Duque e Barusco eram “criativos” nos acordos extrajudiciais

Thiago Herdy
O Globo

Negociações conduzidas pelo ex-diretor de Serviços Renato Duque e o ex-gerente-executivo de sua diretoria Pedro Barusco levaram a Petrobras a pagar pelo menos R$ 764,9 milhões em 56 transações extrajudiciais — mecanismo que permite a fornecedores fazer acordos com a contratante quando os contratos já estão encerrados e para evitar que divergências sobre pagamentos cheguem à Justiça.

Levantamento do Globo em documentos classificados como sigilosos pela estatal mostra que os dois funcionários, que estão presos, acusados de corrupção no âmbito da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal (PF), tinham poder dentro da companhia para levar à Diretoria Executiva soluções com risco de lesar a empresa. Sob orientação da dupla, a estatal pagou milhões a fornecedores que alegaram prejuízos decorrentes de raios e chuvas, condições de solo imprevistas e até descoberta de formigas em extinção em área de obra.

“EXCEPCIONALIDADES”

Em apenas um dos acordos avalizados pela dupla, a estatal aceitou pagar R$ 112,8 milhões ao consórcio Propeno, formado por duas investigadas na operação da PF, a UTC Engenharia e a Odebrecht, a título de “serviços complementares e excepcionalidades” relacionados à construção da unidade de propeno da Refinaria Henrique Lage, em São José dos Campos (SP).

Com valor de R$ 339,9 milhões, o contrato tinha previsão de término em julho de 2008, menos de dois anos depois de ser assinado.

No entanto, Odebrecht e UTC entregaram a obra um mês antes, em junho de 2008. A Petrobras aceitou desembolsar mais R$ 34,5 milhões, “devido à extensão do prazo que a contratada faria jus e não pleiteou, adicionando, ao contrário, recursos para manutenção de prazo contratual previsto”, segundo registro de documento oficial da estatal. Outros R$ 7,8 milhões foram pagos em função de gastos diretos e indiretos decorrentes de “um excedente na previsão de horas paradas em função da incidência de raios e de chuvas”. Fechado em novembro de 2008, o acordo ainda previu uma atualização monetária de R$ 11,1 milhões, por considerar a data-base do contrato, junho de 2006.

‘TOTAL REGULARIDADE”

Procuradas pelo Globo, Petrobras e UTC não quiseram se manifestar. A Odebrecht informou que seus contratos “foram firmados em total regularidade” e que “a transação extrajudicial é um procedimento comum”. Argumentou também que seu contato com a Petrobras ocorre “dentro da lei, com ética e transparência”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A criatividade da dupla Duque/Barusco é impressionante e ganha destaque com o caso ambiental das formigas em extinção. Deveriam ganhar o Oscar de Efeitos Especiais. (C.N.)

EUA podem condenar à prisão os empreiteiros da Petrobras

Empreiteiros podem ficar na mesma condição de Maluf

Danilo Fariello
O Globo

Os envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobras investigado pela Operação Lava-Jato ganharam um motivo a mais para se preocupar. Em conferência na última quarta-feira, a procuradora-geral assistente do Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), Leslie Caldwell, responsável pelos casos de corrupção fora do país, foi bastante clara sobre a intenção de prender mais pessoas corruptas, em vez de punir companhias e seus acionistas, apelando para países parceiros colaborarem na busca dos protagonistas dos crimes. A Petrobras vem sendo acompanhada pelas autoridades dos EUA, que mantêm contato com o escritório Gibson, Dunn & Crutcher LLP, contratado pela própria estatal brasileira.

– O nosso histórico de sucessos nesses processos (mais recentes) nos permite mostrar aos executivos que, se eles participam de atos de corrupção, como influenciar indevidamente um funcionário público estrangeiro, individualmente terão uma perspectiva muito real de ir para a prisão – disse ela, durante conferência em Washington sobre a Lei contra Atos de Corrupção no Exterior (FCPA, na sigla em inglês).

DOSE EXTRA DE RIGOR

A legislação permite ao Departamento de Justiça e à SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), com dose extra de rigor, investigar e punir empresas estrangeiras, sob alegação de que elas podem comprometer a competitividade de companhias americanas.

Os casos são ainda mais rigorosos quando as empresas têm ações ou ativos nos EUA ou competem com empresas globais, quesitos nos quais a Petrobras se encaixa.

Das 50 pessoas individualmente processadas pelo DoJ, em casos relacionados à lei anticorrupção nos últimos cinco anos, metade foi em 2013, afirmou Leslie Caldwell. Há nos EUA uma grande pressão da sociedade para que pessoas envolvidas em crimes de “colarinho branco” sejam presas, e não apenas suas companhias multadas em valores significativos, o que não deixou de continuar acontecendo.

NO MESMO CASO DE MALUF

Caso a Justiça americana comece a responsabilizar e punir com cadeia executivos de empresas envolvidas em fraudes, dirigentes da Petrobras e de empresas envolvidas nos escândalos da estatal poderão ser impedidos de pisar em solo americano e até em outros países, sob risco de prisão.

Se forem responsabilizados nos EUA, pode-se repetir com eles a situação do deputado Paulo Maluf (PP-SP). Indiciado pela Justiça de Nova York em 2007 por roubos de fundos públicos, transferência de recursos de origem ilícita e conspiração, Maluf seria preso se pisasse nos EUA. A partir de 2010, a situação se agravou com sua inclusão na difusão vermelha da Interpol. Isso o impede de deixar o Brasil e de passar por qualquer um dos 188 países signatários da organização policial internacional.

Uma eventual condenação pela Justiça americana, porém, não pode redundar em prisão no Brasil e em extradição, já que a Constituição impede a extradição de brasileiro nato. Assim, eles só serão presos no Brasil se condenados aqui.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os empreiteiros que não têm dupla cidadania não podem fugir do país. Se forem condenados pela Justiça americana, o que é mais do que provável, e estiverem foragidos no exterior, serão caçados pela Interpol. (C.N.)

MP tenta recuperar na Suíça parte do dinheiro desviado

Deu no G1

Procuradores do Ministério Público Federal (MPF), responsáveis pelas investigações da Operação Lava Jato, embarcaram nesta segunda-feira (24) para a Suíça. O objetivo deles é tentar localizar o dinheiro que pode ter sido desviado da Petrobras. O Ministério Público suíço localizou e deve entregar extratos de uma conta do ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, acusado de participar do esquema.

