Janeiro. Dr. Luiz Nogueira disse também que acaba de encaminhar novo apelo à Desembargadora Federal Salete Maccalóz, para que o processo, que já dura quase 35 anos, volte a tramitar.

Tomei então a liberdade de solicitar que o ilustre jurista me encaminhasse cópia da mensagem enviada à Desembargadora Salete Maccalóz, que é uma das personalidades mais notáveis da Justiça brasileira.

Dr. Luiz Nogueira se recusou, mas insisti muito e ele por fim me liberou uma cópia, por se tratar de assunto de interesse nacional.  E com tristeza, trago esta notícia a conhecimento público.

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LUIZ NOGUEIRA
Advogados Associados São Paulo,
16 de fevereiro de 2014

Exma. Sra. Desembargadora Federal
Dra. SALETE MARIA POLITA MACCALÓZ
DD. Corregedora Regional da Justiça Federal da 2ª. Região

Eminente Desembargadora,

Justiça tardia é injustiça manifesta e qualificada. Pois bem, cumprimentando V. EXA. por sua luta e atuação, objetivando a maior celeridade na entrega da prestação jurisdicional nos fóruns de sua competência, muito contrariado, volto a apelar para que solicite à titular da 12ª. Vara Cível Federal maior empenho no deslinde do processo no. 000156936-8, que trata da indenização proposta pela S/A Editora Tribuna da Imprensa contra a União Federal, que, proximamente, completará 35 anos de tramitação  e que diversas vezes já passou por todas as instâncias do Poder Judiciário. Seu maior interessado é o povo brasileiro que quer a Tribuna de volta às bancas e seu editor, jornalista Hélio Fernandes, hoje, com 93 anos e uma das maiores vítimas da truculenta censura da ditadura 64/85.

Não bastasse essa desabonadora e nada edificante lentidão, a magistrada da 12ª. Vara Federal, sem dúvida, também assoberbada pela elevada sobrecarga de trabalho, depois de receber os embargos à execução interpostos pela União Federal, em 18 de novembro de 2013, SUSPENDEU O CURSO DA EXECUÇÃO ATÉ O JULGAMENTO DOS EMBARGOS.

A Tribuna da Imprensa impugnou esses embargos protelatórios e desconstituídos de fundamentação em novembro de 2013 e a partir de então, nada foi decidido com vistas à finalização do feito. Não se nomeou perito judicial para avaliar o valor real da indenização devida à Tribuna, assim como nenhum novo despacho foi proferido.

A situação por si só justificaria a intervenção de V. Exa. ou do próprio CNJ, pois, de acordo com o inciso LXXVIII do artigo 5º. da Constituição Federal, “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados A RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO E OS MEIOS QUE GARANTAM A CELERIDADE DE SUA TRAMITAÇÃO”.

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CONDUTA CENSURÁVEL

De acordo com os advogados que representam  a “Tribuna da Imprensa”, “cabe repetir aqui o que se disse há 11 anos, que o lamentável e insensível comportamento da União continua o mesmo, traduzido pela total indiferença aos trágicos e criminosos danos, impiedosamente causados por ela à vítima, aqui embargada, que procura, COM DESESPERO, há quase 35 anos, receber alguma compensação, por tais suplícios irreparáveis”.

“Assim, convém observar, de novo, que espanta e admira a conduta reprovável da União, que, não satisfeita em causar, durante o longo período da mais lúgubre e repressiva ditadura militar, os gigantescos e irreparáveis prejuízos descritos no processo, que já dura nada menos do que quase 35 anos, pretende agora, de modo temerário, protelar, ainda mais – não se sabe por mais quantos anos – o cumprimento do julgado, ao opor embargos à execução judicial, manifestamente infundados, resistindo à sua obrigação legal e ao seu dever moral de recompor as lesões avassaladoras, praticadas por um abjeto regime de exceção”.

“Não se argumente com o direito de defesa, assegurado constitucionalmente, nem com o dever funcional da ilustre Advocacia-Geral da União, porque os embargos, agora impugnados, revelam, ostensivamente, o firme propósito da embargante de tentar, COVARDEMENTE, ofender a coisa julgada e escapar da obrigação, que lhe foi imposta pela veneranda decisão exequenda, e de AVILTAR o valor do dano que, após o retorno da nação ao regime democrático de direito, ela deveria ter ressarcido espontaneamente, reconhecendo as mazelas e sofrimentos que causou, não só à credora, mas a milhares de brasileiros”.

Lamentavelmente, de se concluir, que a União, ao invés de se redimir e buscar amenizar os males que infligiu à liberdade de imprensa, à Tribuna e ao seu editor-diretor Hélio Fernandes, PERMANECE A PRATICAR ATOS CENSURÁVEIS, como a oposição destes embargos procrastinatórios.

Com todo o respeito, antes de emprestar ou doar um bilhão de dólares para a construção de portos em outros países, ou facilitar a tomada de créditos estatais brasileiros por parte de países como Cuba, Venezuela, Bolívia e outros, deveria a União Federal cumprir no Brasil decisões transitadas em julgado e quitar débitos indenizatórios irreversíveis e insignificantes perto do que vem disponibilizando no Exterior sem obrigação de fazê-lo.

Senhora Desembargadora-Corregedora,

Volto a apelar para a elevada sensibilidade de V. Exa. para resolver mais essa pendência, face às dificuldades vividas pela parte autora, por seus controladores e pelas dezenas de famílias de jornalistas, que também aguardam a quitação dessa indenização para receberem seus direitos.

Atenciosamente,

LUIZ NOGUEIRA OAB/SP 75708

Av. Nove de Julho, 3229, 2º andar, Jardim Paulista, São Paulo – CEP 01407-000

Quem filmou a morte de Santiago não foi a TV brasileira, mas a TV russa e a TV inglesa

Conrado Gutierres

Pelas evidências parece não restar dúvida de que a mídia ninja e as TV brasileiras estão cobrindo apenas a ação e reação das forças de segurança e deixam de lado a conduta desastrada dos manifestantes e arruaceiros.

