Executivo foi assediado este ano por Vaccari, tesoureiro do PT

José Vaccari é citado novamente no inquérito

Ricardo Brandt e Fausto Macedo
Estadão

O engenheiro civil Ildefonso Colares Filho, que trabalhou durante cerca de 40 anos na Queiroz Galvão, afirmou que a construtora fazia contribuições durante as campanhas eleitorais aos partidos políticos que “mais se caracterizam com as características da empresa”. Em depoimento à Polícia Federal, no Paraná, onde está preso por suspeita de envolvimento com o cartel das empreiteiras na Petrobrás, Colares citou como recebedores de doações da Queiroz Galvão o PT, o PMDB, o PP e “mais alguns”.

A PF indagou do executivo qual era o critério para as contribuições. “O primeiro critério era o limite, sempre aquém do permitido. A gente dava para aqueles partidos que mais se caracterizam com as características da empresa, ligados ao crescimento da infraestrutura.”

Indagado se conhece tesoureiros ou arrecadadores de algum partido político, ele respondeu. “Conheço o João Vaccari do PT, na época em que eu estava na empresa.” Citou, também, o ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010.

Ele disse ter sido abordado neste ano pelo tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto. “Disse a ele [Vaccari] que não mexia mais com os negócios da Queiroz Galvão.” Moraes Filho disse ter sido procurado por diversos políticos, mas preferiu não falar dos demais, até porque, segundo ele, as doações não o beneficiaram. O empresário também afirmou que Youssef era um arrecadador do PP. Segundo Moraes Filho, a Queiroz Galvão tinha um comitê, comandado pelo presidente da empresa, para analisar os pedidos de doações. “Eu dava as demandas para o comitê, este se reunia e decidia os valores que seriam doados e para quem”, disse.

COSENZA

Numa pergunta ao ex-dirigente da Queiroz Galvão, a PF afirmou que os primeiros delatores da Operação Lava Jato – Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás) e o doleiro Alberto Youssef -, afirmaram que o atual diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, também recebeu propinas do esquema de corrupção. “O sr. confirma essa informação?”, perguntou o delegado. “Não”, respondeu Ildefonso Colares Filho.

Nova piada: Petrobrás vai cobrar ex-diretores por prejuízo

Deu no Estadão

A Petrobrás está disposta a ir à Justiça cobrar de funcionários e ex-diretores envolvidos em irregularidades o ressarcimento dos prejuízos causados. O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da ‘Agência Estado’, apurou que a decisão foi tomada na última semana, após o Conselho de Administração reconhecer a responsabilidade do ex-presidente José Sérgio Gabrielli, e dos ex-diretores Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, nas perdas com a compra da refinaria texana de Pasadena, em 2006. O Tribunal de Contas da União (TCU) estima que o negócio tenha gerado perda de US$ 792 milhões à petroleira.

No primeiro posicionamento público sobre o escândalo de corrupção na estatal, a presidente Graça Foster admitiu a ocorrência de desvios na empresa e disse ter sido “surpreendida” com a prisão dos ex-diretores pela Operação Lava Jato.

A executiva classificou a situação enfrentada pela Petrobrás como “difícil e dolorosa” e pediu a investidores que “mais uma vez” acreditem na empresa. Graça também afirmou que pretende criar uma diretoria de governança corporativa para melhorar os procedimentos internos da estatal. “Não quero ser surpreendida outras vezes”, disse.

UMA GRANDE NEGOCIATA

Na última sexta-feira, durante a reunião do conselho de administração, a proposta de criação da diretoria foi discutida entre os integrantes, no pacote de medidas em resposta às denúncias de corrupção. No encontro, ficou definido que a Petrobrás buscará judicialmente o ressarcimento dos prejuízos causados pelas irregularidades praticadas por seus ex-funcionários e diretores.

A auditoria interna realizada durante oito meses identificou 15 responsáveis por irregularidades em Pasadena, nos Estados Unidos. Entre eles estão dois executivos da empresa Astra Oil, que vendeu 50% da refinaria para a Petrobrás, em 2006 por um US$ 360 milhões – valor oito vezes superior ao que a companhia belga havia pago, um ano antes, por toda a unidade de refino.

O resultado da auditoria será encaminhado ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para que os acusados sejam responsabilizados na esfera cível. Mas, no caso de funcionários que ainda trabalham na empresa, serão abertos processos administrativos que podem levar a exonerações de cargos.

GABRIELLI E CERVERÓ

Por meio do seu advogado Edson Ribeiro, Gabrielli e Cerveró disseram desconhecer as acusações levantadas na última reunião do conselho.

Gabrielli afirmou que aguarda a comunicação formal para se posicionar.

 

Juiz quebra o sigilo de 16 dos 24 presos e três empresas

Juiz esqueceu do sigilo dos operadores dos partidos

LEANDRO PRAZERES
UOL Brasília

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, determinou, nesta terça-feira (18), a quebra do sigilo bancário de 16 dos 24 presos durante a sétima fase da operação. Além da quebra do sigilo bancário dos presos, três empresas suspeitas de fazerem parte do esquema de desvio de dinheiro público da Petrobras tiveram a quebra de sigilo determinada.

O pedido de quebra de sigilo bancário dos suspeitos foi feito na tarde desta terça-feira (18) e encaminhado ao Banco Central.

Os presos que tiveram os sigilos bancários quebrados são: Erton Medeiros Fonseca (Galvão Engenharia), Renato Souza Duque (Petrobras), Ildefonso Colares Filho (Queiroz Galvão), Othon Zanoide de Moraes Filho (Queiroz Galvão), Valdir Lima Carreiro (Iesa), Dalton Santos Avancini (Camargo Correa), Walmir Pinheiro Santana (UTC), José Ricardo Breghirolli (OAS), Eduardo Hermelino Leite (Camargo Correa), Sérgio Cunha Mendes (Mendes Júnior), Agenor Franklin Magalhães Medeiros (OAS), Ricardo Ribeiro Pessoa (UTC), João Ricardo Auler (Camargo Correa), José Aldemário Pinheiro Filho (OAS), Gerson de Mello Almada (Engevix) e Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como lobista do PMDB.

