Mais uma piada do ano: governador Pezão diz que Rio está preparado para garantir segurança da Copa

Victor Abdala
Agência Brasil

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, disse segunda-feira que os recentes ataques a policiais das unidades de Polícia Pacificadora (UPP) preocupam. Ele garantiu, no entanto, que o estado está preparado para garantir a segurança da Copa do Mundo, competição que terá sete jogos disputados na cidade do Rio.
“Tudo preocupa, mas estamos fazendo um grande reforço na segurança pública. A gente sempre fez grandes eventos com tranquilidade e paz. Temos mais de 20 mil policiais reforçando para a Copa do Mundo. Mas a gente não quer segurança pública só para a Copa, a gente quer para sempre e para todas as comunidades”, disse o governador.Em entrevista durante seminário sobre turismo, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, Pezão disse ainda que está analisando reajustes salariais para diversas categorias de servidores estaduais. “Ainda tenho muito para discutir [com o secretariado] até meados de junho, quando pretendo mandar algumas mensagens [de reajuste] à Assembleia Legislativa. Tem diversas categorias que eu quero mandar reajustes, que têm pleitos justos. Uma delas é a Polícia Civil, como é toda a área de segurança”, disse Pezão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEnquanto Pezão dava essa sensacional entrevista, o ônibus dos jogadores era cercado por professores em greve, socando a lataria e pregando adesivos, embora a presidente Dilma tenha dito que a segurança seria tanta que ninguém conseguiria nem chegar perto dos ônibus. E ainda falta Pezão e Dilma combinarem com os policiais. Ninguém sabe se eles entrarão em greve ou não. O resto é especulação. (C.N.)

Genoino diz que piorou e quer sair da cadeia. Mas quem pode acreditar nele?

Da Agência Brasil

A defesa de José Genoino informou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que o estado de saúde do ex-deputado piorou após o retorno ao Presídio da Papuda, no Distrito Federal. Diante do novo relatório médico apresentado, Genoino pede urgência no julgamento do recurso apresentado  ao plenário da Corte para voltar a cumprir pena domiciliar. A liberação do recurso para julgamento depende de Barbosa, relator das execuções penais dos condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão.

Segundo o advogado Luiz Fernando Pacheco, Genoino apresentou “três episódios de crise hipertensiva, com elevação dos níveis pressóricos sistólicos, que requereram uso de medicação de urgência e apresentou alteração de seu perfil de coagulação”.

No dia 30 de abril, o ex-deputado voltou a cumprir pena no Presídio da Papuda por determinação do ministro Joaquim Barbosa. Genoino foi condenado a quatro anos e oito meses de prisão em regime semiaberto na Ação Penal 470,  mas cumpria prisão domiciliar temporária, desde dezembro do ano passado, devido ao seu estado de saúde. Ele tem problemas cardíacos.

O ex-parlamentar teve prisão decretada em novembro do ano passado e chegou a ser levado para a Papuda. Mas, por determinação de Barbosa, ganhou o direito de cumprir prisão domiciliar temporária. Durante o período em que ficou na Papuda, Genoino passou mal e foi levado para um hospital particular.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO problema é que ninguém acredita mais em Genoino, no médico dele e no advogado. Desde o início, foi aquela armação, com afirmações de que ele podia morrer a qualquer momento. Mas era tudo mentira, porque o mensaleiro foi submetido a quatro exames detalhadíssimos, a cargo de equipes integradas pelos maiores cardiologistas de Brasília, e todos os resultados foram unânimes, comprovando que ele está bem de saúde. Agora, diz que piorou. Quem acredita? (C.N.)

Obstáculos que o cidadão comum encontra para acessar o judiciário

Genilson Albuquerque Percinotto

Há alguns ombros de gigantes, dentre diversos outros autores de obras dotadas de louvável qualidade, que merecem destaque como fundamentais para a análise dos elementos que dificultam o acesso do cidadão comum ao judiciário: São eles: Mauro Cappelletti (O Acesso à Justiça); Boaventura Santos (Pela Mão de Alice: o social e o político na transição pós-moderna); Franz Kafka (O Processo).

Ninguém duvida que o acesso à justiça está umbilicalmente ligado ao poder econômico (as custas processuais e, sobretudo, a assistência jurídica, representam apenas uma parcela ainda muito deficiente desse abismo em nosso país). E a procrastinação do processo atinge muito mais frequente e intensamente a camada menos privilegiada economicamente.

Obstáculos simbólicos

Em se tratando dos obstáculos simbólicos, isso foi muito bem levantado por Michel Foucault. O brilhante autor trabalha com a idéia da arquitetura do poder, com o pensamento de que a própria estruturação física do poder é uma forma simbólica de obstáculo (os próprios tribunais exemplificam tais obstáculos).

O Cidadão comum quando entra no Tribunal se sente inferiorizado.

Obstáculos políticos

Tais obstáculos são visualizados popularmente pelo modo de escolha dos membros de Tribunais, sobretudo na cúpula.

Há claramente uma politização excessiva dos Tribunais, que compromete a sua estrutura e funcionamento, dificultando o acesso à justiça.

Obstáculos Estruturais

Falta de condições materiais e técnicas para o exercício adequado e eficiente da atividade judicante.

