Festanças e protestos

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 Tostão

O Tempo

O jornal “O Globo” publicou uma matéria sobre o aquecimento, nesta época, da venda de materiais (bolas, camisas e outros) relacionados com a história do futebol brasileiro.

Um agasalho de Garrincha será vendido por R$ 30 mil. Uma bola da Copa de 1966, com o meu autógrafo e os de Pelé, Rivellino e Djalma Santos, será leiloada. Já dei dezenas de autógrafos em bolas. Não me lembro desta. Rivellino não esteve na Copa de 1966. Deveria ter ido.

Uma das bolas que Pelé usou na final da Copa de 1970 foi leiloada, tempos atrás, por R$ 530 mil, na famosa loja Christie’s, de Londres. No mesmo local, foi vendida uma coleção de camisas famosas, que pertencia a Zagallo, apaixonado pela amarelinha. Na coleção, tinha outra camisa que Pelé usou na final contra a Itália.

As pessoas deveriam ter mais cuidado sobre a autenticidade de peças antigas. Deve haver umas 500 camisas e bolas que foram usadas em copas do mundo.

Anos atrás, recebi um telefonema de Londres, perguntando se eu poderia reconhecer a autenticidade de uma bola com o autógrafo dos campeões do mundo, que tinha sido usada na final da Copa de 1970 e que eu tinha dado de presente. Os autógrafos e a oferta eram verdadeiros, mas era uma bola de treino. Obviamente, não concordei.

Se alguém estiver curioso para saber onde estão as camisas que joguei a final no México, dei a do primeiro tempo ao médico Roberto Abdala Moura, presente no estádio, que tinha me operado do descolamento de retina, oito meses antes da Copa. A do segundo tempo, muitos sabem, me foi arrancada do corpo, junto com as meias, chuteiras e calção, segundos após o árbitro terminar o jogo. Fiquei apenas de sunga. Se não fossem os policiais, teria ficado nu.

Daqui até o fim da Copa, além de muitos leilões e de milhares de comerciais sobre a seleção e o Mundial, geralmente ufanistas, haverá dezenas de festas, eventos, solenidades, promovidos pela Fifa, pela CBF, pelos patrocinadores e por tantos que querem faturar. A festança terá de conviver com as bem-vindas manifestações de rua, sem violência, contra a gastança e o desperdício de dinheiro público.

Como fui campeão do mundo, já recebi alguns convites. Se aceitasse, teria, provavelmente, de colocar na camisa o nome do patrocinador ou com os dizeres: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Teria ainda de falar bem da Fifa, da CBF, do governo, sempre com um largo sorriso. Os cachês são altos, uma tentação.

Nesses dias, vi um documentário, na Globo News, sobre o poeta Manoel de Barros, que sempre viveu no Pantanal. Ele disse que pagou para ser poeta 24 horas e para ter direito ao ócio criativo.

Também pago ao recusar convites remunerados e alguns prêmios, para tentar manter a coerência (somos todos contraditórios) e a independência para opinar.

MELHORES DO ANO

Victor; Marcos Rocha, Dedé, Réver e Egídio; Pierre, Nilton, Ronaldinho Gaúcho e Éverton Ribeiro; Diego Tardelli e Jô. Ótima seleção. São os escolhidos na premiação do Troféu Guará, a mais tradicional festa dos melhores de Minas Gerais. Outros premiados são Jô (artilheiro), Alexandre Kalil (dirigente), Lucas Silva (revelação), Ricardo Marques Ribeiro (Árbitro), Éverton Ribeiro (craque), Marcelo Oliveira (técnico) e o preparador físico Carlinhos Neves.

Lembro também de três destaques: Fábio, que acho um pouco superior ao excelente Victor, Ricardo Goulart, um bom reserva para essa seleção, e Bernard, campeão da Libertadores e que brilhou intensamente no primeiro semestre.

A imprensa e o endeusamento de bandidos


Francisco Vieira

O endeusamento de bandidos (principalmente traficantes) pela imprensa não é de hoje. Os mais velhos ainda devem se lembrar da minissérie noturna “Bandidos da Falange”, nos idos do assaltante Fernando da Gata, em que uma emissora procurava justificar as ações de bandidos, assaltantes e traficantes cariocas. A minissérie causava a simpatia e a admiração dos espectadores pelos traficantes, mesmo “sem querer, querendo”, e os levava a torcer contra a polícia, mostrando os bandidos sempre como “vítimas sociais”, pessoas de caráter e leais aos seus princípios, e as forças do Estado sempre “jogando sujo” contra eles.

É triste lembrar, mas na ocasião um pai atirou na própria filha (que havia se levantando durante a madrugada para beber água, sem ligar a luz) pensando que a silhueta dela fosse o pilantra, foragido da polícia na ocasião.

Na mesma emissora, no programa da noite de domingo,  várias entrevistas procuraram trocar a repulsa do cidadão ao delinquente pela admiração: já foram entrevistados ladrões de carros para que mostrassem a destreza criminosa abrindo vários veículos em poucos segundos; o bandido ficou “cheio da moral” com os colegas!

No mesmo programa, assaltantes também já ensinaram ao cidadão-vítima como se comportar durante um assalto para não atrapalhar a ação ou assustar o criminoso e não despertar sua ira.

BANDIDO SEM CULPA

Sempre que alguém morre em um assalto ou estupro, a primeira coisa que se pergunta ao homicida é se a vítima reagiu. Se reagiu, tudo bem! Estará perdoada e justificada a covarde ação do criminoso e os ânimos e repulsa do narrador do telejornal contra o bandido estarão apagados! Mesmo que o verme esteja mentindo, sua palavra será considerada verdadeira e justificará a morte da vítima. Nem mesmo uma mulher estuprada e morta fará o repórter abrir mão da pergunta: “Ela reagiu?”

