A assembleia dos ratos

Sylo Costa

Esopo, fabulista grego que viveu no século VI a.C., deixou-nos, entre suas obras, a fábula que empresta título a esta matéria. As fábulas são composições literárias de relato breve e fictício, em que os personagens são geralmente animais com características humanas. Esta me veio à lembrança em razão do momento político-corrupto que nosso país atravessa.

Não bastasse toda a roubalheira existente e conhecida, coordenada por políticos e ladrões protegidos por mandatos populares, eis que surge um assunto estranho aos folguedos de Momo, sobre situação “nunca dantes ocorrida”: o patrocínio da escola de samba Beija-Flor, que teria sido de mais de R$ 10 milhões, bancado por nada mais, nada menos que uma ditadura africana – a que governa a Guiné Equatorial.

Qual é o problema? Pelo amor de Deus… uma ditadura? Sim, uma ditadura, coisa com a qual não temos costume de lidar… Mas não é a mesma situação de Cuba, Venezuela, Bolívia, Rússia e da maioria dos 14 países africanos cujas dívidas o Brasil perdoou? Dívidas que resultaram dos financiamentos do BNDES concedidos no tempo em que o ex-Luiz clinicava para ser Prêmio Nobel da Paz. Isso é uma desgraça… E como ninguém sabia disso? Saber, sabia, que ninguém aqui é sabiá-cara… Tem mais: o próprio ditador explicou, de viva voz, que o “apoio financeiro” foi dado por empresas brasileiras, uma das quais empreiteira de obras lá naqueles confins, a Odebrecht, e com tutu seu, meu e do povo brasileiro…

LOBISTA

Espera aí, não estou entendendo direito: quer dizer, então, que os caras vieram aqui e… Vieram aqui nada! O ex-Luiz é que foi lá, no avião da própria empreiteira, mas já foi também em avião nosso. Nosso? Sim, da Presidência, Ele continua encarnado… Ele é sensitivo? Que sensitivo nada, o cara é lobista deles, você parece que bebe, pô… Sim! Eles falam que não só deles, de muita gente mais… E ninguém vai preso? Aqui? Só pé de chinelo.

É… vou então contar uma historinha rápida e rasteira que um amigo de infância me contou: “Era uma vez uma colônia de ratos, parecida com Brasília, em que os moradores viviam com medo de um gato. Penso que um gatão, um bichano já meio velho, de miado rouco, criado no serrado com farinha de pau e que gostava de pinga… Resolveram, então, fazer uma assembleia para encontrar um jeito de se livrarem dele, o gatão metido. Muitos planos e estratégias. Mas nada dava certo, até que um ratinho teve a ideia: Vamos pendurar uma sineta no pescoço do gato. Assim, toda vez que ele se mexer, nós saímos correndo…” Todos aplaudiram, menos um ratão velho que, até então, não tinha se manifestado: “A ideia é muito boa – disse ele –, mas tem um porém… quem vai amarrar a sineta no pescoço do gato?”

Pois é. Sabemos do gato: é só a Polícia Federal da operação Lava Jato chegar, algemar e levar o gatão de duas pernas, a gata e mais os bichanos mamadores…

Avante, Moro: tá chegando a hora, o dia já vem raiando…

O exemplo da chefa Dilma e o ministro Cardozo

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Dilma descumpre a lei da transparência, Cardozo também o faz

Bernardo Mello Franco

Como diz um experiente observador da cena política, Brasília é uma cidade pequena e de muros baixos. Por isso se estranha que o ministro da Justiça tenha tentado negar à revista “Veja” que recebeu o defensor de uma empreiteira acusada de envolvimento no petrolão.

A mudança de versões não ajudou José Eduardo Cardozo, que depois confirmaria esse e outros encontros com representantes das construtoras investigadas na Operação Lava Jato.

A alegação de que é seu dever receber advogados também não resolveu a questão. A Polícia Federal prendeu mais de 20 mil pessoas desde 2003, e a grande maioria não teve o privilégio de reclamar com o ministro.

Cardozo ainda precisou explicar por que sua agenda omitiu compromissos em 80 dias úteis desde o início do escândalo, como revelou o repórter Gabriel Mascarenhas. Questionado, atribuiu o fato a uma mera “falha no sistema de registro”.

Como não se saberá tudo o que o ministro conversou com os visitantes, o que interessa agora é usar o episódio para exigir mais transparência das autoridades federais.

AGENDAS NA INTERNET

A lei 11.813, sancionada em 2013, obriga ministros, dirigentes de estatais e assessores mais graduados a divulgarem suas agendas diariamente na internet. Uma cartilha da Controladoria-Geral da República acrescenta que as agendas devem informar participantes, assuntos, objetivos e resultados de cada reunião.

Se as regras são ignoradas sistematicamente na Esplanada, cabe lembrar que o mau exemplo vem do Planalto. Desde que tomou posse, a presidente Dilma Rousseff trata sua agenda como peça de ficção, como se ainda vivesse na clandestinidade.

A prática de omitir compromissos oficiais está tão banalizada que leva a situações absurdas. Uma delas ocorreu no último dia 5, quando Dilma recebeu os presidentes da Câmara e do Senado em seu gabinete. A assessoria do palácio divulgou fotos do encontro, mas até hoje não o registrou na agenda de Dilma.

PT e PSDB: verso e reverso da mesma medalha

Sandra Starling

Afinal, depois de muito ler e refletir, consigo perceber onde me enganei nesses anos todos. Há muito escrevo e comento que PT e PSDB deveriam se unir para auxiliar o país a sair das crises em que tem se metido. E supunha que ambos poderiam juntos – guardadas as devidas diferenças – fugir ao destino de serem no governo reféns dos PMDBs e siglas fisiológicas em geral.

Não vão conseguir. Afinal, na sexta-feira, dia 20, Dilma Rousseff reapareceu em público, como se ainda estivesse no palanque, e atacou o PSDB, acusando o adversário de ser o verdadeiro pai da operação Lava Jato. Prontamente, tanto FHC quanto Aécio retrucaram, o primeiro mais incisivo: se Barusco (ex-gerente da Petrobras, agora delator premiado) diz que usufruía de propinas desde 1997, afirmo que só o PT tornou essa prática institucionalizada, isto é, fez da empresa um canal de corrupção como jamais existiu neste país. (Não ponho entre aspas porque só registrei pela televisão.)

Acontece que os dois partidos são o verso e o reverso de uma mesma medalha, que suga o trabalhador, organizado ou não, e patrocina uma espoliação igual às que agora vemos acontecerem mundo afora.

