Descendo a ladeira no império da democracia

Luiz Tito

Várias capitais brasileiras experimentaram na semana passada a, para muitos, incômoda ação de movimentos populares, dispostos a trazer para as ruas manifestações de inconformismo de grupos ou categorias com as realidades a seu serviço. Greves de metroviários em São Paulo, de lixeiros em Recife, de professores e funcionários da saúde estaduais e municipais de cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, de policiais civis e militares e inúmeras outras, Brasil afora. Vias públicas interditadas, pessoas impedidas de trabalhar, estudar, cumprirem seus compromissos e funções, pneus queimados, veículos depredados, comércio, indústria, serviços, uma enormidade de interesses afetados por tais movimentos.

Na sexta-feira, um pequeno grupo de estudantes protestou em BH defronte ao colégio Marista, para pedir a implantação do passe livre na utilização do transporte coletivo, tumultuando o acesso a serviços públicos e a volta à casa de muitos que se despediam do trabalho de uma semana.

Apesar de muitas vezes avaliados como incômodos e inoportunos, outras vezes tidos como oportunistas e desonestos nas suas postulações, os movimentos confirmam o que a proximidade das eleições há muito evidencia: a falta de representatividade dos partidos e dos políticos atualmente no Brasil, fazendo com que o povo banque, ao seu estilo, as próprias demandas.

Na semana passada, esse foi o tema também discutido em vários fóruns brasileiros. As ruas têm sido o palco preferido para demonstrar que vivemos no Brasil o império da democracia, expresso na absoluta liberdade de manifestação do que pensa cada um ou seu grupo. Ainda que bagunçando o coreto ou tumultuando a vida dos que estão noutras paradas, os que querem protestar são respeitados.

SEM REPRESSÃO

Até a polícia, para surpresa dos incomodados, é econômica nos confrontos com os quais se depara, frustrando muitos que entendem tais movimentos com sua lógica particular e que as circunstâncias colocam no outro lado da mesa. Assim é comum ouvirmos o coro dos que recomendam cassetete e bolacha como melhor solução das divergências.

Somos recentes nas práticas democráticas, o que nos faz também seletivos: liberdade sempre, de greve e de protestos inclusive, mas desde que não afetem meu conforto, meus caminhos e meu metrô.

Se as paralisações e os protestos, como se desenvolvem, pelos seus resultados, não nos servem, por outro lado, o descompromisso e a falta de programas dos partidos reforçam nos eleitos a falta de representatividade para o exercício de seus mandatos. A menos de 120 dias das eleições, essa realidade está demonstrada nas últimas pesquisas eleitorais divulgadas nacionalmente, que evidenciaram o alto grau de indecisos, de rejeição e dos que por isso vão anular seu voto.

Nosso patrimônio político é pobre, nossos caminhos estreitos. Que Brasil seremos e que espaço queremos ocupar no mundo, com tantos equívocos a resolver? Por que não irmos às ruas para lutar por uma agenda de reformas, já?

VOLTA, LULA

A substituição do nome de Dilma por Lula, podemos esperar, vai ser decidida ainda neste mês de junho. O PT vai colocar na cesta da ‘presidenta’ todo o desgaste gerado nas ruas pela realização da Copa. (transcrito de O Tempo)

 

Com greves e sindicatos, mudou o perfil dos protestos

Na tentativa de entender o que está acontecendo, cientistas políticos observam as movimentações e geram um debate sobre os porquês que levaram os sindicatos às ruas. Apesar das diferentes opiniões, os especialistas concordam que 2014, ano de Copa do Mundo e de eleição, é o momento mais oportuno.

“Junho de 2013 tirou os movimentos sindicais e as instituições da inércia”, é o que acredita o cientista político Rudá Ricci. “Os sindicatos estavam enferrujados, mas, depois do ano passado, eles viram que a rua voltou a se tornar a principal arena de reivindicação e de legitimação de lideranças. Os líderes sindicais serão pressionados a não serem apenas negociadores e a pensarem em carreira política. A crise de representatividade é de todas as instituições”, afirmou.

SOCIEDADE CIVIL

Para o cientista político Gilberto Damasceno, os levantes de junho de 2013 não têm relação direta com as greve e os protestos dos sindicatos. O estudioso frisa que a pauta de reivindicações das entidades é mais específica. “É o melhor momento para a sociedade civil e para os sindicatos se posicionarem, mas os servidores têm foco na condição de trabalho e na campanha salarial. Já a sociedade civil busca questões mais globais”, analisou.

Damasceno não acredita que os dois possam estar juntos nas ruas durante a Copa do Mundo. “Você faz greve agora para não precisar fazer depois. As manifestações da sociedade civil serão mais fortes durante o evento porque a proposta é mostrar insatisfação com o que foi gasto para fazer a Copa”, finalizou.

Na visão do cientista político e sociólogo Moisés Augusto Gonçalves, a busca dos sindicatos pelas ruas é um indicativo da importância que a praça pública voltou a ter no mundo e um novo ciclo de participação popular. “Os protestos que aconteceram e estão acontecendo em todo o planeta remontam a rua como espaço de reivindicação, o que coincide com o surgimento de outros atores sociais que anseiam por mudanças. Os sindicalizados também estão inseridos neste contexto. Além disso, eles estão dentro da máquina administrativa e sabem o que deve ser mudado nas repartições”, observou.

NA ÁFRICA DO SUL

Em 2010, greves também aconteceram na África do Sul pouco antes de a Copa começar. As paralisações ocorreram no transporte público e nos portos, por meio dos estivadores, o que interrompeu a exportação de commodities e carros para Europa e Ásia.