Os primeiros esclarecimentos a respeito desse triste episódio da morte de Santiago Andrade foram a partir de imagens da TV russa e da TV inglesa, tanto que o âncora da GloboNews, ao reconhecer o erro do repórter que havia dito que foi um policial que lançou o artefato, disse que a partir das imagens da TV Russa foi possível identificar que o autor tinha sido um manifestante.

A TV inglesa, na reportagem, mostrou imagens dos arruaceiros colocando grades abaixo e o seu repórter protegendo-se de outros vândalos que estavam depredando catracas.

O PRIMEIRO CADÁVER

Francisco Vieira

O problema é que parte importante da imprensa estava esperando – e torcendo – que o “primeiro cadáver de repercussão nacional” fosse produzido pela Polícia Militar, e não pelos manifestantes. No máximo, no máximo, que morresse um PM, o que não seria grande notícia.

Mas, como tudo hoje é filmado, a imprensa foi traída pela mesma câmera que empunhava…

Ave, Jonas Tadeu!

Ana Maria De Moraes Sarmento Vellasco

Acompanhando o desenrolar dos fatos referentes ao triste episódio das recentes manifestações aqui no Rio, seguem as minhas conjeturas.

Acho que mais triste do que a morte física é a morte em vida, de destinos ceifados por inescrupulosos, desclassificados, párias da sociedade.

Nos seus agrupamentos sociopatas, das mais variadas naturezas, institucionalizadas ou não, nessa nossa realidade de espíritos subdesenvolvidos com interesses vis, esses párias promovem uma devastação no que poderia restar de um mínimo de dignidade em pessoas que, no pulsar de um cotidiano difícil, mas ainda revestido de significado, tentam encontrar um sentido maior à sua existência, ainda que travestido, no afã de atitudes que lhes pareçam traduzir alguma relevância, por ilusão, falta de opção e/ou necessidade. Assim, agorinha, veio à tona da minha memória o trecho de uma música do Zé Ramalho: “Ê, vida de gado…, povo marcado, esse…”.

A atitude lúcida e corajosa do advogado Jonas Tadeu, com as suas declarações no decorrer de todo esse episódio, inspira-me credibilidade. Esse senhor está prestando um enorme serviço para a sociedade brasileira, ao expor, de coração aberto e sem pruridos, um dos cancros da nossa realidade terceiromundista (que só quem está nos seus meandros pode ter ideia, amigos no estrangeiro).

Desejo que a morte do cinegrafista que durante a vida buscou revelar as mazelas do nosso cotidiano, por meio da sua lente, em circunstância tão representativa, desnude-nos, por inteiro, mais um charco de areias movediças.

Que os jornalistas investigativos mirem, sem temor, o Aparelho do Estado, com o intuito de erradicar as políticas rasteiras do Brasil, cujas amostras ainda nos são evidenciadas microscopicamente.

Quatrilho mineiro

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Carla Kreefft

Fazer análises apressadas em política é sempre uma temeridade. Mas, às vezes, é inevitável. Dizem que o bom político é aquele que consegue perceber, com antecedência, a próxima ação do adversário e preparar uma reação surpreendente.

Em Minas Gerais, pelo menos uma surpresa já aconteceu. A escolha do ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro Pimenta da Veiga como candidato do PSDB ao governo de Minas não era esperada pelos aliados dos tucanos nem pelos adversários. Pimenta estava afastado de disputas eleitorais e mesmo a sua participação em atividades partidárias eram discretas e muito localizadas em Brasília. A transferência do presidente da Assembleia, deputado Dinis Pinheiro, para o PP, com o objetivo de participar da chapa de Pimenta na condição de vice também surpreendeu a todos.

Ambas as articulações, realizadas pelo senador e presidenciável Aécio Neves, criaram quase que um cenário definitivo da disputa por parte do PSDB. A definição é muito favorável a Aécio Neves, que precisa deixar a sucessão bem encaminhada em Minas Gerais, de forma a conseguir se dedicar intensamente à campanha presidencial.

PT SE APRESSA

Entretanto, esses arranjos provocaram uma certa pressa no PT mineiro. O ex-presidente Lula tratou logo de conseguir um bom nome dentro da classe empresarial para ser uma opção de parceria para o ministro e ex-prefeito Fernando Pimentel, o candidato petista ao governo mineiro. O filho do ex-presidente da República José Alencar foi o escolhido. Josué Gomes filiou-se ao PMDB e se transformou em uma boa carta na manga dos petistas. Não deixou de ser também uma surpresa.

Depois de tudo isso, os principais nomes estão postos e formam um quatrilho mineiro. São dois candidatos de Minas na corrida pelo Palácio da Alvorada e, claro, outros dois na disputa pelo Palácio Tiradentes. E parece não haver dúvida de que se um deles errar, o seu respectivo parceiro também corre risco.

Para Aécio Neves, a eleição de Pimenta da Veiga é fundamental tanto quanto é importante para Dilma Rousseff eleger Fernando Pimentel. Candidato a presidente tem que conseguir eleger o governador de seu Estado. Certamente, os dois rivais preferem uma vitória já no primeiro turno, o que fortaleceria as campanhas em um eventual segundo turno da disputa presidencial.

Tal como no jogo quatrilho, é bom lembrar que algumas peças foram trocadas. Aécio e Pimentel já estiveram ao lado um do outro. Juntos elegeram Marcio Lacerda prefeito de Belo Horizonte em 2008. Agora, são rivais.

Essa rivalidade não é pouca coisa, não. Nas mãos desse quatrilho está o futuro administrativo do Brasil e de Minas Gerais. É muita responsabilidade. (transcrito de O Tempo)

Se não fosse a pessoa amada, na visão poética de Vera Figueiredo

A tradutora, cronista e poeta paulista Flora Figueiredo pergunta, no poema “Reverência”, o que seria dela se não existisse a pessoa amada.
REVERÊNCIA
Flora Figueiredo
Se não fosse você, eu andaria
a caminho do nada,
pra lugar nenhum
.

Eu erraria por entre vagas abertas,
sobre páginas incertas
de um pobre verso comum.

