A reforma política na linguagem do cordel

O engenheiro, cantor e compositor paraibano Francisco de Salles Araújo, no cordel “Reforma Eleitoral e Política”, faz uma reflexão e deixa uma sugestão sobre o nosso sistema político eleitoral.

REFORMA ELEITORAL E POLÍTICA

Chico Salles

Convoco o caro leitor
A uma reflexão
Sobre o que vem ocorrendo
Com nossa grande Nação
Percebo algo escuro
No seu caminho futuro
Com tanta corrupção.

Não sou nenhum futurista
Nem sou tão pouco vidente
Também sei que não sou profeta
Coisa de antigamente
Na lógica do sertanejo
Daqui pra frente o que vejo
É fruto não dá semente.

Com tanta desilusão
Parecendo num abismo
Resolvi raciocinar
Com cautela e com civismo
– Tem que haver uma brecha
Uma luz ou uma fresta
Pro fim do continuísmo.

Não é mais possível assim
Os anos passam e nada
A esperança padece
Sempre na encruzilhada
Futuro só tem pra poucos
Os imbecis e os loucos
Fazendo disso piada.

Uma saída surgiu
Na minha imaginação
Novo projeto de lei
Nesta Constituição
Para mudar o sistema
E nos tirar a algema
Dessa forma de eleição.

A nova regra é bem simples
Basta um pouquinho de jeito
Um tempo de dose anos
Com determinação e respeito
Com precisão sem demora
Basta começar agora
E o sucesso tá feito.

Mantendo a mesma estrutura
Dos Poderes Eletivos
Que já estão implantados
Por nossos executivos
Vamos tratar cada um
De forma simples e comum
Também os Legislativos.

O Poder Legislativo
Formado por quatro postos
A seguir descriminadas
Hierarquicamente expostos
Primeiro o Vereador
Que vai mostrar seu valor
Seu tino, seus dons e seus gostos.

Mandato de quatro anos
O vereador eleito
Exercerá seu trabalho
Com coragem e com respeito
E sem remuneração
Em forma de doação
Pra conseguir novo pleito.

Depois de vereador,
Base de todo processo
A ele será permitido
Pra garantir o progresso
Andar pelos dois caminhos
Mostrando aos seus visinhos
O segredo do sucesso.

O segundo será deputado
Deputado estadual
Que para ser candidato
Além do potencial
Referência e valor
Será ex-vereador
Agora remunerado.

Seguindo o raciocínio
A terceira posição
Será do que vai pra Brasília
Com fé e disposição
Em seu estado eleito
Irá cumprir o seu pleito
E a Constituição.

Pra cada um dos mandatos
Só se elegerá uma vez
Depois da missão cumprida
Tem que mudar sem talvez
Podendo ser candidato
Exercer novo mandato
Superior ao da vez.

Por fim no Legislativo
Teremos o Senador
Que por esta lei sugerida
Foi também Vereador
Deputado Estadual
Deputado Federal
E já mostrou seu valor.

O mandato do Senador
Devido à experiência
Terá o seu tempo dobrado
Com toda transparência
Será o fiel da balança
Trazendo mais esperança,
Distancia da aparência!

O fato preponderante
É que o legislador
Chegará a vinte anos
Depois será professor
Mostrando cidadania
Trazendo mais alegria
Para o povão sofredor.

Já para o executivo
O mesmo raciocínio
Depois de vereador
E seguindo o seu destino
Poderá ser Prefeito
Agindo com o direito,
Com consciência e tino.

Concluindo o seu mandato
Com arte e sabedoria
Ficará credenciado
Para nova romaria
Se Governador for eleito
Cumprirá o novo pleito
Dado pela maioria.

Por fim será Presidente
Depois de ter sido Prefeito
E também Governador
Com retidão e respeito
Mostrando experiência
No concreto e na ciência
Será certamente eleito.

Ao Presidente também
Pra esta lei ser cumprida
Terá seu mandato dobrado
Dedicando sua vida
Seu saber e seu pensar
Para o País compensar
Da atenção recebida.

Com isso a nossa política
Será democratizada
Existindo dois caminhos
Seguindo a mesma pisada
A hierarquia cumprida
A nossa gente sofrida
Deixar de ser humilhada.

Haverá uma exceção
Para o político de fé
Se for capaz e decente
Sendo homem ou mulher
Poderá mudar de trilha
Seguindo a mesma cartilha
Sempre de cabeça em pé.

Um exemplo desta parte
Eu vou explicar agora
Poderá um Deputado
Sem problema sem demora
Ser candidato a Prefeito
E se nas urnas eleito
Assumir na mesma hora.

Isto é, pelo contrário.
Pode ser feito também
Prefeito ou Governador
Se desta forma convém
Sair do Executivo
Passar pro Legislativo
Obedecendo ao porem:

Só pode mudar de lado
Mantendo aquela regra
Da hierarquia cumprida
Assim na lei e na integra
Com isso teremos a certeza
Que esta simples proeza
Implantada nos alegra.

Desta forma acabará
A má fé e o nepotismo
Existente nos Poderes
Com arrogância e cinismo
E criará para o povo
Um cheiro do bom e do novo
Indispensável civismo.

Não sei se me fiz entender
Com esta dissertação
Pois escrever em cordel
Com métrica e atenção
Não sei se passei de fato
Os versos as rimas o tato
Da minha imaginação.

Em síntese só quis dizer
Que cada posto político
Poderá ser ocupado
Com senso claro e crítico
Somente uma única vez
Por um mesmo freguês
Raciocínio analítico.

Com isso, qualquer cidadão,
Que for sereno e capaz
Para a carreira política
Terá que ter algo mais
Ter firmeza e pé no chão
Sabedoria e retidão
Ser coerente e aldáz.

Com dose anos se sabe
Que para ser Presidente
Os candidatos possíveis
No seu passado recente
Já foram um Vereador,
Prefeito e Governador
De algum Estado contente.

Também qualquer Senador
Para ocupar o seu cargo
Já foi um Vereador
Que tem um sabor amargo
Pois é sem remuneração
A principal condição
E nobreza deste encargo.

Continuando a norma
Para qualquer Senador
Conseguir a posição
Depois de Vereador
Terá que ser Deputado
E às leis se dedicado
Com afeição e amor.

Quatro anos na Assembléia
Do estado escolhido
Depois vai para o Congresso
Pelo povo aferido
E quatro anos depois
Feito feijão com arroz
Terá o dever cumprido.

Teremos dias melhores
Garanto isso também
Não haverá mais carona,
Pára-quedas pra ninguém
A Pátria sem Salvador
Só político de valor
Para nos fazer o bem.

Políticos de coronéis,
Feudos e religião
Lobistas, sonegadores
Aprenderão à lição.
Partidos de aluguel
Não terão mais o papel
De saquear a Nação.

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Contadora de Youssef diz ter sido ameaçada

Wilson Lima
iG Brasília

Tida com uma das testemunhas-chave no esquema de corrupção da Petrobras, a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef Meire Poza afirma que recebeu ameaças de empreiteiras e teve sua cota de e-mail invadida após ter revelado detalhes sobre as operações das empresas de fachada do doleiro, no âmbito das investigações da Operação Lava Jato.

