Gafes de Joaquim Levy vão desgastando sua imagem

Vera Magalhães
Folha

Peemedebistas colecionam episódios “desastrados” de Joaquim Levy (Fazenda) para esticar a corda com o governo nas tratativas do ajuste fiscal. A análise de líderes da sigla é a de que Dilma Rousseff paga o preço por não ter um articulador confiável e joga holofotes em excesso sobre o ministro, sem preparo para liderar negociações políticas. “Ele vai se desgastando a cada dia. A fala sobre Dilma não põe sua permanência em risco, mas faz barulho”, afirma um cacique do PMDB.

Outro episódio que ainda não foi digerido pelos peemedebistas, e é usado para marcar a falta de tato do ministro, é a reunião com Eduardo Paes, em que os dois se desentenderam sobre a renegociação da dívidas de Estados e municípios.

O Planalto demonstrou a aliados ter consciência de que só tem chance de protelar a regulamentação das dívidas se apresentar proposta concreta sobre tributos estaduais, como o ICMS.

“Ou surpreende ou vai perder”, diz um senador da Comissão de Assuntos Econômicos, onde Levy fala esta terça-feira.

AO TRABALHO

Aloizio Mercadante (Casa Civil) reuniu ministros na última sexta-feira para, na palavra de um deles, colocar o governo para governar. A avaliação no Planalto é a de que é necessário impor logo uma agenda, para se tornar menos refém das crises, como agora.

Ministros do núcleo político de Dilma esperam que a nomeação de Edinho Silva para Secom traga também uma trégua do PT em relação às estratégias de comunicação do Planalto.

PT lança manifesto, mas esquece de culpar as “zelites”

Deu no Estadão

Um manifesto divulgado pelo PT nesta segunda-feira, 30, diz que o partido está sob forte ataque e compara o cenário ao de 1989, quando a legenda foi responsabilizada pelo sequestro do empresário Abílio Diniz. O documento foi elaborado por dirigentes estaduais do PT, com o aval do presidente nacional da sigla, Rui Falcão, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao falar das denúncias de escândalos na Petrobrás, o documento dos dirigentes petistas diz que querem fazer do PT “bode expiatório da corrupção nacional” e repete que o partido é favorável à completa investigação de malfeitos e afastamento de partidários, caso sejam condenados em virtude de “falcatruas”.

Petistas avaliam no manifesto que a questão do sequestro de Diniz foi um dos fatores determinantes para a derrota de Lula na disputa presidencial contra Fernando Collor. “Em nossa história de 35 anos, muitas vezes investiram contra nós. O fato mais marcante, numa longa trajetória de manipulações, foi imputarem ao PT o sequestro do empresário Abilio Diniz”, diz trecho do primeiro parágrafo.

CERCO E ANIQUILAMENTO

“A ofensiva de agora é uma campanha de cerco e aniquilamento”, continua o texto, que acusa um sujeito indefinido de já ter proposto no passado ser “preciso acabar com a nossa raça”. O documento diz ainda que “não suportam” o fato de o PT ter tirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras, em “tão pouco tempo” e que, por isso, tentam criminalizar o PT.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO manifesto é estranho, parece falsificado. Em nenhum momento culpa as “zelites”. O que será que está acontecendo com o PT? (C.N.)

Tarso Genro defende que o PT afaste Vaccari da Tesouraria

Tarso Genro quer afastar Vaccari, preventivamente

Deu na Folha

Na semana passada, a Justiça Federal do Paraná aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réu o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, sob a acusação de corrupção no rastro da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Nesta segunda-feira, o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT) defendeu que se Vaccari não pedir seu afastamento do cargo, o comando nacional do partido deve fazê-lo preventivamente.

“Se ele for denunciado, e se a denúncia foi aceita como é a informação que nós temos, o partido deve pedir para que ele se afaste e, se ele não se afastar, afastá-lo preventivamente”, defendeu.

Sob pressão do comando petista, o tesoureiro tem sido pressionado a deixar o posto para evitar maior desgaste na imagem da sigla.

Vaccari, no entanto, avisou à cúpula da legenda que quer continuar no posto e pretende prestar depoimento à CPI da Petrobras, na Câmara dos Deputados, no exercício da função.

RENOVAÇÃO DO PT

Genro participou na manhã desta segunda-feira (30) de reunião como o novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, na capital paulista.

O petista defendeu que o PT passe por uma “renovação profunda” e adapte a sua visão programática ao novo ciclo econômico e social do país. “Uma profunda revisão dos pressupostos éticos e políticos que fizeram parte do próprio nascimento do partido”, disse.

Genro avaliou ainda que o atual modelo de coalizão do PT está “vencido”. Ele defendeu que se forme uma frente ampla de partidos, nos moldes do que é feito no Uruguai.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão adianta pressionar Vaccari, porque ele não vai sair do cargo. Pelo contrário, sua intenção é testar até que ponto o PT é solidário a ele, que operava as propinas do partido, mas não ficava com nada, entregava o dinheiro todo. Eis a questão. Quando Vaccari descobrir que o PT está pouco ligando para ele, vai demolir o que resta do partido. (C.N.)

Criança confunde câmara com uma arma e comove o mundo

Reprodução/Twitter

Ao ver o fotógrafo apontar a câmara, o menino sírio achou que era uma arma

Deu no Yahoo

Uma fotografia postada pela fotógrafa Nadia Abu Shaban em sua conta oficial no Twitter está comovendo o mundo. Na imagem, uma criança de quatro anos levanta as mãos ao confundir a câmera com uma arma de fogo.