EMPRESAS

As três empresas que tiveram seus sigilos bancários quebrados são: Technis Planejamento e Gestão em Negócios, Hawk Eyes Administração de Bens e D3TM – Consultoria e Participações.

Desde a última sexta-feira (14), a PF colheu os depoimentos de presos da sétima fase da Operação Lava Jato. A PF investiga um esquema de desvio de recursos públicos da Petrobras orçado em pelo menos R$ 10 bilhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO ilustríssimo juiz federal Sérgio Moro nos desculpe, mas ficou faltando quebrar o sigilo de Adarico Negromonte, o operador do PP. Quando ao sigilo do operador do PT, o ainda tesoureiro José Vaccari Neto, já foi quebrado pela CPI mista e nem precisa mais. (C.N.)

Bethlem engana Conselho de Ética e escapa da cassação

Iolando Lourenço
Agência Brasil 

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados rejeitou por 8 votos a 2 o parecer do deputado Paulo Freire (PR-SP) que propunha a abertura de processo de cassação do mandato do deputado Rodrigo Bethlem (PMDB-J).  Como o parecer preliminar não foi acatado, o processo para a abertura de investigações foi arquivado pelo conselho. O argumento dos deputados que votaram contra a abertura das investigações é que não havia provas materiais que justificassem as denúncias.

O deputado Rodrigo Bethlem foi acusado de desviar recursos públicos durante gestão na Secretaria de Assistência Social da prefeitura do Rio de Janeiro. O pedido de abertura de processo foi feito pelo PSOL, que na representação entregue ao Conselho de Ética diz que houve divulgação pela imprensa de conversas telefônicas, em julho, que apontam possível recebimento de vantagens indevidas pelo parlamentar fluminense quando ocupava o comando da secretaria.

O deputado Rodrigo Bethlem disse que, em função das denúncias publicadas na imprensa, os danos causados a sua imagem e honra são irrecuperáveis. Ao falar do arquivamento do processo, Bethlem lembrou que nos últimos cinco anos foi secretário de várias pastas importantes no governo do Rio de Janeiro e que não gostaria de terminar o mandato parlamentar “com uma espada dessa na minha cabeça”.

Antes de terminar a reunião, o presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PSD-SP), marcou para o dia 2 de dezembro a próxima reunião do colegiado, data em que deverão ser apresentados os relatórios preliminares sobre os processos envolvendo os deputados Afonso Florence, Rui Costa e Nelson Pellegrino, do PT da Bahia. Os relatores são Mauro Lopes (PMDB-MG), Ronaldo Benedet (PMDB-SC) e Wladimir Costa (SD-PA), respectivamente.

As representações contra os petistas foram apresentadas pelo PSDB e DEM e foram baseadas em denúncias da imprensa sobre envolvimento dos deputados no desvio de recursos destinados à construção de 1.120 casas populares.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ inacreditável o que aconteceu com Rodrigo Bethlem. Conseguiu iludir os membros do Conselho de Ética, simplesmente apresentando o passaporte, para provar que nunca foi à Suíça abrir conta. Como explicou aqui na Tribuna da Internet o comentarista José Augusto Aranha, quando você entra na Europa por qualquer país que faz parte do Espaço Schengen, só fica com um único carimbo no seu passaporte, justamente do país por onde você entrou.

“Portanto se o Bethlem chegar na Europa pela França, Espanha, Alemanha, Itália etc., não terá no seu passaporte carimbo da Suíça. Quando ele entrar na Suíça não vão carimbar nada pois ele já está legalizado no Espaço Schengen. O advogado preparou essa ‘pegadinha’ para ver se cola. É nossa obrigação denunciar que isso não prova nada”, disse José Augusto Aranha, acrescentando: “Quando ele diz que não tem carro próprio e precisa pagar aluguel para morar, só confirma que é tudo jogo de cena para a torcida. Se o MP vasculhar o nome dele na Suíça, certamente vai encontrar, pois sua defesa tenta esconder algo inventando estes fatos”.

Na Comissão de Ética, ninguém vasculhou nada e Bethlem se livrou de uma cassação praticamente certa. (C.N.)

CPI quebra sigilo de Vaccari e vai acarear Costa e Cerveró

Deu em O Globo

A CPI mista da Petrobras aprovou, nesta terça-feira, requerimento para a quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Apesar da resistência na base aliada, por 12 votos a 11, a oposição conseguiu aprovar o pedido.

O líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), defendeu que, para aprovar a quebra do sigilo de Vaccari, será preciso aprovar a de todos os demais tesoureiros de partidos. O senador disse que irá apresentar requerimento para estender a quebra do sigilo aos demais tesoureiros.

— O senhor Vaccari não está na relação que o MP encaminhou de pedidos de prisão, é uma pessoa que, depois de prestar depoimento, foi verificado que não tinha nenhum envolvimento. Sabemos quais os interesses que estão em jogo, por isso precisamos ser contra a aprovação desse requerimento. Começar a requerer a investigação de tesoureiros de partidos, certamente vamos ter que requerer de todos os partidos citados. Apenas um partido não foi citado, o PSOL. Se é uma regra termos que ouvir tesoureiros de todos os partidos, vamos ter que requerer de todos — defendeu Dias.

JÁ É RÉU EM OUTRO PROCESSO

O tesoureiro do PT foi citado na delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa como um dos operadores do esquema de distribuição de propinas na estatal. Vaccari também responde, desde 2010, à denúncia do Ministério Público por suposto desvio de recursos, da Bancoop, uma cooperativa habitacional. Vaccari é réu por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. No início da gestão petista, Vaccari, que era presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e secretário de finanças da CUT, chegou a ser cotado para ocupar a presidência da Caixa Econômica Federal.

Nesta terça-feira, em decisões também enfrentaram resistência do PT, a CPI aprovou a convocação do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, e a acareação entre dois ex-diretores da Petrobras, Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa. Ildo Sauer que é também ex-diretor da estatal, será chamado para depor.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Parece incrível, mas a CPI mista resolveu começar a trabalhar, depois de meses de cumplicidade total com os gravíssimos crimes cometidos na Petrobras. Entre os depoimentos agendados, com certeza Ildo Sauer fará grande sucesso. Em entrevista concedida há dois anos e que republicamos aqui na Tribuna da Internet, Sauer fez pesadas denúncias de favorecimentos da Petrobras a Eike Batista, por determinação de José Dirceu, que mandava na estatal. Se alguém perguntar, ele vai contar tudo de novo. (C.N.)

