Gol de placa: Cartolas da Fifa decidem dobrar os próprios salários

Jamil Chade
Estadão

Marco Polo del Nero, presidente eleito da CBF, e os demais cartolas da Fifa se deram um aumento de 100% em suas remunerações no início do ano, passando a receber mais de R$ 440 mil por ano para estar presente a cada dois meses às reuniões da entidade em Zurique. As informações são do jornal britânico Sunday Times, que publica hoje mais uma leva de documentos secretos da entidade.

Os cartolas do Comitê Executivo da entidade aprovaram o aumento depois que a auditoria da Fifa chegou à constatação de que os dirigentes não deveriam receber bônus pela Fifa, já que não faziam parte da estrutura que fechava acordos comerciais.

Com a redução dos privilégios, anunciada em dezembro na Costa do Sauipe e que entrou em vigor neste ano, a decisão dos dirigentes foi a de promover um aumento do valor que a entidade os concede a cada ano pelos trabalhos prestados. Os benefícios passaram de US$ 100 mil por ano para US$ 200 mil, sem contar com viagens de luxo, hotéis 5 estrelas e privilégios por onde passam.

NO COPACABANA PALACE

No Rio de Janeiro, os cartolas estão hospedados no Copacabana Palace e Joseph Blatter, presidente da entidade, exigiu um tratamento equivalente a de um “dignatário”.

O Comitê Executivo é formado por 24 cartolas das diferentes regiões do mundo e que tomam as principais decisões do futebol mundial. O assento brasileiro no organismo por anos foi ocupado por Ricardo Teixeira. Mas, quando o dirigente deixou a CBF, ele também deixou vago seu lugar na Fifa. Del Nero acabou ocupando o cargo.

A Fifa nunca esteve tão rica como agora. A Copa do Mundo no Brasil gerou uma renda recorde de US$ 4,5 bilhões para a entidade. Em apenas dez anos, a entidade triplicou o salário pago a seus 400 funcionários e cartolas, ultrapassando a marca de US$ 100 milhões. O salário de Joseph Blatter, presidente da Fifa, é mantido em sigilo.

Segundo ainda o jornal, cargos de diretores da entidade ganhariam cerca de R$ 2 milhões por ano (US$ 900 mil). Isso incluiria posições como a de Jerome Valcke, secretário-geral, ou Thierry Weil, diretor de Marketing.

Em ano eleitoral, todo blog de Política fica infestado de “soldados da web”

Carlos Newton   Era de se esperar, já não é mais novidade. A cada eleição, aumenta a importância da internet para formar a opinião dos eleitores e levá-los a escolher este ou aquele candidato. A blogosfera se vê então ocupada pelos “soldados da web”, cuja missão é fortalecer seu candidato e minar a popularidade dos demais. E nesse proceder vale tudo: enganar, mentir, caluniar…   O blog Tribuna da Internet, por sua importância na discussão de ideias, há muito tempo é obrigado a conviver com esses soldados da web, e agora, com a proximidade das eleições, a presença deles fica ainda mais explícita e radical.   Alguns comentaristas ficam revoltados, querem expulsar os soldados da web, mas é preciso encarar essa situação com frieza. É claro que todos têm direito de se engajar e escolher seus candidatos, mas respeitando os adversários, sem apelações, ofensas ou baixarias. O importante é que a discussão das ideias prossiga e paire acima dessa disputa político-partidária.   Mas a radicalização chega a tal ponto que ontem uma comentarista foi acusada se ser “tucana”, como se isso fosse depreciativo. Mesma coisa é criticar alguém por ser “petista”, “conservador” ou “esquerdista”. Notem que numa discussão esportiva isso não acontece, porque ninguém se ofende ao ser chamado de “flamenguista”, “corintiano”, “colorado” ou “cruzeirense”.   DIFICULDADES   A edição do Blog continua muito difícil. Há problemas de lentidão e falta de capacidade do servidor, que sai do ar com frequência, como relatou o comentarista Flávio José Bortolotto, que ficou vários dias sem conseguir acessar a Tribuna da Internet.   Estamos pensando o que fazer. Voltar ao UOL, onde sofremos ataques de hacker três vezes, mas o funcionamento era melhor? Optar pelo servidor Blogspot, que tem a vantagem de ser gratuito? Encontrar uma terceira via?   Conforme já relatamos, temos dificuldades também com a operação do IGmail, cujos usuários têm inundado a internet com reclamações impressionantes. Nas últimas semanas, sem dúvida o serviço melhorou, mas ainda persistem vários problemas.   O IGmail (Google) ainda sai do ar e surge uma desculpa assim (“Ops, não se preocupe, dentro em breve estaremos de volta”… O pior é que seguem acontecendo incompatibilidades. Por exemplo: não consigo enviar e-mails a um amigo, o general Marcio Bergo, um dos maiores intelectuais das Forças Armadas, chefe do Centro de Pesquisas de  História Militar do Exército. Para me comunicar com ele, tenho de enviar as mensagens pelo e-mail de minha mulher (Gmail, que também é Google mas funciona bem). É constrangedor…   Temos dificuldades também para enviar mensagens a outras pessoas amigas , como o grande jurista Jorge Béja e o engenheiro Mauro Fontenelle, um dos maiores consultores de empresas da América do Sul. Há ocasiões em que as mensagens seguem, em outras não seguem e nem surge a indicação de que foram rejeitadas… Ontem, por acaso, funcionou bem, mas amanhã só Deus sabe. Hoje, no exato momento que faço esta postagem, o IGmail está inacessível…   BALANÇO DE JUNHO   Como sempre fazemos no início do mês, estamos agradecendo e divulgando as colaborações recebidas, que foram as seguintes na Caixa Econômica Federal:   02     004021    DEP DINH AG       100,00 02     144265    CRED TEV                20,00 02     021808    DEP DINH LOT      200,00 02     021809    DEP DINH LOT      200,00 03     001839    DEP DINH AG         60,00 04     001011    DEP DINH AG         20,00 04     041650    DEP DINH LOT       51,00 05     051537    DEP DINH LOT       20,00 09     004021    DEP DINH AG       100,00 09     070916    DEP DINH LOT       30,00 09     091424    DEP DINH LOT       30,00 16     002915    DEP DINH AG       100,00 23     002915    DEP DINH AG       100,00 26     600002    DOC ELET              330,77 27     200006    DOC ELET              100,00 30     000000    DEP DINH              100,00 30     301357    DEP DINH LOT        30,00   E agora, as colaborações no Banco Itaú:   09     3850  TEC DEP DINH              30,00 09     4175  TBI 9368.46169-6        50,00 20     4175  TBI 0406.49194-4        50,00

Existe alguma dúvida de que há insatisfação popular?

