A genial casa no campo, de Zé Rodrix e Tavito

Os músicos e compositores Zé Rodrix (carioca) e Tavito (mineiro), nome artístico de Luís Otávio de Melo Carvalho, retratam na letra de “Casa no Campo” a intenção de trocar a agitação da cidade grande pela vida simples e tranquila do interior. A canção viria a se tornar um grande sucesso na voz de Elis Regina, através o Compacto Duplo gravado, em 1971, pela Philips.
CASA NO CAMPO
Zé Rodrix e Tavito
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks-rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais.

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique, sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais.
         (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Médica cubana desiste de ser explorada e vai pedir asilo ao Brasil

Ricardo Della Coletta e Daiene Cardoso
Estadão

Uma cubana que se apresentou como profissional participante do programa Mais Médicos abandonou o projeto, refugiou-se ontem dentro da Câmara dos Deputados e promete pedir asilo ao governo brasileiro.

Ramona Matos Rodríguez, de 51 anos, disse ter deixado no sábado passado a cidade paraense de Pacajá, onde outros seis estrangeiros atenderiam pelo Mais Médicos, e viajou para Brasília. A médica declarou ter decidido abandonar o programa ao descobrir que o salário pago aos profissionais de outras nacionalidades era de R$ 10 mil, valor que não teria sido informado pelas autoridades cubanas.

Ontem, segundo relato de Ramona, ela decidiu contatar a liderança do Democratas na Câmara depois de falar por telefone com uma amiga em Pacajá. Esta pessoa lhe teria dito que agentes da Polícia Federal estiveram na cidade em busca de Ramona e que o telefone da cubana estava grampeado.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que chegou a levar a médica cubana ao plenário da Casa para denunciar o que chamou de “uso de trabalho escravo” pelo programa, disse que Ramona vai ficar instalada no gabinete da liderança do partido enquanto o governo não deliberar sobre o pedido de asilo. Ele também colocou o espaço da liderança “à disposição” de outros médicos cubanos que queiram se asilar.

NO PLENÁRIO

Caiado entrou no plenário surpreendendo a todos com a história e deputados do PT chegaram a acionar o Ministério da Saúde para pedir mais informações. O próprio Ministério da Saúde foi pego de surpresa e enviou assessores ao Legislativo. Mas, até as 23h de ontem, a pasta não havia se manifestado.

Natural de Havana, Ramona Matos Rodríguez disse exercer a Medicina há 27 anos, ter especialização em medicina geral integral e já ter participado de uma missão de médicos cubanos na Bolívia. Ela levou à Câmara na noite de ontem uma cópia do contrato para a sua atuação no Brasil. No documento, firmado entre Ramona e “La sociedad mercantil cubana Comercializadora de Servicios Médicos Cubanos” e com duração de três anos, a médica aceitou ganhar o equivalente a US$ 400 mensais, depositados no Brasil; outros US$ 600 seriam retidos em uma conta em Cuba. A médica cubana também alegou que recebia mais R$ 750 da prefeitura de Pacajá como auxílio alimentação e que a hospedagem era mantida pela administração municipal.

NÃO SABIA DO SALÁRIO

Ramona relatou ter chegado ao Brasil em outubro e ter participado, em Brasília, de um curso de capacitação do programa em suas primeiras semanas no País. Conheceu profissionais do Mais Médicos originários de locais como Argentina e Colômbia, momento em que tomou conhecimento do salário de R$ 10 mil pago pelo programa.

“Em Cuba não se falou nada sobre isso. Me senti muito mal”, relatou a médica em coletiva de imprensa na sala do DEM. Ela conta ter uma filha em Cuba e afirma temer possíveis represálias do regime castrista.

Gilmar Mendes vê sinais de lavagem de dinheiro nas doações para pagar multa de mensaleiros

Do site R7

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes afirmou, nesta terça-feira (4), que desconfia das doações que estão sendo feitas para ajudar os condenados no processo do mensalão a pagar as multas.

O ministro vê indícios de lavagem de dinheiro no sistema de arrecadação e sugere que o Ministério Público deve investigar a origem dos recursos que estão sendo doados.

— Eu acho que está tudo muito esquisito. Essa dinheirama, será que esse dinheiro que está voltando é de fato de militantes? Ou estão distribuindo dinheiro para fazer esse tipo de doação? Será que não há um processo de lavagem de dinheiro aqui? São coisas que nós precisamos examinar.

IRREGULARIDADES

Mendes disse ainda que basta “ler os sinais” para suspeitar de irregularidades. Ele citou a oferta de emprego que o ex-ministro José Dirceu recebeu, com salário de R$ 20 mil. O ministro desconfia porque outros setores estão se dispondo a ajudar pessoas condenadas por corrupção.

— Há esse discurso agora de julgamento político. Que um eventual condenado tente descaracterizar a legitimidade da condenação é compreensível. Agora, outros setores, a gente tem que ficar desconfiado. Então, se a gente olha, coleta de dinheiro, esse tipo de manifestação, serviço num hotel que pertence a alguém no Panamá por R$ 20 mil, se a gente soma tudo isso há algo mais no ar. Está estranhíssimo.

Para o ministro, é estranho que pessoas condenadas por desviar recursos públicos estejam “festejando coleta de dinheiro” e criticou o fato das doações estarem sendo noticiadas como fatos “corriqueiros”.

Mendes deixou claro que espera que o sistema de doações sejam investigado.

— Há algo de grave nisso. E precisa ser investigado. E essa gente, eles não são criminosos políticos, não é gente que lutava por um ideal e está sendo condenado por isso. São políticos presos por corrupção.

