Dez frases marcantes de acusados da Operação Lava-Jato

DEU EM O GLOBO

Paulo Roberto Costa, ex-diretor

“É uma grande falácia afirmar que existe doação de campanha no Brasil. (…) são verdadeiros empréstimos a serem cobrados posteriormente, a juros altos, dos beneficiários das contribuições quando no exercício dos cargos.” (Em delação premiada na Polícia Federal, em 09/03/2015)

Pedro Barusco, ex-gerente

“Esse é um caminho que não tem volta. Começa a receber no exterior, vai indo, vai indo e vira uma espada na cabeça. Não tem saída para isso.” (Em depoimento à CPI da Petrobras, em 10/03/2015)

Paulo Roberto Costa, ex-diretor

“Se as empresas não pagassem as propinas na Petrobras, os partidos políticos não iriam ver isso com bons olhos.” (Em depoimento à Justiça Federal do Paraná, em 11/10/2014)

Júlio Camargo, consultor

“Havia uma regra do jogo: se o senhor não pagasse propina à (diretoria de) Engenharia e (à diretoria de) Abastecimento, o senhor não teria sucesso ou o senhor não obteria contratos na Petrobras.” (Em depoimento feito em 02/02/2015 e divulgado em 03/02/2015)

Paulo Roberto Costa, ex-diretor

”O que acontece na Petrobras acontece no Brasil inteiro, em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hidrelétricas.” (Sobre as denúncias de corrupção na estatal, em 02/02/2014)

Alberto Youssef, doleiro

“Todo mundo sabia o que estava acontecendo.” (Sobre reuniões de políticos e dirigentes da Petrobras com discussões sobre obras e pagamentos de propinas, em 10/10/2014)

Paulo Roberto Costa, ex-diretor

“De 2003 a 2010, (Dilma ser) presidente do conselho e não saber de nada é um pouco estranho. Mas eu não tive essa conversa nem com ele (Lula) nem com ela (Dilma) nem com Palocci.” (Sobre o esquema de corrupção na Petrobras, em depoimento feito em 11/02/2015 e divulgado em 17/03/2015)

Gerson Almada, ex-vice-presidente da Engevix

“A gente entrava numa rodovia chamada Petrobras, que tinha os pedágios. Você está trafegando, você teria que estar pagando pedágio.” (Em depoimento à Justiça Federal, em 18/03/2015)

Paulo Roberto Costa

“Isso tudo, para tornar minha alma um pouco mais pura, um pouco mais confortável, para mim e para minha família, me levou a fazer a delação.” (Em petição, em 04/02/2015)

João Leão, vice-governador da Bahia

“Botar meu nome numa zorra dessas? Não entendo. Estou cagando e andando, no bom português, na cabeça desses cornos todos.” (Ao saber que seu nome constava da lista de Rodrigo Janot, em 07/03/2015)

Por que Gilmar Mendes engavetou o financiamento de campanha?

Mendes não tem como explicar o engavetamento do processo

Roberto Nascimento

Nutro profunda admiração pelo ministro aposentado Carlos Ayres de Brito. No processo do mensalão, antes da aposentadoria em novembro de 2013, o então presidente do STF liderou a Corte com inteligência, paciência e renomada sabedoria. Era o próprio algodão entre os cristais, administrando o caldeirão de vaidades com espetacular maestria.

Infelizmente, a expulsória na flor da idade para um jurista o afastou da Corte. É um absurdo a aposentadoria aos 70 anos. No mínimo deveria passar para 80 anos, se assim o magistrado desejar por motivo de saúde. Nos EUA é assim, mais só copiamos os americanos no que eles têm de pior.

Uma emenda constitucional aumentando o limite para 75 anos foi votada na Câmara, faltando o voto dos senadores. Clamo aos sêniors do Senado que votem imediatamente de acordo com os deputados federais. Acho até que deveriam aumentar mais cinco anos. O preconceito de algumas pessoas contra os indivíduos que passam dos 60 anos é odioso, ao ponto de denominarem a emenda como da ‘PEC da Bengala”. Só se for a bengala para enfiar na cara de quem pronuncia essa palavra preconceituosa.

MUDANÇA DE HÁBITOS

Compartilho com as ideias de Ayres de Brito. A operação Lava Jato está sendo fundamental para a mudança de atitude nas relações entre o público e o privado. Uma nova era de comportamentos morais e éticos com a coisa pública será o norte, daqui para diante. Pela primeira vez na História do Brasil, empreiteiros amargam as grades por formação de cartel, superfaturamento de obras e pagamento de propinas para gerentes e diretores da Petrobras.

Uma consequência clara do medo da prisão foi a interrupção do dinheiro das empresas para os partidos políticos. Nesse sentido, o ministro Gilmar Mendes está na obrigação de liberar seu voto sobre o financiamento de campanha. Pediu vistas e nada de votar! Será que fará aniversário o processo na sua gaveta? Os parlamentares deveria estipular prazo para decisão de magistrado, com uma certa urgência. O povo clama por essa medida.

PÚBLICO E PRIVADO

Sobre as relações entre o público e o privado, não é o Estado que tem que ser forte; a sociedade é que precisa de fortalecimento. Como? Cobrando de seus representantes as promessas de campanha e ações para melhorar os serviços, principalmente na Saúde e na Educação, que estão em níveis desastrosos.

O Estado só é forte quando o povo está fraco e a democracia em perigo.

Lula passa a orientar pessoalmente as bancadas petistas

Gabriel Mascarenhas e Natuza Nery
Folha

Incomodado com o esgarçamento da relação do governo com o Congresso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem articulando diretamente com lideranças petistas de Câmara e Senado. De janeiro para cá, ele intensificou os contatos e passou a dar orientações diretamente a correligionários.

A articulação política do Palácio do Planalto tem sido duramente criticada pela base aliada. Os principais alvos da insatisfação são os ministros da Relações Institucionais, Pepe Vargas, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Na tentativa de aparar arestas com o Parlamento, Lula convenceu a presidente Dilma Rousseff a incluir outros nomes na coordenação de governo. Pressionou, até conseguir, a inclusão do vice Michel Temer (PMDB) no núcleo duro. Eduardo Braga (PMDB), ministro de Minas e Energia, e Gilberto Kassab (PSD), das Cidades, também foram admitidos no grupo.

Petistas já defendem a ida de Jaques Wagner (Defesa), considerado um articulador mais habilidoso que Mercadante, para a Casa Civil. Apesar da ideia, Dilma não permite sequer que auxiliares tratem do tema.

REUNIÕES EM BRASÍLIA

Lula, que passou a reunir-se com mais frequência com Dilma nas últimas semanas da crise, tem pedido a parlamentares petistas que orientem a bancada a defender o governo nas tribunas. Embora crítico de diversos atos da sucessora, o ex-presidente argumenta que a base aliada, sobretudo o PT, não pode silenciar diante de ataques oposicionistas.

Na terça (17), dois dias após os protestos contra o governo e o PT em diversas capitais do país, Lula recebeu deputados e senadores em reuniões num hotel de Brasília. Ele alertou os parlamentares sobre os riscos de considerar as manifestações meros atos oposicionistas.

Argumentou que a massa nas ruas não era formada só por eleitores tucanos e defendeu que o governo não pode ficar estático diante do claro recado de parcela significativa do eleitorado –confirmado por pesquisa Datafolha divulgada na quarta (18) apontando 62% de descontentamento com o governo.

“Ele disse que o governo tem que anunciar medidas, como resposta, e explicar à população por que elas estão sendo tomadas”, exemplificou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), um dos participantes do encontro.

FALA MENOS, DILMA

Lula tem comentado que não pode caber à Dilma ir a público falar sobre a Petrobras, corrupção e impeachment, como ela tem feito. Ele, aliás, recomendou que a palavra impeachment sequer saísse da boca da sucessora.