Nadia explicou que a imagem não foi feita por ela, mas sim por um profissional que cobre a guerra na Síria. Ela também explica que a reação da criança foi instantânea e automática no momento em que o profissional sacou a câmera para fazer a foto no local.

Após toda a repercussão da imagem, foi divulgado que a foto foi feita em 2012, na Síria, pelo fotojornalista Osman Sağırlı. Diferente do que vinha sendo divulgado nas redes sociais, trata-se de um menino e não de uma menina, à época realmente com quatro anos.

A imagem comovente é retrato do desespero que toma conta da Síria há quase quatro anos. Desde 2011, quando a guerra civil começou no país, na menos do que 7 milhões de pessoas deixaram suas casas e se transformaram em fugitivos. Além disso, 200 mil pessoas já morreram nesse conflito.

Grandes batalhas só são dadas a grandes guerreiros

Vittorio Medioli
O Tempo

Mahatma Gandhi notou que “grandes batalhas só são dadas a grandes guerreiros…” Pessoas forjadas em outras vidas, capazes, quando chamadas, de enfrentar obstáculos majestosos, inconcebíveis para um simples mortal.

Como existe um mal devorador e triunfante, também a natureza divina se permite formar uma força para obstá-lo e evitar que tome conta de tudo. O mal, em si e por si, é estulto. Sempre exagera, superestima-se, não avalia que um dia será humilhado. Não conhecendo o que é o amor, que não sabe praticar, falta-lhe até amor-próprio para se preservar. Vence e devora enquanto pode, até que uma força contrária o liquide.

Disse o Mestre: “Não resistais ao mal…” Deixai que, como filho de Saturno, o mal se arrogue a invencibilidade, acabe devorando seus filhos e chore sua solidão.

Mesmo avisado de que melhor seria parar, costuma não compreender e se complicar. Faz contas rasas. O mal, no fundo de si, sempre desconfia que seu fim será terrível, como de regra é.

GRANDE GUERREIRO

Quando não consegue por si só dar-se um basta, o mal esbarra num “grande guerreiro” vestido de humildade, esse que o Mahatma Gandhi reconhece forjado para as Grandes Batalhas.

O sábio indiano, que conduziu seu povo à liberdade, explicou que o “grande guerreiro” relutará, se furtará enquanto for possível; ciente do sofrimento que está por vir, tentará de tudo para se afastar da luta. Cederá a capa, as moedas, o prato, mas depois se entregará de corpo e alma para a batalha. Para vencer ou morrer.

Como Arjuna no Bhagavad-Gita, aceitará enfrentar até os irmãos se a causa for justa, aceitando o ensinamento de Krishna de assumir seu dever e sua responsabilidade.

Como a circunstância deixa inevitável ao búfalo entrar no pântano, o “guerreiro” entrará na batalha. A ela se dará por inteiro.

NUNCA ABATIDO

O abade Constant, referindo-se ao personagem “imprescindível”, como poderia se referir ao “grande guerreiro”, explicou: “… podeis vê-lo muitas vezes triste, nunca abatido ou desesperado… muitas vezes pobre, nunca envilecido nem miserável… muitas vezes perseguido, nunca acovardado nem vencido. Porque ele se recorda em cada momento da morte solitária de Moisés, da condenação de Sócrates, do martírio dos fiéis, das torturas de Apolônio, dos cravos aplicados ao Salvador”. Ainda consegue recordar as chamas que consumiram Giordano, o tiro covarde que findou Gandhi.

Isso não o faz desistir, recorda-se sempre de que a missão, quanto mais gloriosa, mais passará perto do trágico cume do Calvário.

O “guerreiro” ficando “grande”, assim como Jesus ficou Cristo, se desapega, se faz consciente de que sua vida não será longa ou fácil, apenas acredita, como lhe prometeram, que valerá a pena.

Aos que defendem a ditadura, o nosso desprezo

Luiz Caversan
Folha

Eu não quero ter hora para voltar para casa, ser proibido de sair de casa, ser proibido de voltar para casa. Eu não quero ser exilado do meu país, viver na clandestinidade. Eu não quero ser proibido de ler um livro, qualquer livro, nem ser proibido de assistir a um filme, qualquer filme. Eu não quero ser proibido de escrever livros ou fazer filmes, se for o caso.

Eu não quero ser proibido de viajar, sair do país a qualquer dia, a qualquer hora, ir para qualquer lugar que me aceite, e depois voltar tranquilamente. Eu não quero que me digam o que eu posso e o que eu não posso falar, como estou falando tudo isso aqui neste espaço. Eu não quero que este espaço seja censurado.

Eu não quero que este jornal, que jornais, revistas, rádios e TVs digam apenas o que quem está no poder permitir. Eu não quero, jamais, a volta da censura. Eu não quero ser proibido de andar na rua, qualquer rua, a qualquer hora, sob o pretexto de eu ofereço perigo à sociedade. Eu não quero ser preso sem saber por quê.

Eu não quero ser proibido de falar bem de Cuba e de falar mal dos Estados Unidos, ou vice-versa. Eu não quero ser proibido de me manifestar, em ambiente público ou privado, a respeito do que quer que seja, contra ou a favor governo, governos, políticos, agentes públicos civis ou militares.

EU NÃO QUERO SER PROIBIDO

Eu não quero ser proibido de usar camiseta vermelha. Ou camiseta azul ou branca ou do Corinthians ou do Palmeiras. Eu não quero ter minha residência violada, invadida, desrespeitada, a não ser que eu ou alguém da minha família tenha cometido um crime, e que haja ordem da Justiça a este respeito.

