Revista francesa ridiculariza a Copa no Brasil e diz que vai ser um “bordel”

Deu no Yahoo

A invenção de internet virou realidade. Após um texto falso criticando a Copa do Mundo no Brasil, atribuído à revista France Football, circular na internet, uma reportagem real foi publicada pela publicação esportiva francesa ‘So Foot’ com o mesmo intuito.

A reportagem, publicada no site da revista, lista uma série de problemas das cidades sedes brasileiras em um texto recheado de humor ácido e ironia, com o título de “Vive Le Bordel Brésilien!” (em tradução, “Viva a Bagunça Brasileira”, já que a palavra bordel serve para designar tanto casas de prostituição quanto uma grande bagunça). A reportagem dá destaque às cidades que irão abrigar os jogos da competição, separando-as em três categorias: as que tem menos problemas, as que certamente serão palco de bagunça e as cidades cujas partidas seriam preferíveis de serem assistidas pela televisão.

Entre as sedes citadas como menos problemáticas estão Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Fortaleza, onde seriam apenas necessários pequenos ajustes, como problemas de conexão com a internet ou falha em telões nos estádios. Na segunda categoria, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife e Natal são citados como ‘bagunça certa’, onde o Aeroporto do Galeão, na capital carioca, ganha destaque negativo:

“Edifícios degradados, vias saturadas nas altas estações e paralisação das atividades em cada chuva forte prometem grandes doses de diversão”, ironiza o texto.

O trânsito de São Paulo também não foi esquecido. De acordo com a publicação, a cidade seria “irmã da Cidade do México e prima do Cairo (capital do Egito)”, ambos locais conhecidos pelo caos no tráfego de veículos.

PELA TV…

Para terminar, no grupo de cidades em que seria melhor assistir os jogos pela televisão, entram Cuiabá, Curitiba e Manaus. Curitiba é tratada com ironia como ‘a grande emoção’, devido à dúvida em relação à participação da cidade no Mundial. O texto segue com uma forte crítica ao aeroporto da capital do Mato Grosso:

“[O aeroporto] é do tamanho de uma cozinha, mas há um lindo papagaio pintado na parede. Nenhuma grande nação vai jogar em Cuiabá. E depois dizem que o sorteio é aleatório”, afirmou o texto.

A publicação não deixa de citar a demora no início das obras e os problemas de mobilidade urbana nas sedes:

“Nenhuma cidade-sede tem capacidade de entregar a tempo o trio de obras ‘estádio + aeroportos + obras de mobilidade urbana’. No caso dos aeroportos, os processos de licitação das obras só foram lançados após as eleições de 2010. Quanto à mobilidade urbana… não se moderniza um país em seis meses, especialmente um país como o Brasil. E por mobilidade urbana entende-se os meios mais básicos de transporte: vias de acesso a locais turísticos, estradas, corredores de ônibus, metrô e trens urbanos etc. Logo, serão os seus pés os que farão a maior parte do trabalho.”

CRÍTICAS À FIFA

A reportagem também critica a Fifa, que foi apontada como uma das responsáveis pelos atrasos ocorridos no país e que ainda se seguem à 100 dias do pontapé inicial da competição:

“A Fifa, do seu lado, é prisioneira de um Brasil com quem ela briga/late/chicoteia a cada semana, como se tivesse tratando com uma criança, com um sentimento vago de que é tarde demais”, e continua:

“Joseph Blatter, então, agora se mostra chocado: ‘Nenhum país teve tanto tempo para se preparar quanto o Brasil’, e ele está certo. Errado ele estava em 2007 [quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa], ao impor ao país um “padrão Fifa” que estava distante demais de sua realidade, e que culturalmente não sabe dizer não. Mas sabe dizer, porém, quando já tarde demais, “desculpe, mas teremos que fazer alguns arranjos”, completa.

A matéria foi publicada no site da revista francesa no dia 3 de março, e não foi a única reportagem feita sobre o assunto. No dia seguinte, outro texto foi publicado pela revista, dessa vez relembrando as manifestações ocorridas durante a Copa das Confederações, em junho do ano passado, e os altos custos de toda a preparação para a competição.