Polícia chama parentes para identificar os três corpos encontrados em área indígena

Ivan Richard
Agência Brasil 

A Polícia Federal em Rondônia convocou parentes dos três homens desaparecidos desde o dia 16 de dezembro, quando passavam pela BR-230, Transamazônica, no trecho que corta a área indígena Tenharim Marmelo, em Humaitá, no sul do Amazonas.

Ontem (3), a Polícia Federal encontrou três corpos enterrados na selva, que podem ser do representante comercial Luciano Ferreira Freire, do professor Stef Pinheiro e do funcionário da Eletrobras Aldeney Ribeiro Salvador.

Nas buscas iniciadas há mais de um mês,  a polícia recebeu ajuda de especialistas em buscas na selva do Exército e de cães farejadores da Polícia Militar do Amazonas. Os cadáveres foram levados para o Instituto Médico-Legal de Porto Velho, onde passarão por exames para identificação e determinação das causas das mortes.

Os corpos foram encontrados cinco dias após a prisão de cinco índios da etnia Tenharim apontados como responsáveis pelo desaparecimentos dos três homens. Eles estão presos na Superintendência da Polícia Federal em Porto Velho.

João Paulo Cunha se entrega no Complexo Penitenciário da Papuda

Luciano Nascimento
Agência Brasil 

Antes de se entregar, no início da noite desta terça-feira (4) no Complexo Penitenciário da Papuda, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) divulgou uma carta na qual diz que o julgamento do mensalão foi um “show midiático”. Um dos condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, João Paulo reafirma na carta que é inocente e ressalta que seguiria a lei e se entregaria para “cumprir a injusta absurda pena” a que foi sentenciado.

No texto, ele diz ainda que foi condenado sem provas e que, encerrada a fase de embargos, sua defesa “solicitará a revisão criminal de todo o processo, de modo a garantir um novo julgamento. João Paulo acrescenta que enfrentará um possível processo de cassação por quebra de decoro parlamentar, para o qual se diz preparado. Para o deputado, o processo no plenário da Câmara é que será um “legítimo julgamento”. No plenário, ressaltou, é que provará sua inocência.

João Paulo Cunha teve o mandado de prisão expedido hoje pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa. O deputado foi condenado a seis anos e quatro meses de prisão.

O líder do PT na Câmara, Vicentinho (SP), disse que o partido acredita na inocência do deputado. “Esta é uma condenação sem provas, sem testemunhas e, embora nós respeitemos a decisão do STF, a gente questiona. A penalidade será cumprida, não estamos questionando a penalidade, apenas manifestando a nossa opinião, nossa discordância da decisão.”

RECURSO

João Paulo Cunha aguarda ainda que o Supremo analise recurso de sua defesa contra a condenação a três anos de prisão por lavagem de dinheiro, o que deve ocorrer neste ano.

O parlamentar era o presidente da Câmara dos Deputados à época do mensalão. Por ter sido condenado a pena inferior a oito anos, o deputado irá cumprir a pena inicialmente no regime semiaberto.

Discordando de Leonardo Boff sobre os rolezinhos

Alex Peña-Alfaro   

Discordo do comentário de Leonardo Boff publicado no Blog, em que defendeu o pressuposto da vitimização dos pobres que fazem rolezinho, porque questionam a discriminação que sofrem nos palácios do consumo.

Faço a mesma pergunta de outro leitor: em que mundo Boff mora? Não sei se deu conta de que os tais centros de consumo estão muito próximos das periferias e que de fato são lugares de emprego, lazer e consumo destes mesmos pobres.

Estão misturando as bolas quando cobram dos shoppings a atenção que lhes é negada pelo Estado… Ora, como fazer manifestações políticas em áreas sem estrutura física para tal? E a segurança? E a depredação? E os idosos? E as crianças? E as grávidas? E os empregos dos funcionários pobres? E o direito ao lazer e segurança dos mesmos pobres, como isso fica?

FALÁCIAS

Chama-se mistificação, farisaísmo, engodo e populismo o que Boff faz, pois as reivindicações sociais são contra o governo petista que ele defende com unhas e dentes e desinformação! Por favor, poupe a nossa inteligência e paciência dessa argumentação falaciosa.

Quem vai estabelecer o limite do rolezinho? E se houver violência, quem será penalizado e responsabilizado? Querendo ou não, o shopping gera emprego, paga impostos, é um espaço aberto para os pobres.

É obsceno que se tente culpar os donos de negócios honestos, em que o trabalho é a regra, não a corrupção nem o trambique. Mas Boff somente os vê como os lobos que estão devorando os chapeuzinhos…

Essa história de erguer-se em procurador dos pobrezinhos e falar em nome deles é desonesto. Vamos tirar a prova, perguntando a eles o que pensam, sem fantasiar nem distorcer os fatos.

Na Ucrânia, o Ocidente está brincando com fogo? Por quê?

Site Moon of Alabama

O ‘Ocidente’ está promovendo um bando de direitistas como se fosse alguma “oposição democrática” contra o governo eleito da Ucrânia. Como é possível que John Kerry (Secretário de Estado dos EUA) diga que as forças que investem contra um governo da maioria e eleito, estariam em “luta pela democracia”?

Há aqui um grande perigo. O núcleo ativo da ‘oposição’ são grupos fascistas, somados a uma coleção violenta de holligans e militantes. Esses grupos vão de radicais extremistas de direita e torcidas de times de futebol até veteranos do exército nacionalistas e grupos armados com porretes. E para gáudio do campeão mundial de boxe Vitali Klitschko, converteram-se em presença dominante que comanda a ‘revolução’.