CAMPEÕES NACIONAIS

O PT faz com o PMDB o repeteco do nacional-desenvolvimentismo, que sempre viveu de corrupção e que, em sua versão moderna, tenta criar um capitalismo financiado pelo Estado, via BNDES, com seus “campeões nacionais”. Estes são beneficiados com dinheiro do FAT ou do Tesouro e engendram conglomerados como o Friboi, que suga duplamente o povão: no preço, neste caso da commodity “carne”, ou na elevação da dívida pública, levada à estratosfera.

Aí entra Joaquim Levy, ligado ao outro lado, para pôr ordem na casa, fazendo com que todos os que vivem de salário paguem o pato pela tunga dos de cima. No caso do PT, há um respeito litúrgico pelos movimentos sociais e sindicais organizados, que vivem de benesses estatais e que, cooptados, não representam os trabalhadores, mas ficam esperneando sem sucesso. Aliás, desde Lula, a CLT varguista continua em vigor e até consegue ser piorada, com a concessão de 10% da contribuição sindical para as centrais sindicais. Assim, os movimentos organizados se calam, enquanto os desorganizados, quando saem às ruas, ou são assassinados (como Amarildos), ou são chamados de vândalos.

CAPITAL FINANCEIRO

No caso do PSDB, o esquema é outro: o capital financeiro reina soberano – daí o Proer com que FHC salvou os bancos da quebradeira – ou entra no mercado brasileiro, como agora esclarece o escândalo do HSBC. Ao tempo desses, o pau come sobre os trabalhadores organizados (lembrem-se dos petroleiros em 1995), e nada de sobras de banquete para os pobres (como o Bolsa Família, criado por eles e adotado, com requintes, pelos petistas). Mas ambos trabalham uns para os outros, como fez antes Henrique Meirelles para Lula no Banco Central, e como faz agora Joaquim Levy para Dilma.

Tudo “farinha do mesmo saco”, pois sabem lucrar e mandar a conta para os trabalhadores.
Grande pilantragem. (transcrito de O Tempo)

Por que os terroristas islâmicos cortam cabeças?

Vídeo que mostra a decapitação do refém japonês Kenji Goto. Crédito Reprodução

Com as decapitações, os jihadistas divulgam sua “causa”

Diogo Bercito
Folha

A organização terrorista Estado Islâmico, que controla um extenso território entre a Síria e o Iraque, tem divulgado decapitações de infiéis. As imagens mostram cenas que infelizmente se tornaram frequentes: um militante mascarado cortando a cabeça de um refém ajoelhado, vestido de laranja.

A primeira reação às imagens parece ser descrevê-las como “brutais”, “bárbaras”, “selvagens”. Mas vamos ao que está atrás do corte de cabeças, através de nossas respostas às principais perguntas que costumam ser feitas a respeito.

O Estado Islâmico inventou a decapitação de reféns?

Não. É uma mensagem já antiga e eficiente, entre organizações terroristas. O caso mais marcante é o do jornalista americano Daniel Pearl, decapitado pela Al Qaeda no Paquistão (a história virou filme com a atriz Angelina Jolie em 2007, “O Preço da Coragem”).

Por que o Estado Islâmico corta as cabeças?

O primeiro fator é psicológico. A conquista de Mosul pelo Estado Islâmico no ano passado, antes da instituição de seu “califado”, ocorreu afinal após a retirada do Exército iraquiano. Relatos dão conta do temor propagado pela organização terrorista, entre soldados locais. Apresentar-se como um grupo violento e sádico ajuda, nesse sentido, a garantir vitórias ao Estado Islâmico.

Funciona também como propaganda?

Se pergunte quando foi a última vez que um carro-bomba virou manchete. Eu estive no Iraque recentemente e, mesmo em Bagdá, as notícias de atentados eram lidas com desinteresse. Leitores estão anestesiados, e esses ataques já não têm impacto em uma estratégia de propaganda. As decapitações, por outro lado, recebem uma atenção brutal: a cada refém ocidental morto pelo Estado Islâmico, a organização terrorista ganha as manchetes no mundo inteiro.

Os muçulmanos são bárbaros!

Bem, a decapitação não é exatamente desconhecida no Ocidente. Lembra da guilhotina? Ela era usada até 1977 para cortar cabeças na França, como punição. Não vale a pena ceder a esses julgamentos velozes de que “os árabes são menos desenvolvidos”, porque essa não é a questão estratégica nessa história.

Mas há consenso entre terroristas para decapitar suas vítimas?

Não. Na verdade, o contrário. Hamas e Hizbullah, por exemplo, não recorrem ao gesto (o que não quer dizer que não sejam violentos). De acordo com um texto publicado pelo “Washington Post”, Ayman al-Zawahiri, líder da Al Qaeda, pediu à franquia iraquiana da organização terrorista que parasse de cortar cabeças. “Muçulmanos nunca vão achar que as imagens são aceitáveis”, disse.

Então não há relação entre Islã e decapitação?

Há na verdade uma referência histórica no Alcorão, o livro sagrado do islã. Um estudo de 2005 cita um trecho que fala em atacar o pescoço de infiéis. Teologicamente, a mensagem teve força ao longo dos séculos. Mas, é claro, isso não significa que o islã equivalha a cortar cabeças. A imensa maioria dos seguidores dessa religião condena a violência. O Estado Islâmico é um grão dentro da diversidade islâmica, e sua visão é das mais radicais.

Quem está cortando as cabeças?

Não se sabe. Mas se imagina que em parte dos casos seja um mesmo homem, apelidado “John jihadista”. Acredita-se que ele seja britânico.

Eike vive no inferno e os ex-amigos se divertem no paraíso

Ex-amigos fizeram fortunas com Eike e pularam fora do barco…

Simone Kafruni e Diego Amorim
Correio Braziliense

Enquanto Eike Batista e a ex-mulher Luma de Oliveira, mãe de Thor e Olin, têm bens apreendidos pela Polícia Federal, os ex-escudeiros do empresário não encontram motivos para reclamar. Cada um dos executivos, como Marcelo Cheniaux, Adriano Vaz, Ricardo Antunes, Rodolfo Landim, Joaquim Martino, Paulo Gouvêa, Flávio Godinho, Dalton Nosé e Marcelo Faber Torres saíram do grupo X levando entre R$ 70 milhões e R$ 200 milhões.