Se não fosse você, eu perderia
a noção do sol e do vento,
de todo e qualquer elemento
que me induzisse à beleza.

Se não fosse você, eu ficaria presa
na trama dos desafetos,
dos amores incompletos
que o mundo encaixa nos cantos.

Se não fosse você, triste seria
e a memória por certo contaria
minha historia na pobreza de um clichê.
…..e eu certamente me demitiria
dos ternos devaneios da poesia.
Que seria de mim, se não fosse você?

           (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

No meio da noite, um menino nas ruas de Brasília


Francisco Vieira

Saí à noite para comprar um livro na W-3 Sul, parte sul de Brasília. Para quem não conhece, é uma rua com residências de um lado e lojas do outro. Isto nos velhos tempos. Hoje, de um lado só tem grades e do outro algumas lojas, perdidas em meio de tantas outras fechadas por falta de clientes e medo de assalto. Em alguns pontos ainda se acha uma garota de programa…

Pois bem, em um dos semáforos havia uma criança de uns 11, 12 anos com uma bermuda suja, uma camiseta e uma jaqueta com capuz. Pés no chão, pretos. Magrelo. Todo imundo. Encardido, mas ainda guardava o jeito de criança. Pedia dinheiro aos motoristas, provavelmente ainda sem meios (físicos ou mentais) de assaltar.

Na “minha vez”, pediu alguns trocados. Dei umas moedas. Triste situação. Faz vergonha a quem tem vergonha na cara. Aqui no DF é comum achar criança nas ruas, principalmente na rodoviária, comendo lixo, vivendo feito rato e barata e dormindo, entorpecido, ao relento feito gado!

Como esse garoto, há milhares, todos invisíveis aos olhos dos governantes, não merecedores de entrevistas, discursos inflamado e indignados de quem vive de barriga cheia com o dinheiro que, originalmente, era a eles destinado.

Aqui cabe uma observação: Todos os meninos de rua nasceram depois da ditadura, então não podemos culpá-la por este mal. Todos são criação da Nova República e levam o carimbo “Made in PSDB e PT”.

Sem pai, sem mãe, sem família. Sem futuro. Filhos da geração espontânea, foram feitos exclusivamente para constituírem a massa carcerária ou clientes precoces do IML e, em muitos casos, servirem de pretexto para desvios de verba pública!

Quanto ao menino do semáforo, duvido que tenha guardado o dinheiro para comprar algo útil. Provavelmente foi comprar crack para atenuar os efeitos da tortura diária cometida por nossos governantes, os mesmos crápula que tentam colocar nessa população vilipendiada a culpa das mazelas sociais e do caos a que nos aproximamos!

Cenário sombrio, mas sem ameaça de golpe

Murilo Rocha

Quase 30 anos depois do fim da ditadura militar, o Brasil volta a viver um cenário sombrio. Não há risco nenhum de um golpe de Estado, mas há contornos evidentes de um recrudescimento de ações e de ideias comuns àqueles anos de chumbo, com o apoio, ingênuo ou orquestrado, de parte significativa da sociedade brasileira – incluindo aí parcelas da mídia, quase todo o poder público e de instituições de classe.

A cena do jovem negro nu, acusado de assalto, preso num poste de rua por um cadeado de bicicleta envolto em seu pescoço, a reação exaltada da jornalista na televisão – evocando um levante das “pessoas de bem” e ironizando os direitos humanos –, a retomada do Projeto de Lei do Senado (PLS) 499, tipificando o crime de terrorismo, não são atitudes nem respostas isoladas; fazem parte de um movimento único e recorrente, mesmo sem necessariamente estarem organizadas.

O ressurgimento desses comportamentos, eufemisticamente chamados de conservadores, tem como pano de fundo a falta de resposta de um modelo econômico e social às mazelas e contradições criadas por ele mesmo. É como se, diante da impossibilidade de resolver a violência cotidiana, a pobreza, a corrupção endêmica, o consumo cada vez maior de drogas, a falta de infraestrutura, educação e saúde perpetuados por sucessivos governos “democraticamente eleitos”, parte do país voltasse a culpar a população mais pobre ou os movimentos sociais pelos problemas. As tentativas de aumentar a repressão são, na verdade, tentativas de manter tudo como está, seja no nível político ou social.

LEI ANTITERRORISMO

Ao voltarem a debater a chamada lei antiterrorismo um dia depois da trágica morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido por um rojão na cabeça durante uma manifestação no Rio de Janeiro, os senadores, de forma eleitoreira e perigosa, mais uma vez jogam para a plateia.

O projeto 499 tem como principal objetivo – e se aprovado terá como principal consequência – reprimir protestos legais, como os realizados contra a Copa do Mundo. Além de ser uma sobreposição de leis já existentes, a proposta é genérica e ambígua, dando margens para enquadrar no crime de terrorismo até quem soltar um foguete depois de uma partida de futebol ou quem escrever um texto em defesa das manifestações de rua ocorridas no Brasil desde junho passado.

A volta à barbárie, o apelo à irracionalidade são tão explícitos que nem a comparação inevitável da imagem do jovem detido por “justiceiros” no Rio, na semana passada, aos quadros retratando escravos sendo punidos em praça pública no período colonial inibiu os apologistas de práticas como tortura, humilhação e covardia de exibirem suas opiniões, sob o argumento da liberdade de expressão. Cabe a quem não concorda com isso lutar, manifestar, mesmo sendo minoria, e correndo o risco de em alguns dias ser enquadrado como terrorista.

Ministro diz que setor de saúde está pronto para a Copa. Você acredita?

Elaine Patricia Cruz
Agência Brasil

A estrutura de saúde montada para a Copa do Mundo de 2014 não necessitou de verba específica do governo federal, mas uma reorganização dos investimentos, que estavam previstos. A informação foi dada pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro, durante uma conferência sobre saúde médica para a Copa do Mundo, organizada pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), em um hotel da zona sul paulistana.

De acordo com o ministério, 10 mil profissionais da área de saúde foram capacitados para a Copa. As 12 cidades-sede contarão com 531 unidades móveis do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, 66 Unidades de Pronto Atendimento e 67 hospitais que funcionarão de forma integrada. Além da estrutura para atender os torcedores, o ministério informou ter criado planos de contingência para atender a acidentes com múltiplas vítimas.