A conta do ex-executivo da Petrobras tem cerca de US$ 27 milhões depositados. Com os extratos, a força-tarefa do MPF tentará descobrir de onde veio e para onde iria toda essa quantia. Os procuradores também vão procurar provas de que outros envolvidos na Operação Lava Jato tenham movimentado dinheiro no exterior.

Entre eles, está outro ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, que está preso em Curitiba, e o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Conforme Paulo Roberto Costa, eles também participavam do esquema, sendo que Baiano seria operador do PMDB nos desvios de dinheiro da Petrobras.

A informação foi corroborada por outro executivo, da empresa Toyo Setal, chamado Júlio Camargo. Em um depoimento à Polícia Federal, ele garantiu ter feito depósitos no valor de R$ 6 milhões. A quantia, afirmou, era para a diretoria de Serviços, comandada por Duque. A maior parte foi depositada no banco Credit Suisse, em contas indicadas por Duque e pelo subordinado dele, o gerente de Serviços da estatal, Pedro Barusco.

Júlio Camargo também disse que repassou entre R$ 12,5 milhões a R$ 15 milhões para Fernando Baiano. Segundo o executivo da Toyo Setal, esse dinheiro foi levado para um banco no Uruguai e para várias contas indicadas pelo lobista no exterior.

Com a identificação de todas essas contas e movimentações, o MPF pretende, o mais rápido possível, iniciar os processos para repatriar o dinheiro.

LAVAGEM DE DINHEIRO

A Operação Lava Jato investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões e provocou desvio de recursos da Petrobras, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A nova fase da operação policial teve como foco executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobras que somam R$ 59 bilhões.

Parte desses contratos está sob investigação da Receita Federal, do MPF e da Polícia Federal. Ao todo, 25 pessoas foram presas pela PF durante esta etapa da operação. Porém, ao expirar o prazo da prisão temporária (de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco), na última terça (18), 11 suspeitos foram liberados. Outras 14 pessoas, entre as quais o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, continuam na cadeia.

CPI acha que também recebeu documentos falsos de empreiteira

Carolina Gonçalves
Agência Brasil

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), admitiu que pode pedir ao Ministério Público a responsabilização criminal dos funcionários da empreiteira Engevix. Conforme o senador, a decisão será tomada caso fique comprovada a falsidade de documentos entregues à comissão. Em nota, a presidência da CPMI acrescentou que o recurso “será adotado em quaisquer casos em que haja suspeita de uso de documento falso perante a comissão”.

A reação do parlamentar foi motivada pelas suspeitas de que a empresa teria enviado os mesmos documentos entregues à Justiça no Paraná, que, no último dia 10, identificou a fraude em notas e cópias de contratos. Ao avaliar os papéis, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, concluiu que, além da Engevix, outras empreiteiras investigadas na sétima fase da Operação Lava Jato também entregaram notas fiscais falsas e contratos fraudulentos para justificar repasses às empresas de fachada, comandadas pelo doleiro Alberto Youssef.

NOTAS FISCAIS E CONTRATOS

As notas fiscais e contratos foram reunidos para defesa das empreiteiras. Na época, Sérgio Moro afirmou que, além de falsos documentos sobre serviços que não foram prestados, algumas empreiteiras omitiram informações.

Vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada é um dos presos na sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada faz uma semana. O engenheiro continua em Curitiba, na Superintendência da Polícia Federal. Os agentes cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, no Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Uma canção/poema para se poder viver

O jornalista, ensaísta e poeta paulista Cassiano Ricardo (1895-1974), no poema “Canção Para Poder Viver”, faz uma bem-humorada descrição de um relacionamento amoroso em que o homem faz de tudo para seduzir a mulher.

CANÇÃO PARA PODER VIVER

Cassiano Ricardo

Dou-lhe tudo do que como,
e ela me exige o último gomo.

Dou-lhe a roupa com que me visto
e ela me interroga: só isto?

Se ela se fere num espinho,
O meu sangue é que é o seu vinho.

Se ela tem sede eu é que choro,
no deserto, para lhe dar água.

E ela mata a sua sede,
já no copo de minha mágoa.

Dou-lhe o meu canto louco; faço
um pouco mais do que ser louco.

E ela me exige bis, “ao palco”!

      (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Inversão de expectativas na equipe econômica de Dilma

João Bosco Rabello
Estadão

O caminho escolhido pela presidente Dilma Rousseff, com as nomeações de Joaquim Levy e Nelson Barbosa, para a Fazenda e Planejamento, respectivamente, parece indicar a priorização da defesa de seu mandato sobre as preferências do PT.

Por isso, não chega a surpreender que a maior resistência à nova equipe econômica seja do seu partido e a repercussão positiva do mercado tenha calado a oposição. A receita para a saída da crise econômica é ortodoxa e, portanto, nada mais coerente que as escolhas recaiam sobre esses perfis.

Não é por acaso, que as críticas da oposição se concentram na incoerência entre o discurso de campanha da presidente reeleita e as escolhas de Levy e Barbosa. Do ponto-de-vista técnico, Dilma fez o que negava e o que a oposição pregava: achou a sua versão Armínio Fraga.

Restou à oposição, nesse caso, focar no estelionato eleitoral caracterizado pela prática de governo que desmente o discurso de campanha. O anúncio de Armínio Fraga por Aécio Neves, produziu uma peça de campanha em que os juros aumentariam, o Bolsa-Família seria extinto, faltaria comida à mesa dos brasileiros mais pobres e os bancos públicos seriam sufocados pela banca privada.

É natural que a oposição se sinta indignada e que reaja assim. Não é natural que esse discurso encontre sintonia no PT, o que faz da grita do partido contra os dois economistas, um indicativo de que pretende se manter na linha populista, apesar dos resultados econômicos desastrosos e do sentimento antipetista em todo o país.

IGUAL A LULA

Deliberadamente ou não, o discurso crítico do partido cumpre o papel de fixá-lo à esquerda para uma militância cada vez menor e mais desanimada, enquanto o governo cumpre uma pauta conservadora. De resto, nada diferente do que fez o ex-presidente Lula em seus dois mandatos.

A diferença agora é que Lula está com o partido, o que amplifica sua força de pressão junto à presidente – menos por questão ideológica e mais pelo interesse em voltar em 2018, meta só viável se houver o resgate da economia e da credibilidade do segmento investidor.

