Para apimentar o debate democrático de ideias…

Roberto Nascimento

Antes de 1964, podia-se votar no presidente de um partido e vice do outro. Assim venceu Jânio Quadros, da UDN, e João Goulart do PTB. Creio, que aquela forma causa distorções de toda ordem. Os dois ficam sempre de olho um no outro, o primeiro com medo das ações do segundo temendo uma conspiração para derrubá-lo e assim, assumir o poder. Esse quadro causa profunda distorção na mente do eleitor e aprofunda a instabilidade política e institucional.

Os motivos da renúncia de Jânio, talvez tivessem na raiz de tudo a vontade de se livrar do vice incômodo para poder governar ditatorialmente, conforme fez Getúlio Vargas, um presidente com P maiúsculo, que todos desejariam copiar ficando mais de 15 anos no poder. Todos que assumiram o poder máximo no Brasil, desde o fim da era Vargas tiveram esse sonho de consumo, entretanto, ninguém conseguiu ficar mais de 8 (oito) anos seguidos. Digo 8 (oito) anos por culpa de FHC, que trabalhou e conseguiu mudar a Constituição permitindo o segundo mandato para ele e o seu sucessor aproveitou também.

No tocante a permissão de ter o domicílio eleitoral em um Estado e poder se candidatar em outro Estado, entendo que a proibição é pertinente, pois cria toda sorte de malabarismo puramente circunstancial desse ou daquele partido e suas raposas políticas, em nada beneficiando o povo. Na última eleição, um político cearense aceitou o canto da sereia para se candidatar a governador por São Paulo. Lógico que tudo deu errado, pois o bairrismo ainda predomina em algumas regiões e principalmente muito arraigado nas Gerais e na Paulicéia. No Rio de Janeiro, vários candidatos com origens no sul e no nordeste se elegeram para o governo do Estado, exemplos de Brizola e Moreira Franco.

É o que tinha a dizer para apimentar o debate democrático das ideias.

Brizola, Agnaldo Timóteo e o racismo no Brasil

Antônio Santos Aquino

No primeiro governo de Leonel Brizola, Agnaldo Timóteo teve uma votação espetacular: 600 mil votos. E logo após tomar posse, Brizola fez uma reunião em que analisou os acontecimentos, dizendo de maneira didática como pretendia governar e atender alguns pleitos dos eleitos, no decorrer de seu governo.

Timóteo antecipou a Brizola o que queria: financiamento de 100 mil dólares para montar uma gravadora de discos e 30 empregos para seus cabos eleitorais. Brizola disse que tivesse paciência que ele estava chegando ao governo e não podia entrar em cogitação esse empréstimo.

Timóteo, como todos sabemos, abriu o verbo: “Eu tive 600 mil votos, porra, e exijo o que tenho direito” e mas alguns impropérios. Neste momento, Brizola teria lhe dito: “Fica calado, seu boca suja”. Agnaldo disse a imprensa que Brizola o teria chamado de “crioulo boca suja”. Verdade ou não, é uma tremenda frescura achar que isso é racismo. Se dissesse “crioulo filho da puta”, seria uma ofensa, mas não racismo.

O racismo está na cabeça das pessoas. Mulato, crioulo, sarará, saruê, curiboca, cafuso são expressões usadas pelo povo há séculos. Usos e costumes fazem parte do “direito costumeiro dos povos” e não podem ser confundidos como racismo, no nosso caso de povo miscigenado.

NA CONSTITUIÇÃO

Desde a proclamação da República, nossa Constituição não consagra o racismo. Racistas são os EUA e a África do Sul, principalmente, que em suas constituições estabeleceram o Apartheid, tiveram Ku Klux Klan, Harlem, Cotas Raciais e proibição de casamentos entre brancos e negros.

Se disserem que o “Estado” brasileiro” está longe de dar a seus filhos um tratamento justo eu concordo. Porém acho um exagero essas comparações. Quantos negros tem no Supremo? Isso é outra frescura. Quantas mulheres tem no Congresso? Mais uma frescura. Como é que você vai meter na cabeça de alguém que ele deve ser juiz ou que as mulheres devem ser políticas.

O que deve ser dito é que nossa Constituição, uma das mais adiantadas do mundo, não proíbe nada. Em um país capitalista, não é crime ter dinheiro. Barbosa não é o primeiro negro no Supremo. Em 1902 o primeiro negro foi nomeado para o STF, em 1912 outro. Nilo Peçanha, presidente da República, era mulato.

Exemplo recente: Benedita da Silva, hoje deputada federal, nunca perdeu uma eleição parlamentar. Quando elegeu-se senadora derrotou Saturnino Braga, um renomado político do Rio de Janeiro. Paim, que chama o povo brasileiro de racista, é um mulato que se diz negro (negro é o ministro Barbosa), nunca foi derrotado em eleições em seu estado (RGS) de maioria branca. O resto é frescura.

Suíça revela documento da conta secreta do propinoduto tucano

Governo do Estado destina 100 milhões de reais em convênios às ...

Deu na Agência Estado

A Suíça enviou aos investigadores brasileiros cópia do cartão de abertura da conta secreta em Genebra do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Robson Riedel Marinho, ex-chefe da Casa Civil do governo Mário Covas (PSDB).

Nessa conta, numerada 17321-1, do Credit Lyonnais Suísse – Credit Agricole, o conselheiro recebeu US$ 1,1 milhão.

O dinheiro que abasteceu a conta de Marinho, segundo suspeita o Ministério Público Federal, teve origem no Caso Alstom – esquema de pagamento de propinas na área de energia do Estado, entre outubro de 1998 e dezembro de 2002, nos governos Covas e Geraldo Alckmin.

Os investigadores classificam como “revelador” o documento bancário, uma das mais importantes provas já surgidas contra o ex-braço direito de Covas. Desde 2010, quando a Justiça de São Paulo acolheu ação cautelar de sequestro de seus valores. Marinho nega possuir ativos no exterior.

Em fevereiro, a Justiça Federal abriu ação penal contra 11 denunciados no caso Alstom, entre lobistas, executivos e ex-dirigentes da Eletropaulo e da Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE), antigas estatais do setor. A eles teriam sido oferecidos R$ 23,3 milhões em ‘comissões’ para viabilizar contrato de interesse da multinacional francesa no valor de R$ 181 milhões.