Em sessões da CPI Mista da Petrobras, por exemplo, Poza revelou que chegou a emitir algo em torno de R$ 7 milhões em notas fiscais frias para as empresas de Alberto Youssef. Nas investigações da Lava Jato, ela confirmou que a M.O. Consultoria Comercial e Laudos Estatísticos Ltda era empresa de fachada e que outras empresas de Youssef, como a RCI Software e Hardware Ltda, a GFD Investimentos LTDA e Empreiteira Rigidez, foram criadas com o intuito de emitir notas fiscais frias para legalizar o pagamento de propina tanto à Youssef, quanto para o ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras Paulo

Em depoimento prestado à Polícia Federal dia 29 de agosto deste ano, na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, Poza afirmou aos agentes federais que se sentiu ameaçada após ser procurada por um suposto representante da empresa UTC Engenharia, de nome Edson. O representante marcou a reunião em um shopping de São Paulo e a ex-contadora de Youssef gravou a conversa. No depoimento, Poza não revelou quando foi procurada pelo suposto representante da UTC engenharia. A UTC negou qualquer tentativa de influenciar no processo da Lava Jato.

A SENHORA ENTENDEU?

Na conversa, Edson oferece os serviços de advocacia da empresa afirmando “dona Meire, é, nós estamos preocupados com a senhora. Só isso”. Na conversa, Edson afirma que Meire é a “a única mulher dentro desse processo todo” e, em seguida, declara “sabemos que tem uma filha. E são somente vocês duas!”. Durante a conversa, o interlocutor diz: “dona Meire, o importante é não falar demais”. “A senhora pode, sem querer, ir contra grandes empresas, políticos, construtoras, as maiores do país, a senhora entendeu?”, chegou a afirmar Edson, durante a conversa com Meire Poza.

“Eu só não acho correto, sabe? Eu não tenho nenhum envolvimento com os seus clientes. Não tenho. Não tem motivo pra eles quererem pagar a minha conta, doutor, não tem”, respondeu Meire após a oferta de ajuda de serviços advocatícios. “Não, não tô nervosa. Você falou da minha filha. Vocês estão me pressionando. E estão me ameaçando”, esbravejou Poza durante esse encontro. “Não, não existe pressão. Desculpa, dona Meire. Não existe. Por favor. Não pense”, tentou se esquivar Edson.

E-MAIL INVADIDO

Durante o depoimento prestado em 29 de agosto, Meire também afirmou que teve sua cota de e-mail invadida. Conforme o depoimento, no dia 27 de agosto, Meire Poza percebeu que os principais dados de seu e-mail foram alterados após notificação de seu provedor de correio eletrônico.

Entre os dados que foram alterados, estava o seu número de telefone. Segundo Meire, foi colocado um número telefônico de identificação de cota de e-mail que “não lhe traz nenhuma informação”. Ainda conforme Poza, a alteração cadastral ocorreu dois dias antes, no dia 25 de agosto deste ano.

As ameaças e alterações na cota de e-mail de Poza chamaram a atenção do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, responsável pelas investigações e, inclusive, embasou a decretação das prisões temporárias e preventivas de executivos ligados ao esquema de corrupção na Petrobras. “Com o poder econômico de que dispõem, o risco de prejudicarem as investigações e a instrução ou de obstruírem o processo através da produção de provas falsas ou da cooptação de testemunhas e mesmo de agentes públicos envolvidos de alguma forma no processo é real e imediato”, afirmou na semana passada o juiz Sérgio Moro.

Rússia pode inviabilizar as exportações de gás dos EUA

Kurt Cobb
Oil Price

Rússia e China assinaram dois grandes acordos de gás natural nos últimos seis meses, depois que a Rússia moveu seus interesses na direção leste, como reação contra as sanções e à crescente tensão em suas relações com a Europa, atualmente o maior mercado importador da energia russa.

Mas o movimento tem implicações que vão além da Europa. Nesse departamento tudo se conecta, e os produtores norte-americanos de gás natural podem estar assistindo ao ocaso do seu sonho de exportações substancialmente maiores de Gás Natural Liquefeito (GNL), por causa das exportações russas para o mercado chinês – precisamente o mercado que se esperava que viesse a ser o maior e mais lucrativo para o gás norte-americano.

Art Berman, geólogo especializado em petróleo e consultor – que sempre se mostrou consistentemente cético quanto à viabilidade de os EUA virem a exportar GNL – comenta, por e-mail, que o suprimento russo forçará para baixo o preço do GNL entregue à Ásia, para algo entre $10 e $11, baixo demais para que as exportações norte-americanas de GNL sejam lucrativas.

E O GÁS DE XISTO?

Mas, voltemos até um pouco antes. Os produtores norte-americanos de gás natural insistem em tentar vender a história de um renascimento energético dos EUA, que seria baseado num crescente suprimento de gás de xisto extraído de depósitos profundos – atualmente explorados mediante uma nova modalidade de fraturamento do solo por bombas hidráulicas.

O problema é que superextração e os baixos preços – agora, o preço é uma pequena fração dos $13 por mil pés cúbicos (Mcf) alcançados no pico, em 2008 – minaram a estabilidade financeira das empresas perfuradoras de gás. Eis por quê: O gás natural betuminoso, chamado ‘gás de xisto’, é em geral mais caro para produzir que o gás natural convencional.

Para o gás de xisto ser viável, o preço do gás natural teria de ser muito superior ao que é hoje – dos cerca de $4 por mil pés cúbicos, para com certeza acima de $6 por mil pés cúbicos e talvez ainda mais, para pagar os custos de extrair o gás e garantir lucros.

Mas, a esses preços, o Gás Natural Liquefeito norte-americano deixa de ser competitivo na Europa. E agora, por causa dos acordos Rússia-China para construir os gasodutos de gás natural, o mais provável é que o GNL norte-americano deixe de ser competitivo também na Ásia. E esses são os dois maiores mercados para o GNL. Sem esses mercados, nada assegura que os EUA consigam exportar muito GNL –, a menos que comecem a exportar com prejuízo…

O CUSTO É ALTO    

Aí, pois, está o problema: Para converter o gás natural norte-americano em gás liquefeito, metê-lo em navios tanques especialmente construídos para esse tipo de transporte e enviá-lo para Europa ou Ásia, o custo não será inferior a $6 por mil pés cúbicos. Se o custo do gás norte-americano for de $6 por mil pés cúbicos, o preço total do GNL dos EUA entregue será o custo do gás mais o custo da conversão, do embarque e da viagem, quer dizer, algo em torno de $12 por mil pés cúbicos.

O mais recente preço de GNL entregue na Ásia, como informa a Federal Energy Regulatory Commission, foi de $10,10 por MMBtu para a China; $10,50 para Coreia; e $10,50 para o Japão. Para a Europa, os números são até mais moderados: $9,15 para a Espanha; $6,60 para o Reino Unido; e $6,78 para a Bélgica (todos os valores expressos em dólares norte-americanos).

Esses números refletem, provavelmente, preços de momento, não contratos de longo prazo, e estão baixos porque a demanda de energia é menor, o que pode ser resultado da economia mais lenta na Ásia e na Europa.

