Petrobras enfim começa a afastar executivos corruptos

Deu em O Tempo
Após investigações internas, Petrobras determinou a saída de executivos da Diretoria de Engenharia na noite desta terça-feira (18). O setor é onde acontecem as contratações e licitações das empreiteiras. As informações foram divulgadas pelo jornal “Folha de S.Paulo”.As demissões são resultado das sindicâncias que acontecem dentro da estatal, para apurarem os casos de corrupção envolvendo membros da Petrobras e executivos.De acordo com a “Folha de S.Paulo”, um dos demitidos pela empresa pode ser o gerente geral da Abreu Lima, Gauco Colepicolo. Funcionários ligados ao ex-diretor Renato Duque e ao ex-gerente executivo Pedro Barusco também estão na lista de demissão, segundo informaram, anonimamente, membros da empresa ao jornal paulista.

Os ex-diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e Renato Duque (Engenharia) são acusados de participar do esquema de fraude envolvendo empreiteiras, dentro da Petrobras. Em acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa confirmou o repasse de 1% a 3% do valor dos contratos em propina. Duque está preso e nega envolvimento. A Petrobras ainda não se manifestou sobre as demissões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs jornalistas estão falando equivocadamente em demissões. O que está acontecendo é que a Petrobras está apenas afastando do cargo os executivos já comprovadamente envolvidos na corrupção, segundo as auditorias internas. Eles não foram demitidos e continuam nos quadros da empresa. Até quinta-feira, antes da nova fase da Operação Lava Jato, a presidente Graça Foster insistia em dizer que as auditorias não tinham comprovado irregularidades. Como sempre, Graça Foster estava mentindo. (C.N.)

 

Para entrar em concorrências, empreiteiras terão de delatar

Jorge Hage: “Terão de contar tudo…”

Julio Wiziack
Folha

As empreiteiras pegas na Operação Lava Jato terão de ressarcir a Petrobras pelos danos causados, refazer contratos superfaturados, entregar os nomes de quem recebeu e pagou propina, e ainda mostrar como funcionava o esquema dentro da estatal.

Só assim poderão fechar acordos de delação com a CGU (Controladoria Geral da União) e escapar da punição de ficarem impedidas de fazer negócios com o governo daqui para a frente. É o que disse à Folha o ministro-chefe da CGU Jorge Hage. “Isso é inafastável. Não há como celebrar acordo sem que haja compensação.”

Hage não citou os nomes das empreiteiras que já procuraram a CGU, mas afirmou que há “farto material” para que os processos sejam abertos. “Estamos concluindo a análise dos documentos obtidos pela Justiça no Paraná”, disse. “Já temos elementos suficientes para a abertura dos processos.”

Nove empreiteiras são alvo da investigação da Polícia Federal: Camargo Corrêa, OAS, UTC, Odebrecht, Mendes Júnior, Engevix, Queiroz Galvão, Iesa e Galvão Engenharia. A suspeita é que elas pagaram propina a executivos da Petrobras para conseguir contratos. Parte do dinheiro foi desviado para companhas do PT, PMDB e PP.

FORA DAS CONCORRÊNCIAS

Caso sejam condenadas em um processo da CGU, as construtoras envolvidas ficariam inabilitadas para qualquer tipo de negócio com o setor público. Por isso, ainda segundo Hage, elas têm interesse em se antecipar.

Os processos serão abertos sem que a CGU tenha acesso às delações premiadas que já ocorreram. “Já solicitei duas vezes ao Janot [Rodrigo Janot, procurador-geral da República]. Mas ele respondeu que a lei só permite compartilhar esse material após a apresentação da denúncia. Ou seja, vai demorar muito. Não temos como esperar.”

“Onde houve, comprovadamente, sobrepreço –ou seja, aquela gordura que é a base para propina– a repactuação dos contratos para redução de preço é indispensável”, disse o ministro.

Hage afastou a hipótese do órgão público instaurar processo administrativo contra a Petrobras. “Entendo que a estatal é vítima dessa história, tanto de agentes corruptores –empresas e pessoas físicas– como de agentes públicos que se deixaram corromper”, disse.

DELAÇÃO GERAL…

As empreiteiras que aceitarem fazer o acordo com a CGU terão de entregar quem recebeu e pagou propina, além do funcionamento do esquema. As informações poderão ser compartilhadas com o Ministério Público.

Até agora, seis funcionários e diretores da Petrobras foram processados pela CGU com base nas negociações com a holandesa SBM Offshore, que aluga plataformas à estatal. “Caminhamos para fechar o acordo”, disse Hage.

Ainda segundo o ministro, existem em curso uma sindicância patrimonial e uma dezena de procedimentos investigativos –que antecedem a abertura de um processo na CGU.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também conduz um processo de delação com o grupo Setal. A legislação, neste caso, só permite que uma empresa seja beneficiada. Mas nada impede que outra companhia feche acordo antes da Setal no Cade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs empreiteiros não têm saída, terão de encarar a delação premiada. Dois dirigentes da Camargo Corrêa, que falsificaram contratos e não deram depoimento, precisam trocar imediatamente de advogados. Um dos vice-presidentes da empreiteira não entrou nessa e já está se oferecendo para fazer delação premiada. Os outros dois terão de vir atrás ou mofarão na Papuda com Marcos Valério. (C.N.)

 

PMDB nega envolvimento em corrupção e pede apuração rigorosa

Deu no Estadão

A Executiva Nacional do PMDB divulgou nota nesta quarta-feira, 19, repudiando “toda e qualquer acusação que esteja sendo feita ao partido, como beneficiário” do esquema que está sendo investigado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal.

Nessa terça-feira, o empresário Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, entregou-se à Polícia Federal, em Curitiba. Ele é apontado pelas investigações como o operador do PMDB no esquema de corrupção de propinas e corrupção envolvendo a Petrobrás. Seu depoimento está previsto para esta quarta. No início da tarde, Fernando Baiano passou por exames no Instituto Médico Legal (IML).

No texto, o partido diz que, se alguém de apresentou como representante ou operador do PMDB, o fez “indevida e desautorizadamente”, “em caráter pessoal ou no interesse de terceiros”, e deverá responder por seus atos perante a lei.