Nesse caso, Lula funciona como um poder moderador entre Dilma e o partido, apoiando a opção conservadora na economia, e até patrocinando-a com a sugestão de nomes -, mas ao mesmo tempo mantendo a dependência da presidente em relação à sua liderança na legenda para controlar o “fogo amigo”.

REFÉM DO PT

O cenário deixa mais nítida a equação do segundo mandato, em que o êxito de Dilma será tanto maior quanto menos refém ficar do PT. Não só pela pauta ideológica jurássica do partido, mas também pelo enredo de corrupção em que está metido, que não se esgota com o chamado “petrolão”, e que ameaça atingir novamente lideranças partidárias, como no mensalão.

Dilma lutará para ficar fora do enredo, embora conspire contra ela a dupla condição de ministra da Casa Civil e presidente do Conselho da Petrobrás à época em que os desvios de recursos foram executados, em benefício até mesmo de sua campanha presidencial.

São cenários difíceis que a presidente terá de percorrer, em uma travessia inconciliável com as restrições que o PT pretende impor. Dilma terá que distensionar o ambiente político e econômico e não o fará se desconsiderar a insatisfação da metade do país que votou contra sua reeleição, para atender ao projeto falido de poder de um partido, no qual não tem historicidade.

Petrobras tem de enviar documentos aos Estados Unidos

Reuters
A Petrobras informou nesta segunda-feira que recebeu no dia 21 de novembro uma notificação da Securities and Exchange Commission (SEC) requerendo documentos relativos a uma investigação do próprio órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.

A intimação solicita documentos que serão enviados após um trabalho conjunto com o escritório nacional Trench, Rossi e Watanabe Advogados e com o norte-americano Gibson, Dunn & Crutcher, já contratados para fazer uma investigação interna independente, informou a Petrobras em comunicado ao mercado. (texto enviado por Guilherme Almeida)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA investigação feita nos Estados Unidos é muito mais rigorosa do que a realizada no Brasil. Segundo o jurista Fábio Medina Osório, considerado o maior especialista em Improbidade Administrativa e Lei Anticorrupção, a legislação americana prevê até a prisão de corruptos e corruptores. No caso da Petrobras, se algum envolvido for condenado, o que é praticamente certo, ficará na mesma situação de Paulo Maluf, sem poder sair do país, por estar sendo procurado pela Interpol. (C.N.)

Além da Petrobras, a PF investigará outras obras do governo

Fábio Fabrini
O Estado de S. Paulo

A Polícia Federal pretende ampliar o leque das investigações para além da Petrobrás. Os relatórios do TCU são usados como ponto de partida para as investigações. A suspeita é que o esquema de corrupção na estatal, que envolvia o pagamento de propina e o financiamento ilegal de partidos em troca de contratos superfaturados, tenha funcionado em outras áreas do governo.

“Essas empresas tinham interesses em outros ministérios capitaneados por partidos. São as mesmas que participaram de várias outras obras no Brasil”, afirmou à Justiça Federal o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que aceitou colaborar com as investigações.

Na construção das ferrovias Norte-Sul e Leste-Oeste em Goiás e Tocantins, contratada pela Valec, a diferença de preços alcança R$ 475 milhões. Na Norte-Sul, as empresas do “clube” assumiram 14 lotes de obras. Em quatro deles, sob responsabilidade da Constran-UTC, o TCU achou “gordura” de R$ 64,6 milhões em contratos que somam R$ 390 milhões.

Em outros três segmentos a cargo da Andrade Gutierrez, orçados em R$ 702 milhões, os preços tiveram um aumento de R$ 112 milhões. Só no trecho de 109 quilômetros entre Córrego Jabuti e Córrego Cachoeira Grande, no Tocantins, o contrato inicial com a construtora, de R$ 270 milhões, estava R$ 43 milhões ou 15% mais caro.

ADITIVOS PESADOS

A Valec ainda firmou aditivos que aumentaram o valor global dos serviços para R$ 290 milhões. Um dormente, que deveria custar R$ 279, saiu a R$ 367 para o contribuinte. O TCU mandou a estatal repactuar os preços e abriu tomadas de contas – tipo de processo que serve para confirmar os danos ao erário e identificar responsáveis.

Por conta do superfaturamento nas ferrovias, o Ministério Público Federal ajuizou ações penais e de improbidade administrativa contra executivos das empreiteiras e a antiga cúpula da Valec – afastada em 2011, em meio a denúncias de corrupção. Para a procuradoria, há similaridades com o caso Petrobrás. O ex-presidente da estatal José Francisco das Neves, o Juquinha, chegou a ser preso em 2012, na Operação Trem Pagador, acusado de enriquecer a partir de desvios da Norte-Sul. Ele nega.

Os contratos com a Valec se encerraram sem que todas as obras previstas fossem entregues. A estatal contratou novas construtoras para terminá-las.

METRÔ DE SALVADOR

O TCU também suspeita de superfaturamento em outros projetos, como o Metrô de Salvador. O consórcio formado por Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez recebeu R$ 312 milhões para construir o trecho Lapa-Pirajá, Segundo cálculos de auditores, a preços de mercado, o segmento custaria R$ 146 milhões. Por causa disso, a corte determinou que as empresas recolham a diferença de R$ 166 milhões aos cofres federais. Elas recorreram.

Na Transposição do Rio São Francisco, vinculada ao Ministério da Integração Nacional, a Odebrecht firmou contrato de R$ 458 milhões para construir o canal do Sertão Alagoano. Pelas contas do tribunal, houve um sobrepreço R$ 59 milhões, equivalente a 13%.

A Queiroz Galvão, em consórcio com a Galvão Engenharia, arrematou outros dois lotes, orçados em R$ 690 milhões, para escavar o Canal Adutor Vertente Litorânea, no Estado da Paraíba. Materiais e serviços previstos no contrato estão R$ 34 milhões mais caros que no mercado. Na quarta-feira, o tribunal determinou ajuste nos orçamentos.

CARTEL É ANTIGO

Segundo depoimentos de delatores do caso Petrobrás, as dez principais empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato – Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Engevix, Andrade Gutierrez, Constran-UTC, Odebrecht, Mendes Júnior, Iesa, Galvão Engenharia e OAS – formaram um “clube” para desviar recursos de obras públicas desde os anos 1990.