FORO PRIVILEGIADO

Marinho não está entre os acusados neste processo porque desfruta de foro privilegiado. Ele é alvo de investigação criminal do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A suspeita sobre Marinho tem base em julgamento que favoreceu a Alstom do Brasil. Ele foi o relator.

Em sessão de 27 de novembro de 2001, o conselheiro votou pela regularidade do ato declaratório de inexigibilidade de licitação para extensão da garantia de equipamentos, pelo prazo de 12 meses, prevista no décimo aditivo do contrato Gisel (Grupo Industrial para o Sistema da Eletropaulo).

Marinho abriu a conta secreta por correspondência, sem sair de São Paulo, informam os investigadores. O cartão foi preenchido de punho próprio pelo conselheiro no dia 13 de março de 1998. No campo destinado às assinaturas aparecem, por extenso, os nomes dele e da mulher, Maria Lucia de Oliveira Marinho, como titulares.

OFFSHORE

Posteriormente, segundo os registros da instituição financeira suíça, assumiu a titularidade da conta a offshore Higgins Finance Ltd, constituída nas Ilhas Virgens Britânicas e incorporada por uma pessoa jurídica que concedeu a Marinho o direito de uso a partir de janeiro de 1998 – nessa ocasião, ele já havia assumido o cargo no TCE, por indicação de seu padrinho político, Covas.

Outros documentos enviados pela Procuradoria da Suíça revelam as fontes que abasteceram a conta do conselheiro. Oito transferências, somando US$ 953,69 mil, entre 1998 e 2005, foram realizadas pelo empresário Sabino Indelicato, denunciado no caso Alstom por corrupção e lavagem de dinheiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGE um corrupto desses acaba no Tribunal de Contas, hein??? É o homem certo no lugar certo. (C.N.)

Com Temer no controle, nada a temer…

José Carlos Werneck

Com uma habilidade e desenvoltura à altura das antigas raposas políticas do PSD mineiro, o vice-presidente Michel Temer esvaziou rapidamente a crise entre o PMDB e o PT.

“Não é A nem B ou C nem sou eu quem vai dizer se o partido vai para um lado ou para o outro. É a Convenção Nacional é que decide o que deve ser feito”, disse Temer na cidade paulista de  Tietê, onde nasceu e esteve neste domingo, participando de uma homenagem antes de voltar a Brasília. “Tem dois terços que pensam em manter o casamento e, portanto, a maioria é pela manutenção da aliança, como eu.”

Desta maneira,funcionou como um eficiente bombeiro e desautorizou Eduardo Cunha,  líder do partido  na Câmara . Horas antes de encontrar-se com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada, declarou que “o PMDB quer manter o casamento com ela e não vê chance de divórcio”.

No fim da tarde, antes do encontro com Dilma, Temer convocou um seleto grupo do PMDB para uma reunião no Palácio do Jaburu, quando ficou acertado que o partido não aprofundaria as divergências com o Planalto nem daria aval às posições de Eduardo Cunha. Os peemedebistas consideraram que as desavenças com o PT só prejudicavam o próprio partido, que aparecia para os eleitores como fisiológico.

CONCÓRDIA

“Vou levar para Dilma uma mensagem de concórdia”, declarou vice, que deseja repetir a chapa com Dilma, na disputa pela reeleição. “A presidenta quer ter uma aliança muito sólida e quer fazê-la prosperar. É conversando que se entende. Tenho certeza de que vai dar certo.” Não obstante a troca de acusações e insultos entre dirigentes do PT e do PMDB, Temer disse não acreditar na cisão. “É uma situação passageira e logo estará superada.”

O mesmo foi comunicado a Valdir Raupp, presidente do PMDB, aos presidentes do Senado, Renan Calheiros, da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e ao líder do partido no Senado, Eunício Oliveira,  antes da reunião com a presidente da República.

A presidente ofereceu novamente o Ministério do Turismo para o senador Vital do Rêgo, do PMDB da Paraíba, e não se mostrou disposta a aumentar o espaço do PMDB no Governo. Portanto, as ameaças de rompimento feitas por Eduardo Cunha não surtiram o efeito pretendido. A tática da presidente Dilma é isolar Cunha e tirar o ministério do Turismo da  da bancada da Câmara,oferecendo o posto a um senador. Temer afirmou que consultará os dirigentes do partido.

TURISMO

A ideia da presidente seria nomear o senador Vital para o Turismo, na vaga de Gastão Vieira, deputado licenciado do PMDB que deixará o posto para concorrer a novo mandato e deixar o Ministério da Agricultura sob comando de alguém da confiança de Temer.  E o nome mais falado para substituir Antônio Andrade na Agricultura é Neri Geller, atual secretário de Políticas Agrícolas.

“Tudo o que não precisamos agora é dessa crise entre aliados em ano eleitoral. Se avançarmos um pouco nas alianças regionais, o clima já começa a distensionar”, declarou o presidente do PMDB, Valdir Raupp. Dos 27 Estados, o PT e o PMDB só têm parcerias garantidas no Amazonas, Pará, Sergipe e Distrito Federal. No Rio de Janeiro e na Bahia, os dois partidos se conduzem  como verdadeiros inimigos.

PESQUISAS

Pesquisas indicam que Dilma cresce quando reage  á pressões políticas e rejeita o “toma lá dá cá”. Foi assim quando ela fez a chamada “faxina” administrativa que tirou em 2011 sete ministros e está se repetindo agora, de acordo com levantamentos feitos pelo publicitário João Santana, considerado um “expert” no assunto.

O ex-presidente Lula tenha aconselhou Dilma a ser mais “política” e conversar com a cúpula do PMDB, mas a presidente optou por chamar apenas Temer para o encontro  deste domingo. Depois de provocar mais divisão entre setores do PMDB, Dilma Rousseff  quer fortalecer o vice, que deve homologar todas as indicações do partido para o primeiro escalão.

 

Era só o que faltava: subsidiária da Delta Construções fecha contratos com a Prefeitura do Rio

Amanda Almeida e Daniela Garcia
Correio Braziliense

Sob o risco de voltar à lista de empresas inidôneas, a Técnica Construções, subsidiária da Delta Construções, aproveita o nome limpo na praça — graças à liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) — para tentar fechar contratos públicos. A empresa conseguiu vencer pelo menos três licitações desde o sinal verde.