Eu não quero ver amigos sumirem, desaparecerem. Eu não quero ver nenhum cidadão sumir, desaparecer, muito menos sabendo que o Estado tem responsabilidade nisso. Eu não quero que os agentes públicos civis ou militares possam matar, torturar, perseguir, ameaçar, abusar das pessoas impunemente e respaldados, ainda que de forma dissimulada, pelo Estado.

Eu não quero ser proibido de votar, seja para presidente, para governador, deputado, senador, vereador ou síndico do meu prédio. Eu quero ter o direito de ser a favor ou contra e inclusive de mudar de opinião.

Por isso eu não quero – nunca, jamais, em tempo algum – a volta da ditadura militar.

A FAVOR DA DITADURA?

Se você é a favor da volta da ditadura militar você é a favor de tudo isso o que relacionei acima. É a favor da ilegalidade. Se você tem coragem de ir para a rua ostentando uma faixa pedindo a volta do horror, você faz parte deste horror de tão triste memória –ou não sabe disso, ou não quer saber disso ou quer se beneficiar pessoalmente disso.

Se você defende a volta da ditadura militar, conforme lembrou recentemente o professor e filósofo Renato Janine Ribeiro, você defende a volta de crimes e de criminosos.

Portanto, você merece desprezo.

Ninguém liga mais para notório saber e ilibada reputação

Roberto Nascimento

O Executivo, o Legislativo e o Judiciário agem de acordo com as suas conveniências, de toda a ordem, principalmente a política. No fundo, os três poderes não estão cumprindo adequadamente seu papel constitucional.

No caso da nomeação do novo ministro do Supremo, o Executivo deseja que o indicado seja simpatizante do PT, mas, recebeu informes de que o Congresso vetará nomes desse naipe. O PMDB, por outro lado, deseja indicar um nome da conveniência do partido, entretanto, o governo veta. E o notório saber e a ilibada reputação? Ora, ninguém liga mais para esses pequenos detalhes inseridos na Constituição.

Este é o verdadeiro motivo da demora na indicação do substituto do ministro aposentado Joaquim Barbosa, nomeado por Lula, que hoje avalia ter sido seu maior erro, sem falar a indicação da atual presidente, é claro.

SEM CUMPRIR PRAZOS

Quanto ao Judiciário, é o campeão na falta de celeridade do andamento processual, porque não se vê obrigado a cumprir prazos. Apenas os advogados são submetidos a prazos fatais, sob pena de perda das ações e prejuízos aos clientes.

O Legislativo caminha na mesma esteira dos outros dois poderes. Só correm quando são cobrados pelo povo, principalmente quando a massa vai às ruas protestar, como na Primavera Junina. Passada a onda de protestos, voltam a votar os projetos e emendas constitucionais a passos de tartaruga.

E assim, o país vai perdendo as oportunidades no cenário das nações. Quando advêm as crises, o primeiro e único penalizado é o trabalhador, como faz agora o ex-tucano Joaquim Levy, alçado a ministro da Fazenda pelo PT, que pretende fazer o ajuste fiscal em cima do trabalhador. Quando instado a incluir o imposto sobre grandes fortunas na pauta, faz cara de paisagem e não responde. O silêncio diz tudo, lógico.

EMPRESAS DESESTIMULADAS

Será muito difícil a política fiscal de Levy experimentar sucesso que todos esperam. Matar o doente agora (recessão e desemprego), na expectativa de que no ano que vem possa ressuscitar, é um risco muito grande. As empresas precisam de estímulo para manter e até ampliar a oferta de emprego.

Desestruturar, agora, significa a necessidade de um esforço maior para crescer novamente. Falam em 2016, mas eles sabem que no mínimo levará de três a cinco anos para plena recuperação da economia. Os EUA, maior potência do planeta, levou cinco anos após a crise de 2008 para respirar e gerar novos empregos.

Levy tem de se explicar perante os senadores esta terça-feira

Deu no Correio Braziliense

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, considerado intransigente e inábil politicamente por boa parte da base aliada — especialmente petistas e peemedebistas — estará, hoje, frente a frente com os senadores na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para provar que o ajuste fiscal que comanda não é apenas um festival de tesouradas em gastos públicos. Petistas desesperados em busca de um argumento para defender o governo esperam que ele prove que o arrocho será precedido de um plano de investimentos e um novo modelo de pacto federativo. “Levy tem uma bala de prata para acertar o alvo”, alertou um integrante da CAE.

O problema não é só a necessidade de um gesto preciso do titular da Fazenda. O medo mais profundo é que o czar da economia brasileira é conhecido pela capacidade técnica e econômica, não pela habilidade de convencimento e negociação política. Pouco afeito às articulações parlamentares, Levy tem sido considerado turrão pelos aliados com os quais debateu nas últimas semanas.

CRÍTICAS A DILMA

Nem a presidente Dilma Rousseff escapa das palavras de Levy. Ela já dera um pito público — e um descompasso em particular — quando o titular da Fazenda criticara a desoneração da folha de pagamentos. Na última terça-feira, em uma aula a portas fechadas em São Paulo, ele disse que a presidente tem um “desejo genuíno de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil. Não da maneira mais efetiva. Mas há um desejo genuíno”. Em nota divulgada no sábado Levy disse que suas palavras foram “descontextualizadas”.

Ao favorecer Kassab, Dilma agrava a crise com o PMDB

Dilma tentar enfraquecer o PMDB e fortalecer Kassab

João Bosco Rabello

Estadão

A prevalecer a leitura de que a lei que impõe quarentena de cinco anos para fusões entre partidos, aprovada pela Câmara no início da legislatura, pode não se aplicar ao PL, que formalizou anteontem seu pedido de refundação, a presidente Dilma poderá ter ampliado seus problemas no Congresso.

