Conselhos Sociais causam divergência entre Dilma e Temer, que prefere que se faça um projeto de lei

Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro
O Estado de S. Paulo

A presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, deram declarações divergentes  sobre o decreto que cria os conselhos de consulta popular nos órgãos da administração federal direta e indireta e nas agências reguladoras. Enquanto Dilma defendeu o decreto, dizendo que “muitas cabeças pensam mais” do que apenas “as cabeças do Executivo”, Temer afirmou que o assunto precisa ser chancelado pelo Congresso.

Dez partidos na Câmara dos Deputados já decidiram apoiar pedido de urgência na votação de um projeto que derruba o decreto de Dilma, publicado em 23 de maio. Na avaliação da oposição, o decreto burla a democracia representativa e permite o “aparelhamento” dos conselhos por aliados do governo federal. A criação dos conselhos populares de consulta ainda não tem data para começar. Pelas regras do decreto presidencial, o governo não é obrigado a atender as sugestões saídas desses conselhos.

“Somos a favor da consulta, nós somos a favor da participação de todos os segmentos no processo de estruturação das políticas do governo. Muitas cabeças pensam mais do que só a cabeça do Executivo. É uma convicção que nós temos e faz parte, eu acho, da construção da democracia no nosso país”, afirmou Dilma.

“Esse é um processo que tem um tempo e mostra o papel importante que um conselho tem no processo de formulação de políticas no Brasil, e nada comprometendo o papel do Legislativo. São papéis diferentes, não é? O Legislativo apoia, aprova o corpo, e de onde a gente tira todas as características do corpo? A gente tira as características do corpo de uma consulta à sociedade”, disse a presidente.

PROJETO DE LEI

Já Temer, em entrevista ao Estadão, afirmou: “É provável que venha a ter um projeto de lei sobre isso. É uma matéria que está sendo discutida. Os conselhos são sempre úteis, mas vale mais um projeto de lei para integrar o Congresso Nacional nesta discussão”, disse.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que na quarta-feira se recusou a colocar o projeto da oposição na pauta, também criticou a edição do decreto em ano eleitoral, embora considere que o decreto não seja “ilegal, ilegítimo ou inconstitucional”. “Tomar uma decisão dessa, a seis meses do fim do governo e a três meses de uma eleição, não é o momento apropriado”, disse. “Que tipo de projeto poderá ser feito ainda a tempo deste governo executar, e antes do processo eleitoral, e que venha a passar por esse conselho?”

Marina Silva não aceita apoio a Alkmin e abre crise no PSB

Do Estadão

A provável vice na chapa do PSB à Presidência da República, Marina Silva (PSB), divulgou nota neste sábado, 7, discordando do apoio de seu partido à candidatura de Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo (PSDB). Marina afirma que a aliança é um “equívoco” e que a Rede Sustentabilidade “não seguirá essa indicação”. “Consideramos necessário manter independência e lançar uma candidatura própria, que dê suporte ao projeto de mudança para o Brasil liderado por Eduardo Campos, e que dê ao povo de São Paulo a chance de fazer essa mudança também no âmbito estadual”, escreveu a ex-senadora.

Desde que a Rede Sustentabilidade se uniu ao PSB, em outubro de 2013, há divergências entre os grupos, sempre minimizadas pelo presidente do partido, Eduardo Campos. A aliança com o PSDB em São Paulo, desejo do presidente estadual do PSB, Márcio França, é uma das disputas internas mais importantes. Na última sexta-feira (6), uma reunião do diretório paulista do PSB aprovou por unanimidade um indicativo de apoio a Alckmin. E agora Marina Silva está dando o troco

O momento é interessantíssimo para se estudar o fosso entre os que mandam e os que são comandados

Roberto Nascimento

O entendimento do presidente do Supremo sobre o cumprimento de um sexto da pena para o preso ter direito ao regime semiaberto e a antítese defendida pelo Procurador Geral e por decisões do Superior Tribunal de Justiça, que parece ser a provável tese vencedora no Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos remetem a algumas reflexões.

Há inequivocamente uma interpretação jurídica para os membros da elite dos três plenos poderes, que cometem ilícitos, e outra completamente diversa para o cidadão comum, na maioria das vezes pobres e excluídos da sociedade.

As cadeias estão superlotadas, imundas, podres, com presos doentes de tuberculose e outras doenças graves convivendo como se fossem bichos, sem a menor compaixão dos representantes do Estado, que pouco fazem para inserir os presos que já cumpriram um sexto da pena no mercado de trabalho.

Ao contrário, alguns cidadãos mais cidadãos do que a maioria, representados por advogados luminares que recebem honorários gigantescos, são considerados como perseguidos e até falam que podem até morrer a qualquer momento, ou que experimentam depressões terríveis. Esses nobres cidadãos recebem tratamento digno pela característica de suas vidas pregressas.

MOMENTO OPORTUNO

O momento é interessantíssimo para se estudar o fosso entre os que mandam e os que são comandados. A onda de pessimismo que assola a nação está diretamente ligada a essa injustiça, a essa falta de isonomia, atestando que as desigualdades alcançam não somente a questão econômica e social, mas também na prestação jurisdicional. A “Justiça” está caindo na descrença popular, devido à demora dos processos e principalmente aos privilégios de uma casta que faz o que quer e sempre fica em liberdade, salvo desonrosas exceções.

