Ministro do STF nega prisão domiciliar a João Paulo Cunha

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João Paulo Cunha vai ficar na Papuda

Renato Araújo
Agência Brasil

O relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, negou o pedido de prisão domiciliar feito pelo ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, condenado a 6 anos e 4 meses de prisão.

Por ter trabalhado e estudado no período em que esteve preso, Cunha descontou dias de sua pena e antecipou o cumprimento de um sexto do total, pré-requisito para o pedido de progressão, segundo Barroso. Somado ao bom comportamento, isso lhe garantiria o direito à prisão domiciliar.

O ministro, no entanto, negou o pedido dizendo que, diferentemente de outros condenados do processo do mensalão, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Sores –condenados somente por corrupção–, João Paulo também foi considerado culpado por desviar dinheiro público (peculato).

Devido a isso, o ministro entende que a progressão de regime só é possível após João Paulo devolver aos cofres públicos o que desviou: R$ 536 mil.

A decisão de Barroso está de acordo com um parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que havia se manifestado contrariamente à progressão de João Paulo alegando justamente a necessidade de ressarcimento aos cofres públicos.

“INCONSTITUCIONAL”

No mês passado, após o parecer de Janot, os advogados de João Paulo enviaram uma manifestação ao STF dizendo que o condicionamento da progressão de regime ao pagamento dos valores desviados era inconstitucional, devendo haver a liberação do preso e posterior ação própria para o ressarcimento do erário.

Barroso, ao rebater o argumento, lembrou que durante o julgamento do mensalão a própria defesa apresentou um recurso à condenação questionando o valor desviado pensando, justamente, na necessidade de devolução do dinheiro para obter a progressão de regime.

“Embora a defesa alegue, (…) a inconstitucionalidade da medida (…) foi a própria defesa que opôs embargos declaratórios para que a Corte deixasse consignado o valor devido para fins [de pagamento visando uma eventual progressão de regime]”, diz trecho do voto.

Como a decisão de Barroso foi individual, a defesa de João Paulo pode recorrer ao plenário do STF para tentar revertê-la.

Produção industrial cai em 16 das 24 atividades pesquisadas

Agência Brasil
Dezesseis das 24 atividades industriais pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tiveram queda na produção na passagem de setembro para outubro deste ano. A principal queda foi observada na indústria farmacêutica (-9,7%), setor que havia apresentado alta no mês anterior (10,1%).

Com um recuo de 2,2%, os veículos automotores tiveram o segundo maior impacto negativo na indústria brasileira. Outras atividades com quedas importantes na produção foram minerais não metálicos (-2,1%), borracha e plástico (-1,7%), calçados (-3,2%) e fumo (-6,2%).

Dois setores mantiveram-se estáveis, assim como a indústria geral: indústrias extrativas e produtos de metal. Seis atividades tiveram crescimento na produção, com destaque para produtos alimentícios (2,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (4,7%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (0,9%).

Faz sucesso na web o drama do gerente honesto da Petrobras

Gésio alertou Graça Foster e acabou sendo punido

Raquel Landim
Folha

O engenheiro Gesio Rangel de Andrade foi “colocado na geladeira” na Petrobras por se opor ao superfaturamento da obra do gasoduto Urucu-Manaus, na Amazônia. A afirmação é de Rosane França, viúva de Gesio, que morreu há dois anos, vítima de ataque cardíaco.

Segundo ela, pessoas da estatal tentaram constranger seu marido a aprovar aditivos para a obra. Ele não concordou e foi exonerado do cargo, permanecendo por dois anos sem qualquer função.

Os gastos com o gasoduto Urucu-Manaus estouraram todas as previsões. A área técnica estimou a obra em R$ 1,2 bilhão, mas o contrato foi fechado por R$ 2,4 bilhão, após pressão das construtoras.

O gasoduto demorou três anos para ficar pronto e o custo chegou a R$ 4,48 bilhões. A estatal aprovou um aditivo de R$ 563 milhões para um dos trechos, praticamente o valor daquele contrato.

Com 663 quilômetros, o gasoduto transporta gás natural produzido pela Petrobras em Urucu até as termelétricas da Amazônia. O gás substitui parte do óleo diesel queimado pelas usinas, reduzindo o custo da energia.

Gesio era o gerente-geral da obra do gasoduto. Segundo Rosane, o marido alertou Graça Foster, que ocupou o cargo de diretora de Gás e Energia.

A viúva não cita nomes, mas em e-mails enviados aos seus superiores, aos quais a reportagem teve acesso, Gesio reclama da diretoria de engenharia, comandava por Renato Duque, que negociava com as empreiteiras.

A Petrobras informou em nota que o gasoduto é um “empreendimento lucrativo” e que foi preciso “alterar a metodologia de construção devido às condições adversas na Amazônia”. As construtoras não se manifestaram.

O TCU investigou o caso, mas não encontrou indícios de superfaturamento por conta da dificuldade de compará-lo com obras semelhantes. O órgão detectou falhas graves no projeto feito pela engenharia da Petrobras. O caso ainda está em análise.

ENTREVISTA

Ex-funcionária da Petrobras, Rosane França, 56, diz que não sabe de casos de corrupção na estatal, mas que “sempre tinha alguém recebendo uma herança”. A família move ação trabalhista contra a Petrobras. Leia trechos da entrevista:

– Qual é a relação da sua família com a Petrobras?
Entrei para a companhia em 1980 e o Gesio já trabalha lá desde 1976. Casamos em 1986 e tivemos três filhos. Gesio fez carreira na Petrobras e se tornou referência na área de gás natural. Até que foi convidado para ser o gerente do gasoduto Urucu-Manaus.

– O que aconteceu?
Foram realizadas três licitações. Duas foram canceladas por preços excessivos cobrados pelas construtoras, e a terceira foi feita à revelia do Gesio. É claro que tinha a pressão das empreiteiras, mas quando profissionais da sua empresa dizem que você tem que aceitar, é pressão interna. Ele recebia recados de que o projeto não andava por causa dele e algumas decisões foram impostas.

– Por que Gesio era contra aditivos para a obra?
O preço que a Petrobras aceitou já estava superfaturado. Era mais caro do que fazer gasoduto na Europa com alemão trabalhando. Como ele ia assinar algo que seria contestado pelo TCU?

– Quem estava pressionando o Gesio dentro da Petrobras?
Não vou citar nomes.

– Ele soube de corrupção?
É claro que eu ouvia desabafos. Nunca soubemos de um caso de corrupção, mas é lógico que você percebe que fulano viaja com os filhos para fora do país três vezes por ano. Sempre tinha alguém recebendo uma herança.

– Gesio foi exonerado do comando da obra do gasoduto no fim de 2007. Por quê?
Ele foi exonerado no meio da noite, quando o diretor de gás e energia [Ildo Sauer] saiu e antes do sucessor [Graça Foster] entrar. Ele ficou como consultor informal da nova diretoria por alguns meses até que foi afastado de vez.