Dilma só sancionou a lei ontem, depois que o PL deu entrada no seu pedido, indicando que esperou esse ato antes. Desconfia-se que o PL pode ficar de fora da restrição da lei sancionada após ter pedido o registro, porque a lei não pode retroagir para prejudicar.

Como a Lei só é Lei depois da sanção presidencial, o partido estaria fora de seu alcance e, assim, poderia fundir-se ao PSD, como originalmente concebido pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, para ira dos peemedebistas. Esse plano ajudou a eleger Eduardo Cunha presidente da Câmara.

Mesmo feitas as avaliações jurídicas e descartada a possibilidade de fusão, a demora na sanção está, para o PMDB, definitivamente vinculada à intenção de manter o projeto de Kassab viável. O que o partido atribui ao ministro Aloísio Mercadante.

CORRENDO RISCOS

A ter razão o PMDB, chega-se à conclusão de que a presidente Dilma Rousseff decidiu correr os riscos de esgotar as possibilidades de se livrar do jugo do aliado, hoje em oposição ao seu governo. Seria uma cartada final, antes de materializar o diálogo que passou a pregar diariamente.

Talvez porque a presidente veja na troca com o PMDB uma capitulação e não uma aliança para ir adiante no resgate de seu governo. Se estiver raciocinando pela cartilha do PT, de fato, não há expectativa que se justifique com relação ao PMDB.

De imediato, o PMDB deverá impor mais derrotas políticas à presidente, para demonstrar controle da base e força maior que o PT nesse momento. E é esse momento que deve importar para a presidente, porque o tempo conspira contra ela.

Não é de se imaginar que o Planalto ainda trabalhe com ao cenário de derrocada do PMDB por conta dos inquéritos abertos contra parlamentares no Supremo Tribunal Federal, para retomar sua condição impositiva na relação.

CUNHA E RENAN

Os inquéritos dão razoável tempo a Cunha e ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), algo que pode passar de dois anos, o que torna o tempo um problema presidencial, não do legislativo.

Além disso, por mais sedutora que seja a tese de um partido igual ou maior que o PMDB, a tendência é que ele venha não a substituir o aliado rebelde, mas somar-se a este, em pouco tempo, como mais um polo de demanda partidária sobre o governo.

O governo precisa começar a dar sinais de autocrítica, como reconhecer que submeter a população e mercado a dietas rigorosas e manter-se obeso vai levar a um impasse de consequências imprevisíveis.

Reacender a briga com a base aliada, através do PMDB, é manter o espírito bélico onde se faz necessária a trégua – aliás, pedida pelo próprio governo. Enfraquecer o PMDB nesse momento, é pauta do PT não de governo.

No desespero, Lula já arma esquema para dar sobrevida ao PT

Catia Seabra
Folha

Preocupado com o desgaste da imagem do partido, o comando petista discute a adoção de um caminho que, na prática, poderá encobrir sua sigla, PT, nas futuras eleições. Segundo petistas, o ex-presidente Lula é um dos incentivadores da criação de uma frente inspirada no modelo uruguaio: uma grande coalização que reuniria sindicatos, associações, outros partidos, ONGs e outras entidades de movimentos sociais.

Por essa fórmula, as candidaturas seriam lançadas em nome da coalizão, não mais pelos partidos que a integram. No Uruguai, a Frente Ampla, que congrega diferentes legendas e grupos sociais, governa o país desde 2005. É composta por siglas autônomas sob o comando de uma direção unificada. O ex-presidente José Mujica, por exemplo, é do partido MPP. Mas sua candidatura foi lançada pela frente.

O presidente do PT, Rui Falcão, afirma que essa solução será tema de debate no 5º congresso do partido, em junho, na Bahia. Ele diz, no entanto, que a intenção não é apagar a sigla PT das disputas majoritárias, mas reanimar a discussão interna e atrair movimentos sociais.

“Vejo com simpatia a ideia de que, no bojo da reforma política, se abra espaço para a criação de um movimento que leve à experiência como a da Frente Ampla, no Uruguai, e a da Concertação, no Chile”, disse, numa alusão também à aliança que, em 1988, derrotou o ditador Augusto Pinochet.

FRENTE AMPLA

Assessor especial da Presidência e um dos conselheiros de Lula, Marco Aurélio Garcia afirma que o PT precisa discutir “uma política mais complexa” de organização partidária. “A Frente Ampla é uma das alternativas que contam com nossa simpatia. Eu e Lula já conversamos muito sobre esse sistema”, diz.

Segundo Garcia, “o momento é adequado” para isso, desde que também haja uma reflexão mais profunda sobre o partido.

Para explicar o funcionamento do sistema aos petistas, a secretaria de assuntos internacionais do PT está organizando uma palestra com um representante da Frente Ampla uruguaia.

Esse debate expressa um esforço de Lula em busca de uma saída para a crise petista, acentuada agora pela baixa popularidade de Dilma e pelas acusações contra membros do partido na Operação Lava Jato.

Embora a proposta enfrente resistência interna, a discussão de um novo modelo poderia atrair movimentos sociais em defesa do governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Em função do progressivo e inexorável desgaste do PT, Lula e seus seguidores já armam esse criativo ardil e argumentam que se trata de experiência bem sucedida em outros países. Acontece que existe uma diferença enorme. No Uruguai e no Chile, essas coalizões se formaram espontaneamente, por convergência de objetivos, e nenhum dos partidos participantes era personagem do maior esquema de corrupção do mundo. No caso do PT, trata-se de um partido totalmente desmoralizado e que tenta se amparar em movimentos sociais, sindicatos e ONGs, na esperança de ganhar uma sobrevida. Apenas isso. (C.N.)