Na Petrobrás, o cartel fraudou licitações e superfaturou contratos em pelo menos nove empreendimentos, mediante o pagamento de suborno a dirigentes. As irregularidades ocorreram em obras como a do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e das refinarias de Paulínia (SP) e Abreu e Lima (PE).

O “clube” ainda mantém contratos de R$ 4,2 bilhões em vigor com a Petrobrás. Entre elas, havia um grupo de vips, supostamente formado por Odebrecht, Constran-UTC, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e OAS, que tinha maior poder de “persuasão” na escolha dos contratos. A Engevix não apareceu nos relatórios do TCU sobre obras não relacionadas à Petrobrás citados nesta reportagem.

O fundo da imoralidade, na declaração de um advogado

Vittorio Medioli
O Tempo

O advogado Mário de Oliveira Filho, em defesa de seu cliente Fernando Baiano, lobista do PMDB, partido atolado no petrolão, afirmou às câmaras do “Jornal Nacional”: “Pode pegar qualquer empreiteirinha e prefeitura de interior do país. Se não fizer acerto, não coloca um paralelepípedo no chão”.

Essa é a expressão do quanto ele conhece em relação ao seu representado, pessoa identificada e ligada ao PMDB, partido que abriga em seus quadros o presidente da Câmara dos Deputados, o presidente do Senado e o vice-presidente da República. Apesar dos desmentidos do PMDB, é esse “Baiano” quem assumiu o trabalho de intermediação no esquema de assalto da maior estatal do país.

O advogado pretende provavelmente seguir uma linha de generalização da corrupção. Quase de um mal necessário, ou de prática comum que deve ser aceita sem muito questionamento como evolução da “espécie política tupiniquim”.

Quando todos pecam, ninguém está pecando. É isso que ele quer demonstrar.

ACIMA DA LEI

O ministro Marco Aurélio Mello classificou a declaração do “defensor” de “arroubo de advogado”, entretanto ele não está acima da lei, como cidadão, tanto quanto qualquer outro indivíduo maior de idade está proibido de “incitar, publicamente, a prática de crime”. Isso é o disposto do artigo 286 do Código Penal, com pena prevista de três até seis meses de prisão ou multa.

O Ministério Público do Paraná, local onde se deu a declaração, poderia e deveria, em defesa da sociedade, denunciar essa atitude criminosa que ofendeu os milhares de “honestos” ainda respeitosos dos princípios morais e que acreditam que “não roubar” é uma obrigação. A honestidade ainda existe, apesar de receber duros golpes.

Evidentemente, o advogado parte do pressuposto de que o crime do seu representado é indefensável e ainda de difícil descaracterização em face das provas e das delações que racharam o petrolão. Resta tentar atenuações de penas pela participação ao assalto bilionário ao patrimônio nacional.

CRIME CAMALEÃO

Embora a ação da Polícia Federal e do Judiciário federal do Paraná tenham-se aprofundado, nota-se que o laboratório central da corrupção onde se criam em proveta os esquemas criminosos permanece intocado. Migra de escândalo em escândalo, a corrupção se agiganta procurando novas veias para sugar a riqueza do Brasil. Aqui o crime muda de cor como o camaleão e compensa amparado pela impunidade.

Só agora vem a público que já no começo de maio de 2014 a Petrobras foi informada da confissão de diretores da holandesa BSM, empresa que aluga sondas de prospecção e extração de petróleo à Petrobras, de que haviam sido pagas a diretores da estatal brasileira dezenas de milhões de dólares. A roubalheira de Pasadena parece que é gota em copo d’água com relação aos desvios ocorridos com BSM.

Petrobras compra sempre caríssimo, vende barato, e nas transações as propinas acabam nas contas de diretores e políticos aos quais as diretorias da estatal foram concedidas para desfrute sem limites.

FARRA ATÍPICA

Ainda o Coaf detectou há mais tempo uma farra atípica de valores milionários nas contas dos diretores da estatal, doleiros e lobistas. Enriquecimento patrimonial injustificado e operações ilegais de montantes elevados foram comunicados a quem de direito. O que fez o governo do Brasil?

Ninguém foi incomodado. Apenas a ação do Judiciário e da Polícia Federal emparedou a maior quadrilha de corrupção que se viu neste país.

A orquestração do imenso assalto dificilmente pode escapar das principais autoridades da República. Algumas agora tentam surfar na onda moralizadora. A Presidência da República tem à disposição a Abin para investigar e informar qualquer fato, evento, trama ou conduta suspeita e criminosa.

O caso da Petrobras já era de conhecimento das mais altas esferas do governo. Ao longo dos últimos dez anos, várias CPIs foram abafadas pelo governo. Quando abertas, as CPIs têm como presidente e relator figuras escolhidas a dedo para enterrar as investigações e deixar blindados os reais mandantes dos malfeitos.

No Brasil, a corrupção existiu e persistirá como expressão e conduta das elites políticas deste país. Como escreveu Dante Alighieri no primeiro momento da “Divina Comédia”: “No meio do caminho de minha vida, me encontrei numa selva escura (lamentando) que a via certa eu havia perdido”. Ele se queixava no século XIII da imoralidade das elites em Florença; chegasse hoje aqui, certamente acrescentaria alguns quintos ao inferno para abrigar as elites políticas brasileiras, cuja impunidade começa agora a ser testada.

Doleiro tinha esquema para evitar controle financeiro

Vasconcelo Quadros e Wilson Lima
iG São Paulo e iG Brasília

Uma das testemunhas da Lava Jato, a contadora Meire Poza afirma em depoimento à Polícia Federal, que o laranja Waldomiro de Oliveira, um dos operadores de confiança do doleiro Alberto Youssef, contava com facilidades suspeitas para fazer grandes saques em espécie em bancos sem chamar a atenção de órgãos de fiscalização do sistema financeiro.

“Waldomiro tinha algumas facilidades junto aos bancos, sendo capaz de sacar quantias altas em espécie, cerca de setecentos a oitocentos mil reais por dia (…), bem como mantinha algum tipo de esquema para que essas operações não fossem reportadas ao Coaf”, diz a contadora, no depoimento prestado em julho.

Como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, recebe um alerta sobre operações igual ou superior a R$ 10 mil, os investigadores suspeitam que os saques seriam fragmentados em valores abaixo do teto que dispara o alerta ou, então, o laranja poderia contar com a conivência de funcionários dos dois bancos em que tinha contas, o Santander e a Caixa Econômica Federal.