Se a reportagem for sobre uma rebelião carcerária, obrigatoriamente o repórter relatará se havia superlotação no presídio, mesmo que a causa da confusão tenha sido uma briga por um cigarro de maconha ou um acerto de contas entre iguais. Não importa: o número de vagas será computado como atenuante para os criminosos e justificativa para os piores crimes!

BANDIDO PALHAÇO

Lembro, ainda, que um traficante foi estrela naquele programa para retardados mentais apresentado das tardes de domingo. Acompanhado por uns engravatados, o traficante dizia-se arrependido e que tinha o grande sonho de trabalhar como palhaço. Chorou feito mamoeiro lanhado. E com direito a close oftalmológico do cinegrafista nas lágrimas que lhe banhavam o rosto! No final do programa conseguiu o emprego que queria em um circo.

Mas por que o programa nunca foi ao circo para ver como o seu pupilo estava progredindo? Ou será que foi e as notícias que encontrou lá não estavam com o acordo com o “alinhamento filosófico” da emissora e não daria uma boa reportagem?

LEONARDO PAREJA

Quem não se lembra do ladrão goiano Leonardo Pareja? Numa revista semanal, ele mostrou aos leitores (e aos jovens) que a vida deve ser medida pelas emoções sentidas, mesmo que a ação resulte em morte, sofrimento e perdas materiais para as vítimas dessas emoções destrutivas. Pareja se transformou em estrela tão rapidamente que foi assassinado na cadeia pelos amigos, ofuscados de inveja com tanto brilho! Reportagem muito educativa para os jovens desnorteados!

E os apelidos simpáticos e carinhosos e o respeito demonstrado pela mídia na simples menção do nome desses criminosos? Deixa a impressão que tentam identificar uma pessoa cruel, assassina, torturadora e sem princípios como se fosse um parente nosso, alguém que “entraria pela nossa cozinha”, que tem a nossa simpatia e que tratamos com nomes carinhosos: Escadinha, Beira-mar, Marcinho, Nem, Coelho, Lindão, Ronaldinho, Marcelinho, Fofão, Fabinho, e por aí vai! Se o bandido tiver nome feio, não cai no gosto da mídia. E não vai ser endeusado.

A homenagem de Taiguara a Prestes

O cantor e compositor Taiguara Chalar da Silva (1945-1996) nascido no Uruguai durante uma temporada de espetáculos de seu pai, o bandoneonista e maestro Ubirajara Silva, foi um dos melhores compositores da MPB e considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar, tanto que teve, aproximadamente, 100 músicas vetadas, razão que o levou a se autoexilar na Inglaterra em meados de 1973.A letra de “O Cavaleiro da Esperança” foi  composta em homenagem a Luis Carlos Prestes,  líder comunista e grande amigo de Taiguara, que a gravou no CD Brasil Afri, em 1994, pela Movieplay.

O CAVALEIRO DA ESPERANÇA

Taiguara
Quem só espera não alcança
Mas quem não sabe esperar
erra demais, feito criança
Cai. E até se entrega ou trai.
E cansa de lutar
O Cavaleiro da Esperança
faz a hora acontecer
Faz punho armado
Faz pujança
Mas combate pela paz
pro povo não morrer

Pois Ogum Guerreiro não morre
prestes a encontrar
uma estrela d’alva para nos guiar

É soldado alerta. É São Jorge
prestes a enfrentar
o dragão do mal
que quer nos matar

      (Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)

Joaquim Barbosa deve definir hoje os destinos de João Paulo, Genoino e Jefferson

Mariangela Gallucci
O Estado de S.Paulo

Nesta segunda-feira, 3, o plenário do Supremo voltará a se reunir após recesso de mais de um mês. Presidente e relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa também retornará ao trabalho, depois de um período de férias. Ele terá de decidir o destino do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), que também foi condenado, mas ainda está solto.

Além disso, terá de resolver as situações dos ex-deputados José Genoino e Roberto Jefferson. Após alegar problemas cardíacos, Genoino está desde novembro em prisão domiciliar. Delator do esquema do mensalão, Jefferson ainda não foi preso. Em 2012 ele extraiu um câncer e espera cumprir a pena em prisão domiciliar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGQue ninguém se espante se Joaquim Barbosa bater de frente com Ricardo Lewandowski. Os dois ministros (presidente e vice-presidente do Supremo) estão de lados opostos. Barbosa, contra os mensaleiros; Lewandowski, a favor. Tudo pode acontecer. (C.N.)

 

O caso Lupi: Quem sabe um diurético para acelerar a urina política?

João Vicente Goulart

Tome um diurético, expulse de seu organismo os “malfeitos”, dê um carão na opinião pública, use e abuse da amizade de um ex-presidente da República e dê declarações a imprensa brasileira, neste caso a Folha de São Paulo no dia 1º de fevereiro transportando um recado (minhas costas estão quentes) e vire piada política.

“O Lula me falou: Lupi, esquece, isso sai na urina”. (teria dito a Lupi o ex-presidente)

A princípio não podemos tomar esta declaração como equilibrada, muito menos partindo de um ex-presidente e político como Lula, que ao que tudo indica goza de um grande prestígio no eleitorado brasileiro e que saiu da presidência da República com sua reputação em alta e gozando de um grande respeito da sociedade brasileira, tido como patriota, possuidor de uma coragem pessoal para enfrentar os turbilhões da política nacional, lutador inconteste da causa pública, da inserção social dos menos favorecidos, dos desabrigados sociais que não se inseriam na divisão das riquezas nacionais, de um homem que sequer foi citado no processo 470 que abateu alguns parlamentares e membros de seu partido e governo.

Mais, sempre agiu com conduta na averiguação dos fatos que envolviam corrupção, este mal crônico que degasta a saúde pública, a educação, a formação intelectual de milhares de crianças, em fim , o pior mal de nossos dias. Incentivou o Ministério Público e deu autonomia às ações da Polícia Federal.