Democracia, a invenção do helenos

http://2.bp.blogspot.com/-ZzYFDTyrrPU/UYp4QULn3aI/AAAAAAAAAJM/Sz7HXZJ41SQ/s1600/FIGURA+1+-+POVO+NO+PODER.jpgMauro Santayana
Hoje em Dia

Dezenas de milhares protestaram, nas últimas manifestações, contra a política em geral, o PT, partidos políticos (da situação e, em alguns casos, também da oposição) e pediram uma “intervenção militar” ou o impeachment da Presidente Dilma, embora não exista, até agora, nenhuma possibilidade jurídica ou constitucional para de sua aprovação.

Querer derrubar Dilma, sem que esteja diretamente ligada aos crimes que foram cometidos na Petrobras, é o mesmo que pedir o impeachment de Fernando Henrique Cardoso na época dos escândalos do Banestado, da sua interferência pessoal (e telefônica) nos rumos da privatização, ou do afundamento da plataforma P-36.

Errado estava o PT à època, ao gritar Fora FHC, como estão agora os que bradam “Fora Dilma”, a chamam de vaca, e acham que vão obter o que querem na base da pressão.

É mais difícil, ainda, que aconteça uma “intervenção militar”. Primeiro, porque não existe mecanismo que a permita no texto constitucional. E também porque os militares da ativa não se moverão – a não ser que haja uma catástrofe – para tirar do poder o único governo que trabalhou, nas últimas décadas, para seu fortalecimento, com a Política Nacional de Defesa, a construção de novos satélites, bases e estaleiros de submarinos convencionais e atômicos, de caças de novíssima geração como o Grippen NG BR, de tanques como o Guarani, dos novos fuzis de assalto IA-2, de sistemas de mísseis como o Astros 2020, de misseis ar-ar como o A-Darter, de radares como os SABER, de aviões de transporte pesados, como o KC-390 da Embraer.

O QUE VAI ACONTECER?

Depois das próximas manifestações, o que vai acontecer? Aumentará, continuamente, ainda mais, a pressão por um impeachment, por parte de pessoas que se recusam a aceitar que ele é inviável do ponto de vista da Lei?

O PT pedirá, em reação a isto, que seus eleitores desçam de seus apartamentos – muitos também de classe média – e venham da periferia e do campo, para defender o respeito aos votos que depositaram na urna há menos de cinco meses atrás ?

Até agora, graças a Deus, as manifestações dos dois lados foram pacíficas, mas o que garante que vai continuar assim? O que ocorrerá se houver confronto? E quando surgirem os primeiros feridos, cadáveres, bombas caseiras, tiros, como vai ficar a situação? Será possível voltar atrás, depois que o primeiro sangue tiver escorrido pelo chão?

DIREITOS DEMOCRÁTICOS

Em uma democracia, o mais importante é o direito que cada um tem de pensar – ou gritar – o que quiser. Foi para dirimir as eventuais diferenças, que os gregos criaram, na antiguidade, para substituir o porrete, uma grande invenção. Nós só precisamos aprender a usá-la melhor, e não sair quebrando cabeça – ou cabeças – por aí, quando achamos que o fizemos mal.

Ela existe há pelo menos 2.500 anos – e teremos chance de recorrer a ela, daqui a pouco mais de dezesseis meses, para expressar a partidos e candidatos nossa vontade, nosso apoio ou repúdio, insatisfação ou indignação.

Ela significa escolha. E o seu nome é democracia. Mas pode chamar de eleição.

Forças Armadas não vão trair novamente os interesses do país

Antonio Santos Aquino

Por trás disso tudo estão os americanos, explico já. Um governo em que prevalece o desejo de se perpetuar no poder passa a tolerar manifestações que nunca devia tolerar. É o caso das manifestações pedindo intervenção das Forças Armadas. O governo devia enquadrar os principais cabeças do movimento, mandando prendê-los imediatamente após a manifestação.

Isso nada mais é que “apologia ao golpe”, que ao fundo e ao cabo vai fazendo com que o povo, influenciável que é, vá admitindo esse caminho sem saber o que verdadeiramente significa uma ditadura militar.

A prisão dos líderes das manifestações seria para identificar os cabeças e processá-los. E o que vemos então? Tolerância do governo, que estando envolvido (todo o governo, não), em corrupções, principalmente o PT, PMDB e PP, como já está dito pela mídia. O governo não tem coragem nem moral política para entrar duro e acabar com essas propagandas perniciosas, porque a sociedade tem o direito e o dever de defender-se de quem fere suas normas básicas.

E OS AMERICANOS?

Quanto aos americanos de que falei no início é verdade. Eles não toleram Dilma (não é o PT), que teima em manter ligações estreitas com a China, Rússia, Índia e África do Sul (BRICS). Logicamente os Estados Unidos gostariam de ver um governo submisso a eles. Veja o que fazem na Venezuela, Argentina e disfarçadamente no Brasil.

Tem muita gente a serviço dos EUA no Brasil; não devemos excluir os líderes do PSDB e muitos do PMDB. Eles chegam a arvorar-se a intervir com ofensas e opiniões raivosas sobre outros países. Os alvos preferidos são Venezuela, Cuba e Argentina, que querem e têm direito de serem protagonistas de seu próprio destino.