E em 2012, antes de começar as Olimpíadas de Londres, o sindicato dos rodoviários comunicou ao governo a possibilidade de greve. Antes da suspensão dos serviços, os empregados conseguiram direito a um bônus de £ 577 pelos dias trabalhados durante as competições.

Decreto 8243, que institui conselhos populares, é um monstrengo

 José Carlos Werneck

Sob fogo cerrado das oposições, de vários parlamentares da base aliada e questionada pelo vice-presidente da República e juristas que apontam nova tentativa do governo petista de implantar uma democracia direta no País, mas defendida com vigor pela presidente Dilma,  a bobagem do momento, chamada de Política Nacional de Participação Social, estabelecida no fim do mês passado, chega à sua segunda semana de vida, ameaçada de não vingar.

Realmente a infeliz proposta é uma aberração jurídica na mais pura acepção da palavra. Contraria os mais básicos fundamentos do Direito e os princípios democráticos que norteiam os países civilizados.

Segundo excelente matéria de Gabriel Manzano, publicada no Estadão, o presidente da Câmara, deputado Henrique Alves quer que o governo transforme o texto em projeto de lei a ser debatido pelos parlamentares. Um bloco de dez partidos luta para derrubar o decreto no Supremo Tribunal Federal. A Ordem dos Advogados do Brasil também avalia contestá-lo nos tribunais. Aliados do Planalto silenciam e o próprio vice-presidente da República, Michel Temer, lança dúvidas sobre a maneira monocrática como a medida foi instituída.

Anunciado em 26 de maio, o decreto visa, em seus 22 artigos, instituir um complexo sistema de consultas no qual a “sociedade civil” tem papel central. Seriam criados conselhos, comissões, conferências, ouvidorias, mesas de debate e fóruns, além de audiências e consultas públicas.

PODER PARALELO

Não demorou para que o documento despertasse desconfianças. “É um decreto autoritário. Tem vagas declarações democráticas, mas sujeita ao puro arbítrio da cúpula a participação social em assuntos administrativos”, diz o jurista Carlos Ari Sundfeld, professor de Direito Administrativo na FGV-SP. O texto, diz ele, “adota o método do sindicalismo da era Vargas, para gerar uma sociedade civil chapa branca, que fale por meio de instâncias sob controle.

Um dos mais veementes contra os 22 artigos é o jurista e ex-ministro Miguel Reale Jr., para quem o decreto “é genérico, nada especifica sobre os movimentos sociais, cria organismos que vão interferir no processo decisório da administração, cria um Estado paralelo. Enfim, exorbita absolutamente do âmbito da lei”. Ao assiná-lo, diz o ex-ministro, Dilma está apenas dizendo às multidões insatisfeitas das ruas: ‘Vejam, eu estou olhando por vocês’”.

Entre os críticos estão também, o ministro do STF Gilmar Mendes, que chama o decreto de “autoritário”, e o ex-ministro Carlos Velloso, que vê na iniciativa “uma coisa bolivariana, com aparência de legalidade”.

ILEGITIMIDADE

O ex-ministro do STF, Eros Grau, afirma que o País “tem uma Constituição que permite que o povo se manifeste e esse negócio de conselho popular e consultas talvez seja expediente para legitimar o que não é legítimo”. O ministro do Supremo Marco Aurélio Mello diz não ver “nada em contrário à Constituição”, mas se preocupa com um aspecto: a criação de um fundo destinado a gerir o sistema.

Mas há quem defenda. Para o cientista político Rudá Ricci, as críticas são “má-fé ou ignorância de quem não leu o projeto”. O texto nada tem de eleitoreiro, não invade competências do Legislativo e o modo como funcionarão os conselhos populares “é apenas uma síntese de práticas já existentes no País”. A estrutura criada, diz ele, “antecipa qualquer confronto de rua, já que se torna uma escuta permanente, institucional”, afirma.

INCERTEZAS

Fazem parte dos debates antigas polêmicas sobre democracia direta e os chamados “conselhos populares” – temas que, no passado, desgastaram o PT e fizeram o governo recuar de iniciativas como a criação de um Conselho Federal de Jornalismo. Além disso, vem a público num momento marcado por greves de transporte, protestos de rua e uma Copa do Mundo.

Os críticos lembram que as possibilidades de democracia direta garantidas na Constituição limitam-se a plebiscitos, referendos e propostas de iniciativa popular, como a célebre lei da Ficha Limpa. Os defensores do decreto argumentam que o Executivo consultar a sociedade para definir suas políticas é um procedimento natural, em áreas como a da saúde e da assistência à criança.

O professor de História Contemporânea da USP Lincoln Secco entende que o projeto “é, ainda, uma resposta aos protestos de junho passado”. Autor de A História do PT, Secco diz que o descontrole atual das ruas tem origem no governo Luiz Inácio Lula da Silva, que, em seu início, convocou sindicatos, movimentos e pastorais para compor as áreas sociais dos ministérios.

“Isso afastou esses grupos da rua e das carências imediatas dos pobres”, diz. Nesse vazio surgiram “esses novíssimos movimentos que escapam ao controle do PT e colocam pautas que o governo tem dificuldades de resolver”. O anunciado Sistema Nacional de Participação Social teria a função “de canalizar essas reivindicações”.

Pressão para a desistência de Dilma é cada vez maior

Raquel Faria
O Tempo

A queda no novo Datafolha não pegou o Planalto de surpresa. Dias antes, assim como o marqueteiro João Santana, o consultor de pesquisas do PT, Marcos Coimbra, do Vox Populi, já havia alertado Dilma sobre o quadro negativo para a sua campanha. Mais que a curva declinante dos índices de voto e da aprovação do governo, o que está preocupando o marqueteiro e o pesquisador é o aumento da rejeição à presidente.