– Gesio alertou seus superiores –Ildo Sauer e Graça Foster– do que estava ocorrendo?
Sim. O primeiro fazia parte da tropa de choque que queria brecar o superfaturamento da obra. Depois, ele informou o que estava ocorrendo para a nova diretoria.

– O salário dele caiu? O que aconteceu com o padrão de vida da família?
Foi muito duro. No final, ele recebia 50% a menos. Foi nessa época que entramos com um processo na Justiça do Trabalho. Morávamos num apartamento alugado, mas tivemos que voltar para o imóvel que ele vivia quando era solteiro. Não sobrava dinheiro para trocar de carro. Ele chegava no estacionamento da Petrobras e o pessoal ficava sacaneando. “E aí, Gesio? Não vai trocar de carro? Tá na hora.”

– Por que ele não preferiu ignorar os problemas?
Ele era honesto. Era um homem humilde, que foi educado para ser honesto e sofreu muito por isso. Encontrou muitas pessoas que não eram assim. Ele queria fazer as obras pelo menor preço e foi colocado na geladeira.

– Você pretende mover outro processo contra a Petrobras?
Ele pretendia processar a empresa por danos morais quando se aposentasse. Como o caso começou a vir à tona, estamos estudando essa possibilidade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEsta entrevista foi publicada em 17 de abril deste ano, antes, portanto, da Operação Lava Jato. O texto circula pela internet e ganha cada vez mais leitura, porque mostra que Graça Foster, antes de ser presidente, já sabia das irregularidades e da atuação de Renato Duque. O texto nos foi enviado pelo sempre atento comentarista Mário Assis. Já havíamos publicado aqui, mas vale a pena ler de novo.  (C.N)

MST acha Dilma pior que Sarney e exige 120 mil assentamentos

Se depender do apoio do MST, Dilma está mal arranjada

Luciana Lima
iG Brasília

Depois do apoio dado à campanha para a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) apresenta a fatura ao governo. Além de repudiar a indicação da senadora Kátia Abreu para comandar o Ministério da Agricultura, as lideranças do MST exigem que, até julho do próximo ano, a presidente zere a demanda imediata do movimento e assente no campo 120 mil famílias.

O pedido já foi levado ao governo pelas lideranças do movimento em conversas com Miguel Rossetto, atual ministro do Desenvolvimento Agrário, que deverá se ocupar oficialmente, a partir de janeiro, da relação do governo com movimentos sociais, função principal da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Além disso, o movimento busca um acordo com o governo para que seja estabelecida uma meta de assentar, a cada ano do segundo mandato, pelo menos 50 mil famílias, ponto que o governo resiste em atender.

“Já conversamos sobre isso com o Rossetto. A gente quer que ela construa com todos os outros movimentos do campo um plano de metas. O Ministério não quer fazer um plano de metas, o Incra não quer fazer um plano de metas, porque tem medo de não cumprir as metas. Nós acreditamos que para resolver o problema das desapropriações tem que ter um plano de metas. Da nossa parte, neste plano de metas, vamos pedir que pelo menos 50 mil famílias sejam assentadas, a cada ano, até o final do mandato dela”, criticou um dos coordenadores nacionais do MST, Alexandre Conceição, em entrevista ao iG.

CRÍTICAS A DILMA

Conceição não poupou críticas ao tratamento dado pela gestão de Dilma no primeiro mandato à reforma agrária. “Dilma foi pior que Sarney”, comparou, referindo-se à média de 23 mil famílias assentadas a cada ano, marca do governo de Dilma.

“Sempre tivemos uma relação de cobrança de nossa pauta seja qualquer governo. No quesito reforma agrária, o governo Dilma é um dos piores. Dilma foi pior que Sarney. Ela apresentou no ano passado 100 decretos, que não chegaram a assentar 20 mil famílias. A média da presidente tem sido assentar 23 mil famílias por ano, uma das piores de todos os presidentes após a redemocratização do Brasil”, criticou Conceição.

“Diálogo a gente tem muito, conversa conversa, conversa. Mas o atendimento da pauta da reforma agrária tem sido muito aquém do desejado”, reclamou.

O MST reconhece, no entanto que, no primeiro mandato de Dilma, houve ações importantes para que os assentamentos já existentes prosperassem economicamente. Entre as políticas desenvolvidas, Conceição aponta o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). “Isso ajudou a fortalecer os assentamentos porque criou o preço mínimo, criou o mercado direto com os produtores rurais, sem o atravessador”, ponderou.

“Agora queremos avançar no programa de agroindústria sob controle dos camponeses, que podem, a partir de sua produção, agregar mais valor aos produtos”, disse Conceição.

CLIMA TENSO

O convite feito por Dilma à senadora Kátia Abreu para assumir o Ministério da Agricultura serviu para piorar o ambiente de diálogo com o governo. Irritou ainda mais a notícia de que a senadora tem intenção de incluir assentados em políticas desenvolvidas pela pasta para atingir grandes, médios e pequenos agricultores. “Não queremos nada que venha desta mulher”, diz Conceição.

“Cabe a ela (Dilma) nomear e assumir as consequências de cada nomeação que ela fizer”, comentou o coordenador.

Será o Brasil um país de merda? Leia e conclua.

André Vargas ficará impune

Celso Serra

Observe o caso dos deputados André Vargas (ex-PT-PR) e Luiz Argôlo (SDD-BA). Ficou enorme a possibilidade deles se livrarem da cassação de seus mandatos, podendo assim manter seus direitos políticos intactos ao fim do ano legislativo, em dezembro, e voltar a se candidatar.

Os dois foram envolvidos nos rolos do doleiro Alberto Youssef. Após manobras diversas e longa procrastinação que nada teve de inocente, tiveram sua cassação recomendada pelo Conselho de Ética (?) da Câmara Federal. Existe? E agora, para onde vai a carroça de lama ?

Luiz Argôlo, também impune

FICHA LIMPA

Por “falta de tempo”, pois a legislatura termina a 31 de janeiro, os dois têm tudo para passar o Natal em casa como ex-deputados com ficha limpa no Congresso e, se assim permanecerão, até que nossa a Justiça, que caminha à passos de cágado tetraplégico, resolva em contrário. Isso, só o tempo dirá.

O fato de serem peixes aparentemente pequenos, no oceano de malfeitos dos governos do PT, parece os relegar a um conveniente e seguro espaço de impunidade. É por isso que aumenta, a cada dia, a convicção que Paulo Maluf é a ficha mais limpa de nossos políticos.

Será que o Brasil é um país de merda ?

Uma genial canção de amor, composta por Fernando Lobo

O jornalista, radialista e compositor pernambucano Fernando de Castro Lobo (1915-1996), ao compor “Chuvas de Verão”, retratou na letra o clima de confissões amorosas que prolongavam ou encerravam romances iniciados nos ambientes das boites dos anos 40 e 50.

A música, gravada originalmente por Francisco Alves, em 1949, pela Odeon, talvez não se tornasse um clássico, conforme reconheceu o próprio Fernando Lobo, não fora a versão gravada por Caetano Veloso, vinte anos depois.

