Carta aberta aos jovens médicos (parte 2)

Eduardo Aquino

Meus jovens colegas: darei prosseguimento a esta missiva, que pretende partilhar minha vivência na arte médica aos que começam a trilhar essa caminhada densa e desafiadora. São tantas as experiências, sofrimentos, superações e gratificações que desejaria doar, que resolvi condensar em pílulas, vivências e observações. Então, vamos lá.

1. Medicina não é profissão. Que me desculpem a maioria dos doutores, mas sem dom, vocação, talento, não haverá faculdades que transforme qualquer outra atividade humana em médicos! Da mesma forma que um músico já nasce com ouvido absoluto o artista com traços perfeitos e naturais, verdadeiros médicos já nascem com a intuição, humanismo, compreensão e altruísmo para curar ou acolher seus semelhantes.

Forçar uma atividade tão multifacetada e sensível, equivale a forçar um destro a escrever com agilidade e espontaneidade com sua mão esquerda. E minha vida ensinou que médicos são minoria em relação aos técnicos de medicina, não a toa uma pesquisa de uns três anos atrás mostrou que após 10 anos de formado,67% se arrependeram de ter escolhido a medicina.

2. Em medicina, a clínica é fundamental. A escuta do paciente, a valorização de sua história clínica, o exame físico apurado, sua historia pessoal e familiar são essenciais para o raciocínio clínico e hipótese diagnóstica. Como diz a OMS, consulta com menos de 30 minutos é má pratica. E o que dizer das estatísticas americanas que mostram que 83% dos exames são normais e 65% das cirurgias desnecessárias?

3. Nunca busque o raríssimo, pois isso significa exames demais, e resultados de menos e paciente insatisfeito. Quem dizia isso eram os grandes mestres da UFMG, nos idos de 70-80. Assim como diziam que bons médicos passariam 80% do seu tempo corrigindo diagnósticos dos maus médicos, que sempre seriam a maioria. Quase 3/4 dos que buscam auxílio médico tem disfunções comuns, a maior parte, sintomas físicos de origem psíquica, fruto de sono ruim, sobrecarga no trabalho e outros problemas.

4. Medicina não é lugar para ficar rico. Ganhar dinheiro tem que ser uma consequência e nunca uma motivação para atender alguém. Na mercantilização da medicina, não me estranha que especialidades que mexem com estética ou fazem exames complexos sejam os mais escolhidos pelos residentes, enquanto clínicos gerais, pediatras e psiquiatras estejam em falta.

5. Terceirização e convênios: como tudo que vem dos EUA, a medicina de grupo acabou com a relação médico-paciente, baixou o nível dos atendimentos, criou a judicialização médica, fez um SUS para a classe médica, desprestigiou o médico e tirou sua independência e estímulo.

6. Politização da medicina: as brigas de ego, a vaidade, a busca de poder das entidades que nos representa criam inimizades, eleições tensas, além de ser acusada pela sociedade de corporativismo. Dois exemplos atuais foram a Lei Médica, que buscava dar exclusividade diagnóstica e terapêutica aos médicos em detrimento de outras importantíssimas profissões da área de saúde que devem agir de forma complementar. E o “Mais Médicos” em que as instituições médicas tiveram grande oposição, mas a população esmagadoramente apoiou o governo, pois há uma imensa insatisfação com os médicos públicos. Mas existem razões e erros de todos os lados.

7. Médico erra! O ser humano não é máquina e nem lidamos com uma ciência exata. Infelizmente os processos médicos viraram uma das desgraças americanas, e por temer errar e sob pressão de ser processado, médicos estão se defendendo através de exames excessivos, não assumindo os pacientes, encaminhando em demasia. (transcrito de O Tempo)

A idade das trevas

Gaudêncio Torquato

“A lei e a ordem são o primeiro pré-requisito da civilização e, em grande parte do mundo, elas parecem estar evaporando”. A observação, feita há cerca de 20 anos pelo professor da Universidade Harvard Samuel P. Huntington, mostra-se pertinente para uma avaliação do atual estado da humanidade.

A ideia ganha consistência quando se puxam para o cenário as manifestações turbulentas em várias cidades do mundo. Ressentem-se todos das instituições políticas, que não conseguem dar vazão às demandas sociais, e brandem a arma do ódio contra o outro, o estrangeiro, notadamente a comunidade muçulmana. Há quem garanta que a Europa vive um impasse: deixar de ser caixa de ressonância das liberdades para se transformar em bastião do autoritarismo.

O discurso do Ocidente, com seus tradicionais sermões, já não afeta interlocutores e parceiros como no passado. O fato é que a última crise econômica serviu para pôr mais lenha na fogueira que consome o Estado de bem-estar social. Os partidos de esquerda, ao longo de décadas, tentaram repaginar o modelo, experimentando fórmulas e resgatando novas abordagens. Com poucas exceções, não têm sido bem-sucedidos.

Resultado dos conflitos: fortalecimento das correntes de extrema direita em muitos países. A perplexidade se instala. Quem poderia imaginar que os terrenos da velha democracia europeia fossem acolher novamente a poeira do deserto da restrição de direitos?