As novas pesquisas presidenciais reacenderam imediatamente o Volta Lula. Poucas horas após a divulgação dos resultados, na sexta-feira, um influente petista comentou: “Não tem jeito. Vai ter que haver a troca mesmo”, disse à coluna referindo-se à sempre especulada substituição de Dilma por Lula na chapa governista.

Dois fatores são considerados determinantes para o desfecho da novela Sai Dilma, Volta Lula. O primeiro é a abertura da Copa: se tudo correr bem, a presidente ganha fôlego; inversamente, um fiasco na organização do mundial pode detonar de vez sua imagem e candidatura. O outro fator é a opinião pública, a ser auscultada em duas pesquisas encomendadas pelo PT até o final de junho, quando o partido reúne seus delegados para mais uma vez confirmar a candidatura de Dilma – ou trocá-la enfim por Lula.

APOIO TOTAL A LULA

A troca de candidato tem apoio maciço no PT e na base aliada. O problema é fazer com que Dilma ceda a candidatura, assumindo antecipadamente a derrota nas urnas. Os lulistas avaliam que a presidente só fará esse gesto de desprendimento se ficar convencida de suas dificuldades eleitorais e dos riscos da sua campanha para o projeto de poder do partido. Hoje, ela acredita em si mesma e na própria vitória.

Para completar, o PSDB está na expectativa de uma conquista das mais emblemáticas para Aécio: o apoio de Jorge Gerdau, até alguns meses atrás um dos empresários mais ligados ao governo Dilma e um dos interlocutores da presidente no meio econômico.

A aproximação de Gerdau com a campanha tucana é fato consumado. Na semana passada, o empresário conversou durante cerca de três horas com o braço direito de Aécio e coordenador do programa de governo do PSDB, Antonio Anastasia. O encontro foi em São Paulo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG A matéria de Raquel Faria mostra que na semana passada o jornalista Lauro Jardim foi enganado por seus “fontes” do PT, que lhe passaram informações fraudadas, dizendo que na pesquisa Vox Populi Dilma estava em alta e subira para 40%. O colunista da Veja acreditou e se deu mal. (C.N.)

 

 

‘Fantástico’ escancarou a podridão da política brasileira

Almério Nunes

Assisti a uma reportagem do ‘Fantástico’. A matéria abordou a mais completa desmoralização do sistema político do nosso país. A corrupção foi apresentada em todos os níveis, envolvendo políticos municipais, estaduais e federais; empresários e tribunais; não restou nada.

A reportagem do ‘Fantástico’ colocou a classe política brasileira como cruelmente criminosa, bandida e assassina. Relatou com impressionantes detalhes como se processa a compra explícita de votos. Como as doações para os políticos são regiamente pagas aos doadores, após as eleições. Obras que não existem, mas que consomem bilhões do país. Políticos que apresentam ‘emendas’ e com elas enriquecem.

Segundo a reportagem, todos, todos, todos são cúmplices. O Brasil está sendo sangrado. Estraçalhado. Desmoralizado internacionalmente. Fortunas são feitas da noite para o dia, com o aval dos próprios governantes. E o mundo inteiro está vendo tudo isto, mostrando-se ora debochador… ora perplexo de que suportemos tudo sem qualquer reação.

FOI CHOCANTE

Sabemos como andam as coisas, mas da forma como apresentadas… foi chocante. Um outro Brasil tem que emergir desta situação caótica em que nos encontramos! Joaquim Barbosa disse (eu vi na TV) que o Supremo estava praticando um deboche, ao permitir que um réu escolhesse como deveria ser julgado – referindo-se ao caso do ex-governador mineiro Eduardo Azeredo.

Como seja: a Justiça brasileira acolhe, generosamente, os criminosos através do seu órgão máximo, o Supremo! Os bandidos estão vencendo… diante dos nossos narizes. CPIs no Congresso merecem nosso mais claro repúdio.

NOVAS CAPITANIAS

Maranhão… pertence aos Sarneys. Ceará… pertence aos Gomes. Rio Grande do Norte… pertence aos Alves e Maias. São Paulo… pertence ao PSDB. Roubaram e roubam de tudo. Essa gente rouba de quem nada tem, são roedores dos dinheiros do país! E a presidente ajoelha-se diante deles! Lula curvou-se a Jáder Barbalho na TV! Lula foi a casa de Paulo Maluf pedir votos para seu poste paulista! Fernando Henrique doou o país para multinacionais e também comprou votos que estavam à disposição do esquema (de sempre).

Cachoeira, Demóstenes, Eike Batista, Sílvio Santos… aplicaram e aplicam golpes gigantescos e vivem às gargalhadas!!! Até a Caixa Econômica foi transformada em sócia do banco PanAmericano para evitar sua falência iminente.

O Brasil está podre! Se nenhuma voz se levantar, os escroques continuarão assaltando, torturando e matando-nos! E esta voz… tem que vir, com urgência.

Do fundo da alma

Tostão
O Tempo

Felipão, em uma entrevista, disse que tem estratégias de emergência para usar durante as partidas e que, às vezes, resolve no momento. Essa é uma de suas qualidades. As decisões repentinas são mais arriscadas, porém, costumam ser mais brilhantes do que as planejadas e ensaiadas, desde que sejam feitas por um bom observador. Elas são também baseadas em conhecimentos técnicos, científicos. A diferença é que não são racionalizadas. Surgem do fundo da alma. A pessoa sabe, mas não sabe que sabe.