Caetano Veloso, juntou a beleza já existente na composição ao clima de rompimento amoroso, com uma delicadeza de tratamento que faltou à gravação original; a canção tem seu momento culminante no verso que repete o título, definindo com lirismo e precisão a transitoriedade dos romances de ocasião.

CHUVAS DE VERÃO
Fernando Lobo

Podemos ser amigos simplesmente
Coisas do amor nunca mais
Amores do passado, do presente
Repetem velhos temas tão banais

Ressentimentos passam como o vento
São coisas de momento
São chuvas de verão

Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão

Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais

Podemos ser amigos simplesmente
Amigos, simplesmente, nada mais

      (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

 

Esquema da corrupção na Petrobras tinha muitos operadores

Deu no Estadão

Uma rede de operadores funcionava como correia de transmissão entre contratos superfaturados, empreiteiras e partidos políticos no escândalo da Petrobrás. Para a força-tarefa da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef hoje já não é mais visto como o “funil”exclusivo no esquema de corrupção para quem confluíam as propinas antes da pulverização.

Nos últimos dias, a força-tarefa da Operação Lava Jato passou a investigar um homem apontado como o segundo operador do PP no esquema. Henry Hoyer de Carvalho, de 64 anos, identificado como Henry pelo doleiro em depoimento à Justiça Federal, é sócio em duas empresas e já foi assessor do ex-senador Ney Suassuna (PSL-PB).

Seu nome também havia sido identificado pela Polícia Federal nas agendas do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa antes do depoimento de Youssef. “Reunião com Maurício e Henry 6/9/12”, anotou Costa em uma agenda de 2012 e 2013 apreendida na Lava Jato.

BARRA GARDEN

Na agenda foi anotado um endereço atrás do Shopping Barra Garden, no Rio,onde teria ocorrido o encontro, que a PF identificou como sendo de “Henry Hoyer de Carvalho, ex-assessor do senador Ney Suassuna em 2006”. A existência de um segundo captador de propina a serviço do PP, somada aos operadores do PMDB, indica que a extensão, cifras desviadas e patentes dos envolvidos exigiam uma organização quase industrial para manter o esquema em funcionamento, segundo os investigadores.

Henry consta como diretor executivo da Associação Comercial e Industrial da Barra da Tijuca (Acibarra), presidida há anos por Suassuna. De abril a novembro de 2005, ele foi assessor no gabinete do ex-senador. Os dois também foram sócios em duas empresas: Sunisa S/A, uma holding de instituições não financeiras, e Rivertec Informática. Ambas já foram fechadas, conforme registros da Receita Federal.

Henry foi exonerado do gabinete de Suassuna no Senado em 2005, quando o então líder do PMDB foi investigado por supostamente favorecer a Empresa Brasileira de Assessoria e Consultoria (Embrasc) em contrato assinado com a Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio (Cedae), em 2000. Conforme os procuradores, um dos intermediários do negócio foi Henry. Em junho de 2013, o Supremo Tribunal Federal acatou pedido da defesa de Suassuna e extinguiu a punibilidade no caso por prescrição de prazo.

Hoje, Henryé sócio do Centroshopping Participações Ltda, em Vitória, e do escritório de cobrança Unidos. Seu endereço é uma mansão na Barra da Tijuca.

OUTROS OPERADORES

Em depoimento em 8 de agosto, na Justiça Federal, em Curitiba, onde estão os processos da Lava Jato, Youssef confessou ser operador do PP em nome do ex-deputado José Janene (PP-PR) –morto em 2010 –e indicou um segundo movimentador de propina. Os dois atuavam nos contratos bilionários da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás. Por meio dela, que foi assumida por Costa em 2004, a pedido de Janene, o PP recolhia 1% de todos os grandes contratos da área na estatal.

E desses 1% da Diretoria de Abastecimento, era o senhor que fazia a distribuição?”, perguntou na audiência o juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato. “Sim, senhor. Grande parte disso era eu que operava, mais a frente também tinha outros operadores”, respondeu Youssef.

O magistrado perguntou quais seriam os outros operadores”.Tinha Fernando Soares (o Fernando Baiano), que operava com Paulo Roberto Costa, para o PMDB. E tinha um outro que se chamava Henry, que também operava quando o Partido Progressista perdeu a liderança. Aqueles líderes antigos, da turma do sr. José (Janene), perderam a liderança, aí entrou esta pessoa Henry pra que pudesse fazer operações pra eles”, afirmou.

SUASSUNA NÃO SABE DE NADA

Durante a semana o Estado tentou contato com Henry em sua casa, na Acibarra e em suas empresas, mas ele não ligou de volta. O jornal enviou perguntas por e-mail, sem resposta. Uma pessoa que atendeu a reportagem na quarta-feira na casa do empresário afirmou que ele estava numa festa e orientou a ligar na quinta. No mesmo dia, a Acibarra promovia um evento. Na manhã seguinte, a informação era que ele não morava mais lá.

Suassuna afirmou que, embora o nome de Henry conste como diretor da Acibarra,“ele não aparece lá faz tempo”. “É uma pessoa que conheci. Tive sociedade com ele e ele foi meu assessor. Depois que ele quebrou como empresário, eu não tive mais contato”, afirmou. Sobre a citação ao nome do ex-sócio na Lava Jato, Suassuna disse: “Não sei nada disso, mas não acredito. Não o vejo com envergadura para estar envolvido nisso”.

Ex-diretor da Assembleia do Paraná é preso com os filhos

Adib Miguel operava esquema que desviou R$ 200 milhões

Deu na Folha

O ex-diretor geral da Assembleia Legislativa do Paraná, acusado de ajudar a desviar R$ 200 milhões da instituição entre 2000 e 2010, foi preso com R$ 70 mil em dinheiro no aeroporto de Brasília, na manhã de sexta-feira (28).

Abib Miguel, conhecido como Bibinho, é réu em ações que o acusam de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, entre outros crimes. Segundo o Ministério Público, ele comandava a contratação de funcionários fantasmas para efetuar o desvio de dinheiro público.

Ele já foi condenado a 37 anos de prisão neste ano, em duas ações relativas ao caso, mas está recorrendo das decisões. Sua defesa nega que tenha havido desvios.

Desta vez, Miguel foi preso sob suspeita de utilizar empresas de fachada e laranjas para movimentar bens e dinheiro.

“O intuito dele era se safar de qualquer pretensão do estado em reaver o dinheiro desviado”, comenta o promotor Leonir Batisti, do Ministério Público do Paraná.

FILHOS ERAM CÚMPLICES

Miguel foi preso com outras quatro pessoas, suspeitas de serem seus sócios e laranjas. Entre elas, estão dois de seus filhos: Luciana de Lara Abib, 30, e Eduardo Miguel Abib, 32. A prisão é temporária, válida por cinco dias (ou seja, até esta terça-feira, 2).

Pelo menos cinco empresas de fachada eram usadas para ocultar o dinheiro de Bibinho desde 2010, de acordo com os promotores. Boa parte desses valores, afirmam, foi desviada da Assembleia.