Carla Kreefft

Será que existe alguma dúvida de que há insatisfação popular com o governo da presidente Dilma Rousseff? Será mesmo que somente agora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT estão percebendo que as vaias recebidas pela presidente no jogo de abertura da Copa são motivadas?

Ao que parece a ficha dos petistas está caindo com um certo retardo. As pesquisas, de institutos vários, já estavam mostrando a queda da popularidade de Dilma desde o fim do ano passado. Essa tendência de queda foi antecedida pelas manifestações populares de junho. Neste primeiro semestre, as pesquisas também mostraram que, mais do que perder popularidade e intenções de voto, Dilma Rousseff também começou a ver seus concorrentes ganharem intenções de voto, especialmente, o senador Aécio Neves.

Entretanto, a presidente Dilma, na condição de pré-candidata à reeleição, não se mexeu. Nenhum movimento foi feito nos sentido de inverter a posição, que já não era assim tão confortável. Nos bastidores do PT, os mais ácidos avaliam que até bem pouco tempo, Dilma e sua turma mais próxima pareciam acreditar em uma vitória por WO.

FALTA DIÁLOGO

Os reclames daqueles petistas que tinham avaliação menos otimistas, praticamente, não foram ouvidos. A falta de diálogo interno gerou o chamado “Volta, Lula”. A campanha, promovida pelos insatisfeitos com o desempenho de Dilma, foi abafada pelo próprio ex-presidente, que se apressou em dizer que não era candidato nesta eleição e pedir apoio à reeleição de sua sucessora.

Mas se, externamente, Lula se portou solidário com Dilma o tempo inteiro, esse não foi o posicionamento dele longe dos gravadores e holofotes. O petista teria ficado irritado com o “jogo duro” de sua pupila. Ele teria solicitado mais jogo de cintura, mais conversa com os aliados, mais paciência com a economia – o que, na prática, seria a manutenção do nível de crédito ao consumidor, e mais atenção com o próprio PT. Como nada disso aconteceu até o momento, Lula recorreu a quem sempre recorre quando precisa mandar recados atravessados: Gilberto Carvalho.

ELITE BRANCA?

Carvalho veio a público dizer que não era só a elite branca que vaiou Dilma. Ele preparou o terreno para Lula dizer, em seguida, que o PT pode ter alguma culpa no episódio das vaias. Como esses dois se entendem muito bem, fica impossível pensar que a ficha deles só caiu agora. Certamente não. Eles estão apenas preparando, juntos, as condições objetivas para uma outra jogada, caso seja necessária. Trata-se da troca de candidato. Em outras palavras: o “Volta, Lula” pode ser resgatado.

Se essa hipótese se concretizar, uma outra não poderá ser descartada. Se Lula virar candidato a presidente, Eduardo Campos pode aceitar a condição de vice. (transcrito de O Tempo)

 

Se jogar como está jogando, Brasil pode não passar pela Colômbia

Colombia

Gabriel Pazini
O Tempo

E enquanto a seleção brasileira não agrada totalmente, a Colômbia é uma das sensações da Copa do Mundo. Após a merecida vitória por 2 a 0 sobre o Uruguai – e até fácil, o time teve o controle das ações durante o jogo -, os Cafeteros fizeram história e chegaram pela primeira vez nas quartas de final de um Mundial. O time tem 100% de aproveitamento no torneio, com quatro vitórias em quatro jogos, e o interessante é que apenas um triunfo foi por diferença de apenas um gol (2 a 1 na Costa do Marfim). Todas as outras vitórias foram largas: 3 a 0 na Grécia, 4 a 1 no Japão e 2 a 0 no Uruguai.

Além disso, o jogo mostrado encanta. A Colômbia joga um futebol bonito, ofensivo, incisivo. São muitas trocas de passes, o time se movimenta muito e joga com os setores dialogando – exatamente o contrário do Brasil. E se, coletivamente, os Cafeteros estão bem, individualmente, a fase também é excelente. E os destaques, é claro, são James Rodríguez e Juan Cuadrado.

ARTILHEIRO

O camisa 10 foi eleito o melhor jogador da primeira fase da Copa e é o artilheiro do Mundial com cinco gols. Além disso, Rodríguez deu duas assistências e, contra o Uruguai, marcou aquele que é o gol mais bonito do torneio até aqui. O talentoso meia do Monaco está jogando demais. Cuadrado, por sua vez, deu quatro passes para gol em quatro jogos e é o coadjuvante que poderia muito bem ser protagonista, não fosse por James. Além dos meias, a dupla de volantes Sánchez e Aguilar faz uma bela Copa, a defesa está bem e Ospina tem mostrado muita segurança debaixo das traves. O técnico José Pékerman, que faz um belo trabalho na Colômbia, armou um excelente 4-4-2 para a sua equipe. E olha que os Cafeteros ainda contam com boas opções no banco, como Guarin, por exemplo. Sim, o excelente meio-campista da Inter de Milão é reserva.

Hoje é dia de lembrar os 200 anos de Bakunin, o criador do anarquismo

Alexander Thoele
Swissinfo

Nascido na Rússia em 1814, Bakunin foi o revolucionário anarquista que participou de quase todas as revoltas populares na Europa do século XIX. Na Suíça, Bakunin organizou movimentos internacionais de trabalhadores em Genebra, pregou a anarquia entre os relojoeiros do Jura, publicou seus livros em Zurique e terminou morrendo em Berna.

O anarquista russo Michail Bakunin foi, junto com Karl Marx, uma dos mais influentes personagens do movimento internacional de trabalhadores no século XIX. Ele defendia o conceito de uma sociedade sem classes e sem governo. “Persona non grata” para os comunistas, Bakunin achava que o Estado socialista seria a continuação da opressão do operariado e camponeses com um outro nome.

De família aristocrática, Michail Alexandrovic Bakunin nasceu em 30 de maio de 1814 em Prjamuchino, na Rússia.Como era comum para as elites da época, Bakunin entrou para o exército em 1829, onde chegou a alcançar o oficialato. Por detestar a disciplina militar, em 1835 ele trocou a farda e as armas pelos livros e foi estudar em Moscou e São Petersburgo. Na época, seu leitura preferida eram os textos dos filósofos alemães Kant e Fichte. Em 1836, Bakunin começou sua carreira de escritor ao traduzir alguns textos de Fichte para o russo.