Há, por exemplo, uma reclamação contínua, por parte dos próprios membros, quanto ao baixo contingente de magistrados

Obstáculos culturais

Podemos enxergar a predominância da repressão em detrimento de prevenção em nossa cultura. Isso alimenta uma cultura de litigância e a multiplicação de processos, com a consequente sobrecarga resultante do agigantamento das violações em uma sociedade adoecida.

No Brasil, oitenta por cento dos problemas encaminham-se para formar desproporcionais e pouco eficientes processos judiciais, como consequência estrutural do desrespeito, do descrédito e da deficiência das alternativas,

Obstáculos pedagógicos

O próprio aprendizado do Direito ainda é muito deficiente, apesar do inchaço dos cursos jurídicos no Brasil.

A reforma do poder deve começar nas academias, no próprio ensino jurídico.

Obstáculos hermenêuticos

Não haverá autêntico acesso a justiça, sem haver avanço na forma de interpretar o direito. Não se pode consentir na existência de um Poder Judiciário que se contente em ser uma mera “boca da Lei” (expressão utilizada por Montesquieu).

No Estado democrático de Direito precisamos de um Poder Judiciário proporcionalmente atuante. Ainda há muito a ser mudado e reformado no sentido da obtenção de maiores níveis de acesso à justiça no Brasil. A Emenda Constitucional 45 criou alguns instrumentos que acabaram se afastando da proposta inicial de potencializar o acesso à justiça.

Em diversas proposições contemporâneas, em nome da mera celeridade processual, que difere da duração razoável do processo, determinante do próprio devido processo legal, está se construindo um modelo paralelo àquele do administrativismo fordista.

A eficiência é fundamental para o acesso à justiça, mas a atividade judicante não precisa ser necessariamente encaminhada para algo distante, mecânico e sujeito a erros em série.

Afinal, na prestação jurisdicional, se compararmos esse relevante serviço a um produto que tão complexamente afeta muitas vidas, não haverá oportunidade para “recall”.

Alguns humanos não interessam aos movimentos que defendem os direitos humanos

Fernando Santiago

Foi assassinado o Capitão Mata, que por muito tempo comandou a PM na região em que eu exerço minha função de Delegado de Polícia, o Bairro dos Pimentas, em Guarulhos.

Eu conhecia o cara e apesar de não sermos grandes amigos, nos encontramos algumas vezes, oportunidades em que ele era sempre polido, aprazível e respeitador. Era o típico “gente boa”.

As vezes, estrelas (Oficiais) e majuras (Delegados) não se dão tão bem, afinal, existem algumas divergências entre as Polícias estaduais, mas não era nosso caso. O Capitão Mata era policial como eu, era natural do RJ como eu e se mudou para outro Estado como eu.

O Capitão Mata não tinha algumas características que fizessem sua morte merecer a devida atenção. Mata era branco e sua morte não interessou a movimentos que lutam por igualdade racial. Mata era heterossexual e sua morte não interessou a movimentos que lutam por direitos de homossexuais. Mata não era bandido e sua morte não recebeu  interesse algum de qualquer representante de grupos que lutam por direitos humanos. Mata não morava em favela ou periferia e sua morte não recebeu interesse de qualquer sociólogo, artistas oportunistas ou ‘Reginas Cazés’ da vida. Mata não pertencia a qualquer minoria, portanto, não mereceu interesse de ninguém que não fossem seus próximos.

Como se isso não se bastasse, ainda era policial (e seus colegas de caserna não atearam fogo em ônibus). Policial, mais um motivo para ninguém lamentar sua morte, afinal de contas, a policial militar Fabiana Aparecida, morta covardemente em uma UPP no RJ, era mulher e sua morte não interessou a grupos feministas, era negra e sua morte não interessou a grupos de defesa da igualdade racial, e tinha vida humilde, mas não mereceu atenção de qualquer sociólogo que luta pelo fim de classes sociais. Fabiana, assim como Mata, também era humana, e assim como no caso de Mata, sua morte não mereceu, novamente, qualquer interesse de grupos de defesa de direitos humanos.

O mesmo aconteceu com o perito de Osasco, Nicolau Constantini, e meus queridos amigos e colegas de Academia de Policia, Dr. Leonardo Mendonça e Dra. Denise Quiroga, ambos mortos em serviço.

O que se vê é que, mesmo para os grupos que militam em defesa dos direitos humanos, uns humanos valem mais que os outros. E o pior é a escolha dos critérios que determinam o valor de cada um.

No caso de policiais, percebe-se claramente que, muitas vezes, sua morte merece valor menor que a morte de um integrante de minorias, ou até mesmo de um criminoso e, outras vezes, não merece valor algum.

Ninguém merece ser assassinado, nem negros nem brancos; nem ricos, nem pobres; nem homossexuais, nem heterossexuais; e, finalmente, nem bandidos nem policiais.

Mas por que a morte de DGs e Amarildos merecem mais atenção que a morte de um policial? Fala-se pouco que as chances de um policial ser morto, segundo estatísticas, é três vezes maior que a de outras pessoas, mas fala-se muito que as chances de um jovem de periferia ser morto é maior que a de outros jovens.

Capitão Mata é mais um nome em lápide esquecido. É mais uma pessoa que escolhe o duro ofício de proteger a sociedade de criminosos e paga com a vida o preço dessa escolha, sem merecer atenção à altura da morte daqueles que ele combateu.