Felipão citou duas situações de emergência, planejadas. Uma é a de colocar Jô e Fred juntos. Deve ser para jogar a bola na área, no fim da partida. É a tática do desespero. Fiquei preocupado. A outra seria escalar um terceiro zagueiro ou um zagueiro de volante, à frente dos outros dois. Só pode ser para segurar o placar. Felipão citou Henrique como opção. Fiquei ainda mais preocupado. Imaginava que entraria Dante, e David Luiz seria o volante-zagueiro.

Felipão deveria trocar ideias com a psicóloga Regina Brandão sobre Neymar, que tem criado muitos atritos com os marcadores, que lhe fazem muitas faltas. Imagine se Neymar for expulso. Como sou um psicólogo de botequim, fiz cursos de psicanálise, quando jogava, percebi a importância dos fatores emocionais, gosto da participação de uma psicóloga, desde que o técnico, nessas situações, e não a psicóloga, converse com o jogador, como Felipão faz.

Não se deve confundir psicologia esportiva com palestras de motivação. Antes da Copa de 1998, entrevistei, para a ESPN Brasil, o motivador da seleção brasileira. Foi o mesmo da Copa de 2006. Era amigo de Parreira e de Zagallo. Ele olhou para as câmeras e, como se fosse falar a coisa mais importante do mundo, disse: “Quem vai ser campeão não é a melhor seleção, e sim a que jogar melhor”. Genial! São os especialistas do óbvio.

Ainda o caso do Redentor com a camisa da Itália…

Menezes Feitoza

Muitas vezes aqui já tenho defendido as posturas da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Entretanto, reconheço não ver nada de mais em a televisão italiana ter usado a imagem do Cristo vestido com a camisa de sua seleção. Para mim, aliás, foi muito foi criatividade da parte deles.

Achei um exagero a atitude de quem tenha se sentido lesado e recorrido em busca de indenização, conforme explicitado. Isso é uma coisa lamentável. Só dizer que tais pensamentos de ter para si um símbolo como a estátua do Redentor não diz do pensamento da instituição Igreja. Foi uma coisa mesquinha, a Igreja é mais que isso. A Igreja não é possessiva; ao contrário, o pensamento de desapego é que define o espírito Cristão. Fiquei triste, na verdade.

Acredito sinceramente que a boa razão prevalecerá sobre os líderes da Arquidiocese. E eles irão se portar conforme inspiração não mais que espiritual.

A desilusão poética de Paulo Peres com a Copa 2014

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca, Paulo Roberto Peres, no poema “ Copa 2014”, mostra a sua desilusão com o momento atual do Brasil e condena todos os sofismas e falácias usados pelo governo para realizar esta Copa do Mundo.

COPA 2014

Paulo Peres

Não estou fazendo greve
Contra o futebol
E sim contra a elite que barrou
O cidadão-contribuinte-eleitor
Desta festa, onde a corrupção
Governamental gastou muito mais
Do valor previsto, inicialmente,
Tanto que virou evento para privilegiados
De uma elite que ignora as origens do futebol

Nesta Copa do Mundo
Não pintarei a rua onde moro
Nem colocarei bandeiras
Muito menos fitas verdes e amarelas

A Copa sabor desemprego, transportes,
Segurança, habitação, saúde e educação
Talvez tenha início em outubro
Caso o povo vote consciente.

Turma do general Blatter faz descortesia com prefeito de BH

Chico Maia
O Tempo

Às vésperas de começar a Copa, a Fifa praticamente assume o comando do país, graças às leis previamente aprovadas pelo Congresso quando o anfitrião da Copa aceita uma das exigências do famoso “Caderno de Encargos”. O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, foi vítima de uma descortesia por parte da prateleira de baixo da entidade e seus leões de chácara. Com tudo acertado com a própria entidade, que pediu que o chefe do executivo municipal desse, pessoalmente, boas-vindas às delegações, ele foi impedido de entrar na área de desembarque da seleção do Chile, no aeroporto de Confins.

A alegação foi que a área reservada aos chilenos era muito pequena, improvisada, já que o governo federal não concluiu as obras que permitiriam o cumprimento do protocolo dela.

Prêmio ingrato. Incrível que justamente Belo Horizonte seja a primeira sede a experimentar o poderio da turma de Blatter. E logo com o comandante da cidade que fez a parte dela no cumprimento dos prazos das incumbências mais importantes. Das 12 obras de responsabilidade da capital mineira, oito ficaram 100% prontas e quatro estão faltando menos de 10% para a conclusão.

Engolindo. Por outro lado, a Fifa está sendo obrigada a passar o que nunca passou antes, como em São Paulo. Na cidade, o estádio da abertura da Copa tinha capacidade inicial prevista para 68 mil pessoas. Com a rasteira dada no São Paulo para beneficiar o Corinthians, saiu o Morumbi e entrou o Itaquerão. Como o tempo seria curto, a Fifa aceitou que a capacidade passasse para 66 mil.

Guela abaixo. A Fifa teve que aceitar nova redução e a Arena Corinthians terá somente 61.606 lugares na abertura do Mundial. Menos que no Mineirão, que ficou pronto no fim de 2011. Cuiabá, a sede mais contestada e empurrada guela abaixo através de ingerências políticas, não vai entregar nem 40% das obras prometidas.

