Luiz Estevão não toma jeito e recorre pela 36ª vez para tentar ser libertado

Resultado de imagem para luiz estevão preso

Estevão era o maior exemplo da impunidade

Ana Viriato
Correio Braziliense

Dez anos após a condenação do ex-senador Luiz Estevão a 26 anos de prisão pelo desvio de R$ 3 bilhões dos cofres públicos, o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não publicou o acórdão da ação penal. A protelação deve-se à entrega de uma enxurrada de recursos pela defesa do empresário ao Tribunal Regional Federal (TRF), ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo — o 36º foi registrado no STF, na última segunda-feira. Os advogados provocam a delonga porque, após o trânsito em julgado do processo, as partes constituintes não podem recorrer das decisões. Em outra vertente, a Sexta Turma do STJ concedeu habeas corpus ao ex-vice governador Benedito Domingos, condenado a cinco anos e oito meses por corrupção passiva e fraude em licitação, em 2008.

Luiz Estevão cumpre pena em regime fechado, no Complexo Penitenciário da Papuda, há oito meses. A prisão do empresário foi viável, 24 anos após o crime, devido à mudança na jurisprudência brasileira, provocada por decisão do STF. Antes, os magistrados atuavam de acordo com a presunção de inocência. Atualmente, porém, segundo a medida aprovada em fevereiro e reafirmada na semana passada, os réus condenados em segunda instância devem começar a cumprir a pena antes da decisão final do processo.

MUITOS CRIMES – O empresário foi condenado à cadeia em 2006, por crimes como peculato, corrupção ativa e estelionato, após denúncias de desvio de recursos da obra do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. O ex-senador teve, ainda, o mandato cassado em 2000. Os crimes, cometidos entre 1992 e 1998, desencadearam a abertura de sete processos criminais e duas ações civis públicas. No ano passado, o Ministério Público Federal também ajuizou ações cíveis pedindo a execução provisória da condenação de Luiz Estevão por improbidade administrativa, com o intuito de garantir a reparação dos danos materiais e morais, o pagamento de multas e a restituição de valores desviados da obra do TRT. O MPF divulgou, à época, que o rombo ao erário, em valores atualizados, chega a R$ 3 bilhões.

Os embargos de declaração referentes aos crimes de corrupção e peculato, registrados na segunda-feira, solicitam a sanação de dúvidas descritas no documento de oito páginas e a anulação das condenações vigentes. Com a protocolação de recursos, Luiz Estevão já conseguiu reduzir em cinco anos o tempo de cadeia, por conta da prescrição das penas relativas aos crimes de formação de quadrilha e uso de documento falso.

PRISÃO DOMICILIAR – A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) permitiu que Benedito Domingos cumpra o restante da pena em prisão domiciliar, devido à idade do ex-vice-governador, que tem 82 anos. Ele foi condenado em 2ª instância, em regime semiaberto, por fraude em licitação e corrupção passiva. O relator do processo, ministro Rogério Schietti, ressaltou, ainda, que o também ex-deputado distrital deve permanecer nessa condição enquanto o estado de saúde exigir.

A sentença de cinco anos e oito meses, determinada pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal em 2013, indica que, quando era administrador de Taguatinga, cinco anos antes, Benedito agiu de forma decisiva para que o GDF contratasse os serviços de decoração de Natal da empresa do filho dele.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO ex-senador Luiz Estevão, por sua notoriedade, era o maior exemplo de que no Brasil milionário não vai para a cadeia. Agora, se tornou exemplo do acerto da decisão do Supremo, que por escassos 6 a 5 votos decidiu que os condenados em segunda instância têm de cumprir a pena antes da sentença transitar em julgado. Nem tudo está perdido. (C.N.)