AGITAÇÃO POLÍTICA

Até 1839, Bakunin brilhava nos salões estudantis como um excelente debatedor dos textos do pensador alemão Hegel. Se sua família acreditava que ele faria carreira na universidade, a realidade é que o jovem estudante preferia passar seu tempo debatendo com os agitadores políticos Alexander Herzen e Nicholas Ogarev. “Eles abriram meus olhos para o mundo de pobreza e desigualdade na Rússia do Tzar”.

Bakunin abandonou a Rússia em 1840. Com 26 anos, ele partiu para Berlim, onde iniciou então sua longa carreira de estrangeiro errante. Na capital alemã, o jovem russo teve contato, sobretudo, com os hegelianos de esquerda. Suas primeiras impressões aparecem do texto “Reação na Alemanha”, publicado em 1842 sob pseudônimo. Essa publicação marcava, pela primeira vez, a oposição dos intelectuais russos contra o sistema de governo absolutista do Tzar. Nesse momento ele fechava as portas de um possível futuro na Rússia.

Em Dresden, onde ele contribuiu para a famosa revista esquerdista de filosofia e política hegeliana “Deutsche Jahrbücher” de Arnold Ruges. Em 1843, Bakunin teve sua primeira estadia na Suíça, onde ele encontrou radicais poloneses, russos e alemães e estudou as teorias do comunismo.

EM PARIS, COM MARX

Em 1844, Bakunin se mudou para Paris, onde durante três anos fez sua formação na chamada “escola revolucionária”, ou seja, através dos intensivos contatos com pessoas como Pierre-Joseph Proudhon, Alexander Herzen e Karl Marx. Na Rússia, o governo do Tzar decidiu condená-lo à revelia: Bakunin teve suas propriedades confiscadas e, caso pisasse solo russo, seria banido para a Sibéria. No final de 1847, Bakunin foi expulso da França por ter publicado declarações pouco elogiosas ao Tzar.

Apesar da estar na ilegalidade, Bakunin ainda participou no início de 1848 – o ano do Manifesto Comunista – das revoltas populares em Paris, onde ele defende a estabilização e expansão da revolução mundial, assim como pela criação de uma associação internacional das forças democráticas. Bakunin exigia a dissolução das diferenças de classes sociais através de um sistema de coletivização da propriedade, da criação de um salário de base e da extinção do absolutismo.

BANIDO PARA A SIBÉRIA

Depois ter conflitos pessoais com os líderes da revolução popular na França, o revolucionário russo viajou em abril de 1848 para a Alemanha, onde fez contato com democratas radicais em várias cidades. Depois de uma curta estadia em Praga, Bakunin encontrou os líderes das revoltas em Leipzig e Dresden. Nesse período inicio seu contato com o compositor Richard Wagner.

Com a derrota dos revoltosos, Bakunin acabou indo para prisão em 1849. Um ano depois, ele foi condenado à morte, pena depois comutada para a prisão perpétua. Depois de passar alguns anos nas cadeias germânicas, foi deportado para a Rússia, onde o Tzar ainda não havia se esquecido do passado agitado do seu súdito. Em 1957 ele foi banido para os longínquos campos de trabalho forçado na Sibéria.

Quase quatro anos depois, já em 1861, Bakunin conseguiu fugir da prisão. A viagem para a liberdade foi uma odissEia que o levou atravessar o Japão, Estados Unidos, até chegar em Londres.

Na capital inglesa ele retomou suas energias para organizar a libertação dos países eslavos, uma das suas bandeiras na época. Nesse sentido, ele montou um exército de combatentes voluntários, que se dispunham a ir para a Polônia ajudar no movimento popular de independência. A viagem foi mal planejada e terminou fracassando no meio do caminho. Bakunin acabou na Suécia e, na pobre Polônia, as tropas do Tzar russo massacram os revoltosos.

NASCE O ANARQUISTA

Depois Bakunin foi à Itália tentar a sua sorte de revolucionário. Nessa fase ele dividiu seu tempo entre duas cidades: Florença (1864) e Nápoles (1865-1867). Esse período marcou uma grande reviravolta na vida dele. Pela primeira vez se declarava abertamente “um anarquista”. Bakunin começava a colocar suas idéias no papel, fundava clubes secretos – as “Irmandades Internacionais” e se envolveu até com revolucionários russos como o estudante Netschajew, com quem teria escrito em conjunto os panfletos “Palavras à juventude – princípios da revolução” e “Catecismo do Revolucionário”, obras de frieza maquiavélica, onde todos os meios se justificam para se realizar a revolução.

Em 1868, Bakunin trocou mais uma vez de país. Novo destino: Suíça. Em Genebra, ele participou do congresso de fundação da Liga Internacional pela Paz e Liberdade. O objetivo da Liga era possibilitar a democratas e radicais de toda a Europa a trabalharem uma plataforma política comum. No segundo congresso, Bakunin teve todas suas propostas recusadas, o que o levou a abandonar a Liga, juntamente com mais 17 membros do seu grupo.

PRIMEIRA INTERNACIONAL

Um revolucionário não pára. Bakunin e seus amigos entraram logo depois na Associação Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada quatro anos antes e é mais conhecida como “a Primeira Internacional”. Seu membro mais destacado era, nada mais nada menos, do que Karl Marx. Para aproveitar seu tempo na Suíça, Bakunin viajava também pelos vales do Jura, onde dava palestras nas associações anarquistas de relojoeiros.

Entre 1870 e 1871, logo após a guerra franco-alemã e a invasão por tropas prussianas, eclodiram diversas revoltas populares na França. Em Paris os revoltosos criaram a famosa “Comuna”. Talvez acreditando que sua hora tivesse chegado, Bakunin viajou para Lyon, onde ele intentava participar do levante popular. A repressão policial foi forte e acabou conseguindo massacrar o movimento. Por fim, o revolucionário russo foi obrigado a retornar a Locarno.

Os estudiosos afirmam que, durante o período passado na Suíça, Bakunin escreveu grande parte das suas obras.

BAKUNIN VERSUS MARX

Do seu escritório no conselho geral da Internacional em Londres, Karl Marx observava os movimentos do inquieto russo. Nas suas cartas, o teórico alemão descrevia Bakunin como um “intrigante” ou “esse maldito moscovita”. Na queda de braço entre socialistas libertários e comunistas autoritários, dentro do movimento internacional dos trabalhadores, Marx terminou vencendo e conseguiu expulsar o grupo ligado a Bakunin e outros que criticavam o conceito da “ditadura do proletariado”. Esse momento, ocorrido em 1872, é a cisão histórica entre comunistas, sociais-democratas e anarquistas.