NEONAZISTAS

Os exércitos “nacionalistas-protecionistas” multiplicam-se nos partidos políticos e agora nas redes sociais, nas quais um grupo chega a se autodenominar “Adolf-adoradores Neandertais”. O discurso segregacionista se adensa enquanto declina a força dos partidos que sustentam os pilares da social-democracia; as lideranças, mesmo em rodízio, não conseguem tapar os buracos abertos pela crise econômica.

E, assim, germina nas praças das grandes cidades o vírus de um tipo de violência diferente dos eventos tradicionais (roubos, assaltos e assassinatos deles decorrentes): a violência dos conflitos étnicos e dos choques civilizacionais. Para as agremiações da direita radical, o Islã e os muçulmanos simbolizam o mesmo papel de “ameaça externa” que Hitler associava aos judeus. Comparação extravagante e sem sentido.

A propósito, a imagem desse truculento e fanático cabo que se vestiu de ditador para ser o maior facínora da história contemporânea veio a público na semana passada, por ocasião do evento em memória do Holocausto realizado no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Comovidos, ex-prisioneiros dos campos de concentração desfilavam as agruras por que passaram. Um horror! A rememoração do Holocausto é uma maneira de puxar o passado para o presente, fato importante para alargar as avenidas do futuro.

Imaginar que por esse mundão afora haja fanáticos que ainda hoje aplaudem um dos maiores genocídios da história é apostar na hipótese de Samuel P. Huntington: nas esquinas do mundo desenha-se o paradigma do “puro caos”. (transcrito de O Tempo)

Economia conspira contra a reeleição de Dilma

Cesar Maia
(Do ex-Blog)

1. Quando a economia vai muito bem (digamos nota de 8 a 10), quase garante a reeleição dos governos. Quando vai muito mal (digamos nota de 0 a 3), quase inviabiliza a reeleição. Entre 4 e 7 a campanha vai decidir o jogo.

2. Mas há nuances. Uma economia pode ter nota 3 e não afetar a chance de reeleição do governante. Mas para se medir a probabilidade de sucesso nas diversas notas de 3 a 7, há que se analisar duas coisas. A primeira é a curva para se chegar a estas notas. A nota 3 a 7 vem de uma curva ascendente? Por exemplo, veio de 0 para 3? Ou numa curva descendente? Veio de 10 para 7?

3. Quando Carville cunhou a frase “é a economia, estúpido”, naquele ponto, a economia dos EUA estaria numa nota média de 6. Mas o problema é que ela havia chegado a uma nota 10 e vinha mergulhando. A curva era descendente. Curvas descendentes criam incômodos, desconfortos. Ao contrário, as curvas ascendentes criam conforto e expectativas positivas quanto ao futuro.

4. A segunda coisa é quando a economia fica situada horizontalmente, ou seja, flutuando em torno de uma nota. Mesmo que a nota seja 3 ou 7, ela precisa ser analisada dentro dela mesma para se projetar conclusões.

5. Que nota se daria para a situação econômica do Brasil, hoje, sem se fazer qualquer tipo de análise dos fundamentos macroeconômicos, ou coisas no estilo. Uma porcentagem de crescimento econômico, ou de inflação ou outro parâmetro é uma média entre setores ou entre valores. Não é a mesma coisa que todos os setores da economia ou todos os preços estejam crescendo numa mesma taxa ou variando e flutuando muito entre setores e preços. Uma situação cria sensação de previsibilidade. Outra, de imprevisibilidade, de insegurança, de desconforto.

6. Chegando ao Brasil, digamos que a nota dada pela percepção média seja 5. Mas que 5 é esse? Nos últimos 3 anos o crescimento flutuou perto de 2%. Mas veio de 7,5%. A indústria vem caindo e a agricultura e serviços flutuaram. A inflação cresceu em relação a 2010 e os preços relativos flutuaram muito. Isso sem falar nos preços chamados neste verão de SuReal. A balança comercial vem numa curva fortemente decrescente. Os juros –base- oscilaram pela política monetária do governo. Passaram de 11% para 7,5% e voltaram a crescer para o patamar anterior.

7. O câmbio cresceu muito, de 1,70 para 2,40 nos últimos meses, afetando o preço dos bens importados e do turismo da classe média. A baixa taxa de desemprego que o governo alardeia, vista por dentro, mostra uma alta proporção de emprego sem qualificação. Sem o emprego precário, os quase 6% de taxa de desocupação iriam para perto de 20%. Com as taxas maiores entre os jovens. E pior: a taxa de rotatividade é altíssima e a tendência ao se conseguir um novo emprego é que este seja de um nível salarial inferior e com menor exigência de qualificação.

8. Com isso tudo se pode garantir que a situação econômica atual produz desconforto e pessimismo quanto ao futuro, mesmo que aparentemente estabilizada num certo patamar. Garantidamente não será trunfo do governo, podendo ser da oposição, desde que essa saiba fazer a crítica colando-a ao cotidiano das pessoas e não as análises macroeconômicas.

9. E nem se precisa ir muito longe. Pesquisa Ibope-CNI do final de 2013. Taxas de Desaprovação: política contra desemprego 49%; Impostos 71%, Inflação 63%, e juros 65%.