Os R$ 70 mil apreendidos no momento de sua prisão eram rendimentos de sua fazenda em Goiás, que, segundo o Ministério Público, também funcionou para lavar parte do dinheiro desviado da Assembleia.

SEGREDO DE JUSTIÇA

O advogado de Miguel, Eurolino dos Reis, informou que não iria se manifestar porque a investigação corre em segredo de Justiça. Sobre as acusações que pesam contra seu cliente, disse apenas que são “fantasiosas” e que está recorrendo das condenações.

Em 2010, quando o esquema de desvio foi revelado pelo jornal “Gazeta do Povo”, Bibinho chegou a ficar cerca de seis meses preso, mas foi solto após decisões do STF (Supremo Tribunal Federal).

Atualmente, Miguel é funcionário aposentado da Assembleia e continua a receber R$ 20 mil mensais, líquidos.

Eduardo Jorge, do PV, critica escolhas de Levy e Kátia Abreu

Deu no Estado de Minas

O resultado das eleições foi uma decepção para Eduardo Jorge (PV), que terminou a disputa em sexto lugar, com apenas 630 mil votos (0,61%). A expectativa dele e do partido era maior, principalmente levando em conta o frenesi gerado pelo ex-deputado e médico sanitarista com suas respostas fora do lugar-comum no Twitter – que ele mesmo administra – e também pela sinceridade prosaica adotada nos debates televisivos.

“Quando chegou no finzinho, na hora H, na rodada final, o voto útil tirou 1,5 milhão da minha candidatura”, lamentou o candidato derrotado à Presidência, que esteve em Belo Horizonte na semana passada para receber uma medalha da Câmara Municipal.

Eduardo Jorge explicou que o PV ainda não definiu o posicionamento em relação aos “próximos quatro anos do presidencialismo imperial do Brasil”. Garantiu que fará uma oposição construtiva, mas de uma só tacada criticou os futuros ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e da Agricultura, Kátia Abreu.

O senhor foi muito criticado por parte de seus eleitores por ter apoiado o candidato derrotado Aécio Neves (PSDB) no segundo turno…

Apoiamos o Aécio no segundo turno porque o diretório decidiu por 33 votos a seis. O Aécio e a Dilma, nós dizíamos, são muito parecidos, com política econômica e social, mas porque brigam tanto? Para se diferenciarem. Isso é marketing e para ganhar tem que ter voto. Eu falei uma vez para o Aécio em um debate: ‘para diferenciar você da Dilma e da Marina eu tenho que usar uma lente’. Quando declarei o apoio, eu disse para ele (Aécio), em frente a 3 mil tucanos, que sabia que ele e a Dilma eram muito parecidos do ponto de vista político-econômico e social. E agora está provado, pois a Dilma acabou de escolher um Armínio Fraga sem a inteligência do Armínio Fraga: o Joaquim Levy.

Se são tão iguais, porque escolheu um deles?

A diferença entre a Dilma e o Aécio é que o PSDB tem mais abertura para a questão ambiental que o PT. O PT é muito ligado a petróleo e a automóvel. Parece algo genético e eles não se libertam disso. O segundo ponto é que eu acho a relação do PSDB com o estado, com a democracia, é uma postura mais aberta que o PT. O PT tem uma postura muito fechada. Acima de tudo é o interesse do partido. Primeiro o partido, depois o povo e depois o país.

Como avalia a nomeação da ministra Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura?

A Kátia Abreu, do ponto de vista do PV, nós temos dificuldade de lidar, pois ela é uma entusiasta dos bois e é entusiasta da soja, que são duas coisas que causam um grande desmatamento no Brasil e que são do ponto de vista econômico falsamente eficientes. O Brasil tem hoje 240 milhões de bois. Tem mais bois do que homens e mulheres no Brasil. Eles (os bois) são altamente ineficientes do ponto de vista energético e da alimentação, além de serem devastadores da mata atlântica e do cerrado e da Amazônia. Isso significa aquecimento global e prejuízo para toda a humanidade. Se ela for ministra e quiser conversar conosco, conversaremos. Mas do ponto de vista agrícola a paixão do PV é a agricultura familiar e orgânica. Isso não negamos. Está no nosso programa.

Pretende ser candidato à Prefeitura de São Paulo ou a outro cargo?

Eu já fui voluntário nessa campanha e nem pensava em ser candidato mais, pois fui deputado por 20 anos e tenho família e trabalho e sinto que dei minha contribuição à política brasileira. Por enquanto, para mim, está bom. Vou ficar assim. Trabalhando no meu cargo de médico concursado da Secretaria Estadual de Saúde. Gosto disso e preciso também.

Armando Monteiro será o novo ministro do Desenvolvimento

Armando Monteiro

Monteiro perdeu eleição e ganhou ministério

Paulo Victor Chagas
Agência Brasil

O senador Armando de Queiroz Monteiro Neto será o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O nome do parlamentar do PTB de Pernambuco foi anunciado, há pouco, no Palácio do Planalto. Ele assumirá o lugar ocupado hoje por Mauro Borges.

Por meio de nota, a presidenta Dilma Rousseff agradeceu a dedicação e lealdade de Mauro Borges e acrescentou que ele permanece no ministério até que sejam concluídas a transição e a formação da nova equipe.

O novo ministro nasceu, em 1952, no Recife e descende de uma tradicional família de políticos pernambucanos. Seu pai, Armando Monteiro Filho, foi ministro da Agricultura de João Goulart. O avô, Agamenon Magalhães, foi governador de Pernambuco. Antes de entrar na política, exerceu atividades como administrador de empresas, industrial e advogado.

Armando Monteiro iniciou a vida política em 1990, como filiado ao PSDB. Em 1997, deixou a legenda tucana e filiou-se ao PMDB, partido pelo qual conquistou, em 1998, o primeiro mandato de deputado federal. Em 2003, deixou o PMDB e vinculou-se ao PTB, reelegendo-se deputado federal em 2002 e em 2006. Em 2010, foi eleito senador pelo estado de Pernambuco, na chapa liderada pelo então candidato a governador Eduardo Campos. Neste ano, disputou o governo do estado, mas foi derrotado em  primeiro turno pelo candidato do PSB, Paulo Câmara. Ele também foi deputado estadual por três legislaturas.

EX-PRESIDENTE DA CNI

Entre 2002 e 2010, o senador presidiu a Confederação Nacional da Indústria (CNI). No mesmo período acumulou a presidência do Sesi e do Senai. Antes, chegou a dirigir o Conselho de Administração do Sebrae. Monteiro também foi presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco e do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de Pernambuco.

Como deputado e senador, Armando Monteiro atuou em defesa de temas como a geração de empregos, desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e fortalecimento das micro e pequenas empresas. No Senado, ele integra as comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Assuntos Econômicos (CAE) e Educação, Cultura e Esporte (CE).