Chioro disse que o número de atendimentos médicos durante a Copa do Mundo não deve alterar a rotina dos hospitais e unidades de saúde porque a expectativa é que de 1% a 2% de torcedores necessitem de algum cuidado médico, sendo que 99% da demanda costuma ser atendida no próprio estádio.

PERFIL DO PÚBLICO

O perfil do público esperado para a Copa são adultos, entre 25 e 49 anos de idade, que, em geral, são saudáveis e não necessitam de cuidados especializados de saúde. Na Copa das Confederações, ano passado no Brasil ocorreram 1.598 atendimentos médicos, sem qualquer registro de caso grave. Do total, 98% das pessoas foram atendidas no próprio estádio.

Nas arenas e intermediações (até dois quilômetros de distância), a Fifa será a responsável pelos atendimentos de emergência de jogadores e torcedores. Segundo a federação, o número de postos de atendimento vai variar de acordo com a capacidade de cada estádio, cumprindo a legislação brasileira e as normas internacionais de segurança.

Para auxiliar os torcedores e os estrangeiros sobre a saúde no país, o Ministério da Saúde criou um site, disponível em quatro línguas (inglês, português, francês e espanhol) onde é possível encontrar orientações sobre hábitos saudáveis, cuidados de saúde e um guia de serviços. Será criado também um aplicativo, acessado por celular, que fornecerá informações úteis sobre saúde.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGParece brincadeira. Falar é fácil. Ter de procurar um hospital público é coisa bem diferente. Que Deus proteja os torcedores. (C.N.)

Unasul condena manifestações violentas na Venezuela

Leandra Felipe
Agência Brasil/EBC 

Em comunicado divulgado na noite de sábado, a União das Nações Sul-americanas (Unasul) manifestou repúdio aos recentes atos violentos ocorridos na Venezuela, referindo-se aos danos materiais e perdas humanas causadas pelos protestos que ocorrem no país há vários dias.

“A Unasul rejeita os recentes atos violentos na Venezuela e a intenção de desestabilizar a ordem democrática constituída legitimamente pelo voto popular. Também expressa solidariedade às famílias das vítimas”, diz o comunicado.

O organismo multilateral também lembrou que “a preservação da institucionalidade democrática é um pilar fundamental do processo de integração nacional”. No texto, a Unasul recomenda que as forças políticas e sociais do país “priorizem a busca do diálogo para a solução pacífica das diferenças”.

OUTROS PAÍSES

Além do bloco, outros países se manifestaram neste fim de semana sobre os acontecimentos na Venezuela. Estados Unidos, Equador, Bolívia e Chile enviaram mensagens ao governo venezuelano. O secretário de Estado americano, John Kerry, disse que os Estados Unidos estão “profundamente preocupados pelas crescentes tensões e violência na Venezuela”.

Kerry pediu que o governo de Nicolás Maduro deixasse em liberdade todos os manifestantes que haviam sido detidos e pediu que as partes “trabalhem para restaurar a calma e evitar a violência”.

A chancelaria chilena enviou condolências ao povo venezuelano e ao governo, em especial às famílias das vítimas dos atos violentos. “Apesar das dificuldades, o governo [chileno] confia  no rápido esclarecimento dos fatos, com plena garantia do devido processo”, pontua o comunicado.

Rafael Correa, presidente do Equador, também falou nesse sábado sobre a violência dos protestos na Venezuela. Em seu programa de rádio e televisão, ele disse que a “ultradireita usa como estratégia envenenar a alma das pessoas”, referindo-se aos acontecimentos na Venezuela.

Problema da Petrobrás não é má administração, mas o subsídio aos combustíveis

Wagner Pires

A maior empresa brasileira está passando por dificuldades na geração de receita. Não é que a empresa esteja mal administrada. Nada disso. Como bem frisou aqui no Blog o comentarista Bortolotto, a Petrobrás está sendo utilizada pelo governo para conter a inflação. É suportada pela empresa a diferença entre os preços de importação do petróleo e derivados (o chamado spread) e o preço médio do petróleo nacional.

Hoje a Petrobrás subsidia um spread de US$ 11,50 por barril de petróleo importado. Esse subsídio fez com que a lucratividade da empresa diminuísse pela metade. Veja: o lucro líquido da Petrobrás em 2009 foi de R$ 33,3 bilhões; em 2010 foi de R$ 35,9 bilhões; em 2011 foi de R$ 33,1 bilhões. Já a partir de 2012, R$ 13,2 bilhões; 2013, até o terceiro trimestre, R$17,1 bilhões.

O lucro caiu pela metade a partir de 2012, por conta do subsidio dos combustíveis importados, em sacrifício pela melhoria da conjuntura econômica nacional; e, mais especificamente, para segurar a inflação.

Desta forma, lemos em seu último demonstrativo financeiro direcionado aos acionistas a seguinte explicação: “A queda no lucro líquido é explicada pelo aumento da importação de derivados a preços mais elevados, pela desvalorização cambial, que impacta tanto o resultado financeiro como os custos operacionais.”

COTAÇÃO DO DÓLAR

Vejam que o aumento do dólar em relação ao real, ou seja, a desvalorização cambial impacta tanto o resultado financeiro em relação às dívidas formadas em moeda estrangeira, quanto os custos operacionais oriundo do spread de importação do combustível para atender à demanda interna, assim como na compra de peças e equipamentos vindos do exterior.

Para ficar claro, então, vejamos a quantidade importada pela maior azienda brasileira e a participação dessa importação no volume internamente consumido. Até 2011, a empresa ia bem subsidiando o combustível importado em volume em torno de 4% do combustível consumido no país. O problema é que, a partir de 2012 o volume aumentou drasticamente, chegando a 10,5 % e passando a 17,5% em 2013.

A solução, como apontou Bortolotto, é estabelecer um plano de aumentos para os combustíveis e rateá-los junto à população, para que a empresa tenha fôlego para investir o montante necessário à exploração do pré-sal e atingir a autossuficiência. Algo que deverá acontecer por volta de 2021.