Para o ex-presidente, essa função dever ficar a cargo do presidente da estatal e de outros personagens do governo, como José Eduardo Cardozo (Justiça), que efetivamente vem sendo escalado para rebater críticas ao Planalto.

Em reunião no Palácio da Alvorada, Lula reprovou o pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, há duas semanas. E até ironizou o formato hermético, pouco político, do discurso em homenagem ao dia da mulher.

“Procurei a palavra feminicídio no dicionário e não encontrei”, disse ele, segundo relatos. O comentário visava ilustrar o quão inadequado era pronunciamento.

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NOTA DA REDAÇÃOLula faz um esforço desesperado para salvar o que resta do PT. Mas sua interferência não resolve nada, apenas mostra a fragilidade da presidente Dilma Rousseff, que está cada vez mais desprestigiada. Daqui a pouco, nem mesmo o rapaz que serve cafezinho no Planalto vai dar importância a ela. (C.N.)

Estado Islâmico é uma ameaça cada vez mais forte

Jihadistas já formam uma frente que atua em vários países

Felipe Benjamin
O Globo

Especialista em terrorismo e autora do recém-lançado “A Fênix Islamista: o Estado Islâmico e a reconfiguração do Oriente Médio” (Ed. Bertrand Brasil), a italiana Loretta Napoleoni afirma que o Estado Islâmico (EI) está em fase de expansão, aglutinando outros grupos jihadistas sob sua influência.

Quase um ano se passou desde o anúncio da criação do califado na Síria e no Iraque. Já é possível ter uma ideia do quão grande e poderoso o Estado Islâmico pode ficar nos próximos anos?

Sim, o que vemos agora é a formação de uma frente global no mundo muçulmano com o grupos como o Boko Haram, os grupos líbios e parte da al-Qaeda na Península Arábica jurando aliança ao Estado Islâmico. Acho que nos próximos meses teremos uma expansão dessa frente para o Cáucaso, a Ásia Central, países como o Afeganistão e o Paquistão, e o Sudeste Asiático. As características dessa frente não seriam necessariamente ligadas ao salafismo radical, mas sim uma forma do Estado Islâmico se apresentar como um elemento anti-imperialista contra as oligarquias corruptas do mundo muçulmano e os poderes estrangeiros que os apoiam.

O Estado Islâmico recebeu apoio de grupos de diversas partes do mundo como a Nigéria, o Iêmen e as Filipinas. Esse apoio fortalece a posição do grupo na Síria e no Iraque ou podemos ver o início de “colônias do califado” se espalhando pelo planeta?

A aliança dos grupos funciona como uma espécie de federação. O Boko Haram não vai receber ordens diretas do califa, mas eles estarão ligados ideologicamente, combinarão estratégias e estarão em constante comunicação, ainda que definitivamente não estejamos falando dos Estados Unidos do Estado Islâmico. A meta é nos assustar, já que somos o inimigo comum, e essas alianças fazem o Estado Islâmico parecer muito mais forte do que ele realmente é. Será uma federação sob o nome do califado, mas na qual todas os envolvidos serão independentes, até porque qualquer um pode abraçar a bandeira do grupo.

O Estado Islâmico recebeu um enorme contingente de jihadistas europeus. Como esses combatentes, que cresceram em sociedades com valores ocidentais, podem influenciar a formação do novo Estado na Síria e no Iraque?

Os jihadistas europeus saem de um cenário de enorme marginalização e se tornam importantes no combate, mas é isso o que eles fazem: combater. Há uma clara divisão de trabalho na estrutura do Estado Islâmico. Os estrangeiros estão envolvidos na luta e nas negociações de reféns ocidentais, mas não têm poder de comando. A administração, se é que podemos chamá-la assim, está toda nas mãos de iraquianos, e a parte burocrática do Estado Islâmico está toda nas mãos de locais. Nenhum estrangeiro vai impactar as políticas do grupo.

Ao contrário da al-Qaeda, que realizava atentados em países ocidentais, o Estado Islâmico tem se mostrado menos atuante no chamado “terrorismo clássico”, ainda que ataques de “lobos solitários” aliados ao grupo tenham acontecido no Canadá, na França e na Tunísia. Até que ponto o Estado Islâmico é uma verdeira ameaça para a segurança dos países ocidentais?

O Estado Islâmico em si não é uma ameaça. Não estamos falando da possibilidade de invasões em países ocidentais. A ameaça real são mais ataques como esses, que o grupo saberá explorar, como aconteceu na Tunísia, onde os atiradores tinham turistas estrangeiros como alvos. A narrativa apresentada pelos políticos é muito semelhante à usada pelo governo britânico contra o IRA nos anos 1970. Havia centenas de pessoas morrendo todos os anos, é verdade, mas a percepção que o Reino Unido tinha na época e que o Ocidente tem hoje, de que as estruturas políticas estão ameaçadas, é errada.

No livro, o Estado Islâmico é apresentado como um grupo capaz de equilibrar a violência e a barbárie com programas assistencialistas e um cuidado pela infraestrutura dos territórios dominados. Como acontece esse equilíbrio?

Há perseguição contra as minorias, mas não chamaria a relação que o Estado Islâmico mantém hoje com a população sob seu controle, de opressão, uma vez que são sunitas lidando com sunitas ou membros de minorias que se converteram. É uma população muito homogênea, e isso facilita o controle sobre o território. Há muito envolvimento dos líderes tribais locais, e sem a permissão desses líderes, o Estado Islâmico não teria chegado a lugar nenhum. Os líderes tribais perceberam que poderiam se beneficiar da ascensão do Estado Islâmico e foram muito eficazes ao estabelecer sua liderança junto ao grupo.

Em “A Fênix Islamista”, você destaca a habilidade do Estado Islâmico de se tornar independente de seus financiadores ao assumir o controle da região. É possível dizer que a guerra contra o grupo não é apenas militar, mas também econômica?

Não, porque agora já é tarde demais para uma batalha econômica. Cometemos erros gravíssimos. Deveríamos estar atentos ao que estava acontecendo na Síria e nos países do Golfo Pérsico, mas não prestamos atenção suficiente. O Estado Islâmico tem o controle do petróleo e do contrabando nas mãos. Agora, a única maneira de derrotá-los economicamente seria arrasar o território, mas para isso seria necessário atingir a população civil, o que de certa forma já é o que estamos fazendo agora. No entanto, essa nunca poderia ser uma política oficial.

Os curdos da Síria acusam a Turquia de apoiar o Estado Islâmico. A mesma acusação foi feita pelo ex-presidente iraquiano Nouri al-Maliki com relação aos sauditas, e o secretário americano de Estado, John Kerry, afirmou que as tropas de Assad evitaram enfrentar o grupo para enfraquecer o Exército Livre da Síria. Quem realmente está apoiando o Estado Islâmico?

É um movimento jihadista global. Não há nenhum poder estabelecido patrocinando o Estado Islâmico e o motivo para isso é simples: o grupo é uma ameaça a todos eles. O califa é encarado como um descendente direto de Maomé, e acima dele só estariam Alá e seu profeta. Apesar das acusações, o clã dos Saud sabe que, uma vez estabelecido, o califado não se relacionará com ninguém em níveis de igualdade. Certamente há pessoas poderosas que acreditam que possam um dia se beneficiar com o crescimento do Estado Islâmico, mas nenhuma delas representa um governo.

O fato do combate ao Estado Islâmico ter colocado lado a lado inimigos como os Estados Unidos e o Irã pode trazer melhorias a essas relações?

Acho que negociar com o Irã neste caso foi um enorme erro. Não há nenhum estratégia de longo prazo e trazer os iranianos para o combate é uma medida muito perigosa. Esse é o tipo de política externa que nos levou à situação que vivemos hoje. O que você acha que acontecerá quando as forças iranianas se instalarem no Iraque? Elas irão galvanizar toda a resistência sunita, e fortalecer o Estado Islâmico fazendo com que a situação no Norte do Iraque se degenere em uma nova guerra.