Mas, sim, são suficientes para mostrar como será difícil para o GNL norte-americano competir no mercado mundial. Os preços do GNL melhorarão, mas, de modo geral, compradores de GNL assinam sempre contratos ‘custo-mais’. Nos EUA seria o custo Henry Hub do gás natural (negociado na New York Mercantile Exchange) mais o custo da liquefação e do transporte. Sem qualquer garantia de que o gás Henry Hub permaneça no preço atual (cerca de $4) – e muitos indícios de que não permanecerá –, no longo prazo, é difícil ver como poderia haver compradores de longo prazo para o Gás Natural Liquefeito norte-americano.

E OS 14 TERMINAIS?

Fica-se sem saber, até, quantos, dos 14 terminais propostos para exportação de GNL norte-americano chegarão a ser realmente construídos.

Depois desse longo circunlóquio, permitam-me voltar aos gasodutos russo-chineses para gás natural, e a significação que têm nesse drama.

A Gazprom, a gigante russa do gás natural que realmente entregará o gás, estimou o primeiro negócio, em maio, em cerca de $10,19 por MMBtu. O segundo negócio ainda não teve valor anunciado, mas um analista que consultei acredita que os chineses cobrarão cerca de $8 por MMBtu. Ainda que os chineses acabem por aceitar preço próximo do primeiro negócio, cerca de 17% da oferta de gás natural chinês estará chegando da Rússia, quando os gasodutos estiverem completados, daqui a vários anos. E isso, pode-se dizer, ancorará o preço do GNL chinês importado entre $10 e $11 por MMBtu – preço baixo demais para ser confiavelmente lucrativo para os exportadores norte-americanos de GNL.

PREVISÕES EXAGERADAS

A implicação é que os preços soft de hoje para o GNL importado pela China e o resto da Ásia pode vir a ser norma geral em poucos anos, precisamente o tempo que os terminais de exportação do GNL norte-americano demorarão, até se tornarem operacionais. Assim sendo, se aparecerem investidores para financiar a construção daqueles terminais, e se os gasodutos russo-chineses forem completados, o mais provável é que aconteça destruição de capitais em proporções épicas, do lado norte-americano do oceano Pacífico.

Há outras razões para não acreditar no futuro dos EUA como exportador de gás natural. As róseas previsões da indústria e do Departamento de Estado dos EUA para Energia, sobre produção doméstica de gás natural a partir do xisto, podem ter sido superexageradas, conforme se lê num novo relatório assinado pelo mesmo analista que previu a degradação massiva dos preços do óleo recuperável do campo de xisto de Monterey, Califórnia. Apesar da crescente produção doméstica de gás natural, os EUA continuam a ser importadores líquidos de gás natural. Importações de gás natural corresponderam a cerca de 10% do consumo nos EUA, no mês de agosto de 2014. (artigo enviado por Sergio Caldieri)

Aviso aos navegantes: se querem baixarias, mudem de blog

Carlos Newton

Não tenho tempo nem paciência para tolerar baixarias. Este blog existe para exaltar a liberdade e respeitar a opinião de cada um. Sinceramente, não entendo por que os comentaristas não possam expressar livremente suas opiniões sem sofrerem ataques, ofensas, ironias. Não entendo por que pessoas adultas e intelectualizadas não consigam se respeitar.

Temo que esse blog possa caminhar para um final melancólico, que demonstre a inviabilidade do ideal democrático do respeito às opiniões. Será uma pena, depois de tantos anos de esforço. Mas a vida é assim mesmo, cheia de contradições. Quanto a mim, irei em frente, como diz meu grande amigo Pedro do Coutto.

O Papa e o líder ortodoxo defendem reunificação das igrejas

Deu na Agência Brasil

O Papa Francisco e o líder da Igreja Ortodoxa, patriarca Bartolomeu I, firmaram hoje (30) uma declaração conjunta pela reunificação das duas igrejas, a Católica e a Ortodoxa, separadas há mil anos.

No último dia de sua visita à Turquia, Francisco esteve na catedral ortodoxa de Istambul, onde assegurou que a Igreja Católica não pretende impor nenhuma exigência à Igreja Ortodoxa no caminho da unidade entre as duas.

O Papa disse que as duas igrejas já estão “no caminho rumo à plena comunhão”, indicando que há, na prática, “sinais eloquentes de uma unidade real”.

Depois de rezar uma oração em latim e de ouvir o discurso de Bartolomeu, Francisco disse que “o que a Igreja Católica deseja é a comunhão com as igrejas ortodoxas”.

SEM SUBMISSÃO OU ABSORÇÃO

Para o Papa, a união com os ortodoxos não significará nem a submissão de uns a outros, nem a absorção de uma instituição pela outra, mas “a aceitação de todos os dons que Deus deu a cada um”.

Francisco e o líder ortodoxo também pediram à comunidade internacional que “dê uma resposta apropriada” aos ataques contra cristãos nos países do Médio Oriente.

Os dois líderes religiosos protestaram pelo que classificam como “um Médio Oriente sem cristãos”, numa alusão à violência cometida contra os fiéis em conflitos nos países da região.

“Não podemos nos resignar a um Oriente Médio sem cristãos, que professaram o nome de Jesus ali durante dois mil anos”, disseram os dois líderes religiosos na declaração conjunta assinada em Istambul.

“Muitos dos nossos irmãos e irmãs estão sendo perseguidos e foram expulsos com violência dos seus lugares. Parece que se perdeu o valor da vida, que a pessoa já não importa e que pode se sacrificar a outros interesses”, acrescentam os líderes religiosos na declaração.

Antes da celebração, Francisco encontrou-se com o grão-rabino turco, Isak Haleva, na sede da representação pontifícia em Istambul. A reunião com o representante dos judeus na Turquia completou uma série de contatos com outras religiões presentes no país. Sábado, o Papa já havia se reunido com muçulmanos, ortodoxos e outros cristãos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Papa Francisco deu mais um passo rumo ao Ecumenismo, fortalecendo a política de unir todas as religiões em busca do bem comum e da evolução da Humanidade. E sem que haja uma religião hegemônica, sem submissão e sem absorção, como nessa aproximação da Igreja Católica e da Ortodoxa. Ao tomar esse tipo de iniciativa política e ao lutar internamente no Vaticano para que a Igreja volte à sua origem de humildade, sem luxos e suntuosidades, Francisco ficará conhecido como o maior Papa da História, podem ter certeza. (C.N.)

O dia em que as duas versões se encontrariam na CPI

Costa e Cerveró estarão frente a frente no Senado nesta terça-feira

Deu na Agência Senado

Os dois ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró vão participar de uma acareação na próxima terça-feira, a partir de 14h30min, na CPI que investiga irregularidades na estatal. Será o primeiro encontro de dois investigados pela comissão parlamentar de inquérito.

O objetivo, conforme o requerimento do deputado Ênio Bacci (PDT-RS), é confirmar as acusações feitas por Paulo Roberto Costa contra Cerveró, quando ele depôs à Polícia Federal, no inquérito da Operação Lava Jato. De acordo com publicações na imprensa, Costa teria dito, em depoimentos, que Cerveró recebeu propinas em contratos da Petrobras.

Tanto Paulo Roberto Costa quanto Nestor Cerveró já foram convocados a depor na CPI Mista. Costa se recusou a responder qualquer pergunta.