10. Resumindo: a economia conspira contra a reeleição de Dilma.

Procuradoria-Geral da República analisa pedido de apuração das doações a petistas

Da Agência Estado

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e a procuradora Carolina Medeiros, que atua no Rio Grande do Sul, analisam pedidos para que se inicie uma investigação sobre o processo de arrecadação de dinheiro para pagamento de multas impostas a condenados por participação no mensalão.

Rodrigo Janot tem em mãos um requerimento do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) para que sejam apuradas suspeitas de lavagem de dinheiro na arrecadação.

Carolina Medeiros avalia pedido de um cidadão para que sejam apuradas as doações recebidas pelo ex-deputado federal José Genoino, que cumpre pena em prisão domiciliar em Brasília. Não existe previsão de data nem prazo para as decisões de Janot e Carolina.

OUTROS PEDIDOS

Além desses dois pedidos, integrantes do Ministério Público de todo o País poderão receber solicitações semelhantes de investigação. A tendência de Janot é transferir a representação de Carlos Sampaio para colegas que atuam na 1ª. Instância em Brasília ou em São Paulo.

Quanto à procuradora Carolina Medeiros, a assessoria de comunicação do MP local informou nesta quarta-feira, 5, à tarde que ela terá de decidir se investiga, arquiva ou transfere para colegas o pedido de investigação das doações recebidas por José Genoino.

Em São Paulo, a Procuradoria Geral da República informou que um cidadão pediu para que fosse apurada suposta irregularidade no processo de arrecadação das doações para José Genoino.

Conforme a representação, o site da campanha teria informado equivocadamente que os colaboradores poderiam deduzir os valores na declaração de Imposto de Renda. Um procurador analisou o caso e determinou o arquivamento.

Oposição vai pedir que Ministério Público denuncie a exploração dos médicos cubanos

Márcio Falcão
Estadão

A liderança do DEM  na Câmara anuncia que o partido vai fazer uma representação no Ministério Público do Trabalho sugerindo uma ação coletiva contra o governo brasileiro para ressarcir todos os cubanos envolvidos no programa Mais Médicos.

Ao todo, 7.400 cubanos foram selecionados e atuam no programa, que é considerado a principal vitrine eleitoral da presidente Dilma Rousseff e tem como objetivo aumentar a presença desses profissionais no interior do país, permitindo a atuação sem diploma revalidado no Brasil.

“A legislação brasileira estabelece que nenhum trabalhador pode ser tratado de forma desigual. Tem médicos que são contratados por R$ 10 mil e os cubanos recebem R$ 900. Isso por si só já é uma agressão”, disse o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).

E a oposição reagiu  às críticas de que a cubana teria pedido visto na Embaixada dos Estados Unidos porque tem um namorado em Miami. Desde 2006, os EUA oferecem um visto específico para médicos – ofertado aos cubanos que estejam estudando ou trabalhando em missão num terceiro país e que não tenham “quaisquer inelegibilidades” para a admissão. A embaixada pode levar até três meses para dar uma resposta.

DEPORTAÇÃO

Caiado afirmou que essa insinuação é deplorável e que a médica teme voltar a Cuba e por isso fez o que era possível para evitar a deportação. O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), também reagiu. “Acho uma aberração, uma agressão que fiquem explorando, mencionando o fato de um suposto namorado. O que estamos discutindo é muito mais grave”.

A Folha mostrou hoje que a médica cubana ficou na casa de Cristina Roberto, 59, dona de um buffet em Brasília, entre a noite de sábado e terça-feira, quando procurou o DEM.

Ramona teria pedido então abrigo por um mês. A empresária recusou, e a cubana deixou a casa na terça. Segundo Cristina, ela diz ter um marido cubano em Miami e não querer voltar a Cuba.

A empresária, que apoia o Mais Médicos, afirma se sentir “usada” e “indignada” com o fato de Ramona dizer que não sabia das condições do programa.

jà o novo ministro da Saúde, Arthur Chioro, fez um duro ataque à oposição diante do pedido de refúgio de uma médica cubana inscrita no programa Mais médicos. Para ele, a oposição está fazendo uma “exploração política” do episódio e tentou “boicotar o quanto pode” a realização do programa.

Está comprovado o envolvimento do prefeito Eduardo Paes com as empresas de ônibus

Guilherme Almeida

Gostaria de saber por que nenhum partido político, OAB, Ministério Público ou ONG entra com representação solicitando o “impeachment” do prefeito Eduardo Paes. Motivos não faltam, vejamos:

Eduardo Paes assinou decreto que foi publicado no Diário Oficial no dia 29 de maio de 2013, autorizando a mudança da tarifa, de R$ 2,75 para R$ 2,95.

http://oglobo.globo.com/rio/paes-diz-que-acatara-decisao-do-tribunal-de-contas-sobre-aumento-da-passagem-de-onibus-11136082#ixzz2sd7n5yuQ

Rio suspende aumento das tarifas de ônibus, trem, metrô e barcas
Leia mais sobre esse assunto em http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/06/apos-protestos-cai-tarifa-de-onibus-no-rio.html

Paes diz que acatará decisão do Tribunal de Contas sobre aumento da passagem de ônibus

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/paes-diz-que-acatara-decisao-do-tribunal-de-contas-sobre-aumento-da-passagem-de-onibus-11136082#ixzz2sbthALwO