Celso Russomano dá vexame no aeroporto de Brasília e atrasa o voo

http://static2.blastingnews.com/media/photogallery/2016/10/12/290x290/b_290x290/celso-russomanno-nao-aceita-fazer-ato-de-cidadao_915423.jpg

Russomanno não passou a maleta no raio-X

José Carlos Werneck

O deputado Celso Russomanno, do PRB de São Paulo, deu um espetáculo ridículo, nesta terça-feira, no aeroporto de Brasília. O recém candidato derrotado a prefeito de São Paulo se recusou a submeter sua bagagem de mão ao raio-X, com a esdrúxula alegação de que não estava obrigado a passar pelo procedimento, por sua condição de parlamentar, e embarcou no vôo 6628, da Gol.

A palhaçada não funcionou e a discussão prosseguiu com os ânimos cada vez mais exaltados até que dois policiais foram acionados para retirá-lo da aeronave e continuar a discussão em local mais reservado.

O chilique do parlamentar trouxe transtornos a todos os demais passageiros, que foram obrigados a esperar por mais de 40 minutos até que o deputado fosse submetido à vistoria e retornasse à sua poltrona.

Ele não foi o primeiro deputado a se considerar acima das regras internacionais de segurança de voo. Em 2012, o deputado Paulo Maluf também foi protagonista de caso semelhante, mas, apesar de resistir, acabou submetendo-se à revista.

A assessoria da Câmara dos Deputados informou que deputados federais “não têm qualquer tipo prerrogativa” que impeça a revista. “São cidadãos como qualquer outro”.

 

Investigação sobre BNDES incrimina também Luciano Coutinho e o próprio Lula

Resultado de imagem para presidente de angola com taiguara

Lula e o sobrinho em Angola com João Pinto, da Exenergia

Eduardo Militão
Correio Braziliense

As investigações sobre o BNDES trazem à Operação Janus menções ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já denunciado junto com o sobrinho dele Taiguara Rodrigues e o presidente afastado da empreiteira Marcelo Odebrecht e mais oito pessoas. O Ministério Público Federal investiga o ex-presidente do (BNDES) Luciano Coutinho, outros funcionários da instituição e autoridades estrangeiras que também participaram de esquema de favorecimento à empreiteira Odebrecht em obras no exterior, como Angola.

SEM ARQUIVAMENTO – Documentos enviados ao juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, Vallisney Oliveira, na Operação Janus, pedem que não haja arquivamento de suspeitas contra outras pessoas pelo simples fato de não terem sido incluídas na denúncia.

Em ofício ao juiz Vallisney Oliveira, os procuradores dizem que há “ainda, necessidade de prosseguir apurando condutas de terceiras pessoas” em relação a “fatos que tangenciaram ou, quiçá, concorreram para a prática dos delitos apontados na denúncia ora apresentada”. Citam como exemplos: Luciano Coutinho, o ex-diretor de Relações Institucionais Alexandrino Alencar, o português João Pinto Germano, da Exergia Portugal, Hélder Breji, além de funcionários do banco, da empreiteira, do governo angolano e de órgãos do Ministério da Fazenda e do Desenvolvimento (MDIC).

A Procuradoria os classifica como “possíveis coautores”. E afirma que suas condutas serão alvo de “novas investigações, que requererão atos de cooperação jurídica internacional e, assim, serão, em tempo oportuno, se for o caso, objeto de novas denúncias”.

LULA ORIENTAVA – O MPF sustenta que, em reunião de abril de 2010, Lula orientou a política do BNDES para o período de 2011 a 2014 de maneira a coincidir com os interesses de seu instituto e da empreiteira Odebrecht. Procuradores citam reuniões de Coutinho e do petista, no instituto Lula e no exterior, a partir da coincidência de agendas e viagens dos dois. O objetivo seria “influenciar os órgãos governamentais brasileiros na direção da concessão de financiamentos” à construtora. A Procuradoria ainda destaca depoimento do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) afirmando que Coutinho “de forma ‘sutil’, solicitava doações e contribuições eleitorais a empresários que tinham interesse em obter financiamentos perante o banco”.