Só dois parlamentares do PP não estão envolvidos no Petrolão

Andreza Matais e Fábio Fabrini
Estadão

O doleiro Alberto Youssef afirmou a investigadores da Operação Lava Jato que “só sobram dois no PP” em referência ao envolvimento de políticos do partido no esquema de corrupção na Petrobras. Youssef voltou a citar integrantes da sigla em delação premiada aos procuradores da força-tarefa que apura crimes relacionados a negócios da estatal. O doleiro é o principal acusado de lavar dinheiro desviado de contratos superfaturados da Petrobrás para a legenda.

O PP tem papel de protagonista no escândalo, segundo a investigação. A força-tarefa da Lava Jato acredita que os desvios na petrolífera ocorrem há pelos menos 15 anos. Mas foi o ex-deputado José Janene (PP-PR), réu no processo do mensalão morto em 2010, quem organizou a corrupção na estatal, fazendo com que as cúpulas das siglas envolvidas fossem beneficiadas diretamente.

Nas palavras de um investigador, “Janene transformou a corrupção no varejo em esquema de organização partidária”. O modelo que ele teria criado consistia em concentrar a negociação e o pagamento de propinas num diretor, e não mais em vários agentes públicos dentro da estatal.

PP, PT E PMDB

Em depoimentos no processo que tramita na Justiça Federal no Paraná, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro afirmaram que ao menos 1% do valor dos contratos da Diretoria de Abastecimento era repassado para o PP. A ideia teria sido copiada por PT e PMDB, os dois principais partidos da coalizão governista.

Caberá ao Supremo Tribunal Federal autorizar a investigação sobre o suposto envolvimento de autoridades com direito a foro privilegiado, como ministros de Estado e congressistas, no esquema da Petrobrás. O ministro do Supremo Teori Zavascki é o relator do processo. Os nomes dos políticos estão sendo citados em delações premiadas, cujo conteúdo integral está sob sigilo.

Com o fim da contribuição de Youssef, que prestou seu último depoimento na semana passada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pretende começar a pedir as primeiras aberturas de inquérito ao STF. Para Janot, já há elementos para que a participação de políticos seja apurada.

COMEÇOU EM 2004

De acordo com a investigação, o esquema organizado por Janene começou em 2004 – ocasião em que o PP emplacou Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da estatal – e funcionou ao menos até março deste ano, quando a Operação Lava Jato foi deflagrada pela Polícia Federal. Percorreu, portanto, dois governos e três legislaturas. Nesse período, o partido se tornou a quarta maior bancada da Câmara dos Deputados, com 40 representantes, e contou com cinco senadores. Atualmente, em bloco com o PROS, é a terceira maior força do Congresso Nacional.

Conforme revelou o jornal O Estado de S.Paulo, nos últimos dias, os investigadores da Lava Jato identificaram um homem apontado como o segundo operador do PP – além do doleiro Alberto Youssef – no esquema: Henry Hoyer de Carvalho, que já foi assessor do ex-senador e ex-líder do PMDB no Senado Ney Suassuna.

No governo Dilma Rousseff, o PP controla o Ministério das Cidades, uma das pastas de maior orçamento na Esplanada, responsável por obras de saneamento e pelo Programa Minha Casa Minha Vida.

TODOMUNDO CONHECIA…

O irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, Adarico Negromonte, é um dos investigados na Lava Jato, acusado de transportar dinheiro da propina para Youssef. Na sexta-feira, após ter a prisão temporária revogada pela Justiça, Adarico deixou a carceragem da Polícia Federal em Curitiba para responder ao processo em liberdade.

“O Congresso todo conhecia o Paulo Roberto (Costa). As evidências estão surgindo e ninguém mais pode duvidar disso”, disse à reportagem Mário Negromonte, que foi líder do partido na fase pós-Janene. Neste ano, ele se desfiliou do PP para assumir cargo de conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia.

O deputado federal reeleito Esperidião Amim (PP-SC) também avalia que o partido será atingido, mas os alvos, para ele, devem ser dirigentes antigos e não atuais da sigla.

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), não quis comentar a declaração de Youssef sobre o envolvimento do partido no esquema. Nogueira disse que, até o momento, “não há nada de oficial” que envolva parlamentares da legenda e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e prestar esclarecimentos.

 

Dilma deixa Brasil quase na lanterna do crescimento mundial

Deu no Estadão

O crescimento de 0,1% ou queda de 0,2% na atividade econômica brasileira no terceiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2013, anunciada  pelo IBGE, deixou o País quase na lanterna do crescimento mundial. De uma lista de 34 economias, o Brasil ocupou a 31.ª colocação, segundo levantamento da consultoria Austin Rating.

O desempenho brasileiro ficou abaixo do verificado em países como Grécia e Espanha, que ainda tentam se reerguer de crises severas, e foi o pior entre as grandes economias emergentes, que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

No topo do Brics, a China cresceu 7,3% no terceiro trimestre ante igual período do ano passado, enquanto a Índia teve alta de 5,3%. Já o Produto Interno Bruto (PIB) da África do Sul, que vive quadro de inflação elevada, juros altos e atividade em recuperação, teve aumento de 1,4%. A Rússia, mesmo às voltas com a crise geopolítica envolvendo a Ucrânia, avançou 0,7%.

O resultado brasileiro só não foi pior que a atividade de Itália, Japão e da própria Ucrânia.

POLÍTICA EQUIVOCADA

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, responsável pelo estudo, atribui a má colocação do Brasil à gestão equivocada da política econômica.

“Há profundos problemas na gestão da política econômica, com destaque para a atabalhoada política monetária de juros relativamente altos com inflação alta e atividade econômica em retração. Além, é claro, da política fiscal expansionista”, disse Agostini, em relatório.

A recuperação, defendeu o economista, depende de mais investimentos e novos acordos multilaterais, diversificando o leque de países parceiros em termos de comércio. Hoje, os grandes consumidores das exportações brasileiras são China (commodities) e Argentina (manufaturados), que passam por ajustes. “Esses países não deverão manter a mesma contribuição observada em anos anteriores.”

SETOR EXTERNO

No período de julho a setembro deste ano, o desempenho do setor externo foi favorável ao crescimento na comparação com igual período de 2013. O volume das exportações cresceu 3,8%, enquanto as importações tiveram avanço mais tímido, de 0,7%.

“As exportações cresceram mais que as importações. Tem quatro trimestres seguidos que a gente tem contribuição positiva do setor externo no crescimento”, disse Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com o segundo trimestre, porém, o setor externo tirou fôlego da economia, já que a lógica foi justamente inversa. As importações foram 2,4% maiores, enquanto os embarques avançaram 1%.

“Isso é resultado da baixa competitividade da indústria doméstica, que vivencia problemas do lado da oferta”, avaliou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno. A recente desvalorização do real ante o dólar, contudo, pode melhorar esse quadro, acrescentou Rostagno.