O Capitão Mata deixa mulher, três filhos e um enteado. Todos igualmente esquecidos por aqueles que estão fora do meio do Capitão.”

### Abra o link e entenda a morte do Capitão Mata.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ts__fyeWFlQ

(texto enviado por Gélio Fregapani)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNo domingo, parentes de policiais mortos e feridos durante a atividade profissional se reuniram na orla de Copacabana, na zona sul do Rio. Eles protestaram contra a violência que atinge os militares e denunciaram que este ano já morreram 31 policiais e 117 ficaram gravemente feridos. Mas quem se interessa? (C.N.)

As chuvas de verão, no amor de Fernando Lobo

 

O jornalista, radialista e compositor pernambucano Fernando de Castro Lobo (1915-1996), ao compor “Chuvas de Verão”, retratou na letra o clima de confissões amorosas que prolongavam ou encerravam romances iniciados nos ambientes das boites dos anos 40 e 50.

A música, gravada originalmente por Francisco Alves, em 1949, pela Odeon, talvez não se tornasse um clássico, conforme reconheceu o próprio Fernando Lobo, não fora a versão gravada por Caetano Veloso, vinte anos depois.

Caetano Veloso juntou a beleza já existente na composição ao clima de rompimento amoroso, com uma delicadeza de tratamento que faltou à gravação original; a canção tem seu momento culminante no verso que repete o título, definindo com lirismo e precisão a transitoriedade dos romances de ocasião.

CHUVAS DE VERÃO
Fernando Lobo

Podemos ser amigos simplesmente
Coisas do amor nunca mais
Amores do passado, no presente
Repetem velhos temas tão banais

Ressentimentos passam como o vento
São coisas de momento
São chuvas de verão
Trazer uma aflição dentro do peito.
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão

Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais

Podemos ser amigos simplesmente
Amigos, simplesmente, nada mais

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Homem: espécie em extinção

Eduardo Aquino

Estamos em franca decadência e extinção. Só não vê quem não quer ou finge que ainda somos os mesmos. Para início de conversa, cada vez nascem menos e menos homens: ora creditado ao fato de os espermatozóides XY estarem mais lentos, carregados de metais pesados que respiramos nos ares poluídos do mundo globalizado, ou porque o “Y”, no fundo, seria um cromossomo “x” mutilado e, na verdade, “elas” é que teriam “quebrado uma costela” para surgir os homens (teoria imaginativa, conspiratória e um tanto feminista demais, não é mesmo!).

Mas elas, sem dúvida, vivem cada vez mais e nós não conseguimos acompanhá-las. Já são maioria em cursos superiores, em funções que exigem concursos públicos difíceis (magistratura, Ministério Público e outros). Cada vez mais são o “cabeça da família”, ganham cargos importantes e se tornam até presidente! (Deus me valha reunião ministerial em época de TPM!)

Mas não é nos aspecto quantitativo que a situação é periclitante, e, sim, na decadência do papel masculino na qualidade de suas ações cada vez mais acomodadas; as fêmeas atacando qualquer “barrigudinho” com lata de cerveja na mão, numa balada, num axé, numa “rave”.

Bêbados, drogados, em bando nas “peladas” de fim de semana, barbados, descuidados, sem papo interessante, “trogloditas”, não importa mais: as meninas malhadas, siliconadas, bem-vestidas haverá de amparar, acompanhá-los, botar para vomitar e levar para casa. Acabou o cavalheirismo, a “dança do casamento”, a dificuldade para namorar, conquistar, merecer aquela musa, aquela “deusa”.

AMANTES DESCARTÁVEIS

Somos descartáveis, bocas se beijam sem intimidade e anônimas, Viagras, Red Bull, vodca, êxtase, cocaína embalam noitadas de dança frenética, bate-estaca das músicas eletrônicas, “sexo animal” e, no dia seguinte, amnésia, ressaca e deletar o número de telefone da “cachorrada”.

Ok! Eu sei que existem exceções e tenho até estatística: 30% dos homens valem a pena! Mas meninas desesperadas, “vampiras do amor que vagam na noite, caçadoras desesperadas de um homem para chamar de seu”, tenho uma notícia chocante para transmitir a vocês, ingênuas, platônicas, sonhadoras: são as mulheres com imprudência, machismo, desespero, carência que estão estragando e extinguindo os homens que prestam! O resto é papo de salão. (transcrito de O Tempo)

 

Direito é prazo, já dizia San Tiago Dantas

Sylo Costa

Quando o Brasil começa a viver a destempo é de bom alvitre lembrar a lição do saudoso professor e político San Tiago Dantas: “Direito é prazo.” E é mesmo: Não só direito, tudo o mais tem prazo certo. Na ciência, aquilo que perdeu prazo transita em julgado, ou seja, já era. Numa decisão da Justiça Federal do Rio, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal, aceitou a denúncia do Ministério Público contra seis acusados pelo atentado à bomba ocorrido no Riocentro há 33 anos.

Em suas razões, a meritíssima juíza fala da imprescritibilidade, no direito internacional, dos crimes contra a humanidade. Mas penso que essa decisão não se sustentará, uma vez que a matéria já foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal, que decidiu contrariamente ao entendimento da juíza, com base na Lei de Anistia ampla, geral e irrestrita, com trânsito em julgado. Esse processo foi reaberto por entendimento dessa tal Comissão da Verdade, que, com espírito de vingança, vai acabar levando esse país a uma comoção intestina.