E agora companheiro?  Ou o presidente nacional do PDT está ameaçando alguém e se mostra com as costas quentes, ou está vivendo um “manotaço de afogado”, e, pior, usando o nome de Lula.

As denúncias a ele atribuídas são constantes nas páginas de nossa imprensa e devem ser apuradas, verídicas ou inverídicas e outorgando ao acusado o amplo direito de defesa, mas com os resultados e clareza que a sociedade exige.

Se não, convenhamos: é só tomar um diurético para acelerar a saída da urina do esquecimento? Vamos mijar na cabeça da sociedade brasileira?  Ou vamos dizer: “È uma receita do Lula”?

Não, não podemos nem urinar na cabeça da sociedade nem tampouco colocar na boca do ex-presidente Lula essa irresponsabilidade. A sociedade exige explicações.

Os ‘soldados da web’ do PT foram mobilizados para a invasão dos blogs de quem tem mais de um neurônio

Reynaldo Rocha

Há um movimento nas redes sociais comandado pela tropa de “soldados da web” do PT que saiu em defesa de Dilma e do lulopetismo neste ano de eleições. E que invade blogs independentes para ofender e provocar comentaristas não alinhados com o pensamento único.

Nada disso é novo. Há anos sei o que é isso e como funciona. Assim como o titular deste blog.

Reinaldo Azevedo publicou na terça-feira um post em que explicita este comportamento e o acusa de tentar impedir a interação entre quem tem ideias (nós) e quem segue cartilhas e ordens (eles). É verdade.

O aviso, certamente, será útil para muitos. Não pensem que estamos, comentaristas, imunes às agressões ou mesmo ameaças.

Não estamos, nem estivemos nestes anos negros. É uma prática comum aos milicianos de plantão, que usam a rede para tentar pasteurizar a corrupção e implantar um regime protoditatorial.

Só discordo da opção de Reinaldo Azevedo, a quem respeito sempre! Não preciso que me “protejam” de ataques e ameaças. Deixem-me escolher o que farei ou como agirei, dentro das regras de cada espaço.

Mas é importante que todos saibamos de mais esse desvio de caráter da canalha petista, que paga por opiniões amestradas e defesas do indefensável.

Não é lenda urbana nem desconfiança exagerada. A coisa tem nome, identidade e regras, como se vê nos sites do tal movimento do PT para tomar de assalto a internet.

Nada contra usar a web. Tudo contra falsificar a opinião e o número de aderentes (modess) a partir de uma trupe paga e dependente de neurônios.

É a censura às avessas. Se não se pode (ainda, nos sonhos deles) censurar, que ao menos se emporcalhe o espaço de debates.

Alguns colunistas ─ a exemplo de RA ─ não permitem a entrada dos ratos nos ambientes. Outros oferecem o espaço em troca de surras de rabo de tatu e abraços de jegue, o que só excita os pretensos invasores em busca de masoquismo. E outros tentam uma convivência com alguém que tenha um mínimo de respeito pelo espaço democrático que disponibilizam.

2014 é guerra. E não será por uma tropa de descerebrados que vamos abandonar nossa frente de luta. Nem deixar de ridicularizar os filhotes de Dilma.

Sei que quase nada se aproveita depois de eliminados os palavrões. Quando assim acontecer ─ se houver algo a responder ─ estaremos por aqui.

Sempre. Eles são pagos. Nós somos livres.

(artigo enviado por Mauro Julio Vieira)

Dez (mil) anos de vergonha da Chacina de Unaí

João Gualberto Jr.

Era verão, tão quente quanto este, mas com agravantes. A aglomeração, a comoção generalizada e o nó na garganta aumentavam o calor daquela manhã. Se foi um dos vários testes duros para o repórter verde, além disso, foi uma situação das mais marcantes da vida, sem dúvida.

O hall da sede do Crea-MG, no Santo Agostinho, estava lotado. Lotado, não, empapuçado. As pessoas consternadas e se acotovelando disputavam espaço em torno dos três caixões, dispostos à direita de quem entrava. E o cheiro? O bafo quente parado no ar se misturava àquele odor naturalmente nauseabundo dos crisântemos de velório, das dezenas, quiçá centenas, de coroas nos pedestais em volta.

Foi preciso estômago forte em razão daquilo tudo, inclusive da imaturidade do jornalista, que descobriu a contragosto o estrago de que um tiro de revólver é capaz na cabeça de uma pessoa. O rosto inchado e arroxeado, posicionado meio de lado e semiencoberto pelas flores no caixão. Talvez tenha sido pior a tentativa de imaginar a parte que não estava à mostra.

O ENTERRO

Depois, à tarde, a crueldade impingida pelo ofício levou o repórter ao Parque da Colina para acompanhar o enterro de duas das vítimas. As cenas foram menos marcantes sensorialmente, mas mais doloridas. Situação que seria de praxe: viúvas se acabando de chorar à beira da cova, abraçadas com força às crianças e aos adolescentes que perdiam seus pais.

Claro, a dor de uma vida interrompida parece doer mais. Contra a doença, a velhice, a própria falência e o destino, a lamentação tem limites e exige resignação. Mas a morte trazida pela mão de outro homem revolta. Não há consolo que sacie. Nem com o tempo. Aqueles meninos, hoje, devem ser universitários, decerto já tateiam a vida de adulto, um futuro desenhado, mas impossível de compartilhar com os pais, mortos há dez anos.

Foram heróis os executados à beira daquela rodovia no Noroeste de Minas? Negativo. Eram trabalhadores, servidores, que, por estatuto, eram pagos por todos nós para zelar pelo melhor funcionamento da sociedade. Nada mais do que isso. Pois viraram mártires. Já estávamos no século XXI, mas fomos mergulhados naquele bangue-bangue protagonizado por coronéis plantadores de feijão. Aliás, coronéis dos que põem os grãos acima das vidas humanas, já que escravizaram umas e ceifaram outras das famílias, dos colegas de trabalho, do serviço público.