A arquitetura da balcanização

Mauro Santayana
(JB) – O mundo vive horas perigosas. A Rússia enviou tropas para a Península da Criméia. O governo provisório que está no poder na Ucrânia convoca reservistas, enquanto oficiais e soldados se bandeiam para o lado russo, evidenciando a divisão do país. O G-8 suspende o encontro que estava programado para Sochi, na Rússia. A Alemanha e os Estados Unidos querem montar um “grupo de contato” para promover “negociações”, mas, em gesto  de aberta provocação, Washington envia o Secretário de Estado John Kerry a Kiev, para manifestar o apoio dos EUA aos rebeldes que tomaram o poder na capital ucraniana.
Se houver combate entre as tropas que estão entrando na Criméia para defender a população de origem russa que vive na região, e esses confrontos se degenerarem em prolongada guerra civil, a responsabilidade por esse novo massacre será dos Estados Unidos e da União Européia.
Seria inadmissível que Putin enviasse um senador para discursar diretamente aos  manifestantes do movimento Occupy Wall Street, en Nova Iorque,  como fez John Mcain no centro de Kiev, ou que os russos promovessem em Porto Rico a prolongada campanha de desinformação e provocação que o “Ocidente” está desenvolvendo há meses na Ucrânia, empurrando a parte da população que não é de etnia russa para um conflito contra a segunda maior potência militar do planeta e a maior da região.
A OTAN sabe muito bem que não poderá intervir militarmente – e atacar Moscou, que conta com milhares de ogivas atômicas, que podem atingir em minutos Berlim, Londres e Paris – para defender os manifestantes que ela jogou o tempo todo contra o governo ucraniano.
Sua intenção é levar o país ao caos, pressionando Yanukovitch a tentar recuperar o poder com apoio de Putin, para depois acusá-lo – junto com o líder russo – de déspota e de genocida, e posar de defensora dos direitos humanos, da liberdade e da “democracia”.
Se conseguir alcançar seu objetivo de desestruturar o país, o “Ocidente” poderá somar os milhares de mortos, de estupros, de refugiados, e os bilhões de dólares de prejuízo da destruição da Ucrânia, a uma longa lista de crimes perpetrados nos últimos 12 anos, no contexto de sua Arquitetura da Balcanização.
VÁRIOS EXEMPLOS
Inaugurada nos anos 90, essa tática foi testada, primeiro, na eliminação da Iugoslávia e na sangrenta guerra que se seguiu, que acabou dividindo o país de Tito em Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro, Sérvia, e em enclaves menores  como o Kosovo.
O mesmo processo de fragmentar, para dividir e dominar, destroçando o destino de milhares, milhões de idosos, mulheres e crianças,  foi mais tarde repetido no Iraque e no Afeganistão- jogando etnia contra etnia, cultura contra cultura –  no contexto da “Guerra contra o Terror” – montada a partir de mentiras como as “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein, que nunca existiram.
O mesmo ocorreu, depois, na Tunísia, Líbia, Egito, Iêmen, Síria, a partir do macabro engodo da “Primavera Árabe” – também insuflada, de fora, em nome da “liberdade” – que, como maior resultado, colocou em poucos meses crianças que antes frequentavam, em condições normais, os bancos escolares, para comer – sob a pena de perecer de fome – a carne de cães putrefatos, recolhida nos escombros.
O objetivo da Arquitetura da Balcanização no entorno russo é gerar condições para a derrubada de regimes simpáticos a Moscou na região, promovendo o caos, a destruição, o ódio entre culturas e famílias que convivem há décadas pacificamente, para obter a sua divisão em pequenos países, que possam ser mais facilmente cooptados pela OTAN, com sua definitiva sujeição ao “Ocidente”.
Sua esperança é a de que, levando Moscou a intervir em antigas repúblicas soviéticas  – para proteger seu status geopolítico e suas minorias étnicas – os russos se envolvam em várias guerras de desgaste, que venham  a enfraquecer a Federação Russa, ameaçando a união social e territorial do país.

BEIRA DO ABISMO
Ao se meter na área de influência de Moscou, insuflando protestos em países que já pertenceram à URSS, a Europa e os EUA estão – como antes  já fizeram Hitler e Napoleão – cutucando o Urso com vara curta,  e empurrando, insensatamente, o mundo para a beira do abismo.
A Rússia de hoje, com 177 bilhões de dólares de superávit comercial no último ano, e o segundo maior exportador de energia do mundo – o que lhe permitiria congelar virtualmente a Europa se cortasse o fornecimento de gás nos meses de inverno – não é a mesma nação  acuada que era no início da guerra de 1990, quando os norte-americanos acreditavam, arrogantes, na  fantasia do “Fim da História” e em sua vitória na Guerra Fria.
A Federação Russa tem gasto muito para manter e modernizar sua capacidade de defesa e de dissuasão nuclear nos últimos anos. Putin sabe muito bem o que está em jogo na Ucrânia. E já deu mostras de que, se preciso for, irá enfrentar, pela força, o cerco da Europa e dos Estados Unidos.

Ele já provou que está disposto a levar até o fim, a decisão que tomou de não se deixar confundir, em nenhuma hipótese, com uma espécie de Gorbachev do Terceiro Milênio.

Andando pela Rua Vinicius de Moraes, na poesia de Abel Silva

O professor, jornalista, escritor e compositor Abel Ferreira da Silva, nascido em Cabo Frio (RJ), diz que é um dos “filhos ideológicos” de Vinícius de Moraes: “Ele nos apontou para o fim das hierarquias opressivas e patrimonialistas entre poesia “superior” e “popular” e minha geração entendeu claramente o recado, razão pela qual escrevi a letra de “Rua Vinícius de Moraes”. A música foi gravada por Fernanda Cunha no CD O Tempo e o Lugar, em 2002, produção independente.
RUA VINÍCIUS DE MORAES
Sueli Costa e Abel Silva

Vou pela Rua Vinícius de Moraes
Enquanto amendoeiras dispensam
Folhas mortas
Como se fossem papéis
Escritos com sangue e alegria
Papéis manchados de vida
E poesia

Sou as canções que eu faço
E as que farei
Sou os amores que tenho
E os que terei
Pois o amor e as canções
São o esperanto geral
Que me protege das manhãs
Do mal

Ando sem medo da dor
Ou da morte
Nasce o dia
Com suas trombetas tropicais
Enquanto piso as folhas
Das amendoeiras vermelhas
Da Rua Vinícius de Moraes

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Neste domingo será jogada uma importante cartada na sucessão presidencial

José Carlos Werneck

Todos os observadores políticos, jornalistas e demais interessados na sucessão presidencial estão com os olhos voltados para a reunião deste domingo entre a presidente Dilma Rousseff, membros do governo e políticos do PT e do PMDB, que discutirão as divergências entre os dois partidos e procurarão encontrar uma saída para a solução da crise que nos últimos dias surgiu entre o Planalto e representantes da principal sigla de sustentação da chamada Base Aliada, no Congresso Nacional. Entre os participantes, estarão o vice-presidente Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros , e o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves.