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Ninguém vive em paz num regime de dois pesos e duas medidas. Na manhã de 12 de julho de 1966, o marechal Costa e Silva, então candidato à Presidência da República, era esperado por cerca de 300 pessoas no Aeroporto de Guararapes, no Recife. Pouco antes da chegada, foi anunciado que, em razão de pane no avião, ele estava se deslocando por via terrestre e iria diretamente para o prédio-sede da Sudene, onde se daria o ato de campanha.

Quando o povo se retirava do recinto, o guarda-civil Sebastião Tomaz de Aquino percebeu uma maleta abandonada junto a uma livraria localizada no saguão do aeroporto, apanhou-a para entregar no balcão do DAC e, nisso, ocorreu uma grande explosão. Morreram o jornalista e secretário do governo de Pernambuco Edson Régis de Carvalho e o vice-almirante Nelson Gomes Fernandes. O guarda-civil teve a perna direita amputada, o tenente do Exército Sílvio Ferreira da Silva ficou gravemente ferido e muita gente mais sofreu queimaduras graves.

Pergunto: os autores desse atentado vão ser julgados pela tal comissão? Esse é o regime de que falo de dois pesos e duas medidas. Esse povo está procurando chifre em cabeça de cavalo. Vai acabar encontrando. Volto a reafirmar: sou visceralmente contra torturadores, terroristas, sequestradores e assaltantes como Dilma, Genoino, Dirceu e cia. E tanto faz ser de direita ou esquerda, já que acho essa classificação uma bobagem.

Mudando de pau pra cavaco, e para encerrar, merece elogios o ilustre presidente do STF por ter recolhido ao xilindró os mensaleiros condenados na forma do Artigo 37 da Lei Federal 7.210, de 11.7.1984, que reza: “A prestação do trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena”. Essa lei está em vigor. E sobre a manifestação da Pastoral Carcerária, melhor é pastorear ovelhas. (transcrito de O Tempo)

 

Em Odessa, na Ucrânia, o massacre que a imprensa ocidental não viu

Natalia Forcat
Oriente Mídia/Pátria Latina

“Poder e mídia não são apenas relações amigáveis entre jornalistas e líderes políticos, entre editores e presidentes. Não são apenas sobre as relações parasitárias e de osmose entre repórteres supostamente honrados e o eixo do poder que existe entre a Casa Branca, o Departamento de Estado e o Pentágono, a Downing Street e os ministérios das Relações Exteriores e da Defesa [britânicos].

No contexto Ocidental, a relação entre poder e mídia diz respeito a palavras — é sobre o uso de palavras. É sobre semântica. É sobre o emprego de frases e suas origens. E é sobre o mau uso da História e sobre nossa ignorância da História. Mais e mais, hoje em dia, nós jornalistas nos tornamos prisioneiros da linguagem do poder.”

Depois de enfrentamentos, iniciados após uma partida de futebol, grupos favoráveis ao governo golpista de Kiev cercaram dezenas de manifestantes contrários, que tinham se refugiado no prédio da Central Sindical, e provocaram um incêndio criminoso usando coquetéis molotov. Os extremistas impediram a saída das pessoas -espancando as que tentavam fugir- enquanto incendiavam as dependências do sindicato como pode ser visto nos videos divulgados na internet pelos próprios autores da chacina.

O resultado foi de 46 pessoas assassinadas, muitas das quais morreram sufocadas pela fumaça, outras queimadas e ainda houve as que se atiraram ao vazio tentando fugir das chamas. Isto constitui, sem sombras de dúvidas, um massacre. No entanto a mídia ocidental, que atua como um mero canal de propaganda de EUA e da OTAN, sempre pronta para divulgar justificativas para guerras e intervenções “humanitárias”, não viu este massacre.

LINGUAGEM DO PODER

Com a clara intenção de diminuir o impacto do acontecimento, entrou em cena a “linguagem do poder”, então em vez de ficarmos sabendo que 46 pessoas foram cercadas e queimadas vivas, foram usados artifícios como “enfrentamentos deixam 46 mortos”, ou ainda “incêndio causa mortes”, sem entrar em detalhes e ocultando ou camuflando a autoria do incêndio e tomando especial cuidado para não personificar as vítimas.

Normalmente, quando a imprensa quer nos comover com algum massacre ou com alguma tragédia natural da qual pretenda obter algum lucro político, as vítimas são humanizadas: elas tem nome e uma história, os planos truncados da vítima são apresentados detalhadamente para gerar empatia no público. Mas, em Odessa, a imprensa transformou todas as vítimas em anônimos, pessoas sem rosto, sem nome e sem história.

Ninguém sabe no Ocidente, pelo menos não pela imprensa corporativa, que o poeta ucraniano Vadim Negaturov morreu ao pular do prédio da sede sindical em chamas. Ninguém sabe se ele tinha filhos, ou se ele tinha sonhos. Também não seremos informados se ficou algum poema inacabado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Este artigo foi enviado por Sergio Caldieri. O que a imprensa ocidental fez é revoltante e lamentável. Mas nada escapa à internet, depois que inventaram o celular que tira fotos e faz filmes. No google, há fotos impressionantes das vítimas desse massacre. Não tivemos coragem de publicá-las aqui. (C.N.)