Sem treino. O governo do Mato Grosso gastou R$ 26 milhões na construção do Centro de Treinamento Barra do Pari, que ontem foi vetado pela Fifa porque obras essenciais não foram concluídas a tempo. Lá, treinariam Chile e Austrália, na quinta-feira, véspera do jogo entre eles. Agora, farão apenas reconhecimento do gramado da Arena Pantanal.

 

PSDB acusa Dilma de tentar ‘fazer mineiro de bobo’, por inaugurar obras sem recursos federais

Deu em O Tempo

Pouco tempo depois de a presidente Dilma Rousseff (PT) deixar Belo Horizonte na tarde de domingo (8), o PSDB de Minas Gerais divulgou nota para dizer que as obras para a Copa anunciadas pela presidente “não têm recursos do governo federal, ao contrário do que ela dá a entender”.
O PSDB-MG, presidido pelo deputado federal Marcus Pestana e liderado pelo pré-candidato ao Planalto senador Aécio Neves, diz que Dilma, “mais uma vez, tenta fazer os mineiros de bobos, ao propagar que é a responsável pelas obras de mobilidade urbana na capital”.
A crítica tucana se deve ao fato de a presidente destacar sempre a parceria do governo federal nessas obras e ainda ter desdenhado das gestões do PSDB no Planalto entre 1995 e 2002, dizendo que não foram feitos investimentos em mobilidade como faz a sua gestão.
“Na verdade, essas obras estão sendo feitas com recursos próprios da prefeitura de Belo Horizonte e do governo do Estado. Os valores que a presidente diz que direciona para as obras vêm da Caixa Econômica Federal, na forma de empréstimos, que deverão ser quitados pela prefeitura, com juros.”
DINHEIRO DO METRÔ
Ao dizer que investe em mobilidade em parceria com a prefeitura de BH e também com o governo do Estado, a presidente aproveitou para cobrar do Executivo mineiro projetos para o metrô de Belo Horizonte.
Segundo Dilma, o dinheiro federal está disponível, dependendo apenas dos projetos.
O governo mineIro foi gerido pelo PSDB de 2003 até abril deste ano, quando o ex-governador Antonio Anastasia deixou o cargo para poder se candidatar ao Senado. Desde então, o Estado é governado por um aliado de Aécio, o governador Alberto Pinto Coelho (PP).
Na nota, os tucanos também confrontam a fala da presidente na cobrança que ela fez sobre o metrô de Belo Horizonte. “Desde 2003, o governo federal do PT promete fazer a expansão das linhas, mas nada acontece. Na impossibilidade de entregar o prometido, Dilma tenta empurrar o assunto para o governo estadual, eximindo-se de sua responsabilidade e do compromisso assumido reiteradas vezes.”

Folha diz que PSB sugere que Kassab abandone Dilma

Natuza Nery e Marina Dias
Folha

O PSB de São Paulo sugeriu sexta-feira uma solução para resolver a disputa pela vaga de vice do tucano Geraldo Alckmin: pessebistas abririam caminho para o ex-prefeito Gilberto Kassab assumir o posto desde que seu partido, o PSD, desista de se coligar com Dilma Rousseff e apoie o presidenciável Eduardo Campos.

Durante reunião do diretório estadual do PSB, que aprovou por unanimidade a aliança do partido para a reeleição de Alckmin, o deputado Márcio França, um dos principais interlocutores de Campos, apresentou a proposta ao colega Walter Feldman, porta-voz nacional da Rede e próximo a Kassab.

Apesar de a ideia ter sido colocada à mesa como uma possibilidade viável, nos bastidores poucos veem a chance de uma operação dessa magnitude vingar.

INDECISÃO

Com o acordo entre PSB e PSDB aprovado em São Paulo, dirigentes do partido do ex-governador de Pernambuco defenderam o nome de Márcio França como o candidato a vice-governador na chapa de Alckmin.

Além do deputado do PSB, Kassab também postula a vaga, mas o governador ainda não decidiu qual partido estará a seu lado nas eleições de outubro como vice.

No plano nacional, entretanto, o ex-prefeito de São Paulo prometeu apoiar a reeleição da presidente Dilma, mas se considera liberado para costurar alianças com adversários do PT nos Estados, como é o caso de São Paulo.

Uma mudança dessas significaria verdadeira reviravolta no desenho da eleição presidencial, pois daria a Eduardo Campos, hoje terceiro lugar nas pesquisas, o segundo maior tempo de TV da disputa, passando, portanto, o tucano Aécio Neves (MG) no cronômetro do horário eleitoral gratuito.

MARINA QUER CANDIDATO PRÓPRIO

A decisão do PSB, porém, é contrária à opinião de Marina Silva, vice na chapa de Campos, que desde o ano passado defende a candidatura própria no Estado.

Um dos principais aliados da ex-senadora, Feldman disse durante seu discurso que compor a chapa com Alckmin contradiz o discurso nacional da sigla, que prega a “nova política” em detrimento das alianças com ” caciques”.

Nos último dias, Campos avisou a companheira de chapa que não iria intervir no diretório do PSB paulista para impedir a aliança com o governador do PSDB.

Segundo a Folha apurou, a equipe do ex-governador já elabora um discurso que justifique o acordo sem grandes perdas políticas em termos nacionais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEduardo Campos só não está arrependido do acordo com Marina porque isso lhe deu enorme visibilidade na mídia. Mas a convivência com ela é cada vez mais difícil, porque Marina sempre quer impor suas opiniões. No momento, o quadro político é extremamente confuso, com acordos estaduais diferentes dos acordos nacionais. Para o PSB, compor chapa no mais importante Estado, com quem deve ganhar a eleição no primeiro turno (Alckmin), é um grande negócio, mas Marina não se interessa por isso. Seu suposto candidato não existe, mas ela quer porque quer… (C.N.)