Cerveró, por outro lado, declarou em setembro último não ter havido desvio de dinheiro na compra da Refinaria de Pasadena (EUA). Afirmou também desconhecer qualquer participação direta do também ex-diretor Paulo nos acertos empresariais para a compra da refinaria nos Estados Unidos.

ESQUEMA ESPECIAL

Paulo Roberto Costa está em prisão domiciliar no Rio de Janeiro depois de ter firmado um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e o Ministério Público em troca de redução de pena. No entanto, a ida dele a Brasília foi autorizada pelo juiz federal Sérgio Moro, que é o responsável pela condução do processo da operação Lava Jato.

A direção da CPI Mista da Petrobras preparou um esquema especial para o dia (2), quando será feita a acareação entre Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró. O acesso à ala do Senado onde está localizada a sala da CPI será restrito aos parlamentares, servidores e imprensa credenciada.

O acertado entre a direção da CPI e a segurança da Casa é que poderão entrar, além dos depoentes, somente os parlamentares e um assessor por parlamentar. Haverá telões em três outras salas para a imprensa e o público em geral.

 

Grupo a favor de intervenção militar é expulso de protesto

Protesto contra Dilma em São Paulo foi organizado com doações online
Na terceira manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff após a reeleição da petista, um grupo que pedia intervenção militar no Brasil teve que ser retirado pela polícia após atrito com o restante dos participantes do ato.
Cerca de 600 pessoas -segundo a Policia Militar- se concentraram, neste sábado (29), no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na Avenida Paulista (região central de São Paulo).
A confusão começou quando o empresário Ricardo Roque, 44, usou um megafone para pedir a intervenção do Exército no Planalto. Com ele, um grupo de manifestantes levantava cartazes pedindo a volta dos militares – um deles, vendia camisetas e bonés com estampas camufladas por R$ 30 e R$ 15 cada, respectivamente.
LOBÃO E OS ALIENÍGENAS
Em cima de um carro de som, o cantor Lobão – que decidiu voltar às manifestações pelo impeachment após desistir do ato do último dia 15, por conta dos pedidos de intervenção militar – disse que esse tipo de pauta não é bem vinda no protesto. “Essas pessoas aqui são tão alienígenas quanto o pessoal do MST”, afirmou.
Com gritos, a maioria dos participantes do ato pediu a expulsão do grupo a favor da intervenção do Exército. A demanda foi atendida pela PM, que afastou os manifestantes.
‘FRAUDE’
Marcello Reis, fundador do movimento Revoltados Online, que organiza o protesto, disse que o objetivo do evento é mostrar que as eleições presidenciais deste ano foram fraudadas. Ele diz ter “provas cabais” de que a apuração doa votos foi irregular.
“Tenho parentes que foram votar e, quando chegaram, já tinham votados por eles”, disse.
Segundo ele, o protesto “é livre” e todos têm direito de expressar suas demandas, inclusive os que pedem intervenção militar. “Nós estamos vivendo uma ditadura agora.”
“Somos todos coxinhas”, brincou um membro do Revoltados Online, de cima do carro de som, após a confusão, em referência ao apelido dado a eleitores de direita em São Paulo.
Enquanto isso, um grupo de pessoas fantasiadas de personagens do seriado Chaves circulava pelo vão do Masp, em homenagem ao ator Roberto Bolaños, que morreu na sexta.

Velha relação incestuosa entre governo e empreiteiros

João Gualberto Jr.

Durante o jogo de domingo que deu o quarto título brasileiro ao Cruzeiro, foi de um comentarista do SporTV a melhor expressão sobre aquilo que se via. Mais ou menos assim, Maurício Noriega afirmou que se assistia, anteontem, a mais um gol da Alemanha no palco em que se encenou a tragédia do 7 a 1, quatro meses e meio atrás. Apesar de não termos sofrido nem perto um dilúvio em Belo Horizonte, o gramado do Mineirão, ao longo da partida, evoluiu de uma plantação de arroz do Sul da Ásia para um pasto dos Pampas depois que a geada derrete. Quer dizer então que o “padrão Fifa” tem prazo de validade curto?

Passeando de carro, deu para perceber outros efeitos da “torrencial tempestade que nos abateu”: os flocos de asfalto que se soltam na enxurrada e deixam crateras na rua. As borracharias e oficinas de balanceamento agradecem. Quem tiver interesse arqueológico de contemplar um desses buracos consegue achar no fundo as pedras de calçamento e, na lateral da área erodida, as camadas asfálticas desse palimpsesto urbano e porco. A chuva parou, vêm tapar os buracos; choveu, os buracos voltam. É um ciclo sazonal de incompetência administrativa consentida e desperdício de dinheiro público.

Nessa relação incestuosa entre políticos e empresas, viadutos caem sobre as cabeças de contribuintes antes mesmo da data de inauguração; plataformas de ônibus são feitas, destruídas e refeitas; a merenda e os medicamentos são comprados, mas não chegam; ao contrário, o equipamento de ponta é entregue, mas, sem um profissional capaz de manipulá-lo, é esquecido e sucateado em alguma sala escura; e os contratos são aditados e reajustados em um completo desrespeito a prazos.

LAVA JATO

A péssima drenagem do Mineirão, os buracos sazonais na rua e todo esse rol de situações de desmazelo estatal estão sob a lupa agora, ao se deslindar o petrolão pela operação Lava Jato. Presos, os empreiteiros top do Brasil, os sesmeiros ou herdeiros das capitanias dos nossos dias, têm revelado como funcionava o esquema e como a propina paga às gordas saúvas da Petrobras e dos partidos era investimento a se lançar nos controles contábeis. Pagavam-se R$ 10 milhões sorrindo para se lucrar R$ 100 milhões depois, às expensas do contribuinte. Claro que, no meio do caminho, existem atravessadores, burocratas corruptos, lobistas e doleiros à caça de suas comissões. Contudo, no outro extremo da mesa em que se sentam os empreiteiros, a moeda tem outra métrica, e a corrupção ganha caráter político.

Com o perdão do simplismo, o lucro do político é eminentemente o poder e sua manutenção. Se cair dinheiro na conta, para quem o busca, é consequência. É mais ou menos essa a síntese dos principais escândalos revelados após a redemocratização.

Como cortar definitivamente esse vínculo maldito? Parece insistência e crença ingênua em uma panaceia, mas a resposta está na reforma política. O fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais já passou da condição de urgência no Brasil. (transcrito de O Tempo)

Risco de cubanização do Brasil é o mais ridículo dos argumentos

Favelas em Cuba, um problema que Fidel não conseguiu resolver

Plínio Fraga
Yahoo

O pior dos argumentos utilizados na mais recente campanha eleitoral foi o risco da cubanização do Brasil. Ou do seu equivalente venezuelano, a possibilidade de o país tornar-se uma “República Bolivariana”. É ameaça irracional só para colocar na campanha eleitoral da televisão. Cuba hoje é a Venezuela amanhã, a seguir o desabastecimento dos gêneros de primeira necessidade, a destruição das forças produtivas e o uso inadequado dos bilhões do petróleo.