A Copa e o momento dos sul-americanos

Tostão
O Tempo

Os times brasileiros e sul-americanos estão fracos, e as seleções, fortes. A razão principal é óbvia: a saída dos melhores jogadores para a Europa, onde várias equipes são superiores às seleções de seus países.

Mas não é só por isso. Nos últimos tempos, os europeus, preocupados com o lucro, com a segurança nos estádios e com a qualidade do espetáculo, melhoraram os gramados, deram mais conforto aos torcedores (clientes) e fizeram campeonatos mais organizados. Misturaram a disciplina europeia e a troca de passes com segurança, geralmente com dois toques, para não perderem a bola, com a fantasia e a improvisação dos atletas sul-americanos importados. A habilidade não é mais privilégio do Brasil.

Enquanto isso, o futebol brasileiro foi para outro caminho. Os campeonatos são desorganizados, e os jogos são tumultuados, truncados, com excesso de faltas, de simulações e de jogadas aéreas. Predominam, do meio para frente, jogadores velozes, alguns habilidosos, mas com pouca técnica. Walter é uma das exceções.

ORGANIZAÇÃO

Os campeonatos europeus são tão organizados, os gramados, tão bons, e os estádios ficam tão cheios, que qualquer jogo medíocre se torna interessante.

O fato de os melhores jogadores sul-americanos atuarem nas grandes equipes da Europa, onde assimilam a disciplina tática, facilita para Felipão e para os outros treinadores das seleções.

As seleções sul-americanas e europeias possuem estratégias parecidas. Evidentemente, há particularidades. A do Brasil é pressionar no início, assustar o adversário, fazer logo um gol e empolgar o torcedor. Deu certo na Copa das Confederações. A do Chile, dirigido por Sampaoli, aprendiz de Loco Bielsa, é ocupar o campo do adversário, como faz Guardiola no Bayern e fez no Barcelona. Como os zagueiros e o goleiro chilenos são apenas razoáveis, é um risco contra grandes seleções, por deixar muitos espaços na defesa para o contra-ataque.

Esses técnicos, e outros poucos, fogem do lugar-comum. É bom ver suas equipes jogarem, mesmo nas derrotas. Pena que só Sampaoli estará na Copa. São técnicos disciplinados, organizados e fascinados por títulos. Mas querem ir além da vitória, impor o estilo e ganhar com brilho. São loucos racionais, que gostam de deformar o estabelecido. Lembro-me de Romário, que, enquanto todos os defensores iam para um lado, ia para o outro, esperar a bola e fazer o gol.

Os treinadores, e outros tipos de profissionais de destaque, estão sendo transformados em personagens, garotos-propaganda, celebridades. O personagem, cada vez mais, se descola e se torna mais importante que a pessoa e o profissional. Há uma grande curiosidade sobre o que fazem e falam os personagens, mesmo quando não têm nada para dizer. As celebridades já estão chegando para a Copa.

GALO E RAPOSA

O Atlético, sem Ronaldinho, Tardelli e Jô, venceu e jogou melhor os dois últimos jogos. Isso pressiona os titulares. Fernandinho e Marion, dois velocistas pelos lados, têm jogado bem. Maicosuel, se vier, será mais um corredor. O Atlético precisa melhorar a qualidade do meio-campo. Pierre e Leandro Donizete se limitam a marcar, sem nenhum brilho na armação.

O Cruzeiro repete a estratégia do ano passado, de trocar jogadores de uma partida para outra. Deu muito certo. Como perdeu a Libertadores, há críticas ao técnico, de que ele tem trocado muito. No último jogo, Marcelo escalou mais um volante, Willian Farias. Existem uns 500 do mesmo nível.

Ainda bem que a diretoria não foi na onda dos amigos de Luxemburgo, que queriam colocá-lo no lugar de Marcelo.

Collor nega envolvimento com doleiro, mas não revela origem de depósitos

Fernando Collor
Mariana Jungmann
Agência Brasil 

O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) subiu hoje (26) à tribuna do Senado para declarar que não tem envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, nem com o esquema de corrupção e lavagem do qual Youssef participava, desmontado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Collor foi citado no caso, na última quinta-feira (22), quando o juiz Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Polícia Federal (PF) encontrou comprovantes de depósitos bancários em favor do senador durante busca e apreensão no escritório do doleiro.

Collor disse que vai pedir à Polícia Federal, ao juiz Sérgio Moro e ao ministro Teori Zavascki, relator do processo no STF, o acesso a todos os documentos que façam referência ao seu nome nesse processo. Segundo ele, só depois de analisar esses documentos é que vai dar mais esclarecimentos sobre as circunstâncias em que os depósitos foram feitos.

CRÍTICA À MÍDIA

Mesmo sem explicar a que se referem os comprovantes – o mais alto dele no valor de R$ 8 mil –, o senador disse que as reportagens são fruto do inconformismo da mídia com a sua recente absolvição pelo STF nos processos relativos às denúncias que levaram ao seu impeachment. O senador ressaltou que o juiz responsável pelos autos comunicou ao ministro Teori Zavascki que não há indícios de que ele tenha relação com os crimes observados pela PF na operação.