Para especialistas, o que está em curso não surpreende. Conhecido por ser extremamente centralizador, Eike brilhou sozinho no apogeu, ainda que artificial, do grupo X. Agora, está pagando, também sozinho, pelos erros cometidos. Antes da derrocada, Eike era o acionista controlador de todos os negócios do grupo. Fazia questão de dominar as situações, e nada podia avançar sem a bênção dele, conhecido por ser pouco democrático no trato diário com sócios e funcionários.

“É óbvio que Eike é o grande responsável por tudo o que aconteceu e deixou de acontecer”, sustenta o presidente da Strategos Soluções Empresariais, Telmo Schoeler.

Os amigos do peito, por ora, não tiveram a vida nem os bens devastados. A cúpula do grupo se rebelou a tempo de não afundar no mesmo barco do ex-chefe. Até aqui, o “salve-se quem puder” deu certo. “Não há dúvida de que o principal alvo de qualquer ação será o próprio Eike, que tem o maior patrimônio. Com certeza, com raras exceções, todas as transações e todos os contratos do grupo foram avalizados por Eike”, comenta Schoeler.

FAZ DE CONTA

Como o conglomerado X era apenas uma fantasia, o ex-bilionário seduziu executivos de empresas do porte da Vale e da Petrobras com pacotes de ações. Quem aceitou a proposta e vendeu os papéis antes do colapso das companhias ganhou rios de dinheiro. Marcelo Faber Torres, diretor financeiro e de relações com investidores da OGX Óleo e Gás por cinco anos, acumulou fortuna de R$ 110 milhões. Foi demitido um ano e meio antes da empresa afundar, após uma briga com Eike.

Flávio Godinho e Paulo Gouvêa, amigos de Eike por mais de uma década, têm hoje R$ 200 milhões e R$ 150 milhões, respectivamente. Rodolfo Landim, antigo funcionário

de carreira da Petrobras, entrou no sonho X com patrimônio de R$ 500 mil e o multiplicou por 240 em quatro anos, saindo com R$ 57 milhões.

Ricardo Antunes, Joaquim Martino e Dalton Nosé deixaram a Vale para se tornarem diretores da MMX – os dois primeiros ganharam R$ 57 milhões; Nosé acumulou R$ 115 milhões em dois anos e meio de trabalho. Marcelo Cheniaux, Ricardo Antunes e Adriano Vaz pediram demissão quando o grupo começava a desandar, mas com a venda de ações ganharam pelo menos R$ 80 milhões.

ADEUS ÀS ILUSÕES

O desmanche dos bens de Eike e de seus herdeiros não atingiu a riqueza daqueles considerados braços-direitos dele porque, internamente, foi possível perceber, com antecedência, o fim da ilusão. “A turma próxima a Eike notou a tempo que o cenário não era bom, que algo estava estranho. Quem pôde pulou logo fora, já pensando em escapar de futuros problemas”, avalia o consultor Marcos Assi, especialista em auditoria interna com 30 anos de experiência.

Alguns dos contratados para o alto escalão do grupo, acrescenta Assi, passaram a se recusar, inclusive, a assinar documentos, temendo consequências drásticas. Ao menos para os mais bem-sucedidos parceiros de Eike, as fortunas do “X” se concretizaram. Não à toa, a maior parte deles goza de um luxo conquistado às custas do mundo criado pelo ex-bilionário. “Eles se deram bem porque conseguiram se descolar da imagem de Eike, sempre muito controlador”, emenda Assi.

(texto enviado por Mário Assis)

Temer ameaça Dilma e diz que PMDB pode abandonar o governo

Michel Temer ligou para Dilma e deu um ultimato à presidente

 

Natuza Nery, Mariana Haubert e Márcio Falcão
Folha

O vice-presidente da República, Michel Temer, alertou a presidente Dilma Rousseff que ou o governo inclui o PMDB em suas decisões estratégicas ou não terá como manter a legenda na base aliada. Segundo a Folha apurou, o recado foi dado em uma conversa telefônica nesta terça-feira (24), quando o vice afirmou que a sigla está no “limite da governabilidade”.

Temer explicou a Dilma que, se o partido continuar excluído do poder “mais um mês ou dois”, o Planalto corre o risco de perder o controle mínimo da pauta no Congresso – o PMDB preside as duas Casas do Parlamento.

Sem o apoio do partido, notabilizado por traições, ameaças e apetite por cargos, o governo dificilmente conseguiria viabilizar projetos de seu interesse ou obter grau mínimo de blindagem em CPIs como a da Petrobras.

É a primeira vez que Temer traça um cenário tão negativo à petista. A insatisfação da sigla aumentou na medida em que os peemedebistas viram novos aliados do Planalto, como o PSD, crescerem na montagem do segundo mandato.

MAIOR PARTICIPAÇÃO

Dilma garantiu sete pastas ao PMDB, mas a maioria sem grande poder de fogo político ou indicações da cúpula do partido. Além do interesse em emplacar cargos no segundo escalão do governo, uma das exigências da legenda é ter assento nas reuniões da coordenação de governo, hoje composta apenas por petistas.

O diálogo entre Temer e Dilma ocorreu poucas horas depois de um jantar, na segunda-feira (23), da cúpula do PMDB com a equipe econômica na residência oficial do vice, o Palácio do Jaburu.

Apesar de a reunião ter sido chamada por Temer para tentar destravar as medidas do ajuste fiscal que tramitam no Legislativo e de ter havido promessas de apoio do partido ao pacote, foram as insatisfações políticas que dominaram o debate.

“FIADOR” DO PACOTE

Como representantes do Executivo, estavam no jantar Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), Alexandre Tombini (Banco Central) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

“O PMDB salvará o ajuste fiscal”, disse Eduardo Cunha no jantar, falando como uma espécie de fiador do pacote de redução de despesas, isso após passar as últimas semanas impondo seguidas derrotas à Dilma na Câmara.

O pacote, do qual o PMDB reclama de não ter participado de sua concepção, prevê uma economia de R$ 18 bilhões neste ano ao endurecer exigências para a concessão de seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte e seguro-defeso para pescadores artesanais. Apesar do apoio, não estão descartadas mudanças nas propostas.

COALIZÃO CAPENGA

No jantar do Jaburu, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), foi bem menos comedido. Afirmou que seu partido só é chamado na hora de votar. A jornalistas, fez questão de dizer que a coalizão de Dilma com seu partido está “capenga”.

“O PMDB quer dar um fundamento à coalizão, quer participar da definição das políticas públicas. Essa coalizão, ela é capenga porque o PMDB, que é o maior partido do ponto de vista da coalizão, ele não cumpre o seu papel”, afirmou, ao chegar ao Senado.