Depois de avistar-se,sexta-feira, com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante, o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp, garantiu que divergências vão passar e aposta nas alianças regionais para solucionar crise com o governo Dilma que serão discutidas na reunião de hoje.

A conversa foi difícil, houve  troca de acusações entre PT e PMDB, mas Raupp se mostrou confiante de que as divergências de seu partido com o governo serão superadas se tudo voltará ao normal.

Para ele, o desentendimento é um fato isolado. “Foi no calor do carnaval do Rio de Janeiro que saíram essas trocas de acusações. O carnaval já passou e isso aí deve passar também”, enfatizou o senador, que perguntado sobre o risco de o problema, que começou na Câmara, chegar ao Senado, respondeu que sempre houve insatisfação nos peemedebistas da Casa.

“Um partido do tamanho do PMDB vocês sabem que sempre teve divergências em alguns setores da bancada do Senado, mas não tão forte como pode de repente ocorrer. É isso  que a gente tem que evitar”.

RUI FALCÃO

Na quinta-feira, o presidente do PT, Rui Falcão, afirmou, em resposta ao líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, defensor do fim da aliança com o PT, que o PMDB precisa definir se é oposição ou situação e avisou que não aceitará “ultimatos”.

Para Raupp, as alianças regionais são um ponto chave na discussão. “Se avançarmos um pouco mais nas alianças regionais, começaremos a distensionar a crise” e a definição destas alianças em alguns Estados certamente evitará  a antecipação de uma convenção partidária que avaliaria o rompimento da aliança com o Governo.

Para acabar de vez com a crise, Raupp disse que conversou  quinta-feira, com o ex-presidente Lula e que vai continuar participando de reuniões com o Governo.

O encontro de hoje promete ser difícil, pois segundo, “O Estado de São Paulo”, pelo menos um a cada três deputados do PMDB quer romper com o PT e acabar a aliança com o Governo petista.

NA PAUTA

Os peemedebistas rebelados prometem dar trabalho nas votações previstas para o retorno do recesso de carnaval. O primeiro item da pauta é o pedido de criação de uma comissão externa para acompanhar as investigações sobre as denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras.

É lamentável que alguém trate como “inimigo” quem dele discorde…

Almério Nunes

É por demais lamentável que tenhamos aqui no blog da Tribuna da Internet pessoas que tratem como inimigo quem delas discorda. Pessoas que usam termos como “safadinhos” … “ora vá te catar” … “são patifes, os adversários dos Estados Unidos” … ou pejorativamente “esquerdinhas” … e mais, muito mais. São pessoas que aparentemente são contra a violência, mas que dela fazem seu meio de protesto em relação às opiniões que emitem.

Aqui já houve até ameaça de morte, e o editor Carlos Newton publicou tudo. Sou pelo debate, pela controvérsia, pela polêmica, pela discussão de ideias, sejam quais forem elas.

Eu, por exemplo, estive no final de 2013 em Cuba; visitei Havana, Matanças/Varadero, Guanabo, Central, La Isabel e Santa Clara, onde fica o Mausoléu do Che Guevara. Visitei clínicas, escolas e laboratórios. Fiz refeições em muitos povoados que sequer estão no mapa, alguns já aqui citados. Estive em Playa Giron, vi os tanques ianques abandonados desde aquela invasão.

Escrevi dez artigos (que circularam em 18 estados brasileiros e alguns países) sobre o que vi e ouvi de empresários internacionais; italianos, alemães, chineses, indianos… À noite, em algumas ocasiões, fomos todos curtir um jazz fantástico com o repertório do Frank Sinatra, músicos cubanos executando My Funny Valentine, Blue Moon, New York, New York, My Way e bebendo coca-cola, uísque, ron, vodka, etc. E a música deles… e a maneira deles tocarem e dançarem… foi tudo muito bom. Conversei sobre o megaporto de Artemisa…

Olha, se o editor Carlos Newton publicasse meus artigos aqui… nossa!!! Eu correria o risco de ser espancado ou morto pelo ódio!!! Cuba não é o país dos sonhos sonhados por Marti ou Bolivar. Tem muitos problemas, muitos! Mas o que vi… minhas conversas com pessoas cubanas pobres e humildes me enriqueceram muito e me apresentaram uma realidade que, se não é a melhor (e não é mesmo!!!), é muito diferente do que é publicado nos jornais.

Um só exemplo: o Brasil lucrou, lucra e lucrará muito com o megaporto de Mariel/Cuba. Mas aqui nos chega a informação de que se trata de um dinheiro perdido. O Globo publicou, neste dia 02 de março (há poucos dias, portanto) editorial mostrando que nós, brasileiros, ganhamos muitas divisas e empregos com o investimento feito lá. E a matéria/editorial é fraca, não ilustra tudo que deveria e poderia. E mais: Cuba nada nos deve, tem pago em dia cada centavo de Mariel.

Acredite se quiser: China tem inesperado deficit comercial em fevereiro

Deu na France Presse

A China teve em fevereiro um inesperado déficit comercial de 22,98 bilhões de dólares, segundo cifras publicadas  sábado pelas autoridades, que atribuíram o dado às férias do Ano Novo lunar. As exportações chinesas recuaram 18,1% no mês passado em relação a fevereiro de 2013, somando 114,1 bilhões de dólares, uma cifra muito abaixo das expectativas do mercado. As importações aumentaram, em compensação, 10,1% interanual em fevereiro, e totalizaram 137,08 bilhões de dólares.
O comitê de 13 economistas indagado pelo Dow Jones Newswires esperava em média um excedente comercial de 11,9 bilhões de dólares. Os economistas previam um aumento das exportações de 5% em fevereiro, o que já supunha uma forte desaceleração em relação ao aumento de 10,6% registrados em janeiro. “As consequências do Ano Novo lunar (iniciado no final de janeiro) provocaram importantes flutuações, assim como a aparição de um déficit comercial”, comentou em um comunicado a administração de alfândegas chinesas.