Empreiteiros também devem fazer delação premiada

Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

A deflagração da nova fase da Operação Lava-Jato, na sexta-feira , praticamente enterrou os esforços do governo de evitar que o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff seja iniciado com um novo pedido de CPI para investigar a Petrobras.

Aliados do Palácio do Planalto já comemoravam o fato de terem conseguido enterrar a atual investigação no Congresso e “enrolar” os trabalhos até a apresentação do relatório final, em 22 de dezembro. A prisão do ex-diretor da estatal Renato Duque e de executivos das principais empreiteiras do país demoliram todo o esforço político feito até o momento.

A principal razão para esse novo cenário é justamente a prisão de presidentes, diretores e gerentes das principais empreiteiras do país. “Toda a blindagem que fazíamos a elas caiu por terra. Governo — e até oposição — tinham um acordo tácito de não chamá-los para depor nas comissões. Eles próprios (os executivos) pressionavam os parlamentares para evitar que isso acontecesse”, disse um aliado de Dilma.

SEM ALTERNATIVA

Agora, contudo, com a prisão de vários deles, não haverá, na opinião de integrantes do governo, outra alternativa para os donos de empreiteiras — eles terão de colaborar com as investigações em curso. E, para salvar a própria pele, tenderão a aceitar a delação premiada e seguir o mesmo caminho do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, do doleiro Alberto Youssef e dos executivos da Toyo Setal Júlio Camargo e Augusto Mendonça.

Governistas que acompanham os desdobramentos do caso e os trabalhos da CPI mista da Petrobras lembram que alguns dos executivos resistiam à possibilidade de uma delação premiada e que as próprias empresas, em grande parte, eram contrárias ao estabelecimento de acordos de leniência com autoridades que investigam as denúncias de corrupção.  Mas a situação mudou de uma hora para hora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ impressionante o agravamento da crise. Se os empreiteiros também fizerem delação premiada, o processo poderá avançar muito mais rapidamente, liquidando com o PT, com Lula e com a própria presidente Dilma. E o vice Michel Temer já se sente efetivado no Planalto e ontem até deu entrevistas dizendo que é preciso que o novo ministro da Fazenda seja um “homem do mercado“. Dilma não gostou da intromissão dele, mas não pode fazer nada, tem de aturar. (C.N.)

Fernando Baiano se entrega. Agora faltam Adarico e Vaccari.

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Fernando Baiano era operador dos subornos do PMDB

David Friedlander

Folha

 

O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, acaba de se entregar na superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Acusado por delatores de cobrar propina de obras na Petrobras para o PMDB, ele era procurado pela polícia desde a operação que resultou na prisão de uma dezena de envolvidos na semana passada. Desde a última sexta-feira (14), ele estava escondido em São Paulo.

Baiano é suspeito de ser o elo entre PMDB e esquema de corrupção na Petrobras.

Na segunda-feira (17), o advogado de Fernando Baiano, Mario de Oliveira Filho, disse que seu cliente é usado como “bode expiatório” da operação Lava Jato.

Segundo ele, seu cliente vem colaborando com as investigações e sua prisão não tinha sentido.

“Ele vinha colaborando, estava intimado, se apresentou espontaneamente duas vezes por petição, forneceu o endereço, aceitou intimação por telefone, o que não existe, abriu mão da carta precatória para ser ouvido no Rio de Janeiro, marcou audiência para amanhã e mandaram prendê-lo. Não tem sentido”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ óbvio que também está faltando José Vaccari Neto, o tesoureiro do PT, que se encarregava de cuidar pessoalmente do recebimento e distribuição de propinas para o partido e seus parlamentares. É estranho que ainda não tenha sido decretada a prisão de Vaccari, que é “o homem que sabia demais”, como no filme de Hitchcock. (C.N.)

Petrobras: o que mais cresce é o supersalário de diretores

Vitor Sorano
iG São Paulo

As ações e o lucro vêm despencando há anos, o endividamento tem subido, diversos contratos estão sob suspeita e os diretores da Petrobras custarão à empresa, em média, 46% a mais do que em 2013 cada um, segundo as previsões mais recentes da companhia tabuladas pelo iG.

No total, a estatal pagará R$ 17,2 milhões à sua diretoria neste ano. Como a Petrobras informa que terá “7,67” diretores em 2014 – a empresa diz que o número quebrado decorre do fato de o número de membros corresponder “à média anual do número de membros de cada órgão apurado mensalmente” – a remuneração média por diretor é de R$ 2,25 milhões. Em 2013, o gasto total foi de R$ 11 milhões e a média individual, de R$ 1,54 milhão.

Os valores incluem tudo o que é pago para remunerar cada diretor  – de bonificações a contribuições previdenciárias. Se considerado apenas o salário, o aumento individual é de 14%.

DADOS OFICIAIS

Os dados foram disponibilizados pela Petrobras à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que obriga as empresas de capital aberto a divulgarem, desde 2011, o quanto gastam com os conselhos de administração e fiscal e com a diretoria – órgão que concentra, normalmente, os supersalários das companhias.

A Petrobras ressalta que os montantes de 2014 são projetados, afirma que os reajustes nos honorários mensais é de 7,67%, e diz estar impedida por lei de divulgar os salários individuais de seus diretores.

A empresa ainda sugere – mas não deixa claro – que os valores de 2014 são referentes ao período de março de 2014 a abril de 2015, enquanto os de 2011 a 2013 referem-se aos períodos de janeiro a dezembro de cada ano.

O aumento na remuneração da diretoria da Petrobras decorre principalmente da elevação da participação no resultado. O valor distribuído aos integrantes do grupo somará R$ 2 milhões em 2014, ante R$ 606 mil em 2013. A companhia não esclareceu detalhadamente quais sãos os critérios que definem essas participação.

Essa quantia, assim como o bônus de R$ 615 mil (ligeiramente inferior aos R$ 631 mil de 2013), é variável. Mas, mesmo que os diretores recebam apenas a parcela fixa – que independe do desempenho da companhia – seus vencimentos (incluindo contribuições previdenciárias e ao FGTS) crescerão 25% ante o total de 2013, bem acima da inflação de 5,9% apurada naquele ano.