O Estado Islâmico não precisa que Assad perca a guerra. Ele já provou que pode se estabelecer sozinho, e isso é um exemplo do fracasso de liderança global do Ocidente. Todos seguem os Estados Unidos, e os países europeus não parecem ter noção do que estão fazendo.

Lula vai ficar na História como um dos traidores da Pátria

Ednei Freitas

Lula, realmente não é e nunca foi comunista. Lula sequer é de esquerda. Lula é um lumpem, sem orientação definida. O que temos contra ele é que ele aparelhou o Estado, as estatais, os fundos de pensão, colocando lá petistas para roubarem o erário, e seu único projeto foi o de manter-se no poder, de perpetuar o PT no governo a qualquer custo.

Promoveu o enriquecimento ilícito de vários “companheiros” e de si próprio. Nunca teve um projeto político e administrativo para o Brasil, mas sim para a manutenção do PT.

Associou-se marqueteiramente com Chavez, na Venezuela, e agora com o sucessor Maduro, o que está desgraçando aquele país.

Que Lula nunca foi comunista nem de esquerda ele mesmo já disse publicamente. E daí? É um mentiroso contumaz. Seu apoio a Fidel Castro e a Chávez é apenas um jogo de cena. É oportunista e mau caráter.

A MAIOR ROUBALHEIRA

Sob comando do criador do PT, seus partidários (parlamentares e funcionários da Petrobras) promoveram a maior roubalheira da História do Brasil, depauperando a Petrobras e colocando a estatal, orgulho dos brasileiros, à beira da falência. Lula será contado nos livros de História como um traidor da Pátria, ao lado de Silvério dos Reis.

Azar do Brasil que Lula tenha nascido.

O fim da mocidade, na visão poética de Abgar Renault

O professor, tradutor, ensaísta e poeta mineiro Abgar de Castro Araújo Renault (1901-1995), no poema “Fim”, nos dá sua visão do que significou o término de sua mocidade.

FIM

Abgar Renault

O que eu perdi não foi um sonho bom,
não foi o fruto a embebedar meus lábios,
não foi uma canção de raro som,
nem a graça de alguns momentos sábios.

O que eu perdi, como  quem perde uma outra infância,
foi o sentido do enternecimento,
foi a felicidade da ignorância, foi, em verdade,
na minha carne e no meu pensamento,
a última rubra flor do fim da mocidade.

E dói – não esse gesto ausente, a que se apagam
as flores mais solares, mas uma hora,
– flor de momento numa bela aurora –
hora longínqua, esquiva e para sempre morte,
em cuja escura, inacessível porta
noturnos olham cegamente vagam.

               (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Executivo que acusaria Eduardo Cunha depõe e ninguém sabe de nada

O consultor Júlio Camargo que intermediava pagamento de propinas no escândalo do petrolão

Afinal, Júlio Camargo acusou ou não acusou Eduardo Cunha?

Carlos Newton

O futuro político do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) depende do mais recente depoimento do consultor Julio Camargo, da Toyo, que voltou a ser ouvido quinta-feira no acordo de delação premiada que fechou na Operação Lava Jato. Este testemunho de Camargo é considerado crucial para o prosseguimento do inquérito aberto a pedido do procurador-geral Rodrigo Janot contra o presidente da Câmara, porque vai dirimir as contradições a respeito da atuação de Cunha.

Como se sabe, um dos cúmplices do doleiro Alberto Youssef disse ter entregue propina na casa de Cunha, no Rio de Janeiro, mas depois se soube que a residência pertence a um advogado que tem ligações com o deputado Jorge Picciani. O próprio Youssef se apressou a desmentir a informação, dizendo que jamais mandou entregar propina a Cunha, porém ressalvou ter sabido que o deputado do PMDB havia mandado pressionar as empresas Samsung e Mitsui, representadas pelo consultor Julio Camargo, para que voltassem a pagar propinas.

CAMARGO NÃO CITOU CUNHA

Camargo está preso em Curitiba, também fez delação premiada, mas em seus depoimentos anteriores nada declarou sobre propinas a Cunha.

Os integrantes da força-tarefa então convocaram Camargo para novo depoimento, quinta-feira passada, para acabar com a controvérsia e saber se Eduardo Cunha deve ou não continuar respondendo a inquérito por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.

ATÉ AGORA, NADA…

Ao reinquirir o executivo, os procuradores federais da força-tarefa tinham o único e exclusivo intento de descobrir se Cunha realmente usou deputados para chantagear as duas empresas em uma comissão da Câmara. Já se passaram quatro dias e até agora, nada, não há a menor informação.

O novo depoimento de Júlio Camargo não deve ter sido longo. Certamente já foi transcrito e enviado ao Supremo Tribunal Federal, para exame pelo ministro-relator Teori Zavascki. E como os inquéritos contra parlamentares federais correm em sigilo de Justiça, a importantíssima informação ainda não vazou, mantendo o clima de suspense quanto à situação de Eduardo Cunha na investigação do Supremo.

Especialistas em delação premiada acham que o executivo Júlio Camargo não deve ter confirmado a informação que o doleiro Youssef diz ter recebido dele. Se tiver acusado Eduardo Cunha nesse novo depoimento de quinta-feira, ficará comprovado que nas declarações anteriores omitiu informações propositadamente, e ele poderá perder todos os benefícios penais da delação. Este é o quadro, até agora.

Não há depressão nos selfies

Eduardo Aquino
O Tempo

Você tem uma segunda vida? Habita algum universo paralelo? Quem sabe virou um avatar e sua existência real está em risco de ser extinta? Pois me dei ao trabalho de visitar diversos endereços de amigos e conhecidos, que me cobravam que “sumira”. Afinal, não estou nas redes sociais (ah lembrei, tenho um blog desmobilizado e empacado em uma nuvem qualquer). Facebook, Twitter, WhatsApp, LinkedIn e outras não me cabem. Sou, pois, um morto-vivo, um sem teto virtual. Não existo, simples assim. Preferi não embarcar nesse universo paralelo virtual para brabeza de filhos, estranheza de sumidos amigos, e censura de parceiros “procuramos seu conteúdo, sua história, mas lamento dizer que Eduardo Andrade Aquino não existe”.

Em um misto de surpresa e desencanto, confessei que houvera optado por virar um ermitão, um monge franciscano, com grande dificuldade em me digitalizar. Habito o mundo real, de onde extraio a essência do que preciso, e a cada vez, confesso, preciso de menos coisas. Essencial para mim é ter tempo. Pois sem ele perco energia e uma habilidade que Deus me confiou: a arte de observar o mundo real. Fui criado, quem sabe mal criado, para, de posse do tempo e da capacidade de observar, desenvolver alguma sabedoria. Evidentemente, preciso de um combustível para tal tarefa e de tempos em tempos, me abasteço de curiosidade. Algo muito profundo, talvez a tal voz da consciência, me obrigue a responder a uma interminável série de perguntas do tipo “por quê?”.

BUSCAR O CULPADO

Talvez a culpa (sempre essa tendência a buscar o culpado, e como em casa nunca tive mordomo…) seja do meu pai, que me presenteou com diversas coleções de livros: Conhecer, Tecnirama, Barsa, A Segunda Guerra Mundial, Monteiro Lobato, Jorge Amado, Honoré de Balzac, entre outros, mas especialmente o Tesouro da Juventude – e nesta última havia uma seção que me viciou. Chamava “O Livro dos Porquês”, que explicava desde como se comportavam as formigas na sua rígida sociedade dos formigueiros até como a TV funciona, passando por bomba atômica e o papel do clitóris na fisiologia feminina. Nada que eu li me valeu para ser um médico, mas o aprendizado da importância da observação, do tempo e da sabedoria me valem até hoje, e assim continuará até a minha morte.