A pergunta que devemos fazer: Estariam as Forças Armadas dispostas a seguir os conselhos de uma elite que não tem consciência de pátria e de uma massa despolitizada? Sinceramente não creio que as Forças Armadas mais uma vez traiam os interesses nacionais. O que todos devemos é exigir que as investigações vão a fundo, pondo na cadeia todos os corruptos. Uma coisa devemos entender: Se houver substituição no governo, políticos como Renan, Cunha, Lobão, Roseana, Collor, Agripino Maia e muitos do PT e das empreiteiras, não serão punidos.

Gravidade da crise política reacende interesse por debates

Roldão Arruda
Estadão

Na tarde de um sábado chuvoso em São Paulo, cerca de mil pessoas se reuniram para ouvir um debate sobre a crise. Público era composto principalmente por jovens. A impressão é de que a esquerda começa a acordar para reavaliar o seu futuro

A crise política, marcada pelo avanço do conservadorismo, está reanimando o gosto pelo debate sobre conjuntura e grandes questões nacionais. Especialmente entre setores de esquerda. Alguns fatos ocorridos em São Paulo nos últimos dias ilustram essa tendência.

Um deles foi o debate Manifestações e Crise Política: a Nova Conjuntura Brasileira, na USP. Organizado pelo Centro de Estudos dos Direitos de Cidadania e o Laboratório de Estudos Marxistas, o encontro estava programado para um auditório pequeno, no prédio da Faculdade de Ciências Sociais. Eram aguardadas uma duzentas pessoas para ouvir os professores André Singer, Ruy Braga e Vladimir Safatle, no final da tarde de sexta-feira, dia 20.

Pouco antes de seu início, porém, o debate teve que ser transferido para um auditório maior, na Faculdade de História. O número de pessoas que apareceu passou de 600.

NUMA TARDE CHUVOSA

O deputado federal Ivan Valente, do PSOL de São Paulo, enfrentou uma situação semelhante, no caso do debate Direitos Sociais e Ameaça Conservadora, organizado por seu escritório político. Eles também previram que o número de interessados não passaria de 200.

O número de confirmações e inscrições pelas redes sociais, porém, surpreendeu os organizadores e provocou alteração nos planos. Pouco antes da data prevista, o dia 21, mudaram o local do evento para a quadra do Sindicato dos Bancários, na Rua Tabatinguera, no centro de São Paulo.

Apareceram cerca de mil pessoas. Um número notável para um debate sobre política, especialmente quando se considera que era uma tarde chuvosa de sábado.

Eu estive na quadra. A estimativa de pessoas presentes é minha. Há muito tempo não via nada igual. Além do elevado número de participantes, me surpreendi com a atenção e o silêncio com que ouviram as exposições. Eram jovens em sua maioria.

CRISE IMPORTANTE

Na mesa estavam o cientista político André Singer; o escritor Frei Betto, ligado às comunidades eclesiais de base (CEBs) e movimentos sociais; Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; Brena Menezes, da Intersindical; e o deputado do PSOL. Logo no início de sua exposição, Singer, que é vinculado ao PT, apontou o que pode ser a razão do crescente interesse dos jovens pelo debate.

Ele disse: “Esse é o começo de uma crise política importante, que está colocando questões importantes e centrais para a luta de classes no Brasil – como talvez não tenha sido colocado desde 1964.”

Sobre o atual momento político, Singer também observou: “É possível termos que enfrentar quatro anos de grande turbulência política e social. Isso é muita coisa, é um período muito prolongado, que pode se prolongar ainda mais. Quando começa uma crise, o seu fim é imprevisível.”

ENTENDER O MOMENTO

Um dos presentes ao debate do sábado, na quadra do sindicato, era Kauê Scarim, estudante de jornalismo da Universidade de Brasília, militante do PSOL e integrante da coordenação da UNE. De acordo com suas observações, o público presente não era constituído só de pessoas ligadas ao PSOL.

“A maioria não era”, disse ele. “Muitos jovens nem eram de partidos. Estavam interessados em entender o momento político, o que é muito positivo”, disse Kauê.

Outro exemplo, de menor proporção, desse movimento para discutir e entender a conjuntura, foi uma palestra do filósofo Renato Janine Ribeiro sobre o avanço da extrema-direita. Organizado pelo pelo grupo cultural Quintal Amendola e com número de inscrições bastante restrito, o evento deveria reunir cerca de vinte pessoas. O número de interessados logo passou a casa de 50, o que obrigou os organizadores a transferir o evento para um lugar maior.

A impressão é de que não foi só a direita que acordou.

Farra da Câmara com recursos públicos não acaba nunca

Deu no Correio Braziliense

Deputados escolhidos substitutos dos integrantes da Mesa Diretora têm direito de contratar 11 funcionários adicionais. Além da verba de R$ 92 mil da cota de exercício parlamentar, o Cotão, que todo deputado federal têm para contratar comissionados e custear as despesas dos gabinetes, cada um dos quatro suplentes da Mesa pode empregar esses 11 servidores, e essas despesas chegam a R$ 11,5 milhões nos dois anos de mandato que têm na Mesa.

Na função de substituir os titulares quando necessário, os suplentes podem passar todo o mandato sem contribuir com as decisões da Mesa Diretora. Tudo depende da iniciativa do titular em se ausentar ou participar ativamente das negociações administrativas. A Mesa tem, por atribuição, conduzir os trabalhos legislativos e administrativos da Casa. É um colegiado, integrado por sete deputados eleitos entre os parlamentares da Casa. Esse grupo tem competências específicas, como, por exemplo, promulgar, ao lado da Mesa do Senado, as emendas à Constituição e de propor alterações ao Regimento Interno.