Presidente da Transpetro sai e Renan vai nomear o substituto

Autoritário, Machado era chamado de “coronel”

Deu no Estadão

O presidente licenciado da Transpetro, Sergio Machado, vai deixar definitivamente nesta semana o comando da subsidiária de logística e transportes da Petrobrás. Machado foi envolvido pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa em um esquema de corrupção na estatal petrolífera investigado pela Operação Lava Jato. A presidência da Transpetro, no entanto, deve continuar sob influência do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Machado se licenciou no dia 3, logo após a PriceWaterhouseCoopers, que audita o balanço da petroleira, ter se recusado a assinar o documento caso o presidente da Transpetro permanecesse no cargo. Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, no Paraná, Costa disse que recebeu R$ 500 mil em dinheiro das mãos de Machado, como parte do esquema de pagamento de propina envolvendo a Petrobrás (mais informações na pág. A9). Até agora, ele é o único dirigente do atual comando da estatal e subsidiárias que teve o nome relacionado diretamente ao esquema de propinas.

NOVO DEPOIMENTO

Sexta-feira, promotores do Ministério Público do Rio ouviram como testemunha o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa (que cumpre pena domiciliar na capital fluminense), em outro inquérito, de 2010, que investiga a “evolução patrimonial incompatível com a renda do presidente da Transpetro”.

Com a saída definitiva do executivo, o comando da Transpetro entrou na cota de negociação da presidente Dilma Rousseff para garantir apoio no Congresso no segundo mandato. Após negociações, o governo decidiu manter o cargo na cota do grupo de Renan, que era padrinho político de Machado.

Como o Estado mostrou no dia 11, empresas contratadas pela Transpetro financiaram a campanha de Renan ao Senado em 2010. A SS Administração e Serviços e a Rio Maguari Serviços e Transporte Rodoviário, que vão construir 20 barcaças destinadas ao transporte de etanol em São Paulo, doaram R$ 400 mil ao PMDB de Alagoas três meses antes de vencerem a concorrência. Renan defendeu a legalidade das doações e a Transpetro, descartando a irregularidades na contratação feita pela subsidiária da Petrobrás.

LICITAÇÃO FRAUDADA

Em uma ação de improbidade administrativa, o Ministério Público Federal acusa Machado de fraudar a licitação, no valor de US$ 239 milhões. Em outubro, o Ministério Público pediu à Justiça que decretasse seu afastamento do cargo e o bloqueio de seus bens.

Filho de tradicional família cearense de Crateús, o administrador de empresas e economista Sergio Machado, de 68 anos, tinha fama de coronel entre seus funcionários. Isso porque os executivos de sua equipe eram obrigados a estar disponíveis aos seus chamados a qualquer hora do dia ou da noite.

Quando contrariado, revelou um ex-funcionário, ele gritava: “Isso é um absurdo”, e dava um tapa na mesa. Quem trabalhava no andar da presidência sofria com a longa jornada de trabalho do executivo. Deixar a Transpetro antes do chefe não era bem visto. Machado chegava às 9 horas e saía à meia-noite. Mas era comum varar a madrugada trabalhando. Além disso, segundo funcionários, exigia extrema fidelidade da equipe.

Machado não recebia políticos em seu escritório. Mas embarcava religiosamente uma vez por semana para Brasília para costurar articulações com parlamentares. Já representantes do setor naval eram comumente vistos na Transpetro.

Paulo Roberto Costa ficará em silêncio na CPI, diz advogado

Paulo Roberto Costa nem precisa ir à CPI

Deu em O Tempo

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa não responderá as perguntas dos parlamentares das CPI mista que investiga a estatal, na próxima terça-feira (2).

Um requerimento aprovado pelo colegiado determinou uma acareação entre Costa e Nestor Cerveró, ex-diretor internacional da Petrobras. Paulo Roberto Costa teria citado o ex-colega em seu depoimento ao Ministério Público Federal. Cerveró nega ter praticado qualquer ilegalidade.

João Mestieri, advogado de Costa, esclarece que não há como impedir a ida de seu cliente ao Congresso, mas adianta que ele permanecerá em silêncio.  “Ele não pode falar e, ainda que pudesse, não deve. Ele é chamado lá por quê? Por que é bom para ele? Não. Ele vai fazer o quê?”, questionou Mestieri.

DELAÇÃO PREMIADA

Parlamentares favoráveis à convocação tinham a esperança de que o fim da delação premiada de Costa -já homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal)- facilitasse o depoimento. O advogado do ex-diretor, no entanto, lembra que parte das perguntas feitas na comissão, provavelmente, serão referentes à atuação de agentes públicos na estatal.

As informações sobre políticos fornecidas por Costa são sigilosas e estão a cargo do STF, única corte com poderes para julgá-los. Recusando-se a prestar esclarecimentos, Paulo Roberto Costa repetirá o roteiro visto na última vez em que ele foi à CPI, no dia 17 de setembro. Já Cerveró, quando compareceu, respondeu os questionamentos de deputados e senadores. A reportagem não conseguiu encontrar o autor da proposta de acareação, deputado Enio Bacci (PDT-RS).

DEPOIMENTO NO RIO

João Mestieri contou ainda ter acompanhado o depoimento de seu cliente ao Ministério Público do Rio de Janeiro, sexta-feira (28). Os promotores foram à casa de Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar, na Zona Oeste do Rio, para ouvi-lo sobre outros casos.

O inquérito em questão apura suspeita de enriquecimento ilícito do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado. O MP-RJ também investiga denúncias de irregularidades na construção e reforma do Cenpes (centro de pesquisas da Petrobras).

NADA DE NOVO

De acordo com Mestieri, durante mais de duas horas, Costa deu explicações sobre a dinâmica de funcionamento da estatal, mas não teria apresentado mais elementos ao caso. “Valeu porque ele fez uma exposição sobre o que é a empresa, mas não acrescentou absolutamente nada de novo”.

Durante as apurações da Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa já havia acusado Machado. Ao Ministério Público Federal, contou ter recebido R$ 500 mil do presidente da Transpetro, relativos a sua participação em esquema de desvio de recursos envolvendo aluguel de embarcações.

Exames não confirmam envenenamento de Jango

Perícia dos restos mortais de Jango foi “inconclusiva”

Luciana Lima
iG Brasília

As análises feitas nos restos mortais do ex-presidente João Goulart concluíram que não há confirmação de que ele tenha sido envenenado, suspeita levantada pela própria família do ex-presidente.

De acordo com os laudos produzidos por dois laboratórios internacionais – um da Argentina e outro de Portugal – e consolidados pela Polícia Federal brasileira, não foram encontradas substâncias suficientes que sustentem a tese do envenenamento.

Os laudos, no entanto, ponderam que o material analisado é de 37 anos atrás e, por isso, vestígios podem ter se perdido. Nesse caso, prevalece a tese de morte provocada por um infarto no miocárdio.

Exumação

A suspeita é de que Jango, como era conhecido, teria sido assassinado e não morrido de forma natural, no exílio, na Argentina, em 1976, 12 anos após ter sido deposto pelo golpe militar, em 1964.