Essas obras, da prefeitura do Rio de Janeiro, somam R$ 76 milhões. Ainda que a Justiça reverta a decisão, e a Delta e a Técnica sejam novamente proibidas de fazer negócios com o poder público, dificilmente as duas empresas, com contratos assinados e canteiros de obra armados, perderão serviços conquistados nesse período.

A Delta entrou no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (Ceis) depois de se tornar uma das protagonistas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, em 2012. De acordo com a Polícia Federal (PF), a Delta mantinha uma central de empresas de fachada envolvidas no esquema de corrupção e desvio de dinheiro público supostamente comandado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Já a inidoneidade da Técnica foi declarada pela Controladoria-Geral da União (CGU) no fim do ano passado, por ser um braço da Delta. O Ceis é uma lista mantida pela CGU de empresas que perderam, ao menos temporariamente, o direito de participar de licitações ou celebrar contratos com a administração pública.

A saída das duas construtoras do cadastro de inidôneas foi divulgada em 9 de janeiro, depois de liminar concedida pelo STJ no fim do ano passado. A medida, no entanto, é passível de revisão. Isso porque a decisão do STJ é provisória, e a definitiva pode ser contrária aos interesses das duas empresas. Além disso, a CGU entrou com recurso, ainda não julgado, contra a própria liminar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA “Turma do Guardanapo” (leia-se: a patota de Sergio Cabral) não é fácil. A especialidade é fechar contratos de obras públicas, de preferência no Rio de Janeiro. (C.N.)

Os olhos tristes na poesia de Henriqueta Lisboa

A poeta mineira Henriqueta Lisboa (1901-1985), no soneto “Olhos Tristes”, tem a sensação de uma despedida através de renúncias repetidas.

OLHOS TRISTES
Henriqueta Lisboa

Olhos mais tristes ainda do que os meus
são esses olhos com que o olhar me fitas.
Tenho a impressão que vais dizer adeus
este olhar de renúncias infinitas.

Todos os sonhos, que se fazem seus,
tomam logo a expressão de almas aflitas.
E até que, um dia, cegue à mão de Deus,
será o olhar de todas as desditas.

Assim parado a olhar-me, quase extinto,
esse olhar que, de noite, é como o luar,
vem da distância, bêbedo de absinto…

Este olhar, que me enleva e que me assombra,
vive curvado sob o meu olhar
como um cipreste sobre a própria sombra.

             (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Pelo menos um em cada três deputados do PMDB quer romper com o PT

Daiene Cardoso e Débora Bergamasco
O Estado de S. Paulo

O Estado ouviu 54 dos 74 deputados do PMDB em atividade – um está de licença médica. A opção pela ruptura imediata foi de 23 parlamentares. Outros 25 deputados disseram ser a favor da aliança, embora haja nesse grupo peemedebistas críticos à condução política do governo.

Apenas um não quis opinar e cinco afirmaram que votarão com o líder da bancada, deputado Eduardo Cunha (RJ), que na terça-feira postou no Twitter que o PMDB deveria “repensar a aliança” com Dilma e o PT. As entrevistas foram realizadas entre quarta-feira, um dia após a reação de Cunha, e sexta.

Os peemedebistas reclamam da falta de participação nas decisões do governo. Alguns defendem que a maior legenda aliada de Dilma mereceria mais cargos que os atuais cinco ministérios.

O deputado Darcísio Perondi (RS) afirmou que, se houvesse uma convenção hoje, votaria para romper a aliança. “O PMDB tem cinco ministérios, mas não manda nada. Queremos par-ti-ci-par. Queremos candidatura própria”, disse. Marllos Sampaio (PI) estende a crítica aos próprios dirigentes peemedebistas: “O PMDB não tem nada no governo. Apenas uma meia dúzia de integrantes do PMDB tem tudo nesse governo e se diz dona do partido”.

NOS ESTADOS

Os rebelados se queixam ainda da dificuldade em fechar acordo para os palanques regionais e apontam a existência de uma estratégia petista de diminuir a força política do partido. “É uma estratégia (do PT) franca e aberta para diminuir as bancadas do PMDB (no próximo governo). Da forma como está hoje, é preciso romper a aliança para a própria preservação política do PMDB”, declarou o deputado Leonardo Picciani (RJ), filho do presidente do diretório fluminense da sigla, Jorge Picciani, que já anunciou apoio ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) na disputa pelo Planalto. “Não podemos dormir com o inimigo.”

Embora a maioria apertada dos entrevistados defenda a manutenção da parceria, quase todos reclamam do tratamento dispensado pelo governo, do “represamento” das emendas individuais e do veto às indicações da bancada para a reforma ministerial. O deputado Carlos Bezerra (MT) acha que agora é tarde demais para romper, embora “politicamente o governo seja um desastre”. “Ficaríamos desmoralizados se deixássemos o governo no último minuto do segundo tempo.”

Para Bezerra, o PMDB deveria ter deixado a aliança há um ano. “O DEM (antigo PFL) era enorme, mas ficou anos gravitando em torno do PSDB e morreu. O PMDB não pode ser o DEM do PT, ou morreremos também.”

Já o deputado Saraiva Felipe (MG) acredita na melhora da articulação com o governo. “Seria importante antecipar a convenção e discutir (a relação). Se não caminhar para um entendimento, aí sim (devemos romper).”

Os peemedebistas rebelados prometem dar trabalho nas votações previstas para o retorno do recesso de carnaval. O primeiro item da pauta é o pedido de criação de uma comissão externa para acompanhar as investigações sobre as denúncias de corrupção envolvendo a Petrobrás.

A regra três no futebol e no Supremo


Sylo Costa

Quando o filme é bom, não me importo em assistir a uma reprise, mas este que está em cartaz, apesar do desempenho esperto de alguns extras que compuseram o elenco no lugar dos titulares, tem enredo despudorado. Trata-se de um filme que se encontra em exibição no novel Cine Barroso, um cinema “poeira”, e que segue a linha de ação de filmes de malandragem, como “Os Mensaleiros”, remake, ao que parece, do velho “Ladrões de Casaca”, recordista de bilheteria.

