Mais Médicos é apenas uma versão dos Feldshers soviéticos

Francisco Cardoso
(Conselho Federal de Medicina)

Na antiga União Soviética (URSS) existia uma figura no serviço público de saúde denominada “Feldsher”, ou Feldscher em alemão, cujo significado literal era “aparador do campo”. Os feldsher soviéticos eram profissionais da saúde, formados em “saúde básica”, que intermediavam o acesso do povo à medicina oficial, em especial nas áreas remotas, rurais e periferias soviéticas, sendo uma espécie de práticos de saúde, ou paramédicos como são chamados hoje em dia, e exerciam cuidados básicos em clínica, obstetrícia e cirurgia às populações dessas regiões.

Sua inspiração e nome derivavam dos feldscher alemães que surgiram no século XV como operadores de saúde (cirurgiões barbeiros) e com o tempo se espalharam ao longo do que foi o império prussiano e territórios eslavos, compondo a linha de frente também nas forças militares, sendo uma espécie de força militar médica nesses exércitos eslavos e saxões. Em vários países foram adotados como profissionais da linha de frente, atuando sempre nos cuidados básicos e em alguns casos chegando a se especializar em alguma prática específica, como optometria, dentista e otorrinolaringologia. Na Rússia começaram a se popularizar a partir do século XVIII.

Diferentemente dos médicos, os feldsher possuíam uma formação mais curta e limitada. A duração do curso era em 4 anos e envolvia basicamente treinamento em ciências básicas e treinamento simples em ciências médicas clínicas, em especial medicina interna, serviço de ambulância e emergência pré-hospitalar e sempre tinha um espaço para treinamento militar, em campo de treinamento do exército, pois os feldsher estavam na linha de frente da nação, nas fronteiras. Eram 8 anos de colégio mais 4 em treinamento prático, considerados, portanto de nível técnico. Era um treinamento um pouco melhor que a de enfermeira, cujo foco era mais os cuidados básicos de saúde e técnicas/procedimentos de enfermagem.

SETE ANOS DE FACULDADE

Os médicos soviéticos, ao contrário, levavam pelo menos 10 anos de colégio mais 7 anos de faculdade com carga horária total pelo menos duas vezes maior (estudavam todos os sábados). Apesar do tamanho valor de formação, seus salários eram ridículos, pois o regime socialista os considerava “servos do povo”.

O sistema cubano de ensino médico reproduziu, a partir do encampamento da Revolução Cubana pela URSS em 1961, esse sistema de formação em saúde. Os médicos cubanos, de verdade, ficam lá em Cuba, em sua maioria. O que Cuba “fabrica” aos milhares, todos os anos, com projetos como a ELAM e demais faculdades, em cursos de 4 anos, não são nada além da versão cubana dos “feldsher” soviéticos. São paramédicos treinados para atuar em linha de guerra, campos remotos e áreas desprovidas em geral.

A diferença é que Cuba “chama” esses feldsher de “médicos”, inflando artificialmente a sua população de médicos. Com essa jogada, Cuba possui um dos maiores índices de médicos por habitante do planeta. E isso permitiu outra coisa ao regime cubano: Usar esses feldsher como agentes de propaganda de sua revolução e seus interesses não apenas dentro, mas fora de seu território.

Ao longo de décadas o regime cubano vem fazendo uso do empréstimo de mão-de-obra técnica, paramédica, porém “vendida” como médica, para centenas de países a um custo bilionário que fica todo com o regime cubano. Literalmente, como na URSS, os feldsher são “servos do povo” (no caso, leia-se “povo” como Partido Comunista de Cuba).

PROJETO ABSURDO

Recentemente a presidente Dilma lançou um demagógico e absurdo projeto de “resgate da saúde” do povo brasileiro às custas apenas da presença de “médicos” em locais desprovidos do mesmo, aliás, por culpa do próprio governo.

Ao invés de pegar os médicos nacionais, recém-formados ou interessados, e criar uma carreira pública no SUS e solidificar a presença do médico nesses povoados, ela resolveu importar feldsher cubanos a um preço caríssimo, travestidos de médicos, ao que seu marketing chamou de “Mais Médicos”. Diante da recusa inicial, simulou-se uma seleção de nacionais, dificultada ao extremo pelo governo, para depois chamar os feldsher.

O objetivo aqui é claro: O alinhamento ideológico entre os regimes, o uso de “servos do povo” para fazer propaganda do governo, encher o bolso dos amigos cubanos de dinheiro e evitar a criação de uma carreira pública que poderia ser crítica e demandadora de recursos. Como não podiam se assumir como fedlsher, jogaram um jaleco, os chamaram de médicos e os colocaram para atuar como médicos de verdade.

Por isso as cubanadas não param de crescer. Por isso os erros bizarros, os pânicos diante de pacientes sintomáticos. Os cubanos não são médicos, são feldsher – agentes políticos com treinamento prático em saúde – que vieram ao Brasil cumprir uma agenda política e, segundo alguns, eventualmente até mesmo militar.

São paramédicos. Isso explica as “cubanadas”. Se houvesse decência no Ministério da Saúde, ele retiraria o termo “médico” desse programa, e seria mais honesto. Mas honesto não ganha eleição nesse país.”

Francisco Cardoso é médico perito previdenciário (artigo enviado por Jorge Béja)

 

Caro Paulo Francis, você tinha que estar aqui para ver isso

Geraldo Samor
Veja

No final de sua vida, o jornalista Paulo Francis foi atormentado por um processo judicial. Francis havia dito no programa “Manhattan Connection” que “os diretores da Petrobras todos têm conta na Suíça”. O então presidente da Petrobras, Joel Rennó, resolveu mover-lhe um processo nos EUA, usando, claro, advogados pagos pela empresa. E como tudo na Petrobras sempre tendeu ao superfaturamento, a estatal pediu logo 100 milhões de dólares de indenização, um dinheiro que Francis nunca teve nem jamais teria.

