Trabuco alega razões pessoais e se recusa a assumir Fazenda

Indicado por Lula, Trabuco preferiu continuar à frente do Bradesco

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Apesar de todos os apelos da presidente Dilma Rousseff, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, recusou o convite para suceder Guido Mantega no Ministério da Fazenda. Trabuco alegou razões pessoais e profissionais para declinar do convite. Ele quer continuar à frente do segundo maior banco privado do país. Trabuco vai se aposentar nos próximos anos e deve assumir a presidência do Conselho de Administração do Bradesco, hoje ocupada por Lázaro de Mello Brandão.

Foi com Brandão, por sinal, que Dilma deu início às negociações para trazer Trabuco para a Fazenda. O banqueiro disse que não se oporia caso o subordinado aceitasse o convite. A conversa entre Brandão e Dilma ocorreu na terça-feira, em Brasília. Hoje, foi a vez de a presidente conversar com Trabuco, que explicou os motivos para permanecer onde está.

AJUSTE FISCAL

Não está fácil para Dilma nomear o sucessor de Mantega, já que há um temor de que o futuro ministro da Fazenda não tenha a autonomia para adotar as medidas necessárias para tirar a economia do atoleiro. O próximo ministro terá de fazer um ajuste fiscal consistente para ajudar o Banco Central a levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%, até o fim de 2016.

Segundo fontes do Planalto, ainda estão no páreo para a Fazenda o presidente do BC, Alexandre Tombini, que quer permanecer no cargo; Nelson Barbosa, ex-secretário executivo da Fazenda; e Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro Nacional durante o primeiro mandato de Lula e atual diretor da Bradesco Asset. A expectativa é de que Dilma anuncie toda a equipe econômica até o fim de semana. A ansiedade nos mercados financeiros é grande para saber qual será a política econômica a ser adotada pela petista no seu segundo mandato.

Por que 70% dos contratos da Petrobras não têm licitação?

Mariana Jungmann
Agência Brasil 

Em sessão esvaziada, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras ouviu quarta-feira representantes da companhia, do Tribunal de Contas da União (TCU), do Ministério Público Federal (MPF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre o regime de contratações da Petrobras. Os parlamentares ouviram do secretário de Fiscalização de Obras para a Área de Energia do TCU, Rafael Cavalcante, que mais de 70% das contratações da estatal podem ser feitas sem licitação.

Segundo Cavalcante, levantamentos preliminares do tribunal apontam para o alto índice, e ele decorre de lacunas deixadas pela contratação direta, prevista por decreto presidencial de 1998. “Existe a possibilidade de se contratação direta, sem licitação, de acordo com o Manual Petrobras para Contratação, em razão de valores pré-definidos pela diretoria. Nós não temos ainda números definitivos, mas nos últimos quatro anos, eventualmente, em bens, a Petrobras talvez tenha contratado entre R$ 60 bilhões e R$ 70 bilhões. Levantamentos preliminares – e aqui eu peço a paciência e compreensão de vossas excelências sobre a higidez desse número – apontam que mais de 70% dessas contratações de bens são feitas sem licitação”, disse o secretário do TCU. Ele questionou ainda o risco que isso pode representar para a boa governança da empresa.

MERCADO ABERTO

O gerente do Jurídico de Tecnologia e Materiais da Petrobras, Adriano Manso, no entanto, lembrou que a companhia atuava antes em um mercado fechado, com monopólio, e depois passou a atuar competindo com outras empresas. Segundo ele, essa alteração “drástica” de cenário fez com que a empresa precisasse de agilidade, e justificou o decreto que possibilitou as contratações sem licitação.

Segundo Manso, entretanto, todos as premissas da Lei de Licitações estão contempladas no decreto. “Simplificando, quer dizer que precisa agilidade. Agora, todos os princípios licitatórios previstos na Constituição, estabelecidos na República, são expressamente replicados no decreto que traz claramente os princípios clássicos da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, igualdade, economicidade, julgamento objetivo, vinculação a instrumento convocatório e segurança jurídica”, explicou.

SEM TRANSPARÊNCIA

Mesmo com as explicações, o chefe de Divisão da Coordenação-Geral de Auditorias das Áreas de Minas e Energia da CGU, Daniel Caldeira, criticou a pouca transparência da Petrobras no que se refere aos seus contratos. Além disso, segundo ele, os fornecedores que cometem irregularidades não são devidamente punidos pela companhia. “Uma empresa teve um contrato rescindido e conseguiu fazer outro de valor maior. Não há sanção”, disse.

Será que o analista do Credit Suisse também será demitido?

Mário Assis

Antes da eleição, uma análise da economia brasileira feita pelo Banco Santander ocasionou protestos do governo e acabou provocando a demissão da economista responsável pelo texto.  Agora, surge análise semelhante, feita por um especialista do banco Credit Suisse. Será que novamente haverá demissão?

ANÁLISE DO CREDIT SUISSE

Achamos que a situação da economia brasileira é bem mais frágil do que aquela sugerida hoje pelos preços dos ativos. Passamos praticamente todo o ano de 2014 comprando “seguros” para a piora expressiva da economia brasileira e a consequente queda no preço de seus ativos financeiros.

Nossas previsões sobre a eleição e o desempenho econômico/seus indicadores estavam corretas. No entanto, a compra dos “seguros” parece ter sido efetuada com muita antecedência, e o taxímetro corre impiedosa e mensalmente contra a cota do Fundo.

Os motivos pelos quais tais “seguros” não estão sendo “acionados” são os seguintes: o cenário internacional e a extrema complacência dos investidores, especialmente os estrangeiros, com o Brasil.

Os juros de médio prazo (em torno de 12% ao ano) que o Brasil paga – comparados aos juros globais zero ou próximos a isso – somados a uma enorme liquidez em busca de retornos financeiros são as principais razões para a atração de capital. Isto produz um efeito no qual o investidor, por querer estar aqui, tende a enxergar apenas o lado positivo de nossa economia e a acreditar que existem soluções viáveis e relativamente simples para solucionar os graves problemas domésticos.