Diante das críticas, Mercadante reconheceu que é preciso repensar a relação do governo com sua base congressual. Na semana que vem, Dilma receberá a cúpula peemedebista.

As dificuldades da presidente não se limitam ao parceiro mais problemático da coalizão. O próprio PT resiste em apoiar iniciativas do pacote fiscal.

PT e PMDB têm juntos 131 deputados do total de 513. Para ser apreciado, um projeto de lei exige quórum mínimo de 257 deputados. Ele será aprovado se tiver maioria simples do número de presentes.

 

Piada do Ano: Comissão de Ética finge que investiga Cardozo

José Eduardo Cardozo diz que vai responder “por escrito”…

Deu na Agência Brasil

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse em Brasília que está disposto a prestar esclarecimentos à Comissão de Ética Pública da Presidência da República sobre a audiência que advogados da empresa Odebretch tiveram com ele. Cardozo reforçou ainda que “constantemente parlamentares da oposição questionam ministros na comissão de ética”, e que eles sempre respondem quando questionados.

“O que eu posso dizer é que o comportamento que eu tive foi absolutamente legal, ético e, portanto, não tenho nada a esconder. A comissão de ética apreciará nossas razões e, com a necessária independência, avaliará o caso que não passou de uma grande especulação”, analisou Cardozo.

O ministro explicou que, a princípio, a explicação ocorrerá por escrito. Ele adiantou que, como justificativa, irá apresentar o texto da lei que exige que autoridades recebam advogados, além da ata da reunião e da sua agenda oficial.

Segundo o presidente da comissão, Américo Lacombe, o pedido de explicações feito a Cardozo ainda não significa a abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar o caso. “A representação foi distribuída para a relatora, Suzana [de Camargo Gomes], que vai pedir informações e aí vamos ver o que acontece. Ele tem dez dias para responder, podendo pedir uma prorrogação”, explicou Lacombe.

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NOTA DA REDAÇÃO
A investigação é conversa fiada, será nos mesmos termos da apuração supostamente realizada sobre a ministra Erenice Guerra, que transformou a Casa Civil num balcão de negócios da família no final do governo Lula, não foi punida (apenas advertida) e hoje comanda a mais promissora empresa de “consultoria” de Brasília. Onde se lê “consultoria”, por favor, leia-se “tráfico de influência”. (C.N.)

 

Vexame: Presidente do BNDES pede a senadores para barrar CPI

Andréia Sadi e Bruno Boghossian
Folha

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, procurou parlamentares da base aliada do governo Dilma Rousseff nesta quarta-feira (25) para pedir que o Congresso barre a instalação de uma CPI para investigar contratos de financiamento feitos pelo banco nas gestões do PT.

A Folha apurou que Coutinho entrou em contato com pelo menos três senadores para argumentar que o pedido de criação da comissão elaborado pela oposição era meramente político e poderia prejudicar operações sigilosas do BNDES.

O presidente do banco demonstrou preocupação com a divulgação de informações sobre contratos estratégicos e internacionais na CPI, o que poderia provocar prejuízos para o BNDES. Aliados de Dilma argumentam reservadamente que a comissão poderia prejudicar a imagem do banco, assim como ocorreu com a Petrobras.

EMPRÉSTIMOS SECRETOS

O pedido de investigação da oposição cita irregularidades em empréstimos concedidos pelo banco “a partir do ano de 2006”, no fim do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os alvos da CPI estão empréstimos que beneficiaram empreendimentos no exterior, como Cuba, Venezuela, Equador e Angola. O governo teme que a oposição use a comissão para atacar o financiamento das obras do porto cubano de Mariel.

O requerimento de criação da comissão também quer investigar contratos com empresas brasileiras como a JBS e a Sete Brasil, fornecedora de navios plataformas e sondas para exploração da Petrobras no pré-sal.

Segundo a Folha apurou, emissários de grandes empresas beneficiadas pelo BNDES procuraram aliados do governo em busca de apoio para barrar a CPI, temendo uma devassa dos contratos do banco com o setor privado.

FALTAM 12 ASSINATURAS

Até a tarde desta quarta-feira, 15 senadores haviam assinado o requerimento de instalação de uma CPI mista para investigar as operações do BNDES. Para a criação da comissão, são necessárias assinaturas de 27 senadores e de 171 deputados.

Aliados do governo pretendem trabalhar para que parlamentares de partidos da base aliada não assinem o requerimento.

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NOTA DA REDAÇÃOSe Luciano Coutinho, presidente do BNDES, se humilha a ponto de procurar senadores tentando impedir que haja investigação sobre o banco, isso é a maior comprovação de que realmente é preciso convocar a CPI. Se o Senado se submeter a essa inacreditável pressão, é melhor fechar as portas. O BNDES é uma espécie de Petrobras, com irregularidades por todos os lados. (C.N.)

Governo perde mais uma: Câmara restringe a fusão de partidos

Para ajudar o governo, Kassab queria enfraquecer o PMDB

Andre Shalders
Correio Braziliense

Depois de quase duas horas e meia de discussão, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (25) um projeto de lei que cria uma espécie de “quarentena” contra a fusão de partidos políticos. Pela proposta, um novo partido só poderá se juntar a outro depois de cinco anos de funcionamento. Parlamentares dizem que o projeto foi feito “sob medida” para contrariar os planos do ministro Gilberto Kassab (Cidades), presidente do PSD. Kassab trabalha na criação de uma nova agremiação, o Partido Liberal, que seria posteriormente fundido ao PSD. A criação de um novo partido também abre brechas para a migração de parlamentares de outras legendas. O texto segue para o Senado.

A criação do PL é apoiada ainda pelo PT, que acredita que o novo partido poderia atrair deputados de legendas de oposição e do PMDB, reduzindo o peso do aliado no Congresso. O partido apresentou diversos requerimentos durante a votação, com o objetivo de atrasar o processo. O líder do PT, Sibá Machado (AC), chegou a sugerir que a votação fosse adiada para a semana que vem. Peemedebistas e deputados de partidos de oposição apoiaram o substitutivo apresentado pelo relator no plenário, Sandro Alex (PPS-PR). Apenas PROS, PR, PSOL e PSD votaram contra o projeto. O PT liberou a bancada.

NOVA COMISSÃO PERMANENTE

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ainda aproveitou a sessão de ontem para aprovar uma resolução que cria uma nova Comissão Permanente na Câmara. A Comissão Permanente de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência será o 23º colegiado temático da Câmara.