Gosto de assistir a filmes, especialmente os de aventura e, de preferência, pela televisão. Os últimos que revi foram “Titanic” e “A Revolução Redentora”, que prendeu minha atenção, pois conta a história de um povo que estava sendo levado à desgraça pela ideologia de seus líderes, canonizados, ao final da película. Mas hoje essa indústria cinematográfica está falida e ficou difícil produzir bons filmes com os atuais artistas, em sua maioria analfabetos e desonestos.

Nem sei o motivo que me fez escrever até aqui sobre cinema, pois pretendia abordar uma grande confusão havida no nosso Supremo Tribunal Federal. Pode ter sido a lembrança do poeira Cine Barroso… Então, pedindo vênia ao grande Tostão para falar de futebol, mas comentando o último julgamento do STF sobre o processo nº 470, confesso que não entendi, no resultado, a intenção da maioria do augusto plenário, que, penso, em vez de enquadrar o julgamento no regimento da Casa, confundiu tudo, em virtude do jogo do Atlético Mineiro, aqui em BH, e seguiu, sem notar, o regimento do International Footboll Association Board – IFAB, órgão que regulamenta as regras do futebol.

Essa entidade, além de aprovar as leis do esporte ao longo do tempo, também elabora regras complementares que se aplicam às partidas de futebol. Procurando subsídios para falar sobre esse tema, descobri as 17 regras que regulamentam o chamado esporte bretão, duas das quais me chamaram a atenção: a primeira e a terceira. A primeira diz que a bola do jogo deve ser redonda… Deve ter sido lapso do legislador esportivo.

SUBSTITUIÇÃO

A regra número três é a que permite a substituição de até três jogadores durante o jogo. No jogo do nosso Galo contra o Santa Fé da Colômbia, no mesmo dia em que acontecia no Supremo o julgamento que obrou a liberdade dos “injustiçados mensaleiros”, o Atlético substituiu três jogadores, no segundo tempo, quando perdia de um a zero. Saíram Josué, Ronaldinho e Fernandinho e entraram Guilherme, Donizete e Neto Berola…

E daí? Daí que a Justiça (a com J grande), que ganhava de cinco a quatro, viu quando os “monges” do PT substituíram três ministros, que viraram o jogo no segundo tempo para seis a cinco.

E quem conseguiu essa façanha, cara? Acho que Greyskull… Saíram Ellen Gracie, Ayres Brito e Cézar Pelluso, substituídos por Rosa Weber, Teori Zavascki e Luiz Roberto, que tem aspecto de goleiro, com enorme conhecimento do jogo e de catimbas.

Apenas uma pequena confusão, própria de país que pensa com os pés. Oh, yes… (transcrito de O Tempo)

Brasil inova lançando a entrega de drogas por drones

Guilherme Almeida

Agora podemos ficar tranquilos. Nosso trânsito vai melhorar com a redução de motoboys e viaturas de entrega de mercadorias, porque “o Brasil passou a ser o primeiro país do mundo a utilizar um serviço de entregas por drones”.

Parecem palavras dos petistas Lula ou Dilma. Mas não é. Este é um empreendimento privado de sem participação de políticos ou partidos Políticos. Por enquanto.

Leiam:

“Drone é flagrado entregando cocaína em presídio de SP”
Portal Terra

Um drone despejou um pacote com 250 gramas de cocaína no pátio do Centro de Detenção Provisória (CDP) 1 de São José dos Campos, no interior de São Paulo, na manhã de sexta-feira. Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, a pequena aeronave de controle remoto seguiu viagem após a entrega e não foi mais vista.

A droga, no entanto, foi apreendida por agentes penitenciários. A corregedoria dos presídios e a Polícia Civil investigam quem teria ordenado a entrega da droga. Além do drone, prisioneiros em outras penitenciárias já tentaram burlar a segurança utilizando pombos e até gatos para as entregas.

Duvidam? Então leiam:

http://www.jb.com.br/pais/noticias/2014/03/09/drone-e-flagrado-entregando-cocaina-em-presidio-de-sp/

Não sei se já estão treinando para entregar mercadorias no Complexo da Papuda.

Barbosa, o inadequado

João Gualberto Jr.

Joaquim Barbosa está mais para juiz ou para justiceiro? Pende mais para a letra fria do direito ou para o paladino da moralidade pública? De outra forma: Barbosa está mais para juiz ou para estadista, aquele que manipula e subjuga as instituições em favor de um objetivo (supostamente) comum e benéfico ao próprio Estado?

Eis o x da questão: ele talvez esteja militando na arena imprópria. Parece querer atingir a justiça fazendo política. Para o bem de todos, inclusive da Justiça e da política, deveria pendurar a toga e se filiar a um partido. Não teria mais necessidade, portanto, de sustentar a máscara regimental que é a mais pedida do povão há três carnavais.

Barbosa é o homem que conseguiu direcionar o interesse da massa pelo Olimpo. Um feito! Tornou-se ministro pop, herói dos fracos e oprimidos, Batman do direito. Mas tal status é bom e justo? Espelhar no povo sua atuação pública é virtude do político, sem dúvida, mas não de um membro do Supremo Tribunal Federal.

Barbosa talvez tenha querido inaugurar um novo método jurídico, temperado pelo fígado, e não pela razão amparada na lei. “Foi feito para isso, sim”, admitiu, quando provocado por um colega se teria majorado a dosimetria referente ao crime de formação de quadrilha aplicada aos condenados no mensalão para que eles somassem uma pena de pelo menos oito anos e, assim, executável somente no regime fechado. Ora, foi um critério heterodoxo, para dizer o mínimo.

O colega em questão, Luís Roberto Barroso, por pouco não foi impedido de concluir seu voto pelo presidente da Corte, que, após muito tremelicar na cadeira, iniciou seu achaque costumeiro. Acusou o novato do plenário de utilizar critérios políticos ao reverter a condenação de oito réus por formação quadrilha.

Na manhã seguinte, quando o embargo acabara de ser julgado e a reversão estava consumada, lamentou o “trabalho jogado por terra” em respeito a “argumentos pífios”. E se sentiu no direito de fazer ao Brasil um alerta sobre os efeitos nocivos que adviriam em razão de uma “maioria de circunstância” formada na Corte. Onde já se viu uma coisa dessas? Como pode o presidente de um tribunal, mais do que comentar, criticar a decisão do pleno e, assim, desrespeitar os colegas?