O PMDB, que se apresenta como o maior partido do Brasil, diz que exige plena apuração dos fatos e publicação das conclusões, quando, segundo a legenda, “restará provado que deles nunca teve nenhuma participação ou benefício.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGConforme anunciamos aqui há vários dias, em primeira mão e com absoluta exclusividade, a estratégia de defesa do PMDB (traçada pessoalmente por Michel Temer, que é professor de Direito Constitucional) é no sentido de livrar o partido das acusações. Traduzindo: o “operador” Fernando Baiano teria agido exclusivamente em nome dos políticos do PMDB envolvidos nas falcatruas, jamais representando diretamente o partido, cujo presidente no primeiro governo Lula, por coincidência, chamava-se Michel Temer. E a presidente Dilma Rousseff tenta usar a mesma estratégia, para tirar o corpo fora e colocar a culpa no PT e em Lula. O assunto é instigante, logo voltaremos a ele. (C.N.)

No desespero, Dilma manda o Planalto processar Renato Duque

Comissão “processou” Erenice e não houve punição…

Fernanda Calgaro
Do G1, em Brasília

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu nesta quarta-feira (19) abrir processo para investigar o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque sobre o possível envolvimento dele em suposto esquema de pagamento de propina com recursos de contratos firmados pela estatal.

Duque foi preso pela Polícia Federal na última sexta-feira (14) durante a sétima fase da Operação Lava Jato. Nesta terça, o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, decidiu que a prisão temporária de Duque, com prazo inicial de cinco dias, deveria ser convertida em preventiva, sem prazo para acabar.

Segundo o presidente da Comissão de Ética Pública, Américo Lacombe, como Duque já deixou o cargo na Diretoria de Serviços da petroleira, a punição cabível para ele seria a censura ética, que é uma anotação na sua ficha funcional. Não há prazo para a comissão concluir o processo.

A comissão tem a prerrogativa de abrir processo mesmo contra autoridades que já não estejam mais no cargo para apurar a sua conduta no período em que exerciam o ofício.

A defesa de Duque terá prazo de dez dias para se manifestar. A próxima reunião da comissão será no dia 15 de dezembro.

CÓPIA DE DEPOIMENTO

A Comissão de Ética Pública também decidiu que irá solicitar à Justiça cópia do depoimento de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que já é alvo de processo na comissão.

Em nota, a comissão informa que está acompanhando “de perto” todos os desdobramentos da operação. Além dos processos contra Duque e Costa, há outro que investiga o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, que foi citado nas investigações da Polícia Federal como um dos beneficiários dos pagamentos de propina.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA notícia não tem a menor importância nem haverá punição a Duque. Trata-se de um factóide criado pelo Planalto, por determinação da presidente Dilma Rousseff, que tenta fazer de conta que combate a corrupção. Os membros da Comissão deviam se envergonhar de estarem sendo usados. Duque nem é funcionário público, trabalha numa sociedade anônima, com regime jurídico de CLT. Duque espera que a Comissão de Ética trabalhe com o mesmo rigor demonstrado no caso de Erenice Guerra, amiga íntima de Dilma, que transformou a Casa Civil num balcão de negócios familiares. (C.N.)

Deputados de Brasília querem se tornar imunes à cassação

Almiro Marcos
Correio Braziliense

No dia em que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) abriu processo criminal contra um deputado por peculato e fraude a licitação e marcou a data do julgamento de outro por improbidade administrativa, a maioria da Câmara Legislativa decidiu manter a blindagem a parlamentares envolvidos em denúncias por meio de mudanças no Código de Ética.

Depois de uma reunião do colégio de líderes na tarde de ontem, deputados distritais seguiram dispostos a manter na pauta as propostas que garantem superpoderes a eles mesmos em processos de cassação. Dois projetos de resolução apresentados que tratam do assunto estão em tramitação. Se aprovados da forma como estão, um deputado envolvido em ato de improbidade administrativa ou por crime só será investigado na Câmara Legislativa após o julgamento final; e cidadãos comuns e de entidades da sociedade civil perderão o direito de abrir representação contra parlamentares.

Diante da repercussão negativa, os deputados admitem até a possibilidade de alterar um dos textos, mas não abrem mão de manter o projeto que permite abertura de processo por quebra de decoro apenas quando houver condenações transitadas em julgado, o projeto de Resolução (PR) 81.

Com relação ao projeto de Resolução 82, que retira o direito de cidadãos e entidades de apresentar pedidos de cassação contra parlamentares, trocando-os por partidos políticos com representação no Congresso Nacional e na Câmara Legislativa, há um recuo. A intenção é alterar a proposta de forma que os cidadãos tenham que se identificar na hora de protocolar a denúncia contra um deputado distrital. Hoje apenas com a apresentação do CPF é possível representar contra um parlamentar. Uma emenda deve ser incluída para que sejam incluídos dados como data de nascimento, endereço e telefone do autor da denúncia.

Reações

A ameaça de blindagem causou reações populares negativas. O movimento Adote um Distrital, por exemplo, encaminhou ofício a todos os parlamentares pedindo providências. Se na semana passada os dois projetos não fizeram parte das discussões no Colégio de Líderes, ontem foi diferente. O tema causou constrangimento. O presidente da Casa, Wasny de Roure (PT), pediu mais cuidado com relação ao PR 81.

“Nós precisamos discutir melhor o assunto, que só vai a plenário para votação em segundo turno com o acordo dos líderes”, avisou. Paulo Roriz (PP), líder do bloco PP, PR e PTB, foi contra. “Eu acredito que não deve voltar para a pauta. Se voltar, votarei contra e orientarei meu bloco nesse sentido”, avisou. “O petista Chico Leite disse que não há necessidade de mudança no Código de Ética para se adequar a um andamento judicial. “Os poderes são independentes”, explicou.