Atordoado pelo ‘assédio jurídico’, Francis perdeu o sono e, coincidência ou não, acabou tendo um ataque cardíaco que o matou em fevereiro de 1997.

Há vasta literatura contra e a favor da tese de que o processo foi o fator determinante para sua morte, mas pelo menos uma coisa já pode ser pacificada: as descobertas da operação Lava Jato e os mandados de prisão executados nesta sexta-feira mostram que Francis pôs o dedo na ferida certa.

De lá pra cá, a corrupção na Petrobras passou de endêmica a epidêmica, mas a empresa continua vivendo das boas graças do contribuinte brasileiro – não se esqueça, é o “orgulho nacional” – enquanto é usada para servir a interesses políticos e particulares.

Paulo Francis não está vivo para ver as entranhas da Petrobras expostas à sociedade, mas a sociedade já deveria estar madura o suficiente para discutir se as empresas estatais deveriam ser as vacas sagradas que ainda são – enquanto o contribuinte é a vaquinha de presépio da maior estatal de todas, a Roubobrás.

Com agradecimentos à GNT, a coluna dá a palavra a Paulo Francis, in memoriam.

https://www.youtube.com/watch?v=BtJgGDsS-0c

(artigo enviado por Guilherme Almeida)

Governo adia posse de ministros e atrasa medidas econômicas

Natuza Nery e Andréia Sadi
Folha

O adiamento da posse dos futuros ministros da área econômica também suspendeu o anúncio de novas medidas econômicas previstas para serem apresentadas na quinta-feira.

Segundo a Folha apurou, a nova equipe econômica não teve tempo de analisar com profundidade o teor de todas as propostas, por isso o cancelamento da posse esperada para ocorrer já na sexta-feira.

Algumas das ações foram consideradas “insuficientes” por auxiliares presidenciais para, de um lado, promover a redução do gasto público e, de outro, ajudar a impulsionar o tímido crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no ano que vem.

EQUIPE ECONÔMICA

O futuro time de Dilma Rousseff é composto por Joaquim Levy (Fazenda); Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini, que permanece no Banco Central.

Conforme funcionários do governo, algumas das ações requerem o envio de projetos para o Congresso e, por essa razão, exigem cuidado e tempo para acertar qual o melhor instrumento, se projeto de lei ou medida provisória.

Ao adiar a posse do novo time econômico por dificuldades de tirar as medidas do forno, a presidente da República inovou: terá, no curto prazo, comando duplo na Fazenda e no Planejamento.

MEDIDAS

Na terça-feira (25), um pacote de medidas para reequilibrar as contas públicas, fechado por Guido Mantega, foi entregue à presidente Dilma Rousseff. Entre elas está a volta da cobrança da Cide (contribuição para regular o preço dos combustíveis).

Segundo a Folha apurou, a decisão final será tomada em reunião da presidente com a nova equipe econômica. Nesta terça, ela recebeu no Planalto o futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Na reunião, da qual participaram Alexandre Tombini – que será mantido no cargo como presidente do BC– e Aloizio Mercadante (Casa Civil), foram discutidas as novas medidas e a futura equipe econômica.

MEDIDAS

Reportagem da Folha publicada no sábado (22) informou que a presidente Dilma Rousseff havia encarregado sua nova equipe econômica de divulgar, no dia em que fosse anunciada oficialmente, um conjunto de medidas para garantir “a sustentabilidade fiscal” do governo e atrair investimentos para retomar o crescimento da economia.

Um assessor presidencial disse à Folha que os novos ministros deveriam propor ajustes de efeito imediato e ações de médio e longo prazos para garantir “confiança e sustentabilidade” ao país.

A ideia, na área fiscal, é fazer um ajuste “gradual e consistente” das contas públicas nos próximos anos, buscando ao mesmo tempo retomar a política de economia de gastos para pagar a dívida pública (superavit primário) e evitar um cenário de recessão econômica no país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A matéria comete um equívoco. A razão do adiamento da posse foi a derrota do governo no Congresso, pois a base aliada não conseguiu quorum para aprovar a alteração da meta fiscal, para maquiar as contas federais. Só isso. (C.N.)

O caráter social da poesia de Castro Alves

O poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), símbolo da nossa literatura abolicionista, motivo pelo qual é conhecido como “Poeta dos Escravos”. No poema “Saudações a Palmares”, Castro Alves reafirma o caráter social da sua poesia e revive lembranças dos tempos de colégio.
SAUDAÇÃO A PALMARES
Castro Alves

Nos altos cerros erguido
Ninho d’águias atrevido,
Salve – País do bandido!
Salve – Pátria do jaguar!
Verde serra onde os palmares
– Como indianos cocares –
No azul dos colúmbios ares
Desfraldam-se em mole arfar!…

Salve! Região dos valentes
Onde os ecos estridentes
Mandam aos plainos trementes
Os gritos do caçador!
E ao longe os latidos soam…
E as trompas de caça atroam…
E os corvos negros revoam
Sobre o campo abrasador!…

Palmares! a ti meu grito!
A ti, barca de granito,
Que no soçobro infinito
Abriste a vela ao trovão.
E provocaste a rajada,
Solta a flâmula agitada
Aos uivos da marujada
Nas ondas da escravidão!