Antidemocrático é pouco. Barbosa é inadequado à Justiça. Irascível, passional, biliar, imprevisível, chiliquento, político, enfim, fonte repleta de qualidades emocionais. Por seu comportamento, apresentado ao país desde que soltou no plenário a pérola “vossa excelência não está falando com os seus capangas do Mato Grosso”, o magistrado aponta para o caminho do palanque.

Lá, na arena do povo, poderá debater com o apropriado histrionismo o destino da nação. (transcrito de O Tempo)

O trânsito, a falta de urbanidade e o verdadeiro significado da velhice

01
Acílio Lara Resende

Deixei minha casa, como sempre faço, dirigindo meu automóvel em direção ao meu escritório, no centro da cidade. E, como sempre também faço, com a firme disposição de aprender, dia após dia, a ter mais urbanidade, sobretudo no trânsito, que, por definição, “é ato ou efeito de caminhar; marchar. É ato ou efeito de passar; passagem”.

Minha primeira tarefa era deixar minha filha em um consultório médico, situado à avenida Alfredo Balena, para, em seguida, alcançar meu escritório, à rua dos Guajajaras, entre as ruas São Paulo e Curitiba. Localidades, digamos assim, “supimpas”, no que diz respeito, especialmente, ao trânsito e à mobilidade urbana. Em ambas as localidades, como em quase toda a cidade, trânsito, hoje, “é ato ou efeito de não caminhar; não marchar. É ato ou efeito de não passar; sem passagem”. Esse é o retrato da atualidade, embora tenha a mais profunda admiração pelos que se atrevem a governar qualquer cidade.

Ao me aproximar do local onde deixei minha filha, reduzi a velocidade do veículo, liguei o alerta, como deve fazer um motorista ajuizado, tais e tantos são os riscos de um acidente grave e talvez fatal, mas nada disso adiantou. Uma jovem, também pilotando seu possante automóvel, irritada, agarrou-se à sua buzina e a disparou. Não satisfeita, ainda me chamou de velho – uma realidade incontrastável.

Eu poderia responder à pretensa ofensa – e esse foi meu propósito inicial – com a mesma fineza demonstrada por ela. Poderia dizer-lhe assim: “Sou velho e sei disso há muitos anos. Você, porém, é jovem, mas com o mau humor e a impaciência de velha antipática e, por falta de observação ou de senso comum, não percebe essa realidade – a sua realidade. Esclareço-lhe, todavia, que esse defeito, felizmente, você pode corrigir. Um bom psicólogo e/ou um bom livro de autoajuda lhe bastariam, quem sabe. Mas há outro, incorrigível, que, por amor à verdade, sou forçado a lhe dizer: além de velha, você é também feia”.

A FEIURA

Com certeza, proferiria a primeira parte da resposta, se não optasse pelo silêncio. A segunda, jamais a externaria. É cruel chamar alguém de feio. Afinal, ninguém tem culpa de ser feio. Além do mais, a feiura verdadeira não é nem comum nem encontradiça. Exige profunda análise do interior (ou da alma) desse ser que nos parece feio. A beleza, sobretudo física, nem sempre é o melhor dos predicados.

Segundo o padre e cantor Fábio de Melo, mineiro de Formiga, a velhice tem significado: “Ela nos traz direitos maravilhosos. É o tempo em que vivemos a doce inutilidade. É o momento em que a gente se purifica. Cedo ou tarde, experimentaremos esse território desconcertante da inutilidade, que é o momento natural da vida. Perder a juventude é perder a sua utilidade. E é nesse momento que a gente tem a oportunidade de saber quem nos ama de verdade”.

Padre Fábio, diferentemente do grande pensador, político e jurista Norberto Bobbio, um pessimista, para quem “a vida é uma descida em direção a lugar nenhum”, tem o conforto da esperança da vida além da morte. Certa vez, meu amigo Márcio Garcia Vilela, de supetão, me perguntou: “Mas, enfim, há algum encanto na velhice?”. Se há, disse-lhe, não sei dizer, só sei que ela é o único meio para se viver muito. E é, segundo Bobbio, o momento em que se aprende a “respeitar as ideias alheias, a deter-se diante dos segredos de cada consciência, a compreender antes de discutir, a discutir antes de condenar”. (transcrito de O Tempo)

Governo militar não tinha interesse em eliminar Juscelino

Laco Silva

Não me entra na cabeça o suposto interesse do general Ernesto Geisel em eliminar Juscelino Kubitschek  meses após golpear um poderoso aparato repressor que eliminou o jornalista Vladimir Herzog e o líder operário Fiel Filho.

JK estava com 74 anos, praticamente nenhum futuro eleitoral, e não fora sequer empecilho ao golpe 12 anos antes. Até ajudou,  junto com Carlos  Lacerda, a derrubar o presidente Jango e depois influir em seus simpatizantes no Congresso para oficializar na presidência o golpista Castelo Branco, que não desejava ser presidente provisório. Suspeito que querem inventar mais um farsante para a história da luta contra a ditadura.

ULYSSES

Por que enganar as pessoas sobre a história do Brasil, ainda mais fresca e recente? Ulysses Guimarães, por exemplo. Este político virou ético sem merecer, porque morreu como deputado federal passeando de helicóptero às custas de um empresário. Tão enganador e picareta como esses que estão aí. E mais: o doutor Ulysses apoiou o golpe militar de 1964, apoiou a farsa da legalização do golpista Castelo Branco, que logo cassou parlamentares e direitos políticos de brasileiros de várias tendências, incluindo o empresário patriota e nacionalista Rubens Paiva, além de mandar prender e humilhar pessoas que nem resistiram ao golpe.

E mais: o doutor Ulysses co-governou durante 5 anos o Brasil, com o Sarney, nomeando muitos ministros – portanto, cúmplice daquele governicho corrupto. Nada fez na prática, apesar de inúmeras vezes solicitado em seu gabinete, para impedir sabotagem na administração pública federal a direitos de vítimas da ditadura, reintegrar no serviço público federal anistiados que haviam sido demitidos pela ditadura ou ressarci-los dos prejuízos, muitos dos quais morreram na miséria sem obterem os benefícios da Emenda Constitucional 26/85 e/ ou da Constituição Federal de 1988, período em que esteve na prática dividindo a gerência do Brasil com o Sarney. Quem se lembra?