Na quinta-feira, a blogueira cubana Yoani Sanchez  publicou um twitter interessante: “Que medo das palavras. Tanto eufemismos na imprensa oficial, como “formas não estatais”, para evitar a palavra privado”.

É um exemplo de quão distante Cuba está da realidade do mundo. Algum mal-humorado pode dizer que o governo petista evita a palavra privatização o quanto pode. Prefere, por exemplo, concessão. É fato. Mas o que restou da economia de Cuba produz menos do que Goiás. O risco de cubanização é menor do que o de goianização da economia brasileira.

Cuba vive uma crise financeira desde 1991, quando a União Soviética ruiu. Os subsídios que recebia secaram. O país perdeu um terço de todas as suas riquezas em cinco anos. A situação melhorou um pouco graças a acordos comerciais com a Venezuela. O país vende petróleo a Cuba a um terço do preço de mercado, o que resultou no fim dos apagões em Havana. Tudo o que Cuba produz equivale à soma dos bens do Sri Lanka.

Raúl Castro assumiu o poder em 2008, quando seu irmão Fidel se afastou com uma inflamação no cólon. Nunca foi confirmada a informação de que o líder cubano, com 88 anos, sofre de câncer. Cuba está pior do que Fidel. Respira por aparelhos.

ABERTURAS

Castro abriu o país ao turismo, promoveu a associação do Estado com grupos privados estrangeiros, legalizou a posse do dólar e autorizou mais de 150 atividades privadas, muitas ligadas a restaurantes familiares, táxis e funções pouco comerciais – artistas de rua que simulam ser estátuas e vendedores de CDs e DVDs piratas.

Estatal em Cuba é a palavra que sempre definiu o regime. Seja no tempo em que houve  melhorara nos índices de saúde e educação, seja hoje como símbolo do modelo que ruiu.

Castro liberou a saída de cubanos do país sem necessidade de permissão especial. Antes da reforma migratória, a medida mais impactante de Raúl Castro havia sido a permissão de negociação de imóveis, uma exclusividade do Estado.

Relatório do Departamento de Estado americano calcula que 40% da economia cubana é informal. O governo cubano aponta um culpado para a crise: o embargo que, desde 1962, proíbe os norte-americanos de negociarem com a ilha.

FIM DO EMBARGO

Obama, na campanha de 2008, disse que chegara o tempo do fim do embargo comercial contra Cuba. Por um motivo simples: o embargo não levou à queda do regime, só piorou as condições de vida dos cubanos. Nos dois anos que restam de mandato a Obama, espera-se que levante o embargo. É ideia que se espraia nos meios norte-americanos, apesar da resistência conservadora. No começo do mês, o jornal The New York Times defendeu o fim do embargo em editorial.

Em viagem a Havana, acompanhei alguns dos passos do processo de abertura econômica que Raúl Castro começou a implantar na ilha. Os cubanos são simpáticos. Precisam de dinheiro, moeda forte, dólar. Vivem o racionamento de quase tudo, a renda mensal média está próxima a R$ 30. Os estrangeiros são sua principal fonte de renda. Não é à toa que os cubanos adoram os estrangeiros.

Durante uma caminhada para descobrir onde se localiza a sorveteria Coppelia, deparei-me com uma feira livre. Os cubanos têm o que chamam de caderneta, que dá direito uma cesta básica de produtos racionados. Na feira livre, podem comprar produtos com pesos cubanos. Mas a oferta é precária: batata, alface, alguma carne de segunda _ fora de refrigeração. Bons produtos só com a chamada moeda conversível, obtida com quem se relaciona com os estrangeiros, ou no mercado negro.

Nos subterrâneos da economia, vende-se de tudo. Antenas de TV por satélite são um dos itens mais cobiçados. Nos hotéis, os estrangeiros têm acesso a três canais cubanos com novelas brasileiras e locais, telejornais e debates. Canais chineses e venezuelanos abundam. Canais americanos, como ESPN e HBO, são muitas vezes contrabandeados.

CORRUPÇÃO

Os mais velhos respeitam conquistas como moradia e educação. Reclamam de que procedimentos complexos na saúde são demorados. Todos se queixam da corrupção, inclusive Raúl Castro, que faz do tema um bordão em seus discursos.

A cultura é finíssima, apesar de pobre. Os músicos que já se apresentaram com os integrantes do Buena Vista Social Club se multiplicam a cada esquina. Vi um baixista tocando seu instrumento de modo virtuoso, apesar de haver colocado barbante no lugar das cordas por falta de dinheiro. Nos clubes noturnos, mães estimulam jovens a dançar com estrangeiros, sonhando com que as levem de Havana.

Nas ruas, os jovens falam abertamente da vontade de emigrar, da vontade de ter acesso livre à internet _ um luxo porque a conexão é discada e cara _ US$ 5 por dez minutos, quase uma semana de trabalho do cubano médio.

Em visita recente a Havana, executivos do Google calcularam que apenas um quarto dos 11 milhões de cubanos tem telefone fixo. A estrutura de telefones celulares é frágil, com limitada e cara possibilidade de transmissão de dados. O Google calcula que apenas 440 mil pessoas (4% dos cubanos) tenham acesso à internet, por meio de cibercafés e algumas universidades.

O presidente do Google, Eric Schmidt, disse que Cuba vive nos anos 90. “A Internet é fortemente censurada. A infraestrutura foi construída com tecnologia chinesa. O bloqueio não tem nenhum sentido para os interesses dos Estados Unidos: se pretendemos que Cuba se modernize, a melhor maneira de obter êxito é empoderar os cidadãos com telefones inteligentes/smartphones (não há quase nenhum hoje em dia), fomentar a liberdade de expressão e colocar ferramentas informativas diretamente nas mãos dos cubanos.”

Da próxima vez que ouvir o risco de cubanização do Brasil, sorria. Tem alguém sendo filmado.

Mujica defende adoção de regras claras contra a corrupção

Mujica continua na política como senador

Agência Brasil

Em uma década de governos da Frente Ampla, a economia uruguaia cresceu em média 5% ao ano, o desemprego caiu, e o índice de pobreza foi reduzido de 39% para 11%. Mas quem colocou o pequeno país no mapa foi o atual presidente José Pepe Mujica, cujo sucessor será eleito neste domingo.

Desde que ele assumiu a presidência, em 2010, Mujica – de 79 anos – fez fama por ser diferente. Vive na mesma chácara e dirige o mesmo fusca velho. Um xeque árabe quis comprar o carro por um US$ 1 milhão, mas ele recusou a vendê-lo. Doa 90% de seu salário presidencial para projetos sociais. No seu governo, três medidas polêmicas foram aprovadas: aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e livre produção e venda de maconha.

Em entrevista à Agência Brasil, José Pepe Mujica disse que – depois de entregar a presidência a seu sucessor, em março – tem muitos planos. Já começou a construir uma escola de ofícios agrícolas em um canto da chácara e vai continuar fazendo política, como senador – cargo para o qual foi eleito no primeiro turno, das eleições presidenciais e legislativas, em outubro passado.

ELEIÇÕES HOJE

Os uruguaios foram às urnas para renovar a totalidade do Congresso: a Frente Ampla obteve maioria em ambas as casas. Mas nenhum candidato a presidente obteve suficientes votos para ser eleito no primeiro turno. Por isso, neste domingo (30), o candidato governista Tabaré Vasquez vai disputar o segundo turno com Luis Lacalle Pou, do tradicional Partido Nacional ou Blanco.