Mas, voltando à vaca fria, me dispus a ter curiosidade para vencer minha tecnofobia e visitar o universo paralelo internáutico para rever amigos. Me assustei com os selfies risonhos, com a intimidade de jantares, viagens e a alegria sempre presente de todo mundo. Dentes brancos sorrindo, rostos lisos (Photoshop ou botox? Está vendo o livro dos porquês?), alegria universal no mundo virtual! Psiquiatras não existem neste universo; eles morrem de fome. Aliás, todos os endereços, podiam ser de Miami, Guarapari, ou no jardim do vizinho, têm a grama superverde. Filhas, noras ou amantes, sei lá, posavam muito sensuais, com seus corpos dourados e seminus ao alcance de qualquer alienígena do mundo real. Preferi não deixar recado, menos ainda convidá-los a ir lá em casa: “estou sem tempo!”, seria a resposta.

PESSOAS TIPO ZUMBI

Resolvi assistir a um filme e observei pessoas azumbizadas, hipnotizadas pelo smartphone, andando pelo shopping como se o mundo real não existisse. Ninguém olhou para mim quando perguntei as horas ou se levantou quando a velhinha ficou em pé na recepção. Estou sendo extinto ou, quem sabe, sou um futurista, pois quando a energia faltar ou der um grande bug que desligue de uma só vez todos os eletrônicos, sairei do meu mosteiro e transferirei toda sabedoria e experiência para responder a quantidade de porquês que me farão os analfabetos no mundo real.

Aí, só de chato, responderei: “E por que não?!” Por que não viver cada sensação que meus olhos, meus ouvidos, meu olfato, meu tato e meu paladar me propiciam gratuitamente? Por que não amar, fazer uma poesia, puxar um papo descontraído com o desconhecido ao lado? Curtir uma angústia, encarar um medo, ter um ciúme saudável.

Viver é experimentar, construir um conhecimento, mais que consumir uma informação. Pela teoria do multiverso, talvez esteja em outra dimensão e meu personagem aqui seja um rebelde sem causa? Por que não?

Receita do caos brasileiro no âmbito internacional

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O governo está tentando de todas as formas convencer as agências de classificação de risco a manterem o grau de investimentos do Brasil, mas o país já foi rebaixado pelo mercado financeiro. Usado como referência pelos agentes privados para medir o grau de confiança de uma economia, o Credit Default Swap (CDS) brasileiro atingiu quinta-feira 306 pontos, acumulando alta de 51% no ano. De longe, foi a maior arrancada entre os países que têm esses papéis listados no mercado.

Para os investidores que recorrem a esse seguro contra calote, a capacidade de a presidente Dilma Rousseff manter o controle do governo está próxima do limite. A cada dia, um fato novo mostra que a petista está refém do PMDB, que já anuncia demissão de ministro antes do Palácio do Planalto, e não tem o menor apoio de seu partido, o PT. Diante dessa fragilidade política, diminui a confiança na capacidade do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de entregar o ajuste fiscal que pode tirar o país do atoleiro econômico no qual afundou.

O desânimo é geral. E a falta de credibilidade do governo está provocando estragos imensos na economia real. Por falta de parâmetro para a formação dos juros, os bancos têm restringido a concessão de crédito. As instituições usam o mercado futuro para definir as taxas que cobrarão da clientela nos empréstimos e financiamentos, mas, como esses índices vêm oscilando muito, a ordem foi suspender operações até que o horizonte fique menos nebuloso.

A INFLAÇÃO E A META

Esperava-se que as recentes declarações do presidente do BC, Alexandre Tombini, assegurando que a instituição levará a inflação para o centro da meta no fim de 2016, acalmassem os ânimos. Mas os erros sucessivos da autoridade monetária na condução da política de juros e no combate à carestia parecem ter exaurido o capital de Tombini para retomar o controle das expectativas. Para reverter esse quadro, serão necessárias declarações diárias, com números consistentes, mostrando que o país tem capacidade para reduzir quase à metade a inflação, que está raspando os 8%.

Na verdade, nada do que o governo diz está sendo capaz de reverter o pessimismo. Do lado dos consumidores, a intenção de compras desabou para o nível mais baixo da história, conforme levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Na indústria, com os estoques elevados, tornou-se rotina desligar fábricas. A Confederação Nacional do setor (CNI) assegura que, na média, as empresas operam com 34% de ociosidade. Ou seja, um terço do parque produtivo do país está parado.

Diante desse quadro, está se consolidando a percepção de que o tombo do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano será mesmo superior a 1%, com aumento do desemprego. A recessão que se desenha parece ser brutal. É por isso que os investidores estão empurrando tanto a taxa do CDS do Brasil para cima. O risco de México, por exemplo, está em 132, com alta de 27% no ano. O da África do Sul, em 205 pontos, em elevação de 8%.

EMERGENTES EM BAIXA

Como bem lembrou um técnico do governo, todos os países emergentes vêm sofrendo neste momento, em que as fragilidades se acentuaram por causa das perspectivas de aumento das taxas de juros nos Estados Unidos. Mas, entre as grandes economias em desenvolvimento, nenhuma combina um quadro tão assustador quanto a brasileira. O país está em recessão, com inflação de quase o dobro da meta perseguida pelo BC (4,5%), déficit fiscal de 7% do PIB e rombo nas contas externas superior a 4% do PIB. Tudo isso com uma presidente que não completou o terceiro mês do segundo mandato e desfruta de rejeição de 62%. É a receita do caos.

Recessão, inflação nas alturas, presidente com 62% de rejeição e base política esfacelada. Diante dessa combinação, o mercado já rebaixou o Brasil

O pré-sal e o marketing da mentira nos governos do PT

Hélio Duque

“Recentemente descobrimos o pré-sal”, é o que diz campanha publicitária veiculada nas televisões e rádios do Brasil. Atribuir ao governo “o descobrimento” da camada do pré-sal é falácia do mais baixo nível. A nova fronteira exploratória do petróleo brasileiro é fruto do investimento de mais de quatro décadas e da competência técnica da Petrobras, reconhecida mundialmente.

Nas décadas de 80 e 90, foram perfurados mais de 150 poços no pré-sal brasileiro, com sucesso variável entre 25% e 30%. A fantasia criada por um marketing político, engajado na mistificação, atropela a verdade histórica, como demonstraremos. Em um país de memória rala é fundamental desmistificar os assaltantes de feitos que tiveram outros autores.

PETRÓLEO NO MAR

A descoberta de petróleo no mar, na Bacia de Campos, tem um único responsável: o geólogo Carlos Walter Marinho Campos. Foi sua coragem e determinação que gerou a descoberta da maior província petrolífera do Brasil. Em 1973, demonstrou que havia existência de petróleo na parte submersa do poço 1-3-R-157, na área de Macaé. Diretor da área de exploração, aprofundou as pesquisas em parte rasas da costa oceânica, com investimentos limitados. Na época, o presidente da estatal, o general Ernesto Geisel, determinou o cancelamento do projeto pela inviabilidade da existência de óleo na área.

Corajosamente, ele enfrentou a resistência de Geisel, argumentando que havia sinais indicativos de petróleo na formação geológica batizada de “calcário de Macaé”. No ano seguinte, em 1974, era descoberto o poço de Garoupa, na Bacia de Campos. Ali se mudava a história do petróleo no Brasil. A exploração “off-shore” (no mar), onde antes predominava a exploração “on-shore” (em terra), surgiu há 40 anos e teve em Carlos Walter Marinho Campos, o seu autor e desbravador.

ROCHAS CARBONÁTICAS

Morto em 2000, o grande técnico brasileiro é ignorado e desprezado pelas direções da Petrobrás, aparelhadas nos últimos anos. Pioneiramente alertava que as rochas onde o petróleo se armazenava eram compostas de carbonato de cálcio de enorme obstáculo à penetração das brocas perfuratrizes. Era preciso desenvolver tecnologia pioneira sobre as rochas carbonáticas, caracterizadas por porosidade e permeabilidade diferenciadas. Sendo viscoso pode se desprender para dentro do poço de petróleo, se a penetração da sonda não for adequada, fechando o veio de extração do óleo.