Relatório do TCM vê lucro acima do estipulado com aumento da tarifa dos ônibus
Técnicos recomendaram que passagem fosse baixada para R$ 2,50, mas parecer foi ignorado

http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-02-01/relatorio-do-tcm-ve-lucro-acima-do-estipulado-com-aumento-da-tarifa-dos-onibus.html

Contra parecer do Tribunal de Contas, prefeitura do Rio de Janeiro autoriza aumento das passagens de ônibus.
A prefeitura do Rio de Janeiro autorizou o aumento do valor das passagens de ônibus urbanos na cidade de R$ 2,75 para R$ 3. O Tribunal de Contas não autorizou.

http://www.portugaldigital.com.br/sociedade/ver/20083272-contra-parecer-do-tribunal-de-contas-prefeitura-do-rio-de-janeiro-autoriza-aumento-das-passagens-de-onibus

Apenas Rio de Janeiro e Boa Vista promovem aumento de tarifa de ônibus em 2014
http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/02/apenas-rio-de-janeiro-e-boa-vista-se-dipoem-a-aumentar-tarifa-de-onibus-em-2014-9664.html

Ao autorizar um aumento maior do que o estudo feito pelo TCM, fica comprovada a conveniência do Prefeito Eduardo Paes para com as Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ revelador e incontestável o levantamento do comentarista Guilherme Almeida, sempre presente aqui no Blog. Por causa da leviandade de Eduardo Paes, os protestos voltaram ao Rio de Janeiro, e um jornalista está internado, seriamente ferido por uma bomba caseira lançada por black blocs na manifestação na noite de quinta-feira. Daqui vai nossa solidariedade à família do colega Santiago Andrade. (C.N.)

Da janela, Tom Jobim via o Corcovado…

O maestro, instrumentista, arranjador, cantor e compositor carioca Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994) é considerado o maior expoente de todos os tempos da música brasileira e um dos criadores do movimento da bossa nova.  Na letra de “Corcovado”, Jobim explica como encontrou o amor e, consequentemente, a felicidade. Essa música foi gravada no LP Antônio Carlos Jobim, 1963, Elenco.

CORCOVADO
Tom Jobim
Um cantinho e um violão
Esse amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama
Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor, que lindo
Quero a vida sempre assim com você perto de mim
Até o apagar da velha chama
E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade, meu amor

       (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Associação de juízes critica gesto insultuoso de André Vargas ao ministro Joaquim Barbosa

Deu em O Tempo

A Associação Nacional dos Magistrados Estaduais de Minas Gerais (Anamages) fez nota pública sobre a cena feita na segunda-feira durante sessão na Câmara Federal. O escrito critica o comportamento do deputado e vice-presidente da Casa, André Vargas (PT-PR), que levantou o punho diversas vezes, provocando o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, que estava sentado a seu lado. O gesto (saudação comunista) era semelhante ao que o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-ministro José Dirceu fizeram ao serem presos.

A nota, assinada pelo presidente da Associação, o juiz Antonio Sbano, classifica a atitude como ‘antiética’ e afirma que Vargas ofendeu não somente o ministro Joaquim Barbosa, como também “toda a Nação brasileira”.

DESAGRAVO AO EXMO. SR.MINISTRO JOAQUIM BARBOSA, PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MAGISTADOS ESTADUAIS – ANAMAGES, vem a público externar sua insatisfação pela falta de decoro e de respeito ao PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, em razão da conduta antiética do Exmo. Sr. Deputado Federal André Vargas (PT-PR) durante a solenidade de abertura do ano legislativo.

A Constituição da República acolheu a tripartição de Poderes, atribuindo aos Chefes do Poder Executivo, do Poder Legislativo e do Poder Judiciário o mesmo status de mandatários da Nação.

Se o ilustre Deputado, como publicamente tem se manifestado, discorda do julgamento da AP 470, popularmente chamada de processo do mensalão, é um direito seu. Mas, o seu entendimento pessoal, não o autoriza a afrontar a honra e dignidade do Presidente da Suprema corte brasileira, em Sessão Solene na Casa Legislativa.

Ao se colocar de punho cerrado, gesto de contestação e insatisfação dos condenados na referida ação penal quando foram presos, S. Exa. não ofendeu apenas e tão só o Sr. Ministro Joaquim Barbosa, um dos julgadores, mas toda a Nação brasileira, eis que o poder de julgar é atribuído aos magistrados pela vontade soberana do povo, através das normas votadas pelas Casas Legislativas.

Não se diga, como o fez o Ilustre Deputado: “O ministro está na nossa Casa. Na verdade, ele é um visitante, tem nosso respeito, mas estamos bastante à vontade para cumprimentar do jeito que a gente achar que deve”.

O Congresso Nacional, o Senado a República e a Câmara dos Deputados não pertencem  a um partido ou a alguma pessoa, mas sim ao povo brasileiro e devem ser tratados como um santuário da democracia, da diversidade de pensamentos e de ideias.

A independência e harmonia entre os Poderes da República somente serão efetivamente respeitados se o protocolo e a fidalguia imperarem.

O Plenário não é palco ou palanque eleitoral, nem pode admitir condutas contrárias ao decoro parlamentar e à regras mínimas de educação e convivência.