Pepe Mujica disse estar certo da vitória de Tabaré Vasquez. E disse que, no Congresso, vai defender reforma constitucional e adoção de regras claras para combater a corrupção – principalmente na política. “Precisamos assegurar regras que ajudem a combater alguns desvios que estão aparecendo na América Latina, como a corrupção”, disse Mujica. “Não porque tenhamos corrupção, mas porque quando você vê as barbas do vizinho ardendo, melhor colocar as suas de molho”, disse.

E como fazer isso? Fiel ao seu estilo de dizer o que pensa, sem rodeios, Pepe Mujica respondeu: “Ah! Tendo as ideias claras, sabendo que não estamos aqui pelo dinheiro e que temos que botar para correr da política a todos aqueles que gostam muito de dinheiro. Essa e a primeira medida”. Segundo ele, é preciso “ser sóbrio na política e viver como vive a maioria do nosso povo e não como vive a minoria”. O povo, disse Mujica, “não vê apenas o discurso, vê tudo o que rodeia os políticos”.

UM VELHO ESQUISITO

A paulista Renata Soares, que vive há 11 anos em Montevidéu, disse que o interesse dos brasileiros pelo país vizinho aumentou desde que Pepe Mujica virou presidente. Ela administra uma página no Facebook, da comunidade brasileira no Uruguai. Segundo ela, muitos escrevem perguntando onde podem se encontrar com o presidente uruguaio para tirar uma foto e bater um papo.

“Graças a Mujica, muita propaganda sobre o Uruguai foi feita no Brasil e muitos brasileiros, cansados [do próprio país] ficam fascinados pelo carisma e a simplicidade do Pepe”, disse Renata. Pepe sabe que ajudou a despertar o interesse internacional pelos uruguaios: “Eu acho que há uns quantos turistas que gostam de vir ao Uruguai….e já que estão aqui, acabam vendo um velho esquisito”, brincou.

Gerente corrupto tinha muitas regalias na Petrobras

Thiago Herdy
O Globo

Disposto a devolver cerca de US$ 100 milhões em propinas como gerente executivo de Engenharia da Petrobras, Pedro Barusco desfrutava de regalias bancadas pela estatal, como viagens em primeira classe, durante viagens para representá-la no exterior, apontam documentos obtidos pelo Globo.

Por ser funcionário do segundo escalão, Barusco tinha direito a viajar apenas em classe econômica ou executiva. Em 2007, no entanto, ao viajar para a Offshore Technology Conference (OTC), maior feira de petróleo do mundo, em Houston, nos EUA, foi autorizado a voar na primeira classe pelo simples fato de acompanhar o então diretor de Serviços, Renato Duque, também acusado, hoje, de corrupção.

“O empregado irá de primeira classe, porque acompanha o diretor Renato de Souza Duque”, justificou o funcionário da Petrobras que efetuou a reserva. O mesmo ocorreu em viagens naquele ano a Olivedo e Barcelona, na Espanha, e, no ano seguinte, à Coreia do Sul.

Quando viajava sozinho, Barusco também ia de primeira classe, após ser autorizado por Duque, de quem era braço-direito na estatal. Isso ocorreu em viagens de trabalho para Cingapura, na China, em 2005, para entrega de cascos das plataformas P-52 e P-54; para Dubai, nos Emirados Árabes, em 2008; e a Xangai, em 2010.

Perguntada pelo Globo sobre o motivo das autorizações a Barusco e que mecanismos dispõe para evitar abusos do tipo, a Petrobras não quis se pronunciar. Procurado, Barusco também não comentou.

“DORES NA REGIÃO LOMBAR”

Os bilhetes de primeira classe do ex-gerente custaram entre US$ 7 mil e US$ 22 mil, valores que variavam de acordo com o destino. Em geral, tarifas de primeira classe dão direito a poltronas totalmente reclináveis, refeições com menu assinado por chefs renomados e, em alguns casos, até banheiro exclusivo com chuveiro.

Antes de viajar a Cingapura, em 2005, Barusco escreveu a Duque reconhecendo que sua função não lhe daria direito, pelas regras da empresa, a voar em primeira classe. No entanto, pediu que o direito lhe fosse concedido por causa de “dores na coluna e na região lombar”, e por considerar viagens longas “extremamente penosas”.

Funcionário da Petrobras entre 1979 e 2010, o ex-gerente foi citado na Operação Lava-Jato por fornecedores da Petrobras que afirmaram ter pago propina a ele e a Duque para fechar contratos. Suas atividades na estatal são alvo da investigação da Polícia Federal e também da CPI do Congresso Nacional que investiga corrupção na petroleira.

Levy e Barbosa trabalharão ao lado de Dilma no Planalto

Luciana Lima
iG Brasília 

O trabalho de acertar as ações na economia começa na próxima segunda-feira (1º) no chamado gabinete de transição instalado no Palácio do Planalto. A dupla de indicados, Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) trabalhará no terceiro andar do prédio, o mesmo da presidente Dilma Rousseff.

Já o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini continuará em seu gabinete, no Banco Central, mas em constante contato com os recém-chegados.

A agenda de trabalho ainda está sendo definida e, além de encontros diários com a presidente, incluirá reuniões com os secretários de cada área das pastas que comandam a área econômica.

Já encontros com o atual titular da Fazenda, Guido Mantega, não ocorrerão. A interlocução será toda feita pelo atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Rogério Caffarelli.

Mantega tem submergido. Na quinta-feira (27), dia do anúncio da escolha de seu sucessor, o atual ministro viajou para São Paulo. Na sexta-feira (28), deixou de dar a tradicional entrevista após a divulgação do PIB do terceiro trimestre, que cresceu 0,1% de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Complemento

Um formulador de políticas públicas, um fiscalista por excelência e banqueiro central moderado. A combinação pode parecer antagônica, mas a equipe escolhida por Dilma para comandar a economia em seu segundo mandato procurou passar a imagem de complementaridade, tentando combater qualquer vestígio de “rota de colisão” entre seus integrantes.

Apesar das diferentes formações, escolas e perfis, os três integrantes confirmaram a intenção de instalar uma política fiscal mais rígida, continuar com as políticas públicas e combater a inflação. Tudo isso com um objetivo imediato claro: criar um clima favorável ao investimento.

Para alguns economistas, a fórmula deve funcionar e se adequar bem às previsões de um 2015 bastante difícil. “Gostei demais de ver os três na apresentação lendo seus pronunciamentos. Isso quer dizer que tudo está muito bem coordenado entre eles”, comentou o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos.

O forte de Nelson Barbosa é a formulação de políticas públicas. Sua grande habilidade, reconhecida por unanimidade do governo, é a habilidade em solucionar problemas nesta área.

Em sua apresentação, logo após o anúncio oficial, Barbosa deu um recado claro de que passará a coordenar os programas de investimentos federais, inclusive trazendo para sua gestão o Programa de Investimentos em Logística (PIL), que prevê novas concessões para reformas e construção de rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Este programa já foi elencado pela presidente como prioridade do segundo mandato para alavancar o investimento, inclusive do setor privado.