De bravos soberbo estádio,
Das liberdades paládio,
Pegaste o punho do gládio,
E olhaste rindo p’ra o val:
“Descei de cada horizonte…
Senhores! Eis-me de fronte!”
E riste… O riso de um monte!
E a ironia… de um chacal!…

Cantem Eunucos devassos
Dos reis os marmóreos paços;
E beijem os férreos laços,
Que não ousam sacudir…
Eu canto a beleza tua,
Caçadora seminua!…
Em cuja perna flutua
Ruiva a pele de um tapir.

Crioula! o teu seio escuro
Nunca deste ao beijo impuro!
Luzídio, firme, duro,
Guardaste p’ra um nobre amor.
Negra Diana selvagem,
Que escutas sob a ramagem
As vozes – que traz a aragem
Do teu rijo caçador!…

Salve Amazona guerreira!
Que nas rosas da clareira,
– Aos urros da cachoeira –
Sabes bater e lutar…
Salve! – nos cerros erguido –
Ninho, onde em sono atrevido,
Dorme o condor… e o bandido!…
A liberdade… e o jaguar!

           
(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Os cães de Alfenas e as crianças abandonadas

Mauro Santayana
(Hoje em Dia)
A Câmara Municipal de Alfenas, em Minas Gerais, aprovou lei que prevê o desconto de impostos municipais, como o IPTU, para pessoas que se dispuserem a adotar cães. E por que não fazer o mesmo – de preferência – com quem adotar uma criança ou idoso em situação de abandono? Muitos dirão que a culpa da miséria, no Brasil, é dos pobres, que fazem filhos demais. Se esquecendo, ou fingindo ignorar,  que  a nossa curva demográfica, já é, há anos, descendente,  e que a população brasileira tende a diminuir e envelhecer aceleradamente.
Um quadro que tornará difícil, se nada for feito,  substituir nossa força de trabalho nos próximos anos, deixando o país sem recursos para fazer frente, no futuro, ao aumento das despesas da Previdência Social e do número de aposentados.
O que dá origem ao crescimento do número de bebês e crianças em situação de abandono, hoje, é a falta de informação, a gravidez precoce e as drogas e a violência, com grande número de pais jovens  presos ou assassinados.
PATRIMÔNIO HUMANO
Cada criança que se encontra em um abrigo ou orfanato e que ali cresce sem uma família, é parte do patrimônio humano brasileiro. Mas a maioria sai dessas instituições, ao completar 18 anos, sem preparo, orientação ou trabalho, e vai engordar a fila dos moradores de rua ou da marginalidade.
Orientadas, treinadas, educadas, elas poderiam dar inestimável contribuição à nossa sociedade, caso houvesse estímulo  não para a adoção de cachorros, mas de pequenos brasileiros.
O que precisamos não é incentivar a adoção de cães, mas taxar rigorosamente a sua propriedade, e monitorá-los por meio de “chips”, punindo com pesadas multas quem os abandone. Se considerarmos o número de crianças que não são adotadas por causa da sua idade ou da cor de sua pele, a lei de Alfenas soa como um escárnio. Ou um insulto.
Um escárnio a todos os seres humanos, e  especialmente às crianças que se encontram ameaçadas pela fome, sede e doenças – como o ebola – em vários países do mundo.
Um insulto ao bom-senso, à lógica, à inteligência, quando se lembra que – com menos do que se gasta apenas de ração com um cachorro – é possível, por meio de instituições confiáveis, como os Médicos Sem Fronteiras, assegurar água potável e comida, por 30 dias, para uma criança, como os milhares de órfãos refugiados de guerras estéreis e injustas como as da Síria e da Líbia.
BICHO HOMEM
Com todos os eventuais defeitos que possamos ter, como indivíduos, os cães que nos desculpem, mas a prioridade maior de qualquer homem, mulher ou criança, deveria ser  com sua própria espécie – com a prática da solidariedade – na promoção da dignidade humana.
Se isso nos fosse ensinado nas escolas, e incentivado em nossa atitude e comportamento – inclusive com a isenção de impostos e outros benefícios – haveria menos estupidez, violência e egoísmo. E o mundo seria, certamente, outro.

Empreiteiras também superfaturam outras obras do governo

Fábio Fabrini
O Estado de S. Paulo

Levantamento realizado pelo ‘Estado’ em auditorias do Tribunal de Contas da União mostra que empresas envolvidas no escândalo da Petrobrás também são suspeitas de promover superfaturamento de preços em outros empreendimentos do governo federal.

As empreiteiras suspeitas de integrar o esquema de corrupção na Petrobrás ganharam de outros órgãos e empresas federais obras com valores que podem ter sido inflados em ao menos R$ 1,1 bilhão, segundo relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) analisados pelo Estado. De acordo com auditorias abertas a partir de 2003, o chamado “clube vip” de empreiteiros teve contratos superfaturados em 20 grandes empreendimentos, como a construção de ferrovias, rodovias, aeroportos e canais da Transposição do Rio São Francisco.

As auditorias e relatórios técnicos ainda não chegaram a render conclusões do TCU. Isso porque, na maioria dos casos, as empreiteiras contestam, por meio de recursos, os critérios usados pelo tribunal.

SOBREPREÇO

De acordo com os técnicos do TCU, tanto na Petrobrás quanto em obras de outras áreas do governo, o sobrepreço em planilhas de materiais e serviços é a principal fonte de prejuízos nos empreendimentos tocados pelas construtoras, que tiveram parte de executivos presa na sétima fase da Operação Lava Jato, batizada de Juízo Final e deflagrada no dia 14. Na estatal petrolífera, o “clube” dos empreiteiros obteve contratos de R$ 59 bilhões. Segundo o TCU, as irregularidades detectadas em empreendimentos da Petrobrás somam R$ 3 bilhões.