As propostas

Projeto de Resolução 81, de 2014
O que é: altera o Código de Ética da Câmara Legislativa. Estabelece que os deputados só podem sofrer processo de cassação por ato de improbidade administrativa depois da sentença transitada em julgado (quando não houver mais possibilidade de recursos judiciais)
Situação: aprovado em 1º turno na semana passada. Só pode voltar a plenário na semana que vem
Quem assinou: Agaciel Maia (PTC), Alírio Neto (PEN), Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Celina Leão (PDT), Chico Vigilante (PT), Cláudio Abrantes (PT), Cristiano Araújo (PTB), Dr Michel (PP), Liliane Roriz (PRTB), Olair Francisco (PTdoB), Professor Israel Batista (PV), Robério Negreiros (PMDB), Rôney Nemer (PMDB), Wasny de Roure (PT) e Wellington Luiz (PMDB)
Retiraram a assinatura: Joe Valle (PDT) e Eliana Pedrosa (PPS)
Votaram a favor: Alírio Neto (PEN), Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Celina Leão (PDT), Chico Vigilante (PT), Cristiano Araújo (PTB), Dr Michel (PP), Eliana Pedrosa (PPS), Liliane Roriz (PRTB), Professor Israel Batista (PDT), Robério Negreiros (PMDB), Wasny de Roure (PT) e Wellington Luiz (PMDB)

Projeto de Resolução 82, de 2014
O que é:
altera o Regimento Interno da Câmara Legislativa. Retira cidadãos comuns e entidades representativas da sociedade civil da relação daqueles que podem oferecer representações, denúncias ou notícias de infrações contra deputados distritais
Situação: está tramitando
Quem assinou: Agaciel Maia (PTC), Alírio Neto (PEN), Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Celina Leão (PDT), Chico Vigilante (PT), Cristiano Araújo (PTB), Dr Michel (PP), Eliana Pedrosa (PPS),
Liliane Roriz (PP), Professor Israel Batista (PDT), Robério Negreiros (PMDB) e Wellington Luiz (PMDB)

Perícia acha pagamentos de Youssef a empresas de deputado

José Janene participou do mensalão e do petrolão

Wilson Lima
iG Brasília

Laudos feitos pela Secretaria de Pesquisa e Análise do Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Lava Jato confirmam repasses de valores diretamente da contas de empresas ligadas ao doleiro Alberto Youssef a empresas controladas pelo ex-deputado federal José Janene (PP-PR), réu do mensalão morto em 2010. Janene é apontado como homem que orientava o repasse de recursos a políticos envolvidos no mensalão e também no esquema de corrupção da Petrobras.

Na segunda-feira da semana passada, o doleiro Alberto Youssef confirmou em depoimento à Justiça Federal do Paraná que mantinha uma conta conjunta com Janene e que o ex-parlamentar era o responsável pelo pagamento a políticos.

No depoimento, Youssef disse que se utilizava de um segundo doleiro, Carlos Habib Carter, o Habib, dono do Posto da Torre em Brasília (empreendimento que deu origem ao nome da Operação Lava Jato), para efetuar esse repasse aos políticos a pedido de Janene. Pelo depoimento de Youssef, esse dinheiro vinha de empreiteiras. “Tudo o que o seu Janene precisava de recursos ele pedia a mim e eu disponibilizava”, disse Youssef no depoimento.

NA CONTA DA LANCHONETE

Um exemplo da possível disponibilização de recursos são depósitos de contas da empresa Torre Comércio de Alimentos, uma lanchonete do Posto da Torre, cujo dono era Habib, em favor de contas de empresas ligadas a Janene, como a Ferramentas Gerais Comércio e Importação LTDA ou CSA-Dunel. Uma outra possibilidade é apontada em depósitos da empresa Angel Serviços Terceirizados, também supostamente controlada por Habib, em favor da Ferramentas Gerais. A suspeita da PF e MPF é que essas contas eram utilizadas para lavar dinheiro de empreiteiras e encaminhar propina a políticos.

Conforme os laudos do MPF anexados esta semana a um dos processos da Lava Jato, houve a comprovação de várias transferências em valores que variavam de R$ 130 mil a R$ 150 mil da Angel Serviços Teceirizados ou da Torre Comércio de Alimentos em favor das empresas controladas por Janene.

Somente no dia 08 de julho de 2008, por exemplo, o MPF conseguiu comprovar o pagamento de R$ 130 mil da Angel Serviços para a Ferramentas Gerais; houve também a comprovação de pagamentos da ordem de R$ 145 mil entre a Torre Comércio de Alimentos diretamente à Ferramentas Gerais. A estimativa da PF é que pelo menos R$ 1,1 milhões foram lavados por meio de contas controladas por Alberto Youseff.

TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS

Ainda conforme as investigações, houve também a tentativa de transferências bancárias nos dias 07 e 08 de julho das contas da Torre Comércio de Alimentos e Angel Serviços no valor de R$ 641 mil. Mas essas transferências não foram feitas, conforme a perícia do MPF, por conta de falhas no serviço bancário.

Nos depoimentos, Habib negou o crime de lavagem de dinheiro e disse que esses repasses de suas contas eram pagamentos de empréstimos obtidos junto a Youssef. Uma outra versão da origem deste dinheiro, mas relacionada aos responsáveis das empresas CSA-Dunel e Ferramentas Gerais Comércio e Importação LTDA, é que os repasses eram fruto de pagamento de investimentos obtidos por Janene nestas empresas.

Sob suspeita, diretor Cosenza comanda auditorias na estatal

José Carlos Cosenza já depôs na CPI e disse que não sabia de nada…

Deu no Estado de Minas

Apontado por Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa como um dos beneficiários das “comissões” pagas por empreiteiras com contratos com a Petrobras, o atual diretor de Abastecimento da companhia, José Carlos Cosenza, é o responsável por validar o resultado de duas auditorias internas da estatal. Caberá a ele julgar e punir eventuais envolvidos em desvios na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Rnest), as duas principais obras sob investigação da Operação Lava Jato. Pelo regimento da estatal, o diretor das áreas investigadas é responsável por analisar em conjunto com o setor jurídico da empresa as punições cabíveis a eventuais funcionários envolvidos em irregularidades e casos de corrupção.Cosenza é o primeiro integrante da atual diretoria a ser citado nas denúncias investigadas pela Polícia Federal. Ele era subordinado a Paulo Roberto Costa até 2012, atuando na gerência de Refino da diretoria de Abastecimento. Com a saída do ex-diretor, Graça Foster o nomeou para o cargo, atribuindo a ele “virtudes intangíveis” e classificando seu trabalho como “espetacular”. Na segunda-feira, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, informou que os relatórios finais das auditorias já estão com os diretores responsáveis, mas não há prazo para punições.

FACILITADORES DE DESVIOS

As investigações internas apontaram pelo menos oito funcionários ainda na ativa como beneficiários e facilitadores de desvios na estatal. Entre eles há pessoas em cargos executivos e gerentes de subsidiárias, segundo uma fonte que teve acesso aos relatórios. As auditorias foram apresentadas na última sexta-feira ao Conselho de Administração.