É um pensamento esperançoso inacreditável. A reação é a de que, independentemente de quem esteja no comando do País – Marina, Aécio ou Dilma, com um capital humano na Fazenda melhor –, os problemas são facilmente contornáveis; e, portanto, não apenas o investidor não tira o dinheiro do Brasil, como também passa a investir ainda mais.

Nosso entendimento tem sido diametralmente oposto: independentemente de quem seja, consertar a economia é uma tarefa inglória e depende de um norte muito mais do que de um ministro. Ignoram o fato de que o Brasil precisa se reinventar; e, para isso, subir a Selic e prometer um ajuste fiscal à la “me engana que eu gosto” (pois todos sabem que não será feito) são medidas insuficientes, pois precisamos de profundas reformas estruturais que não estão na agenda.

Isto sem falar da importante queda no preço das commodities e da conspiração da natureza, com a maior seca da história, ameaçando os setores de energia e água.

Dilma está trabalhando com sinais trocados

André Singer
Folha

Todo mundo sabe que Dilma Rousseff ganhou a eleição. Mas talvez não tenha ficado claro o suficiente qual foi a persona vencedora e o quanto pode prejudicá-la emitir sinais duvidosos a respeito do significado da vitória. A primeira semana depois do pleito foi cheia deles.

Para recordar. A propaganda da candidata realçou, desde o início, a face heroica da jovem Dilma. Engajada em opção armada, aguentou a tortura de maneira exemplar no fim dos anos 1960. Fez-se símbolo do que houve de mais corajoso na resistência de esquerda à longa noite ditatorial.

Em seguida, Dilma começou a ganhar a eleição quando escolheu combater Marina Silva pela esquerda. Diante do anúncio, feito pela então candidata do PSB em ascensão fulminante, de que daria independência ao Banco Central, o programa eleitoral da hoje ganhadora apresentou uma equação mortífera. BC independente equivaleria a entregar a instituição aos banqueiros e estes tirariam a comida do prato dos pobres.

Vale repetir. Marina caiu sob golpes de esquerda, os quais são até difíceis de apresentar e de explicar numa época de hegemonia neoliberal. Foi opção ousada; deu certo. A porta-voz da Rede Sustentabilidade ficou para trás e o coração valente prosseguiu.

A vitória final começou a ser construída quando, no segundo turno, Dilma e Lula escolheram mostrar o caráter de classe da candidatura Aécio. Não foi deslize Lula ter chamado o tucano de “filhinho de papai”. Outra vez, escolha arriscada –envolvia um tipo de radicalização ao qual o Brasil é pouco afeito. De novo funcionou: a antiga guerrilheira chegou à frente, raspando a trave.

INFORMAÇÕES CONTRADITÓRIAS

Encerrada a contenda, no entanto, começaram a proliferar informações contraditórias a respeito das escolhas cruciais a serem feitas pela ex-jovem heroína. A primeira veio à tona menos de 24 horas após contados os votos. Dilma estaria em busca de um nome do mercado para ministro da Fazenda. Mas se era para entregar a política econômica aos banqueiros como justificar os ataques a Marina e Aécio?

No dia seguinte coube ao próprio BC protagonizar mais uma emissão atravessada de sinais. Para surpresa do próprio mercado, a diretoria decidiu aumentar os juros. Mas não era isso que se queria evitar? Dilma havia dito que o PSDB plantava “dificuldades para colher juros”. E agora?

Por fim, surge a informação de que o governo prepara um pacote com redução de gastos públicos para a semana que vem. Na campanha, Dilma disse que os tucanos só sabiam cortar, e que ela faria diferente. A presidente parece não ter percebido que os dizeres contam e que o preço de afirmar uma coisa e fazer outra é muito maior do que parece.

(artigo enviado por Mário Assis)

O gigantesco tamanho do Petrolão

Mansueto Almeida
Folha

Sabem qual foi o tamanho dos desvios dos recursos da Petrobras? Eu ainda
não sei, mas é nítido que as cifras que estão sendo divulgadas são de um
tamanho impressionante.

O gerente-executivo da diretoria de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco,
se comprometeu a devolver aos cofres da Petrobras mais de US$ 100 milhões.
Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, mais US$ 23 milhões. Alberto
Youseff mais R$ 55 milhões. Júlio Camargo, o executivo da empreiteira
japonesa Toyo Setal vai devolver mais R$ 40 milhões. Apenas essas quatro
pessoas já falam em devolver mais de R$ 400 milhões. É muito dinheiro.

Pelo tamanho das fortunas que os acusados que participam do acordo de
delação premiada se comprometem a devolver é possível estimar que os
desvios de recursos de 2003 a 2012 foram valores muito elevados.

NINGUÉM SABIA?

Não há mais dúvidas que se montou na principal estatal não financeira do
Brasil uma rede de desvio de recursos e de superfaturamento da obras que
salta aos olhos e, hoje, o que se pergunta é porque se demorou tanto para
descobrir um desvio tão grande de recursos, se ou não os diversos
presidentes da Petrobras desde 2003 sabiam da atuação de alguns dos seus
ex-diretores, e mesmo se o esquema de pagamento de propinas para obras
superfaturadas funcionava na Petrobras antes de 2003.

Quanto mais formos a fundo nessa história melhor. Se aparecer indícios que
essas práticas de desvios de recursos é anterior a 2003, que se investigue
e se puna exemplarmente qualquer um dos envolvidos. Assusta o uso político
da estatal na magnitude do que aconteceu mesmo depois do julgamento e da
condenação dos envolvidos no famoso caso do mensalão.

De fato é possível que, como diz a presidente Dilma, a operação Lava-Jato,
que apura corrupção na Petrobras, ponha fim à impunidade no Brasil.
Novamente, o que impressiona é como tudo isso não foi percebido antes por
pessoas que afirmavam de forma tão veemente que estavam fortalecendo a
Petrobras desde a descoberta do Pré Sal e que levou a maior capitalização
do século da empresa, em 2010. Diretores hoje que estão presos saíram da
companhia com menção honrosa e, de repente, o ex-diretor Renato Duque não
teve padrinho político.