Aumento salarial das autoridades vai custar R$ 1 bilhão/ano

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Ranier Bragon
Folha

Apesar do esvaziamento do Congresso desde o início do período eleitoral deste ano, avançaram na Câmara nesta quarta-feira (26) as negociações para reajustar o salário da presidente Dilma Rousseff, do seu vice, Michel Temer, dos ministros, dos 594 congressistas e da cúpula do Judiciário e do Ministério Público.

O impacto previsto aos cofres públicos irá superar o valor de R$ 1 bilhão ao ano, e terá efeito cascata no país inteiro.

Pela manhã, a Comissão de Finanças e Tributação aprovou os projetos que elevam o salário dos ministros do Supremo, cujo contracheque representa o teto do funcionalismo público.

A cúpula do Judiciário e do Ministério Público já havia conseguido um reajuste de 15% em 2012, escalonado entre aquele ano e 2015.

Como há efeito cascata nos escalões inferiores, o impacto do reajuste só no Judiciário e no Ministério Público da União é de R$ 875 milhões ao ano. Os projetos têm que ser votados ainda na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário da Câmara, além do Senado.

DILMA E OS CONGRESSISTAS

Embalados por esses projetos, os congressistas também irão negociar com o Executivo o aumento do salário de Dilma, Temer, dos ministros de Estado e dos 594 integrantes da Câmara e do Senado.

O assunto foi discutido em reunião da Mesa da Câmara na tarde desta quarta. O presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou que irá discutir na semana que vem o assunto com o Executivo, o Senado e os líderes das bancadas partidárias. Mas deixou claro que a intenção é aprovar o reajuste até o final do ano.

Há duas propostas, uma eleva o contracheque de todos de R$ 26,7 mil para R$ 33,7 mil –26% de elevação, o que representa índice aproximado do acumulado da inflação entre o início de 2011, data do último reajuste, e agora.

A outra proposta iguala os contracheques aos que os ministros do STF devem receber –ou seja, R$ 35,9 mil, alta de 34%.

O impacto anual previsto com a proposta mais baixa é de R$ 57 milhões ao ano, mas o valor será muito maior devido ao efeito cascata no salário de assessores, nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais.

Na reunião da Mesa da Câmara foi discutida ainda a possibilidade de aprovação de uma emenda à Constituição para atrelar automaticamente o salários das cúpulas do Congresso e do Executivo ao do Judiciário. A decisão será tomada nas próximas semanas.

Após nove meses pagando a mais, Câmara cortará supersalários

Ranier Bragon
Folha

A Mesa da Câmara dos deputados decidiu nesta quarta-feira (26) cortar a partir de dezembro os supersalários que a Casa paga a cerca de 1.500 servidores ativos e aposentados.

Todos eles recebiam desde março acima do teto do funcionalismo, hoje em R$ 29,4 mil ao mês.

Não haverá devolução dos salários recebidos a mais. Segundo a área técnica da Casa, a economia prevista com a redução dos contracheques é de cerca de R$ 7 milhões ao mês.

O recebimento acima dos R$ 29,4 mil foi vetado pelo Supremo Tribunal Federal, mas a Câmara continuava fazendo o pagamento devido primeiro a uma decisão do ministro Marco Aurélio Mello, que determinou à Casa que ouvisse primeiro a defesa dos servidores antes de reduzir os salários.

Depois, o pagamento continuou a ser feito devido a uma manobra dos servidores que recebeu aval do presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Alves acolheu um recurso apresentado pela Associação dos Consultores Legislativos e de Orçamento da Câmara, que argumentou que a decisão do Supremo ainda não havia sido publicada, o que não permitiria eventuais questionamentos pelos servidores.

Abramo defende um teto para doações eleitorais de empresas

Abramo diz que 30 empresas foram responsáveis por 50% das doações

Mariana Tokarnia
Agência Brasil 

O estabelecimento de um valor máximo para a doação financeira de empresas a campanhas eleitorais foi defendida pelo cientista social Cláudio Abramo, diretor executivo da organização não governamental Transparência Brasil. Na avaliação dele, proibir as doações levaria apenas a uma redução da transparência, uma vez que os valores continuariam a ser arrecadados, mas como caixa 2s.

Abramo foi o primeiro entrevistado da série Corrupção que está sendop exibida esta semana na TV Brasil. A série, com entrevistas ao vivo, é  apresentada no telejornal “Repórter Brasil”, a partir das 21h.

“Já que não se pode alcançar o ideal, que também tem problemas de natureza eleitoral, que traz a proibição do financiamento, vamos tentar o factível: estabelecer um teto acima do qual as empresas não possam doar. E um teto baixo”, defendeu Abramo.

Ele ressaltou que nas eleições de 2014, de acordo com as prestações de contas da segunda parcial, 30 empresas foram responsáveis por 50% das doações às campanhas dos partidos. “Isso dá um poder de fogo absurdo para essas empresas”, disse. “Ao longo dos últimos 13 anos, de 2002 a 2012, houve mais de R$ 600 milhões doados por empresas que estão metidas no caso Petrobras”, acrescentou.

PROIBIÇÃO

O ideal, para Abramo, seria a proibição para esse tipo de doação. Mas reconhece que isso “não deu certo em lugar nenhum. Não acaba com o interesse que existe das empresas em influenciar a política, nem com o interesse dos políticos de suplantar os adversários”. O diretor da Transparência Brasil concluiu que “isso não acontece agora, vem de tempo, tem um mecanismo de permissividade nessas doações eleitorais que vem de muito tempo”.