Questionada se o suposto envolvimento do diretor poderia prejudicar o andamento das apurações internas e a aplicação de penalidades, a Petrobrás não se manifestou. Tanto o doleiro quanto o ex-diretor Paulo Roberto Costa afirmaram em depoimento que Cosenza teria se beneficiado de “comissões” distribuída por empreiteiras para garantir contratos na estatal. O atual diretor negou “veementemente” envolvimento em casos de corrupção. Em nota, ele disse ainda desconhecer Alberto Youssef.

Executivos assinaram contratos falsos e tinham ligação com Youssef

Avancini, da Camargo Corrêa, só apresentou papéis falsos

Wilson Lima
iG Brasília

As investigações da Operação Lava Jato apontam que executivos de empresas como a Camargo Corrêa e UTC teriam sido supostamente responsáveis pela assinatura de contratos fraudulentos e seriam íntimos do doleiro Alberto Youssef, um dos comandantes do esquema de corrupção da Petrobras. O presidente da UTC, Ricardo Pessôa, segundo o Ministério Público Federal (MPF) trocou 35 mensagens de celular diretamente com Youssef.

Segundo o Ministério Público Federal, o diretor-presidente da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini, teria sido o responsável pela assinatura de contratos de serviços de consultoria com a Costa Global, de propriedade de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. A empresa é apontada pelo Ministério Público Federal como uma companhia de fachada, utilizada somente para a lavagem de dinheiro fruto de pagamento de propina na estatal. Era por essa empresa que Costa recebia a sua parte do esquema de desvios de recursos.

Esse contrato entre a Camargo Corrêa e a Costa Global foi firmado em 10 de setembro de 2012, conforme informações da Justiça Federal do Paraná, e a empresa recebeu, até o dia 10 de dezembro do ano passado, repasses da empreiteira no valor de R$ 3,1 milhões. “Segundo o próprio Paulo Roberto Costa, tal contrato foi utilizado para disfarçar repasse de vantagem indevida devida da época em que ele ocupava o cargo de Diretor de Abastecimento da Petrobras e cujos pagamentos haviam ficado pendentes”, afirma o juiz Sérgio Moro.

ERA TUDO FALSO

“Veja-se que a Camargo Corrêa, foi instada pelo MPF a apresentar documentos e explicar sobre a contratação da Costa Global. Na resposta, de 3/9/2014, juntou cópia do contrato e de seu aditivo – ideologicamente falsos, como anotado. Isso é clara evidência de que seus executivos persistem na prática de tentar emular a licitude do repasse dos recursos de propina”, dizem os procuradores em documento expedido nesta terça-feira, no Paraná. A Camargo Corrêa negou qualquer tipo de irregularidade ou a tentativa de fraudar as investigações da Polícia Federal.

Ainda conforme os documentos da Polícia Federal, o presidente da UTC, Ricardo Pessôa trocou 35 mensagens de celular diretamente com Youssef. Para o MPF, essas mensagens falavam sobre tratativas entre o presidente da UTC e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras para obtenção de recursos de campanhas eleitorais de partidos. Uma das mensagens de celular afirmava “já está colaborando, mas vai intensificar + p/campanha a pedido de PR”. Esse PR, seria Paulo Roberto. Pessoa é apontado como o líder do cartel de empresas envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras.

As investigações do MPF e da Polícia Federal apontam que o diretor-presidente da Iesa Óleo & Gás S.A. “tinha pleno domínio dos fatos delitivos, servindo inclusive como contato do então diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, para a tratativa de negócios escusos e celebração de contratos simulados com o intuito de dar ares de legitimidade ao repasse de valores de propina ao seu destinatário final”. Esse destinatário era Costa.

PF comprova que PT trocou Bolsa Família por votos em Minas

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Vice-prefeito apanhado em flagrante

Ezequiel Fagundes
Hoje em Dia

A Polícia Federal (PF) deflagrou terça-feiraa operação “Curinga” com o intuito de coibir fraude nos cofres da Previdência Social no Norte de Minas. No curso das investigações, a PF deparou-se com fortes indícios de crime eleitoral em benefício de candidatos da coligação do PT. Dessa forma, a operação policial será desmembrada.

Os nomes dos deputados petistas Reginaldo Lopes, reeleito para a Câmara dos Deputados e cotado para assumir o Ministério da Educação, e do deputado estadual Paulo Guedes foram citados no relatório parcial da PF. O envolvimento dos parlamentares com a quadrilha do INSS foi descartado, mas eles podem ter sido beneficiados eleitoralmente.

O esquema de fraude na Previdência foi montado dentro da prefeitura e da Câmara Municipal de Monte Azul. O escritório do INSS em Espinosa, cidade localizada a 40 Km de Monte Azul, foi utilizado pelo bando. Os principais políticos de Monte Azul estão diretamente envolvidos com o rombo nos cofres da Previdência, estimado em R$ 200 mil, e com os crimes eleitorais. Entre eles, o vice-prefeito, três vereadores, três secretários da prefeitura, além do sindicato de trabalhadores rurais da cidade, todos eles ligados ao PT. A partir de documentação forjada, o grupo conseguia aposentadoria para pessoas que nunca foram trabalhadores rurais.

GRAMPOS TELEFÔNICOS

O Hoje em Dia teve acesso aos documentos e aos grampos telefônicos da investigação. De acordo com o inquérito, benefícios previdenciários, materiais de construção, combustível, além de cadastros do Bolsa Família, auxílio-doença, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e até dentaduras foram oferecidos em troca de voto.

Além da Zona da Mata, o Norte de Minas foi a região na qual a presidente reeleita, Dilma Rousseff (PT) obteve maior vantagem perante o tucano Aécio Neves, seu principal oponente. Em Monte Azul, por exemplo, Dilma obteve 76% dos votos da cidade, enquanto Aécio ficou com 14%. Guedes e Lopes conquistaram 30% dos votos válidos do município. Lopes foi o mais votado, e Guedes, o segundo.