Diferentemente dos gabinetes parlamentares, a estrutura das suplências é fixa. O congressista não recebe uma verba para empregar e manter as despesas, mas sim deve encaixar seus servidores dentro das vagas disponíveis.

Cada suplente tem direito a três vagas com vencimento de R$ 16,4 mil, três de R$ 11.5 mil, duas de R$ 7,1 mil e três de R$ 4,5 mil. Se considerar que a legislatura parlamentar é de quatro anos, os gastos com as suplências nos dois mandatos da Mesa durante esse período chega a R$ 23,1 milhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Diz o comentarista Wilson Baptista Jr., que nos enviou esta denúncia: “Se o suplente, formalmente, é para substituir o deputado durante seus impedimentos, deveria poder usar durante sua atividade como suplente apenas a estrutura que atende normalmente ao deputado membro efetivo da Mesa. Não precisa ter nada além disso. Fica esta estrutura dando gastos inúteis durante toda a legislatura”.

O amor desiludido, na visão poética de Alice Ruiz

A publicitária, tradutora, compositora e poeta curitibana Alice Ruiz Scherone queria que fosse seu um sonho poético, mas acaba levado pelo vento num amor que não se mostra possível.

SONHO DO POETA

Alice Ruiz

Quem dera fosse meu
o poema de amor definitivo
Se amar fosse o bastante
poder eu poderia
pudera, às vezes,
parece ser esse
meu único destino
Mas vem o vento e leva
as palavras que digo
minha canção de amigo.
Um sonho de poeta
não vale o instante vivo.
Pode que muita gente
veja no que escrevo
tudo que sente
e vibre, e chore e ria como eu,
antigamente, quando não sabia
que não há um verso, amor,
que te contente.        

            (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

E dos ricos, o governo não vai tomar nada?!

Sandra Starling
O Tempo

Na semana passada tratei da cota de sacrifícios que o governo deveria fazer e falei do que quer fazer contra os trabalhadores (nas pensões e no seguro-desemprego). Agora, vou tratar da parte que cabe aos ricos no ajuste fiscal. Esqueci-me, no entanto, do abono salarial que o governo também quer cortar: acho uma verdadeira crueldade mexer nesse benefício, que vai para quem menos ganha e que – pasmem! – foi criado por Médici no auge do arrocho salarial da ditadura.

Voltemos aos ricos. A gritaria agora é constante. E mostra direitinho o que separa cada fração da classe burguesa, essa nomenclatura tão desprezada hoje em dia, a ponto de alguém, nas recentes manifestações, ter desfilado com um curioso cartaz: “Prisão para Karl Marx”.

Os grandes empresários industriais, que querem capital de giro em longo prazo, agora chiam por causa dos juros estratosféricos e do fim das desonerações. Cadê o projeto de taxação das grandes fortunas apresentado pelo ex-senador FHC? É preciso dizer em alto e bom som: os grandes empresários no país não pagam Imposto de Renda. Isso mesmo. É ridículo imaginar que sobre o que recebem devem pagar os mesmos 27,5%, a maior alíquota existente, que incide sobre a classe média de maiores rendimentos.

Só que o desconto da classe média – como de resto dos demais trabalhadores – já vem tungado no contracheque mensal. Ninguém tem como escapar. Eles, os ricos, por meio de vários mecanismos, acabam nada pagando ou pagando uma mixaria, como se pode ver em publicação dos procuradores da Fazenda nacional.

MANEIRAS DE SONEGAR

Em folder amplamente distribuído, os procuradores listam algumas das maneiras de sonegar: lavagem a frio (com a propina embutida no serviço ou produto), “off-shores”, “laranjas” e “fantasmas” (todos sabem o que significam esses nomes), “dólar cabo” (um doleiro daqui tem conta no exterior e um doleiro de lá deposita na conta e depois faz uma compensação paralela), e por aí vai. Além disso, a estrutura de impostos no Brasil é regressiva, e todos pagam mais impostos indiretos que diretos (o que vai onerar quem vive de arroz com feijão).

Os bancos, estes nem piam. Consultem seus balanços. Agora, o Banco Central anda preocupado com os bancos públicos porque todos tiveram de participar dos financiamentos para os grandes da construção civil e pesada, que agora estão dando o calote com a operação Lava Jato.

BRIGA NO CAMPO

Já o problema dos pupilos de Kátia Abreu e Ronaldo Caiado é de outra fonte: a China, grande importadora das commodities agrícolas, decidiu fechar a torneira e não vai fazer jorrar grana para a conta deles. Concorrendo com os importados, a indústria nacional não consegue ter preços competitivos. A patuleia, que antes havia sido mimada com créditos de toda ordem, agora nem compra mais, e muitos já ficaram inadimplentes, tendo de cortar até na comida.

É justo que Joaquim Levy fique negociando sem parar com os grandes empresários e ainda não tenha se reunido com os trabalhadores?

Enquanto isso, aqui, ao lado de onde moro, em Brasília, o ronco do helicóptero continua…

A timidez e o alastramento das fobias sociais

Eduardo Aquino
O Tempo

Estranhas, muito estranhas as publicações que alertam para o alastramento das fobias sociais (medo de falar em público, por exemplo), o aumento da timidez afetiva, social, no trabalho, e a pouco divulgada, mas quase epidêmica, timidez relacional entre pais e filhos. Ora, em um mundo altamente conectado, recheado de redes sociais e de relacionamentos virtuais de toda ordem, como explicar que, na hora dos encontros presenciais, cara a cara, ocorra aquele branco, aquela “sem-gracesa”, aquela falta de assunto, o rosto vermelho, o suor escorrendo em bicas?