MAIOR ESCÂNDALO

Sem dúvida, este é talvez o maior escândalo recente da história do Brasil
dada a magnitude dos recursos desviados e por envolver a Petrobras que,
apesar disso tudo, é a maior e mais inovadora empresa da América Latina.
Seria muito bom que: (1) as investigações fossem aprofundadas para
sabermos se essas supostas práticas criminosas tiveram ou não início, em
2003; (2) que os demais diretores da empresa e os presidentes da empresa
quando esses desvios ocorreram sejam investigados; e (3) de que forma a
associação dos funcionários da empresa pretende lidar com este problema
para evitar novos casos de desvio. É impossível que alguém não tenha
desconfiado de nada. Não havia sinais de enriquecimento ilícito de alguns
dos diretores? Ninguém desconfiava de nada nas conversas do cafezinho?

Por algum tempo, alguns funcionários da Petrobras estavam tão interessados
em falar mal das gestões anteriores da estatal e da mudança na Lei do
Petróleo de 1997 que não se deram conta do tamanho dos desvios de recursos
que acontecia na empresa.

IMAGEM CHAMUSCADA

É claro que a imagem da companhia, apesar de todo o sucesso histórico no
desenvolvimento de tecnologia de extração de petróleo em águas profundas,
sai chamuscada deste episódio. Este caso ficará nos jornais aqui e lá fora
por um bom tempo.

Além disso, em um ano que deveríamos estar discutido reformas estruturais,
o ano de 2015 será marcado pela espera da lista de políticos envolvidos
no caso do Petrolão. Da mesma forma que o Mensalão colocou, segundo o STF,
uma quadrilha criminosa na cadeia, o Petrolão será importante para o
combate à impunidade e o uso político que se fez da Petrobras.

(artigo enviado por Mário Assis)

IPEA mente sobre déficit da Previdência e envergonha o país

Maurício Oliveira

O Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas – IPEA vem, há muito tempo, mentindo e falseando a realidade econômica do país com análises e dados errados.

A última mentira é dizer que a Previdência Social tem déficit. O IPEA e o governo do PT desconhecem que a Constituição Federal de 1988 criou o sistema de Seguridade Social com orçamento próprio e pago pela população brasileira através dos impostos e contribuições sociais. Esse sistema social integra as principais políticas públicas do país de Saúde, Assistência Social e Previdência. Um dos seus principais preceitos é o da universalidade para manter o SUS (Sistema Único de Saúde), benefícios assistenciais para idosos e deficientes e os benefícios previdenciários rurais de pouca ou nenhuma contribuição.

A Seguridade Social vem apresentando superávits ano após ano. Entretanto, o governo vem desviando bilhões de reais para pagar os juros da dívida pública que não para de crescer. Além disso, desvia também bilhões de reais para manter uma máquina pública inoperante e dispendiosa.

SUPERÁVITS

Como prova da sobra de recursos dentro do Orçamento da Seguridade Social apresentamos o superávit do sistema nos últimos quatro anos: R$ 55 bilhões em 2010, R$ 76 bilhões em 2011, R$ 83 bilhões em 2012 e R$ 78 bilhões em 2013. O total nos recursos que sobraram nesse período foi de R$ 292 bilhões.

A Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos repudia essas análises erradas e denuncia um complô de governo contra a Previdência Social Pública, patrimônio histórico dos trabalhadores e uma das maiores políticas de distribuição de renda do Brasil.

Cosenza teria sido injustiçado, mas ainda há controvérsias…

Cosenza é suspeito de superfaturar obras em refinaria

Deu no Painel da Folha

Embora a Polícia Federal tenha retirado o nome de José Carlos Cosenza do rol oficial de investigados na Operação Lava Jato, o Palácio do Planalto avalia que sua permanência na diretoria da Petrobras é “insustentável”.

Diretor de Abastecimento da estatal desde 2012, Cosenza fica em uma posição frágil porque substituiu Paulo Roberto Costa na presidência do conselho de administração da refinaria de Abreu e Lima —principal obra sob investigação da Polícia Federal.

153 ADITIVOS

O conselho de administração era o órgão responsável pela aprovação de aditivos na realização das obras. No caso de Abreu e Lima, foram assinados 153 aditivos que aumentaram o preço da construção da refinaria, segundo a Petrobras.

A preocupação do comando da estatal com as obras de Abreu e Lima ficou clara ontem com o afastamento do gerente de Engenharia Glauco Colepicolo. Ele era chefe de fiscalização da construção da refinaria de Pernambuco.

A decisão do delegado Márcio Adriano Anselmo de admitir erro ao citar Cosenza causou surpresa no comando da PF. O delegado queria que a corporação emitisse uma nota oficial com a informação, mas teve que reconhecer a falha por conta própria.

Comando terceirizado e inércia na gestão

João Bosco Rabello
Estadão

Devem ser deploradas as manifestações de protesto ao governo reeleito de conteúdo golpista verificadas em passeatas e disseminadas nas redes sociais por grupos que defendem a volta do regime militar. A rigor, se fosse possível, melhor seria ignorá-las.

Infiltradas nos movimentos de oposição, merecem desta o mais veemente repúdio, como tem feito o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, sequenciado por lideranças de seu partido e de aliados.É importante, porém, que se atente para dois aspectos que as estimulam.

O primeiro deles, o radicalismo da esquerda autoritária cujo figurino é vestido pelo PT: são polos opostos que se atraem. O segundo, o perigoso vácuo político deixado pelo governo, que mantém a inércia de gestão enquanto prosseguem as avassaladoras informações de corrupção avalizadas pelo Judiciário.

As medidas saneadoras anunciadas pela Petrobras no âmbito interno chegam tarde e soam como uma tentativa de criar clima de reação meramente burocrático sem a necessária força política para reverter as expectativas em relação à empresa.

LINHA DE NEGAÇÃO

A condução da narrativa do governo concentrada no ministro da Casa Civil, Aloísio Mercadante, além de manter a linha de negação dos problemas graves que desafiam o segundo mandato presidencial, não produz resultado político.