O ex-presidente do BNDES afirmou ao Correio que ignora a investigação e negou discussão sobre doações. Disse que, em sua gestão, o banco colaborou com todas as apurações em que foi solicitado. “Nas reuniões ocorridas entre Coutinho e Lula, foram discutidos cenários para a economia brasileira e mundial”, afirmou em nota.

“As reuniões tiveram a presença de outras pessoas e nelas o ex-presidente do BNDES não tratou de apoios específicos referentes a quaisquer empresas, nem tampouco relativos a qualquer suposta orientação referente a atuação do BNDES para operações internacionais no período 2011-2014.”

“CHEFE MAIOR” – Em mensagem de correio eletrônico em 27 de julho de 2009, ainda no governo do “tio”, Taiguara diz ao advogado e funcionário do tribunal de contas em Luanda (Angola) Hélder João Breji que José Carlos Bumlai o procurou a pedido de Lula. O objetivo era “tocar projetos em conjunto” no país africano com o apoio do pecuarista para obterem financiamento. “Esse mesmo me procurou a pedido do Chefe Maior e de seu filho, para tocarmos em conjunto projetos em Angola”, conta Taiguara. Uma foto, obtida em email de novembro de 2015, ilustra encontro entre Taiguara, Hélder e Lula. Para o Ministério Público, o ex-presidente é o “chefe maior” citado pelo sobrinho.

A Procuradoria da República no Distrito Federal menciona o e-mail na denúncia contra o petista e diz que Bumlai, “notório amigo do ex-presidente da República” e preso na Operação Lava-Jato, foi apontado como intermediário de empréstimos no BNDES por Delcídio do Amaral (ex-PT-MS).

E-MAIL REVELADOR – A mensagem de Taiguara diz que Bumlai é um empresário importante — “Ele é muito poderoso, meu irmão” — com interesse em empreendimentos maiores que US$ 100 milhões. Trará o financiamento, e nós, as garantias necessárias para que isso possa acontecer”, continua o sobrinho de Lula no e-mail para Hélder Breji.

Citando depoimento de Delcídio, a Procuradoria afirma que o pecuarista “foi fundamental na liberação de financiamentos pelo BNDES às empresas Friboi, Marfrig, Bertin entre outras”.

E TODOS NEGAM… – Em nota ao Correio, o ex-presidente do banco Luciano Coutinho negou qualquer interferência. “Não houve qualquer influência de José Carlos Bumlai em qualquer financiamento concedido pelo BNDES. Os financiamentos do banco são avaliados de acordo com critérios técnicos e impessoais, passando por órgãos colegiados.”

A defesa de Taiguara não comentou o caso. O advogado de Bumlai, Conrado Prado, disse que o pecuarista “nunca teve qualquer relação com o sr. Taiguara, nem tampouco participou de nenhuma obra, projeto ou financiamento em países da África ou em qualquer outro país”. “Da mesma forma, jamais atuou ou interviu em favor de qualquer pessoa junto à liberação de recursos no BNDES.”

Estaleiro admite pagamentos de propinas que abasteceram caixa 2 de Dilma

Resultado de imagem para Zwi Skornicki

Delação de Zwi Skornicki foi confirmada pelo estaleiro

Mario Cesar Carvalho
Folha

Um dos maiores fornecedores da Petrobras, com contratos no valor de R$ 25 bilhões, o estaleiro Keppel Fels reconheceu em comunicado enviado à Bolsa de Cingapura, onde fica a sua sede, que os pagamentos feitos a seu representante no Brasil “podem ser suspeitos”. O representante do grupo no Brasil é o lobista e engenheiro Zwi Skornicki, que foi preso pela Operação Lava Jato e já disse que pagou US$ 4,5 milhões (R$ 14,4 milhões, em valores atuais) ao marqueteiro João Santana, que cuidou das campanhas de Lula (2006) e de Dilma Rousseff (2010 e 2014).

A mulher e sócia de Santana, Mônica Moura, confirmou à Justiça que recebeu os US$ 4,5 milhões numa conta na Suíça. Ela disse ainda que o montante era uma dívida da campanha eleitoral de Dilma Rousseff de 2010.