Durante as longas férias do Ano Novo lunar, os trabalhadores voltam para sua região de origem, e grande parte das fábricas cessam por um tempo suas atividades.

Por isso, as empresas chinesas costumam intensificar suas exportações antes das férias, para limitar seu estoque, e se concentram nas importações ao retomar a atividade. O dado deste sábado tem como pano de fundo a clara desaceleração da produção manufatureira nos últimos meses.

CRESCIMENTO MENOR

Na quarta, o governo chinês confirmou o objetivo de 7,5% de crescimento econômico em 2014, o que, caso se concretize, será a taxa mais baixa em quase 25 anos.No entanto, alguns analistas não consideram preocupante o déficit comercial de fevereiro, o primeiro em 11 meses, e explicaram que as perspectivas de demanda externa são boas.

A China se converteu no ano passado na primeira potências do mundo.

Seu excedente aumentou 12,8% em 2013 e somou 259 bilhões de dólares, o nível mais alto desde 2008 e o início da crise financeira mundial.

“Não serei candidato a presidente. Realmente não quero. É lançar-se, expor-se, a um apedrejamento”, diz Joaquim Barbosa

Deu na Época

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa disse que não será candidato à Presidência, como cogitam alguns políticos. “Não serei candidato a presidente. Realmente não quero. É lançar-se, expor-se, a um apedrejamento”, disse à revista “Época”.

Barbosa afirmou que não tem planos de entrar para a carreira política. “Não me vejo fazendo isso. O jogo da política é muito pesado, muito sujo. Estou só assistindo a essa movimentação”, afirmou.

Pesquisa Datafolha feita no mês passado mostrou que Joaquim Barbosa e Marina Silva (PSB) poderiam levar a eleição presidencial para o segundo turno.

Barbosa teria 14% dos votos, dois pontos acima do candidato tucano, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), segundo o Datafolha. Marina ficaria com 17% dos votos num cenário em que a presidente Dilma Rousseff lidera com 40%.

O presidente do Supremo disse à “Época” que se incomoda com o discurso de partidos, como o PV e o PSB, que citam seu nome como um filiado desejado. De acordo com ele, nenhum partido o procurou-o até agora.

“Ninguém veio diretamente falar comigo. Fui ao Congresso, ouvi um zum-zum-zum, está cheio de emissário querendo chegar.” Barbosa afirmou que não acha correto negociar com partidos enquanto for ministro do Supremo.

“Não recebo ninguém aqui. Em primeiro lugar, acho que não seria apropriado eu, como presidente do Supremo, sair por aí fazendo negociações políticas. No dia em que sair daqui, estarei livre para fazer isso. Em segundo lugar, não dou, nunca dei espaço para esses donos de partido ficarem… não, nunca.”

Barbosa contou que pretende se dedicar a um projeto em defesa da igualdade racial depois que deixar o STF. O ministro reclama que foi por conta de racismo que não conseguiu ser aprovado no concurso do Itamaraty, quando pretendia seguir a carreira de diplomata.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAinda faltam três semanas para o prazo fatal, de que Joaquim Barbosa dispõe para se candidatar. O sonho de muitos brasileiros termina diz 5 de abril. (C.N.)

 

E se Joaquim Barbosa for candidato e vencer?

Francisco Bendl

Em artigo publicado aqui no blog da Tribuna da Internet, Dr. Jorge Béja usou a partícula condicional “se”, no início do texto, para se referir à candidatura do ministro Joaquim Barbosa. Ou seja, “se” ele se lançar, disputar a Presidência e for eleito!

A distância de uma condição à outra é imensurável, inclusive a primeira, de o presidente do Supremo Tribunal Federal concretizar sua candidatura. Dois longos e árduos caminhos a serem percorridos.

Barbosa tem pouco a perder se derrotado; tem muito a ganhar se eleito. O PT tem muito mais a perder se derrotado; não tem quase nada a ganhar se eleito, haja vista já ter absorvido o que poderia do povo e do País. Levar mais ainda seria a ganância se mostrando explicitamente e comprometendo mais um governo petista pela ânsia do poder e desejo irreprimível de enriquecimento de seus dirigentes.

Dificilmente o PT  poderá continuar neste caminho de a presidente Dilma, se reeleita, ser uma governante honorária cubana, investindo dinheiro brasileiro que é extraído do erário publico e que deveria ser canalizado para nossas carências e necessidades, mas está sendo enviado à ilha caribenha sem previsão de esta verba fabulosa ser devolvida para nossos cofres!

MUITAS DIFICULDADES

Barbosa, se eleito, terá muitas dificuldades. Acredito que ele saiba disso, que não se aventurará tão somente para sentar-se na cadeira presidencial sem tentar qualquer reforma. Todavia, tem conhecimento do quanto deverá ser hábil para negociar com um Congresso fisiológico, que funciona à base do toma lá dá cá, pouco se importando se imoral e antiético em suas transações com o governo em busca de cargos, ministérios, diretorias e secretarias.

Mesmo assim, Barbosa é dúvida sobre como irá se comportar nesses momentos. Se com impetuosidade e explosão de raiva, até chutar o balde e pedir o boné para voltar para casa, agravando uma situação política de difícil prognóstico, pois quem seria o seu vice-presidente?! E quem votar no ministro vai querê-lo à testa do País.