ESCRAVIDÃO

Numa reportagem exibida na TV a cabo recentemente, os jornalistas acompanharam operação para pôr fim a uma situação análoga à de escravidão em uma pedreira na Paraíba. O auditor do Ministério do Trabalho estava escoltado por uma patrulha da Polícia Rodoviária Federal armada de fuzis. O servidor, de colete à prova de balas, contou que os flagrantes tornaram-se obrigatoriamente mais seguros depois da Chacina de Unaí.

Surpreendente é descobrir também que a data de 28 de janeiro tornou-se Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. É uma homenagem aos quatro homens assassinados.

Ficam de consolo o marco no calendário e a vigilância redobrada dos colegas de trabalho em campo. Vê-se que as execuções serviram de alguma coisa. Menos para se fazer Justiça. Lá se foram dez anos, e o “império da lei” ainda não chegou. Mas “quem matou, meu amor, tem que pagar, e ainda mais quem mandou matar”! (transcrito de O Tempo)

O domínio dos banqueiros sobre a política brasileira é flagrante e aumentou na Era PT

Francisco Bendl

Tenho reiteradamente escrito que a elite mais perniciosa deste país é a dos banqueiros. Todas as demais que sabemos existir também dependem deles, tornando-os literalmente os verdadeiros donos desta terra, além de manipularem o povo do jeito que bem entendem, para explorá-lo e deixá-lo à míngua.

Ora, na razão direta que os governos são eleitos graças às doações dos bancos, sob exigência de que o sistema continue exatamente como está, para evitar uma instabilidade econômica e financeira, que é o calcanhar de Aquiles de qualquer administrador, tornou-se obrigatória essa sujeição dos governantes e dos parlamentares, por conta do investimento feito em suas candidaturas, já que o agradecimento por esses recursos investidos nas campanhas políticas é mais do que óbvio.

Em outras palavras, o Brasil tem sido vendido, e o povo está empenhado como garantia aos bancos, caso um governo corajoso tentasse reformular o sistema de juros e lucros desses estabelecimentos.

Assim, o que pagamos de juros, impostos, tributos e taxas para viver é a prova indesmentível e cabal da penhora que fizeram de nossas vidas, ao entregá-las de bandeja aos banqueiros, que se divertem conosco em um grande festival pantagruélico, e com uma norma simples a ser cumprida à risca pelos abonados banqueiros, os insaciáveis: a regra do vale tudo!

Foi e tem sido no governo do PT (e lá se vão quase doze anos) que os bancos vêm registrando os maiores lucros de suas histórias desde a Proclamação da República, em 1889. Ou seja, 114 anos já se passaram e continuamos nessa farra de lucros e juros extorsivos praticados contra o povo brasileiro, com a aquiescência do governo, que se denomina dos “Trabalhadores”!

‘Lula me falou: esquece, isso sai na urina’, diz Lupi sobre denúncia

Bernardo Mello Franco
Folha
Acusado de receber propina para acelerar o registro de um sindicato, o ex-ministro Carlos Lupi (Trabalho) diz ter sido confortado ontem pelo ex-presidente Lula. Os dois conversaram por telefone, segundo relato do presidente do PDT à Folha. Lula levou Lupi para a Esplanada em 2007 e bancou sua permanência no primeiro ano do governo Dilma, em 2011.

“O Lula me falou: ‘Lupi, esquece, isso sai na urina'”, contou, referindo-se às acusações de corrupção.
O pedetista falou também que o ex-presidente, com que conversaria pelo menos a cada 15 dias, o incentivou a processar a empresária Ana Cristina Aquino, autora das acusações contra o ex-ministro. “Ele disse que é isso aí, que eu tô certo em processar.”
Lupi atacou a denunciante, que diz ter levado uma bolsa com R$ 200 mil ao gabinete do então ministro, em Brasília. De acordo com Lupi, o encontro nunca ocorreu.”Além de me chamar de ladrão, ela me chamou de burro. Como é que eu vou receber alguém para me levar dinheiro no ministério? Cadê a prova?”, questionou.
O ex-ministro informou que processará Ana Cristina Aquino por calúnia, injúria e difamação.

Ucrânia e o Renascimento do Fascismo

Eric Draitser
Counterpunch

A violência nas ruas da Ucrânia é muito mais do que uma expressão de raiva popular contra o governo. Em vez disso, ela é apenas o mais recente exemplo da ascensão da forma mais insidiosa do fascismo vista na Europa desde a queda do Terceiro Reich.

Nos últimos meses houve protestos regulares pela oposição política ucraniana e seus apoiadores – protestos aparentemente em resposta à recusa do presidente ucraniano, Yanukovich, em assinar um acordo comercial com a União Europeia.

Os protestos permaneceram em grande parte pacíficos até o dia 17 de janeiro, quando manifestantes, armados com porretes, capacetes e bombas improvisadas, desencadearam a violência brutal contra a polícia, atacando prédios do governo, batendo em qualquer pessoa suspeita de simpatias pró-governo e, geralmente, causando estragos nas ruas de Kiev.

Mas quem são esses extremistas violentos e qual é a sua ideologia? A formação política é conhecida como “Pravy Sektor” (Setor Direita), que é essencialmente uma organização guarda-chuva para vários grupos ultranacionalistas (leia-se fascistas) de direita, incluindo os apoiadores do Partido “Svoboda” (Liberdade), “Patriotas da Ucrânia”, “Assembleia Nacional da Ucrânia – Autodefesa Nacional Ucraniana” (UNA-UNSO), e “Trizub”.

IDEOLOGIA COMUM

Todas essas organizações compartilham uma ideologia comum que é veementemente antirussa, anti-imigrantes e antijudaica, entre outras coisas. Além disso, eles compartilham uma reverência comum pela chamada “Organização dos Nacionalistas Ucranianos”, dos infames colaboradores nazistas que lutaram ativamente contra a União Soviética e se envolveram em algumas das piores atrocidades cometidas por qualquer lado na Segunda Guerra Mundial.