Os ladrões de galinha mofam nas cadeias, mas doleiros e corruptos são presos nas operações da Polícia Federal e depois soltos por juízes das instâncias superiores, podendo até fugir para o exterior com passaportes falsos e pelas fronteiras secas do extenso território nacional e assim poderem gastar livremente o produto das riquezas nacionais roubadas. O argumento geral é o do Estado de Direito Democrático, com o direito de responder em liberdade, sob o argumento de que todos são honestos até que se prove o contrário, mesmo depois de serem flagrados destruindo provas e mesmo diante de todas as provas construídas nas investigações.

DESVIO DE RECURSOS

O povo sente que os recursos que poderiam irrigar a Educação e a Saúde estão na verdade irrigando fortunas e contas secretas nos paraísos fiscais. Daí que aquele otimismo com Copa e Olimpíada (e até com as próximas eleições que estão frias, para não dizer geladas) inexiste nas camadas pensantes da sociedade organizada. Não parece nada, mais evidencia uma resposta inteligente do povo, insatisfeito com os rumos traçados pelas suas elites.

As mudanças históricas são lentas, mais progressivas ao longo do tempo. As informações que chegam ao cidadão em tempo real pelas mídias sociais são o maior legado da tecnologia a serviço do povo. Não será mais fácil como antigamente usar a arte de enganar e iludir a população.

Vivemos um novo tempo que trará ventos positivos para todos, no Brasil e no mundo, pois as crises estão pipocando em todos os cantos do planeta, a demonstrar a insatisfação geral com a vida sofrida que os povos estão levando.

Padilha, novo poste de Lula apoiado por Maluf, não consegue decolar a candidatura

Do site 247

A pesquisa Datafolha sobre a sucessão estadual não poderia ser melhor para o governador Geraldo Alckmin, do PSDB. A despeito da crise de abastecimento de água, ele seria reeleito no primeiro turno, com 44% dos votos, se as eleições fossem realizadas hoje. O instituto ligado ao grupo Folha também aponta o surpreendente baixo desempenho daquele que, supostamente, seria seu principal rival. O ex-ministro Alexandre Padilha, do PT, marcou apenas 3%.

De acordo com a pesquisa, o único nome que emerge como um adversário real de Alckmin é o peemedebista Paulo Skaf, que se licenciou da presidência da Fiesp e cravou 21% na pesquisa. O ex-prefeito Gilberto Kassab marcou 5%.

Essa pesquisa chega num momento crucial, em que os candidatos estão amarrando suas alianças partidárias. Ontem, o PSB, de Eduardo Campos e Marina Silva, aceitou firmar aliança com o PSDB, na qual o deputado Márcio França poderá ser vice ou candidato ao Senado. Também foi confirmada a coligação entre PMDB e PDT, que indicará o advogado José Roberto Batochio como vice de Paulo Skaf.

Alckmin venceria no primeiro turno porque tem 44% contra 31% de todos os adversários somados, considerando ainda candidatos “nanicos”, como Gilberto Natalini, do PV, e Gilberto Maringoni, do PSol.

Caso Kassab desista da disputa em São Paulo e feche com Alckmin, seus votos migrariam prioritariamente para o tucano, que chegaria a 47% das intenções de voto. 

O Datafolha também fez uma pesquisa relacionada ao Senado e o ex-governador José Serra lidera com 41%. Eduardo Suplicy, que concorre à reeleição, tem 32%.

Conforme Werneck previu, Justiça concede liminar e Paulo Octavio (ex-vice-governador do DF) é solto

O ex-vice-governador do Distrito Federal e empresário Paulo Octávio foi liberado na madrugada deste sábado, 7, após conseguir liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Um dos maiores empresários do ramo imobiliário da capital do país, Paulo Octávio havia sido preso na última segunda-feira sob suspeita de integrar um esquema de pagamento de propina a servidores públicos para liberar documentos autorizando a construção de obras irregulares.

O ministro do STJ Sebastião Reis Júnior decidiu relaxar a prisão de Paulo Octávio às 20h54 de ontem e, por volta de 1h30, ele deixou o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, em Brasília, onde estava recolhido. O Ministério Púbico do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o ex-vice-governador por corrupção ativa e falsidade ideológica em documento público.

As investigações que envolveram Paulo Octávio começaram no ano passado, após a Polícia Civil do DF deflagrar a Operação Átrio. Na ocasião, a Justiça decretou a prisão temporária de administradores de duas regiões administrativas da capital. Segundo a polícia, eles receberiam propina para liberar alvarás de funcionamento de empreendimentos.

A polícia e o Ministério Público acusam Octávio de ter dado dinheiro para liberar os seus empreendimentos. A defesa de Paulo Octávio, entretanto, nega a acusação, alega que o empresário sempre colaborou com as investigações e não haveria motivo para a prisão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNosso comentarista José Carlos Werneck, um dos maiores juristas de Brasília, já tinha adiantado aqui no Blog que Octavio não poderia continuar preso, na forma da lei. Como diz o ditado, quem sabe, sabe. (C.N.)