Apesar de estar cansado e empobrecido, Bakunin ainda circulava nos salões frequentados pela colônia russa. Com alguns desses intelectuais e estudantes, o anarquista-mor chegou a fundar em 1873 uma editora, onde grande parte dos seus livros foi publicada, como o “O Status de um Estado e a Anarquia” (Staatlichkeit und Anarchie).

Como último suspiro no seu espírito revolucionário, Bakunin ainda participou em 1874, com amigos italianos, de uma tentativa de revolta em Bologna. Depois ele voltou a Lugano, na Suíça, onde termina seus dois últimos anos de vida. O tempo passado em prisões, na militância política e no exílio cobravam seu preço. Doente, Bakunin foi levado por um amigo médico para ser tratado em Berna. Na capital suíça, o revolucionário russo faleceu em primeiro de julho de 1876, sendo enterrado no cemitério de “Bremgarten”.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

 

A nova música de Lobão, a Marcha dos Infames, é uma reação ao PT

Claudio Tognolli
Yahoo

Na semana passada este blog trouxe em primeira mão a nota da ONG Repórteres Sem Fronteiras, de Paris. A entidade protestava contra o fato de o PT ter elencado inimigos públicos a serem combatidos. Entre eles, o cantor Lobão. Segue o resumo do comunicado parisiense:

A tensão entre o governo e os jornalistas da oposição acaba de subir de tom. Num artigo publicado a 16 de junho de 2014 no site do Partido dos Trabalhadores (PT), atualmente no poder, o vice-presidente do partido Alberto Cantalice estabelece uma lista negra de jornalistas designados como os “pitbulls da grande mídia”. Para o dirigente petista, o ódio de Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes Diogo Mainardi, Lobão e dos humoristas Danilo Gentili e Marcelo Madureira contra as medidas progressistas dos governos Lula e Rousseff se tornou ainda mais evidente desde o começo do Mundial, que esperam que fracasse.

Esses “inimigos da pátria” não demoraram em responder. O jornalista Demétrio Magnoli denunciou em Globo um artigo “calunioso” e uma ação de propaganda por parte do PT. Magnoli se mostra preocupado pelo fato de um político do partido no poder convidar à “caça” dos jornalistas opositores “na rua”. Já Reinaldo Azevedo, da revista Vejaafirmou sua intenção de processar Alberto Cantalice por “difamação”.

Agora este blog divulga em primeira mão a música que Lobão compôs para o episódio. Veja a letra e clique aqui para ouvir a música:

A MARCHA DOS INFAMES

(Junho 2014)

Aqueles que não são
E que jamais serão
Abusam do Poder
demência e obsessão

Insistem atacar
Com as chagas abertas do rancor
E aos incautos fazer crer
Que seu ódio no peito é amor

Tanto martírio em  vão
Estupro da nação
Até quando esse sonho ruim,
esse  pesadelo sem fim?

Apedrejando irmãos
E os que não são iguais
A destruição é a fé,
E a morte e a vida ,banais

E um céu sem esperança
a Infâmia  cobriu
com o manto da  ignorância
o desastre que nos pariu

E o sangue dos ladrões
De outros carnavais
Na veia de vilões
Tratados como heróis

E até quando ouvir
Cretinos e boçais
Mentir, mentir,mentir
Eternamente mentir

Mas o dia chegará
em que chão da Pátria irá tremer
e o que não é, não mais será
em nome do povo, o Poder

Chorar é bom

Charge Super 30/06

Tostão
O Tempo

Há um consenso, mesmo entre os que não entendem de futebol, que a seleção brasileira não tem meio-campo. Tem, mas só para marcar. Se o Brasil for campeão, a turma do oba-oba vai dizer que é uma estratégia revolucionária de Felipão.

Não há meio-campo porque, além de faltar um excepcional armador, Luiz Gustavo joga próximo aos zagueiros, Neymar próximo a Fred, e Oscar e Hulk encostados à lateral.

Sobra Fernandinho (ou qualquer outro) isolado, como um Robson Crusoé, olhando para o alto, para ver a bola passar. Poderia ser melhor com três no meio-campo e três na frente. Hulk foi o melhor atacante contra o Chile. Ele não pode sair.

Como era esperado, a onda é dizer que o problema maior da seleção é emocional, que os jogadores não suportam a pressão e que choram demais, como se o choro fosse incompatível com a razão e a lucidez.

Penso o contrário. O que salva a seleção é o envolvimento emocional dos jogadores, empurrados pela torcida e pela pressão de jogar em casa. Evidentemente, em algum momento, acontece uma exagerada reação emocional. É inevitável. Aí, tem de entrar Felipão, com a ajuda da psicóloga.

Vem aí a Colômbia. Parece que James Rodríguez é o Pelé, ou o Messi, ou o Cristiano Ronaldo, ou o Neymar, ou o Robben. Eu o vi jogar várias vezes pelo Porto, pelo Mônaco e pela seleção colombiana. Ele atuou bem, é muito habilidoso, criativo, uma promessa de craque. Na Copa, tem brilhado em lances isolados. Na maior parte do jogo, aparece pouco. Ainda é cedo para avaliar seu talento.

Já Cuadrado, uma mistura de volante, meia e atacante, joga bem durante todas as partidas. Como James Rodríguez atua pelo centro, da intermediária para o gol, não será tão difícil marcá-lo.

Quem mais me preocupa é Cuadrado. Contra o Brasil, no último amistoso, ele fez um gol e infernizou pela direita.

A visão poética da família, por Carlos Nejar

O crítico literário, tradutor, ficcionista e poeta gaúcho Luís Carlos Verzoni Nejar revela sua visão sobre a família e suas peculiaridades.

FAMÍLIA
Carlos Nejar

Nossa família: as estações.
Nada sobra
do que julgam ser
as propriedades.

O corpo, a alma,
apenas usufruto.
Também os meus deveres.

Só o amor é nosso.
E o soluço.

      (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Era só que faltava: Graça Fortes foi avisada sobre irregularidades um ano antes do escândalo

Deu em O Tempo

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, foi informada de investigação sobre suspeitas de pagamento de propina a funcionários da estatal e de companhias em outros países cerca de um ano antes de anunciar uma auditoria sobre o caso.

