Fátima Guedes desenha música com lápis de cor

A cantora e compositora carioca Fátima Guedes, na letra de “Lápis de Cor”, solta a sua imaginação e desenha o local onde gostaria de viver com o seu amor. A música foi gravada por Fátima Guedes no LP Lápis de Cor, 1981, pela EMI-Odeon.
LÁPIS DE COR
Fátima Guedes

Com amor, lápis de cor,
desenhei uma casinha pra gente ir morar,
com fumaça na chaminé
e o sol a brilhar
no canto da página.

Com amor e lápis de cera
desenhei uma mangueira com uns passarinhos.
É difícil traçar bichinhos
sem saber desenhar,
mas eu tentei.

Plantei um jardim caprichado,
um pouco estilizado, diferente.
Pus uma cerca branquinha, embora
cerca nada tenha a ver com a gente

E foi tanto o meu empenho
que o tal do desenho estava lindo
com os pássaros cantando e o sol saindo
do canto da página.  

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Filha de ex-diretor fez negócios suspeitos com a Petrobras

Filha de Paulo Roberto Costa terá de prestar depoimento

Ricardo Brandt e Fausto Macedo
Estadão

Uma das filhas do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, Arianna Bachmann, é suspeita de se beneficiar com “informações privilegiadas” em contratos de venda de móveis para empresas contratadas da estatal.

Dois contratos, que somam mais de R$ 5 milhões, são referentes ao mobiliário comprado em 2009 para as novas unidades do Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes) – inaugurado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010 –, obra alvo da Lava Jato e do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Em um documento apreendido pela Polícia Federal no computador da Costa Global, Arianna recebe orientações de uma mulher que assina “Crica”.

Ela apresenta dados sobre o mobiliário esperado para a unidade. “O teor da mensagem sugere que Crica esteja apontando fragilidades observadas no mobiliário exposto para apreciação, por funcionários da Petrobrás, visando o projeto de ampliação do Cenpes”, registram os analistas da Polícia Federal.

INFORMAÇÕES PRIVILEGIADAS

Crica, segundo a PF, apresenta “itens a serem abordados” no encontro com representantes da estatal, “proporcionando à Arianna o acesso a informações privilegiadas”. A filha do ex-diretor, que também foi alvo da Lava Jato, atuava na época como representante de duas empresas de móveis para escritórios.

“Convém ressaltar que Arianna é representante das empresas” que fecharam contrato, “ambas do ramo de mobiliários para edificações e interessadas no fornecimento de produtos para o projeto”, registra a analise pericial. Eles abriram os arquivos dos computadores da empresa de Costa, no Rio, onde a filha trabalhava com ele.

Segundo a Polícia Federal, “Crica” pode ser Maria Cristina Nogueira de Sá Pikielny, uma das proprietárias da Italma (Multiflex do Brasil Comércio de Móveis), que é representada pela filha do delator da Lava Jato.

São pelo menos cinco arquivos com dados sobre contratos de fornecedoras ou subcontratadas da Petrobrás, a maior em específico para mobília das novas unidades do Cenpe.

INTERMEDIAÇÃO

No material apreendido e analisado, Arianna aparentemente faria o intermédio para venda de móveis para dois consórcios formados por grandes empresas que atuaram nas obras do Cenpe. O Consórcio Citi e o Consórcio Novo Cenpe.

Nele, a Polícia Federal registra que houve adequação dos orçamentos ao contrato. Arianna tem duas empresas em seu nome, a Bachmann Representações e a B & X Consultoria e Assessoria. Seu marido tem ligações diretas com a loja de móveis 021 Móveis Carioca. Ele foi também alvo da Lava Jato.

A família do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás foi incluída no acordo de delação premiada que ele firmou com o Ministério Público Federal. A mulher e as duas filhas de Paulo Roberto Costa também se comprometeram com uma colaboração acessória e individual à investigação em troca do abrandamento das punições.

Juiz libera R$ 4 milhões na conta de executivo da Engevix

Juiz diz que só manterá bloqueados R$ 20 milhões

André Richter
Agência Brasil

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, deve desbloquear R$ 4 milhões, depositados em contas do vice-presidente da Engevix, Gerson Almada, preso pela PF. Em despacho, divulgado hoje, Moro afirmou que vai liberar o excesso das demais contas do investigado, após transferir mais de R$ 20 milhões para uma conta da Justiça Federal.

Na semana passada, o juiz determinou que as contas de 16 investigados fossem bloqueadas. Ontem (25), a defesa do vice-presidente da Engevix, Gerson Almada, alegou que somente em uma conta, no banco BNP Paribas, onde estão depositados mais de R$ 22 milhões, deve continuar bloqueada. Segundo os advogados, o limite determinado foi R$ 20 milhões e como o valor foi alcançado em apenas uma das contas, as outras cinco, com depósitos que somam R$ 4 milhões, devem ser liberadas.

Foram bloqueados R$ 47 milhões nas contas dos investigados. Após rastreamento, a medida foi cumprida parcialmente pela falta de saldo. Todos os valores encontrados foram transferidos para uma conta da Justiça Federal na Caixa Econômica Federal. As contas de Valdir Lima Carreiro, presidente da empresa Iesa, e de Erton Medeiros Fonseca, diretor-presidente da Divisão de Engenharia Industrial da Galvão Engenharia, estão zeradas.