 

 

Reflexões sobre as propostas econômicas de Lula e sobre as causas da inflação

Flávio José Bortolotto

A crítica econômica que o ex-presidente Lula fez ontem em Porto Alegre, sobre a política econômica do governo Dilma, representado na ocasião pelo Secretário do Tesouro Arno Augustin, é comparada à situação de um arrojado empresário que quer pegar empréstimo e ficar hipotecado para desenvolver um grande projeto no qual acredita muito, mas seu contador, mais preocupado com o caixa e só em ter dinheiro em caixa, não concorda. Foi uma crítica elegante.

Em palestra anterior, Lula se disse insatisfeito com as projeções de inflação, afirmando que o governo deveria “tomar o remédio já”, para evitar mais descontrole. Na palestra seguinte, informado pelo Sr. Arno Augustin de que nossa inflação “não era de demanda” (excesso de compradores caçando as mesmas mercadorias), então a nossa Inflação seria de custos, ( quando o custo dos insumos: mão de obra, matérias-primas, juros, serviços, commodities, sobem mais do que o normal e têm que ser repassados para os preços).

A cobertura do evento dá a entender que o presidente Lula concordou que a inflação é de custos e pede que o remédio seja tomado já. Mas numa inflação de custos, a política monetária do Banco Central (aperto com ponta de lança no aumento de juros) não tem efeito. Para a inflação de custos, o remédio a curto prazo é reduzir a carga tributária, ” estagnar salários”, apreciar o câmbio (valorizar o real em relação ao US$ dólar) já que muitos dos nossos insumos são importados etc. Ele não entrou em detalhes, mas mandou agir.

CUSTOS OU DEMANDA?

Também na segunda palestra, em presença de Arno Augustin, disse que nossa inflação sendo de custos, a demanda não pressionaria a inflação, então poderíamos expandir mais ainda o crédito, que hoje anda em 50% do PIB e que poderia ir a 80% do PIB e até a mais.

Nisso, teoricamente teria razão se nossa inflação fosse só de custos, mas não é. Tendo o consumo crescido mais do que o PIB nos últimos 10 anos, a meu ver há também aí uma grande pressão de demanda. Agora não estamos mais em 2007/2010. As condições são muito diferentes. No momento não dá para apertar o acelerador do crédito para ativar mais a demanda como quer o ex-presidente Lula, sob pena de estourar em muito o teto da meta de Inflação (6,5% a/a).

Lula quer que a Secretaria do Tesouro emita bonds que seriam vendidos para o Banco Central, para que o Tesouro repassasse esse crédito para um fundo que funcionaria como um Banco de Financiamento para alavancar nosso comércio exterior, principalmente com a África. Nesse caso, o Brasil (via Tesouro) deveria para o próprio Brasil (BC ), e a dívida seria só contábil. Essa ideia é muito boa e deveria ser fomentada ao máximo. Foi a melhor parte da palestra do ex-presidente Lula.

Por último, recomendou que nossas autoridades financeiras dessem mais facilidades para o investimento direto exterior, para que corporações invistam em fábricas no Brasil, mais do que os US$ 65 bilhões de 2013.

Pelo menos o ex-presidente falou “coisa com coisa”, concordemos ou não, e esperemos que a oposição critique, e apresente ideias muito melhores. É possível.

 

Magnitude dos protestos

Humberto Santos

A poucos dias do início da Copa do Mundo no Brasil, a grande expectativa para uma parcela da população (principalmente os políticos) se refere mais ao que vai ocorrer nas ruas do que dentro das quatro linhas. A certeza dos protestos no Mundial pode ser comparada à da realização dos jogos, mas a dúvida é qual será a magnitude deles.

Pesquisa DataTempo em Belo Horizonte, divulgada ontem, mostra um “empate técnico” entre os que são a favor (47%) e os contrários (48,6%) à realização de protestos no evento esportivo. Entre os entrevistados, 73,8% não pretendem participar das manifestações, ou seja, parte de quem defende os protestos não pretende ir às ruas.

Há um ano, em meio às manifestações que tomaram o país durante a Copa das Confederações, pesquisa Ibope apontava que 75% das pessoas apoiavam os protestos e 35% dos que não participaram de algum movimento nas ruas pretendiam fazê-lo. No levantamento do DataTempo, esse índice é de 24,1%. O que mudou então? Medo de os protestos descambarem para anarquia e violência gratuita, atingindo o Estado e a sociedade, sem que eles saibam exatamente de onde vêm e por que estão sendo atacados?

NÃO HÁ RETORNO

Apenas como observador, arrisco a dizer que a parcela da população que foi às ruas para reivindicar dos governantes a transformação de seus impostos em serviços de qualidade se mantém indignada com o retorno que recebe. Porém, tem receio de se ver no meio de um fogo cruzado de paus, pedras e bombas.