Termina triste capítulo da história do Supremo

Márcio Garcia Vilela

Não sou eu quem o disse, mas o insigne presidente da Corte Suprema brasileira. Teve razão, ou assim se expressou, sob forte emoção incontida, à vista do desenlace judicial da ação penal que colocou fim, sem removê-la, à mancha que tisnou para sempre a marcha republicana da nação? Com pesar, opto pela fala autorizada e indignada do ministro Joaquim Barbosa, rejeitando a hipótese de declaração meramente convencional, a qual se segue após episódios tensos e gravíssimos, que atingiram em cheio a alma do próprio Estado brasileiro e o regime jurídico-constitucional que adotou, em inesquecível Assembleia Nacional Constituinte.

Não há como contestar as duras palavras do ministro: “(O julgamento resultou de) uma maioria de circunstância formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso levado a cabo pela Corte no segundo semestre de 2012”. Prossegue S. Exa., mostrando a prevalência da circunstância: “Inventou-se inicialmente um recurso regimental totalmente à margem da lei, com o objetivo específico de anular, de reduzir a nada um trabalho que fora feito”. E ainda: “Sinto-me autorizado a alertar a nação de que esse é apenas o primeiro passo. Essa maioria de circunstância tem todo o tempo a seu favor para continuar na sua sanha reformadora”.

“MAIS FORTE???”

Transcrevo, a seguir, a mais grave advertência que ouvi nos 74 anos de vida, de esperança e de denúncia, partidas de altíssima autoridade, que me percorre a mente e a alma com sufocante espanto: “O Brasil saiu mais forte deste julgamento”. (Terá saído se os elementos básicos dessa provocação se repetem em todas as nossas constituições republicanas?). Segue adiante com o mais aterrador libelo formulado pela maior autoridade do Poder Judiciário, o qual, se não for devidamente apurado, nos lançará no Estado de direito meramente de fachada, à beira do precipício institucional: “O projeto era reduzir essa Suprema Corte a uma Corte bolivariana”.

É quase impossível ouvir do presidente do STF uma acusação tão inédita quanto ameaçadora. Sem a rigorosa busca da verdade, submetida à revelação, em toda a inteireza, ao escrutínio nacional, o que nos restará, brasileiros infelizes e jogados ao arbítrio do poder incontrastável, exercido de ocasião por usurpadores e déspotas, nada mais será que a condição de povo despojado da sua dignidade pessoal e política, destituído e restituído à situação de massa popular sem direito e sem justiça, ao domínio do terror.

Durante a Guerra Civil Espanhola, que enlutou a humanidade, uma grande personalidade política – embora comunista – enfrentou as tropas ditas legalistas do general Franco com a palavras em bronze “non passarán”. Passaram, porém não ficaram para sempre, como, segundo o ministro Barbosa, parecem buscar as cavalarias do “Nosso Guia”. Podem atentar contra a liberdade por mil anos; porém a sua supressão nunca se consolidará, enquanto o homem for criatura feita à imagem e semelhança de Deus. “Non passarán jamás”. (transcrito de O Tempo)

Revista francesa ridiculariza a Copa no Brasil e diz que vai ser um “bordel”

Deu no Yahoo

A invenção de internet virou realidade. Após um texto falso criticando a Copa do Mundo no Brasil, atribuído à revista France Football, circular na internet, uma reportagem real foi publicada pela publicação esportiva francesa ‘So Foot’ com o mesmo intuito.

A reportagem, publicada no site da revista, lista uma série de problemas das cidades sedes brasileiras em um texto recheado de humor ácido e ironia, com o título de “Vive Le Bordel Brésilien!” (em tradução, “Viva a Bagunça Brasileira”, já que a palavra bordel serve para designar tanto casas de prostituição quanto uma grande bagunça). A reportagem dá destaque às cidades que irão abrigar os jogos da competição, separando-as em três categorias: as que tem menos problemas, as que certamente serão palco de bagunça e as cidades cujas partidas seriam preferíveis de serem assistidas pela televisão.

Entre as sedes citadas como menos problemáticas estão Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Fortaleza, onde seriam apenas necessários pequenos ajustes, como problemas de conexão com a internet ou falha em telões nos estádios. Na segunda categoria, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife e Natal são citados como ‘bagunça certa’, onde o Aeroporto do Galeão, na capital carioca, ganha destaque negativo:

“Edifícios degradados, vias saturadas nas altas estações e paralisação das atividades em cada chuva forte prometem grandes doses de diversão”, ironiza o texto.

O trânsito de São Paulo também não foi esquecido. De acordo com a publicação, a cidade seria “irmã da Cidade do México e prima do Cairo (capital do Egito)”, ambos locais conhecidos pelo caos no tráfego de veículos.

PELA TV…

Para terminar, no grupo de cidades em que seria melhor assistir os jogos pela televisão, entram Cuiabá, Curitiba e Manaus. Curitiba é tratada com ironia como ‘a grande emoção’, devido à dúvida em relação à participação da cidade no Mundial. O texto segue com uma forte crítica ao aeroporto da capital do Mato Grosso:

“[O aeroporto] é do tamanho de uma cozinha, mas há um lindo papagaio pintado na parede. Nenhuma grande nação vai jogar em Cuiabá. E depois dizem que o sorteio é aleatório”, afirmou o texto.

A publicação não deixa de citar a demora no início das obras e os problemas de mobilidade urbana nas sedes:

“Nenhuma cidade-sede tem capacidade de entregar a tempo o trio de obras ‘estádio + aeroportos + obras de mobilidade urbana’. No caso dos aeroportos, os processos de licitação das obras só foram lançados após as eleições de 2010. Quanto à mobilidade urbana… não se moderniza um país em seis meses, especialmente um país como o Brasil. E por mobilidade urbana entende-se os meios mais básicos de transporte: vias de acesso a locais turísticos, estradas, corredores de ônibus, metrô e trens urbanos etc. Logo, serão os seus pés os que farão a maior parte do trabalho.”

CRÍTICAS À FIFA

A reportagem também critica a Fifa, que foi apontada como uma das responsáveis pelos atrasos ocorridos no país e que ainda se seguem à 100 dias do pontapé inicial da competição:

“A Fifa, do seu lado, é prisioneira de um Brasil com quem ela briga/late/chicoteia a cada semana, como se tivesse tratando com uma criança, com um sentimento vago de que é tarde demais”, e continua:

“Joseph Blatter, então, agora se mostra chocado: ‘Nenhum país teve tanto tempo para se preparar quanto o Brasil’, e ele está certo. Errado ele estava em 2007 [quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa], ao impor ao país um “padrão Fifa” que estava distante demais de sua realidade, e que culturalmente não sabe dizer não. Mas sabe dizer, porém, quando já tarde demais, “desculpe, mas teremos que fazer alguns arranjos”, completa.