FORA DE CONTROLE

Todos que têm algum interesse em jogo na solução da crise política da Ucrânia — incluindo diplomatas dos EUA e da União Europeia que a tudo assistem em frenesi – já reconheceram o papel desses agitadores. Mas, agora, esses grupos estão-se tornando incontroláveis.

Ao promover a ‘oposição’, que não tem meios para vencer eleições, o ‘Ocidente’ apoia e estimula essas forças extremistas, que já declararam que visam a levar o país a uma guerra civil.

Aí está, bem clara, como já escrevemos, uma repetição da estratégia usada para reduzir a Síria a ruínas. Sob o disfarce de “manifestações pacíficas” que, como na Ucrânia, jamais foram pacíficas, incitam-se forças extremistas contra o estado e suas estruturas.

Mas qual o objetivo dessa já declarada tentativa de converter a Ucrânia em estado sem governo e, possivelmente, lançar o país numa guerra civil?  A Síria já não comprovou que essas forças extremistas se voltam sempre, fatalmente, contra o ‘Ocidente’?! O que há para [John Kerry] ganhar, na Ucrânia, senão mais guerra?!

http://www.moonofalabama.org/

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

 


Mobilização emergencial contra os protestos na Copa do Mundo

Murilo Rocha

O PT e o governo federal trabalham em duas frentes para minimizar os eventuais estragos causados pelas manifestações contra a Copa do Mundo neste ano. A principal preocupação é evitar um desgaste excessivo na imagem da presidente Dilma Rousseff às vésperas da eleição. Há o temor de protestos violentos, incluindo a reação da PM, e a repercussão negativa da imprensa internacional sobre o país. Diante do consenso da inevitabilidade das ações antiCopa, a ordem é administrar – ou dividir – os danos.

Pelo lado do partido, a intenção é intensificar os diálogos com movimentos sociais historicamente ligados à sigla no intuito de persuadi-los a não engrossar o coro das manifestações nas ruas, como ocorreu em junho do ano passado. Para convencer esses grupos, o PT irá justificar o uso desses movimentos por parte da direita – entenda-se adversários políticos alinhados, principalmente, com o PSDB – para atingir a presidente.

Ou seja, na visão petista, no calor dos protestos, quem tem mais a perder é Dilma, e seus adversários sabem disso e vão querer imputar a ela todo descontentamento surgido por detrás da bandeira #NãoVaiTerCopa. O partido acredita até na possibilidade de ações não espontâneas serem fomentadas por adversários em ano eleitoral e de Copa no Brasil.

ESTRATÉGIA

Da parte do governo federal, a estratégia é controlar as atuações da polícia na repressão às manifestações de forma a não aumentar ainda mais uma eventual onda de violência. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, segundo informação do jornal “O Estado de S. Paulo”, já foi inclusive orientado pelo Planalto a convocar uma reunião com secretários de segurança dos 12 Estados onde estão as cidades-sedes de jogos do Mundial. Cardozo deve apresentar uma proposta para a criação de um protocolo de atuação policial durante os protestos.

Apesar de o governo não ter se manifestado ainda sobre uma política de como lidar com os manifestantes durante a Copa, as ações discutidas até agora deixam transparecer uma tentativa de querer dividir os participantes de protestos entre pacíficos e violentos (black blocs). Para o primeiro grupo, haverá tolerância e apenas acompanhamento de passeatas ou concentrações.

Para o segundo, o governo federal e os estaduais devem adotar ações de inteligência para identificar os chamados “vândalos” e, principalmente, a criminalização deles com amparo do Poder Judiciário.

Mesmo com toda essa precaução, hoje é ainda impossível mensurar qual será a amplitude das manifestações previstas para este ano. Há quem aposte na perda da espontaneidade e, consequentemente, um número menor de pessoas. Outros acreditam em protestos mais violentos com ações mais extremadas também da polícia. A única certeza é sobre a ocorrência das manifestações e de seus desdobramentos nas urnas. (transcrito de O Tempo)

Etanol: um beco sem saída (ou a destruição do Proálcool)

Xico Graziano
Estadão

Pasmem: o Brasil está importando etanol dos Estados Unidos! O país que inventou o Proálcool, pátria dos veículos flex, o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, anda de marcha-à-ré no combustível renovável. Primeiro incentivou, depois maltratou suas destilarias, dando prioridade à poluente gasolina. Um vexame internacional.

Navios carregados de álcool anidro norte-americano começaram a descarregar 100 milhões de litros no Porto de Itaqui (Maranhão). É somente o começo, destinado ao abastecimento do Nordeste. No total, as importações serão bem mais volumosas. Para facilitar, o governo Dilma desonerou de impostos (PIS e Cofins) as compras de etanol no exterior, dando um tapa na cara dos produtores nacionais. Surreal.

Há décadas, na agenda planetária os combustíveis renováveis começaram a impor-se nos transportes, preliminarmente, por causa do encarecimento do petróleo.
Recentemente, com a ameaça pelo aquecimento global, nações investiram na busca de energias alternativas, ambientalmente vantajosas, diante das de origem fóssil. O sonho dos países desenvolvidos, liderados pela Europa, é esverdear sua matriz energética utilizando fontes solares, eólicas ou oriundas da biomassa. Todos avançaram nas energias chamadas limpas. Aqui andamos para trás.