 

Ações da Petrobras caíram 65% em apenas dois meses

Maria Clara Prates

Correio Braziliense

Queridinha do mercado de ações há seis anos, quando seus papéis bateram a casa dos R$ 51, a Petrobras hoje é sinônimo de dor de cabeça para pequenos investidores que precisam lançar mão dos recursos neste momento. A estatal — que vive a maior crise de sua história com as investigações sobre contratos superfaturados e pagamento de propina — viu suas ações desvalorizarem 50%, em apenas dois meses e, hoje, o valor é de pouco mais de R$ 14. Na sexta-feira passada, fechou a R$ 14,30. Nos últimos cinco anos, o preço médio dos papéis caiu 64,37%.

O empregado do setor privado Roberto Nassau, de 50 anos, conta que apostou na lucratividade do petróleo e, em 2009, quando foi autorizado a aplicar parte de seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em ação da Petrobras, não perdeu tempo. Fez dois investimentos, um de R$ 7 mil e, depois, mais R$ 5 mil. Em contraponto ao baixo rendimento do FGTS,  viu sua aplicação saltar para R$ 100 mil. Mas a crise veio e reduziu tudo a pouco mais de R$ 33 mil. Ainda assim, um ganho em relação ao trabalhador que optou pelo rendimento do fundo. O investimento na estatal chegou a ser recomendado pelo então ministro do Trabalho, Carlos Lupi, como “bom para a Petrobras, para o trabalhador e para o Brasil”.

A queda assustadora do valor das ações da Petrobras, uma das maiores petroleiras do mundo, no entanto, não assustou o analista de sistema Adjutor Pereira Alvim Júnior, 46 anos. Em março deste ano, já com a queda dos papéis da estatal, o analista não pensou duas vezes e aplicou R$ 20 mil. Ele conta que sabia que o resultado do investimento seria de médio e longo prazo e não se preocupa com o aprofundamento da crise. “Acredito que, a partir de 2015, o cenário na Petrobras vai começar a melhorar e vou lucrar com o investimento”, disse.

O Petismo e o Código Internacional de Doenças

Em clima de velório, Graça anunciou a Diretoria anticorrupção

Percival Puggina

Em sessão com clima de anúncio relevante, a presidente da Petrobras Graça Forster montou no cavalo encilhado dos escândalos e assumiu seu lugar à mesa dos trabalhos com fisionomia de atendente de UTI de Pronto Socorro, em final de turno, numa segunda de Carnaval.

Do cabelo à ponta do nariz, tudo que podia desabar tinha desabado. Afinal, as horas antecedentes não haviam sido moleza. Todos os grandes senhores das empreiteiras nacionais, que eram recebidos com tapete vermelho nos gabinetes da empresa, estavam dormindo no chão do xadrez. Delações premiadas espocavam de toda parte e lembravam extrações da Loteria Federal. Às avessas. Milhões regurgitavam de todos os cantos.

Os sólidos muros da impunidade tombavam pelo simples fato de que ainda há juízes em Curitiba e lá está o celebérrimo magistrado federal Sérgio Moro, a quem a capital paranaense já deve uma estátua no meio da Praça Carlos Gomes.

A presidente da empresa iria anunciar providências. Eram necessárias. Dois dias antes, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, chamado às falas, mostrou porque o antipetismo é tão indispensável ao país. Estas investigações, havia dito ele,  não podem ser vistas “como o 3º turno da eleição presidencial”. Chegará o dia em que esse petismo desabrido vai entrar para o CID-10 (Código Internacional das Doenças).

DIRETORIA ANTICORRUPÇÃO 

Voltando à Graça e aos perigos do petismo delirante. Qual o anúncio feito por aquela senhora de quem já se disse ser tão competente e familiarizada com a empresa que conhece como ninguém? Ela anunciou a criação de uma diretoria para fiscalizar as diretorias. Não é genial? É algo assim como uma presidência para fiscalizar a presidência. Pelo que se sabe, ninguém ainda foi cogitado e, principalmente, claro, não há partidos interessados.

 

Levy vai herdar um rombo de R$ 100 bilhões no Orçamento

http://imguol.com/blogs/58/files/2014/11/PaixaoLevy.jpg

Gustavo Patu
Folha

A nova equipe econômica do governo Dilma Rousseff terá como primeiro desafio equacionar um rombo no Orçamento de 2015 que, a partir das mais recentes estimativas oficiais, ronda a casa dos R$ 100 bilhões.

Equivalente a quatro anos de Bolsa Família, o montante resulta de receitas potencialmente superestimadas pelo Executivo e pelo Congresso no projeto orçamentário para o próximo ano.

A previsão de arrecadação terá de ser revista para baixo, o que forçará cortes de despesas ou uma meta fiscal mais realista –ou, dadas as dimensões da revisão necessária, uma combinação das duas providências.

Tradicionalmente, a receita do ano seguinte é calculada a partir da estimativa da receita do ano corrente, além da inflação e do crescimento econômico esperados.

Na sexta-feira (21), a área econômica admitiu, na prática, que as expectativas para 2014 estavam exageradas: a projeção para o ano foi reduzida em R$ 38,4 bilhões, para R$ 1,046 trilhão, já descontadas as transferências para Estados e municípios.

Numa conta simples, considerando uma inflação de 6,5% e a expansão econômica de 0,8% projetada pelos analistas de mercado, a receita do próximo ano chegaria a algo como R$ 1,123 trilhão.

RECEITA SUPERESTIMADA

O projeto de Orçamento, porém, conta com R$ 1,217 trilhão –e, para acomodar despesas de interesse de deputados e senadores, o Congresso já recalculou o montante para R$ 1,236 trilhão.

É evidente que os cálculos são sujeitos a imprecisões, assim como as hipóteses para o comportamento dos preços e da economia.