Timidez é um atraso de vida incalculável. Quantos talentos emudecem pelo temor do julgamento alheio? Quantos profissionais qualificados são preteridos na fase de entrevista ou dinâmica de grupo? Quantos TCCs são adiados e provas orais encaradas como tortura chinesa? O quanto dói ter o que dizer, ou expressar, e ser escravizado na cela solitária que a timidez impõe! Isso é algo inenarrável para o tímido, condenado a viver com seus pensamentos, sentimentos e desejos presos em seu coração, mente e alma.

Pois bem, meus tímidos de todas as partes desse país, vocês são um diamante enterrado no paralelepípedo da existência humana. Libertem-se em si mesmos! Afinal, o tímido é, antes de tudo, um autocensurador. Rigoroso, não levanta a mão na aula ou palestra, pois, antes, pergunta-se: “e se eu perguntar algo besta?” ou “e se o pessoal me zoar?”. É muita pretensão e muita exigência de ter que só falar coisas inteligentes ou ter de acertar o tempo todo. Será que, no fundo, o que tímido tem é excesso de estima própria? Afinal, o alto grau de exigência própria, o temor irreal de não ser bem-sucedido, seja na paquera, na disputa por uma vaga, na contribuição de ideias num debate público, no trabalho ou na classe, o faz se calar?

PESSOAS DE CONTEÚDO

Os tímidos, até pela postura de observadores do ambiente, pelo fato de muito ouvirem, costumam ser pessoas muito interessantes e de conteúdo. Pena não se libertarem de fantasmas ilusórios e serem tão tementes a crítica e julgamento alheio. É como se estivessem à frente em uma fala ao público e, simultaneamente, sentados na primeira fila, como um atento e exigente espectador e julgador inclemente de si mesmo.

Por que não começar a se arriscar? Quem sabe indo à frente na aula e dizendo: “Gente, sou vergonhoso e inibido, pode ser que fique vermelho, sue ou gagueje, mas estou aqui para falar que…”. Talvez você, tímido, perceba uma grande empatia no ar, uma solidariedade, afinal, 90% das pessoas têm algum grau de timidez. O mesmo vale para o bullying. Se nós nos “autozoassémos”, a graça dos zoadores se perderia.

O remédio para a timidez é enfrentá-la. É assumir que todos somos imperfeitos: erramos e acertamos, mas o bonito é tentar. Que você leve um fora, que seja gozado, não importa. Rir de si mesmo é uma virtude inigualável. A vida é feita de experiências, e estas, de tentativas. Palavras existem para ser usadas. Abrir a mente, o coração, e ajudar o outro para conseguir o mesmo significa conjugar, compreender, comunicar e estabelecer laços entre semelhantes. Só o ser humano é capaz de estabelecer relações de empatia. Mas, se o silêncio, o afastamento e a fuga forem o comportamento prevalecente, então vigorará um egoísmo injustificável.

Procure ajuda, saia do pedestal, venha viver e partilhar toda a riqueza afundada no labirinto de sua mente, na profunda fé de seu coração. Timidez tem mais que cura, tem a possibilidade de o libertar de seu maior inimigo: você mesmo!

Vaticano reconhece erro no caso do Monsenhor Romero

Membros de organizações dos direitos humanos seguram fotografias de Dom óscar Arnulfo Romero, em El Salvador, no dia 16 de dezembro de 2014

Dom Romero era chamado de “a voz dos sem voz”

Kelly Velasquez
AFP

Trinta e cinco anos depois do assassinato do monsenhor Oscar Arnulfo Romero, o Vaticano reconheceu que houve uma campanha para denegrir o religioso salvadorenho na época do pontificado de João Paulo II. Em fevereiro passado, o papa Francisco reconheceu Romero como “mártir da Igreja”, um passo-chave para sua beatificação. Com a assinatura do decreto, não será necessário demonstrar que o religioso realizou algum milagre para ser beatificado.

Oscar Romero, chamado de “a voz dos sem voz”, denunciou as violações dos direitos humanos e manifestou-se contra a repressão que abalou o seu país. Ele foi morto em 24 de março de 1980 por um atirador de elite do exército salvadorenho, no momento em que realizava a homilia.

A extrema-direita acusava monsenhor Romero de ser, entre outras coisas, um marxista desequilibrado e fantoche dos padres adeptos da teologia da libertação. Acusações, denúncias e críticas foram lançadas por diplomatas, políticos e religiosos.

BEATIFICAÇÃO

Intrigas e pressões frearam o processo de canonização de Romero, que será finamente beatificado em 23 de maio, 19 anos depois do processo ter sido oficialmente aberto pelo Vaticano.

O arcebispo italiano Vincenzo Paglia, atual presidente do Conselho Pontifício da Família e postulador da causa de beatificação de Romero, reconheceu em fevereiro passado as inúmeras travas impostas ao processo.

“Se não fosse pelo papa latino-americano Francisco, Romero não seria beatificado”, admitiu.

Entre os inimigos de Romero dentro do Vaticano figuravam duas figuras influentes, os cardeais colombianos Alfonso López Trujillo, já falecido, e Darío Castrillón Hoyos, aposentado. Os dois temiam que a beatificação de Romero se transformasse na canonização da Teologia da Libertação, segundo observou Andrea Riccardi, fundador da comunidade de São Egídio, o movimento católico que apoiou e financiou a causa de Romero.