Levy e Barbosa já assumem os ministérios esta semana

mantega-belchior

Mantega e Miriam achavam que iam ficar até o ano novo

Simone Kafruni
Correio Braziliense

Ministro da Fazenda mais longevo da história do país, Guido Mantega deve deixar a pasta nesta semana. Segundo integrantes do governo, ele teria acertado a saída com a presidente Dilma Rousseff. A expectativa é de que o Palácio do Planalto anuncie nesta quinta-feira a nova equipe econômica. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, também deve sair esta semana.

Com isso, Dilma poderá dar posse imediatamente a Joaquim Levy, na Fazenda, e a Nelson Barbosa, no Planejamento. Os dois já estão em Brasília para definir as equipes e as diretrizes da nova política econômica.

Mantega é o ministro mais importante do governo Dilma e teve forte influência na administração da petista ao longo dos últimos quatro anos. Ele se destacou, sobretudo, em 2008, quando, em meio à crise mundial, apresentou ao governo Lula medidas anticíclicas que permitiram ao país sair mais rápido das turbulências internacionais.

O problema é que, no entender dos especialistas, o governo estendeu demais as medidas que privilegiavam o consumo. Esse modelo se mostrou esgotado e criou muitos ruídos nos mercados. Com isso, os investimentos produtivos se retraíram, a inflação subiu e ficou, persistentemente, no teto da meta, e o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu.

SAIU DA RECESSÃO?

A boa notícia para Mantega é que ele poderá se despedir do cargo anunciando que o país saiu da recessão. Pelas estimativas do mercado, o PIB do terceiro trimestre, que será divulgado na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tenha crescido entre 0,1% e 0,2%. Nos dois primeiros trimestres do ano, houve retração de 0,2% e 0,6% respectivamente.

Deputados de Brasília desistem do projeto “impunidade total”

Reação da sociedade civil fez os deputados mudarem de ideia

Deu na Agência Brasil

Os deputados distritais decidiram hoje (25), após reunião de líderes na Câmara Legislativa do Distrito Federal, engavetar dois projetos polêmicos que corriam na casa. Os projetos de resolução não foram oficialmente arquivados, mas não devem ser votados pelos distritais. “Eu, como presidente, tenho a prerrogativa de colocar os projetos em votação, e não colocarei. Os projetos estão engavetados. Há um apelo na sociedade contrário à questão do trânsito em julgado, da proposição 81. A proposição 82 nem chegou a ser votada”, explicou o presidente da Casa,  Wasny de Roure (PT).

Um projeto (nº 81/2014) previa que o deputado que respondesse a um processo na Justiça só seria cassado após a decisão final, quando não houvesse mais possibilidade de recursos judiciais. Outro (nº 82/2014), determina que apenas os partidos políticos com representação na Congresso ou Câmara Legislativa, o corregedor da Casa ou as comissões permanentes poderiam denunciar irregularidades praticadas pelos distritais.

FORTE REAÇÃO

A decisão de não votar os projetos ocorre após forte pressão da sociedade e de entidades do DF. Caso aprovados, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) prometia entrar na Justiça contra os projetos. “Nós entendemos que esses projetos não condizem com o atual anseio da sociedade e não estão conforme a legislação. Ao invés de colaborarem com a evolução da Casa, estariam dando passos para trás, atrapalhando os avanços no sistema democrático na Casa Legislativa”, disse Juliano Costa Couto, secretário-geral da OAB-DF

Para Costa, os projetos dariam impunidade aos parlamentares do DF. “O processo judicial tem seu curso de forma muita demorada, complexa, e o trânsito em julgado de uma ação judicial costuma demorar de cinco a dez anos no Brasil. O mandado parlamentar na Câmara Legislativa tem quatro anos”, disse.

O cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Flávio Testa avalia que esses projetos tendem a preservar o interesse dos parlamentares em detrimento ao interesse da população. “A verdade é que tem vários parlamentares que estão enrolados com a Justiça e eles querem se preservar, ganhar tempo”, afirmou. “A população quer cada vez mais transparência, quer que o jogo político seja levado com clareza e não consegue entender esse tipo de artifício dos parlamentares para se preservar. Por isso que houve uma resistência enorme da população”.

Supremo começa a boicotar o juiz que devassa a Petrobras

http://diariodenoticias.com.br/images/20140911165943_Manchete02.jpg

Zavascki atende a advogado e questiona o juiz

Mario Cesar Carvalho
Folha

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, encaminhou ao juiz Sergio Moro, que julga a Operação Lava Jato, questionamentos que o advogado Fabio Tofic Simantob apresentou à corte sobre políticos citados na investigação.

Para o advogado, que defende Gerson Almada, vice-presidente da Engevix, a PF sabia desde setembro do ano passado que deputados mantinham relações com o doleiro Alberto Youssef, mas o juiz só reconheceu o fato após a operação ter sido deflagrada, em 17 de março deste ano.

Segundo Simantob, a omissão sobre a presença de políticos visa impedir que o caso seja remetido ao Supremo. Deputados federais só podem ser investigados pelo STF porque gozam de foro privilegiado.

Gerson Almada está preso na PF de Curitiba desde o último dia 14 sob acusação de pagar propina para obter contratos na Petrobras.

Os políticos que apareceram na apuração em 2013, segundo o defensor, são os deputados André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SDD-BA). Ele relaciona dois fatos que comprovariam a omissão: a PF cita o número do telefone de Argôlo em relatório de setembro de 2013 e a entrega de R$ 120 mil ao chefe de gabinete do parlamentar também naquele ano.