Mas a discrepância entre os montantes é grande o bastante para inviabilizar a meta fiscal de 2015, que é poupar pelo menos R$ 86 bilhões para o abatimento da dívida pública.

O objetivo é modesto se comparado a resultados dos governos Lula e FHC, mas trata-se de um salto em relação a este ano, quando a poupança deverá ficar próxima ou até abaixo de zero.

No mesmo documento em que reduziu a previsão de receita deste ano, a administração petista já deu os primeiros passos para a revisão do próximo Orçamento.

A expectativa de crescimento econômico do ano que vem caiu de 3% para ainda otimistas 2%.

CREDIBILIDADE

Ao buscar nomes de perfil mais ortodoxo para sua equipe, o governo Dilma indica que pretende recuperar a credibilidade da política fiscal, que desde 2012 descumpre as metas prometidas –ou cumpre à base de manobras contábeis e brechas legais.

A superestimação do crescimento da economia e da arrecadação tem sido usual nesse período, assim como a subestimação de despesas obrigatórias. No projeto de Orçamento de 2015 também há gastos que podem ser revistos para cima.

Segundo estudo elaborado pela consultoria orçamentária da Câmara dos Deputados, isso deve acontecer nos benefícios previdenciários, no seguro-desemprego e no abono salarial.

A previsão de desembolso com esses programas neste ano foi elevada em R$ 16,8 bilhões sexta-feira. Logo, as projeções para 2015 foram feitas a partir de uma base subestimada. Nesse caso, o corte de outras despesas, como investimentos em infraestrutura, terão de ser ampliados.

Parem de relativizar o escândalo da Petrobras

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/files/2014/04/a-charge-01.jpgGuy Franco
Yahoo
Estou decepcionado com amigos e conhecidos que tentam justificar a roubalheira na Petrobras. Dizem que essa é a tal cultura brasileira, que a culpa é do sistema, ou que o roubo vem da época da Ditadura Militar; sempre tentando tirar a responsabilidade do governo atual, no poder há 12 anos. Digam o que quiserem, mas digam bem longe de mim. O crescente roubo, que dirão sistêmico, não pode ser relativizado.

O pior é que afirmações como “nunca se roubou tão pouco” ou “mas todo mundo rouba” estão pegando. O melhor, vi na Globonews, é dizer, ao vivo e em plena luz do dia, que a culpa é do sistema. É o truque safado usado para amenizar o roubo – banaliza-se o crime até que os indignados se tornem o motivo de piada.

A indignação, o desejo de punição, de justiça, é o que se espera diante de um escândalo em que foi desviado um valor maior do que o PIB de 100 países. E daí que a roubalheira não é nova? Em que isso muda a roubalheira e a má gestão atual?

Outro truque sujo que mobilizou o público incauto: “Mas nesse governo pelo menos se investiga”. Não, não investiga. Negaram até o fim o envolvimento no escândalo. Foram os bandidos, usando o recurso da delação premiada, que trouxeram os nomes de agentes do PT e seus capangas.

“APENAS MAIS UM”

Ao chamar o escândalo de “apenas mais um” abre-se o caminho para novos crimes. Relativizar um roubo como esse, ou qualquer outro tipo de roubo, é muito perigoso. E aquele que relativiza um roubo deliberadamente deixa evidente a falha de caráter que tem. Reflexo, talvez, da inversão moral desses tempos que, em nome do partido, vale tudo, até vender a irmã no eBay.

Exagero? Não acho. Olha este argumento: “Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?”

Pela filosofia de Ricardo Semler, nascer brasileiro é condição suficiente para ser pilantra neste país. Não senhor. Fale por você e pelos seus. Eu não faço o jogo sujo.

Qualquer explicação que responsabiliza todos, não responsabiliza mais ninguém; é, portanto, uma explicação falsa ou pilantra. Principalmente se a explicação não considera a existência de um indivíduo. Para corromper um sistema, primeiro se corrompe o indivíduo. Se não consegue responsabilizar ninguém, ou se responsabiliza algo vago como o sistema, é porque não sabe do que está falando.

PROGRAMADOS POR DNA

Para essa gente o indivíduo não passa de um ser imaginário; afinal, somos todos programados pelo DNA, ou por algoritmos, ou pelo meio social, ou pelas novelas, mas nunca por nós mesmos. A eles não interessa saber o que é um indivíduo, ou seja, o que estaria para além dos jargões de Zorra Total que saem da boca dos brasileiros.

No país onde mais se mata no mundo, com os maiores escândalos de corrupção e com um bandido à espreita em cada esquina, onde todos já tiveram um celular roubado, é difícil não desanimar. De governos e de partidos políticos eu nunca esperei nada, mas quando até pessoas próximas começam a relativizar os crimes, a sensação parece algo pior do que a costumeira.

Dilma vai a reunião do PT defender nova equipe econômica

Kennedy Alencar
IG Brasília

A presidente Dilma Rousseff decidiu participar da reunião do PT nesta sexta e sábado, em Fortaleza, para defender a nova equipe econômica. Também sinalizará que dialogará mais com o partido no segundo mandato.

A atitude de Dilma é evidência de disposição de realizar uma inflexão na forma de governar depois do aperto que sofreu para ser reeleita. A presidente vai deixar claro que será feito um ajuste fiscal gradual, acalmando o seu partido.

Ou seja, virão medidas duras, mas num grau menor do que o imaginado pelo petismo. Setores da legenda têm medo de que a escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda derrube a economia ainda mais.

Dilma debaterá com o Diretório Nacional do PT, instância regular máxima do partido, para evitar fogo amigo contra a nova equipe econômica.