Barbosa, no entanto, sinalizou que respeitará os limites da redução de gastos a ser promovida por Levy, ao dizer que o governo “não vai renunciar a conquistas recentes”, mas vai “adequar a velocidade desses programas no cenário macroeconômico dos próximos anos”.

Levy é da escola clássica, um ortodoxo, defensor do controle rigoroso dos gastos do Estado. Ao contrário de Barbosa, a formação de Levy não aceita a ideia de que os gastos do governo podem também gerar demanda e movimentar a economia.

Para Tombini, formado também no pensamento clássico, mas que provou sua capacidade de ponderar o custo social da política monetária, a presença de Levy na Fazenda só tem a contribuir, já que uma política de arrocho fiscal ajuda a baixar a inflação. Muitos analistas chegaram a dizer que o presidente do Banco Central, no primeiro mandato de Dilma, foi deixado sozinho combatendo a inflação nos últimos dois anos, tendo como único instrumento a taxa de juros.

Para se salvar, Dilma tem de seguir a receita da oposição

Vicente Nunes
Correio Braziliense

A sorte está lançada. A presidente Dilma Rousseff iniciou, ontem, efetivamente o segundo mandato, ao anunciar a nova equipe econômica. O sentimento no Palácio do Planalto é o de que, ao rasgar a política que prevaleceu no primeiro mandato, a petista abriu mão de convicções importantes. Não está se dando o direito de errar.

Dilma sabe que o que está em jogo, daqui por diante, é a permanência do PT no poder. Se continuasse insistindo nos equívocos dos últimos quatro anos, certamente ajudaria a oposição a retornar, mais facilmente, ao Palácio do Planalto. A ironia é que a presidente está precisando seguir a receita da oposição para se livrar do fiasco.

Quem se der ao trabalho de recuperar o discurso de Dilma durante a campanha eleitoral verá que seu novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tratou de jogá-lo no lixo ao se apresentar como novo guardião dos cofres públicos. Ele ressaltou que, sem um ajuste consistente nas finanças do governo, indicando compromissos com metas de superavit factíveis nos próximos anos, não há como o país sair do atoleiro em que se encontra.

PRÓXIMOS ANOS 

Levy foi taxativo: “O objetivo imediato do governo e do Ministério da Fazenda é estabelecer uma meta de superavit primário para os três próximos anos, compatível com a estabilização e declínio da relação dívida bruta em percentual do PIB (Produto Interno Bruto)”. Desde que Dilma tomou posse, em 2011, e a gastança se instalou na Esplanada nos Ministérios, o endividamento total do país saltou de 53% para 61%. É o maior nível entre as nações emergentes.

O sucessor de Guido Mantega foi além, ao frisar que não haverá mais transferências de recursos do Tesouro Nacional para os bancos públicos. Durante a caminhada à reeleição, Dilma frisou que, se a oposição chegasse ao poder, “não ficaria pedra sobre pedra” nas instituições financeiras federais. E alardeou que programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida e os financiamentos à agricultura, seriam destruídos. Nada disso vai acontecer. Apenas, com o rigor de Levy, todas as liberações de recursos públicos serão feitas de forma criteriosa.

SEM CRESCIMENTO…

Nem mesmo Nelson Barbosa, que comandará o Ministério do Planejamento e é mais alinhado ao pensamento de Dilma, deixou de jogar uma pá de cal sobre a política econômica do primeiro mandato da chefe. Ele ressaltou que, sem crescimento, não há como fazer inclusão social. A petista, na corrida por mais quatro anos no Planalto, reforçou que a população não comia PIB.

A tendência é de que, nos próximos dias, a nova equipe vá anunciando uma série de medidas para mostrar que o compromisso de Dilma de fazer o país voltar a crescer com inflação na meta é para valer. É verdade que as primeiras palavras de Levy não causaram a comoção que o mercado financeiro esperava. Foi firme, deu direções, mas não se aprofundou nos detalhes, até para não alimentar muitas expectativas, já que ele mesmo está caminhando sobre um terreno minado.

Câmara vai votar projeto que anula Estatuto do Desarmamento

O plenário da Câmara dos Deputados vai analisar, no próximo dia 10, um projeto de lei que anula o Estatuto do Desarmamento, em vigor no país desde 2003. A principal mudança da proposta é a liberação do porte de arma para o cidadão comum. Além disso, o processo para concessão da autorização ficará mais barato, e ele passará a ser realizado pelas Polícias Civis de cada Estado. A possibilidade da liberação coloca em lados opostos movimentos pacifistas e uma parcela da população defensora da tese de que a liberação dá ao cidadão a possibilidade de se defender de criminosos.

Hoje, para que o porte seja concedido, o interessado precisa comprovar a necessidade da arma. Se o Projeto de Lei 3.722/2012, do deputado Rogério Peninha (PMDB-SC), for aprovado, essa necessidade será excluída. “Atualmente, o bandido assalta uma pessoa com a certeza de que não terá reação. Será que esse marginal teria a mesma audácia caso os brasileiros pudessem obter o porte de armas? É preciso repor a dúvida na cabeça do ladrão”, justificou.

O parlamentar embasa a proposta no aumento da criminalidade e no baixo número de armas recolhidas na campanha do desarmamento, criada em 2004. Em quase dez anos, foram 660 mil armas, 500 mil delas nos primeiros dois anos (veja os dados ao lado).

Assaltado três vezes, o administrador Cleber Grijó Júnior, 37, reforça o coro. Colecionador de armas e atirador esportivo, ele argumenta que a legislação tira do cidadão o direito de se defender. “O Estado não dá conta da violência. Os bandidos sabem que podem entrar na sua casa, na sua empresa. Não vai haver reação. Não acho que deva banalizar, baratear o processo. Tem que ter critérios, sim, exigir treinamento, teste psicológico. O que não acho certo é proibir e pronto, para todo mundo. O criminoso não cumpre a lei, não entrega a arma dele”. Pelo projeto, as taxas para a concessão de porte ou posse serão de R$ 440 – hoje são R$ 2.435.

O presidente do Movimento Viva Brasil, Bene Barbosa, defende a revogação do estatuto por causa do referendo de 2005, quando 59 milhões de brasileiros foram contra a lei – a pergunta na ocasião era se o cidadão era a favor de proibir o comércio de armas e munição. “A opção de defesa só pode ser exercida se você tiver um instrumento para isso”.

Menos armas. O cientista político Guaracy Mingardi, por sua vez, defende que regras mais frouxas contribuem para o acesso de bandidos a armas e para o crescimento de crimes por impulso, como em brigas de trânsito e após discussões. (reportagem enviada por Carlo Germani).

 

Laudo sobre morte de Jango será divulgado na segunda-feira

Daniela Garcia
Correio Braziliense

O resultado da exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart será anunciado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República na próxima segunda-feira (1º/12). Parentes e amigos próximos do ex-presidente sustentam a tese de que a morte dele pode ter sido causada pela substituição de medicamentos rotineiros, feita por agentes da repressão uruguaia. Investigações conduzidas pela Comissão Nacional da Verdade indicam que o ex-presidente foi uma das vítimas da Operação Condor, montada pelas ditaduras militares do Brasil, da Argentina e do Uruguai para perseguir opositores.
Os restos mortais do ex-presidente foram tirados do jazigo de Jango na cidade de São Borja (RS) e analisados pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal em 13 de novembro do ano passado. Deposto pelo regime militar, Goulart morreu no exílio, na Argentina, em 6 de dezembro de 1976. Depois da exumação, os restos mortais foram novamente enterrado, com honras militares, em cerimônia que contou com a participação da presidenta Dilma Rousseff e dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, José Sarney e Fernando Collor.