A declaração foi feita pelo chefe de Governança e Conformidade da SBM Offshore, Sietze Hepkema, à comissão destacada pela petrolífera brasileira para apurar as denúncias de que um representante da empresa pagava suborno em troca de contratos de locação de plataformas.

Em 21 de fevereiro deste ano, a equipe da Petrobras entrevistou Hepkema no Rio de Janeiro, como parte dos trabalhos de investigação interna. Na ocasião, ele foi questionado sobre o porquê de a SBM nunca ter avisado a estatal sobre as investigações que abrira para apurar as denúncias de irregularidade, embora isso seja determinação de contratos da empresa com a estatal.

“Nós o fizemos em várias ocasiões, geralmente com o senhor Formigli. Discutido com a senhora Foster cerca de um ano atrás”, respondeu o executivo, conforme transcrição da conversa, em inglês, feita pela estatal e obtida pelo jornal “O Estado de S.Paulo”.

Formigli é o diretor de Exploração e Produção da estatal, José Miranda Formigli. A Petrobras determinou investigação sobre o caso em 13 de fevereiro, dia em que o caso foi divulgado na imprensa brasileira, bem depois do suposto alerta.

O anúncio de que as apurações estavam em curso foi feito por Graça Foster cinco dias depois. No relatório final das investigações, a comissão afirma que Hepkema “declarou haver comentado sobre as denúncias com o diretor Formigli e a presidente Graça”.

A SBM tomou conhecimento das suspeitas em janeiro de 2012 e iniciou as investigações em maio do mesmo ano, meses antes do suposto alerta a Graça Foster. O trabalho é feito por escritórios contratados na Holanda.

 

Os gols de Dutra

Sebastião Nery

Em 1958, o Brasil jogava com a Suécia na Copa. Os radialistas Rubens Amaral e Luís Brunini e o deputado Augusto de Gregório sofriam o começo do jogo em um apartamento na Rua Redentor, em Ipanema, no Rio. Brasil perdendo de 1 a 0, nada de fazer gol. Toca a campainha. Era o ex-presidente Dutra, que morava ao lado. Dutra entra na sala. O locutor grita: – “Goooool! O Brasil empatou. Dutra comemora, conversa um pouco, sai.

Nada de o Brasil desempatar. Toca novamente a campainha. Era Dutra de volta. O locutor grita: – “Goooool”! O Brasil desempatou. Só deixaram o velho sair depois do jogo. O Brasil derrotou a Suécia por 5 a 2 e ganhou a Copa de 58.

Felipão devia invocar socorro a Dutra.

JANGO

João Goulart assumiu o Ministério do Trabalho, no segundo governo de Getúlio Vargas (1953). Os militares da UDN começaram a conspiração que acabou no Manifesto dos Coronéis, redigido pelos coronéis do Exercito Bizarria Mamede e Golbery do Couto e Silva, e assinado em primeiro lugar pelo coronel Amaury Kruel (por força da ordem alfabética), exigindo a derrubada de Jango, que Getúlio afinal aceitou.

Murilo Melo Filho, colunista político da revista “Manchete”, telefonou a Anísio Rocha, amigo do marechal Dutra, e foram os dois à Rua Redentor, em Ipanema, para o calado ex-presidente dizer alguma coisa:

– Presidente, o que o senhor achou do Manifesto dos Coronéis?

– Não sei de nada, meu filho. Li nos jornais, mas não achei nada. Não vou falar, não. Não ajuda. Aliás, nem li os jornais direito, porque esta noite entrou aqui em casa um ladrão e me atrapalhou a manhã.

– Então o senhor nos conta como foi a história do ladrão. – Mas, meu filho, uma revista tão importante ficar preocupada com história de ladrão? Não foi nada demais. Ele entrou, pegou algumas coisas e foi embora. Só isso. Não teve importância.

– Então, presidente, voltemos ao manifesto. O senhor acha que os coronéis vão derrubar o Jango do Ministério do Trabalho? Dutra ficou calado, pensou um pouco, sorriu:

– Olha, Murilo, é melhor falar do ladrão. E falou.

VITORINO

De manhã bem cedo, em 1969, a brutal Junta Militar no poder, eu deputado cassado mas trabalhando em jornal e TV, toca o telefone de minha casa, aqui no Rio. Era o colega e amigo jornalista Tarcisio Holanda:

– Nery, saia agora, não fale com ninguém e vá urgente para o Palácio do Monroe, na Cinelândia. O senador Victorino Freire espera você lá.

Encontrei Victorino já entrando no carro para sair:

– Sebastião, me espere no gabinete do senador Dinarte Mariz. Tranque-se lá dentro e não abra para ninguém, nem para ele.Volto já.

Obedeci, o coração aos pulos. Duas horas depois, chega Victorino:

– Pode ir. Não vai mais ser preso. Mas nunca mais conte histórias contra o general Dutra. Depois de Caxias, o sinônimo do Exército brasileiro é ele. A floresta tem tanto bicho, para que mexer logo com o leão?

“AXIM”

Em minha coluna na “Tribuna da Imprensa”, naquele dia, eu contava algumas historias engraçadas do marechal Dutra, que puxava muito no “X” (“isto era “”ixto”, “assim” era “axim”) e sobre o governo dele. Dois oficiais saíram cedo do comando do Exercito atrás de mim em minha casa e no jornal. Vitorino soube, avisou a Tarcísio e foi a Ipanema, à casa de Dutra, que telefonou para o comando do Primeiro Exército:

– O “Laxerda” e o David “Naxer” me criticaram todos os dias de meu governo e eu nunca os mandei prender. O Victorino está me dizendo que vocês vão prender o Sebastião Nery pelo que escreveu hoje. Não “faxam” “ixo” não. Eu até gosto do que ele escreve.

Crônica da derrota anunciada: PP de Maluf abandona o PT de Padilha e anuncia apoio ao PMDB de Skaf

Julianna Granjeia
O Globo

O diretório estadual do PP-SP, presidido pelo deputado Paulo Maluf, decidiu nesta segunda-feira, último dia do prazo para a composição das alianças, abandonar a campanha de Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo do estado de São Paulo, para apoiar a candidatura de Paulo Skaf (PMDB).

Com o recuo do PP – um mês depois do aperto de mão entre Maluf e Padilha para selar o apoio -, o PT perde mais um partido da base aliada do governo federal. PDT, PROS e PSD também já declararam apoio a Skaf.