Como cidadão e fora dos limites da casa do Povo, o Sr. Deputado pode se manifestar como bem entender, assim como qualquer outro cidadão, arcando, por óbvio, com as responsabilidade por eventuais ofensas à honra. Contudo, enquanto Parlamentar, tem o dever de se haver com lhanura e fidalguia, máxime quando recebe, junto com seu colegiado,  o Chefe de outro Poder.

Ao Ministro Joaquim Barbosa apresentamos nosso desagravo, com a certeza de que S.Exa. não se deixará abalar pelo incidente e que continuará conduzir o julgamento dos recursos com INDEPENDÊNCIA e LIVRE DE PRESSÕES, honrando a toga e a magistratura brasileira. Ao bom Juiz não importa o resultado de um julgamento, pressões de grupos ou a vontade pessoal de quem quer seja, mas sim A REALIZAÇÃO PLENA DA JUSTIÇA.

Brasília, 04 de fevereiro de 2.014
Antonio Sbano

O futuro que nos aguarda

Sylo Costa

O ano mal começou e já estamos avançando em fevereiro. Bobagem, o tempo está aí, imóvel, como sempre foi e será. O que nos dá a impressão de que o tempo é móvel e passa rápido é a preocupação com os imprevistos. O futuro é um túnel escuro que temos de atravessar, daí nossa insegurança.

O povo, a multidão ou a manada precisa sempre de um guia que oriente o rumo. O povo reclama um líder. A manada necessita de um madrinheiro, que conta sempre com a ajuda da própria natureza e sabe que o sentido reto faz a distância mais curta no rumo certo. Mas acima desse comando, seja do povo, das multidões e até de cada um de nós, o líder será sempre o destino: em um acidente de carro ou avião, uns morrem, uns escapam ilesos e outros saem com ferimentos, leves ou graves. Por quê? Pelo destino de cada um. E se todos saem incólumes é porque todos tinham o mesmo destino.

A nação precisa de líderes, mas estes não têm o auxílio da natureza. Nós, brasileiros, somos uma nação jovem, parte de um continente também jovem. No mundo, todos foram assim também, os líderes é que fizeram a diferença. O Brasil é o quinto país do mundo em termos de população e extensão. Em algum tempo, seremos o primeiro em tudo. Quando? Bem, é aí que a porca torce o rabo… Certamente, para alcançar esse lugar precisamos de líderes cultos e inteligentes, mas com inteligência para o bem, não para o mal.

PREOCUPAÇÃO

Este ano, nosso destino causa preocupação. Além de estarmos sob o jugo político-administrativo de um partido que age como seita de fanáticos, nossos líderes padecem do vício da mentira, que prolifera como qualquer gramínea em terreno fértil. Agora mesmo, para fazer a tal Copa das Copas, estamos gastando e deixando que roubem o que não temos. O Brasil, com 0,800 de IDH – Índice de Desenvolvimento Humano –, ocupa o 70º lugar no mundo. A Suécia tem IDH de 0,956 e ocupa o 6º lugar.

Pois bem, enquanto a presidente Dona Dilma, em Davos, na Suíça, mentia sobre a situação econômica do nosso país, inclusive escondendo nosso verdadeiro índice de inflação e contando garganta pela realização dessa malfadada Copa do Mundo, em que são gastos bilhões de reais ou dólares, a Suécia acabava de vez com a possibilidade de Estocolmo, sua capital, ser a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 porque os partidos políticos e o prefeito da cidade optaram por não se candidatar a sediar o evento, apresentando como justificativa (prestem atenção) que o país tem outras prioridades e que um eventual prejuízo teria de ser coberto com dinheiro público.

Que bela lição de responsabilidade e bom senso a Suécia nos dá. Um país bonito de gente também, culta e honesta, cujo primeiro ministro jamais pagaria em Lisboa, ou em qualquer outra cidade, diárias no hotel Ritz de R$ 26 mil e alugaria mais 25 suítes no hotel Tivoli para seus come-dorme. Aqui, dinheiro público serve até para acender fogão de lenha nos churrascos de Brasília. Uma lazeira… (transcrito de O Tempo)

Começou tudo de novo: Polícia usa bombas de gás para dispersar protesto no Rio

Da Agência Brasil

A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que ocupavam a estação de trem Central do Brasil. O grupo protesta contra o aumento da passagem de ônibus. As tarifas vão passar de R$ 2,75 para R$ 3 a partir do próximo dia 8, conforme anunciado pela prefeitura.

Do lado de fora, manifestantes atearam fogo em pilhas de lixo no meio da rua. Dentro da estação, os manifestantes pediam que os passageiros pulassem as roletas. O policiamento foi reforçado com a presença de homens do Batalhão de Choque. Os manifestantes tentaram chegar na plataforma de embarque, quando foram impedidos pela polícia.

O clima é tenso na Central, principal estação de trem do Rio, de onde partem todos os ramais. As lojas que funcionam no local fecharam as portas. Apesar do tumulto, o transporte de passageiros não foi interrompido.

Índios de países vizinhos se nacionalizam para obter benefícios do governo brasileiro

Daniel Camargos
Correio Braziliense

Índios paraguaios, colombianos e peruanos não preenchem um requisito básico para receber o principal programa social do governo, o Bolsa Família: ser brasileiro. Mas, diante da frágil estrutura da Fundação Nacional do Índio (Funai), burlam a legislação e se nacionalizam rapidamente, ficando aptos a ganhar o benefício mensal.