A memória geológica de Carlos Walter Marinho Campos era notável. Aperfeiçoada nas viagens de observação que fazia ao Oriente Médio, fundamentariam a sua obsessão na descoberta do petróleo no mar brasileiro. No Irã e no Iraque constatara que a existência de “rocha de calcário” no mar produz grandes quantidades de petróleo. Foi muito importante a associação da estatal brasileira com a estatal petrolífera do Iraque, na descoberta da província de “Majnoon” que se transformaria em uma das áreas mais produtivas de petróleo no país de Sadam Hussein. Fato pouco conhecido pelos brasileiros.

BRASIL E IRAQUE

No final das décadas de 70 e 80, quando da crise e preços astronômicos do petróleo mundial, o Brasil teve no Iraque um parceiro privilegiado no abastecimento interno do petróleo, em situação vantajosa. Paralelamente, o mercado interno iraquiano, foi aberto e garantido para empresas brasileiras, como Volkswagen, vendendo o carro Passat na escala de milhão; Engesa, que fornecia armamentos desde os tanques Cascavel a armamentos sofisticados, inclusive foguetes de mediano alcance; a construtora Mendes Junior, foi a executora do asfaltamento da rodovia de Bagdá a Basra, no sul do país. Igualmente na execução de serviços ferroviários na região norte, na área de Mossul. Outras empresas brasileiras forneceram bens e serviços ao governo iraquiano. Posso testemunhar a existência dessa realidade porque na época estive no Iraque.

A exploração petrolífera brasileira no mar, inicialmente com a camada do “pós-sal” na Bacia de Campos e agora no “pré-sal”, não foi fruto de “milagre marqueteiro”, nem bandeira de exploração política, como os governos Lula da Silva e Dilma Rousseff vêm fazendo, usando e abusando da boa fé dos brasileiros. Atestada na propaganda falsária que vem sendo veiculada nas rádios e televisões nacionais.

MENTIRA DELIBERADA

Enfatizar a descoberta do “pré-sal” como êxito governamental é mentir deliberadamente de maneira criminosa. Hoje, após superar a crise ética, financeira e econômica em que o conluio de políticos, empresários poderosos, diretores delinquentes e um governo que fez vistas grossas à corrupção nos últimos anos, a Petrobrás terá no “pré-sal” a certeza de que voltará a ser uma empresa que orgulhará os brasileiros. A notável figura humana e incansável pioneirismo do saudoso geólogo Carlos Walter Marinho Campos, será sempre lembrada pelos brasileiros que tem memória. E acreditam no futuro.

(artigo enviado pelo comentarista Ricardo Sales)

Empresas sob suspeita da CGU receberam R$ 4,1 bi em 2014

Deu em O Tempo

Após a Controladoria Geral da União (CGU) determinar, na última quarta-feira, a abertura de mais seis processos administrativos contra empresas envolvidas na operação Lava Jato, já são 18 as firmas que estão sob suspeita do órgão que combate a corrupção no governo federal. E, juntas, de acordo com levantamento do Aparte, elas receberam R$ 4,141 bilhões somente no ano passado. O valor representa 22,65% do total de gastos direto do Executivo federal com o setor de construção, que alcançou 18,28 bilhões. A título de comparação, o governo gastou um total de R$ 7,8 bilhões considerando todas as obras de construção de rodovias e ferrovias no ano passado.

Entre as investigadas pela CGU, a campeã em pagamentos no ano passado foi a Odebrecht. De acordo com o Portal da Transparência do governo federal, foram pagos R$ 1,13 bilhão só a essa empreiteira.

São alvo de processo administrativo instaurado desde a deflagração da operação Lava Jato: Tome Engenharia, Egesa Engenharia, Carioca Christian Nielsen, Skanska Brasil, EIT Empresa Industrial Técnica, MPE Montagens e Projetos Especiais, Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia, Iesa, Mendes Junior, OAS, Queiroz Galvão, UTC-Constran, Alumni Engenharia, GDK, Promon Engenharia, Andrade Gutierrez, Fidens Engenharia, Sanko Sider, Odebrecht, Odebrecht Óleo e Gás, Odebrecht Ambiental e SOG Óleo e Gás.

Outros processos devem ser abertos nos próximos dias. Se forem responsabilizadas, além das multas, as empresas poderão ser proibidas de celebrar novos contratos.

Festa de Marta foi uma espécie de velório do governo do PT

Temer (com a esposa) fez sucesso na festa

Deu na Folha

A presidente Dilma Rousseff tem 20 dias para romper o isolamento político, reestruturar seu governo e apontar caminhos para sair da recessão econômica. Caso contrário, será difícil manter a governabilidade e evitar a escalada da insatisfação popular.

O diagnóstico e o ultimato foram repetidos, com pouca variação, por alguns dos principais personagens da crise política que vive o governo durante a concorrida festa de 70 anos de Marta Suplicy, na última sexta-feira em São Paulo – que, além de festa de aniversário, teve um clima de “cerimômia do adeus” da senadora depois de 35 anos no PT.

De saída do PT e uma das vozes mais críticas a Dilma, Marta reuniu o vice-presidente Michel Temer, o ex-presidente José Sarney, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e o ministro de Minas e Energia de Dilma, Eduardo Braga.

PRAZO CURTO

Nas rodas de conversas, esses protagonistas discutiam abertamente com senadores e deputados governistas e de oposição, advogados e empresários os cenários possíveis para o governo.

“Ela tem de 15 a 20 dias para sair da encruzilhada e apontar o caminho que seu governo vai seguir nos próximos três anos e 9 meses. Caso contrário, será difícil assegurar a governabilidade”, avaliava um dos responsáveis pela articulação política atual.

O prazo coincide com a data da segunda onda de protestos nacionais contra Dilma, marcada para 12 de abril. Políticos de vários partidos avaliam que a presidente terá de apresentar um conjunto de medidas mais concretas antes disso e pedir um “voto de confiança” à população.

“Isso terá de ser feito sem tergiversar em assumir os erros”, ponderava um experiente político na festa da senadora dissidente.

PETISTAS DE FORA…

O próprio quórum expressivo que Marta conseguiu reunir numa semana especialmente tensa para o governo mostrou, no entender de vários dos convidados, que existe um grupo de políticos conversando para tentar reconstruir pontes rompidas com a agudização da crise.

O único petista presente, o senador Delcídio Amaral (MS), demonstrava certo constrangimento e procurava fazer graça com a situação: “O pessoal deve estar chegando”. Marta disse que convidou a bancada, mas senadores petistas diziam nos dias anteriores não terem sido chamados.

LULA NÃO FOI…

Uma ausência foi a mais comentada: a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não o convidei. Na última conversa que tivemos, disse a ele que iria buscar o meu caminho. Lula é o maior estadista que este país tem, mas agora não faria sentido estar aqui”, disse a senadora à Folha.

O novo caminho de Marta ficou evidente na festa pela presença maciça do comando do PSB, sigla à qual a senadora se filiará nos próximos dias. O vice-governador de São Paulo, Marcio França, o presidente da sigla, Carlos Siqueira, e o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, demonstravam entusiasmo com a candidatura de Marta à Prefeitura de São Paulo no ano que vem.

Diante do malogro da tentativa e do agravamento da crise, Marta não mede palavras em decretar: “O PT acabou. Aquele partido que eu ajudei a fundar fazendo reuniões na minha casa, indo de porta em porta, em assembleias, ele não existe mais”.