Sem falar na oposição carnívora que lhe destinará o PT, movido por um ódio doentio e visceral pela perda dos cargos e demais posições de conforto e gordos proventos, que impulsionarão os petistas a impedirem que Barbosa possa governar o Brasil. E se ele renunciar, não suportando a desonestidade e a corrupção dos parlamentares e das negociatas que descobrir?

PT DESGASTADO

Portanto, as eleições deste ano fogem ao cotidiano das anteriores. O PT está desgastado, desacreditado, a economia não cresce, nossos problemas sem solução, muitos se agravaram como a segurança, a educação e o aumento do analfabetismo, a depreciação da infraestrutura nacional sem um metro de trilho construído para desafogar o trânsito e facilitar o transporte público, enfim, um País que necessita de um governo que se entregue ao desenvolvimento, e não trabalhe exclusivamente para o crescimento do partido e enaltecimento de uma ideologia retrógrada.

Barbosa, se candidato e se eleito, terá de se basear nos Doze Trabalhos de Hércules, a célebre figura mitológica pela sua força, coragem e inteligência. Mas Barbosa se mostra apenas um ser humano, daí…

Histórias da história que podem nos ajudar a pensar

Sandra Starling

Muita gente sabe que foi o primeiro presidente militar quem criou o domicílio eleitoral (exigência de que alguém só possa se candidatar em um dado Estado ou município desde que esteja ali registrado como eleitor pelo menos um ano antes das eleições). Castello Branco fez isso de caso pensado para afastar generais que não tinham ideias como as dele e que poderiam sair vencedores como governadores nas eleições de 1965. Antes disso, Juscelino foi senador por Goiás, Getúlio venceu eleições em vários Estados.

É claro que, hoje em dia, há sempre espertalhões – esses não faltam – que mudam de domicílio para continuar mandando mais, caso de Sarney, dono do Maranhão e senador pelo Amapá, ou de vários ex-prefeitos que, não podendo mais ser reeleitos num município, mudam-se para outro. Será que essa exigência deve continuar a existir? Por quê? Isso não ajuda a enfraquecer o sentimento de nacionalismo, no bom sentido, isto é, o sentimento de pensar o país como um todo, e não apenas seu próprio quintal?! Cansei de ver no Congresso Nacional a briga de foice no escuro entre nortistas e sulistas ou nordestinos e paulistas, cada qual puxando a sardinha para sua brasa…

Antigamente, não existia segundo turno. Ganhava quem tinha mais votos e pronto, acabou. Quando JK foi eleito houve um burburinho – as razões eram várias, bem entendido – para questionar a legitimidade dele, porque só alcançara pouco mais de 30% dos votos. E daí? Houve mais crises no governo dele do que em qualquer outro? Em todo governo – já que cada um de nós, como diz um amigo meu, “é cada um” –, as divergências fazem parte da vida e, ouso dizer, fazem muito bem.

SILÊNCIO…

Deus me livre do silêncio das unanimidades! Além do mais, o tal do segundo turno já conseguiu transformar o primeiro numa caça ao tempo de TV e partilha de benesses. Quem diz que alguém – candidato ou eleitor – tem mais liberdade de escolha por esse método? E no segundo turno, valha-me Deus, tampa-se o nariz e engole-se o prato feito pela dita maioria. Ademais, por que o vice tem de vir de par constante com o candidato majoritário?

Antigamente, não era assim, e não me consta nenhum arranca-rabo que torne a República menos governável que os arranca-rabos atualmente patrocinados entre a turma de Dilma e a de Michel Temer. Por que não posso votar em Eduardo Campos e no vice de Aécio – seja ele ou ela quem vier a ser? Campos e Marina são piores que Dilma e Aécio. Em quê?

Já me posicionei sobre os black blocs. O MST só partiu para a violência, em Brasília, pela ação violenta e despropositada da Polícia Militar. Você já esteve algum dia envolvido numa dessas situações em que a polícia aparece? Se esteve, sabe do que estou falando.

Acho que está na hora de a gente revisar a história do Brasil. (transcrito de O Tempo)

Bem ou mal, o blog da Tribuna da Internet segue a utopia de ser um espaço independente, sem discriminar ideologias ou correntes filosóficas e religiosas

Carlos Newton

É uma utopia manter um blog como a Tribuna da Internet, com objetivo de que representantes das mais diversas correntes filosóficas e ideológicas possam se expressar livremente.

Sempre parece quem não aceite a convivência democrática e tente subordinar este espaço livre a alguma doutrina. Alguns chegam a perder a linha e passam a ofender aqueles que julgam serem adversários.

É lamentável ter de moderar comentários agressivos destemperados, mas alguém tem de fazê-lo. E vamos em frente, enquanto for possível.

MENSAGEM DE JORGE BÉJA

Hoje, escrevemos sobre a extraordinária atitude do Papa Francisco, ao relatar o caso do rosário do Padre Aristide, e o blog recebeu uma mensagem de Jorge Béja, um dos maiores juristas brasileiros, que temos a honra de transcrever aqui: 

Recentemente, quando reclamei dos nossos leitores que se xingavam uns aos outros, lembrei que entre as figuras de notável saber, vida reta e ilibada reputação que frequentavam este nosso blog, como articulistas e leitores, estava (e continua a estar) Jorge Mário Bergóglio, o Papa Francisco, com quem, desde anos e anos atrás, mantenho troca de mensagens e-mail, uma graça para mim. Uma graça para o blog e para todos que o acessam, nele escrevem e comentam.