O laudo da Polícia Federal se fixou na análise dos gases presentes na sepultura do ex-presidente, em São Borja, no Rio Grande do Sul. O corpo de João Goulart foi exumado em novembro do ano passado.

Já os laudos dos laboratórios se concentraram na análise dos restos mortais do ex-presidente. No atestado de óbito a causa registrada é de infarto do miocárdio.

Brasil cobra impostos ridículos aos ricos, diz Piketty

Economista Thomas Piketty diz que está tudo errado no Brasil

Vitor Sorano
iG São Paulo

Chegar ao topo apenas com trabalho está ficando mais difícil, aponta o economista Thomas Piketty. Ele diz que ser rico no Brasil significa pagar imposto baixo e ficar com uma fatia cada vez maior do bolo. Ainda assim, muitos dos que estão lá em cima – onde está mais difícil chegar unicamente pelo trabalho – fingem que o fato de ganharem cada vez mais que os outros é algo natural.

“A maior alíquota de Imposto de Renda aplicável a rendas mais elevadas no Brasil é bastante baixa pelos padrões internacionais. O imposto sobre herança é ridiculamente baixo, 4%, algo muito próximo de 0%”, diz Piketty, autor do best-seller “O Capital no Século XXI”, um compêndio de 672 páginas produzido após mais de 15 anos de pesquisas sobre a distribuição de renda e patrimônio no mundo.

O livro aponta que a desigualdade, após cair ao longo do século 20, voltou a crescer nas últimas décadas: o 1% mais rico da população está ficando com uma fatia cada vez maior da renda e do patrimônio disponíveis, reduzindo a fatia disponível para a classe média e para os pobres.

TAMBÉM NO BRASIL

Para Piketty, o mesmo possivelmente está acontecendo no Brasil, apesar do discurso em contrário do governo – o 1%, estima, fica com quase 60% da renda, e não com menos de 50% como indicam os levantamentos oficiais.

O País ficou de fora da obra em razão da falta de transparência dos dados sobre o pagamento de Imposto de Renda, mas o economista espera disponibilizar análises sobre o cenário nacional “nos próximos meses”.

E a fórmula para evitar o crescimento desse fosso – e permitir que o trabalho, e não um pai rico ou um salário injustificado, seja o caminho mais natural para o topo – é taxar mais os ricos e altas heranças, aliviando o imposto sobre o consumo. Afinal, a desigualdade é socialmente construída – e não um fenômeno da natureza.

“Claro que algumas pessoas no topo sempre estão tentando fingir que a desigualdade é o que de fato deveria ser”, diz o economista. “Eu consigo entender a posição delas, mas eu acho que algumas vezes é um exagero.”

O prazer de envelhecer e de morrer (de bem com a vida)

Eduardo Aquino

A cada dia, manchas senis vão decorando o dorso de minha mão, como estrelas que vão surgindo no início da noite. O sorriso sendo emolduradas por bem desenhadas rugas, alegres e expressivas. Um vinco insiste em descer a cada lado do nariz em direção aos lábios. A pele vai lentamente se descolando dos músculos como se divorciasse de sua elasticidade. O sono piora e mais pareço um vaqueiro que às 4h já não cabe na cama.

E dia a dia, mês a mês, vou desenvolvendo a natureza, aquilo que não é meu: células, proteínas, carbonos, nitrogênios, enfim, a matéria!

Lenta e continuamente me despeço da juventude, do vigor, das ilusões e sonhos impossíveis. Não há mais lugar para arroubos, impulsividades, revoltas juvenis. Pouco a pouco sou dominado pela moderação, pela compreensão profunda do que vai na minha mente, coração e alma. Observo o mundo que me cerca, munido de curiosidade, sabedoria. Pouca coisa me surpreende, quase nada me incomoda, uma serenidade me acalma mesmo diante dos absurdos que abalam o mundo.

Procuro entender a tecnologia como instrumento e facilitação do cotidiano, mas sem dependência, deslumbramento ou dependência. Continuo anotando em papéis e arquivando, algo que não pega “vírus” nem é alvo de “hackers”. Continuo sonhando, construindo sonhos e já consigo morar dentro de alguns deles. Ainda batalho, luto, mas me permito o descanso.

MAIS ENERGIA

A energia da fé e a energia mental continuam firmemente aumentando, na mesma proporção que minha vitalidade e físico vão decrescendo em direção ao fim. Continuarei todos os dias buscando evoluir até o dia que deixar a vida: um acidente fatal, um infarto fulminante, um câncer devastador – nada me aterroriza. Espero a morte, assim como um passageiro aguarda um trem ou um avião. Um dia chegamos, num outro partimos. Morrer é tão natural quanto nascer…

“Nu viestes a esta vida, tão nu quanto viestes sairás dela, e pelo teu trabalho nada que fizestes louvarás em tuas mãos. Isto é vaidade e vento que sopra…”, como nos ensina Eclesiastes. A vida é meramente um estágio onde, presos em quatro dimensões, a consciência mora num corpo material fadado a ser extinto, após inúteis vaidades, raivas, ódios, ciúmes, ressentimentos, invejas, apegos, medos, angústias e, em menor proporção, a alegria, o amor, o carinho, a fé, a confiança, a lealdade e a humildade.

Morrerei, espero, serenamente! Afinal, nada nem ninguém me prende à vida material.

PEÇO PERDÃO

Amo, sou amado, sei que poucos têm antipatia, raiva, ódios de mim, mas a recíproca não é verdadeira: o perdão mora em meu coração!

Peço perdão aos que possa ter ofendido. Não sou candidato a nada, nunca fui, nunca serei. Apenas busco com minhas palestras, livros, no exercício da medicina, ser um instrumento de inteligência divina e superiores. Busco crer e saber! Alio minha fé ao estudo científico.

Creio que há eternidade e reencontro de almas (ou “consciências não materiais”, se quiserem) daqueles que se amaram na vida terrena. E sei que há “inferno” para os que se viciaram, corromperam, traficaram, assassinaram, se apegaram a uma ilusão absoluta que é a vida terrestre e material.

No mais, cada um busque um sentido de viver, envelhecer, morrer, ser eterno!!!

(transcrito de O Tempo)

Ministro Neri Geller ajudou empresário preso por grilagem

Geller ajudou o amigo a ganhar concessão

João Valadares
Correio Braziliense

O empresário Marino José Franz, preso na Operação Terra Prometida por ser, segundo o Ministério Público Federal (MPF), um dos líderes da organização criminosa que movimentou R$ 1 bilhão na comercialização ilegal de lotes da reforma agrária, conseguiu uma mãozinha do governo federal para explorar dois portos e ainda turbinar o escoamento de sua produção de grãos em Mato Grosso.

Com articulação do ministro da Agricultura, Neri Geller (PMDB), que teve dois irmãos presos na mesma operação da PF, a Cianport, empresa de Marino Franz, ganhou concessão de 25 anos para operar o terminal do Porto de Miritituba, no Pará. Também assinou contrato de adesão para o Porto de Santana, no Amapá. As concessões, expedidas pela Secretaria de Portos, são prorrogáveis por igual período.