Tanto na Petrobras, quanto no governo, esses movimentos padecem de um pecado capital: a ausência da presidente da República, a quem cabe liderar pessoalmente as ações que possam convencer a população quanto à sua capacidade de enfrentar a crise.

Esta, é política, acima de tudo. E requer o comando presidencial objetivo. Quanto à Petrobras, por exemplo, já passou da hora de a presidente Dilma intervir para renovar a direção da estatal demonstrando que seu governo avalia com a dimensão correta o momento grave que a empresa atravessa.

Sobretudo ela, que deu legitimidade às primeiras suspeitas sobre desvios na estatal ao atribuir a aprovação da compra da refinaria de Pasadena à omissão de informações sobre a operação por parte da diretoria da época, hoje investigada e com alguns de seus integrantes presos.

GRAÇA FOSTER, ATROPELADA PELOS FATOS

Sob o comando de Graça Foster, as reações da Petrobras não passam de um conjunto de medidas de efeito futuro, que podem até se constituir em obstáculo à corrupção interna, mas atropeladas pelos fatos que já estão na esfera do Judiciário.

Não falam do presente, mas do futuro, e não têm força política para produzir o clima pretendido de mudança. Trocando em miúdos, não é recomendável que o foco das atenções nacionais, centrado no cenário de corrupção, seja terceirizado pela presidente da República, especialmente para os protagonistas de uma gestão que levou ao descrédito da estatal.

No plano político, a receita é a mesma. É da presidente o ônus da liderança de um processo difícil que tem na suspeição de algumas dezenas de parlamentares um entrave à fluidez das relações entre Executivo e Legislativo. Na gestão ordinária a delegação é fundamental, mas Dilma não a permite; já a crise é indelegável, mas a presidente parece inverter essa equação.

O governo precisa encontrar sintonia com seu partido, o PT, e com o principal aliado, o PMDB, para a condução da sucessão na presidência da Câmara, cenário em que se consolida com rapidez indesejada pelo Planalto a candidatura do líder peemedebista, Eduardo Cunha (RJ).

PONTO DE NÃO RETORNO

Para uma parcela considerável de parlamentares, a candidatura de Cunha alcançou não só o ponto de não retorno, mas também a consistência numérica para torná-la favorita. Para esses analistas dos partidos, ao governo cabe agora decidir com rapidez se comporá com Eduardo Cunha e terá um presidente na Câmara com Eduardo Cunha alguma dose de independência, porém, amistoso, ou se o enfrentará e, derrotando-o, terá um líder do maior aliado na oposição na Câmara.

Nada disso está consolidado, mas é desenho já visível. É provável que o PT lance candidato, assim como a oposição, que pode ter um apenas ou mais. O que é preocupante é a ausência do governo no processo até aqui.

Não há fato novo produzido pelo governo – nem movimento que o exiba como o principal ator em cena. Os fatos novos têm sido as revelações diárias sobre o sistema de corrupção na Petrobras, agora com perspectiva de extensão, numa espécie de metástase, para outras áreas do Executivo, como o setor elétrico e os fundos de pensão.

Morre Márcio Thomaz Bastos, que livrou Lula do mensalão

Thomaz Bastos também livrou Cachoeira

Genilson Percinotto

Morreu, na manhã desta quinta-feira, 20 de novembro, aos 79 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o ex-ministro, que esteve à frente do Ministério da Justiça  entre 2003 e 2007, Marcio Thomaz Bastos, um dos advogado criminalistas de maior renome e influência no país, por vezes apelidado de “deus” no meio jurídico e político.

A morte é um freio inesperado, no qual frequentemente evitamos pensar, mesmo sendo a maior certeza da nossa falibilidade biológica. A vida é extremamente veloz e nosso organismo muda, em linha descendente, com “derivada negativa”, em acelerada deterioração ao longo das nossas poucas décadas de existência. O tempo orgânico não perdoa e mesmo o transumanismo está distante de compreendê-lo em sua plenitude ao ponto de alterá-lo significativamente.

Enquanto ainda temos tempo (não sabemos quanto), nos entretemos com a vida, com seus lances, com suas distrações (por vezes meras frivolidades e grandes vaidades) e com suas lutas quotidianas.

Vivemos num mundo em que a maioria busca maximizar seus ganhos, não importando o custo social (alheio). Majoritária é a quimera e mais forte é o desejo e o também o medo subjetivo. Saltamos na publicidade enganosa de um “Estado Gerencial”, quando na verdade ainda não saímos sequer do Estado “Patrimonialista”, não experimentamos um modelo genuinamente burocrático (no bom sentido) de contenção dos abusos pessoais.

O partido que figura à frente dos arranjos da politicagem arquiteta maneiras para se manter, sempre dependente da sua sustentação, por intermédio da própria estrutura do desenho institucional. É preciso indicar ministros e juízes fiéis, confiáveis, que não debandem do “grande” projeto do grupo fechado, como o fez Joaquim Barbosa.

A série de indicações sinaliza para a estratégia, ainda que isso signifique representar uma cota para negros no STF, indicando o previsível Benedito Gonçalves para a vaga do indicado que se rebelou, não suportou e se aposentou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Criador da tese do caixa 2 para justificar o mensalão, o ex-ministro foi o comandante  dos advogados dos principais réus do escândalo do mensalão, em 2012. Depois de livrar Lula do mensalão, a última “façanha” de Thomaz Bastos foi colocar em liberdade o bicheiro e lobista Carlinhos Cachoeira, que pagou ao advogado a módica quantia de R$ 15 milhões. E houve de tudo. Inclusive ameaça de morte ao juiz do caso, Paulo Augusto Moreira Lima, que autorizou as escutas telefônicas feitas pela Operação Monte Carlo e, depois, determinou a prisão de Carlinhos Cachoeira e seus asseclas mais graduados. Cachoeira está livre, leve e solto. Enquanto isso, Marcos Valério, que não foi defendido por ele… (C.N.)