Foi através de e-mail que recomendei a Francisco que lesse a Tribuna da Internet. E o Papa atendeu. Escreveu-me depois para dizer que sempre que pode passou a acessar o blog “e é através dele, Jorge, que recebo notícias do Brasil e do Rio”, como registra um desses e-mails do Vaticano. Daí porque pedi que as expressões e palavras ofensivas, de baixo calão, não fossem mais escritas e publicadas.

É certo que Francisco lerá, ainda hoje, amanhã ou depois, este artigo do nosso editor, Carlos Newton, até aqui o único na mídia brasileira que entendeu a essência do fato que o próprio Papa contou ao Mundo e, primorosamente, retratou em seu artigo, com talento, arte e sentimento nobre e puro.

Quando Francisco, no velório do padre-confessor, viu aquele Rosário e dele retirou o Crucifixo e o levou consigo, Francisco pretendeu guardar para sempre uma RELÍQUIA de seu amigo, Foi isso, como bem retratado por Carlos Newton, a quem abraço e louvo.

Jorge Béja

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BALANÇO DE FEVEREIRO

Como todos sabem, o blog da Tribuna não tem patrocínios. Só sobrevive em função do apoio de eleitores e comentaristas, como ocorreu com o jornal “Movimento” durante o regime militar.

Há quatro anos, quando o blog deixou de ter patrocinadores e ia ser extinto, a sugestão de haver apoio dos comentaristas e leitores partiu do engenheiro Carlo Germani, de Belo Horizonte, que nos mostrou que essa prática era usual na internet.

Portanto, devemos a ele a não somente existência do blog e também seu aperfeiçoamento. Foi Germani quem sugeriu a publicação de charges, entrou pessoalmente em contato com Alpino, Duke e Sponholz, e conseguiu que eles autorizassem a publicação.

Germani tem andado sumido. Também Christian Cardoso, Hugo Gomes de Almeida, Martim Berto Fuchs, Ofelia Alvarenga e outros grandes comentaristas fazem falta ao nosso blog. Mas a qualquer hora eles voltam, é o que esperamos.

Hoje, estamos divulgando o balanço de fevereiro, lembrando que a data corresponde ao dia em que a contribuição entrou na conta, e não ao dia do depósito. Assim, se o depósito tiver sido feito no final de fevereiro, por exemplo, pode ser que a entrada em conta só tenha ocorrido nos primeiros dias de março.

Estamos conseguindo ir em frente. Muito obrigado a todos que lutam para manter esse espaço livre na internet.

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

DIA     NÚMERO    ESPÉCIE        VALOR
03       000091     DP DINH AG         60,00
03       031743     DP DINH LOT        51,00
03       100039     DOC ELET            50,00
05       051011     DP DINH LOT        20,00
06       061045     DP DINH LOT        40,00
06       061438     DP DINH LOT        35,00
06       061536     DP DINH LOT      100,00
07       070953     DP DINH LOT        30,00
11       111507     DP DINH LOT      300,00
12       121146     DP DINH LOT      200,00
12       121523     DP DINH LOT        44,00
14       001340     DP DINH AG          50,00
20       600010     DOC ELET             30,00
24       241025     DP DINH LOT        50,00

BANCO ITAÚ

07      TBI 0701.04053-7TI     4175   50,00
17      TBI 0406.49194-4 C/C 4175   50,00
24      TEF TEL 9668.20654-4 9822   25,00
25      TEC DEP. DINH              7157   70,00

O tempo para o pão e o circo

Carla Kreefft

O fim do Carnaval traz uma realidade que não é nova, mas certamente é um choque para a maioria dos brasileiros. O cidadão, que se esbaldou pelas ruas em todo o país, perseguindo blocos e trios elétricos, volta ao trabalho com menos dinheiro no bolso e muitas perguntas na cabeça.

Nos jornais, além do impasse na Ucrânia, país de que muitos brasileiros nunca ouviram falar e jamais pretendem visitar, estão estampadas notícias sobre o impasse na base governista, sujeira nas ruas, risco de racionamento de energia, e mortes no trânsito. E aí é o momento de se perguntar o que é mesmo que estava sendo comemorado, nos últimos cinco dias.

Há sempre os otimistas, que vão dizer que o país não está mal e que faz parte da tradição brasileira o intervalo para a folia. Na visão desses, o Carnaval é um momento para reduzir o estresse e ganhar fôlego para o ano que segue. Mas há também os pessimistas, os que acreditam que o feriado prejudica a produção do país, paralisa as atividades econômicas e ainda provoca prejuízo para o poder público que sempre investe na festa.

Para além de qualquer entendimento – seja ele conservador ou progressista – é preciso entender que o Carnaval é a festa que mostra a alma do brasileiro. Um povo que tem a alegria em sua essência e que não tem receio nenhum de passar cinco dias nas ruas, cantando, dançando e bebendo porque sabe que a vida vai continuar a partir de quinta-feira com todo o peso e a dor que já lhe são conhecidos.

ÓCIO “VERGONHOSO”

O mundo do trabalho, a cada dia que passa, consome mais tempo e atenção do homem moderno. O ócio se transformou em motivo de vergonha em uma sociedade que não consegue parar nem mesmo para se alimentar, que dorme com o celular debaixo do travesseiro e aproveita os três minutos do sinal vermelho para responder a e-mails.

É nesse contexto que o brasileiro vai entrar em um período de processo eleitoral, atravessado por uma Copa do Mundo. Ou seja, o ano vai ser menor e coisas importantes vão acontecer no país. Uma eleição não é coisa simples ou, pelo menos, não deveria ser.