Além disso, Padilha perde cerca de um minuto na propaganda eleitoral e conta agora apenas com o apoio do PR e do PCdoB. O candidato petista aparece em terceiro lugar nas pesquisas com 3% das intenções de voto, atrás de Skaf, com 21%, e do governador Geraldo Alckmin (PSDB), com 44%.A decisão do PP foi formalizada após um dia inteiro de reunião entre os membros da executiva estadual, que aprovou a debandada por maioria dos presentes. A sigla estava descontente com a falta de espaço na chapa petista e entendeu que com o PMDB teria mais chances de aumentar sua bancada de deputados.

O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional da sigla, viajou para São Paulo para tentar demover Maluf da articulação.

– O que pesou foi a questão de composição da chapa majoritária, eles queriam um espaço maior. Conversei com Maluf, deixei clara minha posição contrária a essa mudança – afirmou Nogueira.

Skaf afirmou não houve negociação para o PP compor chapa e que o partido “é muito bem-vindo”.

Está feia a coisa: Cai pela quinta vez seguida a projeção de crescimento da economia este ano

Kelly Oliveira
Agência Brasil 

As instituições financeiras consultadas semanalmente pelo Banco Central (BC) reduziram pela quinta semana seguida a projeção para o crescimento da economia este ano. Desta vez, a estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, caiu de 1,16% para 1,10%. Para 2015, a estimativa, em queda há seis semanas consecutivas, passou de 1,6% para 1,5%.

O BC também reduziu a projeção para o crescimento da economia este ano, mas está mais otimista que o mercado financeiro. No Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na última quinta-feira (26), o Banco Central revisou a estimativa para a expansão do PIB de 2% para 1,6%

O mercado financeiro também espera por retração na produção industrial de 0,14%, com recuperação em 2015. A estimativa para o crescimento no próximo ano passou de 2,2% para 2,3%.

SUPERÁVIT COMERCIAL

A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) foi ajustada de US$ 2 bilhões para US$ 2,01 bilhões, em 2014, e de US$ 10 bilhões para US$ 9,9 bilhões, no próximo ano. A projeção para a cotação do dólar segue em R$ 2,40, neste ano, e em US$ 2,50, em 2015.

As instituições financeiras também mantiveram a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, ao final de 2014, no atual patamar de 11% ao ano. Para o fim de 2015, a expectativa segue em 12% ao ano.

Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a estimativa permanece em 6,46%, este ano, e em 6,10%, em 2015. A previsão do BC é que a inflação feche este ano em 6,4% e 2015 em 5,7%.

Sistema de saúde pública no Brasil não é “Padrão Fifa”, diz…a Fifa

Jamil Chade
Estadão

O sistema de saúde pública no Brasil não é “Padrão Fifa”. Isso nós todos já sabíamos. Mas agora quem diz isso é a própria entidade mundial do futebol que, para a Copa do Mundo, registrou 27 hospitais pelo País para atender cartolas, árbitros e jogadores. Mas nenhum deles é da rede pública.

A lista foi produzida depois de uma visita por parte de técnicos da Fifa a diversos hospitais em cada uma das doze sedes para identificar e registrar cada instituição que poderia atender à “família do futebol”.

Em São Paulo, os escolhidos foram o Sírio-Libanês, Einstein e o Santa Catarina. No Rio, a lista é composta pelos hospitais Samaritano e Pasteur. Nem na capital, Brasília, a opção foi por usar hospitais públicos. Os escolhidos são as instituições privadas Home e Hospital Brasília.

A rede de hospitais da Unimed também entrou na lista da Fifa, com quatro centros em cidades como Fortaleza, Manaus e Natal.

ATÉ TENTARAM…

Ao Estado, representantes do corpo médico da entidade explicaram que chegaram a tentar escolher algum hospital público. Mas que os locais visitados não atendiam às “exigências mínimas” da entidade máxima do futebol.

Médicos de alguns desses hospitais receberam recomendações das instituições para estar de “prontidão” para atender a “Família Fifa” a qualquer momento. Michael D`Hooge, chefe do Comitê Médico da Fifa, afirmou que não foi a entidade que tomou sozinha a decisão. “Nós escutamos médicos do Comitê Organizador Local”, explicou ao Estado.

Em 2013, durante a Copa das Confederações, parte dos manifestantes exigiam “hospitais Padrão Fifa”, em uma crítica aos gastos com os estádios. Apesar de ser a Copa mais cara da história, as obras representam apenas uma fração do que se gasta em saúde no Brasil.

Ainda assim, a Fifa se recusou a mandar qualquer um de seus dirigentes para um hospital público brasileiro.

EXEMPLOS

Na África do Sul em 2010, a Fifa havia fechado um acordo para registrar alguns hospitais públicos, justificando assim que o governo ampliasse investimentos à rede de saúde. Em cada cidade sede, a Fifa e o governo optaram por um hospital privado e um público.

Ainda assim, os problemas não foram poucos. Um dos problemas ocorreu por conta da exigência da Fifa de que cada hospital credenciado mantivesse um certo número de leitos sempre vazios, em caso de serem acionados.

O então ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, admitiu na época que cada hospital colocaria camas à disposição da Fifa de forma permanente durante o mês da Copa.

Em Londres, em 2012, os participantes dos Jogos Olímpicos eram direcionados a hospitais públicos da cidade.

Mais denúncias: SBM ofereceu viagem turística para ex-diretores da Petrobrás

Fábio Fabrini, Ricardo Brito e Fábio Brandt
Estadão
Uma empresa de Julio Faerman, suspeito de pagar propinas a funcionários da Petrobrás para obter contratos de locação de plataformas para a holandesa SBM Offshore, convidou dirigentes da estatal e suas mulheres para uma viagem a vinícolas argentinas.

Em e-mails de 2011, a Oildrive, que tem Faerman como sócio, trata de uma excursão “enogastronômica” de seis dias com os então diretores Jorge Zelada, da área Internacional, e Renato de Souza Duque, de Serviços.

Anexadas a relatório de investigação interna da Petrobrás, as mensagens foram trocadas pelo empresário Luis Eduardo Barbosa da Silva, sócio de Faerman, com Sebastian Araújo, então executivo da Bredero Shaw, produtora de tubos para exploração de petróleo, com cópia para os então diretores da estatal. As comunicações foram encontradas na caixa do e-mail corporativo de Zelada quando a Petrobrás apurava a suspeita de vazamento de informações privilegiadas à SBM.