No ano passado, todos foram surpreendidos com a população indo às ruas; famílias inteiras, de crianças a idosos, pensando e buscando um país melhor. O ato causou impacto e levou os governantes a se mexerem, mesmo não entendendo o que estava acontecendo. Vale lembrar que, das muitas medidas tomadas no afã de arrefecer as manifestações e dar uma resposta do tipo “50 anos em cinco meses”, não foram todas cumpridas, e as pendências estão aí, para servir de combustível para novos protestos.

A violência de alguns tirou o brilho das manifestações, e ainda não está claro quem orquestra a anarquia dos atos e com qual objetivo. Dizer que a intenção é apenas semear o caos e desestabilizar governos e sociedade me parece roteiro de história em quadrinhos do Batman. Assim como no ano passado, somos espectadores a esperarem o que vai ocorrer. No entanto, a corda foi esticada. A violência levou a um planejamento das forças de segurança, a repressão será maior.

Quem sabe ainda consigamos fazer como os espanhóis. A simples notícia da abdicação do rei Juan Carlos levou milhares de pessoas a tomarem as ruas de Madrid para protestar contra a monarquia. Sem tumulto, sem violência, só ideia e presença. (transcrito de O Tempo)

Realmente, Lula demonstra que não sabe nada de economia

Wagner Pires

Lula não sabe ou finge não saber que não há inflação de demanda, o que há é inflação provocada pelo excesso de liquidez de moeda que o governo da sua sucessora está provocando com os 39 ministérios, dos quais pelo menos a metade é dispensável.

Lula não sabe que isso ocorre pelo excesso de despesas da máquina pública, que estão suplantando a arrecadação em mais de 15%, e com isso induzindo a aceleração da circulação da moeda na economia, o que está produzindo a inflação.

Portanto, é seu próprio governo (governo petista) que está gerando a inflação que o povo brasileiro está pagando!

E não tem que aumentar gasto. É o contrário. Temos que criar poupança, pois nosso nível de poupança está baixíssimo, em pouco mais de 12%. Isso é ridículo!

E esse ex-presidente desmoralizando o secretário do Tesouro e falando em não ter medo de investir! Investir o quê, se não tem com que investir! E, ainda mais, investir na África?!

ENDIVIDAMENTO

O nível de endividamento do Tesouro está em torno de 60% do PIB. O pagamento de juros consome mais 42% do orçamento federal.

E Lula vem falar em puxar mais investimento estrangeiro direto para o Brasil? Sem que o próprio governo crie as condições para isso, como, por exemplo, suprir nossa carência em infraestrutura e logística?

Está tudo por fazer em nosso país, pois a nossa carência em infraestrutura é secular, e esse ex-governante quer investir na África?!

Esse sujeito está é desviando a atenção do brasileiro das eleições e, principalmente, dos concorrentes. É uma jogada de pelego para tentar minar a oposição política.

Não tem nada aproveitável nesse indivíduo. Nem no que ele diz. Nada!

Acidente de helicóptero mata Fernandão, ex-atacante do Inter e comentarista do SporTV

Francisco Bendl

Morreu esta madrugada o ex-atacante Fernandão, 36 anos, que se sagrou Campeão do Mundo e da Libertadores. A morte se deu pela queda do helicóptero que ele viajava da sua casa em Aruana para Goiânia! Uma perda inestimável para o futebol e  especialmente para os colorados, que torcem para o Internacional.

Ele iniciou a sua trajetória no futebol jogando no Goiás. Após anos de destaque, se transferiu para o futebol francês, onde defendeu o Olympique de Marseille e também o Toulouse. Na volta ao Brasil, foi contratado pelo Internacional, clube em que mais se destacou.

Fernandão, com 36 anos, fazia o trajeto de cerca de 310 km acompanhado de outras quatro pessoas quando a aeronave sofreu uma queda por volta da 1h da manhã. De acordo com o tenente-coronel Ronaldo Pereira Soares, subcomandante do 4º Comando Regional da Polícia Militar de Goiás, Fernandão foi retirado com vida do helicóptero, mas, encaminhado ao Hospital Municipal, não resistiu e faleceu.

Pouco tempo depois de se aposentar, há três anos, ele voltou ao Internacional, agora como dirigente e assumiu o cargo de diretor de futebol. No ano seguinte, foi confirmado como treinador da equipe, cargo em que permaneceu até o final do ano. Recentemente, Fernandão estava trabalhando como comentarista na SporTV e estaria na cobertura da Copa do Mundo.

Pé no trono

Tostão
O Tempo

Não há como a Copa não pegar. Há uma avalanche de propagandas e de notícias, Galvão Bueno é um ótimo animador, milhares de pessoas querem faturar com o Mundial, existe um grande apelo ufanista. Cresceu, nos últimos dias, o discurso de que é preciso festejar pelas ruas e, o mais importante, a seleção está jogando bem e tem um número 10 encapetado, magistral.

Neymar ainda não atingiu o nível técnico de Messi e de Cristiano Ronaldo, mas possui um repertório maior de lances bonitos, com mais efeitos especiais, ainda mais quando enfrenta um time fraco, como o Panamá. Ele parece um menino, na pelada, louco para se divertir e driblar todos. Neymar continua brincando, só que, agora, tem de respeitar as regras coletivas, do time e do jogo.