No relato de Mônica, quem indicou o representante da Keppel para fazer o pagamento foi o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Vaccari foi condenado em duas ações penais a 24 anos de prisão.

VACCARI NEGAVA – O advogado do ex-tesoureiro petista, Luiz Flávio Borges D’Urso, sempre negou que seu cliente tenha pedido propina seja em contratos da Petrobras ou da Sete Brasil, empresa responsável pela construção de plataformas para exploração das jazidas do pré-sal.

Em depoimento ao juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, Skornicki afirmou que pagava propina em negócios com a Petrobras desde 2003, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). FHC já negou anteriormente que soubesse de práticas ilícitas na Petrobras durante o seu governo.

O representante da Keppel citou à Justiça que houve propina numa plataforma que foi uma das bandeiras do primeiro governo do presidente Lula, a P-51. Foi a primeira plataforma do tipo construída inteiramente no Brasil, contratada por US$ 639 milhões (R$ 2 bilhões hoje) em 2004.

ACORDO DE DELAÇÃO – Preso em fevereiro deste ano, o representante do Keppel foi solto em agosto depois de fechar um acordo de delação premiada com procuradores da Lava Jato.

O conteúdo da delação de Skornicki, porém, permanece sigiloso. A Folha apurou que ele cita que a cúpula da Keppel em Cingapura sabia que os contratos no Brasil eram obtidos por pagamento de propina.

Inicialmente, o grupo havia negado “fortemente” ter pago suborno em negócios com a estatal brasileira.

O Keppel é um dos maiores conglomerados do mundo na produção de plataformas para extração de petróleo, com receitas de US$ 3,4 bilhões no primeiro semestre deste ano.

DELAÇÃO EM SÉRIE – A delação de Skornicki deve obrigar o grupo que ele representava a seguir o mesmo caminho, segundo dois especialistas ouvidos pela Folha sob condição de anonimato.

O comunicado do Keppel é um dos primeiros passos para a empresa fazer um acordo de delação tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O grupo terá que negociar com as autoridades americanas porque a legislação daquele país proíbe países que atuam lá de pagar propina no exterior. Se ficar confirmado que Skornicki pagou suborno no Brasil, a empresa poderá ter de desembolsar multas bilionárias nos EUA.

E-mails apreendidos pela Polícia Federal indicam que a cúpula do grupo sabia dos negócios ilícitos no Brasil. Ou seja, pagamentos suspeitos não teriam sido descobertos apenas após a realização de investigações internas, como diz o comunicado da empresa. A Keppel aponta no comunicado que a suspeita de pagamentos ilegais também ocorreu com a Sete Brasil, fornecedora de plataformas para a Petrobras que quebrou.

DILMA NEGA – O advogado do grupo Keppel, Celso Vilardi, não foi localizado para comentar o comunicado que aponta possíveis “pagamentos suspeitos” para o representante do conglomerado no Brasil. Em outras ocasiões, o grupo dizia que iria colaborar com as investigações realizadas pela Lava Jato e pela própria Petrobras.

A assessoria da ex-presidente Dilma Rousseff nega enfaticamente que ela tenha pedido ou soubesse de eventuais pagamentos ilícitos: “1. Dilma Rousseff não conhece o senhor Zwi Skornicki nem autorizou ou teve conhecimento do pagamento de dívidas das campanhas de 2010 por ele ou qualquer outra pessoa por meio do chamado caixa dois ao jornalista João Santana ou a quaisquer outros fornecedores; 2. Todas as doações e pagamentos foram feitos na campanha de 2010 em observância à legislação vigente e de acordo com as normas do Tribunal Superior Eleitoral. É preciso reiterar que todas as contas foram devidamente registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

Oh, meu Bom Jesus, que a todos conduz, olhai as crianças do nosso Brasil!