O relatório diz não ser possível confirmar “a efetiva ocorrência da viagem, bem como quem teria pago pelas despesas dos empregados e esposas”. Há, porém, a ressalva de que os então diretores não estavam na empresa nos dias da viagem. “Há registro de férias para o diretor Duque no período de 31/5 a 3/6 e para o diretor Zelada de 1 a 3/6.” O roteiro turístico ia do dia 31 de maio a 5 de junho – os dois últimos dias eram sábado e domingo.

POLÍCIA FEDERAL

O resultado da investigação foi enviado à Polícia Federal, às duas CPIs em curso no Congresso e à Controladoria-Geral da União, que investigam denúncias de que a SBM Offshore pagou propina a empregados da estatal para obter contratos de locação de plataformas flutuantes.

‘Amigos e vinhos’. A primeira das mensagens enviadas aos ex-diretores da Petrobrás, de 11 de abril, intitulada “Mendoza, Amigos e Vinhos”, apresenta a programação da viagem e pede confirmação do passeio. O roteiro, de seis dias, inclui visitas “às três melhores produtoras de vinho da Argentina” e experiências em restaurantes. Além disso, lista opcionais como cavalgadas, jogo de golfe e “relax em spa”.

Quatro dias depois, num outro e-mail, Barbosa pede para Sebastian dar prosseguimento na obtenção das reservas e informa a lista de confirmados. Além de Zelada, de Duque e das respectivas mulheres, constam Faerman, o sócio e mais quatro pessoas. Conforme a mensagem, o grupo viajaria do Rio para Buenos Aires em classe executiva no dia 31 de maio. De lá, seguiria para Mendoza.

 

Ideologia, eu também quero uma pra viver

Levante Popular
Marli Gonçalves
Andando por ai, tentando me livrar de uma tristeza que rondava e queria pegar meu calcanhar, encontrei uma passeata. No meio do caminho tinha uma passeata, tinha uma passeata no meio do caminho. Isso agora é comum por aqui, e com as mais variadas reivindicações. A que vi era de jovens felizes pedindo de um tudo, cantando e dançando, sem tanta polícia, na santa paz. Me lembraram Cazuza.

Avenida Paulista. Era feriado e São Paulo entregue a uma tarde modorrenta, tipo sabe como? Tipo – esse tipo aqui é tipo assim imitando a linguagem desses meninos que estão sentindo a ave piar, mas não sabem onde – tudo corria bem normal, até na ciclovia improvisada destes dias.

De repente eles apareceram à minha frente – um bloquinho de umas 400 pessoas meio que organizadas e divididas em quatro ou cinco colunas, alas, duas à frente do carro de som, outras seguindo atrás, onde ao fim traziam uma imensa bandeira, daquelas que precisa de um monte de gente pra carregar. Me lembraram o Brasil.



COLORIRAM O ASFALTO

Parei para ver a banda passar já que estava à toa na vida. Todos muito jovens, muito cabeludos, as meninas e os meninos; de todos os jeitos, lembro de muito xadrez, muita tatuagem, muito jeans, muito vermelho, algum amarfanhado, inclusive nas bandeiras. Alguns cobriam o rosto, mas mais por charme do amarrado de um lenço de marca: “Levante Popular”. Havia bandeiras de todas as cores, verde e amarelas, lilázes, faixas pintadas. Coloriram rapidamente o asfalto, fechando a avenida. Me lembraram os Doces Bárbaros.



Todos me pareceram do bem. Podiam até estar equivocados, mas eram do bem. Pediam liberdade, mas usavam camisetas do Che, carregavam fotos do Chávez e do Maduro da Venezuela. Falavam em Constituinte, em socialismo, em libertar a América do Sul, e me fizeram lembrar de Belchior. Entendi que para eles importava o mover, o Levante, levante popular, o nome do grupo, como me pareceu, sob o comando de um líder ao megafone. Importava o pedir, e eles usavam novas rimas. Paravam, dançavam, pulavam.

Me lembraram as marchas evangélicas. 

Inclusive, chamou minha atenção o número de bandeiras do Movimento dos Sem Terra e sem Teto, sem alguma coisa. Haverá uma lojinha onde se compram adereços de protesto? Porque os que as carregavam não o eram, não me pareceram nem sem teto, nem sem terra. Me lembraram da amargura de Gonzaguinha.



DEU NO QUE DEU…

Sei que pediam de um tudo, porque os vi passar, cada qual também com sua palavra de ordem particular. Sob o som da bateria, me lembraram de uma escola, de samba, mas também da Educação, um dos seus temas.

 Me emocionaram e, de verdade, umas teimosas correram pelo rosto. Também quero. Queria achar, mais do que uma turma para fechar a Avenida Paulista, uma ideologia para chamar de minha, porque as que eu tinha minguaram. Senti essa falta. Fui pra política, estive na fundação do PT, deu no que deu, pensei na guerrilha, deu no que deu, larguei, voltei-me para o rock, para o feminismo, para a libertação sexual. Deu no que deu. Depois, para a ecologia. Deu no que deu.

Hoje milito num campo perigosamente minado, de jornalismo, mas minado porque preciso andar em ziguezague – ora rezo com a esquerda, outras, me alinho ao centro; e os opositores, pobres de espírito, acusam como direita. 

Nada está completo para uma devoção, para uma entrega, para uma torcida. Nem de lá nem de cá. É solitário e desolador ver o nível de desentendimento das coisas, mesmo as mínimas, aquelas que deveriam juntar todos nós.



Quero uma ideologia particular, e acabarei qualquer hora criando uma, se já não estou há muito tempo tentando. Porque ideologia só cresce na argumentação, que arregimenta e fortalece até virar mais comum e aceita. Escrevo e te conto o que penso – quem sabe você também está por perto esperando uma passeata.

Mas ela, a ideologia, precisa, antes, nascer. Para que a gente possa por ela se apaixonar e criá-la para que fique forte. Já comprei binóculo, procuro lunetas e até agora ainda não as vi no horizonte. Com lupa, nas letras que leio, também não. 

E eu quero uma para viver. Adoraria poder cantar e dançar por ela.

(texto enviado por Sergio Caldieri)

Quem ficou com o aumento da produtividade das empresas nos últimos 30 anos?

Martim Berto Fuchs

Vamos fazer um cálculo simples sobre produtividade, a partir da relação entre uma produção e os fatores econômicos empregados nela incidentes.