Uso do Porsche de Eike pelo juiz caracteriza peculato (art. 312)

O juiz Flávio Roberto de Souza, apanhado em flagrante delito pela imprensa

Jorge Béja

O carro Porsche não era oficial. Nem seu proprietário autorizou fosse dirigido pelo juiz. Nem o juiz poderia autorizar a si próprio utilizar o veículo que o próprio juiz apreendeu e que estava sob a custódia e responsabilidade da União, pelo braço do Poder Judiciário. No Jornal da Band, o Dr. Sérgio Bermudes deu entrevista em seu escritório de advocacia no centro do Rio. Disse que ia representar contra o juiz no Conselho Nacional de Justiça e junto ao Tribunal Regional Federal do Rio.

Disse ainda o Dr. Bermundes que não apenas ia pedir a punição do juiz bem como sua exclusão da magistratura. E arrematou o renomado advogado: “Esse juiz cometeu o crime de peculato”. Eu vi e ouvi. Todos viram e ouviram.

Crime de peculato é o previsto no artigo 312 do Código Penal, que cuida “Dos Crimes Praticados Por Funcionário Público Contra a Administração em Geral”: “Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio”. Pena: Reclusão de 2 a 12 anos e multa.

E ainda: a lei é tão rigorosa com bens expropriados e levados a leilão que, quando da realização do leilão, qualquer pessoa que estiver na livre administração de seu patrimônio pode arrematar o bem, menos “o juiz, membro do Ministério Público e da Defensoria Pública e demais servidores e auxiliares da Justiça” ( Código de Processo Civil, artigo 690-A, III ).

O carro em questão será levado a leilão, segundo publicado nos jornais. Nem no leilão o juiz – nem ninguém a seu mando, se assim constatado e provado – poderá oferecer preço, isto é, participar do leilão e arrematar o carro. Muito menos utilizá-lo, ao seu talante, sem forma e figura de lei.

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O JUIZ SERÁ JULGADO NO “OLIMPO”

Luiz Fernando Stamile Racco

A dificuldade, no que tange à caracterização do peculato, reside na prova do ‘animus rem sibi habendi’, inevitável para que o os verbos núcleos do tipo (‘apropriar-se’ e ‘desviar’) fiquem caracterizados; igual complexidade será evidenciar o elemento subjetivo do tipo (‘para si ou para outrem), ou, para quem preferir, o ‘dolo específico’.

A escusa azambrada do magistrado certamente pesará em seu prol, sobretudo em razão de o praticante do injusto pertencer ao Olimpo (leia-se: Poder Judiciário).

É uma batalha, uma decepção – regadas a doses duplas, sem gelo, de melancolia –, prezado e cultíssimo Jorge Béja! Máxime quando sabemos que o magistrado será julgado por seus pares em um procedimento sigiloso, ao qual nós, ‘mortais’ em geral, não teremos acesso.

Mas é preciso lutar, mesmo sem esperança.

Uma serenata especial, de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

O jornalista, escritor, compositor e poeta carioca Orestes Dias Barbosa (1893-1966), nesta “Serenata”, composta em parceria com Sílvio Caldas, expõe juras de amor eivadas de sofrimento por não ser correspondido em seu sentimento. Essa música foi gravada por Sílvio Caldas no LP Serenata, em 1957, pela Columbia.

SERENATA
Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

Dorme, fecha esse olhar entardecente
Não me escute, nostálgico, a cantar
Pois não sei se feliz ou infelizmente
Não me é dado, beijando, te acordar

Dorme, deixa os meus cantos delirantes
Dorme, que eu olho o céu a contemplar
A lua que procura diamantes
Para o seu lindo sonho ornamentar

Na serpente de seda dos teus braços
Alguém dorme ditoso sem saber
Que eu vivo a padecer
E o meu coração feito em pedaços
Vai sorrindo ao teu amor
Mascarado desta dor

No teu quarto de sonho e de perfume
Onde vive, a sorrir, teu coração
Que é teatro da ilusão
Dorme, junto aos teus pés, o meu ciúme
Enjeitado e faminto como um cão    

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Crise pós-Lava Jato está paralisando obras de R$ 5 bilhões

Deu na Folha

Atrasos em projetos, demissões e incerteza marcam a rotina de cidades pelo país que tiveram rápido crescimento com a instalação de estaleiros voltados à produção para a Petrobras.

Mas a crise nas empreiteiras afetadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, ameaça agora as promessas de desenvolvimento econômico acelerado.

Em três Estados, os investimentos somam pelo menos R$ 5 bilhões e, em dois deles, o total de demissões chega a 7.000, segundo os sindicatos de trabalhadores.

Com economia modesta até 2006, Rio Grande, município de 207 mil habitantes no litoral gaúcho, conheceu o status de polo econômico do Estado após o início da construção de plataformas e módulos para a Petrobras a partir de 2006.

Shoppings foram erguidos e a construção civil passou por um boom, mas após a Lava Jato, o cenário se deteriorou rapidamente.

DEMISSÕES EM MASSA

O sindicato dos metalúrgicos estima que foi demitida metade da força de trabalho da empreiteira Engevix, empresa que teve o vice-presidente preso na operação e que tinha sido contratada pela Petrobras para construir cascos para plataformas.

Empresas terceirizadas reclamam de dívidas pendentes e também demitem -ao todo, o sindicato fala em 2.500 cortes. Aos operários dispensados restou procurar emprego no comércio local. Mas os lojistas também dizem enfrentar reflexos da situação e queda nas vendas.

No último dia 12, uma série de protestos foi promovida pelo sindicato dos metalúrgicos na cidade, com o fechamento de rodovias e greve de ônibus.

A incerteza também paira sobre dois projetos que seriam a base da economia local nos próximos anos: a construção das plataformas P-75 e P-77 por um consórcio liderado pela Queiroz Galvão. O início dos trabalhos vem sendo adiado sucessivamente desde 2013 e não há uma garantia de quando sairá do papel.

MEGA SEM O PRÊMIO

Na Bahia, o cenário também é de insegurança no estaleiro em Maragogipe, cidade de 46 mil habitantes a 130 km de Salvador. Os trabalhos no complexo são em duas frentes: na construção da estrutura do estaleiro e também na montagem de sondas de perfuração. O investimento previsto no local era de R$ 2,7 bilhões.

Nos últimos meses, segundo informações do próprio consórcio responsável, 4.500 pessoas foram demitidas no complexo, tanto na obra física quanto na área das sondas.