PF devia pedir desculpas a Cosenza, acusado injustamente

PF diz que nada consta contra o diretor José Carlos Cosenza

Deu em O Globo

Um ofício assinado pelo delegado da Polícia Federal Márcio Adriano Anselmo, em resposta a um questionamento do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, informou que não há, até agora no inquérito policial, nenhuma referência incriminadora contra o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Consenza, que substituiu Paulo Roberto Costa na companhia.

“Em relação ao quesito que figurou em alguns interrogatórios, por erro material, constou o nome de Cosenza em relação a eventuais beneficiários de vantagens ilícitas no âmbito da Petrobras. Em relação ao outro quesito em que se questiona se os investigados conhecem o mesmo, foi formulado apenas em razão do mesmo ter sucedido a Paulo Roberto Costa, área em que foram identificados os pagamentos, bem como por ter sido seu Gerente Executivo. Cumpre esclarecer que não há, até o momento, nos autos, qualquer elemento que evidencie a participação do atual diretor no esquema de distribuição de vantagens ilícitas no âmbito da Petrobras”, informou o delegado.

“Destaque-se, ainda, que nenhum dos presos na sétima fase da Operação Lava Jato pontuou qualquer relação a José Carlos Consenza com os fatos ora em apuração”, complementou.

BRIGANDO COM GRAÇA FOSTER

Engenheiro químico, Cosenza trabalha na estatal há 38 anos e assumiu a Diretoria de Abastecimento em abril de 2012 e teria recebido apoio do PMDB, PT e PP. Antes de ser diretor, era gerente executivo de Refino, na área de Abastecimento, comandada por Costa.

Cosenza passou a ser membro do Conselho de Administração da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, em junho de 2008, que era presidido por Costa. O Conselho de Administração da refinaria era o responsável pela aprovação dos aditivos dos contratos.

Cosenza negou que tenha recebido qualquer tipo de favorecimento e negou conhecer o doleiro Alberto Youssef. Ele foi responsável pela comissão interna da Petrobras criada para apurar irregularidades nas refinarias de Abreu e Lima e Comperj, no Rio. O relatório feito pela comissão será enviado ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Maria das Graças Foster e José Carlos Cosenza sempre tiveram sérios atritos. No início do ano passado, os dois protagonizaram uma discussão pesada em uma reunião sobre os planos da estatal para as refinarias do Nordeste. Segundo fontes, Graça teria usado palavras pesadas a ponto de o diretor pedir respeito e ameaçar entregar o cargo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Aqui na Tribuna da Internet, vamos deletar todas matérias que foram divulgadas acusando Cosenza, e pedimos que nos perdoe por termos acreditado nas informações que os jornais apressadamente publicaram. (C.N.)

 

Opções de Dilma: recessão ou dólar nas alturas e juros idem

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Diante da farra fiscal nos últimos quatro anos, Dilma Rousseff terá que decidir o tamanho da fatura que jogará no colo da sociedade para tirar o país do atoleiro em que se encontra. Há duas opções em jogo, diz o economista Tony Volpon, da Nomura Securities: impor uma recessão ao Estado, o que nada mais é do que um ajuste fiscal consistente; ou deixar que os agentes econômicos façam o serviço sujo, jogando os preços do dólar nas alturas e forçando o Banco Central a elevar os juros. Nesse caso, a recessão atingirá em cheio as empresas e os trabalhadores. E, com certeza, a conta será bem mais salgada.

Na opinião de Volpon, não haverá escapatória. “A deterioração das contas públicas chegou a tal ponto, que qualquer saída será difícil. O que fará a diferença será o tamanho do custo. Ou seja, a decisão está com o governo”, diz. Para ele, a sensação que se tem hoje, ante os primeiros sinais emitidos por Dilma, é de que “alguma coisa vai ser feita”, mas nada muito contundente. Isso só piora a situação, pois agrava a onda de desconfiança que varre o país.

“A presidente falou em fazer o dever de casa, mas não tem a credibilidade que precisa para reverter o pessimismo. Por isso, a sensação de que se elegeu um Aécio Neves piorado”, complementa.

CORTAR GASTOS

Para o país, seria muito melhor que o governo cortasse gastos e desse um arrocho severo na máquina pública. Se, num primeiro momento, a economia sentiria o tranco, em seguida, a confiança seria retomada e o setor privado trataria de impulsionar o crescimento. Dessa forma, os empregos seriam preservados e, com certeza, o ano de 2016 estaria salvo.

“O primeiro ano do segundo mandato de Dilma já está comprometido. O que se tem que decidir é se terminaremos 2015 em situação de começarmos 2016 bem ou mal”, assinala. “Não podemos ter uma repetição de 2014 para 2015”, acrescenta.

Pelo raciocínio de Volpon, os agentes econômicos não serão complacentes com Dilma, devido aos erros que ela cometeu no primeiro mandato. Ele ressalta que não é o mercado financeiro que está punido a petista reeleita, mas o empresariado, responsável pelos investimentos produtivos que movem o Produto Interno Bruto (PIB). Em 2002, quando havia uma desconfiança do que seria um governo Lula, o mercado realmente fez o estrago ao jogar o dólar para R$ 4. Mas, neste ano, a moeda norte-americana andou comportada em boa parte do tempo, a bolsa de valores acumulou valorização por um bom período e os juros futuros cederam. Os investimentos produtivos, contudo, estagnaram, jogando a economia na recessão.

META INATINGÍVEL

A tendência mais provável, no entender do economista da Nomura, é de que o governo faça um mix de cortes de gastos com aumento de impostos. Mesmo assim, será impossível atingir a meta mínima de superavit primário de 2% do PIB prevista na proposta de Orçamento da União de 2015. Sendo assim, o melhor é que Dilma saia do país das fantasias e anuncie, claramente, o tamanho do ajuste que o governo fará no ano que vem. Que seja de 0,5% ou 1% do PIB. Mas que seja consistente, sem truques, sem mágicas, sem maquiagens. Ninguém aguenta mais tanta insegurança quanto aos rumos da economia.