LULA E BUSH

Tudo caminhava bem. Eleito o PT, no seu primeiro mandato o presidente Lula recebeu George W. Bush usando o boné dos usineiros. Interessado em abastecer o crescente mercado dos Estados Unidos, o setor sucroalcooleiro nacional estava animado. O etanol brasileiro, mais competitivo, ganharia o mundo. Nesse contexto vitorioso, as montadoras relançaram, em 2003, carros flex mais eficientes, dando maior segurança aos consumidores.

Em cinco anos, a quilometragem rodada por veículos movidos a etanol ultrapassou os a gasolina, trazendo grande vantagem ecológica. Segundo Décio Gazzoni (Embrapa), especialista em agroenergia, as emissões líquidas equivalentes de CO2 causadas pela queima de um litro de etanol somam apenas 400 gramas, ante 2.220 gramas emitidos pela gasolina.

Além da redução, o País também contribuía para a agenda climática, reduzindo as emissões de CO2 na atmosfera em razão da substituição da gasolina pelo etanol. Show de bola.
A partir de 2009, surpreendentemente, entramos na contramão da história.

POLÍTICA ERRADA

Uma trágica concepção da política pública levou o governo Lula a dar prioridade à gasolina da Petrobrás, em detrimento do álcool combustível. Ninguém sabe explicar, ao certo, os motivos dessa reversão. Houve, isso é patente, uma contenção artificial dos preços da gasolina, impedindo, por tabela, o etanol de remunerar seus custos de produção. Pode ter segurado a inflação. Mas quebrou a Petrobrás e faliu o setor sucroenergético nacional. Ao invés de dominar o mercado exportador, o Brasil tornou-se importador de etanol. De milho.

Influenciados pelo movimento ambientalista, os norte-americanos, na Califórnia especialmente, decidiram apostar no combustível alternativo. Sua acertada escolha, porém, exigiu uma mudança técnica com relação ao Brasil: utilizar o grão de milho, e não o caldo da cana-de-açúcar, nas destilarias. Por que razão? Acontece que o cultivo da cana-de-açúcar é próprio das regiões tropicais, onde as lavouras permanecem no terreno por vários anos, sucessivamente colhidas. Nos países temperados, o frio intenso do inverno interrompe o cultivo contínuo nos campos.

CONDIÇÕES CLIMÁTICAS

Do Golfo do México para cima, geograficamente, as condições climáticas tornam-se restritivas para as espécies vegetais cultivadas de forma “semipermanente”, como a cana. Somente sobrevivem ao período gelado as plantas que perdem as folhas sazonalmente, como as frutíferas, por exemplo. Ou certas árvores adaptadas, como os pinheiros. Basta olhar as recentes tempestades de neve nos EUA para verificar a interrupção do ciclo agrícola. Nenhum canavial resistiria àquelas baixas temperaturas. Sobrou para os gringos triturarem o milho nas destilarias. Colhidas as lavouras e estocados os grãos, o armazenamento permite estender seu consumo meses afora. Montanhas de milho aguardam a hora de ser moídas e fermentadas nas dornas, produzindo o álcool que o mundo adotou como etanol.

Qualquer matéria-prima contendo açúcares ou carboidratos pode sofrer fermentação. Nesse processo químico-biológico, conduzido por bactérias em condições anaeróbicas, o rendimento final é variável. É aqui que o etanol brasileiro vence de goleada seu similar oriundo do milho. Na média, um hectare plantado com cana gera 7.200 litros de etanol; com milho, a mesma área produz 3.100 litros. Essa maior produtividade energética se reflete nos custos e na contabilidade ambiental.

GASES ESTUFA

Em 2009 a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos divulgou parecer comprovando que o uso do etanol de cana como substituto da gasolina permitiria uma redução de 44% nas emissões de gases estufa. Com o milho, cairia para apenas 16%. Tudo conspirava a favor do Brasil. Mas tudo saiu errado. Após um período de forte expansão, com grandes investimentos, chegou a pasmaceira, seguida da quebradeira. Em vez do sucesso, seguiu-se o desânimo. Os carros flex passaram a encher o tanque com gasolina.

No interior do País, dentre 385 unidades produtoras de etanol, 100 encontram-se endividadas, praticamente paralisadas ou fecharam as portas. Dezenas de projetos nem saíram do papel. Frustração total. Lula, em nome do populismo, destruiu uma das maiores invenções brasileiras.

As importações de etanol de milho do Brasil configuram o maior fracasso mundial de uma política pública na área da energia renovável. Dilma Rousseff, pregressa ministra de Energia, adota discursos contemporizadores. Está, na verdade, num beco sem saída.

(Artigo enviado por Celso Serra. Xico Graziano é agrônomo, foi secretário de Agricultura e secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

‘Rolezinhos’ desnudam a apartação implícita

Cristovam Buarque

Os “rolezinhos” têm sido tratados como um tema cultural: o porquê de os jovens preferirem agitar shopping centers, tirando a tranquilidade dos frequentadores e trabalhadores, em vez de praticarem outras atividades juvenis, tais como namoro, estudo, esporte, arte ou mesmo consumo.
E as soluções propostas têm sido baseadas na esfera legal e policial. Não se viu um debate sobre as causas estruturais que permitiram a essas mobilizações aflorar: os shoppings e a internet.

Os shoppings ofereciam a natural busca de conforto nos trópicos e a necessária proteção em uma sociedade violenta nas ruas, mas também a disfarçada segregação social que caracteriza o Brasil.