INVESTIMENTOS

A Petrobrás tem um plano de investimento anual por volta de R$ 97,6 bilhões. Teve que fazer a partilha para alavancar este financiamento, sem o que seria impossível à empresa, considerando um prazo médio de 10 a 15 anos.

Os reajustes estão sendo dados paulatinamente, e a empresa já mostra uma melhor recomposição; veja que de 2012 para 2013 o lucro líquido já aumentou, de R$13,2 bilhões para R$17,1 bilhões, sem contar o último trimestre.

Os demonstrativos econômicos e financeiros definitivos de 2013 devem ser publicados em 25 de fevereiro. O valor de mercado da empresa em 2012 era de R$ 298,7 bilhões. Em 2013 caiu para R$ 229,1 bilhões, até o terceiro trimestre.

A consultoria Economática fez um levantamento e achou R$ 175,1 bilhões como valor de mercado da Petrobrás. Algo me diz que esta consultoria está fazendo o cálculo errado, e o valor de mercado da empresa voltou a subir, assim como a sua capacidade de gerar lucro.

É o que estamos vendo, de fato.

 

Lula trouxe a Copa para o Brasil, pensando que seria candidato este ano

Francisco Bendl

Lula, que foi o causador de a Copa vir para o nosso País, imaginava que seria o candidato do PT nessas eleições deste ano. Pensava estar nos braços do povo quando da inauguração dos jogos e no seu final, claro, com o nosso Brasil campeão.

Os delírios do PT, os devaneios do ex-presidente, jamais levaram em conta nossa realidade, as dificuldades, os interesses em jogo, as conveniências e, principalmente, a corrupção que os petistas institucionalizaram e que seria o nosso maior problema.

As cidades que abrigarão os jogos se transformaram em buracos. Muitas obras prometidas e divulgadas não vão ser completadas. Algumas, sequer iniciadas. O transporte urbano continua um caos. Quero ver os estrangeiros andando nos trens do Rio e São Paulo tentando assistir aos jogos.

Lamento, mas vamos fazer um fiasco sem precedentes. No entanto, mostraremos um Brasil verdadeiro, sem maquiagem, sem retoques nas fotos que vão para o exterior, exatamente tal qual ele é. E não vão gostar.

Haverá protestos, passeatas, os preços dos hotéis, alimentação e bebidas nas alturas, insegurança a cada quadra que os turistas andarem a pé, e se tiverem algum problema de saúde conhecerão as nossas tradicionais filas para atendimento.

ATESTADO DE INCOMPETÊNCIA

Pois é esta ilusão de um governo que julga saber o que está fazendo, e quer que acreditemos! Na razão direta dos entraves na construção dos estádios, seus entornos, aberturas de avenidas, ampliação de metrôs, estradas, o Brasil vai dar um atestado de incompetência para o mundo.

Os países que vierem para disputar a Copa com seus torcedores verão que o PT é mera propaganda, ilusão, engodos, irrealidades. Afora mostrarmos uma nação carente em várias áreas, a curiosidade é que tínhamos tempo suficiente para concluir as obras anunciadas. A maldita burocracia, a distribuição dos lucros com os preços superfaturados, os contratos entregues aos conhecidos de sempre, a omissão dos parlamentares, a falta de fiscalização efetiva do governo face à pressa em concluir o canteiro de obras que essas cidades mencionadas se transformaram, acarretará um prejuízo aos cofres nacionais incalculável!

E dizer que esta fabulosa verba jogada ao lixo, poderia melhorar as instalações das escolas, dos postos de saúde, de estradas, de saneamento básico, água encanada, aperfeiçoar até mesmo a distribuição de energia pelo Brasil, evitando os apagões.

Bom, quem pensa em utopias e imagina que podem se concretizar, eis o resultado desse governo que segue uma ideologia retrógrada, que somente pensa em política e enaltecimento do partido.

A diferença entre a prefeitura de Boston e a prefeitura do Rio de Janeiro

Isac Mariano

Em 2007, no coração da cidade americana de Boston, foi inaugurado um sistema de túneis, para que pudesse ser interditado e demolido um antigo sistema de viadutos elevados, e assim revitalizar aquela área central.

Mas houve imensa diferença em relação ao que ocorre aqui no Rio de Janeiro:

– Em Boston o sistema de viadutos foi interditado exatamente no momento em que o sistema de túneis foi inaugurado! Não houve caos algum! Nada de engarrafamentos! Nada de incômodos aos motoristas daquela populosa região metropolitana! Foi uma obra planejada nos mínimos detalhes, inclusive em relação ao respeito com a população!

Aqui no Rio de Janeiro ocorre exatamente o contrário! A prefeitura interditou todo o viaduto da Perimetral, e já demoliu uma pequena parte dele. Mas sem entregar nenhuma alternativa viária decente à população!

Inaugurou uma tal de Via Binário do Porto, extremamente mal construída. Cheia de curvas e cotovelos, onde os ônibus não conseguem girar paralelamente com outros, devido ao pequeno raio de algumas dessas curvas, reduzindo a velocidade e gerando engarrafamento. Além do mais, essa via não consegue levar o fluxo à Zona Sul para evitar o Centro, como a Perimetral fazia. Ou seja, põe os veículos no meio do caótico trânsito central. E para piorar, a via não suporta grandes chuvas, pois tem péssima drenagem, e já sofreu com alagamentos.

CADÊ OS TÚNEIS?

A prefeitura – com sua parceria público-privada – constrói um sistema de túneis, sendo que um deles terá mais de 3 km. Ela diz que todo o sistema, quando estiver pronto, substituirá perfeitamente o que as antigas vias faziam, com inclusive aumento de 27% na capacidade de escoamento do fluxo.

No entanto, só foram construídos pouco mais de “500 m” de túneis, segundo informações dela própria. Mas como assim? Nesse ritmo ela conseguirá cumprir o prazo de entrega da obra para 2016?