 

Graça Foster mentiu ao depor perante a CPI do Congresso

Mariana Jungmann
Agência Brasil

O líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy (BA), denuncia que presidente da Petrobras, Graça Foster, cometeu perjúrio, porque mentiu para a Comissão Parlamentar de Inquérito do Congresso, ao dizer que as auditorias internas da companhia não tinham encontrado irregularidades nos contratos que foram foco da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Para nossa surpresa, a presidente da Petrobras declara que, desde maio deste ano, já havia ofício da SBM que dizia que a SBM pagou propina a funcionários da Petrobras. Lamento dizer que a presidente Graça Foster mentiu nesta CPMI, porque, se em 11 de junho, ela dizia que não havia nenhuma informação com relação ao pagamento de propina, e agora ela fala que desde maio já havia ofício. Portanto, ela mentiu para o povo brasileiro”, acusou Imbassahy, defendendo a imediata demissão da presidente da estatal.

 

Advogado da Camargo Corrêa já admite haver delação premiada

Jornalistas ouvem Celso Vilardi, um dos advogados da empreiteira

Guilherme Voitch
Folha

O vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, poderá “colocar a mão à palmatória” em novo depoimento à Polícia Federal, afirmou seu advogado, Cláudio Mariz de Oliveira.

O executivo prestou depoimento pela manhã, na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. Ele é um dos 24 presos na sétima fase da Operação Lava Jato, chamada de “Juízo Final”, que investiga um esquema de fraude em licitações na Petrobras.

No depoimento, Leite respondeu apenas questionamentos básicos sobre sua função na empreiteira. Na sequência, disse que não iria responder perguntas sobre contratos firmados com a Petrobras, seguindo orientação de seu advogado.

Oliveira afirmou que seu cliente não se manifestou, pois não teve acesso ao teor das acusações. Contudo, acrescentou que Leite poderá falar em novo depoimento, depois que a defesa tiver acesso ao inquérito.

“Vamos colaborar. Vamos tomar conhecimento de todos os fatos e aí podemos colaborar com um depoimento mais específico na sequência”, disse o advogado.

“Ele poderá admitir [atos ilícitos] se forem verdade e colocar a mão à palmatória”, afirmou Mariz.

AMIGO DO DOLEIRO

Reportagem da Folha desta terça revelou que Eduardo Leite é citado pelo doleiro Alberto Youssef em conversas e mensagens interceptadas na Operação Lava Jato. Pelo teor das mensagens, o vice-presidente da Camargo Corrêa seria um dos executivos mais próximos do doleiro –Youssef refere-se a Leite como “leitoso” e reclama de “atrasos” de pagamentos da empreiteira.

Na quarta também prestaram depoimento, na sede da PF em Curitiba, Dalton Avancini e João Ricardo Auler, respectivamente diretor-presidente e presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa. E foi adiado para sexta-feira o depoimento do lobista Fernando Baiano, que estava foragido e se entregou.

Dentre os 25 alvos da operação que tiveram prisão decretada na última sexta, apenas Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP-BA) está foragido. Treze pessoas continuam na sede da PF em Curitiba.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Conforme adiantamos aqui, os empreiteiros não têm saída e aceitarão a delação premiada, para não terem o mesmo destino do publicitário Marcos Valério, cuja pena foi quase oito vezes maior do que a de José Dirceu, o chefe da quadrilha. (C.N.)

A rosa mais linda que houver, para enfeitar a noite do meu bem

A cantora e compositora carioca Adiléa da Silva Rosa, conhecida como Dolores Duran (1930-1959), foi uma das maiores representantes do samba-canção. “A Noite do Meu Bem”, é talvez o maior sucesso de Dolores Duran, em cuja letra, composta em estrofes de três versos, há um eu-lírico esperando ansiosamente o seu amor, para uma noite romântica, bela e apaixonada, com sentimentos puros expostos, até que no fim, cansada de esperar, a personagem se mostra desesperançada e amargurada. A música foi composta e lançada, em 1959, por Dolores Duran, pela gravadora Copacabana.
A NOITE DO MEU BEM

Dolores Duran

Hoje, eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem

Hoje eu quero paz de criança dormindo
E o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem

Quero, o alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem

Ai eu quero o amor, o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem

Ai! como esse bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a pureza que quero lhe dar

          (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Petrobras enfim começa a afastar executivos corruptos

Deu em O Tempo
Após investigações internas, Petrobras determinou a saída de executivos da Diretoria de Engenharia na noite desta terça-feira (18). O setor é onde acontecem as contratações e licitações das empreiteiras. As informações foram divulgadas pelo jornal “Folha de S.Paulo”.As demissões são resultado das sindicâncias que acontecem dentro da estatal, para apurarem os casos de corrupção envolvendo membros da Petrobras e executivos.De acordo com a “Folha de S.Paulo”, um dos demitidos pela empresa pode ser o gerente geral da Abreu Lima, Gauco Colepicolo. Funcionários ligados ao ex-diretor Renato Duque e ao ex-gerente executivo Pedro Barusco também estão na lista de demissão, segundo informaram, anonimamente, membros da empresa ao jornal paulista.

Os ex-diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e Renato Duque (Engenharia) são acusados de participar do esquema de fraude envolvendo empreiteiras, dentro da Petrobras. Em acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa confirmou o repasse de 1% a 3% do valor dos contratos em propina. Duque está preso e nega envolvimento. A Petrobras ainda não se manifestou sobre as demissões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs jornalistas estão falando equivocadamente em demissões. O que está acontecendo é que a Petrobras está apenas afastando do cargo os executivos já comprovadamente envolvidos na corrupção, segundo as auditorias internas. Eles não foram demitidos e continuam nos quadros da empresa. Até quinta-feira, antes da nova fase da Operação Lava Jato, a presidente Graça Foster insistia em dizer que as auditorias não tinham comprovado irregularidades. Como sempre, Graça Foster estava mentindo. (C.N.)

 

Para entrar em concorrências, empreiteiras terão de delatar

Jorge Hage: “Terão de contar tudo…”

Julio Wiziack
Folha

As empreiteiras pegas na Operação Lava Jato terão de ressarcir a Petrobras pelos danos causados, refazer contratos superfaturados, entregar os nomes de quem recebeu e pagou propina, e ainda mostrar como funcionava o esquema dentro da estatal.