“Foi o juiz Sérgio Moro quem se debruçou sobre os autos. É ele quem mais conhece os fatos, os inquéritos, as investigações e tudo o que se descobriu desse suposto esquema. E é ele mesmo quem afirma que não há qualquer indício do meu envolvimento. Portanto, não sou alvo de nenhuma investigação, menos ainda suspeito naqueles inquéritos embusteiros da Veja”, disse Collor.

Collor também debochou das ilações de que os depósitos do doleiro tenham sido feitos de maneira a tentar não chamar a atenção das autoridades, por terem sido em valores abaixo de R$ 10 mil e em agências bancárias diversas, apesar de serem do mesmo dia.

“Ora, o simples fato de ter sido feito depósito em conta-corrente, com respectivo comprovante e registro no extrato bancário, já não configuraria o rastro alegado? Quem é que agiria subterrânea e ilegalmente, ou seja, por má-fé, desta forma? Não há sentido”, alegou.

“AMIZADE E RESPEITO”

Sobre os dois principais nomes da Operação Lava Jato, Youssef e Paulo Roberto Costa, Collor negou que os conheça nem que tenha relacionamento pessoal ou político com algum deles, mas admitiu amizade com Pedro Leoni, uma das pessoas presas, acusadas de receber dinheiro do esquema desmontado.

“Quanto ao senhor Pedro Paulo Leoni Ramos, conheço-o. Foi ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos quando exerci a Presidência da República. Mantenho com ele e a família, há mais de 30 anos, relação de amizade e respeito”, disse.

PT pede mandato de André Vargas ao TSE e ninguém sabe como ele reagirá

André Richter
Agência Brasil 

O PT entrou com pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para decretar a perda do mandato do deputado federal André Vargas (sem partido – PR) por desfiliação partidária. O partido pretende ficar com a vaga para dar posse ao suplente. A relatora da petição é a ministra Luciana Lóssio.

No dia 25 de abril, Vargas desfilou-se do PT, após 24 anos de filiação à legenda. O deputado responde a processo de cassação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, por envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia federal na Operação Lava Jato.

De acordo com o PT, Vargas não prestou, de acordo com a lei, as justificativas para sua desfiliação. “Resta caracterizado, a toda evidência, o desligamento voluntário da agremiação e exposição de motivos pessoais alheios ao programa partidário ou que denotem discriminação.”, argumentou o advogado do PT.

Em 2007, a Resolução 22.610 do TSE definiu quatro hipóteses em que parlamentares podem mudar de partido sem perda do mandato. De acordo com o tribunal, é justa causa para desfiliação partidária a criação de partido, incorporação ou fusão de partido, mudança ou desvio do programa partidário e discriminação pessoal.

O deputado André Vargas não foi localizado pela Agência Brasil. A assessoria disse que não há previsão de o deputado se pronunciar sobre o pedido do PT.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO PT está cutucando a onça com vara curta. Ninguém sabe como André Vargas reagirá a essa provocação. Parece que a direção do PT, em pleno ano eleitoral, está esquecendo de que André Vargas é o homem que sabe demais. Se ele abrir a boca, pode complicar a vida de muita gente. (C.N.)

Romário cutuca ‘mudança de lado’ de Ronaldo após críticas à Copa

Por André Linares, Lucas Borges e Paulo Cobos
ESPN.com.br

Nesta segunda-feira, coincidentemente, o deputado federal Romário estava de passagem pelo aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, no mesmo dia em que os jogadores da seleção brasileira desembarcavam para se apresentar na Granja Comary, em Teresópolis.

O ex-jogador criticou Ronaldo pelas recentes críticas aos atrasos nas obras da Copa.“Eu tenho minha bandeira, eu tenho as minhas colocações. Eu não mudo de lado dependendo da forma que acontece o jogo, eu tenho o meu lado”, cutucou Romário em relação às recentes declarações do ex-companheiro de seleção.

O deputado também ressaltou sua posição crítica em relação ao Mundial, mas defendeu a torcida pelo hexa. “Qualquer brasileiro consciente entende que a Copa não foi uma coisa positiva para o povo, mas isso não quer dizer que temos que deixar de torcer pelo Brasil. A gente é brasileiro, a gente ama o futebol e nós temos que torcer.”

Por fim, perguntado se arriscaria um palpite para a final, o artilheiro do tetra brincou: “Brasil e qualquer um.”

PT recorre ao plenário do Supremo contra decisão de Barbosa que nega trabalho externo aos mensaleiros

DIRCEU PRESO CARTA NAO ACEITA HUMILHACAO ROUPA DE PRESO ENGORDA

Ivan Richard
Agência Brasil 

Após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),  Joaquim Barbosa, revogar a permissão de trabalho externo aos condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, o PT protocolou na Corte ação para que seja revogada a exigência do cumprimento de um sexto da pena para que presos no regime semiaberto possam trabalhar fora do presídio.

Com base no Artigo 37 da Lei de Execução Penal (LEP), que prevê o cumprimento de um sexto da pena ao preso do regime semiaberto antes da autorização para deixar o estabelecimento prisional para trabalho, Barbosa negou pedido feito pela defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e revogou o benefício ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, aos ex-deputados federais Valdemar Costa Neto, Pedro Corrêa e Carlos Alberto Pinto Rodrigues (Bispo Rodrigues), além de Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do então Partido Liberal (PL).