Agora a prefeitura resolveu que já é hora de fechar o “mergulhão da Pça. XV”. Mas como já é hora? As alternativas quase não existem! Os engarrafamentos já se espalham por inúmeros bairros, afetando lugares a mais de 15 km da região portuária! Os ônibus ficam horas presos nos mesmos engarrafamentos que os carros. No entanto o prefeito já disse que “os carros” podem levar a cidade para o caos, na próxima segunda-feira. Os carros agora viraram os vilões do Rio de Janeiro!

Já há quem esteja traçando um cenário sombrio para essa gigantesca e caríssima intervenção maluca na região portuária carioca. Segundo se comenta bastante, há chances de que tudo isso acabe sendo interrompido por tempo indeterminado, ou até abandonado, por uma série de fatores, mas principalmente financeiros. E então toda aquela região tornar-se-ia algo mais degradado do que já foi um dia, pois teria escombros de canteiros de obras abandonados.

CUMPRINDO PENA

Num país sério, um prefeito como Eduardo Paes já estaria sendo julgado, pelo que está fazendo com o Rio de Janeiro. Talvez já tivesse sido até mesmo condenado, e estaria cumprindo pena numa penitenciária, ou quem sabe num manicômio judiciário.

Há um conselho bem atual para quem não é daqui, nos dias de hoje:

– Não venha ao Rio de Janeiro, exceto em caso de grande necessidade! Do contrário você perderá muitas horas dos seus dias preso em caóticos engarrafamentos! Ou então suportando superlotações absurdas em trens, nas barcas ou no metrô!

Procuradoria reabre o caso Riocentro, mas 9 acusados já morreram

Chico Otavio e Juliana Castro
O Globo

A mais completa investigação sobre o atentado que mudou a História recente do país pode levar cinco militares, três deles generais, e um delegado ao banco dos réus. Após quase dois anos de trabalho, os procuradores da República do grupo Justiça de Transição, que apura os crimes políticos do regime militar, denunciaram seis envolvidos na explosão de uma bomba no estacionamento do Riocentro, na noite de 30 de abril de 1981, quando um show em homenagem ao Dia do Trabalho reuniu no local cerca de 20 mil pessoas, a maioria jovens.

O atentado não apenas provocou a morte instantânea do sargento Guilherme Pereira do Rosário, do Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército (DOI-1), que carregava a bomba, como abortou a tentativa que os bolsões radicais faziam para deter o processo de abertura política durante o governo do presidente João Figueiredo (1979-1985).

Para denunciar o então capitão Wilson Luiz Chaves Machado, parceiro do sargento na ação e dono do carro onde a bomba explodiu, e outros cinco acusados de envolvimento no atentado, os procuradores produziram 38 volumes de documentos e 36 horas de gravações de depoimentos em áudio e vídeo.

QUATRO NOVOS SUSPEITOS

Dos seis nomes, quatro nunca haviam aparecido como suspeitos. Um deles é o general reformado Edson Sá Rocha, chefe da Seção de Operações do DOI em 1981. Ele é acusado de ter defendido, um ano antes, um plano de explosão de bombas em outra edição do show do Riocentro.

A denúncia também responsabiliza os generais reformados Newton Cruz — na época, chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI) e indiciado no inquérito que reabriu o caso em 1999 — e Nilton Cerqueira (então comandante da Polícia Militar fluminense), o major reformado Divany Barros (agente do DOI-I) e o ex-delegado capixaba Cláudio Guerra. Além dos denunciados, o grupo identificou mais nove autores, todos já falecidos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ meritória a atuação da Procuradoria. Tantos anos depois, traz fatos novos, como quatro coautores do inacreditável crime, que não é atingido pela Lei da Anistia, que é de 1979, enquanto o atentado do Riocentro ocorreu em 1981. Seria maravilhoso ver o desonroso Capitão Wilson Machado na cadeia, junto com os mandantes. (C.N.)

Esgotamento brasileiro

Heron Guimarães

Estamos nós, cidadãos brasileiros, em situação de esgotamento. Já estamos dando sinais de que a cabeça não trabalha bem, e quando isso ocorre o corpo também falha. Somos hoje seres doentes, maltratados por um estado de coisas que nos pressiona e que nos empurra, por meio de uma toada lenta, sádica e masoquista, para uma espécie de tripalium.

Somos vítimas de nós mesmos, de nossa consciência distraída e de um país em que não só os extremos, mas o seio da sociedade se perde em colapso. Os nossos direitos estão se evaporando e só temos os deveres cobrados se eles forem para fazer os acertos com o fisco.

A leniência faz parte dos três Poderes da República e os transforma em um conjunto esquizofrênico e estéril. Eles não têm mais o controle da situação.

Em ruas, escritórios ou em repartições públicas as pessoas não se entendem. Encontramo-nos de pé, fatigados, em uma torre de babel apertada e encalorada. As forças estão se exaurindo.

Toma conta de nós uma raiva contida, silenciosa, que, guardada, transforma-se em ressentimento. Somos, então, pessoas ressentidas, sem expectativa de dias melhores, o que faz a paisagem de nosso mundo ficar mais feia, mais cinza.

Faltam-nos gentileza, competência, vontade e uma certa porção de “raiva” boa, aquela que provoca mudanças de fato. Reações que não nos ressentem, mas que nos alertam.

E esse esgotamento do brasileiro como cidadão, do Brasil como nação, não traz somente prejuízos imediatos. Traz consigo a falta de esperança, o que de pior pode existir para uma pessoa, uma gente, um país.

PAÍS PARALISADO

O Brasil parece mais um barco remendado no meio do oceano, sem vento para soprar suas velas, seja para qual direção for.

O fim de um cansativo dia de trabalho não é mais motivo para irmos embora e recarregar nossas forças com os bons fluidos da família, que, também já intoxicada por notícias ruins proliferadas por todo tipo de ferramenta, esgota-se aos poucos, deixando às crianças o abandono e a falta de amparo.

Resta-nos, neste universo em desespero, nos contentar com o fato de que a desgraça do outro é maior do que a nossa.