CABELEIREIRO

O símbolo maior da deterioração da confiança em Dilma e Haddad entre o público que foi cantar parabéns para Marta foi o cabeleireiro Celso Kamura, que cuida das madeixas presidenciais desde 2010, levado pelas mãos da própria Marta – que a trata como uma diva.

Questionado sobre o momento atual da presidente, Kamura fecha o semblante e mede as palavras. Diz que ouve cada vez mais reclamações de suas clientes e deixa claro que se afastou da presidente nos últimos tempos.

“Antes eu chegava lá, entregava uma ‘Caras’ para ela, conversava, trocava ideias. Agora eu apenas entrego a ‘Caras'”, disse, já de saída, com duas caixinhas de macarons nas mãos.

Duque levou R$ 311 milhões. Se falar, destrói Dilma, Lula e o PT.

Se não fizer delação, Duque pegará pena máxima: 30 anos

Josie Jerônimo
IstoÉ

Segundo os investigadores da Operação Lava Jato, a rede de corrupção era integrada por parlamentares, empreiteiros e diretores da Petrobras. Em depoimentos prestados em regime de delação premiada, executivos e donos de empreiteiras revelaram como funcionava a complexa engrenagem montada para capitalizar as empresas e abastecer os cofres de partidos políticos e funcionários corruptos. Duque, ironicamente chamado de “nobre” pelos empreiteiros do cartel, negociava o montante de propina para os petistas. Nesse sentido, as declarações de Augusto Mendonça, do Grupo Setal, forneceram valiosas informações para o Ministério Público.

Documentos obtidos com exclusividade por ISTOÉ revelam o funcionamento detalhado do esquema que chegou ao topo do PT. Um caso narrado por Mendonça e acontecido na área de influência de Duque balizou a denúncia do MPF. A máquina montada para desviar dinheiro público se sustenta com o aumento ilegal dos custos das obras da Petrobras. O pagamento de serviços fantasmas era legalizado por notas fiscais de empresas de fachada. Mendonça relata que os aditivos fictícios na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), renderam R$ 111,7 milhões a seu grupo de empresas.

Desse montante, R$ 4,26 milhões foram repassados como doação oficial de campanha para diretórios do PT, por meio de 24 transferências financeiras realizadas entre outubro de 2008 e março de 2012. O dono do grupo Setal – que reúne as empresas PEM Engenharia, Projetec e SOG Óleo e Gás – apresentou comprovantes e datas destas movimentações financeiras. O contrato da Repar recebeu 32 aditivos, de acordo com o sistema de monitoramento da Petrobras.

A FORTUNA DE DUQUE

O dinheiro que Duque tentou movimentar no fim do ano passado em Mônaco compõe apenas uma parte dos R$ 311 milhões em propina que ele abocanhou com o esquema, segundo a Operação Lava Jato. Relatórios do MP elaborados a partir dos depoimentos de delação apontam que, entre 2003 a 2012, quando Duque deixou a Petrobras, ele angariou R$ 1,5 bilhão de empreiteiras. Desse total, quase US$ 200 milhões recolhidos por Vaccari foram diretamente para o Partido dos Trabalhadores. Nos depoimentos dos delatores, o tesoureiro e Renato Duque aparecem como a dupla responsável por angariar e recolher a cota de propina que caberia ao PT.

O empreiteiro do Grupo Setal contou ainda que foi procurado por Duque no início de julho de 2010 e o ex-diretor pediu que ele se encontrasse com Vaccari para depositar R$ 500 mil em benefício do PT. De acordo com Augusto Mendonça, cinco transferências de R$ 100 mil foram realizadas em 7 de julho de 2010 no CNPJ do Diretório Nacional. Os recursos seriam “deduzidos do percentual das vantagens indevidas da Diretoria de Serviços da Petrobras em decorrência da obra da Repar”, conforme denúncia do MP. O episódio mostra, no entanto, que o PT já contava com a doação antes mesmo de receber o dinheiro. Na prestação de contas do partido, as transferências de R$ 100 mil foram lançadas no dia 28 de junho de 2010, nove dias antes da data informada pelo empreiteiro à força tarefa da Lava Jato.

PT ESTÁ SENDO APANHADO

O Ministério Público identificou pelo menos 10 das 24 doações partidárias feitas com o objetivo de disfarçar o pagamento de propinas. Esses repasses intermediados por Duque e Vaccari foram realizados para o Diretório Nacional do PT em 2010, ano da disputa eleitoral que consagrou Dilma Rousseff presidente da República. A análise de recibos de transferências para o PT apresentados por Augusto Mendonça abriu uma nova frente de investigação para a Lava Jato. Os procuradores vão cruzar documentos entregues pelos empreiteiros que fizeram delação premiada com a prestação de contas do partido na Justiça Eleitoral. Na terça-feira 17, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi oficiado pelo Ministério Público a entregar “em formato eletrônico pesquisável todas as doações feitas ao Partido dos Trabalhadores desde 2008.” Inconsistências na prestação de contas de Dilma foram encontradas por técnicos do TSE, em dezembro de 2014. Durante o julgamento das contas, os profissionais que elaboraram o relatório deram parecer pela rejeição. Os técnicos apontaram irregularidades em 9% dos documentos apresentados para comprovar a arrecadação de R$ 350 milhões e em 14% das notas fiscais de despesas.

Pelo menos por enquanto, a força tarefa da Lava Jato não tem contado com a colaboração do ex-diretor da Petrobras. Ele resiste às investidas do Ministério Público, não compromete ninguém e alega inocência. Se for julgado culpado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, segundo a denúncia do MP, será condenado a, no mínimo, 30 anos de prisão. As negativas de colaboração com a Justiça colocam a família de Duque no olho do furacão. Em um dos poucos momentos em que soltou a voz na sessão da CPI, foi para negar que sua esposa, Maria Auxiliadora Tibúrcio, tenha procurado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de pedir ajuda para um habeas corpus que tirasse o marido da cadeia na primeira vez em que foi preso, em novembro de 2014.

E O FILHO DE DUQUE?

O filho do ex-diretor, Daniel Duque, também entrou no radar das investigações da CPI. A deputada Elisiane Gama (PPS-MA) questionou a participação de Daniel na empreiteira Technip. Entre 2011 e 2012, ele trabalhou na sede da empresa no Texas, nos Estados Unidos, e na subsidiária brasileira de 2012 a 2014. A Technip tem parcerias com a holandesa SBM Offshore, acusada de pagar US$ 240 milhões em propina a funcionários da Petrobras para obter contratos. Um consórcio integrado pela Technip ganhou, em 2011, a concorrência para um contrato de US$ 1 bilhão de frete e operação de navios que estão sendo construídos na Coreia do Sul.

 

Empresa repassou R$ 2,4 milhões em propina para PT e PP

Vaccari operava para o PT antes de ser tesoureiro

Flávio Ferreira
Folha

A empreiteira Construcap repassou propina de R$ 2,4 milhões para os partidos PT e PP para ser favorecida em um contrato da Petrobras entre 2005 e 2006, afirmou o doleiro Alberto Youssef em delação premiada na operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na estatal. Segundo Youssef, a parte do dinheiro que cabia ao PT foi entregue ao atual tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

A ponte entre a Vaccari e a Construcap para o pagamento da propina foi feita pelo empresário Cláudio Augusto Mente, amigo do tesoureiro do PT, segundo o relato do doleiro. Youssef não detalhou quanto do total foi para o PT, mas afirmou que a legenda partidária ficou com parte dos R$ 2 milhões repassados a Mente pela construtora.

Como revelado pela Folha no último dia 5, Vaccari e Mente já são alvo de um inquérito na Lava Jato que apura se transações financeiras feitas entre eles em 2008 e 2009 têm ligação com o suposto pagamento de propina pela empresa Toshiba em um contrato do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A Toshiba nega ter pago suborno.