Independentemente das causas que levam os jovens aos “rolezinhos”, eles não ocorreriam sem estes dois fatos irreversíveis na realidade: a existência de shopping centers e a disponibilidade da rede social. Sem os shoppings não haveria como ocupá-los, sem as redes sociais, também não.

TRÊS ALTERNATIVAS

A sociedade tem três alternativas: conviver com os “rolezinhos” como uma prática cultural, um Carnaval fora de época e lugar; oferecer outras diversões aos jovens; ou buscar solução na explicitação da apartação, com leis que escolham os frequentadores. Essa medida será indecente moralmente e ineficiente socialmente. Ainda se consegue fazer isso em clubes, condomínios, escolas de qualidade e hospitais caros, mas em shoppings será impossível justificar moralmente tal medida.

Além disso, as soluções policiais pela força, cercando shoppings, ou pela espionagem, bisbilhotando as redes sociais, serão impossíveis.

Até recentemente, a segregação se fazia com a convivência dócil dos excluídos, como se dizia então: os negros e os pobres sabem seus lugares. Não era necessário, como na África do Sul, explicitar em leis as calçadas e os banheiros só para brancos. No Brasil, a separação era automática, cada um sabia seu lugar.

Com o aumento da população urbana, foi preciso separar fisicamente as classes, nos shoppings e condomínios, com cercas e crachás, mas ainda sem necessidade da explicitação em leis. Apesar de que houve propostas para proibir legalmente a entrada de imigrantes indesejados, bastava a apartação descrita no livro “O que É Apartação: O “Apartheid” Social Brasileiro”, de 1994.

Graças à internet, os “rolezinhos” desnudam o sistema de apartação implícita, sem leis. Daqui para a frente, os shoppings existirão e terão um papel positivo no conforto social, mas a “guerrilha cibernética” é uma realidade com a qual vamos conviver. Ou assume-se a segregação explícita, ou promove-se a miscigenação social.

E, para isso, o caminho é a escola. A segregação racial se fez nas alcovas, a segregação social se faz nas escolas. O único caminho decente e sustentável para o bom funcionamento dos espaços urbanos é a promoção da escola de qualidade em horário integral, com ofertas culturais para os jovens.

Lembrando o PT de antes e o que poderia ter sido

Helena Beatriz

Um dia votei no Lula, na época da campanha romântica – “sem medo de ser feliz” – e tive a doce ilusão de que este homem, por ter vindo de situação tão miserável, pudesse alavancar nossa educação e saúde públicas para que tivéssemos um país mais justo. Até me emocionei em sua posse. Ledo engano. Logo, em abril de 2002, começaram as manobras de blindagem dos “Sarneys”, no caso Lunus Participações.

Este partido teve a chance de mudar o país, investindo na educação, na capacitação profissional, na melhoraria da assistência médica – tão precária. Enfim, de elevar o IDH desta nação, deitada eternamente em berço esplêndido, ativando setores essenciais.

Mas embriagou-se pelo poder. E esses podres poderes (royalties para Caetano) só nos fizeram despencar como povo, como nação.

Importou “médicos” cubanos, sob aplausos de uma mídia comprometida até a medula, fazedora de opinião – ignorando nossas leis que exigiam o “Revalida” e o Celpe-Bras”, menoscabando o zelo pela educação em nossas escolas, quer de ensino público ou privado – escolhendo ministros medíocres como Haddad e Mercadante. Colocando na Saúde um Padilha…

Ó, céus, nosso sistema público de saúde é deplorável! Perdemos mais de 30 mil leitos e vimos nossos hospitais públicos serem sucateados.

Peço a Deus que estejamos no fim deste terrível pesadelo e devemos lembrar desta passagem: “A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.”

Força-tarefa encontra três corpos na reserva dos índios Tenharim

Portal Terra

Policiais da Força Nacional de Segurança localizaram, na tarde de segunda-feira, três corpos que podem ser dos homens desaparecidos desde o dia 16 de dezembro de 2013, em Humaitá, interior do Amazonas. Os corpos, que estão em avançado estado de decomposição, estavam enterrados em uma área da BR-230, a Transamazônica, dentro da reserva indígena Tenharim-Marmelo.

Os corpos foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) de Porto Velho, onde chegaram na noite de ontem. A capital de Rondônia é a cidade mais perto de Humaitá com esse tipo de estrutura.

A polícia suspeita que se tratam de Luciano Freire, Aldeney Salvador e Stef Pinheiro, que desapareceram quando trafegavam de carro pela rodovia Transamazônica. A Polícia Federal ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. As informações têm sido obtidas por meio de declarações de parentes a rádios de Porto Velho e Humaitá.

Alguns familiares estão desde ontem à noite em frente ao IML em Porto Velho à espera da liberação dos corpos para o reconhecimento. Segundo a família, os corpos foram localizados após a prisão de cinco índios suspeitos de envolvimento no crime, na semana passada. Os suspeitos seguem detidos preventivamente em Rondônia, mas devem ser transferidos para Manaus.

HISTÓRICO

A morte do cacique Tenharim desencadeou uma revolta nos índios que, segundo as hipóteses investigadas pela polícia, teria gerado uma revolta étnica, culminando com o desaparecimento do carro onde estavam Luciano Freire, Aldeney Salvador e Stef Pinheiro, no dia 16 de dezembro de 2013, no trecho da BR-230 dentro da reserva Tenharim-Marmelo.