Enquanto as forças políticas ucranianas, oposição e governo, continuam negociando, uma batalha muito diferente está sendo travada nas ruas. Usando intimidação e força bruta, esses grupos conseguiram transformar um conflito sobre a política econômica e as alianças políticas do país em uma luta existencial pela própria sobrevivência da nação que estes assim chamados “nacionalistas” dizem amar tanto.

As imagens de Kiev em chamas, ruas de Lviv cheias de bandidos, e outros exemplos assustadores do caos no país, mostram que a negociação política com a oposição Maidan (praça central de Kiev e centro dos protestos) agora não é mais a questão central. E, ao invés disso, é a questão do fascismo ucraniano e, se é, ele será apoiado ou rejeitado.

ALIANÇA COM OS FASCISTAS

Em uma tentativa de tirar a Ucrânia da esfera de influência russa, a aliança EUA-UE-OTAN, e não pela primeira vez, aliou-se aos fascistas. Há um padrão perturbador que nunca foi perdido pelos observadores políticos mais atentos: os Estados Unidos sempre fazem causa comum com os extremistas de direita e fascistas para ganho geopolítico.

A situação na Ucrânia é profundamente preocupante, pois representa uma conflagração política que poderia muito facilmente despedaçar o país menos de 25 anos após a sua independência da União Soviética. No entanto, há outro aspecto igualmente preocupante para a ascensão do fascismo no país – não é só na Ucrânia.

A Ucrânia e a ascensão do extremismo de direita não podem ser vistas, e muito menos entendidas, de forma isolada. Em vez disso, isso deve ser examinado como parte de uma tendência crescente em toda a Europa (e mesmo no mundo) – uma tendência que ameaça os próprios fundamentos da democracia.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

É preciso dar prioridade ao capital nacional, mas sem protecionismo improdutivo

Flávio José Bortolotto

Não é correto dizer que tanto o capital estrangeiro como o nacional têm o mesmo efeito na economia nacional, peço vênia para discordar. O capital estrangeiro, num primeiro momento, dá com uma mão, depois tira com as duas. Não desenvolve tecnologia nacional, que gera a verdadeira capitalização do país.

Longe de mim querer criticar um sábio como o economista Ludwig von Mises, da Escola Austríaca, mas o tempo e a prática demostraram que a palestra que ele deu em Buenos Aires estava equivocada, porque já há 200 anos a Argentina teve investidos enormes capitais ingleses, europeus e depois americanos e está quebrada, totalmente descapitalizada.

O Brasil também. É a 6ª/7ª economia do mundo, com PIB de cerca de US$ 2,5 trilhões, mas em IDH/renda per capita está na 80ª colocação. Portanto, uma Economia descapitalizada e endividada.

VAMOS CONSERTAR

A meu ver, a maior culpa disso é que nossa economia, em sua parte mais dinâmica e lucrativa é praticamente dominada por empresas multinacionais, que não desenvolvem tecnologia aqui. Mas aos poucos estamos entendendo isso, e vamos consertar.

O maior dos mestres é o tempo, que nos leva à nova realidade. Não existe gênio que saiba tudo sempre em economia, até porque a realidade é mutante, e o que valia no tempo de Adam Smith, hoje tem que se analisar com lupa, porque a realidade é outra. Um gênio não deixa de ser genial, se analisou com os dados da época e depois a realidade mudou totalmente.

No início, o capitalismo de mercado era comercial, depois veio o capitalismo industrial, em seguida o capitalismo imperialista e hoje estamos no capitalismo financeiro, que sem dúvida será substituído por outro capitalismo no futuro.

DESIGUALDADE SOCIAL

Para reduzir a desigualdade social só tem um jeito: focar na criança brasileira, com ênfase nas mais pobres. CIEPs nelas ( Nutrição – Instrução – Esporte), depois escolas técnicas/universidades para todos os que quiserem. Mas isso só é possível destravando a economia. Mudar a mentalidade dando primazia para a produção/produtividade. Quem produz mais, seja patrão, empregado ou funcionário, deve ganhar mais. Meritocracia total.

Sem protecionismo improdutivo, apoio total à empresa nacional com matriz no Brasil, e ir comprando aos poucos nossas multinacionais. E para reduzir a desigualdade social, que é muito grande no Brasil, a primeira tarefa é uma boa educação para todas as nossas crianças, (deixemos os adultos para trás), via CIEPs com dois Turnos (Nutrição – Instrução – Esportes), a começar pelas crianças mais pobres. Isso é possível, sem precisar importar nada, mas eu até importaria bons professores, a qualquer Preço.

 

O que acontecerá quando Barbosa deixar a presidência do Supremo?

Roberto Nascimento

A intervenção do ministro Ricardo Lewandowski, mandando a Vara de Execuções Penais resolver logo o emprego de José Dirceu demonstra cabalmente a falta de lógica da Justiça no Brasil. Além de demorada, é injusta. Na hora de determinar a prisão do ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha, o revisor Lewandowski alegou que não podia, porque seria atribuição do exclusiva relator.

Mas depois passou por cima do juiz da Vara de Execuções Penais, só por causa do réu poderoso e ex-mandachuva do país. Se houvesse o mínimo de coerência, deveria deixar a decisão para quando o relator retornasse das férias no exterior.

Entretanto, estamos no Brasil surrealista, que desafia a lógica a todo momento, deixando todos nós estarrecidos e estupefatos. E ainda temos que ler declarações daqueles que antes de 2002 atiravam pedras em todo mundo, como se tivessem o monopólio da ética e da moral, e hoje sabemos que queriam apenas o poder pelo poder.

DE QUEM É A CULPA?

Colocam a culpa na imprensa, na direita e até em Judas colocariam a culpa se ele fosse vivo. Os índices de desenvolvimento pioram a cada ano e estamos nos últimos lugares de alfabetização adulta, ou seja, milhões de pessoas adultas não sabem ler ainda. Não seria a hora de ressuscitar o Mobral?