Resultado de imagem para Francisco Alves e René Bittencourt

René Bittencourt e Francisco Alves (Arquivo Marcelo Bonavides)

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O empresário artístico, jornalista e compositor carioca René Bittencourt Costa (1917-1979), na letra de ”Canção da Criança”, homenageia a garotada brasileira no seu dia. Essa valsa foi gravada por Francisco Alves 1952, pela Odeon. É triste pensar que tantas décadas depois, continuamos pedindo que o Bom Jesus olhe pelas crianças do nosso Brasil, porque elas estão cada vez mais desamparadas.

CANÇÃO DA CRIANÇA
Francisco Alves e René Bittencourt

Criança Feliz
Feliz a Cantar
Alegre a Embalar
Teu Sonho Infantil
Oh Meu Bom Jesus
Que a Todos Conduz
Olhai as Crianças do Nosso Brasil!

Crianças com Alegria
Qual um bando de Andorinhas
Viram Jesus que dizia:
Vinde a mim as criancinhas
Hoje dos céus, num aceno
Os anjos dizem:”Amém”,
Porque Jesus, nazareno,
Foi criancinha também

Eletrobras já reconhece R$ 302,5 milhões em perdas com corrupção

Angra 3 será a terceira usina da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), localizada na praia de Itaorna, em Angra dos Reis (RJ). divulgacao ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***

Angra 3 é uma das obras incluídas no esquema de corrupção

Nicola Pamplona
Folha

A Eletrobras informou nesta terça-feira (11) que entregou à SEC, o “xerife” do mercado de ações dos Estados Unidos, formulários com informações financeiras de 2014 e 2015, cujo atraso levou à suspensão de suas ações na bolsa de Nova York. Nos documentos, a empresa reconhece perdas de R$ 302,5 milhões com o esquema de pagamento de propinas investigado pela Operação Lava Jato. Os valores referem-se ao superfaturamento de obras contratadas com o cartel de empreiteiras descoberto pela operação.

A avaliação foi feita por investigação interna conduzida pelo escritório de advocacia Hogan Lovells e supervisionada por uma comissão independente.

“Os relatórios da investigação independente reportam determinados superfaturamentos relacionados à propina e práticas de cartel, considerados ilegais no âmbito de alguns contratos dos projetos investigados”, diz a empresa, em nota.

PROPINAS DE 6% – De acordo com as investigações, as propinas variavam entre 1% e 6% do valor do contrato. Já o impacto identificado da prática de cartel em licitações foi de 10% em um contrato.

“A investigação descobriu propinas utilizadas para financiar pagamentos indevidos a partidos políticos, funcionários eleitos ou outros funcionários públicos, ex-funcionários de subsidiárias e SPEs (empresas) não controladas pela companhia e outros indivíduos envolvidos em esquemas de pagamento”, prossegue o documento.

A maior parte dos valores (R$ 286,6 milhões) foi contabilizada em 2014.

FRAUDES EM SÉRIE – Fazem parte da lista de projetos com perdas por corrupção a usina nuclear de de Angra 3 e as hidrelétricas de Simplício e Mauá 3, além de projetos em que a Eletrobras é sócia minoritária, chamados de Sociedades de Propósito Específico e não identificados individualmente.

A estatal espera que, com a entrega do documento, consiga retomar a negociação de suas ações em Nova York. Na quinta (13), a companhia terá uma audiência na bolsa para discutir o tema.

Salário mínimo seria de apenas R$ 400 se a PEC do Teto vigorasse desde 1998

Resultado de imagem para salario minimo charges

Charge do Alecrim, reprodução do Arquivo Google

Daniela Amorim
Estadão

Se as novas regras da PEC do Teto dos Gastos tivessem entrado em vigor há 20 anos, a economia aos cofres públicos teria sido bastante eficaz, mas o salário mínimo em vigor no País não chegaria à metade do valor de hoje: estaria em apenas R$ 400,00, em vez dos R$ 880,00 estipulados atualmente. O cálculo, obtido com exclusividade pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real da Agência Estado, é do economista Bráulio Borges, pesquisador associado do Departamento de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O pesquisador fez uma simulação aplicando as regras da PEC ao orçamento de 1998, quando começa a série histórica dos gastos do governo central, mantida pelo Tesouro Nacional. À época, os gastos equivaliam a 14% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Em 2015, já alcançaram 19,5% do PIB. Caso os critérios da PEC tivessem sido adotados, esse porcentual teria sido reduzido para 7% do PIB no último ano.