O advogado diz que o juiz impede réus de citar os nomes de políticos que são acusados de receber propina com o mesmo objetivo: manter o processo sob sua condução.

Procurado pela Folha, Moro não quis se pronunciar.

Em questionamentos similares, ele disse que políticos não são investigados, mas sim o desvio de recursos da Petrobras. Para o juiz, se o dinheiro desviado foi posteriormente usado para pagar propina a políticos, ocorreu um novo crime, de corrupção, que não é objeto das ações que ele julga.

Moro já escreveu que veta réus de citar políticos que são acusados de receber suborno para preservar a autoridade do Supremo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O juiz Sergio Moro está agindo de forma adequada. Começou a investigar a corrupção interna na Petrobras, e até então não havia a menor relação com os políticos. Quando os depoimentos começaram a envolver parlamentares, que têm foro privilegiado e só podem ser julgados no Supremo, o juiz se acautelou e evitou vazamentos, para não inviabilizar as investigações. Deixou a apuração sobre o envolvimento dos políticos para uma segunda etapa. Tudo estava indo muito bem, mas agora parece que o Supremo resolveu atrapalhar.

Acontece que o juiz Sergio Moro sabe o que faz e já enfrentou o ministro Zavascki, que apressadamente mandou libertar o ex-diretor Paulo Roberto Costa, que saiu da prisão rindo para os repórteres. O  juiz mandou prendê-lo de novo e Zavascki se fechou em copas. Agora, voltou à tona. (C.N.)

Prédio da Petrobras em Vitória também foi superfaturado

As vidraças foram importadas da Bélgica

Bruno Dalvi
O Globo

O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF-ES) abriu procedimento para investigar as obras de construção da sede administrativa da Petrobras, em Vitória. Os procuradores vão apurar ainda a atuação das empresas Odebrecht e Camargo Corrêa, integrantes do consórcio que venceu a licitação, e de ex-dirigentes da companhia que atualmente são alvos da Operação Lava-Jato para saber se houve irregularidade nos gastos e enriquecimento ilícito.

A nova sede começou a ser planejada em 2005, quando foi lançado um concurso nacional para a escolha do projeto arquitetônico vencido pelo escritório paulista Sidonio Porto. Na época, a estatal pensava em gastar R$ 90 milhões. Escolhido o projeto e realizada a licitação, vencida pelo consórcio composto pelas empresas Odebretch, Camargo Correa e Hochtief, a obra foi iniciada em 2006 com um orçamento de R$ 486 milhões. A conclusão só aconteceu em 2011, dois anos depois do previsto, ao custou total de R$ 580 milhões, ou seja, 6,4 vezes mais do que o valor inicial previsto pela estatal.

“Após a deflagração da Operação Lava-Jato, os fatos relacionados à referida construção ganham novos contornos. As empresas que formaram o consórcio são, ao menos em parte, empresas que estão sendo investigadas. Também alguns dos ex-dirigentes presos ou investigados foram responsáveis por atos relacionados à obra. Estas circunstâncias, somadas ao valor divulgado da obra, fazem necessária investigação para saber se houve eventual irregularidade nos gastos e/ou enriquecimento ilícito”, conclui o MPF no despacho que determinou a abertura do procedimento.

VIDROS BELGAS NA FACHADA

O projeto previu a compra de 90 mil metros quadrados de vidros de cor verde-esmeralda, tipo Low-E, na Bélgica, para serem usados nas fachadas do prédio, em Vitória, sob a justificativa de que possuem propriedade que ajudam a economizar energia, porque proporcionam baixa absorção de calor e reduzem o uso do ar-condicionado. A compra no exterior custou R$ 12 milhões e se deu, segundo o projeto, porque não foram encontrados produtos similares no Brasil. A versão das indústrias brasileiras é que a estatal tinha, desde o começo, a intenção de comprar o produto belga, pois o edital de licitação já dava como referência o vidro produzido pela Glaverbel, empresa belga que acabou sendo contratada.

Para complementar os vidros belgas, o edital da Petrobras também recomendou a compra de persianas da Itália e da França para a parte interna e externa do prédio. Telas de proteção reforçam o sombreamento em períodos mais críticos porque têm microfuros que arejam o ambiente e garantem ventilação constante.

O DNA da corrupção e a morte de Paulo Francis

Carlos Heitor Cony

Já tivemos a saúva como inimiga preferencial. Ela não acabou com o Brasil, mas fez o que pôde. Policarpo Quaresma e Macunaíma deixaram duas advertências históricas: derrotou o personagem de Lima Barreto que acreditava no Brasil e serviu de mantra para Mário de Andrade lançar seu famoso anátema, “pouca saúde e muita saúva os males do Brasil são”.

A saúva foi para o banco dos reservas (pode entrar em campo a qualquer hora), mas a titular da posição, muito mais maléfica do que a saúva, é a corrupção que faz parte do nosso DNA. Basta consultar jornais, revistas, TVs e internet para identificarmos o micróbio que pode nos levar a um estado terminal.

Falo em DNA porque o vírus já se entranhou no organismo da nação. Para simplificar: se não fossem as propinas ainda estaríamos nus, arco e flecha na mão, esperando as caravelas de Cabral, não o governador, mas o almirante.