LIGAÇÃO COMPROVADA

Nessa investigação, pela primeira vez as autoridades obtiveram documentos bancários que ligam Vaccari a suspeitos de operar no esquema de corrupção na Petrobras. Extratos bancários mostram que uma empresa controlada por Cláudio Mente, a CRA, transferiu R$ 400 mil para a conta da mulher de Vaccari em 2008. No ano seguinte, valor idêntico saiu da conta da esposa do tesoureiro do PT e foi para a conta da empresa de Mente. Vaccari diz que as quantias correspondem a um empréstimo concedido a ele por Mente, seu amigo, para a compra de uma casa.

A Construcap é apontada pela força-tarefa da Lava Jato como uma das construtoras de médio porte que participaram das fraudes na estatal de petróleo. Em depoimentos em novembro e fevereiro, Youssef afirmou que o repasse da Construcap foi negociado com o deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010, e teve relação com obra na Bahia entre 2005 e 2006. O suborno correspondeu a 1% do valor do contrato, disse o delator.

De acordo com o doleiro, a primeira parcela da propina, de R$ 400 mil, foi paga a ele em espécie por Roberto Capobianco, um dos donos da Construcap, no escritório da empreiteira no bairro da Consolação, em São Paulo. Youssef disse que esse valor teve como destino o PP. O encontro na empresa também contou com a participação de Mente, segundo o delator.

NOTAS FISCAIS

O restante do suborno, R$ 2 milhões, foi repassado a Mente, sendo possível que a empresa dele, a CSA, tenha emitido notas em favor da Construcap para justificar as transferências financeiras, de acordo com o doleiro.

Youssef afirmou que parte dessa quantia foi entregue a João Vaccari Neto, e o valor teria o PT como destino final.

À época, Vaccari ocupava o cargo de presidente da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo). Hoje ele é réu em uma ação criminal na qual é acusado de ter desviado valores da cooperativa para o PT. Vaccari nega ter cometido crimes na Bancoop.

O atual tesoureiro do PT assumiu o cargo no partido em 2010 após deixar a cooperativa. Em seu primeiro depoimento de delação premiada, em outubro do ano passado, Youssef afirmou que Vaccari “mesmo antes de assumir como tesoureiro do PT atuava perante a Diretoria de Serviços [da Petrobras], dando ordens ao diretor Renato Duque, sendo que alguns pagamentos de comissões devidas pelas empreiteiras, pelo que sabe, teriam sido feitos por meio de doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores”.

Manifestações deram voz à direita radical, diz ministro da Cultura

Manifestações irritaram o ministro, que era do PV e se filiou ao PT

Bernardo Mello Franco
Folha

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, está irritado com o tom dos protestos contra o governo. Na contramão de colegas que evitaram criticar os atos do último dia 15, ele afirma que as manifestações deram voz à direita radical e “remexeram o lodo da sociedade”.

Filiado ao PT, o ministro se diz indignado com o que chamou de “demostrações de ódio” ao partido. Ele cita uma imagem que correu a internet: dois bonecos de Lula e Dilma pendurados por cordas no pescoço em Jundiaí, no interior paulista.

“Parece que remexeram o lodo da sociedade. Boneco enforcado em praça pública, gente defendendo golpe militar. Um horror”, critica.

Para Juca, os grupos que pediram a saída da presidente, reeleita em outubro, flertaram com o “golpismo”. Ele considera que defender o impeachment é “uma bobagem”.

“Quem perde as eleições tem que se conformar”, diz. “Isso é uma tentativa de interromper o processo democrático. A qualquer dificuldade, querem derrubar o governo. No futebol é assim: o time perde dois jogos e o técnico dança. Querem igualar o Brasil ao Campeonato Brasileiro.”

TENDÊNCIA OBSCURAS

Segundo Juca, a oposição “não pode se associar a tendências obscuras”. O partido Solidariedade, que apoiou o tucano Aécio Neves em 2014, coleta assinaturas a favor do impeachment. “Isso é se associar ao lodo”, ataca o ministro. “A presidente foi eleita e não vai ser meia dúzia de malucos que vão derrubá-la.”

Para ele, os protestos foram maiores em São Paulo porque o Estado é “o principal reduto do maior partido da oposição”, o PSDB. Juca também reconhece que há um forte “mal-estar” com a economia e que o ajuste fiscal “vai demorar a fazer efeito”.

Apesar disso, o ministro diz não estar preocupado com o tombo na popularidade de Dilma. “Outros governos já sobreviveram a crises como essa”, diz ele. “Na turbulência, tem gente que acha que o avião vai cair. O que o comandante faz? Manda apertar o cinto e avisa que vai passar.”

Papa Francisco diz que “a corrupção fede”

Deu na France Presse

O Papa Francisco lançou neste sábado um forte apelo para superar os desafios de Nápoles – a corrupção que “fede”, a “escravidão” e a rejeição dos migrantes – chamando a máfia a se “converter”. Durante uma missa, Francisco denunciou o tráfico de drogas e, dirigindo-se aos mafiosos da Camorra, o Papa exortou-os a “converter-se ao amor e à justiça”.

“É sempre possível voltar a uma vida honesta. São mães que choram que pedem isso nas igrejas de Nápoles”, disse, diante de cem mil fiéis na praça do Plebiscito. Ele pediu à população para viver uma nova “primavera” para “um futuro melhor”, “sem se refugiar no passado”.

Para esta primeira visita a Nápoles, o Papa argentino, acompanhado pelo cardeal Cescenzio Sepe, percorreu no papamóvel as ruas lotadas, onde dezenas de milhares de fiéis agitavam bandeiras do Vaticano.

“Como um animal morto fede, a corrupção fede, a sociedade corrupta fede, e um cristão que deixa entrar a corrupção fede”, declarou sem rodeios aos habitantes do bairro pobre de Scampia, advertindo que “todos têm a oportunidade de ser corrupto e resvalar para a delinquência”.

CAMINHO DO MAL

O Papa, sentado em um pódio no meio de centenas de crianças, criticou “aqueles que tomam o caminho do mal e que roubam um pedaço de esperança sobre si mesmo, a sociedade, a boa reputação da cidade, a sua economia”.

Algumas faixas exibidas por fiéis proclamavam: “Não se entregue ao mal” e “Stop aos incêndios tóxicos”, referindo-se ao escândalo das descargas tóxicas da “Terra dei fuochi.”

No fundo cinzento e deprimido da praça João Paulo II (nome dado em memória a visita do Papa polonês, em 1990), Francisco respondeu ao magistrado napolitano Antonio Buonajuto, que havia considerado que “o respeito pela lei é traído diariamente pela corrupção pública e privada que permeia o corpo social, gerando delinquência Juvenil, desespero e morte”.

‘SOMOS TODOS MIGRANTES’

O Papa apoiou fortemente o apelo da filipina Corazon Dag-Usen, que pediu que os imigrantes vindos da África e da Ásia sejam “reconhecidos”, e apelou para um teto para as muitas pessoas que estão desabrigadas.

“Eles são cidadãos, não são cidadãos de segunda classe! Nós também somos todos migrantes, filhos de Deus, no caminho da vida! Ninguém tem um lar permanente nesta terra”, insistiu Francisco.

O desemprego estrutural, especialmente entre os jovens, também foi denunciado. O Papa observou que o desemprego entre as pessoas com menos de 25 anos é de 40%. As instituições de caridade e assistência social não podem substituir a “dignidade” do trabalhador, que “não tem a oportunidade de levar o pão para casa”.

ESCRAVIDÃO

O Papa considerou ainda que o trabalho clandestino, generalizado na economia paralela napolitana, era uma forma de “escravidão”. Ele citou o testemunho de uma jovem que havia recebido uma proposta de 11 horas de trabalho por dia, por 600 euros por mês.

Neste quadro sombrio, em meio a aplausos estrondosos, o Papa exaltou a vitalidade da cultura napolitana: “A vida em Nápoles nunca foi fácil, mas nunca triste, seu maior recurso é a alegria”.