“Só que essa conta não é muito precisa, porque se o gasto do governo tivesse sido muito menor, esse resultado do PIB também poderia ser diferente. Aí a gente entra numa discussão política complexa, de qual seria o tamanho ideal do Estado na economia”, ponderou Borges.

CONGELAMENTO – De 1998 para cá, o salário mínimo teve um crescimento real médio de 4,2% ao ano. “É muito provável que o salário mínimo teria ficado congelado em termos reais, só recebendo a diferença da inflação”, estimou o pesquisador do Ibre/FGV.

O levantamento aponta ainda que metade da alta de 5,5 pontos porcentuais no gasto do governo central entre 1998 e 2015 é explicada pelo aumento do salário mínimo. Mas, se por um lado a política de valorização acima da inflação onerou as contas do governo, por outro também ajudou a reduzir a desigualdade e a movimentar a atividade econômica, ressaltam especialistas.

“Se o salário mínimo tivesse ficado congelado, muito provavelmente traria implicações, porque houve melhoria da distribuição de renda. Teve um custo fiscal, mas teve o benefício da distribuição”, reconheceu Borges.

HOUVE BENEFÍCIOS – O coordenador do Grupo de Estudos de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Ronaldo Souza Júnior, concorda que as políticas de transferência de renda tiveram benefícios no passado recente, sobretudo no sentido de reduzir a desigualdade na distribuição de renda. No entanto, ele reforça que o cálculo de um impacto das regras da PEC sobre os gastos do governo não é trivial, porque as variáveis envolvidas no passado e no momento atual são diferentes.

“É difícil dizer por quanto tempo foi benéfico (o aumento no gasto público com transferências de renda), talvez até 2014”, arriscou Souza Júnior.

Na avaliação do Conselho Federal de Economia (Cofecon), é falso o diagnóstico de que o aumento no gasto público seja proveniente das despesas com saúde, educação, previdência e assistência social. A entidade defende que os gastos com juros da dívida pública são responsáveis por 80% do déficit nominal, o que agravou a situação fiscal do País ao lado de renúncias fiscais excessivas, do combate ineficaz à sonegação fiscal, da frustração da receita e do elevado grau de corrupção.

DESIGUALDADE – “O salário mínimo foi o principal responsável pela redução pífia da desigualdade. Isso tem um impacto positivo para a atividade econômica, porque esse salário mínimo vai inteiramente para o consumo, para girar a atividade econômica. No entanto, quando o governo paga R$ 502 bilhões de reais em juros da dívida pública, isso não gira a roda da economia. Porque 85% desse volume estão concentrados em megainvestidores, apenas 0,3% dos detentores de títulos da dívida pública”, ressaltou Júlio Miragaya, presidente do Cofecon.

Miragaya acrescenta que o congelamento real dos gastos com educação e saúde impedirá que a prestação desses serviços acompanhe o crescimento populacional no País nas próximas décadas, assim como a assistência a um maior número de pessoas idosas. Na avaliação dele, uma solução mais eficaz para aumentar a arrecadação e ajudar a resolver a equação fiscal seria uma reforma tributária, que trouxesse de volta a cobrança de imposto de renda de 15% sobre lucros e dividendos recebidos por donos e acionistas de empresas.