A relação entre Neymar e Cristiano Ronaldo e Messi me lembra a que havia entre Pelé e Maradona. O argentino era mais show, e Pelé, mais técnica e eficiência. Isso não significa que Neymar e Maradona não tenham uma excepcional técnica nem que Pelé, Cristiano Ronaldo e Messi não gostem das jogadas de efeito.

Se o Brasil for campeão, Neymar, a partir desta Copa, se tornará um candidato habitual a melhor do mundo, com chances de suplantar Messi e Cristiano Ronaldo. Digo isso baseado em seu talento e no fato de que, nos últimos seis anos, os dois dividiram o trono. É muito difícil para um atleta se manter no topo por um longo tempo, com tantos jogos, tanta pressão emocional, tantas contusões e tanto sucesso. Neymar é o próximo da fila.

O que não se deve é pedir a escalação de Willian porque ele entrou muito bem contra o Panamá, quando o jogo estava muito fácil. Desde que não saia Hulk, tem pouca diferença jogar Willian ou Oscar.

Conselhos Sociais fazem parte da farsa democrática

Roberto Perez

O comentarista Alvim Sil tocou no ponto-chave dessa farsa democrática: orçamento. Os Conselhos são os legitimadores dos Fundos Municipais e é ai que mora o perigo. As verbas não-carimbadas são de fundo a fundo e o prefeito faz o que bem entender com a verba, mas claro que sob a aquiescência do Legislativo. Ocorre que na maioria absoluta das vezes, os podres poderes mimetizam-se e a promiscuidade entre eles faz do contribuinte um mero elemento de retórica.

Esse modelo de Controle Social é fajuto e o Terceiro Setor virou apêndice dos mandatários. Basta olhar ao seu redor e ver quem são as pessoas atuantes nas ONGs, OSCIPs, Fundações e por ai vai (salvo raríssimas exceções). Prefeitos têm laranjas nas empreiteiras, criam ONGs pilantrópicas, vereadores são donos de Centros Sociais para angariar emendas parlamentares deles mesmos. Fazem o serviço que é atribuição do Estado, oferecendo ambulâncias (adesivadas com seu nome, o que é proibido) e praticam a famosa reboqueterapia , serviços ambulatoriais, assistencialismo barato e cestas básicas doadas por apenados da justiça. Assim é fácil demais fazer política social e maquiar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS

As OSCIPs (Organizações Sociais) são a grande jogada para burlar a Receita Federal e a Lei das Concorrências, servindo aos interesses dos que têm a chave do cofre. As ONGs se travestem de defensores de alguma causa, mas paradoxalmente, sendo não governamentais, vivem penduradas em editais públicos, autarquias ou fazem ponte com órgãos corruptos, via empresas contratadas. Um festival de irregularidades, contradições e farsas.

Nós apenas legitimamos o processo, nesses Conselhos de pilantropia, assim como é nas eleições que nos deixam boquiabertos na puração. Se duvidarem disso me digam como Severino Cavalcante, Maluf, Renan, Collor, Barbalho e outros corruptos condenados, cassados, renunciados, desmoralizados estão em exercício de mandato?

Somos as flores cortadas que servem apenas para que a moça bonita abra a porta a um garboso pretendente e quando o objetivo carnal é alcançado, vamos para o cesto de lixo, depois de murcharmos de inanição. Éramos cobiçados pelas abelhas e vamos servir de alimento às moscas.

Minha solidariedade aos idealistas que ainda lutam nesses movimentos orquestrados pelo mal.

A dor que torturava Ana Cristina Cesar

A professora, tradutora e poeta carioca Ana Cristina Cruz Cesar (1952-1983) é considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo (ou poesia marginal) da década de 1970. Ana explica que seu sofrimento não é causado apenas pela dor em sua fisionomia.

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FISIONOMIA
Ana Cristina Cesar

Não é mentira
é outra
a dor que dói
em mim
é um projeto
de passeio
em círculo
um malogro
do objeto
em foco
a intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outra
outra a dor que dói.

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Depressão no Brasil de hoje é igual a país em guerra

Quem diria que no país do futebol (?), samba, sol, e gente bronzeada querendo mostrar o seu valor estaríamos tão mal no ranking de povo deprimido e estressado.
Não bastasse sermos da turma do rebaixamento em educação, saúde, desigualdade social, corrupção, ou talvez até por isso, estamos nós igualando a Síria, Palestina, Sudão, Somália e Ucrânia, deflagrados por guerras, como também os europeus, tradicionais deprimidos que tiveram duas grandes guerras e hoje é terra arrasada por brutal desemprego e crise econômica, em termos de doenças mentais.

E prestem atenção, pois entre os jovens de 10 a 18 anos depressão e suicídio são considerados pela Organização Mundial da Saúde uma epidemia que, associada ao desemprego e tendências ao “nem, nem, nem” ( não querem estudar, nem trabalhar, nem fazer nada), vai criar uma geração de “zumbis sociais”, mortos-vivos vagando entre bebidas, drogas, games, telas. Improdutivos, ociosos, revoltados, parasitando pais, avós e sociedade. Talvez esperando um “bolsa-preguiça”. No fim, é a geração perdida, revoltada com tudo, mas sem nos propor nada que reverta este mundo sem rumo.