Isso acontece porque aproximadamente 78% da remuneração dos diretores é fixa – ou seja, independe de critérios de desempenho estabelecidos pela empresa. Esse percentual já foi maior: em 2011, era de 85%.

Sinais negativos desde 2011

Desde 2011, primeiro dado disponível, os gastos totais da Petrobras com seus diretores subiram 41% – um aumento individual de 60% em média. Nesse período, diversos indicadores econômico-financeiros da empresa pioraram.

As ações, que estavam cotadas a R$ 22,97 (ordinárias) e R$ 27,27 (preferenciais) no início de 2011, fecharam o pregão da última sexta-feira (14) em R$ 12,48 e R$ 13,28. O lucro líquido despencou de R$ 10,9 bilhões para R$ 5 bilhões, na comparação entre o 2º trimestre daquele ano e o mesmo período de 2014.

O endividamento total, que no meio de 2011 estava em R$ 128 bilhões, atingiu R$ 307 bilhões em junho deste ano. Parte decorre da elevação dos investimentos da empresa, que saltaram de R$ 9 bilhões para R$ 16 bilhões no período. Mas o crescimento dessa rubrica perdeu fôlego de 2013 para cá.

Para um analista que acompanha de perto a Petrobras, o desempenho ruim dos papéis da companhia está relacionado não só aos humores do investidor de curto prazo, mas também às decisões do comando da empresa.

Empreiteiras pagavam propina ao PT também no setor elétrico

Cleide Carvalho
O Globo

A Polícia Federal investiga se o esquema operado pelo doleiro Alberto Youssef alcança também negócios no setor elétrico. Nas investigações da Operação Lava-Jato, os agentes encontraram na mesa de João Procópio de Almeida Prado, acusado de ser o braço-direito do doleiro, uma planilha identificada como “Demonstrativo de Resultado – Obra Jirau”, com a contabilidade da Camargo Corrêa na obra da hidrelétrica construída no Rio Madeira, em Rondônia, com financiamento de R$ 7,2 bilhões do BNDES.

A empreiteira foi uma das sócias do consórcio que arrematou a concessão até 2012, quando vendeu sua participação. Segundo o Ministério Público Federal, Prado era o elo do esquema de Youssef com a Camargo Corrêa. Ele é concunhado de João Ricardo Auler, presidente do conselho de administração da Construções e Comércio Camargo Corrêa, um dos presos na Lava-Jato.

Youssef disse à Justiça que Auler foi seu principal contato na construtora antes de Eduardo Hermelino Leite, atual vice-presidente da empresa, preso preventivamente. Leite é o único executivo de empreiteira, até agora, acusado pelo doleiro de ficar com parte do dinheiro da propina a ser dividido com os políticos. Procurada, a Camargo Corrêa informou que o Prado “jamais prestou serviços” para a construtora e que desconhece a planilha citada.

Segundo o MPF, Prado era de extrema confiança do doleiro. Operava as contas no exterior, controlava depósitos e pagamentos fora do Brasil, e era também encarregado da abertura de empresas offshore, em nome dele ou de terceiros. Entre os dias 3 e 13 de março passado, Prado, Youssef e Leonardo Meirelles movimentaram € 1,06 milhão de uma conta da Elba Services, na Suíça, para a DGX Import, em Hong Kong.

Youssef afirmou que o primeiro contato que teve com a Camargo Corrêa foi acompanhando o ex-deputado federal José Janene, do PP, um dos flagrados no mensalão e que faleceu em 2010. A reunião foi com João Auler.

A Camargo Corrêa participou de duas grandes obras da Petrobras investigadas na Lava-Jato: a modernização da Repar, refinaria que fica no Paraná, com sobrepreço apontado pelo TCU de R$ 633 milhões e da Unidade de Coqueamento da Refinaria Abreu e Lima, com danos ao erário já identificados de R$ 613,2 milhões. A Camargo Corrêa também fez repasses de R$ 2,875 milhões para a Costa Global, empresa de consultoria do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Os depósitos foram feitos cinco meses após a saída de Costa da estatal, mas ele disse à Justiça que os pagamentos eram propinas.

Propina foi mascarada como doações ao PT, PMDB e PP

Wilson Lima
iG Brasília

Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Lava-Jato apuram a possibilidade de as doações de campanha feitas por pelo menos sete empreiteiras a partidos como PT, PMDB ou PP nos últimos oito anos terem sido uma forma indireta de pagamento de propina para obtenção de contratos públicos junto à Petrobras.

Desde o desencadeamento da Operação Lava-Jato, a PF e o MPF tem monitorado doações de empresas como a Camargo Corrêa, UTC, Mendes Júnior, entre outras, a partidos políticos. Em uma das linhas de investigação, apura-se se o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, intermediava esse acordo entre as empresas e os partidos políticos.

Em depoimento prestado em outubro à Justiça Federal do Paraná, Paulo Roberto Costa afirmou que alguns contratos celebrados pela Petrobras eram superfaturados e cerca de 3% do faturamento era destinado à partidos políticos. A suspeita da PF e do MPF é que, por meio de Costa, as doações de campanha feitas por empreiteiras, legalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também serviam como um pagamento indireto de propina por contratos conquistados junto à Petrolífera.

CONTATO DIRETO

As investigações da Lava-Jato apontam a possibilidade de que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras mantinha contato direto com representantes da Camargo Corrêa, OAS, UTC, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Engevix e Mendes Júnior para a obtenção de recursos de campanhas eleitorais.

“Alguns desses nomes (de representantes das empresas) também encontram-se anotados em agenda que foi apreendida na residência de Paulo Roberto Costa, em parte atinente a contatos junto às empreiteiras para obtenção de doações eleitorais”, afirma o juiz Sérgio Moro, nos mandados de prisão preventiva, temporária e condução coercitiva cumpridos na semana passada pela Polícia Federal.

Obras financiadas em outros países que fazem falta ao Brasil

Francisco Bendl

Em rápido levantamento sobre as obras no exterior financiadas pelo BNDES, abaixo algumas realizadas e que causam inveja aos brasileiros, diante da falta que elas fazem para nosso desenvolvimento.