A contadora descreve Oliveira como “uma pessoa bastante simples” para a alta porcentagem de 14% que cobrava por cada nota fiscal fria emitida através da MO Consultoria – empresa de Youssef – e que sua participação no esquema se justificaria pelas facilidades de operar junto aos bancos.

NOTA FISCAL FRIA

Segundo Poza, em determinada ocasião Youssef teria se irritado com Waldomiro por este ter emitido nota fiscal fria também a Delta Construções, empresa investigada no início de 2012 por supostas relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira, detalhe que poderia tê-lo complicado na CPI do Congresso que investigou o caso.

O laranja trabalhava também para a GFD, a RCI Software e a Empreiteira Rigidez, todas elas ligadas ao doleiro e suspeitas, conforme apontam as investigações, de fazer a interface dos partidos políticos e personagens beneficiados com a propina com as empreiteiras que superfaturavam as obras da Petrobras.

As notas fiscais frias eram emitidas em nome das empreiteiras por serviços ou materiais fictícios, dinheiro que chegava ao esquema de distribuição da propina assim que as empresas recebiam do governo pela execução de grandes obras. O dinheiro desviado da Petrobras era destinado aos partidos da base do governo, a diretores da Petrobras e aos laranjas.

Depois do fim de semana em Vinhedo, Dirceu volta a Brasília

Dirceu está desmoralizando a Justiça

André Richter
Agência Brasil 

A defesa do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, informou hoje (24) à Justiça que ele deve chegar em Brasília nesta madrugada. No sábado (22), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso suspendeu autorização da Justiça do Distrito Federal para que ele pudesse viajar e determinou seu retorno à cidade.

Na decisão, Barroso afirmou que não foi comunicado sobre a decisão autorizando a viagem. O ex-ministro precisava de autorização do juiz para deixar a cidade, pois cumpre em casa o restante da pena de sete anos e 11 meses. Ele recebeu o benefício por ter cumprido um sexto da pena no regime semiaberto, requisito exigido pela Lei de Execução Penal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA audácia de José Dirceu é impressionante. Arranjou a cumplicidade do juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal e conseguiu autorização para passar o fim de semana prolongado em sua casa um condomínio de luxo em Vinhedo, no interior de São Paulo. Com isso, obrigou o ministro Luís Roberto Barroso a despir a toga petista e agir como um magistrado de verdade. Parabéns ao ministro Barroso, que tem notável saber jurídico e parece que daqui para a frente tudo vai ser diferente. (C.N.)

 

Fundos de pensão: Empregados de estatais denunciam fraudes

Alexandre Rodrigues e Daniel Biasetto
O Globo

As suspeitas de uma articulação política para direcionar fundos de pensão levantadas pela Lava-Jato coincidem com as denúncias de funcionários de estatais que contribuem para essas entidades. Um grupo de participantes de Petros (Petrobras), Postalis (Correios), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Previ (Banco do Brasil) realizou um encontro em São Paulo no último dia 12 para trocar informações e reforçar a participação nos órgãos de fiscalização das fundações para combater a ingerência política. Eles pretendem realizar um fórum com participantes de vários fundos no início de 2015.

Uma das integrantes do grupo, a presidente da Associação de Funcionários dos Correios (Adcap), Maria Inês Capelli, reclama da lentidão da Previc, reguladora do setor, à qual entregou um pedido de intervenção no Postalis. Ela denunciou como causa de prejuízos o aparelhamento político da fundação, dominada por PT e PMDB. A fundação coleciona operações controversas, como a perda de R$ 190 milhões com papéis lastreados em títulos de dívida da Argentina e a compra de notas relacionadas à dívida externa da Venezuela. Segundo Maria Inês, o Postalis acumula déficit atuarial de R$ 2,7 bilhões desde 2013:

– É como perder R$ 10 milhões por dia. Os trabalhadores dos Correios estão apavorados com as aposentadorias em risco. É preciso acabar com o aparelhamento político que toma conta dos Correios e do Postalis.

LIBERDADE ENORME…

Para Silvio Sinedino, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras e um dos conselheiros eleitos da Petros, tudo indica que os interessados em lesar os fundos preferem pequenas operações divididas entre várias entidades, que são mais difíceis de rastrear e chamam pouca atenção. Ele explica que, em vários fundos, gestores podem movimentar até 5% do patrimônio sem autorização do conselho deliberativo.

– Essa regra dá uma liberdade enorme, principalmente em fundos grandes. O equivalente a 5% num patrimônio como o da Petros é R$ 4 bilhões. Conseguimos aprovar mudança no estatuto e baixar isso para 0,5%, mas mesmo assim isso significa R$ 400 milhões. É muito dinheiro – diz.

Para Sinedino, só uma orientação externa explica o investimento de R$ 100 milhões de Postalis e Petros em debêntures lastreadas em matrículas da Universidade Gama Filho, no Rio, que fechou as portas em 2013 descredenciada pelo MEC. A universidade já estava mergulhada em dívidas e havia sido recusada por dois grandes grupos educacionais.

O currículo de alguns gestores dos fundos alimenta as denúncias de aparelhamento. Vários já passaram por outras fundações com indicações políticas ou de sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Desde o início do governo Lula, em 2003, ex-integrantes do Sindicato dos Bancários de São Paulo dominam os principais fundos: Previ, Petros, Funcef e Postalis. João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT, é originário desse grupo, assim como Wagner Pinheiro, ex-presidente da Petros e atual presidente dos Correios, que indicou o presidente do Postalis, Antonio Carlos Conquista. Este, por sua vez, já foi gestor da Petros e da Fundação Geap (de servidores federais).

“Operador” do PP se entrega. Agora só falta Vaccari, do PT.

Adarico Negromonte se entrega na Policia Federal em Curitiba

Adarico Negromonte chega à sede da PF em Curitiba

Estelita Hass Carazzai
Folha

O último foragido da sétima fase da Operação Lava Jato, Adarico Negromonte Filho, se entregou à polícia na manhã desta segunda-feira (24).

Ele se apresentou na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba por volta das 11 horas, acompanhado por duas advogadas.

Cercado por jornalistas, Negromonte se manteve em silêncio e não fez declarações. Ele chegou de táxi e se dirigiu a pé até a sede da polícia.