O Correio Braziliense/Estado de Minas percorreram aldeias nas fronteiras das regiões Sul e Norte do Brasil e detalham como funciona a fraude. A nacionalização — que, além do recebimento do Bolsa Família, almeja a aposentadoria especial para trabalhador rural e o auxílio-maternidade — é possível graças ao Registro Administrativo de Nascimento Indígena (Rani), uma Certidão de Nascimento especial para os índios. No documento, reconhecido por um funcionário da Funai e assinado por duas testemunhas — quase sempre indígenas da aldeia em que o estrangeiro chega —, fica registrado que o migrante nasceu em território brasileiro.

Com o Rani em mãos, o índio estrangeiro vai ao cartório de registro civil e consegue a Certidão de Nascimento tradicional. A partir daí, todos os documentos se tornam possíveis: Carteira de Identidade, CPF e título de eleitor. A maneira convencional de nacionalização exige que o índio more no país por pelo menos cinco anos e uma série de documentos que provem o vínculo com o Brasil.

NA FRONTEIRA

Na aldeia Bom Caminho, em Benjamin Constant, no extremo oeste do Amazonas, na fronteira com o Peru e a Colômbia, 20 famílias de índios peruanos e colombianos integram a comunidade com pouco mais de 800 índios Ticunas. O cacique Américo Ferreira detalha como os índios passam a receber os benefícios: “Tiramos o documento (Rani) dos pais primeiro e, depois, os dos filhos”.

A família do casal peruano Ortega Pereira Torres e Jurandina Parente Adan está entre os beneficiados. Jurandina diz que o Bolsa Família é fundamental para a sobrevivência. O casal tem seis filhos e, sem o dinheiro dado pelo governo brasileiro, não poderia comprar itens de sobrevivência. O rápido processo de nacionalização foi conseguido graças ao Rani forjado.

No sul do Brasil, na aldeia Ocoy (PR), a realidade não é diferente. O cacique Daniel Maraka Lopes diz que quase a metade do habitantes é do Paraguai. Mas a origem não impede que os estrangeiros recebam o benefício. “Quem não tem o documento brasileiro está fazendo de tudo para conseguir”, conta. É o caso de Eugênio Ocampo e Silvina Benitez. Com seis filhos, eles recebem mensalmente R$ 230 do Bolsa Família. Desde que saíram do Paraguai, vivem em uma casa simples na fronteira com o país natal. Ambos falam muito pouco o português, se comunicam em guarani.

Sem solução

As esferas públicas envolvidas com a questão indígena nas regiões de fronteira conhecem o golpe, mas alegam ter dificuldade para combatê-lo. O coordenador de proteção social da Funai, Francisco Oliveira de Souza, tenta minimizar as fraudes dizendo que o critério da etnia é feito pelo reconhecimento dos índios brasileiros. “Se há desvio, é com a conivência dos indígenas da comunidade”, acusa.

Souza faz uma digressão histórica e explica que o fato de um indígena nascer em um país vizinho não é relevante para a etnia. “Os limites internacionais foram marcados pelos brancos”, ressalta. Além disso, segundo ele, muitos índios não sabem precisar em qual lado da fronteira estão. A Funai estuda uma forma de diminuir as fraudes, mesmo não considerando o golpe abrangente. “Queremos formar um banco de dados com todos os registros indígenas.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Esta matéria, que nos foi enviada por Celso Serra, foi escrita em 2011. De lá para cá, nada mudou. Por isso, estamos republicando a reveladora reportagem dos Diários Associados. (C.N.)

 

Prefeito aumenta passagens de ônibus e manifestantes voltam às ruas do Rio

De O Globo

Cerca de 400 pessoas fecham à Avenida Presidente Vargas, na altura da Candelária, na noite desta quinta-feira, para uma manifestação contra o aumento das passagens dos ônibus anunciado pelo prefeito Eduardo Paes. O protesto foi marcado pelas redes sociais e mais de 20.000 confirmaram presença. Eles estão com cartazes e faixas, e seguem pela pista central, no sentido Praça da Bandeira. Policiais militares e Cet-Rio acompanham a passeata.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO prefeito Eduardo Paes é um insano. Transformou a Centro do Rio num engarrafamento permanente e agora enfrenta a opinião pública, para beneficiar a Fetranspor, ou máfia dos transportes. Resultado: o povo voltou às ruas, no ano eleitoral. (C.N.)

Polícia italiana sinaliza que Pizzolato pode ser extraditado

Jamil Chade
Estadão

Modena (Itália) – A polícia de Modena admite existirem brechas legais para a extradição do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado por envolvimento no mensalão. Em coletiva de imprensa na cidade italiana, nesta quinta-feira, 6, a polícia indicou que a própria busca por Pizzolato, iniciada no fim de novembro, foi lançada após a avaliação de que o condenado no Brasil poderia de fato ser extraditado, mesmo tendo cidadania italiana.