1) Porto de Mariel (Cuba) Valor da obra – US$ 957 milhões (US$ 682 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht

2) Hidrelétrica de San Francisco (Equador) – Valor da obra – US$ 243 milhões Empresa responsável – Odebrecht Após a conclusão da obra, o governo equatoriano questionou a empresa brasileira sobre defeitos apresentados pela planta. A Odebrecht foi expulsa do Equador e o presidente equatoriano ameaçou dar calote no BNDES.

3) Hidrelétrica Manduriacu (Equador) – Valor da obra – US$ 124,8 milhões (US$ 90 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht -Após 3 anos, os dois países ‘reatam relações’, e apesar da ameaça de calote, o Brasil concede novo empréstimo ao Equador.

4) Hidroelétrica de Chaglla (Peru) – Valor da obra – US$ 1,2 bilhões (US$ 320 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht

5) Metrô Cidade do Panamá (Panamá) – Valor da obra – US$ 1 bilhão Empresa responsável – Odebrecht

6) Autopista Madden-Colón (Panamá) – Valor da obra – US$ 152,8 milhões Empresa responsável – Odebrecht

7) Aqueduto de Chaco (Argentina) – Valor da obra – US$ 180 milhões do BNDES Empresa responsável – OAS

8) Soterramento do Ferrocarril Sarmiento (Argentina) – Valor – US$ 1,5 bilhões do BNDES Empresa responsável – Odebrecht

9) Linhas 3 e 4 do Metrô de Caracas (Venezuela) – Valor da obra – US$ 732 milhões Empresa responsável – Odebrecht

10) Segunda ponte sobre o rio Orinoco (Venezuela) – Valor da obra – US$ 1,2 bilhões (US$ 300 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht

11) Barragem de Moamba Major (Moçambique) – Valor da obra – US$ 460 milhões (US$ 350 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Andrade Gutierrez

12) Aeroporto de Nacala (Moçambique) – Valor da obra – US$ 200 milhões ($125 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht

13) BRT da capital Maputo (Moçambique) – Valor da obra – US$ 220 milhões (US$ 180 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht

14) Hidrelétrica de Tumarín (Nicarágua) – Valor da obra – US$ 1,1 bilhão (US$ 343 milhões) Empresa responsável – Queiroz Galvão *A Eletrobrás participa do consórcio que irá gerir a hidroelétrica

15) Projeto Hacia el Norte – Rurrenabaque-El-Chorro (Bolívia) – Valor da obra – US$ 199 milhões Empresa responsável – Queiroz Galvão

16) Exportação de 127 ônibus (Colômbia) – Valor – US$ 26,8 milhões Empresa responsável – San Marino

17) Exportação de 20 aviões (Argentina) – Valor – US$ 595 milhões Empresa responsável – Embraer

18) Abastecimento de água da capital peruana – Projeto Bayovar (Peru) – Valor – Não informado Empresa responsável – Andrade Gutierrez

19) Renovação da rede de gasodutos em Montevideo (Uruguai) – Valor – Não informado Empresa responsável – OAS

20) Via Expressa Luanda/Kifangondo (Angola) – Valor – Não informado Empresa responsável – Queiroz Galvão

Como estes existem muitos outros empréstimos concedidos pelo BNDES no período de 2009-2014, com favorecimento de países estrangeiros ou grupos nacionais, como o Friboi e o X, de Eike Batista. Conforme mencionado acima, o banco não fornece os valores de alguns deles… Ainda.

 

Era só o que faltava: empreiteiro diz que foi “extorquido”

Deu no iG

O diretor de Óleo e Gás da construtora Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, afirmou ter aceitado pagar propina ao esquema do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. De acordo com depoimento à Polícia Federal nessa segunda-feira (17), Fonseca relatou ter sido extorquido pelos dois principais acusados. As informações são do jornal “Folha de S.Paulo”.

Fonseca destacou que o dinheiro era destinado ao Partido Progressista (PP). Segundo ele, o pagamento foi realizado após receber ameaças feitas por Costa e Youssef. Eles teriam afirmado que, se não fossem atendidos, a Galvão Engenharia seria prejudicada pela Petrobras nos contratos em andamento.

Em meados de 2010, Fonseca havia sido procurado pelo então deputado Jose Janene (PP-PR), que comandava à época o esquema de propinas destinado ao PP. Após a morte do deputado em setembro do mesmo ano, Costa e Yousseff assumiram as negociações.

Durante depoimento, o executivo negou que a Galvão tenha formado cartel com outras empresas que tenham participado do esquema de propinas para ganhar licitações. Segundo ele, o pagamento de propina só foi realizado para evitar que os contratos da empresa fossem prejudicados pela estatal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs procuradores e policiais federais que interrogaram Erton Medeiros Fonseca devem ter dado boas gargalhadas com o depoimento dele. Ao invés de “corruptor”, agora ele quer aparecer nos autos como “vítima de extorsão”. Então, fica combinado assim. (C.N.)

Fundos de pensão das estatais querem se livrar dos petistas

Samantha Lima

Folha

Dizendo-se preocupados com “os destinos dos fundos de pensão de empresas estatais” e “ameaças presentes”, um grupo de 15 conselheiros de fundos de pensão de estatais assinou um manifesto em que se propõem a unir-se para defender os investimentos e os interesses dos participantes.

A preocupação do grupo, segundo a Folha apurou, é em relação à gestão das instituições, considerada deficiente, e à ingerência política.

Entre os signatários, estão representantes da Funcef, da Previ e da Petros, respectivamente fundos da Caixa Econômica, do Banco do Brasil e da Petrobras.

Segundo esse integrante, o grupo pretende reunir-se com a Secretaria de Previdência Complementar, órgão responsável por regular e fiscalizar os fundos de pensão, para discutir o problema.

PROTEGER OS SEGURADOS

No documento, os conselheiros dizem-se comprometidos em “empreender todos os esforços possíveis” para “proteger e salvaguardar os interesses dos participantes” das entidades.

O documento foi assinado ao fim do do Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, realizado em São Paulo.