Para evitar qualquer ataque, as medidas de segurança foram reforçadas neste sábado durante a visita de Francisco. Segundo a imprensa local, 3.000 agentes das forças de segurança, incluindo atiradores, foram mobilizados.

Desde sua eleição, Francisco denuncia as organizações mafiosas italianas, convidando os católicos a parar toda a cooperação ambígua com esses grupos criminosos.

Dia da Criação (porque hoje é sábado…)

Vinicius de Moraes

              I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há um tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens o Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas.
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra.
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra,
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário,
Nem tu, mulher, ser vegetal dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada,
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias.
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa,
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos,
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes,
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia,
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo,
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia,
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias,
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio,
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos.
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas.
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade.
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo.
E para não ficar com as vastas mãos abanando,
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança.
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.

(texto/poema enviado pelo comentarista Ricardo Froes, porque hoje é sábado)

Ódio nas manifestações não é tanto ao PT, mas à inclusão social

Leonardo Boff
O Tempo

Já dissemos neste espaço e o repetimos: o ódio disseminado na sociedade e nas mídias sociais não é tanto ao PT, mas àquilo que o PT propiciou para as grandes maiorias marginalizadas e empobrecidas de nosso país: sua inclusão social e a recuperação de sua dignidade. Esse é o mais alto valor político e moral que um governo pode apresentar: não apenas garantir a vida do povo, mas fazê-lo sentir-se digno, alguém participante da sociedade.

Nenhum governo antes em nossa história conseguiu essa façanha memorável. Nem havia condições para realizá-la, porque nunca houve interesse em fazer das massas exploradas um povo consciente e atuante na construção de um projeto Brasil. Importante era manter a massa como massa, pois assim não poderia ameaçar o poder das classes dominantes.

As minorias ricas e dominantes elaboraram uma estratégia de conciliação entre si, por cima da cabeça do povo e contra o povo, para manter a dominação. O estratagema sempre foi o mesmo. Foi a partir da política colonial – continuada até recentemente – que se lançaram as bases estruturais da exclusão no Brasil, como foi mostrado por grandes historiadores, especialmente por Simon Schwartzman, com o seu “Bases do Autoritarismo Brasileiro” (1982), e Darcy Ribeiro, com seu grandioso “O Povo Brasileiro” (1995).

DESPREZO PELO POVO

Existe, pois, e tem raízes profundas, um desprezo pelo povo, gostemos ou não. Esse desprezo atinge o nordestino, os afrodescendentes, os povos indígenas, os pobres em geral, os moradores de favelas e aqueles que têm outra orientação sexual.

Ocorre que irrompeu uma mudança profunda graças às políticas sociais do PT: os que não eram, começaram a ser. Puderam comprar suas casas, seu carro, entraram nos shoppings, viajaram de avião, tiveram acesso a bens antes exclusivos das elites econômicas.

Segundo o pesquisador Márcio Pochmann, em seu “Atlas da Desigualdade Social no Brasil”, 45% de toda a renda e a riqueza nacionais é apropriada por apenas 5.000 famílias. Essas são nossas elites. Vivem de rendas e da especulação financeira, portanto ganham dinheiro sem trabalho. Pouco ou nada investem na produção para alavancar um desenvolvimento necessário e sustentável.

CLASSES POPULARES

Veem, temerosas, a ascensão das classes populares. Essas invadem seus lugares exclusivos. No fundo, começa a haver uma pequena democratização dos espaços. Essas elites formaram, atualmente, um bloco histórico cuja base é constituída pela grande mídia empresarial, jornais e canais de televisão, altamente censuradoras do povo, pois lhe ocultam fatos importantes; banqueiros; empresários centrados nos lucros; e ideólogos (não são intelectuais) que se especializaram em criticar tudo o que vem do governo do PT e fornecem superficialidades intelectuais em defesa do status quo.

Essa constelação antipopular e até antiBrasil suscita, nutre e difunde ódio ao PT como expressão do ódio contra aqueles que Jesus chamou de “meus irmãos e irmãs menores”.

Como teólogo, me pergunto, angustiado: em sua grande maioria, essas elites são de cristãos e de católicos; como combinam essa prática perversa com a mensagem de Jesus? O que ensinaram as muitas universidades católicas e as centenas de escolas cristãs para permitirem surgir esse movimento blasfemo, pois atinge o próprio Deus, que é amor e compaixão e tomou partido pelos que gritam por vida e por justiça?

Mas entendo, pois para elas vale o dito espanhol: entre Deus e o dinheiro, o segundo é primeiro. Infelizmente.

Temer contacta os líderes da oposição e se prepara para governar

Daniela Lima
Folha

Em meio à crise aguda que o governo Dilma Rousseff (PT) enfrenta, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) manteve nas últimas semanas vários contatos com membros dos dois principais partidos de oposição à presidente, o PSDB e o DEM. Temer esteve com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) há cerca de um mês, em São Paulo. O vice afirmou que queria uma conversa sobre mudanças na legislação eleitoral, segundo aliados do peemedebista.

O mesmo assunto foi usado depois para justificar um encontro com o senador José Serra (PSDB-SP) em Brasília, na residência oficial do vice. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), que perdeu para Dilma a eleição de 2014, foi procurado no dia 10, seu aniversário. Temer ligou para Aécio, deu os parabéns e falou sobre o cenário político, segundo um aliado do tucano.

Nesta semana, o vice-presidente esteve com o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Na segunda (16), promoveu um jantar para deputados do DEM em Brasília. O pretexto era discutir um projeto de fusão com o PMDB – ideia improvável hoje, já que o DEM negocia com o PTB.

Durante o jantar, Temer mencionou a necessidade de aprovar as medidas de ajuste fiscal propostas pelo governo ao Congresso e se comprometeu a arranjar um encontro com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para esclarecer dúvidas dos deputados.

REDUZIR AS TENSÕES?

Aliados dizem que o objetivo do vice-presidente com essas conversas é reduzir a tensão nas relações entre o governo e a oposição, sem melindrar os líderes do PSDB e do DEM com versões conspiratórias ou especulações que sugiram a negociação de um pacto para salvar Dilma.

Os tucanos descartam qualquer possibilidade de trégua com o governo, mas Temer tenta vender a ideia de que é possível ainda assim promover uma agenda comum ao PMDB e ao PSDB.

Um primeiro resultado dessas conversas surgiu nesta semana, quando o PMDB apresentou no Congresso uma proposta de reforma política com vários pontos coincidentes com os que os tucanos defendem, como o fim das coligações partidárias nas eleições legislativas.

Em entrevista à Globo News na noite de quarta (18), Temer fez acenos à oposição. “Se o país tem uma situação dramática, nada impede um diálogo com a oposição, e eu tenho feito isso com muita frequência”, afirmou o vice.

MINISTÉRIOS

Afastado pelos petistas do centro das decisões do governo, ele também enfrenta dificuldades para lidar com a sombra do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o desafeto de Dilma que manda na bancada do partido.

Nesta quinta (19), após almoço na casa de Temer, os líderes do PMDB no Senado decidiram apresentar um projeto para reduzir de 39 para 20 o número de ministérios. Horas depois, Cunha desengavetou projeto semelhante que tramita há anos na Câmara.

Na entrevista à Globo News na quarta-feira, Temer reconheceu que é “difícil” governar com tantos ministérios e afirmou que “o governo pensa que certos ministérios possam ser acoplados a outros”.

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NOTA DA REDAÇÃO Num país confuso como o Brasil, as reportagens políticas precisam de tradução simultânea para serem bem entendidas. No caso desta matéria sobre Temer, o fato principal é o seguinte: o vice-presidente da República tem plena convicção de que vai assumir a chefia do governo e já começa a se articular. Temer sabe que a queda de Dilma Rousseff é só uma questão de tempo. (C.N.)