Um rápido e incompleto passeio por nossa história acusa sordidamente que JK, para construir Brasília, tornou-se a sétima fortuna do mundo. Do mesmo modo o prefeito Mendes de Morais jogava pôquer todas as noites com os empreiteiros que estavam construindo o Maracanã. O mesmo foi dito do ministro Mario Andreazza, que fez a ponte Rio-Niterói.

Itaipu teria sido uma corrupção binacional, enriqueceu dois ditadores que, por acaso ou não, eram militares no topo da carreira. O morro do Castelo desapareceu da paisagem porque os burros da Limpeza Pública puxavam, dia e noite, as carroças com a terra do desmonte. Foram tais e tantos que formaram a maior concentração de burros no nosso planeta, mesmo excetuando os burros que estão por aí.

O Paulo Francis morreu subitamente porque denunciou repetidas vezes que a alta cúpula da Petrobras superou saúvas e burros.

Empreiteiro relata extorsão em Diretoria da Petrobras

Fonseca pagou 5 milhões

Rubens Valente e Mario Cesar Carvalho
Folha

Um empresário recolheu propina de R$ 5 milhões, paga por uma empreiteira, dizendo-se representante da diretoria de Serviços e Engenharia da Petrobras, à época dirigida por um indicado do PT.

O relato foi feito à Polícia Federal pelo presidente da divisão industrial da Galvão Engenharia, Erton Fonseca. Ele disse ter feito o pagamento a Shinko Nakandari –o sobrenome correto do executivo é Nakandakari.

A Folha apurou que a Galvão tem provas do pagamento, que serão apresentadas à Justiça. A reportagem não conseguiu localizar Shinko.

Segundo o executivo da Galvão, que está preso, Shinko atuava junto com o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que já fez uma delação premiada e prometeu devolver à União US$ 97 milhões obtidos ilegalmente do esquema.

INDICADOS PELO PT

Barusco e Renato Duque foram indicados para a diretoria de Serviços pelo PT, que ficava com 3% dos valores dos contratos dessa área, segundo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Erton Fonseca afirmou à Polícia Federal que Shinko desempenhou, em relação aos contratos da diretoria de Serviços sob a gestão de Duque, um papel semelhante ao do doleiro Alberto Youssef nas obras tocadas pela diretoria de Abastecimento da estatal, então chefiada por Paulo Roberto.

A Folha revelou na última terça-feira (18) que, em depoimento à PF, o empresário da Galvão disse ter pago propina a empresas do doleiro Youssef. No depoimento, ele conta que o montante chegou a R$ 4 milhões. Segundo ele, houve “pressões” do deputado federal José Janene (PP-PR) – morto em 2010 –, de Costa e de Youssef. O dinheiro teria ido para o caixa do PP.

Foi na etapa seguinte do interrogatório que Fonseca reconheceu o segundo pagamento de propina, agora para a diretoria de serviços. Ele contou que foi procurado por Shinko e este lhe disse que deveria pagá-lo para que “conseguisse contratos na Petrobras”.

A Galvão diz ter sido vítima de extorsão: ou pagava suborno ou não obtinha novos contratos com a estatal.

DESVIO EM VIRACOPOS

Shinko Nakandakari, 65, é sócio da Talude Comercial e Construtora Ltda., que se encontra em recuperação judicial. Em 2007, ele e oito funcionários da Infraero foram alvo de uma ação movida por procuradores por irregularidades nas obras de ampliação do aeroporto de Viracopos (SP) entre 2000 e 2002.

O relatório final da CPI do Caos Aéreo, em 2007, afirmou que a Talude recebeu “pagamentos por serviços não realizados, que evidenciam a implantação de um esquema de desvio na Infraero”. A CPI calculou o valor dos desvios na reforma em R$ 3,5 milhões.

 

Petrobras já pagou R$ 16 bilhões por sondas que nem existem

Bruno Rosa e Ramona Ordoñez
O Globo

A Sete Brasil já pagou aos cinco estaleiros que construirão as 29 sondas de exploração do pré-sal US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 16,2 bilhões), aproximadamente 30% dos US$ 22,2 bilhões (R$ 55,5 bilhões) contratados, segundo o balanço financeiro da empresa. Do volume de recursos liberados, disse uma fonte do setor, a empresa já começou a pagar por sondas que sequer tiveram suas obras iniciadas. Só cinco estão em construção. A previsão é que a última seja entregue em 2019.

Sem obter até agora a primeira parcela do financiamento do BNDES, de R$ 10 bilhões, a Sete Brasil deve concluir a primeira sonda no início do segundo semestre de 2015 no estaleiro Jurong Aracruz, no Espírito Santo, ainda em obras.

A Sete Brasil nasceu em dezembro de 2010 para viabilizar a construção das sondas do pré-sal no Brasil com estaleiros nacionais. Entre os acionistas, estão a Petrobras, com 9,75% das ações, os bancos Bradesco, Santander, BTG Pactual e os fundos de pensão Petros, Previ Funcef. A Sete Brasil será a dona das sondas, que serão afretadas para a Petrobras.

Segundo uma fonte, a Sete Brasil foi desenhada a partir de 2008 na Diretoria de Engenharia da Petrobras, chefiada na época por Renato Duque, preso na Operação Lava-Jato. Duque teria indicado Pedro Barusco para uma diretoria na Sete Brasil. Barusco, ex-gerente da estatal e também investigado na Lava-Jato, admitiu ter enviado para o exterior dinheiro fruto de propina em obras da Petrobras.