Os conselheiros signatários foram eleitos pelos participantes e dizem-se livres de indicação política. Da Funcef, assinaram Antonio Augusto de Miranda, Max Mauran Pantoja da Costa e Souza e Délvio Joaquim Lopes de Brito; da Previ, Antônio José de Carvalho, Ari Zanella, Cecília Garcez, Décio Bottechia, José Bernardo de Medeiros Neto e Williams Francisco da Silva; da Petros, assinaram Epaminondas de Souza Mendes, Paulo Teixeira Brandão, Ronaldo Tedesco e Sílvio Sinedino; da Associação dos Auditores Internos da Caixa, assinou Luciane Munhóz de Martins; e da Associação dos Auditores dos Correios, assinou Maria Inês Capelli Fulginiti.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA preocupação é procedente. Os fundos de pensão podem chegar ao ponto de não honrar seus compromissos com os aposentados, com já acontece com o Aeros (Varig/Transbrasil).  Em 2013, os fundos  fecharam seus balanços com um déficit histórico de R$ 22 bilhões e o saldo negativo só cresceu este ano. No primeiro semestre, a Previ (Banco Brasil) acumulava R$ 5 bilhões de prejuízo; a Petros (Petrobrás), R$ 3 bilhões; e a Funcef (Caixa Econômica), R$ 4 bilhões. Detalhe: são seis milhões de contribuintes ativos, aposentados e pensionistas. (C.N.)

Vaccari, Baiano e Adarico recolhiam as propinas dos partidos

Paulo Roberto Costa delatou os três “operadores” de PT, PMDB e PP

Deu no Correio Braziliense

Se o mundo da política, e mais particularmente o PT, o PMDB e o PP, está tenso com os próximos desdobramentos da Operação Lava-Jato, muito dependerá do quanto será descoberto e da disposição em falar daqueles que, até o momento, são apontados por delatores e investigadores como o elo entre o “clube das empreiteiras”, que pagavam propinas nos contratos da Petrobras, e os partidos políticos.

Nas palavras do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, as conexões entre o cartel denunciado pelo juiz Sérgio Moro e as legendas eram feitas pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto; por Fernando Soares, o Fernando Baiano, pelo PMDB; e por Adarico Negromonte, pelo PP.

Os dois últimos tiveram mandados de prisão expedidos na última sexta-feira, mas são os únicos que se encontram foragidos. Vaccari, por enquanto, não tem nada, além das citações de Paulo Roberto Costa e de Youssef, ligando-o ao caso. A Polícia Federal emitiu um mandado de busca e apreensão na casa da cunhada de Vaccari, Marice Correia Lima.

“Ela não tem nada a ver com o Vaccari. Ela trabalhou no PT há muito tempo, ainda nos tempos de Delúbio Soares. Desde que o Vaccari assumiu a tesouraria do PT, ela não trabalha mais lá”, afirmou o deputado Ricardo Zarattini (PT-SP). O tesoureiro disse que “repudia veementemente as acusações”.

VACCARI: LIVRE, LEVE E SOLTO

Embora o PT reafirme em alto e bom som que não há necessidade de blindar o tesoureiro da legenda, pois não há nada concreto contra ele, Vaccari já foi pressionado a deixar o cargo de conselheiro da Itaipu Binacional, no último dia 31. Durante a reunião do Conselho de Administração da estatal, Vaccari disse estar “incomodado com as acusações sem fundamento”. Para Zarattini, a situação incomoda. Não apenas Vaccari, mas também o partido. “Mais uma vez, as atenções estão voltadas para nós. É claro que preocupa”, sintetizou.

A saída de Vaccari de Itaipu foi interpretada, à época, como uma pressão do Palácio do Planalto para tentar minimizar os efeitos da crise decorrente das denúncias de corrupção na Petrobras. Movimento semelhante foi feito na Transpetro que resultou no pedido de licença de 30 dias do presidente Sérgio Machado — para muitos, um caminho sem volta. Tanto no PT quanto no PMDB, o pedido de afastamento e de licença gerou atritos com o Palácio do Planalto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ inexplicável e inaceitável a omissão da Procuradoria da República, que ainda não pedi a prisão de Vaccari. Os dois operadores de PMDB e PP (Baiano e Adarico) já estão foragidos. É óbvio que Vaccari seguirá o mesmo destino. E assim como Henrique Pizzollato, ele também possui dupla cidadania, brasileira e italiana. (C.N.)

Atiraste uma pedra e feriste um amigo

Nasser, grande letrista

O jornalista, escritor e letrista, nascido em Jaú (SP), David Nasser (1917-1980), autor de diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais “Atiraste uma Pedra”, em parceria com Herivelto Martins, retratando o sofrimento que a separação da pessoa amada acarreta. Este belo samba-canção teve sua primeira gravação feita por Nelson Gonçalves, em 1958, pela RCA Vitor.

ATIRASTE UMA PEDRA

Herivelto Martins e David Nasser

Atiraste uma pedra no peito de quem                                                                                                                                                                                      Só te fez tanto bem
E quebraste um telhado
Perdeste um abrigo
Feriste um amigo
Conseguiste magoar
Quem das mágoas te livrou

Atiraste uma pedra
Com as mãos que esta boca
Tantas vezes beijou.
Quebraste o telhado
Que nas noites de frio
Te serviu de abrigo
Perdeste um amigo
Que os teus erros não viu
E o teu pranto enxugou

Mas acima de tudo
Atiraste uma pedra
Turvando esta água
Esta água que um dia
Por estranha ironia
Tua sede matou.

      (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Mundo tem 35,8 milhões de escravos modernos, aponta estudo

No Brasil, muitas crianças escravizadas

Andreia Verdélio
Agência Brasil
Dados inéditos da fundação internacional Walk Free revelam que cerca de 35,8 milhões de pessoas são mantidas em situação de escravidão no mundo. O relatório de 2014 da organização será lançado no dia 18 de novembro e a versão em português será apresentada em 1º de dezembro, no Rio de Janeiro, durante a entrega do Prêmio João Canuto, de direitos humanos.

Em entrevista à Agência Brasil, a representante da Walk Free no país, Diana Maggiore, conta que o número de pessoas escravizadas hoje cresceu 20%, em relação aos 29,8 milhões de pessoas apontadas no The Global Slavery Index 2013, o primeiro relatório da organização.