Forças Armadas mostram esquema de segurança para Copa em Brasília

José Carlos Werneck

O Comando Militar do Planalto mostrou hoje como será o esquema para as operações militares de segurança realizadas no Distrito Federal, durante a Copa do Mundo, que terá início na próxima quinta-feira. Cerca de 3,9 mil militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica ficam em esquema de prontidão até 14 de julho. E 2,8 mil participaram hoje da demonstração.

Os militares só serão vistos nas ruas durante a escolta de autoridades e em pontos estratégicos da Capital, o que já ocorre normalmente, como o Palácio do Planalto. A atuação das Forças Armadas só ocorrerá em situações de crise, como ações terroristas e manifestações violentas.

O esquema foi mostrado à Imprensa, no Setor Militar Urbano, com os veículos, equipamentos de segurança e helicópteros que estarão disponíveis para a operação.

Conforme explicou o coordenador das ações de defesa da Copa do Mundo em Brasília, comandante Racine Bezerra Filho, o uso das Forças Armadas ocorrerá “somente em último caso”.

MANIFESTAÇÕES LIBERADAS

“No caso de manifestação, há uma gradação, uma sequência de atividades e negociações. Somente em uma situação que extrapolasse os limites nós atuaríamos. Não há nenhuma prevenção contra manifestação, mas sim de ação que afete a lei e a ordem”.

O esquema permanecerá no intervalo entre dois dias antes de um jogo realizado na cidade e um dia depois. Segundo o comandante, entre os principais eixos de defesa das Forças Armadas, estão as ações antiterrorismo, a defesa aeroespacial e cibernética e a fiscalização de explosivos.

O Lago Paranoá, próximo de hotéis que hospedarão delegações de seleções, deverá ter monitoramento constante. A Marinha destacou 1,2 mil militares para participar da operação. Eles vão operar com 14 embarcações e 29 veículos na região .

O trânsito de embarcações de lazer e esporte continuará, mas haverá bloqueio na área de 200 metros de distância dos hotéis onde ficarão hospedadas as delegações

Na bola ou no apito!

Chico Maia

O aperto que a seleção brasileira passou no amistoso de contra a Sérvia serviu para diminuir o “oba-oba” que vem marcando os treinos do time comandado por Luiz Felipe Scolari. Faz lembrar a farra em Weggis, na Suíça, em 2006, antes da ida para a Alemanha.

Importante lembrar que a Sérvia tem o futebol mais competitivo entre todos os países que formavam a Iugoslávia. O time do Leste europeu só ficou fora da Copa do Mundo por causa de uma derrota de 2 a 0 em Zagreb para a grande rival, Croácia, outro país importante que compunha a República Socialista da Iugoslávia até 1992.

Mas o favoritismo absoluto brasileiro para ganhar a Copa não sofre nenhum arranhão por causa desse sufoco tomado dos sérvios em pleno estádio do Morumbi. Na hora “agá”, sempre surge um gol salvador como o do Fred nesse jogo, trocando de perna para o chute, enganando o zagueiro. E, quando não há um gol assim ou que nasce da genialidade de algum jogador, aparece um apito amigo para desequilibrar a favor da seleção canarinho, e a história mostra isso.

ÁRBITROS AJUDAM

Os árbitros que apitam jogos da seleção agem de forma muito parecida com os “apitadores” mineiros que dirigem as partidas de Atlético e Cruzeiro contra os demais concorrentes no Campeonato Estadual. Na dúvida, apita-se a favor do mais badalado ou mais forte nos bastidores. Na Copa de 2002, lembro-me, sem pensar muito, de dois erros graves a favor do Brasil: Estreia contra a Turquia e um 2 a 0 sobre a Bélgica nas oitavas.

Os turcos venciam por 1 a 0 jogando muito bem. Ronaldo empatou, e, aos 41 do segundo tempo, o árbitro sul-coreano Kim Young Joo inventou um pênalti em Luizão, que sofreu falta fora da área. Rivaldo bateu e fez 2 a 1.

Nas oitavas foi pior: os belgas abusavam de perder gols. O juiz invalidou erradamente um gol belga e, no segundo tempo, foi 2 a 0 para o Brasil.

FAVORITISMO

Não só pelos grandes jogadores, por jogar em casa e também por erros (ou outra coisa) a favor que vejo o Brasil como o maior favorito. E não entro nessa de “nacionalismo”. Gosto de ver bom futebol e que o melhor vença. Sem essa de “pátria de chuteiras”, que torcer pela seleção seja patriotismo e tantas coisas que se lê.

Concordo com o leitor Luiz G. Costa que escreveu: “Garantidos quase todos os ingressos vendidos, a maior audiência de um evento mundial em toda a história, os patrocínios mais caros, os jogadores mais valorizados de todos os tempos… Só faltou o Brasil ter infra pra ficar marcado como um bom lugar pra se viver, pra se investir e ser um cidadão. A politicagem e a picaretagem atrapalharam”.

O custo dos empréstimos do Tesouro para o BNDES

Mansueto Almeida

Provocado por um amigo professor do doutorado de economia de uma conceituada universidade brasileira e por um Ministro do TCU, passei parte do meu dia lendo os relatórios do TCU, especialmente o de 2013 que foi divulgado na semana passada. Adicionalmente, li novamente o Acórdão 3.071/2012-TCU que trata da briga entre TCU e Ministério da Fazenda sobre as operações envolvendo empréstimos do Tesouro para o BNDES. Depois vou explicar de forma muito didática seis pontos.