Para investir R$ 370 milhões nos dois terminais, o empresário, que está preso na carceragem da Polícia Federal em Cuiabá, recebeu um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Marino também é dono da Fiagril, uma das maiores produtoras de grãos do Brasil. O anúncio do contrato de adesão da empresa de Marino, a Companhia Norte de Navegação e Portos (Cianport), foi feito pelo ministro em 27 de outubro deste ano em evento realizado na capital de Mato Grosso. O investimento anunciado pelo grupo foi de R$ 250 milhões. Na ocasião, Neri Geller explicou que, no Porto de Santana, R$ 220 milhões seriam aplicados no terminal e os outros R$ 30 milhões na construção de estruturação de silos.

TERMINAL

A Cianport é composta pela Agrosoja de Sorriso, de propriedade de Cláudio Zancanaro, e a Fiagril, com sede em Lucas do Rio Verde. A expectativa é de que o terminal comece a ser explorado em junho de 2015. Inicialmente, a ideia é embarcar 1,8 mil toneladas de grãos anualmente. O terminal que está sendo construído terá capacidade para exportar 4 milhões de toneladas por ano.

Procurado pelo Correio, o Ministério da Agricultura informou que não se pronunciaria sobre o assunto. Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Portos não havia respondido ao e-mail do jornal com questionamentos sobre o caso. O Correio tentou entrar em contato com a Cianport, mas não obteve sucesso. Em nota divulgada na sexta-feira, a Polícia Federal destacou que “o inquérito policial da referida operação não investigou o ministro da Agricultura nos crimes ali apurados”.

No Uruguai, a suave sucessão de Mujica

O presidente eleito do Uruguai, Tabaré Vazquez, comemora a vitória em Montevidéu Foto: STRINGER/URUGUAY / REUTERS

Vazquez está de volta ao poder

Helena Celestino
O Globo

Sem dramas e sem sustos, a transição no país de Mujica é suave como as velhas canções de amor. Com 65% de aprovação, o presidente boa onda, o velho tupamaro que fez do Uruguai o país da moda, inicia a sua cerimônia de adeus. Tabaré Vazquez, o político cerebral e comedido, que há uma década encerrou o domínio de 174 anos dos partidos Colorado e Nacional, é a barbada deste domingão eleitoral: deverá ser eleito hoje com estrondosa maioria, confirmando as pesquisas que lhe dão dez a 15 pontos à frente do jovem com as propostas mais velhas da temporada, Luis Lacalle Pou. Candidato de centro-direita pelo Partido Nacional, ele só marcou a campanha por seu jingle. um rap tipo chiclete de ouvido.

Mudar para quê? A pergunta de Tabaré, aparentemente, foi a mesma feita pela maioria dos uruguaios ao indicarem que darão à Frente Ampla o terceiro mandato presidencial consecutivo, além da já conquistada maioria na Câmara e Senado. Os motivos são os mesmos da transição de Lula para o primeiro mandato de Dilma: como no Brasil daquela época, o Uruguai vive um momento de autoestima alta, com o sentimento de estar no radar do mundo e a percepção de que a vida melhorou. A economia cresceu 4,4% ano passado, dois pontos acima da média regional, a inflação em 8,1% é alta, mas infinitamente menor do que na louca Argentina, as políticas sociais reduziram a extrema pobreza para 2% e o número de pobres para 10%.

ESTILOS DIFERENTES

Pacífico demais para ser verdade? “Atenção às tensões entre Tabaré e Mujica. Será uma tensão reservada, dificilmente será pública”, espeta Claudio Paolillo, diretor da “Búsqueda”, a revista política semanal mais importante do Uruguai.

Mesmo partido, estilos muito diferentes, os dois líderes da Frente Ampla ainda não se encontraram depois da vitória de Tabaré no primeiro turno, mas uma equipe de transição já está trabalhando e o ministro da Economia será o mesmo de antes — o confiável Danilo Astori.

Mujica, dizem os próximos, está feliz da vida de deixar a Presidência, saboreando com antecipação a liberdade de voltar a ser um militante social sem os freios impostos pelo cargo. Planejara tirar um ano de semiaposentadoria, mas já desistiu, empurrado à ação política pela eleição para o Senado, ao receber um terço de todos os votos dados à Frente Ampla no 25 de outubro. “Ele é sincero, a Presidência lhe importa muito pouco, é mais um militante”, diz um observador privilegiado desses tempos em que o presidente ignorava os rituais do poder e recebia as visitas oficiais na sua modesta casa de teto de zinco, mobiliada com cadeiras bambas.

NA CENA INTERNACIONAL

Nunca antes dessa Presidência pouco convencional, o Uruguai esteve tão presente na cena internacional, atraindo a atenção pelas leis sociais — a legalização do aborto, do casamento gay e da maconha — e pelo discurso humanista-libertário de Mujica. Tabaré é um político mais tradicional, de esquerda e católico, contra portanto a interrupção da gravidez e a união homossexual. Mas não vai mudar as leis, apenas deve botar em ritmo mais lento a regulamentação da venda da maconha. No primeiro governo, fez campanha feroz contra o tabaco, motivo a mais para não gostar do debate sobre maconha. Também terá de mediar as pressões do Congresso para aprofundar as políticas de esquerda e neste embate político terá Mujica como um interlocutor importante.

“Tabaré é orgulhoso, ele dirige tudo em seu governo. Mujica não deve ter participação formal”, diz Paolillo.

O governo será de continuidade, mas com novos matizes políticos. Com o Brasil, por exemplo, as relações correrão fáceis. A primeira visita do presidente eleito deve ser à Brasília, talvez ainda antes da posse de Dilma. Tabaré, um social-democrata à la europeia, admirador de Felipe González e François Mitterrand, deve se entender bem com a presidente brasileira — os dois fazem parte do mesmo universo político afetivo. Com os outros latino-americanos, as relações continuarão fluindo com facilidade, mas serão mais formais, voltarão a seguir os canais clássicos da diplomacia.

COMO BACHELET

“Ele não será tratado como um líder pelos bolivarianos, como é o caso de Mujica. Será o presidente de um país aliado, terá o respeito que tem Bachelet (a presidente do Chile)”, comenta um especialista.

As lembranças deixadas pelo primeiro governo Tabaré são boas. Impulsionada pelo boom das commodities, a economia crescia, e a vida corria mansa, levando o presidente a deixar o cargo com 60% de aprovação. Agora vai ser mais difícil, o pequeno país depende do desempenho da economia brasileira e argentina, nenhuma das duas com boas perspectivas. No front interno, concentrará energias para melhorar a educação e combater a violência que cresce mas é ínfima se comparada com a dos vizinhos. Na suave transição uruguaia, a política continua a mesma, mas cada um deixa sua marca pessoal. Mujica, o revolucionário que queria mudar o mundo, aprendeu que o poder é esquivo e fragmentado, mas manteve viva a capacidade de ousar. Agora a vez é do cartesiano Tabaré fazer diferença ao seu jeito.