Segundo a Walk Free, no Brasil há cerca de 220 mil pessoas trabalhando como escravos. Maggiore explicou que, em 2013, pela primeira vez, o número de pessoas resgatadas de situações de escravidão no setor urbano foi maior que no setor rural no país. “Por causa dos eventos esportivos, tivemos muitos registros na construção civil e a tendência deve continuar até as Olimpíadas. O Brasil está crescendo, daqui a alguns anos pode ser diferente”, disse.

Entre as formas de escravidão estão o tráfico de pessoas, o trabalho infantil, a exploração sexual, o recrutamento de pessoas para conflitos armados e o trabalho forçado em condições degradantes, com extensas jornadas, sob coerção, violência, ameaça ou dívida fraudulenta. Os últimos dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 2012,  apontam que quase 21 milhões de crianças e adultos estão presos em regimes de escravidão em todo o mundo.

O maior número de trabalhadores forçados, segundo a OIT, está na Ásia e região do Pacífico, com 11,7 milhões de pessoas nessas condições. No último dia 23 de outubro, Sandra Miranda, de Brasília, recebeu uma encomenda do site chinês AliExpress com um pedido de socorro: “I slave. Help me [Sou escravo, ajude-me]”. A filha da advogada colocou a foto da mensagem nas redes sociais e já teve mais de 15 mil compartilhamentos. “Fiquei perplexa, pensei até que fosse brincadeira, mas o pacote estava muito bem fechado, então veio mesmo de quem embalou”, disse.

“A alegação feita contra um dos vendedores da plataforma AliExpress está sendo investigada”, respondeu a empresa do Grupo Alibaba à Agência Brasil. Segundo Sandra Miranda, um representante da empresa entrou em contato e explicou que o site apenas revende os produtos que já chegam embalados de diversas fábricas e que precisaria rastrear de qual vendedor veio o seu produto.

A Embaixada da China no Brasil respondeu dizendo que o país asiático tem leis que proíbem rigorosamente o trabalho escravo e um órgão que atua para sua erradicação, similar ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no Brasil. Sobre o pedido de socorro no pacote de Sandra Miranda, não há solução, segundo a embaixada, já que no bilhete não havia nome, nem nada que pudesse levar à identificação da vítima.

A mensagem, entretanto, chamou atenção para a situação dos trabalhadores daquele país. Segundo o coordenador Nacional do Programa de Combate ao Trabalho Forçado da OIT no Brasil, Luiz Machado, já houve outras mensagens semelhantes, não só no Brasil, e mostra um problema grave que deve ser endereçado às autoridades chinesas.

Machado explica que, independente da China não ter ratificado as convenções sobre trabalho escravo da organização, a OIT lançou em 1998 a Declaração de Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, que prega a erradicação do trabalho escravo e infantil, a não discriminação no trabalho e a liberdade sindical. “A China fez avanços e vem trabalhando melhor a regulação da relação de trabalho, coisa que nem existia por lá. A OIT tem escritório no país e projetos de cooperação técnica na área, ela [China] vem se abrindo a aceitar essa cooperação, aceitar observar os direitos humanos”, explicou.

Segundo Machado, o perfil de trabalhadores escravizados na Ásia não é muito diferente de outros lugares do mundo. São pessoas pobres, a maioria mulheres e crianças, por serem mais vulneráveis, que geralmente migram do seu local de origem, dentro do próprio país ou não, por conta própria ou forçados, e sem educação formal aceitam qualquer proposta de trabalho; podem ser enganadas ou ter a liberdade cerceada e acabam aceitando a exploração por ser a única forma de ganhar um pouco de dinheiro ou comida.

O coordenador da OIT explica que qualquer governo que tenha relações comerciais com outro país e que perceba que, no processo de fabricação de seus produtos, há a utilização de trabalho escravo, pode impor condições para sua comercialização, assim como faz o setor privado.

“Temos o caso clássico de Myanmar, que sofreu condenação na OIT e sanções econômicas por causa da exploração de trabalho forçado. Existem casos mais específicos de empresas privadas, como o embargo da indústria automotiva ao aço brasileiro. Em determinado momento, descobriu-se que o carvão utilizado em siderúrgicas vinha de trabalho escravo e infantil e do desmatamento ilegal. As pessoas começaram a dar mais atenção a toda a cadeia de valor”, contou Machado. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil não mantém acordos bilaterais de combate ao trabalho escravo nem impõe sanções unilaterais a outros países por questões sociais. “O Brasil defende que eventuais sanções sejam determinadas por órgãos multilaterais como o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Na área de combate internacional ao trabalho escravo, o país participou neste ano, em Genebra, da elaboração do novo protocolo da Convenção da OIT sobre trabalho escravo. O governo brasileiro deverá ser um dos primeiros países a ratificá-lo”, disse o Itamaraty, em nota.

Segundo Machado, o Brasil é um dos pouquíssimos países que tem estrutura específica de combate ao trabalho escravo, que são os grupos de fiscalização móvel do MTE, em parceria com a Polícia Federal. De 1995 até 2013, quase 47 mil vítimas foram resgatadas da situação de escravidão no Brasil, entre brasileiros e estrangeiros. Historicamente, os setores agropecuário e sucroalcooleiro são os que mais aparecem na lista suja do trabalho escravo, mas a construção civil e a moda vêm ganhando destaque.

Para o coordenador da OIT no Brasil, o país deve se preparar para enfrentar a questão da imigração, já que cada vez mais latino-americanos, africanos e asiáticos estão vindo em busca de trabalho. “Não há um processo ainda desburocratizado para apoiar o trabalhador migrante. O Estatuto do Estrangeiro, de 1980, tem que ser revisado e adequado ao novo cenário global de fronteiras”, argumentou Machado.

(Matéria enviada por Paulo Peres)

Empreiteira alega que só pagou R$ 7 milhões, uma mixaria…

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Camargo “comprou” barato

Deu no Estadão

“Regra do jogo conhecida por todos”. É assim que definiu o executivo Julio Camargo, em sua delação premiada, o esquema que cobrava propina em troca de contratos bilionários da Petrobras. O executivo da Toyo operacionalizava pagamentos de propina por meio de três empresas abertas por ele (Treviso, Piemonte e Auguri), em especial aos ex-dirigentes da Petrobras ligados ao PT – Duque e Barusco.