A matéria foi publicada no site da revista francesa no dia 3 de março, e não foi a única reportagem feita sobre o assunto. No dia seguinte, outro texto foi publicado pela revista, dessa vez relembrando as manifestações ocorridas durante a Copa das Confederações, em junho do ano passado, e os altos custos de toda a preparação para a competição.

A arquitetura da balcanização

Mauro Santayana
(JB) – O mundo vive horas perigosas. A Rússia enviou tropas para a Península da Criméia. O governo provisório que está no poder na Ucrânia convoca reservistas, enquanto oficiais e soldados se bandeiam para o lado russo, evidenciando a divisão do país. O G-8 suspende o encontro que estava programado para Sochi, na Rússia. A Alemanha e os Estados Unidos querem montar um “grupo de contato” para promover “negociações”, mas, em gesto  de aberta provocação, Washington envia o Secretário de Estado John Kerry a Kiev, para manifestar o apoio dos EUA aos rebeldes que tomaram o poder na capital ucraniana.
Se houver combate entre as tropas que estão entrando na Criméia para defender a população de origem russa que vive na região, e esses confrontos se degenerarem em prolongada guerra civil, a responsabilidade por esse novo massacre será dos Estados Unidos e da União Européia.
Seria inadmissível que Putin enviasse um senador para discursar diretamente aos  manifestantes do movimento Occupy Wall Street, en Nova Iorque,  como fez John Mcain no centro de Kiev, ou que os russos promovessem em Porto Rico a prolongada campanha de desinformação e provocação que o “Ocidente” está desenvolvendo há meses na Ucrânia, empurrando a parte da população que não é de etnia russa para um conflito contra a segunda maior potência militar do planeta e a maior da região.
A OTAN sabe muito bem que não poderá intervir militarmente – e atacar Moscou, que conta com milhares de ogivas atômicas, que podem atingir em minutos Berlim, Londres e Paris – para defender os manifestantes que ela jogou o tempo todo contra o governo ucraniano.
Sua intenção é levar o país ao caos, pressionando Yanukovitch a tentar recuperar o poder com apoio de Putin, para depois acusá-lo – junto com o líder russo – de déspota e de genocida, e posar de defensora dos direitos humanos, da liberdade e da “democracia”.
Se conseguir alcançar seu objetivo de desestruturar o país, o “Ocidente” poderá somar os milhares de mortos, de estupros, de refugiados, e os bilhões de dólares de prejuízo da destruição da Ucrânia, a uma longa lista de crimes perpetrados nos últimos 12 anos, no contexto de sua Arquitetura da Balcanização.
VÁRIOS EXEMPLOS
Inaugurada nos anos 90, essa tática foi testada, primeiro, na eliminação da Iugoslávia e na sangrenta guerra que se seguiu, que acabou dividindo o país de Tito em Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro, Sérvia, e em enclaves menores  como o Kosovo.
O mesmo processo de fragmentar, para dividir e dominar, destroçando o destino de milhares, milhões de idosos, mulheres e crianças,  foi mais tarde repetido no Iraque e no Afeganistão- jogando etnia contra etnia, cultura contra cultura –  no contexto da “Guerra contra o Terror” – montada a partir de mentiras como as “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein, que nunca existiram.
O mesmo ocorreu, depois, na Tunísia, Líbia, Egito, Iêmen, Síria, a partir do macabro engodo da “Primavera Árabe” – também insuflada, de fora, em nome da “liberdade” – que, como maior resultado, colocou em poucos meses crianças que antes frequentavam, em condições normais, os bancos escolares, para comer – sob a pena de perecer de fome – a carne de cães putrefatos, recolhida nos escombros.
O objetivo da Arquitetura da Balcanização no entorno russo é gerar condições para a derrubada de regimes simpáticos a Moscou na região, promovendo o caos, a destruição, o ódio entre culturas e famílias que convivem há décadas pacificamente, para obter a sua divisão em pequenos países, que possam ser mais facilmente cooptados pela OTAN, com sua definitiva sujeição ao “Ocidente”.
Sua esperança é a de que, levando Moscou a intervir em antigas repúblicas soviéticas  – para proteger seu status geopolítico e suas minorias étnicas – os russos se envolvam em várias guerras de desgaste, que venham  a enfraquecer a Federação Russa, ameaçando a união social e territorial do país.

BEIRA DO ABISMO
Ao se meter na área de influência de Moscou, insuflando protestos em países que já pertenceram à URSS, a Europa e os EUA estão – como antes  já fizeram Hitler e Napoleão – cutucando o Urso com vara curta,  e empurrando, insensatamente, o mundo para a beira do abismo.
A Rússia de hoje, com 177 bilhões de dólares de superávit comercial no último ano, e o segundo maior exportador de energia do mundo – o que lhe permitiria congelar virtualmente a Europa se cortasse o fornecimento de gás nos meses de inverno – não é a mesma nação  acuada que era no início da guerra de 1990, quando os norte-americanos acreditavam, arrogantes, na  fantasia do “Fim da História” e em sua vitória na Guerra Fria.
A Federação Russa tem gasto muito para manter e modernizar sua capacidade de defesa e de dissuasão nuclear nos últimos anos. Putin sabe muito bem o que está em jogo na Ucrânia. E já deu mostras de que, se preciso for, irá enfrentar, pela força, o cerco da Europa e dos Estados Unidos.

Ele já provou que está disposto a levar até o fim, a decisão que tomou de não se deixar confundir, em nenhuma hipótese, com uma espécie de Gorbachev do Terceiro Milênio.