Voltando à vaca fria, numa análise ainda inicial, a violência já atinge 60 mil mortes anuais – o triplo de soldados americanos mortos no Vietnã, transformando não só as grandes e decadentes cidades e capitais, mas levando aos rincões o pânico em explosões de caixas bancários, a infestação do crack, a indecente corrupção generalizada. Podemos dizer que já vivemos em plena guerra urbana, com linchamentos, confrontos com a polícia, tráfico e mafiosos das verbas públicas.

IR E VIR???

Além disso, some-se os congestionamentos infernais, que faz do ir e vir, em sucatas de trens, ônibus e metrôs, torturas diárias. Ou filhos ao Deus dará, nas ruas, à mercê de marginais e molestadores, sem escola decente, abrigo de creches, formação técnica.

Sejamos francos, venhamos e convenhamos, qual o futuro, o estímulo, os sonhos que restam aos jovens e à população em geral? Arrumar uma guilhotina e repetir a revolução francesa, tirando o pescoço dos políticos em geral, dos capitalistas insensíveis que mamam nas tetas deste estado corrupto, encarcerar prefeitos, governadores, presidentes? Mandar a elite para Miami? Reciclar o Supremo desinfetando o judiciário de cima para baixo?

Como diziam os que nos venderam a esperança contra o medo e nos roubaram a dignidade e o caráter: “o brasileiro não desiste nunca”.

Desculpem minha sinceridade, fruto de uma vida como psiquiatra que se recusou a continuar a enriquecer com a dor na alma dos deprimidos e estressados, e se propôs a implantar projetos em educação pública, saúde pública, cultura e meio-ambiente, e me deparei nos últimos dez anos com propostas corruptas do poder público, indiferença dos empresários e detentores do poder, máfias em todos setores, que querem manter tudo precário pois é assim que o “sistema” se alimenta do povo. Vampirizando os impostos, dividindo com seus pelegos e asseclas, mantendo o povão alienado com copas, olimpíadas, falsas promessas, estatísticas mentirosas, arrotadas em programas políticos, fedendo a caviar.

A SENZALA ABRIU AS PORTAS

Senhores de engenho (políticos, empresários, capitalistas em geral, mafiosos das verbas públicas, espertos em geral como doleiros, laranjas, falsos juristas, profissionais liberais de todas áreas, que vendem a alma para o diabo, entre outros falsos líderes e vendedores de ilusão): a senzala abriu as portas! Pobres, pretos, mestiços, cidadãos de segunda e terceira categoria querem o que é também seu, o direito a uma vida digna, justa, fraterna, cidadã, humana. Pois o dia em que “hordas de doentes mentais”, abandonados sociais, órfãos do capitalismo selvagem e a periferia revoltada se levantarem, não sobrará pedra sobre pedra!

Enquanto isso, vamos assistir a tal “copa das copas” em preto e branco, pois nos falta o orgulho da amarelinha, das ruas pintadas, das bandeiras e enfeites, de uma época que não sentíamos medo, e nos restava uma batia esperança!

Campanha atual fecha ciclo de 64

Gaudêncio Torquato

A campanha eleitoral só pode chegar às ruas em 6 de julho, mas já começou. Basta ver a agenda dos três principais candidatos, em que o destaque é a oratória de palanque, com acusações recíprocas, defesas e promessas.

Por que a eleição deste ano assume posição de destaque na série histórica das disputas? Pelo fato de o Brasil se aproximar de uma encruzilhada, tendo de decidir se continuará a seguir em frente, à direita ou à esquerda. As direções dizem menos respeito às linhas do arco ideológico e mais às de busca de alternativas. A par das mudanças clamadas pela sociedade e confirmadas por pesquisas, que se imporão a qualquer vitorioso(a) no pleito, trata-se, ainda, de abrir horizontes na radiografia hegemônica do poder, dando chance a novos atores, avançando sobre a desgastada polarização PT-PSDB e oxigenando os pulmões da política.

A campanha deste ano agrega forte diferencial pelo fato de reunir três perfis competitivos, cada qual, a seu modo, procurando interpretar as demandas de uma comunidade mais exigente, ativa e participativa. Nunca se ouviu tanto o eco das ruas como neste momento. Ainda a pontuar diferenças, o pleito contará, pela primeira vez, com uma classe média majoritária, que perfaz 53% da população.

Por último, o destaque de que a contenda fecha o ciclo de 1964. Os pesados anos de chumbo redefiniram os rumos da política, fazendo nascer partidos, formando grupos, multiplicando alas e dando margem à diástole que propiciou a abertura dos horizontes democráticos. Fernando Henrique, José Serra, Luiz Inácio e Dilma, entre outros, fazem a ponte entre o ontem e o hoje. Mas é forte o clamor para que o país descortine uma nova era, dando vez ao grupo pós-64.

ESTRATÉGIA DO MEDO

Por isso mesmo, a batalha se cerca de inusitado preparo, com o uso antecipado de ferramentas. O medo torna-se arma de guerra.