Em um dos grampos telefônicos, o vereador Geraldo Moreira dos Anjos, o Ladim (PT), foi flagrado orientando o eleitor Flávio Custódio Teixeira a votar nos candidatos do PT. O vereador petista, segundo o inquérito, intermediou a inclusão da mulher de Teixeira na lista do Bolsa Família. A inclusão dela no cadastro será investigada, já que a maioria das benesses, especialmente os programas de transferência de renda e as aposentadorias, foram destinadas a pessoas que não poderiam ser contempladas.

Em outro diálogo, o vice-prefeito de Monte Azul, Antônio Idalino, o Toninho da Barraca (PT), foi pego autorizando o caminhão-pipa da cidade a fornecer água para uma piscina na casa de um eleitor. Numa outra conversa, o petista determina que a dentista da prefeitura faça dentaduras para eleitores.

 

Lula reaparece e defende a demissão de Graça Foster

iG Minas Gerais 

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” que a substituição de Graça Foster na presidência da Petrobras deve ser prioridade na reforma ministerial do novo governo Dilma.

De acordo com a reportagem, Lula acredita que, no momento em que as investigações da Operação Lava Jato estão mais acirradas em direção ao PT e a atual presidente da Petrobras não tem mais condições políticas para defender a estatal e nem recuperar seu protagonismo econômico.

Para ele, um dos nomes para assumir a chefia da estatal é o do ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT).

Dilma tem outros planos para Jaques Wagner, de quem é amiga próxima, mesmo com a pressão feita por Lula e aliados para que o ex-governador ganhe o comando da estatal. Para Dilma, o ministério palaciano é uma de suas apostas, mas de acordo com apurações da Folha, Wagner gostaria de assumir a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA ocasião é propícia para que enfim saibamos quem está à frente do governo: a presidente reeleita Dilma Rousseff (governante de direito) ou o ex-presidente Lula (governante de fato), ou se os dois formam uma figura bipolar, que se confunde em si mesma, e bota confusão nisso. Quanto a Jaques Wagner, se tiver juízo, ficará longe da Petrobras. (C.N.)

Piada do Dia: Lava Jato libera Dilma para nomear ministros

Valdo Cruz
Folha

A nova fase da Operação Lava Jato, que prendeu executivos de empreiteiras, representa um desgaste para o governo, mas terá o efeito positivo de dar mais liberdade à presidente Dilma para montar seu novo ministério.

Na avaliação de assessores próximos da presidente, ela ficará mais livre para escolher nomes de “impacto” e “de primeira linha” dentro dos partidos de sua base aliada, sem ficar refém da exigência das cúpulas partidárias.

A presidente pode, inclusive, deixar para o final de dezembro ou mesmo, em alguns casos, para janeiro a definição dos nomes de ministros das cotas partidárias de sua equipe do segundo mandato.

Seria uma forma de aguardar os desdobramentos das investigações da Operação Lava Jato, que atinge empreiteiras com contratos com a Petrobras e apura desvio de recursos para partidos governistas, como PT e PMDB.

Além disso, ajudaria na definição sobre o futuro presidente da Câmara dos Deputados. O líder do PMDB, Eduardo Cunha, é visto como favorito, mas não conta com a simpatia do Palácio do Planalto.

EQUIPE ECONÔMICA

Entre o final de novembro e início de dezembro, Dilma deve definir sua equipe econômica. Não só o ministro da Fazenda, mas também o do Planejamento e o presidente do Banco Central.

Assessores dizem que ela pode surpreender na escolha do substituto de Guido Mantega, não optando por nenhum dos nomes citados até agora, como do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles e do ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa.

Alexandre Tombini, atual presidente do BC, deve ficar onde está, segundo assessores. Essa seria a intenção de Dilma, que gosta da sua atuação na condução da política monetária. Logo depois da eleição, a equipe de Tombini subiu a taxa de juros de 11% para 11,25% ao ano.

O presidente do BC foi convocado por Dilma Rousseff para se juntar à comitiva presidencial na reunião do G20, encerrada neste fim de semana na Austrália. Tombini retornou ao Brasil com a petista no avião presidencial.

MINISTROS DA CASA

Depois da equipe econômica, ou mesmo juntamente, Dilma vai definir o grupo de ministros do Palácio do Planalto. Aloizio Mercadante, salvo surpresas de última hora, ficará na Casa Civil.

Miguel Rossetto, hoje no Desenvolvimento Agrário, deve ser deslocado para a Secretaria-Geral da Presidência, pasta hoje ocupada pelo lulista Gilberto Carvalho.

Outro nome cotado para integrar o grupo palaciano é o do governador Jaques Wagner (PT-BA), que tem reunião agendada com a presidente nesta quarta-feira (19).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Essas matérias plantadas pelo Planalto são hilárias. Dizer que um escândalo desses deixou Dilma mais livre de Lula só pode ser piada. Ela sonha com isso, e sonhar ainda não é proibido. (C.N.)

Preço do petróleo cai e põe a Venezuela no limiar do colapso

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Desabastecimento continua prejudicando a população

Frida Ghitis

Com o preço do petróleo do tipo Brent tendo despencado 22% nos últimos 12 meses — estando hoje por volta de US$85 o barril —, o governo da Venezuela está entrando em desespero. Preços menores colocarão enorme pressão sobre a economia venezuelana — totalmente dependente das receitas da exportação de petróleo —, que hoje sofre com profundos e crescentes desequilíbrios macroeconômicos.

No entanto, mesmo com todos os problemas que essa redução no preço do petróleo criou para seu governo, o presidente Nicolás Maduro decidiu dobrar a aposta em suas atuais políticas econômicas. Em vez de tentar uma impopular reforma econômica, Maduro está apenas à espera de uma retomada dos preços do petróleo e de mais crédito fornecido pelo governo chinês.

A explosão nos preços das commodities ocorrida a partir de meados da década de 2000 permitiu que a Venezuela, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mantivesse um volumoso programa de gastos sociais combinado com controles de preços e salários e com um mercado de trabalho extremamente rígido. Todo esse insano castelo de cartas conseguiu se manter solvente por um bom tempo unicamente por causa das receitas do petróleo.

COTAÇÃO DESABA

No entanto, uma redução na demanda mundial por petróleo em conjunto com um aumento na produção no Oriente Médio e um forte aumento na produção de gás de xisto nos EUA — que está fazendo com que o custo da energia venha caindo vigorosamente nos EUA — derrubaram o preço do petróleo do tipo Brent para o menor valor em quatro anos.