Andando pela Rua Vinicius de Moraes, na poesia de Abel Silva

O professor, jornalista, escritor e compositor Abel Ferreira da Silva, nascido em Cabo Frio (RJ), diz que é um dos “filhos ideológicos” de Vinícius de Moraes: “Ele nos apontou para o fim das hierarquias opressivas e patrimonialistas entre poesia “superior” e “popular” e minha geração entendeu claramente o recado, razão pela qual escrevi a letra de “Rua Vinícius de Moraes”. A música foi gravada por Fernanda Cunha no CD O Tempo e o Lugar, em 2002, produção independente.
RUA VINÍCIUS DE MORAES
Sueli Costa e Abel Silva

Vou pela Rua Vinícius de Moraes
Enquanto amendoeiras dispensam
Folhas mortas
Como se fossem papéis
Escritos com sangue e alegria
Papéis manchados de vida
E poesia

Sou as canções que eu faço
E as que farei
Sou os amores que tenho
E os que terei
Pois o amor e as canções
São o esperanto geral
Que me protege das manhãs
Do mal

Ando sem medo da dor
Ou da morte
Nasce o dia
Com suas trombetas tropicais
Enquanto piso as folhas
Das amendoeiras vermelhas
Da Rua Vinícius de Moraes

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Neste domingo será jogada uma importante cartada na sucessão presidencial

José Carlos Werneck

Todos os observadores políticos, jornalistas e demais interessados na sucessão presidencial estão com os olhos voltados para a reunião deste domingo entre a presidente Dilma Rousseff, membros do governo e políticos do PT e do PMDB, que discutirão as divergências entre os dois partidos e procurarão encontrar uma saída para a solução da crise que nos últimos dias surgiu entre o Planalto e representantes da principal sigla de sustentação da chamada Base Aliada, no Congresso Nacional. Entre os participantes, estarão o vice-presidente Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros , e o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves.

Depois de avistar-se,sexta-feira, com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante, o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp, garantiu que divergências vão passar e aposta nas alianças regionais para solucionar crise com o governo Dilma que serão discutidas na reunião de hoje.

A conversa foi difícil, houve  troca de acusações entre PT e PMDB, mas Raupp se mostrou confiante de que as divergências de seu partido com o governo serão superadas se tudo voltará ao normal.

Para ele, o desentendimento é um fato isolado. “Foi no calor do carnaval do Rio de Janeiro que saíram essas trocas de acusações. O carnaval já passou e isso aí deve passar também”, enfatizou o senador, que perguntado sobre o risco de o problema, que começou na Câmara, chegar ao Senado, respondeu que sempre houve insatisfação nos peemedebistas da Casa.

“Um partido do tamanho do PMDB vocês sabem que sempre teve divergências em alguns setores da bancada do Senado, mas não tão forte como pode de repente ocorrer. É isso  que a gente tem que evitar”.

RUI FALCÃO

Na quinta-feira, o presidente do PT, Rui Falcão, afirmou, em resposta ao líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, defensor do fim da aliança com o PT, que o PMDB precisa definir se é oposição ou situação e avisou que não aceitará “ultimatos”.

Para Raupp, as alianças regionais são um ponto chave na discussão. “Se avançarmos um pouco mais nas alianças regionais, começaremos a distensionar a crise” e a definição destas alianças em alguns Estados certamente evitará  a antecipação de uma convenção partidária que avaliaria o rompimento da aliança com o Governo.

Para acabar de vez com a crise, Raupp disse que conversou  quinta-feira, com o ex-presidente Lula e que vai continuar participando de reuniões com o Governo.

O encontro de hoje promete ser difícil, pois segundo, “O Estado de São Paulo”, pelo menos um a cada três deputados do PMDB quer romper com o PT e acabar a aliança com o Governo petista.

NA PAUTA

Os peemedebistas rebelados prometem dar trabalho nas votações previstas para o retorno do recesso de carnaval. O primeiro item da pauta é o pedido de criação de uma comissão externa para acompanhar as investigações sobre as denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras.

É lamentável que alguém trate como “inimigo” quem dele discorde…

Almério Nunes

É por demais lamentável que tenhamos aqui no blog da Tribuna da Internet pessoas que tratem como inimigo quem delas discorda. Pessoas que usam termos como “safadinhos” … “ora vá te catar” … “são patifes, os adversários dos Estados Unidos” … ou pejorativamente “esquerdinhas” … e mais, muito mais. São pessoas que aparentemente são contra a violência, mas que dela fazem seu meio de protesto em relação às opiniões que emitem.

Aqui já houve até ameaça de morte, e o editor Carlos Newton publicou tudo. Sou pelo debate, pela controvérsia, pela polêmica, pela discussão de ideias, sejam quais forem elas.

Eu, por exemplo, estive no final de 2013 em Cuba; visitei Havana, Matanças/Varadero, Guanabo, Central, La Isabel e Santa Clara, onde fica o Mausoléu do Che Guevara. Visitei clínicas, escolas e laboratórios. Fiz refeições em muitos povoados que sequer estão no mapa, alguns já aqui citados. Estive em Playa Giron, vi os tanques ianques abandonados desde aquela invasão.

Escrevi dez artigos (que circularam em 18 estados brasileiros e alguns países) sobre o que vi e ouvi de empresários internacionais; italianos, alemães, chineses, indianos… À noite, em algumas ocasiões, fomos todos curtir um jazz fantástico com o repertório do Frank Sinatra, músicos cubanos executando My Funny Valentine, Blue Moon, New York, New York, My Way e bebendo coca-cola, uísque, ron, vodka, etc. E a música deles… e a maneira deles tocarem e dançarem… foi tudo muito bom. Conversei sobre o megaporto de Artemisa…

Olha, se o editor Carlos Newton publicasse meus artigos aqui… nossa!!! Eu correria o risco de ser espancado ou morto pelo ódio!!! Cuba não é o país dos sonhos sonhados por Marti ou Bolivar. Tem muitos problemas, muitos! Mas o que vi… minhas conversas com pessoas cubanas pobres e humildes me enriqueceram muito e me apresentaram uma realidade que, se não é a melhor (e não é mesmo!!!), é muito diferente do que é publicado nos jornais.

Um só exemplo: o Brasil lucrou, lucra e lucrará muito com o megaporto de Mariel/Cuba. Mas aqui nos chega a informação de que se trata de um dinheiro perdido. O Globo publicou, neste dia 02 de março (há poucos dias, portanto) editorial mostrando que nós, brasileiros, ganhamos muitas divisas e empregos com o investimento feito lá. E a matéria/editorial é fraca, não ilustra tudo que deveria e poderia. E mais: Cuba nada nos deve, tem pago em dia cada centavo de Mariel.