Entre nós, a estratégia do medo bate nos fundões sob os braços do assistencialismo. Acontece que a estratégia do terror foi banalizada, já não finca raízes profundas. A população, mesmo a das margens, parece vacinada contra a artilharia psicológica adotada em guerras eleitorais. Será difícil convencer comunidades de que um programa como o Bolsa Família, por exemplo, será extinto. Tornou-se política de Estado. E é pouco provável que temas abstratos – privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica – sejam palatáveis aos sentidos das massas.

Os governantes, é oportuno lembrar, têm a vantagem do “poder da caneta” para dar crédito às promessas. Mesmo assim, a credibilidade do discurso palanqueiro perde força.

Infere-se, portanto, que as firulas nos campos eleitorais não derrubam jogadores. A esperança, essa, sim, é o xis da questão. O Brasil esperançoso é o do crescimento, da harmonia, da segurança, do trabalho. Que candidato veste melhor esse figurino? Quem fará as mudanças que todos clamam? Abraham Lincoln dizia que “demagogia é a capacidade de vestir ideias menores com as palavras maiores”. Quem tem coragem de arriscar?

 

Supremo pede mais investigações sobre propina no Metrô de São Paulo

André Richter
Agência Brasil 

O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o aprofundamento das investigações do inquérito que apura um suposto esquema de formação de cartel em licitações do sistema de trens e do metrô de São Paulo.

O ministro atendeu a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e determinou que somente os deputados federais José Anibal (PSDB) e Rodrigo Garcia (DEM) continuem respondendo às supostas irregularidades na Corte.

De acordo a decisão, com base em declarações de uma testemunha que colaborou com as investigações, “há indícios do envolvimento dos requerentes Rodrigo Garcia e José Aníbal. É cedo, muito cedo, para chegar-se à conclusão a respeito da participação, ou não, dos citados parlamentares. Por ora, é suficiente ao aprofundamento das investigações o que foi declarado por colaborador ‘x’”, decidiu o ministro.

ARQUIVAMENTO

Na mesma decisão, Marco Aurélio determinou também o arquivamento do inquérito sobre o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) e Edson Aparecido, secretário da Casa Civil de São Paulo. O ministro seguiu entendimento do procurador-geral em relação aos acusados. Segundo Janot, não há elementos mínimos para instauração de investigação.

O possível esquema de fraudes no sistema de trens e do metrô de São Paulo começou a ser investigado na Justiça Federal em São Paulo, mas foi encaminhado ao Supremo devido à inclusão do nome do deputado federal Arnaldo Jardim. Como o parlamentar tem foro privilegiado, as acusações só podem ser analisadas pelo STF.

Após receber o inquérito, o ministro Marco Aurélio, relator do processo, decidiu desmembrar a investigação. Apenas os acusados que têm foro privilegiado vão responder às acusações no Supremo.

Em nota, Rodrigo Garcia afirmou que não há indícios ou provas com relação à participação dele nos fatos. “O ministro Marco Aurélio autorizou a continuidade das investigações para que se esclareçam as declarações de um investigado delator, que não prova o que diz. Em sua decisão, Marco Aurélio ressaltou que meu nome foi citado por um delator, mas sequer foi mencionado pelo outro colaborador do caso. O despacho é claro sobre a inexistência de qualquer outro indício ou prova em relação a mim”, afirmou.

VÁRIOS CRIMES

No processo, são apurados os crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. As investigações indicam que as empresas que concorriam nas licitações do transporte público paulista combinavam os preços, formando um cartel para elevar os valores cobrados, com a anuência de agentes públicos.

Em novembro do ano passado, atendendo a uma solicitação da Polícia Federal, a Justiça Federal determinou o bloqueio de cerca de R$ 60 milhões em bens de suspeitos de participar no esquema, como forma de garantir o ressarcimento dos valores desviados.

Foram afetadas três empresas e cinco suspeitos, incluindo três ex-diretores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. A solicitação foi feita após a Polícia Federal tomar conhecimento de que autoridades suíças, que também investigam as suspeitas de corrupção, encaminharam um pedido de cooperação internacional ao Brasil.

A combinação de preços entre as empresas que participaram de licitações para obras, fornecimento de carros e manutenção de trens e do metrô também é alvo de investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual.

O cartel é investigado pela Operação Linha Cruzada, montada pelo Cade em conjunto com a Polícia Federal. A investigação teve início após acordo de leniência da Siemens com o conselho, que permitiu à empresa denunciar as ilegalidades. Documentos e cópias de e-mails trocados entre funcionários da Siemens são analisados pelo Cade e pela Justiça Federal.

Barbosa ironiza recursos de mensaleiros à Corte Interamericana de Direitos Humanos

André Richter
Agência Brasil 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, ironizou hoje (5) a apresentação de recursos à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA). Após o fim do julgamento de cinco recursos apresentados por condenados na Ação Penal 640, o presidente disse que não é incomum que réus sem foro privilegiado recorram ao Supremo para serem julgados pela corte. Após seu comentário, deu risadas. “Não é incomum. Depois vão procurar a Corte Interamericana de Direitos Humanos.”

A declaração de Barbosa foi feita após o voto da ministra Cármen Lúcia, relatora do processo, que envolve o deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) e outros acusados que não têm foro privilegiado. Por determinação da ministra, a parte do processo que envolve os acusados sem foro foi remetida para a Justiça de primeira instância em 2012.