Os equipamentos tinham sido encomendados pela Sete Brasil, parceira da Petrobras e investigada na Lava Jato. O consórcio é composto por empresas como a OAS e UTC Engenharia -também envolvidas na operação.

O sindicato dos trabalhadores fala que há um risco de a obra virar um “elefante branco”.

“A cidade passou 50 anos sem esperanças até a chegada do estaleiro. Agora, é como alguém que ganhou na Mega Sena e não recebeu o prêmio”, diz o secretário municipal Gilberto Sampaio.

NAVIOS-SONDA

No Espírito Santo, a crise da Sete Brasil também atrapalha o início das atividades de um complexo criado para a construção de navios-sonda. O estaleiro, administrado pela empresa de Cingapura Jurong, levou o município de Aracruz a se tornar um dos que mais geraram empregos na indústria no país em 2014.

No começo do mês, o responsável pela operação da companhia na América do Sul, Martin Cheah, disse ao jornal “Valor Econômico” que o atraso nos pagamentos da Sete Brasil provocaria demissões e obrigaria sua empresa a ir à Justiça.

Procurada pela Folha de S.Paulo, a Jurong informou apenas que as atividades estão normais e que não faz comentários sobre inadimplência.

Câmara recebe mais dois pedidos de impeachment de Dilma

Claudio Tognolli
Yahoo

Nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, foram protocolados na Câmara dos Deputados dois novos pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.  O autor é o advogado Luís Carlos Crema, que me explicou, com exclusividade:

”O primeiro pedido de impeachment, fundamentado nas provas obtidas na Operação Lava Jato, registra o cometimento de dois crimes de responsabilidade. Um, por violação à Constituição Federal e à legislação eleitoral, vez que, conforme indicam as provas colhidas nas delações premiadas, parte do dinheiro roubado da Petrobras foi utilizado para financiar a campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República em 2014”, afirmou o advogado, que continua:

“O outro crime denunciado, decorre do fato de que parcela do dinheiro roubado, desviado ao PMDB e PP, foi utilizado para comprar o apoio de partidos políticos à administração da presidente Dilma, evidenciando, assim, o crime de responsabilidade por atentar contra o livre exercício do Poder Legislativo.

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

O segundo pedido de impeachment denuncia a improbidade administrativa da presidente Dilma, por negligenciar e permanecer inerte frente aos crimes cometidos na Petrobras que geraram prejuízo estimado de R$ 88,6 milhões, conforme revelado pela presidente do Conselho de Administração, Graça Foster. A denúncia também identifica crime de responsabilidade de Dilma, pela negligência na conservação do patrimônio da Petrobras e por atentar contra a segurança interna do país, ao permitir a infração de lei federal”.

A 21 de outubro do ano passado Crema já havia protocolado junto à Câmara o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. E também duas outras ações junto ao Tribunal Superior Eleitoral, uma, requerendo o fechamento do Partido dos Trabalhadores (PT) e, outra, o afastamento da candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, das Eleições de 2014.

A 23 de outubro, também de 2014, Crema havia ajuizado outro: sobre as provas que estão sendo obtidas pela Justiça Federal sobre o esquema para desviar recursos da Petrobras com o objetivo de financiar partidos políticos – PT, PMDB e PP – bem assim para custear a campanha à Presidência da República de 2010 da presidenta Dilma Rousseff.

FORO DE SÃO PAULO

Segundo Crema, as denúncias fundavam-se no fato da presidenta da República subordinar e submeter a sua administração, diga-se, a da República Federativa do Brasil, a interesses de entidade e governos estrangeiros, notadamente, ” à entidade denominada Foro de São Paulo e aos governos de países ditos ‘revolucionários’ da América Latina”.

Mas, diz ele, agora os fatos avançaram muito mais para que se ajuízem novas ações contra Dilma.

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NOTA DA REDAÇÃO – Agora, passam a ser 14 os pedidos de impeachment já apresentados contra a Presidente Dilma. Cabe ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, decidir se abre ou não o processo. Se não abrir, há recurso para o plenário. (C.N.)

Verba de gabinete de deputado vai a R$ 92 mil (mensais)

Daniel Carvalho
O Estado de S. Paulo

A Câmara decidiu nesta quarta-feira, 25, aumentar os gastos com os deputados em R$ 146,5 milhões. Neste ano, o reajuste será dado a partir de abril, representando um aumento de R$ 110 milhões. Dentre os benefícios anunciados está a possibilidade de as mulheres dos deputados viajarem às custas da Casa. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que o reajuste leva em consideração apenas a inflação e não representa mais gastos para a Casa. Para equilibrar a conta, será necessário fazer uma série de cortes no mesmo valor do aumento.

O gasto com verba de gabinete, destinada ao pagamento dos funcionários dos gabinetes, foi reajustado em 18%, correspondente ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado desde julho de 2012. O valor passa de R$ 78 mil para R$ 92 mil. Serão gastos mais R$ 97 milhões neste ano e R$ 129 milhões a mais a partir de 2016.

O cotão, verba mensal para gastos como aluguel, alimentação, transporte, entre outros, foi reajustado em 8%. O maior, de Roraima, passa de R$ 41,6 mil para R$ 44,9 mil. O menor, do DF, vai de R$ 28 mil para R$ 30 mil. O reajuste custará mais R$ 12,5 milhões este ano e R$ 16,6 milhões a mais no ano que vem.

O auxílio-moradia dos deputados foi reajustado em 10,5%, passando de R$ 3,8 mil para R$ 4,2 mil, aumento de R$ 663,8 mil este ano e R$ 885 mil em 2016.

ESPOSA VOANDO DE GRAÇA

O presidente da Câmara anunciou também que os cônjuges dos parlamentares terão direito a passagens aéreas para se deslocar do Estado de origem a Brasília e vice-versa. O valor da cota não será aumentado, segundo Cunha.

Para pagar a conta do aumento dos benefícios será necessário cortar investimentos, custeio, compras de equipamentos e materiais permanentes e contratos. Ainda não há detalhes a respeito dos cortes.

“Não vai custar um centavo. Todo acréscimo terá um corte correspondente em outras despesas que já foram quantificadas e serão cortadas. Se tivesse qualquer aumento de despesa, nós não faríamos”, disse Eduardo Cunha.

Cunha negou que os ajustes sejam uma medida “corporativista” nem quis encarar os itens cortados como “supérfluos”. “A tendência que você tem é que a atividade política nos tome um tempo muito forte. A gestão administrativa sempre acaba sendo atividade secundária dos presidentes”, afirmou.