Só assim poderão fechar acordos de delação com a CGU (Controladoria Geral da União) e escapar da punição de ficarem impedidas de fazer negócios com o governo daqui para a frente. É o que disse à Folha o ministro-chefe da CGU Jorge Hage. “Isso é inafastável. Não há como celebrar acordo sem que haja compensação.”

Hage não citou os nomes das empreiteiras que já procuraram a CGU, mas afirmou que há “farto material” para que os processos sejam abertos. “Estamos concluindo a análise dos documentos obtidos pela Justiça no Paraná”, disse. “Já temos elementos suficientes para a abertura dos processos.”

Nove empreiteiras são alvo da investigação da Polícia Federal: Camargo Corrêa, OAS, UTC, Odebrecht, Mendes Júnior, Engevix, Queiroz Galvão, Iesa e Galvão Engenharia. A suspeita é que elas pagaram propina a executivos da Petrobras para conseguir contratos. Parte do dinheiro foi desviado para companhas do PT, PMDB e PP.

FORA DAS CONCORRÊNCIAS

Caso sejam condenadas em um processo da CGU, as construtoras envolvidas ficariam inabilitadas para qualquer tipo de negócio com o setor público. Por isso, ainda segundo Hage, elas têm interesse em se antecipar.

Os processos serão abertos sem que a CGU tenha acesso às delações premiadas que já ocorreram. “Já solicitei duas vezes ao Janot [Rodrigo Janot, procurador-geral da República]. Mas ele respondeu que a lei só permite compartilhar esse material após a apresentação da denúncia. Ou seja, vai demorar muito. Não temos como esperar.”

“Onde houve, comprovadamente, sobrepreço –ou seja, aquela gordura que é a base para propina– a repactuação dos contratos para redução de preço é indispensável”, disse o ministro.

Hage afastou a hipótese do órgão público instaurar processo administrativo contra a Petrobras. “Entendo que a estatal é vítima dessa história, tanto de agentes corruptores –empresas e pessoas físicas– como de agentes públicos que se deixaram corromper”, disse.

DELAÇÃO GERAL…

As empreiteiras que aceitarem fazer o acordo com a CGU terão de entregar quem recebeu e pagou propina, além do funcionamento do esquema. As informações poderão ser compartilhadas com o Ministério Público.

Até agora, seis funcionários e diretores da Petrobras foram processados pela CGU com base nas negociações com a holandesa SBM Offshore, que aluga plataformas à estatal. “Caminhamos para fechar o acordo”, disse Hage.

Ainda segundo o ministro, existem em curso uma sindicância patrimonial e uma dezena de procedimentos investigativos –que antecedem a abertura de um processo na CGU.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também conduz um processo de delação com o grupo Setal. A legislação, neste caso, só permite que uma empresa seja beneficiada. Mas nada impede que outra companhia feche acordo antes da Setal no Cade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs empreiteiros não têm saída, terão de encarar a delação premiada. Dois dirigentes da Camargo Corrêa, que falsificaram contratos e não deram depoimento, precisam trocar imediatamente de advogados. Um dos vice-presidentes da empreiteira não entrou nessa e já está se oferecendo para fazer delação premiada. Os outros dois terão de vir atrás ou mofarão na Papuda com Marcos Valério. (C.N.)

 

PMDB nega envolvimento em corrupção e pede apuração rigorosa

Deu no Estadão

A Executiva Nacional do PMDB divulgou nota nesta quarta-feira, 19, repudiando “toda e qualquer acusação que esteja sendo feita ao partido, como beneficiário” do esquema que está sendo investigado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal.

Nessa terça-feira, o empresário Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, entregou-se à Polícia Federal, em Curitiba. Ele é apontado pelas investigações como o operador do PMDB no esquema de corrupção de propinas e corrupção envolvendo a Petrobrás. Seu depoimento está previsto para esta quarta. No início da tarde, Fernando Baiano passou por exames no Instituto Médico Legal (IML).

No texto, o partido diz que, se alguém de apresentou como representante ou operador do PMDB, o fez “indevida e desautorizadamente”, “em caráter pessoal ou no interesse de terceiros”, e deverá responder por seus atos perante a lei.

O PMDB, que se apresenta como o maior partido do Brasil, diz que exige plena apuração dos fatos e publicação das conclusões, quando, segundo a legenda, “restará provado que deles nunca teve nenhuma participação ou benefício.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGConforme anunciamos aqui há vários dias, em primeira mão e com absoluta exclusividade, a estratégia de defesa do PMDB (traçada pessoalmente por Michel Temer, que é professor de Direito Constitucional) é no sentido de livrar o partido das acusações. Traduzindo: o “operador” Fernando Baiano teria agido exclusivamente em nome dos políticos do PMDB envolvidos nas falcatruas, jamais representando diretamente o partido, cujo presidente no primeiro governo Lula, por coincidência, chamava-se Michel Temer. E a presidente Dilma Rousseff tenta usar a mesma estratégia, para tirar o corpo fora e colocar a culpa no PT e em Lula. O assunto é instigante, logo voltaremos a ele. (C.N.)

No desespero, Dilma manda o Planalto processar Renato Duque

Comissão “processou” Erenice e não houve punição…

Fernanda Calgaro
Do G1, em Brasília

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu nesta quarta-feira (19) abrir processo para investigar o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque sobre o possível envolvimento dele em suposto esquema de pagamento de propina com recursos de contratos firmados pela estatal.

Duque foi preso pela Polícia Federal na última sexta-feira (14) durante a sétima fase da Operação Lava Jato. Nesta terça, o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, decidiu que a prisão temporária de Duque, com prazo inicial de cinco dias, deveria ser convertida em preventiva, sem prazo para acabar.

Segundo o presidente da Comissão de Ética Pública, Américo Lacombe, como Duque já deixou o cargo na Diretoria de Serviços da petroleira, a punição cabível para ele seria a censura ética, que é uma anotação na sua ficha funcional. Não há prazo para a comissão concluir o processo.