Negromonte é irmão do ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP). Segundo as investigações da PF, Adarico era subordinado ao doleiro Alberto Youssef e era responsável pelo transporte de valores em espécie.

PRISÃO DECRETADA

O investigado teve a prisão temporária, válida por cinco dias, decretada no último dia 14, mas estava foragido desde então.

A defesa de Negromonte já pediu a revogação da prisão. As advogadas argumentam que ele colaborou com a polícia, se apresentou espontaneamente, tem idade avançada (68 anos) e um estado de saúde “delicado”.

Sobre as acusações que pesam contra seu cliente, a advogada Joyce Roysen afirmou apenas que ele “já prestou os esclarecimentos à Justiça”, mas não detalhou o que foi dito. Roysen declarou que Negromonte está aposentado, mas não disse em que área ou atividade ele atuava. Era o único dos 25 alvos da operação que tiveram prisão decretada e ainda não havia sido preso.

A sétima fase da Operação Lava Jato, chamada de “Juízo Final”, investiga um esquema de fraude em licitações na Petrobras. Dos 25 alvos da operação que tiveram a prisão decretada, 11 foram liberados após prestar depoimentos.

Juiz suspeitou que “operador” do PMDB ia fugir do país

 

Juiz Sérgio Moto acompanhava a movimentação de Baiano

Wilson Lima
iG Brasília

Documentos da Justiça Federal apontam que o lobista Fernando Antônio Soares, conhecido como Fernando Baiano, saiu duas vezes do Brasil após ser denunciado pelo ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, como operador do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras.

Fernando Baiano estava foragido desde a semana passada, quando a Polícia Federal desencadeou a sétima fase da Operação Lava Jato. Ele se entregou à sede da PF em Curitiba, na tarde desta terça-feira. No mandado de prisão temporária expedido pela PF, Baiano afirmou que “se apresentou espontaneamente” aos policiais.

Durante a expedição dos mandados de prisão temporária, o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, já manifestava preocupação com uma possível fuga de Fernando Baiano. Nos registros de fronteira, Baiano deixou o país durante todo o mês de outubro, voltando no dia 24 do mês passado. Três dias depois, ele voltou ao exterior e somente agora foi novamente visto de volta ao país.

RECEIO DO PROCESSO

“Esclareça-se que, em agosto deste ano, surgiram as primeiras notícias sobre possível colaboração premiada de Paulo Roberto Costa, o que é indicativo de que as viagens ao exterior estão motivadas pelo receio do processo”, analisa o juiz Sérgio Moro na decisão de prisão temporária expedida contra Fernando Baiano.

Nos documentos apreendidos na casa de Paulo Roberto Costa, pela Polícia Federal, foram encontradas planilhas com as inicias FB, que supostamente são indicativos de que seriam destinadas ao lobista do PMDB. Em uma das planilhas, foram listados quatro pagamentos no valor de R$ 2,1 milhões.

“Conforme depoimentos citados do parecer ministerial, narraram eles todo o esquema de cartelização, lavagem e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, confirmando não só a participação de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, mas das demais empreiteiras e ainda o envolvimento de Renato Duque, Diretor de Serviços da Petrobras, e Fernando Soares, vulgo Fernando Baiano, outro operador encarregado de lavagem e distribuição de valores a agentes públicos”, descreve o juiz Sérgio Moro na decisão relacionada à sétima fase da Operação Lava Jato.

Dilma Rousseff está vendendo caro a sua cabeça

Antonio Santos Aquino

José Vaccari Neto, Tesoureito do PT, tendo dupla nacionalidade, pode, sim, fugir para Itália e lá invocar sua dupla cidadania e dizer como Pizzollato que está sendo perseguido e que não lhe deram o direito defesa. Entretanto, cabe uma pergunta: Por que a Polícia Federal não toma as devidas providência para impedir que este “cidadão” seja impedido de evadir-se?

Na verdade, devemos ir à raiz do problema. Dirceu é quem armou todos os esquemas do Mensalão e do Lava Jato. Possivelmente, outros esquemas. Lula não está ausente de nada do que está acontecendo. Porém, seu alcance, acredito, não chega a compreender e esquematizar tão grande esquema de corrupção.

Quanto a Dilma, desde o período da Tribuna “Impressa”, lá se vão 10 anos, eu faço dura críticas tanto a Lula como a Dilma. Tenho muitas reservas ideológicas, mesmo porque Dilma esteve por 21 anos no PDT e depois deu uma “rasteira” no Brizola e um arrastão no partido levando para o PT 504 pedetistas qualificados. Ensejando que Brizola dissesse: “Ela nos trocou por um prato de lentilhas”.

REFLEXÃO

Não quero aqui defender Dilma, apenas sugerir uma reflexão. Sendo os poderes da República o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, excluindo-se o Judiciário por ser um órgão técnico, temos a obrigação cívica de perguntar: Por que só o Executivo (presidente Dilma) é responsável pelos graves acontecimentos de corrupção que, como se fora uma “peste negra”, alastrou-se em quase todas os órgãos e instituições?

O Legislativo, que tem o dever de fiscalizar, está fora desse imbroglio? Convenhamos, mesmo tendo nossas convicções políticas e preferências pessoais. devemos procurar o melhor ângulo de crítica, para não sermos injustos. Quando somos injustos com alguém, também somos injustos com nós mesmos.

Até agora, sem que haja prova de que Dilma locupletou-se da corrupção, particularmente entendo que jogaram (o PT) em suas mãos uma bomba. Que, se não explodisse, tudo bem; se explodisse, explodiria em sua mão. Dilma, no meu entender, está “vendendo caro sua cabeça”.

Qualquer um de nós não iria para o cadafalso sem espernear. Dilma está sozinha na arena e surpreendentemente reagindo bem. O PT fugiu e a deixou no meio dos leões. Como cidadão quero a verdade, que é melhor para o Brasil.

Há anos, os fundos de pensão sabem que estão sendo roubados

Carlos Newton

Não causa surpresa a notícia de que o doleiro Alberto Youssef operava também dentro dos maiores fundos de pensão do país. Era um segredo de Polichinelo, como se dizia antigamente, todo mundo sabia e o governo e o agência reguladora Previc simplesmente se omitiram.