Viver no Brasil, nos dias de hoje, não é somente sobreviver a tiroteios, enfrentar congestionamentos, ser roubado nas ruas e surrupiado em conchavos de gabinetes políticos. Não é mais ter que aceitar a precariedade da saúde e a falta de educação de mínima qualidade.

Ser brasileiro, sem sentir vexame, é ter a habilidade, quase transcendental, de se despir de todo o mal que a própria sociedade cria e se reinventar. Só um novo advento é capaz de mudar as coisas. Fiat lux! (transcrito de O Tempo)

Quando a revolução está no meio e não nos fins

Cristovam Buarque

Não faz muito, os fins justificavam os meios usados para realizar as revoluções e a construção da igualdade justificava o sacrifício da liberdade. Mais recentemente, os propósitos sociais foram sacrificados em nome da plena liberdade comercial.

Para surpresa, as populações foram às ruas manifestar radical descontentamento com o estado das coisas. Mas esses movimentos têm carecido de objetivos transformadores e utópicos claros.

Passam a impressão de que seus diversos objetivos parciais não carregam propósitos de transformação social. É como se a revolução estivesse no meio, e não nos fins. Uma revolução sem classe social vanguardista, sem líder condutor, sem partido, realizada pela desilusão, descontentamento e desespero com a realidade atual, sem proposta de outra realidade a ser colocada no lugar. Por isso, os movimentos não se enquadram nos modelos conhecidos.

É por desconhecer o que acontece que surge a tentação de negar a existência da revolução em marcha, que se caracteriza, sobretudo, pela mobilização de pessoas pela internet. Com os instrumentos tradicionais de análise, é impossível entender esse processo, e nada indica que novos instrumentos lógicos estejam surgindo entre os intelectuais ou os políticos.

INSTABILIDADE SOCIAL

A perspectiva é de um longo tempo de instabilidade social, decorrente não apenas de raras marchas de 100 mil, mas por 5.000 marchas de 200 pessoas. Número incapaz de derrubar governos, mas suficiente para desorganizar a estrutura social sem ameaçar a estrutura política.

O que caracterizava as revoluções com os velhos propósitos era desorganizar o tecido social para mudar o poder político e implantar um novo projeto social. Agora, é extravasar o descontentamento social com centenas de pequenas reivindicações para mudar as prioridades.

Nesse clima de uma revolução com propósitos diluídos, conforme os grupos que se manifestam, sem um propósito de classe nem líderes partidários, surgirá a tentação da repressão como forma de combater os movimentos. Mas os movimentos se organizam por uma forma desorganizada, quase espontânea, em que cada pessoa tem uma trincheira em casa sob a forma de um computador conectado. As forças da repressão não terão êxito porque foram organizadas para os velhos padrões. Da mesma forma que os exércitos tradicionais perderam guerras para a guerrilha tradicional, a polícia tradicional perderá para essa guerrilha cibernética.

Resta aceitar os movimentos e tentar entender as causas dos descontentamentos, dos desesperos, dos desencantos. E, de preferência, fazer isso contente, porque essa revolução que não entendemos é a manifestação do fracasso do que se entendia ser a utopia, esperando e observando o que está acontecendo e que não cabe dentro de nossos esquemas. Até que, provavelmente, de dentro dos próprios “neorrevolucionários”, surjam alternativas sociais utópicas e convincentes.

O Brasil à mercê das intempéries: só terá energia se chover


Profa. Guilhermina Coimbra

Declarações de autoridades sobre o fornecimento de energia são demonstrações expressas e explícitas da ausência  de previsão e planejamento do setor.  Entre as manchetes recentes (13.2.2014) que tratam de energia e “apagões”, não encontramos nenhuma informação, comentário, sobre a necessária e urgente agilização da utilização da energia nuclear em larga escala no Brasil (”Governo deixa pelo menos 17 hidrelétricas do PAC de fora de plano de energia”, “Consumidor poderá arcar com alta no custo de energia”, “Espírito Santo tem segundo apagão em uma semana”, “Bolívia aumenta fornecimento de gás para Petrobras usar em térmicas”, em O Globo;  “Petrobras compra mais gás da Bolívia”, na Folha de São Paulo; “Petrobras compra mais gás da Bolívia”, Estado de São Paulo; “Com a seca, empresas já pagam mais até por energia negociada para 2015”, no Correio  Braziliense; “Energia sem segurança”, “ Falta de gás preocupa”,  “Brasiliense sofre com apagões”, no Valor  Econômico; “Queda na conta de luz não aumentou consumo de energia”, ”Ministério descarta novas medidas para conter demanda”; “Carvão “suja” matriz energética do país”; “Preço do WTI sobe 9% no ano e fica perto dos US$ 100”; “Prévias indicam resultados melhores no 4º tri mestre” ; “Mercado fica mais pessimista com risco de racionamento”, em Brasil Econômico; “Recursos naturais: combater o desperdício”, “Especulação com chuva ainda por vir”, “Brasil acerta a compra de mais gás boliviano”; “Investimentos das estatais cresceram 15,9% em 2013”).

As informações omitem que a energia nuclear tem, com sucesso, fornecido 77% de toda a energia elétrica, econômica e segura da Região Sudeste do Brasil. 

Constata-se que continua o conluio do silêncio sobre a utilização da energia nuclear como solução eficaz, econômica e segura, para os “apagões” etc. O silêncio dá a impressão de que se trata de uma estratégia, uma espécie de “reserva de mercado” para clientes de lobistas (aqueles que trabalham contra os interesses do Brasil).

Entretanto, como matéria paga – muito bem paga em página inteira de jornal de grande circulação -, segue a forte campanha de propaganda terrorista enganosa com o objetivo de paralisar o funcionamento das usinas nucleares brasileiras (O Globo, 9.2.2014, domingo, Economia). 

A insidiosa propaganda terrorista enganosa, porém, esbarra na inteligência da população brasileira, e quanto mais enganosa a propaganda mais conscientizados se tornam os consumidores brasileiros sobre a indispensabilidade da energia elétrica originada das usinas nucleares brasileiras. Em termos de energia nuclear no Brasil – toda a atenção é preciso, mas, é para abortar a sabotagem nuclear, assim como a sabotagem contra o Programa Aeroespacial Brasileiro em Alcântara, no Maranhão.