Estas alterações serão profundamente sentidas na Venezuela, um país em que o petróleo é responsável por mais de 95% das exportações da economia e por aproximadamente 45% de toda a receita do governo. A queda nos preços do petróleo irá reduzir as receitas de exportação da Venezuela, exacerbando o já monumental déficit orçamentário do governo — em 2013, quando o preço do petróleo ainda estava alto, o déficit orçamentário do governo foi de 11% do PIB — e restringindo sua capacidade de acumular divisas internacionais.

Caso o valor do barril do petróleo permaneça abaixo de US$ 120 — valor necessário para o governo equilibrar seu orçamento —, a situação fiscal do governo irá se deteriorar ainda mais.

DÍVIDAS AUMENTAM

Essa escassez de receitas deveria fazer o governo Maduro repensar suas estratégias. Ao longo dos próximos dois anos, a Venezuela tem mais de US$28 bilhões em dívidas vincendas. Enquanto as dívidas se acumulam, a quantidade de dólares em suas reservas internacionais caiu para o menor valor em dez anos. O Banco Mundial recentemente decretou que a ExxonMobil deve ser indenizada pelo governo venezuelano em US$1,6 bilhão por ter tido seus ativos expropriados no país. Igualmente, a empresa Gold Reserve também terá de ser indenizada em US$740 milhões pelo governo venezuelano.

Mais de uma dezena de casos semelhantes estão pendentes nos tribunais internacionais, os quais elevariam em vários bilhões as obrigações da Venezuela. Ainda no início deste ano, a Standard & Poor’s estimou em 50% as chances de a Venezuela dar o calote em sua dívida ao longo dos próximos dois anos. Após os últimos eventos, novas estimativas elevaram essa probabilidade para quase 100%.

A reação de Caracas à queda nos preços do petróleo indica que o governo da Venezuela manterá sua postura nos próximos meses. Algumas semanas atrás, Maduro veio a público para repetir o mantra favorito da esquerda latino-americana: ele disse que a queda nos preços do petróleo foi causada por “inimigos estrangeiros” que querem “desestabilizar” seu governo popular. Em seguida, a Venezuela conclamou uma reunião de emergência com a OPEP para pedir aos países-membros que reduzissem a produção e a oferta.

AJUDA DA CHINA

Os países da OPEP ainda não demonstraram nenhuma intenção de atender aos clamores de Maduro. A Arábia Saudita, o único país com alguma capacidade de fazer grandes cortes em sua produção, não parece propensa a alterar o atual arranjo, uma vez que a queda nos preços está ajudando a proteger a decrescente fatia do país no mercado de petróleo.

E mesmo uma eventual e imediata redução na produção de petróleo pelos sauditas não garantiria nenhuma retomada de preços: a capacidade da OPEP de determinar os preços do petróleo foi severamente enfraquecida pelo estrondoso aumento na produção de gás xisto nos EUA, o que vem erodindo o monopólio até então usufruído pelos tradicionais ofertantes. Adicionalmente, como já dito, a demanda global por petróleo está em arrefecimento.

A China parece mais propensa e mais bem posicionada do que a Arábia Saudita para ajudar Maduro. Desde 2006, Pequim já forneceu mais de US$50 bilhões em financiamentos para Caracas, sendo que a quitação desses empréstimos foi acordada em termos de envio de petróleo para a China, a preços de mercado. Uma assistência adicional dos chineses poderia ajudar o governo madura a manter seus elevados gastos, ou ao menos fornecer uma liquidez temporária para evitar um iminente calote.

INFLAÇÃO E ESCASSEZ

Em última instância, essa assistência chinesa pode ajudar apenas temporariamente a economia venezuelana. A acentuada queda nos preços do petróleo expôs a frágil situação do país. Com as receitas do petróleo em baixa, o governo venezuelano passou simplesmente a imprimir dinheiro para financiar seus gastos. Oficialmente, a inflação de preços está em 60% ao ano. Mas estatísticas privadas colocam esse valor em aproximadamente 350%. A imposição de controle de preços gerou um desabastecimento generalizado no país.

A escassez crônica de produtos básicos — como papel higiênico — e a imposição de cotas para compras em supermercados estão gerando grande inquietação e revolta entre os venezuelanos. Diariamente, os venezuelanos descobrem que está cada vez mais difícil encontrar produtos básicos, de remédios e fraldas a alimentos.

(artigo enviado por Carlo Germani)

Corrupção na Petrobras começa a atingir o governo Dilma

Deu na Folha

Citado em delação premiada na Operação Lava Jato, o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, deve deixar o cargo.

Ministros ouvidos pela Folha afirmam que sua saída se tornou inevitável” após o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef o colocarem na lista de suspeitos de terem recebido “comissões”.

Avalia-se que o caso envolvendo Cosenza é o mais grave da gestão Dilma Rousseff, pois rompe o cordão sanitário” das denúncias. Até então, os principais episódios do caso tratavam do período anterior ao de Graça Foster na presidência da Petrobras.

Com a citação a Cosenza, revelada na segunda (17), governistas avaliam que a Polícia Federal busca “provar” que o esquema continuou após 2012, quando Sérgio Gabrielli, indicado por Lula e inicialmente mantido por Dilma, deixou o comando da estatal.

Auxiliares da petista temem que o escândalo possa respingar no governo, que tentava se blindar circunscrevendo os problemas aos indicados da gestão Lula.

No governo do ex-presidente, Costa foi indicado para a diretoria de Abastecimento. Em 2012, com a saída de Costa, Graça Foster nomeou Cosenza para a vaga.

A foto de Cosenza ao lado de Graça nesta segunda, mesmo dia da revelação da citação, repercutiu mal. Eles participavam de uma conferência para divulgar os dados operacionais da empresa.

WAGNER

Na avaliação de Lula, a reforma ministerial do novo governo Dilma deve passar imediatamente pela substituição de Graça Foster na presidência da Petrobras. Seria uma tentativa de evitar que o escândalo se instale de vez no Palácio do Planalto.

Um dos nomes defendidos pelo ex-presidente para assumir a chefia da empresa é o do ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT). Nesta segunda-feira, os dois conversaram reservadamente no Instituto Lula, em São Paulo.