Primeiro, porque o custo dos subsídios financeiros, diferença entre o custo de oportunidade do Tesouro e a remuneração que o tesouro recebe do BNDES, passou a ser subestimado desde 2012. Ocorreu uma mudança na metodologia do cálculo desses subsídios que reduziu em quase 50% essa conta. Mas ela voltará a disparar este ano – não se preocupem.

Segundo, vou mostrar porque o custo de equalização de juros também passou a ser subestimado a partir de 2012 em virtude de uma outra mudança metodológica do critério de competência para caixa. Mas o custo que não está sendo pago está explodindo no Balanço do BNDES.T

Terceiro, vou mostrar porque os subsídios de equalização de juros ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal e o principio que para cada despesa obrigatória de caráter continuado o governo deve mostrar a fonte de recurso. O importante aqui é olhar para a definição de “despesa obrigatória de caráter continuado”.

Quarto, vou mostrar porque se pode questionar a colocação direta de títulos públicos na carteira do BNDES como uma operação passível de contestação judicial, pelo que conversei e li de uma nota técnica de um professor de contabilidade pública em Brasília com experiência em órgãos de controle e muito próximo ao TCU.

Quinto, vou mostrar que, por incompetência ou por falta de transparência, o governo não tem ou não divulga estimativas de custo futuro das operações do Tesouro com o BNDES sob a justificativa, absurda, que a SPE não sabe fazer contas: “não tem como trabalhar com cenários diferentes para a taxa Selic.” O TCU na semana passada deu um forte puxão de orelha na SPE e STN e flexibilizou a demanda pela projeção das estimativas de custo futuro, no curto prazo.

Em uma linguagem informal: “Já que vocês não conseguem ou têm medo de calcular o custo dessas operações pelos próximos trinta anos, então calculem pelo menos para os próximos três anos nos próximos noventa dias”. Na linguagem oficial que consta no relatório do TCU:

“……Diante desse cenário, há que se ressalvar, no presente relatório, o descumprimento dos itens 9.1.5 e 9.1.6 do Acórdão 3.071/2012-TCU-Plenário, que impossibilitou a divulgação das projeções dos benefícios decorrentes das operações de crédito concedidas pela União ao BNDES a partir de 2008, com prejuízo para a transparência de tais operações e para a adequada avaliação de seu custo ao longo do período em que serão amortizadas.
 
Nesse sentido e considerando as dificuldades metodológicas para realização de projeção que contemple todo o período das operações realizadas, propõe-se recomendação à SPE e à STN para que, no prazo de noventa dias, elaborem e apresentem as projeções anuais, para este e os próximos três exercícios (2014 a 2017), dos valores correspondentes aos benefícios financeiros e creditícios decorrentes das operações de crédito concedidas pela União ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a partir de 2008, incluindo as respectivas despesas financeiras relativas aos juros e demais encargos decorrentes da captação de recursos pelo Tesouro Nacional, em cumprimento aos itens 9.1.5 e 9.1.6 do Acórdão 3.071/2012-TCU-Plenário.”

Sexto, vou mostrar que o TCU está de olho nas operações “malucas” de fabricar lucro com o carregamento de títulos públicos pelo BNDES. Enquanto o BNDES não empresta recursos que recebe na forma de títulos públicos do Tesouro, fica com um ativo que rende Selic (11% ao ano) e com uma dívida com um custo de TJLP (5% ao ano). Isso é um truque para gerar falsos dividendos.

Não sei como vou conseguir explicar tudo isso de forma didática e nem sei se vou ter tempo. Vou começar tentando explicar isso para o FMI, que está nesta semana aqui em Brasília. Com tanta confusão, agora entendo porque um repórter da Revista Piauí, que participou do programa Roda Viva que entrevistou o senador Aécio Neves, estava louco para nomear, antecipadamente, o meu colega Armínio Fraga como o novo Ministro da Fazenda. Vou criar um hashtag #voltaArmínio.

Quando eu pensava que as coisas estavam melhorando, esse Ministro do TCU e meu amigo professor de economia acabaram com o meu sossego. Agora não tem mais como eu dormir direito. Ainda bem que não se fala mais em Trem Bala. Se esse projeto sair eu vou considerar minha filiação no PSOL ou no PSTU.J

á falei centenas de vezes: “O governo tem todo o direito de conceder subsídios e comprar ações de suas empresas favoritas. Mas não deve esconder o custo dessas políticas da sociedade”. As contas fiscais do governo federal, de 2013, deveriam ser rejeitadas. Sei que não serão, mas deveriam como também as de 2012 e as de 2010 pelos irresponsáveis truque fiscais.

(artigo enviado por Mário Assis)

 

Barbosa, o aposentado

João Gualberto Jr.

O país foi surpreendido na semana passada com a decisão de Joaquim Barbosa de pendurar a toga. O furo foi do presidente do Senado, Renan Calheiros. Que ironia! O senador, não desautorizado, deu com a língua nos dentes para a imprensa logo depois de ter sido comunicado pelo ministro pessoalmente.

Apesar das especulações que surgiram – a doença na coluna vertebral sendo a mais citada –, o presidente do Supremo só fez desconversar sobre os motivos da aposentadoria.

Disse que a expectativa é com a Copa do Mundo e que o futuro está aberto. Tentou comprar ingresso para assistir aos jogos do Brasil, mas não conseguiu. Vai ver apenas Portugal e Gana, no Mané Garrincha, cuja entrada comprou. A seleção brasileira, vai acompanhar de casa, pela TV.