É a primeira vez que autoridades do país sinalizam essa possibilidade. Na quarta-feira, por exemplo, a Justiça italiana repetiu que o ex-diretor era “apenas um italiano preso na Itália por causa de documentos falsos”. Apesar do posicionamento da polícia, a decisão cabe a um procurador de Bolonha, que vai avaliar o caso a partir do momento em que o governo brasileiro encaminhar a solicitação de extradição. O pedido formal precisa ser feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Médica cubana já arranjou emprego e quer cobrar do governo brasileira a diferença salarial

Um dia após pedir refúgio ao governo brasileiro, a médica cubana Ramona Matos Rodriguez, 51, que abandonou o programa Mais Médicos, recebeu nesta quinta-feira (6) uma oferta de emprego da AMB (Associação Médica Brasileira). Ela deve começar a trabalhar na área administrativa da entidade na segunda-feira (10).

A associação é uma das grandes opositoras ao programa federal de contratação de médicos estrangeiros sem a revalidação do diploma na rede pública. Em agosto do ano passado, quando o programa começou a receber os primeiros médicos estrangeiros, o presidente associação, Florentino Cardoso, disse que a população de baixa renda sereia a mais afetada: com a vinda de médicos cubanos.

Segundo declaração ele à época, “muitos não vão nem saber se tiveram um atendimento satisfatório, ou se o procedimento adotado fazia sentido. Vai ser uma tragédia”.

Além da AMB, Ramona também havia recebido uma proposta apara trabalhar na Fenam (Federação Nacional dos Médicos) enquanto aguardava uma decisão sobre o seu futuro no país. Ela, porém, recusou a oferta.

AÇÃO CONTRA O GOVERNO

A médica ainda decidiu entrar na Justiça do Pará com uma ação contra o governo brasileiro pedindo danos morais, além do ressarcimento da diferença do valor pago a mais pelo Brasil a outros médicos estrangeiros do programa.

Além de pedir refúgio ao governo brasileiro, a cubana procurou a embaixada dos EUA em Brasília em busca de visto para não ter que voltar a Cuba. Ela chegou ao país em outubro do ano passado e estava lotada em Pacajá (Pará).

Ela afirmou que deixou o Mais Médicos depois de ter descoberto que o valor de R$ 10 mil pago pelo governo brasileiro a outros estrangeiros era muito superior aos US$ 400 que ela recebia aqui.

Segundo o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), a AMB ofereceu um emprego, mas o valor do salário ainda vai ser negociado. A associação também se comprometeu a auxiliar a médica nos estudos para o Revalida, uma prova que autoriza médicos com formação em outros países a aturem no Brasil.

Ramona, que chegou a ficar chegou a ficar abrigada na liderança do DEM na Câmara, está no apartamento funcional do deputado Abelardo Lupion (DEM-PR). Ela deve permanecer por lá nos próximos dias. O DEM disse que vai continuar dando assistência à médica nos próximos dias até ela se organizar na capital federal.

A equipe jurídica do DEM também está ajudando a médica na elaboração das ações. Ramona pediu para acionar o governo judicialmente para ser ressarcida da diferença no salário que recebia em relação a outros médicos estrangeiros.

Jesus e os Partidos

Antonio Rocha

Um livro ótimo, o título correto é: “Os Partidos Religiosos Hebraicos da Época Neotestamentária”, autoria de Kurt Schubert, da Universidade de Viena, 1979, está esgotado, se pode encontrar em sebos, mas será bom a Vozes reeditá-lo.

O leitor vai ficar sabendo: “Entre os discípulos de Jesus encontravam-se, porventura, membros dos ambientes radicais anti-romanos? Que atitude assumiu Jesus diante dos grupos religiosos de seu tempo? Terá ele sofrido influência dos essênios, que, em Qumrã, levavam uma vida de tipo conventual?

“A resposta a tais perguntas pressupõe que se conheçam os partidos religiosos hebraicos da época neotestamentária. O presente estudo trata desses partidos: da história que os precedeu, do nascimento deles e do significado que tiveram. Mostra como, do movimento dos assideus, que se opôs a helenização do mundo hebraico, nasceram os fariseus e os essênios”.

Ficamos sabendo também que existiam essênios radicais (página 10), os saduceus também constituíam um partido (página 15), idem para hasidim apocalípticos, macabeus, companheiros fariseus, haviam dissidentes e secessionistas, diversos grupos (página 29), sediciosos, zelotes, sicários, insurretos.

“É difícil reduzir a um denominador comum os grupos hebraicos que se sublevaram contra Roma, porque eles lutaram violentamente não só contra Roma, mas também entre si” (página 77).

O historiador Flávio Josefo fala em um grupo “homens com punhal” que usavam táticas de guerrilha.

Alguns grupos eram “partidos revolucionários anti-romanos”. Certa feita foi registrado um documento por Ananias, de descendência sacerdotal: “Reza pela paz do império (isto é, de Roma) porque, sem o temor que ele incute, qualquer um já haveria devorado vivo o seu próximo” (página 79).

Perguntamos o que significa a frase acima: canibalismo?

Uma obra reveladora !

O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato pode pegar até três anos de prisão por falsidade ideológica na Itália.

Deu no Estadão

A informação é da polícia italiana que, nesta quinta-feira (6), confirmou que o brasileiro havia tomado uma série de medidas de precaução para não ser descoberto. Além de 15 mil euros em dinheiro, Pizzolato mantinha uma “grande quantidade de comida”.