Mas isso tudo ainda não é nada, pois temo que vem coisa pior, quando mudar a guarda no Supremo Tribunal Federal, com Lewandowski assumindo a presidência.

Entretanto, não se pode mudar o curso da história. O estrago nas carreiras dos antigos rasputins já foi feito. Poderiam fazer história, mas a ganância e o apetite pelo poder, a parceria com os empresários gananciosos e empresas multinacionais, em detrimento das causas transformadoras do povo, que os elegeu sonhando com dias melhores para seus filhos, tudo isso deu no que deu: o fim de suas carreiras.

O povo brasileiro não pode acreditar em mais ninguém, pois os “messias” enganam muito bem. É só empalmar o poder para as máscaras caírem de podre. Que tristeza ter acreditado e depois atestar que era tudo mentira e promessas vãs!

Mais uma vez, a pergunta certa

A PERGUNTA CERTA

Percival Puggina

É tamanho o descrédito dos partidos políticos que eles desistiram de proclamar suas virtudes. Ao contrário, dedicam-se a demonstrar que os outros chafurdam em ainda maiores vícios. Nesse contexto, nesse indiscutível contexto, fica imensamente favorecida a vida de quem está no poder. Ali, as facilidades voam em jatinhos militares devidamente decorados para os prazeres da vida civil. Ali, roda a ciranda em torno do Erário, que abre portas na hora certa para alegria dos folgazões. Ali há dinheiro, empregos, poder, honrarias, favores. E tudo isso, no tempo devido, vira mercadoria ou moeda eleitoral.

“E a oposição?”, indagará o leitor atento à relevância política deste ano de 2014. Ora, a oposição é aquele pequeno reduto onde só ficam os que não se deixaram seduzir pelo que de mais atraente existe nas tentações do poder. No Brasil destes anos constrangedores, só é oposição quem faz muita questão de sê-lo. O poder tem do bom e do melhor para todos os seus. A oposição é trincheira de poucos e mal apetrechados combatentes.

Quem acompanha a política nacional com interesse cívico sabe, também, que o PT muito pouco pode apresentar como resultado positivo de suas três administrações que não provenha de políticas que antes condenou e, posteriormente, adotou. Mas, convenhamos: isso não serve para estabelecer diferenças. Bem ao contrário. A estratégia oposicionista precisa ser outra. Para vencer o desequilíbrio estabelecido entre as forças do governo e as da oposição é preciso identificar e apontar ao juízo soberano dos eleitores certos abismos que as separam.

UMA SIMPLES LISTA

A contribuição que trago nestas linhas é uma lista de pautas, de condutas e de políticas pelas quais esse rio de águas turvas chamado Partido dos Trabalhadores ganha corpo com seus afluentes pela margem esquerda e pela margem direita. Elas me levam ao que chamo de a pergunta certa: qual o partido brasileiro que se identifica com as seguintes políticas, condutas e pautas?

Marco regulatório da imprensa; marco civil da internet; PLC 122 (da “homofobia”) e seus disparates; imposição do “politicamente correto” e da novilíngua; confabulações do Foro de São Paulo; apoio e refúgio a terroristas (Cesar Battisti é apenas um dos casos); captura e devolução a Fidel dos boxeadores cubanos; apoio aos governos comunistas de Cuba, Venezuela e Bolívia; incondicional afeição a qualquer patife adversário do Ocidente; homenagens e nomes de ruas para líderes comunistas; memorial para Luiz Carlos Prestes; apoio explícito a companheiros condenados pela justiça por graves crimes; verdadeira fobia por presídios e órgãos de segurança, resultando em gravíssima instabilidade social; absoluta e incondicional dedicação aos direitos humanos dos bandidos; empenho em inibir a ação armada das instituições policiais; dedicação à causa do desarmamento dos cidadãos; recusa à redução da maioridade penal; criação do MST e apoio às suas truculentas invasões de propriedades rurais; apoio a invasões no meio urbano e a políticas que restringem o direito de propriedade; cobertura às estripulias imobiliárias dos quilombolas; avanços do Código Florestal contra o direito de propriedade; expansão das reservas indígenas sobre áreas de lavoura; mudança, para pior, do Estatuto do Índio; supressão de símbolos religiosos em locais públicos; lei da palmada; apoio à legalização do aborto; políticas de gênero; kit gay nas escolas; apoio à parada gay, à marcha das vadias e à marcha pela maconha; leis de cotas raciais; uso de livros didáticos para doutrinação ideológica; fim da lei de anistia e manipulação da História; aparelhamento da administração pública e dos órgãos de Estado pelos partidos do governo; e mais recentemente, defesa dos rolezinhos e suas perturbações em locais de comércio.

Examine bem a lista acima e depois me diga se não é urgente espantar, pela força do voto, esse mau agouro político que lança sortilégios sobre nossa sociedade e sobre a democracia brasileira.

‘Rolezinhos’ denunciam a sociedade desumana, injusta e segregada

01
Leonardo Boff

O fenômeno dos “rolezinhos” que ocuparam shopping centers no Rio e em São Paulo suscitou as mais disparatadas interpretações. Eu, por minha parte, interpreto da seguinte forma tal irrupção. Em primeiro lugar, são jovens pobres, das grandes periferias, sem espaços de lazer e de cultura, penalizados por serviços públicos ausentes ou muito ruins, como saúde, escola, infraestrutura sanitária, transporte, lazer e segurança.

Veem televisão, cujas propagandas os seduzem para um consumo que nunca vão poder realizar. E sabem manejar computadores e entrar nas redes sociais para articular encontros. Seria ridículo exigir deles que teoricamente tematizem sua insatisfação, mas sentem na pele o quanto nossa sociedade é malvada porque exclui, despreza e mantém os filhos e filhas da pobreza na invisibilidade forçada.