Na ação de descumprimento de preceito fundamental, o advogado do PT, Rodrigo Mudrovitsch, argumenta que a exigência é “incompatível” com o Artigo 50 da Constituição Federal, podendo afetar milhares de apenados, o que, segundo ele, seria um “contrassenso à individualização da pena”. De acordo com ele, a decisão do ministro Joaquim Barbosa fere o preceito constitucional da obrigação de se assegurar aos apenados o respeito à integridade física e moral.

“Após a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a instalação de uma nova ordem democrática no Brasil, em que se observa o maior período de estabilidade institucional democrática na história, a interpretação do ato ora impugnado sofre considerável alteração, uma vez que não se afigura compatível com a nova ordem constitucional a exigência dos requisitos legais para que os condenados ao regime semiaberto possam exercer trabalho externo”, diz trecho da ação.

O advogado acrescenta que a concessão do benefício a condenados no regime semiaberto tem sido aplicada para “propiciar condições para a harmônica integração social do condenado”. Além disso, diz Mudrovitsch, há mais de uma década a exigência do cumprimento de um sexto da pena não tem sido levado em consideração para autorização de trabalho externo a sentenciados no regime semiaberto.

Senador John McCain critica Obama e admite o fracasso dos EUA na Síria

Deu no Irã News

Depois de confessar que a política dos EUA na Síria está fracassando, o senador republicano John McCain reconheceu que o presidente sírio, Bashar al-Assad tem feito progressos na luta contra grupos rebeldes apoiados pelo exterior,

As declarações do parlamentar foram durante uma entrevista com o Instituto de Investigação de “Middle East“, quando afirmou que o governo de Damasco em sua luta contra os grupos terroristas já pode ser considerado vencedor.

“Os EUA não tomaram as iniciativas corretas para pôr fim aos enfrentamentos na Síria, propiciando a vitória do governo Al-Assad”, afirmou McCain, criticando as políticas do governo norte-americano.

OBAMA CRITICADO

“O presidente Barack Obama prometeu atacar a Síria pelo uso de armas químicas, mas não cumpriu sua promessa”, disse o senador conservador a uma pergunta sobre as causas do cancelamento de uma possível invasão da Síria pelos EUA.

McCain enfatizou que o governo dos EUA deve continuar as suas medidas em patrocinar e apoiar os grupos rebeldes que operam na Síria, incluindo o Exército Sírio Livre, a fim de atingir seus objetivos no país árabe.

O senador lamentou que, mais de três anos depois do início do conflito armado na Síria, os grupos rebeldes, apesar de receberem o apoio maciço de vários países estrangeiros, principalmente dos EUA, não conseguiram derrubar o governo do presidente Al-Assad.

(texto enviado por Sergio Caldieri)

 

Senador Randolfe Rodrigues quer pedir que Collor explique relação com o doleiro

Naira Trindade
Correio Braziliense

A paralisação na investigação das oito ações penais da Operação Lava-Jato, determinada na semana passada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, não impediu que outros nomes de políticos envolvidos com o doleiro Alberto Youssef viessem à tona. Oito deputados federais são suspeitos de frequentar um escritório de Youssef em São Paulo, além do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), que é acusado de receber R$ 50 mil do doleiro. A denúncia contra o ex-presidente levará o senador Randolfe Rodrigues (PSol) a se reunir com o partido amanhã para analisar se cobra explicações dele à Corregedoria do Senado.

Além dos já citados deputados federais André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SDD-BA) — que mantinham relacionamento com o doleiro preso há dois meses —, reportagem da revista Veja aponta que seis congressistas entravam e saíam com frequência de um escritório dele que funcionava na Zona Oeste paulista. Imagens da identificação da entrada do prédio registraram a presença dos pepistas Mário Negromonte (BA), Aline Corrêa (SP), Arthur Lira (AL), João Pizzolati (SC), Pedro Corrêa (PE) e Nelson Meurer (PR).

A maioria das visitas ocorreram em 2011. Ao Correio, o deputado Nelson Meurer negou, primeiramente, que tenha visto o doleiro em São Paulo. “Eu fazia visitas ao meu médico cardiologista”, comentou. Porém, ao ser questionado sobre a imagem da identificação trazida pela revista, Meurer disse que “pode ter ido ao escritório cinco ou seis vezes”, mas que “não lembrava se realmente teria visitado Youssef”, a quem alega ter conhecido em Brasília. O Correio procurou todos os deputados citados, mas eles não atenderam ou retornaram às ligações.

Termina em 24 de julho o prazo para revogar o tratado internacional que facilita a independência das nações indígenas

Celso Serra

Embora pouca gente se preocupe com isso, o governo do Brasil tem prazo até 24 de julho para anular a assinatura da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), um tratado que facilita a concessão de independência política, territorial e econômica às nações indígenas, que já detêm mais de 20% do território nacional, se incluirmos as áreas ainda a demarcar.

O Brasil tem o direito de denunciar a Convenção ao final de um período de dez anos, contados da data de entrada em vigor, o que ocorreu aqui a 25 de julho de 2003. Ou seja, o prazo terminaria dia 25 de julho de 2013, mas há um período adicional de mais 12 meses para o país dar a decisão final.