Ele e outro executivo do grupo apontaram por exemplo as obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. Para ganhar as obras, participando dentro do Consórcio Interpar – controlado pela Mendes Júnior -, teve que pagar R$ 12 milhões em propina. Um contrato de consultoria foi firmado pelo consórcio com a empresa Auguri Empreendimento e Assessoria Comercial, usada pelo delator para movimentar a propina.

“Houve solicitação de pagamento de vantagem indevida por Renato Duque e Pedro Barusco do valor aproximado de R$ 12 milhões”, revelou o executivo. “O valor foi pago mediante transferências feitas no exterior”, apontou Camargo, indicando a conta de onde saiu, no Credit Suisse, a offshore que controlava a conta, a Drenos, e qual contrato da Auguri, no valor de R$ 40 milhões de comissionamento, respaldou a movimentação da propina.

Nas obras da Refinaria Revap (em São José dos Campos-SP), em 2007, fechado pelo valor de R$ 1 bilhão, a Toyo participou do consórcio que era controlado pela Camargo Corrêa. Ele cita o vice-presidente do grupo, Eduardo Hermelino Leite, preso em Curutiba (PR), como controlador do contrato. Segundo ele, em 2008 a Camargo Corrêa fez um contrato com a Treviso para repassar R$ 23 milhões de comissão para ele.

CONTAS AQUI E LÁ FORA

“Dessa comissão, repassou em propina para a Diretoria de Engenharia e Serviços o valor de R$ 6 milhões, sendo pago a maioria no exterior e parte em reais no Brasil”, afirmou Camargo. Ele apontou ainda a conta no Credite Suisse de onde saiu o dinheiro da propina dos dirigentes ligados ao PT nas transferências feitas no exterior. Ao todo, os executivos apontaram nove obras da Petrobras alvo de propina. Indicou ainda suas empresas usadas para movimentar o dinheiro: Treviso, Piemonte e Auguri. E as contas no exterior, como do banco Winterbothan, no Uruguai, e nos bancos Credite Suisse e Cramer, na Suíça.

“Os pagamentos foram feitos através de contas que os executivos da Toyo mantinham no exterior “para contas indicadas por Duque ou Barusco no exterior, ou em reais no Brasil disponibilizados por (Alberto) Youssef”, afirma o MPF. Os depoimentos de Barusco estão sendo tomados em sigilo e ainda não foram acordados com a Polícia Federal e o Ministério Publico Federal. Depois de fechado o acordo, ele será submetido à Justiça para ser homologado. Para terem direito ao benefício da redução de pena, o que eles dizem devem ser comprovado.

Nada mudou: atual diretor Cosenza também recebia subornos

Cosenza imitou Lula e foi à CPI da Petrobras dizer que não sabia de nada

Deu no Estadão

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, principais delatores da Operação Lava Jato, acusaram o atual diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, de receber “comissões” de empreiteiras que mantêm contratos com a companhia. A revelação foi feita pela Polícia Federal ao interrogar executivos presos na última sexta-feira (14).

“Paulo Roberto e Alberto Youssef mencionaram o pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras para si, para os diretores Duque, Cerveró e Cosenza, e para agentes políticos, confirma?”, perguntou o delegado Agnaldo Mendonça ao diretor executivo da Queiroz Galvão, Othon Zanoide de Moraes Filho, um dos presos. “Desconheço essa informação. Eu nunca tive conversa nenhuma com eles nesse sentido”, reagiu o engenheiro, que prestou depoimento na sede da Polícia Federal em Curitiba.

Cosenza era braço direito de Paulo Roberto na Petrobras e o substituiu na área de Abastecimento. Ele participou de evento nesta segunda-feira ao lado da presidente da estatal, Graça Foster. A defesa do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró nega que ele tenha recebido propina.

Em depoimento à CPMI da Petrobras no Congresso, ele disse desconhecer o esquema de cartel e corrupção na companhia. Em nota, Cosenza disse negar, “veementemente, as imputações de que tenha recebido ‘comissões’ de empreiteiras contratadas pela Petrobras, ao tempo em que reafirma que jamais teve contato com Alberto Yousseff.”

Só agora Graça Foster admite que sabia das propinas da SBM

Graça Foster mentiu até a semana passada

Samantha Lima e Lucas Vettorazzo
Folha

A presidente da Petrobras, Graça Foster, admitiu, nesta segunda-feira, que já tinha, desde meados do ano, a informação de que a SBM Offshore fez pagamento de propina a “empregado ou ex-empregado da Petrobras”, admitida pela própria fornecedora, sediada na Holanda.

Até então, a Petrobras não havia comunicado oficialmente que tinha recebido tal informação.

O que vinha sendo dito – e foi repetido na última sexta-feira, quando a Petrobras voltou ao tema por meio de um comunicado – era que uma comissão de apuração criada em fevereiro, quando as denúncias tornaram-se públicas, havia investigado internamente, durante 45 dias, mas nada havia sido descoberto. E que, depois disso, a apuração continuou, e relatórios complementares haviam sido enviados à Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal.

Agora, Graça Foster diz que o comunicado da semana passada foi emitido no contexto do acordo fechado entre o Ministério Público holandês, que investigava o caso, e a SBM.

“Passadas algumas semanas, alguns meses [da investigação interna da Petrobras], eu fui informada de que havia, sim, pagamentos de propina para empregado ou ex-empregado de Petrobras. Imediatamente, e imediatamente é ‘imediatamentemente’, é que informamos a SBM de que ela não participaria de licitação conosco enquanto não fosse identificada a origem, o nome de pessoas que estão se deixando subornar na Petrobras. E é isso que aconteceu, tivemos uma licitação recente, para plataformas nos campos de Libra e Tartaruga Verde, e a SBM não participou”, alegou a presidente da Petrobras.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É inconcebível essa postura da presidente da Petrobras. A SBM foi eliminada das licitações em maio. Isso significa que antes disso Maria das Graças Foster já sabia que tinha havido suborno, não tomou providências e continuou repetindo que a comissão não havia descoberto nada. Da mesma forma, vivia dizendo que Pasadena tinha sido um grande negócio, mas agora manda processar o ex-presidente Gabrielli e os 15 cúmplices na negociata. Traduzindo: Graça Foster é uma espécie de Dilma e não se pode confiar no que ela diz. (C.N.)