A visão ambientalista de Vital Farias

O músico, cantor e compositor paraibano Vital Farias lançou, em 1982, pela Poligram, o LP Sagas Brasileiras, que traz o épico “Saga da Amazônia”, cuja letra expressa a preocupação do artista com a degradação das espécies, a exploração desenfreada da mão de obra infantil, a poluição galopante dos rios e mananciais e, consequentemente, a defesa da preservação da natureza e a sustentabilidade das ações do homem, antecipando o movimento ecológico que tomaria força no final daquela década.

Logo, foi uma visão vanguardista do mestre Vital Farias que, além de construir uma belíssima letra, ainda conclamava as pessoas a repensarem as suas atitudes, sob pena de inviabilizarem a vida no planeta para as gerações vindouras.

SAGA DA AMAZÔNIA
Vital Farias

Era uma vez na Amazônia a mais bonita floresta
mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
no fundo d’água as Iaras, caboclo lendas e mágoas
e os rios puxando as águas
Papagaios, periquitos, cuidavam de suas cores
os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores
sorria o jurupari, uirapuru, seu porvir
era: fauna, flora, frutos e flores
Toda mata tem caipora para a mata vigiar
veio caipora de fora para a mata definhar
e trouxe dragão-de-ferro, pra comer muita madeira
e trouxe em estilo gigante, pra acabar com a capoeira
Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
pra o dragão cortar madeira e toda mata derrubar:
se a floresta meu amigo, tivesse pé pra andar
eu garanto, meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá
O que se corta em segundos gasta tempo pra vingar
e o fruto que dá no cacho pra gente se alimentar?
depois tem o passarinho, tem o ninho, tem o ar
igarapé, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar
Mas o dragão continua a floresta devorar
e quem habita essa mata, pra onde vai se mudar???
corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá
tartaruga: pé ligeiro, corre-corre tribo dos Kamaiura
No lugar que havia mata, hoje há perseguição
grileiro mata posseiro só pra lhe roubar seu chão
castanheiro, seringueiro já viraram até peão
afora os que já morreram como ave-de-arribação
Zé de Nana tá de prova, naquele lugar tem cova
gente enterrada no chão:
Pois mataram índio que matou grileiro que matou posseiro
disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
roubou seu lugar
Foi então que um violeiro chegando na região
ficou tão penalizado que escreveu essa canção
e talvez, desesperado com tanta devastação
pegou a primeira estrada, sem rumo, sem direção
com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa
dentro do seu coração
Aqui termina essa história para gente de valor
prá gente que tem memória, muita crença, muito amor
prá defender o que ainda resta, sem rodeio, sem aresta
era uma vez uma floresta na Linha do Equador…

             (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Está na hora de o governo ajudar a Petrobras

Flávio José Bortolotto

O governos do presidente Lula/José Alencar e da presidente Dilma/Temer fizeram a meu ver, a coisa certa com a estratégica Petrobras S/A. Determinaram medidas que ajudam o Brasil e a Petrobras S/A:

1- Manter a Petrobras S/A sob rígido controle do governo através maioria das ações ordinárias (as que têm direito a Voto).

2- Capitalizar, vendendo ações preferenciais, aumentar o endividamento (alavancagem) até o máximo de 60% do faturamento. Com isso, fazendo um plano de expansão muito grande em prospecção, produção, refino , transporte e distribuição, elevando a produção de 2003 (cerca de1,3 milhão de barris/dia), para os atuais 2,25 milhões. Como, porém, o consumo aumentou muito, ainda faltam 8% para a autossuficiência.

OUTRAS MEDIDAS

Medidas que ajudam o Brasil, mas sacrificam o Lucro da Petrobras S/A:

1- Construir no Brasil, em estaleiros e fábricas no Brasil, e com mínimo de 65% de conteúdo nacional, todas as plataformas, navios-sondas, navios-transportes, rebocadores, minissubmarinos robôs, equipamento submarino, árvores de natal, válvulas, brocas, cabos etc, constituindo tudo isso a Indústria Nacional do Petróleo, que passou de 3% do PIB em 2002, para atuais 14% do PIB, (aumento considerável), criador de tecnologia nacional.

2- Manter os preços no mercado interno de certos derivados, como gasolina/diesel (que são comprados em 20% do consumo nacional no mercado externo), a preços abaixo do custo em 20% do preço internacional, constituindo um forte subsídio custeado pela Petrobras S/A. (Para ajudar no combate à Inflação).

3- No Pré-Sal, fazer contrato de partilha, em que o grande ganhador é o governo federal, a exemplo do Campo de Libra. Além de abocanhar R$ 20 Bi em Bônus, sem investir nada, ainda ficará com 41.65% de todo o petróleo explorado pelo Consórcio Petrobras S/A , operador único do sistema, (40%), Shell (20%), Total (20%), CNPC (10%) e CNOOC (10%).

FOI DEMAIS…

Vemos que o Governo apertou demais a corda, o preço das ações caiu muito, de um máximo de R$ 53 em 2008, para um mínimo de R$ 14 hoje, e está na hora do governo ajudar a Petrobras S/A, começando por permitir uma alta de preços imediata de 10%, e daqui a seis meses, outra alta de 10%, para equilibrar o preço com o mercado internacional.

O bom Plano de Investimentos da Petrobras S/A dos próximos 10 anos exige Investimentos de US$ 50 Bi/ano, totalizando US$ 500 Bi e só darão retorno a médio e longo prazo, (entre 7 e 10 anos). E se o governo não ajudar agora, o investidor da Petrobras S/A desanima, o que o governo não pode permitir de jeito nenhum.

Depois que tudo estiver em equilíbrio, daqui a 10 anos, a Petrobras S/A deveria fixar um dividendo de 6% ao ano, independente do valor da ação.

Hoje, o investimento na Petrobras S/A só é bom a longo prazo. E a Petrobras S/A tem que ser investimento bom a curto, médio e principalmente longo prazo. Traduzindo: o governo não deve interferir muito no mercado.