“O Brasil e a Espanha são os únicos a isentar lucros e dividendos. Temos que efetivamente cobrar mais dos ricos, em vez dos pobres e da classe média, que são os que sustentam o sistema”, disse Miragaya.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEnviada pelo sempre atento jornalista e advogado José Carlos Werneck, a matéria demonstra que a contenção das despesas vai atingir mais duramente a parte inferior da pirâmide social, ao invés de alcançar prioritariamente a parte superior, a única que realmente tem gorduras para cortar, num país em que a classe média luta para pagar o IPVA da moto ou do carrinho usado, enquanto os milionários passeiam de jatinho, helicóptero e lancha, gozando de isenção total de IPVA. Como pergunta o ex-ministro Reis Veloso, quem pode entender uma merda dessas? (C.N.)

Cesar Benjamin conta como ficou amigo do senador Marcelo Crivella

Resultado de imagem para cesar benjamin

“Acho que estou ficando velho”, ironiza Cesar Benjamin

Cesar Benjamin

Pessoal, vocês sabem que não gosto de polêmicas infindáveis, em que um comentário gera uma resposta, que gera mais um comentário e assim por diante. Comentários desrespeitosos continuarão sendo deletados e seus autores, bloqueados. Falem mal de mim nos seus próprios murais, não no meu. Faço mais um post e paro por aqui.

1. Eu não vivo da editora. Não tiro nada dela. Quando há uma pequena sobra, ponho toda em livros novos ou em reedições. Nunca disse isso aqui para não me vitimizar. Mantenho a editora viva porque gosto muito dela e é meu primeiro projeto individual. Sempre fui um militante, não acumulei nada, não tenho nenhum bem material. O que posso deixar para os meus filhos, até hoje, são uma biblioteca excelente e alguns valores morais. Não posso ter vida acadêmica regular. Deixei a escola, durante a ditadura, no final do antigo ginásio, que hoje corresponde ao ensino fundamental. Fiz o exame supletivo de segundo grau no quinto ano de prisão, quando estava em um presídio comum, em Bangu, por insistência da minha mãe. Entrei na UFRJ já adulto. Nasceu minha primeira filha e não consegui terminar o curso de economia. O pouco que sei, aprendi por mim mesmo. Ganho a vida como freelance. Escrevo, dou aulas, preparo relatórios, traduzo, faço malabares nos sinais de trânsito, essas coisas. Recusei a oferta de indenização pelos meus anos de prisão. O povo passa muito mais dificuldades que eu, e o dinheiro público deve ir para ele. Não critico quem aceitou e não me considero herói por isso.

2. O senador Marcelo Crivella me procurou há muitos anos, acho que em 2007. Disse que me lia regularmente e pediu que eu começasse a dar cursos para lideranças populares, para, nas palavras dele, “politizar o nosso povo”. Não colocou nenhuma limitação. Não temeu que eu “ficasse muito forte” (ver meu post anterior). Montei nessa ocasião um amplo painel de Brasil, como free lancer. Meus alunos puderam conhecer, pela primeira vez, os grandes da cultura brasileira e a obra de gente como Furtado, Caio Prado e Darcy. Era uma turma grande, talvez 300 pessoas. De vez em quando eu via que o senador estava sentado na última fila, discreto, como um aluno comum, sem interferir. Certa vez, um aluno evangélico puxou o tema do criacionismo. Apresentei uma síntese da teoria da evolução sem nenhum problema. Minha lembrança mais emotiva desse primeiro curso é a seguinte: tratei de Villa-Lobos numa aula e coloquei várias peças dele para os alunos ouvirem. Ninguém o conhecia. Era um sábado. No domingo seguinte foi a abertura do Pan-Americano, que eu não vi, mas os alunos viram. No sábado seguinte estavam entre eufóricos e emocionados. Haviam reconhecido o Trenzinho Caipira na trilha sonora. Haviam explicado aos familiares e amigos quem era esse compositor, que música era essa e qual a sua importância. Vocês entendem o significado disso em termos de recuperar uma ideia de Brasil?