Também deverá dar um recado ao PT: será preciso ceder espaço a aliados na reforma ministerial do segundo mandato. Além de problemas na economia, as revelações da Operação Lava Jato exigem, na visão da presidente, maior proteção política, o que passa por melhor relação com partidos aliados nos ministérios e no Congresso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Se Dilma participar na sexta-feira, vai se aborrecer tanto que não estará presente no sábado. O prestígio dela no partido é nenhum, os petistas apenas a toleram, porque não querem perder os cargos em comissão e as regalias do poder. Se não for vaiada, deve dar graças a Deus, digo, graças ao Lula, que se sente uma espécie de todo-poderoso. (C.N.)

Fim de papo: Empreiteiras confirmam os pagamentos a Youssef

Deu na Folha

Três empreiteiras do cartel que atuava nas obras da Petrobras confirmaram à CPI mista terem feito repasses a empresas ligadas ao doleiro Alberto Youssef e a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal. Nenhuma delas admite nos documentos enviados à comissão que os valores são referentes a pagamento de propina.

A Galvão Engenharia informa ter repassado R$ 5,1 milhões à MO Consultoria, empresa de fachada controlada por Youssef, segundo a Polícia Federal. O montante foi dividido em 12 depósitos, de valores distintos, feitos entre agosto de 2008 e outubro de 2011.
A empreiteira não esclarece quais os serviços prestados pela MO. Justifica que tais informações foram prestadas pelo executivo da empresa, Erton Medeiros Fonseca, em depoimento à Polícia Federal do Paraná. À PF, porém, Erton já admitiu ter pago propina a Paulo Roberto Costa e a Youssef.
A Camargo Corrêa comunicou à CPI 21 transferências no valor total de R$ 3 milhões à Costa Global Consultoria, de Paulo Roberto Costa. Os pagamentos ocorreram de outubro de 2012 a dezembro do ano passado.Sob justificativa de que a investigação corre sob sigilo na Justiça Federal do Paraná, a Camargo não detalhou os termos do contrato com a Costa Global.

A Engevix fez negócios com três empresas ligadas a Alberto Youssef: MO Consultoria; Empreiteira Rigidez; e GFD Empreendimentos, conforme documentos entregues à CPI.

Como líder do consórcio Rnest, responsável por obras na refinaria Abreu e Lima, a Engevix firmou contrato de R$ 5,7 milhões com a MO Consultoria, em 2009, e de R$ 2,1 milhões com a GFD, em janeiro deste ano.

De acordo com a Engevix, o serviço era prestado por Alberto Youssef e “devidamente formalizado por contrato de prestação de serviços com empresas por ele indicadas”.

As consultorias, segundo a Engevix, miravam “elaboração da estratégia organizacional, recomendações sobre como encaminhar demandas e formular propostas ao cliente (…), sugestões acerca de como encaminhar as inúmeras exigências e demandas vindas da Petrobras”.

Youssef é acusado de cobrar propina em conjunto com Paulo Roberto Costa, que ocupava a diretoria de Abastecimento da Petrobras. Já como líder de outro consórcio, o Integradora URC, a Engevix contratou a Rigidez por R$ 4,8 milhões, em outubro de 2009.

As informações referentes a esses e outros pagamentos foram requisitadas pelos parlamentares da CPI a empresas suspeitas de participar do esquema de corrupção na estatal.

Valor de mercado da Petrobras já caiu R$ 200 bilhões

Deu no G1

A Petrobras foi a empresa que mais perdeu valor de mercado no governo de Dilma Rousseff. Em 31 de dezembro de 2010, a companhia tinha valor de mercado de R$ 380,2 bilhões, caindo para R$ 179,5 bilhões no dia 24 de novembro de 2014 – encolhimento de R$ 200,6 bilhões. A segunda empresa com maior queda é a Vale, de R$ 159,3 bilhões. A OGX Petróleo, criada por Eike Batista, perdeu R$ 64,3 bilhões. Os setores de petróleo & gás e siderurgia & metalurgia são os que mais têm empresas com registros de perdas, com três empresas cada um. O setor bancário tem dois representantes. O levantamento é da consultoria Economatica.

Entre as empresas que mais ganharam valor de mercado no período do governo Dilma estão AmBev e Bradesco, com crescimento de R$ 120,4 bilhões e R$ 55 bilhões, respectivamente. Entre elas estão três empresas do setor de alimentos & bebidas, três do setor de telecomunicações e dois do setor bancário. Veja as listas das empresas abaixo.

Veja as 15 empresas que mais ganharam valor de mercado:
Ambev
Bradesco
Cielo
ItaúUnibanco
BRF-SA
Telefônica Brasil
Kroton
JBS
Ultrapar
Tim
Weg
CCR
Pão de Açúcar
Embratel
Embraer

Veja as 15 empresas que mais perderam valor de mercado:
Petrobras
Vale
OGX Petróleo
Santander
Companhia Siderúrgica Nacional
Eletrobras
Usiminas
Gerdau
Bradespar
PDG Realt
Banco do Brasil
HRT Petróleo
BM&F Bovespa
ALL
Natura

Algo mudou: agora os suspeitos até se oferecem para depor

João Valadares
Correio Braziliense

O dono da LFSN Consultoria Engenharia S/S Ltda, Shinko Nakandakari, que, segundo a Galvão Engenharia, era o emissário da Diretoria de Serviços da Petrobras e teria recebido R$ 8,86 milhões de propina paga pela empreiteira, se colocou à disposição da Justiça Federal para prestar esclarecimentos.
Em petição encaminhada ao juiz federal Sergio Moro, nesta terça-feira (25/11), Shinko solicita cópia integral dos autos da investigação, sobretudo, do depoimento prestado por pelo diretor-presidente da Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca. Ele informou à Justiça o seu endereço residencial para que possa ser intimado.
ACUSAÇÃO É SUBORNOA construtora Galvão Engenharia S/A, uma das investigadas pela Operação Lava-Jato por integrar o esquema bilionário de corrupção entranhado na Petrobras, apresentou à Justiça Federal, comprovantes do pagamento de suposta propina no valor de R$ 8,86 milhões. A defesa de Erton Medeiros Fonseca, diretor da empreiteira, alegou que o suborno, pago em 20 parcelas entre novembro de 2010 e junho deste ano, foi direcionado a Shinko Nakandakari, “pessoa que se apresentou como emissário da Diretoria de Serviços da Petrobras na presença de Pedro Barusco”.