A eleição de outubro, especialmente, terá um caráter diferente porque vai colocar no jogo da disputa pelo poder alternativas diferentes das que já estavam postas. A possibilidade de renovação cresce, embora tenha resistências fortes. Em resumo, o brasileiro está precisando de tempo para conhecer sua política e escolher com serenidade seus caminhos. E tempo é algo que deve faltar muito em 2014.

Talvez fosse o momento de fazer um Carnaval em outubro. Resgatar a coragem e a disposição que marcaram a folia e decidir se encontrar com as urnas de verdade. Votar com a certeza de quem conhece todos os candidatos e suas propostas. Votar sem risco de estar elegendo uma fantasia. (transcrito de O Tempo)

Presidente do PT defende o “Volta Lula” (mas só após segundo mandato de Dilma…)

Deu no IG

O presidente do PT, Rui Falcão, afirmou fazer parte do coro do partido que pede pela volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto. “Nós temos que reeleger a presidente Dilma para que Lula volte em 2018”, disse sexta-feira a jornalistas. “Eu, pessoalmente, acho que a volta do presidente Lula em 2018 faria muito bem ao Brasil”.

Ele afirmou que o PT está “a todo vapor” na preparação para as eleições e respondeu aos rumores de que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa se afaste da Corte para se candidatar em 2014, à Presidência ou ao Senado.

“Perguntaram para mim se eu gostaria de vê-lo no embate (eleitoral). Para mim é indiferente, nós não escolhemos adversários”, afirmou Falcão. “Como político, eu acho que ele é um bom magistrado”, disse, arrancando risos entre os presentes.

MENSALÃO NÃO EXISTIU

Ele também voltou a defender a tese de que o mensalão não existiu e se disse animado com a absolvição do ex-ministro José Dirceu, do ex-tesoureiro Delúbio Soares e do ex-deputado petista José Genoino dos crimes de formação quadrilha, no julgamento dos embargos infringentes, na última semana.

“Esperamos agora que esse entendimento se repita no julgamento do recurso do João Paulo (Cunha) em sua condenação por lavagem. Para ser lavagem, é preciso saber da origem ilegal do dinheiro. E sacar direto do banco, deixando o RG, não faz parecer que o dinheiro seja ilegal”, disse em defesa do colega de partido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSe Lula pode voltar em 2018, por que não pode voltar agora? Este é o raciocínio dos petistas, que temem uma derrota de Dilma Rousseff caso a seleção fracasse na Copa e a economia siga em crise. Quanto à candidatura de Joaquim Barbosa, é hoje a maior preocupação dos petistas. Sem ser candidato, já está em segundo lugar nas pesquisas, segundo o Datafolha, com 15%.(C.N.)

Este governo vai ficar marcado por escamotear dados e manipular contabilmente as informações

Wagner Pires

O governo tem de reduzir seus gastos. Diminuir o número de ministérios, conter os repasses para o BNDES, enxugar custos administrativos. Fazendo assim, consegue ampliar a diferença entre o que arrecada e o que gasta, de modo a cobrir os juros da dívida e ainda ter sobra para compor o Fundo Soberano. Este sim, uma poupança para médio e longo prazos.

Dá até para ampliar o valor do Bolsa Família e distribuir mais a renda, se o governo começar a poupar a sobra de arrecadação, mantendo-a no patamar que já está. Sem a necessidade de aumentar a tributação.

Se o governo não faz isso, continuamos na armadilha de baixo crescimento com pressão inflacionária e aumento das taxas de juros do mercado bancário, com baixo estímulo para o investimento e manutenção do endividamento – tanto público quanto das famílias. Temos que mudar isso, começando pelo aumento da responsabilidade fiscal do governo.

INFLAÇÃO

O nó górdio da inflação está contido nos preços administrados –  transporte, energia, combustíveis.

Os preços dos combustíveis já estão sendo corrigidos. Deste ano não passa, também, a correção das tarifas de energia elétrica. O governo está subsidiando o corte de 20% que foi dado com recursos do Tesouro Nacional. Ou seja, não tem saída, é o povo mesmo que está pagando a conta. Só, que de maneira difusa.

Este ano este subsídio foi orçado em R$ 9 bilhões. A rubrica específica se chama CDE: Conta de Desenvolvimento Energético. Mas, parece ser que não será suficiente para arcar com as despesas de geração, transmissão e distribuição de energia, tendo em vista o regime pluviométrico que estamos passando, com baixa dos reservatórios e a consequente maior utilização das termoelétricas que encarecem muito o custo da energia.

Na verdade,e já estamos tendo impacto bastante significativo na balança comercial com o aumento do volume de óleo combustível importado para alimentar as térmicas. Este custo, terá de ser repassado à população, é lógico. Mas o governo tenta camuflar isso o máximo possível. Se possível, esticar o reajuste para depois das eleições, pois se trata de medida impopular.

Este governo vai ficar marcado como aquele que escamoteou dados e manipulou contabilmente as informações. Tudo com o fito de ludibriar a opinião pública. Na verdade, todos os preços administrados terão de sofrer correção. Mas, claro, isso após as eleições.

Sonhando com a poesia de Helena Kolody

A professora e poeta paranaense Helena Kolody (1912-2004), no soneto “Sonhar”, explica o tamanho do sonho e da pureza para viver neste mundo.

SONHAR
Helena Kolody

Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.

Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.

É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.

Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Militares descontentes com as punições aplicadas pela presidente da República

José Carlos Werneck

A decisão da presidente Dilma Rousseff de punir militares da reserva que criticaram duas ministras do governo por serem favoráveis à revogação da Lei da Anistia piorou o clima na caserna e aumentou o número de adesões ao manifesto “Alerta à Nação – eles que venham, por aqui não passarão”.

A presidente da República tomou a decisão de puni-los depois que eles a criticaram publicamente por não censurar as ministras dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres.

Inicialmente, o manifesto tinha 98 assinaturas.  Após terem tomando conhecimento da decisão de puni-los, o número subiu para 235 e depois chegou a 386 adesões, entre eles 42 oficiais-generais, sendo dois deles ex-ministros do Superior Tribunal Militar.

A presidente já havia se irritado com o manifesto dos Clubes Militares, lançado às vésperas do Carnaval, e depois retirado do site, e ficou mais irritada ainda com esse novo documento, no qual eles reiteram as críticas e ainda dizem não reconhecer a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim, de intervir no Clube Militar.

INGREDIENTE POLÍTICO

A presença de ex-ministros do STM adiciona um ingrediente político à lista, não só pelo posto que ocuparam, mas também porque, como ex-integrantes da mais alta Corte Militar, os signatários têm pleno conhecimento de como seus pares julgam neste caso.

O Ministério da Defesa e os comandos militares ainda estão discutindo com que base legal os militares poderão ser punidos.Diversas reuniões foram convocadas nos últimos dias  para discutir o assunto. Mas não há unanimidade de como as sanções devem ser aplicadas.

INTERPRETAÇÕES

Para a Defesa ocorreu “ofensa à autoridade da cadeia de comando”, incluindo aí a presidente Dilma e o ministro. Para Celso Amorim, os militares não estão emitindo opiniões na nota, mas sim atacando e criticando seus superiores hierárquicos, em um claro desrespeito ao Estatuto do Militar.

Só que, nos comandos, há diferentes enTendimentos a respeito da Lei 7.524, de 17 de julho de 1986, assinada pelo ex-presidente José Sarney, que prevê que os militares da reserva podem se manifestar politicamente e não estão sujeitos a reprimendas.

No artigo 1.º da lei está escrito que “respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público”.

Essa dúvida, quanto à interpretação da legislação, entendem os militares, poderá levar os comandantes a serem processados por danos morais e abuso de autoridade, quando aplicarem a punição de repreensão, determinada pela presidente. Nos comandos, há a preocupação com o fato de que a lista de adeptos do manifesto só aumenta, o que faria com que o assunto se transformasse em uma bola da neve.

 

A questão indígena é um problema de importância vital para o país, mas ninguém se interessa em resolvê-lo

Celso Serra

É inacreditável e inconcebível o descaso brasileiro em relação à chamada questão indígena. As diversas tribos estão abandonadas à própria sorte pelo governo, o que facilita a atuação das ONGs estrangeiras que assediam as tribos, interessadas não somente nas reservas minerais da Amazônia, mas também nas múltiplas riquezas da biodiversidade.

Os índios estão em pé de guerra, já tentaram até invadir o Palácio do Planalto, e sonham com a independência territorial, política e econômica, que lhes é garantida por dois importantíssimos tratados internacionais assinados pelo governo brasileiro nas gestões de Fernando Henrique Cardoso e de Lula.

O problema surgiu no final do governo FHC, quando o Brasil estranhamente aprovou a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, cujo texto nos obriga a aceitar passivamente o direito ilimitado de propriedade e posse de terras pelas tribos indígenas. Depois, em 2007, no segundo mandato de Lula, o Brasil aprovou na ONU a Declaração Universal dos Direitos das Nações Indígenas, que ratifica e amplia os termos da Convenção da OIT, dando independência e autonomia total aos territórios indígenas, que teoricamente agora têm direito de se transformarem em países independentes.

COM FORÇA DE LEI

A Convenção 169 foi ratificada pelo Congresso e outorgada pelo governo Lula, tem força de lei federal e está em pleno vigor, alimentando as aspirações emancipacionistas das tribos indígenas. Já a Declaração da ONU até hoje não foi enviada ao Congresso pelo governo. Ou seja, ainda não tem força de lei. Mas como foi efetivamente aprovada na ONU pelo governo do Brasil, e isso tem um significado político muito forte, não há dúvida.

Importante notar que, entre os países independentes que tinham muito a perder por ainda terem populações consideradas “nativas”, o Brasil foi o único a admitir essa cessão de sua soberania sobre parte do território nacional, o que significa deixar de deter o controle sobre cerca de 20% do país (incluindo as áreas indígenas ainda em processo de demarcação).

SÓ 17 PAÍSES ASSINARAM…

Veja-se o que aconteceu na Organização Internacional do Trabalho, que é formada por 185 países-membros. Na hora de decisão, apenas 17 nações aprovaram a Convenção 169, entre elas o Brasil, enquanto 168 países se recusaram a aceitá-la, inclusive os Estados Unidos, que também se negaram a assinar a Declaração pretendida pela ONU.

Agora, o governo do Brasil só tem prazo até 24 de julho de 2014 para anular a ratificação da Convenção 169 da OIT. A decisão cabe exclusivamente à presidente Dilma Rousseff, mas será que ela tem conhecimento da existência desses importantes tratados internacionais, estranhamente aprovados pelo Brasil? E quem se interessa por assunto tão sem importância?

Enquanto isso, as tribos estão à míngua, como ficou demonstrando no recente caso ocorrido em Humaitá, no Amazonas, com a cobrança de pedágio na Rodovia Transamazônica e o trucidamento de três cidadãos brasileiros que trafegavam naquela estrada.