Na época em que a Sete Brasil surgiu, sabia-se que o pacote das sondas não poderia ficar dentro da estatal, que já apresentava alto nível de endividamento.

PREÇO: 217 BILHÕES

Segundo um documento da Sete Brasil, ao qual O Globo teve acesso, a empresa tem contrato com a Petrobras para afretar 28 sondas por até 20 anos a um custo de US$ 87 bilhões (R$ 217 bilhões).

Segundo essa fonte, como a Sete Brasil já gastou um terço do investimento previsto com dois estaleiros em construção (Jurong e o Enseada Indústria Naval, na Bahia) e outros dois em expansão (Atlântico Sul, em Pernambuco, e o Rio Grande, no Sul), há o risco de a companhia precisar de mais recursos antes de entregar as últimas sondas, forçando a uma renegociação dos contratos com a Petrobras. Dos cinco estaleiros contratados, só o Brasfels, de Angra dos Reis, não passa por reformas.

A Sete Brasil abriu auditoria interna nos seus contratos com os estaleiros, após a notícia de que Barusco está ligado ao esquema de corrupção na Petrobras alvo da Lava-Jato.

— A questão é que a Sete Brasil firmou com os estaleiros um contrato que prevê uma grande antecipação de recursos financeiros em relação às obras físicas. Há risco real de que faltem recursos para concluir as últimas sondas dos estaleiros, o que pode acarretar em aditivos. Ou seja, a Sete Brasil terá de renegociar o contrato de afretamento com a Petrobras — disse uma fonte, frisando que os acionistas da Sete Brasil rechaçam a possibilidade de aportar mais recursos.

EMPREITEIRAS

O Atlântico Sul, que tem entre os sócios Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, empresas que tiveram executivos presos na Lava-Jato, fechou contrato para construir sete sondas. Apesar de a primeira estar prevista para ser entregue em fevereiro de 2016 e a última em julho de 2019, o estaleiro já recebeu US$ 1,692 bilhão de US$ 4,637 bilhões — 36% do total.

O Enseada da Indústria Naval tem entre os sócios Odebrecht, OAS e UTC — também investigadas na Lava-Jato. Com a primeira sonda para ser entregue em julho de 2016, o estaleiro já recebeu US$ 1,055 bilhão, 22% dos US$ 4,791 bilhões. O Jurong, também em construção, com seis sondas, recebeu US$ 1,338 bilhão, ou 28,14% dos US$ 4,754 bilhões.

Em relação a esses pagamentos, a Sete Brasil disse que a parcela adicional de antecipação aos estaleiros “foi prevista como forma de atrair novos players, ainda sem estaleiro estruturado (em construção)”. A empresa ressaltou que o “calendário de pagamento em vigor para os contratos de Engenharia, Suprimento e Construção das sondas segue as boas práticas, a nível mundial”.

PT contrata pesquisa para tentar entender o antipetismo

Assustado com os altos índices de rejeição a candidatos do partido nas eleições deste ano, especialmente em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o PT encomendou uma ampla pesquisa nacional para identificar as causas e possíveis soluções para o antipetismo.

Ainda nesta semana, a Marissol, empresa responsável por parte das pesquisas que nortearam a campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição, vai apresentar uma proposta inicial de questionário. A ideia é consultar eleitores em todos os Estados do País e fazer uma bateria de pesquisas qualitativas.

O resultado vai servir de base para os debates da última etapa do 5º Congresso Nacional do partido, marcada para junho do ano que vem em Salvador (BA). A direção petista e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretendem usar o Congresso, instância máxima de decisões do partido, para fazer uma série de reformas, com objetivo de resgatar valores históricos da legenda e reconectar o PT com setores dos quais se afastou nestes 12 anos de poder, como os movimentos sociais e a intelectualidade de esquerda.

A cúpula do PT já tem um diagnóstico primário das causas do antipetismo. Segundo dirigentes, a onda começou nos protestos de junho de 2013, quando militantes petistas foram agredidos em manifestações em São Paulo, tomou corpo durante o processo eleitoral deste ano e continuou depois das eleições, com as manifestações contra a presidente Dilma.

CORRUPÇÃO

Petistas identificaram os escândalos de corrupção, principalmente o mensalão, como estopim da onda antipetista, mas acreditam que existam outros motivos de ordem ideológica e econômica que precisam ser explicados. Além disso, o PT quer saber se o fenômeno está concentrado em São Paulo ou espalhado pelo País. Existe o temor de que a amplitude das denúncias de corrupção na Petrobras, investigadas na Operação Lava Jato, fortaleça a rejeição ao partido em outros Estados

Além do impacto eleitoral, a cúpula do partido está preocupada com casos de violência contra militantes, registrados durante e depois das eleições. Segundo dirigentes, setores da direita e da oposição incentivam, via redes sociais, o ódio e o preconceito ao PT, materializado nas manifestações pós-eleitorais. E podem servir como sustentáculo popular para pedidos de impeachment de Dilma, já alinhavados por parte da oposição.