O que se esconde por trás de sua irrupção? O fato de não serem incluídos no contrato social. Estar incluído nesse contrato significa ter garantidos os serviços básicos: saúde, educação, moradia, transporte, cultura, lazer e segurança. Quase nada disso funciona nas periferias. O que eles estão dizendo com suas penetrações nos “bunkers” do consumo?

Eles estão, com seu comportamento, rompendo as barreiras do apartheid social. É uma denúncia de um país altamente injusto (eticamente), dos mais desiguais do mundo (socialmente), organizado sobre um grave pecado social, pois contradiz o projeto de Deus (teologicamente). Nossa sociedade é conservadora e nossas elites, altamente insensíveis à paixão de seus semelhantes, por isso, cínicas.

DESIGUALDADE

Em segundo lugar, eles denunciam nossa maior chaga: a desigualdade social, cujo verdadeiro nome é injustiça histórica e social. Releva constatar que, com as políticas sociais do governo do PT, a desigualdade diminuiu, pois, segundo o Ipea, os 10% mais pobres tiveram, entre 2001 e 2011, um crescimento de renda acumulado de 91,2%, enquanto a parte mais rica cresceu 16,6%.

Mas essa diferença não atingiu a raiz do problema, pois o que supera a desigualdade é uma infraestrutura social de saúde, escola, transporte, cultura e lazer que funcione e seja acessível a todos. O “Atlas da Exclusão Social”, de Márcio Pochmann (Cortez, 2004), nos mostra que há cerca de 60 milhões de famílias no Brasil, das quais 5.000 detêm 45% da riqueza nacional. Os “rolezinhos” denunciam essa contradição. Eles entram no “paraíso das mercadorias” vistas virtualmente na TV para vê-las realmente e senti-las nas mãos.

Eis o sacrilégio insuportável para os donos dos shoppings. Estes não sabem dialogar, chamam logo a polícia para bater e fecham as portas a esses jovens. Os marginalizados do mundo inteiro estão saindo da margem e indo rumo ao centro para suscitar a má consciência dos “consumidores felizes” e lhes dizer: essa ordem é ordem na desordem.

Por fim, os “rolezinhos” não querem apenas consumir. Eles têm fome, sim, mas fome de reconhecimento, de acolhida na sociedade, de lazer, de cultura e de mostrar o que sabem: cantar, dançar, criar poemas críticos, celebrar a convivência humana. E querem trabalhar para ganhar a vida. Tudo isso lhes é negado porque, por serem pobres, negros, mestiços, sem olhos azuis e cabelos loiros, são desprezados e mantidos longe, na margem.

Essa espécie de sociedade pode ser chamada ainda de humana e civilizada? Ou é uma forma travestida de barbárie? Esta última lhe convém mais. Os “rolezinhos” mexeram numa pedra que começou a rolar. Só vai parar se houver mudanças.

O inconformismo de Cora Coralina

A poeta Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano, conforme este poema em que Cora transmite o seu sofrimento com a situação do menor abandonado.
MENOR ABANDONADO
Cora Coralina

Versos amargos para o
Ano Internacional da Criança, 1979.

De onde vens, criança?
Que mensagem trazes de futuro?
Por que tão cedo esse batismo impuro
que mudou teu nome?

Em que galpão, casebre, invasão, favela,
ficou esquecida tua mãe?…
E teu pai, em que selva escura
se perdeu, perdendo o caminho
do barraco humilde?…

Criança periférica rejeitada…
Teu mundo é um submundo.
Mão nenhuma te valeu na derrapada.

Ao acaso das ruas – nosso encontro.
És tão pequeno… e eu tenho medo.
Medo de você crescer, ser homem.
Medo da espada de teus olhos…
Medo da tua rebeldia antecipada.
Nego a esmola que me pedes.
Culpa-me tua indigência inconsciente.
Revolta-me tua infância desvalida.

Quisera escrever versos de fogo,
e sou mesquinha.
Pudesse eu te ajudar, criança-estigma.
Defender tua causa, cortar tua raiz
chagada…

És o lema sombrio de uma bandeira
que levanto,
pedindo para ti – Menor Abandonado,
Escolas de Artesanato – Mater et Magistra
que possam te salvar, deter a tua queda…

Ninguém comigo na floresta escura…
E o meu grito impotente se perde
na acústica indiferente das cidades.

Escolas de Artesanato para reduzir
o gigantismo enfermo
da criança enferma
é o meu perdido s.o.s.

Estou sozinha na floresta escura
e o meu apelo se perdeu inútil
na acústica insensível da cidade.
És o infante de um terceiro mundo
em lenta rotação para o encontro
do futuro.

Há um fosso de separação
entre três mundos.
E tu – Menor Abandonado,
és a pedra, o entulho e o aterro
desse fosso.

Quisera a tempo te alcançar,
mudar teu rumo.
De novo te vestir a veste branca
de um novo catecúmeno.
És tanto e tantos teus irmãos
na selva densa…

E eu sozinha na cidade imensa!
“Escolas de ofícios Mãe e Mestra”
para tua legião.
Mãe para o amor.
Mestra para o ensino.

Passa, criança… Segue o teu destino.
Além é o teu encontro.
Estarás sentado, curvado, taciturno.
Sete “homens bons” te julgarão.
Um juiz togado dirá textos de Lei
que nunca entenderás.

– Mais uma vez mudarás de nome.
E dentro de uma casa muito grande
e muito triste – serás um número.

E continuará vertendo inexorável
a fonte poluída de onde vens.

Errante, cansado de vagar,
dormirás como um rafeiro
enrodilhado, vagabundo, clandestino
na sombra das cidades
que crescem sem parar.

Há um fosso entre três mundos.
E tu, Menor Abandonado,
és o entulho, as rebarbas e o aterro
desse fosso.

Acorda, Criança,
hoje é o teu dia… Olha, vê como brilha lá longe,
na manchete vibrante dos jornais,
na consciência heróica dos juízes,
no cartaz luminoso da cidade,
o ano internacional da criança.