Barbosa tem preferido não sair às ruas há uns dois anos. Quem assegura é o chefe de gabinete, Sílvio Albuquerque Silva, inconfidente como Renan. O assessor contou que o ministro era achincalhado por torcedores do PT em ambientes públicos e chegou a ser ameaçado de morte. Também teria recebido telefonemas em casa com o mesmo teor. O motivo foi o tratamento dado aos réus do mensalão. Surpreende a reação? Não, embora absurda.

COMPORTAMENTO EXACERBADO

Há exatamente três meses, esta coluna trouxe algumas observações sobre o comportamento de Barbosa, tantas vezes exacerbado. Por ter criticado publicamente a decisão de colegas, lamentado o resultado de julgamentos pelo pleno e destratado magistrados, advogados e jornalistas, argumentou-se que ele não demonstrava adequação ao posto que ocupa – e onde ficará até o fim do mês. O colunista acabou sendo criticado pelos leitores, que defenderam a atuação do ministro justiceiro.

Barbosa é assim, desperta paixões e os “sentimentos mais primitivos”. Quem polemiza raramente recebe tratamento neutro: é ame-o ou odeie-o.

Fosse o sujeito mais cordato e sereno da face da Justiça, ele já teria feito história por ser o primeiro negro a presidir a Suprema Corte do Brasil, um país que preserva o racismo mais rasteiro e subliminar, talvez por isso, o mais resistente. Menino pobre de Paracatu, de família numerosa, venceu na vida por mérito e esforço próprios.

SEU LEGADO

Mas o legado de sua passagem de 11 anos pelo STF vai além da mera presença. Uma demonstração: quando seria possível imaginar que uma máscara representando um integrante do Supremo fosse a mais procurada do Carnaval? O povo descobriu Barbosa e, por tabela, em alguma medida, tomou conhecimento das instituições e do funcionamento da Justiça brasileira. No período em que o Supremo foi “mais fecundo”, em suas próprias palavras, foi ele o protagonista, despertando amores e ódios.

O ministro ainda teria o dobro do tempo percorrido na Corte para se aposentar compulsoriamente. A saúde, as ameaças, o cansaço e a exposição precipitaram a saída. Mas idade e capital Barbosa tem de sobra para voltar aos holofotes. Desde já, bem-vindo à política, doutor.

A esperança deste colunista é que o senhor utilize seu patrimônio para militar em favor de uma causa enorme da qual já é um símbolo: a redução da desigualdade entre os brasileiros. (transcrito de O Tempo)

 

As folhas secas de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho

O pintor, escultor, cantor e compositor carioca Guilherme de Brito Bolhorst (1922-2006), na letra de “Folhas Secas”, em parceria com Nelson Cavaquinho, compara as folhas caídas da árvore mangueira com a sua tristeza quando não puder mais cantar. Este samba foi gravado por Beth Carvalho no seu LP Canto Por um Novo Dia, lançado em 1973 pela Tapecar.

FOLHAS SECAS
Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

Quando eu piso em folhas secas
Caídas de uma mangueira
Penso na minha escola
E nos poetas da minha Estação Primeira
Não sei quantas vezes
Subi o morro cantando
Sempre o sol me queimando
E assim vou me acabando

Quando o tempo avisar
Que eu não posso mais cantar
Sei que vou sentir saudade
Ao lado do meu violão
Da minha mocidade.

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Parodiando Jean-Luc Godard, duas ou três coisas que eu sei sobre Lula..

Guilherme Almeida

Pela história, já sabemos o caráter do ex-presidente Lula:

O Lula sempre é consultado sobre qualquer decisão, e a última palavra é dele.
(José Dirceu, Entrevista a Globo, outubro de 2002)

Este governo gosta de fazer comparações com outras administrações. Mas não existe na história um governo tão submisso às condições impostas pelos credores do que este governo. Eu ainda não vi um banco quebrar no governo Lula. Pelo contrário, os banqueiros estão lucrando cada vez mais”.
D. Geraldo Majella Agnelo, Bispo (02/03/2006)

Não, ninguém pratica corrupção por causa do regime jurídico, meu caro. Não é por isso. Ou seja, a pessoa pratica corrupção porque tem vontade de praticar a corrupção”.
(Candidato Lula, Estadão, 2002)

Por exemplo o trabalho que nós estamos fazendo para combater o crime organizado, a lavagem de dinheiro, nunca foi feito na história deste país.”.
( Presidente Lula. Coletiva à Imprensa. 2003)

Quando você está numa campanha, no palanque, você só fala de pobre, de miséria, de mulher, de negro, de favelado. Uma vez no poder, vai almoçar com banqueiro, jantar com não-sei-quem. Essa gente é que vai redefinir as prioridades do Estado”.
(Candidato Lula, 2001, Entrevista a Ziraldo)

Obviamente que, tendo em vista os lucros que tiveram o Itaú, o Bradesco e os outros bancos, o Fernando Henrique Cardoso não é nem pai: ele é pai, mãe, avô, avó, tio, tia do sistema financeiro, que nunca ganhou tanto dinheiro como está ganhando agora”.
(Candidato Lula, 2001, Entrevista a Ziraldo)

Quando ele foi eleito, eu tive uma preocupação de que levasse o governo para uma linha de esquerda, mas ele foi mais conservador do que eu esperava”.
Olavo Egydio Setúbal, presidente do conselho de administração da holding que controla o banco Itaú. (12/08/2006)

Eu tenho dito e repetido, várias vezes, que o Brasil será, no século XXI, a maior potência energética do planeta”,
Presidente Lula. (22/05/2006)