Segundo a Folha apurou, Lula está incomodado com a falta de estratégia de defesa da Petrobras. Ele acredita que, no momento em que as investigações da Operação Lava Jato estão mais acirradas em direção ao PT, Graça não tem mais condições políticas de defender a empresa nem de retomar seu protagonismo econômico.

Nomeada presidente da Petrobras em fevereiro de 2012, após administração de Gabrielli (que estava à frente da estatal desde 2005), Graça é de confiança de Dilma.

GOVERNO PARALISADO

Dirigentes do PT avaliam que a crise na maior empresa brasileira, com influência no quadro econômico do país, somada à paralisia do Legislativo, acabou por frear o governo nos últimos meses do primeiro mandato de Dilma.

E agora temem um aumento dessa paralisia caso a presidente adie ainda mais a composição de sua nova Esplanada dos Ministérios.

Os ministros nomeados pela presidente serão fundamentais para o diálogo com a base aliada no Congresso, caminho para a eleição de um presidente da Câmara com o aval do Palácio do Planalto.

As nomeações para a Esplanada, dizem os petistas, servirão como sinalização de estabilidade para o governo.

Apesar de Lula e aliados defenderem a ida de Jaques Wagner para o comando da estatal, Dilma tem outros planos para o ex-governador, de quem é amiga próxima. Um ministério palaciano é uma de suas apostas. Wagner, por sua vez, gostaria de assumir a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, segundo a Folha apurou.

Aliados afirmam que Lula e Dilma devem se encontrar na próxima semana, em Brasília, para discutir o novo governo e a crise na Petrobras.

Há uma devastação nas coisas e nos seres

O crítico literário, tradutor, ficcionista e poeta gaúcho Luís Carlos Verzoni Nejar, no “Poema Devastação”, fala da existência deste fenômeno destrutivo nas coisas, nas águas, nas plantas e os seres.

 

POEMA DA DEVASTAÇÃO

Carlos Nejar

Há uma devastação
nas coisas e nos seres,
como se algum vulcão
abrisse as sobrancelhas
e ali, sobre esse chão,
pousassem as inteiras
angústias, solidões,
passados desesperos
e toda a condição
de homem sem soleira,
ventura tão curta,
punição extrema.

Há uma devastação
nas águas e nos seres;
os peixes, com seus viços,
revolvem-se no umbigo
deste vulcão de escamas.

Há uma devastação
nas plantas e nos seres;
o homem recurvado
com a pálpebra nos joelhos.
As lavas soprarão,
enquanto nós vivermos.

                 (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

 

Executivo foi assediado este ano por Vaccari, tesoureiro do PT

José Vaccari é citado novamente no inquérito

Ricardo Brandt e Fausto Macedo
Estadão

O engenheiro civil Ildefonso Colares Filho, que trabalhou durante cerca de 40 anos na Queiroz Galvão, afirmou que a construtora fazia contribuições durante as campanhas eleitorais aos partidos políticos que “mais se caracterizam com as características da empresa”. Em depoimento à Polícia Federal, no Paraná, onde está preso por suspeita de envolvimento com o cartel das empreiteiras na Petrobrás, Colares citou como recebedores de doações da Queiroz Galvão o PT, o PMDB, o PP e “mais alguns”.

A PF indagou do executivo qual era o critério para as contribuições. “O primeiro critério era o limite, sempre aquém do permitido. A gente dava para aqueles partidos que mais se caracterizam com as características da empresa, ligados ao crescimento da infraestrutura.”

Indagado se conhece tesoureiros ou arrecadadores de algum partido político, ele respondeu. “Conheço o João Vaccari do PT, na época em que eu estava na empresa.” Citou, também, o ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010.

Ele disse ter sido abordado neste ano pelo tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto. “Disse a ele [Vaccari] que não mexia mais com os negócios da Queiroz Galvão.” Moraes Filho disse ter sido procurado por diversos políticos, mas preferiu não falar dos demais, até porque, segundo ele, as doações não o beneficiaram. O empresário também afirmou que Youssef era um arrecadador do PP. Segundo Moraes Filho, a Queiroz Galvão tinha um comitê, comandado pelo presidente da empresa, para analisar os pedidos de doações. “Eu dava as demandas para o comitê, este se reunia e decidia os valores que seriam doados e para quem”, disse.

COSENZA

Numa pergunta ao ex-dirigente da Queiroz Galvão, a PF afirmou que os primeiros delatores da Operação Lava Jato – Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás) e o doleiro Alberto Youssef -, afirmaram que o atual diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, também recebeu propinas do esquema de corrupção. “O sr. confirma essa informação?”, perguntou o delegado. “Não”, respondeu Ildefonso Colares Filho.

Nova piada: Petrobrás vai cobrar ex-diretores por prejuízo

Deu no Estadão

A Petrobrás está disposta a ir à Justiça cobrar de funcionários e ex-diretores envolvidos em irregularidades o ressarcimento dos prejuízos causados. O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da ‘Agência Estado’, apurou que a decisão foi tomada na última semana, após o Conselho de Administração reconhecer a responsabilidade do ex-presidente José Sérgio Gabrielli, e dos ex-diretores Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, nas perdas com a compra da refinaria texana de Pasadena, em 2006. O Tribunal de Contas da União (TCU) estima que o negócio tenha gerado perda de US$ 792 milhões à petroleira.

No primeiro posicionamento público sobre o escândalo de corrupção na estatal, a presidente Graça Foster admitiu a ocorrência de desvios na empresa e disse ter sido “surpreendida” com a prisão dos ex-diretores pela Operação Lava Jato.

A executiva classificou a situação enfrentada pela Petrobrás como “difícil e dolorosa” e pediu a investidores que “mais uma vez” acreditem na empresa. Graça também afirmou que pretende criar uma diretoria de governança corporativa para melhorar os procedimentos internos da estatal. “Não quero ser surpreendida outras vezes”, disse.

UMA GRANDE NEGOCIATA

Na última sexta-feira, durante a reunião do conselho de administração, a proposta de criação da diretoria foi discutida entre os integrantes, no pacote de medidas em resposta às denúncias de corrupção. No encontro, ficou definido que a Petrobrás buscará judicialmente o ressarcimento dos prejuízos causados pelas irregularidades praticadas por seus ex-funcionários e diretores.