Esse desaparecimento desencadeou mais revolta. Familiares e amigos dos três desaparecidos se reuniram e fizeram uma devassa na cidade de Humaitá e na reserva indígena. Prédios e veículos da Fundação Nacional do Índio (Funai) foram incendiados. O posto de pedágio dos índios na Transamazônica também foi destruído, obrigando o deslocamento de tropas federais para o município amazonense.

No início de janeiro, o carro onde os desaparecidos estava foi encontrado escondido na floresta, mas até então nenhuma das vítimas havia sido localizada.

Não temos oposição política

Luiz Tito

Oposição no Brasil sempre mereceu o interesse e o respeito da sociedade, dada a importância que o exercício do embate, da controvérsia e da polêmica sempre significaram na construção das ideias e das nossas opções políticas. Foi da sua atividade que se construiu a importância das casas legislativas e tiveram destaque histórico grandes nomes que por elas passaram.

Sem oposição, a realidade política é um quadro esmaecido e triste; o parlamento se transforma num ajuntamento de vontades difusas e o poder executivo vira uma licenciosa ação entre amigos. Infelizmente é o que estamos vivendo hoje no Brasil. Não existe oposição no Senado, na Câmara dos Deputados, na grande maioria das assembleias e das câmaras municipais. Não há oposição e a produção dessas casas é medíocre. É pouco ou nada.

Senadores, deputados e vereadores, (com pequenas e honrosas exceções) se chafurdam em escândalos, falsidades, simulações, apropriações do erário, corrupção, privilégios grosseiros e afrontosos. Nunca na história desse país, valendo-se do jargão acintoso como o usado por Lula ao falar bem de si mesmo e de seu governo, se viu tanto descaso para com o povo e para com suas demandas. Não faltam denúncias todos os dias de que um senador usou a verba de gabinete para simular gastos, para contratar assessores fantasmas, parentes e amigos, para se furtarem recursos públicos.

Essas práticas vêm em cascata, passando do Senado para a Câmara dos Deputados, para as assembleias até chegarem às câmaras municipais. Um estrago geral. A responsabilidade disso é a desconstrução da atividade política, na sua responsabilidade. Todos de acordo. Troca-se a oposição por favores, por benesses, por dinheiro, por cargos, fazendo da atividade política um balcão de negócios. Se há oposição, ela é quase sempre para colocar preço no silêncio negociado e na acomodação dos que a ensaiam.

E AS REFORMAS?

O Brasil tem, esquecida, uma agenda de reformas que nunca prosperou: reforma política, fiscal, trabalhista, da legislação penal, para citar algumas. No último dia 31, o ministro Ricardo Lewandowski, presidente em exercício do STF, levou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, uma proposta de alteração do atual Código de Processo Penal, visando reduzir o festival de casos de prisões provisórias que os juízos têm decretado, a pedido da autoridade policial.

Obviamente que se trata de um assunto da maior relevância, dadas as condições de nosso sistema penitenciário e da precariedade de nosso aparelho judiciário. O ministro Lewandowski, conhecido pela sua atuação no julgamento do mensalão, conhece também do que está pedindo ao ministro José Eduardo Cardoso. Mas é função de um ministro do STF encaminhar tal proposta? Onde estão nossos deputados e senadores, que não aceleram a reforma de nossa legislação penal e ainda têm que assistir Lewandowski levar ao Executivo uma proposta de lei, que é obrigação de seu trabalho no Congresso?

DUKE

Solidariedade ao chargista Duke, que foi julgado pela 11ª Câmara Cível do TJMG, coincidentemente a mesma Câmara onde trabalha como assessor o juiz de futebol, autor da ação, Ricardo Marques. A charge, como publicada, representa uma crítica ao trabalho daquele árbitro em partida do Cruzeiro contra o Ipatinga, em 2010. A decisão do TJMG, vista como polêmica por entidades representativas dos jornalistas em Minas Gerais, representa um ato de censura à liberdade de expressão. (transcrito de O Tempo)

As estrelas de cristais gelados, na visão de Cruz e Sousa

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis, e tornou-se conhecido como o “Cisne Negro” de nosso Simbolismo, seu “arcanjo rebelde”, seu “esteta sofredor”, seu “divino mestre”. Procurou na arte a transfiguração da dor de viver e de enfrentar os duros problemas decorrentes da discriminação racial e social.

No poema “Siderações” encontramos a presença do Misticismo, característica da nova fase (Simbolismo) em que se opõem matéria e espírito, corpo e alma. Há um clima onde predomina o vago, o abstrato, porém voltado para uma esfera superior, aqui evidenciado através das palavras: “Para as estrelas/ …as ânsias e desejos vão subindo/ galgando azuis i siderais noivados…”

Mais do que nunca, há uma linguagem simbólica intensamente subjetiva que busca o Eu no universo, a essência do ser humano, através de incursões a regiões etéreas, espaciais, ilimitadas: “a amplidão vestindo”, os arcanjos / Num cortejo de cânticos alados, passam…” O vocabulário foi cuidadosamente trabalhado através de palavras e expressões que acentuam a sugestão mística: “arcanjos”, “turíbulos”, “incenso”, “infinitos”, “ritos”, “Eternidade”.
SIDERAÇÕES

Cruz e Sousa

Para as Estrelas de cristais gelados
As ânsias e os desejos vão subindo,
Galgando azuis e siderais noivados
De nuvens brancas a amplidão vestindo…
Num cortejo de cânticos alados
Os arcanjos, as cítaras ferindo,
Passam, das vestes nos troféus prateados,
As asas de ouro finamente abrindo…

Dos etéreos turíbulos de neve
Claro incenso aromal, límpido e leve,
Ondas nevoentas de Visões levanta…

E as ânsias e os desejos infinitos
Vão com os arcanjos formulando ritos
Da Eternidade que nos Astros canta…

Alexandre Padilha imita Dilma e “fabrica” diploma de Doutorado em Infectologia

Adriano Magalhães

O agora ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pré-candidato a governador de São Paulo pelo PT (leia-se: por Lula) tem graves problemas no currículo. Depois de declarar em entrevista no Programa do Jô que é “Especialista em Infectologia” e este título não constar nos registros das entidades responsáveis, tendo sido convocado pelo Conselho Regional de Medicina do Pará para responder a processo ético, o ministro da Saúde apresentou diploma da USP, com informações que levam a crer que o título teria sido “fabricado” agora.