A conversa que deu origem à declaração começou com o voto da ministra: “Em todos os casos estou negando provimento”. Em seguida, o ministro Marco Aurélio perguntou: “Em todos os casos, os cidadãos é que querem ser julgados pelo Supremo? A ministra esclareceu: “Eles querem permanecer aqui”. Após o esclarecimento, Barbosa exclamou: Não é incomum. Depois vão procurar a Corte Interamericana de Direitos Humanos”

Condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, recorreram à Corte Interamericana para contestar as condenações. As defesas do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, e de Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane, condenados ligados ao Banco Rural, entraram com recurso alegando que não tiveram direito ao duplo grau de jurisdição, ou seja, de ser julgado por duas instâncias diferentes.

Na segunda crítica à política econômica em dois dias, Lula critica publicamente o secretário do Tesouro Nacional

Ricardo Galhardo
O Estado de S. Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva escancarou nesta sexta-feira, 6, suas divergências com a política econômica do governo de sua sucessora, Dilma Rousseff. Em palestra promovida pelo jornal El País, em Porto Alegre, Lula criticou publicamente o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, que estava na plateia e hoje é um dos principais nomes da área econômica do governo federal.

“Se depender do pensamento do Arno você não faz nada. Não é por maldade dele, não. A nossa tesoureira em casa é a nossa mulher e também é assim. Elas não querem gastar, só querem guardar, mas tem que gastar um pouco também”, disse Lula.

Foi a segunda vez em menos de dois dias que Lula reclamou da economia. Na véspera, em palestra promovida pela revista Voto, também em Porto Alegre, o ex-presidente disse estar insatisfeito com as projeções de inflação e defendeu que o governo aplique um “remédio já” para evitar o descontrole dos preços.

ESCASSEZ DE CRÉDITO

Hoje o principal alvo das críticas de Lula foi a escassez de crédito. Durante mais de uma hora de palestra o ex-presidente deu várias alfinetadas no secretário do Tesouro.

Ao falar dos motivos do sucesso de seu segundo mandato, Lula citou o aumento do crédito, principalmente para pessoas de baixa renda. “Uma terceira medida que nós tomamos foi aumentar a oferta de crédito neste país. O Arno nem sempre gosta disso”, disse Lula.

Logo em seguida o ex-presidente cobrou abertamente explicações sobre as medidas de contenção de crédito.

“Eu acho Arno que um dia você vai ter que me explicar por que, se a gente não tem inflação de demanda, por que a gente está barrando crédito. Porque o crédito precisa chegar. Com crédito todo mundo vai à luta. Sem crédito ninguém vai a lugar nenhum. Podemos chegar a 80% do PIB de crédito, 90%, não tem nenhuma importância. Tem país com 120%”, questionou Lula.

De acordo com o ex-presidente, a falta de dinheiro no mercado é o motivo para os baixos índices de investimento do país.

“Nós hoje não temos problema de investimento. O governo tem muito dinheiro para investir. E por que não tem investimento? O governo está fazendo o que nunca fez neste país. Não tem investimento porque está diminuindo a demanda. Pode ter dinheiro à vontade para investir mas se não tem gente para comprar eu não vou fazer”, diagnosticou o ex-presidente, e em seguida fez um alerta. “Temos que tomar muito cuidado para não entrarmos em uma rota delicada para nós”.

INVESTIR NO EXTERIOR

Lula também cobrou do secretário do Tesouro uma política mais ousada de alavancagem dos investimentos brasileiros no exterior e citou a criação de um fundo para alavancar projetos do país na África.

“O oceano Atlântico, Arno, não é obstáculo, é a solução. Comece a pensar Arno na possibilidade de a gente instituir um fundo de financiamento de pelo menos US$ 2 bilhões na África. Você sabe quanto a gente pode alavancar com US$ 2 bilhões? Pode alavancar US$ 15 bilhões. A China colocou US$ 12 bilhões. Então, ou o Brasil se comporta como uma grande nação e quer ser competitivo e disputar ou nós vamos ver o carro passar outra vez e vamos repetir o século XX. Não existe espaço para isso mais. Tem que ter ousadia”, disse Lula.

De acordo com o ex-presidente, o Brasil precisa ter mais iniciativa para diversificar as alternativas econômicas mas nem sequer “entrou em campo”. “Quem pode fazer esse jogo é o Brasil e para ser jogado a gente tem que entrar em campo”, afirmou o presidente.

Lula aproveitou para dar outra alfinetada no secretário do Tesouro, a quem responsabilizou pelo volume de investimentos diretos vindos só exterior, um dos principais pontos de crítica dos adversários de Dilma. “Em 2013 fomos o quarto ou quinto país do mundo a trazer investimentos diretos e se o Arno sorrir um pouco vamos trazer mais do que US$ 65 bilhões”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O pior é que Arno Augustin ouviu tudo calado. Devia ter enfrentado o ex-presidente e travado um debate aberto com ele. Faltou coragem. Quanto a Lula, comporta-se como se fosse o dono do Brasil. (C.N.)