Segundo a polícia, a Justiça brasileira terá 40 dias agora para pedir a extradição e caberá a um procurador de Bolonha tomar a decisão.

Pizzolato já contratou um advogado em Modena e a Justiça admite que o caso pode levar “meses” para chegar a uma decisão. Um processo já foi aberto contra Pizzolato na Itália por falsidade ideológica.

Ao ser abordado pela polícia na casa onde estava em Maranello, Pizzolato apresentou o passaporte do seu irmão, Celso, morto em um acidente de carro em 1978. Segundo a polícia, o ex-diretor havia falsificado o documento do irmão em 2008.

Naquele ano ele fez um passaporte brasileiro falso em nome de Celso e, em 2010, emitiu um passaporte italiano da mesma forma.

Pizzolato está detido em uma penitenciária de Modena. Ele vai aguardar um acordo entre o governo brasileiro e italiano.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou que será solicitada a extradição do ex-diretor, condenado a 12 anos e 7 meses de prisão por envolvimento no mensalão.

A dívida e os servidores públicos

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Maria Lucia Fattorelli
Correio da Cidadania

O endividamento público vem pautando a vida do povo brasileiro sob diversas formas, especialmente a partir da década de 80. Na medida em que subtrai grande parte dos recursos orçamentários para o pagamento de juros e amortizações, a dívida pública prejudica a destinação de recursos para todas as demais áreas sociais, como mostra o gráfico a seguir (1), referente a 2014:

Enquanto a dívida absorverá mais de 42% dos recursos orçamentários em 2014, a saúde ficará com menos de 4% e a educação com pouco mais de 3%. Os transportes receberão apenas 1% dos recursos e a segurança pública bem menos: 0,35%.

É por essa razão que um país tão rico como o Brasil, considerado a 7a maior economia do mundo, amarga índices inaceitáveis de miséria, fome, desemprego, precariedade de serviços públicos e é um dos mais cruéis em concentração de renda. A ONU nos classificou em 85o lugar no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) em 2013. Esse inaceitável paradoxo tem raízes históricas, mas nas últimas décadas a principal responsável por essa distorção é a dívida pública.

INJUSTIÇAS

Os servidores públicos padecem com esse quadro de injustiças. Além de faltar recursos para investimentos básicos nos órgãos onde trabalham, os servidores têm sido vítimas de contínuas retiradas de direitos e os salários não têm sido devidamente reajustados.

Cabe destaque à questão da previdência dos servidores, tendo em vista que a contrarreforma promovida no governo Lula, a partir de 2003, foi fundamentada em diretrizes ditadas pelo Fundo Monetário Internacional desde a década de 90, o que mostra a relação direta entre o endividamento público e as contrarreformas implementadas no país, contrárias aos interesses da população.

A reforma da previdência de Lula foi aprovada mediante a fraude comprovada pela ação penal no 470, em processo legislativo nulo, devido à compra de votos, tendo significado um prejuízo irreparável aos servidores públicos ativos, aposentados e também aos pensionistas, pois promoveu:

  • Privatização da Previdência do setor público, mediante a criação de fundo de natureza PRIVADA (FUNPRESP);
  • Transformação do Regime de Solidariedade para um Regime de Financeirização sujeito a regras de mercado;
  • Instituição da obrigatoriedade de “Contribuição” para aposentados e pensionistas;
  • Aumento da Idade Mínima para aposentadoria;
  • Redução de pensões;
  • Quebra da paridade e integralidade.

Recentemente, a presidenta Dilma Rousseff regulamentou o funcionamento do FUNPRESP, que poderá vir a ser um dos maiores fundos de pensão do mundo, caso os servidores venham a aderir a esse fundo. Nesse sentido, é importante destacar que a natureza desse fundo é PRIVADA e não há a menor garantia em relação ao recebimento de qualquer benefício no final, tendo em vista que a modalidade aprovada em 2003 é a de um plano de contribuição definida. Dessa forma, os servidores sabem quanto terão que pagar a título de contribuição, mas o benefício é uma incógnita, podendo chegar a zero.

FUNDOS DE PENSÃO 

Durante a crise financeira deflagrada a partir de 2008 nos Estados Unidos da América do Norte e Europa, inúmeros fundos de pensão simplesmente deixaram de existir, pois seus investimentos se baseavam em criativos produtos financeiros sem lastro, os denominados “derivativos”, que da noite para o dia viraram pó. No Brasil, tem sido crescente a utilização desses produtos financeiros, bem como o relaxamento da legislação para a criação e comercialização desses nocivos papéis.

Por isso, é essencial compreender o funcionamento do mercado financeiro, altamente livre de regulações, o que garante elevadíssimos lucros aos bancos e incalculáveis riscos aos depositantes. Também é necessário acompanhar o importante debate que vem sendo desenvolvido no âmbito de importantes entidades sindicais de servidores, demandando o reconhecimento da nulidade da reforma da previdência de 2003, entre outras relevantes publicações.

(artigo enviado por Sérgio Caldieri.
Maria Lucia Fattorelli é coordenadora nacional
da Auditoria Cidadã da Dívida