“Tunga” através dos impostos, do governo sobre o PIB:
1984 = 20%
2002 = 30%
2014 = 40%

Exemplo hipotético de um produto industrial em 1984:
Custo = 100%, sendo:
Impostos = 20% (1984)
Matéria-prima = 50%
Mão de obra = 20%
Despesas gerais = 10%

Quem ficou com o aumento da produtividade que houve nas empresas neste período?
– O empresário?
– O empregado?
– Ou o governo?

O verdadeiro problema brasileiro chama-se custo do setor público e não a falta de produtividade ou a massa de salários das empresas privadas.

Enganações, padrão Brasil e padrão Fifa

Chico Maia
O Tempo
A Holanda acabava de empatar e perguntei ao doutor Antônio Bahia Neto, um dos grandes nomes da nova safra da cardiologia mineira, se os comandados do Louis Van Gaal aguentariam a prorrogação. Eram 39min do segundo tempo, depois de uma pauleira contra o México – que estava sabendo tirar proveito técnico e físico de jogar na América do Sul –, com temperatura acima de 30°C e a umidade de Fortaleza, uma das mais belas e quentes cidades do Nordeste brasileiro.
Com minúcias e ressalvas necessárias, Bahia mal terminava de explicar as dificuldades de um europeu dos países baixos nessas condições quando Robben sofria o pênalti que faria a Holanda chegar aos 2 a 1. Ufa! Estava salva a sequência da Copa, no que se refere à disputa entre europeus e sul-americanos nos Mundiais. Eles nunca ganharam um título em nosso continente. Assim como foi salva a imagem de Luiz Felipe Scolari e comandados contra o Chile no sábado. O técnico Jorge Sampaoli foi embora indignado, dizendo que não merecia sair do Mundial dessa forma. Engano dele: se tivesse treinado melhor as cobranças de pênalti não teria sido eliminado. Talvez tenha faltado apenas essa circunstância ao excelente trabalho dele à frente da “Roja”.
Dano
Mas, mesmo salva, a imagem de Scolari e jogadores saiu gravemente arranhada, e a suspeição quanto à superioridade deles entrou no lugar do título já ganho previamente nas palavras do treinador imediatamente à convocação dos 23 para este Mundial. Foram patéticas as cenas de Scolari perdido entre o término do tempo regulamentar, a prorrogação e as cobranças das penalidades. Estava no rosto que ele não sabia o que fazer.
Salve-se quem puder!
Saindo da sua discrição habitual, Parreira orientava os jogadores e ao próprio treinador, enquanto o capitão do time, o zagueiro mais caro do mundo, Thiago Silva, sentado sobre a bola, chorava copiosamente e recebia força moral do reserva Paulinho. Que capitão! Enquanto isso, o goleiro Victor “emprestava” ao companheiro Julio Cesar o terço usado naquele mesmo gol na final contra o Olimpia pela Libertadores do ano passado.
Máscara que cai
A seleção brasileira pode embalar e ser campeã, mas está provado outra vez que arrogância e mentiras não funcionam quando se deparam com um adversário qualificado dentro e fora de campo. E não satisfeito com o seu teatro fracassado, Felipão ainda quis se postar de vítima na entrevista coletiva depois do jogo, dizendo que estamos sendo “bonzinhos” demais com as seleções estrangeiras.

 

Aumenta o escândalo: Empresa SBM recebeu informações sigilosas da Petrobrás

Fábio Frabrini e Fábio Brandt

Estadão 

Executivos da empresa holandesa SBM Offshore tiveram acesso a informações sigilosas sobre negócios da Petrobrás. Acusado de pagar propina a empregados da estatal, o ex-representante da empresa no Brasil Julio Faerman repassou a altos funcionários na Europa o conteúdo de documentos internos sobre questões estratégicas da companhia petrolífera.

Conforme relatório de investigação da Petrobrás sobre o caso, obtido pelo Estadão, em 10 de junho de 2009 Faerman enviou para o diretor da SBM Michael Wyllie um e-mail com o conteúdo de documento interno que solicitava à Diretoria Executiva da Petrobrás autorização para contratar serviços na unidade de liquefação de gás natural embarcada (GNLE) em dois blocos do Pré-Sal na Bacia de Santos.

Em outro e-mail, intitulado “Confidencial”, de 28 de outubro de 2010, Faerman informou a Francis Blanchelande, chefe da área operacional da SBM, decisão da Diretoria Executiva de contratar uma embarcação da empresa McDermott. Na mensagem, anexou um documento interno da área de Exploração e Produção de Petróleo da Petrobrás, responsável pelos contratos de afretamento.

Em 18 de abril de 2011, o executivo Jean-Philippe Laures enviou ao CEO da SBM, Tony Mace, e outros dois altos funcionários da empresa o Plano Diretor do Pré-Sal, aprovado pela Diretoria Executiva da empresa havia um mês.

RELATÓRIO FINAL

As trocas de mensagens foram selecionadas pela SBM e apresentadas à comissão destacada pela Petrobrás para investigar as denúncias de suborno. No relatório final dos trabalhos, a estatal registra a existência de “informações confidenciais” entre documentos internos da SBM, “ainda que não haja evidências de que tenham sido obtidas por meio de pagamentos a empregados da Petrobrás”. “Não foi possível identificar o responsável por fornecer informações contidas nos documentos internos”, concluiu a equipe.

Embora seja o autor de alguns dos e-mails, em depoimento, Faerman disse não saber como documentos confidenciais da estatal poderiam estar na SBM e negou que passava à empresa informações privilegiadas obtidas na Petrobrás.

Funcionários da SBM, que também abriu investigação sobre as denúncias, descreveram Faerman como um representante que tinha contatos “high level” (de alto nível) à equipe de investigação da Petrobrás. Entre os diretores mais procurados, constam José Antônio de Figueiredo, de Engenharia, Tecnologia e Materiais; e Renato de Souza Duque, que chefiou a área de Serviços até abril de 2012. Este último foi visitado ao menos 30 vezes por representantes da SBM entre 2005 e 2011, embora tenha relatado, em entrevista, a “baixa frequência dos contatos”. “(Duque) Informou que recebia muitas visitas de empresas, mas que da SBM foram poucas”, diz relatório da estatal.

Procurada, a SBM não se pronunciou sobre o vazamento de informações da Petrobrás. À equipe da estatal, relatou ter detectado “red flags” (bandeiras vermelhas) nos negócios de Faerman, a exemplo dos valores altos pagos, a título de “comissões” pela obtenção de contratos, às empresas dele no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Contudo, informou não ter encontrado prova de suborno na companhia petrolífera brasileira.