A auditoria interna realizada durante oito meses identificou 15 responsáveis por irregularidades em Pasadena, nos Estados Unidos. Entre eles estão dois executivos da empresa Astra Oil, que vendeu 50% da refinaria para a Petrobrás, em 2006 por um US$ 360 milhões – valor oito vezes superior ao que a companhia belga havia pago, um ano antes, por toda a unidade de refino.

O resultado da auditoria será encaminhado ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para que os acusados sejam responsabilizados na esfera cível. Mas, no caso de funcionários que ainda trabalham na empresa, serão abertos processos administrativos que podem levar a exonerações de cargos.

GABRIELLI E CERVERÓ

Por meio do seu advogado Edson Ribeiro, Gabrielli e Cerveró disseram desconhecer as acusações levantadas na última reunião do conselho.

Gabrielli afirmou que aguarda a comunicação formal para se posicionar.

 

Juiz quebra o sigilo de 16 dos 24 presos e três empresas

Juiz esqueceu do sigilo dos operadores dos partidos

LEANDRO PRAZERES
UOL Brasília

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, determinou, nesta terça-feira (18), a quebra do sigilo bancário de 16 dos 24 presos durante a sétima fase da operação. Além da quebra do sigilo bancário dos presos, três empresas suspeitas de fazerem parte do esquema de desvio de dinheiro público da Petrobras tiveram a quebra de sigilo determinada.

O pedido de quebra de sigilo bancário dos suspeitos foi feito na tarde desta terça-feira (18) e encaminhado ao Banco Central.

Os presos que tiveram os sigilos bancários quebrados são: Erton Medeiros Fonseca (Galvão Engenharia), Renato Souza Duque (Petrobras), Ildefonso Colares Filho (Queiroz Galvão), Othon Zanoide de Moraes Filho (Queiroz Galvão), Valdir Lima Carreiro (Iesa), Dalton Santos Avancini (Camargo Correa), Walmir Pinheiro Santana (UTC), José Ricardo Breghirolli (OAS), Eduardo Hermelino Leite (Camargo Correa), Sérgio Cunha Mendes (Mendes Júnior), Agenor Franklin Magalhães Medeiros (OAS), Ricardo Ribeiro Pessoa (UTC), João Ricardo Auler (Camargo Correa), José Aldemário Pinheiro Filho (OAS), Gerson de Mello Almada (Engevix) e Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como lobista do PMDB.

EMPRESAS

As três empresas que tiveram seus sigilos bancários quebrados são: Technis Planejamento e Gestão em Negócios, Hawk Eyes Administração de Bens e D3TM – Consultoria e Participações.

Desde a última sexta-feira (14), a PF colheu os depoimentos de presos da sétima fase da Operação Lava Jato. A PF investiga um esquema de desvio de recursos públicos da Petrobras orçado em pelo menos R$ 10 bilhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO ilustríssimo juiz federal Sérgio Moro nos desculpe, mas ficou faltando quebrar o sigilo de Adarico Negromonte, o operador do PP. Quando ao sigilo do operador do PT, o ainda tesoureiro José Vaccari Neto, já foi quebrado pela CPI mista e nem precisa mais. (C.N.)

Bethlem engana Conselho de Ética e escapa da cassação

Iolando Lourenço
Agência Brasil 

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados rejeitou por 8 votos a 2 o parecer do deputado Paulo Freire (PR-SP) que propunha a abertura de processo de cassação do mandato do deputado Rodrigo Bethlem (PMDB-J).  Como o parecer preliminar não foi acatado, o processo para a abertura de investigações foi arquivado pelo conselho. O argumento dos deputados que votaram contra a abertura das investigações é que não havia provas materiais que justificassem as denúncias.

O deputado Rodrigo Bethlem foi acusado de desviar recursos públicos durante gestão na Secretaria de Assistência Social da prefeitura do Rio de Janeiro. O pedido de abertura de processo foi feito pelo PSOL, que na representação entregue ao Conselho de Ética diz que houve divulgação pela imprensa de conversas telefônicas, em julho, que apontam possível recebimento de vantagens indevidas pelo parlamentar fluminense quando ocupava o comando da secretaria.

O deputado Rodrigo Bethlem disse que, em função das denúncias publicadas na imprensa, os danos causados a sua imagem e honra são irrecuperáveis. Ao falar do arquivamento do processo, Bethlem lembrou que nos últimos cinco anos foi secretário de várias pastas importantes no governo do Rio de Janeiro e que não gostaria de terminar o mandato parlamentar “com uma espada dessa na minha cabeça”.

Antes de terminar a reunião, o presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PSD-SP), marcou para o dia 2 de dezembro a próxima reunião do colegiado, data em que deverão ser apresentados os relatórios preliminares sobre os processos envolvendo os deputados Afonso Florence, Rui Costa e Nelson Pellegrino, do PT da Bahia. Os relatores são Mauro Lopes (PMDB-MG), Ronaldo Benedet (PMDB-SC) e Wladimir Costa (SD-PA), respectivamente.

As representações contra os petistas foram apresentadas pelo PSDB e DEM e foram baseadas em denúncias da imprensa sobre envolvimento dos deputados no desvio de recursos destinados à construção de 1.120 casas populares.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ inacreditável o que aconteceu com Rodrigo Bethlem. Conseguiu iludir os membros do Conselho de Ética, simplesmente apresentando o passaporte, para provar que nunca foi à Suíça abrir conta. Como explicou aqui na Tribuna da Internet o comentarista José Augusto Aranha, quando você entra na Europa por qualquer país que faz parte do Espaço Schengen, só fica com um único carimbo no seu passaporte, justamente do país por onde você entrou.

“Portanto se o Bethlem chegar na Europa pela França, Espanha, Alemanha, Itália etc., não terá no seu passaporte carimbo da Suíça. Quando ele entrar na Suíça não vão carimbar nada pois ele já está legalizado no Espaço Schengen. O advogado preparou essa ‘pegadinha’ para ver se cola. É nossa obrigação denunciar que isso não prova nada”, disse José Augusto Aranha, acrescentando: “Quando ele diz que não tem carro próprio e precisa pagar aluguel para morar, só confirma que é tudo jogo de cena para a torcida. Se o MP vasculhar o nome dele na Suíça, certamente vai encontrar, pois sua defesa tenta esconder algo inventando estes fatos”.

Na Comissão de Ética, ninguém vasculhou nada e Bethlem se livrou de uma cassação praticamente certa. (C.N.)