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Equipe econômica do governo precisa ouvir os conselhos de Delfim Netto

Wagner Pires

A equipe de governo da presidente Dilma Rousseff vai ouvir o que disse o economista guru Antônio Delfim Netto e fazer 2% do PIB em superávit primário. O intuito é estabilizar a dívida líquida e, principalmente, a dívida bruta próxima dos 60% do PIB.

O ideal seria fazer 3,1% do PIB para atender aos anseios do povo brasileiro, pagando os juros da dívida integralmente, reduzindo a dívida bruta e, ainda, tendo recursos de sobra para compor o Fundo Soberano – uma espécie de poupança – para que os governos futuros tenham recursos para investir, principalmente, em infraestrutura.

APOSTA ERRADA

Infelizmente, essa não será a estratégia do governo. O PT está acreditando e apostando todas as fichas na hipótese que irá continuar na crista da onda, surfando no poder do governo central e dando as cartas. Nesta hipótese vigora um viés de saída para a cilada econômica em que o Brasil se encontra  (baixo crescimento econômico com inflação), que é manter-se no governo até que o país consiga a autossuficiência em petróleo.

Se isso ocorrer, o Brasil inverterá o sinal de suas transações correntes, apresentando números positivos seguidamente, e será capaz de formar poupança em reservas estrangeiras, conseguindo em pouco tempo volume de recursos suficiente para promover uma virada econômica que o país jamais experimentou.

Estamos precisando alcançar a autossuficiência em combustíveis e derivados com urgência.  O PT está apostando todas as suas fichas nessa possibilidade. Mas, isso só poderá começar a ocorrer em 2021. Até lá, teremos de aturar os sucessivos “pibinhos” com pressão inflacionária nos limites do controle do Banco Central.

PROJETO OUSADO

É um projeto bastante ousado do governo petista, que torce e fica na dependência da retomada da economia mundial para melhorar os números do setor externo.

Se a cabeça não pensa, o corpo padece. Precisamos do aquecimento da economia mundial para melhorarmos nossa balança comercial, com destaque para as necessárias importações da China e dos EUA, nesta ordem.

Também precisamos que o governo federal tenha o compromisso de aumentar o superávit fiscal, ou seja, pare de gastar e economize mais as receitas orçamentárias. É isso que na linguagem técnica dizemos: responsabilidade fiscal.

A evocação do passado pode servir para iluminar o presente

Acílio Lara Resende

O primeiro grande comício em favor do retorno do voto direto (no início das Diretas Já), extinto pelo golpe militar de 1964, realizado na praça da Sé, em São Paulo, completou 30 anos no último dia 25 de janeiro. A data é importante para minha geração, que sofreu na carne a ausência da liberdade. Nem por isso lhe concedo o direito de não crer em nosso país (para tanto, basta-lhe volver os olhos ao passado e compará-lo ao presente), nem lhe dou o direito de não acreditar no povo brasileiro. Dou-lhe o direito, todavia, de verberar as discriminações, os erros, a injustiça. Ou a nossa Justiça. Que pode ser cega, mas tem juízes capazes de enxergar, como ficou provado no julgamento do mensalão.

Por outro lado, compreendo a enorme impaciência e até mesmo a profunda decepção de inúmeros dos nossos jovens com o destino do nosso país. Concentram-se neste péssimo instante e, às vezes, injusta e apressadamente, concluem que o Brasil não toma jeito.

Para chegarmos ao atual estágio, que deixa muito a desejar, passamos por momentos terríveis. Refiro-me àqueles duramente vividos durante anos e nos quais prevaleceu não a vontade do povo, mas a dos donos do poder, que se valeram da força bruta. Está bem vivo, por exemplo, o golpe militar de 1964, que, dentre outros absurdos, asfixiou a universidade. Naquela ocasião, o único pecado era se opor ao regime. O resto era permitido, desde que, simplesmente, o respeitássemos.

Queiram ou não os pessimistas, e apesar das chuvas, raios e trovoadas, um novo país nasceu a partir da promulgação da Constituição de 1988, que não é perfeita, mas é o segundo marco mais importante depois da eleição – ainda que indireta – de Tancredo Neves.

VIGILÂNCIA

É evidente, leitor, que não vivemos em paz celestial. Ao contrário, temos que estar vigilantes. A democracia é uma plantinha tenra e frágil. Ela pode não suportar a força dos que, obstinados, lutam em favor de um retrocesso institucional. Os inimigos da liberdade são incansáveis. Jogam na desmoralização dos políticos e dos partidos.

Dentre os partidos que (por hipótese) trabalham na construção desse novo Brasil, o que mais deve satisfação à sociedade brasileira é o Partido dos Trabalhadores. Seus atuais integrantes, antes defensores intransigentes de uma sociedade ética, livre e igualitária, se associaram ao que há de mais pernicioso entre nós. Exemplo disso está na insaciável aliança para governar, na qual (digo isso com sofrimento e não com prazer) desponta a triste figura do senador José Sarney, um político que sucedeu, no Estado do Maranhão, o cacique Vitorino Freire, mas se tornou igual ou pior do que ele. “Quem, naqueles idos de março, segundo Márcio Garcia Vilela, predissesse que José Sarney acabaria na Presidência da República, seria internado numa masmorra qualquer, como devem ser hoje as prisões administradas pelo poder estadual, por loucura e perturbação da ordem, acusado de feiticeiro do futuro”.

Temos um encontro marcado com esse novo Brasil no próximo dia 5 de outubro. Ele depende do nosso voto na urna. É nossa escolha consciente que o tornará ou não uma arma poderosa em seu favor. O mundo ficará sabendo, então, o que querem, principalmente, os brasileiros da nova geração. Até lá e que os bons ventos nos conduzam!

O pessimismo não pode ser nossa única bússola. Como diz Sandra Starling, há uma saída. A gente só não a encontrou… (transcrito de O Tempo)