Temer avisa ao PMDB que o Brasil está à beira do precipício

Temer foi sincero na reunião com a bancada

Daiene Cardoso
Estadão

A situação econômica do País foi a tônica do encontro dos deputados da bancada do PMDB com o vice-presidente da República Michel Temer nesta quarta-feira, 25. Segundo relatos dos peemedebistas, Temer mostrou as dificuldades econômicas que o País enfrenta no momento e o temor de que o descrédito com a Petrobrás – que perdeu o grau de investimento na terça-feira – traga outros reflexos negativos para o cenário. “Ele (Temer) relatou que um ministro da equipe econômica falou que estamos dançando na beira do precipício”, contou o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).

Após o encontro, a bancada fez uma reunião e anunciou que receberá nos próximos dias a equipe econômica para falar sobre as medidas do ajuste fiscal proposta pelo governo. Os deputados dizem que ainda não há uma posição fechada de apoio às Medidas Provisórias. Eles se recusam a assumir o ônus das “medidas amargas” e cobraram uma posição clara dos outros partidos da base, principalmente do PT, sobre o pacote. “Não vamos pegar o pacote e só balançar a cabeça”, resumiu Danilo Forte (PMDB-CE).

O líder da bancada, Leonardo Picciani (RJ), revelou que os deputados disseram ao vice-presidente da República que não querem ser chamados só para “resolver os problemas” do governo, mas que gostariam de participar do núcleo de tomada de decisões do governo. “O partido nunca faltou à governabilidade e à agenda do País, mas nós queremos a participação efetiva do PMDB na construção das políticas públicas, na construção das soluções e não só na administração dos problemas”, pontuou.

DESTA VEZ, SERÁ DIFERENTE

Picciani avisou que o PMDB não está disposto a ter na aprovação do ajuste fiscal a mesma postura que teve com o Palácio do Planalto em outras situações. “Isso ocorreu na revisão da meta fiscal e isso não ocorrerá de novo. Colaboraremos, mas terá de ser um processo coletivo e de total convencimento”, avisou.

Apesar do endurecimento no discurso, o líder peemedebista afirmou que o PMDB terá “responsabilidade” num momento de agravamento da crise econômica. “Há compreensão de que o quadro na economia é bastante grave e requer atenção. A falta de atenção com este quadro pode levar a uma fragilização da governabilidade, a fragilização do País economicamente. É preciso ter responsabilidade e essa responsabilidade é de todos”, reforçou.

Sobre o rebaixamento da Petrobrás pela agência de classificação de risco Moody´s, Picciani culpou as denúncias de corrupção, a falta de um balanço e a má gestão da empresa nos últimos meses. “É muito ruim para a empresa e para o País, mas isso nem se compara à gravidade de um rebaixamento da nota de um país. Portanto a responsabilidade com o momento econômico deve ser ainda maior”, declarou.

O grande objetivo do PT já foi alcançado: dividir o Brasil!

Em 2015, quem espanca é o PT

 

 

Em 1964, era a polícia que espancava

Francisco Bendl

Mediante plano muito bem arquitetado, com o governo transitando livremente entre a corrupção e desonestidade, o PT mobilizou a militância do partido para atacar nas ruas os descontentes com as administrações petistas, e ontem, na Associação Brasileira de Imprensa, Lula discursou passando a seguinte palavra de ordem: “Quero paz e democracia, mas eles não querem. Mas também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas!”

ENFRENTAMENTO

Já escrevi várias vezes na Tribuna da Internet a respeito desse enfrentamento entre brasileiros, agora inevitável. Causa-me surpresa que a política brasileira tenha chegado a esse ponto. Jango foi deposto por infinitamente menos razões que os crimes praticados por Lula e Dilma. Da mesma forma, Collor teve de renunciar minutos antes de ser cassado, e em sua gestão ocorreram irregularidades bem menos graves do que a ação do crime organizado que presenciamos agora.

Se somarmos os motivos da queda de Jango e Collor, as aberrações do PT estão muito além da gravidade daquelas sob responsabilidade dos ex-presidentes afastados, sem que não se verifique um movimento mais vigoroso para aprovar logo o impeachment deste governo composto por bandidos, reles criminosos e estelionatários, que insuflam seus militantes e ameaçam nos levar à guerra civil.

FOTOS REVELADORAS

As fotos que ilustram este texto dizem tudo. Uma delas mostra policiais batendo em um manifestante na época da ditadura, e a outra exibe a militância petista agredindo a pontapés um cidadão que exercia seu direito de pedir o impedimento de Dilma Rousseff. Na foto do militar, o título poderia ser “Ditadura”; na outra, apenas “Militância”. Qualquer semelhança entre as duas coisas, decididamente, não é apenas coincidência, mas o mesmo propósito de intimidação e subserviência.

Preparemo-nos, pois a situação é grave, e tende a se tornar pior, quando o Stédile colocar seu exército nas ruas.

Mulher de Eike ironiza juiz flagrado dirigindo o Porsche

Juiz diz que estava apenas “guardando” o carro para não ter avarias

Deu no Correio Braziliense

A empresária Flávia Sampaio, mulher de Eike Batista, usou as redes sociais para ironizar o juiz Flávio Roberto de Souza, flagrado dirigindo um veículo de luxo do marido dela na terça-feira (24/2). Ela postou fotos do carro da família estacionado em uma garagem para “agradecer” o apreço do magistrado com os bens de Batista e usou as hashtags #agradecimento, #juizpreocupado, #zeloso, #quantoamor.

Flávia também postou a foto de um piano da família, apreendido na casa de Eike Batista. De acordo com a empresária, a Polícia Federal teve de ir à casa três vezes para retirar o objeto. Ela insinua que o instrumento também esteja na casa do juiz que foi flagrado usando o carro de Eike: “Será pelo mesmo zelo que quiseram tanto tirar um piano de casa?”

A Corregedoria Regional da Justiça Federal da 2ª Região abriu investigação para apurar o caso. A votação para decidir sobre o afastamento do juiz está marcada para a próxima terça-feira. O magistrado levou o Porsche e outro veículo apreendido para a garagem de casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, sob a justificativa de que não havia vagas disponíveis na garagem do tribunal, nem no depósito da Polícia Federal.