3. Eu e o senador ficamos amigos. Gostamos um do outro.Comecei a colaborar sistematicamente com o seu mandato (agora estou estudando a reforma da Previdência). Ele é evangélico, eu não sou. Não vemos nisso um problema. Minha história me levou a estar rodeado de amigos de esquerda. A história dele o levou a estar rodeado de amigos religiosos, muitos dos quais conservadores. Também não vemos nisso um problema. Lembro-me de ele me dizer, lá atrás: “Cesinha, você quer mudar o mundo e eu quero ajudar os pobres. Podemos trabalhar juntos.” É só disso que se trata: trabalhar juntos, pelo país e pelos pobres, na medida das nossas possibilidades.

4. Em março, ele pediu que eu me filiasse para poder ser candidato a vice-prefeito. Eu não quis, pois não me vejo “fazendo política” (ele errou ao dizer, no debate da Band, que eu sou filiado a algum partido). Depois disse que gostaria de me colocar à frente da Secretaria de Educação, se ganhar a eleição. Sabe perfeitamente que isso significa o fortalecimento de uma escola pública laica e republicana – o que não é mérito de ninguém, é obrigação. Para mim, esse convite, se se confirmar, é um perrengue. Caramba, será que vou interromper mais uma vez meus projetos pessoais – agora, a editora – para tentar ajudar o país? Ainda não decidi. Acho que estou ficando velho.

5. Freixo é um ótimo candidato e merece o voto de todos. Ficarei feliz se vencer. Terá, certamente, um ótimo secretário de Educação, provavelmente melhor do que eu, pois é uma área em que o PSOL tem boa expertise. Seria bom ver o Tarcísio Mota nessa função, com sua exuberante alegria. Ainda vou esperar mais para decidir o meu próprio voto. Mas não me peçam para atacar um amigo, de quem vocês não gostam, e nem para dar falso testemunho para agradar a esquerda (acho que isso é da Bíblia…).

A vida é muito mais do que palavras de ordem. As pessoas existem. Ao fim e ao cabo, são elas que contam. Acho que estou ficando velho.

(artigo enviado pelo comentarista Mário Assis Causanilhas)

Lula está se tornando um colecionador de processos criminais

Resultado de imagem para lula denunciado charges

Charge dOoAlpino, reprodução do Yahoo

Deu na Folha

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já é réu em duas ações criminais e deve responder a outros processos. Nesta segunda, ele voltou a ser alvo de denúncia do Ministério Público Federal, sob nova acusação de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e organização criminosa.

Segundo a denúncia, Lula teria atuado em um esquema de desvios envolvendo a empreiteira Odebrecht e liberação de verbas do BNDES para obras em Angola. Foram denunciados ainda o ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, e outros nove envolvidos, inclusive Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho de Lula.

Não é a primeira vez que o petista é denunciado na Justiça. Veja abaixo o que pesa contra Lula:

Obstrução de Justiça – Lula é réu na Justiça Federal de Brasília sob acusação de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato ao procurar impedir um acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Caso do triplex – Em setembro, o ex-presidente se tornou réu, dessa vez na Justiça Federal de Curitiba por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A acusação é de que ele teria recebido vantagens indevidas da empreiteira OAS, por meio de reformas no tríplex no Guarujá e serviços da transportadora Granero.

Nomeação para ministro – Procuradoria-Geral da República pediu abertura de inquérito para apurar se a nomeação de Lula como ministro de Dilma, em março, teve desvio de finalidade para obstruir a Lava Jato.

Sítio de Atibaia – Lula é investigado também pela ocultação de patrimônio no caso do sítio de Atibaia, em iniciativa que contou com a participação de seu amigo José Carlos Bumlai, da operadora Oi e das empreiteiras Odebrecht e OAS.

Usurpação de bens – o ex-presidente é investigado simultaneamente em dois inquéritos, em Brasília e em Curitiba, sobre a usurpação de valiosos bens pertencentes à Presidência da República, quando deixou o mandato.

O ex-presidente Lula tem negado todas as acusações contra si e afirmado que sofre perseguição política da Operação Lava Jato e da Justiça.

Nesta segunda-feira (10), os advogados que fazem a defesa do petista afirmaram que o Ministério Público Federal elegeu Lula “como inimigo num cenário de guerra”.