A comissão tem a prerrogativa de abrir processo mesmo contra autoridades que já não estejam mais no cargo para apurar a sua conduta no período em que exerciam o ofício.

A defesa de Duque terá prazo de dez dias para se manifestar. A próxima reunião da comissão será no dia 15 de dezembro.

CÓPIA DE DEPOIMENTO

A Comissão de Ética Pública também decidiu que irá solicitar à Justiça cópia do depoimento de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que já é alvo de processo na comissão.

Em nota, a comissão informa que está acompanhando “de perto” todos os desdobramentos da operação. Além dos processos contra Duque e Costa, há outro que investiga o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, que foi citado nas investigações da Polícia Federal como um dos beneficiários dos pagamentos de propina.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA notícia não tem a menor importância nem haverá punição a Duque. Trata-se de um factóide criado pelo Planalto, por determinação da presidente Dilma Rousseff, que tenta fazer de conta que combate a corrupção. Os membros da Comissão deviam se envergonhar de estarem sendo usados. Duque nem é funcionário público, trabalha numa sociedade anônima, com regime jurídico de CLT. Duque espera que a Comissão de Ética trabalhe com o mesmo rigor demonstrado no caso de Erenice Guerra, amiga íntima de Dilma, que transformou a Casa Civil num balcão de negócios familiares. (C.N.)

Deputados de Brasília querem se tornar imunes à cassação

Almiro Marcos
Correio Braziliense

No dia em que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) abriu processo criminal contra um deputado por peculato e fraude a licitação e marcou a data do julgamento de outro por improbidade administrativa, a maioria da Câmara Legislativa decidiu manter a blindagem a parlamentares envolvidos em denúncias por meio de mudanças no Código de Ética.

Depois de uma reunião do colégio de líderes na tarde de ontem, deputados distritais seguiram dispostos a manter na pauta as propostas que garantem superpoderes a eles mesmos em processos de cassação. Dois projetos de resolução apresentados que tratam do assunto estão em tramitação. Se aprovados da forma como estão, um deputado envolvido em ato de improbidade administrativa ou por crime só será investigado na Câmara Legislativa após o julgamento final; e cidadãos comuns e de entidades da sociedade civil perderão o direito de abrir representação contra parlamentares.

Diante da repercussão negativa, os deputados admitem até a possibilidade de alterar um dos textos, mas não abrem mão de manter o projeto que permite abertura de processo por quebra de decoro apenas quando houver condenações transitadas em julgado, o projeto de Resolução (PR) 81.

Com relação ao projeto de Resolução 82, que retira o direito de cidadãos e entidades de apresentar pedidos de cassação contra parlamentares, trocando-os por partidos políticos com representação no Congresso Nacional e na Câmara Legislativa, há um recuo. A intenção é alterar a proposta de forma que os cidadãos tenham que se identificar na hora de protocolar a denúncia contra um deputado distrital. Hoje apenas com a apresentação do CPF é possível representar contra um parlamentar. Uma emenda deve ser incluída para que sejam incluídos dados como data de nascimento, endereço e telefone do autor da denúncia.

Reações

A ameaça de blindagem causou reações populares negativas. O movimento Adote um Distrital, por exemplo, encaminhou ofício a todos os parlamentares pedindo providências. Se na semana passada os dois projetos não fizeram parte das discussões no Colégio de Líderes, ontem foi diferente. O tema causou constrangimento. O presidente da Casa, Wasny de Roure (PT), pediu mais cuidado com relação ao PR 81.

“Nós precisamos discutir melhor o assunto, que só vai a plenário para votação em segundo turno com o acordo dos líderes”, avisou. Paulo Roriz (PP), líder do bloco PP, PR e PTB, foi contra. “Eu acredito que não deve voltar para a pauta. Se voltar, votarei contra e orientarei meu bloco nesse sentido”, avisou. “O petista Chico Leite disse que não há necessidade de mudança no Código de Ética para se adequar a um andamento judicial. “Os poderes são independentes”, explicou.

As propostas

Projeto de Resolução 81, de 2014
O que é: altera o Código de Ética da Câmara Legislativa. Estabelece que os deputados só podem sofrer processo de cassação por ato de improbidade administrativa depois da sentença transitada em julgado (quando não houver mais possibilidade de recursos judiciais)
Situação: aprovado em 1º turno na semana passada. Só pode voltar a plenário na semana que vem
Quem assinou: Agaciel Maia (PTC), Alírio Neto (PEN), Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Celina Leão (PDT), Chico Vigilante (PT), Cláudio Abrantes (PT), Cristiano Araújo (PTB), Dr Michel (PP), Liliane Roriz (PRTB), Olair Francisco (PTdoB), Professor Israel Batista (PV), Robério Negreiros (PMDB), Rôney Nemer (PMDB), Wasny de Roure (PT) e Wellington Luiz (PMDB)
Retiraram a assinatura: Joe Valle (PDT) e Eliana Pedrosa (PPS)
Votaram a favor: Alírio Neto (PEN), Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Celina Leão (PDT), Chico Vigilante (PT), Cristiano Araújo (PTB), Dr Michel (PP), Eliana Pedrosa (PPS), Liliane Roriz (PRTB), Professor Israel Batista (PDT), Robério Negreiros (PMDB), Wasny de Roure (PT) e Wellington Luiz (PMDB)

Projeto de Resolução 82, de 2014
O que é:
altera o Regimento Interno da Câmara Legislativa. Retira cidadãos comuns e entidades representativas da sociedade civil da relação daqueles que podem oferecer representações, denúncias ou notícias de infrações contra deputados distritais
Situação: está tramitando
Quem assinou: Agaciel Maia (PTC), Alírio Neto (PEN), Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Celina Leão (PDT), Chico Vigilante (PT), Cristiano Araújo (PTB), Dr Michel (PP), Eliana Pedrosa (PPS),
Liliane Roriz (PP), Professor Israel Batista (PDT), Robério Negreiros (PMDB) e Wellington Luiz (PMDB)