Atentem para os detalhes:

1 – O diploma, datado de 2001, afirma que o ministro teria realizado a residência em três anos, de 01 de fevereiro de 1998 a 31 de janeiro de 2001. Ocorre que naquela época a especialização durava apenas dois anos, o que só veio a mudar em 2004.

2 – Em 1998 a residência em infectologia começava em janeiro e não em fevereiro. Isso também só mudou em 2004.

3 – O diploma apresentado é assinado pelos ATUAIS coordenadores da residência e não pelos coordenadores de 2001.

4 – O diploma jamais foi registrado na CNRM (Comissão Nacional de Residência Médica), nem na AMB (Associação Médica Brasileira) e nem no CRM-PA (Conselho Regional de Medicina do Pará) onde Padilha está inscrito atualmente.

Lembram do Doutorado falso de Dilma Rousseff? Pois é, pelo menos nisso o governo é coeso!!!

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Brasil: falta dinheiro para infraestrutura, saúde e educação, mas sobram bilhões para investir em porto cubano

Pedro Jacobi

Somos um país de contrastes. Estradas péssimas e esburacadas matam milhares por ano. Ferrovias sucateadas não são capazes de transportar a nossa produção. Nossa maior empresa de petróleo está mergulhada na maior dívida do mundo e perde valor a cada dia que passa. Temos uma mineração que afugenta os investidores ao invés de atraí-los.

No outro lado desta moeda investimos bilhões em estádios de futebol e, agora, em um porto na distante Cuba. É isso mesmo que você, caro leitor, está lendo: estamos investindo 2,2 bilhões de reais em um porto cubano enquanto os nossos portos carecem de investimentos.

Tudo isso com o aval da Presidente Dilma Rousseff, que alegremente inaugurou o terminal portuário de Mariel, parcialmente financiado pelo nosso BNDES. Mais uma, para nos fazer sentir o gosto amargo da desesperança.

(artigo enviado por Ricardo Sales)

Joaquim Barbosa manda prender João Paulo Cunha esta terça

Mariana Jungmann e Luciano Nascimento
Agência Brasil
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, leu hoje (3), pessoalmente, a sua mensagem ao Congresso Nacional na abertura do ano legislativo. Ele ressaltou a importância da harmonia institucional entre os Três Poderes como “liga mestra do nosso sistema de governo”, e desejou um ano “proveitoso e útil” para a resolução das questões relevantes ao país. “O Poder Judiciário congratula-se com o Congresso Nacional no contínuo diálogo e harmonia entre os poderes”, disse.

Barbosa citou as ações promovidas pelo Conselho Nacional de Justiça em 2013 para aumentar a transparência e a eficiência do Poder Judiciário, e reafirmou que “O Supremo Tribunal Federal continuará a dar curso à sua missão primordial, que é guardar a Constituição Federal”.

Ao chegar ao Congresso, Barbosa foi questionado se notificaria a Câmara sobre o mandato de prisão do deputado João Paulo Cunha (PT-SP). O ministro se limitou a dizer que “não há o que ser notificado”.

No início deste ano o ministro deu decisão definitiva, condenando Cunha no processo do mensalão, o que determina a prisão dele. No entanto, antes de sair de férias, Joaquim Barbosa não expediu o mandato de prisão para o deputado e a Câmara não foi notificada sobre a decisão. Por isso, apesar de condenado, João Paulo Cunha continua em liberdade aguardando posicionamento da Justiça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Barbosa não assinou o mandado de prisão devido a problemas burocráticos da Secretaria do Supremo, e seus substitutos Carmen Lúcia e Ricardo Lewandowski se recusaram a fazê-lo. Amanhã, com a volta do Supremo ao trabalho normal, o mandado será enfim expedido. (C.N.)

Reflexões sobre a violência contida na Bíblia e a inutilidade das religiões

Paulo Solon

Não existe nenhum “projeto de Deus”. Trata-se de uma ideia fosfórica, abstrata, que revela a gigantesca irresponsabilidade social do mamífero humano, esta sim, uma realidade mensurável, visível e palpável. Essa expressão “teologicamente” se baseia na Bíblia judaica e cristã. Não existe teologia sem Bíblia.

Acontece que quem se deu à tarefa maçante de ler a supracitada coleção de livrinhos sabe que em todos os seus capítulos ela especula e mistifica sobre a origem da vida e do cosmo. Cedo descobre que a rainha da mentira é a Bíblia.

Quando meus pais me fizeram tomar a primeira comunhão, tive contato com o que chamavam de História Sagrada. Por ter sido gerado com um senso crítico e contestador, logo passei da condição de um cristãozinho metido à de um descrente insuportável, com a certeza de que é perfeitamente possível levar uma vida ética sem religião. E isto aconteceu quando cometi a imprudência de ler a Bíblia.