Até 2012, a diretoria em questão era comandada por Renato Duque, um dos presos da Lava-Jato. Barusco exercia o cargo de gerente de Engenharia, subordinado a Duque.Os advogados de Erton Medeiros alegaram que a Galvão Engenharia teve que fazer o pagamento para não ter problemas nos contratos firmados com a petrolífera. “A cobrança da vantagem indevida se deu em formato semelhante ao adotado pela Diretoria de Abastecimento, ou seja, com a efetiva ameaça de retaliação das contratações que a Galvão Engenharia S/A tinha com a Petrobras caso não houvesse o pagamento dos valores estipulados de maneira arbitrária, ameaçadora e ilegal.”

Obra do gasoduto até Manaus teve fraudes grotescas

Ambulância foi pela Petrobras alugada por R$ 800 mil

Dimmi Amora
Folha

Superfaturamentos, falsificação de documentos, aditivos fora da lei, alertas emitidos, multas aplicadas, recursos, absolvição e, no final das contas, ninguém punido. A construção do Gasoduto Urucu-Manaus, iniciada em 2006 em empreendimento liderado pela OAS, foi a primeira grande obra da Petrobras a seguir o roteiro de frouxidão no controle que resultou nos desvios bilionários agora descobertos na Operação Lava Jato – ela é uma das nove em que é apontado desvio de recursos da estatal.

Entre 2007 e 2008, o TCU (Tribunal de Contas da União) iniciou investigações nas dezenas de contratos de construção do gasoduto de cerca de 400 km que levaria gás da região de Urucu para Manaus, reduzindo assim a dependência de energia da capital amazonense.

Foram apuradas pelo TCU 26 irregularidades graves nos contratos, que ficaram sob a responsabilidade do ex-diretor de serviços da companhia, Renato Duque, preso desde o dia 14. As suspeitas iam de superfaturamento a falsificação de documentos.

ASSINATURAS FALSAS

O aluguel de uma ambulância, por exemplo, saiu por R$ 800 mil. Não deveria custar mais de R$ 54 mil. Para justificar uma dispensa de licitação, apareceram documentos com assinaturas diferentes das mesmas pessoas.

Quando era um projeto, a estimativa era gastar R$ 1,2 bilhão na obra. Na época da apuração dos desvios, os contratos já somavam R$ 2,2 bilhões. O engenheiro da Petrobras Gésio Rangel de Andrade se recusou a assinar os aditivos para aumentar seu valor por considerá-los irregulares e denunciou os que considerava errados para a empresa.

Segundo sua mulher contou à Folha, Andrade acabou punido pela companhia e saiu da obra em 2007. O chefe de Gésio era Renato Duque.

EL0GIOS DOS DEPUTADOS

Em 2007, uma comissão com dez deputados visitou as obras para uma inspeção. Nada encontrou de irregular e o relatório final é só elogios ao empreendimento. Entre os congressistas que participaram da visita na época estava Ciro Nogueira (PP), hoje senador pelo Piauí e presidente de seu partido. O PP é uma das legendas acusados de se beneficiar dos desvios na Petrobras, ao lado do PT e do PMDB.

Mas a obra já está encerrada: atrasou três anos e custou R$ 4,5 bilhões, quase o quádruplo do planejado. E, sabe-se agora, foram pagos pelo menos R$ 15 milhões de propina em troca de contratos obtidos com a estatal.

Câmara vai decidir se continua pagando os supersalários

Julia Chaib
Correio Braziliense

Depois de contrariar uma decisão de outubro, a Câmara dos Deputados deve suspender novamente o pagamento de salários acima do teto constitucional aos servidores. O assunto será levado pelo presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), à reunião da Mesa Diretora esta quarta-feira. No mês passado, a Câmara havia feito o corte nas remunerações superiores a R$ 29, 4 mil. Na última semana, porém, liberou de novo os supersalários, em desacordo a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de outubro, conforme o Correio mostrou no último sábado.

O pagamento dos supersalários com direito ao retroativo (mês em que os servidores deixaram de receber) foi liberado devido a um recurso da Associação dos Consultores Legislativos e de Orçamento da Câmara (Aslegis) apresentado à Casa e acatado por Alves. Um dos argumentos aceitos pelo presidente diz respeito à falta de clareza sobre qual órgão deveria avaliar a questão — se Tribunal de Contas da União (TCU) ou se a própria Câmara.

Depois disso, a Casa recebeu resposta de um questionamento feito ao ministro do STF Marco Aurélio Mello acerca do tema. Ele disse que a decisão deve ser tomada pela Câmara, segundo o diretor-geral da Casa, Sérgio Sampaio. Com isso, a Mesa firmará uma posição definitiva sobre o assunto. No entanto, a análise prévia da questão, concluída em setembro, apontou que os argumentos dos servidores não eram suficientes para manter os supersalários.