Para conferira gravidade da situação, vamos republicar uma reportagem de denúncia publicada no site RJ Notícias, em janeiro deste ano, sem que tenha sido tomada a menor providência.

COMPRANDO UNIVERSIDADES…

Funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos se sentem frustrados e roubados ao tomar conhecimento de que novamente o fundo de pensão dos funcionários dos Correios (Postalis) teve parte dos seus recursos investidos na compra fraudulenta de duas instituições sem fins lucrativos, Gama Filho (UGF) e da UniverCidade. O diretor financeiro do Postalis na época era Adilson Florêncio da Costa, indicado para o cargo pelo PMDB.

Menos de dois anos depois da operação, ele integrou a diretoria do Grupo Galileo, que recebeu milhões de reais. Mas esse escândalo  envolvendo o   Postalis é só mais um de uma longa lista de conspirações políticas que usam o fundo para esquemas fraudulentos, como tráfico de influência pelos presidentes do Postalis, que geralmente são eleitos por partidos políticos,

Um dos ex-presidentes do Postalis, Alexej Predtechensky, foi indicado para o cargo pelo ministro Edison Lobão (Minas e Energia). Alexej Predtechensky fez na sua gestão três investimentos milionários em empresas controladas por pessoas que aparecem em uma investigação da Polícia Federal  batizada  de Operação Faktor  (antiga Boi Barrica), e Alexej era formalmente sócio de Marcio Lobão,um dos filhos do ministro, em uma importadora de carros BMW em Brasília.

No total, na gestão de Alexej Predtechensky, foram investidos R$ 371,9 milhões em três empresas de energia: a Multiner e em outras duas vinculadas a ela — a Raesa (Rio Amazonas Energia) e a New Energy. Os investimentos nas três empresas representaram 50,06% do total destinado pelo fundo ao setor.

Em outra negociata fraudulenta, a administração do Postalis, concentrou cerca de 20% de suas aplicações em Bolsa em papéis das empresas do grupo EBX. O Postalis aplica 7,98% do seu patrimônio em ações, o equivalente a R$ 613 milhões. E as empresas de Eike Batista respondem por R$ 127,5 milhões.A  administração do Postalis, na época, defendeu sua gestão.

Em nota, disse que a decisão de investir nas empresas do grupo EBX foi de um gestor terceirizado, e não da direção do fundo. “O gestor optou pelo investimento por levar em consideração premissas que indicavam ser aquele um bom investimento à época (setembro de 2011)”, dizia o texto, sem identificar o gestor.

No começo de 2013, 110 mil funcionários dos Correios receberam um informativo que dizia que o contra cheque seria menor que, a partir de abril, um valor médio correspondente a 1,7% do salário seria descontado do pagamento todos os meses, por tempo indeterminado.

Os recursos seriam usados para cobrir o déficit de cerca de 1 bilhão de reais do Postalis, que já havia tido um rombo de 1,4 bilhão de reais anos antes. E ainda há investimentos problemáticos na carteira. Os funcionários podem optar por não pagar o extra, mas apenas por três meses. Se ficarem “inadimplentes” por um perío­do maior, serão excluídos do plano — o que significa que o dinheiro acumulado passará a ser corrigido pela inflação até que possa ser resgatado, no momento da aposentadoria ou da demissão.

Alguns carteiros procuraram o Postalis para entender o que estava ocorrendo, mas o fundo, inicialmente, não deu explicações mais detalhadas. Pressionado pela Associação Nacional dos Participantes do Postalis, que entrou com uma ação na Justiça para ter acesso ao relatório de investimento do fundo, a fundação divulgou alguns dados sobre as aplicações feitas nos últimos dois anos.

A parte mais preocupante do déficit do Postalis é a perda de 698 milhões de reais com investimentos malsucedidos. Os dados mostram que parte desse prejuízo veio de aplicações em títulos de bancos que quebraram e em papéis de empresas com dificuldades financeiras.

Os fundos de pensão costumam manter recursos em caixa para fazer frente a esses imprevistos — e, assim, conseguir pagar as aposentadorias. Mas as regras da Previc, órgão do Ministério da Previdência que fiscaliza esse setor, determinam que, se os fundos fecham dois anos seguidos com déficit, precisam apresentar um plano para resolver o problema antes que o caixa termine. A fundação dos Correios decidiu cobrar as contribuições dos investidores.

O Postalis é o fundo de pensão com maior número de investidores  e o décimo quarto maior  do país — e, agora, é também o que tem o maior déficit, em relação ao patrimônio, entre as grandes fundações. O déficit representa 13% do volume total sob gestão.

Os funcionários dos Correios criaram um abaixo-assinado pedindo a  intervenção do governo  no Postalis e o desaparelhamento político das previdências complementares fechadas.

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Este texto é janeiro de 2014. Quase um ano se passou e não aconteceu nada.

“Operador” do PP se apresenta à Justiça nesta segunda-feira

Adarico levava malas de dinheiro, segundo o doleiro Youssef

 Fábio Brandt
O Estado de S. Paulo

Adarico Negromonte, irmão do ex-ministro das cidades e deputado federal Mário Negromonte (PP-BA), afirma “não suportar mais as mazelas” decorrentes do pedido de prisão que a Justiça Federal expediu contra ele. Ele é o único dos investigados pela sétima fase da Operação Lava Jato que as autoridades consideram foragido.

A reclamação de Negromonte está em um pedido de revogação do pedido de prisão temporária que seus advogados apresentaram nesta sexta-feira, 21. Os defensores dizem que seu cliente se apresentará na próxima segunda-feira, 24 de novembro, mas querem garantir que ele não será preso.

Os advogados reconhecem que o irmão do ex-ministro sabe da existência do pedido de prisão desde a sexta-feira da semana passada, dia 14. Mesmo assim, negam que Adarico Negromonte seja um foragido. Motivo: os policiais não teriam procurado por ele em sua casa, na cidade de Registro (SP).

NÃO ERA FORAGIDO…

Na terça-feira desta semana, os advogados informaram ao juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Criminal federal de Curitiba, que a Polícia Federal procurou seu cliente na capital paulista e não na cidade de Registro, no interior de São Paulo. “De tal modo (…) não pode ser considerado como foragido da Justiça”, alegaram.

Negromonte é acusado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal de ter transportado malas de dinheiro para o doleiro Alberto Youssef. Esse seria, de acordo com as autoridades, o envolvimento do irmão do ex-ministro no escândalo que já prendeu dirigentes de algumas das principais empreiteiras do País e ex-diretores da Petrobrás.