LIMPEZA ÉTNICA

Trata-se de um livro encadernado defensor de limpeza étnica e inculcador de sentimentos racistas que favorecem os judeus. Embora a Bíblia critique veneração de imagens, ela própria é objeto de adoração.

Nunca a religião judaica, ou cristã, pronunciou palavras inteligíveis, nobres, ou inspiradoras. Não reconheço profecia em nenhum profeta, nem sabedoria em qualquer sábio religioso.

Nada reconheço de bom em qualquer religião, nem mesmo que seja um “freio moral”. Não concordei, inclusive, com Marx, quando declarou que religião é o alento de uma situação desalentada, o suspiro da criatura oprimida. E eu nem imaginava que o suspiro da criatura oprimida seria o que já está ocorrendo no Brasil. Chamem de “rolezinho”, antes que inevitavelmente se transforme em “rolezão”.

Mas abriguei com reservas a ideia de Marx segundo a qual a religião é o ópio do povo. Foi criada pelo homem para servir de instrumento de injustiça social e de dominação. E, obviamente, para tentar impedir que o ser humano raciocinasse.

NA INFÂNCIA DA ESPÉCIE

A Bíblia, particularmente, é apropriada para pessoas que pertencem à infância da nossa espécie. Ou que não superaram o medo da morte, o sentimento de culpa, o medo do escuro, do desconhecido e dos outros.

Aqui falam muito a favor de democracia, mas alguns não percebem que religião não só é fraude mental, como declarou Lucrécio, mas também um grande mal moral, forma disfarçada e horrorosa de ditadura benevolente. Todas mistificam sobre bem-aventurança no hipotético mundo futuro que elas inventaram, uma imitando a outra sem a menor originalidade. Mas o que buscam mesmo é poder neste mundo.

Crentes histéricos encantados leem a Bíblia diariamente, fascinados com as tempestades de ódio do Velho Testamento, com a intolerância e sede de sangue do “profeta” Ezequiel. Pastores, em atitude paranoica e com fixação, se referem ao Armagedon e não se enfastiam de ler de trás para frente e de cabeça pra baixo o Apocalipse.

Trata-se da religião ameaçando a sobrevivência humana. Não só a religião, como também a superstição e a fé. Ameaçam e patrocinam extermínios, mas sempre dos outros, claro.

EM NOME DE DEUS

Muitos, no entanto, não leram a Bíblia com bastante atenção para descobrirem crimes hediondos praticados em nome do deus de Moisés.
Mas gosto da violência bíblica explícita. Ela simplesmente desmascara os que argumentam que ela prega a paz e o amor. Os evangélicos, principalmente, costumam usar a saudação “vá na paz”, ou “a paz de Jesus!”, sem se darem conta que o Jesus bíblico declarou: “Não penseis que vim trazer a Paz, mas a espada”.

O grande cineasta Quentin Tarantino não perde uma oportunidade de ridicularizar os judeus e de desmascarar a Bíblia, embora ele distorça um pouco alguns versículos, enfatizando apenas sua violência explícita com banho de sangue. Em seu filme “Reservoir Dogs” (Cães de Aluguel), Tarantino coloca um dos personagens se recusando a dar gorjeta no restaurante. Outro declara que “até um judeu daria gorjeta !”.

Em seu excelente “Pulp Fiction”, ao cometer um massacre descarregando sua arma sobre a rapaziada que havia roubado o traficante Marcellus Wallace, Tarantino pega por empréstimo o versículo Ezequiel 25:17, embora adaptado para a ocasião, mas sintetizando todos os outros. O vigilante declara:

“Memorizei uma passagem bíblica que agora é oportuna. Ezequiel 25:17.
O caminho do homem justo está bloqueado por todos os lados… pelas iniquidades dos egoístas e a tirania dos perversos. Bendito aquele que em nome da caridade e da boa vontade é pastor dos humildes pelo vale das sombras. Pois ele é o verdadeiro guardião de seus irmãos… e o salvador dos filhos perdidos. Exercerei sobre eles vingança terrível… e furiosos castigos… aos que tentarem destruir meus irmãos. E ficarão sabendo que Eu sou o Senhor… quando eu executar sobre eles minha vingança.”
E então o vigilante fuzila todos.

SEXO É NORMAL

A Bíblia também sugere que sexo é normal entres os animais. Mas que para os mamíferos humanos a divindade deu impulsos sexuais, para a seguir condená-los. Só que os que inventaram a Bíblia se descuidaram e deixam perceber que o projeto humano do Criador inclui também homossexualismo, da mesma forma que inclui para os demais mamíferos.
É a velha história das religiões negando que os humanos façam parte da natureza.

Os “crentes” criticam uma África que, em certos lugares, ainda pratica o suplício da circuncisão e da infibulação, que consiste na retirada do clitóris e dos lábios. Mas se esquecem de que a Bíblia recomenda a circuncisão dos bebês judaicos, e que muitos judeus adultos já foram flagrados chupando o pênis de um bebê e dilacerando o prepúcio com seus dentes estragados em atitude perversa e anti-higiênica. Aliás, esta prática ainda existe entre os fundamentalistas hassídicos. É a Bíblia recomendando prática nojenta a abjeta.

Ao fabricar um versículo atribuindo-o a Ezequiel, o cineasta Quentin Tarantino está evidenciando o óbvio, que consiste no fato de que a Bíblia e as religiões foram fabricadas pelo homem. Fato por demais evidente para ser ignorado. E que a Bíblia, por alegar ser palavra divina, Não só é imoral, como também amoral.