O magistrado também teria argumentado que a garagem própria tem sistema de monitoramento em vídeo e é coberta, o que ajudaria a conservar os carros. O juiz enviou ofício ao Detran do Rio de Janeiro solicitando que a propriedade dos veículos fosse transferida provisoriamente para o tribunal, até a realização de leilão. De acordo com o juiz, não há irregularidade no caso. Ele confirma que estava com o Porsche, mas sustenta que não usava o veículo, apenas o “guardava” — uma situação normal, para ele.

Governo sonha que pode rolar indefinidamente a dívida pública

http://1.bp.blogspot.com/-1S5wPR9CAYA/TpYT28mDXbI/AAAAAAAAAsE/n5IQ0IC6vtc/s320/charge_grd_501.jpgWagner Pires

A economia brasileira está sendo sustentada em cima da dívida pública. Não por acaso, a dívida pública consolidada representa 63,4% do PIB, ou R$ 3,252 trilhões. Essa dívida bruta do governo – que engloba União, Estados e Municípios é resultado da soma da dívida interna R$ 3,063 trilhões (59,7% do PIB) com a externa R$189,3 bilhões (3,7% do PIB).

A dívida líquida do setor público desconta da dívida bruta os créditos internos e externos do governo, como as disponibilidades no Banco Central, os créditos junto ao BNDES, os créditos junto aos bancos e junto às estatais, as aplicações financeiras do Fundo de Amparo ao Trabalhador etc. Esta dívida líquida acumulou em 2014 o total de R$ 1,883 trilhões, ou seja, 36,7% do PIB.

Em 2014 o Tesouro Nacional desembolsou R$ 313,5 bilhões. Em 2013, já tinha desembolsado R$ 278,3 bilhões, segundo os dados do Ministério do Planejamento.

DÉFICIT PRIMÁRIO

Não houve superávit primário (economia de recursos orçamentários) em 2014, mas o contrário, com déficit primário de R$ 32,5 bilhões (0,63% do PIB). Foi a primeira vez que isto ocorreu desde que o Banco Central iniciou a série histórica em 2001.

Como os juros nominais da dívida alcançaram R$ 311,4 bilhões (6,07% do PIB), o déficit nominal ficou em R$ 343,9 bilhões (5,94% do PIB). Ou seja: (R$ 311,4 bilhões + R$ 32,5 bilhões).

Só para se ter uma ideia deste número, o déficit nominal em 2013, que já foi recordista na época, ficou em R$ 157,5 bilhões, com juros apropriados de R$ 248,8 bilhões. Como se sabe, o déficit nominal é dado pelo excesso de despesas públicas (correntes e de capital) sobre as receitas correntes do governo, mais os juros e correção monetária sobre as dívidas interna e externa. Pode ser financiado pelo aumento da base monetária e pelo aumento das dívidas interna e externa. No Brasil o governo, para se financiar, tem optado pelo mais pelo aumento da dívida do que pelo aumento da base monetária.

Este ano a nova equipe econômica tem a missão de promover um ajuste fiscal consistente, de maneira que, efetivamente, o governo garanta a economia com cortes de despesas orçamentárias, ao mesmo tempo em que promova o aumento de receitas para a formação de um superávit primário suficiente para estabilizar a dívida pública.

O ajuste fiscal atende, também, à necessidade do governo enxugar o excesso de liquidez monetária promovido por ele mesmo com o excesso de despesas. Prova disso são os números da dívida pública. O combate à inflação depende deste ajuste.

Em 2002, a dívida pública bruta (União, Estados e Municípios) era de R$ 994 bilhões. Em 2014, passou a R$ 3,252 trilhões, numa elevação realmente preocupante, segundo as informações disponibilizadas pelo próprio Banco Central.

Ministro Pepe Vargas continua tentando recompor a base aliada

Deu em O Tempo

O ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, afirmou que o governo vai fazer reuniões com bancadas ou blocos partidários para tentar aprovar no Congresso o ajuste fiscal. “Nesta quarta-feira mesmo temos uma primeira reunião com bloco partidário no Senado incluindo, PT, PDT e PCdoB. para que haja um nivelamento de informações para que os senadores e deputados possam ter conhecimento mais aprofundado da matéria e, inclusive, dialogarem sobre como eles vêm essas questões, além de eventuais propostas”, disse.

Mas na realidade, a base aliada segue fragmentada. Horas depois de a cúpula do PMDB confirmar apoio ao governo nas votações importantes sobre o ajuste fiscal no Congresso nos próximos dias, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que a coalizão do governo Dilma Rousseff é “capenga”. O senador confirmou ainda que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, avisou que o corte nas despesas orçamentárias será de R$ 80 bilhões.

“Essa coalizão é capenga, porque o PMDB, que é o maior partido, do ponto de vista da coalizão não cumpre o seu papel. Você não pode ter um governo de um partido hegemônico, ter um partido que é o maior partido do Congresso Nacional como parte da coalizão sem que ele tenha papel na definição das políticas públicas. Então é preciso aprofundar o ajuste, o setor público tem que pagar também uma parte da conta. Não dá para transferir essa conta para a sociedade”, disse Renan Calheiros.

ESPAÇO NAS DECISÕES

O presidente do Senado deixou claro que o PMDB quer espaço nas decisões de governo. “O PMDB quer dar um fundamento à coalizão, quer participar da definição das políticas públicas. Espaço o PMDB tem demais (na política), mas não é isso que aprimora, que dá fundamento à coalizão. O que dá fundamento à coalizão é você ter começo, meio e fim para o ajuste, para a produtividade, para antever as etapas. Eu acho que o papel do PMDB nessa hora é sobretudo formatar isso”, disse.

Ele acrescentou: “Temos buracos em vários setores e é importante aproveitar a circunstância, a oportunidade e a dificuldade para construirmos um melhor modelo de coalizão política para o governo. O PMDB, que é o maior partido, precisa cumprir um papel importante, insubstituível na coalizão e não apenas ser chamado nessas horas para fazer ajustes que não tem nem começo, nem meio e nem fim.”

JUCÁ CRITICA

O relator do projeto de lei do Orçamento para 2015, senador Romero Jucá (PMDB-RR), disse que “o PMDB não será o carimbador do processo. O PMDB não quer ser passageiro e sim tripulante”. Anunciou que a votação do seu parecer deve acontecer apenas na próxima semana para que os novos parlamentares tenham mais tempo para apresentar as emendas para serem executadas neste ano.

O prazo inicial para a apresentação das emendas expirou às 20h de terça-feira. Agora, os deputados e senadores poderão apresentar as indicações até a sexta-feira, e elas serão incluídas no parecer final.