“Youssef é líder de uma organização criminosa (…) especializada em operações à margem do sistema financeiro nacional formada por subordinados diretos, parceiros de confiança, ‘laranjas’ e ‘mulas’ que carregam os numerários”, diz uma ação penal em que o doleiro é réu. O transporte dos valores em malas e no corpo das “mulas” serviria para facilitar a movimentação do dinheiro do grupo de Youssef e dissimular a lavagem de dinheiro do esquema, de acordo com as autoridades.

O destino cigano de Raimundo Fagner

O produtor, instrumentista, cantor e compositor cearense Raimundo Fagner Cândido Lopes, o popular Fagner, fez uma autobiografia com versos em que alude o seu destino instável, que não lhe permite prever onde poderá chegar. A música “Cigano” foi gravada por Fagner no LP Quem Viver Chorará, em 1978, pela CBS.

CIGANO
Fagner

Eu não vivo guardado em segredo
Nem no medo, um receio sequer
A não ser quando a morte vier
E me pegar sorrindo querendo ficar
Eu não sei viver de outro jeito
A não ser desse jeito

Destino cigano
Comigo não dá
Pra ficar amargando
Esperando o tempo passar
Até sonhando
E sem saber onde posso chegar
E ficar…

 

                         (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Lista de políticos corruptos é o maior mistério da República

A lista dos políticos e autoridades envolvidas no esquema da corrupção da Petrobras é o mistério mais importante da História da República. Em setembro, a revista “Veja”, sem apresentar documentos e valores, informou que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa listou nomes ligados à base da presidente Dilma Rousseff (PT) e à campanha de Marina Silva. Entre os políticos envolvidos com esquema de corrupção na Petrobras, estaria o ministro Edison Lobão, os líderes do Congresso e até o ex-governador Eduardo Campos.

No documento obtido pela “Veja”, Paulo Roberto Costa cita pelo menos 25 deputados federais, seis senadores, três governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos (PT, PMDB e PP), que teriam tirado proveito de parte do dinheiro desviado dos cofres da Petrobras. Mas a Veja só publicou um relação bem menor:

Edison Lobão, ministro das Minas e Energia, PMDB
João Vaccari Neto, secretário nacional de finanças do PT
Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados, PMDB
Renan Calheiros, presidente do Senado, PMDB
Ciro Nogueira, senador e presidente nacional do PP
Romero Jucá, senador do PMDB
Cândido Vaccarezza, deputado federal do PT
João Pizzolatti, deputado federal do PT
Mario Negromonte, ex-ministro das Cidades, PP
Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, PMDB
Roseana Sarney, governadora do Maranhão, PMDB
Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, PSB – morto em um acidente aéreo.

Por sua vez, a “Folha de S.Paulo” divulgou ter obtido acesso a documentos mostrando que a lista de políticos teria no total 12 senadores e 49 deputados federais. Mas o jornal não conseguiu saber os nomes dos parlamentares. E o mistério continua.

POLÍTICOS DIZEM QUE DOAÇÕES FORAM LEGAIS

No final de semana, a imprensa se adiantou e começou a ouvir os políticos que integram a lista dos que mais receberam doações das empresas investigadas pela Polícia Federal. Todos eles se defenderam, é claro, afirmando que os recursos foram recebidos na forma da lei e que não havia até então suspeitas contra as companhias.

Em reportagem publicada pelo jornal mineiro O Tempo, os dois deputados do PP do Paraná, Dirceu Sperafico e Nelson Meurer deram respostas similares: que o recurso foi definido pela direção nacional do partido e que não houve nenhum contato deles com as empresas.

Já o senador eleito Otto Alencar (PSD-BA) afirmou que é amigo de dirigentes das três empreiteiras que lhe direcionaram doações, todas da Bahia, e defendeu amplo direito de defesa a elas. Mas ressaltou que não tem compromisso com eventuais erros de seus diretores. “Tenho visto nesses casos muitos presos serem soltos amanhã como inocente. Tem muita pirotecnia nesse negócio, uma dessas pessoas que faz essa delação é do submundo do crime. Agora, não tenho compromisso com erro de ninguém.”

Por sua vez, o deputado Lucio Vieira Lima (PMDB-BA) disse que as doações que recebeu não têm nenhuma influência em sua atuação na CPI da Petrobras e que nenhum de seus doadores pediu nada em troca nem teve abertura para isso. “A doação pode influenciar quem seja venal, eu não sou.”

Já o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) afirmou, via assessoria, que procurou diretamente a UTC por ser egresso da indústria naval e a empresa atua na área. “Na época […] não havia, que fosse de conhecimento geral, qualquer suspeita ou investigação em curso.”

PETISTA PEDIU PESSOALMENTE

Carlos Zaratinni (PT-SP) afirmou que pediu pessoalmente as doações à OAS e à UTC e que não há reflexo no mandato. “As doações foram absolutamente legais, não operamos nenhum contrato nem nada disso, não vejo problema”.

O senador eleito Ronaldo Caiado (DEM-GO) afirmou que procurou essas e outras mais de 50 empresas “conforme permite a lei eleitoral”. “As empresas eram consideradas idôneas e aptas a contribuir. Não cabe ao financiador responder pelas minhas ações no Parlamento.”

O deputado Alberto Fraga (DEM-DF) disse que foi procurado pela direção da UTC, que ofereceu as doações, mas que não conhece os investigados e que não sabia de suspeitas contra as empresas na época. Alexandre Leite disse que as doações foram definidas pelas direções municipal, estadual e nacional do DEM.

O deputado eleito José Carlos Aleluia (DEM-BA) afirmou que conhece alguns dos empresários acusados e que percebeu “o constrangimento deles e de outros com a regra que passou a imperar” nas gestões do PT. “Nenhuma empresa trabalha na Petrobras sem propina.”

Traduzindo: até agora, poucos sabem quem está no esquema ou não. Somente quando for levantado o sigilo do processo é que os nomes serão revelados ao respeitável público. Por enquanto, continuarão a circular na internet as listas dos políticos que receberam doações da empreiteiras envolvidos na corrupção da Petrobras. Não prova nada, mas indica muita coisa, porque na hora da verdade os políticos do esquema vão culpar os partidos. E a confusão vai aumentar ainda mais.