INTOLERÂNCIA

O PT tem dificuldade de entender por que existe uma onda de “intolerância” contra o partido que, nas palavras de um dirigente, é “o que mais combateu a corrupção e mais defendeu os pobres na história do Brasil”

O questionário da Marissol será apresentado na reunião do diretório nacional do PT, na sexta-feira, 28, e no sábado, 29, em Fortaleza (CE). Além da pesquisa, a direção petista vai definir critérios e aprovar o calendário de debates para a última etapa do Congresso do partido. Com objetivo de aproveitar a onda de militância voluntária, que reapareceu no segundo turno da disputa presidencial, pela primeira vez os debates preparatórios para o Congresso serão abertos a não filiados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O PT é o partido mais rico, recebe doações de todo lado, pode pagar quantas pesquisas quiser. Mas é fácil entender o antipetismo. Se perguntassem a James Carville, assessor de Clinton, ele logo diria: “É a economia, estúpido!”. Se indagassem aos professores: “É a educação, estúpido!”. Aos médicos: “É a saúde, estúpido!”. Aos policiais federais: “É a corrupção, estúpido!”. E se perguntassem ao Lula, ele responderia: “É a Dilma, estúpido!”. Mas se indagassem a Dilma, ela diria: “É o Lula, estúpido!”. (C.N.)

Duque e Barusco eram “criativos” nos acordos extrajudiciais

Thiago Herdy
O Globo

Negociações conduzidas pelo ex-diretor de Serviços Renato Duque e o ex-gerente-executivo de sua diretoria Pedro Barusco levaram a Petrobras a pagar pelo menos R$ 764,9 milhões em 56 transações extrajudiciais — mecanismo que permite a fornecedores fazer acordos com a contratante quando os contratos já estão encerrados e para evitar que divergências sobre pagamentos cheguem à Justiça.

Levantamento do Globo em documentos classificados como sigilosos pela estatal mostra que os dois funcionários, que estão presos, acusados de corrupção no âmbito da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal (PF), tinham poder dentro da companhia para levar à Diretoria Executiva soluções com risco de lesar a empresa. Sob orientação da dupla, a estatal pagou milhões a fornecedores que alegaram prejuízos decorrentes de raios e chuvas, condições de solo imprevistas e até descoberta de formigas em extinção em área de obra.

“EXCEPCIONALIDADES”

Em apenas um dos acordos avalizados pela dupla, a estatal aceitou pagar R$ 112,8 milhões ao consórcio Propeno, formado por duas investigadas na operação da PF, a UTC Engenharia e a Odebrecht, a título de “serviços complementares e excepcionalidades” relacionados à construção da unidade de propeno da Refinaria Henrique Lage, em São José dos Campos (SP).

Com valor de R$ 339,9 milhões, o contrato tinha previsão de término em julho de 2008, menos de dois anos depois de ser assinado.

No entanto, Odebrecht e UTC entregaram a obra um mês antes, em junho de 2008. A Petrobras aceitou desembolsar mais R$ 34,5 milhões, “devido à extensão do prazo que a contratada faria jus e não pleiteou, adicionando, ao contrário, recursos para manutenção de prazo contratual previsto”, segundo registro de documento oficial da estatal. Outros R$ 7,8 milhões foram pagos em função de gastos diretos e indiretos decorrentes de “um excedente na previsão de horas paradas em função da incidência de raios e de chuvas”. Fechado em novembro de 2008, o acordo ainda previu uma atualização monetária de R$ 11,1 milhões, por considerar a data-base do contrato, junho de 2006.

‘TOTAL REGULARIDADE”

Procuradas pelo Globo, Petrobras e UTC não quiseram se manifestar. A Odebrecht informou que seus contratos “foram firmados em total regularidade” e que “a transação extrajudicial é um procedimento comum”. Argumentou também que seu contato com a Petrobras ocorre “dentro da lei, com ética e transparência”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A criatividade da dupla Duque/Barusco é impressionante e ganha destaque com o caso ambiental das formigas em extinção. Deveriam ganhar o Oscar de Efeitos Especiais. (C.N.)

EUA podem condenar à prisão os empreiteiros da Petrobras

Empreiteiros podem ficar na mesma condição de Maluf

Danilo Fariello
O Globo

Os envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobras investigado pela Operação Lava-Jato ganharam um motivo a mais para se preocupar. Em conferência na última quarta-feira, a procuradora-geral assistente do Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), Leslie Caldwell, responsável pelos casos de corrupção fora do país, foi bastante clara sobre a intenção de prender mais pessoas corruptas, em vez de punir companhias e seus acionistas, apelando para países parceiros colaborarem na busca dos protagonistas dos crimes. A Petrobras vem sendo acompanhada pelas autoridades dos EUA, que mantêm contato com o escritório Gibson, Dunn & Crutcher LLP, contratado pela própria estatal brasileira.

– O nosso histórico de sucessos nesses processos (mais recentes) nos permite mostrar aos executivos que, se eles participam de atos de corrupção, como influenciar indevidamente um funcionário público estrangeiro, individualmente terão uma perspectiva muito real de ir para a prisão – disse ela, durante conferência em Washington sobre a Lei contra Atos de Corrupção no Exterior (FCPA, na sigla em inglês).

DOSE EXTRA DE RIGOR

A legislação permite ao Departamento de Justiça e à SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), com dose extra de rigor, investigar e punir empresas estrangeiras, sob alegação de que elas podem comprometer a competitividade de companhias americanas.

Os casos são ainda mais rigorosos quando as empresas têm ações ou ativos nos EUA ou competem com empresas globais, quesitos nos quais a Petrobras se encaixa.