A data de divulgação do laudo foi anunciado terça-feira pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti. Sete peritos ficam reunidos, a partir desta terça-feira, em Brasília para fazer o relatório de três análises laboratoriais. Além da Polícia Federal, participaram do processo especialistas da Espanha, Portugal, Uruguai, Argentina e Cuba. O resultado ficará pronto a tempo de entrar no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que será apresentado em 10 de dezembro.

Do lado esquerdo do peito, dentro do coração

O advogado, compositor e poeta mineiro Fernando Rocha Brant, na letra de “Canção da América”, lembra o desejo de frátria, devido aos laços histórico/afetivos que unem os países americanos, em especial, os latino-americanos. Pelo potencial confraternizador que carrega, a canção tornou-se o hino de celebração das amizades, mormente, para retratar os encontros e as despedidas existentes em nossa vida. Esta música foi gravada por Milton Nascimento, em 1980, no LP Sentinela, pela Ariola.

CANÇÃO DA AMÉRICA
Milton Nascimento e Fernando Brant                                                                                                                                                                                                                      

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam “não”
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.

    (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Deputados também entraram no comércio ilegal de terras

Polícia Federal diz que desvios chegaram a R$ 1 bilhão

Helson França
Folha

Deputados estaduais de Mato Grosso também podem estar envolvidos no esquema de comércio ilegal de terras da reforma agrária no município de Itanhangá (a 540 km de Cuiabá), alvo da operação Terra Prometida, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (27).

O juiz federal Fábio Henrique Rodrigues de Moraes Fiorenza, responsável pela expedição dos 227 mandados judiciais (sendo 52 de prisão preventiva), cita, em decisão à qual a Folha teve acesso, que “há indícios de que os deputados estaduais José Geraldo Riva (PSD) e Dilmar Dal Bosco (DEM) podem ter, em tese, atuado para favorecer grandes produtores rurais e empresas que desenvolvem atividades na região”.

Depoimentos colhidos pela PF e pela Procuradoria de Mato Grosso, contidos na decisão, associam diretamente os parlamentares à organização criminosa.

Uma das testemunhas afirma que Dilmar Dal Bosco possui 30 lotes no projeto de assentamento em nome de laranjas. Os laranjas, segundo a testemunha, são agiotas que andam fortemente armados, dizendo ter “costa quente”, em referência ao deputado.

Em outro trecho da decisão, uma determinada testemunha ressalta que “o deputado Riva tem muitas propriedades na região em nome de laranjas”.

TÍTULOS FRAUDULENTOS

No documento, uma das testemunhas ainda diz que “outra tentativa de regularizar essa situação ilegal, que já vem sendo feita por esses criminosos, é a realização de georreferenciamento dessas áreas com títulos fraudulentos”. A prática, de acordo com o depoente, é apoiada por Riva e Dilmar, além dos prefeitos de Itanhangá, João Antônio Vieira (PSD), e de Ipiranga do Norte, Pedro Ferronato (PTB).

Devido à suposta participação dos deputados, de prefeitos e do eventual envolvimento do ministro da Agricultura, Neri Geller (PMDB), no esquema, o juiz encaminhou os autos ao Supremo Tribunal Federal (STF), que aprecia os processos de pessoas com foro privilegiado.

O deputado Dilmar Dal Bosco classificou as acusações como mentirosas. Ele, que preside na Assembleia Legislativa a Frente Parlamentar de Regularização Fundiária, afirmou à reportagem que nunca teve “um palmo de terra em Itanhangá”.

“Estão querendo me prejudicar, pois sou um deputado atuante. Participei de muitas audiências públicas em Itanhangá e diversos municípios, para discutir regularização fundiária”, disse.

Procurado, o deputado Riva também disse que não possui terras na região e que foi um dos responsáveis por estruturar o assentamento. “Se alguém achar algum lote meu lá pode pegar para ele. O que fiz foi agir politicamente para levar energia, estrada, água para a área. Repudio essas acusações.”

O ESQUEMA

Segundo a PF, mais de mil títulos de terras do Projeto de Assentamento Itanhangá, localizado no município de mesmo nome, foram comercializados de forma ilegal. O prejuízo aos cofres públicos pode alcançar R$ 1 bilhão.

A polícia afirmou que fazendeiros e empresários pressionavam e ameaçavam os assentados para que vendessem os lotes por preços muito abaixo do mercado. Em muitos casos, os ocupantes eram retirados das terras à força.

Depois da desocupação, os documentos eram falsificados e “regularizados” com ajuda de funcionários do Incra de Mato Grosso.

Até o momento, foram cumpridos 40 mandados de prisão preventiva. Entre os presos, encontram-se Milton e Odair Geller, irmãos do ministro da Agricultura, Neri Geller.

Oportunidade e oportunismo no assalto à Petrobras

Sylo Costa

Disse o ex-Presidente Getúlio Vargas: “Eu não sou um oportunista. Sou um homem das oportunidades. Se um cavalo passar encilhado em minha frente, eu monto”. Já o romancista francês Chapelan afirmou que “todo mundo é oportunista, mas nem todos sabem sê-lo oportunamente”.

Eu, que nada sou, digo que oportunismo é transformar o cargo de diretor-geral da Polícia Federal em cargo de confiança da Presidência da República, procedimento do desgoverno de dona Dilma para, naturalmente, evitar uma investigação como a do mensalão e a do “pequeno deslize”, no caso do assalto aos cofres da Petrobras. Também é oportunismo mudar o orçamento da União no final do exercício para fazer de conta que cumpriu a lei, no caso do “superávit primário”. Seja presidente ou presidenta, como queiram, o certo é que não se pode mudar a regra depois do jogo começado e, neste caso, o jogo está no fim.

Esse caso da Petrobras, como os outros tantos assaltos de que o povo está sendo vítima, é sinal de nosso tempo político. Será que a Petrobras seria saqueada continuadamente como tem sido ao longo do tempo, se fosse uma empresa privada? Por que não se vê isso em grandes empresas e bancos? E por que acontece, às vezes, ou quase sempre, também com o Banco do Brasil? Porque o Estado é mau patrão, é mau comerciante, é mau industrial, é mau em tudo e deveria existir só para nos organizar em sociedade, nada mais que isso. Mas aí o assunto passa a ser o Estado mínimo e pode ser discutido depois, quando tivermos o povo educado e sadio. Não tenho dúvida: pecados cabeludos como esses que existem aqui só acontecem porque o Estado é tudo, e tudo é Estado.

Até parece que sou socialista ou comunista… Sou não, penso assim porque estudei, sou sadio e concordo com Churchill: “O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual das riquezas, já a virtude do socialismo é a divisão igualitária da miséria.” (transcrito de O Tempo)