O problema surgiu no final do governo entreguista de FHC, quando o Brasil assinou esta Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, cujo texto contém dispositivos que podem castrar nossa soberania interna, nos obrigando a aceitar passivamente o direito ilimitado de propriedade e posse de terras pelas tribos indígenas (“terras que tradicionalmente ocupam” e, de modo ilimitado,terras que não estejam exclusivamente ocupadas por eles, mas às quais, tradicionalmente, tenham tido acesso para suas atividades tradicionais e de subsistência”).

APENAS 17 PAÍSES ACEITARAM

A OIT tem 185 países-membros. Apenas 17 assinaram o tratado internacional. Os outros 168 não o fizeram, por não admitir qualquer restrição sobre suas soberanias. Além dos Estados Unidos, também a Inglaterra, o Canadá, Nova Zelândia e Austrália, membros da Comunidade Britânica, não aceitaram a Convenção 169 da OIT.  Registre-se que, destes países, apenas a Inglaterra não possui em sua história a ocupação milenar por aborígenes.

Aos governos de cada nação cabe defender sua soberania. E a comparação com a conduta de outros países prova que foi o Brasil que não soube fazê-lo. Os Estados Unidos, por exemplo, estavam em situação semelhante a do Brasil e seu governo não aprovou a Convenção 169, agiu com zelo, não admitindo qualquer ingerência em seu direito de ser a autoridade suprema no espaço territorial do país e no que diz respeito à situação de seus habitantes.

Na realidade, para manter a plena soberania em seu espaço territorial, o Brasil estava em situação muito cômoda perante a OIT: bastava acompanhar a posição tomada pela esmagadora maioria dos países-membros e não assinar a Convenção 169. Mas não procedeu assim e criou para si um enorme problema de ordem interna.

Depois, em 2007, novo erro, ainda mais grave, com o governo brasileiro aprovando nas Nações Unidas a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, que amplia as determinações da Convenção 169 da OIT e determina a independência política, econômica e cultural de todos os territórios tidos como reservas de populações nativas.

É justamente por isso que hoje o governo já não desfruta da plenitude do espaço territorial brasileiro, tem restringido seu poder de legislar, administrar, elaborar e avaliar planos e programas de desenvolvimento nacional e regional, construir estradas, hidrelétricas e demais obras de infraestrutura, enfim, de decidir soberanamente sobre o que poderia ser mais necessário ao progresso e desenvolvimento do país.

Para complementar os crimes de lesa-pátria dos governos FHC e Lula, agora só falta reconhecer a independência das mais de 200 “nações” indígenas existentes no país, que detêm cerca de 20% do território nacional, se incluirmos as terras ainda a serem demarcadas.

Maria Martins, com a palavra seguindo seu curso

A produtora musical e teatral, formada em Comunicação Social, mestre de cerimônia, bailarina, cantora, escritora e poeta capixaba Maria Martins escreve sobre o geral e o particular, é apaixonada pelas pessoas e suas histórias, escreve sobre o mundo e sobre o mundo subjetivo de cada um, conforme podemos notar no texto “O Que Eu Não Disse”.

O QUE EU NÃO DISSE

Maria Martins

Haveria um jeito de opinar sem interferir?

Haveria um modo seguro de não magoar com a nossa sincera opinião?

Qual seria a tênue linha que nos separa de apenas responder ao que nos foi perguntado, de formar ou mudar uma linha de pensamento?

Essas, e muitas questões conexas, pairavam como uma nuvem negra sobre os meus pensamentos. Até que ponto intrometer nos é permitido.

A amizade seria um laço tão forte a ponto de suportar as mais duras verdades?

Seria a vaidade um veneno tão poderoso, que não nos faria perceber uma verdade sincera, expressa numa opinião amiga?

Seriam os amigos uma fonte sincera de verdades? Ou seriam eles interessados em contaminar, de algum modo, o seu pensar e o seu agir?

Perguntas, de respostas fartas e variadas.

Respostas subjetivas para perguntas subjetivas.

O que se refere ao sujeito lhe seria único e diverso. E, na diversidade, se exprime a veracidade dos fatos. Decidi, pois, me recolher aos questionamentos internos, apenas meus.

As discussões sem importância não me atraem mais. O falar por falar não me atrai mais. O disse-me-disse nunca me atraiu.

Talvez não valha a pena colocar tudo a perder, os anos investidos em amizades sólidas e ao mesmo tempo frágeis.

Talvez o que a gente realmente acha deva ficar no nosso inconsciente, mesmo que nos cutucando a cada dia, como quem diz “vai, fala, diga o que acha sobre isso”.

Talvez seja melhor essa voz gritar até que se cale, pois quanto vale o silêncio? Vale mais em ouro e prata do que qualquer palavra falada. Vale mais em peso do que a consciência pesada.

Vale mais do que a dita palavra, que não mais retornará ao âmago do seu porta-voz, uma vez liberta, ela não retorna à casa.

Uma vez falada destrói castelos, ilusões, castelos de ilusões. Verdades mal construídas em cima de expectativas vãs, de anseios, de medos, receios, monstros que não valem à pena alimentar.

Deixe a palavra seguir seu curso, se for para ser, poesia ela será.

E que nossas palavras sejam com poesias, e não adagas. Que curem, e que não venham a ferir o que não pode se curar.

         (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)