Das 50 pessoas individualmente processadas pelo DoJ, em casos relacionados à lei anticorrupção nos últimos cinco anos, metade foi em 2013, afirmou Leslie Caldwell. Há nos EUA uma grande pressão da sociedade para que pessoas envolvidas em crimes de “colarinho branco” sejam presas, e não apenas suas companhias multadas em valores significativos, o que não deixou de continuar acontecendo.

NO MESMO CASO DE MALUF

Caso a Justiça americana comece a responsabilizar e punir com cadeia executivos de empresas envolvidas em fraudes, dirigentes da Petrobras e de empresas envolvidas nos escândalos da estatal poderão ser impedidos de pisar em solo americano e até em outros países, sob risco de prisão.

Se forem responsabilizados nos EUA, pode-se repetir com eles a situação do deputado Paulo Maluf (PP-SP). Indiciado pela Justiça de Nova York em 2007 por roubos de fundos públicos, transferência de recursos de origem ilícita e conspiração, Maluf seria preso se pisasse nos EUA. A partir de 2010, a situação se agravou com sua inclusão na difusão vermelha da Interpol. Isso o impede de deixar o Brasil e de passar por qualquer um dos 188 países signatários da organização policial internacional.

Uma eventual condenação pela Justiça americana, porém, não pode redundar em prisão no Brasil e em extradição, já que a Constituição impede a extradição de brasileiro nato. Assim, eles só serão presos no Brasil se condenados aqui.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os empreiteiros que não têm dupla cidadania não podem fugir do país. Se forem condenados pela Justiça americana, o que é mais do que provável, e estiverem foragidos no exterior, serão caçados pela Interpol. (C.N.)

MP tenta recuperar na Suíça parte do dinheiro desviado

Deu no G1

Procuradores do Ministério Público Federal (MPF), responsáveis pelas investigações da Operação Lava Jato, embarcaram nesta segunda-feira (24) para a Suíça. O objetivo deles é tentar localizar o dinheiro que pode ter sido desviado da Petrobras. O Ministério Público suíço localizou e deve entregar extratos de uma conta do ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, acusado de participar do esquema.

A conta do ex-executivo da Petrobras tem cerca de US$ 27 milhões depositados. Com os extratos, a força-tarefa do MPF tentará descobrir de onde veio e para onde iria toda essa quantia. Os procuradores também vão procurar provas de que outros envolvidos na Operação Lava Jato tenham movimentado dinheiro no exterior.

Entre eles, está outro ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, que está preso em Curitiba, e o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Conforme Paulo Roberto Costa, eles também participavam do esquema, sendo que Baiano seria operador do PMDB nos desvios de dinheiro da Petrobras.

A informação foi corroborada por outro executivo, da empresa Toyo Setal, chamado Júlio Camargo. Em um depoimento à Polícia Federal, ele garantiu ter feito depósitos no valor de R$ 6 milhões. A quantia, afirmou, era para a diretoria de Serviços, comandada por Duque. A maior parte foi depositada no banco Credit Suisse, em contas indicadas por Duque e pelo subordinado dele, o gerente de Serviços da estatal, Pedro Barusco.

Júlio Camargo também disse que repassou entre R$ 12,5 milhões a R$ 15 milhões para Fernando Baiano. Segundo o executivo da Toyo Setal, esse dinheiro foi levado para um banco no Uruguai e para várias contas indicadas pelo lobista no exterior.

Com a identificação de todas essas contas e movimentações, o MPF pretende, o mais rápido possível, iniciar os processos para repatriar o dinheiro.

LAVAGEM DE DINHEIRO

A Operação Lava Jato investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões e provocou desvio de recursos da Petrobras, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A nova fase da operação policial teve como foco executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobras que somam R$ 59 bilhões.

Parte desses contratos está sob investigação da Receita Federal, do MPF e da Polícia Federal. Ao todo, 25 pessoas foram presas pela PF durante esta etapa da operação. Porém, ao expirar o prazo da prisão temporária (de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco), na última terça (18), 11 suspeitos foram liberados. Outras 14 pessoas, entre as quais o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, continuam na cadeia.

CPI acha que também recebeu documentos falsos de empreiteira

Carolina Gonçalves
Agência Brasil

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), admitiu que pode pedir ao Ministério Público a responsabilização criminal dos funcionários da empreiteira Engevix. Conforme o senador, a decisão será tomada caso fique comprovada a falsidade de documentos entregues à comissão. Em nota, a presidência da CPMI acrescentou que o recurso “será adotado em quaisquer casos em que haja suspeita de uso de documento falso perante a comissão”.

A reação do parlamentar foi motivada pelas suspeitas de que a empresa teria enviado os mesmos documentos entregues à Justiça no Paraná, que, no último dia 10, identificou a fraude em notas e cópias de contratos. Ao avaliar os papéis, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, concluiu que, além da Engevix, outras empreiteiras investigadas na sétima fase da Operação Lava Jato também entregaram notas fiscais falsas e contratos fraudulentos para justificar repasses às empresas de fachada, comandadas pelo doleiro Alberto Youssef.

NOTAS FISCAIS E CONTRATOS

As notas fiscais e contratos foram reunidos para defesa das empreiteiras. Na época, Sérgio Moro afirmou que, além de falsos documentos sobre serviços que não foram prestados, algumas empreiteiras omitiram informações.

Vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada é um dos presos na sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada faz uma semana. O engenheiro continua em Curitiba, na Superintendência da Polícia Federal. Os agentes cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, no Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Uma canção/poema para se poder viver

O jornalista, ensaísta e poeta paulista Cassiano Ricardo (1895-1974), no poema “Canção Para Poder Viver”, faz uma bem-humorada descrição de um relacionamento amoroso em que o homem faz de tudo para seduzir a mulher.

CANÇÃO PARA PODER VIVER

Cassiano Ricardo

Dou-lhe tudo do que como,
e ela me exige o último gomo.

Dou-lhe a roupa com que me visto
e ela me interroga: só isto?

Se ela se fere num espinho,
O meu sangue é que é o seu vinho.

Se ela tem sede eu é que choro,
no deserto, para lhe dar água.

E ela mata a sua sede,
já no copo de minha mágoa.

Dou-lhe o meu canto louco; faço
um pouco mais do que ser louco.

E ela me exige bis, “ao palco”!

      (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Inversão de expectativas na equipe econômica de Dilma

João Bosco Rabello
Estadão

O caminho escolhido pela presidente Dilma Rousseff, com as nomeações de Joaquim Levy e Nelson Barbosa, para a Fazenda e Planejamento, respectivamente, parece indicar a priorização da defesa de seu mandato sobre as preferências do PT.

Por isso, não chega a surpreender que a maior resistência à nova equipe econômica seja do seu partido e a repercussão positiva do mercado tenha calado a oposição. A receita para a saída da crise econômica é ortodoxa e, portanto, nada mais coerente que as escolhas recaiam sobre esses perfis.

Não é por acaso, que as críticas da oposição se concentram na incoerência entre o discurso de campanha da presidente reeleita e as escolhas de Levy e Barbosa. Do ponto-de-vista técnico, Dilma fez o que negava e o que a oposição pregava: achou a sua versão Armínio Fraga.

Restou à oposição, nesse caso, focar no estelionato eleitoral caracterizado pela prática de governo que desmente o discurso de campanha. O anúncio de Armínio Fraga por Aécio Neves, produziu uma peça de campanha em que os juros aumentariam, o Bolsa-Família seria extinto, faltaria comida à mesa dos brasileiros mais pobres e os bancos públicos seriam sufocados pela banca privada.

É natural que a oposição se sinta indignada e que reaja assim. Não é natural que esse discurso encontre sintonia no PT, o que faz da grita do partido contra os dois economistas, um indicativo de que pretende se manter na linha populista, apesar dos resultados econômicos desastrosos e do sentimento antipetista em todo o país.

IGUAL A LULA

Deliberadamente ou não, o discurso crítico do partido cumpre o papel de fixá-lo à esquerda para uma militância cada vez menor e mais desanimada, enquanto o governo cumpre uma pauta conservadora. De resto, nada diferente do que fez o ex-presidente Lula em seus dois mandatos.

A diferença agora é que Lula está com o partido, o que amplifica sua força de pressão junto à presidente – menos por questão ideológica e mais pelo interesse em voltar em 2018, meta só viável se houver o resgate da economia e da credibilidade do segmento investidor.

Nesse caso, Lula funciona como um poder moderador entre Dilma e o partido, apoiando a opção conservadora na economia, e até patrocinando-a com a sugestão de nomes -, mas ao mesmo tempo mantendo a dependência da presidente em relação à sua liderança na legenda para controlar o “fogo amigo”.

REFÉM DO PT

O cenário deixa mais nítida a equação do segundo mandato, em que o êxito de Dilma será tanto maior quanto menos refém ficar do PT. Não só pela pauta ideológica jurássica do partido, mas também pelo enredo de corrupção em que está metido, que não se esgota com o chamado “petrolão”, e que ameaça atingir novamente lideranças partidárias, como no mensalão.

Dilma lutará para ficar fora do enredo, embora conspire contra ela a dupla condição de ministra da Casa Civil e presidente do Conselho da Petrobrás à época em que os desvios de recursos foram executados, em benefício até mesmo de sua campanha presidencial.

São cenários difíceis que a presidente terá de percorrer, em uma travessia inconciliável com as restrições que o PT pretende impor. Dilma terá que distensionar o ambiente político e econômico e não o fará se desconsiderar a insatisfação da metade do país que votou contra sua reeleição, para atender ao projeto falido de poder de um partido, no qual não tem historicidade.

Petrobras tem de enviar documentos aos Estados Unidos

Reuters
A Petrobras informou nesta segunda-feira que recebeu no dia 21 de novembro uma notificação da Securities and Exchange Commission (SEC) requerendo documentos relativos a uma investigação do próprio órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.

A intimação solicita documentos que serão enviados após um trabalho conjunto com o escritório nacional Trench, Rossi e Watanabe Advogados e com o norte-americano Gibson, Dunn & Crutcher, já contratados para fazer uma investigação interna independente, informou a Petrobras em comunicado ao mercado. (texto enviado por Guilherme Almeida)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA investigação feita nos Estados Unidos é muito mais rigorosa do que a realizada no Brasil. Segundo o jurista Fábio Medina Osório, considerado o maior especialista em Improbidade Administrativa e Lei Anticorrupção, a legislação americana prevê até a prisão de corruptos e corruptores. No caso da Petrobras, se algum envolvido for condenado, o que é praticamente certo, ficará na mesma situação de Paulo Maluf, sem poder sair do país, por estar sendo procurado pela Interpol. (C.N.)